Salmo 18 – A angustia do Servo do Senhor

O Salmo 18 nem de longe trata de questões relacionadas ao salmista Davi ou de suas conquistas pessoais, antes, inspirado pelo Espírito Eterno ele profetizou cerca do Messias ( 2Sm 22). O Salmo fala de como Deus retribuiria o Cristo segundo a pureza de suas mãos, visto que, Cristo é o único homem a não cometer pecado “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” ( 1Pe 2:22 ).


1 EU te amarei, ó SENHOR, fortaleza minha. 2 O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio. 3 Invocarei o nome do SENHOR, que é digno de louvor, e ficarei livre dos meus inimigos.

4 Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram. 5 Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surpreenderam. 6 Na angústia invoquei ao SENHOR, e clamei ao meu Deus; desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face.

7 Então a terra se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porquanto se indignou. 8 Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo que consumia; carvões se acenderam dele. 9 Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão estava debaixo de seus pés. 10 E montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento. 11 Fez das trevas o seu lugar oculto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das águas e as nuvens dos céus.
12 Ao resplendor da sua presença as nuvens se espalharam, e a saraiva e as brasas de fogo. 13 E o SENHOR trovejou nos céus, o Altíssimo levantou a sua voz; e houve saraiva e brasas de fogo. 14 Mandou as suas setas, e as espalhou; multiplicou raios, e os desbaratou. 15 Então foram vistas as profundezas das águas, e foram descobertos os fundamentos do mundo, pela tua repreensão, SENHOR, ao sopro das tuas narinas. 16 Enviou desde o alto, e me tomou; tirou-me das muitas águas. 17 Livrou-me do meu inimigo forte e dos que me odiavam, pois eram mais poderosos do que eu. 18 Surpreenderam-me no dia da minha calamidade; mas o SENHOR foi o meu amparo. 19 Trouxe-me para um lugar espaçoso; livrou-me, porque tinha prazer em mim.

20 Recompensou-me o SENHOR conforme a minha justiça, retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos.
21 Porque guardei os caminhos do SENHOR, e não me apartei impiamente do meu Deus.
22 Porque todos os seus juízos estavam diante de mim, e não rejeitei os seus estatutos.
23 Também fui sincero perante ele, e me guardei da minha iniquidade.
24 Assim que retribuiu-me o SENHOR conforme a minha justiça, conforme a pureza de minhas mãos perante os seus olhos.
25 Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás sincero;
26 Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável.

27 Porque tu livrarás o povo aflito, e abaterás os olhos altivos.
28 Porque tu acenderás a minha candeia; o SENHOR meu Deus iluminará as minhas trevas.
29 Porque contigo entrei pelo meio duma tropa, com o meu Deus saltei uma muralha.

30 O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; é um escudo para todos os que nele confiam.
31 Porque quem é Deus senão o SENHOR? E quem é rochedo senão o nosso Deus?
32 Deus é o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho.
33 Faz os meus pés como os das cervas, e põe-me nas minhas alturas.
34 Ensina as minhas mãos para a guerra, de sorte que os meus braços quebraram um arco de cobre.
35 Também me deste o escudo da tua salvação; a tua mão direita me susteve, e a tua mansidão me engrandeceu.
36 Alargaste os meus passos debaixo de mim, de maneira que os meus artelhos não vacilaram.
37 Persegui os meus inimigos, e os alcancei; não voltei senão depois de os ter consumido.
38 Atravessei-os de sorte que não se puderam levantar; caíram debaixo dos meus pés.
39 Pois me cingiste de força para a peleja; fizeste abater debaixo de mim aqueles que contra mim se levantaram.
40 Deste-me também o pescoço dos meus inimigos para que eu pudesse destruir os que me odeiam.
41 Clamaram, mas não houve quem os livrasse; até ao SENHOR, mas ele não lhes respondeu.
42 Então os esmiucei como o pó diante do vento; deitei-os fora como a lama das ruas.
43 Livraste-me das contendas do povo, e me fizeste cabeça dos gentios; um povo que não conheci me servirá.
44 Em ouvindo a minha voz, me obedecerão; os estranhos se submeterão a mim.
45 Os estranhos descairão, e terão medo nos seus esconderijos.
46 O SENHOR vive; e bendito seja o meu rochedo, e exaltado seja o Deus da minha salvação.
47 É Deus que me vinga inteiramente, e sujeita os povos debaixo de mim;
48 O que me livra de meus inimigos; sim, tu me exaltas sobre os que se levantam contra mim, tu me livras do homem violento.
49 Assim que, ó SENHOR, te louvarei entre os gentios, e cantarei louvores ao teu nome,
50 Pois engrandece a salvação do seu rei, e usa de benignidade com o seu ungido, com Davi, e com a sua semente para sempre.

 

Este salmo seria um louvor de Davi pelas súplicas respondidas? Seria um agradecimento pelas ‘graças alcançadas’?

Não! Este salmo não foi composto para tratar das mazelas do dia a dia de um rei, antes é uma previsão que retrata o Cristo na condição de Servo do Senhor.

O salmista previu que a relação do Cristo com o Pai seria equivalente a de um senhor com um filho obediente ou com o seu servo, uma relação de amor! “EU te amarei, ó SENHOR, fortaleza minha” (v. 1).

Quando lemos: “Eu te amarei, ó Senhor”, não podemos pensar com a mente do homem moderno. O verso não apresenta uma relação baseada em sentimento, antes uma relação estabelecida em obediência, submissão. O ‘amor’ do Servo do Senhor revela-se em obediência. Não diz de um sentimento, mas da disposição em cumprir tudo o que lhe foi determinado.

O amor do verso 1 diz da obediência descrita por Samuel a Saul: “Porém Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer  é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1Sm 15:22); “Porque eu quero o amor mais que os sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Os 6:6).

Jesus disse: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama” ( Jo 14:21 ), e, de igual modo Jesus guardou os mandamentos do Pai (amou), pois Ele mesmo disse: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” ( Jo 4:34 ).

O servo perfeito é aquele que obedece, e o servo que obedece é o que verdadeiramente ama. Cristo cumpriu a vontade do Pai, de modo que Ele foi o Servo perfeito “Quem é cego, senão o meu servo, ou surdo como o meu mensageiro, a quem envio? E quem é cego como o que é perfeito, e cego como o servo do SENHOR?” ( Is 42:19 ).

Cristo foi formado no ventre de Maria para ser o perfeito servo do Senhor “E agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó; porém Israel não se deixará ajuntar; contudo aos olhos do SENHOR serei glorificado, e o meu Deus será a minha força” ( Is 49:5 ).

Na condição de servo, Jesus se socorreu da palavra de Deus, ou seja, fortaleceu-se na força do Pai (v. 30 -31). A força de Cristo é o próprio Deus por intermédio da sua palavra que não volta vazia! ( Is 55:11 ).

O Salmista como profeta do Senhor evidencia: “O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio” (v. 2 compare com Is 49:5 ). O profeta Isaias evidencia as mesmas características pertinentes ao Servo do Senhor.

Invocar é o mesmo que confiar. O que confia invoca, e o que invoca é porque confia. O Senhor Jesus glorificava o Pai quando O invocava. Por confiar em Deus, ficou livre de seus inimigos “Invocarei o nome do SENHOR, que é digno de louvor, e ficarei livre dos meus inimigos” (v. 3).

Há quem diga que o salmista adorou a Deus através deste salmo quando venceu Saul e os seus inimigos, porém, tal composição poética é profética e aponta para a vida, condição e os sentimentos de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus.

Quando lemos: “Tristezas de morte me cercaram, e torrentes de impiedade me assombraram. Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surpreenderam” ( v. 4 e 5), não podemos pensar que o rei Davi estava compondo um ode às suas batalhas.

As ‘tristezas de morte’ que cercaram o Cristo diz da angustia que antecedeu a sua prisão no Getsêmani “Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo” ( Mt 26:38 ). O salmo 94 descreve os opositores de Cristo como sendo homens que, com intrépido se arremetem contra a vida do Justo, e condenam o sangue inocente a pretexto de uma lei ( Sl 94:21 -22).

Nas palavras dos escribas e fariseus havia verdadeiros laços de morte. As palavras deles eram comparáveis ao laço do passarinheiro, pois buscavam acusar o Cristo de qualquer modo, porém, Jesus não foi enlaçado por eles.

Estes versos do Salmo 18 retratam o momento que antecede a crucificação, e o triunfo de Cristo estabelecido na cruz, pois confiou continuamente no Pai “Na angústia invoquei ao SENHOR, e clamei ao meu Deus; desde o seu templo ouviu a minha voz, aos seus ouvidos chegou o meu clamor perante a sua face” (v. 6). É este quadro que o Salmo 22 apresenta no verso 24: “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” ( Sl 22:24 ).

Como homem Jesus estava fraco, emitia gemido de dores e o coração aterrorizado pelas agruras que haveria de passar ( Sl 38:8 -11; Mc 14:33 ; Lc 22:44 ), mas a sua confiança no Pai permaneceu firme conforme o descrito no verso 2.

A promessa de Deus para o Cristo foi específica: “Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei” ( Sl 91:14 – 15).

No salmo 18 o Filho promete honrar (obedecer, amar) o Pai, já no salmo 91, o Pai promete livrá-lo, pois encarecidamente o obedeceu ( Sl 18:1 compare com Sl 91:14 ). Jesus confiou no Pai e entregou-se à morte, não fazendo caso da grande angustia ( Jo 10:17 -18). Ele enfrentou a paixão da morte, porém, a certeza da proteção do Pai foi consolo bem presente na angustia.

Quando o Filho em obediência ao Pai cumpriu o seu mandamento “… eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” ( Jo 10:18 ), ocorreu o descrito nos versos 7 à 13: “Então a terra se abalou e tremeu; e os fundamentos dos montes também se moveram e se abalaram, porquanto se indignou. Das suas narinas subiu fumaça, e da sua boca saiu fogo que consumia; carvões se acenderam dele. Abaixou os céus, e desceu, e a escuridão estava debaixo de seus pés. E montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento. Fez das trevas o seu lugar oculto; o pavilhão que o cercava era a escuridão das águas e as nuvens dos céus. Ao resplendor da sua presença as nuvens se espalharam, e a saraiva e as brasas de fogo. E o SENHOR trovejou nos céus, o Altíssimo levantou a sua voz; e houve saraiva e brasas de fogo”.

Estes versos descrevem a ação sobrenatural de Deus vindo em socorro do seu Filho. Diante da indignação do Todo-poderoso, a criação não resiste. O verso 8 descreve a divindade na sua ira, indignação, pronto a tomar vingança.

O socorro é instantâneo segundo o poder contido no ecoar da voz do Pai.

Quando Jesus rendeu o seu espírito, muitos viram os seguintes eventos: “E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados” ( Mt 28:51 – 52).

O salmo 144 dá elementos para compreendermos a visão magnifica que o salmista teve. Após questionar quem era o Filho do homem e o motivo pelo qual o tem em alta estima, o salmista no Salmo 144, verso 4, demonstra que os dias do Messias na terra seriam curtos ( Is 53:8 ).

Em seguida, temos a palavra profética do Cristo de Deus clamando para que Deus abaixe os céus e venha em seu socorro ( Sl 144:5 ). Que Deus estenda as suas mãos e o retire das muitas águas, das mãos dos que não conhecem ao Senhor ( Sl 144:6 ; Ap 13:1 ).

Já o salmo 97 apresenta o Cristo glorificado e assentado no trono da sua majestade. Os mesmos elementos que há no salmo 18 e 144 aplicam-se ao Senhor que retornou à sua glória e está entronizado. O Senhor Jesus é descrito como possuindo um fogo que vai adiante transformando os seus inimigos em carvão ( Sl 97:3 ). A sua glória é descrita como a luz dos relâmpagos, o que faz os moradores da terra tremerem. Os montes se derreteram, ou seja, as nações se derretem na presença do Senhor, a quem pertence a terra e toda a sua plenitude ( Sl 97:5 ).

