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O objetivo de quem participa da mesa do Senhor deve ser única e exclusivamente anunciar a morte de Cristo. Se alguém usa do cerimonial comemorativo estabelecido por Cristo de modo indevido, como estava sendo feito por alguns da igreja de Corinto, acaba por tornar-se culpado da morte de Cristo (…) Aqueles que não discernem o corpo de Cristo, que é a igreja, e que continuam a participar do pão e do cálice, estes são réus, merecedores de castigo. Quando a pessoa não diferencia o que é o corpo de Cristo, ele acaba sendo egoísta, causando divisões e dissensões, o que demonstra que ele não está ligado à cabeça da igreja, que é Cristo.

 


O Alerta Solene

As mensagens e sermões que antecedem a cerimônia da ceia geralmente contêm alertas quanto ao não cear indignamente. Os pregadores solicitam aos ouvintes que façam um auto-exame e apelam para a consciência dos ouvintes: Não participem do cálice e do pão indignamente!

Alguns pregadores alegam que, se alguém cometeu um errou durante a semana, acabou por tornar-se indigno de participar do cálice e do pão. Outros alegam que, caso alguém não tenha se santificado durante o decurso da semana, também será culpado do corpo e do sangue de Cristo, isto, se participar do pão e do cálice.

Diante deste impasse, fica a questão: O que é participar do pão e do cálice indignamente?

Para compreendermos o que Paulo escreveu aos cristãos de Corinto, analisemos o capítulo 11 da carta que foi endereçada a eles.

 

O Contexto

“Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (v. 1).

Antes de analisarmos o texto que geralmente é lido no cerimonial da comemoração da morte de Cristo, é preciso determinar qual o contexto que motivou o apóstolo Paulo a escrevê-lo.

Para esta análise é preciso ler o capítulo anterior, onde é demonstrado com se deu e no que consiste a liberdade cristã.

Paulo lembra os cristãos de que todas as coisas são licitas, mas que nem todas são convenientes. Há coisas que são licitas, porém, nada constroem ( 1Co 10:23 ). Para resumir os elementos pertinentes à liberdade, Paulo demonstra que, tudo quanto o cristão fizer, deve fazer para a glória de Deus ( 1Co 10:31 ).

Ou seja, Paulo solicita aos irmãos que tivessem um comportamento que não escandalizasse nem os judeu, nem os gregos e nem a igreja de Deus “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar” ( 1Co 10:32 -33).

Paulo demonstra que, para não causar escândalos a quem quer que seja, ele procurava não satisfazer os seus próprios interesses, antes, buscava o interesse de muitos, com o único fito de salvar a muitos (v. 33).

Paulo demonstra que, a sua atitude pessoal era uma imitação clara das atitudes de Cristo, que não procurou agradar a Si mesmo. Desta maneira Paulo aconselha os cristãos a que fossem seus imitadores ( 1Co 11:1 ).

O capítulo 11 aborda dois temas distintos: o uso do véu na igreja de Corinto e a Ceia do Senhor. Para falar a respeito destes dois temas, o apóstolo fez dois tipos de abordagem: ao falar do uso do véu, Paulo louva os cristãos por lembrarem-se do que lhes fora ensinado anteriormente. Ao falar da Ceia, o apóstolo não louva os cristãos.

“Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior” (v. 17).

O apóstolo louva os cristãos por em tudo se lembrarem dele e dos preceitos que guardavam conforme foram ensinados, mas repreende a todos pela conduta durante o cerimonial da Ceia ( 1Co 11:17 ).

Desta maneira, verifica-se que o contexto do verso 17 em diante é de repreensão. Contexto bem diferente da instrução anterior, que foi o uso do véu.

Mas, qual o objetivo da censura do apóstolo? O que Paulo estava coibindo?

O apóstolo Paulo censura os cristãos de Coríntios por causa de suas reuniões “… pois vos reunis, não para melhor, senão para pior” ( 1Co 11:1 ). Ou seja, o assunto abordado e discutido do verso 17 em diante gira em torno das reuniões dos cristãos. Isto porque as suas reuniões não eram para melhor, senão para pior.

O objetivo, ou a finalidade da reunião dos cristãos estava desvirtuado, e por este motivo específico, Paulo censura a conduta dos cristãos. Conduta esta que podia causar escândalo à igreja de Deus.

 

Problemas nas Reuniões

“Porque antes de tudo ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós divisões; e em parte o creio” (v. 18).

O apóstolo escreveu com base naquilo que ouviu a respeito do que estava acontecendo nas reuniões. Paulo ouviu de alguém que na igreja de Corinto havia divisões.

