Terei misericórdia de quem me aprouver!

Perdoar o pecado do povo já era um pedido descabido por parte de Moisés, quanto mais a condição que estabeleceu: “…se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Êx 32:32). Ao fazer essa oração, Moisés desconsiderou completamente o que foi dito por Deus aos filhos de Israel, quando estavam acampados ao pé do monte Sinai.


“Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer, nem do que corre, mas de Deus, que usa de misericórdia” (Romanos 9:15-16)

 

Para compreender a palavra de Deus: “… terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 33:19), quando revelou a Sua glória a Moisés, temos de voltar alguns dias no tempo, no dia em que Deus anunciou a Lei aos filhos de Israel.

Três meses, após saírem do Egito, os filhos de Israel chegaram ao deserto do Sinai e acamparam diante do monte (Êx 19:1). No terceiro dia, após o povo se santificar, Moisés subiu ao cume do monte, quando Deus lhe disse, abertamente:

“Não te encurvarás a elas, nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êx 20:6).

Deus deixou muito claro ao povo de Israel que é Deus zeloso, ou seja, que vela sobre a sua palavra para cumpri-la (Jr 1:12). Isto posto, Deus dá a sua palavra de que não justifica o pecado daqueles que O odeiam, mas, que faz misericórdia aos que O amam, ou seja, aos que guardam os seus mandamentos.

Tomando por base a palavra de Deus dita a Moisés, no capítulo 20, verso 6, pergunta-se: – de quem Deus tem misericórdia? Deus tem misericórdia, única e exclusivamente, daqueles que O amam!

Essa verdade é inconspurcável e enfatizada repetidas vezes:

“Mas a misericórdia do SENHOR é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que o temem e a sua justiça sobre os filhos dos filhos; Sobre aqueles que guardam a sua aliança e sobre os que se lembram dos seus mandamentos, para os cumprir” (Sl 103:17-18);

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos” (Dt 5:10);

“Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia, até mil gerações, aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Dt 7:9);

“E orei ao SENHOR meu Deus, confessei e disse: Ah! Senhor! Deus grande e tremendo, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos” (Dn 9:4).

Deus deixou estabelecido nas Escrituras que somente demonstra misericórdia aos que obedecem ao Seu mandamento, pois a misericórdia (amor) de Deus é que guardemos os seus mandamentos.

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” (1 Jo 5:3).

Após Moisés anunciar estas palavras ao ouvido dos filhos de Israel e eles votarem a uma só voz que obedeceriam tudo o que o Senhor ordenou (Êx 24:7), bastou Moisés se ausentar por quarenta dias e quarenta noites para os filhos de Israel transgredirem o mandamento, adorando um bezerro de ouro (Êx 32:1).

“Então disse o SENHOR a Moisés: Vai, desce; porque o teu povo, que fizeste subir do Egito, se tem corrompido e depressa se tem desviado do caminho que eu lhe tinha ordenado; eles fizeram para si um bezerro de fundição e perante ele se inclinaram, ofereceram-lhe sacrifícios e disseram: Este é o teu deus, ó Israel, que te tirou da terra do Egito” (Êx 32:7-8).

No dia seguinte, após destruir o bezerro de ouro, Moisés subiu ao Senhor para rogar pelo povo e disse:

“Ora, este povo cometeu grande pecado fazendo para si deuses de ouro. Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Êx 32:31-32).

Ora, segundo o que Deus já havia estabelecido: a) Deus visita a iniquidade dos que O odeiam, e; b) faz misericórdia aos que O amam, portanto, por esses dois motivos, a oração de Moisés, para perdoar o povo, não tinha como prosperar.

Em primeiro lugar Deus é Deus zeloso e a sua palavra não volta vazia. Em segundo lugar, Deus é justo, portanto, Ele não pode justificar o ímpio (Êx 23:7; Êx 34:7). Em terceiro lugar, a alma que pecar, essa mesma morrerá (Êx 32:33).

Perdoar o pecado do povo já era um pedido descabido por parte de Moisés, quanto mais a condição que estabeleceu: “…se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Êx 32:32). Ao fazer essa oração, Moisés desconsiderou completamente o que foi dito por Deus aos filhos de Israel, quando estavam acampados ao pé do monte Sinai.

Como os filhos de Israel pecaram contra o Senhor odiando-O, Deus determinou a Moisés que conduzisse o povo como o ordenado, porém, ficou estabelecido que, no dia da visitação, Deus haveria de dar aos filhos de Israel a paga pela ofensa no deserto (Êx 32:34-35).

Em seguida, Moisés roga a Deus que ande com os filhos de Israel (Êx 33:15), ao que Deus aquiesceu (Êx 33:17). Moisés roga a Deus que mostre a Sua gloria, Deus atende ao pedido e avisa:

“Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 33:19).

Embora Deus tenha concedido a Moisés ver a Sua glória, Moisés precisava compreender que Deus teria misericórdia de quem Lhe aprouvesse! Para Moisés não se esquecer da palavra que havia sido anunciada ao povo, quando acampado ao pé do monte Sinai, evidenciar a Sua vontade e evitar equívocos, Deus utiliza um espécie de trocadilho.

De quem Deus tem misericórdia? Daqueles que O amam! Deus tem misericórdia dos que O obedecem! Aprouve a Deus ter misericórdia dos que O amam! Quando é dito: ‘Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia’, Deus está trazendo à memoria a sua vontade expressa: aprouve-me ter misericórdia dos que me amam!

De quem aprouve a Deus ter compaixão? Dos que O amam, ou seja, daqueles que Lhe obedecem! Lembrando que, nas Escrituras, os termos amor e ódio, dependendo do contexto, estão respectivamente para obediência e desobediência, dedicação e desprezo.

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mt 6:24).

Com base na ideia de que Deus tem misericórdia de quem ele quer, e de que Ele tem misericórdia dos que O amam, o apóstolo Paulo citou essa passagem, para enfatizar que Deus cumpriu a sua palavra anunciada a Abraão, mesmo que nem todos os pertencentes à nação de Israel sejam, de fato, israelitas (Rm 9:6-8).

“Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas; Nem por serem descendência de Abraão, são todos filhos” (Rm 9:6-7).

O apóstolo destaca, desde o verso 7, que a palavra de Deus é firme e que, portanto, deve ser interpretada corretamente.

Por que é necessária a interpretação? Porque, não basta ser descendente da carne de Abraão, para ser considerado filho de Abraão, pois, a palavra de Deus indicava que, em Isaque, seria chamada a descendência de Abraão, não, propriamente, em Abraão.

O apóstolo cita as Escrituras: ‘mas: em Isaque será chamada a tua descendência’ e, em seguida, dá a interpretação: ‘Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas, os filhos da promessa é que são contados como descendência’. Deus não afirmou que Isaque seria a descendência de Abraão, mas, que, em Isaque, a descendência seria chamada!

A palavra da promessa era: ‘Por este tempo virei e Sara terá um filho’, no entanto, essa não era a única palavra, pois, também, foi dito a Rebeca: ‘O maior servirá o menor’.  E por que Deus disse a Rebeca que o maior serviria o menor? Resposta: – Porque Deus amou a Jacó e odiou a Esaú!

Dai a pergunta: há injustiça da parte de Deus, por que Ele disse que amou a Jacó e que odiou a Esaú? Ou, porque o maior servirá o menor? Ou, porque nem todos os que são de Israel são israelitas? Ou, porque, mesmo sendo descendência de Abraão, não eram todos seus filhos?

Para demonstrar que não há injustiça em Deus, nas perguntas formuladas acima (Rm 9:14), antes, que a palavra de Deus não falhou, o apóstolo Paulo cita a palavra de Deus a Moisés, demonstrando que Deus é Deus zeloso:

“Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia” (Rm 9:15).

Deus tem misericórdia, especificamente, dos que O amam, pois Ele teve misericórdia de Abraão, porque cumpriu todos os Seus mandamentos e, por isso, foi chamado de amigo de Deus.

“Porquanto, Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gn 26:5; Is 41:8).

Deus elegeu Abraão para ordenar a sua descendência (casa), a fim de que os seus descendentes guardem os mandamentos do Senhor e, em contra partida, o Senhor faria vir sobre Abraão, o que acerca dele havia falado, demonstrando, assim, que Deus tem misericórdia dos que obedecem à sua palavra.

“E disse o SENHOR: Ocultarei eu a Abraão o que faço, visto que Abraão, certamente, virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho conhecido e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do SENHOR, para agir com justiça e juízo; para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gn 18:17-19).

Se a promessa de Deus, dada a Abraão, tivesse se cumprido na palavra: “Por este tempo virei e Sara terá um filho”, seria desnecessária a palavra de Deus anunciada a Rebeca: “O maior servirá o menor”, que concebeu de Isaque, também, pai dos judeus (Rm 9:10).

O apóstolo Paulo também demonstra que a perspicácia de Rebeca em obedecer a Deus é semelhante à de Abraão e, por isso, foi dada a palavra a Rebeca: “O maior servirá ao menor”.

Ora, quando foi dito que o maior servirá ao menor, Deus não estava escolhendo entre indivíduos: Esaú e Jacó, mas, sim, entre dois povos, o que contraria o pensamento calvinista e arminianista da eleição e da predestinação. Deus não estava escolhendo Jacó para a salvação, mas, determinando que o Cristo viria da sua descendência.

“E o SENHOR lhe disse: Duas nações há no teu ventre e dois povos se dividirão das tuas entranhas e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor (Gn 25:23).

Pela palavra que ouviu, Rebeca não ficou passiva, mas, abordou o seu filho Jacó e o orientou a enganar seu próprio pai e, diante do medo que Jacó teve de uma possível maldição, ela se interpôs: “Meu filho, sobre mim seja a tua maldição; somente obedece à minha voz, vá e traze-os” (Gn 27:13) e, assim, garantiu que a bênção prometida a Abraão ficasse na casa de Jacó e não na casa de Esaú (Ml 1:1-3).

Haveria injustiça em Deus, ao amar a Jacó e,  em aborrecer a Esaú? Não! Pelo fato de Esaú ter desprezado o direito de primogenitura, ele não alcançou misericórdia, pois a misericórdia é para os que obedecem. Diferentemente, de Esaú, Jacó alcançou misericórdia, porque buscou para si o direito de primogenitura. Esaú não achou lugar de arrependimento porque só existe um primogênito, direito que ele vendeu a Jacó.

“E ninguém seja devasso ou, profano, como Esaú, que, por uma refeição, vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele, ainda, depois de herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas o buscasse” (Hb 12:16-17).

Deus não teve misericórdia de Esaú porque ele foi devasso, vez que profanou o estabelecido por Deus, quanto ao direito de primogenitura. Jacó, por sua vez, amou o estabelecido por Deus no direito de primogenitura e buscou o direito para si, comprando-o. E, por isso, foi recompensado pela sua diligência!

O apóstolo Paulo disse que desejava ser separado de Cristo, por amor aos seus irmãos, mas, o desejo do apóstolo não muda a palavra de Deus, de que Ele tem misericórdia dos que O amam (Rm 9:3). Esaú desejou herdar a bênção e, com lágrimas a buscou, mas, não achou lugar de arrependimento. Moisés queria que Deus exercesse misericórdia sobre os filhos de Israel, mas, o exercício da misericórdia de Deus, não dependia de Moises querer ou correr, mas de Deus, que usa de misericórdia para os que O amam, ou, seja, aos que guardam o seu mandamento.

“Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer, nem do que corre, mas de Deus, que usa de misericórdia” (Rm 9:15-16).

Da mesma forma que Deus tem misericórdia de quem Ele aprouver, aprouve a Deus salvar os crentes, pela loucura da pregação:

“Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve, a Deus, salvar os crentes, pela loucura da pregação (1 Co 1:21).

Não aprouve a Deus salvar a quem Ele quisesse, pelo fato de ser soberano, antes, soberanamente, aprouve a Ele salvar os crentes, por meio do evangelho. O evangelho é a graça de Deus, segundo a sua misericórdia, e para o homem ser salvo, é necessário amar a Deus, crendo em Cristo.

Ao crer em Cristo, o homem ama a Deus, portanto, Deus terá misericórdia deste, pois, ele obedeceu ao mandamento de Deus:

“Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus” (Jo 16:27).

A misericórdia de Deus é manifesta no seu mandamento, possibilitando ao homem obedecer e ser salvo. Obediência ao mandamento resulta na perfeita obra de Deus.

“Jesus respondeu e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” (Jo 6:29);

“Sê tu a minha habitação forte, à qual possa recorrer continuamente. Deste um mandamento que me salva, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza” (Sl 71:3).

Quando Deus disse a Faraó: “Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra” (Rm 9:18; Êx 9:16). Assim, Deus já tinha demonstrado a sua misericórdia, ao ordenar: – “Deixa o meu povo ir”, mas, Faraó se recusou a obedecer.

