Por que Jesus proibia que as pessoas divulgassem os milagres?

O que salva o homem é o poder de Deus, o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho! O testemunho dos homens não é perfeito porque conhecem em parte ( 1Co 13:12 ), e isto verificamos em João Batista “E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” ( Lc 7:19 ).


 

Questões não respondidas

Após curar muitos doentes, Jesus expulsos muitos demônios e não permitiu que os demônios dissessem quem Ele era: “E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era” ( Mc 1:34 ).

Quando curou um leproso, Jesus também advertiu para que não relatasse o ocorrido a ninguém: “E, advertindo-o severamente, logo o despediu. E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém…” ( Mc 1:43 -44 ).

O homem surdo e gago de Decápolis foi proibido de divulgar que fora curado “E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam” ( Mc 7:36 ). O mesmo ocorreu com o cego de Betsaida: “E mandou-o para sua casa, dizendo: Nem entres na aldeia, nem o digas a ninguém na aldeia” ( Mc 8:26 ).

Após a transfiguração no monte santo, Jesus proibiu os seus discípulos de relatar aquele evento “E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos” ( Mt 17:9 ).

Por que Jesus proibia que as pessoas falassem dos eventos miraculosos operados por Ele?

Esta era uma questão que intrigava até mesmo os irmãos de Jesus, pois não era sempre que Jesus realizava milagres à vista de todos “Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judeia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele” ( Jo 7:3 -5).

Jairo, um dos principais da sinagoga, certa feita procurou Jesus porque a sua filha estava moribunda ( Mc 5:23 ). Enquanto seguia com Jairo até onde estava a menina, chegou a noticia de que ela havia morrido ( Mc 5:35 ). Jesus não permitiu que alguém daquela multidão o seguisse, exceto seus discípulos “E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago” ( Mc 5:37 ).

Na casa de Jairo, diante do alvoroço e do pranto daquelas pessoas que ali estavam, Jesus disse: – “Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme” ( Mc 5:39 ). Diante da assertiva de Cristo, os que ali estavam zombaram d’Ele. Jesus concitou os zombadores a se retirarem da casa de Jairo e, adentrou juntamente com os pais da menina no recinto onde ela estava posta. Após ressuscitar a menina, Jesus proibiu os pais de anunciarem o ocorrido: “E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer” ( Mc 5:43 ).

É de se questionar por que Jesus não queria que as pessoas relatassem que foram curadas, principalmente porque se entende que as pessoas, ao relatarem os milagres, estariam expandindo o evangelho. A divulgação dos milagres não era uma forma de expansão do reino?

O objetivo de Jesus não era a expansão do evangelho? Certamente: “Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” ( 1Tm 2:4 ); “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” ( 2Pe 3:9 ).

Alguém pode concluir, com base na passagem do leproso, que o fato daquele homem relatar o milagre atrapalhou os planos de Jesus permanecer naquela cidade devido à multidão que O procurava. Entretanto, este não é o motivo de Jesus ter proibir que o ‘ex’-leproso contasse o seu milagre “Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele” ( Mc 1:45 ).

 

Calem-se os demônios

“E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades, e expulsou muitos demônios, porém não deixava falar os demônios, porque o conheciam” ( Mc 1:34 ).

Nesta mesma linha, Jesus proibia que os demônios falassem quem Ele era.

Certa feita, na cidade de Gadara, um endemoninhado correu e adorou Jesus. Jesus ordenou que o espírito imundo saísse, ao que foi replicado em alta voz: – “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” ( Mc 5:7 ; Mt 8:29 ).

Quando Jesus expulsos muitos demônios na cidade de Simão Pedro, não permitiu que eles dissessem quem Ele era: “Também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era” ( Mc 1:34 ).

Por que a proibição? Jesus proibiu que os demônios dissessem quem Ele para que o seu ministério não se apoie no testemunho de demônios. Se Jesus nem mesmo aceitava testemunho de homens, como poderia aceitar testemunho de demônios? “Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis” ( Jo 5:34 ).

Que contradição seria Cristo, a verdade, apoiar o seu ministério no testemunho de quem é mentiroso desde o princípio e nunca se firmou na verdade! “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” ( Jo 8:44 ).

