Isaías 40 – Eis aqui o vosso Deus!

Quando João Batista anunciava que era necessária uma mudança de concepção, por causa da chegada do reino dos céus, vieram gentes de Jerusalém, da Judéia e de todas as regiões circunvizinhas, quando eram batizadas (Mt 3:5). Diante de uma mensagem que propunha que, ambos, torto e áspero, seriam endireitados e aplainados, vinham ao batismo muitas pessoas que residiam nas regiões vizinhas ao rio Jordão (Lc 3:3).


O capítulo 40 do Livro de Isaías aborda alguns aspectos da vida e do ministério de Cristo, o que demanda uma leitura com atenção redobrada. Ademais, no Novo Testamento, temos alguns versos desse capítulo citados por Cristo e pelos apóstolos, que nos orientam a obter uma boa interpretação.

 

1 CONSOLAI, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2  Falai benignamente a Jerusalém e bradai-lhe que já a sua milícia é acabada, que a sua iniquidade está expiada e que já recebeu, em dobro, da mão do SENHOR, por todos os seus pecados.

Através da mensagem: – ‘Consolai, consolai o meu povo’, Deus está anunciando, ao povo de Israel, a restauração futura do reino. Mas, como ‘consolar’ o povo de Israel? Qual é a mensagem benigna a Jerusalém?

A resposta é objetiva: o tempo das batalhas (milícias) é findo e a iniquidade expiada, pois a nação de Israel já recebeu de Deus a devida retribuição pelas suas transgressões (v. 2).

O tempo do consolo de Israel foi predito pelo profeta Daniel e se dará ao final da última semana de anos. O consolo de Israel se dará em um tempo que está fixado (para castigo) sobre Israel: as setenta semanas de Daniel.

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão e para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santíssimo” (Dn 9:24).

A mensagem de consolo a Israel se concretizará com a segunda vinda do Messias, em glória, para se assentar sobre o trono de Davi, quando regerá todas as nações e reinos da terra, desde o seu santo monte Sião, com vara de ferro.

“E deu à luz um filho homem, que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono” (Ap 12:5; Sl 2:9).

Essa é a descrição do Cristo glorioso:

“Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado e elevado, e mui sublime. Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura, mais do que a dos outros filhos dos homens. Assim, borrifará muitas nações e os reis fecharão as suas bocas por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado, verão, e aquilo que eles não ouviram, entenderão” (Is 52:13-15; Is 49:7).

Da mesma forma que os homens ficaram pasmos ao verem a ignomínia do Cristo, também, ficarão pasmos, ante a glória de Cristo, quando Ele se manifestar, na sua volta.

O povo de Israel receberá a devida medida de retribuição, por causa dos seus pecados, segundo a ira de Deus, no final do período da grande tribulação.

“O grande dia do SENHOR está perto, sim, está perto e se apressa muito; amarga é a voz do dia do SENHOR; clamará ali o poderoso. Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas. E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra o SENHOR;  o seu sangue se derramará como pó e a sua carne será como esterco” (Sf 1:14-17)

O anúncio dos versos 1 e 2, são posteriores ao cumprimento da profecia de Jesus, em que os filhos de Israel  receberão, ‘em dobro’, a retribuição de Deus por seus pecados:

“Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei, então, que é chegada a sua desolação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que, nos campos, não entrem nela. Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas. Mas ai das grávidas e das que criarem naqueles dias! porque haverá grande aperto na terra e ira sobre este povo. E cairão ao fio da espada, para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21:20-24; Is 63:4).

3  Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. 4 Todo o vale será exaltado e todo o monte e todo o outeiro será abatido; o que é torcido se endireitará e o que é áspero se aplainará. 5  E a glória do SENHOR se manifestará e toda a carne, juntamente, a verá, pois a boca do SENHOR o disse.

Através do evangelista Mateus, somos informados que a ‘voz que clama no deserto’ refere-se à pessoa de João Batista, primo de Jesus, que teve a missão de preparar o coração dos filhos de Israel para o primeiro advento do Senhor Jesus.

“E, NAQUELES dias, apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judéia,  dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3:2-3; Mc 1:1-3; Jo 1:23; Lc 3:2-6).

Sobre João Batista, também, profetizou o profeta Malaquias:

“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR. Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml 4:5-6).

Jesus afirmou, categoricamente, que João Batista era o ‘Elias’ que havia de vir:

“E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir” (Mt 11:14).

João Batista não era encarnação de Elias. Quando predito pelo profeta Malaquias, que o profeta Elias seria enviado, a profecia referia-se a João Batista que viria com a mesma missão de Elias: converter os corações, conclamando os rebeldes à prudência.

“E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc 1:17).

Como João Batista haveria de preparar o caminho do Senhor e endireitar no ermo um caminho a Cristo? Trazendo uma mensagem de mudança de concepção, de entendimento, ou seja, uma mensagem de arrependimento (metanoia).

A mensagem de João Batista não teria por alvo uma nação especifica, favorecendo judeus, em detrimento dos gentios, ou seja, os vales seriam elevados e os outeiros seriam abatidos. A mensagem de João Batista não faria distinção alguma entre povos e nações, judeus e gentios, pois, diante de Deus, todos estão em igual condição.

Quando João Batista anunciava que era necessária uma mudança de concepção, por causa da chegada do reino dos céus, vieram gentes de Jerusalém, da Judéia e de todas as regiões circunvizinhas, quando eram batizadas (Mt 3:5). Diante de uma mensagem que propunha que, ambos, torto e áspero, seriam endireitados e aplainados, vinham ao batismo muitas pessoas que residiam nas regiões vizinhas ao rio Jordão (Lc 3:3).

 

6  Uma voz diz: Clama; e alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva e toda a sua beleza, como a flor do campo. 7 Seca-se a erva e cai a flor, soprando nela o Espírito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva. 8  Seca-se a erva e cai a flor, porém, a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.

