A palavra ‘Justificação’

28Em Romanos 3, verso 7, o apóstolo Paulo estabelece uma relação entre as palavras ‘morto’ e ‘justificado’: “aquele que está morto” também “está justificado” do pecado! Ou seja, a primeira condição (morto) implica na segunda (justificado). Satisfeita a primeira condição a segunda é estabelecida.

A palavra justificação é de origem latina composta de ‘justus’ e ‘facere’ e significa ‘fazer justo’ em português.

As palavras ‘justificado’ e ‘justiça’ são traduções de palavras gregas semelhantes. Temos o verbo dikaiôun que é ‘declarar justo’, ‘justificar’. O substantivo dikaíosis que é ‘justificação’, ‘justiça’, e o adjetivo dikaios, que qualifica que é ‘justo’.

Uma tradução precisa dos termos que fazem referência à justificação auxilia em muito a interpretação dos escritos de Paulo, porém, só os termos tomados de maneira isolada não revelam a grandeza das idéias centrais que compõe a doutrina da justificação.

Para entendermos a extensão das expressões supracitadas devemos atentar mais para o contexto nas quais elas foram citadas, do que para o significado denotativo da palavra.

Este estudo não se limita a apresentar um trabalho de conclusões. Antes, procuramos apresentar ao leitor o raciocínio que se deve percorrer para chegar às conclusões que apontaremos no decorrer deste estudo.

 

Aquele que está morto

Em Romanos 3, verso 7, o apóstolo Paulo estabelece uma relação entre as palavras ‘morto’ e ‘justificado’: “aquele que está morto” também “está justificado” do pecado! Ou seja, a primeira condição (morto) implica na segunda (justificado). Satisfeita a primeira condição a segunda é estabelecida.

Antes de ser feita a declaração “… porque aquele que está morto está justificado do pecado”, o apóstolo Paulo enfatiza de maneira contundente a ‘morte’ daqueles que creem em Cristo (estão) conforme diz a escritura ( Rm 6:1 -6).

Para entendermos precisamente a declaração paulina devemos ter a resposta da seguinte pergunta: Quem está morto?

A resposta está no versículo dois do capítulo seis da carta aos Romanos: Nós, ou seja, Paulo e os cristãos!

Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”
( Rm 6:2 )

No versículo acima o apóstolo esclarece aos leitores da carta aos Romanos que todos eles estão mortos para o pecado, ou seja, nenhum crente em Cristo ‘vive’ para o pecado. Isto significa que efetivamente os cristãos estão mortos para o pecado.

Caso alguém argumentasse contra esta realidade (mortos para o pecado), o apóstolo Paulo contra argumenta de quatro maneiras diferentes para se fazer compreensível.

a) Os que foram batizados foram batizados na morte de Cristo ( Rm 6:3 );

b) Pelo batismo na morte todos foram sepultados com Cristo ( Rm 6:4 );

c) Todos foram plantados juntamente com Cristo, e ( Rm 6:5 );

d) Uma vez que, todos sabiam que haviam sido crucificados com Cristo.

 

“Pois sabemos isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado…”
( Rm 6:6 )

 

Diante dos elementos que foram apresentados restam as seguintes conclusões: vocês estão mortos! “Pois morrestes, e a vossa vida está oculta com Cristo em Deus” ( Cl 3:3 ).

“Ora, se já morremos com Cristo…” ( Rm 6:8 ).

“Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado…” ( Rm 6:11 ).

 

Quando o apóstolo Paulo diz: ‘considerai-vos’, não significa simplesmente imaginar como se estivessem mortos para o pecado, antes os cristãos deviam estar cônscios, vivendo esta nova realidade. Paulo não apregoou um ‘faz de conta’, antes ele anunciou verdades eternas.

Aquele que crê em Cristo vive esta nova realidade em verdade: após encontrar a cruz de Cristo, morreu para o pecado e está efetivamente justificado do pecado.

Observe que a palavra ‘considerai’ do versículo onze significa ‘contar com’, ‘descansar em’. Aliado ao significado da palavra, está o contexto, que demonstra que os cristãos efetivamente estão mortos para o pecado.

