Salmo 55 – Desejo de voar como as pombas

O desejo de Cristo se assemelha à vontade do profeta Jeremias que, ao prever a destruição dos filhos de Israel, desejou uma estalagem de caminhantes no deserto, do que estar entre os seus patrícios, que seriam destruídos pela guerra (Jr 9:2).


Salmo 55 – Desejo de Voar como as Pombas

Este Salmo é mais uma profecia de Davi, em forma de cântico (1 Cr 25:1-3) ou, um cântico profético. O rei Davi era profeta (At 2:29-30) e neste Salmo, pelo espírito (Mt 22:43), ele descreve o estado emocional do Cristo, quando perseguido pelos seus irmãos, segundo a carne.

Este Salmo não é fruto do estado emocional do salmista. É equivocada a leitura de que os Salmos descrevem a angústia, a alegria, as frustrações, as conquistas, etc., de Davi. Os Salmos não são um cântico dramático, que falam dos temores de Davi, antes, é um cântico que nos apresenta como o Verbo de Deus, que se faria homem, quando na forma de homem, se humilharia em obediência ao Pai (Fl 2:8).

 

1 INCLINA, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração e não te escondas da minha súplica. 2  Atende-me e ouve-me; lamento na minha queixa e faço ruído, 3  Pelo clamor do inimigo e por causa da opressão do ímpio; pois lançam sobre mim a iniquidade e com furor me odeiam. 4  O meu coração está dolorido dentro de mim e terrores da morte caíram sobre mim. 5 Temor e tremor vieram sobre mim e o horror me cobriu.

O cântico profético de Davi é construído com paralelismo e dessa estrutura poética, é possível compreendermos melhor os seus versos (que não são estruturados em métricas, rimas ou ritmos), mas, através de ideias que se complementam ou que são antagônicas.

O primeiro verso é construído através de um paralelismo sinônimo, pois a segunda linha do verso reforça a ideia apresentada na primeira:

“INCLINA, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração …

… e não te escondas da minha súplica.”

‘Inclinar’ os ouvidos é o mesmo que atender (Is 37:17), ser favorável, dar ouvidos. Não esconder da súplica é pedir pelo favor de Deus, que se revela no ‘resplendor’ da Sua face. Quando Deus se revela, indica que Ele é favorável a quem O invoca (Nm 6:25; Sl 31:16; Sl 80:3).

O Salmo constitui uma oração de Cristo, que roga ao Pai que lhe seja favorável e atenda os seus rogos.

Esse mesmo pedido está expresso no Salmo 102:

“Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia, inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.” (Sl 102:2)

O Cristo roga por auxilio, por uma resposta, pois, na sua angústia, sente-se perturbado e perplexo por causa da oposição dos seus inimigos, que são os da sua própria família (Mt 10:36). A opressão dos seus inimigos consiste em ofendê-lo, hostilizando e atribuindo maldades (v. 4).

A perseguição que os filhos de Israel imporiam ao Cristo, que o Salmo denomina de ‘ímpios’, causaria uma reação física, pois o coração do Messias ficaria acelerado, palpitante, pelo terror que a perspectiva da morte impõe. O medo causa a reação física de tremores e a reação psíquica é o horror (v. 5).

O Salmo 38 fala do abandono do Cristo pelos seus amigos e familiares e de como os seus irmãos, segundo a carne, O perseguiriam:

“Os meus amigos e os meus companheiros estão ao longe da minha chaga; e os meus parentes se põem à distância. Também, os que buscam a minha vida, me armam laços e os que procuram o meu mal, falam coisas que danificam e imaginam astúcias, todo o dia. Mas eu, como surdo, não ouvia, e era como mudo que não abre a boca. Assim, eu sou como homem que não ouve e, em cuja boca, não há reprovação.” (Sl 38:11-14)

 

6  Assim, eu disse: Oh! quem me dera asas como de pomba! Então, voaria e estaria em descanso. 7  Eis que fugiria para longe e pernoitaria no deserto. (Selá.) 8  Apressar-me-ia a escapar da fúria do vento e da tempestade. 9  Despedaça, Senhor, e divide as suas línguas, pois tenho visto violência e contenda na cidade. 10 De dia e de noite a cercam, sobre os seus muros; iniquidade e malícia estão no meio dela. 11 Maldade há dentro dela; astúcia e engano não se apartam das suas ruas.

Na angústia, um desejo do Cristo: asas como de pomba, que possibilitasse alçar voo! O desejo de fugir e de estar num lugar deserto e inóspito soa como descanso, o que, para muitos, representa um lugar inóspito. O deserto, comparado à fúria e à tempestade causada pela oposição dos seus inimigos, é lugar de descanso!

O desejo de Cristo se assemelha à vontade do profeta Jeremias que, ao prever a destruição dos filhos de Israel, desejou uma estalagem de caminhantes no deserto, do que estar entre os seus patrícios, que seriam destruídos pela guerra (Jr 9:2).

Apesar do anseio de fugir, o Cristo se volta para o Pai e roga para que os conselhos dos seus inimigos sejam dissipados (confundidos), pois o que Ele contempla e vê na cidade em que eles habitam é só violência e contenda (v. 9). A cidade é descrita como se houvesse atalaias sobre os muros, em guarda para protegê-la, porém, não é isso o que ocorre, pois a cidade está tomada de iniquidade e malícia e não passaria impune por Deus. Ninguém, posto por atalaia, dá o alarde de que a maldade, a astúcia e o engano dominam as ruas.

Que cidade é esta descrita pelo profeta Davi?

O profeta Habacuque, na condição de atalaia de Israel, estava cansado de ver iniquidade e opressão  (Hb 1:3). Em função da calamidade que via em meio aos filhos de Israel, pois a justiça era torcida e o ímpio cercava o justo, Habacuque estava cansado de gritar ao Senhor para ser atendido (Hb 1:1).

Essa mesma cidade, cheia de violência e de contenda, é retratada no Livro dos Provérbios como a mulher adultera, que deixou o companheiro da sua mocidade e se esqueceu da aliança com o seu Deus (Pv 2:16-17). A mulher adúltera é figura que retrata as cidades habitadas pelos filhos de Israel, cheias de violência e de maldade.

“Oh! se tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então, deixaria o meu povo e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, um bando de aleivosos” (Jr 9:2);

“Quando vês o ladrão, consentes com ele e tens a tua parte com adúlteros. Soltas a tua boca para o mal e a tua língua compõe o engano. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe” (Sl 50:18-20).

 

12 Pois não era um inimigo que me afrontava; então, eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. 13 Mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo. 14 Consultávamos juntos, suavemente, e andávamos em companhia na casa de Deus. 15 A morte os assalte e, vivos, desçam ao inferno; porque há maldade nas suas habitações e no meio deles.

As pessoas que se levantariam contra o Cristo, não seriam de alguma nação inimiga, o que seria suportável. Era impossível ao Cristo se esconder dos seus adversários, pois os que se levantariam contra Ele, seriam os seus concidadãos, irmãos de sangue (Mq 7:6).

Ao encarnar, Cristo se fez homem. Como Cristo veio da casa de Davi, segundo a carne, os seus concidadãos eram seu ‘guia’ e ‘amigo intimo’, pois tinham a mesma afinidade: iam juntos ao templo. Esse verso tem conexão com o vaticinado por Moisés, que Deus levantaria um profeta dentre os seus irmãos e Ele seria como eles, em tudo.

“Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.” (Dt 18:18)

Apesar do alerta do profeta Moisés, de que o mensageiro do Senhor seria um dos seus irmãos, não tiveram cuidado em falar mal contra o irmão (sangue), o filho da tua mãe (nação). (Sl 50:20)

Mas, pelo mal que fariam contra o Cristo, os ímpios seriam tomados de assalto pela morte e, apesar de possuírem o fôlego de vida, estariam a caminho do inferno (v. 23), na mesma condição que os rebeldes das casas de Coré, Datã e Abirão (Sl 55:23; Sl 140:10).

 

16 Eu, porém, invocarei a Deus e o SENHOR me salvará. 17 De tarde, de manhã e ao meio dia, orarei e clamarei e Ele ouvirá a minha voz. 18 Livrou, em paz, a minha alma da peleja que havia contra mim, pois havia muitos comigo. 19 Deus ouvirá e os afligirá. Aquele que preside desde a antiguidade (Selá), porque não há neles nenhuma mudança e, portanto, não temem a Deus.

O verso 16 demonstra a confiança que o Cristo depositaria no Pai, que O invocaria e seria salvo. Outros Salmos apresentam a resposta do Pai, ao clamor do Filho:

“Porque não desprezou, nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu.” (Sl 22:24)

“Ele me invocará e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, dela o retirarei e o glorificarei.” (Sl 91:15)

Quando é dito que, de manhã, ao meio dia e à tarde, orará ao Pai, significa que o Filho confiaria, constantemente, em Deus. A oração é expressão de confiança em Deus, assim como  o esperar (Sl 40:1).

Deus, ao livrá-lo dos seus opositores, o Cristo alcançaria paz. Os opositores de Cristo seriam numerosos e temos uma ideia de quantos seriam: uma cidade, uma nação.

O Cristo confia que Deus o ouvirá e abaterá os seus opositores, pois Deus é soberano. Serão abatidos porque não se arrependem e nem temem (obedecem) a Deus (Jr 23:14). Arrepender-se, ou temer é esperar em Deus, na sua misericórdia (Sl 33:18). Para ‘aguardar’ a misericórdia de Deus, o homem tem que obedecê-Lo, pois Deus só tem misericórdia dos que O amam.

 

20 Tal homem pôs as suas mãos naqueles que têm paz com ele; quebrou a sua aliança. 21 As palavras da sua boca eram mais macias do que a manteiga, mas havia guerra no seu coração: as suas palavras eram mais brandas do que o azeite; contudo, eram espadas desembainhadas.

Profeticamente, o Salmista descreve os filhos de Israel como aqueles que levantam a mão contra os seus amigos, vez que todos violam a aliança. Como cada qual levanta a mão contra o seu amigo, vem o alerta nos Profetas: “Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca.” (Mq 7:5; Zc 7:10).

A denúncia contra os filhos de Israel é gravíssima, pois, todos se desviaram da aliança:

“Guardai-vos cada um do seu próximo e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar e todo o próximo anda caluniando. E zombará cada um do seu próximo, porque não falam a verdade; ensinam a sua língua a falar a mentira, andam-se cansando em proceder perversamente.” (Jr  9:4-5)

Como rejeitaram a lei de Deus e não cumpriram as suas palavras, Deus traria o mal sobre os filhos de Israel. De nada adiantava cuidarem dos pobres, órfãos e viúvas do povo, se quebraram a aliança, no final tudo seria destruído, por causa dos seus maus pensamentos.

“Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei.” (Jr 6:19)

“Para que, pois, me vem o incenso de Sabá e a melhor cana aromática, de terras remotas? Vossos holocaustos não me agradam, nem me são suaves os vossos sacrifícios. Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que armarei tropeços a este povo; e tropeçarão neles pais e filhos, juntamente; o vizinho e o seu companheiro perecerão.” (Jr 6:19-21).

Embora cada um se apresente ao seu companheiro com semblante ‘angelical’, contudo, o que há no coração é inimizade. As palavras que os filhos de Israel proferem são dóceis, pois falam de paz, cada um com o seu companheiro, mas não em retidão e nem em justiça, de modo que as suas doces palavras religiosas são comparáveis a espadas afiadíssimas pelo veneno mortífero que contém.

“Que afiaram as suas línguas como espadas; e armaram por suas flechas palavras amargas.” (Sl 64:3)

“Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios. (Selá.)” (Sl 140:3)

 

22 Lança o teu cuidado sobre o SENHOR e ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado. 23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da perdição; homens de sangue e de fraude não viverão metade dos seus dias; mas eu em ti confiarei.

O Cristo é instruído a depositar os seus anseios ou, fardo, em Deus, pois Deus é quem susterá o Cristo. Deus jamais permite que o justo, que é o Cristo, venha a vacilar, cair, tropeçar (Sl 26:1), pois o Cristo, por sua vez, lança o seu cuidado sobre o Senhor (Sl 15:5).

“Porque nunca será abalado; o justo estará em memória eterna. Não temerá maus rumores; o seu coração está firme, confiando no SENHOR. O seu coração está bem confirmado, ele não temerá, até que veja o seu desejo sobre os seus inimigos. Ele espalhou, deu aos necessitados; a sua justiça permanece para sempre e a sua força se exaltará em glória” (Sl 112:6-9);

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor.” (Jo 15:10).

