É possível um crente carnal?

O que define o homem carnal é estar vendido ao pecado. O crente em Cristo é liberto do pecado e servo de Deus, portanto, é impossível ser servo da justiça e ser carnal.

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Deus é justo e justificador

É assente entre alguns teólogos que Deus declara o homem ‘como se fosse’ justo por meio da fé em Cristo, ou seja, estabeleceram uma ressalva. Para alguns, e dentre eles destacamos o Dr. Scofield, ‘Deus declara o pecador como sendo justo’, ou seja, ele afirma que Deus ‘não torna o homem justo’.


A palavra ‘justificação’ (Dikaiosis) quando empregada pelo apóstolo Paulo refere-se ao que é verdadeiro, da mesma forma que o salmista Davi utiliza a palavra ‘justificação’ (hitsdik) para fazer referência a Deus porque Ele é verdadeiramente Justo.

O apóstolo Paulo utiliza uma palavra grega que tem o mesmo sentido da palavra hebraica ‘justificação’ para fazer referência aos cristãos porque eles são verdadeiramente justos “…de modo que és justificado quando falas…” ( Rm 3:4 ; Sl 51:4 ). Os que creem são de novo criados em uma condição nova e específica: em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Os termos usados no Novo Testamento para justificação, no grego, são: Dikaios (justo); Dikaiosis (justificação, defesa, reclamação de um direito), e; Dikaioo (ter ou reconhecer como justo). No Velho Testamento o termo é hitsdik, que significa declarar judicialmente que alguém está em conformidade com a lei ( Ex 23:7 ; Dt 25:1 ; Pv 17:15 ; Is 5:23 ).

Quando Deus declara que o homem é justo, ou seja, justifica, declara o que é verdadeiro, pois Deus não pode mentir.

Por que a afirmação acima? Porque é assente entre alguns teólogos que Deus declara o homem ‘como se fosse’ justo por meio da fé em Cristo, ou seja, faz uma ressalva. Para alguns, e dentre eles destacamos o Dr. Scofield, ‘Deus declara o pecador como sendo justo’, ou seja, ele afirma categoricamente que Deus ‘não torna o homem justo’.

“O pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa…” Bíblia de Scofield com Referências, Rm 3:28 , pág. 1147.

Ora, Deus jamais declararia que o homem é justo, sendo que efetivamente não está na condição de justo. É inconcebível Deus declarar e tratar como justo aquele que Ele não torna justo. Como Deus poderia reconhecer algo que não é como se fosse?

Sabemos que Deus tem poder de chamar a existência as coisas que não são como se elas já fossem ( Rm 4:16 ), porém, jamais declararia como sendo justo o pecador “De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio( Ex 23:7 ).

Se Deus não justifica o ímpio, como é possível que o pecador seja declarado justo?

Bem afirmou o apóstolo Paulo, que ‘o justificado do pecado está morto’ ( Rm 6:2 -7). Se a primeira proposição é verdadeira, a segunda também o é, visto que a segunda depende da primeira.

Desta forma a palavra ‘justificado’ traduz uma ideia verdadeira, visto que, todos que creram morreram com Cristo.

Quando o apóstolo Paulo utiliza a palavra ‘justificação’, tem em mente algo que é verdadeiro, ou seja, aquele que está morto está plenamente justificado do pecado!

Se o velho homem foi crucificado com Cristo, quem é justificado (declarado justo) por Deus?

Sabemos que Cristo foi entregue por causa dos pecados da humanidade, e que, quando creem n’Ele, morrem e são sepultados.

Sabemos que Jesus ressurgiu dentre os mortos, e, que, com Ele os que creram ressurgiram “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus” ( Cl 3:1 ).

A ‘justificação’ (declaração de justo) recai sobre o novo homem que ressurge com Cristo dentre os mortos. Somente a nova criatura é declarada justa perante Deus, pois foi de novo criada em verdadeira justiça e santidade.

O pecador jamais será declarado justo, pois o velho homem, que é o pecador, será crucificado com Cristo “Pois sabemos isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado…” ( Rm 6:6 ). O pecador nunca será justificado perante Deus, antes morre através da cruz de Cristo.

O pecador que aceita o sacrifício de Cristo por meio da fé (evangelho) morre juntamente com Ele, e quando ressurge, ressurge uma nova criatura (criada) segundo Deus em verdadeira justiça e santidade. Este novo homem é declarado justo diante de Deus.

