Descanso à sombra do Onipotente – Salmo 91

A promessa do Salmo 91 diz do Messias, pois somente Cristo habitou e habita no esconderijo do Altíssimo, mas é possível aos homens através da Sua palavra compartilhar do descanso à sombra do Onipotente.

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Salmo 91 – Aquele que Habita no esconderijo do Altíssimo

♪ Estudo bíblico completo do Salmo 91 ♪ – uma das profecias com várias promessas de proteção e livramento para o Cristo. O Salmo 91 faz referência a encarnação, sofrimento, morte e ressurreição.

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Salmo 96 – Como adorar o Senhor na beleza da sua santidade?

O cântico novo está atrelado à boca, à garganta, dos santos. Na no ajuntamento solene dos santos (assembleia) o tema é Cristo, o cântico novo ( Sl 149:1 ), pois os santos proclamam os altos louvores de Deus. Proclamar os altos louvores de Deus é o mesmo que empunhar a espada do espírito, que é a palavra de Cristo “Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, e espada de dois gumes nas suas mãos” ( Sl 149:6 ; Ef 6:17 ; Jo 6:63 ; Hb 4:12 ).


Introdução

O Salmo 96 também foi registrado no livro das Crônicas dos reis de Israel. No primeiro livro das Crônicas, no capítulo 16, os levitas trouxeram a Arca do Senhor que estivera sob o poder dos filisteus à cidade de Davi, e a colocaram em uma tenda que Davi havia erguido para aquela finalidade ( 1Cr 16:1 ).

Em seguida foi oferecido ao Senhor sacrifícios pacíficos e, ao final, Davi abençoou o povo em nome do Senhor. Para marcar o retorno da Arca do Senhor, naquele dia Davi distribuiu ao povo um pão, um bom pedaço de carne e um frasco de vinho ( 1Cr 16:2 ).

Davi também colocou alguns dos levitas perante a arca do Senhor por ministros com a função de recordarem, louvarem e festejarem ao Senhor. Ficou registrado nas Crônicas que Asafe era o chefe e Zacarias o segundo no ministério. Que Jeiel, Semiramote, Matitias, Eliabe, Benaia e Obede-Edom utilizavam alaúdes e harpas para falar ao povo, e Asafe, por sua vez, falava ao som de címbalos. Já os sacerdotes Benaia e Jaaziel continuamente tocavam trombetas perante a arca da aliança de Deus.

Davi entregou aos profetas salmos, sendo o Salmo 96 um dos que lhes foi entregue naquele dia “Então naquele mesmo dia Davi, em primeiro lugar, deu o seguinte salmo para que, pelo ministério de Asafe e de seus irmãos, louvassem ao SENHOR” ( 1Cr 16:7 ).

Como já relatamos, os salmos são profecias transformadas em poesias para serem cantadas ao som de instrumentos musicais para facilitar a memorização do povo de Israel, que na sua grande maioria à época não sabiam ler ( 1Cr 25:1 -9).

Também já demostramos pelas escrituras que os salmistas não compuseram os salmos com base em suas vidas terrenas, antes que os salmos tinham em vista o Messias, o Descendente prometido a Abraão – o Filho de Davi.

A poesia hebraica não privilegiava a rima e o ritmo, antes evidenciavam uma cadencia de pensamentos e ideias através de um recurso próprio denominado ‘paralelismo’.

 

Cânticos proféticos

Quando lemos: “Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR toda a terra” (v. 1 ; Sl 98:1 ), é possível observar um convite para que os habitantes da terra entoem um cântico novo. Mas, como entoar um cântico novo? Qual é o cântico novo?

Ao falar do ‘cântico novo’, o Dr. Russell Shedd em um e-book disponível na web intitulado ‘Adoração Bíblica’ fez o seguinte comentário:

“O cântico deve ser novo, pois a adoração pode perder seu brilho se a ferrugem das ações de graça rotineiras não forem constantemente renovadas sob a orientação do Espírito. A repetição de frases milenares toma-se algo enfadonho. Uma novo cântico abre a visão da glória do paraíso (Ap 5.9). Temas desgastados pela repetição acabam como apontamentos de aula, transferidos da apostila do professor para o caderno do aluno, sem penetrar na mente de nenhum deles!” Shedd, P. Russeel, Adoração bíblica, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova Copyright © 1987 – S.R. Edições Vida Nova.

O Dr. Russell enfatiza que o cântico deve ser novo, porém, não diz qual é o cântico novo. Como é possível a adoração ser passível de um ‘desgaste’? A adoração decorre de frases e temas que se desgastam com o tempo?

