O ensino da Graça

A ideia da santificação progressiva, de que a santificação pode ser ‘melhorada’ pelo homem mediante uma ‘completa’ dedicação de sua vida, renúncia pessoal e auto-julgamento de suas ações não é bíblica. Após observar os argumentos que dá base de sustentação a teoria da santificação progressiva, surgem as perguntas: O cristão é santificado através de auto-julgamento? É possível renunciar ao pecado? O que é seguir a santidade?

 


“Pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, para que vivamos neste presente século sóbria, justa e piedosamente…” ( Tt 2:11 -12)

O Que a Graça Ensina?

Observe este comentário:

“Somos santificados através do auto-julgamento, da renuncia pessoal ao pecado e do seguir após a santidade. D. D. – A santificação é efetuada ao passo que o crente desenvolve sua salvação, cônscio da operação de Deus em seu íntimo” Teologia Elementar – E. H. BANCROFT- Pág 265, 10ª Impressão.

O versículo acima é utilizado como base de apoio a ideia da santificação progressiva, de que a santificação deve ser desenvolvida, que pode ser ‘melhorada’ pelo homem mediante uma ‘completa’ dedicação de sua vida, renúncia pessoal e auto-julgamento de suas ações.

Após observar os argumentos que dá base de sustentação a teoria da santificação progressiva, surgem as perguntas: O cristão é santificado através de auto-julgamento? É possível renunciar ao pecado? O que é seguir a santidade?

O que está estampado em Tito 2, verso 11 à 12 demonstra o contrário. O apóstolo Paulo exorta sobre o que Tito deveria falar aos cristãos sob sua responsabilidade ( Tt 2:1 -10). As determinações que deveriam ser passadas tinham um objetivo: que em tudo os cristãos fossem um “adorno” à doutrina de Deus (v. 10).

Dai decorre a seguinte verdade: Cristo trouxe salvação a todos os homens através da verdade do evangelho e ensinou aos que creem a abandonar a impiedade, as paixões do mundo para um viver (neste presente século) sóbrio, justo e piedoso diante dos homens.

Jesus deixou estas determinações a seus seguidores enquanto aguardam “… a bem-aventurança e o aparecimento da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” ( Tt 2:13 ).

Um viver sóbrio, justo e piedoso não são elementos de santificação como querem alguns. O apóstolo é bem claro: um viver sóbrio, justo e piedoso é ORNAMENTO da doutrina de Deus! Ninguém é santificado por dedicar-se a um viver piedoso!

Há muitos que vivem uma vida ‘piedosa’ e ‘justa’ segundo princípios morais e religiosos, porém, está destituído da glória de Deus.

O versículo quatorze é bem esclarecedor: o nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus “… a si mesmo se deu por nós a fim de remir-nos de toda iniquidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras” ( Tt 2:14 ) (grifo nosso).

A Santificação decorre da obediência de Cristo que se entregou com o objetivo de remir o pecador, adquirindo para si um povo todo seu, ou seja, santificado (separado). O que determina a santidade do povo de Deus é o fato de ser propriedade d’Ele. A igreja foi adquirida por Ele como propriedade peculiar dentre todos os povos.

Em nenhum lugar das Escrituras é apontado a santificação como ligada a elementos provenientes do ornamento da doutrina de Deus (comportamento, moral).

Quando se fala de salvação, as teses doutrinárias explicam-na da seguinte forma: o homem quando aceita a Cristo como salvador sofre uma transformação nas tendências gerais de sua natureza, que acaba por reverter o seu caráter moral. É o que denominam de regeneração. Afirmam que a humanidade possui um duplo problema como conseqüência do pecado e da queda:

  1. O homem passou a ter uma natureza corrupta expressa através de um caráter moral depreciado pelo pecado. A regeneração por sua vez reverte a maldição do pecado dando uma nova direção as tendências gerais da natureza humana;
  2. Este homem depois de regenerado permanece ainda com o problema da culpa. A culpa ou possibilidade de punição não é extinta através da regeneração, o que só pode ser resolvido através da justificação. Assim afirmam: na justificação o homem é perdoado e recebe a declaração de que cumpriu tudo que a lei exige no homem.

A parte da regeneração e da justificação ocorre à adoção, entretanto tudo se dá no mesmo momento, quando o pecador se arrepende dos pecados e dá meia volta em suas tendências pecaminosas. Afirmam que na adoção o homem é restaurado a uma posição de favor diante de Deus. Antes alienado, agora aceito, por meio da adoção.

Este modelo doutrinário aponta que na conversão ocorre regeneração, justificação, adoção e santificação posicional ou objetiva, sendo processos independentes que ocorrem ao mesmo tempo, tidos como aspecto objetivo da salvação inicial, porém, não é algo efetivo de fato. Observe o seguinte quadro e sequência numérica:

Aspectos objetivos da salvação Continuação e complementação da salvação
1-Regeneração

1-Justificação

1-Adoção

1-Santificação (posicional)

2-Santificação (progressiva)
3- Santificação (fase final é contemporânea à vinda de Cristo)

 

Esta teoria sobre os elementos que compõe a salvação é assim disposta para comportar uma explicação sobre porque o crente ainda erra, mesmo depois de regenerado, justificado e, segundo eles, santificado ‘posicionalmente’.

Daí surgiu à ideia da santificação progressiva:

“Um ato que é instantâneo, mas que ao mesmo tempo traz em si a ideia de desenvolvimento até a consumação” Teologia Elementar – E. H. BANCROFT – Pág 262, 10ª Impressão, Ed. EBR.

Mas, o que a graça de Deus ensina? Ensina que Jesus deu-se a si mesmo para remir o homem de toda iniquidade lavando-os completamente pela palavra ( Tt 2:14 ; Jo 15:3 ), de modo que todos os que creem n’Ele são santificados “Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim” ( At 26:18 ); “E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade” ( Jo 17:19 ).

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Sem a Santificação ninguém verá o Senhor

Seguir ‘a paz’ e ‘a santificação’ é o mesmo que seguir ‘a justiça’, ‘a fé’, ‘o amor’ e ‘a paz’. A justiça, a fé (evangelho), o amor e a paz são progressivos? O amor de Deus não foi plenamente demonstrado através da pessoa de Cristo? Seguir a paz e a santificação com todos, é seguir a Cristo juntamente com todos os que invocam ao Senhor (Igreja), isto porque os que seguem a Cristo recebem um novo coração puro ( Mt 5:8 ; Sl 51:10 ).


 

“Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 )

O contexto de Hebreus 12, verso 14 demonstra uma mensagem de incentivo aos crentes, exortando a permanecerem olhando para Cristo, considerando o que Ele suportou pelos pecadores.

Os cristãos ainda não haviam resistido até o sangue ( Hb 12:4 ), e deveriam guardar na lembrança a exortação que os admoesta e chama de filhos, conforme preconiza Pv 3:11.

Os filhos são exortados a:

a) Não desprezar ou desmaiar (ficar amedrontado) quando for repreendido por Deus ( Hb 12:5 );

b) Conscientizar-se de que é repreendido porque foi recebido por filho ( Hb 12:8 ). O objetivo de o cristão ser repreendido está em permanecer participante da santidade de Deus “… para sermos participantes da sua santidade” ( Hb 12:10 ).

Seguindo o raciocínio do escritor aos Hebreus, o cristão deve estar tranqüilo, descansado, pois “… não tendes chegado ao monte palpável…” ( Hb 12:18 ), a semelhança do povo de Israel no deserto, que se pôs ao longe para não ouvir a voz do Senhor. Significa que o cristão não mais está sob a maldição da lei mosaica, antes, chegou ao monte Sião, que representa a graça divina.

Depreende-se da exortação que:

a) Deus disciplina os cristãos como filhos, pois qual filho há a quem o pai não corrige? Ser corrigido pelo Senhor é prova de que o cristão é participante da sua santidade, por ser recebido como filho. O proveito em ser corrigido pelo Senhor é o de já ser participante da sua santidade! Como o cristão é santificado, então? Ao tornar-se filho segundo a vontade do Senhor, e não através de suas ações!

b) “Considerai aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não canseis, desfalecendo em vossas almas” ( Hb 12:3 ). A idéia introduzida neste versículo se encerra no versículo doze: “Portanto, levantai as mãos cansada…”. Ao considerar a Cristo e a oposição que suportou, advém algumas determinações elencadas no versículo três:

  • levantai as mão cansadas;
  • levantai os joelhos vacilantes;
  • fazei veredas direitas;
  • segui a paz;
  • segui a santificação;
  • tende cuidado;
  • não seja devasso ou profano.

Se não observar a idéia geral do texto, o leitor acaba por considerar que a santificação decorre do que o homem faz quanto a essas determinações. Observe: “Considerai” a Jesus “para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas” (…) “portanto, levantai as mãos cansadas…” Aquele que considera a oposição a que Cristo foi submetido, acaba por levantar as mãos, mesmo que cansadas, e este é o objetivo apontado pelo apóstolo: “para que não vos canseis”.

Entre as determinações temos: “Segui a paz com todos, e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Para entender as determinações apregoadas pelo escritor aos Hebreus é necessário entender a extensão do significado da palavra “seguir” neste contexto bíblico.

O ‘seguir’ neste contexto personifica a ‘paz’ e a ‘santificação’. Observe este salmo:

“Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a” ( Sl 34:14 ).

O texto da carta aos Hebreus apresenta um número crescente de idéias que se somam e complementam-se desde o verso 3 do capítulo 12. O escritor solicita aos irmãos para considerarem a Jesus e o quanto ele suportou de oposição dos pecadores.

O objetivo que o escritor quer alcançar está em que os cristãos não se cansem, que não desfaleçam ( Hb 12:3 ). Ao concluir a idéia no versículo doze temos: levantai as mãos cansadas! A determinação de ‘não canseis’ deve atingir a totalidade do homem: mãos, joelhos e pés! Estes membros, por sua vez, são os responsáveis pela movimentação do homem, o que remete a veredas, desviar e seguir dos versos 12 e 13 ( Hb 12:12 – 13).

O seguir a paz diz da disposição que os discípulos devem possuir ao seguir as pisadas de seu Mestre. O cristão deve seguir a Cristo, que é a ‘nossa Paz’, considerando aquilo que Ele sofreu. Compare: “Pois ele é a nossa paz, a qual de ambos os povos fez um, e destruiu a parede de separação, a barreira de inimizade que estava no meio, desfazendo na sua carne” ( Ef 2:14 ).

Os dois versículos têm idéias distintas com relação à paz: o primeiro fala do caminho que o cristão deve trilhar, ou seja, um caminho de paz! Aqui não está dizendo que o cristão deve ter paz com todos os homens, antes que todos devem seguir a Cristo, a ‘nossa paz’.

O versículo de Paulo aos Efésios por sua vez fala de paz, entretanto, mostra a paz estabelecida entre os chamados dentre dois povos, que se tornaram a igreja de Cristo (gentios e judeus), através da morte de Cristo.

O sentido exato sobre o ‘segui a paz’ está expresso em Colossenses: “Portanto, assim como recebeste a Cristo Jesus, o Senhor, assim também andai nele” ( Cl 2:6 ), diferente do sentido que alguns querem dar e que encontramos em Romanos: “Se for possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens” ( Rm 12:18 ).

Da mesma forma que se diz: ‘segui a paz’, devemos entender o ‘segui a santificação’. Não há neste texto qualquer idéia que dê suporte ao pensamento de que é preciso ao cristão santificar-se gradativamente. O ‘seguir’ a santificação diz da necessidade do cristão andar conforme aquele que o santificou.

Neste ponto temos uma ressalva do escritor: “Sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Observe os textos seguintes:

“Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 );

“Sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 );

“Bem aventurado os puros de coração, porque eles verão a Deus” ( Mt 5:8 ).

Através destas comparações pode-se observar que a Santificação só é alcançada através da filiação divina, e não através de esforços humanos, ou em ‘cooperar’ com Deus.

