Colossenses 4 – Perseverar confiante

O apóstolo preocupava-se com a mensagem que os cristãos estavam retransmitindo. Além de serem cuidadosos em retransmitir a verdade do evangelho, eles deviam atentar para a sociedade onde estavam inseridos. À época de Paulo a sociedade era composta por vários povos, culturas e etnias, e, portanto, a preocupação com a mensagem a ser retransmitida devia ser redobrada.


Colossenses IV

O apóstolo Paulo preocupa-se em recomendar que a união em Cristo refletisse mudanças nas relações sociais dos cristãos.

 

1- Vós, senhores, fazei o que for de justiça e equidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus.

A base utilizada por Paulo para exortar os senhores é a mesma utilizada para exortar os servos. Os senhores deveriam ter em mente que tinham um Senhor nos céus e o servos deviam servir aos senhores temendo a Deus.

Paulo não busca mudar a ordem socioeconômica da sua época, antes exorta de maneira que as relações humanas da época fossem reguladas com justiça e equidade.

Para nós, hoje, é inconcebível a ideia de uma sociedade escravocrata. Muitos questionam por que o apóstolo Paulo não se empenhou em fazer uma revolução social. Porém, estes esquecem que o discípulo não pode ser maior que o mestre. Basta ao discípulo ser igual ao mestre “Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor” ( Mt 10:24 ).

Cristo veio trazer boas novas de salvação, ou seja, resgatar o homem da perdição eterna estabelecida no Éden. Ora, se Cristo não veio desfazer as injustiças sociais, esta não é e nem deve ser a bandeira do cristianismo.

Se estiver ao alcance dos cristãos fazer algo para melhorar a vida em sociedade, nada há que impeça que faça, porém, utilizar alguma nuance do evangelho como sendo um tipo de modelo sócio-econômico-cultural não coaduna com a proposta de Cristo.

 

2- Perseverai em oração, velando nela com ação de graças;

Os cristãos deveriam manter-se confiantes em Deus, ou seja, em oração. Todo aquele que expressa a sua confiança em Deus, que se aplique em agradecer. O ‘perseverar em oração’ não implica passar longas horas de joelhos, antes, que o cristão deve confiar em Deus ‘sem cessar’, continuamente.

O cristão não deve socorrer-se da oração como um amuleto do mesmo modo que os gentios aplicam-se as rezas ( Mt 6:7 ). A confiança do cristão deve apoiar-se inteiramente em Deus, que atenderá as suas necessidades mesmo quando não conseguir pronunciá-las ( Mt 6:8 ).

A oração do profeta Jonas é um exemplo típico de oração. Embora não fosse possível pronunciar palavras, ou assumir uma posição de reverência, ele confiou em Deus e expressou a sua confiança: “Quando desfalecia em mim a minha alma, lembrei-me do SENHOR; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo. Os que observam as falsas vaidades deixam a sua misericórdia. Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz do agradecimento…” ( Jn 2:8 -10).

Basta lembrar-se de Deus que a sua lembrança será contada como oração. Basta lembrar-se de Deus que, a sua lembrança será como um grito, e Deus te ouvirá, mesmo que das profundezas do abismo. Deus não é como o injusto juiz, que precisa ser importunado para atender quem o chamar ( Lc 18:2 )

Ademais, o melhor sacrifício é a voz do agradecimento (ação de graças)! ( Hb 13:15 ).

 

3- Orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso;

Paulo pede aos irmãos que orassem por ele, para que ele pudesse evangelizar. Paulo não buscava bênção materiais ou qualquer tipo de lucro, antes queria abertura para falar de Cristo. Por causa deste afã ele estava preso.

 

4- Para que o manifeste, como me convém falar.

Paulo queria que Deus manifestasse a maneira mais acertada e conveniente de expor a verdade do Evangelho. Esta deve ser a preocupação constante do cristão.

 

5- Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo.

Paulo preocupava-se com o comportamento (andar) dos cristãos. A maneira como eles se comportava era de grande importância para a propagação do evangelho de Cristo, visto que ele não podia dar escândalo a judeus, a gregos e nem a igreja de Deus.

 

6- A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um.

O apóstolo preocupava-se com a mensagem que os cristãos estavam retransmitindo. Além de serem cuidadosos em retransmitir a verdade do evangelho, eles deviam atentar para a sociedade onde estavam inseridos. A época de Paulo a sociedade era composta por vários povos, culturas e etnias, e, portanto, a preocupação com a mensagem a ser retransmitida devia ser redobrada.

Como a palavra é comparável ao alimento, segue-se que a palavra do crente, para ser agradável, precisa ser temperada com sal. A Palavra do Evangelho é única e imutável, porém, dependendo do público alvo da mensagem, a palavra anunciada deve ater-se a alguns aspectos específicos. Ex: A mensagem que Jesus anunciou a Nicodemos e a Samaritana são idênticas no conteúdo, porém, a abordagem é diferente por causa da necessidade dos ouvintes. Isto é temperar a palavra.

Na lei o sal representa o elemento humano quando da oferta ou do sacrifício, o que também é pertinente ao homem quando anuncia a mensagem do evangelho.

Deus produz o alimento, e o homem para degustá-lo, administra a porção de sal necessária para tornar o alimento saboroso, agradável ao paladar.

 

7- Tíquico, irmão amado e fiel ministro, e conservo no Senhor, vos fará saber o meu estado; O qual vos enviei para o mesmo fim, para que saiba do vosso estado e console os vossos corações;

O irmão Tíquico foi incumbido de levar noticias sobre as condições de Paulo na prisão, e de trazer notícias de como estava a igreja de Cristo.

 

9- Juntamente com Onésimo, amado e fiel irmão, que é dos vossos; eles vos farão saber tudo o que por aqui se passa.

Onésimo foi enviado para acompanhar Tíquico, com a missão de confirmar as notícias acerca de Paulo.

 

10- Aristarco, que está preso comigo, vos saúda, e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o;

Paulo não estava só na prisão. Aristarco também estava preso.

 

11- E Jesus, chamado Justo; os quais são da circuncisão; são estes unicamente os meus cooperadores no reino de Deus; e para mim têm sido consolação.

Para o apóstolo Paulo era consolador ver alguém de seu povo (da circuncisão) cooperando no evangelho, que é o caso de Jesus, também chamado justo.

Paulo enumera as pessoas que estavam exercendo o ministério com ele: Tíquico, Onésimo, Aristarco, Marco, Justo, Lucas, Demas e Epafras.

 

12- Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus.

Paulo manda os cumprimentos de Epafras, aquele que havia evangelizado os cristãos em Colossos.

Epafras estava sempre pedindo a Deus pelos cristãos para que eles fossem conservados firmes, prefeitos e consumados em toda a vontade de Deus. Compare este versículo com ( 1Co 1:8 ; Fl 1:10 ; 1Pe 5:10 e 1Ts 5:23 ).

 

13- Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e pelos que estão em Hierápolis.

Paulo confirma o zelo de Epafras, conforme foi dito no início da carta ( Cl 1:7 ).

 

14- Saúda-vos Lucas, o médico amado, e Demas. Saudai aos irmãos que estão em Laodiceia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa. E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodiceia lede-a vós também.

Paulo lembra o nome de algumas igrejas e de algumas pessoas.
As cartas poderiam ser trocadas e lidas em Laodiceéia e Colossos.

 

17- E dizei a Arquipo: Atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para que o cumpras.

Arquipo é alertado quanto ao exercício do seu ministério.

 

18- Saudação de minha mão, de Paulo. Lembrai-vos das minhas prisões. A graça seja convosco. Amém.

Paulo termina a carta saudando os cristãos e autenticando a sua escrita. Eles não podiam se esquecer das cadeias do amado servo do Senhor.

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Colossenses 3 – Ressurretos em Cristo

‘Ressuscitar’ e ‘morrer’ com Cristo são fatos conclusos que fazem parte do passado da vida dos cristãos (já e estais). ‘Morrer’ e ‘ressuscitar’ soam como sendo elementos antagônicos quando da composição da ideia, mas ‘em Cristo’ são elementos que se complementam. Primeiro é necessário conformar-se com Cristo na sua morte, e só então, ressurge com Ele em uma nova vida, sendo um novo homem. Tanto o ressurgir quanto o morrer só ocorrem quando se está ‘COM’ ou ‘EM’ Cristo.


Colossenses 3

1- Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.

Este capítulo tem inicio com uma conclusão que decorre de elementos apresentados em versículos anteriores: “Portanto…”.

Antes de toda e qualquer análise de um texto bíblico é necessário ter em mente que as divisões em capítulos e versículos só servem para auxiliar na localização dos textos, e que tais divisões podem influenciar negativamente o interprete.

A ideia da carta não fica estagnada ou restrita a um só capítulo ou versículo. A ideia transcende e engloba toda a carta, e, para entendê-la, é necessário analisar a carta como um todo, e não somente algumas partes ou referências.

Quando Paulo disse: “Portanto, se…”, ele está fazendo referência a uma ideia anterior para introduzir uma outra. Observe:

Paulo expôs no versículo vinte do capítulo anterior que: ‘se eles estavam mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo’, quais eram os motivos que prendiam os cristãos as ordenanças como se eles ainda vivessem no mundo? Eles estavam mortos, ou não?