Ora, a adoração jamais perde o seu brilho, porque o cântico novo é proveniente de Deus, visto que a sua palavra se renova a cada manhã e permanece para sempre “Os teus estatutos têm sido os meus cânticos na casa da minha peregrinação” ( Sl 119:54 ; Sl 103:18 ); “Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o SENHOR a estes” ( Sl 126:2 ).

O cântico novo não é fruto da imaginação e da inspiração da alma do homem, antes ele decorre das obras que Deus opera em prol do seu povo conforme a sua palavra. O Salmo 103 é um exemplo de cântico novo, pois nele são enumeradas todas as benesses que Deus faz para com o homem.

O homem deve cantar a Deus um cântico novo em função das suas maravilhas, e a maior maravilha está em Deus ter manifesto a sua destra, desnudando o seu santo braço aos homens ( Sl 98:1 ; Is 52:10 ). Cristo é o tema do novo cântico, pois Ele é o braço do Senhor desnudado perante todos os povos “Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão ( Is 51:5 ).

Quando Isaias profetiza acerca de Cristo, o Servo do Senhor, temos o tema do cântico novo: “Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o seu louvor desde a extremidade da terra…” ( Is 42:10 ), pois aonde se dizia: “Não há paz” ( Is 48:22 ), através de Cristo passou a ser anunciado: Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” ( Is 57:19 ).

É o Senhor Deus que cria o ‘novo cântico’, o novo cântico é o fruto dos lábios que professam a Cristo ( Hb 13:15 ), pois Cristo é a nossa paz “SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras” ( Is 26:12 ). Quem anuncia as boas novas de salvação em Cristo, canta um cântico novo “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” ( Is 52:7 ).

Quem vê a Cristo e o teme, confiando n’Ele, tem um novo cântico posto na boca, um hino a Deus “E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” ( Sl 40:3 ). O hino que foi posto na boca do salmista diz de Cristo, pois Deus nunca foi visto por ninguém, mas o Filho revelou o Pai, de modo que todos os que nele creem veem a Deus “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” ( Jo 1:18 ; 1Jo 4:12 -14).

Ter um novo cântico na boca é o mesmo que ter a boca cheia de bens, pois a todos os que creem é dado poder para serem feitos filhos de Deus “Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia” ( Sl 103:5 ; Jo 1:12 -13). Para que o homem seja feito filho de Deus, necessário é nascer de novo, ou seja, renovar as suas forças em Deus “Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” ( Is 40:31 ).

O cântico novo está atrelado à boca, à garganta, dos santos. Na no ajuntamento solene dos santos (assembleia) o tema é Cristo, o cântico novo ( Sl 149:1 ), pois os santos proclamam os altos louvores de Deus. Proclamar os altos louvores de Deus é o mesmo que empunhar a espada do espírito, que é a palavra de Cristo “Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, e espada de dois gumes nas suas mãos” ( Sl 149:6 ; Ef 6:17 ; Jo 6:63 ; Hb 4:12 ).

Quando o Salmista convoca toda a terra para cantar um cântico novo, demonstra que a salvação de Deus tem por alvo todos os homens, ou seja, que a mensagem do evangelho não se restringe ao povo de Israel ( Jo 1:17 ). Se o cântico novo pode ser entoado por todas as gentes, isto significa que o cântico novo está intimamente ligado ao evangelho que fora anunciado primeiramente a Abraão: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ).

No que consiste cantar, bendizer ao Senhor? Cantar, bendizer, entoar um cântico novo é o mesmo que ‘anunciar a Salvação de Deus de dia em dia’, ou seja, proclamar o evangelho, produzir o fruto dos lábios ( Hb 13:15 ); “Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia” (v. 2); “Tributai ao SENHOR a glória de seu nome; trazei presentes, e vinde perante ele; adorai ao SENHOR na beleza da sua santidade” ( 1Cr 16:29 ).

O que nos garante que ‘cantar’, ‘bendizer’ ou ‘entoar um cântico novo’ é o mesmo que ‘anunciar a salvação do Senhor’? O paralelismo da poesia hebraica nos garante, pois a estrofe: “Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia”, contém dois casos específicos de paralelismo: 1) Sinônimo – a segunda frase repete o pensamento da primeira linha, e; 2) Sintético – a segunda frase completa ou aumenta o pensamento da primeira.

Quem canta, bendiz e vice versa, ou seja, quem canta, bendiz porque anuncia as boas novas do evangelho, que é salvação de Deus ( Rm 1:16 ).

Porque o salmista ordena que se anuncie entre as nações a glória do Senhor? “Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas” (v. 3). Por dois motivos: 1) “Porque grande é o SENHOR, e digno de louvor, mais temível do que todos os deuses” (v. 4), e; 2) “Porque todos os deuses dos povos são ídolos, mas o SENHOR fez os céus” (v. 5).

