Duas portas, dois caminhos

A Bíblia ensina que todos os homens entram pela porta larga, quando vem ao mundo, e estão em um caminho largo, que os conduzirá à perdição.

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O tesouro escondido e a pérola de grande valor

O apóstolo Paulo é um exemplo de judeu que abriu mão de tudo o que possuía para adquirir a Cristo: o tesouro escondido, a pérola de grande valor! O apóstolo Paulo buscava um tesouro nos céus e, para isso, abriu mão de tudo o que possuía: “Vendei o que tendes e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não corrói” (Lc 12:33).


“Também, o reino dos céus, é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo. Outrossim, o reino dos céus, é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a” (Mt 13:44-46)

 

Introdução

Qual o significado da parábola[1] do tesouro escondido num campo? Qual a aplicação prática da parábola do negociante que sai à procura de uma pérola de grande valor? Essas parábolas aplicam-se aos membros do corpo de Cristo?

Antes de narrar as parábolas do ‘tesouro escondido’ e da ‘pérola de grande valor’, o evangelista Mateus destaca que Jesus utilizava parábolas para ensinar à multidão, porque a eles não foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus (Mt 13:11).

Os discípulos estavam intrigados e perguntaram o motivo pelo qual Jesus utilizava parábolas para falar ao povo. Jesus explicou que falava por parábolas ao povo de Israel, para que ‘vendo’, não ‘vissem’ e, ‘ouvindo’, não ‘ouvissem’ e nem ‘compreendessem’, de modo que a profecia de Isaías se cumpriria neles (Mt 13:13-14).

Além da explicação de Jesus, acerca do predito por Isaías, o evangelista Mateus lembra o que foi anunciado pelo salmista, no Salmo 78, e explica que Jesus nunca falava à multidão, sem se utilizar de parábolas.

A explicação de Jesus:

“Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis” (Mt 13:13 -14);

A explicação de Mateus:

“Tudo isto disse Jesus por parábolas à multidão e nada lhes falava sem parábolas; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: abrirei em parábolas a minha boca, publicarei coisas ocultas, desde a fundação do mundo” (Mt 13:34-35; Sl 78:2).

O evangelista Marcos, também, destaca como se dava o ensinamento de Jesus à multidão:

“E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender. E sem parábolas nunca lhes falava, porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” (Mc 4:33-34).

Com base no exposto acima, verifica-se que o público alvo das parábolas de Jesus era o povo judeu. Jesus deixa claro que Ele foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, o que corrobora com a ideia de que a mensagem de Jesus foi direcionada aos filhos de Israel: “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24; Jr 50:6).

 

As parábolas

Mas, por que Jesus compara o reino dos céus a um tesouro que um homem achou e escondeu em um campo? O que os judeus, que ouviram a parábola, tinham que aprender com o homem que vendeu tudo o que possuía, para adquirir o campo onde o tesouro estava escondido? O que aprender com o negociante que estava em busca de uma pérola de grande valor?

Ora, a abordagem de Jesus não visava bens materiais, pois Ele mesmo disse que a vida de qualquer um não consiste na abundância de bens que possui (Lc 12:15). Jesus também não estava instando os judeus a adquirirem bens materiais ou serem empreendedores, pois Ele mesmo instruiu os seus ouvintes a ajuntarem tesouro nos céus (Mt 6:20).

Os ouvintes de Jesus, na sua grande maioria, eram desprovidos de bens materiais, o que nos faz perguntar: O que eles deveriam dispor (abrir mão, vender) para terem condições de adquirir algo de grande valor? O que seria esse algo de imensurável valor, que demandaria aos ouvintes de Jesus, abrir mão de tudo o que possuíam?

Jesus compara (é semelhante) o reino dos céus a um tesouro escondido num campo: “Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo…” (Mt 13:44). Com base nessa informação, Jesus estabeleceu que o reino dos céus é o ‘tesouro escondido’. De igual modo, a ‘pérola de grande valor’, que o negociante encontrou, refere-se ao reino dos céus.

Através do comparativo fixado por Jesus, identificamos o valor atribuído ao reino dos céus: um tesouro, uma pérola de valor inestimável.  Mas, o que seria esse reino dos céus a que Jesus se referiu?

 

O reino dos céus

João Batista apregoava, no deserto da Judeia, a seguinte mensagem:

 “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 3:2).

Após João Batista ter sido preso, Jesus também passou a pregar a mesma mensagem (Mt 4:17). Ao enviar os doze discípulos às ovelhas perdidas de Israel, Jesus mandou que anunciassem a chegada do reino dos céus (Mt 10:7).

Quando interrogado pelos fariseus, acerca do tempo em que o reino de Deus haveria de vir, Jesus esclareceu que o reino de Deus não viria com aparência exterior, de modo a possibilitar que os homens o identificassem. Ninguém estaria apto a apontar ou identificar o reino de Deus e o motivo era especifico: o reino de Deus estava entre eles!

“E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós” (Lc 17:20-21).

Ora, com base nessas passagens bíblicas, conclui-se que Cristo é o reino dos céus, portanto, Ele é o ‘tesouro escondido’ e a ‘pérola de grande valor’!

 

Vende tudo

Mas, o que os ouvintes de Jesus deveriam fazer para ter a Cristo?

Jesus mesmo informou o que os seus concidadãos teriam que dispor de tudo o que possuíam (abrir mão, vender) para tomar posse do ‘tesouro escondido’ ou, da ‘pérola de grande valor’:

“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á” (Mt 10:37-39);

“Vendei o que tendes e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam, tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não corrói” (Lc 12:33).

Considerando que ‘amar’, nas Escrituras, não diz de sentimento, mas, de honra, obediência, temor (Mt 6:24); considerando que aquele que ama a Jesus é o que cumpre os seus mandamentos: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (Jo 14:15), segue-se que aquele que está disposto a seguir os ensinamentos de seus familiares (tradições, ritos, costumes, mandamentos, etc., como no caso dos fariseus, que invalidavam a palavra de Deus, preferindo as tradições dos anciãos) mais do que os ensinamentos de Cristo, não é digno do reino dos céus.

Ora, os profetas haviam previsto que os inimigos do Filho do homem seriam os seus próprios familiares (Mt 10:36; Mq 7:5-6; Jr 9:4; Jr 12:6). Qualquer que seguisse os ensinamentos de seus familiares (pai e mãe) seria um adversário de Cristo, pois o ensinamento dos líderes de Israel não passava de tradições, segundo o mandamento de homens: “Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens” (Mc 7:7-8; Tt 1:14; Is 29:13).

Como os inimigos de Cristo eram os seus concidadãos, temos a ordem aos filhos de Israel: concilia-te depressa com o teu adversário, ou seja, com o Cristo.

“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz e o juiz te entregue ao oficial e te encerrem na prisão” (Mt 5:25).

Quando é dito: ‘quem ama o filho, ou a filha, mais do que a mim, não é digno de mim’, Jesus requer dos judeus honra e que deixassem de honrar o vínculo de sangue que possuíam com Abraão: “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou” (Jo 5:23).

Além de abrir mão das suas tradições e de não se vangloriarem pelo vínculo de sangue que tinham com Abraão, os filhos de Israel tinham que tomar e levar sobre si a própria cruz e seguir após Cristo! Cristo, pelo seu próprio sangue, santificou o seu povo ao padecer fora do arraial e todos os seus seguidores devem sair fora do arraial, levando a sua própria cruz: “E por isso, também, Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hb 13:12-13).

“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24);

“E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8:34);

“E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz e segue-me” (Mc 10:21);

“E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:27).

Jesus deixa claro que ‘quem perder a sua vida por obedecer a Ele, achá-la-á’ (Mt 10:39), pois, qualquer que for crucificado com Cristo, passa da morte para a vida: “Já estou crucificado com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20; Jo 5:24).

O apóstolo Paulo é um exemplo de judeu que abriu mão de tudo o que possuía para adquirir a Cristo: o tesouro escondido, a pérola de grande valor! O apóstolo Paulo buscava um tesouro nos céus e, para isso, abriu mão de tudo o que possuía: “Vendei o que tendes e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não corrói” (Lc 12:33).

Observe:

“E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” (Fl 3:8).

Quais foram as ‘coisas’ que o apóstolo Paulo se desfez (vendeu) para ganhar a Cristo? Temos uma lista:

“Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível” (Fl 3:5-6).

As ‘coisas’ enumeradas pelo apóstolo Paulo era tidas por ‘vantagens’, ‘ganho’:

“Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo” (Fl 3:7).

O apóstolo Paulo não honrou pai e mãe mais que a Cristo, pois quando se converteu, não consultou os seus concidadãos (carne e nem sangue) se deveria anunciar o evangelho aos gentios, mas partiu para a Arábia: “Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue” (Gl 1:16).

Quem quiser seguir a Cristo, primeiro tem de abrir mão de tudo:

“E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores. E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. E disse a outro: Segue-me. Mas, ele respondeu: SENHOR, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus. Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lc 9:57-62).

Alguns discípulos, quando foram convocados por Cristo, haviam acabado de pescar muitíssimos peixes (encheram dois barcos que, quase foram a pique), uma riqueza de valor considerável para pescadores da época (Lc 5:7). Simão Pedro, Tiago e João deixaram tudo e seguiram a Jesus (Lc 5:11). O jovem rico, por sua vez, não quis abrir mão do que possuía! (Lc 18:22).

Por que era necessário aos ouvintes de Jesus, abrirem mão de tudo, para adquirirem um tesouro nos céus? A resposta é simples: “Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará, também, o vosso coração” (Lc 12:34; Mt 6:21).

Abraão é um exemplo de quem abriu mão de tudo, para alcançar a cidade que tem fundamento, cujo arquiteto e artífice é Deus (Hb 11:10). Primeiro, ele saiu de sua parentela, ou seja, abriu mão de pai e mãe. Quando apareceu a oportunidade de ficar com os bens do rei de Sodoma, Abraão abriu mão para que o rei de Sodoma não viesse a dizer que enriqueceu Abraão (Gn 14:23).

O profeta Moisés é outro exemplo, pois abriu mão de ser chamado filho da filha de Faraó, por ter em vista a recompensa: “Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo, do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa” (Hb 11:24-26).

 

O ensinamento

Para interpretar a parábola do tesouro escondido, o leitor não tem que buscar um significado para a figura do homem, do campo ou do ato de esconder o tesouro. A parábola foi contada para que os ouvintes de Jesus refletissem se estavam dispostos a abrir mão de tudo, para poder alcançar o reino dos céus!

Em lugar de apresentar um mandamento: ‘Vai e vende tudo…’, Jesus apresentou uma parábola, que fizesse os seus ouvintes considerarem se estavam dispostos a abrir mão de tudo o que possuíam, para alcançar o reino dos céus.

Igualmente, ocorre com a parábola do negociante, que saiu em busca de boas pérolas. O leitor não tem que atribuir significado ao homem negociante ou, ao fato de ter encontrado uma pérola de grande valor. O objetivo da parábola é destacar se os ouvintes de Jesus estavam dispostos a cumprirem a ordem de Cristo: “Vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; vem, toma a cruz e segue-me” (Mc 10:21).

Muitos erros surgem quando se ignora o público alvo da parábola, porém, eles se avolumam quando o intérprete procura atribuir significado a cada elemento que compõe a parábola.

De nada adianta interpretar corretamente um elemento da parábola e se equivocar no restante. Observe:

“Mas, há dois conceitos errados, sobre essas parábolas, que devem ser considerados. O primeiro foi proposto por Orígenes e afirma que Cristo é o tesouro escondido ou a pérola de inestimável valor que o pecador tem de encontrar e comprar. Na outra parábola, os papéis são invertidos, fazendo uma alusão descabida a Cristo como aquele que encontra a Igreja e a compra. Ambos, contudo, são conceitos errados (Cristo não está à venda nem vendeu Israel para comprar a igreja) e lidam com questões que estão fora do contexto” O novo comentário bíblico NT, com recursos adicionais — A Palavra de Deus ao alcance de todos. Editores: Earl Radmacher, Ronald B. Allen e H.Wayne House, Rio de Janeiro, 2010.

Com base no apontado pelos editores do ‘O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento’, Orígenes estava corretíssimo quando aponta Cristo como o tesouro escondido ou a pérola de grande valor. Entretanto, cometeu o equívoco de não observar o público alvo das parábolas e de considerar que Cristo encontrou a igreja e a compra.

Os editores do ‘O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento’ erram quando afirmam que Orígenes errou ao dizer que Cristo é o tesouro escondido ou a pedra de grande valor. Ora, efetivamente Cristo é o tesouro escondido ou a pérola de inestimável valor.

A interpretação que Moody dá à parábola do tesouro escondido é equivocada, porque ele buscou dar significado a alguns elementos que compõem a parábola:

“44. O Tesouro Oculto. Embora o tesouro costume ser explicado como sendo Cristo, o Evangelho, a salvação, ou a Igreja, pelo que o pecador deveria estar pronto a sacrificar tudo, o uso consistente da palavra homem nesta série refere-se a Cristo e o ato de esconder, novamente, depois de encontrar, toma os quadros diferentes. Antes, o tesouro oculto num campo descreve o lugar ocupado pela nação de Israel durante o interregno (Êx. 19:5; Sl. 135:4). Cristo veio para essa nação obscura. A nação, entretanto, rejeitou-o, e assim, com propósito divino, foi privada de sua importância financeira; ainda hoje continua obscura no seu aspecto externo quanto ao seu relacionamento com o reino messiânico (Mt. 21:43). Mas, Cristo deu a sua própria vida (tudo quanto tem) para comprar todo o campo (o mundo, l Co. 5:19; I Jo. 2:2) e, assim, conseguiu plena posse de direito por descobrimento e redenção. Quando ele voltar, o tesouro será desenterrado e totalmente revelado (Zc. 12,13)” Comentário Bíblico Moody – Mateus.

Israel

As parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor são exigências aos filhos de Israel, para que se desfaçam de tudo, pois acerca deles, protestavam os profetas, de que eram possuidores de muitas ‘riquezas’, a ponto de serem chamados ‘ricos’.

“Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação” (Lc 6:24);

“Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos e não vos arrastam aos tribunais?” (Tg 2:6);

“Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir (…) Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu” (Tg 5:1 a 6).

Essa era a condição dos filhos de Israel:

“Na verdade, todo homem anda numa vã aparência; na verdade, em vão se inquietam; amontoam riquezas e não sabem quem as levará (Sl 39:6; Lc 12:20; Jr 17:11);

“Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas” (Jr 9:23).

 

A igreja

Essas duas parábolas possuem algum elemento prático exigível dos membros do corpo de Cristo? Não, pois os que creem já ganharam a Cristo. O crente em Cristo não tem que dispor de nada para ganhar a Cristo, antes, já está de posse de Cristo, por crer na mensagem do evangelho.

O alerta para a igreja é diferente: “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2Tm 2:4), de modo que: “… os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que folgam, como se não folgassem;  os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa” (1Co 7:29-31).

Das parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor, os cristãos retiram uma lição a ser utilizada no evangelismo, de modo a demonstrar ao pecador que, para ganhar a Cristo é necessário deixar tudo.

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?” (Mc 8:36-37).

 


[1] As parábolas da Bíblia, geralmente, são narrativas curtas, que transmitem um ensinamento proposto por Deus, através dos profetas da Antiga Aliança, composta por símiles, figuras, enigmas e adágios.

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O reino dos céus, os ricos e os pobres

Devido às diversas leituras acerca do tema ‘riqueza’ versus ‘reinos dos céus’ surgiram propostas teológicas como o ‘evangelho social’ e a ‘teologia da libertação’…

 


“Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”  ( Lc 12:20 )

 

Como interpretar a parábola do rico insensato?

“E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus” ( Lc 12:16 -21).

Após a leitura da parábola, podemos perguntar: o evangelho de Cristo é avesso aos ricos? Ser abastado financeiramente e ser salvo é impossível? Para ser um discípulo de Cristo é necessário ser desprovido de bens materiais? Deus não aceita os abastados de bens materiais? Ao homem que faz planos de angariar fortuna com o fito de viver abastado é negado acesso a graça de Deus?

Devido às diversas leituras acerca do tema ‘riqueza’ versus ‘reinos dos céus’ surgiram propostas teológicas como o ‘evangelho social’ – movimento protestante norte-americano (1880-1930) sob influência do liberalismo teológico que pretendia apresentar uma resposta ‘cristã’ à situação de miserabilidade dos trabalhadores e imigrantes – e a ‘teologia da libertação’ – movimento que surgiu na América Latina em meados do século 20, articulado por teólogos católicos e protestantes, que diante das injustiças e exclusão social fomentado por um quadro de grandes tensões políticas, econômicas e sociais, levantaram uma bandeira centrada na ideia de um Deus ‘libertador’.

Mas, qual é a proposta de Jesus ao propor a parábola do rico louco? Ele buscava uma transformação econômica e social das sociedades à época, ou uma revolução na mentalidade (metanoia) de seus ouvintes acerca de questões relativas ao reino dos céus?

 

A parábola

O primeiro passo para compreender a parábola do rico insensato é entender porque Jesus utilizava parábolas para falar ao povo de Israel. A resposta para esta pergunta é objetiva e foi apresentado pelo próprio Cristo: “Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem” ( Mt 13:13 ; Is 6:9 ).

Ora, Jesus falava à multidão por parábola porque estava previsto que o Messias proporia aos seus ouvintes enigmas antigos “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” ( Sl 78:2 ; Mt 13:35 ). Enquanto Jesus cumpria as Escrituras falando ao povo por parábolas, o povo, por ser de dura servis, viam, ouviam e não compreendiam.

O povo de Israel devia saber que Deus não falava abertamente (sem enigmas) com eles porque foi justamente isto que pediram quando não confiaram em Deus “E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos” ( Êx 20:19 ); “Filho do homem, propõe um enigma, e profere uma parábola para com a casa de Israel” ( Ez 17:2 ). Ouvir a voz de Deus sem enigmas era um privilegio de Moisés “Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?” ( Nm 12:8 ).

Uma característica fundamental da palavra de Deus são as parábolas e os seus enigmas. O fato de Jesus falar por parábolas era um sinal de que Jesus era o Cristo e que falava as palavras de Deus “Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar” ( Jo 12:49 ).

