Oração: confiança em Deus expressa em palavras

A mulher cananeia expressou a sua confiança em Cristo com as seguintes palavras: – “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada” (Mt 15:22). O rogo por misericórdia do Filho de Davi constitui oração, súplica, entretanto, pela natureza do pedido, esta mesma súplica constitui-se adoração, pois o teor do pedido só pode ser realizado por Deus.


Como confiar

É comum ouvirmos que Deus atende à oração daqueles que confiam n’Ele. Isso é verdade, porém, você sabe como confiar em Deus?

Confiar, do ponto de vista de cada indivíduo, é algo subjetivo, pois cada um pode confiar em Deus à sua própria maneira.

Entretanto, confiar em Deus, do ponto de vista bíblico, é algo objetivo e ao alcance de todos os homens.

Quando alguém se socorre de um médico, assim o faz porque confia que o seu problema vai ser diagnosticado e sanado. Mas, após o término da consulta, a prova de que realmente confia em seu profissional da área médica, se dá quando essa pessoa se submete às prescrições contidas na receita médica.

De nada adianta dizer: ‘confio no meu médico’, se não acatar as prescrições. Nesse sentido, de nada adianta dizer: – ‘Eu confio em Deus’ e não obedecer ao que Ele ordena.

A Bíblia nos apresenta um mandamento específico, que é prova de que realmente confiamos em Deus:

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” (1Jo 3:23).

Não basta crer na existência de Deus, ou crer na possibilidade de um milagre. Um verdadeiro crente crê em Cristo como o Filho de Deus, pois é este o testemunho que Deus deu acerca de seu Filho nas Escrituras (Jo 7:38), a obra que o homem deve realizar (Jo 6:29; Tg 1:25).

A Bíblia é um testemunho vivo que Deus deu acerca do seu Filho, Jesus Cristo, portanto, qualquer que crê que Jesus é o Filho de Deus, realmente confia em Deus: “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu (1Jo 5:10).

Jesus mesmo disse que as Escrituras testificavam acerca d’Ele, pois o que foi registrado na Lei, nos Profetas e nos Salmos é o testemunho que Deus deu do seu Filho Jesus Cristo: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de mim testificam” (Jo 5:39).

O apóstolo Paulo deixou registrado que Deus não faz acepção de pessoas, pois é Senhor de todos e generoso para com todos os que o invocam e para dar sustentação ao que afirmou, citou as Escrituras: “Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” (Rm 10:11; Rm 9:33; Is 28:16).

Crer é algo de foro íntimo, portanto, impossível de ser mensurável por terceiros. Mas, para que o homem seja declarado justo, é necessário que creia, no coração, que Jesus é o Filho de Deus e que Ele ressurgiu dentre os mortos (Rm 10:9-10).

Aquele que crê com o coração que Deus ressuscitou a Cristo dentre os mortos, está apto a confessar (admitir) com a boca que Jesus é o Senhor. Através dessa confissão, que é o fruto dos lábios, fica evidenciado o que há no coração, pois a boca fala do que há em abundância no coração (Mt 12:34).

Só é possível identificar se uma pessoa realmente confia em Deus, quando ela confessa que Jesus é o Filho de Deus, da mesma forma que Simão Pedro confessou: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16; 1Jo 4:15). Quem assim confessa é porque crê nas Escrituras, ou seja, no testemunho que Deus deu acerca do seu Filho.

Muitos alegam que Deus só ouve (atende) às orações daqueles que possuem uma relação intima com Ele, ou que a oração agrega em si todas as formas de comunhão com Deus[1]. Mas, no que consiste tal relação ‘intima’? Jejuns, sacrifícios, votos, flagelo, penitência, etc.?

Ora, aquele que crê que Jesus é o Cristo e cuida do próximo, segundo o mandamento de Deus, é que ama a Deus, ou seja, que guarda os seus mandamentos (1Jo 3:22). Ora, quem crê em Cristo já possui uma relação intima com Deus, pois o apóstolo João mesmo diz que aquele que crê, Deus está nele e ele em Deus: “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado” (1Jo 3:24).

‘Confiar’ em Deus transcende as palavras, pois só confia em Deus aquele que põe por obra o testemunho de Deus: crendo em Cristo (1Jo 3:18; Jo 6:29). Quem crê em Cristo faz o que é agradável a Deus, pois guardou o Seu mandamento (1Jo 3:22).

 

As beneficências prometidas a Davi

Quando alguém crê em Cristo alcança a maior riqueza que uma pessoa poderia adquirir: a salvação. A salvação em Cristo possui valor acima de todas as riquezas que há no mundo inteiro: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16:26).

O que era impossível alguém conquistar por si só, Deus conquistou para os que creem em Cristo: a salvação: “Os seus discípulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá pois salvar-se? E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” (Mt 19:25-26).

Ora, se alguém crê em Jesus Cristo como o Filho de Deus, é porque crê que Deus é poderoso para cumprir a Sua promessa, pois a prova de que a palavra de Deus é firme e imutável está em que Cristo ressuscitou dentre os mortos.

A promessa que Deus fez aos patriarcas, Deus cumpriu a nós, ressuscitando a Cristo (At 13:32), pois de Cristo decorre as firmes beneficências prometidas a Davi (At 13:34; Is 55:3).

Da mesma forma que Deus cumpriu a sua palavra, não deixando na sepultura o Seu Filho, todos os que creem ressurgem com Cristo (Rm 6:8), pois a promessa que Ele fez é a vida eterna (1Jo 2:25; 1Jo 5:13).

Além da salvação, o crente é herdeiro de Deus e coerdeiro com Cristo de todas as coisas: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? (Rm 8:32; Rm 8:17).

Qualquer que confia e obedece a Deus já recebeu o maior dos milagres: a redenção da sua alma.

 

Confiando

A maior expressão de nossa confiança em Deus não se resume em uma súplica emitida através dos lábios, e sim na paz de espírito que experimentamos diante das vicissitudes da vida.

Quando o crente não se inquieta por coisa alguma, nisto está a sua oração. Não se abalar por questão alguma é a máxima expressão de confiança em Deus. Ficar inquieto, preocupado, ansioso, etc., não traz solução. Melhor é rogar a Deus confiando em seu favor (misericórdia), sendo grato em tudo: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Fp 4:6).

Um exemplo de confiança, encontramos em Habacuque que, após Deus revelar que haveria de punir Israel através de homens ímpios, expressou a sua gratidão dizendo:

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação(Hc 3:17-18).

‘Oração e súplica’ significa ‘confiança na misericórdia’, como lemos:

“ORAÇÃO do profeta Habacuque sobre Sigionote. Ouvi, SENHOR, a tua palavra, e temi; aviva, ó SENHOR, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia (Hc 3:1-2).

Habacuque expressou a sua confiança em Deus (oração) confiado na misericórdia (súplica).

Quando é dito:Perseverai em oração, velando nela com ação de graças (Cl 4:2), o apóstolo Paulo está recomendando permanecer confiando, ou seja, não se demovendo da confiança em Deus: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração” (Rm 12:12).

Muitos interpretam oração como sacrifício, penitência, no entanto, o termo oração não deve ser visto como entendem os gentios: vãs repetições, rezas, etc.

Observe este verso no grego quando transliterado:

“διὰ πάσης προσευχῆς καὶ δεήσεως προσευχόμενοι ἐν παντὶ καιρῷ ἐν

Por toda oração e petição orando em todo tempo em

πνεύματι, καὶ εἰς αὐτὸ ἀγρυπνοῦντες ἐν πάσῃ προσκαρτερήσει καὶ δεήσει περὶ

(o) espirito, e para isso vigiando em toda perseverança e petição por

πάντων τῶν ἁγίων”

todos os santos

‘προσευχῆς’ (oração) não é o mesmo que ‘δεήσεως’ (petição)? Porque o apóstolo Paulo faz referência duas vezes aos termos oração e petição em um mesmo verso?

Os termos gregos traduzidos por oração[2] são προσευχη (proseuche) e προσευχομαι (proseuchomai). O termo pode ser utilizado para denotar uma petição a Deus ou fazer referencia ao lugar em que se faz tais petições. Entretanto, os apóstolos fazem uso do termo sob um outro prisma: confiança, devoção.

