A parábola dos gafanhotos do profeta Joel

O estrago descrito pela ação de gafanhotos, remete aos grandes males decorrentes da guerra com as nações estrangeiras e não a legiões de demônios. É uma mentira sem precedentes dizer que cada tipo de gafanhoto representa legiões de demônios, que agem sobre a vida dos homens.

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Ficarão de fora os cães

Na Bíblia os profetas são apresentados como ‘atalaias’, homens que alertavam os moradores de Israel anunciando a palavra do Senhor. O profeta Habacuque era uma atalaia, pois ao ver a iniquidade do povo dava o alarde gritando: – “Violência, violência”! ( Hc 1:2 ). Esta violência trouxe a justa retribuição de Deus através dos caldeus conforme o predito pelo profeta Moisés.


“Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira” ( Ap 22:15 )

 

Introdução

O termo ‘cães’ no verso: “Ficarão de fora os cães…” ( Ap 22:15),  não é um xingamento derivado de um destempero emocional de seu locutor. Essa assertiva foi feita pelo Senhor Jesus Cristo glorificado e registrado pelo apóstolo João no livro do Apocalipse com a finalidade de alertar os cristãos acerca da iminente volta de Cristo ( Ap 22:20 ).

O Senhor Jesus, neste alerta, não trata de animais irracionais, quer sejam animais domésticos ou animais que sobrevivem na natureza. Vale destacar que os animais quando morrem, até mesmo os de estimação, não irão ao céu e nem a nenhuma outra parte. Não existe céu e nem inferno para animais. Um animal, após o termino das funções vitais deixa de existir, ou seja, animais não ‘ressurgem’.

Durante o seu ministério terreno Jesus utilizou vários termos como ‘víboras’, ‘loucos’, ‘ignorantes’, ‘cegos’, ‘cães’, em suas pregações, mas não tinha a intenção de ofender os seus interlocutores. Na verdade Jesus utilizou estes termos em seus ensinos para evidenciar aos seus ouvintes que eles estavam em igual condição que a dos seus antepassados que morreram durante a peregrinação no deserto ( Hb 1:1- 2; Jo 6:49 ), pois estes termos foram amplamente empregados pelos profetas.

 

Termos e figuras

Verifica-se nas Escrituras que os profetas utilizaram termos que remontam a algumas figuras para esclarecer e evidenciar a condição e algumas situações envolvendo o povo de Israel ( Jr 5:4 ; Dt 32:6 ).

Para compreendermos o significado de alguns termos ou interpretar as figuras utilizadas, tanto por Jesus quanto pelos apóstolos, primeiro é necessário entender como os profetas fizeram uso de tais elementos.

Ora, não convém ao leitor da Bíblia estabelecer, através das próprias conjecturas e suposições, o significado das figuras e das parábolas anunciadas por Cristo e os apóstolos, visto que eles mesmos afirmam que tiveram o cuidado de serem fiéis às Escrituras quando falavam ao povo.

Fidelidade ao mandamento de Deus era o compromisso de Cristo: “E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito” ( Jo 12:50 ). E este era o posicionamento do apóstolo Pedro: “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 2Pd 1:19 ). Neste mesmo diapasão segue o apóstolo dos gentios: “Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer” ( At 26:22 ).

Isto significa que o interprete não pode dar significado aos termos e figuras por si mesmo, antes deve se socorrer do significado que a própria Bíblia apresenta.

 

Atalaia

“ENTÃO disse o SENHOR a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta. Tu falarás tudo o que eu te mandar; e Arão, teu irmão, falará a Faraó, que deixe ir os filhos de Israel da sua terra” ( Ex 7:1-2);

“Filho do homem: Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e avisá-los-ás da minha parte ( Ez 3:17 ; Ez 33:7 ).

O livro do Êxodo explica que profeta é aquele que tem a incumbência de retransmitir aquilo que especificamente ouviu de Deus. Quando Moisés e Arão foram a Faraó, Deus colocou Moisés como deus sobre Faraó e Arão como ‘profeta’ de Moisés, e a relação que se estabeleceu entre Moisés e Arão deixa claro qual é a missão do profeta “Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá” ( Dt 18:20 ).

Através da palavra dada ao profeta Ezequiel, verifica-se que Deus associa o oficio de profeta à função da atalaia.

A função da atalaia (sentinela) é vigiar, e para exercer o seu papel necessita estar em um lugar alto que proporcione uma visão ampla afim de que possa ver o perigo ao longe e dar o aviso em tempo hábil.

Por causa da importância e responsabilidade inerente à função de atalaia, verifica-se que há similaridade entre a incumbência do profeta com a função da atalaia, de modo que do ponto de vista bíblico ‘atalaia’ significa profeta. Isto por si só demonstra que a Bíblia possui terminologias próprias.

Para exercer bem a função de atalaia em Israel, ou seja, avisar o povo do perigo, os profetas deveriam estar em Deus, o altíssimo, mas muitos profetas em Israel prevaricaram na sua atribuição “Os sacerdotes não disseram: Onde está o SENHOR? E os que tratavam da lei não me conheciam, e os pastores prevaricavam contra mim, e os profetas profetizavam por Baal, e andaram após o que é de nenhum proveito” ( Jr 2:8 ).

Além da figura da ‘atalaia’, nas profecias há a figura do ‘cão mudo’ para representar aqueles profetas que não falam o que Deus ordenou:

“Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono” ( Is 56:10 )

Pela similaridade que há entre a função da atalaia e do cão de guarda, é introduzida a figura do ‘cão mudo’ para descrever os profetas de Israel. No que diz respeito à vigilância, o cão desempenha o mesmo papel que a sentinela, pois tem a audição e o olfato apurado e dá o alarde quando sente qualquer aproximação.

A atalaia cega não dá o alarde porque nada sabe. Já o cão mudo não dá o aviso pela impossibilidade de ladrar (latir).

 

O desvio das atalaias e do povo

Apesar de Deus ter instituído profetas como atalaias em Israel, tanto as atalaias quanto a nação rejeitaram ouvir a palavra de Deus “Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas dizem: Não escutaremos” ( Jr 6:17 ); “A quem falarei e testemunharei, para que ouça? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela” ( Jr 6:10 ); “Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade” ( Jr 6:13 ; Jr 8:10 ).

Os profetas ensinavam mentiras, ou seja, falavam visões segundo os seus corações enganosos, e não da parte do Senhor “Assim diz o SENHOR acerca dos profetas que fazem errar o meu povo, que mordem com os seus dentes, e clamam paz; mas contra aquele que nada lhes dá na boca preparam guerra” ( Ml 3:5 ; Jr 23:16 ). Na verdade desencaminhavam ainda mais um povo que já era propenso a errar ( Os 11:7 ; Jr 50:6 ).

Como os profetas não davam o alarde e o povo rejeitava a palavra do Senhor, todos estavam alheios ao mau que estava por vir, pois Deus estava suscitando contra Israel inúmeros inimigos dentre os povos vizinhos ( Jr 6:19 -23).

 

A profecia de Moisés

Os filhos de Israel profanaram a aliança de Deus, ou seja, não fizeram justiça ( Dt 6:25 ), e as pragas preditas por Moisés estavam por se abater sobre o povo de Israel ( Dt 28:15 -68).

Dentre as pragas previstas por Moisés estava o levante de nações inimigas que viriam de terras longínquas e dominaria sobre a nação de Israel “O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; Nação feroz de rosto, que não respeitará o rosto do velho, nem se apiedará do moço” ( Dt 28:49 -50).

O profeta Habacuque cônscio da sua função, alardeou: “SOBRE a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for arguido” ( Hc 2:1 ).

Habacuque estava sabia que, como profeta, era uma ‘atalaia’ de Deus em Israel. A função dele era estar de ‘vigia’, assim como uma atalaia permanece vigilante em seu posto. E o que Habacuque estava à espera? Esperava ouvir o que Deus falaria acerca do seu povo.

Isto não quer dizer que Habacuque estava encarregado de vigiar os muros e os portões da cidade, função esta que cabia aos soldados e vigias. A função de Habacuque era esperar o que Deus havia de falar, pois só podia anunciar o que Deus dissesse ( Hc 2:1 ).

Deus anunciou que havia de fazer uma obra tal que os filhos de Israel não creriam quando fosse anunciada ( Hb 1:5 ), ou seja, Deus estava levantando os caldeus – nação gentílica – como vara de correção contra Israel, e Habacuque estava incumbido de anunciar que estes eventos ocorreriam em função da rebeldia dos filhos de Israel.

Sem compreender o motivo de Deus suscitar uma nação gentílica para punir o seu povo, Habacuque se posta vigilante como uma atalaia a espera de uma resposta de Deus.

Lembre-se que Habacuque não era um soldado em um posto de observação (sentinela) com a missão de dar o alarde caso identificasse uma invasão inimiga, antes ele estava aguardando, como uma atalaia, para compreender o que Deus havia falado.

Nas escrituras os profetas são apresentados como ‘atalaias’, homens que alertavam os moradores de Israel anunciando a palavra do Senhor. O profeta Habacuque era uma atalaia, pois ao ver a iniquidade do povo dava o alarde gritando: – “Violência, violência”! ( Hc 1:2 ). Esta violência trouxe a justa retribuição de Deus através dos caldeus conforme o predito pelo profeta Moisés.

O profeta Isaias como atalaia também anunciou o castigo do Senhor conforme o que foi predito por Moisés em Deuteronômio: “Vós, todos os animais do campo, todos os animais dos bosques, vinde comer” ( Is 56:9 ). As nações inimigas são representadas nas Escrituras através de figuras de alimárias do campo, como leão, leopardo, urso, etc., daí o convite a ‘todos os animais do campo’.

O convite para que se aproximassem e comessem é feito às nações inimigas, e Israel é o banquete “Por isso um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias” ( Jr 5:6 ).

Israel estava para ser punido através das nações inimigas (os animais do campo) por ser rebelde, e conforme o predito pelos profetas, ocorreu às invasões dos povos vizinhos: Babilônia (leão), Medos-Persas (urso, carneiro) e Gregos (leopardo, bode) “Serei, pois, para eles como leão; como leopardo espiarei no caminho. Como ursa roubada dos seus filhos, os encontrarei, e lhes romperei as teias do seu coração, e como leão ali os devorarei; as feras do campo os despedaçarão” ( Os 13:7 -9).

A mesma mensagem anunciando a derrocada dos filhos de Israel foi anunciada por profetas que foram perseguidos e mortos, enquanto que, os muitos falsos profetas em Israel, que rejeitavam anunciar a palavra do Senhor, foram acolhidos pelo povo.

 

Cães que não ladram

Quando Isaias disse que os profetas de Israel eram cegos e nada sabiam, nada sabiam mesmo. Desconheciam que por esquecer de Deus, Israel foi dado por presa às nações vizinhas, a justa retribuição de Deus por causa da rebeldia do povo “Então se dirá: Porquanto deixaram a aliança do SENHOR Deus de seus pais, que com eles tinha feito, quando os tirou do Egito;” ( Dt 29 : 25 )

Além da punição iminente, as atalaias de Israel também precisavam ver e anunciar que a ‘salvação de Deus’ estava prestes a se manifestar ( Is 56:1 ).

Os filhos de Israel precisavam distinguir a justiça manifesta na punição com deportação e exilio, da justiça de Deus que seria manifesta a todos os povos através da encarnação de Cristo. Por causa da rebeldia de Israel, Deus faz um convite aos animais do campo e as feras dos bosques para que viessem comer ( Is 56:9 ). O que isto significa? A invasão das nações vizinhas e o exílio!

Antes de fazer uso do termo ‘cães’ no verso 10 do capítulo 56, Isaias profetizou que a justiça de Deus estava prestes a se manifestar, ou seja, Cristo ( Is 56:1 ), e seria bem-aventurado aquele que O obedecesse, assim como foi obediente o crente Abraão  ( Is 56:2 ).

As atalaias precisavam divulgar que ‘estrangeiros’ seriam congregados ao rebanho do Senhor ( Is 56:4 -5). Era imprescindível às atalaias anunciarem que a casa de Deus é casa de oração para todos os povos, no entanto, muitos profetas de Israel desconheciam estas verdades ( Is 56:7 ).

É em função deste quadro de letargia diante da palavra de Deus que Isaias declara que os atalaiais de Israel eram cegos! O que pode fazer uma sentinela cega? Como pode uma atalaia alardear a cidade que ela está em perigo se a atalaia é cega, não vê o perigo? “Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono” ( Is 56:10 ).

O profeta Isaias compara os profetas de Israel a cães adormecidos, deitados e que amam o tosquenejar. São descritos como gulosos e que nunca se fartam ( Is 56:11 ).

A função da atalaia é a mesma de um cão de guarda, atribuições que, bem desempenhada, remete à figura de um pastor.

Um pastor que não compreende o seu papel, que nada sabe e segue os seus próprios devaneios é um mercenário, pois satisfaz a sua ganancia e conduz o rebanho para o abismo. É por isso que Isaias descreve os filhos de Israel andando como cegos, tropeçando ao meio-dia “Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos” ( Is 59:10 ).

É em função desta descrição do profeta Isaias que Jesus declarou que todos os que vieram antes d’Ele eram ladrões e salteadores “Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram” ( Jo 10:8 ), pois todos os pastores em Israel não conheciam a Deus e seguiam as elucubrações de seus corações cheios de engano, o que não é bom “E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, sem exceção” ( Is 56:11 ; Is 66:3 ; Jr 50:6 ).

Isaias desempenhava a sua função de atalaia fiel, pois alertava os filhos de Israel dizendo: “Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver” ( Is 42:18 ). Mas, como não atendiam e nem entendiam a palavra do Senhor, foi derramado sobre Israel a indignação da ira de Deus “Mas este é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas, e escondidos em cárceres; são postos por presa, e ninguém há que os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui. Quem há entre vós que ouça isto, que atenda e ouça o que há de ser depois? Quem entregou a Jacó por despojo, e a Israel aos roubadores? Porventura não foi o SENHOR, aquele contra quem pecamos, e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando ouvidos à sua lei? Por isso derramou sobre eles a indignação da sua ira, e a força da guerra, e lhes pôs labaredas em redor; porém nisso não atentaram; e os queimou, mas não puseram nisso o coração” ( Is 42:22 -25).

Quando Jesus veio, anunciou que a Sua missão era dar vista aos cegos. Os fariseus, por sua vez, questionaram se Jesus também estava dizendo que eles eram cegos. Se os fariseus reconhecessem que eram cegos, consequentemente se arrependeriam (metanoia) “E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem sejam cegos. E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” ( Jo 9:39 -41).

Daí o veredicto acerca dos fariseus: “Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” ( Mt 15:14 ).

Além de seguirem cada um por seu próprio caminho, os ‘pastores’ (cães cegos e mudos) que nada compreendiam sobre o que Isaias descreve, eram ‘loucos’, pois convocavam os seus adeptos a trazerem vinho para que juntos (profetas e povo) pudessem beber, ou seja, alegrarem-se. E qual o argumento da alegria? Que o dia de amanhã seria como o dia de hoje, ou muito melhor. Segundo a cegueira deles nada de ruim estava para acontecer ( Is 56:12 ).

Os falsos pastores embriagavam o povo com falsos discursos, dizendo que havia paz, porém, não havia paz! “Porquanto, sim, porquanto andam enganando o meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz; e quando um edifica uma parede, eis que outros a cobrem com argamassa não temperada” ( Ez 13:10 ); “Nada sabem, nem entendem; porque tapou os olhos para que não vejam, e os seus corações para que não entendam” ( Is 44:18 ).

A cegueira dos filhos de Israel persistiu até a vinda de Cristo, a raiz de Davi “Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” ( Jo 9:41 ). Cristo é o sol nascente das alturas para iluminar os que jazem em trevas, mas os líderes de Israel permaneciam às cegas ao meio dia “Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:35 -36); “Pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, Com que o oriente do alto nos visitou; Para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte; A fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” ( Lc 1:78 -79); “Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos” ( Is 59:10 ).

Os líderes de Israel eram condutores cegos (cães mudos, atalaias cegos), pois não perceberam que a justiça anunciada por Deus se manifestou quando nasceu um menino em Belém da Judeia na casa de Davi. A sabedoria deles pereceu, pois quando anunciada a obra maravilhosa de Deus – Cristo a luz do mundo – não creram conforme previu o profeta Isaias “Portanto eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá” ( Is 29:14 ).

Ao discursar na sinagoga de Antioquia da Pisídia, o apóstolo Paulo alertou os judeus (irmãos segundo a carne) a crerem em Cristo sob pena de se cumprir o predito por Habacuque “Seja-vos, pois, notório, homens irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê. Vede, pois, que não venha sobre vós o que está dito nos profetas: Vede, ó desprezadores, e espantai-vos e desaparecei; Porque opero uma obra em vossos dias, Obra tal que não crereis, se alguém vo-la contar” ( At 13:38 -41 ); “Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada” ( Hc 1:5 ).

Além da punição iminente, as atalaias de Israel também precisavam ver e anunciar que a ‘salvação de Deus’ estava prestes a se manifestar ( Is 56:1 ). Os filhos de Israel precisavam distinguir a justiça manifesta na punição com deportação e exilio, da justiça de Deus que seria manifesta a todos os povos através da encarnação de Cristo, a raiz de Davi “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” ( 1Co 1:30 ).

 

A raiz de Davi

Cristo se identifica no Apocalipse como a raiz, a geração de Davi ( Ap 22:16 ), conforme profetizou Isaias: “PORQUE brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR” ( Is 11:1 -2).

Cristo é um rebento (filho) do tronco (casa, família) de Jessé, o renovo do Senhor que frutificou na casa (descendência) de Davi. É este mesmo Jesus que anuncia através do evangelista João no Apocalipse que é a raiz, a geração de Davi.

Crer que Jesus de Nazaré é o rebento do tronco de Jessé é o mesmo que crer que Ele é filho de Davi, por conseguinte, filho de Deus “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” ( 2Sm 7:14 ). Ele é a luz que veio ao mundo para que os homens não andem em trevas, portanto, a resplandecente estrela da manhã “Pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, com que o oriente do alto nos visitou; Para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte; A fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” ( Lc 1:78 -79).

 

Convite aos sedentos

Deus disse a Abraão: “E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz” ( Gn 22:18 ).

O apóstolo Paulo interpretou esta promessa feita a Abraão como uma previsão de que Deus havia de salvar os gentios, portanto, o evangelho foi anunciado a Abraão quando na incircuncisão da carne, ou seja, Abraão era um gentio da cidade de Ur dos Caldeus quando Deus lhe fez uma promessa “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ).

Após muito tempo da promessa feita a Abraão em que em seu descendente todas as nações da terra seriam benditas, Isaías profetizou convidando todos os sedentos a virem às águas, e os que não tinham com que comprar, que viessem e comprasse sem preço vinho e leite ( Is 55:1 ).

E o que era necessário para os ‘sedentos’ e ‘famintos’ participarem da água, do pão e do leite oferecido por Deus? Inclinar os seus ouvidos, atender o convite, e em consequência, obteriam vida, pois Deus concederia as firmes beneficências prometidas a Davi ( Sl 55:3 ).

E no que consistia a firmes beneficências prometida a Davi? Um descendente de suas entranhas que teria o seu reino estabelecido para sempre e edificaria uma casa ao nome do Senhor ( 2Sm 7:12 ).

Aos sedentos e famintos não seria dado água que saciam a sede cotidiana e nem pão que mata a fome cotidiana, antes seria dado um ente santo, o descendente prometido a Davi, pois Ele é a água que jorra para a vida eterna e o pão que quem se alimenta obtém vida eterna “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” ( Jo 6:35 ); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” ( Is 9:6 ).

Por causa da promessa feita a Abraão, um menino foi dado por testemunho aos povos ( Is 9:6 ), como príncipe e governador dos povos e um povo que não conhecia ao Senhor concorreria para Deus e para o Santo de Israel ( Is 55:5 ).