Os opositores de Cristo, por sua vez, serão desarraigados e o que os aguarda é a sepultura. Enquanto o Cristo põe em Deus a sua esperança, os seus opositores, os filhos do seu povo, são descritos como ardilosos e sanguinários.

Ao caracterizar os filhos de Israel como homens de sangue e fraude, o Salmista, por ser profeta, faz uso de figuras, símiles e parábolas, para denunciar a apostasia e o tropeço dos filhos de Israel.

Os homens de ‘sangue’ são aqueles que se lançam aos sacrifícios de bois, cordeiros, oblações, etc., mas que não obedecem a Deus (Is 66:3). Os homens de ‘fraude’ são aqueles que torcem a palavra de Deus, como descrito por Isaías:

“Como o prevaricar e mentir contra o SENHOR e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade.” (Is 59:13).

Como a boca fala do que o coração está cheio, certo é que quem profere palavras de falsidade é porque o coração é enganoso. O coração é enganoso por ter sido herdado de Adão, o que faz com que o homem fale mentiras, desde que nasce. (Sl 58:3; Rm 3:4)

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

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Salmo 58 – Os adágios e enigmas do profeta

Quando o apóstolo Paulo diz que ‘todo o homem é mentiroso’, assim o diz em função do que ocorreu no Éden. Quando o salmista diz que Deus se agrada da verdade no intimo ( Sl 51:6 ), esta ‘verdade’ no íntimo só é possível quando o homem é gerado de novo pela palavra da verdade. É por isso que o salmista pede que Deus o crie de novo para que haja verdade no íntimo ( Sl 51:10 ), diferente do nascimento natural, em que o homem é gerado ‘mentiroso’ “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

 


Introdução

Somente com Moisés Deus falava cara a cara e sem enigmas, mas com seu povo Deus tratou através de parábolas, adágios e enigmas “Então, o Senhor desceu na coluna de nuvem e se pôs à porta da tenda: depois, chamou a Arão e a Miriã, e eles se apresentaram. Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras. Se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas. Pois ele vê a forma do Senhor. Como, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?” ( Nm 12:5 -8); “E falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo; depois tornava-se ao arraial; mas o seu servidor, o jovem Josué, filho de Num, nunca se apartava do meio da tenda” ( Êx 33:11 ).

Deus não queria falar por enigmas ao povo e mandou Moisés avisar-lhes para se prepararem para ouvir Deus quando falasse com Moisés, pois não falaria com Moisés em particular, antes queria que o povo escutasse sua Palavra “E disse o SENHOR a Moisés: Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa, para que o povo ouça, falando eu contigo, e para que também te creiam eternamente. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao SENHOR” ( Ex 19:9 ). Porém, quando chegou o grande dia em que todos ouviriam a voz de Deus, enquanto falava com Moisés, o povo ficou com medo e se retirou dizendo a Moisés: “Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos” ( Ex 20:19 ).

Não confiavam n’Aquele que lhes preservou a vida e os resgatou com mão forte do Egito ( Ex 19:4 ). Não quiseram ouvir as palavras que lhes proporcionaria crer em Deus eternamente, o que lhes conferiria a condição de propriedade peculiar de Deus dentre todos os povos, e tornar-se-iam um reino sacerdotal e povo santo ( Ex 19:5 -6).

Como não confiaram que Deus lhes daria vida por intermédio da sua palavra, permaneceram sob maldição ( Dt 28:15 ), e cegos espiritualmente. Mesmo ao meio dia, ou seja, quando houvesse luz, continuariam apalpando como os cegos na escuridão “E apalparás ao meio dia, como o cego apalpa na escuridão, e não prosperarás nos teus caminhos; porém somente serás oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te salve” ( Dt 28:29 ); “E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” ( Jo 1:5 ); “Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai” ( Jo 12:35 ).

Quando Jesus veio, o Sol da Justiça brilhou como ao meio dia, mas o povo do Messias continuou a tatear na escuridão e não entraram pela porta dos justos, que é Cristo “Pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, Com que o oriente do alto nos visitou; Para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte; A fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” ( Lc 1:78 -79).

O salmo 58 é uma profecia que tem por alvo o povo de Israel, e como não poderia deixar de ser, a profecia em comento contém vários enigmas e adágios, pois somente com Moisés, Deus falava sem utilizar enigmas. Portanto, para ler e compreender o Salmo 58 faz-se necessário ler a parábola (salmo), decifrar os enigmas e compreender os adágios.

O salmo é profecia? O salmo 58 protesta contra os judeus?

É simples responder a estes questionamentos! Basta analisar a carta de Paulo aos Romanos, no capítulo 3, pois após citar o Salmo 14, versos de 1 a 3; o Salmo 5, verso 9; Jeremias 5, verso 16; Salmo 140, verso 3; Provérbios 1, verso 16; Isaías 59, versos 7 e 8; Salmo 36, verso 1, Ele conclui: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” ( Rm 3:19 ).

Os judeus estavam debaixo da lei, dada através de Moisés, para conduzi-los a Cristo, portanto, os salmos, os provérbios, os profetas e a lei tratam diretamente com o povo judeu, pois os gentios não possuíam lei ( Rm 2:14 ).

Os salmos são profecias porque Davi separou homens para profetizarem com harpas, saltérios e címbalos ( 1Cr 25:1 -3).

 

A congregação rebelde

1 ACASO falais vós, deveras, ó congregação, a justiça? Julgais retamente, ó filhos dos homens? 2 Antes no coração forjais iniquidades; sobre a terra pesais a violência das vossas mãos.

O salmista dirigiu a palavra à congregação dos filhos de Jacó e questiona-os se verdadeiramente falavam o que é justo. A pergunta é reiterada: ó filhos dos homens, vocês julgam retamente?

A resposta é óbvia: Não! Em vez de falarem o que é justo em verdade julgando retamente, o salmista demonstra que os filhos de Jacó maquinavam iniquidades. ‘Forjar iniquidade no coração’ é o mesmo que ‘conceber em suas mentes o engano, a mentira’.

Certa feita Jesus repreendeu seus interlocutores tendo por base este salmo, quando disse: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” ( Jo 7:24 ). E em outra oportunidade disse: “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo” ( Jo 8:15 ). Com estas palavras Jesus demonstrou que veio ao mundo para salvar, e não para julgar os homens, pois o mundo já está condenado “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ).

Jesus queria que entendessem que de nada adianta julgar as pessoas pelo comportamento, como foi o caso da mulher adultera, porque isto é julgar segundo a carne. Jesus nunca emitiu julgamento segundo a carne, segundo a aparência, antes, julgava os espíritos (palavras), pois Ele mesmo disse: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” ( Jo 5:30 ).

Seria um contra senso Jesus tonar a julgar as pessoas, sendo que todos já foram julgados e estão sob condenação ( Rm 5:18 ; Rm 3:23 ; Jo 3:17 -18). Antes Ele veio salvar o que havia se perdido em Adão ( Mt 18:11 ). De igual modo, aos cristãos também é vetado julgar as pessoas pela aparência, porém, quando alguém se posta como profeta, mestre, pastor, etc., a ordem é clara: “AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1Jo 4:1 ). O que Jesus julgava era o que os homens diziam, ou seja, suas palavras. É por isso que o juízo de Jesus era justo, pois como Ele ouvia, assim julgava ( Jo 5:30 ).

O povo de Israel, além de não falar o que verdadeiramente é justo e nem de julgar retamente, maquinava (forjava) iniquidade, e estabeleciam como medida a violência dos seus atos ( Sl 58:2 ).

Como é possível um povo religioso que diz seguir a lei de Deus ser violento? Ora, os escribas e fariseus não eram dados à violência física como o matar, roubar, prostituir, etc., mas Deus os nomeia de violentos. Por quê? Porque a ‘violência’ é uma figura, e as figuras, por sua vez, são utilizadas para construir os adágios, estabelecer enigmas e parábolas “O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano” ( Lc 18:11 ).

Quando Jesus falou aos discípulos de João Batista, falou por parábola ao dizer: “E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele” ( Mt 11:12 ). Rejeitar a Cristo, a palavra de Deus, era a violência ao reino dos céus. Enquanto Deus disse a Zorobabel: “Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ), diante do Espírito que dá vida “As palavras que eu vos disse são espírito e vida” ( Jo 6:63 ), os homens preferiram a força e a violência, ou seja, a soberba, a violência, o adorno que ‘forjaram’ como colares para as suas vestes “Por isso a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de adorno” ( Sl 73:6 ).

É por isso que os profetas clamavam: ‘Violência! Violência!’, Substituíram a palavra de Deus que dá vida pelo engano que conceberam em seus corações. A atitude de substituir ou amalgamar o evangelho a qualquer outra concepção humana (filosofia, obras da lei, filantropia, etc.) consiste em violência “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há nas suas mãos” ( Is 59:6 ); “Os seus profetas são levianos, homens aleivosos; os seus sacerdotes profanaram o santuário, e fizeram violência à lei( Sf 3:4 ); “Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca” ( Mq 6:12 ).

Ao rejeitar a palavra do evangelho, o Espírito do Senhor, resta apenas violência, como alertou Oseias: “OUVI a palavra do SENHOR, vós filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus. Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro” ( Os 4:1 -2).

Obedecer ao evangelho não consiste em ir a uma igreja, não matar, não roubar, não se prostituir, etc., antes o obedecer é crer na mensagem do evangelho, que é saber que Jesus é o Cristo, o enviado de Deus que tira o pecado do mundo.

É por isso que Jesus disse: “Não vos deu Moisés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?” ( Jo 7:19 ). Por circuncidarem o prepúcio da carne, os israelitas consideravam que guardavam a lei, porém, não conseguiam enxergar que Deus exigia a circuncisão do coração, pois só circuncidando o coração amariam a Deus “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 ). Era tão importante para os escribas e fariseus guardarem as sombras que não se importaram de transgredirem a lei matando Jesus utilizando-se de falsas testemunhas em seu julgamento.

A circuncisão do prepúcio era um sinal para a nação de Israel que Deus queria recebe-los por filhos, por isto mesmo Deus deu a figura em que o pai circuncidava o filho para que este fizesse parte da nação, mas para se tornarem filhos do Altíssimo, Deus se oferecia para circuncidar o coração. O povo não cumpria a lei porque se aplicava a fazer o proposto na figura, na sombra, no enigma, sendo que a proposta de Deus era que descansasse n’Ele, e o resultado do que o povo se propunha fazer era a violência, pois a realidade encontrava-se no Descendente prometido segundo a palavra de Deus (Cristo – a palavra encarnada) “PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

O povo dedicava-se às orações, sacrifícios, sábados, luas, alimentos, jejuns, e como resultado havia somente violência, deixavam a realidade, que era crer no Descendente como o crente Abraão. Por causa das sombras, das figuras, rejeitaram Cristo, a realidade, até chamaram-no de comilão e beberão “Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam?” ( Mt 9:14 ); “Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos” ( Mt 11:18 -19).

 

3 Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras. 4 O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos, 5 Para não ouvir a voz dos encantadores, do encantador sábio em encantamentos.

O salmista repreende-os demonstrando que desde a madre o povo de Israel, assim como toda a humanidade, havia se alienado de Deus.

Como? O povo de Israel não eram filhos de Abraão, Isaque e Jacó?

Por certo que eram seus descendentes segundo a carne, porém, não eram filhos de Abraão, pois somente os filhos na fé são filhos de Abraão “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” ( Rm 9:7 -8).

Os verdadeiros filhos de Abraão nascem segundo a promessa, e a promessa foi feita ‘em Isaque’, pois segundo a promessa Deus daria uma descendência a Abraão. Portanto, os filhos de Abraão são segundo a fé, pois a promessa tem em vista o Descendente “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ).

Por não compreenderem esta verdade, os filhos de Israel estavam em igual condição a todos os homens, pois ainda pesava sobre eles a transgressão de Adão, portanto eram filhos da ira, da desobediência, e não filhos de Deus “O SENHOR olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um” ( Sl 14:2 -3).

Ser descendente da carne de Abraão é o mesmo que ser descendente de Adão, portanto, é o mesmo que estar sob condenação. Que condenação? A condenação à morte, pois foi dito a Adão que, se comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal que estava no meio do jardim, morreria. Adão comeu e morreu, ou seja, separou-se da vida que é Deus.

