O Evangelho anunciado

O eterno propósito de Deus é convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Cristo seja preeminente. Ora, Deus revelou o mistério da sua vontade através da mensagem do evangelho. Mistério que estava oculto em Deus por causa do beneplácito (consentimento, aprovação) proposto em Cristo, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo.

 


As ‘boas novas’ do evangelho anunciadas por Cristo aos homens é única. Qualquer outra mensagem que destoe da palavra anunciada por Cristo é anátema.

 

O Propósito Eterno

A mensagem do evangelho foi estabelecida antes dos tempos eternos (na eternidade), segundo o eterno propósito de Deus de fazer convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Ele seja proeminente “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos” ( Tt 1:2 ); “De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:10 ); “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ).

O eterno propósito de Deus é convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Cristo seja preeminente. Ora, Deus revelou o mistério da sua vontade através da mensagem do evangelho. Mistério que estava oculto em Deus por causa do beneplácito (consentimento, aprovação) proposto em Cristo, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo.

Ao escrever aos cristãos em Éfeso, Paulo fala acerca deste evangelho: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas insondáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que a tudo criou” ( Ef 3:8 -9).

Deus é eterno. O Verbo encarnado é eterno. O propósito é eterno. A promessa é eterna. Assim que, todas as promessas de Deus cumprem-se em Cristo “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós” ( 2Co 1:20 ).

O propósito eterno de Deus não pode ser frustrado, visto que:

  1. O Verbo de Deus ao ser introduzido no mundo tornou-se o unigênito de Deus ( Jo 1:14 e 18) e o primogênito de toda a criação ( Cl 1:15 ; Hb 1:6 ) – O único Filho (unigênito) de Deus também é designado o ‘primeiro gerado’ (primogênito) de Deus, diferente dos outros seres, que foram criados;
  2. Ao ressurgir dentre os mortos, Cristo tornou-se o primogênito dentre os mortos ( Cl 1:18 ) – Primeiro gerado dentre os mortos; isto porque todos os que crêem no evangelho a semente incorruptível, são de novo gerados segundo Deus ( 1Pe 1:3 );
  3. Através de seu corpo, a igreja, Ele trouxe muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), tornando-se primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Na eternidade, Deus (El Eloim) estabeleceu um propósito eterno: a preeminência de Cristo. Para isto, fizeram um acordo que, ao ser introduzido o Verbo de Deus no mundo, seria estabelecida a relação Pai e Filho, e por isso o profeta anunciou: “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” ( 2Sm 7:14 ). Ora, temos uma relação estabelecida entre as pessoas da divindade.

Quando o Verbo se fez carne soou o decreto: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” ( Sl 2:7 ). Embora feito menor que os anjos ( Hb 2:9 ), por causa da paixão da morte, foi dado ordem aos seres angelicais: “E todos os anjos de Deus o adorem” ( Hb 1:6 ).

Mas, para que Cristo em tudo tivesse preeminência, segundo o beneplácito da vontade de Deus, convinha que fosse consagrado através da aflição na morte, para aniquilar o que tinha o império da morte, o diabo ( Hb 2:14 ).

Hoje e sempre, Jesus é Senhor nos céus e na terra, para a glória de Deus Pai. Os anjos vêem no propósito eterno de Deus a sua multiforme sabedoria, e toda a criação está na expectativa da manifestação dos filhos de Deus que revelará a todos a condição de primogênito entre muitos irmãos que Cristo conquistou na cruz ( Rm 8:19 ).

Em resumo, o propósito de Deus é sujeitar todas as coisas a Cristo, e acima de todas as coisas que foram sujeitas, Ele foi constituído como a cabeça do corpo, que é a igreja – a plenitude de Cristo que enche tudo em todos ( Ef 1:22 -23).

Na ordem crescente: todas as coisas foram sujeitas a Cristo (principado, domínio, autoridade, poder, etc). Acima destas coisas foi dada a condição de cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ora, o seu corpo está acima de tudo o que foi posto abaixo dos seus pés.

 

Convergindo todas as Coisas

Ao implementar (por em prática, dar execução) o Propósito Eterno, temos: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança” ( Gn 1:26 ).

A imagem que foi dada ao homem é proveniente de Cristo “… Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ), e a semelhança que foi concedida é o domínio sobre a terra “… domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra” ( Gn 1:26 ).

Tudo que há em Deus foi concedido ao homem por semelhança: domínio, liberdade e uma natureza perfeita. Porém, Adão não deu crédito à palavra de Deus e atentou contra a sua própria vida quando comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Através da ofensa de Adão veio o juízo e a condenação para todos os homens (Romanos 5: 18). Adão tornou-se a porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz à perdição. Através do nascimento em Adão todos os homens tornaram-se destituídos da glória de Deus.

