O justo viverá da fé

O justo viverá da ‘fé’ ou viverá de toda palavra que sai da boca de Deus? Ora, Cristo é a fé que havia de se manifestar ( Gl 3:24 ), o verbo encarnado, portanto, o justo viverá por Cristo ( Rm 10:8 ). Todos que ressurgiram com Cristo é porque vivem da fé, e o profeta Habacuque dá testemunho de que os que vivem pela fé são justos.


“Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 )

 

É contundente a exposição do apóstolo Paulo quando afirma, contrariando o que expunha a lei, que “Deus justifica o ímpio” ( Rm 4:5 ). Baseado em quê Deus justifica o ímpios? Como é que Deus sendo justo pode declarar justo o injusto? Como fazê-lo sem comprometer a sua própria justiça?

A resposta é simples: Deus justifica gratuitamente os pecadores por sua maravilhosa graça! Apesar de a resposta ser simples, a pergunta persiste: como Ele faz isso? A resposta também é simples: pela fé “… para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” ( Gl 3:24 ).

Além de Deus justificar o ímpio, certo é que o homem é justificado pela fé “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” ( Rm 5:1 -2).

Deus justifica por causa da confiança que o homem deposita n’Ele? Seria a crença do homem o ente justificador?

A resposta encontra-se em Romanos 1, versos 16 e 17: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” ( Rm 1:16 -17).

Embora no Antigo Testamento, repetidas vezes Deus diz aos juízes israelitas que eles deveriam justificar os íntegros e condenar os ímpios, e declara acerca de si mesmo: “… não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ), o apóstolo Paulo se socorre de Habacuque que diz: ‘O justo viverá da fé’, para demonstrar que Deus justifica o ímpio!

Através da observação que o apóstolo Paulo faz de Habacuque, fica evidente que a fé não refere-se à confiança do homem, antes diz de Cristo, a fé que havia de se manifestar “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” ( Gl 3:23 ).

Qual a fé que haveria de se manifestar? O evangelho de Cristo, que é o poder de Deus, é a fé manifesta aos homens. O evangelho é a fé pela qual os cristãos devem batalhar ( Jd1:3 ). A mensagem do evangelho é a pregação da fé ( Gl 3:2 e 5). O evangelho é fé, por meio do qual a graça foi revelada “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus ( Ef 2:8 ). O evangelho não procedeu de homem algum, antes é dom de Deus “Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” ( Jo 4:10 ).

Cristo é o dom de Deus, o tema da pregação da fé, por quem o homem tem entrada a esta graça. Por isso, quando a bíblia diz que sem fé é impossível agradar a Deus, tem-se que, a fé que agrada a Deus é Cristo, a fé havia de ser revelada, e não, como muitos pensam, que é a confiança do homem ( Hb 11:6 ).

O escritor aos hebreus, no verso 26 do capítulo 10 demonstra que não há sacrifício após o recebimento do conhecimento da verdade (evangelho) e, que, portanto, os cristãos não podiam rejeitar a confiança que possuíam, que é produto da fé (evangelho) ( Hb 10:35 ), visto que, após fazerem a vontade de Deus (que é crer em Cristo), deviam ter paciência para alcançar a promessa ( Hb 10:36 ; 1Jo 3:24 ).

Após citar Habacuque, o escritor aos Hebreus passa a falar daqueles que viveram pela fé ( Hb 10:38 ), ou seja, homens como Abraão que foram justificados pela fé que havia de se manifestar Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ).

Abraão foi justificado porque creu que Deus haveria de prover-lhe o Descendente, algo impossível aos seus olhos, assim como o é aos olhos dos homens o fato de Deus justificar o ímpio “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ).

Cristo é o firme fundamento das coisas que se esperam e prova das coisa que se não veem, sendo que por Ele os antigos alcançaram bom testemunho “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho” ( Hb 11:1 -2), pois o justo vive e recebe testemunho de que agradara a Deus por intermédio de Cristo ( Tt 3:7 ).

A palavra que Abraão ouviu é o que produziu a crença do patriarca, pois “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos…” ( Rm 10:8 ), visto que “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” ( Rm 10:17 ). Sem ouvir a palavra que procede de Deus jamais haveria confiança do homem para com Deus.

O ente justificador é a palavra de Cristo, pois nela está contido o poder que torna possível Deus justificar o ímpio “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” ( Rm 10:9 -10).

Quando o homem ouve o evangelho e crê, recebe poder para salvação ( Rm 1:16 ; Jo 1:12 ), e descobre a justificação, pois passa da morte para a vida por que creu na fé ( Rm 1:17 ), É pelo evangelho que o homem torna-se filho de Deus “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” ( Gl 3:26 ; Jo 1:12 ).

Por que o apóstolo Paulo teve coragem de afirmar que Deus faz aquilo que Ele mesmo proibiu aos juízes de Israel fazerem? Porque eles não dispunham do poder necessário! Para fazer um injusto justo é necessário poder idêntico aquele que Jesus demonstrou ao curar um paralítico após perdoar-lhe os pecados “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:24 ).

A fé que justifica é poder de Deus “… para que pela fé fôssemos justificados” ( Gl 3:24 ), pois quando o homem crê é batizado na morte de Cristo ( Gl 3:27 ), ou seja, toma a sua própria cruz, morre e é sepultado “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” ( Rm 6:3 ). Ora, aquele que está morto, justificado está do pecado! ( Rm 6:7 )

Mas, todos que creem e morrem com Cristo, também confessam a Cristo conforme o que ouviu e e aprendeu “Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” ( Rm 10:9 -10).

Ora, aquele que confessa a Cristo é porque, além de ter sido batizado em Cristo, já se revestiu de Cristo. A confissão é o fruto dos lábios que só produz quem está ligado a Oliveira verdadeira “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo” ( Gl 3:27 ); “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ); “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (…) Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” ( Jo 15:6 e 8).

O testemunho que Deus dá de que o homem é justo só recai sobre aqueles que, após serem sepultados, se revestem de Cristo, ou seja, somente os que já ressurgiram com Cristo são declarados justos diante de Deus. Somente aqueles que são gerados de novo, ou seja, que vivem por intermédio da fé (evangelho) são justos diante de Deus “O justo viverá da fé” ( Hc 2:4 ).

O justo viverá da fé, ou seja, a fé que havia de se manifestar e, que agora pregamos ( Rm 10:8 ). Todos que ressurgiram com Cristo é porque vivem da fé, e o profeta Habacuque dá testemunho de que os que vivem pela fé são justos.

Portanto, qualquer que não confia em suas próprias ações, antes descansa em Deus que justifica, a sua crença lhe é imputada como justiça “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 ); “E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça” ( Gn 15:6 ), porque ao crer o homem se conforma com Cristo na sua morte e ressurge pelo poder de Deus, sendo que o novo homem é criado e declarado justo por Deus.

A palavra do Senhor é a fé manifesta, e todos que nele creem não serão confundidos “Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; E todo aquele que crer nela não será confundido” ( Rm 9:33 ), ou seja, no evangelho, que é poder de Deus se descobre a justiça de Deus, que é de fé (evangelho) em fé (crer) ( Rm 1:16 -17).

O justo viverá de Cristo, pois de toda a palavra que sai da boca de Deus viverá o homem, ou seja, sem Cristo, que é o pão vivo que desceu dos céus, o homem não tem vida em si mesmo ( Jo 3:36 ; Jo 5:24 ; Mt 4:4 ; Hb 2:4 ).

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O que é Justificação?

A justificação não é forense e nem um ato judicial de Deus pelo qual Ele perdoa, isenta e trata o homem que não é justo como se justo fosse. Ora, se Deus tratasse um injusto como se justo fosse, na verdade estaria cometendo injustiça. Caso Deus declarasse um pecador como sendo justo, teríamos uma declaração fictícia, imaginária, pois Deus estaria declarando algo inverídico acerca do homem.


 

“Porque aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 )

É comum à teologia tratar da doutrina da justificação como uma questão de ordem forense, daí as expressões ‘ato judicial de Deus’, ‘ato de reconhecimento divino’, ‘anunciar a justiça’, etc., nas definições acerca do tema justificação.

Para Scofield, embora justificado, o crente ainda é pecador. Deus reconhece e trata o crente como sendo justo, porém, isto não significa que Deus torne alguém justo.

“O pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa…” Bíblia de Scofield com Referências, Rm 3:28.

Para Charles C. Ryrie justificar significa:

“declarar que alguém é justo. Ambas as palavras em hebraico (sadaq) e em grego (dikaioõ) significam ‘anunciar’ ou ‘pronunciar’ um veredicto favorável, declarar alguém justo. Esse conceito não implica fazer que alguém seja justo, mas sim apenas anunciar a justiça”  Ryrie, Charles Caldwel, Teologia Básica – Ao alcance de todos, traduzido por Jarbas Aragão – São Paulo: Mundo cristão, 2004, pág. 345.

George Eldon Ladd entende a justificação a partir do termo grego dikaioõ, como sendo:

“‘declarar justo’, não transformar em justo’. Como veremos, a ideia principal, em justificação, é a declaração de Deus, o juiz justo, de que o homem que crê em Cristo, embora possa ser pecador, é justo – é visto como sendo justo, porque, em Cristo, ele chegou a um relacionamento justo com Deus”  Ladd, George Eldon, Teologia do Novo Testamento, tradução de Darci Dusilek e Jussara M. Pinto, 1. Ed – São Paulo: Exodus, 97, pág. 409.

A justificação não é forense e nem um ato judicial de Deus pelo qual Ele perdoa, isenta e trata o homem que não é justo como se justo fosse. Ora, se Deus tratasse um injusto como se justo fosse, na verdade estaria cometendo injustiça. Caso Deus declarasse um pecador como sendo justo, teríamos uma declaração fictícia, imaginária, pois Deus estaria declarando algo inverídico acerca do homem.

A essência da doutrina da justificação está no fato de que Deus cria um novo homem em verdadeira justiça e santidade e o declara justo porque efetivamente esse novo homem é justo. Deus não trabalha com uma justiça fictícia, imaginária, a ponto de tratar como justo aquele que de fato não é justo.

Para os teólogos da reforma a justificação é um ato judicial de Deus sem qualquer mudança em sua vida, ou seja, Deus não muda a condição do homem. Aí está o engano, pois Deus só justifica aqueles que nascem de novo ( Jo 3:3 ). Ora, se o homem é de novo gerado segundo Deus, isto significa que Deus mudou a condição do homem ( 1Pe 1:3 e 23).

A condição do crente é completamente distinta de quando não cria em Cristo. Antes de crer o homem esta sujeito à potestade das trevas e, após crer é transportado para o reino do Filho do seu amor “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” ( Cl 1:13 ). Quando na potestade das trevas o homem estava vivo para o pecado, portanto, jamais será declarado justo, mas os mortos para o pecado estão justificados do pecado.