Quando a mulher cananéia rogou por misericórdia e foi provada por Cristo, persistiu com toda devoção (oração) e súplica, dizendo: – “Senhor, socorre-me!” (Mt 15:25). Ela assumiu a sua penúria diante daquele que podia socorrê-la.

Do ponto de vista bíblico, quem faz um rogo a Deus, é por que confia em Deus, de modo que, através de um recurso linguístico[3], a metonímia, o termo oração passa a denotar confiança.

A mulher cananeia expressou a sua confiança em Cristo com as seguintes palavras: – “Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada” (Mt 15:22). O rogo por misericórdia do Filho de Davi constitui oração, súplica, entretanto, pela natureza do pedido, esta mesma súplica constitui-se adoração, pois o teor do pedido só pode ser realizado por Deus.

Quando lemos: ‘orando em todo o tempo’, o sentido é: ‘confiar sempre, continuamente’, com plena confiança (προσευχη-oração). O termo δέησις[4] traduzido por súplica remete à misericórdia divina, pois quem assume a condição de necessitado (δέησις) é porque espera por misericórdia. Em outras palavras, o apóstolo Paulo está recomendando aos cristãos que façam imprecações (προσευχομαι) com plena confiança (προσευχη) na misericórdia (δέησις) de Deus.

A oração do ponto de vista bíblico pode assumir o valor de devoção. Mas, vale destacar que há devoção e devoções. A devoção de um indivíduo pode ser real, entretanto, se o objeto de devoção é falso, temos a idolatria, que resulta em nada. Mas aquele que nutre devoção em Deus, temos a oração bíblica.

Enquanto no verso ‘προσευχῆς καὶ δεήσεως’ significa ‘confiança em Deus aguardando por Sua misericórdia’, ‘προσκαρτερήσει καὶ δεήσει’ significa ‘permanecer rogando’ a Deus em favor dos santos: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito e vigiando nisto, com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6:18).

Quando Tiago afirmou de Elias que προσευχῇ προσηύξατο (com oração orou), o sentido é: com confiança rogou (Tg 5:17), de modo que o termo oração assumiu o sentido de ‘confiança’, ‘devoção’.

 

Então, por que Deus nem sempre responde as petições de todos?

Fica a pergunta: você tem certeza de que Deus te ouve, se pedir alguma coisa, segundo a sua vontade? O verbo ‘ouvir’ na frase significa atender.

Esta deve ser a crença do cristão: antes de abrirmos a boca, Deus já sabe o que havemos de pedir (Mt 6:8), portanto, não é necessário repetir diversas vezes o que se quer para ser atendido (Mt 6:7).

“Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5:14).

O que o evangelista João expressou neste verso? Se o crente pedir a Deus para ganhar na loteria Deus há de conceder? Alguém pode argumentar que não, pois este não é um pedido legitimo. E se o crente pedir uma casa? Alguém pode objetar dizendo: Mais tal pedido é para deleite próprio.

Qual pedido Deus ouve? Qual pedido é de acordo com sua vontade?

O evangelista João estava demonstrando que todo aquele que crê em Cristo é nascido de Deus (1Jo 5:1), ou seja, é filho (1Jo 3:1). Em seguida, enfatiza o seu objetivo: “Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes, no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus” (1Jo 5:13).

Ou seja, tudo o que o evangelista estava demonstrando, era que os cristãos já estavam de posse da vida eterna, pois haviam crido no nome de Jesus. Pois Deus deu a vida eterna: o seu Filho Jesus Cristo (1Jo 5:11), de modo que quem tem a Cristo, tem a vida eterna (1Jo 5:12).

Se confiamos em Deus, que se pedirmos algo segundo a sua vontade, Ele concede (ouve) (1Jo 5:14), e que a vontade d’Ele é que todos se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1Tm 2:4), certo é que se pedimos vida eterna (1Jo 5:15), já alcançamos, visto que sabemos que nos ouve e temos os pedidos atendidos: temos a vida eterna.

A exposição joanina tem o condão de demonstrar que o crente já alcançou o que pediu: salvação, portanto, Deus responde igualmente o pedido de todos que O invocam: “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” (Rm 10:13); “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (At 2:21); “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (Jo 2:32).

Com relação à salvação Deus responde a todos igualmente, portanto, com relação à vida eterna a pergunta ‘por que Deus não responde a petição de todos’ é sem fundamento e descabida.

Para salvar, as mãos de Deus sempre estão estendidas e os seus ouvidos abertos à petição dos homens, entretanto, Deus não ouve aqueles que em lugar de invocar o nome do Senhor, procuram alcançar o seu favor através de sacrifícios, penitências, rezas, rogos, orações, votos, etc. “Certamente, o braço do Senhor não está encolhido para salvar, nem seu ouvido fechado para ouvir. Mas suas iniquidades separaram vocês de Deus. Seus pecados esconderam a face dele de vocês, então ele não os irá ouvir” (Is 59:12).

 

Tudo o que for pedido será concedido?

O verdadeiro crente sabe que é salvo porque neste quesito Deus o atendeu, porém, quando diante de uma vicissitude ou calamidade, deve proceder como Marta, que apesar de seu irmão ter morrido e estar sepultado há quatro dias, permaneceu crendo que Jesus era o Filho de Deus.

Embora Lázaro estivesse na sepultura, a confiança de Marta em Jesus não se extinguiu e nem ficou abalada, conforme se lê: “Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá” (Jo 11:22). A morte de Lázaro não trouxe inquietação sobre Marta, que naquele momento difícil confessou: – “Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” (Jo 11:27).

Os discípulos nutriam a sua confiança em Deus, porém, da mesma forma que confiavam no Pai, Jesus orienta os seus seguidores a confiarem n’Ele (Jo 14:1).

Enquanto Jesus estava no mundo, tudo o que os discípulos rogavam, rogavam ao Pai e tudo que era concedido era concedido pelo Pai, pois tudo era realizado por Deus: “Mas Jesus respondeu e disse-lhes: Na verdade, na verdade, vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente” (Jo 5:19).

Porém, próximo da sua partida, Jesus procura demonstrar aos seus discípulos que, da mesma forma que pediam ao Pai, agora podiam pedir ao Filho, pois se pedissem alguma coisa em nome de Cristo, Ele mesmo haveria de realizar, pois tudo o que o Pai realiza, o Filho realiza igualmente.

Agora que Cristo estava retornando à sua glória, tudo que fosse pedido, o Filho haveria de realizar, para que o Pai fosse glorificado através de Cristo. A ideia contida no verso 13 de João 14 é que Jesus e não Deus, que haveria de realizar tudo o que fosse pedido. Antes era o Pai que realizava, mas para que o Pai fosse glorificado, o Filho passaria a realizar tudo.

A ênfase do texto não está em que Cristo há de realizar tudo o que for pedido, mas o que for concedido é Cristo que haverá de realizar: “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14:13-14).

Os discípulos ainda não pediam a Cristo, somente ao Pai, de modo que Ele alerta que podiam pedir diretamente a Ele, e Ele haveria de atender: “E naquele dia nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora nada pedistes em meu nome; pedi e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra. Disse-vos isto por parábolas; chega, porém, a hora em que não vos falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai. Naquele dia pedireis em meu nome e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai” (Jo 16:23-26).

Jesus estava demonstrando que não mais rogaria ao Pai pelos discípulos, antes Ele mesmo atenderia às petições. E, caso alguém não soubesse o que pedir, que o Espírito Santo haveria de interceder com gemidos inexprimíveis: “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8:26).

Quando Jesus disse: “Se vós estiverdes em mim e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito” (Jo 15:7), estava enfatizando a sua capacidade de realizar igualmente tudo o que o Pai realizava, e não que haveria de atender todo e qualquer pedido.

 

O que dizer das orações “não respondidas”?

O crente deve estar consciente que tudo acontece igualmente aos justos e injustos (Ec 9:2), que o tempo e a sorte ocorre a todos (Ec 9:11), e que há um tempo determinado para todas as coisas (Ec 3:2). É imprescindível considerar que Deus fez o dia da adversidade em oposição ao dia da bonança (Ec 7:14), e que o dever de todo homem é obedecer a Deus (Ec 11:13).

