João 3 – Necessário vos é nascer de novo

É Deus quem faz todas as coisas! Se o homem desconhece como se dá as maravilhas da natureza (coisas naturais), como o caminho dos ventos, como entenderá o novo nascimento, se o nascer de novo é obra de Deus? “… assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas” ( Ec 11:5 ), ou seja: “Assim é todo aquele que é nascido de Deus” ( Jo 3:8 ).


A Função dos Milagres

“Havia entre os fariseus um homem chamados Nicodemos, um dos principais dos Judeus. Este foi ter com Jesus de noite, e disse: Rabi, sabemos que és Mestre, vindo de Deus. Pois ninguém poderia fazer estes sinais miraculosos que tu fazes, se Deus não fosse com ele” ( Jo 1:1 -2)

Entre os Judeus havia um mestre do judaísmo de nome Nicodemos. Ele era fariseu e foi encontrar-se com Jesus à noite. Neste encontro, surpreendentemente Nicodemos chamou Jesus de ‘Rabi’, ou seja, Mestre. Tal reconhecimento vindo da parte de um juiz, ou de um mestre em Israel era para deixar qualquer um dentre os homens lisonjeado.

Mas, por que Nicodemos chamou Jesus de Mestre? Em sua abordagem inicial Nicodemos fez a seguinte afirmação: “Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele” ( Jo 3:2 ).

Nicodemos entendeu que Jesus era mestre por causa dos milagres que estavam sendo realizados. Nicodemos ao ter noticia dos milagres realizados por Jesus entendeu que Ele era Mestre, porém, um mestre enviado por Deus, o que tornava Jesus distinto de todos os outros mestre em Israel.

Quem poderia realizar os milagres que Jesus estava realizando sem o auxilio do dedo de Deus? O próprio Nicodemos responde: Ninguém poderia realizar estes sinais que Tu fazes! A análise de Nicodemos é totalmente válida, e a conclusão também ( Jo 5:36 ).

Nicodemos venceu uma grande barreira ao concluir que Jesus era Mestre vindo de Deus, e esta conclusão impulsionou Nicodemos a ter um encontro com Cristo à noite. Outros fariseus tiveram encontro com Cristo à luz do dia, porém, movidos de hipocrisia, querendo pegar Jesus nalguma contradição.

Após analisar a pessoa de Jesus através dos milagres que Ele operava, Nicodemos foi até Jesus e expôs a sua conclusão:

  • Jesus era Mestre;
  • Enviados por Deus, visto que:;
  • Ninguém poderia realizar tal milagres, se Deus não estiver com ele.

Nicodemos não foi atrás de um milagre, antes queria saber mais sobre Aquele que operava milagres.

Sabemos que Deus possui todo poder, e que milagres não são maravilhas superior a própria obra da criação. Não há milagres que supere a obra criativa de Deus, tais como: a vida, o universo, etc. Tudo é um milagre, pois todas as coisa foram operadas maravilhosamente através do poder de Deus.

A função precípua de um milagre é despertar o homem a conhecer o seu Criador. Qualquer uso ou discurso que se faz fora desta tônica desvirtua o ‘testemunho’ que Deus dá acerta d’Ele, para que o homem procure se aproximar de Deus ( Hb 2:4 ).

Milagres não é o primordial na vida do homem, antes é preciso ter em mente que os milagres são a confirmação de Deus do que foi anunciado pelos profetas e por Cristo. É preciso crer em Deus que opera maravilhosamente, e não nas maravilhas operadas. O homem precisa estar focado na mensagem de Deus, e não nas maravilhas que Dele procedem.

 

A Doutrina de Cristo

“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” ( Jo 3:3 )

Embora reconhecesse Jesus como sendo Mestre da parte de Deus, Nicodemos desconhecia a doutrina de Cristo. O milagre foi à causa primária da conclusão de Nicodemos de que Cristo havia sido enviado por Deus, porém, Nicodemos precisava ouvir a doutrina do Mestre enviado .

Nicodemos estava focado na qualidade de Mestre daqueles que era enviado de Deus e operava milagres que ninguém poderia operar, se Deus não fosse com Ele “… porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”.

Qual não foi a surpresa de Nicodemos quando Cristo lhe respondeu: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

A estratégia de evangelismo de Jesus é a mesma adotada por João: os milagres tinham a função de demonstrar aos homens que Jesus era o enviado de Deus. Uma vez que Nicodemos já havia reconhecido que Cristo era Mestre enviado por Deus “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus…”, Jesus chama a atenção de Nicodemos para o primordial, o novo nascimento “… e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ).

Os milagres deixam de ter importância quando a verdade vem à tona e Nicodemos pergunta: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?” ( Jo 3:4 ). Nicodemos não contesta a informação dada pelo Mestre enviado por Deus, antes se preocupou em entender a dinâmica do ‘novo nascimento’, ou da doutrina de Cristo.

Por estar vetado o reino dos céus àqueles que não nasceram de novo, Nicodemos ficou preocupado, uma vez que ele já era velho. Haveria um milagre extraordinário que tornaria possível Nicodemos voltar ao ventre materno para que ele pudesse nascer de novo, mesmo sendo velho?

O fariseu Nicodemos, seguidor de um seguimento mais severo da religião judaica, ao ser informado que não tinha direito de ver o Reino de Deus, deveria soar no mínimo como absurdo. Nicodemos poderia ter rejeitado de pronto a doutrina de Jesus, já que ele, além de ser fariseu, era um representante do melhor da nação e da religião judaica.

Fica claro que ser judeu ou gentil, ser fariseu ou de qualquer outro seguimento religioso, ser mestre ou leigo, ser juiz ou réu, não habilita ninguém a ter acesso ao Reino de Deus. Antes, todos, indistintamente precisam nascer de novo.

Em nossos dias há muitas pessoas que quem conhecer Cristo através de milagres e maravilhas, mas que não busca a sua palavra “Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” ( Jo 5:47 ).

Nicodemos foi além dos milagres operados por Cristo “porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”, e suportou a doutrina de Cristo, mesmo ela demonstrando que a sua condição não lhe dava direito ao reino dos céus.

Ao falar da necessidade do novo nascimento Cristo demonstrou que ser judeu, fariseu, mestre ou religioso, não habilita ninguém a ter acesso ao reino de Deus. É sobre estes aspectos que comentaremos o novo nascimento: Por que devemos passar pelo novo nascimento? O que é esse novo nascimento? O homem consegue nascer de novo sem a participação de Deus?

 

A Universalidade da Mensagem

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 )

A resposta de Jesus a abordagem de Nicodemos é taxativa e universal.

É taxativa porque se não for satisfeita a exigência, não há como o homem ver o Reino de Deus. É universal por englobar toda humanidade.

Visto que o novo nascimento é uma necessidade que abrange todos os homens, podemos inferir que a salvação não diz de uma restauração moral, nem tão pouco de uma restauração física. Se assim fosse, os homens de moral mais elevada não necessitariam do novo nascimento.

Através da declaração de Jesus vemos que, tanto aqueles que possuem, quanto os que não possuem qualidades e méritos, precisam do novo nascimento. Nicodemos é um exemplo claro desta verdade.

Nicodemos era membro do Sinédrio, supremo tribunal dos Judeus ( Jo 3:1 ). Ele era um dos mestres em Israel ( Jo 3:10 ). Era membro também de uma das mais severas seitas do judaísmo, o farisaísmo ( Jo 3:1 ). Perante a sociedade, os da seita do farisaísmo eram tidos por justos, pelo comportamento distinto que apresentavam ( Mt 5:20 ).

Mas, apesar de todas as suas qualidades pessoais (moral, caráter e comportamental), Nicodemos precisava nascer de novo, assim como qualquer outro homem desprovido de qualidades e méritos.

A abordagem de Jesus deixa evidente que os valores que os homens tanto primam (prezam) seguir não operam e nem mesmo promovem o novo nascimento.

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Jesus demonstrou que todos os homens precisam do novo nascimento, ou seja, é imprescindível o novo nascimento para se ver e ter acesso ao Reino de Deus.

Desta forma, verifica-se que o novo nascimento não está vinculado aos princípios em que as relações humanas se firmam.

O homem procura aprovação na religião, na sua origem, no comportamento, na moral, no caráter, na justiça própria, na justiça humana e até mesmo através dos sacrifícios, mas estas coisas também não promovem o novo nascimento.

Geralmente as religiões propõem uma melhora ou uma mudança no caráter e no comportamento do homem, o que é proveitoso para as relações humanas, porém, tal proposta não possui valor algum na obtenção da salvação.

Nicodemos era o melhor que a sociedade da época podia apresentar, mas a resposta de Jesus deixa implícito que o Reino de Deus não é conquistado por questões pertinentes a este mundo.

 

Como Nascer Novamente?

“Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Poderá voltar ao ventre da sua mãe e nascer?” ( Jo 3:4 )

A resposta de Jesus mudou as convicções de Nicodemos sobre como alcançar a salvação, visto que, até aquele momento ele acreditava que tinha direito ao reino de Deus por ser descendente (filho) de Abraão ( Mt 3:9 ; Jo 8:33 ).

