Cristo e a sua Igreja

Há só uma fé, a fé que foi entregue aos santos (Jd 1:3; Fl 1:27). Através dessa fé, que é dom de Deus, há um só batismo: o batismo na morte de Cristo (Rm 6:4; Cl 2:12). A Igreja de Cristo subsiste perfeita em unidade com Cristo e com o Pai (Jo 17:21-23) e cada membro, em particular, é constituído ministro do espírito (2 Co 3:6).


A Igreja é o corpo de Cristo. Ela veio à existência quando Cristo ressurgiu dentre os mortos. Todos os homens, quantos creem em Cristo, morrem com Ele e ressurgem novas criaturas, membros da sua carne e dos seus ossos (Ef 5:30). A Igreja é constituída de homens de todos os povos, línguas e nações que creem, conforme as Escrituras, que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus bendito.

Os membros do corpo de Cristo tem a missão de anunciar ao mundo as virtudes de Deus, ensinando a todos os povos que Cristo é o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Mt 28:20). A Igreja de Cristo é vitoriosa, pois os poderes do inferno não prevalecem contra ela.

Da mesma forma que o marido é a cabeça da mulher, Cristo é a cabeça da Igreja, ou seja, exerce autoridade sobre ela. É Cristo quem salva o seu corpo e o sustem. É por isso que o apóstolo Paulo utiliza a relação do marido com a esposa para ilustrar a relação de Cristo com o seu corpo (Ef 5:23 e 29).

Cristo amou a Igreja, por isso se entregou por ela, para santificá-la e, pela palavra a purificou, possibilitando que ela se apresente a Ele gloriosa, sem mácula, nem ruga. A Igreja é santa e irrepreensível por Aquele que se entregou por ela (Ef 5:25-27).

A importância da Igreja é inegável, pois, por meio dela, Cristo alçou a mais alta posição na criação: a primogenitura entre muitos irmãos e abaixo dos seus pés, ou seja, abaixo da Igreja, está todo principado, autoridade, poder, domínio, não só deste século, mas, também, do vindouro (Ef 1:22).

Porém, apesar de a Igreja ser edificada com pedras vivas, tal qual Cristo é (1 Pd 2:4 -5), há quem veja problemas na composição humana da Igreja. Pela má leitura de algumas parábolas e passagens bíblicas, julgam que a Igreja é composta de trigo e de joio, de virgens prudentes e de virgens loucas, de crentes carnais e de crentes espirituais, etc.

Tal entendimento equivocado se dá, por confundirem o ajuntamento solene de cristãos, onde é possível ao homem ímpio comparecer (Jd 1:12), com a verdadeira Igreja de Cristo, que não comporta aqueles que não estão em comunhão com o Pai e o Filho.

É um erro pensar a Igreja de Cristo do ponto de vista histórico, porque, analisar a Igreja de Cristo, através de subsídios gerados a partir de fatos gerados no tempo, trará a ideia de que a Igreja de Cristo carece de reforma e de avivamento ou, que a Igreja de Cristo, ao longo de dois mil, passou por bons e maus momentos.

O que precisou de reforma, ao longo das eras, foram instituições humanas que os homens nomearam por igreja. A ideia de avivamento surgiu atrelada a algumas denominações cristãs, o que não passam de especulações e de apelos, atrelados às instituições humanas.

A Igreja de Cristo, jamais precisou de reforma ou, de ser corrigida. Na Igreja, jamais existiram desvios ou, carência de avivamento. A Igreja de Cristo está fundamentada sobre Cristo, a pedra angular (Ef 2:20). É Deus quem edifica a Sua Igreja (Cl 2:19), por meio de Cristo, para a morada de Deus em Espírito (Ef 2:22).

A Igreja tem por base a Cristo, o fundamento dos apóstolos e dos profetas. Apesar de haver muitos membros no corpo de Cristo, contudo há um só corpo, ou seja, uma só Igreja (1 Co 10:17). De igual modo, há muitos membros, porém um só espírito, ou seja, uma só mensagem que foi anunciada por Cristo (Ef 4:4).

Há só uma fé, a fé que foi entregue aos santos (Jd 1:3; Fl 1:27). Através dessa fé, que é dom de Deus, há um só batismo: o batismo na morte de Cristo (Rm 6:4; Cl 2:12). A Igreja de Cristo subsiste perfeita em unidade com Cristo e com o Pai (Jo 17:21-23) e cada membro, em particular, é constituído ministro do espírito (2 Co 3:6).

Cristo é a verdade de Deus revelada ao mundo e nenhuma instituição humana foi comissionada como guardiã desta verdade. A verdade de Deus foi confiada a homens fiéis que, após crerem em Cristo e nascerem de novo, anunciam a verdade do Evangelho (Cristo), que é universal e permanece para sempre.

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para, também, ensinarem os outros” (2 Tm 2:2).

A Igreja de Cristo se sustem sob a pessoa de Cristo, e através da confissão: Jesus é o Cristo, assim como o apóstolo Pedro admitiu, o crente passa a compor a Igreja:

“E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16).

Basta crer em Cristo que o homem torna-se membro do seu corpo, ou seja, torna-se Igreja, portanto, não é necessário crer em uma instituição, como guardiã da verdade, como encontramos no Credo Niceno ou, na Confissão de Augsburgo ou, na Confissão Helvética, etc.

O crente em Cristo não pode se socorrer de instituições humanas ou de qualquer seguimento religioso, como se tais instituições tivessem autoridade apostólica.

Somente os apóstolos de Cristo possuíram tal autoridade e eles mesmos reputavam como mais firme as palavras dos profetas e recomendaram aos cristãos atentarem para o que está registrado nas Escrituras (Pd 1:19).

Os apóstolos, quando instruíam os cristãos, se apresentavam como ministros de Cristo e membros da Igreja, demonstrando que, em Cristo, ninguém é superior ou inferior pela função que desempenha no corpo, antes, todos são igualmente servos de Cristo.

“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o SENHOR; e nós mesmos somos vossos servos, por amor de Jesus” (2 Co 4:5).

A razão de ser da Igreja é a preeminência de Cristo, o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8:29), e, por isso mesmo, a Igreja é uma assembleia de iguais (ecclesia), pois, em Cristo, não há macho nem fêmea, servo ou livre, judeu ou grego, antes, todos são um, em Cristo Jesus (Gl 3:28).

A glória de Cristo foi dada aos homens que creram (Jo 17:22) e não a uma instituição. Jesus Cristo estabeleceu a Sua Igreja e não uma instituição humana. A Igreja de Cristo é o templo que Deus prometeu a Davi (2 Sm 7:13-14) e não uma instituição humana.

O primeiro ajuntamento solene de cristãos se deu em Jerusalém e de lá o evangelho se propagou pelo mundo. Quando o evangelho passou a ser anunciado a todas as gentes, os apóstolos não estavam preocupados em estabelecer uma organização humana e nem consideraram estabelecer um centro administrativo da Igreja.

Se a Igreja de Cristo não se vincula a um lugar, antes, é formada por verdadeiros adoradores, que adoram o Pai em espírito e em verdade, como poderia ter um centro administrativo? Se adorar a Deus se dá em espírito e em verdade, questões como lugar e hora foram abolidas, portanto, não se sustenta a ideia de uma santa sé ou um centro administrativo eclesiástico, sob a anuência de Deus!

Inicialmente, os membros do corpo de Cristo se reuniam em Jerusalém, mas, com a perseguição e a dispersão, surgiram novos núcleos de reunião, no entanto, à época, não havia instituições ditas cristãs. Cada ajuntamento solene de cristãos ao redor do mundo estava vinculado somente pela doutrina que professavam, não por estarem sujeitos a uma liderança humana ou, a um centro administrativo eclesiástico.

