A carne para nada serve

‘Provar os espíritos’ ou ‘os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas’ não envolve questões de ordem psíquica. Provar os espíritos não é verificar se o profeta é nervoso, intolerante, agitado, agressivo, etc., ou verificar se o profeta controla as suas emoções, desejos e ansiedades. Tais questões são pertinentes a psique humana e alguns psicólogos rotulam como sendo nuances do ‘espírito’. Portanto, a análise deve recair única e exclusivamente sobre a palavra do profeta, pois é pelo ‘fruto’ que se identifica a árvore ( Mt 7:16 ).


“E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 )

Introdução

O evangelista Marcos apresentou uma informação que não pode ser desprezada como parâmetro essencial à contextualização e interpretação de algumas passagens bíblicas:

“E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ).

Neste verso o evangelista deixou registrado de modo claro que, tudo o que Jesus dizia à multidão era dito através de parábolas, o que contrasta com a maneira de Jesus ensinar os seus discípulos em particular.

De posse desta informação, é salutar ao interprete da bíblia analisar qual é o público alvo das palavras de Cristo, pois se for a multidão, teremos parábolas e enigmas, mas se o público alvo for os discípulos e em particular, teremos a elucidação das parábolas e dos enigmas ( Sl 78:2 ).

Neste artigo, faremos um exercício de análise e interpretação bíblica utilizando como base o verso 63 de João 6: “O espírito é que vivifica, a carne para nada serve”, levando em conta a informação dada pelo evangelista Marcos, ou seja, de que Jesus só falava ao povo utilizando-se de parábolas, mas quando em particular com os seus discípulos, declarava o significado do que havia dito.

Demonstraremos a importância de se determinar o público alvo da mensagem de Jesus, se judeus ou discípulos, o que possibilitará uma interpretação segura das Escrituras.

João 6

O evangelista João destaca que Jesus discursou a uma grande multidão que O seguia em função do milagre da multiplicação dos pães ( Jo 6:24 e 59), e no verso 61 em diante, o evangelista destaca que, quando Jesus ficou a sós com os seus discípulos, ensinou-os em função do que havia discursado ao povo.

O texto demonstra que muitos dos discípulos, ao ouvirem o discurso que Cristo fez à multidão, argumentaram: ‘- Duro é este discurso, quem o pode ouvir?’ ( Jo 6:60 ). Ao perceber que os seus discípulos murmuravam a respeito do que fora dito à multidão, Jesus os questiona dizendo: ‘- Isto vos escandaliza?’ (v. 61) e complementa ‘- Que aconteceria então se vísseis o Filho do homem subir para onde primeiro estava?’ Foi quando Jesus apresentou a seguinte explicação: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas alguns de vós não creram” ( Jo 6:63 ).

Levando em conta o que o evangelista Marcos disse: “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ), e que Jesus ensinou os discípulos em particular quando disse: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas alguns de vós não creram” ( Jo 6:63 ), devemos perguntar: Jesus propôs alguma parábola ao povo? Jesus contou à multidão alguma história do cotidiano para expor a sua doutrina? O que é uma parábola?

 

Definição secular de parábola: s.f. Trata-se de uma história curta, cujos elementos são eventos e fatos da vida cotidiana que ilustram uma verdade moral ou espiritual.

Se o interprete levar em conta a definição acima, jamais encontrará no capítulo 6 do evangelho de João uma história curta que faça referencia a eventos e fatos do cotidiano. Mas, como o evangelista Marcos foi contundente ao dizer que Jesus só falava a multidão por parábolas, faz-se necessário reler com acuidade o capítulo 6 do evangelho de João, para descobrirmos se há realmente uma parábola no texto.

Outro ponto a se destacar é o predito pelo salmista: “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” ( Sl 78:2 ). Os enigmas que seriam propostos através de parábolas pelo Messias estavam vinculados as questões da antiguidade, ou seja, não estava vinculado ao cotidiano das pessoas. Se os enigmas são os mesmos da antiguidade, a própria parábola não dependia do formato de uma história curta.

Através de um elemento próprio às poesias hebraicas, o paralelismo, verifica-se que o enigma profetizado pelo salmista e, que seria proposto ao povo através das parábolas pelo Messias, refere-se à lei mosaica anunciada na antiguidade ( Sl 78:1 ), com o objetivo de que os filhos de Israel cressem em Deus ( Sl 78:7 ).

“Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.
Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade.
Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado”
( Sl 78:1-3)

O evangelista João narra que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixinhos ( Jo 6:9 ) e que uma multidão de quase 5.000 mil pessoas comeram a fartar, de modo que sobejaram e sobraram 12 cestos de pães. Diante daquela maravilha, a multidão pretendia fazer Cristo rei, ao que Ele se retirou sozinho para um monte ( Jo 6:15 ).

Mas, o interesse da multidão em se alimentar de pão era tamanho que os judeus procuraram Jesus em toda parte e, como não O encontraram, atravessaram o mar e foram em busca de Jesus na cidade de Cafarnaum ( Jo 6:24 ).

Quando a multidão encontrou Jesus, foi repreendida: “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes” ( Jo 6:26 ). E em seguida lhes dá uma ordem: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou” ( Jo 6:27 ).