Quando ele soube que era necessário um novo nascimento para ter acesso ao o reino de Deus, questionou: Como pode um homem velho nascer novamente? É possível que ele volte ao ventre materno para novamente nascer?

Ao preocupar-se em como um velho poderia nascer novamente, vemos que Nicodemos despiu-se de seus méritos e posições. Ele poderia ter perguntado como era possível alguém na posição de juiz, ou de mestre nascer de novo, mas diante de Jesus, Nicodemos viu a sua real posição: um homem já velho, que carecia de salvação (novo nascimento)!

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A conjectura de Nicodemos é descartada: ‘Poderá voltar ao ventre materno, e nascer?’, uma vez que o novo nascimento não tem relação com a descendência humana (maternidade ou paternidade).

Mesmo após ser descartada a conjectura de Nicodemos, ela nos auxilia na compreensão do sentido exato da palavra ‘nascer’ quando empregada por Jesus neste capítulo.

Quando Jesus falou da necessidade do novo nascimento, a idéia primária da palavra ‘nascer’ permaneceu a mesma (foi preservada).

Nascer ou nascimento refere-se à chegada de um novo ser ao mundo. Diz do início de uma nova vida neste mundo pleno da mesma vida que há em seus pais (natureza).

Se Nicodemos entendeu que, para ocorrer o novo nascimento era preciso voltar ao ventre materno, podemos inferir que o sentido exato da palavra ‘nascer’ utilizado por Jesus não diz de uma reforma na natureza do homem. Ela também não diz de uma possível recuperação moral e comportamental do homem. Não diz de uma conformidade. Não diz de uma reversão de atitude. Não é uma revitalização de uma vida que se extingue, etc.

Quando Jesus disse que é preciso nascer de novo, ele falou da vinda de um novo ser a existência pleno da vida que há em Deus, e de posse da natureza divina.

Jesus falou de uma ‘nova geração’, ou seja, de uma nova criação. Da mesma maneira que a palavra nascimento diz da vinda de um ser ao mundo pleno da vida que há em seus pais, o novo nascimento diz da criação de um novo ser pleno da vida que há em Deus.

 

Água e Espírito

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus” ( Jo 3:5 )

 

A resposta de Jesus satisfaz a seguinte pergunta: “Como pode nascer um homem, sendo velho?” A resposta é precisa: o novo nascimento é por meio da água e do Espírito!

Para entendermos a resposta de Jesus é preciso saber que a doutrina apregoada por Ele em nada difere da mensagem apregoada na lei e pelos profetas.

Sabemos que a lei nunca pode aperfeiçoar ninguém por conter somente a sombra dos bens futuros ( Hb 10:1 ). Porém, ela sempre apontou a necessidade da circuncisão do coração.

O que a lei propunha era impossível o homem alcançar por meio dela, visto que, a própria lei estava enferma pela carne ( Rm 8:3 ). A lei somente serviu de ‘tutor’ para conduzir o homem a Cristo ( Gl 3:24 ), ou seja, ao apontar a necessidade da circuncisão do coração, a lei conduz o homem a Cristo, pois somente nele é possível alcançar circuncisão através do despojar do corpo da carne: a circuncisão de Cristo ( Cl 2:11 ).

Podemos extrair uma grande lição da lei: ela foi escrita em tábuas de pedras e entregue ao povo, mas, não pode aperfeiçoar ninguém, visto que, mesmo após a entrega da lei, Moisés continuou apregoando a necessidade da circuncisão do coração ( Dt 10:16 ; 30:6 ; 2Co 3:3 e 7).

Caso a lei fosse essencial para a salvação do homem não haveria a necessidade de Moisés apregoar a circuncisão do coração. Conclui-se que, a lei entregue em tábuas de pedra não operou a transformação necessária no coração do povo, visto que, eles ainda precisavam da circuncisão do coração.

A ação divina nunca foi por intermédio da lei, visto que, a mensagem de Deus sempre foi: “Ouve, ó Israel…”, pois a fé é o único meio de se achegar a Deus ( Rm 10:17 ). Caso ouvissem a voz de Deus, haveria uma mudança radical neles: deixariam de ter um coração de pedra e passariam a ter um coração de carne ( Dt 11:18 ; Jr 4:4 ).

A intervenção divina na vida do povo só ocorreria no momento em que eles ouvissem e gravassem a lei em seus corações. A circuncisão é uma ação divina por meio da sua palavra ( Dt 30:6 -8).

 

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O profeta Ezequiel sobre este assunto disse o seguinte: “Então espargirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 36:25 -27).

O mestre Nicodemos já conhecia esta passagem bíblica. Há muito que ele lia acerca da promessa de uma nova vida (um novo coração e um novo espírito), porém, não conseguia abstrair a essência do que Deus propôs.

Para alcançar a nova vida é necessário que o próprio Deus venha a espargir água pura sobre o homem (“EU” espargirei água pura sobre vós).

A doutrina de Jesus somente tornou evidente o que estava registrado nos profetas: nascer da água e do Espírito é o mesmo que Deus espargindo água pura sobre o homem. Somente Deus pode conceder um novo coração e um novo espírito, ou seja, uma nova vida ao homem!

Nascer da água é o mesmo que nascer da palavra: Jesus é o Verbo de Deus, ou seja, a Palavra encarnada ( Jo 1:14 ). Sobre este aspecto Paulo escreveu: “Para santificá-la, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra…” ( Ef 5:26 ); “Se alguém tem sede, vem a mim e beba” ( Jo 7:37 ). Jesus é a água que produz vida naqueles que são purificados por Ele, ou seja, naqueles que crêem.

Nascer do Espírito é o mesmo que nascer de Deus, visto que, Deus é Espírito e aqueles que d’Ele são nascidos recebem um novo espírito e um novo coração. Portanto, “…o que é nascido do Espírito é espírito” ( Jo 3:6 ), e os que crêem recebem poder para serem feitos filhos de Deus! Ora, se o homem crê, da plenitude de Deus já recebeu ( Jo 1:16 ; Cl 2:7 -8). Passa a ser participante da natureza natureza divina ( 2Pe 1:4 ).

Quem crê na Palavra encarnada como diz as Escrituras, do seu interior terá rios de água viva fluindo, ou seja, isto foi dito: “… do Espírito que haviam de receber os que nele cressem” ( Jo 7:37 -39), o nascer do Espírito.

Há uma ordem específica para se nascer de novo? Sim! Primeiro o homem nasce da água, depois do Espírito! Como?

Primeiro o homem precisa da Palavra de Deus para que possa crer, ou seja, para crer, primeiro é preciso ouvir (ser espargido por Deus com água limpa), e então, virá a fé que faz o homem receber poder para ser feitos (criados) filhos de Deus “Porque não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois é Poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê” ( Rm 1:16 ).

O homem só tem acesso ao poder de Deus depois que ouve a palavra da verdade, conforme Paulo escreveu a Tito: “… Ele nos salvou mediante a lavagem da regeneração e da renovação pelo Espírito Santo” ( Tt 3:5 ).

Paulo ao escrever a Tito demonstra que Deus lava e renova o homem por meio da palavra e do seu Espírito, ou seja, ele reafirma o que foi dito por Ezequiel: (“EU” “espargirei água pura sobre vós…”).

Através da Palavra de Deus, que é água pura espargida sobre o pecador, ocorre a lavagem da regeneração. Os que de Deus são nascidos, são renovados pelo Espírito Eterno, recebendo um coração de carne em lugar do coração de pedra e um novo espírito ( Sl 51:10 ).

 

O Primeiro e o Último Adão

“Ele porém respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 )

Há distinções claras entre nascimento e o Novo Nascimento. Enquanto este é por meio de Jesus Cristo, àquele decorre de Adão. Através do Novo Nascimento o homem adquire a natureza divina, enquanto através do nascimento, o homem adquire a natureza decaída de Adão.

O nascimento do homem natural está vinculado à natureza Adâmica e o novo nascimento à natureza de Cristo, o último Adão ( 1Co 15:45 ).

O nascimento do homem decorre da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue e o novo nascimento se dá por meio da Palavra de Deus (água) e pelo Espírito de Deus.

O ‘novo’ nascimento dá origem ao novo homem, ou ao homem espiritual, e o nascimento dá origem ao velho homem, ou ao homem carnal “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” ( 1Co 15:46 ).

A vontade do homem e a vontade de Deus dão origem a nascimentos distintos.

Os homens quando vêm ao mundo, nascem da vontade do homem, do sangue e da carne: este é o primeiro nascimento. É o nascimento do homem natural, segundo Adão.

O novo homem ao nascer, nasce da vontade de Deus por meio da água e do Espírito: este é o novo nascimento, o nascimento do homem espiritual.