Se o crente orar a Deus considerando as questões acima, ou seja, se não pedir que Deus transtorne a Sua palavra em alguns dos quesitos acima, certamente receberá o que pedir.

Oração do tipo: – ‘Senhor, eu te obedeço, portanto, responda a minha oração’, é sem efeito, pois obedecer a Deus é dever de todo homem. Rogar a Deus: – ‘Senhor, mude a minha sorte, certamente não será atendido, pois a sorte ocorre a todos’.

É comum vermos jogadores de futebol que se dizem cristãos fazendo preces quando entram em campo para que Deus lhes seja favorável. Este tipo de ‘oração’ Deus não atende, pois Ele jamais favorecerá alguém em uma demanda em função de uma oração ou de uma promessa. Se nem o pobre Deus favorece em demandas, que se dirá em questões de probabilidades (Ex 23:3).

Oração que visa transtornar qualquer elemento das questões enumeradas acima não será atendida, pois Deus não favorece ninguém em detrimento do próximo. Quando lemos: “E tudo o que pedirdes em oração, crendo, o recebereis” (Mt 21:22), devemos considerar que os pedidos que se enquadram nas questões acima não serão concedidos.

Quando é dito: – ‘Se tiveres fé (πίστις-pistis)…’ ( Mt 21:21), expressa a mesma verdade registrada por Marcos: ‘Tende fé em Deus’ (Mc 11:22), o termo grego traduzido por ‘fé’ é um substantivo e, em Mateus, tem o significado de verdade, fidelidade, ou seja, diz do dom de Deus. Se o homem está de posse da verdade do evangelho e não duvida, fará o impossível, daí a alusão ao transportar os montes para o meio do mar. Que impossível será feito? A salvação do homem, milagre muito superior a uma figueira que murchou imediatamente (Mt 19:26).

Certamente, as pessoas justas e injustas ficam doentes e morrem. Problemas financeiros advêm sobre todos e toda sorte de vicissitudes são passíveis de acontecer na vida de qualquer um.

 

O que fazer então?

Perseverar com alegria, confiando em Deus!

Aquele que confia plenamente em Deus aprende a contentar-se com o que tem. Não ambiciona coisas altas, antes se acomoda às humildes. Saberá ser servo ou príncipe; ter falta ou abundância, pois sabe que pode suportar todas as coisas em Cristo.

Em Cristo, o crente está apto a confessar com segurança, como Sadraque, Mesaque e Abedenego:

“Responderam Sadraque, Mesaque e Abedenego e disseram ao rei Nabucodonosor: Não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste” (Dn 3:16-18).

Quando fazemos um pedido a Deus, temos que considerar que Ele pode nos livrar ou conceder o que pedimos, mas se não formos atendidos, que o nosso dever é permanecer firme, crendo que Jesus é o Filho de Deus.

Se as nossas petições não forem respondidas, temos que considerar que tudo concorre para o bem daqueles que obedecem a Deus (Rm 8:28). Se não alcançamos o que pedimos, é porque o que pedimos visava a um deleite humano: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tg 4:3).

Antes de pedirmos algo em oração, devemos ter em mente que Deus jamais concederá o que pedirmos se for contrário à Sua justiça. Moisés fez um pedido mal, quando rogou que Deus perdoasse o povo, se não, que apagasse o nome dele do livro da vida: “Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” (Êx 32:32).

Geralmente, quando o homem fica ansioso, é por questões desta vida, como casa, carro, casamento, família, emprego, etc. Nada nos impede de rogarmos a Deus e apresentarmos os nossos anseios, porém, sempre que rogarmos, que seja sempre com ação de graças: “Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus” (Fp 4:5-7).

“Senhor, me conceda …, mas se o Senhor não me atender, contudo me alegrarei em Ti, o Deus da minha salvação”.

“Senhor, eu rogo a ti…, pois sei que me ouves, mas se não for do teu agrado conceder, sei que o Senhor tem cuidado de mim”.

“Lancem sobre ele toda ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1Pd 5:7).

Os heróis listados na galeria da fé praticaram coisas incríveis e outros sofreram coisas terríveis, mas todos permaneceram fiados em Deus:

“Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados” (Hb 11:33-40).

Este foi o lema destes homens postos por exemplo:

“Confie nele todo o tempo, ó povo. Coloque diante dele o coração, pois ele é o nosso refúgio” (Sl 62:8).

Embora Deus tenha dado testemunho destes homens, conforme consta nas Escrituras, eles não alcançaram a promessa, mas, nós que cremos em Cristo, apesar das aflições deste tempo presente, temos alcançado coisa melhor, a ponto de o apóstolo Paulo dizer que as aflições não são para se comprar com a glória que em nos será revelada (Rm 8:18).

Esta é a confiança daqueles que estão em Cristo, ou seja, que são uma nova criatura: “Se vocês permanecerem em mim e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido” (João 15:7 e 17).

O que devemos pedir? Jesus está demonstrando que temos plena liberdade para pedir e não que tudo será concedido. Mas, se o crente pedir a Cristo para produzir fruto, certamente Deus concederá, pois o fruto que o crente produz redunda em glória a Deus (Jo 15:8), pois para isso o crente é escolhido e comissionado: produzir frutos (Jo 15:16), ou seja, o fruto é anunciar as virtudes de Cristo: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2:9).

Qualquer que confessa a Cristo, glorifica a Deus, ou seja, oferece sacrifício de louvor: “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13:15); “Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará; e àquele que bem ordena o seu caminho, eu mostrarei a salvação de Deus” (Sl 50:23).

 


[1] “O termo oração, em sentido mais lato, inclui todas as formas de comunhão com Deus. Abrange a adoração, o louvor, o agradecimento, a súplica e a intercessão” Bancroft. E. H., Teologia Elementar, Editora EBR – Editora Batista Regular, 3º Edição, 2001, pág. 365.

[2] “4335 προσευχη proseuche de 4336; TDNT – 2:807,279; n f 1) oração dirigida a Deus 2) lugar separado ou apropriado para oração 2a) sinagoga 2b) lugar ao ar livre onde os judeus costumavam orar, fora das cidades, nos lugares onde não tinham sinagoga 2b1) tais lugares estavam situados às margens de um rio ou no litoral de um mar, onde havia um suprimento de água para lavar as mãos antes da oração Sinônimos ver verbete 5828 e 5883”; “4336 προσευχομαι proseuchomai de 4314 e 2172; TDNT – 2:807,279; v 1) oferecer orações, orar” Dicionário Bíblico Strong; “ORAR A. Verbos. 1. euchomai (ευχομαι), “orar (a Deus)”, é usado com este significado em 2 Co 13.7 (“rogo”); 2Co 13.9 (“desejamos”); Tg 5.16; 3 Jo 2. Às vezes os verbos “prover” (At 26.29), “desejar” (At 27.29), “poder desejar” (Rm 9.3), indicam que a “oração” está envolvida.1 2. proseuchomai (προσευχομαι). “orar”, sempre é usado acerca da “oração” feita a Deus, e é a palavra mais frequente a este respeito, sobretudo nos Evangelhos Sinóticos e em Atos, uma vez em Romanos (Rm 8.26); em Efésios (E f 6.18); em Filipenses (Fp 1.9); em I Timóteo (1 Tm 2.8); em Hebreus (Hb 13.18); cm Judas (Jd 20). Quanto à injunção em 1 Ts 5.17. veja CESSAR. C. 3. erõtaõ (ερωταω), “pedir”, tem o sentido do verbo “rogar” em Lc 14.18.19; 16.27; Jo 4.31; 14.16; 16.26; 17.9; 17.15 (“peço”); Jo 17.20; At 23.18; 1 Jo 5.16 (“orará” ). Veja PEDIR. A, r\° 2. B. Substantivos. 1. euche (ευχη), cognato de A, n° 1. denota “oração” (Tg 5.15); “voto” (At 18.18 e 21.23). veja VOTO. 2. proseuche (προσευχη), cognato de A. n° 2, denota: (a) “oração” (a Deus), o termo mais freqüente, ocorre, por exemplo, em Mt 21.22: Lc 6.12 (onde a frase não deve ser considerada literalmente como se significasse, “a oração de Deus” [genitivo subjetivo], mas no caso acusativo, “oração a Deus”). Em Tg 5.17, “orando, pediu”, é, literalmente, “ele orou com oração” (forma hebraística); nos seguintes textos, a palavra é usada com o n° 3: Ef 6.18: Fp 4.6; 1 Tm 2.1: 5.5; (b) “um lugar de oração” (At 16.13.16). um lugar fora dos muros da cidade. 3. deesis (δεησις), primariamente “desejo, necessidade” (cognato dc A, n° 4), então, “pedido, solicitação, súplica”, no Novo Testamento sempre é dirigido a Deus, sendo traduzido ou por “súplica” ou por “oração” (e seus respectivos plurais), em Lc 1.13; 2.37; 5.33; Rm 10.1; 2 Co 1.11:9.14; Fp 1.4: Fp 1.19: 2 Tm 1 .3 ;H b 5 .7 ;T g 5.16: 1 Pe3.12” Dicionário Bíblico VINI.