O versículo em questão volta a mesma temática: “se estais mortos com Cristo” é o mesmo que dizer “se já ressuscitastes com Cristo”. O fôlego de vida de quem crê não termina quando se morre com Cristo. A morte com Cristo é o caminho para a ressurreição com Ele.

‘Morrer com Cristo’ tem o mesmo valor que ‘ressurgir com Ele’:

“Portanto, se ressuscitastes com Cristo…”;

“Se, pois, estais mortos com Cristo…”.

‘Ressuscitar’ e ‘morrer’ com Cristo são fatos conclusos que fazem parte do passado da vida dos cristãos (já e estais). ‘Morrer’ e ‘ressuscitar’ soam como sendo elementos antagônicos quando da composição da ideia, mas ‘em Cristo’ são elementos que se complementam.

Primeiro é necessário conformar-se com Cristo na sua morte, e só então, ressurge com Ele em uma nova vida e um novo homem.

Tanto o ressurgir quanto o morrer só ocorre quando se está ‘COM’ ou ‘EM’ Cristo.

Observe o contraste:

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus

“Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?”

As ‘coisas’ que são de cima pertencem àqueles que morreram e ressurgiram com Cristo. Por quê? A resposta está no versículo 3.

As ‘coisas’ deste mundo são rudimentos, ordenanças, regras, comportamentos, etc, pertencentes à vida que o cristão tinha no pecado, ou seja, aquela vida que possuía antes de morrermos e ressurgir com Cristo.

 

2 – Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;

Enquanto vivos para o pecado, os homens buscam viver segundo os princípios do mundo, e se ocupam de ordenanças como: não faça isto ou aquilo. Estes entendem que tais elementos podem ‘melhorar’ a condição deles diante de Deus. Ledo engano.

A partir do momento que o homem morre com Cristo, em seguida passa a viver para Deus (ressurge), e é necessário buscar as coisas que são de cima, e ocupar-se em pensar nelas.

Quais são as ‘coisas’ de cima? E por que Paulo faz referência ao local onde Cristo está assentado? Para obter uma resposta é necessário considerar o que Paulo escreveu aos cristãos em Efésios:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (…) E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” ( Ef 1:3 ; Ef 2:6 ).

É possível vislumbrar a grandeza que é ressuscitar com Cristo? Se o homem já ressuscitou com Cristo, isto significa que está assentado nos lugares celestiais, onde Cristo está assentado à destra de Deus.

O ‘assentar’ indica descanso!

Da mesma forma que ao terminar a obra da criação Deus descansou no sétimo dia, Jesus, ao terminar a sua obra de redenção, assentou-se à destra do Pai. Isto significa que a obra de Jesus também é completa “Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus” ( Hb 10:12 ).

Os sacerdotes ao oferecerem sacrifício pelos seus semelhantes em momento algum podiam tomar assento, visto que, o que eles faziam não podia aperfeiçoar os pecadores.

Cristo ao se oferecer em sacrifício, e sendo sumo sacerdote dos bens futuros, ao fazer oferta de si mesmo pode assentar-se à destra de Deus nas alturas

Por isso Paulo concita a que pensemos nas coisas que são de cima, pois de lá temos recebido todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.

Enquanto as pessoas que vivem segundo o curso deste mundo se ocupam de ordenanças, o cristão deve se ocupar em pensar das coisas que recebemos de Deus, tais como: redenção, regeneração, eleição, justificação, santificação, predestinação, herança, etc ( Ef 1:1 -14).

 

3 – Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

O motivo é bem simples: estamos mortos e a nossa vida está escondida com Cristo em Deus! Compare com ( Cl 2:20 e Cl 3:1 ).

Não há como desvincular o ‘morrer’ e o ‘ressurgir’ com Cristo. Só é ressurreto dentre os mortos aqueles que de uma vez por todas morreram para aquilo que estavam retidos.

 

4 – Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória.

Este versículo trata do futuro de todos os cristãos. No momento em que Cristo se manifestar haveremos de nos manifestar com ele em glória, pois assim como Ele é, haveremos de ser em glória.

O apóstolo Paulo disse que toda a criação geme na expectativa da revelação dos filhos de Deus, que é a igreja (corpo) de Cristo em glória ( Rm 8:19 ).

Porém, antes de ocorrer a adoção, ou a redenção deste corpo, entendemos que, qual Cristo é, os cristão também são neste mundo: filhos da Luz ( 1Jo 4:17 ).

 

5 – Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;

A condição do cristão perante Deus é a de assentados nos lugares celestiais, e é na coisas concernentes a esta posição que deve pensar.

O cristão já morreu e ressurgiu com Cristo para a glória de Deus:

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo…”;

“Se, pois, estais mortos com Cristo…”

Agora, deve mortificar os seus membros (mortificai, pois,…). As premissas dos versos 1 e 3 não podem ser desprezas enquanto se analisa o versículo 5.

O cristão adquiriu uma condição perante Deus, entretanto, ainda está sobre a terra e possuí um corpo material (vossos membros). Paulo pede aos cristãos que ‘mortifiquem’ o seus membros considerando o que Deus já realizou em suas vidas.

Ao se abster da prostituição, da impureza, das afeições desordenadas, da vil concupiscência e da avareza, o cristão está mortificando o seu corpo mortal.

Não podemos concluir que a morte com Cristo e a ressurreição com ele advém da abstenção das impurezas aqui relacionadas, pois muitas religiões apregoam estes princípios e seus seguidores se aplicam a observá-los em busca de salvação, no entanto, não morreram, não ressuscitaram e não estão em Cristo.

O morrer e o ressurgir com Cristo, ou seja, ser uma nova criatura advém da graça de Deus por meio do evangelho e dá fé que tais verdades nos proporcionam. Agora, o mortificar o corpo diz de elementos comportamentais e não espirituais.

Este versículo apresenta as mesmas considerações do versículo: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” ( Gl 5:25 ). A morte do velho homem e a ressurreição em uma nova criatura é uma obra proveniente de Deus, e agora deve seguir o estipulado por Paulo na carta aos ( Ef 4:1 e 17).

Os versículos seguintes elucidam melhor estas verdades.

 

6 – Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;

Este versículo é pequeno, mas a ideia que ele contém é grandiosa e complexa.

“Pelas quais coisas…”

Quais coisas? A resposta é: “a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria”.

A ira de Deus virá sobre os filhos da desobediência por eles andarem nas práticas que foram enumeradas, mas a condenação é proveniente da natureza que participam por serem descendentes de Adão. A condenação de Deus no Éden em Adão, e a ira procede das ‘coisas’ enumeradas pelo apóstolo Paulo.

Não são as ‘tais coisas’ que trouxe condenação sobre todos os homens, e sim, a origem deles em Adão. A ira diz do julgamento de obras que se dará no Grande Trono Branco.

O versículo possui dois elementos distintos que devem ser alvo de análise: a ira de Deus e os filhos da desobediência.

 

1. Os filhos da desobediência

Os filhos da desobediência são os filhos de Adão, ou seja, os filhos da desobediência tiveram origem na desobediência de Adão “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores…” ( Rm 5:19 ). Se os filhos da desobediência tiveram origem na desobediência de Adão, segue-se que pelo juízo de Deus eles já estão condenados “E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação…” ( Rm 5.:16 ).

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” ( Jo 3:18 ). Mas aqueles que creem podem dizer conforme o apóstolo Paulo: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” ( Rm 8:1 ).

Observem que sobre os filhos da desobediência pesa uma condenação, não porque praticam as coisas pelas quais vem a ira de Deus, mas porque são filhos segundo a desobediência de Adão, filhos nascido: “… do sangue,(…) da vontade da carne, (…) e da vontade do homem…” ( Jo 1:13 ).

Sobre os filhos da desobediência pesa uma condenação, e por mais que se procure ter uma vida regrada é impossível livrar-se de tal condenação se não for por meio da cruz de Cristo.

 

2. A ira de Deus

“Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” ( Rm 2:5 )

Este tema é um pouco complicado, e por isso, é preciso iniciar o comentário através de ( Rm 2:5 ).

Paulo alerta que as pessoas com o coração impenitente entesouram ira para um dia específico. Será o dia da ira e o dia da manifestação do juízo de Deus.

Desde que Jesus veio ao mundo está a manifestar-se aos homens a justiça de Deus, mas haverá um dia marcado para manifesta-se o juízo de Deus. Desde que o homem pecou foi estabelecido o juízo de Deus e o homem está sob condenação, mas isto não é manifesto. Mas, no dia em que Deus manifestar a sua ira, também haverá de manifestar-se o juízo e quando se deu este juízo. Neste dia todos os homens verão qual é a condenação para aqueles que estão sob juízo.

O juízo de Deus trouxe condenação Rm 2. 16, e a justiça de Deus concede justificação ( Rm 1:17 ).

Isto posto, já é possível falar de alguns princípios que são pertinentes à ira de Deus.

 

 

“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( 1Ts 5:9 ).

A ira de Deus fala de punição. Além de o incrédulo estar condenado por ser filho da ira, ou filho da desobediência em Adão (perdição), ele também estará sujeito à ira em decorrência de suas obras, isto porque ‘Deus recompensará a cada um segundo as suas obras’ ( Rm 2:6 ).

