Habacuque 3 – Oração do profeta Habacuque

Habacuque pede a Deus que implemente (aviva) a sua obra. Ora, a obra maravilhosa e admirável é o suscitar dentre as nações os caldeus, e que, ao longo dos anos os homens haveriam de conhecê-la.

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Habacuque 2 – Aguardando uma resposta de Deus

Para Deus, tanto os caldeus quanto os judeus estavam em iguais condição, pois ambos os povos eram condenáveis diante de Deus. Por serem descendentes de Abraão, por terem as promessas, as escrituras, etc., o profeta Habacuque considerava que a nação de Israel era mais justa que as nações em redor ( Sl 53:3 ).


HABACUQUE 2

1 SOBRE a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for arguido.
2 Então o SENHOR me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo.
3 Porque a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não enganará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará.
4 Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá.
5 Tanto mais que, por ser dado ao vinho é desleal; homem soberbo que não permanecerá; que alarga como o inferno a sua alma; e é como a morte que não se farta, e ajunta a si todas as nações, e congrega a si todos os povos.

A Resposta ao Profeta

O profeta Habacuque recolhe-se e põe-se em guarda. Fiado em suas considerações, Habacuque põe se em guarda por ser um dos atalaia em Israel. Ele espera pela resposta divina e demonstra ansiedade pela resposta que Deus haveria de apresentar as suas queixas. Caso ele fosse interpelado, queria ter uma resposta (v. 1).

Habacuque obteve resposta de Deus! Deus ordena que ele a escrevesse sobre tábuas a mensagem, para que as pessoas pudessem ler, mesmo quando passassem correndo, ou seja, em letras grandes (v. 2). O efeito da mensagem causa um trocadilho, visto que, faria quem lesse correr, ou seja: “para que possa correr aquele que a le”.

As tábuas utilizadas eram tijolos de argila, finos como tabuas ou ardósia. Elas eram utilizadas na Babilônia.

A primeira resposta de Deus é sobre o tempo em que Deus haveria de cumprir a visão dada a Habacuque ( Hc 1:2 e Hc 2:3 ).

A visão que Deus concedeu a Habacuque, ou seja, o peso do Senhor acerca de Judá, haveria de ser no tempo determinado por Deus, e com isso o profeta não precisava preocupar-se, pois a profecia seria cumprida ao seu tempo.

Ora, se alguém entendesse que a profecia estava tardando, bastava esperar, pois certamente ela cumprir-se-á no tempo estabelecido por Deus, ou seja, não tardará. A visão cumprir-se-á no tempo que Deus estabeleceu pelo seu próprio poder e não compete aos homens saberem quando os eventos se dará.

Por que a visão deveria ser transcrita sobre tábuas? Porque precisava ficar registrada sobre algo duradouro como testemunho vivo para um tempo futuro. Quem lia sobre a invasão dos caldeus queria correr do evento anunciado. Ora, não tardou e os caldeus levaram cativo o povo de Israel conforme a palavra do Senhor ( Hc 1:6 -11).

Do mesmo modo que Deus revelou que o cativeiro de Israel seria para os dias do profeta Habacuque ( Hc 1:5 ), Deus responde o profeta, revelando que a nação incircuncisa que foi suscitada por Deus também seria punida (Hc 2:4 -19).

Diante da visão divina, resta àqueles que fazem perguntas vazias calarem-se ante o Senhor de toda a terra “Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” ( Hc 2:20 ). Após dar ouvido as palavras de Deus, Habacuque temeu ao Senhor, e compôs um Salmo, profetizando acerca da providência divina aos homens ( Hc 3:1 -19).

A punição de Judá e Israel era iminente e a punição dos caldeus para um tempo determinado ( Hc 1:5 e Hc 2:3 ). Ao ser ordenado que a visão fosse escrita sobre tábuas com letras grandes, era para ela ‘falar’ até o fim “Porque a visão é ainda para o tempo determinado, e até o fim falará, e não mentirá” ( Hc 2:3 ), mesmo que corressem quem a lesse.

A questão maior do profeta Habacuque foi apresentada no verso 13 do capítulo 1: “Por que te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?”. Habacuque já estava indignado porque os ímpios em Judá fomentavam a violência, e esperava que Deus tomasse providência para impedi-los (Hc 1: 2- 4). Agora, quando Deus lhe dá a visão de que os incircuncisos caldeus (gentios) haveriam de castigar Judá e Israel, ele não compreende porque Deus permite que ímpios ‘devorem’ àqueles que são mais ‘justos’.

