A luta entre a carne e o espírito

Não há no interior do homem uma luta entre a carne e o espírito ou, entre a alma e o espírito! As necessidades do corpo físico e os anseios da alma, são próprios à humanidade e não possuem relação com a ideia bíblica da ‘carne’ versus ‘espírito’.

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Joel 3 – Promessa de redenção

Naquele dia as nações menores (montes) regozijarão (mosto) e as nações maiores (outeiros) produzirão sustento em abundância (leite). Montes e Outeiros são figuras bíblicas para fazer referencia as nações, sendo que os montes referem-se a reinos pequenos, e outeiros as grandes nações. Israel é comparado a um monte e as grandes civilizações da antiguidade a outeiros. Ex: Babilônia, Egito, etc. Mosto é uma figura de alegria, regozijo e leite uma figura de alimento em abundância.


1 PORQUE, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém,

Através deste verso percebe-se que Israel está sob o peso do Senhor, e que só no tempo determinado por Deus (naquele tempo) será livre.

Somente ‘naqueles dias’ o cativeiro do povo de Israel será removido, o que sugere que estão presos em decorrência dos seus pecados.

 

2 Congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra.

O profeta Joel fala do julgamento das nações conforme Jesus anunciou aos discípulos: “Todas as nações se reunirão diante dele, e ele apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” ( Mt 25:32 ). É Cristo quem reunirá, ajuntará e congregará as nações para julgá-las ao final da grande tribulação, início do milênio.

No término do milênio Satanás sairá a enganar as nações e reunirá os reinos do mundo para pelejarem contra o Ungido do Senhor ( Sl 2:2 -3), diferente do ajuntamento de povos que será realizado por Cristo no intuito de fazer o julgamento das nações ( Zc 12:2 -3).

No julgamento as nações estarão no banco dos réus por causa do tratamento dispensado por elas ao povo de Israel. Os ‘pequeninos irmãos’ que Jesus faz referência em Mateus 25, verso 40 ( Mt 25:40 ), refere-se ao povo de Israel: o seu povo e herança, que foi espalhado entre as nações no período de grande tribulação.

Em Mateus 25, verso 40 os ‘pequeninos irmãos’ não se refere à igreja de Cristo, que é designada esposa do Cordeiro.

Vale de Josafá refere-se à planície do Amargedom, que significa “Jeová julgou”, e somente Joel utiliza este nome para descrever o vale de Josafá ( Jl 3:12 ).

 

3 E lançaram sortes sobre o meu povo, e deram um menino por uma meretriz, e venderam uma menina por vinho, para beberem.

Este verso descreve a aflição que se abaterá sobre o povo de Israel naquele dia, conforme Jesus predisse: “Pois haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá” ( Mt 24:21 ).

 

4 E também que tendes vós comigo, Tiro e Sidom, e todas as regiões da Filístia? É tal o pago que vós me dais? Pois se me pagais assim, bem depressa vos farei tornar a vossa paga sobre a vossa cabeça.

As nações em redor, que Deus utilizou como vara de correção contra Israel, retribuem de mau grado o que o Senhor lhes concedeu, portanto, haveriam de ser castigados também.

 

5 Visto como levastes a minha prata e o meu ouro, e as minhas coisas desejáveis e formosas pusestes nos vossos templos. 6 E vendestes os filhos de Judá e os filhos de Jerusalém aos filhos dos gregos, para os apartar para longe dos seus termos. 7 Eis que eu os suscitarei do lugar para onde os vendestes, e farei tornar a vossa paga sobre a vossa própria cabeça. 8 E venderei vossos filhos e vossas filhas na mão dos filhos de Judá, que os venderão aos sabeus, a um povo distante, porque o SENHOR o disse.

A vara que Deus utilizou para castigar o seu povo não passaria ilesa, a exemplo do que ocorreu com os caldeus ( Hc 2:8 ). Tudo que fizeram aos filhos de Israel haveria de acontecer com eles.

 

 

9 Proclamai isto entre os gentios; preparai a guerra, suscitai os fortes; cheguem-se, subam todos os homens de guerra. 10 Forjai espadas das vossas enxadas, e lanças das vossas foices; diga o fraco: Eu sou forte.

A mensagem que será anunciada as nações que serão julgadas pelo Cordeiro de Deus é de encorajamento para que compareçam a julgamento.

Entre os povos deve-se anunciar que haverá guerra, e que os fortes sejam convocados. Todos aptos a guerrear que subam. Que se preparem para a batalha, e os que não tem forças, que diga: Sou forte! O que tiverem a mão para a batalha, que seja utilizado pelos convocados pelo Senhor.

 

11 Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó SENHOR, faze descer ali os teus fortes; 12 Suscitem-se os gentios, e subam ao vale de Jeosafá; pois ali me assentarei para julgar todos os gentios em redor.

 

O ajuntamento dos povos será imenso e serão reunidos no Vale de Jeosafá. Diante deste Vale Cristo se assentará para apartar as ovelhas dos bodes, ou seja, estabelecerá o julgamento das nações antes de reinar sobre os povos da terra ( Mt 25:32 ).

Os valentes dentre os povos descerão ao Vale da decisão.

 

13 Lançai a foice, porque já está madura a seara; vinde, descei, porque o lagar está cheio, e os vasos dos lagares transbordam, porque a sua malícia é grande. 14 Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do SENHOR está perto, no vale da decisão.

 

Quando se lança a foice na seara é para reunir os molhos. Lançar a foice equivale a ajuntar os povos.

Quando todas as nações estiverem reunidas (lagar cheio), o Senhor estabelecerá o seu juízo. O profeta Isaias descreve este evento com propriedade ( Is 63:1- 6).

 

15 O sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor.

O quadro descrito pelo profeta Joel com relação aos corpos celestes também foi profetizado por Cristo: “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas” ( Mt 24:29 ).