Para os filhos da luz há o tribunal de Cristo, e para os filhos da desobediência haverá o Grande Trono Branco.

“A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção” ( Rm 2:7 ).

Como interpretar Rm 2:7 ? Observe:

“Com perseverança em fazer o bem” é um termo acessório da oração, ou seja, é um aposto.

Aposto é um termo acessório de uma oração que tem a função de ampliar, explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida numa oração ou em parte dela.

A oração sem este termo integrante ficaria redigida assim: “A vida eterna aos que (…) procuram glória, honra e incorrupção”. A vida eterna não é alcançada por aqueles que praticam o bem, antes ela é alcançada por aqueles que procuram glória, honra e incorrupção, sendo que tais coisas só se encontram em Cristo.

Agora, após ter encontrado incorrupção em Cristo, o homem deve perseverar em fazer o bem, pois haverá de receber o bem e o mal que houver feito por meio do corpo no tribunal de Cristo.

Observe que a idéia exposta no versículo sete é complementada no versículo oito:

“Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade” (v. 8);

A indignação e a ira de Deus recairá sobre aqueles que não obedeceram a verdade do evangelho, e que portanto são contenciosos e desobedientes à verdade. A ira de Deus permanece por serem arredios ao evangelho, e não por não praticarem o bem com perseverança.

Mas, se não obedeceram ao evangelho, estes haverão de receber tribulação por também terem obrado o mal, e para isso não há acepção de pessoas.

Pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;

Concluindo:

A ira de Deus virá sobre aqueles que não se abstêm das vis concupiscências deste mundo, ira que recai sobre os filhos da desobediência de Adão.

 

7 – Nas quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas.

Este versículo contém a mesma ideia que ( Ef 5:8 ):

“Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 )

‘Em outro tempo’ refere-se ao tempo em que por natureza se era filho da desobediência, ou seja, éreis trevas.

‘Nas quais’ refere-se ao comportamento desprezível que os filhos das trevas possuem.

Após comparar os elementos que compõe os dois versículos, verifica-se que ‘andar’ fala de questões comportamentais, e ‘viver’ fala de qual natureza o homem pertence (luz ou trevas; carne ou Espírito).

“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” Gl 5. 25.

Aqueles que, após nascerem da água e do Espírito, passaram a viver em Espírito, e, por tanto, são espirituais, também deve andar, ou seja, a ter um comportamento a altura de sua nova natureza.

Em outro tempo andávamos em concupiscências, pois vivíamos segundo o pecado. Por natureza éramos trevas, e andávamos como filhos das trevas.

Hoje é diferente: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” ( Rm 6:4 ).

Ao cremos em Cristo, morremos com ele e ressurgimos e passamos a viver uma nova vida por meio de Cristo. Como fomos ressuscitados e vivemos em novidade de vida, devemos também andar em novidade de vida.

 

8 – Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.

Paulo convoca os cristãos a experimentarem um novo patamar na conduta cristã.

Antes todos andavam segundo o curso do mundo, mas agora há o dever de se desfazer de tudo que era pertinente ao velho homem que foi crucificado com Cristo: ira, cólera, malicia, etc. O cristão deve se despojar, desfazer de tudo que era pertinente a velha criatura.

A velha criatura foi morta na cruz de Cristo, e não mais vive, mas Cristo vive nos que creem ( Gl 2:20 ). Segue-se que agora deve se desfazer das coisas que pertenciam ao velho homem.

 

9 – Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos,

A mentira é um tipo de comportamento pertinente ao velho homem, pois o novo homem é segundo a verdade do evangelho, o que o torna livre. Livre do velho homem, da velha natureza e despido do comportamento desprezível segundo o pecado.

 

10 – E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;

Há uma nova ‘roupa’ para aqueles que estão em Cristo. O cristão JÁ se despiu e JÁ se vestiu do que é pertinente ao novo homem “E vos revestistes do novo…”.

Este novo homem se renova para o conhecimento, segundo o que Paulo falou aos romanos: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” ( Rm 12:2 ).

O novo homem é segundo a imagem de Deus! Como?

A transformação que ainda esta sendo submetidos os filhos de Deus é quanto ao entendimento, e isto sim é um processo, pois o objetivo de Deus é que experimentemos a sua boa vontade.

Mas quanto a filiação, o novo homem é criado segundo Deus “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ).

O novo homem é criado segundo o poder de Deus, e de Cristo temos recebidos a plenitude “E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade” ( Cl 2:10 ). Qual a Adão são os filhos de Adão, qual Cristo são os filhos de Deus ( 1Co 15:48 ).

Sendo Cristo a imagem de Deus “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” ( Cl 1:15 ), novamente estabeleceu o propósito eterno de fazer convergir em Cristo todas as coisas, sendo nós os que cremos, feitos a imagem e semelhança de Deus “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” ( Gn 1:26) .

 

“Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles”
( Hb 2:10 )

 

11 – Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos.

Qual é o único lugar que não há diferença entre os homens? No corpo de Cristo, visto que Ele disse ao repartir o pão: “E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” ( 1Co 11:24 ). O corpo de Cristo estaria repartido, ou seja, cada um deles eram o corpo de Cristo.

O corpo de Cristo consegue abrigar a todos os homens e ele não faz distinção entre os seus. Cristo passa a ser tudo em todos. Qualquer aspecto que se queira evidenciar, devemos considerar primeiramente a Cristo, o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão ( Hb 3:1 ).

12 – Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade;

No versículo dez Paulo demonstrou que o cristão foi vestido do novo, e aqui ele recomenda revestir de misericórdia, benignidade, humildade, etc.

Qual a diferença entre vestir e revestir? Qual é a vestimenta do novo homem? Qual o motivo de ser necessário revestir?

Antes de conhecer a Jesus as vestes do velho homem eram trapos de imundícies, hoje, o cristão cobre-se de salvação e é envolvido pelo manto da justiça de Deus ( Jó 29:14 ; Is 61:10 ). Ao ser criado em verdadeira justiça e santidade, o novo homem não é achado nu a semelhança de Adão, mas está vestido do que Deus lhe providenciou.

Do novo homem o cristão já está vestido, agora, por ser eleito, santo e amado precisa revestir-se de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão, longanimidade ( Gl 5:22 ).

 

13 – Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

Paulo interpõe a pessoa de Cristo como exemplo.

 

14 – E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.

Ademais, o amor não deve faltar na vida do cristão, pois n’Ele está o vínculo perfeito “E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” ( 1Jo 4:16 ).

 

15 – E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.

A paz de Deus excede a todo entendimento. Por meio de Cristo temos paz com Deus, e isto foi realizado por meio do corpo dele.

Por meio da fé nos unimos a Cristo, e isto se dá por meio da sua morte. Após a morte ressurgimos um novo homem e em paz com Deus “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz” ( Ef 2:15 ).

Fomos chamados por meio do corpo de Cristo e passamos a ter paz com Deus. Agora fazemos parte deste corpo que é composto por pessoas de diferentes classes sociais, etnias, línguas, nações, etc. A paz que temos com Deus transcende e alcança os nossos semelhantes, o que prova que somos nascidos dele.

 

16 – A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.

A palavra de Deus deve fazer morada no crente “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” ( Tg 3:17 ).

Após adquirir sabedoria conforme expõe o apóstolo Tiago, o ensinar e o admoestar se dá através de salmos, hinos e cânticos, ou seja, através da palavra de Deus.

 

17 – E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

O louvor pertence a Deus por meio de Cristo ( Ef 2:10 ).

O contexto muda completamente e Paulo passa a exortar grupos em particular. Paulo determina as mulheres cristãs que residiam em colossos a que fossem sujeitas aos seus maridos, o que é conveniente no Senhor. Não há nesta carta qualquer referência que esclareça os motivos pelas quais o apóstolo Paulo solicita esta submissão àquelas irmãs em particular.

A carta aos cristãos de Efésios possui tal ordenança e outros elementos, mas é temerário nos socorrer de outra carta para tentar elucidar o propósito de Paulo em dar tal recomendação. Por quê? Os cristãos de Efésios viram o apóstolo Paulo pessoalmente e os cristãos de Colossenses não. Isto porque a carta possui destinatários e serve quase que exclusivamente àquela comunidade cristã. Observe que Paulo é bem genérico na exortação.

 

19 – Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas.

Paulo recomenda aos maridos o amor para com as esposas e que não se irritassem com elas. É bem genérico, e não é de bom alvitre tentar dar um motivo pela qual os maridos se irritavam com suas esposas.

 

20 – Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor.

Paulo recomenda a obediência aos filhos, e arremata que tal atitude agrada ao Senhor.

 

21 – Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.

Paulo aponta aos pais o motivo pela qual não se deve irritar os filhos: para que não percam o ânimo.

 

22 – Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus.

Analisando as determinações verifica-se um parâmetro que preserva a autoridade na sociedade e na família. Quando Paulo fala àqueles que estão sob autoridade, ele aponta o Senhor (esposa, filhos, servos). Quando Paulo fala aos detentores de autoridade (marido, pais, senhores), ele não fala como ao Senhor, mas aponta a causa pela qual não se deve tomar tal atitude.

 

23 – E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens,

Deixando as questões pertinentes a autoridade de lado, Paulo recomenda a todos os cristãos que tudo o que fizessem, que fizessem como ao Senhor.