Paulo é cauteloso a cerca do que ouviu “… e em parte o creio” (v. 18).

Sobre as dissensões na igreja de Corinto, Paulo foi informado pelos da família de Cloé, e já havia recomendado aos cristãos que não agissem desta forma ( 1Co 1:10 ). Porém, o problema em pauta já não é dissensão, e sim, divisões de ordem socioeconômica.

Observe que as dissensões eram promovidas por questões partidárias no seio da igreja. Já as divisões surgiram por causa daqueles que tinham o que comer, e os que não tinham. Esta atitude acabava por envergonhar aqueles que nada tinham para comer (v. 22).

 

Divisões, Dissensões ou Heresias?

“E até importa que haja entre vós diferenças, para que os que são sinceros se manifestem entre vós” (v. 19).

O apóstolo ressalta que as diferenças entre os cristãos são necessárias.

Diante das diferenças os cristãos sinceros desenvolvem a tolerância, o amor ao próximo, a sinceridade, a moderação, a misericórdia, etc ( Tg 3:17 ).

Os homens e as instituições não toleram diferenças, e na sua maioria empregam meios para minimizar as diferenças, ou até mesmo excluir aqueles que são diferentes.

A proposta das diferenças na criação é a interação harmoniosa dos homens, porém, estas diferenças funcionam como um reagente, tornando visível a malignidade da natureza humana corrompida pelo pecado em Adão: dissensões, porfias, vã gloria, inveja, contendas, confusão, mentiras, etc ( Tg 3:14 -15).

Embora os cristãos já estivessem libertos da natureza pecaminosa, sendo nova criatura pela fé em Cristo, o entendimento de ‘mundo’ deles ainda precisava ser reformulado. Embora nova criatura, ainda não haviam se despido dos feitos da velha natureza, o que só é possível através da transformação operada pelo renovar do entendimento.

O evangelho de Cristo não busca acabar com as diferenças. Da mesma forma, a igreja de Cristo é constituída daqueles que creem, não importando as diferenças sociais ( Gl 3:26 -29). Não importa as diferenças, todos são filhos de Deus pela fé em Cristo.

Este versículo demonstra que, mesmo tratando de certas questões geradas pela diferenças, jamais foi o objetivo de Paulo extirpá-las. O problema dos cristãos não era as diferenças, antes a forma de lidar com elas.

Quanto a forma de se lidar com as diferenças, este assunto já havia sido abordado no capítulo anterior ( 1Co 10:31 -33).

Há algumas traduções que rezam: “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós” (v. 19), em lugar de ‘diferenças’. Qual a tradução mais acertada?

O que pode demonstrar qual a tradução acertada é o contexto. Importa que haja heresias no meio dos cristãos? Caso tenha importância existir heresias entre os cristãos, isto vai contra tudo o que os apóstolos pregavam.

Perceba que o tradutor fez um mero trabalho de verificação de léxico, porém, não analisou o contexto na qual tal palavra estava sendo empregada.

Da mesma forma a palavra correta no verso 18 é divisão, e não dissensões, o que foi abordado no início da carta, conforme Paulo foi avisado pelos da família de Cloé ( 1Co 1:11 ). Observe que Paulo não declina quem lhe avisou que havia divisões durante as reuniões ( 1Co 11:18 ).

“De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor” (v. 20).

O que o apóstolo ouviu acerca das reuniões para se comer a Ceia do Senhor foi o bastante para a conclusão: as reuniões que faziam não eram para comer a ceia do Senhor.

A crítica de Paulo continua sendo a reunião dos cristãos. Eles se juntavam num lugar, porém, tal ajuntamento não era para comer a ceia do Senhor.

O Problema

“Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se” (v. 21).

Este versículo firma-se no anterior, ou seja, Paulo passa a motivar a crítica feita no versículo anterior: “Porque…”.

Quando os cristãos de Corinto iam comer reunidos em um mesmo lugar, cada um se apressava a tomar a sua própria ceia, e conseqüentemente, uns ficavam com fome, e outros, de tão abastados, ficavam embriagados ( 1Co 11:21 ).

Os cristãos que tinham o que comer comiam tanto que, ao final do cerimonial estavam embriagados, e outros que nada tinham, ficavam com fome. Estes estavam esquecidos que a igreja de Deus é comporta por servos e livres, judeus e gentios, homens, mulheres e crianças, pobres e ricos, etc.

As diferenças eram muitas, porém, deveriam ser imitadores de Cristo, como filhos amados ( Ef 5:1 ; 1Co 10:32 -33).

Para compreenderemos o texto, faz-se necessário entendermos o modelo de reunião adotada pelos cristãos primitivos.