As palavras traduzidas por ‘justificar’ e ‘justificação’ significa ‘tornar justo’, ‘fazer justo’, ‘declarar justo’, ‘declarar reto’ ou ‘declarar livre de culpa e de merecimento de castigo’. Quando Deus cria o novo homem em verdadeira justiça e santidade, executa todas as ações descritas nos verbos acima.

Somente aquele que é criado justo pode receber esta declaração da parte de Deus, ou seja, só o novo homem, criado segundo Deus pode receber de Deus a declaração: este é justo.

“E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade…” ( Ef 4:24 ).

O novo homem criado por Deus, por meio de Cristo Jesus, ou seja, que ressurgiu dentre os mortos, é criado em verdadeira justiça e santidade, portanto, quando Deus o declara justo, fala do que é verdadeiro, de uma condição plena e efetiva hoje.

“Ele foi entregue por nossos pecados, e ressuscitou para a nossa justificação” ( Rm 4:25 )

“… porque aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 )

Ao observar estes dois versículos, percebe-se que Jesus foi entregue por causa do pecado dos pecadores (se a humanidade não houvesse pecado, não haveria a necessidade de Cristo morrer), e ao morrerem com Ele, cumpre-se a justiça de Deus, visto que o pecador recebe o que está determinado pela justiça de Deus: a morte.

Em seguida, aquele que está morto é gerado de Deus e ressurge para a glória de Deus Pai, uma vez que, os que creem ressurgem com Cristo. Desta forma é justificado, ou declarado justo, pois para esse fim Cristo ressurgiu dentre os mortos: ‘ressurgiu para a nossa justificação’ ( Rm 4:25 ).

Se alguém não aceitar a argumentação de que os cristãos são de fato justos, deve concluir também que Cristo não ressurgiu. Se Cristo ressurgiu, é fato que os cristãos ressurgiram com Ele, e são declarados justos.

Quando o velho homem morre com Cristo, Deus é justo. Quando Deus cria o novo homem Ele é justificador. Sem contradição alguma: Ele é justo e justificador.

A bíblia diz que todos quantos creem em Jesus recebem poder para serem feitos (criados), filhos de Deus. O velho homem foi crucificado, morto, sepultado e dentre os mortos ressurge um novo homem. Este novo homem é declarado justo.

Paulo expressou que ‘aquele que está morto para o pecado é justo diante de Deus’ porque a condição de morto para o pecado é o mesmo que estar ‘vivo’ para Deus. Aquele que é criado de novo por meio do evangelho, que é poder de Deus para todo aquele que crê, é justificado (declarado justo), pois é uma nova criatura criada em verdadeira justiça e santidade.

Pois isso mesmo Paulo declara: “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” ( Rm 4:25 ).

O homem que é declarado justo diante de Deus não é aquele que morreu, antes o que ressurgiu dentre os mortos, ou seja, a nova criatura gerada de novo em Cristo.

Quando o apóstolo Paulo fala que aquele que está morto está justificado do pecado, tem em mente a ideia do versículo seguinte: “Pois é Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” ( Rm 8:34 ).

Quem está morto para o pecado, (ou antes) aquele que ressurgiu com Cristo foi justificado, ou seja, declarado justo perante Deus.

Alguns pensam que a declaração de justiça por parte de Deus há de se efetivar no futuro, e que, no presente, o homem só possui uma declaração do que posteriormente se dará. Não é assim a justificação.

“A justificação é uma declaração de Deus a respeito da condição da nova criatura perante Ele”

Todos quantos crerem recebem poder para serem feitos filhos de Deus, filhos nascidos não da vontade da carne, nem da vontade do varão ou do sangue. Estes são nascidos do Espírito, criados segundo Deus em verdadeira Justiça e Santidade ( Jo 1:12 -13).

Visto que, somente aqueles que nascem em justiça e santidade são verdadeiros, são declarados justos diante de Deus ( Ef 4:24 ). Deus é justificador daqueles que creem em Cristo.

O salmista só podia reconhecer os seus erros como forma de declarar a justiça de Deus. Qualquer homem não pode ir além do que fez o salmista.