Qual é a glória do Senhor? Ora, a bíblia demonstra que a glória de Deus é Cristo “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” ( Hb 1:3 ).

Quais são as maravilhas de Deus? A salvação da humanidade! Enquanto os deuses dos povos são ídolos, o Senhor descrito pelo salmista é grande e digno de louvor. Ora, sabemos que Cristo é o Senhor, digno de louvor, pois foi Ele quem fez os céus e a terra e tudo que nela há “NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” ( Jo 1:1 -3); “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Hb 1:8 -12).

O salmista descreve o Messias pleno de glória e majestade, pleno de poder e de formosura em sua habitação. Diante de tamanho esplendor, o salmista ordena às famílias da terra a se rederem ao Senhor, ou seja, ‘tributa-se gloria e força ao Senhor’ quando o homem se render ao Senhor. É o mesmo que dizer: “Digna-te em salvar-nos”! “Glória e majestade estão ante a sua face, força e formosura no seu santuário. Dai ao SENHOR, ó famílias dos povos, dai ao SENHOR glória e força” (v. 6 e 7; Sl 40:13 ).

Quando o salmista convoca os homens à ‘dar glória ao Senhor’, não quer dizer que o homem é capaz de acrescentar glória Àquele que é pleno de glória. Deus não carece de glória e reconhecimento, antes, quando o homem reconhece que necessita de Deus, está ‘tributando’ glória a Deus, pois é neste momento que Deus realiza a sua obra “Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio” ( Sl 40:13 ); “Dai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei oferenda, e entrai nos seus átrios” (v. 8 ; Jo 6:29 ; Sl 145:10 ; Ef 1:12 ).

É Deus que estabeleceu a sua glória ao resgatar das trevas homens que são transportados para o reino do Filho do seu amor. Somente após Deus arrancar o homem do charco de lodo é que Deus coloca na boca um novo cântico “Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” ( Sl 40:2 -3).

Como adorar o Senhor na beleza da sua santidade? A resposta vem a seguir: tremendo diante d’Ele, ou seja, obedecendo ao Senhor “Adorai ao SENHOR na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra” (v. 9) “Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro” ( Is 8:13 ); “Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor” ( Sl 2:11 ); “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” ( Fl 2:12 ).

É equivocada a ideia de que Deus inspira medo, terror, em suas criaturas “Sua grandeza inspira temor. Quem teria coragem de aproximar-se de um Ser de tamanha importância?!”  (Idem). Em primeiro lugar, Deus não aterroriza as suas criaturas; Em segundo lugar, é impossível ao homem aproximar-se de Deus, mesmo com coragem, porque é Deus que se aproximou do homem ao enviar o mediador, Jesus Cristo homem.

A palavra de Deus é o temor, e obedecer à palavra é tremor, como se lê: “Ouvi a palavra do SENHOR, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam por amor do meu nome, dizem: Seja glorificado o SENHOR, para que vejamos a vossa alegria; mas eles serão confundidos” ( Is 66:5 ). Cristo é o temor do Senhor, pois Ele é a encarnação do Verbo, e todos os que O obedecem adoram-No na beleza da sua santidade “ORA, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” ( 2Co 7:1 ); “Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR” ( Sl 34:11 ).

Quando o apóstolo Pedro ordena que os cristãos santifique o Senhor em seus corações, ele fez referencia a Cristo, pois Cristo é a pedra que os edificadores rejeitaram “Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro. Então ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel; por armadilha e laço aos moradores de Jerusalém. E muitos entre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos” ( Is 8:13 ; 1Pe 3:15 ).

Profeticamente o salmista ordena aos povos que adorem a Cristo, pois Ele é Senhor sobre a terra e o céu, pois Davi O chama de Senhor “Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?” ( Mt 22:45 ; Sl 110:1 ).

O salmista é claro: é necessário anunciar às nações que Jesus é rei e reina, pois o seu reino foi estabelecido em justiça e verdade “Dizei entre os gentios que o SENHOR reina. O mundo também se firmará para que se não abale; julgará os povos com retidão” (v. 10). Foi Ele quem fundou a terra, de modo que ela não vacilará. Do mesmo modo que a terra não vacila porque Ele a sustem, Ele reinará e julgará os povos com retidão ( Is 32:1 ; Lc 1:33 ).

Em seguida o salmista conclama aos seus que se alegrem pelo regozijo estabelecido sobre a terra. Há alegria nos céus por um pecador que se arrepende! Toda a criação geme na expectativa da aparição dos filhos de Deus! “Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; brame o mar e a sua plenitude” (v. 11 ; Rm 8:18 ; Lc 15:10 ).