Ora, os ordenamentos jurídicos que encontramos nos tribunais tratam de questões e relações que possuem materialidade entre vivos, já a doutrina da justificação não envolve princípios forenses, pois só quem está morto para o pecado está justificado do pecado!

A bíblia demonstra que tanto judeus quanto gentios são salvos pela graça de Deus revelada em Cristo Jesus. Ser salvo pela graça de Deus é o mesmo que ser salvo mediante a fé, pois Jesus é a fé manifesta ( Gl 3:23 ). Jesus é o firme fundamento pelo qual o homem tem plena confiança em Deus e é justificado ( Hb 11:1 ; 2 Co 3:4 ; Cl 1:22 ).

Daniel B. Pecota afirmou que:

“A fé nunca é o fundamento da justificação. O Novo Testamento jamais afirma que a justificação é dia pistin (“em troca da fé”), mas sempre dia pisteos, (“mediante a fé”)”.

Ora, se entendermos que Cristo é a fé que havia de se manifestar, segue-se que Cristo (fé) foi, é e sempre será o fundamento da justificação. A confusão entre ‘dia pistin’ (confiança na verdade) e ‘dia pisteos’ (a própria verdade) se dá por má leitura das passagens bíblicas, visto que Cristo é o firme fundamento pelo qual os homens que creem tornam-se agradáveis a Deus, pois a justificação é mediante Cristo (dia pisteos).

O maior problema quanto à doutrina da justificação dos reformadores está em tentar dissociar a doutrina da justificação da doutrina da regeneração. Sem regeneração não há justificação e não há justificação à parte da regeneração. Quando o homem é gerado segundo a carne e o sangue tem-se o veredicto de Deus: culpado, pois esta é a condição do homem gerado segundo a carne ( Jo 1:12 ). Mas, quando o homem é gerado de novo (regenerado), o veredicto que Deus dá é: justificado, pois a pessoa efetivamente é justa.

O primeiro passo para compreender a doutrina da justificação é entender que todos os homens pecaram e destituídos foram da glória de Deus ( Rm 3:23 ). Isto quer dizer que, por causa da ofensa de Adão, todos os homens juntamente, quando na ‘coxa’ de Adão, se fizeram imundos e mortos para Deus ( Sl 53:3 ; Sl 14:3 ). Após a ofensa de Adão todos os seus descendentes passaram a viver para o pecado e estavam mortos (alienados, separados) para Deus.

Ao falar desta condição herdada de Adão, o apóstolo Paulo disse que todos os homens (judeus e gentios) eram por natureza filhos da ira ( Ef 2:3 ). Por que filhos da ira? Porque eram filhos da desobediência de Adão “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” ( Ef 5:6 ).

Por causa da ofensa de Adão o pecado entrou no mundo, e em função da desobediência dele todos os homens são pecadores “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” ( Rm 5:12 ). Todos os homens nascidos segundo a carne são pecadores porque a condenação de Adão (morte) passou a todos os seus descendentes.

Muitos desconhecem que os homens são pecadores por causa da condenação herdada de Adão, e consideram que os homens são pecadores por causa de questões comportamentais oriundas do conhecimento do bem e do mal.

É necessário divisar bem a ofensa de Adão do conhecimento adquirido do fruto do conhecimento do bem e do mal. Enquanto o conhecimento do bem e do mal não foi o que separou o homem de Deus (pecado), pois Deus é conhecedor do bem e do mal ( Gn 3:22 ), a desobediência trouxe o pecado (divisão, separação, alienação) por causa da lei que disse: certamente morrerás ( Gn 2:17 ).

O pecado mostrou-se excessivamente maligno porque através da lei santa, justa e boa o pecado dominou e matou o homem ( Rm 7:13 ). Sem a penalidade da lei: ‘certamente morrerás’, o pecado não teria poder de dominar o homem, mas através do poder da lei (certamente morrerás) o pecado achou ocasião e matou o homem ( Rm 7:11 ). A lei dada no Éden era santa, justa e boa porque alertava o homem acerca das consequências da desobediência (dela não comerás, pois no dia que dela comeres, certamente morrerás).

Por causa da ofensa os homens são formados em iniquidade e concebidos em pecado ( Sl 51:5 ). Desde a madre (desde a origem) os homens desviam-se de Deus ( Sl 58:3 ), o melhor dos homens é comparável a um espinho, e o mais reto a uma cerca feita de espinhos ( Mq 7:4 ). É por causa da ofensa de Adão que se ouviu o veredicto: culpados! ( Rm 3:23 )

Dai a pergunta de Jó: “Quem do imundo tirará o puro? Ninguém” ( Jó 14:4 ). Mas, aquilo que é impossível aos homens é possível a Deus, pois Ele tem o poder de fazer tudo novo:  “Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis” ( Mc 10:27 ).

A justificação é a resposta de Deus a mais importante de todas as questões humanas: Como uma pessoa pode se tornar aceitável diante de Deus? A resposta está clara no Novo Testamento, especialmente na seguinte ordem de Jesus Cristo: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ). É necessário nascer da água e do Espírito, pois o que é nascido da carne é carnal, mas os nascidos do Espírito, são espirituais ( Rm 8:1 ).

O problema da separação entre Deus e os homens (pecado) decorre do nascimento natural ( 1Co 15:22 ), e não do comportamento dos homens. O pecado está relacionado com a natureza decaída do homem, e não com o seu comportamento em sociedade.

A solução para a condenação que o homem alcança na justificação em Cristo é proveniente do poder de Deus, e não em um ato judicial. Primeiro, porque bastou o homem desobedecer ao Criador para que fosse estabelecido o juízo de condenação: a morte (separação) de todos os homens ( Rm 5:18 ). Segundo, porque quando Jesus convoca os homens a tomar a sua própria cruz, deixa claro que para haver conciliação entre Deus e os homens é necessário sofrer a pena imposta: morte. Na morte com Cristo a justiça é satisfeita, pois a pena não passa da pessoa do transgressor ( Mt 10:38 ; 1Co 15:36 ; 2Co 4:14 ).

Quando foi posto um homem paraplégico na frente de Jesus, Ele disse: “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa” ( Mc 2:10 -11). Esta fala de Jesus demonstra que a passagem clássica de Romanos 3, versos 21 à 25 sobre a justificação não envolve conceitos forenses.

Perdoar pecados não é demanda jurídica, é questão de poder! Só perdoa pecados aquele que tem poder sobre o barro para de uma mesma massa fazer vasos para honra ( Rm 9:21 ). É por isso que o apóstolo Paulo não se envergonhava do evangelho, pois o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo que crê ( Rm 1:16 ).

Ao falar desta questão com Jó, Deus deixa claro que, para que o homem possa declarar a si mesmo justo, seria necessário ter braços como o de Deus e trovejar como o Altíssimo. Seria necessário enfeitar-se de glória e de esplendor e vestir-se de honra e majestade. Deveria ser capaz de derramar a sua ira esmagando o ímpio em seu lugar. Somente suprindo todos os requisito enumerados anteriormente seria possível ao homem salvar-se a si mesmo ( Jó 40:8 -14).

Mas, como o homem não tem esse poder descrito por Deus, jamais poderá declarar-se justo ou salvar a si mesmo. Já o Filho do homem, Jesus Cristo, Ele pode declarar o homem justo, porque Ele mesmo revestiu-se de glória e majestade ao tornar à glória junto ao Pai “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” ( Jo 17:5 ); “Cinge a tua espada à coxa, ó valente, com a tua glória e a tua majestade” ( Sl 45:3 ).

O segundo passo para compreender a doutrina da justificação é entender que não há como Deus declarar livre de culpa aqueles que estão condenados. Deus justo não pode deixar que a pena imposta aos transgressores não lhes seja aplicada.

Deus jamais declara (justifica) justo aquele que é ímpio “De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio ( Êx 23:7 ).  Deus jamais trata o ímpio como se justo fosse “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” ( Gn 18:25). Deus jamais fará com que a pena imposta ao transgressor seja dada a outrem, como se lê: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” ( Ez 18:20 ).

Quando Jesus disse a Nicodemos que é necessário ao homem nascer de novo, todas as questões acima foram consideradas, pois Jesus bem sabia que Deus jamais declara os nascidos segundo a carne de Adão livres de culpa.

Quando do nascimento natural o homem foi feito pecador, um vaso para desora, portanto, filho da ira e da desobediência. Para declarar o homem livre de pecado, primeiro é necessário que ele morra, pois se não morrer jamais poderá viver para Deus “Porque aquele que está morto está justificado
do pecado” ( Rm 6:7 );
 “Insensato! o que tu semeias não é vivificado, se primeiro não morrer” ( 1Co 15:36 ).

Cristo morreu pelos pecadores – o justo pelos injustos – mas qualquer que não comer a carne e beber o sangue de Cristo não terá vida em si mesmo, ou seja, é imprescindível ao homem ser participante da morte de Cristo “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito” ( 1Pe 3:18 ); “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” ( Jo 6:53 ).

Comer a carne e beber o sangue de Cristo é o mesmo que crer n’Ele ( Jo 6:35 e 47 ). Crer em Cristo é o mesmo que ser crucificado com Ele. Qualquer que crê é sepultado com Ele e deixa de viver para o pecado e passa a viver para Deus “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” ( Gl 2:20 ; Rm 6:4 ).

O homem que crê em Cristo admite que é réu de morte por causa da ofensa de Adão. Implicitamente admite que Deus é justo quando fala e é puro quando julga os descendentes de Adão como culpados ( Sl 51:4 ). Admite que somente Cristo tem o poder de criar um novo homem pela ressurreição dentre os mortos, de modo que aquele que é sepultado com Ele ressurge uma nova criatura.

O último passo para compreender a justificação é entender que do novo nascimento surge uma nova criatura criada em verdadeira justiça e santidade “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 ; Ef 4:24 ). Esta nova criatura é declarada justa porque efetivamente Deus a criou de novo justa e irrepreensível diante d’Ele.

O homem que crê em Cristo é criado de novo participante da natureza divina ( 2Pe 1:4 ), pois o velho homem foi crucificado e o corpo que pertencia ao pecado desfeito. Após ter sido sepultado com Cristo na semelhança da sua morte, o homem ressurge uma nova criatura “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” ( Rm 6:6 ).

Através do evangelho, Deus não somente declara o homem justo, como também cria o novo homem essencialmente justo. Diferente do que o Dr. Scofield afirma, que Deus somente declara o pecador como sendo justo, mas não o torna justo.

A bíblia afirma que Deus cria o novo homem em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ), portanto, a Justificação é proveniente de um ato criativo de Deus, mediante o qual o novo homem é criado participante da natureza divina. A justificação bíblica refere-se à condição daqueles que são gerados de novo mediante a verdade do evangelho (fé): livres de culpa ou de condenação.

Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo. Porque não há nenhuma condenação?  A resposta está no fato de o homem ‘estar em Cristo’, pois os que estão em Cristo são novas criaturas “PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” ( Rm 8:1 ); “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 ).

A justificação decorre da nova condição daqueles que estão em Cristo, pois estar em Cristo é ser uma nova criatura “E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” ( Rm 8:10 -11).

Dai a pergunta do apóstolo Paulo: “Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma” ( Gl  2:17 ). Ora, Cristo é ministro da justiça, e de nenhum modo ministro do pecado, portanto, aquele que é justificado por Cristo não é achado pecador, pois está morto para o pecado “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 ).

Quando o apóstolo Paulo afirma: é Deus quem os justifica! “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” ( Rm 8:33 ), ele tinha plena certeza de que não era uma questão forense, pois num tribunal só declara o que é, visto que não possuem poder para mudarem a condição daqueles que comparecem perante os juízes.

Quando é dito que ‘é Deus quem justifica’, o apóstolo Paulo aponta o poder de Deus que cria um novo homem. Deus declara o homem justo porque não há condenação para aqueles que são novas criaturas. Deus não transferiu a condição do velho homem para Cristo, antes o velho homem foi crucificado e desfeito, de modo que, dentre os mortos ressurgiram novas criaturas que estão assentadas com Cristo para a glória de Deus Pai, e sobre elas não pesa condenação alguma.

Os cristãos são declarados justos porque foram transformados em justos (dikaioõ) pelo poder que há no evangelho, pelo qual o homem é participante do corpo de Cristo, pois morreu e ressurgiu juntamente com Cristo na condição de santo, irrepreensível e inculpável “No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis” ( Cl 1:22 ; Ef 2:6 ; Cl 3:1 ).

Quando Paulo afirma: “Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” ( Cl 3:3 ), significa que o cristão está justificado do pecado, ou seja, morto para o pecado ( Rm 6:1 -11), e vivo para Deus “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” ( Rm 6:4 ).

Jesus foi entregue por Deus para morrer por causa do pecado da humanidade, pois é necessário aos homens morrerem para o pecado para que possam viver para Deus. É por isso que Cristo Jesus ressurgiu, para que os que ressurgem com Ele sejam declarados justos. Sem morrer não há ressurreição, sem ressurreição não há justificação “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” ( Rm 4:25 ).

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Como ultrapassar a justiça dos fariseus

Como o povo obteria justiça superior a dos fariseus, se os fariseus pautavam as suas práticas no que a religião judaica apresentava como melhor? Como alguém do povo, que era rotulado como multidão maldita pelos lideres da religião judaica, seria capaz de obter justiça superior a de um fariseu semelhante a Saulo, que vivia conforme os preceitos da mais severa seita do judaísmo “Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu” ( At 26:5 ); “Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita” ( Jo 7:49 ).


“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 )

Introdução

Como exceder a justiça dos escribas e fariseus, se os escribas e fariseus eram religiosos considerados justos aos olhos do povo? ( At 26:5 ) Como o povo à época de Cristo haveria de adquirir uma justiça superior a dos escribas e fariseus, se eles eram referência moral, religiosa e de serviço a Deus?

Observe o que um fariseu disse enquanto orava: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” ( Lc 18:11 -12 ).

Um jovem príncipe, quando interpelado acerca dos mandamentos, disse: “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” ( Mt 19:20 ).

Acerca dos fariseus, Jesus disse: “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens…” ( Mt 23:28 ).

Daí a pergunta: como o povo obteria justiça superior a dos fariseus, se os fariseus pautavam as suas práticas no que a religião judaica apresentava como melhor? Como alguém do povo, que era rotulado como multidão maldita pelos lideres da religião judaica, seria capaz de obter justiça superior a de um fariseu semelhante a Saulo, que vivia conforme os preceitos da mais severa seita do judaísmo “Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu” ( At 26:5 ); “Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita” ( Jo 7:49 ).

Como adquirir justiça maior que a dos fariseus, se as suas práticas como jejuns, orações, sacrifícios, dízimos, moral, comportamento, religiosidade, nacionalidade, etc., não lhes concedeu o direito de entrarem no reino dos céus?

Para alcançar justiça superior, seria o bastante redobrar as práticas dos escribas e fariseus? Redobrar os jejuns, as orações, os sacrifícios, os dízimos, etc., concederia justiça superior?

 

O povo e os fariseus

Aos olhos do povo, os escribas e fariseus eram tidos por justos “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” ( Mt 23:28 ), entretanto, apesar da conduta social ilibada, Jesus vetou o reino dos céus aos fariseus e escribas “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ).

Ao demonstrar que o reino dos céus estava vetado aos escribas e fariseus e exigir do povo uma justiça superior aos mestres em Israel, Jesus, de modo polido, estava dando a entender aos seus ouvintes que, tanto eles quanto os escribas e fariseus estavam destituídos do reino dos céus.

Se os fariseus não podiam entrar no céu, o que seria do povo? E o pior: como e onde obteriam uma justiça superior? O que era necessário fazer para ter direito a entrar no reino dos céus? Ser descendente da carne de Abraão não bastava? Ser israelita, prosélito, circuncidado, dizimista, guardar o sábado, ir ao templo, sacrificar, etc., não era suficiente?

 

O que fazer?

Para compreendermos o que Jesus exigiu do povo no Sermão da Montanha, é de grande ajuda comparar Mateus 5, verso 20 com João 3, verso 3:

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ), e;

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

Escolhemos João 3, verso 3, para compararmos com Mateus 5, verso 20 por causa da parte ‘b’ dos dois versículos:

 “… de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 );

“… não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

Através dos dois versos, verifica-se que, para entrar no reino dos céus é necessário: a) nascer de novo, e/ou; b) obter justiça que exceda a dos escribas e fariseus.

 

Como nascer de novo?

O apóstolo João deixa claro que, todos os que creem em Cristo recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). Ora, para receber poder é imprescindível crer que o Filho do homem, o Jesus de Nazaré, desceu do céu ( Jo 3:13 ).

Crer em Cristo como o Verbo que se fez carne é o mesmo que recebê-Lo “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” ( Jo 1:12 ). Que ‘poder’ é concedido aos que creem? Ora, o poder é o evangelho, como diz o apóstolo Paulo: “Não me envergonho do evangelho, que é poder de Deus” ( Rm 1:16 ).

Recebe a Cristo quem crê que o Filho do homem tinha que ser crucificado ( Jo 3:14 ); recebe quem crer nas palavras proferidas pelo Filho do homem ( Jo 3:15 ); recebe quem crer que Deus entregou o seu Filho Unigênito ( Jo 3:16 ); recebe quem crer que o Filho do homem foi entregue para salvar o mundo, e não para condená-lo ( Jo 3:17 ); recebe a Cristo quem crer que a condenação é rejeitar Cristo ( Jo 3:18 ), e; recebe a Cristo quem crer que praticar a verdade é o mesmo que estar em Cristo ( Jo 3:19 ).

Sobre esta verdade disse o apóstolo Paulo: “Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo” ( Gl 3:25 -27).

Uma análise apurada demonstra que, para nascer de novo é necessário crer na mensagem do evangelho, as boas novas anunciadas por Cristo, que é semente incorruptível e poder de Deus ( 1Pe 1:3 e 23 ). Não basta crer em milagres, no impossível, em Deus, antes é necessário crer em Cristo como o enviado de Deus que tira o pecado do mundo ( Jo 14:1 e 11; Tg 2:19 ).

 

Como alcançar justiça superior a dos escribas e fariseus?

Jesus orientou aos seus ouvintes a buscarem o reino de Deus e a justiça proveniente do reino “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” ( Mt 6:33 ). Ora, sabemos que Cristo é o reino de Deus entre os homens ( Lc 11:9 -10; 11 e 20-21 ).

Certa feita a multidão perguntou acerca da obra de Deus, e Jesus respondeu: “A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). Qualquer que crê no enviado de Deus, realiza a obra de Deus, de modo que excede a justiça dos escribas e fariseus “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ).

Diante da pergunta: “Creu nele porventura algum dos principais ou dos fariseus?” ( Jo 7:48 ), tem-se a resposta: não! Ora, se não creram no enviado de Deus, certamente não executaram a obra exigida; se não ‘buscaram’ o reino de Deus, consequentemente não alcançaram a justiça que vem do alto.

Com base na obra exigida por Deus, que é crer em Cristo, verifica-se que ser justo não decorre de ações tais como não roubar, furtar, adulterar, injustiçar, etc., antes diz da condição própria aos filhos de Deus “O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano” ( Lc 18:11 ); “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” ( Tt 3:5 ).

A obra exigida por Deus não se refere às obras da lei, antes se refere à obra da fé: crer no enviado de Deus ( Gl 3:2 ). As obras que os fariseus realizavam baseavam-se em preceitos de homens, portanto, jamais entrariam no reino dos céus “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” ( Mt 15:8 ).

Com base nos versos que analisamos, verifica-se que:

  • para nascer de novo é necessário crer em Cristo;
  • que crer em Cristo é a obra exigida por Deus;
  • quem crer executa obra maior que a dos escribas e fariseus, de modo que alcança justiça superior.

O advento do novo nascimento é o que estabelece justiça superior à justiça dos escribas e fariseus e, que ter justiça superior a dos escribas e fariseus só é possível a quem nascer de novo. Todos os que são de novo gerados pela fé em Cristo são criados em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Quem crê em Cristo possui a mesma fé que o crente Abraão que, após ouvir a promessa, creu que em seu Descendente todas as famílias da terra seriam benditas ( Gl 3:8 ). Quem crê em Cristo está de posse da mesma ‘fé’ que Abraão, portanto, é recebido por filho de Abraão por crer em Cristo “E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” ( Gl 3:29 ).

Crer em Cristo é alcançar o reino dos céus e a sua justiça. A justiça do reino de Deus é superior, pois é de cima ( Mt 7:33 ).

 

A justiça nos Salmos

Onde o homem buscará justiça?

Segundo o salmista, a mão direita de Deus está plena de justiça ( Sl 48:10 ). Tudo o que fora dito pelos profetas acerca de Deus, o homem encontra em Cristo “Como o ouvimos, assim o vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, na cidade do nosso Deus. Deus a confirmará para sempre” ( Sl 48:8 ).

O salmista profetizou dizendo que, tudo o que ouviram, assim viram na cidade de Jerusalém. O evangelista João confirma esta palavra, quando diz: “O QUE era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” ( 1Jo 1:1 ).

Cristo apresentou-se diante da multidão com as mãos plenas de justiça, pois veio e cumpriu o que fora ordenado pelo Pai ( Sl 48:11 ). Ele mesmo enfatizou ser o cumprimento cabal do que fora predito, portanto, era o cumprimento da lei ( Mt 5:17 -18).

