A meretriz assentada sobre muitas águas

A mulher vestida de sol fugirá para o deserto. A ordem para os filhos de Israel no período descrito como grande tribulação é para que fujam da cidade para os montes, porque na cidade haverá grande mortandade “E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo”( Zc 14:5 ; Mt 24:16 -22). A grande cidade ficará sob a mercê da besta, que com dez reis a queimará a fogo, deixando-a ‘viúva’: desolada (sem habitantes) e nua (envergonhada).


 

                Apocalipse 17, versos 1 à 18

1  E VEIO um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; 2  Com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição. 3  E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres. 4  E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição; 5  E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra.

 

Introdução

O objetivo da visão do capítulo 17 é apresentar como será a punição da ‘grande cidade’ que reina sobre os reis da terra. O grande desafio para o leitor é descobrir a identidade da ‘grande cidade’ que está fadada à destruição “E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra” ( Ap 17:18 ).

A ‘grande cidade’ foi condenada e será punida e não haverá quem a livre da ira de Deus “Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta…” (v. 1); “Portanto, num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga” ( Ap 18:8 ).

Entender o motivo pelo qual Deus condenará a ‘grande cidade’ nos permitirá identifica-la e entender o motivo pelo qual ela é vista como uma meretriz vestida de púrpura e de escarlata ( Ap 17:16 ).

 

A mulher vestida de sol

Iniciamos no artigo “A mulher e o dragão” a análise das figuras do livro do Apocalipse através da figura da mulher vestida de sol e com a lua debaixo dos pés e que estava com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça < http://www.estudobiblico.org/novo-testamento/o-evangelho/hebreus-e-apocalipse/apocalipse/758-a-mulher-e-o-dragao >. Demonstramos que a lua debaixo dos pés da mulher simboliza a promessa de Deus feita aos pais: Abraão, Isaque e Jacó. A lua significa que a nação de Israel se sustém na promessa imutável de Deus “Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre” ( Jr 31:35 -36; Jr 33:25 -26); “Não quebrarei a minha aliança, não alterarei o que saiu dos meus lábios. Uma vez jurei pela minha santidade que não mentirei a Davi. A sua semente durará para sempre, e o seu trono, como o sol diante de mim. Será estabelecido para sempre como a lua e como uma testemunha fiel no céu. (Selá.)” ( Sl 89:34 -37; Dt 9:5 ; Lv 26:44 -45).

A mulher vestida de sol diz da nação de Israel, pois como nação escolhida para trazer o Cristo ao mundo sofreu dores ( Ap 12:2 ). A vestimenta simboliza a justiça de Deus manifesta a todos os povos por intermédio de Cristo, o descendente prometido a Abraão ( Lc 1:78 -79).

Cristo é o sol da justiça, pois o seu esplendor alcançou os que habitavam as regiões das trevas. O sol não faz acepção de pessoas, de modo que Cristo é luz para todos os povos “LEVANTA-TE, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR vai nascendo sobre ti; Porque eis que as trevas cobriram a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o SENHOR virá surgindo, e a sua glória se verá sobre ti. E os gentios caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu” ( Is 59:1 -3; Is 9:2 ; Gn 22:18 ; 2Sm 23:3 -4; Is 40:5 ).

Da mulher vestida de sol disse o apóstolo Paulo: “Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal” ( Rm 11:2 -4).

O advento da Igreja não significa que Deus rejeitou o povo de Israel, antes foram eles que rejeitaram o autor da vida, pois Ele veio para os que eram seus, e eles o rejeitaram ( Jo 1:11 ; Rm 10:21 ). Apesar da rejeição, há um remanescente segundo a graça, ou seja, qualquer homem dentre os judeus que crerem na mensagem do evangelho, será salvo ( Rm 11:23 ).

Após o arrebatamento da Igreja de Cristo, se encerrará a plenitude dos gentios e começará a ser contada a última semana de Daniel sobre o povo de Israel, de modo que os cristãos não podem ignorar que o ‘endurecimento’ de Israel se dará até que se encerre a ‘plenitude dos gentios’ “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades” ( Rm 11:25 -26; Is 6:9 -12).

Como foi estabelecido nas Escrituras que de Sião virá o libertador e retirará todas as impiedades de Jacó, a aliança entre Deus e Israel permanece, porque o que foi dado aos pais (dons) é irrevogável ( Rm 11:26 -29), pois dos verdadeiros israelitas é a adoção, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas, os pais, e deles é o Cristo segundo a carne ( Rm 9:3 -4).

A promessa de Deus feita aos pais não falhou, por isso o evangelista João viu a lua debaixo dos pés da mulher, uma vez que a nação de Israel jamais deixará de ser nação diante de Deus e o descendente prometido a Abraão se assentará sobre o trono de Davi como rei e sacerdote e regerá as nações com vara de ferro ( Gn 49:8 -11); “Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” ( At 3:25 ); “Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai” ( Lc 1:32 ).

O povo de Israel, mesmo quando deportado, não deixou de ser a nação escolhida por Deus e a promessa do Cristo assentado sobre o trono de Davi se cumprirá após o término da plenitude dos gentios. Cristo permanece à destra da majestade nas alturas até que seja enviado a Sião como o libertador das transgressões da casa de Jacó, o que ocorrerá após o período de grande tribulação “DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés. O SENHOR enviará o cetro da tua fortaleza desde Sião, dizendo: Domina no meio dos teus inimigos” ( Sl 110:1 -2).

As promessas se cumprem em Cristo, e para Israel há a promessa de que o Cristo se assentará sobre o trono de Davi, seu pai, e regerá todas as nações da terra a partir de Sião com vara de ferro ( Sl 2:8 ; Gn 15:18 ; Is 60:14 ).

O povo de Israel foi introduzido na terra que de Canaã por causa da promessa feita aos pais, e não porque eram de fato justos aos olhos de Deus, como se lê: “E, porquanto amou teus pais, e escolheu a sua descendência depois deles, te tirou do Egito diante de si, com a sua grande força” ( Dt 4:37 ); “Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o SENHOR teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” ( Dt 9:5 ).

Por causa da promessa feita aos pais vemos a mulher vestida de sol e com os pés sobre a lua, mas como o povo era rebelde e de dura servis, surge uma nova figura: a meretriz, visto que a ‘cidade fiel’ se fez prostituta ( Is 1:21 ).

Para compreendermos a figura da meretriz que representa a grande cidade no Apocalipse, temos que lembrar que desde o dia em que foi tirado do Egito a casa de Israel é denominada casa rebelde ( Dt 9:24 ), mas, para confirmar a palavra dada aos pais, Deus introduziu a casa rebelde na terra da promessa ( Dt 8:18 ; Dt 9:6), e os filhos de Jacó foram habitar a terra dos cananeus.

Os judeus se auto intitulavam israelitas, porém, não passavam de casa de Jacó (tomar pelo calcanhar, suplantador), diferente do patriarca Jacó, que de fato passou a ser chamado por Deus de ‘Israel’ quando Deus reitera a promessa que foi feita a Abraão e Isaque ( Gn 32:28 ; Gn 35:10 -12 ; Is 48:1 ).

Não é pela força ou pela violência que se alcança a benção de Deus, antes se dá pela palavra do Senhor. Qualquer que busque a face do Senhor alcançará de Deus a bênção: a salvação “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ); “E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali. E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” ( Gn 32:29 -30; Os 5:15 ).

Havia uma ordem especifica para que os filhos de Jacó destruíssem todos os povos que estavam na terra que herdaram, mandamentos que visava a proteção da nação foram desconsiderados. Por exemplo: ( Dt 20:16 -17), mas não obedeceram e passaram a compartilhar a terra com os povos nativos “E não expulsaram aos cananeus que habitavam em Gezer; e os cananeus habitam no meio dos efraimitas até ao dia de hoje; porém, sendo-lhes tributários” ( Js 16:10 e 17:13 ).

Como o povo não atendia a ordem do Senhor, Deus enviou seus profetas que clamavam contra as cidades do povo de Israel: “E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da piedade da tua mocidade, e do amor do teu noivado, quando me seguias no deserto, numa terra que não se semeava. Então Israel era santidade para o SENHOR, e as primícias da sua novidade; todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o SENHOR” ( Jr 2:1 -3).

Para falar ao povo, os profetas fizeram parábolas e alegorias utilizando-se do nome das cidades em que a nação de Israel habitava. Por exemplo: Ezequiel clamou contra a cidade de Jerusalém e fez uma alegoria descrevendo-a como uma menina abandonada no deserto que, após ser acolhida pelo Senhor, tornou-se uma moça muito bonita que Deus entrou em aliança e ela passou a ser d’Ele. A menina que foi cuidada pelo Senhor tornou-se formosa e, por causa da sua beleza, deixou o seu marido, se fez pérfida e saiu após amantes “E, passando eu junto de ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; e estendi sobre ti a aba do meu manto, e cobri a tua nudez; e dei-te juramento, e entrei em aliança contigo, diz o Senhor DEUS, e tu ficaste sendo minha. Então te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo” ( Ez 16:8 -9).

Através das profecias verifica-se que Deus fez uma promessa incondicional aos pais que jamais será quebrada, pois Deus mesmo ungiu o seu Santo Rei sobre o monte Sião ( Sl 2:6 ), e o estabeleceu como sacerdote eterno ( Sl 110:4 ). No entanto, a aliança que Deus fez com o povo que foi tirado do Egito é condicional, pois a alma que fizesse o prescrito na lei viveria por ela, e este foi o trato que o povo fez: “Então todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo o que o SENHOR tem falado, faremos. E relatou Moisés ao SENHOR as palavras do povo” ( Êx 19:8 ; Ez 20:21 ); “Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o SENHOR” ( Lv 18:5 ).

Assim como Deus deu a sua palavra a Abraão, Isaque e a Jacó, Deus reuniu o povo de Israel no monte Sinai para que o povo ouvisse a voz de Deus, mas quando foi provado, o povo se pôs ao longe e não quis ouvir a voz de Deus ( Ex 20:18 -20).

Jacó pelejou com Deus e não teve medo de morrer, de modo que foi abençoado e Deus mudou o seu nome. Os filhos de Jacó se auto intitulavam filhos de Israel e que fariam tudo o que Deus mandasse, no entanto quando viram que o monte fumegava e havia trovões, relâmpagos, tiveram medo de ouvirem a voz do Senhor e morrer, quando na verdade a palavra do Senhor é que dá vida. Atitude do povo se por ao longe demonstra a falta de confiança em Deus. Imagine se a prova fosse semelhante a de Jacó, pelejar com Deus “E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos. E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis” ( Ex 20:19 -20).

O povo precisava ouvir diligentemente a voz do Senhor. Ouvir a voz do Senhor os tornaria apto a cumprir a aliança ( Ex 19:5 ), porém, o povo antes de ouvir a voz do Senhor se propôs a fazer o que Deus mandasse ( Ex 19:8 ), mas, quando Deus ia falar-lhes de modo que cressem eternamente ( Ex 19:9 ), rejeitaram ouvir a palavra de Deus.

A aliança foi feita, mas o povo corrompeu a aliança, pois passaram a confiar na força dos seus braços e deixaram de confiar n’Aquele que fez a aliança, se fizeram filhos rebeldes e sujeitos aos ‘ais’ “Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei; corrompestes a aliança de Levi, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Ml 2:8 ; Zc 11:10 ; Jr 11:10 ); “Não segundo a aliança que fiz com seus pais No dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; Como não permaneceram naquela minha aliança, Eu para eles não atentei, diz o Senhor” ( Hb 8:9 ).

Os filhos de Jacó se ‘cobriram’ com a força do braço, com a violência, mas não do Espírito do Senhor ( Is 30:1 ; Zc 4:6 ; Mt 11:12 ).

O evangelista João viu em visões distintas duas mulheres: uma parturiente e outra meretriz. O profeta Jeremias também profetizou acerca de duas mulheres, e nos chama a atenção o fato de que essas duas mulheres apontam para Israel ( Jr 4:30 -31).

A figura da mulher parturiente foi utilizada pelo profeta Jeremias para fazer referencia à nação de Israel, como se lê: “Porquanto ouço uma voz, como a de uma mulher que está de parto, uma angústia como a de que está com dores de parto do primeiro filho; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as suas mãos, dizendo: Oh! ai de mim agora, porque já a minha alma desmaia por causa dos assassinos” ( Jr 4:31).

