Hebreus 2 – O Criador de todas as coisas

Todas as coisas estão sujeitas a Jesus, porém, os cristãos ainda não viam que todas as coisas estavam sujeitas a ele. Este era um problema de entendimento de alguns cristãos que o escritor queria esclarecer: embora não vissem que todas as coisas estavam sujeitas a Cristo, isto não muda a realidade dos fatos: todas as coisas estão sujeitas a Cristo!


Introdução

Somente no capítulo 2 é possível precisar qual o contexto da carta aos Hebreus, visto que, o primeiro capítulo resume-se em uma abordagem específica sobre a pessoa de Cristo.

Antes de prosseguir, é necessário enfatizar que, caso não houvesse o aposto explicativo do primeiro capítulo que trata especificamente da pessoa de Jesus ( Hb 1:3 -4), juntamente com várias citações do Antigo Testamento ( Hb 1:5 -14), o texto principal da carta ficaria assim:

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho (…). Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido…” ( Hb 1:1 -2 e Hb 2:1 – 4).

O assunto principal que o escritor da carta transmite aos leitores começa no capítulo 1, versos 1 e 2, e continua no capítulo 2, verso 1 em diante. Ele queria que os cristãos entendessem que, como Deus falou muitas vezes e de várias formas aos pais (israelitas) utilizando os seus profetas, agora falou através do seu Filho, o que demanda maior diligencia por parte dos ouvintes com relação ao que já foi ouvido.

O tema em destaque na carta aos Hebreus é a mensagem anunciada.

O texto base da epístola consiste nos versículos citados acima grifados em vermelho. Observe que a exclusão dos versículos 3 ao 14 do capítulo 1 não alteram em nada a idéia principal que o escritor da carta aos Hebreus expõe.

A idéia que ele defende nestes versículos permeia toda a carta, o que torna possível precisar qual o tema central que ele evidencia.

Neste capítulo é possível determinar o tema, o enfoque e o contexto da carta aos Hebreus.

1 Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. 2 Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, 3 Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; 4 Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?

O verso 1 do capítulo 2 da carta é conclusivo “Portanto,…”, e decorre do argumento apresentado anteriormente nos versos 1 e 2 do capítulo 1.

O escritor demonstrou que antigamente Deus falou várias vezes e de muitas maneiras, mas, que nos últimos dias, falou através do seu próprio Filho! Conclui-se que Deus falou e depois enviou o seu Filho para falar aos homens, o que demonstra o compromisso e o amor de Deus para com os homens, enviou seu Filho.

Os cristãos não podem seguir o exemplo negativo dos israelitas, que foram relapsos quanto ao que Deus falou por intermédio dos seus servos e profetas. Agora, após terem ouvido a mensagem de Deus por intermédio do Filho, os cristãos devem atentar diligentemente para ‘as coisas que já ouviram’.

A conclusão do escritor segue com uma exortação: “… convém-nos atentar com mais diligência…”. É conveniente aos cristãos atentarem diligentemente para as coisas que já ouviram, para que em tempo algum se desviem do evangelho.

Ora, se Deus falou várias vezes e de muitas maneiras ao povo do Antigo Testamento, e muitos pereceram por não atentarem para a mensagem, o cristão, por sua vez, deve utilizar o passado do povo de Israel como exemplo e ser diligente, atentando para o que já ouviu.

O adendo explicativo acerca da pessoa de Jesus no capítulo 1 ( Hb 1:3 -4), foi inserido antes da argumentação do capítulo 2 com dois objetivos:

  • Para dar peso à argumentação que o escritor da carta apresenta nos versículos 2 a 4 do capitulo 2;
  • Para compreendermos que o Filho de Deus glorificado é a expressa imagem do Deus invisível.

O peso da argumentação decorre dos seguintes fatores: se a palavra dos anjos, que são ministros de Deus, permaneceu firme e toda transgressão e desobediência couberam justa retribuição, que se dirá da palavra do Filho, que é a expressa imagem do Deus invisível?

A exortação é clara: o cristão deve atentar para o que já foi dito, para que em tempo algum se desvie do que foi anunciado. Observe que o risco de desviar-se da palavra anunciada é factível, uma vez que o próprio escritor da carta inclui-se entre aqueles que devem atentar diligentemente para a mensagem do evangelho ao utilizar a primeira pessoa do plural: “nos”.

Ao registrar: “Portanto, convém-nos…”, o escritor da carta demonstra que ele também ficaria exposto a riscos, caso não atentasse diligentemente para o que Deus já noticiou por intermédio do seu Filho.

Em hipótese alguma o escritor descarta a fidelidade de Deus, visto que, por mais que o homem seja infiel, Deus continua fiel e é poderoso em salvar ( Rm 9:6 ).

Longe de nós entendermos que a salvação não é eterna, porém, não e porque alguém frequenta uma igreja evangélica que já lhe pertence à adoção.

Ou seja, o cristão deve entender que a palavra falada por Deus tem o suporte da sua fidelidade e imutabilidade, ou seja, ela não volta atrás. Esta e a garantia da salvação dos que creem: a fidelidade e imutabilidade de Deus. Mas, da mesma forma que o homem é salvo por causa da fidelidade de Deus, é necessário compreender e não esquecer que, Deus trará ira sobre todo coração impenitente.

Deus não volta atrás em sua palavra, porém, o homem pode de moto próprio, desconsiderar o que já foi ouvido, e desviar-se do que Deus propõe através do evangelho de Cristo. A pessoa pode ouvir a mensagem do evangelho, não compreender e nem atentar para o que já ouviu, e o maligno vir e arrebatar o que foi semeado ( Mt 13:19 ).