Quando o salmista ordena, dizendo: “Alegre-se o campo com tudo o que há nele” (v. 12), ele fala por enigmas, pois o campo é o mundo, e tudo que nele há refere-se aos povos. Aqueles que buscam a salvação do Senhor se regozijarão, pois tornar-se-á plantação do Senhor, árvores de justiça.

Na presença do senhor há abundância de alegria, por isso é que o salmista manda os povos jubilarem ante a face de Cristo, pois é certo que Ele virá e julgará os povos “Ante a face do SENHOR, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos com a sua verdade” (v. 13; Mt 25:31 -34).

O resplendor de Deus se vê na face de Cristo, pois Ele é o sol nascente das alturas por quem os homens são salvos “Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” ( Sl 80:3 ); “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ).

 

Adorando na beleza da Santidade

Cantar ao Senhor e celebrar a santidade do Senhor só é possível aos santos “Cantai ao SENHOR, vós que sois seus santos, e celebrai a memória da sua santidade” ( Sl 30:4 ).

A adoração não decorre de liturgias, cultos, oferendas, sacrifícios, etc., antes a essência da adoração é a nova criatura, obra que louva a Deus ( Sl 145:10 ; Ef 1: 12), pois é gerada segundo Deus em verdadeira justiça e santidade.

Para adorar a Deus na beleza da sua santidade é necessário crer em Cristo, santificando-O como Senhor em seu coração ( 1Pe 3:15 ), ou seja, crendo nele como o Filho de Davi, o Filho do Deus bendito.

Quando o homem crê em Cristo está tomando sobre si a sua própria cruz e seguindo após Cristo. Ao crer em Cristo o homem morre, é sepultado e ressurge com Ele uma nova criatura. No momento em que o homem é de criado de novo, com um novo coração e um novo espírito, é que Deus ‘encontra’ o verdadeiro adorador.

No momento em que o homem é regenerado (nasce de novo), surge um adorador que adora a Deus em espírito e em verdade, pois foi criado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade.

O verdadeiro adorador reúne em si mesmo os quesitos essenciais ao culto a Deus, pois ao nascer de novo torna-se pedra viva que compõe o edifício espiritual em que Deus habita. Tem-se no novo homem o templo em que Deus faz morada, templo, casa, tabernáculo.

O novo homem também exerce sacerdócio santo, pois oferece sacrifícios espirituais agradáveis a Deus. Como sacerdócio real, o cristão oferece o fruto dos lábios e apresenta o seu próprio corpo em sacrifício vivo ( Rm 12:1 ; Hb 13:15 ).

O que é o fruto dos lábios? ( Hb 13:15 ) É o cântico novo que fala da majestade de Cristo, da sua força e da glória do seu reino ( Sl 145:5 -6 e 11).

Sem crer em Cristo, o Senhor dos exércitos, é impossível agradar e aproximar-se de Deus, mas aos que creem n’Ele, criados de novo na condição de filhos, O adoram na beleza da sua santidade “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas?” ( Ex 15:11 ).

É um equivoco a ideia de que o homem consegue se santificar, antes é Deus que santifica o homem ao cria-lo em verdadeira justiça e santidade “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” ( Jd 1:24 ); “Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” ( Ef 5:27 ); “No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis” ( Cl 1:22 ).

Falas equivocadas acerca da santidade são reproduzidas aos montes sobre os púlpitos cristãos, tais como: – ‘Aquele que quer adorar a Deus não deve fazê-lo com sua vida de qualquer maneira’ – afirmando que a santificação está atrelada à mudança de comportamento, porém, as Escrituras afirma que o homem é santificado quando é gerado de novo, qusando o homem passa a estar escondida com Cristo em Deus.

Dizem também: – ‘Para que a adoração seja aceita, Deus quer ver santidade no adorador’ – Quem deseja ver santidade é o pregador de mensagens semelhantes a esta, pois julgam os outros segundo a vista, e não segundo a reta justiça “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo” ( Jo 8:15 ); “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” ( Jo 7:24 ). No homem gerado da carne e do sangue Deus não vê santidade, porém, no novo homem gerado em Cristo, Deus vê santidade, pois ao gerar o novo homem, a natureza de Deus é implantada nele ( 2Pe 1:4 ).

E, por fim, apresentam o seguinte verso como pretexto do que dizem: “Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ; At 4:12 ).