A mesma descrição do salmo 18 que se refere a Deus é aplicada ao Cristo glorificado no salmo 104, o que indica a divindade de Cristo “Ele se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma cortina. Põe nas águas as vigas das suas câmaras; faz das nuvens o seu carro, anda sobre as asas do vento. Faz dos seus anjos espíritos, dos seus ministros um fogo abrasador” ( Sl 104:2 -4).

Enquanto os algozes de Cristo pensavam que eram vitoriosos pela empreitada que deu cabo da existência do Filho do homem neste mundo, Deus estabeleceu a vitória do seu Ungindo e dos seus servos ( Is 53:8 ). Oculto dos olhos dos homens, enquanto os montes se moviam e se abalavam, Deus tomou vingança contra os inimigos do seu Ungido.

Nos versos 16 e 17, a previsão do salmista descreve como Cristo foi socorrido. Deus enviou socorro do alto e tirou-o da turba que se insurgiu contra Ele (águas). Quando Cristo morreu na cruz, ficou livre dos seus opositores, que naquele momento eram mais fortes e descritos como touros de Basã “Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam” ( Sl 22:12 ; Sl 18:16 e 17; At 4:27). Neste verso, ‘águas’ refere-se aos homens, conforme se depreende do paralelismo existente na seguinte citação: “Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza (…) Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu” ( Sl 46: 3 e 6; Sl 124:2 e 3; Sl 144:7 ; Ap 17:15 ).

Apesar da calamidade que se abateu sobre Cristo, o Senhor foi o seu amparo ( Sl 18:18 ). Apesar da morte de cruz, Cristo foi arrancado do lamaçal e os seus pés posto em lugar firme e espaçoso “… livrou-me, porque tinha prazer em mim” (v. 19; Sl 40:2 ). O livramento que o Pai lhe proporcional se deu porque Cristo era aprazível ( Mc 1:11 ).

Deus retribuiu o seu Filho amado segundo a sua retidão. Segundo a pureza de suas mão, o Cristo de Deus foi recompensado ( Sl 18:20 ; Sl 15 ; Sl 24:4 ). Cristo deleitou-se em fazer a vontade do Pai ( Sl 40:8 -10), ou seja, cumpriu tudo o que estava predito nas Escrituras.

Cristo foi o único homem que se apresentou diante de Deus com mãos puras, pois permaneceu no caminho do Senhor, não rejeitou os seus decretos, foi sincero e guardou-se da iniquidade ( Sl 18:24 ). O salmo 26 descreve a condição do Messias, o único que pode clamar ao Senhor para ser provado e examinado, pois foi integro e justo em todos os seus caminhos “Lavo as minhas mãos na inocência (…) Mas eu ando na minha sinceridade; livra-me e tem piedade de mim” ( Sl 26:6 e 11 ).

Somente o Cristo-homem foi bom, sincero e puro diante de Deus. Estas qualidades não são próprias dos homens gerados de Adão, pois com relação aos nascidos segundo a carne não há quem faça o bem (v. 25- 26).

Se todos os homens juntamente se desviaram e não há se quer um que faça o bem, como Davi poderia considerar que era puro de mãos e merecedor da benignidade de Deus conforme a sua própria bondade? ( Sl 14:3 ; Sl 51:5 ; Sl 58:3 ).

O salmista apresenta um princípio inviolável: “Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás sincero; Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável” ( Sl 18:25 -26), o mesmo que foi dito a Moisés: “Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” ( Êx 33:19 ).

Estes versos são mal compreendidos, pois utilizam para enfatizar a soberania de Deus, mas, o que eles evidenciam é a justiça de Deus. Tais versos foram interpretados pelo apóstolo Paulo: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:11 -13).

Deus se mostra benigno para os que O obedecem, mas para os que se apartam de Deus, não há compaixão. Deus só tem misericórdia dos misericordiosos, de modo que Ele se compadece dos que O obedecem.

O salmo enfatiza que Deus salva os humildes, os aflitos, porém, abate os soberbos, os altivos. Ora, os humildes são aqueles que reconhecem a sua miséria e invocam o Senhor em busca de salvação. Já os altivos, são aqueles que confiam na força dos seus braços, que faz da carne a sua salvação. Estes são aqueles que confiam que são salvos por serem descendentes da carne de Abraão (v. 27).

Em nossos dias também há muitos ‘altivos’. São pessoas que não confiam em Deus que salva, antes depositam a sua confiança em prática tais como jejuns, orações, sacrifícios, votos, etc.

O verso 28 demonstra que Cristo não confiaria da carne como os seus compatriotas, antes repousaria em Deus, que é Luz. É Deus que manteve a candeia do Cristo e o guiaria em meio às trevas. Como homem Jesus dependeu inteiramente do Pai, sendo luz para o seu povo e para os gentios “Ali farei brotar a força de Davi; preparei uma lâmpada para o meu ungido” ( Sl 132:17 ). Certo é que a palavra de Deus é lâmpada para os pés ( Pv 6:23 ; Sl 119:130 ).

Neste verso, ‘luz’ deve ser interpretada como entendimento, compreensão, e ‘trevas’ deve ser interpretado como ‘ignorância’, ‘simplicidade’, ‘inocência’ (v. 28); “Aos justos nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo” ( Sl 112:4 ).

Com o auxilio do Pai, Jesus esteve no meio de um exército de inimigos. Em meios aos seus inimigos Jesus não voltou atrás na missão de cumprir a vontade de Deus. Fazer a vontade do Pai era a comida de Cristo “Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” ( Jo 4:34 ).

É por isso que o profeta Davi predisse: “Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda” ( Sl 23:5 ). Ir ao calvário diz da mesa preparada na frente dos inimigos do Cristo, pois ali Jesus estava fazendo a vontade de Deus. Como fazer a vontade do Pai era a comida de Jesus, e o calvário era da vontade do Pai, morrer na cruz era uma mesa posta na presença dos inimigos de Cristo.

O sacrifício do cordeiro de Deus que tira ao pecado do mundo era uma mesa farta preparada aos olhos dos inimigos. Ele foi o escolhido de Deus para beber do cálice que o Pai apresentou “E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” ( Mt 26:39 ).

Todos que aceitarem a Cristo tornam-se participantes da mesa posta, ou seja, da obediência de Cristo e fazem a vontade de Deus “E eles lhe disseram: Podemos. Jesus, porém, disse-lhes: Em verdade, vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que eu sou batizado” ( Mc 10:39 ). Como a morte de Cristo foi em obediência ao Pai, houve substituição de ato, obediência pela desobediência, e tragada foi a morte na vitória: o último Adão obedeceu, todos que dele são gerados herdam a benesse de viver eternamente, contrapondo ao primeiro Adão, que desobedeceu, e todos que dele são gerados estão mortos em delitos e pecados ( Rm 5:18 ).

A oposição da multidão não impediu que Cristo realizasse a vontade de Deus ( Lc 4:29 -30). O que Deus estabeleceu é perfeito, pois a sua palavra é pura e serve de escudo para os que confiam em Deus ( Sl 91:4 ).

Por submeter-se ao Pai, Cristo é o perfeito caminho. A palavra provada e fiel. Ele é escudo para os que n’Ele confiam. Cristo é a rocha para os n’Ele confiam. Ele é a fé pela qual o justo viverá. Ele é o firme fundamento, e prova das coisas que se esperam.

Daí o testemunho das escrituras da divindade de Cristo: “Porque quem é Deus senão o Senhor?”. É o Pai que ordena ao Filho que se assente à sua direita nas alturas ( Sl 110:1 ).

As possibilidades atinentes ao Messias advinham de Deus, em quem Ele confiava, de modo que estava revestido da armadura de Deus (v. 32 ; Ef 6:10 ). Assim como o caminho dos justos é comparável à luz da aurora, que vai brilhando até a perfeição, em Deus está a plenitude (v. 32).

É Deus que protege os pés, adestra as mãos e alça o seu Filho à vitória por intermédio da sua palavra ( Sl 18:33 -35 ; Is 59:17 ). A descrição deste salmo demonstra que Jesus foi participante de todas as fraquezas pertinente aos homens e em tudo foi tentado, porém, sem pecado ( Hb 4:15 e Hb 5:7 ).

Após descrever a força que Deus lhe proporcionou, de modo que submeteu debaixo dos seus pés os seus inimigos (v. 36 -40 ), no verso 41 fica claro que os inimigos do Messias são os filhos de Jacó, pois eles clamaram a Deus, porém, não foram atendidos “Clamaram ao Senhor, mas ele não lhes respondeu” ( Sl 18:41 ).

Cristo os esmiuçou ( Mt 21:44 ). Cristo foi livre dos ataques do povo e foi feito cabeça das nações ( Is 42:6 ; Is 49:6 e At 13:47 ). Um povo que Ele não conhecia, passaram a servi-lo. Esta profecia tem duplo cumprimento: a) através da igreja, e; b) no milênio, como rei das nações ( Sl 2 ).

Cristo é a cabeça da igreja, que é o seu corpo. A igreja é o povo escolhido dentre gentios e judeus, formado para louvor e glória de Deus.

O salmo deixa claro que a vingança pertence ao Cristo glorificado, que após perseguir velozmente os seus inimigos, abateu a todos (v. 37 -38). Este feito foi profetizado no Salmo 110, verso 1. É Deus quem sujeita os povos a Cristo. É Deus que livrou o Cristo do levante dos homens violentos, ou seja, daqueles que fazem da sua carne o seu braço, a sua força (violento).

O apóstolo Paulo aplica o salmo 18 à pessoa de Cristo quando cita o verso 49: “Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais; E para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: Portanto eu te louvarei entre os gentios, E cantarei ao teu nome. E outra vez diz: Alegrai-vos, gentios, com o seu povo. E outra vez: Louvai ao Senhor, todos os gentios, E celebrai-o todos os povos. Outra vez diz Isaías: Uma raiz em Jessé haverá, E naquele que se levantar para reger os gentios, Os gentios esperarão” ( Rm 15:8 -12; Sl 18:49 ).

Deus dá vitórias ao rei que Ele elegeu “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião” ( Sl 2:6 ). Deus usou de benignidade para com o seu Ungido, que é Cristo. Também usou de benignidade para cm Davi, pois da casa de Davi veio o Cristo. Deus usa de benignidade para com os descendentes do seu Ungido, pois é esta a promessa que Ele fez “Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” ( Is 55:3 ; Sl 18:50 ).

Todos que ouvem e aprendem de Cristo, que é humilde e manso de coração, tornam-se participantes das firmes beneficências prometidas a Davi. Cristo é o servo do Senhor que produz descendência a Abraão. Cristo é a semente que produz filhos a Deus “Porém tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi descendência de Abraão, meu amigo” ( Is 41:8 ).

Para compreendermos esta colocação de Isaias, temos que nos socorrer do apóstolo Paulo, que disse: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ).

O Israel servo do Senhor, ou o Jacó eleito, diz de Cristo, o descendente de Abraão. É por Isso que o evangelista Mateus diz que a profecia de Oséias fez referencia a Cristo “E esteve lá, até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu Filho” ( Mt 2:15 ); “QUANDO Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho” ( Os 11:1 ).

Muitos entendem que Deus amou especificamente o povo de Israel, porém, esquecem que dos que saíram do Egito, somente dois não pereceram no deserto. Quando o verso diz que Deus amou Israel, significa que Deus cuidou, preservou a Israel, visto que Deus fez aliança com os patriarcas “O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito (…) e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” ( Dt 7:7 -8 e Dt 9:5 ).

O sentido da profecia é: Deus cuidou (amou) de Israel para que fosse possível trazer o seu Filho a existência, pois esta foi a promessa feita a Abraão. Deus não prometeu salvar os filhos da carne de Abraão, antes que traria a existência, por meio da carne de Abraão, o seu Filho Jesus Cristo.