Deus, porém, antes de declarar o homem justo faz algo extraordinário: a pena predeterminada é aplicada sobre os culpados (morte), gera uma nova criatura por meio do seu poder (o evangelho), e declara o novo homem justo diante d’Ele.

Através da justificação a multiforme sabedoria de Deus torna-se conhecida entre os principados e potestades!

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Um inocente também é justo?

A Bíblia afirma que os homens alienaram-se de Deus desde a madre, e que andam errados desde que nascem, e segundo os seus corações falam mentiras ( Sl 58:3 ; Mt 12:34 ). Dentre os filhos dos homens não há ninguém que tenha entendimento e que busque a Deus ( Sl 53:2 ), e nem mesmo as crianças são apontadas como exceção a regra.

 


“Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles” ( Gn 18:26 )

O Problema

É comum a ideia de que uma pessoa ‘inocente’ também é ‘justa’, como se estas duas palavras ‘inocente’ e ‘justo’ fossem sinônimas, porém, do ponto de vista bíblico não é correta está correlação entre as duas palavras.

A Bíblia ensina que inocente é o mesmo que justo? Uma criança recém nascida é inocente e justa? Um inocente pode não ser justo? O ímpio pode ser inocente?

Analisemos algumas passagens bíblicas.

 

As Crianças de Sodoma e Gomorra

Observe este diálogo entre Deus e o patriarca Abraão: “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? Então disse o SENHOR: Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles” ( Gn 18:25- 26 ).

Este diálogo é muito conhecido, porém, é comum não serem feitas as seguintes perguntas: havia inocentes nas cidades de Sodoma e Gomorra? As crianças das cidades de Sodoma e Gomorra não eram inocentes, e por que elas foram destruídas? Elas, apesar de serem inocentes, também eram ímpias, uma vez que foram destruídas?

Consideremos o que Deus disse a Abraão: “Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles ( Gn 18:26 ). Deus garantiu a Abraão que, se houvesse dentro dos portões das cidades de Sodoma e Gomorra pelo menos dez justos, não destruiria as cidades! ( Gn 18:32 )

Como bem sabemos, as cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas, pois os três justos que haviam na cidade foram resgatados de lá, ou seja, Deus demonstrou que jamais destrói o justo com o ímpio, e que o juiz de toda a terra efetivamente faz justiça, pois não trata os justos como trata os ímpios ( Gn 19:16 ).

Após observar as garantias que Deus concedeu a Abraão “Não a destruirei por causa dos dez” ( Gn 18:36 ), e o resultado final, a destruição de Sodoma e Gomorra ( Gn 19:25 ), chega-se a seguinte conclusão: diante de Deus, ser ‘inocente’ não é o mesmo que ser ‘justo’, pois, se os inocentes fossem justos, ambas as cidades não seriam subvertidas devido às inúmeras crianças que haviam naquelas cidades.

Neste mesmo diapasão, o que dizer de milhares de crianças ‘inocentes’ que foram mortas no dilúvio, sendo que somente Noé foi declarado justo por Deus ( Gn 6:9 ; Gn 7:1 ; Hb 11:7 ).

Que dizer dos filhos de Acã? Eles também eram ímpios, mesmo sendo inocentes? ( Js 7:24 ). Os primogênitos do Egito não eram inocentes? ( Ex 12:29 ).

Através destes eventos é possível determinar que, ser inocente não e o mesmo que ser justo, e que ser justo não é o mesmo que ser inocente.

 

Os inocentes

Geralmente a Bíblia utiliza a palavra ‘inocente’ para designar uma pessoa ingênua, ou desavisada, como se lê: “Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” ( Ex 20:7 ), ou seja, após receber o alerta solene “Não tomarás o nome do Senhor em vão”, o homem deixa de ser inocente.

Qualquer que utilizasse o nome de Deus em vão não mais seria considerado inocente, pois foi alertado.

Ora, se qualquer que for avisado pelo Senhor deixa de ser inocente, temos que Adão nunca foi inocente, pois ele foi avisado por Deus do mau, mas resolveu por si mesmo passar, e como conseqüência sofreu a pena “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:17 ).

Por causa do alerta solene Adão deixou de ser inocente, porém, continuava sendo um homem justo e sem conhecer o bem e o mal. Após desobedecer, Adão deixou de ser justo e passou a ser como Deus, conhecedor do bem e do mal.

