Há mérito em crer em Cristo?

‘Crer’ decorre da ‘fé’, não o contrario. Arrependimento decorre da ‘fé’ (evangelho) e nunca a ‘fé’ do arrependimento. Sem a fé manifesta, que é Cristo, é impossível o homem arrepender-se e crer para a salvação. Sem o conhecimento de Deus, a mensagem do evangelho, não há no que o homem possa crer, que o livre da condenação. O homem pode crer em Deus, crer em anjos, crer em milagres, crer no impossível, etc., mas se não crer em Cristo, o dom de Deus, não será salvo (Jo 14:1).


“E seja achado nele, não tendo a minha justiça, que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé” (Fl 3:9)

A fé

Após ler o livro ‘Tudo de Graça’, do pregador Charles H. Spurgeon, no capítulo ‘Pela graça, mediante a fé’, deparei-me com o seguinte posicionamento:

“Que imensa é a graça de Deus! Quem poderá medir sua extensão? Quem poderá imaginar sua profundidade? Como os demais atributos divinos, ela é infinita. Deus é cheio de amor, pois “Deus é amor”! [1João 4.8]. Bondade e amor fazem parte da real essência do Deus triuno. Ele é todo bondade. Exatamente, porque Deus é misericordioso, que não somos todos destruídos. Lembre-se disso, ou você poderá cair em erro, fixando tanto a sua mente na fé, que é o meio da salvação e esquecendo-se da graça, fonte da própria fé.  Fé é obra da graça de Deus, em nós. Ninguém poderá dizer que Jesus é o Cristo, senão por obra do Espírito Santo. “Ninguém poderá vir a mim,” disse Jesus, “se, pelo Pai, não lhe for concedido” [João 6.65]. De maneira que a fé, que é o ato de ir a Cristo e concessão divina da graça. A graça é a primeira e última causa movedora da salvação; e a fé, por mais essencial que seja, é apenas parte importante do mecanismo utilizado pela graça. Somos salvos “mediante a fé”, mas “pela graça”. Soam essas palavras como que, proferidas pela voz do arcanjo: “Pela graça sois salvos”. Que boas novas para quem não merece (…) Ainda assim, quero lembrar que a fé é apenas um canal ou aqueduto, não a própria fonte. Não deveríamos considerá-la, além da fonte de todas as bênçãos, a graça de Deus. Jamais figure Cristo, a partir de sua fé, nem pense nela como fonte independente para a sua salvação. Nossa vida é achada quando olhamos para Jesus, não quando olhamos para a nossa fé” Spurgeon, C. H. Tudo de Graça, Titulo Original, All of Grace (1894), Tradução Wadislau Martins Gomes, 2010, pág. 25.

De que ‘fé’ Spurgeon está tratando?

Como no início do capítulo 7, do livreto ‘Tudo de graça’, Spurgeon cita o versículo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2:8). Eu esperava que ele fizesse referência à ‘fé’ como ‘evangelho’, por meio da qual o homem é salvo, mas fui frustrado.

Apesar de ter dito boas coisas, acerca da graça de Deus, o texto de Spurgeon não passa de tergiversações, acerca da graça e da fé, pois, a sua exposição, decorre de má leitura do texto bíblico, o que o tornou doutrinariamente tendencioso.

Quando o apóstolo Paulo diz: “Porque, pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2:8), acerca de qual ‘fé’ o apóstolo está escrevendo? Da ‘fé’ que é anunciada aos gentios e que deve ser obedecida (Rm 1:5 e 8), ou, da que significa ‘crer’, ‘acreditar’ em Cristo, disposição decorrente da verdade do evangelho que, também, é nomeada ‘fé’ (Rm 4:3)? Spurgeon fez a sua exposição, apontando para a ‘fé’ que é anunciada (pregada) ou, para a necessidade de ‘crer’ no evangelho? Neste sentido, a ‘fé’ é objetiva (doutrina, crença) ou, diz de uma ‘fé’ subjetiva (acreditar, crer, questão de foro íntimo)?

Ora, o apóstolo Paulo, ao afirmar que os cristãos de Éfeso eram salvos, por meio da fé, na verdade, estava abordando a própria fonte da salvação: Cristo. Cristo Jesus é a ‘fé’ que se manifestou na plenitude dos tempos e que faz os homens agradáveis a Deus:

“Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” (Gl 3:23).

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6).

Enquanto, o que está sendo apresentado pelo apóstolo dos gentios aos cristãos de Éfeso, diz da fé[1] como verdade, fidelidade, etc., Spurgeon leu o termo ‘fé’, no sentido de crer[2], de acreditar. Spurgeon fez má leitura do termo ‘fé’, tradução do termo grego πίστις (pistis), conforme empregado no versículo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2:8), o que afetou a sua compreensão.

Enquanto o apóstolo Paulo apresenta a ‘fé’ que salva e é ‘firme fundamento’ (Hb 11:1), Spurgeon faz referência à disposição do indivíduo de ‘crer’, ‘acreditar’. Enquanto o apóstolo Paulo trata da fé, como o dom de Deus – Cristo – Spurgeon faz elucubrações equivocadas, tanto da fé, como  doutrina (πίστις), quanto do ato de crer, acreditar (πιστεύω).

Por definição, a ‘fé’, da qual o escritor aos Hebreus faz referência, diz do ‘firme fundamento’, que é Cristo, o fundamento dos apóstolos e dos profetas (Ef 2:20; 1Co 3:11). O escritor aos Hebreus não fez referência à certeza de alguém que espera um evento, pois, o homem, mesmo equivocado, pode nutrir uma certeza e esperança que jamais se concretizarão. O escritor aos Hebreus fez referência ao firme fundamento, à prova, que, apesar de não estar ao alcance dos olhos, torna o que se espera confiável.

O termo hebraico אֱמוּנָה (emunáh), traduzido por ‘fé’, decorre, etimologicamente, de diversos significados, quais sejam: veracidade, sinceridade, honradez, retidão, fidelidade, lealdade, seguridade, crédito, firmeza e verdade. A ‘fé’, como ‘firme fundamento’ e ‘prova’, diz da palavra de Deus, que é fiel e digna de toda aceitação: “Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus, veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1:15).

O apóstolo Paulo, no capítulo 2 de Efésios, verso 8, disse que o homem é salvo, gratuitamente, pela misericórdia de Deus (graça), por meio de Cristo (fé), pois Cristo é o dom de Deus (Jo 4:10). Equivocadamente, Spurgeon trata a fé (πίστις), que o apóstolo Paulo aborda no verso 8 de Efésios 2, como crença (πιστεύω). Ele não considerou que o termo grego πίστις, transliterado pistis, comumente, traduzido por ‘fé’, na verdade, foi empregado pelo apóstolo Paulo, na qualidade de figura de linguagem: metonímia ou transnominação[3].

Metonímia é recurso de estilo linguístico e um desses recursos, consiste em substituir o autor, pela obra. Assim, como é possível dizer: gosto de ler Jorge Amado, em lugar de dizer: gosto de ler os livros de Jorge Amado, sabendo que Cristo é o autor e consumador da ‘fé’, é possível dizer: guardei a fé (πίστις), em vez de dizer: guardei o mandamento ou, o evangelho (1Tm 3:9; 1Tm 6:14; 2Tm 4:7; 1Jo 2:4 -5).

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb 12:2).

Sabemos que o homem é salvo por intermédio do evangelho (Ef 1:13), que é o poder de Deus (Rm 1:16). Sabemos, também, que, por diversas vezes, o termo εὐαγγέλιον (evangelho) é substituído pelo termo πίστις (fé). É possível dizer: ‘batalhar pelo evangelho’, ou: ‘batalhar pela fé’ (Jd 3).  Neste sentido, desviar-se da ‘fé’, é o mesmo que desviar-se de Cristo, um exemplo de metonímia “A qual, professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém” (1Tm 6:21). Esse mesmo recurso permite dizer: ‘mistério da fé’, ‘mistério do evangelho’, ‘mistério da piedade’, ‘mistério de Cristo’, etc. (1Tm 3:9 e 16; Cl 4:3; Ef 6:19).

Quando nos deparamos com o seguinte verso: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” (Cl 1:23), devemos considerar que ‘permanecer fundado e firme na fé’, é o mesmo que permanecer em Cristo, o fundamento dos apóstolos e profetas (Ef 2:20).

Cristo, a nossa ‘fé’, também é nomeado ‘conhecimento’ e ‘sabedoria’: “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1:24); “Destruindo os conselhos e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (2 Co 10:5); “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” (Fl 3:8); “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm 13:11).

Ao iniciar o capítulo 7 do seu livreto, sob o título “Pela graça mediante a Fé”, Spurgeon cita Efésios 2, verso 8: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé”. Em seguida, Spurgeon fez algumas considerações acerca da extensão da misericórdia de Deus, onde afirma que: ‘… você poderá cair em erro, fixando tanto a sua mente na fé…’, e conclui: ‘… que é o meio da salvação e esquecendo-se da graça, fonte da própria fé’.

Ora, o homem é salvo pela misericórdia de Deus, demonstrada em Cristo, ou seja, por meio da fé (verdade, evangelho). Por isso, é dito pelo apóstolo Paulo a Tito que ‘a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens’ (Tt 2:11), assim como foi dito aos cristãos da Galácia que, quando estavam debaixo da lei, estavam encerrados para ‘aquela fé que se havia de manifestar’ (Gl 3:23). A graça de Deus se manifesta em Cristo e Cristo manifesta a graça de Deus. Quando Cristo foi manifesto em carne, manifestou-se a graça de Deus a todos os homens, ou seja, manifestou-se a fé, manifestou-se a palavra: “TU, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus” (2Tm 2:1).

No que consiste o argumento de Spurgeon: ‘fixando tanto a sua mente na fé’? Ora, se a fé da qual Spurgeon está tratando, diz de crer, com relação a quem crê em Cristo, não se pode dizer que está fixando a sua mente no ‘crer’. Mas, se ele estivesse falando da ‘fé manifesta’, que é Cristo, não há erro em fixar a mente na ‘fé’, pois o apóstolo Paulo afirma que é necessário ao cristão ter firmeza na fé (Cl 2:5; 2Pd 3:17).

É necessário ‘reter a palavra da vida’, ou seja, ‘guardar a fé’ (Fl 2:16). E como fazê-lo, sem fixar a mente na ‘fé’? Fixar a mente no ‘evangelho’, na ‘fé’ é segurança, tanto que o apóstolo Paulo não se cansava de escrever acerca das mesmas coisas (Fl 3:1). Reter a palavra da vida é a obra perfeita da fé: perseverança (Tg 1:2). Aquele que persevera na doutrina, não se deixa envolver por doutrinas várias e estranhas, vez que se fortificou na graça, ou seja, na fé. “Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram” (Hb 13:9).

Os termos ‘fé’, ‘graça’ e ‘evangelho’, são intercambiáveis, por causa da pessoa de Cristo, de modo que podemos dizer que o homem é justificado pela fé, ou pelo evangelho, ou pela graça, ou por Cristo: “Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3:7); “Porque se introduziram alguns, que já, antes, estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” (Jd 1:4); “Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada(1Pd 1:10); “Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade” (Hb 12:28).

Infelizmente, Spurgeon não soube ler a mensagem que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos de Éfeso, concernente à ‘fé’ e a ‘graça’, vez que o apóstolo, ao escrever, trouxe à memória dos cristãos que, antes de crerem em Cristo (Ef 1:13), todos eram por natureza filhos da ira (Ef 2:3). Em seguida, o apóstolo aponta para a infinita misericórdia de Deus, pois, apesar da condição deles no passado (mortos em delitos e pecados), Deus os vivificou juntamente com Cristo.

Nos versos que se seguem (vv. 5 à 10), o apóstolo continua a descrever o que Deus fez pelos cristãos, sem abordar nenhuma questão pertinente aos homens, nem mesmo a necessidade de crer. Tudo o que o apóstolo aborda, restringe-se ao que Deus faz pelo homem (Ef 2:10; Is 26:12).

Quando o homem morre com Cristo, Deus é justo, pois ‘a alma que pecar essa mesma morrerá’ (Ez  18:4). Mas, apesar de não ter dívida alguma para com aqueles que morrem com Cristo, ao satisfazer o que a lei exige, pela sua misericórdia e graça, Deus faz ressurgir um novo homem, uma nova criatura, criada em verdadeira justiça e santidade (somos feitura Sua).

Deus é misericordioso por salvar o homem, porém, jamais poderia passar por sobre a sua justiça, por isso, a sua misericórdia é demonstrada em Cristo, para que Ele seja justo e justificador “… pela sua benignidade para conosco em Cristo” (Ef 2:7). A misericórdia de Deus é demonstrada em Cristo, porque é necessário aos descendentes de Adão serem participantes da morte de Cristo, para serem justificados do pecado (Rm 6:7), e, em seguida, Deus age, poderosamente, ressuscitando-os, segundo a sua maravilhosa graça (Ef 1:19; Cl 3:1).

É Deus justo e justificador, que salva segundo a Sua misericórdia e graça, mas, por meio da fé, ou seja, por meio do evangelho, que é poder de Deus para todo aquele que crê (Rm 1:16 -17).

 

Crer

Spurgeon dá testemunho de que ficou confuso, diante dos diversos conceitos de ‘fé’:

“Que fé é essa da qual é dito: “Pela graça sois salvos, mediante a fé”? Certamente, há muitas descrições de fé, mas quase todas as definições que tenho encontrado, levam-me a entender menos do que entendia antes. É possível que, ao tentar explicar muito alguma coisa, ela se torne ainda mais confusa. Podemos explicá-la tanto, até que ninguém mais entenda. Espero não ser culpado dessa falta. A fé é a mais simples de todas as coisas e, talvez, por causa de tal simplicidade, ela seja de mais difícil explicação”. Spurgeon, C. H. Tudo de Graça, Titulo Original, All of Grace (1894), Tradução Wadislau Martins Gomes, 2010, pág. 27.

Parece que Spurgeon se deixou levar pelas definições que encontrou, pela má leitura que fez de Efésios 2, verso 8 (“Pela graça sois salvos, mediante a fé”), demonstrando que ele nada entendeu acerca do assunto ‘fé’ e ‘graça’, e que o medo que nutria da possibilidade de se fazer culpado, ao abordar o tema, se concretizou.

Vamos à definição de ‘fé’, apresentada por Spurgeon:

“O que é fé? Resumidamente, a fé é feita de três coisas: conhecimento, crença e confiança. Conhecimento vem primeiro. “como crerão naquele de quem nada ouviram?”. É preciso que eu seja informado de um fato antes que possa crer nele (…) A confiança é a corrente sanguínea da fé; sem ela, não haverá fé salvadora. Os puritanos estavam acostumados a explicar a fé, utilizando o termo recumbência (do verbo recumbir). A palavra significa recostar, inclinar; repousar em Jesus Cristo. Haveria melhor ilustração do que dizer: Lance todo o seu peso sobre a Rocha eterna? Entregue-se a Jesus; descanse nele; confie nele” Idem, págs. 27 e 28.

No grego, temos o substantivo πιστις (pistis), comumente traduzido por ‘fé’ e o verbo πιστευω (pisteuo), traduzido por ‘crer’. Nas línguas de origem latina o radical do substantivo ‘fé’ não se flexiona para traduzir a ideia do verbo grego πιστευω (pisteuo – crer), o que obrigou os tradutores a utilizarem o radical da palavra “credere”, vertendo o verbo πιστευω (pisteuo) para ‘crer’.

Crer em Cristo é, simplesmente, acreditar no que as Escrituras dizem acerca d’Ele: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” (Jo 7:38). Não há qualquer outra exigência nas Escrituras, além de crer, para ser salvo (Is 28:16). O poder para a salvação não está no ato de crer, mas no poder da ‘fé’, ou seja, no poder do evangelho (Jo 1:12; Rm 1:16; 1Co 1:18 e 24).

É pelo poder contido no evangelho que o homem é concitado a crer, acreditar, confiar, descansar, repousar, etc. A segurança está na pedra bem fundada e firme, provada e preciosa que Deus assentou em Sião, de modo que quem crer não perece (Is 28:16).

A fé salvadora é Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. A fé, que é poder de Deus, não possui ‘corrente sanguínea’ e nem depende da confiança do homem. O homem, confiando[4] ou não, a fé (evangelho) é salvadora, pois se o homem for infiel, Ele permanece fiel: “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2:13).

“A confiança é a corrente sanguínea da fé; sem ela, não haverá fé salvadora” Idem.

A fada Sininho, da estória do Peter Pan, necessita de crianças que acreditem que fadas existem para sobreviver. Não é assim o evangelho de Cristo, pois Ele é salvador, quer o homem creia ou não. A ‘fé’ é firme, indissolúvel, fidedigna, portanto, não depende da confiança do homem, antes, a confiança e a esperança decorrem da ‘fé’. A confiança do homem não salva e nem garante a salvação, antes, é Deus que se interpôs como garantia: “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” (Hb 10:23; Tt 1:2; Rm 1:2; Hb 10:23). A segurança de quem crê, está em Deus, que é poderoso e fiel.

Antes que o homem fosse criado, já na fundação do mundo, Deus providenciou salvação a todos os homens, pois o cordeiro de Deus foi morto desde a fundação o mundo (1Pd 1:20; Ap 13:8). Não é a confiança do homem que estabeleceu a salvação em Cristo, mas a verdade de que Cristo foi morto, desde a fundação do mundo, que promove a confiança do homem.

Crer em Cristo é suficiente para ser salvo da condenação, portanto, a ideia de que, além de crer, é necessário se entregar, totalmente, à misericórdia de Deus, é redundância. Crer em Cristo é o mesmo que se entregar à misericórdia de Deus. Considerar que crer é distinto de se entregar à misericórdia de Deus, é uma brecha criada pelos enganadores que, privarão os incautos de desfrutarem da graça de Deus. Quando alguém crê, na verdade, entregou-se ‘completamente’ à misericórdia de Deus.

Outra aberração, é desvincular o ‘arrependimento’, do ato de ‘crer’ e de ‘arrepender-se’. Crer é consequência do arrependimento. Só se arrepende de fato quem, após ouvir o evangelho, crê em Cristo. Quem crê que Jesus é o Cristo de fato mudou de concepção (metanoia), acerca de como ser salvo. Primeiro é anunciada a fé, em seguida o homem se arrepende (metanoia), e, por fim, crê.

‘Crer’ decorre da ‘fé’, não o contrario. Arrependimento decorre da ‘fé’ (evangelho) e nunca a ‘fé’ do arrependimento. Sem a fé manifesta, que é Cristo, é impossível o homem arrepender-se e crer para a salvação. Sem o conhecimento de Deus, a mensagem do evangelho, não há no que o homem possa crer, que o livre da condenação. O homem pode crer em Deus, crer em anjos, crer em milagres, crer no impossível, etc., mas se não crer em Cristo, o dom de Deus, não será salvo (Jo 14:1).

A palavra ‘fé’, quando é empregada nas Escrituras, no sentido de ‘crer’, não é ‘conhecimento’ e nem ‘crença’. Spurgeon equivocou-se ao conceituar quea fé é feita de três coisas: conhecimento, crença e confiança’. ‘Crer’ em Cristo é somente confiança n’Ele, por causa do testemunho que o Pai deu acerca do Filho nas Escrituras. A ‘fé’ (evangelho) é conhecimento, doutrina, crença e a ‘fé’ (crer) é somente confiança. Para que o homem possa crer, primeiro é necessário o ‘conhecimento’, que, em relação ao evangelho, é informação, mensagem, doutrina, espírito, etc., revelado por Deus em Cristo, assim com profetizado pelo profeta Isaias:

“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53:11)

É impossível a quem crê em Cristo, se gloriar de ter crido. É impossível reputar que há mérito em confiar em Cristo. Quem crê em Cristo, conforme as Escrituras, na verdade gloria-se em Cristo (Fl 3:3). Quem crê em Cristo, na verdade rendeu-se diante da fidelidade de Deus, expressa na sua palavra. O mérito, a glória e a virtude estão no evangelho, mensagem de boas novas de que Cristo veio ao mundo salvar os pecadores: “Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1:15).

Aquele que crê no evangelho, não necessita preocupar-se com o erro de se gloriar diante de Deus, pois o próprio evangelho exclui a jactância: “Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé” (Rm 3:27).

Não há como alguém se gloriar de ter amado a Cristo, pois quem ama, não se envaidece e não se vangloria (1Co 13:4). Quem crê, não tem como se vangloriar de ter crido, pois crer em Cristo é obra de Deus (Jo 6:29), que Ele opera, por meio do evangelho. Crer em Cristo é o mandamento de Deus, e quem crê se fez servo. Como gloriar-se de tomar sobre si o jugo de Jesus? Onde está a jactância, no ato de levar sobre si o fardo de Jesus?

Quando Jesus concitou os seus interlocutores, cansados e sobrecarregados, a tomarem sobre si o seu jugo, na verdade, estava requerendo que eles se sujeitassem como servos (Mt 11:28-30).

Por não se sujeitarem a esse ‘conhecimento’ especifico, é que os judeus, sem entendimento, procuraram estabelecer uma justiça própria, não se sujeita à justiça que vem de Deus – Cristo (Rm 10:1-3). Se compreendessem que o justo vive da fé, ou seja, que o homem só vive através da palavra que sai da boca de Deus (Dt 8:3; Hc 2:4), os judeus saberiam que o homem só é justificado pela pregação da fé (Gl 3:2 e 5).

A lei exige realizações (Rm 10:5), a fé (evangelho) exige que se creia (Rm 9:33). A justiça, que vem por intermédio da ‘fé’, se dá quando o homem morre e ressurge com Cristo e o que permite ao homem morrer e ressurgir, é crer na palavra da fé, que foi anunciada pelos apóstolos e profetas (Rm 10:8). Os judeus ouviam e acreditavam que seriam justificados pela lei, mas como a lei estava enferma pela carne, ela era inócua para o que os judeus pretendiam alcançar (Rm 2:17; Gl 3:11).

A fé (crer) que os judeus depositavam na lei, é a mesma fé (crer) que o arrependido deposita no evangelho. O diferencial está em que, a lei não tem o poder que o evangelho possui. O propósito da lei é conduzir o homem a Cristo e o propósito do evangelho. é conduzir o homem a Deus. por intermédio de Cristo.

Spurgeon parece exalar sabedoria e humidade nas palavras:

De maneira que a fé, que é o ato de ir a Cristo é concessão divina, da graça. A graça é a primeira e última causa movedora da salvação; e a fé, por mais essencial que seja, é apenas parte importante do mecanismo utilizado pela graça” Idem.

Mas, quando se questiona: que ‘fé’ é essa que é o ato de ir a Cristo? A concessão divina da graça está em que, Deus deu o Seu Filho, como mediador entre Deus e os homens. A fé, como concessão divina, não diz do ato do homem ir a Cristo, mas do ato de Deus vir até os homens. Em Deus revelar-se aos homens na pessoa de Cristo, está a primeira e última causa movedora da salvação (Jo 1:18).

A graça de Deus veio sobre todos os homens, através de um ato de justiça, realizado por Cristo Jesus (Rm 5:18). Como Cristo foi entregue pelos pecados da humanidade e ressuscitou para a justificação dos que creem (Rm 4:25), os crentes são justificados por Cristo, ou seja, pela fé (Rm 5:1). É por Cristo que o homem alcança a graça de ter paz com Deus, mediante o evangelho (fé) (Rm 5:2). É no evangelho (fé) que o cristão permanece firme e gloria-se na esperança da gloria de Deus (Rm 5:2).

Crer é o ato de receber a Cristo, para ir a Deus (Jo 1:12). Portanto, crer, não é o ato de ir a Cristo, mas de receber a Cristo. Não há como o homem ir a Deus, por isso Deus veio aos homens, concedendo Cristo como mediador (graça), para que os homens pudessem ir a Deus (Jo 14:6). A ‘fé’ não é o ato de o homem ir a Cristo, antes, a ‘fé’ está no ato de Deus conceder Cristo aos homens (Gl 3:23).

Observe:

“Fé é uma palavra muito significativa. Implica fidelidade a Deus (Mt 24:45) e confiança absoluta n’Ele, como aquela demonstrada pelas pessoas que iam a Jesus à procura de cura (Lc 7:2-10). Fé pode ser definida, positivamente, como uma esperança segura, inabalável (Hb 11:1), ou, negativamente, como uma crença infecunda que não redunda em boas obras (Tg 2:14-26). Mas o que Paulo quis dizer, quando falou de ‘fé salvadora’,em Romanos? O apóstolo relacionou a fé à salvação. Não é necessário praticar boas obras para alcançar a salvação; se fosse, esta seria mais um feito humano, e Paulo deixou bem claro que as obras não nos podem salvar (Gl 2:16). Embora, a fé seja uma dádiva concedida por Deus, porque Ele deseja nos salvar (Ef 2:8), é a graça de Deus e não a nossa fé, que nos salva. Em sua misericórdia, ao nos salvar, Deus nos concede a fé, a fim de que tenhamos um relacionamento com o seu Filho, que nos ajuda a ser como ele. Por meio dessa fé, que recebemos do próprio Deus, passamos da morte para a vida (Jo 5:24 ) (…) Como seria trágico se transformássemos a fé em uma obra e tentássemos desenvolvê-la por nossa conta! Nunca poderíamos chegar a Deus por meio de uma fé humana, assim como o povo do Antigo Testamento não o poderia,, por meio dos seus sacrifícios. Assim, devemos aceitar a bondosa oferta de Deus com ações de graça e permitir que Ele plante a semente da fé dentro de nós” Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, Versão Almeida Revista e Corrigida Edição 1995, pág. 1552.

Percebe-se que os editores da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal compartilham da mesma concepção de Spurgeon, de que é a graça de Deus e não a fé, que salva. A Bíblia afirma que quem crer será salvo e os editores da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal afirmam que, ao salvar o homem, Deus concede fé para que possa relacionar-se com Cristo. É esse o posicionamento das Escrituras?

Na verdade, os que creem em Cristo recebem de Deus poder para serem feitos filhos de Deus e não fé. Na verdade, Deus concedeu o seu Filho, Jesus Cristo, para que, por Ele, o homem tenha comunhão com Deus. Cristo é mediador entre Deus e os homens, portanto, a ideia de que a fé é para ter um relacionamento com o Filho é descabida, qualquer que seja a ideia que nutrem acerca do termo ‘fé’.

A ‘fé’ (crer) do homem não é uma semente que Deus planta em seu coração, antes a fé, no sentido de crer, surge da fidelidade de Deus, expressa em sua palavra. A palavra de Deus é fiel, verdadeira, firme, imutável, etc., portanto, digna de ser aceita (1Tm 1:15). A palavra de Deus que é descrita como ‘semente incorruptível’, porque o homem é gerado de novo, por meio dela (1Pd 1:23). Essa semente é a palavra da fé, a boa doutrina (1Tm 4:6), que, quando aceita pelo homem (crê), Deus faz surgir a nova criatura.

Somente a palavra de Deus é descrita como semente (Lc 8:11), pois, dela resulta a nova criatura (1Jo 3:9). ‘Crer’ na palavra de Deus, nunca é descrito como semente, pois o poder de conceder nova vida está na palavra de Deus e não na crença do homem. Deus salva o homem por meio da fé (evangelho), o que é diferente da ideia de que Deus salva e concede a fé (crer).

Se o leitor não souber diferenciar os versos que utilizam o termo ‘fé’ no sentido de ‘evangelho’, ‘verdade’, ‘Cristo’, etc., dos textos que utilizam o termo ‘fé’ no sentido de ‘crer’, ‘acreditar’, etc., chegará à mesma conclusão equivocada a seguir:

“Fé é obra da graça de Deus em nós. Ninguém poderá dizer que Jesus é o Cristo, senão por obra do Espírito Santo. “Ninguém poderá vir a mim,” disse Jesus, “se, pelo Pai, não lhe for concedido” [João 6.65]” Idem.

Cristo é a graça de Deus manifesta, que trouxe salvação a todos os homens (Tt 2:11), portanto, a ‘fé’ é a própria graça de Deus manifesta: “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1:17; Gl 3:23). Deus deu o Cristo para realizar a sua obra: crede naquele que Ele enviou (Jo 6:29).

A ‘fé’, a ‘verdade’, é o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho Jesus Cristo, para que todos honrem o Filho, da mesma forma que honram o Pai. Aquele que ouve as palavras de Cristo e crê, na verdade, crê em Deus, pois crê no testemunho de Deus, ou seja, nas Escrituras (Jo 5:23-24; Jo 5:39; 1Jo 5:10). O ensino de Jesus não era d’Ele, mas, de Deus, de modo que, quem crê em Cristo, faz a vontade de Deus (Jo 7:16-17).

Jesus disse: “… ninguém pode vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido” (Jo 6:65), porque alguns dos seus discípulos não criam em suas palavras, que eram espirito e vida (Jo 6:63-64). Embora Jesus anunciasse: – “Eu sou o pão da vida”, contudo não criam (Jo 6:35-36). Embora anunciasse: – “Eu sou o pão que desceu do céu” (Jo 6:41), murmuravam (Jo 6:42-43).

Foi predito pelos profetas que ‘todos seriam ensinados por Deus’ (Jo 6:45; Is 54:13), de modo que ‘todo aquele que o Pai me dá virá a mim’, ou ‘ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer’, ou ‘ninguém pode vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido’, são modos distintos de dizer que as Escrituras dão testemunho de Cristo, de modo que todos os que se ouvem o Pai e se deixam instruir (aprende dele), creem em Cristo (Jo 6:45).