Só é possível nascer da vontade de Deus aqueles que creem em Cristo, pois estes recebem poder para serem feitos filhos de Deus e tornam-se participantes da natureza divina. Estes recebem da plenitude que há em Cristo ( Cl 2:10 ; Ef 4:19 e Jo 1:16 ).

O novo nascimento só ocorre por meio da fé no Filho de Deus; não há outra maneira de se alcançar a filiação divina.

Todos os homens nascidos de Adão são plantas que Deus não plantou, visto que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. As plantas que o Pai ‘planta’ são aqueles que crêem em Cristo. Estes não serão arrancados, e permanecem para sempre.

Outra figura que ilustra o nascimento e o novo nascimento é a parábola dos dois caminhos. O nascimento é porta de entrada tanto para o caminho largo, quanto para o caminho estreito. Quando nascido de Adão, o homem entra pelo caminho largo, quando nascido de novo em Cristo, o homem entra pelo caminho estreito.

Da mesma forma, os vasos para honra são feitos em Cristo, e os vasos para desonra feitos em Adão. Tanto os vasos para honra, quanto os para desonra são feitos da mesma massa.

Se o homem quiser nascer de novo, é preciso entrar pela porta estreita, e será feito vaso para honra.

 

 

O Que é Nascido…

“O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do Espírito, é espírito” ( Jo 3:6 )

Nicodemos fez duas perguntas: ‘Como pode um homem nascer, sendo velho?’, e ‘Poderá este homem voltar ao ventre materno?’.

A resposta à primeira pergunta foi: um homem poderá nascer de novo da água e do Espírito. Já a segunda pergunta é esclarecida através da seguinte afirmação: “O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do Espírito, é espírito” ( Jo 3:6 ).

Após esclarecer que o novo nascimento é por meio da palavra (água) e do Espírito (Deus), Jesus desfaz a confusão de Nicodemos que pensou ser o novo nascimento decorrente de filiação terrena.

O nascimento proveniente do ventre materno só produz homens carnais, ou seja, a carne só pode produzir carne. Em contra partida, aqueles que são nascidos de Deus (Espírito), estes são espirituais.

Enquanto o mundo vive a procura de uma espiritualidade através de sacrifícios, meditações, orações, promessas, oferendas, esmolas, etc, Jesus demonstra que estas coisas são inócuas na tentativa de se alcançar a nova vida.

Ao estabelecer que os nascidos da carne, são carnais, e os nascidos de Deus, são espirituais, é fácil distinguir quem é carnal e quem é espiritual: todos os homens ao nascerem são carnais. Todos os homens nascem de uma semente corruptível, a semente de Adão, e portanto, são carnais.

Todos os homens que recebem a Cristo por meio da fé, estes recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus. São os nascido segundo a vontade de Deus, e portanto, espirituais ( Jo 1:12 -13).

Ao falar com a mulher samaritana, Jesus deixa bem claro que somente os nascidos de novo, os espirituais, é que prestam uma verdadeira adoração a Deus ( Jo 4:23 -24).

 

Eclesiastes

“Não te maravilhes de eu te dizer: necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito” ( Jo 3:7 – 8)

Após afirmar que os nascidos da carne são carnais, e os nascidos do Espírito são espirituais, Jesus recomenda a Nicodemos que não ficasse maravilhado com o fato de ter-lhe sido recomendado o novo nascimento.

Todos os homens precisam nascer de novo, e não importa a sua origem (descendência de Abraão), religião (a ‘melhor’), posição (social), condição moral (caráter e comportamento). Até mesmo o velho Nicodemos, sendo juiz, fariseu, hebreu de hebreu e mestre em Israel precisava nascer de novo.

Porque Nicodemos haveria de ficar maravilhado com a necessidade de nascer de novo, se ele passou a vida estudando a lei e os profetas? A citação que Jesus faz de Eclesiastes esclarece o motivo: “Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas” ( Ec 11:5 ).

Nicodemos desconhecia como Deus opera o novo nascimento da mesma forma que ele desconhecia como ocorrem todas as outras maravilhas do universo. Dois exemplos de maravilhas operadas por Deus, e que o homem desconhece são: o caminho do vento e a formação dos ossos de uma criança no ventre materno.

Todo aquele que é gerado de novo é uma obra de Deus, ou seja, todo aquele que é nascido do Espírito é uma obra criativa de Deus.

Observe que não há uma mudança no tema da conversa. Além de demonstrar a necessidade do novo nascimento, Jesus passou a explicar um novo aspecto: a impossibilidade dos homens em compreender como Deus opera as suas obras!

Jesus não estava falando da imprevisibilidade da rota dos ventos! Também não estava falando do que os cristãos haveriam de receber no dia de pentecostes! Jesus não fez referência ao batismo com Espírito Santo ao citar Eclesiastes!

Ao estabelecer uma relação entre o vento e os que são nascidos de Deus, Jesus estava demonstrando que tanto os ventos quanto os nascidos de novo são obras de Deus, e que o homem natural não entende.

Ou seja, assim como o vento, assim é todo aquele que é nascido do Espírito. Tanto o vento quanto os nascidos do Espírito não depende das ações e concepções humanas. Tanto os caminhos dos ventos quanto os nascidos do Espírito os homens naturais desconhecem.

É Deus quem faz todas as coisas! Se o homem desconhece como se dá as maravilhas da natureza (coisas naturais), como o caminho dos ventos, como entenderá o novo nascimento, se o nascer de novo é obra de Deus? “… assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas” ( Ec 11:5 ), ou seja: “Assim é todo aquele que é nascido de Deus” ( Jo 3:8 ).

 

“Como pode ser isso?”

“Nicodemos perguntou: Como pode ser isso?” ( Jo 3:9 )

Nascer do Espírito é uma obra essencialmente divina! Mas, como saber de que maneira ocorre o novo nascimento, se nem mesmo os caminhos dos ventos o homem natural consegue precisar?

Este foi o único momento em que Jesus censura Nicodemos: “Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?” ( Jo 3:10 ). Como é possível alguém ocupar a posição de mestre e desconhecer de que maneira ocorre o novo nascimento? Muitos em nossos dias se dizem mestres, porém, desconhecem como se dá o novo nascimento, condição indispensável à salvação do homem.

A censura de Jesus não foi por causa da falta de conhecimento de Nicodemos, antes, por Nicodemos ocupar a posição de Mestre e desconhecer algo essencial para condução do povo a Deus.

Alguém que tinha a missão instruir o povo na lei e nos profetas, que estudava as escrituras e que havia assumido a condição de mestre não saber como Deus concede uma nova vida ao homem (cria um coração puro e renova um espírito reto) Sl 51:10, restava ser censurado.

Nicodemos leu inúmeras vezes o livro de Isaias, mas não sabia como Deus haveria de vivificar o espírito e o coração do povo “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito, e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

O espírito e o coração dos homens haveriam de ser vivificados a partir do momento em que Deus passasse a habitar neles (nos contritos e abatidos de espírito) Mt 5:3.

Como pode ser isso? Jesus demonstrou que a compreensão de Nicodemos estava muito a quem do proposto pela Escritura. Nicodemos estava completamente enfatuado na sua carnal compreensão.

 

 

Um dos Preceitos em Israel

“Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos do que vimos; contudo, não aceitais o nosso testemunho” ( Jo 3:11 )

Nicodemos foi informado por Jesus da necessidade do novo nascimento. Também sabia que o novo nascimento é o nascer da água e do Espírito. Mas, de que maneira o homem torna-se um novo homem? O que é exigido? Depende de alguma atitude por parte do homem? Depende da moral, do caráter, de regras, da lei, da religião, etc? Como pode ser isso?

Segundo a lei de Moisés o testemunho de duas pessoas era tido como verdadeiro a ponto de condenar alguém à morte “Por boca de duas testemunhas, ou três testemunhas, será morto o que houver de morrer; por boca de uma só testemunha não morrerá” ( Dt 17:6 ).

A lei estipulava que o testemunho de duas pessoas em Israel era equivalente à verdade, e Nicodemos como membro do Sinédrio sabia muito bem disto e de como aplicar a lei.

Da lei surgiram inúmeros preceitos em Israel e Jesus cita um destes preceitos: “Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos…” ( Jo 3:11 ). Ou seja, dizer somente o que se sabe e testificar somente o que se viu deveria ser uma característica própria aos judeus. Ou seja, da lei decorre o preceito de testemunhar somente o que é verdadeiro.

Outro preceito foi citado à mulher samaritana: “… nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus” ( Jo 4:22 ), ou seja, os judeus consideravam que somente eles conheciam o Deus que adoravam, uma vez que a salvação viria dos judeus.

Alguns estudiosos entendem que João 3, verso 11 diz das três pessoas na divindade, e que Jesus estava falando do Pai e do Espírito Santo. Porém, este não era o tema da conversa. Jesus não estava apresentando as pessoas da divindade a Nicodemos, e sim, estava abordando a necessidade do novo nascimento.