Como o povo de Israel não prestou atenção na mensagem de Jesus como o enviado de Deus, antes se escandalizaram por pensarem que Ele era filho de José e Maria ( Mt 13:54 -57), a profecia de Isaias cumpriu-se neles: “E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis” ( Mt 13:14 ).

A exposição das parábolas ao povo era segundo a medida que podiam compreender, porém, os enigmas escapavam até mesmo aos discípulos, que em particular eram instruídos “E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender. E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:33 -34); “E disse-lhes: Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas?” ( Mc 4:13 ).

Os filhos de Jacó não ouviam, não compreendiam e não percebiam, não em função de Deus querer turvar-lhes o entendimento, antes não ouviam, não compreendiam e não percebiam porque eram de dura servis, ou seja, não se sujeitavam a Deus para obedecê-Lo “Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure” ( Mt 13:15 ).

Quando Jesus contava uma parábola utilizava relações humanas, eventos do dia a dia, questões materiais, etc., porém, o foco era apresentar ao povo questões espirituais e que já foram abordadas nas Escrituras “Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado” ( Mt 13:11 ).

Por exemplo: quando Jesus conversou com Nicodemos e lhe disse que o vento sopra onde quer e ouve-se a sua voz, aparentemente foi utilizado eventos do cotidiano para explicar o novo nascimento, porém, Jesus citava as Escrituras “Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?” ( Jo 3:12 ; Ec 11:5 ).

O leitor das Escrituras precisa estar alerta, pois todas as parábolas contêm enigmas a serem desvendados. Interpretar uma parábola sem considerar os enigmas contidos nela é má conclusão na certa. Geralmente as parábolas apresentadas no Novo Testamento foram contadas para expor uma verdade defendida pelos profetas, salmos, provérbios e a lei.

 

Sombra, mentira, vaidade

“Na verdade, todo homem anda numa vã aparência; na verdade, em vão se inquietam; amontoam riquezas, e não sabem quem as levará” ( Sl 39:6 )

A parábola do rico ‘louco’ foi contada para evidenciar ao povo de Israel uma verdade contida no salmo 39, verso 6: ‘todo homem anda numa vã aparência’, ou seja, é como uma ‘sombra’, alienado de Deus que é a verdade o homem é ‘mentira’.

O salmo não exclui os judeus desta condição quando diz: todo homem anda numa vã aparência!

O verso 6 do Salmo 39 é inclusivo como o Salmo 53: “Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:2 -3).

Todos os homens se desviaram e juntamente se fizeram imundo, quer sejam gentios quer judeus. Todos juntamente se desviaram, e andam numa ‘vã aparência’. Por causa da separação decorrente da ofensa no Éden, todos os homens são comparáveis a uma sombra.

O salmo 58 enfatiza a mesma ideia: “Desviam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nascem, proferindo mentiras” ( Sl 58:3 ). Todos os homens se desviaram de Deus, de modo que todos os que nascem da madre são ímpios, ou seja, proferem mentiras, quer sejam gentios ou judeus.

Como todos os homens vêm ao mundo proveniente da madre e os ímpios desviam-se na madre, certo é que todos os homens por serem gerados segundo a semente corruptível de Adão são ímpios.

Diante desta verdade evidenciada nas Escrituras, os judeus equivocadamente julgavam que a lei, os profetas e os salmos protestavam exclusivamente contra os gentios, e que somente os gentios se desviaram de Deus por não serem descendentes da carne de Abraão.

Por serem descendentes da carne de Abraão, quando os judeus liam que ‘todos se desviaram de Deus’, prevaricavam quanto à interpretação, pois entendiam que as Escrituras protestavam somente contra os gentios, uma vez que os judeus entendiam que estava em uma condição diferenciada frente aos gentios por ter recebido a lei por intermédio de Moisés.

Ao falar do tema, o apóstolo Paulo demonstrou que tudo o que a lei diz, dizia aos que estavam debaixo da lei, ou seja, aos judeus, de modo que, apesar de serem descendentes da carne de Abraão, os judeus também eram ímpios assim como os gentios, uma vez que todos se desviaram de Deus desde o ventre por serem filhos de Adão ( Rm 3:19 ).

Diante das Escrituras fica claro que os judeus não são melhores que os gentios, pois ambos estão debaixo do pecado ( Rm 3:9 ), como se lê: ‘todo homem anda numa vã aparência’, ou seja, são mentirosos “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

Como o salmista sabia que Deus não fazia distinção alguma entre judeus e gentios, Davi admite (confessa) a sua condição quando clama: “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” ( Sl 51:4 ). Por que o salmista tinha certeza de que era pecador? Porque judeus e gentios igualmente são formados e concebidos em pecado “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” ( Rm 51:4 -5).

O salmista Davi sabia que há somente duas gerações: uma é a geração dos ímpios e outra é a geração dos justos. Era de conhecimento do salmista que, não importam as ações dos homens, a recompensa deles é conforme a geração dos seus pais ( Sl 49:19 ). Temos duas sementes e duas gerações, sendo que a semente que permanecerá para sempre diz da semente do último Adão, e a semente que perece, a semente do primeiro pai da humanidade, Adão ( Sl 112:2 ; Sl 89:4 ; Sl 24:6 ; Sl 22:30 ).

É em função desta realidade que Davi roga a Deus para ser gerado de novo segundo a sua palavra (semente incorruptível), que cria um novo coração e concede ao homem um novo espírito ( Sl 51:10 ; Ez 36:26 ).

Os termos riqueza e pobreza são utilizados nas Escrituras para esclarecer a situação do pecador diante de Deus e é justamente fazendo alusão ao pecado que o termo riqueza é citado nas Escrituras, e a análise dos termos ‘riqueza’ e ‘pobreza’ é imprescindível para responder às questões.

Como é possível ‘todo homem’ amontoar riquezas e não saber quem as levará, se na sua maioria os homens são desprovidos de bens materiais? Os bens de um homem, quer pobres ou ricos, não ficam sob o cuidado de seus herdeiros? Quando analisamos o verso 6 do Salmo 39, temos que nos perguntar: estamos diante de uma parábola e seus enigmas, ou há um equivoco na abordagem do salmista? Como é possível haver tantos homens desprovidos de bens materiais no mundo se o salmo diz que ‘todo’ homem amontoam riquezas? “Na verdade, todo homem anda numa vã aparência; na verdade, em vão se inquietam; amontoam riquezas, e não sabem quem as levará” ( Sl 39:6 ).

Os judeus deviam ter o cuidado de, ao ler as Escrituras, se perguntarem por que elas dizem que ‘todos’ os homens ‘andam em vã aparência’, e porque elas não contem uma ressalva quanto aos judeus dizendo: todo homem, exceto os descendentes da carne de Abraão, andam numa vã aparência. Se tivessem o cuidado de observar que as Escrituras protestavam que todo homem amontoam riquezas e não sabem quem as levará, deveriam inquirir por que existiam tantos pobres.

O mesmo entrave ocorre com os termos ‘louco’, ‘néscio’ que consta na parábola em comento e em outras partes das Escrituras, termos que são utilizados depois da acusação feita por Moisés ao povo de Israel: “Recompensais assim ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?” ( Dt 32:6 ).

Após a abordagem de Moisés os termos ‘louco’, ‘néscio’, ‘ignorante’ tornaram-se uma ‘figura’ específica empregada ao longo das Escrituras para fazer referencia ao povo de Israel que eram de dura servil (rebeldes).

O salmo 53 é um exemplo: “DISSE o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, e cometido abominável iniquidade; não há ninguém que faça o bem. Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um. Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus” ( Sl 53:1 -4).

O ‘néscio’ que se comporta como se Deus não existisse diz dos lideres de Israel, homens que se alimentavam do povo de Deus como se comessem pão (compare verso 1 com o 4). Esta figura é utilizada diversas vezes pelos profetas: “Chegarão os dias da punição, chegarão os dias da retribuição; Israel o saberá; o profeta é um insensato, o homem de espírito é um louco; por causa da abundância da tua iniquidade também haverá grande ódio” ( Os 9:7 ); “Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que nada viram!” ( Ez 13:3 ); “Deveras o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios, e não entendidos; são sábios para fazer mal, mas não sabem fazer o bem” ( Jr 4:22 ); “Atendei, ó brutais dentre o povo; e vós, loucos, quando sereis sábios?” ( Sl 94:8 ).

Observa-se nas Escrituras que o termo ‘louco’ não é utilizado para fazer alusão aos gentios, antes somente é empregado para censurar os filhos de Israel. Esta figura também foi utilizada por Cristo e os apóstolos: “Loucos! Quem fez o exterior não fez também o interior?” ( Lc 11:40 ); “E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!” ( Lc 24:25 ); “Instrutor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei” ( Rm 2:20 ).

Quando lemos na parábola: “Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”, verifica-se que a reprimenda de Jesus tem por alvo os judeus, pois este era o público a quem foi anunciado a parábola do rico.

Outro elemento a se considerar na parábola é a condição financeira do ‘louco’ e o que ela representa. Devemos considerar a riqueza do homem louco como perniciosa, ou a riqueza é uma figura enigmática que demanda ser estudada e desvendada?

No sermão da montanha registrado por Lucas, temos o seguinte discurso: “E, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas. Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis. Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas” ( Lc 6:20 -26).

É significativo o fato de que os que creem em Cristo são descritos como pobres, e os que rejeitam a Cristo são designados ‘ricos’. Considerando o fato de que Jesus só falava ao povo utilizando parábolas, significa que Jesus não estava fazendo distinção entre os seus ouvintes quanto às questões de ordem financeira e sim quanto aqueles que realizavam a vontade de Deus “Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” ( Jo 6:40 ).

Significa que qualquer que confiar em Cristo, quer seja rico quer seja pobre financeiramente é bem-aventurado, portanto, pobre, manso, triste, etc. Qualquer que não confia em Cristo, quer seja rico ou pobre financeiramente é descrito como farto, rico, etc.

Quando Tiago diz: “EIA, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça. O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. Eis que o jornal dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos. Deliciosamente vivestes sobre a terra, e vos deleitastes; cevastes os vossos corações, como num dia de matança. Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu” ( Tg 5:1 -6), os ‘ricos’ referem-se aos judeus (ricos) que não creram, condenaram e mataram o Cristo, de modo que, por rejeitarem a Cristo, o único que tem ouro e prata aprovados ( Ap 3:18 ), a riquezas deles estavam apodrecidas, as vestes destruídas e entesouraram ira para o dia do juízo.

Daí a palavra de ordem: “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” ( Tg 4:9 ), que é o mesmo que ‘arrependei-vos’ ( At 2:38 ). Por que deveriam sentir as suas misérias e lamentarem? Porque os judeus rejeitaram a Cristo por entenderem que possuíam recursos necessários para serem salvos, mas na verdade eram pobres, cegos e nus “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” ( Ap 3:17 ). ‘Sentir a miséria’ e ‘lamentar’ são figuras que rementem às pessoas que mudam de concepção (arrependimento) dando ouvidos ao anunciador de boas novas, que é Cristo. Se o contrito de espírito, o manso, o pobre, etc., ouve a mensagem do evangelho e crê, recebe de Deus glória, gozo, louvor, etc. ( Sl 61:1 -3).

Daí é possível entender a seguinte fala de Jesus: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” ( Mc 10:23 ). Os discípulos ficaram perplexos quando Jesus disse que os que ‘têm riquezas’ dificilmente entrarão no reino dos céus, pois pensaram que Jesus falava dos abastados financeiramente.

Porém, diante da admiração dos seus discípulos, Jesus explica: “Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!” ( Mc 10:24 ). Quando Jesus disse ser ‘difícil’ os que têm ‘riquezas’, ou seja, que cofiam ‘nas riquezas’ entrar no reino dos céus é porque os que ‘confiam nas riquezas’ não nasceram de novo e nem possuem obras maiores que a dos escribas e fariseus ( Jo 3:3 ; Mt 5:20 ).

A vontade de Deus é que o homem creia em Cristo, porém, os judeus preferiam confiar em sua origem segundo a carne e nas prescrições da lei. Por serem recalcitrantes, de dura servis, confiavam em suas ‘riquezas’ e deixavam de confiar em Deus.

Se ‘nascer de novo’ e ter ‘obra superior a dos escribas e fariseus’ é condição essencial para entrar no reino dos céus, qual riqueza é empecilho à entrada no reino dos céus?

A ‘riqueza’ em tela não diz de questões materiais, antes é uma figura que remete aos que fazem da carne (descendência de Abraão) a sua força (salvação). Em lugar de confiarem em Deus para serem bem-aventurados ( Jr 17:7 ), os descendentes da carne de Abraão confiavam em si mesmos, pois constituíam a sua carne o seu próprio braço (salvação)( Jr 17:5 ).

Sobre os que confiavam na força do seu braço escreveu o apóstolo Paulo: “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” ( Rm 9:7 -8).

A leitura da parábola do rico ‘louco’ deve ser compreendida em função do reino dos céus e não em vista das riquezas deste mundo. A percepção do leitor da parábola deve transcender o senso comum, haja vista que em uma parábola há enigmas a serem desvendados “E disse-lhes: Não percebeis esta parábola? Como, pois, entendereis todas as parábolas?” ( Mc 4:13 ).

Quando lemos: “Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que a vaidade. Não confieis na opressão, nem vos ensoberbeçais na rapina; se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração” ( Sl 62:9 -10), Diante de Deus tanto ricos quanto pobres são vaidade. Deus não tem em preferência os desprovidos de bens materiais e nem pretere os nobres da face da terra.

Como Deus não faz acepção de pessoas, a mensagem: ‘Não confieis na opressão, no roubo, na violência’ abarca tanto ricos quanto pobres financeiramente.

Para entrar no reino dos céus o homem não deve se utilizar da força ou da violência, antes é pela palavra de Deus ( Zc 4:6 ). A força, a violência, a opressão, o roubo, etc., são figuras que ilustram aqueles que querem se salvar por intermédio das suas obras “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há nas suas mãos” ( Is 59:6 ).

O profeta Isaias estava anunciado a palavra do Senhor ao povo utilizando-se de parábolas e enigmas, de modo que, ao falar da justiça que decorre da lei, comparou-a a teias de aranha. A justiça decorrente das suas obras não servia para cobrir-se diante de Deus. As obras são comparáveis à iniquidade, o mesmo que obra de violência. Apesar do sacrifício continuo e das orações prolongadas, tudo era reprovado diante de Deus “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal” ( Is 1:13 -16).

Se há uma obra, a recompensa, o salário, o ganho é certo, de modo que as ‘obras de iniquidade’ são descritas como ganho de opressão, ganho de violência, atos de maldade. Qualquer que se lança às ofertas vãs, às orações prolongadas, aos sábados, as reuniões solenes, etc., multiplica suas obras de violência e entesoura para si o seu ganho. O ‘tesouro’, a ‘riqueza’ amealhada em função destas práticas é produto de opressão, porém, o povo de Israel aumentava as suas obras acreditando que as suas riquezas seriam suficientes para alcançar salvação, posto que o coração deles estavam fiados em suas obras ( Sl 62:9 -10).

Quando Jesus diz: “É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus” ( Mc 10:25 ), interpôs uma impossibilidade natural (passar um camelo pelo fundo de uma agulha) para demonstrar que a impossibilidade de alguém que ‘confia’ nas ‘riquezas’ entrar no reino de Deus é maior.

O texto deve ser compreendido a partir do seguinte princípio: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” ( Mt 6:24 ). Ora, o tesouro prende o coração do homem, o que o impede de amar (servir) a Deus de todo o seu coração “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” ( Mt 6:21 ).

Tudo o que o homem adquire de Deus deve ser sem dinheiro e sem preço. Quando o homem adquire uma riqueza por meio da força do seu braço (obras da lei), passa a possuir um tesouro que assume a condição de um ídolo (Mamom), pois o homem deixa de confiar na graça de Deus para confiar na sua riqueza ( Sl 62:9 -10).

O homem passa a servir a Mamom quando não ouve a palavra do Senhor e, ao porfiar confiando na sua riqueza, torna a sua própria vontade um ídolo “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” ( 1Sm 15:23 ).

Ora, o maior tesouro do povo de Israel estava na sua origem e na lei, ou seja, no crente Abraão e em Moisés. Diante do evangelho e da pessoa de Cristo os filhos de Jacó relutavam em mudarem de concepção apontando para ambos: Moisés e Abraão “Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés” ( Jo 9:28 ); “Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão” ( Jo 8:39 ).

O apóstolo Paulo elenca quais os entes que compõe a riqueza dos judeus: a nacionalidade (israelitas), adoção de filhos por serem descendentes de Abraão, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas, os pais e Cristo segundo a carne.

Ora, se um judeu que recebeu todos os itens elencados acima não pode salvar-se, surge a pergunta: “Quem poderá, pois, salvar-se?” ( Mc 10:26 ). A resposta de Cristo demonstra que confiar na carne de Abraão é uma ‘riqueza’ que não conduz a Deus ( Mt 10:37 ), para alcançar a Cristo, pois com relação a salvação: “Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis” ( Mc 10:27 ).

O salmista Davi apresentou profeticamente o enigma do homem rico no salmo 49 anunciado tanto aos ricos quanto aos pobres financeiramente que, quando viesse o dia em que ‘os homens que confiam em suas riquezas’ cercariam o Messias, o Cristo de Deus não temeria ( Sl 49:5 -6). Por quê? Porque confiar em suas riquezas era a loucura dos homens que estavam em honra em Israel, uma vez que rejeitaram a Cristo, a pedra eleita e preciosa ( Sl 49:13 ).

 

A parábola do homem rico

“E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus” ( Lc 12:16 -21).

 

É seguro dizer que a parábola do rico louco não visava uma transformação socioeconômica, antes foi contada visando uma revolução na mentalidade (metanoia) do povo de Israel acerca de como alcançar a salvação.

A parábola do homem rico ilustra o pensamento do povo de Israel que, por ser descendente da carne de Abraão, entendiam que haviam herdado a bem-aventurança prometida por Deus a Abraão.

Quando liam nas Escrituras: “E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” ( Gn 28:14 ), os filhos da carne de Abraão, Isaque e Jacó interpretavam que eram benditos por serem descendentes dos patriarcas e, qualquer que se tornasse prosélito seria bem-aventurado.

