O arrebatamento da Igreja

A orientação paulina é para que os cristãos não fiquem preocupados ou, assustados com o arrebatamento da Igreja, pois o dia do Senhor só surpreenderá quem está nas trevas.

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É possível um crente carnal?

O que define o homem carnal é estar vendido ao pecado. O crente em Cristo é liberto do pecado e servo de Deus, portanto, é impossível ser servo da justiça e ser carnal.

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Por que o homem precisa de salvação?

Para compreender o motivo pelo qual o homem precisa de salvação se faz necessário saber como, quando, onde e porque se está condenado e qual pena foi estabelecida. É necessário compreender como Deus justifica aquele que está condenado sem invalidar a sua justiça e o porquê da necessidade de um salvador. Por fim, se faz necessário identificar a verdadeira causa do sofrimento da humanidade.


“Por que o homem precisa de salvação?” é uma explicação sucinta do plano da salvação para que fique claro o porquê e por quem Jesus morreu, ou antes, ressurgiu dentre os mortos. Que fique claro que Ele não veio condenar o mundo, mas veio salvá-lo “Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” ( Jo 3:17 ).

Todos passam por muitos problemas e sofrimentos nesta existência, mas estes não são os motivos pelos quais o homem precisa de salvação.

O homem precisa de salvação hoje por causa de uma condenação que sujeitou toda a humanidade à morte no passado. A morte foi imposta pelo pecado, uma barreira erguida que separa o homem de Deus. No entanto, por causa de uma visão desfocada, geralmente os homens só se perguntam se estão perdidos quando defrontam com alguma vicissitude – não rotineira – da vida.

A Bíblia nos revela que Deus já julgou a humanidade lá no Éden, e que todos os homens estão sob condenação, mas equivocadamente acredita-se que Deus ainda há de julgar a humanidade para determinar aqueles que serão salvos ou que perecerão.

Por causa de uma visão distorcida, várias religiões prometem salvação após o julgamento final, mas Jesus e os apóstolos afirmaram que o juízo de Deus já foi estabelecido e que todos estão debaixo de condenação. Como a perdição é uma realidade, através do evangelho de Cristo é oferecido salvação hoje, o chamado ‘dia aceitável’ ( Rm 5:16 ; Jo 3:18 ; 2Co 6:2 ).

Apesar da condenação que pesa sobre a humanidade, com o nascimento de Jesus, o Emanuel, cumpriu-se a profecia que diz: “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” ( Is 9:2 ), e Cristo foi estabelecido por salvação para todos os povos.

 

O problema da humanidade

Geralmente o que salta aos olhos quando se pensa em salvação são os erros de conduta das pessoas. Por causa de questões comportamentais e morais muitos entendem que se a pessoa for ‘boazinha’, será salva.

Quando se observa uma pessoa desregrada, transviada, má, criminosa, etc., de imediato acredita-se que o tal necessita de salvação muito mais que o restante da humanidade. Isto não é verdade, pois as pessoas desregradas precisam de salvação, como também todos os demais homens, mesmo os religiosos, sábios, regrados, ordeiros, etc.

A Bíblia nos diz que Jesus veio salvar os perdidos, e os perdidos não estão somente entre os desajustados da sociedade. Os perdidos são vistos nas sarjetas e nos palácios, nos templos e nos prostíbulos, na filosofia e na religião, nos ateus e nos crédulos, etc.

Uma visão distorcida dá a falsa segurança para alguém que é saudável, inteligente, abastado de bens, pertencente a uma família e tem muitos amigos, que não necessita de salvação. Mas, segundo a Bíblia, nenhum desses quesitos são indicativos de que o homem está salvo.

 

Uma natureza má

Todo homem sem Cristo está sob o domínio do pecado, ou seja, são escravos do pecado. A sujeição ao pecado não é perceptível aos sentidos naturais e nem é possível identifica-lo através dos sentimentos ou das emoções. Somente as Escrituras revelam o pecado como o mal que afeta a todos através da revelação das Escrituras.

Isto significa dizer que o pecado não tem cheiro, gosto, forma, não emite som, etc. Todos os homens possuem sentimentos e emoções, porém, não é possível identifica-los como pecadores através das emoções ou dos sentimentos, porque quando a Bíblia aponta para a natureza má do homem aponta para uma condição que se estabeleceu desde o nascimento.

A natureza má do homem não se manifesta somente através de condutas desregradas como matar, mentir, roubar, etc. Mesmo quando o homem parece correto, controla as suas emoções, segue bons princípios de convivência e sabe dar boas dádivas aos seus semelhantes, diante de Deus tal pessoa é designada má tal qual os desregrados “Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos…” ( Mt 7:11 ).

A Bíblia nos informa que tanto o religioso, o monge, o padre, o juiz, etc., quanto o roubador, homicida, estuprador, etc., se não aceitarem a Cristo, são igualmente maus diante de Deus. O mal está na natureza humana, pois é contaria a natureza de Deus. Deus é vida e a natureza humana herdada de Adão morte.

O mal da natureza herdada de Adão não é o caráter, a moral ou a índole do indivíduo, mas uma condição contraria à natureza de Deus. Se o homem possui comunhão com Deus: é luz, é verdadeiro, é justo, é santo e bom (nobre). Se não há comunhão com Deus, a sua condição é contraria à nobre, ou seja, é treva, mentiroso, injusto, impuro e mau, no sentido de baixo, vil.

Quando a Bíblia diz que o homem é mau, não se refere às ações – se boas ou más.

O Salmista enfatiza do ponto de vista social que tanto os homens nobres, quantos os homens da ralé são mais leves que o efêmero. No quesito mal – não importa o comportamento – e sim o nascimento. Se descendente de Adão, são mentirosos, ruins “Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que a vaidade” ( Sl 62:9 ); “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, E venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ).

Quando é dito na bíblia que todo homem é mentiroso, não significa que todos são desonestos, ou que todos faltam com a verdade para com os seus semelhantes. ‘Mentiroso’ é condição decorrente do coração enganoso herdado de Adão e não uma falha de caráter ( Sl 58:3 ; Jr 17:9 ).

O problema da humanidade teve início na ofensa de Adão, pois através de uma ofensa veio o juízo de Deus sobre todos os homens para condenação: morte. O juízo já foi estabelecido, por isso Jesus não veio condenar o mundo, mas salvá-lo ( Rm 5:18 ).