[3] “Metonímia ou Transnominação – É a figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles. Definição básica: Figura retórica que consiste no emprego de uma palavra por outra que a recorda” Wikipedia

[4] “1162 δεησις deesis de 1189; TDNT – 2:40,144; n f 1) necessidade, indigência, falta, privação penúria 2) o ato de pedir, petição, súplica, pedido a Deus ou a um ser humano Sinônimos ver verbete 5828 e 5883” Dicionário Bíblico Strong.

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A fé

A fé (confiança, crença) surge da constatação de verdades contidas no mundo, e o homem passa a agir conforme estas verdades ou a esperar com confiança nas leis naturais que constatou com os seus sentidos e perspectivas. Ex: a lei da gravidade, a chuva, dia e noite, etc.

 


“Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR nosso Deus” ( Sl 20:7 )

Este tema reveste-se de complexidade dada a importância que ele tem para a compreensão de como ocorre a salvação em Cristo. Para ser salvo em Cristo basta a fé, porém, diante dos questionamentos que se avolumam no decorrer dos tempos, faz-se necessário saber o que é a fé verdadeira, como adquiri-la e como exercê-la.

 

Classificação

Antes de abordarmos este tema do ponto de vista bíblico, devemos verificar sobre qual tipo de fé estaremos falando. Para a análise, classificamos a fé em dois grupos:

a) fé natural, e;

b) fé salvadora.

A definição de fé natural é facilmente extraída dos dicionários, como se lê:

“fé sf. 1. crença religiosa. 2. Conjunto de dogmas e doutrinas que constituem um culto. 3. Rel. A primeira das virtudes teológicas: adesão e anuência pessoal a Deus. 4. Firmeza na execução de uma promessa ou compromisso. 5. Crença, confiança. 6. Testemunho autêntico, escrito, de certos funcionários, que tem força em juízo”.

Da definição dos dicionários subentende-se que até mesmo os ateus possuem algo em que acreditar. Se eles professam que não creem em Deus, ao menos creem nas leis da natureza e em suas próprias ideologias.

A fé natural refere-se à certeza que o homem tem das coisas concernentes ao seu dia-a-dia. Todos os homens possuem a certeza de um amanhã. Todos têm certeza das conseqüências dos seus atos. Todos têm certeza quanto às leis da física, da matemática, da natureza, etc.

Esta confiança não é algo nato do homem. A fé surge através da interação do homem com o mundo. Ao nascer, o homem não tem certeza ou fé, e nem mesmo acredita em coisa alguma. Porém, no decorrer do tempo, o homem passa a interagir com o mundo, e dessa interação surge as certezas e as crenças.

A fé natural surge da experimentação, do ensino, da constatação. O que leva a concluir que a fé não é proveniente do homem, antes, a fé é proveniente do mundo que o cerca. A realidade é que concede elementos por demais convincentes e dignos de confiabilidade ao homem.

Isto é verificável de duas formas:

(1) a certeza que o homem possui não torna a realidade verdadeira ou certa, ou seja, a certeza do homem não muda a essência real das coisas;

(2) antes de o homem vir à existência, certas verdades já existiam.

“A verdade produz certeza (confiança, fé), mas a certeza não produz verdade”

O que nos leva a concluir que a fé não é proveniente do homem, mas sim, das coisas que estão há muito estabelecidas.

Não é a confiança do homem que promove a infalibilidade das leis naturais, antes a certeza de que tais leis são irrevogáveis, é que promove a confiança do homem.

A fé, ou a confiança, surge da constatação de verdades contidas no mundo, e o homem passa a agir conforme estas verdades ou a esperar com confiança nas leis naturais que constatou com os seus sentidos e perspectivas. Ex: a lei da gravidade, a chuva, dia e noite, etc.

A fé natural surge no homem quando ele consegue ‘mapear’ os eventos que o cercam durante o seu desenvolvimento. Com base nos elementos que o meio fornece, e através daquilo que conseguiu constatar, surge a ‘fé’, e este homem passa a agir de modo seguro e confiante.

A ‘crença’ do homem não garante os eventos que ocorrem ao seu redor, porém, os eventos certos e previsíveis produzem confiança, fazendo o homem agir com segurança.

A certeza que o homem tem quanto à lei da gravidade não é o que a torna real, antes é a ação da gravidade ao influenciar a realidade que o cerca que lhe dá a certeza da existência desta lei. Esta certeza foi adquirida gradualmente, aprendida e internalizada de forma experimental e teórica.

O atrito dá certeza a um motorista que o carro não derrapará. O semeador semeia na certeza de que a terra produzirá e que as sementes germinarão segundo a sua espécie. A fé no amanhã dá ao o homem a condição necessária para desenvolver projetos, etc.

 

“A fé natural e a fé salvadora possuem os mesmos princípios quanto à sua inserção no homem, porém, elas diferem quanto à finalidade”

 

A fé salvadora é semelhante à fé natural, pois ambas são alcançadas de fora para dentro. Enquanto esta advém da inteiração do homem com o mundo, aquela advém da inteiração do homem com a palavra de Deus.

A diferença principal entre fé salvadora e fé natural está no objetivo, ou na finalidade a que ambas propõe. Em última instância, tanto a fé natural, quanto a fé salvadora são provenientes de Deus.

A fidelidade de Deus é onde a confiança de todos os homens fundamenta-se.

Para uns, a confiança é algo imperceptível, uma vez que não se dão conta que a infalibilidade das leis naturais é que dá segurança e equilíbrio à existência dos homens. Outros, além de desfrutarem da segurança e equilíbrio que as leis naturais conferem ao seu dia-a-dia, ao saberem que Deus providenciou salvação poderosa a todos os homens, descansam e esperam na fidelidade de Deus, que prometeu e é poderoso para cumprir.

A fé salvadora apresenta as características seguintes:

1. A fé salvadora não é proveniente do homem – É Deus quem concede fé aos homens, ou antes, Deus é à base da fé;

2. A salvação é pré-estabelecida – antes que o homem viesse a existir, Deus providenciou salvação a todos os homens;

3. O homem é o recipiente da fé – o homem não produz fé, porém, é quem usufrui de seus benefícios;

4. A fé é a prova coisas que não se vêem – não é a fé que torna real o mundo vindouro, antes, é a realidade do mundo vindouro que proporciona fé;

5. A confiança do homem não é o que garante a salvação, antes, é Deus que se interpõe como garantia, o que da segurança ao cristão confiante.

Todos os homens de alguma maneira exercem confiança. O crente é aquele que faz menção do nome do Senhor, pois crê na informação de que Deus salva o homem ( Sl 20:6 -7). O descrente, por sua vez, confia em suas forças e possessões, pois através destes elementos ele consegue influenciar e interagir com o mundo.

Nesta vida não há diferença visível entre crentes e descrentes, mas a Bíblia alerta:

“Então voltareis e vereis a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que não o serve” (…) “PORQUE eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, e cura trará nas suas asas; e saireis e saltareis como bezerros da estrebaria” ( Ml 3:18 ; Ml 4:1 -2).

