Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito

‘Violência’ e ‘força’ são figuras que os profetas utilizavam para fazer referencia a falta de confiança em Deus e a disposição do povo em oferecer sacrifícios, Jesus também utilizou essas figuras para asseverar aos seus interlocutores, que, desde os dias dos profetas, até aquele momento, os homens se ‘apoderavam’ do reino dos céus à força, ou seja, confiados que eram descendência de Abraão e oferecendo sacrifícios!

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A figura da adúltera no Livro de Provérbios

A sedução da mulher adúltera está em se apresentar como alguém que serve ao Senhor (Is 58:1-3), pois, trás consigo, sacrifícios pacíficos e faz votos, porém, não se sujeita ao seu Senhor, e nem possui o conhecimento de Deus (Pv 9:13; Dt 32:28).


Introdução

O Livro de Provérbios, embora, seja, comumente, interpretado, através de um prisma moral, é, na realidade, uma alegoria, um conjunto de figuras, que exprimem uma ideia.[1]

Este artigo destacará, resumidamente, a figura da mulher adúltera e o que ela, de fato, representa.

 

Instrução para o Messias

As instruções do Livro dos Provérbios são proferidas por meio  da figura de um Pai que tem um cuidado singular pelo seu Filho.

“Filho meu, ouve a instrução de teu pai…” (Pv 1:8).

É significativo o fato de os provérbios serem endereçados a um filho e não a todos os filhos de Israel, como se falasse de muitos. Isto, também, nos remete ao que foi anunciado por Moisés, de que os filhos de Israel já não eram filhos de Deus, mas, uma mancha (Dt 32:5).

Quando Provérbios diz: ‘Filho meu’, evoca a questão da descendência, da filiação, o que nos remete à seguinte lição, do apóstolo Paulo:

“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” (Gl 3:16).

A proposta do Livro dos Provérbios é fornecer o conhecimento necessário para o Descendente, segundo a promessa feita a Abraão, de se proteger dos seus irmãos, pois os inimigos d’Ele seriam os seus próprios familiares (Mt 10:36; Mq 7:6; Jr 6:21; Jr 12:6; Jr 9:4).

O Descendente, segundo a promessa anunciada a Abraão, é Cristo, o Filho de Deus, que, na plenitude dos tempos, despiu-se da sua glória, se fez carne e habitou entre os homens.

Através do conteúdo do Livro dos Provérbios, o Messias é alertado de que o ‘conhecimento’ de Deus O manteria afastado da mulher adúltera:

Para te afastar da mulher estranha, sim da estranha que lisonjeia com suas palavras (Pv 2:16).

A mulher adúltera

Os versos que retratam a mulher adúltera, não evocam questões vinculadas à luxúria, volúpia ou sensualidade, antes, destacam as palavras que procedem dos seus lábios. O cuidado que consta da orientação do Pai ao Filho, visa protegê-lo das palavras suaves que a mulher adúltera profere. Palavras comparáveis ao mel e ao azeite (Pv 5:3).

Estas são as características da mulher adúltera:

  • Deixou o companheiro da sua mocidade e esqueceu-se da aliança com o seu Deus (Pv 2:17);
  • Os seus lábios destilam favos de mel e as suas palavras são suaves como o azeite (Pv 5:3);
  • A sedução esta na língua (Pv 6:24; Pv 7:21);
  • Seduz, argumentando, que já ofereceu sacrifícios pacíficos e pagou os seus votos (Pv 7:14);
  • É indisciplinada e não possui conhecimento (Pv 9:13).

Considerando as características acima, certo é que o Pregador não está tratando das questões próprias a uma mulher de vida fácil. A mulher em questão é uma alegoria que retrata a apostasia do povo de Israel no deserto, que fez uma aliança com Deus e O deixou.

“Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas, agora, homicidas” (Is 1:21).

“Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da piedade da tua mocidade, e do amor do teu noivado, quando me seguias no deserto, numa terra que não se semeava. Por isso, foram retiradas as chuvas, e não houve chuva serôdia; mas tu tens a fronte de uma prostituta e não queres ter vergonha” (Jr 2:2-3);

“E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te e de gordura te cobriste) deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação” (Dt 32:15);

“Como, vendo isto, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; quando os fartei, então adulteraram, e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos” (Jr 5:7);

“Portanto, ó meretriz, ouve a palavra do SENHOR” (Ez 16:35).

Alegoria semelhante à feita pelo Pregador, encontramos no Livro do profeta Ezequiel, que destaca o cuidado de Deus por Jerusalém, ao estabelecer uma aliança, bem como, os desvarios das suas prostituições:

“E, passando eu junto de ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; e estendi sobre ti a aba do meu manto, cobri a tua nudez; e dei-te juramento, entrei em aliança contigo, diz o Senhor DEUS, e tu ficaste sendo minha” (Ez 16:8);

“Mas confiaste na tua formosura, te corrompeste por causa da tua fama e prostituías-te a todo o que passava, para seres dele” (Ez 16:15).

Com base no alerta contido no Livro dos Provérbios, a mulher adúltera representa as cidades em que habitavam os filhos de Israel, que deixaram a Deus e se esqueceram da aliança (Pv 2:17; Dt 32:5).

A sedução da mulher adúltera está em se apresentar como alguém que serve ao Senhor (Is 58:1-3), pois, trás consigo, sacrifícios pacíficos e faz votos, porém, não se sujeita ao seu Senhor, e nem possui o conhecimento de Deus (Pv 9:13; Dt 32:28).

O profeta Davi faz uso da figura da cidade, em vez da mulher prostituta, para demonstrar a apostasia de Israel:

“Despedaça Senhor e divide as suas línguas, pois tenho visto violência e contenda na cidade. De dia e de noite a cercam sobre os seus muros; iniquidade e malícia estão no meio dela. Maldade há dentro dela; astúcia e engano não se apartam das suas ruas. Pois, não era um inimigo que me afrontava; então, eu o teria suportado; nem era o que me odiava, que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. Mas eras tu, homem, meu igual, meu guia e meu íntimo amigo” (Sl 55:9-13).

 

Os moradores da cidade

Ao introduzir a alegoria da mulher adúltera no Livro dos Provérbios, o Pregador evidencia a gravidade da apostasia dos filhos de Israel.

O Pregador apresenta a palavra de Deus como a suprema sabedoria, dirigindo um apelo aos habitantes da cidade:

“Até quando, ó simples, amareis a simplicidade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós insensatos, odiareis o conhecimento? Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei, abundantemente, do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras. Entretanto, porque eu clamei e recusastes; estendi a minha mão e não houve quem desse atenção, antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão, também, de minha parte, eu me rirei na vossa perdição e zombarei, em vindo o vosso temor” (Pv 1:22-26).

A mensagem de Deus visa alcançar o povo e os seus líderes e, para isso, o Pregador faz uso de várias figuras, como a do ‘louco’ e a do ‘escarnecedor’.

“Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, insensatos, odiareis o conhecimento?” (Pv 1:22);

“Ouvi, pois, a palavra do SENHOR, homens escarnecedores, que dominais este povo que está em Jerusalém” (Is 28:14);

O clamor da Sabedoria indica que Deus estende a Sua mão para conceder do Seu espírito (Pv 1:24), no entanto, o povo se mostra rebelde, seguindo os seus próprios conselhos:

“AI dos filhos rebeldes, diz o SENHOR, que tomam conselho, mas não de mim; e que se cobrem com uma cobertura, mas não do meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado” (Is 30:1);

Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos” (Is 65:2);

“Entretanto, porque eu clamei e recusastes; estendi a minha mão e não houve quem desse atenção. Antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão” (Pv 1:24-25);

“Mas, não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás e não para diante” (Jr 7:24).

A palavra do Senhor é a essência da sabedoria, mas como os filhos de Israel rejeitaram a palavra de Deus e como rejeitaram ao Senhor, não havia em Israel conhecimento de Deus.

“Os sábios foram envergonhados, foram espantados e presos, eis que rejeitaram as palavras do Senhor; que sabedoria, pois, teriam?” (Jr 8:9);

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução” (Pv 1:7).

O Salmista Davi destaca o comportamento dos filhos de Israel, em rejeitar o conhecimento de Deus: “Diz o louco no seu coração: – ‘Não há Deus’” (Sl 53:1), pois se corromperam e cometeram iniquidade. Os líderes de Israel são classificados como obreiros da iniquidade, pois, não tem conhecimento de Deus e devoram o povo, como se fosse pão (Sl 53:4).

Os filhos de Israel são tidos por néscios, loucos, visto que rejeitaram a palavra de Deus, de modo que já não invocavam a Deus, o que nos remete à reprimenda que Moisés fez aos filhos de Israel:

“Recompensais, assim, ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai, que te adquiriu, que te fez e que te estabeleceu? (…) O meu povo é gente falta de conselhos e neles não há entendimento” (Dt 32:6 e 28).

Por rejeitarem o conhecimento de Deus, os filhos de Israel são classificados como altivos, ímpios, vis, perversos, maus, filhos de Belial, opressores, mentirosos, violentos, homicidas, adúlteros, etc.

Os filhos de Israel recusavam o conhecimento do Senhor e preferiram os seus próprios conselhos (Jr 9:6; Jr 7:24; Jr 9:13; Pv 3:5), daí a designação adúlteros, ajuntamento de infiéis (Jr 9:2).

Como rejeitaram o conselho de Deus, que é firme e verdadeiro (Is 25:1), os lábios dos filhos de Israel destilavam mentiras, engano:

“Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR” (Is 30:9);

“E encurvam a língua como se fosse o seu arco, para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade; porque avançam, de malícia em malícia, e a mim não me conhecem, diz o SENHOR” (Jr 9:3);

“Como o prevaricar e mentir contra o SENHOR e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” (Is 59:13).

Ao transtornarem a palavra do Senhor, os filhos de Israel fizeram violência. As imposições dos líderes de Israel sobre o povo é classificada como violência, daí o alerta:

“E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” (Zc 4:6);

“Porque, desde que falo, grito, clamo: Violência e destruição; porque se tornou a palavra do SENHOR um opróbrio e ludíbrio todo o dia” (Jr 20:8);

“Assim, diz o Senhor DEUS: Basta já, ó príncipes de Israel; afastai a violência e a assolação e praticai juízo e justiça; tirai as vossas imposições do meu povo, diz o Senhor DEUS” (Ez 45:9).

 

Equívocos quanto à leitura das figuras do Livro dos Provérbios

O Livro dos Provérbios vai além da temática do uso de sentenças poéticas, antes o Pregador é um formulador de parábolas. Através de alegorias, o Pregador apresenta a realidade espiritual dos filhos de Israel, por meio de enunciados, formulados como comparações.