A Escritura demonstra que o homem é pecador, sem esperança no mundo, morto diante de Deus. Esta condição não é proveniente da moral ou do comportamento humano, antes da natureza herdada de Adão. É por isso que Paulo diz: “Pois assim como a morte veio por um homem (…) Pois assim como todos morreram em Adão…” ( 1Co 15:21 -22).

Sobre Adão Jesus disse: “Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( Mt 7:13 ). Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho espaçoso que conduz à perdição, e muitos são os que entram por Adão, exceto Cristo, o unigênito de Deus. É por isso que Ele disse ‘muitos’, e não ‘todos’ que entram por ela.

Ora, se a porta estreita que é Cristo, o último Adão, por quem os homens são vivificados, o primeiro Adão é a porta larga por quem os homens entram no caminho de perdição ( 1Co 15:45 ).

Como Adão tornou-se pecador, destituído da vida que há em Deus, os seus filhos tornaram-se iguais a ele “Qual o terreno, tais são também os terrenos…” ( 1Co 15:48 ). É por isso que os homens são chamados de filhos da ira e filhos da desobediência.

Não importa a conduta, a moral, a religião, os sacrifícios, a origem dos homens nascido segundo Adão, todos entraram pela porta larga ao nascer e seguem para a perdição. Diante de Deus um homem com todas as qualidades morais e intelectuais como era o caso de Nicodemos é igual a alguém sem méritos, como era o caso da mulher samaritana.

Mas, em sua infinita graça e amor, Deus enviou o seu Filho Unigênito ao mundo para salvá-lo de condenação em Adão, que é anterior à sua vinda. É por isso que Ele disse: “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ).

Isto demonstra que Jesus não veio julgar os homens porque todos já estavam sob condenação. Ele veio salvar porque todos entraram pela porta larga e trilhavam o caminho de perdição.

É por isso que Ele disse: “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:12 ), ou seja, entrar pela porta estreita é o mesmo que: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ). Entrar pela porta estreita é uma necessidade que só é possível através do novo nascimento.

Nicodemos perguntou: “Como pode um homem nascer sendo velho?” ( Jo 3:4 ). Ora, para o homem é impossível nascer de novo! É por isso que a bíblia demonstra que o homem é escravo do pecado, perdido, não pode salvar-se a si mesmo.

Mas, através do chamado do evangelho que diz: ‘Entrai pela porta estreita’ ou ‘Vinde a mim, vos que estais cansados e oprimidos’ é oferecido salvação poderosa a todos os homens. O convite é universal, pois Deus amou o mundo, e deseja que nenhum homem se perca ( Jo 3:16 ; 1Tm 2:5 ).

Cristo morreu em resgate por todos os homens ( 1Tm 2:6 ), e não por alguns. Deus amou a todos os homens, e não só por alguns. É por isso que Jesus disse: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” ( Mt 22:14 ). Por que ‘muitos’ são chamados, e não ‘todos’? Porque nem todos ouviram a mensagem do evangelho.

O chamamento do evangelho é universal por destinar-se a todos os homens, porém, muitos não ouviram esta maravilhosa mensagem. Ex: os aborígenes, índios, povos da Ásia e da África, povos da America antes das grandes viagens, etc. Paulo mesmo diz: “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:24 ).

No momento da pregação do evangelho surgem os chamados, que são muitos, e pertencentes a todos os povos, porém, os escolhidos são poucos.

Quem são os escolhidos? Ora, como são poucos os escolhidos e poucos os que entram pela porta estreita, temos que os escolhidos são aqueles que nasceram de novo e entraram pela porta estreita, que é Cristo.

Há somente um evangelho que foi anunciado pelos apóstolos. Qualquer outro evangelho é anátema.

Esta mensagem de boas novas é direcionada a todos os homens, pois isto foi anunciado: “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens” ( Lc 2:14 ). A boa vontade de Deus é para com todos os homens, e não somente alguns.

Qualquer evangelho que vete a graça de Deus para todos os homens indistintamente é anátema. Qualquer evangelho que estabelece diferentes níveis de graça é anátema. Qualquer evangelho que considere que Deus ama alguns homens em detrimento de outro é anátema. Qualquer evangelho que nega a universalidade e eficácia da mensagem do evangelho é anátema.

 

O Convite à Salvação

Ora, a bíblia demonstra a impossibilidade dos homens salvarem-se a si mesmo pelas suas obras ou méritos pessoais. Por mais regrado e cheio de méritos que o homem seja, ele entrou por Adão, a porta larga, e trilha um caminho de perdição.

Por mais que os homens criem regras, vivam despojados das coisas desta vida, reneguem os prazeres, façam justiça, estejam resignados a sofrerem a injustiça, etc. continuam trilhando um caminho de perdição.