Mas, os lideres de Israel estavam equivocados, pois não são os filhos de Abraão que são salvos, antes os salvos são os filhos da promessa, que diz: “Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ). Para ser filho segundo a promessa era necessário crer como o crente Abraão, pois este é o único meio de ser declarado justo diante de Deus, porém, os filhos de Jacó repousavam na filiação segundo a carne. Quando Abraão ouviu a promessa, passou a crer no descendente prometido, de modo que viu o seu dia e alegrou-se na salvação de Deus “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se” ( Jo 8:56 ).

Sobre este posicionamento disse o apostolo Paulo: “Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” ( Gl 3:6 -9).

A leitura correta da promessa segue o seguinte termo: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ). Mas, como os filhos de Israel não atinaram para o fato de que as Escrituras encerrou todos os homens sob o pecado, de modo que a promessa é dada aos crentes e não aos filhos da carne de Abraão “Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes” ( Gl 3:22 ).

Porém, antes que Cristo viesse ao mundo conforme a promessa feita a Abraão, Deus entregou a lei para fazer com que os descendentes da carne de Abraão vissem a sua real condição, deixassem de crer em sua origem e passassem a esperar n’Aquele que havia de se manifestar assim como fez o crente Abraão “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar.  De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” ( Gl 3:23 -24).

Quando o descendente prometido a Abraão veio, os filhos da carne de Abraão se apegaram à lei de Moisés e continuaram alegando que eram salvos por serem descendentes de Abraão, e rejeitaram a bem-aventurança.

Ora, se tudo o que a lei diz, diz aos que estão sob a lei, isto significa que o que os salmos também dizem (referem-se) dos filhos de Jacó (observe que o apóstolo Paulo citou diversos versículos dos salmos), de modo que a parábola do rico louco é uma releitura do Salmo 49, que diz “Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas, Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre), Para que viva para sempre, e não veja corrupção. Porque ele vê que os sábios morrem; perecem igualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens. O seu pensamento interior é que as suas casas serão perpétuas e as suas habitações de geração em geração; dão às suas terras os seus próprios nomes. Todavia o homem que está em honra não permanece; antes é como os animais, que perecem. Este caminho deles é a sua loucura; contudo a sua posteridade aprova as suas palavras. (Selá.) Como ovelhas são postos na sepultura; a morte se alimentará deles e os retos terão domínio sobre eles na manhã, e a sua formosura se consumirá na sepultura, a habitação deles. Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá. (Selá.) Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece. Porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará” ( Sl 49:6 -17).

O homem rico cuja herdade produziu com abundância representa o povo de Israel, pois pensavam (arrazoavam) consigo mesmo que eram salvos, porém, o que pensavam não era condizente com a palavra de Deus.

O que pensa uma pessoa abastada com bens deste mundo? Diante de uma herdade que produz com abundancia resta edificar outros maiores em substituição ao que anteriormente possuía para recolher o que for produzido. Por fim, dirá: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga!

Assim era o pensamento dos filhos de Israel, pois arrazoavam consigo mesmo dizendo: Temos por pai Abraão, de modo que nunca fomos escravos de ninguém! “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 ); “Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?” ( Jo 8:33 ).

Ou seja, diante da pedra eleita e preciosa, os filhos de Israel resolveram seguir os seus próprios pensamentos e coração, tendo por real valor a filiação de Abraão e a lei mosaica, desprezando a benção que enriquece ( Pv 10:22 ; Ml 2:2 ; Jo 5:23 ).

Ao compreender a verdade do evangelho, o apóstolo Paulo abriu mão do que ele entendia de real valor para poder alcançar a Cristo “Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” ( Fl 3:4 -9).

O apóstolo elenca os motivos pelos quais poderia confiar na carne: ‘Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível’. Porém, o que para ele era ganho (de valor), por Cristo reputou como perda todas os elementos elencados anteriormente.

O homem que possuía por sobrenome a alcunha de judeu sentia-se abastado, enriquecido por confiar na lei (repousas na lei), pois entendiam que se gloriavam em Deus, que sabiam a vontade de Deus e que consentiam com o que é excelente em virtude da instrução que detinham segundo a lei ( Rm 2:17 -20). A confiança do povo judeu era a de que guiavam os cegos e que eram luz para os povos em trevas, instrutores dos néscios e das crianças, mas desconheciam que o verdadeiro judeu é o que recebe a circuncisão no coração e não na carne ( Rm 2:29 ).

Daí a parábola de Cristo, demonstrando que o povo judeu se sentia rico ( Ap 3:17 ). Sentiam-se tão abastados que arrazoavam onde armazenariam o produto do seu trabalho ( Lc 12:17 ). Daí a reprimenda de Jesus segundo o que as Escrituras de longa data protestavam: “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” ( Lc 12:20 ); “Eis aqui o homem que não pôs em Deus a sua fortaleza, antes confiou na abundância das suas riquezas, e se fortaleceu na sua maldade” ( Sl 52:7 ); “Aquele que confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem” ( Pv 11:28 ); “Há alguns que se fazem de ricos, e não têm coisa nenhuma, e outros que se fazem de pobres e têm muitas riquezas” ( Pv 13:7 ).

O povo judeu era o homem que não pôs em Deus a sua confiança, antes confiou na sua riqueza, fortalecendo-se na suas obras más. Eles mesmos se fizeram ricos gloriando-se na carne, mas a verdadeira riqueza, que é o louvor de Deus, não possuíam.

Mas, qualquer que ajunta tesouros para si é comparável ao rico louco, que possuindo muito não era rico para com Deus, certo que a vida de um homem não consiste nos bens que possui ( Lc 12:15 ).

Para ser rico para com Deus é necessário buscar a Cristo, a justiça segundo a fé, pois Ele é de cima ( Mt 6:33 ; Jo 8:23 ). Somente Jesus possui ouro aprovado, riqueza impar não sujeita a ferrugens, a traça ou ao roubo ( Mt 6:20 ; Ap 3:18 ). Mas, para adquirir ouro aprovado é necessário o homem reconhecer a sua miserabilidade ( Mt 5:3 ), que é um errado de espírito, quando Deus dará o conhecimento que satisfaz a alma faminta “E os errados de espírito virão a ter entendimento, e os murmuradores aprenderão doutrina” ( Is 29:24 ; Is 61:1 -3; Is 55:1 -3).

Quando aparece nas Escrituras a figura do pobre, como no verso que se segue: “Compadecer-se-á do pobre e do aflito, e salvará as almas dos necessitados” ( Sl 72:13 ), o profeta Davi não tem em vista os desprovidos de bens materiais, antes diz daqueles que creem em Deus, quer seja pobre ou rico financeiramente.

Outra figura é a do órfão e a da viúva: “Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo” ( Sl 68:5 ), pessoas que na antiguidade eram o símbolo, a figura dos necessitados e pobres. Quando o salmista diz que Deus é pai de órfãos, significa que, quem tem por pai Abraão por ser descendente da carne do patriarca não tem Deus por Pai. Mas, aquele que vê que o seu verdadeiro pai segundo a carne é Adão, e este vendeu todos os seus filhos ao pecado quando da ofensa no Éden, é órfão e reconhece que necessita de um justo juiz. Se o homem deixar pai e mãe, ou seja, deixar de confiar na sua origem segundo a carne dos patriarcas, tornar-se-á pobre e alvo da bem-aventurança divina pela fé em Cristo ( Mt 5:3 ).

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Quem veio matar, roubar e destruir?

Os lideres de Israel eram ladrões, salteadores por subtraírem a palavra de Deus que concede vida aos homens. Sob o pretexto de sacrifícios (orações prolongadas, jejuns, festas, dias, luas) extorquiam a casa dos necessitados (viúvas, órfãos) ( Mt 23:14 ). ‘prolongadas orações’ é figura de sacrifícios, e viúvas e órfãos são figuras utilizadas para ilustras os necessitados, os pobres de espíritos.


 

Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador” ( Jo 10:1 )

 

Quem veio matar, roubar e destruir? A resposta é simples e fácil: o ladrão! “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir” ( Jo 10:10 ).

Porém, há quem divulgue que o diabo é quem veio matar, roubar e destruir. Seria o diabo o ladrão que Jesus faz referência?

É comum ouvirmos mensagens enfatizando que o diabo veio para matar, roubar e destruir a saúde, a família e as finanças do homem. Outros alegam que o diabo veio para matar, roubar e destruir a paz, a fé, a esperança, o amor, a salvação, etc., do cristão.

Seria isto verdade?

A bíblia nos garante que Cristo é a nossa paz, fé, esperança, amor e salvação. O diabo seria capaz de roubar, matar e destruir o cristão?

 

As parábolas e a missão de Jesus

Após dizer aos escribas e fariseus qual era a sua missão, Jesus propõe uma parábola a eles.

A missão de Jesus é clara: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos” ( Jo 9:39 ). O que Jesus quis dizer com estas palavras, se Ele mesmo disse que a ninguém julga ( Jo 8:15 ).

Ora, os textos abordam aspectos diferentes da missão de Jesus. Quando Ele diz que ‘a ninguém julga’, evidência que o mundo já foi julgado e está sob condenação ( Rm 5:18 ; Jo 16:11 ; Jo 3:18 ). E, quando Ele diz que ‘veio ao mundo para juízo’, demonstra que a sua presença neste mundo é cumprimento cabal das Escrituras.

Jesus veio ao mundo conforme o previsto nas Escrituras, de modo que por diversas vezes Ele sinaliza que veio ao mundo em função da sua missão prevista “Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento” ( Mc 2:17 ); “Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” ( Jo 18:37 ); “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ); “Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” ( Jo 12:46 ); “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora” ( Jo 12:27 ); “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” ( Jo 10:10 ).

Ou seja, todas as vezes que Jesus faz referência ao motivo pelo qual veio, tal motivo vincula-se a salvação dos homens. Como a salvação é promessa exarada nas Escrituras, Cristo veio para salvar cumprindo e sendo o cumprimento das Escrituras, de modo que, os que não veem passam a ver e, os que veem, torna-se cegos ( Sl 146:8 ; Is 29:8 ; Is 42:7 ; Is 43:8 ; Is 56:10 ).

Ao dizer: “Eu vim a este mundo para juízo”, Jesus estava dizendo por parábola que convinha cumprir toda a justiça ( Mt 3:15 ), pois Ele não veio ab-rogar, pois é o cumprimento das Escrituras “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido” ( Mt 5:17 -18).

Quando os fariseus ouviram as palavras de Jesus, entenderam que era algo pejorativo ser cego, mas Cristo lhes fala novamente por parábola, segundo o que profetizou o profeta Isaias: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” ( Jo 9:41 ; Is 56:10 ).

Lembrando que nada Jesus falava aos fariseus sem utilizar parábolas “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ), propôs um nova parábola “E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam” ( Lc 8:10 ).

 

A parábola

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” ( Jo 10:1 -5).

A parábola é um recurso que estabelece um quadro vivo na mente de quem ouve e impede o ouvinte de esquecer a exposição, esse foi o meio previsto nas Escrituras que o Cristo utilizaria para ensinar.

E ainda, as parábolas contêm enigmas, e os enigmas dificultava, para o povo, a compreensão das parábolas, mas aos discípulos Jesus desvendava o enigma de modo que lhes era ensinado abertamente a palavra de Deus “Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa” ( Sl 49:4 ); “Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem” ( Mt 13:13 ).

Com os fariseus, Jesus só falava por meio de parábolas, como se lê: “E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas” ( Mc 4:11 ); “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ).

Aos fariseus Jesus diz:

  • Aquele que não entra no curral das ovelhas pela porta, mas que se utiliza de outros artifícios é ladrão, salteador;
  • Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas;
  • O porteiro abre a porta somente para o pastor;
  • As ovelhas ouvem a voz do pastor e o segue para fora do curral, pois conhecem a voz do pastor, e;
  • As ovelhas de modo algum seguem o estranho, pois não conhecem a voz do estranho e fogem do estranho.

Quando Jesus contou a parábola com os elementos elencados acima, os fariseus não compreenderam. Apesar de terem questionado o Senhor Jesus por tê-los chamados de cegos, não perceberam que, pelo fato de não compreenderem o exposto por Cristo, verdadeiramente eram cegos, de modo que a profecia cumpria-se cabalmente neles “Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia” ( Jo 10:6 ).

Apesar de lerem nos salmos que só Deus pode abrir os olhos aos cegos, desconsideram o milagre e não compreenderam a parábola de Jesus “O SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos” ( Sl 146:8 ).

Diante da cegueira dos fariseus em não considerarem o milagre operado, Jesus explica a parábola desvendando o enigma.

Jesus disse estar dizendo a verdade em verdade e lhes expõe que era necessário entrar pela porta do curral das ovelhas para não ser um ladrão, um salteador. Sem a explicação de Jesus a parábola ficaria vaga, pois ela contém enigmas indecifráveis “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” ( Sl 78:2 ).

Jesus dá o significado da enigmática parábola ao dizer: “Eu sou a porta das ovelhas” (v. 7), ou seja, Jesus identifica-se como a porta. Já o ladrão, o salteador são os que vieram antes de Cristo (v. 8).

Ora, o Bom pastor diz de Cristo, o Servo do Senhor, portanto, um homem. De igual modo, os que vieram antes de Cristo só podem ser homens e não o diabo. Ora, o diabo não é o ladrão, o salteador que a parábola apresenta diz dos lideres de Israel, homens que tinham a função de ‘cuidar das ovelhas do Pai’, porém, prevaricaram nas suas atribuições.

Jesus enfatiza que todos os que vieram antes d’Ele são ladrões, salteadores, mas as ovelhas não os ouviram (v. 8). Novamente Jesus identifica-se como a porta e faz um convite na condição de Bom Pastor: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (v. 9). Diversas vezes os fariseus leram acerca da porta que os justos deveriam entrar, mas diante da porta estavam como que cegos: “Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão” ( Sl 118:20 ).

Por terem nascidos segundo a carne e o sangue de Abraão, consideram que já haviam entrado pela porta dos justos, porém, como não tinha a mesma fé que o crente Abraão que creu que no seu Descendente as famílias da terra seriam bem-aventuradas para ser justificado, ainda continuavam sendo filhos da ira e da desobediência, porque haviam entrado pela porta larga, que é Adão.

Por terem entrado pela porta larga, que é Adão, os fariseus haviam se desviado desde a madre, em iniquidade e em pecado foram formados, de modo que estavam em igual condição a todos os homens ( Sl 58:3 ; Sl 51:5 ; Sl 53:2 -3).

Quando Jesus se apresenta como a porta, apresentou-se na condição de último Adão, a porta dos justos. Os fariseus rejeitaram a pedra de esquina, a vítima, a luz, o bendito que veio em nome do Senhor ( Sl 118:1 -29).

Enquanto os que vieram antes de Cristo somente roubavam, matavam e destruíam, Jesus contrasta a sua missão com a deles “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (v. 10). Por que eles eram ladroes? Porque eles eram obreiros da iniquidade, que se alimentavam do povo como se fosse pão “Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus” ( Sl 53:4 ).

Os lideres de Israel eram ladrões, salteadores por subtraírem a palavra de Deus que concede vida aos homens. Sob o pretexto de sacrifícios (orações prolongadas, jejuns, festas, dias, luas) extorquiam a casa dos necessitados (viúvas, órfãos) ( Mt 23:14 ). ‘prolongadas orações’ é figura de sacrifícios, e viúvas e órfãos são figuras utilizadas para ilustras os necessitados, os pobres de espíritos.

Quando os fariseus ensinavam que não era necessário aos filhos de Israel dar aos seus pais o que pediam sob o pretexto de que fora oferecido como oferta ao Senhor, criaram um subterfugio para não observarem a lei que tanto idolatravam ( Mt 15:5 ; ). Além de roubar, as palavras que proferiam eram palavras de morte, pois todos os que ingeriam os seus ‘ovos’, tornavam-se serpentes ( Is 59:5 ). Todos que se tornavam prosélitos, tornavam-se duas vezes mais filhos do inferno ( Mt 23:15 ).

As ovelhas pertencem ao Pastor e o Pastor tem cuidado delas. Já o mercenário, por não ser o pastor, a quem as ovelhas pertencem, vê o perigo e o risco, mas não se interpõe de modo a proteger o rebanho. Diante do perigo, deixa as ovelhas e foge ( Jo 10:12 ).

Os lideres de Israel foram os responsáveis pela dispersão (diáspora) dos filhos de Israel por não acatarem o contido nas Escrituras e a maldição predita por Moisés sobreveio ao povo ( Dt 29:27 -28). Mesmo após terem percorrido o deserto sobre a liderança de Moisés, Deus já protestava contra eles que não lhes foi dado olhos para ver, ou seja, estavam cegos “Porém não vos tem dado o SENHOR um coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje” ( Dt 29:4 ).

O peso do Senhor contra os lideres de Israel que fazia o povo desviar-se de cumprir a sua palavra foi reiterado por diversas vezes pelos profetas “Uivai, pastores, e clamai, e revolvei-vos na cinza, principais do rebanho, porque já se cumpriram os vossos dias para serdes mortos, e dispersos, e vós então caireis como um vaso precioso” ( Jr 25:34 ).

O povo tornou-se comparável a ovelhas perdidas, pois deixaram o Senhor (lugar de repouso) e passaram a confiar na proteção oferecida pelas nações (montes e outeiros) vizinhas através de alianças “Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso” ( Jr 50:6 ; Os 7:1 e 11 ; Sl 50:16 -18).

Da mesma forma que os profetas falavam ao povo por enigmas e parábolas, Jesus retransmite a mesma mensagem demonstrando que haviam transformado a casa de Deus em uma ‘caverna de salteadores’, um ‘covil de ladrões’ “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o SENHOR” ( Jr 7:11 ); “Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva” ( Is 1:23 ); “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” ( Mt 21:13 ); “Como as hordas de salteadores que esperam alguns, assim é a companhia dos sacerdotes que matam no caminho num mesmo consenso; sim, eles cometem abominações” ( Os 6:9 ); “SARANDO eu a Israel, se descobriu a iniquidade de Efraim, como também as maldades de Samaria, porque praticaram a falsidade; e o ladrão entra, e a horda dos salteadores despoja por fora” ( Os 7:1 ).

Como os lideres de Israel prevaricaram em suas atribuições, estavam surrupiavam o povo da Verdade que Deus lhes dissera. Em nenhuma das referências bíblicas do A. T. ha Deus fazendo referência aos demônios como os ladrões, ou salteadores, porque Deus trata na sua palavra com os homens e não com os demônios ou com os animais.