 

Está Justificado do Pecado

Já que os cristãos efetivamente morreram para o pecado como foi observado em ( Rm 6:2 ), conclui-se que quem está justificado perante Deus necessariamente já morreu para o pecado.

De outro modo: aquele que está vivo para o pecado não está justificado do pecado. Portanto, só é possível ser justificado do pecado quando se está morto para ele.

A condição ‘justificado do pecado’ é real e efetiva, pois decorre da primeira, que é estar morto para o pecado “… porque aquele que está morto está justificado do pecado”.

Dentro deste contexto de ‘morte para o pecado’ e ‘justificado do pecado’ torna-se possível determinarmos qual o real significado das palavras ‘justificação’ e ‘justificar’.

Qual a melhor tradução para as palavras dikaíôun e dikaíosis? Seria ‘fazer justo’? ‘criar justo’? Ou ‘declarar justo’?

O parágrafo seguinte nos auxiliará na escolha da tradução que melhor transmite à ideia apresentada pelo contexto.

 

Para que sejas justificado

Quando Paulo faz a citação de um versículo do salmista Davi, nos auxilia em muito na compreensão da extensão do significado da palavra justificado.

Neste salmo Davi demonstrou que reconhecer os próprios erros é a melhor maneira de declarar sem palavras que Deus é justo “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares” ( Sl 51:4 ).

Ele assume os seus erros para que Deus seja justificado ao falar.

O que o contexto nos apresenta?

  • Davi assumiu os seus erros para ‘fazer’ Deus justo?
  • Davi assumiu os seus erros para ‘criar’ Deus justo?
  • Ou Davi assumiu os seus erros para ‘declarar’ que Deus é justo?

O contexto nos aponta a terceira opção. O homem declara a justiça de Deus quando reconhece os seus próprios erros.

O salmista reconhece sua condição em decorrência do seu pecado: “…contra ti, contra ti somente pequei…”, com um objetivo bem definido: declarar a justiça de Deus “… para que sejas justificado quando falares…”.

O apóstolo cita este salmo para declarar que Deus é verdadeiro, ou seja, ao citar este salmo, Paulo tem a intenção nítida de fazer uma declaração sobre um dos atributos de Deus: Deus é verdadeiro, ou: sempre seja Deus verdadeiro!

 

“De maneira nenhuma. Sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado”
( Rm 3:4 )

 

O apóstolo Paulo ao declarar que Deus é verdadeiro cita o salmista para dar sustentabilidade à sua declaração. Paulo demonstra que a sua declaração é conforme as Escrituras.

Temos dois elementos no texto, que se somados, evidenciam a ideia que a palavra ‘justificado’ procura transmitir:

  • Davi reconhece os seus erros como forma de evidenciar que Deus é justo;
  • Paulo utiliza o salmo para dar peso a sua declaração: Deus é verdadeiro e todo homem mentiroso.

Desta forma temos que, a palavra ‘justificado’ se traduz por ‘declarar’ justo.

Declarar: Dar a conhecer; expor; proclamar publicamente, anunciar solenemente; revelar, julgar, considerar, nomear, etc.

O apóstolo Paulo fez a citação de um salmo onde a palavra justificado engloba a mesma ideia que ele procura transmitir com os termos dikaíôun e dikaíosis.

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Como Davi utilizou a palavra ‘justificação’

Através da citação do salmista Davi é possível dimensionar a extensão das expressões ‘justificar’ e ‘justificação’, resta que os cristãos deveriam considerar como sendo certa a morte deles com Cristo ( Rm 6:2 -3 e 7 e 11), e que, da mesma maneira é certa a justificação deles, visto que, aquele que está morto também está justificado.


Aplicação prática da palavra ‘Justificação’

A palavra ‘justificado’ é empregada pelo salmista Davi para dar a conhecer aos seus leitores que Deus é justo (justificado). Como o salmista sabe que Deus é justo, isto motiva o salmista a admitir a sua condição. Desta forma, verifica-se que a palavra ‘justificado’ (declarar justo) somente se aplica ao que é verdadeiro em essência.