A aflição descrita no verso 3 antecede a manifestação do Messias: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” ( Mt 24:30 ).

 

16 E o SENHOR bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os céus e a terra tremerão, mas o SENHOR será o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel.

Após os eventos do verso 15, Cristo se manifestará em glória, e a sua voz se fará ouvir de Jerusalém.

O Leão da tribo de Judá reinará e o seu bramido será ouvido de Sião.

O profeta Joel anuncia o reinado do Messias sobre todos os povos da terra. Enquanto as nações tremerão ante o bramido do Senhor, o Senhor Jesus será refúgio para o seu povo, fortaleza para os filhos de Israel.

Observe que o profeta Joel faz uma descrição do reino milenial, quando Cristo se assentará sobre o trono de Davi e regerá as nações com vara de ferro, conforme a promessa do Pai registrada nos Salmos ( Sl 2:6 e Sl 2:8 ).

 

17 E vós sabereis que eu sou o SENHOR vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela.

Quando o Senhor Jesus habitar em Sião como rei e sacerdote, o monte Sião será santo e a cidade será santa. A cidade será santa (separada) porque Deus habitará com o seu povo.

Naquele dia todos em Israel saberão que o Cristo que crucificaram é o Senhor Deus de Israel, o Senhor que escondeu o seu rosto da casa de Jacó “E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei” ( Is 8:17 ; Sl 110:1 ).

Após Cristo ser entronizado em Sião, nunca mais ‘estranhos’ invadirá ou ocupará a cidade santa.

 

18 E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão leite, e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; e sairá uma fonte, da casa do SENHOR, e regará o vale de Sitim.

Naquele dia as nações menores (montes) regozijarão (mosto) e as nações maiores (outeiros) produzirão sustento em abundância (leite).

Montes e Outeiros são figuras bíblicas para fazer referencia as nações, sendo que os montes referem-se a reinos pequenos, e outeiros as grandes nações. Israel é comparado a um monte e as grandes civilizações da antiguidade a outeiros. Ex: Babilônia, Egito, etc.

Mosto é uma figura de alegria, regozijo e leite uma figura de alimento em abundância.

Dizer que ‘os rios de Judá estarão cheios de águas’ é outra figura, ou seja, o profeta utiliza a figura do rio para falar das ruas de Judá, e a água representa os moradores ( Ap 17:15 ; Is 42:15 ).

Uma característica especial da casa do Senhor será uma fonte de água que regará o vale profundo onde se localiza o mar Morto.

 

19 O Egito se fará uma desolação, e Edom se fará um deserto assolado, por causa da violência que fizeram aos filhos de Judá, em cuja terra derramaram sangue inocente.

Uma descrição pormenorizada do peso do Senhor sobre o Egito e Edom encontra-se no Livro de Obadias.

 

20 Mas Judá será habitada para sempre, e Jerusalém de geração em geração.

Deus promete que, após aqueles dias, a tribo de Judá terá habitação eterna, e que a cidade de Jerusalém será ocupada de geração em geração.

 

21 E purificarei o sangue dos que eu não tinha purificado; porque o SENHOR habitará em Sião.

A purificação do sangue ocorre através da filiação divina. Somente aqueles que são gerados de novo por Deus são purificados. Enquanto os gerados segundo a carne são imundos, os gerados segundo o Espírito são puros, assim como o Pai celeste.

Para habitar Jerusalém, a cidade do grande Rei, necessariamente o homem deve ser puro de coração e de espírito. Somente os purificados por Deus poderão habitar a cidade que o Senhor dos exércitos residirá.

Como ocorre a purificação? Deus cria um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ). Após dar vida ao coração e ao espírito do homem, Deus faz nele morada, o que é essencial para se habitar em Sião “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

Mesmo naqueles dias a purificação do sangue somente ocorrerá através do novo nascimento ( Jo 3:3 ).

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Romanos 5 – O dom gratuito

Comentário ao Capítulo 5 da Carta de Paulo aos Romanos. Após estudar o capítulo cinco da carta de Paulo aos Romanos será possível ao leitor divisar como todos os homens foram feitos pecadores, e como é possível ser participante da graça de Deus. O leitor também estará apto a verificar qual é a condição dos que estão em Cristo, e a condição daqueles que continuam inimigos de Deus.


Romanos 5

Introdução ao Capítulo 5

Antes de prosseguirmos na análise versículo a versículo, faz-se necessário observarmos como Paulo estruturou a escrita da carta aos Romanos.

A primeira abordagem de Paulo sobre a justiça de Deus pela fé em Cristo se dá no capítulo 1, versos 16 à 17. Em seguida, o apóstolo passa a demonstrar que todos os homens pecaram e foram destituídos da glória de Deus em Adão ( Rm 1:16 à Rm 3:20 ). Após demonstrar que diante de Deus todos os homens tornaram-se escusáveis (judeus e gregos), o apóstolo volta a abordagem inicial: a justificação pela fé. Observe:

1º) “Não me envergonho do evangelho, pois é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Pois nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé” ( Rm 1:16 -17).

2º) “Mas agora se manifestou sem a lei, a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas. Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos [e sobre todos] os que creem. Não há distinção” ( Rm 3:21 -22).

Percebe-se que no intervalo argumentativo entre os dois textos acima, Paulo apresentou elementos que demonstram que todos os homens tornaram-se culpáveis diante de Deus.

Também é possível pontuar os elementos presentes nos dois textos acima: No capítulo 1, versos 16 à 17, Paulo demonstra que a justiça de Deus se alcança por meio da fé sem qualquer distinção entre judeus e gregos. Da mesma, o capítulo 3, versos 21 à 22 continua demonstrando que a justiça de Deus é para os que creem sem distinção alguma entre judeus e gregos.