Alguns consideram que o homem é santificado através de uma renuncia pessoal ao pecado, ou através de um auto-julgamento, ou de perseguir uma santidade progressiva.

Observe está comparação:

“Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá ao Senhor” ( Hb 12:14 0;

“Foge também dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” ( 2Tm 2:22 ).

Seguir ‘a paz’ e ‘a santificação’ é o mesmo que seguir ‘a justiça’, ‘a fé’, ‘o amor’ e ‘a paz’. A justiça, a fé (evangelho), o amor e a paz são progressivos? O amor de Deus não foi plenamente demonstrado através da pessoa de Cristo?

Seguir a paz e a santificação com todos, é seguir a Cristo juntamente com todos os que invocam ao Senhor (Igreja), isto porque os que seguem a Cristo recebem um novo coração puro ( Mt 5:8 ; Sl 51:10 ).

Cristo estabeleceu a Paz e Santificou os Cristãos pela fé em seu nome ( At 26:18 ). A santificação é obra exclusiva de Deus por intermédio de Cristo.

Diante desta obra maravilhosa realizada por Deus, o escritor aos Hebreus utiliza-se de um recurso próprio à linguagem (metonímia) para fazer referência à obra maravilhosa realizada por Cristo. Ele empregou o termo “santificação”, que se refere à obra realizada, em lugar do Autor da santificação, dada a possibilidade de associação entre Cristo e a sua obra.

Metonímia – é um emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles.

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É possível santificar a si mesmo?

Num primeiro momento os cristãos haviam sido santificados através da vontade de Deus, por meio da oferta do corpo de Cristo ( Hb 10:10 ). Levando em conta este primeiro momento, o apóstolo Paulo, juntamente com Timóteo e Silvano, falam da vontade de Deus para aqueles que já alcançaram a Santificação. Ou seja, a vontade de Deus para os cristãos que já haviam alcançado uma nova condição através da oferta do corpo de Cristo (santos), é que se abstenham da prostituição.


“Esta é a vontade de Deus para a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição”
( 1Ts 4:3 ).

É possível ao homem santificar-se a si mesmo?

Este versículo é muito utilizado por aqueles que defendem a santificação progressiva. Dentre eles temos o Dr. Bancroft:

“A justificação difere da santificação no seguinte: aquela é um ato instantâneo e que não comporta progressão; esta, é uma crise que visa a um processo – um ato que é instantâneo, mas que ao mesmo tempo traz em si a ideia de desenvolvimento até a consumação” Bancroft, Emery H., Teologia Elementar, 3º Ed. Editora EBR, pág. 262.

Por causa destas afirmações surgem muitas dúvidas: o homem consegue santifica-se? O homem consegue, segundo uma disposição interna, separar-se para Deus? Esta idéia é válida?

Como já visto anteriormente, é a vontade de Deus que santifica o homem: Nesta vontade é que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas” ( Hb 10:10 ), mas o que dizer do versículo que diz: “Esta é a vontade de Deus para a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição” ( 1Ts 4:3 ).

Basta abster-se da prostituição que o homem alcançará a Santificação? É por meio da abstenção de certas condutas que o homem se santifica, ou é a vontade de Deus que executa esta obra?

Observando o contexto no qual foi inserido este versículo, verifica-se que Paulo, Timóteo e Silvano passam as considerações finais quando da escrita da carta aos Tessalonicenses “Finalmente, irmãos…” ( 1Ts 4:1 ).

Em seguida, eles passam a demonstrar uma verdade que não podemos nos furtar em observar: “Finalmente, irmãos, nós vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como recebestes de nós, quanto à maneira por que deveis viver e agradar a Deus, assim andai, para que abundais cada vez mais” ( 1Ts 4:1 ).

Sobre a maneira que o homem deve ‘viver’ e ‘agradar a Deus’ tratar-se da nova vida em Cristo proveniente do evangelho da graça, e não de questões comportamentais. O que os cristãos haviam recebido do apóstolo quanto ao viver e agradar a Deus? O evangelho de Cristo, que é poder de Deus (semente incorruptível) para todo aquele que crê ( Jo 1:12 ; 1Pe 1:23 ).

O evangelho foi entregue, “…recebestes de nós…” para que pudessem viver e agradar a Deus. Só é possível agradar a Deus após receber vida por meio da semente incorruptível, quando o homem é feito filho de Deus

Como agradar a Deus, ou ser agradável a Deus? A resposta encontra na nova vida concedida aos que creem. Somente os nascidos do Espírito podem agradar a Deus “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” ( Rm 8:8 ). Se os que estão na carne (os nascidos segundo a carne, filhos da ira, filhos da desobediência, descendentes de Adão) não podem agradar a Deus, somente os nascidos de semente incorruptível, que é a palavra de Deus, recebem poder para serem de novo criados segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Os cristãos já viviam em Espírito e agradavam a Deus, uma vez que já haviam crido em Cristo. Isto pode ser confirmado quando Paulo agradece a Deus pelos Tessalonicenses “… e da vossa firmeza de esperança em nosso Senhor Jesus Cristo…” ( 1Ts 1:3 ). Eles haviam assumido a condição de eleitos de Deus: “…reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição” ( 1Ts 1:4 ).

Em resumo, o verso 1 do capítulo 4 de Tessalonicenses apresenta o mesmo conceito presente na carta aos Gálatas e Efésios:

“Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz ( Ef 5:8 );
“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito ( Gl 5:25 );
“…quanto à maneira por que deveis viver e agradar a Deus, assim andai…” ( Ts 4:1 ).

A maneira que o homem deve viver e agradar a Deus decorre do evangelho, o mandamento emitido pelo Senhor Jesus, conforme lemos no verso 2, do capítulo 4, da carta aos tessalonicenses: “Pois vós bem sabeis que mandamento vos temos dado pelo Senhor Jesus” ( 1Ts 4:2 ). Qual o mandamento de Deus? “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo…” ( 1Jo 3:23 ).

Somente através deste mandamento torna-se possível ao homem viver segundo o Espírito e tornar-se agradável a Deus. É neste evento, quando o homem passa a viver em Cristo, ao receber a condição de filho da Luz, que o homem torna-se santo em Cristo.

O abster-se da prostituição não concede vida no Espírito, e nem torna os homens agradáveis a Deus. Abster-se da prostituição diz do andar no Espírito, que só é possível através da verdade do evangelho. Abster-se da prostituição refere-se ao andar do cristão na condição de filho da Luz.

Abster-se da prostituição não concede santificação, e nem mesmo concede a tal santificação progressiva, que não é contemplada pela doutrina bíblica.

Num primeiro momento os cristãos haviam sido santificados através da vontade de Deus, por meio da oferta do corpo de Cristo ( Hb 10:10 ). Levando em conta este primeiro, o apóstolo Paulo, juntamente com Timóteo e Silvano, falam da vontade de Deus para aqueles que já alcançaram a Santificação.

“Ou seja, a vontade de Deus para os cristãos que já haviam alcançado uma nova condição através da oferta do corpo de Cristo (santos), é que se abstenham da prostituição”

Abster-se da prostituição não proporciona Salvação e nem mesmo a Santificação, pois Salvação, Justificação e Santificação somente são possíveis em Cristo. Porém, após alcançar a nova condição em Cristo, a vontade de Deus para os Santificados é que se abstenham da prostituição. É o mesmo que dizer: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” ( Gl 5:25 ).

A santificação torna-se efetiva na nova vida que o homem adquire em Cristo através da fé (viver no Espírito), e agora, deve saber possuir o seu próprio corpo separado da concupiscência e corrupção que há no mundo (andar no Espírito) ( 1Ts 4:4 ).

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A Palavra que santifica

O ‘santificar a mim mesmo’ de Cristo está vinculado em Ele cumprir a vontade de Deus “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” ( Jo 15:10 ); “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” ( Jo 4:34 ). Só Jesus pôde cumprir a vontade do Pai, ou seja, santificar-se a si mesmo, pois ele é nascido de Deus, o verdadeiro homem espiritual. Jesus como servo procurou cumprir a vontade de Deus com um único objetivo: que os cristãos fossem santificados na verdade! Ou, santificados através da palavra de Deus.


“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” ( Jo 17:17 )

 

A Palavra que Santifica

O versículo: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” ( Jo 17:17 ) é esclarecedor sobre o tema Santificação.

É a mais ilustre oração de Jesus em favor de seus discípulos, e nela fica claro a extensão do amor e cuidado de Deus para com os homens que creem em seu Filho.

Jesus, num primeiro momento levanta os olhos aos céus e declara: “Pai é chegada a hora” ( Jo 17:1 ). Com estas palavras Cristo estava dando por encerrado o seu ministério como servo, na condição de Filho do homem para ser declarado Filho de Deus em poder, pela ressurreição dentre os mortos! ( Rm 1:4 ).

A glória de Deus é proveniente de suas obras, e não decorre da boca ou de atos humanos. Os homens entoam cânticos em reconhecimento do que Ele fez e faz, porém, a glória de Deus se manifesta naquilo que Ele mesmo realiza.

O cântico que se rende a Deus constitui somente reconhecimento as obras por Ele realizadas “Os céus manifestam a glória de Deus; o firmamento proclama a obra de suas mãos” ( Sl 19:1 ).

O salmo 19 é um exemplo claro desta verdade. Ele é um cântico onde o salmista reconhece a glória de Deus através do firmamento, porém, o verdadeiro louvor à glória de Deus decorre daquilo que Ele criou.

Não é o entoar cânticos (‘louvor’ dos lábios), que constitui, ou que dá forma à glória de Deus, antes são as suas obras que revelam a dimensão da Sua glória. Os céus, obras das mãos de Deus, é uma das manifestações de Sua glória, e louvamos (entoamos cânticos) a Ele por reconhecimento.

Neste diapasão é que se dá a declaração de Jesus: “Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura os tais que assim o adorem” ( Jo 4:23 ). Se alguém quer realmente adorar a Deus, é necessário aceitar a Cristo, para ser gerado de novo em espírito e em verdade. Esta nova criação é que se constitui em louvor à glória de Deus ( Ef 1:12 ).

Neste capítulo Jesus orou ao Pai da seguinte maneira: “Pai, é chegada a hora. Glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti” ( Jo 17:1 ). O primeiro ‘glorifica’ refere-se à posição que Cristo abdicou antes de vir ao mundo. Ele não poderia, por si mesmo, lançar mão da glória decorrente da posição anterior a sua vinda ao mundo, antes deveria aguardar pela ‘coroação’ do Pai ( Jo 17:5 ).

O segundo ‘glorifica’ refere-se à conclusão da obra magnífica de Cristo: a obra que o Pai O comissionou a cumprir. Concluída a obra de redenção da humanidade, e após ser restabelecido à sua posição inicial, o Pai é glorificado através do Filho por causa da obra que o Pai comissionou o Filho ( Jo 17:4 ). O versículo um é resumo do que se segue nos quatro versículos seguintes.

Jesus continua a oração em prol dos discípulos e nela descreve alguns aspectos de seu ministério:

a) manifestar o nome de Deus aos homens ( Jo 17:6 );
b) dar a conhecer aos homens que tudo que pertence ao Pai, também pertence ao Filho ( Jo 17:10 );
c) o nome que pertence a Deus também pertence a Cristo “…guarda-os em teu nome, o nome que me deste…” ( Jo 17:11 ); Ele demonstrou nesta oração que, embora sejam distintos quanto pessoas, o Pai e o Filho são um em essência ( Jo 17:11 -12);
d) em Cristo os cristãos são guardados “guarda-os em teu nome, o nome que me deste” ( Jo 17:11 ), para que os cristãos sejam perfeitos em unidade com o Pai e o Filho. O cristão é prefeito por causa do vínculo que tem com Cristo. A união com Cristo não está atrelada a essência da divindade em poder e glória (em Cristo o homem não se torna deus), e sim, torna-se participante da natureza de Cristo (semelhantes a Cristo);
e) é santificado por Deus: Cristo orou: “Santifica-os na verdade” ( Jo 17:17 ). O crente é santificado através da verdade, e não através de seus próprios esforços! A verdade é a palavra de Deus, e todos os que creem na palavra de Deus são santificado.