É por isso que Paulo demonstra que através do seu poder, Deus pega o barro (homem) de uma mesma massa e faz vasos honra e desonra. Todos os homens (barro) são provenientes de uma mesma massa, mas em Adão são feitos vasos para desonra, e em Cristo, são feitos vasos para honra ( Rm 9:21 -24).

Paulo demonstra que os cristãos são vasos para honra para dar a conhecer as riquezas da sua misericórdia. Os cristãos foram chamados dentre todos os povos através da mensagem do evangelho, pois antes de ser feito vaso para honra, éramos todos vasos de desonra, vasos de ira, preparados para a perdição ( Ef 2:4 -7).

Antes os cristãos eram trevas (vasos de ira preparados para a perdição), agora são luz no Senhor (vasos para honra) “Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” ( Ef 5:8 ).

Que obra ou dignidade há da parte do homem em ser feito vaso para honra? Nenhuma! Da mesma forma que não há obra ou dignidade por parte daquele que foi feito vaso para desonra.

Ora, se quem nasce de Adão entra pela porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz a perdição, que obra, ação, bem ou mal fez quem foi feito vaso para ira destinado a destruição? Isto demonstra que, embora o homem não tenha nascido, nem feito bem ou mal, para que o propósito eterno de Deus segundo a eleição permaneça firme, os nascidos em Adão serão vasos para desonra.

De igual modo, os já nascidos de Adão precisam nascer de novo. E não importa a obra, mérito ou condição do homem, para que o propósito de Deus segundo a eleição continue firme, os nascidos em Cristo são vasos para honra.

Onde está a jactância? Onde há mérito? Onde há dignidade? Onde há obra?

O evangelho de Cristo é:

  • Boas novas de salvação – Mensagem de Deus a todos os homens perdidos por causa da condenação de Adão;
  • Gratuito – é um convite incondicional a todos os homens, independente das suas ações e condições morais;
  • Para os pecadores – o público alvo da mensagem do evangelho é todos os pecadores, pois Deus não faz acepção de pessoas; o amor de Deus é segundo a sua justiça, ou seja, ele não tem ninguém em preferência;
  • Oferecido – Deus oferece salvação, livre de qualquer imposição. A graça do evangelho é segundo a sua santidade, ou seja, Ele a ninguém oprime “O Todo Poderoso está além do nosso alcance, ele é exaltado em poder; em sua justiça e grande retidão ele ninguém oprime” ( Jó 37:23 ). Embora todo poder (soberania), Deus é justiça e retidão, ou seja, Ele não oprime a nenhuma de suas criaturas;
  • Incondicional – Deus não exige obras ou méritos por parte dos pecadores para salvá-los. Do mesmo modo que sem obra ou méritos os pecadores foram feitos vasos para desonra (vasos para ira e destruição), ao salvá-los, Ele faz vasos para honra aparte das obras ou dos méritos e utiliza a mesma massa;
  • É poder – A salvação decorre do poder criativo de Deus segundo a sua palavra (bara – só Deus ‘bara’ através da palavra). Ora, todos que recebem a Cristo, ou que creem na mensagem do evangelho, recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus segundo a sua vontade ( Jo 1:12 -13); o homem não tem poder para operar a sua própria salvação. Somente o poder que faz paralítico andar é que pode dar vida ao novo homem “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:24 );
  • É graça – É um presente de Deus aos homens. Não é imposta aos homens a tal ‘graça irresistível’, pois ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’ ( Jl 2:32 ). Somente invoca os necessitados, os pobres de espírito, os que necessitam de socorro, e não aqueles que têm algo a oferecer. Quem ouvir as boas novas e invocar a Deus será salvo, porém, Deus não obriga ninguém a invocá-lo para em seguida salvar.

Como invocarão a Deus? Ele sujeitará o homem subvertendo a sua vontade? Não! Se assim fosse, não haveria a necessidade de o homem esperar em Deus (confiar); não haveria a necessidade da pregação; pra que ouvir ou pregar? Por que Isaias questiona a Deus “Quem creu na nossa pregação?”, se Ele impõe a sua vontade?

O evangelho de Cristo não é um ramo do fatalismo, concepção filosófica que considera serem o mundo e os seus acontecimentos produzidos de modo irrevogáveis. Ora, a concepção calvinista e a arminianista, em última análise, são fatalistas, pois alguns homens estão fadados à perdição, e outros, mesmo que não invoquem a Deus, à salvação.

O fatalismo fazia parte da cultura grega antiga e do estoicismo grego romano. Certas idéias ‘pseudo’ cristãs fundam-se na ideia da ‘divina providência’ ou no ‘determinismo’, ramo equivalente ao fatalismo.