Em seguida, o apóstolo apresenta uma argumentação precisa e concisa sobre os motivos da justificação ser pela fé ( Rm 3:23 -27), e uma conclusão: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” ( Rm 3:28 ).

No capítulo 4, o apóstolo apresenta exemplos de justificação pela fé no A. T.: Abraão e Davi, ou seja, Paulo evoca a autoridade da Escritura para dar sustentação a sua argumentação ( Rm 4:1 -25).

Desta forma, chegamos ao capítulo 5, onde o apóstolo volta à exposição argumentativa do início da carta, quando apresentou a ideia da justificação pela fé “TENDO sido, pois, justificados pela fé…” ( Rm 5:1 ).

Isto demonstra que a exposição de Paulo é focada sobre um tema: a justificação pela fé em Cristo, sem qualquer distinção entre judeus e gregos. A abordagem de Paulo sobre a justificação pela fé sem distinção alguma entre judeus e gregos é debatida do capítulo 1 ao 4.

A abordagem do capítulo 5 também é sobre a justificação pela fé, porém, sem o foco das discussões provenientes da diferenças entre judeus e gregos, que motivou o apóstolo a demonstrar que em Cristo não há distinção alguma entre judeus e gentios.

Nos quatro primeiros capítulos Paulo demonstrou que todos os homens pecaram, e no capítulo cinco, ele retroage no tempo para demonstrar onde e em quem todos pecaram ( Rm 5:12 -21). Diferentemente dos quatro primeiros capítulos que focam a problemática da lei, da fé, dos judeus e dos gentios, o capítulo cinco apresenta qual é a condição daqueles que agora estão em Cristo ( Rm 5:1 -5), e qual era a condição do homem antes de terem um encontro com Cristo por meio do evangelho ( Rm 5:6 -6; 8 e 10).

Conclui-se que, após estudar o capítulo cinco da carta de Paulo aos Romanos, será possível divisarmos como todos os homens tornaram-se pecadores, e como é possível ser participante da graça de Deus. O leitor também estará apto a verificar qual é a condição dos que estão em Cristo, e a condição daqueles que continuam inimigos de Deus.

 

Capítulo V

1 TENDO sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo;

Não é correto nos pautarmos nas divisões de textos como capítulos e versículos quando da interpretação das cartas bíblicas. Ao analisar o texto, não podemos atrelar a análise tão somente a um capítulo ou a um, dois ou três versículos. Antes, a análise de qualquer versículo ou frase deve ser considerada dentro do contexto geral da carta.

Precisamos estar atentos, pois as divisões em versículos e capítulos acabam por influenciar a leitura bíblica. As divisões em capítulos e versículos devem ser considerados somente como auxilio para localização e referenciamos certos textos.

A observação anterior é válida na análise deste capítulo. Quando o apóstolo diz: “Tendo sido, pois, justificados pela fé…” ( Rm 5:1 ), ele termina uma argumentação e introduz uma nova ideia.

Quando o apóstolo escreve ‘Tendo sido, pois, justificados pela fé…’, ele dá por encerrada a discussão sobre a superioridade dos judeus, ou que somente os gentios eram pecadores, ou que a justiça de Deus era proveniente da lei mosaica.

Ao ser justificado pela fé em Deus, as questões abordadas anteriormente passam à segundo plano, uma vez que não há distinção alguma entre gentios e judeus. “Sendo, pois, justificados pela fé…” remete à versículos anteriores ( Rm 1:16 -17 e Rm 3:21 -22), e apresenta um novo aspecto da justificação pela fé.

Os cristãos pela fé adquiriram paz com Deus, por intermédio de Cristo Jesus. Por meio da fé os cristãos são declarados justos e obtiveram paz com Deus. A condição alcançada em Cristo contrasta com a condição apresentada no verso 10.

 

2 Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

Desde já, vale observar que, ao falar da salvação em Cristo, Paulo apresenta a condição dos cristãos (paz com Deus), para depois apresentar como alcançaram tal condição (pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça). Ou seja, durante a análise da carta aos Romanos, demonstraremos que, geralmente, o ponto de partida para o apóstolo apresentar o plano da salvação é o da condição alcançada (paz com Deus), e em seguida, ele retroage até demonstrar qual era a condição anterior (inimizade).

Por intermédio de Jesus os cristãos têm entrada a esta graça, ou seja, alcança a graça da justificação e amizade com Deus pela fé. Este versículo demonstra que por Cristo e pela fé os cristãos recebem a graça de Deus, e o verso anterior fixa-se em demonstrar a graça alcançada: justificação e amizade com Deus.

Paulo reitera que ele e todos quantos estão em Cristo (…também temos…), estão firme na graça proveniente do evangelho (…na qual estamos firmes…). Enquanto muitos se gloriam das questões relativo à carne ( 2Co 11:18 ), os cristãos gloriam-se na esperança proposta por meio do evangelho.

Embora o apóstolo não volte a falar que não há diferenças entre gentil e judeu explicitamente, ele acaba por falar de modo velado destas distinções promovidas pelos homens, e não por Deus. Gloriar-se na esperança da glória de Deus é uma das maneiras de trazer à lembrança dos cristãos àqueles que se vangloriam da carne.

 

3 E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,

Enquanto os da fé gloriam-se na esperança proposta e nas tribulações, os segundo à carne gloriam-se em questões meramente humanas “Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei” ( 2Co 11:18 ); “Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza” ( 2Co 11:30 ).

Enquanto os da carne buscavam elementos para gloriarem-se na carne dos irmãos em Cristo “Porque nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne” ( Gl 6:13 ), Paulo demonstra que o cristão deve gloriar-se tão somente na cruz de Cristo, esperança da glória “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” ( Gl 6:14 ).