Quem o Pai deu a Cristo? Conforme o previsto nas Escrituras, aqueles que esperam no Senhor, que escondeu o seu roso da casa de Israel, ou seja, Cristo, que apesar de ser santuário, tornou-se pedra de tropeço para Israel (Is 8:17-18). Quando é dito: – “Eis-me aqui, com os filhos que me deu o Senhor” (Is 8:18), é porque ‘todos os teus filhos serão ensinados do Senhor’ (IS 54:13), de modo que, aquele que ouve o ensino de Cristo, aprende de Deus, que O enviou (Jo 7:16).

 

Salvação

“E seja achado nele, não tendo a minha justiça, que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fl 3:9)

O que é ser ‘achado n’Ele’? É estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura (2Co 5:17). Por definição, quem ‘está em Cristo’ é ‘nova criatura’! A nova criatura alcança a justiça que vem de Deus, por intermédio de Cristo, que é sabedoria, justiça, santificação e redenção (1Co 1:30).

Nestas duas orações: “… mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé”, o termo ‘fé’ foi empregado com dois significados distintos, a saber:

a) ‘mas a que vem pela fé em Cristo’ – nesta oração o termo ‘fé’ foi empregado no sentido de ‘crer’, ‘acreditar’. O apóstolo está enfatizando que a justiça de Deus é concedida aos que creem em Cristo;

b) ‘a justiça que vem de Deus pela fé’ – nesta oração, o termo ‘fé’ foi empregado no sentido de ‘evangelho’, ‘Cristo’.

Como a justiça de Deus é imputada ao homem?

Quando discursou aos cristãos de Antioquia da Pisídia, o apóstolo Paulo deixou claro que o homem é justificado por Cristo ao crer n’Ele. O homem precisa crer em Cristo, não porque a sua crença será causa de justificação, antes, porque, por Cristo, o homem é justificado: “E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por Ele é justificado todo aquele que crê” (At 13:39).

Os profetas deram testemunho de que, por Jesus Cristo, os que creem, recebem o perdão dos pecados (At 10:43). Há alguma virtude em acreditar em Cristo? Não! Na crença do indivíduo não há poder, antes, a virtude está em Cristo, pois, por Ele, é que o homem confia em Deus (2 Co 3:4). Sem Cristo, por quem vem a fé (crer), não há justificação (At 3:16).

Pelo fato de Cristo ter morrido por todos os homens, e todos os que creem morrem com Ele, o crente desfruta de uma nova vida (At 5:20), pois, vivem para Aquele que morreu e ressurgiu dentre os mortos (2 Co 5:14-15). Ser uma nova criatura provém de Deus, que reconciliou os que creem consigo mesmo  por Jesus Cristo (2 Co 5:18), ou seja, a reconciliação por meio da fé não vem dos homens (Ef 2:8).

Não é a crença do homem que promove a reconciliação com Deus, antes, a fé (Cristo) é o meio pelo qual o homem tem acesso a Deus. Cristo veio ao mundo sem pecado, mas por Deus foi feito pecado, para quem estiver n’Ele (os que creem), sejam declarados justos (2 Co 5:21). Agora, sendo justificados por sua graça, os cristãos são embaixadores da parte de Deus anunciando a graça de Deus aos homens, em tempo oportuno (2 Co 6:1).

O ato de crer resulta em confissão (admitir o que é), conforme dispõe o salmista: ‘Cri, por isso falei’ (2 Co 4:13; Sl 116:10). A evidência exterior de quem crê em Cristo está na doutrina que professa, ou seja, na confissão, que o escritor aos Hebreus denomina ‘fruto dos lábios’ (Hb 13:15). Confissão que João Batista observou que faltava aos escribas e fariseus: ‘frutos dignos de arrependimento’ (Mt 3:8).

Ao acreditar que Cristo ressurgiu dentre os mortos (Rm 10:9-10), isto conforme a palavra da fé, apregoada pelos apóstolos e profetas, o homem é salvo. É salvo todo aquele que confessa a Jesus como Senhor e crê que Deus O ressuscitou dos mortos, pois, com a boca se faz confissão para a salvação[5] e com o coração, se crê para justiça. Ao crente é imprescindível o mesmo espírito de fé anunciado pelo salmista: crer e professar, pois a boca fala do que o coração está pleno (Mt 12:34).

Por meio do evangelho, a graça de Deus é derramada, pois Cristo trouxe salvação sobre todos os homens. A graça (bondade e benignidade de Deus para com os homens) e o evangelho (verdade) decorrem de Cristo, pois por Ele é concedido aos homens redenção e remissão dos pecados: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2:8); “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1:17).

Deus criou a humanidade em função do beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir n’Ele todas as coisas, para que em tudo Ele fosse preeminente (Ef 1:9-10). Mas, para fazer parte deste propósito, a humanidade teria que ser participante da glória de Deus, semelhante a Ele, pois só entre semelhantes é possível ser preeminente. Cristo é espírito vivificante, o último Adão, pois por Ele muitos são conduzidos à glória de Deus e feitos semelhantes a Ele (1Jo 3:2; 1Co 15:48 -49).

Como é impossível aos homens serem semelhantes a Deus, em poder e glória, o Verbo se fez carne e em tudo se fez semelhante aos homens (Hb 2:14 e 17), para fazer propiciação pelos pecados do povo. Os que ressurgissem dentre os mortos com Cristo são santos, irrepreensíveis e semelhantes a Ele. Como Cristo se fez servo em tudo, Deus o exaltou soberanamente, constituindo-o como a cabeça da igreja, que é o seu corpo, posição de primogênito entre muitos irmãos, o que lhe confere a preeminência em tudo.

Jesus despiu-se da sua glória e se fez homem, porém, sem pecado. Em tudo foi provado como homem, tendo que confiar nas Escrituras e ser obediente ao Pai. A missão de Jesus era reparar a ofensa de Adão: obediência pela desobediência, para estabelecer a justiça: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Rm 5:19).

A humanidade entrou em condenação eterna pela ofensa de Adão (desobediência). Os homens entram na vida eterna pela obediência de Cristo (justiça). Quando o homem crê que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, morreu pelas ofensas e pecados da humanidade e, que ressuscitou dentre os mortos será salvo, conforme as profecias. A encarnação, morte e ressureição do Filho de Davi são eventos históricos que tornam os homens justos aos olhos de Deus, isso, porque, esses eventos se deram, segundo a palavra de Deus.

Ao crer nos eventos históricos do nascimento, morte e ressurreição e, na doutrina de Cristo, efetivamente, o crente está crendo na palavra de Deus: a verdade (Sl 119:160; Sl 138:2). Os apóstolos viram e testificaram que Deus enviou o seu Filho como salvador do mundo, pois, crer nesta verdade, para salvação, é imprescindível: “E aquele que o viu, testificou e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais” (Jo 19:35; 1 Jo 4:13-15; At 10:39-43). Ao crer nessa verdade, o homem confirma que Deus é verdadeiro: “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras e venças quando fores julgado” (Rm 3:4).

Crer em Cristo é crer em Deus, declarando-O verdadeiro, fiel e justo. “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o fez, porquanto, não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho” (1Jo 5:10-11); “Na verdade, na verdade, vos digo que, quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5:24); “Porque, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida” (Jo 3:34); “Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste” (Jo 17:8); “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17).

Ao escrever ao irmão Tito, o apóstolo Paulo faz alusão a três aspectos do evangelho: a) manifestou a sua palavra; b) pela pregação confiada; e, c) segundo o mandamento de Deus: “Mas, a seu tempo, manifestou a sua palavra, pela pregação que me foi confiada, segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador” (Tt 1:3). O primeiro aspecto diz da palavra de Deus manifesta, que se refere a Cristo, o Verbo que se fez carne, na plenitude dos tempos e, por quem o homem é justificado. O segundo aspecto refere-se à pregação, que tem por tema Cristo e deve ser anunciado a todos os povos, pois, ‘como crerão naquele de quem não ouviram’? (Rm 10:4) O terceiro aspecto do evangelho é o mandamento: crer (1 Jo 3:24).

Um erro do calvinismo, está em reputar que, no ato de crer, alguém possa jactar-se de se salvar por seus próprios méritos, pois, com relação ao evangelho, ter mérito por crer é impossível. Crer é mandamento, de modo que, quem crê, se faz servo, sujeitando-se ao senhorio de Cristo. Crer é obedecer ao evangelho, de modo que o crente não tem como se vangloriar e nem como se ensoberbecer.

Com relação ao evangelho, não podemos pecar pelo preciosismo ou pela omissão, pois, em ambos os casos, é prevaricar contra o evangelho. Há quem contrarie as Escrituras, ao dizer que ‘não basta apenas confessar com a boca que Jesus Cristo é o Senhor para ser salvo’, para encontrar ocasião de impor obrigações sobre os incautos e há quem diga que ‘a fé é apenas um canal ou aqueduto e não a própria fonte da salvação’, invocando o medo de um risco de o crente gloriar-se de ter crido em Cristo, pervertendo a fé de alguns.

O crente não pode perder de vista, que a salvação que alcançou em Cristo é graça de Deus; que é graça ter recebido poder de ser feito filho de Deus; que ter uma herança no céu é graça de Deus; desfrutar do cuidado de Deus, no dia a dia, é graça; que ser coerdeiro de Cristo e reinar com Ele é graça. A obra de Cristo nos homens é graça de Deus, de modo que se pode afirmar, categoricamente, que Cristo é a graça de Deus, pois todas essas benesses decorrem de Cristo (2 Co 1:20).

O ápice da graça se encontra na ressurreição que Deus concede aos homens, pois o salário do pecado é a morte. Como todos pecaram, todos são merecedores de morte. Quem morre sem Cristo segue-se ao juízo, sob condenação, mas quem crê em Cristo, passou da morte para a vida, pois de fato morre para o pecado, conformando-se com Cristo, na sua morte e através da ressurreição de Jesus Cristo, ressurge para a vida eterna: maravilhosa graça!

O crente não pode demover-se da fé, ou seja, da graça de Deus. Estar firme na graça (1 Pe 5:12), é estar firme na fé (1Pe 5:9). A graça de Deus tornou-se notória a todos os homens, pelo fato de Cristo Jesus, sendo rico (Tt 2:11; Tt 3:7), por amor dos que creem, se fez pobre, para que, pela sua pobreza fossem, feitos ricos (2 Co 8:9).

 


[1] “4102 πιστις (pistis) de 3982; TDNT – 6:174,849; n f 1) convicção da verdade de algo, fé; no NT, de uma convicção ou crença, que diz respeito ao relacionamento do homem com Deus e com as coisas divinas, geralmente com a ideia inclusa de confiança e fervor santo, nascido da fé e unido com ela 1a) relativo a Deus 1a1) a convicção de que Deus existe e é o criador e governador de todas as coisas, o provedor e doador da salvação eterna em Cristo 1b) relativo a Cristo 1b1) convicção ou fé forte e benvinda de que Jesus é o Messias, através do qual nós obtemos a salvação eterna no reino de Deus 1c) a fé religiosa dos cristãos 1d) fé com a ideia predominante de confiança (ou confidência) seja em Deus ou em Cristo, surgindo da fé no mesmo 2) fidelidade, lealdade 2a) o caráter de alguém em quem se pode confiar” Dicionário Bíblico Strong.

[2] “4100 πιστευω (pisteuo) de 4102; TDNT – 6:174, 849; v 1) pensar que é verdade, estar persuadido de, acreditar, depositar confiança em 1a) de algo que se crê 1a1) acreditar, ter confiança 1b) numa relação moral ou religiosa 1b1), usado no NT para convicção e verdade, para a qual um homem é impelido por uma certa prerrogativa interna e superior e lei da alma 1b2) confiar em Jesus ou Deus, como capaz de ajudar, seja para obter ou para fazer algo: fé Salvadora 1bc) mero conhecimento de algum fato ou evento: fé intelectual 2) confiar algo a alguém, i.e., sua fidelidade 2a) ser incumbido com algo” Dicionário Bíblico Strong.

[3] “Metonímia ou transnominação é uma figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança entre o segundo e o termo entre as orações ou a possibilidade de associação entre cinco ou mais figuras de linguagem destes. Por exemplo: “Palácio do Planalto” é usado como um metônimo (uma instância de metonímia) para representar a presidência do Brasil, por ser esse o nome do edifício do governo federal”, Wikipédia.

[4] “A ideia de Deus (…) nasce da reflexão sobre as operações do nosso próprio espírito…” Hume – Vida e Obra, Coleção Os pensadores, 1999, pág. 37.

[5] “Podemos sentir no próprio espírito que desta qualidade de caráter depende até mesmo a nossa própria salvação eterna. Sim, porque não basta apenas confessar com a boca que Jesus Cristo é o Senhor para que sejamos salvos, porque isso qualquer um pode fazer”. Macedo, Edir. O poder sobrenatural da fé. 1º Ed. Atualizada. Rio de janeiro: Unipro Editora, 2011 pág. 120. Grifo nosso.

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Por que o homem precisa de salvação?

Para compreender o motivo pelo qual o homem precisa de salvação se faz necessário saber como, quando, onde e porque se está condenado e qual pena foi estabelecida. É necessário compreender como Deus justifica aquele que está condenado sem invalidar a sua justiça e o porquê da necessidade de um salvador. Por fim, se faz necessário identificar a verdadeira causa do sofrimento da humanidade.


“Por que o homem precisa de salvação?” é uma explicação sucinta do plano da salvação para que fique claro o porquê e por quem Jesus morreu, ou antes, ressurgiu dentre os mortos. Que fique claro que Ele não veio condenar o mundo, mas veio salvá-lo “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” ( Jo 3:17 ).

Todos passam por muitos problemas e sofrimentos nesta existência, mas estes não são os motivos pelos quais o homem precisa de salvação.

O homem precisa de salvação hoje por causa de uma condenação que sujeitou toda a humanidade à morte no passado. A morte foi imposta pelo pecado, uma barreira erguida que separa o homem de Deus. No entanto, por causa de uma visão desfocada, geralmente os homens só se perguntam se estão perdidos quando defrontam com alguma vicissitude – não rotineira – da vida.

A Bíblia nos revela que Deus já julgou a humanidade lá no Éden, e que todos os homens estão sob condenação, mas equivocadamente acredita-se que Deus ainda há de julgar a humanidade para determinar aqueles que serão salvos ou que perecerão.

Por causa de uma visão distorcida, várias religiões prometem salvação após o julgamento final, mas Jesus e os apóstolos afirmaram que o juízo de Deus já foi estabelecido e que todos estão debaixo de condenação. Como a perdição é uma realidade, através do evangelho de Cristo é oferecido salvação hoje, o chamado ‘dia aceitável’ ( Rm 5:16 ; Jo 3:18 ; 2Co 6:2 ).

Apesar da condenação que pesa sobre a humanidade, com o nascimento de Jesus, o Emanuel, cumpriu-se a profecia que diz: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” ( Is 9:2 ), e Cristo foi estabelecido por salvação para todos os povos.

 

O problema da humanidade

Geralmente o que salta aos olhos quando se pensa em salvação são os erros de conduta das pessoas. Por causa de questões comportamentais e morais muitos entendem que se a pessoa for ‘boazinha’, será salva.

Quando se observa uma pessoa desregrada, transviada, má, criminosa, etc., de imediato acredita-se que o tal necessita de salvação muito mais que o restante da humanidade. Isto não é verdade, pois as pessoas desregradas precisam de salvação, como também todos os demais homens, mesmo os religiosos, sábios, regrados, ordeiros, etc.

A Bíblia nos diz que Jesus veio salvar os perdidos, e os perdidos não estão somente entre os desajustados da sociedade. Os perdidos são vistos nas sarjetas e nos palácios, nos templos e nos prostíbulos, na filosofia e na religião, nos ateus e nos crédulos, etc.

Uma visão distorcida dá a falsa segurança para alguém que é saudável, inteligente, abastado de bens, pertencente a uma família e tem muitos amigos, que não necessita de salvação. Mas, segundo a Bíblia, nenhum desses quesitos são indicativos de que o homem está salvo.

 

Uma natureza má

Todo homem sem Cristo está sob o domínio do pecado, ou seja, são escravos do pecado. A sujeição ao pecado não é perceptível aos sentidos naturais e nem é possível identifica-lo através dos sentimentos ou das emoções. Somente as Escrituras revelam o pecado como o mal que afeta a todos através da revelação das Escrituras.

Isto significa dizer que o pecado não tem cheiro, gosto, forma, não emite som, etc. Todos os homens possuem sentimentos e emoções, porém, não é possível identifica-los como pecadores através das emoções ou dos sentimentos, porque quando a Bíblia aponta para a natureza má do homem aponta para uma condição que se estabeleceu desde o nascimento.

A natureza má do homem não se manifesta somente através de condutas desregradas como matar, mentir, roubar, etc. Mesmo quando o homem parece correto, controla as suas emoções, segue bons princípios de convivência e sabe dar boas dádivas aos seus semelhantes, diante de Deus tal pessoa é designada má tal qual os desregrados “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos…” ( Mt 7:11 ).

A Bíblia nos informa que tanto o religioso, o monge, o padre, o juiz, etc., quanto o roubador, homicida, estuprador, etc., se não aceitarem a Cristo, são igualmente maus diante de Deus. O mal está na natureza humana, pois é contaria a natureza de Deus. Deus é vida e a natureza humana herdada de Adão morte.

O mal da natureza herdada de Adão não é o caráter, a moral ou a índole do indivíduo, mas uma condição contraria à natureza de Deus. Se o homem possui comunhão com Deus: é luz, é verdadeiro, é justo, é santo e bom (nobre). Se não há comunhão com Deus, a sua condição é contraria à nobre, ou seja, é treva, mentiroso, injusto, impuro e mau, no sentido de baixo, vil.

Quando a Bíblia diz que o homem é mau, não se refere às ações – se boas ou más.

O Salmista enfatiza do ponto de vista social que tanto os homens nobres, quantos os homens da ralé são mais leves que o efêmero. No quesito mal – não importa o comportamento – e sim o nascimento. Se descendente de Adão, são mentirosos, ruins “Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que a vaidade” ( Sl 62:9 ); “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

Quando é dito na bíblia que todo homem é mentiroso, não significa que todos são desonestos, ou que todos faltam com a verdade para com os seus semelhantes. ‘Mentiroso’ é condição decorrente do coração enganoso herdado de Adão e não uma falha de caráter ( Sl 58:3 ; Jr 17:9 ).

O problema da humanidade teve início na ofensa de Adão, pois através de uma ofensa veio o juízo de Deus sobre todos os homens para condenação: morte. O juízo já foi estabelecido, por isso Jesus não veio condenar o mundo, mas salvá-lo ( Rm 5:18 ).

Deus é vida, luz, bom, santo, justo, etc., e o homem alienado de Deus passou a condição de morto, trevas, ruim, impuro, injusto, etc.

O problema da humanidade não está em suas ações, assim como o problema de uma infecção não está no pus, antes o problema está e decorre da semente que foi gerada. Todos os homens são gerados da semente corruptível de Adão, árvores que Deus não plantou, mas se crer em Cristo é enxertado na oliveira verdadeira, transportado das trevas para luz.

O homem sem Cristo é miserável pelo que é, e não pelo que faz. Adão, o primeiro homem, foi criado justo e santo, mas desobedeceu o Criador e sofreu as consequências da sua decisão: separou-se de Deus. Em razão da sua condição maldita, a semente de Adão tornou-se má e só produz descendentes maus.

Semelhante a semente de uma árvore má que produz outra árvore também má, assim são os descendentes de Adão concebidos em pecado: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores …” ( Rm 5:19 ).

O homem não possui o poder de mudar a sua natureza, assim como os anjos não podem mudar a deles. Os homens precisam de Cristo porque só no evangelho há poder que faz de quem crê uma nova criatura participante da natureza divina.

 

Boas e más ações

A desobediência de Adão (que foi comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal) é a ofensa que alienou toda a humanidade da glória de Deus. Um mal que se perpetua de pai para filho, independentemente de quaisquer ações que o homem realize.

Além de se tornar pecador, algo decorrente da desobediência ao mandamento dado no Éden, o homem também adquiriu um conhecimento: o conhecimento do bem e do mal. Conhecer o bem e o mal não é o pecado, antes é consequência de ter comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Por causa do conhecimento do bem e do mal todos os homens, tanto justos como injustos, são capazes de realizar boas ações e más ações, entretanto, a natureza em pecado do homem não pode ser alterada através de suas ações, quer sejam boas ou más ( Ec 7:20 ). Se fizer boas ações, a natureza permanecerá má, se fizer más ações, a sua natureza permanecerá igualmente má.

Geralmente se presume que somente as pessoas que comentem más ações são pecadoras, porém, Jesus evidencia através da parábola do ‘Fariseu e o Publicano’ que, apesar de o fariseu se cercar de boas ações, diante de Deus não estava justificado.

No período da escravidão tudo que um escravo produzia – por lei – pertencia ao seu senhor. Esse mesmo princípio aplica-se ao homem sem Cristo, pois tudo que o pecador produz pertence ao pecado, quer sejam boas ou más ações.

O pior homem sem Cristo não se mensura por suas más ações, e mesmo o melhor homem sem Cristo não se mensura por suas boas ou más ações “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos” ( Mq 7:4 ). Diante de Deus o melhor dos homens quanto o mais reto estão em igual condição ( Sl 53:3 ).

Devemos olhar com reservas para concepção do homem sem Cristo, por mais justo e correto que pareça, pois a aparência engana e, a concepção deste homem acerca das coisas de Deus é tão perniciosa quanto à do pior dos homens: o melhor e o pior dos homens estão equivocados. Por causa da natureza má, o pensamento do homem alienado de Deus é permanentemente mau. Por causa da natureza herdada de Adão, o homem sem Deus, além de trilhar um caminho de perdição, é mentira desde a origem ( Rm 3.4; Sl 58:3 ).

É em função da natureza do homem sem Deus que Cristo conta a parábola da ‘Árvore boa e a má’: a árvore má produz maus frutos e a árvore boa produz bons frutos ( Mt 12:33 ). A figura da árvore representa o homem; a árvore má representa o homem que não nasceu de novo, árvore que não foi plantada por Deus, ou seja, é árvore nascida de uma semente corrupta, a semente de Adão.

O homem (árvore má) pode até dar coisas boas aos seus semelhantes, porém, dizer coisas boas é impossível, pois possui um mau tesouro no coração enganoso e corrupto ( Mt 12:35 ), e Jesus aplica a figura da árvore má diretamente aos fariseus, porque sendo maus, nascidos de Adão, era impossível (não podiam) dizer boas coisas ( Mt 12:34 ).

É por causa da impossibilidade de um homem sem Cristo (árvore má) dizer (fruto) coisas boas que Jesus alerta acerca de como identificar os falsos profetas: pelo fruto, ou seja, pelo que dizem, pois a boca evidencia o que há no coração. É possível um falso profeta se manter escondido sob o disfarce de ovelha, ou seja, pela aparência (boas ações), mas é impossível disfarçar o fruto ( Mt 7:15 -16).

Embora muitos pensem: “Eu não sou malévolo”, ou até diga: “Cometo erros, mas isto não me faz merecer queimar em fogo pela eternidade”, o juízo de Deus para condenação foi estabelecido por causa de um só homem que pecou. Por causa da ofensa de Adão a condenação se abateu sobre todos os homens ( 1Co 15:21 -22), e muitos ignoram o fato de estarem condenados.

Muitos argumentam que é injusto ser condenado à perdição eterna porque um homem pecou! Este era o sentimento dos filhos dos escravos, pois nada fizeram para estarem sujeitos ao mando de seus senhores, entretanto, estavam condenados a uma existência de servidão.

Alegar que é injusto ser condenado pelo erro de outro não livra o homem da sua condição de sujeição ao pecado. O que livra o homem de tal condenação é crer no evangelho, que é poder de Deus para fazer dos filhos de Adão filhos de Deus.

 

A doutrina de Cristo

“O que eu devo fazer para ser salvo?”

A Bíblia dá a seguinte resposta: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” ( At 16:30 -31).

Quem é Jesus para que eu possa confiar n’Ele?

Jesus foi um homem da cidade de Nazaré como qualquer outro homem, porém, o diferencial entre Cristo e os demais homens está na forma como veio ao mundo. Enquanto os demais homens vêm à existência da concepção derivada da união íntima de um homem e uma mulher – na eternidade o Verbo Eterno teve que se esvaziar da sua glória, ou seja, deixar o seu divino poder, e ser ‘lançado’ pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem (Maria). Fato que determina que nasceu sem pecado!

O Verbo – desde sempre existiu – mas ao despir-se da sua glória, conforme as profecias se fez homem e nasceu na casa de Davi. Entre os homens foi nomeado ‘Jesus’ conforme orientação de Deus, e tudo o que estava escrito acerca d’Ele nas Escrituras cumpriu-se ( Rm 1:3 ).

Enquanto o primeiro homem Adão, que veio ao mundo sem pecado, desobedeceu a Deus, o Verbo eterno – ao assumir a forma humana – se fez servo e foi obediente até a mote, e morte de cruz. A desobediência de Adão trouxe condenação sobre todos os homens, e Cristo, pela Sua obediência, trouxe salvação a todos quanto crerem n’Ele.

Jesus foi declarado Filho de Deus com poder quando Deus O ressuscitou dentre os mortos ( Rm 1:4 ), cumprindo cabalmente o que foi dito a Davi:- “O teu descendente que proceder das tuas entranhas (…) Eu lhe serei por Pai e Ele me será por Filho” ( 2Sm 7:12 -14).

O apóstolo Pedro deu testemunho que Cristo foi crucificado, mas que Deus o ressuscitou dentre os mortos e que em nenhuma outra pessoa há salvação, pois na terra não há outro nome pelo qual os homens são salvos ( At 4:11 -12).

Jesus é o Salvador, porque quando o homem (Adão) pecou contra o Criador, Deus prometeu um libertador (O Messias, que é o Cristo) e, na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Unigênito aos homens, cumprindo-se as profecias escritas a respeito de Jesus séculos antes do Seu nascimento.

Jesus é o descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra seriam benditas. Ele é o rebento na casa de Jessé, o Filho de Davi. Conforme a profecia, Jesus nasceu de uma virgem na cidade de Belém, e na sua boca nunca houve engano, porque falava verazmente segundo o seu coração.

Conforme as profecias, na crucificação, as mãos e pés de Jesus foram perfurados, morreu e foi sepultado na cova de um homem rico e ao terceiro dia ressurgiu dos mortos, provando assim que o Jesus de Nazaré é efetivamente o Cristo, o Filho de Davi conforme confessou o cego a beira do caminho de Jericó.

Até aqui, apresentamos aspectos da vida de Jesus homem quando habitou entre nós, porém é imprescindível salientar que Jesus também é o Senhor da Glória.

Jesus, desde sempre (eternidade) é Deus ( Jo 1:1 ). De posse do Seu eterno poder tem toda autoridade. Na eternidade não há hierarquia entre as pessoas da trindade (são um) “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra (Verbo Eterno), e o Espírito Santo; e estes três são um” ( 1Jo 5:7 ) , de modo que o Verbo Eterno possui toda autoridade, é conhecedor de todas as coisas, é onipresente e dá vida a todos que crerem nele conforme as Escrituras.

Antes de haver mundo, o Verbo eterno criou todas as coisas e Ele sustem todas as coisas pelo Seu poder, mas para ser introduzido no mundo o Verbo eterno despiu-se do seu eterno poder (Jo 17.5; Fl 2.7), e se fez carne e passou a habitar entre os homens na qualidade de único gerado de Deus, pois a sombra do Espírito repousou sobre Maria e ela achou-se grávida.

Quando esteve entre os homens admitiu abertamente: “Eu e o Pai somos um”. E aquele que o ouviram retrucaram: “… tu, sendo homem, te fazes Deus” ( Jo 10:30 -33). Eles achavam que Jesus estivesse blasfemando e queriam matá-lo. Todas as vezes que Jesus anunciou a sua divindade, os seus ouvintes quiseram apedrejá-Lo: – “Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse ‘Eu Sou’” ( Jo 8:58 ).

Quando João Batista deparou-se com Jesus, apesar de ver um homem semelhante a ele, declarou: – “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Jesus sendo homem, João batista enfatizou: – “Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que tem a primazia, porque era primeiro do que eu”, apontando a preexistência de Cristo ( Jo 1:30 ).

Na eternidade não havia a relação Pai, Filho e Espírito Santo. Na eternidade o Verbo é 100% Deus, e ao deixar a sua glória ao ser introduzido no ventre de Maria se fez 100% homem. No mundo dos homens com a encarnação do Verbo eterno passou a existir a relação Pai e Filho, pois seres celestiais não procriam e, este foi o acordo de Deus Elohim na eternidade ( 2Sm 7:14 ).

Em meio aos homens, Jesus não deteve nem se quer 0.0001% do poder que possui antes de ser introduzido no mundo, pois só tornando-se efetivamente homem reuniria os elementos imprescindíveis para ser mediador entre Deus e os homens, ou seja, em tudo Cristo foi semelhante aos homens “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” ( 1Tm 2:5 ; Hb 2:17 ).

Lembrando que o poder de Deus é infinito, qualquer porcentagem do poder de Deus, a mais ínfima, diz de um poder ilimitado. Quando em meio aos homens, Jesus viveu na dependência completa do Pai, ou seja, efetivamente se fez homem e foi obediente ao Pai até o fim.

Quando homem, apesar de não estar de posse da sua glória (poder), Jesus – o Espírito Eterno encarnado – era digno de adoração. Os discípulos e os seguidores de Jesus não conseguiam compreender que, aquele homem nascido em Belém e que residiu na cidade de Nazaré era o Criador do mundo.

Os contemporâneos de Jesus não conseguiam ter ideia da glória e majestade de Cristo porque Ele se fez homem por causa da paixão da morte. Mas através da sua ressurreição, agora é possível compreender que todas as coisas estão sujeitas a Cristo ( Hb 2:8 -10).