Ora, sabemos que se fé é impossível agradar a Deus. Agradá-lo ou aproximar-se dele constitui-se em mérito por parte do homem? ( Hb 11:6 ). É preciso ser salvo para depois invocar a Deus? A bíblia recomenda invocar para ser salvo, mas se o homem primeiro é salvo para depois invocar a Deus, já não é preciso invocá-lo ( Jl 2:32 ).

O evangelho da graça não é regeneração para crer (invocar), antes é invocar (crer) para regeneração (salvação).

 

Propósito Segundo a Eleição

Como os vasos para honra fazem parte do propósito eterno de Deus de fazer convergir em Cristo todas as coisas?

A preeminência de Cristo está em Ele ser o primogênito de toda a criação, primogênito dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos ( Cl 1:15 e 18; Rm 8:29 ).

Mas, para que Jesus fosse constituído por Deus primogênito entre muitos irmãos, fez-se necessário Deus constituir filhos para si. Para ele constituir filhos para si, fez-se necessário Cristo morrer e ressurgir, tornando-se primogênito dentre os mortos.

Para Cristo tornar-se primogênito dentre os mortos, fez-se necessário participar da carne e do sangue, tornando se o Unigênito de Deus, o primogênito de toda criação.

Para tornar-se o primogênito de toda criação, o Unigênito de Deus, o Verbo que se fez carne e que habitou entre nós teve que deixar a Sua glória.

Isto demonstra que, na eternidade, antes de virem à existência, os homens já eram alvos do eterno propósito de Deus, visto que, para Cristo ser primogênito entre muitos irmãos, Deus constituiu dentre os homens regenerados filhos para si. Ora, é impossível ser primogênito sem que haja outros irmãos.

Mas, como Deus constitui dentre os homens filhos para si? Todos que entrarem pela porta estreita, que é Cristo, são salvos da condenação anterior proveniente da queda de Adão, a porta larga por onde entram todos os homens. A todos que conhecem a Deus, ou antes, que são conhecidos dele através do evangelho ( Gl 4:9 ), além da salvação serão semelhantes a Cristo “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

Ora, a salvação em Cristo é oferecida através da mensagem do evangelho a todos os homens “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” ( At 2:39 ), porém, todos que são salvos em Cristo não têm outro destino: são filhos de Deus, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, o primogênito entre muitos irmãos “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17 ).

É por isso que Paulo relata que Deus predestinou os cristãos. Ele demonstra que foi segundo a vontade e beneplácito de Deus que os cristão foram predestinados a serem filhos.

O erro surge quando alguém considera que Deus predestinou dentre não crentes alguns para salvação. O que Paulo nos demonstra é que Deus estabeleceu qual seria o destino eterno dos cristãos, uma vez que eles estavam em Cristo.

Paulo escreve a cristãos e não a incrédulos. Ele reafirma: em amor Deus nos (Paulo e os cristãos de Éfeso) predestinou para sermos filhos ( Ef 1:5 ). Ora, os santos que estavam em Éfeso é que se tornaram filhos, e não os descrentes.

Ora, muitos homens do passado foram salvos pela fé em Deus, porém, eles não fazem parte do corpo de Cristo. Somente os membros do corpo de Cristo, a igreja, que além da salvação não terão outro destino, a não ser, serem filhos de Deus. Este destino reservado por Deus antes dos tempos dos séculos à igreja é por causa do eterno propósito de Deus, pois os salvos em Cristo são filhos para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos.

Não encontramos na bíblia predestinados à salvação, antes predestinados a serem filhos. Ao longo da história da humanidade encontramos salvos antes da lei, salvos dentre o povo de Israel, salvos na grande tribulação e salvos no milênio, porém, nenhum destes salvos é predestinado a serem filhos.

Todos os salvos ao longo dos séculos, os anjos, os principados, autoridades e poderes estão sujeitos a Cristo, ou seja, debaixo dos seus pés. Porém, acima de todas estas coisas temos a igreja, o corpo de Cristo, e Ele é a cabeça da igreja ( Ef 1:22 ).

É por isso que ao falar da predestinação e da eleição, Paulo estabelece a condição: ‘em Cristo’.

1º) ‘em Cristo’ é a condição de existência da nova criatura “Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 );

2º) Somente a nova criatura é filho de Deus, santa e irrepreensível, e por isso todas as vezes que Paulo fala da predestinação ou da eleição ele estabelece: ‘em Cristo’, ‘no Amado’, ‘nele’, etc. ( Ef 1:3 -13);

3º) Deus determinou antes do séculos, que a nova criatura gerada segundo a sua vontade (Espírito) e palavra (água) seria filho por Adoção ( Jo 1:12 e Jo 3:5 ), por Cristo Jesus, e;

4º) Cristo torna-se primogênito entre muitos irmãos, segundo o propósito eterno de convergir em Cristo todas as coisas, quando Deus cria (bara) a nova criatura, concedendo ao homem um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Ef 4:24 ).