Diante da proposta de Cristo, o povo questionou o que era necessário fazer para ser servo de Deus, pois queriam ter direito ao pão cotidiano ( Jo 6:28 ). Quando Jesus indicou como eles se tornariam servos (executores da obra de Deus), a multidão, que havia comido pão a fartar e que queriam no dia anterior fazer de Cristo seu rei, pediu um sinal visível para que pudessem crer no que Jesus propôs “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ).

A exigência de um milagre teve por pretexto a lei de Moisés, quando disseram: “Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu” ( Jo 6:31 ). Menosprezaram o milagre operado no dia anterior, em que uma multidão de quase 5.000 pessoas famintas foi saciada com cinco pães e dois peixes, pois entenderam que Cristo só teria autoridade de apresentar-lhes o exigido por Deus se lhes desse comida equivalente ao maná do deserto e por muitos dias.

Foi quando Jesus contraria a crença dos seus ouvintes ao dizer que não fora Moisés que dera o pão do céu e, por fim, identificou-se como o pão que dá vida aos homens ( Jo 6:35 ).

A multidão que inicialmente queria servir a Deus (apresentar-se por servo) para ter direito a comida que perece ( Jo 6:34 ), ficou apreensiva porque Jesus disse ser Ele mesmo o pão vivo que desceu do céu, e passaram a murmurar dizendo: “Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Então como diz ele: Desci do céu?” ( Jo 6:42 ).

Em seguida Jesus reafirma: – ‘Eu sou o pão da vida! Mas aqui está o pão que desceu do céu, do qual se o homem comer não morre! Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo’ ( Jo 6:48 -51).

Apesar de deixar claro que a sua carne seria entregue para que o mundo obtivesse vida, a declaração de Jesus fomentou uma discussão entre os judeus, e eles começaram a questionar entre si: ‘- Como nos pode dar este homem a sua carne a comer?’

Através das perguntas dos judeus diante da declaração de Cristo, fica evidente que não compreenderam a proposta de Cristo, ou seja, Jesus havia proposto ao povo uma parábola, pois a função da parábola é específica: que o povo ‘vendo não veem e ouvindo não ouvem e nem compreendem’Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis” ( Mt 13:13 -14; Sl 78:2).

Ora, a multidão não compreendeu o que Cristo disse quando se apresentou como o pão vivo enviado dos céus. Eis a parábola, o enigma proposto. Ficaram escandalizados quando foi dito que a carne de Jesus era comida e o seu sangue bebida ( Jo 6:53 -56), ou seja, a proposta de Jesus foi feita por parábola e envolvia um grande enigma!

Tudo o que Jesus disse à multidão em Cafarnaum por parábola, em particular expôs o significado aos Seus discípulos.

A explicação da parábola

A sós com os Seus discípulos, Jesus explica porque Ele é o pão vivo que desceu dos céus, e; porque a sua carne é verdadeiramente comida e o seu sangue verdadeiramente bebida. A explicação resume-se na seguinte fala: ‘- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida!’

Analisando algumas declarações que Jesus fez ao povo, temos que Ele é o pão que desceu do céu e que dá vida ao homem, pois quem se alimenta de Cristo viverá em função d’Ele ( Jo 6:51 e 57). Sobre esta verdade o apóstolo Paulo disse que Jesus é o último Adão, o espírito vivificante, o espírito que dá vida.

À multidão, Jesus anunciou que somente o ‘pão vivo que desceu dos céus concede vida’, e aos discípulos, em particular, deixa claro que o que vivifica é ‘o espírito’. Por fim ele arremata: ‘- As palavras que eu vos disse são espírito e vida’.

O interprete deve estar atento a toda explicação de Jesus, pois quando ele diz: ‘as palavras que eu vos disse são espírito e vida’, está definindo qual o significado do termo ‘espírito’. Ou seja, o que vivifica o homem são as palavras ditas por Cristo, pois as suas palavras são juntamente espírito e vida. Ou melhor, Cristo por ser o Verbo de Deus encarnado, é espírito vivificante ( 1Co 15:45 ).

O apóstolo Pedro ao recomendar a palavra aos cristãos, apresenta a palavra de Deus como alimento, pois exorta a crescerem fazendo uso do ‘leite racional’ “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” ( 1Pe 2:2 ).

Quando Jesus fez o convite ao povo para que comessem da sua carne e bebessem do seu sangue dizendo que a sua carne era verdadeiramente comida e os seu sangue verdadeira bebida, estava ensinado ao povo por parábolas. Por enigma Jesus estava dando a entender ao povo que somente suas palavras proporcionam vida aos Seus ouvintes, e não os milagres operados. Jesus estava conclamando o povo que provassem a sua palavra do mesmo modo que o paladar prova a comida, pois veriam que Cristo, o Senhor do salmista, que se assentou a destra do Senhor do Salmista, é bom “Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida” ( Jó 34:3 ); “Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia” ( Sl 34:8 ).

Os cegos e surdos que provam as palavras de Cristo, crendo “Bem-aventurado o homem que nele confia” ( Sl 34:8 ), passa a enxergar. São os meninos que aprendem o temor do Senhor, os mansos que atendem o convite: vinde a mim vós todos que estais cansados e sobrecarregados ( Sl 34:11 ; Mt 11:28 ; Sl 34:2 ).