A resposta de Deus é clara e precisa: “Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá” (v. 4). O que Deus disse a Habacuque? O que Habacuque compreendeu que o fez irromper em um alegre canto?

O verso 4 é regida por uma conjunção adversativa, sendo que: se o justo viverá da fé, resta que o ímpio é quem tem a alma orgulhosa. Deus apresenta o diferencial entre o justo e o ímpio. Enquanto o diferencial entre o justo e o ímpio para Habacuque estava na violência, na iniquidade, na contenda, no litígio, na transgressão da lei, etc., Deus demonstra que o diferencial é a fé que foi dada por Deus.

Através da visão, Habacuque compreende que tanto os homens de Judá e Israel quanto os caldeus eram ímpios perante o Senhor. Aqueles que Habacuque considerava mais justos que os caldeus, diante da visão tornaram-se ‘mais’ ímpios, visto que o povo que se chama pelo nome de Deus era dado ao vinho (v. 5).

Qual o vinho que o povo de Israel se embriagava? O vinho produto do fruto da vide? Não! O vinho que os ímpios de Israel eram ‘dados’ (entregues) é o sono profundo que falou o profeta Isaias: “Pasmai, e maravilhai-vos, folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte. O Senhor derramou sobre vós um espírito de profundo sono. Ele fechou os vossos olhos (os profetas); ele vendou as vossas cabeças (os videntes)” ( Is 29:9 -10).

Quem não compreende as palavras da profecia é dado ao vinho, ou seja, é desleal (ímpio). Anda titubeando. Diferente do justo que vive pela fé, o ímpio (homem soberbo) não permanecerá (v. 5).

Habacuque conseguiu ver que o povo de Israel em nada era diferente dos caldeus, pois os caldeus eram um povo voraz, insaciável, que alargava como o inferno a sua alma, e os seus concidadãos também eram opressores, violentos, contentores e perversos ( Hc 1:2 -4 e v. 5).

Habacuque havia questionado o Senhor por esquecer que:

  • O povo de Israel era nação rebelde ( Dt 9:6 );
  • Não foi a justiça de Israel que os fez habitar a terra prometida ( Dt 9:4 );
  • Deus não se afeiçoou de Israel e os escolheu por eles terem algum mérito, antes porque o Senhor os amava, ou seja, para fazer cumprir o juramento que foi feito a Abraão ( Dt 7:7 -8);
  • Somente aqueles que circuncidarem o coração, ou seja, que não são de dura cerviz, é que são justos diante de Deus ( Dt 10:16 );
  • A circuncisão do prepúcio do coração só é possível através da fé, e é pertinente a homens e mulheres, ricos e pobres, judeus e estrangeiros, pois Deus não faz acepção de pessoas.

Após considerar as palavra do Senhor ( Hc 3:2 ), Habacuque percebeu que não havia diferença entre os homens de Judá e os incircuncisos caldeus. Os caldeus ajuntavam para si as nações através da força e violência, e o povo de Israel procuravam realizar o mesmo intento através de alianças políticas. Ambos não confiavam em Deus, e atribuíam as suas conquistas as suas estratégias. Os caldeus estratégias militares, e os israelenses, estratégias políticas.

Habacuque 2: 4 é citado três vezes no Novo Testamento pelos apóstolos, dada a importância desta visão concedida ao profeta Habacuque ( Rm 1:17 ; Gl 3:11 e Hb 10:38 ).

Em Romanos Paulo demonstra que através do evangelho o homem descobre a justiça de Deus, visto que o evangelho é poder de Deus para a salvação, ou seja, recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus pela fé em Cristo ( Jo 1:12 -13).

Como o evangelho é a palavra da fé, a fé que uma vez foi dada aos santos, temos que o justo viverá da palavra de Deus, ou seja da fé ( Dt 8:3 ; Mt 4:4 ). Habacuque 2: 4 apresenta a mesma ideia de Deuteronômio 8: 3.

Como os cristãos da Galácia queriam viver para Deus se estavam se distanciando da palavra de Deus? O justo viverá da palavra da fé, e não através das obras da lei, uma vez que estavam passando do evangelho de Cristo para um outro evangelho.

O escritor aos Hebreus citou Habacuque para demonstrar a necessidade de perseverança após o homem fazer a vontade de Deus. Ora, a vontade de Deus é que o homem creia naquele que Ele enviou, ou seja, em Cristo, porém, é preciso perseverar na fé para que o homem possa alcançar a promessa ( Hb 10:35 -39).

