O lobo morará com o cordeiro?

O leão, o lobo e o leopardo, neste contexto, são bestas do campo utilizadas como figura para fazer referência às nações inimigas de Israel, que invadiriam as cidades e levaria o povo (ovelhas) de Israel como presa.


“E morará o lobo com o cordeiro, o leopardo com o cabrito se deitará, o bezerro e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos e um menino pequeno os guiará” (Is 11:6).

 

Introdução

As Testemunhas de Jeová e os Adventistas do Sétimo dia utilizam a passagem de Isaias 11, verso 6, para falar das bênçãos de um futuro novo mundo, como se as Escrituras afirmassem que, um dia, a natureza dos lobos seria transformada para tornar possível conviverem em harmonia com carneiros.

Eles afirmam, com base nessa passagem de Isaias, que uma das características desse paraíso será os humanos e os animais coexistindo em paz, de modo que um cordeiro não correrá risco de ser devorado, se ficar próximo de um lobo ou, um bezerro, próximo de um leopardo.

Dai, surge a indagação: está correto esse ensinamento disseminado pelas Testemunhas de Jeová[1], conforme o que estabelece o seu Corpo Governante[2]? Está correto o ensinamento de Ellen White[3] quanto a essa passagem das Escrituras?

 

Interpretando uma parábola

Assim como o profeta Isaias, o profeta Ezequiel, também, anunciou aos filhos de Israel um tempo de paz, em que os descendentes de Jacó habitariam em segurança, nas terras que foram prometidas ao patriarca Abraão, pois o Filho de Davi – Jesus Cristo – regerá as nações do mundo com vara de ferro (Ap 19:15).

“E eu, o SENHOR, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o SENHOR, o disse. E farei com elas uma aliança de paz e acabarei com as feras da terra, habitarão em segurança no deserto e dormirão nos bosques. E delas e dos lugares ao redor do meu outeiro, farei uma bênção; e farei descer a chuva a seu tempo; chuvas de bênção serão. E as árvores do campo darão o seu fruto, a terra dará a sua novidade, estarão seguras na sua terra; e saberão que eu sou, o SENHOR, quando eu quebrar as ataduras do seu jugo e as livrar da mão dos que se serviam delas. E não servirão mais de rapina aos gentios, as feras da terra nunca mais as devorarão; e habitarão seguramente e ninguém haverá que as espante” (Ez 34:24-28).

Ezequiel profetizou que Deus haveria de fazer uma aliança de paz com os filhos de Israel e que acabaria com as feras da terra. Ora, diante dessa profecia, o leitor tem que entender que Deus falava aos filhos de Israel, utilizando-se de figuras, enigmas e parábolas (Sl 78:2; Ez 20:49).

Já, no inicio do capítulo 34, do Livro de Ezequiel, temos uma parábola, em que Deus retrata os líderes de Israel como ‘pastores’ e o povo como ‘ovelhas’ (Ez 34:2).

Os líderes de Israel eram pastores que apascentavam a si mesmos, pois se alimentavam do rebanho, mas não cuidavam dele (Ez 34:3). Por causa da desídia dos ‘pastores’, as ‘ovelhas’ da casa de Israel se dispersaram, tornando-se presas fáceis das feras do campo (nações gentílicas) e foram dispersas entre todas as nações (montes, outeiros).

“Assim se espalharam, por não haver pastor e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam.As minhas ovelhas andaram desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem perguntasse por elas, nem quem as buscasse” (Ez 34:5-6)

No capítulo 34, o profeta Ezequiel estava protestando contra os líderes (pastores) do povo, vez que não cuidaram dos filhos de Israel (ovelhas). O cuidado dos líderes estava em ensinar, corretamente, ao povo os mandamentos de Deus, mas, como o povo não foi ensinado, os filhos de Israel ficaram como ovelhas que não tem pastor, presas fáceis às bestas feras do campo, ou seja, foram levados em cativeiro pelas nações inimigas.

A expressão ‘bestas’ feras do campo é uma figura da parábola, que remete às nações inimigas de Israel, que conquistaram e levaram os israelitas em cativeiro. ‘Montes’ e ‘outeiros’, também, são figuras que representam as nações onde os fugitivos de Israel se refugiaram, quando do aperto dos inimigos.

Por causa da apostasia dos filhos de Israel foi previsto, pelos profetas, que eles seriam conquistados por povos inimigos e levados em cativeiro e, para descrever esta triste realidade, os profetas se utilizaram dessas figuras:

“Por isso, um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias” (Jr 5:6).

O profeta Jeremias, ao prever o cativeiro dos filhos de Israel, utilizou a figura de três animais do campo: leão, representando a Babilônia; o lobo, representando os Medos-Persas e o leopardo, representando a Grécia, nações que subjugariam os filhos de Israel.

O leão, o lobo e o leopardo, neste contexto, são bestas do campo utilizadas como figura para fazer referência às nações inimigas de Israel, que invadiriam as cidades e levaria o povo (ovelhas) de Israel como presa.

Semelhantemente, montes e outeiros são figuras utilizadas para fazer referência às nações, comparando-as:

“E acontecerá, nos últimos dias, que se firmará o monte da casa do SENHOR no cume dos montes e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações” (Is 2:2).

Quando Isaias profetizou que, ‘nos últimos dias, se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes’, ele utilizou as montanhas como figura, para demonstrar que a nação de Israel se estabelecerá acima das demais nações (se elevará por cima dos outeiros).

A Bíblia apresenta inúmeras figuras para ilustrar a relação entre Israel e os povos em redor.

Outro exemplo de aplicabilidade da figura do ‘monte’ encontra-se nos Salmos, quando o salmista apresenta as águas como figura, para representar os povos e as montanhas, as nações, como se lê:

“Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá.) Há um rio, cujas correntes, alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã.Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu” (Sl 46:3-6).

Utilizando a mesma temática, Isaias profetizou, acerca das nações:

“Ai do bramido dos grandes povos, que bramam como bramam os mares e do rugido das nações, que rugem como rugem as impetuosas águas. Rugirão as nações, como rugem as muitas águas, mas Deus as repreenderá e elas fugirão para longe; e serão afugentadas como a pragana dos montes diante do vento e como o que rola, levado pelo tufão” (Is17:12-13).

Voltando à abordagem do profeta Ezequiel, na qual ele destaca que Deus fará uma aliança de paz com Israel e que acabará com as feras da terra, para que os filhos de Jacó possam habitar em segurança no deserto ou, no bosque, o que entender?

Significa que, no reino milenar  de Cristo, não haverá na terra leão, pantera, lobo, urso ou, qualquer outro animal selvagem? Absolutamente, não! Ezequiel fez uso de figuras, para demonstrar que a cidade que os israelitas habitarão será segura, por causa da aliança de paz que Cristo estabelecerá com eles.

A cidade não necessitará de muros, assim como os desertos e os bosques não necessitam. “E disse-lhe: Corre, fala a este jovem, dizendo: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão dos homens e dos animais que haverá nela” (Zc 2:4).

O profeta estava anunciando, através dessa previsão, que, no futuro de paz, decorrente do governo de Cristo, os filhos de Israel (ovelhas) não mais servirão de rapina (presa) aos gentios, ou seja, no contexto os gentios são sublinhados como feras que devoram os filhos de Israel.

É, em função da paz que haverá no reino milenar de Cristo, que o profeta Isaias anunciou:

“Ali não haverá leão, nem animal feroz subirá a ele, nem se achará nele; porém, só os remidos andarão por ele” (Is 35:9);

“O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos e o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal, nem dano algum, em todo o meu santo monte, diz o SENHOR” (Is 65:25).

Considerando o verso 9, de Isaias 35, poderíamos concluir que não haverá leão no reino milenar de Cristo? Evidente que não!

Quando é dito que o lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, significa que Cristo estará regendo todas as nações da terra (Ap 2:27), de modo que Israel (cordeiros) coexistirá, pacificamente, com as demais nações (lobo), uma paz que nunca se viu ao longo da história da humanidade.

Para compreender essas figuras bíblicas, se faz necessário ter em mente a seguinte regra de interpretação:

“Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado de bois?” (1 Co 9:9).

Na lei, a figura do boi foi utilizada para fazer referência ao direito de um condenado, demonstrando que Deus tem cuidado dos homens, mas há quem entenda que Deus está cuidando dos animais (Dt 25:1-4).

De igual modo, Deus se utiliza da figura de animais para fazer referência às nações, conforme se vê, nas visões de Daniel:

“Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar grande.E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar. O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto, em pé, como um homem e foi-lhe dado um coração de homem. Continuei olhando e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne” (Dn 7:2-5).

O mar agitado pelo vento refere-se às nações da terra (quatro ventos) e os animais simbólicos do leão, do urso e do leopardo, são as três grandes civilizações conhecidas na história da humanidade: babilônia, medos-persas e gregos, respectivamente. Essas nações foram simbolizadas por animais selváticos, ou seja, através de bestas do campo, para demonstrar a hegemonia delas no mundo e o poder de Deus em estabelecê-las.

O profeta Oséias falou desse tempo de paz, em que Deus fará uma aliança de paz com os israelitas, findando, assim, as guerras no mundo:

“E naquele dia farei por eles aliança com as feras do campo e com as aves do céu,  com os répteis da terra; e da terra quebrarei o arco, a espada e a guerra e os farei deitar em segurança. E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, em juízo, em benignidade e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade e conhecerás ao SENHOR” (Os 2:18-20).

O que entender? ao ler:

“E morará o lobo com o cordeiro, o leopardo com o cabrito se deitará, o bezerro e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi” (Is 11:6-7).

O crente deve ter em mente que figuras como: lobo e cordeiro, leopardo e cabrito, bezerro e leãozinho, vaca e ursa e leão e boi, no contexto da profecia de Isaias, trata da convivência pacífica entre as nações, quando do governo do Leão da Tribo de Judá, o rebento de Jessé.

Entender que a profecia de Isaias trata de um futuro ecossistema terrestre, ou que a natureza das bestas feras do campo serão mudadas, quando do advento do reino de Cristo, no mínimo, é um equivoco oriundo da má leitura das figuras e das parábolas bíblicas.

Resta-nos a seguinte dúvida: Se uma organização humana que se diz conhecedora e divulgadora da verdade bíblica não consegue interpretar figuras bíblicas tão simples como essas apresentadas por Isaias, tal organização é digna de confiança, com relação à interpretação do restante das Escrituras?