Há uma ordem expressa, que determina o anúncio de uma mensagem. Daí, o questionamento: Que hei de clamar? A mensagem é especifica: toda carne é erva! Quando diz que toda carne é erva, não há exceção, de modo que a mensagem nivela, tanto judeus, quanto gentios.

Tanto judeus, quanto gentios, são fugazes, passageiros, de modo que são comparáveis às flores dos campos. O verso 6 apresenta uma verdade, através de uma figura, já, os versos 7 e 8, contém a explicação da figura: os povos são ervas, de modo que, estão sujeitos a secarem e a caírem, o que contrasta com a eternidade da palavra de Deus e os que dela são gerados.

“Quanto ao homem, os seus dias são como a erva, como a flor do campo, assim, floresce” (Sl 103:15);

“O HOMEM, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação. Sai como a flor e murcha; foge, também, como a sombra, e não permanece” (Jó 14:1-2).

Pelo fato de toda carne ser corruptível, assim, como a flor da erva, há a necessidade de todos os homens nascerem de novo da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, pois, só os de novo nascidos, permanecem para sempre (1 Jo 2:17). O apóstolo Pedro destaca que a palavra que permanece para sempre, diz da mensagem do evangelho, quando cita o profeta Isaías, na sua epístola (1 Pe 1:25).

O ensinamento de que toda carne é como a flor da erva, fica bem ilustrada na abordagem que Jesus fez a Nicodemos, que era judeu, juiz, mestre, príncipe, fariseu, etc., por ter sido gerado segundo a carne, estava impedido de entrar no reino dos céus, portanto, como qualquer homem, Nicodemos também precisava nascer de novo.

A mensagem que o profeta Isaias deixou registrada, estampa a necessidade de uma mudança radical dos conceitos e do entendimento que os filhos de Israel detinham, acerca das coisas de Deus.

A mensagem é inclusiva: toda carne! O Salmo 53 trás essa mesma perspectiva: Deus olhou dos céus para os filhos dos homens, para identificar se alguém buscava a Deus, entretanto, todos se desviaram e, juntamente, se tornaram imundos, inclusive os judeus (Sl 53:2-3; Sl 14:2-3; Jr 10:8; Jr 9:5).

Na verdade, o Salmo 53 aponta para os filhos de Israel, conforme o apóstolo Paulo deu a interpretação do Salmo 53, ao escrever aos cristãos de Roma, ao demonstrar que judeus não são melhores que gentios:

“Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus” (Rm 3:9-11).

Se houver dúvidas, basta ler o que disse o profeta Isaias, acerca de Israel:

“Eu sou o que primeiro direi a Sião: Eis que ali estão; e a Jerusalém darei um anunciador de boas novas. E quando olhei, não havia ninguém; nem mesmo entre estes, conselheiro algum havia a quem perguntasse ou que me respondesse palavra.Eis que todos são vaidade; as suas obras não são coisa alguma; as suas imagens de fundição são vento e confusão” (Is 41:27-29).

O alerta do profeta Jeremias vem a calhar: Maldito o homem que faz da sua carne o seu braço, ou seja, que faz da sua descendência a sua força, a sua salvação (Jr 17:5; Fl 3:3). Diante de Deus, toda carne é, igualmente, como a flor do campo, de modo que, também, é necessário aos descendentes da carne e do sangue de Abraão nascerem do Espírito (Jo 3:6).

 

9  Tu, ó Sião, que anuncias boas novas, sobe a um monte alto. Tu, ó Jerusalém, que anuncias boas novas, levanta a tua voz, fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus.

A mensagem a ser proclamada pelos moradores de Sião deveria ter um alcance amplo, para tanto, era necessário subir a um alto monte e anunciar em alta voz. Pergunta-se: o que deveria ser anunciado, sem receio, às cidades de Judá?

Responde-se: – Eis aqui está o vosso Deus!

O Verbo eterno veio ao mundo, portanto, em Jerusalém, deveria ser anunciada, abertamente, a seguinte mensagem: – “Este é o nosso Deus”! João Batista, assim, o fez, ao dizer:

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).

A Luz verdadeira que, sem exceção, ilumina a todos os homens (judeus e gentios) estava no mundo, o mundo foi feito por meio dele e não O reconheceram (Jo 1:9-10).

Por causa da rejeição à mensagem: – ‘Eis aqui o vosso Deus’, cumpriu-se a profecia, que diz:

“Por que razão vim eu e ninguém apareceu? Chamei e ninguém respondeu?” (Is 50:2).

O verso 10 trata do primeiro advento de Jesus, que veio na condição de servo do Senhor:

EIS aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; e ele trará justiça aos gentios” (Is 42:1; Is 11:1; Is 61:1; Is 42:1 e 7).

Jesus chorou sobre Jerusalém, ao ver a consequência da rejeição dos seus concidadãos:

“E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela, dizendo: Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te estreitarão de todos os lados; E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que, dentro de ti estiverem, não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que, não conhecestes o tempo da tua visitação” (Lc 19:41-44).

Jesus se apresentou como servo, para fazer a vontade do Senhor:

“Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Sl 40:7-8).

Como os seus concidadãos não O receberam, Jesus se apresentou com os seus discípulos:

Eis-me aqui, com os filhos que me deu o SENHOR, por sinais e por maravilhas, em Israel, da parte do SENHOR dos Exércitos, que habita no monte de Sião” (Is 8:18).

Em seguida, Cristo apresentou-se aos gentios, dizendo: – “Eis-me aqui”!

“FUI buscado pelos que não perguntavam por mim, fui achado por aqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava pelo meu nome, eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui (Is 65:1).

O ‘aqui’ refere-se ao espaço/tempo no mundo dos homens, quando se inaugurou o tempo aceitável (Is 62:2). Cristo foi gerado no dia que se chama ‘hoje’, e o ‘hoje’ tornou-se o dia sobremodo oportuno, o tempo aceitável (Sm 2:7; Sl 95:7; 2Co 6:2).