Há uma má leitura da fala de Jesus quando disse que ‘veio cumprir a lei’. Muitos entendem que Jesus veio cumprir o sábado, a circuncisão, os jejuns, as luas novas, as festas, etc., porém, a leitura correta é que Ele é o cumprimento cabal da lei e dos profetas. Em Cristo tudo foi cumprido, quer seja um til ou um jota. Embora Jesus se assentasse com os pecadores e cobradores de impostos, não jejuasse aos moldes dos fariseus, não guardasse o sábado como os seus compatriotas, Ele era a encarnação da lei e dos profetas ( Mt 9:14 ; Jo 9:16 ).

Por fim, o salmista profetiza que Cristo há de ser o guia daqueles que nele confiam até a morte “Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte” ( Sl 48:14 ). Como? Jesus não veio para livrar o homem da morte? O correto não seria um guia que livrasse o homem da morte?

Não! Na verdade, para que a justiça de Deus fosse estabelecida, necessário é que o devedor recebesse o seu prêmio: a morte. Deus estabeleceu: a alma que pecar, essa mesma morrerá, de modo que a pena não passa da pessoa do transgressor ( Ez 18:4 ).

Por causa deste entrave é que Jesus convida os homens a tomarem sobre si a sua própria cruz e segui-lo. Qualquer que crê em Cristo toma a sua cruz; quem crê segue após Cristo, é crucificado e morto. Cristo morreu a morte física como cordeiro de Deus, em lugar de todos os pecadores. Porém, todos os que creem morrem com Ele para que a justiça de Deus seja estabelecida, e só então, é criado um novo homem, ressurreto em uma nova criatura “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” ( 1Pe 2:24 ).

Quando o homem morre com Cristo, Deus é justo. Quando o homem ressurge dentre os mortos, Deus é justificador, pois declara o ressurreto com Cristo justo. O homem de novo gerado é declarado justo porque foi de novo criado participante da natureza divina: justo ( 1Pe 1:4 ). Somente os nascidos de Deus são justos e praticam justiça. Praticar justiça é próprio aos nascidos d’Ele, assim como pecar é próprio aos escravos do pecado “Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele” ( 1Jo 2:29 ).

Somente àqueles que se achegam a Cristo (luz) praticam a verdade. Como a obra de Deus é que o homem creia em Cristo, a obra de quem crê é realizada em Deus. Quem crê professa a verdade do evangelho, de modo que as suas obras são manifestas “Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” ( Jo 3:21 ).

Confessar que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus, certo de que Deus o ressuscitou dentre os mortos é o artigo de fé pelo qual o homem é salvo.

Quem crê nesta verdade, alcança justiça e a boca manifesta a obra realizada por Deus “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” ( Rm 10:9 -11).

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A palavra ‘Justificação’

28Em Romanos 3, verso 7, o apóstolo Paulo estabelece uma relação entre as palavras ‘morto’ e ‘justificado’: “aquele que está morto” também “está justificado” do pecado! Ou seja, a primeira condição (morto) implica na segunda (justificado). Satisfeita a primeira condição a segunda é estabelecida.

A palavra justificação é de origem latina composta de ‘justus’ e ‘facere’ e significa ‘fazer justo’ em português.

As palavras ‘justificado’ e ‘justiça’ são traduções de palavras gregas semelhantes. Temos o verbo dikaiôun que é ‘declarar justo’, ‘justificar’. O substantivo dikaíosis que é ‘justificação’, ‘justiça’, e o adjetivo dikaios, que qualifica que é ‘justo’.

Uma tradução precisa dos termos que fazem referência à justificação auxilia em muito a interpretação dos escritos de Paulo, porém, só os termos tomados de maneira isolada não revelam a grandeza das idéias centrais que compõe a doutrina da justificação.

Para entendermos a extensão das expressões supracitadas devemos atentar mais para o contexto nas quais elas foram citadas, do que para o significado denotativo da palavra.

Este estudo não se limita a apresentar um trabalho de conclusões. Antes, procuramos apresentar ao leitor o raciocínio que se deve percorrer para chegar às conclusões que apontaremos no decorrer deste estudo.

 

Aquele que está morto

Em Romanos 3, verso 7, o apóstolo Paulo estabelece uma relação entre as palavras ‘morto’ e ‘justificado’: “aquele que está morto” também “está justificado” do pecado! Ou seja, a primeira condição (morto) implica na segunda (justificado). Satisfeita a primeira condição a segunda é estabelecida.

Antes de ser feita a declaração “… porque aquele que está morto está justificado do pecado”, o apóstolo Paulo enfatiza de maneira contundente a ‘morte’ daqueles que creem em Cristo (estão) conforme diz a escritura ( Rm 6:1 -6).

Para entendermos precisamente a declaração paulina devemos ter a resposta da seguinte pergunta: Quem está morto?

A resposta está no versículo dois do capítulo seis da carta aos Romanos: Nós, ou seja, Paulo e os cristãos!

Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”
( Rm 6:2 )

No versículo acima o apóstolo esclarece aos leitores da carta aos Romanos que todos eles estão mortos para o pecado, ou seja, nenhum crente em Cristo ‘vive’ para o pecado. Isto significa que efetivamente os cristãos estão mortos para o pecado.

Caso alguém argumentasse contra esta realidade (mortos para o pecado), o apóstolo Paulo contra argumenta de quatro maneiras diferentes para se fazer compreensível.

a) Os que foram batizados foram batizados na morte de Cristo ( Rm 6:3 );

b) Pelo batismo na morte todos foram sepultados com Cristo ( Rm 6:4 );

c) Todos foram plantados juntamente com Cristo, e ( Rm 6:5 );

d) Uma vez que, todos sabiam que haviam sido crucificados com Cristo.

 

“Pois sabemos isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado…”
( Rm 6:6 )

 

Diante dos elementos que foram apresentados restam as seguintes conclusões: vocês estão mortos! “Pois morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus” ( Cl 3:3 ).

“Ora, se já morremos com Cristo…” ( Rm 6:8 ).

“Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado…” ( Rm 6:11 ).

 

Quando o apóstolo Paulo diz: ‘considerai-vos’, não significa simplesmente imaginar como se estivessem mortos para o pecado, antes os cristãos deviam estar cônscios, vivendo esta nova realidade. Paulo não apregoou um ‘faz de conta’, antes ele anunciou verdades eternas.

Aquele que crê em Cristo vive esta nova realidade em verdade: após encontrar a cruz de Cristo, morreu para o pecado e está efetivamente justificado do pecado.

Observe que a palavra ‘considerai’ do versículo onze significa ‘contar com’, ‘descansar em’. Aliado ao significado da palavra, está o contexto, que demonstra que os cristãos efetivamente estão mortos para o pecado.

 

Está Justificado do Pecado

Já que os cristãos efetivamente morreram para o pecado como foi observado em ( Rm 6:2 ), conclui-se que quem está justificado perante Deus necessariamente já morreu para o pecado.

De outro modo: aquele que está vivo para o pecado não está justificado do pecado. Portanto, só é possível ser justificado do pecado quando se está morto para ele.

A condição ‘justificado do pecado’ é real e efetiva, pois decorre da primeira, que é estar morto para o pecado “… porque aquele que está morto está justificado do pecado”.

Dentro deste contexto de ‘morte para o pecado’ e ‘justificado do pecado’ torna-se possível determinarmos qual o real significado das palavras ‘justificação’ e ‘justificar’.

Qual a melhor tradução para as palavras dikaíôun e dikaíosis? Seria ‘fazer justo’? ‘criar justo’? Ou ‘declarar justo’?

O parágrafo seguinte nos auxiliará na escolha da tradução que melhor transmite à ideia apresentada pelo contexto.

 

Para que sejas justificado

Quando Paulo faz a citação de um versículo do salmista Davi, nos auxilia em muito na compreensão da extensão do significado da palavra justificado.

Neste salmo Davi demonstrou que reconhecer os próprios erros é a melhor maneira de declarar sem palavras que Deus é justo “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” ( Sl 51:4 ).

Ele assume os seus erros para que Deus seja justificado ao falar.

O que o contexto nos apresenta?

  • Davi assumiu os seus erros para ‘fazer’ Deus justo?
  • Davi assumiu os seus erros para ‘criar’ Deus justo?
  • Ou Davi assumiu os seus erros para ‘declarar’ que Deus é justo?

O contexto nos aponta a terceira opção. O homem declara a justiça de Deus quando reconhece os seus próprios erros.

O salmista reconhece sua condição em decorrência do seu pecado: “…contra ti, contra ti somente pequei…”, com um objetivo bem definido: declarar a justiça de Deus “… para que sejas justificado quando falares…”.

O apóstolo cita este salmo para declarar que Deus é verdadeiro, ou seja, ao citar este salmo, Paulo tem a intenção nítida de fazer uma declaração sobre um dos atributos de Deus: Deus é verdadeiro, ou: sempre seja Deus verdadeiro!

 

“De maneira nenhuma. Sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado”
( Rm 3:4 )

 

O apóstolo Paulo ao declarar que Deus é verdadeiro cita o salmista para dar sustentabilidade à sua declaração. Paulo demonstra que a sua declaração é conforme as Escrituras.

Temos dois elementos no texto, que se somados, evidenciam a ideia que a palavra ‘justificado’ procura transmitir:

  • Davi reconhece os seus erros como forma de evidenciar que Deus é justo;
  • Paulo utiliza o salmo para dar peso a sua declaração: Deus é verdadeiro e todo homem mentiroso.

Desta forma temos que, a palavra ‘justificado’ se traduz por ‘declarar’ justo.

Declarar: Dar a conhecer; expor; proclamar publicamente, anunciar solenemente; revelar, julgar, considerar, nomear, etc.

O apóstolo Paulo fez a citação de um salmo onde a palavra justificado engloba a mesma ideia que ele procura transmitir com os termos dikaíôun e dikaíosis.

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Como Deus sendo justo justifica o ímpio?

Todos os questionamentos surgem porque falta a compreensão de como se dá a justiça de Deus. Como Deus justifica o ímpio ( Rm 3:26 ), se Ele mesmo afirmou que jamais justifica o ímpio ( Ex 23:7 ). Se é reto que a justiça condene o culpado, um juiz que absolve ou justifique o injusto não age injustamente?


Uma das inestimáveis doutrinas do Cristianismo é a justificação. Tal doutrina foi abordada pelo apóstolo Paulo quando escreveu aos cristãos em Roma, porém, é mal compreendida por muitos cristãos.

A incompreensão da doutrina da justificação é nítida desde os primeiros pais da igreja e, assim continuou no período da Idade Média.

Com o advento da reforma, muitos pensam que houve um retorno aos princípios do evangelho e, que daí por diante o conceito de justificação é o mesmo exposto pelos apóstolos. Grande equivoco!