Observe a análise de um teólogo, acerca do Livro dos Provérbios:

“A sabedoria de Provérbios se centra acima de tudo nos âmbitos da vida que não são regulados por ordenanças cúlticas ou, por mandamentos expressos pelo Senhor. Por essa razão, a maior parte do livro não se refere a temas propriamente religiosos. Refere-se, muito mais, aos temas que são específicos da existência humana, seja, na sua dimensão pessoal (o indivíduo) ou, coletiva (a família e a sociedade em geral)” Nota de introdução ao Livro dos Provérbios de Salomão, Bíblia de Estudo Almeida, Barueri–SP, SBB, 2000, p. 659.

Observe a nota da Bíblia de Scofield, com Referências, acerca do Livro dos Provérbios:

“Provérbios é uma coleção de ditados substanciais, nos quais, através de comparação ou contraste, algumas verdades importantes são expostas. Provérbios são ditados comuns a todas as nações do mundo antigo. Essa coleção, em particular, foi compilada, principalmente, por Salomão que, em 1 Rs 4:32, diz-se ter enunciado três mil provérbios”. Bíblia de Scofield, com referências, p. 636.

É imperioso observar que o Livro de Provérbios não guarda qualquer paralelo com os provérbios das nações do mundo antigo e nem se centra em reger as relações humanas. A sabedoria dos Provérbios de Salomão foca-se, especificamente, na Palavra de Deus, de modo a demonstrar a condição dos filhos de Israel, após deixarem o mandamento do Senhor.

Apesar de recitarem os estatutos e fazerem menção da aliança de Deus, os filhos de Israel odiavam a correção e rejeitavam a Palavra de Deus.

“Mas, ao ímpio, diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos e, em tomar a minha aliança, na tua boca? Visto que odeias a correção e lanças as minhas palavras para detrás de ti. Quando vês o ladrão, consentes com ele e tens a tua parte com adúlteros. Soltas a tua boca para o mal e a tua língua compõe o engano. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe” (Sl 50:16-20).

Embora jurassem e fizessem menção ao nome de Deus, contudo, não o faziam segundo a verdade e a justiça, ou seja, segundo a palavra do Senhor.

“OUVI isto, casa de Jacó, que vos chamais do nome de Israel e saístes das águas de Judá, que jurais pelo nome do SENHOR e fazeis menção do Deus de Israel, mas não em verdade, nem em justiça” (Is 48:1).

Tinham a palavra de Deus chegada aos lábios, mas longe do coração e o que diziam era somente o que memorizaram, mas não punham em prática.

“Plantaste-os e eles se arraigaram; crescem, dão também fruto; chegado estás à sua boca, porém, longe dos seus rins” (Jr 12:2);

“Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” (Is 29:13).

As blandícies[2] dos filhos de Israel tinham por base a sua religiosidade (Pv 1:10), o que nos remete à essência da sedução da mulher adúltera, cujas palavras são doces como o mel e suaves como o azeite, alegoria que destaca a apostasia dos filhos de Israel, pois é o que a religião faz: seduzir!

Apesar do alto grau moral dos filhos de Israel, se comparado ao comportamento moral dos gentios, vez que os líderes de Israel eram tidos por justos, aos olhos dos homens, Deus acusa os hebreus de serem aleivosos (Jr 9:2). Dai a recomendação paulina:

“Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens, que se desviam da verdade” (Tt 1:14).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] “Alegoria – modo de expressão ou, interpretação que consiste em representar pensamentos, ideias, qualidades, sob forma figurada”.

[2] “Comportamento ou, palavra carinhosa, afetuosa; recomendação. [Por Extensão] Expressão meiga; comportamento de quem é terno; meiguice. [Figurado] Modo de agir de quem agrada muito a alguém, tentando obter algo dessa pessoa; adulação: usava de blandícia para conseguir vantagens na empresa” Dicionário Online de Português.

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Isaías 56 – A bem-aventurança prometida a Abraão chega aos gentios

As Escrituras depõem contra todos os homens, classificando-os de ‘mentirosos’( Sl 116:11; Rm 3:4). Por que todos são mentirosos? Todos os homens são mentirosos, porque todos os homens, juntamente, se desviaram desde a madre (Sl 53:3) e falam mentiras. desde que nascem (Sl 58:3). Isso não quer dizer que todos os homens faltam com a verdade, ou que são infiéis nos negócios, etc.


Isaias 56 – A bem-aventurança prometida a Abraão chega aos gentios

Introdução

É através da seguinte ótica que se deve compreender o capítulo 56 de Isaias: Deus estava prestes a cumprir a promessa feita a Abraão!

Qual a promessa de Deus feita a Abraão? Que, na descendência de Abraão, seriam benditas todas as famílias da terra, apesar de que, à época da promessa, Abraão ainda não tinha filhos.

“… em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 28:14).

Considerando que Deus notificou a Abraão que, em seu Descendente seriam benditas todas as famílias da terra, os filhos de Israel, equivocadamente, passaram a considerar que eram herdeiros da bem-aventurança prometida por causa da carne e do sangue de Abrão que corria em suas veias (Gl 3:8; Gn 28:14).

O apóstolo Paulo nos esclarece que a bem-aventurança não foi dada aos descendentes segundo a carne de Abraão, antes, a bem-aventurança estava vinculada ao Descendente de Abraão que seria chamado em Isaque  (Rm 9:7).

Como a descendência de Abraão seria chamada em Isaque, isso significava que a promessa não tinha por base a carne de Abraão, portanto, os descendentes de Abraão não haviam sido agraciados com a bem-aventurança.

Ora, todos os israelitas se gloriavam no fato de serem descendência de Abraão e, por confiarem na carne, se afastavam de Deus. Em vez de bem-aventurados, eram malditos, segundo a palavra do Senhor, anunciada por intermédio de Jeremias, por fazerem da carne o seu braço (força, salvação):

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5).

Essa profecia de Jeremias demonstra que o homem que confia em si mesmo é maldito! O homem que confia em si mesmo é aquele que faz da sua carne a sua salvação, porque ‘braço’ é figura de força, o que remete à salvação.

“O SENHOR é a minha força e o meu cântico; Ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto, lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei” (Êx 15:2);

“Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei e não temerei, porque o SENHOR DEUS é a minha força e o meu cântico e se tornou a minha salvação” (Is 12:2).

Considerando a argumentação do apóstolo Paulo, de que tudo o que a lei diz, diz aos que estão debaixo da lei, isso significa que a reprimenda de Jeremias tinha por alvo o homem judeu, pois eles, sabidamente, se gloriavam pelo fato de serem descendentes da carne de Abraão.

“Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, nos gloriamos em Jesus Cristo e não confiamos na carne” (Fl 3:3);

“Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e em me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque, destas coisas me agrado, diz o SENHOR” (Jr 9:24; Tg 1:9; 1 Co 1:31).

 

Salvação para todos os povos

“ASSIM diz o SENHOR: Guardai o juízo e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir e a minha justiça, para se manifestar” (Is 56:1)

Através do profeta Isaias, Deus ordenou aos filhos de Israel que ‘guardem o juízo’ e ‘façam justiça’, ou seja, eles deviam obedecer à palavra de Deus. A palavra do Senhor, por intermédio de Isaias, remete ao exarado em Deuteronômio:

“E será para nós justiça, quando tivermos cuidado de cumprir todos estes mandamentos perante o SENHOR nosso Deus, como nos tem ordenado” (Dt 6:25).

O que Deus exigiu dos filhos de Israel não é justiça social e nem a justiça que é administrada em tribunais humanos. Esse é um equivoco que afeta a compreensão de muitos, pois interpretam o ‘guardar o juízo’ e ‘fazei justiça’ como um apelo divino para que os filhos de Israel se ocupassem de questões sociais.

Na verdade, quando é dito ‘guardai o juízo’ e ‘fazei justiça’, Deus estava conclamando os filhos de Israel para observarem o Seu mandamento. Uma pequena análise de dois versículos, levando-se em conta a estrutura do texto – paralelismo – verifica-se que obedecer à voz de Deus é o mesmo que ‘fazer justiça’ e ‘guardar o juízo’:

“E será para nós justiça, quando tivermos cuidado de cumprir todos estes mandamentos perante o SENHOR nosso Deus, como nos tem ordenado” (Dt 6:25);

“AMARÁS, pois, ao SENHOR teu Deus e guardarás as suas ordenanças, os seus estatutos, os seus juízos e os seus mandamentos, todos os dias” (Dt 11:1).

Na verdade, o verso 1: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus…” é uma ordem aos filhos de Israel, para que obedecessem a Deus!

“Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque a vossa benignidade é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa. Por isso os abati pelos profetas; pelas palavras da minha boca os matei; e os teus juízos sairão como a luz, porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Os 6:4 -6);

“Porém, Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1 Sm 15:22).

Mas, por que Deus concita o povo a obedecê-Lo? O motivo é patente: – “… porque a minha salvação está prestes a vir e a minha justiça prestes a manifestar-se”. O motivo apresentado por Deus não diz de um conceito ou, de uma ideia filosófica, acerca da salvação e da justiça.

Através dessa profecia, Deus notifica os seus interlocutores que a Sua salvação e a Sua justiça estavam prestes a virem personificadas! Ora, o apóstolo Paulo deixa claro que, antes que Cristo viesse, as Escrituras encerrou todos os homens debaixo do pecado e os judeus, por sua vez, estavam sob o cuidado da lei, uma espécie de curador (aio), que os conduzia a Cristo, a salvação e a justiça de Deus (Gl 3:24).

A lei é apontada como ‘aio’, que conduz o homem a Cristo: a salvação de Deus e a justiça de Deus manifesta (Gl 3:24). Ao guardar as ordenanças de Deus, o homem descobriria que a justiça de Deus não é segundo a lei, antes, Deus encerrou todos debaixo do pecado (judeus e gregos), para que soubessem que a promessa da fé é dada aos crentes (Gl 3:21-22).

A justiça de Deus é segundo a promessa estabelecida no Descendente de Abraão, que é Cristo, a justiça de Deus.

 

“Bem-aventurado o homem que fizer isto e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de fazer algum mal” (Is 56:2)

Deus enfatiza que é bem-aventurado qualquer que O obedecesse, ou seja, que faz justiça e guarda o juízo. O profeta dá um exemplo de como guardar o juízo e fazer justiça à época (Zc 8:16), guardando os sábados e não realizarem mal algum.

Para compreender todas as nuances deste verso, o leitor deve considerar que Deus falava ao povo de Israel por enigmas, pois somente com Moisés Deus falava cara a cara e sem utilizar enigmas: “Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?” (Nm 12:8).

