Deus requer o impossível do homem?

Deus determina ao povo que lance de si as suas transgressões. Lançar de si as transgressões já é impossível aos homens, mas Deus determinou ainda que ‘façam’ para si um novo coração e um novo espírito. Como o homem pode ser perfeito? Como é possível ser santo? Como lançar de si as transgressões? Como circuncidar o prepúcio do coração? Como nascer de novo? …

 


 

“Sede vós, pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” ( Mt 5:48 )

A Bíblia ensina que os mandamentos de Deus não são difíceis (penosos), mas há inúmeras passagens bíblicas que determinam o impossível aos homens.

No Sermão do monte, Jesus deu a seguinte determinação: “Sede vós, pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” ( Mt 5:48 ).

A determinação que Jesus deu aos seus ouvintes é a mesma que Deus deu a Abraão: “… anda na minha presença e sê perfeito ( Gn 17:1 ), e a mesma ordenança que Deus deu ao povo de Israel: “Perfeito serás, como o SENHOR teu Deus” ( Dt 18:13 ).

Como ser perfeito como Deus? É possível aos homens serem perfeitos como Ele?

Esta não é a única determinação impossível que Deus deu aos homens. Observe:

  • “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 ) – Como circuncidar o ‘prepúcio’ do coração? Qual a ferramenta necessária para fazer a incisão?
  • “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel?” ( Ez 18:31 ) – É possível ao homem lançar de si as suas transgressões? É possível ao homem criar ‘um novo coração’ e ‘um novo espírito’?
  • “Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o SENHOR vosso Deus” ( Lv 20:7 ) – O homem é capaz por si mesmo de tornar-se santo?
  • “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ) – É possível ao homem promover o seu novo nascimento?
  • “Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” ( Lc 6:36 ) – Como ser misericordioso como Deus?

 

As questões se avolumam: Como o homem pode ser perfeito? Como é possível ser santo? Como lançar de si as transgressões? Como circuncidar o prepúcio do coração? Como nascer de novo? …

Embora surjam inúmeras questões, elas estão intimamente ligadas, pois qualquer que conseguir ser perfeito, também será santo. Qualquer que for perfeito e santo é porque lançou de si as transgressões. Qualquer que fez uma incisão ‘cirúrgica’ no coração e ainda permanece vivo, vive porque nasceu de novo.

Ora, como todas as questões estão interligadas, resta que, se respondermos só uma delas, encontraremos a resposta para todas as outras.

Para encontrarmos a resposta analisemos a seguinte determinação:

“Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel?” ( Ez 18:31 )

Deus determina ao povo que lance de si as suas transgressões. Lançar de si as transgressões já é impossível aos homens, mas Deus determinou ainda que ‘façam’ para si um novo coração e um novo espírito.

Quando lemos nas Escrituras determinações imperativas e impossíveis de o homem realizar como: ‘lançai de vós as vossas transgressões’, ou ‘criai um coração novo’, temos mais que uma determinação ao homem, temos a sua Palavra enviada a fazer o que lhe apraz. Temos a palavra que contém o poder criativo de Deus.

Todas as coisas foram criadas através da palavra de Deus. Quando lemos: ‘Haja luz’ ( Gn 1:3 ), temos no verbo ‘haja’ a vontade de Deus expressa ( Ap 4:11 ). Ou seja, pela vontade de Deus todas as coisas foram criadas através da sua palavra.

E quando lemos: “Sê perfeito” ( Gn 17:1 ), temos a mesma situação, ou seja, mais que uma ordem, temos a Palavra criativa de Deus em ação. A vontade de Deus expressa através da sua palavra que faz tudo que lhe apraz. É deste modo que Deus se expressa como sujeito do verbo ‘Bara’ “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” ( Is 55:11 ).

Como a palavra do Senhor não volta vazia, Deus a expressa através de verbos imperativos , como é o caso da ordem ‘haja luz’, ou ‘sê perfeito’. O verso 11 do capítulo 55 de Isaìas demonstra detalhadamente como age a palavra de Deus quando é proferida para criar (bara).

