Há mérito em crer em Cristo?

‘Crer’ decorre da ‘fé’, não o contrario. Arrependimento decorre da ‘fé’ (evangelho) e nunca a ‘fé’ do arrependimento. Sem a fé manifesta, que é Cristo, é impossível o homem arrepender-se e crer para a salvação. Sem o conhecimento de Deus, a mensagem do evangelho, não há no que o homem possa crer, que o livre da condenação. O homem pode crer em Deus, crer em anjos, crer em milagres, crer no impossível, etc., mas se não crer em Cristo, o dom de Deus, não será salvo (Jo 14:1).


“E seja achado nele, não tendo a minha justiça, que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé” (Fl 3:9)

A fé

Após ler o livro ‘Tudo de Graça’, do pregador Charles H. Spurgeon, no capítulo ‘Pela graça, mediante a fé’, deparei-me com o seguinte posicionamento:

“Que imensa é a graça de Deus! Quem poderá medir sua extensão? Quem poderá imaginar sua profundidade? Como os demais atributos divinos, ela é infinita. Deus é cheio de amor, pois “Deus é amor”! [1João 4.8]. Bondade e amor fazem parte da real essência do Deus triuno. Ele é todo bondade. Exatamente, porque Deus é misericordioso, que não somos todos destruídos. Lembre-se disso, ou você poderá cair em erro, fixando tanto a sua mente na fé, que é o meio da salvação e esquecendo-se da graça, fonte da própria fé.  Fé é obra da graça de Deus, em nós. Ninguém poderá dizer que Jesus é o Cristo, senão por obra do Espírito Santo. “Ninguém poderá vir a mim,” disse Jesus, “se, pelo Pai, não lhe for concedido” [João 6.65]. De maneira que a fé, que é o ato de ir a Cristo e concessão divina da graça. A graça é a primeira e última causa movedora da salvação; e a fé, por mais essencial que seja, é apenas parte importante do mecanismo utilizado pela graça. Somos salvos “mediante a fé”, mas “pela graça”. Soam essas palavras como que, proferidas pela voz do arcanjo: “Pela graça sois salvos”. Que boas novas para quem não merece (…) Ainda assim, quero lembrar que a fé é apenas um canal ou aqueduto, não a própria fonte. Não deveríamos considerá-la, além da fonte de todas as bênçãos, a graça de Deus. Jamais figure Cristo, a partir de sua fé, nem pense nela como fonte independente para a sua salvação. Nossa vida é achada quando olhamos para Jesus, não quando olhamos para a nossa fé” Spurgeon, C. H. Tudo de Graça, Titulo Original, All of Grace (1894), Tradução Wadislau Martins Gomes, 2010, pág. 25.

De que ‘fé’ Spurgeon está tratando?

Como no início do capítulo 7, do livreto ‘Tudo de graça’, Spurgeon cita o versículo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2:8). Eu esperava que ele fizesse referência à ‘fé’ como ‘evangelho’, por meio da qual o homem é salvo, mas fui frustrado.

Apesar de ter dito boas coisas, acerca da graça de Deus, o texto de Spurgeon não passa de tergiversações, acerca da graça e da fé, pois, a sua exposição, decorre de má leitura do texto bíblico, o que o tornou doutrinariamente tendencioso.

Quando o apóstolo Paulo diz: “Porque, pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2:8), acerca de qual ‘fé’ o apóstolo está escrevendo? Da ‘fé’ que é anunciada aos gentios e que deve ser obedecida (Rm 1:5 e 8), ou, da que significa ‘crer’, ‘acreditar’ em Cristo, disposição decorrente da verdade do evangelho que, também, é nomeada ‘fé’ (Rm 4:3)? Spurgeon fez a sua exposição, apontando para a ‘fé’ que é anunciada (pregada) ou, para a necessidade de ‘crer’ no evangelho? Neste sentido, a ‘fé’ é objetiva (doutrina, crença) ou, diz de uma ‘fé’ subjetiva (acreditar, crer, questão de foro íntimo)?

Ora, o apóstolo Paulo, ao afirmar que os cristãos de Éfeso eram salvos, por meio da fé, na verdade, estava abordando a própria fonte da salvação: Cristo. Cristo Jesus é a ‘fé’ que se manifestou na plenitude dos tempos e que faz os homens agradáveis a Deus:

“Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” (Gl 3:23).

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11:6).

Enquanto, o que está sendo apresentado pelo apóstolo dos gentios aos cristãos de Éfeso, diz da fé[1] como verdade, fidelidade, etc., Spurgeon leu o termo ‘fé’, no sentido de crer[2], de acreditar. Spurgeon fez má leitura do termo ‘fé’, tradução do termo grego πίστις (pistis), conforme empregado no versículo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé” (Ef 2:8), o que afetou a sua compreensão.

Enquanto o apóstolo Paulo apresenta a ‘fé’ que salva e é ‘firme fundamento’ (Hb 11:1), Spurgeon faz referência à disposição do indivíduo de ‘crer’, ‘acreditar’. Enquanto o apóstolo Paulo trata da fé, como o dom de Deus – Cristo – Spurgeon faz elucubrações equivocadas, tanto da fé, como  doutrina (πίστις), quanto do ato de crer, acreditar (πιστεύω).

Por definição, a ‘fé’, da qual o escritor aos Hebreus faz referência, diz do ‘firme fundamento’, que é Cristo, o fundamento dos apóstolos e dos profetas (Ef 2:20; 1Co 3:11). O escritor aos Hebreus não fez referência à certeza de alguém que espera um evento, pois, o homem, mesmo equivocado, pode nutrir uma certeza e esperança que jamais se concretizarão. O escritor aos Hebreus fez referência ao firme fundamento, à prova, que, apesar de não estar ao alcance dos olhos, torna o que se espera confiável.

O termo hebraico אֱמוּנָה (emunáh), traduzido por ‘fé’, decorre, etimologicamente, de diversos significados, quais sejam: veracidade, sinceridade, honradez, retidão, fidelidade, lealdade, seguridade, crédito, firmeza e verdade. A ‘fé’, como ‘firme fundamento’ e ‘prova’, diz da palavra de Deus, que é fiel e digna de toda aceitação: “Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus, veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1:15).

O apóstolo Paulo, no capítulo 2 de Efésios, verso 8, disse que o homem é salvo, gratuitamente, pela misericórdia de Deus (graça), por meio de Cristo (fé), pois Cristo é o dom de Deus (Jo 4:10). Equivocadamente, Spurgeon trata a fé (πίστις), que o apóstolo Paulo aborda no verso 8 de Efésios 2, como crença (πιστεύω). Ele não considerou que o termo grego πίστις, transliterado pistis, comumente, traduzido por ‘fé’, na verdade, foi empregado pelo apóstolo Paulo, na qualidade de figura de linguagem: metonímia ou transnominação[3].

Metonímia é recurso de estilo linguístico e um desses recursos, consiste em substituir o autor, pela obra. Assim, como é possível dizer: gosto de ler Jorge Amado, em lugar de dizer: gosto de ler os livros de Jorge Amado, sabendo que Cristo é o autor e consumador da ‘fé’, é possível dizer: guardei a fé (πίστις), em vez de dizer: guardei o mandamento ou, o evangelho (1Tm 3:9; 1Tm 6:14; 2Tm 4:7; 1Jo 2:4 -5).

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb 12:2).

Sabemos que o homem é salvo por intermédio do evangelho (Ef 1:13), que é o poder de Deus (Rm 1:16). Sabemos, também, que, por diversas vezes, o termo εὐαγγέλιον (evangelho) é substituído pelo termo πίστις (fé). É possível dizer: ‘batalhar pelo evangelho’, ou: ‘batalhar pela fé’ (Jd 3).  Neste sentido, desviar-se da ‘fé’, é o mesmo que desviar-se de Cristo, um exemplo de metonímia “A qual, professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém” (1Tm 6:21). Esse mesmo recurso permite dizer: ‘mistério da fé’, ‘mistério do evangelho’, ‘mistério da piedade’, ‘mistério de Cristo’, etc. (1Tm 3:9 e 16; Cl 4:3; Ef 6:19).

Quando nos deparamos com o seguinte verso: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” (Cl 1:23), devemos considerar que ‘permanecer fundado e firme na fé’, é o mesmo que permanecer em Cristo, o fundamento dos apóstolos e profetas (Ef 2:20).

Cristo, a nossa ‘fé’, também é nomeado ‘conhecimento’ e ‘sabedoria’: “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Co 1:24); “Destruindo os conselhos e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (2 Co 10:5); “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” (Fl 3:8); “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm 13:11).

Ao iniciar o capítulo 7 do seu livreto, sob o título “Pela graça mediante a Fé”, Spurgeon cita Efésios 2, verso 8: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé”. Em seguida, Spurgeon fez algumas considerações acerca da extensão da misericórdia de Deus, onde afirma que: ‘… você poderá cair em erro, fixando tanto a sua mente na fé…’, e conclui: ‘… que é o meio da salvação e esquecendo-se da graça, fonte da própria fé’.

Ora, o homem é salvo pela misericórdia de Deus, demonstrada em Cristo, ou seja, por meio da fé (verdade, evangelho). Por isso, é dito pelo apóstolo Paulo a Tito que ‘a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens’ (Tt 2:11), assim como foi dito aos cristãos da Galácia que, quando estavam debaixo da lei, estavam encerrados para ‘aquela fé que se havia de manifestar’ (Gl 3:23). A graça de Deus se manifesta em Cristo e Cristo manifesta a graça de Deus. Quando Cristo foi manifesto em carne, manifestou-se a graça de Deus a todos os homens, ou seja, manifestou-se a fé, manifestou-se a palavra: “TU, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus” (2Tm 2:1).

No que consiste o argumento de Spurgeon: ‘fixando tanto a sua mente na fé’? Ora, se a fé da qual Spurgeon está tratando, diz de crer, com relação a quem crê em Cristo, não se pode dizer que está fixando a sua mente no ‘crer’. Mas, se ele estivesse falando da ‘fé manifesta’, que é Cristo, não há erro em fixar a mente na ‘fé’, pois o apóstolo Paulo afirma que é necessário ao cristão ter firmeza na fé (Cl 2:5; 2Pd 3:17).

É necessário ‘reter a palavra da vida’, ou seja, ‘guardar a fé’ (Fl 2:16). E como fazê-lo, sem fixar a mente na ‘fé’? Fixar a mente no ‘evangelho’, na ‘fé’ é segurança, tanto que o apóstolo Paulo não se cansava de escrever acerca das mesmas coisas (Fl 3:1). Reter a palavra da vida é a obra perfeita da fé: perseverança (Tg 1:2). Aquele que persevera na doutrina, não se deixa envolver por doutrinas várias e estranhas, vez que se fortificou na graça, ou seja, na fé. “Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram” (Hb 13:9).

Os termos ‘fé’, ‘graça’ e ‘evangelho’, são intercambiáveis, por causa da pessoa de Cristo, de modo que podemos dizer que o homem é justificado pela fé, ou pelo evangelho, ou pela graça, ou por Cristo: “Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros, segundo a esperança da vida eterna” (Tt 3:7); “Porque se introduziram alguns, que já, antes, estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” (Jd 1:4); “Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada(1Pd 1:10); “Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade” (Hb 12:28).

Infelizmente, Spurgeon não soube ler a mensagem que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos de Éfeso, concernente à ‘fé’ e a ‘graça’, vez que o apóstolo, ao escrever, trouxe à memória dos cristãos que, antes de crerem em Cristo (Ef 1:13), todos eram por natureza filhos da ira (Ef 2:3). Em seguida, o apóstolo aponta para a infinita misericórdia de Deus, pois, apesar da condição deles no passado (mortos em delitos e pecados), Deus os vivificou juntamente com Cristo.

Nos versos que se seguem (vv. 5 à 10), o apóstolo continua a descrever o que Deus fez pelos cristãos, sem abordar nenhuma questão pertinente aos homens, nem mesmo a necessidade de crer. Tudo o que o apóstolo aborda, restringe-se ao que Deus faz pelo homem (Ef 2:10; Is 26:12).

Quando o homem morre com Cristo, Deus é justo, pois ‘a alma que pecar essa mesma morrerá’ (Ez  18:4). Mas, apesar de não ter dívida alguma para com aqueles que morrem com Cristo, ao satisfazer o que a lei exige, pela sua misericórdia e graça, Deus faz ressurgir um novo homem, uma nova criatura, criada em verdadeira justiça e santidade (somos feitura Sua).

Deus é misericordioso por salvar o homem, porém, jamais poderia passar por sobre a sua justiça, por isso, a sua misericórdia é demonstrada em Cristo, para que Ele seja justo e justificador “… pela sua benignidade para conosco em Cristo” (Ef 2:7). A misericórdia de Deus é demonstrada em Cristo, porque é necessário aos descendentes de Adão serem participantes da morte de Cristo, para serem justificados do pecado (Rm 6:7), e, em seguida, Deus age, poderosamente, ressuscitando-os, segundo a sua maravilhosa graça (Ef 1:19; Cl 3:1).

É Deus justo e justificador, que salva segundo a Sua misericórdia e graça, mas, por meio da fé, ou seja, por meio do evangelho, que é poder de Deus para todo aquele que crê (Rm 1:16 -17).

 

Crer

Spurgeon dá testemunho de que ficou confuso, diante dos diversos conceitos de ‘fé’:

“Que fé é essa da qual é dito: “Pela graça sois salvos, mediante a fé”? Certamente, há muitas descrições de fé, mas quase todas as definições que tenho encontrado, levam-me a entender menos do que entendia antes. É possível que, ao tentar explicar muito alguma coisa, ela se torne ainda mais confusa. Podemos explicá-la tanto, até que ninguém mais entenda. Espero não ser culpado dessa falta. A fé é a mais simples de todas as coisas e, talvez, por causa de tal simplicidade, ela seja de mais difícil explicação”. Spurgeon, C. H. Tudo de Graça, Titulo Original, All of Grace (1894), Tradução Wadislau Martins Gomes, 2010, pág. 27.

Parece que Spurgeon se deixou levar pelas definições que encontrou, pela má leitura que fez de Efésios 2, verso 8 (“Pela graça sois salvos, mediante a fé”), demonstrando que ele nada entendeu acerca do assunto ‘fé’ e ‘graça’, e que o medo que nutria da possibilidade de se fazer culpado, ao abordar o tema, se concretizou.

Vamos à definição de ‘fé’, apresentada por Spurgeon:

“O que é fé? Resumidamente, a fé é feita de três coisas: conhecimento, crença e confiança. Conhecimento vem primeiro. “como crerão naquele de quem nada ouviram?”. É preciso que eu seja informado de um fato antes que possa crer nele (…) A confiança é a corrente sanguínea da fé; sem ela, não haverá fé salvadora. Os puritanos estavam acostumados a explicar a fé, utilizando o termo recumbência (do verbo recumbir). A palavra significa recostar, inclinar; repousar em Jesus Cristo. Haveria melhor ilustração do que dizer: Lance todo o seu peso sobre a Rocha eterna? Entregue-se a Jesus; descanse nele; confie nele” Idem, págs. 27 e 28.

No grego, temos o substantivo πιστις (pistis), comumente traduzido por ‘fé’ e o verbo πιστευω (pisteuo), traduzido por ‘crer’. Nas línguas de origem latina o radical do substantivo ‘fé’ não se flexiona para traduzir a ideia do verbo grego πιστευω (pisteuo – crer), o que obrigou os tradutores a utilizarem o radical da palavra “credere”, vertendo o verbo πιστευω (pisteuo) para ‘crer’.

Crer em Cristo é, simplesmente, acreditar no que as Escrituras dizem acerca d’Ele: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” (Jo 7:38). Não há qualquer outra exigência nas Escrituras, além de crer, para ser salvo (Is 28:16). O poder para a salvação não está no ato de crer, mas no poder da ‘fé’, ou seja, no poder do evangelho (Jo 1:12; Rm 1:16; 1Co 1:18 e 24).

É pelo poder contido no evangelho que o homem é concitado a crer, acreditar, confiar, descansar, repousar, etc. A segurança está na pedra bem fundada e firme, provada e preciosa que Deus assentou em Sião, de modo que quem crer não perece (Is 28:16).