A indagação do escritor aos Hebreus é oportuna: “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?” ( Hb 2:3 ), ou seja, atentar com mais diligência para o que já se ouviu é o mesmo que atentar para a tão grande salvação revelada em Cristo.

A ‘tão grande salvação’ começou a ser anunciado por intermédio de Jesus, o Senhor, e se os cristãos não atentarem diligentemente para o que ouviram, há a possibilidade de desviar-se das palavras de Cristo, que é espírito e vida.

Não há como o homem ser salvo se não atentar para o que foi anunciado por Cristo e seus apóstolos ( Hb 12:2 ). O que foi anunciado por Jesus, também foi confirmado pelos que ouviram d’Ele, e Deus, por meio de sinais e milagres também deu testemunho com eles (v. 4).

O tema da carta começa a ficar perceptível, que é: atentar para a palavra que Deus anunciou aos homens por intermédio do seu Filho. Observe como o tema tem início no capítulo 1, e percorre toda a carta:

  • Outrora Deus falou por intermédio dos profetas ( Hb 1:1 );
  • Nestes últimos dias falou por intermédio do Filho ( Hb 1:2 );
  • Exortação para se atentar para o que já ouviu ( Hb 2:1 );
  • Considerar que a palavra dos anjos permaneceu firme ( Hb 2:2 );
  • Como ser salvo se negligenciar o que foi anunciado por Jesus? ( Hb 2:3 );
  • Confirmando o que Jesus anunciou, Deus novamente testificou por meio de sinais e prodígios ( Hb 2:4 ).

Isto posto, verifica-se que o tema da carta aos Hebreus é:

“A palavra de Deus anunciada através dos tempos”

Para não perder o foco, estaremos demonstrando capítulo após capítulo, como se desenvolve este tema no transcorrer da carta.

O tema da carta é ‘a palavra de Deus anunciada através dos tempos’, porém, o contexto geral da carta se expõe através de exortações: “… convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido…” ( Hb 2:1 ).

O enfoque do escritor centra-se na atitude dos cristãos frente à palavra de Deus, que foi anunciada pelos profetas, e que, nos últimos dias, foi anunciada pelo Filho.

Para auxiliar na leitura e interpretação do texto, os versículos foram coloridos em três cores:

O vermelho apresenta o tema central da carta, que é a palavra de Deus anunciada através dos tempos.

O azul contém explicações gerais, e geralmente serve para ilustrar ou dar sustentabilidade a argumentação principal, e que se refere ao que está colorido em vermelho.

O preto são citações do Antigo Testamento que reforça a ideia apresentada, e concede peso as explicações em azul.

 

Anjos e Homens

5 Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos. 6 Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo: Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites? 7 Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, De glória e de honra o coroaste, E o constituíste sobre as obras de tuas mãos; 8 Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele. 9 Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. 10 Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. 11 Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos, 12 Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação. 13 E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu. 14 E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; 15 E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. 16 Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. 17 Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. 18 Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.

Os versículos 5 a 18 constituem um novo adendo explicativo semelhante ao apresentado no primeiro capítulo ( Hb 1:3 -14 compare Hb 2:5 -18).

O escritor já havia demonstrado que todos os anjos são espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação ( Hb 1:14 ), e que a palavra falada pelos anjos permaneceu firme ( Hb 2:2 ).

A missão dada por Deus aos anjos de ministros e mensageiros em favor dos homens somente demonstra o cuidado do Criador para com os homens, porém, não foi a eles que Deus sujeitou o mundo vindouro. Esta ressalva é pertinente, e esclarecedora.

Os anjos foram comissionados como mensageiros, porém, não serão eles que exercerão domínio no mundo vindouro. O escritor apresenta alguns versículos que dá sustentação à sua argumentação, para tornar evidente o exposto no versículo dezesseis: “Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão” (v. 16).

Estas citações inseridas pelo escritor da carta demonstram que a mensagem que ele estava proclamando não era de particular interpretação, e que não eram invenções provenientes de uma mente carnal. Ele demonstra que as suas palavras e argumentações tinham o peso das Escrituras (A.T.)

Os cristãos devem apegar-se com firmeza às verdades ouvidas, visto que, há um mundo vindouro, no qual todos os que creem em Cristo exercerão domínio. Não será um mundo sujeito aos anjos, conforme é possível depreender da explicação que o escritor aos Hebreus faz do Salmo que se segue:

“Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites? Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, De glória e de honra o coroaste, E o constituíste sobre as obras de tuas mãos; Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés” ( Sl 8:4 -6; Hb 2:6 -8).

O salmo oitavo envolve inúmeras questões, porém, para o nosso estudo demonstraremos que ele é eminentemente messiânico.

Ao ler citações do Antigo Testamento é necessário ter o cuidado de verificar qual a relação entre o texto citado e a argumentação do escritor da carta.

Ao lermos: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus!” ( Sl 8:1 ), se observa que o verso primeiro do salmo oitavo é um momento de louvor ao mesmo Senhor identificado no salmo quarenta e cinco “Tu, Senhor, no precipício fundaste a terra…” ( Sl 45:6 ), e que o escritor aos Hebreus demonstra com propriedade ser uma referencia a pessoa do Filho ( Hb 1:10 ).

O versículo 2 do salmo 8 também foi citado por Jesus: “E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim; nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” ( Mt 21:16 ).

Os principais dos sacerdotes e escribas ficaram indignados com o louvor das criancinhas que estava sendo direcionado à pessoa de Cristo. Eles queriam que Jesus repreendesse as crianças, e Jesus lhes citou o Salmo 8, verso 2, o que demonstra que Cristo é especificamente o Senhor do versículo 1 do salmo 8, sendo Ele digno do louvor das criancinhas “Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador” ( Sl 8:2 ).

