O conflito na alma e o inimigo na alma

Enquanto Barclay analisa os termos gregos utilizados pelo apóstolo Paulo, que foram traduzidos por: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices e glutonarias, a partir do comportamento desregrado dos gregos e dos romanos (esquecendo que o apóstolo Paulo não julga os que são de fora, mas os que são de dentro), não percebe que a lista das obras da carne foi feita a partir da apostasia dos filhos de Israel, que foram postos por exemplos.


O conflito na alma e o inimigo na alma

Este artigo tece considerações, em função do livro “As obras da carne e o fruto do Espírito”, de William Barclay, publicado pela editora ‘Edições Vida Nova’, em especial, sobre o capítulo I, que aborda duas questões: ‘O conflito na alma’ e ‘O inimigo na alma’.

 

O conflito na alma

O Dr. Barclay, já no primeiro parágrafo do seu livro, afirma que ‘A filosofia e a teologia são essencialmente uma transcrição e uma interpretação da experiência humana… ’, e conclui: ‘… e a experiência humana é de que há um conflito na alma humana’[1] Barclay, William, As obras da carne e o fruto do Espírito, Tradução Gordon Chown, Ed. Edições Vida Nova, SP, 1988. Pág. 13.

Apesar de citar trecho da carta do apóstolo Paulo aos Gálatas, tanto a asserção, quanto a conclusão de Barclay, não refletem a verdade exarada nas Escrituras. Primeiro, porque a filosofia não é matéria bíblica. Segundo, se esses, também, são os termos da teologia, uma transcrição e uma interpretação da experiência humana, não estamos falando de um estudo de Deus, mas, de uma matéria secular.

A Bíblia tem por base a revelação divina, não as experiências humanas. Por mais que a experiência humana diga que há um conflito na alma, a Bíblia não trata desses conflitos e nem se apoia nas experiências humanas. Por mais que evidências palpáveis aos sentidos humanos apontem a existência de um conflito na alma, a revelação das Escrituras, por ser a verdade, suplanta as experiências humanas.

Por mais que o pensamento judaico acerca do homem aponte para a existência de um conflito interno, conforme exarado na doutrina de yetserhatobh e yetserhara[2] (a natureza boa e a má), tal pensamento nada pode comunicar aos cristãos, pois a Bíblia é clara, aos dizer que os judeus não tem o conhecimento de Deus (Dt 32:28; Is 1:6; Os 4:6), portanto, a doutrina deles não é confiável.

No entanto, o Dr. Barclay busca, não só o pensamento judaico, mas, também, entre os gregos[3], evidencias para sustentar a sua asserção inicial e aponta para Platão que, no Fedro (246B), “descreve a alma do homem como o cocheiro, cuja tarefa é dirigir, em arreios duplos, dois cavalos, um dos quais é ‘nobre e de raça nobre’, e o outro é ‘o oposto na raça e no caráter’”. Barclay não para por aí e busca, entre Ovídio (Metamorfoses 7.20), Sêneca (Cartas 112.3), Epíteto (Discursos 2.11.1) e outros, evidenciar a tal ‘experiência humana’[4], que comprove que há um conflito na alma.

Barclay destaca dois escritores gregos: Platão e a sua obra Fédon, que narra às últimas horas de Sócrates e Filo, e acrescenta que este último estabeleceu uma ponte entre o pensamento hebraico e o grego e aquele influenciou incalculavelmente o pensamento cristão, e que ambos sublinharam em seus escritos que o corpo é eminentemente mal (idem, págs. 14 e 15).

A informação inicial apresentada por Barclay, de que o apóstolo ‘Paulo não foi, de modo algum, a primeira pessoa que viu a vida em termos do conflito interno’ (idem, pág. 13), não é verdadeira, pois, em suas epístolas, o apóstolo dos gentios não trata das experiências humanas e nem dos seus conflitos internos, mas, da ‘oposição’ entre o ‘mandamentos de homens’, que é contrário ao ‘mandamento de Deus’, ou seja, ‘carne’ versus ‘espírito’.

Quando o apóstolo Paulo afirma que a carne milita contra o espírito, ele tem em vista dois sistemas doutrinários antagônicos: os mandamentos dos homens e o mandamento de Deus. Aqueles que estão em Cristo Jesus, são os que andam no espírito, diferentemente daqueles que andam segundo a tradição dos homens, ou seja, segundo a carne.

“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8:1).

A oposição entre a ‘carne’ e o ‘espírito’ descrita pelo apóstolo Paulo não é interna ao homem, pois o que ‘carne’ e ‘espírito’ disputam é o homem, na busca de sujeita-los ‘para que não façais o que quereis’ (Gl 5:17). A oposição entre carne e espírito, descrita pelo termo grego αντικειμαι (antikeimai), não diz de um embate, de um enfrentamento, mas, de oposição. Os que são segundo o evangelho, agradam a Deus, pois se sujeitam ao mandamento, que é crer em Cristo (At 10:35), mas os que são segundo a lei, ou seja, segundo as obras da carne, são inimigos de Deus, pois não se sujeitam ao mandamento de Deus (Rm 8:7-9).

A má leitura de Barclay se deve à falta de compreensão, acerca do termo grego ‘pneuma’, quando empregado pelo apóstolo Paulo, em certos contextos, nas suas epístolas.[5]

O problema exposto na base de um dilema, se o pneuma (espírito), faz parte do homem ou, se é uma parte do homem após ele se tornar cristão, demonstra o quanto a incompreensão de certos termos gregos empregados no Novo Testamento interferiu na leitura e na compreensão de Barclay. Pela incompreensão do tema, Barclay cita J. E. Frame, que, por sua vez, cita Teodoro de Mopsuéstia (ou, Teodoro de Antioquia; 350-428), somando-se erro sobre erro:

“Deus nunca colocou os três, a alma, o espírito e o corpo, num descrente, mas somente nos crentes. Destes, a alma e o corpo são naturais, mas o espírito é um benefício (euergesia) especial para nós, uma dádiva da graça aos que creem”. Teodoro de Mopsuéstia.

Em primeiro lugar, o homem, seja ele crente em Cristo ou, não, só é homem, porque é formado por corpo, alma e espírito. É impossível ao homem ser homem sem corpo, da mesma forma que é impossível ao homem ser o que é sem a alma e o espírito. O espírito que compõe a natureza do homem, tanto natural, quanto espiritual, não diz da dádiva da graça ou de um dom de Deus para a natureza humana redimida.

Todos os homens possuem um corpo constituído de matéria orgânica, formado do pó da terra (Gn 2:7) e Cristo, ao se tornar homem, também teve que ser participante de carne e sangue (Hb 2:14 e 16; Sl 139:13-16; Sl 22:9-10; Sl 40:6). Todos os corpos dos homens são constituídos de matéria orgânica e semelhantes entre si, pois, todos vem do pó e ao pó retornam.

Todos os homens possuem um espirito criado por Deus, exceto Jesus Cristo-homem, visto que o próprio espirito do Verbo eterno esvaziou-se a si mesmo do seu poder e glória e se faz homem, sendo introduzido pelo Altissimo no ventre de Maria, no corpo que lhe foi preparado, sem vínculo com a semente de Adão (Hb 10:5; Fl 2:7).

Todos os homens possuem uma alma, que muitos se referem como a sede dos sentimentos, emoções e desejos dos homens. No entanto, a alma é a identidade do espírito, que unido ao corpo passa a existir dotado de sentimentos, emoções e desejos. Um espírito unido a um corpo, distingue-se dos demais espíritos, quando são unidos a um corpo pela concepção e a alma diz da individualidade do espírito, que o distingue dos demais.

Todos os espíritos dos homens, quando criados por Deus, são idênticos entre si, sem nada que os distingam. Quando do nascimento do homem, em que há a união entre o corpo e o espírito, temos uma alma vivente: um espírito que é único, pela identidade que adquire, através da sua alma.

Os seres angelicais são espíritos e quando criados, o foram de uma única vez, cada qual com a sua identidade e individualidade, distintos um do outro, diferentemente do homem, no qual a identidade e a individualidade do espírito se dá, quando unido ao corpo.

Se Deus retirar o espírito e o fôlego que concedeu ao homem, imediatamente, todos sem exceção, expiram e voltam ao pó da terra (Jó 34:14). O fôlego está relacionado à vida do corpo, constituído de matéria orgânica (Jó 33:4-6) e o espírito está relacionado à existência do homem, o que permite compreender os eventos à sua volta (Jó 38:36). Sem o espírito, o homem seria semelhante aos animais, que se guiam por instintos, ou seja, sem compreender os eventos à sua volta (Sl 32:9).

É próprio do espírito do homem ter e expressar sua opinião, ante os eventos que o cercam por intermédio do corpo, ou seja, através dos lábios (Jó 32:17-20). Eliú, filho de Baraquel, o buzita, antes de ouvir Jó e os seus amigos, achava que era próprio aos mais velhos ensinarem sabedoria e, por isso, tinha receio de expor a sua opinião (Jó 32:6-7). Ao ouvir os mais velhos, Eliú decepcionou-se e chegou à conclusão de que os mais velhos não são os mais sábios e nem os idosos tem conhecimento do que é mais correto (Sl 32:9). Embora fosse consenso à época de Eliú que a sabedoria e o conhecimento eram próprios aos mais velhos, o jovem Eliú conseguiu abstrair, através do que ouviu da discusão dos amigos de Jó, que não era assim.

Como é próprio a todos os homens ter um espírito (o sopro do Senhor Todo Poderoso), Eliú compreendeu que o entendimento e a sabedoria são, igualmente, alcançados por todos, independentemente de ter ou não idade avançada, o que fez com que aquele jovem expressasse a sua opinião diante de alguns velhos (Jó 32:8 e 17).

“Pensava eu: ‘Que a experiência fale mais alto e os muitos anos de vida ensinem a sabedoria’. Contudo, o homem tem um espírito e o sopro de Shaddai, o Todo-Poderoso, que lhe proporciona entendimento. Não são apenas os mais velhos, os maiores e mais sábios, nem os mais idosos que têm o conhecimento do que é mais certo” (Jó 32:7-9).