O evangelista Marcos demonstra que os espíritos imundos, ao verem Jesus, se prostravam diante dele e O adoravam, e diziam: – “Tu és o Filho de Deus”.  Diante da incredulidade do povo e dos religiosos, Jesus poderia lançar mão da fala destes espíritos para convencer os seus ouvintes acerca da sua filiação? Não! “E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus. E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem ( Mc 3:11 -12).

Jesus jamais poderia aceitar o testemunho de demônios, pois, ao Pai Celestial competia revelar seu Filho aos homens. Quando o apóstolo Pedro confessou que Cristo era o Filho do Deus vivo ( Mt 16:16 ), Jesus disse: – “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus” ( Mt 16:17 ).

Se carne e sangue não revela que Jesus era o Filho do Deus vivo, que se dirá os demônios! Crer no testemunho dos demônios não é bem-aventurança, é maldição! Seria leviano da parte de Cristo Jesus aceitar o testemunho dos demônios e em seguida dizer: – “Não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” ( Jo 8:44 ); “Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor” ( Gl 2:18 ).

É competência do Pai revelar o Filho, por isso Jesus proibiu que os demônios dissessem aos homens quem Ele era “Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é” ( Dt 32:4 ); “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, SENHOR Deus da verdade” ( Sl 31:5 ).

Este foi o posicionamento do apóstolo Paulo quando uma advinha passou a divulgar que os apóstolos estavam anunciando o evangelho: “Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu” ( At 16:17 -18).

Quando inteirado desta verdade, o crente deve observar bem quem são os apóstolos, missionários, pregadores, sacerdotes, bispos, pastores, mestres, etc., que louvam a si mesmos e os seus ministérios tendo por base declarações que os demônios apresentam em suas reuniões ao serem ‘entrevistados’ “Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento” ( 2Co 10:12 ).

Após os demônios serem expulsos, as pessoas ficaram admiradas, e se questionavam: – “Que é isso?” Em primeiro lugar não compreendiam o que viram; – “Que nova doutrina é esta?” Em segundo lugar não compreenderam e nem se focaram na mensagem de Jesus, antes se focaram em indagar acerca dos demônios se sujeitarem a Cristo “E todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Que nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!” ( Mc 1:27 ).

 

Glória de homens

“Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis” ( Jo 5:34 )

 

Por que Jesus proibia que as pessoas divulgassem que foram curadas? Porque não era salutar Cristo apoiar o seu ministério em testemunho de eventos miraculosos!

Enquanto a revelação de Deus faz o homem chegar à conclusão de que Cristo é o Filho do Deus vivo, eventos miraculosos não são eficazes para fazer com que as pessoas cheguem à conclusão de Pedro: -“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” ( Mt 16:16 ).

O testemunho de um homem curado da cegueira ficou aquém das Escrituras, o que demonstra que testemunho de milagres não tem a mesma autoridade que a revelação divina “Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta ( Jo 9:17 ); “E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas ( Mt 16:13 -14); “Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” ( Jo 6:14 ).

O testemunho que as Escrituras dá acerca de Cristo é que Ele é o Filho do Deus vivo, portanto, o filho de Davi “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” ( 2Sm 7:12 -14; Rm 1:3 -4).

O testemunho das Escrituras produz naquele que crê a seguinte confissão: “Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” ( Jo 11:27 ); “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” ( Mt 16:16 ); “E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” ( At 8:37 ).

Ao etíope, funcionário de Candace, rainha dos etíopes, Felipe expôs Cristo segundo as Escrituras. Filipe começou expondo quem era Jesus através de uma passagem do livro do Isaías ( Is 53:7 -8), e a conclusão do eunuco foi: – “Creio que Jesus é o Filho de Deus”.

Cristo deve ser aceito pelo testemunho que Deus deu acerca do seu Filho, testemunho este estampado nas Escrituras. Jesus exige que os homens creiam n’Ele pela palavra de Deus, e não por testemunho de homens relatando sinais miraculosos “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim ( Jo 17:20 ).

É por intermédio da palavra de Deus que devemos crer em Cristo! Deus deu testemunho do seu Filho nas Escrituras para que, por intermédio dela, os homens pudessem crer em Cristo “E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer” ( Jo 5:37 ); “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam ( Jo 5:39 ).