Quando foi previsto através da figura de um leão (Babilônia) que Deus enviaria do norte uma nação sanguinária que assolaria as cidades de Israel ( Jr 4:7 ), o profeta descreveu a voz da filha de Sião ofegante como a que está de parto.

Por causa da iniquidade dos filhos de Jacó Deus determinou que uma nação sanguinária viesse do norte para assolar a nação de Israel ( Jr 4:6 ), e, por mais que a nação de Israel se posicionasse como rainha (vestida de carmesim) e se fizesse bela (enfeites e adornos) para atrair o apoio das nações vizinhas (amantes), o mal já estava determinado “Agora, pois, que farás, ó assolada? Ainda que te vistas de carmesim (escarlata), ainda que te adornes com enfeites de ouro, ainda que te pintes em volta dos teus olhos, debalde te farias bela; os amantes te desprezam, e procuram tirar-te a vida” ( Jr 4:30 ).

Deus utilizou duas figuras para anunciar a deportação de Israel para babilônia:

a) mulher com dores de parto, e;

b) prostituta em busca dos seus amantes.

As mesmas figuras utilizadas pelo profeta Jeremias foram vistas pelo apóstolo amado, sendo que:

  • a figura da mulher com dores de parto no Apocalipse retrata a nação de Israel
  • e a figura da grande meretriz retrata a cidade dos filhos de Israel.

A promessa de Deus é imutável quanto à nação, visto que o remanescente será salvo (mulher vestida de sol), já as cidades de Israel, por causa da infidelidade do povo (meretriz que se assenta como rainha), serão destruídas e ficará deserta.

 

A mulher prostituta vestida como rainha

A figura da mulher meretriz vestida de púrpura e escarlate representa a ‘grande cidade’ que abrigará a nação de Israel antes do período descrito por Cristo como ‘aflição daqueles dias’ (grande tribulação) ( Ap 17:18 ; Mt 24:21 ).

O nome escrito na testa da meretriz é um símile (enigma), portanto, não deve ser interpretada com uma referência à antiga cidade dos caldeus. Os caldeus já foram apenados e destruídos pelos medos ( Jr 51:11 e 28; Dn 7:5 ), e, conforme as profecias, Babilônia foi destruída e nunca mais será povoada, assemelhando-se às cidades de Sodoma e Gomorra ( Jr 50:39 -40).

Foi determinado por Deus que a cidade de Babilônia seria uma desolação perpétua ( Jr 51:26 ), portanto, a figura da mulher assentada sobre muitas águas não diz da cidade dos caldeus, apesar da inscrição na testa da mulher.

Por causa da inscrição, que diz: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”, os reformadores entendiam que a visão fazia referencia ao papado (Igreja Católica Apostólica Romana)“A quem ou a que se refere esta mulher? A maior parte dos comentadores, desde o tempo da Reforma, identificam-na com o papado, tal como o fizeram Lutero, Tyndale, Knox, Calvino (Institutes, IV, 2.12), Alford, Elliott, Lange, e muitos outros. A Igreja Católica Romana identifica esta mulher com Roma – mas com a Roma pagã, é claro, já no passado” Moody, Pág. 59.

Este sentido também foi apresentado por Barclay “A mulher é Babilônia, quer dizer, é Roma. Há uma dificuldade que se expõe no princípio do capítulo, mas pode ser esclarecida de maneira imediata. Afirma-se que a mulher está assentada sobre “muitas águas” (v. 1). Esta é uma imagem de Roma representada mediante o simbolismo que corresponde a Babilônia, segundo os ditos dos antigos profetas de Israel. Em Jeremias 51:13 faz-se referência a Babilônia, precisamente, como uma cidade “assentada sobre muitas águas”” Barclay, Pág. 370.

Há quem ateste que a grande cidade será a cidade de Babilônia reedificada: “… em Apocalipse 17 João descreve a visão em duas partes. A primeira parte fala de uma mulher identificada como Babilônia. Simboliza uma cidade de extrema riqueza que controla – “povos, multidões, nações e línguas” (Ap 17.15). Ela é literalmente a cidade de Babilônia reconstruída” Dyer, Charles H., The Rise of Babylon: Is Iraq at the Center of The Final Drama? Edição Revisada, Chicago: Moody Press, [1991], 2003, pág. 162.

Especulações não faltam acerca do tema: “As profecias referentes à cidade de Babilônia nunca se cumpriram no passado, o que qualquer enciclopédia pode testificar. Para que as profecias bíblicas se cumpram, é necessário que a cidade de Babilônia seja reconstruída na mesma área de outrora. A antiga Babilônia é o atual Iraque” Fruchtenbaum, Arnold, The Footsteps of the Messiah: A Study of the Sequence of Prophetic Events, (Tustin, Califórnia: Ariel Ministries Press, 1982), pág. 192.

Ora, o interprete deve ler o livro de Apocalipse cônscio de que ele contém inúmeras figuras e símbolos. Os símbolos e figuras possuem um significado específico que remetem a um único evento ou realidade, e o interprete precisa ter a perspicácia de verificar que as profecias apresentam enigmas amalgamados às figuras e símbolos.

Os enigmas precisam ser desvendados antes da interpretação das figuras e dos símbolos, portanto, não é porque consta na visão o nome ‘Babilônia’ que a civilização Babilônica e as cidades dos caldeus serão reconstruídas.

A visão da mulher meretriz assentada sobre a besta diz de uma cidade nomeada ‘A grande cidade’ ( Ap 17:18 ), e todos os reis da terra se prostituíram com ela ( Ap 17:2 ).

O evangelista João verificou que a meretriz estava prestes a cair (embriagada) por ter matado os santos e as testemunhas de Jesus ( Ap 18:24 ). A embriagues simboliza a ‘queda’ iminente, que no texto em comento é a meretriz ser devorada pela besta na qual se assenta como rainha.

A visão do evangelista aponta qual é a concepção da grande cidade que se assentou sobre a besta do Apocalipse como se fosse rainha. A grande cidade tem a concepção de que jamais será despojada de seus habitantes e riquezas ao dizer: – ‘Jamais serei viúva’, por estar exercendo domínio sobre sete montes ( Ap 18:7 ), no entanto, o domínio da grande cidade foi proporcionado pelo dragão que deu o seu poder à besta ( Ap 13:4 ).

A grande cidade acredita que reina por causa da aliança firmada com sete montes, no entanto, os sete montes foram atraídos pela formosura da ‘meretriz’. A aliança estabelecida que faz a cidade confiante tem por base uma ficção arquitetada pelo dragão, pois a besta juntamente com dez reis se levantará contra a grande cidade e a devorará.

A mulher vestida de sol sofreu dores de parto até que o descendente prometido a Abraão veio ao mundo dos homens, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo ( Ap 12:5 ; Is 26:17 -18). A meretriz será destruída e os prevaricadores em Israel exterminados ( Dn 8:23 ). Será um tempo de aflição como nunca houve sobre os filhos de Jacó até que o Cristo se revele novamente em glória sobre o monte das Oliveiras ( Zc 14:4 ; Mt 23:39 ), e o restante do povo de Israel olhe para aquele a quem trespassaram ( Zc 12:10 ).

Diversas nações serão ajuntada e pelejarão contra Israel colocando em aperto a grande cidade onde se achou (culpa) o sangue dos profetas e dos santos ( Zc 14:2 ; Ap 18:24 ). Quando os que restarem dos filhos de Jacó se puserem em fuga, o Cristo que se manifestará em glória destruirá as nações que se opõe a Israel, porém, a grande cidade estará desolada e nua a vista das nações “Orai, pois, para que a vossa fuga não suceda no inverno” ( Mc 13:18 ; Mt 24:20 ; Zc 12:9 ; Mt 24:30 ).

Após dar à luz o filho homem que há de reger todas as nações da terra com vara de ferro, iniciou a contagem do tempo dos gentios ( Ap 12:5 ), e quando iniciar a contagem da última semana de Daniel a mulher fugirá para o deserto onde será alimentada por Deus ( Ap 12:6 e 14). Ora, o deserto é o lugar onde os que escaparem da grande tribulação encontrará o favor do Senhor “Assim diz o SENHOR: O povo dos que escaparam da espada achou graça no deserto. Israel mesmo, quando eu o fizer descansar” ( Jr 31:2 ).

Observe que a mulher vestida de sol fugirá para o deserto. A ordem para os filhos de Israel no período descrito como grande tribulação é para que fujam da cidade para os montes, porque na cidade haverá grande mortandade “E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo” ( Zc 14:5 ; Mt 24:16 -22).

A grande cidade ficará sob a mercê da besta, que com dez reis a queimará a fogo, deixando-a ‘viúva’: desolada (sem habitantes) e nua (envergonhada).

 

Elementos que compõe a visão

Um dos anjos que tinha um das sete taças (contendo as últimas pragas) convidou o evangelista João para acompanha-lo e em seguida mostrou uma visão contendo a figura de uma mulher assentada sobre uma besta ( Ap 17:3 ).

O anjo alerta que seria revelado qual a condenação da meretriz, e este deve ser o foco do interprete: a punição da grande cidade.

A condenação da ‘grande cidade’ também foi anunciada em outras duas visões no livro do Apocalipse, o que destaca o ponto de maior relevância da visão: a ira de Deus “E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição” ( Ap 14:8 ); “E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira” ( Ap 16:19 ).

O evangelista João foi conduzido por um anjo em espírito a um lugar ermo (deserto), e o apóstolo viu uma mulher assentada sobre uma besta de cor vermelha. A vestimenta da mulher foi descrita pelas suas cores: roxa (púrpura) e vermelha (escarlate), e ela estava adornada com ouro e pedras preciosas ( Ap 17:4 ). As cores roxa e vermelha representam a realeza da mulher, que se assenta como rainha ( Ap 18:7 ).

Além do mais, a meretriz estava adornada de modo a chamar a atenção dos seus amantes (ouro, pedras preciosas e enfeites). A riqueza da mulher atrai os seus amantes que são participantes das abominações e da imundície da prostituição dela ( Ap 17:2 e Ap 18:3).

A meretriz segura na mão um cálice de ouro cheio de abominações e prostituições. As abominações da grande meretriz que está
sentenciada à destruição tem alcance mundial, pois tanto os reis (governos) da terra quanto os moradores do mundo (súditos) se prostituíram e se embriagaram com o vinho da sua prostituição.

O profeta Isaias ao falar dos filhos de Jacó, deixa claro que eles foram desamparados e abatidos por causa:

a) da prata e do ouro que possuíam;

b) dos cavalos e dos carros que adquiriram;

c) dos deuses que reverenciavam, e;

d) por associarem-se com os estranhos ( Is 2:6 -9), características que se amoldam a meretriz do Apocalipse.

 

A punição da meretriz

“E VEIO um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas (…) E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres” (v. 1 e 3).

O anjo explicou para o apóstolo que a figura da meretriz assentada sobre uma besta refere-se a uma ‘grande cidade’ que exerce domínio sobre reis e reinos da terra ( Ap 17:18 ). Na visão a mulher é apresentada como tendo domínio sobre a besta (assentada), e como foi dado à besta poder sobre toda a tribo, e língua, e nação ( Ap 13:7 ), segue-se que a mulher se assenta (exerce domínio) sobre muitas águas ( Ap 17:15 ).

A figura deixa claro que a mulher vestida de purpura não tem, por si só, poder para exercer domínio sobre tribos, línguas e nações, mas, exercerá domínio por intermédio da besta, que por sua vez receberá poder do ‘dragão’, a antiga serpente, que é Satanás ( Ap 13:7 ).

Apesar desta mulher se assentar como rainha sobre ‘muitas águas’ em função da autoridade que a besta franquiará à prostituta ( Ap 17:1 ; Ap 18:7 ), por estar embriagada no sangue dos santos e das testemunhas de Jesus, a meretriz desconhece que se assenta sobre a fera que irá devorá-la ( Ap 17:6 ; Ap 17:16 ).

A cegueira de Israel foi prevista pelo profeta Isaias, quando se apresentou a Deus: – ‘Eis-me aqui. Envia-me a mim’ ( Is 6:8 ). O profeta tinha que anunciar aos filhos de Jacó que eles ouviam, mas não entendiam; que viam, porém, não percebiam, e assim não se convertiam e nem eram sarados ( Is 6:10 ). O profeta perguntou ao Senhor até quando aquela cegueira e surdez persistiriam, e a reposta apontou o tempo do fim, quando sobrasse somente a santa semente “Então disse eu: Até quando Senhor? E respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada. E o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. Porém ainda a décima parte ficará nela, e tornará a ser pastada; e como o carvalho, e como a azinheira, que depois de se desfolharem, ainda ficam firmes, assim a santa semente será a firmeza dela” ( Is 6:11 -13; Is 63:17 ).