A fé salvadora é Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. A fé, que é poder de Deus, não possui ‘corrente sanguínea’ e nem depende da confiança do homem. O homem, confiando[4] ou não, a fé (evangelho) é salvadora, pois se o homem for infiel, Ele permanece fiel: “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2:13).

“A confiança é a corrente sanguínea da fé; sem ela, não haverá fé salvadora” Idem.

A fada Sininho, da estória do Peter Pan, necessita de crianças que acreditem que fadas existem para sobreviver. Não é assim o evangelho de Cristo, pois Ele é salvador, quer o homem creia ou não. A ‘fé’ é firme, indissolúvel, fidedigna, portanto, não depende da confiança do homem, antes, a confiança e a esperança decorrem da ‘fé’. A confiança do homem não salva e nem garante a salvação, antes, é Deus que se interpôs como garantia: “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” (Hb 10:23; Tt 1:2; Rm 1:2; Hb 10:23). A segurança de quem crê, está em Deus, que é poderoso e fiel.

Antes que o homem fosse criado, já na fundação do mundo, Deus providenciou salvação a todos os homens, pois o cordeiro de Deus foi morto desde a fundação o mundo (1Pd 1:20; Ap 13:8). Não é a confiança do homem que estabeleceu a salvação em Cristo, mas a verdade de que Cristo foi morto, desde a fundação do mundo, que promove a confiança do homem.

Crer em Cristo é suficiente para ser salvo da condenação, portanto, a ideia de que, além de crer, é necessário se entregar, totalmente, à misericórdia de Deus, é redundância. Crer em Cristo é o mesmo que se entregar à misericórdia de Deus. Considerar que crer é distinto de se entregar à misericórdia de Deus, é uma brecha criada pelos enganadores que, privarão os incautos de desfrutarem da graça de Deus. Quando alguém crê, na verdade, entregou-se ‘completamente’ à misericórdia de Deus.

Outra aberração, é desvincular o ‘arrependimento’, do ato de ‘crer’ e de ‘arrepender-se’. Crer é consequência do arrependimento. Só se arrepende de fato quem, após ouvir o evangelho, crê em Cristo. Quem crê que Jesus é o Cristo de fato mudou de concepção (metanoia), acerca de como ser salvo. Primeiro é anunciada a fé, em seguida o homem se arrepende (metanoia), e, por fim, crê.

‘Crer’ decorre da ‘fé’, não o contrario. Arrependimento decorre da ‘fé’ (evangelho) e nunca a ‘fé’ do arrependimento. Sem a fé manifesta, que é Cristo, é impossível o homem arrepender-se e crer para a salvação. Sem o conhecimento de Deus, a mensagem do evangelho, não há no que o homem possa crer, que o livre da condenação. O homem pode crer em Deus, crer em anjos, crer em milagres, crer no impossível, etc., mas se não crer em Cristo, o dom de Deus, não será salvo (Jo 14:1).

A palavra ‘fé’, quando é empregada nas Escrituras, no sentido de ‘crer’, não é ‘conhecimento’ e nem ‘crença’. Spurgeon equivocou-se ao conceituar quea fé é feita de três coisas: conhecimento, crença e confiança’. ‘Crer’ em Cristo é somente confiança n’Ele, por causa do testemunho que o Pai deu acerca do Filho nas Escrituras. A ‘fé’ (evangelho) é conhecimento, doutrina, crença e a ‘fé’ (crer) é somente confiança. Para que o homem possa crer, primeiro é necessário o ‘conhecimento’, que, em relação ao evangelho, é informação, mensagem, doutrina, espírito, etc., revelado por Deus em Cristo, assim com profetizado pelo profeta Isaias:

“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si” (Is 53:11)

É impossível a quem crê em Cristo, se gloriar de ter crido. É impossível reputar que há mérito em confiar em Cristo. Quem crê em Cristo, conforme as Escrituras, na verdade gloria-se em Cristo (Fl 3:3). Quem crê em Cristo, na verdade rendeu-se diante da fidelidade de Deus, expressa na sua palavra. O mérito, a glória e a virtude estão no evangelho, mensagem de boas novas de que Cristo veio ao mundo salvar os pecadores: “Esta é uma palavra fiel e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1:15).

Aquele que crê no evangelho, não necessita preocupar-se com o erro de se gloriar diante de Deus, pois o próprio evangelho exclui a jactância: “Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé” (Rm 3:27).

Não há como alguém se gloriar de ter amado a Cristo, pois quem ama, não se envaidece e não se vangloria (1Co 13:4). Quem crê, não tem como se vangloriar de ter crido, pois crer em Cristo é obra de Deus (Jo 6:29), que Ele opera, por meio do evangelho. Crer em Cristo é o mandamento de Deus, e quem crê se fez servo. Como gloriar-se de tomar sobre si o jugo de Jesus? Onde está a jactância, no ato de levar sobre si o fardo de Jesus?

Quando Jesus concitou os seus interlocutores, cansados e sobrecarregados, a tomarem sobre si o seu jugo, na verdade, estava requerendo que eles se sujeitassem como servos (Mt 11:28-30).

Por não se sujeitarem a esse ‘conhecimento’ especifico, é que os judeus, sem entendimento, procuraram estabelecer uma justiça própria, não se sujeita à justiça que vem de Deus – Cristo (Rm 10:1-3). Se compreendessem que o justo vive da fé, ou seja, que o homem só vive através da palavra que sai da boca de Deus (Dt 8:3; Hc 2:4), os judeus saberiam que o homem só é justificado pela pregação da fé (Gl 3:2 e 5).

A lei exige realizações (Rm 10:5), a fé (evangelho) exige que se creia (Rm 9:33). A justiça, que vem por intermédio da ‘fé’, se dá quando o homem morre e ressurge com Cristo e o que permite ao homem morrer e ressurgir, é crer na palavra da fé, que foi anunciada pelos apóstolos e profetas (Rm 10:8). Os judeus ouviam e acreditavam que seriam justificados pela lei, mas como a lei estava enferma pela carne, ela era inócua para o que os judeus pretendiam alcançar (Rm 2:17; Gl 3:11).

A fé (crer) que os judeus depositavam na lei, é a mesma fé (crer) que o arrependido deposita no evangelho. O diferencial está em que, a lei não tem o poder que o evangelho possui. O propósito da lei é conduzir o homem a Cristo e o propósito do evangelho. é conduzir o homem a Deus. por intermédio de Cristo.

Spurgeon parece exalar sabedoria e humidade nas palavras:

De maneira que a fé, que é o ato de ir a Cristo é concessão divina, da graça. A graça é a primeira e última causa movedora da salvação; e a fé, por mais essencial que seja, é apenas parte importante do mecanismo utilizado pela graça” Idem.

Mas, quando se questiona: que ‘fé’ é essa que é o ato de ir a Cristo? A concessão divina da graça está em que, Deus deu o Seu Filho, como mediador entre Deus e os homens. A fé, como concessão divina, não diz do ato do homem ir a Cristo, mas do ato de Deus vir até os homens. Em Deus revelar-se aos homens na pessoa de Cristo, está a primeira e última causa movedora da salvação (Jo 1:18).

A graça de Deus veio sobre todos os homens, através de um ato de justiça, realizado por Cristo Jesus (Rm 5:18). Como Cristo foi entregue pelos pecados da humanidade e ressuscitou para a justificação dos que creem (Rm 4:25), os crentes são justificados por Cristo, ou seja, pela fé (Rm 5:1). É por Cristo que o homem alcança a graça de ter paz com Deus, mediante o evangelho (fé) (Rm 5:2). É no evangelho (fé) que o cristão permanece firme e gloria-se na esperança da gloria de Deus (Rm 5:2).

Crer é o ato de receber a Cristo, para ir a Deus (Jo 1:12). Portanto, crer, não é o ato de ir a Cristo, mas de receber a Cristo. Não há como o homem ir a Deus, por isso Deus veio aos homens, concedendo Cristo como mediador (graça), para que os homens pudessem ir a Deus (Jo 14:6). A ‘fé’ não é o ato de o homem ir a Cristo, antes, a ‘fé’ está no ato de Deus conceder Cristo aos homens (Gl 3:23).

Observe:

“Fé é uma palavra muito significativa. Implica fidelidade a Deus (Mt 24:45) e confiança absoluta n’Ele, como aquela demonstrada pelas pessoas que iam a Jesus à procura de cura (Lc 7:2-10). Fé pode ser definida, positivamente, como uma esperança segura, inabalável (Hb 11:1), ou, negativamente, como uma crença infecunda que não redunda em boas obras (Tg 2:14-26). Mas o que Paulo quis dizer, quando falou de ‘fé salvadora’,em Romanos? O apóstolo relacionou a fé à salvação. Não é necessário praticar boas obras para alcançar a salvação; se fosse, esta seria mais um feito humano, e Paulo deixou bem claro que as obras não nos podem salvar (Gl 2:16). Embora, a fé seja uma dádiva concedida por Deus, porque Ele deseja nos salvar (Ef 2:8), é a graça de Deus e não a nossa fé, que nos salva. Em sua misericórdia, ao nos salvar, Deus nos concede a fé, a fim de que tenhamos um relacionamento com o seu Filho, que nos ajuda a ser como ele. Por meio dessa fé, que recebemos do próprio Deus, passamos da morte para a vida (Jo 5:24 ) (…) Como seria trágico se transformássemos a fé em uma obra e tentássemos desenvolvê-la por nossa conta! Nunca poderíamos chegar a Deus por meio de uma fé humana, assim como o povo do Antigo Testamento não o poderia,, por meio dos seus sacrifícios. Assim, devemos aceitar a bondosa oferta de Deus com ações de graça e permitir que Ele plante a semente da fé dentro de nós” Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, Versão Almeida Revista e Corrigida Edição 1995, pág. 1552.

Percebe-se que os editores da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal compartilham da mesma concepção de Spurgeon, de que é a graça de Deus e não a fé, que salva. A Bíblia afirma que quem crer será salvo e os editores da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal afirmam que, ao salvar o homem, Deus concede fé para que possa relacionar-se com Cristo. É esse o posicionamento das Escrituras?

Na verdade, os que creem em Cristo recebem de Deus poder para serem feitos filhos de Deus e não fé. Na verdade, Deus concedeu o seu Filho, Jesus Cristo, para que, por Ele, o homem tenha comunhão com Deus. Cristo é mediador entre Deus e os homens, portanto, a ideia de que a fé é para ter um relacionamento com o Filho é descabida, qualquer que seja a ideia que nutrem acerca do termo ‘fé’.

A ‘fé’ (crer) do homem não é uma semente que Deus planta em seu coração, antes a fé, no sentido de crer, surge da fidelidade de Deus, expressa em sua palavra. A palavra de Deus é fiel, verdadeira, firme, imutável, etc., portanto, digna de ser aceita (1Tm 1:15). A palavra de Deus que é descrita como ‘semente incorruptível’, porque o homem é gerado de novo, por meio dela (1Pd 1:23). Essa semente é a palavra da fé, a boa doutrina (1Tm 4:6), que, quando aceita pelo homem (crê), Deus faz surgir a nova criatura.

Somente a palavra de Deus é descrita como semente (Lc 8:11), pois, dela resulta a nova criatura (1Jo 3:9). ‘Crer’ na palavra de Deus, nunca é descrito como semente, pois o poder de conceder nova vida está na palavra de Deus e não na crença do homem. Deus salva o homem por meio da fé (evangelho), o que é diferente da ideia de que Deus salva e concede a fé (crer).

Se o leitor não souber diferenciar os versos que utilizam o termo ‘fé’ no sentido de ‘evangelho’, ‘verdade’, ‘Cristo’, etc., dos textos que utilizam o termo ‘fé’ no sentido de ‘crer’, ‘acreditar’, etc., chegará à mesma conclusão equivocada a seguir:

“Fé é obra da graça de Deus em nós. Ninguém poderá dizer que Jesus é o Cristo, senão por obra do Espírito Santo. “Ninguém poderá vir a mim,” disse Jesus, “se, pelo Pai, não lhe for concedido” [João 6.65]” Idem.

Cristo é a graça de Deus manifesta, que trouxe salvação a todos os homens (Tt 2:11), portanto, a ‘fé’ é a própria graça de Deus manifesta: “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1:17; Gl 3:23). Deus deu o Cristo para realizar a sua obra: crede naquele que Ele enviou (Jo 6:29).

A ‘fé’, a ‘verdade’, é o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho Jesus Cristo, para que todos honrem o Filho, da mesma forma que honram o Pai. Aquele que ouve as palavras de Cristo e crê, na verdade, crê em Deus, pois crê no testemunho de Deus, ou seja, nas Escrituras (Jo 5:23-24; Jo 5:39; 1Jo 5:10). O ensino de Jesus não era d’Ele, mas, de Deus, de modo que, quem crê em Cristo, faz a vontade de Deus (Jo 7:16-17).

Jesus disse: “… ninguém pode vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido” (Jo 6:65), porque alguns dos seus discípulos não criam em suas palavras, que eram espirito e vida (Jo 6:63-64). Embora Jesus anunciasse: – “Eu sou o pão da vida”, contudo não criam (Jo 6:35-36). Embora anunciasse: – “Eu sou o pão que desceu do céu” (Jo 6:41), murmuravam (Jo 6:42-43).

Foi predito pelos profetas que ‘todos seriam ensinados por Deus’ (Jo 6:45; Is 54:13), de modo que ‘todo aquele que o Pai me dá virá a mim’, ou ‘ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer’, ou ‘ninguém pode vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido’, são modos distintos de dizer que as Escrituras dão testemunho de Cristo, de modo que todos os que se ouvem o Pai e se deixam instruir (aprende dele), creem em Cristo (Jo 6:45).

Quem o Pai deu a Cristo? Conforme o previsto nas Escrituras, aqueles que esperam no Senhor, que escondeu o seu roso da casa de Israel, ou seja, Cristo, que apesar de ser santuário, tornou-se pedra de tropeço para Israel (Is 8:17-18). Quando é dito: – “Eis-me aqui, com os filhos que me deu o Senhor” (Is 8:18), é porque ‘todos os teus filhos serão ensinados do Senhor’ (IS 54:13), de modo que, aquele que ouve o ensino de Cristo, aprende de Deus, que O enviou (Jo 7:16).

 

Salvação

“E seja achado nele, não tendo a minha justiça, que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé” (Fl 3:9)

O que é ser ‘achado n’Ele’? É estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura (2Co 5:17). Por definição, quem ‘está em Cristo’ é ‘nova criatura’! A nova criatura alcança a justiça que vem de Deus, por intermédio de Cristo, que é sabedoria, justiça, santificação e redenção (1Co 1:30).

Nestas duas orações: “… mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé”, o termo ‘fé’ foi empregado com dois significados distintos, a saber:

a) ‘mas a que vem pela fé em Cristo’ – nesta oração o termo ‘fé’ foi empregado no sentido de ‘crer’, ‘acreditar’. O apóstolo está enfatizando que a justiça de Deus é concedida aos que creem em Cristo;

b) ‘a justiça que vem de Deus pela fé’ – nesta oração, o termo ‘fé’ foi empregado no sentido de ‘evangelho’, ‘Cristo’.

Como a justiça de Deus é imputada ao homem?

Quando discursou aos cristãos de Antioquia da Pisídia, o apóstolo Paulo deixou claro que o homem é justificado por Cristo ao crer n’Ele. O homem precisa crer em Cristo, não porque a sua crença será causa de justificação, antes, porque, por Cristo, o homem é justificado: “E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por Ele é justificado todo aquele que crê” (At 13:39).

Os profetas deram testemunho de que, por Jesus Cristo, os que creem, recebem o perdão dos pecados (At 10:43). Há alguma virtude em acreditar em Cristo? Não! Na crença do indivíduo não há poder, antes, a virtude está em Cristo, pois, por Ele, é que o homem confia em Deus (2 Co 3:4). Sem Cristo, por quem vem a fé (crer), não há justificação (At 3:16).

Pelo fato de Cristo ter morrido por todos os homens, e todos os que creem morrem com Ele, o crente desfruta de uma nova vida (At 5:20), pois, vivem para Aquele que morreu e ressurgiu dentre os mortos (2 Co 5:14-15). Ser uma nova criatura provém de Deus, que reconciliou os que creem consigo mesmo  por Jesus Cristo (2 Co 5:18), ou seja, a reconciliação por meio da fé não vem dos homens (Ef 2:8).