Da mesma forma que as criancinhas, o salmista também irrompeu em louvor ao ver as obras das mãos de Cristo: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste” (v. 3), conforme demonstra o estribilho: “O SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!” (v. 9).

O salmista, através da pergunta: “… que é o homem mortal…”, demonstra interesse em saber qual o papel que o homem mortal desempenha na criação. Da mesma forma, ele também não sabia quem seria ou como seria o Filho do homem, porém, ele profetiza: “Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares” ( Sl 8:5 -8). Este entrave do salmista é descrito por Pedro: “Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada” ( 1Pe 1:10 ).

O que o salmista não sabia acerca dos bens futuros, o escritor aos Hebreus demonstra ao responder a pergunta: Que é o homem? É aos homens em Cristo que Deus sujeitou o mundo vindouro. Quem é o Filho do homem? É o Cristo, o Filho de Deus, conforme o escritor da carta aos Hebreus já havia demonstrado no adendo anterior.

“Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares” ( Sl 8:5 -8).

Esta é a explicação dada pelo escritor aos Hebreus sobre este salmo:

“Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele. Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” ( Hb 2.8 b-11).

O escritor aos Hebreus demonstra que Jesus é aquele que foi feito um pouco menor que os anjos ( Sl 8:5 ), conforme o salmo diz, porém, o mesmo salmo também apresenta Jesus como àquele para quem são todas as coisas e mediante quem tudo existe ( Sl 8:1 ).

Perceba que o texto em verde explica o texto colorido em azul.

O escritor aos Hebreus demonstra que, desde que todas as coisas foram sujeitas a Cristo, nada está fora do seu domínio ( Hb 2:8 ).

Todas as coisas estão sujeitas a Jesus, porém, os cristãos ainda não viam que todas as coisas estavam sujeitas a ele. Este era um problema de entendimento de alguns cristãos que o escritor queria esclarecer: embora não vissem que todas as coisas estavam sujeitas a Cristo, isto não muda a realidade dos fatos: todas as coisas estão sujeitas a Cristo!

Embora Cristo esteja coroado de glória e honra, contudo não é possível vê-lo deste modo “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” ( Jo 17:5 ). O que o escritor e os cristãos viam? Qual a imagem nítida que estava na memória dos cristãos?

Eles ainda ‘viam’, ou tinham uma idéia de Cristo como homem, o que demandava atentarem melhor para o que já tinham ouvido. Quando os cristãos anunciavam a Jesus, muitos deles ainda tinham em mente o Jesus que ‘foi feito um pouco menor que os anjos’, o que demonstrava que não estavam sendo diligentes com relação ao que já tinha sido falado. Muitos ainda não haviam alcançado uma compreensão plena sobre a pessoa de Cristo, porém, o escritor da carta procura demonstrar que todas as coisas estão sujeitas a Cristo.

A escritura (V.T.) já demonstrava que todas as coisas estariam sujeitas a Cristo, ou seja, os cristãos precisavam enxergar (ver) por meio da escritura que Jesus haveria de ser coroado de glória e de honra. Após a ressurreição dentre os mortos Cristo assumiu o seu lugar de honra e glória.

A posição de homem que Jesus assumiu neste mundo implica em algumas considerações que serão apresentadas gradativamente no transcorrer da carta. Uma delas é exposta aqui: Jesus ao ser introduzido neste mundo foi feito menor que os anjos, visto que era necessário que Ele passasse pela paixão da morte.

No capítulo 1 o escritor da carta faz um adendo explicativo acerca da pessoa de Cristo enfatizando a sua divindade, demonstrando que aquele homem que esteve entre eles e que conheceram pessoalmente é “o resplendor da glória de Deus”, “a imagem expressa da divindade”, e que “sustem todas as coisas pela palavra do seu poder” ( Hb 1:3 ).

No capítulo 2, o adendo explicativo é para explicar quem é o homem que sustem tudo pela sua palavra, enfatizando a sua humanidade por ter se esvaziado da sua glória ( 1Jo 1:1 ; Jo 17:5 ).

8 Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas. 9 Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. 10 Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. 11 Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos, 12 Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação. 13 E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu. 14 E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; 15 E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. 16 Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. 17 Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. 18 Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.

Ao ser introduzido no mundo, Cristo foi feito em uma posição menor que a dos anjos de Deus, porém, digno de honra e glória, uma vez que anjos e homens lhe devem adoração ( Sl 8:5 ; Hb 1:6 ).

O Filho Unigênito de Deus ao ser introduzido no mundo ( Hb 1:6 ; Pr 30:4 ), apesar de estar em um corpo carnal ( 2Co 5:16 ), na eternidade ele possui domínio sobre as obras do Pai. Os cristãos não possuíam o conhecimento de que tudo estava sob o seu domínio, pois continuavam a considerar Cristo apenas como homem. O escritor aos hebreus estava esclarecendo aos cristãos a mesma dúvida que Felipe possuía ( Jo 14:9 ).

Por que Deus estabeleceu todas as coisas sob o domínio de Cristo? Porque esta foi a sua vontade ao fazer o homem, conforme se lê no Gênesis: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” ( Gn 1:26 -27).

Cristo é a expressa imagem de Deus, e quando na eternidade Deus propôs criar o homem, ele propôs fazê-lo a sua imagem, ou seja, a imagem de Cristo. Do mesmo modo que Cristo tem o domínio sobre as obras das mãos de Deus, foi dado a Adão, figura de Cristo, domínio sobre toda a terra.