A determinação de Cristo aos discípulos foi específica: todas as vezes que fossem cear, deveriam comemorar a morte de Cristo até que Ele viesse outra vez ( 1Co 11:25 ).

Os cristãos de Corinto reuniam-se conforme a determinação de Cristo, porém, cada um fazia uma ceia ‘particular’, mesmo quando reunidos em um mesmo lugar. Esqueciam que a comunhão era tanto na hora de comer, quanto no ‘partir do pão’.

 

A Igreja de Deus

“Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo” (v. 22).

A repreensão do apostolo é enfática: “Não tendes casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm?”. O pouco apreço pela igreja de Deus é o que motivou a repreensão do apóstolo.

Para entender o texto, também é preciso verificar sobre qual igreja Paulo está fazendo referência. Observe que a igreja que Paulo faz referência neste versículo não é o templo, ou a casa onde ocorriam as reuniões, que hoje acabamos por denominar igreja.

A igreja de Deus refere-se ao corpo de Cristo formado pela comunhão em Cristo por vários povos de diferentes classes sociais e etnias.

A atitude de cada cristão em fazer uma ceia ‘particular’ nas reuniões que eram voltadas para anunciar e comemorar a morte de Cristo até que Ele voltasse estava simplesmente envergonhando aqueles que nada possuíam.

Esta atitude causava menosprezo à igreja de Deus, visto que, a igreja ou o corpo de Cristo é composto por várias pessoas de diferentes classes sociais.

Por que estava ocorrendo este menosprezo? Porque não compreendiam a dinâmica (mistério) que envolve a igreja de Deus, ou melhor, o corpo de Cristo. Se eles compreendessem a ideia da palavra igreja que está contida no Novo Testamento, eles não estariam participando do pão e do cálice indignamente.

A compreensão exata que o cristão deve ter a respeito do que é a igreja de Deus foi descrito por Paulo na carta aos cristãos em Éfeso:

1) A igreja era um mistério que esteve oculto em Deus, não sendo revelado aos homens em outras gerações ( Ef 3:4 -5); mas, que agora foi revelado aos santos apóstolos e profetas;

2) A igreja é a união de povos (gentios e judeus), onde ambos os povos têm “acesso ao Pai em um mesmo Espírito” ( Ef 2:18 ). Os gentios são membros do corpo de Cristo, e Cristo é o cabeça deste corpo ( Ef 3:6 e Ef 5:23 ). A igreja é o corpo de Cristo ( Cl 1:24 ), e todos estes elementos reunidos formam a ideia presente na palavra igreja, o corpo de Cristo;

3) Todos os homens que creem em Cristo (judeus, gregos, romanos, servos, livres), fazem parte do corpo de Cristo individualmente. Quando reunidos, havia pessoas de diferentes raças e classes sociais, mas todos fazem parte do corpo de Cristo ( 1Co 12:13 e 27).

4) A igreja, o corpo de Cristo, foi formada porque Cristo entregou a sua carne (o seu corpo humano); e, por meio da entrega do corpo de Cristo todos os que creem tornam-se participantes da morte de Cristo (morrem com Cristo), e ao serem de novo criados (ressurgirem com Cristo) por meio da fé, o homem deixa de ter qualquer vínculo com a sua antiga natureza, como bem expressa o apostolo Paulo: “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, Ainda que tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” ( 2Co 5:16 ). Ou seja, com esta declaração Paulo demonstra que ninguém deveria se pautar em elementos pertinentes a antiga natureza para dizer que conhecia alguém dentro da igreja. Deveriam excluir qualquer tipo de discriminação como: “- Você conhecer aquele irmãozinho, o escravo de ‘fulano’?” Ou, “-Você viu ‘bertano’, o senhor de ‘fulano’?”. Depois que o homem aceita a Cristo, a ninguém mais deve conhecer por elementos pertinentes à carne, visto que, agora, em Cristo, todos são irmãos, filhos de Deus pela fé e concidadãos dos santos, pertencentes à família de Deus “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus” ( Ef 2:19 ).

O apóstolo não aceitou aquela forma de comportamento, pois não foi dessa maneira que Paulo havia ensinado os cristãos.

Sobre a não utilização do véu, os cristãos estavam seguindo o determinado por Paulo, e por isso, foram louvados. Já com relação à ceia, não foram elogiados, visto que, estavam afastados dos preceitos ensinados por Paulo.

A Instituição da Ceia

Lemos em Mateus 26 que, no primeiro dia da festa dos pães amos, os discípulos queriam saber de Jesus onde haveriam de preparar a páscoa ( Mt 26:17 ). Jesus indicou uma casa pertencente a um homem que ficava na cidade.