Não é a crença do homem que promove a reconciliação com Deus, antes, a fé (Cristo) é o meio pelo qual o homem tem acesso a Deus. Cristo veio ao mundo sem pecado, mas por Deus foi feito pecado, para quem estiver n’Ele (os que creem), sejam declarados justos (2 Co 5:21). Agora, sendo justificados por sua graça, os cristãos são embaixadores da parte de Deus anunciando a graça de Deus aos homens, em tempo oportuno (2 Co 6:1).

O ato de crer resulta em confissão (admitir o que é), conforme dispõe o salmista: ‘Cri, por isso falei’ (2 Co 4:13; Sl 116:10). A evidência exterior de quem crê em Cristo está na doutrina que professa, ou seja, na confissão, que o escritor aos Hebreus denomina ‘fruto dos lábios’ (Hb 13:15). Confissão que João Batista observou que faltava aos escribas e fariseus: ‘frutos dignos de arrependimento’ (Mt 3:8).

Ao acreditar que Cristo ressurgiu dentre os mortos (Rm 10:9-10), isto conforme a palavra da fé, apregoada pelos apóstolos e profetas, o homem é salvo. É salvo todo aquele que confessa a Jesus como Senhor e crê que Deus O ressuscitou dos mortos, pois, com a boca se faz confissão para a salvação[5] e com o coração, se crê para justiça. Ao crente é imprescindível o mesmo espírito de fé anunciado pelo salmista: crer e professar, pois a boca fala do que o coração está pleno (Mt 12:34).

Por meio do evangelho, a graça de Deus é derramada, pois Cristo trouxe salvação sobre todos os homens. A graça (bondade e benignidade de Deus para com os homens) e o evangelho (verdade) decorrem de Cristo, pois por Ele é concedido aos homens redenção e remissão dos pecados: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2:8); “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (Jo 1:17).

Deus criou a humanidade em função do beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir n’Ele todas as coisas, para que em tudo Ele fosse preeminente (Ef 1:9-10). Mas, para fazer parte deste propósito, a humanidade teria que ser participante da glória de Deus, semelhante a Ele, pois só entre semelhantes é possível ser preeminente. Cristo é espírito vivificante, o último Adão, pois por Ele muitos são conduzidos à glória de Deus e feitos semelhantes a Ele (1Jo 3:2; 1Co 15:48 -49).

Como é impossível aos homens serem semelhantes a Deus, em poder e glória, o Verbo se fez carne e em tudo se fez semelhante aos homens (Hb 2:14 e 17), para fazer propiciação pelos pecados do povo. Os que ressurgissem dentre os mortos com Cristo são santos, irrepreensíveis e semelhantes a Ele. Como Cristo se fez servo em tudo, Deus o exaltou soberanamente, constituindo-o como a cabeça da igreja, que é o seu corpo, posição de primogênito entre muitos irmãos, o que lhe confere a preeminência em tudo.

Jesus despiu-se da sua glória e se fez homem, porém, sem pecado. Em tudo foi provado como homem, tendo que confiar nas Escrituras e ser obediente ao Pai. A missão de Jesus era reparar a ofensa de Adão: obediência pela desobediência, para estabelecer a justiça: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos” (Rm 5:19).

A humanidade entrou em condenação eterna pela ofensa de Adão (desobediência). Os homens entram na vida eterna pela obediência de Cristo (justiça). Quando o homem crê que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, morreu pelas ofensas e pecados da humanidade e, que ressuscitou dentre os mortos será salvo, conforme as profecias. A encarnação, morte e ressureição do Filho de Davi são eventos históricos que tornam os homens justos aos olhos de Deus, isso, porque, esses eventos se deram, segundo a palavra de Deus.

Ao crer nos eventos históricos do nascimento, morte e ressurreição e, na doutrina de Cristo, efetivamente, o crente está crendo na palavra de Deus: a verdade (Sl 119:160; Sl 138:2). Os apóstolos viram e testificaram que Deus enviou o seu Filho como salvador do mundo, pois, crer nesta verdade, para salvação, é imprescindível: “E aquele que o viu, testificou e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais” (Jo 19:35; 1 Jo 4:13-15; At 10:39-43). Ao crer nessa verdade, o homem confirma que Deus é verdadeiro: “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras e venças quando fores julgado” (Rm 3:4).

Crer em Cristo é crer em Deus, declarando-O verdadeiro, fiel e justo. “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o fez, porquanto, não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho” (1Jo 5:10-11); “Na verdade, na verdade, vos digo que, quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5:24); “Porque, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida” (Jo 3:34); “Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste” (Jo 17:8); “Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17:17).

Ao escrever ao irmão Tito, o apóstolo Paulo faz alusão a três aspectos do evangelho: a) manifestou a sua palavra; b) pela pregação confiada; e, c) segundo o mandamento de Deus: “Mas, a seu tempo, manifestou a sua palavra, pela pregação que me foi confiada, segundo o mandamento de Deus, nosso Salvador” (Tt 1:3). O primeiro aspecto diz da palavra de Deus manifesta, que se refere a Cristo, o Verbo que se fez carne, na plenitude dos tempos e, por quem o homem é justificado. O segundo aspecto refere-se à pregação, que tem por tema Cristo e deve ser anunciado a todos os povos, pois, ‘como crerão naquele de quem não ouviram’? (Rm 10:4) O terceiro aspecto do evangelho é o mandamento: crer (1 Jo 3:24).

Um erro do calvinismo, está em reputar que, no ato de crer, alguém possa jactar-se de se salvar por seus próprios méritos, pois, com relação ao evangelho, ter mérito por crer é impossível. Crer é mandamento, de modo que, quem crê, se faz servo, sujeitando-se ao senhorio de Cristo. Crer é obedecer ao evangelho, de modo que o crente não tem como se vangloriar e nem como se ensoberbecer.

Com relação ao evangelho, não podemos pecar pelo preciosismo ou pela omissão, pois, em ambos os casos, é prevaricar contra o evangelho. Há quem contrarie as Escrituras, ao dizer que ‘não basta apenas confessar com a boca que Jesus Cristo é o Senhor para ser salvo’, para encontrar ocasião de impor obrigações sobre os incautos e há quem diga que ‘a fé é apenas um canal ou aqueduto e não a própria fonte da salvação’, invocando o medo de um risco de o crente gloriar-se de ter crido em Cristo, pervertendo a fé de alguns.

O crente não pode perder de vista, que a salvação que alcançou em Cristo é graça de Deus; que é graça ter recebido poder de ser feito filho de Deus; que ter uma herança no céu é graça de Deus; desfrutar do cuidado de Deus, no dia a dia, é graça; que ser coerdeiro de Cristo e reinar com Ele é graça. A obra de Cristo nos homens é graça de Deus, de modo que se pode afirmar, categoricamente, que Cristo é a graça de Deus, pois todas essas benesses decorrem de Cristo (2 Co 1:20).

O ápice da graça se encontra na ressurreição que Deus concede aos homens, pois o salário do pecado é a morte. Como todos pecaram, todos são merecedores de morte. Quem morre sem Cristo segue-se ao juízo, sob condenação, mas quem crê em Cristo, passou da morte para a vida, pois de fato morre para o pecado, conformando-se com Cristo, na sua morte e através da ressurreição de Jesus Cristo, ressurge para a vida eterna: maravilhosa graça!

O crente não pode demover-se da fé, ou seja, da graça de Deus. Estar firme na graça (1 Pe 5:12), é estar firme na fé (1Pe 5:9). A graça de Deus tornou-se notória a todos os homens, pelo fato de Cristo Jesus, sendo rico (Tt 2:11; Tt 3:7), por amor dos que creem, se fez pobre, para que, pela sua pobreza fossem, feitos ricos (2 Co 8:9).

 


[1] “4102 πιστις (pistis) de 3982; TDNT – 6:174,849; n f 1) convicção da verdade de algo, fé; no NT, de uma convicção ou crença, que diz respeito ao relacionamento do homem com Deus e com as coisas divinas, geralmente com a ideia inclusa de confiança e fervor santo, nascido da fé e unido com ela 1a) relativo a Deus 1a1) a convicção de que Deus existe e é o criador e governador de todas as coisas, o provedor e doador da salvação eterna em Cristo 1b) relativo a Cristo 1b1) convicção ou fé forte e benvinda de que Jesus é o Messias, através do qual nós obtemos a salvação eterna no reino de Deus 1c) a fé religiosa dos cristãos 1d) fé com a ideia predominante de confiança (ou confidência) seja em Deus ou em Cristo, surgindo da fé no mesmo 2) fidelidade, lealdade 2a) o caráter de alguém em quem se pode confiar” Dicionário Bíblico Strong.

[2] “4100 πιστευω (pisteuo) de 4102; TDNT – 6:174, 849; v 1) pensar que é verdade, estar persuadido de, acreditar, depositar confiança em 1a) de algo que se crê 1a1) acreditar, ter confiança 1b) numa relação moral ou religiosa 1b1), usado no NT para convicção e verdade, para a qual um homem é impelido por uma certa prerrogativa interna e superior e lei da alma 1b2) confiar em Jesus ou Deus, como capaz de ajudar, seja para obter ou para fazer algo: fé Salvadora 1bc) mero conhecimento de algum fato ou evento: fé intelectual 2) confiar algo a alguém, i.e., sua fidelidade 2a) ser incumbido com algo” Dicionário Bíblico Strong.

[3] “Metonímia ou transnominação é uma figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança entre o segundo e o termo entre as orações ou a possibilidade de associação entre cinco ou mais figuras de linguagem destes. Por exemplo: “Palácio do Planalto” é usado como um metônimo (uma instância de metonímia) para representar a presidência do Brasil, por ser esse o nome do edifício do governo federal”, Wikipédia.

[4] “A ideia de Deus (…) nasce da reflexão sobre as operações do nosso próprio espírito…” Hume – Vida e Obra, Coleção Os pensadores, 1999, pág. 37.

[5] “Podemos sentir no próprio espírito que desta qualidade de caráter depende até mesmo a nossa própria salvação eterna. Sim, porque não basta apenas confessar com a boca que Jesus Cristo é o Senhor para que sejamos salvos, porque isso qualquer um pode fazer”. Macedo, Edir. O poder sobrenatural da fé. 1º Ed. Atualizada. Rio de janeiro: Unipro Editora, 2011 pág. 120. Grifo nosso.

Ler mais

Oração: confiança em Deus expressa em palavras

A mulher cananeia expressou a sua confiança em Cristo com as seguintes palavras: – “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada” (Mt 15:22). O rogo por misericórdia do Filho de Davi constitui oração, súplica, entretanto, pela natureza do pedido, esta mesma súplica constitui-se adoração, pois o teor do pedido só pode ser realizado por Deus.


Como confiar

É comum ouvirmos que Deus atende à oração daqueles que confiam n’Ele. Isso é verdade, porém, você sabe como confiar em Deus?

Confiar, do ponto de vista de cada indivíduo, é algo subjetivo, pois cada um pode confiar em Deus à sua própria maneira.

Entretanto, confiar em Deus, do ponto de vista bíblico, é algo objetivo e ao alcance de todos os homens.

Quando alguém se socorre de um médico, assim o faz porque confia que o seu problema vai ser diagnosticado e sanado. Mas, após o término da consulta, a prova de que realmente confia em seu profissional da área médica, se dá quando essa pessoa se submete às prescrições contidas na receita médica.

De nada adianta dizer: ‘confio no meu médico’, se não acatar as prescrições. Nesse sentido, de nada adianta dizer: – ‘Eu confio em Deus’ e não obedecer ao que Ele ordena.

A Bíblia nos apresenta um mandamento específico, que é prova de que realmente confiamos em Deus:

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” (1Jo 3:23).

Não basta crer na existência de Deus, ou crer na possibilidade de um milagre. Um verdadeiro crente crê em Cristo como o Filho de Deus, pois é este o testemunho que Deus deu acerca de seu Filho nas Escrituras (Jo 7:38), a obra que o homem deve realizar (Jo 6:29; Tg 1:25).

A Bíblia é um testemunho vivo que Deus deu acerca do seu Filho, Jesus Cristo, portanto, qualquer que crê que Jesus é o Filho de Deus, realmente confia em Deus: “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu (1Jo 5:10).

Jesus mesmo disse que as Escrituras testificavam acerca d’Ele, pois o que foi registrado na Lei, nos Profetas e nos Salmos é o testemunho que Deus deu do seu Filho Jesus Cristo: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de mim testificam” (Jo 5:39).

O apóstolo Paulo deixou registrado que Deus não faz acepção de pessoas, pois é Senhor de todos e generoso para com todos os que o invocam e para dar sustentação ao que afirmou, citou as Escrituras: “Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” (Rm 10:11; Rm 9:33; Is 28:16).

Crer é algo de foro íntimo, portanto, impossível de ser mensurável por terceiros. Mas, para que o homem seja declarado justo, é necessário que creia, no coração, que Jesus é o Filho de Deus e que Ele ressurgiu dentre os mortos (Rm 10:9-10).

Aquele que crê com o coração que Deus ressuscitou a Cristo dentre os mortos, está apto a confessar (admitir) com a boca que Jesus é o Senhor. Através dessa confissão, que é o fruto dos lábios, fica evidenciado o que há no coração, pois a boca fala do que há em abundância no coração (Mt 12:34).

Só é possível identificar se uma pessoa realmente confia em Deus, quando ela confessa que Jesus é o Filho de Deus, da mesma forma que Simão Pedro confessou: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16; 1Jo 4:15). Quem assim confessa é porque crê nas Escrituras, ou seja, no testemunho que Deus deu acerca do seu Filho.

Muitos alegam que Deus só ouve (atende) às orações daqueles que possuem uma relação intima com Ele, ou que a oração agrega em si todas as formas de comunhão com Deus[1]. Mas, no que consiste tal relação ‘intima’? Jejuns, sacrifícios, votos, flagelo, penitência, etc.?

Ora, aquele que crê que Jesus é o Cristo e cuida do próximo, segundo o mandamento de Deus, é que ama a Deus, ou seja, que guarda os seus mandamentos (1Jo 3:22). Ora, quem crê em Cristo já possui uma relação intima com Deus, pois o apóstolo João mesmo diz que aquele que crê, Deus está nele e ele em Deus: “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado” (1Jo 3:24).

‘Confiar’ em Deus transcende as palavras, pois só confia em Deus aquele que põe por obra o testemunho de Deus: crendo em Cristo (1Jo 3:18; Jo 6:29). Quem crê em Cristo faz o que é agradável a Deus, pois guardou o Seu mandamento (1Jo 3:22).

 

As beneficências prometidas a Davi

Quando alguém crê em Cristo alcança a maior riqueza que uma pessoa poderia adquirir: a salvação. A salvação em Cristo possui valor acima de todas as riquezas que há no mundo inteiro: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16:26).

O que era impossível alguém conquistar por si só, Deus conquistou para os que creem em Cristo: a salvação: “Os seus discípulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se? E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” (Mt 19:25-26).

Ora, se alguém crê em Jesus Cristo como o Filho de Deus, é porque crê que Deus é poderoso para cumprir a Sua promessa, pois a prova de que a palavra de Deus é firme e imutável está em que Cristo ressuscitou dentre os mortos.

A promessa que Deus fez aos patriarcas, Deus cumpriu a nós, ressuscitando a Cristo (At 13:32), pois de Cristo decorre as firmes beneficências prometidas a Davi (At 13:34; Is 55:3).

Da mesma forma que Deus cumpriu a sua palavra, não deixando na sepultura o Seu Filho, todos os que creem ressurgem com Cristo (Rm 6:8), pois a promessa que Ele fez é a vida eterna (1Jo 2:25; 1Jo 5:13).

Além da salvação, o crente é herdeiro de Deus e coerdeiro com Cristo de todas as coisas: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? (Rm 8:32; Rm 8:17).

Qualquer que confia e obedece a Deus já recebeu o maior dos milagres: a redenção da sua alma.

 

Confiando

A maior expressão de nossa confiança em Deus não se resume em uma súplica emitida através dos lábios, e sim na paz de espírito que experimentamos diante das vicissitudes da vida.