Jesus mesmo declarou que se testificasse dele mesmo o seu testemunho não seria verdadeiro ( Jo 5:31 ). Embora João Batista tivesse testificado de Cristo, e Cristo confirmou que o testemunho de João Batista era verdadeiro, Jesus não se escudou no testemunho de João Batista ( Jo 5:34 ).

O que salva o homem é o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho! O testemunho dos homens não é perfeito porque conhecem em parte ( 1Co 13:12 ), e isto verificamos em João Batista “E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” ( Lc 7:19 ).

Lembremo-nos do testemunho de João Batista: “E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus ( Jo 1:32 -34).

Jesus se escudava em um testemunho maior do que o testemunho de João: o testemunho das Escrituras e a obra que realizava ( Jo 5:36 ). O único testemunho firme e verdadeiro era o das Escrituras, ou seja, o testemunho de Deus por intermédio dos profetas “Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” ( Jo 5:46 -47).

Crer em Cristo é crer em Deus, pois quem não crê em Cristo não crê nas Escrituras “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou” ( Jo 12:44 -45). É por meio de Cristo que o homem crê em Deus: “E é por Cristo que temos tal confiança em Deus” ( 2Co 3:4 ).

Jesus não aceitava glória de homem, assim como seria inútil Ele glorificar a si mesmo. Jesus não buscava a sua própria glória, antes buscava a glória do Pai “Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus” ( Jo 8:54 ; Jo 7:18 ). O testemunho que Jesus deu acerca de si mesmo era verdadeiro, pois o Pai testificou de Cristo ( Jo 8:50 ; Jo 8:18 ).

Quando compreendemos que a obra de Deus é que os homens creiam em Cristo ( Jo 6:29 ), compreendemos as palavras de Cristo e as suas obras eram provenientes de Deus “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras” ( Jo 14:10 ; Jo 10:25 ; Jo 5:36 ).

Cristo é o cumprimento das Escrituras, o ‘Eu Sou’ que manifestou Deus ao mundo ( Jo 17:5 ; Jo 1:18 ). Jesus veio e anunciou aos homens o testemunho irrevogável de Deus e aqueles que não aceitaram permaneceram no pecado ( Jo 15:22 -24; Jo 8:24 ; Jo 10:35 ). Só através do testemunho das Escrituras é possível ao homem vir a Cristo, ou seja, aprendendo de Deus ( Jo 6:45 ).

Muito tempo depois de Jesus ter proibido que Pedro, Tiago e João relatasse o evento da transfiguração no monte santo, o apóstolo Pedro fez um breve relato do evento em sua segunda carta:

“Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo; E temos ainda mais firme a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 2Pe 1:17 -19).

O apóstolo Pedro narra o mesmo evento registrado pelos evangelistas destacando que Deus honrou e glorificou o seu Filho quando disse: – “Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido” ( 2Pe 1:17 ; Lc 9:35 ; Mt 17:5 ).

Apesar de ter visto o Cristo transfigurado, Moisés e Elias, o apóstolo Pedro reputou mais firme a palavra dos profetas, recomendando aos cristãos que atentassem para as Escrituras. O apóstolo Pedro bem podia firmar qualquer argumentação acerca de Cristo segundo impressões pessoais durante o tempo que era discípulo. No entanto, após relatar um evento sensorial no qual viu o Cristo transfigurado e ouviu uma voz magnifica dos céus, reiterou que a atenção do crente deve estar firme nas Escrituras.

O evangelista João apontou o objetivo de ter selecionado e relatado alguns milagres operados por Cristo: que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. O objetivo de João não era que os leitores do seu evangelho cressem em milagres, ou que cressem na existência de Deus, ou que cressem em anjos, etc. O evangelista João teve o cuidado de selecionar os milagres que apresentassem Jesus como o Cristo previsto nas Escrituras “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:30 -31).

Os sinais seguem os que creem em Cristo, porém, o tema da mensagem do crente é a cruz de Cristo ( 1Co 1:23 ). As pessoas precisam saber quem é Jesus Cristo, mas precisam saber conforme o conhecimento revelado nas Escrituras “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” ( Jo 7:38 ).

O crente deve resignar-se a seguir os passos de Cristo, que disse: “E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito ( Jo 12:50 ).