O profeta Malaquias resume os versos 1 ao 10, do capítulo 40 de Isaias, com a seguinte profecia:

“EIS que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e, de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml 3:1).

O mensageiro que o Verbo eterno enviaria diz de João Batista, que tinha a missão de preparar o caminho d’Ele, quando viesse ao mundo. Quando o mensageiro estivesse preparando o caminho, repentinamente, o Senhor Deus encarnado viria ao Seu Templo, Aquele a quem os judeus ‘buscavam’.

O profeta anuncia que o próprio Senhor seria o mensageiro da Aliança. Ora, se Moisés foi o mensageiro da Antiga Aliança, isto mostra que Deus, por muitas vezes, falou ao pais, pelos profetas, e que agora falou pelo Seu Filho, o Senhor Jesus e estabeleceu uma Nova Aliança (Hb 1:1; Hb 8:13).

 

10  Eis que o Senhor DEUS virá com poder e seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele e o seu salário diante da sua face.

Como os filhos de Israel rejeitaram a Cristo, visto que não o santificaram como o Senhor dos Exércitos, em seus corações (Is 8:13; 1 Pe 3:14-15), o verso 10 aponta para o segundo advento de Cristo, quando Ele virá com poder e grande glória.

“E quando o Filho do homem vier em sua glória e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mt 25:31-32).

Cristo é o braço do Senhor que, no primeiro advento, foi desnudado perante todos os povos, para que se cumprisse a promessa a Abraão (Gn 12:3; Is 52:10) e, no segundo advento, exercerá domínio sobre a face da terra,  por amor a Abraão, Isaque e Jacó.

“Eis que o SENHOR fez ouvir até as extremidades da terra: Dizei à filha de Sião: Eis que vem a tua salvação; eis que, com ele, vem o seu galardão, e a sua obra diante dele” (Is 62:11);

“E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra” (Ap 22:12).

O profeta Malaquias resume os dois adventos de Cristo, em uma única profecia:

“EIS que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e, de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas, quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-se-á como fundidor e purificador de pratapurificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; então ao SENHOR trarão oferta em justiça” (Ml 3:1-3).

O primeiro advento aponta para Cristo, como o Servo do Senhor, o mensageiro da Nova Aliança, quando, repentinamente, Jesus adentrou o templo. Já, com relação ao segundo advento, Cristo virá em sua glória, como fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros, pois poucos suportarão a sua vinda, quando Ele se assentar como juiz (fundidor e purificador da prata).

Por isso, é dito que Cristo batiza com Espírito Santo e com fogo:

“Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas, eis que vem aquele, que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Lc 3:16).

O batismo com Espírito santo se deu no primeiro advento e o batismo com fogo, se dará na sua segunda vinda, quando Cristo purificará os filhos de Israel.

“Naquele dia, o renovo do SENHOR será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra, excelente e formoso, para os que escaparem de Israel. E será que, aquele que for deixado em Sião, e ficar em Jerusalém, será chamado santo; todo aquele que estiver inscrito entre os viventes, em Jerusalém; Quando o Senhor lavar a imundícia das filhas de Sião e limpar o sangue de Jerusalém, do meio dela, com o espírito de justiça e com o espírito de ardor (Is 4:2-4).

 

11 Como pastor, apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam, guiará suavemente.

Na segunda vinda, Cristo há de apascentar o seu rebanho, ou seja, os remanescentes de Israel, juntamente, com as nações selecionadas, para entrarem no seu reino. É Cristo quem selecionará as nações que adentrarão ao seu reino, como se lê:

“E todas as nações serão reunidas diante dele e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.Então, dirá o Rei, aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo” (Mt 25:32-34; Zc 9:16).

A promessa de Deus para Israel é esta:

“Ouvi a palavra do SENHOR, ó nações, anunciai-a nas ilhas longínquas e dizei: Aquele que espalhou a Israel, o congregará e o guardará, como o pastor ao seu rebanho” (Jr 31:10; Ez 34:12);

“E eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado e as farei voltar aos seus apriscos; frutificarão e se multiplicarão” (Jr 23:3).

Por causa dos líderes de Israel, que fizeram o povo se desviar, visto que buscavam alianças com os povos vizinhos (montes e outeiros), e se esqueceram de que em Deus está o livramento de Israel, os filhos de Israel foram dispersos. Das nações vizinhas (montes) jamais virá o socorro, pois o socorro de Israel pertence ao Senhor que fez os céus e a terra (Sl 121:2).

“Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso” (Jr 50:6).

“Cordeiro desgarrado é Israel; os leões o afugentaram; o primeiro a devorá-lo foi o rei da Assíria; e, por último, Nabucodonosor, rei de Babilônia, lhe quebrou os ossos” (Jr 50:17).

Quando veio, Jesus foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, porém, elas não se deixaram ajuntar: “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado, senão, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24).

Como os filhos de Israel não se deixaram ajuntar, Cristo se deu a conhecer aos gentios; um povo que não o procurava, O encontrou: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também, me convém agregar a estas e elas ouvirão a minha voz e haverá um rebanho e um Pastor” (Jo 10:16; Is 65:1).

 

12  Quem mediu, na concha da sua mão, as águas e tomou a medida dos céus, aos palmos, e recolheu, numa medida, o pó da terra e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças? 13  Quem guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou?14 Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, lhe ensinasse conhecimento e lhe mostrasse o caminho do entendimento?

É necessário perspicácia para responder as perguntas dos versos 12 e 13.

Os versos apontam para alguém grande, o bastante, para mensurar as águas, utilizando a concha de sua mão, medir a extensão dos céus a palmos, reunir todo o pó da terra num só recipiente e saber a medida dos montes e outeiros, em balanças.