No versículo 8 o novo nascimento e apresentado como sendo uma obra de Deus, e no versículo 11, Jesus passa a demonstra como o novo nascimento ocorre: é preciso aceitar o testemunho de Cristo e o testemunho da Escritura (Pai).

Os judeus enfatizavam os seus preceitos e se gabavam de suas leis, porém, diante do testemunho de Cristo e da Escritura que era verdadeiro, contudo, não aceitavam o testemunho de Cristo.

 

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“Contudo, não aceitais o nosso testemunho” ( Jo 3:11 )

 

“Contudo…”, ou seja, apesar de haverem criado um preceito a partir da lei, as pessoas não aceitavam o testemunho de Jesus e o testemunho da Escritura (Pai).

Os ouvintes de Jesus tinham dois motivos bem fortes para aceitarem o testemunho de Jesus: primeiro, ele dizia e testificava o que tinha visto junto ao Pai, e a Escritura confirmava o testemunho de Jesus.

Com a relação estabelecida através do preceito existente em Israel, Jesus protesta a Nicodemos o fato de não aceitarem a sua palavra e o testemunho da Escritura “E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer. E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes vós” ( Jo 5:36 -38).

Era dever de um Judeu dizer somente o que sabia e testificar somente o que viu, e Jesus como filho de Davi e Filho de Deus somente estava dizendo do que viu (nem vistes o seu parecer) e ouviu (nunca ouvistes a sua vos) do Pai.

Uma vez que a Escritura é o testemunho do Pai a respeito do Filho “São estas mesmas Escrituras que testificam de mim” ( Jo 5:39 ). Os milagres era uma das confirmações de Deus acerca da obra realizada pelo Filho. O que Jesus estava anunciando, Ele havia ouvido e visto junto ao Pai. ‘Contudo…’, ou seja, apesar de falarem conforme a lei, rejeitaram o testemunho do Filho.

Eles estavam rejeitando a Escritura que tanto cultuavam, e que até transformaram em preceitos! Eles estavam rejeitando o Messias esperado. Eles estavam rejeitando o pão vivo enviado por Deus que concede vida aos homens.

 

Como Crereis?

“Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais” ( Jo 3:12 )

O testemunho de Jesus sempre foi acerca de elementos presentes na lei e nos profetas (coisas terrestres), e mesmo sendo Ele o tema central da lei os homens não haviam crido nele ( Jo 5:46 -47). Dai vem a pergunta: como haveriam de crer em Jesus se Ele passasse a falar do evangelho (coisas celestiais)?

Jesus apresenta outro aspecto importante do novo nascimento: a fé!

O profeta Isaías há muito tempo apresentou este tema ao povo de Israel: “Quem deu crédito à nossa pregação?” ( Is 53:1 ).

A pregação é clara: ‘falei de coisas terrestres’! Qual seria o comportamento dos homens quando fosse anunciado ‘as coisas celestiais’?

Cristo é o pregador nato! Mas, quem haveria de dar credito? Como crereis? Esta é a pergunta mais importante do diálogo.

 

 

Provérbios

“Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu – o Filho do homem [que está no céu]” ( Jo 3:13 )

Em Deuteronômio Moisés apresentou ao povo várias promessas de redenção. Ele demonstra que a circuncisão do coração é uma obra divina ( Dt 30:6 ), e que bastava o povo dar ouvido ao anunciado por Deus.

Porém, alguns dentre o povo alegariam que tal ordenança era difícil, e Moisés complementa: “Ora, este mandamento, que hoje te ordeno, não é difícil de mais (…) Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga, e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?” ( Dt 30:11 ).

Ao falar que “Ninguém subiu ao céu”, Nicodemos possivelmente tenha se lembrado desta passagem!

Mas, há outra passagem com abordagem semelhante em Provérbios: “Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos em Seus Punhos? Quem..? Qual é o Seu Nome, e qual é o Nome de Seu Filho, se é que o sabes? Toda Palavra de Deus é perfeita; escudo Ele é para os que nEle confiam. Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe. Há uma geração que é pura aos seus olhos, e que nunca foi lavada da sua imundícia” ( Pv 30:4 -5 e 12).

Observe que Agur, filho de Jaqué de Massa escreveu um provérbio onde foi feita várias perguntas. Dentre elas destacamos: Qual é o Seu Nome, e qual é o nome de seu Filho, se é que o sabes?

Não havia como Nicodemos negar que não conhecia este provérbio em Israel. Qualquer referência ou citação semelhante a um provérbio traz de imediato a memória do ouvinte àquela citação em específico. Era de se esperar que um mestre estabelecesse esta relação.

Jesus, através da pequena afirmação “Ninguém subiu ao céu…”, trouxe à memória de Nicodemos um provérbio corrente em Israel e passa a demonstrar o seu significado:

1. ‘Ora ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu’ – Ninguém pode subir ao céu! Se for possível a alguém subir ao céu, é porque de lá este alguém desceu;

2. Jesus identificou-se como o Filho do homem ao povo de Israel por várias vezes. Muitos já tinham ouvido que Jesus andava apregoando ser o Filho do homem, e aquele era o momento em que Nicodemos precisava perceber que Jesus é o Filho do homem. Quem desceu e posteriormente haveria de subir aos céus era Jesus, o Filho do homem;

3. Todas as perguntas feitas por Agur no livro de Provérbios apontam para Deus. O ponto de maior importância da citação de provérbios está em que o texto demonstra que Deus tem um Filho: “Qual é o Seu Nome, e qual é o Nome de Seu Filho, se é que o sabes?” ( Pv 30:4 ). Jesus, na conversa com Nicodemos, demonstrou que Ele é o Filho Unigênito enviado ao mundo ( Jo 3:16 -17), e caso Nicodemos questionasse a possibilidade de Deus ter um Filho, nas escrituras estava registrado de maneira explicita que Deus tem um Filho;

4. Nicodemos deveria crer na Palavra que é perfeita, e que revela a vontade de Deus aos homens ( Sl 19) “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam n’Ele” ( Pv 30:5 ), e não somente nos sinais. Os sinais era uma confirmação de Deus, mas o que verdadeiramente salva o homem é a doutrina de Jesus. Nicodemos precisava aceitar o testemunho de Jesus e a escritura ( Jo 3:11 );

5. Nicodemos deveria se conscientizar da sua atual condição como fariseu. A referência: “Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe. Há uma geração que é pura aos seus olhos, e que nunca foi lavada da sua imundícia” ( Pv 30:11 -12), demonstra de maneira clara e precisa a condição dos fariseus, religiosos da qual Nicodemos fazia parte ( Mt 15:5 ) e ( Lc 15:7 ).

A mensagem apresentada a Nicodemos foi completa: Jesus demonstrou que não era só por causa dos milagres que Nicodemos deveria afirmar que Cristo era “Mestre vindo da parte de Deus”, antes, deveria verificar que a Palavra de Deus é perfeita. Que nela está demonstrado que Cristo é o Filho de Deus. Que Jesus desceu dos céus e que para lá haveria de subir. Que a geração da qual Nicodemos fazia parte não estava executando a verdadeira vontade de Deus ( Jo 6:29 ).

 

A Serpente no Deserto

“Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, da mesma forma importa que o Filho do homem seja levantado…” ( Jo 3:14 )

Jesus estabelece um comparativo sem parar a explicação que vinha desenvolvendo. Complementando a idéia do versículo anterior, Jesus introduziu uma comparação: “Assim como…”.

Nicodemos conhecia a passagem bíblica das serpentes ardentes e Jesus passa a demonstrar a importância de sua morte e a forma (maneira) como haveria de ser morto através desta passagem.

O mestre da lei estava sendo esclarecido naquele instante, em linhas gerais, sobre o que haveria de ocorrer com o Filho do Homem.

Quanto à forma, Jesus haveria de ser levantado da terra dando da sua morte da mesma maneira que a serpente de metal foi erguida por Moisés no deserto.

Quanto à importância, a serpente de metal ‘trouxe’ vida àqueles que foram picados pelas serpentes (aos condenados à morte), e Cristo, trouxe vida ao mundo que “jaz”, ou seja, que está morto no pecado.

O contexto é delineado através de todos os elementos apresentados no texto. Não é só analisar as frases isoladamente da seguinte forma: “Moisés levantou a serpente no deserto”. Se analisarmos esta frase isoladamente teremos uma afirmação, mas quando analisamos a frase dentro do contexto, temos uma comparação.

Jesus fez uma comparação e passa a Nicodemos uma idéia que só entenderemos quando considerarmos todos os elementos presentes no texto: “E assim como Moisés levantou a serpente no deserto…”.

Para melhor entender a comparação que Cristo fez, faz-se necessário analisar a referida passagem do Antigo Testamento.

A passagem de Números 21: 4- 9 relata que o povo de Israel ficou impaciente enquanto caminhavam pelo deserto e passaram a maldizer: “Por que nos fizestes subir do Egito, para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil” ( Nm 21:5 ).

