O arrebatamento da Igreja

A orientação paulina é para que os cristãos não fiquem preocupados ou, assustados com o arrebatamento da Igreja, pois o dia do Senhor só surpreenderá quem está nas trevas.

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O tesouro escondido e a pérola de grande valor

O apóstolo Paulo é um exemplo de judeu que abriu mão de tudo o que possuía para adquirir a Cristo: o tesouro escondido, a pérola de grande valor! O apóstolo Paulo buscava um tesouro nos céus e, para isso, abriu mão de tudo o que possuía: “Vendei o que tendes e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não corrói” (Lc 12:33).


“Também, o reino dos céus, é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo. Outrossim, o reino dos céus, é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha e comprou-a” (Mt 13:44-46)

 

Introdução

Qual o significado da parábola[1] do tesouro escondido num campo? Qual a aplicação prática da parábola do negociante que sai à procura de uma pérola de grande valor? Essas parábolas aplicam-se aos membros do corpo de Cristo?

Antes de narrar as parábolas do ‘tesouro escondido’ e da ‘pérola de grande valor’, o evangelista Mateus destaca que Jesus utilizava parábolas para ensinar à multidão, porque a eles não foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus (Mt 13:11).

Os discípulos estavam intrigados e perguntaram o motivo pelo qual Jesus utilizava parábolas para falar ao povo. Jesus explicou que falava por parábolas ao povo de Israel, para que ‘vendo’, não ‘vissem’ e, ‘ouvindo’, não ‘ouvissem’ e nem ‘compreendessem’, de modo que a profecia de Isaías se cumpriria neles (Mt 13:13-14).

Além da explicação de Jesus, acerca do predito por Isaías, o evangelista Mateus lembra o que foi anunciado pelo salmista, no Salmo 78, e explica que Jesus nunca falava à multidão, sem se utilizar de parábolas.

A explicação de Jesus:

“Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem e, ouvindo, não ouvem, nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis” (Mt 13:13 -14);

A explicação de Mateus:

“Tudo isto disse Jesus por parábolas à multidão e nada lhes falava sem parábolas; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: abrirei em parábolas a minha boca, publicarei coisas ocultas, desde a fundação do mundo” (Mt 13:34-35; Sl 78:2).

O evangelista Marcos, também, destaca como se dava o ensinamento de Jesus à multidão:

“E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender. E sem parábolas nunca lhes falava, porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” (Mc 4:33-34).

Com base no exposto acima, verifica-se que o público alvo das parábolas de Jesus era o povo judeu. Jesus deixa claro que Ele foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, o que corrobora com a ideia de que a mensagem de Jesus foi direcionada aos filhos de Israel: “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24; Jr 50:6).

 

As parábolas

Mas, por que Jesus compara o reino dos céus a um tesouro que um homem achou e escondeu em um campo? O que os judeus, que ouviram a parábola, tinham que aprender com o homem que vendeu tudo o que possuía, para adquirir o campo onde o tesouro estava escondido? O que aprender com o negociante que estava em busca de uma pérola de grande valor?

Ora, a abordagem de Jesus não visava bens materiais, pois Ele mesmo disse que a vida de qualquer um não consiste na abundância de bens que possui (Lc 12:15). Jesus também não estava instando os judeus a adquirirem bens materiais ou serem empreendedores, pois Ele mesmo instruiu os seus ouvintes a ajuntarem tesouro nos céus (Mt 6:20).

Os ouvintes de Jesus, na sua grande maioria, eram desprovidos de bens materiais, o que nos faz perguntar: O que eles deveriam dispor (abrir mão, vender) para terem condições de adquirir algo de grande valor? O que seria esse algo de imensurável valor, que demandaria aos ouvintes de Jesus, abrir mão de tudo o que possuíam?

Jesus compara (é semelhante) o reino dos céus a um tesouro escondido num campo: “Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo…” (Mt 13:44). Com base nessa informação, Jesus estabeleceu que o reino dos céus é o ‘tesouro escondido’. De igual modo, a ‘pérola de grande valor’, que o negociante encontrou, refere-se ao reino dos céus.

Através do comparativo fixado por Jesus, identificamos o valor atribuído ao reino dos céus: um tesouro, uma pérola de valor inestimável.  Mas, o que seria esse reino dos céus a que Jesus se referiu?

 

O reino dos céus

João Batista apregoava, no deserto da Judeia, a seguinte mensagem:

 “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mt 3:2).

Após João Batista ter sido preso, Jesus também passou a pregar a mesma mensagem (Mt 4:17). Ao enviar os doze discípulos às ovelhas perdidas de Israel, Jesus mandou que anunciassem a chegada do reino dos céus (Mt 10:7).

Quando interrogado pelos fariseus, acerca do tempo em que o reino de Deus haveria de vir, Jesus esclareceu que o reino de Deus não viria com aparência exterior, de modo a possibilitar que os homens o identificassem. Ninguém estaria apto a apontar ou identificar o reino de Deus e o motivo era especifico: o reino de Deus estava entre eles!

“E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós” (Lc 17:20-21).

Ora, com base nessas passagens bíblicas, conclui-se que Cristo é o reino dos céus, portanto, Ele é o ‘tesouro escondido’ e a ‘pérola de grande valor’!

 

Vende tudo

Mas, o que os ouvintes de Jesus deveriam fazer para ter a Cristo?

Jesus mesmo informou o que os seus concidadãos teriam que dispor de tudo o que possuíam (abrir mão, vender) para tomar posse do ‘tesouro escondido’ ou, da ‘pérola de grande valor’:

“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz e não segue após mim, não é digno de mim. Quem achar a sua vida perdê-la-á e quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á” (Mt 10:37-39);

“Vendei o que tendes e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam, tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não corrói” (Lc 12:33).

Considerando que ‘amar’, nas Escrituras, não diz de sentimento, mas, de honra, obediência, temor (Mt 6:24); considerando que aquele que ama a Jesus é o que cumpre os seus mandamentos: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (Jo 14:15), segue-se que aquele que está disposto a seguir os ensinamentos de seus familiares (tradições, ritos, costumes, mandamentos, etc., como no caso dos fariseus, que invalidavam a palavra de Deus, preferindo as tradições dos anciãos) mais do que os ensinamentos de Cristo, não é digno do reino dos céus.

Ora, os profetas haviam previsto que os inimigos do Filho do homem seriam os seus próprios familiares (Mt 10:36; Mq 7:5-6; Jr 9:4; Jr 12:6). Qualquer que seguisse os ensinamentos de seus familiares (pai e mãe) seria um adversário de Cristo, pois o ensinamento dos líderes de Israel não passava de tradições, segundo o mandamento de homens: “Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens” (Mc 7:7-8; Tt 1:14; Is 29:13).

Como os inimigos de Cristo eram os seus concidadãos, temos a ordem aos filhos de Israel: concilia-te depressa com o teu adversário, ou seja, com o Cristo.

“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz e o juiz te entregue ao oficial e te encerrem na prisão” (Mt 5:25).

Quando é dito: ‘quem ama o filho, ou a filha, mais do que a mim, não é digno de mim’, Jesus requer dos judeus honra e que deixassem de honrar o vínculo de sangue que possuíam com Abraão: “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou” (Jo 5:23).

Além de abrir mão das suas tradições e de não se vangloriarem pelo vínculo de sangue que tinham com Abraão, os filhos de Israel tinham que tomar e levar sobre si a própria cruz e seguir após Cristo! Cristo, pelo seu próprio sangue, santificou o seu povo ao padecer fora do arraial e todos os seus seguidores devem sair fora do arraial, levando a sua própria cruz: “E por isso, também, Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hb 13:12-13).

“Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24);

“E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8:34);

“E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz e segue-me” (Mc 10:21);

“E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:27).

Jesus deixa claro que ‘quem perder a sua vida por obedecer a Ele, achá-la-á’ (Mt 10:39), pois, qualquer que for crucificado com Cristo, passa da morte para a vida: “Já estou crucificado com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20; Jo 5:24).

O apóstolo Paulo é um exemplo de judeu que abriu mão de tudo o que possuía para adquirir a Cristo: o tesouro escondido, a pérola de grande valor! O apóstolo Paulo buscava um tesouro nos céus e, para isso, abriu mão de tudo o que possuía: “Vendei o que tendes e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não se envelheçam; tesouro nos céus que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça não corrói” (Lc 12:33).

Observe:

“E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” (Fl 3:8).

Quais foram as ‘coisas’ que o apóstolo Paulo se desfez (vendeu) para ganhar a Cristo? Temos uma lista:

“Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível” (Fl 3:5-6).

As ‘coisas’ enumeradas pelo apóstolo Paulo era tidas por ‘vantagens’, ‘ganho’:

“Mas o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo” (Fl 3:7).

O apóstolo Paulo não honrou pai e mãe mais que a Cristo, pois quando se converteu, não consultou os seus concidadãos (carne e nem sangue) se deveria anunciar o evangelho aos gentios, mas partiu para a Arábia: “Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue” (Gl 1:16).

Quem quiser seguir a Cristo, primeiro tem de abrir mão de tudo:

“E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores. E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. E disse a outro: Segue-me. Mas, ele respondeu: SENHOR, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai. Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus. Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lc 9:57-62).

Alguns discípulos, quando foram convocados por Cristo, haviam acabado de pescar muitíssimos peixes (encheram dois barcos que, quase foram a pique), uma riqueza de valor considerável para pescadores da época (Lc 5:7). Simão Pedro, Tiago e João deixaram tudo e seguiram a Jesus (Lc 5:11). O jovem rico, por sua vez, não quis abrir mão do que possuía! (Lc 18:22).

Por que era necessário aos ouvintes de Jesus, abrirem mão de tudo, para adquirirem um tesouro nos céus? A resposta é simples: “Porque, onde estiver o vosso tesouro, ali estará, também, o vosso coração” (Lc 12:34; Mt 6:21).

Abraão é um exemplo de quem abriu mão de tudo, para alcançar a cidade que tem fundamento, cujo arquiteto e artífice é Deus (Hb 11:10). Primeiro, ele saiu de sua parentela, ou seja, abriu mão de pai e mãe. Quando apareceu a oportunidade de ficar com os bens do rei de Sodoma, Abraão abriu mão para que o rei de Sodoma não viesse a dizer que enriqueceu Abraão (Gn 14:23).

O profeta Moisés é outro exemplo, pois abriu mão de ser chamado filho da filha de Faraó, por ter em vista a recompensa: “Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo, do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa” (Hb 11:24-26).

 

O ensinamento

Para interpretar a parábola do tesouro escondido, o leitor não tem que buscar um significado para a figura do homem, do campo ou do ato de esconder o tesouro. A parábola foi contada para que os ouvintes de Jesus refletissem se estavam dispostos a abrir mão de tudo, para poder alcançar o reino dos céus!

Em lugar de apresentar um mandamento: ‘Vai e vende tudo…’, Jesus apresentou uma parábola, que fizesse os seus ouvintes considerarem se estavam dispostos a abrir mão de tudo o que possuíam, para alcançar o reino dos céus.

Igualmente, ocorre com a parábola do negociante, que saiu em busca de boas pérolas. O leitor não tem que atribuir significado ao homem negociante ou, ao fato de ter encontrado uma pérola de grande valor. O objetivo da parábola é destacar se os ouvintes de Jesus estavam dispostos a cumprirem a ordem de Cristo: “Vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; vem, toma a cruz e segue-me” (Mc 10:21).

Muitos erros surgem quando se ignora o público alvo da parábola, porém, eles se avolumam quando o intérprete procura atribuir significado a cada elemento que compõe a parábola.

De nada adianta interpretar corretamente um elemento da parábola e se equivocar no restante. Observe:

“Mas, há dois conceitos errados, sobre essas parábolas, que devem ser considerados. O primeiro foi proposto por Orígenes e afirma que Cristo é o tesouro escondido ou a pérola de inestimável valor que o pecador tem de encontrar e comprar. Na outra parábola, os papéis são invertidos, fazendo uma alusão descabida a Cristo como aquele que encontra a Igreja e a compra. Ambos, contudo, são conceitos errados (Cristo não está à venda nem vendeu Israel para comprar a igreja) e lidam com questões que estão fora do contexto” O novo comentário bíblico NT, com recursos adicionais — A Palavra de Deus ao alcance de todos. Editores: Earl Radmacher, Ronald B. Allen e H.Wayne House, Rio de Janeiro, 2010.

Com base no apontado pelos editores do ‘O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento’, Orígenes estava corretíssimo quando aponta Cristo como o tesouro escondido ou a pérola de grande valor. Entretanto, cometeu o equívoco de não observar o público alvo das parábolas e de considerar que Cristo encontrou a igreja e a compra.

