A figura da adúltera no Livro de Provérbios

A sedução da mulher adúltera está em se apresentar como alguém que serve ao Senhor (Is 58:1-3), pois, trás consigo, sacrifícios pacíficos e faz votos, porém, não se sujeita ao seu Senhor, e nem possui o conhecimento de Deus (Pv 9:13; Dt 32:28).


Introdução

O Livro de Provérbios, embora, seja, comumente, interpretado, através de um prisma moral, é, na realidade, uma alegoria, um conjunto de figuras, que exprimem uma ideia.[1]

Este artigo destacará, resumidamente, a figura da mulher adúltera e o que ela, de fato, representa.

 

Instrução para o Messias

As instruções do Livro dos Provérbios são proferidas por meio  da figura de um Pai que tem um cuidado singular pelo seu Filho.

“Filho meu, ouve a instrução de teu pai…” (Pv 1:8).

É significativo o fato de os provérbios serem endereçados a um filho e não a todos os filhos de Israel, como se falasse de muitos. Isto, também, nos remete ao que foi anunciado por Moisés, de que os filhos de Israel já não eram filhos de Deus, mas, uma mancha (Dt 32:5).

Quando Provérbios diz: ‘Filho meu’, evoca a questão da descendência, da filiação, o que nos remete à seguinte lição, do apóstolo Paulo:

“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” (Gl 3:16).

A proposta do Livro dos Provérbios é fornecer o conhecimento necessário para o Descendente, segundo a promessa feita a Abraão, de se proteger dos seus irmãos, pois os inimigos d’Ele seriam os seus próprios familiares (Mt 10:36; Mq 7:6; Jr 6:21; Jr 12:6; Jr 9:4).

O Descendente, segundo a promessa anunciada a Abraão, é Cristo, o Filho de Deus, que, na plenitude dos tempos, despiu-se da sua glória, se fez carne e habitou entre os homens.

Através do conteúdo do Livro dos Provérbios, o Messias é alertado de que o ‘conhecimento’ de Deus O manteria afastado da mulher adúltera:

Para te afastar da mulher estranha, sim da estranha que lisonjeia com suas palavras (Pv 2:16).

A mulher adúltera

Os versos que retratam a mulher adúltera, não evocam questões vinculadas à luxúria, volúpia ou sensualidade, antes, destacam as palavras que procedem dos seus lábios. O cuidado que consta da orientação do Pai ao Filho, visa protegê-lo das palavras suaves que a mulher adúltera profere. Palavras comparáveis ao mel e ao azeite (Pv 5:3).

Estas são as características da mulher adúltera:

  • Deixou o companheiro da sua mocidade e esqueceu-se da aliança com o seu Deus (Pv 2:17);
  • Os seus lábios destilam favos de mel e as suas palavras são suaves como o azeite (Pv 5:3);
  • A sedução esta na língua (Pv 6:24; Pv 7:21);
  • Seduz, argumentando, que já ofereceu sacrifícios pacíficos e pagou os seus votos (Pv 7:14);
  • É indisciplinada e não possui conhecimento (Pv 9:13).

Considerando as características acima, certo é que o Pregador não está tratando das questões próprias a uma mulher de vida fácil. A mulher em questão é uma alegoria que retrata a apostasia do povo de Israel no deserto, que fez uma aliança com Deus e O deixou.

“Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas, agora, homicidas” (Is 1:21).

“Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da piedade da tua mocidade, e do amor do teu noivado, quando me seguias no deserto, numa terra que não se semeava. Por isso, foram retiradas as chuvas, e não houve chuva serôdia; mas tu tens a fronte de uma prostituta e não queres ter vergonha” (Jr 2:2-3);

“E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te e de gordura te cobriste) deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação” (Dt 32:15);

“Como, vendo isto, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; quando os fartei, então adulteraram, e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos” (Jr 5:7);

“Portanto, ó meretriz, ouve a palavra do SENHOR” (Ez 16:35).

Alegoria semelhante à feita pelo Pregador, encontramos no Livro do profeta Ezequiel, que destaca o cuidado de Deus por Jerusalém, ao estabelecer uma aliança, bem como, os desvarios das suas prostituições:

“E, passando eu junto de ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; e estendi sobre ti a aba do meu manto, cobri a tua nudez; e dei-te juramento, entrei em aliança contigo, diz o Senhor DEUS, e tu ficaste sendo minha” (Ez 16:8);

“Mas confiaste na tua formosura, te corrompeste por causa da tua fama e prostituías-te a todo o que passava, para seres dele” (Ez 16:15).

Com base no alerta contido no Livro dos Provérbios, a mulher adúltera representa as cidades em que habitavam os filhos de Israel, que deixaram a Deus e se esqueceram da aliança (Pv 2:17; Dt 32:5).

A sedução da mulher adúltera está em se apresentar como alguém que serve ao Senhor (Is 58:1-3), pois, trás consigo, sacrifícios pacíficos e faz votos, porém, não se sujeita ao seu Senhor, e nem possui o conhecimento de Deus (Pv 9:13; Dt 32:28).

O profeta Davi faz uso da figura da cidade, em vez da mulher prostituta, para demonstrar a apostasia de Israel:

“Despedaça Senhor e divide as suas línguas, pois tenho visto violência e contenda na cidade. De dia e de noite a cercam sobre os seus muros; iniquidade e malícia estão no meio dela. Maldade há dentro dela; astúcia e engano não se apartam das suas ruas. Pois, não era um inimigo que me afrontava; então, eu o teria suportado; nem era o que me odiava, que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. Mas eras tu, homem, meu igual, meu guia e meu íntimo amigo” (Sl 55:9-13).

 

Os moradores da cidade

Ao introduzir a alegoria da mulher adúltera no Livro dos Provérbios, o Pregador evidencia a gravidade da apostasia dos filhos de Israel.

O Pregador apresenta a palavra de Deus como a suprema sabedoria, dirigindo um apelo aos habitantes da cidade:

“Até quando, ó simples, amareis a simplicidade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós insensatos, odiareis o conhecimento? Atentai para a minha repreensão; pois eis que vos derramarei, abundantemente, do meu espírito e vos farei saber as minhas palavras. Entretanto, porque eu clamei e recusastes; estendi a minha mão e não houve quem desse atenção, antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão, também, de minha parte, eu me rirei na vossa perdição e zombarei, em vindo o vosso temor” (Pv 1:22-26).

A mensagem de Deus visa alcançar o povo e os seus líderes e, para isso, o Pregador faz uso de várias figuras, como a do ‘louco’ e a do ‘escarnecedor’.

“Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, insensatos, odiareis o conhecimento?” (Pv 1:22);

“Ouvi, pois, a palavra do SENHOR, homens escarnecedores, que dominais este povo que está em Jerusalém” (Is 28:14);

O clamor da Sabedoria indica que Deus estende a Sua mão para conceder do Seu espírito (Pv 1:24), no entanto, o povo se mostra rebelde, seguindo os seus próprios conselhos:

“AI dos filhos rebeldes, diz o SENHOR, que tomam conselho, mas não de mim; e que se cobrem com uma cobertura, mas não do meu espírito, para acrescentarem pecado sobre pecado” (Is 30:1);

Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos” (Is 65:2);

“Entretanto, porque eu clamei e recusastes; estendi a minha mão e não houve quem desse atenção. Antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão” (Pv 1:24-25);

“Mas, não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás e não para diante” (Jr 7:24).

A palavra do Senhor é a essência da sabedoria, mas como os filhos de Israel rejeitaram a palavra de Deus e como rejeitaram ao Senhor, não havia em Israel conhecimento de Deus.

“Os sábios foram envergonhados, foram espantados e presos, eis que rejeitaram as palavras do Senhor; que sabedoria, pois, teriam?” (Jr 8:9);

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução” (Pv 1:7).

O Salmista Davi destaca o comportamento dos filhos de Israel, em rejeitar o conhecimento de Deus: “Diz o louco no seu coração: – ‘Não há Deus’” (Sl 53:1), pois se corromperam e cometeram iniquidade. Os líderes de Israel são classificados como obreiros da iniquidade, pois, não tem conhecimento de Deus e devoram o povo, como se fosse pão (Sl 53:4).

Os filhos de Israel são tidos por néscios, loucos, visto que rejeitaram a palavra de Deus, de modo que já não invocavam a Deus, o que nos remete à reprimenda que Moisés fez aos filhos de Israel:

“Recompensais, assim, ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai, que te adquiriu, que te fez e que te estabeleceu? (…) O meu povo é gente falta de conselhos e neles não há entendimento” (Dt 32:6 e 28).

Por rejeitarem o conhecimento de Deus, os filhos de Israel são classificados como altivos, ímpios, vis, perversos, maus, filhos de Belial, opressores, mentirosos, violentos, homicidas, adúlteros, etc.

Os filhos de Israel recusavam o conhecimento do Senhor e preferiram os seus próprios conselhos (Jr 9:6; Jr 7:24; Jr 9:13; Pv 3:5), daí a designação adúlteros, ajuntamento de infiéis (Jr 9:2).

Como rejeitaram o conselho de Deus, que é firme e verdadeiro (Is 25:1), os lábios dos filhos de Israel destilavam mentiras, engano:

“Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR” (Is 30:9);

“E encurvam a língua como se fosse o seu arco, para a mentira; fortalecem-se na terra, mas não para a verdade; porque avançam, de malícia em malícia, e a mim não me conhecem, diz o SENHOR” (Jr 9:3);

“Como o prevaricar e mentir contra o SENHOR e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” (Is 59:13).

Ao transtornarem a palavra do Senhor, os filhos de Israel fizeram violência. As imposições dos líderes de Israel sobre o povo é classificada como violência, daí o alerta:

“E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” (Zc 4:6);

“Porque, desde que falo, grito, clamo: Violência e destruição; porque se tornou a palavra do SENHOR um opróbrio e ludíbrio todo o dia” (Jr 20:8);

“Assim, diz o Senhor DEUS: Basta já, ó príncipes de Israel; afastai a violência e a assolação e praticai juízo e justiça; tirai as vossas imposições do meu povo, diz o Senhor DEUS” (Ez 45:9).

 

Equívocos quanto à leitura das figuras do Livro dos Provérbios

O Livro dos Provérbios vai além da temática do uso de sentenças poéticas, antes o Pregador é um formulador de parábolas. Através de alegorias, o Pregador apresenta a realidade espiritual dos filhos de Israel, por meio de enunciados, formulados como comparações.

Observe a análise de um teólogo, acerca do Livro dos Provérbios:

“A sabedoria de Provérbios se centra acima de tudo nos âmbitos da vida que não são regulados por ordenanças cúlticas ou, por mandamentos expressos pelo Senhor. Por essa razão, a maior parte do livro não se refere a temas propriamente religiosos. Refere-se, muito mais, aos temas que são específicos da existência humana, seja, na sua dimensão pessoal (o indivíduo) ou, coletiva (a família e a sociedade em geral)” Nota de introdução ao Livro dos Provérbios de Salomão, Bíblia de Estudo Almeida, Barueri–SP, SBB, 2000, p. 659.

Observe a nota da Bíblia de Scofield, com Referências, acerca do Livro dos Provérbios:

“Provérbios é uma coleção de ditados substanciais, nos quais, através de comparação ou contraste, algumas verdades importantes são expostas. Provérbios são ditados comuns a todas as nações do mundo antigo. Essa coleção, em particular, foi compilada, principalmente, por Salomão que, em 1 Rs 4:32, diz-se ter enunciado três mil provérbios”. Bíblia de Scofield, com referências, p. 636.

É imperioso observar que o Livro de Provérbios não guarda qualquer paralelo com os provérbios das nações do mundo antigo e nem se centra em reger as relações humanas. A sabedoria dos Provérbios de Salomão foca-se, especificamente, na Palavra de Deus, de modo a demonstrar a condição dos filhos de Israel, após deixarem o mandamento do Senhor.

Apesar de recitarem os estatutos e fazerem menção da aliança de Deus, os filhos de Israel odiavam a correção e rejeitavam a Palavra de Deus.

“Mas, ao ímpio, diz Deus: Que fazes tu em recitar os meus estatutos e, em tomar a minha aliança, na tua boca? Visto que odeias a correção e lanças as minhas palavras para detrás de ti. Quando vês o ladrão, consentes com ele e tens a tua parte com adúlteros. Soltas a tua boca para o mal e a tua língua compõe o engano. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe” (Sl 50:16-20).

Embora jurassem e fizessem menção ao nome de Deus, contudo, não o faziam segundo a verdade e a justiça, ou seja, segundo a palavra do Senhor.

“OUVI isto, casa de Jacó, que vos chamais do nome de Israel e saístes das águas de Judá, que jurais pelo nome do SENHOR e fazeis menção do Deus de Israel, mas não em verdade, nem em justiça” (Is 48:1).

Tinham a palavra de Deus chegada aos lábios, mas longe do coração e o que diziam era somente o que memorizaram, mas não punham em prática.

“Plantaste-os e eles se arraigaram; crescem, dão também fruto; chegado estás à sua boca, porém, longe dos seus rins” (Jr 12:2);

“Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” (Is 29:13).

As blandícies[2] dos filhos de Israel tinham por base a sua religiosidade (Pv 1:10), o que nos remete à essência da sedução da mulher adúltera, cujas palavras são doces como o mel e suaves como o azeite, alegoria que destaca a apostasia dos filhos de Israel, pois é o que a religião faz: seduzir!

Apesar do alto grau moral dos filhos de Israel, se comparado ao comportamento moral dos gentios, vez que os líderes de Israel eram tidos por justos, aos olhos dos homens, Deus acusa os hebreus de serem aleivosos (Jr 9:2). Dai a recomendação paulina:

“Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens, que se desviam da verdade” (Tt 1:14).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] “Alegoria – modo de expressão ou, interpretação que consiste em representar pensamentos, ideias, qualidades, sob forma figurada”.

[2] “Comportamento ou, palavra carinhosa, afetuosa; recomendação. [Por Extensão] Expressão meiga; comportamento de quem é terno; meiguice. [Figurado] Modo de agir de quem agrada muito a alguém, tentando obter algo dessa pessoa; adulação: usava de blandícia para conseguir vantagens na empresa” Dicionário Online de Português.

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O que é a circuncisão?

Por causa do sinal que Deus deu, equivocaram-se, pois passaram a entender que eram filhos de Deus, por serem descendentes da carne de Abraão. Passaram a acreditar que a justiça de Deus só era dada aos descendentes da carne de Abraão, esquecendo-se de que Abraão foi justificado quando, ainda, na incircuncisão.


A circuncisão é um sinal estabelecido por Deus na carne dos descendentes de Abraão, em função da aliança deste com Deus. Esse sinal consistia em uma incisão cirúrgica na carne do prepúcio (remoção da pele que cobre a glande do órgão genital) de todas as crianças do sexo masculino, devendo ser realizada ao oitavo dia de nascimento (Gn 17:11-12).

A aliança de Deus com Abraão consistiu em estabelecê-lo como pai de muitas nações, de modo que Deus é o Deus de Abraão e dos seus descendentes (Gn 17:7) e eles, herdeiros das terras das peregrinações do patriarca (Gn 17:8).

Em função do sinal que Deus estabeleceu, Abraão circuncidou toda a sua casa e a si mesmo:

“Então tomou Abraão a seu filho Ismael, a todos os nascidos na sua casa e a todos os comprados por seu dinheiro, todo o homem, entre os da casa de Abraão, e circuncidou a carne do seu prepúcio, naquele mesmo dia, como Deus falara com ele” (Gn 17:23).

O sinal na carne dos homens em Israel servia para lembrá-los de que eram descendentes de Abraão e da promessa que Deus havia feito ao pai da fé. O sinal da circuncisão, também, seria para distingui-los das nações em redor.

No entanto, por causa do sinal que Deus deu, equivocaram-se, pois passaram a entender que eram filhos de Deus, por serem descendentes da carne de Abraão. Passaram a acreditar que a justiça de Deus só era dada aos descendentes da carne de Abraão, esquecendo-se de que Abraão foi justificado quando, ainda, na incircuncisão.

“E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé, quando estava na incircuncisão, para que fosse pai de todos os que creem, estando eles também na incircuncisão; a fim de que, também, a justiça lhes seja imputada” (Rm 4:11).

Em lugar de confiarem em Deus, os descendentes da carne de Abraão passaram a confiar na carne, fazendo dela a sua ‘força’, e deste modo, se esqueceram de confiar em Deus.

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5).

Em função do desvio dos filhos de Israel, que consideravam que eram salvos por serem descendentes da carne de Abraão, Deus passou a protestar contra eles, dizendo:

Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz” (Dt 10:16; Jr 4:4).

Por intermédio de Moisés, Deus falou, abertamente, que eles não eram justos, antes povo rebelde (Dt 9:4-6). Que eles não eram filhos de Deus, mas, uma mancha, geração perversa e depravada (Dt 32:5).

Por serem transgressores, Deus deu-lhes a lei para que compreendessem que não eram melhores do que os gentios e, igualmente, condenáveis diante de Deus: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que castigarei a todo o circuncidado com o incircunciso” (Jr 9:25; Rm 3:9 e 19).

“Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro” (Gl 3:19; 1 Tm 1:9).

Com o passar do tempo, o termo ‘circuncisão’ acabou sendo utilizado para designar os judeus e o termo incircuncisão para designar os gentios. Em função disso, Pedro, por evangelizar os judeus, passou a ser denominado apóstolo da circuncisão e Paulo, de apóstolo da incircuncisão ou, apóstolo dos gentios.

“Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão (porque aquele que operou, eficazmente, em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou, também, em mim com eficácia para com os gentios) e conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos a destra, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios e eles, à circuncisão” (Gl 2:7-9).

A circuncisão era venerada entre os judeus, tanto que alguns se convenceram de que eram cristãos e passaram a anunciar aos irmãos que, para se salvarem tinham de se circuncidar, segundo o rito de Moisés (At 15:1).

Por causa da doutrina que anunciavam, que era contrária à verdade do evangelho, o apóstolo Paulo os denominava de desordenados, faladores, enganadores, vãos (Tt 1:10). As discussões dos judaizantes eram em torno de questões como alimentos, dias, festas, purificação, linhagem, circuncisão, genealogias, etc., tudo questões segundo mandamentos de homens.

Na Antiga Aliança, Deus havia instruído os filhos de Israel a se purificarem, lavando-se com água limpa. Ora, a água limpa simbolizava a palavra de Deus, de modo que ao se lavarem com água limpa, deveriam confiar que é Deus quem os purificava, através da sua palavra, porém, eles passaram a confiar que a purificação estava nas questões rituais e formais de se lavarem.

Os filhos de Israel, para serem filhos de Deus, deveriam ser circuncidados por Deus, não por seus pais, segundo a carne e o sangue. Quando Deus deu a ordem: ‘circuncidai, pois, os vossos corações’, era uma incisão impossível para os homens realizá-la, por isso, deveriam se sujeitar a Deus, obedecendo ao seu mandamento, pois aí Deus haveria de circuncidá-los:

“E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus, com todo o coração e com toda a tua alma, para que vivas” (Dt 30:6).

Os filhos de Israel estavam todos mortos em delitos e pecados, assim como todos os gentios, por serem descendentes da carne de Abraão, e não da mesma fé que teve Abraão. Para viverem, precisavam ser circuncidados por Deus, isto é, serem participantes da palavra que sai da boca de Deus (Dt 30:6; Dt 8:3).

Da mesma forma que os pais circuncidam os filhos, é Deus quem circuncida os seus filhos, aqueles nascidos não da carne, nem do sangue e nem da vontade do homem, mas da vontade de Deus (Jo 1:12).

Na Nova Aliança, o crente em Cristo é verdadeiramente circuncidado, a circuncisão não feita por mão dos homens, mas pela circuncisão que lança fora o corpo da carne, a circuncisão de Cristo (Cl 2:11). A circuncisão em Cristo se dá através da crucificação do corpo da carne na cruz, onde o velho homem é crucificado com Cristo, morto e sepultado (Cl 2:12).

A circuncisão do coração é a verdadeira circuncisão, pois é feita pelo espírito, ou seja, pela Palavra de Deus, que é mais penetrante que qualquer espada de dois gumes. A circuncisão, segundo a letra, ou seja, segundo a lei do mandamento carnal (homens) é louvada pelos homens, porque é feita por eles mesmos no prepúcio da carne, mas a circuncisão pelo evangelho é louvada por Deus, pois é Deus quem realiza a circuncisão do coração.

“Mas é judeu o que o é no interior e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Rm 2:29).

O apóstolo Paulo enfatiza que a circuncisão são os cristãos, por servirem a Deus segundo a sua palavra (espírito), diferentemente dos judeus, que confiavam na carne.

“Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito e nos gloriamos em Jesus Cristo e não confiamos na carne” (Fl 3:3).

Por isso, o apóstolo Paulo disse:

“A circuncisão de nada vale e a incircuncisão de nada vale, o que importa é a observância dos mandamentos de Deus (1 Co 7:19).

A circuncisão, como sinal da aliança feita com Abraão, é sem valor, diante do mandamento da Nova Aliança, que é crer em Cristo (1 Jo 3:23).

Abraão era incircunciso, quando Deus lhe anunciou a palavra da promessa e ele creu nessa promessa, sendo concedido, em seguida, o sinal da circuncisão, como um selo da justiça da fé (Rm 4:11). O selo da circuncisão servia para evidenciar que, de fato, Abraão se fez servo de Deus (humilhou-se), crendo na promessa.

“Eu, também, andei para com eles, contrariamente, e os fiz entrar na terra dos seus inimigos; se, então, o seu coração incircunciso se humilhar e tomarem por bem o castigo da sua iniquidade” (Lv 26:41).

O que levou Abraão a receber o selo da circuncisão foi a obediência à promessa de Deus. Na promessa, não há um mandamento explicito, mas, implicitamente, se faz necessário descansar n’Aquele que prometeu.

O que Abraão poderia fazer diante da seguinte palavra?

“E eis que veio a palavra do SENHOR a ele dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquele que de tuas entranhas sair, este será o teu herdeiro. Então, o levou fora e disse: Olha, agora, para os céus e conta as estrelas, se as puderes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência” (Gn 15:4-5).

Nada!

Diante da palavra de Deus, mesmo com o seu corpo amortecido pela idade (cem anos) e Sara, também, de idade avançada, Abraão estava plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que prometera (Rm 4:20-21). Ao crer, Abraão se humilhou, ou seja, se fez servo, tornando-se circunciso de coração!

Os filhos de Israel, por sua vez, apesar de terem votado que fariam tudo o que o Senhor Deus havia ordenado, por intermédio de Moisés (Êx 19:8), não obedeceram, sendo declarados, portanto, homens de dura cerviz, incircuncisos de coração e de ouvidos.

“Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim vós sois como vossos pais” (At 7:51).

A verdadeira circuncisão se alcança através da obediência aos mandamentos de Deus!