Diante da murmuração, Deus enviou serpentes ardentes e estas mordiam o povo, e ao sentirem que estavam amaldiçoados, foram até Moisés e disseram: “Havemos pecado, porquanto temos falado contra o Senhor e contra ti”..

Então disse o Senhor a Moisés: “Faze uma serpente ardente, e põe na sobre uma haste, e será que viverá todo o mordido que olhar para ela”. Foi quando Moisés fez a serpente de metal, e colocou em uma haste, e “mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal, e ficava vivo”.

a) a praga das serpentes foi conseqüência direta do pecado do povo;

b) a salvação para os picados pelas serpentes estava na palavra de Deus anunciada por Moisés;

c) a serpente de metal foi erguida por ordem divina;

d) bastava um olhar para que o favor de Deus fosse alcançado.

A palavra de Deus foi: “E será que viverá todo o mordido que olhar para ela”, e Moisés anunciou ao povo o que Deus disse. Observe a universalidade da mensagem (todo o mordido) e a necessidade dos ouvintes de Israel (não morrerá). Da mesma forma que os picados pelas serpentes estavam condenados à morte, toda a humanidade também está condenada à morte em Adão.

A mensagem, a que Moisés foi comissionado a transmitir, não excluía nenhum dos picados pelas serpentes. Todos sem exceção que olhassem para a serpente de metal haveriam de alcançar uma nova oportunidade de vida. A oferta de salvação a humanidade também não é diferente: todos, sem exceção, são alvos da graça de Deus.

Os ouvintes de Moisés necessitavam da cura e nada lhes foi exigido. Bastava um simples olhar em direção à serpente de metal e haveria de ter uma ‘nova’ vida. Esta mesma oferta é feita a humanidade: precisam olhar para quem prometeu a nova vida, pois a garantia de nova vida esta em quem é Fiel, se qualquer exigência ou obras a serem realizadas por parte dos agraciados.

 

 

Quem Crer

“…da mesma forma importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” ( Jo 3:15 )

Jesus não estava evidenciando a Nicodemos o evento da sua morte. Ele anunciou a sua morte de maneira implícita ao destacar que o Filho do homem haveria de ser levantado. Mas, o que Jesus procurou destacar?

Jesus simplesmente estava destacando que, em importância, o que a serpente de metal representava para o povo de Israel, o Filho do homem representa para a humanidade.

A mesma importância que a serpente de metal erguida teve para o povo de Israel, Jesus Cristo crucificado representa para a humanidade: Cristo é vida para aqueles que estão mortos em delitos e pecados.

Deus não exigiu dos picados pelas serpentes que se fizesse algo em troca do livramento da morte iminente. Deus providenciou salvação poderosa ao povo de Israel e para serem participantes de tal salvação bastava simplesmente crer na palavra anunciada por Moisés: precisavam olhar para a serpente erguida na haste de metal.

O ponto principal da declaração de Jesus centra em uma única questão: da mesma forma que os picados pelas serpentes tiveram que crer na mensagem apregoada por Moisés, a humanidade precisa crer em Cristo para ter acesso à nova vida.

Deus não escolheu dentre o povo de Israel aqueles que seriam salvos, antes todo o mordido que olhasse para a haste haveria de viver, conforme a palavra de Deus. Da mesma forma Deus não escolhe dentre os homens perdidos aqueles que serão alvos de sua graça. Todos quantos crerem em Cristo terão vida eterna.

O novo nascimento dá acesso a vida eterna livrando o homem da morte eterna. Através do novo nascimento o homem entra pela porta estreita que é Cristo, visto que através do nascimento natural o homem teve acesso a porta estreita.

Quem não crer perecerá, e aquele que crer terá vida eterna. Não é uma escolha entre duas alternativas. É uma decisão: o homem já está condenado e deve decidir-se em aceitar a salvação proposta (v. 18).

Não há como o homem desconsiderar o convite de salvação, visto que, não é uma escolha, e sim uma decisão!

Aos picados pela serpentes não restava alternativa a não ser olhar para a haste de metal, uma vez que já estavam condenados ( Hb 2:3 ).

Da mesma forma que Adão decidiu de moto próprio comer do fruto da árvore do bem e do mal, é preciso o homem decidir-se de moto próprio comer o Pão vivo que desceu do céu que dá vida eterna aos homens.

 

O Amor de Deus

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 )

A base de tudo que Jesus disse a Nicodemos é o amor de Deus.

Deus amou todos os homens e Jesus é a prova evidente deste amor.

O ato de ter entregue o seu único Filho em resgate da humanidade concede-nos o parâmetro necessário para mensurarmos a dimensão deste amor.

Deus entregou o seu Filho em resgate da humanidade, e não de alguns. Da mesma maneira que a serpente de metal sinalizava vida a todos quantos olhassem para ela, Cristo é salvação a todos os homens, sem distinção alguma.

A salvação é para todo aquele que N’ele crê, da mesma maneira que foi dito “… viverá todo o mordido que olhar para ela”.

Em momento algum Jesus demonstra que Deus selecionou algumas pessoas para serem agraciadas em particular. Antes convida a todos que creiam na providência, para que tenham vida eterna.

۩

O amor de Deus não é demonstrado em conivência ao pecado, ou seja, ele não aceita o culpado como sendo inocente!

Deus é amor, mas também é justiça. O amor de Deus não é um sentimento, onde Ele tem preferência entre A e B. Deus comporta-se segundo o seu amor que é demonstrado em justiça.

Por Deus amar os homens a justiça de Deus foi manifesta em Cristo. Desta maneira verifica-se que Ele não pode aceitar o culpado como sendo inocente. Ele não pode estar (unir-se) com o impuro.

Os culpados estão sob condenação e não serão aceitos por Ele. Os culpados devem receber a pena estipulada: morte. Quando o homem morre com Cristo é justificado do pecado ( Rm 6:7 ), e ao ressurgir com Cristo (nascerem de novo) é declarado livre de culpa ( Rm 4:25 ).

A ação divina não é reconciliação com a criatura perdida (velho homem). Ele não toma o velho homem e o aceita na condição de justo. Antes o velho homem (o pecador) precisa ter um encontro com a cruz de Cristo. Este homem é crucificado, morre e é sepultado, tudo por meio da fé em Cristo.

Em seguida um novo homem é criado (ressurge) e Deus o declara justo diante d’Ele. Este novo homem é criado através da semente incorruptível (água), e segundo Deus (Espírito), em verdadeira Justiça e Santidade.

Estas são as bases para as doutrinas da Justificação e Santificação.

A justificação do homem é por meio da nova vida que se adquiri em Deus. Justiça esta que não é conforme a justiça que se estabelece nos tribunais humanos. A justificação é de vida, da mesma forma que a condenação foi de morte ( Rm 4:18 ).

 

 

Salvação

“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” ( Jo 3:17 )

A primeira ideia que as pessoas têm em mente é a de que Jesus trouxe um padrão de conduta tão alto que homem algum pode cumpri-lo. Pensa-se mais na condenação do que na oferta de salvação.

Em primeiro lugar a salvação não se dá através de um padrão de conduta.

Muitas pessoas se assuntam com o Sermão do Monte, onde Jesus parece apresentar um padrão de conduta inatingível. Este não era o intuito de Jesus ao dar o Sermão do Monte, estabelecer mais um padrão de conduta, ou o melhor padrão ético.

Jesus estava falando a um povo que detinha um dos padrões de condutas mais alto à época. Eles eram cumpridores de alguns aspectos da lei e tinham um padrão de conduta superior aos outros povos. Mas, o que Jesus pretendia com o Sermão do Monte?

O intento de Jesus é demonstrar que o espírito da lei é inatingível. Por mais que o homem procure seguir a lei ou qualquer outro padrão de conduta, sempre ficará aquém da lei. Ex: A lei dizia: “Não adulterarás”, mas se for perseguir o espírito da lei, qualquer que ao menos olhar para uma mulher com intenção impura, já é transgressor da lei ( Mt 5:27 -30).

Desta forma, antes de apresentar o espírito da lei aos seus ouvintes, Jesus deixa o alerta: quem quisesse entrar no reino dos céus deveria ter uma justiça maior do que a justiça dos fariseus ( Mt 5:20 ).

A conduta dos fariseus era irrepreensível perante a sociedade da época. Como, então, alcançar justiça maior dos que a dos fariseus? Não tendo pensamento impuro? Nunca fazer um xingamento? Jamais pensar no divorcio? Não! A justiça maior é pela fé! Se o homem aceitar a Cristo como Senhor, estará de posse da justiça que vem de Deus, pois é somente Ele quem justifica.

Desta maneira podemos compreender a missão de Jesus no mundo: Ele veio salvar o que estava perdido. Ele não veio apontar os erros dos homens. Não veio estabelecer outro padrão de conduta. Também não apresentou um código de Ética. Ele veio trazer salvação a todos os homens.

Deus enviou o seu Filho com a missão específica de salvar o mundo. A salvação do mundo está na vida que Deus oferece por meio da fé em Seu Filho. Ter Jesus é ter a vida eterna.