Parece ser redundante, porém não é: Davi declara que Deus é justo porque Ele é verdadeiramente justo, e não por simplesmente o salmista entender que é deste modo.

O apóstolo Paulo ao declarar que ‘Deus é verdadeiro’ se fundamenta na declaração do rei Davi, ou seja, ao declararmos algo que diz respeito ao nosso Deus, temos plena consciência de que é a verdade, pois é o que a Escritura nos diz.

“Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro” ( Jo 3:33 )

Chegamos a um ponto crucial: se o apóstolo Paulo utiliza a palavra ‘justificado’ (declarar justo) para expressar algo a respeito dos cristãos, tal declaração também tem que ser verdadeira, ou seja, espelhar a realidade pertinente aos cristãos.

Não há como declarar que alguém está justificado sem que esta pessoa não é efetivamente justa, ou seja, os cristãos efetivamente morreram “Nós, que estamos mortos para o pecado…”, e foram declarados justos “… porque aquele que está morto está justificado do pecado”.

Quando o apóstolo Paulo escreve que os cristãos foram declarados justos, ele não faz referência a uma anistia, ou a uma absolvição, ou a uma concessão, ou a ter em conta ou a um faz de conta. Paulo faz referência a algo que é pleno de todo: aquele que está morto está justificado.

Quem não é cristão não faz jus a tal declaração, pois é certo que este não morreu para o pecado. É possível que alguma pessoa que não esteja inclusa no pronome da primeira pessoa do plural de Romanos seis, verso dois ‘Nós…’ ( Rm 6:2 ), receba a declaração de que é justa? Não! Por quê? Porque esta pessoa não esta morta para o pecado!

Quem não está morto para o pecado não pode ser justificado (declarado justo), pois tal afirmação não seria verdadeira.

Não há como aplicar a palavra ‘justificado’ a quem não morreu, visto que todo aquele que é nascido da carne, não é verdadeiro “… e todo o homem mentiroso como está escrito” ( Rm 3:4 ).

Todos os homens nascidos de Adão não são verdadeiros, porém Deus é verdadeiro.

A condição daquele que não esta em Cristo é mentira, em contrate com Deus, que é verdadeiro “Mas, se por causa da minha mentira sobressai a verdade de Deus para a sua glória…” ( Rm 3:7 ).

Ao citar o salmo 51, verso 4, o apóstolo Paulo estabelece o parâmetro necessário para compreendermos a extensão da palavra ‘justificar’ quando ela é empregada por ele.

O apóstolo Paulo só utiliza a palavra ‘justificar’ para algo que é categoricamente verdadeiro. Se houvesse uma sombra de dúvida, ou uma possibilidade daquele que está morto não estar justificado perante Deus, então Paulo não utilizaria a palavra ‘justificar’.

É certo que ‘justificar’ não se refere a uma conduta divina condescendente em declarar um injusto como sendo alguém justo.

É possível a Deus, que é verdadeiro, declarar justa uma pessoa não justa? Concluiremos de outro modo: Deus não justifica aquele que está vivo para o pecado.

Já que, através da citação do salmista Davi é possível dimensionar a extensão das expressões ‘justificar’ e ‘justificação’, resta que os cristãos deveriam considerar como sendo certa a morte deles com Cristo ( Rm 6:2 -3 e 7 e 11), e que, da mesma maneira é certa a justificação deles, visto que, aquele que está morto também está justificado.

Se Paulo recomenda aos cristãos que assumam efetivamente a condição de mortos para o pecado ( Rm 6:11 ), é porque precisavam estar cônscios de que estavam plenamente justificados perante Deus “Sendo, pois, justificados pela fé…” ( Rm 5:1 ).

Os cristãos são justos perante Deus pelos seguintes motivos:

a) É Deus quem nos justifica “É Deus quem os justifica” ( Rm 8:32 );

b) Temos paz com Deus, evidência real de que fomos justificados pela fé “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( Rm 5:1 ), e;

c) Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, pois fomos plenamente justificados “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus…” ( Rm 8:1 ).