Se os ouvintes de Cristo ouvissem a sua palavra e cressem, seriam participantes do Espírito que vivifica ( 1Co 15:45 ), ou seja, tornar-se-iam um só corpo com Ele ( Jo 6:51 e Lc 22:20 ). Na palavra de Cristo está a vida dos homens ( Jo 1:4 e 7), mas por causa da parábola, os ouvintes de Cristo entenderam que Ele estava dando a comer o seu corpo físico, pois o que buscavam era pão de cevada. Cristo não queria que bebessem do sangue que estava em suas veias e que foi derramado na cruz, antes Jesus queria que cressem em suas palavras, pois as suas palavras faria com que os seus ouvintes se tornassem um com Ele, participantes do seu corpo ( Jo 17:21 ; Ef 3:6 ).

Quando disse em particular: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve”, Jesus estava revelando a natureza do Seu discurso “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” ( 1Jo 5:3 ; Jo 6:61), antes que o que estava sendo proposto era que cressem em sua palavra, pois especificamente a sua palavra era espírito e vida “Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” ( Mt 4:4 ).

A palavra é espírito? Sim! É em função desta verdade que interpretamos passagem como: “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” ( 1Co 14:32 ). Ou seja, a palavra do profeta é sujeita ao profeta. De igual modo, quando lemos: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1Jo 4:1 ), a palavra ‘espírito’ nestes textos não diz de um ‘demônio’, ‘espírito imundo’ ou ‘fantasma’, antes diz especificamente da mensagem do falso profeta.

‘Provar os espíritos’ ou ‘os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas’ não envolve questões de ordem psíquica. Provar os espíritos não é verificar se o profeta é nervoso, intolerante, agitado, agressivo, etc., ou verificar se o profeta controla as suas emoções, desejos e ansiedades. Tais questões são pertinentes à psique humana e alguns psicólogos rotulam como sendo nuances do ‘espírito’. Portanto, a análise deve recair única e exclusivamente sobre a palavra do profeta, pois é pelo ‘fruto’ que se identifica a árvore ( Mt 7:16 ).

Assim como o paladar prova a comida, o ouvido deve provar as palavras, pois da boca dos homens procede o ‘fruto’ que permite identificá-los se são árvores boas ou más “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito” ( Pr 18:20 ); “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ).

Compreendendo que a palavra ‘espírito’ às vezes possui o significado de ‘palavra’, torna-se fácil compreender o que o apóstolo Paulo disse com o seguinte verso: “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” ( 2Co 3:6 ). Ou seja, o cristão é ministro da palavra de Cristo (evangelho), o espírito que vivifica, e não ministro da lei de Moisés, que é morte.

Mas, de onde Cristo e os apóstolos tiram tal significado para o termo espírito? A resposta encontra-se nas Escrituras, como se lê: “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração” ( Lc 4:18 ; Is 61:1 ). Ora, o espírito do Senhor que estava sobre Cristo diz da palavra de Deus, pois a palavra era a unção necessária para se evangelizar os pobres e curar os abatidos de espírito.

O espírito do Senhor que repousou sobre Cristo diz da palavra de Deus, pois ela é juntamente sabedoria, conselho, conhecimento, temor, etc. “E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR” ( Is 11:2 ).

A palavra do Senhor é distinta do Espírito Santo, o consolador prometido e enviado, que veio sobre Cristo em forma de uma pomba quando Ele foi batizado por João Batista ( Jo 16:7 ; Mt 3:16 ).

Quando a bíblia diz que Deus pesa o espírito do homem, não diz de um julgamento (análise) do ‘ser’, da essência do homem, antes que Deus pesa as suas palavras “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito” ( Pr 16:2 ); “Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado” ( Mt 12:37 ). Através do provérbio, verifica-se que os homens possuem um entendimento acerca dos seus caminhos, porém, Deus os prova (julga) segundo o que ‘professam’, assim como deve fazer os seguidores de Cristo “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1 Jo 4:1).

Os homens desconhecem a sua condição decorrente do nascimento natural. Quando nascem entram por uma porta larga que lhes dá acesso a um caminho de perdição. Quando Deus pesa o homem, não pesa segundo o que os homens entendem por puro, antes Deus pesa o homem segundo a porta que entrou ao nascer da semente de Adão, pois o que o homem natural anuncia segundo o seu conhecimento natural é mentira desde que foi lançado da madre ( Sl 58:3 ; Rm 3:4 ).

Mas, se tal homem crer em Cristo, morre com Cristo e é gerado de novo, ou seja, nasceu de novo. Por crer passa a falar segundo a verdade do evangelho, o espirito (palavra) que é pesado e não é achado em falta diante do Senhor ( Rm 8:9 ; Lc 4:1 ). É por isso que Jesus disse que julgava segundo a reta justiça e não segundo a aparência, ou seja, julgava segundo o que ouvia, pois Ele provava as palavras daqueles que o cercava. Os homens juntamente se desviaram e tornaram-se imundos em Adão e são pesados segundo as suas palavras em decorrência da mentira que proferem desde o nascimento ( Sl 53:3 ; Sl 58:3 ), e não segundo o comportamento e a moral humana que a religiosidade impõe ( Jo 7:24 ; Jo 5:30 ).