Compare Gênesis 1, verso 26, com Hebreus 2, verso 8, e Salmos 8, verso 5 a 8. A expressa imagem de Deus, Cristo criou todas as coisas, e quando foi dito: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”, Deus fez Adão como figura de Cristo. Não como imagem exata, antes figura, pois a expressa imagem de Deus somente o Filho possui.

E criou Deus o homem à sua imagem! Como? Ora, a própria Imagem expressa de Deus que criou todas as coisas, criou também o homem. O último Adão, a expressa imagem de Deus criou o homem.

O verso 27 de Gênesis 1 é melhor compreendido, se lermos “… a imagem de Deus o criou”, assim: “A expressa imagem de Deus o criou”.

Embora todas as coisas estejam sujeitas a Cristo, muitos dos cristãos não entendiam assim (v. 8b). O apóstolo Paulo também alertou que, embora os cristãos conhecessem Cristo segundo a carne, contudo, agora, não mais o conheciam daquela maneira ( 2Co 5:16 ).

O que eles deveriam ver depois que ouviram o evangelho de Cristo? Deveriam ver a Cristo coroado de honra e glória, desvencilhando da idéia que tinham: aquele Cristo feito menor que os anjos porque lhe era necessário padecer e morrer, provando a morte por todos os homens “Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” ( Hb 2:8 ).

Os cristãos deviam ter em mente que Cristo já havia sido glorificado com a glória que possuía antes de haver mundo ( Jo 17:5 ), e que agora estava assentado à destra do Pai nas alturas ( Hb 1:13 ; Hb 8:1 ; Sl 110:1 ).

O escritor destaca que era necessário Cristo sofrer, embora todas as coisas pertencessem a Ele e existissem por Ele. Somente através das aflições Cristo seria consagrado o príncipe redentor, e conduziria muitos filhos a Deus. Somente através da morte na cruz, o Unigênito de Deus seria consagrado como Primogênito de Deus, posição de Príncipe entre os filhos de Deus ( Hb 2:10 ; Cl 1:18 ).

O sacrifício voluntário de Cristo na cruz fez com que, tanto Ele, o que santifica, quanto os que são santificados, a igreja, passassem a ser propriedade particular de Deus. São todos de Deus! Cristo, o Filho unigênito de Deus conduziu à glória, ou antes, deu aos que creram a mesma glória que lhe foi concedida, o que os tornou filhos de Deus, pertencentes a Ele, podendo legitimamente chamar-lhes irmãos( Hb 2:11 ; Jo 17:22 ).

Através desta explanação, o escritor queria que os cristãos pudessem ver a glória do Filho, que outrora se lhes apresentou como servo “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo” ( Jo 17:24 ). O apóstolo João ao falar da filiação divina pertinente aos cristãos também conclama a verem o que lhes foi concedido: “Vede quão grande amor nos concedeu o Pai, que fossemos chamados filhos de Deus. E somos mesmos seus filhos!” ( 1Jo 3:1 )

Além de explicar a natureza de Cristo antes de ser encarnado, durante a encarnação, e após a ressurreição, o escritor demonstra através das Escrituras o que Cristo fez: “anunciou o Pai”, pois ele aponta o Salmo 22, versos 22 e 25 como sendo a obra que Cristo realizou para conduzir seus irmãos ao Pai ( Sl 22:22 ; Hb 1:1 ).

O que Cristo faria pelos seus irmãos? Anunciaria a eles todas as realizações do Pai, o que os levaria a confiar em Deus “Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus a minha confiança no Senhor DEUS, para anunciar todas as tuas obras” ( Sl 73:28 ; Hb 2:13 ).

O tempo em que Cristo ficou com os homens em carne, é cumprimento de uma profecia em particular: “Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu” ( Is 8:18 ; Hb 2:13 ).

 

14 E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; 15 E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão.

Como a condição de filho exige a participação de carne e sangue, Cristo ao ser introduzido no mundo participou de ambos: carne e sangue. Por que ele participou da carne e do sangue? Para poder morrer, e assim, aniquilar o império que pertence a morte, ou seja, o império do diabo.

Somente pela morte de Cristo houve abertura de prisão aos presos ( Is 42:7 ; Is 61:1 ). Cristo trouxe liberdade a todos que estavam sob o domínio do pecado (servidão) em decorrência da lei (pena) “… certamente morrerás” ( Gn 2:17 ) “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” ( 1Co 15:56 ).

 

16 Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. 17 Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. 18 Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados.

O escritor encerra neste verso o ciclo de exposição acerca do papel desempenhado pelos seres angelicais.

Embora Cristo ao ser encarnado tenha assumido uma posição inferior a dos anjos, contudo possui melhor nome do que eles ( Hb 1:4 ). Isto porque Deus não escolheu os anjos para exercer domínio no mundo vindouro ( Hb 2:5 ), e nem socorre a anjos, antes socorre os descendentes de Abraão, ou seja, os filhos de Deus ( Hb 2:16 ).

Cristo tornou-se semelhante aos homens em tudo, pois Ele mesmo criou o homem a sua imagem e semelhança. Por Adão ser figura de Cristo, quando ele despiu-se da sua glória e foi encarnado, passou a possuir a imagem e a semelhança que concedeu ao homem no Éden.

Jamais um anjo poderia fazer a mediação entre Deus e os homens, pois somente Aquele que é o eterno e tomou a forma de servo pode fazê-lo, pois alem de ser misericordioso, também lhe era necessário ser fiel sumo sacerdote para oferecer os dons exigidos por Deus, ou seja, além de se compadecer, também era necessário fazer a propiciação pelos pecados do mundo.

Cristo é misericordioso por se compadecer dos pecadores, sumo sacerdote ao ser escolhido por Deus, e ofereceu um sacrifício perfeito, santo e agradável a Deus: o seu corpo ( Hb 2:3 ; Hb 7:28 ; Hb 10:10 ).