O capítulo 55 de Isaias é uma profecia acerca da salvação de Deus anunciada a todos os povos: o descendente de Davi por testemunho e príncipe dos povos ( Is 55:4 ).

Deus prometeu salvação a todos os povos por intermédio do descendente prometido a Davi e Israel estava despercebido, alheio a voz de Deus. Na plenitude dos tempos, quando Deus enviou Jesus para salvação de todos os homens, os judeus aguardavam somente uma salvação nacional.

Cristo veio na casa de Davi conforme o predito pelos profetas ( Rm 1:3 ), e o salmista Davi previu que um ajuntamento de malfeitores cercaria e traspassaria as mãos e os pés de Cristo. Estes malfeitores são descritos como cães: “Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me as mãos e os pés” ( Sl 22:16 ).

O Salmo 59 também faz referência aos ‘cães’ nomeando-os como sanguinários, iníquos, pérfidos, pois armam ciladas para matar o Cristo ( Sl 58:4 ). Uma características dos cães que é evidenciada no salmo é a boca, demonstrando que sua língua é como espada entre seus lábios ( Sl 59:7 ) “Que afiaram as suas línguas como espadas; e armaram por suas flechas palavras amargas” ( Sl 64:3 ); “A minha alma está entre leões, e eu estou entre aqueles que estão abrasados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e a sua língua espada afiada” ( Sl 57:4 ).

O Salmo 22 descreve os opositores do Cristo como leões que abrem a boca e ruguem ( Sl 22:13 ), demonstrando que a força deles é a ‘espada’ que tem na boca, ou seja, uma língua mentirosa e perversa “Livra a minha alma da espada, e a minha predileta da força do cão” ( Sl 22:20 ;  Sl 59:5 -7); “Para que o teu pé mergulhe no sangue de teus inimigos, e no mesmo a língua dos teus cães” ( Sl 68:23 ); “Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo mas no seu coração arma-lhe ciladas” ( Jr 9:8 ).

Cristo é o pão e a água que Deus ofereceu por intermédio do profeta Isaias a todos os sedentos e famintos, mas a nação de Israel o rejeitou ( Is 55:7 ; Jo 1:11 ).

 

Os cães

Quem são os cães? Na Antiga Aliança os ‘cães’ eram os líderes da nação, sacerdotes e profetas de Israel, homens que tinham a missão de anunciar a palavra de Deus ao povo, porém, não anunciavam. Nos dias do Senhor Jesus aqui na terra os ‘cães’ remetia aos príncipes, sacerdotes, fariseus, escribas e juízes de Israel, que perseguiram e mataram o príncipe da vida. Em nossos dias os ‘cães’ são os maus obreiros, líderes religiosos que transtornam a verdade do evangelho ( Gl 1:7 ).

Ao utilizar o termo ‘cães’, o apóstolo Paulo conserva intacta a essência da figura, aplicando-a aos falsos mestres, no caso específico dos cristãos em Filipos, aos da circuncisão.

Os mestres da circuncisão eram atalaias cegas e que nada sabiam. Cães mudos que não ladravam. Eles estavam adormecidos e deitados, famintos e insaciáveis.

Enquanto a alegria dos cães está no vinho em que há contenda (afastamento da palavra de Deus), o apóstolo Paulo recomenda aos cristãos se alegrarem no Senhor “Quanto ao mais, irmãos meus, regozijai-vos no Senhor…” ( Fl 3:1 ). Ora, os fariseus eram denominados ‘insensatos’, ‘loucos’ e ‘cegos’ por não compreenderem a vontade de Deus, visto que estavam embriagados com vinho. Mas, aqueles que são cheios do Espírito não são insensatos, pois entendem a vontade do Senhor “Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5:17 -18).

Daí a ordem expressa: “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão” ( Fl 3:2 ).

Qualquer atalaia, profeta, ministro, etc., que anuncie uma mensagem que não é conforme o evangelho de Cristo é um ‘cão mudo’, ‘um mau obreiro’.

Há várias descrições dos maus obreiros nas cartas dos apóstolos que nos remente às mesmas características dos ‘cães’ apresentado pelo profeta Isaias: gulosos e que não se fartam ( Is 56:11 ). Geralmente os apóstolos se referiam aos maus obreiros através de algumas características dos cães mudos, e todas elas aplicam-se aos maus obreiros:

  • Gulosos que não se fartavam;
  • Pastores que nada compreendem;
  • Cada qual segue seu próprio caminho: a ganância.

Ora, os opositores do evangelho, na época dos apóstolos, se diziam mestres da lei, porém, a própria escrituras depunham contra eles dizendo que estavam de olhos vedados para não ver e nem entender (pastores que nada compreendem) “Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam” ( 1Tm 1:7 ; Is 44:18 ).

O apostolo Paulo teve que deixar Timóteo em Éfeso com a incumbência de dissuadir qualquer que se propunha a ensinar outra doutrina que não o evangelho, nem que se ocupasse com fábulas (filosofia grega) ou genealogias (judaísmo) ( 1Tm 1:6 ). Isto porque alguns se desviaram de obedecer (amor) ao evangelho (mandamento) e se entregaram a discursos vãos ( 1Tm 1:5 ).

Ao escrever aos Romanos o apostolo alerta que tais homens serviam ao seu próprio ventre (cães gulosos), enganando com suaves palavras e lisonjas os incautos “Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples” ( Rm 16:18 ).

A descrição dos ‘cães’ é apresentada aos filipenses no verso 19 do capítulo 3: “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” ( Fl 3:19 compare com Cl 3:1 ). Por estarem a serviço do próprio ventre, tais homens têm o seu foco somente em questões terrenas.

Estes falsos mestres não passam de ‘mercenários’, ‘cães gulosos’, pois apascentam a si mesmos “Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas” ( Jd 1:12 ).

Em lugar de pensarem nas coisas que são de cima, os cães fixam-se nas coisas terrenas. O deleite deles não é o mandamento do Senhor, e sim o engano “Recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco” ( 2Pd 2:13 ).

Enquanto o apóstolo Paulo se resignava a anunciar somente o que os profetas disseram, os maus obreiros vão além do que está escrito. Observe o posicionamento do apóstolo Paulo:

“Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento. Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no templo, e procuraram matar-me. Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios” ( At 26:19 -23).

Os maus obreiros contemporâneos dos apóstolos anunciavam que, se os cristãos não se circuncidassem segundo o costume de Moisés, não poderiam ser salvos ( At 15:1 ). Outros anunciavam que não havia ressurreição dos mortos ( 1Co 15:12 ). Outros anunciavam que Jesus não veio em carne ( 2Jo 1:7 ).

No meio do povo de Israel havia falsos profetas, e hoje, no meio dos irmãos, há os falsos mestres, pessoas que anunciariam encobertamente heresias de perdição. São indivíduos que negando a Cristo ou negando a eficácia da sua obra na cruz do calvário, trazem sobre eles perdição. Estes falsos mestres são seguidos por muitos, consequentemente o evangelho é blasfemado e, por avareza, arrebanham seus seguidores para lucrar como se fossem mercadorias ( 2Pe 2:1 -3).

Sobre estes obreiros maus alertou o apóstolo Paulo de que eles não serviam ao Senhor, mas ao seu próprio ventre, enganando os incautos com suaves palavras e lisonjas “Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples” ( Rm 16:18 ); “Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância” ( Tt 1:10 -11).

O apóstolo Paulo rogou aos cristãos que identificassem aqueles que promoviam dissensões e escândalos contra o evangelho de Cristo para que os cristãos se desviassem deles ( Rm 16:17 ).

A tônica da mensagem dos ‘cães’ é fé em Deus, nos anjos, nos profetas, no milagre, na vitória, etc., porém, negam que Jesus é o Cristo ou a eficácia da obra vicária. Jesus mesmo disse: – “Credes em Deus, crede também mim” ( Jo 14:1 ); “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” ( Tt 1:16 ).

Os obreiros fraudulentos negam a eficácia da obra de Cristo quando pedem dinheiro para o crente ser abençoado, pois os apóstolos enfatizavam que os cristãos já são abençoados com todas as bênçãos espirituais ( Ef 1:3 ). Sob o pretexto de ‘buscar a Deus’, não ensinam que os cristãos são templo, morada do Altíssimo.

Geralmente fazem dos seus seguidores presa, alegando que o crente ‘busca’ a Deus nos momentos que estão reunidos cantando, orando ou jejuando. Na verdade, quando o crente crê em Cristo, a barreira de separação foi desfeita, e o crente tem acesso perene a Deus pelo corpo de Cristo, de modo que está assentado nas regiões celestiais em Cristo Jesus ( Ef 1:3 ).

Só crê em Deus aquele que crê no Filho, pois o testemunho de Deus é acerca do Seu Filho ( Jo 3:33 ; 1Jo 5:10 ).

Somente acreditar que Deus existe não muda a condição do homem diante d’Ele, pois é necessário crer em Cristo. Acreditar na existência de Deus sem crer no testemunho que Ele dá de seu Filho não resulta em salvação. Quando não se crê que Jesus é o Cristo está negando a Deus através das obras, pois a obra de Deus é que se creia em Cristo ( Jo 6:29 ).

É por causa dos judaizantes que diziam conhecer a Deus que o apóstolo Paulo diz que negavam com as obras, pois não confessavam a Cristo, o único meio de se conhecer a Deus Confessam que conhecem a Deus, negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” ( Tt 1:16 ). Quem crê em Cristo é porque observou a lei da liberdade e nela persevera ( Tg 1:25 ), ou seja, é fazedor da obra, diferente daqueles que dizem ter fé em Deus, mas não tem as obras. A fé em Deus pode salvar alguém sem que creia que Jesus é o Cristo? “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?” ( Tg 2:14 ).

O apóstolo João abordou este mesmo aspecto de quem diz ter fé, mas não tem a obra quando evidenciou que alguns diziam conhecer a Deus (tem fé), mas que não guardavam o seu mandamento (obra). De nada adianta dizer conheço a Deus e não crer que Jesus é o Cristo ( 1Jo 2:4 e 1Jo 3:23 )

Alguém que se diz obreiro e não confessa a Cristo, não está qualificado para ser ministro do evangelho. É reprovável e desqualificado para o evangelismo quem não crê que Jesus é o Cristo. ‘Toda boa obra’ consiste em anunciar Cristo, pois como crerão se não há quem pregue e, como pregarão se não forem enviados? É através da pregação da fé (evangelho) que Deus nos fez participante do corpo de Cristo, e através do corpo de Cristo (obreiros fiéis à palavra da verdade) que Deus roga ao mundo que se reconciliem com Ele crendo em Cristo ( 2Co 5:20 ).

A ‘boa obra’ é plena (toda) quando se anuncia e alguém crê. O evangelho é de fé em fé, ou seja, deve ter seu curso completo. Quem anuncia deve entender e, para entender é imprescindível ouvir e experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho” ( Mt 13:19 ); “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” ( 1Pd 2:2 ); “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” ( 1Pd 1:7 ); “Alcançando o fim da vossa  fé, a salvação das vossas almas” ( 1Pd 1:9 ).

O apóstolo Pedro, ao enfatizar a essência do ensinamento do apóstolo Paulo, que era aguardar novos céus e nova terra, deixa claro que muitos homens indoutos e inconstantes torciam o que o apóstolo Paulo escreveu, bem como as Escrituras ( 2Pe 3:16 ), por causa destes homens, cada cristão tem a incumbência de se guardarem do engano destes homens perversos.

Para identificar maus obreiros (cão), basta observar que tais homens tem prazer em ajuntar tesouros na terra, tem prazer nos deleites quotidianos, e não na lei do Senhor ( Sl 1:2 ). Eles buscam o ajuntamento solene somente para angariar prestigio, poder político, fama, posição, dinheiro, etc., e fazem proliferar as suas mistificações ( 2Pe 2:13 ; Jd 1:12 ).

Sobre estes homens ímpios deixou registrado o irmão Judas que são pastores que se apascentam a si mesmos, ou seja, cães gulosos. Estes são manchas nas festas ágapes, homens sem recato algum.

São descritos como nuvens sem água, pois oferecem uma esperança vazia. São árvores desprovidas de frutos e desarraigadas, duplamente mortas, ou seja, não ligado a videira verdadeira ( Jo 15:4 ).

São comparáveis às ondas do mar, espumando suas próprias sujidades, conforme profetizou Isaias ( Is 57:20 ). São murmuradores, queixosos, andam segundo suas concupiscências, são arrogantes e bajulam as pessoas por interesse ( Jd 1:16 ).

São exercitados na avareza, pois deixam a Cristo e seguem o mesmo caminho de Balaão, filho de Beor, que seguiu um caminho perverso e a muda jumenta se lhe opôs ( Nm 22:32 ).

Os falsos profetas usam a tática de fascinar com concupiscências da carne e dissoluções aqueles que tentam se afastar do erro. Prometem liberdade, porém, são servos da corrupção ( 2Pe 2:18); “Assim diz o SENHOR acerca dos profetas que fazem errar o meu povo, que mordem com os seus dentes, e clamam paz; mas contra aquele que nada lhes dá na boca preparam guerra” ( Ml 3:5 ; Jr 23:16 ).

O conhecimento de Cristo é o que traz liberdade da corrupção que há no mundo ( Is 53:11 ). O conhecimento de Deus indica ao homem qual é o caminho da justiça, porém, os falsos mestres induzem os homens a desviarem do santo mandamento dado por Deus: que creiais naquele que Ele enviou! ( Is 53:11 ; Sl 118:20 )

Aqueles que falam mentiras segundo uma consciência cauterizada, que disseminam doutrinas de demônios ( 1Tm 4:1 ), que proíbem o casamento, ordenam a abstinência de alimentos, propõem fábulas profanas e de velhas, etc. também são cães, são maus obreiros ( 1Tm 4:3 ).

As doutrinas dos cães se baseiam em proibições tais como: não proves, não manuseies, não toques. Destas proibições surgem os julgamentos por causa de comidas, bebidas, vestimentas, festas, dias, etc. O que na lei era sombra da realidade e que foi transtornado por preceitos e ensinamentos de homens é apresentado como aparência de sabedoria, culto espontâneo, humildade (fingida), severidade para com o corpo, etc. “Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens” ( Mt 15:9 ; Cl 2:16 -23).

O apostolo Paulo escreveu a Tito lembrando que outrora todos eram insensatos (loucos), desobedientes e perdidos (extraviados). Ora, o apóstolo Paulo era judeu, fariseu, irrepreensível segundo a justiça da lei, e excedia em judaísmo a muitos da sua idade por ser zeloso das tradições, entretanto, ele se inclui no rol dos que outrora eram loucos, desobedientes e extraviados, a serviço da concupiscência e deleites “E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais” ( Gl 1:14 ; Fl 3:6 ). Os termos: ‘louco’, ‘desobediente’ e ‘extraviado’ etc., são utilizados para apontar para os filhos de Israel, visto que lhes falta conhecimento de Deus ( Sl 53:1 -4; Dt 32:6 e 28; Rm 10:2 ).

Por ignorância os judaizantes se opunham ao evangelho de Cristo, e apresentavam questões loucas, genealogias, contendas, debates acerca da lei, etc. ( Tt 3:9 ; 1Pd 2:5 ; 1Tm 1:13 ; Tt 3:1 -2).

As concupiscência e deleites dos falsos mestres de hoje centram-se em questões desta vida, principalmente com relação às riquezas, pois fazem dos seus seguidores negócio ( 2Pd 2:3 ) e aguçam a ambição destes ( 1Tm 6:5 ).

Nas exposições dos falsos mestres não se ouve dizer que os que vivem de acordo com o evangelho padecem perseguições ( 2Tm 3:12 ); nem se ouve que o crente deve se gloriar nas fraquezas, injurias, necessidades, perseguições, angustias, etc. ( 2Tm 3:12 ; 2Co 12:10 ; 1Pd 4:13 ); jamais evidenciam que as aflições por causa do evangelho se dão com todos os cristãos no mundo ( 1Pe 5:9 ). O tema de suas pregações não tem por alvo as coisas de cima, mas as da terra ( Cl 3:1 ; Fl 3:19 ).

Os ‘cães’ jamais tocam no assunto de que ‘grande lucro’ é o evangelho com contentamento ( 1Tm 6:6 ). Não ensinam que tendo sustento e com o que se cobrir já é motivo de contentamento, e jamais recomendam aos seus seguidores que se acomodem as coisas humildes ( Rm 12:16 ). Não alertam seus seguidores que se traspassam com muitas dores (trabalho) os que querem ficar ricos e naufragam e ruina e perdição.

Apesar do posto de obreiros, ficarão de fora, porque são cães.

 

Não podem entrar

Há um paralelo entre as passagens bíblicas:

“Ficarão de fora os cães…” ( Ap 22:15 ), e;

“Aquele que não nascer de novo” ( Jo 3:3 ).

‘Quem não nascer de novo’ não pode ver o reino de Deus assim como ‘os cães’ por não terem direito à árvore da vida não podem entrar na cidade pelas portas, logo, ‘os cães’ é figura que remete a quem não está em Cristo, ou seja, não é nova criatura.

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 );

“Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães…” ( Ap 22:14 -15)

Há cães que, como os judaizantes, nunca compreenderam o evangelho de Cristo, e se posicionam como mestres Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” ( Tt 1:16 ). Porém, há cães que, estavam no meio dos cristãos e se afastaram da verdade “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” ( 1Jo 2:19 ).

É por causa dos apóstatas que foi dado o alerta: Não ameis o mundo ( 1Jo 2:15 ), como se deu com Demas “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica, Crescente para Galácia, Tito para Dalmácia” ( 2Tm 4:10 ).

 

O que é necessário para entrar no céu?

Encontramos na Bíblia diversas passagens que demonstram o que é necessário para o homem entrar no reino dos céus, no entanto, a assertiva: – “Ficarão de fora os cães”, aguça a curiosidade por causa da figura utilizada.

É necessário nascer de novo para entrar no reino dos céus, portanto, a passagem bíblica que estabelece que os cães, os feiticeiros, os que se prostituem, etc., ficarão de fora, não deve causar preocupação aos que nasceram de novo “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” ( 1Pe 1:23 ). Basta nascer de novo e permanecer crendo na mensagem do evangelho.

A figura dos ‘cães’ que ficarão de fora é intrigante, porém, a qualquer que não nascer de novo é igualmente vetado entrar no reino dos céus. Se, quem não nascer de novo não pode entrar no reino, e os cães ficarão de fora, as duas passagens bíblicas deveriam despertar a curiosidade “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

A curiosidade não pode ficar somente na pergunta: – “Quem são os ‘cães’?”, antes deve ir além: – “Por que ficará de fora”? Neste sentido, a pergunta maior deveria ser: – “Por que o homem não pode ver o reino de Deus”?

O mesmo Jesus que disse que ‘os cães ficarão de fora da cidade’, também disse que ‘quem não nascer de novo não pode ver o reino dos céus’! Enquanto a passagem de Apocalipse diz que os ‘cães’ ficarão de fora, a passagem do evangelista João diz que o homem não entrará no reino dos céus, a não ser que nasça de novo!

O reino dos céus também é vetado aos que não tiverem obras superiores à dos escribas e fariseus, e não causa tanta curiosidade, mas a expressão ficarão de fora os ‘cães’, os ‘feiticeiros’, ‘os que se prostituem’, etc., causa grande impacto pela figura utilizada: cães “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ).

Desde já gostaríamos de acalmar os ‘ânimos’ de quem receia fazer parte do grupo dos que ficarão de fora, pois se você crê que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo, você adquiriu o direito à árvore da vida e pode entrar na cidade pelas portas “Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas” ( Ap 22:14 ); “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” ( Jo 3:36 ).

Por que basta crer em Cristo para ter vida eterna? Porque quem crê nas palavras de Cristo crê em Deus, pois as Escrituras são testemunho vivo que Deus deixou acerca do seu Filho “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:24 ).