O espírito do homem não é um entendimento, antes o entendimento é uma faculdade do espírito, que o torna capaz de raciocinar, considerar, compreender, etc. Ao nascer, o homem é um ser terreno, dotado de um espírito, com a faculdade de compreensão, aprendizagem, interação, etc. Entretanto, o discernimento do homem precisa ser exercitado, assim como o corpo, para que possa se desenvolver, até chegar à maturidade, tornando-se apto a discernir entre o bem e o mal (Is 7:16; Hb 5:14).

O espírito do homem, paulatinamente, cresce em entendimento quando interage com o mundo, e isso por intermédio do seu corpo. Deus soprou no homem o fôlego da vida e, assim, este tornou-se alma vivente, dotado de um espírito. O entendimento de Adão só veio através da interação que ele tinha com Deus na virada do dia e com a vivência no jardim do Éden e, assim, é com todos os seus descendentes, pois os filhos interagem com os pais.

A consideração de Teodoro de Mopsuéstia é equivocada, pois, todos os homens, sem exceção, são constituídos de corpo, alma e espírito. Na morte física, o corpo volta ao pó, porém, o espírito, que volta para Deus, jamais se dissocia da alma, pela eternidade. Todo homem, primeiro, teve o corpo formado do pó da terra, através da herança de carne e sangue, que recebe dos pais; em seguida, um espírito, que procede de Deus e, por fim, surge a alma, como identidade do espírito. Ao morrer,o corpo volta para o pó da terra, porém, espírito e alma seguem para a eternidade, quando os homens ressurgirão com corpo glorioso ou, em ignomínia.

Mas, o que é o ‘pneuma’, como dom de Deus, que é próprio à natureza redimida do crente em Cristo? Por ‘natureza redimida’, entende-se como o homem de novo gerado, por meio da palavra do evangelho, que é semente incorruptivel.

O termo grego ‘pneuma’ (espírito), além de se referir a um dos elementos imateriais do homem criado por Deus, também, é utilizado para fazer referência à mensagem do evangelho. O termo ‘espírito’ é utilizado para fazer referência a uma doutrina, assim como o termo ‘fé’, que contém, em seu bojo, a ideia de ‘verdade’. É com esse significado que Jesus afirmou que as suas palavras são ‘espírito e vida’ (Jo 6:63).

Adão, ao pecar, separou-se de Deus, ou seja, morreu. Todos os descendentes de Adão, igualmente, alienaram se de Deus, ou seja, estavam mortos em delitos e pecados (Ef 2:1). O termo ‘morte’ é empregado no sentido de ‘separação’, não no sentido de término das funções vitais. Para a cessação das funções vítias do individuo, o escritor do Gênesis utilizou a expressão ‘voltar ao pó’.

Mas, como o homem volta à comunhão com Deus? Em outras palavras, como o homem é vivificado? Através do espírito, ou seja, pela palavra de Deus (Dt 8:3), pois, por ela, é criado um novo homem (Ef 4:23).

É por isso que o Verbo eterno se fez carne, pois o mandamento de Deus, dado através de Cristo, concede vida aos que creem! Esse mandamento (espirito) é concedido gratuitamente (1 Jo 3:23; Jo 3:16), pois, é dito: pela graça sois salvos! (Ef 2:8). O homem é salvo por meio da ‘verdade anunciada’ (Gl 3:1), que é a ‘fé’, ou seja, evangelho, espírito (Rm 1:16), a fé, que de uma vez foi dada aos santos (Jd 1:3), a palavra anunciada pelos ministros do espírito.

O apóstolo Paulo foi feito ministro do espírito, ou seja, de um Novo Testamento:

“O qual nos fez, também, capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2 Co 3:6).

É por isso que o apóstolo Paulo faz referência a Cristo como o último Adão, o espírito vivificante:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante” (1 Co 15:45).

O espírito do homem regenerado é o mesmo, antes de ser gerado de novo, porém, o que muda é o espírito como mensagem, entendimento, o que se dá no arrependimento. O arrependimento, essencialmente, é uma mudança de espírito, ou seja, de compreensão, acerca de como ser salvo. O espírito dos escribas e fariseus era de que estavam salvos, por serem descendentes da carne de Abraão, mas com o evangelho, deveriam mudar de concepção, espírito, pois a salvação se dá por Cristo, o reino dos céus que era chegado (Mt 3:2 e 8-9).

É pelo espírito (mensagem) do evangelho que sabemos que Deus está em nós e nós n’Ele (1 Jo 3:24). Quem é gerado de novo pelo espírito, é espiritual (Jo 3:6) e quem foi gerado segundo a carne, é carnal, sendo que o espírito (mensagem que acredita ser a verdade) deste, consiste em mandamento carnal e daquele, ‘poder da vida incorruptível’ (Hb 7:16) .

Outro equívoco, é entender que é por meio do pneuma, como espírito do homem[6], que Deus pode falar aos homens, ou que os homens podem ter comunhão com Deus. O pneuma, que Deus fala aos homens, diz da sua palavra, da sua mensagem anunciada por Cristo. É somente por meio do evangelho, que é espirito e vida, que o homem tem comunhão com Deus. O homem possui um espírito, mas não é esse espirito que tem comunhão com Deus ou que torna possível ouvir a Deus.

Watchman Nee, em seu livro, ‘O homem espiritual’ incorre no mesmo erro de Barclay, ao afirmar que:

“É através do espírito que temos comunhão com Deus e somente por ele podemos compreendê-lo e adorá-lo. Por isso se diz que ele é o elemento que nos confere consciência de Deus. Deus habita no espírito; o eu, na alma; e os sentidos, no corpo (…) Por meio do seu espírito, o homem se relaciona com o mundo espiritual e com o Espírito de Deus…” Nee, Watchman, ‘O homem espiritual’ Vol. 1, Editora Betânia – Belo Horizonte, 2002, Pág. 34.

Deus não habita no espírito do homem, mas, no seu corpo:

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Co 6:19).

O corpo do crente não está em posição inferior ao seu espírito, pois o corpo pertence ao Senhor e o Senhor ao corpo (1 Co 6:13). Ao crer em Cristo, o homem une-se ao Senhor em um só espírito (1 Co 6:17; Ef 2:18), tornando-se, assim, membro do corpo de Cristo (1 Co 6:15). É pelo espírito do evangelho que o homem tem acesso a Deus, por isso, é dito um só espírito (Ef 2:18; Ef 4:4).

Após a queda de Adão, todos os seus descendentes são concebidos todos em pecado, ou seja, em corpo, alma e espírito. Esses elementos não se dividem, não há um mais nobre que o outro, ou seja, o corpo inferior e o espírito superior. É, eminentemente, platônica a ideia de que o espírito é mais nobre[7] que o corpo e o corpo, inferior. Todos os elementos que compõem a natureza do homem estão, igualmente, separados de Deus, sem comunhão, por causa da pena imposta, em decorrência da ofensa de Adão: morte.

Quando o homem crê em Cristo, por intermédio da palavra do evangelho, é purificado, completamente, pelo lavar regenerador do espirito (palavra), de modo que o seu corpo, alma e espírito são plenamente santificados e conservados irrepreensíveis.

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito,  alma e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso SENHOR Jesus Cristo” (1 Ts 5:23).

Deus não se comunica com o espírito do homem, como se fosse autônomo do corpo, antes, se comunica com o homem, através do evangelho, o qual o apóstolo Paulo foi feito ministro, e esse homem é corpo, alma e espírito. Para Deus comunicar-se com o homem, é necessário alguém que pregue e que o homem ouça, e isso só é possível através dos ouvidos, ou seja, através do corpo.

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10:14-17).

Adão foi formado do pó da terra e Deus soprou-lhe nas narinas o fôlego de vida, concedendo-lhe, além do corpo formado do pó da terra, um espírito, tornando-se assim alma vivente (Gn 2:7). No Éden, Deus se comunicava com o homem pessoalmente, e não com o seu espírito, como se o espírito de Adão fosse independente do corpo.

O Verbo eterno, ao se fazer homem, também, lhe foi preparado um corpo por Deus (Sl 40:6) e Ele foi lançado no ventre de Maria (Sl 22:9-10). Por não ser gerado do sangue, da vontade da carne e do varão, Cristo veio ao mundo sem pecado. O corpo de Cristo não era menos nobre que o seu espírito e alma, tanto que Deus garantiu que nenhum dos seus ossos seriam quebrados (Sl 34:20). Deus ressuscitou o corpo de Cristo e o glorificou, o que demonstra que o corpo não é menos nobre que o espírito.

O termo ‘pneuma’ é utilizado para fazer referência, tanto a Deus, como o Espírito eterno; ao homem, como alma vivente; à parte imaterial do homem criada por Deus; ao evangelho como doutrina; e, ao Espírito Santo. Se o leitor não souber distinguir essas nuances, quanto à aplicabilidade do termo, através do contexto onde empregado, acabará fazendo uma leitura equivocada.

Cristo falou que enviaria o Consolador, ao fazer referência à terceira pessoa da trindade; em outras passagens, é dito que Deus envia o seu espírito, ou o espírito do Seu Filho, uma referência ao evangelho de Cristo; em outras passagens, o Espírito Santo é apresentado fazendo morada no cristão, assim como o Pai e o Filho.

O posicionamento de Barcley é equivocado, conforme se lê:

“Se for assim, o cristão é distintivamente um homem em quem esta presença e poder tem entrado como não podem entrar em outros homens. Então, seria verdadeiro dizer que o espírito do cristão não é outra coisa senão o Espírito Santo fazendo Sua habitação no homem, e dando à vida deste uma paz, uma beleza e poder que simplesmente não estão disponíveis nem são possíveis ao homem não-cristão” Idem, Pág. 17.

O espírito do homem é o homem e o Espírito Santo é a divindade, em comunhão com o homem, o que ocorre pela palavra de Deus que, também, é denominada espírito.

“Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto” (2Ts 2:2)

Quando o apóstolo Paulo escreve aos cristãos desejando que a bênção de Deus estivesse com eles, assim o faz dizendo: ‘A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com o vosso espírito’ (Gl 6:18, Fl 4:23 e Fm 25). A graça de Deus não pode estar com o espírito dos não cristãos, mas é afeta aos espíritos dos cristãos.  Espírito foi empregado por Paulo como indivíduo, não como uma personalidade cristã.