Deus é vida, luz, bom, santo, justo, etc., e o homem alienado de Deus passou a condição de morto, trevas, ruim, impuro, injusto, etc.

O problema da humanidade não está em suas ações, assim como o problema de uma infecção não está no pus, antes o problema está e decorre da semente que foi gerada. Todos os homens são gerados da semente corruptível de Adão, árvores que Deus não plantou, mas se crer em Cristo é enxertado na oliveira verdadeira, transportado das trevas para luz.

O homem sem Cristo é miserável pelo que é, e não pelo que faz. Adão, o primeiro homem, foi criado justo e santo, mas desobedeceu o Criador e sofreu as consequências da sua decisão: separou-se de Deus. Em razão da sua condição maldita, a semente de Adão tornou-se má e só produz descendentes maus.

Semelhante a semente de uma árvore má que produz outra árvore também má, assim são os descendentes de Adão concebidos em pecado: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores …” ( Rm 5:19 ).

O homem não possui o poder de mudar a sua natureza, assim como os anjos não podem mudar a deles. Os homens precisam de Cristo porque só no evangelho há poder que faz de quem crê uma nova criatura participante da natureza divina.

 

Boas e más ações

A desobediência de Adão (que foi comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal) é a ofensa que alienou toda a humanidade da glória de Deus. Um mal que se perpetua de pai para filho, independentemente de quaisquer ações que o homem realize.

Além de se tornar pecador, algo decorrente da desobediência ao mandamento dado no Éden, o homem também adquiriu um conhecimento: o conhecimento do bem e do mal. Conhecer o bem e o mal não é o pecado, antes é consequência de ter comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Por causa do conhecimento do bem e do mal todos os homens, tanto justos como injustos, são capazes de realizar boas ações e más ações, entretanto, a natureza em pecado do homem não pode ser alterada através de suas ações, quer sejam boas ou más ( Ec 7:20 ). Se fizer boas ações, a natureza permanecerá má, se fizer más ações, a sua natureza permanecerá igualmente má.

Geralmente se presume que somente as pessoas que comentem más ações são pecadoras, porém, Jesus evidencia através da parábola do ‘Fariseu e o Publicano’ que, apesar de o fariseu se cercar de boas ações, diante de Deus não estava justificado.

No período da escravidão tudo que um escravo produzia – por lei – pertencia ao seu senhor. Esse mesmo princípio aplica-se ao homem sem Cristo, pois tudo que o pecador produz pertence ao pecado, quer sejam boas ou más ações.

O pior homem sem Cristo não se mensura por suas más ações, e mesmo o melhor homem sem Cristo não se mensura por suas boas ou más ações “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos” ( Mq 7:4 ). Diante de Deus o melhor dos homens quanto o mais reto estão em igual condição ( Sl 53:3 ).

Devemos olhar com reservas para concepção do homem sem Cristo, por mais justo e correto que pareça, pois a aparência engana e, a concepção deste homem acerca das coisas de Deus é tão perniciosa quanto à do pior dos homens: o melhor e o pior dos homens estão equivocados. Por causa da natureza má, o pensamento do homem alienado de Deus é permanentemente mau. Por causa da natureza herdada de Adão, o homem sem Deus, além de trilhar um caminho de perdição, é mentira desde a origem ( Rm 3.4; Sl 58:3 ).

É em função da natureza do homem sem Deus que Cristo conta a parábola da ‘Árvore boa e a má’: a árvore má produz maus frutos e a árvore boa produz bons frutos ( Mt 12:33 ). A figura da árvore representa o homem; a árvore má representa o homem que não nasceu de novo, árvore que não foi plantada por Deus, ou seja, é árvore nascida de uma semente corrupta, a semente de Adão.

O homem (árvore má) pode até dar coisas boas aos seus semelhantes, porém, dizer coisas boas é impossível, pois possui um mau tesouro no coração enganoso e corrupto ( Mt 12:35 ), e Jesus aplica a figura da árvore má diretamente aos fariseus, porque sendo maus, nascidos de Adão, era impossível (não podiam) dizer boas coisas ( Mt 12:34 ).

É por causa da impossibilidade de um homem sem Cristo (árvore má) dizer (fruto) coisas boas que Jesus alerta acerca de como identificar os falsos profetas: pelo fruto, ou seja, pelo que dizem, pois a boca evidencia o que há no coração. É possível um falso profeta se manter escondido sob o disfarce de ovelha, ou seja, pela aparência (boas ações), mas é impossível disfarçar o fruto ( Mt 7:15 -16).

Embora muitos pensem: “Eu não sou malévolo”, ou até diga: “Cometo erros, mas isto não me faz merecer queimar em fogo pela eternidade”, o juízo de Deus para condenação foi estabelecido por causa de um só homem que pecou. Por causa da ofensa de Adão a condenação se abateu sobre todos os homens ( 1Co 15:21 -22), e muitos ignoram o fato de estarem condenados.

Muitos argumentam que é injusto ser condenado à perdição eterna porque um homem pecou! Este era o sentimento dos filhos dos escravos, pois nada fizeram para estarem sujeitos ao mando de seus senhores, entretanto, estavam condenados a uma existência de servidão.

Alegar que é injusto ser condenado pelo erro de outro não livra o homem da sua condição de sujeição ao pecado. O que livra o homem de tal condenação é crer no evangelho, que é poder de Deus para fazer dos filhos de Adão filhos de Deus.

 

A doutrina de Cristo

“O que eu devo fazer para ser salvo?”

A Bíblia dá a seguinte resposta: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” ( At 16:30 -31).

Quem é Jesus para que eu possa confiar n’Ele?

Jesus foi um homem da cidade de Nazaré como qualquer outro homem, porém, o diferencial entre Cristo e os demais homens está na forma como veio ao mundo. Enquanto os demais homens vêm à existência da concepção derivada da união íntima de um homem e uma mulher – na eternidade o Verbo Eterno teve que se esvaziar da sua glória, ou seja, deixar o seu divino poder, e ser ‘lançado’ pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem (Maria). Fato que determina que nasceu sem pecado!

O Verbo – desde sempre existiu – mas ao despir-se da sua glória, conforme as profecias se fez homem e nasceu na casa de Davi. Entre os homens foi nomeado ‘Jesus’ conforme orientação de Deus, e tudo o que estava escrito acerca d’Ele nas Escrituras cumpriu-se ( Rm 1:3 ).