Em outras palavras, quando Israel foi formado, Deus cuidou (amou) deles resgatando-os do Egito, de modo que o ato de resgatar o povo de Israel é o que proporcionou trazer o seu Filho Jesus Cristo a existência, confirmando a promessa feita aos pais.

Após analisar o Salmo 18, lembremos-nos das palavras de Cristo: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ). O que me leva a concluir que, assim como muitos outros salmos, o Salmo 18 é um testemunho vivo de quem é o Cristo de Deus.

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Salmo 33 – Cristo é a alegria do Senhor

O salmista espera em Deus, pois Ele é salvação (auxilio e escudo), ou seja, alegria, força (v. 21). Somente os retos, os justos, podem cantar este cântico novo e alegrar-se no Senhor ( Sl 32:11 ), pois a alegria do Senhor, que é Cristo, é a nossa salvação ( Ne 8:10 ), pois o Pai dele disse: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” ( Mt 17:5 ).


O leitor das Escrituras só se apercebe da grandeza que este Salmo de Davi apresenta quando considera que, em sua grande maioria, os salmos são previsões acerca do Messias prometido.

Se o leitor não considerar que o rei Davi separou alguns homens para profetizarem com harpas ( 1Cr 25:1 ), e que em suas previsões falavam de Cristo ( At 2:30 ) e, que o próprio Cristo deixou claro que as Escrituras testemunhavam acerca d’Ele ( Jo 5:39 ), não fará uma boa leitura e interpretação, pois o salmista não deu testemunho de si mesmo, antes pelo Espírito falou do Descendente.

 

1 REGOZIJAI-VOS no SENHOR, vós justos, pois aos retos convém o louvor.

Quando o salmista anuncia que o homem deve regozijar-se, alegrar-se, ele demonstra que a ‘alegria do Senhor’ é a força, a salvação, do homem ( Ne 8:10 ; Is 35:10 ). Alegrar-se é o mesmo que confiar no Senhor, pois todos quanto s n’Ele confiam são salvos e, há alegria nos céus por um pecador que se arrepende ( Lc 15:10 ).

Somente os justos, os resgatados pelo Senhor, podem alegra-se n’Ele. É necessário estar n’Ele, unido a Ele para ser participante da salvação, da alegria, ou seja, da bem-aventurança “E os resgatados do SENHOR voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” ( Is 35:10 ).

Quando o salmista diz que ‘somente aos retos convém o louvor’, ele apresenta implicitamente a ideia do verdadeiro adorador, pois só os retos, os justos, podem louvar a Deus em espírito e em verdade ( Jo 4:23 ).

Os retos foram de novo criados para louvor e glória da graça de Deus ( Ef 1:12 ). Somente aos retos convém o louvor a Deus, visto que o louvor, a adoração, só é aceitável quando se é justo, visto que tudo o que é pertinente ao injusto é inaceitável. A própria existência do justo constitui-se em louvor a Deus que os criou de novo em verdadeira justiça e santidade “A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ; Is 61:11 ; Hb 3:3 ).

Só é possível glorificar ao Senhor quando se é plantado por Ele. Qualquer que não for gerado de novo através da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, jamais poderá glorificá-lo “Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ); “…plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ).

 

2 Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas. 3 Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo.

Só é possível louvar a Deus quando de posse de instrumentos musicais? O que entender por louvar a Deus com harpa, saltério e instrumentos de corda? Qual é o cântico novo?

Só toca ‘bem’ e com ‘alegria’ aquele que anuncia o Cristo de Deus, pois Ele é a ‘aliança do povo’ e a ‘luz dos gentios’ ( Is 42:6 ), Cristo é o que ‘abre os olhos aos cegos’ e ‘tira da prisão os encarcerados’. Cristo é o Senhor e não dará a sua glória a outrem, e foi Ele que anunciou as novas coisas que havia de criar ( Is 42:8 -12).

O louvor é segundo o ministério da profecia, ou seja, segundo a palavra que Deus anuncia antes que as coisas vêm à existência ( Is 42:9 ), o cântico novo ( Is 42:10 ), porque em anunciar a palavra de Deus dá-se glória, louvor ao Senhor “Deem glória ao Senhor, e anunciem o louvor nas ilhas” ( Is 42:12).

Para louvar ao Senhor segundo a convocação do salmista, ou seja, com harpa, saltério e instrumento de dez cordas, é necessário ter o ministério da profecia, pois segundo este ministério alguns homens profetizarem sob a direção do rei ( 1Cr 25:2 ).

O louvor é proveniente do exercício do ministério da palavra, que produz ações de graças e louvores, e não dos instrumentos musicais. É por isso que o apóstolo Paulo recomenda: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:19 ).

Todos que compreendem que a grandeza dos salmos está no fato de que eles são profecias, predições, e que o som de harpas, alaúdes e saltérios não é a essência dos Salmos ( 1Cr 25:1 ), e que através dos Salmos se anuncia o Cristo, produz ações de graças e louvores ao Senhor ( 1Cr 25:3 ).

Falar salmos, hinos e cânticos é produzir o fruto exigido por Deus, pois Deus só é glorificado em que se dê muito fruto “Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” ( Is 57:19 ); “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” ( Jo 15:8 ).

Ora, para glorificar o Pai é necessário o fruto, ou seja, professar a Cristo ( Hb 13:15 ), e só é possível tal fruto quando se está ligado na Oliveira verdadeira ( Jo 15:4 ), pois o fruto, a palavra, é proveniente de Deus ( Os 14:2 ).

 

4 Porque a palavra do SENHOR é reta, e todas as suas obras são fiéis. 5 Ele ama a justiça e o juízo; a terra está cheia da bondade do SENHOR. 6 Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca. 7 Ele ajunta as águas do mar como num montão; põe os abismos em depósitos.

O verso 4 contextualiza os versos anteriores. O louvor a Deus, o cântico novo, só é possível através da palavra do Senhor.

A palavra do Senhor não é um ente impessoal, antes diz de Cristo, o Verbo que se fez carne e habitou entre os homens ( Jo 1:1 ). Cristo fez os céus e a terra ( Jo 1:3 ), conforme atesta o escritor aos Hebreus ao citar o Salmo 102, verso 5 “E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Hb 1:10 -12).

Observe que, de tudo que o salmista relata tem por objetivo apresentar Cristo aos seus compatriotas. Por ter sido concedido aos homens o privilegio de ser-lhes manifesto a palavra da vida, que é justiça e juízo, a terra esta plena da bondade de Deus.

O verso seis demonstra que os céus foram criados por Cristo e, que pelo Espírito (palavra) da sua boca, todos os anjos de uma só vez vieram a existência, ou seja, foram criados ( Cl 1:16 ; Ap 4:11 ).

Mas, de toda obra realizada por Cristo, a obra que Cristo realizou na terra é a maior, pois dela advém o louvor a sua graça e misericórdia. Cristo é a plenitude da bondade de Deus demonstrada aos homens “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” ( Jo 17:4 ).

 

8 Tema toda a terra ao SENHOR; temam-no todos os moradores do mundo. 9 Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu.

Nestes dois versos temos a ordem e o motivo da ordem. Temam ao Senhor, ou seja, obedeçam-No.

Temer é obedecer, o que não tem relação com medo, pois o amor lança fora o medo. Cristo é o amor de Deus demonstrado aos homens e, foi Ele quem falou e mandou e o mundo foi criado, portanto, necessário é obedecê-lo ( 1Jo 4:18 ).

Mas, como obedecer (temer) a Cristo? Obedecendo a palavra do Evangelho “Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR” ( Sl 34:11 ). O temor do Senhor não é um sentimento, antes é conhecimento que deve ser transmitido.

 

10 O SENHOR desfaz o conselho dos gentios, quebranta os intentos dos povos. 11 O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.

Cristo é o que desfaz o conselho dos povos ( Sl 2:1 -11), pois Ele é o Ungido do Senhor, mas, o conselho do Senhor é Eterno.

Estes dois versos contrapõe o conselho dos povos, que é efêmero, com o propósito eterno de Deus, que é para a eternidade, e foi estabelecido em Cristo ( Ef 1:9 ).

 

12 Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança.

Este verso é muito significativo, pois apresenta Israel como a nação de Deus, mas que há um povo bem-aventurado escolhido por possessão peculiar.

Este verso contrapõe Israel e a Igreja. Enquanto a igreja é o povo do Senhor ( 1Pe 2:9 ), a herança adquirida ( Ef 1:11 ), Israel é a nação escolhida para trazer o Cristo ao mundo.

 

13 O SENHOR olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens. 14 Do lugar da sua habitação contempla todos os moradores da terra. 15 Ele é que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.

Este verso demonstra que todas as coisas são patentes aos olhos de Cristo e, foi Ele que as trouxe a existência. Porém, este mesmo olhar constatou que não havia quem O buscasse ( Sl 53:2 ), pelo que o seu próprio braço foi desnudado perante os povos, trazendo salvação ( Is 53:1 ; Is 59:15 -17).

 

16 Não há rei que se salve com a grandeza dum exército, nem o homem valente se livra pela muita força. 17 O cavalo é falaz para a segurança; não livra ninguém com a sua grande força.

Estes versos demonstram que nem a realeza com grande exército pode conquistar a salvação e, nem o valente pela sua força, pois a salvação não se dá pela força, violência, mas pelo Espírito ( Zc 4:6 ).

Fica demonstrado que o homem possui uma visão distorcida de salvação, pois confiam em cavalos, exércitos e reis, mas não confiam em Deus “Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR nosso Deus” ( Sl 20:7 ; Sl 33:20 ).

 

18 Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia; 19 Para lhes livrar as almas da morte, e para os conservar vivos na fome.

Os versos 18 e 19 demonstram que o zelo do Senhor é para os que o obedecem (temem), ou seja, que se refugiam em sua misericórdia.

Os olhos do Senhor fixam-se sobre os que O temem, do mesmo modo que o Anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem ( Sl 34:7 ), portanto, não há diferença entre os olhos do Senhor e o Anjo do Senhor: ambas as referencias diz de uma única pessoa: Cristo, o mensageiro do Senhor que está com os que creem até a consumação dos séculos.

Por que é Cristo? Porque é Ele quem livra a alma da morte, separação, alienação e conserva o homem vivo perante Deus ( Sl 34:22 ).

 

20 A nossa alma espera no SENHOR; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo. 21 Pois nele se alegra o nosso coração; porquanto temos confiado no seu santo nome. 22 Seja a tua misericórdia, SENHOR, sobre nós, como em ti esperamos.

O salmo volta a abordar o tema do verso 1: “REGOZIJAI-VOS no SENHOR, vós justos, pois aos retos convém o louvor” (v. 1).

O salmista espera em Deus, pois Ele é salvação (auxilio e escudo), ou seja, alegria, força (v. 21). Somente os retos, os justos, podem cantar este cântico novo e alegrar-se no Senhor ( Sl 32:11 ), pois a alegria do Senhor, que é Cristo, é a nossa salvação ( Ne 8:10 ), pois o Pai dele disse: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” ( Mt 17:5 ).

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Salmo 26 – Aquele que lava as mãos na inocência

Ao ler o Salmo 26, o leitor precisa considerar a pessoa de Cristo e que o salmista era profeta. É imprescindível considerar que o salmista não estava orando a Deus confiado em si mesmo, antes, profetizava acerca do Cristo.

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Salmo 4 – Perturbai-vos e não pequeis

Qualquer que obedece à palavra do Filho não peca, pois a semente de Deus permanece nele ( 1Jo 3:9 ). Neste sentido disse Moisés: “E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar e para que o seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis” (Êx 20:20).