Uma vez que o Filho resistiu à tentação e padeceu conforme as Escrituras, agora pode auxiliar aqueles que são tentados ( Hb 2:18 ).

Ler mais

Hebreus 1 – O testemunho de Deus acerca do seu Filho

Se entrevistássemos o escritor da carta aos Hebreus, e perguntássemos: Quem é Jesus? A resposta estaria nos versículos dois a quatro ( Hb 1:2 -4). Se pedíssemos que o escritor apresentasse argumentos em favor das suas alegações acerca de Jesus, elas estariam expostas nos versículo seis a quatorze ( Hb 1:6 -14).


A abordagem que faremos à carta aos Hebreus será realizada levando em conta o texto e o seu contexto. Não ficaremos presos à divisão feita em capítulos e versículos, antes analisaremos o contexto, e depois, comentaremos alguns aspectos do texto.

Esta abordagem será necessária para estabelecermos um novo parâmetro de análise como subsídio ao comentário bíblico, diferente do que estávamos fazendo com as outras cartas.

Esta maneira de analisar uma carta é uma ferramenta poderosíssima na interpretação de textos, o que auxiliará em muito o estudo dos nossos leitores quando da leitura de outras cartas bíblicas.

A linha de raciocínio do escritor da carta aos Hebreus ficará grafada na cor vermelha, um recurso para tornar fácil visualizar as diferenças entre texto e contexto. A idéia principal do autor da carta aos Hebreus sempre estará colorida de vermelho, e as outras cores, quando utilizadas, evidenciará outros aspectos pertinentes ao texto e o contexto.

Estou grato a Deus pela vida daqueles que puderem ter acesso a esta abordagem.

 

Hebreus – Capítulo 1

1 Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,

A ideia principal que estrutura a carta é desenvolvida em uma única linha de raciocínio. Esta linha de raciocínio tem início no primeiro versículo da carta aos Hebreus. A ideia geral que dá estrutura a carta será nomeada de texto.

Durante o desenvolvimento do texto surgirão outras idéias, que podemos nomear subtextos, e que possuem um contexto próprio, porém, são utilizados para complementar ou ilustrar a ideia desenvolvida no decorrer da carta.

A ideia principal geralmente não depende dos subtextos para ser compreendida. Observe:

O versículo um deste capítulo dá início ao texto da carta, porém, só é possível determinar o seu contexto quando da leitura do versículo um do capítulo dois. Só a leitura do capítulo não concede os elementos necessários para se determinar qual o contexto da carta.

Do capítulo um só é possível extrair declarações acerca da pessoa de Jesus. Tais declarações são completas em si mesmas, porém não lançam luz ao contexto da carta.

Só é possível determinar o contexto da carta quando da leitura do capítulo dois, versículo um.

Destaquemos os personagens que compõe a estrutura do versículo um da carta aos hebreus:

“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho

 

Deus – o escritor da carta aos Hebreus fala de Deus, Aquele que se deu a conhecer a Moisés como o ‘Eu Sou’ “E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” ( Ex 3:14 );

Pais – Refere-se ao povo de Deus que foi escolhido em Abraão; Ou seja, pais, neste versículo, representam a árvore genealógica do povo de Israel, que teve início com o patriarca Abraão. ‘Pais’ é uma referência a todo o povo de Israel;

Profetas – Eram homens e mulheres escolhidos por Deus dentre os pais para levar mensagens ao povo de Israel;

Nós – referem-se aos cristãos, aqueles que ouviram a palavra de Cristo e o aceitaram como Senhor e Salvador. Observe que o escritor da carta se inclui na narrativa através do pronome na primeira pessoa do plural;

Filho – O escritor fala de Cristo, o Filho de Deus “Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” ( Pv 30:4 ).

 

Os registros do Antigo Testamento, de Gênesis à Malaquias apresentam a fala de Deus a um povo contradizente “Mas para Israel diz: Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente” ( Rm 10:21 ). Deus falou muitas vezes e socorreu outras tantas o povo de Israel, porém, eles eram um povo contradizente, de dura cerviz.

O cuidado de Deus não se restringiu só em falar por diversas vezes. Ele falou diversas vezes e de muitas maneiras, ou seja, através dos profetas, reis, juízes, salmistas, etc.

Os últimos dias referem-se ao ministério de Cristo, a sua morte, ressurreição e a igreja, o corpo de Cristo.

 

Obs: Os versículo coloridos de vermelho constituem o texto principal da carta, e os versículos em Azul, constituem subtextos.

 

 

2 Filho A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. 3 O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; 4 Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.

O escritor deixa o enredo da carta e passa a falar da pessoa de Cristo. Ele abre um parêntese na escrita da carta para explicar quem é Jesus aos cristãos Hebreus.

Se entrevistássemos o escritor da carta aos Hebreus, e perguntássemos: Quem é Jesus? A resposta estaria nos versículos dois a quatro ( Hb 1:2 -4). Se pedíssemos que o escritor apresentasse argumentos em favor das suas alegações acerca de Jesus, elas estariam expostas nos versículo seis a quatorze ( Hb 1:6 -14).

Este é um recurso que na língua portuguesa denominamos aposto explicativo.

O escritor apresenta nove declarações sobre a pessoa de Jesus. Cada declaração não dependente da declaração seguinte para dar consistência a ideia.