Os editores do ‘O Novo Comentário Bíblico Novo Testamento’ erram quando afirmam que Orígenes errou ao dizer que Cristo é o tesouro escondido ou a pedra de grande valor. Ora, efetivamente Cristo é o tesouro escondido ou a pérola de inestimável valor.

A interpretação que Moody dá à parábola do tesouro escondido é equivocada, porque ele buscou dar significado a alguns elementos que compõem a parábola:

“44. O Tesouro Oculto. Embora o tesouro costume ser explicado como sendo Cristo, o Evangelho, a salvação, ou a Igreja, pelo que o pecador deveria estar pronto a sacrificar tudo, o uso consistente da palavra homem nesta série refere-se a Cristo e o ato de esconder, novamente, depois de encontrar, toma os quadros diferentes. Antes, o tesouro oculto num campo descreve o lugar ocupado pela nação de Israel durante o interregno (Êx. 19:5; Sl. 135:4). Cristo veio para essa nação obscura. A nação, entretanto, rejeitou-o, e assim, com propósito divino, foi privada de sua importância financeira; ainda hoje continua obscura no seu aspecto externo quanto ao seu relacionamento com o reino messiânico (Mt. 21:43). Mas, Cristo deu a sua própria vida (tudo quanto tem) para comprar todo o campo (o mundo, l Co. 5:19; I Jo. 2:2) e, assim, conseguiu plena posse de direito por descobrimento e redenção. Quando ele voltar, o tesouro será desenterrado e totalmente revelado (Zc. 12,13)” Comentário Bíblico Moody – Mateus.

Israel

As parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor são exigências aos filhos de Israel, para que se desfaçam de tudo, pois acerca deles, protestavam os profetas, de que eram possuidores de muitas ‘riquezas’, a ponto de serem chamados ‘ricos’.

“Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação” (Lc 6:24);

“Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos e não vos arrastam aos tribunais?” (Tg 2:6);

“Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir (…) Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu” (Tg 5:1 a 6).

Essa era a condição dos filhos de Israel:

“Na verdade, todo homem anda numa vã aparência; na verdade, em vão se inquietam; amontoam riquezas e não sabem quem as levará (Sl 39:6; Lc 12:20; Jr 17:11);

“Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas” (Jr 9:23).

 

A igreja

Essas duas parábolas possuem algum elemento prático exigível dos membros do corpo de Cristo? Não, pois os que creem já ganharam a Cristo. O crente em Cristo não tem que dispor de nada para ganhar a Cristo, antes, já está de posse de Cristo, por crer na mensagem do evangelho.

O alerta para a igreja é diferente: “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2Tm 2:4), de modo que: “… os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que folgam, como se não folgassem;  os que compram, como se não possuíssem; e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa” (1Co 7:29-31).

Das parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor, os cristãos retiram uma lição a ser utilizada no evangelismo, de modo a demonstrar ao pecador que, para ganhar a Cristo é necessário deixar tudo.

“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Que daria um homem em troca de sua alma?” (Mc 8:36-37).

 


[1] As parábolas da Bíblia, geralmente, são narrativas curtas, que transmitem um ensinamento proposto por Deus, através dos profetas da Antiga Aliança, composta por símiles, figuras, enigmas e adágios.

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O Sermão da Montanha e o espírito inatingível da lei

A expressão ‘os tristes’ bem-aventurados, não possui relação com o sentimento de desilusão, frente aos infortúnios da vida e nem decorre da ebulição das emoções a que todos homens estão sujeitos. Os ‘tristes’ enquanto figura que compõe um quadro profético, tem conexão com o advento do Messias, que, segundo o profeta Isaías, foi ungido para apregoar boas novas nos seguintes termos: a tristeza é substituída por glória, gozo e louvor com o objetivo de Deus ser glorificado (Ef 1:12).


As Bem-aventuranças – Parte I

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e dos fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mateus 5:20)

Como compreender o Sermão da Montanha? Nele, Jesus apresenta princípios éticos e morais[1] do seu reino? O núcleo da mensagem do Sermão da Montanha é de cunho sociocultural? Além dos mandamentos cunhados na lei mosaica, Jesus apresentou novos mandamentos?

Antes de explicarmos algumas nuances pertinentes ao ensino de Cristo à multidão, primeiro faremos análise de alguns textos, que são essenciais à leitura do Sermão da Montanha.

Essa análise é imprescindível à leitura do Sermão da Montanha, vez que trará o conhecimento essencial de algumas peculiaridades pertinentes às Escrituras, que possibilitam a compreensão do discurso de Jesus à multidão.

 

Parábolas

Uma característica intrínseca à mensagem anunciada pelos profetas da Antiga Aliança era as visões, as parábolas e os enigmas: “Falei aos profetas e multipliquei a visão; e pelo ministério dos profetas propus símiles” (Os 12:10).

Os profetas anunciavam visões, propunham parábolas ou apresentavam enigmas, pelo fato de Deus não falar abertamente ao povo. Moisés era exceção à regra, visto que, nem mesmo os profetas, tinham o privilégio de falar cara a cara, boca a boca com Deus, a não ser por sonhos: “Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?” (Nm 12:8).

Nas Escrituras, encontramos alguns profetas que foram taxados pelo povo de contadores de parábolas, entretanto, os profetas se resignavam em falar estritamente o que Deus ordenou: “Então disse eu: Ah! Senhor DEUS! Eles dizem de mim: Não é este um proferidor de parábolas?” (Ez 20:4); “Filho do homem, propõe um enigma e profere uma parábola para com a casa de Israel” (Ez 17:2).

Deus falou, muitas vezes, ao povo de Israel, utilizando-se dos seus mensageiros, e, na plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho Unigênito para anunciar aos homens as boas novas (Hb 1:1-2), porém, algo não mudou: assim como os profetas da Antiga Aliança, Jesus falou ao povo utilizando parábolas: “E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear” (Mt 13:3).

Por que Jesus falava por parábolas? Uma das pistas é o anunciado pelos profetas:

“Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem” (Mt 13:13).

Falar à multidão por parábolas é uma das características mais importantes a se observar nos discursos de Jesus. O evangelista Marcos é contundente: Jesus só falava ao povo por parábolas! Esta observação do evangelista nos obriga a analisar com cuidado todos os discursos de Jesus, principalmente, quando identificamos o público alvo da mensagem: “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” (Mc 4:34).

Se o discurso de Jesus tem como público a multidão, os escribas ou os fariseus, provavelmente, haverá uma parábola ou um enigma a ser interpretado.

Se o discurso tem os discípulos como público alvo, faz-se necessário analisar se Jesus falou abertamente ou expôs uma parábola: “E ele disse-lhes: a vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora, todas estas coisas se dizem por parábolas” (Mc 4:11).

Para fixar o que foi exposto, faça a seguinte análise: leia o capítulo 13 de Mateus, analise a mensagem de Jesus e qual era o público alvo. O discurso é uma parábola? Jesus estava falando com os discípulos, os escribas, os fariseus, os pecadores, a multidão? Seria possível compreender a mensagem de Jesus, sem a explicação que foi dada em particular aos discípulos?

O evangelista Mateus, assim como Marcos, deixou registrado que Jesus nada dizia à multidão, sem fazer uso de parábolas e, em seguida, apresenta o motivo: “Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão e nada lhes falava sem parábolas. Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a minha boca; Publicarei coisas ocultas, desde a fundação do mundo” (Mt 13:34-35); “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” (Sl 78:2); “Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa” (Sl 49:4).

Através da explicação do evangelista Mateus, conclui-se que o Salmo 78 não se refere ao salmista, antes que o Salmo é uma predição que aponta para o Messias. O salmista predisse que o Messias abriria a boca propondo parábolas e enigmas: “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” (Sl 78:2 compare com Mt 13:35).

Atentar para o público alvo da mensagem é de tamanha importância para a compreensão da mensagem, que até os discípulos questionaram se a mensagem era para todos, ou só para eles: “E disse-lhe Pedro: Senhor, dizes essa parábola a nós, ou também a todos?” (Lc 12:41).

Diante do que foi exposto, o leitor deve considerar se o que foi dito no Sermão da Montanha é um discurso ‘aberto’, ou se o discurso é uma grande parábola composta de enigmas e símiles, tendo em vista o público alvo tratar-se de uma multidão.

Certa vez, Deus mandou Moisés reunir os filhos de Israel ao pé do Monte Sinai para quando Deus falasse com Moisés, eles também pudessem ouvir. Quando o povo viu o monte fumegando, trovões e relâmpagos, se retiram do local onde deviam ficar reunidos e disseram a Moisés: “Fala tu conosco e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos” (Ex 20:18-21).

O povo ficou com medo de morrer quando vislumbraram a glória do Altíssimo, evidenciando o quanto eram rebeldes, incrédulos e descrentes. Tremenda injustiça não confiar naquele que é imutável e que não mente, ao que Moisés disse: “Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis” (Ex 20:20).

Deus se relaciona com o homem através da sua fidelidade, e o homem pela confiança, portanto, não pode ter medo de Deus. Deus somente estava colocando eles à prova, para apresentar a sua palavra (temor) para que não pecassem contra o Senhor.

O contexto da lei era para instruir o povo judeu em justiça, mas, dali em diante, Deus continuou enviando os seus santos profetas que utilizavam parábolas e enigmas. Jesus veio com o mesmo propósito: revelar Deus aos homens, por isso utilizou as mesmas figuras e parábolas anunciadas pelos profetas.

As parábolas e os enigmas serviam para facilitar a compreensão, mas os filhos de Israel rejeitavam a doutrina de Jesus “E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, segundo o que podiam compreender” (Mc 4:33).

Portanto, para uma boa interpretação do Sermão da Montanha é imprescindível essa análise inicial!

 

Divisões e títulos

As Bíblias oferecem o recurso de divisões em capítulos e versículos para facilitar a localização e citação de determinadas passagens, desde o Século XIII[2]. Embora úteis à localização e indicação de uma citação, não faz parte do original, portanto, o leitor não pode se pautar nessas divisões e subdivisões para determinar quando inicia ou encerra um assunto ou argumento.

Hoje, além das divisões em capítulo e versículo, introduziram títulos e subtítulos que, invariavelmente, influencia a leitura, ou acaba sugerindo ao leitor uma mudança de assunto ou desmembramento do discurso.

O palavra de Jesus no Sermão da Montanha é una e coesa, com começo meio e fim. Com a introdução de divisões, subdivisões, títulos e subtítulos, a ideia inicial que se tem é de que se trata de um discurso fragmentado, que aborda diversos temas, portanto, sem coesão.

A concepção de que Jesus aborda diversas questões ao longo do Sermão da Montanha é totalmente perniciosa para uma boa interpretação do discurso.

 

As bem-aventuranças

“1 E JESUS, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;

2 E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:

3 Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;

4 Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;

5 Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;

6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;

7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;

8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;

9 Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;

10 Bem-aventurados os que sofrem perseguição, por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;

11 Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa.

12 Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas, que foram antes de vós” (Mateus 5:1-12).

 

Após subir em um monte, por causa da multidão, Jesus assentou-se –  ação que indicou a todos que iria ensinar – quando se aproximaram dele os seus discípulos (Lc 4:20).

Jesus iniciou o seu discurso apresentando nove características essenciais aos bem-aventurados: pobres de espírito, tristes, mansos, famintos e sedentos de justiça, misericordiosos, puros de coração, pacificadores, perseguidos por causa da justiça e injuriados (Mt 5:3-11).

Todas estas características decorrem de parábolas e figuras utilizadas pelos profetas do Antigo Testamento, portanto, registradas nas Escrituras, ou seja, Jesus não inventou nenhuma delas.

‘Pobre de espírito’ é uma figura que remete a uma peculiaridade do bem-aventurado, assim como triste, manso, faminto e sedento de justiça, etc. É impossível ser manso e não ser pacificador. As peculiaridades do bem-aventurado são indissociáveis, pois os pobres de espírito também são identificados como aqueles que choram, ou que tem sede e fome de justiça, ou por serem puros de coração, ou por serem mansos, etc.

Considerando alguns aspectos do ministério de Jesus e o que foi anunciado pelos profetas, conclui-se que as bem-aventuranças anunciadas não visavam questões de cunho social. É um equívoco considerar que a bem-aventurança anunciada por Jesus, visava alcançar os pobres e marginalizados do seu tempo.

Quando Jesus anunciou as Bem-aventuranças, na verdade estava fazendo referência às profecias incrustadas nas Escrituras, ou seja, utilizou alguns elementos principais das profecias, como sujeito da promessa, para fazer o povo lembrar das promessas que apontavam um tempo de refrigério pela presença do Messias (At 3:19-20).

Como Deus anunciou a Abraão, que, em sua descendência, seriam benditas todas as famílias da terra (At 3:25), e essa promessa foi reiterada diversas vezes pelos profetas, e foram utilizados diversos recursos como figuras, parábolas, enigmas, símiles, etc., portanto, uma simples referência fez com que o povo se lembrasse das beatitudes decorrentes da presença do Cristo.