O alerta divino acerca das conseqüências em ser participante da árvore do conhecimento do bem e do mal arrancou a inocência de Adão. Adão deixou de ser justo após desobedecer e passou a ser como Deus: conhecedor do bem e do mal, em virtude de ser participante (comer) da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Ou seja, a inocência de Adão foi perdida muito antes de ele conhecer o bem e o mal. A inocência não se perdeu após a transgressão, ou seja, antes mesmo da ofensa Adão já não era inocente por causa do alerta solene de Deus.

Salomão alertou: “O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena” ( Pv 27:12 ). Ou seja, o aviso torna o homem apto para ver o mal, e este, por sua vez, deve se esconder. Em contra partida, o simples, o desavisado, o inocente, passa e sofre a pena! Por quê?

É comum os homens atinarem que o inocente não deva sofrer a pena, mas a Bíblia demonstra que a pena não passa do simples (inocente) “O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando” ( Pv 22:3 ).

Mesmo os inocentes são passíveis de punição, mesmo as criancinhas inocentes são tratadas como os adultos, pois ambos são ímpios diante de Deus, e sofrem a pena: destituídos da glória de Deus.

 

Uma Criança pode ser considerada justa?

Após esta abordagem inicial, sobrevêm inúmeras perguntas: como é possível uma criança não ser justa, se ela é inocente? A partir de que idade uma criança é considerada ímpia? Qual a base da justiça de Deus ao destruir crianças e adultos? Etc.

As alegações de Abraão são verdadeiras: “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” ( Gn 18:25 ), pois Deus mesmo diz: “De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ).

  • O juiz de toda a terra faz justiça;
  • Ele faz distinção entre justos e ímpios;
  • Deus não mata o justo com o ímpio, e;
  • Deus não declara (justifica) o ímpio como sendo justo.

Quando Deus recomendou ao povo de Israel algumas questões de direito, Ele orientou para que guardassem da falsa acusação, e que a pena capital não devia ser aplicada ao inocente e ao justo “De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ).

Este verso estabelece uma diferença significativa entre justo e inocente, pois se ‘justo’ e ‘inocente’ fossem maneiras distintas de fazer referência a uma mesma condição, Deus não estabeleceria a distinção: não matarás o inocente e o justo ( Ex 23:7 ).

Tudo começou com Adão, o primeiro pai da humanidade. Através dele a humanidade lançou mão de uma condição miserável. Por causa da ofensa dele todos os homens pecaram, e em um só evento, todos juntamente se desviaram de Deus ( Sl 14:3 ).

Adão foi criado por Deus santo, justo e bom, ou seja, ele compartilhava da natureza de Deus. Adão existia em comunhão com a Vida e compartilhava da glória de Deus.

Porém, Adão foi avisado por Deus que, no dia em que comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, que estava no meio do jardim, haveria de morrer ( Gn 2:17 ).

Embora santo, justo e bom, Adão nunca foi inocente (ingênuo), pois foi alertado quanto as conseqüências de sua decisão “O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena” ( Pr 27:12 ).

Adão foi avisado e não se escondeu do mal, ou seja, por ter sido avisado, ele já não era simples, ou seja, inocente.

Há diferença entre ‘inocência’, que é ingenuidade e pureza, e ‘inocência’, que é estado de quem não é culpado, significado que é próprio aos tribunais. Não podemos confundir os significados da designação ‘inocência’, pois é essencial para a interpretação bíblica.

Para o Dr. Scofield houve a dispensação da inocência, ou seja, ‘o homem foi criado em inocência, colocado em um ambiente perfeito (…) e advertido das conseqüências da desobediência’ Bíblia de Scofield com Referências, explicação a Gn 1:28 . Ora, como foi avisado por Deus, Adão já não era mais ‘simples’ (inocente, ingênuo), mas não era culpado, ou melhor, segundo a linguagem utilizada nos tribunais ‘inocente’.

Deus criou o homem do pó da terra ( Gn 2:7 ), colocou-o no Jardim do Éden para lavrá-lo e guardá-lo ( Gn 2:15 ), e foi alertado por Deus quanto a árvore que estava no meio do jardim ( Gn 2:17 ). Adão foi criado puro (inocente, inculpável), santo e bom, e alertado (não mais inocente) quanto ao perigo de se comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Porém, apesar de avisado, tanto a mulher quanto o homem preferiram dar ouvidos à serpente: “Certamente não morrereis” ( Gn 3:4 ). Não dar ouvidos (credito) a palavra de Deus alienou (extraviou) o homem do seu Criador. Após atender a palavra de Satanás, o homem deixou de compartilhar da vida e da glória que há em Deus.