Através da palavra do Senhor dada a Faraó, conclui-se que Ele compadece de quem quer, ou seja, dos que obedecem à sua palavra. Logo, Ele endurece, ou, resiste a quem quer, ou seja, aos soberbos, aos desobedientes, etc.

“Logo, pois, compadece-se de quem quer (quem lhe apraz) e endurece a quem quer (quem não lhe apraz)” (Rm 9:18);

“Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4:6; 1 Pe 5:5).

A palavra de Deus, para alguns, é salvação e para outros, perdição:

“E, em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas, para vós, de salvação, e isto de Deus” (Fl 1:28).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

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A essência da doutrina da predestinação

Deus nunca vinculou a perdição ou a salvação como destino dos homens, antes vinculou a salvação e o destino ao caminho no qual estão, por isso ninguém está predestinado à salvação ou à perdição.


“E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:49)

Ao abrir a madre todos os homens estão predestinados a serem conforme a expressa imagem de seus pais, daí a base da premissa do apóstolo Paulo: ‘… trouxemos a imagem do terreno…’ (1 Co 15:49).

Antes de todos os homens nascerem, já estava determinado qual imagem teriam: a imagem dos seus pais! Ninguém escapa ao que está preordenado, acerca da imagem que os pais transmitem aos seus filhos.

Semelhantemente, assim como todos estão predestinados a herdarem a expressa imagem dos seus pais, em Cristo, também estão predestinados a serem conforme a expressa imagem de Cristo.

Sobre esta verdade, declara o apóstolo Paulo, que Deus predestinou ‘para serem conforme a imagem de seu Filho’, todos   os que creem em Cristo, através da mensagem do evangelho  (Rm 8:29), de modo que todos os que são de novo nascidos, passam a ter a imagem do homem celestial, que é Cristo.

A afirmação de que todos quantos abrem a madre estão predestinados a serem conforme a imagem dos seus pais, remete a Adão, o primeiro homem. Quando Deus criou Adão, ele foi feito alma vivente e, por serem descendentes dele, todos os homens foram feitos almas viventes, de posse da imagem que Adão foi criado.

De Jesus Cristo, o Senhor, é dito que Ele é o último Adão, espírito vivificante e homem celestial. Por intermédio do evangelho, a semente incorruptível, todos os que são de novo gerados, são celestiais e conforme a imagem de Cristo.

A essência da predestinação bíblica vem expressa nestes versos:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais, também, os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:45-49).

Da mesma forma que é impossível os filhos não compartilharem da mesma imagem dos pais, essa impossibilidade se estende aos homens ‘celestiais’. Por causa desta impossibilidade, de ‘terrenos’ e ‘celestiais’ não se desvincularem da imagem que herdam ao nascer, é dito que estão ‘predestinados’.

O verbo grego traduzido por ‘predestinar’ é προορίζω (proorizó), que significa predeterminar, decidir de antemão e foi utilizado nas seguintes passagens bíblicas: Atos 4:28, 1 Corintios 2:7, Romanos 8:29 e Efésios 1:5 e 11.

Ao criar o homem, Deus estabeleceu que os descendentes de Adão seriam conforme a imagem de Adão. Neste quesito, diz-se que Deus ‘προορίζω’, ou seja, deixou estabelecido, preordenou, traçou limites, antes de os descendentes de Adão virem à existência, qual imagem teriam: a imagem do homem terreno.

Por que Deus estabeleceu, de antemão, que a imagem dos celestiais seria conforme a imagem de Cristo, o homem celestial?

O motivo pelo qual os celestiais são conforme a imagem dos celestiais é claro e especifico: para que Jesus Cristo seja o primogênito de Deus entre muitos irmãos!

“Porque os que dantes conheceu, também, os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29).

 Jesus foi introduzido no mundo na condição de unigênito de Deus, mas, ao ressurgir dentre os mortos, tornou-se o primogênito de Deus. Por quê? Porque, com Cristo, ressurge uma nova criatura todo aquele que crê na verdade do evangelho. Ao crer em Cristo, o homem morre, é sepultado e ressurge uma nova criatura, criada segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade, conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

Por intermédio de Cristo, o homem alcança a imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26), pois, Cristo é a expressa imagem do Deus invisível, o primogênito de toda Criação e os que creem são feitos à sua expressa imagem e semelhança: “O qual é a imagem do Deus invisível, o primogênitos de toda a criação” (Cl 1:15).

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que haveremos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos” (1 Jo 3:2).

A predestinação dos que creem, para serem semelhantes a Cristo, visa satisfazer o propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo: a preeminência de Cristo em tudo.

O mistério da vontade Deus, diz do beneplácito proposto em Si mesmo, que é tornar a reunir em Cristo todas as coisas!

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1:18);

“Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus, como as que estão na terra” (Ef 1:9-10).

A predestinação bíblica é funcional, pois visa o propósito eterno de Deus estabelecido em Cristo: exaltá-lo soberanamente!

“Por isso, também, Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Fl 2:9).

Na cultura greco-romana encontramos a concepção fatalista e na cultura grega antiga, temos os mitos, como as Moiras e o estoicismo entre os gregos e romanos.

Essa concepção fatalista acabou por influenciar pensadores cristãos, de modo a pensar que todos os eventos são arquitetados por Deus, ao que nomeiam predestinação, diferenciando do fatalismo, pelo fato de não recorrer a nenhuma ordem natural.

Vale destacar que as correntes filosóficas como o ‘fatalismo’ e a ‘predestinação’ diferem do determinismo, ‘teoria filosófica de que todo acontecimento (inclusive o mental) é explicado pela determinação, ou seja, por relações de causalidade’ Wikipédia.

Enquanto a Bíblia apresenta a predestinação, relacionada com o propósito eterno que Deus estabeleceu na pessoa de Cristo, alguns teólogos, como Agostinho de Hipona e João Calvino, influenciados pelo pensamento greco-romano,  entenderam que a predestinação é doutrina que trata da salvação de alguns e da condenação eterna de outros.

Em nenhuma passagem bíblica, encontramos expresso que Deus predestinou alguém à salvação, antes encontramos que Deus predestinou aqueles que foram de novo gerados pela palavra da verdade, para serem conforme a imagem de Cristo (Rm 8:29). O novo homem, por ser gerado de Deus, alcança a mesma imagem de Cristo, além de ser herdeiro com Ele de todas as coisas.

Quando escreveu aos cristãos de Éfeso, o apóstolo Paulo enfatiza que Deus havia predestinado os cristãos a serem filhos por adoção, o que indica qual é a condição e natureza dos cristãos (Ef 1:5). O objetivo da predestinação, na qual os cristãos são feitos herança, visa o louvor da glória de Deus (Ef 1:11-12), não a salvação.

Uma má leitura do versículo 5, do capítulo 1, da carta de Paulo aos Efésios, dá conta que Deus predestinou os não crentes a serem salvos, porém, o apóstolo diz que Deus predestinou por adoção os santos e fiéis em Cristo, que estavam na cidade de Éfeso, a serem filhos (Ef 1:1).

Quando disse: ‘E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo…’, o apóstolo Paulo utilizou o pronome na primeira pessoa do plural: ‘nos’ (ἡμᾶς), indicando que tanto ele quanto os cristãos estavam predestinados, uma das bênçãos espirituais com que foram abençoados.

“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça” (Ef 1:5-6)

É em Cristo que os cristãos são santos e fiéis. É em Cristo que os crentes foram abençoados, com todas as bênçãos espirituais. É em Cristo que os cristãos são eleitos e predestinados! Mas, como os cristãos passaram a estar em Cristo? Quando creram, ao ouvirem “a palavra da verdade, o evangelho da ‘vossa’ salvação” (Ef 1:13).

Os calvinistas e arminianistas erram o público alvo da predestinação, ao entenderem que esta se refere a não crentes em Cristo, sendo que o apóstolo Paulo aponta para a condição dos que creram em Cristo, em decorrência de uma das bênçãos concedidas: a predestinação.

Esperar de antemão (προελπιζω) em Cristo é o mesmo que ser conhecido (προέγνω) de Deus. O único modo de alcançar a salvação em Cristo é crendo no evangelho. Os que esperam em Cristo é porque creram no evangelho. Os que são conhecidos de Deus são aqueles que cumprem o seu mandamento, que é crer em Cristo (1 Co 8:3; 1 Jo 2:3).

Observe:

“Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele” (1 Co 8:3);

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28).

O que concede salvação ao homem é crer no evangelho, que é poder de Deus para salvação (Rm 1:16) e não a predestinação, que concede a imagem de Cristo aos que são salvos pelo evangelho.

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16);

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1:13).

A fórmula para a salvação em Cristo, está expressa nos seguintes termos:

“Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que, com o coração se crê para a justiça e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” (Rm 10:8-11).

A Bíblia deixa claro que quem invocar a Cristo será salvo! A salvação em Cristo não segue o viés fatalista que é próprio ao pensamento greco-romano! Ninguém abre a madre predestinado à salvação, antes, ao nascer, entra por uma porta larga, que dá acesso a um caminho largo, cujo destino é a perdição.

O caminho que os homens trilham, quando vem ao mundo, está atrelado à perdição, pois entraram por uma porta larga quando nasceram: Adão. Já o caminho que os gerados de novo trilham está atrelado à salvação, por isso a necessidade de entrar por Cristo, a porta estreita.

Deus nunca vinculou a perdição ou a salvação como destino dos homens, antes vinculou a salvação e o destino ao caminho no qual estão, por isso ninguém está predestinado à salvação ou à perdição.

Todos os homens, quando vêm ao mundo, estão predestinados a serem conforme a imagem de Adão e essa verdade não podem mudar. Entretanto, todos os homens que entrarem no mundo estão em um caminho de perdição e essa condição só pode ser alterada, desde que os homens nasçam novamente.

Nenhum homem escolhe entrar pela porta larga, visto que todos os homens, ao virem ao mundo, entram por ela. A todos que entraram no mundo por Adão e que estão seguindo para a perdição, através do evangelho é ofertada a oportunidade de serem gerados de novo, entrando por Cristo, a porta estreita e o último Adão.

Ao nascer de novo, o homem se livra da condenação, que é próprio ao caminho largo, e atrelado à salvação em Cristo, torna-se participante da natureza divina, predestinado a ser conforme a expressa imagem de Cristo.

Embora ainda não seja manifesto o que haveremos de ser, contudo sabemos que seremos semelhantes a Cristo (1 Jo 3:2), pois o motivo da predestinação bíblica repousa no fato de que Cristo é o primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele:

“O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:45-49).

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Predestinação e Livre-Arbítrio

Vincular indivíduos a destinos, antes mesmo de nascerem, é pensamento contrário às Escrituras, pois a Bíblia evidencia que os destinos estão vinculados aos caminhos. Se alguém nascido da carne e do sangue (Adão) não tomar a decisão de acatar o convite de Deus, será conduzido pelo caminho largo à perdição, mas qualquer que nascer do espírito (último Adão), acatando o convite de Deus, estará no caminho estreito (Cristo), que conduz o homem a Deus.


Predestinação e Livre-Arbítrio

“Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais” (1 Coríntios 15:48 ).

Introdução

É tão espantosa a quantidade de textos sobre predestinação e livre-arbítrio,[1] que o argumento inicial se restringe em afirmar que o tema é de difícil explicação ou é um problema insolúvel.

Invariavelmente, os artigos sobre predestinação e livre-arbítrio, quando começam com as razões acima, somente conduzirão o leitor a rever posições doutrinárias de alguns teólogos do período da reforma protestante e, ao final, não apresentará uma resposta segura ao tema, além de introduzir muitas dúvidas.

É recorrente afirmar que o assunto tem sido objeto de inúmeras discussões ao longo da história do cristianismo, porém, o que se vê não é discussão, mas a imposição de ideias que se sagraram sob o rótulo de ‘escriturísticas’, ou seja, não podem ser questionadas.

No entanto, vale destacar que, se determinado assunto das Escrituras possui duas correntes doutrinárias, certamente uma delas é anti-bíblica ou, ambas são anti-bíblicas, pois o modelo das sãs palavras do evangelho não comportam duas vertentes sobre o mesmo tema: Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor, que há em Cristo Jesus” (2Tm 1:13) .

Considerar que a Bíblia comporta duas doutrinas contraditórias e que ambas possuem fundamento bíblico é tendência de cunho humanista[2], portanto, contraria as Escrituras, pois o próprio Senhor Jesus não teve tal autonomia: “E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai me tem dito (Jo 12:50).