 

6 Não levantarão, pois, todos estes uma parábola e um provérbio sarcástico contra ele? E se dirá: Ai daquele que multiplica o que não é seu! (até quando?) e daquele que carrega sobre si dívidas!
7 Porventura não se levantarão de repente os teus extorquiadores, e não despertarão os que te farão tremer, e não lhes servirás tu de despojo?
8 Porquanto despojaste a muitas nações, todos os demais povos te despojarão a ti, por causa do sangue dos homens, e da violência feita à terra, à cidade, e a todos os que nela habitam.
9 Ai daquele que, para a sua casa, ajunta cobiçosamente bens mal adquiridos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar do poder do mal!
10 Vergonha maquinaste para a tua casa; destruindo tu a muitos povos, pecaste contra a tua alma.
11 Porque a pedra clamará da parede, e a trave lhe responderá do madeiramento.
12 Ai daquele que edifica a cidade com sangue, e que funda a cidade com iniquidade!
13 Porventura não vem do SENHOR dos Exércitos que os povos trabalhem pelo fogo e os homens se cansem em vão?
14 Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar.
15 Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro! Ai de ti, que adiciona à bebida o teu furor, e o embebedas para ver a sua nudez!
16 Serás farto de ignomínia em lugar de honra; bebe tu também, e sê como um incircunciso; o cálice da mão direita do SENHOR voltará a ti, e ignomínia cairá sobre a tua glória.
17 Porque a violência cometida contra o Líbano te cobrirá, e a destruição das feras te amedrontará, por causa do sangue dos homens, e da violência feita à terra, à cidade, e a todos os que nela habitam.
18 Que aproveita a imagem de escultura, depois que a esculpiu o seu artífice? Ela é máscara e ensina mentira, para que quem a formou confie na sua obra, fazendo ídolos mudos?

Os ‘ais’

Deus revela a Habacuque que os povos que forem vencidos levantarão um provérbio, um dito zombador acerca dos caldeus (v. 6). Os vencidos pelos caldeus haveriam de dizer: Ai de quem acumulou o que não é seu! Ou seja, até quando os caldeus continuariam acumulando bens pela violência?

Todos cantariam um provérbio acerca dos caldeus, pois estava se sobrecarregando de penhores, e chegaria o tempo em que apareceriam os credores. Ora, o acumulo de riquezas por parte dos caldeus não faria despertar quem os levaria a ruína?

O fato de os caldeus ajuntarem penhores, outros povos fariam com que os caldeus se transformassem em despojos (v. 7).

Por ter despojado muitas nações, os outros povos haveriam de despojar os caldeus (v. 8).

Deus demonstra a Habacuque que os caldeus não permaneceriam para sempre. Eles estavam ajuntando bens mal adquiridos para se engrandecerem. Reputavam que, quanto maior as suas riquezas, com maior facilidade se livrariam do mal (v. 9).

Com este pensamento, os caldeus haviam maquinado o mal e a vergonha para as suas moradas. Por destruir muitos povos, ensoberbeceram e a queda era iminente ( Hc 2:5 e 10).

Quem é a pedra que clamará da parede? As nações vencidas e levadas cativas, visto que os caldeus utilizaram as nações vencidas para construírem as suas moradas. A pedra haveria de clamar um dito zombador “Ai daquele que acumula o que não é seu…” (v. 6b), e a trave responderia como se estivessem compondo um coro “Ai daquele que edifica a cidade com sangue…” (v. 12).

Deus demonstra através da visão que o labutar constante das nações por poder é proveniente d’Ele mesmo “Não vem do Senhor dos Exércitos que as nações labutem para o fogo…” (v. 12). Ora, Habacuque tinha que compreender que é obra de Deus fazer com que as nações labutem para conquistarem o que será destinado ao fogo, e os povos se fatiguem em vão.

Ora, se o ‘labutar em vão’ das nações é algo que vem de Deus, porque preocupar-se com os incircuncisos caldeus? Eles eram somente a vara de correção que Deus estava trazendo sobre Israel.

Habacuque deveria esperar na promessa de Deus, pois a terra se encherá da glória de Deus ‘… como as águas cobrem o mar’ “Não se fará mal nem dano algum em todo o monte da minha santidade, pois a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” ( Is 11:9 ). A comparação é pertinente para saber o que é o conhecimento do Senhor. Ora, as águas cobrem o mar na plenitude, e do mesmo modo o conhecimento de Deus é pleno quando o homem é conhecido do Senhor. Temos uma profecia para o milênio.