Os termos gregos arraboñ (penhor) e sfragizein (selar) que o apóstolo Paulo utilizou em conexão com o termo pneuma, não significa que o espírito do homem é a presença e o poder de Deus dentro dele. Na verdade, o apóstolo Paulo estava demonstrando que, ao Jesus conceder o Consolador, os cristãos foram selados, sendo o Consolador uma garantia da herança dos cristãos (Ef 1:13-14).

O erro de interpretação de Barcley torna-se mais nítido, quando ele faz referência à passagem bíblica de Romanos 8, versos 1 à 17, quando ele conclui que a passagem trata do Espírito de Deus e do espírito do homem.

“Este fato é exposto de modo mais claro na passagem mais rica de Paulo a respeito do Espírito Santo e o espírito do homem” Idem. Pág. 19.

A passagem de Romanos 8 apresenta o evangelho como antagônico ao mandamento de homens, ou seja, o espírito antagônico à carne, não o espírito do homem e o Espírito Santo, até porque, segundo Barclay, o homem sem Deus não tem espirito[8], e outras vezes tergiversa[9] sobre essa questão. O espírito que faz do homem um cristão diz do evangelho, não do Espírito Santo, que guia o homem a toda verdade.

Além de fazer referência ao homem, através do termo pneuma, o apóstolo Paulo faz uso do termo psuché, traduzido por alma. O termo é utilizado para fazer referência ao homem como individuo, ou, para fazer referência à humanidade (Rm 2:9; Rm 13:1), ou, à própria existência do individuo com vida física (Rm 16:4).

O adjetivo psuchikos, também é utilizado para classificar o individuo como natural, o que o desqualifica para compreender, por si só, as coisas de Deus, o que só é possível através da revelação do evangelho (1 Co 2:14).

 

O inimigo na alma

Mas, com o homem é pneuma, psuchê e sõma, verifica-se que este último termo é utilizado para fazer referência ao corpo constituído de matéria orgânica. Há passagens que utilizam o termo sõma para fazer referência ao homem sujeito ao pecado, em que o corpo é figura utilizada para fazer referência ao homem, como pertencente ao pecado, por causa da ofensa de Adão. O corpo físico é apresentado como corruptível, mas, os cristãos aguardam a sua incorruptibilidade, vez que, o que é mortal, será revestido da imortalidade.

Geralmente, o termo sõma possui um sentido negativo, quando empregado como figura, para descrever a realidade do homem sem Deus, ou, positivo, quando a serviço de Deus, mas no geral, o corpo físico não é nem bem nem mal.

O apóstolo Paulo também utiliza o termo sarx, comumente traduzido por carne, e Barclay interpreta que o tal conflito da alma se dá pela oposição carne e espírito.

“i. Sarx é a inimiga mortal do pneuma. O conflito na alma é exatamente entre a carne, para usar a tradução comum da palavra, e o espírito. ‘Estes,’ diz Paulo, ‘são opostos entre si’ (Gl 5:17). Qualquer que seja, uma outra verdade a este respeito, estas duas são forças opostas dentro da existência humana” Idem. Pág. 20.

Apesar de confessar que o termo sarx não possui uma tradução adequada, Barclay se lança a comentar o que é a carne. No item 5[10], Barclay aponta que, em certos contextos, o termo ‘carne’ significa ‘julgando por padrões humanos’. Ora, carne refere-se à concepção dos judeus, segundo o mandamento de homens que foram instruídos, o que se opõe ao evangelho, que é revelação de Deus em Cristo.

A Bíblia não trata de nenhum conflito na alma, mas, da carne como doutrina, e o espírito como doutrina. Os homens que são segundo a carne, se inclinam para as coisas da carne, que são: circuncisão, nacionalidade, tribo, genealogias, etc. A inclinação da doutrina, segundo a carne é morte, pois, não é segundo a lei de Deus e todos que seguem a carne não podem agradar a Deus.

Há passagens em que o apóstolo Paulo utiliza o termo para fazer referência a uma doutrina e, em outras, ele utiliza o termo para fazer referência às pessoas que vivem segundo essa doutrina. Os sábios, segundo a carne, diz daqueles que são versados na doutrina de homens (1 Co 1:26).

E por que o termo ‘carne’ passou a ser empregado como sinônimo da doutrina dos judaizantes? Porque a circuncisão se dá no prepúcio da carne, símbolo da aliança que Deus fez com os descendentes de Abraão, e que os judeus tomaram por símbolo de salvação.

Como todos os homens são constituídos, fisicamente, de carne, o termo, também, foi utilizado para fazer referência à humanidade (Rm 3:20), entretanto, o uso mais comum, é para retratar o pensamento judaico, que faz da sua carne o seu braço.

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, que faz da carne o seu braço, e que aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5).

É por isso que o apóstolo Paulo alerta que, apesar de Jesus descender de Davi, segundo a carne, pelo vinculo de sangue com Maria, contudo, não podemos considerá-lo segundo esses parâmetros e nem a ninguém (2 Co 5:16). Isso porque, qualquer que era alguma coisa, segundo a carne, não tem o que comunicar a quem está em Cristo (Gl 2:6).

Viver na carne é o inverso de ser cristão, se considerarmos o judaísmo, que é a essência da carne. Daí, conclui-se que o apóstolo Paulo, como os filósofos, nunca tratou de um conflito na alma, mas, da oposição lei e evangelho, como água e óleo.

A ilustração que Barclay faz da carne é totalmente descabida, pois, a Bíblia apresenta o homem como em pecado, desde o nascimento, portanto, não há que se falar que é através da ‘carne’ que o pecado invade o homem [11]. O homem é formado em iniquidade e concebido em pecado (Sl 51:5), desvia-se desde a madre e anda errado desde que nasce,  proferindo mentiras (Sl 58:3).

O pecado não precisa ‘entrar’ no homem, porque o homem já está sujeito ao pecado como escravo.

Por fim, Barckay passa a descrever as ‘obras da carne’ e, pelo erro inicial, com relação à carne e ao espírito, a leitura que faz das obras da carne e do fruto do espírito não passa de um equivoco generalizado.

Enquanto Barclay analisa os termos gregos utilizados pelo apóstolo Paulo, que foram traduzidos por: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices e glutonarias, a partir do comportamento desregrado dos gregos e dos romanos (esquecendo que o apóstolo Paulo não julga os que são de fora, mas os que são de dentro), não percebe que a lista das obras da carne foi feita a partir da apostasia dos filhos de Israel, que foram postos por exemplos.

Como Deus não se agradou dos filhos de Israel, e por isso muitos pereceram no deserto, eles foram feitos figuras, para que não incorramos no mesmo exemplo de desobediência.

“E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber e levantou-se para folgar” (1 Co 10:6-7).

A lista de obras da carne tem em vista os cristãos utilizarem da lei, legitimamente, não como os que vivem, segundo a carne, pois a lei foi feita para os judeus, homens injustos e obstinados.

“Querendo ser mestres da lei e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam. Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa, legitimamente; Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, para os devassos, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros e para o que for contrário à sã doutrina, conforme o evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que me foi confiado” (1 Tm 1:7-11).

Vale destacar que a experiência universal da vida[12] nada pode nos comunicar com relação à verdade das Escrituras, pois, esta, é revelação e aquela, sabedoria humana, em que a sabedoria humana, invariavelmente, desembocará em mandamentos tais como: “Não toques, não proves, não manuseies” (Cl 2:21).

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

 


[1]“A filosofia e a teologia são essencialmente uma transcrição e uma interpretação da experiência humana, e a experiência humana é de que há um conflito na alma. Para Paulo, tratava-se de uma guerra entre duas forças opostas que chamava de carne e espírito. “Porque a carne milita contra o Espírito,” disse ele, “e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si” (Gl 5.17).” Barclay, William, As obras da carne e o fruto do Espírito, Tradução Gordon Chown, Ed. Edições Vida Nova, SP, 1988. Pág. 13.

[2]“No homem, conforme entendiam, havia duas naturezas, de modo que este sempre estava na situação de alguém que é atraído para duas direções ao mesmo tempo (…) O impulso mau estava espreitando o homem quando emergia do ventre, porque ‘o pecado jaz à porta,’ ou seja: à porta do ventre (Gn 4.7; Sanhedrin 91b) e no decurso de toda vida do homem, permanecia ‘seu inimigo implacável’ (Tanhuma, Beshallah 3). O conflito na alma fazia parte da herança da crença judaica” Barclay, William, As obras da carne e o fruto do Espírito, Tradução Gordon Chown, Ed. Edições Vida Nova, SP, 1988. Pág. 13.

[3]“O cavalo nobre é a razão e o cavalo indócil é a paixão; o cavalo de natureza má ‘sobrecarrega o carro’ e o arrasta para a terra. Aqui, também, há o mesmo quadro de guerra e tensão, sempre com a terrível possibilidade da ruína como consequência”.  Idem.

[4]“O mal do corpo veio a ser uma das ideias dominantes do pensamento hebraico. SômaSêma, o corpo é um túmulo, dizia o provérbio rimado órfico. O corpo, disse Filolao, é uma casa de detenção onde a alma é aprisionada para expiar seu pecado. Epíteto pode dizer que tem vergonha de possuir um corpo, que é uma ‘pobre alma algemada a um cadáver’ (Fragmento 23). Sêneca fala da ‘habitação detestável’ do corpo e da carne vã a que a alma está aprisionada (Cartas 92.110). ‘Desprezem a carne,’ diz Marco Aurélio, ‘sangue e ossos e a rede que é uma meada torcida de nervos, veias e artérias’ (Meditações 2.2).

[5]“Descobrir o que Paulo quer dizer com espírito, o pneuma, não é totalmente fácil. A dificuldade torna-se clara quando comparamos diferentes textos gregos do NT com diferentes versões, porque as versões não concordam entre si quanto à ortografia de espírito e pneuma, com ou sem maiúscula inicial, ou seja, quando a referência diz respeito ao Espírito de Deus ou ao espírito do homem (…) Mas, o verdadeiro problema é saber se o pneuma, o espírito, faz parte do homem propriamente dito, ou se é apenas uma parte do homem depois de ele se tornar cristão; se o pneuma faz parte da natureza humana ou se é o dom de Deus para a natureza humana redimida” Idem. Pág. 17.

[6]“Ainda mais, o pneuma é o elo entre Deus e o homem; é através do pneuma que Deus pode falar aos homens e que os homens podem ter comunhão com Deus” Idem. Pág. 17.