“A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus” (1Co 7:19).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

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Sacerdócio real ‘versus’ levitas

Quando o crente em Cristo ensina o evangelho, evangeliza um não crente ou, entoa uma canção, faz uma oração, etc., na verdade, está exercendo um sacerdócio, função que não tem relação alguma com o ministério desenvolvido pelos levitas da Antiga Aliança.


“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas, para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9).

 

Introdução

É comum, nas igrejas (congregações, comunidades) locais, os cantores e músicos evangélicos se autodenominarem levitas. Esse é um fenômeno recente nas comunidades evangélicas, daí alguns questionamentos: na Igreja, como corpo de Cristo, há levitas? O que entender por levitas, na Nova Aliança? Havia, na Antiga Aliança, a função de cantores e instrumentistas?

 

O fruto dos lábios

O crente em Cristo é geração escolhida, sacerdócio real, nação separada e povo comprado por bom preço, com uma missão especifica: anunciar as virtudes de Deus, que chamou os crentes das trevas para a Sua maravilhosa luz (Cl 1:13; 1 Co 6:20 e 7:23).

Por ter sido gerado de novo, o crente em Cristo é membro de um povo que pertence (adquirido) a Deus, portanto, separado (santificado) por Deus. Como o corpo de Cristo é constituído de iguais, o termo grego eκκλησία, traduzido por igreja, e transliterado ‘ekklesia’ (eclesia), passou a ser utilizado para nomear os membros do corpo de Cristo: uma assembleia de iguais, visto que todos são filhos de Deus, pela fé em Cristo!

“E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e vos separei dos povos, para serdes meus(Lv 20:26).

Ser ‘geração’, ‘nação’ e ‘povo’, é condição inerente ao crente, por estar em Cristo, ou seja, por ser uma nova criatura, gerada, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade (Ef 4:24; 2 Co 5:17).

Agora, ‘sacerdócio’ aponta para a missão que o crente desempenha, como membro do corpo de Cristo! O cristão, ao exercer o seu sacerdócio, tem a missão de anunciar as virtudes de Deus, pois este é o sacrifício que Deus se agrada. O sacrifício exigido por Deus diz do ‘fruto dos lábios’, ou seja, anunciar ao mundo as virtudes de Deus!

“Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus, sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13:15).

Quando o crente admite (confessa) com os lábios que Jesus é o Cristo, vez que, com o coração creu que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos (Rm 10:9-10), Deus é glorificado. É tão somente na confissão de que Jesus é o Filho de Deus, que o homem oferece sacrifício de louvor a Deus, ou seja, o fruto dos lábios, pois, em confessar a Cristo, o crente glorifica a Deus.

“E me disse: Tu és meu servo; és Israel, aquele por quem hei de ser glorificado (Is 49:3).

Admitir que Jesus de Nazaré é o Cristo (Mt 16:16), ou seja, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo, é produzir o fruto pelo qual Deus é glorificado:

“Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” (Jo 15:8).

Por três anos, Deus esperou que Israel (figueira) produzisse o fruto dos lábios, crendo em Cristo, a pedra que os edificadores rejeitaram, e confessando (louvor nos lábios) que Ele é a paz para os judeus (perto) e os gentios (longe), mas não produziram e foram cortados (Is 57:19; Lc 13:6-9).

Os cristãos são plantação do Senhor, por terem nascido da semente incorruptível, que é a palavra de Deus (Is 60:21 e Is 61:3). Ao anunciar a palavra de Deus, o cristão desempenha o seu sacerdócio, pois, através do fruto (louvor) dos seus lábios, anuncia a Cristo, um sacrifício santo e agradável!

“Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1 Pe 2:5).

Os verdadeiros adoradores, que o Pai procura, encontram-se em Cristo (Jo 4:24), pois adoram a Deus, em espírito e em verdade, uma vez que o evangelho é espírito e Cristo, a verdade (Jo 6:63; Fp 3:3). Os nascidos da carne, são carne e os nascidos do espírito, são espírito, portanto, estes, verdadeiros adoradores!

 

Levitas

Os “levitas” eram “descendentes da Tribo de Levi” e Levi, por sua vez, um dos doze filhos de Jacó. Os levitas eram ministros de Deus que cuidavam do serviço da tenda da congregação, auxiliares dos sacerdotes.

Dentre os levitas, alguns desempenhavam a função de sacerdotes, que eram os descendentes da família de Arão. Embora os sacerdotes fossem levitas e descendentes de Arão, os levitas cuidavam do tabernáculo e de seus utensílios, inclusive, eram responsáveis por carregar a tenda e os seus utensílios, durante a peregrinação pelo deserto, e os descendentes de Arão, que eram da Tribo de Levi, ofereciam a Deus dons e sacrifícios pelos homens (Hb 5:1).

“DEPOIS tu farás chegar a ti teu irmão Arão e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o ofício sacerdotal, a saber: Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar, os filhos de Arão” (Êx 28:1).

Para ser sacerdote, não bastava ser levita, tinha de ser, especificamente, da casa (descendência) de Arão! (Hb 5:4)

Não havia, na Antiga Aliança, alguém responsável por cânticos, músicas ou instrumentos musicais e, nem mesmo havia, durante o culto conduzido pelos sacerdotes, um momento de cânticos.

Encontramos, no Livro de Deuteronômio, Deus ordenando a Moisés que escrevesse um cântico profético, e que o ensinasse aos filhos de Israel, como testemunho em desfavor deles.

“Agora, pois, escrevei-vos este cântico e ensinai-o aos filhos de Israel; ponde-o na sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel (Dt 31:19).

A mensagem do cântico era instrução para os filhos de Israel e o cântico, em si, um veículo para que a mensagem não fosse esquecida:

“E será que, quando o alcançarem muitos males e angústias, então este cântico responderá contra ele por testemunha, pois não será esquecido da boca de sua descendência; porquanto, conheço a sua boa imaginação, o que ele faz hoje, antes que o introduza na terra que tenho jurado” (Dt 31:20)

Daí, o cântico magnífico, no Capítulo 32, do Livro de Deuteronômio, denunciando que os filhos de Israel não eram filhos de Deus (Dt 32:5), sem entendimento das coisas de Deus (Dt 32:28; Sl 53:3), e a doutrina que ensinavam não passava de peçonha de víboras (Dt 32:32-33).

Muito tempo depois, o profeta Davi inseriu a música e os instrumentos musicais, como elemento assessório ao ministério dos profetas (1 Cr 25:1-3). Ora, alguns levitas eram cantores e instrumentistas, assim como, o rei Davi (2Cr 5:12-13), porém, o ministério de alguns levitas era o de profetizar, utilizando-se de instrumentos musicais, diferentemente de outros, que tinham atribuições como porteiros, guardas, padeiros, perfumistas, etc. (1 Cr 9:14-33).

As profecias de Davi e de alguns levitas, foram anunciadas ao povo, em forma de cânticos e poesias, poemas acompanhados de instrumentos musicais, o que facilitava o povo decorar o que ouviam no templo, visto que 98% da população não sabia ler.

O que é imprescindível no cântico é a mensagem, a doutrina, a profecia, etc., que deve ser obedecida, não a musicalidade, os instrumentos, os acordes, a voz, o conjunto, a dança, etc., que são elementos acessórios à mensagem.

Cânticos, canções, composições, etc., que não contém a mensagem do evangelho, são inócuos para a salvação e quem se aplica aos cânticos, sem obedecer ao mandamento de Deus (crer em Cristo, conforme as Escrituras) é manancial roto, sem vida, e não é aceito por Deus:

“Odeio, desprezo as vossas festas e as vossas assembleias solenes não me exalarão bom cheiro. E ainda que me ofereçais holocaustos, ofertas de alimentos, não me agradarei delas; nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais gordos. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas violas (Am 5:21-23).

Na Nova Aliança, não temos a figura dos levitas à semelhança dos homens que serviam na Antiga Aliança, que tinham a incumbência de conduzir a glória do Senhor sobre os ombros, com auxilio de varas, representada através da arca do Senhor (1 Cr 15:2).

“Porque havia sempre, naquele ofício, quatro porteiros principais, que eram levitas, e tinham a seu cargo as câmaras e os tesouros da Casa de Deus” (1 Cr 9:26);

“Quenanias, chefe dos levitas músicos, tinha o encargo de dirigir o canto, porque era perito nisso” (1 Cr 15:22)

Na igreja não temos levitas, porque a Igreja não possui paralelo com o Templo de Salomão, visto que o Templo de Salomão foi erguido com mãos humanas, no qual Deus não habita (At 17:24), e a Igreja está sendo erguida pelo descendente de Davi, sem auxilio de mãos humanas, no qual Deus habita.

A Igreja é o corpo de Cristo, templo santo ao Senhor, onde o Espírito Santo de Deus habita (1 Co 3:16). Os levitas eram ministros que cuidavam do templo auxiliando os sacerdotes, o crente, por sua vez, é ministro de Cristo e templo de Deus.

Os levitas tinham a incumbência de cuidar e de transportar os utensílios da tenda da congregação ou, prestavam serviço no templo (Nm 4:3-4), mas a glória do Senhor não estava sobre eles. Os levitas iam ao templo para adorar, os crentes em Cristo, por sua vez, são o templo, habitação do Altíssimo e adoram em todo tempo e em qualquer lugar.

Os levitas eram descendentes da tribo de Levi, separados por Deus para o serviço do culto na Antiga Aliança, e acabaram por não ter herança com os filhos de Israel (Dt 18:1-2). No corpo de Cristo não há subdivisão, pois todos são coerdeiros com Cristo e herdarão com Ele todas as coisas. Um levita não possui herança entre as onze tribos de Israel, já os membros do corpo de Cristo são herdeiros de Deus, vez que são filhos e coerdeiros de Cristo (Hb 9:15).

“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Rm 8:17).

No exercício do seu sacerdócio, os cristãos são ministros do espírito, despenseiros dos mistérios de Deus, administrando aos outros a verdade do evangelho: o dom de Deus.

“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus” (1 Co 4:1);

“Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pe 4:10).

O apóstolo Paulo não queria ser considerado levita, e sim, ministro de Cristo, segundo a medida (padrão) do espirito (dom), segundo o que Deus repartiu a cada um:

“Pois, quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o SENHOR deu a cada um?” (1 Co 3:5; Rm 12:3 e 6).

Na qualidade de ministro de Jesus a serviço dos gentios, ministrando o evangelho, o apóstolo Paulo exercia o seu sacerdócio real, de modo que, assim era santificado pelo Espírito Santo, o que era ofertado pelos gentios.

“Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo” (Rm 15:16).

Ministro[1] diz de quem serve no templo, ou de alguém ocupado com o serviço do templo, um sacerdote ou dos servos de um rei. Quando é dito que o crente é sacerdócio real, é porque exerce o ministério do espírito, pelo dom do evangelho, que contém a virtude de Deus.

“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2Co 3:6);

“Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder” (Ef 3:7).

 

Levita e a Igreja

Quando é feita a seguinte pergunta: – ‘Qual a verdadeira função dos levitas na Casa do Senhor?’, há um erro no questionamento, que induz a um equívoco, por causa de uma premissa errada.

Na casa do Senhor não há a função para levitas, considerando que a casa do Senhor diz do corpo de Cristo – a Igreja – e não de uma denominação, ou de uma igreja local.

“Porém vós sereis chamados sacerdotes do SENHOR e vos chamarão ministros de nosso Deus; comereis a riqueza dos gentios e na sua glória vos gloriareis” (Is 61:6);

“Mas, longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo” (Gl 6:14).

Não se pode confundir a função dos levitas da Antiga Aliança com a função dos diáconos na Nova Aliança.

O termo grego antigo διάκονος, traduzido por diácono, significa “ministro”, “servo”, “ajudante”, que é aplicado aos cristãos qualificados e selecionados para servir aos demais cristãos. Os diáconos são servos de Cristo, assim como os demais cristãos, e, em sujeição a Cristo, cuidam do interesse dos membros da igreja local.

Na igreja primitiva os diáconos foram comissionados para cuidar de questões materiais, como o sustento das viúvas (At 6:1). Em linhas gerais era uma espécie de tesoureiro da comunidade local, com a incumbência de tratar das necessidades dos mais pobres, visto que o estado não cuidava dessas questões (At 6:3).

O serviço do diácono, na igreja primitiva, devia primar pela equidade, de modo a não haver acepção de pessoas no momento da distribuição dos gêneros alimentícios. Para isso, os diáconos precisavam ser instruídos na palavra do evangelho, conscientes de que, no corpo de Cristo, não há melhor e nem pior, pois, todos são filhos de Deus, pela fé em Cristo.

Mas, apesar de um diácono ter a incumbência do serviço na comunidade local, com relação ao evangelho, exerce sacerdócio real como os demais, pois, também, é um despenseiro da graça de Deus.

Os levitas não podiam oferecer a gordura dos animais como os sacerdotes e nem podiam entrar no Santo dos Santos. Já os diáconos, com ousadia, têm acesso total a Deus, pelo novo e vivo caminho, consagrado através da carne de Cristo (Hb 10:19-20).

Quando o crente em Cristo ensina o evangelho, evangeliza um não crente ou, entoa uma canção, faz uma oração, etc., na verdade, está exercendo um sacerdócio, função que não tem relação alguma com o ministério desenvolvido pelos levitas da Antiga Aliança.

Arrogar para si a função de levita em uma igreja local é descabido, pois o sacerdócio araônico foi transitório, de modo que foi necessária a instituição de uma nova ordem: a ordem de Melquisedeque, rei de Salém (Hb 7:11). O Salmista Davi, muito depois da instituição do sacerdócio levítico, por intermédio de Arão, profetizou, acerca de Cristo, que Ele seria sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110:4; Hb 7:21).

O crente serve como membro do corpo de Cristo, do qual Cristo é a cabeça e, porque permanece eternamente, o seu sacerdócio é perpétuo: “Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo” (Hb 7:24).

Um crente em Cristo é, acima de tudo, verdadeiro adorador, pois adora a Deus em espírito e em verdade. Em Cristo é santo e fiel, em qualquer lugar e em todo o tempo! Por crer em Cristo, realizou a obra de Deus, conforme Jesus asseverou aos seus ouvintes (Jo 6:29).

  • O crente não adora através de cânticos, danças, orações, jejuns, etc., pois esses recursos não são essenciais ao culto e, muitas das vezes somente refletem emoções da alma;
  • O crente não precisa de templo, pois é o templo;
  • O crente não precisa de sacrifício, pois apresenta o seu corpo e o fruto dos seus lábios, em sacrifício;
  • O crente não precisa de intermediário (sacerdote), pois tem amplo acesso ao trono da graça;
  • O crente não precisa de tempo ou de lugar para adorar a Deus, pois adora segundo o evangelho (espírito) e não na velhice da lei;
  • O crente goza de plena comunhão com Deus, pois tem comunhão com Cristo e os apóstolos em um mesmo espírito;
  • O crente goza de um nome e de uma posição superior à dos levitas: a de filhos e filhas.

Não queira se auto intitular levita, pois, foi honra concedida por Deus, somente aos descendentes da Tribo de Levi, da mesma forma que foi concedido à casa de Arão o sacerdócio. Assim como Cristo não se glorificou a si mesmo, antes foi Deus quem o honrou, ao estabelecê-Lo sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, contente-se com a posição superior que Deus te concedeu em Cristo: a condição de filho!

“E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão. Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote” (Hb 5:4-5).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] “3011 λειτουργος leitourgos de um derivado de 2992 e 2041; TDNT – 4:229,526; n m 1) ministério público, empregado do estado 2) ministro, empregado 2a) assim de trabalhadores militares 2b) do templo 2b1) de alguém ocupado com coisas santas 2b2) de um sacerdote 2c) dos servos de um rei”, Dicionário Bíblico Strong.

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O lobo morará com o cordeiro?

O leão, o lobo e o leopardo, neste contexto, são bestas do campo utilizadas como figura para fazer referência às nações inimigas de Israel, que invadiriam as cidades e levaria o povo (ovelhas) de Israel como presa.


“E morará o lobo com o cordeiro, o leopardo com o cabrito se deitará, o bezerro e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos e um menino pequeno os guiará” (Is 11:6).

 

Introdução

As Testemunhas de Jeová e os Adventistas do Sétimo dia utilizam a passagem de Isaias 11, verso 6, para falar das bênçãos de um futuro novo mundo, como se as Escrituras afirmassem que, um dia, a natureza dos lobos seria transformada para tornar possível conviverem em harmonia com carneiros.

Eles afirmam, com base nessa passagem de Isaias, que uma das características desse paraíso será os humanos e os animais coexistindo em paz, de modo que um cordeiro não correrá risco de ser devorado, se ficar próximo de um lobo ou, um bezerro, próximo de um leopardo.

Dai, surge a indagação: está correto esse ensinamento disseminado pelas Testemunhas de Jeová[1], conforme o que estabelece o seu Corpo Governante[2]? Está correto o ensinamento de Ellen White[3] quanto a essa passagem das Escrituras?

 

Interpretando uma parábola

Assim como o profeta Isaias, o profeta Ezequiel, também, anunciou aos filhos de Israel um tempo de paz, em que os descendentes de Jacó habitariam em segurança, nas terras que foram prometidas ao patriarca Abraão, pois o Filho de Davi – Jesus Cristo – regerá as nações do mundo com vara de ferro (Ap 19:15).

“E eu, o SENHOR, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o SENHOR, o disse. E farei com elas uma aliança de paz e acabarei com as feras da terra, habitarão em segurança no deserto e dormirão nos bosques. E delas e dos lugares ao redor do meu outeiro, farei uma bênção; e farei descer a chuva a seu tempo; chuvas de bênção serão. E as árvores do campo darão o seu fruto, a terra dará a sua novidade, estarão seguras na sua terra; e saberão que eu sou, o SENHOR, quando eu quebrar as ataduras do seu jugo e as livrar da mão dos que se serviam delas. E não servirão mais de rapina aos gentios, as feras da terra nunca mais as devorarão; e habitarão seguramente e ninguém haverá que as espante” (Ez 34:24-28).

Ezequiel profetizou que Deus haveria de fazer uma aliança de paz com os filhos de Israel e que acabaria com as feras da terra. Ora, diante dessa profecia, o leitor tem que entender que Deus falava aos filhos de Israel, utilizando-se de figuras, enigmas e parábolas (Sl 78:2; Ez 20:49).

Já, no inicio do capítulo 34, do Livro de Ezequiel, temos uma parábola, em que Deus retrata os líderes de Israel como ‘pastores’ e o povo como ‘ovelhas’ (Ez 34:2).

Os líderes de Israel eram pastores que apascentavam a si mesmos, pois se alimentavam do rebanho, mas não cuidavam dele (Ez 34:3). Por causa da desídia dos ‘pastores’, as ‘ovelhas’ da casa de Israel se dispersaram, tornando-se presas fáceis das feras do campo (nações gentílicas) e foram dispersas entre todas as nações (montes, outeiros).

“Assim se espalharam, por não haver pastor e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam.As minhas ovelhas andaram desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem perguntasse por elas, nem quem as buscasse” (Ez 34:5-6)

No capítulo 34, o profeta Ezequiel estava protestando contra os líderes (pastores) do povo, vez que não cuidaram dos filhos de Israel (ovelhas). O cuidado dos líderes estava em ensinar, corretamente, ao povo os mandamentos de Deus, mas, como o povo não foi ensinado, os filhos de Israel ficaram como ovelhas que não tem pastor, presas fáceis às bestas feras do campo, ou seja, foram levados em cativeiro pelas nações inimigas.

A expressão ‘bestas’ feras do campo é uma figura da parábola, que remete às nações inimigas de Israel, que conquistaram e levaram os israelitas em cativeiro. ‘Montes’ e ‘outeiros’, também, são figuras que representam as nações onde os fugitivos de Israel se refugiaram, quando do aperto dos inimigos.

Por causa da apostasia dos filhos de Israel foi previsto, pelos profetas, que eles seriam conquistados por povos inimigos e levados em cativeiro e, para descrever esta triste realidade, os profetas se utilizaram dessas figuras:

“Por isso, um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias” (Jr 5:6).

O profeta Jeremias, ao prever o cativeiro dos filhos de Israel, utilizou a figura de três animais do campo: leão, representando a Babilônia; o lobo, representando os Medos-Persas e o leopardo, representando a Grécia, nações que subjugariam os filhos de Israel.

O leão, o lobo e o leopardo, neste contexto, são bestas do campo utilizadas como figura para fazer referência às nações inimigas de Israel, que invadiriam as cidades e levaria o povo (ovelhas) de Israel como presa.

Semelhantemente, montes e outeiros são figuras utilizadas para fazer referência às nações, comparando-as:

“E acontecerá, nos últimos dias, que se firmará o monte da casa do SENHOR no cume dos montes e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações” (Is 2:2).

Quando Isaias profetizou que, ‘nos últimos dias, se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes’, ele utilizou as montanhas como figura, para demonstrar que a nação de Israel se estabelecerá acima das demais nações (se elevará por cima dos outeiros).

A Bíblia apresenta inúmeras figuras para ilustrar a relação entre Israel e os povos em redor.

Outro exemplo de aplicabilidade da figura do ‘monte’ encontra-se nos Salmos, quando o salmista apresenta as águas como figura, para representar os povos e as montanhas, as nações, como se lê:

“Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá.) Há um rio, cujas correntes, alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã.Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu” (Sl 46:3-6).

Utilizando a mesma temática, Isaias profetizou, acerca das nações:

“Ai do bramido dos grandes povos, que bramam como bramam os mares e do rugido das nações, que rugem como rugem as impetuosas águas. Rugirão as nações, como rugem as muitas águas, mas Deus as repreenderá e elas fugirão para longe; e serão afugentadas como a pragana dos montes diante do vento e como o que rola, levado pelo tufão” (Is17:12-13).

Voltando à abordagem do profeta Ezequiel, na qual ele destaca que Deus fará uma aliança de paz com Israel e que acabará com as feras da terra, para que os filhos de Jacó possam habitar em segurança no deserto ou, no bosque, o que entender?

Significa que, no reino milenar  de Cristo, não haverá na terra leão, pantera, lobo, urso ou, qualquer outro animal selvagem? Absolutamente, não! Ezequiel fez uso de figuras, para demonstrar que a cidade que os israelitas habitarão será segura, por causa da aliança de paz que Cristo estabelecerá com eles.

A cidade não necessitará de muros, assim como os desertos e os bosques não necessitam. “E disse-lhe: Corre, fala a este jovem, dizendo: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão dos homens e dos animais que haverá nela” (Zc 2:4).

O profeta estava anunciando, através dessa previsão, que, no futuro de paz, decorrente do governo de Cristo, os filhos de Israel (ovelhas) não mais servirão de rapina (presa) aos gentios, ou seja, no contexto os gentios são sublinhados como feras que devoram os filhos de Israel.