Quando o crente não se inquieta por coisa alguma, nisto está a sua oração. Não se abalar por questão alguma é a máxima expressão de confiança em Deus. Ficar inquieto, preocupado, ansioso, etc., não traz solução. Melhor é rogar a Deus confiando em seu favor (misericórdia), sendo grato em tudo: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Fp 4:6).

Um exemplo de confiança, encontramos em Habacuque que, após Deus revelar que haveria de punir Israel através de homens ímpios, expressou a sua gratidão dizendo:

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação(Hc 3:17-18).

‘Oração e súplica’ significa ‘confiança na misericórdia’, como lemos:

“ORAÇÃO do profeta Habacuque sobre Sigionote. Ouvi, SENHOR, a tua palavra, e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia (Hc 3:1-2).

Habacuque expressou a sua confiança em Deus (oração) confiado na misericórdia (súplica).

Quando é dito:Perseverai em oração, velando nela com ação de graças (Cl 4:2), o apóstolo Paulo está recomendando permanecer confiando, ou seja, não se demovendo da confiança em Deus: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração” (Rm 12:12).

Muitos interpretam oração como sacrifício, penitência, no entanto, o termo oração não deve ser visto como entendem os gentios: vãs repetições, rezas, etc.

Observe este verso no grego quando transliterado:

“διὰ πάσης προσευχῆς καὶ δεήσεως προσευχόμενοι ἐν παντὶ καιρῷ ἐν

Por toda oração e petição orando em todo tempo em

πνεύματι, καὶ εἰς αὐτὸ ἀγρυπνοῦντες ἐν πάσῃ προσκαρτερήσει καὶ δεήσει περὶ

(o) espirito, e para isso vigiando em toda perseverança e petição por

πάντων τῶν ἁγίων”

todos os santos

‘προσευχῆς’ (oração) não é o mesmo que ‘δεήσεως’ (petição)? Porque o apóstolo Paulo faz referência duas vezes aos termos oração e petição em um mesmo verso?

Os termos gregos traduzidos por oração[2] são προσευχη (proseuche) e προσευχομαι (proseuchomai). O termo pode ser utilizado para denotar uma petição a Deus ou fazer referencia ao lugar em que se faz tais petições. Entretanto, os apóstolos fazem uso do termo sob um outro prisma: confiança, devoção.

Quando a mulher cananéia rogou por misericórdia e foi provada por Cristo, persistiu com toda devoção (oração) e súplica, dizendo: – “Senhor, socorre-me!” (Mt 15:25). Ela assumiu a sua penúria diante daquele que podia socorrê-la.

Do ponto de vista bíblico, quem faz um rogo a Deus, é por que confia em Deus, de modo que, através de um recurso linguístico[3], a metonímia, o termo oração passa a denotar confiança.

A mulher cananeia expressou a sua confiança em Cristo com as seguintes palavras: – “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada” (Mt 15:22). O rogo por misericórdia do Filho de Davi constitui oração, súplica, entretanto, pela natureza do pedido, esta mesma súplica constitui-se adoração, pois o teor do pedido só pode ser realizado por Deus.

Quando lemos: ‘orando em todo o tempo’, o sentido é: ‘confiar sempre, continuamente’, com plena confiança (προσευχη-oração). O termo δέησις[4] traduzido por súplica remete à misericórdia divina, pois quem assume a condição de necessitado (δέησις) é porque espera por misericórdia. Em outras palavras, o apóstolo Paulo está recomendando aos cristãos que façam imprecações (προσευχομαι) com plena confiança (προσευχη) na misericórdia (δέησις) de Deus.

A oração do ponto de vista bíblico pode assumir o valor de devoção. Mas, vale destacar que há devoção e devoções. A devoção de um indivíduo pode ser real, entretanto, se o objeto de devoção é falso, temos a idolatria, que resulta em nada. Mas aquele que nutre devoção em Deus, temos a oração bíblica.

Enquanto no verso ‘προσευχῆς καὶ δεήσεως’ significa ‘confiança em Deus aguardando por Sua misericórdia’, ‘προσκαρτερήσει καὶ δεήσει’ significa ‘permanecer rogando’ a Deus em favor dos santos: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito e vigiando nisto, com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6:18).

Quando Tiago afirmou de Elias que προσευχῇ προσηύξατο (com oração orou), o sentido é: com confiança rogou (Tg 5:17), de modo que o termo oração assumiu o sentido de ‘confiança’, ‘devoção’.

 

Então, por que Deus nem sempre responde as petições de todos?

Fica a pergunta: você tem certeza de que Deus te ouve, se pedir alguma coisa, segundo a sua vontade? O verbo ‘ouvir’ na frase significa atender.

Esta deve ser a crença do cristão: antes de abrirmos a boca, Deus já sabe o que havemos de pedir (Mt 6:8), portanto, não é necessário repetir diversas vezes o que se quer para ser atendido (Mt 6:7).

“Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5:14).

O que o evangelista João expressou neste verso? Se o crente pedir a Deus para ganhar na loteria Deus há de conceder? Alguém pode argumentar que não, pois este não é um pedido legitimo. E se o crente pedir uma casa? Alguém pode objetar dizendo: Mais tal pedido é para deleite próprio.

Qual pedido Deus ouve? Qual pedido é de acordo com sua vontade?

O evangelista João estava demonstrando que todo aquele que crê em Cristo é nascido de Deus (1Jo 5:1), ou seja, é filho (1Jo 3:1). Em seguida, enfatiza o seu objetivo: “Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes, no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus” (1Jo 5:13).

Ou seja, tudo o que o evangelista estava demonstrando, era que os cristãos já estavam de posse da vida eterna, pois haviam crido no nome de Jesus. Pois Deus deu a vida eterna: o seu Filho Jesus Cristo (1Jo 5:11), de modo que quem tem a Cristo, tem a vida eterna (1Jo 5:12).

Se confiamos em Deus, que se pedirmos algo segundo a sua vontade, Ele concede (ouve) (1Jo 5:14), e que a vontade d’Ele é que todos se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1Tm 2:4), certo é que se pedimos vida eterna (1Jo 5:15), já alcançamos, visto que sabemos que nos ouve e temos os pedidos atendidos: temos a vida eterna.

A exposição joanina tem o condão de demonstrar que o crente já alcançou o que pediu: salvação, portanto, Deus responde igualmente o pedido de todos que O invocam: “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” (Rm 10:13); “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (At 2:21); “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (Jo 2:32).

Com relação à salvação Deus responde a todos igualmente, portanto, com relação à vida eterna a pergunta ‘por que Deus não responde a petição de todos’ é sem fundamento e descabida.

Para salvar, as mãos de Deus sempre estão estendidas e os seus ouvidos abertos à petição dos homens, entretanto, Deus não ouve aqueles que em lugar de invocar o nome do Senhor, procuram alcançar o seu favor através de sacrifícios, penitências, rezas, rogos, orações, votos, etc. “Certamente, o braço do Senhor não está encolhido para salvar, nem seu ouvido fechado para ouvir. Mas suas iniquidades separaram vocês de Deus. Seus pecados esconderam a face dele de vocês, então ele não os irá ouvir” (Is 59:12).

 

Tudo o que for pedido será concedido?

O verdadeiro crente sabe que é salvo porque neste quesito Deus o atendeu, porém, quando diante de uma vicissitude ou calamidade, deve proceder como Marta, que apesar de seu irmão ter morrido e estar sepultado há quatro dias, permaneceu crendo que Jesus era o Filho de Deus.

Embora Lázaro estivesse na sepultura, a confiança de Marta em Jesus não se extinguiu e nem ficou abalada, conforme se lê: “Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá” (Jo 11:22). A morte de Lázaro não trouxe inquietação sobre Marta, que naquele momento difícil confessou: – “Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” (Jo 11:27).

Os discípulos nutriam a sua confiança em Deus, porém, da mesma forma que confiavam no Pai, Jesus orienta os seus seguidores a confiarem n’Ele (Jo 14:1).

Enquanto Jesus estava no mundo, tudo o que os discípulos rogavam, rogavam ao Pai e tudo que era concedido era concedido pelo Pai, pois tudo era realizado por Deus: “Mas Jesus respondeu e disse-lhes: Na verdade, na verdade, vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente” (Jo 5:19).

Porém, próximo da sua partida, Jesus procura demonstrar aos seus discípulos que, da mesma forma que pediam ao Pai, agora podiam pedir ao Filho, pois se pedissem alguma coisa em nome de Cristo, Ele mesmo haveria de realizar, pois tudo o que o Pai realiza, o Filho realiza igualmente.

Agora que Cristo estava retornando à sua glória, tudo que fosse pedido, o Filho haveria de realizar, para que o Pai fosse glorificado através de Cristo. A ideia contida no verso 13 de João 14 é que Jesus e não Deus, que haveria de realizar tudo o que fosse pedido. Antes era o Pai que realizava, mas para que o Pai fosse glorificado, o Filho passaria a realizar tudo.

A ênfase do texto não está em que Cristo há de realizar tudo o que for pedido, mas o que for concedido é Cristo que haverá de realizar: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14:13-14).

Os discípulos ainda não pediam a Cristo, somente ao Pai, de modo que Ele alerta que podiam pedir diretamente a Ele, e Ele haveria de atender: “E naquele dia nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra. Disse-vos isto por parábolas; chega, porém, a hora em que não vos falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai. Naquele dia pedireis em meu nome e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai” (Jo 16:23-26).

Jesus estava demonstrando que não mais rogaria ao Pai pelos discípulos, antes Ele mesmo atenderia às petições. E, caso alguém não soubesse o que pedir, que o Espírito Santo haveria de interceder com gemidos inexprimíveis: “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8:26).

Quando Jesus disse: “Se vós estiverdes em mim e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito” (Jo 15:7), estava enfatizando a sua capacidade de realizar igualmente tudo o que o Pai realizava, e não que haveria de atender todo e qualquer pedido.

 

O que dizer das orações “não respondidas”?

O crente deve estar consciente que tudo acontece igualmente aos justos e injustos (Ec 9:2), que o tempo e a sorte ocorre a todos (Ec 9:11), e que há um tempo determinado para todas as coisas (Ec 3:2). É imprescindível considerar que Deus fez o dia da adversidade em oposição ao dia da bonança (Ec 7:14), e que o dever de todo homem é obedecer a Deus (Ec 11:13).

Se o crente orar a Deus considerando as questões acima, ou seja, se não pedir que Deus transtorne a Sua palavra em alguns dos quesitos acima, certamente receberá o que pedir.

Oração do tipo: – ‘Senhor, eu te obedeço, portanto, responda a minha oração’, é sem efeito, pois obedecer a Deus é dever de todo homem. Rogar a Deus: – ‘Senhor, mude a minha sorte, certamente não será atendido, pois a sorte ocorre a todos’.

É comum vermos jogadores de futebol que se dizem cristãos fazendo preces quando entram em campo para que Deus lhes seja favorável. Este tipo de ‘oração’ Deus não atende, pois Ele jamais favorecerá alguém em uma demanda em função de uma oração ou de uma promessa. Se nem o pobre Deus favorece em demandas, que se dirá em questões de probabilidades (Ex 23:3).

Oração que visa transtornar qualquer elemento das questões enumeradas acima não será atendida, pois Deus não favorece ninguém em detrimento do próximo. Quando lemos: “E tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mt 21:22), devemos considerar que os pedidos que se enquadram nas questões acima não serão concedidos.

Quando é dito: – ‘Se tiveres fé (πίστις-pistis)…’ ( Mt 21:21), expressa a mesma verdade registrada por Marcos: ‘Tende fé em Deus’ (Mc 11:22), o termo grego traduzido por ‘fé’ é um substantivo e, em Mateus, tem o significado de verdade, fidelidade, ou seja, diz do dom de Deus. Se o homem está de posse da verdade do evangelho e não duvida, fará o impossível, daí a alusão ao transportar os montes para o meio do mar. Que impossível será feito? A salvação do homem, milagre muito superior a uma figueira que murchou imediatamente (Mt 19:26).

Certamente, as pessoas justas e injustas ficam doentes e morrem. Problemas financeiros advêm sobre todos e toda sorte de vicissitudes são passíveis de acontecer na vida de qualquer um.

 

O que fazer então?

Perseverar com alegria, confiando em Deus!

Aquele que confia plenamente em Deus aprende a contentar-se com o que tem. Não ambiciona coisas altas, antes se acomoda às humildes. Saberá ser servo ou príncipe; ter falta ou abundância, pois sabe que pode suportar todas as coisas em Cristo.

Em Cristo, o crente está apto a confessar com segurança, como Sadraque, Mesaque e Abedenego:

“Responderam Sadraque, Mesaque e Abedenego e disseram ao rei Nabucodonosor: Não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste” (Dn 3:16-18).

Quando fazemos um pedido a Deus, temos que considerar que Ele pode nos livrar ou conceder o que pedimos, mas se não formos atendidos, que o nosso dever é permanecer firme, crendo que Jesus é o Filho de Deus.

Se as nossas petições não forem respondidas, temos que considerar que tudo concorre para o bem daqueles que obedecem a Deus (Rm 8:28). Se não alcançamos o que pedimos, é porque o que pedimos visava a um deleite humano: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg 4:3).

Antes de pedirmos algo em oração, devemos ter em mente que Deus jamais concederá o que pedirmos se for contrário à Sua justiça. Moisés fez um pedido mal, quando rogou que Deus perdoasse o povo, se não, que apagasse o nome dele do livro da vida: “Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Êx 32:32).

Geralmente, quando o homem fica ansioso, é por questões desta vida, como casa, carro, casamento, família, emprego, etc. Nada nos impede de rogarmos a Deus e apresentarmos os nossos anseios, porém, sempre que rogarmos, que seja sempre com ação de graças: “Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus” (Fp 4:5-7).

“Senhor, me conceda …, mas se o Senhor não me atender, contudo me alegrarei em Ti, o Deus da minha salvação”.

“Senhor, eu rogo a ti…, pois sei que me ouves, mas se não for do teu agrado conceder, sei que o Senhor tem cuidado de mim”.

“Lancem sobre ele toda ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1Pd 5:7).

Os heróis listados na galeria da fé praticaram coisas incríveis e outros sofreram coisas terríveis, mas todos permaneceram fiados em Deus:

“Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados” (Hb 11:33-40).

Este foi o lema destes homens postos por exemplo:

“Confie nele todo o tempo, ó povo. Coloque diante dele o coração, pois ele é o nosso refúgio” (Sl 62:8).

Embora Deus tenha dado testemunho destes homens, conforme consta nas Escrituras, eles não alcançaram a promessa, mas, nós que cremos em Cristo, apesar das aflições deste tempo presente, temos alcançado coisa melhor, a ponto de o apóstolo Paulo dizer que as aflições não são para se comprar com a glória que em nos será revelada (Rm 8:18).

Esta é a confiança daqueles que estão em Cristo, ou seja, que são uma nova criatura: “Se vocês permanecerem em mim e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido” (João 15:7 e 17).

O que devemos pedir? Jesus está demonstrando que temos plena liberdade para pedir e não que tudo será concedido. Mas, se o crente pedir a Cristo para produzir fruto, certamente Deus concederá, pois o fruto que o crente produz redunda em glória a Deus (Jo 15:8), pois para isso o crente é escolhido e comissionado: produzir frutos (Jo 15:16), ou seja, o fruto é anunciar as virtudes de Cristo: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9).

Qualquer que confessa a Cristo, glorifica a Deus, ou seja, oferece sacrifício de louvor: “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13:15); “Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará; e àquele que bem ordena o seu caminho, eu mostrarei a salvação de Deus” (Sl 50:23).

 


[1] “O termo oração, em sentido mais lato, inclui todas as formas de comunhão com Deus. Abrange a adoração, o louvor, o agradecimento, a súplica e a intercessão” Bancroft. E. H., Teologia Elementar, Editora EBR – Editora Batista Regular, 3º Edição, 2001, pág. 365.