É imprescindível ao crente compreender que Jesus é o Sumo-sacerdote da Nova Aliança que pode compadecer dos pecadores, pois esteve sujeito às mesmas fraquezas e em tudo foi tentado, porém, sem pecado ( Hb 4:15 ). Ele mesmo – em obediência ao Pai – se interpôs como sacrifício ( Hb 9:15 ), e entrou nos céus, em um tabernáculo não feito por mãos de homens ( Hb 9:24 ); “Mas Ele, que já permanece para a eternidade, possui um sacerdócio exclusivo. Eis porque tem condições de salvar definitivamente os que, por meio dele, se aproximam de Deus, pois está sempre vivo para interceder em favor dele” ( Hb 7:24- 25).

A mensagem de Jesus é universal e atemporal: Jesus salva crianças, velhos, mulheres, homens, rico, pobre, sábio, ignorante, etc.

Quando entre os homens, Jesus recebeu afetuosamente tanto os rejeitados pela sociedade e pela religião, quanto aqueles que, tendo uma religião e desempenhando um papel social, creram n’Ele.

Jesus comissionou os seus discípulos, dizendo: – “Ide e fazei discípulos de todas as nações” ( Mt 28:9 ; Jo 3:16 ), pois Ele morreu pela humanidade inteira.

Cristo morreu por todos os homens, e não por alguns em particular ou em especial, pois o desejo de Deus é que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade ( 1Tm 2:4 ).

Para ser salvo é necessário crer que aquele Jesus que residiu na cidade de Nazaré é o Filho de Deus, nascido da descendência de Abraão e na casa de Davi. Que Ele fez muitos milagres e maravilhas enquanto andou entre os homens com a missão de revelar Deus a humanidade ( At 4:10 ). Foi morto, sepultado, mas ressurgiu ao terceiro dia e está à destra da Majestade nas alturas.

Jesus veio ao mundo como o Unigênito do Pai e, por tudo que sofreu, fica evidente que, mesmo sendo o Filho de Deus, foi obediente em tudo, até à morte ( Hb 5:8 ). Ele foi conduzido ao calvário como um cordeiro que não abriu sua boca e, abdicou de fazer a sua vontade, sujeitou-se à vontade do Pai ( Lc 22:42 ). E, ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos como o Primogênito de Deus, pois por Ele muitos filhos são conduzidos a Deus ( Hb 2:10 ), pois aqueles que creem em Cristo – morrem para o mundo e nascem de novo – como filhos de Deus.

 

Novo Nascimento

O novo nascimento através da semente incorruptível é providência graciosa de Deus que torna o homem livre da natureza má herdada de Adão.

Quando você crê que Jesus é o Cristo, torna-se participante da carne e do sangue de Cristo ( Jo 6:35 e 53). Isto significa que você é participante da morte de Cristo, ou seja, tomou a sua própria cruz e seguiu após Cristo, foi crucificado, morto e sepultado à semelhança da Sua morte ( Rm 6:5 ).

Quando o homem crê em Cristo, o juízo de Deus estabelecido no Éden é satisfeito, pois a pena estabelecida para os pecadores – a morte – não passa da pessoa do transgressor. Deus é justo juiz quando o pecador morre com Cristo, pois recebe o cumprimento da sua sentença , pois o salário do pecado é a morte.

É no momento da morte com Cristo que o homem passa à condição de morto para o pecado ( Rm 6;11 ), e a maravilhosa graça de Deus se manifesta, pois mesmo não tendo obrigação nenhuma para com aquele que foi apenado na morte com Cristo, graciosamente Deus traz a existência um novo homem pela ressurreição de Cristo.

O velho homem é crucificado para que o corpo que pertencia ao pecado seja aniquilado ( Rm 6:6 ), e o pecado não tenha mais domínio sobre o tal homem , pois é certo que, morrendo o homem não há mais lei que o vincule ao pecado ( Rm 7:4 ).

O crente em Cristo ressurge com Cristo ( Cl 3:1 ) uma nova criatura criada segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ), de modo que já não há nenhuma condenação ( Rm 8:1 ).

O apóstolo Paulo diz que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, porque aquele que está em Cristo Jesus é uma nova criatura isenta de culpa ( Rm 8:1 ; 2Co 5:17 ). Esta nova criatura é participante da natureza divina, ou seja, bom, luz, filho, etc. ( 2Pd 1:4 ). Do bom tesouro do coração fala coisas boas: confessa que Jesus é o Filho de Deus, produz o fruto dos lábios de quem está ligado à oliveira verdadeira: – “Paz, paz, para os que estão longe e para os que estão perto” ( Is 57:19 ).

A nova criatura não mais comete erros? Sim comete, pois apesar de se livrar da condenação estabelecida no Éden, ainda é conhecedor do bem e do mal. Entretanto, as suas obras e intenções do seu coração serão julgadas no Tribunal de Cristo, e não mais no Grande Trono Branco ( 2Co 5:10 ).

 

Falta alguma coisa?

O crente em Cristo arrependeu-se quando creu em Cristo conforme tudo o que foi predito acerca d’Ele nas Escrituras, momento em que Deus concedeu o perdão de todos os seus pecados e delitos.

Agora em Cristo – uma nova criatura – você não precisa viver admitindo culpa (confessando erros do cotidiano) diante de Deus para garantir a salvação, pois nenhuma condenação há que pese sobre você como nova criatura.

Todas as ações dos cristãos serão julgadas no Tribunal de Cristo, portanto, você pode pedir perdão a Deus por questão de consciência, mas não são estas questões que te levará à perdição.

Como crente, você não precisa mais arrepender-se acerca de como alcançar salvação, ou seja, mudar de concepção (metanoia), pois o seu arrependimento diante da mensagem do evangelho é o que te levou a crer em Cristo. O arrependimento bíblico não se repete ao longo da existência do cristão neste mundo, pois crer em Cristo se dá de uma vez por todas, sendo necessário somente a perseverança.

O arrependimento ligado ao remorso e que se concita a confissão de erros diante de um sacerdote, ministro, padre, etc., decorre de uma concepção católica antiga que vinculava o arrependimento à penitência, ou indulgência.

Por causa das questões próprias à penitencia e à indulgencia surgiram afirmações como: – “Não basta admitir culpa, tem que se arrepender”; ou – “Arrependimento genuíno só parte de um coração quebrantado”; ou – “Arrependimento é mais que remorso”, etc.

A culpa pelos erros cometidos, somado à ideia de arrependimento como penitencia e indulgência fazia com que as pessoas doassem seus bens como prova de genuíno arrependimento e devoção, porém, o arrependimento bíblico é somente admitir que Jesus é o Cristo de Deus que tira o pecado do homem.

A oração do crente nascido de novo é de alegria, expressão verbalizada da sua confiança por ter amplo acesso ao trono de Deus “No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele” ( Ef 3:12 ; Hb 10:19 ). Você não deve se apresentar como indigente diante de Deus, mas como filho agradecido por todas as bênçãos concedidas, pois Deus nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus ( Ef 1:3 ).

Ainda falta alguma coisa para o crente? Sim.

Há a necessidade de se alimentar constantemente. Primeiro com leite racional, depois com alimento sólido até chegar a estatura de varão perfeito, a medida da estatura de Cristo. Prosseguir para o alvo, que é o pleno conhecimento de Cristo. Combater o bom combate em defesa do evangelho e permanecer crendo nele!

E depois de haver feito isto, permanecer firme, até que o corpo mortal seja revestido da imortalidade.

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Jesus veio salvar o que se havia perdido

A finalidade da predestinação é a primogenitura de Cristo, e não a salvação. O filhos de Israel segundo a carne que são salvos antes de Cristo e na grande Tribulação não fazem parte desta predestinação, não terão a imagem do Filho de Deus. Para Cristo ser o primogênito há a necessidade de existirem irmãos conforme a sua semelhança, por isso que assim como Ele é o veremos e seremos semelhantes a Ele ( 1Jo 3:2 ).


Ao ler o artigo “Questões sóbrias para aqueles que creem numa redenção universal ou expiação ilimitada” do Pr. Colin Maxwell[1], não me esquivei à oportunidade de tecer alguns comentários e responder alguns dos seus questionamentos.

Mas, antes de responder as ‘Questões sóbrias’ do Pr. Maxwell, segue uma breve exposição do que creio segundo as Escrituras.

 

Eleição e predestinação

Os crentes em Cristo Jesus, por fazerem parte do corpo de Cristo, que é a sua igreja, além da maravilhosa graça de terem alcançado a salvação gratuitamente, também foram chamados a fazer parte do eterno propósito que Deus estabeleceu em Cristo “… segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:11 ).

Deus introduziu o Seu Filho no mundo na condição de Unigênito, pois Ele foi o único homem concebido no ventre de uma virgem pelo poder do Espírito Santo ( Lc 1:35 ). Mas, ao ressuscitar o Seu Filho dentre os mortos, Cristo é declarado ‘primogênito’ entre muitos irmãos, pois todos que creem morrem com Cristo e ressurgem com Ele como filhos se Deus, uma nova criatura ( Cl 3:1 ).

Como o eterno propósito de Deus estabelecido na eternidade é constituir o Seu Filho primogênito entre muitos irmãos, todos quantos são salvos em Cristo Jesus através do evangelho foram predestinados a serem conforme a imagem de Cristo “… também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos( Rm 8:29 ).

O apóstolo Paulo deixa claro que o objetivo de predestinar os que ‘conheceram’ a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele é que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos ( Gl 4:9 ). Pela pregação da fé o homem ‘conhece’[2] a Deus, o que é impossível aos rudimentos fracos e pobres da lei ( Gl 3:2 com Gl 4:9 ).

Deus estabeleceu na eternidade (predestinou) que os membros do corpo de Cristo seriam conforme a imagem de Seu Filho por causa do beneplácito que propusera em Cristo: Ele será primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

A salvação difere da eleição e da predestinação quanto a finalidade. Enquanto a salvação diz da providência divina segundo as riquezas da graça de Deus que livra o homem da condenação estabelecida no Éden ( Ef 1:7 ), a eleição e a predestinação decorrem do conselho (beneplácito) da vontade de Deus, que é convergir na plenitude dos tempos todas as coisas em Cristo, e isso para louvor da Sua glória ( Ef 1:11 ).

Sem a salvação em Cristo é impossível ser eleito para o propósito de Deus que foi proposto em Cristo segundo o Seu beneplácito. É por isso que o apóstolo Paulo disse a Timóteo que Deus salva os crentes salva os crentes segundo o seu poder (evangelho) e que os chamou com santa vocação (eleição e predestinação).

O apóstolo Pedro ao falar da eleição aponta para uma geração: a geração eleita, ou seja, aqueles que foram gerados de novo através da semente incorruptível. Uma geração foi eleita, portanto a eleição não aponta para indivíduos “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pd 2:9 ).

Deus não elegeu e nem predestinou indivíduos para a salvação, antes Ele elegeu a geração de Cristo para serem santos e irrepreensíveis e os predestinou para serem conforme a imagem do Seu Filho, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

A salvação se dá no tempo que se chama hoje e o propósito eterno foi estabelecido antes de haver mundo (eternidade)! A eleição, segundo o propósito estabelecido em Cristo é anterior à salvação, porém, a vocação do crente para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo é posterior à salvação.

“Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso SENHOR, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:8 -9).

O apóstolo João destaca que os cristãos serão semelhantes a Cristo quando Ele se manifestar ( 1Jo 3:2 ), pois para isto foram predestinados a fim de que Jesus seja primogênito entre muitos irmãos.

 

Mundo

Quando é dito na Bíblia que Deus amou o mundo, certo é que o termo ‘mundo’ não se refere ao globo terrestre ou a sua fauna, visto que eles se reservam para o fogo. Quando é dito que Deus amou o mundo, o termo grego κόσμος, transliterado ‘kósmos’ foi empregado para fazer referência a todos habitantes do planeta terra.

Esta leitura do termo depreendemos do ‘Ide’ de Jesus aos seus discípulos. A mesma ordem foi registrada pelos evangelistas Mateus e Marcos, sendo que este registrou “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura ( Mc 16:15 ), e aquele registrou “Ide e fazei discípulos de todos os povos( Mt 28:19 ), o que demonstra que o termo grego κόσμος (mundo) deve ser lido com a conotação ‘de todos os povos’.

É no sentido de ‘povos’, e não de ‘extensão’ geográfica que o mesmo evangelho que estava com os cristãos em Colossos, estava se propagando pelo κόσμος (mundo) ( Cl 1:6 ).

No verso 23 do capítulo 1 de Colossenses, ao admoestar os cristãos a permanecerem firmes no evangelho (a não se afastar do evangelho que ouviram), o apóstolo Paulo enfatiza que o evangelho foi ‘proclamado’ a toda criatura debaixo do céu. ‘Toda criatura’ é um modo deixar evidente que a mensagem do evangelho não faz acepção de povo, língua ou nação ( Cl 1:23 ).

Agora, o mesmo termo ‘mundo’ quando empregado no contexto que se segue, possui outra conotação:

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo ( 1Jo 2:2 ).

O termo κόσμος (mundo) no verso acima não serve ao propósito de demonstrar que Deus não faz acepção de pessoas, antes é inclusivo, pois a propiciação em Cristo não era somente para os cristãos convertidos, mas pelos pecados de todo o mundo.

 

Pecadores

Por causa de uma só ofensa todos os homens ficaram sujeitos ao pecado, por isso a morte afetou todos os homens, de modo que todos são pecadores ( Rm 5:12 ; 15:21 -22).

Quando o apóstolo Paulo diz que o pecado entrou no ‘mundo’, o termo não tem a conotação de extensão geográfica, e sim de inclusão, indicando que o pecado afetou todos os homens sem distinção. Como os judeus se entendiam diferentes dos gentios, o termo ‘mundo’ foi utilizado para demonstrar que o pecado afetou judeus e gregos “Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado” ( Rm 3:9 ).

Quando lemos o testemunho de João Batista acerca de Cristo, o Cordeio de Deus que tira o pecado do ‘mundo’, certo é que João Batista esta fazendo referencia aos profetas para demonstrar que aquele Jesus era o descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra são benditas. Novamente verifica-se que o termo ‘mundo’ tem conotação inclusiva para indicar nações, povos e tribos de todas as línguas.

Todos os homens são pecadores, e Cristo veio salvar o que se havia perdido. A missão de Cristo é inclusiva e extensiva a todos os homens, até mesmo sobre aqueles que eram discriminados pelo seu próprio povo, como era o caso de Zaqueu, o publicano ( Lc 19:10 ).

Teria Cristo vindo salvar alguns que se perderam dentre muitos? Este não é o posicionamento das Escrituras, pois não há exceção: todo aquele que invocar o Senhor será salvo, visto que Deus quer que todos se salvem e que venham ao conhecimento da verdade ( 1Tm 2:4 ).

 

Resposta as indagações do Pr. Colin Maxwell

As respostas aqui apresentadas não possuem o condão de fomentar disputas teológicas, antes que cada cristão leia a Bíblia e medite nela.

Faz-se necessário deixar registrado que a visão bíblica é aquela que não acrescenta e nem diminui o conteúdo que há na Lei, nos Salmos e nos Profetas, porque foi isso que Cristo e os apóstolos fizeram: evidenciaram o cumprimento das Escrituras ( At 26:22 ; At 4:18 ; Lc 24:25 -27).

Como o Pr. Maxwell defende que o calvinismo deve ser difundido em suas ‘Questões sóbrias’, especificamente na de número 14, através da pergunta:

‘Você se refreia de crer na redenção particular por qualquer outra razão além do temor do homem?’, tenho que destacar que crer é algo de fórum íntimo, portanto, o pastor seria mais feliz se perguntasse se ‘você se refreia confessar a redenção particular por temor (medo) a homens’, porque quando creio, posso negar a crença e ninguém pode provar o contrário.

Respondendo a pergunta, devo afirmar segundo as Escrituras que, para alcançar a salvação em Cristo não é imprescindível confessar como se dá a redenção que Deus providenciou para a humanidade. Afinal, a redenção em Cristo é tão grandiosa que revela aos seres celestiais a multiforme sabedoria de Deus ( Ef 3:10 ).

Considerando que a redenção revela a multiforme sabedoria de Deus até aos seres celestiais, não podemos considerar que seja imprescindível para alcançar a salvação confessar como se dá a redenção ( Ef 2:2-3 e 4:17). As Escrituras afirmam categoricamente o que é necessário: confessar (admitir) que Jesus é o Senhor “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” ( Rm 10:9 ).

Quem evangeliza deve conhecer qual a esperança do salvo, quais as riquezas da glória da nossa herança e qual a excelente grandeza do poder de Deus sobre os que creem ( Ef 1:16 -20), mas ao evangelizar deve se ater a apresentar o Cristo, e este crucificado e ressurreto dentre os mortos.

O pastor insiste perguntando:

‘Se o temor do homem é a única razão (de não confessar a redenção particular), você não reconhece que isto no fim provará ser uma armadilha?’, o que me faz responder com outra pergunta: Se há predestinação para salvação, que armadilha pode haver em não confessar a redenção particular?

Esta pergunta do pastor me levar a inferir que a intenção dele é afirmar que, saber como se dá a redenção: se particular ou universal, é garantia de salvação. Crer que Deus predestinou alguns para salvação é garantia da salvação? Ou melhor, seria garantia de predestinação? Se a garantia de salvação se encontra em Crer que o Senhor Jesus morreu por causa de nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação, por que tanto empenho em convencer qual tipo de redenção crer? Por que perder tempo anunciando como se dá a redenção, se a salvação se alcança em crer em Cristo Jesus?

Devo lembrar aqui que crer que Jesus é o Senhor e confessar que Ele é ressurreto dentre os mortos é garantida de salvação, e nisto não há ‘armadilha’ alguma, porque Deus vela sobre a sua palavra para cumprir.

A seguir o Pr. Maxwell faz uma pergunta que mais parece uma espécie de chantagem emocional evocando o medo ao dizer:

“Você não pode conversar sobre e através das diferenças com aqueles que você teme, apontado o sucesso da pregação calvinista na história da igreja? (Provérbios 29:25)”.

Ao citar provérbios sem levar em consideração o contexto bíblico, depois de fazer sua pergunta, o pastor parece induzir meninos em Cristo a conversar sobre a redenção particular e o sucesso da pregação calvinista, e não as Escrituras.

Por que intimidar o cristão para que converse sobre questões e sucesso da pregação calvinista, se a promessa bíblica é que não há mais nenhuma condenação para quem está em Cristo, e somos exortados a: conhecer qual a esperança dos santos, quais as riquezas da glória da nossa herança e qual a excelente grandeza do poder de Deus sobre os que creem ( Ef 1:16 -20), nada dizendo sobre se a redenção é geral ou particular?

O apóstolo João fez um alerta acerca da permanência em Cristo, mas o alerta não evoca medo e nem se apoia em chantagem emocional, como se lê:

“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” ( 2Jo 1:9 ).

A doutrina de Cristo que o apóstolo João faz referencia não se refere à pregação calvinista, mas ao mandamento que o Senhor Jesus deu, à saber: a ‘amar a Deus sobre todas as coisas’ crendo em Cristo, e ‘ao próximo como a si mesmo’ segundo o mandamento de Deus ( 1Jo 3:24 ).

Evoco o posicionamento do apóstolo Paulo:

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 )

A Bíblia mostra que a graça de Deus se estende a todos os homens, assim como a ofensa de Adão trouxe juízo e condenação sobre todos os homens. Se admitirmos que o juízo de Deus veio sobre todos os homens para condenação sem exceção, também temos que admitir que a graça veio sobre todos os homens.

A condenação veio sobre todos os homens, porque ela é em função do nascimento natural segundo a carne de Adão. Mas, com relação à graça sobre todos os homens pela obediência de Cristo, só desfrutam dela aqueles que creem em Cristo conforme o poder que há no evangelho. A graça é poderosa para alcançar todos os homens sem exceção, pois a perdição foi para todos sem exceção!

“Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” ( Rm 11:32 );

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo ( 1Jo 2:2 ).

Faço esta defesa do evangelho de Cristo por não temer qualquer posicionamento doutrinário, ou homem algum, pois devemos ter por lema: “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade” ( 2Co 13:8 ).

Além do mais, o sucesso de qualquer agremiação ou tendência teológica não é selo de autenticidade doutrinária, por isso não me refreio em contestar o que se demonstra contrario às Escrituras mesmo que tenha atingido o sucesso.

Na questão de número 13[3], o Pr. Maxwell aponta a existência de calvinistas que ele desaprova. Na pergunta que contém muita argumentação, no afã de remover o que traz entrave à doutrina calvinista, o pastor lança descredito nos ‘hiper’ calvinistas por evidenciar que não há a necessidade de se evangelizar.

No entanto, os ditos hiper calvinistas são coerentes quando afirmam que não há necessidade de pregar quando se acredita na predestinação para a salvação. Segundo os hiper calvinista, se Deus só garante salvação para os eleitos segundo Sua soberania, exclui-se a necessidade de evangelizar.

Entendo que os hiper calvinista estão em extinção porque os demais calvinistas não sustentam o que afirmam. A recomendação de Tiago é: “Assim falai, e assim procedei, …” ( Tg 2:12 ), portanto, se a salvação decorre de uma predestinação, a pregação do evangelho fica sem finalidade. Uma característica de quem confessa a doutrina calvinista e defende a evangelização parece se amoldar muito bem ao alerta que o apostolo Paulo fez a Timóteo: “… Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam” ( 1Tm 1:6 -7 ).

O cerne da questão não está na constatação de calvinistas que não recomendam evangelizar, e sim na essência do pensamento calvinista: por que evangelizar todos, se a salvação é para alguns escolhidos? Qual a necessidade de se evangelizar a todos, se a salvação é só dos eleitos? Se a salvação é só para alguns, porque o ‘ide’ de Jesus é para todos?

A energia que os não hiper calvinistas despendem para desqualificar a salvação ao alcance de todos deveria ser aplicada em encontrar argumentos que expliquem a necessidade de evangelismo considerando a lógica de sua doutrina, pois se de fato existe eleição e predestinação para a salvação, que se dê uma explicação plausível por que pregar o evangelho. Somente afirmar que também evangelizam não valida utilidade do evangelismo dentro da doutrina que anunciam.

Para defender o seu argumento, o Pr. Maxwell aponta na pergunta de n° 12 os pregadores George Whitefield e C. H. Spurgeon como os maiores evangelistas que já viveram. Volto a repetir, a postura desses homens e dos neo calvinistas não esclarece e nem valida a necessidade de evangelizar na doutrina calvinista.

Com relação à questão de n° 11:

“Você vê a redenção particular como estando em desvantagem quando se trata da livre oferta do evangelho? Tanto calvinistas como não calvinistas creem que o precioso sacrifício do Filho de Deus é suficiente para salvar o mundo, tanto os eleitos como os não eleitos – isto não remova qualquer senso de desvantagem?”;

Primeiro: ‘vantagem’ não é uma questão que se deva levar em conta quando o assunto é salvação. O que se deve considerar é a veracidade da palavra, e as palavras do artigo “Questões sóbrias…” se mostram duvidosas, porque enquanto aqui afirma que o precioso sacrifício de Jesus é suficiente para salvar o mundo todo, nas questões de número 02 e 03 argumenta contra esta mesma possibilidade dizendo:

“Cristo veio e morreu para salvar eficazmente homens ou apenas para fazer a salvação possível? Então, era teoricamente possível que Cristo falhou, no final das contas, no Seu propósito de Sua morte? Ele realmente verá o fruto do trabalho de Sua alma e ficará”, ou “Cristo está realmente satisfeito com o fruto do trabalho de Sua alma quando Ele vê Judas Iscariotes, (por quem, você insiste, Ele morreu, da mesma forma como por João e Pedro, etc.) indo para o próprio lugar onde teria sido melhor para ele nunca ter nascido? poderia morrer por pecados e ninguém ser salvo?”.

O ‘ide’ de Jesus ao mundo como mandamento depõe contra a predestinação para a salvação. Ora, não encontramos termos como ‘redenção particular’ ou ‘redenção geral’ na Lei, Salmos, ou nos Profetas. A doutrina da redenção particular é incongruente com o evangelho de Cristo, porque quem nasce predestinado nunca esteve perdido, portanto, não precisa de salvação.

A Bíblia apresenta Jesus como salvador para todos que creem, sem distinção entre judeus e gregos, pois todos pecaram, e ainda afirma: “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” ( Rm 11:32 ). Já o posicionamento calvinista afirma a existência de dois grupos de pessoas: as que foram predestinadas a serem salvas (o que significa que tais pessoas nunca estiveram perdidas), e outras que nascem predestinadas à perdição (nunca tiveram uma real oportunidade de salvação).

A eleição e a predestinação são, efetivamente, doutrinas bíblicas, porém não apontam diretamente para a salvação. A eleição aponta para Jesus, pois se dá em Cristo e a predestinação visa os que nascem de novo, ou seja, os crentes. Cristo é o eleito de Deus antes da fundação do mundo e todos que se tornam participantes do seu corpo crendo nele, foram predestinados para serem conforme a imagem de Cristo.

O apóstolo Paulo enfatiza que os cristãos foram predestinados para serem conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos. A finalidade da predestinação é a primogenitura de Cristo, e não a salvação. Os filhos de Israel segundo a carne que são salvos antes de Cristo e na grande Tribulação não fazem parte desta predestinação, não terão a imagem do Filho de Deus. Para Cristo ser o primogênito há a necessidade de existirem irmãos conforme a sua semelhança, por isso que assim como Ele é o veremos e seremos semelhantes a Ele ( 1Jo 3:2 ).

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conforme à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

A salvação é concedida aos homens que, por intermédio do evangelho conheceu a Deus, ou antes, foram conhecidos dele “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” ( Gl 4:9 ). O homem conhece a Deus por intermédio do evangelho.

Conhecer aqui não é presciência, e sim ter comunhão íntima, participando de um só corpo e de um só espírito. Ora, primeiro o homem se torna um com Cristo, e consequentemente predestinado a ser conforme a imagem de Cristo, pois a predestinação tem por objetivo a preeminência de Cristo entre muitos semelhantes a ele.

Primeiro Deus salva o perdido segundo o poder do evangelho, depois o salvo em Cristo é chamado com santa vocação: eleição e predestinação. Deus não escolheu e nem predestinou alguns indivíduos à salvação, antes Ele elegeu e predestinou a nova geração em Cristo, sendo Ele o último Adão, para serem santos e irrepreensíveis e conforme a imagem do Seu Filho para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

A vocação do crente para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo não precede a salvação em Cristo, porém, o propósito estabelecido em Cristo foi estabelecido na eternidade antes de haver mundo.

Na questão de nº 10[4], vale destacar que a crença exigida nas Escrituras é que se creia que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. A essência do evangelho é universal e inclusiva: todo aquele “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” ( Rm 10:13 ).

Este é o mandamento de Deus segundo registrou o apóstolo João: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( Jo 3:23 ).

Não há suporte nas Escrituras para o que o homem acredita segundo uma carnal compreensão, e nem para a tal redenção dita ‘particular’, pois o que é a base da salvação é Cristo: o fundamento de Deus. A salvação está em Cristo, pois Ele é a fé manifesta ( Gl 3:23 ). A vantagem está em crer n’Ele, pois Ele é fiel, agora, não há vantagem alguma em acreditar em algo que não seja as Escrituras.

O evangelho anunciado pelo apóstolo Pedro as pessoas que crucificaram o Cristo foi de salvação irrestrita, mesmo para os assassinos do Filho de Deus, desde que mudassem de concepção crendo em Cristo ( At 3:15 -19).

Ora, Deus é verdade, e não há nele injustiça nenhuma ( Dt 32:4 ). Ora, se Ele amou todos os homens (mundo), significa que Deus amou todos os homens, e não que Ele anunciou uma ficção aos homens. O apóstolo Pedro, quando fez este discurso, não estava pensando em uma redenção particular, antes foi verdadeiro ao propor a todos homicidas de Cristo ampla e irrestrita salvação.

Seria uma falácia a mensagem do apóstolo Pedro se algumas pessoas estivessem destinadas a salvação. Deus não trabalha com o engano. Ele não fala o que não vai cumprir. É desonesta uma mensagem de salvação a todos os pecadores se a proposta inicial é salvar alguns.

O Pr. Maxwell alega que é desvantagem crer numa ‘redenção geral’ vez que Deus não alcança 100% de sucesso. Deus retirou do Egito um povo numeroso com quase seiscentos mil homens de pé, porém, desses, somente dois entraram na terra prometida. O sucesso de Deus é analisado pela quantidade de crentes salvos, e não pela quantidade dos que se perdem.

A promessa de Deus não se manteve firme por apenas dois dos que saíram do Egito terem entrado na terra prometida? Se todos os crentes em Cristo são salvos, então há 100% de sucesso na obra de Cristo “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação ( 1Co 1:21 ); “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ).

Ora, o plano de redenção de Deus tem 100% de sucesso, pois Cristo veio ao mundo e foi obediente ao Pai em tudo. O seu eterno proposito que redunda em louvor a Sua glória tem 100% de sucesso, pois Cristo ao ressurgir dentre os mortos conduziu muitos filhos a Deus, e Cristo é primogênito entre muitos irmãos. Os muitos filhos são compostos de 100% crentes.

A incredulidade de alguns ou de muitos não aniquila a fidelidade de Deus. Deus é fiel e cumpriu o que prometeu: enviou o seu Filho e salva todo aquele que n’Ele crê. Agora, se formos infiéis, Ele permanece fiel, e a infidelidade do homem não depõe contra Deus ( Rm 3:3 ).