Após a morte dos apóstolos, inúmeras instituições humanas surgiram, sob o pseudônimo ‘igreja’. Cada instituição que surgiu e se estabeleceu, acabou avocando para si, na figura do seu líder, autoridade de representantes de Deus na terra.

Em nossos dias, é incalculável o número de ajuntamento de pessoas que se dizem cristãs e a gama de instituições criadas para acolher seguidores de diferentes correntes doutrinárias. Muitas dessas instituições tornaram-se agremiações que mais promovem reuniões de caráter recreativo, cultural, artístico, político, social, etc., do que o evangelho de Cristo.

Em nossos dias, as instituições humanas são tantas que, quando alguém diz ser cristão, não se questiona se tal pessoa é seguidora de Cristo, tal qual estabelecido nas Escrituras, mas, a qual denominação, instituição, agremiação, comunidade, etc., que o tal pertence.

Somente quem conhece as Escrituras não se deixa levar pelos equívocos que uma instituição promove, pois, a instituição humana acaba suplantando a condição do individuo como Igreja, no afã de se estabelecer e crescer como organização.

As instituições humanas facilitam o congraçamento entre os cristãos, porém, quando há um ajuntamento solene, o cristão deve verificar se a mensagem anunciada naquele local é conforme o anunciado pelos apóstolos e profetas. A verdade do evangelho, em um ajuntamento solene, tem de falar mais alto que os interesses da instituição.

 

Corretor ortográfico: Pr. Carlos Gasparotto

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Sacerdócio real ‘versus’ levitas

Quando o crente em Cristo ensina o evangelho, evangeliza um não crente ou, entoa uma canção, faz uma oração, etc., na verdade, está exercendo um sacerdócio, função que não tem relação alguma com o ministério desenvolvido pelos levitas da Antiga Aliança.


“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas, para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9).

 

Introdução

É comum, nas igrejas (congregações, comunidades) locais, os cantores e músicos evangélicos se autodenominarem levitas. Esse é um fenômeno recente nas comunidades evangélicas, daí alguns questionamentos: na Igreja, como corpo de Cristo, há levitas? O que entender por levitas, na Nova Aliança? Havia, na Antiga Aliança, a função de cantores e instrumentistas?

 

O fruto dos lábios

O crente em Cristo é geração escolhida, sacerdócio real, nação separada e povo comprado por bom preço, com uma missão especifica: anunciar as virtudes de Deus, que chamou os crentes das trevas para a Sua maravilhosa luz (Cl 1:13; 1 Co 6:20 e 7:23).

Por ter sido gerado de novo, o crente em Cristo é membro de um povo que pertence (adquirido) a Deus, portanto, separado (santificado) por Deus. Como o corpo de Cristo é constituído de iguais, o termo grego eκκλησία, traduzido por igreja, e transliterado ‘ekklesia’ (eclesia), passou a ser utilizado para nomear os membros do corpo de Cristo: uma assembleia de iguais, visto que todos são filhos de Deus, pela fé em Cristo!

“E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e vos separei dos povos, para serdes meus(Lv 20:26).

Ser ‘geração’, ‘nação’ e ‘povo’, é condição inerente ao crente, por estar em Cristo, ou seja, por ser uma nova criatura, gerada, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade (Ef 4:24; 2 Co 5:17).

Agora, ‘sacerdócio’ aponta para a missão que o crente desempenha, como membro do corpo de Cristo! O cristão, ao exercer o seu sacerdócio, tem a missão de anunciar as virtudes de Deus, pois este é o sacrifício que Deus se agrada. O sacrifício exigido por Deus diz do ‘fruto dos lábios’, ou seja, anunciar ao mundo as virtudes de Deus!

“Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus, sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13:15).

Quando o crente admite (confessa) com os lábios que Jesus é o Cristo, vez que, com o coração creu que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos (Rm 10:9-10), Deus é glorificado. É tão somente na confissão de que Jesus é o Filho de Deus, que o homem oferece sacrifício de louvor a Deus, ou seja, o fruto dos lábios, pois, em confessar a Cristo, o crente glorifica a Deus.

“E me disse: Tu és meu servo; és Israel, aquele por quem hei de ser glorificado (Is 49:3).

Admitir que Jesus de Nazaré é o Cristo (Mt 16:16), ou seja, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo, é produzir o fruto pelo qual Deus é glorificado:

“Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Jo 15:8).

Por três anos, Deus esperou que Israel (figueira) produzisse o fruto dos lábios, crendo em Cristo, a pedra que os edificadores rejeitaram, e confessando (louvor nos lábios) que Ele é a paz para os judeus (perto) e os gentios (longe), mas não produziram e foram cortados (Is 57:19; Lc 13:6-9).

Os cristãos são plantação do Senhor, por terem nascido da semente incorruptível, que é a palavra de Deus (Is 60:21 e Is 61:3). Ao anunciar a palavra de Deus, o cristão desempenha o seu sacerdócio, pois, através do fruto (louvor) dos seus lábios, anuncia a Cristo, um sacrifício santo e agradável!

“Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pe 2:5).

Os verdadeiros adoradores, que o Pai procura, encontram-se em Cristo (Jo 4:24), pois adoram a Deus, em espírito e em verdade, uma vez que o evangelho é espírito e Cristo, a verdade (Jo 6:63; Fp 3:3). Os nascidos da carne, são carne e os nascidos do espírito, são espírito, portanto, estes, verdadeiros adoradores!

 

Levitas

Os “levitas” eram “descendentes da Tribo de Levi” e Levi, por sua vez, um dos doze filhos de Jacó. Os levitas eram ministros de Deus que cuidavam do serviço da tenda da congregação, auxiliares dos sacerdotes.

Dentre os levitas, alguns desempenhavam a função de sacerdotes, que eram os descendentes da família de Arão. Embora os sacerdotes fossem levitas e descendentes de Arão, os levitas cuidavam do tabernáculo e de seus utensílios, inclusive, eram responsáveis por carregar a tenda e os seus utensílios, durante a peregrinação pelo deserto, e os descendentes de Arão, que eram da Tribo de Levi, ofereciam a Deus dons e sacrifícios pelos homens (Hb 5:1).

“DEPOIS tu farás chegar a ti teu irmão Arão e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o ofício sacerdotal, a saber: Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar, os filhos de Arão” (Êx 28:1).

Para ser sacerdote, não bastava ser levita, tinha de ser, especificamente, da casa (descendência) de Arão! (Hb 5:4)

Não havia, na Antiga Aliança, alguém responsável por cânticos, músicas ou instrumentos musicais e, nem mesmo havia, durante o culto conduzido pelos sacerdotes, um momento de cânticos.

Encontramos, no Livro de Deuteronômio, Deus ordenando a Moisés que escrevesse um cântico profético, e que o ensinasse aos filhos de Israel, como testemunho em desfavor deles.

“Agora, pois, escrevei-vos este cântico e ensinai-o aos filhos de Israel; ponde-o na sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel (Dt 31:19).

A mensagem do cântico era instrução para os filhos de Israel e o cântico, em si, um veículo para que a mensagem não fosse esquecida:

“E será que, quando o alcançarem muitos males e angústias, então este cântico responderá contra ele por testemunha, pois não será esquecido da boca de sua descendência; porquanto, conheço a sua boa imaginação, o que ele faz hoje, antes que o introduza na terra que tenho jurado” (Dt 31:20)

Daí, o cântico magnífico, no Capítulo 32, do Livro de Deuteronômio, denunciando que os filhos de Israel não eram filhos de Deus (Dt 32:5), sem entendimento das coisas de Deus (Dt 32:28; Sl 53:3), e a doutrina que ensinavam não passava de peçonha de víboras (Dt 32:32-33).