Essa pessoa é o Cristo, pois, segundo o escritor aos Hebreus, o Salmo 102 refere-se à pessoa do Filho bendito:

“Desde a antiguidade, fundaste a terra e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão, como um vestido; como roupa os mudarás e ficarão mudados. Porém, tu és o mesmo e os teus anos nunca terão fim” (Sl 102:25 -27; Hb1:10-12).

O profeta Isaias não estava apontando para o Onipotente, mas, sim, para o Senhor que está à Sua direita, o Filho de Deus, que desceu e subiu aos céus:

“DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl 110:1; Lc20:44).

“Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” (Pr 30:4; Jo 3:13).

Cristo, em meio aos homens, tomou conselho com o Pai e, por isso mesmo, Ele disse: “O Espírito do Senhor Deus está sobre mim” (Is 61:1; Is 11:1; Is 42:1 e 7).

O Salmo 16 demonstra que, até de noite, o Filho era instruído pelo Pai, de modo que o Pai era o seu auxilio (mão direita) e, quando ascendeu aos céus, assentou-se à destra (à mão direita) da Majestade, nas alturas.

“Louvarei ao SENHOR, que me aconselhou; até os meus rins me ensinam de noite.Tenho posto o SENHOR, continuamente, diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita, nunca vacilarei. Portanto, está alegre o meu coração e se regozija a minha glória; também, a minha carne repousará segura. Pois, não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias, perpetuamente” (Sl 16:7-11).

 

15  Eis que as nações são consideradas, por Ele, como a gota de um balde e como o pó miúdo das balanças; eis que Ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima. 16 Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. 17  Todas as nações são como nada perante Ele; Ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã.

O escritor aos Hebreus lembra aos cristãos que eles ainda não viam o Cristo do modo que era devido: comotodas as coisas pertencentes a Ele (Hb 2:8-10).

Pela grandeza de Cristo, as nações são como uma gota de água em um balde, ou como o pó insignificante que é desconsiderado sobre o prato da balança. Mesmo as nações estrangeiras (Ilhas) são ínfimas diante d’Ele.

Por que as nações são tidas como coisa vã? Porque, soprando o seu hálito, as nações (montes e outeiros) são feitas em deserto, de modo que todos os homens definham (Is 40:24).

“Por muito tempo me calei; estive em silêncio e me contive; mas, agora, darei gritos como a que está de parto e a todos assolarei e, juntamente, os devorarei. Os montes e outeiros tornarei em deserto e toda a sua erva farei secar, tornarei os rios em ilhas e as lagoas secarei” (Is 42:14-15);

“Mas, julgará com justiça aos pobres, repreenderá com equidade aos mansos da terra; ferirá a terra com a vara de sua boca e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio” (Is 11:4).

 

18 A quem, pois, fareis semelhante a Deus ou, com que o comparareis? 19  O artífice funde a imagem e o ourives a cobre de ouro e forja para ela cadeias de prata. 20  O empobrecido, que não pode oferecer tanto, escolhe madeira que não se apodrece; o artífice sábio busca, para gravar, uma imagem que não se pode mover.

O artífice, com toda a sua habilidade, jamais poderá conceber uma imagem que se compare à grandeza de Deus. Mesmo o resultado do trabalho conjunto de um artífice e de um ourives sequer pode ser comparado a Cristo.

“Um ao outro ajudou e ao seu irmão disse: Esforça-te. O artífice animou ao ourives e o que alisa com o martelo ao que bate na bigorna, dizendo da coisa soldada: Boa é. Então, com pregos a firma, para que não venha a mover-se” (Is 41:6-7).

Ao ressurgir dentre os mortos, Jesus ascendeu ao Pai, na condição de expressa imagem do Deus invisível, a imagem e semelhança que Deus mencionou, no Livro do Gênesis, que concederia ao homem.

“O qual, sendo o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade, nas alturas” (Hb 1:3).

Aos homens é impossível fazer algo semelhante a Deus, mas a Deus tudo é possível, visto que ao ascender ao Pai, Cristo conduziu muitos filhos a Deus, semelhantes a Ele, para que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos (Hb2:10; Rm 8:29; 1 Jo 3:2).Deus pode e faz, em Cristo, homens semelhantes a Ele!

 

21  Porventura, não sabeis? Porventura, não ouvis ou, desde o princípio, não se vos notificou ou, não atentastes para os fundamentos da terra? 22 Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é Ele o que estende os céus como cortina e os desenrola como tenda, para neles habitar; 23  O que reduz a nada os príncipes e torna em coisa vã os juízes da terra. 24 E mal se tem plantado, mal se tem semeado e mal se tem arraigado na terra o seu tronco, já se secam, quando ele sopra sobre eles,  um tufão os leva como a pragana (palha).

Os filhos de Israel ignoraram o Verbo que se fez carne pois, quando Ele resplandeceu em meio às trevas, não compreenderam a sua doutrina. O Verbo eterno é quem tudo criou e domina acima de todos, mas os filhos de Israel estavam como quem não sabia, ou como quem não aprendeu.

“No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele, nada do que foi feito, se fez (Jo 1:1-3).

Cristo está assentado à destra de Deus e Ele estendeu os céus como cortina e há de enrolar os céus como um manto:

“E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão mas, tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão e como um manto os enrolarás e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” (Hb 1:10-12).

25  A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? diz o Santo. 26  Levantai ao alto os vossos olhos e vede quem criou estas coisas; foi aquele que faz sair o exército delas, segundo o seu número; ele as chama a todas pelos seus nomes; por causa da grandeza das suas forças e, porquanto, é forte em poder, nenhuma delas faltará.

O Salmista aponta quem criou todas as coisas:

“Pois, quem no céu se pode igualar ao SENHOR? Quem, entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao SENHOR? Deus é muito formidável na assembleia dos santos, para ser reverenciado por todos os que o cercam. Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, SENHOR, com a tua fidelidade, ao redor de ti? Tu dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar. Tu quebraste a Raabe, como se fora ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte. Teus são os céus e tua é a terra; o mundo e a sua plenitude, Tu os fundaste” (Sl 89:6-11).