O evangelho demonstra que o homem precisa morrer com Cristo, para depois ressurgir um novo homem. Como Deus predestina e elege alguém que tem que morrer à salvação? Ora, se Deus predestinou e elegeu o pecador para ser salvo, ele não poderia morrer.

Mas, o evangelho demonstra que todos quantos crerem em Cristo morrem e ressurgem uma nova criatura. Antes de morrer era vaso para desonra, preparado para perdição. Após morrer e ressurgir, o homem é feito vaso para honra. Antes trevas, agora luz no Senhor.

Quando formularam o posicionamento doutrinário de que algumas pessoas perdidas foram predestinadas e escolhidas para serem salvas, esqueceram que é impossível nascer de novo sem antes morrer. Ora, se o homem precisa morrer com Cristo para depois renascer, percebe-se que os pecadores não são predestinados e nem eleitos, uma vez que não poderiam morrer com Cristo.

Mas, todos que morreram, foram sepultados e ressurgiram com Cristo, estes são feitos filhos de Deus. As novas criaturas foram predestinadas a serem filhos de Deus, para que Cristo seja primogênito dentre muitos irmãos.

Paulo é enfático: “É também nele que vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da salvação…” ( Ef 1:13 ). Ora, aquele que está em Cristo, ou seja, que é uma nova criatura, é um dos escolhidos de Deus para ser santo e irrepreensível. ‘Em Cristo’ (no Amado) é que Deus predestinou para ser filho por Adoção.

Somente após ouvir a mensagem do evangelho da salvação e tendo nele crido é que se opera a regeneração (estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura). Ser regenerado para crer é uma idéia descabia frente ao evangelho de Cristo. Como é possível alguém que não tem mais sede pedir água? Ora, segundo o pensamento calvinista e arminianista Deus forma no homem uma fonte que jorra para a vida eterna (regeneração), de modo que a pessoa não terá mais sede, e então, o homem está apto a pedir a água oferecida (crer)?

Cristo ofereceu água viva à samaritana, e caso ela bebesse a água fornecida gratuitamente, então seria feito nela uma fonte que jorra para a vida eterna, sem nunca mais ter sede ( Jo 4:14 ). Como ela pediria água, depois que não tivesse mais sede?

É anti-bíblico o argumento que apresenta a regeneração para crer. Ora, teríamos a regeneração, depois a pregação e por fim a fé. No entanto, o evangelho é a mensagem de Deus que traz fé, o homem crê e morre com Cristo. Ressurge dentre os mortos (regeneração) com Cristo, que é o primogênito dentre os mortos, e na condição de nova criatura herdamos com Cristo todas as coisas (filhos).

Ele é o primogênito entre muitos irmãos, e os que crêem co-herdeiros com Cristo, para que em tudo ele tenha a preeminência: Ele é a cabeça do corpo!

Se anunciarem outro evangelho, que seja anátema!

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O eterno propósito que Deus estabeleceu em Cristo

O propósito de Deus de estabelecer a sua palavra acima de todo o seu nome é eterno e imutável e foi levado a cabo quando Cristo ressurgiu dentre os mortos e tornou-se a cabeça da igreja, que é o seu corpo.

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A criação do homem e a encarnação do Cristo

Qual imagem e qual semelhança foram concedidas a Adão? A imagem e semelhança do Deus imortal que habita na luz inacessível que o apóstolo Paulo fez referência a Timóteo?

 


O nascimento do primeiro homem possui um ingrediente muito utilizado nas ficções cientificas: o tempo.

Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” ( Gn 1:26 -27).

Daí devemos perguntar: qual imagem e qual semelhança foram concedidas a Adão? Deus concedeu a Adão a expressa imagem e semelhança do Deus imortal que habita na luz inacessível que o apóstolo Paulo fez referência a Timóteo? “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém” ( 1Tm 6:16 ); “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém” ( 1Tm 1:17 ).

Não!

A imagem que foi dada ao primeiro homem não foi a expressa imagem do Deus imortal e invisível, antes foi concedido a Adão a imagem do Cristo que haveria de vir ao mundo. Cristo veio ao mundo dos homens na plenitude dos tempos, e foi encarnado com a mesma imagem que havia dado ao homem quando criou Adão ( Gl 4:4 ).

O apóstolo Paulo ao interpretar Gênesis 1, verso 26, assim se expressou: “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ).

Aquele que havia de vir, ou seja, que havia de se manifestar é Cristo Jesus, o Filho Unigênito que, no princípio estava no seio do Pai e veio ao mundo na plenitude dos tempos revelar o Pai aos homens. Ele é a fé que foi manifesta ( Gl 3:23 ).

Adão foi criado à imagem daquele que havia de vir, e não à semelhança do Deus que habita a luz inacessível, pois a semelhança de Deus só é concedida aos homens que ressurgem com Cristo dentre os mortos “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ); “E criou Deus o homem à sua imagem” ( Gl 1:27 ).