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1]“No novo mundo de Jeová, as pessoas poderão tocar a juba fofinha de um leão, acariciar o pêlo listrado dum tigre e, até mesmo, dormir na floresta, sem temerem ser atacadas por um animal. Veja a seguinte promessa de Deus: “Hei de fazer cessar no país a fera nociva, e [os humanos] realmente morarão no ermo em segurança e dormirão nas florestas.” — Ezequiel 34:25; Oséias 2:18. Os animais selvagens estarão em sujeição, até mesmo a crianças pequenas. A Bíblia diz: “O lobo, de fato, residirá por um tempo com o cordeiro e o próprio leopardo se deitará com o cabritinho e o bezerro, o leão novo jubado e o animal cevado, todos juntos; e um pequeno rapaz é que será o condutor deles.” Mas isso não é tudo! O texto bíblico continua: “A própria vaca e a ursa pastarão; juntas se deitarão as suas crias. E até mesmo o leão comerá palha como o touro. E a criança de peito há de brincar sobre a toca da naja; e a criança desmamada porá realmente sua própria mão sobre a fresta de luz da cobra venenosa. Não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová, assim como as águas cobrem o próprio mar.” — Isaías 11:6-9.” Animais — eternos companheiros do homem, Revista Despertai! — 2004, pág. 10 -11 <http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/102004123>consulta realizada em 08/01/2017.

[2]Segundo as literaturas distribuídas pelas Testemunhas de Jeová, o Corpo Governante refere-se a um grupo de pessoas que supervisiona as Testemunhas de Jeová, em todo o mundo.

[3] “Vi outro campo repleto de todas as espécies de flores; e, quando as apanhei, exclamei: “Elas nunca murcharão.” Em seguida, vi um campo de relva alta, cujo belíssimo aspecto causava admiração; era uma vegetação viva e tinha reflexos de prata e de ouro, quando magnificamente se agitava para a glória do Rei Jesus. Entramos, então, num campo cheio de todas as espécies de animais: o leão, o cordeiro, o leopardo, o lobo, todos juntos, em perfeita união. Passamos pelo meio deles e, pacificamente, nos acompanharam”. White, Ellen, Eventos Finais, Casa Publicadora Brasileira, pág. 288. <http://ellenwhite.cpb.com.br/livro/index/7/283/306/a-heranca-dos-santos> consulta realizada em 08/01/2017.

“Os animais deixarão de ser carnívoros e ferozes: “O lobo e o cordeiro pastarão juntos e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará ma,l nem dano algum, em todo o meu santo monte, diz o SENHOR.” Artigo: O que é a morte?, de Leandro Soares de Quadros, consultor bíblico e conselheiro, disponível na web: <http://www.novoapetite.com.br/?p=66>consulta realizada em 08/01/2017.

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Isaías 56 – A bem-aventurança prometida a Abraão chega aos gentios

As Escrituras depõem contra todos os homens, classificando-os de ‘mentirosos’( Sl 116:11; Rm 3:4). Por que todos são mentirosos? Todos os homens são mentirosos, porque todos os homens, juntamente, se desviaram desde a madre (Sl 53:3) e falam mentiras. desde que nascem (Sl 58:3). Isso não quer dizer que todos os homens faltam com a verdade, ou que são infiéis nos negócios, etc.


Isaias 56 – A bem-aventurança prometida a Abraão chega aos gentios

Introdução

É através da seguinte ótica que se deve compreender o capítulo 56 de Isaias: Deus estava prestes a cumprir a promessa feita a Abraão!

Qual a promessa de Deus feita a Abraão? Que, na descendência de Abraão, seriam benditas todas as famílias da terra, apesar de que, à época da promessa, Abraão ainda não tinha filhos.

“… em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 28:14).

Considerando que Deus notificou a Abraão que, em seu Descendente seriam benditas todas as famílias da terra, os filhos de Israel, equivocadamente, passaram a considerar que eram herdeiros da bem-aventurança prometida por causa da carne e do sangue de Abrão que corria em suas veias (Gl 3:8; Gn 28:14).

O apóstolo Paulo nos esclarece que a bem-aventurança não foi dada aos descendentes segundo a carne de Abraão, antes, a bem-aventurança estava vinculada ao Descendente de Abraão que seria chamado em Isaque  (Rm 9:7).

Como a descendência de Abraão seria chamada em Isaque, isso significava que a promessa não tinha por base a carne de Abraão, portanto, os descendentes de Abraão não haviam sido agraciados com a bem-aventurança.

Ora, todos os israelitas se gloriavam no fato de serem descendência de Abraão e, por confiarem na carne, se afastavam de Deus. Em vez de bem-aventurados, eram malditos, segundo a palavra do Senhor, anunciada por intermédio de Jeremias, por fazerem da carne o seu braço (força, salvação):

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5).

Essa profecia de Jeremias demonstra que o homem que confia em si mesmo é maldito! O homem que confia em si mesmo é aquele que faz da sua carne a sua salvação, porque ‘braço’ é figura de força, o que remete à salvação.

“O SENHOR é a minha força e o meu cântico; Ele me foi por salvação; este é o meu Deus, portanto, lhe farei uma habitação; ele é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei” (Êx 15:2);

“Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei e não temerei, porque o SENHOR DEUS é a minha força e o meu cântico e se tornou a minha salvação” (Is 12:2).

Considerando a argumentação do apóstolo Paulo, de que tudo o que a lei diz, diz aos que estão debaixo da lei, isso significa que a reprimenda de Jeremias tinha por alvo o homem judeu, pois eles, sabidamente, se gloriavam pelo fato de serem descendentes da carne de Abraão.

“Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito, nos gloriamos em Jesus Cristo e não confiamos na carne” (Fl 3:3);

“Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e em me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque, destas coisas me agrado, diz o SENHOR” (Jr 9:24; Tg 1:9; 1 Co 1:31).

 

Salvação para todos os povos

“ASSIM diz o SENHOR: Guardai o juízo e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir e a minha justiça, para se manifestar” (Is 56:1)

Através do profeta Isaias, Deus ordenou aos filhos de Israel que ‘guardem o juízo’ e ‘façam justiça’, ou seja, eles deviam obedecer à palavra de Deus. A palavra do Senhor, por intermédio de Isaias, remete ao exarado em Deuteronômio:

“E será para nós justiça, quando tivermos cuidado de cumprir todos estes mandamentos perante o SENHOR nosso Deus, como nos tem ordenado” (Dt 6:25).

O que Deus exigiu dos filhos de Israel não é justiça social e nem a justiça que é administrada em tribunais humanos. Esse é um equivoco que afeta a compreensão de muitos, pois interpretam o ‘guardar o juízo’ e ‘fazei justiça’ como um apelo divino para que os filhos de Israel se ocupassem de questões sociais.

Na verdade, quando é dito ‘guardai o juízo’ e ‘fazei justiça’, Deus estava conclamando os filhos de Israel para observarem o Seu mandamento. Uma pequena análise de dois versículos, levando-se em conta a estrutura do texto – paralelismo – verifica-se que obedecer à voz de Deus é o mesmo que ‘fazer justiça’ e ‘guardar o juízo’:

“E será para nós justiça, quando tivermos cuidado de cumprir todos estes mandamentos perante o SENHOR nosso Deus, como nos tem ordenado” (Dt 6:25);

“AMARÁS, pois, ao SENHOR teu Deus e guardarás as suas ordenanças, os seus estatutos, os seus juízos e os seus mandamentos, todos os dias” (Dt 11:1).

Na verdade, o verso 1: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus…” é uma ordem aos filhos de Israel, para que obedecessem a Deus!

“Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque a vossa benignidade é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa. Por isso os abati pelos profetas; pelas palavras da minha boca os matei; e os teus juízos sairão como a luz, porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Os 6:4 -6);

“Porém, Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1 Sm 15:22).

Mas, por que Deus concita o povo a obedecê-Lo? O motivo é patente: – “… porque a minha salvação está prestes a vir e a minha justiça prestes a manifestar-se”. O motivo apresentado por Deus não diz de um conceito ou, de uma ideia filosófica, acerca da salvação e da justiça.

Através dessa profecia, Deus notifica os seus interlocutores que a Sua salvação e a Sua justiça estavam prestes a virem personificadas! Ora, o apóstolo Paulo deixa claro que, antes que Cristo viesse, as Escrituras encerrou todos os homens debaixo do pecado e os judeus, por sua vez, estavam sob o cuidado da lei, uma espécie de curador (aio), que os conduzia a Cristo, a salvação e a justiça de Deus (Gl 3:24).

A lei é apontada como ‘aio’, que conduz o homem a Cristo: a salvação de Deus e a justiça de Deus manifesta (Gl 3:24). Ao guardar as ordenanças de Deus, o homem descobriria que a justiça de Deus não é segundo a lei, antes, Deus encerrou todos debaixo do pecado (judeus e gregos), para que soubessem que a promessa da fé é dada aos crentes (Gl 3:21-22).

A justiça de Deus é segundo a promessa estabelecida no Descendente de Abraão, que é Cristo, a justiça de Deus.

 

“Bem-aventurado o homem que fizer isto e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de fazer algum mal” (Is 56:2)

Deus enfatiza que é bem-aventurado qualquer que O obedecesse, ou seja, que faz justiça e guarda o juízo. O profeta dá um exemplo de como guardar o juízo e fazer justiça à época (Zc 8:16), guardando os sábados e não realizarem mal algum.

Para compreender todas as nuances deste verso, o leitor deve considerar que Deus falava ao povo de Israel por enigmas, pois somente com Moisés Deus falava cara a cara e sem utilizar enigmas: “Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?” (Nm 12:8).

Os enigmas contidos nas Escrituras faziam com que as visões do livro estivessem como que seladas, de modo que os interpretes de Israel não pudessem compreender: “Por isso toda a visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele dirá: Não posso, porque está selado” (Is 29:11).

Se o interprete não desvendar os significados dos enigmas, qualquer interpretação das escrituras será equivocada.

O primeiro enigma a ser desvendado está em com o homem se guardar de fazer o mal. Como é possível ao homem deixar de fazer o mal, se a própria escritura diz que ‘não há quem faça o bem’? “Desviaram-se todos e, juntamente, se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” (Sl 53:1).

Ao falar com os fariseus, Jesus deu uma pista para elucidar o enigma acerca do ‘mal’, pois Ele disse que, apesar de os fariseus darem boas dádivas aos seus semelhantes (filhos), na essência eram ‘maus’. Até dizer boas coisas os fariseus estavam impedidos, pela condição deles: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” (Mt 7:11); “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mt 12:34).

Os fariseus não eram maus porque faziam maldades, mas, sim, maus, porque, diante de Deus, eram vis, inferiores, da ralé, portanto, maus. Jesus não estava apontando para o comportamento dos fariseus, pois Ele a ninguém julgava, mas, apontou para a condição de alguém que é escravo do pecado: vil, mal.

Ora, os fariseus podiam falar acerca de temas nobres, princípios comportamentais, questões religiosas e questões de ordem filosófica, porém, tais temas tão caros aos homens, não são ‘boas coisas’ diante de Deus. Por que não? Porque tais questões não desfazem a barreira de inimizade que há entre Deus e os homens.

Os fariseus não podiam fazer o bem e nem dizer boas coisas, por causa dos seus corações enganosos. Fazer o bem e dizer boas coisas só é possível através da revelação de Deus em Cristo, o nobre tema que o salmista Davi anunciou no Salmo 45. Se a revelação de Deus, o mistério revelado em Cristo, o homem não consegue decifrar o enigma anunciado por Deus (Sl 49:4; Sl 45:1).