Quanto ao sentido do termo traduzido por ‘justificar’ no Antigo Testamento, na sua maioria o erro decorre da conotação moral e ética que atribuem ao termo. Porém, a vertente mais perniciosa é aquela que vê no termo aspectos forense, como quando uma pessoa comparece perante um tribunal e é declarada judicialmente justa por ter uma vida coerente com as exigências legais, pois o sentido neotestamentário do termo “justificar” não guarda relação com a justiça dos tribunais, pois a justiça de Deus se dá através do seu poder.

O apóstolo Paulo é claro ao dizer que o evangelho de Cristo é poder de Deus para salvação de todo o que crê, pois no poder de Deus se descobre a justiça de Deus ( Rm 1:16 -17). Jesus ao curar um paralítico disse: “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:24 ). Ou seja, a justificação se dá pelo poder de Deus, sem qualquer referencia a um tribunal.

A justiça forense não justifica os réus, somente emitem uma sentença de que aquela pessoa é inocente ou culpada, o que é diferente de declarar alguém justo. Num tribunal verifica-se somente uma conduta isolada, ou seja, não se analisa a vida de quem é julgado, o que inviabiliza declarar alguém justo ou injusto.

Ao pensarmos em um tribunal divino, temos que considerar que tal tribunal foi estabelecido no Éden, quando Adão pecou. Naquele momento ele foi julgado e apenado com a morte, separação, alienação de Deus “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ).

Naquele evento todos os homens pecaram. Naquele ‘tribunal’ toda a humanidade tornou-se destituída da glória de Deus ( Rm 3:23 ; 1Co 15:22 ). Como a pena emitida no ‘tribunal’ do Éden poderia ser aplicada a Cristo se a pena não pode passar da pessoa do transgressor? Como a justiça de Cristo pode ser atribuída por Deus aos culpados?

Naquele tribunal houve uma única sentença: condenação!

E como uma pessoa condenada pode ser declarada justa por Deus se a justificação bíblica não é forense?

Por causa destas indagações, muitos teólogos, ao especular sobre a natureza da justificação consideram que o homem justificado não se torna justo, antes só é declarado justo. Ou seja, embora não seja justo, Deus faz uma declaração e trata tal homem como se fosse justo, mas que na realidade não é justo. Está é a teoria predominante nos meios acadêmicos que se firmou desde a reforma com Lutero.

Para os acadêmicos, tornar justo e declarar justo são afirmações distintas, ao afirmar que Deus declara o homem justo sem torná-lo justo.

É possível Deus verdadeiro declarar uma mentira? Não é injusto tratar o injusto como se fosse justo?

Mesmo que se considere que ser declarado justo não possui relação direta com ser justo, não se pode ignorar que a declaração procede de Deus que, além de ser justo, vela sobre a sua palavra para cumprir e, a sua palavra jamais volta vazia. Se Deus declarar justo o homem que não é justo comete injustiça, assim como também se mostra impotente para cumprir sua palavra, que seria inócua.

Portanto, em conformidade com Antigo Testamento, justificar implica na certeza de que a pessoa é inocente e, depois, declarar o que de fato é a verdade: que a pessoa é isenta de culpa, justa, que se porta conforme a lei. Se isto era exigido dos tribunais humanos que se dirá de Deus? ( Dt 25:1 )

Na Reforma protestante, Lutero procurou reafirmar um sentido forense para o termo ‘justificação’, considerando que a ‘justificação’ seria um ‘direito legal’ de se ter comunhão com Deus. Ele apresentou esta proposta para fugir da afirmação de que a justificação seria uma justiça infundida no homem. Mas, de onde tal direito ‘legal’ surgiu para que o homem lançasse mão dele?

Todos os questionamentos surgem porque falta a compreensão de como se dá a justiça de Deus. Como Deus justifica o ímpio ( Rm 3:26 ), se Ele mesmo afirmou que jamais justifica o ímpio ( Ex 23:7 ). Se é reto que a justiça condene o culpado, um juiz que absolve ou justifique o injusto não age injustamente?

Millard J. Erickson, em sua Introdução à Teologia sistemática, define que a justificação é um ato forense de imputação da justiça de Cristo ao crente’, mas que não é de fato uma infusão de santidade no indivíduo. Ele arremata dizendo que não é uma questão de tornar a pessoa justa ou de alterar a sua condição espiritual Erickson, Introdução a Teologia Sistemática, p. 409.

Neste mesmo sentido Scofield diz que o pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa… Scofield, Bíblia de Scofield com referencias, Rm 3:28, p. 1147.

O Dr. Emery H. Bancroft diz que o método da justificação é divino e não humano, visto que o homem só pode justificar o inocente e Deus justifica o culpado, sendo que ‘Deus justifica à base da misericórdia’ e o ‘homem justifica a base do mérito’. Por fim, ele alega que o homem precisa ser salvo do seu caráter, esquecendo-se que não foi o caráter que estabeleceu a alienação de Deus, mas o pecado. Bancroft, Teologia Elementar, p. 256.

Certo é que, quanto ao fundamento, a justificação tem por base a justiça de Cristo, pois o homem é incapaz de promover a sua justificação. Embora seja verdadeira a premissa de que Cristo se fez justiça para a humanidade, persiste a pergunta: como se processa a justiça de Deus ao justificar o injusto, sendo Ele absolutamente justo?

A resposta encontra-se no evangelho, ou seja, no poder de Deus.

A necessidade de justificação se deu a partir da queda de Adão. Com a desobediência de Adão o pecado entrou no mundo e a humanidade herdou uma natureza alienada de Deus, uma natureza separada e, consequentemente, toda a humanidade é injusta desde seu nascimento ( Sl 51:5 ; Sl 58:3 ; Gn 8:21 ).

A justiça é reta: a alma que pecar esta mesma morrerá ( Ez 18:20 ). De igual modo, a bíblia deixa claro que todos pecaram e foram destituídos de compartilhar da comunhão com Deus ( Rm 3:23 ). Neste sentido, todos devem ser assalariados com a morte, pois a pena não pode passar da pessoa do transgressor e Deus jamais declara o ímpio justo.

Embora Deus seja misericordioso, a sua justiça não tem por base a misericórdia, e sim o seu poder. Como a todos os homens está determinado morrerem uma só vez, vindo após isto o juízo de obras que se realizará diante do grande trono branco, juízo onde ninguém será justificado tendo em vista a condenação do Éden “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo…” ( Hb 9:27 ; Ap 20:12 -13 ), o evangelho é a providencia divina para que o homem seja apenado com Cristo, e não com o mundo.

Quando o homem crê em Cristo conforme o que as Escrituras dizem, naquele instante toma sobre si a própria cruz e segue após Cristo “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” ( Mt 10:38 ). Ao crer, o homem torna-se participante da carne e do sangue de Cristo, momento que lhe é comunicado as aflições, vitupérios e a morte de Cristo “Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte ( Fl 3:10 ).

Quem crê sai juntamente com Cristo ao arraial e leva sobre si o vitupério de Cristo, pois é crucificado e morto juntamente com Cristo “Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério ( Hb 13:13 ). Quando o homem é morto com Cristo, Deus executa justiça e, consequentemente a sua palavra, pois a alma que pecar esta mesma morrerá, ou seja, a penalidade não passa da pessoa do transgressor, pois quem está morto está justificado do pecado.

Quando o homem crê em Cristo, ou seja, admite (confissão) que Ele é o Filho do Deus vivo, é porque também admitiu (confissão) que é pecador. Neste instante o homem é crucificado, morre e é sepultado com Cristo “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte ( Rm 6:3 – 4).

Ou seja, a justiça exigida por Deus é estabelecida, pois a pena prevista não passa da pessoa do transgressor. Embora a morte física de Cristo tenha sido substitutiva, contudo a cruz, a morte e o sepultamento não o são, pois os que creem são participantes da circuncisão de Cristo, que é o despojar de toda a carne ( Cl 2:11 ).

Através da morte de Cristo, o homem culpado que surgiu através da semente de Adão é apenado com a morte, de sorte que Deus jamais justifica o ímpio. A alma que pecar, esta mesma morrerá e, através da morte com Cristo a determinação divina se concretiza. A ira divina requer juízo e a sua misericórdia não impede que esse juízo seja executado: o homem precisa morrer com Cristo.

É por isso que o apóstolo Paulo diz: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 ), pois o velho homem foi crucificado, morto e sepultado conforme merecia. O homem gerado segundo a semente corruptível de Adão jamais receberá de Deus a declaração de justo. Deus jamais justifica o ímpio, pois ao ímpio não há paz, antes espada, morte.

Demonstramos que Deus é justo, agora falta demonstrar como Ele é justificador dos que creem em Cristo “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 ).

Quando o pecador morre com Cristo Deus é justo, quando ressurge um novo homem dentre os mortos com Cristo pelo poder de Deus, Deus é justificador! Sem contradição alguma! Justo e justificador é o Senhor!

No momento que é criado um novo homem, Deus o declara justo, livre de culpa, pois o novo homem é criado em perfeita justiça e santidade ( Ef 4:24 ). A velha criatura jamais é declarada justa, mas aqueles que recebem poder para serem feitos filhos, estes Deus os declara justos.

Quando Deus olha o homem ressurreto com Cristo, não precisa olhar para Cristo para declará-lo justo, visto que ao olhar para o cristão Deus vê um dos seus filhos, gerado segundo a palavra da verdade. Deus só declara justos os nascidos de novo e, para os de novo nascidos, eis que tudo se fez novo.

Quando Deus anuncia que jamais justifica o ímpio, temos que considerar que Ele se refere ao homem gerado de Adão. Quando lemos o apóstolo Paulo afirmando que Deus justifica o ímpio temos um novo contexto, pois ele faz referencia a fé que o ímpio professa “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 ).

A bíblia demonstra que Jesus ressurgiu para a nossa justificação “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação ( Rm 4:25 ), pois ao ressurgir com Cristo, o homem é criado justo e declarado justo, pois tal declaração implica em uma atestado divino de que a nova criatura em Cristo de fato foi criada em verdade e justiça , portanto, é justa.

Assim como o pecado de Adão foi imputado à humanidade por causa da semente corruptível, assim também a justiça de Cristo é imputada ao homem em decorrência da semente incorruptível, pois na regeneração os homens passam a ser participantes da natureza divina, sendo justos e perfeitos como o é o Pai celeste quando ressurgem dentre os mortos com Cristo ( Rm 1:4 ).

O meio pelo qual o homem se apropria da justificação é somente pela fé. Quando dizemos que é pela fé, não quero dizer com isso que é a crença do homem que opera tal obra, antes é a fé que havia de se manifestar, Cristo, o poder de Deus, o evangelho. Como já mencionamos. A justificação se dá em decorrência do poder de Deus, ou seja, basta confiar no poder de Deus contido no evangelho “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” ( Cl 2:12 ).