Muito tempo depois, o profeta Davi inseriu a música e os instrumentos musicais, como elemento assessório ao ministério dos profetas (1 Cr 25:1-3). Ora, alguns levitas eram cantores e instrumentistas, assim como, o rei Davi (2Cr 5:12-13), porém, o ministério de alguns levitas era o de profetizar, utilizando-se de instrumentos musicais, diferentemente de outros, que tinham atribuições como porteiros, guardas, padeiros, perfumistas, etc. (1 Cr 9:14-33).

As profecias de Davi e de alguns levitas, foram anunciadas ao povo, em forma de cânticos e poesias, poemas acompanhados de instrumentos musicais, o que facilitava o povo decorar o que ouviam no templo, visto que 98% da população não sabia ler.

O que é imprescindível no cântico é a mensagem, a doutrina, a profecia, etc., que deve ser obedecida, não a musicalidade, os instrumentos, os acordes, a voz, o conjunto, a dança, etc., que são elementos acessórios à mensagem.

Cânticos, canções, composições, etc., que não contém a mensagem do evangelho, são inócuos para a salvação e quem se aplica aos cânticos, sem obedecer ao mandamento de Deus (crer em Cristo, conforme as Escrituras) é manancial roto, sem vida, e não é aceito por Deus:

“Odeio, desprezo as vossas festas e as vossas assembleias solenes não me exalarão bom cheiro. E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas (Am 5:21-23).

Na Nova Aliança, não temos a figura dos levitas à semelhança dos homens que serviam na Antiga Aliança, que tinham a incumbência de conduzir a glória do Senhor sobre os ombros, com auxilio de varas, representada através da arca do Senhor (1 Cr 15:2).

“Porque havia sempre, naquele ofício, quatro porteiros principais, que eram levitas, e tinham a seu cargo as câmaras e os tesouros da Casa de Deus” (1 Cr 9:26);

“Quenanias, chefe dos levitas músicos, tinha o encargo de dirigir o canto, porque era perito nisso” (1 Cr 15:22)

Na igreja não temos levitas, porque a Igreja não possui paralelo com o Templo de Salomão, visto que o Templo de Salomão foi erguido com mãos humanas, no qual Deus não habita (At 17:24), e a Igreja está sendo erguida pelo descendente de Davi, sem auxilio de mãos humanas, no qual Deus habita.

A Igreja é o corpo de Cristo, templo santo ao Senhor, onde o Espírito Santo de Deus habita (1 Co 3:16). Os levitas eram ministros que cuidavam do templo auxiliando os sacerdotes, o crente, por sua vez, é ministro de Cristo e templo de Deus.

Os levitas tinham a incumbência de cuidar e de transportar os utensílios da tenda da congregação ou, prestavam serviço no templo (Nm 4:3-4), mas a glória do Senhor não estava sobre eles. Os levitas iam ao templo para adorar, os crentes em Cristo, por sua vez, são o templo, habitação do Altíssimo e adoram em todo tempo e em qualquer lugar.

Os levitas eram descendentes da tribo de Levi, separados por Deus para o serviço do culto na Antiga Aliança, e acabaram por não ter herança com os filhos de Israel (Dt 18:1-2). No corpo de Cristo não há subdivisão, pois todos são coerdeiros com Cristo e herdarão com Ele todas as coisas. Um levita não possui herança entre as onze tribos de Israel, já os membros do corpo de Cristo são herdeiros de Deus, vez que são filhos e coerdeiros de Cristo (Hb 9:15).

“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8:17).

No exercício do seu sacerdócio, os cristãos são ministros do espírito, despenseiros dos mistérios de Deus, administrando aos outros a verdade do evangelho: o dom de Deus.

“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus” (1 Co 4:1);

“Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pe 4:10).

O apóstolo Paulo não queria ser considerado levita, e sim, ministro de Cristo, segundo a medida (padrão) do espirito (dom), segundo o que Deus repartiu a cada um:

“Pois, quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o SENHOR deu a cada um?” (1 Co 3:5; Rm 12:3 e 6).

Na qualidade de ministro de Jesus a serviço dos gentios, ministrando o evangelho, o apóstolo Paulo exercia o seu sacerdócio real, de modo que, assim era santificado pelo Espírito Santo, o que era ofertado pelos gentios.

“Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo” (Rm 15:16).

Ministro[1] diz de quem serve no templo, ou de alguém ocupado com o serviço do templo, um sacerdote ou dos servos de um rei. Quando é dito que o crente é sacerdócio real, é porque exerce o ministério do espírito, pelo dom do evangelho, que contém a virtude de Deus.

“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2Co 3:6);

“Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder” (Ef 3:7).

 

Levita e a Igreja

Quando é feita a seguinte pergunta: – ‘Qual a verdadeira função dos levitas na Casa do Senhor?’, há um erro no questionamento, que induz a um equívoco, por causa de uma premissa errada.

Na casa do Senhor não há a função para levitas, considerando que a casa do Senhor diz do corpo de Cristo – a Igreja – e não de uma denominação, ou de uma igreja local.

“Porém vós sereis chamados sacerdotes do SENHOR e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis a riqueza dos gentios e na sua glória vos gloriareis” (Is 61:6);

“Mas, longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo” (Gl 6:14).

Não se pode confundir a função dos levitas da Antiga Aliança com a função dos diáconos na Nova Aliança.

O termo grego antigo διάκονος, traduzido por diácono, significa “ministro”, “servo”, “ajudante”, que é aplicado aos cristãos qualificados e selecionados para servir aos demais cristãos. Os diáconos são servos de Cristo, assim como os demais cristãos, e, em sujeição a Cristo, cuidam do interesse dos membros da igreja local.

Na igreja primitiva os diáconos foram comissionados para cuidar de questões materiais, como o sustento das viúvas (At 6:1). Em linhas gerais era uma espécie de tesoureiro da comunidade local, com a incumbência de tratar das necessidades dos mais pobres, visto que o estado não cuidava dessas questões (At 6:3).

O serviço do diácono, na igreja primitiva, devia primar pela equidade, de modo a não haver acepção de pessoas no momento da distribuição dos gêneros alimentícios. Para isso, os diáconos precisavam ser instruídos na palavra do evangelho, conscientes de que, no corpo de Cristo, não há melhor e nem pior, pois, todos são filhos de Deus, pela fé em Cristo.

Mas, apesar de um diácono ter a incumbência do serviço na comunidade local, com relação ao evangelho, exerce sacerdócio real como os demais, pois, também, é um despenseiro da graça de Deus.

Os levitas não podiam oferecer a gordura dos animais como os sacerdotes e nem podiam entrar no Santo dos Santos. Já os diáconos, com ousadia, têm acesso total a Deus, pelo novo e vivo caminho, consagrado através da carne de Cristo (Hb 10:19-20).

Quando o crente em Cristo ensina o evangelho, evangeliza um não crente ou, entoa uma canção, faz uma oração, etc., na verdade, está exercendo um sacerdócio, função que não tem relação alguma com o ministério desenvolvido pelos levitas da Antiga Aliança.

Arrogar para si a função de levita em uma igreja local é descabido, pois o sacerdócio araônico foi transitório, de modo que foi necessária a instituição de uma nova ordem: a ordem de Melquisedeque, rei de Salém (Hb 7:11). O Salmista Davi, muito depois da instituição do sacerdócio levítico, por intermédio de Arão, profetizou, acerca de Cristo, que Ele seria sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110:4; Hb 7:21).

O crente serve como membro do corpo de Cristo, do qual Cristo é a cabeça e, porque permanece eternamente, o seu sacerdócio é perpétuo: “Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo” (Hb 7:24).