As Escrituras depõem contra todos os homens, classificando-os de ‘mentirosos’( Sl 116:11; Rm 3:4). Por que todos são mentirosos? Todos os homens são mentirosos, porque todos os homens, juntamente, se desviaram desde a madre (Sl 53:3) e falam mentiras. desde que nascem (Sl 58:3). Isso não quer dizer que todos os homens faltam com a verdade, ou que são infiéis nos negócios, etc.

Quando é dito que todos os homens são mentirosos é o mesmo que dizer que todos pecaram. Assim como Deus é luz, verdade e vida, o homem alienado de Deus está em trevas, é mentira e está morto.

Os judeus se esforçavam para não faltar com a verdade com os seus semelhantes, porém, não é acerca dessa questão que Deus conclama aos filhos de Israel para que fale cada um a verdade com o seu companheiro.

“Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” (Zc  8:16).

Considerando que ‘a boca fala do que está cheio o coração’, quem fala o mal, fala segundo o seu coração mau. Qualquer descendente da carne de Adão é mau, porque herdou tal condição de Adão, herdou um coração enganoso e fala segundo o seu coração: engano contínuo.           

Para falar boas coisas é necessário um novo coração, por isso Deus anunciou, através de Moisés, a necessidade de circuncidarem o coração pois, com a circuncisão do coração, o homem morre e recebe de Deus um novo coração e um novo espírito (Sl 51:10; Is 57:15; Ez 18:31 ).

Ora, os filhos de Israel achavam que guardavam o sábado, porém, Deus continuamente protestava contra eles, demonstrando que eles eram homens de dura cerviz e que não circuncidavam o coração: “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz” (Dt 10:16).

No oitavo dia, após o nascimento de uma criança, os filhos de Israel circuncidavam os seus filhos no prepúcio da carne, porém, não se deixavam circuncidar pelo Pai celeste. Sem a circuncisão do coração, que significa morte para o pecado, jamais os filhos de Jacó seriam judeus de fato, e todas as obras deles continuavam sendo más, continuadamente.  

“Circuncidai-vos ao SENHOR e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo e arda, de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras” (Jr 4:4);

“Porque não é judeu o que o é exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente, na carne. Mas, é judeu o que o é no interior e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra; cujo louvor não provém dos homens, mas de Deus” (Rm 2:28-29).

Os judeus se consideravam os ‘bons’, e consideram os gentios ‘ruins’. Entenda ‘bons’, no sentido de bem nascidos, nobres, filhos de Abraão, consequentemente, filhos de Deus. Por isso, sempre argumentavam, dizendo: ‘Temos por Pai a Abraão’.

De igual modo, entenda ‘ruins’ como baixos, plebes, sem levar em conta conotação moral. Enquanto se achavam filhos de Abraão, Deus protestava contra os filhos de Israel, declarando-os filhos da agoureira, da adúltera.

“Mas, chegai-vos aqui, vós os filhos da agoureira, descendência adulterina e de prostituição” (Is 57:3).

O erro dos judeus era considerar que eram bem nascidos, portanto, bons, e que os estrangeiros eram mal nascidos, consequentemente ‘ruins’. Igualmente, judeus e gentios são ruins (Rm 3:4), portanto, mentirosos, pois todos, juntamente, alienaram-se de Deus em Adão (Rm 3:9).

“Deveras o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e não entendidos; são sábios para fazer mal, mas não sabem fazer o bem (Jr 4:22).

Apesar dos judeus guardarem os sábados, as festas, as assembleias, etc., nenhum deles observava a lei.

“Não vos deu Moisés a lei? E nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?” (Jo 7:19).

Na verdade, as Escrituras depunham contra os judeus como blasfemos:

“E agora, que tenho eu que fazer aqui, diz o SENHOR, pois o meu povo foi tomado sem nenhuma razão? Os que dominam sobre ele dão uivos, diz o SENHOR; e o meu nome é blasfemado, incessantemente, o dia todo” (Is 52:5; Rm 2:24).

A circuncisão na carne era uma marca dada aos descendentes da carne de Abraão para identificá-los como nação e não como filhos de Deus. Tal marca só seria proveitosa se os judeus obedecessem a Deus, assim como o crente Abraão (Gn 17:10-11; Gn 26:5). É nesse quesito que o apóstolo Paulo repreende os cristãos convertidos, dentre os judeus, que estavam em Roma:

“Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão” (Rm 2:25).

O profeta Isaias estava conclamando os seus ouvintes a obedecerem a Deus (mantende o juízo e fazei justiça), através de alguns preceitos da lei (utilizados como figuras): guardar o sábado e guardar a mão de fazer o mal, pois qualquer que, como Abraão, obedecesse ao mandamento de Deus, seria bem-aventurado.

“Bem-aventurado o homem que fizer isto e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de fazer algum mal” (Is 56:2); “Porquanto, Abraão obedeceu à minha voz e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Rm 26:5);

“De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão” (Gl 3:9).

Através do profeta Isaias, Deus deixa claro que os sábados dos filhos de Israel eram equivalentes à abominação!

“Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, as luas novas, os sábados e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene” (Is 1:13; Is 58:13).

Por quê? Porque andavam após os seus ídolos! ‘Ídolos’, quando utilizado, nas profecias, acerca do povo de Israel, tem relação com riquezas (Mamom), uma figura para demonstrar que os filhos de Israel estavam a serviço de si mesmos: “Porque rejeitaram os meus juízos, não andaram nos meus estatutos e profanaram os meus sábados; porque o seu coração andava após os seus ídolos” (Ez 20:16).

Quando os filhos de Israel jejuavam, achavam que estavam realizando um trabalho para Deus, porém, equivocadamente, trabalhavam para satisfazerem a si mesmos.

“Dizendo: Por que jejuamos nós e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas e tu não o sabes? Eis que, no dia em que jejuais, achais o vosso próprio contentamento e requereis todo o vosso trabalho(Is 58:3).

 

“E não fale o filho do estrangeiro que, se houver unido ao SENHOR, dizendo: Certamente o SENHOR me separará do seu povo; nem, tampouco, diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca. Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que guardam os meus sábados e escolhem aquilo em que eu me agrado e abraçam a minha aliança: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará” (Is 56:3-5)

Em seguida, Deus dirige a palavra aos estrangeiros e aos eunucos, para que não pensassem que haviam sido rejeitados (Is 56:3), antes, se eles também guardassem o mandamento de Deus, teriam lugar na casa de Deus e dentro dos muros da cidade e um nome superior a de filhos e filhas (Is 56:5).

Os estrangeiros e os eunucos seriam aceitos por causa da seguinte promessa: – “A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos” (Is 56:7). Ora, essa promessa Deus fez a Abraão: – “… em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 28:14).

Através de Isaias, Deus estava demonstrando que a promessa feita a Abraão estava prestes a ser manifesta, pois, sem distinção alguma, todos os homens teriam lugar na casa de Deus. Estava sendo enfatizado que os homens seriam aceitos no Descendente prometido a Abraão e a Davi, pois Cristo é a casa (descendente) que Deus prometeu a Davi.

“… também o SENHOR te faz saber que te fará casa” (2 Sm 7:11).

A ‘casa’ prometida a Davi diz do renovo justo – Cristo – da raiz de Jessé(Jr 33:15), que através do seu corpo, que é a Igreja, está a edificar um templo ,que abriga todos os povos. O corpo de Cristo é a casa de oração para todos os povos, o templo edificado sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas e santuário (Ef 2:20; Is 8:14). Em Cristo, cumpre-se a promessa de se ajuntar os dispersos de Israel e os outros, aos que já se lhe ajuntaram (Is 56:8).

É em função dessa verdade que Jesus expulsou os que vendiam no templo e os cambistas, dizendo: “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” (Mt 21:13), e, como Pastor enfatizou que agregaria ao seu aprisco outras ovelhas: “Ainda tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; também, me convém agregar estas, elas ouvirão a minha voz e haverá um rebanho e um Pastor” (Jo 10:16).

Em linhas gerais, a profecia de Isaias, registrada no capítulo 56, refere-se a Cristo e ao seu corpo, a Igreja. Através do corpo de Cristo, estrangeiros e eunucos (homens considerados imundos para os judeus), poderiam oferecer os seus holocaustos e os seus sacrifícios e serem aceitos por Deus.

“Eis que chamarás a uma nação que não conheces e uma nação que nunca te conheceu correrá para ti, por amor do SENHOR teu Deus e do Santo de Israel; porque ele te glorificou” (Is 55:5)

Apesar de serem discriminados pelos filhos de Israel, Deus dá aviso aos forasteiros (gentios) que não digam que Deus não os aceitará; ou aviso aos eunucos, de que não devem se considerar como uma árvore cortada. Por que não deveriam pensar que eram inúteis? Porque qualquer que guarda o mandamento de Deus (mesmo os estrangeiros e os eunucos) tem um lugar e um nome na casa de Deus.

Qualquer que guarda a aliança de Deus terá um nome superior ao de filhos e filhas. Um nome eterno, que jamais será esquecido.

“Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará” (Is 56:5).

“E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem ao SENHOR, para o servirem, e para amarem o nome do SENHOR, para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança, Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. Assim diz o Senhor DEUS, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram” (Isaias 56:6-8)

A promessa de Deus se estende aos filhos dos estrangeiros que obedecerem à Sua aliança, o que dá elementos para compreender a seguinte promessa:

“E há de ser que, todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e, em Jerusalém, haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (Jl 2:32; Rm 10:13)

Como os estrangeiros e seus filhos seriam conduzidos ao monte do Senhor e como os seus holocaustos e sacrifícios aceitos por Deus? O apóstolo Paulo dá a resposta:

“Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo” (Rm 15:16).

Através do evangelho de Cristo a ‘oferta’ dos gentios se torna agradável a Deus, pois é santificada pelo Espírito Santo. A aliança, da qual o profeta Isaias faz referência, diz do Novo Testamento no sangue de Cristo (1 Co 11:25), e não no Testamento da velhice da letra que foi gravada em pedras (2 Co 3:6).

Em Cristo, o homem é verdadeiro adorador, pois adora a Deus, em espirito e em verdade. Cristo é a pedra assentada no santo monte Sião, o verdadeiro santuário, casa de oração para todos os povos. Apesar de ser o santuário estabelecido por Deus, as duas casas de Israel rejeitaram o Cristo (Is 8:14). Para os que crêem, Jesus é santuário, mas para os incrédulos pedra de tropeço.

“Portanto, assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu assentei em Sião uma pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem firme e fundada; aquele que crer não se apresse” (Is 28:16)

A promessa para os estrangeiros e seus filhos está condicionada a guardarem o ‘sábado’, ou seja, o descanso verdadeiro, que é Cristo. Como? Abraçando a aliança do Senhor expressa no Seu evangelho, crendo que Jesus é o Cristo.