É por isso que Jesus disse que o que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra, portanto é necessário provar os espíritos se eles procedem de Deus ou não, pois aquele que procede de Deus é porque ouviu as palavras de Deus ( Mc 7:15 -20; Jo 3:34 ; Jo 8:47 e 1Pe 4:11 ).

É por isso que Jesus disse que o que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra, pois o coração enganoso e corrupto é proveniente do nascimento natural, portanto é necessário provar os espíritos se eles procedem de Deus ou não. Aquele que procede de Deus é porque ouviu as palavras de Deus e fala as palavras de Deus ( Mc 7:15 -20; Jo 3:34 ; Jo 8:47 e 1Pe 4:11 ).

Deste modo, o dom de discernir os espíritos diz da capacidade que é concedida ao cristão de analisar as palavras ditas por aqueles que se posicionam como profetas, se as palavras são de Deus ou não “E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas” ( 1Co 12:10 ).

Resta-nos a pergunta: como ser cheio do espírito? “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5:18 ). Como ser ‘mais’ cheio do Espírito Santo se Ele foi enviado e habita o crente? Ser cheio do espírito diz do Consolador que Cristo enviou, do qual somos templo, ou da palavra? “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ); A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração ( Cl 3:16 ).

“… enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:18 -19).

A carne para nada serve

O que causou escândalo ao povo e a alguns discípulos de Cristo foi o discurso: “- Eu sou o pão que desceu do céu!”; “- A minha carne é verdadeiramente comida e bebida!” ( Jo 6:41 e 52). Os discípulos se escandalizaram e concluíram que o discurso de Cristo era duro ( Jo 6:60 -61).

Para um judeu, determinados tipos de alimentos eram proibidos, quanto mais comer a carne de um homem. Do mesmo modo que os judeus desprezaram Jesus por ter demonstrado sabedoria ao expor as Escrituras ( Mc 6:2 ), escandalizaram-se por Ele ter apresentado a sua carne como comida e o seu sangue como bebida.

Por não compreenderem a parábola, o povo escandalizou-se por entenderem que Jesus estava lhes propondo uma espécie de canibalismo.

Em particular com os seus discípulos, Jesus demonstrou que o que estava apresentando ao povo era a sua doutrina, pois o que dá vida ao homem é a palavra, e arrematou: a carne para nada serve!

O que Jesus deu a entender aos seus discípulos com a frase: ‘a carne para nada serve’?

Quando Jesus disse que ‘a carne para nada servia’, estava explicando aos discípulos que a sua carne não era ‘degustável’. Jesus estava esclarecendo que era equivocada a ideia que abstraíram de sua palavra, pois estavam escandalizados com a ideia de que a vida prometida estava vinculada a degustarem uma porção da carne de Cristo como se fosse pão.

Jesus descontrói a ideia que alguns discípulos equivocadamente construíram em função da parábola. Ele esclarece que a vida decorre de participarem do seu espírito (palavra) e, que a carne d’Ele não tinha tal serventia. Ou seja, em relação ao corpo físico de Jesus, que foi feito em semelhança da carne do corpo do pecado, não possuía as propriedades que os seus ouvintes equivocadamente entenderam através da parábola.

A carne de Cristo não tinha valor algum? A carne de Cristo tinha valor, pois foi através dela que Jesus aniquilou o que tinha o império da morte quando entregou ao Pai o seu espírito ( Hb 2:14 ). Foi através do seu corpo físico que Jesus tornou-se semelhante aos seus irmãos ( Hb 2:17 ), de modo que hoje Ele é misericordioso e fiel sumo sacerdote. Foi através do seu copo físico que Ele pode ser tentado e padecer todas as aflições ( Hb 2:18 ). Somente quando participante da carne e do sangue, tornou-se possível o Filho do homem ser entregue nas mãos dos pecadores ( Lc 24:7 ).

No contexto de João 6, verso 63, a carne de Cristo não possuía a propriedade de proporcionar vida caso alguém comesse da sua carne como se fosse pão, mas no contexto de Hebreus 10, verso 10, vê-se a serventia, o valor do corpo de Cristo “Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:10 ).

É em função da parábola proposta por Cristo aos judeus, que muitos interpretam literalmente a parábola proposta e, se esquece que, para interpretar uma parábola, antes se faz necessário elucidar o enigma: o pão proposto é o espírito, a palavra de Cristo, e não a carne d’Ele. Este erro se vê nas declarações do ex-pastor Batista, Francisco Almeida Araújo, conforme o exposto no DVD intitulado “Nossa Senhora do Marrom Glacê”, pois como a carne de Cristo para nada serve, segue-se que os fundamentos da eucaristia, a transubstanciação, estão equivocados, pois o que dá vida é o espírito, a palavra.