[2] “4335 προσευχη proseuche de 4336; TDNT – 2:807,279; n f 1) oração dirigida a Deus 2) lugar separado ou apropriado para oração 2a) sinagoga 2b) lugar ao ar livre onde os judeus costumavam orar, fora das cidades, nos lugares onde não tinham sinagoga 2b1) tais lugares estavam situados às margens de um rio ou no litoral de um mar, onde havia um suprimento de água para lavar as mãos antes da oração Sinônimos ver verbete 5828 e 5883”; “4336 προσευχομαι proseuchomai de 4314 e 2172; TDNT – 2:807,279; v 1) oferecer orações, orar” Dicionário Bíblico Strong; “ORAR A. Verbos. 1. euchomai (ευχομαι), “orar (a Deus)”, é usado com este significado em 2 Co 13.7 (“rogo”); 2Co 13.9 (“desejamos”); Tg 5.16; 3 Jo 2. Às vezes os verbos “prover” (At 26.29), “desejar” (At 27.29), “poder desejar” (Rm 9.3), indicam que a “oração” está envolvida.1 2. proseuchomai (προσευχομαι). “orar”, sempre é usado acerca da “oração” feita a Deus, e é a palavra mais frequente a este respeito, sobretudo nos Evangelhos Sinóticos e em Atos, uma vez em Romanos (Rm 8.26); em Efésios (E f 6.18); em Filipenses (Fp 1.9); em I Timóteo (1 Tm 2.8); em Hebreus (Hb 13.18); cm Judas (Jd 20). Quanto à injunção em 1 Ts 5.17. veja CESSAR. C. 3. erõtaõ (ερωταω), “pedir”, tem o sentido do verbo “rogar” em Lc 14.18.19; 16.27; Jo 4.31; 14.16; 16.26; 17.9; 17.15 (“peço”); Jo 17.20; At 23.18; 1 Jo 5.16 (“orará” ). Veja PEDIR. A, r\° 2. B. Substantivos. 1. euche (ευχη), cognato de A, n° 1. denota “oração” (Tg 5.15); “voto” (At 18.18 e 21.23). veja VOTO. 2. proseuche (προσευχη), cognato de A. n° 2, denota: (a) “oração” (a Deus), o termo mais freqüente, ocorre, por exemplo, em Mt 21.22: Lc 6.12 (onde a frase não deve ser considerada literalmente como se significasse, “a oração de Deus” [genitivo subjetivo], mas no caso acusativo, “oração a Deus”). Em Tg 5.17, “orando, pediu”, é, literalmente, “ele orou com oração” (forma hebraística); nos seguintes textos, a palavra é usada com o n° 3: Ef 6.18: Fp 4.6; 1 Tm 2.1: 5.5; (b) “um lugar de oração” (At 16.13.16). um lugar fora dos muros da cidade. 3. deesis (δεησις), primariamente “desejo, necessidade” (cognato dc A, n° 4), então, “pedido, solicitação, súplica”, no Novo Testamento sempre é dirigido a Deus, sendo traduzido ou por “súplica” ou por “oração” (e seus respectivos plurais), em Lc 1.13; 2.37; 5.33; Rm 10.1; 2 Co 1.11:9.14; Fp 1.4: Fp 1.19: 2 Tm 1 .3 ;H b 5 .7 ;T g 5.16: 1 Pe3.12” Dicionário Bíblico VINI.

[3] “Metonímia ou Transnominação – É a figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles. Definição básica: Figura retórica que consiste no emprego de uma palavra por outra que a recorda” Wikipedia

[4] “1162 δεησις deesis de 1189; TDNT – 2:40,144; n f 1) necessidade, indigência, falta, privação penúria 2) o ato de pedir, petição, súplica, pedido a Deus ou a um ser humano Sinônimos ver verbete 5828 e 5883” Dicionário Bíblico Strong.

Ler mais

‘Quem é a fé’, e não ‘O que é a Fé’

Nas Escrituras fidelidade (Fé) produz confiança (fé), mas a confiança (crença) de alguém não produz fidelidade. A fé-confiança é sempre fruto da Fé-fidelidade, nunca o contrário.  Quando cremos na PALAVRA de Deus que não passa, mas que permanece para sempre (Fé-fidelidade), a fé-confiança que possuímos é fruto da Fé-fidelidade de Deus.

 


O Pr. Airton Evangelista da Costa assim respondeu a pergunta ‘O que é a fé’?:

“A fé não se explica através da lógica humana. Fé é crença, convicção, certeza, confiança, entrega. É a certeza de que algo vai acontecer, não importando se as condições sejam contrárias. A definição bíblica para a fé é a seguinte: ‘É a CERTEZA das coisas que se esperam, e a prova das coisas QUE NÃO SE VÊEM’ ( Hb 11:1 ). Fé é a crença de que o Senhor está no comando de todas as coisas, em quem depositamos total e irrestrita confiança”  Airton Evangelista da Costa, O Que é a Fé?, Artigo disponível no link: < http://www.estudosgospel.com.br/a-biblia-responde/soteriologia/o-que-e-a-fe.html> visitado em 0105/13.

Há equívocos na definição acima, tanto na argumentação do Pr. Airton quanto na tradução bíblica utilizada por ele.

Na bíblia a fé não é definida como certeza, antes a fé é descrita como ‘firme fundamento’ “ORA, a fé é o FIRME FUNDAMENTO das coisas que se esperam, e a PROVA das coisas que se não veem” ( Hb 11:1 ). O ‘firme fundamento’ é objetivo e a ‘certeza’, por sua vez, é questão subjetiva, de foro íntimo e varia de pessoa para pessoa.

A certeza ou opinião varia de pessoa para pessoa, mas o fundamento de Deus não! O fundamento de Deus fica firme ( 2Tm 2:19 ), as opiniões e certezas não.

Qual é o fundamento de Deus? Cristo, Ele é a fé anunciada de antemão pelos apóstolos e profetas e se manifestou aos homens na plenitude dos tempos “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” ( Ef 2:20 ); “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” ( 1Co 3:11 ).

Jesus Cristo é o fundamento de Deus, a rocha inabalável, firme. Enquanto a bíblia aponta para o fundamento que é firme, o Pr. Airton aponta para uma crença, uma certeza. Ele deixa de olhar para o que é firme para olhar o que é transitório:

“É a certeza de que algo vai acontecer, não importando se as condições sejam contrárias” (Idem).

Quando o escritor aos Hebreus diz que a fé é o firme fundamento, ele está falando de Cristo, a pedra firme que os edificadores rejeitaram “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina” ( At 4:11 ); “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” ( Ef 2:20 ).

Na bíblia, Cristo é a personificação da fé, ou seja, Ele é a fé que havia de se manifestar e foi manifesta na plenitude dos tempos “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” ( Gl 3:23 ). A FÉ que havia de se manifestar é Cristo, por meio da qual o justo vive “Eis que a sua alma está orgulhosa, não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá” ( Hc 2:4 ). Se o homem vive da palavra que sai da boa de Deus (Verbo), consequentemente a fé não é uma certeza, uma opinião ou um sentimento, isto porque certezas, opiniões e sentimentos são volúveis enquanto a palavra de Deus permanece para sempre e faz tudo o que lhe é aprazível “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” ( Is 55:11 ; 1Pe 1:25 ).

Da palavra de Deus temos o testemunho de que jamais mudará, mas com relação aos homens há a exortação para que creiam na palavra de Deus até o fim ( Mt 24:13 ).

Jesus disse: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” ( Jo 16:33 ), ao fazer referencia a Cristo, o evangelista João diz: “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” ( 1Jo 5:4 ). Não é a certeza do homem que vence o mundo, antes quem venceu o mundo foi Cristo, e Ele é a nossa fé.

Cristo é a fé que habita no coração daqueles que creem ( 2Tm 1:5 ), pois Ele prometeu fazer morada nos crentes ( Jo 14:23 ).

A fé que não se explica através da lógica humana é a fé que consta nos dicionários. Por exemplo:

“Fé (do Latim fides, fidelidade e do Grego πίστη pistia1 ) é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta ideia ou fonte de transmissão” Wikipédia.

Se alguém possui a opinião de que algo é verdade, os lexicógrafos definem que tal opinião ou crença é fé. Por exemplo: se alguém tiver a firme opinião de que um pedaço de madeira é pedra, a opinião, a crença de tal pessoa é tida por fé.

Mas, observando na bíblia, verifica-se que, quando Deus ordenou ao povo de Israel que subisse e tomasse a terra prometida por herança, se houvessem obedecido, a crença (pisteuein) deles na palavra de Deus (verdadeira e firme= pistis) seria designada fé (pisteuein), porém, como o povo desobedeceu, isto demonstra que não tinham o que é proveniente do que é verdadeiro e firme (pistis): fé (confiança=pisteuein). Observe que em seguida os filhos de Israel se animaram em adentrar a terra e o que fizeram a seguir também não era fé, pois não estavam apoiados na palavra de Deus ( Nm 14:39 -45 ).

A opinião do povo estava formada: ‘Não podemos subir contra aquele povo porque é mais forte que nós’ ( Nm 13:31 ). Logo em seguida surgiu nova opinião: ‘Eis-nos aqui, e subiremos ao lugar que o SENHOR tem falado; porquanto havemos pecado’ ( Nm 14:40 ), mas em ambos os casos a opinião que possuíam não era fé.

Não é a covardia ou a coragem que determina se o homem tem fé ou não. O que promove a fé é a verdade da palavra de Deus, de modo que, quando o homem anda segundo o que lhe é ordenado, anda por fé. Aceitar ou não um desafio não é prova de fé, antes resignar-se a obedecer a palavra de Deus é fé “E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” ( Mt 4:3 -4).

Há uma grande confusão com relação ao termo ‘fé’ e o termo ‘crer’, visto que na língua grega o mesmo radical da palavra é utilizado como substantivo e verbo. Quando os tradutores foram traduzir o substantivo e o verbo ‘fé’ para a língua portuguesa, como o termo fé não é flexionável para ser utilizado como verbo, o termo foi substituído pelo verbo crer.

Em resumo, o substantivo latino fides (fé), correspondente ao termo grego pistis (fé=substantivo), não tem verbo e, assim, os tradutores viram-se obrigados a recorrer a um verbo latino de outro radical para exprimir o verbo grego pisteuein. Passaram a utilizar o verbo credere, que em português é crer.

No hebraico arcaico, o termo fé é ‘emunah’, palavra feminina com dois significados: fidelidade e adesão, e no hebraico moderno o termo passou a ser utilizado com vários significados, incluindo o verbo ‘crer’, que na língua hebraica é ‘boteach’ (creio) e ‘livtoach’ (acreditar).

Na língua grega o termo fé (Pistis [substantivo], Pisteuō, [verbo], Pistos [adjetivo]) deriva dos termos verdadeiro, fidedigno, fiel, de modo que a fé decorre do que é verdade, fiel, fidedigno. Não há fé no que é falso, na crendice, no conto de fada. Somente o que é verdadeiro produz fé, de modo que um tabelião só dá fé do que é verdadeiro.

Ora, a fé está vinculada à verdade, e a fidelidade ao que é fidedigno, de modo que a confiança deriva da verdade, do que é real, nunca o contrário. Jamais a confiança produz uma verdade ou altera a realidade.

A ‘lei da gravidade’ contém os elementos essenciais para que se possa compreender o sentido da fé. Se uma pessoa acredita (opinião firme) que se saltar de um penhasco uma força de atração o trará para o solo, temos a fé: confiança na verdade. Mas, se uma pessoa acredita que ao saltar do penhasco alçará voo, temos uma crença. Ainda que esta confiança ou opinião seja absoluta, não mudará a verdade de que uma força o atrairá para o solo.

A fé não decorre de uma firme opinião de que algo é verdade, antes a fé decorre da verdade. Sem a verdade não há fé. À parte do que é verdadeiro, firme, seguro, fidedigno, fiel, não há que se falar em fé.

Acreditar na fada do dente, ter a firme opinião de que a fada Sininho existe não é fé, é ilusão. Tal crendice, tal opinião, por mais intensa que seja, não torna a fantasia real. Agora, a verdade, por sua vez, é o que produz fé, confiança, mesmo quando não podemos ver.

As definições contidas nos dicionários apresentam diversos significados com relação ao termo fé porque a língua é dinâmica. Observe algumas frases construídas com o termo fé:

  • “Fazer fé”: acreditar em alguém ou em algum ato; ter esperança;
  • “Dar fé”: afirmar como verdade;
  • “Boa fé”: forma de agir honestamente, sem quebrar um compromisso;
  • “Má fé”: agir de forma intencional para prejudicar terceiros;
  • “Botar fé”: acreditar sem questionar;
  • “Fé cega”: o ato de acreditar sem questionar;
  • “A fé remove montanhas”: o impossível pode ser alcançado quando você acredita em Deus.

A ideia bíblica: ‘Creio porque é verdadeiro’ acabou sendo substituída pela asserção ‘creio porque é absurdo, improvável’, etc. pelo uso incorreto do termo fé (fides).  Tremendo equivoco!

Nas Escrituras fidelidade (Fé) produz confiança (fé), mas a confiança (crença) de alguém não produz fidelidade. A fé-confiança é sempre fruto da Fé-fidelidade, nunca o contrário.  Quando cremos na PALAVRA de Deus que não passa, mas que permanece para sempre (Fé-fidelidade), a fé-confiança que possuímos é fruto da Fé-fidelidade de Deus.

Qualquer que planta limão e se põe a espera de uma colheita de laranja é louco, desvairado, pois o fato de esperar, acreditar, firmar opinião, etc., jamais mudará o fato de que sementes de limão produzem limão, isto porque Deus disse: “Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi” ( Gn 1:11 ).

Acreditar jamais mudará o que foi estabelecido por Deus: as árvores darão frutos segundo a sua espécie, ou seja, segundo a sua semente.

Agora, quando alguém acredita, tem certeza, a firme opinião de que ao plantar limão, colherá limão, a fé-confiança (pisteuein ) é fruto da Fé-fidelidade (pistis) que estabeleceu que a ‘árvore frutífera dê fruto segundo a sua espécie’.

A verdade de que uma semente produz frutos segundo a sua espécie é o que denominamos fé (verdade, fiel, fidedigno), pois apesar de não se ver as árvores e os seus frutos quando se está lançando a semente ao solo, a semente é prova suficiente daquilo que não se vê. O que espero tem por base um firme fundamento.

Quando Jesus anunciou ser o Filho de Deus, muitos não creram porque não criam nas Escrituras “Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” ( Jo 5:47 ). Além do testemunho das Escrituras, as obras que Jesus realizava testificavam acerca d’Ele “Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim” ( Jo 10:25 ).

Por que era necessário o testemunho das Escrituras e o testemunho das obras de Cristo? Porque a fé deriva do fundamento, da verdade, do que é firme, e não de uma crença, convicção, certeza, confiança, entrega.

Por que o crente crê em Deus? Por causa de milagres?  Não! O crente crê em Deus por causa de Cristo, visto que Deus o ressuscitou dentre os mortos. Deus o ressuscitou para que a confiança e esperança do crente estejam em Deus “E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus” ( 1Pe 1:21 ).

O evento da ressurreição é tão importante para o crente que, os seus discípulos foram estabelecidos por testemunhas da ressurreição “E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas ( At 3:15 ).

A concepção de que a fé não é afeta a lógica humana decorre de uma má leitura feita desde os patristicos, sendo atribuída a Tertuliano a frase ‘credo quia absurdum’ (creio porque é absurdo) em decorrência da frase: “E o Filho de Deus morreu, o que é crível justamente por ser inepto; e ressuscitou do sepulcro, o que é certo porque é impossível”, pois entendiam que a verdadeira fé tem de se opor a razão.

Se a fé não se explicasse através da lógica humana, ou se a fé fosse contrária à razão, seria sem sentido a orientação do apóstolo Pedro: “Antes, santificai ao SENHOR Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” ( 1Pe 3:15 ). Ou ainda a exortação do apóstolo Paulo em Romanos 12.1 para apresentar a Deus sacrifício vivo, santo e agradável que é o culto racional.

Seria sem sentido Cristo ter aparecido aos seus discípulos com muitas e infalíveis provas “Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus” ( At 1:3 ).

A fé não é a ‘crença de que Deus está no comando de todas as coisas’, antes a fé é proveniente de Deus que é fiel, verdadeiro e poderoso para cumprir a sua palavra, portanto, digno de total e irrestrita confiança Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:11 -13).

Quando o homem crê que pode salvar-se através das suas boas ações, sacrifícios, orações, votos, etc., não é fé, antes fé é quando o homem crê que Cristo é o enviado de Deus que tira o pecado do mundo.