Os discípulos foram e prepararam a páscoa, e à tarde, Jesus assentou-se à mesa com os doze. Durante a degustação da páscoa, Jesus anunciou que seria traído, e os discípulos com pesar perguntavam: “Por acaso sou eu Senhor?” ( Mt 26:22 ).

Foi quando Jesus disse que, aquele que metesse a mão juntamente com ele no prato, este o havia de trair. Judas, o que traiu, perguntou: “Por acaso sou eu, Rabi?”, e Jesus respondeu: “Tu o disseste”.

Enquanto todos comiam o preparado para a páscoa, Jesus pegou o pão e abençoando, partiu-o e deu aos seus discípulos. Depois, Jesus pegou o cálice, deu graças, e deu-o aos seus discípulos, dizendo: “Bebei dele todos…” ( Mt 26:27 ).

Enquanto Mateus focou-se nos arranjos para se comemorar a páscoa, Lucas fixou-se no desejo de Jesus em participar juntamente com os seus discípulos daquela última páscoa ( Lc 22:15 ).

Lucas demonstra que, ao se assentar à mesa com os seus discípulos, Jesus mencionou o desejo de comer daquela ceia antes do seu sofrimento. Que em seguida, pegou o cálice e deu graça, e mandou que repartissem o cálice entre eles.

Após repartir o cálice, Jesus deu graças pelo pão e o repartiu entre os discípulos. Ao final da ceia, Jesus fez com o cálice da mesma forma que foi feito com o pão e explicou o significado do cálice ( Lc 22:19 -20).

Enquanto comiam a páscoa Mc 14:18 , Jesus falou-lhes da traição e em um determinado momento pegou o pão e o abençoou. Em seguida, parti-o e deu aos discípulos dizendo: “Tomai, comei, isto é o meu corpo” ( Mc 14:22 ).

Da mesma forma Jesus lhes anunciou: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos” ( Mc 14:24 ).

Isto foi posto para entendermos o que estava ocorrendo na igreja de Coríntios. Devemos observar atentamente os moldes em que se deu a ceia ministrada por Jesus.

Na noite em que foi traído, Jesus e os discípulos estavam comendo o cordeiro da páscoa. Em dado momento da festa, Jesus pegou o pão e o abençoou e distribuiu aos discípulos dizendo: “Tomai, comei, isto é o meu corpo”.

Isto demonstra que, como a primeira ceia ministrada por Cristo se deu em meio à festa dos pães asmos (quando era necessário aos judeus sacrificarem a páscoa), os cristãos primitivos quando se reuniam para comemorar e anunciar a morte do Senhor Jesus, acabavam por fazer uma grande refeição semelhante a ceia dos judeus.

A dissensão que estava ocorrendo na igreja de Corinto era decorrente da refeição que faziam antes de comemorar a morte de Cristo.

Observe que Jesus após cear tomou o pão, ou seja, após comer o cordeiro pascoal que foi preparado pelos discípulos no dia dos pães asmos, é que foi instituído o cerimonial em sua memória. Foi durante a páscoa que Jesus tomou o cálice e o pão, abençoando-os ( Lc 22:7 ).

Podemos depreender dos textos a seguinte ordem nos eventos narrados:

a) Preparação para a páscoa;

b) Jesus assenta-se à mesa com todos os discípulos;

c) Diferente de outras páscoas, Jesus pega o recipiente que continha o vinho, deu graça, e entregou aos discípulos para que repartissem entre eles ( Lc 22:17 );

d) Depois, Jesus pegou o pão, deu graças e o partiu. Entregou aos seus discípulos o pão dizendo: “Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim” ( Lc 22:19 );

e) Após a ceia, da mesma forma que foi feito com o pão, Jesus procedeu com o cálice. Pegou o cálice e disse: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado por vós” ( Lc 22:20 ).

Não podemos confundir a ceia referente à páscoa, da ceia que hoje se comemora à morte de Cristo. Da mesma forma que, antes de comemorarem a morte de Cristo, os cristãos de Corinto estavam se reunindo para se banquetearem, porém, ignoravam aqueles que nada tinham.

 

Recapitulando os Ensinamentos

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão” (v. 23).

Paulo passa a recapitular o que havia ensinado aos cristãos.

O que Paulo havia ensinado, era o mesmo que recebera de Cristo.

Paulo havia ensinado os cristãos, que Jesus, na noite em que fora traído, tomou o pão e tendo dado graças, o partiu e disse:

“E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” (v. 24).