Ora, é Cristo quem nos santificou “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” ( 1Co 6:11 ). O escritor aos Hebreus utilizou um recurso linguístico neste verso chamado metonímia*, onde ele substitui o autor pela sua obra. A santificação é obra realizada por Cristo, portanto, quem segue a Cristo, segue a santificação. O cristão segue a Cristo, pois Ele é a nossa paz e a nossa santificação.

Portanto, quando lemos: Seguia a paz e a santificação, devemos compreender que é recomendado seguir a Cristo, pois sem Cristo ninguém verá a Deus “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” ( Ef 4:15 ); “… e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” ( 2Tm 2:22 ). Neste verso ocorre o mesmo fenômeno linguístico. Cristo é o caminho a verdade e a vida, portanto, o homem deve obedientemente seguir a verdade – Cristo, pois Ele é o caminho que conduz a Deus “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra” ( Ef 5:26 ).

*Metonímia – é um emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles.

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Salmo 95 – Convite para adorar a Cristo

A rocha da nossa salvação é o Senhor Jesus, a pedra angular de esquina que os lideres de Israel (edificadores) rejeitaram ( Sl 118:22 ). Os salmos e os profetas anunciaram que o Messias é a pedra preciosa de esquina bem firme e fundada, e que é necessário aos homens crer n’Ele “Portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse” ( Is 28:16 ); “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” ( Mt 7:24 ; 1Co 10:4 ).


Salmo 95 – Convite para adorar a Cristo

1 VINDE, cantemos ao SENHOR; jubilemos à rocha da nossa salvação. 2 Apresentemo-nos ante a sua face com louvores, e celebremo-lo com salmos. 3 Porque o SENHOR é Deus grande, e Rei grande sobre todos os deuses. 4 Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas. 5 Seu é o mar, e ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca. 6 Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR que nos criou. 7 Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz, 8 Não endureçais os vossos corações, assim como na provocação e como no dia da tentação no deserto; 9 Quando vossos pais me tentaram, me provaram, e viram a minha obra. 10 Quarenta anos estive desgostado com esta geração, e disse: É um povo que erra de coração, e não tem conhecido os meus caminhos. 11 A quem jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso. ( Sl 95:1 -11)

“E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo” ( 1 Coríntios 10:4 )

O apóstolo Pedro em sua primeira carta aos cristãos da dispersão deixou registrado que os profetas inquiriam e trataram diligentemente sobre a salvação que profetizavam e em que tempo a salvação se daria. Embora os profetas de Deus não soubessem os tempos em que a salvação de Deus havia de se manifestar, foi-lhes revelado que não profetizavam para eles mesmos ( 1Pe 1:10 -12).

Considerando que os salmos são profecias acerca do Cristo, o Filho de Davi ( 1Cr 25:1 -3; At 2:30 ), é fácil admitir que com o salmo 95 não seria diferente, pois o salmista profetizou acerca da salvação em Cristo.

 

1 VINDE, cantemos ao SENHOR; jubilemos à rocha da nossa salvação. 2 Apresentemo-nos ante a sua face com louvores, e celebremo-lo com salmos.

O salmista Davi faz um convite: ‘Vinde, cantemos ao Senhor!’. O convite é para cantar com alegria à rocha que é salvação. O convite do salmista vai além da ideia de cânticos litúrgicos. Para cantar, jubilar é necessário reconhecer, crer e confessar que o Senhor é a rocha da salvação (v. 1; Hb 4:7 ).

É um convite solene aos remidos para se apresentarem à rocha da salvação com louvores, celebrando com salmos. Por que os louvores devem ser celebrados com salmos? Porque os salmos são profecias, ou seja, testemunho de Deus acerca de Si mesmo.

Ao utilizar o pronome possessivo ‘nossa’ na segunda parte da convocação, o salmista demonstra que esta celebração compete apenas aos remidos do Senhor. Os remidos do Senhor celebram ao Senhor um cântico novo, ou seja, professam a Rocha da salvação; confessam a Cristo como Senhor; santificam a Cristo como Senhor em seus corações.

Quando o homem reconhece que a rocha da salvação é o Senhor, conforme descrito nos salmos, creu no Senhor conforme o testemunho que Deus deu de Si mesmo, ou seja, creu como diz as Escrituras “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ); “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” ( Jo 7:38 ).

Quem é a rocha da nossa salvação?

A rocha da nossa salvação é o Senhor Jesus, a pedra angular de esquina que os lideres de Israel (edificadores) rejeitaram ( Sl 118:22 ). Os salmos e os profetas anunciaram que o Messias é a pedra preciosa de esquina bem firme e fundada, e que é necessário aos homens crer n’Ele “Portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse” ( Is 28:16 ); “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” ( Mt 7:24 ; 1Co 10:4 ).