Cristo é a fé manifesta, o firme fundamento estabelecido por Deus. Por intermédio de Cristo é que cremos em Deus que ressuscita os mortos. Sem Cristo é impossível agradar a Deus, pois Ele é o autor e o consumador da fé ( Hb 11:6 ; Hb 12:2 ; 1Pe 2:5 ).

Ler mais

Como agradar a Deus?

O conceito que o escritor aos Hebreus apresentou auxilia em muito no desenvolvimento deste estudo, porém, o contexto na qual a palavra ‘fé’ é empregada nos diz muito mais “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” ( Hb 11:1 ).

 


“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus…” ( Hb 11:6 )

A Bíblia geralmente trabalha com proposições, ou seja, não é uma característica das exposições bíblicas dar definições e conceitos. Exemplificando, a bíblia não apresenta uma definição ou um conceito de Deus, ela simplesmente apresenta algumas proposições, como: Deus é luz; Deus é vida, etc.

A linguagem bíblica demanda raciocínio para chegar a um entendimento, diferente da linguagem dos livros de hoje, que se aplicam em apresentar conceitos e definições acerca dos temas que abordam.

Os livros acabam simplesmente informando os seus leitores, já a Bíblia estimula o raciocínio do leitor, fazendo com que este percorra os labirintos do aprendizado até uma maravilhosa descoberta. Além do mais, auxilia na memorização do conceito quando abstraído.

Apesar de a Bíblia nos estimular ao raciocínio, ela nos surpreende ao apresentar, em uma das suas cartas, um conceito de fé:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” ( Hb 11:1 ).

a) O fundamento firme é definido pelo escritor aos Hebreus como sendo fé.

b) A fé é prova do que se espera e que apesar de não ser possível ser visto, existe.

O conceito que o escritor aos Hebreus apresentou auxilia em muito no desenvolvimento deste estudo, porém, o contexto na qual a palavra fé é empregada nos diz muito mais. Observe o versículo seguinte:

 

“Mas, se alguém não cuida dos seus, e principalmente dos da família, negou a fé, e é pior que o incrédulo” ( 1Tm 5:8 )

Qual o significado da palavra fé no versículo acima? Podemos aplicar o conceito apresentado pelo escritor aos Hebreus a este versículo? Não!

O contexto demonstra que a palavra fé empregada por Paulo neste verso teve o seu significado primário ampliado, passando a designar a ideia geral da mensagem do evangelho. Dizer que: ‘alguém negou a fé’, tem o mesmo significado que ‘negar a mensagem do evangelho’.

A fonte da fé genuína é o evangelho, e ter um comportamento contrário ao recomendado pelo evangelho constitui-se prova de que aquele que se diz cristão, e não é, está em condição inferior até mesmo daquele que não professa o evangelho.

O apóstolo Paulo não quis dizer que o comportamento seja essencial à aceitação do evangelho, pois este é alcançado por meio da fé. Antes, ele procurou demonstrar que o comportamento do cristão confirma o que ele professa ter alcançado por meio do evangelho.

A palavra fé neste versículo é empregada para designar a mensagem que deu causa à confiança do crente, enquanto o conceito da carta aos Hebreus se prende à confiança do crente, sem qualquer referência a mensagem que promove a fé.

Percebe-se que a fé não se trata de uma qualidade ou mérito intrínseco ao crente. A mensagem do evangelho dá base à crença (fé), que acaba por refletir no comportamento de quem professa segui-la.

Um outro aspecto a considerar, quanto à interpretação de alguns textos bíblicos, fica por conta da etimologia da palavra fé.

A ideia de fé no Antigo Testamento é a de ‘descansar’ ou ‘apoiar-se’, confiante em alguém ou em alguma coisa.

 

“Porque o Egito os ajudará em vão, e para nenhum fim; por isso clamei acerca disto: No estarem quietos será a sua força (…) Assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em repousardes está a vossa salvação, no sossego e na confiança está a vossa força, mas não quisestes” ( Is 30:7 e 15).

“Aquietai-vos, e sabei que Eu sou Deus” ( Sl 46:10 )

A intranquilidade do homem, ou a sua procura obstinada por uma saída frente aos problemas da vida é uma demonstração de falta de confiança em Deus.

Geazi, o servo de Eliseu, é o exemplo típico do homem sem fé: “Então o moço lhe perguntou: Ai, meu senhor, o que faremos?” ( 2Rs 6:15 b).

A falta de confiança (fé) faz com que o homem busque uma solução apoiada em seus próprios recursos. A pergunta de quem não tem fé sempre será: O que faremos? “Perguntaram eles: Que faremos para executar as obras de Deus?” ( Jo 6:28 ).

Eliseu por sua vez demonstra tranqüilidade, mesmo quando tudo parecia perdido aos olhos de Geazi.

Os reis de Israel e Judá sempre procuravam alianças com os povos vizinhos, confiando que as suas alianças trariam paz e segurança. Todos eles esqueciam que Deus havia prometido defende-los, e que bastava repousarem e estar sossegados.

No A. T. a salvação de Deus apresentava-se àqueles que se convertiam ao Senhor e repousavam (descansar). Já o livramento aparecia vinculado ao estar sossegado. A força dos reis de Israel e Judá não estava em suas alianças, exércitos, cavaleiros, homens, etc., e sim, em estarem tranquilos.

No Novo Testamento temos o verbo ‘pisteuõ’ e o seu substantivo ‘pistis’. Este verbo tem dois significados básicos:

(1) acreditar no que alguém diz, aceitar uma afirmação como verdade, especialmente a de natureza religiosa “Vai-te, e seja feito conforme a tua fé” ( Mt 8:13 );

(2) confiança pessoal em contraposição a um mero crédito ou crença, e esta ideia é introduzida no texto através de uma preposição “em + ele” “Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados” ( At 10:43 ).

A mensagem do evangelho fundamenta-se na pessoa de Cristo. Ele mesmo anunciou as boas novas do reino aos homens. Crer na mensagem do engelho, em última instância, é crer na pessoa de Cristo.

A fé do cristão é pessoal, e sendo Cristo o Verbo de Deus encarnado, a palavra d’Ele é a verdade. A pessoa de Cristo e a sua mensagem estão intimamente interligadas. A palavra da fé é o firme fundamento designado fé, sem a qual ninguém verá a Deus.

Ler mais

O que entender por vida abundante?

Em nossos dias vê-se um crescimento vertiginoso de templos e de seguidores de crenças e crendices, o que sugere que haverá fé na terra quando da volta de Cristo, porém, após entender que a fé que Jesus faz referência não tem relação com crenças que os homens depositam em seus lideres religiosos, ídolos, promessas vazias, auto-ajuda, etc., antes diz da fé que foi manifesta e trouxe salvação a humanidade que jazia em trevas, a pergunta de Jesus acerca da fé na terra quando da sua volta permanece sem uma resposta objetiva “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar ( Gl 3:23 ; Jo 1:1 e 14 ).


“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” ( Jo 10:10 )

 

Para compreender no que consiste e em como alcançar a vida abundante prometida por Cristo se faz necessário analisar alguns versos bíblicos, como este de Deuteronômio: “… de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” ( Dt 8:3 ); “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” ( Jo 6:47 ).

O profeta Moisés deixa claro que é a palavra de Deus que concede vida ao homem. A vida em comento no verso não é proveniente do alimento diário, pois do alimento diário está escrito que o homem ‘comerá do suor do seu rosto’ e, por fim voltará ao pó da terra “Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” ( Gn 3:19 ).

O alimento diário não livra o homem do seu destino: ‘és pó e em pó te tornarás’, mas na palavra de Deus tem-se a promessa de vida. Se a palavra de Deus é o que concede vida, segue-se que o homem alienado da palavra encontra-se morto diante de Deus, como atesta o apóstolo Paulo: “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas …” ( Ef 2:5 ).

Quando peregrinava pelo deserto, o povo de Israel se fixava em questões circunstanciais e materiais pertinentes à sobrevivência física, porém, o profeta Moisés emitiu um alerta ao povo de que foram contristados no deserto para que entendessem que o que sai da boca de Deus concede vida aos que jazem alienados d’Ele ( Dt 8:3 ).

O povo de Israel devia buscar a palavra de Deus para suprir-lhe a deficiência espiritual, porém, buscava a Deus somente em virtude das necessidades diárias, tais como a água no deserto, carne, maná, roupa, etc., o que não produz vida “Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram” ( Jo 6:49 ).

O profeta Habacuque vaticinou que ‘… o justo viverá da fé’ ( Hc 2:4 ), apontando a mesma verdade abordada por Moisés, ou seja, o homem que vive através da palavra de Deus é declarado justo diante d’Ele.

Quando atrelamos a citação de Habacuque com a de Deuteronômio, temos a seguinte leitura ‘O homem justo viverá de toda a palavra que sai da boca de Deus (fé)’, pois a ‘fé’ que o profeta Habacuque apresenta é Cristo, a fé que havia de se manifestar, a ‘palavra da boca de Deus’ “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar ( Gl 3:23 ; Jo 1:1 e 14 ).

Jesus mesmo disse que as suas palavras são espírito e vida: “… as palavras que eu vos disse são espírito e vida ( Jo 6:63 ) e, o evangelho é o poder de Deus que vivifica o homem “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica ( 2Co 3:6 ). O espírito que vivifica refere-se a palavra de Deus, a fé que havia de se manifestar: Cristo!

Cristo, o Verbo encarnado, é a ‘fé’ que justifica o homem, pois é Ele quem vivifica a quem quer “Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer” ( Jo 5:21 ); “Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste” ( Jo 17:8 ).

O espírito que vivifica é a fé que se manifestou trazendo salvação aos homens. Enquanto Adão foi criado alma vivente, Cristo foi feito espírito vivificante ( 1Co 15:22 e 45 ). A vida concedida aos que creem possui conexão intima com a ressurreição de Cristo dentre os mortos “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” ( 1Pe 1:3 ).

Desta forma podemos compreender a seguinte exposição paulina: “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1;19 -20). A grandeza do poder sobre os cristãos se dá segundo a operação do seu poder, ou seja, do evangelho, que é poder de Deus ( Rm 1:17 ), o mesmo poder que foi manifesto em Cristo ressuscitando-o dentre os mortos.

A proposta central do evangelho de Cristo centra-se na ressurreição do Messias dentre os mortos e, como Jesus ressurgiu, a fé é firme, pois o poder que n’Ele operou, agora opera nos que creem.

O salmista também faz referência à palavra de Deus como ente vivificador por diversas vezes: “A minha alma está pegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra ( Sl 119:25 e vv. 37, 40, 88, 107, 154, 156,159), comprovando que o testemunho dos profetas é segundo o Espírito de Cristo “Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir” ( 1Pe 1:11 ); “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho ( 1Jo 5:11 ).

Para se alcançar a vida abundante que Cristo prometeu basta crer, apoiar-se, descansar, confiar na fé revelada. O apóstolo João enfatizou: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna ( 1Jo 2:25 ). Todos quantos descansam nesta esperança proposta alcançaram a vida eterna “Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:15 ); “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” ( Jo 6:47 ); “Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” ( Jo 6:68 ); “Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna” ( Tt 3:7 ); “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta; A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu…” ( Hb 6:18 -19).

Basta ao homem dar ouvido à palavra de Cristo que passará da morte para a vida “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê n’Aquele que Me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:24 ).

A morte que Cristo faz referência diz da condição do homem alienado da vida que há em Deus em decorrência da desobediência de Adão. Tal morte não faz referência à morte física, antes diz da condição do homem na condição de trevas enquanto Deus é luz “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo( 1Co 15:21 -22).

A vida com Cristo diz da nova condição do homem unido ao Criador. Por ter sido gerado de novo, da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, o homem passa a compartilhar da glória de Deus. Qualquer que crê em Cristo passou da morte para a vida, ou seja, vive pelo Espírito, vive pela fé Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito” ( Gl 5:25 ); “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito ( Jo 3:8 ; Hc 2:4 ).

Vida dentre os mortos! É isto que Cristo promete e, é por isso que o cristão deve regozijar-se, visto que o seu nome está escrito no livro da vida “… alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” ( Lc 10:20 ). Essa é a esperança proposta, a vida eterna, portanto, o cristão deve se alegrar nela ( Rom 12:12 ). Cristo nos ofereceu a vida no sentido de o homem compartilhar da natureza divina, estar unido à glória de Deus “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” ( Jo 17:22 ).

Porém, muitos cristãos são atraídos pelo adjetivo pertinente a vida concedida por Cristo ( Jo 10:10 ). Por vida em abundância interpretam ‘qualidade de vida’ econômica e social, e se esquecem que o reino de Deus não é comida nem bebida “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” ( Rm 14:17 ).

Há também aqueles que apregoam que a vida ‘abundante’ ofertada por Cristo tem em vista o alívio dos sofrimentos causados pela pobreza, enfermidades, condições opressoras de trabalho, injustiças sociais, abusos dos direitos civis, etc., e que a vida prometida por Cristo tem em vista uma melhoria das questões de ordem moral. Chegam ao ponto de afirmar que a vida é para a eternidade e a vida em abundância é promessa para o presente momento, contrariando o que Cristo falou: no mundo tereis aflições ( Jo 16:33 ).

Em que consiste a abundância? Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” ( Jo 10:10 ), essa promessa que Ele fez é a de vida eterna, e a vida eterna é abundante.

Por certo, não se refere às condições existenciais do homem, pois todos tem uma expectativa de viver até os setenta anos, sendo que o que disso passar é canseira e enfado. Além disto, o homem comerá do suor do seu rosto, o que implica em enfado e cansaço “Os dias da nossa vida chegam a setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o orgulho deles é canseira e enfado, pois cedo se corta e vamos voando” ( Sl 90:10 ).

Ora, os que creem serão fartos de justiça, visto que é isto que Jesus oferece “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” ( Mt 5:6 ). Como a salvação proporcionada redunda em louvor a graça de Deus, certo é que os cristãos são fartos de alegria “E vós com alegria tirareis águas das fontes da salvação” ( Is 12:3 ). Na vida com Cristo há fartura de alegria, justiça, consolo, paz, etc.

A vida abundante refere-se ao que o reino de Deus proporciona: justiça, paz e alegria no Espírito Santo “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” ( Rm 14:17 ), pois em tudo os cristãos foram enriquecidos: “… em toda a palavra e em todo o conhecimento” ( 1Co 1:5 ); “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo” ( Cl 2:2 ).

O apóstolo Paulo enfatiza que os cristãos são abençoados com todas as bênçãos espirituais “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” ( Ef 1:3 ), e o salmista diz que nada tem falta os que O temem “Temei ao SENHOR, vós, os seus santos, pois nada falta aos que o temem ( Sl 34:9 ).

Se a vida abundante refere-se às questões de ordem econômica e social, jamais Cristo alertaria para que os seus ouvintes não se inquietassem pelo dia de amanha “Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?” ( Mt 6:31 ), pois os bens que um homem possui não consiste em riquezas “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” ( Lc 12:15 ).

Porque Jesus prometeria riquezas pertinentes a este mundo, se os cuidados deste mundo tornam infrutíferos os homens, o que poderá levá-los a serem cortado da Oliveira? “Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera” ( Mc 4:19 ).

É por causa destes pseudo evangelhos que hoje muitos apregoam e seguem, que Jesus fez a pergunta: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará na terra?” ( Lc 18:8 ).

Em nossos dias vê-se um crescimento vertiginoso de templos e de seguidores de crenças e crendices, o que sugere uma resposta positiva. Porém, após entender que a fé que Jesus faz referencia não tem relação com as crenças que os homens depositam em lideres religiosos, ídolos, promessas vazias, autoajuda, etc., antes diz da fé que foi manifesta trazendo salvação a humanidade que jazia em trevas, a pergunta de Jesus acerca da fé na terra quando da sua volta permanece sem uma resposta objetiva “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar ( Gl 3:23 ; Jo 1:1 e 14 ).

Ler mais

A fé

A fé é proveniente de Deus, e não do homem. É por causa da fidelidade, bondade e imutabilidade de Deus demonstrado no evangelho (fé) que o homem passa a descansar na esperança proposta (fé). A confiança (fé) do homem não é a causa da imutabilidade e fidelidade divina, antes a fidelidade e imutabilidade de Deus produz confiança. Ao ouvir a palavra de Deus, que contém grandíssimas promessas ( 2Pe 1:4 ), no coração do homem surge a fé, que nada mais é que confiança (fé) em Deus, que é fiel e poderoso para cumprir. A fé é resultado direto da fidelidade e do poder de Deus.