Por esquecer-se de Deus, a nação, por mais que se esforçasse para crescer, no dia da tribulação, ou seja, das dores incuráveis do Apocalipse, as obras dela seriam completamente destruídas ( Is 17:10 -11). Dos filhos de Jacó sobreviverá somente os ‘rabiscos’ ( Is 17:6 ), antes da vinda do Messias para salva-los do bramido dos mares ( Is 17:12 -13 ; Sl 46:3 ).

O profeta Isaias, ao pronunciar o juízo que virá sobre Israel, fez referência às cidades de Israel como ‘cidade elevada’, ‘cidade fortificada’, ‘cidade vazia’, ‘cidade jubilosa’, etc. “Porque ele abate os que habitam no alto, na cidade elevada; humilha-a, humilha-a até ao chão, e derruba-a até ao pó” ( Is 26:5 ; Is 27:10 ; Is 24:10 ; Is 32:13 ).

Isaias descreve os habitantes da cidade como absortos pelo vinho, cambaleiam, mas não de bebia forte ( Is 28:7 ; Is 29:9 ). Os filhos de José (Efraim) descritos como bêbados aponta para o dia da vingança de Deus ( Is 27:2 ),  dia que antecede o castigo que abaterá a serpente veloz e deslizante (leviatã) com a dura espada (juízo) e exterminará o dragão que está no mar ( Is 27:1 ).

O dragão que está no mar é Satanás, a antiga serpente ( Ap 12:9 ), e é Ele que inflamará a besta contra a ‘grande cidade’ para destruí-la e perseguirá até o deserto a mulher (Israel) que deu à luz o Filho varão – Jesus ( Ap 12:13 ; Is 43:20 ).

Como o dragão tem grande ira contra a mulher e propôs fazer guerra contra o remanescente da semente ( Ap 12:17 ; Ap 6:13 ), Satanás franqueou, através de sinais e prodígios de mentira, força e autoridade à besta que subiu do mar ( Ap 13:1 ; 2Ts 2:9 ).

Após destruir a grande cidade, o mostro marinho (besta) perseguirá o remanescente da semente, selando o seu fim, pois será destruído através da dura espada do Senhor. Lembrando que a grande prostituta está assentada sobre muitas águas ( Ap 17:1 e 15), e que as muitas águas, nesta visão, significa povos, nações, tribos, e como a besta domina sobre as águas, dai o nome monstro marinho.

A meretriz, confiada em suas riquezas, assentou-se sobre a besta destinada por Deus à destruição, mas antes que a besta seja destruída, ela se insurgirá contra a meretriz para devorá-la.

A visão mostra que Satanás preparará todo um cenário para que a prostituta tenha a falsa sensação de que é rainha ( Ap 18:7 ). Através da besta, Satanás franqueará à meretriz domínio sobre povos, nações e tribos, domínio este angariado através de sinais e prodígios de mentiras. Quando a meretriz estiver sentindo-se em paz e segurança pela ilusão de ser rainha, a besta se levantará juntamente com dez reis e a deixarão desolada e nua.

  • “E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta” ( Ap 17:12 );
  • “E os dez chifres que viste na besta são os que odiarão a prostituta, e a colocarão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo” ( Ap 17:16 )

A punição da ‘grande cidade’ será a desolação, o abandono. As vestes suntuosas que identificavam a meretriz como rainha, bem como seus adornos, serão substituídas pela vergonha da nudez por causa do vinho da ira de Deus. Os seus habitantes serão mortos (comerão a sua carne) e reduzidos a cinzas (humilhada).

A desolação da ‘grande cidade’ que consta do verso 16 foi prevista pelo profeta Isaias e essa desolação antecederá a vinda do Messias e a conversão de Israel, como se lê: “Então disse eu: Até quando Senhor? E respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada. E o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo” ( Is 6:11 -12); “Demolida está a cidade vazia, todas as casas fecharam, ninguém pode entrar. Há lastimoso clamor nas ruas por falta do vinho; toda a alegria se escureceu, desterrou-se o gozo da terra. Na cidade só ficou a desolação, a porta ficou reduzida a ruínas. Porque assim será no interior da terra, e no meio destes povos, como a sacudidura da oliveira, e como os rabiscos, quando está acabada a vindima” ( Is 24:10 -13).

A ordem na palavra da profecia para que saia da grande cidade é semelhante à ordem que foi dada a Ló e a sua família: “E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas” ( Ap 18:4 ; Is 52:11 ), porque os que ficarem em Jerusalém serão mortos ( Zc 14:5 ).

Após Jerusalém beber do cálice da ira de Deus, o cálice será tirado dela e dado aos que a perseguiram, quando o Cristo manifestar-se e borrifar as nações da terra “Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão do SENHOR o cálice do seu furor; bebeste e sorveste os sedimentos do cálice do atordoamento. De todos os filhos que ela teve, nenhum há que a guie mansamente; e de todos os filhos que criou, nenhum há que a tome pela mão. Estas duas coisas te aconteceram; quem terá compaixão de ti? A assolação, e o quebrantamento, e a fome, e a espada! Por quem te consolarei? Os teus filhos já desmaiaram, jazem nas entradas de todos os caminhos, como o antílope na rede; cheios estão do furor do SENHOR e da repreensão do teu Deus. Portanto agora ouve isto, ó aflita, e embriagada, mas não de vinho. Assim diz o teu Senhor o SENHOR, e o teu Deus, que pleiteará a causa do seu povo: Eis que eu tomo da tua mão o cálice do atordoamento, os sedimentos do cálice do meu furor, nunca mais dele beberás. Porém, pô-lo-ei nas mãos dos que te entristeceram, que disseram à tua alma: Abaixa-te, e passaremos sobre ti; e tu puseste as tuas costas como chão, e como caminho, aos viandantes” ( Is 51:17 -23; Is 52:15 ).

 

A cidade que se fez meretriz

Através do profeta Isaias Deus fez a seguinte observação: “Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas” ( Is 1:21 ).

Como é possível uma cidade cheia de retidão, onde a justiça fez a sua habitação tornar-se promiscua? Causa espanto, admiração verificar que a cidade que se chamava fiel tenha homens de violência residindo nela.

Outra atalaia de Israel profetizou contra a cidade que se fez prostituta: “Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Cortai árvores, e levantai trincheiras contra Jerusalém; esta é a cidade que há de ser castigada, só opressão há no meio dela. Como a fonte produz as suas águas, assim ela produz a sua malícia; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há diante de mim continuamente. Corrige-te, ó Jerusalém, para que a minha alma não se aparte de ti, para que não te torne em assolação e terra não habitada” ( Jr 6:6 -8).

Quando nos deparamos com termos como violência, homicidas, meretriz, etc., a primeira ideia que vem a mente são questões de ordem moral e comportamental. Como é possível um povo extremamente religioso se deixar levar por comportamentos tão perniciosos?

Mas, se observarmos os provérbios, vê-se que a violência que Deus protesta contra os filhos de Israel não é de cunho comportamental, antes está atrelado a boca, ou seja, a doutrina que professavam. Observe: “Bênçãos há sobre a cabeça do justo, mas a violência cobre a boca dos perversos” ( Pv 10:6 ); “A boca do justo é fonte de vida, mas a violência cobre a boca dos perversos” ( Pv 10:11 ).

A religiosidade, o formalismo, o legalismo, o ritualismo, os sacrifícios, etc., era o que produzia violência diante de Deus, pois substituir a palavra de Deus por mandamento de homens produz morte, e não vida “Lembrai-vos disto, e considerai; trazei-o à memória, ó prevaricadores” ( Is 46:8 ); “Como o prevaricar, e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” ( Is 59:13 ); “Do fruto da boca cada um comerá o bem, mas a alma dos prevaricadores comerá a violência” ( Pv 13:2 ).

Os judeus eram zelosos da lei, mas não com entendimento “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento” ( Rm 10:2 ). Eles tinham tanto zelo que não permitiam que as filhas do povo de Israel trouxessem ao templo oferta proveniente de prostituição, porém, não atinavam que os sacrifícios e oferendas que traziam ao templo era proveniente de prostituição, pois era filhos de prostituição e não de Deus “Mas chegai-vos aqui, vós os filhos da agoureira, descendência adulterina, e de prostituição” ( Is 57:3 ; Dt 31:16 ; Jr 5:21 e 23).

Os judeus estabeleciam preceitos sobre preceitos, inúmeros mandamentos de homens, uma religiosidade ritualista, formalista, doutrinas segundo o devaneio dos seus corações, além dos declaradamente idolatras “Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do SENHOR teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao SENHOR teu Deus” ( Dt 23:18 ).

Por serem filhos da agoureira, Deus não suportava os sacrifícios e as ofertas dos filhos de Israel, pois o que ofereciam era equivalente a oferta do salário de prostituta: abominação “Ai, nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás (…) Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer” ( Is 1:4 e 13 -14).

É por causa deste alerta que temos a observação paulina contra os judeus: “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?  Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” ( Rm 2:21 -24).

Esta era a crença dos judeus: “Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus” ( Jo 8:41 ), mas esta era a condição deles diante de Deus: “Já vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, Jerusalém! Até quando ainda não te purificarás?” ( Jr 13:27 ).

Embora os profetas demonstrassem continuamente que os filhos de Jacó eram filhos de prostituição, eles se arrogavam no direito de serem chamados filhos de Abraão. Jesus claramente acusou os escribas e fariseus de filhos do diabo “Vós tendes por pai ao diabo…” ( Jo 8:44 ), pois não aceitavam a Cristo, a verdade encarnada. Preferiram a mentira que os seus corações enganados aprenderam dos prevaricadores, homens que cuidavam da lei, mas não conheciam a Deus ( Jr 2:8 ; Is 46:8 ; Is 59:13 ).

O livro de Provérbios foi escrito para que possamos compreender os adágios, os símiles, as parábolas e os enigmas ( Pv 1:6 ).

O livro apresenta vários provérbios que instrui o filho para não se deixar levar pela mulher adultera ( Pv 5:3 ). Quem é esta mulher? A descrição da mulher adultera é surpreendente e causa admiração, assim como o evangelista João ficou admirado quando viu que a meretriz estava embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus ( Ap 17:6 ). Observe:

“O bom siso te guardará e a inteligência te conservará; Para te afastar do mau caminho, e do homem que fala coisas perversas; Dos que deixam as veredas da retidão, para andarem pelos caminhos escusos; Que se alegram de fazer mal, e folgam com as perversidades dos maus, Cujas veredas são tortuosas e que se desviam nos seus caminhos; Para te afastar da mulher estranha, sim da estranha que lisonjeia com suas palavras; Que deixa o guia da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus; Porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas para os mortos. Todos os que se dirigem a ela não voltarão e não atinarão com as veredas da vida” ( Pv 2:11 -19).

Se observarmos o livro dos Provérbios segundo as premissas da sabedoria humana, vemos que o ensino do pai afastará o filho obediente do homem mau que fala coisas perversas e da mulher adúltera. Mas, a informação que a ‘mulher adultera’ deixou o guia da sua mocidade e se esqueceu da aliança do seu Deus, nos confere respostas que provocam admiração.

  • Quem é esta mulher adultera?
  • Quem são os homens maus?
  • Por que a mulher adultera trás sacrifícios pacíficos consigo? ( Pv 7:14 )

A mulher adultera que deixou o Guia da sua mocidade e se esqueceu da aliança do seu Deus é uma alegoria à cidade de Israel, e os homens maus que falam perversidade que ‘entram’ a ela são os religiosos em Israel, pois os que ‘entram’ a ela são homens violentos, perversos e maus “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ).