O apóstolo Paulo é claro: Tudo o que a lei diz, diz aos que estão debaixo da lei ( Rm 3:19), de modo que tanto os judeus quanto os gentios são escusáveis diante de Deus. Portanto, quando se lê os profetas, verifica-se que eles protestavam contra o povo de Israel declarando-os como ladrões e salteadores. Enquanto Deus requer o amor, os lideres de Israel impunha ao povo sacrifícios ( Os 6:6 ), de modo que eram transgressores como Adão. Por serem transgressores, as suas mãos são descritas figurativamente como ‘manchadas de sangue’, ou seja, eram homicidas ( Os 6:8 ).

Por terem as mãos manchadas de sangue, são descritos também como uma horda de salteadores, pois há violência em suas mãos ( Os 6:9 ). Isto não quer dizer que o povo de Israel e os seus sacerdotes eram reprováveis moralmente por cometerem homicídios, antes os profetas apresentam uma figura que representam o povo como transgressores mesmo quando aplicavam os seus corações nos sacrifícios e nas guarda de dias sagrados ( Is 1:13 -15).

Tudo que não for segundo a palavra de Deus (pelo meu espírito) é denominado ‘violência’, ‘homicídio’, ‘mãos manchadas de sangue’ ( Zc 4:6 ; Is 59:2 -10). Isaias, ao descrever este quadro demonstra que, por o povo de Israel ‘possuir’ uma justiça própria, ou seja, não reconhecendo a Cristo como Senhor, são descritos profeticamente como cegos: “Por isso o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão. Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos” ( IS 59: 9 -10).

Esperavam o juízo “Todos nós bramamos como ursos, e continuamente gememos como pombas; esperamos pelo juízo, e não o há; pela salvação, e está longe de nós” ( Is 59:11 ), e quando o Juízo disse: “Eu vim a este mundo para juízo” ( Jo 9:39 ), estavam completamente cegos!

Como o Salmo 118 apresenta a porta, a pedra de esquina e a destra do Senhor que faz proezas, Jesus também se apresenta como a vítima do altar. Quando Jesus identifica-se como o Bom Pastor, apresentou-se como o Senhor que mostrou a luz e, ao mesmo tempo o cordeiro que foi morto, pois Ele deixa claro que o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas (v. 11) “Deus é o SENHOR que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas do altar” ( Sl 118:27 ). O mesmo Senhor que veio mostrar a luz para os que jaziam em trevas, tornou-se o sacrifício da festa.

Jesus complementa a parábola inicial ao destacar que os mercenários ou o que não é o pastor, se evadem e deixam as ovelhas à mercê da sanha dos lobos (v. 12). O motivo pelo qual o mercenário foge é porque é mercenário, ou seja, não é comprometido com as ovelhas (v. 13 ).

Novamente Jesus destaca que é o Bom Pastor, sendo que Ele ‘conhece’ as suas ovelhas e delas é ‘conhecido’. A palavra conhecer neste verso não é o mesmo que ‘saber acerca de’, antes diz de comunhão íntima. Jesus tornou-se um só corpo com as suas ovelhas, de modo que passaram a ter comunhão íntima, porque as ovelhas são os membros do corpo de Cristo, que é a igreja (v. 14).

Do mesmo modo que o Pai conhece o Filho de modo que ambos são um, a igreja conhece o Pai e o Filho, pois em Cristo são um só corpo “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” ( Jo 17:22 ). ‘Conhecer’ é o mesmo que tornar-se um (v. 15).

Jesus foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” ( Mt 15:24 ), mas não ouviram aquele que se apresentou como descanso e refrigério ao cansado. Como não deram ouvido, o Bom Pastor lançou mão de ovelhas tiradas dentre os gentios.

As ‘ovelhas que não são deste aprisco’ é uma referencia aos gentios que, após ouvirem a mensagem do evangelho, tornaram-se coerdeiros da mesma promessa (v. 16).

Quando Jesus declarou que ‘Deus o amava’ em virtude de dispor da sua vida e que lhe foi dado autoridade para tornar a toma-la, os judeus nada compreenderam e houve dissensão entre eles por causa destas palavras (v. 19). Uns passaram a dizer que Jesus tinha demônio e estava louco, enquanto outros consideravam que tais palavras não podiam ser de um endemoninhado, pois tinha poder de dar vista aos cegos (v. 21).

Novamente outra profecia cumpriu-se neles: “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão. Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca. Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa” ( Mq 7:4 -6).

 

O diabo não pode roubar, matar ou destruir o corpo de Cristo

Em primeiro lugar, vale destacar que é impossível ao diabo roubar o cristão, pois o cristão está escondido com Cristo em Deus, e esta é a certeza do cristão: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Rm 8:38 -39); “Mas fiel é o SENHOR, que vos confirmará, e guardará do maligno” ( 2Ts 3:3 ).

Em segundo, lugar é impossível o diabo roubar a paz, a esperança, o amor, etc., pois as ‘qualidades’ enumeradas referem-se ao ‘fruto’ do Espírito, e não do cristão, de modo que é impossível ao diabo roubar a Deus “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” ( Gl 5:22 ).

É o Espirito que produz amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança naqueles que estão ligados à Videira verdadeira ( Jo 15:5 ). Ou seja, sem Cristo é impossível ao homem produzir fruto, pois Deus diz: “…de mim é achado o teu fruto” ( Os 14:8 ).

Em terceiro lugar, quem veio matar, roubar e destruir não foi o diabo, como já demonstramos. Como o diabo roubaria aquele que está escondido com Cristo em Deus?

Em quarto lugar, mesmo que o cristão sofra algumas contingências em relação aos bens materiais ou em relação à sua existência neste mundo, não é o diabo que provoca, pois tais contingências às vezes decorrem dos desatinos dos homens entenebrecidos no entendimento, que andam segundo o curso deste mundo e estão separados de Deus pela ignorância que há neles ou, por decisões equivocadas que tomamos.

A parábola faz referência aos líderes de Israel quando fala do ladrão, portanto, é um erro aplicar a passagem de João 10, verso 10 como sendo o diabo o ladrão que consta na parábola.

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A carne para nada serve

‘Provar os espíritos’ ou ‘os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas’ não envolve questões de ordem psíquica. Provar os espíritos não é verificar se o profeta é nervoso, intolerante, agitado, agressivo, etc., ou verificar se o profeta controla as suas emoções, desejos e ansiedades. Tais questões são pertinentes a psique humana e alguns psicólogos rotulam como sendo nuances do ‘espírito’. Portanto, a análise deve recair única e exclusivamente sobre a palavra do profeta, pois é pelo ‘fruto’ que se identifica a árvore ( Mt 7:16 ).


“E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 )

Introdução

O evangelista Marcos apresentou uma informação que não pode ser desprezada como parâmetro essencial à contextualização e interpretação de algumas passagens bíblicas:

“E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ).

Neste verso o evangelista deixou registrado de modo claro que, tudo o que Jesus dizia à multidão era dito através de parábolas, o que contrasta com a maneira de Jesus ensinar os seus discípulos em particular.

De posse desta informação, é salutar ao interprete da bíblia analisar qual é o público alvo das palavras de Cristo, pois se for a multidão, teremos parábolas e enigmas, mas se o público alvo for os discípulos e em particular, teremos a elucidação das parábolas e dos enigmas ( Sl 78:2 ).

Neste artigo, faremos um exercício de análise e interpretação bíblica utilizando como base o verso 63 de João 6: “O espírito é que vivifica, a carne para nada serve”, levando em conta a informação dada pelo evangelista Marcos, ou seja, de que Jesus só falava ao povo utilizando-se de parábolas, mas quando em particular com os seus discípulos, declarava o significado do que havia dito.

Demonstraremos a importância de se determinar o público alvo da mensagem de Jesus, se judeus ou discípulos, o que possibilitará uma interpretação segura das Escrituras.

João 6

O evangelista João destaca que Jesus discursou a uma grande multidão que O seguia em função do milagre da multiplicação dos pães ( Jo 6:24 e 59), e no verso 61 em diante, o evangelista destaca que, quando Jesus ficou a sós com os seus discípulos, ensinou-os em função do que havia discursado ao povo.

O texto demonstra que muitos dos discípulos, ao ouvirem o discurso que Cristo fez à multidão, argumentaram: ‘- Duro é este discurso, quem o pode ouvir?’ ( Jo 6:60 ). Ao perceber que os seus discípulos murmuravam a respeito do que fora dito à multidão, Jesus os questiona dizendo: ‘- Isto vos escandaliza?’ (v. 61) e complementa ‘- Que aconteceria então se vísseis o Filho do homem subir para onde primeiro estava?’ Foi quando Jesus apresentou a seguinte explicação: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas alguns de vós não creram” ( Jo 6:63 ).

Levando em conta o que o evangelista Marcos disse: “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ), e que Jesus ensinou os discípulos em particular quando disse: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas alguns de vós não creram” ( Jo 6:63 ), devemos perguntar: Jesus propôs alguma parábola ao povo? Jesus contou à multidão alguma história do cotidiano para expor a sua doutrina? O que é uma parábola?

 

Definição secular de parábola: s.f. Trata-se de uma história curta, cujos elementos são eventos e fatos da vida cotidiana que ilustram uma verdade moral ou espiritual.

Se o interprete levar em conta a definição acima, jamais encontrará no capítulo 6 do evangelho de João uma história curta que faça referencia a eventos e fatos do cotidiano. Mas, como o evangelista Marcos foi contundente ao dizer que Jesus só falava a multidão por parábolas, faz-se necessário reler com acuidade o capítulo 6 do evangelho de João, para descobrirmos se há realmente uma parábola no texto.

Outro ponto a se destacar é o predito pelo salmista: “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” ( Sl 78:2 ). Os enigmas que seriam propostos através de parábolas pelo Messias estavam vinculados as questões da antiguidade, ou seja, não estava vinculado ao cotidiano das pessoas. Se os enigmas são os mesmos da antiguidade, a própria parábola não dependia do formato de uma história curta.

Através de um elemento próprio às poesias hebraicas, o paralelismo, verifica-se que o enigma profetizado pelo salmista e, que seria proposto ao povo através das parábolas pelo Messias, refere-se à lei mosaica anunciada na antiguidade ( Sl 78:1 ), com o objetivo de que os filhos de Israel cressem em Deus ( Sl 78:7 ).

“Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.
Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade.
Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado”
( Sl 78:1-3)

O evangelista João narra que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixinhos ( Jo 6:9 ) e que uma multidão de quase 5.000 mil pessoas comeram a fartar, de modo que sobejaram e sobraram 12 cestos de pães. Diante daquela maravilha, a multidão pretendia fazer Cristo rei, ao que Ele se retirou sozinho para um monte ( Jo 6:15 ).

Mas, o interesse da multidão em se alimentar de pão era tamanho que os judeus procuraram Jesus em toda parte e, como não O encontraram, atravessaram o mar e foram em busca de Jesus na cidade de Cafarnaum ( Jo 6:24 ).

Quando a multidão encontrou Jesus, foi repreendida: “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes” ( Jo 6:26 ). E em seguida lhes dá uma ordem: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou” ( Jo 6:27 ).

Diante da proposta de Cristo, o povo questionou o que era necessário fazer para ser servo de Deus, pois queriam ter direito ao pão cotidiano ( Jo 6:28 ). Quando Jesus indicou como eles se tornariam servos (executores da obra de Deus), a multidão, que havia comido pão a fartar e que queriam no dia anterior fazer de Cristo seu rei, pediu um sinal visível para que pudessem crer no que Jesus propôs “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ).

A exigência de um milagre teve por pretexto a lei de Moisés, quando disseram: “Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu” ( Jo 6:31 ). Menosprezaram o milagre operado no dia anterior, em que uma multidão de quase 5.000 pessoas famintas foi saciada com cinco pães e dois peixes, pois entenderam que Cristo só teria autoridade de apresentar-lhes o exigido por Deus se lhes desse comida equivalente ao maná do deserto e por muitos dias.

Foi quando Jesus contraria a crença dos seus ouvintes ao dizer que não fora Moisés que dera o pão do céu e, por fim, identificou-se como o pão que dá vida aos homens ( Jo 6:35 ).

A multidão que inicialmente queria servir a Deus (apresentar-se por servo) para ter direito a comida que perece ( Jo 6:34 ), ficou apreensiva porque Jesus disse ser Ele mesmo o pão vivo que desceu do céu, e passaram a murmurar dizendo: “Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Então como diz ele: Desci do céu?” ( Jo 6:42 ).

Em seguida Jesus reafirma: – ‘Eu sou o pão da vida! Mas aqui está o pão que desceu do céu, do qual se o homem comer não morre! Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo’ ( Jo 6:48 -51).

Apesar de deixar claro que a sua carne seria entregue para que o mundo obtivesse vida, a declaração de Jesus fomentou uma discussão entre os judeus, e eles começaram a questionar entre si: ‘- Como nos pode dar este homem a sua carne a comer?’

Através das perguntas dos judeus diante da declaração de Cristo, fica evidente que não compreenderam a proposta de Cristo, ou seja, Jesus havia proposto ao povo uma parábola, pois a função da parábola é específica: que o povo ‘vendo não veem e ouvindo não ouvem e nem compreendem’Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis” ( Mt 13:13 -14; Sl 78:2).

Ora, a multidão não compreendeu o que Cristo disse quando se apresentou como o pão vivo enviado dos céus. Eis a parábola, o enigma proposto. Ficaram escandalizados quando foi dito que a carne de Jesus era comida e o seu sangue bebida ( Jo 6:53 -56), ou seja, a proposta de Jesus foi feita por parábola e envolvia um grande enigma!

Tudo o que Jesus disse à multidão em Cafarnaum por parábola, em particular expôs o significado aos Seus discípulos.

A explicação da parábola

A sós com os Seus discípulos, Jesus explica porque Ele é o pão vivo que desceu dos céus, e; porque a sua carne é verdadeiramente comida e o seu sangue verdadeiramente bebida. A explicação resume-se na seguinte fala: ‘- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida!’

Analisando algumas declarações que Jesus fez ao povo, temos que Ele é o pão que desceu do céu e que dá vida ao homem, pois quem se alimenta de Cristo viverá em função d’Ele ( Jo 6:51 e 57). Sobre esta verdade o apóstolo Paulo disse que Jesus é o último Adão, o espírito vivificante, o espírito que dá vida.

À multidão, Jesus anunciou que somente o ‘pão vivo que desceu dos céus concede vida’, e aos discípulos, em particular, deixa claro que o que vivifica é ‘o espírito’. Por fim ele arremata: ‘- As palavras que eu vos disse são espírito e vida’.

O interprete deve estar atento a toda explicação de Jesus, pois quando ele diz: ‘as palavras que eu vos disse são espírito e vida’, está definindo qual o significado do termo ‘espírito’. Ou seja, o que vivifica o homem são as palavras ditas por Cristo, pois as suas palavras são juntamente espírito e vida. Ou melhor, Cristo por ser o Verbo de Deus encarnado, é espírito vivificante ( 1Co 15:45 ).

O apóstolo Pedro ao recomendar a palavra aos cristãos, apresenta a palavra de Deus como alimento, pois exorta a crescerem fazendo uso do ‘leite racional’ “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” ( 1Pe 2:2 ).

Quando Jesus fez o convite ao povo para que comessem da sua carne e bebessem do seu sangue dizendo que a sua carne era verdadeiramente comida e os seu sangue verdadeira bebida, estava ensinado ao povo por parábolas. Por enigma Jesus estava dando a entender ao povo que somente suas palavras proporcionam vida aos Seus ouvintes, e não os milagres operados. Jesus estava conclamando o povo que provassem a sua palavra do mesmo modo que o paladar prova a comida, pois veriam que Cristo, o Senhor do salmista, que se assentou a destra do Senhor do Salmista, é bom “Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida” ( Jó 34:3 ); “Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia” ( Sl 34:8 ).

Os cegos e surdos que provam as palavras de Cristo, crendo “Bem-aventurado o homem que nele confia” ( Sl 34:8 ), passa a enxergar. São os meninos que aprendem o temor do Senhor, os mansos que atendem o convite: vinde a mim vós todos que estais cansados e sobrecarregados ( Sl 34:11 ; Mt 11:28 ; Sl 34:2 ).

Se os ouvintes de Cristo ouvissem a sua palavra e cressem, seriam participantes do Espírito que vivifica ( 1Co 15:45 ), ou seja, tornar-se-iam um só corpo com Ele ( Jo 6:51 e Lc 22:20 ). Na palavra de Cristo está a vida dos homens ( Jo 1:4 e 7), mas por causa da parábola, os ouvintes de Cristo entenderam que Ele estava dando a comer o seu corpo físico, pois o que buscavam era pão de cevada. Cristo não queria que bebessem do sangue que estava em suas veias e que foi derramado na cruz, antes Jesus queria que cressem em suas palavras, pois as suas palavras faria com que os seus ouvintes se tornassem um com Ele, participantes do seu corpo ( Jo 17:21 ; Ef 3:6 ).

Quando disse em particular: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve”, Jesus estava revelando a natureza do Seu discurso “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” ( 1Jo 5:3 ; Jo 6:61), antes que o que estava sendo proposto era que cressem em sua palavra, pois especificamente a sua palavra era espírito e vida “Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” ( Mt 4:4 ).

A palavra é espírito? Sim! É em função desta verdade que interpretamos passagem como: “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” ( 1Co 14:32 ). Ou seja, a palavra do profeta é sujeita ao profeta. De igual modo, quando lemos: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1Jo 4:1 ), a palavra ‘espírito’ nestes textos não diz de um ‘demônio’, ‘espírito imundo’ ou ‘fantasma’, antes diz especificamente da mensagem do falso profeta.

‘Provar os espíritos’ ou ‘os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas’ não envolve questões de ordem psíquica. Provar os espíritos não é verificar se o profeta é nervoso, intolerante, agitado, agressivo, etc., ou verificar se o profeta controla as suas emoções, desejos e ansiedades. Tais questões são pertinentes à psique humana e alguns psicólogos rotulam como sendo nuances do ‘espírito’. Portanto, a análise deve recair única e exclusivamente sobre a palavra do profeta, pois é pelo ‘fruto’ que se identifica a árvore ( Mt 7:16 ).

Assim como o paladar prova a comida, o ouvido deve provar as palavras, pois da boca dos homens procede o ‘fruto’ que permite identificá-los se são árvores boas ou más “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito” ( Pr 18:20 ); “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ).