Esta é a obra de Deus: “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). Este é o mandamento que o homem deve guardar para que tenha direito à árvore da vida “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ); “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia. Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito” ( Jo 12:44 -50).

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Eis que vos dou poder

É dado aos que creem poder de serem livres da peçonha de uma serpente, mas também é dado poder para suportar afrontas e açoites, e passar uma vida na prisão por causa da verdade do evangelho, como foi o caso do apóstolo Paulo.


“Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” ( Lc 10:13 )

 

Antes de abordarmos o tema central deste verso, vale destacar que essa promessa de Cristo refere-se à sua igreja, o que inclui; todos os cristãos e todo tempo em que a igreja permanecer no mundo.

A promessa de Jesus: ‘estarei convosco até a consumação dos séculos’ ( Mt 28:20 ), se estende a todos os membros da sua igreja, assim como a ordem: ‘Ide por todo mundo’ ( Mc 16:15 ). Considerando que a promessa e a ordem de Cristo referem-se a todos os cristãos em todos os tempos, obrigatoriamente devemos concordar que a promessa: “E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão” ( Mc 16:17 -18), não se restringe aos apóstolos e aos primeiros discípulos.

Quando Jesus pediu ao Pai que não tirasse os que eram d’Ele do mundo, seu pedido tinha por alvo os discípulos naquela época e todos quantos cressem em Cristo em todos os tempos ( Jo 17:16 ), portanto, as promessas e a ordem que foi testemunhada pelos apóstolos e alguns discípulos, abrange todos os cristãos em todos os tempos ( Mt 28:20 ).

A oração que Jesus fez: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim” ( Jo 17:20 ), demonstra que as promessas de Deus não se restringiam aos apóstolos e discípulos “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” ( At 2:39 ).

Nossa proposta é descortinar a compreensão dos leitores acerca desta promessa de Cristo: Eis que vos dou poder. Não é porque muitos fazem mau uso do texto sobre sinais que negaremos as promessas de Cristo para evitar que façam mau uso, pois seria o mesmo que tolher a verdade.

 

Poder para ser feito filho

O evangelista João deixou registrado que todos os que creem em Cristo recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). Neste verso o discípulo amado fez um adendo explicando que ‘receber’ o Cristo é o mesmo que ‘crer’ n’Ele “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” ( Jo 1:12 ).

Para compreender a dimensão desta colocação do evangelista João, se faz necessário perguntar: que poder é esse que é dado aos que creem? No que consiste tal poder? Para responder essas perguntas é necessário usar as Escrituras.

O apóstolo Paulo deixou registrado que o evangelho de Cristo é poder de Deus para salvação de todos os que creem ( Rm 1:16 ). Na carta aos Corintos, ele também deixou registrado que Cristo é o poder de Deus “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:24 ). Ora, Deus criou todas as coisas por intermédio de Cristo, ou seja, pela palavra do seu poder, de modo que Cristo é o poder de Deus ( Jo 1:3 ; Cl 1:16 ).

Todos os que recebem a Cristo, ou seja, que creem em seu nome, recebem poder de Deus para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). Só é possível alguém crer em Cristo quando lhe é anunciado a palavra de Deus ( Is 52:7 e 53:1). É essencial que haja quem pregue e que, a mensagem seja a mesma anunciada por Cristo e os apóstolos “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ; 1Jo 1:3 ); “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus” ( 2Tm 1:13 ).

Ao fazer referência ao seu papel evangelístico, o apóstolo Paulo disse: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder” ( 1Co 2:2 -4).

A mensagem que o apóstolo dos gentios anunciou aos cristãos tinha por tema o Cristo crucificado, de modo que é possível concluir com segurança que expor a mensagem do evangelho é demonstração de espírito e poder. Demonstrar que ‘Jesus de Nazaré crucificado’ é o Cristo de Deus é exposição de poder.

Quando o apóstolo Paulo foi ter com os crentes de Corinto, sua condição socioeconômica havia sido alterada drasticamente, e ele afirma que estava em fraqueza, temor e receio.

 

A fraqueza do apóstolo Paulo

No caminho de Damasco Saulo, o perseguidor dos cristãos, se fazia acompanhar de uma comitiva e, estava de posse de cartas de recomendação dos magistrados concedendo-lhe autoridade para lançar mão da igreja de Cristo ( At 9:2 ). Ele tinha o apoio dos maiorais da sua nação e da religião, era o forte braço do farisaísmo, mas, quando o apóstolo Paulo chegou em Corintos como servo de Cristo, não havia carta de recomendação, comitiva, e tão pouco o apoio dos seus compatriotas.

A expectativa do apóstolo Paulo de como seria aceito entre pessoas que no passado foram perseguidas por ele, resultou no que é descrito como fraqueza, temor e tremor. Quando chegou entre os cristãos, o apóstolo não possuía carta de recomendação ou autoridade segundo os homens, o que se traduz em fraqueza, temor e receio. Só mais tarde os cristãos de Corinto tornaram-se a sua carta “Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens” ( 2Co 3:2 ).

Mesmo vulnerável e tendo que trabalhar com tendas, o apóstolo dos gentios comparecia às sinagogas para disputar com os judeus, demonstrando perante os algozes de Jesus, que aquele Jesus de Nazaré era o Cristo de Deus ( At 18:4 ). Ao escrever aos cristãos de Corinto, o apostolo não hesitou em afirmar que a sua mensagem, a saber, a mensagem da cruz de Cristo, é demonstração de espírito e de poder.

O apóstolo não expôs filosofias, tradições, ou qualquer outra forma de conhecimento ou sabedoria humana. A base do ministério do apóstolo dos gentios era convencer as pessoas de que o Jesus de Nazaré, aquele que fora crucificado em Jerusalém, era o Cristo, a mesma mensagem que levou Saulo a apedrejar Estevão ( Rm 1:1 -5; At 7:52 ).

Antes da sua conversão, o apóstolo Paulo era ministro da lei, e após a conversão, tornou-se ministro do evangelho, que em outras palavras é ‘ministro do espírito’. Na condição de ministro do evangelho (espírito), o apóstolo dos gentios deixa claro que expor o evangelho é demonstração de espírito, demonstração de poder “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” ( 2Co 3:6 ).

 

As palavras de Cristo

O Senhor Jesus Cristo disse acerca de seu ensino: as palavras que vos tenho falado é espírito e vida, e o apóstolo Paulo afirma que veio aos cristãos de Corinto com espírito e poder, o que demonstra que o evangelho é espírito e poder “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida” ( Jo 6:63 ).

O apóstolo Pedro, ao exortar os cristãos, recomenda que: “Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém” ( 1Pe 4:11 ).

Em outras palavras, cada cristão deve falar segundo a verdade do evangelho, ou seja, exponha, administre, entregue o poder que Deus dá; que entregue a mensagem que vivifica. Quando administrar, os cristãos fazer sua administração segundo o evangelho de Cristo, e não com base em conhecimento e sabedoria dos homens.

Por que foi necessária esta recomendação?Porque já naquele tempo haviam surgido muitos falsos profetas, de modo que havia muitos espíritos. A explicação vem do evangelista João, que alertou quais espíritos eram estes? Se as palavras de Cristo é espírito e poder, o que seriam estes ‘espíritos’ que o apóstolo João adverte? Tais espíritos eram mensagens, pregações, ensinamentos propagados pelos falsos profetas. Daí o alerta: é necessário ‘provar’ os espíritos.

 

O termo ‘espírito’

O termo ‘espírito’ quando empregado por João refere-se ao conteúdo da mensagem pregada, conteúdo este que pode ser de Deus ou do anticristo, de modo que quem ‘prova’ os espíritos deve seguir a regra proposta pelo evangelista João no verso 3 do capítulo 4 da sua primeira epístola “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo” ( 1Jo 4:1 -3).

Qualquer que não conserva o modelo das sãs palavras do evangelho, fala segundo o espírito do anticristo “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus” ( 2Tm 1:13 ; 1Jo 2:18 ).

 

Espírito e possessão

Quando o apóstolo Paulo diz: “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” ( 1Co 14:32 ), ele está demonstrando que a ‘palavra’ dos profetas é sujeita aos profetas. Significa que o profeta possui controle sobre a mensagem que anuncia, de modo que os profetas de Deus não são submetidos a uma ‘possessão divina’ ao anunciar o evangelho, que é a palavra da profecia. De igual modo, significa que os profetas do anticristo também não são tomados por uma possessão maligna, antes o que ensinam decorre de uma carnal compreensão ( 1Co 2.14 ; Cl 2:18 ; 2Pe 2:12 ; Jd 1:4 ).

O profeta de Deus deve trazer vívido na memória isto: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação” ( 2Pe 1:20 ; Ap 22:18 ), e em segundo lugar: que a ‘profecia’, ou a ‘firme palavra dos profetas’ não decorrem da vontade do homem, antes, o que os profetas falaram foi segundo o Espírito Santo ( 2Pe 1:21 ).

Ao escrever aos cristãos de Tessalônica, o apóstolo Paulo lembra que não foi ter com eles somente com palavras (o termo ‘palavras’ substitui a ideia de sabedoria humana), antes expôs (demonstrou) aos seus ouvintes poder, pois o evangelho é poder de Deus “Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós” ( 1Ts 1:5 ).

O que ele escreveu aos Tessalonicenses é o mesmo que escreveu aos Corintos: “Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” ( 1Co 2:5 ). O motivo é claro: “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” ( 1Co 4:20 ). Ora, o reino de Deus é Cristo!

Quando escreveu aos Colossenses, o apóstolo demonstra que Cristo é o poder de Deus e que os cristãos ressurgiram com Cristo por crerem n’Ele: “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” ( Cl 2:12 ).

 

Revestidos da armadura

Ao aconselhar os cristãos de Éfeso, o apóstolo dos gentios recomenda a se fortalecerem na força que há no poder de Deus “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” ( Ef 6:10 ), que nada mais é do que se ‘encher do espírito’, ou seja, estar ‘pleno do conhecimento’ que há no evangelho de Cristo “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração” ( Cl 3:16 ); “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:18 -19 ).

Ora, fortalecer-se no poder de Deus é o mesmo que revestir-se de Cristo ( Rm 13:14 ), pois Jesus é a verdade ( Jo 14:6 – cingindo os lombos com a verdade ). Ele é a nossa justiça ( 1Co 1:30 – couraça da justiça). Cristo é o tema das boas novas do evangelho ( Rm 10:15 – calçados os pés). Cristo é eterna salvação aos que O obedecem ( Hb 5:9 – capacete da salvação).

O capacete da salvação é a palavra, assim como a espada do espírito é a palavra. Os pés calçados referem-se à palavra, assim como a couraça da justiça. O escudo da fé é a palavra, assim como a vestimenta que cinge os lombos ( Is 59:17 ).

Jesus anunciou que enviaria a promessa do Pai e que seus discípulos deveriam ficar em Jerusalém até que fossem revestidos de poder “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” ( Lc 24:49 ). No pentecostes, quando vemos o apóstolo Pedro expondo aos seus irmãos segundo a carne a interpretação dos salmos e dos profetas, constatamos de qual poder ele foi revestido: da compreensão da palavra de Cristo.

Este revestimento de poder foi anunciado e explicado em detalhes por Cristo no capítulo 14 do evangelho de João “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” ( Jo 14:26 ). A promessa do Pai diz do Consolador, e o ‘revestimento’ ou a ‘unção’ prometida diz da compreensão de tudo o que Jesus disse “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio” ( Jo 15:26 -27 compare “E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” ( 1Jo 2:27 ; 1Jo 2:20 ).

Ora, o apóstolo Pedro já estava limpo pela palavra de Cristo e cria que Jesus era o Filho de Deus, porém, não compreendia as escrituras, o que só foi possível no pentecostes, quando foi ‘ungido’, ou ‘revestido de poder’ ( Jo 15:3 ; Mt 16:16 ; Jo 7:39 ; Lc 9:45 e Mc 8:33 ).

Em Lucas 10, verso 19 Jesus deu poder para os discípulos, e no capítulo 24 de Lucas é prometido ‘revestimento’, ‘unção’. Esta verdade é reafirmada pelo apóstolo em Efésios 6, verso 10 dizendo que é necessário estar fortalecido em Deus e revestido do poder de Deus: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus…” ( Ef 6:10 -11).

Fortalecer no Senhor é estar cônscio de que o mesmo poder que Deus fez ressuscitar o Cristo também é utilizado na ressureição dos que creem, fazendo-os filhos de Deus “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1:18 -20; Cl 3:1 ).

O ‘revestir-se do poder’ refere-se a ter uma compreensão plena do evangelho de Cristo “Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” ( Ef 3:16 -20 ).

Qual é o poder do espírito? Neste verso não há alusão ao Espírito Santo, antes à palavra da verdade, que é espírito e poder. Jesus mesmo disse que as suas palavras são espirito e vida, e o apóstolo Paulo disse que a palavra é espírito e poder ( Jo 6:63 ; 1Co 2:4 ). No verso 16 da carta aos Efésios, o apóstolo faz alusão à palavra, ou seja, ao poder da palavra, pois ele era ministro do espírito, ministro da palavra, ministro de Cristo, ministro do poder de Deus ( 2Co 3:6 ).

Quando compreendemos a palavra da verdade, temos o revestimento de poder, ou nos revestimos da armadura de Deus. Compreender a palavra da verdade é prova de que o cristão foi revestido de poder, ou seja, que possui a unção do Espírito Santo, pois é Ele quem guia em toda a verdade “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” ( Jo 16:13 ).

 

Espírito de Elias

Quando o anjo Gabriel anunciou o nascimento de João batista a Zacarias disse: “E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto” ( Lc 1:17 ). Este verso comprova que ‘espírito’ e ‘poder’ diz da mensagem de Cristo, pois João Batista não operou nenhum sinal miraculoso, apenas anunciou o reino dos céus “E muitos iam ter com ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade” ( Jo 10:41 ).

Quando Elias passou o seu ministério para Eliseu, transmitiu porção dobrada do espírito de Elias “Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim” ( 2Re 2:9 ).

Ora, em Lucas 1, verso 17 e João 10, verso 41, verifica-se que a porção dobrada que Eliseu recebeu não se resumia em operar sinais, milagres e maravilhas, pois João veio no espírito e poder de Elias e não operou milagres. O que isso significa?

Significa que o pedido de Eliseu tinha relação com a palavra que Elias proclamava.

O mesmo espírito e o mesmo poder que estava sobre Cristo esteve sobre João Batista, esteve sobre os apóstolos, e está sobre a Igreja de Cristo ( Ef 4:4 ), isto porque há um só espírito, que é respectivamente espírito, vida e poder para converter os corações.

O ‘espírito’ e a ‘virtude’ de Elias consiste na proposta que ele fez ao povo de Israel: escolham entre Deus e Baal “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu” ( 1Rs 18:21 ), e foi este mesmo espírito e poder que repousou sobre João Batista, quando disse: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” ( Mt 3:2 ). O povo de Israel, em ambos os casos precisavam mudar de concepção, poder para converter o coração dos homens a Deus.

Observe que para a mudança de concepção é necessário a ação da palavra: “E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o SENHOR. Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre” ( Is 59:21 ), de modo que não é por força e nem por violência, antes pela palavra de Deus.

Em Jerusalém o apóstolo Pedro recebeu a promessa do Espírito, pois o mesmo Espírito que repousou sobre Cristo segundo a profecia, também passou para os seus discípulos “O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes” ( Is 63:1 -2).

Ora, o Espírito de Deus estava sobre Cristo. E o que Jesus faria? Pregaria boas novas! Proclamaria liberdade! Apregoaria tempo aceitável! Observe que o Espírito tem função evangelística. De igual modo, a todos que aceitassem a Cristo, tornando-se descendência de Abraão (filhos de Deus pela fé), teriam as mesmas palavras anunciadas por Cristo em suas bocas “Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre” ( Is 59:21 ).

Deus é poderoso para fazer tudo mais abundante, porém, o que Ele faz é segundo a palavra do evangelho, pois o evangelho é o poder que opera em todos os que creem “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” ( Ef 3:20 ).

O evangelho é a ‘palavra da verdade’, ‘poder de Deus’ e ‘armas da justiça’ “Na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda” ( 2Co 6:7 ). O apóstolo cônscio da verdade eterna, após ouvir o Senhor Deus, diz “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” ( 2Co 12:9 ).

Em seguida, o apóstolo Paulo faz a seguinte comparação: “Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós” ( 2Co 13:4 ).

O que este verso diz? Que os cristãos, apesar de terem sido sepultados à semelhança da morte de Cristo, agora vivem porque creram (fé) no evangelho (poder de Deus). O poder que há no evangelho é sobreexcelente, pois é o mesmo poder que Deus operou em Cristo ao ressuscitá-lo dentre os mortos “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” ( Cl 2:12 ); “E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1:19 ).

Estevão era um homem pleno de fé, ou seja, da palavra de Deus. Embora Estevão operasse sinais e maravilhas, os escribas e fariseus resistiam à palavra que Estevão proclamava, pois era a verdadeira demonstração de espírito e poder “E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé. E Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo (…) disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava” ( At 7:7 -9).

Estevão não foi apedrejado porque operava sinais e maravilhas, antes por causa da mensagem do evangelho. Jesus não foi rejeitado pelos sinais e maravilhas, antes pela sua palavra ( Jo 10:33 ). O espírito com que Estevão falava refere-se à palavra do evangelho, que é demonstração de poder, de fé, de espírito e de sabedoria.

 

Serpentes e escorpiões

No livro do Gênesis, Satanás utilizou-se de uma serpente para destilar o veneno da mentira sobre o homem. Ao distorcer a verdade anunciada por Deus, Adão acreditou na mentira e trouxe condenação (morte), a todos os homens.

Por causa do evento no Éden, a serpente tornou-se símbolo de Satanás “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” ( Ap 12:9 ).

A serpente é um símbolo de Satanás, e o veneno símbolo da mensagem de engano. A mensagem de engano é comparável ao veneno de víboras, trás morte e morte eterna.

Há várias referências nas Escrituras às serpentes, e uma destas figuras encontra-se no Livro de Deuteronômio. O profeta Moisés, em sua última profecia (cântico profético, salmo), previu que o povo de Israel (vinha) haveria de desviar-se da palavra de Deus e que produziriam veneno em lugar de vinho ( Dt 31:20 ).

Através da previsão dada a Moisés, Deus estava destilando a sua doutrina, a sua palavra. A palavra é comparada ao orvalho que cai sobre a relva, de modo que a palavra é figura de vida ( Dt 32:47 ), e a relva figura dos homens “Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor” ( 1Pe 1:24 ).

Este salmo de Moisés possui inúmeras figuras aplicadas ao povo de Israel que, ao longo da história foram utilizadas pelos profetas, Cristo e os apóstolos. Dentre as figuras que Moisés apresenta, temos: povo louco, ignorante, néscios ( Dt 32:6 ); cidade prostituta ( Dt 32:16 ); povo (vinha) de Sodoma e Gomorra ( Dt 32:32 ); o vinho que produzem é ardente veneno de serpentes, peçonha cruel de víboras ( Dt 32:33 ).

Por diversas vezes ecoam nas Escrituras através dos profetas, Jesus e os apóstolos o rótulo que Moisés estabeleceu contra Israel: o povo de Israel não passava de loucos, néscios, pessoas faltas de entendimento ( Sl 53:1 -4; Jr 5:4 ; Ez 13:13 ; Is 35:8 ; Lc 11:40 ; Lc 24:25 ; Rm 2:20 ; Rm 10:2 ). Por diversas vezes são chamados de raça de víboras ( Mt 3:7 ; Mt 23:33 ; Sl 140:3 ); Igualmente são chamados de adúlteros e adulteras ( Tg 4:4 ; Jr 9:2 ); etc.