Deus demonstra que os caldeus perecerão, pois deram a beber as nações o seu furor, ou seja, arquitetaram vingança, deitaram ira para embebedar as nações. Somente a Deus pertence a vingança e a ira, pois Ele mesmo diz: “Minha é a vingança” “Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo” ( Hc 10:30 ).

Os caldeus que pensaram estar fartos de honra, trouxeram opróbrio sobre si. Do mesmo modo que os caldeus expuseram os circuncisos (Israel) à vergonha, Deus proclama que fará os caldeus exibirem a sua incircuncisão (vergonha). Haveria de chegar a vez dos caldeus beberem do cálice da ira de Deus.

Observe que o cálice da ira é proveniente da mão direita de Deus, o braço do Senhor manifesto a todos os povos, que é Cristo.

A visão do profeta Habacuque cumpriu-se em 539 a.C., quando a Babilônia caiu ante os Medos e Persas. Daniel foi um dos Judeus levado cativo que presenciou a tomada de Babilônia (Daniel 5).

Por causa da violência contra o povo de Israel (Líbano) (Josué 1: 4), a violência também cobriria os caldeus. Seriam dilacerados do mesmo modo como as feras fazem com as suas presas (v. 17).

Deus havia suscitado os caldeus ( Hc 1:6 ), porém, eles atribuíram o seu poderio as imagens de esculturas (v. 18- 19). Daniel em seu livro demonstra que Belsazar promoveu uma festa e ofereceu louvores aos seus deuses. Porém, mesma noite foi morto, e Dario, o medo ocupou o seu lugar ( Dn 5:4 e 31).

 

Deus alerta acerca dos ídolos

Que proveito há no ídolo se é obra de um escultor? As imagens de fundição são ensinadoras (mestre) de mentiras, visto que até os seus artífices confiem nas obras de suas mãos (v. 18).

Deus demonstra que àqueles que tentam despertar a matéria inerte estão completamente perdidos. Que pode o ídolo ensinar? Mesmo os ídolos feitos com os materiais mais nobres, nada podem fazer pelos seus seguidores (v. 19- 19).

Diferente dos ídolos que nada ensinam e não podem proteger, Deus está assentado no seu santo templo. Aos que ouvem a sua palavra resta por a mão à boca. Habacuque compreende que não terá uma resposta a altura diante de Deus ( Hc 2:1 e 20).

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Habacuque 1 – Realizarei em vossos dias uma obra

Deus não é a causa das injustiça sociais e nem das violações de questões legais estabelecida pelos homens. O juízo de Deus foi estabelecido sobre a humanidade em Adão, e a justiça de Deus manifesta-se em Cristo. No juízo está a condenação da humanidade, na justiça de Deus manifesta aos homens em Cristo, está a salvação.


“Entenda o motivo de o profeta Habacuque pedir a Deus que ‘lembre da misericórdia’ após pedir que a obra de Deus fosse avivada”

HABACUQUE 1

1 O PESO que viu o profeta Habacuque.
2 Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás?
3 Por que razão me mostras a iniquidade, e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio.
4 Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida.

Questões sem Respostas

A vida particular do profeta Habacuque é pouco conhecida assim como a dos outros profetas menores. Habacuque, cujo nome significa ‘abraço’, profetizou a Judá sobre a invasão iminente dos caldeus.

O primeiro verso do livro de Habacuque está mais para um título inicial, do que para um elemento essencial para o entendimento do texto. Durante a leitura do livro é possível verificar que o texto apresenta uma sentença (peso) que o profeta (oráculo de Deus) viu, ou seja, uma revelação de Deus.

O peso do Senhor não são as perguntas do profeta, antes uma resposta de Deus as suas perguntas.

O Livro de Habacuque tem início com algumas questões que importunavam o profeta “Até quando, Senhor…” (v. 2). As questões eram acerca dos tempos estabelecidos por Deus através do seu próprio poder. Ora, desde a antiguidade a preocupação dos homens centram-se nos tempos em que Deus realizará os seus desígnios “E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” ( At 1:7 ).

Pedro demonstra a preocupação dos profetas acerca da salvação que haveria de ser revelada e dos tempos estabelecido por Deus “Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava…” ( 1Pe 1:11 ).

Além de querer saber os tempos que Deus estabeleceu por seu próprio poder, Habacuque clamava por justiça! (v. 2- 4). Mas, qual tipo de justiça era o anseio do profeta Habacuque?

Habacuque queria entender por que ele clamava e Deus não lhe respondia. Não escutar equivale a não responder. Habacuque não estava acusando Deus de surdez ou algo semelhante.