Mas, como convencer alguém da verdade? Somente lhe anunciado a verdade “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ). Zorobabel viu um castiçal todo de ouro, um vaso de azeite no seu topo, com as suas sete lâmpadas, sete canudos, um para cada uma das lâmpadas que estão no seu topo e, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda, porém, não compreendeu a visão: a resposta estava no espírito, na palavra do Senhor, que faz o que é aprazível e não volta vazia ( Is 55:11 ).

Ao anunciar que a sua carne era verdadeiramente comida e o seu sangue verdadeiramente bebida, apresentando o enigma de que o seu corpo era o pão a ser comido “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” ( Jo 6:51 ), Jesus queria que compreendessem que lhes era necessário serem participantes da sua palavra, crendo n’Ele como confessou o discípulo Pedro: ‘- Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna!’

Portanto, qualquer que crê em Cristo conforme diz as Escrituras, alimentou-se de Cristo, ou seja, é participante do pão, do seu corpo, da sua carne e do seu sangue que foi entregue pela vida do mundo ( Jo 6:51 e 57).

A ideia que abstraíram da palavra de que Cristo estava dando literalmente a sua carne a comer foi descontruída quando Jesus alertou os seus discípulos de que ‘a carne d’Ele não tinha serventia para conceder vida’, antes o que concede vida é o seu espírito, ou seja, a sua doutrina, a sua palavra.

Qualquer que aceitasse a doutrina de Cristo não se escandalizando d’Ele, é o que renovou o espírito da sua mente. É naquele que não se escandaliza que ocorre a ‘metanoia’, a mudança de mente, de espírito. Enquanto alguns discípulos estavam escandalizados a ponto de se retirarem ( Jo 6:66 ), somente aqueles que mudaram a sua concepção diante da mensagem do evangelho puderam confessar: ‘- Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e conhecemos que tu és o Cristo, o Santo de Deus!’ ( Jo 6:68 -69).

Aquele que não renova a sua compreensão buscará motivos para se escandalizar. À época de Cristo, uns se escandalizam da doutrina, outros do conhecimento de Cristo, pois apenas viram Jesus como um dos filhos de José e Maria e, que tinha por oficio ser carpinteiro ( Mc 6:3 ). Mas, os que não se retiram escandalizados permanecem, pois creem que Jesus é o Filho de Davi prometido segundo as Escrituras.

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Maná – prova ou bênção

O homem deve confiar na palavra de Deus que concede vida, e não no alimento proveniente do milagre. Para muitos, somente um milagre extraordinário poderá demonstrar que eles são verdadeiramente filhos de Deus. Jesus demonstra que não é o milagre que demonstra quem é filho de Deus, antes só é filho de Abraão aqueles que vivem de toda palavra que sai da boca de Deus.

 


Introdução

Após ser resgatado do Egito e transcorrer dois meses e quinze dias, o povo de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto. Não consideraram a benevolência divina em dar-lhes liberdade e esperança de uma nova terra.

Em vez de avançarem pelo deserto em busca da terra que manava leite e mel, lembraram do Egito com vontade de comerem do alimento que recebiam na condição de escravos.

Foi quando Deus lhes prometeu: “Eis que vos farei chover pão dos céus…” ( Ex 16:4 ). Com a promessa veio algumas determinações: “… o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia…” (v. 4), e o objetivo de ter sido concedido o pão dos anjos: “… para que eu o prove se anda em minha lei ou não” (v. 4).

Na parte da tarde Deus enviou ao arraial codornizes (carne) e pela manhã uma camada fina como a geada, semelhante às escamas, proveniente do orvalho que evaporou (Maná). Coisa maravilhosa, visto que não sabiam o que era ( Ex 16:15 ).

Outro milagre ocorria diariamente: quem colhia pouco não faltava, e quem colhia muito, não sobrava ( Ex 16:18 ).

Mas, apesar de Deus operar maravilhosamente, não deram ouvido à palavra do Senhor e deixaram parte do alimento para o outro dia, e estragou. De igual modo ficaram perplexos quando o alimento não estragou no sábado segundo a palavra de Deus ( Ex 16:20 e 27).

A repreensão de Deus foi solene: “Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis?” ( Ex 16:28 ).

O Maná que foi concedido por Deus ao povo de Israel nos apresenta algumas lições. Dentre elas destacamos:

 

Milagre ou Palavra

O nosso Deus sabe de todas as coisas, porém, para ensinar o povo de Israel que ‘não só de pão vive o homem, mas de tudo o que sai da boca do Senhor’, foi que guiou o povo no deserto e os deixou ter fome. Quando Deus concedeu ao povo o maná, precisavam compreender que estavam vivendo unicamente de uma palavra dada por Deus “Eis que vos farei chover pão dos céus…” ( Ex 16:4 ).

O povo não deveria se focar no maná, mas em Deus que provê o maná através da sua palavra, e não somente o maná, mas também a água, as codornizes, o chinelo, as roupas, a nuvem, a coluna de fogo, a terra, a vida eterna.

Para quem compreendesse que estava se alimentando da palavra de Deus (maná), o pão dos anjos era bênção. Porém, para aqueles que não compreenderam que a palavra de Deus é que lhes provia de sustento diário, o maná tornou-se prova ( Dt 8:2 -3).