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A mulher samaritana

A declaração de Jesus iguala judeus e samaritanos, pois ambos acreditavam que adoravam a Deus, porém, a adoração deles era algo proveniente somente da boca, mas longe dos ‘rins’ “Plantaste-os, e eles se arraigaram; crescem, dão também fruto; chegado estás à sua boca, porém longe dos seus rins” ( Jr 12:2 ).

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A mulher cananéia

A multidão intentou apedrejar Jesus por causa das suas palavras e não por causa dos milagres que ele realizou “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” ( Jo 10:32 -33).

 


“E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom. E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, SENHOR, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã” ( Mt 15:21 -28).

 

Uma estrangeira crente

Após recriminar os fariseus por pensarem que servir a Deus era o mesmo que seguir tradições de homens ( Mc 7:24 -30), Jesus e seus discípulos seguiram para as terras de Tiro e de Sidom.

O evangelista Lucas deixa claro que, em terras estrangeiras Jesus entrou em uma casa e não queria que soubessem que ali estava, porém, não foi possível esconder-se. Uma mulher grega, siro-feníncia de sangue, que tinha uma filha possuída por um espírito imundo, ao ouvir falar de Jesus, passou a rogar-lhe que expulsasse da sua filha o espírito que a atormentava “Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés” ( Lc 7:25 ).

O evangelista Mateus descreveu que a mulher saiu das cercanias e passou a clamar dizendo: – Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada! Mas, apesar das súplicas, Jesus parecia não ouvi-la.

Diferentemente de muitos outros que ouviram falar de Jesus, a mulher cananéia declarava uma verdade ímpar: – Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim…

A mulher não clamou por um mago, um feiticeiro, um curandeiro, um milagreiro, um médico, etc., antes clamou pelo Filho de Davi. Enquanto os filhos de Israel questionavam se Cristo realmente era o Filho de Davi, a mulher cananéia clamou plena de certeza: – Senhor, Filho de Davi…, uma certeza impar se compararmos com as especulações da multidão “E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de Davi?” ( Mt 12:23 ).

Deus havia prometido nas escrituras que o Messias seria filho de Davi, e o povo de Israel aguardava ansiosamente a sua vinda. Deus prometera que um descendente de Davi, segundo a carne, havia de construir uma casa a Deus e o reino de Israel se firmaria acima de todos os reinos ( 2Sm 7:13 e 16). Porém, a mesma profecia deixava claro que este descendente seria o Filho de Deus, pois o próprio Deus seria o seu Pai, e o descendente seu Filho “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens” ( 2Sm 7:14 ).

Mesmo tendo nascido na casa de Davi, pois Maria era descendente de Davi, os escribas e fariseus rejeitaram o Messias. Embora as Escrituras deixassem bem claro que Deus tinha um Filho, não creram em Cristo e rejeitavam a possibilidade de Deus tem um Filho “Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” ( Pv 30:3 ).

Diante da pergunta de Jesus: “Como dizem que o Cristo é filho de Davi?” ( Lc 20:41 ), seus acusadores não souberam responder o porquê Davi chamou profeticamente o seu filho de Senhor, se compete aos filhos honrar os pais e não os pais aos filhos ( Lc 20:44 ), porém, o que aquela mulher estrangeira ouviu acerca de Cristo foi o suficiente para concluir que Cristo era o Filho de Deus a quem Davi chamou de Senhor.

Ora, apesar de estrangeira, a mulher ouviu falar de Cristo, e a informação que chegou até ela levou-a a concluir que Cristo era o Messias prometido, o Descendente de Davi “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra” ( Jr 23:5 ).

Por causa do clamor da mulher os discípulos ficaram incomodados, e pediram a Cristo que a despedisse. Foi quando Jesus respondeu aos discípulos dizendo: – Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Apesar de estar em terra estrangeira, Jesus enfatizou qual era a sua missão “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” ( Jo 1:11 ); “Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso” ( Jr 50:6 ).

Como o povo de Israel se esqueceu do ‘lugar do seu repouso’, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, a anuncia-los: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ); “Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne” ( Rm 1:3 ).

Ao convocar o seu povo dizendo: – Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, Jesus se identifica como sendo o cumprimento do que foi profetizado por boca de Jeremias.

O povo do Messias o rejeitou, mas a mulher cananéia aproximou-se de Jesus e o adorou, dizendo: – Senhor, socorre-me!