 

24 – Sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis.

Tudo o que o cristão faz é serviço ao Senhor. Hoje somos escravos da justiça, conforme Paulo diz aos Romanos (v. 17 ; Rm 6:18 ).

 

25 – Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer; pois não há acepção de pessoas.

Vide explicação do versículo seis.

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Colossenses 2 – Perfeitos em Cristo

Ao ser franco com os seus leitores, o apóstolo Paulo demonstra o seu cuidado. Os cristãos precisavam de conhecimento espiritual para não serem enganados com palavras persuasivas. A falta de conhecimento deixa os cristãos suscetíveis as inúmeras investidas dos falsos profetas, falsos apóstolos, falsos mestres, etc “Ninguém vos engane com palavras vãs, pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” ( Ef 5:6 ).


Falsas Doutrinas

1 Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e por quantos não viram o meu rosto em carne;

O capítulo dois da carta de Paulo aos Colossenses demonstra a motivação do apóstolo ao escrever aos cristãos: grande empenho na batalha pelo evangelho, principalmente pelos que não o viram em pessoa.

O que motivou o escritor da carta não pode ficar em segundo plano, uma vez que a motivação mescla-se com a ideia geral da carta.

Paulo escreveu aos de Colossos para demonstrar o seu cuidado pela igreja de Deus ( Cl 1:24 ), principalmente àqueles que não tiveram um contato pessoal com o apóstolo.

O teor da carta também poderia ser exposta aos cristãos de Laodiceia, pelo mesmo motivo: eles ainda não tinham visto o rosto do apóstolo ( Cl 4:16 ).

 

2 Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,

1- O combate do apóstolo visava consolar os corações dos cristãos! “Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” ( 2Co 1:4 ). A ideia que o apóstolo Paulo demonstra acerca da consolação é melhor compreendido quando se lê o versículo acima.

2- Fazê-los unidos em amor, e não através de vínculos consanguíneos, ou um código de leis – “Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco” ( 2Co 13:11 ).

3- O combate do apóstolo busca enriquecer os cristãos da plenitude da inteligência (mente de Cristo) “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” ( Cl 1:9 ). Além de pedir a Deus que eles fossem cheios do conhecimento da sua vontade, Paulo também combatia para que eles fossem enriquecidos!

Em momento algum Paulo promete riquezas materiais aos cristãos, antes ele lutava para que os cristãos fossem abastados do conhecimento pleno da vontade de Deus.

O objetivo de Paulo também está expresso aos Filipenses “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” ( Fl 1:27 ).

A carta foi escrita com o intuito de demonstrar que:

1. O apóstolo Paulo estava alegre em poder sofrer em prol dos cristãos ( Cl 1:24 );

2. Que ele foi feito ministro do evangelho segundo Deus ( Cl 1:5 );

3. O mistério de Deus possui riquezas ( Cl 1:7 );

4. O serviço do apóstolo era anunciar, admoestar e ensinar a todos os homens ( Cl 1:28 );

5. Paulo cumpria o seu ministério demonstrando Cristo aos homens, o mistério revelado, em quem está todos os tesouros.

 

3 Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.

Em Cristo está escondido todos os tesouros da sabedoria e da ciência, ou seja, se o cristão prosseguir em conhecer a Cristo, alcançará a plenitude da inteligência espiritual.

Enquanto muitos tinha a lei como um tipo de ‘ciência’ e de verdade, Cristo é quem revela todos os tesouros da sabedoria e ciência.

 

4 E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas.

Paulo demonstra o seu cuidado ao ser franco com os seus leitores. Eles precisavam de conhecimento espiritual para que ninguém pudesse enganá-los com palavras persuasivas.

Paulo aponta aos seus leitores que a falta de conhecimento pode deixar os cristãos suscetíveis a investidas dos falsos profetas, falsos apóstolos, falsos mestres, etc “Ninguém vos engane com palavras vãs, pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” ( Ef 5:6 ).

 

5 Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.

Mesmo não os tendo visto pessoalmente, Paulo demonstra que estava vinculado a eles em espírito, o que motivava o cuidado e a alegria do apóstolo ( 1Co 12:13 ). Paulo estava alegre em saber de Epafras que os irmãos de Colossos eram dedicados e firmes na fé em Cristo.

 

 

Viver e Andar em Espírito

6 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele,

Este versículo arremata a idéia do versículo anterior e o complementa.

Para uma melhor interpretação dos escritos das cartas de Paulo, faz-se necessário que o leitor observe todos os pronomes, as conjunções, os conectivos, etc.

Observe este versículo como exemplo.

“Como, pois, recebestes….” ou, “Portanto, assim como recebestes…” refere-se a uma conjunção conclusiva. Com base em elementos apresentados no versículo anterior, Paulo conclui a ideia e apresenta um novo elemento:

Dados anteriores: “…da vossa fé em Cristo” – A fé é a maneira pela qual recebemos a Cristo, ou antes, somos recebidos por Ele.

Conclusão: “…recebestes o Senhor Jesus Cristo…” receberam a Cristo, ou antes, foram recebidos por Ele por meio da fé.

Nova ideia: “…assim também andai nele,…” O apóstolo concita aqueles que foram recebidos por Cristo a que andassem nele! Como? Por meio da fé!

Observe que ‘também’ é uma locução conjuntiva aditiva enfática, ou seja, o termo da oração ‘também’ refere-se a um elemento anterior: a fé. Da mesma forma que por meio da fé os cristãos haviam recebido a Cristo, também, por meio da fé, deveriam andar em Cristo ( Cl 1:10 ).

A ideia deste versículo ecoa por quase todas as carta de Paulo:

“Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele” (v. 6), contém a mesma ideia expressa aos Gálatas: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” ( Gl 5:25 ).

Aquele que recebe a Cristo, passa a viver no Espírito, e quem recebeu a Cristo, deve andar nele ou andar no Espírito.

Um resumo claro desta verdade encontra-se na carta aos Efésios: “Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 ).

 

7 Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças.

Eles deveriam andar arraigados e edificados em Cristo.

Este versículo não apresenta todos os elementos sobre como andar em Cristo. Para isso necessitamos de outras cartas para melhor definir o que é andar em Cristo “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” ( Gl 5:25 ).

Enquanto ‘viver no Espírito’ fala da nova vida adquirida por meio de Cristo, o ‘andar em Espírito’ fala de questões comportamentais pertinentes àqueles que são recebidos por filhos de Deus. Este conceito é melhor abordado no comentário a Carta de Paulo aos Gálatas.

“Por isso não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade” ( 2Pd 1:12 ). Os cristãos deveriam estar confirmados na fé, ou seja, na presente verdade.

Eles não deveriam demover daquilo que foram ensinados, sendo sempre agradecidos a Deus.

 

8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;

O contexto muda para exortação.

‘Tende cuidado’ – Esta exortação tem muito a dizer! Por que há a necessidade de cuidado? O que ocorre se alguém for feito presa de outrem? Como o apóstolo apresenta um cuidado a ser observado, isto demonstra há riscos em um cristão tornar-se presa de outrem.

Paulo aponta dois tipos de argumentação que poderá levar os cristãos a serem presas se não tiverem o devido cuidado: filosofia e vãs sutilezas.

Para o apóstolo, a filosofia é segundo a tradição dos homens, ou segundo os princípios pertinentes ao mundo. Tais princípios poderiam ser introduzidos sutilmente no seio da igreja local, comprometendo os seus integrantes. Vemos este perigo quando falsos cristãos tentam conciliar filosofia oriental com o evangelho de Cristo.

Paulo procurou divisar ‘tradições dos homens’ de ‘rudimentos do mundo’ é que produzem a filosofia humana. Não há mal naquilo que a tradição humana produz, no entanto, se o homem pensa que conhecerá Deus ou que pode alcançar a salvação por meio dela, ai sim, estará completamente enfatuado em sua mente carnal.

Já com relação às coisas pertinentes a salvação, é segundo Cristo, mistério de Deus revelado aos homens. Só através da revelação divina podemos conhecer a Deus, e Cristo nos revelou o Pai.

 

9 Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;

Paulo retoma a ideia do versículo seis “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus (…) Porque nele habita corporalmente a plenitude da divindade”, conforme foi exposto nos versículos 15 a 22 do capitulo 1.

 

10 E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;

Por meio de filosofias e vãs sutilizas alguém estava prometendo aos cristãos algo que não era segundo Cristo. Mas Paulo demonstra que ‘em Cristo’ os cristãos já eram perfeitos. Eles estavam oferecendo algo, segundo a tradição dos homens e segundo os rudimentos do mundo que auxiliasse os cristãos a chegarem o mais próximo da perfeição.

Paulo demonstra que em Cristo eles já eram perfeitos, e, portanto, não precisavam daqueles ensinamentos.

 

11 No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne, a circuncisão de Cristo;

O apóstolo Paulo passa a demonstrar a perfeição alcançada em Cristo, que é a cabeça de todo principado e potestade.

O primeiro elemento da perfeição a se considerar: a circuncisão de Cristo.

Enquanto a circuncisão de Moisés era feita por meio de mãos de homens, a circuncisão de Cristo não é operada por mãos humanas.