 

Condenação

“Quem crê nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” ( Jo 3:18 )

Cristo foi enviado ao mundo para salvar e não para condenar os homens.

Quem crê em Cristo não é condenado com o mundo, mas quem não crê permanece sob uma condenação anterior.

A condenação do homem deu-se em Adão conforme Paulo demonstrou na carta aos Romanos: “Pois assim como por uma ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 4:18 ).

Em Adão se deu a ofensa, e nele foi estabelecido o juízo.

O juízo e a condenação de Deus foram estabelecidos apartir do momento em que Adão pecou! ( 1Co 15:22 ).

Jesus demonstrou a Nicodemos que o mundo precisava de salvação “…para que o mundo fosse salvo por ele” ( Jo 3:17 ), visto que sobre a humanidade pesa uma condenação. Sem crer em Cristo o homem perece!

Quem não crê no filho de Deus já está condenado, pois só a crença na providência (salvação) de Deus poderá salvar o homem (João 3: 18).

Se o Sermão do Monte fosse um novo padrão de conduta que Cristo veio estabelecer, jamais o homem seria salvo, antes permaneceria debaixo do pecado. Ao apresentar o espírito inatingível da lei, a única coisa que restaria a seus ouvintes era atentar para a grande salvação: crer naquele que o Pai enviou!

 

 

Princípios Gerais

“A condenação é esta: A luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz porque as obras deles eram más. Todo aquele que pratica o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem vive de acordo com a verdade vem para a luz, a fim de que se veja claramente que as suas obras são feitas em Deus” ( Jo 3:19 -21)

Deus enviou salvação poderosa a todos os homens, mas eles confiam mais em suas próprias ações. A condenação dos homens está em permanecer de posse de suas obras e concepções.

Porque Jesus disse que as obras dos homens são más?

Sabemos que os homens amaram mais as trevas porque as suas obras eram más. Mas, o que determina a qualidade das obras dos homens (boas e más)?

Se as ‘boas’ obras são feitas em Deus, as ‘más’ obras ganham este qualificativo por não serem feitas em Deus.

Como entender esta colocação de Jesus? Que princípio Jesus procurou evidenciar?

Todos os homens quem rejeitaram a Luz que veio ao mundo só praticam obras más. Eles são plantas que Deus não plantou ( Mt 15:13 0. Estão no caminho largo que conduz à perdição. São vasos de desonra. Eles praticam obras más por que são escravos do pecado, pois todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus.

Quando a Bíblia diz que o homem é escravo do pecado ela aponta estes três aspectos:

  • Um escravo não pode libertar a si mesmo;
  • Um escravo não pode servir a dois senhores, e;
  • Um escravo não pode produzir nada para si mesmo.

Os homens que rejeitam a Luz que Deus enviou permanecem escravos do pecado. Eles tem o pecado como senhor. Não podem libertar-se por meio de esforço próprios. E tudo o que produzem, produzem para o seu senhor, o pecado.

Com base nestes princípios verifica-se que o homem sem Cristo não pode praticar obras ‘boas’, pois eles não estão em Deus. Somente aqueles que estão em Deus é que praticam boas obras ( Ef 2:10 ).

Isto não quer dizer que os homens sem Cristo não consigam praticar boas ações. O que esta figura demonstra é que tudo o que o homem enquanto escravo do pecado produz, seja bem ou mal, pertence por direito ao seu senhor.

Nada que um escravo produz é para si mesmo. Por conseguinte, nada que um escravo do pecado produz é para si mesmo. O escravo do pecado só produz obras más, pois tudo o que faz é de propriedade de seu senhor.

Por isso é necessário o homem nascer de novo, visto que, o homem segundo Adão vive à mercê do pecado, e tudo o que produz (boas ou más ações) pertence ao seu senhor, o pecado!

Os fariseus tinham as melhores obras aos seus olhos, mas as obras deles não eram produzidas em Deus, antes em pecado, pois não receberam a Luz de Deus. Ex: O jovem rico cumpria a lei rigorosamente, mas o seu senhor era o pecado, e não Deus.

“todo aquele que faz o mal” refere-se aos homens sem Deus, pois, segundo os Salmos, temos que: “Não há um justo, nem um sequer (…) Não há quem faça o bem, não há nem um só” ( Sl 14:1 -3).

Se não há quem faça o bem, e como ressalva o salmista complementa ‘nem um homem sequer’, não havia como os que rejeitaram a luz de Deus fazer o bem. Perceba que Jesus não ordena aos homens que faça o bem, visto que não há quem faça o bem. Antes, Jesus ordenava aos seus ouvintes que viessem para Ele (para Luz), e então as suas obras seriam boas.

Seria um contra senso Jesus solicitar aos homens fazer o bem se não há um sequer que faça o bem. Somente aqueles que são participantes da nova vida é que podem fazer o bem, pois a semente de Deus permanece nele.

Jesus está falando de uma condição pertinente à velha criatura quando afirma que aqueles que fazem o ‘mal’ aborrecem a Deus. Se não há quem faça o bem, isto demonstra que, por mais que o homem que não nasceu de novo pratique ações que, segundo a sua concepção é o ‘bem’, para Deus as suas obras são o ‘mal’.

O homem precisa estar em Deus, ou seja, em Cristo, para que possa fazer o bem:

  • “Todo aquele que faz o mal aborrece a Luz” ( Jo 3:20 );
  • “Não há quem faça o bem, não há nem um só” ( Sl14:1-3; Rm 3:9 -17);
  • “…todo aquele que comete pecado é escravo do pecado” ( Jo 8:34 ).

Todos os homens sem Cristo fazem o mal por terem nascido escravos do pecado. Por isso é necessário que todos nasçam novamente, da semente incorruptível, da palavra de DEUS, que é viva e permanente.

Os fariseus e escribas possuíam uma conduta invejável frente a seus concidadãos! Mas, assim mesmo, Jesus disse a um dos seus mestres: Você tem que nascer de novo!

Estes tinham receio de ir a Jesus (Luz do mundo) por medo de terem as suas obras reprovadas, como ocorreu com o jovem rico ( Mt 19:20 ).

Mas quem pratica a Verdade, ou seja, que vive a Verdade, estes vem para a Luz. Observe que aqueles que estão sem Cristo praticam o mal, e aqueles que estão em Cristo, praticam a verdade.

A finalidade de ir a Jesus é para que se manifeste que as obras do novo homem são feitas em Deus. Aqueles que nasceram de novo passam a viver uma nova vida, sujeito à justiça, e todas as suas obras são segundo a verdade, mesmo quando o cristão acaba errando.

A nova criatura é por natureza sujeita a lei de Deus, e ‘em verdade é’, visto que tudo o que o novo homem produzir pertence ao seu Senhor, que no tribunal de Cristo haverá de recompensar as obras dos seus filhos ( 2Co 5:10 ).

Por outro lado, o profeta Isaías, citado por Paulo, demonstra que a nova criatura foi criada por Deus em Cristo para as boas obras “…as quais Deus preparou para que andássemos nelas” ( Ef 2:10 ; Is 26:12 ).

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Tudo quanto pedirmos!

Tudo aquilo que você pedir a Jesus, será Ele mesmo quem irá se encarregar de realizar, ou seja, é ele que realizará o que você pedir. Ao tornar conhecido dos seus discípulos a sua igualdade com o Pai, mais uma vez Jesus demonstra que deveriam crer nele da mesma forma que criam no Pai, visto que o Pai estava nele. O contexto do capítulo demonstra de maneira clara que a ideia a ser evidenciada é a crença em Cristo da mesma forma que se crê em Deus.


“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho” ( Jo 14:14 )

 

Este versículo apresenta um grande dilema: Tudo quanto o cristão pedir a Deus em nome de Jesus será atendido?

Uma irmã perguntou-me por que a sua oração não era atendida, já que a Bíblia prometia que se ela pedisse alguma coisa conforme a vontade de Deus seria atendida.

Além da questão levantada, ela argumentou: Se é desejo de Deus que todos os homens sejam salvos, por que peço a Deus em nome de Jesus e Ele não salva o meu filho?

Diante deste entrave, convido você, leitor, a pensar comigo este verso de João 14:14.

A pergunta é simples: Tudo que um cristão pedir a Deus em nome de Jesus será concedido? É isto que o versículo expõe?

Para entender este versículo, em primeiro lugar é preciso estudar e compreender o capítulo 14 do evangelho de João.

Estudemos:

 

Creiam em Mim

“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” ( Jo 14:1 -3).

Após anunciar que Pedro haveria de traí-lo, Jesus falou aos discípulos: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim” ( Jo 14:1 ).

Conhecendo as agruras que estavam por vir, e conhecendo a estrutura de seus discípulos, Jesus solicitou aos seus discípulos que não ficassem conturbados com o que estava por vir, e que cressem nele da mesma maneira que criam em Deus.

Por que Jesus solicitou aos seus discípulos que cressem nele da mesma forma que criam em Deus? Porque Jesus conhecia os seus seguidores, e sabia que eles ainda não estavam firmes na fé.