Enquanto o primeiro homem Adão, que veio ao mundo sem pecado, desobedeceu a Deus, o Verbo eterno – ao assumir a forma humana – se fez servo e foi obediente até a mote, e morte de cruz. A desobediência de Adão trouxe condenação sobre todos os homens, e Cristo, pela Sua obediência, trouxe salvação a todos quanto crerem n’Ele.

Jesus foi declarado Filho de Deus com poder quando Deus O ressuscitou dentre os mortos ( Rm 1:4 ), cumprindo cabalmente o que foi dito a Davi:- “O teu descendente que proceder das tuas entranhas (…) Eu lhe serei por Pai e Ele me será por Filho” ( 2Sm 7:12 -14).

O apóstolo Pedro deu testemunho que Cristo foi crucificado, mas que Deus o ressuscitou dentre os mortos e que em nenhuma outra pessoa há salvação, pois na terra não há outro nome pelo qual os homens são salvos ( At 4:11 -12).

Jesus é o Salvador, porque quando o homem (Adão) pecou contra o Criador, Deus prometeu um libertador (O Messias, que é o Cristo) e, na plenitude dos tempos Deus enviou o seu Unigênito aos homens, cumprindo-se as profecias escritas a respeito de Jesus séculos antes do Seu nascimento.

Jesus é o descendente prometido a Abraão em quem todas as famílias da terra seriam benditas. Ele é o rebento na casa de Jessé, o Filho de Davi. Conforme a profecia, Jesus nasceu de uma virgem na cidade de Belém, e na sua boca nunca houve engano, porque falava verazmente segundo o seu coração.

Conforme as profecias, na crucificação, as mãos e pés de Jesus foram perfurados, morreu e foi sepultado na cova de um homem rico e ao terceiro dia ressurgiu dos mortos, provando assim que o Jesus de Nazaré é efetivamente o Cristo, o Filho de Davi conforme confessou o cego a beira do caminho de Jericó.

Até aqui, apresentamos aspectos da vida de Jesus homem quando habitou entre nós, porém é imprescindível salientar que Jesus também é o Senhor da Glória.

Jesus, desde sempre (eternidade) é Deus ( Jo 1:1 ). De posse do Seu eterno poder tem toda autoridade. Na eternidade não há hierarquia entre as pessoas da trindade (são um) “Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra (Verbo Eterno), e o Espírito Santo; e estes três são um” ( 1Jo 5:7 ) , de modo que o Verbo Eterno possui toda autoridade, é conhecedor de todas as coisas, é onipresente e dá vida a todos que crerem nele conforme as Escrituras.

Antes de haver mundo, o Verbo eterno criou todas as coisas e Ele sustem todas as coisas pelo Seu poder, mas para ser introduzido no mundo o Verbo eterno despiu-se do seu eterno poder (Jo 17.5; Fl 2.7), e se fez carne e passou a habitar entre os homens na qualidade de único gerado de Deus, pois a sombra do Espírito repousou sobre Maria e ela achou-se grávida.

Quando esteve entre os homens admitiu abertamente: “Eu e o Pai somos um”. E aquele que o ouviram retrucaram: “… tu, sendo homem, te fazes Deus” ( Jo 10:30 -33). Eles achavam que Jesus estivesse blasfemando e queriam matá-lo. Todas as vezes que Jesus anunciou a sua divindade, os seus ouvintes quiseram apedrejá-Lo: – “Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse ‘Eu Sou’” ( Jo 8:58 ).

Quando João Batista deparou-se com Jesus, apesar de ver um homem semelhante a ele, declarou: – “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Jesus sendo homem, João batista enfatizou: – “Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que tem a primazia, porque era primeiro do que eu”, apontando a preexistência de Cristo ( Jo 1:30 ).

Na eternidade não havia a relação Pai, Filho e Espírito Santo. Na eternidade o Verbo é 100% Deus, e ao deixar a sua glória ao ser introduzido no ventre de Maria se fez 100% homem. No mundo dos homens com a encarnação do Verbo eterno passou a existir a relação Pai e Filho, pois seres celestiais não procriam e, este foi o acordo de Deus Elohim na eternidade ( 2Sm 7:14 ).

Em meio aos homens, Jesus não deteve nem se quer 0.0001% do poder que possui antes de ser introduzido no mundo, pois só tornando-se efetivamente homem reuniria os elementos imprescindíveis para ser mediador entre Deus e os homens, ou seja, em tudo Cristo foi semelhante aos homens “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” ( 1Tm 2:5 ; Hb 2:17 ).

Lembrando que o poder de Deus é infinito, qualquer porcentagem do poder de Deus, a mais ínfima, diz de um poder ilimitado. Quando em meio aos homens, Jesus viveu na dependência completa do Pai, ou seja, efetivamente se fez homem e foi obediente ao Pai até o fim.

Quando homem, apesar de não estar de posse da sua glória (poder), Jesus – o Espírito Eterno encarnado – era digno de adoração. Os discípulos e os seguidores de Jesus não conseguiam compreender que, aquele homem nascido em Belém e que residiu na cidade de Nazaré era o Criador do mundo.

Os contemporâneos de Jesus não conseguiam ter ideia da glória e majestade de Cristo porque Ele se fez homem por causa da paixão da morte. Mas através da sua ressurreição, agora é possível compreender que todas as coisas estão sujeitas a Cristo ( Hb 2:8 -10).

É imprescindível ao crente compreender que Jesus é o Sumo-sacerdote da Nova Aliança que pode compadecer dos pecadores, pois esteve sujeito às mesmas fraquezas e em tudo foi tentado, porém, sem pecado ( Hb 4:15 ). Ele mesmo – em obediência ao Pai – se interpôs como sacrifício ( Hb 9:15 ), e entrou nos céus, em um tabernáculo não feito por mãos de homens ( Hb 9:24 ); “Mas Ele, que já permanece para a eternidade, possui um sacerdócio exclusivo. Eis porque tem condições de salvar definitivamente os que, por meio dele, se aproximam de Deus, pois está sempre vivo para interceder em favor dele” ( Hb 7:24- 25).

A mensagem de Jesus é universal e atemporal: Jesus salva crianças, velhos, mulheres, homens, rico, pobre, sábio, ignorante, etc.

Quando entre os homens, Jesus recebeu afetuosamente tanto os rejeitados pela sociedade e pela religião, quanto aqueles que, tendo uma religião e desempenhando um papel social, creram n’Ele.