O único homem que pôde santificar-se a si mesmo foi Cristo “Por eles me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade” ( Jo 17:19 ).

O ‘santificar a mim mesmo’ de Cristo está vinculado em Ele cumprir a vontade de Deus “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” ( Jo 15:10 ); “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” ( Jo 4:34 ).

Só Jesus pôde cumprir a vontade do Pai, ou seja, santificar-se a si mesmo, pois ele é nascido de Deus, o verdadeiro homem espiritual. Jesus como servo procurou cumprir a vontade de Deus com um único objetivo: que os cristãos fossem santificados na verdade! Ou, santificados através da palavra de Deus.

Como ser santificados através da palavra de Deus? A resposta encontra-se na carta de Pedro: “Tendo purificado as vossas almas na obediência à verdade…” ( 1Pe 1:22 ), ou seja, a Santificação decorre da Regeneração, que advém da semente incorruptível, a palavra de Deus.

Somente o nascido da semente incorruptível é Santificado. A palavra de Deus é poder para fazer os que creem filhos Seus. São nascidos do Espírito, e, portanto, espirituais.

Através da Regeneração em Cristo, o homem é criado em verdadeira justiça e santidade, pois a sua palavra é poder e/ou semente incorruptível. A Palavra de Deus é a verdade, e por ela o homem é Santificado, pela fé em Cristo, o Verbo encarnado ( At 26:18 ).

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A vontade que santifica

A vontade do homem nada pode contra a sua própria natureza. A vontade do homem não afeta a sua própria natureza em nada, por isso, quando pecador, por mais que tenha vontade de deixar de ser pecador, permanece escravo do pecado. Por mais que queira livrar-se do seu senhor, jamais conseguirá, se não se socorrer de Deus. Por isso a Bíblia diz: “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ). A vontade do etíope pode mudar ou influenciar a sua própria cor? Se depender da vontade própria, tanto o etíope quanto o leopardo continuarão na mesma condição que vieram ao mundo.

 


“Nesta vontade é que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas” ( Hb 10:10 )

A Vontade que Santifica

A Santificação do homem não ficou a cargo de sua própria vontade e ações. O escritor aos Hebreus enfatiza que a Santificação decorre da vontade de Deus.

É ‘nesta vontade’, ou seja, na vontade de Deus, através da oferta do corpo de Cristo, que os cristãos são santificados. O escritor aos Hebreus ao enfatizar a eficácia do sacrifício de Cristo estabelece um contraste com a lei de Moisés, demonstrando que é por meio da vontade de Deus que o homem é santificado.

O Dr. Shedd em seu livro, Lei, Graça e Santificação disse que:

“O cerne da pecaminosidade humana reside na vontade própria” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, ed. 1998, Editora Edições Vida Nova, Pág. 57.

A Bíblia demonstra que, bem antes do homem pecar, Deus concedeu a ele vontade. Ela também demonstra que os seres angelicais possuem vontade própria. Seria a vontade a essência do pecado? Não! O pecado decorre da natureza decaída, que é contrária a natureza de Deus e é inimiga de Deus.

A vontade do homem nada pode contra a sua própria natureza. A vontade não afeta a natureza do homem, por isso, quando pecador, o homem é escravo do pecado. Por mais que queira livrar-se do seu senhor, jamais conseguirá, se Deus não intervir.

Por isso a bíblia diz: “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ). A vontade do etíope pode influenciar a sua cor? Se depender da vontade própria, tanto o etíope quanto o leopardo continuarão na mesma condição que vieram ao mundo.

De igual forma, qualquer um dos homens sem estar em Cristo, mesmo que deseje fazer o bem, jamais poderá fazê-lo, porque a sua natureza pecaminosa não permite. Não é questão de vontade, e sim de natureza ( Mq 7:2 ; Sl 14:3 ).

Por isso Jesus disse: “Não pode a árvore boa produzir maus frutos, nem a árvore má produzir frutos bons” ( Mt 6:18 ). Não é questão de vontade, visto que muitos neste mundo desejam fazer boas ações, porém, por não estarem em Deus, as suas ações, por mais nobres que sejam, são fruto de uma árvore que o Pai não plantou.

Nenhum homem que não tenha nascido de novo pode produzir o bem, mesmo que a sua vontade seja sempre fazer o bem aos seus semelhantes “Toda planta que meu Pai celeste não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ).

Como ser uma planta plantada pelo Pai? Fazendo conforme a vontade d’Ele que é: “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou” ( 1Jo 3:23 ). Observe que só a vontade de amar o semelhante não salva, antes é preciso amar conforme o mandamento que Deus ordenou: que creiamos no nome do seu Filho. Melhor dizendo, é impossível amar sem crer em Jesus Cristo. O amor como sentimento não torna o homem uma árvore plantada pelo Pai.

O escritor aos Hebreus, após demonstrar que a lei nunca pode aperfeiçoar os que a cultuavam, apresenta o sacrifício de Cristo ofertado por Deus.

A lei não podia aperfeiçoar, ou seja, tornar justos e santos aqueles que a cultuava por alguns fatores:

  1. A lei não trazia em si a imagem exata das coisas, mas tinha em si a ‘sombra’ dos bens futuros; os ‘bens futuros’ refere-se à graça do evangelho;
  2. continuamente os sacrifícios eram oferecidos, mas ineficazes quanto ao aperfeiçoamento do homem; se os sacrifícios da lei fossem eficazes, no primeiro sacrifício oferecido, já não haveria mais a necessidade de oferecer outros sacrifícios ( Hb 10:1 -2).

A triste realidade quanto aos sacrifícios da lei resume-se na frase: “Mas esses sacrifícios cada ano se faz recordação de pecados, pois é impossível que sangue de touros e de bodes tire os pecados ( Hb 10:3 -4). O escritor aponta a realidade da impossibilidade da lei para introduzir o poder de Deus através da oferta do corpo de Cristo, pois n’Ele torna-se possível a extinção dos pecados.

Diante da impossibilidade do homem tornar-se perfeito diante de Deus (‘Pelo que, ao…’ refere-se à impossibilidade humana de livrar-se do pecado por meio do sangue de touros e bodes) descrito anteriormente pelo escritor ( Hb 10:4 ), é introduzida uma nova ideia que leva o leitor da carta a lembrar-se do que o salmista havia predito sobre a vinda de Cristo ao mundo: “Pelo que, ao entrar no mundo, diz: sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste; não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado. Então eu disse: aqui estou (no rolo do livro está escrito de mim) para fazer, ó Deus, A TUA VONTADE ( Sl 40:6 -7).

Os sacrifícios segundo a lei nunca pode tirar os pecados dos homens, mas Deus sim. Não era a oferta e os sacrifícios que podiam livrar os ofertantes da condição de pecado, antes, o ofertante precisava crer em Deus que purifica o homem do pecado ( Sl 51:7 ).

Somente Deus pode criar um coração puro e um espírito novo ( Sl 51:10 ). Após a ação divina é que Deus aceitaria do homem, no A. T., as suas ofertas e sacrifícios ( Sl 51:19 ). A esperança do homem não devia estar nos holocausto, e sim em Deus, que tem poder de circuncidar aos homens nos corações.

A lei era somente sombra dos bens futuros, e nunca pode livrar o homem do pecado por intermédio dos seus sacrifícios. A necessidade do contínuo sacrifício devia-se a impossibilidade dos sacrifícios tirar pecados ( Hb 10:11 ), e constitui-se de per si uma recordação da condição do homem em pecado.

Deus não se deleita em ‘holocaustos e oblações pelo pecado’, pois eles são mera recordação da condição do homem ( Sl 51:16 ). Mas, quando se crê em Deus que tem poder para purificar o homem do pecado ( Sl 51:7 ), então, Deus aceitaria o sacrifício segundo a ‘sombra’ ( Sl 51:19 ; Is 66:3 ). Caso o homem queira se aproximar de Deus por intermédio das obras da lei, sem confiar, permanecerá na mesma condição que veio ao mundo: condenável, culpável e destituído da glória de Deus.

  • “Não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado” ( Sl 40:6 );
  • “… nesses sacrifícios cada ano se faz recordação pelos pecados” ( Hb 10:3 )

Diante da impossibilidade do homem, Deus preparou um corpo a Cristo. Como? Cristo nasceu segundo a vontade de Deus, ou seja, à parte da vontade do homem! Se dependesse só da carne, Cristo não viria ao mundo, pois Maria não havia coabitado com José. Se dependesse da vontade de José e Maria, Cristo não viria ao mundo, pois para ser o Santo de Deus era necessário ser gerado pelo Espírito Eterno ( Jo 1:13 ).

Cristo veio ao mundo dos homens segundo a vontade de Deus, e para isto, foi-lhe preparado um corpo ( Hb 10:5 ). Ao ser introduzido no mundo, Cristo tornou-se “participante da carne e do sangue”, conforme a bíblia diz: “Portanto, visto que os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas (…) pelo que convinha que em tudo fosse semelhante a seus irmãos…” ( Hb 2:14 e 17).

Após Cristo estar de posse de seu corpo humano, ou seja, o Verbo de Deus introduzido no mundo, Ele diz: “Aqui estou, para fazer, ó Deus, a tua vontade… ”. Cristo veio realizar a vontade de Deus, e é através da vontade de Deus que os cristãos são santificados, por intermédio da oferta do corpo de Cristo.

Deus, em justiça e santidade determinou que, através da oferta do corpo de Cristo, todos os homens que crerem terão acesso ao Santo dos Santos por um novo e vivo caminho. Ou seja, somente pode se achegar a Deus aqueles que são santos, ou que foram santificados.

Qual a vontade de Deus que Cristo se ofereceu para realizar: a oferta do Seu próprio corpo. Tal oferta foi feita de uma vez por todas. No sacrifício de Cristo há os méritos seguintes:

a) uma vez por todas, ou seja, o sacrifício é completo de per si. Não há a necessidade de ser complementado por atividades humanas ( Hb 10:11 -12);
b) um único sacrifício com validade eterna: para sempre, e por isso, Cristo se assentou à destra de Deus ( Hb 10:12 );
c) os que são santificados tornam-se perfeitos “… porque com uma só oferta aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados ( Hb 10:14 ).

Atributos morais não fazem os cristãos perfeitos. A Santificação em Cristo não decorre de atributos morais, ou de uma melhoria no caráter, ou de qualquer outro elemento humano para ‘progredir’ em santificação diante de Deus, pois os que creem já são perfeitos pela natureza adquirida em Cristo: filhos de Deus, filhos da luz “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” ( 1Ts 5:5 ).

Os que se convertem ao evangelho por crerem em Cristo tornam-se perfeitos por terem adquirido a natureza do Santo, ou seja, por receberem a plenitude d’Ele.

“… aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” Os que ‘estão sendo santificados’ diz de pessoas que aceitam a Cristo ao longo do tempo, e não de um processo de santificação ( At 2:39 ). Este versículo não dá sustentação à teoria da santificação progressiva ( Hb 10:14 ).

Muitos querem fazer a obra de Deus, mas esquecem que somente Deus pode realizar a sua obra. A obra de Deus, a salvação, é algo já realizado. Não foi dado aos homens e nem aos anjos realizar a obra de Deus, pois é uma obra concluída ( Hb 10:12 ).

Alguns ouvintes de Jesus desejavam saber qual era a obra de Deus, no intuito de realizá-la, e Jesus lhes respondeu: “A obra de Deus é esta: crede naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). Como isto é possível? Quando o homem crê em Cristo conforme a Escritura, ele recebe de Deus poder para ser feito filho de Deus.

É quando o homem crê que a obra maravilhosa da Regeneração acontece. Deus dá ao homem uma coração puro e um espírito reto, e o declara justo por ser uma nova criatura inculpável ( Ef 4:24 ). Esta nova criatura é Santa por ser participante da natureza de Deus, diferente dos homens no pecado, que são inimigos de Deus por causa da natureza herdada de Adão.