Quando o homem reconhece que Cristo é o Senhor, a rocha da nossa salvação, a sua confissão constitui-se o perfeito louvor, um cântico novo. Quando se ouve da boca do homem a confissão: “Jesus é o Cristo, o Filho de Davi”, ouve-se um cântico de salvação “Se é que já provastes que o SENHOR é benigno; E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa” ( 1Pe 2:3 -4); “Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia, e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se” ( Mt 21:15 ).

O convite do salmista para jubilar à rocha da salvação é uma clara alusão à igreja, pois a igreja de Cristo é edificada sobre a rocha salvadora. A igreja de Cristo é constituída de homens que creram em Cristo – a Rocha da salvação ( Mt 16:18 ). Quem crê em Cristo não é confundido ( 1Pe 2:6 ).

 

3 Porque o SENHOR é Deus grande, e Rei grande sobre todos os deuses. 4 Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas. 5 Seu é o mar, e ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca.

Nesta fala o salmista continua a descrever a rocha da salvação, ninguém menos que o Senhor, Deus grande e rei grande sobre todos os deuses. Cristo é esse Deus Grande, o motivo do cântico dos que creem. Nas mãos de Cristo estão todas as coisas, desde as profundezas do mar até as alturas dos montes. Tudo pertence a Cristo, o Senhor e Deus grande.

É Cristo quem criou todas as coisas e tudo existe por intermédio d’Ele “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” ( Hb 2:10 ).

O menino que nasceu segundo a palavra do profeta Isaías não aparentava ter o principado sobre os seus ombros, porém, Ele trouxe poderosa salvação aos homens que creem que Ele é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da eternidade e Príncipe da paz! ( Is 9:6 ).

Estando no mundo Jesus honrou o Pai dizendo: ‘Tu és o meu Pai e meu Deus’, e, por sua vez, o Pai o tornou mais elevado do que os reis da terra “Ele me chamará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação. Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra” ( Sl 89:27 ).

Todos que horam o Filho assim como honram o Pai, de fato honram a Deus. Os homens só horam a Deus quando adoram o Filho, santificando-o em seus corações “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou” ( Jo 5:23 ; 1Pe 3:15 ; Is 8:13 ).

A igreja de Cristo é honrada pelo Pai porque creu naquele que Deus enviou ( Jo 5:24 ), e herdará com Cristo todas as coisas ( Ap 21:7 ; Rm 8:17 ). Profeticamente o salmista convoca a Igreja para cantar a Cristo, a rocha de salvação. Ele é o Senhor, Deus Forte e Rei Grande ( Sl 82:1 ; Sl 89:6 ; Jo 10:34 ).

Jesus Cristo é Deus desde a eternidade e como rei o seu trono esta firme desde sempre ( Sl 93:2 ). Como Deus havia dado aos homens o poder de dominar sobre a face da terra, para ter a preeminência em tudo, Jesus foi introduzido no mundo como o Unigênito de Deus e, ao ressurgir dentre os mortos, tornou-se o Primogênito entre muitos irmãos. A igreja é o corpo de Cristo, de modo que, como cabeça do corpo Ele tem a preeminência, é o Sublime entre sublimes “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ); “DEUS está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses (…) Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo” ( Sl 82:1 e 6).

Jeremias ao falar do Rei Grande, assim profetizou: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” ( Jr 23:5 -6).

Quando o salmista convida: “Vinde, cantemos ao Senhor” (v. 1), é para que os salvos em Cristo se regozijem no Senhor que os estabeleceu por seu corpo.

Deus fez de dois povos a sua Igreja: judeus e gentios, são indivíduos de todas as tribos e línguas que o salmista convoca a regozijar na rocha da Salvação. Haverá um tempo em que Este mesmo Deus Grande fará que a casa de Israel se converta a Ele, o Deus Forte “Os restantes se converterão ao Deus forte, sim, os restantes de Jacó” ( Is 10:21 ).

Embora o povo de Judá outrora eram incrédulos, no tempo que se chama hoje foi-lhes dado uma nova oportunidade, Deus estabeleceu um novo e vivo caminho em que todos os homens, quer judeus ou gentios, podem ser conduzidos a Deus. Qualquer que olhar para Jesus e crer n’Ele conforme diz as Escrituras será salvo “Tu, ó Sião, que anuncias boas novas, sobe a um monte alto. Tu, ó Jerusalém, que anuncias boas novas, levanta a tua voz fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus” ( Is 40:9 ).

O salmista enfatiza a grandeza de Cristo porque à Igreja foi revelado o rosto do Senhor que se escondia da casa de Israel “E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei” ( Is 8:17 ; Is 64:7 ). Cristo é a luz que resplandeceu nas trevas, e o povo que habitava a região das trevas viu uma grande luz em virtude de um menino que nasceu ( Is 9:2 ).