A questão de n° 9[5] acerca do significado de alguns termos na Bíblia como ‘todos’ e ‘mundo’, deve ser analisada criteriosamente, principalmente quanto à ênfase que o contexto apresenta.

Devemos reconhecer que, dependendo do contexto em que a palavra ‘mundo’ ou ‘todos’ é inserida, pode limitar o número de pessoas, contudo não anula o fato de que o termo ‘mundo’ empregado em João 3, verso 16, e em primeira João 2, verso 2 referem-se a todas e quaisquer pessoas, de todos os tempos e em todos lugares.

Foram citadas 5 passagens bíblicas e questionado o significado de algumas palavras. Atos 4, verso 35 é citado: “E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” onde se vê que os apóstolos repartiam o que era comum segundo a necessidade em particular de cada indivíduo que pertencia à igreja. Ou seja, a passagem demonstra que havia uma limitação quanto ao que era distribuído, e a limitação não era quanto ao indivíduo, mas quanto a necessidade do indivíduo.

Isto porque ‘ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria’, ou seja, ninguém assume o valor de ‘todos’, pois sem exceção todos consideravam o que possuíam como sendo propriedade de todos, de modo que tudo era comum a todos ( At 4:32 ).

O verso seguinte demonstra que todos os apóstolos, sem exceção, possuía abundante graça e testemunhavam acerca da ressureição de Jesus ( At 4:33 ). Entre os cristãos não havia necessidade alguma, pois aqueles que possuíam herdade vendiam e traziam o valor arrecadado e dava aos apóstolos. Neste caso, somente os cristãos que possuíam herdade é que vendiam-nas, mas dentre os que possuíam, todos se propuseram vender e dar o dinheiro aos apóstolos.

Com relação a recomendação acerca do casamento o apóstolo Paulo adverte que cada cristão em particular tenha a sua própria esposa, e cada mulher cristã que tenha o seu próprio marido. Ora, o texto limita a quantidade de esposas e esposos por causa da prostituição, porém, a ordem se estende a todos os cristãos. A ênfase do texto está em limitar uma única esposa por marido ( 1Co 7:2 ).

Para responder a pergunta do Pr. Maxwell com relação ao comentário que ele faz do evangelho de João 12, versos 19 à 20 (“mundo” significa os gentios em oposição aos judeus somente), vale destacar que ‘mundo’ não foi utilizado para destacar oposição entre judeus e gentios, porque tanto a multidão que viu a ressurreição de Lázaro como a que viera para a festa era composta de judeus e prosélitos ( Jo 12.9 ). Afinal haviam ido a Jerusalém para a festa da Páscoa ( Jo 12.1 )

Outra questão levantada é com relação a seguinte passagem “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” ( 1Jo 3:3 ). No verso ‘qualquer’ tem o sentido de ‘todo’, e isto não significa limitação, mas inclusão. Não importa a nação, o povo, ou a língua, se tem em Cristo esperança, purifica-se a si mesmo.

Nenhuma destas passagens depõe contra o fato de que Jesus veio salvar a todos, por isso a boa nova de salvação é anunciada a todos, sem exceção. A fidelidade de Deus é para todos, pois Ele providenciou poderosa salvação na casa de Davi para todos os povos, cumprindo a promessa a Abraão de que no descendente seriam benditas todas as famílias da terra “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” ( Gn 12:3 ).

A promessa de benção de Deus não é extensiva a ‘todas’ as famílias da terra? Há alguma limitação especifica no evangelho anunciado primeiramente a Abraão?

Não há limitação quanto aos tipos de famílias: todas.

Qual o significado de ‘todos’ no verso seguinte:

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ).

Existe limitação com relação ao juízo de Deus sobre todos os homens? Não! Então não há limitação quanto à graça de Deus sobre todos os homens!

Não há limitação da parte de Deus, pois Ele é fiel! Mas, há limitação por parte do homem: a incredulidade “Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus?” ( Rm 3:3 ).

A questão ‘incredulidade’ leva a pergunta de n° 8[6] onde há uma profusão de erros de interpretação bíblica.

A resposta para a pergunta: “Cristo morreu pelo pecado da incredulidade?” é não!

Cristo não morreu por ‘pecados’, antes ele morreu pelos pecadores, como se lê:

“Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios ( Rm 5:6 );

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores ( Rm 5:8 );

“Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos” ( Rm 14:9 );

“Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu” ( Rm 14:15 );

“E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu” ( 1Co 8:11 ).

Esses versículos citados enfatizam que Cristo morreu pelos homens, ou seja, pelos pecadores.

Há um único versículo que diz que Jesus morreu por nossos pecados:

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” ( 1Co 15:3 ).

Ora, Jesus morreu pelos ‘ímpios’ ou pelos ‘pecados’?

O apóstolo Paulo nos responde:

“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram” ( 2Co 5:14 ).

Há uma questão teológica a ser entendida com relação a morte de Cristo.

Em primeiro lugar devemos entender que o pecado que atingiu toda humanidade é decorrente da ofensa de Adão, que desobedeceu e trouxe morte sobre todos os homens “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22); “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” ( Rm 5:12 ).

A ofensa contra Deus que resultou no pecado foi a desobediência de Adão, e a desobediência só poderia ser substituída pela obediência. Na verdade a redenção da humanidade é substituição de ato: obediência pela desobediência, como se lê:

“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:18 )

A redenção está na obediência de Cristo.

Mas, para que Cristo obedecesse havia que ser revelada a vontade de Deus, que neste caso era a oblação do corpo de Cristo.

“Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:9 -10).

Mas, por que Cristo morreu?

Ao morrer Cristo não estava oferecendo um sacrifício a Deus, antes estava sendo obediente, e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Semelhante a Abraão que obedeceu a Deus e ia oferecer o seu único filho em holocausto, Jesus obedeceu a Deus como Abraão e foi a ovelha do holocausto. Ele morreu por causa do advento da Nova Aliança, pois era necessário a morte do testador para ter validade a aliança “Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador” ( Hb 9:16 ).

Não foi por pecados que Cristo morreu, antes Ele morreu pelos homens porque são pecadores, daí a colocação paulina: Cristo morreu pelos (por causa dos) nossos pecados “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” ( Is 53:5 ).

Analisaremos em conjunto as questões 6 e 7[7], pois estão intimamente ligadas.

O Pr. Maxwell quer validar o seu argumento com a pergunta: Isto é justo? Esta é uma artimanha das Testemunhas de Jeová ao negarem a existência do lago de fogo: É justo alguém padecer pela eternidade?

Argumentar ante o juiz de toda terra se é justo o que ele faz, não valida qualquer argumento, pois a concepção de justiça do homem é como trapo de imundície diante de Deus.

Deus ordenou a destruição dos amalequitas, e incluiu na matança as crianças. Pergunto: Isto é justo? Mas, as crianças eram inocentes! Questionar se é justo ou não, não é base para validar um argumento, pois mesmo as crianças de Sodoma e Gomorra sendo inocentes, não eram justas diante de Deus “Se porventura de cinquenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco ( Gn 18:28 ).

Cristo veio ao mundo salvar o que se havia perdido. Quem se perdeu? Todos os homens, pelo que se conclui que Jesus veio salvar todos os homens Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos ( Is 53:6 ); “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” ( Lc 19:10 ).

A morte de Cristo garantiu salvação a todos os homens, porém, muitos permanecem separados da vida de Deus por causa da ignorância que há neles. O problema não está na salvação providenciada, pois é poderosa e alcança a todos os homens, sem exceção. O problema é a ignorância.

A Bíblia afirma que por uma só ofensa todos pecaram, e Cristo morreu por causa desta ofensa. Já o erro de conduta das pessoas quer sejam salvas ou não, serão julgadas em tribunal específico: Tribunal de Cristo para os salvos e Tribunal do Trono Branco para os perdidos, onde cada um receberá segundo as suas obras “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” ( Ef 4:18 ).

Devemos nos afastar de qualquer doutrina que tenha aparência de piedade, mas que negue a eficácia do evangelho “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” ( 2Tm 3:5 ).

Deus não se lembra dos pecados daqueles que ouviram a mensagem e misturaram com a fé “Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” ( Hb 4:2 ).

O escritor aos Hebreus destaca que o problema não está na mensagem pregada, o problema está naqueles que ouviram, mas ouviram de malgrado “Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure” ( Mt 13:15 ).

O castigo que nos trouxe a paz foi perfeito, mas se alguém negar a Cristo, Ele também o negará “Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará” ( 2Tm 2:12 ). Se a salvação fosse por predestinação, o aviso solene para permanecer firme é sem razão, pois os que creem é para conservar a alma, diferente dos que desistem ( Hb 10:39 ).

Quando Cristo venceu a morte, o pecado foi aniquilado ( Hb 9:26 ). Só permanecem separados de Deus aqueles que permanecem na ignorância.

Embora a questão de nº 7 não leve em consideração o fato de o Cordeiro de Deus ter sido morto desde a fundação do mundo ( Ap 13:8 ), vale salientar que embora a graça é para todos, a promessa de jamais se lembrar dos pecados alcança somente os crentes ( Hb 10:17 ).

Apesar de o Cordeiro de Deus ser manifesto oportunamente na plenitude dos tempos, ele foi morto desde a fundação do mundo. Logo, quando Cristo foi morto (desde a fundação do mundo) não havia homens no inferno, de modo que a sua morte era suficiente para beneficiar a todos que cressem.

Somente os crentes são remidos, porém, a oferta do corpo de Cristo foi feita de uma vez por todas de modo que não há mais oblação pelo pecado ( Rm 8:1 ; Hb 10:18 ). Devemos lembrar que as ações daqueles que creem serão julgadas no Tribunal de Cristo. Os descrentes carregam consigo a condenação decorrente da ofensa de Adão, mas também serão julgados quanto as suas obras “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” ( Ap 20:12 ); “O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou” ( Ec 3:15 ).

O juízo para condenação se deu em Adão, mas haverá juízo de obras. Os pecados que não serão lembrados referem-se aos erros de conduta dos salvos antes de conhecerem a Cristo, pois se deram sob a paciência de Deus “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:25 -26).

Cristo morreu por causa da ofensa de Adão e ressurgiu para a nossa justificação, o que demonstra que os erros de conduta e as boas ações dos crentes, quando praticados na ignorância são esquecidos. Cristo não morreu por pecados, antes por causa dos pecados para justificação de todo que crê.

Com relação a questão 5[8], entendo pelas Escrituras que Cristo morreu por todos os homens, até mesmo por Caim e Faraó. Devemos lembrar que Jesus é o Cordeiro de Deus que foi morto desde a fundação do mundo, e se Abel foi declarado justo por Deus, tal declaração foi decorrente da fé de Abel.

Caim e Faraó se perderam não por ineficácia da morte de Cristo, mas pela incredulidade deles. Caim se perdeu, mas Abel foi salvo porque creu que Deus o aceitaria graciosamente, e não que seria aceito em função da oferta, de modo que Deus primeiramente o aceitou e depois a sua oferta ( Gn 4:4 ).

Abel se aproximou de Deus pois cria que Ele existe, e o buscou por que sabia que Deus é galardoador dos que O buscam, e não dos que apresentam uma oferta.

Sim! Creio que Jesus morreu por aqueles que já morreram, porque segundo as Escrituras para Deus vivem todos e, mesmo após morrerem, seguem para o juízo. Ora, todos os nascidos de Adão nasceram sob condenação, pois o juízo de Deus foi estabelecido na morte de Adão no Éden. O juízo que o homem segue após morrer a morte ordenada para ocorrer uma só vez é o juízo do Trono Branco, onde haverá julgamento das obras “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” ( Hb 9:27 ).

Cristo é Cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo, porém, a sua morte se deu na plenitude dos tempos ( Gl 4:4 ). Jesus morreu em benefício de todos, porém, indivíduos como Caim e Faraó não se beneficiaram da graça de Deus pela incredulidade deles.

Sim! Jesus morreu de bom grado por homens como Caim e Faraó, pois Ele não se propôs a morrer por homens justos, mas sim pelos ímpios, visto que não havia um justo, nem um se quer ( Sl 53:3 ). Esta é uma prova do amor de Deus: morrer por ímpios como Caim, Faraó, etc. “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” ( Rm 5:8 ).

O convite de salvação é para pecadores, sejam eles a Madre Teresa de Calcutá ou Hitler. Este convite se estende até mesmo para aqueles que mataram o autor da vida ( At 3:19 ).

Com relação aos argumentos dos itens 3 e 4[9], tem-se um caloroso ‘sim’ à pergunta se Cristo morreu de igual forma para Pedro ou Judas.

A verdade é única: Cristo se fez maldito quando foi pendurado no madeiro   e morreu pelos pecadores. Judas Iscariores era pecador? Sim! Então Jesus morreu por ele. Pedro era pecador? Sim! Então, de igual modo Jesus morreu por Pedro.

Cristo não se sentiu satisfeito com a morte de Judas Iscariotes, mas sentiu-se satisfeito com o seu trabalho. Levando-se em conta a profecia de Isaias, com o seu trabalho Jesus ficou satisfeito, pois através do seu conhecimento Ele salvou muitos.

Judas não foi predestinado a perdição, antes Deus onisciente sabe de todas as coisas, e deixou tal evento registrado nas Escrituras. A decisão de Judas não foi estabelecida e nem sofreu influência de Deus, antes foi totalmente autônoma e voluntária.

O registro da traição nas Escrituras é um lampejo da onisciência de Deus, que para nós é presciência. A revelação de eventos futuros para o homem recebe o nome de presciência, já o atributo divino com relação ao conhecimento dá-se o nome de onisciência.

Deus é onisciente, e não presciente. A revelação de Deus aos homens é presciência. O fato de Deus saber da traição e deixar predito nas Escrituras não determinou a traição de Judas, pois tudo o que é já foi, e o que há de ser já ocorreu para Deus, mas Ele pede conta de cada um quanto aos seus feitos. O fato de Deus requerer dos homens seus feitos demonstra que Ele não determina os atos de ninguém ( Ec 3:15 ).

Mas, porque Ele não salvou todos, se Ele morreu por todos? Porque onde há o Espírito de Deus, aí há liberdade, como se lê: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação” ( Hb 3:15 ; Sl 93:8 ). O convite é feito a todos, como se Deus por nos rogasse aos homens para que se reconciliem com Ele, mas Ele não sobrepuja os corações endurecidos ( 2Co 5:20 ).

É contra senso um Deus que escolhe e predestina alguns a salvação rogar através dos seus embaixadores que os homens se reconciliem com Ele.

Deus roga porque todos tem liberdade de aceitar ou recusar convite: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” ( Jo 7:37 ). A água oferecida não tem problema algum, pois é de uma fonte inesgotável e tem poder para saciar todos quanto beberem. O problema está naqueles que ouvem o convite e rejeitam a água.

Deus não tem prazer na morte do ímpio, e Cristo também “Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” ( Ez 18:23 ).

Além de Deus não desejar a morte do ímpio, é desejo d’Ele que o ímpio se converta. O problema não está em Deus que faz um convite ao homem para que se converta, e sim nos homens que não dão ouvidos “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?” ( Ez 33:11 ).

Na questão do proposito que Deus estabeleceu na eternidade em Cristo, de fazê-lo cabeça da igreja e o mais elevado dos reis da terra, opera a soberania de Deus. Mas, nas questões relativas a salvação do homem, opera a misericórdia, por isso diz o apóstolo Paulo: “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ).

Deus estabeleceu o Seu Filho como primogênito, pois Cristo conquistou este direito na cruz, já com relação à salvação, há um pedido aos homens que se reconciliem.

Cristo ficou satisfeito com o seu trabalho, porque embora tenha provido salvação a todos os homens, a proposta é salvar os que creem. Deus não salva pela predestinação ou eleição, e sim pela loucura da pregação, que é o poder de Deus “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” ( 1Co 1:21 ).

Com relação ao item 2[10], certo é que Cristo veio salvar a humanidade, e o termo ‘eficazmente’ foi amalgamado à salvação para pôr em xeque a salvação em Cristo. A salvação não é especulação teórica, assim como a perdição de todos em Adão não é teoria.

Analisando a doutrina calvinista da eleição e predestinação, a perdição de alguns não passou de teoria, visto que tais ‘salvos’ pela eleição e predestinação nunca estiveram perdidos de fato. De outra banda, os perdidos nunca tiveram a possibilidade de salvação, pois a salvação nunca foi uma providência divina para eles. Segundo a concepção calvinista a salvação é uma falácia!

A Bíblia como verdade deve ser analisada como fato, e não como teoria. Levantar teorias sobre se era possível Cristo morrer pela humanidade em pecado (e não por pecados) e ninguém ser salvo é semelhante a se ater às fábulas e a genealogias intermináveis que mais promovem contendas do que edificação. Mas, nunca houve a possibilidade de ninguém ser salvo, pois Deus mesmo diz que a Sua palavra não volta atrás vazia, e por isso mesmo providenciou poderosa salvação na casa de Davi.

A questão sóbria de n° 1[11] é a pior de todas do ponto de vista dos equívocos. Não é admissível que alguém que se coloca como mestre das Escrituras use os anjos caídos para provar a redenção particular, visto que um mestre das Escrituras deve conhecer as Escrituras.

Cristo não morreu para salvar os seres celestiais caídos! Vejamos os motivos:

  • Os anjos não fazem parte do propósito eterno estabelecido em Cristo, que é Cristo como primogênito entre muitos irmãos ( Hb 2:5 );
  • Com relação ao propósito eterno os anjos são espectadores da multiforme sabedoria de Deus ( Ef 3:10 );
  • Aos anjos caídos não foi dado um mandamento que os salvasse, pois igualmente na queda não desobedeceram um mandamento ( Sl 71:3 ); Um homem desobedeceu o mandamento dado no Éden, agora a salvação para os homens está em um novo mandamento: crer em Cristo;
  • Os anjos não necessitam crer, pois enquanto os homens veem por espelho através dos enigmas, os anjos caídos estavam em contato com a realidade quando caíram;
  • Como não há morte física para os anjos, pois são seres ‘espirituais’, a redenção em Cristo não os alcança. A morte de Cristo só alcança os seus semelhantes segundo a carne sujeitos à morte física, pois qualquer que nele crê é batizado na morte de Cristo para ressurgir uma nova criatura;
  • Cristo foi feito menor que os anjos precisamente para que participasse da paixão da morte, morrendo a morte física em nosso lugar. Entretanto, os pecadores por estarem em um caminho largo que conduz à perdição, isso causa da ofensa de Adão, precisam morrer para o pecado para que se cumpra a lei que diz: a alma que pecar, essa mesma morrerá;
  • Os homens tornaram-se pecadores por uma ofensa de um homem que pecou, já os anjos deliberadamente seguiram cada um a presunção de seus corações;
  • Cristo é mediador entre Deus e os homens, e não mediador entre Deus, anjos e homens.

O fato de Jesus não ter morrido pelos anjos não depõe contra o fato de Jesus ter morrido pela humanidade, pois ele como homem só podia ser mediador de homens, por isso em tudo se fez semelhante aos seus irmãos: participante de carne e sangue ( Hb 2:17 ).

Não existe um grupo particular de pecadores, pois nem mesmo os judeus são diferentes ou melhores diante de Deus que os demais pecadores gentios ( Rm 3:9 ).

A salvação é universal (ilimitada) e inclusiva (todo aquele), porém, só gozarão dessas benesses aqueles que creem no evangelho, ou seja, que invocarem o nome do Senhor, portanto, neste aspecto a salvação é exclusiva dos que creem “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” ( Rm 10:13 ; Rm 1:16 ).

Em suma, Jesus disse que Deus deu o Seu Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Jesus disse que importava que Ele fosse levantado assim como a serpente de metal foi levantada no deserto por Moisés, para todo aquele que nele crê não perecesse, mas tivesse a vida eterna ( Jo 3:14 -16).

Deus amou o mundo que Deus o Seu Filho, porém, os adeptos da doutrina da ‘expiação limita’ fazem um esforço enorme para colocar uma dúvida no coração de quem ouve a mensagem do evangelho:

‘Será que Jesus morreu por você?’

Amado leitor, se esta dúvida sobressaltar o seu coração devido algumas questões doutrinárias, tenha este verso como lema:

“E ele [Jesus] é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” ( 1Jo 2:2 ).

 


[1] Maxwell, Colin ‘Questões sóbrias para aqueles que creem numa redenção universal ou expiação ilimitada’, artigo disponível no Site Monergismo < http://www.monergismo.com/textos/expiacao_limitada/questoes.htm > consulta realizada em 26/06/15.

[2] ‘Conhecer’ no sentido de se fazer um com Cristo ( Ef 5:30 ). Não diz de ‘presciência’, ou de ‘antever’, e sim de comunhão intima “E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” ( Jo 17:11 ).

[3] “13) Aparte da possibilidade de um ocasional hiper calvinista – uma espécie em extinção – você já ouviu um calvinista declarar que ele não necessita evangelizar, visto que o sacrifício de Cristo garante a salvação dos eleitos, quer ele evangelize, quer não?”

[4] “10) Você reconhece a distinta vantagem de se crer na redenção particular – que ela realmente realizará aquilo para o qual foi designada, isto é, a certa e infalível salvação daqueles por quem ela foi pretendida? Você reconhece a distinta desvantagem de se crer numa redenção geral que reside no tipo de imprecisão e o não poder reivindicar 100% de sucesso?”

[5] “9) Você crê que na Bíblia, palavras como “todos” e “mundo” e “todo homem” sempre significa cada pessoa ou coisa individualmente, a menos que seja limitada especificamente (por exemplo, 1 João 3:3) OU você reconhece que algumas vezes na Bíblia, palavras como “todos” significa “todos tipos de” (1 Timóteo 6:10) e “mundo” significa os gentios em oposição aos judeus somente (João 12:19-20) e “todo homem” significa “todos tipos de homem” (Atos 4:35/1 Coríntios 7:2), sem qualquer menção específica de uma limitação?”

[6] “8) Cristo morreu pelo pecado da incredulidade? Se sim, porque este pecado impede o pecador, mais do que qualquer outro pecado pelos quais Cristo morreu?”

[7] “6) Cristo realmente suportou os pecados daqueles que já estavam ou agora estão ou irão estar no inferno quando Ele morreu por eles? O resultado disto é o mesmo do crente, isto é, o esquecimento de Deus dos seus pecados (Hebreus 10:17)? Se sim, por que eles estão sendo relembrados agora? Se não, até que ponto é a diferença que você está introduzindo?” e; “7) Se Cristo sofreu e morreu por aqueles que estão agora sofrendo no inferno e agonizante pelos seus pecados… não estaria Deus exigindo castigo duas vezes pelos mesmos pecados? Isto é justo?”

[8] “5) Você crê que Cristo morreu por aqueles que já estavam no inferno, isto é, Caim, Faraó, etc., quando Ele veio ao mundo? Ele morreu de bom grado por eles, suportando todos os seus pecados, mesmo embora Ele soubesse que nem um milímetro de Seus sofrimentos jamais os beneficiaria?”

[9] “3) Cristo falhou, no final das contas, no Seu propósito de Sua morte? Ele realmente verá o fruto do trabalho de Sua alma e ficará SATISFEITO? (Isaías 53:11) Cristo está realmente satisfeito com o fruto do trabalho de Sua alma quando Ele vê Judas Iscariotes, (por quem, você insiste, Ele morreu, da mesma forma como por João e Pedro, etc.) indo para o próprio lugar onde teria sido melhor para ele nunca ter nascido? (Marcos 14:21) 4) Você relaciona a morte de Cristo – certamente o assunto mais importante sempre – com versos como Isaías 14:24/14:27/46:10/Salmos 115:3/Provérbios 19:21 etc., os quais ensinam que os propósitos de Deus são certos e não podem ser frustrados?”

[10] “2) Cristo veio e morreu para salvar eficazmente homens ou apenas para fazer a salvação possível? Então, era teoricamente possível que Cristo poderia morrer por pecados e ninguém ser salvo?”

[11] “1) Você crê que Cristo morreu pelos pecados dos anjos caídos, que estão reservados na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia (Judas 6), quando serão lançados como malditos no fogo eterno (Mateus 25:41), para serem atormentados de dia e de noite para todo o sempre (Apocalipse 20:10)? OU você crê que a expiação foi limitada a um grupo particular de pecadores?”

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Descubra o que poucos cristãos sabem sobre salvação e filiação divina

Sabemos que Cristo é mais sublime que os céus, e que a igreja será semelhante a Ele, ou seja, possuidores de uma glória superior a própria ‘habitação’ do Altíssimo ( Hb 7:26 ; 1Jo 3:2 ). Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).


“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 )

Nova Criatura

Após ouvir a mensagem do evangelho (fé) e crer em Cristo os cristãos passaram a estar em Cristo “É nele que vós também estais…” (v. 1 ), ou seja, após ouvir e crer no evangelho da salvação todos os cristãos efetivamente passara a ser uma nova criatura ( 2Co 5:17 ).

O apóstolo Paulo é categórico ao afirmar: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 ). Qualquer que está em Cristo, ou seja, que é uma nova criatura goza de uma nova condição. O que motivou o apóstolo dos gentios a bendizer a Deus no verso 3 “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” ( Ef 1:3 ).

Ao que parece, os cristãos em Éfeso desconheciam que estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura, lhes concedia nova condição, pois o apóstolo teve que afirma de modo contundente que eles também estavam em Cristo após ouvir e crer na mensagem do evangelho.

Esta abordagem incisiva do apóstolo dos gentios deixa evidente o contexto do capítulo 1 da carta aos Efésios. Ele estava tratando especificamente das benesses pertinentes à nova criatura, posição recém adquirida pelos cristãos por estarem em Cristo.

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! Quem estava assentado nas regiões celestiais? Os cristãos!

E porque os cristãos foram abençoados com todas as bênçãos e gozavam de um lugar de descanso (assentados)? Porque estavam em Cristo, porque eram novas criaturas, ou seja, o apóstolo estava abordando questões especificas à nova criatura.

Ao dizer: ‘É nele que vós também estais…’, o apóstolo procura demonstrar que:

a) Eles foram abençoados com todas as bênçãos, e;

b) que estavam assentados nas regiões celestiais, porque foram gerados de novo e eram novas criaturas.

Faz-se necessário destacar que no Capítulo 1 da carta aos Efésios em momento algum o apóstolo dos gentios faz referencia ao homem sem Cristo. Todas as bênçãos espirituais pertencem aos que estão em Cristo! Somente os que são novas criaturas descansaram de todas as suas obras, ou seja, estão assentados!

Somente aqueles que ouviram a mensagem do evangelho e creram em Cristo, ou seja, que estão n’Ele, e que, portanto, são novas criaturas, são os eleitos de Deus. Observe que o apóstolo está tratando de questões pertinentes à nova criatura: “… nos elegeu n’Ele…”, ou seja, antes da fundação do mundo Deus determinou que, aqueles que estariam em Cristo, ou seja, que seriam novas criaturas, haveriam se ser santos e irrepreensíveis.

Deus escolheu a nova criatura para ser santa e irrepreensível diante d’Ele. Para ser eleito de Deus é necessário estar em Cristo, ou seja, é necessário ouvir e crer na mensagem do evangelho. Quando não se está em Cristo é impossível ser eleito de Deus. Como a posição de eleito é pertinente somente à nova criatura, segue-se que o pecador não preenche o quesito da eleição, pois jamais a velha criatura, alguém que ainda não está em Cristo, seria eleita para ser santa e irrepreensível.

Quando o apóstolo Paulo trata da eleição, ele diz da nova criatura, pois o pecador, o velho homem, a natureza pecaminosa não é escolhida por Deus. Como Deus elege o homem em pecado para ser santo e irrepreensível se ele precisa ser desfeito para surgir uma nova criatura? ( Rm 6;6 ). Deus não elege o homem sob o domínio do pecado porque o velho homem precisa morrer para Deus possa criar o novo homem em Cristo Jesus.

Como Deus escolheria o homem em pecado, se Deus elege o homem somente quando se está em Cristo? Se Deus “… nos elegeu n’Ele…”, acaso Cristo é ministro do pecado? Não! O homem em pecado não foi escolhido para ser santo e irrepreensível, antes, a nova criatura, aquele que está em Cristo, é a escolhida para ser santa e irrepreensível.

Jamais Deus elegeria ou predestinaria os homens sob o pecado, pois antes de ser servo da justiça o velho homem precisa ser crucificado e sepultado com Cristo. Se o velho homem é destruído para que o cristão tenha um encontro com Deus, como o homem em pecado pode ser escolhido ou predestinado?

A relação de equivalência na asserção:

a) ‘…se alguém está em Cristo…’, e;

b) ‘… nova criatura é’,

A relação a=b e b=a possibilita substituir no capítulo 1 da carta aos Efésios o ‘estar em Cristo’ por ‘nova criatura’.

Com a substituição teríamos a seguinte abordagem: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais por sermos uma nova criatura; Como também nos elegeu por sermos uma nova criatura antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele por sermos novas criaturas; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si por sermos novas criaturas. Por sermos novas criaturas temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça (…) novas criaturas vocês também são, depois que ouvistes a palavra da verdade…”.

O apóstolo procurou demonstrar aos cristãos em Éfeso que as benesses de Deus são pertinentes à nova criatura. Quando se admiti que, só após ser uma nova criatura é que se está de posse da redenção pelo sangue e da remissão das ofensas, tem-se que admitir também que só o homem em Cristo (nova criatura) assume a condição para a qual é eleito: santo e irrepreensível.

Tudo que foi demonstrado pelo apóstolo Paulo no capítulo 1 de Efésios refere-se aqueles que, primeiro esperaram em Cristo “… nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 ).