Um crente em Cristo é, acima de tudo, verdadeiro adorador, pois adora a Deus em espírito e em verdade. Em Cristo é santo e fiel, em qualquer lugar e em todo o tempo! Por crer em Cristo, realizou a obra de Deus, conforme Jesus asseverou aos seus ouvintes (Jo 6:29).

  • O crente não adora através de cânticos, danças, orações, jejuns, etc., pois esses recursos não são essenciais ao culto e, muitas das vezes somente refletem emoções da alma;
  • O crente não precisa de templo, pois é o templo;
  • O crente não precisa de sacrifício, pois apresenta o seu corpo e o fruto dos seus lábios, em sacrifício;
  • O crente não precisa de intermediário (sacerdote), pois tem amplo acesso ao trono da graça;
  • O crente não precisa de tempo ou de lugar para adorar a Deus, pois adora segundo o evangelho (espírito) e não na velhice da lei;
  • O crente goza de plena comunhão com Deus, pois tem comunhão com Cristo e os apóstolos em um mesmo espírito;
  • O crente goza de um nome e de uma posição superior à dos levitas: a de filhos e filhas.

Não queira se auto intitular levita, pois, foi honra concedida por Deus, somente aos descendentes da Tribo de Levi, da mesma forma que foi concedido à casa de Arão o sacerdócio. Assim como Cristo não se glorificou a si mesmo, antes foi Deus quem o honrou, ao estabelecê-Lo sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, contente-se com a posição superior que Deus te concedeu em Cristo: a condição de filho!

“E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão. Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote” (Hb 5:4-5).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] “3011 λειτουργος leitourgos de um derivado de 2992 e 2041; TDNT – 4:229,526; n m 1) ministério público, empregado do estado 2) ministro, empregado 2a) assim de trabalhadores militares 2b) do templo 2b1) de alguém ocupado com coisas santas 2b2) de um sacerdote 2c) dos servos de um rei”, Dicionário Bíblico Strong.

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A essência da doutrina da predestinação

Deus nunca vinculou a perdição ou a salvação como destino dos homens, antes vinculou a salvação e o destino ao caminho no qual estão, por isso ninguém está predestinado à salvação ou à perdição.


“E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:49)

Ao abrir a madre todos os homens estão predestinados a serem conforme a expressa imagem de seus pais, daí a base da premissa do apóstolo Paulo: ‘… trouxemos a imagem do terreno…’ (1 Co 15:49).

Antes de todos os homens nascerem, já estava determinado qual imagem teriam: a imagem dos seus pais! Ninguém escapa ao que está preordenado, acerca da imagem que os pais transmitem aos seus filhos.

Semelhantemente, assim como todos estão predestinados a herdarem a expressa imagem dos seus pais, em Cristo, também estão predestinados a serem conforme a expressa imagem de Cristo.

Sobre esta verdade, declara o apóstolo Paulo, que Deus predestinou ‘para serem conforme a imagem de seu Filho’, todos   os que creem em Cristo, através da mensagem do evangelho  (Rm 8:29), de modo que todos os que são de novo nascidos, passam a ter a imagem do homem celestial, que é Cristo.

A afirmação de que todos quantos abrem a madre estão predestinados a serem conforme a imagem dos seus pais, remete a Adão, o primeiro homem. Quando Deus criou Adão, ele foi feito alma vivente e, por serem descendentes dele, todos os homens foram feitos almas viventes, de posse da imagem que Adão foi criado.

De Jesus Cristo, o Senhor, é dito que Ele é o último Adão, espírito vivificante e homem celestial. Por intermédio do evangelho, a semente incorruptível, todos os que são de novo gerados, são celestiais e conforme a imagem de Cristo.

A essência da predestinação bíblica vem expressa nestes versos:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais, também, os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:45-49).

Da mesma forma que é impossível os filhos não compartilharem da mesma imagem dos pais, essa impossibilidade se estende aos homens ‘celestiais’. Por causa desta impossibilidade, de ‘terrenos’ e ‘celestiais’ não se desvincularem da imagem que herdam ao nascer, é dito que estão ‘predestinados’.

O verbo grego traduzido por ‘predestinar’ é προορίζω (proorizó), que significa predeterminar, decidir de antemão e foi utilizado nas seguintes passagens bíblicas: Atos 4:28, 1 Corintios 2:7, Romanos 8:29 e Efésios 1:5 e 11.

Ao criar o homem, Deus estabeleceu que os descendentes de Adão seriam conforme a imagem de Adão. Neste quesito, diz-se que Deus ‘προορίζω’, ou seja, deixou estabelecido, preordenou, traçou limites, antes de os descendentes de Adão virem à existência, qual imagem teriam: a imagem do homem terreno.

Por que Deus estabeleceu, de antemão, que a imagem dos celestiais seria conforme a imagem de Cristo, o homem celestial?

O motivo pelo qual os celestiais são conforme a imagem dos celestiais é claro e especifico: para que Jesus Cristo seja o primogênito de Deus entre muitos irmãos!

“Porque os que dantes conheceu, também, os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29).

 Jesus foi introduzido no mundo na condição de unigênito de Deus, mas, ao ressurgir dentre os mortos, tornou-se o primogênito de Deus. Por quê? Porque, com Cristo, ressurge uma nova criatura todo aquele que crê na verdade do evangelho. Ao crer em Cristo, o homem morre, é sepultado e ressurge uma nova criatura, criada segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade, conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

Por intermédio de Cristo, o homem alcança a imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26), pois, Cristo é a expressa imagem do Deus invisível, o primogênito de toda Criação e os que creem são feitos à sua expressa imagem e semelhança: “O qual é a imagem do Deus invisível, o primogênitos de toda a criação” (Cl 1:15).

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que haveremos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos” (1 Jo 3:2).

A predestinação dos que creem, para serem semelhantes a Cristo, visa satisfazer o propósito eterno que Deus estabeleceu em Cristo: a preeminência de Cristo em tudo.

O mistério da vontade Deus, diz do beneplácito proposto em Si mesmo, que é tornar a reunir em Cristo todas as coisas!

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1:18);

“Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus, como as que estão na terra” (Ef 1:9-10).

A predestinação bíblica é funcional, pois visa o propósito eterno de Deus estabelecido em Cristo: exaltá-lo soberanamente!

“Por isso, também, Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome” (Fl 2:9).

Na cultura greco-romana encontramos a concepção fatalista e na cultura grega antiga, temos os mitos, como as Moiras e o estoicismo entre os gregos e romanos.

Essa concepção fatalista acabou por influenciar pensadores cristãos, de modo a pensar que todos os eventos são arquitetados por Deus, ao que nomeiam predestinação, diferenciando do fatalismo, pelo fato de não recorrer a nenhuma ordem natural.

Vale destacar que as correntes filosóficas como o ‘fatalismo’ e a ‘predestinação’ diferem do determinismo, ‘teoria filosófica de que todo acontecimento (inclusive o mental) é explicado pela determinação, ou seja, por relações de causalidade’ Wikipédia.

Enquanto a Bíblia apresenta a predestinação, relacionada com o propósito eterno que Deus estabeleceu na pessoa de Cristo, alguns teólogos, como Agostinho de Hipona e João Calvino, influenciados pelo pensamento greco-romano,  entenderam que a predestinação é doutrina que trata da salvação de alguns e da condenação eterna de outros.

Em nenhuma passagem bíblica, encontramos expresso que Deus predestinou alguém à salvação, antes encontramos que Deus predestinou aqueles que foram de novo gerados pela palavra da verdade, para serem conforme a imagem de Cristo (Rm 8:29). O novo homem, por ser gerado de Deus, alcança a mesma imagem de Cristo, além de ser herdeiro com Ele de todas as coisas.