O profeta gritava: “Violência!” do mesmo modo quando os homens gritam: “Fogo!”, e esperam ser atendidos. Porém, embora gritasse “Violência” e clamasse por auxílio, Habacuque não conseguia ver o auxilio de Deus.

Por que Habacuque não conseguiu ver o socorro de Deus? Porque ele estava focado em questões humanas!

Habacuque estava clamando a Deus por causa das injustiça sociais, pois ele via a opressão dos fortes sobre os fracos, dos ricos sobre os pobres, dos reis sobre os súditos, etc. A destruição e a violência era algo aferido diariamente pelo profeta, porém, ele não entendia porque Deus deixava os homens se lançarem às suas maldades.

A preocupação do profeta é a mesma de alguns religiosos e bons cidadãos em nossos dias. Por que tanta violência em nossos dias? Por que tanta morte, roubo, opressão, suborno, etc? Por que os inocentes sofrem?

Habacuque não estava clamando por sua salvação, pois quem invoca a Deus por salvação é atendido (ouvido) prontamente por Deus: é salvo da condenação que há no mundo, pois a mensagem de Deus é clara: “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” ( Rm 10:13 ; Jl 2:32 ).

Entretanto, quem clama a Deus para ver a providência divina com relação as contendas e litígios entre os homens, deve esperar o tempo ou as estações que Deus estabeleceu por seu próprio poder, quem clama por salvação é atendido prontamente. Pois hoje é o dia sobremodo aceitável! Hoje é o dia de salvação!

Os cristãos devem compreender que, após crerem em Cristo conforme diz as Escrituras, foram salvos da condenação proveniente da queda de Adão. Esta salvação é efetiva para o tempo que se chama hoje. Quem invoca a Cristo é salvo hoje de condenação estabelecida em Adão no passado ( 1Co 6:2 ).

Quem assim clamar (invocar) será escutado (atendido). Quem gritar ao Senhor acerca da violência estabelecida em Adão, verá a salvação de Deus. Quem ver a iniquidade em que foi formado, perceberá que precisa nascer de novo, da semente incorruptível, que é a palavra de Deus ( Sl 51:5 ).

Mas. quem olhar para as relações humanas onde o litígio e as contendas são fomentadas, quem olhar para as questões legais e as injustiças cometidas, ou quem olhar para os perversos que cercam os justos, indagará sempre acerca de como se dá a justiça de Deus.

Se Habacuque considerasse que o juízo de Deus foi estabelecido em Adão, e que todos os homens foram julgados e condenados, jamais diria que Deus não o escutava. Quem aprender com Habacuque jamais considerará que a justiça de Deus ‘tarda mas não falha’. Aqueles que compreendem que a humanidade já está sob condenação, a condenação em Adão, percebe que o juízo e a condenação já foi estabelecido no passado da humanidade, ou seja, a justiça de Deus não é tardia.

Ora, não precisa ser profeta para ver que a violência humana e a iniquidade é crescente. Ao observar a iniquidade e a opressão, Habacuque considerava que Deus é quem lhe mostrava o estado de degradação do homem. Para ele, a justiça não se manifestava e a lei afrouxava por causa do ímpio, aquele que que suscita a contenda e o litígio (v. 3- 4).

A questão levantada por Habacuque é semelhante a dos religiosos, pois estes não compreendem por que Deus silencia acerca das injustiças dos homens (sociais). Por que Deus permanece inerte e despreocupado à vista da degradação da humanidade?

Diferentes dos religiosos da atualidade, que procuram dar uma resposta às suas indagações, Habacuque esperou uma resposta de Deus.

Deus não é a causa das injustiça sociais e nem das violações de questões legais estabelecida pelos homens. O juízo de Deus foi estabelecido sobre a humanidade em Adão, e a justiça de Deus manifesta-se em Cristo. No juízo está a condenação da humanidade, na justiça de Deus manifesta aos homens em Cristo, está a salvação.

Ora, as questões levantadas por Habacuque não precisa ser as mesmas dos cristãos, pois já sabemos que a salvação de Deus é individual e manifesta-se em Cristo “… aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” ( Jl 2:32 ). Os cristãos devem saber que ‘justiça’ neste mundo é utópico, pois mesmo na terra da retidão os ímpios não aprenderão a justiça (milênio) “Ainda que se mostre favor ao ímpio, nem por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele pratica a iniquidade, e não atenta para a majestade do SENHOR” ( Is 26:10 ).