Os filhos de Israel deveriam guardar o sábado como memorial de que foram resgatados do Egito (Dt 5:15), de que Deus é quem os santifica (Ex 31:13). Como a Aliança do Novo Testamento foi feita no sangue de Cristo, o memorial estabelecido é a ceia do Senhor, para que os cristãos se lembrem da sua morte e anunciem o seu nome até que Ele venha (1 Co 11:25-26).

E o que os gentios oferecem como sacrifício na Nova Aliança? O fruto dos lábios que confessam a Cristo, ou seja, a beneficência e a comunicação! (Hb13:15-16) Os seus corpos em sacrifício vivo, que é o culto racional (Rm 12:1)

Para compreendermos a figura dos sábados, se faz necessário compreender que os sacerdotes da Antiga Aliança eram inculpáveis, por trabalharem no templo aos sábados (Mt 12:5). Como Cristo é superior ao templo e os estrangeiros e eunucos são aceitos no Santuário estabelecido por Deus, os que estão em Cristo não necessitam guardar sábados e luas novas (Cl 2:16).

“Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? Pois, eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo. Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor” (Mt 12:5-8).

Cristo é o descanso prometido, o refrigério, mas não quiseram ouvi-Lo:

“Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” (Is 28:12).

Deus exige obediência (misericórdia), e não sacrifícios, como guarda de dias, luas, festas, etc. Para encontrar descanso para a alma é necessário andar por bom caminho, ou seja, em obediência: crendo em Cristo, pois, Deus faz misericórdia aos que O obedecem.

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êx 20:6);

“Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele” (Jr 6:16).

Cristo, como santuário para todos os povos, é superior ao templo, onde os sacerdotes violavam o sábado. Semelhantemente, em Cristo os crentes são sacerdotes que oferecem, continuamente, sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o culto racional, portanto, não estão sujeitos aos ritos da Antiga Aliança.

Na Antiga Aliança era Deus que santificava o povo e, por isso, deveriam santificar o sábado. Na Nova Aliança é Deus quem santifica o crente, por meio da palavra do evangelho, portanto, devem santificar a Cristo em seus corações, ou seja, guardar o descanso verdadeiro (1 Pe 3:15).

O sábado é sombra de uma realidade que o homem experimenta em Cristo: o descanso verdadeiro (Hb 10:1).

O Senhor que promete reunir os dispersos de Israel, é o mesmo Deus que reunirá outros aos que já se ajuntaram. O que isso quer dizer? Que esse é um oráculo do Senhor, acerca da união entre judeus e gentios, do qual resultaria um corpo: a igreja (Ef 2:13-14).

O oráculo aos filhos de Israel, por intermédio do profeta Isaias, foi feito por parábola, o que o apóstolo Paulo fala, abertamente. Cristo é a paz, tanto para aqueles que estão perto(judeus) quanto para os que estão longe (gentios): “Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR e eu o sararei” (Is 57:19).

Deus, que reúne os dispersos de Israel aos gentios que se achegam a Cristo, por meio do evangelho. Jesus Cristo falou, por parábola, que haveria de reunir outras ovelhas que não do aprisco de Israel: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também, me convém agregar estas e elas ouvirão a minha voz e haverá um rebanho e um Pastor” (Jo 10:16).

Desde Moisés, Deus já havia alertado ao povo de Israel que haveria de o por em ciúmes com os gentios:

“Mas, digo: Porventura Israel não o soube? Primeiramente diz Moisés: Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, Com gente insensata vos provocarei à ira” (Rm 10:19).

 

Punição

“Vós, todos os animais do campo, todos os animais dos bosques, vinde comer” (Is 56:9).

Deus faz um convite a todos os animais do campo e das florestas, para reunirem-se para comer. Que animais são estes? O que será oferecido como alimento?

Está é mais uma profecia que se utiliza de uma parábola, para falar da punição que Deus dará a Israel, por desviarem-se da aliança com Deus.

Os animais do campo e do bosque são figuras que remetem às nações vizinhas, que são convidadas por Deus, para invadirem Israel. Esses animais são apresentados em outras passagens bíblicas como bestas do campo.

“Arvorai a bandeira rumo a Sião, fugi, não vos detenhais; porque eu trago do norte um mal, e uma grande destruição. Já um leão subiu da sua ramada, e um destruidor dos gentios; ele já partiu, e saiu do seu lugar para fazer da tua terra uma desolação, a fim de que as tuas cidades sejam destruídas, e ninguém habite nelas” (Jr 4:6-7);

“Irei aos grandes e falarei com eles; porque eles sabem o caminho do SENHOR, o juízo do seu Deus; mas estes, juntamente, quebraram o jugo e romperam as ataduras.Por isso um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias” (Jr 5:5-6);

“Depois eles se fartaram em proporção do seu pasto; estando fartos, ensoberbeceu-se o seu coração, por isso se esqueceram de mim. Serei, pois, para eles como leão; como leopardo espiarei no caminho. Como ursa roubada dos seus filhos, os encontrarei, e lhes romperei as teias do seu coração, e como leão ali os devorarei; as feras do campo os despedaçarão. Para a tua perda, ó Israel, te rebelaste contra mim, a saber, contra o teu ajudador” (Os 13:6-9).

Deus coloca a nação de Israel como banquete às nações vizinhas e faz o convite: vinde comer!

Deus já havia predito, por intermédio do profeta Moisés que, caso o povo de Israel se desviasse da Aliança com Deus, seria perseguido pelos inimigos, o que seria um sinal da parte de Deus, para que se arrependessem (Dt 28:45-46; Jr 18:11), uma prova de que Deus repreende e castiga a todos os que ama (Hb 12:6; Is 1:5):

“O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; Nação feroz de rosto, que não respeitará o rosto do velho, nem se apiedará do moço” (Dt 28:49-50).

“Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados e gostam do sono. E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte. Vinde, dizem, trarei vinho, e beberemos bebida forte; e o dia de amanhã será como este, ainda muito mais abundante” (Is 56:10-12).

Apesar do convite de Deus às nações inimigas (bestas) para virem sobre o seu povo, os profetas (atalaias) de Israel estavam como que cegos, pois desconheciam os desígnios do Senhor (Ez 33:7).

Uma atalaia exerce a função de segurança, vigilante, porém, como é possível um cego exercer tal função? Por não estarem aptos a desempenhar a função, os atalaias de Israel estava mais para um laço de caçador de aves: “Efraim era o vigia com o meu Deus, mas o profeta é como um laço de caçador de aves em todos os seus caminhos e ódio na casa do seu Deus” (Os 9:8).

Outra descrição dos profetas de Israel é a de cães mudos, ou seja, cães que não podem dar o aviso (ladrar). Estão como que adormecidos, deitados e se deleitam em dormir. São cães gulosos, que não se fartam da gordura do povo, mas que não desempenham o seu papel de proteção (Sl 53:4).

Os líderes de Israel são descritos como pastores, mas que nada compreendem: “Eu, porém, disse: Deveras estes são pobres; são loucos, pois não sabem o caminho do SENHOR, nem o juízo do seu Deus” (Jr 5:4; Mt 13:13; Jr 10:21; Jr 50:6; Ez 34:10). Cada pastor desviava para o seu próprio caminho, ou seja, após o seu coração enganoso: “Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos” (Is 65:2).

“O Senhor enviou uma palavra a Jacó e ela caiu em Israel.E todo este povo o saberá, Efraim e os moradores de Samaria, que em soberba e altivez de coração, dizem:Os tijolos caíram, mas, com cantaria tornaremos a edificar; cortaram-se os sicômoros, mas, em cedros as mudaremos.Portanto, o SENHOR suscitará, contra ele, os adversários de Rezim, e juntará os seus inimigos. Pela frente virão os sírios e por detrás os filisteus, e devorarão a Israel à boca escancarada; e nem, com tudo isso, cessou a sua ira, mas, ainda, está estendida a sua mão.Todavia este povo não se voltou para quem o feria, nem buscou ao SENHOR dos Exércitos. Assim o SENHOR cortará de Israel a cabeça e a cauda, o ramo e o junco, num mesmo dia (O ancião e o homem de respeito é a cabeça; e o profeta que ensina a falsidade é a cauda).Porque os guias deste povo são enganadores e os que por eles são guiados são destruídos” (Is 9:8-16).

Enquanto Deus está convidando as ‘bestas’ do campo e das florestas para atacar o povo de Israel, os líderes de Israel somente convidavam o povo para se embriagarem no vinho colhido dos campos de Sodoma e Gomorra.

“Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra” (Is 1:10);

“E toda a sua terra abrasada com enxofre e sal, de sorte que não será semeada, nada produzirá, nem nela crescerá erva alguma; assim como foi a destruição de Sodoma e de Gomorra, de Admá e de Zeboim, que o SENHOR destruiu na sua ira e no seu furor.E todas as nações dirão: Por que fez o SENHOR assim com esta terra? Qual foi a causa do furor desta tão grande ira? Então se dirá: Porquanto deixaram a aliança do SENHOR Deus de seus pais, que com eles tinha feito, quando os tirou do Egito” (Dt 29:23-25);

“Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, cachos amargos têm” (Dt 32:32).

A doutrina dos lideres de Israel se assemelha ao vinho que entorpece os sentidos, de modo que, quem é participante da doutrina deles, sempre está confiante em um futuro melhor, embora a palavra de Deus não seja para paz.

 

Correção ortográfica: Carlos Gasparotto

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– Vigia irmão!

O crente deve estar cônscio de que a sua salvação só ocorrerá se permanecer firme no evangelho anunciado pelos apóstolos, retendo-o inalterado, tal qual foi anunciado até o fim: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis. Pelo qual, também, sois salvos se o retiverdes, tal como vo-lo tenho anunciado (1 Co 15:1).


“Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos” (1 Co 16:13)

Introdução

No dia a dia entre os cristãos é comum ouvirmos o seguinte alerta: – “Vigia varão”! Mas, com o que o cristão deve estar vigilante?

Vigiar para não ser surpreendido pela volta de Cristo, quando vier buscar a igreja? A vigilância do crente deve estar focada nas questões de vestimentas, alimentação, relações interpessoais, etc.? O cristão deve ser vigilante com relação às suas amizades com os não cristãos?

Analisemos qual o objetivo do apóstolo Paulo, ao ter ordenado aos cristãos que vigiassem.

 

Vigiai

“Porque nenhuma outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou, também, reconheceis e espero que, também, até ao fim as reconhecereis” (2 Co 1:13).

Um dos princípios norteadores de todas as cartas paulinas, consta do verso acima: tudo o que o apóstolo escreveu em suas epístolas, os destinatários (cristãos) já sabiam ou, tinham condição de reconhecê-las. Além disso, o apóstolo Paulo não se aborrecia de escrever sempre as mesmas coisas, pois ele entendia que era segurança para os cristãos (Fl 3:1).

O apóstolo Paulo nutria a esperança de que os seus interlocutores identificassem a mensagem escrita, como idêntica ao que lhes fora ensinado pessoalmente, e que jamais se distanciassem do que haviam aprendido.