Somente a palavra de Deus contém poder criativo. Somente Deus é sujeito do verbo ‘bara’ (criar). Somente Ele traz à existência as coisas que não são através da sua palavra ( Jo 1:3 ). Como seria possível ao homem criar em si mesmo um novo coração e um novo espírito? ( Ez 18:31 )

Tal realização é impossível ao homem, mas para Deus isto é possível.

O salmista Davi ao rogar a Deus: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ), demonstra que somente Deus cria um novo coração e um novo espírito. Esta é uma obra exclusiva da sua palavra.

O mesmo Deus que diz: “Lançai de vós as vossas transgressões”, ou “… criai em vós um coração novo”, também diz: “Então espargirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei” ( Ez 36:25 ), demonstrando que Ele mesmo é o executor da ordem.

O espargir de água pura por Deus é que lança dos homens as suas transgressões.

O que é a água pura que Deus esparge sobre os pecadores? Refere-se a sua palavra criativa que faz tudo novo. Somente o Verbo encarnado, a água pura que Deus lança sobre os homens pode purificá-los.

É através de Cristo que ocorre o lavar regenerador, e é através dele também que Deus concede ao homem o que o salmista Davi pediu: “Dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro em vós um espírito novo…” ( Ez 36:26 ; Sl 51:10 ). Mas, diferente de todas as outras obras criadas ( Ap 4:11 ), criar um novo coração e um novo espírito é obra pertinente a redenção do homem, que por sua vez, necessita crer naquele que Deus enviou para Ele realizar a sua obra ( Jo 6:29 ).

“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” ( Fl 2:13 ; Jo 6:38 ), e foi por isso que Jesus veio, pois a palavra encarnada veio especificamente para realizar a boa vontade de Deus, pois a Ele pertence tanto o querer e o efetuar. Deus quer salvar (querer) e salva (efetuar).

Verbos imperativos como ‘lançai’, ‘fazei’ expressam a obra que Cristo veio realizar, a boa vontade de Deus para como os homens, e é nesta vontade que os homens alcançam o impossível: são santificados “Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:9 -10).

Embora Deus tenha expressado a sua vontade aos homens para que fossem santos, perfeitos, justos, etc., somente um homem se apresentou para fazer essa vontade de Deus: Jesus Cristo, o Verbo encarnado “Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade” ( Hb 10:9 ).

Deus expressou a sua vontade e enviou a sua palavra para realizá-la. É Deus quem faz o impossível, pois Cristo, o Emanuel, santifica o homem. É Ele que lança as transgressões no mar do esquecimento. Somente Ele torna o homem perfeito ao conceder um novo coração e um novo espírito.

Cristo é a água limpa que purifica o homem de todo pecado! Através da circuncisão de Cristo o corpo do pecado é desfeito, e em Cristo torna-se perfeito ( Cl 2:10 -11). Após a circuncisão do coração o homem que vive para o pecado morre, é sepultado, e ressurge um novo homem por causa da palavra de Deus ( Cl 2:12 ).

Cristo é o Poder de Deus, Cristo é o verbo de Deus, a Palavra de Deus é o Poder de Deus. A mesma palavra que agiu quando foi dito: “Haja luz” ( Gn 1:3 ; Jo 1:3 e 10 ), age (Bara)com o mesmo poder naqueles que eram trevas e agora são luz no Senhor. Neste sentido Isaías profetizou: “E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia” ( Is 58:10 ). Vivificar é fazer nascer de novo, ou seja, das trevas nascerá a luz ( Cl 2:13 ; Ef 5:8 ; Jo 12:46 ).

A ordem divina dada a Abraão foi: “… anda na minha presença e sê perfeito” ( Gn 17:1 ). A ordem de Deus é clara: Anda na minha presença! Para ser perfeito deve-se andar na presença de Deus. A condição de ‘perfeição’ é conseqüência de se obedecer à ordem divina.