A nação tornou-se promiscua ( Os 2:1 -5), conforme a descrição que se segue:

“E eis que uma mulher lhe saiu ao encontro com enfeites de prostituta, e astúcia de coração. Estava alvoroçada e irrequieta; não paravam em sua casa os seus pés. Foi para fora, depois pelas ruas, e ia espreitando por todos os cantos; E chegou-se para ele e o beijou. Com face impudente lhe disse: Sacrifícios pacíficos tenho comigo; hoje paguei os meus votos. Por isto saí ao teu encontro a buscar diligentemente a tua face, e te achei. Já cobri a minha cama com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas, com linho fino do Egito. Já perfumei o meu leito com mirra, aloés e canela. Vem, saciemo-nos de amores até à manhã; alegremo-nos com amores. Porque o marido não está em casa; foi fazer uma longa viagem;  Levou na sua mão um saquitel de dinheiro; voltará para casa só no dia marcado Assim, o seduziu com palavras muito suaves e o persuadiu com as lisonjas dos seus lábios. E ele logo a segue, como o boi que vai para o matadouro, e como vai o insensato para o castigo das prisões; Até que a flecha lhe atravesse o fígado; ou como a ave que se apressa para o laço, e não sabe que está armado contra a sua vida. Agora pois, filhos, dai-me ouvidos, e estai atentos às palavras da minha boca. Não se desvie para os caminhos dela o teu coração, e não te deixes perder nas suas veredas. Porque a muitos feridos derrubou; e são muitíssimos os que por causa dela foram mortos. A sua casa é caminho do inferno que desce para as câmaras da morte” ( Pv 7:10 -27 ).

O provérbio que fala da mulher prostituta é uma descrição perfeita da cidade de Israel que, apesar de os seus moradores oferecerem sacrifícios e pagar os seus votos é um povo pérfido “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós” ( Mt 23:15 ).

A mulher descrita no livro dos Provérbios possui uma característica que a distingue das meretrizes, pois é ela que oferece benefícios a qualquer que passa. Em lugar de ser convidada por preço: – ‘Vem, deita-te comigo e te darei o teu preço’, ela faz o contrario: nada exige e mostra o que possui a fim de aliciar os seus amantes.

Vale salientar que o livro de Provérbios contém instruções específicas de Deus para o seu Filho, Jesus Cristo, aconselhando-o para não seguir o caminho indicado pela ‘mulher adultera’ (Israel) e seus filhos: geração de adúlteros ( Pv 5:3 -7; Pv 7:14 ; Pv 9:13 ).

Invariavelmente o termo ‘meretriz’ é aplicado às cidades dos filhos de Jacó, e o termo ‘amantes’ às nações vizinhas que Israel buscava proteção militar através de alianças políticas “Todos os teus amantes se esqueceram de ti, e não perguntam por ti; porque te feri com ferida de inimigo, e com castigo de quem é cruel, pela grandeza da tua maldade e multidão de teus pecados” ( Jr 30:14 ).

A única nação que Deus tomou por sua ‘mulher’ foi a nação de Israel, portanto, seria contra senso cobrar fidelidade das outras nações sem haver uma aliança, ou  denomina-las infiéis ou prostitutas.

A condição da cidade de Jerusalém é diferente das cidades das nações vizinhas desde a sua origem. O ‘nascimento’ da cidade de Jerusalém foi descrita por Deus através de uma alegoria, comparando a cidade a uma criança que, logo após o nascimento, foi abandonada à própria sorte no deserto ( Ez 16:1 ).

O cuidado do Senhor fez com que aquela ‘criança’ se tornasse uma ‘mulher’ formosa, e no tempo determinado, Deus fez aliança com ela sob juramento, de modo que a cidade passou a pertencer Lhe ( Ez 16:8 ).

A cidade foi adornada e chegou à realeza, porém, a perfeição, a formosura e a fama dela atraíram os gentios. Jerusalém, por sua vez, confiou na sua formosura e esqueceu-se da aliança da sua mocidade “AI da rebelde e contaminada, da cidade opressora!” ( Sf 3:1 ; Pv 2:16 -17).

A cidade de Jerusalém passou a ser descrita como uma mulher promiscua e que saía no encalço de todos quantos passavam e se prostituía “E correu de ti a tua fama entre os gentios, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor DEUS. Mas confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama, e prostituías-te a todo o que passava, para seres dele. E tomaste dos teus vestidos, e fizeste lugares altos pintados de diversas cores, e te prostituíste sobre eles, como nunca sucedera, nem sucederá” ( Ez 16:14 -16).

Por causa das prostituições dos filhos de Israel, por intermédio de Ezequiel Deus estabeleceu outra alegoria: duas mulheres, filhas de uma mesma mãe: Oolá e Oolibá, sendo elas respectivamente as cidades de Samaria e Jerusalém “Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma mesma mãe. Estas se prostituíram no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus seios, e ali foram apalpados os seios da sua virgindade. E os seus nomes eram: Aolá, a mais velha, e Aolibá, sua irmã; e foram minhas, e tiveram filhos e filhas; e, quanto aos seus nomes, Samaria é Aolá, e Jerusalém é Aolibá” ( Ez 23:2 -4 ; Js 24:14 ).

A grande meretriz do Apocalipse que será apenada a ficar desolada é uma alegoria que faz referência ao local de habitação da nação rebelde que deixou o Deus da sua mocidade e passou a se suster da imundície das suas prostituições. Desde a antiguidade a nação de Israel é descrito como uma mulher desavergonhada que se vendia sem nada cobrar a qualquer estrangeiro que passasse “Mas confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama, e prostituías-te a todo o que passava, para seres dele” ( Ez 16:15 ); “Foste como a mulher adúltera que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos. A todas as meretrizes dão paga, mas tu dás os teus presentes a todos os teus amantes; e lhes dás presentes, para que venham a ti de todas as partes, pelas tuas prostituições. Assim que contigo sucede o contrário das outras mulheres nas tuas prostituições, pois ninguém te procura para prostituição; porque, dando tu a paga, e a ti não sendo dada a paga, fazes o contrário” ( Ez 16:32 -34).

Deus compara a casa de Israel a uma mulher que deixa o seu marido e recebe os estranhos, ou seja, a nação deixou de confiar em Deus e passou a confiar nas alianças politica que faziam com as nações vizinhas (outeiros e montanhas), como se lê: “Deveras, como a mulher se aparta aleivosamente do seu marido, assim aleivosamente te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o SENHOR. Nos lugares altos se ouviu uma voz, pranto e súplicas dos filhos de Israel; porquanto perverteram o seu caminho, e se esqueceram do SENHOR seu Deus. Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões. Eis-nos aqui, vimos a ti; porque tu és o SENHOR nosso Deus. Certamente em vão se confia nos outeiros e na multidão das montanhas; deveras no SENHOR nosso Deus está a salvação de Israel” ( Jr 3:20 -23).

A falta de compostura da cidade de Israel fez com que Deus enviasse diversas vicissitudes como pragas, guerras, secas, fome, roubos, etc., contra os seus habitantes, primeiro porque esta é uma consequência direta dos ciúmes (ira) do Senhor à vista das prostituições da cidade e, em segundo lugar, porque este era o indicativo de que Deus esperava que os filhos de Jacó diante das vicissitudes se voltassem para Ele ( Dt 4:25 -31).

O profeta Jeremias chegou a profetizar que Israel tinha posicionamento de prostituta, mas que não queria passar a vergonha decorrente de suas ações “ELES dizem: Se um homem despedir sua mulher, e ela o deixar, e se ajuntar a outro homem, porventura tornará ele outra vez para ela? Não se poluirá de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas ainda assim, torna para mim, diz o SENHOR.  Levanta os teus olhos aos altos, e vê: onde não te prostituíste? Nos caminhos te assentavas para eles, como o árabe no deserto; assim poluíste a terra com as tuas fornicações e com a tua malícia. Por isso foram retiradas as chuvas, e não houve chuva serôdia; mas tu tens a fronte de uma prostituta, e não queres ter vergonha” ( Jr 3:1 -3 ; Is 1:5 ).

Deus havia protestado através do profeta Moisés, dizendo: “E disse o SENHOR a Moisés: Eis que dormirás com teus pais; e este povo se levantará, e prostituir-se-á indo após os deuses estranhos na terra, para cujo meio vai, e me deixará, e anulará a minha aliança que tenho feito com ele” ( Dt 31:16 ).

Ao descrer de antemão quais seriam as abominações do povo de Israel, Deus também enumerou quais seriam as maldições que paulatinamente sobreviriam sobre a nação para que voltasse para o Senhor que a resgatou do Egito. As maldições foram estabelecidas por sinal e por maravilha, mas se não dessem ouvidos e não considerassem o motivo pelo qual estava passando pelas vicissitudes, a maldição persistiria até que o povo fosse destruído “E serão entre ti por sinal e por maravilha, como também entre a tua descendência para sempre” ( Dt 31:46 ).

O cântico de Moisés constitui-se um memorial para os filhos de Israel se lembrar de quem os resgatou do Egito. A acusação é grave: “Corromperam-se contra Ele…” ( Dt 32:5 ). Por causa da transgressão, Deus deixa claro que já não eram filhos, antes uma geração perversa e depravada. Deus achou o povo de Israel no deserto, cercou e protegeu ( Dt 32:10 ), mas, quando as cidades se fez grande, esqueceu-se de Deus e foi após outros deuses e provocaram a Sua ira ( Dt 32:16 ). O povo de Israel provocou o ciúmes de Deus com aquilo que não era Deus (ídolos), e a ira de Deus se deu com o aperto das nações vizinhas ( Dt 28:36 e 49).

Por causa das abominações dos filhos de Jacó, a nação de Israel foi denominada ‘povo de Sodoma’ e ‘povo de Gomorra’. No verso 9 fica nítido o motivo pelo qual foram chamados de Sodoma e Gomorra, pois se Deus não preservasse um remanescente, o povo de Israel seria como Sodoma e semelhante a Gomorra, ou seja, estariam destruídos, extintos: “Se o SENHOR dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra. Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra” ( Is 1:9 -10).

Ao fazer referência ao povo de Israel no capítulo 11, no verso 8 do livro de Apocalipse, foram empregados os seguintes nomes: ‘Sodoma’ e ‘Egito’, pois Israel é a ‘grande cidade’ do Apocalipse onde as duas testemunhas serão mortas ( Ap 11:8 ), e é o mesmo lugar no qual Jesus foi morto e crucificado “E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado” ( Ap 11:8 ; Lc 24:18 ).

Quando Deus nomeia as cidades de Israel de Sodoma e Gomorra fica implícito que as cidades seriam punidas à vista da prostituição, da promiscuidade, da rebeldia e da abominação do povo de Israel ( Is 1:13 ).

A nação de Israel só não foi de toda exterminada por causa da promessa que Deus fez aos pais, e também porque as nações que foram utilizadas como vara nas mãos de Deus para a punição se gloriariam dizendo que por sua própria força triunfaram sobre Israel ( Dt 32:27 ).

Por diversas vezes o povo de Israel foi perseguido pelos seus inimigos, e Deus lhes dava a oportunidade de se reconciliarem, mas não atentavam para a punição que Deus lhes imporia ( Dt 32:28 ). Como não quiseram atender, Deus entregou a nação de Israel ao cativeiro.

Se tivessem atentado para o anunciado pelos profetas, o povo veria que Deus instituiu os caldeus como vara da Sua ira ( Dt 28:49 -50). O que levou Deus destruir as cidades de Samaria e Jerusalém, deportando os que restaram dos filhos de Jacó para a Babilônia foi a apostasia do povo de Israel, pois não atentaram para a punição que os aguardava ( Dt 32:29 ).

É em função da infidelidade dos filhos de Jacó que Jerusalém haveria de ser destruída pelos povos vizinhos, conforme o profeta Daniel leu e abstraiu das profecias de Moisés “Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se para não obedecer à tua voz; por isso a maldição e o juramento, que estão escritos na lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós; porque pecamos contra ele” ( Dn 9:11 ).

Após a morte de Josué, o povo de Israel seguiu após outros deuses, como Baal e Astarote, de modo que a mão de Deus era contra eles para o mal, conforme o que Deus havia juramentado ( Jz 2:15 ). À época dos juízes, inúmeras vezes Deus estendeu as mãos a um povo rebelde e contradizente, de modo que os livrava de seus inimigos em redor ( Jz 2:1 ), mas bastava morrer o juiz que Deus levantara para a nação ir após outros deuses ( Jz 2:19 ).

Por causa da infidelidade de Israel, Deus não desalojou as nações vizinhas, de modo que as nações se tornaram uma prova, para verificar se a nação se disporia ou não a servir a Deus ( Jz 2:22 ).