[7]“Por intermédio da alma, o espírito pode subjugar o corpo, para que obedeça a Deus. Da mesma forma, o corpo, através da alma, pode levar o espírito a ter amor pelo mundo. Desses três elementos, o espírito é o mais nobre porque se une com Deus. O corpo é inferior, pois está em contato com a matéria” Nee, Watchman, ‘O homem espiritual’ Vol. 1, Editora Betânia – Belo Horizonte, 2002, Pág. 34.

[8]“Pode ser dito que para Paulo o espírito do homem é o poder de Deus que nele habita ou, num outro modo de expressar o fato, é o Cristo ressurreto que reside nele” Idem. Pág. 19.

[9]“Além disso, é exatamente a possessão desse espirito que torna o homem diferente da criação animal” Idem. Pág. 17.

[10]“v. Paulo usa sarx em frases e contextos onde usaríamos uma frase tal como: ‘julgando por padrões humanos” Idem. Pág. 21.

[11]“A essência da carne é a seguinte. Nenhum exército pode invadir um país pelo mar a não ser que possa obter uma cabeça de ponte. A tentação não teria a capacidade de afetar os homens, a não ser que houvesse algo já existente no homem que correspondesse à tentação. O pecado não poderia obter nenhuma cabeça de ponte na mente, coração, alma e vida do homem a não ser que houvesse um inimigo dentro dos portões que tivesse disposto a abrir a porta para o pecado. A carne é exatamente a cabeça de ponte, através da qual o pecado invade a personalidade humana. A carne é como o inimigo do lado de dentro e que abre o caminho para o inimigo que está forçando a porta” Idem. Pág. 24.

[12]“Mas de onde vem esta cabeça de ponte? De onde surgiu este inimigo do lado de dentro? É experiência universal da vida que um homem pela sua conduta capacita-se ou não a experimentar certas coisas” Idem. Pág. 24.

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As heresias dos hereges

Um governo é instituído para regular as relações sociais e não para garantir a entrada do homem no céu. A ditadura, o nazismo ou fascismo pode ser uma heresia se comparado ao socialismo ou capitalismo, porém, com relação ao evangelho não pode ser rotulado como heresia. Não defender: os mais frágeis, os menos competentes, os mais indignos, não classifica um governo de herético, por mais pernicioso que se mostre com relação à convivência entre as pessoas.


“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” ( Is 8:20 )

 

Princípio

Quando o profeta Isaias falou com Acaz, rei de Judá, deu-lhe um sinal em nome do Senhor: um menino seria concebido por uma virgem ( Is 7:14 ). Enquanto fazia conhecido a Acaz o que haveria de ocorrer com as nações das quais o rei estava com medo, o profeta, mesmo diante da calamidade que se aproximava do seu povo, afirmou que Deus estava com o povo e o nascimento do menino seria o sinal ( Is 8:10 ).

Em meio à profecia que versava sobre o destino de Israel e dos seus inimigos, o profeta Isaias anunciou as bases do ministério de Cristo: “Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro. Então ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel; por armadilha e laço aos moradores de Jerusalém. E muitos entre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos” ( Is 8:13 -15).

A mesma mensagem anunciada por Isaias foi anunciada pelo apóstolo Pedro, que disse: “Antes, santificai ao SENHOR Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” ( 1Pe 3:15 ).

O Senhor dos exércitos anunciado por Isaias diz de Cristo, o Emanuel (Deus conosco). Para ser “Deus conosco”, primeiro Cristo seria concebido de uma virgem ( Jo 1:14 ). O menino que nasceria tornar-se-ia santuário de Deus para os homens, de modo que só por meio d’Ele os homens se aproximam de Deus, pois são de novo gerados e passam a pertencer a Deus.

O profeta Isaias alerta o seu povo acerca do Senhor que deveriam ‘santificar’, o menino que havia de nascer, o Emanuel que conduziria os homens a Deus. Para santifica-Lo como Senhor seria necessário crer na sua palavra (temor), obedecendo-a (tremor).

Mas, para os que O rejeitassem, o menino tornar-se-ia pedra de tropeço, rocha de escândalo. Estes seriam enlaçados e presos. Tropeçariam por não crer na salvação providenciada por Deus “Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido. E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, A pedra que os edificadores reprovaram, Essa foi a principal da esquina, E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados” ( 1Pe 2:6 -8).

O escritor aos Hebreus, ao falar de Jesus, cita várias passagens bíblicas e dentre elas faz uma citação do texto de Isaias “Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu” ( Hb 2:12 -13 compare com Is 8:16 -18).

Foi neste contexto que Isaias disse: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles ( Is 8:20 ). A lei e o testemunho foi selada entre os discípulos do Emanuel “Liga o testemunho, sela a lei entre os meus discípulos” ( Is 8:16 ), e qualquer que não falar segundo a palavra selada e ligada entre os discípulos do príncipe da Paz é porque não há luz nele!

 

Distorção

Quando o profeta Isaias falou da palavra que haveria de ser entregue aos discípulos, não fez referência a qualquer sistema religioso ou filosófico. A mensagem não tinha em vista desmascarar e mostrar a fragilidade dos conceitos dos homens.

Pelo contrário, o profeta vaticinou que o povo que andava em trevas e que habitavam as regiões da morte veriam uma grande luz. O jugo, o bordão, a vara que pesava sobre estes oprimidos seria despedaçada pelo nascimento de um menino. A vitória deste povo que jazia em trevas é comparada à vitória que Israel obteve sobre os midianitas: uma vitória completa!

Do mesmo modo que Deus prometeu através de Moisés que os midianitas seriam exterminados, com o nascimento do menino, a vitória seria idêntica, pois a morte, o pecado e a lei seriam completamente derrotados.

Quem é o menino? O profeta descreve: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” ( Is 9:6 ).

O menino que nasceu, cresceu e o Espírito do Senhor estava sobre Ele não veio criar um novo sistema socioeconômico. Ele não veio fazer política. A sua missão não era sagrar-se rei. Embora a profecia diga que Ele veio trazer justiça e paz, não se arrogou à condição de juiz e pacificador dos homens quanto às suas mazelas sociais.

Em momento algum Cristo se posicionou contra os governos instituídos e, nem mesmo fez referência a sistemas de governos alegando que eram opressores ou não, nem se posicionou como um defensor dos carentes, pobres, descamisados. De igual modo não se posicionou ao lado da classe dos privilegiados e abastados deste mundo, e o seu ministério não dependeu deles. Quando questionado sobre o governo humano disse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” ( Lc 20:25 ).

Diante de uma pessoa que rogou ao Messias que falasse ao seu irmão acerca de uma herdade, Jesus respondeu “Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?” ( Lc 12:14). Quando alguém se lembrou de beneficiar os pobres, Jesus vaticinou: “Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre” ( Mt 26:11 ).

A quem estava preocupado com os seus mortos, Ele ordenou: “Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos” ( Mt 8:22 ). Com relação à política, disse: “O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” ( Jo 18:36 ).

Diante de Jesus as histórias, sentimentos, biografia, legado, nacionalidade, religião, genealogia, profissão, etc., das pessoas foram descartadas. A mensagem dele é límpida: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ). Outros, apesar de sua condição social desprezível e promíscua, foi ofertado da água que dá direito ao reino dos céus ( Jo 4:10 ).

O apóstolo Paulo, ciente desta verdade, rejeitou tudo que é de valor para os homens deste mundo, para que pudesse alcançar a Cristo “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” ( Fl 3:8 ).

Embora Cristo tenha se apresentado como manso e humilde de coração, aos que rejeitaram a sua mensagem, foi implacável: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” ( Jo 8:44 ).

 

Heresias e hereges

As heresias não germinam somente da falta de honestidade ou do preconceito dos homens, antes as heresias também são provenientes de pessoas, às vezes, bem intencionadas, que se fazem anticristo “Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos” ( 1Jo 2:18 ).

O Anticristo diz do homem iniquo que há de surgir sobre a terra, porém, o seu espírito opera no mundo desde a época dos apóstolos “E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo” ( 1Jo 4:3 ).

Além de se tornarem anticristo, tais pessoas tornam-se enganadores “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo” ( 2Jo 1:7 ).

Quem são os anticristos? Qualquer que diga que Jesus não veio em carne, é enganador e anticristo.

Ora, se a vitória dos que andavam em trevas está no menino que nasceu, negar que ele veio em carne é negar a vitória dos que habitavam as regiões da morte ( 1Jo 4:3 ).

De igual modo, quem diz que Cristo não é o Filho de Deus, é o anticristo, porque quem nega que o Filho não é Deus, não tem o Pai, pois Deus disse ter um Filho “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho” ( 1Jo 2:22 ; Pv 30:4 ; 2Sm 7:14 ).

Ora, quem nega que os mortos não ressuscitam, nega que Cristo ressuscitou e torna vã a mensagem do evangelho ( 1Co 15:17 ). Além de falsas testemunhas de Deus, quem nega a ressurreição ainda permanece no pecado.

Quem nega que Jesus voltará e levará para si a sua igreja é o enganador, pois esta é uma verdade que não pode ser conspurcada “Porque, qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de glória? Porventura não o sois vós também diante de nosso Senhor Jesus Cristo em sua vinda?” ( 1Ts 2:19 ).

A mensagem é clara: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” ( Jo 1:14 ), e o que Ele prometeu é específico: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” ( 1Jo 2:25 ).

 

Anátema

O apóstolo Paulo deixou claro que, qualquer que anuncie outro evangelho seja anátema (maldito) “Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” ( Gl 1:9 ), portanto, quem transtorna o evangelho é herege e o que o herege anuncia é heresia.

Não há como redefinir os termos ‘herege’ e ‘heresia’ dentro do contexto bíblico, pois automaticamente estaríamos transtornando o evangelho. Heresia é negar a verdade e herege diz do enganador.

Por exemplo: a promessa que há no evangelho é concernente à vida eterna ( 1Jo 2:25 ), portanto, qualquer mensagem que em nome de Jesus prometa bens materiais pretende substituir a verdade, é heresia.

Um governo é instituído para regular as relações sociais e não para garantir a entrada do homem no céu. A ditadura, o nazismo ou fascismo pode ser uma heresia se comparado ao socialismo ou capitalismo, porém, com relação ao evangelho não pode ser rotulado como heresia. Não defender: os mais frágeis, os menos competentes, os mais indignos, não classifica um governo de herético, por mais pernicioso que se mostre com relação à convivência entre as pessoas.