É por isso que Jesus perdoou os pecados do paralitico com base no seu poder, visto que a justificação se dá através do poder que trás à luz o novo homem, e não conforme muitos apregoam, de que a justificação se dá através de princípios forenses “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” ( Rm 9:21 ).

O mesmo poder que foi manifesto em Cristo ressuscitando-o dentre os mortos é o poder que opera naqueles que creem na força do poder de Deus, que é o evangelho. Todos quantos já ressurgiram são de fato justificados, pois além de serem declarados justos, também foram feitos justos “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1:19 -20 ; 1Co 1:18 e 24).

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Deus é justo e justificador

É assente entre alguns teólogos que Deus declara o homem ‘como se fosse’ justo por meio da fé em Cristo, ou seja, estabeleceram uma ressalva. Para alguns, e dentre eles destacamos o Dr. Scofield, ‘Deus declara o pecador como sendo justo’, ou seja, ele afirma que Deus ‘não torna o homem justo’.


A palavra ‘justificação’ (Dikaiosis) quando empregada pelo apóstolo Paulo refere-se ao que é verdadeiro, da mesma forma que o salmista Davi utiliza a palavra ‘justificação’ (hitsdik) para fazer referência a Deus porque Ele é verdadeiramente Justo.

O apóstolo Paulo utiliza uma palavra grega que tem o mesmo sentido da palavra hebraica ‘justificação’ para fazer referência aos cristãos porque eles são verdadeiramente justos “…de modo que és justificado quando falas…” ( Rm 3:4 ; Sl 51:4 ). Os que creem são de novo criados em uma condição nova e específica: em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Os termos usados no Novo Testamento para justificação, no grego, são: Dikaios (justo); Dikaiosis (justificação, defesa, reclamação de um direito), e; Dikaioo (ter ou reconhecer como justo). No Velho Testamento o termo é hitsdik, que significa declarar judicialmente que alguém está em conformidade com a lei ( Ex 23:7 ; Dt 25:1 ; Pv 17:15 ; Is 5:23 ).

Quando Deus declara que o homem é justo, ou seja, justifica, declara o que é verdadeiro, pois Deus não pode mentir.

Por que a afirmação acima? Porque é assente entre alguns teólogos que Deus declara o homem ‘como se fosse’ justo por meio da fé em Cristo, ou seja, faz uma ressalva. Para alguns, e dentre eles destacamos o Dr. Scofield, ‘Deus declara o pecador como sendo justo’, ou seja, ele afirma categoricamente que Deus ‘não torna o homem justo’.

“O pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa…” Bíblia de Scofield com Referências, Rm 3:28 , pág. 1147.

Ora, Deus jamais declararia que o homem é justo, sendo que efetivamente não está na condição de justo. É inconcebível Deus declarar e tratar como justo aquele que Ele não torna justo. Como Deus poderia reconhecer algo que não é como se fosse?

Sabemos que Deus tem poder de chamar a existência as coisas que não são como se elas já fossem ( Rm 4:16 ), porém, jamais declararia como sendo justo o pecador “De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio( Ex 23:7 ).

Se Deus não justifica o ímpio, como é possível que o pecador seja declarado justo?

Bem afirmou o apóstolo Paulo, que ‘o justificado do pecado está morto’ ( Rm 6:2 -7). Se a primeira proposição é verdadeira, a segunda também o é, visto que a segunda depende da primeira.

Desta forma a palavra ‘justificado’ traduz uma ideia verdadeira, visto que, todos que creram morreram com Cristo.

Quando o apóstolo Paulo utiliza a palavra ‘justificação’, tem em mente algo que é verdadeiro, ou seja, aquele que está morto está plenamente justificado do pecado!

Se o velho homem foi crucificado com Cristo, quem é justificado (declarado justo) por Deus?

Sabemos que Cristo foi entregue por causa dos pecados da humanidade, e que, quando creem n’Ele, morrem e são sepultados.

Sabemos que Jesus ressurgiu dentre os mortos, e, que, com Ele os que creram ressurgiram “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus” ( Cl 3:1 ).

A ‘justificação’ (declaração de justo) recai sobre o novo homem que ressurge com Cristo dentre os mortos. Somente a nova criatura é declarada justa perante Deus, pois foi de novo criada em verdadeira justiça e santidade.

O pecador jamais será declarado justo, pois o velho homem, que é o pecador, será crucificado com Cristo “Pois sabemos isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado…” ( Rm 6:6 ). O pecador nunca será justificado perante Deus, antes morre através da cruz de Cristo.

O pecador que aceita o sacrifício de Cristo por meio da fé (evangelho) morre juntamente com Ele, e quando ressurge, ressurge uma nova criatura (criada) segundo Deus em verdadeira justiça e santidade. Este novo homem é declarado justo diante de Deus.

As palavras traduzidas por ‘justificar’ e ‘justificação’ significa ‘tornar justo’, ‘fazer justo’, ‘declarar justo’, ‘declarar reto’ ou ‘declarar livre de culpa e de merecimento de castigo’. Quando Deus cria o novo homem em verdadeira justiça e santidade, executa todas as ações descritas nos verbos acima.

Somente aquele que é criado justo pode receber esta declaração da parte de Deus, ou seja, só o novo homem, criado segundo Deus pode receber de Deus a declaração: este é justo.

“E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade…” ( Ef 4:24 ).

O novo homem criado por Deus, por meio de Cristo Jesus, ou seja, que ressurgiu dentre os mortos, é criado em verdadeira justiça e santidade, portanto, quando Deus o declara justo, fala do que é verdadeiro, de uma condição plena e efetiva hoje.

“Ele foi entregue por nossos pecados, e ressuscitou para a nossa justificação” ( Rm 4:25 )

“… porque aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 )

Ao observar estes dois versículos, percebe-se que Jesus foi entregue por causa do pecado dos pecadores (se a humanidade não houvesse pecado, não haveria a necessidade de Cristo morrer), e ao morrerem com Ele, cumpre-se a justiça de Deus, visto que o pecador recebe o que está determinado pela justiça de Deus: a morte.

Em seguida, aquele que está morto é gerado de Deus e ressurge para a glória de Deus Pai, uma vez que, os que creem ressurgem com Cristo. Desta forma é justificado, ou declarado justo, pois para esse fim Cristo ressurgiu dentre os mortos: ‘ressurgiu para a nossa justificação’ ( Rm 4:25 ).

Se alguém não aceitar a argumentação de que os cristãos são de fato justos, deve concluir também que Cristo não ressurgiu. Se Cristo ressurgiu, é fato que os cristãos ressurgiram com Ele, e são declarados justos.

Quando o velho homem morre com Cristo, Deus é justo. Quando Deus cria o novo homem Ele é justificador. Sem contradição alguma: Ele é justo e justificador.

A bíblia diz que todos quantos creem em Jesus recebem poder para serem feitos (criados), filhos de Deus. O velho homem foi crucificado, morto, sepultado e dentre os mortos ressurge um novo homem. Este novo homem é declarado justo.

Paulo expressou que ‘aquele que está morto para o pecado é justo diante de Deus’ porque a condição de morto para o pecado é o mesmo que estar ‘vivo’ para Deus. Aquele que é criado de novo por meio do evangelho, que é poder de Deus para todo aquele que crê, é justificado (declarado justo), pois é uma nova criatura criada em verdadeira justiça e santidade.

Pois isso mesmo Paulo declara: “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” ( Rm 4:25 ).

O homem que é declarado justo diante de Deus não é aquele que morreu, antes o que ressurgiu dentre os mortos, ou seja, a nova criatura gerada de novo em Cristo.

Quando o apóstolo Paulo fala que aquele que está morto está justificado do pecado, tem em mente a ideia do versículo seguinte: “Pois é Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” ( Rm 8:34 ).

Quem está morto para o pecado, (ou antes) aquele que ressurgiu com Cristo foi justificado, ou seja, declarado justo perante Deus.

Alguns pensam que a declaração de justiça por parte de Deus há de se efetivar no futuro, e que, no presente, o homem só possui uma declaração do que posteriormente se dará. Não é assim a justificação.

“A justificação é uma declaração de Deus a respeito da condição da nova criatura perante Ele”

Todos quantos crerem recebem poder para serem feitos filhos de Deus, filhos nascidos não da vontade da carne, nem da vontade do varão ou do sangue. Estes são nascidos do Espírito, criados segundo Deus em verdadeira Justiça e Santidade ( Jo 1:12 -13).

Visto que, somente aqueles que nascem em justiça e santidade são verdadeiros, são declarados justos diante de Deus ( Ef 4:24 ). Deus é justificador daqueles que creem em Cristo.

O salmista só podia reconhecer os seus erros como forma de declarar a justiça de Deus. Qualquer homem não pode ir além do que fez o salmista.

Deus, porém, antes de declarar o homem justo faz algo extraordinário: a pena predeterminada é aplicada sobre os culpados (morte), gera uma nova criatura por meio do seu poder (o evangelho), e declara o novo homem justo diante d’Ele.

Através da justificação a multiforme sabedoria de Deus torna-se conhecida entre os principados e potestades!

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Aquele que está ‘morto’ está Justificado

A pena não pode passar da pessoa do transgressor, ou seja, outra pessoa não pode ser punida em lugar do transgressor. A determinação divina é contundente: a alma que pecar, esta deve morrer! O que fazer da realidade seguinte: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ). Como todos pecaram, é certo que todos devem morrer.


Aquele que está ‘morto’ está Justificado

Já vimos quem são os justificados (nós) ( Rm 6:2 ).

Também vimos qual a melhor idéia a se traduzir por justificação. Agora veremos qual o ‘objetivo’ de estarmos mortos em Cristo e ‘porquê’ os mortos para o pecado são justificados.

Este versículo contém três afirmações a respeito de nosso Deus: “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 ).

Jesus é a justiça de Deus dada aos homens com o evidente propósito de que Deus seja justo e justificador daqueles que crêem em Cristo.

O versículo 26 de Romanos 3 aponta os motivos pelos quais Deus revelou Cristo aos homens:

a) Para demonstrar a sua justiça de Deus neste tempo presente;

b) Para Ele ser justo, e;

c) Para Ele ser justificador.

A primeira afirmação demonstra que Cristo é a Justiça de Deus neste tempo presente! Sem contradição alguma.

“Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas” ( Rm 3:21 ).

Neste tempo presente, ou seja, o agora, Cristo se manifestou aos homens, conforme o que foi dito pelos profetas e pela lei. Ele é a justiça de Deus concedida ou manifesta aos homens.

Para tomar posse desta justiça, todos os homens devem crer em Cristo, sem exceção (judeus e gentios) ( Rm 3:22 ).

Porém, surge um entrave: como Deus sendo Justo e Verdadeiro justifica o pecador?