Mas, a figura que nos debruçaremos agora é a da víbora, a da serpente. Moisés aponta que o povo de Israel é vinha de Sodoma e Gomorra, porém, o vinho que produziam era equivalente à peçonha de serpentes “O seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras” ( Dt 32:33 ); “Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra” ( Is 1:10 ).

O salmista demonstra que os filhos de Jacó possuíam língua como a serpente. Que o veneno do engano, que é a mentira, estava nos lábios do povo de Israel. O que falavam era semelhante ao veneno da serpente: produz morte, e não vida “Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios. (Selá.)” ( Sl 140:3 ); “O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos” ( Sl 58:4 ).

Ao falar ao povo, o profeta Isaias disse: “Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora” ( Is 59:5 ). O profeta acusa os filhos de Israel de falarem falsidades, e que a palavra do engano, a mentira, estava em suas bocas.

Falar mentiras é o mesmo que chocar ovos da serpente. Neste contexto ‘mentira’ é uma figura de linguagem para falar da palavra de engano, falso evangelho, e não do mau hábito de faltar com a verdade, mentir. Quem come dos ovos, além de mortos, torna-se duas vezes filhos do inferno. Tornam-se filhos do inferno porque quebraram os ovos e deles se alimentaram. Além de estarem mortos, tornam-se víboras. A morte neste verso refere-se à separação de Deus, alienação.

Qualquer que professa a doutrina do engano é uma víbora, uma serpente, de modo que Jesus e João Batista não estavam xingando os escribas e fariseus ao chamá-los de raça de víboras.

O apóstolo Paulo alerta os cristãos a se absterem do ‘vinho da contenda’, e deviam se encher do espírito. Muitos entendem que o apóstolo estava vetando aos cristãos o beber bebida forte, porém, se o apóstolo Paulo estivesse recomendando os cristãos a se absterem do produto da vide, não teria recomendado Timóteo a fazer uso de vinho.

O que se depreende da ordem paulina é que os cristãos deveriam se encher do espírito, ou seja, do evangelho, pois deste modo jamais beberiam do vinho da contenda, ou,da doutrina dos judaizantes “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5:18 ); “Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?” ( Mt 16:11 ).

É em função do alerta anterior que se chega à interpretação que acabamos de fazer. Quando o apostolo Paulo diz: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios”, está recomendando que os cristãos não andem como os judeus, os loucos, os néscios, que sempre erraram o caminho. Que não sejam insensatos ( Gl 3:1 ), voltando a se aplicarem a elementos da lei, antes, que entendam qual é a vontade de Deus ( Ef 5:15 -17).

Esta análise nos mostra que, algumas vezes, quando a bíblia faz referência à serpente, não faz referência a Satanás, mas aos homens que, por anunciar uma doutrina de mentira, destilam veneno mortal como as víboras. Por destilarem peçonha, a figura da serpente é própria para descrevê-los. Daí o rótulo: raça de víboras!

 

Poder para pisar serpentes e escorpiões

Após averiguar a exposição acima, é possível responder as perguntas: a) que poder é concedido aos cristãos? b) Quais os tipos de serpentes e escorpiões os cristãos tem autonomia de calcar os pés?

A prerrogativa de calcar a antiga serpente com os pés é de Jesus, e Ele não passou aos seus seguidores tal prerrogativa, antes é dito: “E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém” ( Rm 16:20 ); “Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente” ( Sl 91:13 ). É Cristo, o príncipe da paz, que esmagará Satanás em breve debaixo dos pés dos seus seguidores.

Por que debaixo dos pés dos cristãos? Porque os cristãos são o corpo de Cristo. Cristo é a cabeça, e a igreja o corpo, de modo que é Cristo, a cabeça, que esmagará debaixo da igreja a antiga serpente que feriu o calcanhar da semente da mulher ( Gn 3:15 ).

O texto não diz que os cristãos receberam poder para pisar Satanás, antes diz que é dado poder para pisar ‘víboras’ e ‘escorpiões’.

Em primeiro lugar, tal poder não diz de uma capacidade especial para pisar em animais peçonhentos que há na natureza, ou seja, Jesus não autorizou os seus seguidores a pisarem deliberadamente qualquer animal peçonhento. Tal atitude é tentar a Deus.

Qualquer que usar o texto: “Eis que vos dou poder…” para afirmar que foi dado poder aos seguidores de Cristo para submeter animais peçonhentos, cumpre o mesmo papel de Satanás quando tentou o Senhor Jesus utilizando as Escrituras fora do seu contexto “E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” ( Mt 4:6 -7).

Ao ler este verso, muitos cristãos entendem que Cristo estava lhes outorgando autoridade para sobrepujar os demônios, e outros, que Jesus concedeu poderes inimagináveis aos seus discípulos para efetuar toda sorte de sinais miraculosos.

Mas então o que Jesus concedeu aos seus seguidores?  Eles foram capacitados a pisar toda sorte de animais peçonhentos? Em função desta benesse os cristãos possuem poderes especiais de modo que nada pode lhe causar dano físico?

Para responder tais questões, temos que reler o evento em que Jesus enviou seus setenta discípulos às cidades que ficavam aos arredores de Jerusalém.

Antes de enviar os setenta discípulos às cidades nos arredores de Jerusalém para evangelizá-las, Jesus fez um lamento sobre as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, e apresentou alguns parâmetros que nos possibilita dimensionar a incredulidade dos habitantes daquelas cidades judaicas.

Jesus demonstra que os milagres que foram realizados por Ele em Corazim eram mais que suficientes para mudar a concepção dos habitantes das cidades gentílicas de Tiro e Sidom.  Se os habitantes de Tiro e Sidom tivessem visto os milagres de Jesus, se humilhariam e mudariam a concepção deles (arrependimento).

Ao enviar seus discípulos, Jesus conscientiza-os de que não havia diferença alguma entre Ele e os seus discípulos com relação à missão que passariam a desempenhar. Caso os habitantes das cidades ouvissem os discípulos de Jesus, estariam ouvindo as palavras de Cristo. De igual modo, caso rejeitassem os discípulos por causa da missão evangelística, estariam rejeitando a mensagem e a pessoa de Cristo ( Lc 10:16 ). E, quem rejeita a Cristo, rejeita igualmente ao Pai.

O evangelista Lucas, no verso 17, do capítulo 10, narra qual foi o comportamento dos discípulos após percorrem as cidades evangelizando: “E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam” ( Lc 10:17 ).

Foi quando Jesus disse em tom de aviso: “Eu via Satanás, como raio, cair dos céus” ( Lc 10:18 ). Ora, Satanás caiu por se envaidecer pela missão que lhe foi outorgada (querubim da guarda ungido), e deixou de considerar que a glória pertence a quem O comissionou.

Os discípulos corriam o risco de se envaidecerem em função de os demônios submeterem a eles, e logo foram advertidos. O apóstolo Paulo também alerta quanto a este risco: “Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo” ( 1Tm 3:6 ).

Daí o alerta: “Eis que vos dou poder…” (v. 19). Naquele momento Jesus não estava concedendo ‘poder’, antes estava alertando que era Ele quem outorgava poder. Esta era a promessa de Jesus: “Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” ( Jo 14:14 ). Tudo que o cristão pede é realizado por Cristo com o objetivo de que o Pai seja glorificado no Filho. Observe que é Cristo quem realiza tudo o que o crente pede, e não que tudo o que o crente pede será atendido.

O motivo da alegria deve centrar-se em Cristo, pois Ele é o poder. A consciência do cristão deve repousar na seguinte premissa: “Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres” ( Sl 126:3 ).

Alegrar-se em Cristo é força, poder, salvação, por outro lado, alegrar-se porque os demônios se submetem, há risco. Por quê? Porque Satanás é enganador e estrategista. Satanás pode fingir submeter-se aos homens com o objetivo de conduzi-lo ao erro, ao engano.

A estratégia do diabo pode ser analisada logo no inicio do ministério de Jesus. Quando Jesus chegava a certas cidades, pessoas possessas confessavam: – Bem sei quem és: o Santo de Deus “E também de muitos saíam demônios, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele, repreendendo-os, não os deixava falar, pois sabiam que ele era o Cristo” ( Lc 4:41 ; Mc 1:24 ).

Um incauto tomaria por base tal confissão para alavancar o seu ministério. Não é isto que muitos líderes religiosos fazem em nossos dias? Diante das multidões invocam testemunho dos demônios, que dizem: – Este é homem de Deus! – Está é uma igreja de Deus! E após tais manifestações, os demônios submetem-se ao orador. Seria este o testemunho que um servo de Deus deve acatar?

O primeiro a ser enganado com tal estratégia é o líder religioso, que vem a acreditar piamente que é um homem cheio de poder e que as suas realizações ‘miraculosas’ demonstram que é agradável a Deus. Em segundo lugar, os seus seguidores, que são induzidos a acreditar que expulsar ou falar com demônios é ter poder.

O apóstolo Paulo, assim como Cristo, foi denunciado por um espírito imundo que estava sobre uma jovem advinha: “Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto ela fez por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu” ( At 16:17 -18). Caso o apóstolo Paulo fizesse uso de tais declarações para balizar o seu ministério, grande seria a ruína.

Geralmente as pessoas relacionam esta passagem “Eis que vos dou poder…”, só com a virtude de operar sinais, prodígios e maravilhas, porém, antes de Jesus dizer tais palavras, já no verso 9, antes dos setenta saírem a campo, Jesus ordenou que os setenta curassem os enfermos que houvesse nas cidades e anunciassem a chegada do reino dos céus “E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus” ( Lc 10:19 ).

Ora, se os discípulos foram orientados a curarem os enfermos antes de partirem na missão evangelística, segue-se que o que é concedido no verso 19 não só diz da ‘virtude’ de operar milagres e maravilhas, pois quando foram comissionados, já estavam de posse de tal ‘virtude’.

De igual modo, o revestimento de poder concedido no dia de pentecostes não se refere à operação de sinais e prodígios, pois muito antes, Jesus já havia dado poder aos seus discípulos para, ao entrarem nas cidades, e curassem os enfermos e anunciasse a Cristo.

Esta passagem bíblia aponta uma tendência natural do homem em atribuir ênfase maior aos sinais, deixando em segundo plano a mensagem de salvação, que é a obra realizada pelo Pai ( Jo 14:10 ). Supervalorizam os sinais e esquecem que só há festa no céu quando o pecador se arrepende ( Lc 15:10 ).

Leia atentamente estes versos: “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” ( Jo 14:10 -12 ).

As palavras de Cristo era o mandamento do Pai. Na antiguidade era consenso: ‘só há obra quando há mando de um lado, e obediência do outro”, um senhor determinava, e o servo realizava a obra, porém, a obra não pertencia ao servo, e sim, ao senhor que determinou.

Por que é o Pai que faz a obra? Porque o mandamento é d’Ele! Como o mandamento de Cristo era o mandamento do Pai, ambos, Pai e Filho estavam unidos. Daí vem o ponto chave: aquele que crê em Cristo também faz as obras que Cristo fez, e faz maiores que aquelas que os discípulos estavam vendo.

Que obras seriam estas? A mesma que o Pai fazia juntamente com o Filho: “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). Observe que a essência da obra não está em realizar ações miraculosas, antes em que as pessoas creiam que Cristo é o Filho de Deus.

O poder que lhes fora concedido era para suplantar toda a força do inimigo. E que força maligna é esta? As serpentes e os escorpiões que propagam a doutrina de engano. O poder que há no evangelho serve de armadura para que o cristão possa combater nas regiões celestiais as hostes da maldade. Somente revestido de toda a armadura de Deus é possível resistir ao diabo.

Ora, quando a bíblia diz para resistirmos ao diabo, diz para resistirmos aos ensinamentos dos seus adeptos, homens réprobos quando ao conhecimento da verdade “Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo” ( Jo 6:70 ), diz dos filhos do diabo, homens que procuram desviar da fé os que creem “Disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?” ( At 13:10 ).

Quando o discípulo Pedro aconselha Jesus a ter pena de si mesmo, Jesus disse: “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” ( Mt 16:23 ), de modo que qualquer que não compreende as coisas de Deus e se propõe a aconselhar ou a ensinar, é comparável a um diabo.

É dado aos cristãos ‘poder’ para suplantar todos aqueles que destilam veneno com as suas línguas, de modo que nada proveniente deles causará dano aos servos de Deus. Tendo por escudo a palavra da fé, nenhum dardo do inimigo atingirá o crente revestido da armadura de Deus, fortalecido na força do seu poder “Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno” ( Ef 6:16 ).

O poder contido no evangelho torna o cristão poderoso para admoestar e convencer os contradizentes “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância” ( Tt 1:9 -11).

Operar sinais, prodígios e maravilhas não é o mesmo que pisar serpentes e escorpiões. Curar aleijados, cegos, etc., não é o mesmo que pisar serpentes e escorpiões. Jesus veio desfazer as obras do diabo, de modo que o poder que é dado refere-se a transportar os homens das trevas para o reino da luz.

Anunciar o Cristo é o poder concedido aos que creem “E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus” ( Lc 10:19 ). É poder que promove as obras que Jesus fez “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” ( Jo 14:12 ).

Sabendo que a obra que Jesus veio realizar é: “A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ), no evangelho há poder para salvar o mundo todo. Os homens nascidos de novo são obras de Deus “Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo” ( Rm 14:20 ).

A igreja de Cristo também possui autoridade para curar e realizar milagres ( Mc 16:15-20), mas este não é o mote do evangelho. A proposta do evangelho é mais abrangente, pois por Cristo é possível o crente ‘vencer reinos, praticar a justiça, alcançar as promessas, fechar as bocas dos leões, apagar a força do fogo, escapar do fio da espada, da fraqueza tirar forças, na batalha se esforçar, por em fuga os exércitos dos estranhos e receber pela ressurreição os seus mortos’, porém, o mesmo Cristo torna possível ser torturado, não aceitar o seu livramento para alcançar uma melhor ressurreição, experimentar escárnios e açoites, e até cadeias e prisões, ser apedrejado, serrado, tentado, mortos ao fio da espada, andar vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparado, aflito e maltratado ( Hb 11:33 – 40).

É dado aos que creem poder de serem livres da peçonha de uma serpente, mas também é dado poder para suportar afrontas e açoites, e passar uma vida na prisão por causa da verdade do evangelho, como foi o caso do apóstolo Paulo.

Certamente Cristo estabeleceu que os seus servos realizarão maiores obras, trabalhos, ações, atos, pois a ceara é grande, e há poucos ceifeiros. Quem opera sinais e maravilhas está inclusos nesta obra, porém, não é este o objetivo do evangelho. Não é esta a bem-aventurança! ( Jo 20:29 )

Qualquer que ouve uma mensagem ou vê um milagre, deve ter o cuidado de primeiro provar o ‘espírito’, pois fenômenos “extraordinários”, muitas vezes, não são passíveis de análise, mas a mensagem sempre é passível de análise àqueles que tem o Espírito de Deus ( Dt 13:1-4 ; 2Ts 2:9 ; Mt 7:21 -23).

Um cristão deve estar cônscio de que os falsos profetas operarão sinais de mentira “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira” ( 2Ts 2:9 ). Um cristão jamais deve esquecer que os falsos profetas tem aparência de ovelha, e que só os seus frutos possibilita identificá-los ( Mt 7:20 ). E quais são os frutos? O espírito, a mensagem que professam.

O cristão não deve ficar maravilhado, extasiado, perplexo frente a um milagre. Um cristão tem o discernimento que sinais são para os incrédulos, enquanto que a palavra, a profecia, o espírito, o poder de Deus é para os fiéis “De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis” ( 1Co 14:22 ).

Quem se maravilhava diante de um sinal são os infiéis, e isso ao longo dos tempos não muda. Mas, os que creem, tem o mesmo discernimento que o apóstolo Pedro: sempre apresentará ao povo o Cristo crucificado, e não os milagres “E quando Pedro viu isto, disse ao povo: Homens israelitas, por que vos maravilhais disto? Ou, por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem? O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes, tendo ele determinado que fosse solto” ( At 3:12 -13).

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O ardil de Satanás

– Nosso Deus! Isso é muito ardiloso! – Comentei com os olhos arregalados, como se estivesse falando para mim mesma – Claro! Se acreditarmos que o Diabo teve a oportunidade de se insurgir contra Deus, o vemos muito mais poderoso do que ele é. Isso explica o medo e a luta de muitos crentes. Claro! Ao contrário de trabalhar para nos aproximarmos de Deus, lutamos para nos afastarmos de Satanás! Com isso ele ganha muito terreno.

 


Certa feita, meu marido e eu nos deparamos com um livro que fazia uma intrigante pergunta: “Porque o justo sofre?”

Para quem lê a Bíblia esta pergunta é fácil de responder, no entanto, como se tratava de um livro inteiro com a proposta de responder esta pergunta, consideramos que seria interessante conhecer seu conteúdo.

Não desejo falar de sofrimento, mas da pessoa que acreditamos causar o sofrimento dos justos. Isto porque o livro apresenta Satanás como causador do sofrimento dos justos quando aponta que este se apresentou diante de Deus para acusar o patriarca Jó.

Como é nosso costume verificar se as afirmações estão em conformidade com as Escrituras, obtivemos um deleitoso conhecimento quando compreendemos o modo de trabalhar do Diabo.

Essa atitude nos deu mais segurança em Deus e algumas razões para discordar do livro, além de descobrimos que, muito do que se ouve acerca de Satanás é MENTIRA.

– É certo que uma mentira dita muitas vezes vira consenso. E uma mentira que virou consenso entre os cristãos, foi que Satanás quis ser igual a Deus, – disse-me meu marido.

Parei o que estava fazendo, olhei para ele um tanto preocupada, e disse: – Como você pode dizer que isto é mentira?! Está escrito na Bíblia!

-Venha ler o que está escrito na Bíblia, disse ele com o dedo no trecho bíblico de Isaias ( Is 14:14 ). Então li em voz alta: -Subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.

– Ser igual e ser semelhante NÃO são a mesma coisa, minha Linda. O próprio versículo demonstra isto. Veja que o próprio Satanás, no seu coração, chama Deus de Altíssimo. Entre Criador e criatura existe um abismo intransponível. Ao nomear Deus de Altíssimo, Satanás o reconhece como inatingível e inigualável. Explicou-me ele com os olhos arregalados, como se tivesse descoberto um diamante enorme. E continuou: – O salmo 89 confirma esta verdade.

Folheou a Bíblia, ainda com entusiasmo e mostrou-me o verso 6 deste salmo: “Pois quem no céu se pode igualar ao SENHOR? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao SENHOR?”

– Satanás foi criado por Deus como todos os outros seres do Universo. Ele foi criado e posto na posição mais elevada na ordem celestial, ele era querubim da guarda ungido, perfeito em seus caminhos e sábio. Na ordem celestial, ele estava no topo da hierarquia, mas ainda assim, uma criatura de Deus, é o que está escrito em Ezequiel ( Ez 28:12 ). A distância entre homens e Deus é a mesma que anjos e Deus!

Querida, o homem mais simples sabe que é impossível à criatura tomar ou alçar o lugar do Criador. Se é estranho ao homem, que possui conhecimento limitado, afirmar que é possível alguém tornar-se o Criador, imagine se não é absurdo que um ser criado cheio de sabedoria tenha intentado ser o próprio Criador. – Disparou ele a me explicar.

– Nosso Deus Querido! Tem toda razão, – eu lhe disse ainda atônita com tanta explicação. Mas você não considera a ousadia de Satanás? Vir à presença de Deus acusar Jó?

Ele diminuiu o ritmo e disse-me mais calmamente: – Você deve se esvaziar das idéias pré- concebidas quando lê a Bíblia… Escute isto, porque faz toda a diferença… ”Viste o meu servo Jó?”, e mostrou-me o trecho bíblico “E disse o SENHOR a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal” ( Jó 1:8 ), enquanto falava: – Quem faz esta pergunta é Deus… Deus é quem evoca Jó na conversa. NÃO FOI SATANÁS… Isso porque, neste livro, o livro de Jó, Deus evidencia a diferença entre a justiça do homem e a Justiça de Deus. Qualquer outro personagem que não fosse íntegro e reto como Jó, somente evidenciaria a misericórdia de Deus.