O convite para exultar é para o povo que considera que Cristo Jesus é o Senhor, o Deus Forte, o Rei Grande que se assentou a destra da Majestade nas alturas “DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” ( Sl 110:1 ; At 7:55 ).

Caso considerassem as Escrituras, membros do povo de Israel seriam aceitos pelo Senhor que está à mão direita de Deus, tornando-os membros do seu corpo.

O Senhor Jesus resplandeceu o seu rosto sobre todos os homens, tanto aos da casa de Israel quanto aos gentios, pois Ele foi dado como luz para os gentios “Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra” ( Is 49:6 ; Is 8:17 ).

O mesmo Deus que no Gênesis disse: – ‘Haja luz’, resplandeceu o seu rosto sobre a igreja (todos os homens), de modo que Ele é a Rocha de salvação para todos os que o invocar “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ); “Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” ( Sl 80:3 ).

Quando Cristo tornou conhecida a glória de Deus, cumpriu-se a palavra que diz: “Eis-me aqui, com os filhos que me deu o SENHOR, por sinais e por maravilhas em Israel, da parte do SENHOR dos Exércitos, que habita no monte de Sião” ( Is 8:18 ; Hb 2:13 ), pois a igreja é composta de filhos de Deus ( Gl 3:26 -29).

O salmista demonstra no verso 5 que todas as coisas pertencem ao Senhor Jesus, demonstra que foi Ele quem fez os céus e a terra. Sobre a obra criativa de Cristo o escritor aos Hebreus deixou registrado: “… a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” ( Hb 1:1 -3).

O escritor aos Hebreus demonstra que o Salmo 45 também refere-se a Cristo: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros” ( Hb 1:8 -9 ; Sl 45:6 -7).

Em seguida, o escritor aos Hebreus enfatiza que Cristo criou os céus e a terra: “E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, e como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Hb 1:10 -12).

Portanto, concordando com as Escrituras que Cristo é o Senhor que fez o mar, Ele é o Senhor que com as suas mãos formou a terra seca “Seu é o mar, e ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca” ( v. 5); “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ).

 

6 Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do SENHOR que nos criou. 7 Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão.

O salmista repete o convite do verso 1: – “Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos!”. A convocação solene é para que a Igreja adore prostrada perante Cristo.

Por que a convocação para se prostrar diante da rocha da salvação? Porque a rocha da salvação é o Filho de Davi que, além de criar todas coisas, criou a Igreja! ( Cl 1:16 -17; Jo 1:3 ; Fl 2:11 ; Sl 97:7 ; Hb 1:6 ).

Através de Abraão, Deus constituiu um povo para si, porém, quando provados diante do monte Sinai com trovões e relâmpagos, rejeitaram a palavra do Senhor ( Ex 20:18 ). Agora, o Senhor novamente se apresenta como Filho do Homem, o Verbo que se fez carne, e o povo que não suportou os relâmpagos e os trovões tropeçaram na Pedra eleita e preciosa, pois não conseguiam ver que Jesus de Nazaré era o Filho de Davi.

Mas, todos que n’Ele creem, quer sejam judeus ou gregos, são criados de novo na condição de ovelhas da suas mãos. Ele é o Sumo Pastor das ovelhas que criou para si.

Sabemos que o mundo, e tudo que nele há, foi criado por Cristo ( Jo 1:3 ). Foi Cristo quem disse: – Haja luz e criou o homem segundo a imagem que Ele havia de vir, de modo que Adão era só uma figura do Cristo homem ( Rm 5:14 ).

Adão foi criado pela expressa imagem do Deus invisível – Cristo. Porém, a imagem que Adão recebeu foi a imagem do corpo que Cristo havia de vir ( Gn 1:27 ; Hb 1:3 ). Apesar de Adão ter sido criado por Cristo, se vendeu ao pecado estabelecendo uma barreira (pecado) que o impedia de adorar o seu Criador.

Cristo obrou maravilhosamente removendo a parede de separação, de modo que o salmista conclama a todos que foram criados de novo em verdadeira justiça e santidade, tornando-se filhos, herdeiros de Deus, ovelhas do seu aprisco, que adorem o seu Deus.

O motivo da adoração é patente: – “Ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão!”. A convocação do salmista é um convite solene para a igreja, ovelhas que ouviram o Bom Pastor, que disse: – “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” ( Jo 10:11 ); “Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas” ( 1Pe 2:25 ).