 

4 E a paciência a experiência, e a experiência a esperança. 5 E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Esta relação entre tribulação, paciência, experiência e esperança também foi abordado por Pedro e Tiago, porém, cada um à sua maneira:

“Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por provações, sabendo que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança. Ora a perseverança deve terminar a sua obra…” ( Tg 1:2 -4).

“Nisto vos exultais, ainda que no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações. Essas provações são para que a prova da vossa fé (…) redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” ( 1Pe 1:6 -7).

A fé é a ‘entrada’ à graça de Deus, que pela esperança proposta concede forças para suportar as tribulações ( Hb 12:2 ).

Quando o apóstolo diz que ‘a esperança não traz confusão’, ele aponta para o Espírito Santo, que foi concedido através do amor de Deus. Ao escrever este verso Paulo tinha em mente a declaração feita aos cristãos de Éfeso: “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória” ( Ef 1:13 -14).

O penhor geralmente é equivalente ao valor da dívida, e Paulo demonstra que os cristãos já haviam recebido o que é infinitamente superior à herança: o Espírito Santo de Deus.

 

 

O Primeiro e o último Adão

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante” ( 1Co 15:45 )

 

Adão e Cristo são os dois personagens de maior importância para a interpretação bíblica. Grande parte das parábolas de Jesus e das figuras do Novo Testamento são referências específicas aos eventos no Éden e da cruz, ilustrando as conseqüências destes eventos para a humanidade.

Um exemplo é a parábola dos ‘dois caminhos’, que, implicitamente, faz referência as conseqüências decorrentes dos eventos que sucederam no Éden e na cruz. Observe: Adão foi feito (criado) alma vivente, porém, após desobedecer a determinação divina passou a condição de morto perante Deus. A ‘nova’ condição de Adão após a queda passou a ser de sujeição ao pecado pela natureza adquirida.

A sujeição ao pecado deixou Adão em inimizade com Deus, e por causa da condenação deixou de ser participante da vida que há em Deus e passou a viver para o mundo e suas concupiscências (morto para Deus e vivo para o mundo).

Todos os nascidos de Adão (nascidos da carne, vontade do varão e do sangue) passaram a condição de filhos da ira e da desobediência. Todos os homens estavam destituídos da glória de Deus, pois todos pecaram.

Esta condição pertinente à toda humanidade é ilustrada através da parábola das duas portas e dos dois caminhos, ou seja, todos os homens ao nascerem, por serem descendentes de Adão, entram pela porta larga, e seguem pelo caminho espaçoso que conduz à perdição ( Mt 7:13 ).

Em Adão todos os homens morreram e destituídos estão da glória de Deus. Em Adão, a ‘porta larga’, todos os homens seguem o caminho de perdição. Todos os homens morreram em Adão e passaram a viver para o pecado, para o maligno e para o mundo.

Porém, através do último Adão, que por Deus constitui-se espírito vivificante, todos os que creem entram pela porta estreita, ou seja, nascem de novo. São criados por Deus em verdadeira justiça e santidade, segundo o poder concedido através do evangelho, sendo feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ).

Estes passam a trilhar o caminho estreito que conduz à vida. O caminho é estreito e poucos entram por ele, ou seja, quando se fala em quantidade, muitos vem ao mundo segundo Adão, e poucos são os que crêem para a salvação, segundo o último Adão, que é Cristo.

Em números absolutos, em Adão todos morreram, e em Cristo, o último Adão, todos quantos crerem também morrem. Em Adão toda a humanidade morreu e passou a viver para o mundo, em Cristo, o último Adão, todos os que crêem, morrem para o pecado, para o maligno e para o mundo, e são de novo criados, e passam a viver para Deus. Amém.

Outro exemplo, é a figura dos vasos, conforme Paulo escreveu aos Romanos, veja: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” ( Rm 9:21 ). Como entender esta figura apresentada por Paulo?

Sabemos que Deus é o oleiro, e é Ele que detém o poder sobre o barro, que é o homem. Todos os homens decorrem de uma mesma massa, ou seja, todos são alma viventes conforme Adão.

Todos os homens que vêem ao mundo são criados pelo poder de Deus, porém, por serem descendentes de Adão, todos são feitos vasos para desonra. Todos os descendentes de Adão são vasos para ira, preparados para perdição. Através deles Deus demonstra a sua ira, e dá a conhecer o seu poder, suportando-os com muita paciência.

Deus chama pacientemente os vasos preparados para a ira a fim de torná-los vasos para honra, ou seja, o evangelho é o chamado de Deus a todos os homens nascidos segundo Adão. Todos os cristãos foram chamados por Deus, e neles é demonstrado o poder de Deus e as riquezas de sua graça. Todos os que são chamados e crêem são os vasos de misericórdia, e, portanto, vasos para a honra.

Observe que, tanto os nascidos em Adão e os nascidos em Cristo constituem-se vasos e são formados da mesma massa como nos afirma ( 1Co 15:46 ) “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual”. Todos os homens precisam ser feitos almas viventes (homem natural), para depois serem criados espirituais (homem espiritual).

Quando criados, os homens naturais passam à condição de escravos do pecado, por causa do pecado de Adão. Percebe-se então que, o grande diferencial é que, os nascidos segundo Adão são vasos para a desonra, e os nascidos em Cristo são vasos para honra.

Quando o leitor não compreende a verdade sobre os eventos da cruz e do Éden, acaba por interpretar a bíblia erroneamente. Ao deparar-se com parábolas e ilustrações como as apresentadas acima, terá um entendimento segundo uma concepção humana, e permanecerá enfatuado, segundo uma carnal compreensão.

Muitos interpretam que a porta é larga porque as pessoas do mundo estão entregues aos prazeres, são sensuais, céticas e criminosas. Entendem que a porta é larga por não apresentar ‘dificuldades’ ou condições para entrada. Entendem que o caminho estreito esta diretamente relacionado com dificuldades, proibições, restrições de ordem moral, comportamental e religiosa.