Você já deve ter percebido através da leitura do Livro de Gênesis que Deus deu plena liberdade ao homem quando disse: “De toda árvore do jardim comerás livremente…” ( Gn 2:16 ), e que era necessário ao homem confiar no seu Criador quando foi apresentada a ressalva: “…mas, da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás…”, uma vez que Deus deu um motivo muito forte para que o homem não comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal: “…porque no dia em que comeres, certamente morrerás”.

Deus apresentou ‘um motivo’ suficientemente esclarecedor ao homem sobre o porquê não se deveria comer do fruto da árvore do bem e do mal. Porém, para que o homem observasse a prescrição do seu Criador (obedecesse), era necessário confiar.

Ao colocar a árvore do conhecimento do bem e do mal no meio do jardim do Éden, Deus concedeu liberdade plena ao homem, e ao dar livre acesso a árvore do conhecimento do bem e do mal, Deus concedeu garantias para que o homem exercesse tal prerrogativa.

Através da liberdade (comer de todas as árvores livremente) e da garantia de exercer as suas escolhas (livre acesso a árvore) Deus estabeleceu uma relação de confiança com a sua criatura. Deus confiou um jardim com inúmeras espécies de árvores, tendo entre elas a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.

A autoridade de Deus se revela no cuidado ao alertar o homem do perigo que a árvore do bem e do mal representava para a manutenção da relação de confiança entre Deus e o homem.

A autoridade de Deus se revela no cuidado, e a confiança do homem na obediência. Para obedecer, o homem necessariamente precisa confiar em Deus, ou seja, na sua palavra.

Surgiu um personagem na história bíblica (serpente) que semeou a desconfiança entre o homem e Deus ao distorcer e negar a palavra de Deus ( Gn 3:4 ).

O homem, por sua vez, preferiu confiar em seus próprios sentidos, e comeu do fruto da árvore do bem e do mal “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e desejável para dar entendimento…” ( Gn 3:6 ).

O homem atentou contra a sua própria natureza quando deixou de confiar em Deus. Deixou a condição de amizade e confiança e passou a estar em inimizade com Deus, destituído da glória de Deus. Passou a estar morto diante de Deus, ou seja, morto em delitos e pecados.

Observe que o conceito de ‘morte’ em Gn 2:17 procede de Deus, ou seja, significa ‘separado da vida que há em Deus’, separado daquele que concede vida (morto). Já o conceito de ‘morte física’ somente é apresentado em Gênesis 3: 19, que é ‘tornar a terra’, isto porque, tanto os que ainda ‘não desceram’ à terra, e os que ‘tornaram’ a terra, “…para Deus vivem todos” ( Lc 20:38 ).

Mas aqueles que estão separados de Deus estão fatalmente mortos (separados de) para Deus.

Deus, que é grande em misericórdia e amor, providenciou salvação poderosa a todos os homens quando enviou o seu Filho ao mundo ( Rm 5:8 ; Lc 1:69 ). E, para alcançar a salvação prometida basta ao homem confiar no seu Criador.

Da mesma forma que, pela desobediência/falta de confiança de um homem (Adão) todos os homens tornaram-se pecadores, através da obediência/confiança (só obedece quem confia) de um só homem, que é Cristo (último Adão), todos os que creem em Cristo recebem de Deus salvação.

Pedro disse: “Em nenhum outro há salvação, pois também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” ( At 4:12 ). Para receber a salvação de Deus basta ao homem “…confessar a Jesus como Senhor…” e “…em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” ( Rm 10:9 ).

Através destes versículos, fica demonstrado que, para o homem alcançar salvação basta crer em Deus. Por que crer em Deus? O que é a fé em Deus?

A fé é algo proveniente de Deus, e não do homem. É por causa da fidelidade, bondade e imutabilidade de Deus demonstrado no evangelho (fé) que o homem passa a descansar na esperança proposta (fé). Ao ouvir a palavra de Deus, que contém grandíssimas promessas ( 2Pe 1:4 ), no coração do homem surge a fé, que nada mais é que confiança (fé) em Deus, que é fiel e poderoso para cumprir. A fé resulta diretamente da fidelidade e do poder de Deus.

A esperança proposta (evangelho) é nomeada ‘fé’, bem como o descansar em Deus (confiança, crença, fé) também é nomeado fé.

a) “Isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha” ( Rm 1:12 ); ‘fé mútua’ equivale a palavra do evangelho;
b) “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta ( Hb 6:18 ); A ‘firme consolação’, ‘reter a esperança proposta’, ou o ‘refugiar-se’ também se nomeia fé.

Sem a palavra do evangelho (fé) é impossível ao homem crer em Deus. Primeiro é necessário ouvir a ‘fé’ que foi dada aos santos, para depois o homem ter fé, ou seja, descansar na esperança proposta.

Somente confiamos em alguém que é verdadeiro, e Deus é a verdade. Segue-se que a fé é dom de Deus, pois ele é fiel, verdadeiro e tem todo poder para levar a efeito as suas promessas.

Crer implica em obediência. E, após obedecer a Deus, que é olhar para Ele (crer em Cristo) ( Is 45:22 ), a relação de confiança é estabelecida.

Através do evangelho, o homem crê em Deus que tem poder para fazê-lo filho de Deus. É a fidelidade de Deus e o poder de Deus que fará o que Lhe apraz, e não a confiança do homem na confiança. Ou seja, é Deus quem move as montanhas, e não a fé do homem. Fé na fé é superstição e não encontra apoio em Deus.

Um exemplo é: Deus prometeu salvação aos que creem, e você está confiante que Ele te salvou por crer em Cristo. Diferente é estar confiante de que a sua própria confiança te levará aos céus. A fidelidade de Deus é suficiente para te salvar, mas a fé na fé não promove a salvação.

No que você tem aplicado a sua confiança? Você crê na salvação ou que será bem sucedido financeiramente? Deus prometeu perdão de pecados pela fé em Cristo, e isto Ele cumpre. Diferente disto, é crer que Deus lhe dará posses nesta terra, uma vez que, Ele não prometeu riquezas nesta terra.

O apóstolo Pedro ao falar de Jesus disse o seguinte: “Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo (…) Ele mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e mortos. Dele dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” ( At 10:34 -43).

A fé ou a confiança é a única forma de todos os homens se achegarem a Deus, visto que, Ele é justo e não faz acepção de pessoas. Qualquer um que crer em Cristo passa a ser agradável a Deus. E, aquele que crê, descansa ( Hb 11:6 )!

Crer é lançar de si todas as ansiedades, pois é Deus quem cuida dos seus ( 1Pe 5:7 ).

Perguntas e Respostas:

1) O que satanás semeou no coração do homem?
R. A desconfiança

2) O homem quebrou a relação de confiança com Deus quando seguiu _os seus sentidos______ .

3) A confiança do homem se revela na _obediência à palavra de Deus______ .

4) A desobediência é falta de ___confiança___________ em Deus.

5) A fé é proveniente da __fidelidade ______ e do __poder__ de Deus.

6) O que Deus promete àqueles que creem em Cristo?
R. Poder para ser feito (criado novamente) um dos filho de Deus.

7) Ter fé é desvencilhar-se de toda __ansiedade ____, confiado no cuidado de Deus.

8) Qual o objetivo fim da confiança em Deus?
R. Salvação.

Ler mais

A incredulidade

Após Moisés, o servo fiel em toda a casa de Deus ( Hb 3:5 ), expor ao povo as palavras que Deus lhe havia anunciado “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos” ( Ex 19:5 ), todo o povo a uma só voz respondeu: “Tudo o que o Senhor falou, faremos ( Ex 19:8 ). Um coração incrédulo propõe fazer tudo o que o Senhor ordena ( Ex 19:8 ), porém, o que é agradável a Deus, não faz, ou seja, ouvir (temer, crer) a palavra de Deus ( Is 66:4 ; Jr 32:40 ). Escolhem os seus próprios caminhos porque tremem de medo e rejeitam o Senhor ( Ex 20:18 ; Is 66:3 ).

 


“Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos” ( Ex 19:5 )

Após Moisés, o servo fiel em toda a casa de Deus ( Hb 3:5 ), expor ao povo as palavras que Deus lhe havia anunciado “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos” ( Ex 19:5 ), todo o povo a uma só voz respondeu: “Tudo o que o Senhor falou, faremos ( Ex 19:8 ).

A unanimidade do povo ao dizer: ‘Tudo que o Senhor falou, faremos’, demonstra espontaneidade, voluntariedade e disposição quanto a prestar um serviço a Deus.

A resposta dada pelo povo ao profeta Moisés ecoou ao longo dos séculos, e novamente foi repetida na presença do Messias, que como Filho sobre sua própria casa, foi fiel ao que O constituiu ( Hb 3:2 ): “Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?” ( Jo 6:28 ).

Há um paralelo sem precedentes entre Moisés com o povo no deserto, e Jesus com o povo de Israel sob o domínio dos Romanos. Ambos, servos de Deus, aquele como servo e este como Filho ( Hb 3:2 -6).

Este paralelo demonstra que Israel, como povo de Deus, em todos os tempos nunca confiou em Deus. Apesar de serem voluntariosos e dispostos a prestar serviço a Deus ( Rm 10:2 ), sempre desprezaram os seus servos, e por último, lançaram mão do Filho ( Mt 21:37- 39).

Recapitulemos alguns momentos históricos:

Logo após a travessia do mar vermelho, ao chegar em Mara, o povo de Israel murmurou contra Moisés, dizendo: “Que haveremos de beber?” ( Ex 15:25 ). Por causa da murmuração do povo, Deus lhes deu estatutos e ordenanças com o objetivo de prová-los ( Ex 15:25 ).

Pouco tempo depois, no deserto de Sim, o povo novamente murmurou contra Moisés e Arão ( Ex 16:2 ), e Deus fez ‘chover’ carne e pão dos céus para prová-los, se seguiam a sua lei ou não ( Ex 16:4 ; Dt 8:2 ).

A ordenança do Senhor não era difícil de realizar, pois bastava o povo crer na palavra do Senhor, atendo-se a colher uma porção do maná para cada dia, porém, não deram ouvidos a Moisés ( Ex 16:20 ).

O povo no deserto viu e comeu o pão que Deus deu a comer, porém, não deu ouvidos à palavra de Deus, o verdadeiro pão que dá vida aos homens, e foram reprovados. A vida é proveniente da palavra de Deus ( Dt 8:3 ), ou seja, não deriva dos sentidos (ver) ou da satisfação das necessidades física do homem (comer)( Ex 16:28 ). Por não confiarem em Deus, logo a seguir, tentaram ao Senhor em Redifim dizendo: “Está o Senhor no meio de nós, ou não?” ( Ex 17:7 ).

Quando o povo chegou ao monte Sinai, Deus lhes disse: “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos” ( Ex 19:5 ). O povo foi novamente instruído a ouvir a voz de Deus.

Naquele momento (agora) Deus estava estabelecendo uma aliança com base na Sua fidelidade, tendo como exigência somente o ouvir diligentemente à voz de Deus, ou seja, bastava confiar (ouvir), porém, o povo queria realizar algo ( Ex 19:8 ).

Em seguida Deus anunciou a Moisés que viria em uma nuvem expressa para que o povo ouvisse quando Ele falasse com Moisés, para que cressem também em Moisés ( Ex 19:9 ). Entretanto, quando Moisés levou o povo para fora do arraial e Deus começou a falar, o povo temeu e fugiu ( Ex 20:18 ).

Apesar da voluntariedade e espontaneidade, o povo não atendeu a ordem divina: “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz…” ( Ex 19:5 ), rejeitaram a voz de Deus “Fala tu conosco, e ouviremos. Mas não fale Deus conosco…” ( Ex 20:19 ), pois não confiavam em Deus que firmou a aliança “…para que não morramos” ( Ex 20:19 ; Ex 19:5 ).

Não foi diferente à época de Cristo, pois o povo lia os escritos de Moisés, mas não criam em Deus ( Jo 5:46 -47).

À semelhança dos milagres realizados no Egito para libertação do povo de Israel, Jesus operou muitos sinais miraculosos visando a libertação espiritual do povo.

Jesus atravessou o mar da Galileia, e grande multidão O seguia por causa dos milagres ( Jo 6:1 ). Ao ver a grande multidão que se aproximava, Jesus tinha um plano, porém, perguntou a Filipe: “Onde compraremos pão para toda essa gente?” ( Jo 6:5 ).

Em seguida houve a multiplicação dos pães e peixes, e a multidão comeu carne e pão até estarem saciados, de modo semelhante ao povo que comeu carne e maná (pão) no deserto. Após o milagre foi recolhido doze cestos de pães que sobejaram ( Jo 6:13 ).

A multidão viu o milagre realizado por Jesus e disseram: “Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” ( Jo 6:14 ). Ora, para o homem, um profeta verdadeiro é aquele que se ocupa das mazelas sócio-econômicas do povo. Se comer carne e pão a se fartar, a multidão procura fazer do profeta rei, porém, quando o profeta transmite a palavra de Deus, rejeitam-no.

Quando a multidão encontrou Jesus do outro lado do mar, ele alertou: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará…” ( Jo 6:27 ).

Diante da oferta de comida (vinho e leite) sem dinheiro e sem preço que o Filho do homem fez ( Is 55:1 ), o povo fez a pergunta emblemática: Que faremos para executar as obras de Deus?” ( Jo 6:28 ). E Jesus respondeu:A obra de Deus é esta: crede naquele que Ele enviou” ( Jo 6:29 ).

Deus enviou o seu servo Moisés para que cressem e não creram. Enviou muitos outros profetas e continuaram não crendo. Por último, Deus enviou o Filho, e o povo permaneceu firme na incredulidade, não se demoveu de suas convicções: “Tudo que o Senhor falou, faremos” ( Jo 6:28 ; Ex 19:8 ), e permaneceram longe do Senhor, por não ouvirem a Sua voz “O povo permaneceu de pé de longe, enquanto Moisés se chegou às densas trevas, onde Deus estava” ( Ex 20:21 ).

Quando Jesus anunciou que a obra que Deus tem a realizar se vincula à sua Palavra, a multidão, como o povo em Redifim, tentaram a Cristo dizendo: “Que sinais miraculosos, pois, fazes tu, para que vejamos e creiamos em ti? Que farás? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer pão do céu” ( Jo 6:30 -31).

O sinal miraculoso da multiplicação dos pães, que o povo viu e comeu, ficou no esquecimento. Com base em suas necessidades pessoais, tentaram a Cristo “Está o Senhor no meio de nós, ou não?” ( Ex 17:7 ). Ver sinais miraculosos, comer carne e pão, ou beber água que sai da rocha em pleno deserto, não traz fé aos homens.

Enquanto buscavam saciedade, Jesus se apresentou como sendo o pão da vida. Jesus anunciou que, qualquer que vem (crê) até Ele, jamais terá fome ou sede. Qualquer que ficar de longe, mesmo que prestando serviço voluntariamente, e não der ouvido à palavra anunciada, não terá vida em si mesmo ( Jo 6:53 ).

O povo não queria ouvir a palavra de Deus junto ao monte Sinai, e não deram ouvido ao que Cristo anunciava, porém, desejava ver sinais miraculosos como condição essencial para crerem.

Deus providenciou o Verbo encarnado porque o povo exigia ‘ver’. Deus providenciou a Pedra Angular, o que é muito mais maravilhoso do que qualquer sinal miraculoso, e mesmo assim rejeitaram-no “Isto foi feito pelo Senhor e é coisa maravilhosa aos nossos olhos?” ( Mc 12:11 ; Sl 118:23 ).

Deus alertou para que o povo O ouvisse diligentemente, porém o povo exigia ver e queria fazer. A voluntariedade do povo em prestar serviço fez com que se afastasse do Deus vivo ( Ex 19:8 ; Ex 20:18 ; Hb 3:12 ). O povo foi convidado a confiar (ouvir) no cuidado de Deus, o garantidor da aliança, mas pensaram que o ‘favor’ de Deus era a paga pelas suas realizações. Erraram em seus corações e não conheceram o caminho de Deus ( Hb 3:10 ).