Jesus comissionou os seus discípulos, dizendo: – “Ide e fazei discípulos de todas as nações” ( Mt 28:9 ; Jo 3:16 ), pois Ele morreu pela humanidade inteira.

Cristo morreu por todos os homens, e não por alguns em particular ou em especial, pois o desejo de Deus é que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade ( 1Tm 2:4 ).

Para ser salvo é necessário crer que aquele Jesus que residiu na cidade de Nazaré é o Filho de Deus, nascido da descendência de Abraão e na casa de Davi. Que Ele fez muitos milagres e maravilhas enquanto andou entre os homens com a missão de revelar Deus a humanidade ( At 4:10 ). Foi morto, sepultado, mas ressurgiu ao terceiro dia e está à destra da Majestade nas alturas.

Jesus veio ao mundo como o Unigênito do Pai e, por tudo que sofreu, fica evidente que, mesmo sendo o Filho de Deus, foi obediente em tudo, até à morte ( Hb 5:8 ). Ele foi conduzido ao calvário como um cordeiro que não abriu sua boca e, abdicou de fazer a sua vontade, sujeitou-se à vontade do Pai ( Lc 22:42 ). E, ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos como o Primogênito de Deus, pois por Ele muitos filhos são conduzidos a Deus ( Hb 2:10 ), pois aqueles que creem em Cristo – morrem para o mundo e nascem de novo – como filhos de Deus.

 

Novo Nascimento

O novo nascimento através da semente incorruptível é providência graciosa de Deus que torna o homem livre da natureza má herdada de Adão.

Quando você crê que Jesus é o Cristo, torna-se participante da carne e do sangue de Cristo ( Jo 6:35 e 53). Isto significa que você é participante da morte de Cristo, ou seja, tomou a sua própria cruz e seguiu após Cristo, foi crucificado, morto e sepultado à semelhança da Sua morte ( Rm 6:5 ).

Quando o homem crê em Cristo, o juízo de Deus estabelecido no Éden é satisfeito, pois a pena estabelecida para os pecadores – a morte – não passa da pessoa do transgressor. Deus é justo juiz quando o pecador morre com Cristo, pois recebe o cumprimento da sua sentença , pois o salário do pecado é a morte.

É no momento da morte com Cristo que o homem passa à condição de morto para o pecado ( Rm 6;11 ), e a maravilhosa graça de Deus se manifesta, pois mesmo não tendo obrigação nenhuma para com aquele que foi apenado na morte com Cristo, graciosamente Deus traz a existência um novo homem pela ressurreição de Cristo.

O velho homem é crucificado para que o corpo que pertencia ao pecado seja aniquilado ( Rm 6:6 ), e o pecado não tenha mais domínio sobre o tal homem , pois é certo que, morrendo o homem não há mais lei que o vincule ao pecado ( Rm 7:4 ).

O crente em Cristo ressurge com Cristo ( Cl 3:1 ) uma nova criatura criada segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ), de modo que já não há nenhuma condenação ( Rm 8:1 ).

O apóstolo Paulo diz que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, porque aquele que está em Cristo Jesus é uma nova criatura isenta de culpa ( Rm 8:1 ; 2Co 5:17 ). Esta nova criatura é participante da natureza divina, ou seja, bom, luz, filho, etc. ( 2Pd 1:4 ). Do bom tesouro do coração fala coisas boas: confessa que Jesus é o Filho de Deus, produz o fruto dos lábios de quem está ligado à oliveira verdadeira: – “Paz, paz, para os que estão longe e para os que estão perto” ( Is 57:19 ).

A nova criatura não mais comete erros? Sim comete, pois apesar de se livrar da condenação estabelecida no Éden, ainda é conhecedor do bem e do mal. Entretanto, as suas obras e intenções do seu coração serão julgadas no Tribunal de Cristo, e não mais no Grande Trono Branco ( 2Co 5:10 ).

 

Falta alguma coisa?

O crente em Cristo arrependeu-se quando creu em Cristo conforme tudo o que foi predito acerca d’Ele nas Escrituras, momento em que Deus concedeu o perdão de todos os seus pecados e delitos.

Agora em Cristo – uma nova criatura – você não precisa viver admitindo culpa (confessando erros do cotidiano) diante de Deus para garantir a salvação, pois nenhuma condenação há que pese sobre você como nova criatura.

Todas as ações dos cristãos serão julgadas no Tribunal de Cristo, portanto, você pode pedir perdão a Deus por questão de consciência, mas não são estas questões que te levará à perdição.

Como crente, você não precisa mais arrepender-se acerca de como alcançar salvação, ou seja, mudar de concepção (metanoia), pois o seu arrependimento diante da mensagem do evangelho é o que te levou a crer em Cristo. O arrependimento bíblico não se repete ao longo da existência do cristão neste mundo, pois crer em Cristo se dá de uma vez por todas, sendo necessário somente a perseverança.

O arrependimento ligado ao remorso e que se concita a confissão de erros diante de um sacerdote, ministro, padre, etc., decorre de uma concepção católica antiga que vinculava o arrependimento à penitência, ou indulgência.

Por causa das questões próprias à penitencia e à indulgencia surgiram afirmações como: – “Não basta admitir culpa, tem que se arrepender”; ou – “Arrependimento genuíno só parte de um coração quebrantado”; ou – “Arrependimento é mais que remorso”, etc.

A culpa pelos erros cometidos, somado à ideia de arrependimento como penitencia e indulgência fazia com que as pessoas doassem seus bens como prova de genuíno arrependimento e devoção, porém, o arrependimento bíblico é somente admitir que Jesus é o Cristo de Deus que tira o pecado do homem.

A oração do crente nascido de novo é de alegria, expressão verbalizada da sua confiança por ter amplo acesso ao trono de Deus “No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele” ( Ef 3:12 ; Hb 10:19 ). Você não deve se apresentar como indigente diante de Deus, mas como filho agradecido por todas as bênçãos concedidas, pois Deus nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus ( Ef 1:3 ).

Ainda falta alguma coisa para o crente? Sim.

Há a necessidade de se alimentar constantemente. Primeiro com leite racional, depois com alimento sólido até chegar a estatura de varão perfeito, a medida da estatura de Cristo. Prosseguir para o alvo, que é o pleno conhecimento de Cristo. Combater o bom combate em defesa do evangelho e permanecer crendo nele!

E depois de haver feito isto, permanecer firme, até que o corpo mortal seja revestido da imortalidade.