Considerando que tudo o que o apóstolo Paulo escreveu em suas epístolas os cristãos conheciam e podiam identificar, quando é dito: – ‘Vigiai’, o apóstolo dos gentios estava evocando um ensinamento que, efetivamente, os seus interlocutores sabiam e que podiam distinguir com precisão.

Em seu discurso de despedida da igreja que ficava na cidade de Éfeso, o apóstolo Paulo ordenou aos anciões que ficassem atentos. Observe:

“Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos…” (At 20:28).

Por que os cristãos deveriam estar atentos? Porque o apóstolo Paulo sabia que, após partir para Jerusalém, na comunidade de Éfeso se levantariam homens que falariam coisas ‘perversas’[1] para atraírem os seguidores de Cristo após eles. Surgiriam lobos cruéis que se introduziriam em meio aos cristãos e não poupariam o rebanho de Deus.

“Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (At 20:29-30).

Dai o alerta: ‘Olhai por vós e por todo o rebanho…’ (At 20:28). – “Estai atentos”, ou seja, os anciões deveriam estar vigilantes. Vigilantes como? Mantendo acesa na memoria o que, com lágrimas, lhes foi ensinado pelo apóstolo Paulo, durante três anos (At 20:31).

O crente deve estar cônscio de que a sua salvação só ocorrerá se permanecer firme no evangelho anunciado pelos apóstolos, retendo-o inalterado, tal qual foi anunciado até o fim: “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis. Pelo qual, também, sois salvos se o retiverdes, tal como vo-lo tenho anunciado (1 Co 15:1).

Ora, Jesus teve o cuidado de anunciar somente o que o Pai prescreveu, pois Ele sabia que o mandamento de Deus é a vida eterna, logo, tudo que Jesus ensinou, falou, especificamente, como o Pai lhe prescreveu (Jo 12:49-50; Jo 14:24).

Em meio aos irmãos de Corinto surgiram pseudocristãos que falavam coisas ‘perversas’, ou seja, anunciavam que os mortos não ressuscitavam (1 Co 15:12), daí o alerta paulino: – “Vigiai justamente e não pequeis”!

“Não vos enganeis[2]: as más conversações[3] corrompem os bons costumes[4] [5]. Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus; digo-o para vergonha vossa” (1 Co 15:33-34).

O apóstolo alerta aos cristãos, a não se deixarem iludir, ou seja, não se deixarem enganar, pois, as más associações (comunhão) corrompem o que está estabelecido. A companhia, a relação ou a comunhão (conversações) com aqueles que anunciavam que os mortos não ressuscitam comprometia a verdade do evangelho, vez que a ideia de não haver ressurreição é contrária à pregação dos apóstolos: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação e, também, é vã a vossa fé” (1 Co 15:14).

A mensagem que o apóstolo Paulo pregou aos cristãos, na qual deveriam permanecer era o ηθος (ethos), a residência habitual, o abrigo, o recanto dos cristãos, da qual não podiam se demover (1 Co 15:11; 2 Ts 2:15), mas a ‘conversação’ com quem não detém o conhecimento de Deus, pode corromper a verdade do evangelho: “Ninguém vos engane com palavras vãs, porque, por estas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus companheiros” (Ef 5:6-7; 2 Ts 3:6).

Por causa do risco inerente às más conversações, a ordem é: afaste-se, não compartilhe da mesma mesa, não receba em casa e nem saudai! “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes, afasta-te(2 Tm 3:5); “Mas, agora vos escrevi, que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais (1 Co 5:11); “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis(2 Jo 1:10).

Diante do desvio doutrinário, acerca da ressurreição dos mortos, o apóstolo Paulo conclama os cristãos a permanecerem sóbrios. Daí a ordem: – ‘Vigia, justamente, e não pequeis[6]’! (1 Co 15:34).

Permanecer sóbrio é indispensável à vigilância. A sobriedade contrasta com a loucura, decorrente da embriaguez, portanto, é o mesmo que dizer: não seja insensato, néscio, louco, etc. Os judeus foram nomeados loucos pelos profetas, por não andarem segundo o mandamento de Deus: “Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:22); “E ele lhes disse: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram!” (Lc 24:25); “Deveras o meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e não entendidos; são sábios para fazer mal, mas não sabem fazer o bem” (Jr 4:22; Dt 32:6).

O sóbrio compreende qual é a vontade de Deus, segundo a verdade do evangelho (Ef 5:17), ou seja, é pleno (cheio) do Espírito, pois a palavra de Deus habita nele, abundantemente (Cl 3:16), o que contrasta com os filhos de Israel, que não tinham o conhecimento de Deus (Dt 32:28).

O insensato é aquele que rejeita a verdade do evangelho, por estar embriagado no vinho da dissolução (contenda, facciosidade, devassidão), ou seja, nas questões loucas e nocivas que produzem contenda, portanto, não produz edificação do corpo de Cristo “Mas não entres em questões loucas, genealogias e contendas e nos debates, acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs” (Tt 3:9); “E rejeita as questões loucas e sem instrução, sabendo que produzem contendas” (2 Tm 2:23).

Os néscios estavam embriagados no vinho colhido nos campos de Sodoma e Gomorra, um ardente veneno de serpentes, pois não conheciam a Deus: “Tardai e maravilhai-vos, folgai e clamai, bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte. Porque o SENHOR derramou sobre vós um espírito de profundo sono e fechou os vossos olhos, vendou os profetas e os vossos principais videntes” (Is 29:9-10); “Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23:33; Dt 32:32-33).

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto, os dias são maus. Por isso, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5:15-18).

O apóstolo Paulo recomenda a Timóteo que seja sóbrio, quanto a sofrer as aflições por causa do evangelho, cumprindo o ministério de evangelista, pregando a palavra, redarguindo, repreendendo e exortando, segundo a verdade do evangelho, isso porque, muitos se desviariam da verdade, voltando às fábulas (judaísmo), pois não suportariam a doutrina do evangelho e buscariam doutores, segundo as suas concupiscências (2 Tm 4:1-5).

O sóbrio é aquele que está revestido da armadura de Deus e permanece vigilante, ou seja, não se deixa vencer pelo sono: “Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios (…) Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor e tendo por capacete a esperança da salvação” (1 Ts 5:6 e 8).

O apóstolo Paulo recomenda aos cristãos a sobriedade, para não pecarem (1 Co 15:34) e o apóstolo João escreve a sua primeira epístola, para que os seus interlocutores, também, não pecassem (1 Jo 2:1).

“Ficai sóbrio, justamente, e não pequeis, porque alguns ainda não têm o conhecimento de Deus” (1 Co 15:34).

“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 Jo 2:1)

Com o objetivo de evitar que os cristãos se desviassem (αμαρτανω/hamartano) do que lhes fora anunciado (evangelho), tanto o apóstolo Paulo, quanto o apóstolo João, escrevem aos cristãos para que sempre se lembrassem o que lhes fora anunciado.

“Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual, também, recebestes e no qual também permaneceis. Pelo qual, também, sois salvos, se o retiverdes, tal como vo-lo tenho anunciado (…) Vigiai justamente e não pequeis (1 Co 15:1-2 e 34).

O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que, também, tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra (…) Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis(1 Jo 1:3 -4 e 2:1)

Lembrar as palavras anunciadas por Cristo e os apóstolos é estar vigilante:

“AMADOS, escrevo-vos agora esta segunda carta, em ambas as quais desperto com exortação o vosso ânimo sincero; Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador. Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências” (2Pe 3:1 -3).

Perseverança

A falta de conhecimento (ignorância) de alguns cristãos em Corinto foi destacada pelo apóstolo Paulo para envergonhá-los (1 Co 15:34). O escritor aos Hebreus, por sua vez, repreende aos cristãos, por ainda serem neófitos no evangelho, apesar do decurso do tempo: “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento” (Hb 5:12).

O aviso solene para ‘vigiar’ tem o escopo de apontar a necessidade de perseverança. A ordem é de autotutela: cuida de ti mesmo e da doutrina. O cristão deve manter-se vigilante e não esperar que outros o façam: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4:16).

Como cuidar da sã doutrina? Portando-se como os crentes de Beréia, examinado se o ensinado está em consonância com as Escrituras ou não (At 17:10-11). É imprescindível que o cristão prove os espíritos, ou seja, analise se as mensagens anunciadas provem de Deus ou não (1 Jo 4:1).

Quando ordenam a vigilância, os apóstolos não têm em mente que os cristãos possam ser surpreendidos despercebidos, quando da volta de Cristo. Embora Cristo virá em hora que ninguém sabe (como o ladrão de noite), os que creem em Cristo, já não estão em trevas, portanto, o dia do Senhor não os surpreenderá.

“Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite, nem das trevas” (1 Ts 5:4-5).

Qualquer que crê que Jesus é o Cristo, é filho de Deus (Gl 3:26; 1 Jo 3:1-2 e 1 Jo 5:1), portanto, filho da luz (Ef 5:8), visto que, ao ser batizado na morte de Cristo, ressurgiu uma nova criatura segundo Cristo (Gl 3:28; Cl 3:1). A vigilância do crente não é motivada pelo medo de que o dia da volta de Cristo o surpreenda despreparado, antes, a vigilância tem por foco a firmeza na verdade do evangelho.

 

Estai firmes na fé

Após afirmar que há ressurreição dentre os mortos (1 Co 15:42), o apóstolo Paulo recomenda que os cristãos sejam firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor (1 Co 15:58).

Mas, para o crente estar firme é necessário se revestir da palavra de Deus, ou seja, fortalecer-se na força do poder de Deus, que é o evangelho: “Pelo qual, também, temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” (Rm 5:2; Rm 1:16; 1 Co 1:18 e 24).

O crente estará revestido de toda a armadura de Deus, quando a palavra de Cristo habitar, abundantemente, ou seja, quando o crente, como ministro do espírito, estiver pleno (cheio) do espírito, vez que as palavras de Cristo são espírito e vida: “O qual, nos fez, também, capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” (2 Co 3:6; Cl 3:16; Ef 5:18; Jo 6:63).

Ao escrever aos cristãos em Filipos, o apóstolo Paulo alerta acerca dos cães, dos maus obreiros e da falsa circuncisão (Fl 3:2). Ele esclarece que os crentes em Cristo serviam a Deus em espírito (evangelho), e não confiam na carne (Fl 3:3), mas que existiam muitas pessoas que eram inimigas da cruz de Cristo, cujo deus era o ventre (Fl 3:18) e, por fim, recomenda que permanecessem firmes em Cristo (Fl 4:1).

Aos cristãos de Colossos, o apóstolo Paulo lembra que, antes eles eram inimigos no entendimento, mas foram reconciliados através do corpo de Cristo pela morte, de modo a apresentar os que creem santos, irrepreensíveis e inculpáveis perante Ele (Cl 1:21). Mas, para isto era necessário que os cristãos permanecessem fundados e firmes na fé, ou seja, sem se demoverem da esperança do evangelho (Ef 1:23).

“Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” (Cl 1:23).

O apóstolo Pedro evoca a sobriedade e a vigilância, por causa do adversário à espreita e explica que, somente permanecendo firme na verdade do evangelho, a fé entregue aos santos (Jd 1:3), é possível resistir ao diabo, o adversário (1 Pe 5:8-9).

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 1:3);

“Somente deveis portar-vos dignamente, conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” (Fl 1:27).

O apóstolo Pedro, resumidamente, exortou e testificou acerca da verdade em Cristo e ordena que os cristãos fiquem firmes nela (1 Pe 5:12), pois, quem está firme na fé, resiste ao adversário – o diabo – que anda em derredor, buscando quem possa tragar (1 Pe 5:9).

Muitos querem resistir ao diabo através de imprecações, orações, jejuns, etc., porém, só é possível resistir ao adversário, permanecendo firme na fé.

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo” (1 Pe 5:8);

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef 6:11).

 

Portai-vos varonilmente

Ao ordenar aos cristãos que portassem varonilmente, o apóstolo Paulo evoca a ideia do que foi dito por Davi a Salomão:

“Eu vou pelo caminho de toda a terra; esforça-te, pois, e sê homem” (1 Rs 2:2).

Salomão deveria se esforçar e ser valoroso, aguerrido, forte, campeão, vencedor, etc. Mas, para ser esse ‘homem’, era necessário obedecer a Deus em tudo, pois assim prosperaria em tudo que fizesse: “E guarda a ordenança do SENHOR teu Deus, para andares nos seus caminhos e para guardares os seus estatutos e os seus mandamentos,  os seus juízos e os seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés; para que prosperes em tudo quanto fizeres e para onde quer que fores” (1 Rs 2:3).

Gideão foi nomeado valoroso, quando se esforçava malhando trigo no lagar para proteger o sustento dos midianitas: “Então o anjo do SENHOR lhe apareceu e lhe disse: O SENHOR é contigo, homem valoroso” (Jz 6:12).

Para fazer o que Deus ordena é necessário se esforçar e ter bom ânimo:

“Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo, para teres o cuidado de fazer conforme a toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que, prudentemente, te conduzas por onde quer que andares” (Jz 1:7).

O crente deve permanecer firme no evangelho, pois venceu o maligno (1 Jo 2:13). Mas aquele que se deixa enganar por aqueles que, com astúcia, enganam fraudulentamente, torna-se uma fonte turva, um manancial poluído: “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” (Ef 4:14);

“Como fonte turvada e manancial poluído, assim é o justo que cede diante do ímpio” (Pv 25:26).

 

Fortalecei-vos

Ao escrever aos cristãos, em Éfeso, o apóstolo Paulo, também, ordena que se fortaleçam no Senhor e na força do seu poder:

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6:10).

No que consiste fortalecer no Senhor e na força do seu poder? É o mesmo que se fortificar na graça que há em Cristo, ou seja, crescer na graça e no conhecimento: “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus” (2Tm 2:1); “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” (2 Pd 3:18).

Por que o apóstolo Pedro recomenda aos cristãos que cresçam na graça? Porque o apóstolo enfatiza que é necessário aos cristãos se protegerem do engano dos homens abomináveis. Se o crente não crescer na graça revelada em Cristo, ou seja, no conhecimento do evangelho, corre o risco de ser arrebatado pelo engano, não permanecendo firme em Cristo: “Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais, juntamente, arrebatados e descaiais da vossa firmeza” (2 Pd 3:17).

O evangelho é o poder de Deus para salvação daquele que crê, portanto, o crente tem que se fortalecer no evangelho, revestindo-se da palavra de Deus, ou seja, fortalecer na força do poder de Deus (Rm 1:16; 1 Co 1:18; 1 Co 2:4-5; 2 Co 6:7).

Ao crer no evangelho, o crente realiza a vontade de Deus e passa a ser membro da família de Cristo. Mas, após crer em Cristo, é necessário permanecer crendo para que possa alcançar a promessa. Da mesma forma que um lavrador espera o fruto da árvore, aguardando-o com paciência, o crente deve ser paciente e, para isso, precisa fortalecer o seu coração: “E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12:49-50); “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” (Hb 10:36); “Sede pois, irmãos, pacientes até à vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós, também, pacientes, fortalecei os vossos corações; porque, já a vinda do Senhor está próxima” (Tg 5:7-8).

Após alertar os cristãos acerca das ‘doutrinas várias e estranhas’, o escritor aos Hebreus destaca que é bom que o coração se fortifique com graça e não com alimentos, o que demonstra que haviam alguns que entendiam que o cristão estaria robustecido, caso participe ou, se abstenha de determinados alimentos, uma doutrina estranha à verdade do evangelho: “Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça e não com alimentos, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram” (Hb 13:9).

O cristão deve seguir a verdade do evangelho desenvolvendo-se plenamente em Cristo, ou seja, precisa chegar à unidade da fé, ao pleno conhecimento de Cristo, à medida da estatura completa de Cristo: conhecendo a palavra de Deus. Deste modo, o crente deixa de ser menino, ou seja, sugestionável, propenso a ser levado por ventos de doutrinas (Ef 4:13-14).

 


[1] “1294 διαστρεφω (diastrepho) de 1223 e 4762; TDNT – 7:717,1093; v 1) torcer, desencaminhar, desviar 1a) opor-se, conspirar contra os propósitos e planos salvadores de Deus 2) desviar do caminho certo, perverter, corromper”. Dicionário Bíblico Strong.

[2] “4105 πλαναω (planao) de 4106; TDNT – 6:228,857; v 1) fazer algo ou, alguém se desviar, desviar do caminho reto 1a) perder-se, vagar, perambular 2) metáf. 2a) desencaminhar da verdade, conduzir ao erro, enganar 2b) ser induzido ao erro 2c) ser desviado do caminho de virtude, perder-se, pecar 2d) desviar-se ou afastar-se da verdade 2d1) de heréticos 2e) ser conduzido ao erro e pecado”. Dicionário Bíblico Strong.

[3] “3657 ομιλια (homilia) de 3658; n f 1) companhia, relação, comunhão”. Dicionário Bíblico Strong.

[4] “2239 ηθος (ethos) uma forma consolidada de 1485; n n 1) residência habitual, lugar de habitação, abrigo, recanto 2) costume, uso, moral, caráter”. Dicionário Bíblico Strong.

[5] “1485 εθος (ethos) de 1486; TDNT – 2:372,202; n n 1) costume 2) prática prescrita pela lei, instituição, prescrição, rito”. Dicionário Bíblico Strong.

[6] “264 αμαρτανω (hamartano) talvez de 1 (como partícula negativa) e a raiz de 3313; TDNT – 1:267,44; v 1) não ter parte em 2) errar o alvo 3) errar, estar errado 4) errar ou desviar-se do caminho da retidão e honra, fazer ou andar no erro 5) desviar-se da lei de Deus, violar a lei de Deus, pecado”. Dicionário Bíblico Strong.

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As fábulas de C. S. Lewis

Ora, não pode haver confusão entre parábola e fábula. Cristo veio anunciando o reino dos céus utilizando-se de parábolas porque estava previsto nas Escrituras que o Cristo utilizaria este recurso ao falar ao povo ( Mc 4:34 ; Mt 13:34 ). Jesus mesmo cita o profeta Isaias ao dar justificativa porque falava por parábolas ( Mt 13:13 ), e o evangelista Mateus deixou claro que ele falava por parábolas para que se cumprisse o que fora dito pelo salmista ( Mt 13:35 ).


As fábulas de C. S. Lewis

Após ler um artigo intitulado: ‘Os significados bíblicos em As Crônicas de Nárnia’ disponível na Web < http://bibliacomentada.com.br/index.php/2014/1/1/significados-biblicos-cronicas-narnia > consulta realizada em 04/01/14, não pude deixar de tecer um comentário.

O escritor aos Hebreus deixou claro que, na antiguidade Deus falou de muitas maneiras ao povo de Israel através dos seus profetas e na plenitude dos tempos falou a todos através do seu Filho, Jesus Cristo ( Hb 1:1 ).

Jesus Cristo deixou claro que águas vivas correm apenas do interior (ventre) daqueles que creem n’Ele conforme diz as Escrituras ( Jo 7:38 ), evidenciando que as palavras dos profetas são o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho ( Jo 5:37 e 39), e que Ele, Jesus, não aceitava testemunho de homens ( Jo 5:34 ).

O apóstolo Pedro teve o cuidado de enfatizar que não se utilizou de fábulas artificialmente compostas quando notificou aos cristãos da dispersão a virtude e a manifestação de Cristo ( 2Pe 1:16), antes Ele teve por firme a palavra dos profetas ( 2Pe 1:19 ).

Se o apóstolo Pedro não se utilizou de nenhuma fábula para apresentar Cristo aos homens, com que autoridade um defensor de Lewis lança mão do argumento de que Lewis evangelizava crianças através de fábulas?

Quando escreveu a Timóteo, o apóstolo Paulo deixa claro que, desde a infância Timóteo conhecia as Escrituras, e que somente a palavra de Deus notificada pelos seus santos profetas fazem o homem sábio para salvação pela fé que há em Cristo Jesus ( 2Tm 3:15 ).

Alegar que fábulas possibilitam que as crianças percebam Cristo é negar as Escrituras, visto que somente as Escrituras é perfeita e somente ela refrigera a alma ( Sl 19:7 ). Somente a Escritura é pura, verdadeira, justa e permanece para sempre ( Sl 19:9 ).

Se a Escritura não estivesse ao alcance das crianças, Deus não teria ordenado ao povo de Israel que ensinasse aos seus filhos as ordenanças de Deus ( Dt 6:7 ).

As escrituras é Deus se revelando aos homens através da pessoa de Cristo, ou seja, alcançar a compreensão de Deus não deve ficar a cargo da imaginação do homem, seja ela ampla ou restrita, quer seja criança ou adulto, quer seja judeu ou grego, etc.

Somente as Escrituras desvenda o mistério de Deus que pelos séculos esteve oculto, pois ela apresenta riquezas insondáveis ( Ef 3:9 ), visto que é através da igreja, o corpo de Cristo que tornou-se conhecido aos principados e potestades a multiforme sabedoria de Deus ( Ef 3:10 ).

Quem disse que as crianças precisam de fábulas, estórias (crônicas), magia, etc., para compreender o evangelho, sendo que muitos homens, inclusive os doutores da lei, não reconheceram que Jesus era o Cristo, e as criancinhas O reconheceram como aquele que veio em nome do Senhor? ( Mt 21:15 )

Ora, não pode haver confusão entre parábola e fábula. Cristo veio anunciando o reino dos céus utilizando-se de parábolas porque estava previsto nas Escrituras que o Cristo utilizaria este recurso ao falar ao povo ( Mc 4:34 ; Mt 13:34 ). Jesus mesmo cita o profeta Isaias ao dar justificativa porque falava por parábolas ( Mt 13:13 ), e o evangelista Mateus deixou claro que ele falava por parábolas para que se cumprisse o que fora dito pelo salmista ( Mt 13:35 ).