É, em função da paz que haverá no reino milenar de Cristo, que o profeta Isaias anunciou:

“Ali não haverá leão, nem animal feroz subirá a ele, nem se achará nele; porém, só os remidos andarão por ele” (Is 35:9);

“O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos e o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal, nem dano algum, em todo o meu santo monte, diz o SENHOR” (Is 65:25).

Considerando o verso 9, de Isaias 35, poderíamos concluir que não haverá leão no reino milenar de Cristo? Evidente que não!

Quando é dito que o lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, significa que Cristo estará regendo todas as nações da terra (Ap 2:27), de modo que Israel (cordeiros) coexistirá, pacificamente, com as demais nações (lobo), uma paz que nunca se viu ao longo da história da humanidade.

Para compreender essas figuras bíblicas, se faz necessário ter em mente a seguinte regra de interpretação:

“Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado de bois?” (1 Co 9:9).

Na lei, a figura do boi foi utilizada para fazer referência ao direito de um condenado, demonstrando que Deus tem cuidado dos homens, mas há quem entenda que Deus está cuidando dos animais (Dt 25:1-4).

De igual modo, Deus se utiliza da figura de animais para fazer referência às nações, conforme se vê, nas visões de Daniel:

“Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar grande.E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar. O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto, em pé, como um homem e foi-lhe dado um coração de homem. Continuei olhando e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne” (Dn 7:2-5).

O mar agitado pelo vento refere-se às nações da terra (quatro ventos) e os animais simbólicos do leão, do urso e do leopardo, são as três grandes civilizações conhecidas na história da humanidade: babilônia, medos-persas e gregos, respectivamente. Essas nações foram simbolizadas por animais selváticos, ou seja, através de bestas do campo, para demonstrar a hegemonia delas no mundo e o poder de Deus em estabelecê-las.

O profeta Oséias falou desse tempo de paz, em que Deus fará uma aliança de paz com os israelitas, findando, assim, as guerras no mundo:

“E naquele dia farei por eles aliança com as feras do campo e com as aves do céu,  com os répteis da terra; e da terra quebrarei o arco, a espada e a guerra e os farei deitar em segurança. E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, em juízo, em benignidade e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade e conhecerás ao SENHOR” (Os 2:18-20).

O que entender? ao ler:

“E morará o lobo com o cordeiro, o leopardo com o cabrito se deitará, o bezerro e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi” (Is 11:6-7).

O crente deve ter em mente que figuras como: lobo e cordeiro, leopardo e cabrito, bezerro e leãozinho, vaca e ursa e leão e boi, no contexto da profecia de Isaias, trata da convivência pacífica entre as nações, quando do governo do Leão da Tribo de Judá, o rebento de Jessé.

Entender que a profecia de Isaias trata de um futuro ecossistema terrestre, ou que a natureza das bestas feras do campo serão mudadas, quando do advento do reino de Cristo, no mínimo, é um equivoco oriundo da má leitura das figuras e das parábolas bíblicas.

Resta-nos a seguinte dúvida: Se uma organização humana que se diz conhecedora e divulgadora da verdade bíblica não consegue interpretar figuras bíblicas tão simples como essas apresentadas por Isaias, tal organização é digna de confiança, com relação à interpretação do restante das Escrituras?

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1]“No novo mundo de Jeová, as pessoas poderão tocar a juba fofinha de um leão, acariciar o pêlo listrado dum tigre e, até mesmo, dormir na floresta, sem temerem ser atacadas por um animal. Veja a seguinte promessa de Deus: “Hei de fazer cessar no país a fera nociva, e [os humanos] realmente morarão no ermo em segurança e dormirão nas florestas.” — Ezequiel 34:25; Oséias 2:18. Os animais selvagens estarão em sujeição, até mesmo a crianças pequenas. A Bíblia diz: “O lobo, de fato, residirá por um tempo com o cordeiro e o próprio leopardo se deitará com o cabritinho e o bezerro, o leão novo jubado e o animal cevado, todos juntos; e um pequeno rapaz é que será o condutor deles.” Mas isso não é tudo! O texto bíblico continua: “A própria vaca e a ursa pastarão; juntas se deitarão as suas crias. E até mesmo o leão comerá palha como o touro. E a criança de peito há de brincar sobre a toca da naja; e a criança desmamada porá realmente sua própria mão sobre a fresta de luz da cobra venenosa. Não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová, assim como as águas cobrem o próprio mar.” — Isaías 11:6-9.” Animais — eternos companheiros do homem, Revista Despertai! — 2004, pág. 10 -11 <http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/102004123>consulta realizada em 08/01/2017.

[2]Segundo as literaturas distribuídas pelas Testemunhas de Jeová, o Corpo Governante refere-se a um grupo de pessoas que supervisiona as Testemunhas de Jeová, em todo o mundo.

[3] “Vi outro campo repleto de todas as espécies de flores; e, quando as apanhei, exclamei: “Elas nunca murcharão.” Em seguida, vi um campo de relva alta, cujo belíssimo aspecto causava admiração; era uma vegetação viva e tinha reflexos de prata e de ouro, quando magnificamente se agitava para a glória do Rei Jesus. Entramos, então, num campo cheio de todas as espécies de animais: o leão, o cordeiro, o leopardo, o lobo, todos juntos, em perfeita união. Passamos pelo meio deles e, pacificamente, nos acompanharam”. White, Ellen, Eventos Finais, Casa Publicadora Brasileira, pág. 288. <http://ellenwhite.cpb.com.br/livro/index/7/283/306/a-heranca-dos-santos> consulta realizada em 08/01/2017.

“Os animais deixarão de ser carnívoros e ferozes: “O lobo e o cordeiro pastarão juntos e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará ma,l nem dano algum, em todo o meu santo monte, diz o SENHOR.” Artigo: O que é a morte?, de Leandro Soares de Quadros, consultor bíblico e conselheiro, disponível na web: <http://www.novoapetite.com.br/?p=66>consulta realizada em 08/01/2017.

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Jesus veio salvar o que se havia perdido

A finalidade da predestinação é a primogenitura de Cristo, e não a salvação. O filhos de Israel segundo a carne que são salvos antes de Cristo e na grande Tribulação não fazem parte desta predestinação, não terão a imagem do Filho de Deus. Para Cristo ser o primogênito há a necessidade de existirem irmãos conforme a sua semelhança, por isso que assim como Ele é o veremos e seremos semelhantes a Ele ( 1Jo 3:2 ).


Ao ler o artigo “Questões sóbrias para aqueles que creem numa redenção universal ou expiação ilimitada” do Pr. Colin Maxwell[1], não me esquivei à oportunidade de tecer alguns comentários e responder alguns dos seus questionamentos.

Mas, antes de responder as ‘Questões sóbrias’ do Pr. Maxwell, segue uma breve exposição do que creio segundo as Escrituras.

 

Eleição e predestinação

Os crentes em Cristo Jesus, por fazerem parte do corpo de Cristo, que é a sua igreja, além da maravilhosa graça de terem alcançado a salvação gratuitamente, também foram chamados a fazer parte do eterno propósito que Deus estabeleceu em Cristo “… segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:11 ).

Deus introduziu o Seu Filho no mundo na condição de Unigênito, pois Ele foi o único homem concebido no ventre de uma virgem pelo poder do Espírito Santo ( Lc 1:35 ). Mas, ao ressuscitar o Seu Filho dentre os mortos, Cristo é declarado ‘primogênito’ entre muitos irmãos, pois todos que creem morrem com Cristo e ressurgem com Ele como filhos se Deus, uma nova criatura ( Cl 3:1 ).

Como o eterno propósito de Deus estabelecido na eternidade é constituir o Seu Filho primogênito entre muitos irmãos, todos quantos são salvos em Cristo Jesus através do evangelho foram predestinados a serem conforme a imagem de Cristo “… também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos( Rm 8:29 ).

O apóstolo Paulo deixa claro que o objetivo de predestinar os que ‘conheceram’ a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele é que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos ( Gl 4:9 ). Pela pregação da fé o homem ‘conhece’[2] a Deus, o que é impossível aos rudimentos fracos e pobres da lei ( Gl 3:2 com Gl 4:9 ).

Deus estabeleceu na eternidade (predestinou) que os membros do corpo de Cristo seriam conforme a imagem de Seu Filho por causa do beneplácito que propusera em Cristo: Ele será primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

A salvação difere da eleição e da predestinação quanto a finalidade. Enquanto a salvação diz da providência divina segundo as riquezas da graça de Deus que livra o homem da condenação estabelecida no Éden ( Ef 1:7 ), a eleição e a predestinação decorrem do conselho (beneplácito) da vontade de Deus, que é convergir na plenitude dos tempos todas as coisas em Cristo, e isso para louvor da Sua glória ( Ef 1:11 ).

Sem a salvação em Cristo é impossível ser eleito para o propósito de Deus que foi proposto em Cristo segundo o Seu beneplácito. É por isso que o apóstolo Paulo disse a Timóteo que Deus salva os crentes salva os crentes segundo o seu poder (evangelho) e que os chamou com santa vocação (eleição e predestinação).

O apóstolo Pedro ao falar da eleição aponta para uma geração: a geração eleita, ou seja, aqueles que foram gerados de novo através da semente incorruptível. Uma geração foi eleita, portanto a eleição não aponta para indivíduos “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pd 2:9 ).

Deus não elegeu e nem predestinou indivíduos para a salvação, antes Ele elegeu a geração de Cristo para serem santos e irrepreensíveis e os predestinou para serem conforme a imagem do Seu Filho, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

A salvação se dá no tempo que se chama hoje e o propósito eterno foi estabelecido antes de haver mundo (eternidade)! A eleição, segundo o propósito estabelecido em Cristo é anterior à salvação, porém, a vocação do crente para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo é posterior à salvação.

“Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso SENHOR, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:8 -9).

O apóstolo João destaca que os cristãos serão semelhantes a Cristo quando Ele se manifestar ( 1Jo 3:2 ), pois para isto foram predestinados a fim de que Jesus seja primogênito entre muitos irmãos.

 

Mundo

Quando é dito na Bíblia que Deus amou o mundo, certo é que o termo ‘mundo’ não se refere ao globo terrestre ou a sua fauna, visto que eles se reservam para o fogo. Quando é dito que Deus amou o mundo, o termo grego κόσμος, transliterado ‘kósmos’ foi empregado para fazer referência a todos habitantes do planeta terra.

Esta leitura do termo depreendemos do ‘Ide’ de Jesus aos seus discípulos. A mesma ordem foi registrada pelos evangelistas Mateus e Marcos, sendo que este registrou “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura ( Mc 16:15 ), e aquele registrou “Ide e fazei discípulos de todos os povos( Mt 28:19 ), o que demonstra que o termo grego κόσμος (mundo) deve ser lido com a conotação ‘de todos os povos’.

É no sentido de ‘povos’, e não de ‘extensão’ geográfica que o mesmo evangelho que estava com os cristãos em Colossos, estava se propagando pelo κόσμος (mundo) ( Cl 1:6 ).

No verso 23 do capítulo 1 de Colossenses, ao admoestar os cristãos a permanecerem firmes no evangelho (a não se afastar do evangelho que ouviram), o apóstolo Paulo enfatiza que o evangelho foi ‘proclamado’ a toda criatura debaixo do céu. ‘Toda criatura’ é um modo deixar evidente que a mensagem do evangelho não faz acepção de povo, língua ou nação ( Cl 1:23 ).

Agora, o mesmo termo ‘mundo’ quando empregado no contexto que se segue, possui outra conotação:

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo ( 1Jo 2:2 ).

O termo κόσμος (mundo) no verso acima não serve ao propósito de demonstrar que Deus não faz acepção de pessoas, antes é inclusivo, pois a propiciação em Cristo não era somente para os cristãos convertidos, mas pelos pecados de todo o mundo.

 

Pecadores

Por causa de uma só ofensa todos os homens ficaram sujeitos ao pecado, por isso a morte afetou todos os homens, de modo que todos são pecadores ( Rm 5:12 ; 15:21 -22).

Quando o apóstolo Paulo diz que o pecado entrou no ‘mundo’, o termo não tem a conotação de extensão geográfica, e sim de inclusão, indicando que o pecado afetou todos os homens sem distinção. Como os judeus se entendiam diferentes dos gentios, o termo ‘mundo’ foi utilizado para demonstrar que o pecado afetou judeus e gregos “Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado” ( Rm 3:9 ).

Quando lemos o testemunho de João Batista acerca de Cristo, o Cordeio de Deus que tira o pecado do ‘mundo’, certo é que João Batista esta fazendo referencia aos profetas para demonstrar que aquele Jesus era o descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra são benditas. Novamente verifica-se que o termo ‘mundo’ tem conotação inclusiva para indicar nações, povos e tribos de todas as línguas.

Todos os homens são pecadores, e Cristo veio salvar o que se havia perdido. A missão de Cristo é inclusiva e extensiva a todos os homens, até mesmo sobre aqueles que eram discriminados pelo seu próprio povo, como era o caso de Zaqueu, o publicano ( Lc 19:10 ).

Teria Cristo vindo salvar alguns que se perderam dentre muitos? Este não é o posicionamento das Escrituras, pois não há exceção: todo aquele que invocar o Senhor será salvo, visto que Deus quer que todos se salvem e que venham ao conhecimento da verdade ( 1Tm 2:4 ).

 

Resposta as indagações do Pr. Colin Maxwell

As respostas aqui apresentadas não possuem o condão de fomentar disputas teológicas, antes que cada cristão leia a Bíblia e medite nela.

Faz-se necessário deixar registrado que a visão bíblica é aquela que não acrescenta e nem diminui o conteúdo que há na Lei, nos Salmos e nos Profetas, porque foi isso que Cristo e os apóstolos fizeram: evidenciaram o cumprimento das Escrituras ( At 26:22 ; At 4:18 ; Lc 24:25 -27).

Como o Pr. Maxwell defende que o calvinismo deve ser difundido em suas ‘Questões sóbrias’, especificamente na de número 14, através da pergunta:

‘Você se refreia de crer na redenção particular por qualquer outra razão além do temor do homem?’, tenho que destacar que crer é algo de fórum íntimo, portanto, o pastor seria mais feliz se perguntasse se ‘você se refreia confessar a redenção particular por temor (medo) a homens’, porque quando creio, posso negar a crença e ninguém pode provar o contrário.

Respondendo a pergunta, devo afirmar segundo as Escrituras que, para alcançar a salvação em Cristo não é imprescindível confessar como se dá a redenção que Deus providenciou para a humanidade. Afinal, a redenção em Cristo é tão grandiosa que revela aos seres celestiais a multiforme sabedoria de Deus ( Ef 3:10 ).

Considerando que a redenção revela a multiforme sabedoria de Deus até aos seres celestiais, não podemos considerar que seja imprescindível para alcançar a salvação confessar como se dá a redenção ( Ef 2:2-3 e 4:17). As Escrituras afirmam categoricamente o que é necessário: confessar (admitir) que Jesus é o Senhor “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” ( Rm 10:9 ).

Quem evangeliza deve conhecer qual a esperança do salvo, quais as riquezas da glória da nossa herança e qual a excelente grandeza do poder de Deus sobre os que creem ( Ef 1:16 -20), mas ao evangelizar deve se ater a apresentar o Cristo, e este crucificado e ressurreto dentre os mortos.

O pastor insiste perguntando:

‘Se o temor do homem é a única razão (de não confessar a redenção particular), você não reconhece que isto no fim provará ser uma armadilha?’, o que me faz responder com outra pergunta: Se há predestinação para salvação, que armadilha pode haver em não confessar a redenção particular?

Esta pergunta do pastor me levar a inferir que a intenção dele é afirmar que, saber como se dá a redenção: se particular ou universal, é garantia de salvação. Crer que Deus predestinou alguns para salvação é garantia da salvação? Ou melhor, seria garantia de predestinação? Se a garantia de salvação se encontra em Crer que o Senhor Jesus morreu por causa de nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação, por que tanto empenho em convencer qual tipo de redenção crer? Por que perder tempo anunciando como se dá a redenção, se a salvação se alcança em crer em Cristo Jesus?

Devo lembrar aqui que crer que Jesus é o Senhor e confessar que Ele é ressurreto dentre os mortos é garantida de salvação, e nisto não há ‘armadilha’ alguma, porque Deus vela sobre a sua palavra para cumprir.

A seguir o Pr. Maxwell faz uma pergunta que mais parece uma espécie de chantagem emocional evocando o medo ao dizer:

“Você não pode conversar sobre e através das diferenças com aqueles que você teme, apontado o sucesso da pregação calvinista na história da igreja? (Provérbios 29:25)”.

Ao citar provérbios sem levar em consideração o contexto bíblico, depois de fazer sua pergunta, o pastor parece induzir meninos em Cristo a conversar sobre a redenção particular e o sucesso da pregação calvinista, e não as Escrituras.

Por que intimidar o cristão para que converse sobre questões e sucesso da pregação calvinista, se a promessa bíblica é que não há mais nenhuma condenação para quem está em Cristo, e somos exortados a: conhecer qual a esperança dos santos, quais as riquezas da glória da nossa herança e qual a excelente grandeza do poder de Deus sobre os que creem ( Ef 1:16 -20), nada dizendo sobre se a redenção é geral ou particular?

O apóstolo João fez um alerta acerca da permanência em Cristo, mas o alerta não evoca medo e nem se apoia em chantagem emocional, como se lê:

“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho” ( 2Jo 1:9 ).

A doutrina de Cristo que o apóstolo João faz referencia não se refere à pregação calvinista, mas ao mandamento que o Senhor Jesus deu, à saber: a ‘amar a Deus sobre todas as coisas’ crendo em Cristo, e ‘ao próximo como a si mesmo’ segundo o mandamento de Deus ( 1Jo 3:24 ).

Evoco o posicionamento do apóstolo Paulo:

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 )

A Bíblia mostra que a graça de Deus se estende a todos os homens, assim como a ofensa de Adão trouxe juízo e condenação sobre todos os homens. Se admitirmos que o juízo de Deus veio sobre todos os homens para condenação sem exceção, também temos que admitir que a graça veio sobre todos os homens.

A condenação veio sobre todos os homens, porque ela é em função do nascimento natural segundo a carne de Adão. Mas, com relação à graça sobre todos os homens pela obediência de Cristo, só desfrutam dela aqueles que creem em Cristo conforme o poder que há no evangelho. A graça é poderosa para alcançar todos os homens sem exceção, pois a perdição foi para todos sem exceção!

“Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” ( Rm 11:32 );

“E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo ( 1Jo 2:2 ).

Faço esta defesa do evangelho de Cristo por não temer qualquer posicionamento doutrinário, ou homem algum, pois devemos ter por lema: “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade” ( 2Co 13:8 ).

Além do mais, o sucesso de qualquer agremiação ou tendência teológica não é selo de autenticidade doutrinária, por isso não me refreio em contestar o que se demonstra contrario às Escrituras mesmo que tenha atingido o sucesso.

Na questão de número 13[3], o Pr. Maxwell aponta a existência de calvinistas que ele desaprova. Na pergunta que contém muita argumentação, no afã de remover o que traz entrave à doutrina calvinista, o pastor lança descredito nos ‘hiper’ calvinistas por evidenciar que não há a necessidade de se evangelizar.

No entanto, os ditos hiper calvinistas são coerentes quando afirmam que não há necessidade de pregar quando se acredita na predestinação para a salvação. Segundo os hiper calvinista, se Deus só garante salvação para os eleitos segundo Sua soberania, exclui-se a necessidade de evangelizar.

Entendo que os hiper calvinista estão em extinção porque os demais calvinistas não sustentam o que afirmam. A recomendação de Tiago é: “Assim falai, e assim procedei, …” ( Tg 2:12 ), portanto, se a salvação decorre de uma predestinação, a pregação do evangelho fica sem finalidade. Uma característica de quem confessa a doutrina calvinista e defende a evangelização parece se amoldar muito bem ao alerta que o apostolo Paulo fez a Timóteo: “… Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam” ( 1Tm 1:6 -7 ).

O cerne da questão não está na constatação de calvinistas que não recomendam evangelizar, e sim na essência do pensamento calvinista: por que evangelizar todos, se a salvação é para alguns escolhidos? Qual a necessidade de se evangelizar a todos, se a salvação é só dos eleitos? Se a salvação é só para alguns, porque o ‘ide’ de Jesus é para todos?

A energia que os não hiper calvinistas despendem para desqualificar a salvação ao alcance de todos deveria ser aplicada em encontrar argumentos que expliquem a necessidade de evangelismo considerando a lógica de sua doutrina, pois se de fato existe eleição e predestinação para a salvação, que se dê uma explicação plausível por que pregar o evangelho. Somente afirmar que também evangelizam não valida utilidade do evangelismo dentro da doutrina que anunciam.

Para defender o seu argumento, o Pr. Maxwell aponta na pergunta de n° 12 os pregadores George Whitefield e C. H. Spurgeon como os maiores evangelistas que já viveram. Volto a repetir, a postura desses homens e dos neo calvinistas não esclarece e nem valida a necessidade de evangelizar na doutrina calvinista.

Com relação à questão de n° 11:

“Você vê a redenção particular como estando em desvantagem quando se trata da livre oferta do evangelho? Tanto calvinistas como não calvinistas creem que o precioso sacrifício do Filho de Deus é suficiente para salvar o mundo, tanto os eleitos como os não eleitos – isto não remova qualquer senso de desvantagem?”;

Primeiro: ‘vantagem’ não é uma questão que se deva levar em conta quando o assunto é salvação. O que se deve considerar é a veracidade da palavra, e as palavras do artigo “Questões sóbrias…” se mostram duvidosas, porque enquanto aqui afirma que o precioso sacrifício de Jesus é suficiente para salvar o mundo todo, nas questões de número 02 e 03 argumenta contra esta mesma possibilidade dizendo:

“Cristo veio e morreu para salvar eficazmente homens ou apenas para fazer a salvação possível? Então, era teoricamente possível que Cristo falhou, no final das contas, no Seu propósito de Sua morte? Ele realmente verá o fruto do trabalho de Sua alma e ficará”, ou “Cristo está realmente satisfeito com o fruto do trabalho de Sua alma quando Ele vê Judas Iscariotes, (por quem, você insiste, Ele morreu, da mesma forma como por João e Pedro, etc.) indo para o próprio lugar onde teria sido melhor para ele nunca ter nascido? poderia morrer por pecados e ninguém ser salvo?”.

O ‘ide’ de Jesus ao mundo como mandamento depõe contra a predestinação para a salvação. Ora, não encontramos termos como ‘redenção particular’ ou ‘redenção geral’ na Lei, Salmos, ou nos Profetas. A doutrina da redenção particular é incongruente com o evangelho de Cristo, porque quem nasce predestinado nunca esteve perdido, portanto, não precisa de salvação.