Mas, por que o povo precisava aprender? Porque eles viram inúmeros milagres desde a saída do Egito e continuavam sem crer em Deus. Mesmo sendo resgatados com mão forte, não consideraram todas as maravilhas operadas por Deus como sendo uma demonstração do amor de Deus. Continuavam desconfiados de que Deus haveria de matá-los no deserto.

É preciso compreender que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam. Embora soubessem que Deus existia, temiam que seriam destruídos no deserto ( Ex 20:18 ).

Precisavam entender que eles eram alvo do cuidado de Deus, para que não presumissem em seus corações que haviam alcançado a terra prometida por causa de seus méritos e qualidades pessoais ( Dt 8:17 ).

Deus procurou ensinar o povo do mesmo modo que um pai aplica correção aos seus filhos para que a soberba não subisse aos seus corações, esquecendo-se de Deus ( Dt 8:14 ).

Ora, Deus é poderoso para tudo realizar, e poderia até transladá-los para a terra prometida. Porém, o objetivo de Deus em guiá-los pelo calor do deserto, era para que lembrassem e reconhecessem que não é só de pão que o homem vive, antes de tudo que é pronunciado por Deus.

Que estrago haveria para o povo se eles entrassem em uma terra que mana leite e mel, e continuassem confiados que o homem vive de pão? Eles teriam o mesmo pensamento do homem rico: ‘tens em depósito muitos bens para muitos anos’, sem considerar o mundo vindouro “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” ( Lc 12:20 ).

Ao ser tentado pelo diabo no deserto quando teve fome, Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” ( Mt 4:4 ).

A lógica do diabo era aceitável para alguém que andasse segundo a concepção humana. Não é o que dizem em nossos dias? Ora, se você é um dos filhos de Deus o milagre deve ser uma constante na sua vida!

Alguns lideres apregoam a mesma mensagem em nossos dias, segundo a lógica do diabo: Se você é filho de Deus, faça prova, pois seus filhos vivem uma vida abundante! Se você crê que é filho, então prove a sua fé fazendo um voto ou um desafio!

Ora, tremendo engano o que anunciam! O homem deve confiar na palavra de Deus que concede vida, e não no alimento proveniente do milagre. Para muitos, somente um milagre extraordinário poderá demonstrar que são verdadeiramente filhos de Deus. Porém, Jesus demonstra que não é o milagre que faz o homem filho, antes só é filho os que vivem de toda palavra que sai da boca de Deus.

Os filhos são aqueles que reconhecem em seus corações o cuidado de Deus, por compreenderem através da Sua palavra que não é o mantimento (por mais sobrenatural que seja), antes é a palavra de Deus que lhes concede vida.

O milagre do pão a fartar no deserto não mudou a compreensão do povo, e sentiram fastio do maná. Desejosos de outro alimento, lembraram do alimento do Egito. Ora, se lhes foi prometido uma terra onde manava leite e mel, porque não desejaram entrar na terra prometida? Por que tinham de lembrar da terra do Egito?

Ora, o povo comia todos os dias o maná, e passaram a indagar: “Quem nos dará carne a comer?” ( Nm 11:4 ). Isto demonstra que o milagre do maná não lhes abriu os olhos para ver que estavam comendo ‘da palavra que saiu da boca de Deus’.

Lembraram do Egito e mentido, diziam que comiam de graça a comida do Egito. Deus estava cuidando deles, e eles consideravam que estavam definhando ( Nm 11:4 -6). Rejeitaram a Deus e o alimento providenciado ( Nm 11:20 ).

Se confiassem em Deus, pediriam, e Deus lhes seria favorável, providenciando até mesmo outro alimento. Porém, por não confiarem na providência de Deus, murmuravam abertamente contra o Senhor. Eles receberam o maná porque murmuravam, e novamente utilizaram a murmuração para protestar contra Deus e os seus servos.

Por rejeitarem a Deus no deserto, rejeitaram o maná. Por rejeitarem a Cristo, a palavra de Deus, rejeitaram o pão vivo enviado dos céus.

 

Lições no Novo Testamento

1) A Tentação de Cristo

Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, Jesus teve fome. O diabo aproveitou-se do momento, e propôs a Cristo: “Prove que você é o Filho de Deus e dá ordem que estas pedras transformem-se em pães”. Ora, um milagre por mais maravilhoso que seja, não prova que o homem é filho de Deus, antes somente a palavra de Deus é que demonstra quem verdadeiramente é o seu Filho: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” ( Mt 3:17 ).

Para que colocar Deus à prova, se Ele já declarou quem é o seu Filho amado? Como simples pedras transformadas em pães poderia provar que Jesus é Filho, se os magos do Egito também fizeram muitos milagres? Quem crê na palavra que diz: “Este é o meu Filho amado…” não precisa de prova.

Como Cristo utilizou a palavra de Deus para rebater a proposta do diabo, o diabo utiliza a palavra de Deus para tentar a Cristo: “Se tu és Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo. Pois está escrito…” ( Mt 4:6 ).

Sabemos que a promessa de Deus no ( Sl 91:11 ) diz de Cristo, porém, Deus manda os seus filhos descansarem, confiarem, e não prová-lo. Ora, Cristo estava descansado na proteção de Deus, e utilizou a palavra de Deus para rebater a proposta do diabo.