Olhei para ele um tanto extasiada, ainda pela afirmação de que foi Deus quem trouxe Jó para a conversa. Sem poder e nem querer negar tal explicação, mas a impressão que ele teve foi que eu não aceitava esse entendimento.

Ora, para mim é muito bom saber que Deus está no controle da vida dos justos. Quanto menos poder Satanás tem, mais alegria e segurança sinto em meu Deus. Isso é ótimo para os justos.

Na tentativa de passar toda informação necessária a um bom entendimento, ele continuou: – A quem tal mentira favorece? ‘que Satanás quis ser igual a Deus’. Essa mentira deu à luz a dualidade: bem versus mal, Deus versus Satanás, ou seja, equivalência entre Deus, o Criador e o Diabo, a criatura.

– Nosso Deus! Isso é muito ardiloso! –Comentei com os olhos arregalados, como se estivesse falando para mim mesma – Claro! Se acreditarmos que o Diabo teve a oportunidade de se insurgir contra Deus, o vemos muito mais poderoso do que ele é. Isso explica o medo e a luta de muitos crentes. Claro! Ao contrário de trabalhar para nos aproximarmos de Deus, lutamos para nos afastarmos de Satanás! Com isso ele ganha muito terreno.

Voltei-me para meu marido dizendo-lhe: – Querido, isso deve ser esclarecido para o povo de Deus. Seremos muito mais produtivos de posse desse conhecimento.

Ao ouvir estas palavras seu semblante iluminou-se, e disse: – Depois quero falar pra você de Satanás, antes e depois da queda. CONFORME A BÍBLIA, tá?

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A origem de Satanás, o ‘pai da mentira’

Quando se entende que Satanás desejou a posição de Deus, muitas perguntas se calam. Porém, quando se entende que Satanás buscava alcançar a semelhança do Altíssimo, muitas perguntas surgem. O que é a semelhança do Altíssimo? O que há na semelhança do Altíssimo que possibilitaria ao querubim da guarda ungido ter uma posição superior a dos anjos? “Serei semelhante ao Altíssimo” ( Is 14:14 ); “Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” ( Gn 1:26 ).Observe que aquilo que Satanás intentou alcançar, Deus concedeu ao homem: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança!


Analisando de maneira genérica, a mentira existe em função da verdade, ou seja, ela surge na tentativa de fazer calar a verdade.

Porém, mesmo que uma mentira dita muitas vezes não se torne uma verdade, ela dita por muitos acaba virando consenso.

Um exemplo de consenso se observa neste provérbio que alguém deixou escrito na porta de uma igreja: “Todo homem quer ser rei, e todo rei quer ser deus…”.

Fica a pergunta: Todos desejam um reino? Todos os reis desejam ser um deus? Sabemos que generalizar é um risco que compromete o que é verdadeiro, e por isso, não podemos generalizar em nossas proposições.

Porém, este provérbio, por ser repetido por muitos, acabou por transformar-se em consenso, mesmo não correspondendo à realidade fática.

 

O intento de Satanás

Já nos acostumamos a ouvir que Satanás quis ser igual Deus. De longa data vem sendo difundido acerca do anjo caído que o orgulho levou-o à queda, isto porque, no seu íntimo, intentou ser igual a Deus.

Dentro desta mesma linha de pensamento acerca do que levou Satanás à queda, há algumas variantes: ele quis ocupar o lugar de Deus; ele quis para si a adoração que pertence a Deus; ele procurou um reino próprio; ele quis exaltar-se tomando para si todo poder existente, usurpando a base do Trono da divindade.

Será isto verdade? Seria isto possível? É factível à criatura alcançar ser igual ao Criador? Existiu alguma possibilidade de Satanás tomar o lugar de Deus? Estamos diante de uma verdade ou de um consenso?

Que Satanás quis ser igual a Deus já é consenso, visto que muitos assim afirmam. Resta-nos verificar se o consenso corresponde à verdade.

Satanás foi criado por Deus como todos os outros seres do universo. Ele foi criado e posto na posição mais sublime na ordem celestial: ele era querubim da guarda ungido, perfeito em seus caminhos, formoso e sábio. Na ordem celestial, ele estava no topo da hierarquia ( Ez 28:12 ).

 

O abismo

Apesar da posição elevada do querubim da guarda ungido havia um abismo intransponível entre ele e o Criador, tanto que em seu coração ele reconhecia que Deus é inatingível e inigualável ao nomeá-lo como o Altíssimo.

Jamais a criatura poderá igualar-se ao Criador. Embora Satanás estivesse no topo da hierarquia celestial, a distância entre criador e Criatura é intransponível. O mesmo abismo intransponível que impede os homens como criaturas de assumirem a condição de Criador, é o abismo que há entre os anjos e Deus.

A bíblia demonstra que somente Deus é Criador. Este é um pólo que somente Deus está e estará pela eternidade. No outro pólo, as criaturas, onde figuram as incontáveis hostes celestiais e as terrestres. Por mais elevada que seja a criatura, ela permanecerá criatura, e jamais conseguira transpor a barreira que há entre o Criador e criatura.

Não podemos confundir a hierarquia estabelecida no universo: Deus, anjos, homens e animais, com as posições: Criador e criaturas. Sobre esta verdade a bíblia diz:

“Pois quem no céu se pode igualar ao SENHOR? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao SENHOR?” ( Sl 89:6 ).

Estas perguntas são pertinentes ao tema em questão: Haveria alguém no céu que poderia igualar-se a Deus? Se levarmos em conta os filhos dos poderosos, haveria alguém que ao menos fosse semelhante a Deus? A resposta para as perguntas é não!

O homem mais simples sabe que é impossível à criatura igualar-se, tomar ou alçar o lugar do Criador.

Porém, de tanto ouvir que Satanás quis ser igual a Deus, criou-se um consenso, e muitos se permitem concordar com tal argumento, mesmo que inconscientemente, que a possibilidade de Satanás ser igual a Deus existiu.

É estranho ao homem, que possui conhecimento limitado, afirmar que é possível alguém tornar-se o Criador, e é o cumulo do absurdo que um ser criado cheio de sabedoria tenha intentado ser o próprio Criador.

Além do mais, como Satanás conseguiu convencer um terço dos anjos que seria possível prosperarem no intento de alçarem a posição do Criador?

 

A Pretensão

Deixando o consenso de lado, a bíblia nos diz que Satanás intentou ser semelhante a Deus. Isaias apresenta qual a intenção do coração de Satanás: “Tu dizias no teu coração:”

“Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” ( Is 14:14 ).

Há uma grande diferença entre a pretensão de ser semelhante ao Altíssimo e usurpar-lhe o lugar. Satanás, mesmo ‘possuído’ pela soberba, tinha plena consciência da posição inatingível do seu Criador: o Altíssimo. Embora o pecado houvesse se instalado em sua natureza, Satanás estava ciente de que a posição de Deus é inatingível.

Como alcançar o Inatingível? Como igualar-se ao Inigualável? Perceba que não é factível, ou seja, que é impossível levar a efeito qualquer plano que usurpe a posição do Criador.

Diante das evidências, de que é impossível à criatura alcançar a posição do Criador, ficam as perguntas: o que motivou a ideia de que Satanás quis ser Deus? De quem é o interesse de que se propague tal consenso? A quem tal mentira favorece?

Uma das maiores mentiras da atualidade é a de que Satanás intentou ser igual a Deus. Esta mentira deu à luz a dualidade: bem e mal; Deus e Satanás. Esta abordagem trás uma equivalência entre Deus, o Criador, e o diabo, a criatura. A quem é proveitoso que esta mentira seja propagada?

 

A Verdade sobre o Pai da Mentira

“Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” ( Jo 8:44 ).

Ao falar aos religiosos da sua época, Jesus descreveu algumas características do inimigo de nossas almas:

  • ele é homicida desde o princípio;
  • não se firmou e não há verdade nele;
  • quando ele profere mentira, é algo de sua natureza.
  • Mas, nem sempre ele foi assim.

Satanás era um anjo da ordem dos querubins. Ou seja, Satanás era um anjo de posição elevada perante os seus semelhantes. Ele era nomeado como o Portador de Luz (em hebraico, heilel ben-shachar, הילל בן שחר; em grego na Septuaginta, heosphoros).

A Bíblia descreve Satanás antes da queda como sendo o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Ele estava no jardim do Éden, Jardim de Deus, e quando da sua criação, também foi preparado os seus ornamentos (vestes).

Ele devia ficar no monte santo de Deus, exercendo a função para qual foi comissionado: guarda ungido. Ele havia assumido a maior posição da hierarquia celestial, porque Deus estabeleceu o querubim ungido naquela posição.

Porém, por se achar o pecado no querubim ungido, Deus o destituiu da sua posição, lançando-o profanado para fora do monte, e Satanás recebeu a penalidade: a morte!

 

Antes da queda

Quando Deus criou os seres celestiais, ao querubim ungido disse: “Tu és o selo da perfeição, cheio de sabedoria, e perfeito em formosura” ( Ez 28:12 ).

Sobre o lugar em que o querubim foi posto, temos: “Estavas no Éden, jardim de Deus” ( Ez 28:13 ). A descrição do querubim se prende na indumentária que vestia, sendo ela criada no dia em que ele foi trazido à existência “Cobrias-te de toda pedra preciosa (…) no dia em que foste criado foram eles preparados” ( Ez 28:13 ).

Até ser achado iniquidade no querubim ungido, ele é descrito como: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que fostes criado…” ( Ez 28:15 ).

A missão dele era: “Tu eras querubim da guarda ungido…” Ez 28: 14. Porém, tudo estabelecido por Deus “… e te estabeleci” (v. 14). A rotina dele era percorrer o monte protegendo-o: “Estavas no monte santo de Deus, andavas entre as pedras afogueadas” (v. 14).

 

Depois da queda

Satanás intentou aferir algum tipo de lucro da missão que desempenhava, e caiu em pecado ( Ez 28:16 ). Por causa da iniquidade em Satanás, Deus destituiu o querubim ungido. Ele foi lançado do monte santo por ter se tornado profano. Ao fazer mal uso de sua posição buscando uma vantagem (comércio), ele se profanou.

Além de ser destituído do cargo para qual foi comissionado, e lançado fora do monte de Deus, o querubim ungido pereceu. É a primeira referência ao salário do pecado no universo: perecer, ou seja, estar separado da vida que há em Deus: Morte!

“Pelo que te lançarei profanado fora do monte de Deus, e te farei perecer, ó querubim protetor, entre pedras afogueadas” ( Ez 28:16 ).

Temos que, Satanás é homicida desde o princípio, ou seja, ele conduziu 1/3 dos anjos à morte. Depois ele induziu a humanidade à mesma condição: serem separados da vida que há em Deus. Toda a humanidade foi destituída da glória de Deus através da queda do primeiro Adão.

Ele não se firmou na verdade, visto que Deus é verdade. Todos quantos não estão em Deus, não são verdadeiros, e portanto, são filhos do diabo.

 

A intenção do querubim

Satanás é mentiroso desde o princípio, porém, Isaias ao profetizar, revelou o verdadeiro intento do seu coração, o que correspondia à verdade: “Tu dizias no teu coração: Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” ( Is 14:14 ).

Deus aponta a intenção do coração do querubim da guarda ungido através do profeta Isaias. É demonstrado qual foi a pretensão o querubim da guarda ungido (serei semelhante), o método (subirei acima das estrelas (anjos).

“Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; no monte da congregação me assentarei nas extremidades do norte” ( Is 14:13 ).

Qual foi a real intenção do querubim ungido? Ele desejou em seu coração subir ao céu (uma vez que ele foi estabelecido na terra, especificamente no Éden), acima das estrelas de Deus, exaltando o seu trono.

Sabemos que as estrelas ficam nos céus. Porém, as estrelas da qual o ex-querubim fez referência diz dos anjos de Deus. As ‘estrelas de Deus’ diz de toda a ordem angelical: querubim, arcanjo e anjos. Embora um querubim tenha uma posição hierárquica superior a um anjo, ele continua sendo anjo. Embora um querubim seja superior hierarquicamente a um arcanjo, tanto querubim, quanto arcanjos continuam sendo anjos.

Toda a ordem angelical estava nos céus, e o querubim da guarda ungido, que foi estabelecido para guardar o monte santo de Deus no Éden, intentou subir aos céus, porém, queria chegar ao céu de posse de uma posição superior a de anjo.

Por que ele ‘subiria ao céu’? Porque ele estava no Éden desempenhando a missão para qual foi estabelecido: guardar o monte santo percorrendo sobre as pedras afogueadas.

Porém, o seu intento era chegar ao céu de posse de uma posição superior a das estrelas de Deus (anjos). Ele queria estar em uma posição acima (exaltarei o meu trono), superior a das estrelas de Deus.

Como alcançar uma posição superior a dos anjos? Para se alcançar uma posição superior a dos anjos, em primeiro lugar seria necessário deixar de ser anjo, e passar a outra categoria de ‘ser’ ou ‘existência’. Se ele subisse ao céu e continuasse a ser querubim, não teria ‘subido’ ou exaltado o seu trono, a sua posição na ordem celestial.

Como ele pretendia alçar uma nova posição na ordem celestial? Ele pretendia alcançar uma posição superior a das estrelas de Deus (anjos) assentando-se no monte da congregação, ns extremidades do norte. O que foi comissionado ao querubim da guarda ungido proteger (guardar), ele desejou alcançar.

Em momento algum vemos Satanás intentando alcançar a posição do Altíssimo, visto que, este intento não é factível a nenhuma criatura.

Ele desejou subir acima das mais altas nuvens, a posição de semelhança do Altíssimo.

Vemos que ele desejou ser semelhante e não igual a Deus. Ser igual a Deus não é factível, mas, para o querubim ungido, ser semelhante ao Criador pareceu plenamente factível.

 

A Semelhança do Altíssimo

Quando se entende que Satanás desejou a posição de Deus, muitas perguntas se calam. Porém, quando se entende que Satanás buscava alcançar a semelhança do Altíssimo, muitas perguntas surgem.

O que é a semelhança do Altíssimo? O que há na semelhança do Altíssimo que possibilitaria ao querubim da guarda ungido ter uma posição superior a dos anjos?

“Serei semelhante ao Altíssimo” ( Is 14:14 ).

“Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” ( Gn 1:26 ).

Observe que aquilo que Satanás intentou alcançar, Deus concedeu ao homem: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança!

 

A quem interessa a mentira?

Analisando mais criteriosamente o fato bíblico de que Satanás intentou ser semelhante a Deus, poderemos identificar o que há por trás da mentira que vem sendo divulgada, de que satanás intentou tomar a glória de Deus, e tornar evidente a verdade, visto que, a verdade sempre será verdade, não importando o que está estabelecido pelo consenso.

O que a bíblia diz? Satanás intentou tomar o lugar de Deus?

Observe:

“Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” ( Is 14:14 ).

Quando se propaga a ideia de que Satanás intentou ser igual a Deus, o homem deixa de se perguntar: o que é ser semelhante a Deus? É do interesse do inimigo de nossas almas que o homem não descubra o que é ser semelhante ao Altíssimo.

A bíblia demonstra que é impossível a criatura ser igual ao Altíssimo:

“Pois quem no céu se pode igualar ao SENHOR? Quem entre os filhos dos poderosos pode ser semelhante ao SENHOR?” ( Sl 89:6 ).

A resposta é direta: ninguém pode igualar-se a Deus. Este versículo por si só demonstra que Satanás não intentou ser igual a Deus, pois é de conhecimento de todas as criaturas de Deus que Ele é inigualável.

Satanás intentou ser semelhante a Deus, e para levar a efeito a sua intenção, tinha em seu coração um plano ‘bem’ elaborado. Ele pensou que bastava subir ao céu, acima das estrelas de Deus, que alcançaria a semelhança do Criador. Ledo engano! Ele foi precipitado no mais profundo abismo.

“E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” ( Is 14:13 -14).

Qual não é a surpresa de todas as hostes espirituais quando Deus disse:

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” ( Gn 1:26 ).

O que Lúcifer intentou alcançar, Deus concedeu de maneira graciosa ao homem. Ele criou Adão a sua imagem e a sua semelhança.

Quando nos perguntamos o que é ser semelhante a Deus, começamos a ver a multiforme sabedoria de Deus que é revelada aos principados e potestades nas regiões celestiais por intermédio da igreja ( Ef 3:10 )!

Sabemos que é impossível a todas as criaturas de Deus serem iguais a Ele em poder e magnificência, porém, Deus estabeleceu que o homem receberia a semelhança d’Ele.

Este plano eterno pareceu frustrado quando da queda da humanidade em Adão, porém, através da pessoa de seu Filho, Jesus, o último Adão, Deus concede a sua semelhança àqueles que nele creem.

“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ).

Adão era a figura de Cristo (aquele que havia de vir), e Cristo a expressa imagem de Deus. Por meio de Cristo o homem alcança a plenitude de Deus Cl 2: 9- 10, e são alçados a posição de filhos de Deus.

A posição que o homem alcança em Cristo é superior a dos anjos, arcanjos, serafins e querubins, uma vez que será da competência dos salvos julgar os anjos, não importando a categoria que pertençam ( 1Co 6:3 ).

Àqueles que estão em Cristo hão de ser semelhantes a Ele, posição mui elevada se comparada à dos anjos ( 1Jo 3:2 ).

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

 

Posição Superior às Estrelas de Deus

E. H. Bancroft deixou registrado o seguinte:

“…em resultado de orgulho pela sua própria superioridade, ele procurou desviar para si a adoração devida exclusivamente a Deus” Teologia Elementar, Emery H. Nancroft, Ed EBR, 2001, Pág. 302, II. (grifo nosso). É correto dizer que Satanás quis a adoração devida a Deus, como afirmo Bancroft?

Satanás quis uma posição acima das estrelas de Deus, e para isso intentou apossar-se da semelhança de Deus. Para levar a efeito o seu plano, ele pretendia assentar-se no monte da congregação, nas extremidades do norte. Ele queria se apossar daquilo para qual foi estabelecido para guardar.

Para ele, estar em uma posição superior a dos seus companheiros bastava subir, ou seja, galgar uma nova posição. Porém, Deus surpreende todas as hostes angelicais ao descer e conceder a sua semelhança aos homens.

Desta maneira, verifica-se que é mentira dizer que Lúcifer intentou ser igual a Deus. O orgulho que subiu ao coração de Satanás fez com que ele não guardasse a sua posição original (principado), e intentasse alcançar uma nova posição, a de semelhante a Deus.

Satanás desejou alcançar uma posição superior, visto que, o orgulho se apossou de seu coração. Por ter sido criado perfeito em todos os seus caminhos, representar a perfeição de Deus (selo da perfeição), cheio de sabedoria, perfeito em formosura e possuir uma indumentária que o distinguia de todos os outros anjos, sentiu-se atraído a alcançar aquilo que foi comissionado a proteger.

Ele se achou grande por causa de sua formosura. Por ter focado o resplendor que possuía a sua sabedoria não o livrou da queda. Ele rejeitou o seu principado (a posição estabelecida por Deus) para tentar lançar mão de uma posição que desconhecia.

O querubim ungido, por causa do orgulho, já não via os outros anjos como sendo companheiros, antes os fitava do topo da sua posição hierárquica. O seu coração elevou-se por causa da sua formosura, e a sabedoria que deveria afastá-lo da soberba, foi corrompida pelo desejo de uma posição maior.

 

O Propósito Eterno

Os seres angelicais foram criados através do poder e da palavra de Deus: Haja, e eles vieram à existência “Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?” ( Jó 38:7 ); “Louvem o nome do SENHOR, pois mandou, e logo foram criados” ( Sl 148:5 ).