O Criador de todas as coisas é o Primogênito de Deus que, no mundo dos homens, invocou a Deus por Pai, sendo obediente até a morte e, por isso, o Pai o engrandeceu soberanamente, dando-lhe um nome, que está acima de todos os nomes, e foi feito o mais elevado dos reis da terra.

“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2:8; Sl 89:26-27).

O rei Davi era o oitavo filho de Jessé, portanto, não poderia ser o primogênito de Deus, conforme consta dos Salmos: o mais elevado dos reis da terra (Sl 89:27).

 

27  Por que dizes, ó Jacó, e tu falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao SENHOR e o meu juízo passa despercebido ao meu Deus? 28 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento. 29 Dá força ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. 30  Os jovens se cansarão e se fatigarão e os moços, certamente, cairão; 31  Mas, os que esperam no SENHOR, renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão.

As duas casas de Israel reclamam da sorte, como se a culpa pelas mazelas da nação estivesse em Deus. Adotavam ritos, sacrifícios, ascetismos, etc., segundo mandamentos de homens e reclamavam que Deus não os atendia:

“Dizendo: Por que jejuamos nós e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas e tu não o sabes? Eis que no dia em que jejuais, achais o vosso próprio contentamento e requereis todo o vosso trabalho” (Is 58:3).

Acusar Deus de desconhecer algum caminho ou, que não considera a justiça de alguém, é o mesmo que ignorar que Deus jamais dormita, a ponto de algo escapar à sua onisciência. O questionamento deles era de quem não soubesse ou nunca fora ensinado que o Criador não se cansa e nem se fatiga.

A queixa dos filhos de Israel decorre dos seus próprios pecados:

“De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados” (Lm 3:39);

“Quem entregou a Jacó por despojo e a Israel aos roubadores? Porventura, não foi o SENHOR, aquele contra quem pecamos e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando ouvidos à sua lei?” (Is 42:24).

O profeta Isaias informa que Deus socorre aos cansados, ou seja, aos que não têm vigor algum. Os que possuem forças (jovens e moços) e que confiam em si mesmos, se cansarão e, certamente, cairão.  Dai a instrução: os que esperam no Senhor renovarão as forças com velocidade semelhante à da águia, de modo que podem correr sem se cansar e caminhar sem se fatigar.

“OS que confiam no SENHOR serão como o monte de Sião, que não se abala, mas permanece para sempre” (Sl 125:1).

Ora, só permanece para sempre aquele que crê em Cristo, conforme a palavra do evangelho, anunciada por Cristo e pelos apóstolos.

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível mas, da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1 Pe 1:23);

“Mas, a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” (1 Pe 1:25);

“O mundo passa e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre” (1 Jo 2:17);

Comparando os versos 29 e 31:

“Dá força ao cansado  e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor (Is 40:29);

“Mas, os que esperam no SENHOR, renovarão as forças, subirão com asas como águias” (Is 40:31).

Teremos a seguinte conclusão: os cansados ou, os que não têm vigor algum, são os que esperam (confiam) no Senhor. É por isso que Cristo anunciou:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” (Mt 11:28).

Se os filhos de Israel compreendessem a profecia, saberiam que Cristo se apresentou como Deus, quando convidou os cansados e oprimidos de Israel a se achegarem a Ele: – “Eis me aqui…”.

“E há de ser que, todo aquele que invocar o nome do SENHOR, será salvo; porque, no monte Sião e, em Jerusalém, haverá livramento, assim como disse o SENHOR e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (Jl 2:32).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

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O mito do renovo da águia

O mesmo Senhor que anuncia que ‘todo vale será exaltado’ (Is 40:4), também, anuncia que os que confiam n’Ele renovarão as forças, de modo que subirão com asas como de águias, ou seja, plenos de força, de vigor. A força proporcionada por Deus fará com que os que confiam n’Ele corram e não se cansem, caminhem e não se fatiguem.


Introdução

À época do apóstolo Paulo a exposição de fábulas[1] em meio aos cristãos já ganhava notoriedade, tanto que ele alertou os irmãos Timóteo e Tito, a quem incumbia o cuidado de algumas igrejas, acerca dos ‘mitos’ que circulavam entre os primeiros cristãos.

“Nem se deem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora (…) Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade” (1 Tm 1:4 e 4:7);

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Tm 4:4);

“Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens, que se desviam da verdade” (Tt 1:14).

A questão é seríssima, pois, o apóstolo Pedro lembra que o poder de Cristo e a sua vinda não foi anunciado aos irmãos através de estórias inventadas (fábulas artificialmente compostas), antes, os apóstolos viram a majestade de Cristo e, por isso, tornaram notório aos homens quem era Jesus de Nazaré: o Filho de Deus (2 Pe 1:17).

“Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas, nós mesmos vimos a sua majestade” (2 Pe 1:16; 1Jo 1:3).

Vale destacar que, lá pelos idos do século VI a. C., viveu entre os gregos um escravo que foi liberto pelo seu senhor: Esopo, um hábil contador de estórias, cujos personagens eram animais[2] e que se encerrava com uma deixa de cunho moral. Esopo foi citado por vários escritores como Heródoto, Aristófanes e Platão e várias de suas estórias foram editadas e citadas por diversos autores.

Muitos escritos judaicos sofreram forte influência das filosofias e dos ensinos pagãos que, pela tradição dos anciãos, foram incorporados à chamada lei oral e, por fim, ao Talmude. Os escritos apócrifos possuem inúmeras estórias fictícias, produto da imaginação humana, mas que utilizam personagens bíblicos como Moisés, Daniel, etc.