Os enigmas contidos nas Escrituras faziam com que as visões do livro estivessem como que seladas, de modo que os interpretes de Israel não pudessem compreender: “Por isso toda a visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele dirá: Não posso, porque está selado” (Is 29:11).

Se o interprete não desvendar os significados dos enigmas, qualquer interpretação das escrituras será equivocada.

O primeiro enigma a ser desvendado está em com o homem se guardar de fazer o mal. Como é possível ao homem deixar de fazer o mal, se a própria escritura diz que ‘não há quem faça o bem’? “Desviaram-se todos e, juntamente, se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” (Sl 53:1).

Ao falar com os fariseus, Jesus deu uma pista para elucidar o enigma acerca do ‘mal’, pois Ele disse que, apesar de os fariseus darem boas dádivas aos seus semelhantes (filhos), na essência eram ‘maus’. Até dizer boas coisas os fariseus estavam impedidos, pela condição deles: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” (Mt 7:11); “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mt 12:34).

Os fariseus não eram maus porque faziam maldades, mas, sim, maus, porque, diante de Deus, eram vis, inferiores, da ralé, portanto, maus. Jesus não estava apontando para o comportamento dos fariseus, pois Ele a ninguém julgava, mas, apontou para a condição de alguém que é escravo do pecado: vil, mal.

Ora, os fariseus podiam falar acerca de temas nobres, princípios comportamentais, questões religiosas e questões de ordem filosófica, porém, tais temas tão caros aos homens, não são ‘boas coisas’ diante de Deus. Por que não? Porque tais questões não desfazem a barreira de inimizade que há entre Deus e os homens.

Os fariseus não podiam fazer o bem e nem dizer boas coisas, por causa dos seus corações enganosos. Fazer o bem e dizer boas coisas só é possível através da revelação de Deus em Cristo, o nobre tema que o salmista Davi anunciou no Salmo 45. Se a revelação de Deus, o mistério revelado em Cristo, o homem não consegue decifrar o enigma anunciado por Deus (Sl 49:4; Sl 45:1).

As Escrituras depõem contra todos os homens, classificando-os de ‘mentirosos’( Sl 116:11; Rm 3:4). Por que todos são mentirosos? Todos os homens são mentirosos, porque todos os homens, juntamente, se desviaram desde a madre (Sl 53:3) e falam mentiras. desde que nascem (Sl 58:3). Isso não quer dizer que todos os homens faltam com a verdade, ou que são infiéis nos negócios, etc.

Quando é dito que todos os homens são mentirosos é o mesmo que dizer que todos pecaram. Assim como Deus é luz, verdade e vida, o homem alienado de Deus está em trevas, é mentira e está morto.

Os judeus se esforçavam para não faltar com a verdade com os seus semelhantes, porém, não é acerca dessa questão que Deus conclama aos filhos de Israel para que fale cada um a verdade com o seu companheiro.

“Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” (Zc  8:16).

Considerando que ‘a boca fala do que está cheio o coração’, quem fala o mal, fala segundo o seu coração mau. Qualquer descendente da carne de Adão é mau, porque herdou tal condição de Adão, herdou um coração enganoso e fala segundo o seu coração: engano contínuo.           

Para falar boas coisas é necessário um novo coração, por isso Deus anunciou, através de Moisés, a necessidade de circuncidarem o coração pois, com a circuncisão do coração, o homem morre e recebe de Deus um novo coração e um novo espírito (Sl 51:10; Is 57:15; Ez 18:31 ).

Ora, os filhos de Israel achavam que guardavam o sábado, porém, Deus continuamente protestava contra eles, demonstrando que eles eram homens de dura cerviz e que não circuncidavam o coração: “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz” (Dt 10:16).

No oitavo dia, após o nascimento de uma criança, os filhos de Israel circuncidavam os seus filhos no prepúcio da carne, porém, não se deixavam circuncidar pelo Pai celeste. Sem a circuncisão do coração, que significa morte para o pecado, jamais os filhos de Jacó seriam judeus de fato, e todas as obras deles continuavam sendo más, continuadamente.  

“Circuncidai-vos ao SENHOR e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo e arda, de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras” (Jr 4:4);

“Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente, na carne. Mas, é judeu o que o é no interior e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Rm 2:28-29).

Os judeus se consideravam os ‘bons’, e consideram os gentios ‘ruins’. Entenda ‘bons’, no sentido de bem nascidos, nobres, filhos de Abraão, consequentemente, filhos de Deus. Por isso, sempre argumentavam, dizendo: ‘Temos por Pai a Abraão’.

De igual modo, entenda ‘ruins’ como baixos, plebes, sem levar em conta conotação moral. Enquanto se achavam filhos de Abraão, Deus protestava contra os filhos de Israel, declarando-os filhos da agoureira, da adúltera.

“Mas, chegai-vos aqui, vós os filhos da agoureira, descendência adulterina e de prostituição” (Is 57:3).

O erro dos judeus era considerar que eram bem nascidos, portanto, bons, e que os estrangeiros eram mal nascidos, consequentemente ‘ruins’. Igualmente, judeus e gentios são ruins (Rm 3:4), portanto, mentirosos, pois todos, juntamente, alienaram-se de Deus em Adão (Rm 3:9).

“Deveras o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e não entendidos; são sábios para fazer mal, mas não sabem fazer o bem (Jr 4:22).

Apesar dos judeus guardarem os sábados, as festas, as assembleias, etc., nenhum deles observava a lei.

“Não vos deu Moisés a lei? E nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?” (Jo 7:19).

Na verdade, as Escrituras depunham contra os judeus como blasfemos:

“E agora, que tenho eu que fazer aqui, diz o SENHOR, pois o meu povo foi tomado sem nenhuma razão? Os que dominam sobre ele dão uivos, diz o SENHOR; e o meu nome é blasfemado, incessantemente, o dia todo” (Is 52:5; Rm 2:24).

A circuncisão na carne era uma marca dada aos descendentes da carne de Abraão para identificá-los como nação e não como filhos de Deus. Tal marca só seria proveitosa se os judeus obedecessem a Deus, assim como o crente Abraão (Gn 17:10-11; Gn 26:5). É nesse quesito que o apóstolo Paulo repreende os cristãos convertidos, dentre os judeus, que estavam em Roma:

“Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão” (Rm 2:25).

O profeta Isaias estava conclamando os seus ouvintes a obedecerem a Deus (mantende o juízo e fazei justiça), através de alguns preceitos da lei (utilizados como figuras): guardar o sábado e guardar a mão de fazer o mal, pois qualquer que, como Abraão, obedecesse ao mandamento de Deus, seria bem-aventurado.

“Bem-aventurado o homem que fizer isto e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de fazer algum mal” (Is 56:2); “Porquanto, Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Rm 26:5);

“De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” (Gl 3:9).

Através do profeta Isaias, Deus deixa claro que os sábados dos filhos de Israel eram equivalentes à abominação!

“Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, as luas novas, os sábados e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene” (Is 1:13; Is 58:13).

Por quê? Porque andavam após os seus ídolos! ‘Ídolos’, quando utilizado, nas profecias, acerca do povo de Israel, tem relação com riquezas (Mamom), uma figura para demonstrar que os filhos de Israel estavam a serviço de si mesmos: “Porque rejeitaram os meus juízos, não andaram nos meus estatutos e profanaram os meus sábados; porque o seu coração andava após os seus ídolos” (Ez 20:16).

Quando os filhos de Israel jejuavam, achavam que estavam realizando um trabalho para Deus, porém, equivocadamente, trabalhavam para satisfazerem a si mesmos.

“Dizendo: Por que jejuamos nós e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas e tu não o sabes? Eis que, no dia em que jejuais, achais o vosso próprio contentamento e requereis todo o vosso trabalho(Is 58:3).

 

“E não fale o filho do estrangeiro que, se houver unido ao SENHOR, dizendo: Certamente o SENHOR me separará do seu povo; nem, tampouco, diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca. Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que guardam os meus sábados e escolhem aquilo em que eu me agrado e abraçam a minha aliança: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará” (Is 56:3-5)

Em seguida, Deus dirige a palavra aos estrangeiros e aos eunucos, para que não pensassem que haviam sido rejeitados (Is 56:3), antes, se eles também guardassem o mandamento de Deus, teriam lugar na casa de Deus e dentro dos muros da cidade e um nome superior a de filhos e filhas (Is 56:5).

Os estrangeiros e os eunucos seriam aceitos por causa da seguinte promessa: – “A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos” (Is 56:7). Ora, essa promessa Deus fez a Abraão: – “… em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 28:14).

Através de Isaias, Deus estava demonstrando que a promessa feita a Abraão estava prestes a ser manifesta, pois, sem distinção alguma, todos os homens teriam lugar na casa de Deus. Estava sendo enfatizado que os homens seriam aceitos no Descendente prometido a Abraão e a Davi, pois Cristo é a casa (descendente) que Deus prometeu a Davi.

“… também o SENHOR te faz saber que te fará casa” (2 Sm 7:11).

A ‘casa’ prometida a Davi diz do renovo justo – Cristo – da raiz de Jessé(Jr 33:15), que através do seu corpo, que é a Igreja, está a edificar um templo ,que abriga todos os povos. O corpo de Cristo é a casa de oração para todos os povos, o templo edificado sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas e santuário (Ef 2:20; Is 8:14). Em Cristo, cumpre-se a promessa de se ajuntar os dispersos de Israel e os outros, aos que já se lhe ajuntaram (Is 56:8).

É em função dessa verdade que Jesus expulsou os que vendiam no templo e os cambistas, dizendo: “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” (Mt 21:13), e, como Pastor enfatizou que agregaria ao seu aprisco outras ovelhas: “Ainda tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; também, me convém agregar estas, elas ouvirão a minha voz e haverá um rebanho e um Pastor” (Jo 10:16).

Em linhas gerais, a profecia de Isaias, registrada no capítulo 56, refere-se a Cristo e ao seu corpo, a Igreja. Através do corpo de Cristo, estrangeiros e eunucos (homens considerados imundos para os judeus), poderiam oferecer os seus holocaustos e os seus sacrifícios e serem aceitos por Deus.

“Eis que chamarás a uma nação que não conheces e uma nação que nunca te conheceu correrá para ti, por amor do SENHOR teu Deus e do Santo de Israel; porque ele te glorificou” (Is 55:5)

Apesar de serem discriminados pelos filhos de Israel, Deus dá aviso aos forasteiros (gentios) que não digam que Deus não os aceitará; ou aviso aos eunucos, de que não devem se considerar como uma árvore cortada. Por que não deveriam pensar que eram inúteis? Porque qualquer que guarda o mandamento de Deus (mesmo os estrangeiros e os eunucos) tem um lugar e um nome na casa de Deus.