Para que Jesus, o Filho Unigênito de Deus viesse ao mundo era necessário que o homem natural, o primeiro Adão fosse criado ( 2Sm 7:14 ; 1Co 15:45 ). O Cristo teve que ser participante da carne e do sangue do primeiro Adão para que em tudo fosse semelhante aos homens ( Hb 2:14 e 17), portanto, quando Adão foi criado, foi concedido a ele a imagem do Cristo que haveria de vir ao mundo, e não a imagem do Cristo glorificado.

Deus é espirito, por sua vez, o primeiro Adão foi criado alma vivente, com corpo animal e terreno, de modo que Adão não teve no Éden a semelhança do Deus invisível. O que Adão adquiriu de Deus no Éden foi a imagem daquele que seria feito menor que os anjos, Jesus Cristo homem ( Hb 2:7 ).

Os dons de Deus são irrevogáveis, portanto, se Deus houvesse dado a Adão a Sua  semelhança seria impossível Adão abrir mão da natureza que lhe foi concedida. Não haveria como Adão desvencilhar-se da sua própria natureza, assim como os anjos que caíram não se desvencilharam de sua natureza ( Rm 11:29 ).

Enquanto homem, Jesus em tudo foi participante das mesmas coisas dos homens: carne, sangue e sujeito às mesmas provações, porém, sem pecado ( Hb 4:15 ).

Jesus foi gerado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, diferente do restante da humanidade, que está no pecado porque se alienam de Deus desde a madre “Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe” ( Sl 22:10 ); “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” ( Sl 58:3 ).

Quando Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança’ ( Gn 1:26 ), iniciou-se o processo de fazer o homem semelhante a Ele, porém, esta semelhança o homem somente alcança quando crê em Cristo, pois os que creem serão conforme à imagem de Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

É por causa da semelhança que será dada aos homens que Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” ( Jo 5:17 ), apesar de Deus ter descansado de toda a sua obra no sétimo dia ( Gn 2:3 ).

Ora, Deus descansou no sétimo dia com relação às obras desta criação, mas com relação aos bens futuros, isto é, a nova criatura que não é deste mundo, desta criação, o Pai e o Filho continuam a trabalhar “Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” ( Hb 9:11 ); “E esta palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como coisas feitas, para que as imóveis permaneçam” ( Hb 12:27 ).

É por isso que o profeta Isaias predisse: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” ( Is 65:17 ; Is 66:22 ; Ap 21:1 ), e devemos aguardar: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” ( 2Pe 3:13 ).

É através da Igreja que Deus cria os homens conforme a Sua semelhança. Jesus glorificado é a expressa imagem do Deus invisível ( Hb 1:3 ), e os que creem são gerados de novo semelhantes a Ele, portanto, semelhantes a Deus “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

Da mesma forma que não conseguimos ver que todas as coisas estão sujeitas a Cristo, também não é manifesto como haveremos de ser, mais uma coisa é certa, da mesma forma que trouxemos a imagem do animal e terreno, traremos a expressa imagem do espiritual, a semelhança de Jesus Cristo glorificado ( Hb 2:8 ; 2Co 15:48 -49).

Da mesma forma que os que creem em Cristo são sepultados a semelhança da sua morte, quando ressurgem, ressurgem uma nova criatura, que aguarda ser revestido de incorruptibilidade, visto que o tabernáculo terrestre ainda se desfaz ( 2Co 5:1 -4).

Mas, quando o que é corruptível for revestido da habitação que é do céu, teremos a semelhança do Cristo glorificado, e o Cristo, o primogênito de Deus terá muitos irmãos semelhantes a Ele “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” ( Hb 1:3 ).

Para conduzir muitos filhos de Deus à glória se fez necessário que o Verbo de Deus viesse ao mundo dos homens participante de todas as coisas da Sua criação ( Hb 2:10 ).

Para compreender a relação que há entre o nascimento de Cristo e a criação de Adão, o leitor tem que considerar que Jesus, o Verbo de Deus é pré-existente. O Verbo de Deus é superior ao espaço tempo, sendo que, no princípio o Verbo que seria introduzido no mundo criou todas as coisas, inclusive o homem do pó da terra com as suas mãos e assoprou em suas narinas o folego de vida. Ele fez Adão à imagem que possuía quando se manifestou teofanicamente no Éden.

‘Teofania’ é termo teológico utilizado para descrever manifestações de Deus na Bíblia que foram tangíveis aos sentidos humanos.