Compreendendo que a palavra ‘espírito’ às vezes possui o significado de ‘palavra’, torna-se fácil compreender o que o apóstolo Paulo disse com o seguinte verso: “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” ( 2Co 3:6 ). Ou seja, o cristão é ministro da palavra de Cristo (evangelho), o espírito que vivifica, e não ministro da lei de Moisés, que é morte.

Mas, de onde Cristo e os apóstolos tiram tal significado para o termo espírito? A resposta encontra-se nas Escrituras, como se lê: “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração” ( Lc 4:18 ; Is 61:1 ). Ora, o espírito do Senhor que estava sobre Cristo diz da palavra de Deus, pois a palavra era a unção necessária para se evangelizar os pobres e curar os abatidos de espírito.

O espírito do Senhor que repousou sobre Cristo diz da palavra de Deus, pois ela é juntamente sabedoria, conselho, conhecimento, temor, etc. “E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR” ( Is 11:2 ).

A palavra do Senhor é distinta do Espírito Santo, o consolador prometido e enviado, que veio sobre Cristo em forma de uma pomba quando Ele foi batizado por João Batista ( Jo 16:7 ; Mt 3:16 ).

Quando a bíblia diz que Deus pesa o espírito do homem, não diz de um julgamento (análise) do ‘ser’, da essência do homem, antes que Deus pesa as suas palavras “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito” ( Pr 16:2 ); “Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado” ( Mt 12:37 ). Através do provérbio, verifica-se que os homens possuem um entendimento acerca dos seus caminhos, porém, Deus os prova (julga) segundo o que ‘professam’, assim como deve fazer os seguidores de Cristo “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1 Jo 4:1).

Os homens desconhecem a sua condição decorrente do nascimento natural. Quando nascem entram por uma porta larga que lhes dá acesso a um caminho de perdição. Quando Deus pesa o homem, não pesa segundo o que os homens entendem por puro, antes Deus pesa o homem segundo a porta que entrou ao nascer da semente de Adão, pois o que o homem natural anuncia segundo o seu conhecimento natural é mentira desde que foi lançado da madre ( Sl 58:3 ; Rm 3:4 ).

Mas, se tal homem crer em Cristo, morre com Cristo e é gerado de novo, ou seja, nasceu de novo. Por crer passa a falar segundo a verdade do evangelho, o espirito (palavra) que é pesado e não é achado em falta diante do Senhor ( Rm 8:9 ; Lc 4:1 ). É por isso que Jesus disse que julgava segundo a reta justiça e não segundo a aparência, ou seja, julgava segundo o que ouvia, pois Ele provava as palavras daqueles que o cercava. Os homens juntamente se desviaram e tornaram-se imundos em Adão e são pesados segundo as suas palavras em decorrência da mentira que proferem desde o nascimento ( Sl 53:3 ; Sl 58:3 ), e não segundo o comportamento e a moral humana que a religiosidade impõe ( Jo 7:24 ; Jo 5:30 ).

É por isso que Jesus disse que o que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra, portanto é necessário provar os espíritos se eles procedem de Deus ou não, pois aquele que procede de Deus é porque ouviu as palavras de Deus ( Mc 7:15 -20; Jo 3:34 ; Jo 8:47 e 1Pe 4:11 ).

É por isso que Jesus disse que o que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra, pois o coração enganoso e corrupto é proveniente do nascimento natural, portanto é necessário provar os espíritos se eles procedem de Deus ou não. Aquele que procede de Deus é porque ouviu as palavras de Deus e fala as palavras de Deus ( Mc 7:15 -20; Jo 3:34 ; Jo 8:47 e 1Pe 4:11 ).

Deste modo, o dom de discernir os espíritos diz da capacidade que é concedida ao cristão de analisar as palavras ditas por aqueles que se posicionam como profetas, se as palavras são de Deus ou não “E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas” ( 1Co 12:10 ).

Resta-nos a pergunta: como ser cheio do espírito? “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5:18 ). Como ser ‘mais’ cheio do Espírito Santo se Ele foi enviado e habita o crente? Ser cheio do espírito diz do Consolador que Cristo enviou, do qual somos templo, ou da palavra? “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ); A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração ( Cl 3:16 ).

“… enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:18 -19).

A carne para nada serve

O que causou escândalo ao povo e a alguns discípulos de Cristo foi o discurso: “- Eu sou o pão que desceu do céu!”; “- A minha carne é verdadeiramente comida e bebida!” ( Jo 6:41 e 52). Os discípulos se escandalizaram e concluíram que o discurso de Cristo era duro ( Jo 6:60 -61).

Para um judeu, determinados tipos de alimentos eram proibidos, quanto mais comer a carne de um homem. Do mesmo modo que os judeus desprezaram Jesus por ter demonstrado sabedoria ao expor as Escrituras ( Mc 6:2 ), escandalizaram-se por Ele ter apresentado a sua carne como comida e o seu sangue como bebida.

Por não compreenderem a parábola, o povo escandalizou-se por entenderem que Jesus estava lhes propondo uma espécie de canibalismo.

Em particular com os seus discípulos, Jesus demonstrou que o que estava apresentando ao povo era a sua doutrina, pois o que dá vida ao homem é a palavra, e arrematou: a carne para nada serve!

O que Jesus deu a entender aos seus discípulos com a frase: ‘a carne para nada serve’?

Quando Jesus disse que ‘a carne para nada servia’, estava explicando aos discípulos que a sua carne não era ‘degustável’. Jesus estava esclarecendo que era equivocada a ideia que abstraíram de sua palavra, pois estavam escandalizados com a ideia de que a vida prometida estava vinculada a degustarem uma porção da carne de Cristo como se fosse pão.

Jesus descontrói a ideia que alguns discípulos equivocadamente construíram em função da parábola. Ele esclarece que a vida decorre de participarem do seu espírito (palavra) e, que a carne d’Ele não tinha tal serventia. Ou seja, em relação ao corpo físico de Jesus, que foi feito em semelhança da carne do corpo do pecado, não possuía as propriedades que os seus ouvintes equivocadamente entenderam através da parábola.

A carne de Cristo não tinha valor algum? A carne de Cristo tinha valor, pois foi através dela que Jesus aniquilou o que tinha o império da morte quando entregou ao Pai o seu espírito ( Hb 2:14 ). Foi através do seu corpo físico que Jesus tornou-se semelhante aos seus irmãos ( Hb 2:17 ), de modo que hoje Ele é misericordioso e fiel sumo sacerdote. Foi através do seu copo físico que Ele pode ser tentado e padecer todas as aflições ( Hb 2:18 ). Somente quando participante da carne e do sangue, tornou-se possível o Filho do homem ser entregue nas mãos dos pecadores ( Lc 24:7 ).

No contexto de João 6, verso 63, a carne de Cristo não possuía a propriedade de proporcionar vida caso alguém comesse da sua carne como se fosse pão, mas no contexto de Hebreus 10, verso 10, vê-se a serventia, o valor do corpo de Cristo “Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:10 ).

É em função da parábola proposta por Cristo aos judeus, que muitos interpretam literalmente a parábola proposta e, se esquece que, para interpretar uma parábola, antes se faz necessário elucidar o enigma: o pão proposto é o espírito, a palavra de Cristo, e não a carne d’Ele. Este erro se vê nas declarações do ex-pastor Batista, Francisco Almeida Araújo, conforme o exposto no DVD intitulado “Nossa Senhora do Marrom Glacê”, pois como a carne de Cristo para nada serve, segue-se que os fundamentos da eucaristia, a transubstanciação, estão equivocados, pois o que dá vida é o espírito, a palavra.

Mas, como convencer alguém da verdade? Somente lhe anunciado a verdade “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ). Zorobabel viu um castiçal todo de ouro, um vaso de azeite no seu topo, com as suas sete lâmpadas, sete canudos, um para cada uma das lâmpadas que estão no seu topo e, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda, porém, não compreendeu a visão: a resposta estava no espírito, na palavra do Senhor, que faz o que é aprazível e não volta vazia ( Is 55:11 ).

Ao anunciar que a sua carne era verdadeiramente comida e o seu sangue verdadeiramente bebida, apresentando o enigma de que o seu corpo era o pão a ser comido “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” ( Jo 6:51 ), Jesus queria que compreendessem que lhes era necessário serem participantes da sua palavra, crendo n’Ele como confessou o discípulo Pedro: ‘- Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna!’

Portanto, qualquer que crê em Cristo conforme diz as Escrituras, alimentou-se de Cristo, ou seja, é participante do pão, do seu corpo, da sua carne e do seu sangue que foi entregue pela vida do mundo ( Jo 6:51 e 57).

A ideia que abstraíram da palavra de que Cristo estava dando literalmente a sua carne a comer foi descontruída quando Jesus alertou os seus discípulos de que ‘a carne d’Ele não tinha serventia para conceder vida’, antes o que concede vida é o seu espírito, ou seja, a sua doutrina, a sua palavra.

Qualquer que aceitasse a doutrina de Cristo não se escandalizando d’Ele, é o que renovou o espírito da sua mente. É naquele que não se escandaliza que ocorre a ‘metanoia’, a mudança de mente, de espírito. Enquanto alguns discípulos estavam escandalizados a ponto de se retirarem ( Jo 6:66 ), somente aqueles que mudaram a sua concepção diante da mensagem do evangelho puderam confessar: ‘- Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e conhecemos que tu és o Cristo, o Santo de Deus!’ ( Jo 6:68 -69).

Aquele que não renova a sua compreensão buscará motivos para se escandalizar. À época de Cristo, uns se escandalizam da doutrina, outros do conhecimento de Cristo, pois apenas viram Jesus como um dos filhos de José e Maria e, que tinha por oficio ser carpinteiro ( Mc 6:3 ). Mas, os que não se retiram escandalizados permanecem, pois creem que Jesus é o Filho de Davi prometido segundo as Escrituras.

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A parábola dos dois caminhos

O nascimento natural é a porta larga que dá acesso ao caminho largo de perdição, e o novo nascimento a porta de entrada que dá acesso ao caminho estreito que conduz a salvação. É através do nascimento que o homem entra pelas portas, tanto para a porta larga, quanto para a porta estreita.

 


“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” ( Mt 7:13 -14).

Jesus apresentou aos ouvintes do Sermão do Monte uma necessidade: a necessidade de entrarem pela “porta estreita”. Em seguida Ele apresentou o motivo pelo qual é necessário entrar pela porta estreita: “Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição…” ( Mt 7:14 ).

Diante da necessidade que Jesus apresentou, surgem as perguntas: O que é a porta estreita? Como entrar por ela? Por que entrar pela porta estreita é a única saída para o homem livrar-se da perdição?

O ‘Sermão do Monte’ não pode ser visto como um aglomerado de idéias desconexas, ou um apanhado geral de conduta e normas sociais. A proposta do Sermão do Monte trata de questões eternas. Através das ‘Bem-aventuranças’ anunciadas Jesus conquistou a atenção dos seus ouvintes ( Mt 5:1 -12), e, em seguida, ele apresentou a nova condição dos seus discípulos: “Bem-aventurados” ( Mt 5:13 -16).

A multidão que reuniu-se para ouvir a mensagem de Cristo não sabia qual a missão de Jesus, e Ele aproveita para destacar alguns aspectos importantes da sua missão:

a) Jesus não veio destruir e nem descumprir a lei e os profetas (v. 17);

b) Jesus demonstrou aos seus ouvintes que é impossível entrar no reino dos céus seguindo a doutrina dos escribas e fariseus, uma vez que, eles não haviam alçando a justiça de Deus (v. 20);

c) Jesus apresentou exemplos práticos de como é impossível entrar no reino dos céus através do cumprimento da lei, ao apresentar aos seus ouvintes o inatingível espírito da lei “Eu, porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério…” ( Mt 5:21 à Mt 7:11 );

d) Jesus demonstrou que a lei e os profetas resume-se em um mandamento: ‘amar o próximo como a si mesmo’ ( Mt 7:12 ).

Após demonstrar a impossibilidade dos homens entrarem no reino dos céus através da doutrina dos escribas e fariseus ( Mt 5:20 ) Jesus, apresenta a parábola dos ‘Dois Caminhos’ para ilustrar o único meio de salvação ( Mt 7:13 ).

Somente após entrar pela ‘Porta Estreita’ o homem alcança a ‘justiça superior’ à justiça dos escribas e fariseus.

A mensagem que o Senhor Jesus trouxe no Sermão do Monte é una, concisa e precisa no que propõe. Na essência, a ideia apresentada no Sermão do Monte é a mesma apresentada no diálogo entre Jesus e Nicodemos. O que difere é a abordagem: no ‘Sermão do Monte’ o público alvo era misto e composto principalmente por leigos, já o ensinamento de Jesus a Nicodemos, um mestre erudito, é a altura de um conhecedor da lei.

Tudo que foi demonstrado no Sermão do Monte, Jesus também revelou a Nicodemos:

a) Era impossível a Nicodemos entrar no reino dos céus, embora representasse o melhor da religião, do conhecimento, do comportamento e da moral humana;

b) Jesus demonstra que a doutrina que Nicodemos seguia não o conduziria à salvação, antes, era necessário nascer de novo;

c) Da mesma forma que, para o mestre em Israel era necessário nascer de novo, para o povo ‘leigo’ era necessário entrar pela porta estreita.

O novo nascimento equivale à figura da porta estreita. A equivalência entre porta estreita e novo nascimento decorre da necessidade, pois necessário é entrar pela porta estreita, o que só é possível através do novo nascimento. Não há outro meio de acesso à porta estreita, a não ser através do novo nascimento, que se dá por intermédio do evangelho ( Jo 3:16 ).

Por que é necessário nascer de novo? Por que é necessário entrar pela porta estreita? Porque somente após nascer de novo o homem entra pela porta estreita, deixando de trilhar o caminho espaçoso que todos se põem a trilhar quando nascem segundo Adão, e que conduz à perdição ( Jo 3:16 ; Mt 7:13 ).

Quando disse que era necessário Nicodemos nascer de novo, Jesus estava demonstrando que era impossível alcançar a vida eterna seguindo a doutrina dos fariseus. O maior problema de Nicodemos não estava na prática da Lei, antes, ter entrado por uma porta larga que dá acesso a um caminho que conduz à perdição.

Por que era necessário Nicodemos nascer de novo, ou seja, entrar pela porta estreita? Quando foi que ele entrou pela porta larga? Quem é a porta larga?

Sabemos que Jesus é a ‘Porta Estreita’, e que Ele é o ‘Caminho Apertado’ que conduz o homem à salvação, porém, o que é a porta larga? A resposta é deduzida do versículo seguinte: “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante”( 1Co 15:45 ).

Observando o que Paulo escreveu aos Coríntios, percebe-se que Adão é a porta larga, e Cristo, o último Adão, a “Porta Estreita”. O maior problema de Nicodemos estava na porta que ele havia entrado quando veio ao mundo: Adão.

Ou seja, o nascimento natural é a porta larga que dá acesso ao caminho largo de perdição, e o novo nascimento a porta de entrada que dá acesso ao caminho estreito que conduz a salvação. É através do nascimento que o homem entra pelas portas, tanto para a porta larga, quanto para a porta estreita.

O homem entra pela porta larga através do nascimento natural por nascer de uma semente corruptível, a semente de Adão. Somente é possível entrar pela porta estreita quando o homem nasce da Palavra de Deus, a semente incorruptível.

Ou seja, tanto a porta larga quanto a porta estreita são ‘acessadas’ por meio do nascimento. A porta larga é acessada quando os homens vêem ao mundo, ao nascer da semente de Adão (a semente corruptível). Da mesma forma, a porta estreita só é acessada através do novo nascimento, quando o homem nasce da Palavra de Deus (a semente incorruptível) ( 1Pe 1:23 ).

Nicodemos precisava nascer de novo, uma vez que era nascido segundo Adão. Ele era filho da ira e da desobediência, a desobediência de Adão. Por mais que ele procurasse seguir os quesitos da lei, o seu caminho era de perdição, pois a porta que Nicodemos havia entrado era larga e seguia para a perdição.

A humanidade sem Cristo entra pela porta larga, pois são gerados segundo Adão, e seguem por um caminho largo de perdição. São muitos os que seguem o caminho largo, visto que, poucos são os que entram por Cristo.

Nicodemos foi informado que, para entrar pela porta estreita, que é Cristo, era necessário nascer novamente. Era necessário crer em Cristo, o enviado de Deus, para que ele pudesse nascer de novo.

Por meio da fé na mensagem do evangelho o homem nasce da semente incorruptível (que é a palavra de Deus), e tem acesso ao caminho apertado. São ‘poucos’ os que encontram a porta estreita, se comparado aos que entram pela porta larga.

Verifica-se então que a parábola dos ‘Dois Caminhos’ refere-se à necessidade do novo nascimento, pois se apegar a quesitos da lei não produz salvação, como muitos à época de Cristo pensavam.

Se a lei fosse para a salvação, não seria preciso Moisés clamar ao povo, logo após a entrega da lei, a seguinte ordem: “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 ).

Observe que o cumprimento da lei real (amor) somente tem valor após a obediência ao mandamento divino, que é crer em Cristo: “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo…” ( 1Jo 3:23 ), ou seja, amar o próximo, somente é válido diante de Deus após o novo nascimento, ou seja ‘…segundo o mandamento que nos ordenou’ (v. 23) “Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis” ( Tg 2:8 ).

Quando entendemos o que Jesus propôs na parábola dos ‘Dois Caminhos’ compreendemos que em momento algum os ensinamentos de Jesus e Paulo destoam, visto que, ‘entrar pela porta estreita’ é o mesmo que ‘viver em Espírito’, ou seja, ambos decorrem do ‘novo nascimento’. Andar no caminho apertado que conduz à vida é o mesmo que ‘andar em Espírito’, ou seja, andar como filhos da Luz ( Gl 5:25 e Ef 5:8 ).

 

Saiba mais: Duas portas, dois caminhos

Perguntas e Respostas:

1) Quem é a porta estreita? ( Jo 10:9 )
R. Jesus identificou-se como a porta estreita.

2) Quem é a porta larga? ( 1Co 15:45 )
R. Assim como Jesus, a porta estreita, é o último Adão, a porta larga é Adão.

3) Como entrar pela porta larga? ( Jo 1:13 )
R. É simples! Todos os homens ao nascerem neste mundo entraram pela porta larga, e seguem pelo caminho largo que conduz a perdição.