A abordagem de Cristo no Sermão da Montanha não possui viés socioeconômico ou de reestruturação política, pois a bem-aventurança anunciada no discurso decorre da promessa feita a Abraão, que Deus cumpriu quando ressuscitou o Senhor Jesus Cristo dentre os mortos.

 

Quem são os pobres de espírito?

“Porque a minha mão fez todas estas coisas e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito e que treme da minha palavra” (Is 66:2; Is 57:15).

Segundo o profeta Isaias, o ‘pobre’, o ‘abatido’ ou o ‘humilde’ de espírito é aquele que obedece (treme) a palavra de Deus. Ao dizer: “Bem-aventurados os pobres de espírito”, Jesus está anunciado que Deus é favorável (olharei) àqueles que Lhe obedecem (Mt 7:24).

Aquele que obedece (inclina o ouvido) o mando de Deus alcança vida, pois lhe é concedido por Deus as firmes beneficências prometidas a Davi: o Cristo, o reino dos céus: “Inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim; ouvi e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” (Is 55:3; Mt 10:7).

O que Deus prometeu a Davi? Um descendente! A aliança eterna de Deus com os que inclinam os ouvidos (atende, obedece) é conceder o Cristo, o Filho de Davi, poderosa salvação na casa (descendência) de Davi (Lc 1:69).

Através da definição dada pelo profeta Isaias, é possível compreender quem são os pobres de espírito, quesito essencial para compreender o símile: “Bem-aventurado os pobres de espírito…”, visto que Jesus nunca falava abertamente ao povo, somente por parábolas (Mt 13:34).

Através do profeta Isaias verifica-se que Jesus não está tratando de questões sociais, políticas ou econômicas. Na verdade, Ele está tratando, tanto com pessoas ricas, quanto com pessoas pobres, do ponto de vista econômico, tanto com servos, quanto com reis, do ponto de vista social, tanto sábios, quanto com ignorantes, do ponto de vista cultural (Sl 49:2), para que reconheçam, através da mensagem de Cristo, que são miseráveis, necessitados, pobres.

A miserabilidade socioeconômica não dá ao homem a condição de pobre, abatido ou humilde diante de Deus. Deus reconhece o homem como pobre, abatido ou humilde, quando o homem se submete a Ele na condição de servo, ou seja, obediente. É humilde, ou antes, se humilha aquele que deixa de se guiar pela vaidade dos seus pensamentos e que se apresenta diante de Deus, na condição de servo, para obedecê-lo.

Neste ponto, o evangelho não se propõe a sujeitar o homem a Deus, através de ritos, leis e formas impostos pela religião. O evangelho não se propõe a controlar a existência do homem em sociedade, quanto ao que comer, beber, vestir, casar, procriar, comprar, vender, trabalhar, etc., antes, em que o homem creia que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo, que havia de vir ao mundo.

O humilde de espírito, no advento da Nova Aliança, é aquele que se sujeita à seguinte ordenança de Deus:

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” (1Jo 3:23).

Príncipes, cavalos, cavaleiros, força, violência, braço, etc., são figuras utilizadas pelos profetas para apontar os soberbos, altivos, ricos, abastados, etc. (Sl 49:13), mas, qualquer que confia no Senhor, é descrito como oprimido, faminto, pobre, abatido, etc., figuras utilizadas pelos profetas para propor símiles e compor parábolas (Sl 146).

Não há ninguém (rico ou pobre, judeu ou gentil) que possa dar o resgate por sua própria alma ou de outrem (Sl 49:6-8). Todos os homens necessitam da salvação providenciada por Deus, portanto, todos precisam de reconhecer que são necessitados. Os judeus, por sua vez, não reconheciam que eram necessitados, pobres, etc., antes se comportavam como ricos, abastados, etc., pois se vangloriavam da descendência (somos filhos de Abraão), se vangloriavam da carne (circuncisão) e se vangloriavam da lei (Moisés).

Quem obedece a Deus, se posiciona diante d’Ele, na condição de humilde, necessitado e pobre, portanto, é agradável ao Senhor, como fez o publicano:

“O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lc 18:13); “O SENHOR se agrada dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia” (Sl 147:11; Mt 9:13).

‘Esperar’ na misericórdia, significa ‘confiar’. Para o homem alcançar a misericórdia de Deus, basta obedecê-Lo. Quando o homem obedece a Deus, demonstra, efetivamente, que espera em Deus, ou seja, que confia na sua palavra, que diz: “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êx 20:6).

 

Quem são os que choram?

“A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes. A ordenar acerca dos tristes de Sião, que se lhes dê glória, em vez de cinza, óleo de gozo, em vez de tristeza, vestes de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” (Is 61:2-3).

Quando é dito que os tristes são bem-aventurados, os ouvintes de Jesus deveriam lembrar-se da promessa de alegria registrada pelo profeta Isaias aos tristes!

A expressão ‘os tristes’ bem-aventurados, não possui relação com o sentimento de desilusão, frente aos infortúnios da vida e nem decorre da ebulição das emoções a que todos homens estão sujeitos.

Os ‘tristes’ enquanto figura que compõe um quadro profético, tem conexão com o advento do Messias, que, segundo o profeta Isaías, foi ungido para apregoar boas novas nos seguintes termos: a tristeza é substituída por glória, gozo e louvor com o objetivo de Deus ser glorificado (Ef 1:12).

O anúncio da bem-aventurança dos que choram indica a chegada do tempo de refrigério (salvação). A mensagem de boas novas anunciada por Cristo aos pobres era para possibilitar aos seus ouvintes elementos para que identificassem, pelas Escrituras, o reino de Deus, em meio aos homens: Cristo. “Respondendo, então, Jesus, disse-lhes: Ide e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho” (Lc 7:22).

Ao dizer ‘Bem-aventurados os tristes…’, Jesus estava dando a entender que a profecia de Isaias naquele dia se cumpriu nos ouvidos dos que ali estavam e produziria refrigério naqueles que dessem crédito: “Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4:21); “O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos pobres; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes” (Is 61:1-2); “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57:15).

Os tristes bem-aventurados são os quebrantados, o mesmo que contritos de espírito “Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito” (Sl 34:18; Sl 51:17). O ‘quebrantado’ é aquele que deixa de ser ‘altivo’ e se faz ‘servo’, ou seja, obedece ao mandamento de Deus, que, na nova aliança, é crer em Cristo: “A minha alma está quebrantada de desejar os teus juízos em todo o tempo” (Sl 119:20).

 

Quem são os mansos?

“Guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o seu caminho” (Sl 25:9; Mt 11:29).

Os mansos são aqueles que se deixam instruir como as crianças e aprendem de Cristo: o humilde e manso de coração. Os mansos são os humildes de espírito e vice-versa: “Melhor é ser humilde de espírito com os mansos, do que repartir o despojo com os soberbos” (Pv 16:19).

O Senhor convida os ‘meninos’ à instrução (Sl 34:11), não os ‘tolos’, porque diferente do tolo, a criança se deixa instruir. O mesmo Senhor, em outra passagem, diz: “Eis-me aqui, com os filhos que me deu o SENHOR, por sinais e por maravilhas em Israel, da parte do SENHOR dos Exércitos, que habita no monte de Sião” (Is 8:18); “Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR” (Sl 34:11); “Ainda que repreendas o tolo como quem bate o trigo com a mão de gral entre grãos pilados, não se apartará dele a sua estultícia” (Pv 27:22); “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela” (Pv 22:15).

Daí o imperativo: “Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele” (Lc 18:17).

Os mansos são os que obedecem a Deus, ou seja, que põem por obra o seu mandamento: “Buscai ao SENHOR, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; pode ser que sejais escondidos no dia da ira do SENHOR” (Sf 2:3).

 

Quem são os que tem fome e sede de justiça?

“E será para nós justiça, quando tivermos cuidado de cumprir todos estes mandamentos perante o SENHOR nosso Deus, como nos tem ordenado” (Dt 6:25).

Aquele que se acorrenta a uma árvore defendendo uma causa ecológica? Quem abraça uma causa social? Que levanta uma bandeira à não beligerância? Não!

Na verdade, tem fome e sede de justiça aquele que anseia por obedecer ao mandamento de Deus, pois está escrito: Se cuidar em cumprir o mandamento como foi ordenado é justiça, ou seja, quem anseia por justiça é aquele que obedece, tem ‘fome’ e ‘sede’ de cuidar em cumprir como foi ordenado!

Quem tem fome e sede e justiça crê no enviado de Deus, pois este é o seu mandamento: “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” (Jo 6:29); “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” (1Jo 3:23).

É no evangelho que se descobre a justiça de Deus, e somente nele é possível ao homem que tem sede e fome de justiça ser saciado!

A fome e a sede são figuras que remetem ao pobre, ao necessitado de espírito. O órfão, a viúva e o estrangeiro também são figuras que remetem aos necessitados, aos pobres de espírito, aqueles a quem Deus toma por filhos “Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo” (Sl 68:5).

Deus fartará os necessitados, segundo a promessa que foi feita a Davi: o Cristo, como bem reitera o profeta no Salmo 132:

“O SENHOR jurou com verdade a Davi e não se apartará dela: Do fruto do teu ventre porei sobre o teu trono. Se os teus filhos guardarem a minha aliança e os meus testemunhos, que eu lhes hei de ensinar, também os seus filhos se assentarão perpetuamente no teu trono. Porque o SENHOR escolheu a Sião; desejou-a para a sua habitação, dizendo: Este é o meu repouso para sempre; aqui habitarei, pois o desejei. Abençoarei abundantemente o seu mantimento; fartarei de pão os seus necessitados” (Sl 132:11-15).

 

Quem são os misericordiosos?

“Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia, até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Dt 7:9)

As pessoas que nutrem um sentimento de dor e de solidariedade em relação a alguém que sofre uma tragédia pessoal ou que caiu em desgraça? Dó? Compaixão? Piedade?

Quando Saul desobedeceu a Deus e deixou de eliminar Agague, rei dos amalequitas, bem como, o melhor do interdito, o que foi que Deus disse? Obedecer é melhor do que sacrificar, ou seja, melhor era exterminar todos os amalequitas que apresentar a Deus bois e ovelhas! (1Sm 15:22).

Essa passagem bíblica de Saul evidencia que a misericórdia de Deus decorre da obediência à Sua palavra, e não a um sentimento de solidariedade, compaixão ou piedade “Todas as veredas do SENHOR são misericórdia e verdade para aqueles que guardam a sua aliança e os seus testemunhos” (Sl 25:10).

Quando poupou a vida de Agague, Saul não exerceu misericórdia. Ele estava sendo misericordioso, enquanto estava exterminando os amalequitas, estava cumprindo o mandamento de Deus, que diz: Misericórdia quero! “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Os 6:6).

Deus deixa claro a quem a sua misericórdia e amor é direcionado: “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êx 20:6), ou seja: “Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão” (Pv 8:17).

A misericórdia de Deus é só para os que O obedecem, portanto, os ‘misericordiosos’ bem-aventurados, que alcançam misericórdia, são os que ‘amam’ a Deus, ou seja, que O obedecem.

Deus já havia instruído Israel, quando disse a Moisés que teria misericórdia de quem Ele tivesse misericórdia, um trocadilho para evidenciar que Deus tem misericórdia dos que O obedecem.

Os que obedecem a Deus são recebidos como filhos, portanto, são nomeados misericordiosos, assim como o Pai Celeste é misericordioso.

A misericórdia de Deus foi evidenciada a todos os homens, inclusive aos gentios, na pessoa do seu Filho – Jesus Cristo – entretanto, os desobedientes, iníquos e pérfidos não estão sob o abrigo da misericórdia de Deus: “Tu, pois, ó SENHOR, Deus dos Exércitos, Deus de Israel, desperta para visitares todos os gentios; não tenhas misericórdia de nenhum dos pérfidos que praticam a iniquidade. (Selá.)” (Sl 59:5).

 

Quem são os limpos de coração?

“Tal é a geração daqueles que o buscam, daqueles que buscam a tua face, ó Deus de Jacó” (Sl 24:6).

O Salmo 24 tem resposta para essa pergunta!

Os limpos de coração são aqueles que buscam a face do Senhor, ou seja, os gerados de novo da semente incorruptível (1Pd 1:23). É através do novo nascimento que o homem se torna geração do Senhor, portanto, limpo de coração, tal qual Ele é neste mundo “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo” (1Jo 4:17).

São limpos de coração, porque foram circuncidados pelo Pai celeste! Através da circuncisão de Cristo o coração de pedra é extraído e Deus concede um novo coração de carne limpo: “E dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36:26).