Entendem que, para trilhar o caminho estreito, ou que, para entrar pela porta estreita basta seguir preceitos religiosos, cumprir leis nacionais, ou seguir filosofias de vida.

Diante deste entrave surgem muitas religiões, igrejas e denominações. Se avolumam os discursos sobre disciplina, sofrimento, penitências, orações, rezas, moralidade, santidade, serviço, pró-atividade. As qualidades procedentes do ego humano são louvadas insistentemente, como: coragem, determinação, empenho, disciplina, resignação, etc.

O ritualismo, o formalismo e o legalismo são ferramentas utilizadas para caracterizar devoção religiosa. Criam mecanismos para medirem e serem medidos. e força outros a seguirem o que preceituam como necessário à salvação. Estabelecem padrões de justiça e santidade a ser seguido. Procuram lições provenientes do paganismo e das filosofias humanas.

Esquecem de observar o que Jesus disse a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino dos céus” ( Jo 3:3 ). Não observam que o ‘melhor’ da religião, da lei, da moral, do comportamento não faz o homem agradável a Deus, e por tanto, a recomendação de Jesus a um dos mestres do judaísmo.

O mundo ainda continua apegado a elementos fracos e pobres, que não pode livrar o homem da condição de sujeição ao pecado ( Gl 4:9 -10).

O apóstolo Paulo demonstra estar consciente das conseqüências decorrente da desobediência de Adão e da obediência de Cristo ao escrever aos cristãos de Corinto ( 1Co 15:45 -50).

Ao escrever a Timóteo, Paulo alerta sobre este pretenso ‘evangelho’: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé (…) que proíbem o casamento, e ordenam a abstinência de alimentos” ( 1Tm 4:1 -3).

Esta análise se fez necessário, visto que, os capítulos 6 e 7 da carta aos Romanos se fundamentam sobre os eventos do Éden e da cruz, e as conseqüências destes eventos para a humanidade.

 

O comentário que Paulo fez do verso 1 ao 11 demonstra que a humanidade estava em inimizade com Deus, e que agora, por intermédio de Cristo, esta estabelecida a reconciliação Rm 5: 10- 11.

Os versos 12 à 19 retroage no tempo para demonstrar onde toda a humanidade passou à condição de inimizade com Deus, e como se estabelece a paz com Deus Rm 5: 1.

Apesar de Paulo não ter citado nenhum verso da Escritura neste capítulo, a explicação centra-se nos eventos do Éden e da cruz.

 

12 Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.

Através da desobediência de Adão o pecado entrou no mundo, e pelo pecado (desobediência) a morte também entrou no mundo dos homens.

Lembrando: Deus havia advertido Adão a que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, embora ele pudesse comer de todas as árvores livremente. Adão também foi informado das conseqüências funestas se comesse da árvore ‘proibida’: “…dela não comerás, pois no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:17 ).

Adão desobedeceu, e por ele entrou o pecado no mundo. Como conseqüência do pecado, a morte também entrou, ou seja, Adão passou a condição de morto para Deus.

A resposta sobre como todos os homens tornaram-se pecadores encontra-se expresso neste versículo. Observe que Paulo já havia apresentado este conceito anteriormente (todos pecaram) ( Rm 3:23 ), mas não havia apresentado como e onde todos pecaram. Este versículo complementa a idéia apresentada no capítulo 3.

Como o pecado e a morte entraram no mundo por meio de Adão, todos os seus descendentes compartilham da mesma condição: são pecadores e destituídos da glória de Deus ( da vida que há em Deus).

A condenação decorrente do pecado de Adão que passou a todos os seus descendentes, ou seja, ‘assim também a morte passou a todos os homens’.

 

13 Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei.

Paulo observa que o pecado e a condição de destituídos da vida que há em Deus é anterior ao advento da lei. Como seria possível a lei justificar se o pecado é anterior a própria lei? Ou seja, até a lei ser dada ao povo, o pecado já estava no mundo. Como era possível ser justificado antes da lei?

A resposta está no primeiro versículo do capítulo: “… justificados pela fé…” ( Rm 5:1 ), pois a fé é anterior à lei, e o Autor da fé “é” anterior a entrada do pecado no mundo.

A idéia apresentada por Paulo neste versículo é concluída no verso 20: “Porque até à lei estava o pecado no mundo (…) veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse…” (v. 13 e 20). Os versos 14 à 19 compõem um adendo explicativo sobre as conseqüências dos eventos do Éden e da cruz para a humanidade.

A segunda parte do versículo introduz uma pergunta, e não uma conclusão ‘…mas não é o pecado imputado, não havendo lei?’, ou seja, o pecado estava no mundo, e a penalidade não seria imputada, simplesmente por não existir a lei? A resposta é conclusiva: a penalidade foi imposta, mesmo sem a presença da lei, visto que a morte reinou desde Adão (início) até a vinda da lei (Moisés).

 

14 No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.

Este verso apresenta uma argumentação com base nos elementos apresentados nos versos anteriores, ou seja, mesmo que ‘o pecado é anterior à lei’, e não é ‘imputado aos homens’, ‘NO ENTANTO…’ (v. 14), a morte dominou (reinou) desde Adão até a chagada da lei (Moisés).

A morte dominou sobre todos os homens independentemente de questões comportamentais ou legais. Mesmo sobre aqueles que não transgrediram uma determinação especifica, como foi o caso de Adão, a morte tinha domínio.

Paulo demonstra a fragilidade da ‘sombra’, ou seja, daquilo que não é a imagem ‘exata das coisas’, pois a condenação se deu na ‘figura daquele que havia de vir’, em Adão. O que esperar da lei, se ela não é a imagem exata da coisas, como foi Adão? ( Hb 10:1 ).

 

15 Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.