4) Como entrar pela porta estreita? ( 1Jo 3:23 )
R. É preciso nascer de novo, da água (palavra de Deus) e do Espírito (de Deus).

5) É possível entrar pela porta estreita antes de entrar pela porta larga? ( 1Co 15:46 )
R. Não! Primeiro vem a existência o homem carnal, para depois vir o homem espiritual.

6) Com base no que o texto ‘Os dois Caminhos’ expõe, que é a árvore que o Pai não plantou? ( Mt 15:13 )
R. Todos os homens que entraram pelo caminho largo que é nascer de Adão são as plantas que o Pai não plantou.

7) No Novo testamento é preciso nascer de novo. E o que era preciso no Velho testamento? ( Dt 10:16 )
No Antigo Testamento a recomendação era a circuncisão do coração, ou seja, era preciso fazer uma incisão no coração que levaria a morte da velha natureza, algo só possível pela fé em Deus.

8) No Novo Testamento o Novo Nascimento é através da Fé e a circuncisão do coração é pela _Fé___ e alcança tanto homens quanto __as mulheres___.

9) ‘Viver em Espírito’ decorre do __Novo Nascimento____, e ‘andar em Espírito’ equivale a __andar como Filhos da Luz_____ .

10) Basta amar o próximo para ser salvo? ( 1Jo 3:23 )
R. Não! É preciso nascer de novo pela fé em Cristo, o último Adão.

11) O que é preciso para ser salvo? Qual é a obra que o homem deve fazer? ( 1Jo 3:23 )
R. É preciso abandonar os antigos conceitos de como ser salvo (arrepender-se), e crer em Cristo Jesus como diz as Escrituras. Não há obra alguma a ser realizada para ser salvo, pois a obra é de Deus, que cria o novo homem em verdadeira justiça e santidade.

12) Qual o caminho estreito?
R. O caminho estreito é Cristo.

13) Como se dá o acesso ao caminho estreito?
R. Todos que nascem de novo estão trilhando o caminho estreito que conduz a salvação.

14) Qual o caminho largo?
R. É o caminho que a humanidade gerada em Adão trilha.

15) Qual o acesso ao caminho largo?
R. Adão é o acesso ao caminho largo.

16) É correto alegar que uma igreja de costumes liberais é uma porta larga?
R. Não. Ao adotar este posicionamento estaria distorcendo o verdadeiro significado da parábola dos dois caminhos.

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A figueira estéril na vinha

Jesus demonstrou que todos os homens, não importando se judeus ou gentios, estavam em igual condição diante de Deus. Deste modo, caso os judeus, que se consideravam privilegiados diante de Deus por serem descendentes da carne de Abraão não mudassem de conceito, de igual modo pereceriam, passariam para a eternidade sem Deus e sem salvação.


“Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando. E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a a este ano, até que eu a escave e a esterque; E, se der fruto, ficará, e, se não, depois a mandarás cortar” ( Lc 13:6 -9)

O homem que procurou fruto na figueira plantada em sua vinha e não achou, representa o Senhor Deus, o vinhateiro representa a pessoa de Cristo e a figueira o povo judeu. Então, como interpretar as relações que envolvem as figuras desta parábola? Por que a figueira não produzia fruto? Por que a figueira deveria ser cortada?

Para compreender todas as nuances que a parábola apresenta, faz-se necessário socorrer-nos do contexto em que ela foi citada e construir um paralelismo com outro texto bíblico.

 

Galileus e Judeus

O Senhor Jesus estava anunciando as boas novas do reino aos homens ( Lc 12:1 -59), e, naquele ínterim, percebeu a conversa de algumas pessoas, que pelo contexto, entende-se tratar de judeus “E, NAQUELE mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios” ( Lc 13:1 ).

O texto enfatiza que estes judeus queriam demonstrar quão condenáveis eram os galileus que foram mortos por Pilatos. – Que sacrilégio! Estavam sacrificando aos ídolos. Argumentavam eles.

Porém, Jesus lhes responde: “Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas?” ( Lc 13:2 ). Ou seja, Jesus questiona o entendimento dos judeus.

O fato de aqueles judeus apresentarem a calamidade envolvendo galileus como sendo uma prova da punição de Deus em decorrência de serem pecadores, demonstra que estavam esquecidos da calamidade que ocorreu em Jerusalém, precisamente com a torre de Siloé, e Jesus os faz recordar o ocorrido.

O entendimento deles estava embotado, visto que Jesus demonstrou-lhes que os galileus que foram mortos não eram mais culpáveis que o restante, e que os judeus que lhe apresentaram aquela calamidade não estavam em melhor condição, pois, se não mudassem de entendimento, de igual modo pereceriam “Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” ( Lc 13:3 ).

Ora, a queda da torre de Siloé possivelmente vitimou alguns judeus, e Jesus demonstra que as calamidades não escolhem entre galileus ou judeus, o que não prova a culpabilidade de ninguém, porém, se os judeus que ali estavam não mudassem de conceito, de igual modo pereceriam “E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” ( Lc 13:4 -5).

A morte da qual o Senhor Jesus apresenta como ‘de igual modo’ não diz da finalização das funções vitais por meios trágicos, antes diz da condição de perdido, que era comum tanto aos galileus quanto aos judeus.

Jesus demonstrou que todos os homens, não importando se judeus ou gentios, estavam em igual condição diante de Deus. Deste modo, caso os judeus, que se consideravam privilegiados diante de Deus por serem descendentes da carne de Abraão não mudassem de conceito, de igual modo pereceriam, passariam para a eternidade sem Deus e sem salvação.

 

Arrependimento

Outra passagem bíblica que fala de arrependimento e também faz referência à árvore, é a passagem de João Batista: “E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus (…) E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão. E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” ( Mt 3:2 e 7-10).

Entre a passagem de João Batista e o contexto que foi proferida a parábola da figueira estéril, existe um paralelismo sem igual:

  • Em ambos, os judeus presumiam de si mesmo que eram filhos de Deus por serem descendentes da carne de Abraão, mesmo após o batismo de João, e na parábola da figueira, presumiam que os galileus que foram mortos por Pilatos eram mais pecadores que todos os outros galileus;
  • Em ambos, os judeus foram repreendidos quanto ao que pensavam de si mesmos.
  • Em ambos, os judeus são apontados como infrutíferos, não produz o fruto requerido por Deus;
  • Em ambos, a árvore está prestes a ser cortada.

Qual é o fruto digno do arrependimento? Qual o fruto que certo homem foi procurar na figueira e não encontrou? Porque o machado está posto a raiz das árvores?

Jesus demonstrou certa feita que os escribas e fariseus pareciam justos aos olhos dos homens, tendo em vista o regramento e a moral deles, porém, eram hipócritas, visto que, no interior estavam plenos de iniquidade “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” ( Mt 23:28 ).

Como a figueira produziria fruto? Ele dá a resposta: “… de mim é achado o teu fruto” ( Os 14:8 ).

Que fruto Deus esperava encontrar na figueira? Ele dá a resposta: É o fruto dos lábios que Deus cria “Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” ( Is 57:19 ).

Mas, para a ‘figueira’ produzir fruto, necessariamente os israelitas teriam que estar ligados à videira verdadeira, pois Cristo mesmo diz: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” ( Jo 15:5 ).

O vinhateiro estava cuidando da figueira há três anos, porém, quando o dono da vinha veio verificar se havia fruto na figueira, não encontrou. Por que não produziam fruto? Porque rejeitaram a Cristo, o fruto dos lábios, que é boas novas de paz aos que estão longe (gentios) e aos que estão perto (judeus).

O fruto proveniente de Deus, os judeus rejeitaram. Não quiseram estar ligados a Oliveira verdadeira ( Ef 2:17 ).

O fruto dos lábios que os judeus produziam era: ‘para que o homem possa ser salvo é necessário tornar-se um prosélito, circuncidar-se, cumprir a lei e seguir os ritos’. Na condição de prosélito (convertido ao judaísmo), o homem passava a declarar que era salvo por ser um dos descendentes de Abraão “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós” ( Mt 23:15 ; Ex12:48 ).

Ao aceitarem o ensinamento judaico, os prosélitos eram circuncidados e faziam a oferta de sacrifício segundo a lei, rito importante para os judeus, considerado como um novo nascimento, o início de uma nova vida, que ali estava mais um filho de Abraão. Porém, este era o maior erro deles, pois não eram filhos de Abraão e induziam as pessoas a erro, tornando-as duas vezes mais, filhas do inferno. Por quê? Porque, além de serem descendentes da carne de Adão e, portanto, filhos da desobediência e da ira, agora acreditavam que eram filhos de Abraão.

O fruto que deviam produzir era confessar e professar o nome de Cristo do mesmo modo que o apóstolo Pedro professou diante da multidão: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” ( At 4:12 ).

Os escribas e fariseus professavam que eram filhos de Deus por serem descendentes da carne de Abraão, e diante da mensagem: Arrependei-vos, por que é chegado o Cristo, não mudaram a concepção ( Mt 3:9 ). Os judeus permaneceram apresentando uma religião enraizada na lei mosaica, elevada moral e comportamento ascético, o que atraía muitas pessoas.

Se houvessem verdadeiramente ‘arrependido’ (metanoia), teriam mudado de concepção e aceitariam o Cristo ( Jo 8:33 ). Não seriam cortados, porque se professassem o nome de Jesus como salvador, seriam plantação de justiça “A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ), pois somente seria cortada a planta que o Pai não plantou: “Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ).

A figueira, que representa o povo cujo machado já estava posto à raiz, foi cortada, pois não produziu o fruto digno de arrependimento. Apesar de o vinhateiro ter cuidado da figueira, a mesma não produziu o fruto esperado: os filhos de Jacó deveriam anunciar ao mundo que Cristo é a paz com Deus, tanto para judeus quanto para gentios, ou seja, não mudaram de concepção.

 

O Fruto esperado

O povo de Israel não se arrependeu e crucificou o Messias, e continuaram com a Torá e obrigados a seguir as mais variadas formas de moral e ética dogmáticas.

Entendo a moral como sendo um fenômeno sociocultural, surge a pergunta: o evangelho de Cristo é moralista? Jesus veio trazer uma nova moral, ou boas novas de salvação a humanidade? Porque os judeus foram rejeitados, se moralmente eram superiores aos povos circunvizinhos?

Certo é que Cristo não veio resgatar o homem de uma vida moralmente desamparada e carente de parâmetros morais convenientes, antes veio livrá-lo da servidão do pecado, que é uma condição imposta pela ofensa de Adão à lei de Deus no Éden. Por causa da desobediência todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus, e a missão de Cristo é conduzir muitos filhos a glória de Deus.

As leis, a consciência, a sociedade, as religiões e a filosofia já desempenham papel relevante no campo moral, porém, nada podem fazer quanto à salvação da condenação eterna.

Não são estes frutos (no plural), que Deus quer que o homem produza ao estar ligado na Oliveira verdadeira. Deus busca um único fruto, e é o fruto que provem d’Ele, pois Ele diz: de mim vem o seu fruto! E qual é o fruto? É a mensagem de paz para os que estão longe e os que estão perto.

O fruto que o crente produz é o fruto dos lábios que professam a Cristo. Este fruto (singular) que somente o crente produz, possui no seu interior a semente incorruptível, que é a palavra de Deus. O fruto que o crente produz é vida, pois através dele é que se ganha almas para o reino de Deus “O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio” ( Pr 11:30 ).

Boas ações todos os homens podem produzir, pois Jesus demonstrou que, até mesmo os fariseus sendo maus sabiam dar boas dádivas aos seus semelhantes. Porém, o fruto dos lábios que professam a Cristo, somente os que creem segundo as escrituras podem produzir por estarem ligados a Oliveira verdadeira.

Quando professa a mensagem da cruz, a língua do justo é como prata escolhida, que servirá o fruto precioso, que é salvação em tempo oportuno “Prata escolhida é a língua do justo; o coração dos perversos é de nenhum valor” ( Pr 10:20 ); “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” ( Pr 25:11 ).

O bom comportamento tem o seu campo de aplicação na vida do cristão, visto que através de um bom comportamento evita-se o escândalo, como bem alertou o apóstolo Paulo “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus” ( 1Co 10:32 ).

Porém, não é o bom comportamento que produz vida, pois o homem só viverá através de toda palavra que sai da boca de Deus. É Cristo que concede vida, e não a moral e o comportamento humano.

Jesus disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” ( Jo 6:51 ), ou seja, o que dá vida é a palavra de Deus, e todos que estão ligados n’Ele produzem muito fruto: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda” ( Jo 15:16 ).

O fruto é uma determinação de Cristo: vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça! Qual o fruto que permanece? A palavra de Deus que o cristão anuncia é o fruto que permanece para sempre “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” ( Hb 13:8 ); “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ), pois Cristo é a semente incorruptível que permanece para sempre.

 

Os frutos do Platonismo e Aristotelismo

A palavra grega traduzida por arrependimento é ‘metanoia’, que significa especificamente ‘mudança de pensamento’, ‘mudança de entendimento’, ‘mudança de compreensão acerca de uma matéria’. Tal palavra era usada pelos gregos, muito antes de constar dos evangelhos.

Porém, já no fim do IV século a palavra grega ‘metanoia’ foi traduzida para o latim como sendo ‘paenitentia’, imprimindo ao termo certo dogmatismo: ‘façam penitencia’.

Tal tratamento à palavra ‘metanoia’ deriva de influências proveniente do neoplatonismo de Plotino, que em seguida foi reafirmado com forte influência pelo aristotelismo, posicionamento filosóficos que infundiram uma forte carga moral no cristianismo.

E na reforma, quando se acredita que houve uma mudança radical na forma de pensar o cristianismo, ou seja, um retorno ao evangelho primitivo, os reformadores, fortemente influenciados pelo Humanismo, visto que voltaram a se socorrer da dita ‘pureza da antiguidade Clássica’, foram remetidos à cultura helenística, o que paralelamente ocorreu com o movimento cultural Renascentista.

O pensamento socrático ‘conheça a ti mesmo’ passou a estar relacionado com o conhecimento de Deus no período medieval, porém, o humanismo renascentista impôs o duplo-conhecimento, como se vê refletido nas Institutas da Religião Cristã do reformador protestante João Calvino, onde o conhecimento de Deus e o conhecimento de si mesmo necessariamente estão conectados.

Durante a reforma, o termo ‘metanoia’ e outros, como ‘anagnorisis’ (reconhecimento) e ‘peripeteia’ (reversão), que foram empregados por Aristóteles na obra ‘A Poetica’, foram mal compreendidos em decorrência de paradigmas firmados no platonismo. A má interpretação não atingiu somente a reforma, mas afetou também a produção artística do movimento cultural renascentista.

Alguns pensamentos distorcidos, já nos primeiros séculos, tornaram-se paradigmas, principalmente o sacramento da confissão, o que remete à ‘penitencia’, o que traduziram por arrependimento.

No pensamento Renascentista, que fez uma releitura da ‘anagnorisis’, o reconhecimento que envolve o herói das tragédias gregas clássicas, entenderam que o herói trágico quando confrontado com a culpa da sua conduta imoral, acabava aceitando a culpa e curvando-se às suas consequências. Nesta releitura renascentista, quando o herói trágico aceita a culpa é levado a ‘peripeteia’ (reversão – o que denominaram de a volta de 180 graus na condição do herói), que externamente se dava pelo sofrimento e internamente pela graça.

Porém, nas tragédias gregas, a ‘anagnorisis’ representa uma simples admissão do herói trágico reconhecendo a verdade que lhe era apresentada, ou seja, o herói toma posse de uma compreensão dos eventos que o cercava como nunca tivera antes. O herói acabava se expressando da seguinte forma após a ‘anagnorisis’: “Finalmente compreendo” ou “Eu que estava cego agora vejo”, o que não coaduna com o pensamento divulgado pela cristandade e pelo movimento cultural renascentista, que acabou mesclando ‘peripeteia’ com questões de cunho moral e modos de penitencia.

Diferente das peças teatrais gregas (tragédias), só a ‘anagnorísis’ cristã/renascentista tornaram-se carregadas com imperativos morais.

No período da reforma surgiram correntes teológicas como o puritanismo (moralista, austera, rigidez nos costumes, especialmente quanto ao comportamento sexual) e o pietismo (ênfase na necessidade de conversão individual acompanhada do nascer de uma nova conduta no crente, desapegada do mundo material e firmada no apoio mútuo da comunidade, tendo por base uma moralidade ascética, especialmente no que tange à alimentação, vestimenta e lazer).

Seria este o arrependimento exigido? No arrependimento bíblico há a volta de 180 graus, conforme a leitura dos Renascentistas? Qual o objetivo de terem mesclado o significado do termo ‘metanoia’ com o termo ‘peripeteia’?

‘Anagnorisis’ é uma mudança de ignorância para conhecimento, e vincula-se ao enredo e a ação trágica, o que causa a ‘peripeteia’ (reversão) nas circunstâncias do herói, que passa da fortuna para o infortúnio, da felicidade para a infelicidade, o que não implica e não há relação com ‘metanoia’ (arrependimento).

Jesus e os discípulos apregoaram o arrependimento (metanoia), sem referência a qualquer ‘peripeteia’, ou seja, a volta de 180 graus, algo que só aparece nas tragédias gregas e, que não se vincula a ‘metanoia’ apregoada nos evangelhos.

Debaixo da bandeira católica romana, alguns teólogos filósofos passaram a considerar a relação liberdade ‘versus’ mal, principalmente com relação à origem e natureza do mal. Santo Agostinho (354-430 d. C.), já influenciado pelo maniqueísmo na sua juventude, cujo postulado é a existência de dois princípios ativos, o bem e o mal, segue o postulado de Plotino, de que o mal é a ausência de bem, uma privação, uma carência, o que influenciou sobremaneira a cristandade nos séculos seguintes.

Em ‘A Cidade de Deus’, Santo Agostinho adota a postura de um filósofo da história universal e a sua atitude é, sobretudo moralista, indicando que há dois tipos de homens: os que se amam a si mesmos até ao desprezo de Deus (estes são a cidade dos homens) e os que amam a Deus até ao desprezo de si mesmos (estes são a cidade de Deus).

Neste sentido, Santo Agostinho vê a impossibilidade de o Estado chegar a uma autêntica justiça se não primar pelos princípios ‘morais’ do cristianismo, o que leva a Igreja ter primazia em relação ao Estado, o que debilita o Estado perante a Igreja.