O Homem morreu conforme a palavra do Senhor ( Gn 2:17 )! A justiça divina não tardou: o homem foi julgado e apenado com a morte “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação…” ( Rm 5:18 ).

A morte é alienação de Deus. Por causa da lei santa justa e boa que diz: ‘… certamente morrerás’ ( Gn 2:17 ), o pecado encontrou ocasião na força da lei estabelecida por Deus, e por ela aprisionou o homem ( 1Co 15:56 ). Sem a lei que diz: ‘certamente morrerás’ ( Gn 2:17 ), não existia para o homem a possibilidade de alienação de Deus, ou seja, o pecado estaria morto ( Rm 7:8 ).

 

Os ímpios

Mas, porque os infantes de Sodoma e Gomorra, mesmo sendo inocentes, mentalmente e fisicamente incapazes de fazer o bem ou o mal não foram poupados por Deus? Por que não foram tidos por justos?

É fato: Deus prometeu que se houvessem dez justos nas cidades de Sodoma e Gomorra não a destruiria, porém, apesar de inúmeros inocentes, a cidade foi completamente destruída, o que nos deixa uma mensagem clara: as crianças não são justas, apesar de serem inocentes!

As cidades de Sodoma e Gomorra foram destruídas porque todos os homens foram formados em iniquidade, todos foram concebidos em pecado ( Sl 51:5 ).

O salmista Davi profetizou dizendo que todos os homens se desviaram e que juntamente se fizeram imundos ( 1Cr 25:1 ; Sl 53:3 ). Mas, onde e quando ocorreu o desvio, ou seja, a alienação da humanidade de Deus? Qual a idade que o homem passa a estar alienado de Deus?

A Bíblia afirma que os homens alienaram-se de Deus desde a madre, e que andam errados desde que nascem, e segundo os seus corações falam mentiras ( Sl 58:3 ; Mt 12:34 ).

Dentre os filhos dos homens não há ninguém que tenha entendimento e que busque a Deus ( Sl 53:2 ), e nem mesmo as crianças são apontadas como exceção a regra.

Profeticamente o salmista Davi escreve uma oração ao Senhor que retrata o anseio do Messias: “Ó Senhor, com a tua mão, livra-me dos homens do mundo, cuja porção está nesta vida. Enche-lhes o ventre da tua ira entesourada. Fartem-se delas os seus filhos, e dêem ainda os sobejos aos seus pequeninos” ( Sl 17:14 ).

Os ‘homens deste mundo’ referem-se aos filhos de Adão, e tudo que possuem restringe-se a este mundo. A ira de Deus está reservada aos homens deste mundo, conforme demonstra o apóstolo Paulo “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” ( Rm 1:18 ).

A informação acima é de conhecimento geral, porém, o mais interessante é a informação a seguir: “Fartem-se delas os seus filhos, e dêem ainda os sobejos aos seus pequeninos” ( Sl 17:14 ). Os filhos dos homens deste mundo também se fartarão da ira de Deus, e mesmo os seus pequeninos sobejarão da ira entesourada por Deus.

 

Julgamento e Condenação

O apóstolo Paulo traz a lume que a humanidade foi julgada e está sob condenação “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação…” ( Rm 5:17 ), o que difere de qualquer sistema religioso, pois todas as religiões dão conta que o juízo de Deus ainda está por vir.

Através de uma única ofensa Adão trouxe o juízo de Deus sobre todos os homens para condenação, ou seja, em Adão todos os homens se desviaram de Deus e juntamente se fizeram imundos ( Sl 53:3 ).

Todos os homens, sem exceção: homens, mulheres, crianças e velhos tornaram-se imundos e sob condenação.

A ofensa de Adão foi não crer na palavra de Deus que lhe preservaria a vida, o que o levou comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, que o tornou como Deus, conhecendo o bem e o mal. A ofensa se deu antes do conhecimento do bem e do mal, portanto, a condenação não depende da consciência, ou da capacidade do homem em realizar o bem e o mal.