Até hoje, os que leem a bíblia segundo uma visão humana, classificam a caldeia como inimiga do povo de Deus a ponto de demonizá-la, mas aqueles que veem segundo a revelação das Escrituras, entendem que os responsáveis pela deportação de Israel foram os próprios israelitas, ou seja, a deportação é a paga que o marido enciumado deu a mulher promiscua. Os próprios filhos de Jacó se privaram da herança prometida, de modo que foram postos por escabelo dos seus inimigos “Assim por ti mesmo te privarás da tua herança que te dei, e far-te-ei servir os teus inimigos, na terra que não conheces; porque o fogo que acendeste na minha ira arderá para sempre” ( Jr 17:4 ).

A Assíria foi uma vara na mão de Deus para punir a apostasia de Israel. Como a Assíria foi comissionada para roubar e despojar o povo de Israel segundo o estabelecido por Deus, a Assíria por sua vez sentiu-se poderosa a ponto de conquistar muitas nações, de modo que foi punida pela sua imaginação vã “Ai da Assíria, a vara da minha ira, porque a minha indignação é como bordão em suas mãos. Enviá-la-ei contra uma nação hipócrita, e contra o povo do meu furor lhe darei ordem, para que lhe roube a presa, e lhe tome o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas. Ainda que ele não cuide assim, nem o seu coração assim o imagine; antes no seu coração intenta destruir e desarraigar não poucas nações” ( Is 10:5 -7).

Observe que Deus anunciou de antemão que enviaria os Assírios contra uma nação hipócrita, ou seja, os israelitas. Embora não tivessem consciência (não sabiam) do papel que desempenhavam, os Assírios foram enviados para executar a indignação divina como vara de correção.

De igual modo Deus instituiu os babilônicos, sendo Nabucodonosor intitulado de ‘meu servo’, comissionado para punir a rebeldia da casa de Israel. Diante da invasão dos caldeus era para os filhos de Jacó se lembrarem do cântico de Moisés e das prescrições contidas na lei e se voltarem para Deus. No entanto, quanto mais eram castigados, mais eles se afastavam de Deus. Não consideravam as Escrituras como fez o profeta Daniel ( Dt 28:25 compare com Dn 9:11 ).

Quando os profetas protestavam contra os filhos de Israel, bastava eles se lembrarem do cântico de Moisés, ou das bênçãos e das maldições que contavam no livro do Deuteronômio, onde foi estabelecido que Deus enviaria nações que os levariam cativos “Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas” ( Hc 1:6 ); “Portanto assim diz o SENHOR: Eis que eu entrego esta cidade na mão dos caldeus, e na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e ele a tomará” ( Jr 32:28 ); “Porque assim diz o SENHOR: Eis que farei de ti um terror para ti mesmo, e para todos os teus amigos. Eles cairão à espada de seus inimigos, e teus olhos o verão. Entregarei todo o Judá na mão do rei de Babilônia; ele os levará presos a Babilônia, e feri-los-á à espada” ( Jr 20:4 ); “Eis que eu enviarei, e tomarei a todas as famílias do norte, diz o SENHOR, como também a Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo, e os trarei sobre esta terra, e sobre os seus moradores, e sobre todas estas nações em redor, e os destruirei totalmente, e farei que sejam objeto de espanto, e de assobio, e de perpétuas desolações” ( Jr 25:9 ).

O veredicto de Deus contra a nação de Israel era serem castigados e repreendidos pela malicia dos lideres e apostasia do povo A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão; sabe, pois, e vê, que mal e quão amargo é deixares ao SENHOR teu Deus, e não teres em ti o meu temor, diz o Senhor DEUS dos Exércitos” ( Jr 2:19 ).

Vale destacar que os filhos de Israel sempre foram dados aos sacrifícios, votos e ofertas, porém as ofertas e sacrifícios de Israel eram o mesmo que abominação diante de Deus, uma violência, pois a iniquidade do povo comprometia o que era ofertado ( Is 1:28 ).

A vinda do Messias foi uma nova oportunidade para a nação de Israel, mas o povo rejeitou o autor da vida. Como a nação rejeitou o Cristo, a nação também foi rejeitada, e, após o termino do tempo dos gentios, iniciará a última semana prevista por Daniel, momento que se cumprirá a revelação da prostituta assentada sobre a besta.

O evangelista João viu duas figuras: uma mulher grávida e uma meretriz ( Ap 12:2 ; Ap 17:1 ). A mulher vestida de sol representa a estabilidade da promessa feita aos pais ( Dt 9:5 ), já a meretriz refere-se aos filhos de Jacó que se mostraram aleivosos desde que foram arrancados do Egito, e com as suas abominações quebraram a aliança ( Dt 9:7 ).

Continua

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A escravidão da vontade

Analisaremos se é possível escravizar a vontade de um indivíduo, pois na história da humanidade verifica-se que, os escravos eram livres quanto a vontade, mesmo legalmente impossibilitado de ser livre.

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Pela graça sois salvos

Não há como negar: a salvação dos que creem no evangelho resulta do dom de Deus. O homem só crê em Deus porque primeiramente lhe foi anunciado Cristo, a palavra da fé ( Jo 3:27 ). A graça de Deus está na promessa estabelecida antes dos tempos dos séculos ( Tt 1:2 ), e que agora é anunciada a todos os homens. Sem a pregação deste dom não há como o homem crer “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ). Cristo é o nome pelo qual os homens são salvos, e para invocá-lo como salvador é necessário ao homem crer, porém, só é possível crer se ouvirem, sendo necessário haver quem pregue.


Como compreender a afirmação paulina “pela graça sois salvos”? Qual é a culpa daqueles que não alcançaram o dom de Deus?

O apóstolo Paulo informa que a graça de Deus se há manifestado salvadora a todos os homens “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens…” ( Tt 2:11 ), e informa também que Cristo é a fé que se havia de manifestar “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar ( Gl 3:23 ).

Estes dois versos complementam o que Paulo escreveu aos cristãos em Éfeso: “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (…) Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:5 e 8).

A graça que foi manifesta trazendo salvação a todos os homens é Cristo e, Cristo é a fé que se havia de manifestar! Quando compreendemos que Cristo é a graça e a manifesta, a explicação do apóstolo torna-se clara: Os homens são salvos por Cristo, pois não há outro nome pelo qual a humanidade deva ser salva ( At 4:12 ; At 15:11 ), visto que Ele é a fé que uma vez foi dada aos santos ( Jd 1:3 ).

Cristo, o Verbo encarnado, é o poder de Deus ( 1Co 1:24). Ele é a fé que havia de se manifestar. Ele é a ‘boas novas’ de salvação, a fé que os santos abraçaram.

Cristo é o tema do evangelho e, aos homens deve ser anunciado as ‘boas novas’, pois ela consiste no poder de Deus, que é salvação para todo que crê ( Rm 1:16 ).

Conclui-se que a melhor leitura de Efésios 2, verso 5 é: os homens são salvos por Cristo (graça), por meio do evangelho (fé), ou seja, o evangelho não vêm dos homens, veio de Deus “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:8 ); “O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu” ( Jo 3:27 ).

É por isso que Jesus fala da seguinte maneira com a samaritana: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” ( Jo 4:10 ). Ora, Cristo é o dom de Deus, a água viva que vem de Deus! Somente pelo dom de Deus o homem alcança a vida eterna “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” ( Rm 6:23 ).

A salvação em Cristo é universal, pois ele foi revelado trazendo salvação a todos os homens. Visto que todos pecaram e destituídos estavam da glória de Deus, Deus amou o mundo de tal maneira que, através de Cristo a barreira de inimizade entre Deus e os homens foi desfeita.

Não há como negar: a salvação dos que creem no evangelho resulta do dom de Deus. O homem só crê em Deus porque primeiramente lhe foi anunciado Cristo, a palavra da fé ( Jo 3:27 ). A graça de Deus está na promessa estabelecida antes dos tempos dos séculos ( Tt 1:2 ), e que agora é anunciada a todos os homens.

Sem a pregação deste dom não há como o homem crer “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ). Cristo é o nome pelo qual os homens são salvos, e para invocá-lo como salvador é necessário ao homem crer, porém, só é possível crer se ouvirem, sendo necessário haver quem pregue.

Mas, porque é necessário haver quem pregue? E se é necessário quem pregue, isto implica que há uma mensagem a ser anunciada, ou seja, através do verso 14 de Romanos 10, o apóstolo está demonstrando que a fé (crer) vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus ( Rm 10:17 ).

Para o homem crer é necessário que a palavra da fé seja anunciada “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos…” ( Rm 10:8 ), portanto, a fé como palavra não vem dos homens, antes diz do dom de Deus, que é Cristo ( Jo 3:27 ).

Por si só o homem jamais invoca ao Senhor ( Rm 3:11 ). Para que o homem possa invocar a Deus é necessário ter ouvido a seguinte pregação: “Todo aquele que nele crer não será confundido” ( Rm 10:11 ). A palavra d’Aquele que é fiel e imutável é o que produz confiança (fé) no homem, ou seja, “… de sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” ( Rm 10:17 ).

O homem jamais se lança a confiar em Deus sem antes ter ouvido a sua palavra. O apóstolo Pedro só andou sobre as águas quando ouviu a palavra de Cristo, que lhe disse: vem! ( Mt 14:29 ). O homem só vem a Deus quando ouve a palavra de Deus, que é a palavra da fé! ( Jo 5:24 ).

Ora, a salvação do crente é obra de Deus operada por intermédio da sua palavra encarnada, e homem algum pode alcançá-la sem a palavra da fé. Sem Cristo não há salvação! “Pela fé no nome de Jesus, este homem a quem vedes e conheceis foi fortalecido. Foi a fé que vem pelo nome de Jesus que deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde” ( At 3:16 ).

O estado de perdição do pecador não é resultado de uma escolha pessoal. A perdição se deu por um único homem que pecou, e por ele todos pecaram. De todos os homens que vem ao mundo, ninguém escolheu ser pecador, porém, por ter sido gerado segundo a carne de Adão, é pecador.

Por causa de Adão veio o juízo, a condenação e todos estão sob a mesma pena: perdição! ( Rm 5:18 ). De todos os homens, Adão foi o único que desfrutou de uma condição cômoda: ele nada precisava escolher! Porém, ele escolheu ofender a Deus, e por causa dele, todos os homens tornaram-se presos à consequência daquela escolha: mortos, separados da vida que há em Deus!

Todos os homens são livres para escolherem entre o bem e o mal, porém, com relação a condenação ninguém nasce livre. Todos quantos vêm ao mundo já nascem sob a condenação de Adão.

É neste contesto que a graça de Deus se manifesta, visto que é ofertada ao homem a oportunidade de decidir pela salvação: ‘entrai pela porta estreita’ ou, ‘necessário vos é nascer de novo’. Diferente do bem e do mal, com relação à perdição não há uma escolha. O homem não tem como decidir entre perdição e salvação! Por causa de Adão, o homem já está condenado e, agora, através das boas novas do evangelho, o homem precisa (é necessário) decidir-se pela salvação que se há manifestado a todos os homens.

Quando o homem se decide por ‘olhar’ para Deus; ou quando se decide por beber da água ofertada; ou quando o homem decide entrar pela porta estreita, o homem é salvo. Quando rejeita o evangelho, nada ocorre, pois o homem já está condenado “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” ( Jo 3:36 ).

Quando os ‘mortos’ em delitos e pecados, ou seja, as pessoas que estão ‘separadas da vida’ que há em Deus creem naquele que diz: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra” ( Is 45:22 ), passam a compartilhar da vida que há em Deus “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ).

Devemos ter em mente que o homem não é culpado por não crer. O homem sem Deus também não é culpado por ser pecador, ou por rejeitar a graça divina. Antes, o correto é dizer que pesa sobre ele uma condenação advinda da desobediência de Adão, que lhe impõe uma pena: alienação de Deus “Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos” ( Rm 5:15 ); “Na verdade, não serão confundidos os que esperam em ti; confundidos serão os que transgridem sem causa ( Sl 25:3 ).

A responsabilidade dita pessoal restringe-se as obras que os homens praticam e, que será alvo do julgamento que haverá no Grande Trono Branco, pois será julgamento de obras, porém, a condenação se deu no Éden. O dom gratuito é ofertado hoje a todos os homens em decorrência da perdição que se deu no passado, ou seja, quando o apóstolo disse que ‘pela graça sois salvos’, não disse que Deus escolheu alguns homens e rejeitou outros.