A base da Justificação e da Santificação se apóia no poder de Deus. Para que o homem seja de novo gerado, precisa da semente incorruptível que é poder de Deus para aquele que crê. Quem crê recebe de Deus poder para ser feito (criado) filho de Deus, ou seja, recebe a ação sobrenatural do evangelho ( Jo 1:12 ).

Cristo nunca perdoou pecado com base na idéia da justiça que se administra nos tribunais, e sim, com base em seu poder “Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Que arrazoais em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:22 -24).

Cristo foi ofertado para que, da mesma forma que Ele foi erguido dentre os mortos, nos também sejamos vivificados através do poder de Deus ( Cl 2:12 ). É através da suprema grandeza do poder de Deus, que foi manifesto em Cristo, quando o ressuscitou dentre os mortos, que o crente assenta nas regiões celestiais ( Ef 1:19 -20 e Ef 2:6 ).

Foi da vontade de Deus que Cristo fosse entregue aos malfeitores. Cristo por sua vez ao se oferecer, fez a vontade do Pai. É através da vontade de Deus que os que creem em seu Filho são predestinados a Filhos por adoção. Deus tornou conhecido estes mistérios concernentes à sua vontade. É a vontade de Deus que nos faz herança para louvor da sua graça e glória.

É nesta vontade que temos sido santificados: através da oferta do corpo de Cristo.

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Como obter a Santificação?

Ser santo não implica em ser distinto. A santidade de Deus não é pertinente àquilo que difere, e sim, à Sua natureza. Como a santidade procede da natureza de Deus, jamais ela pode ser atribuída ou imputada, antes decorre da Regeneração (gerar de novo), onde o homem passa a ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:3 ).

 


 

“E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 )

Como obter a Santificação?

O Dr. Russell Shedd, em seu livro Lei, Graça e Santificação deixou a seguinte nota:

“Deus quer filhos à Sua imagem, que imitem a Sua santidade” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 55, o que nos leva à pergunta: a santidade dos filhos de Deus provem da capacidade deles em ‘imitar’ a santidade do Pai, ou por terem sido gerado d’Ele?

A Bíblia é muito clara ao demonstrar que a regeneração, a justificação e a santificação são provenientes de Deus por meio da fé em Cristo quando o homem recebe poder de ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 -13).

  • Através da fé em Cristo o homem é Santificado: “Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim( At 26:18 );
  • De igual forma, o homem é Justificado pela fé em Cristo: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” ( Gl 2:16 );
  • A Regeneração é por meio da fé: “Necessário vos é nascer de novo (…) para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” ( Jo 3:7 e 15).

Através dos versículos acima, verifica-se que a fé é o elemento comum e essencial à regeneração, à santificação e à justificação.

Por meio do evangelho, Deus oferece Salvação graciosa a todos os homens que estão perdidos, sendo que a Salvação é adquirida pela fé em Cristo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:8 ).

O chamado de Salvação é para todos os homens, sem distinção alguma. Porém, somente quando o homem crê em Cristo, ou seja, descansa na promessa proposta, entra em ação o poder de Deus, que é concedido àqueles que creem para Salvação ( Jo 1:12 ).

A oferta de salvação é proposta ao homem na condição de pecador, porém, o homem não pode ser salvo enquanto pecador. É neste ponto que Deus realiza uma obra maravilhosa, segundo a sua vontade e poder: a Regeneração.

O homem que recebe a proposta de salvação e crê, tem que morrer, e verdadeiramente morre com Cristo, sendo sepultado com Ele. Isto porque Deus não salva a planta que não foi plantada por Ele, antes ela é arrancada ( Mt 15:13 ).

A semente incorruptível que foi plantada no coração do homem, somente germina quando este morre e é sepultado com Cristo “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” ( Jo 12:24 ). Neste sentido, Cristo não veio trazer conciliação com a velha natureza presente no homem, mas sim, trazer espada ( Mt 10:34 ).

Na Regeneração Deus cria um novo homem. Este é gerado de Deus “Segundo a sua vontade, Ele nos gerou de novo…” ( Tg 1:18 ; Ef 2:10 ). O homem passa a ser a planta plantada pelo Pai. Esta nova criatura, e somente esta, recebe a Salvação de Deus. A oferta de Salvação foi feita ao homem na condição de pecador, mas a Salvação se efetiva naqueles que são de novo criados, segundo Deus ( Jo 1:12 -13).

Na Regeneração o homem ressurge com Cristo uma nova criatura, e somente este homem pode receber o prêmio da salvação, por não permanecer no pecado. Pois para isso Cristo ressurgiu “E, se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” ( 1Co 15:17 ).

Da Regeneração decorre a Justificação e a Santificação. A Justificação refere-se à declaração de Deus à nova criatura, visto que ela foi criada segundo a natureza divina: justa. Deus declara justo o justo que ressurgiu com Cristo dentre os mortos. Isto, porque não haveria como o velho homem que recebeu a proposta de salvação ser declarado justo. Na justificação entende-se também que o homem está livre da condição anterior, quando vivia no pecado.

Já, a Santificação refere-se à nova natureza recebida na Regeneração. Quando o homem é sepultado com Cristo, ele se reveste das condições pertinentes a Cristo ( Gl 3:27 ). Deus não tem o culpado por inocente, mas por sermos vivificados com Cristo, alcançamos o perdão de todos os delitos ( Cl 2:13 ).

O cristão não vive mais à ‘sombra das coisas futuras’, a Santificação é uma realidade na sua vida, pois a realidade é Cristo ( Cl 2:17 ). Não depende de esforço da parte do homem, visto que, ao ser de novo gerado, temos nos tornados participante de Cristo ( Hb 3:14 ; 1Jo 4:17 ).

A Salvação em Cristo é adquirida por meio da fé, sendo que, aqueles que creem recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). A filiação divina é adquirida por meio da fé na mensagem do evangelho (a semente incorruptível). Por meio da semente incorruptível o homem recebe poder para ser feito, criado, ou gerado de novo “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade…” ( Tg 1:18 ).

O Novo Nascimento é condição indispensável à salvação, conforme Jesus disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ). Somente pela fé é possível alcançar a Regeneração, pois apenas os gerados de novo podem herdar a salvação ( Jo 3:16 ). O pecador não poder ser salvo, somente o novo homem é salvo.

Não podemos esquecer que o velho homem originou-se da queda de Adão, e que a condição de culpável, condenável, inimigo de Deus e destituído da glória de Deus passou a todos os homens. Por natureza o homem nascido segundo a semente corruptível de Adão é filho da desobediência e da ira. Todos os homens que vêem ao mundo estão em igual condição diante de Deus ( Rm 5:18 ). A argumentação de Paulo de que todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus se fundamenta na natureza decaída que a semente de Adão produz ( Rm 3:23 ).

Após crer em Cristo, o homem recebe de Deus poder para ser feito (criado), filho de Deus. Este homem criado ou gerado segundo a vontade e poder de Deus é declarado justo. É o que denominamos justificação. A justificação divina não guarda semelhança com a justiça emanada dos tribunais humanos. Somente o novo homem gerado segundo a palavra da verdade pode ser declarado justo por Deus, visto que este novo homem é participante da natureza divina, por ter sido de novo criada em verdadeira justiça.

O homem que estava morto em delitos e pecados, após ouvir o convite e crer no evangelho (que é poder de Deus para que o homem seja criado segundo Deus), ressurge com Cristo dentre os mortos, nova criatura. Esta nova criatura é declarada justa por Deus. Para que fossemos declarados justos, Jesus ressuscitou, e, ao ressurgimos juntamente com Ele, somos declarados justo em decorrência da nova vida ( Rm 4:25 ).

Da mesma maneira que a Justificação, a Santificação vem por meio da filiação divina. O homem nascido segundo a vontade de Deus é participante da natureza divina ( 2Pe 1:4 ). Segundo o poder de Deus, o homem que crê, é criado novamente em verdadeira justiça e santidade.

Observe que a vontade eterna de Deus é que Cristo seja primogênito dentre os mortos e de toda a criação, para que em tudo tenha a preeminência ( Cl 1:15 e 18). Em Cristo, o homem é uma nova criatura ( 2Co 5:17 ), sendo gerado de novo e tido por Deus como filhos por adoção ( Rm 8:15 ). Por meio de Cristo é conduzido à glória de Deus muitos filhos ( Hb 2:10 ), onde a condição de preeminência de Cristo diante de toda criação se torna efetiva.

Quando os homens que creem são recebidos por filhos de Deus, irmãos de Cristo e herdeiros com Ele de todas as coisas, é conferido a Jesus a condição de primogênito de toda criação e dos mortos. Pois só é possível alguém reclamar o direito de primogenitura quando se tem irmãos. O unigênito que nos fez conhecer o Pai, agora, após conduzir muitos filhos a Deus, torna-se o primogênito de toda criação.

Desta forma, Deus quis e gerou pelo Espírito Eterno filhos para si. Filhos à sua imagem e semelhança, que receberam d’Ele a plenitude ( Cl 2:10 ). Estes não precisam imitar o Pai em sua santidade, antes são gerados de novo e detém a natureza do Pai: santos. Não há como imitar a santidade de Deus, visto que ela decorre da própria natureza divina. Deus é santo do mesmo modo que é justo, onipresente, reto, verdadeiro, etc.

Sobre este aspecto Jesus alertou: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ). Quais são as plantas que o Pai não Plantou? Aqueles nascidos da semente corruptível de Adão! Já os nascidos de semente incorruptível, que é a Palavra de Deus, são ‘plantas’ plantadas pelo Pai ( Jo 3:9 ; 1Pe 1:23 ).

A santidade daqueles que creem não pode ser uma mera imitação. Ela deve ser autentica, ou seja, em verdade. A santificação não fica a cargo do homem, e sim, de Deus.

É Deus que tem o poder de dar nova vida ao homem. Vida que procede d’Ele e que faz o homem ser participantes da sua natureza. Deus é luz, e aqueles que creem em seu Filho tornam-se filhos da luz “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ; 1Ts 5:5 ).

Da mesma forma que a justificação é de vida, a santificação também o é ( Rm 5:18 ).

O Dr. Shedd ao falar da santificação e justificação, argumentou que:

“Enquanto a justificação (grego dikaiosune) foi uma declaração de absolvição, da parte de Deus, que nos deu o status de santos, sem nenhuma condenação (Rm 8. 1) não entendemos a santificação da mesma maneira. Paulo chama a igreja de Corinto, aquela singularmente mundana e carnal, como composta dos que são ‘santificados em Cristo Jesus’ (I Co 1. 2). Obviamente os que recebem o Espírito de Deus, incorporados em Cristo, são posicionalmente santos. Por isso um dos títulos mais comuns atribuídos à Igreja no Novo Testamento é ‘santos’. Neste sentido os dois vocábulos, ‘justo’ e ‘santos’, são sinônimos” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 56.

A Justificação não é uma declaração de absolvição. O termo justificação significa declarar justo. Justificação é uma declaração de que é justo aquele que verdadeiramente é justo. Deus não absolve o culpado, pois o culpado não pode ser tido por inocente ( Na 1:3 ).

Na justificação o homem não adquire ‘status’ de justo, antes adquire a justiça que é proveniente de Deus. Qual é a justiça proveniente de Deus? Uma nova vida “… justificação de vida” ( Rm 5:18 ), onde tudo se fez novo. Até o tempo é novo: tempo de paz, gozo e alegria no Espírito Santo de Deus. Deus declara justa a nova criatura que é criada através do seu poder regenerador. A velha criatura recebe o que preconiza a lei quando o homem é crucificado com Cristo: a alma que pecar, essa morrerá!

A Santificação e a Justificação não são posicionais e por isso, não são sinônimas. A Justificação refere-se à declaração que o Cristão recebe de Deus, e a Santificação à nova natureza do Cristão.