Os anjos conheciam o poderio e a majestade de Deus, porém, estes desconheciam a sua multiforme sabedoria.

Eles desconheciam o propósito eterno de Deus somente revelado no evangelho de fazer convergir em Cristo todas as coisas “De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:10 ).

Eles desconheciam o propósito eterno de Deus em fazer Cristo o primogênito de toda criação “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” ( Cl 1:15 ); “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ); “E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:9 -11).

Para levar a efeito o seu propósito eterno, aprouve a Deus criar a terra para ser habitada “Porque assim diz o SENHOR que tem criado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; ele a confirmou, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada: Eu sou o SENHOR e não há outro” ( Is 45:18 ).

Na terra Deus criou o Éden, lugar onde o mistério que esteve oculto desde os séculos eternos haveria de ser revelado ( Ef 3:9 ).

Deixou sobre o monte um protetor, o querubim da guarda ungido, investido de autoridade e posição hierárquica superior aos outros seres angelicais.

Porém, ao perceber que havia uma posição superior à posição dos anjos, que é a semelhança do Altíssimo, Satanás desejou para si.

Ele deixou o seu principado, a posição para qual foi estabelecido, e lançou-se na empreitada de se assentar no monte da congregação nas extremidades do norte. O plano decorrente do orgulho parecia factível ao querubim da guarda, que conseguiu enganar e atrair 1/3 da ordem angelical “E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho” ( Ap 12:4 ).

Porém, aprouve a Deus desde tempos imemoriais, segundo o conselho da sua vontade, dar aos homens a sua imagem e semelhança.

 

O Primeiro Homem

O homem foi criado em uma posição inferior a dos anjos Sl 8: 4. Porém, em Cristo Jesus, o último Adão, o homem passa a uma posição superior a dos anjos.

O homem foi criado por Deus a partir do barro. Este foi o primeiro homem, criado alma vivente, sendo designado homem natural e terreno. Todos os outros homens são conforme o primeiro homem, naturais e da terra.

Em decorrência da queda de Adão, todos os outros homens nascem debaixo de uma condenação herdada do primeiro homem. Toda a humanidade traz a imagem do terreno.

 

O Último Homem

O último Adão é Cristo. Ele é espírito vivificante, ou seja, ele concede vida àqueles que foram feitos alma vivente em Adão.

Jesus Cristo homem foi gerado pelo Espírito Eterno, o primogênito de toda criação (primeiro gerado de Deus). Enquanto Adão foi criado, Jesus é o gerado de Deus. Enquanto Adão foi criatura, Jesus é o Filho.

Por meio de Cristo, o último homem (homem espiritual e celestial), todos os homens terrenos que crerem são de novo gerados de uma semente incorruptível, que é a palavra de Deus. Estes são vivificados e passam a ser conforme o último Adão ( 1Co 15:45 -49).

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” ( 1Co 15:45 -49).

 

A Posição Cobiçada

Satanás cobiçou a posição de semelhança do Altíssimo, porém, desconhecia que o próprio Deus haveria de despir-se de sua glória, se fazendo carne.

Enquanto o querubim ungido desejava subir aos céus de posse de uma posição maior do que a dos seres celestiais, o Verbo se fez carne, assumiu a condição de servo e habitou entre os homens ( Fl 2:6 -11 ).

Porém, por ter se resignado a assumir a condição de servo, fazendo se igual aos homens, Deus elevou a Cristo soberanamente. Mesmo após assumir a posição ‘menor que’ os anjos, Jesus se humilhou ainda mais, e foi obediente até a morte, e morte de cruz.

Observe que Cristo na posição de servo não teve por usurpação ser igual a Deus, embora sendo Deus ( Fl 2:7 ). Observe que a condição de sumo sacerdote foi outorgada pelo Pai, ou seja, Ele não lançou mão desta função “Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei” ( Hb 5:5 ).

Ao ser glorificado pelo Pai com a glória que Ele tinha antes de haver mundo, Jesus adquire nome sobresselente, que é sobre todos os nomes “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” ( Jo 17:5 ). Ao retornar a glória, Cristo conduz dentre os homens muitos filhos a Deus “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” ( Hb 2:10 ).

O propósito eterno cumpre-se quando Cristo retorna à glória trazendo muitos filhos a Deus, visto que, Cristo passa a condição de primogênito entre muitos irmãos e primogênito dentre os mortos.

A imagem e semelhança de Deus passou aos seus filhos, que são gerados da semente incorruptível, que é a palavra de Deus. “E foi assim para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nas regiões celestiais” ( EF 2:10 ).

Satanás intentou alcançar uma posição, porém, desconhecia a multiforme sabedoria de Deus. Desconhecia que a posição elevada acima das estrelas de Deus decorre da filiação divina.

A posição que ele almejou, não é pertinente à criatura, e sim, ao Filho, o último Adão, por meio de quem alcançamos a condição de filhos. Somente àqueles que foram recebidos por filhos é que receberam a posição elevada de serem semelhantes ao Altíssimo ( 1Jo 3:2 ; Hb 2:10 -13; Rm 8:16 -17).

 

O Monte da Congregação

“No monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte” ( Is 14:13 ).

Satanás intentou alcançar uma posição superior (serei semelhante ao Altíssimo), para se estabelecer acima das estrelas de Deus. Para isso, ele intentou assentar-se nas extremidades do norte, no monte da congregação de Deus.

O que era o monte da congregação? Ou, o que era o monte santo de Deus? Por que havia a necessidade de um protetor desempenhando a função de guarda?

A glória de Deus estava presente no Éden, no monte da congregação, nas extremidades do norte. Havia o ambiente da congregação, porém, o ajuntamento que se estabelecia no monte santo não pertencia às estrelas de Deus.

Observe que ‘os filhos de Deus’ apresentavam-se perante o Senhor de tempos em tempos ( Jó 1:6 ; Jó 2:1 ), porém, o monte da congregação que estava no Éden lhes era vetado. Deus havia constituído o querubim ungido como protetor, para que os anjos não obtivessem acesso ao mistério presente no monte da congregação.

No monte da congregação estava a glória de Deus, a mesma que o sacerdote Ezequiel em visão viu afastar-se do templo. A glória estava sobre os querubins e retirou-se para a entrada do templo ( Ez 9:3 e Ez 10:4 ); da entrada do templo, a glória deslocou-se para a cidade, e por fim, a glória deslocou-se para o monte das Oliveiras ( Ez 11:23 ).

A mesma glória haverá de retornar ao templo milenial ( Ez 43:2 -7). Quando o Senhor sair a peleja, os seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras, que será fendido ao meio ( Zc 14:4 ). Observe que a presença de Deus sempre esteve envolta em mistério: “Então disse Salomão: o Senhor declarou que habitaria numa nuvem escura” ( 1Rs 8:12 ).

Não sabemos detalhes do que foi tratado no monte santo da congregação, porém, sabemos que ali era o local onde se dava a reunião para tratar do mistério que sempre esteve oculto em Deus, e que tal ‘congregação’ era estabelecida sem a presença dos anjos, uma vez que o querubim ungido foi estabelecido para impedir a aproximação dos seres celestiais.

Percebe-se que o querubim da guarda ungido, que foi constituído para proteger o mistério, sentiu-se tentado a observar e vislumbrou o que estava para se desenvolver.

A conjectura de Satanás levou-o a queda, uma vez que desejou a semelhança do Altíssimo, para estar em uma posição superior a dos seres celestiais.

Quando Deus criou os céus e a terra, houve a necessidade de estabelecer o querubim da guarda ungido no Éden para impedir o acesso das hostes angelicais ao santo monte. Tempos depois, Deus estabeleceu querubins para impedir o acesso do homem lançado de sua presença, para impedi-los de ter acesso à árvore da vida ( Gn 3:24 ).

Os querubins ao oriente do Jardim do Éden e a espada flamejante protegia o caminho da árvore da vida do homem em pecado. Já o querubim ungido, protegia o monte da congregação do acesso dos seres celestiais, para não ter acesso ao mistério oculto.

Satanás acabou por conjeturar que, se ele assentasse no monte da congregação, lugar de acesso exclusivo a Deus, ele haveria de alcançar uma posição superior a dos seres celestiais (estrelas de Deus). Por não estar em busca da posição do Altíssimo, e sim, de uma posição superior as estrelas de Deus, não viu a violência da sua intenção, ao intentar profanar o santuário do seu Criador Ez 28: 16.

Ele já estava em uma posição privilegiada, a de protetor, e para isso foi investido de poder e autoridade sobre os demais ( Zc 3:1 -2; Jd 1:9 ).

Porém, o orgulho lhe fez ambicionar lucrar com sua posição de protetor (multiplicação do seu comércio) ( Ez 28:16 ), e foi lançado do Éden profanado, ao querer ter acesso ao lugar da glória de Deus ( Is 48:11 ).

 

Duas Figuras que Ilustram o Intento do Querubim Ungido

Hamã

“Quando Hamã entrou, perguntou-lhe o rei: O que se fará ao homem a quem o rei se agrada honrar? Ora, Hamã disse consigo mesmo: A quem se agradaria o rei honrar mais do que a mim?” ( Et 6:6 ).

Hamã, o agagita, havia sido engrandecido acima de todos os príncipes do reino de Assuero (Xerxes). Todos os oficiais do rei se inclinavam quando Hamã passava, conforme o rei ordenará ( Et 3:1 -3). Porém, Mordecai não se inclinava e nem se prostrava.

Os oficiais protestaram a Mordecai, e este não lhes deu ouvidos. Estes por sua vez fizeram Hamã saber da atitude de Mordecai.

Hamã ao saber do comportamento de Mordecai, propôs ao rei uma maneira de arrecadar 10.000 talentos de pratas, exterminando o povo de Mordecai, a pretexto de não cumprirem as leis do rei ( Et 3:9 ).

O que Hamã propôs ao rei visava tão somente uma satisfação pessoal. Era vaidoso, arrogante e egoísta. Quando o rei propôs honrar Mordecai, Hamã somente conseguiu ver a si mesmo como aquele que merecia as honrarias do rei.

Da mesma forma que Hamã, o querubim da guarda ungido estava cego por causa de sua formosura, e quis para si a honra e posição que Deus agradou dar aos seus filhos: a semelhança do Altíssimo.

Uzias

“Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e transgrediu contra o SENHOR seu Deus, porque entrou no templo do SENHOR para queimar incenso no altar do incenso” ( 2Cr 26:16 ).

O rei Uzias foi um dos reis de Judá e fez o que era reto aos olhos do Senhor ( 2Cr 26:4 ).

Porém, após ter fortificado o seu reino com guerreiros, máquinas, lanças e flechas, o coração dele se corrompeu. Ele foi infiel ao intentar oferecer incenso sobre o altar do incenso no templo do Senhor ( 2Cr 26:16 ).

Observe que ele foi impedido pelos sacerdotes, descrito como sendo homens corajosos. Estes resistiram a Uzias, e disseram: “A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são consagrados para queimar incenso” II Cr 26: 18.

Os sacerdotes determinaram que Uzias saísse do templo, por ter sido infiel. O alerta e completo: “nem será isto para ti honra tua da parte do Senhor Deus”. Cristo tornou-se sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, por Deus outorgar esta honra ( Hb 5:5 ). Uzias intentou oferecer incenso, honra dada aos filhos de Arão, o que o tornou infiel.

A cegueira chegou ao ponto dele indignar-se com os sacerdotes, que estavam a alertar acerca do seu erro. Em seguida, a lepra brotou-lhe na testa. Os sacerdotes apressaram a retirada dele do templo, e ele mesmo apressou em sair, quando percebeu que Deus havia lhe ferido ( 2Cr 26:20 ).

Da mesma forma, ao querer assentar-se no monte santo para tomar uma posição que não lhe foi dada, Satanás tornou-se profano. Ele não profanou o lugar da glória de Deus, visto que, ao se achar a iniqüidade nele, Deus lançou-o profanado do monte de Deus e destituído do seu principado ( Ez 28:16 ).

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O que é adorar em espírito e em verdade?

O verdadeiro louvor e adoração são provenientes da obra criada por Deus (nova criatura), pois quem dentre as suas criaturas poderá acrescentar honra, glória e louvor a Deus? É por isso que Deus faz todas as coisas para louvor de sua glória!

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Como falar a verdade e executar juízo de verdade e paz?

Falar de Cristo é oferecer o fruto da árvore da vida em bandeja de prata ( Pv 11:30 ; Pv 10:20 ; Pv 25:11 ). É produzir muito fruto, e todos que dele tornam-se participantes são de novo criados (bara) em verdadeira justiça e santidade! Tornam-se uma nova criatura, pois tudo se faz novo! É criado um novo coração e um novo espírito ( Ef 4:24 ; 2Co 5:17 ; Is 57:15 ; Sl 51:10 ; Ez 36:26 ).


“Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros” ( Ef 4:25 )

 

A Bíblia enaltece a ideia da verdade a ponto de expressar que ‘Deus é a verdade’, e que ‘conhecer a verdade liberta o homem do pecado’, ou seja, apresenta uma ideia de verdade muito além do conceito de verdade disseminado no mundo e pouco conhecido no meio cristão.

Diante do que a Bíblia propõe não podemos aceitar que buscar eliminar as imprecisões terminológicas no trato do dia-a-dia constitui-se a verdade que liberta, ou que deixar tais imprecisões é o mesmo que deixar a mentira, conforme recomendou o apóstolo dos gentios ( Ef 4:25 ).

Cabe aos zelosos pela palavra de Deus se debruçar a uma análise mais apurada do que a Bíblia propõe.

Mesmo após Abraão mentir para Abimeleque, Deus interveio em defesa do patriarca e deu testemunho de que era seu amigo, o que demonstra que a mentira de Abraão não o tornou amigo do mundo ( Tg 4:4 ; Gn 12:13 ; Is 41:8 ).

Abraão recebeu testemunho de Deus de que era seu amigo mesmo não cumprindo, aparentemente, a determinação que nos é imposta: “Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” ( Zc 8:16 )?

Não é proibido mentir? Ele não devia ser justo? Não é essencial que se promova e mantenha a paz com o próximo?

Não estou em defesa do mentiroso ou da mentira, pois as imprecisões terminológicas trazem muito prejuízo às relações humanas no cotidiano, sendo a vergonha uma de suas consequências quando se é desmascarado, como ocorreu com o patriarca, e a perda da credibilidade “Então chamou Abimeleque a Abraão e disse-lhe: Que nos fizeste? E em que pequei contra ti, para trazeres sobre o meu reino tamanho pecado? Tu me fizeste aquilo que não deverias ter feito” ( Gn 20:9 ).

Entretanto, tais questões são de somenos importância diante da pergunta: O que o homem deve fazer para alcançar o testemunho de Deus como Abraão alcançou? Como falar a verdade e executar juízo de verdade e de paz?

O apóstolo Paulo ao fazer alusão à mensagem do profeta Zacarias quando escreveu aos cristãos em Éfeso demonstrou que, ‘falar a verdade’ com o próximo possui uma conotação mais ampla do que não mentir. Observe: “Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade. Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros” ( Ef 4:20 -25 ); “Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” ( Zc 8:16 ).

O apóstolo Paulo demonstra que a ‘verdade’ que foi anunciada por Zacarias está em Cristo, pois os cristãos ouviram e foram ensinados que a verdade está em Cristo “Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus ( Ef 4:20 -21).

O que ouviram e foram ensinados com relação à verdade (Cristo)?

  • Que deveriam se despojar de tudo que era pertinente ao velho homem “Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano” ( Ef 4:22 );
  • Que renovassem a compreensão “E vos renoveis no espírito da vossa mente” ( Ef 4:23 ; Rm 12:2 ), e;
  • Que revestissem do que é pertinente ao novo homem “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ).

Por isso deveriam ‘deixar a mentira’ (lançar fora a compreensão pertinente ao ‘velho homem’ de como se adquire a salvação), e ‘falar a verdade’ cada um com o seu companheiro, ou seja, deviam falar de Cristo (como está à verdade em Cristo), conforme o anunciado pelo profeta Zacarias.

Por que deveriam falar a verdade do evangelho cada um com o seu próximo? O apóstolo Paulo responde: “Porque somos membros uns dos outros” ( Ef 4:25 ). O evangelho deve ser a temática da conversa dos cristãos porque é o evangelho que os tornou membros uns dos outros, ou seja, o ‘juízo de verdade e de paz’ (mandamento) anunciado por Zacarias refere-se a Cristo, pois Cristo é a verdade e é a paz ( Jo 14:6 ; Jo 14:27 ).

Somente Cristo faz juízo e justiça ao oprimido ( Sl 103:6 ; Ef 4:21; Ef 2:14 ; Zc 8:16 ). Somente Ele executa o juízo e estabelece a justiça de Deus necessária para o resgate da humanidade ( Rm 3:26 ). Se o homem quiser executar juízo de verdade e paz deve anunciar as virtudes daquele que chama os homens das trevas para a sua maravilhosa luz ( 1Pe 2:9 ).

Qualquer que ama a verdade e a paz, cumpre o mandamento do Senhor ( Zc 8:19 ), e será amado de Deus “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” ( Jo 14:21 ).

Por todos os homens serem gerados de Adão, o apóstolo Paulo afirma que todos são mentirosos ( Rm 3:4 ), isto conforme anunciou o salmista Davi, pois todos são concebidos em pecado e falam mentiras desde que nascem ( Sl 51:5 ; Sl 58:3 ). Ou seja, todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, pois se extraviaram juntamente e se fizeram imundos em Adão ( Rm 3:23 ; Sl 53:3 ), e falam mentiras ( Sl 62:9 ; Is 59:4 ; 1 Co 5:8 ; Gl 5:9 ).

É por isso que o profeta Jeremias alertou: o coração do homem é enganoso ( Jr 17:9 ), e Jesus interpretou: a boca fala do que o coração está cheio “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito” ( Pv 18:20 ; Lc 6:45 ). Se o coração do homem é enganoso e a boca fala do que está cheio o coração, o homem só fala mentiras. Portanto, a conclusão do apóstolo Paulo é válida: todo homem é mentiroso, pois fala segundo o seu coração enganoso ( Rm 3:4 ).

Para falar a verdade é necessário ao homem falar segundo a palavra de Deus, pois a palavra d’Ele é a verdade ( Jo 17:17 ). Quando o homem fala a verdade (evangelho) com o seu companheiro apresenta a glória da verdade, pois o fruto dos lábios que professam a Cristo é o que o glorifica “Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará” ( Sl 50:23 compare com Hb 13:15 ).

Falar de Cristo é oferecer o fruto da árvore da vida em bandeja de prata ( Pv 11:30 ; Pv 10:20 ; Pv 25:11 ). É produzir muito fruto, e todos que dele tornam-se participantes são de novo criados (bara) em verdadeira justiça e santidade! Tornam-se uma nova criatura, pois tudo se faz novo! É criado um novo coração e um novo espírito ( Ef 4:24 ; 2Co 5:17 ; Is 57:15 ; Sl 51:10 ; Ez 36:26 ).

O novo coração não é enganoso, pois foi criado através da semente incorruptível, que é a palavra de Deus. Portanto, o coração enganoso é extirpado através da circuncisão de Cristo, onde todo o corpo da carne é lançado fora ( Cl 2:11 ), e após é gerado de novo um novo homem pela ressurreição de Cristo ( 1Pe 1:3 e 23).

Para que o homem possa falar a verdade com o seu companheiro é necessário falar segundo a ‘palavra de Deus’, como recomendou o profeta Isaías, e não as suas próprias palavras, os seus próprios conceitos ( Is 58:13 ; Zc 8:16 ; Ef 4:20 ). O Senhor Jesus, o apóstolo Paulo, o profeta Isaías e o profeta Zacarias abordaram o mesmo tema quando ordenaram: falai a verdade!