Qualquer que guarda a aliança de Deus terá um nome superior ao de filhos e filhas. Um nome eterno, que jamais será esquecido.

“Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará” (Is 56:5).

“E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem ao SENHOR, para o servirem, e para amarem o nome do SENHOR, para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança, Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. Assim diz o Senhor DEUS, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram” (Isaias 56:6-8)

A promessa de Deus se estende aos filhos dos estrangeiros que obedecerem à Sua aliança, o que dá elementos para compreender a seguinte promessa:

“E há de ser que, todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e, em Jerusalém, haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (Jl 2:32; Rm 10:13)

Como os estrangeiros e seus filhos seriam conduzidos ao monte do Senhor e como os seus holocaustos e sacrifícios aceitos por Deus? O apóstolo Paulo dá a resposta:

“Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo” (Rm 15:16).

Através do evangelho de Cristo a ‘oferta’ dos gentios se torna agradável a Deus, pois é santificada pelo Espírito Santo. A aliança, da qual o profeta Isaias faz referência, diz do Novo Testamento no sangue de Cristo (1 Co 11:25), e não no Testamento da velhice da letra que foi gravada em pedras (2 Co 3:6).

Em Cristo, o homem é verdadeiro adorador, pois adora a Deus, em espirito e em verdade. Cristo é a pedra assentada no santo monte Sião, o verdadeiro santuário, casa de oração para todos os povos. Apesar de ser o santuário estabelecido por Deus, as duas casas de Israel rejeitaram o Cristo (Is 8:14). Para os que crêem, Jesus é santuário, mas para os incrédulos pedra de tropeço.

“Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse” (Is 28:16)

A promessa para os estrangeiros e seus filhos está condicionada a guardarem o ‘sábado’, ou seja, o descanso verdadeiro, que é Cristo. Como? Abraçando a aliança do Senhor expressa no Seu evangelho, crendo que Jesus é o Cristo.

Os filhos de Israel deveriam guardar o sábado como memorial de que foram resgatados do Egito (Dt 5:15), de que Deus é quem os santifica (Ex 31:13). Como a Aliança do Novo Testamento foi feita no sangue de Cristo, o memorial estabelecido é a ceia do Senhor, para que os cristãos se lembrem da sua morte e anunciem o seu nome até que Ele venha (1 Co 11:25-26).

E o que os gentios oferecem como sacrifício na Nova Aliança? O fruto dos lábios que confessam a Cristo, ou seja, a beneficência e a comunicação! (Hb13:15-16) Os seus corpos em sacrifício vivo, que é o culto racional (Rm 12:1)

Para compreendermos a figura dos sábados, se faz necessário compreender que os sacerdotes da Antiga Aliança eram inculpáveis, por trabalharem no templo aos sábados (Mt 12:5). Como Cristo é superior ao templo e os estrangeiros e eunucos são aceitos no Santuário estabelecido por Deus, os que estão em Cristo não necessitam guardar sábados e luas novas (Cl 2:16).

“Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? Pois, eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo. Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor” (Mt 12:5-8).

Cristo é o descanso prometido, o refrigério, mas não quiseram ouvi-Lo:

“Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” (Is 28:12).

Deus exige obediência (misericórdia), e não sacrifícios, como guarda de dias, luas, festas, etc. Para encontrar descanso para a alma é necessário andar por bom caminho, ou seja, em obediência: crendo em Cristo, pois, Deus faz misericórdia aos que O obedecem.

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êx 20:6);

“Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele” (Jr 6:16).

Cristo, como santuário para todos os povos, é superior ao templo, onde os sacerdotes violavam o sábado. Semelhantemente, em Cristo os crentes são sacerdotes que oferecem, continuamente, sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o culto racional, portanto, não estão sujeitos aos ritos da Antiga Aliança.

Na Antiga Aliança era Deus que santificava o povo e, por isso, deveriam santificar o sábado. Na Nova Aliança é Deus quem santifica o crente, por meio da palavra do evangelho, portanto, devem santificar a Cristo em seus corações, ou seja, guardar o descanso verdadeiro (1 Pe 3:15).

O sábado é sombra de uma realidade que o homem experimenta em Cristo: o descanso verdadeiro (Hb 10:1).

O Senhor que promete reunir os dispersos de Israel, é o mesmo Deus que reunirá outros aos que já se ajuntaram. O que isso quer dizer? Que esse é um oráculo do Senhor, acerca da união entre judeus e gentios, do qual resultaria um corpo: a igreja (Ef 2:13-14).

O oráculo aos filhos de Israel, por intermédio do profeta Isaias, foi feito por parábola, o que o apóstolo Paulo fala, abertamente. Cristo é a paz, tanto para aqueles que estão perto(judeus) quanto para os que estão longe (gentios): “Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR e eu o sararei” (Is 57:19).

Deus, que reúne os dispersos de Israel aos gentios que se achegam a Cristo, por meio do evangelho. Jesus Cristo falou, por parábola, que haveria de reunir outras ovelhas que não do aprisco de Israel: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também, me convém agregar estas e elas ouvirão a minha voz e haverá um rebanho e um Pastor” (Jo 10:16).

Desde Moisés, Deus já havia alertado ao povo de Israel que haveria de o por em ciúmes com os gentios:

“Mas, digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, Com gente insensata vos provocarei à ira” (Rm 10:19).

 

Punição

“Vós, todos os animais do campo, todos os animais dos bosques, vinde comer” (Is 56:9).

Deus faz um convite a todos os animais do campo e das florestas, para reunirem-se para comer. Que animais são estes? O que será oferecido como alimento?

Está é mais uma profecia que se utiliza de uma parábola, para falar da punição que Deus dará a Israel, por desviarem-se da aliança com Deus.

Os animais do campo e do bosque são figuras que remetem às nações vizinhas, que são convidadas por Deus, para invadirem Israel. Esses animais são apresentados em outras passagens bíblicas como bestas do campo.

“Arvorai a bandeira rumo a Sião, fugi, não vos detenhais; porque eu trago do norte um mal, e uma grande destruição. Já um leão subiu da sua ramada, e um destruidor dos gentios; ele já partiu, e saiu do seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas cidades sejam destruídas, e ninguém habite nelas” (Jr 4:6-7);

“Irei aos grandes e falarei com eles; porque eles sabem o caminho do SENHOR, o juízo do seu Deus; mas estes, juntamente, quebraram o jugo e romperam as ataduras.Por isso um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias” (Jr 5:5-6);

“Depois eles se fartaram em proporção do seu pasto; estando fartos, ensoberbeceu-se o seu coração, por isso se esqueceram de mim. Serei, pois, para eles como leão; como leopardo espiarei no caminho. Como ursa roubada dos seus filhos, os encontrarei, e lhes romperei as teias do seu coração, e como leão ali os devorarei; as feras do campo os despedaçarão. Para a tua perda, ó Israel, te rebelaste contra mim, a saber, contra o teu ajudador” (Os 13:6-9).

Deus coloca a nação de Israel como banquete às nações vizinhas e faz o convite: vinde comer!

Deus já havia predito, por intermédio do profeta Moisés que, caso o povo de Israel se desviasse da Aliança com Deus, seria perseguido pelos inimigos, o que seria um sinal da parte de Deus, para que se arrependessem (Dt 28:45-46; Jr 18:11), uma prova de que Deus repreende e castiga a todos os que ama (Hb 12:6; Is 1:5):

“O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; Nação feroz de rosto, que não respeitará o rosto do velho, nem se apiedará do moço” (Dt 28:49-50).

“Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados e gostam do sono. E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte. Vinde, dizem, trarei vinho, e beberemos bebida forte; e o dia de amanhã será como este, ainda muito mais abundante” (Is 56:10-12).

Apesar do convite de Deus às nações inimigas (bestas) para virem sobre o seu povo, os profetas (atalaias) de Israel estavam como que cegos, pois desconheciam os desígnios do Senhor (Ez 33:7).

Uma atalaia exerce a função de segurança, vigilante, porém, como é possível um cego exercer tal função? Por não estarem aptos a desempenhar a função, os atalaias de Israel estava mais para um laço de caçador de aves: “Efraim era o vigia com o meu Deus, mas o profeta é como um laço de caçador de aves em todos os seus caminhos e ódio na casa do seu Deus” (Os 9:8).

Outra descrição dos profetas de Israel é a de cães mudos, ou seja, cães que não podem dar o aviso (ladrar). Estão como que adormecidos, deitados e se deleitam em dormir. São cães gulosos, que não se fartam da gordura do povo, mas que não desempenham o seu papel de proteção (Sl 53:4).

Os líderes de Israel são descritos como pastores, mas que nada compreendem: “Eu, porém, disse: Deveras estes são pobres; são loucos, pois não sabem o caminho do SENHOR, nem o juízo do seu Deus” (Jr 5:4; Mt 13:13; Jr 10:21; Jr 50:6; Ez 34:10). Cada pastor desviava para o seu próprio caminho, ou seja, após o seu coração enganoso: “Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos” (Is 65:2).

“O Senhor enviou uma palavra a Jacó e ela caiu em Israel.E todo este povo o saberá, Efraim e os moradores de Samaria, que em soberba e altivez de coração, dizem:Os tijolos caíram, mas, com cantaria tornaremos a edificar; cortaram-se os sicômoros, mas, em cedros as mudaremos.Portanto, o SENHOR suscitará, contra ele, os adversários de Rezim, e juntará os seus inimigos. Pela frente virão os sírios e por detrás os filisteus, e devorarão a Israel à boca escancarada; e nem, com tudo isso, cessou a sua ira, mas, ainda, está estendida a sua mão.Todavia este povo não se voltou para quem o feria, nem buscou ao SENHOR dos Exércitos. Assim o SENHOR cortará de Israel a cabeça e a cauda, o ramo e o junco, num mesmo dia (O ancião e o homem de respeito é a cabeça; e o profeta que ensina a falsidade é a cauda).Porque os guias deste povo são enganadores e os que por eles são guiados são destruídos” (Is 9:8-16).

Enquanto Deus está convidando as ‘bestas’ do campo e das florestas para atacar o povo de Israel, os líderes de Israel somente convidavam o povo para se embriagarem no vinho colhido dos campos de Sodoma e Gomorra.

“Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra” (Is 1:10);

“E toda a sua terra abrasada com enxofre e sal, de sorte que não será semeada, nada produzirá, nem nela crescerá erva alguma; assim como foi a destruição de Sodoma e de Gomorra, de Admá e de Zeboim, que o SENHOR destruiu na sua ira e no seu furor.E todas as nações dirão: Por que fez o SENHOR assim com esta terra? Qual foi a causa do furor desta tão grande ira? Então se dirá: Porquanto deixaram a aliança do SENHOR Deus de seus pais, que com eles tinha feito, quando os tirou do Egito” (Dt 29:23-25);

“Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, cachos amargos têm” (Dt 32:32).

A doutrina dos lideres de Israel se assemelha ao vinho que entorpece os sentidos, de modo que, quem é participante da doutrina deles, sempre está confiante em um futuro melhor, embora a palavra de Deus não seja para paz.

 

Correção ortográfica: Carlos Gasparotto

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Isaías 40 – Eis aqui o vosso Deus!

Quando João Batista anunciava que era necessária uma mudança de concepção, por causa da chegada do reino dos céus, vieram gentes de Jerusalém, da Judéia e de todas as regiões circunvizinhas, quando eram batizadas (Mt 3:5). Diante de uma mensagem que propunha que, ambos, torto e áspero, seriam endireitados e aplainados, vinham ao batismo muitas pessoas que residiam nas regiões vizinhas ao rio Jordão (Lc 3:3).


O capítulo 40 do Livro de Isaías aborda alguns aspectos da vida e do ministério de Cristo, o que demanda uma leitura com atenção redobrada. Ademais, no Novo Testamento, temos alguns versos desse capítulo citados por Cristo e pelos apóstolos, que nos orientam a obter uma boa interpretação.

 

1 CONSOLAI, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2  Falai benignamente a Jerusalém e bradai-lhe que já a sua milícia é acabada, que a sua iniquidade está expiada e que já recebeu, em dobro, da mão do SENHOR, por todos os seus pecados.

Através da mensagem: – ‘Consolai, consolai o meu povo’, Deus está anunciando, ao povo de Israel, a restauração futura do reino. Mas, como ‘consolar’ o povo de Israel? Qual é a mensagem benigna a Jerusalém?

A resposta é objetiva: o tempo das batalhas (milícias) é findo e a iniquidade expiada, pois a nação de Israel já recebeu de Deus a devida retribuição pelas suas transgressões (v. 2).

O tempo do consolo de Israel foi predito pelo profeta Daniel e se dará ao final da última semana de anos. O consolo de Israel se dará em um tempo que está fixado (para castigo) sobre Israel: as setenta semanas de Daniel.

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão e para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santíssimo” (Dn 9:24).

A mensagem de consolo a Israel se concretizará com a segunda vinda do Messias, em glória, para se assentar sobre o trono de Davi, quando regerá todas as nações e reinos da terra, desde o seu santo monte Sião, com vara de ferro.

“E deu à luz um filho homem, que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono” (Ap 12:5; Sl 2:9).

Essa é a descrição do Cristo glorioso:

“Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado e elevado, e mui sublime. Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura, mais do que a dos outros filhos dos homens. Assim, borrifará muitas nações e os reis fecharão as suas bocas por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado, verão, e aquilo que eles não ouviram, entenderão” (Is 52:13-15; Is 49:7).

Da mesma forma que os homens ficaram pasmos ao verem a ignomínia do Cristo, também, ficarão pasmos, ante a glória de Cristo, quando Ele se manifestar, na sua volta.

O povo de Israel receberá a devida medida de retribuição, por causa dos seus pecados, segundo a ira de Deus, no final do período da grande tribulação.

“O grande dia do SENHOR está perto, sim, está perto e se apressa muito; amarga é a voz do dia do SENHOR; clamará ali o poderoso. Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas. E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra o SENHOR;  o seu sangue se derramará como pó e a sua carne será como esterco” (Sf 1:14-17)

O anúncio dos versos 1 e 2, são posteriores ao cumprimento da profecia de Jesus, em que os filhos de Israel  receberão, ‘em dobro’, a retribuição de Deus por seus pecados:

“Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei, então, que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que, nos campos, não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Mas ai das grávidas e das que criarem naqueles dias! porque haverá grande aperto na terra e ira sobre este povo. E cairão ao fio da espada, para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21:20-24; Is 63:4).

3  Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. 4 Todo o vale será exaltado e todo o monte e todo o outeiro será abatido; o que é torcido se endireitará e o que é áspero se aplainará. 5  E a glória do SENHOR se manifestará e toda a carne, juntamente, a verá, pois a boca do SENHOR o disse.

Através do evangelista Mateus, somos informados que a ‘voz que clama no deserto’ refere-se à pessoa de João Batista, primo de Jesus, que teve a missão de preparar o coração dos filhos de Israel para o primeiro advento do Senhor Jesus.

“E, NAQUELES dias, apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judéia,  dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3:2-3; Mc 1:1-3; Jo 1:23; Lc 3:2-6).

Sobre João Batista, também, profetizou o profeta Malaquias:

“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml 4:5-6).

Jesus afirmou, categoricamente, que João Batista era o ‘Elias’ que havia de vir:

“E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir” (Mt 11:14).

João Batista não era encarnação de Elias. Quando predito pelo profeta Malaquias, que o profeta Elias seria enviado, a profecia referia-se a João Batista que viria com a mesma missão de Elias: converter os corações, conclamando os rebeldes à prudência.

“E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc 1:17).

Como João Batista haveria de preparar o caminho do Senhor e endireitar no ermo um caminho a Cristo? Trazendo uma mensagem de mudança de concepção, de entendimento, ou seja, uma mensagem de arrependimento (metanoia).

A mensagem de João Batista não teria por alvo uma nação especifica, favorecendo judeus, em detrimento dos gentios, ou seja, os vales seriam elevados e os outeiros seriam abatidos. A mensagem de João Batista não faria distinção alguma entre povos e nações, judeus e gentios, pois, diante de Deus, todos estão em igual condição.

Quando João Batista anunciava que era necessária uma mudança de concepção, por causa da chegada do reino dos céus, vieram gentes de Jerusalém, da Judéia e de todas as regiões circunvizinhas, quando eram batizadas (Mt 3:5). Diante de uma mensagem que propunha que, ambos, torto e áspero, seriam endireitados e aplainados, vinham ao batismo muitas pessoas que residiam nas regiões vizinhas ao rio Jordão (Lc 3:3).

 

6  Uma voz diz: Clama; e alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva e toda a sua beleza, como a flor do campo. 7 Seca-se a erva e cai a flor, soprando nela o Espírito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva. 8  Seca-se a erva e cai a flor, porém, a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.

Há uma ordem expressa, que determina o anúncio de uma mensagem. Daí, o questionamento: Que hei de clamar? A mensagem é especifica: toda carne é erva! Quando diz que toda carne é erva, não há exceção, de modo que a mensagem nivela, tanto judeus, quanto gentios.

Tanto judeus, quanto gentios, são fugazes, passageiros, de modo que são comparáveis às flores dos campos. O verso 6 apresenta uma verdade, através de uma figura, já, os versos 7 e 8, contém a explicação da figura: os povos são ervas, de modo que, estão sujeitos a secarem e a caírem, o que contrasta com a eternidade da palavra de Deus e os que dela são gerados.

“Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo, assim, floresce” (Sl 103:15);

“O HOMEM, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação. Sai como a flor e murcha; foge, também, como a sombra, e não permanece” (Jó 14:1-2).

Pelo fato de toda carne ser corruptível, assim, como a flor da erva, há a necessidade de todos os homens nascerem de novo da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, pois, só os de novo nascidos, permanecem para sempre (1 Jo 2:17). O apóstolo Pedro destaca que a palavra que permanece para sempre, diz da mensagem do evangelho, quando cita o profeta Isaías, na sua epístola (1 Pe 1:25).

O ensinamento de que toda carne é como a flor da erva, fica bem ilustrada na abordagem que Jesus fez a Nicodemos, que era judeu, juiz, mestre, príncipe, fariseu, etc., por ter sido gerado segundo a carne, estava impedido de entrar no reino dos céus, portanto, como qualquer homem, Nicodemos também precisava nascer de novo.

A mensagem que o profeta Isaias deixou registrada, estampa a necessidade de uma mudança radical dos conceitos e do entendimento que os filhos de Israel detinham, acerca das coisas de Deus.

A mensagem é inclusiva: toda carne! O Salmo 53 trás essa mesma perspectiva: Deus olhou dos céus para os filhos dos homens, para identificar se alguém buscava a Deus, entretanto, todos se desviaram e, juntamente, se tornaram imundos, inclusive os judeus (Sl 53:2-3; Sl 14:2-3; Jr 10:8; Jr 9:5).

Na verdade, o Salmo 53 aponta para os filhos de Israel, conforme o apóstolo Paulo deu a interpretação do Salmo 53, ao escrever aos cristãos de Roma, ao demonstrar que judeus não são melhores que gentios:

“Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus” (Rm 3:9-11).

Se houver dúvidas, basta ler o que disse o profeta Isaias, acerca de Israel:

“Eu sou o que primeiro direi a Sião: Eis que ali estão; e a Jerusalém darei um anunciador de boas novas. E quando olhei, não havia ninguém; nem mesmo entre estes, conselheiro algum havia a quem perguntasse ou que me respondesse palavra.Eis que todos são vaidade; as suas obras não são coisa alguma; as suas imagens de fundição são vento e confusão” (Is 41:27-29).

O alerta do profeta Jeremias vem a calhar: Maldito o homem que faz da sua carne o seu braço, ou seja, que faz da sua descendência a sua força, a sua salvação (Jr 17:5; Fl 3:3). Diante de Deus, toda carne é, igualmente, como a flor do campo, de modo que, também, é necessário aos descendentes da carne e do sangue de Abraão nascerem do Espírito (Jo 3:6).

 

9  Tu, ó Sião, que anuncias boas novas, sobe a um monte alto. Tu, ó Jerusalém, que anuncias boas novas, levanta a tua voz, fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus.

A mensagem a ser proclamada pelos moradores de Sião deveria ter um alcance amplo, para tanto, era necessário subir a um alto monte e anunciar em alta voz. Pergunta-se: o que deveria ser anunciado, sem receio, às cidades de Judá?

Responde-se: – Eis aqui está o vosso Deus!

O Verbo eterno veio ao mundo, portanto, em Jerusalém, deveria ser anunciada, abertamente, a seguinte mensagem: – “Este é o nosso Deus”! João Batista, assim, o fez, ao dizer:

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).

A Luz verdadeira que, sem exceção, ilumina a todos os homens (judeus e gentios) estava no mundo, o mundo foi feito por meio dele e não O reconheceram (Jo 1:9-10).