Em Cristo eles foram circuncidados com uma circuncisão que despojou toda a carne, e não só o prepúcio. A circuncisão de Cristo é perfeita, pois se ocupa com toda a carne, e não só com aspectos cerimoniais da lei.

A circuncisão de Cristo é perfeita, pois pode alcançar tanto homens quanto as mulheres; gregos e romanos; escravos e livres, etc. Em Cristo podemos cumprir o que determina a lei:

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 );

“Circuncidai-vos ao SENHOR, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo, e arda de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras” ( Jr 4:4 ).

12 Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.

O segundo elemento da perfeição em Cristo é: sepultados com Cristo no batismo, ou seja, o batismo representa aquilo que o cristão alcança pela fé. Da mesma forma que se é sepultado em Cristo, o cristão ressurge TAMBÉM nele, por meio da fé em Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos.

 

13 E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,

O que Deus operou não podia ser ignorado. Quando se estava morto em pecado e na incircuncisão da carne, ou seja, a carne estava viva segundo o pecado, Deus vivificou os que creram na mensagem do evangelho juntamente com Cristo, e perdoou todas as ofensas.

Tudo o que Deus operou nos cristão deixou-os perfeitos como perfeito é o último Adão. Os cristãos passaram a ser participantes da natureza de Cristo ( 2Pe 1:4 ).

 

14 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.

Havia uma dívida que o homem não podia pagar, e Deus a riscou. Paulo refere-se a lei, que além de tornar evidente a condição pecaminosa do homem, também o deixou com uma dívida por não conseguir cumprir as ordenanças “…desfazendo na sua carne a lei dos mandamentos…” ( Ef 2:14 -15).

A lei é nomeada de ‘escrito de dívida’, isto por causa da obrigação de cumpri-la integralmente para que o homem pudesse viver por meio dela. A divida foi anulada quando cravada na cruz.

 

15 E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.

Por meio do ato descrito anteriormente, Deus tomou o que era de valor para os principados e potestades. Ao riscar a cédula, ou ao tirar a lei, Deus retirou, ou seja, despojou os principados e potestades daquilo que dava força ao pecado e a lei.

Os principados e potestades neste versículo referem-se as hostes espirituais da maldade, conforme a carta de Paulo aos Efésios “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” ( Ef 6:12 ). Diferente do que é exposto em ( Tt 3:1 ).

 

16 Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,

Conclui-se: se os cristãos eram perfeitos em Cristo, ninguém podia assumir a condição de juízes, ou seja, que ninguém vós julgue!

A ninguém é dada a autonomia de julgar o que os cristãos comem, bebem, festejam, comemoram, etc. A ninguém é dado julgar os servos e Deus por causa de dias de festas, ou dias de luas, ou de sábados.

A bíblia apresenta alguns motivos:

a) receberemos o louvor de Deus, e não de homem algum ( 1Co 4:5 );

b) Deus recebeu a todos ( Rm 14:3 );

c) Não se pode julgar o servo alheio ( Rm 14:4 );

d) Cada um deve estar seguro em sua própria mente ( Rm 14:5 ); etc.

 

17 Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.

Cada elemento que a lei apresentava acerca das comidas, das bebidas, das festas, dos dias, dos sábados e luas, apenas apontavam para elementos futuros, não sendo a imagem exata das coisas “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

Os elementos que a lei apresenta são para cuidados do corpo (comer, beber, festas, descansos, etc), só que o corpo (igreja) pertence a Cristo.

Segue-se que o corpo de Cristo é prefeito, pois ele tem cuidado de todos vós ( 1Pe 5:7 ).

 

 

Regras de Homens

18 Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão,

O apósotlo Paulo ordena: ninguém vos domine! Quando o apóstolo Paulo disse ninguém, é ninguém mesmo. Não há exceção!

Qualquer um que venha com teorias e idéias que estabeleça algum domínio sobre o cristão, e o apóstolo dá exemplo, deve ser descartado. Os judaizantes se apresentavam sob a roupagem de uma pretensa humildade dizendo-se sujeitos a lei e mascaravam as suas doutrinas sob o pretexto de reverencia aos profetas (culto aos anjos); estabelecem o domínio sobre os outros alegando terem visões, no entanto, estes possuem uma mente carnal.

A compreensão destas pessoas que tende a dominar os outros cristãos é segundo um entendimento carnal, seguem enfatuado segundo os rudimentos do mundo e segundo as tradições dos homens.

Para estabelecer este tipo de domínio eles procuram demonstrar que ainda falta alguma coisa para se alcançar a perfeição. Para isso faz-se necessário privar o cristão daquilo que já possui, mas ninguém pode privar o cristão daquilo que já recebeu em Cristo: somos perfeitos, pois recebemos a plenitude em Cristo.

 

19 E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus.

Aquele que está de posse de uma compreensão carnal não está ligado à cabeça, que é Cristo. De Cristo todo o corpo cresce em aumento de Deus. Observe que o corpo de Cristo cresce provido e organizado por juntas e ligaduras. Esta forma de ilustrar as verdades bíblicas é bem utilizada nesta carta e na carta de Efésios.

Enquanto a carta aos Gálatas possui várias citações do antigo testamento, esta não apresenta nenhuma citação direta.

 

20 Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como:

Paulo chama os cristãos à responsabilidade: estais mortos quanto aos rudimentos do mundo e por que ainda se submetiam a ordenanças da lei? Se eles estavam se submetendo a lei, isto significava que ainda se comportavam como se vivessem no mundo.

 

21 Não toques, não proves, não manuseies?

O cristão não pode ser sobrecarregado de ordenanças como se dependesse delas para viver para Deus. O homem vive para Deus segundo a sua palavra, e não segundo aquilo que pretensos juízes estipulam para a vida do próximo.

Se alguém acredita que terá vida em Deus simplesmente porque não toca certas coisas, ou porque não prova certos alimentos e prazeres, ou porque não manuseia certos objetos, está completamente enfatuado em sua mente carnal.

 

22 As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens;

A filosofia demonstra que tudo que há em baixo dos céus perece pelo uso, e por que alguns ainda estabelecem regras firmadas nestes princípios humanos?

 

23 As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.

As regras e as doutrinas dos homens possuem aparência, mas não são efetivas para o que se pretende. Parece sabedoria, apresenta uma devoção voluntária, aparenta humildade, parece que o homem está disciplinando o corpo, mas todas estas coisas só conseguem satisfazer a carne, o próprio ego humano.

Muitos querem por meio do jejum ‘alcançar’ uma ‘espiritualidade’, mas o ser espiritual só é possível em Cristo por meio da fé. Só é possível ser espiritual quando nascemos de Deus, e não da vontade do homem.

Alguns procuram disciplinar o corpo como forma de se crescer ‘espiritualmente’, como muitas religiões a pregoam: os espíritas afirmam que podemos alcançar a condição de espíritos elevados; os budistas acreditam que podem alcançar um estágio de perfeição espiritual; as religiões orientais apregoam que é possível ao homem, por meio de uma disciplina rígida e de meditações alcançar a ‘espiritualidade’.

Mas não é assim o evangelho de Cristo. Não adianta ter uma devoção voluntária, antes é necessário nascer de novo. Como exemplo temos Nadabe e Abiu que voluntariamente foram oferecer incenso “E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara” ( Lv 10:1 ).

Davi voluntariamente foi buscar a arca da aliança, e a forma com que estavam conduzindo a arca não foi aceito por Deus ( 2Sm 6:2 -9). Não é desta voluntariedade que Deus faz referência.

A voluntariedade do cristão é segundo o que pediu o salmista: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário” ( Sl 51:12 ). Um espírito voluntário depende de Deus, que o sustêm.

O crescimento que é factível ao cristão é o crescer na graça e no conhecimento conforme assevera o apóstolo Pedro “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” ( 2Pe 3:18 ).

A aparência de humildade, a disciplina com relação ao corpo físico, a devoção como o celibato, tem aparência de sabedoria, mas não satisfaz o que Jesus disse a Nicodemos: todo homem necessariamente precisa nascer de novo.

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Colossenses 1 – Idôneos em Cristo

Deus fez os cristãos idôneos, ou seja, Deus já os criou com capacidade plena para serem participantes da herança dos santos. Quando os cristãos creram na mensagem do evangelho, eles receberam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), e quando foram criados, foram criados em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ). Desta maneira Deus fez (criou) um novo homem (os cristãos) em Cristo. As novas criaturas (os cristãos) vieram à existência com direito pleno à herança guardada nos céus, não necessitando estar debaixo de tutores ou curadores como era próprio a lei ( Gl 4:1 -2).


O contexto do versículo 1 é de apresentação. Paulo faz uma apresentação pessoal, dele e de Timóteo.

O contexto do versículo 2 é de saudação, demonstrando Cristo nos cristão “…que é Cristo em vós, esperança da glória” ( Cl 1:27 ).

Paulo apresenta-se aos destinatários como sendo apóstolo designado por Cristo, e os saúda com graça e paz da parte de Deus e de Jesus Cristo. Na apresentação Paulo nomeia os cristãos de santos e fiéis.

 

Apresentação e Saudação

1 PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo,

Os remetentes da carta são: o apóstolo Paulo e o seu irmão em Cristo Timóteo.