De acordo com a lei, a justiça e a retidão temos:

  • Deus não justifica o ímpio ( Ex 23:7 );
  • A alma que pecar está morrerá ( Ez 18:20 );
  • Deus não tem o culpado por inocente ( Na 1:3 );

A pena não pode passar da pessoa do transgressor, ou seja, outra pessoa não pode ser punida em lugar do transgressor.

A determinação divina é contundente: a alma que pecar, esta deve morrer! O que fazer da realidade seguinte: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ). Como todos pecaram, é certo que todos devem morrer.

Deus não tem o culpado por inocente, e de que maneira ele justifica o homem sem ferir a sua própria palavra?

Se a pena não pode passar do transgressor, como Jesus morreu no lugar do pecador?

Se considerarmos as quatro premissas acima, só é possível declarar alguém justo, quando este alguém nunca tenha cometido pecado.

Quem cometeu pecado deve ter certa a sua morte. Quem cometeu pecado não será tido por inocente. A quem cometeu pecado só resta a punição, pois outrem não pode sofrer a pena em seu lugar.

Como declarar justo o pecador sem ferir as premissas acima?

“A alma que pecar, essa morrerá. O filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” ( Ez 18:20 );

“O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente…” ( Na 1:3 ).

Como a justiça de Deus é imputada ao homem, se a justiça do justo ficará sobre o justo e a impiedade do ímpio sobre o ímpio? Como Cristo levou sobre si os pecados da humanidade, se o filho não pode levar a iniqüidade do Pai, e nem o Pai a iniqüidade do filho?

Esta pergunta somente será respondida quando entendermos plenamente a doutrina da justificação em Cristo.

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Como Davi utilizou a palavra ‘justificação’

Através da citação do salmista Davi é possível dimensionar a extensão das expressões ‘justificar’ e ‘justificação’, resta que os cristãos deveriam considerar como sendo certa a morte deles com Cristo ( Rm 6:2 -3 e 7 e 11), e que, da mesma maneira é certa a justificação deles, visto que, aquele que está morto também está justificado.


Aplicação prática da palavra ‘Justificação’

A palavra ‘justificado’ é empregada pelo salmista Davi para dar a conhecer aos seus leitores que Deus é justo (justificado). Como o salmista sabe que Deus é justo, isto motiva o salmista a admitir a sua condição. Desta forma, verifica-se que a palavra ‘justificado’ (declarar justo) somente se aplica ao que é verdadeiro em essência.

Parece ser redundante, porém não é: Davi declara que Deus é justo porque Ele é verdadeiramente justo, e não por simplesmente o salmista entender que é deste modo.

O apóstolo Paulo ao declarar que ‘Deus é verdadeiro’ se fundamenta na declaração do rei Davi, ou seja, ao declararmos algo que diz respeito ao nosso Deus, temos plena consciência de que é a verdade, pois é o que a Escritura nos diz.

“Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro” ( Jo 3:33 )

Chegamos a um ponto crucial: se o apóstolo Paulo utiliza a palavra ‘justificado’ (declarar justo) para expressar algo a respeito dos cristãos, tal declaração também tem que ser verdadeira, ou seja, espelhar a realidade pertinente aos cristãos.

Não há como declarar que alguém está justificado sem que esta pessoa não é efetivamente justa, ou seja, os cristãos efetivamente morreram “Nós, que estamos mortos para o pecado…”, e foram declarados justos “… porque aquele que está morto está justificado do pecado”.

Quando o apóstolo Paulo escreve que os cristãos foram declarados justos, ele não faz referência a uma anistia, ou a uma absolvição, ou a uma concessão, ou a ter em conta ou a um faz de conta. Paulo faz referência a algo que é pleno de todo: aquele que está morto está justificado.

Quem não é cristão não faz jus a tal declaração, pois é certo que este não morreu para o pecado. É possível que alguma pessoa que não esteja inclusa no pronome da primeira pessoa do plural de Romanos seis, verso dois ‘Nós…’ ( Rm 6:2 ), receba a declaração de que é justa? Não! Por quê? Porque esta pessoa não esta morta para o pecado!

Quem não está morto para o pecado não pode ser justificado (declarado justo), pois tal afirmação não seria verdadeira.

Não há como aplicar a palavra ‘justificado’ a quem não morreu, visto que todo aquele que é nascido da carne, não é verdadeiro “… e todo o homem mentiroso como está escrito” ( Rm 3:4 ).

Todos os homens nascidos de Adão não são verdadeiros, porém Deus é verdadeiro.

A condição daquele que não esta em Cristo é mentira, em contrate com Deus, que é verdadeiro “Mas, se por causa da minha mentira sobressai a verdade de Deus para a sua glória…” ( Rm 3:7 ).

Ao citar o salmo 51, verso 4, o apóstolo Paulo estabelece o parâmetro necessário para compreendermos a extensão da palavra ‘justificar’ quando ela é empregada por ele.

O apóstolo Paulo só utiliza a palavra ‘justificar’ para algo que é categoricamente verdadeiro. Se houvesse uma sombra de dúvida, ou uma possibilidade daquele que está morto não estar justificado perante Deus, então Paulo não utilizaria a palavra ‘justificar’.

É certo que ‘justificar’ não se refere a uma conduta divina condescendente em declarar um injusto como sendo alguém justo.

É possível a Deus, que é verdadeiro, declarar justa uma pessoa não justa? Concluiremos de outro modo: Deus não justifica aquele que está vivo para o pecado.

Já que, através da citação do salmista Davi é possível dimensionar a extensão das expressões ‘justificar’ e ‘justificação’, resta que os cristãos deveriam considerar como sendo certa a morte deles com Cristo ( Rm 6:2 -3 e 7 e 11), e que, da mesma maneira é certa a justificação deles, visto que, aquele que está morto também está justificado.

Se Paulo recomenda aos cristãos que assumam efetivamente a condição de mortos para o pecado ( Rm 6:11 ), é porque precisavam estar cônscios de que estavam plenamente justificados perante Deus “Sendo, pois, justificados pela fé…” ( Rm 5:1 ).

Os cristãos são justos perante Deus pelos seguintes motivos:

a) É Deus quem nos justifica “É Deus quem os justifica” ( Rm 8:32 );

b) Temos paz com Deus, evidência real de que fomos justificados pela fé “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( Rm 5:1 ), e;

c) Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, pois fomos plenamente justificados “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus…” ( Rm 8:1 ).

Não está justificado aquele que pesa sobre ele condenação. Não está justificado aquele que ainda está em inimizade com Deus. Não está justificado aquele que não confia em Deus, que pode justificá-lo.

Se uma pessoa não crê no que Deus já lhe providenciou salvação gratuita, resta que esta pessoa não crê em Cristo Jesus, pois todas estas bênçãos foram providenciadas na cruz.

O apóstolo demonstra que só é justificado aquele que está efetivamente morto para o pecado, e recomenda aos cristãos que se conscientizassem de tal condição ( Rm 6:11 ).

Só aqueles que foram crucificados com Cristo, plantados com Ele, sepultados pelo batismo na morte e que ressurgiram com Ele, é que são justificados.

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Para que Deus seja justo

Quando Paulo diz que todos pecaram, ele aponta para o pecado de Adão que atingiu toda a humanidade ( Rm 5:12 ). Através da desobediência de um só homem (Adão), veio o juízo e a condenação sobre todos os homens, e estes foram feitos pecadores (toda a humanidade) ( Rm 5:19 ); Da mesma forma, pela ofensa de Adão veio o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos estão condenados “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).


Para que Ele seja Justo

A Justiça de Deus é de fé (evangelho) e pela fé (confiança) em Cristo, para todos, sem distinção alguma, pois todos pecaram. Deus trouxe salvação poderosa a toda humanidade, visto que todos pecaram.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 )

Sabemos que Deus é justo, pois:

a) não faz acepção de pessoas, e;

b) Deus providenciou salvação para todos os homens, sem distinção (judeus e gentios) “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 ).

Quando Paulo diz que todos pecaram, ele aponta para o pecado de Adão que atingiu toda a humanidade ( Rm 5:12 ). Através da desobediência de um só homem (Adão), veio o juízo e a condenação sobre todos os homens, e estes foram feitos pecadores (toda a humanidade) ( Rm 5:19 ); Da mesma forma, pela ofensa de Adão veio o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos estão condenados “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).

Observe que o juízo já foi realizado e está estabelecido sobre todos os homens para a condenação, visto que, aquele que não crê em Cristo, já está condenado, sem distinção, pois Deus não faz acepção de pessoas ( Jo 3:18 ).

Quando o juízo de Deus foi estabelecido em Adão, todos os homens morreram para Deus e passaram a viver para o mundo. A lei e o juízo foram estabelecidos em Adão: “…certamente morrerás” ( Gn 2:17 ), e o homem morreu para Deus “O juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para a condenação…” ( Rm 5:16 ), passando a viver para o mundo.

Os homens passaram a viver em inimizade com Deus e em amizade com o mundo ( Tg 4:4 )!

Como os homens vivem para o mundo (estão em inimizade com Deus), para voltarem a ter amizade com Deus, todos precisam morrer para o pecado.

Deus é justo, pois providenciou justiça gratuita a todos os homens por meio de sua graça. A graça de Deus está na redenção que há em Cristo Jesus.

A graça de Deus redime o homem, fazendo com que aqueles que a aceitem os sacrifícios de Cristo sejam reabilitados a glória de Deus. Como o homem foi destituído da glória de Deus, a redenção que há em Cristo reabilita o homem a receber o que se perdeu em Adão.

Como Deus é justo ( Rm 3:26 ), Ele propôs a Jesus Cristo como propiciação por meio da fé (como é por fé (evangelho), todos os homens têm livre acesso a Deus por Cristo). Ou seja, para que Deus demonstrasse o seu favor ao pecador, foi necessário que Cristo derramasse o seu sangue.

Sem o sangue de Cristo era impossível Deus ser favorável ao pecador, visto que, a justiça de Deus exige que o transgressor não seja absolvido, mas que receba o estabelecido na condenação: morte.

Diante da justiça em Deus nenhuma transgressão pode passar impune. A pena instituída pela lei nunca poderá passar da pessoa que cometeu a transgressão. Sendo Deus justo, não pode absolver o culpado. O culpado não pode ser tido por inocente.

Outra característica da justiça está na lei. A lei obriga tanto quem tem o dever de obedecer, tanto a quem a estabeleceu. Se o homem viver a altura da lei, Deus o justificará, mas se não conseguir, ele é sujeito da pena estabelecida “Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” ( Rm 2:13 ).

Diante deste entrave fica claro que Deus justo não poderia justificar o pecador. Por causa deste entrave o apóstolo Paulo escreveu: “…para que Deus seja justo…”, Ele demonstrou a sua justiça pela remissão dos pecados que antes foram cometidos sob a tolerância de Deus.

Como se dá essa remissão? Como Deus justo justifica o pecador? Como Deus é justo e justificador ao mesmo tempo?