O evangelho de Cristo não possui várias vertentes e nem comporta várias interpretações. O substantivo grego πίστις, transliterado pistis e traduzido por ‘fé’, foi utilizado pelo apóstolo Paulo para fazer referência ao evangelho como ‘unidade’, um corpo de doutrina que não comporta várias vertentes: “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4:13).

Qualquer doutrina à margem do evangelho de Cristo é anátema. Nenhuma celebridade, pastor, teólogo, etc., mesmo sendo uma personalidade histórica, não detém autoridade para postular uma doutrina ou uma interpretação que assuma o valor de doutrina bíblica, nem mesmo o apóstolo Paulo: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gl 1:8 -9).

Aos que contestavam a ressurreição dentre o mortos, argumentou o apóstolo Paulo: “Se, como homem, combati em Éfeso contra as bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (1Co 15:32). Essa argumentação também serve para muitos seguimentos doutrinários, pois se há predestinação para salvação, que aproveita o combate em defesa do evangelho?

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 1:3).

 

Calvinismo versus Arminianismo

O maior obstáculo à compreensão da doutrina da predestinação e do livre-arbítrio, foi estabelecido por dois teólogos: João Calvino e Jacob Armínio.

Diante das doutrinas de Calvino e de Armínio, alguns teólogos afirmam que a doutrina calvinista é antagônica à doutrina arminianista, entretanto, quando analisadas, ambas as doutrinas derivam do mesmo erro: entender que Deus escolhe e predestina quem vai ser salvo ou não.

A discussão sobre a soberania de Deus e o livre-arbítrio do homem, mediante perspectivas arminianistas e calvinistas, realmente demonstra que tais correntes são inconciliáveis, para não dizermos, paradoxais.

A Bíblia ensina que qualquer que invocar o Senhor será salvo (Jl 2:32; At 2:21; Rm 10:13), e não faz referência à soberania de Deus e nem à sua onisciência. O profeta Isaias destaca que as mãos de Deus não estão encolhidas para que não possa salvar e nem agravados os seus ouvidos (Is 59:1). Por que não encontramos um texto bíblico onde é enfatizado que Deus é soberano para salvar? Por que não é enfatizado que Deus salva por sua onisciência? Por que a Bíblia enfatiza o perdão, a misericórdia e a benignidade de Deus, em vez da soberania e da onisciência?

“Mas contigo está o perdão, para que sejas temido” (Sl 130:4);

“TEM misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias” (Sl 51:1).

É incrível o empenho de muitos em propagar o calvinismo e o arminianismo, mesmo quando se reconhece várias discrepâncias de tais sistemas doutrinários com as Escrituras. Por que enfatizar que essas doutrinas são escrituristicas, se ambas são inconciliáveis e, como alguns dizem, cercadas de riscos, pois podem levar os seus seguidores ao extremismo?

 

Pensamento dos gregos

É notório que a filosofia grega influenciou largamente teólogos, padres e pastores ao longo da história da igreja.

O platonismo tornou-se referência de pensadores como Agostinho, Boécio, João Escoto Erígena e Boaventura de Bagnoregio e o aristotelismo, de pensadores da estirpe de Tomás de Aquino.

Sem nos atermos às influências do pensamento grego no cristianismo, vale lembrar que, na mitologia grega, havia uma entidade cega, Moros, em grego Μόρος, o deus da sorte e do destino. Esse deus não via a quem reservava o futuro, porém, o futuro reservado, quer dos deuses ou dos mortais, era inescapável.

A mitologia grega vinculava deuses e mortais a um destino, pois o deus ‘Destino’ ditava os acontecimentos, e até mesmo Zeus não podia evitar o seu destino. Vários mitos gregos evidenciam o caráter fatalista[3] da cultura grega antiga, fatalismo que se vê também entre os filósofos estoicos e os romanos.

O pensamento da cultura grega e os seus mitos, destoam completamente do pensamento bíblico, pois vinculam deuses e homens a um destino.

Através da parábola dos dois caminhos, Jesus evidencia que os homens não tem um destino pré-estabelecido, pois a parábola apresenta os caminhos atrelados a um destino, e não homens atrelados a determinados destinos.

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida, poucos há que a encontram” (Mt 7:13-14)

Existem somente dois caminhos e cada qual está vinculado a um destino: o caminho largo está vinculado à perdição e o caminho estreito vinculado à salvação. Segundo essa perspectiva, nenhum homem está diretamente vinculado a um destino, mas, sim, à porta por onde entrou.

Há duas portas, sendo uma larga e a outra estreita. Para entrar pela porta estreita, é necessário nascer de novo; de modo semelhante, é através do nascimento natural que o homem entra pela porta larga.

Jesus é a porta estreita – o último Adão -, semelhantemente Adão, o primeiro homem, é a porta larga, por quem os homens entram no mundo.

Quando os homens nascem (vêm ao mundo), entraram por Adão (a porta larga) que os deixa em um caminho largo, que conduz à perdição. Todos os homens, ao nascerem, entram no mundo por Adão (nascidos do sangue, da vontade da carne e da vontade do varão), uma porta larga que não lhes foi dada a oportunidade de escolher entrar, mas que dá acesso a um caminho de perdição.

A escolha que trouxe o caminho de perdição acessível a toda humanidade foi realizada por Adão, quando comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão fez uma escolha que afetou a condição de todos os seus descendentes, desde o nascimento: portanto, os homens nascem de uma porta larga (Adão) e trilham um caminho que, apesar de não terem escolhido, os conduzirá à perdição (Sl 58:3).

Os ensinamentos bíblicos e o pensamento grego são antagônicos, pois este se pauta pelo fatalismo, enquanto que, aquele, pelo propósito eterno de Deus. Nenhum homem veio ao mundo (nasceu) destinado ao céu ou ao inferno. Enquanto a cultura grega tinha um pensamento fatalista, Jesus esclarece que todos os homens não possuem um destino pré-estabelecido.

Longe de Deus destinar alguém à perdição, sob o argumento de sua soberania. Ninguém que entra por Adão no mundo está, ou esteve, predestinado à perdição, no sentido grego (fatalismo). Quando Adão pecou e afetou todos os seus descendentes com a sua decisão, Deus anunciou ao casal, que estava sendo expulso do Éden, redenção, através da semente da mulher, a todos os homens.

Os homens entram no mundo sem exercerem uma escolha, ou seja, ninguém que nasceu ou nascerá no mundo, escolheu entrar pela porta larga, mas, uma vez no mundo, é anunciada uma oportunidade de redenção, o que torna possível uma decisão por parte do homem que o livrará da condenação.

Não cabe ao homem no mundo uma escolha para decidir o seu destino, pois essa escolha já foi realizada por Adão. Agora, cabe ao homem, uma decisão, pois já está em um caminho que o conduz a perdição. Daí a ordem: “Entrai pela porta estreita…” (Mt 7:13).

O homem entra por Cristo (porta estreita) quando nasce de novo.  Para nascer de novo, basta crer com o coração, que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e confessar que Ele é o Filho do Deus vivo:

“A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10:9-10).

Na Bíblia, a visão grega fatalista não existe, assim como qualquer outro princípio filosófico/teológico semelhante, como o determinismo.

O posicionamento bíblico acerca da salvação e da perdição, está bem delineado nas palavras que Deus disse a Ezequiel:

“Filho do homem: Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu, da minha boca, ouvirás a palavra e avisá-los-ás da minha parte. Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniquidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Mas, se avisares ao ímpio e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma. Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça e cometer iniquidade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá: porque tu não o avisaste, no seu pecado morrerá; e suas justiças, que tiver praticado, não serão lembradas, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Mas, avisando tu o justo, para que não peque, e ele não pecar, certamente viverá; porque foi avisado; e tu livraste a tua alma” (Ez 3:17-21).

 

Perdição e salvação

A Bíblia apresenta dois caminhos, com dois destinos: salvação e perdição. De onde surgiu a concepção, eivada de malignidade, de que Deus destinou alguns homens à salvação e outros à perdição, antes mesmo de nascerem?

Vincular indivíduos a destinos, antes mesmo de nascerem, é pensamento contrário às Escrituras, pois a Bíblia evidencia que os destinos estão vinculados aos caminhos. Se alguém nascido da carne e do sangue (Adão) não tomar a decisão de acatar o convite de Deus, será conduzido pelo caminho largo à perdição, mas qualquer que nascer do espírito (último Adão), acatando o convite de Deus, estará no caminho estreito (Cristo), que conduz o homem a Deus.

O homem, por si só, não vai à perdição ou à salvação, antes é conduzido pelos caminhos, no qual se encontra:

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida, poucos há que a encontrem” (Mt 7:13-14)

Se Deus determinasse, de antemão, quem seria salvo ou não, não haveria a necessidade de Cristo vir ao mundo e morrer pela humanidade. Seria contrassenso a necessidade de haver quem pregue o evangelho. Também, não seria exigível crer em Cristo.

Teríamos que considerar que os destinados à salvação nunca se perderam de fato, ou seja, nunca estiveram sujeitos ao pecado e à morte. Esses destinados à salvação, não precisariam morrer e serem sepultados com Cristo, para ressurgirem uma nova criatura.

A parábola dos dois caminhos contém um princípio cristalino, acerca da salvação, em Cristo, e da perdição, em Adão, que não deve ser ignorado, quando da leitura de outras passagens bíblicas que tratam de temas como salvação e perdição.

 

Os terrenos e os espirituais

Certo é que ‘… a morte veio por um homem, também, a ressurreição dos mortos, veio por um homem’, pois ‘… assim como todos morrem em Adão, assim, também, todos serão vivificados em Cristo’ (1Co 15:21-22).

O primeiro Adão, foi criado alma vivente e o último Adão, estabelecido como espirito que dá vida. Há uma ordem natural: primeiro é criado o homem natural, através da carne e do sangue de Adão e só então, é criado o homem espiritual, segundo a palavra do último Adão, que é espirito e vida (Jo 6:63).

O homem nascido da carne e do sangue de Adão é terreno, assim como foi Adão. Adão é da terra, portanto, carne e sangue não concedem direito aos homens de entrar no reino dos céus: “E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdarem a incorrupção” (1Co 15:50).

É por isso que Jesus disse que os nascidos da carne é carne e os nascidos do espírito é espirito, ao evidenciarem ser necessário nascer de novo.

Os nascidos da carne e do sangue de Adão são carnais e terrenos, portanto, não podem herdar o Reino dos céus. Mas, os gerados segundo a semente incorruptível, são herdeiros do reino dos céus, pois são celestiais tal qual o Senhor, que é do céu.

Adão é a porta larga, porque todos os homens que vem ao mundo têm que entrar pela carne e o sangue de Adão. É através de Adão que entrou a morte no mundo e todos os seus descendentes morreram em Adão. Cristo é a porta estreita, porque é o último Adão e são poucos os que estão mortos em delitos e pecados que O encontram, ou seja, tornam-se participantes da sua carne e sangue.

O apóstolo Paulo, em poucas palavras, resume como, através de Adão, se deu a perdição e, como através de Cristo, o último Adão, se dá a salvação:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante. Mas, não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois, o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais” (1Co 15:45-48).

Para salvar o que efetivamente havia se perdido, Deus enviou o Seu Filho unigênito ao mundo, conforme estabelecido nas Escrituras. É em função da promessa de que Cristo viria ao mundo, que os patriarcas e os crentes da Antiga Aliança foram salvos, pois creram que Deus haveria de enviar ao mundo o Descendente, em quem todas as famílias da terra seriam benditas.

No mundo, o Unigênito do Pai revelou o Pai aos homens e, através d’Ele, os homens puderam comprovar que Deus é fiel e verdadeiro. Cristo prosperou naquilo para o qual foi enviado (Is 53:10; Is 55:11), pois, como servo, foi obediente em tudo ao Pai, portanto, foi estabelecido como luz para os gentios: “Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra” (Is 49:6).

Para ser salvo, eis a receita:

“E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” (Jl 2:32; Rm 10:13).

Salvação se obtém única e exclusivamente desta forma:

“… esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que, com o coração, se crê para a justiça e com a boca, se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” (Rm 10:8-11).

Se houver dúvidas, observe como os cristãos de Éfeso foram salvos:

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1:13).

Para que houvesse salvação, primeiro Deus providenciou a palavra da fé e por isso foi anunciado o evangelho, primeiramente a Abraão (Gl 3:8). Na plenitude dos tempos, a ‘fé’ foi manifesta aos homens, pois sem ‘ela’ seria impossível ao homem agradar a Deus: “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” (Gl 3:23; Hb 11:6).