É através da aspersão da água pura, pelo Espírito Eterno, que o homem alcança um coração novo e limpo, ou seja, o homem nasce de novo da água e do Espírito, pois Deus diz: “Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei” (Ez 36:25).

Os que creem veem a salvação de Deus, pois Deus se manifestou ao mundo na pessoa do seu Filho (Jo 1:18), pois Cristo veio revelar o Pai aos homens: “E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão e temerão e confiarão no SENHOR” (Sl 40:3); “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14:21); “E a glória do SENHOR se manifestará e toda a carne juntamente a verá, pois a boca do SENHOR o disse” (Is 40:5); “O SENHOR desnudou o seu santo braço, perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus” (Is 52:10).

É através do resplendor do rosto de Cristo – o Senhor que escondeu a sua face da casa de Israel – que o homem é salvo: “Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” (Sl 80:3); “Esconderei, pois, totalmente, o meu rosto naquele dia, por todo o mal que tiver feito, por se haverem tornado a outros deuses” (Dt 31:18); “E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó e a ele aguardarei” (Is 8:17).

 

Quem são os pacificadores?

“Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio e a tua justiça como as ondas do mar!” (Is 48:18).

Qualquer que dá ouvidos (crédito, obedece) ao mandamento de Deus é pacificador!

Aquele que se deixa instruir pelo Senhor Jesus, que é manso e humilde de coração, cumpre o mandamento de dar ouvidos ao anunciado por Deus, portanto, são filhos ensinados do Senhor, e a paz deles é abundante: “E todos os teus filhos serão ensinados do SENHOR; e a paz de teus filhos será abundante” (Is 54:13); “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mt 11:29).

O termo grego ειρηνοποιος, traduzido por ‘pacificador’, significa ‘que ama a paz’, ou seja, que honra, que obedece a paz, e Cristo é a nossa paz (Ef 2:14). Cristo concede filiação divina a todos os que O recebem: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (Jo 1:12); “Aparta-te do mal e faze o bem; procura a paz e segue-a” (Sl 34:14).

Cristo é o tema da mensagem de paz anunciada pelos ‘pacificadores’: paz para os que estão longe (gentios) e paz para os que estão perto (judeus): “Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” (Is 57:19); “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio” (Ef 2:13-14); “Escutarei o que Deus, o SENHOR, falar; porque falará de paz ao seu povo, e aos santos, para que não voltem à loucura” (Sl 85:8); “Muita paz tem os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” (Sl 119:165).

Aqueles que têm fome e sede de justiça são pacificadores, pois Deus diz: “Até que se derrame sobre nós o espírito lá do alto; então o deserto se tornará em campo fértil e o campo fértil será reputado por um bosque. E o juízo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fértil. E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre” (Is 32:15-17); “SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras” (Is 26:12).

 

A quem pertence o reino dos céus?

“E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm 3:12)

O reino dos céus pertence a todos quantos sofrem perseguição, por causa da justiça, ou seja, do evangelho de Cristo. Todos quantos são injuriados e perseguidos, ou que, mentindo, disserem em desfavor deles toda sorte de mal, são bem-aventurados por causa de Cristo: “Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados” (1Pd 3:14-16).

As bem-aventuras decorrem de Cristo, pois Ele é a justiça de Deus e o rei estabelecido para reinar em Sião: “Eu, porém, ungi o meu Rei, sobre o meu santo monte de Sião. Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (Sl 2:6-7); “Porque o trono se firmará em benignidade, e sobre ele, no tabernáculo de Davi, se assentará, em verdade, um que julgue e busque o juízo e se apresse a fazer justiça” (Is 16:5); “EIS que reinará um rei com justiça e dominarão os príncipes segundo o juízo” (Is 32:1); “Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade irão adiante do teu rosto” (Sl 89:14; Sl 97:2; Sl 98:2).

Cristo é o louvor e a mão direita (destra) de Deus cheia (plena) de justiça, o santo braço desnudado perante todos os povos: “Segundo é o teu nome, ó Deus, assim é o teu louvor, até aos fins da terra; a tua mão direita está cheia de justiça” (Sl 48:10); “Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” (Is 9:7); “Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão e no meu braço esperarão” (Is 51:5); “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17).

Quando anunciou as beatitudes, Jesus fez uso de algumas figuras utilizadas pelos profetas da Antiga Aliança, que fazem referência àqueles que obedecem a Deus.

Pobres, tristes, mansos, famintos e sequiosos de justiça, misericordiosos, limpos de coração, pacificadores, perseguidos, são figuras que remetem aos obedientes.

As beatitudes são um anúncio de que as profecias das Escrituras estavam se cumprindo.

Observe o que foi profetizado por Isaias:

“E naquele dia os surdos ouvirão as palavras do livro e dentre a escuridão, dentre as trevas, os olhos dos cegos as verão. E os mansos terão gozo sobre gozo no SENHOR; e os necessitados entre os homens se alegrarão no Santo de Israel. Porque o tirano é reduzido a nada e se consome o escarnecedor e todos os que se dão à iniquidade são desarraigados; Os que fazem culpado ao homem por uma palavra e armam laços ao que repreende na porta e os que sem motivo põem de parte o justo. Portanto, assim diz o SENHOR, que remiu a Abraão, acerca da casa de Jacó: Jacó não será agora envergonhado, nem agora se descorará a sua face. Mas, quando ele vir seus filhos, obra das minhas mãos no meio dele, santificarão o meu nome; sim, santificarão ao Santo de Jacó e temerão ao Deus de Israel. E os errados de espírito virão a ter entendimento e os murmuradores aprenderão doutrina” (Is 29:18-24).

Jesus Cristo é o Senhor que foi convidado a se assentar à destra da Majestade nas alturas (Sl 110:1), a quem os filhos de Israel deveriam santificar o nome, conforme profetizou Isaias e o apóstolo Pedro evidenciou ao falar da perseguição que sofre os que seguem a Cristo: “Mas também, se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados. E não temais com medo deles, nem vos turbeis; Antes, santificai ao SENHOR Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1Pe 3:14-15); “Não chameis conjuração a tudo quanto este povo chama conjuração; e não temais o que ele teme, nem tampouco vos assombreis. Ao SENHOR dos Exércitos, a Ele santificai; e seja Ele o vosso temor e seja Ele o vosso assombro” (Is 8:12-13).

É impossível alguém ser manso e não ser misericordioso ou ter o coração limpo e não ser pacificador, pois as beatitudes são características que remetem à pessoa que ouve a doutrina de Cristo e a pratica (Mt 7:24). Todas essas figuras se complementam e remetem àqueles que se sujeitam a Deus, como servo, crendo em Cristo como o enviado de Deus.

Os profetas utilizaram essas figuras para anunciarem a vinda do Cristo, pois Cristo é a base da nova aliança, perpétua, estabelecida por Deus com os povos, segundo o que foi prometido a Davi: um Renovo justo, o rebento da raiz de Jessé, o Descendente, etc., sendo que todos os profetas da Antiga Aliança foram perseguidos por falarem a seus compatriotas dessa Nova Aliança: “Inclinai os vossos ouvidos e vinde a mim; ouvi e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” (Is 55:3; Jr 31:31-34; Hb 8:13).

Os profetas, ao darem testemunho de Cristo, utilizaram as mesmas figuras que Cristo empregou, quando anunciou as beatitudes. Os profetas da Antiga Aliança somente sabiam (porque foi revelado a eles), que o que ministravam não pertencia a Israel e por isso se questionavam sobre o tempo, ou ocasião de tempo, que se dariam as maravilhas anunciadas (1Pe 1:10 -12).

Esta é a essência do Sermão da Montanha:

“E dizendo: O tempo está cumprido e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1:15).

No Sermão da Montanha, Jesus revela ao povo, através das figuras utilizadas pelos profetas, que o tempo de refrigério que constava nas Escrituras foi inaugurado pela presença do reino de Deus em meio aos homens – Cristo – que anunciava o reino dos céus, um reino que não era desse mundo: “Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” (Is 28:12); “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do SENHOR” (At 3:19).

O que aquela multidão esperava? O que foi ensinado pelos escribas e fariseus: que o reino de Israel seria restaurado com a vinda do Messias! Para os judeus, profecias como a de Joel: “PORQUE, eis que naqueles dias e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém” (Jo 3:1), se cumpriria com o advento do Cristo.

Mas, não foi o que ocorreu, pois a restauração prevista nas Escrituras não era primeiramente nacional, mas sim, para os gentios, para que se cumprisse a bem-aventurança prometida a Abraão, que diz: “… e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12:3); “E, respondendo ele, disse-lhes: Em verdade, Elias virá primeiro, e todas as coisas restaurará; e, como está escrito do Filho do homem, que ele deva padecer muito e ser aviltado” (Mc 9:12).

Quando anunciou que faria casa (descendência) a Davi, Deus anunciou que o Descendente de Davi edificaria uma casa a Deus e, em seguida, prometeu que estabeleceria o trono do descendente dado a Davi para sempre.

Como Deus não habita em casa feita por mãos de homens, o Descendente prometido a Davi – Cristo – está a edificar a Sua Igreja como templo santo ao Senhor, do qual todos os que creem se constituem ‘pedras vivas’ edificadas sobre a pedra angular, para morada de Deus em Espírito.

Somente após o advento da igreja, quando se dará o encerramento do tempo dos gentios, que será restaurado o reino prometido a Israel (1Sm 7:13). O povo de Israel estava tão fixo na promessa de restauração do reino de Israel, que se esqueceu de que havia uma promessa a Abraão, acerca de todas as famílias da terra.

Quando Jesus veio, João Batista o precedeu – o Elias – e a restauração implementada não era de um reino visível, mas, sim, de um reino que não era deste mundo, do qual todos os que creem em Cristo, não importando a nação, podem ser participantes.

Mas, como mudar a concepção de um povo que estava fito na promessa: “À tua semente darei esta terra” (Gn 12:7), e não dava ouvidos à voz de Deus, para que o juramento feito aos pais fosse confirmado? (Jr 11:4-5). Como mudar a concepção de um povo que, por circuncidar o prepúcio da carne, mas não deixava Deus circuncidar o coração, achava que era melhor que as nações vizinhas? (Jr 9:26) Como mudar o entendimento de um povo que tinha a lei de Moisés chegada à boca, mas longe do coração? (Jr 12:2; Is 29:13).

A mensagem do Sermão do Monte visa produzir uma mudança de concepção (metanóia) no povo, por isso, Jesus não deu testemunho abertamente de Si mesmo, dizendo: “Eu sou o Cristo”, antes, teve que anunciar por parábolas e símiles o testemunho que Deus deu acerca do Filho do homem. Os filhos de Israel deveriam comparar a doutrina de Cristo com as Escrituras e reconhecer que Jesus era o enviado de Deus, por conseguinte, reconhecendo Cristo como o Filho de Davi, estariam crendo no testemunho de Deus “Jesus lhes respondeu, e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo” (Jo 7:16-17).

Enquanto o povo aguardava o reino messiânico, Jesus – o Renovo Justo prometido a Davi – se apresenta como a justiça, pela qual os seus seguidores seriam perseguidos e injuriados: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente e praticará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” (Jr 23:5-6).

Nas entrelinhas, Jesus se revela como a justiça, que dá direito ao reino dos céus, e qualquer perseguido por causa d’Ele seria recompensado: “Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão” (Hb 10:35), mas, a multidão pensava, equivocadamente, que o reino estava na iminência de se manifestar, quando Jesus chegou próximo de Jerusalém. Por causa da cegueira espiritual, não perceberam que o reino de Deus já estava manifesto: “E, ouvindo eles estas coisas, ele prosseguiu e contou uma parábola; porquanto estava perto de Jerusalém, e cuidavam que logo se havia de manifestar o reino de Deus” (Lc 19:11).

A causa de Cristo é a causa da justiça e todos que seguirem a Cristo serão perseguidos e injuriados, do mesmo modo que os profetas foram perseguidos: “E neste teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da verdade, da mansidão e da justiça; e a tua destra te ensinará coisas terríveis” [assombrosas] (Sl 45:4).

 

As similitudes

“13 Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.

14 Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;

15 Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador e dá luz a todos os que estão na casa.

16 Assim, resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:13-16).

A leitura que se faz das similitudes deve ser extensão das beatitudes, portanto, o entendimento de que as ‘figuras’ (sal, luz) aplicadas aos discípulos não decorrem das bem-aventuranças, como se o discurso de Jesus fosse estruturado em divisões e subdivisões, como se não fosse coeso e uno, não é uma boa leitura.

Na verdade, as características enumeradas nos versos 3 ao 9: pobre, triste, manso, faminto e sedento por justiça, misericordioso, puro, pacífico, definem os seguidores da doutrina de Cristo, ou seja, aqueles que serão perseguidos e injuriados por causa de Cristo, mas que serão recompensados entrando no reino dos céus.