A alienação de Deus, o desvio da humanidade ocorreu no Éden por Adão, e por todos os homens descenderem de Adão, estão sob a mesma condenação. Logo o homem está alienado de Deus desde a madre. No abrir da madre o homem entra no mundo por Adão, a larga que o conduz à perdição. Por causa da herança do Éden o desviar-se de Deus ocorre desde a madre, desde que nascem os homens andam errantes e proferem mentiras ( Sl 51:5; Rm 3:4 ).

Quando o apóstolo Paulo diz que ‘todo o homem é mentiroso’, assim o diz em função do que ocorreu no Éden. Quando o salmista diz que Deus se agrada da verdade no intimo ( Sl 51:6 ), esta ‘verdade’ no íntimo só é possível quando o homem é gerado de novo pela palavra da verdade. É por isso que o salmista pede que Deus o crie de novo para que haja verdade no íntimo ( Sl 51:10 ), diferente do nascimento natural, em que o homem é gerado ‘mentiroso’ “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

Tal realidade também é retratada pelo profeta Oseias quando afirma que Deus requer obediência em lugar dos sacrifícios que os israelitas ofereciam continuamente: “Em Adam eles quebraram a minha aliança, aí eles me traíram” ( Os 6:7 ) Bíblia da CNBB. A aliança entre Deus e os homens, incluindo os judeus, foi desfeita em Adão, pois ali no Éden todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus. É com base nestas passagens das Escrituras que o apóstolo Paulo chega à conclusão: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ).

A mentira dos filhos de Israel é comprável ao veneno da serpente, ou seja, é mortal (v. 3). A realidade dos filhos de Israel é continuamente descrita: “LIVRA-ME, ó SENHOR, do homem mau; guarda-me do homem violento, que pensa o mal no coração; continuamente se ajuntam para a guerra. Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios” ( Sl 140:1 -3 compare com Sl 58:1 -4).

Na lei, Deus já alertava sobre o veneno que havia em meio ao povo de Israel: “O seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras” ( Dt 32:33 ). É por isso que Jesus fala aos fariseus chamando-os de víboras: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ).

O homem pode orientar o seu comportamento e ordenar as suas ações, porém, é impossível mascarar o fruto dos lábios. Só se conhece uma árvore pelo fruto ( Mt 7:20 ). É por isso que Jesus julgava o que ouvia dos fariseus, pois o veneno estava em suas línguas, e não no comportamento “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” ( Mt 23:27 -28).

Além das palavras dos filhos de Israel ser comparável à peçonha da serpente, também eram comparáveis à víbora surda, pois não ouviam os profetas de Deus “Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele. E disse o Senhor: A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes? São semelhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros, e dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes” ( Lc 7:30 -32).

É em função da palavra dos escribas e fariseus que Jesus alerta: “Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem” ( Mc 7:15 ); “Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?” ( Mt 16:11 ); “E oferecei o sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai as ofertas voluntárias, publicai-as; porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor DEUS” ( Am 4:5 ).

 

6 Ó Deus, quebra-lhes os dentes nas suas bocas; arranca, SENHOR, os queixais aos filhos dos leões. 7 Escorram como águas que correm constantemente. Quando ele armar as suas flechas, fiquem feitas em pedaços. 8 Como a lesma se derrete, assim se vá cada um deles, como o aborto duma mulher, que nunca viu o sol. 9 Antes que as vossas panelas sintam o calor dos espinhos, como por um redemoinho os arrebatará ele, vivo e em indignação.

Após descrever a condição dos filhos do seu povo, o salmista roga a Deus alguns ‘ais’, assim como Cristo profetizou ‘ais’ sobre os escribas e fariseus utilizando-se de figuras.

Os ‘filhos dos leões’ neste salmo descreve a vontade dos homens maus quando querem fazer destruir os seus adversários tirando o fôlego de vida “Eis que o povo se levantará como leoa, e se erguerá como leão; não se deitará até que coma a presa, e beba o sangue dos mortos” ( Nm 23:24 ). Os fariseus por diversas vezes intentaram tirar a vida de Jesus “Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem” ( Jo 11:53 ); “Salva-me da boca do leão; sim, ouviste-me, das pontas dos bois selvagens” ( Sl 22:21 ).

O apóstolo Paulo também sofreu tais ataques vorazes dos ‘leões’ “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão” ( 2Tm 4:17 ; At 2131 ; At 25:3 ). Como os ataques dos leões não cessariam, providencialmente o apóstolo dos gentios foi preso e pode continuar anunciando por muitos anos o evangelho. Inclusive, as suas carta chegaram em nossas mãos e foram escritas no período em que esteve preso.

Para livrar o homem, somente a intervenção divina, quebrando os dentes e arrancando a queixada dos filhos dos leões, ou seja, dando livramento “Esse homem foi preso pelos judeus; e, estando já a ponto de ser morto por eles, sobrevim eu com a soldadesca, e o livrei, informado de que era romano” ( At 23:27 ).

O provérbio: “Como leão rugidor, e urso faminto, assim é o ímpio que domina sobre um povo pobre” ( Pv 28:15 ), descreve os líderes do povo do Messias como leões. O provérbio não diz de uma tirania política, mas de líderes que retinham a palavra de Deus, e o povo permanecia pobre de espírito, sem vida “Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo (…) Porque o tirano é reduzido a nada, e se consome o escarnecedor, e todos os que se dão à iniquidade são desarraigados; Os que fazem culpado ao homem por uma palavra, e armam laços ao que repreende na porta, e os que sem motivo põem de parte o justo” ( Is 28:7 e 20-21).

Os ataques com flechas e setas são palavras de engano introduzidas com sutileza, como era o caso dos escribas e fariseus, ou de qualquer outro homem em nossos dias, que não fale segundo a verdade do evangelho. O ataque dos fariseus era com setas, uilizaram as suas palavras com flecha, e a resposta de Cristo escudo e broquel: “E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se” ( Mc 3:4 ),

Quando o salmista profetizou proteção de Deus sobre o Messias, no Salmo 91, havia garantia de que Cristo pisaria o leão e a áspide, figura de tais homens ( Sl 91:13 ), pois haveriam de espreita-lo a fim de mata-Lo “Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge” ( Sl 22:13 ), e, em outras ocasiões, procuravam pegá-Lo nalguma contradição.

O pedido do salmista a Deus para é para que a ação dos ‘poderosos’ fosse como água quando se escoa ou, quando armassem o arco, as flechas fossem quebradas (v. 7). A oração profética do salmista demonstra que só em Deus as mentiras dos lideres de Israel seria desmascarada. Os inimigos do Messias foram envergonhados e confundidos perante a Verdade, pois Jesus escapou de ciladas como esta: “Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?” ( Mt 22:17 ). Se Cristo não desse uma resposta à altura, seria atingido com tal proposta, então devorá-lo-iam como os filhotes dos leões quando abatem a presa, porém, quando Jesus respondeu: “Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” ( Mt 22:21 ), o laço do passarinheiro foi desfeito.

As palavras dos escribas e fariseus eram como dardos inflamados, flechas. As flechas e lanças são figuras das palavras deles, de sua mensagem, pois tem o poder de tirar a vida, ou seja, afastar o homem da Palavra da Verdade. Da mesma forma que a peçonha mata, embora o ferimento seja sutil, o dardo que contém o veneno do erro também mata. As setas, os dardos são figuras de mensagens enganosas, palavras ardilosas, e somente com a palavra de Deus, que é escudo e broquel, o homem pode defender-se do inimigo “Pois eis que os ímpios armam o arco, põem as flechas na corda, para com elas atirarem, às escuras, aos retos de coração” ( Sl 11:2 ).

Observe que os salmos não falam literalmente de animais, antes dos filhos dos homens ‘abrasados’, ou seja, enfurecidos querendo tirar a vida do Cristo. Assim como o evangelho é a espada do espírito, cujo obreiro deve saber manejá-la, a língua dos contradizentes é espada afiada “A minha alma está entre leões, e eu estou entre aqueles que estão abrasados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e a sua língua espada afiada” ( Sl 57:4 ); “Que afiaram as suas línguas como espadas; e armaram por suas flechas palavras amargas” ( Sl 64:3 ).

A única coisa que rebate os dardos é a palavra de Deus, a Fé revelada, que é escudo e broquel “Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno” ( Ef 6:16 ); “Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia” ( Sl 91:5).

O pedido a Deus é que tais homens se esvaiam como lesmas; como o aborto de uma mulher, que jamais viram a luz da vida ( Sl 58:8 ). O verso 9 é melhor abordado pela Nova Versão Internacional da Bíblia: “Os ímpios serão varridos antes que as suas panelas sintam o calor da lenha, esteja ela verde ou seca” ( Sl 58:9 ).

Em nossos dias, o introduzir dissimuladamente heresias de perdição diz dos dardos inflamados do maligno ( Ef 6:16 ). Já o rugir como leão diz de uma ação mais agressiva, como é o caso das seitas “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” ( 1Pe 5:8 ).

 

10 O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do ímpio. 11 Então dirá o homem: Deveras há uma recompensa para o justo; deveras há um Deus que julga na terra.

Há algumas traduções que rezam ‘os justos’, porém, a Almeida Corrigida e Revisada Fiel é melhor, pois Ela faz alusão ao Justo. Somente o Cristo de Deus, o Justo vindicará a vingança de Deus, e Ele lavará os seus pés no sangue dos ímpios, pois Ele mesmo pisará o lagar de Deus “Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura” ( Is 63:3 ).

O único homem que estabeleceu justiça na terra foi o Emanuel. É por intermédio d’Ele que se diz: ‘Deverás há um Deus que julga na terra!’ “QUEM é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em sua vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar” ( Is 63:1 ).

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Salmo 49 – Resolva o Enigma do Oráculo

A mensagem do salmista não se ocupa das mazelas socioculturais da humanidade. Não tem em vista a sabedoria ou o conhecimento de cunho filosófico, sociológico ou científico. Por quê? Porque as Escrituras demonstram que tal sabedoria diante da mensagem divina é destruída, aniquilada ( 1Co 1:19 ). Que tipo de sabedoria e entendimento o salmista propõe revelar então? A sabedoria deste mundo? Ele produziria conhecimento científico? Que tipo de entendimento? A resposta encontra-se no verso seguinte: “Ouvirei o oráculo, e revelarei o meu enigma ao som da harpa”, ou seja, uma profecia ( 1Cr 25:1 ).


Salmo 49 – Enigmas do Oráculo

1 OUVI isto, vós todos os povos; inclinai os ouvidos, todos os moradores do mundo,
2 Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres.
3 A minha boca falará de sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento.
4 Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa.
5 Por que temerei eu nos dias maus, quando me cercar a iniquidade dos que me armam ciladas?
6 Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas,
7 Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele
8 (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre),
9 Para que viva para sempre, e não veja corrupção.
10 Porque ele vê que os sábios morrem; perecem igualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens.
11 O seu pensamento interior é que as suas casas serão perpétuas e as suas habitações de geração em geração; dão às suas terras os seus próprios nomes.
12 Todavia o homem que está em honra não permanece; antes é como os animais, que perecem.
13 Este caminho deles é a sua loucura; contudo a sua posteridade aprova as suas palavras. (Selá.)
14 Como ovelhas são postos na sepultura; a morte se alimentará deles e os retos terão domínio sobre eles na manhã, e a sua formosura se consumirá na sepultura, a habitação deles.
15 Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá. (Selá.)
16 Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece.
17 Porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará.
18 Ainda que na sua vida ele bendisse a sua alma; e os homens te louvarão, quando fizeres bem a ti mesmo,
19 Irá para a geração de seus pais; eles nunca verão a luz.
20 O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem.

 

“OUVI isto, vós todos os povos; inclinai os ouvidos, todos os moradores do mundo”

A mensagem que um dos filhos de Coré deixou registrado neste salmo é inclusiva. Todos os habitantes da terra em todos os tempos necessitam ouvi-la.

Aparentemente o salmista compôs somente um cântico, porém, podemos ouvi-lo anunciando aos brados uma mensagem importantíssima à humanidade.

Mas, como fazê-la ecoar ao longo dos anos? Que recurso o salmista poderia utilizar à época para que toda a humanidade fosse informada da mensagem? A poesia aliada ao canto era o melhor recurso disponível na antiguidade para se propagar uma mensagem através dos tempos.

O salmista clama a todos os povos, ou seja, tanto judeus quanto gentios. Não há acepção de pessoas: os destinatários da mensagem são todos os moradores do mundo! ( Sl 49:1 ).

