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Não há eleição e predestinação de perdidos para a salvação, mas, sim, eleitos e predestinados para o propósito eterno.


Eleitos e predestinados segundo o propósito eterno

“Como, também, nos elegeu nele, antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele, em amor.” (Efésios 1:4)

 

Preeminência de Cristo

A doutrina calvinista da eleição incondicional, nada mais é do que uma deturpação da verdade do evangelho de Cristo. Em função da má leitura de muitos textos bíblicos, os calvinistas lançam mão de argumentos, à luz das Escrituras, na tentativa de provar, como se fossem verdadeiras questões, como: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e perseverança dos santos.

Em primeiro lugar, vale destacar que a base da Doutrina da Salvação não se fixa na soberania de Deus. Com relação à soberania divina, a Bíblia destaca que Ele criou todas as coisas, como bem lhe aprouve, por meio da sua palavra. Tudo o que Deus trouxe à existência existe por Deus e neste fato temos a soberania divina (Sl 50:1).

Salvação não é uma questão decorrente da soberania, mas, sim, do propósito eterno de Deus. Deus propôs na eternidade, em si mesmo, ou seja, na pessoa do Cristo, fazê-lo mui sublime, entre muitos irmãos e o mais elevado dos reis da terra, propósito este que se concretizou na igreja e na descendência, segundo a carne de Abraão, respectivamente.

O propósito de Deus é imutável, não há adequações e nem precisa de ajustes, tanto na eternidade quanto no tempo dos homens. Ao final de todas as coisas, Cristo é a cabeça da igreja, o seu corpo, pois Ele é o Sublime entre muitos irmãos; concomitantemente, após o arrebatamento da igreja, haverá o início do reino milenar, em que Cristo se assentará sobre o trono de Davi e governará as nações.

Antes mesmo da criação do mundo, o propósito de Deus é a preeminência de Cristo em todas as coisas. Quando houve a queda do homem, a preeminência de Cristo continuou sendo o propósito de Deus e, por isso, Deus propôs salvar os homens, tornando-os aptos ao propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

“Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Ef 3:11).

O propósito de Deus é eterno e firme, pois, foi estabelecido por Ele e para Ele na pessoa do Seu Filho Jesus Cristo.

 

Salvação

Como a queda de Adão no Éden, a humanidade ficou imprópria para o propósito que Deus estabelecera em Cristo, todavia, por Deus, o proposito permaneceu firme.

Em primeiro lugar, Deus fez aliança com o crente Abraão e prometeu que, em Abraão, seriam benditas todas as famílias da terra e que seria dada a terra das suas peregrinações aos seus descendentes. Essa promessa cumpre-se nos filhos de Abraão, segundo a carne, e aquela, nos filhos de Abraão, segundo a fé, pois, todas as promessas têm em Cristo o sim e por Ele o amém!

Como a humanidade estava perdida, em função da ofensa de Adão, aprouve a Deus salvá-la pela loucura da pregação, tornando-os salvos aptos para a vocação em Cristo. Só é vocacionado para o propósito eterno de fazer o Cristo preeminente, aqueles que são salvos pela loucura da pregação.

O propósito de Deus em Cristo é firme e, por isso, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação!

“Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” (I Coríntios 1:21).

Como Deus salva os que creem, por intermédio da mensagem do evangelho (loucura da pregação), segue-se que a salvação não é efetuada através da soberania de Deus. Enfatizar que Deus salva o homem pelo seu poder (evangelho), não depõe em desfavor da soberania divina, antes enfatiza a perfeição de Deus, que é justo e justificador, vez que, através do evangelho justifica o ímpio.

É comum os calvinistas afirmarem que, na eternidade, antes de haver mundo, Deus estabeleceu pela sua soberania, através da eleição e predestinação, a salvação de alguns e a perdição de outros.

Tal posicionamento não é o das Escrituras, que, por sua vez, demonstra que Deus quer que todos os homens se salvem, mas para serem salvos, é necessário que venham ao conhecimento da verdade, ou seja, se tornem um só corpo com Cristo, através da verdade do evangelho.

“Que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (I Timóteo 2:4).

O apóstolo Paulo é claro: Deus quer, o que é diferente do que os calvinistas afirmam, que Deus escolhe para a salvação. Se a salvação fosse resultado de uma escolha unilateral de Deus, não haveria necessidade de o homem conhecer a verdade.