Por que falar a verdade do evangelho? Porque esta é a finalidade daqueles que estão ligados à Oliveira verdadeira: dar muito ‘fruto’ ( Jo 15:8 ). E que ‘fruto’ é esse? É o ‘fruto’ dos lábios que professa o nome de Cristo.

Para falar a verdade é necessário ao homem ouvir (alimentar-se) a palavra de Deus que concede vida ( Dt 8:3 ), ou seja, é necessário ao homem nascer de novo, sendo gerado em verdadeira justiça e santidade da semente incorruptível, que é a palavra de Deus.

Somente os gerados da palavra de Deus são amados de Deus, pois se tornaram um com a verdade (conhecer) no íntimo “Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria” ( Sl 51:6 ; Ef 4:24 ).

Do mesmo modo que a ordem para falar a verdade vai além das disposições internas do indivíduo como fidelidade, constância ou sinceridade em atos, palavras e caráter, ‘conhecer’ não se refere a ter ideia ou noção de algo, antes diz de comunhão íntima.

Para falar a verdade é necessário ‘conhecer’ a verdade, ou seja, ter comunhão íntima, algo semelhante ao marido que deixa pai e mãe e passa a ser um só corpo (conhecer) com a esposa. Este é o grande mistério ( Ef 5:32 ). Conhecer a verdade é tornar-se participante do corpo de Cristo “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos” ( Ef 5:30 ; Jo 17:22 ; Jo 8:32 ).

Por que falar a verdade cada um com o seu companheiro? Porque somos membros um dos outros! ( Ef 4:25 )

Quando se fala a verdade os cristãos não se voltam às fábulas ( 2Tm 4:4 ). Não corrompe os bons costumes, pois vigia justamente e tem o conhecimento de Deus ( 1Co 15:33 -34). Não se envolve em questões que não produz edificação ( 1Tm 1:4 ). Jamais dará ouvidos a mandamentos de homens ( Tt 1:14 ), e jamais será levado por filosofias “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” ( Cl 2:8 ).

Quando alguém disser:

“Somente quando conhecemos a verdade e nos comprometemos a obedecê-la é que permanecemos fortes” Nada além da verdade, John MacArthur, Traduzido por Valéria Coicev, Editora Fiel 2009, original ‘And Nothing but the Thuth’.

Você será capaz de dizer: Sou forte, pois já conheci a Cristo (a verdade), portanto, a palavra de Deus (Cristo, o Verbo encarnado) está em mim e venci o maligno “Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno” ( 1Jo 2:14 ).

Diante da proposta de que é necessário ao cristão ‘conhecer a verdade e se comprometer a obedecê-la’, você será capaz de discernir que é impossível ‘conhecer a verdade’ sem antes obedecê-la! Por quê? Porque somente aqueles que obedecem e permanecem no ensino da verdade são seus verdadeiros discípulos e, portanto, conhecem (união) a verdade “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:31-32).

Você será capaz de identificar quando uma pequena frase de incentivo e exortação, como a que destacamos acima, está eivada de erros, pois nega a eficácia do evangelho de Cristo.

O compromisso do cristão está em permanecer na palavra da verdade, pois quando se permanece no ensino de Cristo torna-se seu discípulo. Quando se é discípulo, o homem torna-se um (conhece) com a verdade, ou seja, conheceu aquele que é desde o princípio, e nada depende do cristão, pois aquele que está em Cristo nova criatura é, portanto, é forte e venceu o maligno “É nele que vós também estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

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Salmo 58 – Os adágios e enigmas do profeta

Quando o apóstolo Paulo diz que ‘todo o homem é mentiroso’, assim o diz em função do que ocorreu no Éden. Quando o salmista diz que Deus se agrada da verdade no intimo ( Sl 51:6 ), esta ‘verdade’ no íntimo só é possível quando o homem é gerado de novo pela palavra da verdade. É por isso que o salmista pede que Deus o crie de novo para que haja verdade no íntimo ( Sl 51:10 ), diferente do nascimento natural, em que o homem é gerado ‘mentiroso’ “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

 


Introdução

Somente com Moisés Deus falava cara a cara e sem enigmas, mas com seu povo Deus tratou através de parábolas, adágios e enigmas “Então, o Senhor desceu na coluna de nuvem e se pôs à porta da tenda: depois, chamou a Arão e a Miriã, e eles se apresentaram. Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras. Se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas. Pois ele vê a forma do Senhor. Como, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?” ( Nm 12:5 -8); “E falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo; depois tornava-se ao arraial; mas o seu servidor, o jovem Josué, filho de Num, nunca se apartava do meio da tenda” ( Êx 33:11 ).

Deus não queria falar por enigmas ao povo e mandou Moisés avisar-lhes para se prepararem para ouvir Deus quando falasse com Moisés, pois não falaria com Moisés em particular, antes queria que o povo escutasse sua Palavra “E disse o SENHOR a Moisés: Eis que eu virei a ti numa nuvem espessa, para que o povo ouça, falando eu contigo, e para que também te creiam eternamente. Porque Moisés tinha anunciado as palavras do seu povo ao SENHOR” ( Ex 19:9 ). Porém, quando chegou o grande dia em que todos ouviriam a voz de Deus, enquanto falava com Moisés, o povo ficou com medo e se retirou dizendo a Moisés: “Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos” ( Ex 20:19 ).

Não confiavam n’Aquele que lhes preservou a vida e os resgatou com mão forte do Egito ( Ex 19:4 ). Não quiseram ouvir as palavras que lhes proporcionaria crer em Deus eternamente, o que lhes conferiria a condição de propriedade peculiar de Deus dentre todos os povos, e tornar-se-iam um reino sacerdotal e povo santo ( Ex 19:5 -6).

Como não confiaram que Deus lhes daria vida por intermédio da sua palavra, permaneceram sob maldição ( Dt 28:15 ), e cegos espiritualmente. Mesmo ao meio dia, ou seja, quando houvesse luz, continuariam apalpando como os cegos na escuridão “E apalparás ao meio dia, como o cego apalpa na escuridão, e não prosperarás nos teus caminhos; porém somente serás oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem te salve” ( Dt 28:29 ); “E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” ( Jo 1:5 ); “Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai” ( Jo 12:35 ).

Quando Jesus veio, o Sol da Justiça brilhou como ao meio dia, mas o povo do Messias continuou a tatear na escuridão e não entraram pela porta dos justos, que é Cristo “Pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, Com que o oriente do alto nos visitou; Para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte; A fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” ( Lc 1:78 -79).

O salmo 58 é uma profecia que tem por alvo o povo de Israel, e como não poderia deixar de ser, a profecia em comento contém vários enigmas e adágios, pois somente com Moisés, Deus falava sem utilizar enigmas. Portanto, para ler e compreender o Salmo 58 faz-se necessário ler a parábola (salmo), decifrar os enigmas e compreender os adágios.

O salmo é profecia? O salmo 58 protesta contra os judeus?

É simples responder a estes questionamentos! Basta analisar a carta de Paulo aos Romanos, no capítulo 3, pois após citar o Salmo 14, versos de 1 a 3; o Salmo 5, verso 9; Jeremias 5, verso 16; Salmo 140, verso 3; Provérbios 1, verso 16; Isaías 59, versos 7 e 8; Salmo 36, verso 1, Ele conclui: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” ( Rm 3:19 ).

Os judeus estavam debaixo da lei, dada através de Moisés, para conduzi-los a Cristo, portanto, os salmos, os provérbios, os profetas e a lei tratam diretamente com o povo judeu, pois os gentios não possuíam lei ( Rm 2:14 ).

Os salmos são profecias porque Davi separou homens para profetizarem com harpas, saltérios e címbalos ( 1Cr 25:1 -3).

 

A congregação rebelde

1 ACASO falais vós, deveras, ó congregação, a justiça? Julgais retamente, ó filhos dos homens? 2 Antes no coração forjais iniquidades; sobre a terra pesais a violência das vossas mãos.

O salmista dirigiu a palavra à congregação dos filhos de Jacó e questiona-os se verdadeiramente falavam o que é justo. A pergunta é reiterada: ó filhos dos homens, vocês julgam retamente?

A resposta é óbvia: Não! Em vez de falarem o que é justo em verdade julgando retamente, o salmista demonstra que os filhos de Jacó maquinavam iniquidades. ‘Forjar iniquidade no coração’ é o mesmo que ‘conceber em suas mentes o engano, a mentira’.

Certa feita Jesus repreendeu seus interlocutores tendo por base este salmo, quando disse: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” ( Jo 7:24 ). E em outra oportunidade disse: “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo” ( Jo 8:15 ). Com estas palavras Jesus demonstrou que veio ao mundo para salvar, e não para julgar os homens, pois o mundo já está condenado “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ).

Jesus queria que entendessem que de nada adianta julgar as pessoas pelo comportamento, como foi o caso da mulher adultera, porque isto é julgar segundo a carne. Jesus nunca emitiu julgamento segundo a carne, segundo a aparência, antes, julgava os espíritos (palavras), pois Ele mesmo disse: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” ( Jo 5:30 ).

Seria um contra senso Jesus tonar a julgar as pessoas, sendo que todos já foram julgados e estão sob condenação ( Rm 5:18 ; Rm 3:23 ; Jo 3:17 -18). Antes Ele veio salvar o que havia se perdido em Adão ( Mt 18:11 ). De igual modo, aos cristãos também é vetado julgar as pessoas pela aparência, porém, quando alguém se posta como profeta, mestre, pastor, etc., a ordem é clara: “AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1Jo 4:1 ). O que Jesus julgava era o que os homens diziam, ou seja, suas palavras. É por isso que o juízo de Jesus era justo, pois como Ele ouvia, assim julgava ( Jo 5:30 ).

O povo de Israel, além de não falar o que verdadeiramente é justo e nem de julgar retamente, maquinava (forjava) iniquidade, e estabeleciam como medida a violência dos seus atos ( Sl 58:2 ).

Como é possível um povo religioso que diz seguir a lei de Deus ser violento? Ora, os escribas e fariseus não eram dados à violência física como o matar, roubar, prostituir, etc., mas Deus os nomeia de violentos. Por quê? Porque a ‘violência’ é uma figura, e as figuras, por sua vez, são utilizadas para construir os adágios, estabelecer enigmas e parábolas “O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano” ( Lc 18:11 ).

Quando Jesus falou aos discípulos de João Batista, falou por parábola ao dizer: “E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele” ( Mt 11:12 ). Rejeitar a Cristo, a palavra de Deus, era a violência ao reino dos céus. Enquanto Deus disse a Zorobabel: “Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ), diante do Espírito que dá vida “As palavras que eu vos disse são espírito e vida” ( Jo 6:63 ), os homens preferiram a força e a violência, ou seja, a soberba, a violência, o adorno que ‘forjaram’ como colares para as suas vestes “Por isso a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de adorno” ( Sl 73:6 ).

É por isso que os profetas clamavam: ‘Violência! Violência!’, Substituíram a palavra de Deus que dá vida pelo engano que conceberam em seus corações. A atitude de substituir ou amalgamar o evangelho a qualquer outra concepção humana (filosofia, obras da lei, filantropia, etc.) consiste em violência “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniquidade, e obra de violência há nas suas mãos” ( Is 59:6 ); “Os seus profetas são levianos, homens aleivosos; os seus sacerdotes profanaram o santuário, e fizeram violência à lei( Sf 3:4 ); “Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca” ( Mq 6:12 ).

Ao rejeitar a palavra do evangelho, o Espírito do Senhor, resta apenas violência, como alertou Oseias: “OUVI a palavra do SENHOR, vós filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus. Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro” ( Os 4:1 -2).

Obedecer ao evangelho não consiste em ir a uma igreja, não matar, não roubar, não se prostituir, etc., antes o obedecer é crer na mensagem do evangelho, que é saber que Jesus é o Cristo, o enviado de Deus que tira o pecado do mundo.

É por isso que Jesus disse: “Não vos deu Moisés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?” ( Jo 7:19 ). Por circuncidarem o prepúcio da carne, os israelitas consideravam que guardavam a lei, porém, não conseguiam enxergar que Deus exigia a circuncisão do coração, pois só circuncidando o coração amariam a Deus “Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 ). Era tão importante para os escribas e fariseus guardarem as sombras que não se importaram de transgredirem a lei matando Jesus utilizando-se de falsas testemunhas em seu julgamento.

A circuncisão do prepúcio era um sinal para a nação de Israel que Deus queria recebe-los por filhos, por isto mesmo Deus deu a figura em que o pai circuncidava o filho para que este fizesse parte da nação, mas para se tornarem filhos do Altíssimo, Deus se oferecia para circuncidar o coração. O povo não cumpria a lei porque se aplicava a fazer o proposto na figura, na sombra, no enigma, sendo que a proposta de Deus era que descansasse n’Ele, e o resultado do que o povo se propunha fazer era a violência, pois a realidade encontrava-se no Descendente prometido segundo a palavra de Deus (Cristo – a palavra encarnada) “PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

O povo dedicava-se às orações, sacrifícios, sábados, luas, alimentos, jejuns, e como resultado havia somente violência, deixavam a realidade, que era crer no Descendente como o crente Abraão. Por causa das sombras, das figuras, rejeitaram Cristo, a realidade, até chamaram-no de comilão e beberão “Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam?” ( Mt 9:14 ); “Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos” ( Mt 11:18 -19).

 

3 Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras. 4 O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos, 5 Para não ouvir a voz dos encantadores, do encantador sábio em encantamentos.

O salmista repreende-os demonstrando que desde a madre o povo de Israel, assim como toda a humanidade, havia se alienado de Deus.

Como? O povo de Israel não eram filhos de Abraão, Isaque e Jacó?

Por certo que eram seus descendentes segundo a carne, porém, não eram filhos de Abraão, pois somente os filhos na fé são filhos de Abraão “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” ( Rm 9:7 -8).

Os verdadeiros filhos de Abraão nascem segundo a promessa, e a promessa foi feita ‘em Isaque’, pois segundo a promessa Deus daria uma descendência a Abraão. Portanto, os filhos de Abraão são segundo a fé, pois a promessa tem em vista o Descendente “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ).

Por não compreenderem esta verdade, os filhos de Israel estavam em igual condição a todos os homens, pois ainda pesava sobre eles a transgressão de Adão, portanto eram filhos da ira, da desobediência, e não filhos de Deus “O SENHOR olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um” ( Sl 14:2 -3).

Ser descendente da carne de Abraão é o mesmo que ser descendente de Adão, portanto, é o mesmo que estar sob condenação. Que condenação? A condenação à morte, pois foi dito a Adão que, se comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal que estava no meio do jardim, morreria. Adão comeu e morreu, ou seja, separou-se da vida que é Deus.

A alienação de Deus, o desvio da humanidade ocorreu no Éden por Adão, e por todos os homens descenderem de Adão, estão sob a mesma condenação. Logo o homem está alienado de Deus desde a madre. No abrir da madre o homem entra no mundo por Adão, a larga que o conduz à perdição. Por causa da herança do Éden o desviar-se de Deus ocorre desde a madre, desde que nascem os homens andam errantes e proferem mentiras ( Sl 51:5; Rm 3:4 ).

Quando o apóstolo Paulo diz que ‘todo o homem é mentiroso’, assim o diz em função do que ocorreu no Éden. Quando o salmista diz que Deus se agrada da verdade no intimo ( Sl 51:6 ), esta ‘verdade’ no íntimo só é possível quando o homem é gerado de novo pela palavra da verdade. É por isso que o salmista pede que Deus o crie de novo para que haja verdade no íntimo ( Sl 51:10 ), diferente do nascimento natural, em que o homem é gerado ‘mentiroso’ “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

Tal realidade também é retratada pelo profeta Oseias quando afirma que Deus requer obediência em lugar dos sacrifícios que os israelitas ofereciam continuamente: “Em Adam eles quebraram a minha aliança, aí eles me traíram” ( Os 6:7 ) Bíblia da CNBB. A aliança entre Deus e os homens, incluindo os judeus, foi desfeita em Adão, pois ali no Éden todos pecaram e destituídos foram da glória de Deus. É com base nestas passagens das Escrituras que o apóstolo Paulo chega à conclusão: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ).

A mentira dos filhos de Israel é comprável ao veneno da serpente, ou seja, é mortal (v. 3). A realidade dos filhos de Israel é continuamente descrita: “LIVRA-ME, ó SENHOR, do homem mau; guarda-me do homem violento, que pensa o mal no coração; continuamente se ajuntam para a guerra. Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios” ( Sl 140:1 -3 compare com Sl 58:1 -4).

Na lei, Deus já alertava sobre o veneno que havia em meio ao povo de Israel: “O seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras” ( Dt 32:33 ). É por isso que Jesus fala aos fariseus chamando-os de víboras: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ).

O homem pode orientar o seu comportamento e ordenar as suas ações, porém, é impossível mascarar o fruto dos lábios. Só se conhece uma árvore pelo fruto ( Mt 7:20 ). É por isso que Jesus julgava o que ouvia dos fariseus, pois o veneno estava em suas línguas, e não no comportamento “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” ( Mt 23:27 -28).

Além das palavras dos filhos de Israel ser comparável à peçonha da serpente, também eram comparáveis à víbora surda, pois não ouviam os profetas de Deus “Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido batizados por ele. E disse o Senhor: A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes? São semelhantes aos meninos que, assentados nas praças, clamam uns aos outros, e dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes” ( Lc 7:30 -32).

É em função da palavra dos escribas e fariseus que Jesus alerta: “Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem” ( Mc 7:15 ); “Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?” ( Mt 16:11 ); “E oferecei o sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai as ofertas voluntárias, publicai-as; porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor DEUS” ( Am 4:5 ).

 

6 Ó Deus, quebra-lhes os dentes nas suas bocas; arranca, SENHOR, os queixais aos filhos dos leões. 7 Escorram como águas que correm constantemente. Quando ele armar as suas flechas, fiquem feitas em pedaços. 8 Como a lesma se derrete, assim se vá cada um deles, como o aborto duma mulher, que nunca viu o sol. 9 Antes que as vossas panelas sintam o calor dos espinhos, como por um redemoinho os arrebatará ele, vivo e em indignação.

Após descrever a condição dos filhos do seu povo, o salmista roga a Deus alguns ‘ais’, assim como Cristo profetizou ‘ais’ sobre os escribas e fariseus utilizando-se de figuras.

Os ‘filhos dos leões’ neste salmo descreve a vontade dos homens maus quando querem fazer destruir os seus adversários tirando o fôlego de vida “Eis que o povo se levantará como leoa, e se erguerá como leão; não se deitará até que coma a presa, e beba o sangue dos mortos” ( Nm 23:24 ). Os fariseus por diversas vezes intentaram tirar a vida de Jesus “Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem” ( Jo 11:53 ); “Salva-me da boca do leão; sim, ouviste-me, das pontas dos bois selvagens” ( Sl 22:21 ).

O apóstolo Paulo também sofreu tais ataques vorazes dos ‘leões’ “Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão” ( 2Tm 4:17 ; At 2131 ; At 25:3 ). Como os ataques dos leões não cessariam, providencialmente o apóstolo dos gentios foi preso e pode continuar anunciando por muitos anos o evangelho. Inclusive, as suas carta chegaram em nossas mãos e foram escritas no período em que esteve preso.

Para livrar o homem, somente a intervenção divina, quebrando os dentes e arrancando a queixada dos filhos dos leões, ou seja, dando livramento “Esse homem foi preso pelos judeus; e, estando já a ponto de ser morto por eles, sobrevim eu com a soldadesca, e o livrei, informado de que era romano” ( At 23:27 ).

O provérbio: “Como leão rugidor, e urso faminto, assim é o ímpio que domina sobre um povo pobre” ( Pv 28:15 ), descreve os líderes do povo do Messias como leões. O provérbio não diz de uma tirania política, mas de líderes que retinham a palavra de Deus, e o povo permanecia pobre de espírito, sem vida “Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo (…) Porque o tirano é reduzido a nada, e se consome o escarnecedor, e todos os que se dão à iniquidade são desarraigados; Os que fazem culpado ao homem por uma palavra, e armam laços ao que repreende na porta, e os que sem motivo põem de parte o justo” ( Is 28:7 e 20-21).