 

“Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres”

Para não restar dúvidas, o salmista deixa claro que a mensagem abrange tanto as pessoas proeminentes, quanto as sem expressão social. A condição financeira não é causa excludente: tanto ricos quanto os pobres devem ouvir e atender a mensagem ( Sl 49:2 ).

 

“A minha boca falará de sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento”

O motivo da poesia e canto não é um ode ao moralismo, ao legalismo, à consciência ou ao bom caráter, antes, o salmista se propõe a falar de uma sabedoria e de um entendimento específico ( Sl 49:3 ).

A mensagem do salmista também não se ocupa das mazelas socioculturais da humanidade. Não tem em vista a sabedoria ou o conhecimento de cunho filosófico, sociológico ou científico. Por quê? Porque as Escrituras demonstram que tal sabedoria diante da mensagem divina é destruída, aniquilada “Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes” ( 1Co 1:19 ).

Que tipo de sabedoria e entendimento o salmista propõe revelar então? A sabedoria deste mundo? Ele produziria conhecimento científico? Que tipo de entendimento? A resposta encontra-se no verso seguinte: “Ouvirei o oráculo, e revelarei o meu enigma ao som da harpa”, ou seja, uma profecia (1Cr 25:1 ).

 

“Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa”

O salmista daria ouvidos à ‘palavra da profecia’ e haveria de revelá-la aos seus interlocutores ao som da harpa (v. 5), tudo isto conforme o que foi estipulado para o seu ministério “E DAVI, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério:” ( 1Cr 25:1 ).

A mensagem anunciada ao som da harpa, além de profética, é um grande enigma. Para compreender a grandeza da mensagem anunciada pelo salmista é necessário descobrir o significado dos seus enigmas.

Qual a natureza do enigma, da parábola, ou do oráculo? A palavra da profecia diz da sabedoria do alto, e não do conhecimento terreno “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” ( Tg 3:17 ). O salmista declarou a sabedoria que faz o homem perfeito em Deus “A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo” ( Cl 1:28 ).

Diante do enigma do evangelho o conhecimento humano torna-se loucura “Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?” ( 1Co 1:20 ), pois a parábola anunciada ao som da harpa do salmista é Espírito e poder “A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder” ( 1Co 2:4 ); “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” ( 1Co 1:18 ).

O que a humanidade pede ou busca não se encontra nas Escrituras “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria. Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” ( 1Co 1:22 – 23 ); “Visto que rejeitaram a palavra do Senhor, que sabedoria teriam?” ( Jr 8:8 -9).

Haveria algum motivo específico para que o salmista profetizasse acerca de si mesmo? A vida de um dos filhos de Coré seria de importância mundial? Ao menos o filho de Coré, que redigiu este salmo, fazia parte da linhagem de Cristo? O que havia neste filho de Coré que serviria de instrução para Israel e o mundo? Nada! A importância reside única e exclusivamente na profecia que o salmista anunciou ao som da harpa.

De quem fala o oráculo? Qual o evento posterior à profecia que é de interesse mundial? (v. 1 e 2) Por acaso não seria o advento do Messias?

A vida do salmista não é de interesse da humanidade, tanto que nada sabemos acerca do filho de Coré, mas o que foi profetizado por ele nos conduz a uma pessoa que é de interesse de toda a humanidade: Jesus, o Cristo de Deus.

Esta profecia redigida por um dos filhos de Coré e cantada ao som da harpa compõe o Livro dos Salmos, o que a torna parte das Escrituras. Portanto, ao examinar o Salmo 49, examinamos as Escrituras, e este salmo testifica do Cristo “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ).

O salmo 49 não versa sobre a vida de um dos filhos de Coré, antes a mensagem enigmática, de importância mundial, diz de Cristo, que é sabedoria de Deus. Diz do Verbo de Deus encarnado, que todos os moradores do mundo necessitam conhecer.

Observe a seguinte relação: Jesus nomeou as Escrituras de sabedoria de Deus “Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros” ( Lc 11:49 ), e, por sua vez, Cristo foi ‘feito’ por Deus sabedoria “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” ( 1Co 1:30 ).

 

“Por que temerei eu nos dias maus, quando me cercar a iniquidade dos que me armam ciladas?”

Inúmeras ciladas e armadilhas ao longo dos séculos foram implementadas pelos servos da iniquidade, porém, que interesse haveria para o mundo as ciladas anunciadas por um dos filhos de Coré? De que tipo de cilada o salmista faz referência?

As palavras dos ímpios são ciladas As palavras dos ímpios são ciladas para derramar sangue…” ( Pv 12:6 ), e os lideres religiosos de Israel se encaixam na descrição do salmista, pois suas palavras eram verdadeiras ciladas. As características dos iníquos que a profecia apresenta remontam o caráter, a conduta e a intenção dos lideres da religião à época de Cristo “Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação” ( Jo 11:48 ); “Depois os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se chamava Caifás. E consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem” ( Mt 26:3 -4).

Os lideres de Israel eram os interpretes das Escrituras e prezavam o cumprimento da lei, porém, no afã de preservarem seus lugares ( Jo 11:48 ), violaram a própria lei: emboscaram e derramaram sangue do Inocente ( Mt 26:4 ).

Além de prevaricarem em relação as suas atribuições ( Is 43:27 ), tornaram-se os agentes que implementaram o que fora predito por um dos filhos de Coré. Não observaram as Escrituras e com palavras armaram uma cilada para o Inocente: “Se disserem: Vem conosco a tocaias de sangue; embosquemos o inocente sem motivo” ( Pv 1:11 ).

Os lideres religiosos que tinham o dever de interpretar as Escrituras prevaricaram quanto às suas atribuições ( Pv 6:17 ; Is 59:7 ; Mt 27:4 ; Mt 27:24 ). As palavras deles eram verdadeiras ciladas para derramar sangue do Inocente, que por sua vez não temeu os dias maus “Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo mas no seu coração arma-lhe ciladas ( Jr 9:8 ; Mt 12:34 ; Lc 6:45 ).

O filho de Coré profetizou acerca de um tempo específico: os ‘dias maus’, ou seja, os dias em que os lideres judeus armariam ciladas contra o Inocente para matá-Lo.

Os ‘dias maus’ não apontam para os tempos em que o povo de Israel estivesse em guerra com os povos vizinhos. Não! O salmista deixa especificado que os dias maus ocorreriam quando homens iníquos armassem ciladas com palavras contra Àquele que não temeria.

O salmista anuncia palavras que demonstram total confiança em Deus, ou seja, total confiança no Autor do oráculo.

O versículo 5 do salmo 49 é ilustrado pelo salmo 59: “LIVRA-ME, meu Deus, dos meus inimigos, defende-me daqueles que se levantam contra mim. Livra-me dos que praticam a iniquidade, e salva-me dos homens sanguinários. Pois eis que põem ciladas à minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não por transgressão minha ou por pecado meu, ó SENHOR” ( Sl 59:1 -3).

O Senhor Jesus não temeu os dias maus, pois ele deu ouvidos aos oráculos de Deus “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” ( Fl 2:8 ), pois convinha que ele padecesse pelo povo “Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação” ( Jo 11:50 ; Is 53:4 ).

Porém, os filhos do povo (os judeus) permaneciam fiados na própria sabedoria, e não deram ouvidos à palavra do Senhor expressa nos seus oráculos “Pelo pecado da sua boca e pelas palavras dos seus lábios, fiquem presos na sua soberba, e pelas maldições e pelas mentiras que falam” ( Sl 59:12 ).

 

“Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas”

Descobrimos até aqui dois enigmas:

  • Que o oráculo do salmista refere-se ao Messias;
  • Que as ciladas utilizadas pelos iníquos seriam ‘ciladas com palavras’.

O significado do terceiro enigma deve ser depreendido do verso 6.

Que relação há entre a ‘iniquidade’ e as ‘riquezas’ dos iníquos que armariam ciladas contra o Cristo? Podemos considerar que os desprovidos de bens materiais são justos diante de Deus? Podemos considerar que possuir bens e herdades é causa de eterna perdição? Não! Se riquezas materiais fossem causa da perdição dos ricos e dos nobres, o salmista não direcionaria sua mensagem também aos pobres ( Sl 49:2 ).

Ora, o salmista estende o seu convite a ricos e pobres, isto porque tanto ricos quanto pobres podem ser iníquos. Tanto plebeus quanto nobres podem ser iníquos. Tanto judeus quanto gregos podem ser iníquos, pois não há sobre a face da terra homem que seja justo (pobres ou ricos, judeus ou gregos, etc.) ( Sl 14:3 ).

Iniquidade refere-se especificamente à condição do homem divorciado do Criador, sem qualquer relação com a sua posição sócio-econômica ou cultural. O homem é gerado em iniquidade e concebido em pecado ( Sl 51:5 ).

No que consiste confiar nas riquezas? Por que o salmista protesta contra os que se gloriam nas suas posses? Quais são as riquezas e bens que o salmista faz referência?

Ora, este é mais um enigma declarado pelo salmista ao som da sua harpa!

Para decifrá-lo, analisemos esta passagem bíblica: “Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” ( Lc 18:10 -12).

O cobrador de impostos é alguém necessitado (pobre) que espera ser agraciado (misericórdia) por Deus. Já o fariseu é um homem abastado (rico), ou seja, um religioso, que apesar de agradecer a Deus, confia em seus méritos, na sua moral e no seu comportamento ilibado quando se dirige a Deus em oração.

A atitude do publicano de ficar em pé ao longe, sem ao menos levantar os olhos ao céu batendo no peito, demonstra que ele reconhecia a sua miserável condição diante de Deus: pecador. Um pecador é alguém que carece da graça de Deus. É alguém necessitado, pobre, miserável.

A atitude do fariseu é de alguém abastado (rico). Ele considerava estar em uma condição privilegiada, se comparado a outros homens. Para ele os homens eram pecadores por serem roubadores, injustos e adúlteros. Ora, como o fariseu não roubava, era fiel no trato, não adulterava, não era como o publicano, jejuava e dizimava, considerava ser alguém abastado e rico.

O fariseu é um dos que confiavam em suas ‘fazendas’, que se gloriava das suas ‘riquezas’ e que não foi declarado justo por Deus. Quais riquezas ele possuía? Não roubar, não adulterar, não matar, dar o dízimo, não ser como os outros homens, etc. Não vemos na oração do fariseu ele declarando que possuía herdades e bens.

Apesar de se aplicar as boas ações, a Jesus declarou que ele não foi justificado. Por que ele não foi justificado? Porque confiava em suas virtudes, em seus méritos e na sua origem. Ele deixou de confiar em Deus, passando a considerar as suas virtudes, méritos e origem como requisitos para salvação.

Mais um enigma é decifrado: ‘riquezas’ e ‘fazendas’ referem-se aos méritos e obras dos homens. As riquezas e herdades referem-se a tudo que o homem executa e se estriba na intenção de alcançar a salvação. A salvação só é possível àqueles que confiam em Deus, do modo que fez o publicano ( Sl 62:7 ).

Após resolver o enigma seria possível prever as virtudes e os méritos daqueles que haveriam de armar ciladas com palavras contra o primogênito de Deus. Quem seriam os iníquos que armariam ciladas contra o primogênito de Deus? Homens que ‘confiam em suas posses, que se gloriam em suas riquezas’, ou seja, homens que eram justos aos seus próprios olhos, pois estavam fiados em suas origens, religiosidade, méritos e virtudes “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade” ( Mt 23:28 ).

 

“Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre), Para que viva para sempre, e não veja corrupção”

Nenhum dos religiosos à época de Cristo, de modo algum, poderia remir seu irmão. Nenhum dos lideres possuía ‘fazenda’ ou ‘riquezas’ que pudesse dar a Deus o resgate por seus irmãos. Por que não? Porque a redenção da alma de um único homem é caríssima, ou seja, as possessões (riquezas) que os homens angariam com a força de seus braços não é suficiente para pagar o valor do resgate de uma única alma.

Deus conhece as obras dos homens iníquos, pois elas não são feitas n’Ele ( Is 55:2 ; Ap 3:16 ; Jo 3:20 ). Deus em todos os tempos aconselha: “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas” ( Ap 3:18 ).

Embora os lideres judaicos falassem cada um com o seu companheiro de paz, justiça e equidade social, eram iníquos, pois não confiavam em Deus, antes confiavam em suas boas ações, no produto de suas próprias realizações (trabalho).