Por que a ordem divina não é ‘Sê perfeito’ e ‘anda na minha presença’? Porque ‘Sê perfeito’ refere-se à vontade de Deus, e ‘anda na minha presença’ a ordem divina, ou seja, o convite a salvação. Anda na minha presença equivale a ‘entrai pela porta estreita’, ‘necessário vos é nascer de novo’ e o sê perfeito equivale a ‘ser uma nova criatura’.

Por que Deus ordena que se ande em sua presença? Porque o homem foi destituído da sua glória, e é da vontade de Deus que compartilhemos da sua glória. Ora, na presença do Senhor há fartura de alegria, e a alegria do Senhor é a nossa força ( Ne 8:10 ).

Ou seja, para o homem ser perfeito necessita buscar a presença do Senhor, a mesma presença que Deus prometeu a Moisés que haveria de segui-lo em meio ao deserto ( 1Cr 16:11 ; Ex 33:14 ). O homem torna-se perfeito porque somente os retos habitam na presença de Deus ( Sl 140:13 ).

Se há alegria na presença do Senhor conclui-se que os retos são bem-aventurados (felizes, alegres). Ou seja, todas estas referências apontam para Cristo, que é o Braço (força) do Senhor, a Presença do Senhor, a Alegria do Senhor, O Verbo que se fez carne, o poder de Deus, etc. ( Ex 15: 2 ; Ex 15:6 ).

Ciente desta verdade, o salmista Davi clama ao Senhor que não o lance da presença do Senhor ( Sl 51:11 ; Jr 23:39 ), pois na presença do Senhor somente os retos, os perfeitos vivem perpetuamente “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” ( Sl 16:11 ).

Cristo é a vereda da vida. Cristo é a presença do Senhor. Cristo é aquele que o Pai se compraz (alegria). Cristo é o braço do Senhor, ou seja, a sua força!

Deus pediu a Israel que circuncidassem o coração ( Dt 10:16 ), mesmo sendo impossível ao homem! Mas, por que Deus anseia que o homem circuncide o coração? Porque somente o coração circuncidado pelo Senhor pode amá-lo de todo. Afim de que o homem ame a Deus de todo coração é que Deus circuncida o coração do homem ( Dt 30:6 ).

E como Deus circuncida o coração do homem? Espargindo Ele mesmo água pura! ( Ez 36:25 ). O salmista Davi roga a Deus que o lave, e assim ficaria purificado ( Sl 51:7 ). Ou seja, quando Deus asperge água pura (sua palavra) sobre os homens, eles são purificados de toda imundície.

De qual imundície os homens são purificados? Da imundície que adquiriram quando juntamente se desviaram de Deus ( Sl 53:3 ). Todos os homens se desviaram e destituídos foram da glória de Deus por causa da transgressão de Adão. Em Adão toda a humanidade ‘juntamente’ tornou-se imunda, uma vez que desde a madre os homens se desviam, e andam errados desde que nascem ( Sl 58:3 ). Portanto, não há quem faça o bem ( Sl 53:3 ), pois todos são imundos perante Deus.

Para purificar o homem de tal imundície, Deus lança a sua palavra (água pura, força, poder, alegria…), pois somente ela pode criar um novo coração e um novo espírito. Somente a palavra do Senhor pode arrancar o coração de pedra, agraciando o homem com um coração de carne ( Ez 36:26 ).

Como o homem lança de si as suas transgressões? ( Ez 18:31 ) Ora, ‘criando’ um novo coração e um novo espírito! O humor do pecador é comparável a sequidão de estio ( Sl 32:4 ), mas se o aflito ouvir (espargir de água pura) o Deus da sua salvação, se alegrará ( Sl 34:2 ). Será bem aventurado ( Mt 5:4 ).