A Bíblia apresenta Jesus como salvador para todos que creem, sem distinção entre judeus e gregos, pois todos pecaram, e ainda afirma: “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” ( Rm 11:32 ). Já o posicionamento calvinista afirma a existência de dois grupos de pessoas: as que foram predestinadas a serem salvas (o que significa que tais pessoas nunca estiveram perdidas), e outras que nascem predestinadas à perdição (nunca tiveram uma real oportunidade de salvação).

A eleição e a predestinação são, efetivamente, doutrinas bíblicas, porém não apontam diretamente para a salvação. A eleição aponta para Jesus, pois se dá em Cristo e a predestinação visa os que nascem de novo, ou seja, os crentes. Cristo é o eleito de Deus antes da fundação do mundo e todos que se tornam participantes do seu corpo crendo nele, foram predestinados para serem conforme a imagem de Cristo.

O apóstolo Paulo enfatiza que os cristãos foram predestinados para serem conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos. A finalidade da predestinação é a primogenitura de Cristo, e não a salvação. Os filhos de Israel segundo a carne que são salvos antes de Cristo e na grande Tribulação não fazem parte desta predestinação, não terão a imagem do Filho de Deus. Para Cristo ser o primogênito há a necessidade de existirem irmãos conforme a sua semelhança, por isso que assim como Ele é o veremos e seremos semelhantes a Ele ( 1Jo 3:2 ).

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conforme à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

A salvação é concedida aos homens que, por intermédio do evangelho conheceu a Deus, ou antes, foram conhecidos dele “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” ( Gl 4:9 ). O homem conhece a Deus por intermédio do evangelho.

Conhecer aqui não é presciência, e sim ter comunhão íntima, participando de um só corpo e de um só espírito. Ora, primeiro o homem se torna um com Cristo, e consequentemente predestinado a ser conforme a imagem de Cristo, pois a predestinação tem por objetivo a preeminência de Cristo entre muitos semelhantes a ele.

Primeiro Deus salva o perdido segundo o poder do evangelho, depois o salvo em Cristo é chamado com santa vocação: eleição e predestinação. Deus não escolheu e nem predestinou alguns indivíduos à salvação, antes Ele elegeu e predestinou a nova geração em Cristo, sendo Ele o último Adão, para serem santos e irrepreensíveis e conforme a imagem do Seu Filho para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos.

A vocação do crente para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo não precede a salvação em Cristo, porém, o propósito estabelecido em Cristo foi estabelecido na eternidade antes de haver mundo.

Na questão de nº 10[4], vale destacar que a crença exigida nas Escrituras é que se creia que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. A essência do evangelho é universal e inclusiva: todo aquele “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” ( Rm 10:13 ).

Este é o mandamento de Deus segundo registrou o apóstolo João: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( Jo 3:23 ).

Não há suporte nas Escrituras para o que o homem acredita segundo uma carnal compreensão, e nem para a tal redenção dita ‘particular’, pois o que é a base da salvação é Cristo: o fundamento de Deus. A salvação está em Cristo, pois Ele é a fé manifesta ( Gl 3:23 ). A vantagem está em crer n’Ele, pois Ele é fiel, agora, não há vantagem alguma em acreditar em algo que não seja as Escrituras.

O evangelho anunciado pelo apóstolo Pedro as pessoas que crucificaram o Cristo foi de salvação irrestrita, mesmo para os assassinos do Filho de Deus, desde que mudassem de concepção crendo em Cristo ( At 3:15 -19).

Ora, Deus é verdade, e não há nele injustiça nenhuma ( Dt 32:4 ). Ora, se Ele amou todos os homens (mundo), significa que Deus amou todos os homens, e não que Ele anunciou uma ficção aos homens. O apóstolo Pedro, quando fez este discurso, não estava pensando em uma redenção particular, antes foi verdadeiro ao propor a todos homicidas de Cristo ampla e irrestrita salvação.

Seria uma falácia a mensagem do apóstolo Pedro se algumas pessoas estivessem destinadas a salvação. Deus não trabalha com o engano. Ele não fala o que não vai cumprir. É desonesta uma mensagem de salvação a todos os pecadores se a proposta inicial é salvar alguns.

O Pr. Maxwell alega que é desvantagem crer numa ‘redenção geral’ vez que Deus não alcança 100% de sucesso. Deus retirou do Egito um povo numeroso com quase seiscentos mil homens de pé, porém, desses, somente dois entraram na terra prometida. O sucesso de Deus é analisado pela quantidade de crentes salvos, e não pela quantidade dos que se perdem.

A promessa de Deus não se manteve firme por apenas dois dos que saíram do Egito terem entrado na terra prometida? Se todos os crentes em Cristo são salvos, então há 100% de sucesso na obra de Cristo “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação ( 1Co 1:21 ); “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ).

Ora, o plano de redenção de Deus tem 100% de sucesso, pois Cristo veio ao mundo e foi obediente ao Pai em tudo. O seu eterno proposito que redunda em louvor a Sua glória tem 100% de sucesso, pois Cristo ao ressurgir dentre os mortos conduziu muitos filhos a Deus, e Cristo é primogênito entre muitos irmãos. Os muitos filhos são compostos de 100% crentes.

A incredulidade de alguns ou de muitos não aniquila a fidelidade de Deus. Deus é fiel e cumpriu o que prometeu: enviou o seu Filho e salva todo aquele que n’Ele crê. Agora, se formos infiéis, Ele permanece fiel, e a infidelidade do homem não depõe contra Deus ( Rm 3:3 ).

A questão de n° 9[5] acerca do significado de alguns termos na Bíblia como ‘todos’ e ‘mundo’, deve ser analisada criteriosamente, principalmente quanto à ênfase que o contexto apresenta.

Devemos reconhecer que, dependendo do contexto em que a palavra ‘mundo’ ou ‘todos’ é inserida, pode limitar o número de pessoas, contudo não anula o fato de que o termo ‘mundo’ empregado em João 3, verso 16, e em primeira João 2, verso 2 referem-se a todas e quaisquer pessoas, de todos os tempos e em todos lugares.

Foram citadas 5 passagens bíblicas e questionado o significado de algumas palavras. Atos 4, verso 35 é citado: “E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha” onde se vê que os apóstolos repartiam o que era comum segundo a necessidade em particular de cada indivíduo que pertencia à igreja. Ou seja, a passagem demonstra que havia uma limitação quanto ao que era distribuído, e a limitação não era quanto ao indivíduo, mas quanto a necessidade do indivíduo.

Isto porque ‘ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria’, ou seja, ninguém assume o valor de ‘todos’, pois sem exceção todos consideravam o que possuíam como sendo propriedade de todos, de modo que tudo era comum a todos ( At 4:32 ).

O verso seguinte demonstra que todos os apóstolos, sem exceção, possuía abundante graça e testemunhavam acerca da ressureição de Jesus ( At 4:33 ). Entre os cristãos não havia necessidade alguma, pois aqueles que possuíam herdade vendiam e traziam o valor arrecadado e dava aos apóstolos. Neste caso, somente os cristãos que possuíam herdade é que vendiam-nas, mas dentre os que possuíam, todos se propuseram vender e dar o dinheiro aos apóstolos.

Com relação a recomendação acerca do casamento o apóstolo Paulo adverte que cada cristão em particular tenha a sua própria esposa, e cada mulher cristã que tenha o seu próprio marido. Ora, o texto limita a quantidade de esposas e esposos por causa da prostituição, porém, a ordem se estende a todos os cristãos. A ênfase do texto está em limitar uma única esposa por marido ( 1Co 7:2 ).

Para responder a pergunta do Pr. Maxwell com relação ao comentário que ele faz do evangelho de João 12, versos 19 à 20 (“mundo” significa os gentios em oposição aos judeus somente), vale destacar que ‘mundo’ não foi utilizado para destacar oposição entre judeus e gentios, porque tanto a multidão que viu a ressurreição de Lázaro como a que viera para a festa era composta de judeus e prosélitos ( Jo 12.9 ). Afinal haviam ido a Jerusalém para a festa da Páscoa ( Jo 12.1 )

Outra questão levantada é com relação a seguinte passagem “E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” ( 1Jo 3:3 ). No verso ‘qualquer’ tem o sentido de ‘todo’, e isto não significa limitação, mas inclusão. Não importa a nação, o povo, ou a língua, se tem em Cristo esperança, purifica-se a si mesmo.

Nenhuma destas passagens depõe contra o fato de que Jesus veio salvar a todos, por isso a boa nova de salvação é anunciada a todos, sem exceção. A fidelidade de Deus é para todos, pois Ele providenciou poderosa salvação na casa de Davi para todos os povos, cumprindo a promessa a Abraão de que no descendente seriam benditas todas as famílias da terra “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” ( Gn 12:3 ).

A promessa de benção de Deus não é extensiva a ‘todas’ as famílias da terra? Há alguma limitação especifica no evangelho anunciado primeiramente a Abraão?

Não há limitação quanto aos tipos de famílias: todas.

Qual o significado de ‘todos’ no verso seguinte:

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ).

Existe limitação com relação ao juízo de Deus sobre todos os homens? Não! Então não há limitação quanto à graça de Deus sobre todos os homens!

Não há limitação da parte de Deus, pois Ele é fiel! Mas, há limitação por parte do homem: a incredulidade “Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus?” ( Rm 3:3 ).

A questão ‘incredulidade’ leva a pergunta de n° 8[6] onde há uma profusão de erros de interpretação bíblica.

A resposta para a pergunta: “Cristo morreu pelo pecado da incredulidade?” é não!

Cristo não morreu por ‘pecados’, antes ele morreu pelos pecadores, como se lê:

“Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios ( Rm 5:6 );

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores ( Rm 5:8 );

“Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos” ( Rm 14:9 );

“Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu” ( Rm 14:15 );

“E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu” ( 1Co 8:11 ).

Esses versículos citados enfatizam que Cristo morreu pelos homens, ou seja, pelos pecadores.

Há um único versículo que diz que Jesus morreu por nossos pecados:

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” ( 1Co 15:3 ).

Ora, Jesus morreu pelos ‘ímpios’ ou pelos ‘pecados’?

O apóstolo Paulo nos responde:

“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram” ( 2Co 5:14 ).

Há uma questão teológica a ser entendida com relação a morte de Cristo.

Em primeiro lugar devemos entender que o pecado que atingiu toda humanidade é decorrente da ofensa de Adão, que desobedeceu e trouxe morte sobre todos os homens “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22); “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” ( Rm 5:12 ).

A ofensa contra Deus que resultou no pecado foi a desobediência de Adão, e a desobediência só poderia ser substituída pela obediência. Na verdade a redenção da humanidade é substituição de ato: obediência pela desobediência, como se lê:

“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:18 )

A redenção está na obediência de Cristo.

Mas, para que Cristo obedecesse havia que ser revelada a vontade de Deus, que neste caso era a oblação do corpo de Cristo.

“Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:9 -10).

Mas, por que Cristo morreu?

Ao morrer Cristo não estava oferecendo um sacrifício a Deus, antes estava sendo obediente, e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Semelhante a Abraão que obedeceu a Deus e ia oferecer o seu único filho em holocausto, Jesus obedeceu a Deus como Abraão e foi a ovelha do holocausto. Ele morreu por causa do advento da Nova Aliança, pois era necessário a morte do testador para ter validade a aliança “Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador” ( Hb 9:16 ).

Não foi por pecados que Cristo morreu, antes Ele morreu pelos homens porque são pecadores, daí a colocação paulina: Cristo morreu pelos (por causa dos) nossos pecados “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” ( Is 53:5 ).

Analisaremos em conjunto as questões 6 e 7[7], pois estão intimamente ligadas.

O Pr. Maxwell quer validar o seu argumento com a pergunta: Isto é justo? Esta é uma artimanha das Testemunhas de Jeová ao negarem a existência do lago de fogo: É justo alguém padecer pela eternidade?

Argumentar ante o juiz de toda terra se é justo o que ele faz, não valida qualquer argumento, pois a concepção de justiça do homem é como trapo de imundície diante de Deus.

Deus ordenou a destruição dos amalequitas, e incluiu na matança as crianças. Pergunto: Isto é justo? Mas, as crianças eram inocentes! Questionar se é justo ou não, não é base para validar um argumento, pois mesmo as crianças de Sodoma e Gomorra sendo inocentes, não eram justas diante de Deus “Se porventura de cinquenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco ( Gn 18:28 ).

Cristo veio ao mundo salvar o que se havia perdido. Quem se perdeu? Todos os homens, pelo que se conclui que Jesus veio salvar todos os homens Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos ( Is 53:6 ); “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” ( Lc 19:10 ).

A morte de Cristo garantiu salvação a todos os homens, porém, muitos permanecem separados da vida de Deus por causa da ignorância que há neles. O problema não está na salvação providenciada, pois é poderosa e alcança a todos os homens, sem exceção. O problema é a ignorância.

A Bíblia afirma que por uma só ofensa todos pecaram, e Cristo morreu por causa desta ofensa. Já o erro de conduta das pessoas quer sejam salvas ou não, serão julgadas em tribunal específico: Tribunal de Cristo para os salvos e Tribunal do Trono Branco para os perdidos, onde cada um receberá segundo as suas obras “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” ( Ef 4:18 ).

Devemos nos afastar de qualquer doutrina que tenha aparência de piedade, mas que negue a eficácia do evangelho “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te” ( 2Tm 3:5 ).

Deus não se lembra dos pecados daqueles que ouviram a mensagem e misturaram com a fé “Porque também a nós foram pregadas as boas novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” ( Hb 4:2 ).

O escritor aos Hebreus destaca que o problema não está na mensagem pregada, o problema está naqueles que ouviram, mas ouviram de malgrado “Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure” ( Mt 13:15 ).

O castigo que nos trouxe a paz foi perfeito, mas se alguém negar a Cristo, Ele também o negará “Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará” ( 2Tm 2:12 ). Se a salvação fosse por predestinação, o aviso solene para permanecer firme é sem razão, pois os que creem é para conservar a alma, diferente dos que desistem ( Hb 10:39 ).

Quando Cristo venceu a morte, o pecado foi aniquilado ( Hb 9:26 ). Só permanecem separados de Deus aqueles que permanecem na ignorância.

Embora a questão de nº 7 não leve em consideração o fato de o Cordeiro de Deus ter sido morto desde a fundação do mundo ( Ap 13:8 ), vale salientar que embora a graça é para todos, a promessa de jamais se lembrar dos pecados alcança somente os crentes ( Hb 10:17 ).

Apesar de o Cordeiro de Deus ser manifesto oportunamente na plenitude dos tempos, ele foi morto desde a fundação do mundo. Logo, quando Cristo foi morto (desde a fundação do mundo) não havia homens no inferno, de modo que a sua morte era suficiente para beneficiar a todos que cressem.

Somente os crentes são remidos, porém, a oferta do corpo de Cristo foi feita de uma vez por todas de modo que não há mais oblação pelo pecado ( Rm 8:1 ; Hb 10:18 ). Devemos lembrar que as ações daqueles que creem serão julgadas no Tribunal de Cristo. Os descrentes carregam consigo a condenação decorrente da ofensa de Adão, mas também serão julgados quanto as suas obras “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” ( Ap 20:12 ); “O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou” ( Ec 3:15 ).

O juízo para condenação se deu em Adão, mas haverá juízo de obras. Os pecados que não serão lembrados referem-se aos erros de conduta dos salvos antes de conhecerem a Cristo, pois se deram sob a paciência de Deus “Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:25 -26).

Cristo morreu por causa da ofensa de Adão e ressurgiu para a nossa justificação, o que demonstra que os erros de conduta e as boas ações dos crentes, quando praticados na ignorância são esquecidos. Cristo não morreu por pecados, antes por causa dos pecados para justificação de todo que crê.

Com relação a questão 5[8], entendo pelas Escrituras que Cristo morreu por todos os homens, até mesmo por Caim e Faraó. Devemos lembrar que Jesus é o Cordeiro de Deus que foi morto desde a fundação do mundo, e se Abel foi declarado justo por Deus, tal declaração foi decorrente da fé de Abel.

Caim e Faraó se perderam não por ineficácia da morte de Cristo, mas pela incredulidade deles. Caim se perdeu, mas Abel foi salvo porque creu que Deus o aceitaria graciosamente, e não que seria aceito em função da oferta, de modo que Deus primeiramente o aceitou e depois a sua oferta ( Gn 4:4 ).

Abel se aproximou de Deus pois cria que Ele existe, e o buscou por que sabia que Deus é galardoador dos que O buscam, e não dos que apresentam uma oferta.

Sim! Creio que Jesus morreu por aqueles que já morreram, porque segundo as Escrituras para Deus vivem todos e, mesmo após morrerem, seguem para o juízo. Ora, todos os nascidos de Adão nasceram sob condenação, pois o juízo de Deus foi estabelecido na morte de Adão no Éden. O juízo que o homem segue após morrer a morte ordenada para ocorrer uma só vez é o juízo do Trono Branco, onde haverá julgamento das obras “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” ( Hb 9:27 ).

Cristo é Cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo, porém, a sua morte se deu na plenitude dos tempos ( Gl 4:4 ). Jesus morreu em benefício de todos, porém, indivíduos como Caim e Faraó não se beneficiaram da graça de Deus pela incredulidade deles.

Sim! Jesus morreu de bom grado por homens como Caim e Faraó, pois Ele não se propôs a morrer por homens justos, mas sim pelos ímpios, visto que não havia um justo, nem um se quer ( Sl 53:3 ). Esta é uma prova do amor de Deus: morrer por ímpios como Caim, Faraó, etc. “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” ( Rm 5:8 ).

O convite de salvação é para pecadores, sejam eles a Madre Teresa de Calcutá ou Hitler. Este convite se estende até mesmo para aqueles que mataram o autor da vida ( At 3:19 ).

Com relação aos argumentos dos itens 3 e 4[9], tem-se um caloroso ‘sim’ à pergunta se Cristo morreu de igual forma para Pedro ou Judas.

A verdade é única: Cristo se fez maldito quando foi pendurado no madeiro   e morreu pelos pecadores. Judas Iscariores era pecador? Sim! Então Jesus morreu por ele. Pedro era pecador? Sim! Então, de igual modo Jesus morreu por Pedro.

Cristo não se sentiu satisfeito com a morte de Judas Iscariotes, mas sentiu-se satisfeito com o seu trabalho. Levando-se em conta a profecia de Isaias, com o seu trabalho Jesus ficou satisfeito, pois através do seu conhecimento Ele salvou muitos.

Judas não foi predestinado a perdição, antes Deus onisciente sabe de todas as coisas, e deixou tal evento registrado nas Escrituras. A decisão de Judas não foi estabelecida e nem sofreu influência de Deus, antes foi totalmente autônoma e voluntária.

O registro da traição nas Escrituras é um lampejo da onisciência de Deus, que para nós é presciência. A revelação de eventos futuros para o homem recebe o nome de presciência, já o atributo divino com relação ao conhecimento dá-se o nome de onisciência.

Deus é onisciente, e não presciente. A revelação de Deus aos homens é presciência. O fato de Deus saber da traição e deixar predito nas Escrituras não determinou a traição de Judas, pois tudo o que é já foi, e o que há de ser já ocorreu para Deus, mas Ele pede conta de cada um quanto aos seus feitos. O fato de Deus requerer dos homens seus feitos demonstra que Ele não determina os atos de ninguém ( Ec 3:15 ).

Mas, porque Ele não salvou todos, se Ele morreu por todos? Porque onde há o Espírito de Deus, aí há liberdade, como se lê: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação” ( Hb 3:15 ; Sl 93:8 ). O convite é feito a todos, como se Deus por nos rogasse aos homens para que se reconciliem com Ele, mas Ele não sobrepuja os corações endurecidos ( 2Co 5:20 ).

É contra senso um Deus que escolhe e predestina alguns a salvação rogar através dos seus embaixadores que os homens se reconciliem com Ele.

Deus roga porque todos tem liberdade de aceitar ou recusar convite: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” ( Jo 7:37 ). A água oferecida não tem problema algum, pois é de uma fonte inesgotável e tem poder para saciar todos quanto beberem. O problema está naqueles que ouvem o convite e rejeitam a água.

Deus não tem prazer na morte do ímpio, e Cristo também “Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva?” ( Ez 18:23 ).

Além de Deus não desejar a morte do ímpio, é desejo d’Ele que o ímpio se converta. O problema não está em Deus que faz um convite ao homem para que se converta, e sim nos homens que não dão ouvidos “Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?” ( Ez 33:11 ).

Na questão do proposito que Deus estabeleceu na eternidade em Cristo, de fazê-lo cabeça da igreja e o mais elevado dos reis da terra, opera a soberania de Deus. Mas, nas questões relativas a salvação do homem, opera a misericórdia, por isso diz o apóstolo Paulo: “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ).

Deus estabeleceu o Seu Filho como primogênito, pois Cristo conquistou este direito na cruz, já com relação à salvação, há um pedido aos homens que se reconciliem.

Cristo ficou satisfeito com o seu trabalho, porque embora tenha provido salvação a todos os homens, a proposta é salvar os que creem. Deus não salva pela predestinação ou eleição, e sim pela loucura da pregação, que é o poder de Deus “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação” ( 1Co 1:21 ).

Com relação ao item 2[10], certo é que Cristo veio salvar a humanidade, e o termo ‘eficazmente’ foi amalgamado à salvação para pôr em xeque a salvação em Cristo. A salvação não é especulação teórica, assim como a perdição de todos em Adão não é teoria.

Analisando a doutrina calvinista da eleição e predestinação, a perdição de alguns não passou de teoria, visto que tais ‘salvos’ pela eleição e predestinação nunca estiveram perdidos de fato. De outra banda, os perdidos nunca tiveram a possibilidade de salvação, pois a salvação nunca foi uma providência divina para eles. Segundo a concepção calvinista a salvação é uma falácia!

A Bíblia como verdade deve ser analisada como fato, e não como teoria. Levantar teorias sobre se era possível Cristo morrer pela humanidade em pecado (e não por pecados) e ninguém ser salvo é semelhante a se ater às fábulas e a genealogias intermináveis que mais promovem contendas do que edificação. Mas, nunca houve a possibilidade de ninguém ser salvo, pois Deus mesmo diz que a Sua palavra não volta atrás vazia, e por isso mesmo providenciou poderosa salvação na casa de Davi.

A questão sóbria de n° 1[11] é a pior de todas do ponto de vista dos equívocos. Não é admissível que alguém que se coloca como mestre das Escrituras use os anjos caídos para provar a redenção particular, visto que um mestre das Escrituras deve conhecer as Escrituras.