O apostolado de Paulo decorre da vontade de Deus e segundo a pessoa de Cristo. Este versículo é uma pequena defesa do ministério apostólico de Paulo.

Paulo demonstra não ter se arrogado como apóstolo, antes, pela vontade de Deus, ele foi comissionado para este ministério “… e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” ( Cl 1:23 e 25).

 

2 Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Os destinatários da carta são os ‘santos’ e ‘fiéis’ que estavam em Colossos.

Este versículo apresenta os seguintes elementos:

a) Aos santos – A carta de Paulo e Timóteo foi remetida aos cristãos de Colossos e estes são designados ‘santos’ em Cristo. Por estarem em Cristo, Paulo os chama de santos! Ao lermos textos como “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 ); “… mas sim o ser uma nova criatura” ( Gl 6:15 ); “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim a fé que opera pelo amor” ( Gl 5:6 ), percebemos que, ‘estar em Cristo’ significa ser uma nova criatura. ‘…em Cristo’ é uma maneira resumida de fazer referência à nova criatura, que é criada em verdadeira justiça e santidade “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ). Paulo continua nomeando os cristãos de ‘santos’ por toda a carta: ( Cl 1:2 ; Cl 1:4 ; Cl 1:12 ; Cl 1:22 ; Cl 1:26 e Cl 3:12 );

b) Aos fiéis – Da mesma forma, Paulo chama os cristãos de ‘fiéis’. Em Cristo é que se dá a fidelidade dos cristãos, e não à parte d’Ele. Verifica-se que ‘santidade’ e ‘fidelidade’ decorrem de Cristo, condição que se adquire no novo nascimento. Perceba que o cristão não é ‘fiel a Cristo’, e sim, ‘fiéis em Cristo’. Esta fidelidade não decorre de esforço humano para se alcançar (é proveniente do novo nascimento). Compare esta fidelidade (v. 2) com a apresentada no (v. 7);

c) Colossos – cidade ou região onde os cristãos estavam;

d) Graça e paz – graça refere-se ao favor imerecido de Deus e que somente é possível alcançar pela fé em Cristo. Por intermédio de Cristo o homem passa a ter paz com Deus, visto que, sem Cristo o homem é inimigo de Deus “Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho” ( Rm 5:10 ).

 

 

Agradecimentos a Deus

3 Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós,

O apóstolo agradece e ora pelos cristãos. São duas ações distintas.

Estas duas ações, agradecer e orar, são provenientes de elementos distintos, como veremos a seguir.

4 Porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com todos os santos;

Paulo agradecia a Deus continuadamente após tomar conhecimento da fé dos cristãos. Paulo e Timóteo ouviram acerca da fé e do amor que os cristãos de Colossos nutriam por todos os santos.

Não há como deixar de agradecer a Deus, diante de tão maravilhosa graça: mais irmãos sendo conduzidos à gloria por Cristo.

O amor dos irmãos era demonstrado no Espírito (v. 8), como assevera o apóstolo João “…e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou” ( 1Jo 3:23 ).

 

5 Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho,

O agradecimento de Paulo a Deus é por causa da esperança reservada nos céus aos que creem.

A esperança dos cristãos esta reservada nos céus, e os cristãos já haviam tomado ciência do que estava reservado, através da palavra da verdade do evangelho que haviam ouvido anteriormente ( Cl 1:23 e 27).

6 Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade.

A verdade do evangelho, além de ter chegado aos cristãos de Colossos, também estava se disseminado por todo o mundo conhecido à época. O mundo que o apóstolo Paulo refere-se diz das regiões da Europa, Ásia e África, ou seja, conforme o conhecimento geográfico da época.

O evangelho apresentava os seus frutos em todo o mundo, da mesma forma que estava apresentando frutos entre os de Colossenses.

Quando os cristãos ouviram o evangelho e creram, eles conheceram a graça de Deus em verdade. Passaram a conhecer a Deus, ou antes, foram conhecido Dele.

7 Como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo,

Os cristãos de colossos aprenderam o evangelho de Epafras, que segundo Paulo era conservo e fiel ministro de Cristo.

Com esta declaração, Paulo demonstra que Epafras e ele desfrutavam de igual condição: Paulo, Timóteo e Epafras eram servos de Cristo.

Os cristãos de Colossenses deveriam ter em Epafras um fiel ministro de Cristo.

Há uma diferença muito grande entre ser ‘fiel em Cristo’ e ser ‘um fiel ministro de Cristo’. A condição de fiel somente é possível para o homem que esta em Cristo ( Cl 1:2 ). Com relação ao ministério, a fidelidade diz de uma qualidade própria de Epafras, ou seja, ele era fiel em Cristo, e desenvolvia o seu ministério com fidelidade.

Da mesma forma que Paulo desempenhou o seu ministério entre os gentios com empenho, Epafras também era fiel em seu ministério. A fidelidade a Deus é por meio da união com Cristo.

 

8 O qual nos declarou também o vosso amor no Espírito.

Paulo demonstra que tomou conhecimento do amor dos cristãos através do amado conservo Epafras.

O amor dos colossenses era no Espírito, ou seja, em Deus.

Para uma melhor compreensão das cartas paulinas é necessário observar o seguinte: o apóstolo Paulo agradece a Deus por aquilo que os cristãos já receberam, e quando ele ora pelos cristãos é solicitando a Deus por algo que eles ainda não haviam recebido.

Esta característica repete-se na carta aos Filipenses, Efésios, Tessalonicenses, etc:

“…não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações…” ( Ef 1:16 );

“Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós (…) E esta é a minha oração: que o vosso amor aumente…” ( Fl 1:2 -11);

“Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações” ( 1Ts 1:2 ).

Quando Paulo agradece a Deus, geralmente agradece por elementos pertinentes à esperança proposta em Cristo, tais como: regeneração, justificação, santificação, eleição, predestinação, etc “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz…” ( Cl 1:12 ).

Mas, quando Paulo ora pelos cristãos, é em razão de elementos que eles ainda não haviam alcançado. Observando esta e outras cartas, verifica-se que os pedidos de Paulo em oração a Deus geralmente refere-se a conhecimento ( Cl 1:9 ; Ef 1:17 ; Fl 1:9 ).

 

 

Pedidos em Oração

9 Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual;

Epafras anunciou a Paulo e Timóteo o ‘amor no Espírito’ dos cristãos em Colossos ( Cl 1:4 ), o que motivou Paulo a orar continuadamente em favor deles.

Paulo não cessou de orar a Deus desde que recebeu notícias acerca dos cristãos, o que demonstra a preocupação do apóstolo por causa do que ainda lhes faltava.

Na oração o apóstolo pede a Deus que eles fossem cheios do conhecimento da vontade divina em toda sabedoria e inteligência espiritual (v. 9).

Por que Paulo orou para que eles fossem cheios do conhecimento da vontade de Deus? Qual o objetivo de eles obterem este conhecimento? Por que a sabedoria e a inteligência devem ser espirituais?

Estar cheios do conhecimento da vontade de Deus daria as condições necessárias para que os cristãos pudessem:

a) andar dignamente diante do Senhor;

b) agradar a Deus em tudo;

c) para frutificarem em toda a boa obra, e;

d) crescer no conhecimento de Deus.

Estes eram os objetivos pelos quais Paulo orava a Deus, e que os cristãos precisavam alcançar.

Só é possível conhecer a vontade de Deus se o homem tiver sabedoria e inteligência espiritual. Por que Paulo emprega o adjetivo ‘espiritual’ à sabedoria e a inteligência? Para diferenciar a sabedoria e a inteligência proveniente do evangelho do conhecimento e da sabedoria secular.

É possível verificar esta maneira de Paulo tratar das coisas concernentes ao evangelho quando lemos ( 1Co 2:1 -16).

Paulo evangelizava certo de que estava anunciando poder de Deus para os que crerem, o que não era feito com base em conhecimento humano “…não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria (…) a minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana (…) Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens… ” ( 1Co 2:1 -5), mas com sabedoria e inteligência espirituais, segundo o que o Espírito Santo lhe ensinava ( 1Co 2:13 ).

Paulo classifica a inteligência e a sabedoria como sendo espirituais para diferenciar da sabedoria humana.

“… e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou ( Cl 3:10 ); compare com:

“ … que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual ( Cl 1:9 ); compare com:

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e prefeita vontade de Deus ( Rm 12:2 ).

Renovar, transformar, ser cheio do conhecimento refere-se aos mesmos elementos, visto que, o objetivo é vestir o novo homem do que lhe é pertinente. O novo homem precisa experimentar a boa, agradável e prefeita vontade de Deus, e que pode andar dignamente diante de Deus, agradando-lhe em tudo.

 

10 Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;

Estes elementos são novamente apresentados em ( Cl 3:8 -11), e melhor explicado.

Este versículo trata das questões comportamentais pertinentes aos novos cristãos. Os cristãos foram criados em Cristo idôneos para participar da herança dos santos, porém, deveriam moldar o comportamento. Precisavam andar como filhos da Luz, uma vez que já eram filhos da Luz ( Ef 5:8 ).