Qualquer que ouve ao Senhor será bem-aventurado. Comerá o que é bom qualquer que o ouve, e a sua alma viverá ( Is 55:3 ). A alma do homem viverá porque Deus circuncida o coração do homem com este propósito: para que o ame de todo coração e viva ( Dt 30:6 ).

São os pais que devem circuncidar os seus filhos. Os pais segundo a carne circuncidam o prepúcio da carne, o Pai eterno circuncida o prepúcio do coração para que os homens recebam afiliação divina ( Cl 2:13 ). Somente através da circuncisão do coração, a circuncisão de Cristo o homem será perdoado de todo pecado.

Como se santificar? Quando a palavra de Deus diz: “Sede santo”, tem no seu bojo as mesma considerações pertinente a palavra: “Sê perfeito”. Esta é a vontade de Deus para com o homem, e é nesta vontade, uma vez que Cristo se ofereceu a si mesmo, que o homem tem sido santificado por Ele.

Os homens são santos porque Deus é santo. Foi o Senhor que chamou para fora (igreja) um povo adquirido com o precioso sangue do Cordeiro. É Deus que separou para si um povo zeloso de boas obras.

É o Senhor quem santifica, e por isso ordena ao seu povo que guardem os seus mandamentos ( Lv 22:9 ). Embora Deus ordenasse ao povo para santificarem-se através dos cerimoniais, e santificassem todos os utensílios da tenda da congregação, foi o Senhor que os santificou quando os separou dentre os povos para serem seus ( Lv 20:26 ). Eles seriam santos porque Deus é santo, e não o contrário: porque Deus é santo haveriam de se santificar ( LV 11:44 ).

Somente aquele que crê no Senhor é santo, pois o salmista diz que aquele que é santo orará ao Senhor, ou seja, só ora ao Senhor aquele que nele confia. A oração e a confiança estão intimamente ligadas, pois a oração nada mais é que a confiança em Deus traduzida em palavras ( Sl 32:6 ).

A doutrina de Cristo não comporta a teoria da santificação progressiva, como alguns interpretam versos que apresentam como imperativa a vontade de Deus. ‘Sede santo’ é a vontade de Deus expressa, e é através desta vontade, que o homem é santificado de uma vez por todas pela oferta do corpo de Cristo.

Como nascer de novo? É possível ao homem nascer novamente? Por quê nascer novamente?

Ora, o apóstolo Pedro demonstra que só é possível o novo nascimento por intermédio da semente incorruptível, que é a palavra de Deus ( 1Pd 1:3 e 1Pe 1:22 -23). Ele demonstra que os cristãos foram regenerados (criados de novo) por Deus!

Mas, por que nascer de novo? Para ser possível entrar no reino de Deus. Somente os que são gerados de novo alcançam justiça superior à dos escribas e fariseus, pois ao receber a Cristo, o homem passa a estar de posse da justiça de Deus e adquire o direito de entrar no reino dos céus ( Mt 5:20 ; Jo 3:3 ).

Se para entrar no reino dos céus é necessário nascer de novo e ter justiça superior a dos escribas e fariseus, segue-se que ‘novo nascimento’ e ‘justiça’ são intrínsecos. Ou seja, somente os de novo gerados são declarados justos, pois os gerados segundo a carne são ímpios diante de Deus.

Como ser misericordioso? Jesus recomenda aos seus ouvintes que sejam perfeitos como perfeito é o Pai celeste. Ou seja, qualquer que é gerado segundo a palavra de Deus é perfeito, e, portanto, misericordioso ( Mt 5:48 ; Lc 6:36 ).

Como abordamos anteriormente, todas as perguntas formuladas no início do artigo estão interligadas, visto que o homem torna-se misericordioso porque alcançou misericórdia, e por ter alcançado misericórdia, torna-se perfeito como o Pai celeste. É perfeito porque lhe foi dado um novo coração e um novo espírito por ter sido circuncidado por Deus. Após a circuncisão do prepúcio do coração é necessário o novo nascimento, e o de novo gerado segundo Deus é declarado justo e santo.