Jesus desconsiderou toda a história, biografia e legado dos judaizantes quando descartou a posição e até a própria pessoa do mestre Nicodemos, pois lhe disse abertamente: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ). Afirmar que descartar tais coisas como biografia e legado das pessoas é heresia, é chamar o próprio Cristo de herege, o que é absurdo, pois heresia é negar qualquer das características de Jesus.

Qualquer que não aprenda de Cristo não é, e jamais será humilde e manso de coração “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ), pois só encontra a vida eterna (vida eterna, ou descanso equivale a promessa da terra do A.T.), os que tomam o jugo e aprendem de Cristo. Só é humilde e manso de coração aquele que é circuncidado com a circuncisão de Cristo, ou seja, aquele que morreu e ressurgiu uma nova criatura, mesmo que tal indivíduo lance mão de um azorrague e espanque algumas pessoas ( Cl 2:11 ).

Humildade, integridade e honestidade referem-se às disposições internas dos indivíduos, sejam cristãos ou não, o que não transtorna a verdade do evangelho. O diálogo amoroso de Jesus resume-se na seguinte frase: “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” ( Mt 10:38 ).

O jovem rico tinha as suas razões e seguia o que entendia ser o essencial para ter direito a vida eterna, porém, amorosamente Jesus lhe disse “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me” ( Mt 19:21 ).

Quando Deus exigiu dos homens que sejam misericordiosos, façam justiça e que andem humildemente com ele, não estava exigindo uma luta contra sistemas de governo, modelos econômicos, culturas e sociedades. A luta do cristão não é para defender a causa de minorias ou tendências ideológicas “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” ( Mq 6:8 ).

Deus declarou o que é bom ao homem com relação ao perdão dos pecados “Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?” ( Mq 6:7 ).

Enquanto os homens entendiam que Deus se agradava de sacrifícios e holocaustos para obterem o perdão dos pecados, Deus declarou o que é bom: a prática da justiça, a benignidade e a humildade.

Como ser justo, benigno e humilde? Aprendendo daquele que é humilde e manso de coração. Tomando sobre si o jugo leve e o fardo suave: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” ( 1Jo 5:3 ).

É anátema qualquer distorção da verdade do evangelho, pois no evangelho revela-se a justiça de Deus que concede a bem-aventurança ( Rm 1:17 ).

Ser perseguido por sistemas políticos não concede bem aventurança. Só é bem-aventurado aqueles que são perseguidos por causa do evangelho, pois o evangelho é a justiça de Deus que dá direito ao reino dos céus ( Mt 5:10 ).

Protestar contra politicas públicas de saúde, segurança e educação não dá direito ao reino dos céus. Lutar pelo direito dos pobres, velhos e crianças, até mesmo com greve de fome, não conduz a vida eterna.

Levantar uma bandeira a favor ou contra as prostitutas, os homossexuais, os pedófilos, os sem-terra, os sem-casas, as ideologias, etc., nada tem a ver com o Sermão do monte.

Portanto, se você ouvir alguém supostamente humilde e misericordioso segundo os padrões humanos, mas que não fala segundo a lei e o testemunho que foi selada entre os discípulos de Deus ( Jo 6:45 ), considere como anátema, pois a luz que nele há não passa de trevas “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” ( Is 8:20 ); “Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” ( Mt 6:23 ).

“… resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé”  ( 2Tm 3:8 ).

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Lei e Graça

Tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento é dominado pela realidade da graça de Deus. Deus demonstrou em primeiro lugar a sua graça, e posteriormente a lei “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ). A nova aliança foi estabelecida em Cristo, o descendente “Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa” ( Gl 3:17 ).

 


“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” ( Jo 1:17 )

 

Salvação

O apóstolo Paulo nos apresenta a ordem natural dos eventos (perdição e salvação): “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” ( 1Co 15:46 ).

Não há como vir a existência homens espirituais, sem antes existir homens naturais. Isto porque Adão é o homem natural, e Cristo, o último Adão, homem espiritual ( 1Co 15:45 ).

Os homens provenientes da semente corruptível de Adão são homens naturais, e os nascidos segundo a semente incorruptível ( 1Pe 1:23 ), que é a palavra de Deus, são espirituais, visto que, em Cristo (último Adão), os homens espirituais vêem a existir.

Somos informados por intermédio da Palavra de Deus que todos os homens pecaram e foram destituídos da glória de Deus por causa da queda de Adão. Todos os homens estão debaixo de condenação: judeus e gregos, servos e livres, morais e amorais, religiosos e ateus, etc ( Rm 3:9 -18 ); “Pois assim como por uma ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação…” ( Rm 5:18 ).

Todos os homens entraram pela ‘porta larga’ através do nascimento de Adão, e seguem no ‘caminho largo’ que conduz à perdição ( Mt 7:13 ). Todos são vasos de desonra em Adão e foram preparados para a perdição ( Rm 9:21 -22). Todos os nascidos de Adão são plantas que o Pai não plantou ( Mt 15:13 ).

Mas, Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, antes, tenha a vida eterna ( Jo 3:16 ). Quando Jesus disse ‘todo aquele’, engloba judeus e gregos, morais e amorais, servos e livres, homens e mulheres, etc. Cristo (último Adão), a porta estreita dá acesso a salvação. Nele são feitos os vasos para honra. Em Cristo as árvores de justiças são plantadas.

Em Cristo Deus revela aos homens a sua maravilhosa graça! Todos os que estão mortos em delitos e pecados, ou seja, na condição de filhos da ira e da desobediência em Adão, por intermédio da fé em Cristo recebem poder para serem feitos (de novo criados) filhos de Deus. Em Cristo o homem é novamente gerado, recebendo de Deus um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ).

A condenação deu-se em Adão, e a salvação está em Cristo. O primeiro Adão trouxe condenação, o último Adão redenção.

Diante de Adão (condenação) e Cristo (graça redentora), o que dizer da Lei? O que dizer de Moisés e Cristo? Qual a relação entre Lei e Graça?

É um erro considerar que em primeiro lugar foi exposta a lei e depois a graça, visto que a graça de Deus tem se manifestado salvadora a todos os homens, hoje, porém, somos informados que desde os tempos eternos Cristo é Cordeiro de Deus, morto antes da fundação do mundo “Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” ( 1Pe 1:19 -20).

A graça de Deus é antes dos tempos eternos, provisionada para suprir a necessidade dos homens em todo o tempo. A graça de Deus veio primeiro que a lei. Em segundo lugar, temos a condenação da humanidade que se deu em Adão, e depois a lei.

Paulo demonstra que a condenação é anterior a lei quando disse: “Pois antes da lei estava o pecado no mundo” ( Rm 5:13 ). A realidade da condenação é patente desde Adão até Moisés. Da mesma forma, a realidade da redenção é facilmente observável desde Adão até Moisés.

O que dizer de Abel? Que dizer de Enoque? Que dizer de Noé? Que dizer de Jó? Abraão? Isaque? Jacó? José? Todos eles foram salvos pela graça por intermédio da fé ( Hb 11:1 -22).

Primeiro temos a graça, depois a lei! “A promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé” ( Rm 4:13 ).

Tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento é dominado pela realidade da graça de Deus. Deus demonstrou em primeiro lugar a sua graça, e posteriormente a lei “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ).

A nova aliança foi estabelecida em Cristo, o descendente “Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa” ( Gl 3:17 ).

A aliança da graça foi confirmada quatrocentos e trinta anos antes da lei a Abraão, para que a graça de Deus chegasse gratuitamente aos gentios e judeus “Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito” ( Gl 3:14 ).

Conforme o exposto acima, a declaração de Packer é infundada:

“Na economia de Deus, a lei foi exposta em primeiro lugar e a graça posteriormente. O Antigo Testamento é dominado pela grande realidade da lei de Deus, tal como o Novo Testamento é dominado pela graça de Deus. Porém, como relacionar a graça com a lei, visto que a lei veio antes da graça?” Vocábulos de Deus, J. I. Packer, Editora Fiel.

Após destacar a ordem correta dos eventos já é possível analisar o legalismo e o antinomianismo.

O conceito de legalismo de nossos dias não condiz com as práticas dos judaizantes, fariseus e escribas à época de Cristo. Como exemplo, os dicionários de hoje definem ‘fariseu’ como sendo um indivíduo hipócrita, porém, à época de Cristo, fariseu era alguém com um estilo de vida com base na religiosidade judaica “Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu” ( At 26:5 ).

Muitos dos fariseus à época de Jesus eram hipócritas, porém farisaísmo não era sinônimo de hipocrisia. De igual modo, o conceito de legalismo hoje diz de alguém que toma a lei e a usa de modo que ‘mereça’ a salvação.

No entanto, verifica-se nas escrituras que os fariseus e escribas confiavam na carne, ou seja, que eram salvos por serem descendentes de Abraão “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 ).

Individualmente, cada judeu, fariseu e escriba confiavam que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão ( Rm 9:6 -8; Jo 8:39 e 41). Agora, como povo, os judeus tinham a lei como forma da ciência e da verdade ( Rm 2:17 -20), e, por causa dela consideravam que eram melhores que os outros povos ( Rm 3:9 ).

Podemos classificar os judeus como sendo tradicionalistas, formalistas, e em alguns aspectos, legalistas, pois a tradição e a forma eram provenientes da lei.

Não encontramos no Novo Testamento alguém que tenha declarado ser salvo por cumprir os quesitos da lei ( Mt 19:20 ), porém, por serem descendente de Abraão, muitos afirmaram a João Batista e a Jesus que não precisavam de arrependimento.

O Jovem rico, apesar de guardar a lei desde tenra idade, ainda queria algo para fazer que lhe desse o direito a salvação. Percebe-se que ele não confiava na carne, talvez por não ser um descendente de Abraão.

Os judaizantes, por sua vez, não eram estritamente legalistas. Eles professavam serem cristãos, mas queriam continuar guardando alguns aspectos da lei: circuncisão, dias, festas, etc. Eles estavam mais para o antinomianismo do que para o legalismo, por quererem transtornar o evangelho de Cristo.

Por esta causa Paulo advertiu aos gálatas judaizantes que queriam transtornar o evangelho “O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo” ( Gl 1:7 ).