Deus disse: ‘Façamos o homem a nossa imagem e semelhança’ ( Gn 1:26 ), e em seguida o Verbo eterno criou o homem à Sua imagem. Como? O Verbo eterno, a expressa imagem do Deus invisível que a tudo criou, tomou o barro do pó da terra e criou o homem conforme a imagem que Ele mesmo haveria de vir ao mundo ( Gn 1:27 ; Ef 3:9 ; Hb 1:3 Hb 1:10 -12).

É por isso que o apóstolo Paulo disse que Adão era a imagem daquele que havia de vir, pois a semelhança d’Aquele que ressurgiu dentre os mortos é herança exclusiva dos membros do corpo de Cristo.

Ao profetizar acerca da ressurreição de Jesus, o rei Davi aponta que o Cristo homem se satisfaria da semelhança de Deus quando ressurgisse dentre os mortos, da mesma forma que os que ressurgem com Cristo são semelhantes a Ele “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ).

O Salmo 8 é messiânico, fala do Cristo, o Verbo eterno quando introduzido no mundo. O Salmo é um louvor ao Verbo eterno que conquistou um nome que está acima de todo nome “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” ( Fl 2:9 ; Sl 8:1 ).

Jesus, ao falar com os escribas e fariseus demonstra que o verso 2 do Salmo 8 dizia d’Ele “E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” ( Mt 21:16 ; Lc 24:44 ; Sl 8:2 ).

O Salmo declara que os céus, a lua e as estrelas são obras das mãos do Verbo eterno, conforme aponta o escritor aos Hebreus: “E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Hb 1:10 -12; Sl 102:25 -27).

Em seguida, o Salmo aponta que o Verbo eterno foi introduzido no mundo em uma posição menor do que a dos anjos, porém, mesmo na condição humana, o Filho de Deus foi coroado pelo Pai de honra e glória, pois tudo o que foi criado estava sob o domínio de Cristo “Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares” ( Sl 8:4 -8).

O Salmo 8 amolda-se à proposta divina que consta no verso 26 do capítulo 1 do livro do Gênesis: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” ( Gn 1:26 ).

Ao explicar o Salmo 8, o escritor aos Hebreus demonstra que o homem o qual ‘todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés’, diz de Cristo. Os cristãos à época que viram Jesus em carne não conseguiam visualizar que todas as coisas estavam sujeitas a Cristo. Dai a explicação do escritor aos Hebreus: ainda não vemos que todas as coisas estão sujeitas a Cristo, porem, devemos visualizar que o Cristo que foi feio menor que os anjos foi coroado de glória e honra visto que o Pai lhe sujeitou todas as coisas ( Hb 2:8 -9).

Para Cristo são todas as coisas e é mediante Ele quem tudo existe! É ele que sustem todas as coisas pela palavra do seu poder, pois foi constituído herdeiro de tudo, e por meio d’Ele o mundo foi feito ( Hb 1:2 -3; Hb 2:8 -10).

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A expressa Imagem e a figura de Deus

Da mesma forma que convinha que em tudo Cristo se tornasse semelhante à descendência da sua figura (Adão), para poder expiar os pecados do povo, agora importa também que, através da igreja, que é composta de seus irmãos, os homens sejam semelhantes a Ele, para que Cristo alcançasse a posição de primogênito do Pai, o que só é possível quando se tem outros irmãos.


Quando Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” ( Gn 1:26 ), e Cristo, a ‘expressa’ Imagem do Deus invisível formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas, naquele instante foi criado somente uma figura (imagem) da expressa imagem e semelhança de Deus. Ou seja, no Éden o homem não foi criado conforme a imagem e semelhança de Deus.

Como? Adão não foi criado à imagem e semelhança de Deus? Não! Por mais estranho que pareça, Adão não foi criado de posse da semelhança do Criador, antes era somente uma figura daquele que estava por vir.

Apesar de se divulgar ao longo dos séculos que Adão foi criado a imagem e semelhança de Deus, a bíblia apresenta outra realidade: Adão foi criado somente como figura da expressa imagem de Deus “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir ( Rm 5:14 ).

Quando Adão foi formado do pó da terra à imagem de Cristo, somente iniciou-se o projeto de Deus que é fazer o homem à sua semelhança.

Para compreender esta verdade, se faz necessário compreender que foi Cristo quem formou Adão do barro e soprou em suas narinas, dando início ao projeto eterno de fazer o homem conforme a imagem e semelhança de Deus (Elohim), para que em tudo Cristo tivesse a preeminência “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ).

O apóstolo Paulo e o apóstolo João lembram que todas as coisas foram criadas por Cristo, o verbo de Deus “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” ( Cl 1:16 : Jo 1:3 e 10), e o homem faz parte desta criação. Quando o homem foi criado à imagem (figura) de Deus, foi a expressa Imagem de Deus que, teofanicamente criou Adão “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” ( Gn 1:27 ).