É através da fé – Cristo – o firme fundamento, que os homens são enviados a pregar, anunciando boas novas de salvação, pois como ouvirão se não há quem anuncie as boas novas? E, como invocarão aquele em quem não creram? (Rm 10:14-15)

É nesse sentido que a ‘fé’ precede a ‘conversão’ e o ‘novo nascimento’. Primeiro foi dada a palavra da fé – o evangelho de Cristo, que deve ser anunciado para, depois, haver arrependimento e o novo nascimento.

Não encontramos nas Escrituras Deus dizendo: – “Eu sou soberano para salvar”, ou – “Estou antevendo quem vou salvar”, antes é anunciado: – “EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir” (Is 59:1), pois a mensagem é simples: “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” (Rm 10:13).

O pronome ‘todo’ é inclusivo, ou seja, ‘qualquer’ que invocar o nome do Senhor será salvo, pois as suas mãos não estão encolhidas (Ele é poderoso para salvar) e os seus ouvidos não estão agravados.

Em momento algum Deus declara que escolherá aqueles que Ele há de salvar. Quando o tema é salvação, Deus é poderoso e está pronto para salvar a qualquer que o invocar. A salvação nem mesmo aparece na Bíblia, em conexão com a soberania e a onisciência divinas.

“O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sf 3:17).

Predestinação

Após explicar que a morte entrou no mundo e todos morreram por causa da ofensa de Adão e que a ressureição veio por meio de Cristo e por Ele serão vivificados todos os que creem (1Co 15:21-22), o apóstolo Paulo demonstra que não há diferença alguma entre Adão e os seus descendentes e que não haverá diferença nenhuma entre Cristo e os seus muitos irmãos.

Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1Co 15:49).

Adão foi criado pelo Verbo eterno, assim como todas as coisas (Hb 1:10-12; Sl 102:25-27). Quando Adão foi criado, o Verbo eterno, teofanicamente, manifestou-se e formou o homem do pó da terra e, ao soprar em suas narinas, o homem tornou-se alma vivente.

Mas, qual foi a imagem que foi dada a Adão, quando formado do pó da terra? Resposta: foi concedida a Adão a imagem que Cristo deveria ter quando viesse ao mundo “… o qual (Adão) é a figura daquele que havia de vir (Cristo)” (Rm 5:14). Uma questão de lógica, pois se fosse dada outra imagem a Adão, quando Cristo viesse ao mundo, teria a mesma imagem, segundo a imagem concedida a Adão.

Nesta abordagem, não estamos evidenciando a perdição, decorrente da ofensa de Adão, mas, sim, como seria a imagem de Cristo na plenitude dos tempos, se fosse concedida outra imagem a Adão diversa da que foi dada no Éden.

Quando Deus criou Adão, todos os descendentes de Adão foram preordenados a serem tal qual Adão, pois qual o terreno, tais são, também, os terrestres.

O apóstolo Paulo explica que, assim como todos os homens são como o terreno Adão, os nascidos de novo em Cristo Jesus, quando revestidos da imortalidade, serão semelhantes a Ele (traremos também a imagem do celestial):

“Amados, agora somos filhos de Deus e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1Jo 3:2).

Quando Cristo se manifestar em glória (1Jo 3:2), será possível aos nascidos de novo trazerem uma imagem diferente da imagem que Cristo, glorificado, agora possui à destra da Majestade nas alturas?

Se os crentes hão de ser semelhantes a Cristo, é impossível que os que creem em Cristo venham a ter uma imagem diversa da imagem de Cristo glorificado, e o motivo é bem claro: “… pois assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1Co 15:49). A questão que o evangelista João aborda neste verso não diz da salvação em Cristo, mas da imagem que os salvos em Cristo haverão de ter quando Ele se manifestar.

Por causa de uma má leitura das Escrituras, ao longo da história da igreja, acreditou-se que a predestinação era para a salvação, porém, a predestinação é garantia de que o crente em Cristo, quando for revestido da imortalidade e incorrupção, há de ser conforme a imagem de Cristo.

Todas as vezes que o termo predestinação é utilizado na Bíblia, não aponta para a salvação em Cristo, antes aponta para a imagem, à semelhança de Cristo:

“Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29).

A predestinação tem um objetivo e atende a um propósito específico: a primogenitura de Cristo! Para o propósito de Deus ser levado a efeito, se fez necessário estabelecer de antemão qual imagem seria dada aos de novo gerados, os irmãos de Cristo.

O objetivo da predestinação é que todos os que creem em Cristo sejam conforme a imagem (semelhança) de Cristo. Os irmãos de Cristo não serão como os homens e nem como os anjos, antes, todos serão tal qual Cristo é.

O propósito da predestinação foi estabelecido por Deus em Cristo (Ef 3:11), pois, quando os cristãos foram predestinados a serem semelhantes a Cristo, por sua vez, Cristo é elevado à condição de primogênito entre muitos irmãos (semelhantes).

Romanos 8, verso 29 primeiro, trata da salvação em Cristo, depois aborda a predestinação. Primeiro o apóstolo Paulo escreve acerca da salvação: “Porque os que dantes conheceu…”, e, em seguida, escreve acerca da predestinação: “… também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (v. 29).

Que erro grosseiro ler que Deus predestinou para ser salvo, sendo que está escrito que Deus predestinou para ser conforme a imagem de Cristo, ou seja, que os cristãos serão semelhantes a Ele.

O verbo grego προγινώσκω transliterado proginóskó traduzido por ‘dantes conheceu’ não se refere a ‘saber de antemão’, ‘saber previamente’, ‘ter conhecimento de antemão’. Ora, Deus é onisciente, portanto, sabedor de todas as coisas, quer seja os eventos do passado, quer seja os eventos do presente e igualmente os eventos do futuro.

É sem sentido afirmar que Deus é presciente, se Ele é onisciente. Presciência é reducionismo do atributo divino da onisciência.

O verbo grego προγινώσκω empregado no verso 29, de Romanos 8, não significa ‘saber de antemão’, antes foi utilizado para evidenciar a comunhão do crente com Deus. O termo foi utilizado para evidenciar comunhão intima com Deus, semelhante ao conhecimento que une homem e mulher em um só corpo.

O termo προγινώσκω contrapõe a ideia evidenciada pelo termo γινώσκω, quando utilizado por Cristo, ao dizer: “E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23). Apesar de onisciente, conhecedor de todas as coisas, os praticantes da iniquidade nunca se fizeram um corpo com Cristo: “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos” (Ef 5:30).

O apóstolo evidenciou que Deus só predestina a ser conforme a semelhança de Cristo, apenas aqueles que passaram (dantes) a ter comunhão intima (conhecer) com Deus: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo 17:22).

Só é conhecido de Deus aquele que ama a Deus, pois Ele mesmo disse que ‘ama aos que me amam’. “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele” (1Co 8:3); “Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão” (Pv 8:17). Dantes conhecer é o mesmo que, de antemão esperar em Cristo (Ef 1:12).

O sentido do termo grego amor (ágape), utilizado nestes versos, é honrar, obedecer. Portanto, só é conhecido de Deus, ou antes, Deus é conhecido de alguém, quando se guarda o seu mandamento, ou seja, quando O ama: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14:21); “Mas, agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gl 4:9).

Só os que amam a Deus, ou seja, aqueles que se tornaram um com Ele, em Cristo estão predestinados a serem conforme a semelhança de Cristo (Jo 17:21).

Primeiro, a salvação, depois, a predestinação! Primeiro, a salvação, depois, a eleição, como se lê:

“Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso SENHOR, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou  e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos dos séculos” (2Tm 1:9).

O apóstolo Paulo destaca o evangelho, ou seja, o testemunho de nosso Senhor, que é o poder de Deus (Rm 1:16). Ora, é através do evangelho que o homem é salvo e, para isso, é necessário que haja quem pregue, para que os homens possam crer, pois como crerão se não há quem pregue?

O apóstolo Paulo recomenda a Timóteo que participe das aflições do evangelho, o poder de Deus que ‘nos salvou’, ou seja, salvou tanto o apóstolo Paulo, quanto a Timóteo (Ef 1:13).

Após salvo por intermédio do evangelho, os crentes são chamados com uma santa vocação. Assim como a predestinação, o chamado, segundo a santa vocação, tem um objetivo e atende a um propósito. O objetivo da vocação é para ser santo e irrepreensível diante de Deus (Ef 1:4). O proposito é o louvor e glória da graça que propôs convergir em Cristo todas coisas, para que em tudo Ele tenha a preeminência (Ef 1:10).

Os crentes em Cristo foram eleitos para serem santos e irrepreensíveis, porque constituem o corpo de Cristo. Como a cabeça é santa, o corpo também tem de ser, por isso, Deus elegeu os crentes em Cristo, a fim de serem santos e irrepreensíveis e Cristo alcança a preeminência, como a cabeça do corpo: “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1:18).

Ora, antes da fundação do mundo Deus elegeu a Cristo e a sua geração, dai o predicativo: geração eleita: “Mas, vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pd 2:9).

 

Má leitura

Muitos, quando leem: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1:26), entendem que Deus criou o homem para ser adorado e louvado, no entanto, Deus criou o homem, segundo o propósito que fez em Cristo, para que em tudo Cristo tivesse a preeminência e assim, os homens em Cristo, fossem louvor e glória para a sua graça.

A imagem e semelhança anunciadas no Éden, não foram dadas a Adão, antes, o que foi concedido a Adão, foi a imagem daquele que haveria de vir: a imagem de Jesus Cristo-homem.

Quando Cristo ressurgiu dentre os mortos, alcançou a imagem e a semelhança de Deus (Sl 17:15), tornando-se a expressa imagem do Deus invisível (Hb 1:3), quando a vontade de Deus, anunciada antes da criação, cumpriu-se: Cristo, o Descendente de Davi, tornou-se à imagem e semelhança do Deus invisível.

A semelhança que Cristo alcançou, quando ressurgiu dentre os mortos, diz da semelhança que Satanás intentou alcançar, quando pensou: “Subirei sobre as alturas das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:14). É consenso, em meio aos cristãos, que Satanás quis ser Deus, no entanto, o que ele queria mesmo, era ser semelhante ao Altíssimo, posição que Cristo alcançou quando ressurgiu dentre os mortos e todos os que n’Ele creem, estão predestinados a receber.

Os calvinistas dizem que na Bíblia há uma coleção de versículos afirmando que Deus é soberano para escolher quem Ele quer para salvar. Tremendo engano, pois as Escrituras enfatizam o poder de Deus, mas, não a sua soberania: “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça” (Jó 37:23).

A soberania está relacionada à posição de maioral entre semelhantes e o rei Davi, neste sentido, era soberano em Israel. Deus é criador de todas as coisas, portanto, não há ninguém que se compare ou iguale a Ele. Dizemos que Deus é soberano, porque Ele é inatingível e inigualável, porém, as Escrituras não enfatizam a soberania de Deus, mas, o poder, a justiça, a fidelidade, o amor, etc.

A Bíblia apresenta Jesus Cristo como soberano, pois Ele é da casa de Davi, seu Pai, e se assentará para reinar sobre os seus irmãos e sobre toda a terra. Soberano é um titulo que pertence a Cristo, pois regerá as nações com vara de ferro: “Porque Judá foi poderoso entre seus irmãos e dele veio o soberano; porém, a primogenitura foi de José)” (1Cr 5:2).

A maioria dos Salmos que apontam para o Senhor Altíssimo, diz respeito a Cristo, o Rei grande, visto que o principado está sobre Cristo: “Porque o SENHOR Altíssimo é tremendo e Rei grande sobre toda a terra. Ele nos subjugará os povos e as nações debaixo dos nossos pés” (Sl 47:2-3); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9:6).

Ao longo da história da igreja, textos bíblicos como: Rm 8:29, Ef 1:4-5 e11, Rm 9:6-29, 1Pe 2:8, Jd 4 e 1Pe 1:2 e 20 são mal interpretados, para afirmarem o fatalismo calvinista. É uma aberração, afirmar, com base em Romanos 8, verso 29, que Deus predestinou alguns para a salvação, se o texto bíblico afirma claramente que Deus predestinou os que se fizeram um corpo com Cristo, para serem conforme a imagem do seu Filho.

O apóstolo Paulo não afirmou que o homem é predestinado para ser salvo e nem que é predestinado para ser filho, pois a filiação divina é alcançada através do poder que Deus concede aos que creem em Cristo: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1:12-13).

Para ser salvo e ser um dos filhos de Deus, só é possível por meio da fé em Cristo, portanto, a salvação e a filiação não vêm pela predestinação. A predestinação é para ser conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos. A predestinação visa o propósito de Deus em Cristo, que é a preeminência de Cristo em todas as coisas.

Ao escapar do erro calvinista, há a igualmente perigosa e equivocada doutrina dos arminianistas, que aponta algumas verdades, como a necessidade de arrependimento para a salvação e que o homem pode rejeitar a oferta de salvação em Cristo, mas enfatizam que Deus, prevendo quem haveria de crer, predestina alguns à salvação.