O apóstolo Pedro enfatiza que a Escritura é firme porque não foi produzida pela vontade dos homens, antes eles falaram inspirados por Deus ( 2Pe 1:21 ), anunciando de antemão os sofrimentos de Cristo e a glória que se seguiria ( 1Pe 1:11 ). As escrituras apresenta Cristo aos homens, a base do testemunho dos apóstolos e dos profetas ( Ef 2:20 ).

Toda a Escritura divinamente inspirada possui o fito de fazer que o homem creia que Jesus Cristo é o Filho de Deus que havia de vir ao mundo “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ).

Evidenciar a pessoa de Cristo nem sempre é o mesmo que pregar o evangelho. Pregar o evangelho não é dizer que Jesus foi um homem bom, um profeta, um líder, um psicólogo, um marceneiro, um judeu, o filho de Maria, nazareno, etc. Pregar o evangelho é ensinar a doutrina de Cristo, ou seja, ensinar a obedecer tudo o que foi mandado “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém!” ( Mt 28:20 ).

Estabelecer um arquétipo (Aslam) que transmita as qualidades de Jesus não cumpre o papel de anunciar o evangelho, pois a salvação da humanidade repousa sobre o fato de Jesus ser o servo e o cordeiro de Deus ( Is 49:6 ).

Anunciar o evangelho não é o mesmo que promover uma crença em Deus ou apenas levantar uma bandeira contra o ateísmo, antes é imprescindível anunciar a mensagem imperativa do evangelho, que é crer em Cristo. Quando o homem crê em Cristo é porque verdadeiramente crê em Deus que enviou a Cristo “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou” ( Jo 12:44 ). Qualquer que diga que crê em Deus, mas não crê em Cristo, não está salvo, pois não crê no testemunho que Deus deu acerca do seu Filho “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou. Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:23 -24).

O irmão Tiago abordou esta questão da crença em Deus demonstrando que os demônios também creem em Deus. Ora, os judeus criam em Deus, porém, apesar de terem tal fé, não possuíam a obra “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem, e estremecem” ( Tg 2:19 ).

E qual é a obra que os judeus não possuíam, apesar de dizerem que tinham fé em Deus? Não criam em Cristo, pois está é a obra de Deus “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). É por isso que Jesus disse aos seus discípulos: “NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim ( Jo 14:1 ).

Para alcançar salvação não adianta crer que Jesus foi um profeta. É necessário crer que Jesus é o descendente prometido a Abraão, o Filho de Davi, o Filho de Deus, como asseguram as Escrituras.

Os judeus criam que Jesus era um dos profetas, mas ao ouvir que Ele é o Eu Sou, e que existia antes mesmo que Abraão, pegaram em pedras para apedreja-Lo “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou” ( Jo 8:58 ); “E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas” ( Mt 16:13 -14); “E a multidão dizia: Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia” ( Mt 21:11 ).

Deus anunciou a Davi que, depois da sua morte, levantaria um da sua descendência cujo reino seria estabelecido para sempre. Este descendente de Davi seria o Filho de Deus, uma flecha na aljava de Deus “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens” ( 2Sm 7:12 -14; Is 49:2 ; Sl 127:5 ).

O evangelho não possui relação alguma com magia, feitiçaria, encantamento, etc., antes é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus que nasceu da descendência de Davi segundo a carne e foi declarado Filho de Deus em poder pela ressurreição dentre os mortos ( Rm 1:2 -4 ; Rm 1:17 ).

Se as Crônicas de Lewis ‘possuem figuras com significados muito mais amplos do que se pode imaginar na primeira leitura’, se as crianças ‘têm imaginação ampla e pronta para mais novidades do que os adultos’, e nos livros de Lewis ‘não é comentado claramente o verdadeiro significado ou a base bíblica de qualquer cena ou personagem’ (Os significados bíblicos em As Crônicas de Nárnia), percebe-se que o trabalho de Lewis não apresenta ao leitor o evangelho de Cristo.

Primeiro que não há paralelo algum entre Deus e o Imperador do Além Mar. Deus não é protetor das crianças do nosso mundo, antes é Ele é o salvador dos que O temem “Assim como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece daqueles que o temem” ( Sl 103:13 ). Não vemos Deus preservando nenhuma criança da destruição de Sodoma e Gomorra, nem tão pouco do dilúvio. Segundo, que não há com que comparar o Criador, pois Ele mesmo diz: “A quem me assemelhareis, e com quem me igualareis, e me comparareis, para que sejamos semelhantes?” ( Is 46:5 ).

Segundo que não há semelhança entre Cristo e o leão Aslam, pois Cristo morreu em obediência ao Pai. As Escrituras mesmo previam que Deus jamais quis sacrifício, antes a obediência. O sacrifício é caracterizado pela voluntariedade, diferente da obediência, que exige sujeição “E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade” ( Mt 26:42 ).

O que ocorreu com Cristo foi obediência, pois um pecou desobedecendo a Deus, e muitos são justificados porque um obedeceu “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste; Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus, a tua vontade. Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei). Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:5 -10).

O que atribuem ao sacrifício, na verdade diz de obediência: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:19 ). Seria um contra senso Deus demonstrar aos homens que o melhor é a obediência, e não exigir do Seu Filho o melhor: obediência “Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” ( 1Sm 15:22 ).

A redenção da humanidade se dá pela obediência, pois o Pai deu o seu único Filho ( Jo 3:16 ), e o Filho em obediência realizou a vontade do Pai: entregou-se a Si mesmo em sacrifício.

É torcer a verdade bíblica afirmar que o tal Aslam é uma figura de Cristo porque nas crônicas de Lewis o leão Aslam morre no lugar de Edmundo para salvá-lo do seu erro: a traição. A base da ideia das fábulas de Lewis remonta ao pensamento filosófico dito cristão dos primeiros sete séculos (Patrística), de que o pecado decorre de questões comportamentais comprometidas por vícios.

Enquanto a bíblia demonstra que todos pecaram porque um pecou, a ideia que consta da fábula é que cada indivíduo se faz pecador após praticar um delito contrário a moral (platonismo).

Enquanto a bíblia demonstra que todos são pecadores por causa da ofensa de um só homem, a fábula aponta que as condutas tidas reprováveis do ponto de vista da moral e dos bons costumes é o que separa o homem de Deus.

Se Lewis escrevesse suas fábulas como o fazem Walt Disney, Joanne Rowling, e muitos outros, não caberia a reprimenda acima, pois não induzem as pessoas as pensarem a bíblia através de suas mistificações. Agora, com relação ao Sr. Clive Staples Lewis fica o alerta do apóstolo Paulo: “Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade. Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo” ( 1Co 5:6 -10); “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” ( Cl 2:8 ).

Para saber mais acerca de Lewis, acesse: < http://www.espada.eti.br/narnia.asp > Problemas com Nárnia: O Lado Ocultista de C. S. Lewis, de Mary Ann Collins, acessado em 04/01/14.

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Joel 1 – A parábola dos gafanhotos

A mensagem anunciada pelo profeta Joel destinava-se tanto aos lideres (anciões) quanto ao povo de Jerusalém (moradores da terra). Ambos necessitavam ouvir o prenúncio do Senhor (…) Muitos entendem que a locusta descrita no verso 4 é proveniente de uma ação demoníaca, porém, o dia previsto pelo oráculo demonstra que é Deus o agente que trará assolação sobre o povo de Israel e Judá ( Jl 2:25 ).


 

1 PALAVRA do SENHOR, que foi dirigida a Joel, filho de Petuel.

O nome Joel significa ‘Jeová é Deus’. A palavra de Deus foi dada a Joel para que ele anunciasse ao povo em Jerusalém.

Os estudiosos datam o livro de Joel antes de ocorrer o cativeiro babilônico, pois muitos inimigos de Judá não são citados. Apontam a data de aproximadamente 830 a.C., durante a juventude do rei Joás, porém o livro não cita o nome de nenhum rei (2Cr 22 a 24).

Especulam que o profeta Joel tenha conhecido o profeta Elias, e que fora contemporâneo de Eliseu. Não passa de especulação.

Outros estudiosos situam o livro na linha do tempo por volta de 760 a. C., sob o reinado de Azarias, pelo simples fato de o livro estar inserido entre os livros de Amós e Oséias no cânon. Porém, ultimamente, os estudiosos datam o livro como sendo escrito após o cativeiro babilônico, por causa da situação religiosa do povo e a ausência de organização política do povo.

Porém, tudo é especulação, visto que não há evidências internas que comprovem qualquer tentativa de se datar o livro. A única certeza acerca de Joel é que o seu ministério foi exercido em Judá.

O livro não faz referência à época, domicílio, profissão e nem a condição socioeconômica do profeta. Da mesma forma, presume-se que ele não pertencia à classe sacerdotal e que a pregação dele tenha se dado em Jerusalém.

 

2 Ouvi isto, vós anciãos, e escutai, todos os moradores da terra: Porventura isto aconteceu em vossos dias, ou nos dias de vossos pais?

A mensagem anunciada pelo profeta Joel destinava-se tanto aos lideres (anciões) quanto ao povo de Jerusalém (moradores da terra). Ambos necessitavam ouvir o prenúncio do Senhor.

O profeta faz duas perguntas aos moradores de Jerusalém: “Porventura isto aconteceu em vossos dias, ou nos dias de vossos pais?”. Dela depreendemos-se duas possibilidades:

  • Que nos dias do profeta houve uma invasão de locustas em Jerusalém como nunca visto, ou;
  • Que, através de uma revelação divina, o profeta viu uma invasão de locustas em Jerusalém.

Havia ocorrido algo semelhante ao descrito pelo profeta naqueles dias? No passado ocorreu algo semelhante ao descrito pelo profeta? Eles presenciaram uma invasão de gafanhotos, ou o profeta contou uma parábola que era necessário que contassem aos filhos?

 

3 Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos filhos a seus filhos, e os filhos destes à outra geração.

Os ouvintes do profeta precisavam narrar aos seus descendentes que:

  • Houve uma infestação de gafanhotos em Jerusalém nunca visto antes? ou;
  • A mensagem que seria anunciada pelo profeta?

 

 

4 O que ficou da lagarta, o gafanhoto o comeu, e o que ficou do gafanhoto, a locusta o comeu, e o que ficou da locusta, o pulgão o comeu.

O profeta apresenta aos seus ouvintes um quadro calamitoso: locustas vorazes que destruíam tudo que encontravam. O que sobrou ao primeiro ataque de gafanhotos, foi atacado por uma segunda leva, e assim sucessivamente.

A parábola do profeta é de destruição, porém, a que se refere? As lavouras e campos de Judá? É de plantações que Deus tem cuidado?

A última pergunta assemelha-se a do apóstolo Paulo: “É de bois que Deus tem cuidado?” ( 1Co 9:9 ). A resposta para a parábola do profeta vem da exposição do apostolo: “Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante” ( 1Co 9:10 ).