Em Gênesis 1, verso 27 está descrito como o homem foi criado. Deus (Elohim) criou o homem a sua imagem, ou seja, a sua figura. Como? Cristo, a expressa imagem de Deus, foi quem criou o homem. Macho e fêmea os criou.

O apóstolo Paulo e o escritor aos Hebreus demonstraram que Cristo é a expressa imagem do Deus invisível, e não Adão “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” ( Hb 1:3 ).

Com relação a Adão, o apóstolo Paulo demonstrou que ele era somente uma figura de Cristo, e não a expressa imagem de Deus. Do mesmo modo que a lei somente possuía a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata, semelhantemente Adão também foi apenas uma figura, uma sombra daquele que estava por vir, Cristo, a semelhança exata de Deus “PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

No que implica o cristão saber que Adão era somente figura, e não a imagem exata (semelhança) de Deus?

Em primeiro lugar descobre-se que o homem nunca perdeu a semelhança do Altíssimo, pois Deus não concedeu a Sua semelhança a Adão.

Descobre-se também que a semelhança do Altíssimo só é possível alcançar em Cristo, como se lê: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhante a ele, porque assim como é, o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

Como isto se dá? Quando se crê em Cristo, o homem recebe de Deus poder para ser feito seu filho, filho nascido não do sangue, nem da carne e nem da vontade dos homens, mas de Deus ( Jo 1:13 ), pois ao receber a Cristo o homem morre juntamente com Ele na semelhança da sua morte, para ressurgir semelhante a Ele “Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” ( Rm 6:5 ).

Isto porque, da mesma forma que convinha que em tudo Cristo se tornasse semelhante à descendência da sua figura (Adão), para poder expiar os pecados do povo, agora importa também que, através da igreja, que é composta de seus irmãos, os homens sejam semelhantes a Ele, para que Cristo alcançasse a posição de primogênito do Pai, o que só é possível quando se tem outros irmãos “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” ( Hb 2:17 ); “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Após exercer o oficio de sacerdote para expiar os pecados do povo, quando ressurgiu, Cristo tornou-se o primogênito dentre os mortos, e ao expiar o pecado dos homens, conduziu muitos filhos a Deus, tornando-se primogênito entre muitos irmãos “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” ( Hb 2:10 ).

Com relação a igreja de Cristo, que é o seu corpo, todos que creem estão de rostos descobertos, diferente daqueles que estão sob o véu da lei, do pecado e da morte. Cada cristão reflete como um espelho a glória de Deus, ou seja, tornaram-se semelhantes a Deus por serem seus filhos. Os cristãos foram transformados de glória em glória na mesma imagem do Senhor, e isto foi realizado por Ele mesmo, tornando possível aos que creem refletirem a sua glória como um espelho “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” ( 2Co 3:18 ).

Por que o cristão é transformado de glória em glória? Porque uma é a glória do homem natural, e outra a glória do homem espiritual ( 1Co 15:40 ). Deus concedeu a Adão a glória de ser sua imagem, e ao último Adão a glória da sua semelhança.

O apóstolo Paulo demonstra que, do mesmo modo que possuíamos a imagem do nosso antigo pai, Adão, assim traremos a imagem do nosso Pai celestial, pois os nascidos da carne são carnais e os nascidos do Espírito são espirituais “E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” ( 1Co 15:49 ).

Esta nova condição pertinente aos cristãos é atual, pois já ressurgiram com Cristo, já foram vestidos do novo homem segundo Aquele que o criou, e por fim, tal qual Cristo é são os cristãos aqui neste mundo “E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” ( Cl 3:10 ); “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo” ( 1Jo 4:17 ).

Quando lemos que Melquisedeque foi feito semelhante ao Filho de Deus, pois permanece sacerdote para sempre, devemos ter em mente que os cristãos também são feitos semelhantes ao Filho de Deus, são reis e sacerdotes para sempre. Por serem sacerdotes reais, são sacerdotes e reis, pois reinarão com Cristo “Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” ( Hb 7:3 ); “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pd 2:9 ); “E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” ( Ap 5:10 ).

Deste modo, temos Adão como figura do último Adão, que é Cristo. Em Adão e em seus descendentes tem-se somente uma figura de Cristo, pois a semelhança do Altíssimo pertence somente ao último Adão, que é Cristo, pois Ele é a expressa imagem do Deus invisível.

Quando Cristo morreu, deixou na sepultura a semelhança da sua figura (Adão), para ao ressurgir adquirir a semelhança do Altíssimo, e todos quantos ressurgem com Ele são semelhante ao Altíssimo “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ).

Mesmo sendo homem espiritual, Cristo primeiro veio em carne, a semelhança do homem natural, para ser revestido na ressurreição do homem espiritual “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” ( 1Co 15:46 ). Após ser de novo gerado da semente incorruptível, segue-se que, seremos semelhante a Ele “Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” ( 1Co 15:48 -49).

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