Justiça segundo a concepção inicial de Habacuque só será estabelecida no novo céu e na nova terra que será criada por Deus num tempo estabelecido por seu próprio poder “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” ( Is 65:17 ); “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” ( 2Pe 3:13 ).

Embora a corrupção do gênero humano é observável a olho nu, o socorro e a salvação de Deus é imediata àqueles que invocam o seu nome. Os ouvidos de Deus não estão agravados para que não possa ouvir quem clame por salvação “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” ( Jl 2:32 ); “EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir” ( Is 59:1 ).

 

5 Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada.
6 Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas.
7 Horrível e terrível é; dela mesma sairá o seu juízo e a sua dignidade.
8 E os seus cavalos são mais ligeiros do que os leopardos, e mais espertos do que os lobos à tarde; os seus cavaleiros espalham-se por toda parte; os seus cavaleiros virão de longe; voarão como águias que se apressam a devorar.
9 Eles todos virão para fazer violência; os seus rostos buscarão o vento oriental, e reunirão os cativos como areia.
10 E escarnecerão dos reis, e dos príncipes farão zombaria; eles se rirão de todas as fortalezas, porque amontoarão terra, e as tomarão.
11 Então muda a sua mente, e seguirá, e se fará culpado, atribuindo este seu poder ao seu deus.

 

A Obra do Senhor

O profeta Habacuque como todos os homens ‘anseiam’ por uma resposta divina, porém, será que a resposta de Deus é conforme os anseios dos homens? A resposta de Deus é agradável aos homens?

Habacuque queria saber quando e como Deus trataria com o seu povo. Até quando a iniquidade, a opressão, a destruição, a violência, o litígio, a contenda, a injustiça e o ímpio seria uma constante em Israel? ( Sl 73).

Deus ordena a Habacuque e a quem dentre o povo de Israel que aguardava uma resposta de Deus, que olhassem entre as nações para encontrarem a resposta. Deus estava realizando nos dias de Habacuque uma obra maravilhosa, porém, não creriam quando tal obra fosse anunciada (v. 5).

Que obra Deus estava realizando e que daria uma resposta àqueles que esperavam em Deus? Deus estava suscitando os caldeus! Os caldeus eram habitantes semitas da Babilônia. Eram descendentes de Quesede, irmão de Abraão ( Gn 22:22 ). Nos caldeus estaria a resposta a pergunta de Habacuque!

Alguém poderia tentar contrariar o que Deus estava anunciando dizendo que creria piamente na mensagem acerca da obra Deus. Isto é possível?

Habacuque foi um dos profetas de Deus anterior ao cativeiro de Israel e Judá. Profetizaram antes do cativeiro em Judá: Jeremias (profetizou até o cativeiro), Joel, Miqueias, Naum, Habacuque e Sofonias, e em Israel Oseias, Amós e Jonas.

Dentre estes profetas, muitos se ocuparam em anunciar ao povo que Deus haveria de levar cativo o povo de Israel para a Babilônia. Acaso alguém creu em Isaías quando anunciou que o povo haveria de ser cativo em Babilônia? Do mesmo modo, alguém creu quando Jeremias profetizou acerca do cativeiro? “O que ficar nesta cidade há de morrer à espada, ou de fome, ou de pestilência; mas o que sair, e se render aos caldeus, que vos têm cercado, viverá, e terá a sua vida por despojo” ( Jr 21:9 ).

Quem creu no anunciado pelos profetas? Quem creu na obra maravilhosa que foi anunciada: Deus suscitará os caldeus contra Israel para castigar!

Habacuque compreendeu e anunciou que os caldeus foram levantados por Deus. Bem antes de ocorrer a invasão de Nabucodonosor, Habacuque demonstrou que os caldeus eram uma nação feroz e impetuosa. Que eles marchariam para tomar casas que não eram suas (v. 6).

Os caldeus eram uma tribo semitas (também chamados babilônicos), que ocuparam a região entre o Golfo Pérsico e a Babilônia. Eles conquistaram a maior parte do Oriente num curto período de mais ou menos vinte e cinco anos.

Nem mesmo quando Jerusalém estava cercada pelos caldeus, o povo acreditou no anunciado por Jeremias “Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Eis que virarei contra vós as armas de guerra, que estão nas vossas mãos, com que vós pelejais contra o rei de Babilônia, e contra os caldeus, que vos têm cercado de fora dos muros, e ajuntá-los-ei no meio desta cidade” ( Jr 21:4 ).