O evangelista Mateus deixa claro que, pelo fato de a mulher ter pedido socorro a Cristo, estava adorando-O. Pelo fato de ter clamado: – Senhor, socorre-me!, o pedido da mulher era uma adoração ao Filho de Davi.

Por ter ouvido acerca de Jesus, a mulher creu no fato de que Ele era o Filho de Davi e, concomitantemente creu que Cristo era o Filho de Deus, pois adorou-O. O evangelista deixa claro que, o ato de pedir a Cristo que lhe concedesse a dádiva de libertar a sua filha daquele terrível mal, algo impossível aos homens, constituiu adoração.

A adoração da mulher aparentemente não surtiu efeito, pois Jesus lhe disse: – Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. A resposta de Cristo à mulher foi um complemento à resposta de Cristo aos discípulos.

O registro de Lucas dá o significado exato à frase de Cristo: “Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” ( Mc 7:27 ). Jesus estava enfatizando que a sua missão estava vinculada à casa de Israel, e atende-la, seria comparável ao ato de um pai de família que tira o pão dos filhos e dá aos cachorrinhos.

A resposta da mulher é surpreendente, pois ela não se fez de rogada ao ser comparada aos cães, e responde: Sim, SENHOR, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Ela confirma o que Jesus lhe disse, porém, enfatiza que não buscava o alimento destinado aos filhos, mas a migalha que cabe aos cachorrinhos.

Para aquela mulher, a migalha da mesa do Filho de Davi era suficiente para resolver o seu problema. Ela demonstrou que não tinha a pretensão de tirar o pão dos filhos que possuíam o direito de serem participantes da mesa, antes bastava a migalha que caísse da mesa do Filho de Davi.

Foi quando Jesus lhe respondeu: – Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a filha da mulher ficou sã.

É importante notar que a mulher foi atendida por crer que Cristo era o enviado de Deus, o Filho de Davi, o Senhor, e não porque Jesus se comoveu pelo sentimento de uma mãe desesperada.

Não é o desespero de uma mãe que faz com que Deus venha em socorro do homem, pois Cristo quando leu as Escrituras no profeta Isaias, que diz “O Espírito do Senhor é sobre mim…”, disse: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” ( Lc 4:21 ), e deixou claro que é a confiança em Deus que move a mão Deus, pois havia inúmeras viúvas necessitadas em Jerusalém, porém, Elias foi enviado à casa de uma viúva estrangeira. Por quê? Porque aquela moradora da cidade de Sarepta de Sidom reconheceu que Elias era profeta, e apesar de sua necessidade, que beirava ao desespero, demonstrou a sua confiança em Deus ao obedecer a palavra do profeta ( Lc 4:25 -26).

 

O Testemunho das Escrituras

Muitos que seguiam a Cristo possuíam necessidades semelhantes à da mulher cananéia, porém, aquela mulher destacou-se da multidão por reconhecer duas verdades essenciais: que Cristo era o Filho de Davi e, concomitantemente, o Senhor.

Embora Cristo tenha sido enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, anunciando o evangelho e realizando muitos milagres, os israelitas tinham para si que Cristo não passava de um profeta “Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas” ( Mt 16:14 ).

Como os homens não sabiam quem era o filho do homem, Cristo interpelou aos seus discípulos: – E vós, quem dizeis que eu sou? Foi quando o apóstolo Pedro fez a confissão (admitiu) que Cristo é o Filho do Deus vivo.

Como os judeus não conseguiam ver que Cristo era o Messias prometido, Jesus orienta seus discípulos a não declararem esta verdade a ninguém “Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era Jesus, o Cristo” ( Mt 16:20 ).

Por que Jesus não queria que os discípulos declarassem que Ele era o Cristo?

Porque Jesus queria que os homens cressem nele conforme as Escrituras, pois são elas que testificam d’Ele. Isto porque Jesus deixa claro que, se testificasse de si mesmo o seu testemunho não seria verdadeiro “Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro” ( Jo 5:31 ), e que o testemunho verdadeiro e suficiente é proveniente do Pai (das Escrituras) “Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro” ( Jo 5:32 ).