Quando a Bíblia afirma que o homem é escravo do pecado, ela demonstra que assim como os filhos de escravos eram escravos, todos os descendentes de Adão também são escravos. Não importa a idade ou condição social, se criança ou velho, uma vez descendente de Adão são escravos do pecado.

A escravidão é uma condição que se estabelecia sobre homens, mulheres, jovens e crianças, da mesma forma que o pecado. Não é porque as criancinhas de Sodoma e Gomorra não possuíam consciência e nem dispunham de condições para realizar bem ou mal, que eram justas. Embora inocentes, simples, sofreram a mesma pena que foi imposta aos adultos, pois já estavam condenados à perdição por serem descendentes de Adão, e, portanto, por serem servos do pecado (ímpios).

Que ação, que entendimento, que compreensão, do que era capaz um infante que o tornava escrava? Bastava simplesmente nascer de pais escravos para ser escravo. Não havia nenhuma ação ou omissão por parte da criança, e neste aspecto, todos os descendentes de Adão são escravos do pecado.

A condição é própria a todos os homens, e não se vincula a questões de méritos. O apóstolo Paulo ao falar da condição do homem em sujeição ao pecado utiliza o vocábulo ‘doulos’, indicando escravidão em oposição à condição do homem livre, que é ‘eleutheria’.

‘Doulos’ é um termo que não possui conotação moral ou ética, e que data de um período histórico anterior a Sócrates, e que, portanto, também já era de conhecimento do apóstolo. O apóstolo Paulo preferiu o vocábulo ‘Doulos’ em lugar de ‘eleutheria’, o que demonstra que a escravidão ao pecado não depende de questões morais ou comportamentais.

‘Doulos’ possui sentido diferente de ‘enkráteia’, que é um conceito socrático, que introduziu o conceito de liberdade ética. Este conceito estabelece a liberdade como possuidora de senhorio sobre a existência orgânica e psíquica do homem, indicando a virtude como sendo ‘conhecimento’ e fundamentando a liberdade do homem no conhecimento e na racionalidade: conhecer o bem implica praticá-lo.

Observe: “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues” ( Rm 6:17 ). O homem é servo do pecado sem qualquer conotação moral, uma vez que o apóstolo dos gentios utiliza o vocábulo ‘doulos’ e despreza o termo ‘eleutheria’.

 

O Caminho Largo

Quando Jesus orientou os seus ouvintes a entrarem por Ele: “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:13 ), ou seja, que nascessem de novo ( Jo 3:3 ), Ele também alertou acerca da porta larga.

Jesus é o último Adão, sendo necessário ao homem nascer de novo para ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:2 e 22 -23 ; 1Co 15:45 ).

Mas, como não é primeiro o espiritual, senão o animal (o terreno), pois primeiro os homens carnais são gerados através de Adão, que é a porta larga, por onde todos os homens entram ao nascer neste mundo, para depois entrarem pela porta estreita, segue-se que a porta larga é o primeiro Adão “… porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( MT 7:13 ).

Jesus alertou que a porta é larga e que o caminho que conduz a perdição é espaçoso. Ir à perdição não depende da vontade, da consciência, do conhecimento ou da volitividade do indivíduo. O que conduz à perdição é o caminho largo que o homem se encontra após ter nascido segundo a vontade da carne, do sangue e da vontade do varão ( Jo 1:12 ).

De modo semelhante, é Cristo, o caminho, que conduz o homem a Deus, e, portanto, é necessário nascer de novo para trilhar o novo e vivo caminho.

 

Conclusão

Deus destruiu Sodoma e Gomorra porque não havia dez justos em ambas as cidades, o que nos faz lembrar dos infantes que nelas habitavam.

Como Deus garantiu que não destruiria as cidades se houvesse nela dez justos, e acabou subvertendo Sodoma e Gomorra, conclui-se que as crianças não eram justas, embora fossem inocentes.

Devemos ter em mente também que a palavra inocente no Antigo Testamento tem o sentido de alguém ‘simples’, ‘desavisado’, diferente do sentido que passou a predominar ao longo dos anos, devido aos tribunais.

A ação de Deus no Antigo Testamento reitera a declaração do Salmista Davi, que diz: “E não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente” ( Sl 143:2 ). O apóstolo Paulo reitera: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer” ( Rm 3:10 ), nem os infantes.