O profeta descreve os caldeus com detalhes bem antes de iniciarem as suas conquistas:

a) Os caldeus eram uma nação amarga e impetuosa (v. 6);
b) Apoderam-se de tudo;
c) É uma nação horrível e terrível, pois ela estabelece o seu direito sobre o que não lhe pertencia segundo a sua dignidade (v. 7);
d) Eles utilizam cavalos que lhes dá agilidade para apanhar os inimigos, uma vez que tem a capacidade de espalharem-se por toda parte (v. 8);
e) A distância não é empecilho aos caldeus, pois podem alcançar a presa como as águias;
f) Os caldeus abaterão os povos com violência reunindo os cativos em grande número (v. 9);
g) Por fazerem várias conquistas, perdem o respeito pelos reis e os seus exércitos.

 

Após inúmeras conquistas, os caldeus passariam a considerar que as suas vitórias eram por causa de seus deuses, fato que torna os caldeus culpados (v. 11).

Quando pregou aos judeus na sinagoga em um dia de sábado, na cidade de Antioquia da Pisídia (Atos 13: 14), Paulo citou a ideia do verso cinco de Habacuque, que é similar ao exposto pelo profeta Isaías. Compare:

“Vede, ó desprezadores, e espantai-vos e desaparecei; Porque opero uma obra em vossos dias, Obra tal que não crereis, se alguém vo-la contar” ( At 13:41 );

“Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada” ( Hc 1:5 ), e;

“Diz o Senhor: Este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim (…) Portanto continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá” ( Is 29:13 -14).

Paulo apresenta aos judeus o alerta divino: ‘Vede, ó desprezadores…’ (v. 5).

O que os judeus precisavam ver? Eles precisavam ver e entender que:

1) A obra maravilhosa Deus seria suscitar uma nação dentre os gentios para executar a sua vontade (v. 5);
2) Não acreditariam na obra realizada por Deus apesar de ter sido anunciada com antecedência (v. 5);
3) Diante da obra maravilhosa de Deus, a sabedoria e o entendimento dos homens haveria de desaparecer ( Is 29:14 ).

Nos dias de Habacuque a obra de Deus foi suscitar os caldeus, nação gentílica, nos dias do apóstolo Paulo a obra de Deus são os cristãos, pessoas levantadas dentre todas as nações que se convertiam a Cristo.

Deus revelou a Habacuque que haveria de levantar dentre as nações os caldeus, mas quando fosse anunciado ao povo de Israel a obra que Deus haveria de realizar, o povo de Habacuque não haveriam de crer.

Isaias, Jeremias, Ezequiel e muitos outros profetas anunciaram que o povo de Israel haveria de ser levado cativo pelos caldeus, porém, eles não creram quando lhes foi anunciada a palavra do Senhor.

Habacuque descreve os caldeus segundo a visão que Deus lhe concedeu, ao passo que o povo de Israel não acreditava na invasão dos Babilônicos, a obra maravilhosa que Deus haveria de fazer.

Embora o povo de Israel não terem crido na obra de Deus, no capítulo 5 do livro de Esdras, verso 12, Esdras descreveu a invasão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, o caldeu. Jeremias anunciou a obra maravilhosa de Deus e ficou em Jerusalém com o restante do povo que não foi levado cativo ( 2Rs 24:14 ). Ezequias também foi levado cativo à Babilônia na segunda deportação de Judá, segundo a obra maravilhosa que foi anunciada por Deus por intermédio dos seus profetas, como foi o caso de Habacuque.

 

12 Não és tu desde a eternidade, ó SENHOR meu Deus, meu Santo? Nós não morreremos. Ó SENHOR, para juízo o puseste, e tu, ó Rocha, o fundaste para castigar.
13 Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?
14 E por que farias os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe?
15 Ele a todos levantará com o anzol, apanhá-los-á com a sua rede, e os ajuntará na sua rede varredoura; por isso ele se alegrará e se regozijará.
16 Por isso sacrificará à sua rede, e queimará incenso à sua varredoura; porque com elas engordou a sua porção, e engrossou a sua comida.
17 Porventura por isso esvaziará a sua rede e não terá piedade de matar as nações continuamente?

 

Como compreender a Obra do Senhor?

O profeta Habacuque continua confiando em Deus, uma vez que Deus é imutável “Não és desde a eternidade, ó Senhor…” (v. 12). Deus é misericordioso, e não é por causa da profecia acerca da invasão dos caldeus que a misericórdia seria invalidada.

Apesar da invasão ser certa, contudo a confiança de Habacuque era firme na fidelidade de Deus: “Não morreremos” (v. 12). Habacuque demonstra que a fidelidade de Deus é a causa de Israel não ter sido consumido. Porque Deus é desde a eternidade é que o povo não seria exterminado (não morreremos).