Cristo não morreu para salvar os seres celestiais caídos! Vejamos os motivos:

  • Os anjos não fazem parte do propósito eterno estabelecido em Cristo, que é Cristo como primogênito entre muitos irmãos ( Hb 2:5 );
  • Com relação ao propósito eterno os anjos são espectadores da multiforme sabedoria de Deus ( Ef 3:10 );
  • Aos anjos caídos não foi dado um mandamento que os salvasse, pois igualmente na queda não desobedeceram um mandamento ( Sl 71:3 ); Um homem desobedeceu o mandamento dado no Éden, agora a salvação para os homens está em um novo mandamento: crer em Cristo;
  • Os anjos não necessitam crer, pois enquanto os homens veem por espelho através dos enigmas, os anjos caídos estavam em contato com a realidade quando caíram;
  • Como não há morte física para os anjos, pois são seres ‘espirituais’, a redenção em Cristo não os alcança. A morte de Cristo só alcança os seus semelhantes segundo a carne sujeitos à morte física, pois qualquer que nele crê é batizado na morte de Cristo para ressurgir uma nova criatura;
  • Cristo foi feito menor que os anjos precisamente para que participasse da paixão da morte, morrendo a morte física em nosso lugar. Entretanto, os pecadores por estarem em um caminho largo que conduz à perdição, isso causa da ofensa de Adão, precisam morrer para o pecado para que se cumpra a lei que diz: a alma que pecar, essa mesma morrerá;
  • Os homens tornaram-se pecadores por uma ofensa de um homem que pecou, já os anjos deliberadamente seguiram cada um a presunção de seus corações;
  • Cristo é mediador entre Deus e os homens, e não mediador entre Deus, anjos e homens.

O fato de Jesus não ter morrido pelos anjos não depõe contra o fato de Jesus ter morrido pela humanidade, pois ele como homem só podia ser mediador de homens, por isso em tudo se fez semelhante aos seus irmãos: participante de carne e sangue ( Hb 2:17 ).

Não existe um grupo particular de pecadores, pois nem mesmo os judeus são diferentes ou melhores diante de Deus que os demais pecadores gentios ( Rm 3:9 ).

A salvação é universal (ilimitada) e inclusiva (todo aquele), porém, só gozarão dessas benesses aqueles que creem no evangelho, ou seja, que invocarem o nome do Senhor, portanto, neste aspecto a salvação é exclusiva dos que creem “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” ( Rm 10:13 ; Rm 1:16 ).

Em suma, Jesus disse que Deus deu o Seu Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Jesus disse que importava que Ele fosse levantado assim como a serpente de metal foi levantada no deserto por Moisés, para todo aquele que nele crê não perecesse, mas tivesse a vida eterna ( Jo 3:14 -16).

Deus amou o mundo que Deus o Seu Filho, porém, os adeptos da doutrina da ‘expiação limita’ fazem um esforço enorme para colocar uma dúvida no coração de quem ouve a mensagem do evangelho:

‘Será que Jesus morreu por você?’

Amado leitor, se esta dúvida sobressaltar o seu coração devido algumas questões doutrinárias, tenha este verso como lema:

“E ele [Jesus] é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” ( 1Jo 2:2 ).

 


[1] Maxwell, Colin ‘Questões sóbrias para aqueles que creem numa redenção universal ou expiação ilimitada’, artigo disponível no Site Monergismo < http://www.monergismo.com/textos/expiacao_limitada/questoes.htm > consulta realizada em 26/06/15.

[2] ‘Conhecer’ no sentido de se fazer um com Cristo ( Ef 5:30 ). Não diz de ‘presciência’, ou de ‘antever’, e sim de comunhão intima “E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” ( Jo 17:11 ).

[3] “13) Aparte da possibilidade de um ocasional hiper calvinista – uma espécie em extinção – você já ouviu um calvinista declarar que ele não necessita evangelizar, visto que o sacrifício de Cristo garante a salvação dos eleitos, quer ele evangelize, quer não?”

[4] “10) Você reconhece a distinta vantagem de se crer na redenção particular – que ela realmente realizará aquilo para o qual foi designada, isto é, a certa e infalível salvação daqueles por quem ela foi pretendida? Você reconhece a distinta desvantagem de se crer numa redenção geral que reside no tipo de imprecisão e o não poder reivindicar 100% de sucesso?”

[5] “9) Você crê que na Bíblia, palavras como “todos” e “mundo” e “todo homem” sempre significa cada pessoa ou coisa individualmente, a menos que seja limitada especificamente (por exemplo, 1 João 3:3) OU você reconhece que algumas vezes na Bíblia, palavras como “todos” significa “todos tipos de” (1 Timóteo 6:10) e “mundo” significa os gentios em oposição aos judeus somente (João 12:19-20) e “todo homem” significa “todos tipos de homem” (Atos 4:35/1 Coríntios 7:2), sem qualquer menção específica de uma limitação?”

[6] “8) Cristo morreu pelo pecado da incredulidade? Se sim, porque este pecado impede o pecador, mais do que qualquer outro pecado pelos quais Cristo morreu?”

[7] “6) Cristo realmente suportou os pecados daqueles que já estavam ou agora estão ou irão estar no inferno quando Ele morreu por eles? O resultado disto é o mesmo do crente, isto é, o esquecimento de Deus dos seus pecados (Hebreus 10:17)? Se sim, por que eles estão sendo relembrados agora? Se não, até que ponto é a diferença que você está introduzindo?” e; “7) Se Cristo sofreu e morreu por aqueles que estão agora sofrendo no inferno e agonizante pelos seus pecados… não estaria Deus exigindo castigo duas vezes pelos mesmos pecados? Isto é justo?”

[8] “5) Você crê que Cristo morreu por aqueles que já estavam no inferno, isto é, Caim, Faraó, etc., quando Ele veio ao mundo? Ele morreu de bom grado por eles, suportando todos os seus pecados, mesmo embora Ele soubesse que nem um milímetro de Seus sofrimentos jamais os beneficiaria?”

[9] “3) Cristo falhou, no final das contas, no Seu propósito de Sua morte? Ele realmente verá o fruto do trabalho de Sua alma e ficará SATISFEITO? (Isaías 53:11) Cristo está realmente satisfeito com o fruto do trabalho de Sua alma quando Ele vê Judas Iscariotes, (por quem, você insiste, Ele morreu, da mesma forma como por João e Pedro, etc.) indo para o próprio lugar onde teria sido melhor para ele nunca ter nascido? (Marcos 14:21) 4) Você relaciona a morte de Cristo – certamente o assunto mais importante sempre – com versos como Isaías 14:24/14:27/46:10/Salmos 115:3/Provérbios 19:21 etc., os quais ensinam que os propósitos de Deus são certos e não podem ser frustrados?”

[10] “2) Cristo veio e morreu para salvar eficazmente homens ou apenas para fazer a salvação possível? Então, era teoricamente possível que Cristo poderia morrer por pecados e ninguém ser salvo?”

[11] “1) Você crê que Cristo morreu pelos pecados dos anjos caídos, que estão reservados na escuridão e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia (Judas 6), quando serão lançados como malditos no fogo eterno (Mateus 25:41), para serem atormentados de dia e de noite para todo o sempre (Apocalipse 20:10)? OU você crê que a expiação foi limitada a um grupo particular de pecadores?”

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A mulher cananéia

A multidão intentou apedrejar Jesus por causa das suas palavras e não por causa dos milagres que ele realizou “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” ( Jo 10:32 -33).

 


“E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom. E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, SENHOR, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã” ( Mt 15:21 -28).

 

Uma estrangeira crente

Após recriminar os fariseus por pensarem que servir a Deus era o mesmo que seguir tradições de homens ( Mc 7:24 -30), Jesus e seus discípulos seguiram para as terras de Tiro e de Sidom.

O evangelista Lucas deixa claro que, em terras estrangeiras Jesus entrou em uma casa e não queria que soubessem que ali estava, porém, não foi possível esconder-se. Uma mulher grega, siro-feníncia de sangue, que tinha uma filha possuída por um espírito imundo, ao ouvir falar de Jesus, passou a rogar-lhe que expulsasse da sua filha o espírito que a atormentava “Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés” ( Lc 7:25 ).

O evangelista Mateus descreveu que a mulher saiu das cercanias e passou a clamar dizendo: – Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada! Mas, apesar das súplicas, Jesus parecia não ouvi-la.

Diferentemente de muitos outros que ouviram falar de Jesus, a mulher cananéia declarava uma verdade ímpar: – Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim…

A mulher não clamou por um mago, um feiticeiro, um curandeiro, um milagreiro, um médico, etc., antes clamou pelo Filho de Davi. Enquanto os filhos de Israel questionavam se Cristo realmente era o Filho de Davi, a mulher cananéia clamou plena de certeza: – Senhor, Filho de Davi…, uma certeza impar se compararmos com as especulações da multidão “E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de Davi?” ( Mt 12:23 ).

Deus havia prometido nas escrituras que o Messias seria filho de Davi, e o povo de Israel aguardava ansiosamente a sua vinda. Deus prometera que um descendente de Davi, segundo a carne, havia de construir uma casa a Deus e o reino de Israel se firmaria acima de todos os reinos ( 2Sm 7:13 e 16). Porém, a mesma profecia deixava claro que este descendente seria o Filho de Deus, pois o próprio Deus seria o seu Pai, e o descendente seu Filho “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens” ( 2Sm 7:14 ).

Mesmo tendo nascido na casa de Davi, pois Maria era descendente de Davi, os escribas e fariseus rejeitaram o Messias. Embora as Escrituras deixassem bem claro que Deus tinha um Filho, não creram em Cristo e rejeitavam a possibilidade de Deus tem um Filho “Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” ( Pv 30:3 ).

Diante da pergunta de Jesus: “Como dizem que o Cristo é filho de Davi?” ( Lc 20:41 ), seus acusadores não souberam responder o porquê Davi chamou profeticamente o seu filho de Senhor, se compete aos filhos honrar os pais e não os pais aos filhos ( Lc 20:44 ), porém, o que aquela mulher estrangeira ouviu acerca de Cristo foi o suficiente para concluir que Cristo era o Filho de Deus a quem Davi chamou de Senhor.

Ora, apesar de estrangeira, a mulher ouviu falar de Cristo, e a informação que chegou até ela levou-a a concluir que Cristo era o Messias prometido, o Descendente de Davi “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra” ( Jr 23:5 ).

Por causa do clamor da mulher os discípulos ficaram incomodados, e pediram a Cristo que a despedisse. Foi quando Jesus respondeu aos discípulos dizendo: – Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Apesar de estar em terra estrangeira, Jesus enfatizou qual era a sua missão “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” ( Jo 1:11 ); “Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso” ( Jr 50:6 ).

Como o povo de Israel se esqueceu do ‘lugar do seu repouso’, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, a anuncia-los: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ); “Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne” ( Rm 1:3 ).

Ao convocar o seu povo dizendo: – Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, Jesus se identifica como sendo o cumprimento do que foi profetizado por boca de Jeremias.

O povo do Messias o rejeitou, mas a mulher cananéia aproximou-se de Jesus e o adorou, dizendo: – Senhor, socorre-me!

O evangelista Mateus deixa claro que, pelo fato de a mulher ter pedido socorro a Cristo, estava adorando-O. Pelo fato de ter clamado: – Senhor, socorre-me!, o pedido da mulher era uma adoração ao Filho de Davi.

Por ter ouvido acerca de Jesus, a mulher creu no fato de que Ele era o Filho de Davi e, concomitantemente creu que Cristo era o Filho de Deus, pois adorou-O. O evangelista deixa claro que, o ato de pedir a Cristo que lhe concedesse a dádiva de libertar a sua filha daquele terrível mal, algo impossível aos homens, constituiu adoração.

A adoração da mulher aparentemente não surtiu efeito, pois Jesus lhe disse: – Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. A resposta de Cristo à mulher foi um complemento à resposta de Cristo aos discípulos.

O registro de Lucas dá o significado exato à frase de Cristo: “Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” ( Mc 7:27 ). Jesus estava enfatizando que a sua missão estava vinculada à casa de Israel, e atende-la, seria comparável ao ato de um pai de família que tira o pão dos filhos e dá aos cachorrinhos.

A resposta da mulher é surpreendente, pois ela não se fez de rogada ao ser comparada aos cães, e responde: Sim, SENHOR, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Ela confirma o que Jesus lhe disse, porém, enfatiza que não buscava o alimento destinado aos filhos, mas a migalha que cabe aos cachorrinhos.

Para aquela mulher, a migalha da mesa do Filho de Davi era suficiente para resolver o seu problema. Ela demonstrou que não tinha a pretensão de tirar o pão dos filhos que possuíam o direito de serem participantes da mesa, antes bastava a migalha que caísse da mesa do Filho de Davi.

Foi quando Jesus lhe respondeu: – Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a filha da mulher ficou sã.

É importante notar que a mulher foi atendida por crer que Cristo era o enviado de Deus, o Filho de Davi, o Senhor, e não porque Jesus se comoveu pelo sentimento de uma mãe desesperada.

Não é o desespero de uma mãe que faz com que Deus venha em socorro do homem, pois Cristo quando leu as Escrituras no profeta Isaias, que diz “O Espírito do Senhor é sobre mim…”, disse: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” ( Lc 4:21 ), e deixou claro que é a confiança em Deus que move a mão Deus, pois havia inúmeras viúvas necessitadas em Jerusalém, porém, Elias foi enviado à casa de uma viúva estrangeira. Por quê? Porque aquela moradora da cidade de Sarepta de Sidom reconheceu que Elias era profeta, e apesar de sua necessidade, que beirava ao desespero, demonstrou a sua confiança em Deus ao obedecer a palavra do profeta ( Lc 4:25 -26).

 

O Testemunho das Escrituras

Muitos que seguiam a Cristo possuíam necessidades semelhantes à da mulher cananéia, porém, aquela mulher destacou-se da multidão por reconhecer duas verdades essenciais: que Cristo era o Filho de Davi e, concomitantemente, o Senhor.

Embora Cristo tenha sido enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, anunciando o evangelho e realizando muitos milagres, os israelitas tinham para si que Cristo não passava de um profeta “Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas” ( Mt 16:14 ).

Como os homens não sabiam quem era o filho do homem, Cristo interpelou aos seus discípulos: – E vós, quem dizeis que eu sou? Foi quando o apóstolo Pedro fez a confissão (admitiu) que Cristo é o Filho do Deus vivo.

Como os judeus não conseguiam ver que Cristo era o Messias prometido, Jesus orienta seus discípulos a não declararem esta verdade a ninguém “Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era Jesus, o Cristo” ( Mt 16:20 ).

Por que Jesus não queria que os discípulos declarassem que Ele era o Cristo?

Porque Jesus queria que os homens cressem nele conforme as Escrituras, pois são elas que testificam d’Ele. Isto porque Jesus deixa claro que, se testificasse de si mesmo o seu testemunho não seria verdadeiro “Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro” ( Jo 5:31 ), e que o testemunho verdadeiro e suficiente é proveniente do Pai (das Escrituras) “Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro” ( Jo 5:32 ).

Apesar de entendermos que João Batista deu testemunho do Cristo, contudo o testemunho dele era testemunho da verdade “Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade” ( Jo 5:33 ), ou seja, tudo o que o Batista dizia tinha relação direta com as Escrituras, pois só a palavra de Deus é a verdade ( Jo 17:17 ).

Ora, Jesus não queria que seus discípulos divulgassem que Ele era o Cristo porque ele não recebe testemunho de homens ( Jo 5:34 ), antes Ele possuía um testemunho maior, o testemunho do Pai, e todos os homens devem crer no testemunho que as Escrituras dá do Filho “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ).

Note esta verdade evidenciada na resposta de Abraão a um rico em tormento: “Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite” ( Lc 16:31 ). Crer em Deus não decorre de milagres, antes do testemunho que os profetas anunciaram acerca da verdade ( Jo 4:48 ).

Contar ‘milagres’ não é testemunho da verdade. O apóstolo Pedro deixa claro o que é testemunhar: “Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” ( 1Pe 1:25 ). Testemunhar é falar a palavra de Deus, falar o que diz as Escrituras, anunciar Cristo aos homens.

Em nossos dias a ênfase de muitos está nas pessoas e em milagres por elas operados, mas a bíblia deixa claro que o ministério dos apóstolos não se apoiava nos milagres, antes se apoiava na palavra. O primeiro discurso de Pedro expunha aos habitantes de Jerusalém o testemunho das Escrituras ( At 2:14 -36). Mesmo após a cura de um coxo à porta do templo, repreendeu os seus ouvintes para que não ficassem maravilhados em relação ao sinal miraculoso ( At 3:12 ), e em seguida expôs o testemunho das Escrituras ( At 3:13 -26).

Quando os judeus apedrejaram Estevão, ele estava como João Batista, testemunhando acerca da verdade, ou seja, expondo o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho, anunciando à multidão enfurecida, as Escrituras ( At 7:51 -53).

Se Estevão estivesse contando sinais miraculosos, jamais seria apedrejado, pois a rejeição dos homens é quanto à palavra e não quanto aos sinais miraculosos ( Jo 6:60 ). A multidão queria apedrejar Jesus por causa das suas palavras e não por causa dos milagres que realizou “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” ( Jo 10:32 -33).

Muitos viram o milagre que Cristo operou para com a mulher cananéia, porém, a multidão que o seguia não confessou que Jesus era o Filho de Davi como ela fez ao ouvir acerca do Verbo eterno, a palavra do Senhor que permanece para sempre. O povo de Israel era dado a ouvir as Escrituras, mas estava aquém da mulher cananéia que, ao ouvir acerca de Jesus, deu crédito e clamou pelo Filho de Davi, e o adorou.

O diferencial da mulher está no fato de que ela ouviu e creu, enquanto a multidão que seguia Cristo viam os milagres ( Mt 11:20 -22), examinavam as escrituras ( Jo 5:39 )e, equivocadamente, concluíam que Jesus era somente um profeta. Rejeitavam a Cristo de modo que não obtiveram vida ( Jo 5:40 ).

Na mulher cananéia e nos muitos gentios que creram, temos o cumprimento do anunciado por Isaias: “Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui” ( Is 65:1 ).

Ora, sabemos que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus, e o que a mulher ouviu foi o bastante para crer “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ). Qualquer que ouve e crê é bem-aventurado, pois Jesus mesmo disse: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” ( Jo 20:29 ).

Como a mulher cananéia creu, ela viu a gloria de Deus “Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” ( Jo 11:40 ), diferente do povo de Israel que esperava ver o sobrenatural para que pudesse crer “Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?” ( Jo 6:30 ).

Ora, a gloria de Deus é revelada na face de Cristo, e não em operações miraculosas “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ). O que salva é resplendor da face do Senhor que escondeu o seu rosto da casa dos filhos de Israel “E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei” ( Is 8:17 ; Sl 80:3 ).

A mulher foi atendida porque creu, e não porque colocou Jesus contra a parede, ou porque o chantageou dizendo: – Se não me atenderdes, rasgarei as Escrituras. Antes de ser agraciada com a libertação da filha, a mulher já havia crido, diferente de muitos que querem uma ação miraculosa para crer.

O que a mulher ouviu acerca de Cristo? Ora, se a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. O que a mulher ouviu não foi o testemunho de milagres ou que alguém famoso havia se convertido. Ouvir que alguém alcançou um milagre, ou ler uma faixa dizendo que alcançou uma graça não fará uma pessoa confessar abertamente que Cristo é o Filho de Davi!

O testemunho que produz fé é proveniente das Escrituras, pois são elas que testificam de Cristo. Falar que um artista converteu-se, ou que alguém deixou as drogas, a prostituição, etc., não é a lei e o testemunho selado entre os discípulos de Cristo. O profeta Isaias é claro: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” ( Is 8:20 ).

O testemunho é a marca registrada da igreja, e não os sinais miraculosos, pois Cristo mesmo alertou que os falsos profetas operariam sinais, profetizariam e expulsariam demônios ( Mt 7:22 ). O fruto que procede dos lábios, ou seja, o testemunho é o diferencial entre o verdadeiro e o falso profeta, pois o falso profeta virá disfarçado de ovelha, de modo que, pelas ações e aparência é impossível identifica-los ( Mt 7:15 -16).

‘Quem crer em mim segundo as Escrituras’ esta é a condição estabelecida por Cristo para que haja luz nos homens “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” ( Jo 7:38 ), pois as palavras de Cristo é Espírito e vida ( Jo 6:63 ), semente incorruptível, e somente tal semente faz germinar uma nova vida que dá direito a vida eterna ( 1Pe 1:23 ).

Qualquer que crer em Cristo como o Filho de Davi, o Senhor, o Filho do Deus vivo, já não é estrangeiro e nem forasteiro. Não viverá das migalhas que caem da mesa do seu senhor, antes se tornou concidadão dos santos. Passou a ser participante da família de Deus “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus” ( Ef 2:19 ).

Quem crê no Filho de Davi creu no Descendente prometido a Abraão, portanto é bem-aventurado como o crente Abraão, e participante de todas as beneficências prometidas por Deus através dos seus santos profetas, pois tudo que os profetas escreveram, escreveram a respeito do Filho ( Jo 5:46 -47 ; Hb 1:1 -2).

Quem crê pode todas as coisas em Deus, como se lê: “Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados” ( Hb 11:33 -40).

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Malaquias descreve o amor de Deus

Deus instrui o povo: Não darás a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada. O que Deus demonstra? Que era vetado favorecer um filho em detrimento do outro. Deus ensina por meio da lei que é vetado negar o que é de direito a um filho. E quanto ao que ocorreu com Isaque e Esaú? Deus favoreceu a Jacó? Da relação fraterna entre Esaú e Jacó (Não era Esaú irmão de Jacó?) é possível determinar como se dá o amor de Deus. Leia e descubra!


1 Peso da palavra do SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias.
2 Eu vos tenho amado, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado? Não era Esaú irmão de Jacó? disse o SENHOR; todavia amei a Jacó,
3 E odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto.
4 Ainda que Edom diga: Empobrecidos estamos, porém tornaremos a edificar os lugares desolados; assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, e eu destruirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o SENHOR está irado para sempre.
5 E os vossos olhos o verão, e direis: O SENHOR seja engrandecido além dos termos de Israel.

Pouco se sabe a respeito deste servo do Senhor, mas as profecias que Malaquias entregou ao povo de Israel nos dizem muito!

As profecias que foram entregue por ele nos dizem muito porque nelas estão descrita a maneira pela qual Deus se relaciona com suas criaturas.

Outra característica do livro de Malaquias que é importante observar são os parâmetros que o livro nos permite traçar e destacar quanto a interpretação bíblica.

 

Característica do livro

O livro é um misto de perguntas e respostas diretas.

Em cada ciclo de perguntas e respostas temos uma idéia central a ser analisada. Neste primeiro ciclo a idéia em destaque é o amor de Deus para com o seu povo Israel.

As perguntas e respostas apontam para o presente. O ‘agora’ do escritor e dos destinatários. Elas fazem referência a alguns elementos do passado, mas a aplicabilidade dos ensinos é para o momento em que o profeta está passando a mensagem presente Ex: ( Ml 1:2 -4).

Em todos os ciclos de perguntas e respostas encontramos uma profecia que aponta para um futuro distante, e que serve de consolo àqueles que receberam de bom grado o peso do Senhor Ex: ( Ml 1:5 ).

Para interpretar o livro de Malaquias, precisamos nos socorrer das referências feitas no novo testamento, e das citações de certos personagens que o escritor faz.