Quando escreveu aos cristãos de Éfeso, o apóstolo Paulo enfatiza que Deus havia predestinado os cristãos a serem filhos por adoção, o que indica qual é a condição e natureza dos cristãos (Ef 1:5). O objetivo da predestinação, na qual os cristãos são feitos herança, visa o louvor da glória de Deus (Ef 1:11-12), não a salvação.

Uma má leitura do versículo 5, do capítulo 1, da carta de Paulo aos Efésios, dá conta que Deus predestinou os não crentes a serem salvos, porém, o apóstolo diz que Deus predestinou por adoção os santos e fiéis em Cristo, que estavam na cidade de Éfeso, a serem filhos (Ef 1:1).

Quando disse: ‘E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo…’, o apóstolo Paulo utilizou o pronome na primeira pessoa do plural: ‘nos’ (ἡμᾶς), indicando que tanto ele quanto os cristãos estavam predestinados, uma das bênçãos espirituais com que foram abençoados.

“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça” (Ef 1:5-6)

É em Cristo que os cristãos são santos e fiéis. É em Cristo que os crentes foram abençoados, com todas as bênçãos espirituais. É em Cristo que os cristãos são eleitos e predestinados! Mas, como os cristãos passaram a estar em Cristo? Quando creram, ao ouvirem “a palavra da verdade, o evangelho da ‘vossa’ salvação” (Ef 1:13).

Os calvinistas e arminianistas erram o público alvo da predestinação, ao entenderem que esta se refere a não crentes em Cristo, sendo que o apóstolo Paulo aponta para a condição dos que creram em Cristo, em decorrência de uma das bênçãos concedidas: a predestinação.

Esperar de antemão (προελπιζω) em Cristo é o mesmo que ser conhecido (προέγνω) de Deus. O único modo de alcançar a salvação em Cristo é crendo no evangelho. Os que esperam em Cristo é porque creram no evangelho. Os que são conhecidos de Deus são aqueles que cumprem o seu mandamento, que é crer em Cristo (1 Co 8:3; 1 Jo 2:3).

Observe:

“Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele” (1 Co 8:3);

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28).

O que concede salvação ao homem é crer no evangelho, que é poder de Deus para salvação (Rm 1:16) e não a predestinação, que concede a imagem de Cristo aos que são salvos pelo evangelho.

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16);

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1:13).

A fórmula para a salvação em Cristo, está expressa nos seguintes termos:

“Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que, com o coração se crê para a justiça e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” (Rm 10:8-11).

A Bíblia deixa claro que quem invocar a Cristo será salvo! A salvação em Cristo não segue o viés fatalista que é próprio ao pensamento greco-romano! Ninguém abre a madre predestinado à salvação, antes, ao nascer, entra por uma porta larga, que dá acesso a um caminho largo, cujo destino é a perdição.

O caminho que os homens trilham, quando vem ao mundo, está atrelado à perdição, pois entraram por uma porta larga quando nasceram: Adão. Já o caminho que os gerados de novo trilham está atrelado à salvação, por isso a necessidade de entrar por Cristo, a porta estreita.

Deus nunca vinculou a perdição ou a salvação como destino dos homens, antes vinculou a salvação e o destino ao caminho no qual estão, por isso ninguém está predestinado à salvação ou à perdição.

Todos os homens, quando vêm ao mundo, estão predestinados a serem conforme a imagem de Adão e essa verdade não podem mudar. Entretanto, todos os homens que entrarem no mundo estão em um caminho de perdição e essa condição só pode ser alterada, desde que os homens nasçam novamente.

Nenhum homem escolhe entrar pela porta larga, visto que todos os homens, ao virem ao mundo, entram por ela. A todos que entraram no mundo por Adão e que estão seguindo para a perdição, através do evangelho é ofertada a oportunidade de serem gerados de novo, entrando por Cristo, a porta estreita e o último Adão.

Ao nascer de novo, o homem se livra da condenação, que é próprio ao caminho largo, e atrelado à salvação em Cristo, torna-se participante da natureza divina, predestinado a ser conforme a expressa imagem de Cristo.

Embora ainda não seja manifesto o que haveremos de ser, contudo sabemos que seremos semelhantes a Cristo (1 Jo 3:2), pois o motivo da predestinação bíblica repousa no fato de que Cristo é o primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele:

“O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:45-49).

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Por que o uso do termo ‘Eclésia’?

O termo grego ἐκκλησία, transliterado ‘ekklésia’ quando utilizado por Cristo e os apóstolos tem o sentido de um corpo constituído de ‘IGUAIS’. O que se buscou destacar com o uso do termo ‘ekklésia’ é a ‘igualdade’, pois não há diferença entre os membros do corpo de Cristo “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” ( 1Co 12:13 ).


 

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” ( Mt 16:18 )

 

A palavra ‘igreja’ traduzida do grego é ‘ekklesia’[1], e muitos apontam o significado do termo quando empregado no Novo Testamento como “chamados para fora”.

Seria este o significado da palavra traduzida por igreja? Por que Jesus utilizou especificamente o termo grego ‘eclésia’ para fazer referência ao seu corpo? Ou, por que os apóstolos utilizaram o termo grego ‘eclésia’ para fazer referência aos salvos em Cristo? Da onde os cristãos foram chamados para fora? Do ‘pecado’, do ‘mundo’, do ‘engano’, da ‘morte’, da lei?

Para respondermos estas perguntas, primeiro se faz necessário lembrar que a ‘igreja’ é o mesmo que ‘corpo’ de Cristo: “E sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” ( Ef 1:22 -23); “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ).

Os apóstolos, por sua vez, além de utilizarem a figura do corpo para fazer referência à igreja, também utilizam a figura da família e de um edifício em construção.

O apóstolo Paulo ao utilizar a figura da família destaca que os cristãos convertidos dentre os gentios não são estrangeiros e nem forasteiros ( Ef 2:19 ). Com relação a figura do edifício, o apóstolo dos gentios aponta Cristo como a pedra de esquina, e os crentes sobre-edificados n’Ele ( Ef 2:20 -22).

O apóstolo Pedro ao fazer referência ao templo de Deus diz que Cristo é a pedra viva, eleita e preciosa rejeitada pelos homens, e que cada cristão também é pedra viva ( 1Pd 2:4 -5).

O apóstolo João resume o que foi dito pelos outros apóstolos dizendo o seguinte:

“Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo” (  1Jo 4:17 )

Observe que, tal qual Cristo é, os cristãos também são aqui neste mundo.

  • Jesus é pedra viva, os cristãos são pedras vivas ( 1Pd 2:5 );
  • Cristo é o Filho de Deus, os cristãos são filhos de Deus ( 1Jo 3:2 );
  • Cristo está assentado a destra da majestade nas alturas e o cristãos estão assentados nas regiões celestiais em Cristo ( Ef 2:6 );
  • Tal qual Cristo é são os cristãos neste mundo.

Lembrando que certa feita Jesus declarou que sua mãe, seus irmãos e suas irmãs são aqueles que fazem a vontade de Deus, e que aquele que crê em Cristo faz a vontade Deus e pertence à família de Cristo, temos elementos suficientes para determinar o motivo pelo qual o termo ‘eclésia’ foi selecionado para fazer referência ao corpo de Cristo! “Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe” ( Mt 12:50 ); “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ); “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ).

O termo ‘eclésia’ não foi selecionado por Cristo e os apóstolos tão somente para fazer referência a uma assembleia pública, ou por se tratar de uma reunião democrática, como argumentam alguns teólogos, embora em alguns pontos do Novo Testamento o termo assume este significado pelo contexto. Ex: “Uns, pois, clamavam de uma maneira, outros de outra, porque o ajuntamento era confuso; e os mais deles não sabiam por que causa se tinham ajuntado” ( At 19:32 ).