Em nenhuma das referências bíblicas excetua as crianças, que embora sejam inocentes, diante de Deus são ímpias.

Esta distinção entre justo e inocente se fez necessária porque muitos cristãos, embora admitam que a humanidade sem Cristo seja réu do inferno por causa da sua natureza pecaminosa, entendem que os infantes não se enquadram neste quesito, pois entendem que os infantes não são lúcidos e não possuem consciência para diferenciar o bem do mal, o que impede que exteriorizem uma ação ou omissão pecaminosa.

Ou seja, contraria totalmente a mensagem de Cristo: os homens são sujeitos do verbo ‘hamartia’ porque são escravos do pecado, e não o contrário: são pecadores por causa de suas ações e omissões.

Qual a condição dos inocentes de Sodoma e Gomorra? “Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles” ( Gn 18:26 ). Eram ímpias, pois Abraão argumenta: “Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” ( Gn 18:25 ).

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As religiões são a ‘porta larga’ que conduz à perdição?

Os monges, padres, hindus e todos que procuram uma vida de ascetismo pessoal pensam alcançar a bem-aventurança prometida por Cristo despojando-se de bens materiais e dos prazeres. Porém, a verdade do evangelho demonstra que só é possível ao homem ser bem-aventurado após despojar-se da carne (natureza herdada de Adão), através da circuncisão de Cristo (…) As religiões são ‘pseudo’ caminhos que os homens pensam que conduz a Deus. Eles seguem os desvarios de seus corações enganosos, pois seguem por um caminho de perdição.

 


Sobre o Sermão do Monte o Dr. J. Dwight Pentecost, autor do ‘Manual de Escatologia’, escreveu:

“A primeira bem-aventurança do Senhor está em Mateus 5: 3: ‘Bem-aventurado os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Só Deus é bem-aventurado. Ele é digno de receber benção em virtude de sua santidade absoluta, inalterável”  Pentecost, J. Dwight, O Sermão do monte, Capítulo Os humildes de espírito, Ed Vida.

Não consegui abstrair (entender) a declaração do Dr. Pentecost. Só Deus é bem aventurado? ( Mt 5:11 ) Deus é digno de receber bênçãos? ( Jó 41:11 ) Quem abençoaria Deus?

Não há quem possa dar algo ou retribuir uma dádiva divina. Não há quem possa abençoá-lo, visto que só ele habita a eternidade e detém todo poder e concede dádivas às suas criaturas. É impossível o menor abençoar o maior, e quem é maior que o Altíssimo?

De modo enfático, o Dr. Pentecost reitera na seqüência que só Deus é digno de ser chamado bem aventurado ou bendito por aquilo que ele é em seu caráter.

Ora, Deus possui vários atributos, porém, dentre eles não encontramos a humildade. A humildade é pertinente ao homem. Humilde é aquele que reconhece suas limitações, e Deus não é limitado. Não encontramos qualquer referência a um Deus humilde. Antes, Ele é o que é. É o Eu Sou, e habita a eternidade.

“Só Deus é bem-aventurado” Idem.

Se considerarmos que tal comentário refere-se a Cristo, como é possível Ele oferecer bem-aventurança aos seus ouvintes? Jesus apontou os seus discípulos como sendo bem-aventurados, o que contraria a ideia em destaque.

Vemos que a bem-aventurança é uma dádiva pertinente aos homens, e, por isso Jesus convida os seus ouvintes a aprenderem dele que é manso e humilde de coração “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ).

A mansidão da qual Jesus fez referência não diz de uma característica pertinente ao caráter ou comportamento humano. Antes a mansidão e a humildade de coração é uma característica pertinente à nova natureza do novo homem que é gerado em Cristo, que é semelhante à natureza de Cristo.

Somente os gerados de Deus são mansos e humildes de coração! Somente os que recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ), são criados em verdadeira justiça e santidade, recebendo a plenitude de Deus em Cristo ( Cl 2:10 ).

Sobre este aspecto da nova criatura (plenitude da divindade) João disse: “… porque, qual Ele é, somos nós também neste mundo” ( Jo 4:17 ). Ora, neste mundo não somos semelhantes a Jesus com relação ao corpo glorificado, ou seja, ainda não fomos revestidos da imortalidade. Porém, assim como ele é, nós também somos neste mundo: mansos e humildes de coração, isto porque aprendemos deste modo de Cristo “Se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus” ( Ef 4:21 ).