Ao lermos a passagem: “Amei a Jacó, e aborreci a Esaú”, devemos verificar os elementos que compõe a história de Esaú e Jacó, sem no esquecermos das referências e aplicabilidade feita pelos apóstolos no novo testamento.

Este é o nosso objetivo, encontrar a ideia que as passagens procuram transmitir.

 

A sentença

Peso da palavra do SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias ( Ml 1:1 )

O livro de Malaquias contém várias sentenças proferidas por Deus repreendendo o povo de Israel.

O público alvo deste livro é o povo de Israel. Eles eram os destinatários exclusivos da mensagem divina quanto ao peso.

Deus usou o profeta Malaquias para entregar uma mensagem contra Israel.

Diante desta característica do livro se faz necessário um cuidado maior quanto a interpretação das mensagens nele contida.

É necessário a quem interpreta o livro observar estes aspectos, pois eles delineiam o caminho para uma interpretação segura.

Observe: A mensagem do livro é especifica para Israel, mas alguns dos aspectos da mensagem demonstram de que maneira Deus se relaciona com suas criaturas. A mensagem é especifica a Israel, mas a maneira que Deus se relaciona com suas criaturas é pertinente a todos os homens.

Através da mensagem entregue pelo profeta é possível compreendermos em que se baseia o amor de Deus.

 

“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” ( Os 6:3 )

 

O povo

Israel, alvo da mensagem.

É o povo escolhido por Deus para fazer conhecido o seu nome a todas as nações. Como nação foi escolhida para a importante missão de demonstrar o maravilhoso nome de Deus a todos os homens.

Por intermédio do povo de Israel Deus revelou poderosa salvação a todos os homens.

Paulo demonstrou aos cristãos em Roma que ao povo de Israel (a nação) foi dado a lei, o culto, as promessas, os patriarcas e Cristo Jesus segundo a carne ( Rm 9:3 -4).

A escolha de Israel não foi para promover a salvação individual de cada homem desta nação, ou seja, a escolha da nação de Israel não é comparável à missão da igreja.

Por Deus agir de forma poderosa ao tirar o povo do Egito, conduzindo-o pelo deserto, Israel tornou-se conhecido a todos os povos.

Os grandes feitos realizados por Deus em prol de Israel tornou conhecido o nome do Deus de Israel ( Ex 14:17 -19; Ex 15:14 ).

Esta foi a missão pela qual o povo de Israel foi escolhido em meio a outras nações ( Dt 7:7 ). Um homem torna-se uma nação através do cuidado especial do seu Deus.

“E correu de ti a tua fama entre os gentios, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor DEUS” ( Ez 16:14 ).

Israel era e continuará sendo o povo de Deus com uma missão específica.

Mas a escolha para a missão não proporcionou salvação aos israelitas ( Rm 9:6 ).

Para alcançarem a salvação de Deus os israelitas deviam crer na mensagem apregoada pelos seus profetas.

E qual era a mensagem apregoada desde Moisés, que é essencial a salvação individual?

 

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 )

Recapitulando: Observe que Deus escolheu e tirou Israel do Egito, mas logo em seguida, quase todos aqueles que tinham acima de 20 anos acabaram perecendo no deserto! O salmista bem retrata este quadro no salmo 78:

 

“Não refrearam o seu apetite. Ainda lhes estava a comida na boca, Quando a ira de Deus desceu sobre eles, e matou os mais robustos deles, e feriu os escolhidos de Israel. Com tudo isto ainda pecaram, e não deram crédito às suas maravilhas. Por isso consumiu os seus dias na vaidade e os seus anos na angústia” ( Sl 78:30 -33).

 

Deus feriu no deserto os escolhidos de Israel. Seriam os escolhidos para a salvação? Não! Deus feriou os escolhidos que executavam a importante missão de fazer conhecido o nome do Senhor.

Se a escolha de Deus fosse para promover a salvação eterna de todos que saíram do Egito, eles não teriam sido consumidos no deserto “…pois não creram em Deus, nem confiaram na sua salvação” ( Sl 78:22 ).

A salvação de Deus não foi dada à nação, mas para alcançá-la bastava ao povo darem ouvido a voz do Senhor: “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração..”.

Após esta breve análise verifica-se que a sentença de Deus proferida por Malaquias contra Israel tem como objetivo repreender a nação, visto que a nação toda havia se distanciado da presença do Senhor.

Por isso o livro inicia-se assim: “Peso da palavra do Senhor contra Israel…” A sentença é especifica ao povo de Israel, pois todos se desviaram cada um após os seus próprios caminhos.

“…também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações” ( Is 66:3 ).

Resumindo: Israel foi escolhido para a missão de tornar conhecido o nome de Deus a todos os povos, mas a salvação de Deus só é alcançada individualmente por meio da fé ( Sl 78:22 ).

 

O motivo do peso do Senhor

É histórica a obstinação do povo de Israel em não atender o seu Deus. Desde que foram tirados do Egito, o povo sempre oscilou em seus caminhos perante o Senhor.

Parecia um ciclo vicioso: o povo pecava, Deus os repreendia e eles se arrependiam “Porque conheço a tua rebelião e a tua dura cerviz; eis que, vivendo eu ainda hoje convosco, rebeldes fostes contra o SENHOR; e quanto mais depois da minha morte?” ( Dt 31:27 ).

O peso, ou a sentença de Deus para um determinado povo, geralmente é proferido quando a medida de transgressão de um povo é completa.

O povo de Israel se arrependia quando estava em dificuldade, mas o livro de Malaquias evidencia um novo comportamento do povo frente a mensagem divina.

Eles deixaram de considerar os seus pecados, e passaram a questionar a mensagem entregue pelos seus profetas.

O peso do Senhor é contra a condição pecaminosa que estavam e por passarem a questionar a mensagem do Senhor.

O povo restaurado do cativeiro tornou-se mais reclusos em seus pecados. Este é o motivo do peso do Senhor.

Verificamos que a mensagem de Deus é específica ao povo de Israel e que só alguns aspectos da mensagem dizem respeito a toda humanidade. Verificamos também que Israel foi comissionado para uma missão, o que não dá direito a salvação.

Por último, nos inteiramos do motivo pelo qual Deus declara a sua sentença contra Israel.

 

Deus declara o seu amor

Os cinco primeiros versículos do livro de Malaquias tratam especificamente do amor de DEUS para com o seu povo.

A mensagem do livro destina-se ao povo de Israel, mas como o amor de Deus também é direcionado a toda humanidade, estes cinco versículos nos ajudarão a compreender alguns aspectos deste amor.

No novo testamento lemos o seguinte:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 ).

Do livro de Malaquias extraímos a seguinte afirmação:

“Eu vos tenho amado, diz o SENHOR” ( Ml 1:2 ).

Analisaremos a declaração de amor que Deus fez ao povo de Israel com base no versículo seguinte:

“Agora, pois, seja o temor do SENHOR convosco; guardai-o, e fazei-o; porque não há no SENHOR nosso Deus iniquidade nem acepção de pessoas, nem aceitação de suborno ( 2Cr 19:7 ).

Este versículo nos revela três verdades que são imutáveis. Se estas verdades são inalteradas, elas servem de base para a nossa análise.

Em Deus não há:

a) Pecado, pois Ele é santo;

b) Acepção de pessoas;

c) Ele não aceita suborno (não corrompe o direito).

Deus é santo, pois a ninguém oprime. Ou seja, Deus não pode ser tentado pelo mal “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” ( Tg 1:13 ).

É nestes termos que se revela a santidade de Deus: apesar de sua soberania, Deus não oprime as suas criaturas.

Segue-se que este princípio refere-se a todos, pois ele não faz acepção de pessoas. Independente de origem, raça, nação, comportamento, etc. Deus não faz acepção. Trata a todos de igual modo.

É da natureza divina a retidão, a justiça e o juízo. Deus não corrompe o direito de ninguém, e aliado a isso, ele não faz acepção de pessoas.

Estas são verdades eternas que não podem ser mudadas. Não importa o povo a época, as pessoas, o comportamento dos homens, por que: Deus não faz acepção de pessoas, e ama a todos os homens.

Da mesma maneira que Deus ama a todos os homens indistintamente, Deus amava a cada um dos integrantes do povo de Israel ( Dt 4:37 ; Dt 7:7 -8 ; Dt 10:15 ; Dt 23:5 ).

Este é o primeiro parâmetro que utilizaremos para analisar a afirmação de Deus: “Eu vos tenho amado…”.

Da mesma forma que Deus amou ao povo de Israel, ele amou o mundo, isto porque ele não faz acepção de pessoas. Precisaremos deste raciocínio para interpretar o restante do texto.

A afirmação de Deus é categórica ao povo de Israel: “Eu vos tenho amado”. Esta afirmação não pode ser tomada de forma relativa, ou de maneira parcial. O amor de Deus é pleno conforme Ele mesmo afirma.

 

A queixa de um povo

Esta foi a resposta leviana do povo: Em que nos tem amado?” ( Ml 1:2 ).

É plausível a pergunta do povo de Israel?

Uma nação decadente como conseqüência direta de seus pecados pergunta sem ao menos observar os grandes feitos de Deus no passado.

“Oh geração! Considerai vós a palavra do SENHOR: Porventura tenho eu sido para Israel um deserto? Ou uma terra da mais espessa escuridão? Por que, pois, diz o meu povo: Temos determinado; não viremos mais a ti?” ( Jr 2:31 )

A declaração de amor que Deus fez ao povo é uma resposta às queixas constantes do povo de Israel. Eles constantemente diziam: “Em que nos amaste?” Com esta pergunta o povo queria que fosse revelado onde Deus demonstrou o seu amor, visto que a condição do povo era miserável e deprimente frente às outras nações.

A queixa constante “Em que nos amastes” é que traz a declaração divina: “Eu vos amei, diz o Senhor”.

 

Deus dá provas do seu amor

A pergunta: “Não era Esaú irmão de Jacó? Disse o SENHOR” nos dá os elementos essenciais para compreendermos o amor de Deus para com o homem.

Da relação fraternal entre Esaú e Jacó destacamos os seguintes elementos que devem ser analisados:

1. Esaú e Jacó: filhos de Isaque;

2. Ambos nasceram milagrosamente;

3. Eram gêmeos;

4. A primogenitura;

5. A linguagem utilizada.

Só é possível compreendermos a prova de amor que Deus apresenta após analisarmos minuciosamente estes cinco elementos que existem na relação fraternal de Esaú e Jacó.

 

A história

Deus prometeu a Abraão que dele faria uma grande nação e que nele seriam benditas todas as nações da terra “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra!” ( Gn 12:2 -3).

Apareceu o Senhor novamente e prometeu a Abraão que a sua semente daria as terras de Canaã “E apareceu o SENHOR a Abrão, e disse: À tua descendência darei esta terra. E edificou ali um altar ao SENHOR, que lhe aparecera” ( Gn 12:7 ).

Até aqui Deus prometeu a Abraão que dele seria feito uma grande nação, que eles possuiriam a terra de Canaã e que de Abraão todas as famílias da terra seriam benditas.

Mas, algo preocupava Abraão: ele não tinha filhos.

Ele questionou o Senhor: “O Senhor Deus, o que me darás, se continuo sem filhos?” ( Gn 15:2 ).

Abraão apresentou o seu servo damasceno Eliézer como solução por não ter um filho, foi então que Deus prometeu: “…aquele que das tuas entranhas sair será o teu herdeiro”. Abraão creu, e isto foi lhe imputado como justiça.

Por que a fé de Abraão foi lhe imputada como justiça?

A explicação é simples: Se Abraão creu que Deus é poderoso para dar-lhe o que prometeu (neste caso um filho de suas entranhas), é porque ele cria na providência divina. Como a salvação nada mais é do que a providência divina a toda humanidade, Abraão foi justificado.

Logo em seguida, Sara, a mulher de Abraão, quis ter um filho por meio da sua escrava egípcia, Hagar. Foi quando nasceu Ismael.

Novamente Deus aparece e reitera as suas promessas a Abraão, e ele apresenta Ismael diante do Senhor, pois se achava velho para ter um filho ( Gn 17:17 -18).

 

Deus cumpriu a sua promessa e Isaque nasceu

Mas, Sara viu o filho da escrava zombando de seu filho e mandou Abraão despedir a escrava com o seu filho; Abraão ficou ressabiado, pois Ismael, segundo a sua concepção, era o seu primogênito. Deus disse a Abraão: “Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência” ( Gn 21:12 ).

A promessa de Deus não se refere à descendência carnal de Abraão, como foi o caso de Ismael e os filhos das concubinas de Abraão ( Gn 25:5 -6). A promessa se concretizou na descendência proveniente da própria promessa – Isaque.

A promessa de Deus diz respeito a Isaque, e não a Ismael.

Os filhos de Abraão e de Isaque haveriam de herdar a terra porque Deus prometeu. Haveria de adquiri-la por meio da fé? Não! Eles tinham direito a terra prometida, pois Deus a concedeu a descendência de Abraão por promessa.

Mas, e quanto à salvação? Eles haveriam de adquirir a salvação pelo simples fato de serem descendência e herdeiros de Abraão “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos…” ( Rm 9:7 ). Herdar a terra prometida é o mesmo que alcançar a salvação de Deus? Não!

A promessa de salvação feita por Deus refere-se aos que crêem no descendente de Abraão, que é Cristo “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ).

Paulo complementa: “Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” ( Rm 9:8 ).

Para ser filho da promessa o homem precisa crer na providência divina, e então será justificado como foi o patriarca Abraão ( Jo 1:11 -12).

Deus havia prometido a Abraão que em Isaque seria chamada a sua descendência ( Gn 21:12 ). Quando a Abraão e Sara parecia impossível terem um filho, nasceu Isaque.

De Isaque nasceram Esaú e Jacó, ambos herdeiros.

Observe que tanto Esaú quanto Jacó tinham plenos direitos de herdarem de Isaque.

Ao fazer referência ao termo ‘herdar’, estamos fazendo referencia a um direito terreno. Já a promessa faz referencia a bens eternos.

 

A Promessa

Da promessa sabemos que ela refere-se ao DESCENDENTE, que é Cristo, pois nele são benditas todas as famílias da terra.

“E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” ( Gn 12:3 ).

“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ).

Observe que a promessa foi feita a Abraão e a sua descendência, que é Cristo; desta promessa fundamenta-se o evangelho, pois a Abraão foi anunciado o evangelho primeiramente ( Gl 3:8 ).

O fato de em Abraão serem benditas todas as famílias da terra nos dá parâmetros para entendermos a base do evangelho.

Abraão creu em Deus, e isto lhe foi imputado como justiça.

Conclui-se que, como Deus não faz acepção de pessoas, aqueles que crerem na justiça de Deus (providenciada e demonstrada aos homens), serão justificados como o crente Abraão ( Gl 3:6 -9).

A promessa é por graça, pois Abraão não realizou obra alguma que merecesse a justiça divina, mas ao crer que Deus poderia realizar tudo o que prometerá, foi justificado! Observe que Deus pode realizar muito mais do que aquilo que pensamos ou pedimos ( Ef 3:20 ).

Abraão pensava em sua descendência quando recebeu a justiça de Deus.

Segue-se que a promessa diz respeito àqueles que são da fé, ou seja, daqueles que são filhos de Deus; daqueles que tem a mesma fé que teve Abraão.

Por outro lado, tanto Esaú quanto Jacó eram filhos de Abraão segundo a carne, e se a promessa fosse por descendência, ambos deveriam ser filhos da promessa. Mas não é assim a promessa ( Rm 9:8 ).

 

Herdeiros

Com relação a herdar de Isaque, Esaú e Jacó tinham direito.

Com relação à promessa ambos precisavam crer para alcançá-la, mas com relação à herança, ambos tinham direito.

Com relação ao direito a herança de Abraão, nem o jovem Damasceno, nem Ismael puderam herdar ( Gn 15:2 -3 e Gn 21:10 ). Observe que aos filhos das concubinas Abraão deu presente, mas a Isaque, Abraão deu tudo que possuía ( Gn 25:4 -5).

Abraão queria de várias formas constituir um herdeiro para si, mas Deus lhe prometeu que teria um filho de Sara sua mulher ( Gn 17:19 ).

Nasceu Isaque que tornou-se herdeiro de Abraão, e nele também foi chamada a descendência de Abraão conforme a promessa.

Como Isaque era único não houve qualquer discórdia acerca das questões em torno da primogenitura. Com Esaú e Jacó tal discussão é diferente.

Esaú, Jacó e Isaque eram filhos de Abraão; Esaú, Jacó e Isaque eram herdeiros de Abraão; Isaque era descendente segundo a promessa, mas de Esaú e Jacó não podemos dizer o mesmo.

Da mesma maneira que Esaú e Jacó nasceram de uma estéril, o que demonstra um milagre de Deus, Isaque também nasceu. Mas ter direito a herança e nascer de uma concepção milagrosa não faz de ninguém filho da promessa.

Porém, há um elemento diferenciador: enquanto Isaque era filho único, Esaú e Jacó eram gêmeos. Deste fato surge o direito decorrente da primogenitura.

 

A Primogenitura

Sobre a primogenitura a lei de Moisés diz o seguinte:

“Será que, no dia em que fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito. Mas ao filho da desprezada reconhecerá por primogênito, dando-lhe dobrada porção de tudo quanto tiver; porquanto aquele é o princípio da sua força, o direito da primogenitura é dele” ( Dt 21:16 ).

Segue-se que o direito de primogenitura já existia antes mesmo da lei; mas, a lei além de instituí-la, dá os parâmetros para executar a partilha da herança.

Em primeiro lugar precisa-se observar que, para existir o direito de primogenitura, há a necessidade de se ter filhos “…fizer herdar a seus filhos…”. Isto porque não há como se preitear o direito de primogenitura quando se é filho único, e este foi o caso de Isaque.

O primogênito é o filho da primeira gestação, e tal direito não havia como ser passado do irmão mais velho ao mais novo. Era um direito decorrente do nascimento.

Agora pergunto: Como Jacó conseguiu aprovação de Deus ao adquirir o direito de primogenitura de Esaú?

Observe que Esaú e Jacó não eram frutos de gestações diferentes. Eles nasceram quase que simultaneamente, e de um único parto. Não houve interrupção no parto de Esaú e Jacó.

Jacó nasceu ligado ao calcanhar de Esaú, o que sinaliza que não houve interrupção no parto. Isto demonstra que ambos tinham direitos à primogenitura.

Segue-se que se Jacó tivesse nascido de uma segunda gravidez seria impossível ele adquirir o direito de primogenitura.

Mas, como Esaú e Jacó eram provenientes de uma mesma gestação, e nasceram na seqüência, neste caso em específico foi possível a Jacó comprar o direito de primogenitura.

 

A linguagem

Outro fator importante a se observar quando se interpreta um texto está na linguagem utilizada pelo escritor. Observe:

“…não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito” ( Dt 21:16 ).

Filho da amada refere-se aquele que o pai tem preferência; já o filho da desprezada refere-se àquele que tem o direito a primogenitura, mas que não tem a preferência do pai.

Desta maneira podemos concluir que o amor do homem é tendencioso. Um exemplo claro de amor tendencioso é o de Isaque: “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó” ( Gn 25:28 ).

O amor do homem é sentimental. Basta que algo lhe agrade que estará favorecendo o seu semelhante. O homem no trato com os seus semelhantes geralmente tem preferência entre um e outro.

Esta passagem de Deuteronômio bem representa a maneira que o homem prefere um em detrimento de outro. Por gostar mais de uma de suas mulheres, o homem quando da partilha dos bens, acabava por favorecer o filho da mulher que ele mais amava.

Desta maneira Deus instrui o povo: Não darás a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada. O que Deus demonstra? Que era vetado favorecer um filho em detrimento do outro.

Deus ensina por meio da lei que é vetado negar o que é de direito a um filho. E quanto ao que ocorreu com Isaque e Esaú? Deus favoreceu a Jacó?

Da relação fraterna entre Esaú e Jacó destacamos os elementos enumerados anteriormente. Todos os elementos são implícitos da relação estabelecida: “Não era Esaú irmão de Jacó?”.

Há uma linguagem própria ao tema; há um direito que não pode ser negado; ambos eram herdeiros e nasceram de uma única gravidez, etc.

Todas as considerações em torno dos irmãos Esaú e Jacó nos leva a entender o amor de Deus, tanto para com Israel, como para a humanidade.

“Contudo, amei a Jacó…”

Quando Deus pergunta ao povo: “Não era Esaú irmão de Jacó?” é porque a resposta do povo serve de sustentação a argumentação seguinte.

A pergunta nos remete a um ‘sim’ como resposta. É necessário que consideremos a história que permeia a vida destes dois personagens, pois a pergunta divina nos remete a relação fraternal de Esaú e Jacó.

Eles não eram irmãos? Ou seja, eles não nasceram de Isaque? Ambos não eram filhos de Abraão? Eles não eram gêmeos? A resposta é sim! Esaú e Jacó eram irmãos.

Através deste argumento Deus prova que sempre amou o povo de Israel.

Como? Através dos cinco elementos anteriores podemos compreender de que maneira Deus amou a Jacó.

“Todavia amei a Jacó…”

Jacó tornou-se alvo do amor de Deus, apesar de Esaú e Jacó serem irmãos.

Como? Como Deus amou a Jacó?

 

Passemos à resposta:

Isaque, que tinha gosto por caça, amava a Esaú, pois ele era homem do campo e um perito caçador.

O gosto de Isaque e a qualidade de caçador de Esaú são fatores que combinados influenciaram o amor do patriarca.

“E cresceram os meninos, e Esaú foi homem perito na caça, homem do campo; mas Jacó era homem simples, habitando em tendas. E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó” ( Gn 25:26 -27).

Isaque amava a Esaú. Observe que o amor de Isaque tinha em preferência Esaú; observamos um amor tendencioso.

Esaú era caçador e Jacó um homem sossegado que habitava em tendas. Segundo a visão e o sentimento de Isaque, Jacó não tinha as mesmas afinidades, o que o levou a preferir Esaú.

A bíblia registra várias vezes declarações de amor de Deus para com o seu povo Israel. Observe:

 

“E, porquanto amou teus pais, e escolheu a sua descendência depois deles, te tirou do Egito diante de si, com a sua grande força” ( Dt 4:37 );

“O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito” ( Dt 7:7 -8);

“Tão somente o SENHOR se agradou de teus pais para os amar; e a vós, descendência deles, escolheu, depois deles, de todos os povos como neste dia se vê” ( Dt 10:15 );

“Porém o SENHOR teu Deus não quis ouvir Balaão; antes o SENHOR teu Deus trocou em bênção a maldição; porquanto o SENHOR teu Deus te amava ( Dt 23:5 ).

 

Ao ler os versículos acima, verifica-se que o amor de Deus para com o povo de Israel não é igual ao amor de Isaque para com os seus filhos.