Quando se lê: ‘pela graça sois salvos’, a graça não se restringe somente a ideia de ‘favor imerecido’ ou de ‘dom não merecido’, como muitos pensam, antes a graça refere-se à pessoa de Cristo: a graça de Deus revelada.

Como cristãos, sabemos que não merecíamos tão grandioso amor, porém, devemos ter em mente que foi do agrado de Deus nos amar mesmo que isto implicasse no sofrimento de Cristo ( Is 53:10 ). Deus enfatiza o seu amor pela humanidade ao entregar o seu Filho em resgate de muitos, porém, em momento algum ele lança em rosto o fato de os homens não merecerem o seu favor.

Podemos ter em mente que não merecemos tamanho dom, porém a ênfase do evangelho não está na falta de mérito do homem, antes tem por base as virtudes de Deus. O pseudo evangelho que lança em rosto a falta de mérito do homem é paupérrimo, diferente do evangelho que enfatiza as virtudes daquele que nos chamou.

Enfatizar a falta de mérito do homem para dimensionar a graça de Deus soa como se Ele tive dó da humanidade, diferente do que foi demonstrado na cruz: amor que tudo suporta.

O apóstolo Paulo sabia qual era a sua condição anterior à salvação em Cristo, porém, as vezes que ele faz referência à sua antiga condição, a ênfase estava no amor de Deus e, não na falta de mérito do homem: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” ( Rm 5:8 ); “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal, mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna” ( 1Tm 1:15 -16).

Portanto, quando se lê acerca da graça de Deus, não é de bom tom enfatizar que se refere a um favor imerecido, como se Deus estivesse lançando em rosto a condição do homem, antes devemos demonstrar com quão grande amor Deus amou a humanidade ao nos conceder o evangelho, que é poder de Deus que faz dos homens filhos de Deus ( Jo 1:12 e Rm 1:16 ).

A salvação é dom porque Deus concedeu a abundância da graça a todos os homens sem distinção alguma ( Rm 5:17 ; Rm 10:12 ). Cristo é o dom de Deus porque ele foi derramado ricamente sobre os necessitados de espírito ( Tt 3:4 -7 ; Is 52:1 -3).

A questão de o homem não ter condições de conquistar a salvação por seus próprios méritos é secundária quando se aborda o dom de Deus. O motivo pelo qual Deus quis salvar os homens centra no seu grande amor e não na incapacidade do homem.

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Como Deus sendo justo justifica o ímpio?

Todos os questionamentos surgem porque falta a compreensão de como se dá a justiça de Deus. Como Deus justifica o ímpio ( Rm 3:26 ), se Ele mesmo afirmou que jamais justifica o ímpio ( Ex 23:7 ). Se é reto que a justiça condene o culpado, um juiz que absolve ou justifique o injusto não age injustamente?


Uma das inestimáveis doutrinas do Cristianismo é a justificação. Tal doutrina foi abordada pelo apóstolo Paulo quando escreveu aos cristãos em Roma, porém, é mal compreendida por muitos cristãos.

A incompreensão da doutrina da justificação é nítida desde os primeiros pais da igreja e, assim continuou no período da Idade Média.

Com o advento da reforma, muitos pensam que houve um retorno aos princípios do evangelho e, que daí por diante o conceito de justificação é o mesmo exposto pelos apóstolos. Grande equivoco!

Quanto ao sentido do termo traduzido por ‘justificar’ no Antigo Testamento, na sua maioria o erro decorre da conotação moral e ética que atribuem ao termo. Porém, a vertente mais perniciosa é aquela que vê no termo aspectos forense, como quando uma pessoa comparece perante um tribunal e é declarada judicialmente justa por ter uma vida coerente com as exigências legais, pois o sentido neotestamentário do termo “justificar” não guarda relação com a justiça dos tribunais, pois a justiça de Deus se dá através do seu poder.

O apóstolo Paulo é claro ao dizer que o evangelho de Cristo é poder de Deus para salvação de todo o que crê, pois no poder de Deus se descobre a justiça de Deus ( Rm 1:16 -17). Jesus ao curar um paralítico disse: “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:24 ). Ou seja, a justificação se dá pelo poder de Deus, sem qualquer referencia a um tribunal.

A justiça forense não justifica os réus, somente emitem uma sentença de que aquela pessoa é inocente ou culpada, o que é diferente de declarar alguém justo. Num tribunal verifica-se somente uma conduta isolada, ou seja, não se analisa a vida de quem é julgado, o que inviabiliza declarar alguém justo ou injusto.

Ao pensarmos em um tribunal divino, temos que considerar que tal tribunal foi estabelecido no Éden, quando Adão pecou. Naquele momento ele foi julgado e apenado com a morte, separação, alienação de Deus “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ).

Naquele evento todos os homens pecaram. Naquele ‘tribunal’ toda a humanidade tornou-se destituída da glória de Deus ( Rm 3:23 ; 1Co 15:22 ). Como a pena emitida no ‘tribunal’ do Éden poderia ser aplicada a Cristo se a pena não pode passar da pessoa do transgressor? Como a justiça de Cristo pode ser atribuída por Deus aos culpados?

Naquele tribunal houve uma única sentença: condenação!

E como uma pessoa condenada pode ser declarada justa por Deus se a justificação bíblica não é forense?

Por causa destas indagações, muitos teólogos, ao especular sobre a natureza da justificação consideram que o homem justificado não se torna justo, antes só é declarado justo. Ou seja, embora não seja justo, Deus faz uma declaração e trata tal homem como se fosse justo, mas que na realidade não é justo. Está é a teoria predominante nos meios acadêmicos que se firmou desde a reforma com Lutero.

Para os acadêmicos, tornar justo e declarar justo são afirmações distintas, ao afirmar que Deus declara o homem justo sem torná-lo justo.

É possível Deus verdadeiro declarar uma mentira? Não é injusto tratar o injusto como se fosse justo?

Mesmo que se considere que ser declarado justo não possui relação direta com ser justo, não se pode ignorar que a declaração procede de Deus que, além de ser justo, vela sobre a sua palavra para cumprir e, a sua palavra jamais volta vazia. Se Deus declarar justo o homem que não é justo comete injustiça, assim como também se mostra impotente para cumprir sua palavra, que seria inócua.

Portanto, em conformidade com Antigo Testamento, justificar implica na certeza de que a pessoa é inocente e, depois, declarar o que de fato é a verdade: que a pessoa é isenta de culpa, justa, que se porta conforme a lei. Se isto era exigido dos tribunais humanos que se dirá de Deus? ( Dt 25:1 )

Na Reforma protestante, Lutero procurou reafirmar um sentido forense para o termo ‘justificação’, considerando que a ‘justificação’ seria um ‘direito legal’ de se ter comunhão com Deus. Ele apresentou esta proposta para fugir da afirmação de que a justificação seria uma justiça infundida no homem. Mas, de onde tal direito ‘legal’ surgiu para que o homem lançasse mão dele?

Todos os questionamentos surgem porque falta a compreensão de como se dá a justiça de Deus. Como Deus justifica o ímpio ( Rm 3:26 ), se Ele mesmo afirmou que jamais justifica o ímpio ( Ex 23:7 ). Se é reto que a justiça condene o culpado, um juiz que absolve ou justifique o injusto não age injustamente?

Millard J. Erickson, em sua Introdução à Teologia sistemática, define que a justificação é um ato forense de imputação da justiça de Cristo ao crente’, mas que não é de fato uma infusão de santidade no indivíduo. Ele arremata dizendo que não é uma questão de tornar a pessoa justa ou de alterar a sua condição espiritual Erickson, Introdução a Teologia Sistemática, p. 409.

Neste mesmo sentido Scofield diz que o pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa… Scofield, Bíblia de Scofield com referencias, Rm 3:28, p. 1147.

O Dr. Emery H. Bancroft diz que o método da justificação é divino e não humano, visto que o homem só pode justificar o inocente e Deus justifica o culpado, sendo que ‘Deus justifica à base da misericórdia’ e o ‘homem justifica a base do mérito’. Por fim, ele alega que o homem precisa ser salvo do seu caráter, esquecendo-se que não foi o caráter que estabeleceu a alienação de Deus, mas o pecado. Bancroft, Teologia Elementar, p. 256.

Certo é que, quanto ao fundamento, a justificação tem por base a justiça de Cristo, pois o homem é incapaz de promover a sua justificação. Embora seja verdadeira a premissa de que Cristo se fez justiça para a humanidade, persiste a pergunta: como se processa a justiça de Deus ao justificar o injusto, sendo Ele absolutamente justo?

A resposta encontra-se no evangelho, ou seja, no poder de Deus.

A necessidade de justificação se deu a partir da queda de Adão. Com a desobediência de Adão o pecado entrou no mundo e a humanidade herdou uma natureza alienada de Deus, uma natureza separada e, consequentemente, toda a humanidade é injusta desde seu nascimento ( Sl 51:5 ; Sl 58:3 ; Gn 8:21 ).

A justiça é reta: a alma que pecar esta mesma morrerá ( Ez 18:20 ). De igual modo, a bíblia deixa claro que todos pecaram e foram destituídos de compartilhar da comunhão com Deus ( Rm 3:23 ). Neste sentido, todos devem ser assalariados com a morte, pois a pena não pode passar da pessoa do transgressor e Deus jamais declara o ímpio justo.

Embora Deus seja misericordioso, a sua justiça não tem por base a misericórdia, e sim o seu poder. Como a todos os homens está determinado morrerem uma só vez, vindo após isto o juízo de obras que se realizará diante do grande trono branco, juízo onde ninguém será justificado tendo em vista a condenação do Éden “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo…” ( Hb 9:27 ; Ap 20:12 -13 ), o evangelho é a providencia divina para que o homem seja apenado com Cristo, e não com o mundo.

Quando o homem crê em Cristo conforme o que as Escrituras dizem, naquele instante toma sobre si a própria cruz e segue após Cristo “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” ( Mt 10:38 ). Ao crer, o homem torna-se participante da carne e do sangue de Cristo, momento que lhe é comunicado as aflições, vitupérios e a morte de Cristo “Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte ( Fl 3:10 ).

Quem crê sai juntamente com Cristo ao arraial e leva sobre si o vitupério de Cristo, pois é crucificado e morto juntamente com Cristo “Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério ( Hb 13:13 ). Quando o homem é morto com Cristo, Deus executa justiça e, consequentemente a sua palavra, pois a alma que pecar esta mesma morrerá, ou seja, a penalidade não passa da pessoa do transgressor, pois quem está morto está justificado do pecado.

Quando o homem crê em Cristo, ou seja, admite (confissão) que Ele é o Filho do Deus vivo, é porque também admitiu (confissão) que é pecador. Neste instante o homem é crucificado, morre e é sepultado com Cristo “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte ( Rm 6:3 – 4).

Ou seja, a justiça exigida por Deus é estabelecida, pois a pena prevista não passa da pessoa do transgressor. Embora a morte física de Cristo tenha sido substitutiva, contudo a cruz, a morte e o sepultamento não o são, pois os que creem são participantes da circuncisão de Cristo, que é o despojar de toda a carne ( Cl 2:11 ).

Através da morte de Cristo, o homem culpado que surgiu através da semente de Adão é apenado com a morte, de sorte que Deus jamais justifica o ímpio. A alma que pecar, esta mesma morrerá e, através da morte com Cristo a determinação divina se concretiza. A ira divina requer juízo e a sua misericórdia não impede que esse juízo seja executado: o homem precisa morrer com Cristo.

É por isso que o apóstolo Paulo diz: “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 ), pois o velho homem foi crucificado, morto e sepultado conforme merecia. O homem gerado segundo a semente corruptível de Adão jamais receberá de Deus a declaração de justo. Deus jamais justifica o ímpio, pois ao ímpio não há paz, antes espada, morte.

Demonstramos que Deus é justo, agora falta demonstrar como Ele é justificador dos que creem em Cristo “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 ).

Quando o pecador morre com Cristo Deus é justo, quando ressurge um novo homem dentre os mortos com Cristo pelo poder de Deus, Deus é justificador! Sem contradição alguma! Justo e justificador é o Senhor!

No momento que é criado um novo homem, Deus o declara justo, livre de culpa, pois o novo homem é criado em perfeita justiça e santidade ( Ef 4:24 ). A velha criatura jamais é declarada justa, mas aqueles que recebem poder para serem feitos filhos, estes Deus os declara justos.