Habacuque continua confiando em Deus, pois o invoca: “Ó Senhor…”. Ele entendeu que os caldeus foram estabelecidos para juízo. Eles foram fundados para castigar Israel pela sua desobediência, conforme o predito na lei de Moisés.

O profeta compreende que Deus é puro de olhos, de modo que Ele não coaduna com a opressão (v. 13). A pureza de Deus era possível ao profeta compreender, porém, não compreendia como Deus poderia levar a efeito o seu propósito se a vara de correção (caldeus) eram homens aleivosos. Como os ímpios podiam ser usados por Deus, se o povo de Israel, segundo a concepção de Habacuque, eram mais justo do que eles?

É possível à concepção humana de justiça, alguém ser mais justo que outro. Porém, segundo a justiça e o juízo de Deus, não há uma gradação de justiça. Ou o homem é justo, ou não é.

Para Deus os caldeus e o judeus eram iguais, ambos condenáveis diante de Deus. Para Habacuque, por serem descendentes de Abraão, por terem as promessas, as escrituras, etc., ele considerava que a nação de Israel era mais justa que as nações em redor.

Habacuque invoca a soberania de Deus para que Ele estabeleça o seu reino, e os homens não mais vivam semelhante aos peixes e répteis, sem quem os governe. É plausível esta consideração de Habacuque? Não! Ele esqueceu de considerar que o domínio da terra foi dado aos homens, e o que é dado por Deus Ele não toma.

A Cristo foi dado o domínio de todas as coisas porque ele conquistou. Deus concedeu todo o domínio ao autor e consumador da nossa fé, pois ele conquistou este direito ao morrer e ressurgir dentre os mortos.

Habacuque não duvida da obra maravilhosa revelada, porém, continua em busca de respostas, pois não compreende o modo de Deus trazer correção ao seu povo.

Como Deus aceitava os caldeus abaterem os seus inimigos através do Seu poder, se eles atribuíam as suas conquistas as suas armadilhas e habilidades? (v. 16).

Habacuque procurou elementos para compreender a ação divina, mas os cristãos conhecem que:

  • Deus escolhe dentre os homens e dentre os povos quem executará uma obra, porém, isto não significa que o povo ou quem é escolhido será salvo;
  • Israel foi escolhido para tornar conhecido o nome do Senhor sobre a terra, porém, individualmente cada descendente de Abraão precisava circuncidar o seu coração, caso quisesse ver a salvação de Deus;
  • Ciro e Gideão executaram uma missão, porém, isto não lhes garantiu salvação;
  • A salvação dos homens não é segundo uma escolha divina entre quem será ou não salvo, antes é pela fé em Cristo. Uma missão não concede salvação a ninguém.
  • Os caldeus não eram mais ímpios que os israelitas, visto que a geração dos ímpios é diferente da geração dos justos.

Os ímpios são gerados segundo a vontade da carne, vontade do varão e do sangue. Já os justos são gerados segundo a vontade de Deus ( Jo 1:12 -13).

A geração dos ímpios é proveniente de Adão, e todos os nascidos em Adão são pecadores, filhos da ira e da desobediência. A geração dos justos é proveniente de Cristo, o último Adão, e todos os que são nascidos de Deus são conhecidos d’Ele.

O povo de Israel devia compreender o que foi exposto por Moisés: “Sabe, portanto, que não é por causa da tua justiça que o Senhor teu Deus te dá essa boa terra, para a possuirdes, pois és povo rebelde” ( Dt 9:6 ). Por que eles eram rebeldes? A resposta está em Isaías: “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ).

O povo de Israel era rebelde (ímpio) pelo mesmo motivo que as outras nações: Adão pecou! Se os interpretes de Israel considerassem que todos pecaram em Adão e que foram destituídos da glória de Deus, não teriam prevaricado contra o Senhor.

Eles não diriam que o povo de Israel eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. Antes demonstrariam que, para serem filhos de Deus, o povo precisava circuncidar o coração, o que só é possível através da fé em Deus, a mesma fé que teve o crente Abraão “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 ).

Habacuque considerava que a impiedade do seu povo era proveniente da opressão, da violência, do litígio, das injustiças, porém, esqueceu que os homens são ímpios porque foram gerados e concebidos em pecado. Ele não atinou que o primeiro pai dos homens (Adão) pecou e por isso todos tornaram-se pecados, e carecem da glória de Deus.

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