Estes equívocos na abordagem do Dr. Shedd ocorrem por ele entender que a pecaminosidade da humanidade reside na vontade própria, sendo que a bíblia demonstra que a pecaminosidade decorre da natureza herdada em Adão.

Ser santo não implica em ser distinto. A santidade de Deus não é pertinente àquilo que difere, e sim, à Sua natureza. Como a santidade procede da natureza de Deus, jamais ela pode ser atribuída ou imputada, antes decorre da Regeneração (gerar de novo), onde o homem passa a ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:3 ).

Sobre este aspecto o apóstolo Pedro escreveu: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 1Pe 1:3 -4).

Deus chamou os que creem pela sua glória e virtude, ou seja, os cristãos foram chamados para louvor de sua glória e em amor, que é virtude de Deus ( Ef 1:4 -6). Para participar da natureza divina, os cristãos foram abençoados com a predestinação, ou seja, aqueles que creem em Cristo não possuem outro destino, se não, serem filhos de Deus.

Só é possível escapar da corrupção que há no mundo (natureza pecaminosa herdada em Adão), quando se torna participante da natureza divina (filiação). Tudo isto é dado aos cristãos através do poder de Deus, que concede vida, contrastando com a condição antes de se ter a Cristo: morte.

Esta nova vida deve ser desfrutada em piedade, ou seja, o cristão deve andar segundo as boas obras que Deus preparou ( Ef 2:10 ).

Como Deus desejou ter filhos para que o seu Filho obtivesse a preeminência em tudo, os cristãos são feitura Sua, criados em Cristo e à Sua imagem, em verdadeira Justiça e Santidade ( Ef 2:10 e Ef 4:24 ).

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A doutrina da santificação

Foi especificamente esta palavra grega, desprovida da ideia de moralidade e caráter, que os escritores do N. T. escolheram para falar da santificação em Cristo, da mesma forma que a palavra hebraica ‘qodesh’ significa separar no A. T. No entanto, observa-se que, muito tempo depois, a palavra que se traduz para ‘santificação’ passou a apresenta um novo sentido conforme a concepção dos religiosos. Este novo sentido da palavra passou a predominar gradualmente, passando a estar vinculada à moral e ao que é religioso.

 


“Que dizem: Fica onde estás, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são fumaça no meu nariz, um fogo que arde todo o dia” ( Is 65:5 )

Introdução

Por ser um tema controverso, surgem inúmeras questões sobre o lado prático da Santificação, por exemplo: O que promove a santificação? A oração? O jejum? A leitura bíblica? A adoração? A obediência? Manter-se separado de outros pecadores? Depende de tempo?

Os teóricos procuram dar uma estrutura à doutrina da santificação: O que é ser santo? O que a palavra santo designa ou descreve? É por graça somente, sem qualquer vinculo com a lei?

Ciente da problemática em torno do tema Santificação e das dificuldades decorrentes das variadas correntes de interpretação bíblica, resta uma pergunta que motivou este trabalho: é possível ser mais santo do que outro irmão em Cristo?

Há quem diga que o crente precisa ‘entrar pra valer na corrida para a santificação’.

Como este tema é de extrema relevância para os cristãos, não poderíamos nos furtar em apresentar um trabalho que abordasse este tema, do qual, as várias correntes de interpretação acabaram por tornar controverso.

Nós cristãos precisamos compreender como ocorre a santificação, e por que somos designados santos, para que não incorramos nos mesmos erros do povo de Israel, e de muitos seguimentos religiosos da atualidade: legalismo, formalismo e tradicionalismo.

 

A Palavra ‘santo’ e ‘santificação’

Para o nosso estudo faz-se necessário que o leitor considere as palavras do Dr. Bancroft, extraída do seu livro Teologia Elementar:

“A raiz da qual se originam esta e outras palavras correlatas, é o vocábulo grego ‘hagios’. O pensamento mais próximo da santidade de que era capaz o grego secular era “o sublime, o consagrado, o venerável”. O elemento moral está totalmente ausente. Ao ser adotada esta palavra nas Escrituras, entretanto, foi necessário proporcionar-lhe novosentido. Empregando a palavra ‘santo’ em seu sentido mais elevado, quando aplicada a Deus, os melhores lexicógrafos definem-na como ‘aquilo que merece e exige reverência moral e religiosa'” BANCROFT, Emery. H., Teologia Elementar – 3º Edição 2001, Ed. EBR, Pg. 261. (grifo nosso).

A palavra grega ‘hagios’ possui variadas formas, porém, é traduzida para ‘santo’, ‘santificação’, ‘santificar’, ‘santidade’ e ‘santificado’. Esta palavra grega trazia a idéia do sublime, do consagrado e do venerável sem qualquer referência à moral ou ao caráter.

Foi especificamente esta palavra grega, desprovida da idéia de moralidade e caráter, que os escritores do N. T. escolheram para falar da santificação, da mesma forma que a palavra hebraica ‘qodesh’ significa separar no A. T.

No entanto, observa-se que, muito tempo depois, a palavra que se traduz para santificação passou a apresenta um novo sentido. Este novo sentido da palavra passou a predominar gradualmente, passando a estar vinculada à moral e ao que é religioso.

Observe o que Bancroft disse:

“Os melhores lexicógrafos definem-na como ‘aquilo que merece e exige reverência moral e religiosa”.

Neste sentido, Erickson também diz:

Esse sentido passou gradualmente a predominar. Ele designa não apenas o fato de os crentes serem formalmente separados, ou pertencerem a Cristo, mas que devem, portanto agir de acordo com isso. Eles devem viver em pureza e bondade” Introdução à Teologia Sistemática, por Millard J. Erickson, 1 ª ed. Vida Nova, Pg 418.

Era mesmo necessário proporcionar um novo sentido às palavras gregas e hebraicas que foram traduzidas pelas palavras ‘santidade’ e ‘santo’? Os apóstolos não tinham bem definido em suas mentes qual o sentido exato da palavra que utilizaram para escrever sobre a santificação?

O significado das palavras ‘hagios’ e ‘qodesh’ é separado para Deus, e em ambos os testamentos foram utilizada para designar pessoas e coisas. Quando tais palavras são utilizadas para coisas, não há qualquer referência à qualidade moral. Porém, quando se refere à pessoas, este deveria ser o mesmo tratamento, visto que, por mais que uma pessoa procure separa-se para ser santa, jamais alcançará tal intento, se Deus não o fizer.

Por que a palavra traduzida por santificação deixou de designar o fato dos crentes serem separados, ou pertencentes a Deus, para apontar um dever de se agir conforme um padrão de moral rotulado ‘santo’, ou que se deva agir de acordo com o certo e errado?

O trabalho de um lexicógrafo se resume em estudar as origens e evolução das palavras. O sentido que os dicionários empregam para cada palavra decorrem da sua origem, e conclui-se com a sua evolução ao longo do tempo, o que deve ser feito sem qualquer influência do estudioso em questão.

Resta nos a pergunta: quem foram os responsáveis por influenciar e fazer evoluir o sentido da palavra traduzida por santificação? Os religiosos ao longo dos anos. Sobre quais princípios as religiões se fundamentam? Não é sobre comportamento, moral, ética, caráter, e outros elementos humanos?

Quando os escritores bíblicos empregaram as palavras ‘hagios’ e ‘qodesh’ para falar sobre a santificação em Cristo, nem de longe fizeram qualquer referência a merecimento, exigência, moral e religiosidade, como hoje os lexicógrafos definem.

 

Como definir o significado de uma Palavra?

Se quisermos saber o significado de uma palavra, a melhor maneira de saber o seu significado é através de um bom dicionário. Neste aspecto, é de suma importância o trabalho de um lexicógrafo. Você terá em mãos o significado atual da palavra, e a sua evolução ao longo dos anos.

Mas, se você extraiu a palavra de um texto, a melhor maneira de se entender aquela palavra em específico, é estudando o contexto no qual ela esta inserida.

Um dicionário poderá auxiliar, mas o sentido exato da palavra é determinado pelo contexto geral do texto.

Esta regra de interpretação de uma palavra não é diferente quando se trata de textos bíblicos.

Em se tratando de uma palavra bíblica, o que é mais apropriado para a interpretação do texto: o sentido atual da palavra, ou o sentido original?

Claro está que o mais importante para a leitura de um texto bíblico é o sentido original da palavra, e não o seu sentido atual. Se queremos abstrair um entendimento acerca de uma única palavra de um texto, o melhor a se fazer é estudar o contexto, fixando a análise no sentido original da palavra.

Para o nosso estudo, estaremos utilizando o sentido secular das palavras gregas e hebraicas ‘hagios’ e ‘qodesh’, que significam respectivamente ‘o sublime, o venerável, o consagrado’ e ‘separar’.

Sem antes analisar os textos em que as palavras são empregadas, não as empregaremos no sentido que gradualmente passou a predominar.

 

Como obter a Santificação?

O Dr. Russell Shedd, em seu livro Lei, Graça e Santificação deixou a seguinte nota:

“Deus quer filhos à Sua imagem, que imitem a Sua santidade” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 55.

Daí surge a seguinte pergunta: a santidade dos filhos de Deus provem da capacidade deles em ‘imitar’ a santidade do Pai, ou por serem gerados d’Ele?

A Bíblia é muito clara ao demonstrar que a regeneração, a justificação e a santificação são provenientes de Deus por meio da fé em Cristo. É condição adquirida por terem sido gerados de novo segundo Deus, e não segundo a semente corruptível de Adão.

Através da fé em Cristo o homem é Santificado: “Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim” ( At 26:18 ).

De igual forma, o homem é Justificado pela fé em Cristo: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” ( Gl 2:16 ).

A Regeneração é por meio da fé: “Necessário vos e nascer de novo (…) para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” ( Jo 3:7 e 15).

Através dos versículos acima, verifica-se que a fé é o elemento comum e essencial à regeneração, à santificação e à justificação.

Por meio do evangelho, Deus oferece Salvação graciosa a todos os homens que encontram-se perdidos, sendo que a Salvação é adquirida pela fé em Cristo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:8 ).

O chamado de Salvação é para todos os homens, sem distinção alguma. Porém, somente quando o homem crê em Cristo, ou seja, descansa na promessa proposta, entra em ação o poder de Deus, que é concedido àqueles que creem para Salvação ( Jo 1:12 ).

A oferta de salvação é proposta ao homem na condição de pecador, porém, o homem não pode ser salvo enquanto pecador. É neste ponto que Deus realiza uma obra maravilhosa, segundo a sua vontade e poder: a Regeneração. O homem que recebe a proposta de salvação e crê, tem que morrer, e verdadeiramente morre com Cristo, sendo sepultado com Ele. Isto porque Deus não salva a planta que não foi plantada por Ele, antes ela é arrancada ( Mt 15:13 ).

A semente incorruptível que foi plantada no coração do homem, somente germina quando este morre e é sepultado com Cristo “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (João 12: 24). Neste sentido, Cristo não veio trazer conciliação com a velha natureza presente no homem, mas sim, trazer espada Mt 10: 34.

Na Regeneração Deus cria um novo homem. Este é gerado de Deus “Segundo a sua vontade, Ele nos gerou de novo…” ( Tg 1:18 ; Ef 2:10 ). O homem passa a ser a planta plantada pelo Pai. Esta nova criatura, e somente esta, recebe a Salvação de Deus. A oferta de Salvação foi feita ao homem na condição de pecador, mas a Salvação se efetiva naqueles que são de novo criados, segundo Deus ( Jo 1:12 -13).

Na Regeneração o homem ressurge com Cristo uma nova criatura, e somente este homem pode receber o prêmio da salvação, por não permanecer no pecado. Pois para isso Cristo ressurgiu “E, se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” ( 1Co 15:17 ).

Da Regeneração decorre a Justificação e a Santificação. A Justificação refere-se a declaração de Deus à nova criatura, visto que ela foi criada segundo a natureza divina: justa. Deus declara justo o justo que ressurgiu com Cristo dentre os mortos. Isto, porque não haveria como o velho homem que recebeu a proposta de salvação ser declarado justo. Na justificação entende-se também que o homem está livre da condição anterior, quando vivia no pecado.