Quando os salmos enfatizam que o Senhor é Deus, indica que Cristo é Deus e Senhor sobre os céus e a terra “Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto” ( Sl 100:3 ); “Assim nós, teu povo e ovelhas de teu pasto, te louvaremos eternamente; de geração em geração cantaremos os teus louvores” ( Sl 79:13 ).

 

7 Se hoje ouvirdes a sua voz, 8 Não endureçais os vossos corações, assim como na provocação e como no dia da tentação no deserto;

O salmista faz um alerta solene e apresenta um exemplo: – “Se hoje ouvires a sua voz, não endureçais os vossos corações, assim como na provação e como no dia da tentação no deserto”.

No alerta, o salmista profetiza diretamente a Israel demonstrando que haverá um dia em que será dada uma nova oportunidade de se achegarem a Deus, porém, esta nova oportunidade não era para um povo especifico, antes para indivíduos de todas as tribos e línguas. Os mesmos membros de Israel, que outrora rejeitaram a Deus, não estavam excluídos, se ouvissem a vos de Cristo. Portanto, não deveriam endurecer seus corações.

Como nação o povo de Israel foi provado e rejeitado mais uma vez, pois não aceitaram a Cristo por santuário quando Ele disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” ( Jo 6:51 ). A Rocha de salvação tornou-se para ele em rocha de escândalo “Então ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel; por armadilha e laço aos moradores de Jerusalém” ( Is 8:14 ).

9 Quando vossos pais me tentaram, me provaram, e viram a minha obra. 10 Quarenta anos estive desgostado com esta geração, e disse: É um povo que erra de coração, e não tem conhecido os meus caminhos. 11 A quem jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso.

O salmista profetiza em nome do Senhor pelo Espírito Santo ( Hb 3:7 ), como se lê na carta aos Hebreus: “Quando vossos pais me tentaram, me provaram, e viram a minha obra. Quarenta anos estive desgostado com esta geração, e disse: É um povo que erra de coração, e não tem conhecido os meus caminhos. A quem jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso” (v. 9 -11; Hb 3:7 -11).

O escritor aos Hebreus explana estes versos do Salmo 95: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação. Porque, havendo-a alguns ouvido, o provocaram; mas não todos os que saíram do Egito por meio de Moisés. Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade” ( Hb 3:12 -19).

Tudo o que foi escrito nas Escrituras nos foi dado por figura, sendo que a realidade encontra-se em Cristo “E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo” ( 1Co 10:4 ).

Tudo foi deixado para exemplo, para que os que são participantes de Cristo não se façam idólatras ( 1Co 10:7 ), promíscuos ( 1Co 10:8 ), desobedientes ( 1Co 10:9 ) e murmuradores ( 1Co 10:10 ).

O povo de Israel, por causa da incredulidade, não entrou no descanso que Deus havia preparado desde a fundação do mundo ( Hb 3:19 e 4:3 ).

As mesmas boas novas que foram anunciadas à Igreja, também foram anunciadas ao povo de Israel, porém, não creram ( Hb 4:2 e 6). Como foi anunciada as boas novas ao povo de Israel e não creram, muito tempo depois por intermédio do salmista Davi, Deus promete descanso ao dizer: – “Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações!”.

O povo de Israel tentou e provou a Deus e viu o que Ele realizou, porém, não se arrependeram dos seus maus caminhos. O período de peregrinação no deserto se sucedeu em função de não confiarem em Deus, de modo que Deus estabeleceu na sua ira que não entrariam no descanso prometido, de modo que todos morreram no deserto, exceto Calebe e Josué.

Como não confiaram em Deus como o crente Abraão, o povo errava por não compreender que herdaram um coração maligno de Adão ( Is 43:27 ). Como entraram por uma porta larga (Adão) e trilhavam um caminho que os conduzia à perdição, os filhos de Israel eram pecadores (errados de espírito). Para conhecer o caminho do Senhor, necessário era circuncidarem o coração incircunciso que herdaram de Adão.

Bastava confiarem em Deus conforme Davi que rogou a Deus dizendo: “Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:9 -10), que o Alto e o Sublime faria deles morada vivificando o coração e o espírito “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

Se confiassem em Cristo, Deus lhes daria um novo coração e um novo espírito e habitaria neles ( Is 57:15 ). Apesar de todas as ordenanças da lei ser figuras que apontam para Cristo como o descanso prometido, Israel rejeitou a Cristo: o descanso ( Cl 2:16 -17 ; Hb 10:1 ).

Mas, aqueles que creram, a Igreja de Cristo, entraram no descanso prometido e descansaram de todas as suas obras, judeus e gentios, como o Senhor das suas “Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas” ( Hb 4:10 ).

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