Sabemos que o homem gerado segundo a carne é ‘mentiroso’, pois a verdade encontra-se em Cristo ( Rm 3:7 ). Os filhos de Adão não possuem um coração manso e humilde, pois esta característica pertence tão somente aos filhos de Deus.

Os monges, padres, hindus e todos que procuram uma vida de ascetismo pessoal, pensam alcançar a bem-aventurança prometida por Cristo despojando-se de bens materiais e dos prazeres. Porém, a verdade do evangelho demonstra que só é possível ser bem-aventurado após o homem despojar-se da carne, recebendo a circuncisão de Cristo.

Só são bem-aventurados aqueles que recebem a Cristo por meio da verdade do evangelho (fé que uma vez foi dada aos santos), e descansam na proposta de vida eterna (fé ou descansar em Cristo). É por isso que Paulo diz que a justiça do evangelho descobre-se de fé em fé: a) a primeira fé refere-se à verdade do evangelho, e; b) a segunda fé refere-se a confiança do crente.

Ora, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Sem a ‘fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos’ é impossível confiar (fé) em Deus. Primeiro é preciso ouvir a verdade do evangelho (fé), para depois crer para salvação.

O Dr. Pentecost não incorreria no erro de afirmar que só Deus é bem-aventurado se compreendesse a parábola dos dois caminhos. Para ele o caminho largo refere-se à doutrina dos fariseus:

“Contrastando seu ensino como o dos fariseus, ele havia comparado o farisaísmo a uma porta muito larga pela qual muitas pessoas podiam entrar” Idem, Capítulo Alicerçado na Rocha (grifo nosso).

Analisando a parábola dos dois caminhos “Entrai pela porta estrita. Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( Mt 7:13 -14), percebe-se que Cristo é a porta estreita, e o único caminho que conduz a salvação. Não há outro nome pelo qual devamos ser salvos.

Mas, seria a doutrina dos fariseus o caminho largo que conduz muitos a perdição? E quem não segue a doutrina dos fariseus, mas seguem outros posicionamentos religiosos ou filosóficos, porventura não teriam entrado no caminho largo?

Apontar sistemas religiosos ou pensamento filosóficos como sendo o caminho largo que conduz a perdição não condiz com a verdade que a parábola contada por Jesus busca ilustrar “Jesus refere-se à religião humana, como o ‘caminho largo’ e espaçoso” Pág. 158, Idem.

Ora, um interprete não pode prevaricar “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ). Como os interpretes judeus prevaricaram? Ora, adotaram o mesmo posicionamento do Dr. Pentecost, uma vez que esqueceram que a porta larga é o primeiro pai da humanidade (Adão), e não as religiões.

As religiões são ‘pseudo’ caminhos que os homens pensam existir para alcançar a Deus. Eles seguem os desvarios de seus corações, mas é certo que trilham um caminho de perdição, pois entraram pela porta larga. É por isso que alguns dizem que todos os caminhos levam a Deus. Esquecem que existem somente ‘dois caminhos’, o que contrasta com a existência de inúmeras religiões.

A porta larga é Adão e o modo de entrar pela porta larga é o nascimento natural segundo a carne. A porta estreita é Cristo e o único modo de entrar pela porta estreita é nascendo de novo ( Jo 3:3 ).

Os fariseus prevaricaram porque acreditavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão. Esqueceram do primeiro pai (Adão), e que em decorrência do nascimento carnal eram iguais a todos os outros homens: carnais e destituídos da glória de Deus.

Todos os homens juntamente se desviaram e tornaram-se escusáveis diante de Deus por causa do primeiro pai que pecou (Adão), mas os judeus se achavam abastados espiritualmente (privilegiados) por terem por pai Abraão. Tremendo engano!

O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente, e após pecar todos os seus descendentes foram destituídos da glória de Deus. De modo distinto, Cristo, o último Adão, é espírito vivificante, a porta estreita, e todos os que por ele ‘entram’ (nascem de novo), são filhos de Deus.

A parábola dos dois caminhos é um resumo da ideia contida no Sermão do Monte. Se não houver uma interpretação fidedigna de tal parábola, qualquer tentativa de interpretar o Sermão do Monte será um fracasso.

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