Apesar de entendermos que João Batista deu testemunho do Cristo, contudo o testemunho dele era testemunho da verdade “Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade” ( Jo 5:33 ), ou seja, tudo o que o Batista dizia tinha relação direta com as Escrituras, pois só a palavra de Deus é a verdade ( Jo 17:17 ).

Ora, Jesus não queria que seus discípulos divulgassem que Ele era o Cristo porque ele não recebe testemunho de homens ( Jo 5:34 ), antes Ele possuía um testemunho maior, o testemunho do Pai, e todos os homens devem crer no testemunho que as Escrituras dá do Filho “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ).

Note esta verdade evidenciada na resposta de Abraão a um rico em tormento: “Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite” ( Lc 16:31 ). Crer em Deus não decorre de milagres, antes do testemunho que os profetas anunciaram acerca da verdade ( Jo 4:48 ).

Contar ‘milagres’ não é testemunho da verdade. O apóstolo Pedro deixa claro o que é testemunhar: “Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” ( 1Pe 1:25 ). Testemunhar é falar a palavra de Deus, falar o que diz as Escrituras, anunciar Cristo aos homens.

Em nossos dias a ênfase de muitos está nas pessoas e em milagres por elas operados, mas a bíblia deixa claro que o ministério dos apóstolos não se apoiava nos milagres, antes se apoiava na palavra. O primeiro discurso de Pedro expunha aos habitantes de Jerusalém o testemunho das Escrituras ( At 2:14 -36). Mesmo após a cura de um coxo à porta do templo, repreendeu os seus ouvintes para que não ficassem maravilhados em relação ao sinal miraculoso ( At 3:12 ), e em seguida expôs o testemunho das Escrituras ( At 3:13 -26).

Quando os judeus apedrejaram Estevão, ele estava como João Batista, testemunhando acerca da verdade, ou seja, expondo o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho, anunciando à multidão enfurecida, as Escrituras ( At 7:51 -53).

Se Estevão estivesse contando sinais miraculosos, jamais seria apedrejado, pois a rejeição dos homens é quanto à palavra e não quanto aos sinais miraculosos ( Jo 6:60 ). A multidão queria apedrejar Jesus por causa das suas palavras e não por causa dos milagres que realizou “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” ( Jo 10:32 -33).

Muitos viram o milagre que Cristo operou para com a mulher cananéia, porém, a multidão que o seguia não confessou que Jesus era o Filho de Davi como ela fez ao ouvir acerca do Verbo eterno, a palavra do Senhor que permanece para sempre. O povo de Israel era dado a ouvir as Escrituras, mas estava aquém da mulher cananéia que, ao ouvir acerca de Jesus, deu crédito e clamou pelo Filho de Davi, e o adorou.

O diferencial da mulher está no fato de que ela ouviu e creu, enquanto a multidão que seguia Cristo viam os milagres ( Mt 11:20 -22), examinavam as escrituras ( Jo 5:39 )e, equivocadamente, concluíam que Jesus era somente um profeta. Rejeitavam a Cristo de modo que não obtiveram vida ( Jo 5:40 ).

Na mulher cananéia e nos muitos gentios que creram, temos o cumprimento do anunciado por Isaias: “Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui” ( Is 65:1 ).

Ora, sabemos que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus, e o que a mulher ouviu foi o bastante para crer “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ). Qualquer que ouve e crê é bem-aventurado, pois Jesus mesmo disse: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” ( Jo 20:29 ).

Como a mulher cananéia creu, ela viu a gloria de Deus “Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” ( Jo 11:40 ), diferente do povo de Israel que esperava ver o sobrenatural para que pudesse crer “Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?” ( Jo 6:30 ).

Ora, a gloria de Deus é revelada na face de Cristo, e não em operações miraculosas “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ). O que salva é resplendor da face do Senhor que escondeu o seu rosto da casa dos filhos de Israel “E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei” ( Is 8:17 ; Sl 80:3 ).

A mulher foi atendida porque creu, e não porque colocou Jesus contra a parede, ou porque o chantageou dizendo: – Se não me atenderdes, rasgarei as Escrituras. Antes de ser agraciada com a libertação da filha, a mulher já havia crido, diferente de muitos que querem uma ação miraculosa para crer.