Os ataques com flechas e setas são palavras de engano introduzidas com sutileza, como era o caso dos escribas e fariseus, ou de qualquer outro homem em nossos dias, que não fale segundo a verdade do evangelho. O ataque dos fariseus era com setas, uilizaram as suas palavras com flecha, e a resposta de Cristo escudo e broquel: “E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se” ( Mc 3:4 ),

Quando o salmista profetizou proteção de Deus sobre o Messias, no Salmo 91, havia garantia de que Cristo pisaria o leão e a áspide, figura de tais homens ( Sl 91:13 ), pois haveriam de espreita-lo a fim de mata-Lo “Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge” ( Sl 22:13 ), e, em outras ocasiões, procuravam pegá-Lo nalguma contradição.

O pedido do salmista a Deus para é para que a ação dos ‘poderosos’ fosse como água quando se escoa ou, quando armassem o arco, as flechas fossem quebradas (v. 7). A oração profética do salmista demonstra que só em Deus as mentiras dos lideres de Israel seria desmascarada. Os inimigos do Messias foram envergonhados e confundidos perante a Verdade, pois Jesus escapou de ciladas como esta: “Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?” ( Mt 22:17 ). Se Cristo não desse uma resposta à altura, seria atingido com tal proposta, então devorá-lo-iam como os filhotes dos leões quando abatem a presa, porém, quando Jesus respondeu: “Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” ( Mt 22:21 ), o laço do passarinheiro foi desfeito.

As palavras dos escribas e fariseus eram como dardos inflamados, flechas. As flechas e lanças são figuras das palavras deles, de sua mensagem, pois tem o poder de tirar a vida, ou seja, afastar o homem da Palavra da Verdade. Da mesma forma que a peçonha mata, embora o ferimento seja sutil, o dardo que contém o veneno do erro também mata. As setas, os dardos são figuras de mensagens enganosas, palavras ardilosas, e somente com a palavra de Deus, que é escudo e broquel, o homem pode defender-se do inimigo “Pois eis que os ímpios armam o arco, põem as flechas na corda, para com elas atirarem, às escuras, aos retos de coração” ( Sl 11:2 ).

Observe que os salmos não falam literalmente de animais, antes dos filhos dos homens ‘abrasados’, ou seja, enfurecidos querendo tirar a vida do Cristo. Assim como o evangelho é a espada do espírito, cujo obreiro deve saber manejá-la, a língua dos contradizentes é espada afiada “A minha alma está entre leões, e eu estou entre aqueles que estão abrasados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e a sua língua espada afiada” ( Sl 57:4 ); “Que afiaram as suas línguas como espadas; e armaram por suas flechas palavras amargas” ( Sl 64:3 ).

A única coisa que rebate os dardos é a palavra de Deus, a Fé revelada, que é escudo e broquel “Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno” ( Ef 6:16 ); “Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia” ( Sl 91:5).

O pedido a Deus é que tais homens se esvaiam como lesmas; como o aborto de uma mulher, que jamais viram a luz da vida ( Sl 58:8 ). O verso 9 é melhor abordado pela Nova Versão Internacional da Bíblia: “Os ímpios serão varridos antes que as suas panelas sintam o calor da lenha, esteja ela verde ou seca” ( Sl 58:9 ).

Em nossos dias, o introduzir dissimuladamente heresias de perdição diz dos dardos inflamados do maligno ( Ef 6:16 ). Já o rugir como leão diz de uma ação mais agressiva, como é o caso das seitas “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” ( 1Pe 5:8 ).

 

10 O justo se alegrará quando vir a vingança; lavará os seus pés no sangue do ímpio. 11 Então dirá o homem: Deveras há uma recompensa para o justo; deveras há um Deus que julga na terra.

Há algumas traduções que rezam ‘os justos’, porém, a Almeida Corrigida e Revisada Fiel é melhor, pois Ela faz alusão ao Justo. Somente o Cristo de Deus, o Justo vindicará a vingança de Deus, e Ele lavará os seus pés no sangue dos ímpios, pois Ele mesmo pisará o lagar de Deus “Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura” ( Is 63:3 ).

O único homem que estabeleceu justiça na terra foi o Emanuel. É por intermédio d’Ele que se diz: ‘Deverás há um Deus que julga na terra!’ “QUEM é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em sua vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar” ( Is 63:1 ).

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Salmo 32 – Felicidade

O perdão divino ocorre quando o pecado é coberto, ou seja, a natureza pecaminosa é enterrada. A justiça de Deus deve ser satisfeita para que ocorra o ‘perdão’. A alma que pecar, morrerá ( Ez 18:4 ), visto que a pena não pode passar da pessoa do transgressor. Lembre-se que Deus jamais declarará o ímpio justo “… porque não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ).


Lembrando que a poesia hebraica trabalha e valoriza as ideias através de um recurso específico denominado ‘paralelismo’, uma espécie de rima de pensamento, resta que na poesia hebraica quase inexiste ritmo e rima.

Como as ideias caracterizam as poesias hebraicas, ao analisá-las, convém buscar a ideia principal que o escritor buscou evidenciar.

No salmo 32 o salmista destaca a felicidade pertinente aos que são perdoados por Deus, porém, não menos importante, aponta como se dá a justiça divina.

Por exemplo: no verso 1 o salmista apresenta as pessoas que são alvo do favor divino, e no verso 2, temos aqueles que já foram agraciados por Deus.

O discurso de Cristo no Sermão do monte não é diferente, pois apresenta aqueles que carecem do favor divino (pobres de espírito, tristes), e depois, apresenta aqueles que já foram agraciados (mansos, pacificadores, etc).

A mensagem do salmista guarda relação intima com a mensagem do profeta Isaías e a mensagem do Cristo, portanto, em muitos aspectos este salmo é uma profecia, pois aponta para a vida, obra e ministério de Cristo ( 1Cr 25:1 ; At 2:29 -31), mas daremos ênfase a obra maravilhosa que Deus realiza naqueles que n’Ele se refugiam.

 

“BEM-AVENTURADO aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto”

O salmista Davi anuncia, neste cântico, que a felicidade é proveniente do perdão divino. Qualquer que tiver o pecado ‘coberto’ é feliz, ditoso, bem-aventurado.

Esta felicidade também foi anunciada por Cristo no Sermão do Monte e pertence aos pobres de espírito, os oprimidos, os cansados, os tristes e sedentos ( Mt 5:3 -12).

Qual transgressão perdoada traz bem-aventurança? Que pecado coberto traz perpetua felicidade?

O salmista Davi sabia o que é pecado ( Sl 51:3 ), pois reconhecia que o seu pecado era diretamente contra Deus ( Sl 51:4 ), e a procedência do seu pecado ( Sl 51:5 ).

Diferente de muitos em Israel, o salmista sabia que o seu pecado decorria do seu primeiro Pai, Adão ( Is 43:27 ; Sl 51:5 ; Sl 58:3 ), e as suas previsões não prevaricam quanto a demonstrar qual a origem da transgressão dos homens.

O homem pecou porque não deu credito a palavra de Deus que estabeleceu uma lei (heb. ‘pesha’), visto que tomou e comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal ( Gn 3:11 ). Adão transgrediu ao dar crédito à palavra de engano proveniente do tentador ( Gn 3:4 ). Em Adão toda humanidade pecou porque ele desprezou a palavra de Deus ( Rm 3:23 ).

O homem após errar o alvo (heb. ‘hatã’ã’) deixou de viver ‘em verdade e em justiça’ e passou a viver ‘em pecado’. A ‘transgressão’ da humanidade refere-se à desobediência de Adão, e o ‘pecado’ refere-se a natureza decaída decorrente da penalidade imposta à transgressão (morte).

O perdão divino ocorre quando o pecado é coberto, ou seja, a natureza pecaminosa é enterrada. A justiça de Deus deve ser satisfeita para que ocorra o ‘perdão’. A alma que pecar, morrerá ( Ez 18:4 ), visto que a pena não pode passar da pessoa do transgressor. Lembre-se que Deus jamais declarará o ímpio justo “… porque não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ).

Quando o homem gerado segundo Adão recebe a circuncisão do coração, a justiça divina é satisfeita: o velho homem gerado segundo a carne de Adão morre e é sepultado. O ‘pecado’ (natureza) é ‘coberto’ no despojar do corpo da carne ( Cl 2:11 ), ocorrendo o perdão de todos os delitos e pecados “E a vós outros que estáveis mortos nos vossos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os nossos delitos” ( Cl 2:13 ).

 

“Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano”

O homem feliz que o Senhor não imputa maldade, e cujo espírito não há engano é aquele que, ao ser ‘vivificado’ com Cristo, recebe um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Cl 2:13 ). Somente o novo homem (a nova criatura) que o Senhor cria (Bara) segundo a sua palavra (semente incorruptível) possui um novo coração e um novo espírito ( Ez 36:25 -27), onde habita a Paz e a Justiça ( Is 57:15 ).

Sobre aqueles que foram perdoados ( heb. ‘nãsã, literalmente ‘levar embora’ 1Pe 2:24 ), o Senhor não imputa maldade. Aqueles que morreram e foram sepultados com Cristo (coberto) deixam a condição de ‘engano’, ‘mentira’ ( Rm 3:4 ), e passam a estar na verdade ( 1Jo 5:20 ).

No coração e no espírito do homem bem-aventurado não há ‘dolo’, ‘engano’, ‘mentira’, pois foi criado segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ; 1Pe 1:3 e 1Pe 1:23 ).

Cristo é o homem bem-aventurado, pois jamais se assentou com o ímpio, ou andou na roda dos escarnecedores ( Sl 1:1). Cristo é o varão que Deus não imputou maldade e, cujo coração era manso e humilde (v. 2). Como ele falava às palavras que o Pai mandou, isto significa que o seu coração era verdadeiro, pois a boca fala do que há em abundancia no coração ( Jo 14:10 ; Jo 1:14 ; Jo 1:17 ; Mt 12:34 ).

 

“Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia. Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio” (Selá.)

‘Guardar silêncio’ é o mesmo que não ‘confessar’, ‘admitir’ ( Sl 32:5 ). A confissão decorre de um reconhecimento, e neste caso específico, reconhecer:

  • Atual condição ( Sl 51:3 );
  • Que Deus é justo e puro ( Sl 51:4 );
  • Que Deus não tem o culpado por inocente ( Ex 34:7 );
  • A origem do pecado ( Sl 51:5 );
  • A misericórdia de Deus ( Sl 51:1 ), e;
  • Que só Deus lava e purifica ( Sl 51:2 ).

A confissão do salmista não tem por base seus erros comportamentais. Ele também não se ‘confessa’ a outro homem, que é sujeito aos mesmos erros e paixões. Ele reconheceu a sua condição diante d’Aquele que ‘quebrou os seus ossos’ ( Sl 51:8 ).

Ora, ‘ossos quebrados’ aponta para a condição de pecado do homem, visto que contrasta com a condição do Messias, que por ser isento de pecado, acerca d’Ele foi anunciado que nenhum dos seus ossos seria quebrado. Literalmente os ossos de Cristo não foram quebrados, e figuradamente os ossos de Davi foram quebrados ( Sl 51:8 ; Sl 34:20 ).

O sábio Salomão compara ossos enfermos com espírito abatido ( Pv 17:22 ). Quando o salmista anuncia que Deus ‘quebrou os seus ossos’, ou que ‘os seus ossos envelheceram’, ele reconhece a sua condição miserável e assume a condição de ‘pobre de espírito’, ‘triste=espírito abatido’, alvo da bem-aventurança prometida por Deus ( Mt 5:3 -10).

Lembre-se que na antiguidade um osso quebrado lançava o homem em profunda tristeza, pois não dispunham dos meios e conhecimentos de cura.

A consciência de pecado (o peso da mão do Senhor) deixou o salmista em profunda tristeza (envelhecer os ossos) ( Ez 37:11 ; Sl 31:10 ). Ao reconhecer a sua condição miserável, o salmista alcançou misericórdia, pois diante do Senhor os ‘tristes’ são bem-aventurados “Porque a minha vida está gasta de tristeza, e os meus anos de suspiros; a minha força descai por causa da minha iniquidade, e os meus ossos se consomem” ( Sl 31:10 ; Is 57:15 ; Mt 5:4 ; Sl 34:18 ; Is 61:1 ).

 

“Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado” (Selá.)

Conhecendo as suas transgressões e o seu pecado ( Sl 51:3 ), o salmista nada fez (a minha maldade não encobri), antes socorreu-se do Senhor, aquele que tem poder para cobrir pecado ( Sl 32:1 ).

Tentar ‘cobrir’ pecado através de suas próprias forças é violência diante de Deus “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há nas suas mãos” ( Is 59:6 ; Sl 10:18 ).

Aqueles que se apegam às suas obras na intenção de se salvarem vestem-se de violência ( Sl 73:6 ), as imposições dos príncipes (mestres) do povo em Israel era violência diante de Deus “Assim diz o Senhor DEUS: Basta já, ó príncipes de Israel; afastai a violência e a assolação e praticai juízo e justiça; tirai as vossas imposições do meu povo, diz o Senhor DEUS” ( Ez 45:9 ).

Confessar o pecado é o mesmo que reconhecer a justiça e o juízo de Deus ( Sl 51:4 ). Se o salmista não admitisse (confessasse) a sua condição (pecado), ou tentasse justificar-se através de suas obras, estaria chamando Deus de mentiroso e não estaria na verdade ( 1Jo 1:8 ).

 

“Por isso, todo aquele que é santo orará a ti, a tempo de te poder achar; até no transbordar de muitas águas, estas não lhe chegarão”

Todo aquele que confia no Senhor é santo, pois só oram a Deus os que confiam. A oração dos santos é expressão de confiança.

Aquele que confia no Senhor encontra salvação, pois hoje é o dia sobremodo aceitável. Hoje é o dia de salvação “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” ( Hb 4:16 ).

Basta clamar que Deus ouvirá: “EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir” ( Is 59:1 ).

 

“Tu és o lugar em que me escondo; tu me preservas da angústia; tu me cinges de alegres cantos de livramento” (Selá.)

O Senhor é o alto refúgio que preserva os seus servos da angustia.

Diferente dos que se cingem de obras de violência, os que esperam no Senhor são cingidos da justiça que vem do alto.

O verdadeiro louvor é proveniente da obra de redenção que Deus realiza ( Ef 1:12 ). A alegria expressa no canto do salmista é proveniente das vestes de justiça que o Senhor preparou.

Além de se aplicar aos servos de Deus, o salmo aplica-se a pessoa de Cristo, visto que em suas previsões o salmista, pelo Espírito, faz referencia ao seu Senhor que se fez carne como sendo aquele que se refugiaria à sombra do Onipotente, seria preservado na angustia e, por fim, seria revestido da sua glória ( At 2:30 -31; Sl 91:1 ).

 

“Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos”

O senhor quer instruir e ensinar aos homens o caminho que devem seguir. O cuidado do Senhor há de guiar os que se deixam instruir, pois os olhos do Senhor estão sobre os justos ( Sl 34:15 ). Deus ouve os justos quando clamam ( Sl 34:17 ), pois Ele mora com os abatidos e contritos de espírito ( Sl 34:18 e Is 57:15 ).

Qual o caminho do Senhor? O caminho do Senhor é Cristo, pois Ele é conhecido pelo Senhor ( Sl 1:6 ; Sl 118:20 ). Qualquer que crê em Cristo passa a conhecer (união íntima) a Deus, ou antes, é conhecido d’Ele ( Gl 4:9 ).

Não podemos equecer que, este salmo em muitos aspectos aplica-se a Cristo, pois entre os homens o Verbo encarnado haveria de ser instruído pelo Pai ( Is 50:4 -5).

 

“Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio para que não se cheguem a ti”

O senhor exorta para que o homem se deixe instruir. Aquele que não tem o temor (palavra) do Senhor é falto de entendimento e se assemelham aos animais “Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR” ( Sl 34:11 ).

Qualquer que ouve a palavra do Senhor é como um menino ( Sl 86:11 ). Qualquer que teme da sua palavra é santo diante d’Ele ( Sl 34:9 ).

“… cuja boca precisa de cabresto e freio, ou não virão a ti” ( Sl 32:9 ). Deus convida à salvação, pois trata com os homens em amor, e onde está o amor há liberdade. A instrução, o ensino e o olhar (cuidado) do Senhor destinam-se aos de entendimento ( Rm 10:1), pois jamais usará de coerção, para fazer com que suas criaturas cheguem-se a si ( Jó 37:23 ). A coerção é apropriada para os animais irracionais.

 

“O ímpio tem muitas dores, mas àquele que confia no SENHOR a misericórdia o cercará”

Quem são os ímpios? Como surgem? Ora, desde a madre os ímpios alienaram-se de Deus e, desde que nascem trilham o caminho de erro e proferem mentiras ( Sl 58:3 ).

Todos os homens gerados segundo Adão foram destituídos da glória de Deus. Desde que nascem estão alienados de Deus, pois entraram por uma porta larga e seguem por um caminho espaçoso de perdição ( Mt 7:13 ).

O que diferencia os ímpios dos justos é a confiança que depositam em Deus, pois ao crer naquele que é fiel à sua palavra, o homem entra pela porta estreita que é Cristo e deixa de ser ímpio ( Sl 118:20 ).

As dores dos ímpios são certas, pois desprezam a instrução do Senhor. Qualquer que confiar n’Aquele que instrui o caminho que deve seguir ( Sl 32:8 ), será alcançado pela misericórdia do Senhor.

O ímpio não se deixa instruir, pois não ouve a palavra do Senhor. Além das muitas dores beberá do cálice da ira do Senhor, pois entesouram ira para o dia que se revelará o juízo de Deus que foi estabelecido no Éden ( Rm 2:5 ).

A promessa de Deus para os que confiam é uma sebe (cerca, proteção) de misericórdia.

 

“Alegrai-vos no SENHOR, e regozijai-vos, vós os justos; e cantai alegremente, todos vós que sois retos de coração”

Quando as Escrituras ordenam o homem alegrar-se no Senhor é o mesmo que ordenar a confiar na salvação do Altíssimo “Porém alegrem-se todos os que confiam em ti; exultem eternamente, porquanto tu os defendes; e em ti se gloriem os que amam o teu nome” ( Sl 5:11 ).

Aquele que se alegra no Senhor é porque confia, ou seja, aquele que confia é o que se alegra no Senhor.

No Verso 1 do salmo 21 ocorre o que se denomina na poesia hebraica de paralelismo: “O Rei confia em tua salvação, ó Senhor, e na tua salvação grandemente se regozija” ( Sl 21:1 ). Quando o homem repousa (confia) na salvação do Senhor, e da salvação de Deus que deriva a alegria, o regozijo, portanto, qualquer que se alegra no Senhor é porque experimentou a salvação de Deus.

Aquele que confia se alegra, pois alcançou salvação. Após alcançar salvação o homem é declarado justo perante o Senhor e, aqueles que alcançaram salvação regozijam perante o Senhor.

Os que se regozijam no Senhor são bem-aventurados, pois são retos de coração ( Sl 51:10 ).

Diferente são os ímpios, pois confiam em suas próprias ‘riquezas’, ou seja, alegra-se do nada e rejeitam ao Senhor “Vós que vos alegrais do nada, vós que dizeis: Não é assim que por nossa própria força nos temos tornado poderosos?” ( Am 6:13 ; Sl 21:1 ).

‘Alegrar’ nos Salmos geralmente é o mesmo que ‘confiar’ em Deus, pois a alegria do Senhor é a nossa força (salvação) “… portanto não vos entristeçais; porque a alegria do SENHOR é a vossa força ( Ne 8:10 ). Os retos de coração cantam alegremente, pois confiam no Senhor, o Autor da Salvação.

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