Eles pensavam ter ‘posses’, que eram ‘ricos’ segundo as suas realizações, que eram abastados o suficiente para adquirir salvação ( Is 55:2 ), porém, esqueceram que Deus olha o coração e vê quem são os homens que ajuntam riquezas com violência ( Jr 17:10 -11 ; Is 59:6 ; Jr 17:11 ), sem acatar a recomendação de Deus: que comprem ouro provado no fogo ( Ap 3:18 ).

Nenhum dos iníquos tinha condição de dar o resgate pelos seus entes, para que eles vivessem eternamente, e não mais vissem a corrupção ( Sl 49:9 ).

 

“Porque ele vê que os sábios morrem; perecem igualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens. O seu pensamento interior é que as suas casas serão perpétuas e as suas habitações de geração em geração; dão às suas terras os seus próprios nomes. Todavia o homem que está em honra não permanece; antes é como os animais, que perecem”

O salmista lembra que todos os homens podem ver que os sábios morrem (v. 10), o que confirma que ninguém pode remir o seu irmão (v. 7), para que eles não vejam a corrupção (v. 9).

Do ponto de vista dos homens, todos podem constatar que os sábios morrem. Do ‘ponto de vista’ divino, perecem igualmente o louco (os homens que são sábios aos seus próprios olhos e o homem ignorante (bruto). Os homens sem entendimento, simples, brutos são iguais aos ‘sábios’ que rejeitam a palavra de Deus: igualmente perecem “Os sábios são envergonhados, espantados e presos; eis que rejeitaram a palavra do SENHOR; que sabedoria, pois, têm eles?” ( Jr 8:9 ; Is 8:15 ).

No verso 10 há uma figura de linguagem (antítese) entre as palavras ‘sábios’ e ‘loucos’, pois ambas refere-se às mesmas pessoas: “Vê-se os sábios morrer, perecer o louco e o bruto, deixando seus bens a outros” (v. 10). Os homens ‘sábios’ aos seus próprios olhos são ‘loucos’, pois a sabedoria dos homens é loucura diante de Deus. Diante desta relação entre as palavras ‘sábios’ e ‘loucos’ é que se estabelece o mesmo fim para ‘loucos’ e ‘brutos’ “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” ( 1Co 3:19 ).

Tanto os ‘loucos’, quanto os ‘brutos’ deixam aos seus semelhantes os seus bens, ou seja, um legado.

Após apresentar a real condição dos homens iníquos (v. 5) , o salmista traz a lume o pensamento deles. Eles acreditavam “…que suas casas” seriam “perpétuas” e suas “habitações de geração em geração”, ou seja, pensavam que haviam alcançado eterna salvação.

Casa fala de segurança: outro enigma! Pensavam que habitariam seguros perpetuamente. Consideram que herdaram (terra) o direito à salvação pelo nome (judeus) que possuem: descendentes de Abraão, Isaque e Jacó! Qual o motivo de se dar às terras os seus nomes? Para que os seus filhos fossem herdeiros. Terras falam de herdades, e nome refere-se a direito. Pelo nome que possuíam, pensavam ter direito a salvação ( Sl 49:11 ).

Porém, a realidade é totalmente diferente da concepção que os iníquos nutrem “Todavia…” ( Sl 49:12 ). Apesar da ‘riquezas’ que possuem (v. 6), inexoravelmente perecerão ( Sl 1:5 ). Na bíblia a palavra ‘perecer’ refere-se a existência alienada de Deus.

Eterna perdição é o destino do caminho daqueles que confiam em si mesmos, ou seja, que confiam em suas riquezas, que confiam na força do seu próprio braço, assim como Cristo demonstrou na parábola do publicano e do fariseu que subiram ao templo para adorar “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” ( Jr 17:5 ). Resumindo: “Como a perdiz, que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as deixará, e no seu fim será um insensato” ( Jr 17:11 ; Is 59:6 ).

O homem que está em honra e não permanece (v. 12), além de se referir aos iníquos que armaram ciladas com palavras, também se refere àqueles líderes religiosos, que apesar do dever de proclamar a palavra da verdade, cerceiam aos seus seguidores o reino dos céus, pois utilizam palavras de engano ( Mt 23:13 ).

Tais líderes promovem a confiança em riquezas mal adquiridas, pois não orientam que se compre ouro provado ( Ap 3:18 ; Sl 49:6 ).

 

“Este caminho deles é a sua loucura; contudo a sua posteridade aprova as suas palavras” (Selá)

O caminho deles é único e específico: “Este caminho…” (v. 13).

A ‘loucura’ dos ‘sábios’ não é a ciência, a filosofia, a sociologia, a moral, e nem mesmo a religiosidade. Antes, a ‘loucura’ dos que ‘confiam em si mesmos’ é o caminho deles! Como pode ser isso? O caminho é a loucura? Temos aqui um novo enigma!

O salmista no salmo primeiro anunciou: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores (…) Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpio perecerá” ( Sl 1:1 e 6).

É anunciado de modo ‘velado’ (implícito) neste salmo dois caminhos:

a) um caminho dos justos, e;
b) um caminho dos ímpios.

Não podemos deixar de considerar que existem inúmeros ímpios, porém, há um único conselho para eles; muitos pecadores, só um caminho para eles; muitos escarnecedores, e uma só roda (v. 1). Por fim, conclui-se que existem somente dois caminhos!

Neste diapasão, Cristo anunciou haver dois caminhos:

  • Um caminho largo que conduz à perdição, e;
  • Um caminho estreito, que conduz à vida eterna ( Mt 7:13 -14).

Diante de uma platéia perplexa, Jesus fez um convite a todos como a mesma abrangência que fez o salmista ( Sl 49:1 -2), para que entrassem pela porta estreita ( Mt 7:13 ). Em seguida Jesus apresentou o motivo do convite: “Porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz a perdição” ( Mt 7:13 ).

Ora, para entender a relação que há entre o salmo 1, o salmo 49 e a parábola dos dois caminhos ( Mt 7:13 ), é necessário ser ‘sábio’, instruído pela palavra da profecia, ou seja, deixar de ser sábio aos seus próprios olhos “Quem é sábio, para que entenda estas coisas, e prudente, para que as saiba? Os caminhos do Senhor são retos; os justos andam neles, mas os transgressores neles tropeçam” ( Os 14:9 ; Sl 49:3 ).

Os ‘sábios’ aos próprios olhos não sabem que ao nascer entraram por uma porta larga (Adão), e que seguem por um caminho espaçoso que os conduz a perdição. Os tolos não entendem que o nascimento natural é a porta larga por onde todos os homens entram e passam a trilhar o caminho largo, que por sua vez os conduz à perdição.

O caminho dos que confiam em si mesmo é caminho de perdição (v. 12 e 13). E o caminho dos seus seguidores, ou seja, daqueles que ‘aprovam’ as suas palavras também e de perdição “Todavia, o homem, apesar das suas riquezas, não permanecem (…) este é o caminho daqueles que confiam em si mesmos, e dos seus seguidores, que aprovam as suas palavras” ( Sl 49:12 -13).

Por quê? Porque tanto os que confiam em si mesmos, quanto os seus seguidores, igualmente entraram pela porta larga ao nascerem. Igualmente passaram a andar por um caminho que os levará a perdição. Quem é sábio compreende que os ímpios desviam-se desde a madre. Os que aprendem com os oráculos de Deus e entende os seus enigmas compreende que os ímpios andam errados desde que nascem, pois ao nascer entram por uma porta larga, passando a trilhar um caminho que conduz à perdição ( Sl 58:3 ).

Andam errados desde que nascem, proferindo mentiras! Por conseguinte, os seus seguidores, aqueles que aprovam suas palavras, não se desviam do caminho de perdição ( Sl 49:13 ). A posteridade dos ímpios não se desvia do caminho de perdição, que é a loucura de toda a posteridade de Adão.

“Como ovelhas são postos na sepultura; a morte se alimentará deles e os retos terão domínio sobre eles na manhã, e a sua formosura se consumirá na sepultura, a habitação deles”

O salmista compara a impotência dos ímpios à das reses quando a caminho do abatedouro. Como as ‘ovelhas’ estão destinados ao abate, eles estão destinados à sepultura, aos cuidados da morte!

A morte não significa aniquilação dos ímpios, como alguns apregoam, visto que, para Deus todos os homens vivem. Além do mais, como será possível os retos terem domínio sobre os ímpios, se ao romper da manhã eles não mais existirem?

Enquanto a formosura dos ímpios que armam ciladas se consome na sepultura, vislumbremos porque o Messias confia inteiramente em Deus ( Sl 49:5).

 

“Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá” (Selá)

O Messias tinha consciência que passaria pelos dias maus, quando homens iníquos o cercariam com ciladas de palavras para o matarem ( At 2:29 -31). Ele estava ciente que desceria a sepultura, porém, era certo que Deus haveria de remir a sua alma do poder da morte, e que O receberia ( Sl 49:15 ).

Os ímpios perecerão e a morte se alimentará deles, ou seja, a morte ‘existe’ por causa da existência dos ímpios. Em função da transgressão de Adão a morte passou a se alimentar dele e de todos os seus descendentes, porém, a morte não tem tal poder sobre o Cristo e os muitos filhos de Deus que são conduzidos à glória ( Hb 2:10 ).

Cristo, o último Adão, foi feito por Deus espírito vivificante. Ele é a porta estreita. Os muitos filhos que são conduzidos por Cristo à glória foram gerados por Deus por intermédio de Cristo. Todos os homens que crêem nascem de novo, ou seja, entram pela porta estreita, e passam a percorrer um novo e vivo caminho que os conduz à vida eterna.

Com base no livramento que Cristo recebeu do Pai, seguem-se uma alerta solene:

 

“Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece. Porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará. Ainda que na sua vida ele bendisse a sua alma; e os homens te louvarão, quando fizeres bem a ti mesmo, irá para a geração de seus pais; eles nunca verão a luz. O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem”

Após desvendar os enigmas do salmo, é possível compreender o alerta solene: “Não temas!”. O cristão não deve temer homens como o fariseu que subiu ao templo para adorar, e que, por ser religioso e seguidor da lei, recriminou o publicano.

Até em nossos dias muitos se consideram afortunados por serem regrados e possuírem uma religião. Gloriam-se no fato de não serem iguais aos homens comuns, porém, rejeitam o que a palavra de Deus preceitua. Para ele os homens são pecadores por serem roubadores e adúlteros, porém, esquecem que desde a madre a humanidade segue um caminho que conduz à perdição.

Alguns religiosos consideram que, para alcançar a graça de Deus é necessário um ascetismo pessoal rígido, e chegam a proibir o casamento. A doutrina que anunciam apóia-se nas tradições dos homens, conforme suas filosofias.

Os servos de Cristo não podem se submeter àqueles que querem fazê-los presas suas. Muitos líderes religiosos procuram submeter os seus seguidores através de filosofias, vãs sutilezas, que são conforme a tradição dos homens.

Os seguidores de cristo não devem temer o julgamento que os homens fazem por causa do comer, do beber, de festas, ou por causa de dias das semanas. O temor a estas pessoas fará com que o cristão se prive do prêmio da salvação, isto porque tais homens se apresentam com uma pseudo-humildade, baseiam-se em visões e seguem o erro de suas mentes carnais.

O que muitos religiosos fazem tem apenas aparência de sabedoria, de voluntariedade, humildade, ascetismo pessoal, pois se baseiam em preceitos humanos, mas não podem aniquilar a carne ( Cl 2:23 ), o que é possível somente em Cristo ( Cl 2:11 ).

O Cristão deve identificar esses homens que, dissimuladamente, se introduziram entre os cristãos e querem converter em dissolução a graça de Deus ( Jd 1:4 ). São falsos mestres, difamam o que não compreendem ( Jd 1:10 ), e o que se deve compreender de modo natural, como animais irracionais, até nisto se corrompem.

Aparentemente estes homens são ricos e cheios de glória pela vida de austeridade que se propuseram seguir. Suas riquezas e glória firmam-se em práticas virtuosas.

Porém, tais homens nada levam consigo quando morrem, nem a glória de suas práticas os seguirá ( Sl 49:17 ). O fato de ser feliz nesta vida não é sinal de bem-aventurança eterna. Ainda que os ímpios se considerem felizes e sejam louvados por suas realizações, irá ter com a geração dos seus pais: jamais verão a luz da vida! ( Sl 49:19 )

Uma é a geração dos ímpios e outra é a geração dos justos. A geração dos ímpios se perpetua através da descendência de Adão ( Jo 1:12 ), e a geração dos justo só e possível através do novo nascimento, quando Deus concede aos homens um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Jo 1:13 ; Ez 36:25 – 27).