Desde que ouviu de Epafras que havia cristãos em colossos, Paulo passou a agradecer a Deus por eles também serem participantes da esperança reservada nos céus. Porém, o apóstolo passa a orar para que eles adquirissem uma nova maneira de viver, ou seja, que andassem dignamente diante do Senhor “Assim como bem sabeis de que modo vos exortamos e consolamos, a cada um de vós, como o pai a filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” ( 1Ts 2:11 -12; Cl 1:10 ); “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo…” ( Fl 1:27 ).

A preocupação de Paulo era para que eles agradassem a Deus em tudo, e que frutificassem em toda a boa obra. O escritor aos hebreus expõe esta mesma idéia em uma única frase: “Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Jesus Cristo…” ( Hb 13:21 ).

Através do conhecimento da vontade de Deus os cristãos andariam por modo digno do evangelho, agradando a Deus e frutificando em toda a boa obra ( Ef 2:10 ), e cresceriam no conhecimento de Deus.

Observe que o crescimento do cristão ocorre no conhecimento, uma vez que já alcançou a maioridade em Cristo: já é participante da herança dos santos na luz.

 

11 Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo;

Para atingir o que foi exposto no versículo anterior, os cristãos deviam contar com ‘toda a fortaleza’ por parte de Deus. A fortaleza é segundo a força da glória de Deus. Somado à força divina, ele podiam contar com a paciência e longanimidade de Deus. Deus é longânime e paciente com aqueles que foram recebidos por filhos.

O que lhes falta é chegar à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

Deus criou o homem com capacidade de aprender e compreender, e através destas faculdades Deus que lhes preencher do seu conhecimento. Sendo Deus paciente e longânime, o cristão deve andar dignamente perante Ele, pois tem toda a fortaleza segundo a força da sua glória.

Na carta aos cristãos em Éfeso, o apóstolo também faz referência ao poder de Deus: “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder” ( Ef 1:19 ).

 

 

Bendizendo por Bênçãos Eternas

12 Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;

Paulo deixa de falar na primeira pessoa do singular “Graças damos (Paulo e Timóteo) a Deus…” ( Cl 1:3 -11), e passa a falar na primeira pessoa do plural: “Dando graças ao pai que nos (Paulo e os cristãos) fez idôneos…” ( Cl 1:12 -14).

Esta é uma das regras essenciais na interpretação de cartas: é preciso atenção para identificar quando o escritor da carta isola-se da ação que estava descrevendo.

Quando Paulo diz: “Damos graças a Deus”, ele esta demonstrando que ele e Timóteo agradeciam a Deus, e nesta ação os cristãos não estão inclusos. Nesta carta, o apóstolo apresenta as suas ações e a de Timóteo do verso três ao onze.

Do versículo doze em diante, Paulo passa a descrever a ação de Deus que contemplo a todos os cristãos. Paulo inclui na narrativa os cristãos, Timóteo e ele mesmo ( Cl 1:12 -14). Paulo demonstra o que Deus concedeu a ele e a todos os irmãos em Cristo.

Deus fez os cristãos idôneos, ou seja, Deus já os criou com capacidade plena para serem participantes da herança dos santos. Quando os cristãos creram na mensagem do evangelho, eles receberam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), e quando foram criados, foram criados em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ). Desta maneira Deus fez (criou) um novo homem (os cristãos) em Cristo.

As novas criaturas (os cristãos) vieram à existência com direito pleno à herança guardada nos céus, não necessitando estar debaixo de tutores ou curadores como era próprio a lei ( Gl 4:1 -2).

Participar da herança dos santos na luz, é uma das maneiras de se falar em Deus. Como filhos da Luz, os cristãos passaram a ser herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo ( Ef 5:8 ). Sendo filhos de Deus, os cristãos passaram a ter herança em Deus, ou seja, na Luz.

A condição de ‘santos’ decorre da nova natureza adquirida na regeneração. Os cristãos, por crerem em Cristo, receberam poder de Deus para serem feitos filhos, nascidos de semente incorruptível. Por serem novas criaturas em Cristo e participantes da natureza divina ( 2Pe 1:4 ), pois receberam a plenitude em Cristo ( Cl 2:10 ), são os eleitos de Deus: santos e irrepreensíveis.

 

13 O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor;

Deus tirou Paulo, Timóteo e todos os cristãos, ou seja, o próprio Deus resgatou todos os que creram do domínio das trevas e transportou-os para o reino de seu Filho. Paulo designa Jesus como Filho do seu ‘amor’.

O que ocorreu com os cristãos também ocorreu com o apóstolo: todos foram resgatados do poder das trevas e transportados para o reino de Cristo. A única diferença entre Paulo e os cristãos esta no serviço que ele desempenhava: ministério apostólico ( Cl 1:25 ).

Este ministério difere da idéia de ‘ministério apostólico’ que hoje em dia se divulga, e que muitos se auto-comissionam e intitulam.

 

14 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;

Através do ‘Filho do amor de Deus’ é que os cristãos obtiveram a redenção por meio do seu sangue.

Paulo acrescenta uma explicação, demonstrando que a obra da redenção é completa: os cristãos foram comprados por um alto preço, e postos em liberdade.

Em cartas direcionadas as igrejas que Paulo visitou não encontramos ressalvas conforme as apresentadas nesta carta. Nesta carta Paulo apresenta duas ressalvas explicativas sobre a idéia apresentada. Com relação a linguagem empregada, podemos dizer que a necessidade de ressalvas é quase dispensável, mesmo quando o evangelho foi anunciado por outra pessoa (Epafras), como é o caso da igreja de colossos.

Por que se fez necessário Paulo dizer que a redenção pelo sangue de Cristo é remissão dos pecados? Porque ele fez referência a atos que a lei mosaica regulava. Esta ‘transação’ refere-se à retomada do direito de posse de bens perdidos pelas famílias hebraicas.

A redenção é ato de parente capaz, que efetuaria tudo o que fosse exigido pelo credor. A redenção do parente era de pessoas e herança, ou fazer as vezes de marido quando um parente morresse sem deixar descendente ( Lv 25:25 -49 ; Rt 3:12 -13).

Quando o cristão crê em Cristo, e passa a ser participante da carne e do sangue de Cristo, torna-se um dos descendentes de Abraão por intermédio do corpo de Cristo, e ao mesmo tempo adquire a filiação divina, sendo um dos filhos de Abraão por intermédio da fé.

Aquilo que alguns dos judeus disseram a Cristo, somente os cristãos podem dizer: “Somos descendentes de Abraão, e jamais fomos escravos de ninguém” ( Jo 8:31 ). Através do Descendente, que é Cristo, os homens que creem passam à condição de descendentes do pai Abraão, pois se tornaram participante da carne e do sangue do Descendente.

De igual modo, por meio da fé, o crente adquire a filiação divina ao ressurgir com Cristo dentre os mortos, tornando-se filhos de Abraão (filhos de Deus). O novo homem criado em Cristo, este sim, nunca foi escravo de ninguém. São de fato filhos de Deus!

Quando Paulo faz referência à redenção, não o faz em relação a bens materiais, mas a bens futuros, demonstrando que os cristãos foram adquiridos e libertos do poder do pecado.

 

15 O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

O contexto da carta muda deste versículo até o versículo vinte.

O apóstolo introduz nestes seis versículo um aposto explicativo semelhante ao da carta aos Hebreus, demonstrando quem é o Filho do amor de Deus – Jesus.

Jesus é a imagem do Deus invisível – O Deus que habita em luz inacessível aos olhos dos homens revelou-se através da pessoa de seu Filho. Sobre esta verdade o apóstolo João testemunhou: “E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” ( Jo 1:14 ; 2Co 4:3 -4; Hb 1:3 ).

Jesus, o primogênito de toda a criação – Para entender este versículo, deve-se verificar o que Paulo diz acerca de Adão, o primeiro homem: “…Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ). Através deste versículo, somos informados que Cristo é ‘aquele que havia de vir’, e que Adão foi criado segundo a imagem de Cristo. Antes mesmo de haver mundo, Cristo é o cordeiro de Deus! Desta forma, segue-se que: “O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o ultimo Adão em Espírito vivificante” ( 1Co 15:45 ); “O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu” ( 1Co 15:47 ). Sendo que, se Adão era a imagem de Cristo (daquele que havia de vir), conclui-se que Cristo é o primogênito de toda a criação.

Cristo é o primeiro gerado (primogênito) de toda a criação de Deus. Todos os outros seres do universo (anjos, arcanjos, querubins, serafins, homens, etc) foram criados por Deus. Cristo difere de todas as criaturas por ser o primeiro gerado de Deus.

Enquanto Adão foi criado alma vivente, Jesus foi gerado espírito vivificante “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu” ( 1Co 15:45 -47).

Alguns questionam a passagem de Gênesis, onde está registrado que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, e alegam que, sendo Deus Espírito, qual a imagem de Deus que foi concedida a Adão?. A resposta torna-se evidente por meio da leitura deste versículo: Adão foi criado a imagem do Cristo de Deus ( Rm 5:14 ).

 

16 Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.

Em Cristo, o Senhor, foram criadas todas as coisas que há no céu e na terra. Desde tronos, dominações, principados, potestades, as coisas visíveis e as invisíveis I Co 15: 47.

O Sl 102:25 -27 fazem referência a Cristo, o criador de todas as coisas ( Hb 1:10 -11).

17 E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.

Paulo faz referência à divindade de Cristo da mesma forma que o escritor aos Hebreus: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder…” ( Hb 1:3 ).