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Salmo 49 – Resolva o Enigma do Oráculo

A mensagem do salmista não se ocupa das mazelas socioculturais da humanidade. Não tem em vista a sabedoria ou o conhecimento de cunho filosófico, sociológico ou científico. Por quê? Porque as Escrituras demonstram que tal sabedoria diante da mensagem divina é destruída, aniquilada ( 1Co 1:19 ). Que tipo de sabedoria e entendimento o salmista propõe revelar então? A sabedoria deste mundo? Ele produziria conhecimento científico? Que tipo de entendimento? A resposta encontra-se no verso seguinte: “Ouvirei o oráculo, e revelarei o meu enigma ao som da harpa”, ou seja, uma profecia ( 1Cr 25:1 ).


Salmo 49 – Enigmas do Oráculo

1 OUVI isto, vós todos os povos; inclinai os ouvidos, todos os moradores do mundo,
2 Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres.
3 A minha boca falará de sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento.
4 Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa.
5 Por que temerei eu nos dias maus, quando me cercar a iniquidade dos que me armam ciladas?
6 Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas,
7 Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele
8 (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre),
9 Para que viva para sempre, e não veja corrupção.
10 Porque ele vê que os sábios morrem; perecem igualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens.
11 O seu pensamento interior é que as suas casas serão perpétuas e as suas habitações de geração em geração; dão às suas terras os seus próprios nomes.
12 Todavia o homem que está em honra não permanece; antes é como os animais, que perecem.
13 Este caminho deles é a sua loucura; contudo a sua posteridade aprova as suas palavras. (Selá.)
14 Como ovelhas são postos na sepultura; a morte se alimentará deles e os retos terão domínio sobre eles na manhã, e a sua formosura se consumirá na sepultura, a habitação deles.
15 Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá. (Selá.)
16 Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece.
17 Porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará.
18 Ainda que na sua vida ele bendisse a sua alma; e os homens te louvarão, quando fizeres bem a ti mesmo,
19 Irá para a geração de seus pais; eles nunca verão a luz.
20 O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem.

 

“OUVI isto, vós todos os povos; inclinai os ouvidos, todos os moradores do mundo”

A mensagem que um dos filhos de Coré deixou registrado neste salmo é inclusiva. Todos os habitantes da terra em todos os tempos necessitam ouvi-la.

Aparentemente o salmista compôs somente um cântico, porém, podemos ouvi-lo anunciando aos brados uma mensagem importantíssima à humanidade.

Mas, como fazê-la ecoar ao longo dos anos? Que recurso o salmista poderia utilizar à época para que toda a humanidade fosse informada da mensagem? A poesia aliada ao canto era o melhor recurso disponível na antiguidade para se propagar uma mensagem através dos tempos.

O salmista clama a todos os povos, ou seja, tanto judeus quanto gentios. Não há acepção de pessoas: os destinatários da mensagem são todos os moradores do mundo! ( Sl 49:1 ).

 

“Tanto baixos como altos, tanto ricos como pobres”

Para não restar dúvidas, o salmista deixa claro que a mensagem abrange tanto as pessoas proeminentes, quanto as sem expressão social. A condição financeira não é causa excludente: tanto ricos quanto os pobres devem ouvir e atender a mensagem ( Sl 49:2 ).

 

“A minha boca falará de sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento”

O motivo da poesia e canto não é um ode ao moralismo, ao legalismo, à consciência ou ao bom caráter, antes, o salmista se propõe a falar de uma sabedoria e de um entendimento específico ( Sl 49:3 ).

A mensagem do salmista também não se ocupa das mazelas socioculturais da humanidade. Não tem em vista a sabedoria ou o conhecimento de cunho filosófico, sociológico ou científico. Por quê? Porque as Escrituras demonstram que tal sabedoria diante da mensagem divina é destruída, aniquilada “Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes” ( 1Co 1:19 ).

Que tipo de sabedoria e entendimento o salmista propõe revelar então? A sabedoria deste mundo? Ele produziria conhecimento científico? Que tipo de entendimento? A resposta encontra-se no verso seguinte: “Ouvirei o oráculo, e revelarei o meu enigma ao som da harpa”, ou seja, uma profecia (1Cr 25:1 ).

 

“Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa”

O salmista daria ouvidos à ‘palavra da profecia’ e haveria de revelá-la aos seus interlocutores ao som da harpa (v. 5), tudo isto conforme o que foi estipulado para o seu ministério “E DAVI, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério:” ( 1Cr 25:1 ).

A mensagem anunciada ao som da harpa, além de profética, é um grande enigma. Para compreender a grandeza da mensagem anunciada pelo salmista é necessário descobrir o significado dos seus enigmas.

Qual a natureza do enigma, da parábola, ou do oráculo? A palavra da profecia diz da sabedoria do alto, e não do conhecimento terreno “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” ( Tg 3:17 ). O salmista declarou a sabedoria que faz o homem perfeito em Deus “A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo” ( Cl 1:28 ).

Diante do enigma do evangelho o conhecimento humano torna-se loucura “Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?” ( 1Co 1:20 ), pois a parábola anunciada ao som da harpa do salmista é Espírito e poder “A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder” ( 1Co 2:4 ); “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” ( 1Co 1:18 ).

O que a humanidade pede ou busca não se encontra nas Escrituras “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria. Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” ( 1Co 1:22 – 23 ); “Visto que rejeitaram a palavra do Senhor, que sabedoria teriam?” ( Jr 8:8 -9).

Haveria algum motivo específico para que o salmista profetizasse acerca de si mesmo? A vida de um dos filhos de Coré seria de importância mundial? Ao menos o filho de Coré, que redigiu este salmo, fazia parte da linhagem de Cristo? O que havia neste filho de Coré que serviria de instrução para Israel e o mundo? Nada! A importância reside única e exclusivamente na profecia que o salmista anunciou ao som da harpa.

De quem fala o oráculo? Qual o evento posterior à profecia que é de interesse mundial? (v. 1 e 2) Por acaso não seria o advento do Messias?

A vida do salmista não é de interesse da humanidade, tanto que nada sabemos acerca do filho de Coré, mas o que foi profetizado por ele nos conduz a uma pessoa que é de interesse de toda a humanidade: Jesus, o Cristo de Deus.

Esta profecia redigida por um dos filhos de Coré e cantada ao som da harpa compõe o Livro dos Salmos, o que a torna parte das Escrituras. Portanto, ao examinar o Salmo 49, examinamos as Escrituras, e este salmo testifica do Cristo “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ).

O salmo 49 não versa sobre a vida de um dos filhos de Coré, antes a mensagem enigmática, de importância mundial, diz de Cristo, que é sabedoria de Deus. Diz do Verbo de Deus encarnado, que todos os moradores do mundo necessitam conhecer.

Observe a seguinte relação: Jesus nomeou as Escrituras de sabedoria de Deus “Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros” ( Lc 11:49 ), e, por sua vez, Cristo foi ‘feito’ por Deus sabedoria “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” ( 1Co 1:30 ).

 

“Por que temerei eu nos dias maus, quando me cercar a iniquidade dos que me armam ciladas?”

Inúmeras ciladas e armadilhas ao longo dos séculos foram implementadas pelos servos da iniquidade, porém, que interesse haveria para o mundo as ciladas anunciadas por um dos filhos de Coré? De que tipo de cilada o salmista faz referência?

As palavras dos ímpios são ciladas As palavras dos ímpios são ciladas para derramar sangue…” ( Pv 12:6 ), e os lideres religiosos de Israel se encaixam na descrição do salmista, pois suas palavras eram verdadeiras ciladas. As características dos iníquos que a profecia apresenta remontam o caráter, a conduta e a intenção dos lideres da religião à época de Cristo “Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação” ( Jo 11:48 ); “Depois os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, e os anciãos do povo reuniram-se na sala do sumo sacerdote, o qual se chamava Caifás. E consultaram-se mutuamente para prenderem Jesus com dolo e o matarem” ( Mt 26:3 -4).

Os lideres de Israel eram os interpretes das Escrituras e prezavam o cumprimento da lei, porém, no afã de preservarem seus lugares ( Jo 11:48 ), violaram a própria lei: emboscaram e derramaram sangue do Inocente ( Mt 26:4 ).