O apóstolo João ciente desta verdade assim declarou: “Vede quão grande amor nos concedeu o Pai, que fossemos chamados filhos de Deus. E somos mesmo seus filhos! (…) Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque assim como é, o veremos. (…) porque, qual ele é, somos nós também neste mundo( 1Jo 3:1 -2; 1Jo 4:17 compare 1Co 15:48 ).

Diferente dos homens cujos anseios são expressos em palavras que nada acrescentam a realidade, a palavra de Deus expressa a sua vontade, e é através da sua vontade que os homens são salvos e santificados ( 1Tm 2:4 ; Hb 10;10 ).

Onde muitos vêem ordenanças temos a vontade de Deus expressa: “Haja luz”; “Sede Santo”; “Sê perfeito”; “Sede misericordiosos”; “Sede perfeitos”, que através da oferta do corpo de Cristo deseja que todos os homens venham e se tornem um (conhecimento=união intima) com o Pai e o Filho.

Se parece impossível aos homens cumprir a vontade de Deus, segue-se que para Deus tudo é possível por intermédio da sua palavra, que é poder de Deus ( Mt 19:26 ; Mc 9:23 ).

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O primeiro e grande mandamento na lei

Para ouvir e compreender a mensagem de Cristo é necessário comparar coisas espirituais com coisas espirituais (novo testamento com antigo testamento) e lembrar sempre do seguinte versículo: “Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas” ( Mt 13:34 ). Até mesmo a resposta que Jesus deu ao fariseu era uma parábola, pois Cristo é o ‘braço’ do Senhor, a luz do Senhor manifesto aos homens, e os homens não O compreenderam ( Jo 12:41 ; Jo 1:5 ).


“Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” ( Mt 22:36 -40).

Certa feita Jesus foi questionado pelos discípulos porque falava aos seus ouvintes por parábolas. E Jesus lhes respondeu: “Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem” ( Mt 13:13 ).

Jesus falava ao povo por parábolas, pois neles se cumpria a profecia de Isaias, uma vez que o coração deles estava endurecido ( Mt 13:15 ).

No diálogo que Jesus teve com certo doutor da lei se faz necessário descobrir se Jesus também falou por parábolas, para que, o doutor da lei e fariseu ouvindo, não ouvisse e nem compreendesse ( Jo 1:5 ).

Os profetas anunciaram que o Cristo haveria de propor enigmas e parábolas aos seus ouvintes ( Sl 49:4 ; Sl 78:2 ), e Jesus não trouxe nada de diferente do que constava na lei, salmos e profetas ( Jo 5:39 ; Lc 24:44 ).

A pergunta capciosa de um fariseu foi: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei?”.

Jesus, por sua vez, demonstrou que o primeiro e grande mandamento na lei é: “Amará o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” ( Mt 22:37 ), e que o segundo, semelhante ao primeiro é: “Amará o teu próximo como a ti mesmo” ( Mt 22:39 ).

O mestre dos fariseus deu-se por satisfeito, pois era isto mesmo que ele queria ouvir. Ele escutou e aprovou a resposta de Cristo. Ele já havia lido e ouvido esta passagem bíblica inúmeras vezes, mas não ‘ouviu’ e nem ‘compreendeu’.

A pergunta que o doutor da lei precisava fazer para Jesus era: como se ama a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento?

As Escrituras nos revelam que cumprir todos os mandamentos assim como certo príncipe judeu cumpria a lei desde a mocidade, não é o mesmo que amar a Deus de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento ( Mt 19:20 ; Lc 18:18 -24).

“- Tudo isto tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” Se o Jovem rico amasse a Deus de todo o seu coração, não teria se retirado triste ( Mt 19:22 ). Se ele entendesse a proposta da lei, jamais teria perguntado: “Que bem farei para herdar a vida eterna” ( Lc 18:18 ), pois saberia que não há bem algum a ser realizado pelo homem que dê direito a salvação, antes, para que o homem possa herdar a vida eterna é necessário somente crer no Autor da salvação.