O que a mulher ouviu acerca de Cristo? Ora, se a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. O que a mulher ouviu não foi o testemunho de milagres ou que alguém famoso havia se convertido. Ouvir que alguém alcançou um milagre, ou ler uma faixa dizendo que alcançou uma graça não fará uma pessoa confessar abertamente que Cristo é o Filho de Davi!

O testemunho que produz fé é proveniente das Escrituras, pois são elas que testificam de Cristo. Falar que um artista converteu-se, ou que alguém deixou as drogas, a prostituição, etc., não é a lei e o testemunho selado entre os discípulos de Cristo. O profeta Isaias é claro: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” ( Is 8:20 ).

O testemunho é a marca registrada da igreja, e não os sinais miraculosos, pois Cristo mesmo alertou que os falsos profetas operariam sinais, profetizariam e expulsariam demônios ( Mt 7:22 ). O fruto que procede dos lábios, ou seja, o testemunho é o diferencial entre o verdadeiro e o falso profeta, pois o falso profeta virá disfarçado de ovelha, de modo que, pelas ações e aparência é impossível identifica-los ( Mt 7:15 -16).

‘Quem crer em mim segundo as Escrituras’ esta é a condição estabelecida por Cristo para que haja luz nos homens “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” ( Jo 7:38 ), pois as palavras de Cristo é Espírito e vida ( Jo 6:63 ), semente incorruptível, e somente tal semente faz germinar uma nova vida que dá direito a vida eterna ( 1Pe 1:23 ).

Qualquer que crer em Cristo como o Filho de Davi, o Senhor, o Filho do Deus vivo, já não é estrangeiro e nem forasteiro. Não viverá das migalhas que caem da mesa do seu senhor, antes se tornou concidadão dos santos. Passou a ser participante da família de Deus “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus” ( Ef 2:19 ).

Quem crê no Filho de Davi creu no Descendente prometido a Abraão, portanto é bem-aventurado como o crente Abraão, e participante de todas as beneficências prometidas por Deus através dos seus santos profetas, pois tudo que os profetas escreveram, escreveram a respeito do Filho ( Jo 5:46 -47 ; Hb 1:1 -2).

Quem crê pode todas as coisas em Deus, como se lê: “Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados” ( Hb 11:33 -40).

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A doutrina de Cristo

Ao falar da necessidade do novo nascimento Cristo demonstrou que ser judeu, fariseu, mestre ou religioso, não habilita ninguém a ter acesso ao reino de Deus.


 

A Função dos Milagres

“Havia entre os fariseus um homem chamados Nicodemos, um dos principais dos Judeus. Este foi ter com Jesus de noite, e disse: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus. Pois ninguém poderia fazer estes sinais miraculosos que tu fazes, se Deus não fosse com ele” ( Jo 1:1 -2)

Entre os Judeus havia um mestre do judaísmo de nome Nicodemos. Ele era fariseu e foi encontrar-se com Jesus à noite. Neste encontro, surpreendentemente Nicodemos chamou Jesus de ‘Rabi’, ou seja, Mestre. Tal reconhecimento vindo da parte de um juiz, ou de um mestre em Israel era para deixar qualquer um dentre os homens lisonjeado.

Mas, por que Nicodemos chamou Jesus de Mestre? Em sua abordagem inicial Nicodemos fez a seguinte afirmação: “Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” ( Jo 3:2 ).

Nicodemos entendeu que Jesus era mestre por causa dos milagres que estavam sendo realizados. Nicodemos ao ter noticia dos milagres realizados por Jesus entendeu que Ele era Mestre, porém, um mestre enviado por Deus, o que tornava Jesus distinto de todos os outros mestre em Israel.

Quem poderia realizar os milagres que Jesus estava realizando sem o auxilio do dedo de Deus? O próprio Nicodemos responde: Ninguém poderia realizar estes sinais que Tu fazes! A análise de Nicodemos é totalmente válida, e a conclusão também ( Jo 5:36 ).

Nicodemos venceu uma grande barreira ao concluir que Jesus era Mestre vindo de Deus, e esta conclusão impulsionou Nicodemos a ter um encontro com Cristo à noite. Outros fariseus tiveram encontro com Cristo à luz do dia, porém, movidos de hipocrisia, querendo pegar Jesus nalguma contradição.