A palavra ‘antinomiano’ serve para definir a pessoa que em nossos dias se diz alcançada pela graça, e nela se apóia para continuar vivendo uma vida desregrada (libertino).

Porém, a libertinagem que Judas e os apóstolos combatiam era aquela que buscava transtornar o evangelho. Perceba que a preocupação dos apóstolos era com o evangelho de cristo, visto que dissimuladamente alguns queriam transtornar a fé do evangelho. Eles buscavam negar a Cristo como único Senhor.

A liberalidade dos ‘libertinos’ à época de Paulo, e que hoje são nomeados ‘antinomianismo’, era quanto a distorção da verdade do evangelho, uma vez que procuravam introduzir encobertamente heresias destruidoras, negando a Cristo como Senhor ( 2Pe 2:1 ; Jd 1:4 ; Fl 1:27 -30 ; 1Jo 2:21 -22).

“E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” ( 2Pe 2:1 -2 );

“Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” ( Jd 1:4 );

“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho. E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas para vós de salvação, e isto de Deus. Porque a vós vos foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer por ele, Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim” ( Fl 1:27 -30).

Inferir dos textos que dissolução ou libertinagem refere-se a uma conduta torpe e devassa, é admitir que o evangelho apóia-se na obras proveniente de cumprimento de regras.

Segue-se que a idéia construída entorno do legalismo e do antinomianismo não condiz com a abordagem bíblica. Tais conceitos surgiram ao longo da história cristão por causa dos inúmeros conceitos acerca da lei e da graça de Deus. Embora considerem o legalismo e o antinomanismo como pólos opostos opostos de um mesmo erro, erram também por supor que há alguma relação entre a lei e a graça.

Por isso, preciso discordar de J. I. Packer uma vez que a graça não estabelece a lei. Tal posicionamento surge da idéia de que a salvação de Deus é ética e moral.

“Visto que o espírito do homem é o centro de seu ser ético, e uma vez que a salvação é, principalmente, transação ética, segue-se que o homem precisa ser espiritualmente despertado e iluminado a fim de poder receber e apreender as coisas pertencentes a Cristo e aceitá-lo pela fé” – Keyser (Citação de E. H. Bancroft, Teologia Elementar, EBR, 2001, pág 227).

A bíblia apresenta Adão e Cristo como personagens principais. Este trouxe salvação a todos os homens e aquele condenação. O erro começa quando se interpreta a bíblia através de Moisés e Cristo, a lei e a graça.

A correta relação encontra-se no versículo seguinte: “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ).

Adão

ofensa

juízo

condenação

último Adão

justiça

graça

vida

Onde fica a Lei? Onde encaixar Moisés?

Moisés era profeta e falou de Jesus “E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar” ( Hb 3:5 ). Enquanto Moisés foi fiel na construção do santuário de Deus conforme o modelo visto nos céus ( Hb 5:8 ), Cristo, como Filho, criou todas as coisas e constituiu homens como templos para habitação de Deus “Essa casa somos nós…” ( Hb 3:6 ).

De igual modo, a lei era sombra de Cristo, dando testemunho daquele que havia de se manifestar “PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ; Cl 2:16 -17; Hb 8:5 ).

Ela serviu de ‘aio’, indicando a Cristo “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” ( Gl 3:24 ). Ao introduzir a nova aliança, a velha foi extinta “Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar” ( Hb 8:13 ).

Em Cristo foi estabelecida a lei da liberdade, onde as relações humanas não se pautam por regras e leis, pois as leis são para os roubadores “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” ( Gl 5:14 ; 1Tm 1:9 ).

Longe de quem professa a Cristo viver em devassidão e entregue aos desejos mundanos e profanos “Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus” ( 1Pe 2:16 ).

Como a lei cumpre-se no amor, segue-se que a liberdade também é normatizada “Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos” ( 1Co 8:9 ). Qualquer tipo de regra ou normatização legal imposta aos servos de Cristo leva a servidão “ESTAI, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão” ( Gl 5:1 ); “Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:” ( At 15:28 ).

A base do serviço do Cristão é bem sólida e superior a lei. Paulo é bem claro: servi uns aos outros, não através da lei ou norma, mas com base no amor “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor” ( Gl 5:13 ).

A obra para qual Tiago exorta, é a obra perfeita da fé: a perseverança! ( Tg 1:4 ). A fé sem a perseverança é morta, pois não terminou a sua obra “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” ( Tg 1:25 ); “Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade” ( Tg 2:12 ).

Quem atenta para o evangelho, a lei perfeita da liberdade é bem-aventura, pois nem Paulo escapou de ser taxado de carnal “Rogo-vos, pois, que, quando estiver presente, não me veja obrigado a usar com confiança da ousadia que espero ter com alguns, que nos julgam, como se andássemos segundo a carne” ( 2Co 10:2 ).

Aqueles que apregoam de boa mente que é preciso ao homem guiar-se através de leis morais farão uso de tais normas para criar fardos. Outros utilizarão estas normas para fazer dos cristãos presas suas ( Cl 2:8 ).

Que regras deve o homem seguir, que não perecerão pelo uso? Não toques, não proves, não manuseies? “…por que vos sujeitais ainda a ordenanças…?” ( Cl 2:20 ). A lei da liberdade não é perfeita, precisando fazer-se acompanhar da lei? ( Gl 5:14 ).

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O cristão frente ao movimento Ateísta

É razoável aos cristãos ficarem preocupados com a nova empreitada dos humanistas e ateístas? Com base no que expõe a Bíblia, os ateus não podem ser classificados como falsos profetas, visto que os falsos profetas se apresentam como se estivessem a serviço de Deus, e, para tanto, afirmam crer em Deus ( Mt 7:15 ). É impossível ser falso profeta negando a existência de Deus.

 


O movimento ateísta tem preocupado alguns cristãos, pois acreditam que tais acontecimentos referem-se à predição de Cristo, que diz: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” ( Mt 24:12 ).

Outros entendem que tal ‘ataque’ ateísta refere-se à seguinte pergunta do Senhor Jesus: “Quando, porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” ( Lc 18:8 ).

Será que o posicionamento de intelectuais ateístas promove um ‘esfriamento’ do amor segundo a predição de Mateus 24, verso 12? O movimento ateísta europeu possui alguma relação com a pergunta de Cristo em Lucas 18, verso 8? O que pensar do ateísmo?

 

Iniquidade ‘versus’ Amor

Quando Jesus declarou que, em decorrência da iniquidade o amor de muitos esfriaria, Ele o fez em particular com os seus discípulos no monte das Oliveiras ( Mt 24:3 ), pois eles queriam saber:

  • Quando o templo seria derribado;
  • Quais os sinais da vinda do Senhor, e;
  • O fim de todas as coisas.

Jesus alertou que muitos haveriam de ser enganados ( Mt 24:4 ; Lc 21:8 ), pois muitos falsos profetas viriam em nome de Cristo e enganariam a muitos ( Mt 24:5 ; Mt 24:24 ).

Foi predito também que haverá rumores de guerras, nação contra nação, reino contra reino, fome, pestes e terremotos, porém, estas coisas não eram o fim, antes era um prenúncio do tempo denominado de ‘princípios de dores’.

Neste tempo os filhos do povo do Messias (judeus) serão atormentados e mortos. Serão odiados por todas as nações por causa de Cristo. Neste tempo muitos dos judeus se escandalizarão, trairão uns aos outros e odiarão uns aos outros.

Falsos profetas enganarão a muitos e a iniquidade fará com que o amor de uns para com os outros diminua, ou seja, a traição e o ódio aumentam e o amor esfria (amor e ódio tornam-se grandezas inversamente proporcionais).

O tempo em que ‘o amor de muitos esfriará’ se dará somente após o período da ‘plenitude dos gentios’, ou seja, após o arrebatamento da igreja ( Mt 24:21 ). A instrução de Cristo aos discípulos tem em vista os judeus como nação, e não diz de um alerta específico para com a sua igreja.

Observe o que é predito em Mateus 24, versos 15 a 21. A igreja não tem que se preocupar com o inverno ou o sábado. A igreja não restringe a Judeia. A igreja não diz de uma nação. Portanto, a predição de Cristo em Mateus 24 e 25 têm em vista os judeus após a entrada do tempo dos gentios.

 

A Fé e a volta do Messias

É importante salientar que a fé que muitos dizem possuir quando tiram o chapéu para reverenciar a Deus não é a fé que salva. A fé que a religiosidade fomenta não é a fé que conduz o homem a Deus!

A única fé que salva é a que foi manifesta em Cristo Jesus “…aquela fé que havia de se manifestar” ( Gl 3:23 ), portanto, quando Jesus questiona se haverá ‘fé’ na terra quando da sua volta, ele inquiriu acerca da fé que foi manifesta aos homens, e não das crendices e misticismos que é próprio ao homem natural.

Jesus não afirma através deste versículo que o número de pessoas que não acreditam em Deus aumentará, ou que o número de religiões ao longo dos séculos reduzirá significativamente. A ênfase da pergunta de Cristo está na mensagem que Ele proclamava, ou seja, a fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos ( Jd 1:3 ).

A questão levantada por Cristo tem em vista os que creem, para que reflitam se a mensagem do evangelho continuará sendo difundida da mesma forma que Ele ensinou. Será que até a volta de Cristo o evangelho continuará sendo anunciado aos homens assim como foi ensinado por Ele?

Dentro desta perspectiva, Judas, o servo de Jesus, conclama os cristãos a batalharem pela fé (evangelho) que foi entregue aos santos ( Jd 1:3 ; Fl 1:27 ). Se os cristãos não estiverem envolvidos nesta batalha, há de ser que, quando Jesus voltar, não mais haverá fé (evangelho genuíno) na terra.

 

 

O Ateísmo e a Doutrina de Cristo

O ateísmo é uma corrente filosófica que afirma não existir deuses, ou que rejeita a ideia de que Deus existe. Tal corrente filosófica encontrou terreno fértil na Europa e na Ásia com a disseminação de conceitos como a liberdade de pensamento, do ceticismo científico e através de críticas acida contra as religiões.

Esta onda ateísta que inundou a Europa fez com que aumentasse o número de publicações de livros ateus, e por último, fomentou o surgimento de campanhas publicitárias na mídia, sendo utilizados até mesmo outdoors com frases e slogans negando a existência de Deus.