Quando o apóstolo Paulo menciona ‘… os que primeiro esperamos em Cristo’, não se refere aos apóstolos ou aos pais da igreja, antes diz daqueles que receberam as bênçãos porque ‘primeiramente’ creram em Cristo. Quando o homem crê em Cristo passa a ‘conhecer a Deus, ou antes, é conhecido d’Ele’. Primeiro é necessário ao homem crer em Cristo (esperar, permanecer na palavra, ser discípulo), para depois conhecê-lo “Então, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:32 ).

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! ‘Nos abençoou’, ou seja, o pronome na primeira pessoa do plural ‘nós’ demonstra que Deus abençoou ‘os que primeiro esperamos em Cristo’. Quem foi assentado nas regiões celestiais? ‘Nós’, ou seja, aqueles que foram feitos novas criaturas. Quem são os eleitos? ‘Nós’, ou seja, os que creram em Cristo! Quem é predestinado a ser filhos por adoção? ‘Nós’, os que esperamos em Cristo!

Segundo a riqueza da sua graça, Deus concedeu:

  • Sabedoria e prudência aos cristãos;
  • Revelou a sua vontade;
  • Foram feitos herdeiros, e;
  • Constituem-se louvor à Sua glória.

A quem Deus concedeu estas bênçãos? Aos que primeiramente esperaram em Cristo, ou seja, aos cristãos! Em momento algum o apóstolo Paulo faz referencia aos não cristãos.

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo deixa registrado tudo o que é pertinente à nova criatura, ou seja, ele faz alusão à nova condição pertinente aos cristãos, aqueles que esperam em Cristo, e que, apesar de desconhecer as benesses desta nova condição, também eram nova criaturas e necessitavam se conscientizar do que receberam após crer no evangelho ( Ef 1:13 ).

Tudo que o apóstolo dos gentios demonstra tem por sujeito os cristãos, sendo utilizada a primeira pessoa do plural (nós) para fazer referencia a tudo quanto os cristãos receberam após estarem em Cristo.

O que o apóstolo faz é lançar luz aos olhos do entendimento dos cristãos, para que eles soubessem o montante (todas) de benesses que receberam ao aceitar o chamado do Senhor segundo o evangelho ( Ef 1:18 ). O apóstolo assim o faz porque os cristãos de Éfeso desconheciam a riqueza da glória da herança de Deus nos santos.

Eles deviam saber que, o poder que ressuscitou a Cristo dentre os mortos foi o mesmo que operou sobre os cristãos por terem crido na mensagem do evangelho ( Ef 1:20 ), e que o mesmo Deus que fez o Senhor Jesus assentar a sua direita, também fez com que os cristãos assentassem nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo escreveu aos santos e fiéis em Cristo, ou seja, escreveu àqueles que são novas criaturas, que estão assentados nas regiões celestiais, que são herdeiros e herança, selados com o espírito santo da promessa, redimidos do pecado, gerados de novo para serem filhos por adoção (predestinados) e de posse da irrepreensibilidade e santidade que só é próprio aos de novo gerados em Cristo (eleitos).

Deus escolheu de antemão todos os que seriam gerados de novo para serem irrepreensíveis e santos. Deus predestinou todos os que seriam gerados de novo, segundo Cristo, para serem filhos de Deus por adoção.

Nenhuma destas benesses é pertinente aos filhos de Adão. Os filhos de Adão são imundos e infiéis. Não são eleitos e nem predestinados. Foram amaldiçoados e são cansados e oprimidos, ou seja, não encontraram descanso. Não são herança e nem herdeiros de Deus.

Como Cristo foi eleito para conduzir muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), e antes mesmo da fundação do mundo fora ofertado como cordeiro imaculado ( Ap 13:8 ), de antemão Deus elegeu (escolheu) os descendentes do último Adão, que é Cristo, para serem santos e irrepreensíveis, ou seja, elegeu aqueles que primeiro esperam em Cristo.

De igual modo, Deus estabeleceu os descendentes do Descendente, que é Cristo, como sua herança peculiar e os predestinou para serem filhos por adoção “… com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 e Ef 1:5 ).

A condição de filhos por adoção é para louvor e glória da sua graça, uma vez que os cristãos foram feitos agradáveis a Deus por esperarem em Cristo, ou seja, primeiro crerem na mensagem do evangelho e foram de novo criados, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade, ou seja, irrepreensíveis e santos ( Ef 4:24 ). Ao crer na mensagem do evangelho, os cristãos receberam poder para serem feitos filhos de Deus, tornando-se agradáveis a Deus através do Amado Senhor Jesus Cristo ( Jo 1:12 ).

 

Velha Criatura

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo trata somente do que é pertinente aos cristãos. No capítulo 2, o apóstolo trás a lembrança dos cristãos qual era a condição deles antes de crer no evangelho de Cristo.

Após demonstrar aos cristãos que eles eram obras realizadas por Deus, criados em Cristo Jesus “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” ( Ef 2:10 ), o apóstolo Paulo fez com que lembrassem que, houve um tempo em que todos não tinham esperança “Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” ( Ef 2:11 -12).

Ora, se noutro tempo os cristãos não tinham esperança, segue-se que nenhum deles era eleito ou predestinado à salvação aos moldes do que foi alardeado pelos reformadores, pois, se assim fosse, todos eles tinham uma esperança.

Como nova criaturas, os cristãos vivem um novo tempo de justiça, e paz e alegria no Espírito Santo ( Rm 14:17 ). Após ser gerado de novo, o calendário de medição do tempo do novo homem também muda. Ao fazer referencia a antiga condição, o apóstolo Paulo diz: “Noutro tempo”, ou “outrora”.

Quando os cristãos estavam sem Cristo eram estranhos à aliança da promessa, não tinham esperança, estavam sem Deus, e, por natureza, eram filhos da ira ( Ef 2:12 e Ef 2:2 -3).

Todos os homens gerados de Adão são filhos da desobediência, e, portanto, filhos da ira. Não têm esperança, pois entraram por uma porta larga que os conduz à perdição. Todos quantos querem ser salvos, precisam entrar pela porta estreita, que é Cristo, ou seja, precisam nascer de novo.

O último Adão é a porta estreita (por onde os homens entram e são conduzidos à salvação), e o primeiro Adão a porta larga (por onde os homens entram e são conduzidos à perdição).

Se a eleição e a predestinação fossem aos moldes da doutrina calvinista ou arminianista contrariaria o exposto pelo apóstolo Paulo, uma vez que alguns homens sempre estiveram de posse de uma garantia. Estes seriam filhos da desobediência, porém, não seriam filhos da ira. Nunca seriam perdidos de fato, pois antes mesmo de serem gerados já estavam destinados a salvação.

Mas, não é assim a verdade do evangelho, visto que, quanto ao trato passado (condição), todos os cristãos estavam efetivamente mortos, e, portanto, perdidos ( 1Co 15:22 ). A salvação se da através das boas novas do evangelho, ou seja, alguém anuncia as boas novas do evangelho e os que ouvem precisam crer ( 1Co 15:2 ; Rm 10:14 ).

A salvação em Cristo não se dá pela eleição e nem pela predestinação, como apregoam os que dizem que a soberania divina não coaduna com o livre arbítrio do homem. Para justificar este posicionamento, perguntam: Se o homem está morto, como poderia decidir servir a Deus? Esquecem do alerta de Cristo que diz: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ).

A condição do homem não é causa de impedimento para que se possa crer em Cristo, visto que, ainda que esteja morto, ao crer em Cristo, viverá.

Para que os cristãos alcançassem as benesses pelas quais o apóstolo Paulo bendiz a Deus no capítulo 1, foi necessário Deus vivificá-los, pois estavam todos mortos ( Ef 2:1 ). Para vivificar os cristãos, Deus ressuscitou-os juntamente com Cristo e os fez assentar nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo aponta dois tempos e duas condições específicas na vida dos cristãos: outrora éreis trevas, agora sois luz no Senhor (no Senhor=em Cristo=nova criatura), ou seja, sois luz por ser nova criatura “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR” ( Ef 5:8 ).

Mas, como os cristãos se tornaram luz? Foram escolhidos dentre os perdidos para serem luz? Foram predestinados para serem luz? Não!

O apóstolo João é claro ao repetir as palavras de Cristo: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ). Ou seja, é necessário ao homem crer na luz para ser filho de Deus. Qualquer que recebe a Cristo, ou seja, crê na mensagem do evangelho, recebe de Deus poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ).

Deixar de considerar que o apóstolo Paulo faz referencia a dois tempos, duas condições e dois tipos de criaturas no capítulo 1 da carta aos efésios, faz com que surja e se perpetue alguns erros de interpretação.

Os reformadores erraram:

  • Ao estabelecer como finalidade da eleição e da predestinação a salvação, e;
  • Por não levar em conta que o apóstolo Paulo faz referência a dois tipos de criaturas.

Erraram ao estabelecer que Deus elegeu e predestinou dentre os filhos da desobediência de Adão alguns para serem salvos. Deixaram de observar que a eleição refere-se à santidade e irrepreensibilidade, e que a predestinação refere-se a filiação.

Após observar que há os filhos da ira e os filhos da luz, e que, para ser filho da luz é necessário crer na luz, conclui-se que, antes da fundação do mundo Deus estabeleceu que, os que cressem na mensagem do evangelho, receberiam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), e na condição de eleitos de Deus são santos e irrepreensíveis ( Tt 1:1 ).

Isto que dizer que, de antemão Deus estabeleceu um único destino (predestinou) aos que haveriam de crer em Cristo: seriam salvos da condenação estabelecida em Adão e seriam filhos por adoção.

Quando o apóstolo escreve aos cristãos em Éfeso, capítulo 1, ele trata única e exclusivamente das bênçãos que Deus concede aos cristãos na condição de novas criaturas. Para fazer alusão às bênçãos concedidas por Deus, o apóstolo utiliza os verbos no pretérito perfeito (elegeu, predestinou, deu, derramou, desvendou, etc.), tendo por sujeito dos verbos no pretérito perfeito, os cristãos (nos), e não aqueles que são filhos da ira e da desobediência.

Deste modo não há contradição alguma entre a soberania e o livre-arbítrio do homem, pois os filhos da ira são provenientes de uma geração e os filhos da luz proveniente de outra geração. A geração dos ímpios é segundo o sangue, a vontade da carne e a vontade do varão, e a geração dos justos segundo a vontade de Deus.

A geração dos ímpios jamais foi eleita, pois a eleição é pertinente a geração dos justos, como se lê: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ).

Os cristãos são geração eleita, pois a geração segundo a carne foi rejeitada. Como os cristãos alcançaram a eleição? Deus os chamou através do evangelho das trevas para a luz, ou seja, não foram predestinados e nem eleitos. Foram chamados!

 

Salvação e a filiação

No capítulo 1 da carta aos Efésios o apóstolo Paulo faz alusão ao propósito eterno de Deus. Qual o propósito eterno de Deus? Ora, o propósito eterno não se refere à salvação do homem, pois apesar de Deus querer e salvar os homens, há um tempo pré-determinado para a obra redentora ser encerrada.

A salvação é eterna, porém, Deus não continuara salvando os homens por toda a eternidade, portanto, a obra redentora de Deus não se refere ao propósito eterno.

O propósito eterno diz de algo que nunca terá fim, ou seja, o único evento que nunca terá fim é a preeminência de Cristo, pois ela perdurará pela eternidade ( Ef 1:10 ).

É propósito eterno de Deus:

  • Que a multiforme sabedoria de Deus seja revelada aos principados e potestades nas regiões celestiais;
  • Que Cristo tenha a preeminência em tudo;
  • Que Cristo seja o primogênito de toda criação;
  • Que Cristo seja o primogênito dentre os mortos, e;
  • Que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos.

Através da igreja, que é o corpo de Cristo, Deus concretizou o seu propósito eterno!

Em todos os tempos os homens são salvos por Deus mediante a fé, porém, a condição dos membros do corpo de Cristo é diferente da condição dos outros salvos que existiram ao longo da história da humanidade. Como?

Ora, os homens são salvos em todos os tempos pela fé em Deus, pois Deus salvou e salvará:

  • Antes da lei de Moisés;
  • Durante o período da lei de Moisés;
  • Durante o período das boas novas do evangelho;
  • No período da grande tribulação, e;
  • Durante o milênio.

Porém, diferente dos outros salvos, que continuarão na posição de homens, a igreja de Cristo foi elevada a categoria de ‘semelhantes a Deus’, posição superior a dos anjos, uma vez que serão semelhantes a Cristo ( 1Jo 3:2 ). Observe a tabela abaixo:

 

Hierarquia dos seres antes da constituição da Igreja

Hierarquia dos seres depois da constituição da Igreja

Criador

Deus

Deus

Criaturas

—————-

Semelhantes a Deus

Anjos

Anjos

Homens

Homens

 

Aos salvos que não são membros do corpo de Cristo, que é a igreja, não será dado a autonomia de julgar os anjos ( 1Co 6:3 ), mas a igreja julgará o mundo e os anjos ( 1Co 6:2 -3).

Diferentemente dos salvos de outras épocas, a igreja foi participante da morte de Cristo e passou a ser semelhante a Ele na ressurreição “Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” ( Rm 6:5 ; Cl 3:1 -3).

O mesmo poder que foi manifesto em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, também operou sobre os membros do corpo de Cristo, a igreja ( Ef 1:19 ). Cristo é o primogênito dentre os mortos, e o seu corpo, também nomeado de a universal assembléia, é a igreja dos primogênitos ( Hb 12:23 ).

Cristo é Filho e herdeiro de todas as coisas, e os membros do seu corpo, filhos e co-herdeiros, pois é certo que os cristãos com Ele morreram (padecemos) para com Ele serem glorificados (ressurgir) ( Rm 8:17 ; Cl 3:3 ).

Tal qual Cristo é, é a sua igreja aqui neste mundo ( 1Jo 4:17 ). A igreja possui a imagem de Cristo, pois qual o Celestial, tais também os celestiais ( 1Co 15:47 -48). Esta condição é efetiva hoje, agora, não diz de algo para o futuro ( Ef 5:8 ).

Conclui-se que, todos os salvos de todas as épocas são filhos de Deus, porém, nem todos os salvos são qual o último Adão, que é Cristo. Há muitos filhos, mas somente a igreja é conforme a imagem de Cristo. Há muitos salvos, porém, somente através da igreja Cristo tornou-se primogênito dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

O apóstolo João e o apóstolo Paulo anunciaram que todos os cristãos receberam da plenitude de Cristo ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 -11), ou seja, todos são participantes da natureza divina, pois a semente de Deus permanece neles ( 2Pe 1:4 ; 1Jo 3:9 ).

A condição da igreja é tão diferenciada da dos outros salvos que os profetas estavam cientes que a graça que seria concedida à igreja não era igual a que lhes pertencia ( 1Pe 1:12 ).

As potestades e principados, por sua vez, desconheciam qual a multiforme sabedoria que foi revelada na igreja ( Ef 3:10 ), e assim como os profetas da antiga aliança também desejaram compreende-la “… para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 b).

Este verso tem causado inúmeros equívocos, visto que os anjos não desejaram anunciar o evangelho como muitos apregoam, antes eles desejavam atentar para as mesmas coisas que os profetas desejavam compreender Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 ).

Sabemos que Cristo é mais sublime que os céus, e que a igreja será semelhante a Ele, ou seja, possuidores de uma glória superior a própria ‘habitação’ do Altíssimo ( Hb 7:26 ; 1Jo 3:2 ).

Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).

No entanto, a manifestação dos filhos de Deus somente se dará quando Cristo se manifestar, e, então, a igreja será manifesta com Cristo em glória, ou seja, semelhantes a Ele ( Cl 2:11 ; 2Co 5:4 ; 1Co 15:53 -54).

Deus levou a efeito o seu propósito eterno quando adquiriu um povo, gerado segundo a palavra da verdade, constituído sacerdócio real e nação santa para que Cristo tenha a preeminência em tudo. Como? Através da igreja Cristo é o mais sublime entre os sublimes. Ele é o primogênito entre muitos irmãos! “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime” ( Is 52:13 ).

Somente através da igreja, o Servo do Senhor, o Filho do Altíssimo, é exaltado, elevado e mui sublime.

 

Conheceu e Predestinou

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Após alertar que as aflições do tempo presente não se comparam com a glória que há de ser revelada, e lembrar a expectativa da criação quanto a revelação dos filhos de Deus ( Rm 8:18 -22), o apóstolo Paulo demonstrou estar ansioso quanto a redenção do corpo ( Rm 8:23 ).

Ele reitera o que os cristãos deviam saber: que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus ( Rm 8:28 ), ou seja, os ‘que amam a Deus’ são aqueles que foram ‘chamados segundo o seu propósito’.

Quem são os chamados? Todos os que ouvem a mensagem do evangelho. Quem são os que amam a Deus? Todos que atenderam o chamado contido no evangelho.

Ora, somente as ‘boas novas’ do evangelho promove o propósito de Deus, pois todos os que foram ‘conhecidos’ de Deus, também foram predestinados a serem conforme a imagem de Cristo ( Rm 8:29 ).

Deste verso surgem algumas perguntas essenciais a compreensão:

  • O que é conhecer a Deus?
  • O ‘dantes’ refere-se a que?
  • Foram predestinados a que?
  • Com que propósito Deus chama os homens através do evangelho?

Conhecer a Deus “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” ( Gl 4:9 ) – ‘Conhecer’ a Deus não é ter ‘ciência’, ‘saber’ ou ‘conhecimento acerca de’ Deus, antes, ‘conhecer’ é tornar-se um só corpo e um só espírito com o Pai e o Filho ( Ef 4:4 ), ou seja, refere-se a comunhão intima ( 1Co 1:9 ). Assim como o homem torna-se um só corpo ao ‘conhecer’ a mulher, conhecer a Deus, ou antes, ser conhecido d’Ele, diz de comunhão intima. Conhecer a Deus é algo pertinente ao tempo presente dos cristãos “Mas, agora…” ( Gl 4:9 ).

Dantes conheceu – A que tempo refere o ‘dantes’? O que ‘dantes conheceu’ é o mesmo que ‘… primeiro esperamos em Cristo’ ( Ef 1:12 ). Os que primeiro esperaram em Cristo são os que conheceram a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele. Os que ‘dantes’, ou os que ‘primeiro’ conheceram a Deus, por esperar em Cristo, são os que foram feitos herança e predestinados segundo o propósito de Deus ( Ef 1:11 -12). ‘Dantes conheceu’ remete a mesma idéia que o apóstolo Paulo expôs aos cristãos da região da Galácia: conhecendo a Deus, ou ANTES, sendo conhecido d’Ele ( Gl 4:9 ). Este ‘dantes’ não tem relação com a ‘pré-ciência’ de Deus.

Predestinados a quê? – Deus predestinou os que ‘dantes’, ou seja, que em primeiro lugar O conheceram ao crer no evangelho para serem conformes à imagem de seu Filho. Observe que ninguém é predestinado a salvação! Antes de ser predestinado a ser conforme a imagem do Filho é necessário ao homem ‘conhecer’ a Deus, ou antes, ser ‘conhecido’ d’Ele.

O evangelho do propósito eterno – A oferta de salvação em Cristo, além da redenção do homem, faz parte do propósito eterno de Deus, que é tornar o Unigênito Filho de Deus no Primogênito de Deus entre muitos irmãos. Para tanto, todos os que crêem no evangelho, além de salvos, são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo.

Somente os que primeiro ‘conheceram’ a Deus por intermédio do evangelho são predestinados à filiação divina. Ninguém é predestinado a ‘conhecer’ a Deus, ou seja, ninguém é predestinado a salvação, antes, é necessário primeiramente (dantes) crer em Cristo, que o homem terá o seu destino definido conforme o que foi proposto na eternidade: será conforme a imagem de Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

E qual o propósito de Deus ao conceder filiação aos remidos segundo a graça demonstrada no evangelho? Que o Unigênito Filho de Deus, que foi morto e ressurgiu, seja o primogênito dentre os mortos com muitos irmãos.

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A maravilhosa graça

As riquezas da graça são concedidas aos membros do corpo de Cristo segundo o beneplácito que Deus propusera em Si mesmo de fazer convergir todas as coisas em Cristo ( Ef 1:10 ; Ef 3:11 ). Ao estabelecer Cristo como a cabeça do corpo, que é a igreja, todas as coisas convergem para Cristo, pois entre os filhos de Deus semelhantes a Ele, Cristo é proeminente: a cabeça.

 


“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” ( Tt 2:11 )

Quando entendemos o real significado e todos as nuances que há na redenção do homem, constatamos que definir a graça de Deus somente como ‘favor imerecido’ constitui-se um reducionismo . Somente enfatizar que a salvação é favor imerecido não evidencia os elementos que compõe a maravilhosa graça de Deus que se revela em Cristo.

O reducionismo ocorre quando nos socorremos somente ao significado do vocábulo grego ‘charis’, o que por si só não evidencia a grandeza da salvação em Cristo. Há certa importância no fato de se verificar que, à época de Homero, o termo ‘charis’ significava ‘doçura’ ou ‘atrativo’, e com o passar do tempo, o termo evoluiu para ‘favor’, ‘boa vontade’, ’bondade’, mas isto não é tudo.

Somente enumerar a quantidade de vezes que o termo ‘charis’ consta do Novo Testamento também não evidencia a ideia do tema, antes o primordial é considerar o termo no seu contexto, principalmente quando utilizado em conexão com a ideia da redenção.

É assente que o termo graça é utilizado para descrever a disposição de Deus em ser favorável aos homens, apesar de não serem merecedores, como se lê: “Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniquidades” ( Sl 103:10 ), entretanto, como a graça de Deus é concedida sem macular a justiça de Deus, poucos conhecem como esta ‘transação’ ocorre.

Como Deus demonstrou favor aos pecadores sem comprometer a juízo e a justiça? Como é possível Ele ser justo e justificador?

 

“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 )

 

Queda

Para mensurar como se dá a maravilhosa graça de Deus se faz necessário lembrar que todos os homens caíram em desgraça por causa de um só homem que pecou – Adão. Por causa da ofensa de Adão todos os seus descendentes foram feitos pecadores, ou seja, nasceram alienados de Deus, distanciados de Deus, impróprios para Sua glória ( Rm 5:12 e 19; 1Co 15:21 ).

A desgraça que se abateu sobre a humanidade não se deu por questões de ordem moral, antes pela ofensa de um só homem que pecou. Isto significa que os homens tornaram-se pecadores (em outras palavras: filhos da ira, filhos da desobediência) por serem descendentes da carne de Adão, e não por suas condutas inconvenientes nas relações sociais cotidianas.

Por causa da filiação adâmica, todos os homens são formados em pecado e concebidos em iniquidade ( Sl 51:5 ), de modo que, desde o ventre materno estão separados de Deus, dai a designação ‘ímpios’.

Quando a bíblia diz que os homens são ‘pecadores’ evidencia que todos os filhos de Adão são ‘errantes’ desde que nascem ( Sl 58:3 ).

Em um único evento (a ofensa de Adão), toda a humanidade juntamente se desviou e se fez imunda “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:3 ). Ora, o interprete deve divisar bem, ter bem nítido que os homens não se ‘fazem’ imundos porque são roubadores, homicidas, detratores, homossexuais, mentirosos, invejosos, etc., antes porque todos ‘juntamente’ são herdeiros da penalidade imposta a Adão.

do que acabamos de evidenciar acima através da seguinte assertiva: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” ( Jo 3:36 ). Ora, a ira de Deus permanece sobre os homens em função de não crerem em Cristo, e não em função de se portarem de modo inconveniente.

 

A ira

A ira de Deus permanece sobre aquele que não crê, porque quem não crê que Jesus é o Filho de Deus permanece filho de Adão, portanto herdeiro da ira, consequência da desobediência ( Ef 2:2 -3).

O termo ‘ira’ não deve ser entendido como uma emoção ou sentimento colérico da parte de Deus. Da mesma forma que os descendentes de Adão são designados ‘filhos da ira’ para apontar-lhes a condição de sujeição ao pecado, o que não significa que são filhos de um sentimento colérico ou de uma emoção, a ira de Deus não se refere a um sentimento, antes à justa retribuição estabelecida para os filhos da desobediência de Adão.

É significativo o fato de que, na bíblia, os homens não são designados ‘filhos do pecado’, antes são designados ‘filhos da desobediência’ ou ‘filhos da ira’. Isto porque a ‘filiação’ envolve duas questões: a) natureza, e; b) herança. Os filhos são participantes da natureza e da condição dos seus genitores e, consequentemente, tem direito a uma herança.

Quando a bíblia diz que os homens são ‘escravos do pecado’, e não ‘filhos do pecado’, significa que, apesar de estarem ‘presos’ ao senhorio do pecado, há a possibilidade de serem livres. Mas, se a bíblia dissesse que os homens são ‘filhos do pecado’, significaria que não haveria a possibilidade de livramento da condição de filhos e, concomitantemente, não haveria como não receber a ‘herança’ desta filiação: ira.

Dai a máxima: ‘O filho permanece para sempre em casa, o escravo não’ que abstraímos da resposta que Jesus deu aos seus interlocutores: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre” ( Jo 8:34 -35), e da fala de Sara: “E disse a Abraão: Ponha fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com Isaque, meu filho” ( Gn 21:10 ).

Esta é uma triste descrição de como era os sistemas escravagistas, visto que aos escravos não era atribuído nenhum bem ou herdade, antes o que era liquido e certo aos escravos era a morte. Somente a morte livrava os escravos dos seus senhores, assim como a morte do marido torna livre a mulher ( Rm 6:7 ; Rm 7:2 ).

Quando é dito que os homens são ‘filhos da ira’, significa que não há como escaparem da condição que lhe é pertinente e nem da ‘herança’ funesta que receberá. Quando é dito que os homens são ‘escravos do pecado’, a história muda, porque significa que ainda há esperança: a possibilidade de se verem livres da condição de escravos.

Adão não foi gerado do pecado, antes criado por Deus. Quando pecou, Adão deixou de ser livre e passou à condição de escravo do pecado. Não se pode dizer que Adão é filho do pecado porque, na verdade, ele foi criado por Deus livre. A condição de servo só veio quando da ofensa, e em consequência, a morte.

Com relação à existência, Adão era criatura de Deus. Com relação ao pecado Adão tornou-se servo. Com relação à ira tornou-se filho, pois em função da ofensa não passaria dele a penalidade estabelecida: a morte. Como a morte é certa, o homem é tido por filho da ira, pois não pode livrar-se da penalidade estabelecida em decorrência da desobediência.

 

A possibilidade

Mas, como é possível o homem deixar de ser ‘pecador’?

Como a escravidão é uma figura da sujeição do homem ao senhorio do pecado, a resposta para o homem deixar o jugo do pecado é morrendo!

Na antiguidade, os escravos que não alcançavam a liberdade durante o curso de sua existência somente seriam livres do jugo da servidão quando morressem, visto que estavam presos por toda a vida aos seus donos por causa da lei. Somente a morte do escravo cortava o vínculo de servidão estabelecido pela lei, assim como somente a morte de um dos cônjuges interrompe o vinculo do casamento “NÃO sabeis vós, irmãos (pois que falo aos que sabem a lei), que a lei tem domínio sobre o homem por todo o tempo que vive?” ( Rm 7:1 ).

O medo da morte era o que mantinha os escravos sujeitos a servidão por toda vida, visto que o instinto de preservação da própria existência falava mais alto. Bastava dar cabo da própria vida para se verem livres da servidão, no entanto, o medo da morte o que impedia “E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” ( Hb 2:15 ).

 

A morte é diferente de descer ao pó

O homem está morto por ter desobedecido ao que foi estabelecido no Éden: “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:16 -17).

Quando Adão comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal de imediato morreu, ou seja, a comunhão com Deus foi cortada e passou a estar sujeito a um novo senhor: o pecado. O homem (macho e fêmea) morreu para Deus, a única pessoa com que tinha comunhão.

Após o homem ter morrido para Deus, Deus estabeleceu a dor na concepção da mulher e que o homem comeria do suor do seu rosto até que voltasse ao pó da terra, ficando estabelecida a morte física, quando os homens perdem a comunhão com seus entes queridos.

Enquanto estava no Éden antes da ofensa, Adão estava vivo para Deus e o pecado ainda não havia entrado no mundo. Após pecar, Adão morreu para Deus, e passou a viver no pecado. Aqueles que vivem para o pecado estão mortos para Deus, e vice-versa. Se o homem descer ao pó da terra sem Cristo, para sempre estará separado de Deus.

 

Justo

Quando a bíblia diz que Deus é justo, significa dizer que Deus é a medida absoluta de retidão e equidade. Este atributo se observa por diversos fatores tais como:

a) Deus não mente;

b) Deus não muda;

c) O culpado não é tido por inocente;

d) A pena não passa da pessoa do transgressor;

d) Não aceita suborno;

e) Suas leis são expressões da Sua natureza;

f) A ninguém oprime.

 

A retidão e a justiça de Deus verificam-se no Éden quando Deus dá o seguinte mandamento ao primeiro homem em um lugar perfeito: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 1:16 -17).

O mandamento dado no Éden é santo justo e bom porque nele estava implícito a liberdade do homem (De toda a árvore do jardim comerás livremente…), e o cuidado de Deus (… mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás).

A ordem veta ao homem o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal pelas consequências (certamente morrerás), e não por opressão. O mandamento visava preservar a liberdade e a comunhão entre o Criador e a criatura, concedo a informação necessária para que o homem pudesse se guiar.

A palavra de Deus é expressão da verdade (do que é real, do que é efetivo), de modo que, quando o homem exerceu a sua liberdade e comeu do fruto da árvore do conhecimento, as consequências se efetivaram: o homem passou a estar alienado de Deus (morto) e, em função do que era intrínseco ao fruto do conhecimento do bem e do mal o homem tornou-se como Deus (conhecimento do bem e do mal).