Os apóstolos Paulo e Pedro alertam os cristãos contra os mitos judaicos, ou seja, as suas invenções, que tinham por base genealogias, filosofias, mandamentos de homens, misticismo, etc., mas, apesar do alerta, a quantidade de fábulas que, em nossos dias, circulam em meio aos cristãos, é surpreendente.

Dentre elas, destaco a estória da renovação da águia, de autoria desconhecida e muito divulgada nos círculos cristãos, em redes sociais, e, até mesmo, em sermões.

 

O renovo da águia

A primeira informação que o mito da renovação da águia apresenta é acerca da longevidade desse predador: de que a águia possui a maior longevidade entre as aves e, que a média de expectativa de vida de uma águia é de 70 anos. Fontes mais confiáveis afirmam que a média de expectativa de vida da maioria das águias, dependendo da espécie, é de 30 anos, e que grandes águias e abutres podem viver em cativeiro até 60 anos[3].

As asserções seguintes, acerca do renovo da águia, são mais absurdas ainda, pois dá conta que, para atingir a casa dos 70 anos, primeiro a águia precisa tomar uma difícil decisão. Ora, sabemos que os animais, em determinadas fases do seu desenvolvimento, adotam comportamento instintivo[4], portanto, é temeroso o argumento de que um animal deve tomar uma decisão e com um complicador: uma decisão séria e difícil.

A descrição que fazem de uma águia quando envelhece é descabida, pois as unhas de qualquer animal, quando na natureza, são afiadas pelo uso, e, com o passar do tempo, se fortalecem ainda mais. O mesmo principio se aplica ao bico, uma estrutura de queratina com crescimento continuo durante a vida da ave.

Se uma ave de rapina, pela velhice, não consegue agarrar uma presa, não é porque suas unhas se tornaram flexíveis, antes a causa está na falta de agilidade decorrente da debilidade muscular que é próprio à velhice.

As considerações acerca das asas, de que elas se tornam pesadas, em função das penas envelhecidas pelo tempo, também são descabidas, pelas imprecisões terminológicas. Ave alguma arranca as suas penas para renová-las, o que pode ocorrer em função de alguma patologia como o estresse, o que pode ocorrer quando uma ave está em cativeiro.

A águia, como todas as aves, troca as suas penas ao longo da vida, num processo denominado ‘muda’, o que depende do clima, alimentação, período de reprodução, etc., nunca por uma decisão que envolva intencionalidade ou instinto.

A descrição do processo de renovação que o mito da águia apresenta, não encontra paralelo na natureza. Não há achados de penas, bicos ou unhas de águias que comprovem que elas se renovam quando se refugiam no alto dos picos das montanhas, em ninhos construídos próximos a um paredão de pedras.

As aves, geralmente, afiam seus bicos nas pedras, mas a estória do renovo da águia diz que ela arranca o bico batendo na parede de pedra e que espera um novo bico crescer para arrancar as unhas. Ora, bicos e unhas são irrigados com sangue e possuem terminações nervosas, o que impossibilita um animal sadio de se automutilar.

A estória do renovo da água diz que a águia, quando decide não morrer aos 40 anos, arranca as penas com as unhas e a sua restauração se dá através de um processo que dura míseros 150 dias. Vale destacar que uma pena arrancada do seu folículo, se não for naturalmente durante a ‘muda’, demora no mínimo um ano para nascer e o mito do renascimento da águia diz que, após cinco meses, a águia está renascida para o seu ‘famoso’ voo de renovação, quando viverá por mais 30 anos.

 

As Escrituras

Questões da natureza à parte, ou até mesmo referências à mitologia grega, de um pássaro, a fênix, que, quando morria, entrava em autocombustão e, depois de um tempo, renascia das próprias cinzas, voltemos às Escrituras para analisar a figura da águia.

No Pentateuco, ao falar aos filhos de Israel, Deus utiliza as asas da águia para indicar que eles estavam sob a proteção de Deus:

“Vós tendes visto o que fiz aos egípcios, como vos levei sobre asas de águias e vos trouxe a mim” (Êx 19:4);

“Como a águia desperta a sua ninhada, move-se sobre os seus filhos, estende as suas asas, toma-os e os leva sobre as suas asas (Dt 32:11).

A passagem de Deuteronômio evidencia qual a ideia que a frase: ‘levei sobre asas de águia’ evidencia. Os filhos de Israel, ao serem resgatados do Egito, eram uma nação que havia acabado de alcançar a liberdade, portanto, sem experiência e sem condições de se defender, de modo que precisaram da proteção de Deus, assim como um filho necessita do cuidado do pai, ou uma ninhada necessita do cuidado da águia.

Em algumas passagens, a águia é utilizada como figura para fazer referência à rapidez, à velocidade desse predador:

“O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás” (Dt 28:49; Jr 4:13; Hc 1:8);

“Saul e Jônatas, tão amados e queridos na sua vida, também na sua morte não se separaram; eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes do que os leões” (2 Sm 1:23; Jó 9:26).

Outras passagens apontam para a força de destruição dessa ave de rapina:

“Porque assim diz o SENHOR: Eis que voará como a águia e estenderá as suas asas sobre Moabe” (Jr 48:40);

“Eis que ele, como águia subirá, e voará, e estenderá as suas asas contra Bozra; e o coração dos valentes de Edom, naquele dia, será como o coração da mulher que está com dores de parto” (Jr 49:22).

O contexto demonstra que nestes dois versos de Jeremias ‘estender a asa’ significa as nações estão ao alcance da destruição, ou seja, não há escape.

Mas, há dois versos em que a figura da águia aparece em um mesmo verso, com a ideia de renovo:

“Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia” (Sl 103:5);

“Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão” (Is 40:31).

 

Subirão com asas

O profeta Isaias utiliza a figura da águia para descrever aqueles que confiam em Deus: eles renovarão as forças. O verso não diz que os que esperam em Deus se renovarão como águias, antes, que renovarão as forças, pois Deus é o que concede força ao cansado: “Dá força ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor” (Is 40:29).