Previsão e premonição, são termos que se aplicam aos homens que desconhecem o futuro. Deus não prevê o futuro e nem tem premonição, visto que Ele é onisciente e onipresente. Prever e antever são verbos que não se aplicam a Deus, pois todas as coisas estão nuas e patentes aos seus olhos.

Assim como Deus não pode mentir, Ele não pode escolher alguns e desprezar outros, pois Ele não faz acepção de pessoas. O que Deus escolheu foi salvar os que O amam, ou seja, os que guardam os seus mandamentos. Somente aqueles que O honram, serão honrados por Ele: “Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Dt 7:9); “Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados” (1Sm 2:30); “Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará” (Jo 12:26); “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14:21).

Só amam a Deus aqueles que guardam o seu mandamento, portanto, só ama a Deus aquele que crê em Cristo, pois este é o mandamento: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” (1Jo 3:23).

Segundo a teologia, diante das doutrinas calvinista e arminianista, não há outro caminho a trilhar, se não o do equilíbrio. O termo paradoxo, tão utilizado na filosofia passou a ser utilizado pela teologia para explicar os erros teológicos inexplicáveis.

O entendimento com viés grego fatalista, de que Deus traçou um plano para a vida dos homens que é impossível de escapar e sem oferta real de salvação, contaminou a leitura bíblica de muitos.

Tornou-se consenso que os homens são autômatos, desempenhando um papel previamente estabelecido por Deus, assim como os gregos conceberam o mitológico deus Destino.

Em resumo, a verdade bíblica cristalina descreve todos os nascidos da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue como perdidos, alienados de Deus por causa da ofensa de Adão. Para ser salvo, é necessário crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para isso são anunciadas as boas novas de salvação, que descrevem o Cristo como o Filho de Davi, portanto, o Filho de Deus.

Após crer em Cristo, o homem se torna um com Ele, e, de agora em diante, na condição de salvo e filho de Deus, não lhe resta alternativa: será semelhante a Cristo, pois Ele é o primogênito entre muitos irmãos!

 


[1] Análise do artigo “A Relação entre Predestinação e Livre-Arbítrio”, de Marcos Aurélio dos Santos, disponível na Web < http://www.teologiaevida.com.br/2012/06/relacao-entre-predestinacao-e-livre.html > Consulta realizada em 01/03/16.

[2] “Humanismo é a filosofia moral que coloca os humanos como principais, numa escala de importância. É uma perspectiva comum a uma grande variedade de posturas éticas que atribuem a maior importância à dignidade, aspirações e capacidades humanas, particularmente a racionalidade” Wikipédia.

[3] Fatalismo – “Concepção que considera serem o mundo e os acontecimentos produzidos de modo irrevogável. E também, a crença de que uma ordem cósmica, dita Logos, preside a vida quotidiana. Mas, em geral, é uma corrente aceita por quem se põe de maneira impassível diante dos acontecimentos, não tendo a crença de que pode exercer um papel na sua modificação. É, assim, uma doutrina que afirma que todos os acontecimentos ocorrem de acordo com um destino fixo e inexorável, não controlado ou influenciado pela vontade humana e que, embora aceite um poder sobrenatural preexistente, não recorre a nenhuma ordem natural, recusando, assim, a predestinação. Também, costuma ser confundido com determinismo. Exerceu influência, especialmente, sobre os antigos hebreus e alguns pensadores gregos”. (Wikipédia).

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Descubra o que poucos cristãos sabem sobre salvação e filiação divina

Sabemos que Cristo é mais sublime que os céus, e que a igreja será semelhante a Ele, ou seja, possuidores de uma glória superior a própria ‘habitação’ do Altíssimo ( Hb 7:26 ; 1Jo 3:2 ). Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).


“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 )

Nova Criatura

Após ouvir a mensagem do evangelho (fé) e crer em Cristo os cristãos passaram a estar em Cristo “É nele que vós também estais…” (v. 1 ), ou seja, após ouvir e crer no evangelho da salvação todos os cristãos efetivamente passara a ser uma nova criatura ( 2Co 5:17 ).

O apóstolo Paulo é categórico ao afirmar: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 ). Qualquer que está em Cristo, ou seja, que é uma nova criatura goza de uma nova condição. O que motivou o apóstolo dos gentios a bendizer a Deus no verso 3 “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” ( Ef 1:3 ).

Ao que parece, os cristãos em Éfeso desconheciam que estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura, lhes concedia nova condição, pois o apóstolo teve que afirma de modo contundente que eles também estavam em Cristo após ouvir e crer na mensagem do evangelho.

Esta abordagem incisiva do apóstolo dos gentios deixa evidente o contexto do capítulo 1 da carta aos Efésios. Ele estava tratando especificamente das benesses pertinentes à nova criatura, posição recém adquirida pelos cristãos por estarem em Cristo.

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! Quem estava assentado nas regiões celestiais? Os cristãos!

E porque os cristãos foram abençoados com todas as bênçãos e gozavam de um lugar de descanso (assentados)? Porque estavam em Cristo, porque eram novas criaturas, ou seja, o apóstolo estava abordando questões especificas à nova criatura.

Ao dizer: ‘É nele que vós também estais…’, o apóstolo procura demonstrar que:

a) Eles foram abençoados com todas as bênçãos, e;

b) que estavam assentados nas regiões celestiais, porque foram gerados de novo e eram novas criaturas.

Faz-se necessário destacar que no Capítulo 1 da carta aos Efésios em momento algum o apóstolo dos gentios faz referencia ao homem sem Cristo. Todas as bênçãos espirituais pertencem aos que estão em Cristo! Somente os que são novas criaturas descansaram de todas as suas obras, ou seja, estão assentados!

Somente aqueles que ouviram a mensagem do evangelho e creram em Cristo, ou seja, que estão n’Ele, e que, portanto, são novas criaturas, são os eleitos de Deus. Observe que o apóstolo está tratando de questões pertinentes à nova criatura: “… nos elegeu n’Ele…”, ou seja, antes da fundação do mundo Deus determinou que, aqueles que estariam em Cristo, ou seja, que seriam novas criaturas, haveriam se ser santos e irrepreensíveis.

Deus escolheu a nova criatura para ser santa e irrepreensível diante d’Ele. Para ser eleito de Deus é necessário estar em Cristo, ou seja, é necessário ouvir e crer na mensagem do evangelho. Quando não se está em Cristo é impossível ser eleito de Deus. Como a posição de eleito é pertinente somente à nova criatura, segue-se que o pecador não preenche o quesito da eleição, pois jamais a velha criatura, alguém que ainda não está em Cristo, seria eleita para ser santa e irrepreensível.

Quando o apóstolo Paulo trata da eleição, ele diz da nova criatura, pois o pecador, o velho homem, a natureza pecaminosa não é escolhida por Deus. Como Deus elege o homem em pecado para ser santo e irrepreensível se ele precisa ser desfeito para surgir uma nova criatura? ( Rm 6;6 ). Deus não elege o homem sob o domínio do pecado porque o velho homem precisa morrer para Deus possa criar o novo homem em Cristo Jesus.

Como Deus escolheria o homem em pecado, se Deus elege o homem somente quando se está em Cristo? Se Deus “… nos elegeu n’Ele…”, acaso Cristo é ministro do pecado? Não! O homem em pecado não foi escolhido para ser santo e irrepreensível, antes, a nova criatura, aquele que está em Cristo, é a escolhida para ser santa e irrepreensível.

Jamais Deus elegeria ou predestinaria os homens sob o pecado, pois antes de ser servo da justiça o velho homem precisa ser crucificado e sepultado com Cristo. Se o velho homem é destruído para que o cristão tenha um encontro com Deus, como o homem em pecado pode ser escolhido ou predestinado?

A relação de equivalência na asserção:

a) ‘…se alguém está em Cristo…’, e;

b) ‘… nova criatura é’,

A relação a=b e b=a possibilita substituir no capítulo 1 da carta aos Efésios o ‘estar em Cristo’ por ‘nova criatura’.

Com a substituição teríamos a seguinte abordagem: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais por sermos uma nova criatura; Como também nos elegeu por sermos uma nova criatura antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele por sermos novas criaturas; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si por sermos novas criaturas. Por sermos novas criaturas temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça (…) novas criaturas vocês também são, depois que ouvistes a palavra da verdade…”.

O apóstolo procurou demonstrar aos cristãos em Éfeso que as benesses de Deus são pertinentes à nova criatura. Quando se admiti que, só após ser uma nova criatura é que se está de posse da redenção pelo sangue e da remissão das ofensas, tem-se que admitir também que só o homem em Cristo (nova criatura) assume a condição para a qual é eleito: santo e irrepreensível.

Tudo que foi demonstrado pelo apóstolo Paulo no capítulo 1 de Efésios refere-se aqueles que, primeiro esperaram em Cristo “… nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 ).

Quando o apóstolo Paulo menciona ‘… os que primeiro esperamos em Cristo’, não se refere aos apóstolos ou aos pais da igreja, antes diz daqueles que receberam as bênçãos porque ‘primeiramente’ creram em Cristo. Quando o homem crê em Cristo passa a ‘conhecer a Deus, ou antes, é conhecido d’Ele’. Primeiro é necessário ao homem crer em Cristo (esperar, permanecer na palavra, ser discípulo), para depois conhecê-lo “Então, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:32 ).

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! ‘Nos abençoou’, ou seja, o pronome na primeira pessoa do plural ‘nós’ demonstra que Deus abençoou ‘os que primeiro esperamos em Cristo’. Quem foi assentado nas regiões celestiais? ‘Nós’, ou seja, aqueles que foram feitos novas criaturas. Quem são os eleitos? ‘Nós’, ou seja, os que creram em Cristo! Quem é predestinado a ser filhos por adoção? ‘Nós’, os que esperamos em Cristo!

Segundo a riqueza da sua graça, Deus concedeu:

  • Sabedoria e prudência aos cristãos;
  • Revelou a sua vontade;
  • Foram feitos herdeiros, e;
  • Constituem-se louvor à Sua glória.

A quem Deus concedeu estas bênçãos? Aos que primeiramente esperaram em Cristo, ou seja, aos cristãos! Em momento algum o apóstolo Paulo faz referencia aos não cristãos.

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo deixa registrado tudo o que é pertinente à nova criatura, ou seja, ele faz alusão à nova condição pertinente aos cristãos, aqueles que esperam em Cristo, e que, apesar de desconhecer as benesses desta nova condição, também eram nova criaturas e necessitavam se conscientizar do que receberam após crer no evangelho ( Ef 1:13 ).

Tudo que o apóstolo dos gentios demonstra tem por sujeito os cristãos, sendo utilizada a primeira pessoa do plural (nós) para fazer referencia a tudo quanto os cristãos receberam após estarem em Cristo.

O que o apóstolo faz é lançar luz aos olhos do entendimento dos cristãos, para que eles soubessem o montante (todas) de benesses que receberam ao aceitar o chamado do Senhor segundo o evangelho ( Ef 1:18 ). O apóstolo assim o faz porque os cristãos de Éfeso desconheciam a riqueza da glória da herança de Deus nos santos.

Eles deviam saber que, o poder que ressuscitou a Cristo dentre os mortos foi o mesmo que operou sobre os cristãos por terem crido na mensagem do evangelho ( Ef 1:20 ), e que o mesmo Deus que fez o Senhor Jesus assentar a sua direita, também fez com que os cristãos assentassem nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo escreveu aos santos e fiéis em Cristo, ou seja, escreveu àqueles que são novas criaturas, que estão assentados nas regiões celestiais, que são herdeiros e herança, selados com o espírito santo da promessa, redimidos do pecado, gerados de novo para serem filhos por adoção (predestinados) e de posse da irrepreensibilidade e santidade que só é próprio aos de novo gerados em Cristo (eleitos).

Deus escolheu de antemão todos os que seriam gerados de novo para serem irrepreensíveis e santos. Deus predestinou todos os que seriam gerados de novo, segundo Cristo, para serem filhos de Deus por adoção.

Nenhuma destas benesses é pertinente aos filhos de Adão. Os filhos de Adão são imundos e infiéis. Não são eleitos e nem predestinados. Foram amaldiçoados e são cansados e oprimidos, ou seja, não encontraram descanso. Não são herança e nem herdeiros de Deus.

Como Cristo foi eleito para conduzir muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), e antes mesmo da fundação do mundo fora ofertado como cordeiro imaculado ( Ap 13:8 ), de antemão Deus elegeu (escolheu) os descendentes do último Adão, que é Cristo, para serem santos e irrepreensíveis, ou seja, elegeu aqueles que primeiro esperam em Cristo.