Salmo 4 – Perturbai-vos e não pequeis

1 OUVE-ME quando eu clamo, ó Deus da minha justiça, na angústia me deste largueza; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.
2 Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira? (Selá.)
3 Sabei, pois, que o SENHOR separou para si aquele que é piedoso; o SENHOR ouvirá quando eu clamar a ele.
4 Perturbai-vos e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama e calai-vos. (Selá.)
5 Oferecei sacrifícios de justiça e confiai no SENHOR.
6 Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? SENHOR, exalta sobre nós a luz do teu rosto.
7 Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho.
8 Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança.

 

Introdução

Esse é mais um Salmo messiânico que descreve a confiança do Cristo em Deus, mesmo em meio às adversidades que teria que enfrentar, desde o jardim do Getsêmani até o Calvário.

Como é possível na angústia[1] ter largueza[2]? Parece contraditório passar por aflição, dificuldade, aperto e ter toda suficiência, toda largueza. O clamor registrado no Salmo 4: ‘Ouve-me, quando clamo…’ (v. 1) está em consonância com a vontade do Pai que, em outros Salmos, promete estar com Cristo na angústia (Sl 91:15).

Os registros nos livros das Crônicas dos reis de Israel não apontam para um momento específico em que o Rei Davi tenha passando por uma aflição como a exarada neste Salmo.

O único homem que foi afligido de modo a exclamar que estava angustiado até a morte foi o Filho de Davi e isso porque foi do agrado de Deus fazê-Lo enfermar.

“E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angústiar-se muito. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo” (Mt 26:37-38);

“Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão” (Is 53:10).

A análise do Salmo 4 terá como ponto de partida a ‘angústia’, não do ponto de vista da psicologia ou da psicanálise, de alguém inseguro, rancoroso ou ressentido, mas da perspectiva dos eventos que antecederam a morte de Cristo: “Não te alongues de mim, pois a angústia está perto e não há quem ajude” (Sl 22:11); “Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22:42).

É notório que o Salmo 22 é messiânico e descreve o sofrimento de Cristo nos momentos que antecederam a sua morte, tanto que Cristo recitou o primeiro verso do Salmo 22 em aramaico para que os que ali estavam entendessem que o Salmo 22 se cumpria aos ouvidos dos que ali estavam: – ‘Elohim, Elohim, lamá sabactâni’, ou seja,  “DEUS meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Sl 22:1); “DEUS meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27:46).

Apesar da angústia, temos de compreender a largueza que o Pai proporcionou ao Filho, pela segurança que o Pai transmitiu, com as garantias contidas nas Escrituras, visto que estava registrado que Deus não viraria as costas para o seu Filho, quando cravado na cruz, e nem esconderia d’Ele o Seu rosto, antes, quando clamou, Deus ouviu o Seu Filho: “Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” (Sl 22:24).

 

1 OUVE-ME quando eu clamo, ó Deus da minha justiça, na angústia me deste largueza; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.

O salmista Davi faz um pronunciamento profético: “Ouve-me quando eu clamo, ó Deus da minha justiça…” (v. 1). Nesta previsão, o salmista registra a confiança do Cristo, de que seria prontamente ouvido pelo Pai, quando na angústia.

Alguém pode questionar: Como ter certeza de que essa é a interpretação correta desse verso? Essa dúvida é importantíssima, pois era dessa forma que se comportavam os bereanos, quando eram instruídos pelo apóstolo Paulo (At 17:11).

Para verificar o que foi afirmado acerca do verso 1, do Salmo 4, basta examinar o Salmo 31:

“Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha aflição; conheceste a minha alma nas angústias. E não me entregaste nas mãos do inimigo; puseste os meus pés num lugar espaçoso. Tem misericórdia de mim, ó SENHOR, porque estou angustiado. Consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu ventre” (Sl 31:7-9).

O Salmo 31 torna claro o quanto o Cristo esteve angustiado, antes de ser crucificado, e no que consiste a ‘largueza’ que o Pai lhe concedeu. Para aqueles que ainda têm dúvidas se o Salmo 31 é messiânico e que retrata as agruras que antecedem a morte de Cristo, basta ler o verso 5:

“Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, SENHOR Deus da verdade” (Sl 31:5; Lc 23:46).

Como já foi dito, os Salmos são escritos proféticos, o que indica que os salmistas não falam de si mesmos, antes, inspirados por Deus, davam testemunho do Cristo. Todas as vezes que lemos as Escrituras, devemos ter em mente a lição de Filipe: “Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?” (At 8:34).

A largueza concedida por Deus ao Cristo, na angústia, decorre da benignidade de Deus, que considerou a aflição do Aflito. Embora o povo tenha desprezado o Cristo, pela sua ignomínia e aflição, na verdade Ele estava alegre e regozijado, por se sujeitar à vontade do Pai, que era fazê-Lo enfermar: “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido” (Is 53:4); “Mas eu sou verme e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo. Todos os que me veem zombam de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça, dizendo: Confiou no SENHOR, que o livre; livre-o, pois nele tem prazer” (Sl 22:6-8).

A aflição que se abateu sobre o Cristo era em decorrência da morte do seu corpo físico, porém, caminhou para o calvário regozijado por estar cumprindo a vontade do Pai, que foi benigno para com Ele, quando O elegeu para expiação do povo: “Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste. Então, disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Sl 40:6-8); “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão” (Is 53:10).

Apesar de angustiado e consumido de tristeza, em função das agruras da cruz, que acometeram o seu corpo (Sl 22:11), o Cristo não foi entregue nas mãos dos seus inimigos, antes, entregou a sua alma nas mãos do Pai, que o colocou a salvo (lugar espaçoso) dos seus inimigos (Sl 40:2). A sua alma não foi deixada na morte, pois o Pai O livrou e O pôs em um alto retiro: à destra da Majestade nas alturas (Sl 91:14).

Cristo invocou o Pai, dizendo: – “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste”? (Sl 22:1), pois essa era a perspectiva dos seus opositores, ao pé da cruz. No entanto, os opositores de Jesus, ao pé da cruz, não sabiam que, quando Jesus clamou, Deus lhe respondeu, pois permaneceu com Ele na angústia: “Porque não desprezou, nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” (Sl 22:24).

Quem, na angústia, teve total segurança (largueza)? Quem Deus haveria de livrar e glorificar? A resposta é: Cristo, conforme se lê:

“Não te alongues de mim, pois a angústia está perto e não há quem ajude” (Sl 22:11);

“E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50:15);

“E tomou consigo a Pedro, a Tiago e a João e começou a ter pavor e a angustiar-se” (Mc 14:33).

Largueza na angústia é afirmar, em oração, com um coração regozijado que ‘a sua carne repousará segura’. Saber que desceria às partes mais baixas da terra (sepultura) não trouxe insegurança, antes trouxe regozijo e segurança, pois estava seguro de que Deus haveria de trazê-Lo à vida novamente, fiado na promessa de que não seria deixado na morte e nem veria corrupção: “Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (Sl 16:10).

Na angústia, Deus concedeu a Cristo a liberalidade de decidir cumprir ou não a vontade do Pai. Embora, tivesse à sua disposição doze legiões de anjos e ninguém tivesse o poder de tirar a sua vida, Jesus exerceu o poder de dar a sua vida e, assim, conquistou o poder de tornar a tomá-la: “Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai” (Jo 10:18).

Os Salmos não retratam os sentimentos e as emoções de Davi, pois Ele ainda está na sepultura e não subiu aos céus (At 2:29; At 2:34). Mas, Cristo, apesar dos sofrimentos e da morte, foi livre da morte, glorificado, e alcançou abundância de dias: “Ao qual, Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela; Porque dele disse Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, Porque está à minha direita, para que eu não seja comovido; Por isso, se alegrou o meu coração e a minha língua exultou; E, ainda, a minha carne há de repousar em esperança; Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção; Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; Com a tua face me encherás de júbilo. Homens, irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado e entre nós está, até hoje, a sua sepultura” (At 2:24-29; Sl 91:15).

 

2 Filhos dos homens, até quando convertereis a minha glória em infâmia? Até quando amareis a vaidade e buscareis a mentira? (Selá.)

Após direcionar a sua palavra ao Pai, em espírito, através do salmista, o Filho reprova a atitude dos homens: até quando amariam a vaidade e buscariam a mentira? Até quando transtornariam a glória do Cristo em infâmia?

A glória do Cristo estava em fazer a vontade do Pai, que era enfermá-Lo, porém, os opositores de Cristo interpretaram que aquela ignomínia era sinal de infâmia. A glória de Cristo estava em ser Servo obediente, mas os homens reputaram que Cristo era maldito ao contemplá-Lo na cruz: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2:8).

Jesus humilhou-se a si mesmo, ou seja, se fez servo, ao ser obediente até a morte, pois, nesse ato, estava a sua glória, de modo que Deus o exaltou soberanamente: “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2:9).

O Aflito do Senhor era a luz do mundo, porém, os seus concidadãos (judeus), O rejeitaram, a Palavra da Verdade, se refugiaram na mentira e na vaidade de seus corações mentirosos. Seguindo os seus próprios caminhos, converteram em infâmia a glória do Filho de Deus. Cristo, a Rocha eleita e preciosa, tornou-se rocha de escândalo para os filhos de Israel: “Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pr 3:5; Is 8:14).

As Escrituras não fazem referência ao rei Davi como possuidor de glória, nem que se dirigisse aos filhos dos homens, exigindo tal reconhecimento, i.e.,  de alguma glória que lhe fosse devida; portanto, da mesma forma que o apóstolo Pedro concluiu que Davi, ao profetizar, fez uma previsão específica da morte e ressurreição de Cristo no Salmo 16 (At 2:31), podemos inferir que o salmista registrou no Salmo 4 uma previsão do Messias reclamando aos homens, que não tivesse por infâmia a sua glória, de realizar a vontade do Pai.

3 Sabei, pois, que o SENHOR separou para si aquele que é piedoso; o SENHOR ouvirá quando eu clamar a ele.

O profeta Miquéias relata que ‘pereceu o homem piedoso’ e, que ‘não havia entre os homens quem fosse reto’ (Mq 7:2). Entretanto, o salmista aponta para alguém que foi separado para Deus por ser ‘piedoso’. Vale destacar que a frase está no singular, falando de um só, não de muitos piedosos (… o Senhor separou para si aquele que é piedoso).

Ora, o homem piedoso que Malaquias diz que pereceu, refere-se a Adão. Depois da queda de Adão, todos os seus descendentes se desviaram e todos juntamente se fizeram imundos, ou seja, em um único evento (a queda), todos se fizeram impróprios para o propósito de Deus, ninguém mais era piedoso (Sl 14:3).

Cristo, o último Adão, é o homem piedoso escolhido por Deus para ser mediador entre Deus e os homens. Cristo é o homem piedoso, reto, íntegro, que Deus separou para si. O Cristo teve plena certeza de que Deus sempre haveria de ouvi-lo, pois esse é um firme fundamento, sob a garantia de Deus (selo): “O Senhor conhece os que são seus” (2 Tm 2:19; Jo 11:14).

Em reconhecer a Cristo como o homem piedoso que Deus escolheu (ungido) e que Deus O ouvia, estaria a salvação dos filhos de Israel, mas desprezaram-No por causa da aparência: nenhuma beleza havia para que os homens o desejassem.

4 Perturbai-vos[3] e não pequeis; falai com o vosso coração sobre a vossa cama e calai-vos. (Selá.) 5 Oferecei sacrifícios de justiça e confiai no SENHOR.

Na condição de eleito, Cristo – o Mediador – alerta aos filhos da desobediência e da ira para obedecerem a Deus, consequentemente, não pecariam: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Sl 119:11).

“Tremei e não pequeis” (v. 4) Tradução Brasileira.

A ordem é clara: tremei e não pequeis, ou seja, obedecei e não pecareis. ‘Tremer’ é o mesmo que ‘tremor’. Qualquer que treme da palavra do Filho de Deus não peca: “Ouvi a palavra do SENHOR, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam, por amor do meu nome, dizem: Seja glorificado o SENHOR, para que vejamos a vossa alegria; mas eles serão confundidos” (Is 66:5).