Por causa da rejeição à mensagem: – ‘Eis aqui o vosso Deus’, cumpriu-se a profecia, que diz:

“Por que razão vim eu e ninguém apareceu? Chamei e ninguém respondeu?” (Is 50:2).

O verso 10 trata do primeiro advento de Jesus, que veio na condição de servo do Senhor:

EIS aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; e ele trará justiça aos gentios” (Is 42:1; Is 11:1; Is 61:1; Is 42:1 e 7).

Jesus chorou sobre Jerusalém, ao ver a consequência da rejeição dos seus concidadãos:

“E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te estreitarão de todos os lados; E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que, dentro de ti estiverem, não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que, não conhecestes o tempo da tua visitação” (Lc 19:41-44).

Jesus se apresentou como servo, para fazer a vontade do Senhor:

“Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Sl 40:7-8).

Como os seus concidadãos não O receberam, Jesus se apresentou com os seus discípulos:

Eis-me aqui, com os filhos que me deu o SENHOR, por sinais e por maravilhas, em Israel, da parte do SENHOR dos Exércitos, que habita no monte de Sião” (Is 8:18).

Em seguida, Cristo apresentou-se aos gentios, dizendo: – “Eis-me aqui”!

“FUI buscado pelos que não perguntavam por mim, fui achado por aqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava pelo meu nome, eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui (Is 65:1).

O ‘aqui’ refere-se ao espaço/tempo no mundo dos homens, quando se inaugurou o tempo aceitável (Is 62:2). Cristo foi gerado no dia que se chama ‘hoje’, e o ‘hoje’ tornou-se o dia sobremodo oportuno, o tempo aceitável (Sm 2:7; Sl 95:7; 2Co 6:2).

O profeta Malaquias resume os versos 1 ao 10, do capítulo 40 de Isaias, com a seguinte profecia:

“EIS que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e, de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml 3:1).

O mensageiro que o Verbo eterno enviaria diz de João Batista, que tinha a missão de preparar o caminho d’Ele, quando viesse ao mundo. Quando o mensageiro estivesse preparando o caminho, repentinamente, o Senhor Deus encarnado viria ao Seu Templo, Aquele a quem os judeus ‘buscavam’.

O profeta anuncia que o próprio Senhor seria o mensageiro da Aliança. Ora, se Moisés foi o mensageiro da Antiga Aliança, isto mostra que Deus, por muitas vezes, falou ao pais, pelos profetas, e que agora falou pelo Seu Filho, o Senhor Jesus e estabeleceu uma Nova Aliança (Hb 1:1; Hb 8:13).

 

10  Eis que o Senhor DEUS virá com poder e seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele e o seu salário diante da sua face.

Como os filhos de Israel rejeitaram a Cristo, visto que não o santificaram como o Senhor dos Exércitos, em seus corações (Is 8:13; 1 Pe 3:14-15), o verso 10 aponta para o segundo advento de Cristo, quando Ele virá com poder e grande glória.

“E quando o Filho do homem vier em sua glória e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mt 25:31-32).

Cristo é o braço do Senhor que, no primeiro advento, foi desnudado perante todos os povos, para que se cumprisse a promessa a Abraão (Gn 12:3; Is 52:10) e, no segundo advento, exercerá domínio sobre a face da terra,  por amor a Abraão, Isaque e Jacó.

“Eis que o SENHOR fez ouvir até as extremidades da terra: Dizei à filha de Sião: Eis que vem a tua salvação; eis que, com ele, vem o seu galardão, e a sua obra diante dele” (Is 62:11);

“E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra” (Ap 22:12).

O profeta Malaquias resume os dois adventos de Cristo, em uma única profecia:

“EIS que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e, de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas, quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-se-á como fundidor e purificador de pratapurificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; então ao SENHOR trarão oferta em justiça” (Ml 3:1-3).

O primeiro advento aponta para Cristo, como o Servo do Senhor, o mensageiro da Nova Aliança, quando, repentinamente, Jesus adentrou o templo. Já, com relação ao segundo advento, Cristo virá em sua glória, como fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros, pois poucos suportarão a sua vinda, quando Ele se assentar como juiz (fundidor e purificador da prata).

Por isso, é dito que Cristo batiza com Espírito Santo e com fogo:

“Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas, eis que vem aquele, que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Lc 3:16).

O batismo com Espírito santo se deu no primeiro advento e o batismo com fogo, se dará na sua segunda vinda, quando Cristo purificará os filhos de Israel.

“Naquele dia, o renovo do SENHOR será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra, excelente e formoso, para os que escaparem de Israel. E será que, aquele que for deixado em Sião, e ficar em Jerusalém, será chamado santo; todo aquele que estiver inscrito entre os viventes, em Jerusalém; Quando o Senhor lavar a imundícia das filhas de Sião e limpar o sangue de Jerusalém, do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor (Is 4:2-4).

 

11 Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam, guiará suavemente.

Na segunda vinda, Cristo há de apascentar o seu rebanho, ou seja, os remanescentes de Israel, juntamente, com as nações selecionadas, para entrarem no seu reino. É Cristo quem selecionará as nações que adentrarão ao seu reino, como se lê:

“E todas as nações serão reunidas diante dele e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.Então, dirá o Rei, aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo” (Mt 25:32-34; Zc 9:16).

A promessa de Deus para Israel é esta:

“Ouvi a palavra do SENHOR, ó nações, anunciai-a nas ilhas longínquas e dizei: Aquele que espalhou a Israel, o congregará e o guardará, como o pastor ao seu rebanho” (Jr 31:10; Ez 34:12);

“E eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado e as farei voltar aos seus apriscos; frutificarão e se multiplicarão” (Jr 23:3).

Por causa dos líderes de Israel, que fizeram o povo se desviar, visto que buscavam alianças com os povos vizinhos (montes e outeiros), e se esqueceram de que em Deus está o livramento de Israel, os filhos de Israel foram dispersos. Das nações vizinhas (montes) jamais virá o socorro, pois o socorro de Israel pertence ao Senhor que fez os céus e a terra (Sl 121:2).

“Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

“Cordeiro desgarrado é Israel; os leões o afugentaram; o primeiro a devorá-lo foi o rei da Assíria; e, por último, Nabucodonosor, rei de Babilônia, lhe quebrou os ossos” (Jr 50:17).

Quando veio, Jesus foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, porém, elas não se deixaram ajuntar: “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado, senão, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24).

Como os filhos de Israel não se deixaram ajuntar, Cristo se deu a conhecer aos gentios; um povo que não o procurava, O encontrou: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também, me convém agregar a estas e elas ouvirão a minha voz e haverá um rebanho e um Pastor” (Jo 10:16; Is 65:1).

 

12  Quem mediu, na concha da sua mão, as águas e tomou a medida dos céus, aos palmos, e recolheu, numa medida, o pó da terra e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças? 13  Quem guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou?14 Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, lhe ensinasse conhecimento e lhe mostrasse o caminho do entendimento?

É necessário perspicácia para responder as perguntas dos versos 12 e 13.

Os versos apontam para alguém grande, o bastante, para mensurar as águas, utilizando a concha de sua mão, medir a extensão dos céus a palmos, reunir todo o pó da terra num só recipiente e saber a medida dos montes e outeiros, em balanças.

Essa pessoa é o Cristo, pois, segundo o escritor aos Hebreus, o Salmo 102 refere-se à pessoa do Filho bendito:

“Desde a antiguidade, fundaste a terra e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão, como um vestido; como roupa os mudarás e ficarão mudados. Porém, tu és o mesmo e os teus anos nunca terão fim” (Sl 102:25 -27; Hb1:10-12).

O profeta Isaias não estava apontando para o Onipotente, mas, sim, para o Senhor que está à Sua direita, o Filho de Deus, que desceu e subiu aos céus:

“DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110:1; Lc20:44).

“Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” (Pr 30:4; Jo 3:13).

Cristo, em meio aos homens, tomou conselho com o Pai e, por isso mesmo, Ele disse: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim” (Is 61:1; Is 11:1; Is 42:1 e 7).

O Salmo 16 demonstra que, até de noite, o Filho era instruído pelo Pai, de modo que o Pai era o seu auxilio (mão direita) e, quando ascendeu aos céus, assentou-se à destra (à mão direita) da Majestade, nas alturas.

“Louvarei ao SENHOR, que me aconselhou; até os meus rins me ensinam de noite.Tenho posto o SENHOR, continuamente, diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto, está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também, a minha carne repousará segura. Pois, não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias, perpetuamente” (Sl 16:7-11).

 

15  Eis que as nações são consideradas, por Ele, como a gota de um balde e como o pó miúdo das balanças; eis que Ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima. 16 Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. 17  Todas as nações são como nada perante Ele; Ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã.

O escritor aos Hebreus lembra aos cristãos que eles ainda não viam o Cristo do modo que era devido: comotodas as coisas pertencentes a Ele (Hb 2:8-10).

Pela grandeza de Cristo, as nações são como uma gota de água em um balde, ou como o pó insignificante que é desconsiderado sobre o prato da balança. Mesmo as nações estrangeiras (Ilhas) são ínfimas diante d’Ele.

Por que as nações são tidas como coisa vã? Porque, soprando o seu hálito, as nações (montes e outeiros) são feitas em deserto, de modo que todos os homens definham (Is 40:24).

“Por muito tempo me calei; estive em silêncio e me contive; mas, agora, darei gritos como a que está de parto e a todos assolarei e, juntamente, os devorarei. Os montes e outeiros tornarei em deserto e toda a sua erva farei secar, tornarei os rios em ilhas e as lagoas secarei” (Is 42:14-15);

“Mas, julgará com justiça aos pobres, repreenderá com equidade aos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio” (Is 11:4).

 

18 A quem, pois, fareis semelhante a Deus ou, com que o comparareis? 19  O artífice funde a imagem e o ourives a cobre de ouro e forja para ela cadeias de prata. 20  O empobrecido, que não pode oferecer tanto, escolhe madeira que não se apodrece; o artífice sábio busca, para gravar, uma imagem que não se pode mover.

O artífice, com toda a sua habilidade, jamais poderá conceber uma imagem que se compare à grandeza de Deus. Mesmo o resultado do trabalho conjunto de um artífice e de um ourives sequer pode ser comparado a Cristo.

“Um ao outro ajudou e ao seu irmão disse: Esforça-te. O artífice animou ao ourives e o que alisa com o martelo ao que bate na bigorna, dizendo da coisa soldada: Boa é. Então, com pregos a firma, para que não venha a mover-se” (Is 41:6-7).

Ao ressurgir dentre os mortos, Jesus ascendeu ao Pai, na condição de expressa imagem do Deus invisível, a imagem e semelhança que Deus mencionou, no Livro do Gênesis, que concederia ao homem.