Além de prevaricarem em relação as suas atribuições ( Is 43:27 ), tornaram-se os agentes que implementaram o que fora predito por um dos filhos de Coré. Não observaram as Escrituras e com palavras armaram uma cilada para o Inocente: “Se disserem: Vem conosco a tocaias de sangue; embosquemos o inocente sem motivo” ( Pv 1:11 ).

Os lideres religiosos que tinham o dever de interpretar as Escrituras prevaricaram quanto às suas atribuições ( Pv 6:17 ; Is 59:7 ; Mt 27:4 ; Mt 27:24 ). As palavras deles eram verdadeiras ciladas para derramar sangue do Inocente, que por sua vez não temeu os dias maus “Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo mas no seu coração arma-lhe ciladas ( Jr 9:8 ; Mt 12:34 ; Lc 6:45 ).

O filho de Coré profetizou acerca de um tempo específico: os ‘dias maus’, ou seja, os dias em que os lideres judeus armariam ciladas contra o Inocente para matá-Lo.

Os ‘dias maus’ não apontam para os tempos em que o povo de Israel estivesse em guerra com os povos vizinhos. Não! O salmista deixa especificado que os dias maus ocorreriam quando homens iníquos armassem ciladas com palavras contra Àquele que não temeria.

O salmista anuncia palavras que demonstram total confiança em Deus, ou seja, total confiança no Autor do oráculo.

O versículo 5 do salmo 49 é ilustrado pelo salmo 59: “LIVRA-ME, meu Deus, dos meus inimigos, defende-me daqueles que se levantam contra mim. Livra-me dos que praticam a iniquidade, e salva-me dos homens sanguinários. Pois eis que põem ciladas à minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não por transgressão minha ou por pecado meu, ó SENHOR” ( Sl 59:1 -3).

O Senhor Jesus não temeu os dias maus, pois ele deu ouvidos aos oráculos de Deus “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” ( Fl 2:8 ), pois convinha que ele padecesse pelo povo “Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação” ( Jo 11:50 ; Is 53:4 ).

Porém, os filhos do povo (os judeus) permaneciam fiados na própria sabedoria, e não deram ouvidos à palavra do Senhor expressa nos seus oráculos “Pelo pecado da sua boca e pelas palavras dos seus lábios, fiquem presos na sua soberba, e pelas maldições e pelas mentiras que falam” ( Sl 59:12 ).

 

“Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas”

Descobrimos até aqui dois enigmas:

  • Que o oráculo do salmista refere-se ao Messias;
  • Que as ciladas utilizadas pelos iníquos seriam ‘ciladas com palavras’.

O significado do terceiro enigma deve ser depreendido do verso 6.

Que relação há entre a ‘iniquidade’ e as ‘riquezas’ dos iníquos que armariam ciladas contra o Cristo? Podemos considerar que os desprovidos de bens materiais são justos diante de Deus? Podemos considerar que possuir bens e herdades é causa de eterna perdição? Não! Se riquezas materiais fossem causa da perdição dos ricos e dos nobres, o salmista não direcionaria sua mensagem também aos pobres ( Sl 49:2 ).

Ora, o salmista estende o seu convite a ricos e pobres, isto porque tanto ricos quanto pobres podem ser iníquos. Tanto plebeus quanto nobres podem ser iníquos. Tanto judeus quanto gregos podem ser iníquos, pois não há sobre a face da terra homem que seja justo (pobres ou ricos, judeus ou gregos, etc.) ( Sl 14:3 ).

Iniquidade refere-se especificamente à condição do homem divorciado do Criador, sem qualquer relação com a sua posição sócio-econômica ou cultural. O homem é gerado em iniquidade e concebido em pecado ( Sl 51:5 ).

No que consiste confiar nas riquezas? Por que o salmista protesta contra os que se gloriam nas suas posses? Quais são as riquezas e bens que o salmista faz referência?

Ora, este é mais um enigma declarado pelo salmista ao som da sua harpa!

Para decifrá-lo, analisemos esta passagem bíblica: “Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” ( Lc 18:10 -12).

O cobrador de impostos é alguém necessitado (pobre) que espera ser agraciado (misericórdia) por Deus. Já o fariseu é um homem abastado (rico), ou seja, um religioso, que apesar de agradecer a Deus, confia em seus méritos, na sua moral e no seu comportamento ilibado quando se dirige a Deus em oração.

A atitude do publicano de ficar em pé ao longe, sem ao menos levantar os olhos ao céu batendo no peito, demonstra que ele reconhecia a sua miserável condição diante de Deus: pecador. Um pecador é alguém que carece da graça de Deus. É alguém necessitado, pobre, miserável.

A atitude do fariseu é de alguém abastado (rico). Ele considerava estar em uma condição privilegiada, se comparado a outros homens. Para ele os homens eram pecadores por serem roubadores, injustos e adúlteros. Ora, como o fariseu não roubava, era fiel no trato, não adulterava, não era como o publicano, jejuava e dizimava, considerava ser alguém abastado e rico.

O fariseu é um dos que confiavam em suas ‘fazendas’, que se gloriava das suas ‘riquezas’ e que não foi declarado justo por Deus. Quais riquezas ele possuía? Não roubar, não adulterar, não matar, dar o dízimo, não ser como os outros homens, etc. Não vemos na oração do fariseu ele declarando que possuía herdades e bens.

Apesar de se aplicar as boas ações, a Jesus declarou que ele não foi justificado. Por que ele não foi justificado? Porque confiava em suas virtudes, em seus méritos e na sua origem. Ele deixou de confiar em Deus, passando a considerar as suas virtudes, méritos e origem como requisitos para salvação.

Mais um enigma é decifrado: ‘riquezas’ e ‘fazendas’ referem-se aos méritos e obras dos homens. As riquezas e herdades referem-se a tudo que o homem executa e se estriba na intenção de alcançar a salvação. A salvação só é possível àqueles que confiam em Deus, do modo que fez o publicano ( Sl 62:7 ).

Após resolver o enigma seria possível prever as virtudes e os méritos daqueles que haveriam de armar ciladas com palavras contra o primogênito de Deus. Quem seriam os iníquos que armariam ciladas contra o primogênito de Deus? Homens que ‘confiam em suas posses, que se gloriam em suas riquezas’, ou seja, homens que eram justos aos seus próprios olhos, pois estavam fiados em suas origens, religiosidade, méritos e virtudes “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade” ( Mt 23:28 ).

 

“Nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e cessará para sempre), Para que viva para sempre, e não veja corrupção”

Nenhum dos religiosos à época de Cristo, de modo algum, poderia remir seu irmão. Nenhum dos lideres possuía ‘fazenda’ ou ‘riquezas’ que pudesse dar a Deus o resgate por seus irmãos. Por que não? Porque a redenção da alma de um único homem é caríssima, ou seja, as possessões (riquezas) que os homens angariam com a força de seus braços não é suficiente para pagar o valor do resgate de uma única alma.

Deus conhece as obras dos homens iníquos, pois elas não são feitas n’Ele ( Is 55:2 ; Ap 3:16 ; Jo 3:20 ). Deus em todos os tempos aconselha: “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas” ( Ap 3:18 ).

Embora os lideres judaicos falassem cada um com o seu companheiro de paz, justiça e equidade social, eram iníquos, pois não confiavam em Deus, antes confiavam em suas boas ações, no produto de suas próprias realizações (trabalho).

Eles pensavam ter ‘posses’, que eram ‘ricos’ segundo as suas realizações, que eram abastados o suficiente para adquirir salvação ( Is 55:2 ), porém, esqueceram que Deus olha o coração e vê quem são os homens que ajuntam riquezas com violência ( Jr 17:10 -11 ; Is 59:6 ; Jr 17:11 ), sem acatar a recomendação de Deus: que comprem ouro provado no fogo ( Ap 3:18 ).

Nenhum dos iníquos tinha condição de dar o resgate pelos seus entes, para que eles vivessem eternamente, e não mais vissem a corrupção ( Sl 49:9 ).

 

“Porque ele vê que os sábios morrem; perecem igualmente tanto o louco como o brutal, e deixam a outros os seus bens. O seu pensamento interior é que as suas casas serão perpétuas e as suas habitações de geração em geração; dão às suas terras os seus próprios nomes. Todavia o homem que está em honra não permanece; antes é como os animais, que perecem”

O salmista lembra que todos os homens podem ver que os sábios morrem (v. 10), o que confirma que ninguém pode remir o seu irmão (v. 7), para que eles não vejam a corrupção (v. 9).