A abordagem de Isaías deixa evidente que o renovo proposto por Deus é da força e do vigor dos que confiam, o que difere do equivoco de considerar que os que confiam em Deus se renovam como uma águia se renova, o que poderia dar supedâneo à má ideia expressa no mito do renovo da águia.

 

A mocidade renovada

O que entender do Salmo 103, verso 5?

“Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia” (Sl 103:5);

Como a águia não se renova, certo é que a mocidade não se renova como a da águia, antes, o que se renova é o vigor, a força, segundo o que expressa a tradução do Rei Tiago:

“Ele sacia de bens a tua existência, de maneira que a tua juventude se renova como o vigor de uma águia(Sl 103:5) KJA.

O renovo da águia não possui comprovação cientifica e, muito menos, decorre ou fundamenta-se em alguma asserção das Escrituras. Há farto material na internet que denuncia a farsa que o mito da águia promove, mas poucos se detém a comentar o Salmo 103, verso 5.

O entendimento equivocado acerca da águia, que muitos depreendem e atribuem ao Salmo 103, verso 5, essencialmente decorre de má leitura. A má leitura e a falta de compreensão de alguns, permeia todo o verso.

 

Boca plena de bens

Considerando que a vida de um homem não consiste nos bens materiais que possui (Lc 12:15), para que o homem tenha a boca cheia de bens, Deus troca o seu coração, arrancando o coração de pedra herdado de Adão e concede um novo, pois do que há no coração, disso fala a boca: “E dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36:26); “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mt 12:34).

Ciente dessa verdade, o Salmista roga a Deus que lhe dê um novo coração. Como? Que Deus crie um coração puro, o que contrasta com o antigo coração (Sl 51:10). Os bens, dos quais a boca se torna cheia (plena), referem-se ao louvor que essa boca entoará (Sl 51:15).

A boca plena de bens não diz de riquezas materiais, até porque o êxito de um homem de Deus está em guardar a fé e não em seu poder aquisitivo, para comprar roupas e alimentos: “A bênção do SENHOR é que enriquece; e não traz consigo dores” (Pv 10:22; Hb 13:7).

Um coração enganoso não pode dizer boas coisas, antes produz engano, mentira, pois uma árvore não produz duas qualidades de frutos: bons e maus: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas e perverso; quem o conhecerá?” (Jr 17:9); “Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:16).

Os bens os quais Deus farta a boca, diz de um cântico novo, que só pode entoar aqueles que são gerados de uma semente incorruptível, pois os lábios passam a produzir sacríficio de louvor, o fruto de lábios que confessam que Jesus Cristo é o Senhor (Hb 13:15; Sl 51:14).

Somente aqueles que são plantados por Deus, são árvores de justiça, para que Ele seja glorificado (Jo 15:8; Mt 15:13; Is 60:21 e Is 61:3). Ter a boca cheia de bens só é possível ao novo homem gerado da água e do espírito, pois o novo homem possui o vigor próprio à águia: nunca se cansa e nem se fatiga (Is 40:31).

Jesus convida os cansados e oprimidos, pois Ele diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” (Mt 11:28).

Vale destacar que Deus não reformula o velho homem, antes é criado um novo homem, em verdadeira justiça e santidade (Ef 4:24). Deus não transforma o velho coração, antes cria um novo (Sl 51:10). O corpo do velho homem é desfeito quando crucificado com Cristo, pois é sepultado (Rm 6:4 -6; Cl 2:12; ). Com Cristo, ressurge um novo homem, portanto, não há um renovar mas,  um novo nascimento, uma nova criação (Cl 2:12).

“No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão, no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos de todas as ofensas” (Cl 2:11-13).

O mito do renovo da águia é uma entre milhares de mensagens que circulam nas redes sociais, com viés de autoajuda. Geralmente, ganham versões ilustradas, trilha sonora e voz atraente para capturar a atenção e a credibilidade do ouvinte.

Mas, o alerta é claro:

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores, conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2Tm 4:4).

O poder do evangelho decorre da cruz de Cristo, e não de estórias, fábulas e mitos. É por isso que o apóstolo Paulo lembra:

“Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (1Co 1:23);

“Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado (1 Co 2:2);

“A minha palavra e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas, em demonstração de Espírito e de poder” (1 Co 2:4).

Fica o alerta: o evangelho de Cristo não é filosofia de autoajuda, não segue e nem depende da moral humana, porque os caminhos de Deus não seguem o curso deste mundo!

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55:8-9).

 


[1] Da palavra grega μῦθος (mýthos), uma estória, uma ficção, um mito, uma invenção.

[2] “As fábulas (do Latim fabula: história, jogo ou narrativa), são composições literárias curtas, escritas em prosa ou versos, em que os personagens são animais, que apresentam características antropomórficas, muito presente na literatura infantil. As fábulas possuem caráter educativo e fazem analogia entre o cotidiano humano, com as histórias vivenciadas pelos personagens, essa analogia é chamada de moral e geralmente, é apresentada no fim da narrativa (…) provérbios sumérios, escritos cerca de 1500 a.C., já compartilhavam semelhanças com as fábulas gregas. Esses provérbios já incluíam em suas narrativas animais antropomórficos e uma lição moral”, cf. Wikipédia.

[3] Kirschbaum, Kari (2004). «EOL Encyclopedia of Life: Accipitridae: Life Expectancy» [S.l.: s.n.] Referência citada na Wikipédia – Consultado em 2016-06-26.

[4] “Instintos são típicos do comportamento animal, sobretudo com relação a comportamentos que favorecem a sobrevivência da espécie (acasalamento, busca de alimento, construção de ninhos, fuga). Os comportamentos instintivos podem assumir formas muito complexas, com longas sequências de ações especializadas para determinados fins (por exemplo, a reprodução e a alimentação de insetos)” Wikipédia.

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Como agradar a Deus?