Não está justificado aquele que pesa sobre ele condenação. Não está justificado aquele que ainda está em inimizade com Deus. Não está justificado aquele que não confia em Deus, que pode justificá-lo.

Se uma pessoa não crê no que Deus já lhe providenciou salvação gratuita, resta que esta pessoa não crê em Cristo Jesus, pois todas estas bênçãos foram providenciadas na cruz.

O apóstolo demonstra que só é justificado aquele que está efetivamente morto para o pecado, e recomenda aos cristãos que se conscientizassem de tal condição ( Rm 6:11 ).

Só aqueles que foram crucificados com Cristo, plantados com Ele, sepultados pelo batismo na morte e que ressurgiram com Ele, é que são justificados.

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A Verdade encarnada

Cristo é a bondade de Deus encarnada, e qualquer nobreza que se revele ou que ainda possa ser vivenciada no mundo não passa de um espinho, ou uma sebe de espinhos ( Mq 7:4 ). A ideia de que a vida eterna pertence a quem se curva para ajudar caídos não condiz com a verdade do evangelho, pois a vida eterna pertence somente àqueles que creem “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” ( Jo 6:47 ) “Ghandi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Jimmy Carter encarnaram a máxima cristã de que a vida eterna pertence a quem se curva para ajudar o caído” Frágeis pensamentos sobre a verdade, Ricardo Gondim, Estudo postado no Blog Ricardo Gondim.

 


Engana-se quem pensa que a verdade bíblica refere-se à questão empírica, mística, ética ou estética e que ela é algo que ‘pertence’ a Deus, antes a verdade refere-se à natureza de Deus, que se doou aos homens para que todos que creiam n’Ele sejam participantes da verdade.

Cristo identificou-se como a verdade e veio dar testemunho da verdade ( Jo 14:6 ; Jo 18:37 ), porém, mentes carnais continuam a perguntar como Pilatos: – “Que é a verdade?” ( Jo 18:38 ).

Quer saber o que é a verdade? Aprenda com o Mestre por excelência a lição principal: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ).

O apóstolo Paulo foi franco ao dizer: “… sempre seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso” ( Rm 3:4 ). Este é um atributo da divindade: sempre verdadeiro! Ele é imutável e verdadeiro.

O homem, por sua vez, é descrito mentiroso, porém, esta não é uma condição imutável, pois o apóstolo não disse que todo homem sempre será mentiroso. Por quê? Porque há esperança para os homens que crêem que tudo foi entregue por Deus a Cristo, e que ninguém conhece o Pai senão o Filho, e que ninguém conhece o Filho se não o Pai ( Mt 11:27 ).

Aqueles que crêem que o Pai conhece o Filho e o Filho conhece o Pai, e que tudo pertence ao Filho, tornam-se um assim como o Pai e o Filho ( Jo 17:11 -21 e 22). É por isso que o apóstolo João disse: “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” ( 1Jo 5:20 ).

Ora, o apóstolo João enfatiza que já é de conhecimento dos cristãos que o Filho de Deus se manifestou aos homens, e que foi ele quem trouxe o ‘entendimento’ para que os homens ‘conhecessem’ o que é verdadeiro. O entendimento que se necessita para conhecer a verdade refere-se à revelação de Cristo, de que todas as coisas pertencem a ele e que Ele e o Pai se conhecem.

De posse deste entendimento, o homem passa a estar em união com o que é verdadeiro, ou seja, em união com Deus. A verdade a que o cristão passa a estar unido não é um ponto de vista, como pensou Nietzsche, antes diz da essência do próprio Deus.

O apóstolo Pedro enfatiza que os cristãos receberam através do conhecimento de Cristo tudo que diz respeito à vida e a piedade, pois se tornaram participantes da natureza divina. Escaparam da corrupção que há no mundo ( 2Pe 1:4 ).

A verdade refere-se a natureza do Pai, do Filho e de todos quantos estão em Cristo Jesus. Jesus é o caminho que conduz o homem a Deus. Jesus é a verdade, e todos que entram por Ele chegam a Deus. Jesus é a vida, e todos que entraram por Cristo, estão naquele que é verdadeiro, e, portanto, estão de posse da vida eterna, pois ‘seja sempre Deus verdadeiro’, e naquele que é verdadeiro estamos.