Do ponto de vista dos homens, todos podem constatar que os sábios morrem. Do ‘ponto de vista’ divino, perecem igualmente o louco (os homens que são sábios aos seus próprios olhos e o homem ignorante (bruto). Os homens sem entendimento, simples, brutos são iguais aos ‘sábios’ que rejeitam a palavra de Deus: igualmente perecem “Os sábios são envergonhados, espantados e presos; eis que rejeitaram a palavra do SENHOR; que sabedoria, pois, têm eles?” ( Jr 8:9 ; Is 8:15 ).

No verso 10 há uma figura de linguagem (antítese) entre as palavras ‘sábios’ e ‘loucos’, pois ambas refere-se às mesmas pessoas: “Vê-se os sábios morrer, perecer o louco e o bruto, deixando seus bens a outros” (v. 10). Os homens ‘sábios’ aos seus próprios olhos são ‘loucos’, pois a sabedoria dos homens é loucura diante de Deus. Diante desta relação entre as palavras ‘sábios’ e ‘loucos’ é que se estabelece o mesmo fim para ‘loucos’ e ‘brutos’ “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” ( 1Co 3:19 ).

Tanto os ‘loucos’, quanto os ‘brutos’ deixam aos seus semelhantes os seus bens, ou seja, um legado.

Após apresentar a real condição dos homens iníquos (v. 5) , o salmista traz a lume o pensamento deles. Eles acreditavam “…que suas casas” seriam “perpétuas” e suas “habitações de geração em geração”, ou seja, pensavam que haviam alcançado eterna salvação.

Casa fala de segurança: outro enigma! Pensavam que habitariam seguros perpetuamente. Consideram que herdaram (terra) o direito à salvação pelo nome (judeus) que possuem: descendentes de Abraão, Isaque e Jacó! Qual o motivo de se dar às terras os seus nomes? Para que os seus filhos fossem herdeiros. Terras falam de herdades, e nome refere-se a direito. Pelo nome que possuíam, pensavam ter direito a salvação ( Sl 49:11 ).

Porém, a realidade é totalmente diferente da concepção que os iníquos nutrem “Todavia…” ( Sl 49:12 ). Apesar da ‘riquezas’ que possuem (v. 6), inexoravelmente perecerão ( Sl 1:5 ). Na bíblia a palavra ‘perecer’ refere-se a existência alienada de Deus.

Eterna perdição é o destino do caminho daqueles que confiam em si mesmos, ou seja, que confiam em suas riquezas, que confiam na força do seu próprio braço, assim como Cristo demonstrou na parábola do publicano e do fariseu que subiram ao templo para adorar “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” ( Jr 17:5 ). Resumindo: “Como a perdiz, que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as deixará, e no seu fim será um insensato” ( Jr 17:11 ; Is 59:6 ).

O homem que está em honra e não permanece (v. 12), além de se referir aos iníquos que armaram ciladas com palavras, também se refere àqueles líderes religiosos, que apesar do dever de proclamar a palavra da verdade, cerceiam aos seus seguidores o reino dos céus, pois utilizam palavras de engano ( Mt 23:13 ).

Tais líderes promovem a confiança em riquezas mal adquiridas, pois não orientam que se compre ouro provado ( Ap 3:18 ; Sl 49:6 ).

 

“Este caminho deles é a sua loucura; contudo a sua posteridade aprova as suas palavras” (Selá)

O caminho deles é único e específico: “Este caminho…” (v. 13).

A ‘loucura’ dos ‘sábios’ não é a ciência, a filosofia, a sociologia, a moral, e nem mesmo a religiosidade. Antes, a ‘loucura’ dos que ‘confiam em si mesmos’ é o caminho deles! Como pode ser isso? O caminho é a loucura? Temos aqui um novo enigma!

O salmista no salmo primeiro anunciou: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores (…) Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpio perecerá” ( Sl 1:1 e 6).

É anunciado de modo ‘velado’ (implícito) neste salmo dois caminhos:

a) um caminho dos justos, e;
b) um caminho dos ímpios.

Não podemos deixar de considerar que existem inúmeros ímpios, porém, há um único conselho para eles; muitos pecadores, só um caminho para eles; muitos escarnecedores, e uma só roda (v. 1). Por fim, conclui-se que existem somente dois caminhos!

Neste diapasão, Cristo anunciou haver dois caminhos:

  • Um caminho largo que conduz à perdição, e;
  • Um caminho estreito, que conduz à vida eterna ( Mt 7:13 -14).

Diante de uma platéia perplexa, Jesus fez um convite a todos como a mesma abrangência que fez o salmista ( Sl 49:1 -2), para que entrassem pela porta estreita ( Mt 7:13 ). Em seguida Jesus apresentou o motivo do convite: “Porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz a perdição” ( Mt 7:13 ).

Ora, para entender a relação que há entre o salmo 1, o salmo 49 e a parábola dos dois caminhos ( Mt 7:13 ), é necessário ser ‘sábio’, instruído pela palavra da profecia, ou seja, deixar de ser sábio aos seus próprios olhos “Quem é sábio, para que entenda estas coisas, e prudente, para que as saiba? Os caminhos do Senhor são retos; os justos andam neles, mas os transgressores neles tropeçam” ( Os 14:9 ; Sl 49:3 ).

Os ‘sábios’ aos próprios olhos não sabem que ao nascer entraram por uma porta larga (Adão), e que seguem por um caminho espaçoso que os conduz a perdição. Os tolos não entendem que o nascimento natural é a porta larga por onde todos os homens entram e passam a trilhar o caminho largo, que por sua vez os conduz à perdição.

O caminho dos que confiam em si mesmo é caminho de perdição (v. 12 e 13). E o caminho dos seus seguidores, ou seja, daqueles que ‘aprovam’ as suas palavras também e de perdição “Todavia, o homem, apesar das suas riquezas, não permanecem (…) este é o caminho daqueles que confiam em si mesmos, e dos seus seguidores, que aprovam as suas palavras” ( Sl 49:12 -13).

Por quê? Porque tanto os que confiam em si mesmos, quanto os seus seguidores, igualmente entraram pela porta larga ao nascerem. Igualmente passaram a andar por um caminho que os levará a perdição. Quem é sábio compreende que os ímpios desviam-se desde a madre. Os que aprendem com os oráculos de Deus e entende os seus enigmas compreende que os ímpios andam errados desde que nascem, pois ao nascer entram por uma porta larga, passando a trilhar um caminho que conduz à perdição ( Sl 58:3 ).

Andam errados desde que nascem, proferindo mentiras! Por conseguinte, os seus seguidores, aqueles que aprovam suas palavras, não se desviam do caminho de perdição ( Sl 49:13 ). A posteridade dos ímpios não se desvia do caminho de perdição, que é a loucura de toda a posteridade de Adão.

“Como ovelhas são postos na sepultura; a morte se alimentará deles e os retos terão domínio sobre eles na manhã, e a sua formosura se consumirá na sepultura, a habitação deles”

O salmista compara a impotência dos ímpios à das reses quando a caminho do abatedouro. Como as ‘ovelhas’ estão destinados ao abate, eles estão destinados à sepultura, aos cuidados da morte!

A morte não significa aniquilação dos ímpios, como alguns apregoam, visto que, para Deus todos os homens vivem. Além do mais, como será possível os retos terem domínio sobre os ímpios, se ao romper da manhã eles não mais existirem?

Enquanto a formosura dos ímpios que armam ciladas se consome na sepultura, vislumbremos porque o Messias confia inteiramente em Deus ( Sl 49:5).

 

“Mas Deus remirá a minha alma do poder da sepultura, pois me receberá” (Selá)

O Messias tinha consciência que passaria pelos dias maus, quando homens iníquos o cercariam com ciladas de palavras para o matarem ( At 2:29 -31). Ele estava ciente que desceria a sepultura, porém, era certo que Deus haveria de remir a sua alma do poder da morte, e que O receberia ( Sl 49:15 ).