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Jogo dos sete erros

O elemento principal do texto do Gênesis é o cuidado de Deus expresso em um mandamento santo, justo e bom ( Rm 7:12 ), e que pelo mandamento justo, santo e bom o pecado achou ocasião no próprio mandamento que dizia ‘certamente morrerás’.  Daí a colocação do apóstolo Paulo que a força do pecado é a lei (dela não comerás), e que o aguilhão do pecado é a morte (certamente morrerás) “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” ( 1Co 15:56 ).


“Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem” ( 1Co 15:21 )

Encontrei na Web um artigo resposta para a pergunta: “Foi o pecado de Adão e Eva realmente comer um pedaço do fruto proibido?”[1]. O autor apresenta uma resposta em três parágrafos repleta de imprecisões e incongruências, o que me forçou redigir o presente artigo.

A resposta tem início com o seguinte parágrafo:

“A frase ‘fruto proibido’ refere-se à história de Adão e Eva no Jardim do Éden. Eles foram proibidos por Deus de comerem o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:9, 3:2). A Bíblia não diz nada sobre que tipo de fruto era. A tradição identificou-o como uma maçã, mas é impossível saber com certeza. Com base no texto de Gênesis, cada indicação é de uma árvore literal com um fruto literal” Portal Got Questions.

Na literatura mundial o nome ‘fruto proibido’ é constantemente utilizado para fazer referência à história de Adão e Eva, entretanto, essa não foi a denominação que Deus atribuiu ao fruto. Na Bíblia é atribuído nome a árvore: árvore do conhecimento do bem e do mal, portanto, o fruto da árvore plantada no meio do jardim não possui o nome de ‘fruto proibido’.

Considerando as nuances da história contida no texto do Gênesis, percebe-se que Deus alertou Adão sobre a consequência de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, o que nos dá uma perspectiva de proteção e plena liberdade ( Gn 2:17 ), diferente da ideia que a serpente destacou à mulher: proibição  “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” ( Gn 3:1 ).

Entender que Deus proibiu o fruto é entender a história da origem do pecado de Adão e Eva da perspectiva proibitiva que o tentador utilizou para apresentar uma mentira a Eva, e não da liberdade que o casal possuia “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” ( Gn 3:1 ).

O alerta divino enfatiza plena liberdade: “De TODA árvore do jardim comerás LIVREMENTE…” ( Gn 2:16 ), já denominar o ‘fruto’ como ‘proibido’ enfatiza proibição, assim como a fala da serpente. Deus disse que Adão podia comer de ‘todas’ as árvores do jardim e garantiu acesso a todas elas, livremente.

O fato de Adão e Eva terem comido da árvore do conhecimento do bem e do mal evidencia que além da liberdade que possuíam, Deus deu garantias para que o homem exercesse a sua liberdade, visto que, o homem obteve acesso a árvore e dela comeu.

Embora tivesse acesso e pudesse comer de todas as árvores, Deus alertou sobre efeito de comer daquela árvore: “… mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que comeres, certamente morrerás( Gn 2:17 ).

A ordem divina não visou restringir a liberdade do homem, e sim alertar as consequências advindas da decisão do homem, ou seja, morte. Quando um pai proíbe o filho de colocar o dedo em uma tomada de energia elétrica, não é para boicotar o filho, antes para protegê-lo do choque.

Se a ênfase da história do Éden fosse a proibição, Deus teria feito com a árvores o mesmo que fez ao expulsar o casal do Éden: Colocou querubins de guarda em volta do jardim e uma espada flamejante que revolvia por todos os lados para impedir o acesso do homem a árvore da vida ( Gn 4:24 ).

Liberdade plena exige cuidado, cuidado este expresso no alerta: ‘dela não comerás’, pois comer do fruto teria uma consequência drásticas: ‘no dia que comeres, certamente morrerás’.

A astucia da serpente se mostra na aparente falta de ciência da ordem divina: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” ( Gn 3:1 ).Além disto, a serpente colocou proibição com relação a todas as árvores, o que fez Eva trazer à tona o seu conhecimento.

A resposta que Eva deu à serpente deixa de enfatizar a liberdade plena e se concentra na proibição, tanto que agrava a proibição vetando até mesmo tocar o fruto “Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais” ( Gn 3:2 -3).

O autor da resposta enfatiza que Deus nada disse acerca do fruto, porém a Bíblia demonstra que Deus deixou claro que aquela árvore era a árvore do conhecimento do bem e do mal. Apesar de ser agradável à vista e boa para se comer como as demais árvores ( Gn 2:9 ), provar do fruto daquela árvore teria consequências desagradáveis.

O fruto da árvore não era uma maçã, e nem é uma alusão velada ao sexo, como muitos interpretam. Diferentemente das demais árvores do jardim, a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal eram exemplares únicos. Se temos acesso hoje as macieiras, certo é que o fruto do conhecimento do bem e do mal não era uma maçã, pois temos inumeráveis macieiras, diferente da árvore do conhecimento do bem e do mal que era única.

Sim! A árvore do conhecimento do bem e do mal e a árvore da vida eram árvores literais, pois causavam as mesmas impressões à vista que as outras árvores ( Gn 3:6 ).

O elemento principal do texto do Gênesis é o cuidado de Deus expresso em um mandamento santo, justo e bom ( Rm 7:12 ), e que pelo mandamento justo, santo e bom o pecado achou ocasião no próprio mandamento que dizia ‘certamente morrerás’.  Daí a colocação do apóstolo Paulo que a força do pecado é a lei (dela não comerás), e que o aguilhão do pecado é a morte (certamente morrerás) “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” ( 1Co 15:56 ).

Analisando o segundo parágrafo da resposta do Got Questions, que diz:

“O elemento principal na passagem não é o fruto em si, mas a proibição de comê-lo. Deus deu a Adão e Eva apenas uma proibição em Suas instruções. Se houve alguma propriedade espiritual no interior do fruto é realmente irrelevante. O pecado estava em desobedecer a ordem de Deus. Ao comer do fruto (um ato de desobediência), Adão e Eva ganharam conhecimento pessoal do mal. Eles já conheciam o bem, mas agora tinham a experiência contrastante do mal da desobediência, da culpa e da vergonha. A mentira de Satanás é que conhecer o bem e o mal os tornaria como deuses (Gênesis 3:5). Na realidade, eles já tinham sido feitos à imagem de Deus e tinham a bênção da Sua boa vontade” Idem.