Qualquer que obedece à palavra do Filho não peca, pois a semente de Deus permanece nele ( 1Jo 3:9 ). Neste sentido disse Moisés: “E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar e para que o seu temor esteja diante de vós, a fim de que não pequeis” (Êx 20:20).

A recomendação do Salmo 2, para os reis da terra: “Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos com tremor” (Sl 2:11), é o mesmo que dizer: Obedecei (tremor) a palavra (temor) do Senhor.

O apóstolo Paulo cita o verso 4, do Salmo 4, na epístola que escreveu aos cristãos de Éfeso:

“Por isso deixai a mentira e falai a verdade, cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros. Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4:25-26).

Geralmente, fazem conexão entre a citação do verso 4, do Salmo 4, com a recomendação aos cristãos para não deixar o sol se pôr sobre a ira. Entretanto, a citação do Salmo tem conexão com o fato de os cristãos serem membros, uns dos outros, e com a citação de Zacarias:

“Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” (Zc 8:16).

A ordem para deixar a mentira e falar a verdade cada um com o seu próximo demanda obediência (deveis fazer), daí, a necessidade de ‘tremer’ (obedecer), para não pecar contra o Senhor.

Sacrifício para Deus é um espírito quebrantado, submisso, ou seja, diz daquele que treme da sua palavra (Sl 51:17). Só é possível oferecer sacrifício de justiça, quando se confia em Deus, crendo em Cristo. Sacrifício de justiça só é possível através de Cristo, o Senhor que é a nossa justiça (Sl 51:19).

São sinônimas as ideias: ‘oferecei sacrifícios de justiça’ e ‘confiai no Senhor’, pois quem confia em Cristo, a palavra que concede vida, além e crer com o coração, oferece sacrifício de justiça, pois professa o Seu nome, que é o fruto dos lábios. Todos os que confiam, invocam a Deus e vice-versa: “Visto que, com o coração, se crê para a justiça e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10:10; Hb 13:15; Os 14:2 e Pv 18:20).

O mandamento de Deus na Nova Aliança é crer em Cristo e todos quantos confiam em Deus creem em Cristo. Quem crê em Cristo, na verdade crê no testemunho que Deus deu do seu Filho: “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu” (1Jo 5:10); “E Jesus clamou e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou” (Jo 12:44).

 

6 Muitos dizem: Quem nos mostrará o bem? SENHOR, exalta sobre nós a luz do teu rosto.

Muitos, dentre os homens, questionam: Quem nos mostrará o bem? Ora, a resposta é o Mediador estabelecido por Deus: Jesus Cristo-homem. Ele é a luz. Ele é o resplendor da glória de Deus!

Observe o que diz o Salmo 67:

“DEUS tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós (Selá.) Para que se conheça na terra o teu caminho e entre todas as nações a tua salvação” (Sl 67:1-2).

O caminho do Senhor, conhecido na terra, é o bem de Deus revelado aos homens, pois o caminho do Senhor, diz de Cristo, a luz que resplandeceu nas trevas (Jo 1:5 ).

A luz do Senhor é a resposta. Somente a luz do Senhor mostrará o bem: “Nele (Verbo) estava a vida e a vida era a luz dos homens” (Jo 1:4). Deus mostrou a sua luz (exaltou) quando nos revelou Jesus: “Deus é o SENHOR, que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas do altar” (Sl 118:2).

A luz do rosto do Senhor foi revelada em Cristo: “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo (2Co 4:6).

Cristo é a pedra que seguia os filhos de Israel pelo deserto. A Rocha que rejeitaram. O Senhor que escondeu o seu rosto da casa de Israel: Esconderei, pois, totalmente o meu rosto naquele dia, por todo o mal que tiver feito, por se haverem tornado a outros deuses” (Dt 31:18).

Porém, Isaias profetizou, apontando a sua esperança no Senhor, que esconde o seu rosto da casa de Israel. O Senhor que esconde o seu rosto da casa de Israel tornou-se pedra de tropeço às duas casas de Israel, a quem devemos o temor e o assombro: “E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó e a ele aguardarei” (Is 8:17; Is 8:13-14; Sl 4:4).

 

7 Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho. 8 Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança.

O Salmista descreve a alegria no coração do Messias, como maior que a alegria que ocorre no coração dos homens, quando se multiplica a colheita de trigo e vinho. A alegria do Messias como último Adão está na sua descendência espiritual, por isso Isaias diz: “Eis me aqui, com os filhos que me deu o Senhor” (Is 8:18); “Mas aos santos que estão na terra, e aos ilustres em quem está todo o meu prazer” (Sl 16:3).

O verso 8 retrata o momento da morte do Messias, que em paz deitaria e dormiria, pela segurança que o Pai lhe proporcionou: “Portanto, está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também, a minha carne repousará segura. Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (Sl 16:9-10; Sl 30:3; Sl 31:5).

Ora, Cristo é aquele que habitava no esconderijo do Altíssimo e, após ser introduzido no mundo dos homens, passou a descansar à sombra do Onipotente (Sl 91:1). Jesus Cristo, homem, alcançou ‘largueza’, por confiar plenamente na proteção do Pai (Sl 4:1).

 


[1] “06862 tsar ou צר tsar procedente de 6887; DITAT – 1973a,1973b,1974a,1975a; adj. 1) estreito, apertado 2) dificuldades, aflição 3) adversário, inimigo, opressor 4) pedra dura, pederneira” Dicionário Bíblico Strong;

[2] “07337 rachab uma raiz primitiva; DITAT – 2143; v. 1) ser ou ficar amplo, ser ou ficar grande 1a) (Qal) ser largo, ser aumentado 1b) (Nifal) pastagem ampla ou espaçosa (particípio) 1c) (Hifil) 1c1) tornar amplo 1c2) alargar” Dicionário Bíblico Strong;

[3] “07264 ragaz uma raiz primitiva; DITAT – 2112; v. 1) tremer, estremecer, enfurecer-se, tiritar, estar agitado, estar perturbado 1a) (Qal) tremer, estar inquieto, estar agitado, estar perturbado 1b) (Hifil) fazer estremecer, inquietar, enraivecer, incomodar 1c) (Hitpael) agitar-se” Dicionário Bíblico Strong

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Salmo 17 – Proteção contra os inimigos

O Senhor Jesus Cristo é o que anda em sinceridade, pratica a justiça e do coração fala a verdade (Sl 15:2). Ele também é descrito por Isaias como o que fala com retidão: “O que anda em justiça e o que fala com retidão; o que rejeita o ganho da opressão, o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal” (Is 33:15).


SALMO 17 – Proteção contra os inimigos​

Introdução

A grande maioria dos leitores do Livro dos Salmos ainda veem os Salmos como expressão decorrente do estado emocional dos salmistas. Corroboram com tal pensamento, os títulos introdutórios que muitas Bíblias apresentam e, assim, constituem um obstáculo à boa leitura e compreensão dos Salmos. A interposição de títulos introdutórios, que seria auxilio ao leitor no momento de localizar uma passagem bíblica, serve de obstáculo à compreensão do texto, pois impõem ideias e conceitos divorciados da verdade que o Salmo contém.

Em uma Bíblia na língua portuguesa, encontramos o seguinte título no Salmo 17:

“Davi pede a Deus que o proteja contra os seus inimigos. Davi confia na sua inocência e na justiça de Deus” Oração de Davi.

Além do título, acresce a informação: Oração de Davi.

Seria isso verdadeiro?

Davi mesmo disse que o Espírito de Deus falava por ele, ou seja, que a palavra de Deus estava em sua boca (2Sm 23:2). Os apóstolos nomeavam o salmista Davi de profeta e não de compositor, musicista, levita, etc. (At 2:30).

Jesus, ao fazer referência a um Salmo, nomeou o Salmo de lei e, em outro lugar, disse que tudo o que d’Ele estava escrito na Lei, nos Salmos e nos Profetas, convinha que se cumprisse, evidenciando qual o ‘status’ dos Salmos: profecias “Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?” (Jo 10:34); “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse, estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos” (Lc 24:44).

O rei Davi, quando separou os capitães dos seus exércitos, deu-lhes a missão de profetizarem ao som de instrumentos musicais, portanto, os Salmos são profecias em forma de poesia e canto.

“E DAVI, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, de Hemã e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério: Dos filhos de Asafe: Zacur, José, Netanias, e Asarela, filhos de Asafe; a cargo de Asafe, que profetizava debaixo das ordens do rei Davi. Quanto a Jedutum, os filhos: Gedalias, Zeri, Jesaías, Hasabias, e Matitias, seis, a cargo de seu pai, Jedutum, o qual profetizava com a harpa, louvando e dando graças ao SENHOR” (1Cr 25:1-3).

A estrutura da poesia hebraica, na qual os Salmos foram produzidos, facilita a exposição de ideias e possui recursos de cunho lógico que impedem alguém de má índole de transtornar a mensagem.

Os Salmistas não buscavam tocar a emoção dos ouvintes, através de ritmos, rimas, melodia, harmonia, etc.

A proposta dos Salmos é tocar o entendimento dos ouvintes, de modo que pudessem conhecer o seu Deus e, por isso, utilizavam o paralelismo[1] para compor ou evidenciar uma ideia que, geralmente, constitui uma instrução, uma profecia, uma repreensão ou um exemplo ao povo de Israel.

 

A Justiça

1 OUVE, SENHOR, a justiça; atende ao meu clamor; dá ouvidos à minha oração, que não é feita com lábios enganosos. 2 Saia a minha sentença de diante do teu rosto; atendam os teus olhos à razão.

O Salmo tem início com um pedido da ‘justiça’ e não do rei Davi. Se o Salmo fosse um pedido, um rogo de Davi, por certo ele diria: – “Ouve, ó Senhor, o teu servo”, no entanto, temos um pedido da própria ‘justiça’.

Não estamos diante de uma oração de Davi mas, sim, diante de uma profecia que aponta para a justiça personificada. Neste verso, a justiça não trata de um conceito abstrato, que deriva de uma perspectiva humana mas, sim, à justiça que vem de Deus, segundo o que profetizou Isaias:

“ASSIM diz o SENHOR: Guardai o juízo e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir e a minha justiça, para se manifestar (Is 56:1)

Da justiça que vem por meio do evangelho foi profetizado:

“Não está nos céus, para dizeres: Quem subirá por nós aos céus, que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Nem tampouco está além do mar, para dizeres: Quem passará por nós além do mar, para que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos? Porque esta palavra está mui perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a cumprires” (Dt 30:12-14); “Mas a justiça, que é pela fé, diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo)” (Rm 10:6).

O Senhor Jesus, para os que creem, foi feito justiça: “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, justiça, santificação e redenção” (1Co 1:30).

O Senhor Jesus, ao interpretar o Salmo 110, demonstra que Davi estava profetizando acerca do Filho do homem, quando disse: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés?” (Sl 110:1; Mt 22:43-44).

Davi, no Salmo 17, registra, em espírito, o clamor do Cristo, quando manifesto aos homens. Neste Salmo a justiça diz do Renovo justo, o Filho de Davi, que terá o nome: ‘O Senhor, Nossa Justiça’!

“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” (Jr 23:5-6).

Algumas traduções vertem o Salmo 17, verso 1 desta forma: ‘Ouve, ó Senhor, a minha causa justa’, o que remete o leitor à pessoa do rei Davi, sendo que o que está sendo dito refere-se ao Descendente prometido a Davi.

Certo homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, quando leu uma profecia no Livro de Isaias, tinha a seguinte dúvida: – “Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?” (At 8:34). O eunuco lia: “Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim não abriu a sua boca. Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; E quem contará a sua geração? Porque a sua vida é tirada da terra” (At 8:32-33) e não conseguia entender quem ‘foi levado como a ovelha para o matadouro’. Seria o profeta Isaias que estava sendo levado? Ou seria alguma outra pessoa?