Jesus manda os discípulos pegarem e comerem o pão, e lhes apresenta o motivo: o pão repartido por eles representava o corpo de Cristo, que foi entregue por todos.

Este cerimonial foi instituído em memória de Jesus e da sua obra pela igreja. Jesus aponta o objetivo pela qual deveriam pegar e comer do pão: manter viva a memória do seu nome.

“Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (v. 25);

Após Cristo terem comido do cordeiro pascoal juntamente com os discípulos (depois de cear), ele pegou o cálice, que momento antes fora repartido entre os discípulos, deu graças Lc 22. 17, e disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue”.

O testamento anterior foi invalidado quando Cristo instituiu o novo.

Os cristãos devem entender que a base de tudo esta no testamento no sangue de Cristo, e não no homem. É Cristo a garantia de salvação, e não os nossos atos.

Os elementos da ceia

Paulo ensinou que, na noite da traição, Cristo pegou o pão e após ter dado graças partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isso em memória de mim” (v. 24);

Sabemos que o pão não se transforma no corpo ou na carne de Cristo. Antes, ao dizer: “Isto é o meu corpo…”, Jesus estava demonstrando que o pão, naquele momento, representava o corpo de Cristo, que estava sendo entregue à humanidade.

Sabemos que o corpo de Cristo não foi dividido em partes, visto que, nenhum de seus ossos foi quebrado. Desta forma, sabemos que o pão partido e entregue aos discípulos não representava que o corpo de Cristo seria dividido em partes, antes que, cada um dos discípulos, após comerem, passaram a fazer parte do corpo de Cristo.

Cristo foi entregue em prol da humanidade, e todos os que crêem passam a condição de participantes do corpo de Cristo.

Após ter dado graças e partido o pão aos discípulos, Jesus estava lhes demonstrando que todos eles constituíam o seu novo corpo. O pão repartido entre os discípulos representava o corpo de Cristo, ou seja, cada discípulo passou à condição de participante do corpo de Cristo.

O pão que foi partido por Cristo representava o seu corpo, e que, após ser entregue aos discípulos, passou a representar que cada um dos discípulos passaram a compor o corpo de Cristo.

O pão que representava o corpo de Cristo estava sendo ‘partido’ por todos, ou seja, ao partir o pão e o cálice, os cristãos manteriam viva a lembrança de que todos faziam parte do corpo de Cristo.

Paulo estava relembrando os cristãos que, embora fossem muitos, todos individualmente eram membros uns dos outros, da mesma forma que eram um só corpo em Cristo “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Romanos 12: 5).

Da mesma forma que o pão representava o corpo de Cristo “Isto é o meu corpo…” (v. 24), cada um dos discípulos passou à condição de membros deste corpo.

Paulo citou todos os elementos quando se comemora a morte de Cristo:

a) Jesus entregou o pão a todos os presentes;

b) todos estavam comendo a páscoa;

c) o cálice foi repartido e entregue a todos os discípulos.

Estes elementos demonstram que todos os discípulos estavam reunidos em um único propósito: participarem da páscoa.

No antigo testamento todos os israelitas deviam participar do cordeiro pascoal. Da mesma forma, Cristo demonstra que todos os cristãos devem participar da ceia instituída no Novo Testamento, sendo que, até mesmo Judas participou do pão e do cálice.

Cristo sabia que Judas era um traidor, no entanto, deixou-o participar do pão e do cálice.

Pedro participou da ceia, mesmo Cristo sabendo que seria negado mais tarde.

Logo após a ceia houve uma grande discussão entre os discípulos sobre qual deles haveria de ser o maior no reino dos céus, mas todos participaram da cerimônia ( Lc 22:24 -30).

No jardim do Getsêmani todos os discípulos dormiram em um dos momentos mais cruciais, deixando Jesus só.

Pedro, muito tempo depois, tornou-se repreensível e Paulo teve que exortá-lo, porém, não há registro de que Pedro tenha deixado de participar da ceia por tornar-se indigno.

Todos estes casos demonstram que questões comportamentais, morais, hábitos e maneira de viver não tornam os homens indignos de participarem do pão e do cálice.

“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (v. 26).

Ao instituir a ceia (comer do pão e beber do cálice), Jesus estava:

a) Dando a entender que os discípulos eram o corpo de Cristo (v. 24), e;

b) Que há uma nova aliança, um novo Testamento entre Deus e os homens firmados no sangue de Cristo (v. 25);

c) Comer do pão e beber do cálice em memória de Cristo é anunciar a morte de Cristo até a sua vinda (v. 26).

 

“Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor” (v. 27).

O apóstolo Paulo demonstrou anteriormente que a ceia é anuncio da morte do Senhor, e neste versículo remete os leitores a uma conclusão: “Portanto…”.