Quase um milenio após, São Tomás de Aquino (1225-1274 a. C.) também se envereda pelo campo da moral, porém, distingue-se do agostinianismo, e estabelece a moral tomista, que é essencialmente intelectualista, ao passo que a moral agostiniana é voluntarista. Deste modo, agir moralmente segundo o tomismo é agir racionalmente, em harmonia com a natureza racional do homem.

A despeito de vários movimentos pré-reforma que datam desde o século XII, a reforma só veio no século XVI, porém, foi agregada a reforma forte carga moral, pois mais uma vez foi redefinido os padrões da moral e ética cristã, o que culminou em movimentos de cunho moral como pietismo e puritanismo.

Segundo o idealismo platônico, a ascese servia para aproximar a pessoa (o asceta) da verdadeira realidade espiritual e ideal, desligando o homem da imperfeição e materialidade do corpo. A religiosidade dita cristã vinculou os desejos corporais à ideia de pecado, o que deveria ser refreado a todo o custo, caso se pretendesse atingir a santidade, algo semelhante ao imposto ao asceta.

O cristão seria um asceta? O pecado é alienação de Deus e tem relação com os sete vícios capitais?

O asceticismo é um fruto proveniente do platonismo e do aristotelismo, e o apóstolo Paulo deixa claro que este não é o fruto que as varas ligadas a videira verdadeira produz “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” ( Cl 2:23 ).

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O fariseu e o publicano

O publicano foi justificado por que invocou a Deus consciente da sua condição: pecador. Quando o homem reconhece que é pecador, um errado de espírito, é recebido por Deus como um pobre e órfão, ou seja, é ‘órfão’ e ‘pobre’ por não confiar na carne, confiar que é filho de Abraão. Qualquer que lança mão de sua descendência e tem Abraão por Pai segundo a carne, é rico, abastado, confia nas questões de carne e sangue para ter direito à salvação.

 


Introdução

Apesar do protesto dos profetas e da lei, à época de Cristo muitos judeus confiavam em si mesmos e acreditavam que eram justos “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” ( Jr 17:5 ).

Porque acreditavam em si mesmos? O que lhes dava elemento para entenderem que eram justos? Ser descendente da carne e do sangue de Abraão. A carne e o sangue de Abraão era o elemento que tomavam para fazer da carne e do sangue o seu braço.

Eles acreditavam que eram salvos por serem descendentes da carne de Abraão e que eram justos em função da lei de Moisés. Todas as vezes que lhes era apregoado a necessidade de abandonarem os seus conceitos (arrependimento) crendo em Cristo como o salvador, alegavam que tinham por pai Abraão e, consequentemente não eram pecadores “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 ); “Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?” ( Jo 8:33 ).

Quando João Batista apregoou o arrependimento, porque havia chegado o reino dos céus, muitos fariseus vieram ao batismo, porém, quando João Batista observou que continuavam confiados que eram salvos por serem filhos de Abraão, ordenou que produzissem o fruto digno de arrependimento, pois deviam confessar que eram salvos porque o reino de Deus estava próximo “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 ).

Quando os escribas e fariseus alegavam que eram descendentes da carne de Abraão, estavam fazendo da carne (descendência) o seu braço (salvação). Ora, o ‘braço’ é figura de força, que por sua vez, diz de salvação. É por isso que quando o salmista bendiz a Deus, faz referência ao braço, a força, a salvação de Deus “Com o teu braço remiste o teu povo, os filhos de Jacó e de José” ( Sl 77:15 ); “SENHOR, tem misericórdia de nós, por ti temos esperado; sê tu o nosso braço cada manhã, como também a nossa salvação no tempo da tribulação” ( Is 33:2 ).

Além de se considerarem salvos por serem descendentes de Abraão, repousavam na lei, considerando que por a Lei ter sido entregue a eles, eram guias dos cegos, instrutor dos que nada sabiam ( Rm 2:17 -20).

Em função destas pessoas que cofiavam em si mesmos (que eram filhos de Abraão) considerando-se livres do pecado, justos, que Jesus propõe a parábola do fariseu e do publicano “E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros” (v. 9).

Por se arvorarem como justos, estes que confiavam em si mesmos, desprezavam as pessoas que não eram descendentes de Abraão e que não tinha a lei.

 

A parábola

Jesus contou-lhes a seguinte parábola:

“Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” ( Lc 18:10 -13 ).

Dois homens subiram ao templo para orar. Observe que o objetivo de ambos é idêntico: orar no templo. Ambos eram homens, porém, um fariseu e o outro publicano.

Ora, à época, aos olhos dos judeus, ser cobrador de impostos era oficio de pecador. Mas, havia dentre os judeus aqueles que eram comissionados pelos Romanos para serem colhedores de impostos, e tal judeu também era discriminado.

Como o fariseu e o publicano foram ao templo, fica implícito que ambos eram judeus, pois se um gentio entrasse no templo, o templo seria tido por profanado ( At 21:28 ).

Zaqueu era publicano e considerado pelos judeus um pecador: “E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico (…) E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador” ( Lc 19:2 ). Foi quando Jesus alerta que naquele dia entrou salvação na casa de Zaqueu, que apesar de cobrador de impostos, também era filho de Abraão.

Jesus era tachado de amigo dos publicanos e pecadores por comer com eles “E os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?” ( Lc 5:30 ).

O farisaísmo, por sua vez, era o mais severo ramo do judaísmo “Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu” ( At 26:5 ). Por se considerarem justos, os fariseus desprezavam as pessoas, não comiam com pessoas de outros povos e, nem mesmo as saldava “E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?” ( Mt 5:47 ).

Jesus retrata primeiramente o fariseu quando no templo: “O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” (v. 11).

O fariseu seguro de si, ao postar-se de pé ( Mt 6:5 ), agradeceu a Deus por não ser como os demais homens.

Segundo a concepção daquele fariseu, o que o tornava diferente dos demais homens? O comportamento segundo a lei, pois para ele os demais homens eram roubadores, injustos e adúlteros.

Ele se julgava diferente até mesmo de outro descendente de Abraão, pois o outro exercia o encargo de publicano entre os filhos do povo de Israel. Por fim arremata: – Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto possuo!

O publicano por sua vez, também se postou de pé, mas de longe, e não arriscou levantar os olhos para os céus, e disse batendo no peito: – “Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (v. 13).

E Jesus concluiu a parábola dizendo: “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (v. 14).

 

Justificação

Porque o publicano saiu do templo justificado e o fariseu não?

Uma coisa é certa: Deus não faz acepção de pessoas, e como Ele justificou o gentio Abrão quando creu, certo é que o publicano foi justificado por confiar em Deus ( Gn 15:6 ; Rm 4:3 -8).

Se Deus justificou o gentio Abrão porque creu e prometeu justificar todos os povos, certo é que os gentios seriam justificados se cressem na promessa: o Descendente “Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” ( Gl 3:6 -9).

O profeta Isaías, ao falar do Descendente prometido a Abraão, descreve o Cristo como o servo do Senhor, o justo, que justificará a muitos com o seu conhecimento “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si” ( Is 53:11 ).

O salmista, ao falar da justiça de Deus, assim profetizou: “Salva-me, ó Deus, pelo teu nome; faze-me justiça pelo teu poder ( Sl 54:1 ). Ora, Deus salva o homem que invoca o Seu Nome, e a justiça de Deus é estabelecida pelo Seu poder. Verifica-se então que Cristo é a Destra do Altíssimo, o poder de Deus “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:24 ); “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” ( Jl 2:32 ); “Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e alta está a tua destra” ( Sl 89:13 ); “O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus” ( Is 52:10 ); “QUEM deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR?” ( Is 53:1 ).

O publicano foi justificado por que invocou a Deus consciente da sua condição: pecador. Quando o homem reconhece que é pecador, um errado de espírito, é recebido por Deus como um pobre e órfão, ou seja, é ‘órfão’ e ‘pobre’ por não confiar na carne; por não confiar que é filho de Abraão. Qualquer que lança mão de sua descendência e tem Abraão por Pai segundo a carne, é rico, abastado, soberbo, pois confia nas questões de carne e sangue para ter direito à salvação “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 ); “Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?” ( Jo 8:33 )..

Como o publicano clamou a Deus e apresentou-se como pecador, assumiu a condição de pobre de espírito, aflito, necessitado, humilde, portanto, Deus lhe fez justiça, tomando-o por filho “Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado” ( Sl 82:3 ; Sl 34:18 ; Is 57:15 ).

Quando o salmista confessa ser pecador, e que o seu pecado era contra Deus somente, estava consciente que era pecador por descender de Adão, e que ser descendente de Abraão não o justificava “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” ( Sl 51:4 ).

Apesar de ser judeu, da tribo de Judá, Davi não se arrogou no direito à salvação por ser descendente da carne de Abraão, antes confessou que era pecador como todos os homens “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” ( Sl 51:5 ; Sl 14:2 -4).

Ciente da sua condição, o salmista invoca o Senhor, dizendo: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ). O cobrador de imposto comportou-se como Davi! Clamou ao Senhor para que tivesse misericórdia, pois era pecador.

Tanto Davi quanto o publicano entenderam que não eram filhos de Abraão, pois ser ‘filho de Abraão’ significa ser filho de Deus, ou seja, salvo, bem-aventurado. Perceberam que na verdade não possuíam pai, em função de Adão tê-los vendido juntamente com toda a humanidade ao pecado. Segundo a carne e o sangue, Adão é o primeiro pai da humanidade, que ao desobedecer vendeu todos seus descendentes ao pecado. Daí as figuras do órfão, da viúva, do necessitado, do que chora e do triste “Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado” ( Sl 82:3 ).

O cobrador de imposto não precisou apresentar sacrifícios, pois a sua confissão era o verdadeiro sacrifício exigido “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” ( Sl 51:17 ).

Enquanto o fariseu aproximou-se do templo confiado em seus sacrifícios (dízimos e jejuns), crente que era diferente dos outros homens por portar-se segundo a lei (roubadores, injustos e adúlteros), o publicano aproximar-se de Deus reconhecendo sua iniquidade: Tomai convosco palavras, e convertei-vos ao SENHOR; dizei-lhe: Tira toda a iniquidade, e aceita o que é bom; e ofereceremos como novilhos os sacrifícios dos nossos lábios” ( Os 14:2 ).

Estar longe ou perto do templo, em pé ou sentado, olhando ou não para o céu, batendo ou não no peito, não é o que justifica. O que justifica o homem é confiar em Deus que garantiu que aceita os sacrifícios dos lábios como se fossem novilhos.

Para um judeu à época, bastava reconhecer que era pecador e necessitado de Deus, que seria salvo, porém, este sacrifício não ofereciam a Deus. Era mais fácil fazer sacríficos de novilhos que admitir-se um pecador. Embora a lei tenha sido dada os judeus para conduzi-los a Cristo, pois ela demonstra que até mesmo os descendentes de Abraão eram pecadores, gloriavam-se na lei e rejeitaram a Cristo.

Para os gentios, basta confessar que Jesus Cristo é o Senhor que tira o pecado, pois os gentios estavam sem Deus no mundo e não tinham como confiar na carne ( Ef 2:11 -13).

Quando Jesus disse que o cobrador de imposto desceu ‘justificado’, disse de uma obra completa realizada por Deus. O que o publicano não alcançaria por intermédio das obras da lei, alcançou por clamar a Deus, “Seja-vos, pois, notório, homens irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê” ( At 13:39 ).

O termo ‘justificado’ e ‘justiça’ são traduções de palavras gregas semelhantes, em que o verbo dikaiôun é ‘declarar justo’, ‘justificar’ e o substantivo dikaíosis é ‘justificação’, ‘justiça’, e o adjetivo dikaios qualifica o que é ‘justo’.

Na sua maioria os teólogos dizem que ser justificado por Deus é o mesmo que “reconhecer como justo e não de ser justo” Moody, Lucas – Comentário Bíblico Moody (Moody Bible Institute of Chicago), item 14, pág. 80 (grifo nosso).

“O pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa…” Bíblia de Scofield com Referências, Rm 3:28 , pág. 1147;

‘… o ato judicial de Deus, mediante o qual aquele que deposita sua confiança em Cristo é declarado justo a Seus olhos, e livre de toda culpa e punição’ Bancroft, Emery H., Teologia Elementar, 3º Ed, 1960, Décima Impressão, 2001, Editora Batista Regular, Pág 255.

Porém, a palavra traduzida por justificação é ‘fazer justo’, ‘tornar justo’, ‘declarar justo’, e ao criar o novo homem em Cristo, Deus faz nova todas as coisas. Em Cristo surge um novo homem, com uma nova condição e em um novo tempo! O novo homem é criado em verdadeira justiça e santidade, portanto, a declaração de ‘justo’ que Deus faz recai sobre a nova criatura. Deus nunca declara justo o velho homem gerado em Adão, somente os de novo gerados.

Deus não é o homem para que minta. Ele não declara falsidades. Somente os justos são declarados justos, ou seja, os de novo criados nesta condição. Caso Deus reconhecesse e declarasse uma pessoa justa, embora não fosse, Ele não seria verdadeiro. Portanto, entender que Deus somente trata como sendo justo aquele que Ele justifica, ou seja, que aquele que Ele declara justo não significa que realmente Deus o tornou justo, é dizer que Deus é como o homem e que o sacrifício de Cristo não foi perfeito ( Hb 6:18 ).

Quando o publicano creu, Deus circuncidou o seu coração, momento que recebeu a pena pelo seu pecado: morte (Deus é justo). No mesmo momento Deus criou um novo coração puro e colocou nele um espírito reto (Deus é justificador – Rm 3:26 ; Sl 51:10 ; Ez 11:19 ). Por dois motivos o publicano foi justificado: a) Aquele que está morto está justificado do pecado ( Rm 6:7 ) e ele morreu ao ter o coração circuncidado, e; b) Cristo ressurgiu para a nossa justificação, ou seja, após ganhar novo coração e um novo espirito, o publicano passou a ter vida dentre os mortos, portanto, justo diante de Deus ( Rm 4:25 ).

 

Provérbios e Salmos

“Porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (v. 14).

Jesus não afirmou de si mesmo quando disse que os que se exaltam a si mesmo serão humilhados e o que se humilha será exaltado. Ele citou provérbios e os salmos para encerrar a parábola: “Certamente ele escarnecerá dos escarnecedores, mas dará graça aos mansos” ( Pv 3:34 ); “Ainda que o SENHOR é excelso, atenta todavia para o humilde; mas ao soberbo conhece-o de longe” ( Sl 138:6 ).

Tiago também faz uso de tal citação quando diz: “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará” ( Tg 4:14 ). Como ele escreveu aos judeus da dispersão, repreende-os chamando-os de adúlteros e adulteras por desconhecerem que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus ( Tg 4:4 ). Em seguida arremata: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” ( Tg 4:6 ).

Quem são os soberbos e escarnecedores? Todos os ímpios são soberbos por natureza “O SENHOR eleva os humildes, e abate os ímpios até à terra” ( Sl 147:6 ), pois os ímpios desviam se de Deus desde a madre ( Sl 58:3 ).

Ora, os soberbos são o povo de Israel que, apesar de serem ímpios como todos os outros homens ( Sl 14:3 -4 ; Rm 3:9 -20), confiavam em si mesmos que eram justos. É em função desta realidade que profetizou Maria, a mãe de Jesus: “Com o seu braço agiu valorosamente; Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações. Depôs dos tronos os poderosos, E elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, E despediu vazios os ricos” ( Lc 1:51 -53).

Enquanto os judeus confiavam na carne e faziam dela o seu braço, Deus desnudou o seu santo braço perante as nações. O pensamento dos soberbos foi desfeito, pois em Cristo está a salvação para os humildes, pobres e famintos “O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus” ( Is 52:10 ); “Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão? E o produto do vosso trabalho naquilo que não pode satisfazer? Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom, e a vossa alma se deleite com a gordura. Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá” ( Is 55:1 -3).

E como humilhar-se a si mesmo? Achegando-se a Deus. Como? Invocando-O. Quando o homem invoca a Deus está ‘limpando’ as mãos manchadas de sangue (violência) ( Is 1:15 -16), que é figura das obras reprováveis segundo a lei. Quando o homem se achega a Deus, Deus limpa o coração. Mas, para isso, é necessário ‘sentir’ o quanto é miserável, lamentar e chorar, pois só assim Deus há de exaltá-Lo convertendo o pranto em riso e a tristeza em gozo “Irei e voltarei ao meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, de madrugada me buscarão” ( Os 5:15 ; Tg 4:9 ; Is 61:3 ).

Semelhantemente, após instruir os jovens a ser submisso aos mais velhos, o apóstolo Pedro diz: “… sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” ( 1Pe 5:5 -6).

Ora, para humilhar-se a si mesmo, necessário é que o homem esteja disposto a aprender de Cristo, pois Ele mesmo disse: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”. Ora, para um judeu resignar-se a aprender de Jesus de Nazaré, um homem que não havia aprendido nos bancos escolares as sagradas letras, era uma humilhação ( Mt 11:29 ; Jo 7:15 ).

Mas, se desejavam salvação, deveriam humilhar-se a si mesmo, ou seja, rejeitar a concepção de que eram filhos de Abraão por questões de carne e sangue e virem a Cristo, pois somente Ele possui palavras de vida eterna.

Portanto, o termo ‘humilde’ em certas passagens bíblicas não se refere ao pobre financeiro, ao iletrado, ao excluído social. Tornar-se ‘humilde’ diante de Deus não se alcança com voto de castidade, voto de pobreza, etc. Ser humilde não é abrir mão dos seus direitos como cidadão. Ser humilde não é colocar-se como ‘capacho’ de outrem. A humildade não advém de questões financeiras, se rico ou pobre, antes a humildade é uma condição do coração, que somente os que aprendem de Cristo e tornam-se seus discípulos possuem. Os humildes de coração são aqueles que verdadeiramente são livres “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” ( Mt 11:29 ); “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará ( Jo 8:31 -32).

Mas, qualquer que diz: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?” ( Jo 8:33 ), não é humilde, pois confia na sua carne. É soberbo e nada sabe.

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Quando o homem escolhe entrar pela ‘porta larga’?