A vida eterna é conhecer a Deus por único Deus verdadeiro, e a Cristo como sendo o enviado de Deus ( Jo 17:3 ). É neste ‘conhecer’ (união intima) que ocorre a transformação no homem, pois Deus vivifica o coração dos cansados que aprende do Manso e Humilde de coração. Os contritos encontram alivio, pois Deus vivifica-lhes o espírito, e neles faz morada ( Is 57:15 ; Mt 11:29 ; Sl 51:10 -11; Jo 14:23 ).

A vida não está além de uma linha imaginável no horizonte, antes a vida foi entregue por Deus aos homens “Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada” ( 1Jo 1:2 ). O amor não está no mundo que jaz no maligno onde ‘vivem’ os delinquentes, antes o amor de Deus esteve na cruz ao entregar Cristo aos homens, mesmo sendo todos ainda pecadores.

Quem do imundo tirará o puro? Que há de puro nas valas dos hereges que não contamine tudo ao derredor? Tocar qualquer coisa imunda é tornar-se imundo!

As obras artísticas dos homens, por mais renomados que sejam somente tocam as emoções dos seus semelhantes. Quantos sentimentos, quantas emoções, quantas recordações não evocam os poetas aos seus ouvintes? Nomes como Michelangelo, Picasso, Beethoven, Bach, Mozart, etc., somente lançam aos espectadores um breve encanto, mas não podem substituir a palavra da verdade que é mais penetrante que qualquer instrumento de corte já inventado pela humanidade, e que vai até à divisão da alma e do espírito.

A intuição dos místicos como São João da Cruz, Eckhart e Teresa de Ávila se equipara aos Catecismos, as Confissões de Fé e as dogmáticas quando não demonstram que o mistério eterno já foi revelado.

Melhor: Cristo é a bondade de Deus encarnada, e qualquer nobreza que se revele ou que ainda possa ser vivenciada no mundo não passa de um espinho, ou uma sebe de espinhos ( Mq 7:3 ). A ideia de que a vida eterna pertence a quem se curva para ajudar caídos não condiz com a verdade do evangelho, pois a vida eterna pertence somente àqueles que creem “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna” ( Jo 6:47 ).

“Ghandi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Jimmy Carter encarnaram a máxima cristã de que a vida eterna pertence a quem se curva para ajudar o caído” Frágeis pensamentos sobre a verdade, Ricardo Gondim, Estudo postado no Blog Ricardo Gondim.

A salvação é pelas obras, ou pela fé em Cristo? Os ensinos de Ghandi conduz à Deus? Madre Teresa de Calcutá está no seio de Abraão porque ajudou os pobres? Ainda que se dê o corpo para ser queimado, de que adiantaria se o homem não atentar para tão grande salvação? ( 1Co 13:3 ; Hb 2:3 )

A verdade é manifestação da graça de Deus para livrar o homem da morte. A verdade e a vida estão intimamente ligadas, pois que Cristo é a verdade e a vida. Cristo, a verdade revelada aos homens, é humilde e manso de coração, e oferece o seu jugo para que os homens encontrem descanso para as suas almas. A verdade esvaziou-se da sua glória e não teve por usurpação ser igual a Deus para que os homens tornassem participantes da glória de Deus “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ; Fl 2:6 e Jo 17:22 ).

A verdade foi concedida aos homens para os que foram destituídos da glória de Deus tenham a oportunidade compartilhar da natureza divina.

Nada impede e é salutar ler de tudo, porém, é necessário ter em mente a mesma disposição do apóstolo Paulo, que considerou como perda todas as coisas para ganhar a excelência do conhecimento de Cristo, em quem está escondido todos os tesouros da sabedoria e da ciência ( Fl 3:8 ; Cl 2:3 ).

Não cobice a sabedoria dos hereges, pois embora pareçam ser prudentes, tal prudência não os torna filhos da luz, pois Deus mesmo transtornou-lhes a sabedoria em loucura “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” ( 1Co 3:19 ).

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