Já, a Santificação refere-se à nova natureza recebida na Regeneração. Quando o homem é sepultado com Cristo, ele se reveste das condições pertinentes a Cristo ( Gl 3:27 ). Deus não tem o culpado por inocente, mas por sermos vivificados com Cristo, alcançamos o perdão de todos os delitos ( Cl 2:13 ).

O cristão não vive mais à ‘sombra das coisas futuras’, a Santificação é uma realidade na sua vida, pois a realidade é Cristo ( Cl 2:17 ). Não depende de esforço da parte do homem, visto que, ao ser de novo gerado, temos nos tornados participantes de Cristo ( Hb 3:14 ).

A Salvação em Cristo é adquirida por meio da fé, sendo que, aqueles que creem recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). A filiação divina é adquirida por meio da fé na mensagem do evangelho (a semente incorruptível). Por meio da semente incorruptível o homem recebe poder para ser feito, criado, ou gerado de novo “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade…” ( Tg 1:18 ).

O Novo Nascimento é condição indispensável à salvação, conforme Jesus disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ). Somente pela fé é possível alcançar a Regeneração, pois apenas os gerados de novo podem herdar a salvação ( Jo 3:16 ). O pecador não poder ser salvo, somente o homem redimido e remido é salvo.

Não podemos esquecer que o velho homem originou-se da queda de Adão, e que a condição de culpável, condenável, inimigo de Deus e destituído da glória de Deus passou a todos os homens. Por natureza o homem nascido segundo a semente corruptível de Adão é filho da desobediência e da ira. Todos os homens que vêem ao mundo estão em igual condição diante de Deus Rm 5: 18. A argumentação de Paulo de que todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus se fundamenta na natureza decaída que a semente de Adão produz ( Rm 3:23 ).

Após crer em Cristo, o homem recebe de Deus poder para ser feito (criado), filho de Deus. Este homem criado ou gerado segundo a vontade e poder de Deus é declarado justo. É o que denominamos justificação. A justificação divina não guarda semelhança com a justiça emanada dos tribunais humanos. Somente o novo homem gerado segundo a palavra da verdade pode ser declarado justo por Deus, visto que este novo homem é participante da natureza divina, por ter sido de novo criada em verdadeira justiça.

O homem que estava morto em delitos e pecados, após ouvir o convite e crer no evangelho (que é poder de Deus para que o homem seja criado segundo Deus), ressurge com Cristo dentre os mortos, nova criatura. Esta nova criatura é declarada justa por Deus. Para que fossemos declarados justos, Jesus ressuscitou, e, ao ressurgimos juntamente com Ele, somos declarados justo em decorrência da nova vida ( Rm 4:25 ).

Da mesma maneira que a Justificação, a Santificação vem por meio da filiação divina. O homem nascido segundo a vontade de Deus é participante da natureza divina ( 2Pe 1:4 ). Segundo o poder de Deus, o homem que crê, é criado novamente em verdadeira justiça e santidade.

Observe que a vontade eterna de Deus é que Cristo seja primogênito dentre os mortos e primogênito de toda a criação, para que em tudo tenha a preeminência ( Cl 1:15 e 18). Em Cristo, o homem é uma nova criatura ( 2Co 5:17 ), sendo gerado de novo e tido por Deus como filhos por adoção ( Rm 8:15 ). Por meio de Cristo é conduzido à glória de Deus muitos filhos ( Hb 2:10 ), onde a condição de preeminência de Cristo diante de toda criação se torna efetiva.

Quando os homens que creem são recebidos por filhos de Deus, irmãos de Cristo e herdeiros com Ele de todas as coisas, é conferido a Jesus a condição de primogênito de toda criação e dos mortos. Pois só é possível alguém reclamar o direito de primogenitura quando se tem irmãos. O unigênito que nos fez conhecer o Pai, agora, após conduzir muitos filhos a Deus, torna-se o primogênito de toda criação.

Desta forma, Deus quis e gerou pelo Espírito Eterno filhos para si. Filhos à sua imagem e semelhança, que receberam d’Ele a plenitude ( Cl 2:10 ). Estes não precisam imitar o Pai em sua santidade, antes são gerados de novo e detém a natureza do Pai: santos. Não há como imitar a santidade de Deus, visto que ela decorre da própria natureza divina.

Sobre este aspecto Jesus alertou: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ). Quais são as plantas que o Pai não Plantou? Aqueles nascidos da semente corruptível de Adão! Já os nascidos de semente incorruptível, que é a Palavra de Deus, este são ‘plantas’ plantadas pelo Pai ( Jo 3:9 ; 1Pe 1:23 ).

A santidade daqueles que creem não pode ser uma mera imitação. Ela deve ser autentica, ou seja, em verdade. A santificação não fica a cargo do homem, e sim, de Deus.

É Deus que tem o poder de dar nova vida ao homem. Vida que procede d’Ele e que faz o homem ser participantes da sua natureza. Deus é luz, e aqueles que creem em seu Filho tornam-se filhos da luz “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ; 1Ts 5:5 ).

Da mesma forma que a justificação é de vida, a santificação também o é ( Rm 5:18 ).

O Dr. Shedd ao falar da santificação e justificação, argumentou que:

“Enquanto a justificação (grego dikaiosune) foi uma declaração de absolvição, da parte de Deus, que nos deu o status de santos, sem nenhuma condenação (Rm 8. 1) não entendemos a santificação da mesma maneira. Paulo chama a igreja de Corinto, aquela singularmente mundana e carnal, como composta dos que são ‘santificados em Cristo Jesus’ (I Co 1. 2). Obviamente os que recebem o Espírito de Deus, incorporados em Cristo, são posicionalmente santos. Por isso um dos títulos mais comuns atribuídos à Igreja no Novo Testamento é ‘santos’. Neste sentido os dois vocábulos, ‘justo’ e ‘santos’, são sinônimos” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 56.

A Justificação não é uma declaração de absolvição. O termo justificação significa declarar justo, ou seja, justificação é uma declaração de justo a quem verdadeiramente é justo. Deus não absolve o culpado, pois o culpado não pode ser tido por inocente ( Na 1:3 ).

Na justificação o homem não adquire ‘status’ de justo, antes adquire a justiça que é proveniente de Deus. Qual é a justiça proveniente de Deus? Uma nova vida “…justificação de vida” ( Rm 5:18 ), onde tudo se fez novo. Até o tempo é novo: tempo de paz, gozo e alegria no Espírito Santo de Deus. Deus declara justo a nova criatura que é criada através do seu poder regenerador. A velha criatura recebe o que preconiza a lei quando o homem é crucificado com Cristo: a alma que pecar, essa morrerá!

A Santificação e a Justificação não é posicional e por isso, não são sinônimas. A Justificação refere-se à declaração que o Cristão recebe de Deus, e a Santificação à nova natureza do Cristão.

Estes equívocos na abordagem do Dr. Shedd ocorrem por ele entender que a pecaminosidade da humanidade reside na vontade própria, sendo que a bíblia demonstra que a pecaminosidade decorre da natureza herdada em Adão.

Ser santo não implica em ser distinto. A santidade de Deus não é pertinente àquilo que é difere, e sim, à Sua natureza. Como a santidade procede da natureza de Deus, jamais ela pode ser atribuída ou imputada, antes decorre da Regeneração (gerar de novo), onde o homem passa a ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:3 ).

Sobre este aspecto o apóstolo Pedro escreveu: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 1Pe 1:3 -4).

Deus chamou os que crêem pela sua glória e virtude, ou seja, os cristãos foram chamados para louvor de sua glória e em amor, a virtude de Deus ( Ef 1:4 -6). Para ser participante da natureza divina, os cristãos foram abençoados com a predestinação, ou seja, aqueles que crêem em Cristo não possuem outro destino, se não, serem filhos de Deus.

Só é possível escapar da corrupção que há no mundo (natureza pecaminosa herdada em Adão), quando se torna participante da natureza divina (filiação). Tudo isto é dado aos cristãos através do poder de Deus, que concede vida, o que contrasta com a condição antes de se ter a Cristo: morte. Esta nova vida deve ser desfrutada em piedade, ou seja, o cristão deve andar segundo as boas obras que Deus preparou ( Ef 2:10 ).

Como Deus desejou ter filhos para que o seu Filho obtivesse a preeminência em tudo, os cristãos são feitura Sua, criados em Cristo e à Sua imagem, em verdadeira Justiça e Santidade ( Ef 2:10 e Ef 4:24 ).

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Teses sobre a doutrina da santificação

É possível que a ‘santificação’ ou ‘santidade’ decorra de algo que ‘merece e exige reverência moral e religiosa’? Muitos ofertam aos seus deuses reverência moral e religiosa, por entenderem que é o que suas divindades exigem e merecem, porém, não é reverencia moral ou religiosa que santifica o homem diante de Deus.


“O mesmo Deus de paz vos santifique completamente” ( 1Ts 5:23 )

 

Teses sobre a Doutrina da Santificação

O que mais se tem apregoado sobre a santificação é que nela se desenvolve a experiência da salvação.

O Dr. Scofield deixou registrado em suas notas de rodapé, da Bíblia Scofield que:

“A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa (…) Ele declara justamente e trata como justo aquele que crê em Jesus Cristo” Nota de rodapé Romanos 3: 28. Grifo nosso.

Observe que, para Scofield o crente não é justo, mas somente reconhecido e tratado como sendo justo.

Sobre a Santificação, Scofield apresenta um triplo significado ao tema: posicional, experimental e consumação. Ele considera que posicionalmente o crente é santo, mas que, experimentalmente, está sendo santificado progressivamente.

Neste mesmo sentido, E. H. Bancroft ao falar da santificação, subdivide o tema em três fases: inicial, progressiva e final. Da fase progressiva, ele destacou:

“A justificação difere santificação no seguinte: aquela é uma ato instantâneo e que não comporta progressão; esta, é uma crise que visa a um processo – um ato que é instantâneo, mas que ao mesmo tempo traz em si a ideia de desenvolvimento até a consumação. De acordo com 2 Co 3. 18 estamos sendo transformados de um grau de caráter ou de glória para outro. É porque a santificação é progressiva que somos exortados a continuar progredindo cada vez mais (1 Ts 3.12; 4. 1, 9, 10) nas graças da vida cristã. Existe realmente o ‘aperfeiçoamento de santidade’. O dom de Deus à igreja, de pastores e mestres, tem o propósito de aperfeiçoar os santos na semelhança de Cristo até que, finalmente, atinjam o padrão divino (Ef 4. 11- 15; Ef 3. 10 – 15)” BANCROFT, Emery. H., Teologia Elementar – 3º Edição 2001, Ed. EBR, Pg. 262 (grifo nosso).

Como demonstramos anteriormente, o crente efetivamente é santo e justo, porém, como entender esta necessidade de Santificação? A Bíblia realmente apresenta a Santificação em três fases distintas?

É comumente aceito nos meios acadêmicos que a Santificação é obra continua do Espírito Santo. Esta obra ‘continua’ visa conformar o crente à imagem de Cristo. Tal ideia é proveniente do termo grego traduzido por santificação, que os tradutores deixaram de considerar o seu significado original e adotaram nova concepção ao longo do tempo incluindo quesitos de ordem moral e religioso.

Este novo significado que deram ao termo traduzido por ‘santificação’ se deve também à ideia do que entendem por purificação, e com base em alguns textos bíblicos tentam demonstrar que na santificação deve ocorrer uma transformação moral no cristão. Através desta concepção, afirma-se que a moral e o caráter são elementos que devem ser transformados através de uma busca pela santificação.

Em resumo, as várias teorias existentes sustentam que a Santificação é posicional (objetiva), progressiva (subjetiva) e efetiva no futuro. Explicam que a santificação objetiva surge na regeneração e que todos os crentes são separados e foram purificados por Deus. Apesar de o crente ter sido Santificado por Deus, alegam que o Espírito Santo, por sua vez, continua trabalhando na vida deste crente regenerado com o fito de desenvolver um novo caráter e uma nova personalidade: é o que denominam de santificação progressiva.