 

“O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem”

O último verso do salmo encerra a moral do enigma desvendado. O homem que está em uma posição privilegiada diante dos seus, como era o caso dos lideres religiosos à época de Cristo, e não compreende a parábola exposta ao som da harpa (oráculo), é semelhante às reses que são abatidas, seguem por um caminho que os conduz à perdição.

Ter zelo de Deus sem entendimento é permanecer no caminho de perdição, visto que, ao estabelecer a sua própria justiça (confiar em suas riquezas), o homem não se sujeita a justiça que vem de Deus ( Rm 10:1 -4).

A Editora Abril Cultural publicou uma Bíblia sob a coordenação do Pe. Antônio Charbel e do Pe. Joaquim Salvador, tendo o Pe. Ernesto Vogt como tradutor e comentarista do Livro dos Salmos. Temos o seguinte comentário ao Salmo 49 sob o título ‘A futilidade das riquezas’:

“Um sábio, de cítara na mão, convida os peregrinos reunidos no Templo a ouvirem a solução do grande problema, provocado pela riqueza dos maus, o que parece desmentir a justiça divina. Mas a providência serve-se precisamente deste enigma e da inabalável fé na justiça divina, para fazer raiar na mente do salmista a certeza de que, depois da morte, será feita a justiça. Esta é a solução que ele achou, ou antes, que o oráculo divino lhe manifestou (v. 8). Os piedosos pobres e aflitos nada tem que invejar aos ricos ímpios, porque estes, apesar de todas suas riquezas, não se poderão resgatar da morte, abandonando o que possuíam e descendo às trevas para nunca mais ver a luz. Quanto aos fiéis, porém, Deus os livrará da morte acolhendo-os junto de Si (v. 16)” A Bíblia, Vol. 4, Os Livros Sapienciais, Editora Abril Cultural, 2° Edição, 1976, Pag. 112.

No comentário do Pe. Ernesto há uma certa influência da teologia da libertação, que se baseia na opção pelos pobres contra a miséria, através de um engajamento político da cristandade na construção de uma sociedade mais justa e solidária, denunciando a pobreza como um pecado estrutural das sociedades modernas.

Porém, não é esta a temática do Salmo 49. Em primeiro lugar a mensagem do salmista não se restringe aos freqüentadores do templo em Jerusalém, antes tem como alvo a humanidade. Em segundo lugar, o grande problema da humanidade não é a pobreza ou a riqueza dos homens. Em terceiro lugar, não é depois da morte que a justiça de Deus se estabelece, antes ela se deu no princípio, visto que a humanidade foi julgada e condenada em Adão. Em quarto lugar, o Salmo não trata das mazelas socioculturais da humanidade, ou das estruturas econômicas e sociais dos reinos deste mundo.

O fato de alguém ser rico não o torna ímpio, e a pobreza não torna ninguém piedoso. Todos os homens gerados segundo a carne e o sangue (pobres ou ricos, judeus ou gentios, nobres ou escravos, religiosos ou ateus), são ímpios por terem entrado pela porta larga (Adão) que os conduz à perdição ( Sl 62:9 ).

Não obstante, temos o seguinte comentário extraído de uma bíblia comentada evangélica:

“Devemo-nos lembrar, contudo, de que o ponto de vista é o de Israel, e que nem uma ressurreição nem um quinhão celestial aparece no salmo (…) Embora este salmo, naturalmente, nada revele do Evangelho da graça de Deus, encontramos nele algumas palavras que no N.T. têm um sentido abundante e precioso” McNair S.E, A Bíblia Explicada, 4ª Ed, Rio de Janeiro, Editora CPAD, 1983, Pág. 184.

Ora, o ponto de vista do salmo não se restringe ao povo de Israel, visto que trata de uma problemática pertinente a todos os moradores do mundo ( Sl 49:1 ). No salmo não aparece nem um quinhão celestial, ou nada acerca da ressurreição? O que dizer do verso 15? Como os retos terão domínio sobre os ímpios, se o salmo nada diz acerca da ressurreição? ( Sl 49:14 ) O salmo nada revela acerca do Evangelho da graça de Deus? Ora, assim como o evangelho é para todos os povos, para todos os moradores do mundo, tanto pobres quanto ricos, percebe-se que o salmo tem muita coisa em comum com a graça de Deus revelada através do Evangelho “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ).

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Salmo 53 – Os néscios não buscam a Deus

Este salmo serve de alerta para os cristãos quanto aos obreiros fraudulentos “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” ( Fl 3:19 ), pois o povo de Israel servia a Deus sem entendimento em decorrência dos interpretes prevaricarem nas suas atribuições ( Rm 10:2 ; Is 43:27 ).


  1. DISSE o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, e cometido abominável iniquidade; não há ninguém que faça o bem.
  2. Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus.
  3. Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um.
  4. Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus.
  5. Ali se acharam em grande temor, onde não havia temor, pois Deus espalhou os ossos daquele que te cercava; tu os confundiste, porque Deus os rejeitou.
  6. Oh! se já de Sião viesse a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar os cativos do seu povo, então se regozijará Jacó e se alegrará Israel.

Quem são os néscios? Seriam os ateus?

Uma leitura superficial do Salmo 53 levará o leitor a considerar que os ‘loucos’ são os ateus, pois são eles que dizem abertamente que não há Deus. Porém, se fizermos uma leitura levando em conta o contexto geral do Salmo e as considerações do apóstolo Paulo na carta aos Romanos, veremos que os néscios não são os ateus (apesar da loucura deles), antes é adjetivo que se aplica aos judeus.

O apóstolo Paulo após citar alguns versos do Salmo 53, concluiu: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz…” ( Rm 3:19 ), portanto, deve-se concluir que o Salmo 53 não se aplica aos ateus, antes aplica-se ‘aos obreiros da iniquidade’, aqueles que comem o povo de Deus como se fosse pão ( Sl 53:4 ).

Enquanto os ateus dizem com a boca ‘não há Deus’, os obreiros da iniquidade são aqueles que negam a Deus em seus corações ( v. 1). Os néscios se corromperam e praticam a iniquidade, portanto, não há quem faça o bem.

O salmista relata que ‘Deus olhou desde os céus para os filhos dos homens para ver se havia alguém que tivesse entendimento e buscasse a Deus’, como não há entre os filhos dos homens quem ‘entenda’ e quem ‘busque’ a Deus, segue-se que os judeus estavam inclusos neste rol (v. 2).

Todos os homens se desviaram e, juntamente se tornaram imundos. Como se desviaram? Como todos os homens juntamente se tornaram imundos? Os judeus estavam inclusos neste rol? A resposta encontra-se na queda de Adão, pois foi através da queda do primeiro pai da humanidade que todos os homens pecaram e, em um só evento todos se tornaram imundos ( 1Co 21- 22).

Este salmo é uma repreensão ao povo de Israel que reputavam que faziam o bem, porém, eram iníquos, imundos ( v. 3).

Os lideres e mestres em Israel desconheciam a real condição deles. Eram obreiros da iniquidade, pois devoravam o povo de Deus como se eles fossem pão! Na verdade, os mestres e lideres do povo de Israel não buscavam a Deus, ou seja, eram néscios ( v. 4) “Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono. E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte” ( Is 56:10 -11).

A falta de conhecimento tornou o povo de Israel como ‘loucos’, pois rejeitaram a palavra de Deus “Deveras o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios, e não entendidos; são sábios para fazer mal, mas não sabem fazer o bem” ( Jr 4:22 ).

Embora Deus tenha dado prova da sua fidelidade ao povo livrando-os dos seus inimigos, contudo, não confiaram em Deus. No momento da invasão inimiga tiveram muito pavor, onde não havia motivo para temerem se confiassem em Deus. Eles não invocavam a Deus, pois só invoca aquele que confia! (v. 5).

Por não confiarem em Deus o povo de Israel foi confundido. Deus é fiel, mas como não confiaram em Deus, Deus os rejeitou e foram confundidos, ou seja, levados cativos.

Diante da apostasia de Israel surge a oração profética do salmista: “Oh! se já de Sião viesse a salvação de Israel! Quando Deus fizer voltar os cativos do seu povo, então se regozijará Jacó e se alegrará Israel” (v. 6).

Qual salvação viria de Israel? Jesus lembrou a mulher samaritana que a salvação vem dos judeus “Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus” ( Jo 4:22 ), ou seja, Ele, Cristo, é a salvação de Deus.

Quando o Messias vier de Sião, a salvação de Deus, Ele fará os cativos do povo voltar a habitar em segurança. Será um tempo de regozijo e de alegria para Israel (v. 6). Este verso é uma profecia para o futuro de Israel, pois quando Jesus veio, libertou os pobres e oprimidos de todos os povos, nações e línguas da escravidão do pecado, porém, há um tempo determinado em que Ele resgatará Israel como povo ( Rm 11:25 -29).

Este salmo serve de alerta para os cristãos quanto aos obreiros fraudulentos “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” ( Fl 3:19 ), pois o povo de Israel servia a Deus sem entendimento em decorrência dos interpretes prevaricarem nas suas atribuições ( Rm 10:2 ; Is 43:27 ).

Devemos ver a bondade e a severidade de Deus através deste salmo ( Rm 11:22 ), pois mostra que os judeus são tidos por loucos por não crerem na salvação de Deus, logo devemos atentar para as Escrituras ( Hb 2:1 ). O cristão deve ver como anda, ou seja, não deve seguir o exemplo dos néscios (judeus), antes ser sábio ( Ef 5:15 ).

E como ser sábio? Basta ser cheio (pleno) do Espírito, ou seja, conhecer a palavra de Deus, ou a palavra de Deus estar no homem e o homem estar na palavra de Deus “Até quando, ó simples, amareis a simplicidade? E vós escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós insensatos, odiareis o conhecimento? Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei abundantemente do meu Espírito e vos farei saber as minhas palavras( Pv 1:22 -23).

Qualquer que se embriaga com o vinho dos néscios (judaísmo) é insensato, louco, como o diz o profeta Isaías: “E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte. Vinde, dizem, trarei vinho, e beberemos bebida forte; e o dia de amanhã será como este, e ainda muito mais abundante” ( Is 56:11 -12 ) “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios (…) Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5:15 e 18).

Que não sejamos tidos por loucos como foram os fariseus, que rejeitaram o Verbo encarnado, a Sabedoria de Deus “Loucos! Quem fez o exterior não fez também o interior?” ( Lc 11:40 ; Pv 1:7 ).

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Salmo 67 – Como contemplar a glória de Deus

Como contemplar o rosto do Senhor na sua formosura? Descubra como ver a face de Deus após estudar este Salmo aparentemente singelo “Uma coisa pedi ao SENHOR, e a buscarei: que possa morar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do SENHOR, e inquirir no seu templo” ( Sl 27:4 )


  1. DEUS tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós (Selá.)
  2. Para que se conheça na terra o teu caminho, e entre todas as nações a tua salvação.
  3. Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos.
  4. Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos com equidade, e governarás as nações sobre a terra. (Selá.)
  5. Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos. 6 Então a terra dará o seu fruto; e Deus, o nosso Deus, nos abençoará.
  6. Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão.

 

Lucas, o médico amado, registrou as palavra do apóstolo Pedro que informou ao povo que Davi era profeta ( At 2:30 ).

No livro das Crônicas temos o rei Davi comissionando alguns dos filhos de Asafe, Hemã e de Jedutum para profetizarem com harpas, alaúdes e saltérios ( 1Cr 25:1 ).

Jesus, por sua vez, disse que as Escrituras testificavam acerca d’Ele ( Jo 5:39 ), e que na Lei de Moisés, nos Profetas e Salmos tem-se profecias acerca da sua vida, morte e ressurreição ( Lc 24:44 ), portanto, conclui-se que os Salmos são profecias em forma de poesias acerca da pessoa de Cristo.

Quando lemos o pedido do salmista para que Deus tenha misericórdia e abençoe, temos que analisar o texto do pedido sem se esquecer do contexto profético.

 

1 DEUS tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós (Selá.)

Qual é a benção que o salmista espera? No que consiste a misericórdia de Deus para o salmista?

O salmista responde na própria poesia, pois este é um recurso pertinente à poesia hebraica, que é apresentar a resposta logo a seguir: faça resplandecer o seu rosto sobre nós!

Para o salmista, Deus revelar o seu rosto ao homem é sinônimo de misericórdia e de bênção!