“No NT, ‘igreja’ traduz a palavra grega ekklēsia. No grego secular, ekklēsia designava uma assembleia pública, e este significado ainda foi mantido no NT (At 19.32, 39, 41)” Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã.

De igual modo o termo ‘eclésia’ não foi selecionado por trata-se de pessoas ‘chamadas para fora de algo’.

A igreja de Cristo não se trata de ‘chamados para fora’ do mundo, pois apesar de os cristãos não pertencerem ao mundo, Jesus rogou ao Pai que não tirasse os seus seguidores do mundo “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou” ( Jo 17:15 -16).

A igreja não se trata de pessoas chamadas para fora da lei ou do pecado, pois a Bíblia é clara ao demonstrar que todos que estão retidos pelo pecado e pela lei precisam morrer. A igreja não é constituída de pessoas chamadas do pecado, antes é constituída de pessoas que morreram para o pecado e para lei. A igreja é constituída de pessoas que ressurgiram com Cristo tornando-se nova criatura “De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” ( Rm 6:2 ); “Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra” ( Rm 7:6 ).

A igreja não é composta de chamados dentre a morte, antes como o salário do pecado é a morte, cada cristão para ser justificado do pecado precisou morrer com Cristo “Porque aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 ). Aqueles que compõe o corpo de Cristo na verdade estão mortos para o mundo, o pecado e a lei ( Cl 3:3 ), porém, ressurgiram e vivem para Deus em novidade de vida ( Cl 3:1 ; Rm 6:4 e 7:6 ).

O equívoco de que o termo Eclésia significa ‘chamados para fora’ ocorre porque no grego o termo ‘ekklēsia’ é a junção de duas palavras: ‘chamar’ (καλέω) e ‘fora’ (ἐκ). Embora os cristãos são chamados através do evangelho do reino das trevas para serem transportados para o reino do Filho do amor de Deus, ‘chamar para fora’ não é o significado ou a definição do termo ‘ekklēsia’ “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” ( Cl 1:13 ).

O que ocorre com o termo ‘ekklēsia’ é similar ao que ocorre com a palavra em inglês ‘butterfly’ (borboleta), termo que surgiu da junção de duas outras palavras ‘butter’ (manteiga) e ‘fly’ (mosca)[2]. ‘Butterfly’ não significa que borboletas são ‘manteiga de moscas’ ou ‘moscas de manteiga’.

Ora, deixando as discussões acadêmicas sobre a etimologia do termo ‘eclésia’, qual o significado do termo ‘eclésia’ que levou Jesus e os apóstolos a utilizarem o termo para fazer referência ao corpo de Cristo?

O escritor aos Hebreus pode nos esclarecer o significado do termo quando empregado no Novo Testamento:

“À universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e ao os espíritos dos justos aperfeiçoados” ( Hb 12:23 )

O termo grego πανηγύρει (panéguris) traduzido por ‘universal assembleia’ remete a ideia de comunhão entre todos que compartilham de um ideal comum. Ora, por tratar-se do corpo de Cristo, certo é que o ideal do cristão é Cristo, o firme fundamento estabelecido por Deus ( Ef 2:20 ; 1Co 3:11 -12).

O corpo de Cristo, o templo do Deus vivo que estava na cidade de corinto, foi saldada e nomeada pelo apóstolo Paulo de santos, assim como todos que em todo lugar que creem em Cristo também são igualmente santos “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso SENHOR Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” ( 1Co 1:2 ).

A ‘universal assembleia’ não se restringe a pessoas de um determinado lugar ou de uma determinada nação, antes diz de qualquer que em qualquer lugar ou nação compartilhe do evangelho, a fé comum a todos que estão em Cristo “A Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: Graça, misericórdia, e paz da parte de Deus Pai, e da do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador” ( Tt 1:4 ); “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” ( Jd 1:3 ).

A composição da ‘universal assembleia’ se dá através do ‘espírito’, pelo qual judeus e gentios tem acesso a Deus ( Ef 2:18 ). E que ‘espírito’ é esse? O ‘espírito’ que vivifica, ou seja, o Novo Testamento, do qual todos que professam a Cristo são ministros “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” ( 2Co 3:6 ).

Há um só evangelho, ou seja, um só ‘espírito’, por isso é dito que o cristão deve preservar a ‘unidade do espírito’. Da mesma forma que há um só corpo, a igreja, há um só espírito, ou seja, o evangelho, de modo que há um só Senhor, uma só fé e um só batismo ( Ef 4:3 -6).

Assim como sabemos que todos os cristãos são um só corpo em Cristo, e ao mesmo tempo membros do seu corpo, Cristo é o ‘lugar’ em que cada um em particular está unido, portanto, os cristãos de todos os lugares (universal) constituem-se um assembleia “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular” ( 1Co 12:27 ); “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” ( Rm 12:5 ).

Antes de Cristo, haviam dois povos: judeus e gentios. Os gentios estavam separados da comunidade de Israel, sem Deus no mundo, eram estranhos às alianças das promessas, longe de Deus.

O povo judeu recebeu o culto, a adoção de filhos, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas, os pais, dos quais é Cristo, e apesar serem descendência de Abraão, não eram todos filhos de Abraão ( Ef 2:12 -13; Rm 9:6 -7). Não havia diferença significativa entre judeus e gentios diante de Deus, pois todos (judeus e gentios) pecaram e destituídos estavam da glória de Deus ( Rm 3:9 ).

Por intermédio da cruz Deus unificou os povos fazendo um só, destruindo a barreira de inimizade. Cristo, a paz que excede todo entendimento, foi anunciado aos judeus (aqueles que estavam perto) e aos gentios (aqueles que estavam longe), e dos dois povos foi feito um ao desfazer a lei dos mandamentos ( Ef 2:15 ), de modo que judeus e gentios tem acesso a Deus por intermédio do evangelho (mesmo espírito) “A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho” ( Ef 3:6 ).

Ora, pela destruição da barreira, os gentios que em outro tempo eram tidos por ‘estrangeiros’, ‘forasteiros’, agora em Cristo alcançaram nova condição: são concidadãos dos santos e da família de Deus ( Ef 2:19 ).

O termo grego ‘συμπολίτης’ traduzido por ‘concidadão’ refere-se aquele que é um nativo de uma mesma cidade, que possui a mesma cidadania que os outros, que em relação a língua grega remete aos nascidos na ‘polis’. O termo foi utilizado pelo apóstolo Paulo para evidenciar um contraste: a antiga condição de ‘forasteiros’ e ‘estrangeiros’ que os gentios carregavam em relação a comunidade judaica, e que na igreja de Cristo já não existe.

Ora, para ser participante da comunidade de Israel bastava ao prosélito se circuncidar, pois ser judeu não se dá por nascimento em uma cidade, mas pelo vínculo de sangue “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu” ( Fl 3:5 ).

O termo grego ‘πολιτεία’ (politeia) aponta para um corpo de cidadãos, ou seja, indivíduos que possuem os mesmos direitos dentro de uma organização política e religiosa (pólis).

Quais os ‘direitos’ da comunidade de Israel? Às alianças da promessa, portanto possuíam esperança por pertencerem como povo a Deus.