A justiça de Deus determina que:

  • o transgressor não seja tido por inocente;
  • que a alma que pecar, esta deve morrer, e;
  • que a pena não pode passar da pessoa do transgressor.

Através da propiciação em Cristo, Deus satisfaz a sua justiça, visto que as proposições que citamos anteriormente são plenamente satisfeitas.

Quando o apóstolo Paulo escreveu “… para que Deus seja Justo…”, tinha plena certeza de que Deus satisfez o que é exigido pela sua justiça, retidão e santidade.

  • Deus não tem o culpado por inocente ( Na 1:3 );

É certo, é pertinente à justiça, que o culpado não seja tido por inocente. Ao culpado só cabe a pena quando do descumprimento da lei.

Mesmo que haja uma anistia ampla e irrestrita concedida a quem descumpriu a lei, o culpado não será tido como inocente. A anistia livra o culpado da pena, porém o culpado sempre será culpado perante a lei: não há como declarar um anistiado justificado.

  • Imputar justiça de outrem no culpado não o torna inocente;

Tão certa é esta verdade que tal concepção não resiste aos versículos seguintes: “O filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” ( Ez 18:20 ).

Não há como imputar ao ímpio a justiça do justo, porque a determinação divina é: ao ímpio só cabe a sua impiedade e a justiça do justo somente a ele.

Como a justiça de Cristo passa aos homens?

Ao culpado não cabe a vida, pois segundo o que Deus estabeleceu a alma que pecar, esta receberá a pena capital (morte).

Não há como o culpado ser tido por inocente por meio de um decreto soberano. Não há como ter o culpado por inocente hoje e aguardar que está condição efetive no futuro.

Qual o tratamento que deva ter o culpado para que Deus seja justo e justificador?

A justiça de Deus se manifesta em Cristo: “Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença” ( Rm 3:22 ).

Deus instituiu a sua justiça pela fé (evangelho) em Cristo. Ou seja, o culpado (aquele que não pode ser tido por inocente), quando crê em Cristo, recebe o que está determinado na lei: morre com Cristo.

O culpado quando crê em Cristo é porque sente as suas misérias. Sente que é culpado, e que só lhe resta à morte. Ao reconhecer os seus próprios erros e que está condenado, o culpado louva e declara a justiça de Deus ( Rm 3:4 ).

Quando o culpado crê em Cristo, se conforma com Cristo na sua morte, e ao morrer com Cristo, tal ato demonstra que Deus é justo e qual a base da sua justiça. Por isso aquele que crê pode declarar: “Já estou crucificado com Cristo…” ( Gl 2:20 ); “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte” ( Rm 6:4 ).

Deus não tem o culpado por inocente, e todos os que creem em Cristo são crucificados e a justiça de Deus se cumpre. Isto porque “…se um morreu por todos, logo todos morreram” ( 2Co 5:14 ).

Sem contradição alguma: O culpado ao ter um encontro com a cruz de Cristo, recebe o estipulado pela justiça divina, morre e é sepultado. Este velho homem é aniquilado por meio da cruz de Cristo, e nele a condenação em Adão se desfaz. Todos os erros cometidos até em tão, são lançados ao mar do esquecimento, ou cobertos (sepultados). Este é o novo e vivo caminho ( Hb 10:20 ).

Paulo faz referência ao passado dos cristãos sem Cristo como sendo ‘um outro tempo’, e que agora, em Cristo, há um novo tempo de paz e alegria “..noutro tempo…” ( Ef 2:2 -11 e Ef 5:8 ).

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O que é estar ‘vivo’ e ‘morto’?

A condição de mortos perante Deus decorre da pena instituída no alerta divina (certamente morrerás), como resultado do juízo e condenação. A condenação trouxe inimizada e separação, visto que Deus é vida e todos que existem separados d’Ele estão mortos. Em Deus não há trevas nenhuma, pois todos que são trevas estão separados d’Ele. Como não há comunhão entre a Luz e as trevas, claro está que não há comunhão entre Deus (vida) e os homens sob condenação (mortos).


O que é estar ‘vivo’ e ‘morto’?

Como Paulo declarou que Deus justifica aqueles que estão mortos, a resposta para as quatro premissas em pauta só pode estar na frase: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado”.

Antes de esclarecemos o mistério acima, devemos verificar no que consiste ‘estar morto’, e no que consiste ‘estar vivo’.

A bíblia estabelece uma relação entre ‘morte’ e ‘vida’. Da relação verifica-se que é impossível estar vivo para o pecado e vivo para Deus simultaneamente. Não há como o homem assumir as duas condições (posições) simultaneamente diante de Deus. Ou seja, quando o homem está vivo para o pecado, ele está morto para Deus, ou, quando ele está vivo para Deus, está morto para o pecado.

Talvez o leitor pergunte: porque não é possível estar vivo para o pecado e vivo para Deus simultaneamente?

Não é possível por causa das seguintes razões:

“Pois é Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou dentre os mortos…” ( Rm 8:34 )

Paulo em seu cântico de vitória fez referência à morte de Cristo. Porém, o Cristo que morreu, também ressuscitou dentre os mortos. Da mesma forma que os que crêem se conformam com Cristo na morte (morre com ele), com Ele também ressurgem dentre os mortos (ou antes).

É instantâneo! Ou seja, aquele que crê em Cristo morre para o pecado e passa a viver para Deus. Da mesma forma que ao desobedecer à determinação divina, Adão passou de imediato à condição de morto para Deus, assim também, aqueles que creem em Cristo são ressuscitados de imediato com Cristo, e passam a viver para Deus.

Devemos ter em mente que Deus é Senhor de todos e de todas as coisas. Deus é Senhor de Vivos e de Mortos, pois para ele, todos vivem “Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos ( Lc 20:38 ; 2Tm 4:1 ; Rm 14:9 ).

Estes versículos referem-se a vivos e mortos, ou seja, ele aborda tanto a morte do corpo quanto a imortalidade da alma. Ex: Lázaro, o mendigo, viveu neste mundo e quando morreu, somente deixou de habitar este tabernáculo terrestre e passou a viver na eternidade ( Lc 16:20 -25). O homem rico, que também morreu, estava morto para Deus enquanto existia neste mundo, e quando morreu (deixou o tabernáculo terrestre) passou a eternidade na condição de morto (separado).

Estas são algumas referências à palavra morte e possíveis usos que a bíblia contém dos termos ‘morte’ e ‘vida’.

Porém, quando a bíblia diz: “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo…” ( Ef 2:5 ), demonstra que há outro emprego para os termos ‘morte’ e ‘vida’.

Quando o homem está sem Deus no mundo (sem Cristo) ( Ef 2:12 ), está morto para Deus. A condição ‘morte’ do homem é resultado da condenação estabelecida lá no jardim do Éden, em Adão.

Quando Deus disse ao casal que no dia em que comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal, certamente morreriam, foi dada uma determinação ou alerta (não comerás), um tempo (no dia), a certeza de punição (certamente), e o tipo de punição (morrerá): a morte.

Do juízo lá no Éden resultou a condenação da humanidade! Ou seja, “O Juízo veio de uma só ofensa na verdade, para condenação…” ( Rm 5:16 ). Adão e Eva foram criados vivos para Deus, e após a condenação, passaram a condição de mortos perante Deus.

A condição de mortos perante Deus decorre da pena instituída no alerta divina (certamente morrerás), como resultado do juízo e condenação. A condenação trouxe inimizada e separação, visto que Deus é vida e todos que existem separados d’Ele estão mortos. Em Deus não há trevas nenhuma, pois todos que são trevas estão separados d’Ele.

Como não há comunhão entre a Luz e as trevas, claro está que não há comunhão entre Deus (vida) e os homens sob condenação (mortos).

Por ‘estar’ morto perante Deus, todas as obras que o homem realiza nesta condição está maculada pelo pecado. Se fizer boas ou más ações perante os homens, elas não mudam a condição do homem culpado perante Deus, pois as ‘boas obras’ só são realizáveis em Deus, que às preparou de antemão, para aqueles que creem em Cristo.

Ao pecar, Adão foi condenado à morte, e todos os homens foram condenados com ele. Como todos morrem, e certo que todos pecaram “…assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” ( Rm 5:12 ).

A vida só é possível em Jesus, pois por meio de Cristo o homem alcança o dom gratuito de Deus, que é a vida eterna. Cristo é o único acesso dos homens a Deus. Se aceitar a Cristo, o homem passa a ser filho da luz, e viverá na luz de Deus (comunhão).

Assim que: morte é resultado da condenação que ocorreu no jardim do Éden, onde todos os homens tornaram pecadores. Vida é resultado da reconciliação dos homens com Deus. O homem é novamente criado em verdadeira justiça e santidade e passa a viver para Deus ( Ef 4:24 ).

Precisaremos deste conceito posteriormente: O velho homem morre, é sepultado, e após, surge um novo homem, criado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Com base no que acabamos de ver, percebe-se que, quando o apóstolo Paulo diz que “… estou crucificado com Cristo…”, ele faz referência à morte com Cristo e não a sua morte física.

Quando ele diz que vive (… e vivo …), expressa uma nova condição perante Deus. Ele não fez referência a sua vida física.

Já na segunda parte do versículo, quando ele diz: “… e a vida que agora vivo na carne…”, esta ‘vida’ refere-se à vida física.

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” ( Gl 2:20 )

Quando o apóstolo Paulo afirma que já está crucificado com Cristo, ele deixa claro que morreu para o pecado, e que, agora, a sua vida está escondida com Cristo em Deus (Cristo vive em mim). Paulo deixou de viver uma vida de ‘sujeição’ à lei (farisaísmo), e passou a viver o seu dia-a-dia (na carne) por meio da fé em Jesus.

Só é possível ao homem estar na condição de “vivo em Cristo” após ter sido crucificado e sepultado com Cristo.

“Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte” ( Rm 8:2 )

A nova vida que o homem vive em Cristo (vida) não pode ser compartilhada quando se está no pecado (morte), pois o pecado é causa da condenação do homem sem Cristo. A vida que Deus concede ao homem por intermédio da fé em Cristo livra-o da condição anterior: do pecado (causa do juízo e condenação) e da morte (pena).

De sorte que, ao crer em Cristo, o homem torna-se participantes da sua morte, por meio do corpo de Cristo que foi entregue em prol dos pecadores. O velho homem é morto quando crucificado com Cristo (ou, o homem é circuncidado com a circuncisão de Cristo, que é o despojar do corpo da carne) ( Cl 2:11 ), e passa a viver (nova criatura) por meio do Espírito Eterno, por causa da justiça.

Desta maneira, quando o apóstolo demonstra que o cristão esta morto com Cristo para o pecado, é o mesmo que dizer que os cristãos estavam vivos por meio do Espírito Eterno.

“E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça” ( Rm 8:10 );

“Pois morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus” ( Cl 3:3 )

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