O apóstolo Paulo demonstra que qualquer um que comer do pão e beber do cálice indignamente, este será culpado do corpo e do sangue do Senhor.

Os Indignos

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (v. 28).

O versículo anterior só aponta a condição de indigno, mas não demonstra o que leva uma pessoa a condição de indigno de participar do pão e do cálice.

Paulo solicita aos cristãos que façam um auto-exame para que não se vejam em condenação, para depois apresentar o que de fato torna um homem indigno de ser participante do pão e do cálice (v. 29).

Paulo determina que o homem deva examinar-se a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Observe que Paulo demonstra que não é coerente que outros julguem os nossos atos “Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem?” ( 1Co 10:29 b).

“Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor” (v. 29).

Por que o homem deve examinar-se a si mesmo? Porque o que come indignamente, comem e bebe para a sua própria condenação. Ou seja, não é a proibição imposta por outra pessoa impedindo que alguém participe da ceia, que livrará o outro de ser culpado do corpo e do sangue de Cristo.

Quem participa do pão e do corpo indignamente, come e bebe para a sua própria condenação, ou seja, não há como outra pessoa impor regras e condições para que outra pessoa se torne digna.

Mas, o que tornava os cristãos de Corinto indignos de participarem da ceia?

Em uma primeira leitura do texto, a idéia que sobrevém são os erros diários! Muitos concluem que os erros são os responsáveis por tornar um cristão indigno de participar do pão e do cálice! Tremendo engano.

Paulo declara que se torna indigno de participar do pão e do cálice aquele que não discerne o corpo do Senhor, ou melhor, aquele que não sabe fazer uma apreciação do que é, ou no que constitui o corpo do Senhor.

Por não entenderem qual é o significado do corpo do Senhor, ou qual é o conceito que envolve a igreja de Cristo, alguns dos crentes de Corinto seriam culpados do corpo e do sangue de Cristo.

Isto porque o objetivo de quem participa da mesa do Senhor deve ser única e exclusivamente anunciar a morte de Cristo. Se alguém usa do cerimonial comemorativo estabelecido por Cristo de modo indevido, como estava sendo feito por alguns da igreja de Corinto, acaba por tornar-se culpado da morte de Cristo.

Ou seja, a condição daquele que se diz cristão e não compreende o que é o corpo de Cristo, a sua condição é pior que a do incrédulo “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro” ( 2Pedro 2:20 ).

Todos aqueles que se reuniam para participar do pão e do cálice já haviam escapado da corrupção do mundo, por meio da fé em Cristo. Porém, caso permanecessem fazendo distinções, divisões, menosprezando a igreja de Deus, isto demonstra que continuavam perdidos. Continuavam culpados da morte de Cristo.

Sobre estas pessoas o apóstolo Pedro disse: “Receberão a paga da injustiça. Tais homens têm prazer na luxuria à luz do dia. São nódoas e máculas, deleitando-se em suas mistificações, quando banqueteiam convosco” ( 2Pe 2:13 ).

O versículo 27 e uma conclusão da idéia exposta no versículo anterior “Portanto, (…) será culpado…” ( 1Co 11:27 ). Desta conclusão decorre dos elementos apresentados anteriormente:

1) Do que foi ensinado por Paulo (v. 23 a 26) ao descrever o que foi realizado por Cristo na noite em que foi traído, e;

2) Interposto aqui como exemplo de que forma os cristãos devem se portar quanto da solenidade comemorativa da morte de seu Mestre, que a ninguém descriminou na cerimônia.

A idéia geral desenvolvida por Paulo neste capítulo parte da constatação de que havia divisões quando das reuniões dos cristãos. Estas divisões tinham como elemento central o cerimonial comemorativo da morte de Cristo, que é a comunhão em seu corpo e sangue.

Paulo apresenta as divisões: pressa ao tomar a própria ceia; uns com fome e outros embriagados; menosprezavam a igreja, envergonhado os que nada tinham.

Este tipo de comportamento era uma demonstração clara de menosprezo à igreja de Deus, uma vez que não estavam se importando com os domésticos da fé.

Paulo já havia ensinado que Cristo instituiu o cerimonial comemorativo de sua morte enquanto comiam à páscoa, sendo que todos participaram tanto da páscoa quanto do primeiro ato comemorativo da morte de Cristo.