Vale destacar que Abel foi perseguido por Caim; Isaque foi perseguido por Ismael; Jacó foi perseguido por Esaú, etc., eventos que servem de alegoria, pois com os seguidores de Cristo não é diferente, serão perseguidos por serem filhos da promessa: “Dei-lhes a tua palavra e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (Jo 17:14; Gl 4:29).

As características pertinentes aos bem-aventurados descrevem os obedientes, os humildes, os servos, portanto, a obediência a Cristo é o que torna os seus seguidores ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’.

Na lei, estava estabelecido que todas as vezes que fossem ofertados alimentos a Deus, que a oferta deveria ser temperada com sal: “E todas as tuas ofertas dos teus alimentos temperarás com sal; e não deixarás faltar à tua oferta de alimentos o sal da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal” (Lv 2:13).

As ofertas de alimentos eram voluntárias, pois Deus nunca requereu holocaustos e sacrifícios dos filhos de Israel, porém, quando, voluntariamente, fossem oferecer algo a Deus, o sal era obrigatório. A oferta era voluntária, mas o sal era obrigatório! Por que? Porque é a obediência que torna o ofertante agradável e aceito por Deus, consequentemente, a oferta será aceita (Gn 4:4-5).

Acrescer sal à oferta demandava obediência por parte do ofertante, uma ordenança para que os filhos de Israel entendessem que Deus quer a obediência, mais que o sacrifício, assim como o fato de os filhos de Israel permaneceram 40 anos no deserto, sendo guiados por Deus, para que entendessem que o homem vive pela palavra de Deus “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios e comei carne. Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios” (Jr 7:21 -22); “E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não. E te humilhou,  te deixou ter fome e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” (Dt 8:2-3; Sl 50:9; Mq 6:6-7).

Vale destacar que Deus se agrada da obediência, pois obedecer é melhor que o sacrifício “Porém, Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1Sm 15:22).

A ordenança acerca do sal demonstra que a obediência é superior ao sacrifício, pois a aliança é selada pela obediência e o homem aceito por Deus, porém, através do sacrifício ninguém é aceito por Deus.

O profeta Miquéias ilustra essa questão:

“Com o que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça e ames a benignidade e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6:6-8).

A determinação para acrescer sal ao alimento ofertado remetia o ofertante a não se esquecer de, diligentemente, guardar a aliança. Toda ação voluntariosa em apresentar a Deus oferta, holocausto, sacrifício, etc., no momento de adicionar sal, o ofertante estava sendo instruído sobre o que Deus realmente requer do homem: obediência: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha” (Êx 19:5); “Disse, mais, o SENHOR a Moisés: Escreve estas palavras; porque conforme ao teor destas palavras tenho feito aliança contigo e com Israel” (Êx 34:27).

Assim como o sal era imprescindível à oferta de alimentos, a obediência é imprescindível ao homem, para estar sob a proteção da aliança. O que preserva o homem é a aliança estabelecida por Deus e não uma oferta, mesmo que temperada com sal.

O ‘sal’ que o ofertante não deveria deixar faltar ao sacrifício era a obediência à aliança estabelecida por Deus, o que refletiria no ato ímpar de não se esquecer de acrescentar sal à oferta.

Exemplo vivo de obediência encontramos nos patriarcas, pois foi a aliança de Deus que preservou Noé durante o dilúvio (Gn 6:18), que, sendo justo, sujeitou-se à ordem de Deus para construir uma arca e se abrigar nela. Quando entrou na arca que construíra sob ordem de Deus, Noé honrou a aliança, o que demonstra a sua plena confiança em Deus: “Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade, tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim, perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados” (1Sm 2:30).

De nada serviria o trabalho árduo de construir a arca e aguentar a oposição dos pecadores, se no momento em que Deus ordenasse a Noé entrar na arca, ele deixasse de entrar sob o argumento de que Deus era poderoso para preservá-lo, mesmo fora da arca.

Deus ordenou a Abraão que saísse de sua parentela, sob a promessa de que seria grandemente recompensado. Abraão obedeceu ao Senhor (Gn 12:4) e Deus firmou uma aliança com juramento (Gn 26:4-5). Abraão foi escolhido para ordenar os seus filhos e a sua casa para obedecerem a Deus, pois só quando o homem honra a Deus como Senhor e Pai é que se alcança a bênção de Deus, contida na promessa (Gn 18:19).

Já os filhos de Israel desprezaram a aliança e foram levados cativos, ou seja, não foram ‘preservados’, porque não permaneceram sob a aliança (Ex 6:4: Jz 2:20-22; Sl 78:10; Jr 11:8; Jr 31:32).

O sacrifício do qual Deus se agrada, é um espírito quebrantado, ou seja, um coração contrito, obediente à palavra de Deus, portanto, o ofertante não poderia esquecer o sal da aliança, ou seja, de obedecer: “E todas as tuas ofertas dos teus alimentos temperarás com sal; e não deixarás faltar à tua oferta de alimentos o sal da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal” (Lv 2:13).

Quando foi dito: “Vós sois o sal da terra…”, Jesus estava apontando para os seus discípulos e dizendo: “Vocês são os que obedecem a Deus na terra”! “Vocês ouviram as minhas palavras e as praticam”! (Mt 7:24)

Quando foi dito: “e se o sal for insípido, com que se há de salgar?”, temos uma breve alusão aos desobedientes – à nação de Israel. Como não obedeceu à aliança, a nação de Israel foi rejeitada e lançada fora, uma alusão à dispersão de Israel, quando perdeu a proteção de Deus e passou a ser governada pelos gentios: “E persegui-los-ei com a espada, com a fome e com a peste; e dá-los-ei para deslocarem-se por todos os reinos da terra, para serem uma maldição, um espanto, um assobio e um opróbrio entre todas as nações para onde os tiver lançado” (Jr 29:18; Hb 4:6 e 11;1Pd 2:8).

Com relação aos sacerdotes, por estatuto Deus deu todas as ofertas dos filhos de Israel a eles, visto que não possuíam possessão de terra e nem herdade, a não ser o próprio Deus (Nm 17:20). Essa aliança estabelecida com os sacerdotes foi chamada de ‘aliança perpétua de sal’, ou seja, que Deus havia dado as coisas santas ofertadas pelos filhos de Israel para preservá-los: “Todas as ofertas alçadas das coisas santas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, tenho dado a ti e a teus filhos e a tuas filhas contigo, por estatuto perpétuo; aliança perpétua de sal perante o SENHOR é, para ti e para a tua descendência contigo” (Nm 18:19).

Pelas Escrituras, verifica-se que as alianças que Deus fez com os homen, tinham o fito de preservá-los, dando mandamentos para que observassem cuidadosamente. Mas, o cuidado de Deus somente é efetivo sobre a vida dos homens que são obedientes, de modo que, através da obediência, o homem fica sob a aliança.

Deus disse: “Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão” (Pv 8:17), e também: “…porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados” (1Sm 2:30), pois aquele que cumpre o mandamento de Deus – que na Nova Aliança é crer que Jesus é o Filho de Deus – em si mesmo tem sal, como foi dito: “Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o temperareis? Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros” (Mc 9:50).

Na palavra de Deus está expresso o cuidado de Deus pelo homem e em obedecê-la, o homem se coloca debaixo da proteção de Deus. O sal representa tanto o cuidado de Deus quanto o dever de obediência, pois onde há mandamento tem que haver obediência.

O cuidado de Deus pela humanidade foi manifesto em Cristo e todo o que crê será salvo. Os apóstolos testemunharam a vinda do Filho de Deus ao mundo e eles testificaram acerca dessa verdade, de sorte que qualquer que também confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus: “Vimos e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus” (1Jo 4:14 -15).

Quem crê em Cristo, deve militar pelo evangelho, pois no evangelho se descobre a justiça de Deus – Cristo – ou seja, aquele que crê e anuncia ao mundo o evangelho de Cristo é sal da terra. Se o crente não desempenha a sua função de levar Cristo ao mundo, torna-se insípido e será lançado fora, assim como o sal, quando perde a sua propriedade: “Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto” (Jo 15:2; Lc 14:34-35).

A perseguição por causa do evangelho de Cristo, revela aqueles que são o sal do mundo e a luz do mundo. A perseguição por causa do evangelho vem somente sobre aqueles que levam a preciosa semente incorruptível: “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” (Is 52:7).

Os pacificadores são filhos de Deus e, como filhos da Luz, são luz no Senhor, portanto, luz do mundo: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” (Jo 12:36); “Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz” (Ef 5:8).

Assim como o sal tem a sua serventia, a luz também. Assim como é impossível esconder uma cidade quando edificada sobre um monte, também é impossível deixar um crente em Cristo camuflado aos olhos do mundo.

Da mesma forma que uma lamparina (candeia) não é colocada debaixo do alqueire (pote, vaso, vasilhame) ou debaixo da cama, mas no velador, assim é com os seguidores de Cristo: são luz que alumiam no mundo que está em densas trevas: “LEVANTA-TE, resplandece, porque vem a tua luz e a glória do SENHOR vai nascendo sobre ti; Porque eis que as trevas cobriram a terra e a escuridão os povos; mas sobre ti, o SENHOR virá surgindo e a sua glória se verá sobre ti. E os gentios caminharão à tua luz e os reis ao resplendor que te nasceu” (Is 60:1-3); “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” (Is 9:2).

Todos os que creem em Cristo são feitos filhos da luz e, por conseguinte, despenseiros de Deus (1Co 4:1-2; 1Pe 4:10), portanto, quando abrem a boca para anunciar o evangelho, faz com que a sua luz brilhe diante dos homens: “E se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita; então, a tua luz nascerá nas trevas e a tua escuridão será como o meio-dia” (Is 58:10); “Atendei-me, povo meu e nação minha, inclinai os ouvidos para mim; porque de mim sairá a lei e o meu juízo farei repousar para a luz dos povos” (Is 51:4).

A boa obra que Jesus ordena ao cristão, para que deixe os homens verem, não se refere ao comportamento do cristão – embora um despenseiro da glória de Deus deva ter um bom comportamento diante dos homens – mas, sim, manifestar ao mundo a boa nova que o Senhor realizou ao manifestar Cristo ao mundo: “O SENHOR trouxe a nossa justiça à luz; vinde e contemos em Sião a obra do SENHOR, nosso Deus” (Jr 51:10); “SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras” (Is 26:12).

O bom porte do crente não se refere ao bom perfume de Cristo, que é o mesmo que a boa obra, que se refere ao que Deus realizou: “Jesus respondeu e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” (Jo 6:29); “E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem” (2Co 2:14-15).

É Deus que deu Cristo – a paz – portanto, Ele realizou no crente todas as obras, de modo que, a obra que o mundo vê no crente refere-se ao testemunho que Deus deu acerca do seu Filho Jesus Cristo. Só é luz do mundo aquele que fala segundo a palavra de Deus, ou seja, aquele que anuncia as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Is 8:20).

A leitura do verso: “Assim, resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16), demanda uma compreensão da linguagem judaica, pois ‘obra’ refere-se ao resultado do cumprimento de um mandamento, de modo que crer em Cristo é uma obra.

Jesus mesmo disse: “A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” (Jo 6:29). Qualquer que atenta para o evangelho, a lei perfeita da liberdade, e persevera, ou seja, crê que Jesus é o Filho de Deus, é bem-aventurado, pois executou a obra: “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” (Tg 1:25).

A obra está ligada às palavras que os homens proferem: “Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas” (3 Jo 1:10). Portanto, a boa obra que os homens devem ver naqueles que são luz é o anúncio desta verdade:

“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque, todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” (Jo 3:17:21).

Continua: As bem-aventuranças e o ministério de Jesus Cristo


[1] “Todos iam a Ele para ouvir sobre o Reino; Jesus, em vez disso, falava sobre o estilo de vida daqueles que queriam viver no Reino. 0 Sermão do Monte contém a essência do ensinamento moral e ético de Jesus” O novo comentário bíblico NT, com recursos adicionais — A Palavra de Deus ao alcance de todos. Editores: Earl Radmacher, Ronald B. Allen e H.Wayne House, Editora Central Gospel, Rio de Janeiro: 2010, Pág. 27.

[2] Os judeus utilizavam as letras PE e SAMECH para apontar os parágrafos há muito tempo. Já na era cristã, primeiro foi introduzida uma divisão por capítulos pelo Arcebispo Estêvão Langton e outra pelo Cardeal Hugo de Sancto Caro, ambas realizadas no século XIII, porém, a divisão do Arcebisbo Langton, realizada em 1205 acabou prevalecendo. Somente 300 anos mais trade foi introduzida a divisão em versículos pelo italiano Santi Pagnini (1470-1541), e em 1551, Roberto Estienne propôs uma divisão diferente que acabou prevalecendo, sendo aplicada na sua edição grega do Novo Testamento e depois na versão em francês de 1553, e é utilizada até hoje.