O amor de Isaque era segundo o gosto que ele tinha pela caça; já o amor de Deus é segundo a sua vontade. Isaque amava a Esaú por causa da qualidade de caçador; Israel não tinha nenhuma qualidade, no entanto Deus ama a Israel ( Dt 9:6 ).

Observe que a declaração de Deus a Israel vem atrelada ao amor para com os patriarcas e com a promessa que a eles foi realizada.

Deus amou aos pais e escolheu a descendência dos patriarcas ( Dt 4:37 ). Não foram as qualidades do povo que fez surgir o amor de Deus, antes o amor de Deus para com os patriarcas é quem deu origem ao povo de Israel. Segue-se que Deus teve prazer em Israel e os escolheu porque os amava e para guardar a aliança feita com os pais ( Dt 7:7 -8).

Deus reitera o seu amor para com Israel dizendo: “Tão somente o Senhor se agradou de teus pais para os amar”; O fato de Deus se agradar dos patriarcas é que deu causa ao amor de Deus. Como?

Retornemos ao fato de Deus chamar o patriarca Abraão. Deus falou a Abraão: “Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” ( Gn 12:1 -3).

A proposta de bênção a Abraão partiu de Deus, ou seja, Deus se agradou de Abraão. Como Abraão correspondeu à proposta divina saindo da sua parentela, Deus passou a cumprir a sua proposta, o que demonstra o amor de Deus.

 

“O amor de Deus é demonstrado em santidade, retidão e justiça”

O amor do homem é demonstrado em favoritismo pessoal.

Já o amor de Deus é demonstrado em justiça. Como pode ser isso?

“Não era Esaú irmão de Jacó? disse o SENHOR; todavia amei a Jacó …”

Esaú e Jacó eram irmãos, mas apesar da relação fraternal entre os gêmeos, Deus amou a Esaú.

De que maneira Deus amou a Jacó?

Deus favoreceu Jacó em detrimento de Esaú? Isto seria amor? Não haveria acepção?

É isto que a relação fraternal evidenciada demonstra:

a) Deus é santo;

b) Não faz acepção de pessoas;

c) Não perverte o direito.

Quem era Jacó?

A bíblia descreve Jacó como sendo um homem de personalidade sossegada. O estilo de vida de Jacó era o de habitar em tendas.

A bíblia também descreve o nascimento de Jacó: um milagre! Raquel era estéril, mas concebeu após Isaque ter orado insistentemente ao Senhor. Raquel concebeu gêmeos e durante o parto Jacó saiu grudado ao calcanhar de seu irmão ( Gn 25:26 ).

Jacó durante a sua mocidade se mostrou oportunista comprando o direito de primogenitura do seu irmão ( Gn 25:29 -34).

Quando Isaque procurou abençoar os seus filhos, Jacó foi sutil e recebeu a bênção que antes pertencia a seu irmão ( Gn 27:35 ).

Diante da história de Jacó, pode-se afirmar que Deus só amou Jacó?

Não! Por quê? Porque Deus é santo e não faz acepção de pessoas! Deus amou e ama a todos os homens de igual modo.

Tanto Esaú quanto Jacó foram alvos do amor de Deus.

Mas, por que a bíblia diz que ‘Deus amou a Jacó’, se ele ama a todos? Por que Deus não perverte o direito, e um exemplo claro é a declaração: Deus não aceita suborno.

Jacó adquiriu legalmente o direito de primogenitura, e em decorrência do direito adquirido, Jacó foi ‘amado’ do Senhor. Ou seja, Deus concedeu a Jacó o que lhe era de direito.

Responda as perguntas seguintes acerca da declaração de Deus:

• Deus amou mais a Jacó do que Esaú? Não!

• Jacó era melhor que Esaú? Não!

• Jacó foi abençoado em decorrência da sua fé? Não!

• Deus favoreceu a Jacó em detrimento de Esaú? Não!

 

No caso de Esaú e Jacó não entra em voga questões pessoais como qualidades, moral, comportamento e vontade, antes o fator em evidência é o direito adquirido.

O amor de Deus foi revelado quando foi concedido a Jacó o que lhe era de direito.

Neste ponto entram em questão os cinco elementos enumerados no início da análise:

• A linguagem;

• O direito de primogenitura;

• O direito de herdar;

• A promessa, e;

• A história.

A linguagem utilizada por Malaquias para anunciar o sentimento divino é totalmente pertinente a linguagem bíblica.

Quando o profeta Malaquias transmite ao povo a seguinte mensagem: “Todavia amei a Jacó…”, a declaração é realizada em uma linguagem própria a idéia que se procurou transmitir.

A bíblia registra que Isaque amou a Esaú, mas de que forma?

Com base em preferências pessoais! A bíblia registra que Isaque amava a Esaú pelo simples fato dele gostar de caça “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó” ( Gn 25:28 ).

Se dependesse de Isaque a bênção decorrente do direito de primogenitura seria dada a Esaú ( Gn 27:1 -4).

Note que antes de abençoar a Esaú, Isaque queria satisfazer uma necessidade pessoal.

Seguindo o mesmo estilo de linguagem, a lei mosaica demonstra que o amor do homem não deve ser de acordo com uma preferência pessoal “Será que, no dia em que fizer herdar a seus filhos o que tiver, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada, preferindo-o ao filho da desprezada, que é o primogênito” ( Dt 21:16 ).

A linguagem utilizada pelos dois versículos com relação ao amor aponta para preferência pessoal. Desta maneira a palavra ‘amor’ tem no seu bojo a idéia de gosto e preferência.

Observe que a expressão ‘filho da amada’ refere-se aquele filho que o pai tem preferência em decorrência de algum gosto em especial.

Como a bíblia registra que em momento algum se deve favorecer alguém que não tenha o direito, a análise da declaração: ‘Todavia amei a Jacó’, deve demonstrar que em Deus não há qualquer tipo de favoritismo pessoal.

Em momento algum Deus teve preferência ou favoreceu Jacó em detrimento de Esaú.

Deus amou a Jacó, ou seja, a linguagem utilizada e analisada dentro do contexto, que demonstra que Deus concedeu o que era de direito a Jacó.

Homem decide-se com base em gostos pessoais, e Deus se compraz naquilo que é justo e reto. A ‘preferência’ de Deus é a justiça.

A relação fraternal entre Esaú e Jacó foi utilizada para retratar de que forma está estabelecido o amor de Deus para com o povo de Israel.

Lembre-se que a mensagem divina é para o povo de Israel: “Eu vos tenho amado, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado?”. Ou seja, por meio da mensagem entregue por Malaquias Deus procurou demonstrar ao povo de Israel que eles estavam sob o cuidado divino devido a promessa feita aos pais “Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais” ( Dt 7:7 -8).

A mensagem é simples: Deus faz o que é justo ao preservar o povo de Israel (este é o amor de Deus), isto porque de maneira alguma Ele voltará atrás no juramento que fez aos pais.

Ao ler a história de Israel, muitos reputam que Deus sempre favoreceu o povo de Israel em detrimento dos outros povos.

Mas assim não é! Por quê? A resposta é simples: Deus não faz acepção de pessoas; Deus não aceita suborno e Ele é Santo.

Deus havia prometido aos pais, que de Israel faria uma grande nação, e por intermédio do cumprimento desta promessa que se revela o cuidado e o amor de Deus para com Israel.

Após a conscientização de que o contato com a linguagem utilizada por Malaquias também pode transmitir ou enfatizar uma ideia, passemos ao próximo ponto.

“E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram” ( 1Co 10:6 ).

“Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” ( 1Co 10:11 ).

“Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus” ( Hb 9:24 ).

Para prosseguirmos em nosso estudo precisaremos observar o alerta de Paulo aos cristãos da igreja em Corintios.

O objetivo do apóstolo Paulo é alertar os cristãos, mas deste alerta nos cabe uma grande lição.

O apóstolo demonstra que todos aqueles que saíram do Egito passaram pelas mesmas experiências. Todos foram batizados na nuvem e no mar; todos comeram da mesma comida; todos beberam da mesma bebida, mas Deus não se agradou da maioria deles.

Por quê? Por que todos os homens que saíram do Egito, exceto dois, não puderam adentrar a terra prometida? Todos não beberam da mesma água e não comeram da mesma comida? ( Nm 14:30 ).

O que ocorreu com o povo de Israel serve de alerta para as nossas vidas, ou seja, ‘estas coisas foram-nos feitas em figuras’ e estão escritas para aviso, para que não venhamos a incorrer em erros ( 1Co 10:1 -6).

E quanto ao povo de Israel, o povo que nos serve de figuras?

Todos os elementos que estão presentes na história dos patriarcas e de Israel nos transmitem mensagens por figuras.

O fato de Israel ter estado debaixo da nuvem e ter passado pelo mar demonstram que todos foram batizados em Moisés ( 1Co 10:1 ); o fato de todos comerem da mesma comida e beberam da mesma bebida representa que todos se tornaram participantes de Cristo ( 1Co 10:4 ).

Moisés ao construir o tabernáculo no deserto seguiu um modelo, figura do verdadeiro tabernáculo que estava nos céus “Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto” ( At 7:44 ).

Quase todos os elementos que foram apresentados no Antigo Testamento contêm uma ideia transmitida por figuras.

A primogenitura apresenta uma das mais importantes das figuras bíblicas.

Quando Moisés construiu o tabernáculo, o fez com base em um modelo; a lei não apresentava a imagem exata das coisas, antes era só uma sobra das coisas futuras “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

E o que a primogenitura nos apresenta? Após entendermos a primogenitura, poderemos verificar a que se refere esta importante figura bíblica.

As figuras fazem referência a bens futuros e eternos. Nestas figuras contém elementos que nos faz perceber certos aspectos pertinentes ao que é permanente (eterno).

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Sabemos que Deus faz todas as coisas segundo o seu propósito. Deus propôs fazer convergir em Cristo todas as coisas para louvor de sua graça e glória.

Ao falar do propósito eterno de convergir em Cristo todas as coisas na plenitude dos tempos, Deus falou ao rei Davi assim: “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” ( 2Sm 7:14 ). Ou seja, Deus demonstra a Davi qual seria a relação entre Deus e o descendente de Davi.

Deus estabelece a relação de Pai e Filho ao falar de Jesus ao rei Davi. Por que Deus estabelece esta relação? Porque antes de existir mundo, na eternidade, não havia a relação Pai e Filho na divindade. Mas, ao ser introduzido o ‘Deus forte’ no mundo dos homens, passou a existir a relação Pai e Filho.

Quando na glória, sabemos que Cristo criou todas as coisas “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” ( Cl 1:16 -17), mas ao ser introduzido Cristo no mundo, pela relação que estava pré-estabelecida na eternidade, é dada a ordem: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” ( Hb 1:6 ).

Por que se fez necessário se estabelecer a relação de Pai e Filho quando o ‘Deus forte’ foi introduzido no mundo? “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” ( Is 9:6 ). “Os restantes se converterão ao Deus forte, sim, os restantes de Jacó” ( Is 10:21 ).

Porque Cristo é o unigênito do Pai, mas havia em Deus o propósito eterno de fazê-lo primogênito de toda a criação. Sabemos que Cristo é o unigênito de Deus em poder e glória, e isto não será alterado ao longo da eternidade, pois a ele glória e majestade para o todo sempre.

Mas, para que Cristo se tornasse o primogênito de toda a criação, torna-se premente a existência de irmãos. Não há como existir a primogenitura se há só um Filho.

Aqui se revela a multiforme sabedoria de Deus, em que Cristo foi feito um pouco menor que os anjos, porém todas as coisas lhe são sujeitas; e, por meio de Cristo, Deus trouxe à glória muitos irmãos (que somos nós, a igreja), cumprindo-se o propósito eterno de Cristo ser o primogênito de toda a criação.

Como? Quando Cristo ressurgiu dentre os mortos, Ele tornou-se o primogênito dentre os mortos, e quando o cristão morre e ressurge com Cristo, também se torna um dos filhos de Deus, e Cristo vindica a posição sobre excelente de primogênito.

Por quê? “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” ( Hb 2:10 ).

Por meio de Cristo tudo existe, mas convinha que Ele levasse à glória muitos irmãos, ou seja, filhos gerados de Deus. Como conseqüência direta de Jesus ter introduzido muitos filhos à glória, passou a existir a preeminência de Cristo: o primogênito dentre os mortos: “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ).

Todos os que estão em Cristo, ou seja, que morreram e ressurgiram com Ele, não possuem alternativa. Haverão de ser filhos de Deus, predestinados, serão conforme a imagem de Cristo, com o único objetivo de Cristo ser primogênito dentre muitos irmãos “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Em decorrência destas verdades eternas é que se estabeleceu o direito de primogenitura. No primeiro momento temos a impressão que o direito de primogenitura não tem relação com estas verdades eternas, porém ao observarmos as declarações do apóstolo Paulo, nos inteiramos da seguinte verdade: a primogenitura foi estabelecida por Deus aos homens como figura de verdades eternas.

Por isto faz-se necessário observarmos a relação fraternal entre Jacó e Esaú, pois nela temos que considerar o direito que decorre da primogenitura.

Se olharmos a primogenitura do ponto de vista secular, geralmente ela é analisada como sendo regras pertinentes à sucessão hereditária, o que envolve deveres para com a família e direitos quanto a bens patrimoniais.

Todas as vezes que se lê na bíblia que ‘fulano’ era o primogênito, a única relação que se estabelece é com relação ao direito do mais velho receber porção dobrada da herança.

Mas, após verificarmos que a primogenitura é figura de conceitos espirituais, muda a maneira de se observar o porquê a bíblia enfatiza o direito proveniente da primogenitura.

Paulo ao escrever aos cristãos em Roma faz referência a Esaú e Jacó da seguinte maneira:

“E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma” ( Rm 9:11 -14).

O propósito inicial de nosso estudo é compreender os argumentos utilizados por Paulo para nos fazer chegar a conclusão de que não há injustiça da parte de Deus.

Justamente a citação de Malaquias: “Amei a Jacó e aborreci a Esaú”, que muitos usam para afirmar que Deus foi parcial em favor de Jacó é o texto que Paulo utiliza para demonstrar que não há injustiça em Deus.

Não há de maneira alguma injustiça da parte de Deus! Esta é a conclusão de Paulo. Mas, como chegar a tal conclusão diante dos argumentos que ele utilizou?

Quando Paulo cita a história de Esaú e Jacó, ele faz referência a eventos que ocorreram antes do parto. Destes eventos ele destaca que os gêmeos ainda não haviam nascido (o que demonstra que eles não haviam feito bem ou mal), e Deus anunciou a Rebeca que o maior haveria de servir o menor.

É certo que Deus adiantou a Rebeca que Esaú serviria a Jacó por meio de sua onisciência, no entanto, a onisciência não é a base da eleição.

Da mesma forma a soberania de Deus não é a base para a eleição, visto que a eleição é a base para o seu propósito.

Não! Não foi por meio destes elementos que Deus fez conhecido a Rebeca que Esaú serviria a Jacó.

1º Não foram as ações de Jacó que determinaram o amor de Deus;

2º Deus não tem preferência por suas criaturas, visto que ele não faz acepção de pessoas, é santo e não aceita suborno.

Quais são os elementos que o apóstolo Paulo utiliza para afirma que não há injustiça da parte de Deus? Que por intermédio da onisciência divina, Deus antecipou a Rebeca que o maior serviria o menor, o que é a base do que foi dito por intermédio de Malaquias: “Amei a Jacó, e aborreci a Esaú”.

Observe a análise de Paulo:

“Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma” ( Rm 9:11 -14).

Com base no que está escrito em Malaquias (com base em seu amor) é que Deus disse a Rebeca que o maior haveria de servir o menor. Se o amor é a base, não há como considerar que a soberania ou a ideia equivocada acerca da ‘presciência’* de Deus é que demonstra a justiça de Deus.

Por que é segundo o amor de Deus? Porque o amor de Deus é demonstrado em justiça e não em favoritismo pessoal.

Com base nestes elementos Paulo conclui: “Que diremos, pois? Que há injustiça da parte de Deus?”.

Novamente: Que elementos? Observe:

“(para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”

 

Qual o propósito de Deus?

“Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

O propósito e a graça de Deus são antes de se estabelecer os tempos que se mensura através de unidades de medidas tão exíguos como é o caso do ‘século’ II Pd 3. 8. O propósito foi estabelecido na eternidade e na pessoa de Cristo Jesus. Aqui Paulo falou do tempo em que Deus estabeleceu o seu propósito e por meio de quem ele levou a efeito tal propósito – Jesus Cristo.

“Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:9 -10).

Qual o propósito, ou qual a vontade de Deus, que nos é revelado em Cristo? O propósito de Deus é o de reunir em Cristo todas as coisas “…tanto as que estão nos céus como as que estão na terra”.

Para este propósito Deus nos fez agradáveis a si por meio de Cristo; perdoou os nossos pecados, nos redimiu etc ( Ef 1:3 -10).

Além de congregar em Cristo todas as coisas, o propósito de Deus também inclui a preeminência em tudo “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ).

Novamente vemos que quando Cristo ressurgiu dentre os mortos, ele se tornou o primogênito de Deus, visto que para alcançarmos a filiação divina nos é necessário nascer de novo. Só a ressurreição em Cristo proporciona esta nova condição ao crente.

“Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” ( Zc 12:10 ).

O profeta Zacarias lança esclarecimento sobre as duas condições pertinentes a Cristo. Em um futuro próximo Israel olhará para aquele aquém crucificaram da seguinte maneira:

a) Chorarão pelo unigênito de Deus. Este versículo demonstra a divindade de Cristo! Ou seja, chorarão cientes de que crucificaram o filho unigênito de Deus;

b) Da mesma forma chorarão pelo primogênito, pois está é a condição daquele que ressurgiu dentre os mortos.

Morreu na cruz o unigênito filho de Deus! Ressurgiu dentre os mortos o primogênito de Deus, isto porque ele conduz a glória muitos irmãos.

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” ( Jo 1:14 e 18).

“Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” ( 1Jo 4:9 ).

O apóstolo João é enfático ao falar da condição de Cristo:

a) O Filho unigênito revelou e nos fez conhecer o Pai;

b) O Filho foi enviado ao mundo;

c) Foi possível reconhecer que a glória do Pai estava sobre o unigênito.

 

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 );

“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” ( Cl 1:15 );

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 );

“E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” ( Hb 1:6 );

“E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Aquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados” ( Ap 1:5 ).

 

Paulo é enfático ao falar da primogenitura de Cristo: Ele é o primogênito de toda a Criação!

Mas, para Cristo obter a condição de primogênito, fez-se necessário que muitos irmãos viessem a existência. Como?

Todos aqueles que creem em Deus e em Cristo conforme diz as escrituras, estes nascem de Deus, e se tornam seus filhos “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” ( Jo 1:12 -13).

“Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós” ( 2Co 13:4 ).

O mesmo poder que trouxer Cristo dentre os mortos é o que opera em nós, os que cremos!

“E qual a sobre excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1:18 -19).

O poder de Deus foi manifesto em Cristo, quando da ressurreição dentre os mortos. Este poder é que em nós opera.

Todos estes elementos reunidos nos fazem filhos de Deus e irmãos de Cristo. Desta maneira ele é o primogênito dentre muitos irmãos!

Vimos por meio dos versículos citados acima que Deus aprovou (beneplácito) o propósito que tivera em si de fazer convergir em Cristo todas as coisas. Para isto, o Filho unigênito foi entre por todos nós “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” Rm 8. 32, e após a ressurreição de Cristo, muitos filhos foram conduzidos a glória “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” ( Hb 2:10 ).

“(para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama)”

Mas, por que o propósito de Deus é segundo a Eleição?

Paulo estava falando de que maneira se alcança a filiação divina: pela promessa se é contado como descendência de Abraão (filho de Deus). E qual foi a palavra da promessa? “Por este tempo virei, e Sara terá um filho” ; da mesma forma a palavra da promessa foi dita a Rebeca, o que demonstra o propósito de Deus em constituir filhos para si.

Paulo já havia falado do propósito de Deus em alguns versículos anteriores.

Paulo havia demonstrado que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que são chamados (aqueles que amam a Deus) segundo o seu propósito ( Rm 8:28 ). Estes foram predestinados para serem conforme a imagem de Cristo, com o fim último de Cristo ser primogênito ( Rm 8:29 ).

Temos o propósito de Deus de maneira evidente: Cristo ter a preeminência e Deus muitos filhos.

Mas há uma ressalva para tudo isto: o propósito é segundo a eleição!

O texto demonstra a onisciência divina: antes de Esaú e Jacó nascerem foi dito a Rebeca que o maior haveria de servir o menor. Mas, o que foi dito à Rebeca não é com base na ideia equivocada de presciência ou soberania de Deus. O que foi dito a Rebeca é conforme o que está escrito: “Amei a Jacó e aborreci a Esaú”.

Se o que foi dito a Rebeca é conforma Malaquias 1. 2- 3 resta a conclusão: Não há injustiça da parte de Deus!

Observe ainda:

“O maior servirá o menor” é conforme o que está escrito: “Amei a Jacó e aborreci a Esaú”. Que diremos Pois? Que não há injustiça da parte de Deus!

Por quê? Por que na fase: “Amei a Jacó…” está implícito como é o amor de Deus! Ou seja, para compreender a frase: “Amei a Jacó…”, só é possível se considerarmos a relação fraternal de Esaú e Jacó “Não foi Esaú irmão de Jacó? Todavia..”.

 

O propósito de Deus é segundo a eleição

Este tópico nos remete ao início do estudo.

A eleição de Deus é desta forma:

“Não foi Esaú irmão de Jacó? Todavia amei a Jacó e aborreci a Esaú” ( Ml 1:2 -3)

A eleição do homem é da seguinte maneira:

“E cresceram os meninos, e Esaú foi homem perito na caça, homem do campo; mas Jacó era homem simples, habitando em tendas. E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó” ( Gn 25:27 -28).

O que este dois textos demonstram? Que o amor do homem é tendencioso, segundo preferências pessoais (gosto). Isaque amava Esaú por ele ser caçador. Rebeca amava Jacó por ele habitar em tendas e ser sossegado.

O amor do homem é propenso, inclinado a favorecer aquele que mais o agrada.

E como se dá a escolha de Deus? Com base em seu amor!

Daí surge os três elementos: Deus é santo; não perverte o direito e não faz acepção de pessoas.

Deus amou a Jacó, ou seja, fez o que lhe era de direito, conferindo a ele o direito de primogenitura. Em momento algum Deus oprimiu a Esaú para que colocasse a venda o direito de primogenitura – Demonstra a santidade de Deus. Em momento algum Deus preferi a Jacó em detrimento de Esaú – Demonstra que Deus não tem ninguém em preferência. Por mais que Esaú buscou reaver o seu direito, não foi possível – Deus não corrompe o direito; as lágrimas não podem subornar aquele que é justo e reto “Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou” ( Hb 12:17 ).