De igual modo, Deus estabeleceu os descendentes do Descendente, que é Cristo, como sua herança peculiar e os predestinou para serem filhos por adoção “… com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 e Ef 1:5 ).

A condição de filhos por adoção é para louvor e glória da sua graça, uma vez que os cristãos foram feitos agradáveis a Deus por esperarem em Cristo, ou seja, primeiro crerem na mensagem do evangelho e foram de novo criados, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade, ou seja, irrepreensíveis e santos ( Ef 4:24 ). Ao crer na mensagem do evangelho, os cristãos receberam poder para serem feitos filhos de Deus, tornando-se agradáveis a Deus através do Amado Senhor Jesus Cristo ( Jo 1:12 ).

 

Velha Criatura

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo trata somente do que é pertinente aos cristãos. No capítulo 2, o apóstolo trás a lembrança dos cristãos qual era a condição deles antes de crer no evangelho de Cristo.

Após demonstrar aos cristãos que eles eram obras realizadas por Deus, criados em Cristo Jesus “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” ( Ef 2:10 ), o apóstolo Paulo fez com que lembrassem que, houve um tempo em que todos não tinham esperança “Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” ( Ef 2:11 -12).

Ora, se noutro tempo os cristãos não tinham esperança, segue-se que nenhum deles era eleito ou predestinado à salvação aos moldes do que foi alardeado pelos reformadores, pois, se assim fosse, todos eles tinham uma esperança.

Como nova criaturas, os cristãos vivem um novo tempo de justiça, e paz e alegria no Espírito Santo ( Rm 14:17 ). Após ser gerado de novo, o calendário de medição do tempo do novo homem também muda. Ao fazer referencia a antiga condição, o apóstolo Paulo diz: “Noutro tempo”, ou “outrora”.

Quando os cristãos estavam sem Cristo eram estranhos à aliança da promessa, não tinham esperança, estavam sem Deus, e, por natureza, eram filhos da ira ( Ef 2:12 e Ef 2:2 -3).

Todos os homens gerados de Adão são filhos da desobediência, e, portanto, filhos da ira. Não têm esperança, pois entraram por uma porta larga que os conduz à perdição. Todos quantos querem ser salvos, precisam entrar pela porta estreita, que é Cristo, ou seja, precisam nascer de novo.

O último Adão é a porta estreita (por onde os homens entram e são conduzidos à salvação), e o primeiro Adão a porta larga (por onde os homens entram e são conduzidos à perdição).

Se a eleição e a predestinação fossem aos moldes da doutrina calvinista ou arminianista contrariaria o exposto pelo apóstolo Paulo, uma vez que alguns homens sempre estiveram de posse de uma garantia. Estes seriam filhos da desobediência, porém, não seriam filhos da ira. Nunca seriam perdidos de fato, pois antes mesmo de serem gerados já estavam destinados a salvação.

Mas, não é assim a verdade do evangelho, visto que, quanto ao trato passado (condição), todos os cristãos estavam efetivamente mortos, e, portanto, perdidos ( 1Co 15:22 ). A salvação se da através das boas novas do evangelho, ou seja, alguém anuncia as boas novas do evangelho e os que ouvem precisam crer ( 1Co 15:2 ; Rm 10:14 ).

A salvação em Cristo não se dá pela eleição e nem pela predestinação, como apregoam os que dizem que a soberania divina não coaduna com o livre arbítrio do homem. Para justificar este posicionamento, perguntam: Se o homem está morto, como poderia decidir servir a Deus? Esquecem do alerta de Cristo que diz: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ).

A condição do homem não é causa de impedimento para que se possa crer em Cristo, visto que, ainda que esteja morto, ao crer em Cristo, viverá.

Para que os cristãos alcançassem as benesses pelas quais o apóstolo Paulo bendiz a Deus no capítulo 1, foi necessário Deus vivificá-los, pois estavam todos mortos ( Ef 2:1 ). Para vivificar os cristãos, Deus ressuscitou-os juntamente com Cristo e os fez assentar nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo aponta dois tempos e duas condições específicas na vida dos cristãos: outrora éreis trevas, agora sois luz no Senhor (no Senhor=em Cristo=nova criatura), ou seja, sois luz por ser nova criatura “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR” ( Ef 5:8 ).

Mas, como os cristãos se tornaram luz? Foram escolhidos dentre os perdidos para serem luz? Foram predestinados para serem luz? Não!

O apóstolo João é claro ao repetir as palavras de Cristo: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ). Ou seja, é necessário ao homem crer na luz para ser filho de Deus. Qualquer que recebe a Cristo, ou seja, crê na mensagem do evangelho, recebe de Deus poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ).

Deixar de considerar que o apóstolo Paulo faz referencia a dois tempos, duas condições e dois tipos de criaturas no capítulo 1 da carta aos efésios, faz com que surja e se perpetue alguns erros de interpretação.

Os reformadores erraram:

  • Ao estabelecer como finalidade da eleição e da predestinação a salvação, e;
  • Por não levar em conta que o apóstolo Paulo faz referência a dois tipos de criaturas.

Erraram ao estabelecer que Deus elegeu e predestinou dentre os filhos da desobediência de Adão alguns para serem salvos. Deixaram de observar que a eleição refere-se à santidade e irrepreensibilidade, e que a predestinação refere-se a filiação.

Após observar que há os filhos da ira e os filhos da luz, e que, para ser filho da luz é necessário crer na luz, conclui-se que, antes da fundação do mundo Deus estabeleceu que, os que cressem na mensagem do evangelho, receberiam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), e na condição de eleitos de Deus são santos e irrepreensíveis ( Tt 1:1 ).

Isto que dizer que, de antemão Deus estabeleceu um único destino (predestinou) aos que haveriam de crer em Cristo: seriam salvos da condenação estabelecida em Adão e seriam filhos por adoção.

Quando o apóstolo escreve aos cristãos em Éfeso, capítulo 1, ele trata única e exclusivamente das bênçãos que Deus concede aos cristãos na condição de novas criaturas. Para fazer alusão às bênçãos concedidas por Deus, o apóstolo utiliza os verbos no pretérito perfeito (elegeu, predestinou, deu, derramou, desvendou, etc.), tendo por sujeito dos verbos no pretérito perfeito, os cristãos (nos), e não aqueles que são filhos da ira e da desobediência.

Deste modo não há contradição alguma entre a soberania e o livre-arbítrio do homem, pois os filhos da ira são provenientes de uma geração e os filhos da luz proveniente de outra geração. A geração dos ímpios é segundo o sangue, a vontade da carne e a vontade do varão, e a geração dos justos segundo a vontade de Deus.

A geração dos ímpios jamais foi eleita, pois a eleição é pertinente a geração dos justos, como se lê: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ).

Os cristãos são geração eleita, pois a geração segundo a carne foi rejeitada. Como os cristãos alcançaram a eleição? Deus os chamou através do evangelho das trevas para a luz, ou seja, não foram predestinados e nem eleitos. Foram chamados!

 

Salvação e a filiação

No capítulo 1 da carta aos Efésios o apóstolo Paulo faz alusão ao propósito eterno de Deus. Qual o propósito eterno de Deus? Ora, o propósito eterno não se refere à salvação do homem, pois apesar de Deus querer e salvar os homens, há um tempo pré-determinado para a obra redentora ser encerrada.

A salvação é eterna, porém, Deus não continuara salvando os homens por toda a eternidade, portanto, a obra redentora de Deus não se refere ao propósito eterno.

O propósito eterno diz de algo que nunca terá fim, ou seja, o único evento que nunca terá fim é a preeminência de Cristo, pois ela perdurará pela eternidade ( Ef 1:10 ).

É propósito eterno de Deus:

  • Que a multiforme sabedoria de Deus seja revelada aos principados e potestades nas regiões celestiais;
  • Que Cristo tenha a preeminência em tudo;
  • Que Cristo seja o primogênito de toda criação;
  • Que Cristo seja o primogênito dentre os mortos, e;
  • Que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos.

Através da igreja, que é o corpo de Cristo, Deus concretizou o seu propósito eterno!

Em todos os tempos os homens são salvos por Deus mediante a fé, porém, a condição dos membros do corpo de Cristo é diferente da condição dos outros salvos que existiram ao longo da história da humanidade. Como?

Ora, os homens são salvos em todos os tempos pela fé em Deus, pois Deus salvou e salvará:

  • Antes da lei de Moisés;
  • Durante o período da lei de Moisés;
  • Durante o período das boas novas do evangelho;
  • No período da grande tribulação, e;
  • Durante o milênio.

Porém, diferente dos outros salvos, que continuarão na posição de homens, a igreja de Cristo foi elevada a categoria de ‘semelhantes a Deus’, posição superior a dos anjos, uma vez que serão semelhantes a Cristo ( 1Jo 3:2 ). Observe a tabela abaixo:

 

Hierarquia dos seres antes da constituição da Igreja

Hierarquia dos seres depois da constituição da Igreja

Criador

Deus

Deus

Criaturas

—————-

Semelhantes a Deus

Anjos

Anjos

Homens

Homens

 

Aos salvos que não são membros do corpo de Cristo, que é a igreja, não será dado a autonomia de julgar os anjos ( 1Co 6:3 ), mas a igreja julgará o mundo e os anjos ( 1Co 6:2 -3).

Diferentemente dos salvos de outras épocas, a igreja foi participante da morte de Cristo e passou a ser semelhante a Ele na ressurreição “Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” ( Rm 6:5 ; Cl 3:1 -3).

O mesmo poder que foi manifesto em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, também operou sobre os membros do corpo de Cristo, a igreja ( Ef 1:19 ). Cristo é o primogênito dentre os mortos, e o seu corpo, também nomeado de a universal assembléia, é a igreja dos primogênitos ( Hb 12:23 ).

Cristo é Filho e herdeiro de todas as coisas, e os membros do seu corpo, filhos e co-herdeiros, pois é certo que os cristãos com Ele morreram (padecemos) para com Ele serem glorificados (ressurgir) ( Rm 8:17 ; Cl 3:3 ).

Tal qual Cristo é, é a sua igreja aqui neste mundo ( 1Jo 4:17 ). A igreja possui a imagem de Cristo, pois qual o Celestial, tais também os celestiais ( 1Co 15:47 -48). Esta condição é efetiva hoje, agora, não diz de algo para o futuro ( Ef 5:8 ).

Conclui-se que, todos os salvos de todas as épocas são filhos de Deus, porém, nem todos os salvos são qual o último Adão, que é Cristo. Há muitos filhos, mas somente a igreja é conforme a imagem de Cristo. Há muitos salvos, porém, somente através da igreja Cristo tornou-se primogênito dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

O apóstolo João e o apóstolo Paulo anunciaram que todos os cristãos receberam da plenitude de Cristo ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 -11), ou seja, todos são participantes da natureza divina, pois a semente de Deus permanece neles ( 2Pe 1:4 ; 1Jo 3:9 ).

A condição da igreja é tão diferenciada da dos outros salvos que os profetas estavam cientes que a graça que seria concedida à igreja não era igual a que lhes pertencia ( 1Pe 1:12 ).

As potestades e principados, por sua vez, desconheciam qual a multiforme sabedoria que foi revelada na igreja ( Ef 3:10 ), e assim como os profetas da antiga aliança também desejaram compreende-la “… para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 b).

Este verso tem causado inúmeros equívocos, visto que os anjos não desejaram anunciar o evangelho como muitos apregoam, antes eles desejavam atentar para as mesmas coisas que os profetas desejavam compreender Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 ).

Sabemos que Cristo é mais sublime que os céus, e que a igreja será semelhante a Ele, ou seja, possuidores de uma glória superior a própria ‘habitação’ do Altíssimo ( Hb 7:26 ; 1Jo 3:2 ).

Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).

No entanto, a manifestação dos filhos de Deus somente se dará quando Cristo se manifestar, e, então, a igreja será manifesta com Cristo em glória, ou seja, semelhantes a Ele ( Cl 2:11 ; 2Co 5:4 ; 1Co 15:53 -54).

Deus levou a efeito o seu propósito eterno quando adquiriu um povo, gerado segundo a palavra da verdade, constituído sacerdócio real e nação santa para que Cristo tenha a preeminência em tudo. Como? Através da igreja Cristo é o mais sublime entre os sublimes. Ele é o primogênito entre muitos irmãos! “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime” ( Is 52:13 ).

Somente através da igreja, o Servo do Senhor, o Filho do Altíssimo, é exaltado, elevado e mui sublime.

 

Conheceu e Predestinou

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Após alertar que as aflições do tempo presente não se comparam com a glória que há de ser revelada, e lembrar a expectativa da criação quanto a revelação dos filhos de Deus ( Rm 8:18 -22), o apóstolo Paulo demonstrou estar ansioso quanto a redenção do corpo ( Rm 8:23 ).