De quem é a boca que fez a oração deste Salmo, cujos lábios não são enganosos? O único homem que nunca houve engano em sua boca foi Jesus, portanto, claro está que este clamor não diz do salmista Davi “E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca” (Is 53:9); “O SENHOR julgará os povos; julga-me, SENHOR, conforme a minha justiça e conforme a integridade que há em mim” (Sl 7:8).

O Salmo 15 também faz referência a Cristo como Aquele que anda em sinceridade, pratica a justiça e do coração fala a verdade (Sl 15:2). Ele também é descrito por Isaias como o que fala com retidão: “O que anda em justiça e o que fala com retidão; o que rejeita o ganho da opressão, o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal” (Is 33:15).

Se dentre os homens não há ninguém que faça o bem; Se todos juntamente se desviaram e se fizeram imundos (Sl 14:1-3); Se os ímpios falam mentiras desde que nascem (Sl 58:3), certo é que ninguém havia entre os filhos dos homens tivesse os lábios puros, pois como todos foram formados em iniquidades (Sl 51:5), todos herdaram coração imundo.

Qualquer homem, em sã consciência, e conhecedor da sua condição miserável, clamará por misericórdia, e não por uma sentença segundo a sua justiça, equidade, retidão (מֵישָׁרִים)[2] “JULGA-ME, SENHOR, pois tenho andado em minha sinceridade; tenho confiado também no SENHOR; não vacilarei” (Sl 26:1; Sl 7:3-5).

Davi não possuía esses predicativos, antes quando errou confiou na misericórdia de Deus, atitude que por si só demonstra que jamais Davi pleitearia algo a Deus com base em sua retidão e justiça “Então disse Davi a Gade: Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do SENHOR, porque muitas são as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu” (2Sm 24:14).

Há um titulo introdutório nas Bíblias para o Salmo 26 que diz: “Davi recorre a Deus, confiando na sua própria integridade”. Homem algum pode recorrer a Deus confiado em sua própria integridade[3], pois diante de Deus não há homem que seja justo, nem mesmo Davi “Na verdade que não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque” (Ec 7:20).

 

Retidão​

3 Provaste o meu coração; visitaste-me de noite; examinaste-me e nada achaste; propus que a minha boca não transgredirá.

Jesus Cristo-homem foi provado, examinado minuciosamente por Deus, e restou confirmado que Ele andou integramente diante de Deus, pois confiou em Deus sem vacilar “JULGA-ME, SENHOR, pois tenho andado em minha sinceridade; tenho confiado também no SENHOR; não vacilarei. Examina-me, SENHOR, e prova-me; esquadrinha os meus rins e o meu coração” (Sl 26:1-2; Sl 139:1 3 e 23; Sl 7:9).

Jesus esteve ao abrigo da sombra protetora de Deus, vez que, a fidelidade de Deus expressa em sua palavra, era como escudo e broquel “Louvarei ao SENHOR que me aconselhou; até o meu coração me ensina de noite” (Sl 16:7; Sl 63:7).

Continuamente, Cristo esteve sob proteção, ao abrigo da sombra das asas de Deus, pois tinha o ‘amor’ de Deus diante dos seus olhos, ou seja, meditava na palavra de Deus, continuamente (de dia e de noite), deste modo, nada de pecaminoso foi achado n’Ele “O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita” (Sl 121:5); “Guarda-me como à menina do olho; esconde-me debaixo da sombra das tuas asas” (Sl 17:8; Sl 91:1; Sl 26:3; Sl 1:2).

Este é o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho, Jesus Cristo: “E puseram a sua sepultura com os ímpios e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca” (Is 53:9); “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1Pd 2:22).

 

4 Quanto ao trato dos homens, pela palavra dos teus lábios me guardei das veredas do destruidor. 5 Dirige os meus passos nos teus caminhos, para que as minhas pegadas não vacilem.

Ao se pautar pelas palavras de Deus, Jesus permaneceu longe dos caminhos dos transgressores[4] (destruidor) (Sl 1:1; Sl 26:2 -6). Como Servo obediente, Jesus se deixou guiar pela lei do Senhor, de modo que os seus pés não vacilaram: “Tenho posto o SENHOR continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei” (Sl 16:8; Sl 121:3 e 5).

 

6 Eu te invoquei, ó Deus, pois me queres ouvir; inclina para mim os teus ouvidos, e escuta as minhas palavras. 7 Faze maravilhosas as tuas beneficências, ó tu que livras aqueles que em ti confiam dos que se levantam contra a tua destra.

Pela confiança de que o Pai havia de respondê-Lo, é que o Filho invocava (Jo 11:42). E pelo que o Filho clama? Para que Deus estenda as suas misericórdias, ou seja, faça maravilhosa as suas beneficências. Como? Salvando os que buscam refugio em Deus através da sua Destra, ou seja, através de Cristo.

Cristo é a Destra do Senhor desnudada perante os olhos de todos os povos: “O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus” (Is 52:10). Cristo é a firme beneficência prometida a Davi e salvação para todos quantos O invocar: “Inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim; ouvi e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” (Is 55:3). Cristo é o homem que, após ser glorificado, assentou-se à destra da Majestade nas alturas: “Seja a tua mão sobre o homem da tua destra, sobre o filho do homem, que fortificaste para ti” (Sl 80:17).

Mas, apesar das beneficências prometidas por Deus em Cristo, haveria homens ímpios que se levantariam contra a Destra do Altíssimo.

 

Adversários

8 Guarda-me como à menina do olho; esconde-me debaixo da sombra das tuas asas, 9 Dos ímpios que me oprimem, dos meus inimigos mortais que me andam cercando. 10 Na sua gordura se encerram, com a boca falam soberbamente. 11 Têm-nos cercado agora os nossos passos; e baixaram os seus olhos para a terra;12 Parecem-se com o leão que deseja arrebatar a sua presa, e com o leãozinho que se põe em esconderijos.

Por causa da oposição dos pecadores, nesta previsão, Jesus roga a Deus que O proteja como os homens protegem as meninas dos olhos. Cristo espera em Deus que O proteja debaixo de suas asas (Sl 20:6).

O pedido é para que Deus livrasse o Cristo dos ímpios, homens que O oprimiriam. Estes homens seriam seus inimigos mortais, pois procurariam saqueá-Lo e, por fim, apoderarem-se da sua alma.

Quem eram esses inimigos de Jesus? Os escribas, fariseus, sacerdotes, príncipes, etc., homens que honravam a Deus com a boca, porém, os seus corações estavam longe de Deus “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mt 15:8).

Como estava predito: “Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa” (Mq 7:6), Jesus veio para os que eram seus e os seus não O receberam (Jo 1:12) e foi rejeitado pelos seus concidadãos.

Os líderes da religião se colocavam à espreita buscando pegar Jesus nalguma contradição: “E, observando-o, mandaram espias, que se fingissem justos, para o apanharem nalguma palavra e o entregarem à jurisdição e poder do presidente” (Lc 20:20; Lc 10:25; Mt 22:15), e assim cumpriu-se neles o provérbio que diz: “No entanto estes armam ciladas contra o seu próprio sangue; e espreitam suas próprias vidas” (Pv 1:18).

O ‘laço do passarinheiro’ predito no Salmo 91 refere-se às armadilhas dos escribas e fariseus que buscavam pegar Jesus nalguma contradição (Sl 91:3). Homens, cujas línguas comparam-se a da serpente, pois veneno (engano) procedem dos seus lábios (Sl 140:3). Lábios mentirosos que se propuseram a desviar o Cristo das veredas de justiça estabelecida pelo Pai. Através de laços e cordas (armadilhas), estendem uma rede, na intenção de terem do que acusar o Cristo (Sl 140:4-5).

Sobre esses homens profetizou Jeremias:

“Porque ímpios se acham entre o meu povo; andam espiando, como quem arma laços; põem armadilhas, com que prendem os homens. Como uma gaiola está cheia de pássaros, assim, as suas casas estão cheias de engano; por isso, se engrandeceram e enriqueceram” (Jr 5:26-27).

Jeremias protesta contra os filhos de Israel, visto que os profetas profetizavam falsidades, os sacerdotes estavam em conluio com os profetas e o povo se deleitava no engano, pois, não gostavam da palavra de Deus (Jr 5:31 e Jr 6:10).

Por estarem tão seguros na mentira e no erro dos seus corações enganosos (Jr 17:9), rejeitaram o profeta que Deus avisou, por intermédio de Moisés, que seria levantado dentre os seus irmãos: “Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar” (Dt 18:18). Tendo por pretexto a lei, se mancomunaram contra o Cristo e condenaram sangue inocente “Porventura o trono de iniquidade te acompanha, o qual forja o mal por uma lei? Eles se ajuntam contra a alma do justo e condenam o sangue inocente. Mas o SENHOR é a minha defesa; e o meu Deus é a rocha do meu refúgio. E trará sobre eles a sua própria iniquidade; e os destruirá na sua própria malícia; o SENHOR nosso Deus os destruirá” (Sl 94:20-23).

Os escribas e fariseus assemelhavam-se aos leões que ficam a espreita da presa, ou como o filho do leão que caça por emboscada. Por causa de um coração incrédulo, repeliram a piedade de Deus revelada em Cristo e falaram arrogantemente, segundo os seus corações malignos: “Pois a boca do ímpio e a boca do enganador estão abertas contra mim. Têm falado contra mim com uma língua mentirosa” (Sl 109:2).

 

13 Levanta-te, SENHOR, detém-no, derriba-o, livra a minha alma do ímpio, com a tua espada; 14 Dos homens com a tua mão, SENHOR, dos homens do mundo, cuja porção está nesta vida, e cujo ventre enches do teu tesouro oculto. Estão fartos de filhos e dão os seus sobejos às suas crianças.

Em espírito, o profeta Davi nesta previsão antecipa a oração do Cristo, para que Deus detenha e livre a sua alma dos ímpios. No verso 14 o Salmista deixa uma descrição dos ímpios: Homens do mundo cuja porção está nesta vida!

O apóstolo Paulo faz uso deste verso ao falar dos inimigos do evangelho: “Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Fl 3:18-19).

Os homens do mundo se satisfazem com o que proferem as suas bocas, ou seja, fartam os seus ventres com o que há em seus corações malignos, pois do que o coração está cheio, disso fala a boca “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito” (Pv 18:20); “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mt 12:34; Sl 7:14).

Deus há de retribuir os homens segundo as suas obras, de modo que aquele que tem um coração impenitente, ou seja, que não creu no testemunho que Deus deu acerca do Seu Filho, receberá a ira de Deus: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” (Rm 2:5); “Se eu afiar a minha espada reluzente, e se a minha mão travar o juízo, retribuirei a vingança sobre os meus adversários e recompensarei aos que me odeiam” (Dt 32:41; Jr 17:10).

Sobre os fim dos ímpios profetizou Jeremias:

“JUSTO serias, ó SENHOR, ainda que eu entrasse contigo num pleito; contudo falarei contigo dos teus juízos. Por que prospera o caminho dos ímpios, e vivem em paz todos os que procedem aleivosamente? Plantaste-os, e eles se arraigaram; crescem, dão também fruto; chegado estás à sua boca, porém longe dos seus rins” (Jr 12:1 -2).

Os ímpios descritos por Jeremias são homem que tem Deus nos lábios, mas longe do coração (Is 29:13). Aos olhos dos homens, os religiosos em Israel prosperavam e viviam em paz. Foram plantados por Deus, mas desviaram-se e se firmaram nas suas conquistas decorrentes da força do seu próprio braço e se esqueceram do Senhor. Multiplicaram e cresceram, mas não viam a ruina que se avizinhava (Jr 12:3).

Os ímpios só podem ser combatidos através da espada de Deus, ou seja, com a palavra do evangelho (Ef 6:17), mas se não se converterem, sofrerão a ira de Deus (Sl 7:12; Rm 2:16).