“O qual, sendo o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade, nas alturas” (Hb 1:3).

Aos homens é impossível fazer algo semelhante a Deus, mas a Deus tudo é possível, visto que ao ascender ao Pai, Cristo conduziu muitos filhos a Deus, semelhantes a Ele, para que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos (Hb2:10; Rm 8:29; 1 Jo 3:2).Deus pode e faz, em Cristo, homens semelhantes a Ele!

 

21  Porventura, não sabeis? Porventura, não ouvis ou, desde o princípio, não se vos notificou ou, não atentastes para os fundamentos da terra? 22 Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é Ele o que estende os céus como cortina e os desenrola como tenda, para neles habitar; 23  O que reduz a nada os príncipes e torna em coisa vã os juízes da terra. 24 E mal se tem plantado, mal se tem semeado e mal se tem arraigado na terra o seu tronco, já se secam, quando ele sopra sobre eles,  um tufão os leva como a pragana (palha).

Os filhos de Israel ignoraram o Verbo que se fez carne pois, quando Ele resplandeceu em meio às trevas, não compreenderam a sua doutrina. O Verbo eterno é quem tudo criou e domina acima de todos, mas os filhos de Israel estavam como quem não sabia, ou como quem não aprendeu.

“No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele, nada do que foi feito, se fez (Jo 1:1-3).

Cristo está assentado à destra de Deus e Ele estendeu os céus como cortina e há de enrolar os céus como um manto:

“E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão mas, tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão e como um manto os enrolarás e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” (Hb 1:10-12).

25  A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? diz o Santo. 26  Levantai ao alto os vossos olhos e vede quem criou estas coisas; foi aquele que faz sair o exército delas, segundo o seu número; ele as chama a todas pelos seus nomes; por causa da grandeza das suas forças e, porquanto, é forte em poder, nenhuma delas faltará.

O Salmista aponta quem criou todas as coisas:

“Pois, quem no céu se pode igualar ao SENHOR? Quem, entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao SENHOR? Deus é muito formidável na assembleia dos santos, para ser reverenciado por todos os que o cercam. Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, SENHOR, com a tua fidelidade, ao redor de ti? Tu dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar. Tu quebraste a Raabe, como se fora ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte. Teus são os céus e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude, Tu os fundaste” (Sl 89:6-11).

O Criador de todas as coisas é o Primogênito de Deus que, no mundo dos homens, invocou a Deus por Pai, sendo obediente até a morte e, por isso, o Pai o engrandeceu soberanamente, dando-lhe um nome, que está acima de todos os nomes, e foi feito o mais elevado dos reis da terra.

“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2:8; Sl 89:26-27).

O rei Davi era o oitavo filho de Jessé, portanto, não poderia ser o primogênito de Deus, conforme consta dos Salmos: o mais elevado dos reis da terra (Sl 89:27).

 

27  Por que dizes, ó Jacó, e tu falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao SENHOR e o meu juízo passa despercebido ao meu Deus? 28 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento. 29 Dá força ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. 30  Os jovens se cansarão e se fatigarão e os moços, certamente, cairão; 31  Mas, os que esperam no SENHOR, renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão.

As duas casas de Israel reclamam da sorte, como se a culpa pelas mazelas da nação estivesse em Deus. Adotavam ritos, sacrifícios, ascetismos, etc., segundo mandamentos de homens e reclamavam que Deus não os atendia:

“Dizendo: Por que jejuamos nós e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas e tu não o sabes? Eis que no dia em que jejuais, achais o vosso próprio contentamento e requereis todo o vosso trabalho” (Is 58:3).

Acusar Deus de desconhecer algum caminho ou, que não considera a justiça de alguém, é o mesmo que ignorar que Deus jamais dormita, a ponto de algo escapar à sua onisciência. O questionamento deles era de quem não soubesse ou nunca fora ensinado que o Criador não se cansa e nem se fatiga.

A queixa dos filhos de Israel decorre dos seus próprios pecados:

“De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” (Lm 3:39);

“Quem entregou a Jacó por despojo e a Israel aos roubadores? Porventura, não foi o SENHOR, aquele contra quem pecamos e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando ouvidos à sua lei?” (Is 42:24).

O profeta Isaias informa que Deus socorre aos cansados, ou seja, aos que não têm vigor algum. Os que possuem forças (jovens e moços) e que confiam em si mesmos, se cansarão e, certamente, cairão.  Dai a instrução: os que esperam no Senhor renovarão as forças com velocidade semelhante à da águia, de modo que podem correr sem se cansar e caminhar sem se fatigar.

“OS que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre” (Sl 125:1).

Ora, só permanece para sempre aquele que crê em Cristo, conforme a palavra do evangelho, anunciada por Cristo e pelos apóstolos.

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível mas, da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1 Pe 1:23);

“Mas, a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” (1 Pe 1:25);

“O mundo passa e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre” (1 Jo 2:17);

Comparando os versos 29 e 31:

“Dá força ao cansado  e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor (Is 40:29);

“Mas, os que esperam no SENHOR, renovarão as forças, subirão com asas como águias” (Is 40:31).

Teremos a seguinte conclusão: os cansados ou, os que não têm vigor algum, são os que esperam (confiam) no Senhor. É por isso que Cristo anunciou:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” (Mt 11:28).

Se os filhos de Israel compreendessem a profecia, saberiam que Cristo se apresentou como Deus, quando convidou os cansados e oprimidos de Israel a se achegarem a Ele: – “Eis me aqui…”.

“E há de ser que, todo aquele que invocar o nome do SENHOR, será salvo; porque, no monte Sião e, em Jerusalém, haverá livramento, assim como disse o SENHOR e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (Jl 2:32).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

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O Livro de Jó – A artimanha do acusador

Ao tirar os bens, a família e a saúde de Jó, a estratégia de Satanás era fazer com que Jó, em defesa da sua integridade, substituísse a genuína justificação de Deus, que se alcança pela confiança na palavra de Deus, por uma justiça humana, baseada na moral e no comportamento ilibado do patriarca.


A artimanha do acusador

Parte V

Jó havia alcançado de Deus a condição de justo, pela confiança que depositava em Deus, não pela sua integridade moral.

Através do exarado nas Escrituras, sabemos que Deus só justifica o homem quando este confia na sua palavra. Por isso, é dito que Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça (Gn 15:6).

A justificação de Jó se deu, assim, como a justificação de Abraão, pois, este cria em Deus, que prometeu que o patriarca de Ur dos Caldeus seria pai de muitas nações e, aquele, por crer que o Seu Redentor vivia.

Por causa da confiança que Jó nutria em Deus, Satanás nada podia contra Jó, mesmo quando tirou todos os seus bens. Observe a maneira como o escritor do Livro de Jó narra o seu comportamento, quando ele perdeu tudo:

“Em tudo isso Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma!”

Quando Jó perdeu a sua saúde, o autor também deixou consignado:

“Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios!”

Satanás sabia que Jó não pecaria com os seus lábios, mesmo com a perda repentina dos seus bens, filhos e saúde, pois este era o testemunho do próprio Criador.

Os eventos que sucederam, repentinamente, na vida de Jó, foram fomentados por Satanás, com a única finalidade de reunir os amigos de Jó para uma visita, quando, efetivamente, iniciaria o principal ataque do adversário.

Todo o sofrimento imposto sobre Jó tinha, por objetivo, estabelecer um equivoco, quanto à verdadeira condição de Jó, diante de Deus.  Com base no julgamento que os amigos de Jó fariam, sobre a condição dele diante de Deus, atacariam, deliberadamente, a integridade que, por sua vez, se defenderia a si mesmo.

A integridade, a retidão, a honra e a reputação eram o maior patrimônio de Jó, tanto que ele compara a sua justiça com um manto e um diadema (Jo 29:14). Atingir os bens, a família e a saúde de Jó, só foi um meio de Satanás alcançar um fim: atacar o que era mais caro a Jó!

Sem se aperceberem, os amigos de Jó estavam a serviço de Satanás, lançando setas e armando laços, que levariam Jó a justificar-se a si mesmo. A finalidade de Satanás era fazer com que Jó lançasse mão de uma justiça própria, agarrando-se à sua integridade, em detrimento da justiça de Deus.

Ao tirar os bens, a família e a saúde de Jó, a estratégia de Satanás era fazer com que Jó, em defesa da sua integridade, substituísse a genuína justificação de Deus, que se alcança pela confiança na palavra de Deus, por uma justiça humana, baseada na moral e no comportamento ilibado do patriarca.

Acima da integridade e da retidão de Jó, está a justiça de Deus, que o homem só alcança, por meio da palavra de Deus. A confiança de Jó, expressa nas seguintes palavras: – “Porque eu sei que o meu Redentor vive e que, por fim, se levantará sobre a terra” (Jó 19:25), que nos remete à pessoa de Cristo – o autor e consumador da fé – demonstra que, assim como o crente Abraão (Gl 3:6), a sua crença é que era imputada por justiça, não a sua integridade e retidão.

Assim como Deus revelou a Abraão que, no Seu Descendente, seriam benditas todas as famílias da terra (Gl 3:16), Deus havia revelado a Jó que o Seu Redentor haveria de andar na terra dos viventes e, por ele, confessar: – “…eu sei …”, foi declarado justo por Deus, ou seja, justificado (Jo 1:1 e 2:3).

Satanás não atribuiu, diante de Deus, nenhum erro a Jó! E por que não o fez? Porque Satanás não podia fazê-lo, pois Deus mesmo declarou Jó justo. Sendo, pois, justificado por Deus, nenhuma condenação pesava contra Jó (Rm 8:1). Assim como os crentes em Cristo estão livres de toda condenação, por andarem segundo o espírito (evangelho), também, não pesava nenhuma condenação sobre Jó, por ele andar segundo a premissa de que o seu Redentor vivia.

Satanás alegou que a devoção de Jó era em função dos bens e da família que possuía, logo, ele não tinha opção, a não ser reverenciar a Deus. Satanás não acusa Jó e nem ataca o Criador, antes, faz alegações de que havia certa ‘cumplicidade’ entre Deus e Jó.

Esse argumento de Satanás, visava reunir os elementos necessários para um ataque ardiloso e não somente retirar os bens e a saúde de Jó. Satanás sabia que a vida de um homem não consiste na abundancia de bens e que o homem vive da palavra que sai da boca de Deus: “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lc 12:15); “…para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” (Dt 8:3).

As ciladas de Satanás são engendradas, a partir da ignorância do homem, acerca das coisas de Deus. Um dos elementos essenciais ao ataque de Satanás estava na repentina retirada dos bens, família e saúde de Jó, criando uma falsa aparência acerca da condição de Jó diante de Deus: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo 7:24; Jo 8:15).