Quando Paulo demonstra que o dom gratuito não é como a ofensa, ele ainda tem em mente o que acabou de declarar no verso anterior: “… a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram a semelhança da transgressão de Adão…”. A morte reinou mesmo sobre aqueles que não pecaram a semelhança da transgressão de Adão, mas não é assim o dom gratuito.

Ou seja, para que o homem tenha acesso ao dom gratuito precisa crer individualmente. Assim é a ofensa: o pecado atingiu a todos os homens indistintamente, mas o dom gratuito não é assim como a ofensa: é pela fé, mediante Jesus Cristo nosso Senhor ( Rm 5:21 ).

Observe que a negativa inicial (Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa), não condiz com a explicação que se segue: ‘Porque, se pela…’, que apresenta uma equiparação entre os efeitos do dom gratuito e da ofensa sobre os homens.

O versículo 15 é semelhante na construção ao versículo 13, onde a frase inicial parece apresentar uma interrogação, onde a ofensa é um contra posto ao dom gratuito “Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa?”.

A divisão em versículos acaba por influenciar a leitura do texto. ‘Mas, não é assim o dom gratuito como a ofensa’ refere-se ao versículo 14, onde temos: “…até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão”, e não ao versículo 16.

Ou seja, o dom gratuito não é como a ofensa, visto que a morte reinou sobre todos os homens, mesmo sobre aqueles que não transgrediram à semelhança de Adão. O dom gratuito não é como a ofensa, porque a vida reina somente sobre aqueles que crêem em Cristo.

O contra ponto entre ofensa e dom gratuito esta em que, a ofensa comprometeu toda humanidade, mesmo que não tenham cometido a mesma ofensa de Adão. Já o dom gratuito (vida) é por meio da fé em Cristo, e esta nova condição não passa a todos os outros homens, como foi e é o caso da ofensa, em que a morte passou e continua a passar a todos os homens que vêem ao mundo ( Rm 5:12 e 14).

O versículo introduz nova argumentação: ‘Porque, se pela ofensa, de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos’. Visto que a introdução do versículo remete a uma ‘possível’ pergunta (v. 15), que já havia sido responda anteriormente (v. 14), Paulo apresenta as bases para trazer uma nova questão: Um homem morreu por casa da ofensa (Adão), e muitos morreram (a humanidade). Como a ofensa impôs à morte a muitos, a graça de Deus é mais efetiva, proposta de salvação graciosa a muitos, ou seja, a oferta do dom da graça por meio de Cristo.

 

16 E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação.

Embora a ofensa e o dom gratuito não sejam semelhantes, visto que o dom da graça não passa a todos os homens como é o caso da ofensa, segue-se que, o dom é similar a ofensa na paridade de pessoas que ofenderam e que obedeceram: um só pecou (Adão), e um só obedeceu (Cristo).

A ofensa é proveniente de um só que pecou, e o dom da graça é proveniente de um só que obedeceu. Paulo demonstra que o juízo de Deus já está estabelecido por causa da ofensa de Adão, e isto para a condenação. Porém, o dom de Deus se manifesta sobre os pecadores (muitas ofensas) para justificação.

 

17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.

A graça de Deus se manifesta maravilhosamente abundante, visto que, pela ofensa quem reinou foi a morte sobre os homens, porém, em Cristo quem há de reinar em vida são os homens que receberam por meio da fé o dom da justiça.

A morte reinou sozinha por um único ofensor (Adão), mas os que receberam a abundância da graça (muitos), estes reinarão por um único homem que obedeceu(Jesus).

 

18 Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.

O verso 19 é o motivo da exposição do verso 18. Paulo volta a demonstrar que uma só ofensa trouxe o juízo de Deus sobre todos os homens, e todos foram condenados em Adão.

Conforme os eventos que decorrem da ofensa, assim também, por um só ato de justiça a graça de Deus é concedida a todos os homens, para que estes sejam justificados.

A condenação trouxe a morte como penalidade, e a justificação, por sua vez, a vida. Isto demonstra que a justificação é ato de Deus contrário à condenação. Na condenação o homem adquiriu uma natureza contrária à natureza divina sendo declarado culpável diante de Deus, e na justificação o homem adquire nova natureza herdada em Deus: a natureza divina, sendo declarado justo por causa da nova vida e natureza ( 2Pe 1:4 ).

Temos: Uma ofensa e um ato de justiça; o juízo e a graça; condenação e justificação. Paulo contrapõe estes elementos, sendo que para reverte a ofensa de Adão, Cristo obedeceu. Para livrar o homem do juízo a graça de Deus manifestou-se. O homem foi declarado culpado na condenação, e na justificação é declarado justo.

Tanto na condenação, quanto na justificação a declaração de Deus diz de condições distintas, porém, efetivas. Deus não declara condenado um justo, e nem declara justificado alguém que ainda seja injusto.

 

19 Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.

Paulo apresenta os motivos da exposição anterior: pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos (criados) pecadores, e da mesma forma, pela obediência de Cristo, muitos são feitos (criados) justos.

O sentido da palavra ‘fazer’ deste versículo equivale ao anunciado por João: “Mas a todos os que o receberam, àqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o poder para serem feitos filhos de Deus…” ( Jo 1:12 ).

O sentido da palavra ‘fazer’ envolve um sentido mais amplo por causa da ação sobrenatural do poder de Deus. Ex: “Nele, digo, em quem também fomos FEITOS herança…” ( Ef 1:11 ); “…pela qual nos fez agradáveis para si no Amado” ( Ef 1:6 ), o que corresponde também a: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” ( 1Pe 2:5 ).

 

20 Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;

Este versículo complementa o exposto nos versos 12 e 13.