Por que Esaú não achou lugar de arrependimento? Porque não há como duas pessoas compartilharem o direito que decorre da primogenitura.

Não podemos confundir: Esaú não achou lugar de arrependimento por não ter como ele reaver o direito de primogenitura. Mas, se ele se arrependesse dos seus pecados, sempre haveria lugar, pois na questão relativo a salvação o que impera é a promessa.

Comentamos a linguagem utilizada por Malaquias e as questões decorrentes do direito de primogenitura. O próximo passo é comentarmos o direito e a herança.

“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17 ).

A nossa análise inicia-se com a argumentação paulina: “…se nós somos filhos…”. Vimos que antes mesmo de haver mundo Deus aprovou o seu próprio propósito de estabelecer a preeminência de seu Filho; para isso foi introduzido o Unigênito do Pai no mundo, que após ser entregue e morto em prol da humanidade, ressurgiu e se assentou a destra de Deus.

O filho de Deus retornou a sua glória, aquela que Ele possuía antes mesmo de haver mundo conduzindo muitos filhos a glória de Deus, e alcançou a condição de primogênito dentre os mortos, visto que todos os seus irmãos ressurgem dentre os mortos com ele.

Resumindo: o direito de primogenitura decorre de um propósito eterno em Deus.

“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17)

A nossa análise inicia-se com a argumentação paulina: na: “…se nós somos filhos…”.

Vimos que antes mesmo de haver mundo Deus aprovou o seu próprio propósito de estabelecer a preeminência de seu Filho; para isso foi introduzido o Unigênito do Pai no mundo, que após ser entregue e morto em prol da humanidade, ressurgiu e se assentou a destra de Deus.

O filho de Deus retornou a sua glória, aquela que Ele possuía antes mesmo de haver mundo, conduzindo muitos filhos à glória de Deus, e alcançou a condição de primogênito dentre os mortos, visto que todos os seus irmãos ressurgem dentre os mortos com Ele “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” ( Jo 17:5 );

Resumindo: o direito de primogenitura decorre de um propósito eterno em Deus.

“E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?” ( Lc 18:18 ).

Este jovem rico ao abordar a Jesus foi bem específico em suas palavras. Que hei de fazer? A preocupação da humanidade é sobre o que se deve ou não fazer para se obter a vida eterna “Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?” ( Jo 6:28 ).

A resposta de Jesus é satisfatória: “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ).

Não há o que o homem procure fazer ou que abstenha em fazer que possa dar-lhe direito a vida eterna. Ao homem isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.

Mas, por que o jovem rico utiliza a palavra ‘herdar’ para fazer referência a vida eterna. Observe que muitos outros versículo refere-se a vida eterna com o termo ‘herdar’:

“Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?” ( 1Co 6:9 );

“E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção” ( 1Co 15:50 ).

“Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” ( Hb 1:14 ).

Com base nestes versículos podemos afirmar que só obtém a salvação aquele que adquire o direito.

Como foi visto, a primogenitura é um direito. Jesus ao ressurgir dentre os mortos tornou-se o primogênito dentre os mortos ( Cl 1:18 ).

Em contra partida, muitos irmãos ressurgiram com Ele e passaram a ter direito a herança dos santos na luz ( 1Pe 1:3 ; Cl 1:12 ).

Desta forma entendemos a colocação do apóstolo Paulo: se nós somos filhos, somos logo herdeiros também! A condição de filho confere aos crentes o direito.

“Pela fé habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa” ( Hb 11:9 ).

O direito que Deus confere é por peio da fé, não por obras.

Observe que a promessa foi dada a Abraão, e Isaque e Jacó passou a ser herdeiros com o patriarca Abraão.

Pergunto novamente:

Deus amou mais a Jacó do que Esaú? Não!

Jacó era melhor que Esaú diante de Deus? Não!

Jacó foi amado de Deus por ter fé? Não!

A fé de Abraão na promessa realizada por Deus conferiu a seus herdeiros direitos. Jacó foi abençoado por ter o direito de primogenitura, e não por ter tido fé em Deus.

Como? Não devemos ter fé para alcançarmos a salvação?

Explico! Em Gênesis temos uma narração de suma importância para entendermos o que é direito e o que é por fé:

“E estas são as gerações de Terá: Terá gerou a Abrão, a Naor, e a Harã; e Harã gerou a Ló. E morreu Harã estando seu pai Terá ainda vivo, na terra do seu nascimento, em Ur dos caldeus. E tomaram Abrão e Naor mulheres para si: o nome da mulher de Abrão era Sarai, e o nome da mulher de Naor era Milca, filha de Harã, pai de Milca e pai de Iscá. E Sarai foi estéril, não tinha filhos. E tomou Terá a Abrão seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai sua nora, mulher de seu filho Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã, e habitaram ali. E foram os dias de Terá duzentos e cinco anos, e morreu Terá em Harã” ( Gn 11:27 -32).

O livro de Gênesis enumera as gerações até chegar em Abrão. O livro de Gênesis demonstra que Abrão morava em uma terra pagã, em Ur dos Caldeus.

Quando Deus convocou Abrão, ele era gentio “E fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão” ( Rm 4:12 ).

Abraão estava em meio a sua parentela, quando Deus disse: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” ( Gn 12:1 -3).

Abraão tinha algum direito diante de Deus? Não! Mas, quando Deus prometeu que lhe abençoaria, caso ele saísse do meio de sua parentela para uma terra que ainda seria mostrada, surgiu a possibilidade de direitos por parte de Abraão.

Quando Abraão partiu conforme o que o Senhor lhe falará, Abraão passou a ter direito segundo o que lhe foi prometido.

Houve a promessa da parte de Deus, e depois a ação de Abraão em obedecer. Com a simples ação de sair do meio de sua parentela Abraão adquiriu direito perpetuo para a sua descendência, visto que a promessa incluía uma grande nação.

Posteriormente Deus faz outra promessa concernente a um filho para Abraão, e ele creu:

“E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça ( Gn 15:6 ).

Quando Abraão saiu do meio da sua parentela, ele adquiriu direito a uma possessão terrena para a sua descendência. Quando ele creu em Deus, ele adquiriu uma pátria celestial.

De sorte que, aqueles que crêem em Cristo são participantes da esperança celestial “De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” ( Gl 3:9 ).

Como Deus na faz acepção de pessoas, todos aqueles que crêem conforme a fé que teve o Pai Abraão, estes serão benditos.

Ter fé como Abraão não dá direito a ninguém a promessa de ser uma grande nação, visto que esta promessa é exclusiva a Abraão e aos seus filhos: Isaque, Jacó, etc.

É certo que com Cristo padecemos (já morremos com Cristo). É certo que com Cristo já fomos glorificados (já ressurgimos com Cristo uma nova criatura). O ser glorificado em Romanos oito, dezessete, é diferente da glorificação futura.

“…se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17 ).

Se temos a certeza que padecemos com Cristo (mesmo não tendo subido ao madeiro cruento dos romanos), segue-se que Jesus ressurgiu dentre os mortos, glorificado, e nós ressurgimos com ele (mesmo que não alcançamos a glorificação futura).

“E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17 ).

Como é certo que padecemos com Cristo e ressurgimos com Ele, também é certo que passamos a ter direito a herança dos santos na luz. Ter direito a herança dos santos só é possível após adquirir a filiação divina.

A nova criatura é herdeira de Deus e co-herdeira com Cristo. Cristo, o primogênito, e nós somos os irmãos que possuem o direito a herdar de Deus (na luz) “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ). “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz” ( Cl 1:12 ).

João expõe uma verdade declarada por Cristo: Enquanto eles (a multidão) tinham a Cristo, deveriam crer nele, e então seriam filhos de Deus (da luz). Imediatamente após crerem em Cristo, os cristãos já eram idôneos para participar da herança dos santos.

Para aqueles que crêem em Cristo não é necessário esperar para ser participante da herança dos santos. Paulo demonstra que Deus já nos fez idôneos. O novo homem nasce de Deus pleno e de posse de direitos que lhe confere uma herança em Deus (….herança dos santos na luz).

“Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento” ( Hb 6:17 ).

A promessa confere ‘direitos’. Promessa e direito estão intimamente vinculados. Não há como se estabelecer uma promessa sem criar um direito.

A promessa é graça. É dom gratuito por parte de quem a estabelece.

“Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão” ( Gl 3:18 ).

O direito a herança foi dado gratuitamente por Deus a Abraão por meio da promessa. Não houve qualquer exigência ou condição a se satisfeita por Abraão que lhe fosse conferido o prometido.

O fato de Abraão ter saído do meio de sua parentela, acatando a ordem divina, não é o que lhe conferiu o direito a herdar de Deus. Antes, o direito foi conferido por meio da promessa.

“Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção” ( Gn 12:1 -2).

Na promessa realizada por Deus a Abraão não há uma condição sequer a ser realizada por Abraão. Nos versículos anteriores temos uma ordem e uma promessa. Com efeito, Abraão saiu de sua parentela e levou consigo o seu sobrinho Ló, o que não invalidou a promessa.

“…todavia amei a Jacó, e odiei a Esaú”

Até este ponto foi analisado parte da declaração: “…amei a Jacó…”.

Analisaremos, agora, o restante da declaração: “…e odiei a Esaú”.

Como foi visto até agora, Deus não faz acepção de pessoas, ou seja, Ele ama a todos indistintamente.

O amor de Deus é narrado por Cristo desta forma:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 ).

Deus amou o mundo, e não algumas pessoas em específico. Deus não tem ninguém em preferência e faz justiça a todos sem distinção.

Mas, e a declaração: “…odiei a Esaú”?

Passemos a analisar a frase:

“…todavia amei a Jacó, e odiei a Esaú”

Outra tradução reza o seguinte:

“…todavia amei a Jacó, porem aborrecia a Esaú“

Londres: Trinitarian Bible Society, 7 Bury Place, W.C.I.; 1948

Como entender a declaração acima?

Conforme o que já estudamos, Deus amou a Jacó, ou seja, Deus agiu conforme o que era de direito a Jacó. Mesmo Jacó e Esaú sendo irmãos, Deus não teve nenhum dos dois em preferência, antes se ateve a fazer o que era de direito a Jacó.

Nisto se revela o amor de Deus: Ele é santo, não faz acepção de pessoas e não perverte o que é de direito.

Como ler a frase acima?

“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor (…) E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” ( Jo 4:8 e 16).

A bíblia é clara: Deus é amor! É possível existir o ódio naquele que é amor eterno? Há dois sentimentos em Deus: amor e ódio?

Sabemos que Deus amou o mundo antes mesmo que houvesse mundo. Sabemos que Jesus é cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo, o que demonstra o amor de Deus.

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” ( 2Pe 3:9 ).

“Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” ( 1Tm 2:4 ).

É um contra senso admitir que em Deus haja ódio. Visto que antes mesmo de trazer a existência as suas criaturas, ele já havia providenciado salvação poderosa para todos. O amor de Deus é demonstrado antes mesmo de haver mundo.

Todos os atos, todos os feitos contínuos de Deus foram feitos em amor. Todas as suas criaturas, e não importa a condição na qual elas estejam, são alvos doa amor de Deus.

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” ( Rm 5:8 ).

A pior condição do homem diante de Deus só consegue evidenciar o seu imenso cuidado e amor para com suas criaturas. Deus é amor eterno, e não há qualquer base para inferirmos que Deus tenha tido ódio de alguém.

  • Verificando as traduções bíblicas, a correta é aquela que reza da seguinte forma: “Todavia amei a Jacó e a Esaú aborreci”. A frase CORRETA e aquela que adota a palavra ‘ABORRECI’ em lugar do ‘ODIEI’;
  • Só há uma ação divina demonstrada na frase: o amor. A frase não demonstra duas ações ou sentimentos em Deus. Deus amou a Jacó da mesma forma que Deus ama a toda humanidade. Caso Esaú tivesse o direito de primogenitura, Deus haveria de fazer frente ao que lhe era de direito;
  • A segunda parte da frase é conseqüência do ato realizado na primeira parte: Por Deus ter amado Jacó (dado o que era de direito a Jacó), como conseqüência direta Esaú ficou aborrecido.

A frase não demonstra que Deus estava aborrecido com Esaú. Caso Deus tivesse aborrecido com Esaú, a frase seria da seguinte forma: “Amei a Jacó e me aborreci de Esaú”. No entanto, Malaquias demonstra que Deus amou a Jacó e o ato de dar o que era de direito a Jacó deixou Esaú aborrecido.

Onde há outro fato semelhante ao de Esaú na bíblia?

“E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um homem. E deu à luz mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar. E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou” ( Gn 4:1 -8).

Todos os aspectos analisados até aqui são aplicáveis a Caim e Abel. Deus atentou para a oferta de Abel e isto causou um sentimento pernicioso em Caim. Tal sentimento não há em Deus e tão pouco Deus influenciou a Caim para ter tal sentimento.

Deus atentou para Abel e, em conseqüência, Caim ficou aborrecido. Da mesma maneira, Deus fez o que era de direito a Jacó, dando lhe a bênção, fato este que levou Esaú a ficar aborrecido.

Compare a narrativa do que ocorreu com Esaú e com Caim:

“Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante. E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste?”

“E Esaú odiou a Jacó por causa daquela bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai; e matarei a Jacó meu irmão” ( Gn 27:41 ).

A bênção que Deus dera a Jacó deu causa ao ódio no coração de Esaú. Diante desta semelhança entre o que ocorreu com Caim e Esaú, verifica-se que por Deus ter dado o que era de direito a Jacó, Esaú se aborreceu.

Ao demonstrar o seu amor, que é conforme a justiça, Deus deu o que era de direito a Jacó e conseqüentemente aborreceu a Esaú.

Voltemos ao texto de Malaquias:

“Eu vos tenho amado, diz o SENHOR. Mas vós dizeis: Em que nos tem amado? Não era Esaú irmão de Jacó? disse o SENHOR; todavia amei a Jacó, E odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto. Ainda que Edom diga: Empobrecidos estamos, porém tornaremos a edificar os lugares desolados; assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eles edificarão, e eu destruirei; e lhes chamarão: Termo de impiedade, e povo contra quem o SENHOR está irado para sempre” ( Ml 1:1 -5)

Recapitulando: Por intermédio de Malaquias Deus anuncia ao povo de Israel o seu amor. Israel por sua vez retruca: “Em que nos tem amado?”. Como prova de seu amor, Deus apresenta o argumento seguinte: “Não era Esaú irmão de Jacó? Todavia amei a Jacó e aborrecia Esaú”.

Uma prova contundente do amor de Deus para com Israel está na comparação entre o que ocorreu com Jacó e Esaú, e por semelhança entre o que estava ocorrendo com Israel e o que ocorreu com os idumeus: “…e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto”.

A desolação dos idumeus foi causada por Deus. O que pertencia ao povo descendente de Esaú foi dado aos chacais do deserto e não aos seus filhos.

Alguém pode estar se perguntando: onde está o amor de Deus nesta declaração?

Observe que Israel, a despeito dos seus pecados, ainda existia como nação, e os idumeus não.

Já os idumeus acabaram destruídos devido aos seus pecados.

O que fez Israel e os idumeus ter tratamento diferente perante Deus?

A promessa feita por Deus a Abraão é a resposta. O que determina o amor (o cuidado) de Deus para com Israel é a promessa de Deus aos pais.

Deus havia prometido a Abraão que dele faria uma grande nação, e o fato de Deus cumprir cabalmente a sua promessa demonstra o seu amor. Se não fosse a promessa de Deus feita aos patriarcas, há muito Israel teria se tornado em uma desolação.

 

A promessa de Deus é que tornou Edom e Israel diferentes

O que Deus disse a Abraão? “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” ( Gn 12:1 -3).

Deus havia prometido a Abraão que dele faria uma grande nação e que todos que amaldiçoassem a Israel seriam amaldiçoados. O que os idumeus fizeram que acabou por determinar maldição sobre eles?

Quase no fim da peregrinação do povo de Israel pelo deserto, fez-se necessário ao povo de Israel passar pelos termos de Edom. Moisés enviou mensageiros ao rei de Edom pedido que deixasse o povo de Israel passar por suas terras com as palavras seguintes: “Depois Moisés, de Cades, mandou mensageiros ao rei de Edom, dizendo: Assim diz teu irmão Israel: Sabes todo o trabalho que nos sobreveio…” ( Nm 20:41 ).

E qual foi a resposta dos ‘irmãos’ idumeus? “Porém Edom lhe disse: Não passarás por mim, para que eu não saia com a espada ao teu encontro (…) Porém ele disse: Não passarás. E saiu-lhe Edom ao encontro com muita gente, e com mão forte (…) Assim recusou Edom deixar passar a Israel pelo seu termo; por isso Israel se desviou dele” ( Nm 20:18 -21).

O salmista lembra o comportamento dos idumeus no passado “Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusalém, que diziam: Descobri-a, descobri-a até aos seus alicerces” ( Sl 137:7 ).

O profeta Ezequiel é mais esclarecedor acerca do peso do Senhor contra os idumeus:

“Assim diz o Senhor DEUS: Porquanto Edom se houve vingativamente para com a casa de Judá, e se fez culpadíssimo, quando se vingou deles; Portanto assim diz o Senhor DEUS: Também estenderei a minha mão sobre Edom, e arrancarei dela homens e animais; e a tornarei em deserto, e desde Temã até Dedã cairão à espada. E exercerei a minha vingança sobre Edom, pela mão do meu povo de Israel; e farão em Edom segundo a minha ira e segundo o meu furor; e conhecerão a minha vingança, diz o Senhor DEUS” ( Ez 25:12 -14).

Há uma grande diferença entre a ideia que se infere da palavra ódio e das palavras como ira, furor e vingança ( Hb 10:30 ).

Observe novamente a declaração de amor de Deus:

“O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito. Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos. E retribui no rosto qualquer dos que o odeiam, fazendo-o perecer; não será tardio ao que o odeia; em seu rosto lho pagará” ( Dt 7:7 -9)

O texto de Deuteronômio demonstra que Israel foi escolhido por que Deus os amava, ou seja, para cumprir o juramento feito a Abraão.

Alguém que no futuro observasse o número de pessoas que integrava a nação de Israel poderia considerar que Deus havia escolhido a Israel para amá-los em decorrência da quantidade de israelitas. Deus demonstra o contrário: “…éreis menos em número do que todos os povos”.

Note que o amor de Deus é interligado a atributos como a fidelidade e justiça. Ele fez aliança com Abraão, e a fidelidade de Deus resulta em misericórdia.

A soberba poderia subir ao coração do povo caso considerassem que a riqueza que adquiriram era resultado de esforço próprio. Deus alerta:

“E digas no teu coração: A minha força, e a fortaleza da minha mão, me adquiriu este poder. Antes te lembrarás do SENHOR teu Deus, que ele é o que te dá força para adquirires riqueza; para confirmar a sua aliança, que jurou a teus pais, como se vê neste dia” ( Dt 8:17 -18).

Tudo o que o povo de Israel haveria de conquistar era resultado direito do amor de Deus, que é segundo a aliança estabelecida com Abraão.

Eles adquiriam a terra prometida por meio da promessa feita a Abraão, e não como conseqüência de atos ‘justos’: “Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o SENHOR teu Deus te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo obstinado” ( Dt 9:4 ).

O amor de Deus para com o povo de Israel é com base nos termos seguintes:

“Então se acendeu a ira do SENHOR contra o seu povo, de modo que abominou a sua herança. E os entregou nas mãos dos gentios; e aqueles que os odiavam se assenhorearam deles. E os seus inimigos os oprimiram, e foram humilhados debaixo das suas mãos. Muitas vezes os livrou, mas o provocaram com o seu conselho, e foram abatidos pela sua iniquidade. Contudo, atendeu à sua aflição, ouvindo o seu clamor. E se lembrou da sua aliança, e se arrependeu segundo a multidão das suas misericórdias. Assim, também fez com que deles tivessem misericórdia os que os levaram cativos” Sl 106. 40- 46.

O povo de Israel ao se queixarem de Deus não atinavam que estavam se queixando dos seus próprios pecados. Isto porque os afligidos haviam provocado a ira de Deus, e foram “…abatidos pela sua iniquidade” ( Sl 106:43 ).

A causa de Israel não ter sido consumido e sempre restar um remanescente do povo é porque Deus não se esquece de sua aliança.

“Lembrou-se da sua aliança, e compadeceu-se, segundo a grandeza do seu amor” ( Sl 106:45 ).

“E os vossos olhos o verão, e direis: O SENHOR seja engrandecido além dos termos de Israel” ( Ml 1:5 ).

Este versículo encerra o primeiro ciclo de perguntas e respostas.

É característica própria do livro de Malaquias apresentar um enunciado profético para o futuro de Israel ao fim de cada ciclo de perguntas e respostas.

Do versículo 1 ao 4, Malaquias faz referência ao tempo presente do povo. Já o versículo 5 remete a um futuro em que o povo de Israel haverão de ver o Senhor.

Esta característica do livro de Malaquias faz com que o livro contenha pequenos enunciados proféticos e complementares à mensagem principal. Característica que difere totalmente dos outros livros proféticos.

Observe a relação que há entre o versículo 5 e 11:

“Mas desde o nascente do sol até ao poente é grande entre os gentios o meu nome; e em todo o lugar se oferecerá ao meu nome incenso, e uma oferta pura; porque o meu nome é grande entre os gentios, diz o SENHOR dos Exércitos” (v. 11).

“E os vossos olhos o verão, e direis: O SENHOR seja engrandecido além dos termos de Israel” (v. 5).

Os dois versículos remetem ao futuro de Israel e falam da condição que se estabelecerá entre Deus e os gentios.

Falaremos destas profecias em um próximo comentário.

Resumindo a declaração de amor que Deus fez ao povo de Israel.

Não foram as ações de Esaú ou Jacó que determinaram o amor de Deus; É certo que o amor de Deus abrange a todos os homens, visto que ele faz justiça a todos.

Deus não tem preferência por suas criaturas, visto que:

a) Ele não faz acepção de pessoas;

b) É santo, e;

c) Deus não aceita suborno, ou seja, não corrompe o que é de direito.

Após as analises apresentadas, fica o alerta: ao ler a bíblia devemos nos inteirar da linguagem utilizada pelos escritores. Citações do Antigo Testamento no Novo Testamento devem ser interpretadas conforme a ideia básica apresentada no Antigo Testamento.

 

* A ‘presciência’ de Deus refere-se ao ‘conhecimento’, a ‘mensagem’ de Deus anunciada previamente pelos seus santos profetas de que Cristo seria morto na plenitude dos tempos em função do beneplácito da vontade de Deus, pois Cristo é o Cordeiro de Deus morto deste a fundação do mundo, ou seja, a ‘presciência’ ou o ‘pré-conhecimento’ diz dos eventos que se sucederam com relação à vida e morte de Cristo em conformidade com as Escrituras “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” ( Ap 13:8 ).

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