De acordo com o pensamento comum, ekklēsia significa:

“1577 εκκλησια ekklēsia de um composto de 1537 e um derivado de 2564; TDNT – 3:501,394; n f 1) reunião de cidadãos chamados para fora de seus lares para algum lugar público, assembleia  1a) assembleia do povo reunida em lugar público com o fim de deliberar  1b) assembleia dos israelitas  1c) qualquer ajuntamento ou multidão de homens reunidos por acaso, tumultuosamente  1d) num sentido cristão  1d1) assembleia de Cristãos reunidos para adorar em um encontro religioso  1d2) grupo de cristãos, ou daqueles que, na esperança da salvação eterna em Jesus Cristo, observam seus próprios ritos religiosos, mantêm seus próprios encontros espirituais, e administram seus próprios assuntos, de acordo com os regulamentos prescritos para o corpo por amor à ordem  1d3) aqueles que em qualquer lugar, numa cidade, vila, etc, constituem um grupo e estão unidos em um só corpo  1d4) totalidade dos cristãos dispersos por todo o mundo  1d5) assembleia dos cristãos fieis já falecidos e recebidos no céu” Dicionário Strong.

O escritor aos Hebreus ao fazer referência a ‘igreja dos primogênitos’, demonstra que, para ser participante de tal ‘comunidade’ é imprescindível que o nome do indivíduo esteja escrito nos céus.

Para satisfazer esta condição não basta estar inscrito como membro de uma comunidade religiosa, ou seguir ritos e preceitos religiosos ou morais, antes é necessário ser participante da família de Cristo, ou seja, fazer a vontade de Deus “Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe” ( Mt 12:50 ); “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ).

Ora, após crer em Cristo, tornando-se da família de Cristo as prerrogativas de ser judeu ou grego desaparecem “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor” ( Gl 5:6 ). As diferenças entre servo e livre são eliminadas “Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos” ( Cl 3:11 ). Ser macho ou fêmea não faz ninguém diferente: melhor ou pior diante de Deus, e o motivo é específico: ‘Porque todos vós sois um em Cristo Jesus’ ( Gl 3:28 ).

Ora, o termo grego ἐκκλησία, transliterado ‘ekklésia’ quando utilizado por Cristo e os apóstolos tem o sentido de um corpo constituído de ‘IGUAIS’.  O que se buscou destacar com o uso do termo ‘ekklésia’ é a ‘igualdade’ pelo fato de que não há diferença entre os membros do corpo “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” ( 1Co 12:13 ).

Assim como a eκκλησία da Grécia Antiga, a principal assembleia da democracia ateniense, era constituída de iguais[3], o corpo de Cristo é constituído de iguais, daí deriva a designação πρωτότοκος (primogênitos) “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:17 ).

‘πανηγύρει καὶ ἐκκλησία πρωτοτόκων ἀπογεγραμμένων ἐν οὐρανοῖς’

“(à) reunião festiva e (à) reunião de (os) primogênitos arrolados em (os) céus”

Nesta passagem o termo ‘ἐκκλησία’ depende da leitura do termo ‘πρωτοτόκων’ (primogênitos), e como compreender o termo traduzido por ‘primogênitos’ no contexto?

O Verbo eterno ao ser introduzido no mundo passou à condição de o Unigênito (μονογενοῦς) Filho de Deus ( Jo 1:14 e 18; Jo 3:16 e 18; 1Jo 4:9 ). Quando ressurgiu dentre os mortos Jesus tornou-se o Primogênito de Deus, pois através da obediência de Cristo foram conduzidos à gloria muitos filhos a Deus “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” ( Hb 2:10 ).

O Verbo eterno ao se fazer carne tornou-se o único homem nascido de mulher gerado por Deus “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” ( Gl 4:4), ou seja, o único homem que em si mesmo teve a natureza divina por ter sido ‘lançado’ por Deus no ventre de Maria “Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe” ( Sl 22:10 ). De retorno a Sua glória, Cristo assentou-se à destra da Majestade nas alturas e trouxe muitos filhos a Deus que, igualmente estão assentados com Ele nas regiões celestiais ( Ef 1:3 e Ef 2:6 ).

Embora os cristãos sejam tal qual Cristo é ainda neste mundo ( 1Jo 4:17 ), só permanecem no mundo porque Jesus os comissionou assim como Deus enviou Jesus ao mundo “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal (…) Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” ( Jo 17:15 e 18).

Com relação a nascimento carnal Jesus é o Unigênito, e com relação a ressurreição dentre os mortos Jesus é o Primogênito, pois para isto os cristãos foram predestinados: para ser conforme a imagem do Cristo ressurreto, para que Ele seja ‘primogênito’ entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Cristo como ‘primogênito’ remete a ideia contida neste verso: “Mas ao filho da desprezada reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver; porquanto aquele é o princípio da sua força, o direito da primogenitura é dele” ( Dt 21:17 ), de modo que pelo direito de primogênito compete a Cristo porção dobrada em relação aos seus muitos irmãos, que são coerdeiros com Ele ( Hb 2:10 ; Rm 8:17 ; Gl 3:29 ).

Ora, o termo grego ‘πρωτοτόκων’ aplica-se àquele nasceu primeiro considerando-se uma sequência “E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” ( Lc 2:7 ). Esta característica de sequência aplica-se a Cristo, pois Ele é o primeiro a ressurgir dentre os mortos em relação aos muitos outros irmãos que ressurgiriam com Ele.

Já com relação a glorificação de Cristo, foi predito: “Ele me chamará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus, e a rocha da minha salvação. Também lhe darei o lugar de primogênito, o mais elevado dos reis da terra” ( Sl 89:27 ), e ao fazer referência a esta posição de Cristo no sentido de ‘preeminência’, é utilizado também o termo grego ‘πρωτεύω’ (próteuó), ou, dependendo do contexto ‘πρωτοτόκων’ (prototokos), pois o primogênito é aquele que tem preeminência entre os irmãos.

Cristo na posição de cabeça, a cabeça do corpo, além de ‘primogênito’ também é ‘preeminente’ entre os ressurretos com Ele “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ); “PORTANTO, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” ( Cl 3:1 -3).

O escritor aos Hebreus ao ler o Salmo 97, verso 7, aponta para a posição do Cristo assentado à destra da majestade nas alturas, registrando o seguinte: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” ( Hb 1:6 e Hb 1:3 ). Ao ser introduzido no mundo Cristo era o unigênito de Deus, mas agora assentado à destra da majestade nas alturas é o primogênito, pois herdou nome mais excelente ( Hb 1:4 ).

Considerando que a igreja diz do corpo de Cristo e, que o apóstolo Paulo destaca o fato de que sobre todas as coisas Cristo foi constituído a cabeça da igreja ( Ef 1:21 -23), segue-se que a igreja está acima de todo principado, autoridade, domínio e poder, pois há de julgar até mesmo os seres celestiais ( 1Co 6:3 ).

Segue-se que ao fazer referência ao corpo de Cristo como ‘eclésia’, o escritor aos Hebreus semelhante ao que fez o apóstolo dos gentios, destaca a posição hierárquica superior que o corpo de Cristo ocupa em relação a todas as coisas quando diz ‘a igreja dos primogênitos’ (ἐκκλησία πρωτοτόκων).

Daí a melhor leitura não seria a ‘igreja dos primogênitos’, destacando uma sequência de filhos gerados de Deus, e nem a posição dos Cristãos no corpo de Cristo como ‘preeminentes’ ( Rm 8:29 ). Ora, a posição de ‘primogênito’, como o primeiro ressurreto dentre os mortos só é possível a um, e não a muitos ( Cl 1:18 ). Cristo é o primogênito dentre os mortos e foi constituído a cabeça do corpo, portanto, Cristo é preeminente entre muitos irmãos semelhantes, visto que é o primeiro a ressurgir dentre os mortos ( Ap 1:5 ; Cl 1:15 ).