Faz se necessário destacar que o elemento principal do texto não é a proibição, como a serpente enganou Eva. Deus deu um mandamento que expressava o seu cuidado e a plena liberdade do homem. Somente guardando o mandamento o homem permaneceria sob a proteção de Deus e preservaria a liberdade recebida.

Algo semelhante é quando um médico dá um diagnóstico de uma doença e apresenta um receituário. O receituário médico é como um mandamento, a essência do cuidado. Se o paciente quiser ser curado, terá que sujeitar-se as recomendações medicas.

O pecado decorre da desobediência ao mandamento, pois pela desobediência Adão e Eva morreram, ou seja, passaram à condição de alienados de Deus. A essência do mal estava na desobediência que ergueu uma barreira de separação entre o homem e Deus (pecado), e não no fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

O mal estava na desobediência, tanto que a exigência da justiça de Deus para reparar o dano de Adão foi que alguém nas mesmas condições, o último Adão obedecesse Deus. Esta verdade é descrita pelo apóstolo Paulo quando disse: “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um, muitos serão feitos justos” ( Rm 5:19 ).

Afirmar que é irrelevante o fruto possuir alguma propriedade espiritual é errôneo, visto que, além das consequências decorrentes da desobediência (morte), estava no fruto o conhecimento do bem e do mal. Além de sujeitar-se ao pecado como escravo, ao comer da árvore do conhecimento do bem e do mal o casal adquiriu conhecimento do bem e do mal, o que os tornou como Deus ( Gn 3:22 ).

A resposta do Got Questions é equivocada quando diz que Adão e Eva conheciam o bem, e que após comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, ganharam especificamente conhecimento do mal.

O homem tinha comunhão com Deus, que é bom, e conhecedor do bem e do mal. Na verdade o casal não tinha conhecimento do bem, antes comunhão com Aquele que é bom. Após desobedecer perdeu a comunhão com Deus, ou seja, com o bom, e passou a ter comunhão com o mal, o pecado, e somado a isso, alcançou conhecimento do bem e do mal.

Além da comunhão com o pecado, o homem passou a ter conhecimento do bem e do mal. A resposta do ‘Got Questions’ coloca a questão como se fosse possível Adão comer somente o mal do fruto da árvore que é do conhecimento tanto do bem quanto do mal. O conhecimento bem e mal faziam parte intrinsicamente da árvore, assim como uma laranjeira agre e do doce produzem laranjas agre e doce, ou seja, é impossível chupar uma laranja e saborear somente o ‘agre’ à parte do ‘doce’.

Semelhantemente Adão ao comer do fruto não comeu somente o mal, e nem tinha como escolher somente o bem. O conhecimento da árvore do bem e do mal não é o pecado, pois Deus também é conhecedor do bem e do mal. (Gn 3:22)

Na explicação argumentam que a mentira de Satanás foi afirmar que o casal seria como Deus quando conhecessem o bem e o mal. Deus mesmo afirmou que o homem tornou-se como Ele, sabendo o bem e o mal “Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal” ( Gn 3:22 ). Esta foi a única verdade na fala de Satanás, pois a mentira estava na negativa de que o casal não havia de morrer: “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis” ( Gn 3:4 ).

É outro equívoco achar que o mal da desobediência se resume em culpa e vergonha. O mal da desobediência materializou-se na alienação de Deus (morte). A vergonha foi decorrente do conhecimento do bem e do mal, quando descobriram que estavam nus e coseram folhas para fazer aventais. A culpa era explicita, porém, da desobediência resultou medo, de modo que se esconderam no jardim ( Gn 3:10 ).

Outro erro que o autor da reposta comete é que o casal havia sido feito a imagem e semelhança de Deus, quando na verdade o casal foi criado à imagem do Cristo que havia de vir sobre a face da terra, conforme nos explica o apóstolo Paulo:

“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir ( Rm 5:14 ).

Adão foi criado a imagem de Cristo-homem, pois o Cristo-homem precisava vir a imagem e semelhança dos homens: participante de carne e sangue ( Hb 2:14 e 17). O Verbo eterno que a tudo criou manifestou-se teofanicamente no Éden e deu a sua imagem e semelhança a Adão conforme o corpo que haveria de ter quando introduzido no mundo dos homens.

Adão não foi criado a expressa imagem e semelhança do Deus invisível, pois a expressa imagem do Deus invisível é o Cristo ressurreto dentre os mortos. Adão foi modelado no barro segundo a imagem do Cristo que havia de vir, ou seja, Cristo-homem. O próprio Verbo eterno teofanicamente[2] no Éden modelou o barro com as mãos e soprou o fôlego de vida nas narinas de Adão ( Gn 2:7 ), concedendo a Adão a imagem que Ele mesmo teria ao ser gerado no ventre de uma virgem.

Por fim, surge uma orientação aos leitores quanto a obedecer a Deus:

“A lição para nós hoje é que, quando Deus proíbe algo, é para o nosso próprio bem. Desobedecê-lo, seguir o nosso próprio caminho ou decidir por nós mesmos o que é benéfico ou não sempre nos levará ao desastre. O Nosso Pai Celestial, o qual nos criou, sabe o que é melhor para nós e quando Ele proíbe algo, devemos ouvi-lo. Quando escolhemos obedecer às nossas próprias vontades ao invés da Sua perfeita e santa vontade, as coisas nunca vão bem para nós. Adão e Eva fizeram essa triste descoberta depois de comerem o fruto proibido e a humanidade tem sofrido as consequências da sua decisão desde então (Romanos 5:12)” Idem.

O alerta final parece indicar que Deus trabalha com o homem impondo restrições. Asseverar que Deus proíbe algo dá margem para que sejam introduzidas regras perniciosas como ‘não toques, não proves, não manuseies’ “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?” ( Cl 2:20 -21 ); “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” ( 1Co 10:23 ).

Em síntese, podemos concluir que Deus não trabalha com proibições (  1Ts 5:21 ), antes Ele nos deu um mandamento que nos livra da condenação estabelecida no Éden: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento. E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele” ( 1Jo 3:23 -24).

 


[1] Foi o pecado de Adão e Eva realmente comer um pedaço do fruto proibido? Got Questions Ministries < http://www.gotquestions.org/Portugues/fruto-proibido.html#ixzz3fJNT7aoF > Consulta realizada em 09/07/2015.

[2] ‘Teofania’ é termo teológico para fazer referência as manifestações físicas de Deus tangível aos sentidos humanos. Diz de uma aparição ou manifestação de Deus através de um anjo, um homem ou algum fenômeno da natureza.