Ele reitera o que os cristãos deviam saber: que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus ( Rm 8:28 ), ou seja, os ‘que amam a Deus’ são aqueles que foram ‘chamados segundo o seu propósito’.

Quem são os chamados? Todos os que ouvem a mensagem do evangelho. Quem são os que amam a Deus? Todos que atenderam o chamado contido no evangelho.

Ora, somente as ‘boas novas’ do evangelho promove o propósito de Deus, pois todos os que foram ‘conhecidos’ de Deus, também foram predestinados a serem conforme a imagem de Cristo ( Rm 8:29 ).

Deste verso surgem algumas perguntas essenciais a compreensão:

  • O que é conhecer a Deus?
  • O ‘dantes’ refere-se a que?
  • Foram predestinados a que?
  • Com que propósito Deus chama os homens através do evangelho?

Conhecer a Deus “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” ( Gl 4:9 ) – ‘Conhecer’ a Deus não é ter ‘ciência’, ‘saber’ ou ‘conhecimento acerca de’ Deus, antes, ‘conhecer’ é tornar-se um só corpo e um só espírito com o Pai e o Filho ( Ef 4:4 ), ou seja, refere-se a comunhão intima ( 1Co 1:9 ). Assim como o homem torna-se um só corpo ao ‘conhecer’ a mulher, conhecer a Deus, ou antes, ser conhecido d’Ele, diz de comunhão intima. Conhecer a Deus é algo pertinente ao tempo presente dos cristãos “Mas, agora…” ( Gl 4:9 ).

Dantes conheceu – A que tempo refere o ‘dantes’? O que ‘dantes conheceu’ é o mesmo que ‘… primeiro esperamos em Cristo’ ( Ef 1:12 ). Os que primeiro esperaram em Cristo são os que conheceram a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele. Os que ‘dantes’, ou os que ‘primeiro’ conheceram a Deus, por esperar em Cristo, são os que foram feitos herança e predestinados segundo o propósito de Deus ( Ef 1:11 -12). ‘Dantes conheceu’ remete a mesma idéia que o apóstolo Paulo expôs aos cristãos da região da Galácia: conhecendo a Deus, ou ANTES, sendo conhecido d’Ele ( Gl 4:9 ). Este ‘dantes’ não tem relação com a ‘pré-ciência’ de Deus.

Predestinados a quê? – Deus predestinou os que ‘dantes’, ou seja, que em primeiro lugar O conheceram ao crer no evangelho para serem conformes à imagem de seu Filho. Observe que ninguém é predestinado a salvação! Antes de ser predestinado a ser conforme a imagem do Filho é necessário ao homem ‘conhecer’ a Deus, ou antes, ser ‘conhecido’ d’Ele.

O evangelho do propósito eterno – A oferta de salvação em Cristo, além da redenção do homem, faz parte do propósito eterno de Deus, que é tornar o Unigênito Filho de Deus no Primogênito de Deus entre muitos irmãos. Para tanto, todos os que crêem no evangelho, além de salvos, são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo.

Somente os que primeiro ‘conheceram’ a Deus por intermédio do evangelho são predestinados à filiação divina. Ninguém é predestinado a ‘conhecer’ a Deus, ou seja, ninguém é predestinado a salvação, antes, é necessário primeiramente (dantes) crer em Cristo, que o homem terá o seu destino definido conforme o que foi proposto na eternidade: será conforme a imagem de Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

E qual o propósito de Deus ao conceder filiação aos remidos segundo a graça demonstrada no evangelho? Que o Unigênito Filho de Deus, que foi morto e ressurgiu, seja o primogênito dentre os mortos com muitos irmãos.

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Só é possível crer depois de chamado e habilitado por Deus?

Quando Deus criou o homem concedeu-lhe o livre arbítrio (vontade livre), e a queda do homem demonstra que Deus, na sua soberania, não influenciou a vontade do homem para dissuadi-lo da sua decisão.

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O Evangelho anunciado

O eterno propósito de Deus é convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Cristo seja preeminente. Ora, Deus revelou o mistério da sua vontade através da mensagem do evangelho. Mistério que estava oculto em Deus por causa do beneplácito (consentimento, aprovação) proposto em Cristo, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo.

 


As ‘boas novas’ do evangelho anunciadas por Cristo aos homens é única. Qualquer outra mensagem que destoe da palavra anunciada por Cristo é anátema.

 

O Propósito Eterno

A mensagem do evangelho foi estabelecida antes dos tempos eternos (na eternidade), segundo o eterno propósito de Deus de fazer convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Ele seja proeminente “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos” ( Tt 1:2 ); “De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:10 ); “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ).

O eterno propósito de Deus é convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Cristo seja preeminente. Ora, Deus revelou o mistério da sua vontade através da mensagem do evangelho. Mistério que estava oculto em Deus por causa do beneplácito (consentimento, aprovação) proposto em Cristo, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo.

Ao escrever aos cristãos em Éfeso, Paulo fala acerca deste evangelho: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas insondáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que a tudo criou” ( Ef 3:8 -9).

Deus é eterno. O Verbo encarnado é eterno. O propósito é eterno. A promessa é eterna. Assim que, todas as promessas de Deus cumprem-se em Cristo “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós” ( 2Co 1:20 ).

O propósito eterno de Deus não pode ser frustrado, visto que:

  1. O Verbo de Deus ao ser introduzido no mundo tornou-se o unigênito de Deus ( Jo 1:14 e 18) e o primogênito de toda a criação ( Cl 1:15 ; Hb 1:6 ) – O único Filho (unigênito) de Deus também é designado o ‘primeiro gerado’ (primogênito) de Deus, diferente dos outros seres, que foram criados;
  2. Ao ressurgir dentre os mortos, Cristo tornou-se o primogênito dentre os mortos ( Cl 1:18 ) – Primeiro gerado dentre os mortos; isto porque todos os que crêem no evangelho a semente incorruptível, são de novo gerados segundo Deus ( 1Pe 1:3 );
  3. Através de seu corpo, a igreja, Ele trouxe muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), tornando-se primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Na eternidade, Deus (El Eloim) estabeleceu um propósito eterno: a preeminência de Cristo. Para isto, fizeram um acordo que, ao ser introduzido o Verbo de Deus no mundo, seria estabelecida a relação Pai e Filho, e por isso o profeta anunciou: “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” ( 2Sm 7:14 ). Ora, temos uma relação estabelecida entre as pessoas da divindade.

Quando o Verbo se fez carne soou o decreto: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” ( Sl 2:7 ). Embora feito menor que os anjos ( Hb 2:9 ), por causa da paixão da morte, foi dado ordem aos seres angelicais: “E todos os anjos de Deus o adorem” ( Hb 1:6 ).

Mas, para que Cristo em tudo tivesse preeminência, segundo o beneplácito da vontade de Deus, convinha que fosse consagrado através da aflição na morte, para aniquilar o que tinha o império da morte, o diabo ( Hb 2:14 ).

Hoje e sempre, Jesus é Senhor nos céus e na terra, para a glória de Deus Pai. Os anjos vêem no propósito eterno de Deus a sua multiforme sabedoria, e toda a criação está na expectativa da manifestação dos filhos de Deus que revelará a todos a condição de primogênito entre muitos irmãos que Cristo conquistou na cruz ( Rm 8:19 ).

Em resumo, o propósito de Deus é sujeitar todas as coisas a Cristo, e acima de todas as coisas que foram sujeitas, Ele foi constituído como a cabeça do corpo, que é a igreja – a plenitude de Cristo que enche tudo em todos ( Ef 1:22 -23).

Na ordem crescente: todas as coisas foram sujeitas a Cristo (principado, domínio, autoridade, poder, etc). Acima destas coisas foi dada a condição de cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ora, o seu corpo está acima de tudo o que foi posto abaixo dos seus pés.

 

Convergindo todas as Coisas

Ao implementar (por em prática, dar execução) o Propósito Eterno, temos: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança” ( Gn 1:26 ).

A imagem que foi dada ao homem é proveniente de Cristo “… Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ), e a semelhança que foi concedida é o domínio sobre a terra “… domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra” ( Gn 1:26 ).

Tudo que há em Deus foi concedido ao homem por semelhança: domínio, liberdade e uma natureza perfeita. Porém, Adão não deu crédito à palavra de Deus e atentou contra a sua própria vida quando comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Através da ofensa de Adão veio o juízo e a condenação para todos os homens (Romanos 5: 18). Adão tornou-se a porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz à perdição. Através do nascimento em Adão todos os homens tornaram-se destituídos da glória de Deus.

A Escritura demonstra que o homem é pecador, sem esperança no mundo, morto diante de Deus. Esta condição não é proveniente da moral ou do comportamento humano, antes da natureza herdada de Adão. É por isso que Paulo diz: “Pois assim como a morte veio por um homem (…) Pois assim como todos morreram em Adão…” ( 1Co 15:21 -22).

Sobre Adão Jesus disse: “Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( Mt 7:13 ). Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho espaçoso que conduz à perdição, e muitos são os que entram por Adão, exceto Cristo, o unigênito de Deus. É por isso que Ele disse ‘muitos’, e não ‘todos’ que entram por ela.

Ora, se a porta estreita que é Cristo, o último Adão, por quem os homens são vivificados, o primeiro Adão é a porta larga por quem os homens entram no caminho de perdição ( 1Co 15:45 ).

Como Adão tornou-se pecador, destituído da vida que há em Deus, os seus filhos tornaram-se iguais a ele “Qual o terreno, tais são também os terrenos…” ( 1Co 15:48 ). É por isso que os homens são chamados de filhos da ira e filhos da desobediência.

Não importa a conduta, a moral, a religião, os sacrifícios, a origem dos homens nascido segundo Adão, todos entraram pela porta larga ao nascer e seguem para a perdição. Diante de Deus um homem com todas as qualidades morais e intelectuais como era o caso de Nicodemos é igual a alguém sem méritos, como era o caso da mulher samaritana.

Mas, em sua infinita graça e amor, Deus enviou o seu Filho Unigênito ao mundo para salvá-lo de condenação em Adão, que é anterior à sua vinda. É por isso que Ele disse: “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ).

Isto demonstra que Jesus não veio julgar os homens porque todos já estavam sob condenação. Ele veio salvar porque todos entraram pela porta larga e trilhavam o caminho de perdição.

É por isso que Ele disse: “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:12 ), ou seja, entrar pela porta estreita é o mesmo que: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ). Entrar pela porta estreita é uma necessidade que só é possível através do novo nascimento.

Nicodemos perguntou: “Como pode um homem nascer sendo velho?” ( Jo 3:4 ). Ora, para o homem é impossível nascer de novo! É por isso que a bíblia demonstra que o homem é escravo do pecado, perdido, não pode salvar-se a si mesmo.

Mas, através do chamado do evangelho que diz: ‘Entrai pela porta estreita’ ou ‘Vinde a mim, vos que estais cansados e oprimidos’ é oferecido salvação poderosa a todos os homens. O convite é universal, pois Deus amou o mundo, e deseja que nenhum homem se perca ( Jo 3:16 ; 1Tm 2:5 ).

Cristo morreu em resgate por todos os homens ( 1Tm 2:6 ), e não por alguns. Deus amou a todos os homens, e não só por alguns. É por isso que Jesus disse: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” ( Mt 22:14 ). Por que ‘muitos’ são chamados, e não ‘todos’? Porque nem todos ouviram a mensagem do evangelho.

O chamamento do evangelho é universal por destinar-se a todos os homens, porém, muitos não ouviram esta maravilhosa mensagem. Ex: os aborígenes, índios, povos da Ásia e da África, povos da America antes das grandes viagens, etc. Paulo mesmo diz: “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:24 ).

No momento da pregação do evangelho surgem os chamados, que são muitos, e pertencentes a todos os povos, porém, os escolhidos são poucos.

Quem são os escolhidos? Ora, como são poucos os escolhidos e poucos os que entram pela porta estreita, temos que os escolhidos são aqueles que nasceram de novo e entraram pela porta estreita, que é Cristo.

Há somente um evangelho que foi anunciado pelos apóstolos. Qualquer outro evangelho é anátema.

Esta mensagem de boas novas é direcionada a todos os homens, pois isto foi anunciado: “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens” ( Lc 2:14 ). A boa vontade de Deus é para com todos os homens, e não somente alguns.

Qualquer evangelho que vete a graça de Deus para todos os homens indistintamente é anátema. Qualquer evangelho que estabelece diferentes níveis de graça é anátema. Qualquer evangelho que considere que Deus ama alguns homens em detrimento de outro é anátema. Qualquer evangelho que nega a universalidade e eficácia da mensagem do evangelho é anátema.