Sabemos que um homem pecou, e pelo pecado a morte passou a todos os homens, o que leva a concluir que todos pecaram, ou que estão em pecado. Daí advém a pergunta: Não existindo lei, o pecado não é imputado? O que a realidade demonstra é que mesmo sem lei, o pecado é imputado, visto que, a morte reinou sobre todos os homens, mesmo sobre os que não transgrediram a semelhança da transgressão de Adão.

O que Paulo quis demonstrar nos versos 12 e 13? Que a lei não veio para justificar o homem, antes ela veio para que a ofensa abundasse. Além da condenação em Adão que já encerrou os homens na morte (porta larga), resta que, a lei demonstra o quanto o homem é pecador, e será réu de juízo no Trono Branco por causa de suas obras reprováveis (caminho espaçoso).

Apesar deste quadro horrível para a humanidade, Paulo demonstra que, onde o pecado abundou, superabundou a graça de Deus. Ou seja, não há a necessidade de se permanecer no pecado para que a graça aumente ( Rm 6:1 ). Ela já se demonstrou abundante por meio de Cristo nosso Senhor. Amém.

 

21 Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.

A graça de Deus é abundante para que, assim como o reino do pecado foi estabelecido através da pena imposta à desobediência, ela também reine pela justiça através da recompensa eterna, que é por intermédio de Cristo: a vida eterna.

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Salmo 28 – Uma Oração

Se tivessem observado a lei de Deus e atentado para as obras de Suas mãos, entenderiam que as boas ações dos homens na tentativa de alcançar a salvação são obras de violência diante d’Ele. Fariam como o salmista: confiariam (pediriam) no Senhor, que lhes perdoaria as transgressões e a culpa do pecado “Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado” (Sl 32:5).


 

1 A TI clamarei, ó SENHOR, Rocha minha; não emudeças para comigo; não aconteça, calando-te tu para comigo, que eu fique semelhante aos que descem ao abismo.
2 Ouve a voz das minhas súplicas, quando a ti clamar, quando levantar as minhas mãos para o teu santo oráculo.
3 Não me arrastes com os ímpios e com os que praticam a iniquidade; que falam de paz ao seu próximo, mas têm mal nos seus corações.
4 Dá-lhes segundo as suas obras e segundo a malícia dos seus esforços; dá-lhes conforme a obra das suas mãos; torna-lhes a sua recompensa.
5 Porquanto não atentam às obras do SENHOR, nem à obra das suas mãos; pois que ele os derrubará e não os reedificará.
6 Bendito seja o SENHOR, porque ouviu a voz das minhas súplicas.
7 O SENHOR é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; assim o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei.
8 O SENHOR é a força do seu povo; também é a força salvadora do seu ungido.
9 Salva o teu povo, e abençoa a tua herança; e apascenta-os e exalta-os para sempre.

 

Este Salmo de Davi divide-se em clamor (v. 1-5), adoração (v. 6) e testemunho (v. 7- 9).

O salmista roga ao Senhor porque confia n’Ele. A confiança do salmista deriva do amor e da fidelidade de Deus, atributos inabaláveis. O amor e a fidelidade de Deus fazem com que o salmista O compare a uma rocha, a um rochedo.

Davi roga a Deus que o ouça, que não ignore as suas súplicas para que a sua sorte não se equipare a dos que descem à cova. Embora Davi tenha explicitado que se não fosse atendido por Deus haveria de ser semelhante aos que descem à cova, ele não apresenta seus problemas pessoais.

O salmista reitera o seu pedido: que o Senhor simplesmente o atendesse, quando clamasse, ou quando levantasse as suas mãos na direção do templo ( Sl 28:2 ).

Do verso 3 ao 5 o salmista passa a enumerar as suas petições.

“Não me arrastes com os ímpios e com os que praticam a iniquidade” – O salmista não pede carros, cavalos, guerreiros, riquezas, mulheres, reinos ou vitórias sobre os seus inimigos em redor, antes que o Senhor o justifique. Como? Ora, como sabemos, Deus é santo e justo. Para Deus não deixar o salmista perecer com os pecadores é necessário que Deus o justifique. Quando o salmista diz: “Não me arrastes com os ímpios”, é um modo de o salmista pedir a Deus que não lhe impute pecado ( Sl 32:2 ).

Quem são os ímpios e os que praticam a iniquidade? Seriam os filisteus? Seriam os gentios? Não! O salmista aponta quem são os ímpios e os que praticam a iniqüidade: são aqueles “…que falam de paz ao seu próximo, mas têm mal nos seus corações” ( Sl 28:3 b).

Havia muitos compatriotas do salmista que utilizavam o nome do Senhor, o Deus de paz, para falarem e relacionarem-se com o próximo. – Shalom! Shalom! Porém, para eles não havia paz “Não conhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; todo aquele que anda por elas não tem conhecimento da paz” ( Is 59:8 ). É por isso que Jesus alerta: “Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! Entrará no reino dos céus…” ( Mt 7:21 ). Embora muitos falem de paz, o problema deles esta no coração “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” ( Mt 15:8 ).

Observe que é próprio aos ímpios falarem de paz, porém, através do profeta Isaías Deus dá o alerta: “Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus” ( Is 57:21 ). Jesus demonstra esta mesma verdade ao declarar: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ); “…que maquinam maldades no coração e vivem projetando guerras. Aguçam a língua como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios” ( Sl 140:2 -3). Falam de paz, mas para ele não há paz. Clamam: Senhor, Senhor, porém, o coração está longe de Deus. Os ímpios, ou os que praticam a iniquidade, embora falem em paz, para eles não há paz, visto que a boca fala do que há em abundância no coração.

“Dá-lhes segundo as suas obras e segundo a malícia dos seus esforços” – É estranho quando lemos o salmista pedindo ao Senhor que recompense os ímpios segundo as suas obras. Este comportamento não é um tipo de maldade da parte do salmista? Não!