Sobre a pessoa de Jesus o escritor da carta aos Hebreus faz as seguintes declarações:

Herdeiro de tudo“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17 ) – Jesus, como Filho de Deus é herdeiro de todas as coisas;

Fez o mundo“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” ( Cl 1:16 ) – Tudo foi criado por Jesus, o Filho amado;

Resplendor da glória de Deus“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” ( Tt 2:13 ) – Jesus é o resplendor da glória de Deus;

Expressa imagem de Deus“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” ( Cl 1:15 ); “…para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( 2Co 4:4 ) – Jesus, o verbo de Deus;

Sustenta todas as coisas – “E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” ( Cl 1:17 ) – Todas as coisas subsistem por Cristo;

Purificou os cristãos dos seus pecados“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados” ( Cl 1:14 ) – Livrou aqueles que creram de todos os pecados;

Assentou-se a destra de Deus“O qual está à destra de Deus, tendo subido ao céu, havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potências” ( 1Pe 3:22 ) – Demonstra o poder de Cristo após a ressurreição;

É mais excelente que os anjos“Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro” ( Ef 1:21 ) – Em todos os tempos o nome de Cristo é sobresselente;

Herdou um nome excelente“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” ( Is 9:6 ) – Jesus é o nome sobre todos os nomes.

Observe que todos os outros apóstolos comungam da mesma opinião que o escritor da carta aos Hebreus.

Após fazer este breve comentário acerca da pessoa de Cristo, o escritor passa a demonstrar de onde ele tirou as considerações acima.

A base para a crença dos cristãos está nos escritos do Novo Testamento. Para os apóstolos e/ou para o escritor da carta aos Hebreus as bases para as suas afirmações acerca da pessoa de Cristo estão contidas no Antigo Testamento.

Através do vínculo que os escritores do Novo Testamento faz com o Antigo Testamento podemos perceber, de maneira clara, que o Deus do Antigo Testamento é o mesmo Deus do Novo Testamento. Que o Antigo Testamento é divinamente inspirado por Deus, e seus livros contêm as bases do Novo Testamento. Este não subsiste sem aquele!

A bíblia é um composto de livros em torno de uma ideia única: Deus revelando-se à humanidade!

A mesma estrutura de texto que temos na carta aos Hebreus, encontramos na Carta de Paulo aos Colossenses, quando o apóstolo escreve acerca de Cristo. Observe: Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” ( Cl 1:14 -19).

Paulo demonstra que Cristo é a imagem de Deus; o primogênito de toda criação; que nele foram criadas todas as coisas; tudo foi criado por Cristo; Ele é antes de todas as coisas; tudo subsiste por ele; etc.

Tanto Paulo quanto o escritor aos Hebreus utilizam uma estrutura de composição de textos semelhante, informando os leitores a respeito de Cristo. Compare ( Cl 1:14 –19) com ( Hb 1:2 -4).

Mas, na carta aos Colossenses temos outro texto a comparar com a carta aos Hebreus. Observe:

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” ( Cl 2:8 -15).

 

Apesar das estruturas de textos serem semelhantes em ( Hb 1:3 -4; e Cl 1:14 -19), o enfoque dos escritores e o contexto são diferentes.

A estrutura dos textos abaixo nos permite verificar que as afirmações que se seguem desempenham funções semelhantes na composição do texto de Hebreus e Colossenses. Compare:

“Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” ( Cl 2:9 ), e;

“A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles” ( Hb 1:3 -4), e;

O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele…” ( Cl 1:14 -19).

Estes três trechos desempenham a mesma função: são afirmações a respeito da pessoa de Cristo.

Paulo fez várias afirmações a respeito de Jesus ( Cl 1:14 -19), da mesma forma que o escritor da carta aos Hebreus também fez várias afirmações ( Hb 1:3 -4), porém, em ( Cl 2:8 -15) temos uma única afirmação sobre Jesus, e o restante do texto traz um enfoque e um contexto diferente do que vimos em ( Hb 1:3 -4 e Cl 1:14 -19).

A diferença nos textos decorre do enfoque dos escritores.

Enquanto Paulo procura demonstrar a nova condição dos cristãos em Cristo ( Cl 2:8 -15), o escritor aos Hebreus procura demonstrar que o Cristo, que os seus contemporâneos conheciam, foi feito menor que os anjos por causa da paixão da morte, e que agora, está assentado à destra do Poder nas alturas ( Hb 1:3 -4).

Em Hebreus o contexto é de exortação “Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas” ( Hb 2:1 ), e em Colossenses o contexto é de conscientização “E estais perfeitos nele (…) estais circuncidados (…) sepultados com ele (…) nele também ressuscitastes” ( Cl 2:9 -15).

Os cristãos alcançam a plenitude em Cristo ( Cl 2:10 ), porém os colossenses não tinham consciência do que possuíam; Os cristãos Hebreus ouviram a palavra de Deus algumas vezes, porém deveriam ser diligentes, para que em tempo algum se desviassem da verdade do evangelho.

Por possuir vários contextos, a carta de Paulo aos Colossenses evidencia de maneira clara as diferenças que um mesmo texto trás, quando se observa e analisa o contexto.

Continuemos o comentário à carta:

 

5 Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?

6 E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

7 E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo.

8 Mas, do Filho, diz: O Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino. 9 Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.

10 E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. 11 Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.

13 E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?

14 Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

 

O escritor da carta aos Hebreus faz sete citações do Antigo Testamento para dar base as declarações que ele fez acerca da pessoa de Jesus.

Por ele ter afirmado que Jesus foi “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles”, o escritor da epistola, através de uma argumentação lógica e em conjunto com as citações, demonstra que o A. T. é a base de apoio para as suas afirmações.

O escritor argumenta que o que foi registrado acerca de Jesus não se refere a anjos. O que foi predito acerca do Messias, jamais foi dito de um ser angelical.