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Apocalipse 21 – Ao que Vencer…

A Igreja de Cristo já está de posse das promessas contidas no capítulo 21 do Livro das Revelações, embora elas ainda estejam por ser cumpridas aos salvos que não fazem parte da igreja. Os cristãos estão de posse das bênçãos prometidas porque fazem parte do corpo de Cristo, portanto, primícias das criaturas de Deus “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas” ( Tg 1:18 ).

 


Este capítulo contém duas promessas muito utilizadas como tema em festividades e congressos:

a) Quem vencer herdará todas as coisas, e;

b) Deus limpará de seus olhos toda a lágrima;

Porém, ambas não se refere à igreja, que é o corpo de Cristo. A igreja de Cristo já está de posse das promessas contidas no capítulo 21 do Livro das Revelações, embora elas ainda estejam por ser cumpridas aos salvos que não fazem parte da igreja. Os cristãos estão de posse das bênçãos prometidas porque fazem parte do corpo de Cristo, portanto, primícias das criaturas de Deus “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas” ( Tg 1:18 ).

 

1 E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.

O apóstolo João foi agraciado com mais uma visão maravilhosa. Ele viu um novo céu e uma nova terra, como ha muito foi anunciado pelos profetas “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” ( Is 65:17 ).

O que Deus anunciou por intermédio do profeta Isaías, o apóstolo João viu: um novo céu e uma nova terra. E por que ele viu? Porque na sua visão o primeiro céu e a primeira terra já haviam passado, e o mar deixou de existir.

 

 

2 E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido.

O apóstolo João também viu a cidade santa, a nova Jerusalém. Contemplou-a no momento que descia do céu, e descreveu-a como uma esposa enfeitada para o seu marido.

 

3 E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.

No instante que a nova Jerusalém descia do céu, o apóstolo ouviu uma grande voz anunciando a sua utilidade. A Jerusalém que descia do céu é o tabernáculo de Deus com os homens, sendo certo que Ele habitará com os homens.

Deus estará com os homens. Eles serão o seu povo, e Ele o seu Deus.

Esta promessa é para a humanidade que habitará a terra após o grande julgamento de obras que se estabelecerá no Grande Trono Branco ( Ap 20:12 ), ou seja, não tem relação com a igreja de Cristo.

Esta promessa, hoje, se cumpre na igreja, pois cada cristão é templo e morada de Deus ( 1Co 3:16 ). Tanto o Pai quanto o Filho fazem dos cristãos ‘morada’. Enquanto a promessa que o apóstolo João ouviu na visão refere-se à cidade que desceu dos céus, algo para o futuro, para a igreja já é realidade. Deus habita no crente.

O Espírito Eterno habita os cristãos, diferente do que ocorrerá no advento do novo céu e da nova terra, em que Deus habitará na cidade santa que desceu dos céus, o tabernáculo de Deus com os homens.

Com relação a igreja, todos os cristãos individualmente são templos, tabernáculos de Deus ( 1Co 6:19 ; 2Co 6:16 ).

 

4 E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.

Pelo fato de Deus passar a habitar com os homens, haverá somente alegria, pois a alegria do Senhor é a força do seu povo ( Ne 8:10 ). Deus enxugará toda lágrima dos olhos dos que habitarem a nova terra, pois não mais haverá morte, pranto, dor ou clamor, isso porque as primeiras coisas concernentes à primeira criação são passadas.

A presença de Deus entre os homens é vida. A comunhão com o Senhor produzirá alegres cânticos entre o seu povo, pois não mais haverá separação entre Deus e os homens (morte) quando houver novo céu e nova terra ( Is 25:8 ).

A igreja de Cristo já é participante desta promessa, pois possui comunhão plena com Deus. Deus é vida, e ao habitar os cristãos, produz vida em abundância. A igreja não produz lágrima, pois ela é fruto da obra de Cristo, que veio consolar todos os tristes ( Is 61:2 ).

Ao ascender aos céus, Cristo enviou o Consolador, o que significa que a igreja já teve os seus olhos enxugados. A dor, o pranto, o clamor por estar cansado e oprimido já foi aliviada, uma vez que em Cristo a igreja já alcançou descanso.

Como pode os convidados do noivo estar tristes, uma vez que ele está com os seus para sempre? ( Mt 9:15 ; Mt 28:20 ).

 

5 E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis.

O apóstolo João em visão ouve o que estava assentado sobre o trono dizer: “Eis que faço nova todas as coisas” ( v. 5). Cristo, em poder e glória dá por conclusa a obra da nova criação.

Cristo ordena que o apóstolo João escreva o que ouviu, pois a palavra de Cristo é fiel e verdadeira, pois quem as diz é fiel e verdadeiro ( Ap 19:11 ).

Com relação a igreja esta promessa cumpre-se no momento em que a pessoa crê em Cristo e torna-se nova criatura, sendo que todas as coisas velhas são passadas e tudo é novo ( 2Co 5:17 ).

 

6 E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida.

Cristo, o Alfa e Ômega dá por concluso todas as coisas ( Ap 1:8 ).

Naquele dia, a quem tiver sede, será saciado de graça com a fonte da água da vida.

Esta promessa já foi cumprida com relação a igreja, pois Cristo mesmo disse: “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna” ( Jo 4:14 ; Jo 7:38 ).

Qualquer que come da carne e bebe do sangue de Cristo, tem a vida eterna “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” ( Jo 6:47 ).

 

7 Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.

A mensagem que o apóstolo João ouviu de Cristo após ser instalado o Grande tribunal do trono Branco definitivamente não diz da igreja, pois a igreja é mais que vencedora ( Rm 8:37 ).

A igreja não há de vencer, já está de posse da vitória por Aquele que nos amou ( 1Jo 5:4 ; 1Co 15:57 ).

A igreja não herdará, já é co-herdeira de Cristo ( Rm 8:17 ; Gl 3:29 ; Tt 3:7 ).

Aqueles que vencerem herdarão todas as coisas concernentes à nova terra, e terão Cristo por pai, e Ele será o seu Deus.

Com relação à igreja, Cristo é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Através de Cristo todos os cristãos são filhos de Deus já no presente momento, e co-herdeiro com Cristo ( Gl 3:26 ; 1Jo 3:1 ).

A igreja possui posição privilegiada desde a ascensão de Cristo, pois todos que creem em Cristo segundo o evangelho são mais que vencedores por aquele que os amou. São herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo: possuidores de todas as coisas “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” ( Rm 8:32 ).

Deus habita os que receberam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), sendo portanto Filhos, o Espírito do Senhor clama em seus corações “Aba, Pai”, pois tal Cristo é são os que creram aqui neste mundo “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” ( Gl 4:6 ; 1Jo 4:17 ). Os cristãos são filhos de Deus, pois foram gerados de novo, mesmo estando em meio a uma geração perversa.

A cidade santa que desceu do novo céu ataviada como uma esposa para o marido e que servirá de tabernáculo para Deus que habitará com os homens não se compara a glória dos filhos de Deus, pois assim como Cristo é: mais sublime que os céus, serão semelhantes a Ele ( 1Jo 3:2 compare com Hb 7:27 ).

Não perca de vista as bênçãos concedidas por Deus através de Cristo por causa da presente aflição, pois ela não pode ser comparada com as riquezas da glória ( Rm 8:18 ), antes considera a Cristo que desprezou a afronta e venceu todas “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ).

 

Este é um alerta àqueles que gostam de pregar a palavra da verdade:

Ao utilizar estes sete versos do capítulo 21 do livro das Revelações como tema de preleções em eventos e festividades, não se deve tirar o texto do seu contexto para não dar margem, ou que possibilite, anunciar promessas que não se referem a igreja de Cristo.

Cristo já abençoou a sua igreja com todas as bênçãos espirituais ( Ef 1:3 ), e concedeu tudo que diz respeito a vida e a piedade ( 1Pe 1:3 ), ou seja, não há nada que o crente ainda não esteja de posse.

Não devemos privar os cristãos do premio que Deus concedeu ( Cl 2:18 ), pois todos, neófitos ou não, já foram criados idôneos para participar da herança dos santos na luz ( Cl 1:12 ).

Quando pregar, não prometa aos cristãos o que já foi concedido por Deus, antes os conscientize do que já possuem, de que eles são idôneos, vitoriosos, consolados, filhos, templo, tabernáculo, em fim, possuidores de todas as bênçãos espirituais em Cristo Jesus.

Faça como o apóstolo Paulo, conscientize os cristãos do que possuem aos tornarem-se participantes de Cristo “É também nele que vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação” ( Ef 1:12 ). Não prometa coisas vãs, pertinentes a esta vida, pois Cristo mesmo orientou: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” ( Mt 6:33 ).

Em lugar de promessas, ore a Deus que conceda aos seus ouvintes que sejam iluminados os olhos do entendimento, para que possam mensurar todas as benesses concedidas por Cristo ( Ef 1:18 com Ef 3:18 -19).

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É possível tomar o reino dos céus à força

A voz de Cristo ecoou em Jerusalém, e os seus súditos por se acharem ricos e abastados não o atenderam. Os ricos de “violência” não reconheceram as suas misérias quando o rei clamou: “Bem-aventurado os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus” ( Mt 5:3 ). Eles se escandalizaram de Cristo e da sua mensagem ( Mt 11:6 ; Mt 13:57 ). A rejeição à justiça de Deus é violência ao reino dos céus. Onde não se estabelece a justiça há violência! ( Lc 11:50 ).


 

“E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele” ( Mt 11:12 )

O escritor Myer Pearman deixou registrado o seguinte na tentativa de explicar Mateus 11: 12:

Ninguém entra por descuido na vida cristã vitoriosa; são os ativos que tomam o Reino por assalto (Mt 11. 12)” Pearlman, Myer, Mateus, o Evangelho do Grande Rei, 1. ed, Rj, CPAD, 1995, pág. 42.

É isto mesmo que Jesus procurou evidenciar àqueles que O ouviam? Ele apregoou ao povo que é possível ao homem se apossar do reino dos céus à força?

Para compreender a ideia da mensagem que Jesus apregoou ao povo de Israel, é preciso analisar alguns textos da Escritura (Antigo Testamento).

 

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” ( Jr 17:5 )

 

Quando o profeta Jeremias disse: “Maldito o homem que confia no homem”, ele quis demonstrar que o homem que confia em si mesmo é maldito. Mas, por que o homem que confia em si mesmo é maldito?

É certo que o homem não é maldito por utilizar a força dos seus braços para trabalhar e obter o seu sustento, uma vez que Deus determinou ao homem viver do suor do seu rosto ( Gn 3:19 ).

A quem Deus reputa por maldito?

Os ouvintes de Jeremias eram dados a seguir o propósito de seus corações malignos ( Jr 16:12 ), e não davam ouvidos a palavra do Senhor. Confiavam em suas capacidades de articulação política e desviavam-se da determinação divina.

Eles se apartavam do Senhor pela incredulidade, pois confiavam em si mesmos e em elementos provenientes da carne.

Diferente da perspectiva dos ouvintes de Jeremias é a perspectiva dos que conhecem a verdade do evangelho.

À época de Cristo os judeus confiavam na carne, ou seja, confiavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. Através do evangelho de Cristo sabemos que todos que confiam na carne apartam o seu coração do Senhor “Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” ( Rm 9:8 ).

Quando o homem confia em sua carne, rejeita a salvação que é proveniente dos braços de Deus, como se lê: “Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão” ( Is 51:5 ; Is 33:2 ).

Através da perspectiva do evangelho, verifica-se que Deus tem por maldito o homem que faz da carne a sua salvação, ou seja, que considera a descendência de Abraão (carne) o seu braço.

Sabemos que a fé (confiança) é a única maneira de o homem aproximar-se de Deus ( Hb 11:6 ). A ausência de fé mantém-no afastado de Deus, ou seja, apartado de Deus.

Mas, em que confiam os homens?

 

“Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR nosso Deus” ( Sl 20:7 ).

 

Dentre aqueles que confiam em si, ou que seus próprios braços os ‘salvará’, há aqueles que confiam em carros e cavalos (riquezas). São os néscios ( Sl 49:6 -9 ; Lc 12:20 ). Porém, também há os que se dizem religiosos, que confiam em suas ‘boas’ ações e que elas os salvará.

Dentre estes, há aqueles que confiam na carne, ou seja, que faz da sua origem em Abraão a sua força (salvação) “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 ).

Observe a presunção dos fariseus e escribas: ‘temos por pai a Abraão’, ou seja, eles consideravam que não precisavam de arrependimento, pois entendiam que já estavam salvos por simplesmente serem descendentes de Abraão. Eles confiavam efetivamente na carne.

O apóstolo Paulo demonstrou que jamais voltaria a confiar na carne como os demais judeus. Eles tinham zelo de Deus, porém, sem entendimento: “Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu:” ( Fl 3:4 ; Rm 10:2 ).