Porque a oração do salmista é segundo a vontade de Deus e será plenamente atendida “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” ( 1Jo 5:14 ). Como a petição de Davi é segundo a vontade de Deus?

A palavra de Deus é clara e expressa a sua vontade: “Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, e provo a mente, e isto para dar a cada um segundo os seus caminhos, e segundo o fruto das suas ações” ( Jr 17:10 ). O que é que o salmista pede? Que Deus realize o seu propósito, a sua vontade ( Mt 6:10 ). A petição do salmista será atendida, visto que ele nada pediu para gastar em seu próprio deleite ( Tg 4:3 ).

No Grande Tribunal do Trono Branco todos os homens ímpios receberão de Deus conforme as suas obras ( Ap 20:12 ), e não haverá acepção de pessoas ( Rm 2:6 e Rm 2:11 ).

Mas, o que será concedido àqueles que agem segundo a ‘malícia dos seus esforços’? O que isto quer dizer? A malícia diz do intento dos homens que buscam salvar-se por meio de suas boas ações, porém, estas ‘boas’ ações não passam de obra de violência diante de Deus “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há em suas mãos” ( Is 59:6 ).

A mensagem de Deus é clara: “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ). Porém, os homens querem tomar o reino de Deus através da malícia das suas forças “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele” ( Lc 16:16 ).

Aos homens ímpios, Deus lhes enviará ‘a sua recompensa’! O que será concedido àqueles que agem segundo a ‘malícia dos seus esforços’? A eles será dado ‘conforme a obra das suas mãos’, pois são obras de violência, obras segundo a malícia dos seus esforços, que não foram feitas em Deus! ( Jo 3:21 ).

Por que o salmista tem certeza que será atendido? Porque a retidão e a justiça de Deus serão estabelecidas “Ele mesmo julgará o mundo com justiça; exercerá juízo sobre povos com retidão” ( Sl 9:8 ).

“Porquanto não atentam às obras do SENHOR, nem à obra das suas mãos” – Os ímpios serão ‘derribados’, ‘destruídos’ porque Não observaram como o Senhor Deus procede. Se analisassem a lei de Deus saberiam como Ele procede para com os filhos dos homens “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” ( Sl 119:165 ).

 

“Pois não observaram como Javé procede, nem atendem às obras de Suas mãos”

Se tivessem observado a lei de Deus e atentado para as obras de Suas mãos, entenderiam que as boas ações dos homens na tentativa de alcançar a salvação são obras de violência diante d’Ele. Fariam como o salmista: confiariam (pediriam) no Senhor, que lhes perdoaria as transgressões e a culpa do pecado ( Sl 32:5 ).

Se observassem como o Senhor procede, rogariam conforme o salmista: Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ). No salmo 51 o salmista Davi roga ao Senhor aquilo que somente Ele pode fazer: ‘Cria’ por meio da sua palavra! Somente Deus é sujeito do verbo ‘Bara’ (cria) no hebraico. Somente Deus pode criar um novo homem com um novo coração e um novo espírito!

Somente após criar o novo homem com um novo coração e um novo espírito ( Ez 36:25- 27 ; Ef 4:24 ; 1Pe 1:3 e 1Pe 1:23 ), é que Deus o declara justo, justificado. A palavra grega traduzida é o verbo ‘dikaioo’, que significa fazer justo, tornar justo e/ou declarar justo. Quando Deus cria o novo homem, a nova criatura é declarada justa, isto porque ela de fato é justa, pois Deus a criou em verdadeira justiça e santidade, dando um novo coração e um novo espírito.

Quem foi de novo gerado segundo a palavra da verdade não perecerá com os ímpios ( Sl 28:3 ; Jo 1:12 ).

O brado pela salvação do Senhor ecoa: “Bendito seja o SENHOR, porque ouviu a voz das minhas súplicas” ( Sl 28:6 ). Muito tempo depois o apóstolo Pedro também bendiz pela salvação alcançada: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos…” ( 1Pe 1:3 ).

Quem suplica, clama e invoca é porque crê que Deus é galardoador. Quem invoca ao Senhor o achará, visto que está perto, e será atendido “Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” ( Is 55:6 ).

O salmista bendiz ao Senhor porque foi atendido. Ele tinha certeza que não seria arrastado com os ímpios e com os que praticam a iniquidade, por causa da misericórdia e da fidelidade de Deus. O Senhor se revelou como força e escudo e o salmista confiou e foi atendido ( Sl 28:7 ).

Na presença do Senhor o salmista se farta de alegria por causa da graça alcançada, pois ele recebeu um novo coração e um novo espírito passando a estar em comunhão com Deus ( Sl 51:11 -12). A alegria que o salmista faz referência diz do regozijo da salvação ( Sl 51:12 ), pois não será arrastado com os ímpios ( Sl 51:11 ).

A obra realizada por Deus, a salvação dos homens, é o motivo do cântico do salmista Davi “…e com o meu canto o louvarei” ( Sl 28:7). Ver, temer e confiar no Senhor é o novo cântico posto na boca dos que são agraciados com a salvação de Deus “E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” ( Sl 40:3 ).

A mesma força salvadora destinada ao Ungido de Deus também é utilizada para com o povo que pertence ao Senhor (v. 8). O apóstolo Paulo ao escrever aos cristãos em Éfeso demonstrou que, a suprema grandeza do poder de Deus manifesto em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos, também foi utilizado para com os cristãos “…e qual a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-O dentre os mortos, e fazendo-O sentar-se à sua mão direita nos céus…” ( Ef 1:19 – 20).

O Senhor salva o povo que lhe pertence, e abençoa os seus filhos (v. 9). O senhor abençoa os seus filhos com toda a sorte de bênçãos espirituais, fazendo-os assentar nas regiões celestiais em Cristo, conforme Cristo se assentou à mão direita de Deus ( Ef 1:3 ; Ef 1:20 e Ef 2:6 ).

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