Após o pedido Jesus faz uma promessa: ‘…vou preparar vos lugar…”. Jesus estava para ser tirado da terra dos viventes, e a promessa dele foi interposta como alento aos seus discípulos, por causa das agruras e da ausência de Cristo quando no seio da terra.

A morte de Cristo era para preparar morada aos seus, porém, era preciso que os discípulos cressem piamente nele. Principalmente porque os eventos que haveriam de suceder exigiriam muito dos seus discípulos, e somente a confiança em Cristo livraria os discípulos de ficarem conturbados.

Os versos de 1 a 3 apresenta um pedido e uma promessa para que os discípulos confiassem em Cristo da mesma forma que nutriam confiança em Deus, para livrá-los de turbação diante das agruras que estavam para se revelar.

 

A Falta de Confiança

“Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho. Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras” ( Jo 14:4 -11).

Quando Jesus disse que levaria os discípulos para junto dele, completou: “Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho” (v. 4).

Em primeiro lugar: Para onde Jesus estava indo? Ele estava indo para o Pai. Segundo: Todos os discípulos conheciam a Jesus, e, portanto, conheciam o caminho.

Diante da informação de Jesus, Tomé completou: “Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?” (v. 5).

Diante da pergunta de Tomé, Jesus passou a demonstrar novamente que Ele mesmo é o Caminho, a Verdade e a Vida. Que não há outro caminho de acesso para os homens a Deus.

Além de responder Tomé, Jesus afirmou que o Pai e Ele são um ao afirmar: “Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto” ( Jo 14:7 ).

Jesus não deixou dúvidas de que eles conheciam a Deus, uma vez que eles já conheciam a Cristo. A palavra ‘conhecer’ refere-se ao mesmo conhecer dos casais que passam a estar unidos uns ao outro.

Admirado da doutrina exposta por Cristo, Felipe solicitou que fosse mostrado o Pai, o que seria ‘suficiente’ o bastante para todos crerem. Felipe demonstrou de forma CLARA a falta de confiança em Cristo.

Jesus respondeu: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (v. 8).

A pergunta de Cristo é pertinente: Como Filipe ainda podia dizer ‘mostra-nos’ o Pai, se Cristo estava a tanto tempo com Eles? Jesus não esteve o tempo necessário com eles para que confiassem em suas palavras?

Jesus é enfático: “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? (…) Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim”, ou seja, Jesus volta a mesma abordagem do verso 1: “…credes em Deus, crede também em mim…” ( Jo 14:1 ).

 

Crede-me, ao menos, pelas mesmas obras

O versículo dez retoma a ideia do versículo primeiro, e neste ponto já é possível delinear o motivo da necessidade de se analisar todo o capítulo para entendermos o verso 14.

Jesus havia alertado os discípulos para que cressem em Deus e cressem da mesma forma nele. Isto porque Jesus não queria que eles ficassem turbados com o que haveria de suceder.

Fica evidente que era preciso aos discípulos crerem em Cristo da mesma forma que criam em Deus quando Jesus falou que o Pai e Ele eram um. Filipe não se contentou e pediu: “Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta”.

Será que as palavras de Jesus não continham os elementos necessários para que eles cressem? A palavra de Jesus não lhes era o bastante?

Diante do que Filipe disse, Jesus argumentou: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” ( Jo 14:9 ).

“Como dizes tu?” Jesus questiona: “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim?” ( Jo 14:10 ). Ele é direto e objetivo: “Não crês tu que eu estou no Pai…”.

Para dizer o que Filipe e Tomé disseram, somente não crendo nas palavras ditas pelo Mestre.

 

O Pai e Cristo são um

Jesus não queria que os seus discípulos ficassem turbados, e torna a enfatizar a necessidade de crerem nele (v. 11).

Os discípulos podiam confiar em Cristo uma vez que Ele e o Pai são um. Ou seja, nada do que Cristo estava dizendo era de Si mesmo, antes, o Pai que estava em Cristo é quem faz as obras.

Diante da falta de confiança de seus seguidores Jesus demonstra que as palavras que foram ditas aos discípulos procediam do Pai. Da mesma forma que as obras realizadas por Cristo eram provenientes do Pai, eles podiam confiar na palavra de Cristo, uma vez que Ele pronunciava as palavras do Pai.

Lembre-se que um judeu não podia dar testemunho de si mesmo, pois tal testemunho era tido como mentiroso. Por isso Jesus demonstra que as obras e as palavras ditas por Cristo eram provenientes do Pai (v. 10).

Ou seja, Jesus aponta para as obras realizadas pelo Pai como prova de que as suas palavras eram verdadeiras e dignas de total confiança.

Jesus novamente solicita: “Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim…”. Isto porque se os discípulos ainda não tinham alcançado fé na pessoa de Cristo da mesma forma que criam em Deus, eles ao menos deviam crer em Cristo pelas mesmas obras que Ele e o Pai realizaram.

Se as obras que Cristo realizava eram as mesmas que o Pai realizava, era um sinal evidente que Ele estava no Pai e o Pai nele.

 

Somos um em Cristo

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” ( Jo 14:12 ).

Jesus passa a anunciar outra ideia complementar a primeira: Da mesma forma que o Pai estava em Cristo fazendo a sua obra, da mesma forma aqueles que cressem em Cristo haveriam de fazer as mesmas obras do Filho. E Jesus enfatiza: “…as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai”.

Isto demonstra que:

a) Da mesma forma que o Pai e o Filho são um, aqueles que creem são um em Cristo (v. 12);

b) Ir ao Pai garantiria aos discípulos fazer obras maiores que as realizadas por Cristo e descanso ao confiar na promessa do Mestre (v. 2).

Desde o versículo dez são demonstradas as garantias advindas do Pai e do Filho, e as palavras que Jesus disse são dignas de total confiança.

Após enfatizar que o Pai é quem faz as obras, Jesus pede que, ao menos, os discípulos cressem por Ele realizar as mesmas obras que o Pai.

É neste contexto que Jesus faz uma promessa aos discípulos e a todos quanto creem em seu nome: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho” (v. 13).

O que Jesus prometeu? Jesus estava prometendo tudo àquilo que o crente pedisse?

Talvez o leitor ainda esteja se perguntando: “Por que a necessidade de ler o capítulo, se a questão está no versículo quatorze?”

 

Um Exemplo de má Interpretação

O que Jesus realmente prometeu? Ele prometeu conceder tudo aquilo que o crente pedisse?

Talvez você ainda esteja se perguntando: “Por que a necessidade de ler todo o capítulo, se a questão a ser esclarecida está no versículo quatorze?”

Ora, fez-se necessário a leitura e o estudo do capítulo porque no versículo 14 Jesus estava simplesmente enfatizando a necessidade dos discípulos crerem em sua palavra da mesma forma que criam em Deus. Tal confiança poderia livrá-los de uma turbação que estava bem próxima.

Antes da resposta, observe:

Quando João escreveu o seu evangelho, ele tinha em mente especificamente a necessidade de todos os homens: a necessidade de crer em Cristo. Focado nesta necessidade é que João escreveu o seu evangelho, e acabou selecionando e abordando os eventos que demonstram esta necessidade:

“Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 );

O capítulo quatorze do evangelho de João além de selecionar um evento específico, quer demonstrar a necessidade de o homem crer em Cristo, e também encontramos o próprio Mestre argumentando sobre a necessidade dos seus discípulos crerem em sua pessoa;

O capítulo 14 demonstra a maneira como Jesus enfatizou a necessidade dos discípulos crerem em sua palavra ( Jo 14:1 -14). Jesus concita os seus seguidores a crerem por causa da eminente perseguição, sem importarem-se com a aparente ausência de Cristo ( Jo 14:1 ); O Pai eterno está em Cristo e Cristo nele ( Jo 14:11 ); Cristo concede a prerrogativa de seus seguidores fazer as mesmas obras que Ele, e até mesmo maiores;

O contexto de João 14 e o evangelho segundo João se firma na perspectiva de que é preciso crer no Filho de Deus da mesma maneira que se crê em Deus.

Ao observarmos todos estes aspectos, analisemos: Tudo aquilo que os discípulos pedissem, Jesus haveria de realizar? Não! Não é isso que Jesus disse.

Antes de explicarmos o que Jesus realmente disse, leia os versículos seguintes:

“Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será? Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?” ( Jo 21:21 -23).

Após perguntar pela terceira vez a Pedro se ele realmente amava a Cristo, Jesus apresenta qual devia ser a missão de Pedro: Apascenta as minhas ovelhas.

Após Jesus dizer a Pedro com que tipo de morte ele havia de render glória ao Pai, disse: Segue-me.

Pedro ao observar João, pergunta a Jesus: “Senhor, e deste que será?” ( Jo 21:21 ). A resposta de Cristo criou um boato entre os primeiros cristãos de que João haveria de viver até a segunda volta de Cristo.