Satanás atuou em cima da ignorância dos amigos de Jó, que acreditavam que a justiça de Deus era retributiva, tendo por base a moral e o comportamento humano e, por isso, julgaram, falaram e acusaram, segundo os padrões humanos, não segundo a reta justiça.

“Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam mal, segam o mesmo” (Jó 4:7-8).

Satanás não deixou de atuar e nem desapareceu, logo após tirar os bens, a família e a saúde de Jó, como se satisfizesse em infligir sofrimento atroz a Jó. Restava algo de maior importância para Satanás roubar: a salvação:

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3:11).

Além de armar a cilada, Satanás animou a discussão dos quatro amigos, ao, em sonho, fazer algumas perguntas despretensiosas acerca da justiça de Deus, que Elifaz contou logo no início da discussão (Jó 4:15-17). Em certo ponto da discussão, Jó desconfia da irritabilidade dos seus amigos ao acusá-lo (Jó 16:3).

Trazer os amigos foi uma tática, pois Satanás esperava que Jó se defendesse das acusações e das provocações de seus amigos. Durante o debate, Jó percebe que havia algo de errado na animosidade de seus amigos, no entanto, só no último discurso ele questionou:

“E de quem é o espírito que saiu de ti?” (Jó 26.4)

Satanás só deixou de atuar quando viu que Jó está prestes a lançar mão do pecado de rejeitar a justiça de Deus, agarrando-se à sua integridade. Quando faz o seu discurso, evidenciando o seu ‘eu’: Eu livrava os pobres, eu fazia rejubilar o coração das viúvas, eu era o olho do cego, etc., Jó esteve próximo da ruina (Jó 29:12-17). Quando propôs que Deus o pesasse em uma balança fiel, e assim, aferisse a sua integridade, quase os pés do patriarca se resvalaram (Jó 31:6).

Como nem a morte, nem os anjos ou, alguma outra criatura, podem separar o homem do amor de Deus (Rm 8:38 -39), a cilada de Satanás consiste em fazer com que o homem rejeite a justiça de Deus. Como? Naqueles que tem moral elevado, Satanás busca meios de evidenciá-lo, em detrimento da justiça de Deus. Já os de comportamento reprovável, Satanás fomenta o sentimento de que não são merecedores da misericórdia divina.

Evidenciar no coração do homem uma justiça própria, através de um sentimento de que é merecedor de boas dádivas, é uma das artimanhas que Satanás se utiliza para fazer com que o homem se afaste de Deus. Estabelecer no coração do homem um sentimento de comiseração pelas falhas, é outra estratégia de Satanás para fazer com que o homem rejeite o perdão de Deus.

Satanás nada tem, portanto, nada pode oferecer ao homem, entretanto, ele utiliza a tática de fazer o homem lançar mão, antecipadamente, do que lhe foi reservado. Foi dessa maneira com Eva. Deus havia reservado o conhecimento do bem e do mal para o homem, para quando alcançasse a semelhança do Altíssimo, mas Satanás enganou Eva que, antecipou-se e comeu do fruto. Eva, juntamente com Adão, alcançou o conhecimento do bem e do mal, mas perdeu, junto com o seu marido, a comunhão com o Criador.

Satanás usou essa mesma tática com Jesus, a quem Deus prometeu as nações por herança e os fins da terra por possessão (Sl 2:8), quando prometeu dar os reinos do mundo, se prostrado o adorasse (Mt 4:8). Os reinos do mundo pertencem ao Pai e ao seu Filho, portanto, Satanás ofereceu o que não tinha:

“E o reino, o domínio e a majestade dos reinos, debaixo de todo o céu, serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão” (Dn 7:27).

Outra artimanha de Satanás engendrada, em função da falta de conhecimento do homem, está em fomentar a busca por algo que já possui. Ao crer em Cristo, o crente é circuncidado com a circuncisão de Cristo, que consiste em lançar fora toda a carne,  não somente o prepúcio do corpo (Cl 2:11). Satanás, por sua vez, oferece a circuncisão do prepúcio da carne, como meio de se alcançar a salvação (At 15:1).

Em nossos dias, uma das artimanhas de Satanás consiste em negar a eficácia do evangelho, através de um evangelho de aparências, firmado em preceitos de homens:

“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” (2 Tm 3:5; Cl 2:22-23).

O homem de sã consciência não rejeita a justiça de Deus, simplesmente, dizendo ‘não’. Na verdade, Satanás utiliza-se de homens que não estão ligados à cabeça, que é Cristo (Cl 2:19), engana os incautos com palavras persuasivas, segundo os rudimentos do mundo e as suas vãs filosofias.

As acusações ferrenhas dos amigos de Jó evidenciaram, no coração, a sua integridade, o que levou Jó a se comparar aos demais homens, a ponto de achar que era merecedor de uma sorte melhor, em função da sua integridade (Jó 30:26).

Se Jó continuasse só e na cinza, sem a visita de seus amigos, não teria a sua própria justiça evidenciada. Vieram os seus amigos, julgando segundo a aparência, o que despertou em Jó a necessidade de provar a sua integridade.

“À minha justiça me apegarei e não a largarei; não me reprovará o meu coração, em toda a minha vida” (Jó 27:6).

Se tivesse desprezado a afronta de ser taxado de pecador, Jó não se agarraria à sua integridade e nem acusaria a Deus, de ter negado justiça a ele (Jó 27:1). Cristo, sendo justo, deu-nos exemplo, ao desprezar a afronta:

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb 12:2).

 

Não podemos ignorar os ardis de Satanás

Além de conhecer a pessoa de Jó, por observá-lo, constantemente, Satanás conhece os atributos de Deus. O conhecimento que detém, decorrente da sua constante observação, é a fonte do poder que dá força à atuação de Satanás.

Satanás desejava separar Jó da comunhão com Deus, por isso, escolheu um ponto vulnerável, a fim de desferir o seu ataque. Sabedor de que Jó prezava mais a sua integridade do que a sua própria vida e bens, e que tanto Jó quanto os seus amigos não conheciam plenamente, como se dá a justificação, Satanás estava de posse dos ingredientes necessários para fomentar a queda de Jó.

No ataque, Satanás, geralmente, se utiliza daquilo que o homem mais preza nesta vida, para fazer o homem demover da sua esperança e de Deus e, por conseguinte, abrir mão da salvação.

  • Era de conhecimento de Satanás que Jó amava a Deus e que a sua integridade ocupava uma posição de destaque em seu coração;
  • Ele, também, sabia que o conhecimento que Jó detinha, a respeito da justiça de Deus, era distorcido;
  • Satanás sabia da religiosidade dos amigos de Jó, que eram propensos a julgar pela aparência.

Através do conhecimento que possuía, simplesmente, por observar continuamente a Jó, Satanás reuniu os elementos necessários para montar uma estratégia, a fim de tentar derrubar a Jó. A brecha para a ação de Satanás estava na falta de conhecimento dos quatro amigos, acerca das coisas de Deus!

Todos os elementos que Satanás utilizou contra Jó, também foram utilizados contra Adão e Eva.

Eva detinha plena liberdade, por ter pleno acesso à árvore do conhecimento do bem e do mal. A liberdade plena foi dada pelo Espírito de Deus, que disse: “De toda árvore do jardim poderás comer livremente…” (Gn 2:16).

O livre arbítrio é um dom irrevogável que Deus deu aos homens, pela liberdade de decidir-se por obedecer a Deus ou, não.

Através de uma pergunta, aparentemente, inocente, Satanás apresentou-se a Eva, evidenciando, astutamente, uma dura restrição: “É assim que Deus disse: ‘Não comereis de toda a árvore do Jardim?’” (Gn 3:1).

Deus falou ao homem, dando-lhe plena liberdade, e Satanás, através de uma pergunta,  evidencia uma proibição total. O aparente desconhecimento de Satanás, acerca do que Deus disse, deu confiança à mulher, de modo que ela passou a ensiná-lo.

Satanás introduz a troca, a negar o que Deus disse. O homem tinha plena liberdade e Satanás evidenciou a possibilidade ser como Deus, conhecendo o bem e o mal. A comunhão com Deus é a essência da liberdade e o homem abriu mão da liberdade, para ter conhecimento do bem e do mal.

Após comer o fruto, o homem adquiriu conhecimento do bem e do mal, tornando-se como Deus, mas perdeu a comunhão, por conseguinte, a liberdade. Satanás enganou o homem, tirando a vida decorrente da comunhão com o Criador, substituindo pelo conhecimento, que nada agrega, se não tiver comunhão com Deus.

O homem deixou de confiar no aviso de Deus: “… porque no dia em que comeres do fruto, certamente morrerás”. Rejeitar a palavra de Deus é o maior erro que o homem pode incorrer. Deixar de crer em seu Senhor, para acreditar em seus próprios sentimentos e percepções.

A mulher viu que a árvore era boa para comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento e deixou de confiar em Deus, para confiar em seus sentidos, sentimentos e desejos.

Na história de Jó são demonstrados todos os elementos das artimanhas satânicas, que é fazer o homem substituir o que é concedido por Deus, por algo que o homem tem em alta conta.

O apóstolo Paulo alerta, ao argumentar que, para os cristãos não serem vencidos, que não podiam ignorar os seus ardis. Quem ignora, desconhece ou não compreende a ação de Satanás, estará fadado à derrota.

A intenção de Satanás, era fazer Jó atribuir a Deus uma falta (Jó 1:22), tanto que uma das notícias das calamidades chegou a Jó como sendo fogo de Deus, que havia atingido os seus servos e gados.

Não seria injustiça da parte de Deus deixar uma pessoa correta sofrer? Satanás sabia que Jó não se deixaria levar por um argumento tão simplório, mas ele também sabia que o ataque dos amigos de Jó poderia minar a sua confiança em Deus, pois, para defender-se, teria que lançar mão de uma justiça própria:

“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor” (Rm 12:19).

Satanás procurou minar a confiança que Jó nutria em Deus, através das considerações implacáveis dos seus amigos.

“As tuas palavras firmaram os que tropeçavam e os joelhos desfalecentes tens fortalecido. Mas agora, que se trata de ti, te enfadas; e tocando-te a ti, te perturbas” (Jó 4:4-5)

Satanás arquitetou uma armadilha para fazer Jó se sentir desamparado por Deus, e assim, em sua defesa, recorreria à sua integridade, negligenciando a justiça de Deus.

Após compreender do que trata o Livro de Jó, analisaremos, detalhadamente, as queixas de Jó e as recriminações dos seus amigos.

 

Continua….

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