O conceito que o escritor aos Hebreus apresentou auxilia em muito no desenvolvimento deste estudo, porém, o contexto na qual a palavra ‘fé’ é empregada nos diz muito mais “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” ( Hb 11:1 ).

 


“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus…” ( Hb 11:6 )

A Bíblia geralmente trabalha com proposições, ou seja, não é uma característica das exposições bíblicas dar definições e conceitos. Exemplificando, a bíblia não apresenta uma definição ou um conceito de Deus, ela simplesmente apresenta algumas proposições, como: Deus é luz; Deus é vida, etc.

A linguagem bíblica demanda raciocínio para chegar a um entendimento, diferente da linguagem dos livros de hoje, que se aplicam em apresentar conceitos e definições acerca dos temas que abordam.

Os livros acabam simplesmente informando os seus leitores, já a Bíblia estimula o raciocínio do leitor, fazendo com que este percorra os labirintos do aprendizado até uma maravilhosa descoberta. Além do mais, auxilia na memorização do conceito quando abstraído.

Apesar de a Bíblia nos estimular ao raciocínio, ela nos surpreende ao apresentar, em uma das suas cartas, um conceito de fé:

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” ( Hb 11:1 ).

a) O fundamento firme é definido pelo escritor aos Hebreus como sendo fé.

b) A fé é prova do que se espera e que apesar de não ser possível ser visto, existe.

O conceito que o escritor aos Hebreus apresentou auxilia em muito no desenvolvimento deste estudo, porém, o contexto na qual a palavra fé é empregada nos diz muito mais. Observe o versículo seguinte:

 

“Mas, se alguém não cuida dos seus, e principalmente dos da família, negou a fé, e é pior que o incrédulo” ( 1Tm 5:8 )

Qual o significado da palavra fé no versículo acima? Podemos aplicar o conceito apresentado pelo escritor aos Hebreus a este versículo? Não!

O contexto demonstra que a palavra fé empregada por Paulo neste verso teve o seu significado primário ampliado, passando a designar a ideia geral da mensagem do evangelho. Dizer que: ‘alguém negou a fé’, tem o mesmo significado que ‘negar a mensagem do evangelho’.

A fonte da fé genuína é o evangelho, e ter um comportamento contrário ao recomendado pelo evangelho constitui-se prova de que aquele que se diz cristão, e não é, está em condição inferior até mesmo daquele que não professa o evangelho.

O apóstolo Paulo não quis dizer que o comportamento seja essencial à aceitação do evangelho, pois este é alcançado por meio da fé. Antes, ele procurou demonstrar que o comportamento do cristão confirma o que ele professa ter alcançado por meio do evangelho.

A palavra fé neste versículo é empregada para designar a mensagem que deu causa à confiança do crente, enquanto o conceito da carta aos Hebreus se prende à confiança do crente, sem qualquer referência a mensagem que promove a fé.

Percebe-se que a fé não se trata de uma qualidade ou mérito intrínseco ao crente. A mensagem do evangelho dá base à crença (fé), que acaba por refletir no comportamento de quem professa segui-la.

Um outro aspecto a considerar, quanto à interpretação de alguns textos bíblicos, fica por conta da etimologia da palavra fé.

A ideia de fé no Antigo Testamento é a de ‘descansar’ ou ‘apoiar-se’, confiante em alguém ou em alguma coisa.

 

“Porque o Egito os ajudará em vão, e para nenhum fim; por isso clamei acerca disto: No estarem quietos será a sua força (…) Assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em repousardes está a vossa salvação, no sossego e na confiança está a vossa força, mas não quisestes” ( Is 30:7 e 15).

“Aquietai-vos, e sabei que Eu sou Deus” ( Sl 46:10 )

A intranquilidade do homem, ou a sua procura obstinada por uma saída frente aos problemas da vida é uma demonstração de falta de confiança em Deus.

Geazi, o servo de Eliseu, é o exemplo típico do homem sem fé: “Então o moço lhe perguntou: Ai, meu senhor, o que faremos?” ( 2Rs 6:15 b).

A falta de confiança (fé) faz com que o homem busque uma solução apoiada em seus próprios recursos. A pergunta de quem não tem fé sempre será: O que faremos? “Perguntaram eles: Que faremos para executar as obras de Deus?” ( Jo 6:28 ).

Eliseu por sua vez demonstra tranqüilidade, mesmo quando tudo parecia perdido aos olhos de Geazi.

Os reis de Israel e Judá sempre procuravam alianças com os povos vizinhos, confiando que as suas alianças trariam paz e segurança. Todos eles esqueciam que Deus havia prometido defende-los, e que bastava repousarem e estar sossegados.

No A. T. a salvação de Deus apresentava-se àqueles que se convertiam ao Senhor e repousavam (descansar). Já o livramento aparecia vinculado ao estar sossegado. A força dos reis de Israel e Judá não estava em suas alianças, exércitos, cavaleiros, homens, etc., e sim, em estarem tranquilos.

No Novo Testamento temos o verbo ‘pisteuõ’ e o seu substantivo ‘pistis’. Este verbo tem dois significados básicos:

(1) acreditar no que alguém diz, aceitar uma afirmação como verdade, especialmente a de natureza religiosa “Vai-te, e seja feito conforme a tua fé” ( Mt 8:13 );

(2) confiança pessoal em contraposição a um mero crédito ou crença, e esta ideia é introduzida no texto através de uma preposição “em + ele” “Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados” ( At 10:43 ).

A mensagem do evangelho fundamenta-se na pessoa de Cristo. Ele mesmo anunciou as boas novas do reino aos homens. Crer na mensagem do engelho, em última instância, é crer na pessoa de Cristo.

A fé do cristão é pessoal, e sendo Cristo o Verbo de Deus encarnado, a palavra d’Ele é a verdade. A pessoa de Cristo e a sua mensagem estão intimamente interligadas. A palavra da fé é o firme fundamento designado fé, sem a qual ninguém verá a Deus.

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