Deus é imutável, não pode mentir e a sua palavra não volta vazia “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos” ( Tt 1:2 );  “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:13 ).

Se Deus voltasse atrás na sua palavra permanecendo em comunhão com o homem após a ofensa, Deus não seria firme, fiel, justo e imutável. Primeiro por não ter cumprido com Sua palavra sendo firme e fiel. Em segundo lugar, decorrente do primeiro, estaria oprimindo o homem que, ao comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, claramente demonstrou que não confiava em Deus e que não queria permanecer em comunhão com ele.

Manter o homem em comunhão após a ofensa seria arbitrário e opressivo da parte de Deus. Se a pena não fosse aplicada a palavra de Deus deixaria de ser verdadeira, consequentemente, não seria digno de confiança. Como confiar em quem não hora a sua palavra?

 

Justiça

Como o homem desobedeceu, a pena não poderia passar do homem, pois se outro sofresse a pena em lugar do transgressor não haveria justiça, pois o correto é a alma que pecar sofra as consequências “Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro” ( Ez 32:33 ); “A alma que pecar, essa morrerá” ( Ez 18:20 ).

É por isso mesmo que Deus diz: “De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio ( Êx 23:7 ). Se Deus declarasse o ímpio justo, jamais seria justo.

Observe que jamais Deus exterminaria o justo com o ímpio quando executa juízo: “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” ( Gn 18:25 ).

Ora, antes de abordar a solução dada para a condição do homem em sujeição ao pecado de modo gracioso, primeiro se faz necessário compreender como foi solucionado o problema de Deus declarar justo o ímpio “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 ).

Antes de Deus justificar o homem, primeiro satisfez a Sua justiça “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 ). Qual justiça foi satisfeita? A estabelecida na lei outorgada no Éden que é santa, justa e boa, pois dela decorre que a alma que pecar morrerá. Daí a máxima: o salário do pecado é a morte ( Rm 6:23 ), e como todos pecaram por estarem na coxa de Adão, todos estavam sujeitos ao pecado por causa da morte “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” ( 1Co 15:56 ).

Desde que Adão pecou e o pecado entrou no mundo, todos estão mortos em delitos e pecados, pois todos pecaram. Todos os homens estão alienados de Deus e, se descerem ao pó da terra, seguem ao juízo do grande Trono Branco perdidos para toda a eternidade ( Ef 2:1 ; Rm 3:23 ; Rm 5:12 ).

Esta realidade foi descrita por João Batista desta forma: “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” ( Mt 3:10 ), uma releitura das palavras anunciadas pelo profeta Isaias: “Uma voz diz: Clama; e alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva e toda a sua beleza como a flor do campo. Seca-se a erva, e cai a flor, soprando nela o Espírito do SENHOR. Na verdade o povo é erva. Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” ( Is 40:6 – 8).

Sem exceção, todos os descendentes de Adão estão sujeitos à penalidade estabelecida no Éden: alienados de Deus, por isso são arrancados: “Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ).

A primeira ação de Deus justo para redimir o homem foi substituir a desobediência de Adão pela obediência do último Adão (Cristo). Sem a substituição de ato: obediência pela desobediência, jamais haveria justiça e redenção, pois se um desobedeceu e muitos pecaram, segue-se que se um obedecesse, muitos seriam justificados ( Rm 5:15 ). Se um trouxe a morte, somente por um seria possível abolir a morte estabelecendo a vida “E que é manifesta agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho” ( 2Tm 1:10 ).

Sem a substituição de ato, obediência pela desobediência, jamais haveria meio de salvação que não contrariasse a natureza justa de Deus “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:19 ).

Esta substituição de ato, obediência pela desobediência, só poderia ser feita por alguém livre de pecado, assim como esteve livre o primeiro homem. Para haver a substituição de ato, o Verbo Eterno que estava com Deus e que a tudo criara se fez carne e habitou entre os homens. Em tudo se fez semelhante aos homens, sujeitos as mesmas aflições e fraquezas ( Hb 2:18 ).

Adão desobedeceu em um ambiente perfeito contrariando uma única ordem: ‘… dela não comerás’. O Verbo eterno quando em carne, apesar das aflições, fraquezas e tentações cumpriu toda a justiça, ou seja, nada ab-rogou da lei ou dos profetas ( Mt 5:17 ). A obediência de Cristo é demonstrada no fato de que Ele morreu segundo a ordem do Pai e morte de cruz “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” ( Fl 2:8 ; Hb 5:8 ).

Ao resolver o problema da justiça através da obediência de Cristo ( Hb 10:9 -10), visto que Jesus foi obediente em tudo, através da carne do Cristo, Deus abriu um novo e vivo caminho pelo qual o homem passou a ter acesso a Ele “Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” ( Hb 10:20 ).

O caminho foi aberto através da obediência, e não em razão de um sacrifício, pois de Cristo disse Deus: “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste” ( Hb 10:5 ). É um equivoco entender que a salvação se deu em razão de Cristo voluntariar-se para oferecer o seu corpo em sacrifício, pois a oferta do corpo de Cristo, na verdade, se deu em obediência ao mando do Pai. A salvação se deu pela obediência de Cristo que, segundo a vontade do Pai derramou a sua alma na morte “Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” ( Jo 10:18 ).

Quando ouve as boas novas de salvação e crê que Jesus é o Cristo, o pecador morre com Cristo e é sepultado. A pena estabelecida não passa da pessoa do transgressor, visto que ao crer tomou sobre si a sua própria cruz e seguiu após Cristo. Ao crer no evangelho o pecador torna-se participante da carne e do sangue de Cristo, de modo que se conforma como Cristo na sua morte.

Ora, a obediência de Cristo substitui a desobediência de Adão, e a carne de Cristo tornou-se um novo e vivo caminho de livre acesso a Deus, através da morte e ressureição de Cristo. O que falta ainda para a redenção do homem?

Falta ao homem no pecado morrer satisfazendo o estabelecido na lei outorgada no Éden.

Se o homem desce ao pó da terra sem crer em Cristo, segue para eternidade perdido, mas se o homem crê que Cristo é o Filho de Deus segundo as Escrituras, morre com Cristo e é sepultado com Ele ( Rm 6:3 -8).

Na morte do pecador com Cristo a justiça do mandamento dado no Éden é satisfeita, pois a morte de Cristo só é substitutiva em relação à cruz do calvário, no entanto, todos os que creem tornam-se participantes da carne e do sangue de Cristo, ou seja, efetivamente crucificam o corpo do pecado e as suas concupiscências, morrem e são sepultados.

Mas, como está estabelecido que o homem deve morrer, para que Deus seja justo e a sua palavra permaneça firme, quando o homem crê em Cristo morre, sendo sepultado com Cristo.

O homem que estava vivo para o pecado e morto em delitos e pecados para Deus, após morrer com Cristo, passa a viver para Deus. O crente em Cristo morre para o pecado, portanto, a justiça de Deus é estabelecida e o homem fica livre do seu antigo senhor, o pecado.

 

A maravilhosa graça

“Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” ( Ef 2:7 )

O cristão precisa compreender o quão significativo é não ter contradição entre a graça e a justiça de Deus. Em nossos dias são poucos os cristãos que conseguem divisar bem que não há contradição alguma em Deus justo declarar justo o ímpio.

É a palavra de Deus que garante justificação aos que creem em Cristo, no entanto, não haveria injustiça alguma em Deus se não houvesse resgate para o homem. Semelhantemente, quando o homem morre com Cristo, a justiça de Deus é satisfeita, pois se cumpre a palavra que foi estabelecida: “… certamente morrerás”, e não haveria injustiça alguma se só a comunhão fosse estabelecida na eternidade e o homem não ressurgisse com Cristo.

É neste ponto que a graça de Deus se evidencia maravilhosa, pois ao crer em Cristo o homem alienado depois da morte merecida torna a ter comunhão com o Criador, ou seja, é vivificado e ressurge uma nova criatura por estar em Cristo “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” ( Ef 2:5 -6).

Quando o crente morre com Cristo, o corpo está morto, visto que o vínculo com o pecado só é desfeito com a morte de quem servia o pecado, entretanto, apesar de o corpo ter sido crucificado, é vivificado pelo Espírito de Deus “E, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dentre os mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita” ( Rm 8:10 -11).

Daí as considerações paulinas: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram” ( 2Co 5:14 ). O corpo que pertencia ao pecado por ter sido gerado da semente corruptível de Adão ao ser crucificado (pela fé em Cristo) é causa de extinção do velho homem e da quebra de vínculo com o pecado ( Rm 6:6 ). Todos os que creem efetivamente morrem com Cristo, de modo que a ninguém devemos fazer referência segundo questões pertinentes à carne do pecado ( 2Co 5:16 ).

Era comum os cristãos lembrarem do Cristo homem, porém, não compreendiam que aquele homem que foi crucificado, Deus o exaltou soberanamente, lhe conferiu um nome que está acima de todos os nomes, sujeitando a Ele toda as coisas ( Hb 2:8 ).

Era comum aos cristãos primitivos fazerem referencia às questões da carne, como: – “Eu sou hebreu de hebreu”; Outros: -“Eu sou Romano de sangue, e não porque comprei cidadania romana”; E ainda aqueles: -“Eu tenho ciência, pois a filosofia tem o seu berço na Grécia”, etc.

Dai o imperativo: a ninguém mais conhecemos segundo a carne, pois todos são filhos de Deus pela fé em Cristo: um novo tempo e uma nova vida, portanto, não havia mais judeus, grego, servo, livre, macho, fêmea, etc. ( Gl 3:26 -29).

O corpo que pertencia ao pecado também é denominado de vaso para desonra, vaso da ira, preparado para a perdição ( Rm 9:21 -22). Ora, todos os homens que vem ao mundo entram por Adão, a porta larga, criados a partir do barro pelo poder de Deus, porém, por causa da semente de Adão, o produto final do barro (vaso) é a desonra, pois em Adão os vasos são para ira, preparados para perdição.

Observe que o apóstolo quando fala do poder criativo de Deus de trazer o homem à existência enfatiza que Deus tem poder sobre o barro, e não sobre o vaso. Sobre o barro Deus tem poder, e faz vasos para honra e desonra, mas o que determina a honra e a desonra dos vasos criados são: o primeiro e o ultimo Adão – Adão e Cristo.

A maravilhosa graça está em que Deus, por ter poder sobre o barro, utiliza a mesma massa que foram criados os vasos para desonra para fazer vasos para honra. O corpo do pecado que era para ser descartado, pelo espírito de Deus que nele habita, torna-se vaso de misericórdia, criado para honra “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou” ( Rm 9:21 -23).

Ao ressuscitar aqueles que creem com Cristo Deus cria (bara) justos, e em seguida declara qual é a condição do novo nascido: justo. Aí está a essência da justificação: Deus só declara o homem justo quando o homem é criado de novo em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

O velho homem jamais é justificado (declarado justo), pois Deus jamais justifica o ímpio. No entanto, quando o homem morre com Cristo a justiça de Deus é satisfeita, e pelo poder da sua palavra, que é semente incorruptível, Deus faz a sua plantação que jamais será arrancada, pois a palavra de Deus permanece para sempre, assim como os que da palavra são gerados ( Mt 15:13 ; 1Pe 1:25 ; 1Jo 2:17 ).

 

As riquezas da graça

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens…” ( Tt 1:11 )

 

Após enfatizar a necessidade de os cristãos terem um comportamento aceitável em sociedade, ou seja, portando-se de modo a não dar escândalo a judeus, gregos e nem a igreja de Deus, o apóstolo Paulo apresenta a razão: a graça de Deus em Cristo trouxe salvação a todos os homens!

Os cristãos não devem ser causa de escândalo (vergonha) e nem deve se envergonhar do evangelho, o testemunho de Cristo ( 2Tm 1:8 ), pois é através do evangelho, que é poder de Deus e palavra de reconciliação, que o homem é salvo “… segundo o poder de Deus que nos salvou…” ( 2Tm 1:9 ); “Não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê…” ( Rm 1:16 ); “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” ( 2Co 5:19 ).

Quando falamos de redenção, salvação, justificação, santificação, perdão, nova vida, regeneração, abordamos a maravilhosa graça de Deus demonstrada em Cristo Jesus, pois graciosamente o homem é chamado (καλέσαντος/kaleō) das trevas para a maravilhosa luz de Deus, e os que creem são transportados das trevas para o reino do Filho “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ); “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” ( Cl 1:13 ).

Muitos são chamados (κλητοί=termo cognato derivado de kaleō) e poucos os escolhidos, ou seja, muitos ouvem o convite do evangelho, mas poucos são os que ouvem e creem. Muitos são convidados a entrar pela porta estreita, mas são poucos os que atendem o chamado ( Mt 7:13 ).

Tudo o que abordamos até aqui refere-se à maravilhosa graça de Deus, anunciada desde o Antigo Testamento, da qual é participante todos os homens que em todos os tempos creem em Deus que anunciou redenção “Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos” ( Rm 4:7 ).

Mas aos que creem durante o tempo denominado plenitude dos gentios ( Rm 11:25 ), ou plenitude dos tempos ( Gl 4:4 ; Ef 1:10 ), além da maravilhosa graça, há as riquezas da graça, pois é conferido aos crentes uma herança. Além dos crentes em Cristo serem salvos pela misericórdia de Deus mediante a lavagem da regeneração e renovação afim de que fossem declarados justos, também fomos feitos herdeiros de Deus, coerdeiros com Cristo ( Tt 3:7 ; Rm 8:17 ; Rm 8:32 ).

O chamado (κλητοί=termo cognato derivado de kaleō) pelo evangelho é um convite à salvação, e os salvos em Cristo segundo o poder de Deus (evangelho) são ‘chamados com uma santa vocação’ (καλέσαντος κλήσει). O chamado através do evangelho se deu na plenitude dos tempos, já o chamado com uma santa vocação se deu na eternidade (antes dos tempos eternos).

Enquanto o chamado pelo evangelho visa a salvação do homem, a santa vocação tem em vista o próprio propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

A riqueza da graça é que todos os que creem em Cristo, além de serem transportados para o reino do Filho, já não possuem outro destino a não ser serem filhos de Deus para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Segundo o propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo de fazê-Lo primogênito entre muitos irmãos é que Deus estabeleceu antes dos tempos eternos (predestinou) que todos os que fossem participantes da carne e do sangue de Cristo através da igreja, seriam conforme a imagem de Jesus, ou seja, semelhantes a Ele ( 1Jo 3:1 -2).

Deus não somente predestinou os membros do corpo de Cristo, a igreja, como também os elegeu antes dos tempos eternos para serem santos e irrepreensíveis diante de Deus ( Ef 1:3 ). De condenação alguma os filhos de Deus são passíveis, pois são participantes da natureza divina ( 1Pe 1:4 ).

Ora, as riquezas da graça são concedidas aos membros do corpo de Cristo segundo o beneplácito que Deus propusera em Si mesmo de fazer convergir todas as coisas em Cristo ( Ef 1:10 ; Ef 3:11 ). Ao estabelecer Cristo como a cabeça do corpo, que é a igreja, todas as coisas se convergem para Cristo, pois entre os filhos de Deus que são semelhantes a Ele, Ele é proeminente: a cabeça.

Foi estabelecido que em Cristo a igreja é herança, predestinação que visa especificamente o louvor da glória de Deus!

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Você é realmente salvo?

As religiões buscam demonstrar que o homem é pecador através de questões morais e legais, mas a bíblia demonstra que todos se tornaram pecadores por causa de uma única ofensa “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”  ( Jo 16:8 ).


Muitos cristãos não sabem se são salvos, insegurança que advém de certos posicionamentos doutrinários, ou por não compreender alguns versos da bíblia.

Versos que contêm advertência quanto aos cuidados com a salvação parecem suplantar as garantias contidas no evangelho, e muitos duvidam se realmente são salvos.

Como compreender a advertência contida no seguinte verso: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” ( Mt 7:21 ).

Diante deste verso, muitos duvidam de sua salvação e questionam-se sobre a possibilidade de estarem enganados por acreditarem que são salvos. Além da dúvida, ainda encontram os pseudos mestres do cristianismo que se utilizam do versículo somente para incutir medo nas pessoas, mas que também não compreendem a verdade ali contida.

Quando Jesus disse: ‘Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor!’, estava falando a uma multidão demonstrando que, não basta chamá-lo de Senhor, antes, é necessário fazer a vontade de Deus para poderem entrar no céu.

Jesus esclareceu os seus ouvintes sobre o que é necessário fazer para ter garantia da salvação quando demonstrou aos seus ouvintes que dizer ‘Senhor, Senhor’, não garante salvação. A garantia de salvação está em fazer a vontade do Pai celestial. Jesus não demonstrou somente o que não garante salvação e deixou por conta do homem decidir por si mesmo qual é a vontade de Deus. Não! Jesus veio ao mundo fazer a vontade do Pai e declarar ao homem qual é a vontade de Deus a ser realizada pelo homem para alcançar a salvação.

Qual é a vontade de Deus que, se o homem realizar, garante entrada nos céus?

Alguns pregadores, de posse deste verso arrematam dizendo que tais palavras têm por alvo aqueles que ‘professam’ publicamente com os lábios que crê em Cristo, mas que nunca se converteram genuinamente, alegando que confessar que creu em Cristo não redunda em salvação se o penitente não obedecer a Deus fazendo a sua vontade, o que gera confusão, pois não esclarecem qual é a vontade de Deus, ou pior, alegam que conformar-se com comportamentos estabelecidos pela sociedade como correto é realizar a vontade de Deus.

Uma coisa é certa: só entrará nos céus quem nascer de novo! Só entrará nos céus quem tiver obra superior a dos escribas e fariseus! Só entrará nos céus quem faz a vontade Deus! Ora, a vontade de Deus é especifica: que creiam em Cristo.

A obra de Deus, ou o mandamento de Deus, ou a vontade de Deus resume-se na seguinte frase: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ; Jo 6:29 ).

Ora, se a vontade de Deus é que os homens creiam em Cristo, quando Jesus disse que não basta dizer: -‘Senhor, Senhor’, mas que é necessário realizar a obra de Deus – a essência da mensagem de Cristo é que cressem n’Ele “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou ( Jo 6:29 ).

Fazer a vontade de Deus resulta em salvação, nunca o contrário, que a salvação resulta em fazer a vontade de Deus. Chavões como: ‘Tu não fazes a vontade de Deus para que sejas salvo, mas farás a vontade de Deus se és verdadeiramente salvo’, possui um equivoco tremendo.

Muitas vezes o pecador ouve que é pecador por ter sido gerado de Adão e que necessita de Cristo para ser salvo, e após o pecador crer que Jesus é o Filho de Deus que tira o pecado do mundo, tem a sua confiança desconstruída em função do argumento de que ‘o verdadeiro fruto da salvação é fazer a vontade de Deus’. Está é uma das artimanhas de Satanás que está ao derredor buscando a quem possa tragar. Este é um engano de perdição, pois crer em Cristo é a vontade de Deus, condição essencial para entrar no reino dos céus, quando o crente passa a estar em Cristo e Cristo no crente “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado” ( 1Jo 3:25 ).

Crer em Cristo como o Cristo de Deus que havia de vir ao mundo é o mesmo que estar em Cristo, portanto, quem crê torna-se nova criatura, pois basta crer em Cristo para o homem cumpra o mandamento de Deus.

Quando o carcereiro de Filipo perguntou ao apóstolo Paulo e a Silas o que deveria fazer para se salvar, a resposta foi especifica e categórica: creia no Senhor Jesus! “E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” ( At 16:30 -31).

Quem crê que Jesus é o Filho de Deus vence o mundo “Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” ( 1Jo 5:5 ). Em admitir que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que Deus o ressuscitou dentre os mortos está a salvação “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” ( Rm 10:9 ).

Quando se crê em Cristo, ou seja, quando se faz a vontade de Deus, o homem passa a estar ligado à videira verdadeira. Por ser uma vara ligada à videira é impossível não dar fruto “Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” ( Jo 15:4 -5; 1Jo 3:25 ).

Quando Jesus diz: ‘Estai em mim e eu em vós’, estava dizendo: – “Façam a vontade do Pai”; – “Creiam que Eu sou o enviado de Deus”; – “Realizem a obra de Deus”, pois qualquer que crê em Cristo passa a estar em Cristo e Cristo no crente. Para estar em Cristo basta crer em Cristo ( Jo 14:1 ), pois este é o mandamento de Deus que resulta em salvação, uma vez que Cristo foi enviado por Deus para que todo aquele que nele crê não pereça, antes tenha a vida eterna ( Jo 3:16 ).

O fruto que o crente produz é professar o nome de Jesus como salvador do mundo “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ). Fazer a vontade de Deus é crer em Cristo, e o fruto daquele que crê consiste em professar a Cristo, o fruto dos lábios, que não é o mesmo que ‘fruto da salvação’ ( Hb 13:15 ).

O mandamento é crer em Cristo, o fruto é anunciar as boas novas do evangelho, pois no fruto está a semente que produz vida. É um equivoco grotesco confundir o fruto dos lábios com o mandamento de Deus.

A evidência da salvação está em que Deus ressuscitou o Seu Filho dentre os mortos, e que todo o que obedece a Deus crendo em Cristo é salvo, pois o seu mandamento é crer em Cristo.

Se o Cristão crê que Jesus é o salvador do mundo, o Filho de Deus nascido na casa de Davi, que viveu sem pecado, foi morto e ressurgiu dentre os mortos e está assentado à destra do Pai nas alturas, está salvo, como se lê: “O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras, Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor” ( Rm 1:2 -4).

Não deixe que outra pessoa examine a autenticidade da tua salvação, antes prove, analise a si mesmo se permaneceis crendo em Cristo, pois Ele é a fé que havia de se manifestar e que nos foi manifesta ( Gl 3:23 ). Se o crente permanece crendo que Jesus é o Cristo conforme diz as Escrituras, é aprovado diante de Deus.

Se alguém tentar por em dúvida a salvação de quem creu em Cristo, basta fazer o recomendado pelo apóstolo Paulo aos cristãos de Corintos: Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” ( 2Co 13:5 ).

É por este motivo que o crente deve se interirar do que alcançou após ouvir o evangelho e crer em Cristo Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

Agora, se o cristão desconhece que está em Cristo e que Cristo está nele; se desconhece que é nova criatura por estar em Cristo; se desconhece que é templo, habitação do Espírito de Deus; se desconhece que é o corpo de Cristo; se desconhece que é luz no Senhor; se desconhece que é filho de Deus; se desconhecer que foi batizado na morte de Cristo; se desconhece que já ressurgiu com Cristo dentre os mortos; se desconhece que o Pai e o Filho vieram e fizeram nele morada, qualquer questão proveniente do anticristo demoverá tal cristão da sua fé e será achado reprovado “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” ( 2Co 13:5 ).

O cristão que não compreende que a vontade de Deus é crer em Cristo, ou que não compreende que crer em Cristo é suficiente para redundar em salvação, é comparável à semente caída a beira do caminho, suscetível de o maligno vir e arrebatar a semente, conforme lemos na parábola do semeador: “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho” ( Mt 13:19 ).

Se o crente crê que:

a. Era pecador porque era descendente de Adão, porque foi gerados em pecado ( Rm 3:23 );

b. Jesus foi enviado ao mundo para salvar a humanidade porque todos estavam alienados de Deus por causa da ofensa de Adão ( Jo 3:16 );

c. Jesus é o Verbo eterno que no princípio estava com Deus ( Jo 1:1 -2), e sendo Deus, esvaziou-se do seu poder e glória e tornou-se homem ( Fl 2:7 );

d. Jesus foi introduzido no mundo como o Unigênito Filho de Deus gerado no ventre de Maria pelo Espírito de Deus ( Jo 1:18 ; Mt 1:18 );

e. Jesus viveu entre os homens, foi participante de todas as aflições, porém, sem pecado ( Hb 2:17 );

f. Jesus foi crucificado, morreu, foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia e está assentado à destra de Deus nas alturas ( Rm 1:3 -4), significa que se arrependeu, ou seja, que a sua concepção foi mudada, transformada pela mensagem do evangelho e efetivamente salvo.

Há uma má leitura acerca do que é o arrependimento genuíno que também turva o entendimento de muitos cristãos. Arrependimento segundo a bíblia diz de mudança de concepção, de entendimento. Quando Jesus diz ao Fariseus: “… se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” ( Lc 13:5 ), estava demonstrando que, apesar de pensarem que estava em condição privilegiada diante de Deus por serem descendentes de Abraão, na realidade, se não mudassem a concepção que tinham, pereceriam do mesmo modo que aqueles gentios que os fariseus haviam acabado de emitir um julgamento.

Arrependimento não é confessar erros e crimes cometidos. Arrependimento não é ir a um confessionário. Arrependimento não é penitenciar-se. Arrependimento não é remorso. Arrependimento, ‘metanoia’ no grego, é deixar de ter um conceito para abraçar uma nova compreensão.

Os fariseus acreditavam que era salvos por serem descendentes de Abraão, porém, se um fariseu se arrependesse, deveria substituir a concepção de que era salvo por ser descendente de Abraão pela concepção de que a salvação se dá em Cristo, o descendente prometido a Abraão. É por isso que João Batista disse aos escribas e fariseus: – “Arrependei-vos. Ou seja, mudem a concepção de vocês, pois para ser salvo não basta pensar que tendes por pai a Abraão, pois das pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”; “Mude a concepção de vocês, pois o reino de Deus está entre vós”.

Dizer: – ‘Senhor, Senhor’, é portar-se como alguns judeus que diziam crer em Cristo ( Jo 8:31 ), mas que ao serem questionados, apresentaram a sua real crença: “Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?” ( Jo 8:33 ).

Apesar de muitos judeus crerem em Cristo, criam ao seu modo, pois entendiam que Cristo era um dos profetas, ou que era somente um dos filhos de José e Maria. Eles não criam em Cristo como o descendente prometido a Davi; não criam que Cristo é superior a Abraão; não criam que Cristo existia antes de Abraão; não criam que Jesus é o Eu Sou ( Jo 8:53 ).

Os judeus criam em Deus, porém, não queriam obedecê-Lo, por isso Jesus disse aos seus discípulos: “Crede em Deus, crede também em mim” ( Jo 14:1 ). O protesto de Tiago quanto ao posicionamento dos judeus é claro: “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem, e estremecem”( Tg 2:19 ). Mas, por que Tiago protestou deste modo? Porque o mandamento de Deus é que os homens creiam em Cristo, e quem, na verdade, crê em Deus, deve crer em Cristo “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou”( Jo 12:44 ). Se não crer em Cristo, na verdade não crê em Deus “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou” ( Jo 5:23 ).

Crer é suficiente e crer é o exigido para a salvação da alma. Quando alguém alega que ser salvo ‘não é apensas crer, antes que há um crer específico’ somente trás entrave à compreensão.

Qual é o tipo de crença que é para a salvação da alma?

Ora, crer que Jesus veio em carne é o tipo de crença que é para salvação da alma, mas crer que Jesus não veio em carne é uma crença de perdição fomentada pelo anticristo “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo” ( 2Jo 1:7 ; 1Jo 4:2 ).

Crer que Jesus foi crucificado, morreu e ressurgiu dentre os mortos é o tipo de crença que redunda em salvação da alma,  mas crer que Jesus não morreu ou que não ressuscitou dentre os mortos, é o tipo de crença que não livra da condenação ( 1Co 15:3 -4).

Crer que o Jesus de Nazaré é o Cristo, o Filho de Deus, é o tipo de crença que é para salvação, mas negar que Jesus é o Cristo é o tipo de crença que não redunda em salvação.

Crer que Jesus é o Eterno, o mesmo ontem hoje e eternamente, é o tipo de crença para salvação, mas crer que Jesus é um anjo ou arcanjo, não redunda em salvação.

Confessar, admitir que Jesus é o Filho de Deus é o tipo de crença que redunda em salvação, mas crer que Jesus nasceu de Maria e José é o tipo de crença que não é conforme a verdade do evangelho, portanto, não redunda em salvação.

Crer que Jesus faz milagres, que é um dos profetas, o maior mestre que já existiu, que é o maior psicólogo, o homem mais bondoso que já passou pela terra, que resolve problemas mil, etc., não é o tipo de crença que redunda em salvação, antes é salvo aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus que tem palavras de vida eterna “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:24 ).

Os judeus tropeçaram na pedra de tropeço porque não reconheceram que Jesus era o filho de Davi, portanto, o Filho de Deus, o cerne da confissão cristã “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” ( Mt 16:16 ). Se admitisse que Jesus era o Filho que Deus prometeu a Davi, concomitantemente teriam que admitir, segundo as Escrituras que Jesus era o Filho de Deus ( 2Sm 7:13 -14; Sl 2:7 ). A confissão da irmã de Lázaro, Marta, estava em consonância com a declaração do apóstolo Pedro: “Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio
que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” ( Jo 11:27 ).

A conversão do homem decorre da pregação da mensagem do evangelho, semelhante ao que se deu com os habitantes de Nínive que, ao ouvirem a mensagem do profeta Jonas, se converteram ( Lc 11:32 ). A conversação não possui relação com o tipo de programa que o cristão assiste na televisão; com o traje do homem ou da mulher; com a aparência física; com o cabelo, se curto ou longo; com enfeites, brincos, perfumes, etc., antes a conversão está atrelada à confissão do evangelho.

Outro equivoco decorrente de uma má leitura das Escrituras é a ideia de que uma pessoa só pode crer verdadeiramente quando se ‘arrepender’ sentido pesar, remorso, tristeza pelos erros de condutas cometidos. Ora, ‘arrepender-se’ é o mesmo que crer na verdade do evangelho, pois o crer em Cristo para salvação só é possível quando o homem abandona (metanoia) os seus próprios conceitos quanto à salvação.