Quando Deus olha o homem ressurreto com Cristo, não precisa olhar para Cristo para declará-lo justo, visto que ao olhar para o cristão Deus vê um dos seus filhos, gerado segundo a palavra da verdade. Deus só declara justos os nascidos de novo e, para os de novo nascidos, eis que tudo se fez novo.

Quando Deus anuncia que jamais justifica o ímpio, temos que considerar que Ele se refere ao homem gerado de Adão. Quando lemos o apóstolo Paulo afirmando que Deus justifica o ímpio temos um novo contexto, pois ele faz referencia a fé que o ímpio professa “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 ).

A bíblia demonstra que Jesus ressurgiu para a nossa justificação “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação ( Rm 4:25 ), pois ao ressurgir com Cristo, o homem é criado justo e declarado justo, pois tal declaração implica em uma atestado divino de que a nova criatura em Cristo de fato foi criada em verdade e justiça , portanto, é justa.

Assim como o pecado de Adão foi imputado à humanidade por causa da semente corruptível, assim também a justiça de Cristo é imputada ao homem em decorrência da semente incorruptível, pois na regeneração os homens passam a ser participantes da natureza divina, sendo justos e perfeitos como o é o Pai celeste quando ressurgem dentre os mortos com Cristo ( Rm 1:4 ).

O meio pelo qual o homem se apropria da justificação é somente pela fé. Quando dizemos que é pela fé, não quero dizer com isso que é a crença do homem que opera tal obra, antes é a fé que havia de se manifestar, Cristo, o poder de Deus, o evangelho. Como já mencionamos. A justificação se dá em decorrência do poder de Deus, ou seja, basta confiar no poder de Deus contido no evangelho “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” ( Cl 2:12 ).

É por isso que Jesus perdoou os pecados do paralitico com base no seu poder, visto que a justificação se dá através do poder que trás à luz o novo homem, e não conforme muitos apregoam, de que a justificação se dá através de princípios forenses “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” ( Rm 9:21 ).

O mesmo poder que foi manifesto em Cristo ressuscitando-o dentre os mortos é o poder que opera naqueles que creem na força do poder de Deus, que é o evangelho. Todos quantos já ressurgiram são de fato justificados, pois além de serem declarados justos, também foram feitos justos “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1:19 -20 ; 1Co 1:18 e 24).

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Como Davi utilizou a palavra ‘justificação’

Através da citação do salmista Davi é possível dimensionar a extensão das expressões ‘justificar’ e ‘justificação’, resta que os cristãos deveriam considerar como sendo certa a morte deles com Cristo ( Rm 6:2 -3 e 7 e 11), e que, da mesma maneira é certa a justificação deles, visto que, aquele que está morto também está justificado.


Aplicação prática da palavra ‘Justificação’

A palavra ‘justificado’ é empregada pelo salmista Davi para dar a conhecer aos seus leitores que Deus é justo (justificado). Como o salmista sabe que Deus é justo, isto motiva o salmista a admitir a sua condição. Desta forma, verifica-se que a palavra ‘justificado’ (declarar justo) somente se aplica ao que é verdadeiro em essência.

Parece ser redundante, porém não é: Davi declara que Deus é justo porque Ele é verdadeiramente justo, e não por simplesmente o salmista entender que é deste modo.

O apóstolo Paulo ao declarar que ‘Deus é verdadeiro’ se fundamenta na declaração do rei Davi, ou seja, ao declararmos algo que diz respeito ao nosso Deus, temos plena consciência de que é a verdade, pois é o que a Escritura nos diz.

“Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro” ( Jo 3:33 )

Chegamos a um ponto crucial: se o apóstolo Paulo utiliza a palavra ‘justificado’ (declarar justo) para expressar algo a respeito dos cristãos, tal declaração também tem que ser verdadeira, ou seja, espelhar a realidade pertinente aos cristãos.

Não há como declarar que alguém está justificado sem que esta pessoa não é efetivamente justa, ou seja, os cristãos efetivamente morreram “Nós, que estamos mortos para o pecado…”, e foram declarados justos “… porque aquele que está morto está justificado do pecado”.

Quando o apóstolo Paulo escreve que os cristãos foram declarados justos, ele não faz referência a uma anistia, ou a uma absolvição, ou a uma concessão, ou a ter em conta ou a um faz de conta. Paulo faz referência a algo que é pleno de todo: aquele que está morto está justificado.

Quem não é cristão não faz jus a tal declaração, pois é certo que este não morreu para o pecado. É possível que alguma pessoa que não esteja inclusa no pronome da primeira pessoa do plural de Romanos seis, verso dois ‘Nós…’ ( Rm 6:2 ), receba a declaração de que é justa? Não! Por quê? Porque esta pessoa não esta morta para o pecado!

Quem não está morto para o pecado não pode ser justificado (declarado justo), pois tal afirmação não seria verdadeira.

Não há como aplicar a palavra ‘justificado’ a quem não morreu, visto que todo aquele que é nascido da carne, não é verdadeiro “… e todo o homem mentiroso como está escrito” ( Rm 3:4 ).

Todos os homens nascidos de Adão não são verdadeiros, porém Deus é verdadeiro.

A condição daquele que não esta em Cristo é mentira, em contrate com Deus, que é verdadeiro “Mas, se por causa da minha mentira sobressai a verdade de Deus para a sua glória…” ( Rm 3:7 ).

Ao citar o salmo 51, verso 4, o apóstolo Paulo estabelece o parâmetro necessário para compreendermos a extensão da palavra ‘justificar’ quando ela é empregada por ele.

O apóstolo Paulo só utiliza a palavra ‘justificar’ para algo que é categoricamente verdadeiro. Se houvesse uma sombra de dúvida, ou uma possibilidade daquele que está morto não estar justificado perante Deus, então Paulo não utilizaria a palavra ‘justificar’.

É certo que ‘justificar’ não se refere a uma conduta divina condescendente em declarar um injusto como sendo alguém justo.

É possível a Deus, que é verdadeiro, declarar justa uma pessoa não justa? Concluiremos de outro modo: Deus não justifica aquele que está vivo para o pecado.

Já que, através da citação do salmista Davi é possível dimensionar a extensão das expressões ‘justificar’ e ‘justificação’, resta que os cristãos deveriam considerar como sendo certa a morte deles com Cristo ( Rm 6:2 -3 e 7 e 11), e que, da mesma maneira é certa a justificação deles, visto que, aquele que está morto também está justificado.

Se Paulo recomenda aos cristãos que assumam efetivamente a condição de mortos para o pecado ( Rm 6:11 ), é porque precisavam estar cônscios de que estavam plenamente justificados perante Deus “Sendo, pois, justificados pela fé…” ( Rm 5:1 ).

Os cristãos são justos perante Deus pelos seguintes motivos:

a) É Deus quem nos justifica “É Deus quem os justifica” ( Rm 8:32 );

b) Temos paz com Deus, evidência real de que fomos justificados pela fé “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( Rm 5:1 ), e;

c) Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, pois fomos plenamente justificados “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus…” ( Rm 8:1 ).

Não está justificado aquele que pesa sobre ele condenação. Não está justificado aquele que ainda está em inimizade com Deus. Não está justificado aquele que não confia em Deus, que pode justificá-lo.

Se uma pessoa não crê no que Deus já lhe providenciou salvação gratuita, resta que esta pessoa não crê em Cristo Jesus, pois todas estas bênçãos foram providenciadas na cruz.

O apóstolo demonstra que só é justificado aquele que está efetivamente morto para o pecado, e recomenda aos cristãos que se conscientizassem de tal condição ( Rm 6:11 ).

Só aqueles que foram crucificados com Cristo, plantados com Ele, sepultados pelo batismo na morte e que ressurgiram com Ele, é que são justificados.

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Para que Deus seja justo

Quando Paulo diz que todos pecaram, ele aponta para o pecado de Adão que atingiu toda a humanidade ( Rm 5:12 ). Através da desobediência de um só homem (Adão), veio o juízo e a condenação sobre todos os homens, e estes foram feitos pecadores (toda a humanidade) ( Rm 5:19 ); Da mesma forma, pela ofensa de Adão veio o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos estão condenados “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).


Para que Ele seja Justo

A Justiça de Deus é de fé (evangelho) e pela fé (confiança) em Cristo, para todos, sem distinção alguma, pois todos pecaram. Deus trouxe salvação poderosa a toda humanidade, visto que todos pecaram.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 )

Sabemos que Deus é justo, pois:

a) não faz acepção de pessoas, e;

b) Deus providenciou salvação para todos os homens, sem distinção (judeus e gentios) “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 ).

Quando Paulo diz que todos pecaram, ele aponta para o pecado de Adão que atingiu toda a humanidade ( Rm 5:12 ). Através da desobediência de um só homem (Adão), veio o juízo e a condenação sobre todos os homens, e estes foram feitos pecadores (toda a humanidade) ( Rm 5:19 ); Da mesma forma, pela ofensa de Adão veio o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos estão condenados “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).

Observe que o juízo já foi realizado e está estabelecido sobre todos os homens para a condenação, visto que, aquele que não crê em Cristo, já está condenado, sem distinção, pois Deus não faz acepção de pessoas ( Jo 3:18 ).

Quando o juízo de Deus foi estabelecido em Adão, todos os homens morreram para Deus e passaram a viver para o mundo. A lei e o juízo foram estabelecidos em Adão: “…certamente morrerás” ( Gn 2:17 ), e o homem morreu para Deus “O juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para a condenação…” ( Rm 5:16 ), passando a viver para o mundo.

Os homens passaram a viver em inimizade com Deus e em amizade com o mundo ( Tg 4:4 )!

Como os homens vivem para o mundo (estão em inimizade com Deus), para voltarem a ter amizade com Deus, todos precisam morrer para o pecado.

Deus é justo, pois providenciou justiça gratuita a todos os homens por meio de sua graça. A graça de Deus está na redenção que há em Cristo Jesus.

A graça de Deus redime o homem, fazendo com que aqueles que a aceitem os sacrifícios de Cristo sejam reabilitados a glória de Deus. Como o homem foi destituído da glória de Deus, a redenção que há em Cristo reabilita o homem a receber o que se perdeu em Adão.

Como Deus é justo ( Rm 3:26 ), Ele propôs a Jesus Cristo como propiciação por meio da fé (como é por fé (evangelho), todos os homens têm livre acesso a Deus por Cristo). Ou seja, para que Deus demonstrasse o seu favor ao pecador, foi necessário que Cristo derramasse o seu sangue.

Sem o sangue de Cristo era impossível Deus ser favorável ao pecador, visto que, a justiça de Deus exige que o transgressor não seja absolvido, mas que receba o estabelecido na condenação: morte.

Diante da justiça em Deus nenhuma transgressão pode passar impune. A pena instituída pela lei nunca poderá passar da pessoa que cometeu a transgressão. Sendo Deus justo, não pode absolver o culpado. O culpado não pode ser tido por inocente.

Outra característica da justiça está na lei. A lei obriga tanto quem tem o dever de obedecer, tanto a quem a estabeleceu. Se o homem viver a altura da lei, Deus o justificará, mas se não conseguir, ele é sujeito da pena estabelecida “Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados” ( Rm 2:13 ).

Diante deste entrave fica claro que Deus justo não poderia justificar o pecador. Por causa deste entrave o apóstolo Paulo escreveu: “…para que Deus seja justo…”, Ele demonstrou a sua justiça pela remissão dos pecados que antes foram cometidos sob a tolerância de Deus.

Como se dá essa remissão? Como Deus justo justifica o pecador? Como Deus é justo e justificador ao mesmo tempo?

A justiça de Deus determina que:

  • o transgressor não seja tido por inocente;
  • que a alma que pecar, esta deve morrer, e;
  • que a pena não pode passar da pessoa do transgressor.

Através da propiciação em Cristo, Deus satisfaz a sua justiça, visto que as proposições que citamos anteriormente são plenamente satisfeitas.

Quando o apóstolo Paulo escreveu “… para que Deus seja Justo…”, tinha plena certeza de que Deus satisfez o que é exigido pela sua justiça, retidão e santidade.

  • Deus não tem o culpado por inocente ( Na 1:3 );

É certo, é pertinente à justiça, que o culpado não seja tido por inocente. Ao culpado só cabe a pena quando do descumprimento da lei.