Ora, o enfoque da parábola de Joel não era a perca de uma safra agrícola, e nem mesmo uma mera invasão de gafanhotos, por mais devastadora que fosse.

A região da palestina foi atacada por gafanhotos em 1915 e 1928, porém, tal ataque não é algo novo na natureza. Em nossos dias, apesar do desenvolvimento tecnológico e dos poderosos pesticidas, invasões de gafanhotos continuam a ocorrer pelo mundo.

Há governos que fazem previsões de invasões de gafanhotos para que a população alertada busque meios de se proteger. O povo de Jerusalém, apesar do alerta do profeta acerca de uma invasão iminente, não buscaram proteção em Deus, pois são descritos como embriagados, ou seja, não estavam alerta.

 

5 Despertai-vos, bêbados, e chorai; gemei, todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, porque tirado é da vossa boca.

Mesmo diante de um prenuncio tenebroso, o povo de Jerusalém continuava dormindo. A condição do povo se igualava aos dos bêbados, que não reagem ao sinal de perigo.

Deveriam acordar e chorar. O choro deveria transformar-se em gemido. Quem deveria ser despertado? Os habitantes de Jerusalém, pois todos estavam embriagados.

Por qual motivo necessitavam prantear? Porque a bebida que utilizavam haveria de ser tirada. O que eles prezavam tanto, o vinho, haveria de ser arrebatado de suas bocas. Forçosamente seriam colocados em abstinência.

O que representa a figura dos gafanhotos? O que representa o vinho e o mosto? Porque os habitantes de Jerusalém eram bêbados? Os versículos seguintes apresentam a interpretação da parábola, pois Deus lhe revelou através dos gafanhotos como seria a invasão dos exércitos inimigos.

 

 

6 Porque subiu contra a minha terra uma nação poderosa e sem número; os seus dentes são dentes de leão, e têm queixadas de um leão velho.

Como a profecia é de alerta, por causa de uma guerra iminente, segue-se que a profecia se deu antes da invasão dos inimigos. Por causa do tempo verbal da narração que aponta para o passado (subiu), alguns estudiosos entendem que o profeta descreve uma situação de derrota após uma batalha.

Ora, que o quadro apresentado pelo profeta é o de uma derrota em batalha não há o que se discutir, porém, como o teor da profecia é de alerta e o capítulo 2, por sua vez, aponta para acontecimentos vindouros, é certo que o profeta descreveu uma realidade futura no capítulo 1.

Mostrar um futuro profético como sendo uma realidade atual e efetiva tem o fito de despertar o povo para uma realidade que ainda está por vir.

O profeta viu uma nação belicamente poderosa e numerosa avançar contra Jerusalém (minha terra).

A seguir ele apresenta uma característica peculiar à nação que subiu contra o seu povo: “Os seus dentes são dentes de leão, e têm queixadas de um leão velho”. Ele não faz um comparativo entre a nação e ‘os dentes de leão’, antes diz que os dentes da nação são dentes de leão.

Com que objetivo o profeta descreveu a nação invasora, se a invasão já havia acontecido?

Ora, se os dentes da nação são dentes de leão, segue-se que a nação é um leão, pois os dentes pertencem a um leão. E o queixo do leão é como os queixais de uma leoa. Ou seja, a figura do leão simboliza a nação que viria sobre Jerusalém.

Os estudiosos não situam o livro de Joel no tempo porque o profeta não fez nenhuma referência direta aos assírios e aos babilônicos. Por não haver uma referência direta, apontam como provável que, ou a invasão ocorreu antes do poder da Assíria, ou depois da derrota dos Babilônicos.

Como é de conhecimento geral, o leão é símbolo da Babilônia, e a figura descrita pelo profeta no verso 6, parte ‘b’, é indício de que a parábola de Joel refere-se à invasão de Jerusalém pelos babilônicos.

 

 

7 Fez da minha vide uma assolação, e tirou a casca da minha figueira; despiu-a toda, e a lançou por terra; os seus sarmentos se embranqueceram.

O profeta Joel utiliza as figuras da videira e da figueira para fazer referência ao seu povo ( 1Rs 4:25 ). O que a nação poderosa e numerosa fez contra o povo do profeta? Tirou a casca da figueira, despiu-a (desfolhou) e a derrubou. A nação com dentes de leão assolou a videira e a figueira do profeta (As duas casas de Israel).

Por fim, os brotos da videira, em vez de ficarem verdes, embranqueceram. A ação da nação invasora assemelha-se a ação dos gafanhotos quando atacam uma lavoura, como foi descrito no verso 4.

 

8 Lamenta como a virgem que está cingida de saco, pelo marido da sua mocidade.

No verso 4 o profeta fez referência a invasão de gafanhotos e no verso 5 orienta o povo a prantear. Qual a intensidade de sofrimento que seria impingido ao povo? Ora, o lamento do povo após a invasão dos inimigos seria semelhante ao lamento da virgem que perde o noivo prometido.

O jovem prometido a uma moça pela família já tinha o título de marido, conforme se observa em Mt 1:18 .

 

9 Foi cortada a oferta de alimentos e a libação da casa do SENHOR; os sacerdotes, ministros do SENHOR, estão entristecidos.

Por causa da invasão inimiga as ofertas de alimentos e a libação do templo foi interrompida. Os sacerdotes e os ministros do templo, fonte de inspiração e alegria do povo, cairiam em tristeza profunda.

Alguns interpretes argumentam que a oferta e a libação foram cortadas em conseqüência de uma praga de gafanhotos que arruinou a plantação e a colheita, o que não condiz com o verso 6.

 

10 O campo está assolado, e a terra triste; porque o trigo está destruído, o mosto se secou, o azeite acabou.

A ação dos inimigos com boca de leão é semelhante aos dos gafanhotos quando assolam o campo e deixa a terra sem alegria. Três coisas essenciais a nação foi destruído: trigo (sustento), mosto (alegria) e azeite (culto).

 

11 Envergonhai-vos, lavradores, gemei, vinhateiros, sobre o trigo e a cevada; porque a colheita do campo pereceu.

Os religiosos de Judá deveriam ficar envergonhados pelo que fizeram a vinha do Senhor ( Lc 20:9 ). Os lavradores que cuidavam da vinha (nação) trouxeram a instabilidade de trigo e cevada. Por causa dos sacerdotes e ministros, a nação dormiu o sono da indolência ( Jl 1:5 ; Is 56:10 ), e em decorrência da invasão inimiga a colheita do campo pereceu.

 

12 A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens.

O profeta Joel descreve um quadro mais amplo: a vide secou e a figueira murchou, ou seja, Judá e Israel cairiam diante do mesmo inimigo ( 1Rs 4:25 ).

A destruição causada pelo inimigo atingiria também outras nações (árvores do campo): romeira, palmeira, macieira, etc. Todas as árvores do campo se secaram, e os filhos dos homens perderam a alegria.

Quando os profetas falavam acerca do seu povo, geralmente diziam ‘filhos do meu povo’. Neste verso verifica-se que ele profetiza acerca de várias nações: ‘já não há alegria entre os filhos dos homens’ (v. 12).

 

 

13 Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; gemei, ministros do altar; entrai e passai a noite vestidos de saco, ministros do meu Deus; porque a oferta de alimentos, e a libação, foram cortadas da casa de vosso Deus.

O profeta conclama os sacerdotes e ministro a arrependerem-se. Eles deveriam trocar as vestes que serviam no templo por vestidos de saco. Deveriam lamentar e gemer, pois não mais serviriam no templo.

A nação inimiga haveria de cortar a oferta de alimentos e a libação, ou seja, não mais ministrariam no templo.

 

14 Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do SENHOR vosso Deus, e clamai ao SENHOR.

Além de se arrependerem, deveriam convocar um ajuntamento solene, trazendo crianças, jovens e velhos para clamarem ao Senhor. Deveriam sentir a miséria que estava por abatê-los, e clamar pela misericórdia de Deus.

A tristeza que acomete uma virgem viúva não se compara a tristeza que estava por abater o povo do profeta ( Jl 1:7 ). Deveriam lamentar e gemer cingidos de sacos, afligindo a alma com um jejum nacional.

 

15 Ai do dia! Porque o dia do SENHOR está perto, e virá como uma assolação do Todo-Poderoso.

O profeta conclama os seus ouvintes a voltarem para Deus, pois o dia do Senhor haveria de vir ( Jl 2:1 ). Ai do dia! O dia não será do inimigo de Israel, antes será o dia do Senhor, pois a assolação descrita pelo profeta é promovida pelo Senhor Todo-Poderoso.

Muitos entendem que a locusta descrita no verso 4 é proveniente de uma ação demoníaca, porém, o dia previsto pelo oráculo demonstra que é Deus o agente que trará assolação sobre o povo de Israel e Judá ( Jl 2:25 ).

 

 

16 Porventura o mantimento não está cortado de diante de nossos olhos, a alegria e o regozijo da casa de nosso Deus?

O profeta continua descrevendo a condição da nação após a chegada da assolação do dia do Senhor. Ao fazer a pergunta do verso 16, o profeta está repetindo o alerta do verso 2: Ouvi isto, vós, anciões, e escutai, todos os moradores da terra: Aconteceu isto em vossos dias, ou também nos dias de vossos pais? (…) Porventura o mantimento não está cortado de diante de nossos olhos, a alegria e o regozijo da casa de nosso Deus?” ( v. 3 e 16).

Todos os moradores de Sião deveriam se perguntar: Aconteceu isto algum dia em Israel?

O mantimento era causa de alegria e regozijo na casa de Deus, pois das ofertas e dízimos os pobres, viúvas e órfãos da terra se alimentavam. Porém, após ser cortado o mantimento da terra, também seria cortado a alegria e o regozijo da casa do Senhor ( Dt 14:23 ).

 

17 As sementes apodreceram debaixo dos seus torrões, os celeiros foram assolados, os armazéns derrubados, porque se secou o trigo.

A descrição do profeta é de total desolação. As sementes apodreceram e por ter secado o trigo os celeiros e armazéns já não tem razão em permanecer de pé.

 

18 Como geme o animal! As manadas de gados estão confusas, porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas estão perecendo.

Até mesmo os animais do campo sofreriam com a invasão do inimigo. Pereceriam por falta de pastagem!

 

19 A ti, ó SENHOR, clamo, porque o fogo consumiu os pastos do deserto, e a chama abrasou todas as árvores do campo.

Diante de tanta calamidade o profeta clama ao Senhor, pois Ele é o responsável pela indignação que arde como fogo que ninguém pode apagar! ( Jr 4:4 ).

 

20 Também todos os animais do campo bramam a ti; porque as correntes de água se secaram, e o fogo consumiu os pastos do deserto.

Os animais do campo parecem compreender a miséria que se abate sobre a terra do profeta e bramam ao Senhor. Comparados aos animais, ao povo do profeta falta o entendimento do Santo.

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