É razoável aos cristãos ficarem preocupados com a nova empreitada dos humanistas e ateístas?

Com base no que expõe a Bíblia, os ateus não podem ser classificados como falsos profetas, visto que os falsos profetas se apresentam como se estivessem a serviço de Deus, e, para tanto, afirmam crer em Deus ( Mt 7:15 ). É impossível ser falso profeta negando a existência de Deus.

Poderíamos classificá-los como sendo anti-Cristo ou anti-Deus, porém, o espírito do anti-Cristo, que desde o princípio age no mundo, nega que Jesus é o Cristo e/ou que Ele tenha vindo em carne ( 1Jo 2:23 ; 1Jo 4:2 ), porém, não se aplica em negar a existência de Deus.

Por outro lado, devemos considerar que os ateus não são mais e nem menos perniciosos que as seitas e religiões que se proliferam no mundo. Há alarde quando uma pessoa nega a existência de Deus, e certo conformismo quando alguém, que distorce a verdade do evangelho, diz crer em Deus.

Há aqueles que até promovem o sincretismo religioso por causa de uma bandeira em defesa da existência de Deus. Não podemos descartar que a crescente onda ateísta tenha como plano de fundo uma estratégia demoníaca para se promover o ecumenismo.

Mesmo dizendo crer em Deus os falsos profetas são mais perigosos que os ateístas, visto que os falsos profetas vêm até os cristãos ‘vestidos’ de ovelhas e introduzem encobertamente heresias de perdição ( 2Pe 2:1 ).

A incredulidade dos ateus nem de longe ameaça a verdade do evangelho de Cristo ou a existência de Deus, porém, os falsos profetas, aqueles que dizem ‘Senhor’, ‘Senhor’, são a verdadeira ameaça, pois transtornam a mensagem do evangelho.

Diante do evangelho os ateístas não são melhores ou piores que os demais pecadores ( Mq 7:4 ), pois Deus amou o mundo sem acepção de pessoas. Deus ama o cético, o ateu e o religioso de igual modo, pois deseja que todos venham ao conhecimento desta fé (verdade) maravilhosa ( 1Tm 2:4 ).

Jesus não condena os ateus, da mesma forma que não condenou a mulher adultera, visto que a sua missão não é condenar o mundo, antes salvá-lo “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ). Seria um contra sendo Jesus condenar o mundo que já estava sob condenação ( Jo 3:18 ; Rm 5:18 ).

Como bem sabemos, a verdade (fé) produz fé (confiança), mas a fé (confiança) não produz verdade (fé). Por mais que alguém confie em algo que não é verdadeiro, jamais tal confiança tornará a ‘mentira’ em ‘verdade’.

Se os homens acreditam em Deus ou não, tal crença não influenciará o destino deles. Se o maior ateu passar a acreditar na existência de Deus, por observar e considerar a natureza, nada mudará para a humanidade ou para ele.

Agora, caso um ateu passe a crer em Deus, como diz as Escrituras, rios de água viva correrão do seu ventre ( Jo 7:38 ), pois esta é a promessa de Deus para os que creem em seu nome segundo o que preceitua a Bíblia.

Se Voltaire, o pensador Frances, que é tido por muitos como sendo o maior ateu, passasse a acreditar na existência de Deus, nada alcançaria de Deus, pois nenhuma promessa d’Ele há para os que acreditam em sua existência.

A mensagem do cristianismo deixa bem claro que ninguém é ou será punido por Deus por não acreditar em sua existência, visto que, sobre todos os homens já pesa, sejam ateus ou não, uma condenação.

Como qualquer descendente de Adão os ateus estão igualmente condenados diante de Deus ( Rm 5:19 ).

A condenação não foi estabelecida somente para os ateus, antes veio para todos os homens, visto que todos pecaram. Não é o entendimento filosófico que certos homens seguem que os condenam, antes a condenação foi estabelecida através da ofensa de Adão ( Rm 5:18 ).

É a incredulidade (ofensa) de Adão que trouxe condenação sobre todos os homens, pois através dele o pecado entrou no mundo, e por ele, todos pecaram ( 1Co 15:22 ).

A Bíblia demonstra que todos os homens sem Cristo estão debaixo do pecado. Não importa as correntes filosóficas, religiosas e morais que adotarem, se não crerem no Filho, já estão condenados ( Rm 3:23 e Rm 5:12 ).

A Bíblia também demonstra que o melhor homem é comparável a um espinho e o mais reto a uma sebe de espinhos “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos” ( Mq 7:4 ).

Este verso demonstra que os religiosos podem ser mais perniciosos que os ateus, pois o mais ‘reto’ dentre os homens, diante de Deus está em pior condição. Por que em pior condição? Porque os publicanos e meretrizes entram adiante dos religiosos no reino de Deus “Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer” ( Mt 21:31 -32).

A mensagem de Cristo pra todos os homens é a mesma: ‘necessário vos é nascer de novo’, não importando se são religiosos, juízes, ateus, cientistas, ricos, pobres, reis ou plebeus ( Jo 3:3 ).

 

Os cristãos e o ateísmo

Qual deve ser a atitude de um cristão frente ao posicionamento ateísta?

Em primeiro lugar os cristãos devem estar “… preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” ( 1Pe 3:15 ).

Em segundo lugar, o apóstolo Paulo alertou os cristãos a não lutarem contra a carne e o sangue, antes deveriam lutar contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais ( Ef 6:12 ).

Com base nestas duas premissas, conclui-se que um verdadeiro cristão não deve promover um embate contra qualquer homem ou contra suas vãs filosofias. Um verdadeiro cristão jamais deve estabelecer uma cruzada contra qualquer credo ou sistema filosófico. Jamais deve estabelecer um sistema inquisitório contra qualquer pessoa ou nação.

O mundo jaz no maligno por causa da queda no Éden, sem qualquer relação com filosofias, nações ou credos. Um enfrentamento contra qualquer ordem ou sistema humano não mudará a realidade da condenação herdada em Adão. Cruzadas e inquisições não salvam ninguém da condenação eterna.

Qual a batalha do cristão? Há uma única ordem para os cristãos se engajarem em uma batalha: “Amados, enquanto eu empregava toda diligência para vos escrever acerca da salvação que nos é comum, senti a necessidade de vos escrever, exortando-vos a batalhar pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos” ( Jd 1:3 ).

Neste mesmo diapasão conclamou o apóstolo Paulo: “O que é mais importante, deveis porta-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo. Então, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais firmes em um mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho sem serdes intimidados pelos adversários” ( Fl 1:27 ).

Ele destacou o que é mais importante para os Cristãos:

  • Portarem-se dignamente conforme o evangelho de Cristo;
  • Que combatam juntamente pela fé do evangelho.

Para batalhar pelo evangelho, a fé dada aos homens, é necessário aos que creem estarem fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Qual a força do poder de Deus? Ora, o evangelho é o poder de Deus ( Rm 3:16 ), e os cristão tem que estar revestidos com o evangelho, que é a armadura de Deus para os seus servos ( Ef 6:13 ).

Após estar revestido, o cristão estará cônscio de que a ação de satanás neste mundo consiste em manter os homens entenebrecidos no entendimento, separados de Deus pela ignorância que há neles. Satanás luta para que não resplandeça aos homens ‘ignorantes’ a luz do evangelho “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( 2Co 4:4 ; Ef 4:18 ).

 

Conclusão

A incredulidade que condena o homem não está em dizer que não há Deus, pois a salvação não advém de afirmar que Deus existe.

Cartazes e outdoors negando ou afirmando a existência de Deus não mudam a realidade do pecado, pois um movimento pró-existência de Deus não salvará os homens.

O reino dos céus não depende de disputa publicitária em outdoors. Anúncios publicitários em transportes coletivos não têm poder para derrubar a barreira de separação que há entre Deus e os homens.

O poder de Deus é o evangelho, e o evangelho é poder de Deus. A ordem de Deus para os cristãos verdadeiros é anunciar o evangelho tal qual foi anunciado por Cristo. Slogan publicitário não promove a mudança de conceito (arrependimento) que só é possível através das boas novas do evangelho de Cristo.

Atacar os ateístas rotulando-os de burros, mentes fechadas, vazios, imorais, amoral, anarquistas, etc., não é o que ensina o evangelho de Cristo. Além do mais, a falta de moral, de conhecimento, de amor para com o próximo, de carinho, etc., é algo próprio a todos os homens, quer sejam ateus ou não.

Aliar-se a sistemas religiosos diversos tão somente para fazer tremular uma bandeira pró-existência de Deus também não é o que preceitua o evangelho de Cristo, pois não basta acreditar que Deus existe, antes é necessário crer naquele que Ele enviou para que possa alcançar salvação.

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A igreja dos miseráveis

A Bíblia demonstra que a vida dos cristãos está escondida com Cristo em Deus, porém, os da igreja dos miseráveis promovem o medo sórdido do diabo. Vivem nomeando, entrevistando, sonhando, expulsando e comunicando com entidades malignas, porém, não oferecem segurança em Cristo. Enquanto a Bíblia diz que criatura alguma (e o diabo está incluso neste rol), separa o cristão do amor de Deus, promovem o medo de seus seguidores com algumas figuras bíblicas como o gafanhoto, tendo aquele que foi vencido na cruz do calvário como o responsável pelas vicissitudes da vida de seus adeptos.


A igreja dos miseráveis

“Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas” (Judas 1:12)

 

Como Surgem

A igreja dos miseráveis surge da gana de alguns homens corruptos de entendimento, privados da verdade, que se curvam diante do próprio ventre. São aqueles que cuidam que o evangelho é fonte de ganho e só pensam nas coisas terrenas “Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais” ( 1Tm 6:5 ); “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” ( Fl 3:19 ).

 

Quem são seus Líderes

Jesus alertou os seus seguidores acerca destes homens: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecereis…” ( Mt 7:15 -16). Jesus apresenta a única forma possível para identificar um falso profeta: os seus frutos!

Qualquer que olhar para um falso profeta verá uma ovelha, pois eles circulam entre os cristãos vestidos como ovelhas, ou seja, através do comportamento é impossível identificá-los.