Ainda bem que João procurou desmistificar o que estavam divulgando acerca do que Jesus dissera!

Observe as frases acerca do mesmo evento:

Jesus: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha , que te importa. Segue-me tu” (v. 22);

João explicando: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa a ti?” (v. 23).

Qual a diferença entre o que Jesus disse e a explicação de João? Observe que a primeira frase é idêntica a segunda. A única coisa que sabemos é que a primeira frase deu a entender aos seguidores de Cristo que João não haveria de morrer, e a segunda, que Jesus não quis dizer o que estavam acreditando ser.

Graças a Deus que João deu o significado exato da frase. Mas, qual a diferença entre a primeira e a segunda frase, se elas são idênticas? A diferença é visível quando damos ênfase em certo elemento da frase. Observe:

Se levarmos em consideração o fato de Jesus dizer “Se eu quero que ele fique até que eu venha”, estaremos acreditando que João não haveria de morrer até que Cristo voltasse.

Porém, se levarmos em conta a possibilidade “Se” e a reprimenda “…que te importa a ti?”, fica claro que Jesus disse: “…que te importa a ti?” o que será deste!

Não era da conta de Pedro saber o que haveria de ser de João “Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas”.

Jesus estava conversando com Pedro, e ele desviou a conversa para inquirir a respeito de João. Jesus o repreendeu, pois aquele não era o momento adequado para se falar de outra pessoa. Jesus queria tratar diretamente com Pedro e ele resolver mudar repentinamente a conversa, apontando para João.

Alguns passaram a divulgar que João não haveria de morrer porque anteriormente Jesus havia falado acerca da morte de Pedro, o que leva a conclusão de que o que foi dito acerca de João era verdadeiro, e não uma possibilidade “Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras. E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me” ( Jo 21:18 -19).

Jesus havia falado acerca da morte de Pedro, e descartou a necessidade de falar acerca da morte de João ao destacar “Se eu quero que (…) que te importa a ti?”.

O mesmo problema de interpretação que houve em meio aos discípulos acerca do que Jesus falou de João, ocorre também no versículo que trata sobre o que Cristo há de conceder aos que pedirem.

 

“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” ( Jo 14:13 -14).

Se enfatizarmos ‘tudo quanto pedirdes’, concluiremos que Jesus haveria de conceder tudo e qualquer coisa que o pedissem, porém é sabido que não é assim.

Os seguidores da teologia da prosperidade gostam de enfatizar este tipo de interpretação. Eles enfatizam aspectos que não são apresentados no versículo para oferecer falsas esperanças ao povo.

Distorcem a palavra de Deus da mesma forma que fez a serpente ao falar com Eva. A serpente procurou evidenciar uma proibição desmedida da parte de Deus, e esta enganada, deixou de considerar que em Deus há toda liberdade, pois de todas as árvores do jardim ela podia comer livremente. Todas as árvores eram liberadas para se comer, e apenas uma tinha ordem a respeito para que dela não comessem por causa das conseqüências.

Porém, a liberdade era plena, e Deus deixou livre acesso à árvore do conhecimento do bem e do mal.

Qual é a verdadeira interpretação do versículo 14? O que deve ser evidenciado na leitura do capítulo 14?

“E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” ( Jo 14:13 -14).

Jesus prometeu que faria tudo quanto os discípulos pedissem pro qual motivo? Para que o Pai fosse glorificado.

Para que o Pai fosse glorificado Jesus haveria de fazer tudo que pedissem em Seu nome.

Jesus se compromete a fazer o que os discípulos pedissem.

Jesus não prometeu que faria tudo quanto os discípulos pedissem, antes, Jesus estava demonstrando que tudo aquilo que os discípulos pedissem em seu nome Ele haveria de realizar em pessoa.

“O QUE SEMPRE FOI DA ALÇADA DO PAI REALIZAR, JESUS DEMONSTRA QUE, DAQUELE MOMENTO EM DIANTE, ELE MESMO ESTAVA SE ENCARREGANDO DE REALIZAR TUDO”

O que deve ser evidenciado, ou seja, a ideia que está sendo exposta, não é tudo quanto o homem pedir, mas sim, quem haveria de realizar o que fosse pedido.

“Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, EU O FAREI”, ou seja, da mesma forma que eles sempre creram em Deus e pediam a Pai, agora, se eles pedissem em nome de Jesus, seria Jesus quem haveria de realizar todos os pedidos.

Jesus não se obrigou a fazer tudo o que os discípulos pedissem. Seria um contra-senso, visto que nem sempre sabemos o que havemos de pedir! “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” ( Rm 8:26 ).

O que seria de nós se tudo quanto pedíssemos fosse realizado se nem mesmo sabemos o que pedir, e como convém pedir?

Jesus estava apenas se obrigando em realizar pessoalmente o que pedissem.

O texto demonstra que tudo aquilo que você pedir a Jesus, será Ele quem irá se encarregar de realizar pessoalmente, ou seja, é ele que realizará o que você pedir.

Ao tornar conhecido dos seus discípulos a sua igualdade com o Pai, mais uma vez Jesus demonstra que deveriam crer nele da mesma forma que criam no Pai, visto que o Pai estava nele.

O contexto do capítulo demonstra de maneira clara que a ideia a ser evidenciada é a crença em Cristo da mesma forma que se deveria crer em Deus.

Como eles criam que Deus faz todas as coisas, da mesma forma deveriam crer que Cristo também fez e faz igualmente todas as coisas “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” ( Jo 1:3 ).

Como todas as coisas foram feitas por Cristo, tudo quanto eles pedissem também haveria de ser realizado por Jesus Cristo. Eles não precisavam ficar turbados com nada neste mundo.

Desta maneira é válido o complemento na colocação de Jesus “…para que o Pai seja glorificado no Filho”. O texto demonstra que, quando Jesus realiza os nossos pedidos, é para glória do Pai.

Não são os nossos pedidos que glorifica a Deus, antes a glória de Deus está em Cristo realizar todas as coisas.

“Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra” ( Jo 16:24 ), mas, “…tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”.

Observe o contraponto: tudo/nada.

Jesus um pouco adiante enfatiza que os discípulos nada haviam pedido em seu nome até aquele momento.

Apesar dos discípulos terem conhecimento da divindade de Cristo, ou seja, que Cristo é o verdadeiro Deus e que nele está a vida eterna, ainda estavam acanhados em pedir alguma coisa em nome de Jesus.

Eles ainda estavam focados na aparência de Cristo e se esqueciam de ver que aquele homem, apesar da aparente fraqueza, foi quem fez o mundo.

Se eles ainda não haviam pedido nada, Jesus demonstra que tudo o que pedissem em seu nome, crendo, haveriam de receber D’Ele. Jesus não prometeu atender tudo o que pedissem, antes prometeu realizar pessoalmente o que pedissem.

 

“Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” ( Lc 22:42 ).

 

Observe que a vontade de Jesus era que o Pai O livrasse daquela hora amarga. Se Jesus homem não desejava passar àquela hora amarga, quais seriam os nossos pedidos, caso Jesus fosse realizar tudo o que pedíssemos?

Quais serão os nossos pedidos?

Devemos ter em mente que, quando pedirmos alguma coisa a Deus, não temos garantia de que seremos atendidos, pois Ele haverá de realizar a sua própria vontade, e não a nossa.

Por quê? “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” ( Mt 7:11 ).

Desta maneira não devemos nos preocupar, pois o nosso Deus é Pai bondoso, e não nos trata segundo os nossos erros.

“Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus. E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos” ( 1Jo 5:13 -15).

Novamente em sua primeira epístola João demonstra que tudo o que foi escrito tem por objetivo a fé no Filho de Deus. Por duas coisas:

A) eles deviam saber que possuíam a vida eterna;

B) e que cressem em seu nome.

E qual a confiança que temos em Cristo? Que ele nos ouve! Ou seja, se pedirmos alguma coisa, devemos crer que ele nos ouve. E se o que pedirmos for segundo a sua vontade, Ele nos concederá.

E, se sabemos que Jesus nos ouve, também devemos crer que já recebemos as nossas petições. Como?

1º Deus é Pai bondoso;

2º Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus.

Haveria como ter alguma dúvida?

Agora que você fez uma releitura do texto, passe a diante e livre alguém das questões acerca deste versículo.

Por que Deus não me ouve? Por que isso, por que aquilo, se ele diz que fará tudo o que eu pedir?

1º Jesus em momento algum se compromissou em fazer tudo o que desejássemos. Deus está compromissado com a nossa salvação, e, quanto às questões pertinentes a está vida, devemos crer conforme Paulo escreveu aos Romanos ( Rm 8:28 ).

2º A palavra de Cristo foi empenhada para que tivéssemos fé em seu nome, e não que Ele estivesse estabelecendo um compromisso em realizar todas as nossas vontades como geralmente lemos em estórias infantis com gênios.

A promessa é sobre ‘quem’ realizará tudo aquilo que o cristão pedir, e não quanto a ter todos os pedidos atendidos.

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