Mesmo sendo príncipe dos judeus, fariseu, juiz e mestre em Israel, Nicodemos também não amava o Senhor Deus de todo coração, de toda alma e de todo entendimento, uma vez que Jesus lhe disse: necessário vos é nascer de novo ( Jo 3:1 -5 ).

Outro fariseu subiu ao templo, e em oração disse: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” ( Lc 18:11 -12).

Mesmo ‘seguindo’ o que preceituava a lei, o fariseu que subiu ao templo não foi justificado! Não roubar, não matar, não furtar, não ser injusto ou adultero não é o mesmo que amar a Deus de todo coração, de toda a alma e de todo o entendimento, pois aqueles que amam a Deus e cumprem os seus mandamentos são declarados justos ( Dt 7:9 ).

Se os fariseus, apesar de serem religiosos, legalistas, formalistas e ritualistas, não cumpriram o primeiro e grande mandamento na lei, como esperar que qualquer do povo cumpriria o mandamento que diz: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” ( Dt 6:4 -5)?

A resposta está em Deuteronômio, verso 6, capítulo 30: “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Para que o homem possa ‘amar o Senhor Deus de todo o coração, de toda alma, de todas as forças e de todo o entendimento’ é necessário que o coração do homem seja circuncidado por Deus.

A circuncisão do coração feita por Deus tem dois objetivos definidos:

  • Que o homem obtenha vida, e;
  • Que o homem possa amar ao Senhor de todo o coração, de toda a alma, etc.

Somente um coração circuncidado pelo Senhor pode amá-Lo de todo. Somente após Deus realizar a sua obra, que é a circuncisão do coração, torna-se possível ao homem e a mulher amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo entendimento, etc “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração (…), para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma” ( Dt 30:6 ).

Um coração incircunciso está morto diante de Deus. Somente um coração circuncidado vive perante Ele “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração (…) para que vivas ( Dt 30:6 ). Nada representa diante de Deus os sentimentos de um coração incircunciso, ou seja, que está morto! A circuncisão de Deus é para que o homem tenha vida, pois Deus é Deus de vivos, e não de mortos.

O amor a Deus não se vincula a sentimentos humanos, à voluntariedade, aos serviços, aos sacrifícios ou esforço próprio, antes só é possível amar a Deus após a intervenção cirúrgica de Deus: a circuncisão do coração!

Havia um enigma no primeiro e grande mandamento da lei! Muitos leram, outros ouviram, porém, não entenderam e nem compreenderam como se cumpre o primeiro e grande mandamento na lei: circuncidai, pois o vosso coração!

Antes de entregar pela segunda vez as tábuas dos dez mandamentos, Deus orientou o povo a amá-lo ( Dt 10:12 ). De que modo? Circuncidando o prepúcio do coração ( Dt 10:16 ). Ou seja, o cumprimento da lei dependia diretamente da circuncisão do coração, o que só é possível através da ação divina, sem o auxílio de mãos humanas: obra exclusiva de Deus “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração…” ( Dt 30:6 ; Cl 2:11).

Da mesma forma que, segundo a carne, Abraão circuncidou Isaque, quando Deus recebe dentre os homens filhos para si, Ele circuncida o prepúcio do coração dos seus filhos. É o pai que circuncida o filho, e a circuncisão promovida por Deus demonstra que Ele recebeu o circuncidado por filho.

Os fariseus não amavam a Deus de todo o coração porque acreditavam que eram filhos de Deus por serem descendentes da carne de Abraão. Por serem circuncidados na carne ao oitavo dia após nascerem, acreditavam que tal prática os tornava filhos de Deus.

Porém, Deus só recebe por filhos aqueles que ele circuncida. A circuncisão do coração é necessária para que o homem viva, ou seja, volte a ser participante da glória de Deus. Sem a circuncisão que Deus efetua no coração o homem está morto, continua na incircuncisão da carne herdada de Adão, mesmo após cumprir os quesitos da lei, como o é a circuncisão do prepúcio.