Por exemplo: Quando o evangelista Mateus narra a parábola dos dois filhos contada por Jesus aos fariseus, foi demonstrado que os publicanos e as meretrizes creram na mensagem de João Batista, mas os religiosos, apesar de ver tamanha maravilha, os pecadores crendo, não mudaram a concepção para crer na mensagem de João Batista “… nem depois vos arrependestes para o crer” ( Mt 21:32 ).

Uma evidencia de que os fariseus não creram na palavra de João Batista é que eles não mudaram a confissão, pois apesar de ouvirem que o reino de Deus estava próximo, continuavam dizendo que eram descendentes de Abraão. Se houvessem arrependimento, deixariam de fazer alusão a Abraão e passariam a confessar que Jesus é o Cristo.

Os fariseus não se arrependeram (metanoia) porque não creram, e não creram porque não mudaram a concepção que aprenderam dos seus pais (não se arrependeram). É necessário cuidado para não confundir ‘metanoia’ (arrependimento) com a concepção católica da penitência derivada da indulgencia que ainda permeia o significado da palavra ‘arrependimento’.

Para ser salvo é necessário que o Espírito Santo convença o homem do pecado, da justiça e do juízo. O convencimento do pecado que o Espírito Santo promove não decorre de questões legalista, moralista ou formalista. O convencimento do pecado que o Espírito Sato promove é conscientização segundo as Escrituras, de que :

– o homem é pecador por causa da desobediência de Adão; que a ofensa de Adão trouxe juízo sobre todos os homens para condenação.

– o juízo de Deus já foi estabelecido no Éden, trazendo condenação sobre todos os homens.

– a justiça de Deus é substituição de ato, a obediência de Cristo pela ofensa de Adão, e não por questões comportamentais.

As religiões buscam demonstrar que o homem é pecador através de questões morais e legais, mas a bíblia demonstra que todos se tornaram pecadores por causa de uma única ofensa “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”  ( Jo 16:8 ).

Quando se crê em Cristo, o homem passa da morte para vida. Quando se crê, o homem entra pela porta estreita. Quando se crê, o homem passa estar em Cristo, o caminho estreito que conduz o homem a Deus. Basta estar em Cristo que o homem passou a estar separado do pecado e unido a Deus.

O homem é salvo pelo evangelho, que é poder de Deus para salvação de todo que crê.

Quando dizemos que o homem é salvo pela fé, estamos dizendo que o homem é salvo por meio do evangelho, pois o evangelho é a fé que foi dada aos santos, pois foi manifesta na plenitude dos tempos ( Jd 1:3 ; Gl 3:23 ).

O homem é salvo pela pregação da fé, que é dom de Deus. Quando o homem ouve o evangelho e crê, obedeceu a fé, o que lhe dá poder de ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ). A crença (fé) genuína decorre da obra que Jesus realizou no Calvário (obediência) que redundou em sua ressurreição dentre os mortos.

Ser salvo é crer que Jesus morreu pelos pecadores para remi-los da condenação herdada de Adão.

Entretanto, milhares, sim, talvez milhões de religiosos, que são membros de igrejas, que dizem que invocam ao Senhor, ficarão chocados quando forem rejeitados por Deus. Por que? Porque alguns creem em Cristo ao seu modo, e não conforme as Escrituras “E saiu Jesus, e os seus discípulos, para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou aos seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou? E eles responderam: João o Batista; e outros: Elias; mas outros: Um dos profetas” ( Mc 8:27 -28). Outros porque não perseveraram crendo em Cristo conforme as Escrituras, antes se desvaneceram em seus próprios conceitos, rejeitando a verdade do evangelhoNão rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” ( Hb 10:35 -36), pois a promessa de Cristo é especifica aos que creem em seu nome: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” ( 1Jo 2:25 ); “A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” ( At 10:43 ); “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” ( Jo 1:12 ).

Crer que Jesus é o Filho de Deus é suficiente para alcançar a salvação, porém, é necessário guardar esta confiança até o fim, pois esta é a admoestação do apóstolo Paulo “Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão” ( 1Co 15:2 ). Depois de ter feito a vontade de Deus, que é crer em Cristo, basta a perseverança até o fim para alcançar a promessa: a vida eterna!

O objetivo do evangelho e das Escrituras é que o homem creia que Jesus de Nazaré é o Cristo “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ).

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Nunca jamais tropeçareis

Para que Cristo ocupasse posição mais elevada (preeminência), antes que todas as coisas viessem à existência, Deus predestinou a geração de Cristo para serem filhos, que na adoção, serão semelhantes a Ele ( Rm 8:23 ). Cristo conduz a Deus muitos filhos, que por serem gerados da semente (descendentes, rebento) incorruptível, são eleitos para serem santos e irrepreensíveis e predestinados a serem conforme a imagem do Seu Filho, Jesus Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ; Hb 2:10 ).


“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” ( 2Pe 1:10 )

 

Tornar-se um crente em Cristo é apenas o começo de uma vida nova e em comunhão com Deus. A comunhão com Deus se dá ao crer em Cristo conforme diz as Escrituras ( Jo 3:15 ), porém, se faz necessário ao crente prosseguir em conhecer a Cristo ( Os 6:3 ).

Essencialmente, ser um crente em Cristo é ter a certeza que:

  1. Todos os homens são pecadores porque são descendentes de Adão, gerados em pecado ( Rm 3:23 );
  2. Jesus foi enviado por Deus ao mundo para salvar a humanidade porque todos estavam alienados de Deus por causa da ofensa de Adão ( Jo 3:16 );
  3. Jesus é o Verbo eterno que no princípio estava com Deus ( Jo 1:1 -2), e sendo Deus, esvaziou-se do seu poder e glória e tornou-se homem ( Fl 2:7 );
  4. Jesus foi introduzido no mundo como o Unigênito Filho de Deus gerado virginalmente no ventre de Maria pelo Espírito de Deus ( Jo 1:18 ; Mt 1:18 );
  5. Jesus viveu entre os homens, foi participante de todas as aflições, porém, sem pecado ( Hb 2:17 );
  6. Jesus foi crucificado, morreu, foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia e está assentado à destra de Deus nas alturas ( Rm 1:3 -4).

Os pontos elencados acima é um resumo das boas novas que Jesus apresentou aos homens, e aquele que ouve e crê, ‘perde’ a vida herdada de Adão para ganhar uma nova vida ( Mt 10:39 ).  Quem creu em Cristo ‘tomou’ a sua própria cruz, seguiu após Cristo, foi crucificado juntamente com Ele, morreu e ressurgiu dentre os mortos ( Mt 10:38 ; Cl 3:1 ).

O ressurgir com Cristo dentre os mortos é o novo nascimento! É nascer da água e do Espírito, ou seja, de Deus e da sua Palavra ( Cl 3:1 ; 1Pe 1:3 e 23).

O crente em Cristo é nascido de Deus, pois ao crer em Cristo recebe poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ). Esta ‘criança’ recém-nascida pertence a uma nova geração, a geração eleita, a geração de Cristo (último Adão), que contrasta com a geração ‘perversa’, a geração de Adão ( 1Pe 2:9 ).

Apesar do crente em Cristo continuar em um corpo mortal sujeito às provações, tentações, vicissitudes e aflições desta vida, por ter recebido poder de ser criado (feito) filho de Deus, é um ser espiritual, pois os nascidos do Espírito são espirituais ( Jo 3:9 ; 1Jo 4:17 ; 1Co 15:48 ). Ao ressurgirem com Cristo compartilham da glória de Cristo, porque para este propósito foram de novo gerados “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” ( Jo 17:22 ; 2Pe 1:4 ).

Antes de criar o homem, Deus tinha um propósito eterno: que o Verbo eterno que seria introduzido no mundo como o Filho Unigênito de Deus, ao retornar à Sua glória, ocuparia a posição mais elevada em relação a todos (preeminência), pois foi do agrado de Deus elevar o Verbo eterno acima de todo o seu nome ( Sl 138:2 ; Ef 1:21 ); “Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:11 ); “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ); “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:9 -10).

Antes da criação do homem e de todas as coisas, Deus propôs algo em Si mesmo. A vontade de Deus era um mistério, mas na plenitude dos tempos, quando Cristo foi introduzido no mundo dos homens, foi revelado que a vontade de Deus é congregar em Cristo todas as coisas.

Quando Deus criou o homem, criou Adão segundo o propósito que havia estabelecido em Si mesmo, ou seja, em Cristo, porém, quando Adão desobedeceu ao mandamento no Éden, distanciou-se de Deus (pecado), ficando aquém do propósito de Deus (a preeminência de Cristo).

Além de ficar aquém do propósito eterno que Deus havia estabelecido na eternidade, surgiu o problema da ofensa e as suas consequências ( Rm 5:18 -19). Observe que o homem foi criado em função do propósito eterno de Deus, e que a ofensa de Adão é um evento posterior ao propósito estabelecido na eternidade.

O ‘distanciar-se’ de Deus através da ofensa de Adão é o que se denomina pecado, e todos os que são gerados segundo a semente de Adão, a semente corruptível, estão em pecado, ou seja, mortos, alienados de Deus. São filhos da ira, filhos da desobediência, escravos do pecado, vasos de desonra, plantas que o Pai não plantou, etc.

Quando o homem crê em Cristo, o velho homem gerado em Adão é crucificado e morto e a justiça de Deus é estabelecida. É na morte com Cristo que se dá a justiça de Deus, pois se cumpre a palavra: “A alma que pecar, esta morrerá” ( Ez 18:4 ; Rm 6:7 ).

Observe que a pena estabelecida no Éden jamais passa da pessoa do transgressor, pois quem crê é morto e sepultado para que não sirva mais o pecado ( Rm 6:6 ).

Mas, quando alguém morre e é sepultado com Cristo à semelhança da Sua morte e sepultura ( Rm 6:5 ), ocorre um milagre, pois o mesmo poder que trouxe Jesus dentre os mortos é o que opera sobre o homem ( Ef 1:19 -20), momento que é gerada um nova criatura, ressurreta dentre os mortos ( Cl 3:1 ).

É na morte e ressurreição com Cristo que o problema do pecado é resolvido, pois a barreira de separação é desfeita. O homem gerado de novo recebe de Jesus a mesma glória que o Pai concedeu a Cristo ( Jo 17:22 ).

Como no Éden se instalaram dois problemas: a) o homem distanciou-se de Deus, e; b) ficou aquém do propósito estabelecido em Cristo, quando o novo homem ressurge com Cristo dentre os mortos, o problema do distanciamento entre Deus e o homem é anulado, pois se tornou um com Cristo e o Pai ( Jo 17:11 ), concomitantemente, por ser uma nova criatura, está apto para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo de fazê-lo preeminente.

Todos os homens gerados de Adão estavam distantes de Deus, e por serem filhos da ira e da desobediência, não estavam à altura do proposito que Deus estabeleceu em Cristo: a preeminência d’Ele em tudo. Para levar a efeito o propósito de convergir em Cristo todas as coisas, Deus providenciou salvação graciosa a todos os homens através de Cristo conforme as riquezas do evangelho “… antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou…” ( 2Tm 1:8 -9 ).

Depois de resolvido o problema do pecado proveniente da ofensa de Adão através do poder contido no Evangelho, todos os que são gerados de novo em Cristo são chamados com uma santa vocação para serem conforme a imagem do Seu Filho, de modo que, por estarem em Cristo, são filhos de Deus e inculpáveis “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

O homem é salvo do pecado segundo o poder que há no evangelho ( 1Co 1:18 ; 2Tm 1:8 ), e é chamado com santa vocação em função do propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo.

Como o pecado era um entrave ao propósito estabelecido, primeiro há a redenção do homem do poder do pecado por meio do evangelho, e em seguida, o salvo é chamado em vista do propósito de Deus que há em Cristo Jesus. Muitos equívocos surgem quando se analisa o evangelho de Cristo sem levar em conta o propósito eterno de Deus.

Para levar a efeito o seu propósito eterno, antes que houvesse mundo, Deus escolheu (elegeu) e chamou a descendência de Cristo com uma santa vocação para que os gerados de novo (que são santos e irrepreensíveis diante d’Ele, o que contrasta com a condição da geração de Adão, que é corrompida e perversa), sejam filhos de Deus possibilitando a primogenitura do Cristo ressurreto, que foi introduzido no mundo como o Unigênito de Deus.

É dado aos que creem em Cristo, não só serem salvos da condenação que há no mundo, mas também é concedido aos que creem fazerem parte do propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo. Quando Deus disse: – “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”, estava colocando em curso o seu eterno propósito, pois em Cristo o homem é gerado de novo para ser conforme a imagem de Cristo, para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Acerca destes eventos escreve o apóstolo Paulo: “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” ( Ef 1:18 ). A graça concedida aos que estão em Cristo é superior a dos crentes da antiga aliança, pois há uma vocação especifica e uma herança de glória específica da qual todos que estão em Cristo são participantes.

Para que Cristo ocupasse posição mais elevada (preeminência), antes que todas as coisas viessem à existência, Deus predestinou a geração de Cristo para serem filhos, que na adoção, serão semelhantes a Ele ( Rm 8:23 ). Cristo conduz a Deus muitos filhos, que por serem gerados da semente (descendentes, rebento) incorruptível, são eleitos para serem santos e irrepreensíveis e predestinados a serem conforme a imagem do Seu Filho, Jesus Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ; Hb 2:10 ).

Através de Cristo, os que morrem e ressurgem com Ele tornam-se membros do corpo de Cristo, e Ele é a cabeça. Os que ressurgiram dentre os mortos tornam-se filhos de Deus para que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos. Na condição de primogênito da nova geração e cabeça de um corpo formado de homens ressurretos dentre os mortos semelhantes a Ele, Cristo é preeminente em tudo!

Cristo tem a preeminência ao assumir a condição de cabeça do seu corpo, que é a igreja. Cristo é preeminente, quando assume a posição de primogênito entre aqueles que são semelhantes a Ele, ou seja, entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ; 1Jo 3:1 -3).

Quando introduzido no mundo, Jesus foi, em tudo, semelhante aos homens ( Hb 2:17 ). Quando de volta a sua glória, o Cristo ressurreto herdou nome mais excelente e é superior aos anjos ( Hb 1:4 ), concomitantemente, conduziu à glória de Deus muitos filhos semelhantes a Ele ( Hb 2:10 ), e entre os filhos de Deus Jesus é o primogênito, ou seja, ocupa posição mais elevada (preeminente).

Para que Cristo se tornasse primogênito entre muitos irmãos, Deus predestinou os que são salvos segundo o evangelho a serem conforme a imagem do seu Filho ressurreto ( Rm 8:29 ). É em função do proposito que Deus estabeleceu em Si mesmo que os que são predestinados a serem filhos por adoção ( Ef 1:5 ).

É em função desta maravilha concernente aos filhos de Deus que toda a criação está na expectativa de como serão os filhos de Deus, pois qual Cristo é há de ser todos quantos creem em Cristo segundo a verdade do evangelho ( Rm 8:19 ; 1Jo 3:1 -2).

Como será a maravilha da adoção ( Rm 8:23 ), visto que Cristo é mais sublime que os céus? ( Hb 7:26 )

A condição dos cristãos como membros do corpo de Cristo é superior à dos anjos, e como cabeça do corpo, Cristo é preeminente. É em função deste propósito que o crente é chamado e eleito. É sobre o propósito de Deus em tornar Cristo preeminente que o cristão deve, cada vez mais, fazer firme a vocação e eleição “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” ( 2Pe 1:10 ).

Ora, se os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis, por que é necessário fazer firme a vocação e eleição? “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” ( Rm 11:29 ).

Que ‘dons’ são irrevogável? Neste verso o apóstolo Paulo não estava tratando dos dons do Espírito Santo, antes apresentou um princípio relativo às promessas de Deus. Por exemplo: embora os judeus tenham rejeitado o evangelho, contudo, por causa da promessa que Deus fez a Abraão, Israel será salvo após o termino da ‘plenitude dos gentios’ ( Rm 11:25 -26). Os judeus são inimigos do evangelho, porém, como Deus deu a sua palavra a Abraão, a eleição segundo a promessa é irrevogável “Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o SENHOR teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” ( Dt 9:5 ; Rm 11:28 ).

Como Deus anunciou primeiramente o evangelho a Abraão, dizendo: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”, o que foi prometido a Abraão é irrevogável, de modo que através do descendente de Abraão, que é Cristo – dom de Deus, dom celestial – é concedida salvação ao mundo por meio do evangelho “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ); “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” ( Jo 4:10 ; Hb 6:4 ; Ef 2:8 ; Ef 4:7).

Se a eleição do povo de Israel é irrevogável pela promessa que Deus fez a Abraão, Isaque e Jacó, quanto mais a eleição da descendência de Cristo segundo o propósito eterno estabelecido em Cristo! Se Deus chamou à existência um povo, de um homem já velho e de uma mulher estéril e em avançada idade (Sara e Abraão) em virtude da promessa de um descendente feita a Abraão ( Gl 3:16 ), Deus não chamaria a existência um povo especial através da semente incorruptível do último Adão para levar a efeito o seu propósito eterno? ( Tt 2:14 ; 2Co 6:16 )

Ora, a igreja de Cristo é o povo chamado à existência através do renovo justo prometido a Davi. Através do renovo (semente, descendência) justo, que é Cristo, Deus chamou a existência uma nova geração de homens espirituais, uma geração eleita para ser santa e irrepreensível, predestinada a serem conforme a imagem de Cristo, segundo o eterno propósito estabelecido em Cristo.

Como fazer mais firme a ‘nossa’ eleição e vocação? Há um risco real dos cristãos tropeçarem?

Há uma corrente doutrinária que afirma que a salvação se dá segundo a predestinação, em que Deus escolheu alguns homens caídos para salvar do pecado e restaurado a comunhão com Ele.

Se a eleição é incondicional de modo que Deus predestina alguns à salvação e outros à perdição, por que é necessário aos irmãos em Cristo fazerem cada vez mais firme a vocação e eleição? Se a eleição de alguns à salvação se deu na eternidade, como fazer mais firme o que já foi estabelecido?

Há a eleição, a predestinação e uma vocação, porém, a abordagem de Pedro não se refere à salvação em Cristo, antes ao propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo.

Deus chamou, elegeu e predestinou a descendência de Cristo para o seu proposito estabelecido antes dos tempos dos séculos, pois Deus chama as coisas que não são como se já fossem “(Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem” ( Rm 4:17 ).

Há uma geração eleita, uma semente escolhida, e esta eleição e vocação é irrevogável, pois está intimamente ligada ao propósito eterno de Deus. Ora, se a eleição, a vocação e a predestinação estão ligadas ao propósito de fazer o Cristo proeminente em todas as coisas, segue-se que a salvação não é determinada por vocação, eleição ou predestinação.

A abordagem do apóstolo Pedro trata de indivíduos que, após crerem em Cristo por intermédio da mensagem do evangelho são gerados de novo e passam a fazer parte da geração eleita, pois são gerados de uma semente incorruptível.

O propósito de Deus ao chamar a descendência do último Adão é irrevogável, pois Ele estabeleceu que Cristo é primogênito (preeminente) entre muitos irmãos.

É necessária muita atenção ao interpretar algumas passagens bíblicas, pois a ‘vocação’ de Deus não se refere ao velho homem, aos filhos da ira, aos filhos da desobediência, aos descendentes de Adão. A vocação refere-se aos que estão em Cristo, portanto, aos cristãos. É por isso que o apóstolo Pedro diz aos ‘irmãos’ para fazerem mais firme a vocação eleição.

Se a salvação fosse através da vocação e eleição, o correto seria o apóstolo Pedro fazer a recomendação do verso 10 do primeiro capítulo da segunda carta aos não crentes, pois os incrédulos são os que necessitam de salvação. Mesmo assim haveria uma contradição entre o recomendado pelo apóstolo e a doutrina da eleição incondicional, ou da predestinação absoluta.

A salvação é pela graça de Deus, e, por sua vez, a vocação e eleição diz das riquezas da graça. Cristo é a graça de Deus manifesta a todos os homens, já a riqueza da graça será revelada em um tempo futuro, pois está atrelada a ‘adoção’, ou seja, a redenção do corpo “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” ( Tt 2:11 ; 1Pe 1:20 ;  ); “Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus” ( Ef 2:7 ; 1Jo 3:2 ).

Estar em Deus ou não, é condição que decorre de linhagem. Como Deus estabeleceu um renovo justo (nova linhagem) através de Cristo, o descendente de Davi, Deus está na linhagem de Cristo, o Justo ( Sl 14:5 ; Jr 33:15 ; Is 60:21 ; Sl 112:2 ). Deus chamou a linhagem de Cristo para o seu eterno propósito estabelecido em Si mesmo ( Ef 1:9 ; Ef 3:11 ), de modo que, para o propósito estabelecido em Cristo é necessário nascer de novo através do poder que há no evangelho.

Aquele que está em Cristo nova criatura é, por isso o apóstolo Paulo diz: “Por isso também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação, e cumpra todo o desejo da sua bondade, e a obra da fé com poder” ( 2Ts 1:11 ). Qual a vocação que o apostolo orava para que Deus os fizesse dignos? A vocação que faz o Cristo preeminente em tudo, pois esta é a vontade de Deus.

Basta analisar o contexto de segunda Tessalonicenses, capítulo 1 verso 11, para verificar que Cristo virá para ser glorificado naqueles que lhe pertencem, e que Ele se fará admirável através dos que creram no evangelho ( 2Ts 1:10 e 12).

É por isso que o apóstolo ora a Deus para que Ele faça os cristãos dignos da sua vocação (fazer-se admirável nos que creem) e que o desejo de Deus se cumpra ( 1Tm 2:4 ), pois esta é a obra do evangelho (fé) que é poder de Deus, pois o objetivo da maravilhosa graça, além da redenção, é que Cristo seja glorificado nos que creem e os que creem sejam glorificados em Cristo ( 1Ts 1:12 ).

Somente a nova criatura está à altura do propósito que Deus estabeleceu em Cristo, pois somente os de novo gerados em Cristo glorificam-no e n’Ele são glorificados “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

A ação de Deus ‘chamar’ é irrevogável, pois Ele chamou a geração eleita para o seu propósito. A geração segundo a carne de Adão, por sua vez, foi reprovada para o propósito de Deus, uma vez que a ofensa trouxe condenação sobre todos os homens, tonando-os escusáveis para o propósito eterno. Nenhum dos descendentes da carne de Adão são eleitos para a salvação, pois os descendentes da carne de Adão, para serem eleitos, precisam morrer para ressurgir com Cristo, quando fará parte da geração eleita.

Os cristãos de Éfeso passaram a estar em Cristo somente após ouvirem (crerem) o evangelho. Não há como crer e ser salvo se não houver quem anuncie que o Cristo ressurgiu dentre os mortos pelo poder de Deus “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação?” ( Rm 10:8 -16 ).

Observe que a salvação advém de obedecer à mensagem do evangelho, pois o evangelho é o poder de Deus para salvação dos que creem ( 1Co 1:18 ; Jo 1:12 ). Já o propósito eterno de fazer Cristo preeminente em tudo está atrelado à vocação e eleição de todos que estão em Cristo.

Há uma grande diferença entre a igreja de Cristo e o povo de Israel com relação à vocação e eleição. O povo de Israel foi escolhido para o próprio Deus preservar a linhagem do Cristo que havia de vir ao mundo, e Deus trouxe o povo à existência segundo a promessa feita a Abraão, mas para serem salvos deviam crer em Deus assim como o crente Abraão ( Rm 9:4 -9). O indivíduo pertencia à nação de Israel, entretanto, não era salvo, visto que o povo de Israel foi preservado para Deus cumprir a promessa feita a Abraão.

Com relação à igreja de Cristo, para ser eleito e vocacionado, necessariamente tem que estar em Cristo, portanto, ser salvo. Isto porque Deus chamou, elegeu e predestinou a geração de Cristo segundo o seu eterno propósito, mas para pertencer a geração de Cristo é necessário nascer de novo, portanto, é necessário crer em Cristo.

Por exemplo: Abraão creu em Deus e isso lhe foi por justiça ( Gl 3:6 ), já os cristãos creem no descendente prometido a Abraão, que disse: “Crede em Deus, crede também em mim” ( Jo 14:1 ). A promessa aos que creem em Cristo é superior, pois os que creem em Cristo possuem vocação celestial, enquanto Abraão e os seus descendentes segundo a carne possuem uma vocação terrena.

Não é dado a Abraão e a sua descendência segundo a carne serem conforme a imagem de Cristo, mas os remidos em Cristo segundo a fé que teve Abraão é concedido serem conforme a imagem de Cristo, pois a igreja de Cristo é formada de pessoas que morreram e ressurgiram dentre os mortos com Cristo para serem semelhantes a Ele.

O evangelho de Cristo redime o homem da perdição do pecado e, após ser gerado de novo, os que creram são participantes de Cristo, portanto, fazem parte do propósito que Deus estabeleceu em Cristo. Na condição de descendência de Cristo o cristão é vocacionado, eleito e predestinado, daí a ordem para fazer ‘mais’ firme a vocação e eleição.

Como fazer mais firme a vocação e eleição? Basta ao crente perseverar crendo em Cristo como diz as Escrituras, pois quem não persevera na doutrina não tem comunhão com o Pai e o Filho e, se não há comunhão com Deus, está separado, aquém do proposito estabelecido em Cristo “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” ( 2Jo 1:9 ); “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” ( Tg 1:25 ); “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” ( 1Tm 4:16 ); “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo” ( Mt 24:13 ).

Mas, para perseverar crendo é necessário seguir a recomendação do escritor aos hebreus: “Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas” ( Hb 2:1 ).

Em função dos riscos que rondam o cristão é imprescindível ser diligente em compreender a graça proveniente do evangelho, pois os cuidados desta vida, a sedução das riquezas, a angustia e a perseguição por causa da palavra, a oposição do inimigo, etc., só serão superados por aqueles que estiverem firmados sob o fundamento dos apóstolos e dos profetas ( Mt 13:18 -23; Ef 2:20 ).

Quando o apóstolo Pedro recomendou fazer ‘mais’ firme a eleição e vocação, tinha o mesmo propósito do escritor aos Hebreus: que os cristãos ficassem atentos ao que haviam ouvido “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 2Pe 1:19 ).

O escritor aos hebreus perguntou aos seus interlocutores como seria possível escapar da condenação se não atentassem diligentemente para o evangelho que inicialmente foi anunciado por Cristo ( Hb 2:3 ; Ex 19:5 ). Quando se crê no evangelho o homem torna-se participante de Cristo e deve reter firmemente a confiança na mensagem do evangelho até o fim “Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” ( Hb 3:6 ; Hb 3:14 ).

O imperativo ‘perseverai’ ecoa por todas as cartas dos apóstolos, pois perseverar na doutrina de Cristo é cuidar de si mesmo e batalhar pela fé (doutrina), de modo que o cristão salva se a si mesmo e os que o ouvem “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” ( 1Tm 4:16 Jd 1:3 ).

Tiago demonstra que é necessário atentar bem para o evangelho e perseverar. Aquele que ouve a mensagem do evangelho e faz conforme o mandamento de Deus crendo no enviado de Deus é bem-aventurado “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” ( Tg 1:25 ).

Aquele que crê é fazedor da obra, pois a obra de Deus é crer em Cristo ( Jo 6:29 ; 1Jo 3:23 ). Após obedecer a verdade do evangelho, basta perseverar crendo em Cristo, pois a perseverança é a obra perfeita do evangelho (fé) (Tg 1:4 ). É imprescindível inteirar-se da verdade do evangelho.

O escritor aos Hebreus é específico: “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” ( Hb 3:14 ). Aquele que não retém o evangelho, prevarica, portanto, não tem o Pai e o Filho “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” ( 2Jo 1:9 ).

O apóstolo Paulo é o exemplo a ser seguido, pois declarou no final do seu ministério que havia acabado a carreira e guardado a fé (evangelho), ou seja, perseverou até o fim guardando o princípio da Sua confiança “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” ( 2Tm 4:7 ); “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” ( Fl 1:27 ).

O perigo das heresias ronda os recém-nascidos de modo que a recomendação para os neófitos na fé é que desejem afetuosamente o ‘leite racional’ para que cresçam, pois a carreira proposta ao cristão é chegar a medida da estatura de Cristo, a varão perfeito ( 1Pe 2:2 ; Ef 4:13 ).

Por que a recomendação para crescer? Porque um ‘menino’ na fé corre o risco de ser levado em roda por todo o vento de doutrinas fomentadas por homens que, com astucia, enganam fraudulosamente ( Ef 4:14 ). Já o ‘adulto’ tem os sentidos exercitados e consegue, através da palavra da verdade, discernir e rejeitar o engano das falsas doutrinas “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” ( Hb 5:14 ).

O escritor aos Hebreus repreendeu os seus interlocutores por causa da negligencia com relação ao evangelho, visto que pelo tempo decorrido no evangelho, já eram para serem mestres, porém, ainda estavam como crianças ( Hb 5:12 ). Observe que os interlocutores da carta aos Hebreus ainda não compreendiam os princípios elementares do evangelho ( Hb 6:1- 2).

A recomendação do apóstolo Pedro quanto a fazer mais firme a vocação e a eleição era para que todos os cristãos alcançassem a perfeição, ou seja, que chegassem à ‘unidade da fé’ tendo a mesma compreensão que os apóstolos detinham com relação à mensagem do evangelho. O crente é ministro do espírito, portanto, deve estar num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho, pois o evangelho é espírito e vida ( Jo 6:63 ; 2Co 3:6 ).

Se o crente não for diligente em analisar as Escrituras, não crescerá, e estará suscetível ao fascínio de homens corruptos de entendimento ( Gl 3:1 ; 2Tm 3:8 ). O alerta é claro: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor” ( 1Co 1:9 ), mas se houver algum incrédulo que se aparte do evangelho ( Hb 3:12 ), Deus permanece fiel, de modo que negará o infiel diante do Pai ( Rm 3:3 ; 2Tm 2:12 -13).