Enquanto o homem confia que é filho de Deus por ser descendente de outro homem (ex.: os judeus), permanecerá debaixo da maldição de Adão. Todos os homens são gerados em pecado e concebidos em pecado por serem descendentes de Adão, sendo, portanto, filhos da desobediência e da ira ( Sl 51:5 ).

Aqueles que confiam no Senhor, e cuja esperança é o Senhor, receberão um novo coração e um novo espírito, e serão chamados filhos de Deus, porém, é preciso crer conforme diz as Escrituras “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ).

Através deste versículo conseguimos determinar que:

a) Somente pela fé o homem aproxima-se de Deus;

b) A carne representa todos os elementos pertinentes ao velho homem criado em Adão;

c) O braço expressa força e salvação.

Se o homem confia na sua carne e faz dela a sua força, braço ou salvação, será maldito. Mas, quem crer em Deus verá o ‘braço’ do Senhor que é Cristo revelado aos homens “O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus” ( Is 52:10 ).

 

“E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 )

Se a palavra de Deus a Zorobabel diz que não é por força e nem por violência, porque muitos entendem que é possível tomar o reino de Deus por assalto?

O erro na interpretação bíblica tem início quando se utiliza somente do trabalho de lexicógrafos para interpretá-la. Só porque a palavra grega ‘harpazeia’ significa apanhar, agarrar, arrebatar, isto não determina que seja possível tomar o reino dos céus à força.

É preciso comparar as coisas espirituais com as espirituais, ou seja, somente a bíblia pode explicar a si mesma!

Os judeus entendiam que o ‘reino dos céus’ seria estabelecido quando eles obtivessem poder e força bélica, mas Deus disse a Zorobabel que não seria por força e nem por violência, antes é Deus quem faria todas as coisas, ou seja, pelo Espírito de Deus “Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” ( Is 66:2 ).

O homem que confia na sua carne, ou melhor, que por meio de sua origem é agradável a Deus é aquele que não ‘treme’ da sua palavra. Quem confia na sua carne não é bem-aventurado, pois não reconhece que é um pobre de espírito.

Mas, todos aqueles que confiam no Senhor, que temem ao seu nome ou que ‘treme’ da sua palavra, são bem-aventurados, uma vez que Deus olha para os ‘pobres’ de espírito “E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar por minha causa” ( Mt 11:6 ).

Os pobres de espírito são aqueles que não se escandalizam da doutrina de Cristo! Para não se escandalizar de Cristo é preciso não confiar na carne, como fazia os escribas e fariseus.

Jesus disse que o homem é bem-aventurado por não se escandalizar dele, ou seja, a partir do momento que o homem treme (confia) da palavra de Deus, que é Cristo, ele é bem-aventurado.

Para isto Cristo veio: para anunciar as boas novas do evangelho aos pobres de espírito, aos que não confiam na carne ( Mt 11:5 )!

Jamais a força ou a violência poderia estabelecer o reino dos céus! Enquanto os habitantes de Jerusalém esperavam estabelecer o reino de Deus através de alianças políticas, ou através de forças bélicas, a palavra de Deus por intermédio dos seus profetas alertava: o reino de Deus haveria de se revelar em glória através do seu servo, o ‘Renovo’ ( Zc 3:8 ).

Somente o Renovo do Senhor, que é Cristo, estabeleceria o reino de Deus entre os homens.

Há muito tempo, bem antes de Zorobabel nascer, Ana profetizou: “Ele guarda os pés dos seus santos, porém os ímpios emudecem nas trevas. Não é pela força que prevalece o homem” ( 1Sm 2:9 ).

A exemplo de Ana, a força do homem deve estar no Senhor ( 1Sm 2:1 ). As outras mulheres confiam literalmente na carne, pois elas não eram estéreis. Ana, porém, por ser estéril, passou a confiar exclusivamente no Senhor “O arco dos fortes está quebrado, mas os fracos são cingidos de força” ( 1Sm 2:4 ).

 

“Os seus profetas são levianos, homens aleivosos; os seus sacerdotes profanaram o santuário, e fizeram violência à lei” ( Sf 3:4 )

 

Há muito tempo os profetas de Deus denunciavam a violência dos homens em Israel. Por não ouvirem a palavra de Deus, deixavam de confiar em Deus e distorciam a lei de Deus ao bel prazer.

Os profetas e sacerdotes em Israel não seguiam aquilo que Deus havia preceituado, porém sobrecarregavam o povo de regras para poderem surrupiá-los “Ao povo da terra oprimem gravemente, e andam roubando, e fazendo violência ao pobre e necessitado, e ao estrangeiro oprimem sem razão” ( Ez 22:29 ).

A mesma mensagem anunciada por Jeremias é a de Sofonias: “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” ( Jr 17:5); “Não ouve a voz, não aceita o castigo. Não confia no Senhor, nem se aproxima do seu Deus” ( Sf 3:2 ).

Embora a palavra de Deus fosse transmitida por intermédio dos seus profetas, o povo não ouviam a sua voz. Não confiavam em Deus, e por isso, apartavam-se do Deus, permanecendo debaixo de maldição.

Através desta primeira análise já é possível determinar se é possível a alguém pela força se apoderar do reino dos céus.

 

“E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele” ( Mt 11:12 )

 

Para compreender Mateus 11, verso 12 é preciso determinar o público alvo da mensagem de Cristo, ou seja, é preciso contextualizar o versículo.

Após instruir os seus discípulos, aproximou-se de Jesus os discípulos de João Batista ( Mt 11:1 -2). Eles foram enviados por João para saber se Cristo era aquele que estava por vir, ou se era preciso esperar outro (v. 3).

Os discípulos de João foram instruídos por Jesus e foram anunciar as obras de Cristo a João Batista, que estava preso (v. 4- 6).

Em seguida Jesus passou a dizer a multidão, ou seja, ao povo de Israel acerca da missão de João Batista.

Verifica-se, então, que a mensagem do verso 7 ao 19 foi direcionada ao povo de Israel, pessoas que precisavam crer em Cristo para serem salvas.

Para crer em Cristo o povo não podia escandalizar-se dele. Porém, o povo olhava a aparência e se escandalizavam da sua pessoa “Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa” ( Mt 13:55 -57).

Jesus passou a demonstrar que João Batista foi enviado como precursor do reino dos céus, conforme o predito por Isaías ( Mt 11:10 ).

Jesus questiona o interesse do povo em ir ver João Batista. Por que a necessidade de ir ver um profeta, se não davam ouvido a sua mensagem? ( Mt 11:7 -9).

Jesus também demonstrou ao povo que, dentre os nascidos de mulher (homens e mulheres), não havia ninguém maior que João Batista. Porém, o menor dentre o reino dos céus era maior que João Batista.

Jesus destaca o papel de João Batista no reino dos homens, e demonstra que ele era o maior dentre os homens por ter sido escolhido como mensageiro do Senhor “Mas, então, que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, mais do que profeta (…) não apareceu alguém maior do que João Batista” ( Mt 11:9 -11 ).

Lucas registrou: “E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João o Batista; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele” ( Lc 7:28 ).

Dentre os homens (nascidos de mulher) João era o maior, porém, o ‘menor’ dentre os homens e profetas, no reino dos céus é maior do que João, e consequentemente, maior do de todos os profetas. Como pode ser isso? Quando Cristo demonstra que o menor no reino dos céus é maior do que João, Jesus estava falando de sua pessoa. Cristo é maior que João Batista no reino dos céus (mas, o menor é maior do que ele no reino de Deus), pois, Cristo se fez o menor dentre os homens, assumindo a condição de servo, para ser o maior no reino ( Mt 11:11 ).

Tudo o que Jesus disse ficou na dependência de seus ouvintes (povo) darem crédito “E, se quiserdes dar crédito, ele é o Elias que havia de vir” ( Mt 11:14 ).

 

“E, desde os dias de João o Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus…” ( Mt 11:12 )

 

Desde os dias que João Batista passou a anunciar o reino dos céus até aquele momento em que Jesus estava falando ao povo, estava ocorrendo violência ao reino dos céus.

Agora, surgem as perguntas: sobre que tipo de violência Jesus fez menção? Que é o advento do reino dos céus? Que tipo de força utilizam? E, por que a violência passou a ocorrer após o início do ministério de João Batista?

 

O Reino dos Céus

Sabemos que nos dias de João Batista passou a ser proclamado o reino dos céus “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” ( Mt 3:2 ). Como João era precursor de Jesus, verifica-se que o reino dos céus vincula-se a pessoa de Cristo.

A mensagem de Jesus e dos seus discípulos era: “E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus” ( Mt 10:7 ).

Os fariseus ao interrogarem a Cristo acerca do reino dos céus obtiveram a seguinte resposta: “E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior” ( Lc 17:20 ).

Os homens queriam ver o reino de Deus, porém, não entendiam no que consistia o reino dos céus. Eles queriam dizer uns aos outros: Olha ali o reino dos céus, porém, não conseguiam identificar que o reino dos céus já estava entre os homens “Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós” ( Lc 17:21 ).

Quando Jesus disse que “o reino de Deus está entre vós”, ele não disse que o reino havia se estabelecido no coração dos seus ouvintes (fariseus), antes demonstrou que o Cristo encarnado é o reino dos céus. ‘Dentro em vós’ também pode significar ‘no meio de vós’.

Ora, quando Jesus disse que ‘desde os dias de João Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus’, ele estava demonstrando que faziam violência a sua pessoa. Isto porque a mensagem de João era acerca da pessoa de Cristo, e Cristo também falava do seu ministério entre os homens.

Cristo identificou-se como sendo o reino de Deus entre os homens, alvo de ‘violência’ desde os dias de João Batista até aquele momento que Jesus estava falando ao povo de Israel.

Por que Jesus identifica-se como sendo o reino dos céus?

Porque Cristo é o filho de Davi, e será rei sobre o reino literal, físico e visível sobre Israel e o mundo. Uma vez que os judeus aguardavam o reino de Deus, Cristo sendo o rei, apresenta-se aos seus ‘súditos’, e o seus não o receberam simplesmente pela sua aparência exterior.

A igreja é templo e morada do Espírito de Deus proveniente da mensagem do evangelho, que é: “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;” ( Mt 16:24 ). Desta forma o crente torna-se participante de Cristo (em Cristo = nova criatura), promessa superior e condição superior a de súdito do reino.

A igreja herda com Cristo todas as coisas ( Rm 8:17 ), e reinará em glória com Ele ( 2Tm 2:12 ).

A mensagem do reino dos céus foi apresentada inicialmente aos judeus, ou seja, os discípulos de Jesus não deviam ir em direção aos gentios “Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidades de samaritanos” ( Mt 10:5 ).

Embora os judeus esperassem um reino visível e físico, havia um aspecto da missão do Messias que desconheciam. Este aspecto que desconheciam sobre o Messias é demonstrado em Miqueias: “Porque o filho despreza o pai a filha se levanta contra a mãe, a nora contra a sogra; os inimigos do homem são os da sua própria casa” ( Mq 7:6 ).

Em sua primeira vinda, o Messias não traria paz aos reinos deste mundo e nem haveria de governá-los, antes traria espada, ou seja, julgamento e morte (quem não toma a sua cruz e vem a pós mim, não é digno de mim).

Para o homem não ser condenado com o mundo é preciso ser julgado com Cristo, tomando a sua própria cruz e morrer com Ele. Jesus jamais declararia paz ao mundo pecaminoso que teve origem em Adão.

Jesus trouxe espada, ou seja, todos que negam a si mesmo deixando a sua origem em Adão e morrem por amor a Cristo através da fé no evangelho, serão de novo criados em verdadeira justiça e santidade através do último Adão, que é Cristo.

 

A violência

 

“E, desde os dias de João o Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus…” ( Mt 11:12 )

Sabemos que não é possível aos homens tomarem o reino dos céus a força, e que não foi esta a ideia que Cristo transmitiu ao povo de Israel. É correta a tradução que diz: “Desde os dias de João Batista até agora o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” ( Mt 11:12 )?

Nunca foi possível aos homens ‘tomar’ o reino dos céus à força, e por que isto seria diferente nos dias de João Batista? O esforço humano é contado na conquista do reino dos céus?

Esta não é a ideia bíblica. Jamais será possível ao homem tomar posse do reino dos céus através da força. Seria aquela geração à época de Cristo diferente das demais? Vemos que não: “Mas, a quem hei de comparar esta geração?” ( Mt 11:16 ).

A geração à época de Cristo era indiferente a mensagem de Cristo, pois as suas obras era segundo a sabedoria carnal ( Mt 11:16 -19 ; Lc 11:50 ). Estes versos demonstram efetivamente que pelas obras ninguém pode entrar ou tomar por assalto o reino dos céus. Muito menos a geração dos dias de João Batista poderia tomar o reino dos céus a força.