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O livre-arbítrio não é mito

Um dos erros da concepção de que o livre arbítrio é um mito é aplicar uma figura utilizada para descrever a condição dos filhos de Israel e de seus lideres (condutores cegos que guiam cegos) e aplica-la a humanidade para estabelecer a inabilidade do homem em crer em Cristo “Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” ( Mt 15:14 ).


 

“Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 )

 

Introdução

O presente artigo não é uma abordagem filosófica acerca do que é ‘livre-arbítrio’, nem mesmo se propõe abordar suas implicações morais, religiosas, psicológicas, científicas, sociais, econômicas, politicas, ideológicas, etc.

A abordagem não é de cunho religioso, pois não visa impor questões éticas e morais, ou seja, não é prescritivo, não visa responder se o indivíduo é moralmente responsável por suas ações e nem se o homem é capaz de exercer escolhas genuínas.

A análise deste artigo tem por base princípios e figuras que a bíblia apresenta.

 

Qual é o mito?

Deparei-me com um artigo na web com o título “O mito do livre-arbítrio” que fortemente me compeliu a comentá-lo. Para contextualizar a abordagem do tema, se faz necessário transcrever alguns pontos do artigo que está assinado pelo Pr. Walter Chantry.

Nos dois primeiros parágrafos do artigo temos a seguinte exposição:

“Ninguém pode negar que o homem tem vontade – que é a faculdade de escolher o que deseja dizer, fazer e pensar. Mas, já refletiu sobre a lastimável fraqueza da sua vontade? Embora tenha a capacidade de tomar uma decisão, você não tem o poder de realizar o seu propósito. A vontade pode projetar um curso de ação, mas não tem em si mesma a capacidade de realizar o que intenta. Os irmãos de José o odiavam e venderam-no como escravo. Mas Deus utilizou o que eles fizeram para torná-lo um governante sobre eles mesmos. Eles escolheram, com o seu curso de ação, prejudicar a José, mas Deus, em Seu poder, dirigiu os acontecimentos para o bem de José, que disse: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem” (Gn 50.20)” (grifo nosso) O mito do livre-arbítrio, Walter Chantry, pastor da Grace Baptist Church em Carlisle, PA, EUA – Traduzido por: Wellington Ferreira – Copyright© Walter Chantry, Editora Fiel, Traduzido do original em inglês: The Myth of Free Will extraído do site: www.the-highway.com/Myth.html.

O Pr. Chantry afirma que o homem possui a faculdade de ‘escolher o que desejar dizer, fazer e pensar’, ou seja, ele faz referência à vontade do homem, porém, em seguida, perde a lógica, pois faz algumas conjecturas sobre ‘decisão’ e ‘poder de realizar’ como se estivesse analisando a vontade. Para dar apoio à argumentação, que confunde ‘vontade’ com ‘decisão’ e ‘capacidade de realização’, cita os irmãos de José como prova de que o homem não tem a capacidade de realizar o que intenta sob a alegação de que a vontade do homem é fraca.

Nesta abordagem há uma distorção gravíssima sobre o que é ‘vontade’ e ‘decisão’, quando argumenta que a vontade não possui capacidade de realização. Propositadamente ou não, o que o Pr. Chantry propôs deriva do mesmo princípio do argumento do ‘paradoxo da pedra’, argumentação filosófica que contrapõe a onipotência divina com força física.

O paradoxo da pedra firma-se no argumento de que, se Deus tem poder para realizar qualquer ação, então teria que criar uma pedra que Ele mesmo não pudesse levantar. A argumentação não leva em conta que as leis da física não se aplicam a Deus.

Sem adentrar na seara do paradoxo da pedra que contrapõe indevidamente elementos que possuem naturezas completamente distintas como ‘força física’ e ‘poder criativo’, é inegável que Deus é livre e todo poderoso.

Na tentativa de encontrar uma impossibilidade em Deus, os homens se apoiam na lógica e em eventos físicos, mas a bíblia revela abertamente e sem qualquer rodeio que Deus não pode mentir, ou seja, que Deus não pode negar a si mesmo “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:13 ; Tt 1:2 ).

Apesar de ser todo poderoso, a bíblia apresenta várias impossibilidades em Deus, como: Deus não pode mentir, não pode ter o culpado por inocente, não pode justificar o ímpio, não pode aceitar suborno, não pode fazer acepção de pessoas, não pode mudar, etc. Ora, todas estas impossibilidades é segurança para os que creem!

A impossibilidade de mentir depõe contra a onipotência divina? Não! A impossibilidade seria uma fraqueza da vontade divina? Não! Se tal impossibilidade não depõe contra os atributos da divindade, de igual modo temos que considerar que a incapacidade humana de realizar algum desejo não depõe contra o seu livre arbítrio.

É aberrante tentar amalgamar ‘vontade’ com ‘capacidade de ação’, ou, abordar ambas como se fosse um só ente. A natureza da vontade e a natureza da capacidade de ação são completamente distintas, pois ‘capacidade de ação’, mesmo quando limitada por fatores externos ao homem, não o impede de desejar.

A vontade é algo inerente ao indivíduo e é definida como a ‘capacidade de autodeterminação’, ‘intencionalidade definida’, ‘anseio da alma’, o que diverge do conceito apresentado pelo Pr. Walter, de que vontade é ‘a faculdade de escolher o que deseja dizer, fazer e pensar’.

Há imprecisão na asserção apresentada, pois vontade não é o mesmo que escolha.

Temos que divisar bem. Estamos abordando o problema do livre-arbítrio, questão diferente da livre agencia, embora muitos trabalhem as duas questões como se fosse apenas uma. Na livre agencia há o problema das opções de escolha, que é fator limitador externo ao agente, mas a opção de escolha não limita a vontade. A livre agencia é condicionada a fator externo ao agente, já o livre-arbítrio não.

A vontade do homem não possui limites por não estar sujeita a fatores externos ao indivíduo, mas quando o homem se depara com opções de escolha, exercerá a sua liberdade dentro de parâmetros pré-estabelecidos, o que se denomina de livre agencia. Quando no exercício da escolha dentro das opções ofertadas não podemos aduzir que, em função do limite de opções há fraqueza na vontade do homem.