Os ímpios perecerão e a morte se alimentará deles, ou seja, a morte ‘existe’ por causa da existência dos ímpios. Em função da transgressão de Adão a morte passou a se alimentar dele e de todos os seus descendentes, porém, a morte não tem tal poder sobre o Cristo e os muitos filhos de Deus que são conduzidos à glória ( Hb 2:10 ).

Cristo, o último Adão, foi feito por Deus espírito vivificante. Ele é a porta estreita. Os muitos filhos que são conduzidos por Cristo à glória foram gerados por Deus por intermédio de Cristo. Todos os homens que crêem nascem de novo, ou seja, entram pela porta estreita, e passam a percorrer um novo e vivo caminho que os conduz à vida eterna.

Com base no livramento que Cristo recebeu do Pai, seguem-se uma alerta solene:

 

“Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece. Porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará. Ainda que na sua vida ele bendisse a sua alma; e os homens te louvarão, quando fizeres bem a ti mesmo, irá para a geração de seus pais; eles nunca verão a luz. O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem”

Após desvendar os enigmas do salmo, é possível compreender o alerta solene: “Não temas!”. O cristão não deve temer homens como o fariseu que subiu ao templo para adorar, e que, por ser religioso e seguidor da lei, recriminou o publicano.

Até em nossos dias muitos se consideram afortunados por serem regrados e possuírem uma religião. Gloriam-se no fato de não serem iguais aos homens comuns, porém, rejeitam o que a palavra de Deus preceitua. Para ele os homens são pecadores por serem roubadores e adúlteros, porém, esquecem que desde a madre a humanidade segue um caminho que conduz à perdição.

Alguns religiosos consideram que, para alcançar a graça de Deus é necessário um ascetismo pessoal rígido, e chegam a proibir o casamento. A doutrina que anunciam apóia-se nas tradições dos homens, conforme suas filosofias.

Os servos de Cristo não podem se submeter àqueles que querem fazê-los presas suas. Muitos líderes religiosos procuram submeter os seus seguidores através de filosofias, vãs sutilezas, que são conforme a tradição dos homens.

Os seguidores de cristo não devem temer o julgamento que os homens fazem por causa do comer, do beber, de festas, ou por causa de dias das semanas. O temor a estas pessoas fará com que o cristão se prive do prêmio da salvação, isto porque tais homens se apresentam com uma pseudo-humildade, baseiam-se em visões e seguem o erro de suas mentes carnais.

O que muitos religiosos fazem tem apenas aparência de sabedoria, de voluntariedade, humildade, ascetismo pessoal, pois se baseiam em preceitos humanos, mas não podem aniquilar a carne ( Cl 2:23 ), o que é possível somente em Cristo ( Cl 2:11 ).

O Cristão deve identificar esses homens que, dissimuladamente, se introduziram entre os cristãos e querem converter em dissolução a graça de Deus ( Jd 1:4 ). São falsos mestres, difamam o que não compreendem ( Jd 1:10 ), e o que se deve compreender de modo natural, como animais irracionais, até nisto se corrompem.

Aparentemente estes homens são ricos e cheios de glória pela vida de austeridade que se propuseram seguir. Suas riquezas e glória firmam-se em práticas virtuosas.

Porém, tais homens nada levam consigo quando morrem, nem a glória de suas práticas os seguirá ( Sl 49:17 ). O fato de ser feliz nesta vida não é sinal de bem-aventurança eterna. Ainda que os ímpios se considerem felizes e sejam louvados por suas realizações, irá ter com a geração dos seus pais: jamais verão a luz da vida! ( Sl 49:19 )

Uma é a geração dos ímpios e outra é a geração dos justos. A geração dos ímpios se perpetua através da descendência de Adão ( Jo 1:12 ), e a geração dos justo só e possível através do novo nascimento, quando Deus concede aos homens um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Jo 1:13 ; Ez 36:25 – 27).

 

“O homem que está em honra, e não tem entendimento, é semelhante aos animais, que perecem”

O último verso do salmo encerra a moral do enigma desvendado. O homem que está em uma posição privilegiada diante dos seus, como era o caso dos lideres religiosos à época de Cristo, e não compreende a parábola exposta ao som da harpa (oráculo), é semelhante às reses que são abatidas, seguem por um caminho que os conduz à perdição.

Ter zelo de Deus sem entendimento é permanecer no caminho de perdição, visto que, ao estabelecer a sua própria justiça (confiar em suas riquezas), o homem não se sujeita a justiça que vem de Deus ( Rm 10:1 -4).

A Editora Abril Cultural publicou uma Bíblia sob a coordenação do Pe. Antônio Charbel e do Pe. Joaquim Salvador, tendo o Pe. Ernesto Vogt como tradutor e comentarista do Livro dos Salmos. Temos o seguinte comentário ao Salmo 49 sob o título ‘A futilidade das riquezas’:

“Um sábio, de cítara na mão, convida os peregrinos reunidos no Templo a ouvirem a solução do grande problema, provocado pela riqueza dos maus, o que parece desmentir a justiça divina. Mas a providência serve-se precisamente deste enigma e da inabalável fé na justiça divina, para fazer raiar na mente do salmista a certeza de que, depois da morte, será feita a justiça. Esta é a solução que ele achou, ou antes, que o oráculo divino lhe manifestou (v. 8). Os piedosos pobres e aflitos nada tem que invejar aos ricos ímpios, porque estes, apesar de todas suas riquezas, não se poderão resgatar da morte, abandonando o que possuíam e descendo às trevas para nunca mais ver a luz. Quanto aos fiéis, porém, Deus os livrará da morte acolhendo-os junto de Si (v. 16)” A Bíblia, Vol. 4, Os Livros Sapienciais, Editora Abril Cultural, 2° Edição, 1976, Pag. 112.

No comentário do Pe. Ernesto há uma certa influência da teologia da libertação, que se baseia na opção pelos pobres contra a miséria, através de um engajamento político da cristandade na construção de uma sociedade mais justa e solidária, denunciando a pobreza como um pecado estrutural das sociedades modernas.

Porém, não é esta a temática do Salmo 49. Em primeiro lugar a mensagem do salmista não se restringe aos freqüentadores do templo em Jerusalém, antes tem como alvo a humanidade. Em segundo lugar, o grande problema da humanidade não é a pobreza ou a riqueza dos homens. Em terceiro lugar, não é depois da morte que a justiça de Deus se estabelece, antes ela se deu no princípio, visto que a humanidade foi julgada e condenada em Adão. Em quarto lugar, o Salmo não trata das mazelas socioculturais da humanidade, ou das estruturas econômicas e sociais dos reinos deste mundo.

O fato de alguém ser rico não o torna ímpio, e a pobreza não torna ninguém piedoso. Todos os homens gerados segundo a carne e o sangue (pobres ou ricos, judeus ou gentios, nobres ou escravos, religiosos ou ateus), são ímpios por terem entrado pela porta larga (Adão) que os conduz à perdição ( Sl 62:9 ).

Não obstante, temos o seguinte comentário extraído de uma bíblia comentada evangélica:

“Devemo-nos lembrar, contudo, de que o ponto de vista é o de Israel, e que nem uma ressurreição nem um quinhão celestial aparece no salmo (…) Embora este salmo, naturalmente, nada revele do Evangelho da graça de Deus, encontramos nele algumas palavras que no N.T. têm um sentido abundante e precioso” McNair S.E, A Bíblia Explicada, 4ª Ed, Rio de Janeiro, Editora CPAD, 1983, Pág. 184.

Ora, o ponto de vista do salmo não se restringe ao povo de Israel, visto que trata de uma problemática pertinente a todos os moradores do mundo ( Sl 49:1 ). No salmo não aparece nem um quinhão celestial, ou nada acerca da ressurreição? O que dizer do verso 15? Como os retos terão domínio sobre os ímpios, se o salmo nada diz acerca da ressurreição? ( Sl 49:14 ) O salmo nada revela acerca do Evangelho da graça de Deus? Ora, assim como o evangelho é para todos os povos, para todos os moradores do mundo, tanto pobres quanto ricos, percebe-se que o salmo tem muita coisa em comum com a graça de Deus revelada através do Evangelho “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ).

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