Seguir pelo caminho de perdição não é conseqüência das decisões em praticar boas ou más ações. Não são as escolhas entre o bem e o mal que coloca o homem no caminho de perdição. Seguir pelo caminho de perdição não depende do comportamento, da moral, da consciência, das virtudes, das boas ações, da religião, da origem, da condição social, etc.


No Sermão do Monte Jesus anunciou à multidão haver duas portas e dois caminhos. Uma das portas dá acesso a um caminho de perdição e a outra porta dá acesso ao caminho de salvação ( Mt 7:13 ).

Cristo é a ‘porta estreita’ e o ‘caminho’ que conduz a vida “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” ( Jo 10:9 ); “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” ( Jo 14:6 ).

A ordem de Jesus é clara: “Entrai pela porta estreita” (V. 13), o que demanda uma decisão por parte do homem. O homem sem Deus não está em uma posição cômoda, pois precisa decidir-se entrar pela porta estreita. Não há outro caminho de salvação.

Só existem dois caminhos e o convite de Jesus é para que o homem entre pela porta estreita. Isto significa que o homem já se encontra no caminho largo que conduz à perdição. Não há duas portas diante do homem, pois ao nascer já entrou por uma delas: a porta larga. O homem sem Deus encontra-se em um caminho que inexoravelmente o conduzirá a perdição. Ele precisa decidir-se pela porta estreita, pois já trilha o caminho de perdição “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado…” ( Jo 3:18 ).

É fato: só existem dois caminhos, e quem não entra por Cristo está no caminho de perdição, destituído de Deus.

A humanidade sem Cristo percorre o caminho de perdição porque entrou pela porta larga. Não há como o homem trilhar o caminho de perdição sem antes entrar pela porta larga “Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz a perdição” ( Mt 7:13 ).

Quando foi que os homens escolheram entrar pela porta larga? Entrar pela porta larga é resultado de uma escolha por parte dos descendentes de Adão? Quem é a porta larga?

Quando Jesus anunciou a Nicodemos a necessidade de nascer de novo, ele estava esclarecendo que, através do nascimento natural (segundo a descendência de Adão), o homem passa a percorrer o caminho de perdição. O nascimento segundo Adão é a porta larga pelo qual todos os homens têm acesso ao caminho de perdição ( 1Co 15:45 ).

O novo nascimento dá acesso ao caminho estreito que é Cristo, o último Adão. O nascimento natural é o modo pelo qual o homem entra pela porta larga, que é Adão. O acesso à porta larga é através do nascimento natural, assim como o novo nascimento é o acesso ao caminho estreito.

Ora, se o nascimento natural é o acesso ao caminho largo, conclui-se que os homens não tiveram como optar entre dois caminhos. Ao nascerem, entraram pela porta larga que deu acesso ao caminho de perdição. Uma vez que o homem gerado segundo Adão, ao nascer, entra pela porta larga, seguir pelo caminho de perdição não é resultado de uma escolha ou de uma decisão por parte dos filhos de Adão. Para entrar pela porta larga, que é Adão, basta nascer.

Seguir pelo caminho de perdição não é conseqüência das decisões em praticar boas ou más ações. Não são as escolhas entre o bem e o mal que coloca o homem no caminho de perdição. Seguir pelo caminho de perdição não depende do comportamento, da moral, da consciência, das virtudes, das boas ações, da religião, da origem, da condição social, etc.

A Bíblia demonstra que todos os descendentes de Adão estão destituídos da glória de Deus por causa da desobediência no Éden. Ao pecar, Adão condenou toda a humanidade a seguir um caminho de perdição.

Ao falar do seu nascimento, Davi aponta e reconhece nele a origem da sua condição de pecado: “Certamente em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe” ( Sl 51:5 ). Davi e Isaías tinham a consciência de que eram pecadores por causa do primeiro pai da humanidade “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ).

O apóstolo Paulo reitera através das Escrituras que todos os homens pecaram; que não há um justo, nenhum se quer ( Rm 3:10 e 23). A condição de pecado da humanidade é proveniente da ofensa de um só homem que pecou: Adão ( Rm 5:15 ), e os seus descendentes são escravos do pecado.

Durante a existência dos pecadores neste mundo é possível fazerem inúmeras escolhas, porém, não são as escolhas diárias que os faz entrar ou permanecer no caminho de perdição.

Ao ‘entrar’ por Adão (nascer do sangue, vontade do varão e vontade da carne), os homens passam a andar por um caminho de perdição ( Jo 1:12 -13). É como se entrasse por uma rodovia que segue para uma cidade. Ao escolher ir a pé, de charrete, de cavalo, de bicicleta, de moto ou de carro não mudará o resultado final. Independentemente do meio de transporte, ele está no caminho.

Não importa se os homens nascidos de Adão busquem viver uma vida semelhante à de Nicodemos (homem regrado, fariseu, juiz, mestre, judeu) ou uma vida semelhante a da mulher Samaritana (mulher desregrada, comum do povo, samaritana): todos que não nasceram de novo, ou que não tomaram da água que faz saltar para a vida eterna, trilham o caminho de perdição.

As escolhas entre as várias formas de viver neste mundo não determinará e nem influenciará o caminho que o homem passou a trilhar após entrar por Adão (porta larga). Filosofia de vida ou religiosidade pautada pela moral e bons costumes não trará ao homem o reino dos céus.

Escolher entre fazer boas e más ações não mudará o caminho que o homem passou a trilhar após ser gerado segundo Adão.

  • Entrar pela porta larga não é resultado de uma escolha por parte do homem;
  • Tanto a boa ação quanto a má ação que o homem faz só aproveitará ou prejudicará ao próximo e a si mesmo ( Jó 35:8 ; Pv 17:13 );
  • Escolher entre boas e más ações, entre justiças e injustiças não mudará o caminho pelo qual o homem entrou ao nascer de Adão ( Jó 35:6 -7);

Ora, se o melhor dos homens é como um espinho, e o mais reto é como uma sebe de espinhos, conclui-se que ambos: o melhor e o mais reto dos homens trilham o mesmo caminho, o caminho de perdição. Que se dirá do pior dos homens? “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão” ( Mq 7:4 ).

É por isso que Isaias nomeia as boas ações dos homens como sendo teias de aranha, trapos de imundície ( Is 59:6 ). Por mais que se esforcem para praticar boas ações, os seus pés trilham o caminho de perdição. Os pés daqueles que não trilham o caminho conhecido por Deus correm para o mal ( Sl 1:6 ), embora desejem e executem boas ações. Não conhecem o caminho de paz. As suas veredas são tortuosas ( Is 59:8 ).

Todas as religiões foram e são concebidas pelos homens e todas elas concentram-se em melhorar as ações de seus seguidores. Todas apregoam que é necessário ao homem fazer boas escolhas, fazer o bem aos seus semelhantes, porém, tais ‘obras’ não podem salvar. Diante do Grande Trono Branco as suas obras não lhes aproveitarão “Eu publicarei a tua justiça, e as tuas obras, que não te aproveitarão” ( Is 57:12 ).

Algumas religiões apregoam o ascetismo pessoal, outras impõem restrições de dias, outras restringem alimentos, outras restringem certos prazeres, outras impõem o moralismo, o legalismo, o formalismo, etc., porém, nenhuma delas pode fazer o homem trilhar o caminho de salvação.

Até mesmo vários seguimentos evangélicos aderiram ao pensamento de que boas ações podem aproximar o homem de Deus. Observe o que escreveu o Dr. Paul Earnhart:

“Não somos espirituais nem carnais por natureza, mas somos capazes das duas coisas, e, como seres humanos, temos de escolher entre esses dois caminhos e nos responsabilizar por nossa escolha” Paul Earnhart, As Obras da Carne -­ O Inimigo Interior (artigo postado na internet).

O evangelho de Cristo demonstra que, quem não nascer de novo, ou seja, quem não entrar pela porta estreita, jamais verá a Deus. Não é uma escolha entre dois caminhos, antes é decisão, a de entrar pela porta estreita. Para quem trilha o caminho de morte não há opções, só uma decisão: a de entrar pela porta que é Cristo, nascendo de novo.

Por natureza todos os homens gerados segundo Adão são carnais, pois o que é nascido da carne é carnal. Do mesmo modo, todos que são gerados de Deus (Espírito) são filhos de Deus (espirituais). De onde surgiu o conceito de que o homem não é carnal e nem espiritual? É possível um meio termo? “O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do Espírito, é espírito” ( Jo 3:6 )

Para ser espiritual já não é necessário nascer do Espírito? A capacidade de ser espiritual ou carnal é determinada pelas escolhas dos homens? Não é Deus quem cria os homens espirituais? Fazer ‘boas ações’ transforma o homem carnal em espiritual?

Não aprendemos assim de Cristo, visto que, mesmo sabendo fazer boas ações, todos os que não são nascidos de Deus são maus: “Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos…” ( Lc 11:13 ). Ora, não são as boas ou as más ações que tornam o homem ‘bom’ ou ‘mau’ diante de Deus, antes só é aceito diante de Deus aquele que é gerado de Deus, ou seja, a quem é concedido o Espírito Santo.

Em que posição encontra-se o homem que lhe é possível escolher entre dois caminhos? O homem sem Deus trilha o caminho de perdição ou está em um ‘limbo’? Como escolher entre dois caminhos se o homem encontra-se no caminho de perdição?

Desvios doutrinários surgem quando não se considera que a condenação é proveniente da ofensa de Adão. Um dos livros do Dr. Shedd afirma que o pecado é resultado de um processo de aprendizado:

“É assim que aprendemos a pecar: linguagem obscena, comentários desnecessários prejudiciais, usar o nome de Deus em vão, tornam-se hábitos pela prática dentro de um ambiente onde ninguém cria objeção alguma” Sheed, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2ª Ed., editora Vida Nova, pág. 99 (grifo nosso).

O homem nasce pecador ou aprende a pecar durante a sua existência? Um ambiente regrado (por objeções impostas por homens) fará com que o homem deixe o ‘hábito’ de ser pecador? A falta de ‘objeções’ na vida cotidiana leva o homem a ser pecador? O pecado é um hábito? Um homem sem Cristo com boa conduta diante da sociedade está livre do pecado?

Por causa da ofensa de Adão o juízo de Deus foi estabelecido sobre todos os homens para condenação. Ninguém aprende pecar, visto que em pecado e em iniquidade o homem é concebido.

É certo que no futuro Deus trará todos os homens a juízo por causa de suas obras feitas por meio do corpo, e nisto não há acepção de pessoas. Os salvos serão julgados com relação às suas obras no tribunal de Cristo, e por isso devem viver de modo que não deem escândalo a judeus, nem gregos e nem a igreja de Deus. Os perdidos também serão julgados com relação as suas obras, só que no Tribunal do Trono Branco e suas boas ações não lhes aproveitarão, pois não foram feitas em Deus. Eles seguirão para a perdição.

É preciso saber divisar bem o propósito do evangelho e as questões relativas ao comportamento dos cristãos. O evangelho de Cristo é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. Ou seja, entrar pela porta estreita, nascer de novo, beber da água que faz jorrar uma fonte para a vida eterna.

Após estar em Cristo (no caminho de salvação) é necessário ter o mesmo pensamento do escritor aos Hebreus: “Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente” ( Hb 13:18 ).

A vontade dos cristãos deve ser o de portar-se de modo honesto em tudo. Ter boa consciência esforçando-se para ser agradável aos homens em tudo é louvável diante de Deus ( 1Co 10:32 -33).

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As cem ovelhas

O pregador deve levar a ideia da parábola aos seus ouvintes, e não ficar estabelecendo relações entre pessoas e figuras pertinentes a parábola. Quando o pregador demonstrar as verdades que Jesus ensinava através das parábolas, haverá uma conscientização maior sobre o que é a salvação de Deus em Cristo. O pecador perceberá que não adianta apontar as outras pessoas como sendo mais pecadoras que ele. O pecador perceberá que a sua conduta ilibada não o salvará. O pecador perceberá que não há desculpas ou justos diante de Deus, e acabará reconhecendo a sua condição.


 

“E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
E os fariseus e os escribas murmuravam dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.
E ele lhes propôs esta parábola, dizendo: Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la? E achando-a, a põe sobre os seus ombros, gostoso; E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.
Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”

Lucas 15 versos 1 à 10

Em linhas gerais uma parábola é utilizada para ilustrar uma ideia.

Jesus contou três parábolas para tornar evidente a mesma ideia. As três parábolas são: as cem ovelhas, as dracmas e o filho pródigo.

Estas parábolas ilustram uma mesma ideia: a alegria por um pecador que se arrepende.

Há vários sermões e interpretações sobre estas passagens. Geralmente os pregadores utilizam estas passagens bíblicas para fazer um apelo aos seus ouvintes que deixaram de frequentar as reuniões.

Aliado a isto, alguns hinos também fazem referência a esta parábola. É bem provável que você tenha na lembrança alguma canção sobre o filho pródigo ou sobre as Cem ovelhas.

Qual a mensagem que Jesus procurou transmitir através desta parábola?

Para interpretar a parábola das Cem Ovelhas, em primeiro lugar é preciso verificar qual foi o público alvo da mensagem:

  1. O texto do Evangelho de Lucas demonstra que se achegavam a Cristo TODOS os publicanos e pecadores para ouvi-lo ( Lc 15:1 ); publicanos e pecadores remete ao povo que não ‘entendiam’ da lei;
  2. Que os fariseus e os escribas ao verem Jesus recebendo uma multidão de ‘pecadores’ passam a murmurar dele dizendo: “Este (Jesus) recebe pecadores (o povo), e come com eles” ( Lc 15:2 ). Os escribas e fariseus se diziam justos por ‘conhecerem’ a lei mosaica.

A atitude dos fariseus e dos escribas motivou a resposta de Cristo por intermédio das parábolas.

Quando Jesus ouviu as críticas dos fariseus e escribas sobre a atitude dele receber e comer com o povo (pecadores) foi proposta a parábola das cem ovelhas “Então…” (v. 3).

“Jesus direcionou a parábola das cem ovelhas aos escribas e fariseus”

Jesus questionou os fariseus e os escribas: “Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove, e não vai após a perdida até que venha a achá-la?” ( Lc 15:4 ).

A ilustração (parábola) de Jesus é pertinente, pois o povo de Israel tradicionalmente era conhecido pelo cuidado com rebanhos de ovelhas. Davi era um pastor de ovelhas.

Qual seria o comportamento de qualquer um daqueles fariseus e escribas quando perdessem uma ovelha? É claro que deixariam o rebanho das ovelhas e sairiam à procura da desgarrada.

O fato de um pastor localizar uma só ovelha perdida é motivo de muita alegria. Alegria está que estende-se até os seus amigos e familiares: “Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida” ( Lc 15:6 ).

Após expor a parábola, Jesus demonstrou o seu objetivo: “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” ( Lc 17:7 ).

A parábola é um convite aos desgarrados ou uma reprimenda aqueles que se consideravam justos? Está bem nítido que Jesus estava reprimindo a atitude dos fariseus e escribas que murmuraram acerca de Jesus.

Como os escribas e fariseus haviam decorado os salmos, bem sabiam que não há um justo sequer sobre a face da terra ( Rm 3:10 e Sl 14:1 -3).

Jesus demonstra que a atitude deles era a de quem se achava justo, embora a Escritura demonstrasse que a condição deles não era a de justos perante Deus.

Quem se acha justo aos próprios olhos considera não ser preciso mudar de concepção. Os fariseus e escribas continuavam apegados a ideia de que eram salvos por serem descendentes de Abraão.

O elemento principal da parábola não está no fato da ovelha desgarrar-se, e sim, na alegria do pastor ao reencontrá-la! A parábola foi contada no intuito de ilustrar a alegria nos céus quando um pecador arrepende-se (deixando as suas concepções)!

A parábola demonstra a alegria do Redentor ao encontrar o pecador.

Enquanto os fariseus e escribas não reconhecessem que eram pecadores, era impossível terem um encontro com Jesus.

Muitos pecadores dentre o povo, e alguns cobradores de impostos eram a alegria do Bom Pastor, pois vinham a Jesus e se arrependiam.

Os fariseus e escribas, por se considerarem justos, fazem parte das 99 ovelhas que não trazem alegria aos céus, visto que não alcançam a salvação em Cristo.

Ao analisar a ideia da parábola, não é correto utilizá-la para fazer apelo aos desviados. Da mesma forma não é correto utilizá-la para motivar os cristãos ao evangelismo.

Esta parábola terá eficácia se o pregador demonstrar que todo aquele que não se arrepender dos seus pecados pertence ao grupo dos fariseus e escribas (o grupo das 99 ovelhas).

O pregador deve esclarecer os não crentes seguros na sua religião que o arrependimento (mudança de conceito) é a única maneira de se alcançar a Deus. Só através do arrependimento o pecador reconhece que precisa de um redentor. Através do arrependimento Deus estende o seu braço forte e salva o mais vil pecador.

O arrependimento é quanto aos conceitos que eles tinham. Os fariseus se achavam justos diante de Deus, e deviam arrepender-se deste conceito errôneo.

O pregador deve levar a ideia da parábola aos seus ouvintes, e não ficar estabelecendo relações entre pessoas e figuras pertinentes à parábola. Quando o pregador demonstrar as verdades que Jesus ensinava através das parábolas, haverá uma conscientização maior sobre o que é a salvação de Deus em Cristo.

O pecador perceberá que não adianta apontar as outras pessoas como sendo mais pecadoras que ele. O pecador perceberá que a sua conduta ilibada não o salvará. O pecador perceberá que não há desculpas ou justos diante de Deus, e acabará reconhecendo a sua condição.

Há alegria dos anjos diante de Deus quando um pecador se arrepende, e os cristãos devem saber que: a igreja de Deus é composta de ovelhas desgarradas, ou de homens que se arrependeram de seus conceitos. A igreja de Jesus produz alegria nos céus.

A parábola serve para ilustrar o que foi exposto no capítulo treze do evangelho de Lucas: “Pensais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas?” ( Lc 13:1 -5).

Fica o alerta: há muitas mensagens que estamos acostumados a ouvir, porém, se você analisar o seu conteúdo, verá que ela não está em conformidade com a ideia bíblica.

“Uma mentira dita inúmeras vezes pode passar por verdade, mas nunca será a verdade”

Aplique o que você aprendeu com a parábola das cem ovelhas para ler às parábolas das dez dracmas e a do filho pródigo. Relacione estas parábolas com o que Jesus propôs a Nicodemos e com o exposto em Lucas 13.

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