Isto demonstra que se alguém disser aos que creem: está escrito, é preciso considerar toda palavra que sai da boca de Deus.

2) O Pão nosso de cada dia

Jesus ensina os seus discípulos a orarem segundo a palavra de Deus: “O pão nosso de cada dia nos daí hoje” ( Mt 6:11 ).

Deus disse que haveria de conceder uma porção para cada dia de maná ( Ex 16:20 ). Isto demonstra que Deus haveria de conceder somente o alimento necessário para cada dia. Se Deus demonstrou que não haveria de dar hoje o alimento de amanhã, por que tentá-lo pedindo o pão de amanhã?

Isto demonstra que os filhos de Deus devem orar segundo a sua palavra, pois se pedirmos segundo a nossa vontade, não receberemos.

Um exemplo claro desta verdade temos em Moisés, quando pediu que Deus riscasse o seu nome do livro da vida “Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” ( Ex 32:32 ). Moisés pediu a Deus o impossível! Jamais Deus seria injusto para satisfazer o pedido de Moisés, ou seja: “Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro” ( Ex 32:33 ).

O pedido de Moisés é descabido, pois jamais Deus punirá o inocente no lugar do culpado. O modo correto de orar a Deus neste sentido é invocando a misericórdia de Deus, e não fazendo uma proposta descabida.

3) Deus não Invalida a sua Palavra

Deus providenciou pão no deserto, porém, os filhos de Israel deviam sair todos os dias pelo deserto e colher o maná. O maná era como semente de coentro, e o povo se espalhava para colhe-lo, era preciso moer ou pilar. Depois deste trabalho, o maná estava pronto para ser cozido ou assado ( Nm 11:7 -8).

Por que Deus não lhes dava o maná pronto? Porque a sua palavra nunca é invalidada. Por causa da queda de Adão, foi imposta a seguinte ordem aos homens: “Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra…” ( Gn 3:19 ), e ao conceder-lhes o maná, todos precisavam trabalhar para comerem segundo a palavra de Deus.

Isto demonstra que, caso alguém em nome de Deus prometa que haverá ganho de bens aparte do trabalho, não fala segundo a palavra de Deus.

 

Milagre não Salva

O milagre do maná demonstra que a salvação só é possível por fé.

O povo de Israel foi resgatado do Egito com mão forte, e vários eventos milagrosos ocorreram. Coisa maravilhosa foi a travessia do mar vermelho, porém, tal evento não trouxe confiança em Deus.

Observe que após caminharem pelo deserto três dias sem acharem água, o povo chegou a Mara, e passaram a murmurar contra Moisés. Ora, se os milagres realizados durante o êxodo trouxesse fé, mesmo diante da dificuldade, estariam descansados no cuidado de Deus.

Foi só Moisés clamar, e Deus ouviu. Por que o povo não clamou a Deus? Porque lhes faltava a fé. Para quem não tem fé, a única alternativa é murmurar.

Jeroboão não se converteu após ver um sinal segundo a palavra de Deus ( 1Rs 13:3 ). Jesus protesta contra as cidades impenitentes acerca dos sinais que foram realizados, e não se arrependeram ( Mt 11:21 ).

Jesus demonstra que, caso fosse operado os sinais que se operaram em Jerusalém, os moradores de Sodoma e Gomorra haveriam se arrependido.

Os fariseus e saduceus pediram um sinal a Jesus, porém, o sinal que lhes foi apresentado de nada aproveitou ( Mt 12:38 ). Nem mesmo os discípulos de Jesus compreenderam qual era o sinal do profeta Jonas ( Mt 16:5 ).

 

Jonas

Os fariseus e saduceus para tentarem a Cristo pediam um sinal. Os filhos do diabo continuavam a ação do diabo, tentavam a Cristo para que mostrasse um sinal do céu. Do mesmo modo que o diabo pediu um sinal, os seus filhos tentaram a Cristo ( Mt 16:1 ).

Mas, o sinal que lhes foi dado é segundo a palavra de Deus, do mesmo modo quando Jesus respondeu o diabo. Para o diabo bastava transformar pedras em pão, para os fariseus e saduceus qualquer outro sinal.

Através da história de Jonas Jesus apresenta um grande sinal aos seus ouvintes. Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, Jesus haveria de ficar três dias e três noites no seio da terra ( Mt 12:39 ). Ora, muitos souberam deste sinal, e não creram na ressurreição de Jesus.

Mas, se o milagre de Jonas não traz fé em Deus, antes promove muitas questões loucas acerca de como o profeta sobreviveu, que se dirá da sua mensagem?

Jesus demonstrou que não foi necessário milagres para que os ninivitas se arrependessem. Antes, bastou que ouvissem a palavra de Deus para crerem, e foram salvos da destruição iminente ( Mt 12:41 ).

Quem era Jonas para os ninivitas? Um estrangeiro errante com uma mensagem surpreendente. Os ninivitas creram na mensagem de Deus por intermédio do seu profeta, e os fariseus e saduceus não creram em Cristo, um de seus irmãos, profetas e maior que Jonas.