São muitas as teorias dos calvinistas, acerca de decretos de Deus estabelecidos antes de existir mundo, acerca da salvação e perdição, tendo por base alguns versículos divorciados dos seus contextos. Sob o argumento de que os pensamentos de Deus são impossíveis de uma mente finita compreender, afirmam intensões e decretos de Deus estabelecidos na eternidade, acerca da salvação, que não estão exarados nas Escrituras.

A vontade soberana de Deus está patente nas Escrituras, a saber:

  1. A preeminência de Cristo em todas as coisas; para isso, se fez necessário:
  2. Salvar o que se havia perdido.

A preeminência de Cristo em todas as coisas é o proposito eterno de Deus, estabelecido na eternidade, pelo qual Cristo é constituído o cabeça da Igreja, que é o seu Corpo e, por fim, constituído o mais elevado dos reis da terra, assentando-se sobre o trono de Davi.

Para que o propósito de Deus fosse estabelecido, se fez necessária a criação de homens semelhantes a Ele, de modo que o Cristo ressurreto fosse feito proeminente entre muitos irmãos, o cabeça de um corpo. É em função dessa verdade, que os crentes em Cristo Jesus são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

Para fazê-lo o mais elevado dos reis da terra, Deus escolheu a linhagem de Abraão, segundo a carne, e prometeu a Davi que o seu descendente se assentaria no trono, tendo um reinado perpétuo.

Em razão do proposito eterno celestial, Deus elegeu a geração do último Adão para ser santa e irrepreensível diante d’Ele e a predestinou para ser conforme a sua imagem e semelhança. Em função do propósito terreno, a descendência de Abraão foi escolhida, mesmo que muitos pertencentes à nação de Israel não fossem salvos.

Mas, para estabelecer Cristo como o cabeça de uma geração de homens espirituais, Deus buscou salvar os descendentes de Adão, que estavam perdidos, em função da ofensa de Adão. Salvar não é o propósito eterno de Deus, mas para estabelecer o propósito eterno, se fez necessário salvar os homens, por intermédio do evangelho.

Em Cristo, Deus buscou os pecadores e, através do evangelho, chama a todos os homens ao arrependimento. Nenhum perdido foi escolhido ou, predestinado para a salvação, antes, todos foram alvos da misericórdia de Deus, revelada em Cristo, por meio da verdade do evangelho.

Agora, após crer na verdade do evangelho, os crentes são eleitos de Deus, pois são criados de novo, na condição de santos e irrepreensíveis. Agora, após salvos por meio do evangelho, os que creem estão predestinados a serem conforme a imagem de Cristo, pois, só assim, Cristo é primogênito entre muitos irmãos.

 

Eleição incondicional

Na Bíblia encontramos vários eventos em que há eleição incondicional, porém, todos os eventos têm em vista um propósito de Deus, não a salvação do indivíduo.

A eleição de faraó foi incondicional, pois tinha em vista um propósito: dar a conhecer o nome do Deus de Israel em toda terra. Ao escolher faraó, o propósito não firmou-se no indivíduo faraó, mas em Deus, que O elegeu, e para tanto, qualquer um dos faraós do Egito serviriam ao propósito de Deus.

“Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra” (Rm 9:17).

Semelhantemente, a escolha de Ciro, como libertador do povo de Israel, serviu a um propósito e não à salvação do Rei persa.

“ASSIM diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas e as portas não se fecharão” (Is 44:28; Is 45:1; Es 1:1).

A eleição incondicional do rei da Pérsia não tinha em vista o indivíduo Ciro (mesmo tendo sido chamado pelo nome), mas, a palavra de Deus dada aos pais:

“Por amor de meu servo Jacó e de Israel, meu eleito, eu te chamei pelo teu nome, pus o teu sobrenome, ainda que não me conhecesses” (Is 45:4).

Observe que, nas eleições incondicionais, não se tem em vista a salvação do indivíduo, mas, uma missão ou, um propósito de Deus, como se depreende da eleição de Ciro, que assinou um edito para o retorno de alguns judeus a Jerusalém, para a construção do templo.

A eleição da descendência de Abraão visava o propósito de Deus, por isso foi ordenado a Abraão: sai do meio da tua parentela. O propósito é firme, porque Deus chamou  e Ele fez Abraão pai de muitas nações, visando o seu propósito em Cristo: a) benditas todas as famílias da terra; b) uma terra e um reino à descendência de Abraão.