Como se multiplicaram e cresceram, fartos estão de filhos e dão dos seus sobejos (doutrina) aos seus rebentos. Os filhos de Israel se fartavam das regras e mandamentos, que por tradição herdavam de seus pais (Mc 7:8-9), uma herança que dava a falsa sensação de que eram ricos, fartos, diante de Deus.

 

15 Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar.

O Salmo é encerrado com uma confissão admirável: – “Quanto a mim, por minha integridade, contemplarei a Tua face”. Diferentemente de todos os outros homens, que a revelação da face do Senhor significa misericórdia, o Salmo descreve o Messias pleiteando a sua causa com base na sua retidão.

Enquanto o Salmo 80 relata o arrependimento dos filhos de Israel clamando por misericórdia, no Salmo 17 o Salmista descreve Aquele que se manteve integro e que nunca se achou engano e sua boca “O SENHOR julgará os povos; julga-me, SENHOR, conforme a minha justiça, e conforme a integridade que há em mim” (Sl 7:8).

“Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto e seremos salvos. Ó SENHOR Deus dos Exércitos, até quando te indignarás contra a oração do teu povo? Tu os sustentas com pão de lágrimas, e lhes dás a beber lágrimas com abundância. Tu nos pões em contendas com os nossos vizinhos, e os nossos inimigos zombam de nós entre si. Faze-nos voltar, ó Deus dos Exércitos, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” (Sl 80:3 -7)

O final do Salmo 17 aborda a morte e a ressurreição de Cristo. Como Cristo andou firme em Deus, a sua alma não foi deixada na morte, soltas as ânsias da morte: “Ao qual, Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela” (At 2:24).

O Salmo 16 aponta para Cristo, sendo que o corpo de Cristo ficaria em repouso e seguro na sepultura. O Pai prometeu que o Filho não seria deixado na sepultura e que nem experimentaria a corrupção (Sl 16:9 -10; At 2:25).

Sobre a morte de Cristo, temos essa predição: “Atenta para mim, ouve-me, ó Senhor, meu Deus. Ilumina-me os olhos para que eu não adormeça na morte” (Sl 13:3).

No Salmo 138, verso 7 temos uma expressão de confiança do Cristo em Deus, pois mesmo na angustia o Pai estaria com Ele. A certeza de que invocaria e seria atendido decorre da promessa:

“Andando eu no meio da angústia, tu me reviverás; estenderás a tua mão contra a ira dos meus inimigos e a tua destra me salvará” (Sl 138:7);

“Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei. Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação” (Sl 91:15 -16).

Quando introduzido no mundo, Jesus se fez, em tudo, semelhante aos homens, sendo participante de carne e sangue (Hb 2:14 e 17). O Verbo Eterno despiu-se da sua glória e se fez carne e passou a habitar entre os homens como o Unigênito de Deus (Fl 2:7-8).

Após ser achado na forma de homem, se fez Servo e foi obediente até a morte, e morte de cruz: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2:8).

A parte ‘b’ do versículo 15, do Salmo 17, faz referência à condição do Cristo ressurreto. Enquanto no mundo, tinha a forma de homem e, quando ressurreto, herdou a Semelhança do Altíssimo, ou seja, tornou-se a expressa imagem do Deus invisível, o primogênito dentre os mortos, pois todos os que creem ressurgem com Ele e são feitos semelhantes a Ele “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” (Cl 1:15; 1Jo 3:1-3).

Enquanto na carne (homem), Jesus era o Unigênito de Deus, depois de glorificado, tornou-se a expressa imagem do Deus invisível, o resplendor da sua glória “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” (Hb 1:3).

Quando Deus criou o mundo expressou a sua vontade de dar à sua imagem e semelhança ao homem (Gn 1:26). Adão foi criado à imagem de Cristo homem, a imagem daquele que havia de vir, e não a expressa imagem e semelhança do Deus invisível.

A vontade de Deus expressa no Gênesis foi levada a efeito, quando Cristo ressurgiu dentre os mortos com um corpo glorificado: o homem a expressa imagem do Deus invisível. Todos quantos n’Ele creem ressurgem uma nova criatura semelhante a Ele, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

Quando o querubim da guarda ungido se insurgiu contra o Criador, a intenção não era tomar o lugar de Deus, antes era alcançar a posição que foi dada a Cristo e ao seu corpo (Igreja): a semelhança do Altíssimo “E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:14).

O propósito de Deus, estabelecido em Cristo, esteve oculto em Deus, mas, através da igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornou conhecida das potestades e principados nas regiões celestiais. Através da igreja, que é o seu corpo, Cristo agora tem a preeminência em tudo (Cl 1:18).

 


[1] Os diversos tipos de paralelismos são utilizados: a) Paralelismo Sinônimo – A segunda asserção repete o pensamento da primeira, porém, utiliza-se de termos diferentes. Ex: “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” ( Salmo 24.1 ); b) Paralelismo Antitético – A segunda asserção contrasta a ideia da primeira. Ex: “Pois o Senhor conhece o caminho dos justos; mas o caminho dos ímpios perecerá” (Sl 1:6 ); c) Paralelismo Sintético – A segunda asserção enfatiza o estipulado pela primeira. Ex: “Não te furtes a fazer o bem a quem de direito, estando na tua mão o poder de fazê-lo” (Pv 3:27 ); d) Paralelismo Climático – A segunda asserção faz uso de palavras da primeira asserção e complementa a ideia. Ex: “Tributai ao SENHOR, filhos de Deus, tributai ao SENHOR glória e força” (Sl 29:1); e) Paralelismo Emblemático – A primeira asserção estabelece um comparativo que ilustra a segunda asserção. Ex: “Como água fria para o sedento, tais são as boas-novas vindas de um país remoto” (Pv 25:25).

[2] “04339 meyshar procedente de 3474; DITAT – 930e; n m 1) igualdade, honestidade, retidão, equidade 1a) igualdade, plano, suavidade 1b) retidão, equidade 1c) corretamente (como advérbio)” Dicionário Strong.

[3] “O clamor do salmista para que Deus ouça a sua oração baseia-se não somente na misericórdia e graça de Deus, mas também na sua continua fidelidade nos caminhos do Senhor (vv. 1-5). Deus sondou seu coração e viu que no seu esforço para agradá-lo não havia fingimento (cf. 1Jo 3:18-21). O fato de Davi orar a Deus com base na sua própria fidelidade pessoal expressa a verdade fundamental que Deus promete ouvir as orações dos que o amam e o honram” Comentário de Nota de Rodapé da Bíblia de Estudo Pentecostal, Editora CPAD.

[4] “06530 פָּרִיץ parits procedente de 6555; DITAT – 1826b; n. m. 1) pessoa violenta, infrator 1a) ladrão, assassino” Dicionário Bíblico Strong.

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Salmo 23 – O Senhor é o meu pastor, nada me faltará

Salmo 22 – Aquele que confia em Cristo encontra descanso, conforme o escritor aos Hebreus escreveu: “Ora, nós que temos crido, entramos no descanso…” ( Hb 4:3 ).

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Salmo 19 – O louvor da criação

A expressão da grandeza de Deus não necessita de um código de signos linguísticos para ser compreendido. A natureza demonstra a grandeza, a glória e a fidelidade de Deus, pois ela não falha na sequência dos eventos pré-estabelecidos por Deus.


1 OS céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
2 Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
3 Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.
4 A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol,
5 O qual é como um noivo que sai do seu tálamo, e se alegra como um herói, a correr o seu caminho.
6 A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até à outra extremidade, e nada se esconde ao seu calor.

A Natureza

Os céus expressam quão glorioso é Deus! O que se observa na natureza anunciam quão maravilhoso Ele é.

Como as obras de Deus são grandiosas e imensuráveis, isto indica que Ele é infinitamente grande e maravilhoso “Da parte do SENHOR se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos” ( Sl 118:23 ).

Os céus declaram a glória de Deus aquém? Aos homens! Todos os homens podem perceber a Sua glória e poder pois são inegáveis a grandeza das obras de suas mãos (v. 1).

A expressão da grandeza de Deus não necessita de um código de signos linguísticos para ser compreendido. A natureza demonstra por si só a grandeza, a glória e a fidelidade de Deus (v. 2).

A natureza não falha na sequencia dos eventos pré-estabelecidos por Deus, o que demonstra que Deus é firme e imutável. A abóbada celeste (firmamento) onde se pode presenciar os movimentos dos astros e dos corpos celestes anunciam que só podem ser obra de Deus. O salmista aponta que há uma linguagem implícita entre os dias que se sucedem, sendo que de igual modo há uma linguagem entre os dias que se sucedem, pois nisto não há confusão (v. 3).

O salmista destaca dentre todas as maravilhas que há no universo o sol e faz um comentário. Pelo ‘movimento’ constante, a morada que Deus preparou para o sol é descrita como ‘tenda’. O sol é comparado a um noivo que sai alegremente do seu leito nupcial a percorrer o seu caminho como se fosse um herói.

A ‘trajetória’ do sol faz com que nada se furte ao seu calor, pois o seu curso é de uma a outra extremidade do céu. Observe que a descrição que o salmista faz não tem por base questões científicas, antes se atem a descrever a funcionalidade e utilidade do astro amarelo, para demonstrar que as leis que regem a natureza são irrevogáveis, uma vez elas são uma expressão da natureza de Deus.

 

7 A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
8 Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos.
9 O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.
10 Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.
11 Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa.
12 Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.
13 Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.
14 Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!

As Escrituras

Os versos 1 à 6 demonstram a grandeza e a perfeição de Deus através da natureza. Já os versos 7 à 14 dedicam-se a apontar a perfeição das Escrituras.

As Escrituras, a Lei, o Testemunho, os Preceitos, o Mandamento, o Temor, as Ordenanças são termos utilizados para fazer referência a palavra de Deus. Através da abordagem do salmista conclui-se que a palavra de Deus é perfeita, refrigera, é fiel, dá sabedoria, é reta, alegra, é pura, é luz, é limpa e permanecerá para sempre (v. 7 -9).

Somente através da palavra de Deus é dado ao homem conhecer que Deus trás descanso (refrigério) ao homem, ou que simples (inocente) alcança sabedoria. A retidão do Senhor torna o coração do homem alegre, pois a sua palavra é luz. A sabedoria de Deus é pura e permanecerá de eternidade a eternidade como expressão da justiça de Deus.

Ou seja, o salmista consegue estabelecer um contraste entre o que é revelado na natureza e o que é possível abstrair da sua palavra. Enquanto as conclusões pertinentes à natureza não redime o homem, a palavra de Deus é o meio de o homem andar à sua luz.

Conclui-se que, o que o homem não consegue perceber através da natureza, Deus revelou através da sua palavra.

Nada há que se compare ao conhecimento de Deus. Ouro? Favos de mel? Nada satisfaz o homem como os preceitos de Deus (v. 10), pois a palavra de Deus revela o cuidado de Deus para com os seus servos.

A palavra de Deus admoesta, ou seja, instrui, corrige e consola, pois ela estipula recompensa aqueles que se deixam instruir (v. 11).

Há alguém que consiga entender os seus erros sem a luz da palavra de Deus? Somente através da semente incorruptível o homem expurga os erros ocultos. Que ‘erros’ são estes? É o erro proveniente de Adão que o homem sem a revelação de Deus não consegue entender!

Como seria possível compreender que o primeiro Pai da humanidade, com a desobediência, alienou a humanidade de Deus? Como seria possível compreender que só Jesus, o último Adão, torna a dar acesso a Deus?

A palavra de Deus concede àqueles que por ela são exercitados a condição de sinceros e limpos. A recompensa de Deus aos que conhecem a sua palavra é a de se verem livres (limpos) da transgressão de Adão (v. 13). Todos os que se deixam instruir pela palavra da verdade estão livres da soberba.

O salmista espera que a meditação do seu coração seja agradável diante de Deus, pois do coração agradável procede as palavras agradáveis ( Mt 12:34 ).