Percebe-se através da fala de Cristo, quando anunciou que ‘faziam violência ao reino dos céus’, que é uma reprimenda, uma censura a atitude do povo de Israel que rejeitavam a justiça de Deus. O que eles queriam apresentar na conquista do reino dos céus eram verdadeiramente obras de violência “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há nas suas mãos” ( Is 59:6 ).

Por deixarem de dar crédito à palavra de Deus, estavam fazendo violência ao reino dos céus “Assim diz o SENHOR: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor; e não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar” ( Jr 22:3 ).

Onde há falta de justiça, sobra a violência “Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro” ( Os 4:2 ). Onde não aceitam o conhecimento de Deus que estabelece a sua justiça, sobra obras de violência ( Os 4:6 ).

Ou seja, desde que começou ser anunciado o reino dos céus (desde João Batista até agora), faz-se violência ao reino dos céus, pois rejeitavam a mensagem de João e de Cristo “A voz do SENHOR clama à cidade e o que é sábio verá o teu nome. Ouvi a vara, e quem a ordenou. Ainda há na casa do ímpio tesouros da impiedade, e medida escassa, que é detestável? Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de pesos enganosos? Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca” ( Mq 6:9 -12).

A voz de Cristo ecoou em Jerusalém, e os seus súditos por se acharem ricos e abastados não o atenderam. Os ricos de “violência” não reconheceram as suas misérias quando o rei clamou: “Bem-aventurado os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus” ( Mt 5:3 ). Eles se escandalizaram de Cristo e da sua mensagem ( Mt 11:6 e Mt 13:57 ).

A rejeição à justiça de Deus é violência ao reino dos céus. Onde não se estabelece a justiça há violência! ( Lc 11:50 ).

 

Que Força?

 

“…e pela força se apoderam dele” ( Mt 11:12 ).

Será que os ‘enérgicos’ lançam mão do reino dos céus? É possível apoderar-se dele através da força?

Sabemos que pela fé em Cristo é possível ao homem tornar-se participante do reino de Deus na condição de súdito. Porém, é impossível alguém apoderar-se dele, visto que o reino é do Senhor e do seu Cristo ( Ap 11:15 ).

A palavra ‘apoderam’ está mais para uma afronta ao reino do que para uma conquista.

Como é impossível ‘apoderar-se do reino’, a frase “…e pela força se apoderam dele” assume um valor irônico, pois apresenta um sentido oposto ao original. É comum em nossa literatura utilizar um termo com o sentido oposto ao original, e Jesus fez uso desse recurso com a idéia que se depreende da frase. Ele faz uma frase de valor irônico diante da impossibilidade dos homens ‘apoderarem-se’ do reino dos céus à força.

 

Ironia (figura de pensamento) – utilização de termo com sentido oposto ao original, obtendo-se, assim, valor irônico. Alguns denominam de antífrase. Ex: O ministro foi sutil como um elefante.

 

Agora, faz-se necessário utilizar todo o conhecimento que adquirimos anteriormente.

  • É preciso lembrar que o público alvo da mensagem de Cristo era o povo incrédulo;
  • É preciso ter em mente que nada é por força e nem por violência no reino dos céus, antes é pelo Espírito de Deus;
  • É preciso compreender a relação que a bíblia estabelece entre força, braço e salvação;
  • A força do homem é proveniente da carne, sendo que os gerados da carne são carnais, e, portanto, não podem agradar a Deus;

 

Quem confia na carne e faz dela a sua força simplesmente continua apartado do Senhor, pois diante de Deus só é agradável aquele que crê em Cristo como diz a Escritura.

Qual a força do homem na tentativa de alcançar o reino dos céus?

Os Zelotes queriam estabelecer o reino de Deus através da força bélica, pois não compreendiam no que consiste o reino e quem irá estabelecê-lo.

Os escribas e fariseus confiavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. Eles confiavam na carne (origem em Abraão) como sendo a força ou o braço que lhes concedia o direito de serem participantes do reino de Deus.

O povo de Israel entendia que a força dele era proveniente da lei entregue por Moisés. Entendia que, pela lei alcançava força suficiente para conquistar o reino dos céus.

  • O povo esqueceu que “no estarem quietos”, haveria força ( Is 30:7 );
  • Esquecera que pela força o homem não prevalecerá ( 1Sm 2:9 );
  • Esquecera que não é por força e nem por violência ( Zc 4:6 );
  • Esquecera que o arco dos fortes está quebrado, ou seja, a força do forte é sem valia, uma vez que o arco para nada serve ( 1Sm 2:4 );
  • Esquecera que as outras nações não poderiam salvá-lo; esquecera que carros e cavalos não tem serventia; esquecera que as obras de suas mãos era sem valor ( Os 14:3 ).

 

“Não vos salvará a Assíria, não iremos montados em cavalos, e à obra das nossas mãos não diremos mais: Tu és o nosso Deus; porque por ti o órfão alcançará misericórdia” ( Os 14:3 ).

 

A mensagem de Jesus ao povo de Israel quando disse: “Desde os dias de João Batista até agora, faz-se violência ao reino dos céus, e pela força apoderam-se dele” ( Mt 11:12 ) é a mesma do profeta Isaias, que no capítulo 30, em resumo, diz: “Por isso, assim diz o Santo de Israel: porquanto rejeitais esta palavra, e confiais na opressão e perversidade, e sobre isso vos estribais, Por isso esta maldade vos será como a brecha de um alto muro que, formando uma barriga, está prestes a cair e cuja quebra virá subitamente” ( Is 30:11 -12).

Quem confia na opressão e na perversidade faz violência ao reino dos céus. Quem se estriba na violência, faz dela a sua força! Mas, a obra do homem (muro) proveniente da sua força está prestes a ruir subitamente.

 

“Porque assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes” ( Is 30:15 )

 

A confiança em Cristo é a força que o homem precisa, mas eles não quiseram.

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O Sermão da Montanha

O sermão do montanha não trata de princípios éticos e morais pertinentes ao reino do Messias, antes é uma grande parábola que expõe a inabilidade dos judeus de alcançar o reino dos céus

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Salmo 19 – O louvor da criação

A expressão da grandeza de Deus não necessita de um código de signos linguísticos para ser compreendido. A natureza demonstra a grandeza, a glória e a fidelidade de Deus, pois ela não falha na sequência dos eventos pré-estabelecidos por Deus.


1 OS céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
2 Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
3 Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.
4 A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol,
5 O qual é como um noivo que sai do seu tálamo, e se alegra como um herói, a correr o seu caminho.
6 A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até à outra extremidade, e nada se esconde ao seu calor.

A Natureza

Os céus expressam quão glorioso é Deus! O que se observa na natureza anunciam quão maravilhoso Ele é.

Como as obras de Deus são grandiosas e imensuráveis, isto indica que Ele é infinitamente grande e maravilhoso “Da parte do SENHOR se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos” ( Sl 118:23 ).

Os céus declaram a glória de Deus aquém? Aos homens! Todos os homens podem perceber a Sua glória e poder pois são inegáveis a grandeza das obras de suas mãos (v. 1).

A expressão da grandeza de Deus não necessita de um código de signos linguísticos para ser compreendido. A natureza demonstra por si só a grandeza, a glória e a fidelidade de Deus (v. 2).

A natureza não falha na sequencia dos eventos pré-estabelecidos por Deus, o que demonstra que Deus é firme e imutável. A abóbada celeste (firmamento) onde se pode presenciar os movimentos dos astros e dos corpos celestes anunciam que só podem ser obra de Deus. O salmista aponta que há uma linguagem implícita entre os dias que se sucedem, sendo que de igual modo há uma linguagem entre os dias que se sucedem, pois nisto não há confusão (v. 3).

O salmista destaca dentre todas as maravilhas que há no universo o sol e faz um comentário. Pelo ‘movimento’ constante, a morada que Deus preparou para o sol é descrita como ‘tenda’. O sol é comparado a um noivo que sai alegremente do seu leito nupcial a percorrer o seu caminho como se fosse um herói.

A ‘trajetória’ do sol faz com que nada se furte ao seu calor, pois o seu curso é de uma a outra extremidade do céu. Observe que a descrição que o salmista faz não tem por base questões científicas, antes se atem a descrever a funcionalidade e utilidade do astro amarelo, para demonstrar que as leis que regem a natureza são irrevogáveis, uma vez elas são uma expressão da natureza de Deus.

 

7 A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
8 Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos.
9 O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.
10 Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.
11 Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa.
12 Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.
13 Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.
14 Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!

As Escrituras

Os versos 1 à 6 demonstram a grandeza e a perfeição de Deus através da natureza. Já os versos 7 à 14 dedicam-se a apontar a perfeição das Escrituras.

As Escrituras, a Lei, o Testemunho, os Preceitos, o Mandamento, o Temor, as Ordenanças são termos utilizados para fazer referência a palavra de Deus. Através da abordagem do salmista conclui-se que a palavra de Deus é perfeita, refrigera, é fiel, dá sabedoria, é reta, alegra, é pura, é luz, é limpa e permanecerá para sempre (v. 7 -9).

Somente através da palavra de Deus é dado ao homem conhecer que Deus trás descanso (refrigério) ao homem, ou que simples (inocente) alcança sabedoria. A retidão do Senhor torna o coração do homem alegre, pois a sua palavra é luz. A sabedoria de Deus é pura e permanecerá de eternidade a eternidade como expressão da justiça de Deus.

Ou seja, o salmista consegue estabelecer um contraste entre o que é revelado na natureza e o que é possível abstrair da sua palavra. Enquanto as conclusões pertinentes à natureza não redime o homem, a palavra de Deus é o meio de o homem andar à sua luz.

Conclui-se que, o que o homem não consegue perceber através da natureza, Deus revelou através da sua palavra.

Nada há que se compare ao conhecimento de Deus. Ouro? Favos de mel? Nada satisfaz o homem como os preceitos de Deus (v. 10), pois a palavra de Deus revela o cuidado de Deus para com os seus servos.

A palavra de Deus admoesta, ou seja, instrui, corrige e consola, pois ela estipula recompensa aqueles que se deixam instruir (v. 11).

Há alguém que consiga entender os seus erros sem a luz da palavra de Deus? Somente através da semente incorruptível o homem expurga os erros ocultos. Que ‘erros’ são estes? É o erro proveniente de Adão que o homem sem a revelação de Deus não consegue entender!

Como seria possível compreender que o primeiro Pai da humanidade, com a desobediência, alienou a humanidade de Deus? Como seria possível compreender que só Jesus, o último Adão, torna a dar acesso a Deus?

A palavra de Deus concede àqueles que por ela são exercitados a condição de sinceros e limpos. A recompensa de Deus aos que conhecem a sua palavra é a de se verem livres (limpos) da transgressão de Adão (v. 13). Todos os que se deixam instruir pela palavra da verdade estão livres da soberba.

O salmista espera que a meditação do seu coração seja agradável diante de Deus, pois do coração agradável procede as palavras agradáveis ( Mt 12:34 ).

Vemos através da Escritura que, a partir do momento que o homem tem o Senhor por Rocha e Redentor (crê), a sua adoração (canção) é aceita perante Deus. Por meio da fé o homem torna-se agradável a Deus (o que é nascido do Espírito é espírito), e passa a adorá-lo em espírito e em verdade. Somente quando o homem torna-se limpo de coração e sincero, Deus aceitará a meditação do homem.

 

O Verbo encarnado

Não podemos deixar de destacar que este Salmo faz referencia a pessoa de Cristo, pois Ele é o Verbo de Deus encarnado, a palavra fiel e verdadeira, que permanece para sempre ( Hb 13:8 ).

Portanto, ao ler este salmo, é necessário ter em mente que os céus declaram a glória de Cristo, pois foi Ele que criou todas as coisas ( Jo 1:3 ; Cl 1:16 ; Hb 1:8 -9).

Que ao fazer referência ao sol como noivo e herói, o salmista nesta previsão estava fazendo alusão a Cristo, o sol nascente das alturas que visitou os homens ( Lc 1:78 ). Enquanto o sol ilumina a humanidade nesta vida, Cristo é o sol que ilumina os que jazem nas regiões das trevas à sombra da morte ( Lc 1:79 ).

Cristo é a salvação poderosa levantada na casa de Davi e, ao visitar os homens tornou-se o noivo da igreja e a sua ação foi heroica, pois libertou os que jaziam em trevas ( Lc 1:69 ; Is 9:2 ; Jo 1:4 -5).

Portanto, ao falar do Verbo de Deus as palavras do salmistas eram agradáveis (v. 14), ou melhor, as penas de um destro escritor ( Sl 45:1 ), pois estava nesta previsão anunciando o mais formoso dos filhos dos homens: Cristo.

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