 

O Convite à Salvação

Ora, a bíblia demonstra a impossibilidade dos homens salvarem-se a si mesmo pelas suas obras ou méritos pessoais. Por mais regrado e cheio de méritos que o homem seja, ele entrou por Adão, a porta larga, e trilha um caminho de perdição.

Por mais que os homens criem regras, vivam despojados das coisas desta vida, reneguem os prazeres, façam justiça, estejam resignados a sofrerem a injustiça, etc. continuam trilhando um caminho de perdição.

É por isso que Paulo demonstra que através do seu poder, Deus pega o barro (homem) de uma mesma massa e faz vasos honra e desonra. Todos os homens (barro) são provenientes de uma mesma massa, mas em Adão são feitos vasos para desonra, e em Cristo, são feitos vasos para honra ( Rm 9:21 -24).

Paulo demonstra que os cristãos são vasos para honra para dar a conhecer as riquezas da sua misericórdia. Os cristãos foram chamados dentre todos os povos através da mensagem do evangelho, pois antes de ser feito vaso para honra, éramos todos vasos de desonra, vasos de ira, preparados para a perdição ( Ef 2:4 -7).

Antes os cristãos eram trevas (vasos de ira preparados para a perdição), agora são luz no Senhor (vasos para honra) “Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” ( Ef 5:8 ).

Que obra ou dignidade há da parte do homem em ser feito vaso para honra? Nenhuma! Da mesma forma que não há obra ou dignidade por parte daquele que foi feito vaso para desonra.

Ora, se quem nasce de Adão entra pela porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz a perdição, que obra, ação, bem ou mal fez quem foi feito vaso para ira destinado a destruição? Isto demonstra que, embora o homem não tenha nascido, nem feito bem ou mal, para que o propósito eterno de Deus segundo a eleição permaneça firme, os nascidos em Adão serão vasos para desonra.

De igual modo, os já nascidos de Adão precisam nascer de novo. E não importa a obra, mérito ou condição do homem, para que o propósito de Deus segundo a eleição continue firme, os nascidos em Cristo são vasos para honra.

Onde está a jactância? Onde há mérito? Onde há dignidade? Onde há obra?

O evangelho de Cristo é:

  • Boas novas de salvação – Mensagem de Deus a todos os homens perdidos por causa da condenação de Adão;
  • Gratuito – é um convite incondicional a todos os homens, independente das suas ações e condições morais;
  • Para os pecadores – o público alvo da mensagem do evangelho é todos os pecadores, pois Deus não faz acepção de pessoas; o amor de Deus é segundo a sua justiça, ou seja, ele não tem ninguém em preferência;
  • Oferecido – Deus oferece salvação, livre de qualquer imposição. A graça do evangelho é segundo a sua santidade, ou seja, Ele a ninguém oprime “O Todo Poderoso está além do nosso alcance, ele é exaltado em poder; em sua justiça e grande retidão ele ninguém oprime” ( Jó 37:23 ). Embora todo poder (soberania), Deus é justiça e retidão, ou seja, Ele não oprime a nenhuma de suas criaturas;
  • Incondicional – Deus não exige obras ou méritos por parte dos pecadores para salvá-los. Do mesmo modo que sem obra ou méritos os pecadores foram feitos vasos para desonra (vasos para ira e destruição), ao salvá-los, Ele faz vasos para honra aparte das obras ou dos méritos e utiliza a mesma massa;
  • É poder – A salvação decorre do poder criativo de Deus segundo a sua palavra (bara – só Deus ‘bara’ através da palavra). Ora, todos que recebem a Cristo, ou que creem na mensagem do evangelho, recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus segundo a sua vontade ( Jo 1:12 -13); o homem não tem poder para operar a sua própria salvação. Somente o poder que faz paralítico andar é que pode dar vida ao novo homem “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:24 );
  • É graça – É um presente de Deus aos homens. Não é imposta aos homens a tal ‘graça irresistível’, pois ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’ ( Jl 2:32 ). Somente invoca os necessitados, os pobres de espírito, os que necessitam de socorro, e não aqueles que têm algo a oferecer. Quem ouvir as boas novas e invocar a Deus será salvo, porém, Deus não obriga ninguém a invocá-lo para em seguida salvar.

Como invocarão a Deus? Ele sujeitará o homem subvertendo a sua vontade? Não! Se assim fosse, não haveria a necessidade de o homem esperar em Deus (confiar); não haveria a necessidade da pregação; pra que ouvir ou pregar? Por que Isaias questiona a Deus “Quem creu na nossa pregação?”, se Ele impõe a sua vontade?

O evangelho de Cristo não é um ramo do fatalismo, concepção filosófica que considera serem o mundo e os seus acontecimentos produzidos de modo irrevogáveis. Ora, a concepção calvinista e a arminianista, em última análise, são fatalistas, pois alguns homens estão fadados à perdição, e outros, mesmo que não invoquem a Deus, à salvação.

O fatalismo fazia parte da cultura grega antiga e do estoicismo grego romano. Certas idéias ‘pseudo’ cristãs fundam-se na ideia da ‘divina providência’ ou no ‘determinismo’, ramo equivalente ao fatalismo.

Ora, sabemos que se fé é impossível agradar a Deus. Agradá-lo ou aproximar-se dele constitui-se em mérito por parte do homem? ( Hb 11:6 ). É preciso ser salvo para depois invocar a Deus? A bíblia recomenda invocar para ser salvo, mas se o homem primeiro é salvo para depois invocar a Deus, já não é preciso invocá-lo ( Jl 2:32 ).

O evangelho da graça não é regeneração para crer (invocar), antes é invocar (crer) para regeneração (salvação).

 

Propósito Segundo a Eleição

Como os vasos para honra fazem parte do propósito eterno de Deus de fazer convergir em Cristo todas as coisas?

A preeminência de Cristo está em Ele ser o primogênito de toda a criação, primogênito dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos ( Cl 1:15 e 18; Rm 8:29 ).

Mas, para que Jesus fosse constituído por Deus primogênito entre muitos irmãos, fez-se necessário Deus constituir filhos para si. Para ele constituir filhos para si, fez-se necessário Cristo morrer e ressurgir, tornando-se primogênito dentre os mortos.

Para Cristo tornar-se primogênito dentre os mortos, fez-se necessário participar da carne e do sangue, tornando se o Unigênito de Deus, o primogênito de toda criação.

Para tornar-se o primogênito de toda criação, o Unigênito de Deus, o Verbo que se fez carne e que habitou entre nós teve que deixar a Sua glória.

Isto demonstra que, na eternidade, antes de virem à existência, os homens já eram alvos do eterno propósito de Deus, visto que, para Cristo ser primogênito entre muitos irmãos, Deus constituiu dentre os homens regenerados filhos para si. Ora, é impossível ser primogênito sem que haja outros irmãos.

Mas, como Deus constitui dentre os homens filhos para si? Todos que entrarem pela porta estreita, que é Cristo, são salvos da condenação anterior proveniente da queda de Adão, a porta larga por onde entram todos os homens. A todos que conhecem a Deus, ou antes, que são conhecidos dele através do evangelho ( Gl 4:9 ), além da salvação serão semelhantes a Cristo “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

Ora, a salvação em Cristo é oferecida através da mensagem do evangelho a todos os homens “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” ( At 2:39 ), porém, todos que são salvos em Cristo não têm outro destino: são filhos de Deus, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, o primogênito entre muitos irmãos “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17 ).

É por isso que Paulo relata que Deus predestinou os cristãos. Ele demonstra que foi segundo a vontade e beneplácito de Deus que os cristão foram predestinados a serem filhos.

O erro surge quando alguém considera que Deus predestinou dentre não crentes alguns para salvação. O que Paulo nos demonstra é que Deus estabeleceu qual seria o destino eterno dos cristãos, uma vez que eles estavam em Cristo.

Paulo escreve a cristãos e não a incrédulos. Ele reafirma: em amor Deus nos (Paulo e os cristãos de Éfeso) predestinou para sermos filhos ( Ef 1:5 ). Ora, os santos que estavam em Éfeso é que se tornaram filhos, e não os descrentes.

Ora, muitos homens do passado foram salvos pela fé em Deus, porém, eles não fazem parte do corpo de Cristo. Somente os membros do corpo de Cristo, a igreja, que além da salvação não terão outro destino, a não ser, serem filhos de Deus. Este destino reservado por Deus antes dos tempos dos séculos à igreja é por causa do eterno propósito de Deus, pois os salvos em Cristo são filhos para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos.

Não encontramos na bíblia predestinados à salvação, antes predestinados a serem filhos. Ao longo da história da humanidade encontramos salvos antes da lei, salvos dentre o povo de Israel, salvos na grande tribulação e salvos no milênio, porém, nenhum destes salvos é predestinado a serem filhos.

Todos os salvos ao longo dos séculos, os anjos, os principados, autoridades e poderes estão sujeitos a Cristo, ou seja, debaixo dos seus pés. Porém, acima de todas estas coisas temos a igreja, o corpo de Cristo, e Ele é a cabeça da igreja ( Ef 1:22 ).

É por isso que ao falar da predestinação e da eleição, Paulo estabelece a condição: ‘em Cristo’.

1º) ‘em Cristo’ é a condição de existência da nova criatura “Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 );

2º) Somente a nova criatura é filho de Deus, santa e irrepreensível, e por isso todas as vezes que Paulo fala da predestinação ou da eleição ele estabelece: ‘em Cristo’, ‘no Amado’, ‘nele’, etc. ( Ef 1:3 -13);

3º) Deus determinou antes do séculos, que a nova criatura gerada segundo a sua vontade (Espírito) e palavra (água) seria filho por Adoção ( Jo 1:12 e Jo 3:5 ), por Cristo Jesus, e;

4º) Cristo torna-se primogênito entre muitos irmãos, segundo o propósito eterno de convergir em Cristo todas as coisas, quando Deus cria (bara) a nova criatura, concedendo ao homem um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Ef 4:24 ).

O evangelho demonstra que o homem precisa morrer com Cristo, para depois ressurgir um novo homem. Como Deus predestina e elege alguém que tem que morrer à salvação? Ora, se Deus predestinou e elegeu o pecador para ser salvo, ele não poderia morrer.

Mas, o evangelho demonstra que todos quantos crerem em Cristo morrem e ressurgem uma nova criatura. Antes de morrer era vaso para desonra, preparado para perdição. Após morrer e ressurgir, o homem é feito vaso para honra. Antes trevas, agora luz no Senhor.

Quando formularam o posicionamento doutrinário de que algumas pessoas perdidas foram predestinadas e escolhidas para serem salvas, esqueceram que é impossível nascer de novo sem antes morrer. Ora, se o homem precisa morrer com Cristo para depois renascer, percebe-se que os pecadores não são predestinados e nem eleitos, uma vez que não poderiam morrer com Cristo.

Mas, todos que morreram, foram sepultados e ressurgiram com Cristo, estes são feitos filhos de Deus. As novas criaturas foram predestinadas a serem filhos de Deus, para que Cristo seja primogênito dentre muitos irmãos.

Paulo é enfático: “É também nele que vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da salvação…” ( Ef 1:13 ). Ora, aquele que está em Cristo, ou seja, que é uma nova criatura, é um dos escolhidos de Deus para ser santo e irrepreensível. ‘Em Cristo’ (no Amado) é que Deus predestinou para ser filho por Adoção.

Somente após ouvir a mensagem do evangelho da salvação e tendo nele crido é que se opera a regeneração (estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura). Ser regenerado para crer é uma idéia descabia frente ao evangelho de Cristo. Como é possível alguém que não tem mais sede pedir água? Ora, segundo o pensamento calvinista e arminianista Deus forma no homem uma fonte que jorra para a vida eterna (regeneração), de modo que a pessoa não terá mais sede, e então, o homem está apto a pedir a água oferecida (crer)?

Cristo ofereceu água viva à samaritana, e caso ela bebesse a água fornecida gratuitamente, então seria feito nela uma fonte que jorra para a vida eterna, sem nunca mais ter sede ( Jo 4:14 ). Como ela pediria água, depois que não tivesse mais sede?

É anti-bíblico o argumento que apresenta a regeneração para crer. Ora, teríamos a regeneração, depois a pregação e por fim a fé. No entanto, o evangelho é a mensagem de Deus que traz fé, o homem crê e morre com Cristo. Ressurge dentre os mortos (regeneração) com Cristo, que é o primogênito dentre os mortos, e na condição de nova criatura herdamos com Cristo todas as coisas (filhos).

Ele é o primogênito entre muitos irmãos, e os que crêem co-herdeiros com Cristo, para que em tudo ele tenha a preeminência: Ele é a cabeça do corpo!

Se anunciarem outro evangelho, que seja anátema!

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