Vemos através da Escritura que, a partir do momento que o homem tem o Senhor por Rocha e Redentor (crê), a sua adoração (canção) é aceita perante Deus. Por meio da fé o homem torna-se agradável a Deus (o que é nascido do Espírito é espírito), e passa a adorá-lo em espírito e em verdade. Somente quando o homem torna-se limpo de coração e sincero, Deus aceitará a meditação do homem.

 

O Verbo encarnado

Não podemos deixar de destacar que este Salmo faz referencia a pessoa de Cristo, pois Ele é o Verbo de Deus encarnado, a palavra fiel e verdadeira, que permanece para sempre ( Hb 13:8 ).

Portanto, ao ler este salmo, é necessário ter em mente que os céus declaram a glória de Cristo, pois foi Ele que criou todas as coisas ( Jo 1:3 ; Cl 1:16 ; Hb 1:8 -9).

Que ao fazer referência ao sol como noivo e herói, o salmista nesta previsão estava fazendo alusão a Cristo, o sol nascente das alturas que visitou os homens ( Lc 1:78 ). Enquanto o sol ilumina a humanidade nesta vida, Cristo é o sol que ilumina os que jazem nas regiões das trevas à sombra da morte ( Lc 1:79 ).

Cristo é a salvação poderosa levantada na casa de Davi e, ao visitar os homens tornou-se o noivo da igreja e a sua ação foi heroica, pois libertou os que jaziam em trevas ( Lc 1:69 ; Is 9:2 ; Jo 1:4 -5).

Portanto, ao falar do Verbo de Deus as palavras do salmistas eram agradáveis (v. 14), ou melhor, as penas de um destro escritor ( Sl 45:1 ), pois estava nesta previsão anunciando o mais formoso dos filhos dos homens: Cristo.

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Salmo 28 – Uma Oração

Se tivessem observado a lei de Deus e atentado para as obras de Suas mãos, entenderiam que as boas ações dos homens na tentativa de alcançar a salvação são obras de violência diante d’Ele. Fariam como o salmista: confiariam (pediriam) no Senhor, que lhes perdoaria as transgressões e a culpa do pecado “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado” (Sl 32:5).


 

1 A TI clamarei, ó SENHOR, Rocha minha; não emudeças para comigo; não aconteça, calando-te tu para comigo, que eu fique semelhante aos que descem ao abismo.
2 Ouve a voz das minhas súplicas, quando a ti clamar, quando levantar as minhas mãos para o teu santo oráculo.
3 Não me arrastes com os ímpios e com os que praticam a iniquidade; que falam de paz ao seu próximo, mas têm mal nos seus corações.
4 Dá-lhes segundo as suas obras e segundo a malícia dos seus esforços; dá-lhes conforme a obra das suas mãos; torna-lhes a sua recompensa.
5 Porquanto não atentam às obras do SENHOR, nem à obra das suas mãos; pois que ele os derrubará e não os reedificará.
6 Bendito seja o SENHOR, porque ouviu a voz das minhas súplicas.
7 O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; assim o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei.
8 O SENHOR é a força do seu povo; também é a força salvadora do seu ungido.
9 Salva o teu povo, e abençoa a tua herança; e apascenta-os e exalta-os para sempre.

 

Este Salmo de Davi divide-se em clamor (v. 1-5), adoração (v. 6) e testemunho (v. 7- 9).

O salmista roga ao Senhor porque confia n’Ele. A confiança do salmista deriva do amor e da fidelidade de Deus, atributos inabaláveis. O amor e a fidelidade de Deus fazem com que o salmista O compare a uma rocha, a um rochedo.

Davi roga a Deus que o ouça, que não ignore as suas súplicas para que a sua sorte não se equipare a dos que descem à cova. Embora Davi tenha explicitado que se não fosse atendido por Deus haveria de ser semelhante aos que descem à cova, ele não apresenta seus problemas pessoais.

O salmista reitera o seu pedido: que o Senhor simplesmente o atendesse, quando clamasse, ou quando levantasse as suas mãos na direção do templo ( Sl 28:2 ).

Do verso 3 ao 5 o salmista passa a enumerar as suas petições.

“Não me arrastes com os ímpios e com os que praticam a iniquidade” – O salmista não pede carros, cavalos, guerreiros, riquezas, mulheres, reinos ou vitórias sobre os seus inimigos em redor, antes que o Senhor o justifique. Como? Ora, como sabemos, Deus é santo e justo. Para Deus não deixar o salmista perecer com os pecadores é necessário que Deus o justifique. Quando o salmista diz: “Não me arrastes com os ímpios”, é um modo de o salmista pedir a Deus que não lhe impute pecado ( Sl 32:2 ).

Quem são os ímpios e os que praticam a iniquidade? Seriam os filisteus? Seriam os gentios? Não! O salmista aponta quem são os ímpios e os que praticam a iniqüidade: são aqueles “…que falam de paz ao seu próximo, mas têm mal nos seus corações” ( Sl 28:3 b).

Havia muitos compatriotas do salmista que utilizavam o nome do Senhor, o Deus de paz, para falarem e relacionarem-se com o próximo. – Shalom! Shalom! Porém, para eles não havia paz “Não conhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz” ( Is 59:8 ). É por isso que Jesus alerta: “Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! Entrará no reino dos céus…” ( Mt 7:21 ). Embora muitos falem de paz, o problema deles esta no coração “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” ( Mt 15:8 ).

Observe que é próprio aos ímpios falarem de paz, porém, através do profeta Isaías Deus dá o alerta: “Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus” ( Is 57:21 ). Jesus demonstra esta mesma verdade ao declarar: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ); “…que maquinam maldades no coração e vivem projetando guerras. Aguçam a língua como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios” ( Sl 140:2 -3). Falam de paz, mas para ele não há paz. Clamam: Senhor, Senhor, porém, o coração está longe de Deus. Os ímpios, ou os que praticam a iniquidade, embora falem em paz, para eles não há paz, visto que a boca fala do que há em abundância no coração.

“Dá-lhes segundo as suas obras e segundo a malícia dos seus esforços” – É estranho quando lemos o salmista pedindo ao Senhor que recompense os ímpios segundo as suas obras. Este comportamento não é um tipo de maldade da parte do salmista? Não!

Porque a oração do salmista é segundo a vontade de Deus e será plenamente atendida “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” ( 1Jo 5:14 ). Como a petição de Davi é segundo a vontade de Deus?

A palavra de Deus é clara e expressa a sua vontade: “Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, e provo a mente, e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos, e segundo o fruto das suas ações” ( Jr 17:10 ). O que é que o salmista pede? Que Deus realize o seu propósito, a sua vontade ( Mt 6:10 ). A petição do salmista será atendida, visto que ele nada pediu para gastar em seu próprio deleite ( Tg 4:3 ).

No Grande Tribunal do Trono Branco todos os homens ímpios receberão de Deus conforme as suas obras ( Ap 20:12 ), e não haverá acepção de pessoas ( Rm 2:6 e Rm 2:11 ).

Mas, o que será concedido àqueles que agem segundo a ‘malícia dos seus esforços’? O que isto quer dizer? A malícia diz do intento dos homens que buscam salvar-se por meio de suas boas ações, porém, estas ‘boas’ ações não passam de obra de violência diante de Deus “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há em suas mãos” ( Is 59:6 ).

A mensagem de Deus é clara: “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ). Porém, os homens querem tomar o reino de Deus através da malícia das suas forças “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele” ( Lc 16:16 ).

Aos homens ímpios, Deus lhes enviará ‘a sua recompensa’! O que será concedido àqueles que agem segundo a ‘malícia dos seus esforços’? A eles será dado ‘conforme a obra das suas mãos’, pois são obras de violência, obras segundo a malícia dos seus esforços, que não foram feitas em Deus! ( Jo 3:21 ).

Por que o salmista tem certeza que será atendido? Porque a retidão e a justiça de Deus serão estabelecidas “Ele mesmo julgará o mundo com justiça; exercerá juízo sobre povos com retidão” ( Sl 9:8 ).

“Porquanto não atentam às obras do SENHOR, nem à obra das suas mãos” – Os ímpios serão ‘derribados’, ‘destruídos’ porque Não observaram como o Senhor Deus procede. Se analisassem a lei de Deus saberiam como Ele procede para com os filhos dos homens “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” ( Sl 119:165 ).

 

“Pois não observaram como Javé procede, nem atendem às obras de Suas mãos”

Se tivessem observado a lei de Deus e atentado para as obras de Suas mãos, entenderiam que as boas ações dos homens na tentativa de alcançar a salvação são obras de violência diante d’Ele. Fariam como o salmista: confiariam (pediriam) no Senhor, que lhes perdoaria as transgressões e a culpa do pecado ( Sl 32:5 ).

Se observassem como o Senhor procede, rogariam conforme o salmista: Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ). No salmo 51 o salmista Davi roga ao Senhor aquilo que somente Ele pode fazer: ‘Cria’ por meio da sua palavra! Somente Deus é sujeito do verbo ‘Bara’ (cria) no hebraico. Somente Deus pode criar um novo homem com um novo coração e um novo espírito!

Somente após criar o novo homem com um novo coração e um novo espírito ( Ez 36:25- 27 ; Ef 4:24 ; 1Pe 1:3 e 1Pe 1:23 ), é que Deus o declara justo, justificado. A palavra grega traduzida é o verbo ‘dikaioo’, que significa fazer justo, tornar justo e/ou declarar justo. Quando Deus cria o novo homem, a nova criatura é declarada justa, isto porque ela de fato é justa, pois Deus a criou em verdadeira justiça e santidade, dando um novo coração e um novo espírito.

Quem foi de novo gerado segundo a palavra da verdade não perecerá com os ímpios ( Sl 28:3 ; Jo 1:12 ).

O brado pela salvação do Senhor ecoa: “Bendito seja o SENHOR, porque ouviu a voz das minhas súplicas” ( Sl 28:6 ). Muito tempo depois o apóstolo Pedro também bendiz pela salvação alcançada: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos…” ( 1Pe 1:3 ).

Quem suplica, clama e invoca é porque crê que Deus é galardoador. Quem invoca ao Senhor o achará, visto que está perto, e será atendido “Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” ( Is 55:6 ).

O salmista bendiz ao Senhor porque foi atendido. Ele tinha certeza que não seria arrastado com os ímpios e com os que praticam a iniquidade, por causa da misericórdia e da fidelidade de Deus. O Senhor se revelou como força e escudo e o salmista confiou e foi atendido ( Sl 28:7 ).

Na presença do Senhor o salmista se farta de alegria por causa da graça alcançada, pois ele recebeu um novo coração e um novo espírito passando a estar em comunhão com Deus ( Sl 51:11 -12). A alegria que o salmista faz referência diz do regozijo da salvação ( Sl 51:12 ), pois não será arrastado com os ímpios ( Sl 51:11 ).

A obra realizada por Deus, a salvação dos homens, é o motivo do cântico do salmista Davi “…e com o meu canto o louvarei” ( Sl 28:7). Ver, temer e confiar no Senhor é o novo cântico posto na boca dos que são agraciados com a salvação de Deus “E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” ( Sl 40:3 ).

A mesma força salvadora destinada ao Ungido de Deus também é utilizada para com o povo que pertence ao Senhor (v. 8). O apóstolo Paulo ao escrever aos cristãos em Éfeso demonstrou que, a suprema grandeza do poder de Deus manifesto em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos, também foi utilizado para com os cristãos “…e qual a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos, e fazendo-O sentar-se à sua mão direita nos céus…” ( Ef 1:19 – 20).

O Senhor salva o povo que lhe pertence, e abençoa os seus filhos (v. 9). O senhor abençoa os seus filhos com toda a sorte de bênçãos espirituais, fazendo-os assentar nas regiões celestiais em Cristo, conforme Cristo se assentou à mão direita de Deus ( Ef 1:3 ; Ef 1:20 e Ef 2:6 ).

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