 

Características dos seus Líderes

A função de um profeta é ser mensageiro de Deus (falar segundo a verdade do evangelho). Já o falso profeta não anuncia o que é verdadeiro, mas se posiciona como mensageiro de Deus. O problema principal deles não é a moral ou o comportamento (pele de ovelha), e sim, o que professam. O fruto que Jesus fez referência e que torna possível identificá-los é o fruto dos lábios, ou seja, aquilo que professam acerca de Jesus ( Hb 13:15 ).

Os falsos profetas geralmente clamam: “Senhor, Senhor”, profetizam em nome de Deus, expulsão demônios e até fazem muitos milagres ( Mt 7:22 )! Porém, não são conhecidos de Deus, e praticam a iniquidade. Estes ouvirão abertamente de Jesus: “Aparta-vos de mim, vós que praticais a iniquidade!” ( Mt 7:23 ).

Eles não entrarão no reino de Deus por não terem feito a vontade de Deus, que expressamente diz: creia no nome do seu Filho, Jesus Cristo ( Jo 6:29 ; 1Jo 3:23 ). João avisa: “AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1Jo 4:1 ).

O alerta é específico: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos” ( Mt 24:11 ); “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” ( Mt 24:24 ). Haverá muitos falsos profetas que farão grandes sinais e prodígios e serão benditos (louvados) pelo povo “Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas” ( Lc 6:26 ).

O que orienta os escolhidos de Deus nos últimos dias é analisar o que os homens dizem(provar os espíritos), comparando com as Escrituras.

Estes homens réprobos quanto ao evangelho se auto-intitulam mestres, doutores, apóstolos, pastores, bispos, etc.

 

Falsos profetas e anticristos

Além dos falsos profetas, há também os anticristos! Estes facilmente são identificáveis, pois negam que Jesus é o Cristo de Deus ( 1Jo 2:22 ); Negam que Jesus veio em carne ( 1Jo 4:2 -3); Negam a divindade de Cristo ( Jd 1:4 ); Dizem que a ressurreição já é passada “Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns” ( 2Tm 2:18 ).

Ora, sabemos que as inúmeras seitas que surgiram ao longo dos tempos foram fomentadas pelos anticristos, mas o que mais causa prejuízo é o grande número de falsos profetas. Enquanto os anticristos saíram do meio daqueles que professam a Cristo ( 1Jo 2:19 ), os falsos profetas continuam nos ajuntamentos solenes introduzindo dissimuladamente heresias de perdição ( 2Pe 2:1 ).

 

Seus Adeptos

Os frequentadores da igreja dos miseráveis são enganados através de palavras persuasivas e tornam-se presas de homens corruptos de entendimento. Tais homens alimentam-se dos seus seguidores do mesmo modo que um animal predador faz com sua presa ( Cl 2:8 ).

A igreja dos miseráveis tem um grande número de seguidores que se cercam de mestres segundo os seus próprios interesses ( 2Tm 4:3 ). Muitos seguirão as heresias destruidoras que foram introduzidas encobertamente e serão alvos de negócios por causa da ganância de seus lideres ( 2Pe 2:3 ).

 

O Intento dos Lideres Miseráveis

Por não se manterem unidos a Cristo (a cabeça da igreja), tais homens criam ordenanças (não toques, não proves, não manuseies) com o intento de terem motivo para julgarem os seus semelhantes por causa de comida e de bebida ou de dias de festas.

Através destas questões, que tem aparência de sabedoria, de culto voluntário, humildade fingida, severidade para com o corpo, mas que não tem valor algum contra a natureza pecaminosa herdada de Adão, privam os homens da salvação em Cristo. Alegam humildade e culto aos anjos e estruturam as suas concepções errôneas em visões provenientes de suas mentes carnais, sem fundamento nas Escrituras ( Cl 2:4 -23).

Muitos cristãos apostatarão da fé por darem ouvidos a espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Qualquer líder que ordene a abstinência de alimentos ou que proíba o casamento, sabidamente é hipócrita, fala a mentira e não tem consciência ( 1Tm 4:1 -3).

 

O Discurso dos Líderes Miseráveis

O discurso difundido pela igreja dos miseráveis contraria dissimuladamente o anunciado por Cristo e os apóstolos.

A tônica do discurso na igreja dos miseráveis não e a palavra do evangelho, que é semente incorruptível, poder de Deus para os que creem. A temática é milagres, predições, riquezas, contribuição, voto, prova, desafio, etc.

A Bíblia manda os cristãos pensarem nas coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus, os miseráveis focam as suas pregações no que é da terra e nas obras que nela há.

Grande parte dos discursos aponta as crendices populares tais como maldições hereditárias, olho gordo, macumbas, feitiçaria, demônios, superstições, etc, como causa dos problemas financeiros e familiares de seus seguidores.

A Bíblia diz que os cristãos são mais que vencedores, e os da igreja dos miseráveis concitam aos seus membros a ‘declararem’ vitória. Permanecem enlaçados em danças proféticas, imprecações de bênçãos, clamam incessantemente por vitória evidenciando que jamais foram vencedores.

A Bíblia demonstra que a vida dos cristãos está escondida com Cristo em Deus, porém, os da igreja dos miseráveis promovem o medo sórdido do diabo. Vivem nomeando, entrevistando, sonhando, expulsando e se comunicando com entidades malignas, porém, não oferecem segurança em Cristo.

Enquanto a bíblia diz que criatura alguma (e o diabo está incluso neste rol), separa o cristão do amor de Deus, promovem o medo de seus seguidores com algumas figuras bíblicas como o gafanhoto, tendo aquele que foi vencido na cruz do calvário como o responsável pelas vicissitudes da vida de seus adeptos.

Enquanto Jesus avisou que seus seguidores teriam aflições neste mundo para que tivessem paz pela confiança nele ( Jo 16:33 ), os miseráveis dizem que os problemas que continuamente aparecem é proveniente do diabo, fato que atormenta os seus seguidores.

Enquanto Jesus disse aos seus ouvintes para ajuntar tesouro nos céus, onde o ladrão não mina e nem a ferrugem come, o foco dos miseráveis é negar a filiação divina para aqueles que são destituídos de bens materiais.

Utilizam argumentos simplistas, tais como: se Deus é rico, porque ele teria um filho pobre? Jesus veio dar vida e vida em abundância, e o que é abundância se não riquezas?

Jesus mesmo alertou que não devemos buscá-lo com o fito de obter o pão necessário à subsistência, pois é impossível ao homem violar a pena imposta por Deus sem a devida punição: viverás do suor do teu rosto! Cristo demonstra que o homem deve buscá-lo pela comida que permanece para a vida eterna ( Jo 6:26 ).

Enquanto a Bíblia diz que o crente deve descansar em Deus, Aquele que move as montanhas, os lideres da igreja dos miseráveis concitam os seus congregados a terem fé na fé. Eles não apregoam a fé em Deus, que é para a salvação. Antes concitam os seus seguidores a provarem que possuem fé fazendo votos, sacrifícios, prova, rasgar a Bíblia, etc.

Jesus prometeu aos que seguirem a sua semelhança, mas a igreja dos miseráveis proclama que os seus seguidores deixarão de ser pobres, doentes e serão lideres na sociedade.

 

O alerta Solene

O apóstolo Paulo ao alertar seu filho na fé, Timóteo, demonstrou que nos últimos dias os tempos seriam difíceis, visto que os homens seriam amantes de si mesmos. Contudo, o maior perigo destes homens desprovido de moral é terem aparência de piedade quando no ajuntamento de Cristão, mas negam o poder do amor, quando rejeitam o evangelho de Cristo ( 2Tm 3:5 ).

Judas alerta que tais homens estariam presentes nas reuniões dos seguidores de Cristo e aponta-lhes uma característica notória: seriam bajuladores, interesseiros ( Jd 1:16 ).

Pedro notifica que tais homens têm interesse em fazer do ajuntamento solene negócios, com palavras fingidas. São inconstantes, gananciosos e deleitam-se em suas mistificações ( 2Pe 2:13 ).

Paulo notifica o fim deles do mesmo modo que Pedro demonstra: são filhos da maldição ( 2Pe 2:14 ), e por isso mesmo o fim deles é a perdição. A reverência deles é para com o ventre, ou seja, buscam somente a satisfação de seus segundo a concepção carnal, e só pensam nas coisas terrenas ( Fl 3:19 ).

Quando se ouve o pseudo-evangelho que proclamam os da igreja dos miseráveis, cuja mensagem claramente demonstra que os seus interesses são terrenos, conclui-se: é um ajuntamento de miseráveis, pois quando se espera em Cristo por questões só desta vida, a maldição do pecado permanece sobre eles.

Notadamente quem espera em Cristo somente para as questões diárias, é o mais miserável dos homens. Quão miseráveis aqueles cujo fim é a perdição! “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” ( 1Co 15:19 ).

 

O que fazer?

É preciso batalhar pela fé acerca da salvação que é comum aos que crêem para salvação ( Jd 1:3 -4).

A mensagem dos falsos profetas de nada aproveita aos que crêem.

Cuidado com o seguinte argumento:

“É possível ao homem de falso coração fazer certas coisas boas. Pode-se até receber edificação pela sua mensagem, porque Deus honra a sua Palavra. Mas a pregação não o salvará da sentença do Juiz: ‘Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade’” Mateus, O Evangelho do Grande Rei, Myer Pearlman, 1º Ed, RJ, CPAD, 1995, pág. 44.

É impossível a um falso profeta trazer edificação através da sua palavra. Jamais Deus honrará a palavra de um falso profeta. Se Deus honrar a palavra de um homem é porque ele não é falso profeta e a palavra é de Deus.

É plenamente possível a um falso profeta fazer coisas notadamente boas, pois este é um disfarce para aproximarem-se das ovelhas.

Não há edificação nas palavras de um falso profeta, pois introduzem dissimuladamente heresias de perdição que levará a morte. Não é porque dizem ‘Senhor, Senhor’ que são verdadeiramente seus servos. Não é porque expulsam demônios que são servos do Altíssimo. Não é porque operam muitos milagres, que o fazem pelo dedo de Deus ( Mt 24:24 ).

Os sinais dos falsos profetas são segundo a eficácia de Satanás, pois realizarão sinais e prodígios de mentira. Para os que perecem há todo o engano da injustiça, pois crerão na mentira e operação do erro ( 2Ts 2:9 -11).

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