Segundo este pensamento teológico, a Santificação efetiva deve ser aguardada quando da volta de Cristo, quando se dará a plena liberdade do pecado.

Dentre os elementos necessários à Santificação, destacam: o Espírito Santo, a união com Cristo, a palavra de Deus, o esforço do cristão, a oração, a disciplina, a obediência, consagração, etc. Para que a Santificação seja alcançada, alegam que o cristão precisa da ação “abundante” do Espírito, senão o crente fica a mercê das fraquezas “morais” e “espirituais”.

Pensam na mudança do caráter e da moral do cristão como sendo necessária à santificação, para que se torne cada vez mais real a sua união com Cristo. Entendem que há níveis diversos de santidade.

Millard J. Erickson em sua Introdução à Teologia Sistemática define este posicionamento:

“A santificação é a obra continua de Deus na vida do crente, tornando-o realmente santo. Por ‘santo’ entende-se aqui ‘portador de uma verdadeira semelhança com Deus’. A santificação é um processo pelo qual a condição moral da pessoa é moldada de acordo com sua situação legal diante de Deus” Pg 417, 1º § (grifo nosso).

O Dr. Shedd ao falar de aspectos pertinentes a Santificação, apresenta quatro fatores fundamentais:

“Em primeiro lugar, ele depende da união entre o remido e o Redentor (…) Segundo: a santidade deve caracterizar o padrão de vida (…) Produzir um hábito de santidade deve ser desafio prioritário do ministério (…) Terceiro: a santificação, sendo um processo, não deve ser encarada como um alvo que algum dia alcançaremos nesta vida terrestre (…) Em quarto lugar observamos a realidade escatológica. A segunda vinda de nosso Senhor promete completar o que a vinda de Jesus Cristo no primeiro século iniciou” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º edição, Ed. Vida Nova, Pág. 72 ss.

 

Refutação

Se o interprete das Escrituras levar em conta a ideia de que a palavra traduzida por ‘santificação’ engloba questões como ‘moral’ e ‘religiosidade’, chegará a mesma conclusão dos teóricos citados acima.

Mas, levando-se em conta que a Santificação diz da condição da nova natureza que o crente adquire em Cristo, que pertence a Deus, percebe-se o termo traduzido por santificação não contém agregado a si elementos como moralidade, comportamento e caráter.

Quando da queda do homem em Adão, Deus não levou em conta questões como moral e caráter. Nem mesmo existia a ideia de caráter, moral ou comportamento no Éden quando da desobediência de Adão.

Quando foi criado, o homem era participante da vida que há em Deus, sendo perfeito, santo, irrepreensível e inculpável. Estas características pertinentes ao homem Adão foram conferidas pela natureza concedida por Deus e não por questões morais, comportamentais ou de religiosidade.

Se na queda não estava em voga elementos como moralidade e religiosidade, porque estes elementos são computados quando da reunião dos homens com Deus por meio do evangelho? A Bíblia apresenta a necessidade de crer em Cristo como única exigência para que o homem passe a pertencer a Deus, ou seja, santificado para uso exclusivo d’Ele.

Deste modo conclui-se que a ‘santificação’ ou ‘santidade’ não decorre de questões que‘merece e exige reverência moral e religiosa’ . Não é reverencia moral ou religiosa que santifica o homem diante de Deus, antes o que santifica é obedecer o mandamento que diz: que creiais naquele que Ele enviou.

Os judeus entendiam que Deus exigia e merecia ser reverenciado por meio da religiosidade e moralidade, tanto que criaram segundo seus corações inúmeras regras e mandamento de cunho moral e religioso como forma de se aproximarem de Deus. No entanto, o zelo não mudou a condição deles diante de Deus ( Rm 10:1 -4).

Não adianta um caráter impecável, uma moral intocável, um comportamento exemplar, uma religiosidade rigorosa, etc., nenhum destes elementos faz o homem aceitável diante de Deus. Por quê? Porque a obra de Deus é perfeita. Não há como o homem retocar a obra de Deus.

A obra realizada na Regeneração faz com que os homens passem à condição de santos, irrepreensíveis, inculpáveis e participantes da glória de Deus. Ou seja, a obra realizada por Deus é perfeita. Perfeito em Cristo é a condição de santo, irrepreensível e inculpável ( Cl 1:22 e 28).

Como em Cristo habita corporalmente a plenitude da divindade, aqueles que creem recebem a plenitude de Deus em Cristo. Regeneração plena, Justificação plena e Santificação plena.

O apóstolo João ao falar da plenitude de Deus em seus filhos, assim define: “Todo aquele que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus” ( 1Jo 4:15 ). Caso alguém tenha dúvidas quanto à natureza herdada em Cristo, perceba que, tal qual Cristo é, ‘somos nós também neste mundo’ ( 1Jo 4:17 ).

Observe que a nova condição em Cristo é efetiva neste mundo, e não no vindouro. A filiação é que confere Justificação e Santificação. Perceba que se adotarmos o posicionamento corrente da teologia da atualidade, deveríamos considerar que Cristo também está se santificando progressivamente, pois tal qual Ele é, somos nos AQUI NESTE MUNDO.

O Dr. Bancroft, ao falar da Santificação progressiva citou II Co 3: 18 para justificar o seu posicionamento. Ao lermos o verso bíblico, percebe-se que ele foi arrancado do contexto e interpretado sem o critério das Escrituras.

“De acordo com 2 Co 3. 18 estamos sendo transformados de um grau de caráter ou de glória para outro” (idem).

“Mas todos nós, com o rosto descoberto, refletindo a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” ( 2Co 3:18 ).

O contexto do verso acima faz referência à lei entregue por Moisés ao povo. Ao fazer referência ao brilho do rosto de Moisés após ter recebido as tábuas da lei, e ao véu que Moisés utilizou, Paulo demonstra que todos os cristãos estão com o rosto descoberto. Que todos refletem a glória de Deus. Que todos foram transformados de glória em glória. Que a transformação operada nos da a imagem de Deus.

Mas, sobre que glória Paulo estava falando? De caráter? Não! Da glória proveniente da lei, que desvanecia, e da glória proveniente do evangelho, que é permanente. Onde Paulo faz referência a caráter? Não vemos no texto, e nem mesmo o contexto fazer qualquer referência a caráter ou moral.

“Pois o que foi glorioso, não o é em comparação com a glória inexequível” ( 2Co 3:10 )

É sobre estas ‘glorias’ que Paulo fez referência, e não com relação a caráter.

Porque uma é a glória dos homens, quando criados por Deus, e outra é a glória dos filhos de Deus, gerados da semente incorruptível. A lei tinha a sua glória e valor para o homem gerado da semente corruptível de Adão, agora, em Cristo, o homem é transformado da glória de criatura para a de filhos, ou melhor, em imagem e semelhança de Deus.

É importante perceber que existem muitas distorções quanto ao tema Santificação, principalmente ao utilizarem citações bíblicas. Estas são arrancadas do contexto para dar ênfase às teses que são formuladas.

Antes de prosseguirmos neste estudo, veremos algumas passagens bíblicas que fazem referência à Santificação e o seu contexto, e quando possível, faremos citações a outros escritores, para tornar evidente as diferenças de interpretação e a aplicação de algumas passagens bíblicas.

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O Deus de Paz

‘O mesmo Deus de paz’ é uma referência implícita à pessoa de Cristo, que é a nossa paz. O mesmo ‘Deus de paz’, que nos fez agradáveis a Deus é quem santifica (separa por seu) o crente completamente. A santificação do crente é obra exclusiva de Deus à parte de qualquer participação do homem.


“O mesmo Deus de paz vos santifique completamente. E todo o vosso espírito, alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará”  ( 1Ts 5:23 -24)

 

O Deus de Paz

Este versículo é um dos utilizados para defender o posicionamento daqueles que subdividem a santificação em três fases distintas.

A bíblia apóia a ideia da Santificação Progressiva? É o que analisaremos agora.

Na primeira carta escrita aos Tessalonicenses não encontramos um tom incisivo de defesa do evangelho como é próprio as outras cartas. Apesar desta característica peculiar à carta aos Tessalonicenses, o capítulo cinco contém algumas recomendações como: regozijai, orai, daí graças, não extingais o Espírito, examinai tudo, retende o bem e abstende-vos de toda espécie de mal (v. 16 – 22).

Observe que as exortações presentes neste capítulo não se constituem determinações legais de per si (não são leis), antes, elas se apoiam em um pedido do apóstolo. Não é a conformidade com o que Paulo pediu aos cristãos que os tornaria santos “Agora vos rogamos, irmãos…” ( 1Ts 5:12 -22). Qualquer cristão que se alimentar da ideia de que a santificação está associada a qualquer regra de cunho humano está muito enganado.

O apostolo é enfático: “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo”, ou seja, completamente!

‘O mesmo Deus de paz’ é uma referência implícita à pessoa de Cristo, que é a nossa paz. O mesmo ‘Deus de paz’, que nos fez agradáveis a Deus é quem santifica o crente completamente. A santificação do crente é obra exclusiva de Deus à parte de qualquer participação do homem.

É Deus quem exclusivamente santifica o crente, isto porque é Deus que fez o chamado à salvação. É Deus quem fez e faz o chamado por meio do evangelho e é ele quem Santifica.

Quando Paulo diz que o cristão foi feito agradável a Deus, ‘fazer’ refere-se à nova criação que faz do homem uma nova criatura. Fazer agradável a Deus não se refere a uma aceitação da condição pecaminosa do homem “Para louvor e glória de sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” ( Ef 1:6 ). Ou seja, ‘fazer’ não significa que Deus aceita o pecador não sendo justo e santo como se fosse justo e santo. Aquele que é feito agradável a Deus é porque foi Regenerado (novamente criado) através da semente incorruptível..

Todos quantos creem em Cristo recebem poder para serem feitos, ou seja, criados de novo na condição de filhos de Deus ( Jo 1:12 ); “Pois somos feitura sua, criados em Cristo Jesus…” ( Ef 2:10 ).

O ato criativo regenerador (Regeneração) já havia sido efetivado na vida dos cristãos de Tessalônica, uma vez que eles eram irrepreensíveis!

A Santificação não é uma ação gradativa de Deus na vida do crente. Somente a obra de Deus em recriar o homem a sua imagem, semelhança e participante de sua natureza é que estabelece a paz entre Deus e o homem.

Paulo estava certo de que Deus é quem santifica o cristão completamente. Paulo estava cônscio de que os cristãos eram plenamente irrepreensíveis. O pedido de Paulo a Deus em oração era para que Deus os conservasse na condição estabelecida: irrepreensíveis.

A alegria do cristão está em saber que Deus é fiel e que foi Ele quem chamou à salvação. Deus chamou à salvação e é Ele quem salva, ou seja, “…o qual também fará”.

A palavra ‘também’ demonstra que Deus chamou, tornou os crentes irrepreensíveis, e os santificou. Deus santificou completamente. Deus tornou os cristãos plenamente irrepreensíveis, e TAMBÉM haveria de conservá-los até a vinda de Cristo irrepreensíveis.

Observe que os versos 12 a 22 de I Tessalonicenses 5 apresentam várias exortações, uma vez que Paulo estava convicto de que obedeceriam. Não que fosse uma ordem legal, mas por ser um pedido com base na ‘entrada’ de Paulo entre os de Tessalônica ( 1Ts 2:1 e 5).

Já os versos 23 à 24 do mesmo capítulo se constitui uma imprecação com base na fidelidade e poder de Deus sem qualquer alusão a elementos humanos.

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A santificação é uma meta dos cristãos?