Após analisar a pessoa de Jesus através dos milagres que Ele operava, Nicodemos foi até Jesus e expôs a sua conclusão:

  • Jesus era Mestre;
  • Enviados por Deus, visto que:;
  • Ninguém poderia realizar tal milagres, se Deus não estiver com ele.

Nicodemos não foi atrás de um milagre, antes queria saber mais sobre a doutrina d’Aquele que operava milagres.

Sabemos que Deus possui todo poder, e que milagres não são maravilhas superior a própria obra da criação. Não há milagres que supere a obra criativa de Deus, tais como: a vida, o universo, etc. Tudo é um milagre, pois todas as coisa foram operadas maravilhosamente através do poder de Deus.

A função precípua de um milagre é despertar o homem a conhecer o seu Criador. Qualquer uso ou discurso que se faz fora desta tônica desvirtua o ‘testemunho’ que Deus dá acerta d’Ele, para que o homem procure se aproximar de Deus ( Hb 2:4 ).

Milagres não é o primordial na vida do homem, antes é preciso ter em mente que os milagres são a confirmação de Deus do que foi anunciado pelos profetas e por Cristo. É preciso crer em Deus que opera maravilhosamente, e não nas maravilhas operadas. O homem precisa estar focado na mensagem de Deus, e não nas maravilhas que Dele procedem.

 

A Doutrina de Cristo

“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” ( Jo 3:3 )

Embora reconhecesse Jesus como sendo Mestre da parte de Deus, Nicodemos desconhecia a doutrina de Cristo. O milagre foi à causa primária da conclusão de Nicodemos de que Cristo havia sido enviado por Deus, porém, Nicodemos precisava ouvir a doutrina do Mestre enviado .

Nicodemos estava focado na qualidade de Mestre daqueles que era enviado de Deus e operava milagres que ninguém poderia operar, se Deus não fosse com Ele “… porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” ( Jo 3:1 ).

Qual não foi a surpresa de Nicodemos quando Cristo lhe respondeu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

A estratégia de evangelismo de Jesus é a mesma adotada por João: os milagres tinham a função de demonstrar aos homens que Jesus era o enviado de Deus. Uma vez que Nicodemos já havia reconhecido que Cristo era Mestre enviado por Deus “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus…”, Jesus chama a atenção de Nicodemos para o primordial, o novo nascimento “… e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ).

Os milagres deixam de ter importância quando a verdade vem à tona e Nicodemos pergunta: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?” ( Jo 3:4 ). Nicodemos não contesta a informação dada pelo Mestre enviado por Deus, antes se preocupou em entender a dinâmica do ‘novo nascimento’, ou da doutrina de Cristo.

Por estar vetado o reino dos céus àqueles que não nasceram de novo, Nicodemos ficou preocupado, uma vez que ele já era velho. Haveria um milagre extraordinário que tornaria possível Nicodemos voltar ao ventre materno para que ele pudesse nascer de novo, mesmo sendo velho?

O fariseu Nicodemos, seguidor de um seguimento mais severo da religião judaica, ao ser informado que não tinha direito de ver o Reino de Deus, deveria soar no mínimo como absurdo. Nicodemos poderia ter rejeitado de pronto a doutrina de Jesus, já que ele, além de ser fariseu, era um representante do melhor da nação e da religião judaica.

Fica claro que ser judeu ou gentil, ser fariseu ou de qualquer outro seguimento religioso, ser mestre ou leigo, ser juiz ou réu, não habilita ninguém a ter acesso ao Reino de Deus. Antes, todos, indistintamente necessitam nascer de novo.

Em nossos dias há muitas pessoas que quem conhecer Cristo através de milagres e maravilhas, mas que não busca a sua palavra “Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” ( Jo 5:47 ).

Nicodemos foi além dos milagres operados por Cristo “porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”, e suportou a doutrina de Cristo, mesmo ela demonstrando que a sua condição não lhe dava direito ao reino dos céus.

Ao falar da necessidade do novo nascimento Cristo demonstrou que ser judeu, fariseu, mestre ou religioso, não habilita ninguém a ter acesso ao reino de Deus. É sobre estes aspectos que comentaremos o novo nascimento: Por que devemos passar pelo novo nascimento? O que é esse novo nascimento? O homem consegue nascer de novo sem a participação de Deus?

Continua no artigo ‘Como nascer novamente‘.

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