Seguem as citações do Antigo Testamento feitas pelo escritor da carta aos Hebreus:

“Tu és meu Filho, Hoje te gerei” ( Sl 2:7 ) – O salmo dois é eminentemente messiânico, e demonstra a Filiação divina do Cristo. O Messias prometido foi gerado de Deus. Não há registro no Antigo Testamento de que algum ser celestial tenha recebido uma declaração divina semelhante à recebida por Jesus. Só ele foi gerado de Deus, enquanto os anjos foram criados. Jesus é o unigênito de Deus.

“Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho” ( 2Sm 7:14 ) – Não há registro de que Deus tenha estabelecido a relação de Pai e Filho com algum ser celestial; por isso a argumentação: “Porque, a qual dos anjos ele disse jamais?”

“E todos os anjos de Deus o adorem” provavelmente uma citação do ( Sl 97:7 ) “Prostrai-vos diante dele, todos os deuses” – A nenhum ser foi dado a honra de receber adoração; Com relação a argumentação que antecede a citação do versículo, deve-se observar que, “E outra vez…” refere-se a argumentação anterior: “Porque, a qual dos anjos disse jamais…”. Ou seja, Ele já havia demonstrado que aos anjos jamais foi dito o que foi destacado dos salmos, e que outra vez ficaria demonstrado que sobre os anjos, jamais foi dito que alguém deveria adorá-los; Ele estava demonstrando novamente (E outra vez), através de outra citação do A. T. (v. 6), que, quando no mundo foi introduzido o primogênito de Deus, que todos deveriam adorá-lo;

“Faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo” ( Sl 104:4 ) – Quando a bíblia faz uma citação que contém algo a respeito dos seres celestiais, é bem clara a função que desempenham diante de Deus: são ministros de Deus.

“O Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros” ( Sl 45:6 -7) – Sobre Jesus, o Filho de Deus, o Salmo quarenta e cinco declara que Ele é Deus; que possui um reinado que dura pelos séculos dos séculos; a qual dos anjos foi dito o que está no salmo 45?

“Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. 11 Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Sl 102:25 -26) – O Salmo 102 é citado porque diz que no princípio Ele (Jesus) fundou a terra; Jesus, o Senhor que fundou a terra, e que os céus são obras de suas mãos; são provas irrefutáveis acerca da divindade de Cristo;

“Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?” ( Sl 110:1 ) – Alguma vez foi dito a um anjo que se assentasse a mão direita do Todo Poderoso? Jamais!

O escritor da carta aos Hebreus conclui com base nas citações do Antigo Testamento: “Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?”.

Após a exposição do escritor aos hebreus de quem é Jesus, o Filho de Deus, o escritor volta a compor o texto da carta, o que veremos no comentário ao próximo capítulo.

 

Comentário versículo à versículo do capítulo primeiro da carta aos Hebreus

Alguns leitores já estavam acostumados aos comentários versículo a versículo, e não podíamos nos furtar a não disponibilizar tal comentário.

1 – Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho,

O escritor informa o leitor da carta que Deus falou no passado usando profetas, e esta mensagem era direcionada aos pais (‘pais’ refere-se a todo o povo hebreu), e Deus utilizou-os de várias formas para trazer a sua mensagem ao povo como: visões, profecias, cânticos e a lei.

Deus continua falando aos homens, porém, com um diferencial: antes falou por mensageiros, nos últimos dias através do Filho.

2 – A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.

Deus utilizou o seu próprio filho Jesus Cristo para falar ao povo, ou Deus estava em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo.

Certa vez, Jesus conversando com os fariseus, foi indagado sobre a sua autoridade. Se esta autoridade era proveniente dele mesmo ou de Deus, e Ele lhes propôs está parábola: Um proprietário plantou uma vinha e arrendou a vários trabalhadores e de tempos em tempos mandava os seus servos verificarem como estava a vinha, e nenhum destes servos era respeitado, nem ouvido. Por último, o proprietário enviou seu filho na esperança que este fosse respeitado, mas arrastaram o herdeiro e o mataram. Na parábola o proprietário representa Deus, a vinha à nação de Israel, os trabalhadores os lideres do povo, e o filho a pessoa de Cristo.

Esta parábola ilustra de forma contundente o cuidado de Deus ao trazer uma mensagem à humanidade por intermédio de seu Filho.

Últimos dias referem-se aos dias do escritor, que se estende aos cristãos de hoje ( Mt 20:1 -16; Mt 3:17 ).

3 – O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;

Cristo foi constituído por Deus herdeiro de tudo, e através d’Ele o mundo que habitamos foi feito. Cristo é o próprio resplendor da glória de Deus, a sua Imagem exata, uma vez que sustenta todas as coisas pelo poder de sua palavra.

Sabemos que Jesus foi enviado para purificação dos pecados dos homens, e para isso, tomou a forma humana. Muitos viram o Unigênito do Pai, porém não se deram conta da magnitude da pessoa de Cristo, o que motivou o escritor a evidenciar estas características do Filho de Deus aos leitores.

Aquele Cristo que tanto era falado pelos apóstolos havia feito o mundo e sustenta todas as coisas com o seu poder. O escritor amplia a visão dos seus leitores demonstrando que aquele Jesus que eles tiveram contato, Ele mesmo havia feito a purificação dos pecados deles e de todos quantos crerem, tornando evidente a Divindade de Cristo. Só Deus tem o poder de perdoar pecados.

O homem que entre eles andara, agora estava assentado a destra de Deus nas alturas, assumindo o seu lugar de direito. Estas declarações aos cristãos Hebreus são muito significativas do ponto de vista histórico e teológico.

4 – Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles.