Depois desta seqüência de idéias, o apóstolo chega a primeira conclusão: “… será culpado do corpo e do sangue do Senhor”. Neste versículo, ‘corpo’ e ‘sangue’ referem-se ao corpo de Jesus que fora entregue aos homens e não a igreja de Cristo. Observe:

“Pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice…” (v. 26)

“Portanto, qualquer que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente…” (v. 27)

“… anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (v. 26)

“… será culpado do corpo e do sangue do Senhor” (v. 27)

O comer do pão e o beber do cálice foi instituído para anunciar a morte de Cristo até a Sua volta, e o cristão que come e bebe indignamente a ceia não esta anunciando a morte de Cristo, antes é réu da morte de Cristo.

O apóstolo não esta falando da igreja, organismo vivo e poderoso, onde os seus membros são ‘templo’ e ‘moradas’ do Deus vivo, antes faz referência à morte de Cristo (corpo e do sangue).

Há uma culpa para os indignos, mas qual? O escritor aos hebreus nos dá uma idéia do que é ser culpado da morte de Cristo, e não participante de sua morte, como é necessário para se escapar da ira vindoura.

O homem é livre de condenação quando se torna participante da morte de Cristo, o que a ceia representa. Porém, se já não é participante do corpo, e as divisões demonstram isto, não eram participantes da morte, antes eram culpados do corpo e do sangue.

“Se voluntariamente continuarmos s no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo que há de devorar os adversários (…) De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?” ( Hb 10:26 –29).

O escritor aos Hebreus alerta que, aquele que foi inteirado plenamente das verdades contidas no evangelho, e mesmo assim decide permanecer no pecado (o pecado aqui refere-se a natureza herdada de Adão), não há mais que se oferecer sacrifícios pelos seus pecados (pecados aqui refere-se a conduta), pois o velho homem continua vivo e em inimizade com Deus.

Aqueles que não discernem o corpo de Cristo, que é a igreja, e que continuam a participar do pão e do cálice, estes são réus, merecedores de castigo. Quando a pessoa não diferencia o que é o corpo de Cristo, ele acaba sendo egoísta, causando divisões e dissensões, o que demonstra que ele não está ligado à cabeça da igreja, que é Cristo.

Quando alguém faz divisão na igreja, está conforme João disse: “Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas” ( 1Jo 2:9 ), ou seja, por não saber discernir o corpo do Senhor, permanece no pecado (não fazendo parte do corpo, que é a igreja e não se conformando com Cristo na sua morte), estes estão novamente “… crucificando para si mesmos o Filho de Deus, e expondo-o ao vitupério” ( Hb 6:6 ).

Se estiverem crucificando para si o Filho de Deus, resta que são réus de juízo, e participam do pão e do cálice indignamente, para a própria condenação. São culpados da carne e do sangue.

Conclusão

“Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor” (v. 27- 29).

 

Os versículos 27 e 29 apontam um problema no seio da igreja, e o 28 é a solução do problema.

O apóstolo solicita aos irmãos que fizessem um auto-exame, e que após este exame, participassem do pão e do cálice (v. 28). O apóstolo não proíbe o comer do pão e do cálice, pois só o auto-exame já era suficiente para que o participante viesse a se conscientizar das questões pertinentes ao corpo do Senhor, que a Igreja.

Paulo estava questionado o comportamento individualista de alguns e não aquele que pode ou não participar da mesa do Senhor. Em momento algum Paulo diz de quem pode ou não participar da Ceia de Cristo.

Paulo solicita aos cristãos refletirem, e, após, que participassem do ato comemorativo que anuncia a morte do Senhor.

Qualquer pessoa que participa da ceia fora do objetivo principal, que é anunciar a morte do Senhor, acaba por condenar a si mesmo, pois não sabe discernir o corpo do Senhor, a igreja.

Assim que, aquele que participa da Ceia na intenção de santificar-se, ou que participa na intenção de alcançar o perdão dos pecados, esta enfatuado na sua carnal compreensão, e participa indignamente.

A Ceia é um anuncio da morte de Cristo, e a santificação se dá por meio da oferta do corpo de Cristo “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?” ( Hb 10:29 ).

Por não compreenderem no que consiste a igreja, surgiu inúmeras dissensões, entre elas temos: Partidarismo entre os freqüentadores da igreja ( 1Co 1:11 e 12); Litígios entre os irmãos ( 1Co 6:1 -8); Comiam a ceia em separado ( 1Co 11:21 ); etc.

O apóstolo ao comentar as divisões e dissensões que estavam ocorrendo em Corinto quando os cristãos comiam a ceia como algo em particular, ele ainda tem em mente uma ideia exposta em capítulos anteriores:

 

Base para as Afirmações Anteriores

“Falo como a entendidos: julgai vós mesmos o que digo. Não é o cálice de bênção, que abençoamos, a comunhão do sangue de Cristo? E não é o pão que partimos a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:15 -17).