É necessário chegar ao pleno conhecimento de Cristo, o seja, seguindo Cristo (verdade) em obediência (amor). Somente os que crescem em tudo estão aptos à identificar os hereges, combater os fomentadores de falsas doutrinas, rejeitar as vãs filosofias, etc. “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” ( Ef 4:15 ).

Um dos fundamentos da doutrina do evangelho é crer em Cristo como o descendente de Davi, que foi morto e ressurgiu dentre os mortos para gloria de Deus ( 2Tm 2:8 ). Mas, há os que se desviam da verdade e que se põe a proclamar que não há ressurreição dos mortos ( 2Tm 2:18 ; 1Co 15:12 ), ou seja, estes não fizeram firme a vocação e eleição ( 2Tm 2:18 ; 1Tm 6:20 -21; 1Tm 5:15 ; 1Tm 6:10 ).

Quando o apóstolo Paulo conclama a ser firme e constante, sempre abundante na obra do Senhor, ele tem em vista a semente incorruptível, que é a palavra de Deus. A semente é livre de corrupção, porém, há os réprobos quanto à fé, que semeiam joio em lugar da boa semente. Os réprobos se apresentam como mestres, porém a ‘sabedoria’ que expõe não vem do alto, antes é terrena e maligna ( Tg 3:15 ).

É no evangelho que o cristão deve ser diligente, perseverante, paciente, firme, obediente, o que promove a produção de fruto ( Jo 15:4 ). Se não há fruto é porque é cego e se esqueceu da eficácia do evangelho, de modo que, se o cristão não for ocioso, omisso, prevaricar quanto a conhecer o evangelho, jamais tropeçará na palavra da verdade, tornando firme a vocação e eleição.

Somente permanecendo no evangelho de Cristo a entrada no reino dos céus é garantida. Mas, desviar-se da verdade é perdição, e ao mesmo tempo é abrir mão do premio que há na soberana vocação de ser participante do propósito que Deus estabeleceu em Cristo.

O premio que Deus proporciona ao homem quando crê em Cristo é ter um corpo conforme o de Cristo Jesus quando da adoção “Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” ( Fl 3:21 ; Rm 8:23 ).

O crente tem que estar firme na seguinte verdade: “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ). Qualquer que ouviu a mensagem do evangelho e creu, passa a estar em Cristo, ou seja, é nova criatura, de modo que a salvação decorre do evangelho, a maravilhosa graça de Deus.

Quem crê na mensagem do evangelho, que é a fé dada aos santos e não se demove é santo, irrepreensível (eleição) e inculpável (vocação, filiação) “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” ( Cl 1:22 -23 ).

Somente através do evangelho é dado entendimento para compreender qual é a esperança da vocação, e o que os santos herdarão ( Ef 1:19 ). Somente através do evangelho é possível dimensionar qual a operação da força do poder de Deus que foi manifesto em Cristo quando ressurgiu dentre os mortos, e é este mesmo poder que opera naqueles que creem em Cristo.

Aquele que é ‘perfeito’, ou seja, que não tropeça na palavra da verdade, está capacitado a anunciar e admoestar a todo o homem. Está apto a ensinar a todos em toda a sabedoria, ou seja, no evangelho, para que os homens sejam apresentados a Deus perfeito em Jesus Cristo ( Cl 1:28 -29).

Quando o apóstolo Pedro recomenda fazer mais firme a eleição e vocação para nunca tropeçar, ele tem em vista a palavra do evangelho, pois se o crente se inteirar da verdade do evangelho, jamais cometerá equívocos quanto a interpretação e exposição das boas novas, de modo que é perfeito e poderoso para ser mestre ( Tt 1:9 ; Tg 3:2 ).

A abordagem de Tiago e do apóstolo Pedro é a mesma que o apóstolo Paulo fez a Tito: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” ( Tt 1:9 ). Quem retém firme a fiel palavra, faz firme a sua vocação e eleição e torna-se perfeito, poderoso e jamais tropeçará na fiel palavra. Pode perfeitamente ser mestre, ou seja, tem a capacidade de refrear todo o corpo.

Fazer firme a vocação e eleição é o mesmo que prosseguir para o alvo, ou seja, permanecer na verdade do evangelho. Fazer firme a vocação e eleição é operar a salvação com tremor e temor, ou seja, obedecendo (tremor) a palavra do evangelho (temor) ( Fl 2:12). Após ‘conhecer’ a Cristo tornando-se um só corpo com Ele é recomendado ao cristão prosseguir em saber mais acerca o seu Senhor sem perder de vista o prêmio “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” ( Fl 3:14 ).

O prêmio que o apóstolo Paulo faz referencia diz glória concedida aos que creem em Cristo de alcançarem um corpo glorioso conforme o de Cristo Jesus ( Fl 3:21 ). Neste quesito temos que imitar a Cristo, que pelo gozo proposto, foi obediente até a morte “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ).

Prosseguir para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus, é andar segundo a mesma regra: o evangelho de Cristo ( Fl 3:16 ). Se não andar segundo a regra do evangelho, tornou-se inimigo do evangelho.

É em face desta verdade que ao escrever aos cristãos, o apóstolo Pedro demonstra que, tanto ele, quanto qualquer pessoa que crê em Cristo, alcançou fé igualmente preciosa através da justiça que há em Cristo.  Observe que o sentimento do apóstolo Pedro é igual ao do apóstolo Paulo: a fé, o evangelho, a cruz de Cristo para ambos é igualmente precioso.

Como apóstolos, ambos eram perfeitos, pois buscavam preservar intocável a verdade do evangelho ( Fl 3:15 ). Quem não faz firme a sua vocação e eleição, o fim é a perdição, pois será confundido e só pensará nas coisas deste mundo ( Fl 3:19 ; Cl 3:1 ).

O sentimento dos perfeitos é de que a fé é preciosa, pois o evangelho é a fé dada aos santos ( Gl 3:23 ). Há uma só fé, que é o ‘conhecimento’ de Deus e de Jesus, ou seja, o evangelho ( 2Pe 1:1 ; Ef 4:4 -5).

O ‘divino poder’ refere-se à mensagem do evangelho, que o apóstolo Paulo também especifica como o poder de Deus, ou o conhecimento de Deus ( 1Co 1:18 ; Rm 1:18 ; 1Pe 4:11 ; Cl 2:12 ). Através do evangelho, Deus concedeu aos homens, tudo que é pertinente à comunhão com Deus (vida) e obediência (amor).

O evangelho de Cristo é conhecimento que, ao ser anunciado aos homens se traduz em o chamado de Deus segundo a sua graça (glória) e fidelidade (2Pe 1:1 -10). A promessa de Deus é segundo a graça, pois livrar o homem da condenação que há no mundo (Adão) e o torna participante da natureza de Deus, pois é recebido por filho.

Um exemplo de pessoas que não estavam fazendo firme a eleição e o chamado de Deus eram os cristãos das regiões da Galácia. O apóstolo Paulo estava perplexo pela rapidez com que os cristãos estavam deixando o evangelho de Cristo para seguirem uma nova doutrina ( Gl 4:20 ).

Quando creram em Cristo, percorriam a carreira proposta por Deus, mas quando se deixaram circuncidar, deixaram de obedecer a verdade do evangelho ( Gl 5:7 ). Por este fascínio veio o alerta: Cristo de nada vos aproveitará, ou seja, separados estavam de Cristo, da graça caíram (tropeçaram) ( Gl 5:1 -5).

Perseveram em Cristo é permanecer crendo na verdade do evangelho, e qualquer distorção doutrinária que contrarie a verdades elencadas no inicio deste artigo devem ser rejeitadas.

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A salvação é condicionada ou incondicionada?

Se alguém oferece um copo com água a alguém com sede, que mérito há em quem bebe a água? É isto que Jesus oferece: “E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” ( Jo 7:37 ). Ora, se alguém tem sede, que venha e beba: oferta de salvação “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” ( Jo 4:14 ).


Introdução

A discussão acerca da salvação se é condicionada ou não se deve a uma outra: se há algum mérito em o homem crer em Cristo.

Há aqueles que negam que a salvação é concedida aqueles que ouvem a mensagem do evangelho e creem em Cristo, pois anunciam uma graça ‘especial’ dada somente a alguns indivíduos que, por meio desta graça, são ‘habilitados a crerem. Este pensamento surgiu por entenderem que, se o homem se decidir crer em Cristo somente por ouvir a mensagem do evangelho, que há mérito no homem que tornou-se um coadjuvante na salvação.

 

Convite

No Antigo Testamento a salvação é apresentada de várias formas ao povo. Dentre elas destacamos:

a) Ordem – “Olhai para mim, e sereis salvos…” ( Is 45:22 );
b) Convite – “Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite” ( Is 55:1 );
c) Orientação – “E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal” ( Jl 2:13 ).

O que estes versículos apresentam: uma condição a ser satisfeita pelo homem ou apontam uma necessidade intrínseca ao homem?

Os homens são concitados a se salvarem, ou a olhar para Deus que salva? Os homens são concitados a ‘virem’ às águas, ou que providenciem água para si?

No Antigo Testamento não havia a concepção de ‘promessa’ como é usual em nossos dias, pois era o bastante afirmar que alguém disse ou proferiu alguma palavra com referência ao futuro para ser aceito como verdadeiro “…onde nossas versões portuguesas dizem que alguém prometeu alguma coisa, o hebraico simplesmente afirma que alguém disse ou proferiu (‘amar, dabhar) alguma palavra com referência ao futuro…” (Promessa. In: DOUGLAS, J.D. O novo dicionário da Bíblia, t.II, p.1330).

Em nossos dias, por causa da crescente onda de mentiras, a ideia de promessa assume um significado específico. Não basta alguém declarar algo a respeito do futuro, antes deve declinar a sua palavra e dar peso a ela através de uma promessa.

Por ‘promessa’, os lexicógrafos modernos definem como ‘ato ou efeito de prometer’ ou ‘compromisso oral ou escrito de realizar um ato ou de contrair uma obrigação’. Tal palavra tem origem no latim “promissa”, palavra derivada do plural de uma forma verbal “promissum”, cujo significado é ‘lançar, atirar longe, deixar crescer para diante, oferecer, propor, obrigar-se, etc.

A ideia grega proveniente da palavra ‘epangelia’ também não segue a concepção atual de promessa. Para os gregos a ideia de promessa vincula-se a palavra grega “epangelia” (επαγγελια) que também significa ‘anuncio’, ‘mensagem’, e deriva da mesma raiz da palavra ‘evangelho’.

Percebe-se que na antiguidade ‘anunciar’ ou transmitir uma ‘mensagem’ era o mesmo que estabelecer algo veraz. Se alguém proferisse alguma palavra com referência ao futuro, era mais que suficiente para ter a devida credibilidade.

Hoje, para dar à devida credibilidade as palavras que proferimos, é usual prometermos ou até estabelecermos um compromisso oral ou escrito de realizar um ato ou de contrair uma obrigação frente algumas testemunhas ou autoridade constituídas para este fim.

Ora, a palavra, o anúncio, a mensagem ou o que Deus proferiu a respeito do futuro é superior ao que entendemos hoje por promessa. A promessa: ‘… será salvo…’ é a palavra que Deus (aquele que não pode mentir) proferiu a respeito da salvação “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos” ( Tt 1:2 ).

A palavra proferida por Deus acerca da salvação teve por base o Cristo e foi estabelecida ‘antes dos tempos dos séculos’. Deus falou acerca da salvação e o cordeiro foi morto antes da existência dos homens, e no seu devido tempo por intermédio do evangelho é ofertada salvação a todos os homens ( Tt 1:3 ).

Quando Deus prometeu (επαγγελια) salvação, não foi imposta nenhuma condição, uma vez que aqueles que seriam salvos nem mesmo existiam. Porém, o que era necessário para levar a efeito a palavra que foi anunciada antes dos tempos dos séculos Deus providenciou: o cordeiro foi morto antes da fundação do mundo ( Ap 13:8 ).

Neste sentido não há como relacionar a promessa de salvação a algum mérito por parte do homem, pois o que era preciso para o homem ser salvo Deus providenciou antes de os homens virem à existência.

Quando Deus diz: “Olhai para mim, e sereis salvos…” ( Is 45:22 ), a sua palavra demonstra duas verdades: a) que o homem está perdido, e; b) que necessita de salvação. É por isso que Jesus disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 b).

A necessidade é premente a todos os homens. Todos precisam de salvação por estarem perdidos, e somente Deus pode satisfazer-lhes a necessidade.

Deus apontou aos homens a necessidade do novo nascimento, porém, o novo nascimento não é algo possível aos homens realizarem.

É possível ao homem promover um novo nascimento? Não! É impossível ao homem nascer de novo assim como é impossível ao homem fazer com que venha ao mundo um novo ser. E por que Jesus alerta Nicodemos que é necessário ao homem nascer de novo? Porque assim como é necessário a vontade do homem para vir a existência um ser segundo a carne e o sangue, para vir a existência um novo homem é necessário a vontade do homem.

Ora, o homem só nasce de novo quando nasce da água (palavra) e do Espírito (de Deus). Não há como o homem providenciar a água ou o Espírito, mas é necessário atender o chamado de Deus, quando lhe será dado um novo coração e um novo espírito que só Deus tem poder para criar ( Sl 51:10 ).

Por isso, quando lemos: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” ( Mc 16:16 ), a mensagem deve ser entendida como um convite à salvação, e o crer na mensagem do evangelho é o essencial a salvação. Com relação a mensagem de salvação não há o que o homem possa realizar, se não descansar na promessa.

“Quem crer…”  diz de uma oferta salvadora a todos os homens que lhes preserva o arbítrio. Como oferecer salvação gratuita a todos os homens sem influenciá-los? Ora, a influencia está na mensagem que demonstra que o homem está perdido e que necessita de salvação.

Quando se lê: “Quem crer em mim, como diz as escrituras…” ( Jo 7:38 ), há muitos que entendem o ‘crer’ na mensagem do evangelho como uma obra meritória por parte do homem. No entanto, o evangelho não estabelece exigências aos homens, pois se assim fosse deixaria de ser oferta graciosa para ser um acordo entre as partes.

Para melhor compreender a oferta redentora é preciso considerar os elementos que envolveram a queda da humanidade em Adão. Quando lemos: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerá, pois no dia em que comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:17 ), percebe-se que Deus enfatizou a plena liberdade que o homem possuía em comer de todas as árvores do jardim.

Em segundo lugar, Deus alerta sobre as conseqüências em decidir-se por lançar mão do fruto da árvore do bem e do mal.

Foi concedida ao homem liberdade plena com garantias (acesso a todas as árvores), meios (árvore da vida, árvore do conhecimento do bem e do mal e toda sorte de árvores frutíferas) e o conhecimento necessário para exercício desta liberdade (restrição com as conseqüências).

Satanás ao tentar a mulher enfatizou somente a proibição: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” ( Gn 3:1 ). Onde Deus estabeleceu plena liberdade, satanás apresentou ao homem proibição.

Ou seja, quando se diz: “Quem crer em mim… ’ a ênfase do anunciado é salvação a todos os homens. Todos quantos crerem, sem exceção, serão salvos “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” ( At 2:39 ).

Quando se diz: “Quem crer…” é o mesmo que: “… a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos (judeus), e a todos os que estão longe (gentios), a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar”, ou seja, Deus não está restringindo a sua graça, antes ele manifesta a sua graça a tantos quantos forem chamados, pois o seu desejo é que ninguém se perca, mas que venham ao conhecimento da vida eterna ( 1Tm 2:4 ).

É por isso que o apóstolo Paulo disse que a graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos os homens ( Tt 2:11 ).

A manifesta benignidade de Deus não veio por obras de justiças realizáveis por parte do homem, mas por intermédio da sua misericórdia ( Tt 3:4 -5).

A graça de Deus foi concedida aos homens antes dos tempos eternos e manifesto através do aparecimento de Jesus, o Salvador, pois ele destruiu a morte trazendo à luz a vida e a imortalidade pelo evangelho ( 2Tm 1:9 -10).

A graça foi dada em um tempo imemorial através da oferta do cordeiro, porém, tal fato tornou-se conhecido dos homens através da manifestação (aparecimento) de Cristo. Temos dois eventos distintos.

Ela foi concedida aos homens antes de virem à existência, portanto, neste aspecto é incondicional e graciosa a todos os homens. A graça de Deus é incondicional, ou seja, não depende de obras para ser alcançada.

Mas, que se dirá da fé? A salvação não necessita de fé?

 

O ‘evangelho’ versus a ‘crença’

A fé em Cristo não se compara a idéia de fé que existe em outras crenças.

A fé ou a crença dos homens resulta de um esforço próprio em acreditar em seus ídolos. Embora os ídolos nada sejam, os seus seguidores nutrem uma crença que originou-se neles mesmo “Assim que, quanto ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só” ( 1Co 8:4 ).

Os ídolos dependem da devoção (crença) de seus seguidores, uma vez que sem a ‘devida’ devoção deixariam de ser ídolos. Com relação a Deus, quer creia ou não, Deus sempre será Deus. Ele não depende da fé dos homens para existir ou para realizar os seus propósitos como é o caso dos ídolos.

Um exemplo de esforço humano em acreditar em seus deuses visualiza-se nos seguidores de Baal, quando desafiados por Elias. Eles invocaram a Baal desde a manhã até o meio-dia fazendo oferendas e retalhando os seus corpos, porém, não desistiram da crença em Baal ( 1Re 18:28 ).

Os livros de auto-ajuda apregoam uma fé em si mesmo. Confiança e persistência em realizar o que se propõe tornam-se a força motriz das realizações humanas, o que também denominam fé. Da fé procedem os desígnios dos homens e as suas realizações neste mundo: é a fé natural que o homem adquire proveniente das leis naturais que regem este mundo.

A fé para salvação não é o lançar-se no improvável, antes é certeza quanto às coisas que se esperam. A fé diz da confiança na esperança proposta, e não naquilo que não foi proposto “ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” ( Hb 11:1 ).

Deus havia determinado ao povo de Israel que não levassem a arca da aliança para a guerra, porém, quando guerrearam contra os filisteus desobedeceram a Deus e confiaram que a arca da aliança haveria de livrá-los do inimigo “E voltando o povo ao arraial, disseram os anciãos de Israel: Por que nos feriu o SENHOR hoje diante dos filisteus? Tragamos de Siló a arca da aliança do SENHOR, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de nossos inimigos” ( 1Sm 4:3 ).

Ora, a confiança deles era grande, pois estavam motivados a irem à batalha e cantaram em alta voz de tal forma que a terra chegou a estremecer. A confiança deles de nada aproveitou, pois ignoraram (desprezaram) a palavra de Deus e seguiram os seus corações enganosos “E sucedeu que, vindo a arca da aliança do SENHOR ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu” ( 1Sm 4:5 ).

A ‘fé’ que tiveram não os salvou, pois Deus não tinha compromisso com os rebelados. Lançaram-se onde não havia promessa. O ato de lançarem-se confiados seriam vencedores indica que tinham fé, porém, a fé deles não tinha como base o firme fundamento, que é a palavra de Deus.

A definição que o escritor aos hebreus apresenta sobre a fé, demonstra que só em Deus é possível ao homem ter certeza quanto ao que se espera. A fé em Deus constitui-se em prova das coisas que não se vêem, pois é o mesmo que lançar mão da esperança proposta ( Hb 6:18 ).

Ora, quando Jesus disse: “Quem crê em mim, conforme diz as escrituras…”, temos uma oferta de salvação a todos os homens que, ao ouvirem a palavra da verdade, devem lançar mão (crer) da esperança proposta.

Há muitos tipos de fé e crenças. Muitos creem em Cristo como um ser elevado, outros como sendo um anjo de Deus. Outros acreditam que Jesus é um espírito iluminado, outros que ele não veio em carne, outros que não ressurgiu etc. De nada lhes aproveitará tal fé para a salvação, pois devem crer segundo a palavra de Deus (segundo a esperança proposta).

Em nossos dias há um pseudo-evangelho que anuncia que Deus prometeu aos que creem bens materiais, relacionamentos amorosos, sucesso profissional, vida conjugal, destaque na sociedade, etc., porém, Cristo não fez promessas específicas e pontuais acerca do dia-a-dia dos seus seguidores, pois a sua promessa é a de vida eterna “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” ( 1Jo 2:25 ).

Como prova de fé muitos lideres solicitam contribuições, doações, votos, provas, desafios e muitos se lançam no improvável, porém, de nada lhes adiantará tamanha fé, pois não é segundo a esperança proposta.

Com relação à vida dos servos de Cristo tem-se a promessa de que Ele estará com eles todos os dias; que tudo concorrerá para o bem deles; que em tudo teriam toda a suficiência; que teriam aflição neste mundo, mas que tivessem bom ânimo. Todas as promessas de Cristo diferem completamente do que se anuncia em nossos dias.

A fé para salvação não é um sentimento, um patuá ou um talismã que o homem se apodera para manter-se unido a Deus. A fé para a salvação não é fé na fé, ou seja, não é a fé que moverá as montanhas ou propiciará salvação (a fé é naquele que remove montanhas), antes a fé para salvação é descansar em Deus que prometeu (esperança proposta) e tem poder para mover montanhas (fazer o impossível aos homens). Confiar nele equivale a descansar, a estar quieto.

Somente descansa e fica quieto aquele que constata que Deus é verdadeiro ( Sl 46:10 ). A crença por si só não faz o impossível, antes é Deus quem faz o impossível, segundo a sua palavra (esperança proposta) “E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” ( Mt 19:26 ).

Ora, confiar em Deus é o mesmo que: obedecer, cumprir os seus mandamentos, descansar, aquietar, assentar, arrepender-se, etc.

A fé está em Cristo “…sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo” ( 2Tm 3:15 ). A fé que há em Cristo é que promove a salvação, e não a fé proveniente da concepção humana.

A fé para salvação é rendição frente à impossibilidade do homem promover a própria salvação. É descansar, entregar-se por ver que a salvação não depende e nem é promovida através de obras humanas.

Não foi o esforço de Naamã ao descer e mergulhar no rio que o livrou da lepra. Ele foi limpo da lepra segundo a palavra do profeta Eliseu.

Alguém acometido da mesma doença que Naamã poderá ir hoje ao rio Jordão crendo que, se mergulhar sete vezes ficará limpo, porém, tal confiança no mergulho no rio, ou no número de vezes a mergulhar, ou no local como propício para uma manifestação de Deus, etc, de nada aproveitará, pois as ações e nem a pretensa confiança promovem a cura.

Naamã só foi curado porque desceu ao rio segundo a palavra de Deus. Houve a multiplicação de peixes porque os discípulos lançaram a rede segundo a palavra de Jesus. Pedro andou sobre as águas porque se lançou as águas segundo a palavra de Jesus. De igual modo, o homem só é salvo quando se lança sobre a palavra de Deus anunciada por intermédio do evangelho (esperança proposta).

A salvação é incondicional no sentido de que o homem não dispunha de meios para providenciá-la. Neste sentido a cura de Naamã não dependia dele, e sim de Deus.

A salvação é incondicional por não depender de ações humanas. Deus anunciou salvação providenciando o cordeiro que foi morto antes da existência dos homens. Ou seja, quando falamos de mérito, não há mérito algum em acreditar na promessa de salvação. Não houve mérito algum em Naamã quando mergulhou no rio Jordão por sete vezes. Antes de faze-lo Naamã considerou tal ordem como um demérito.

Alguém pode argumentar que Naamã cooperou com Deus, porém, não há cooperação quando só uma das partes age. Que ação Naamã executou que o curasse? Se Naamã possuía algum mérito, porque não o demonstrou nos rios da Síria?

A cura foi realizada por Deus que é fiel a Sua palavra, bastando para a cura a obediência de Naamã. O mérito da cura é de Deus que curou!

Ocorrem duas má leituras acerta da salvação:

A) Considerar que a salvação é o resultado da cooperação entre Deus e os homens, ou que é preciso algum esforço por parte do homem, como se a salvação dependesse de uma crença do homem (condicional). Alega que a salvação é por fé, mas negam-lhe a eficácia, ao acreditar que depende do esforço do homem;

B) Por outro lado, ao dizer que a salvação é incondicional, muitos a compreendem segundo a visão calvinista e arminianista. Consideram que a salvação é o resultado de uma escolha de Deus (segundo a sua ‘soberania’ ou segundo a ideia equivocada de ‘presciência’*) de alguns homens para a salvação. Em última análise, segundo os calvinistas e os arminianistas, é o mesmo que afirmar que certos homens nunca estiveram realmente perdidos e outros nunca tiveram oportunidade de salvação.

A salvação de Deus é incondicional, pois ela se dá em Cristo “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós” ( 2Co 1:20 ).

A salvação não depende da fidelidade do homem, como dizem aqueles que consideram que a salvação depende da fé ou de esforços do homem. Exigir que o homem fosse fiel a Deus sem o evangelho (da esperança proposta) é impossível.

A Bíblia demonstra que só é possível ser fiel quando se está em Cristo, diferente da ideia que propõe que o homem seja fiel a Cristo “PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:” ( Ef 1:1 ).

A fé para salvação é ‘aguardar na esperança proposta’, ou seja, que ação, obra ou cooperação exerce quem espera que uma promessa seja cumprida? Que ação, obra ou cooperação fará quem espera naquele que é fiel ( Hb 10:23 ), que não pode mentir ( Tt 1:2 ), e é todo poder ( Jd 1:4 )?

Sem a promessa de vida eterna não há como o homem ser fiel a Deus. Somente após receber a esperança proposta no evangelho é que o homem torna-se uma nova criatura, designada fiel em Cristo.

A esperança da vida eterna (fé) vem pelo ouvir acerca da esperança proposta. Ou seja, a fé que há em Cristo é dom de Deus concedido graciosamente a todos os homens.

Só é possível ouvir (ter vida) através da palavra de Deus. É por isso que o evangelho é denominado de palavra da vida ( 1Jo 1:1 ; Fl 2:16 ) e palavra da fé ( 1Tm 4:6 ), pois promove a vida e a fé.

Para aqueles que aguardam a esperança proposta (creem) só resta batalhar pela fé (evangelho) que um dia foi dado aos santos ( Fl 1:27 ; Jd 1:3 ).

Como exemplo, caso alguém ofereça um copo com água a alguém com sede, que mérito há em beber a água? É isto que Jesus oferece: “E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” ( Jo 7:37 ). Ora, se alguém tem sede, que venha e beba: oferta de salvação.

A salvação é incondicional, pois foi providenciada por Deus e desta providência não há como o homem ser participante.

Mas, há a necessidade do homem aceitar o que Deus lhe propõe por intermédio do evangelho, crendo que Jesus é o Filho de Deus, e neste sentido há uma condição a ser satisfeita: destina-se a quem quiser beber “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” ( Jo 4:14 ).

Ora, como a salvação é para os perdidos que quiserem, torna-se inválida a concepção de que alguns homens nasceram predestinados a salvação, e que outros jamais serão salvos.

Ora, a salvação está em Deus através da esperança proposta em Cristo a todos quantos atenderem o chamado que há na mensagem do evangelho. Muitos são chamados através do evangelho, porém poucos bebem da água oferecida, que lhes daria a condição de escolhido ( Mt 22:14 ).

De igual modo, muitos são que entram pela porta larga (nascem de Adão), mais poucos que entram pela porta estreita (nascem de novo). Nem todos entraram pela porta estreita porque Jesus é o único homem gerado de Deus que não entrou pela porta larga, ou seja, que não nasceu de Adão.

Em primeiro lugar Deus providenciou salvação poderosa a todos os homens incondicionalmente, pois todos pecaram e carecem da misericórdia de Deus. Neste sentido a salvação é incondicional. pois não há nada que o homem possa fazer que possa resultar em salvação.

Em segundo lugar a salvação está condicionada a resposta do homem à mensagem do evangelho, que é poder para salvação dos que creem ( Rm 1:16 ). O homem deve descansar na esperança proposta, na oferta da água que faz saltar uma fonte para a vida eterna. Ora, não há mérito no homem quando aceita a Cristo, pois o mérito está em Deus que prometeu salvação e é fiel.

Que mérito há em confiar em que é fiel? Ora a fidelidade de Deus é a causa da confiança do homem. O mérito está n’Aquele que é fiel e prometeu, portanto, não há mérito em que descansa em sua promessa.

É um erro considerar que a primeira obra de alguém regenerado é crer. Primeiro, porque qualquer que entrou no repouso de Deus descansou de suas obras como Deus das suas ( Hb 4:10 ); Segundo, o cristão está assentado nas regiões celestiais com Cristo em Deus. Não há obras a realizar para quem está assentado ( Ef 1:3 e Ef 2:6 ); Terceiro, se não foi exigido obras quando éramos pecadores, agora que já fomos reconciliados, resta somente a sua vinda. ‘Perseverar’ é a obra perfeita que a fé realiza.

Através da perseverança o homem em Cristo torna-se maduro e completo, não tendo falta de coisa alguma ( Tg 1:3 -4), aguardando a bem-aventurança proposta a quem beber da água ofertada.

* A ‘presciência’ de Deus refere-se ao ‘conhecimento’, a ‘mensagem’ de Deus anunciada previamente pelos seus santos profetas de que Cristo seria morto na plenitude dos tempos em função do beneplácito da vontade de Deus, pois Cristo é o Cordeiro de Deus morto deste a fundação do mundo, ou seja, a ‘presciência’ ou o ‘pré-conhecimento’ diz dos eventos que se sucederam com relação à vida e morte de Cristo em conformidade com as Escrituras “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” ( Ap 13:8 ).

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