Por que Deus concitou o povo no deserto a ouvir? Porque a fé (confiança) e a vida (ouvir) vêm pela palavra de Deus “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” ( Rm 10:17 ). Só ouve a palavra de Deus aquele que tem vida, vida que é concedida através da palavra de Deus ( Dt 8:3 ).

Jesus, por sua vez, convidou o povo a comer da sua carne e a beber do seu sangue, para que alcançassem vida “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” ( Jo 6:53 ). Ora, a carne e o sangue de Cristo é verdadeiramente comida, e por isso ele concitou os seus ouvintes a trabalhar pela comida que permanece para a vida, ou seja, que cressem em seu nome ( Jo 6:27 ).

Em todos os tempos Deus nunca desistiu da humanidade, visto que a mensagem é a mesma em todos os tempos: “Agora, se diligentemente ouvirdes a minha voz…” ( Ex 19:5 );Ouvi-me atentamente, e comei o que é bom (…) Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim, ouvi, e a vossa alma viverá” ( IS 55:2 -3 ; Jo 6:63 e Hb 2:1 ).

Ora, ‘nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’ ( Mt 4:4 ), porque as palavras ditas por Cristo ‘… são espírito e vida’ ( Jo 6:63 ).

Por que confiar? Porque a palavra de Deus não volta vazia. É a palavra de Deus que realiza tudo o que é aprazível a Deus ( Is 55:11 ). Basta somente o homem comprar sem dinheiro e sem preço, ou seja, ouvir, que receberá as firmes beneficências prometidas a Davi, conforme a aliança que ele estabeleceu ( Is 55:3 ).

Certa feita Jesus foi abordado por um homem de posição, e ao ouvi-lo dizer que fazia todas as coisas pertinentes à lei desde a sua mocidade, recebeu o seguinte alerta: “Ainda te falta uma coisa” ( Lc 18:22 ). O alerta de Jesus foi motivado pela convicção do homemTodas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade. Quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: ‘Ainda te falta uma coisa’” ( Lc 18:21 -22).

A fala do homem de posição reproduziu o mesmo pensamento do povo no deserto que pereceu e não entrou no descanso prometido por Deus ( Hb 3:17 )! Tanto o povo do deserto quanto o homem de posição estavam confiados em suas próprias realizações. Ele estava seguro de que realizava o necessário para ter direito a vida eterna.

Este também era o entendimento dos escribas e fariseus, visto que sabiam os mandamentos de cor, não matavam, não roubavam, não adulteravam, não diziam falso testemunho, honravam pai e mãe, etc ( Lc 18:11 compare Lc 18:20 -21), porém, faltava a todos uma única coisa: comprar sem dinheiro e sem preço, vinho e leite, ou seja: ouvir atentamente ( Is 55:1 ).

Por descenderem da carne de Abraão, os fariseus estavam confiados na sua carne, ou seja, faziam dela a sua força ( Jr 17:5 ; Fl 3:4 ). Honravam a Deus com os lábios, mas o coração apartava-se do Senhor ( Jr 17:5 ; Is 29:13 ). O temor deles consiste em mandamentos de homens, pois não deram ouvido à palavra do Senhor “E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim” ( Jr 32:40 ).

Na palavra de Deus (temor) há fidelidade perpétua, pois Ele estabeleceu uma aliança eterna “No temor do SENHOR há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos” ( Pr 14:26). Mas, qualquer que não ouve a sua palavra, em vez de se refugiar, se lança da presença de Deus (Ex 20:18 ).

Deus falou ao povo de Israel através de profetas, mas nestes últimos dias falou ao seu povo através do Filho ( Hb 1:1 ). A proposta é a mesma que foi apresentada no deserto: que o homem atente diligentemente para as coisas que já foram anunciadas ( Hb 2:1 ; Ex 19:5 ).

O alerta do Espírito Santo é para que o homem ouça a sua voz ( Hb 3:7 ), para que possa ter acesso ao descanso prometido ( Hb 3:11 ; Sl 95:11 ). Sendo certo que, todos que creem entram no descanso prometido, tal qual foi anunciado pelo Senhor ( Hb 4:3 ).

Aquele que confia na palavra de Deus entra para o repouso do Senhor, e assim como o Senhor, descansa de suas obras ( Hb 4:10 ). Passa a assentar (descanso) nas regiões celestiais em Cristo ( Ef 2:6 ).

Enquanto os sacerdotes da antiga aliança não podiam assentar no tabernáculo porque o povo não quis ouvir a palavra de Deus, os sacerdotes da nova aliança estão descansados, pois estão assentados nas regiões celestiais em Cristo ( 1Pe 2:5 ).

Mas, qualquer que queira fazer alguma obra, não confia em Deus, que trabalha para aqueles que nele esperam “SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras” ( Is 26:12 ; Is 64:4 ). A paz e o descanso prometido decorrem das obras que Deus realiza-nos que creem.

Como o povo de Israel recuou no monte Sinai e se pôs ao longe para não ouvir a palavra do Senhor, o escritor aos Hebreus concita aos cristãos a se achegarem com confiança diante do trono da graça ( Hb 4:16 ).

Ora, o povo no deserto rejeitou ouvir a palavra de Deus, por isso ela foi impressa na pedra. Por não confiarem em Deus, a palavra de Deus que é viva e eficaz, rocha para quem confia, tornou-se pedra de tropeço para o povo de Israel ( Rm 9:33 ).

A promessa de Deus é de salvação a todos que creem. A única coisa que faz o homem afastar-se de Deus é o coração perverso herdado de Adão ( Hb 3:12 ). O coração é perverso por causa da ofensa de Adão, e nomeado incrédulo, por não se aproximar do Deus vivo ( Ef 4:18 ). Ao ouvir a mensagem do evangelho a ignorância é desfeita ( Ef 4:21 ).

Qualquer que crê que, por intermédio de sua palavra Deus cria (Bara) um novo coração e renova o espírito do homem, certamente entrou para o descanso do Senhor ( Sl 51:10 ).

No deserto, por meio da sua palavra, Deus daria ao povo um novo coração e um novo espírito, porém, por não darem ouvido à palavra (incredulidade), Deus imprimiu a sua palavra em uma pedra ( 2Co 3:3 ). Bastava o povo ouvir à voz de Deus, que Ele imprimiria sua Palavra em seus corações. Mas, como o povo não ouviu, Deus imprimiu sua palavra nas tabuas de pedra.

É necessário àquele que deseja a vida conscientizar-se de que as boas ou as más ações não mudam a condição do homem diante de Deus. Em Adão todos pecaram, e não há diferença diante de Deus entre os pecadores: o melhor é um espinho, e o mais reto é uma sebe de espinhos! ( Mq 7:4 ).

Quando o homem compreende que é impossível salvar-se por meio de suas ações, e refugia-se na palavra de Deus, então Deus realiza a sua obra ( Jo 6:29 ). Para que Deus realize a sua obra no homem, basta dar ouvido à palavra, que é espírito e vida ( Jo 6:63 ; 1Co 2:4 ). A obra que Deus realiza naqueles que ouvem a sua palavra (treme) é fazê-los nova criatura, o que torna as suas obras aceitáveis diante d’Ele “Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” ( Is 66:2 ).

Após anunciar no Sermão da Montanha que os pobres de espírito são bem-aventurados, Jesus concluiu o sermão dizendo: “Portanto todo aquele que ouve estas palavras e as pratica, será semelhante ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” ( Mt 7:24 ; 1Co 10:4 ; Rm 9:32 ; At 4:11 ; Dn 2:45 e Ex 20:25 ).

Ou seja, o Sermão da Montanha deriva da mensagem anunciada por Deus através de Isaías. O pobre de espírito é bem-aventurado porque ouve a palavra de Deus ( Mt 5:3 ; Mt 7:24 e Is 66:2 ), porque come (treme) o que é bom ( Is 55:2 ).

Quem ouve e pratica as palavras de Cristo é comparável ao homem prudente que edifica sua casa sobre a rocha. Quem ouve e pratica vê que quem edificou todas as coisas é Deus ( Hb 3:4 ). É prudente pois sabe que está sobre edificado na pedra angular ( Ef 2:20 ), como pedras vivas ( 1Pe 2:5 ).

Após crer na mensagem do evangelho, basta conservar firme a confiança e a glória da esperança ( Hb 3:6 ; Hb 3:14 ). O temor (palavra) do Senhor deve estar no coração ( Hb 4:1 ), pois as boas novas também foi anunciado ao povo de Israel no deserto, mas foram incrédulos ( Hb 4:2 ).

E o que propõe um coração incrédulo? Propõe fazer tudo o que o Senhor ordena ( Ex 19:8 ), porém, o que é agradável a Deus, não faz, ou seja, ouvir (temer, crer) a palavra de Deus ( Is 66:4 ; Jr 32:40 ). Escolhem os seus próprios caminhos porque tremem de medo e rejeitam o Senhor ( Ex 20:18 ; Is 66:3 ).

Ler mais

As religiões são a ‘porta larga’ que conduz à perdição?

Os monges, padres, hindus e todos que procuram uma vida de ascetismo pessoal pensam alcançar a bem-aventurança prometida por Cristo despojando-se de bens materiais e dos prazeres. Porém, a verdade do evangelho demonstra que só é possível ao homem ser bem-aventurado após despojar-se da carne (natureza herdada de Adão), através da circuncisão de Cristo (…) As religiões são ‘pseudo’ caminhos que os homens pensam que conduz a Deus. Eles seguem os desvarios de seus corações enganosos, pois seguem por um caminho de perdição.

 


Sobre o Sermão do Monte o Dr. J. Dwight Pentecost, autor do ‘Manual de Escatologia’, escreveu:

“A primeira bem-aventurança do Senhor está em Mateus 5: 3: ‘Bem-aventurado os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Só Deus é bem-aventurado. Ele é digno de receber benção em virtude de sua santidade absoluta, inalterável”  Pentecost, J. Dwight, O Sermão do monte, Capítulo Os humildes de espírito, Ed Vida.

Não consegui abstrair (entender) a declaração do Dr. Pentecost. Só Deus é bem aventurado? ( Mt 5:11 ) Deus é digno de receber bênçãos? ( Jó 41:11 ) Quem abençoaria Deus?

Não há quem possa dar algo ou retribuir uma dádiva divina. Não há quem possa abençoá-lo, visto que só ele habita a eternidade e detém todo poder e concede dádivas às suas criaturas. É impossível o menor abençoar o maior, e quem é maior que o Altíssimo?

De modo enfático, o Dr. Pentecost reitera na seqüência que só Deus é digno de ser chamado bem aventurado ou bendito por aquilo que ele é em seu caráter.

Ora, Deus possui vários atributos, porém, dentre eles não encontramos a humildade. A humildade é pertinente ao homem. Humilde é aquele que reconhece suas limitações, e Deus não é limitado. Não encontramos qualquer referência a um Deus humilde. Antes, Ele é o que é. É o Eu Sou, e habita a eternidade.

“Só Deus é bem-aventurado” Idem.

Se considerarmos que tal comentário refere-se a Cristo, como é possível Ele oferecer bem-aventurança aos seus ouvintes? Jesus apontou os seus discípulos como sendo bem-aventurados, o que contraria a ideia em destaque.

Vemos que a bem-aventurança é uma dádiva pertinente aos homens, e, por isso Jesus convida os seus ouvintes a aprenderem dele que é manso e humilde de coração “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ).

A mansidão da qual Jesus fez referência não diz de uma característica pertinente ao caráter ou comportamento humano. Antes a mansidão e a humildade de coração é uma característica pertinente à nova natureza do novo homem que é gerado em Cristo, que é semelhante à natureza de Cristo.

Somente os gerados de Deus são mansos e humildes de coração! Somente os que recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ), são criados em verdadeira justiça e santidade, recebendo a plenitude de Deus em Cristo ( Cl 2:10 ).

Sobre este aspecto da nova criatura (plenitude da divindade) João disse: “… porque, qual Ele é, somos nós também neste mundo” ( Jo 4:17 ). Ora, neste mundo não somos semelhantes a Jesus com relação ao corpo glorificado, ou seja, ainda não fomos revestidos da imortalidade. Porém, assim como ele é, nós também somos neste mundo: mansos e humildes de coração, isto porque aprendemos deste modo de Cristo “Se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus” ( Ef 4:21 ).

Sabemos que o homem gerado segundo a carne é ‘mentiroso’, pois a verdade encontra-se em Cristo ( Rm 3:7 ). Os filhos de Adão não possuem um coração manso e humilde, pois esta característica pertence tão somente aos filhos de Deus.

Os monges, padres, hindus e todos que procuram uma vida de ascetismo pessoal, pensam alcançar a bem-aventurança prometida por Cristo despojando-se de bens materiais e dos prazeres. Porém, a verdade do evangelho demonstra que só é possível ser bem-aventurado após o homem despojar-se da carne, recebendo a circuncisão de Cristo.

Só são bem-aventurados aqueles que recebem a Cristo por meio da verdade do evangelho (fé que uma vez foi dada aos santos), e descansam na proposta de vida eterna (fé ou descansar em Cristo). É por isso que Paulo diz que a justiça do evangelho descobre-se de fé em fé: a) a primeira fé refere-se à verdade do evangelho, e; b) a segunda fé refere-se a confiança do crente.

Ora, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Sem a ‘fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos’ é impossível confiar (fé) em Deus. Primeiro é preciso ouvir a verdade do evangelho (fé), para depois crer para salvação.

O Dr. Pentecost não incorreria no erro de afirmar que só Deus é bem-aventurado se compreendesse a parábola dos dois caminhos. Para ele o caminho largo refere-se à doutrina dos fariseus:

“Contrastando seu ensino como o dos fariseus, ele havia comparado o farisaísmo a uma porta muito larga pela qual muitas pessoas podiam entrar” Idem, Capítulo Alicerçado na Rocha (grifo nosso).

Analisando a parábola dos dois caminhos “Entrai pela porta estrita. Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( Mt 7:13 -14), percebe-se que Cristo é a porta estreita, e o único caminho que conduz a salvação. Não há outro nome pelo qual devamos ser salvos.

Mas, seria a doutrina dos fariseus o caminho largo que conduz muitos a perdição? E quem não segue a doutrina dos fariseus, mas seguem outros posicionamentos religiosos ou filosóficos, porventura não teriam entrado no caminho largo?

Apontar sistemas religiosos ou pensamento filosóficos como sendo o caminho largo que conduz a perdição não condiz com a verdade que a parábola contada por Jesus busca ilustrar “Jesus refere-se à religião humana, como o ‘caminho largo’ e espaçoso” Pág. 158, Idem.

Ora, um interprete não pode prevaricar “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ). Como os interpretes judeus prevaricaram? Ora, adotaram o mesmo posicionamento do Dr. Pentecost, uma vez que esqueceram que a porta larga é o primeiro pai da humanidade (Adão), e não as religiões.

As religiões são ‘pseudo’ caminhos que os homens pensam existir para alcançar a Deus. Eles seguem os desvarios de seus corações, mas é certo que trilham um caminho de perdição, pois entraram pela porta larga. É por isso que alguns dizem que todos os caminhos levam a Deus. Esquecem que existem somente ‘dois caminhos’, o que contrasta com a existência de inúmeras religiões.

A porta larga é Adão e o modo de entrar pela porta larga é o nascimento natural segundo a carne. A porta estreita é Cristo e o único modo de entrar pela porta estreita é nascendo de novo ( Jo 3:3 ).

Os fariseus prevaricaram porque acreditavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. Esqueceram do primeiro pai (Adão), e que em decorrência do nascimento carnal eram iguais a todos os outros homens: carnais e destituídos da glória de Deus.

Todos os homens juntamente se desviaram e tornaram-se escusáveis diante de Deus por causa do primeiro pai que pecou (Adão), mas os judeus se achavam abastados espiritualmente (privilegiados) por terem por pai Abraão. Tremendo engano!

O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente, e após pecar todos os seus descendentes foram destituídos da glória de Deus. De modo distinto, Cristo, o último Adão, é espírito vivificante, a porta estreita, e todos os que por ele ‘entram’ (nascem de novo), são filhos de Deus.

A parábola dos dois caminhos é um resumo da ideia contida no Sermão do Monte. Se não houver uma interpretação fidedigna de tal parábola, qualquer tentativa de interpretar o Sermão do Monte será um fracasso.

Ler mais