 

A Pessoa de Cristo

18 E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.

Ao falar da autoridade de Cristo sobre a igreja, Paulo utiliza uma figura de linguagem: ‘cabeça do corpo, a igreja’.

Jesus como princípio é apresentado no versículo 17. Neste versículo Jesus é o princípio, visto que Ele inaugurou a nova criação de Deus, sendo Ele mesmo o primogênito dentre os mortos. ‘Em Cristo’ Deus faz nova todas as coisas.

Desta maneira, em tudo Cristo é preeminente. Adão era a figura daquele que havia de vir – e Jesus veio em carne, segundo a linhagem de Davi, mas foi declarado Filho de Deus em poder através da ressurreição dentre os mortos. Observe o a alerta: “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e , ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já o não conhecemos deste modo” ( 2Co 5:16 ).

Pela ressurreição dentre os mortos Jesus passou a ser o primogênito dentre os mortos: Adão era figura daquele que havia de vir, e Cristo é o último Adão. Espírito vivificante que dá vida a todos que nele crêem. Desta forma, Ele é o último Adão, e por meio dele todos que creem são feitos (criados) nova criatura: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 ).

Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo ( 2Co 5:19 ).

 

19 Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse,

Através deste versículo conseguimos identificar o propósito principal da divindade: toda plenitude da divindade habitando corporalmente no último Adão, para que ele participasse da carne e do sangue dos homens ( Hb 2:14 ).

Deste propósito decorre a salvação dos homens, onde os que creem passam a ser participantes da carne e do sangue de Cristo, sendo criados filhos de Deus, participantes da natureza divina ( 2Pe 1:4 ), da mesma forma que Cristo participou da natureza humana ( Hb 2:17 ).

 

20 E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.

Por meio do sangue de Cristo, Deus estabeleceu a paz, reconciliando consigo mesmo todas as coisas.

Deus reconciliou gentios e judeus, e reconciliou os homens com sigo mesmo, destruindo a inimizade estabelecida no pecado, que teve origem na queda da humanidade em Adão ( Ef 2:16 ).

 

O contexto agora é de conscientização, onde Paulo descreve os eventos que ocorreram na vida daqueles que aceitaram a graça do evangelho. Paulo não se inclui na explanação.

 

21 A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou

Geralmente quando o apóstolo Paulo conscientiza os cristãos, ele não se inclui na narrativa. Compare:

“É também nele que vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação” ( Ef 1:13 );

“A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora vos reconciliou…” ( Cl 1:21 ).

A inimizade dos homens para com Deus sempre esteve no entendimento, visto que, por meio de Cristo, todos os homens têm livre acesso a Deus.

“Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho…” ( 2Co 4:3 -4);

“Entenebrecidos no entendimento separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” ( Ef 4:18 );

“…antes o seu entendimento e consciência estão contaminados” ( Tt 1:15 ; 2Pd 1:3 ).

As obras más é que embotam o entendimento dos homens, visto que Deus nunca declarou ser inimigo dos homens. Deus sempre amou os pecadores e entregou o seu Filho em regate dos perdidos, demonstrando que ele não tem em conta as obras más dos homens.

O homem, por ignorar que Deus sempre esteve com as mãos estendidas para salvar, acaba por considerar que Deus lhe é inimigo, visto que as suas obras são más.

Jesus falou deste entrave a Nicodemos: “Todo aquele que pratica o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” ( Jo 3:20 ). Segue-se que, aparte de Cristo, ninguém tem acesso a Deus. Como ir a Luz? Pela prática de boas ações? Não! O homem se achega a Deus por intermédio de Cristo. Mas, Deus prova o seu amor ao conceder Cristo quando ainda éramos pecadores.

Quando se compreende que Deus ama o mais vil pecador, e que Cristo por ele se entregou, ai sim, o pecador vai até Deus confiante que as suas obras más não são levadas em conta, e sim, o seu amor, que cobre multidão de pecados.

Ao abandonar a ignorância, ou a cegueira espiritual, claramente se vê que as boas obras somente são possíveis quando o homem esta em Deus, pois elas são produzidas em Deus ( Jo 3:21 ). Claramente se vê que é impossível ao velho homem proceder dignamente perante Deus.

No passado os cristãos eram inimigos de Deus, estranhos à aliança, sem Deus no mundo ( Ef 2:12 ), mas agora…

 

22 No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis,

…os cristãos foram reconciliados com Deus no corpo da carne de Cristo, e através de sua morte.

A reconciliação com Deus não se deu em seu corpo glorioso, antes no corpo da carne. Esta verdade pode ser verificada ao lermos “Em verdade, em verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vos mesmo” ( Jo 6:53 ).

Só através do corpo de Cristo é que se abre o novo e vivo caminho para que o homem tenha acesso a Deus “Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” ( Hb 10:20 ).

Pela morte com Cristo o homem carnal é desfeito (morre com Cristo), e surge (é criado) o novo homem, que é designado espiritual, em contra ponto ao carnal, que perante Deus é santo e irrepreensível. Por meio da morte foi riscado o escrito de dívida que pesava sobre o homem, pois em Cristo é criado um novo homem em verdadeira justiça e santidade ( Cl 2:14 ).

O objetivo de Cristo ao entregar-se em prol do pecador foi para apresentar diante de Deus homens santos, irrepreensíveis e inculpáveis, ou seja, conduzir à glória filhos a Deus.

É por causa desta verdade do evangelho que Paulo nomeia os cristãos de santos e fiéis em Cristo.

 

 

23 Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.

Todas as benesses apresentadas por Paulo até aqui, tais como: idoneidade, herança, reino, redenção, amizade, santidade, irrepreensibilidade e inculpabilidade pertencem aos cristãos.

O único obstáculo do cristão é ele mesmo. Deus é fiel e todas as bênçãos concedidas têm em Cristo o sim. Resta ao crente permanecer fundado e firme na fé.

Fundados, estruturados, base sólida, sem demover-se na fé. O evangelho foi anunciado aos cristãos quando eles eram ainda pecadores, ou seja, eles ouviram acerca da esperança proposta. Por ouvir vem a fé, e da fé os cristãos não podiam demover “…tenhamos forte consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta” ( Hb 6:18 ).

É sobre este aspecto que Tiago diz da obra da fé: “Ora, a perseverança deve terminar a sua obra…”, ou seja, sendo a perseverança produto da fé posta em prova, a perseverança conclui a obra da fé ( Tg 1:3 -4).

O remetente da carta novamente se identifica e demonstra a sua atribuição no evangelho.

 

24 Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja;

Paulo estava alegre no que ele padecia pelos cristãos. O sofrimento de Paulo não era causa de tristeza, pois ele mesmo se propôs sofrer em prol do evangelho.

“Na minha carne” refere-se ao corpo físico de Paulo, o que remete ao sofrimento de Cristo quando na carne. Paulo não utiliza o termo ‘corpo’ com relação a sua estrutura física, mas o termo carne, para demonstrar que ele também faz parte do corpo de Cristo, a igreja.

Devemos prestar muita atenção no contexto para ser possível definir o significado da palavra carne. Carne pode referir-se ao ‘corpo físico’, a ‘herança genealógica’, ou a ‘natureza herdada de Adão’.

“Para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles” ( Rm 11:14 ) – Paulo refere-se aos hebreus.

“E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo” ( Gl 4:14 ) – Paulo refere-se ao seu corpo físico.

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” ( Rm 7:18 ) – Paulo refere-se a natureza herdada de Adão.

 

25 Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus;

O contexto muda novamente: Paulo faz uma retrospectiva na escrita da carta para apresentar um panorama completo de tudo que ele escreveu até o presente versículo.

Paulo reafirma a sua condição de ministro da igreja de Deus ( Cl 1:1 ; Cl 1:23 e Cl 1:25 ). O ministério de Paulo foi concedido, não para proveito próprio, antes para cumprir a palavra de Deus e em prol dos cristãos.

 

26 O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos;

O mistério de Deus é Cristo, que foi revelado aos seus santos, conforme ele descreveu anteriormente ( Cl 1:15 -20).

O mistério revelado demonstra Cristo nos cristãos, dando-lhes acesso à glória de Deus.

 

27 Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória;

Deus quis revelar o mistério que dantes estava oculto entre os gentios, e não aos judeus – Cristo, a esperança da glória. Cristo em seus santos é esperança da glória.

“Em Cristo” e “Cristo em vós” refere-se a mesma condição: nova criatura!

 

28 A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo;

O evangelho era anunciado pelos apóstolos com o objetivo de apresentar aqueles que cressem perfeitos em Cristo. Todos os que crêem em Jesus conforme diz as escrituras, estes são perfeitos diante de Deus.

Paulo exorta e ensina a todos com sabedoria consciente da responsabilidade imposta ( 1Co 9:16 ).

 

29 E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente.

O trabalho de Paulo consistia em apresentar a Deus homens perfeitos em Cristo. Ele demonstra que o seu trabalho e a sua batalha é segundo a eficácia de Deus, que nele operava poderosamente.

O que Paulo proclamou aos cristãos acerca da força e fortaleza de Deus ( Cl 1:11 ), ele demonstra que esta mesma força e poder operava por meio dele eficazmente.

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