Jacó foi eleito desde o ventre, por causa do propósito de Deus estabelecido em Cristo, pois, isso foi anunciado de antemão à mãe de Jacó, que o maior serviria ao menor. O Cristo poderia vir da descendência de Esaú ou, de Jacó, entretanto, Jacó foi eleito por ter adquirido o direito de primogenitura, diferente de Esaú, que o desprezou.

O chamado tem em vista o propósito, que é firme em Deus, e não quem foi eleito; em função disso, foi dado o critério da primogenitura. O critério segundo a eleição é a primogenitura e isso foi anunciado de antemão a Rebeca.

Jacó e Esaú não tinham feito bem ou mal quando Jacó foi anunciado a Rebeca que herdaria a benção, para levar a efeito o seguinte propósito: “os filhos da promessa são contados como descendência”. Deus deu a Jacó o que lhe era de direito, a bênção da primogenitura, rejeitando Esaú, pois, da linhagem de Jacó, viria o descendente, não de Esaú, porque este rejeitou a primogenitura.

Observe que as eleições incondicionais que há na Bíblia, não tem em vista a salvação do indivíduo, mas, , uma missão ou, um propósito específico, como se depreende da eleição de Ciro, que assinou um edito para o retorno de alguns judeus a Jerusalém, para a reconstrução do templo.

Que dizer das eleições de Salomão, Jefté, Sansão, Gideão, etc., homens que desempenharam missões importantes na condição de reis e juízes, mas que ao final da vida, entraram por caminhos dúbios.

 

O crente em Cristo 

O crente em Cristo é salvo, pois, crê com o coração, que Deus ressuscitou a Cristo dentre os mortos e confessa com a boca que Jesus é o Senhor (Rm 10:9).

Mas, para chegar a essa nova condição: salvo e predestinado a ser conforme a imagem de Cristo, se fez necessário que alguém anunciasse a salvação em Cristo, através do evangelho (Rm 10:14-15).

Para crer com o coração e confessar com a boca, foi necessário ao crente ouvir e alguém ser enviado a pregar. No dia da pregação da verdade do evangelho, no qual o crente creu, tem-se o dia sobremodo oportuno e de salvação para aquele indivíduo.

Esse dia sobremodo oportuno não se deu na eternidade, mas, sim, no dia em que foi anunciado o evangelho e crido.

“(Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação)” (2 Coríntios 6:2)

Para o crente, em particular, o dia em que creu é o dia de salvação, diferente do pensamento de um calvinista, que acredita que primeiro são regenerados, para depois crerem para a salvação. Um calvinista não ouve, muda de concepção (arrepende) e crê para ser salvo, antes, não se sabe, como se percebem um dos eleitos (pois essa é a concepção de regeneração deles), momento no qual são habilitados a crer.

Tal posicionamento é contrário ás Escrituras, que demonstra que a salvação só é possível, após ouvir o evangelho, que é poder de Deus.

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1:13).

O crente passa a estar em Cristo (ser uma nova criatura) depois que ouve a palavra da verdade e crê. Estar em Cristo é o mesmo que ser nova criatura, ou seja, é resultado de ser gerado de novo, por intermédio da semente incorruptível, que é a palavra de Deus (2 Co 5:17).

‘Regeneração’ diz do novo nascimento, por intermédio da semente incorruptível, que é poder de Deus para salvação, e não de uma ‘graça especial’ para alguns indivíduos em particular.

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1 Pe 1:23).

O ensino Monergista (graça irresistível), por má leitura da Bíblia, dá o nome regeneração ao ato em que, arbitrariamente, Deus escolhe alguns para serem regenerados, habilitando-os a crer.

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

3 comentários em “Eleitos e predestinados segundo o propósito eterno

  • 08/01/2018 em 10:09
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    Bom dia, fiquei com uma dúvida.

    Se todos serão salvos, então, o que aconteceria se alguém recursasse a salvação? Essa pessoa seria obrigada a ser salva por Deus? Então Ele já não teria de certa forma escolhido os salvos, no caso, todos. Como isso isso seria possível sem considerar a Soberania de Deus.

    Resposta
    • 08/01/2018 em 15:35
      Permalink

      Boa tarde Rita… As perguntas formuladas por você refere-se a pensamento calvinista.. o posicionamento desde portal não é calvinista, portanto, ninguém nasce predestinado a salvação ou nunca perde a salvação..Depravação Total

      Resposta

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