Estrangeiros vieram a Salomão para ouvir a sua sabedoria, e os saduceus e escribas rejeitam a sabedoria de Deus. Somente a pregação é para arrependimento, pois a fé vem pelo ouvir. Somente através da pregação é possível alcançar a compreensão que promove uma mudança de concepção no homem (arrependimento) ( Mt 12:38 -42).

 

A Compreensão

Ao ouvirem Jesus dizer: “Cuidado, acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus” ( Mt 16:6 ), os discípulos passaram a discutir entre si que Jesus estava lhes censurando por não terem trazido pão.

Jesus percebeu a falta de compreensão dos discípulos e aponta o milagre da multiplicação dos pães. Por que? Ora, Jesus queria que eles considerassem o fato de que não precisavam estar preocupados com pão, visto que a multiplicação dos pães demonstrou que este não era um problema para Cristo.

Por que passaram a discutir acerca de pão, quando Jesus falou de fermento? Porque não consideraram que alimento para o sustento do corpo não era o foco da mensagem de Cristo. O que Jesus cobrou dos seus discípulos, também era possível ao povo no deserto.

O objetivo da palavra de Deus e dos milagres é para dar a entender, ou seja, para que o homem compreenda e lembre-se de que o homem não vive somente do que é aparente, antes ‘vive de tudo o que sai da boca de Deus’.

Caso o povo de Israel considerasse os milagres realizados por Deus quando do êxodo, nunca murmurariam acerca de quem haveria de dar-lhes carne a comer ( Nm 11:4 ). Se considerassem as realizações de Deus, compreenderiam que Deus é fiel, e descansaria no cuidado de Deus.

 

Quem busca Pão e Sinais, rejeita a Cristo

Quem lê a história do povo de Israel não compreende como o povo rejeitou a Deus após ver tantos milagres. Há quem considere que jamais faria o mesmo que Israel, visto que conhece a história do povo hebreu.

Mas, o que se observa é que a história se repete, e o homem ainda continua não considerando o que diz a palavra de Deus.

Jesus testificou certa vez que um profeta não tem honra na sua própria terra ( Jo 4:44 ), o que contrasta o seu ministério com o do profeta Jonas.

Porém, a questão permanece: “Se não virdes sinais miraculosos e prodígios, de modo nenhum crereis?” ( Jo 4:48 ). Ora, Jairo creu na palavra de Jesus e recebeu a cura da sua filha. Ele precisava do sinal, não para crer, mas para a saúde de sua filha. Porém, antes de ver o sinal, creu na palavra de Jesus, e a sua filha foi restabelecida.

Mas, para que o povo considerasse e aceitasse a mensagem de Cristo, Jesus multiplicou cinco pães de cevada pequeno e dois peixes pequenos. Ele alimentou cinco mil pessoas e sobrou doze cestos de pão.

Ora, quando viram o milagre, argumentaram: “Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” ( Jo 6:14 ). Esta declaração deles demonstra que estavam focados somente em questões deste mundo, tanto que queriam fazer Jesus rei.

Porém, o milagre não fez com que reconsiderassem e aceitassem a palavra de salvação que Jesus esteve anunciando. Eles estavam em busca de um profeta que os alimentassem de pão, e não com a palavra de Deus.

É por isso que Jesus disse que qualquer que viesse em seu próprio nome seria aceito pelo povo “Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis” ( Jo 5:43 ), pois o anticristo virá segundo a eficácia de satanás, com poder, e sinais e prodígios da mentira ( 2Ts 2:9 ).

Jesus viu a multidão se esforçando para segui-lo, porém, eles seguiam a Cristo por causa do pão que comeram a fartar, e não porque consideraram o milagre da multiplicação dos pães e se arrependeram ( Jo 6:26 ).

Eles estavam labutando simplesmente pela comida que perece, do qual todos os homens que trabalham a terra comem. Mas, Jesus avisa solenemente: trabalhai pela comida que permanece para sempre!

Bastava crerem em Cristo, o enviado de Deus que fariam a obra de Deus ( Jo 6:28 ). Porém, novamente pediram um sinal e desconsideraram as maravilhas realizada por Cristo no dia anterior.

Eles buscava um sinal para ver, mas a bíblia diz que bem-aventurado é aquele que não viu e crê ( Jo 20:29 ). Paulo mesmo reitera: os judeus buscam um sinal, mas Deus revelou-se através da sua palavra “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” ( 1Co 1:22 -23).

Mesmo lembrando do evento do maná, os judeus não consideraram a palavra de Deus que diz: “… não só de pão vive o homem, mas de tudo o que sai da boca do Senhor” ( Dt 8:3 b). Rejeitaram a Cristo, o verbo de Deus encarnado que concede vida aos homens ( Jo 6:35 ), porque viviam em busca de pão e de uma pátria neste mundo.

Os verdadeiros filhos de Abraão são aqueles que declaram serem peregrinos na terra, e vivem em busca de uma pátria melhor ( Hb 11:8 -10). Ora, do mesmo modo que Abraão foi chamado, os filhos da mesma fé que teve Abraão foram chamados através da mensagem do evangelho e vivem em busca de uma pátria celestial ( Hb 11:16 ).

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