Enquanto a circuncisão do prepúcio era quesito para ser membro da nação de Israel, a circuncisão do coração é imprescindível para que fossem participantes do Israel de Deus ( Rm 9:6 ). Somente Deus pode realizar a circuncisão do coração do homem “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Após ser circuncidado pelo Senhor, o homem recebe um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ). É tirado o coração de pedra e concedido um coração de carne ( Ez 36:26 ). O criado em verdadeira justiça e santidade um novo homem( Ef 4:24 ). Tudo se faz novo!

Somente após receber um novo coração e um novo espírito, o homem regenerado passa a adorar a Deus em espírito e em verdade, ou seja, consegue amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento.

O profeta Ezequiel anunciou que Deus haveria de espargir água pura sobre os homens, ou seja, através da sua palavra Deus haveria de conceder um novo coração e um novo espírito.

Após o novo nascimento, Deus haveria de habitá-los, condição imprescindível para que os homens andem, guardem e cumpram os estatutos de Deus ( Ez 36:25 -27 ). Para amar a Deus de todo o coração é necessário que Deus habite o homem.

Diante da lei e do protesto veemente dos profetas, o povo de Israel aplicavam-se a cumprir os mandamentos como guardar o sábado, utilizar os filactérios, jejuns, orações, sacrifícios, etc. Valorizavam a circuncisão ao oitavo dia, porém, o coração deles permanecia na incircuncisão, longe de Deus “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” ( Is 29:13 At 7:51 ).

O jovem rico era um perfeito retrato da nação de Israel, visto que a maioria seguia o estipulado nos dez mandamentos: “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; Honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo” ( Mt 19:18 -19 ; Ex 20:2 – 17), porém, sentiam que faltava alguma coisa.

Elogiar a Cristo não é o mesmo que amar a Deus de todo o coração: “Muito bem, Mestre, e com verdade disseste…!” ( Mt 12:32 -33). Para o escriba ainda faltava alguma coisa também, pois não basta reconhecer que Jesus apresentou um ensino verdadeiro: “Não estás longe do reino de Deus” ( Mt 12:34 ).

Se o escriba observasse melhor, veria que a porta para se entrar no reino de Deus estava aberta bem a sua frente! Se ele abandonasse os seus conceitos (arrependimento), veria o quão próximo estava o reino dos céus “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” ( Mt 3:2 ).

Após observarmos o jovem rico e o escriba, precisamos entender porque não basta guardar os mandamentos da lei “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” ( Mt 19:20 ). É essencial descobrir porque mesmo após admitir qual é o maior dos mandamentos, muitos ainda não tem acesso ao reino dos céus “Não estás longe do reino de Deus” ( Mt 12:34 ).

Embora fosse ferrenho seguidor da lei por ser fariseu, exemplo em Israel como mestre, conhecedor da lei como juiz, Nicodemos não podia entrar no reino dos céus, pois lhe faltava nascer de novo! ( Jo 3:2 ). Só é possível nascer de novo após morrer! Quando Deus oferece ao homem e a mulher a circuncisão do coração, ele demonstra a necessidade de se exterminar a velha natureza herdada de Adão, condição essencial para que ocorra o novo nascimento.

Para ser circuncidado pelo Senhor basta crer na palavra que diz: “Ouve, ó Israel…”, pois a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus ( Sl 81:8 ).

Para ouvir e compreender a mensagem de Cristo é necessário comparar coisas espirituais com coisas espirituais (novo testamento com antigo testamento) e lembrar sempre do seguinte versículo: “Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas” ( Mt 13:34 ). Até mesmo a resposta que Jesus deu ao fariseu era uma parábola, pois Cristo é o ‘braço’ do Senhor, a luz do Senhor manifesta aos homens, e os homens não O compreenderam ( Jo 12:41 ; Jo 1:5 ).

 

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