O texto do capítulo 11 deve ser lido segundo o que foi exposto neste dois versículos. Para entender plenamente o capítulo 11 deve ter em mente as observações seguintes:

  • Paulo escreveu a quem foi instruído anteriormente, ou seja, os cristãos de Corinto deviam entender plenamente o significado do corpo de Cristo, que é a igreja “Falo como a entendidos”; Uma vez que Paulo já havia ensinado e louvado os cristãos por terem guardado os preceitos da maneira que foram entregue, eles já entendiam das questões espirituais ( 1Co 11:2 );
  • Paulo escreve a quem já era capaz de discernir as verdades bíblicas através de um auto-exame “Julgai vós mesmos”. Quem havia aprendido de Paulo, sabia o quanto ele enfatizava à liberdade em Cristo ( 1Co 10:23 ). Daí a necessidade do auto-exame ( 1Co 11:13 );
  • Não é o cálice que traz a bênção para o crente, antes é o crente que abençoa o cálice. Por quê? Porque o cálice se resume em uma representação do que é real. Nós, que estamos em Cristo, é que temos comunhão com o sangue e com o corpo de Cristo, e por isso, abençoamos o cálice da bênção. Cristo abençoou o pão e partiu entre os discípulos ( Mt 26:26 );
  • Através do que é representativo (pão e cálice), todos tornam participantes de Cristo (exteriorização de uma realidade espiritual), desta forma é o cristão quem abençoa o cálice e o pão.

A atitude impensada de alguns (não sabiam discernir o que é o corpo do Senhor), que participavam da mesa do Senhor imbuídos de sentimentos egoístas (demonstravam que não estavam anunciando a morte do Senhor), acabava por fazer surgir entre os cristãos muitos fracos e doentes. Pior ainda, muitos já estavam dormindo.

Fraco – aqui não faz referência a alguém que pecou, antes àqueles que não entendem plenamente as verdades do evangelho e que podem ser induzidos a adotarem comportamentos errôneos ( 1Co 8:9 -10; 2Pe 2:18 ).

Doente – faz referência àquele que está prestes a perecer espiritualmente, deixando de crer.

Dormem – faz referência àqueles que perderam a esperança da salvação ( 1Ts 5:6 -8).

O apóstolo de uma forma amorosa e esplendida orienta os irmãos a que fizessem um auto-exame de suas condutas diárias, pois então, não seria mais necessário ter que repreendê-los. Mas, se fosse necessário o apóstolo repreendê-los, que considerassem que a disciplina do Senhor livra o homem da condenação com o mundo.

A orientação para acabarem com as distorções sobre a ceia é clara: esperem uns pelos outros quando se reunirem para comer; e, se alguém tiver fome, coma em casa.

Todas as vezes que realizassem o ato de comer e beber do cálice, estariam a anunciar a morte de Jesus, até o dia de sua volta. Diante disto o apóstolo conclui: se alguém participar do pão e do sangue de modo indigno, será culpado do corpo e do sangue, o que leva o participante a ter que examinar a si mesmo para não participar indignamente.

 

Concluí-se:

Não há como alguém que crê em Cristo, conforme diz as escrituras, e que entende plenamente o que é o corpo de Cristo, tomar a ceia indignamente.

Só aqueles que dizem amar a Deus, e que não amam os seus irmãos, a ponto de fazer distinção, divisões e serem egoístas quanto ao partir do pão, é que participam indignamente à mesa do Senhor ( 1Jo 3:10 ).

Porém, não há uma proibição quanto ao participar do pão e do cálice, visto que, quem participa deve examinar-se a si mesmo.

Aquele que não tem comunhão com o corpo de Cristo, que é a igreja, mas que participa do pão e do cálice indignamente. Continua sendo réu de juízo, culpado do corpo e do sangue de Cristo.

Ademais, percebe-se que quando Cristo disse: “Isto é o meu corpo que é entregue (repartido) por vós”, nós nos tornamos um só pão e um só corpo, pois todos são participantes do mesmo pão.

Da mesma forma que Cristo é o pão, nós somos um só pão com Ele. Da mesma forma que Cristo é Luz, somos filhos da Luz. Da mesma forma que Cristo é o Filho de Deus, nós somos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

“Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:17 ).

Aquele que não discerne que todos cristãos são um só pão e um só corpo em Cristo e que promovem divisões na igreja por questões economicas, sociais, nacionalidade, etc., é quem participa do pão e do cálice indignamente. Portanto, é culpado da carne e do sangue de Cristo.

“Quem não é participante do pão (corpo), é culpado da carne e do sangue”

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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