Ao fazer alusão ao corpo de Cristo como a ‘igreja dos primogênitos’, o escritor aos Hebreus estava destacando o fato de que todos no corpo de Cristo igualmente pertencem a Deus “Santifica-me todo o primogênito, o que abrir toda a madre entre os filhos de Israel, de homens e de animais; porque meu é ( Êx 13:2 ); “Mas o primogênito de um animal, por já ser do SENHOR ninguém o santificará; seja boi ou gado miúdo, do SENHOR é ( Lv 27:26 ).

O escritor aos Hebreus estava destacando que a ‘universal assembleia’ é constituída de indivíduos que pertencem a Deus (igreja dos primogênitos), vez que os seus nomes estão inscritos nos céus, mostrando que em Cristo todos são iguais, concidadãos dos santos e da família de Deus “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” ( 1Co 6:20 ).

O termo grego πρωτοτόκων (primogênitos) deve ser compreendido como uma espécie de hebraísmo[4], em que o termo grego foi utilizado para demonstrar que os cristãos são propriedades exclusivas de Deus, assim como eram os ‘primogênitos’ e as ‘primícias’ na Antiga Aliança “Estes são os que não estão contaminados com mulheres; porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro” ( Ap 14:4 ).

Os que creem em Cristo tonam-se propriedades de Deus, e o termo ‘primícias’ é utilizado para fazer referência a essa condição, introduzindo a ideia de que tanto judeus quanto gentios, escravos quanto livres, mulheres e homens, etc. ( Gl 3:26 -29), igualmente pertencem a Deus “Agora vos rogo, irmãos (sabeis que a família de Estéfanas é as primícias da Acaia, e que se tem dedicado ao ministério dos santos),” ( 1Co 16:15 ); “Saudai também a igreja que está em sua casa. Saudai a Epêneto, meu amado, que é as primícias da Acaia em Cristo” ( Rm 16:5 ).

Portanto, quando lemos a asserção: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” ( Mt 16:18 ), a ênfase do termo ‘ekklēsia’ está na pedra que dá base de sustentação ao templo. Se a ênfase é a pedra de esquina, a pedra viva que os edificadores rejeitaram, todas as outras pedras utilizadas na ‘edificação’ do corpo possuem as mesmas propriedades: são pedras vivas.

Diferenças sociais, econômicas, nacionalidades, etc., deixam de ser levadas em consideração, pois em Cristo é o lugar: “Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos” ( Cl 3:11 ), pois todos são propriedade de um mesmo Senhor .

Se estas diferenças não são levadas em conta no corpo, segue-se que este deve ser o comportamento dos filhos de Deus: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição” ( Cl 3:13 -14).

Este deve ser o posicionamento dos membros do corpo de Cristo:

“Porque em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” ( Gl 6:15 );

“Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor” ( Gl 5:6 );

A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus” ( 1Co 7:19 ).

Como ser uma nova criatura? Crendo em Cristo, pois este é o mandamento de Deus. Crer em Cristo é o mandamento que se deve obedecer, ou seja a fé (evangelho) que opera pelo amor (obediência).

Todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso SENHOR Jesus Cristo constituem a ‘ekklēsia’ de Deus, o corpo de Cristo, pois igualmente pertencem a Deus.

A ekklēsia da Grécia Antiga era formada por filhos de moradores naturais da polis, ou seja, que pertenciam a pólis[5], e a ekklēsia de Deus é formada pelos santificados em Cristo, ou seja, que pela obediência a sua palavra passaram a pertencer a Deus “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso SENHOR Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” ( 1Co 1:2 ); “Porque, assim o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” ( Hb 2:11 ); “Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim” ( At 26:18 ).

Os membros do corpo de Cristo não podem ser aceitos ou desprezados por suas diferenças socioeconômicas, como bem disse o apóstolo Paulo:

“Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se. Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo” ( 1Co 11:21 -22).

O irmão Tiago, por sua vez, alerta quanto a privilegiar os cristãos convertidos dentre os judeus em detrimento aos convertidos dentre os gentios:

“MEUS irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, e atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado, porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos? Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais? Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?” ( Tg 2:1 -7).

O irmão Tiago utiliza os termos ‘abatido’ e ‘rico’ não do ponto de vista socioeconômico. É necessário entender o exemplo que Tiago apresentou: na comunidade judaica não havia distinção quanto a pobreza e riqueza, antes a distinção era com relação a ser circuncidado ou não (estrangeiro e forasteiros). Era um absurdo fazer distinção entre descendentes da carne de Abraão, pois seriam tidos como transgressores da lei.

No entanto, a premissa do evangelho é que Deus escolheu os abatidos (pobres) e rejeitou os ‘ricos’ (altivos), de modo que agora em Cristo não podiam rejeitar os gentios que haviam se convertido ao evangelho. Alguns cristãos convertidos dentre o judaísmo estavam fazendo acepção nas reuniões de cristãos convertidos a Cristo, privilegiando aqueles que eram judeus por natureza (ricos), ou seja, aqueles que condenaram e mataram ‘… o justo; ele não vos resistiu’ ( Tg 5:6); “Mas glorie-se o irmão abatido na sua exaltação, e o rico em seu abatimento; porque ele passará como a flor da erva” ( Tg 1:9 -10).

O corpo de Cristo é constituído de iguais, daí a pergunta: “Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?” ( 1Co 4:7 ).

Um membro do corpo de Cristo não pode desprezar ou julgar o outro, antes cada um em particular deve considerar o outro superior a si mesmo “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” ( Fl 2:3 ); “Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo” ( Rm 14:10 ); “ORA, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas. Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu. Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o SENHOR não come, e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos o u morramos, somos do Senhor” ( Rm 14:1 -8).

 

[1] Eclésia – ‘eκκλησία’ (transl.: ekklesia) era a principal assembleia da democracia ateniense na Grécia Antiga, da qual só podia participar os cidadãos do sexo masculino, filhos de pais natural da pólis (cidade grega), com mais de dezoito anos e que tivesse prestado ao menos dois anos de serviço militar” <http://pt.wikipedia.org/wiki/Eclésia> Consulta realizada em 12/04/15; “Igreja [Eclésia]. Reunião, assembleia. A palavra aplica-se a qualquer assembleia, como, por exemplo, ao ajuntamento do povo em Éfeso (At 15.4), e a Israel, chamado do Egito e, reunido no deserto (At 7.38). Israel era uma verdadeira igreja, mas em nenhum sentido a igreja do N. T., pois a única semelhança entre as duas é que ambas foram chamadas para fora. No mais, tudo é contraste. Na Bíblia o termo nunca se aplica a um edifício material” McNair, S. E., Pequeno Dicionário Bíblico, CPAD, Pág. 1499.

[2] Cara, Robert. Cuidado com o significado oculto da raiz de uma palavra, Artigo disponível na Web <http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/715/Cuidado_com_o_Significado_Oculto_da_Raiz_de_uma_Palavra>  Consulta realizada em 12/04/15.

[3] Embora por definição a eκκλησία fosse uma assembleia popular, a principal assembleia da democracia ateniense na Grécia Antiga, contudo não tinha nada do ideário que hoje consideramos ‘popular’. Era uma assembleia restrita a aproximadamente 10% da população, visto ser acessível somente aos cidadãos do sexo masculino, com mais de dezoito anos, que tivessem prestado pelo menos dois anos de serviço militar e que fossem filhos de pais natural da pólis, ou seja, excluía os comuns do povo, as mulheres, as crianças, os forasteiros, os estrangeiros (Metecos: Μέτοικος), e os escravos.

[4] ‘Hebraísmos’ diz de certas expressões e maneiras peculiares ao idioma hebraico na construção de figuras, enigmas e provérbios, isto do ponto de vista linguístico.

[5] “… não se deve crer que cada cidadão pertence a si mesmo, mas que todos pertencem à cidade, porque cada um é parte dela…” Aristóteles, A Política.

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