Mas, por que era necessário Deus revelar (resplandecer) o seu rosto? Quem disse que Deus escondeu o Seu rosto de Israel?

Temos a resposta desta questão no livro do profeta Isaías: “E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei” ( Is 8:17 ).

Enquanto o salmista roga ao Senhor que mostre o seu rosto, temos o profeta Isaías esperando no Senhor que escondia o seu rosto. Ora, se o povo de Israel conhecia o Deus único, como é possível Deus ter escondido o seu rosto? De quem era o rosto que ambos profetizaram? Do Pai ou do Filho?

Se o próprio Jesus afirmou que a Lei, os Profetas e os Salmos testificavam d’Ele, concluímos que tanto o salmista quanto o profeta Isaías falavam acerca do Filho, pois o eunuco de Candace, quando lia Isaías ficou na dúvida se o profeta falava de si mesmo ou se anunciava outra pessoa ( At 8:34 ), mas Filipe mostrou que as Escrituras falavam acerca do Cristo ( At 8:35 ).

O Salmo 110, verso 1, faz uma desambiguação entre o Pai e o Filho, pois ambos são chamados de Senhor. O salmista ouviu quando o Senhor disse ao Senhor do salmista para que se assentasse a sua direita ( Sl 110:1 ), o que torna claro que o Filho de Deus também é Senhor do salmista, embora saibamos que o Cristo é o seu filho segundo a carne ( At 2:34 ; Mt 22:45 ).

O profeta Isaías também esclarece que o homem deve santificar o Senhor dos Exércitos, pois é o temor e o assombro. Considerando a terminologia bíblica, percebe-se que ‘temor’ é sinônimo de ‘palavra de Deus’ e, que ‘assombro’, ‘tremor’ é o mesmo que ‘obediência’, portanto, para santificar o Senhor dos Exércitos é necessário obedecer a sua palavra.

É por isso que o apóstolo Pedro recomenda aos cristãos que santifiquem a Cristo como o Senhor no coração ( 1Pe 3:15 ), e o apóstolo Paulo diz: operai a vossa salvação em obediência a palavra, ou seja, com temor e tremor ( Fl 2:12 ), sendo certo que o amor lança fora o medo ( 1Jo 4:18 ).

O profeta Isaías demonstra que, caso o Senhor seja santificado com temor e tremor, será santuário para aquele que O ‘santificar’ em seu coração, porém, o profeta apresenta uma realidade sombria: para as duas casas de Israel, o Senhor que deviam santificar em seus corações seria pedra de tropeço ( Is 8:14 ).

Diferente das duas casas de Israel, o profeta prefere esperar no Senhor que escondeu o seu rosto da casa de Israel, ou seja, em Cristo. Aquele em que o profeta esperava tornar-se-ia pedra de tropeço à casa de Israel ( 2Pe 2:8 ).

Os judeus tropeçaram em Cristo porque não foram obedientes à palavra de Deus, ou seja, faltou-lhes temor e tremor.

A quem se refere os seguintes versos?

“O SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti” ( Nm 6:25 );

“Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo; salva-me por tuas misericórdias” ( Sl 31:16 );

“Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” ( Sl 80:3 );

“Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo, e ensina-me os teus estatutos” ( Sl 119:135 );

“Agora, pois, ó Deus nosso, ouve a oração do teu servo, e as suas súplicas, e sobre o teu santuário assolado faze resplandecer o teu rosto, por amor do Senhor” ( Dn 9:17 );

Amados, nesta sequência de versículos é notório o quanto a bíblia se auto explica. Nestes versos nota-se porque Jesus rebateu o tentador quando disse: “Mas, também está escrito…” ( Mt 4:7 ), apresentando o método correto de análise das Escrituras que é combinar e abstrair a ideia proveniente da Lei, dos Salmos, e dos Profetas referentes a um mesmo tema.

Para se entender as Escrituras vale destacar algumas questões e, é isto que faremos para entendimento do salmo 67.

Quem escondeu o seu rosto de Israel? “E disse: Esconderei o meu rosto deles, verei qual será o seu fim; porque são geração perversa, filhos em quem não há lealdade” ( Dt 32:20 ).

A resposta é Cristo, o Filho do Deus vivo “E já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte, e te detenhas; porque escondes de nós o teu rosto, e nos fazes derreter, por causa das nossas iniquidades” ( Is 64:7 ).

 

2 Para que se conheça na terra o teu caminho, e entre todas as nações a tua salvação.

O Verbo feito carne foi a maneira que Deus fez conhecido o seu rosto. Mas, Ele resplandeceu o seu rosto não só à casa de Israel, antes manifestou a todas às famílias da terra, pois Cristo é a Estrela da manhã, o Sol da justiça que alumia toda as famílias da terra.

Somente quando o Senhor se revela, ou seja, torna conhecido o seu rosto aos homens, foi possível conhecer na terra o caminho que conduz a Deus. Observe que a misericórdia e a benção que o salmista roga não se restringe a Israel, que tropeçou e caiu, antes abrange toda a terra, ou seja, à humanidade é mostrado o caminho e às nações é ofertado salvação.

Enquanto Adão alienou-se de Deus e conduziu todos os seus descendentes à morte, Cristo é o caminho estreito que conduz o homem a Deus, diferente do primeiro Adão, que é o caminho largo por onde toda a humanidade entrou e segue por um caminho que os conduz à perdição ( Mt 7:13 -14 ; 1Co 15:21 -22).

Cristo é o Descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra seriam bem-aventuradas ( Gl 3:8 e Gl 3:16 ), e quando resplandeceu o rosto do Deus de Jacó, as famílias da terra foram abençoados “Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?” ( Jo 12:38 ); “O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus” ( Is 52:10 ).

Cristo é o Sol nascente das alturas que iluminou aqueles que jaziam nas trevas “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ; Lc 1:78 -79).

 

3 Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos. 4 Alegrem-se e regozijem-se as nações, pois julgarás os povos com equidade, e governarás as nações sobre a terra. (Selá.)

Diferente do que apregoavam os fariseus e saduceus, que somente os descendentes da carne de Abraão podiam louvar a Deus, o salmista espera em Deus que todos os povos O louvem.

O salmista conclama os povos que louvem a Deus, pois não fará distinção entre os povos, julgará todos os povos em equidade e governará as naçõesno seu reino milenial .

Este é o pedido do salmista conforme a vontade de Deus, pois é isto mesmo que Deus propôs fazer através do seu Filho ( Sl 2:7 -9).

 

5 Louvem-te a ti, ó Deus, os povos; louvem-te os povos todos. 6 Então a terra dará o seu fruto; e Deus, o nosso Deus, nos abençoará. 7 Deus nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão.

O salmista previu neste salmo que, quando os povos, todos os povos louvassem ao Senhor que escondia o seu rosto da casa de Israel, a casa de Israel estaria recebendo a benção solicitada no salmo 67: resplandeça o seu rosto sobre nós. Previu também que a terra produzirá o seu fruto, ou seja, o louvor, que é o fruto dos lábios. Os povos produzem louvor quando professam o nome de Cristo ( Hb 13:15 ).

É sobre este mesmo louvor que profetizou Oseias quando disse: “Efraim dirá: Que mais tenho eu com os ídolos? Eu o tenho ouvido, e cuidarei dele; eu sou como a faia verde; de mim é achado o teu fruto. Quem é sábio, para que entenda estas coisas? Quem é prudente, para que as saiba? Porque os caminhos do SENHOR são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão” ( Os 14:8 -9).

Só pode produzir louvor a Deus aqueles que estão ligados à Oliveira verdadeira, pois só em Deus o louvor é achado. Somente os que andam em Cristo, o caminho do Senhor, produzem o verdadeiro louvor “Para que se conheça na terra o teu caminho, e entre todas as nações a tua salvação” ( Sl 67:2 ).

O salmista faz uma previsão de que haverá um dia em que Deus abençoaria todos os povos, pois todos na terra o temerão.

Ouvir a palavra de Deus é o mesmo que vê-lo face a face “Falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo” ( Ex 33:11 ); “Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo, e ensina-me os teus estatutos” ( Sl 119:135 ).

Muitos têm o desejo de ver a Deus em sua glória e esplendor, assim como Filipe, mas basta ao homem crer no enviado de Deus que verá a glória de Deus “Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” ( Jo 14:9 ); “Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” ( Jo 11:40 ); creia no evangelho e lhes resplandecerá a glória de Deus “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( 2Co 4:4 ).

Cristo é o Senhor que escondeu a sua face do povo de Israel. Embora Deus nunca tenha sido visto na sua glória por alguém, Cristo O revelou aos homens “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” ( Jo 1:18 ); “Buscai o Senhor e o seu poder, buscai perpetuamente a sua face” ( 2Cr 16:11 ).

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Salmo 50 – Louvor como sacrifício agradável

De modo claro, preciso, sem enigmas ou parábolas, Deus novamente anuncia que não precisa de novilhos e cabritos, pois ele nunca exigiu sacrifícios, como se verifica em Levítico 1, verso 2: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de gado vacum e de ovelha” ( Lv 1:2 ). Ou seja, sabedor que o homem é voluntarioso em ofertar e sacrificar, no livro de Levítico, Deus somente disciplina como seria apresentada a oferta e o sacrifício, contudo, sem exigi-los “E, quando oferecerdes sacrifícios de louvores ao SENHOR, o oferecereis da vossa vontade ( Lv 22:29 ).


No que consiste o louvor que o salmista Asafe definiu como o sacrifício agradável a Deus? Como oferecer sacrifício de ações de graças? Como glorificar a Deus?

Este salmo contém todas as respostas para as perguntas acima, e ele foi escrito por Asafe, um dos homens separados por Davi para profetizar com harpas, com címbalos e saltérios ( 1Cr 25:1 ). Portanto, se faz necessário considerar que o Salmo 50, como muitos outros, é uma profecia em forma de cântico que serve para edificação, exortação e consolação “Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação” ( 1Co 13:3 ).

O apóstolo Paulo deixou claro que, o que está registrado nas Escrituras (Lei, Profetas e Salmos) foi direcionado aos judeus “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” ( Rm 3:19 ).

Além de considerar que Asafe era profeta e que as Escrituras foram entregues aos judeus, o interprete deste salmo não pode deixar de considerar que o escritor aos Hebreus aponta Cristo como criador dos céus e da terra conforme o que está registrado no Salmo 102:26: “E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Hb 1:10 -12).

Por fim, o interprete não deve deixar de considerar que Jesus, o Filho do Deus Altíssimo, é Senhor dos vivos e dos mortos, como se depreende do Salmo 110, verso 1, que o escritor ao Hebreus e o apóstolo Pedro interpretaram ( Hb 1:13 ; At 2:34 -36).

 

1 O DEUS poderoso, o SENHOR, falou e chamou a terra desde o nascimento do sol até ao seu ocaso. 2 Desde Sião, a perfeição da formosura, resplandeceu Deus. 3 Virá o nosso Deus, e não se calará; um fogo se irá consumindo diante dele, e haverá grande tormenta ao redor dele. 4 Chamará os céus lá do alto, e a terra, para julgar o seu povo. 5 Ajuntai-me os meus santos, aqueles que fizeram comigo uma aliança com sacrifícios. 6 E os céus anunciarão a sua justiça; pois Deus mesmo é o Juiz. (Selá.)

Considerando que Cristo criou todas as coisas ( Jo 1:3 ; Hb 1:110 -12), e Ele é o Senhor do salmista ( Sl 110:1 ), devemos considerar que este salmo aplica-se a pessoa de Cristo.

Asafe, na condição de profeta, anuncia que Deus, o Senhor, falou e convocou toda a terra de um extremo ao outro. Desde Sião, que é a excelência em formosura e cidade do grande Rei, Deus resplandeceu (refulgiu) (v. 2). A descrição que o profeta faz de Sião é futurística, pois a cidade onde Asafe habitava não possuía as características que aqui são descritas “E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada” ( Ap 21:23).

O profeta fala de um tempo em que Deus virá e se apresentará resplandecente, ou seja, com salvador (v. 2 e 3 ; Sl 31:16 ; Sl 80:3 ). Quando o Senhor mostra seu rosto, revela-se, traz consigo salvação “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ).

O fogo e a tormenta são figuras utilizadas para fazer referencia à majestade e ao poderio de Deus quando se manifestar “Eis que o Senhor tem um forte e poderoso; como tempestade de saraiva, tormenta destruidora, e como tempestade de impetuosas águas que transbordam, ele, com a mão, derrubará por terra” ( Is 28:2 ).