Mesmo que haja uma anistia ampla e irrestrita concedida a quem descumpriu a lei, o culpado não será tido como inocente. A anistia livra o culpado da pena, porém o culpado sempre será culpado perante a lei: não há como declarar um anistiado justificado.

  • Imputar justiça de outrem no culpado não o torna inocente;

Tão certa é esta verdade que tal concepção não resiste aos versículos seguintes: “O filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” ( Ez 18:20 ).

Não há como imputar ao ímpio a justiça do justo, porque a determinação divina é: ao ímpio só cabe a sua impiedade e a justiça do justo somente a ele.

Como a justiça de Cristo passa aos homens?

Ao culpado não cabe a vida, pois segundo o que Deus estabeleceu a alma que pecar, esta receberá a pena capital (morte).

Não há como o culpado ser tido por inocente por meio de um decreto soberano. Não há como ter o culpado por inocente hoje e aguardar que está condição efetive no futuro.

Qual o tratamento que deva ter o culpado para que Deus seja justo e justificador?

A justiça de Deus se manifesta em Cristo: “Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença” ( Rm 3:22 ).

Deus instituiu a sua justiça pela fé (evangelho) em Cristo. Ou seja, o culpado (aquele que não pode ser tido por inocente), quando crê em Cristo, recebe o que está determinado na lei: morre com Cristo.

O culpado quando crê em Cristo é porque sente as suas misérias. Sente que é culpado, e que só lhe resta à morte. Ao reconhecer os seus próprios erros e que está condenado, o culpado louva e declara a justiça de Deus ( Rm 3:4 ).

Quando o culpado crê em Cristo, se conforma com Cristo na sua morte, e ao morrer com Cristo, tal ato demonstra que Deus é justo e qual a base da sua justiça. Por isso aquele que crê pode declarar: “Já estou crucificado com Cristo…” ( Gl 2:20 ); “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte” ( Rm 6:4 ).

Deus não tem o culpado por inocente, e todos os que creem em Cristo são crucificados e a justiça de Deus se cumpre. Isto porque “…se um morreu por todos, logo todos morreram” ( 2Co 5:14 ).

Sem contradição alguma: O culpado ao ter um encontro com a cruz de Cristo, recebe o estipulado pela justiça divina, morre e é sepultado. Este velho homem é aniquilado por meio da cruz de Cristo, e nele a condenação em Adão se desfaz. Todos os erros cometidos até em tão, são lançados ao mar do esquecimento, ou cobertos (sepultados). Este é o novo e vivo caminho ( Hb 10:20 ).

Paulo faz referência ao passado dos cristãos sem Cristo como sendo ‘um outro tempo’, e que agora, em Cristo, há um novo tempo de paz e alegria “..noutro tempo…” ( Ef 2:2 -11 e Ef 5:8 ).

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O cristianismo e o julgamento final

Estes estudiosos chegam a afirmar que grande parte da cultura Persa foi adaptada e copiada pelos Judeus, e, que, grande parte do Antigo Testamento é Cópia do Zend-avesta, um livro sagrado dos Mazdeistas, seguidores de Zoroastro. Um dos mitos presente na maioria das civilizações e religiões é a do juízo final, sendo que Egípcios, Babilônicos, Persas, e outras civilizações acreditavam em um juízo final. As religiões apostam em um julgamento final, mas a Bíblia não apresenta a mesma ideia. O que a bíblia diz acerca deste tema? Haverá um julgamento final?


 

O que os homens dizem

A humanidade ao longo dos séculos acreditou em um Juízo final, mas, o que a Bíblia diz? Haverá mesmo um juízo final? O que será julgado em tal juízo?

Alguns estudiosos comparam a cultura judaico-cristã com outras culturas e alegam que o cristianismo e o judaísmo adotaram vários mitos provenientes de outras civilizações.

Estes estudiosos chegam a afirmar que grande parte da cultura Persa foi adaptada e copiada pelos Judeus, e, que, grande parte do Antigo Testamento é cópia do Zend-avesta, um livro sagrado dos Mazdeistas, seguidores de Zoroastro.

Um dos mitos presente na maioria das civilizações e religiões é a do juízo final, sendo que Egípcios, Babilônicos, Persas, e outras civilizações acreditavam em um juízo final.

As religiões apostam em um julgamento final, mas a Bíblia não apresenta a mesma ideia. O que a bíblia diz acerca deste tema? Haverá um julgamento final? Vejamos!

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação…” ( Rm 5:18 ).

A Bíblia é enfática ao demonstrar que o tal juízo final esperado pela humanidade já ocorreu no início da civilização humana. O julgamento da humanidade se deu em Adão e através dele uma condenação pesa sobre todos os homens.

 

O homem

Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Muitos questionam o que vem a ser a imagem e a semelhança que o homem adquiriu do seu Criador, visto que Deus é Espírito, e como tal, não possui partes ou substâncias tangíveis para que o homem fosse feito a Sua semelhança. Paulo esclarece este ponto: “… o qual (Adão) é a figura daquele que havia de vir (Jesus)” ( Rm 5:14 ), Adão foi agraciado com a figura de Cristo, o último Adão ( 1Co 15:45 ).

Adão também foi agraciado com a semelhança do seu Criador. Que semelhança? Intelectual? Moral? Não! A semelhança com o Criador não se fixa em elementos pertinentes a humanidade.

Antes, por Deus exercer domínio sobre o universo, ao homem foi dado por semelhança domínio sobre a face da terra “… domine ele (…) sobre toda a terra” ( Gn 1:26 ). Para exercer domínio sobre a terra, Adão foi agraciado com intelecto e livre-arbítrio.

Deus exerce domínio sobre todas as coisas e Adão, por semelhança, passou a exercer domínio sobre a terra. Deus é plena liberdade e Adão, por semelhança, foi agraciado com o livre-arbítrio. Deus é criador e o homem foi agraciado com a autonomia de poder trazer outro semelhante à existência através de sua própria vontade.

Nem mesmo os anjos, superiores em poder e glória, podem trazer à existência outro ser, que o homem, por semelhança ao seu Criador, traz ao mundo.

Com a ordenança divina surge um entrave: Adão não devia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Muitos vêem na determinação divina uma simples proibição. Porém, através da ordenança divina Adão adquiriu outra semelhança com o Criador. Vejamos:

Deus soberano é plenamente livre, porém, Ele não pode mentir, ou seja, Deus não pode negar-se a si mesmo, ou seja, atentar contra a Sua própria natureza. Deus jamais atentará contra a sua própria natureza ou existência, e ao ser instituída a ordenança no Jardim do Éden, Adão por semelhança foi instruído a não atentar contra a sua própria natureza.

Após a ordenança de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, Adão tornou-se semelhante ao seu Criador, visto que, não podia atentar contra a sua própria natureza: vida proveniente da comunhão com Deus.

Adão possuía plena liberdade, visto que podia comer de todas as árvores do jardim: “De toda a árvore do jardim comerás livremente…” ( Gn 2:16 ). Deus não impôs a necessidade de escolha, mas Adão possuía liberdade para escolher comer de toda árvore ou não. Ele não era obrigado a escolher nada. Se quisesses, viveria passivamente, sem fazer escolha alguma, e continuaria livre.

Adão era perfeito e habitava em um lugar perfeito. Posteriormente, o Jardim tornou-se o cenário do Tribunal onde a humanidade foi julgada e condenada.

 

 

A Regra

“…mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás, pois no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2: 17 ).

Deus é onipotente, porém não pode mentir ou negar-se a si mesmo ( 2Tm 2:13 ). Deus é fiel e justo. Se Deus mentisse, fosse infiel ou injusto, Ele deixaria de ser Deus: o Deus que conhecemos: santo, justo e bom. Esta mesma regra foi estabelecida por Deus ao homem.

O homem de posse de plena liberdade não podia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mesmo sendo livre e capaz, Adão não devia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Há certas coisas que Deus não pode fazer, e da mesma forma, por semelhança, foi demonstrado ao homem o que ele não podia fazer, visto que, comprometeria a sua própria natureza.

Deus podia intervir não deixando Adão exercer a sua livre vontade quando intentou comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus podia, mas não o fez, uma vez que Ele não voltar atrás em seus propósitos.

Adão podia comer de todas as árvores do jardim, mas no dia em que comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, neste dia haveria de morrer. De que morte Deus falou a Adão?

Como a regra foi instituída por Deus, o conceito de morte expressava uma ideia presente no próprio Deus e não segundo a concepção humana, que é voltar ao seio da terra.

O conceito de morte que a humanidade conhece foi instituída somente após a queda de Adão, quando Deus disse: “…és pó, e ao pó tornarás” ( Gn 3:19 ) (morte física). Quando foi dito que Adão certamente morreria, caso comesse da árvore do conhecimento, Deus não estava falando da volta do homem ao pó da terra (morte física), e sim da separação que se estabeleceria entre o homem e Deus, tornando o homem alienado da vida que há em Deus.

Após comer da árvore ‘proibida’, Adão deixou a condição de santo, justo e bom, e passou a estar separado do seu Criador. Deus é vida, e separado do seu Criador, que é santo, justo e bom em essência, Adão passou a condição de morto, ou seja, a sua natureza deixou de possuir as mesmas características da natureza do seu Criador.

 

A Ofensa, o Juízo e a Condenação

Adão desobedeceu ao Criador e comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão com capacidade plena para comer de todas às árvores do jardim escolheu justamente a árvore que lhe era vetada. Ele lançou mão do juízo e da condenação.

No instante em que Adão comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele abraçou um juízo, uma condenação e foi apenado: morreu! O que ocorreu com Adão passou a toda humanidade, e por isso a bíblia diz que ‘todos pecaram e destituídos estão de Deus’.

Paulo descreve o que ocorreu com a humanidade em conseqüência da ação de Adão: “O juízo veio de uma só ofensa, na verdade para condenação (…) Pois se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse (…) assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação (…) Pois como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores” ( Rm 5:16 -19 ; 1Co 15:21 -22).

Sobre a condição da humanidade Jesus disse: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado…” ( Jo 3:18 ), ou: “…tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:24 ).

Através destes versículos é possível perceber que o julgamento da humanidade se deu no passado. Todos os homens foram julgados e condenados em Adão. O juízo ‘final’, que muitos esperam, deu-se no início da história da humanidade e todos os homens nascem debaixo de condenação.

O posicionamento da bíblia difere em muito do que as nações e religiões pagãs anunciam. Não há paralelo no patrimônio histórico cultural da humanidade, ou uma similaridade entre o que as religiões do mundo acreditam e o posicionamento bíblico. Que cultura apresenta a humanidade como julgada e debaixo de condenação?

Enquanto muitos esperam comparecer perante um tribunal semelhante aos tribunais humanos, onde o conceito de justiça é segundo parâmetros de certo e errado, leis, moral, caráter, comportamento, que decorrem das ações praticadas no dia-a-dia. Enquanto a humanidade espera um julgamento por suas próprias ações individuais, a bíblia demonstra que toda a humanidade está condenada como conseqüência do ato de um único homem: Adão.

A bíblia apresenta uma única transgressão, um único juízo e uma condenação que se estende a humanidade.

Sobre este aspecto Davi disse: “Certamente em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” ( Sl 51:5 ). A sujeição ao pecado vem desde o nascimento do homem. Por conseguinte “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há se quer um” ( Sl 14:3 e Sl 53:3 ). Tal condição afeta o homem desde a madre: “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” ( Sl 58:3 ).

O profeta Isaías em seu livro descreve a condição dos homens retratando tal condição em seu povo ( Is 59 ).

Certamente que a humanidade já está julgada e pesa sobre ela uma condenação. Por isso o escritor aos Hebreus diz: “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?” ( Hb 2:3 ).

Somente o cristianismo apresenta a urgência da salvação para o dia que se chama ‘hoje’, visto que, os homens estão perdidos (condenados) em Adão. As religiões e a própria cultura da humanidade aponta o futuro na espera de uma decisão de que serão ou não condenados, porém, a bíblia demonstra que estão enfatuados em sua carnal compreensão.

O mito do juízo final presente na maioria das civilizações e religiões não resiste à verdade do evangelho, que demonstra que a humanidade está de baixo de condenação ( Jo 3:18 ), e que a salvação encontra-se em Cristo, o último Adão.

Haverá sim um juízo no futuro da humanidade, porém, este juízo será quanto às obras dos homens perdidos, que foram condenados em Adão.

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