Deus não deu uma ordem impossível: “Sede santo”, antes, expressou a sua vontade, e ofertou o corpo de Cristo para levá-la a efeito. A palavra de Deus é expressão da sua vontade, e por isso ele disse: Haja luz, e houve luz. Ele disse: ‘Sede santo’, e é através da sua palavra que os cristãos são santificados ( Ef 5:26 -27), pela oferta do corpo de Cristo, o Verbo encarnado (…) A Santificação é obra exclusiva de Deus e a glória proveniente desta obra Ele não passará a ‘outrem’.

 


“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 )

 

Qual é a meta dos cristãos? Qual a inclinação daqueles que professam a Cristo?

Esta duas perguntas surgiram após a leitura deste seguinte parágrafo do livro ‘Lei, Graça e Santificação’ do Dr. Russell P. Shedd:

“Ainda descobriremos, se estivermos inclinados a isso, muitas práticas e atitudes que devem ser mudadas, caso a nossa meta seja sermos ‘santos e irrepreensíveis perante ele’” (Ef 1. 4). Mas mudar requer disciplina em torno de alvos escolhidos de joelhos e com a Bíblia aberta” Sheed, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2ª Ed., editora Vida Nova, pág. 103.

O Dr. Shedd aponta como meta dos cristãos serem santos e irrepreensíveis perante Deus, e cita as seguintes palavras contidas na carta de Paulo aos Efésios capítulo um, versículo quatro: “santos e irrepreensíveis perante ele” ( Ef 1:4 ).

Porém, se observarmos o que estabelece Efésios 1: 4, fica claro que a santificação e a irrepreensibilidade não é uma meta que os cristãos devam alcançar, antes é uma condição que pertence àqueles que estão em Cristo segundo a eleição “Pois nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele” ( Ef 1:4 ).

Se a santificação é segundo a eleição, exclui-se qualquer outra via, ou seja, a santificação não é uma meta que se deva alcançar através de mudanças de práticas e atitudes.

A santificação não é alcançada através de mudanças de hábitos, atitudes e praticas, pois a Bíblia diz que os cristãos foram novamente criados em verdadeira justiça e santidade “… que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ). Também demonstra que Cristo se entregou pelo seu corpo, que é a igreja, para santificá-la pela palavra, a fim de apresentar os cristãos sem mancha ou ruga: santos e irrepreensíveis ( Ef 5:26 -27).

Ora, o que Jesus propôs fazer e entregou-se para realizar agora é uma meta para os cristãos? A obra de Cristo não é perfeita? Os cristãos já não são santificados pela fé em Cristo? (Atos 26: 18).

Num primeiro momento achei que o Dr. Shedd chegou a esta conclusão após ler Hebreus 12: 14 que diz: “Segui a paz com todos, e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Para um leigo é possível concluir através deste versículo que a santificação é uma meta, porém, para alguém que investiga as escrituras, percebe-se que só é possível chegar até Deus através de Cristo: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” ( Jo 14:6 ).

Ao ler II Timóteo 2: 22, fica demonstrado que somente aos cristãos é possível seguir a Paz, ou seja, juntamente com aqueles que tem um coração puro por invocarem a Deus os cristãos devem seguir a Paz (segui a paz com todos). De que paz o escritor aos Hebreus falou? Que os cristãos devem ter paz com todos os homens, ou que, com todos que seguem a Paz, que é Cristo, os cristãos devem em união segui-Lo?

Somente os cristãos seguem a Paz e a Santificação que é Cristo. Seria um contra senso ter paz com todas as pessoas, se há condição para isto: se possível for “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” ( Rm 12:18 ). Ora, no que depende dos cristãos é para ter paz com todos os homens, porém, para seguir a Paz que excede a todo entendimento, que é Cristo, para esta recomendação não há a restrição “se possível for”, antes deve seguir com todos que tem um coração puro e invocam ao Senhor a paz, a justiça, a fé, o amor, etc.

É pela vontade de Deus que os cristãos foram santificados através da oferta do corpo de Cristo ( Hb 10:10 ). É nesta vontade: “Sede santos, porque Eu sou santo” que os cristãos foram santificados pela oferta do corpo de Cristo “Sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos para serdes meus” ( Lv 20:26 ).

Deus não deu uma ordem impossível: “Sede santo”, antes, expressou a sua vontade, e ofertou o corpo de Cristo para levá-la a efeito. A palavra de Deus é expressão da sua vontade, e por isso ele disse: Haja luz, e houve luz. Ele disse: ‘Sede santo’, e é através da sua palavra que os cristãos são santificados ( Ef 5:26 -27), pela oferta do corpo de Cristo, o Verbo encarnado.

Deus é o Deus da providência, e Ele proveu o Cordeiro imaculado pelo qual os homens são santificados. Abrão é um exemplo clássico, pois Deus disse: “SENDO, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito” ( Gn 17:1 ). Ora, bastava Abrão andar na presença do Senhor (crer) que a condição de perfeição seria efetiva.

Deus não deu uma ordem a Abrão como meta para ele alcançar a perfeição, antes demonstrou que, caso ele andasse na presença do Todo-Poderoso, haveria de ser perfeito. Logo após lemos: “E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça” ( Gn 15:6 ).

Esta é a vontade de Deus para os que descansam sob Sua providência “Perfeito serás, como o SENHOR teu Deus” ( Dt 18:13 ).

Por que para Russell a santificação é uma meta para os cristãos? Porque ele entende que o pecado decorre de um processo de aprendizagem:

“É assim que aprendemos a pecar: linguagem obscena, comentários desnecessários prejudiciais, usar o nome de Deus em vão, tornam-se hábitos pela pratica dentro de um ambiente onde ninguém cria objeção alguma” Sheed, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2ª Ed., editora Vida Nova, pág. 99. Grifo nosso.

O erro está em acreditar que é possível ‘aprender pecar’ (É assim que aprendemos a pecar). Para quem acredita que é possível ‘aprender pecar’, a inclinação para o pecado resume-se em hábitos, condutas, práticas, falhas de caráter, formação de caráter, o ambiente onde se vive, etc. Para o posicionamento de que o pecado deriva de um processo de aprendizagem, o meio e o tempo são agentes que exercem influencia direta na santificação.

A Bíblia diz que a inclinação da carne, por ser sujeita ao pecado, é morte ( Rm 8:6 ), e isto independe de práticas, condutas e hábitos.

Não importa qual seja o comportamento dos servos do pecado, se bom ou ruim, o salário é o mesmo: a morte! É de conhecimento geral que há servos do pecado que são regrados, decentes, comportados, prestativos, carismáticos, cordatos, flexíveis, disciplinados, religiosos, etc., porém, o salário é a morte (ex: monges, padres, ascetas, filósofos, etc) . Também há servos do pecado que são depravados, irreconciliáveis, desobedientes, avarentos, maldosos, soberbos, detratores, presunçosos, etc., mas o salário deles é a morte.

Quem tem este posicionamento acredita que ao viver em um ambiente disciplinado, regrado, de bons hábitos, que corrige falhas de caráter, que preza o bom comportamento, o homem não é sujeito ao pecado? Segundo este posicionamento, os que vivem à margem da sociedade são os ‘maiores’ pecadores?

Como anular a Escritura que diz: “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nenhum só” ( Rm 3:12 )? Que dizer da declaração do salmista Davi: “Certamente em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe” ( Sl 51:5 ). Qual a diferença entre nascer EM pecado, e aprender a pecar?

Acreditar que é possível aprender a pecar decorre de outro erro, onde o Dr. Shedd define que carne é o mesmo que ‘o esforço do homem independente’:

“Certa noite, um líder dos fariseus, chamado Nicodemos, ouviu esta mesma exigência. Jesus declarou que a carne, isto é, o esforço humano independente, somente é capaz de gerar carne (Jo 3. 6)” Sheed, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2ª Ed., editora Vida Nova, pág. 22 e 23.

A Bíblia nos mostra que a carne não é o mesmo que esforço humano. Carne diz da natureza pecaminosa herdada de Adão, ou seja, quem é nascido segundo a semente corruptível de Adão é carnal, porém, aqueles que são nascidos da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, são espirituais.

Ninguém aprende a pecar. Os homens são pecadores porque nasceram em pecado. Há uma grande diferença entre ‘aprender pecar’ e ‘nascer em pecado’. A bíblia demonstra que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, não foi a escola da vida, regrada ou não, que os ensinou a pecar. Eles pecaram porque um homem pecou ( Rm 5:16 ).

A inclinação dos pecadores não se revela na conduta, visto que há pecadores devassos (Samaritana), e há pecadores religiosos (Nicodemos). A inclinação dos pecadores é morte, segundo a natureza e condenação herdada de Adão.

A inclinação dos que creem em Cristo é vida e paz, pois são (existem) segundo o Espírito ( Rm 8:5 -6). Não há mais nada que os cristãos devam descobrir ou metas a alcançar porque a justiça de Deus revela-se no evangelho ( Rm 1:16 -17).

Segundo o idealismo platônico, a ascese (prática de renunciar ao prazer com o fins espirituais) servia para aproximar a pessoa (o asceta) da verdadeira realidade espiritual e ideal, ao desligar-se da imperfeição e materialidade do corpo através de esforço metódico e continuado para favorecer o pleno desenvolvimento da vida espiritual, aplicando meios e superando obstáculos. Utilizam e organizam meios e práticas para vida espiritual: oração, penitência, retiro, exame de consciência, direção espiritual, sacramentos, etc.

Que práticas e atitudes o ‘cristão’ deve acolher para alcançar a meta de ser ‘santo’? Disciplina? Orações? Inclinações? Práticas? Atitudes? Quais são os alvos entorno dos quais se deve resignar-se com disciplina? Seriam os mesmos alvos estipulados pelo idealismo platônico? Esforço continuado e metódico de joelho e com a bíblia aberta?

Russell indica, em seu livro, alguns hábitos para se avançar na santificação, e dentre eles destacamos:

“Outro hábito valioso na obtenção de maiores avanços na santidade é o de estabelecer alvos definidos com datas marcadas, indicando quando se espera alcançá-los. Uma vez que se tenha convicção da vontade de Deus quanto a práticas e afazeres, é útil estabelecer alvos para disciplinar as mudanças” Idem, pág 102. Grifo nosso.

Russell afirma:

“A nova vida do ‘novo homem’ substitui a anterior em conseqüência de uma vida disciplinada e comprometida com a instrução das Escrituras (2 Tm 3: 16, 17)” Idem, pág. 101.

A nova vida substitui a anterior em conseqüência de uma vida disciplinada e comprometida?

Não há uma substituição ou afastamento do velho homem. As escrituras revelam que o velho homem deve morrer com Cristo “Porém não matou os filhos deles; mas fez segundo está escrito na lei, no livro de Moisés, como o SENHOR ordenou, dizendo: Não morrerão os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; mas cada um morrerá pelo seu pecado” ( 2Cr 25:4 ). Ao ‘velho homem’ está reservado a cruz e a sepultura para que Deus crie o novo homem em verdadeira justiça e santidade.

Após ser de novo gerado em verdadeira justiça e santidade, a inclinação dos cristãos é vida e paz ( Rm 6:12 ), porque o Espírito de Deus habita em quem crê. Pelo fato de Deus habitar no crente, isto o torna separado (santificado) do mundo.

Deu é luz, e não há nele trevas alguma. Deus não habita em meio a trevas, e é por isso mesmo que a bíblia diz que os cristãos são luz “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ).

A meta do cristão é perseverar na doutrina dos apóstolos, olhando para Jesus, o autor e consumador da fé “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ); “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” ( Hb 3:14 ).

O comportamento, hábito ou dever dos cristãos é portar-se de modo digno, não dando motivo de escândalo a gregos, judeus e nem a igreja de Deus “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus” ( 1Co 10:32 ).

A santificação não é uma meta, pois ao ser de novo gerado, os cristãos passam a estar naquele que é verdadeiro, sendo verdadeiramente justos e santos.

A meta do cristão é não demover-se da doutrina do evangelho, pois ficar firme (perseverança) é a obra completa da fé ( Tg 1:4 ); “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” ( Hb 3:14 ); “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes” ( Ef 6:13 ).

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