Alguns pecavam em fazer um comparativo entre a pessoa de Cristo e os anjos, e este capítulo procura desfazer esta confusão, demonstrando que o Filho não era um ser angelical, mas o próprio Criador.

Textos citados pelo escritor da carta evidenciam que o Messias ao deixar a forma humana ascendeu aos céus sentando-se à destra de Deus, tornando-se mais excelente que os anjos (como homem ele era menor, por causa da paixão da morte).

Ao voltar aos céus e herdar a glória que antes possuía, Jesus adquiriu um nome mais excelente.

Entre Deus e os Anjos há a relação Criador e criatura. No céu não há relação de parentesco entre os anjos, como Cristo bem esclareceu. Lá não se casa e nem se dá em casamento. Não há como um ser angelical assumir a posição de Filho ( Mt 22:30 ).

Jesus assumiu a posição de Filho quando introduzido no mundo. Do momento em que Cristo foi introduzido neste mundo é que passou a vigorar a relação estabelecida na eternidade: Eu lhe serei por Pai e tu me será por Filho.

 

5 – Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?

O escritor da carta passa a demonstrar aos cristãos que Deus jamais disse a um Anjo “Tu és meu Filho”, sendo que o decreto é específico ao seu próprio Filho Jesus, que foi gerado pelo Espírito Santo.

Observando o ( Sl 2:7 ), é como se o Filho possuísse como garantia de sua filiação neste mundo uma lei (decreto) do seu Pai, chamando-o de Filho. O texto citado na carta refere-se à passagem na qual o profeta Natã entrega uma mensagem a Davi dizendo que o seu “descendente” edificaria uma casa a Deus, e em contra partida, Deus estabeleceria o reino do descendente para sempre.

Em certo momento da profecia, Deus declarou que haveria de ser Pai de um dos descendentes de Davi, e que o descendente lhe seria por Filho.

Dentro destas duas passagens apresentadas (v. 5), entendemos que na eternidade houve um acordo entre as pessoas da divindade (sendo elas iguais entre si em poder, glória e majestade) o Deus único, por quem foi feito o mundo.

A relação que se estabeleceu entre as pessoas da divindade na eternidade é que, uma das pessoas haveria de ser o Pai (Lhe serei por Pai) e o outro o Filho (Tu me serás por Filho).

Se assim considerarmos, quando da concepção e nascimento de Jesus se estabeleceu o tempo chamado “hoje”. Ou seja, Cristo sendo Deus assumiu o lugar de Filho ao ser gerado e introduzido no mundo, selando a relação que se estabeleceu na eternidade.

Na carne ele é o descendente de Davi, porém, é o Unigênito do Pai por existir antes dos séculos dos séculos. O Primeiro gerado de Deus, diferente de Adão e dos anjos.

Na glória, Deus e Cristo são iguais em todos os atributos pertinentes a divindade ( Jo 10:30 ), entre nós, Cristo cumpriu o papel proposto na relação que o versículo demonstra “Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho”.

6 – E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.

Ao assumir o lugar de Filho Unigênito aqui na terra, foi dada uma ordem aos Principados e Potestades Celestiais para renderem adoração ao Emanuel, o Deus Conosco, que foi dado em resgate de muitos.

Verificamos a adoração do anjos quando do nascimento de Cristo. Os anjos em coro entoaram louvores ao Filho ( Lc 2:14 ). Quando da glorificação do cordeiro, ele foi recebido com louvores no céu ( Ap 5:11 -12). A ordem de adoração complementa a idéia de um selo da relação que foi estabelecida entre as pessoas da divindade na eternidade, entre Pai e Filho, que se concretizou a partir do dia chamado “hoje”, ou seja, quando da concepção no ventre de Maria ( Sl 97:7 ).

7 – E, quanto aos anjos, diz: Faz dos seus anjos ventos, de seus ministros labareda de fogo.

Os anjos são comissionados para tarefas específicas, ou para realizar uma missão, muito diferente da determinada para o Filho. Eles somente foram designados para adoração e trabalho em prol dos santos.

8 – Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. 9 – Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.

O salmista ao profetizar acerca do Filho, chama-o de Deus, com um reino que perdurará pela eternidade, em consonância com o texto de Isaías que o proclama Deus Forte e Pai da Eternidade.

O reino de Cristo tem por base a eqüidade, o amor e a justiça. É evidenciado no seu reino o repúdio ao pecado e à transgressão. Em decorrência destes atributos Deus unge a Cristo com óleos de alegria.

O escritor da carta aos Hebreus cita o ( Sl 102:25 -26) para demonstrar o poder criativo inerente à pessoa de Cristo, de10 – E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. 11 – Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, 12 – E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.monstrando que, Ele lançou os fundamentos da terra e as colunas que sustem os céus. A terra envelhece e há um tempo determinado para o seu fim, porém, de Jesus, o mesmo Salmo diz que Ele permanecerá, será o mesmo sempre, com existência que não se extinguirá.

A terra terá o seu fim, e vemos que Jesus terá participação efetiva na criação do novo céu e da nova terra ( Ap 21:1 -8).

13 – E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?

Não há um anjo se quer que o Senhor tenha convidado para se assentar juntamente com Ele no trono.

Dentre as inúmeras seitas que conhecemos, não há uma que se insurja contra os anjos. Geralmente elas surgem de alguma declaração em particular de supostos ‘anjos’ que lhes apareceram.

É certo que muitas seitas surgiram com o fito de negar a divindade de Jesus.

14 – Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?

Os anjos são espíritos que agem sob ordem e são enviados de Deus para servir os que herdarão a salvação. São todos eles espíritos ministradores, para servir aqueles que herdarão a salvação: Os que crêem no nome do Filho.

 

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