Na sua empreitada, Deus reúne os céus e a terra para emitir juízo acerca do seu povo (v. 4). O termo ‘Senhor’ neste salmo aplica-se a Cristo, que um dia virá em grande glória juntamente com os seus anjos e se assentará a julgar o seu povo e todas as nações da terra ( Mt 19:28 ; Mc 13:26 -27).

Neste dia a ordem que Cristo emitirá do seu trono será: Ajuntai-me os meus santos, aqueles que fizeram comigo uma aliança com sacrifícios” (v. 5 ), conforme ele mesmo disse: “E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” ( Mt 24:31 ).

Como fazer uma aliança com sacrifícios? Qual é o sacrifício exigido por Deus? Logo a seguir Deus dá uma resposta!

 

7 Ouve, povo meu, e eu falarei; ó Israel, e eu protestarei contra ti: Sou Deus, sou o teu Deus. 8 Não te repreenderei pelos teus sacrifícios, ou holocaustos, que estão continuamente perante mim. 9 Da tua casa não tirarei bezerro, nem bodes dos teus currais. 10 Porque meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas. 11 Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo. 12 Se eu tivesse fome, não to diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude. 13 Comerei eu carne de touros? ou beberei sangue de bodes?

Sabendo que, tudo o que a lei diz, diz aos que estão debaixo da lei, conclui-se que este salmo de Asafe tem por alvo os judeus, o povo escolhido por Deus.

Por intermédio do profeta Asafe, Deus faz um pronunciamento ao seu povo, Israel (v. 7). Embora Deus, seja o Deus de Israel, o seu pronunciamento é um testemunho contra a forma de sacrifício que ofereciam.

A repreensão não era em função da voluntariedade do povo de Israel em querer sacrificar (v. 8), antes por entenderem que Deus precisasse, ou que folgasse com aquelas oferendas. Na verdade as festas, os sacrifícios, os ritos, os ajuntamentos solenes, o tabernáculo, etc., constituem métodos de ensino com uma didática específica para conduzir o homem a Cristo.

De modo claro, preciso, sem enigmas ou parábolas, Deus novamente anuncia que não precisa de novilhos e cabritos, pois ele nunca exigiu sacrifícios, como se verifica em Levítico 1, verso 2: “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de gado vacum e de ovelha” ( Lv 1:2 ). Ou seja, sabedor que o homem é voluntarioso em ofertar e sacrificar, no livro de Levítico, Deus somente disciplina como seria apresentada a oferta e o sacrifício, contudo, sem exigi-los “E, quando oferecerdes sacrifícios de louvores ao SENHOR, o oferecereis da vossa vontade ( Lv 22:29 ).

Após protestar que todos os gados dos campos e todos os pássaros dos céus lhe pertenciam, Deus questiona se, por acaso, haviam entendido que Deus necessitava de carne de touros e de sangue de cabritos.

O volume de ofertas e sacrifícios que continuamente traziam parecia anunciar que o povo entendia que Deus tinha fome e que dependesse dos homens para alimentá-lo (v. 12).

Ora, não foi somente Asafe que repreendeu o povo em nome do Senhor, como se lê: “E oferecei o sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai as ofertas voluntárias, publicai-as; porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor DEUS” ( Am 4:5 ). Embora Deus não houvesse exigido, era somente o que apresentavam: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios?” ( Is 1:11 -12).

 

14 Oferece a Deus sacrifício de louvor, e paga ao Altíssimo os teus votos. 15 E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás.

Deus anuncia qual tipo de sacrifico que O agrada: sacrifício de louvor!

E no que consiste tal sacrifício? Consiste no fruto dos lábios que confessam o seu nome “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ). O escritor aos Hebreus interpreta e aponta qual é o sacrifício de louvor exigido por Deus: o fruto dos lábios que professam a Cristo como Senhor.

Qualquer outro tipo de interpretação acerca do que consiste o sacrifício de louvor que seja diferente do que interpretou o escritor aos hebreus seja anátema!

O fruto dos lábios é sinônimo de sacrifício de louvor, como atestam os salmos a seguir:

  • Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor, e invocarei o nome do SENHOR” ( Sl 116 :17 ) – Invocar o nome de Cristo é sacrifício de louvor, pois ele salva a todos que O invocam ( Jl 2:32 );
  • “E ofereçam os sacrifícios de louvor, e relatem as suas obras com regozijo” ( Sl 107:22 ) – Contar, anunciar, relatar as obras de Deus é sacrifício de louvor, são frutos que os lábios produzem! e;
  • Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” ( Is 57:19 ) – E o homem não precisa ficar preocupado com o sacrifício de louvor, pois Deus mesmo anuncia: Eu crio o fruto dos lábios! Todos que anunciam que Cristo é o Deus de paz para todos os povos ( Is 9:6 ), oferecem sacrifico de louvor;
  • “Tomai convosco palavras, e convertei-vos ao SENHOR; dizei-lhe: Tira toda a iniquidade, e aceita o que é bom; e ofereceremos como novilhos os sacrifícios dos nossos lábios ( Os 14:2 ) – Aquele que roga a Deus o perdão dos pecados segundo a sua palavra, oferece sacrifício de louvor.

Quando se lê que é necessário ao homem pagar os seus votos, muitos interpretam os ‘votos’ como promessas, juramentos, intenções, propostas ou propósitos. Mas, tais ‘votos’ não seriam outros tipos de sacrifícios?

Se o leitor cauteloso considerar a estrutura da poesia hebraica, verificará que o verso 14 do Salmo 50 é um paralelismo sinomínico, que é expressar a mesma ideia com palavras diferentes: “Oferece a Deus sacrifício de louvor, e paga ao Altíssimo os teus votos” (v. 14), ou seja, quando se louva a Deus como sacrifício, o homem esta pagando os seus votos de louva-Lo continuamente “Assim cantarei louvores ao teu nome perpetuamente, para pagar os meus votos de dia em dia” ( Sl 61:8 ).

Quando o homem invoca ao Senhor para ser salvo, Deus está pronto para salvar. Quando Deus vem em socorro daquele que clama e o salva, o redimido constitui-se em louvor a sua maravilhosa graça.

Quer glorificar a Deus? Faça como o salmista: “Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio” ( Sl 40:13 ; Ef 1:12 ). Quando o homem descansa em Deus, neste momento o glorifica, pois Deus vem e realiza a sua obra que, essencialmente constitui-se louvor a sua glória.

 

16 Mas ao ímpio diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos, e em tomar a minha aliança na tua boca? 17 Visto que odeias a correção, e lanças as minhas palavras para detrás de ti. 18 Quando vês o ladrão, consentes com ele, e tens a tua parte com adúlteros. 19 Soltas a tua boca para o mal, e a tua língua compõe o engano. 20 Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe.21 Estas coisas tens feito, e eu me calei; pensavas que era tal como tu, mas eu te arguirei, e as porei por ordem diante dos teus olhos: 22 Ouvi pois isto, vós que vos esqueceis de Deus; para que eu vos não faça em pedaços, sem haver quem vos livre.

Deus novamente volta a tratar com o povo de Israel, nomeando-os de ímpios, pecadores.

Deus questiona o ‘ímpio’, ou seja, os homens pertencentes ao povo de Israel sobre o que faziam quando recitava a lei de Moisés. Por que recitavam a lei, se eles odiavam a correção e não obedeciam a palavra de Deus? ( v. 17).

Sobre este comportamento pernicioso falou o profeta Isaías: “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” ( Is 29:13 ).

Deus estava protestando com os ladrões que havia em meio ao povo? Não! Este salmo apresenta o ladrão, o adultero e o maldizente como figura para ilustrar os príncipes e os sacerdotes “Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva” ( Is 1:23 ); “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” ( Mt 21:13 ; Os 6:9 ).

Deus reclama que o seu povo não passava de um bando de adúlteros “Oh! se tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então deixaria o meu povo, e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, um bando de aleivosos” ( Jr 9:2 ).

Ora, apartir do momento que o homem fala segundo o seu coração enganoso, solta a língua para o mal e compõe o engano ( Jr 17:9 ; Is 66:3 ; Ez 33:17 ). É uma víbora peçonhenta, pois qualquer que não compreende os caminhos de Deus constitui-se vinha de Sodoma e Gomorra ( Dt 32:28 -33 ; Mt 12:34 ).

Ao torcer as palavras de Deus, o homem fala contra o seu irmão, pois em lugar de produzir vida, trará morte, pois da abundância que há no coração, disto fala a boca e, em sendo enganoso o coração, da boca só sairá engano. Um coração e um espírito que não foi trocado jamais produzirá ‘fruto’ bom ( Ez 36:26 ).

Os roubadores, os adúlteros e os mexeriqueiros, etc., são passiveis do fogo do inferno, pois são homens que se esqueceram de Deus (v. 22 ; Sl 9:17 ), e serão julgados segundo as suas obras.

Neste Salmo é exposto as mazelas do povo de Israel que considerava que Deus havia de se calar quanto aos seus desvios. Além de repreender e lançar em rosto o pecado do povo de Israel, Deus termina a abordagem instruindo:

 

23 Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará; e àquele que bem ordena o seu caminho eu mostrarei a salvação de Deus.

Novamente temos um paralelismo sinomínico, pois aquele que vê a salvação do Senhor é porque ofereceu sacrifício de louvor. Para o sacrifício ser aceito, primeiro Deus aceita o ofertante, mas como o sacrifício é o sacrifico dos lábios, que é professar a Cristo, segue-se que o homem ordenou o seu caminho, pois entrou pela porta que o conduz a Deus ( Jo 4:23 ).

Glorificar a Deus é oferecer sacrifício de louvor, que por sua vez, é o mesmo que professar o nome do Deus de Paz. Qualquer que professa a Cristo ordena o seu caminho, pois conhecerá a Cristo, a salvação de Deus.

Somente os salvos em Cristo glorificam a Deus, pois estes se refugiaram em Cristo, estão ligados a Oliveira verdadeira, que ‘dignou-se’ em salvá-los!

Somente aquele que oferece sacrifico de louvor, que é o fruto dos lábios, glorifica a Deus Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” ( Jo 15:8 ); “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ); “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” ( Rm 10:8 -10); “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus” ( Mt 10:32 ).

Basta confessar a Cristo em espírito e em verdade como salvador que o homem constitui-se louvor a Deus, pois está ligado (enxertado) a Oliveira verdadeira. É árvore de justiça, plantação do Senhor para que Deus seja glorificado “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” ( Jo 15:8 ).

Para glorificar a Deus basta ser árvore de justiça, plantação do Senhor “A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado ( Is 61:3 ); “E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado ( Is 60:21 ).

Não é o homem que produz, ou que concede glória a Deus como se possuísse algo que lhe acrescentasse glória, antes é a glória do Senhor que se estabelece no homem, e nisto Ele é glorificado. E o que resta ao homem após constituir-se árvore de justiça na qual o Senhor é glorificado? Resta bendizer o seu nome ( Sl 113 e 114).

Adoração não é música, nem gritos e, nem mesmo silêncio solene e respeitoso. Adoração não se dá por cânticos, rezas, orações, sacrifícios, votos, promessas, etc. Adoração é algo proveniente do adorador por ter feito a vontade do Pai! E que vontade é esta? Crer no enviado de Deus, esta é a vontade, a obra e o mandamento do Pai ( Jo 6:29 ; 1Jo 3:23 ).

Cantar ou tocar, gritar ou calar-se, saciar a fome do pobre ou acolher o necessitado, abraçar o que não tem condições de tomar banho ou querer bem às crianças paupérrimas, abrir mão dos bens ou doá-los aos necessitados, etc., não é ser um verdadeiro adorador, pois todas estas ações os judeus praticavam ( 1Co 13:3 ).

Adoração não é proveniente de como o homem vive a sua existência terrena, antes a adoração decorre da própria existência do homem gerado de novo em verdadeira justiça e santidade, com um coração novo e um espírito novo ( Ef 4:24 ; Ez 36:25 -27 ; Sl 51:10 ). A nova criatura, ou o novo homem em Cristo é gerado de Deus para a sua glória ( Jo 1:12 ). Deus cria, forma e faz o novo homem em verdadeira justiça e santidade para a sua própria glória “A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para a minha glória, os formei, e também os fiz” ( Is 43:7 ; Ef 1:12 ).

“Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes” ( Mt 12:7 ; Os 6:6 )

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