Nada há que limite a capacidade do homem de desejar e pensar e, se não há o que limite o homem quanto a esta capacidade, certo é que o homem possui livre-arbítrio. Faça você mesmo um exercício desta faculdade neste momento. Escolha o que você quiser pensar e resolva desejar o que você quiser desejar. Há qualquer fraqueza quanto a esta faculdade? Você não conseguiu pensar o que quis pensar, ou houve algum empecilho quanto àquilo que você quis desejar?

Uma pessoa pode desejar comer o doce que quiser, mas se for diabético, apesar do desejo livre, as suas escolhas quanto a comer doces estará condicionada a preservar a sua existência.

O Pr. Walter inicialmente abordou a vontade como faculdade, que em outras palavras é aptidão indissociável das disposições internas do indivíduo, em seguida procurou estabelecer a vontade como fraca em função de questões externas ao indivíduo, porém as questões externas estão relacionadas à capacidade de ação e não à vontade.

Quando se fala em vontade, fazemos referência à autodeterminação e tal capacidade não está investida de poderes mágicos, ou de onipotência. Há uma grande diferença entre vontade e capacidade de realização. Por exemplo: Deus quer que todos os homens se salvem e que venham ao conhecimento da verdade, porém, apesar de possuir todo poder (capacidade de realização), poucos são os que entram pela porta estreita “Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” ( 1Tm 2:4 ); “E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” ( Mt 7:14 ).

Há incapacidade na vontade de Deus? Não!

O pastor Walter começa seu texto fazendo uma definição de vontade, e no afã de anular o livre arbítrio faz a seguinte colocação:

“Se a vontade do homem é tão potente, por que não desejar vivendo sempre e sempre? Mas você certamente vai morrer” Idem.

Quem, algum dia afirmou que há potencia na vontade? O termo livre arbítrio não trás a ideia de potência, mas a liberdade de julgamento íntimo!

Ora, a vontade do homem não é potente e nem impotente. Entretanto, se a premissa acima foi lançada no texto para demonstrar que o homem não tem mérito quanto a aceitar a salvação, ela é inócua, porque o mérito da salvação não se baseia em vontade, mas no agir de Deus segundo o seu propósito.

Embora a vontade não tenha em si mesmo o poder de realização, contudo, ela impulsiona o indivíduo a agir (trabalhar) em favor da realização. A ação é a fonte que possibilita a concretização do desejo. Pensar a vontade sem levar em conta que é no trabalho que está o poder de realização, promove confusão no trato do livre arbítrio.

Não há poder de realização quando se deseja ter uma casa, porém, o desejo é a chama que motiva o homem a trabalhar e construir uma casa para si. No trabalho encontra-se o poder de realização.

De igual modo, não há poder na vontade do homem quando deseja ser salvo. Quando se trata de uma casa, o homem pode trabalhar para conquistar seu desejo, mas com relação à salvação isto lhe é impossível alcançar através do labor.

Quando o discípulo Pedro perguntou: “Quem poderá, pois salvar-se?” ( Mt 19:25 ), Jesus respondeu: “Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” ( Mt 19:26 ). Jesus apontou uma impossibilidade de realização, e não uma impossibilidade de desejar.

Com relação à salvação o homem pode desejar ser salvo, porém não pode conquistar tal desejo em si mesmo, mas como Deus deu garantia expressa que trabalha para aqueles que n’Ele esperam, basta esperar naquele que é poderoso para cumprir o que prometeu que será salvo, pois o evangelho anunciado por Cristo é poder de Deus para salvação dos homens “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera” ( Is 64:4 ); “E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” ( Jo 5:17 ); “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” ( Rm 1:16 ).

Sem a vontade o homem fica apático às questões existenciais, não haverá valoração íntima quanto a exercer escolhas, o que o reduzirá a uma subespécie.

A vontade do indivíduo é para sua autodeterminação, ou seja, serve para nortear o curso da sua própria vida. A vontade não serve para direcionar o curso da vida alheia, quanto menos para alterar uma lei física.

Utilizar a passagem de José como exemplo para demonstrar que a vontade do homem é fraca não serve ao propósito, visto que, os irmãos de José desejaram traçar o curso da vida alheia. Os irmãos, por inveja, desejaram se livrar do “queridinho” do pai, mas cada qual do seu jeito. Uns queriam matá-lo, outros vendê-lo, e até mesmo houve quem desejou devolvê-lo ao pai. Cada um dos irmãos de José possuíam desejos distintos.

Quanto ao que os irmãos de José desejaram não há que se falar em fraqueza, pois cada um deles teve seu desejo livre dentro de si. Mas no que tange à capacidade de realizar havia obstáculos. Dentro das alternativas que dispunham, conseguiram afastar José da convivência familiar, pois primeiro lançaram José no poço e depois o venderam como escravo.

A vontade dos irmãos de José guiava o curso da vida deles, porém, a vontade deles jamais poderia guiar o curso da vida de José. Quando se fala de vontade, diz-se de faculdade que se restringe ao indivíduo, e jamais passa da pessoa do indivíduo.

Deus deseja que todos os homens se salvem, porém, muitos se perdem. A vontade de Deus é fraca, visto que Ele não leva a efeito o que deseja? Não! Embora Deus seja onipotente, contudo, não impõe a sua vontade às suas criaturas “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade ( 2Co 3:17 ).

Quando Deus age, ninguém pode impedir, mas isto não se aplica à Sua vontade, pois quando Deus manda, a luz vem a existência, o mar obedece, o universo para, mas, diversas vezes na bíblia vemos Deus pedindo obediência ao homem.

Quando Deus criou o homem, vê-se que Ele tem poder sobre o barro. Mas não impôs sua vontade sobre o vaso.

Não era da vontade de Deus que Adão o ofendesse, porém, Adão O ofendeu. A vontade de Adão tornou-se superior à vontade de Deus? Não! Deus simplesmente respeitou a decisão de Adão. Isto significa que não há como afirmar que a vontade é fraca ou forte. Não alcançar o que se deseja não torna a vontade fraca, e alcançar, não torna a vontade forte.

Embora os irmãos de José tenham intentado o mal e deram vazão à vontade que possuíam, contudo, pela ação de Deus em cumprir sua promessa feita a Abraão, José foi preservado tendo-se em vista a linhagem de Cristo, conforme o testemunho de José: “Pelo que Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento” ( Gn 45:7 ).

Não quero aqui menosprezar a soberania de Deus, categoricamente na condição de Juiz supremo, ninguém há que possa escapar das mãos de Deus. Nesse quesito, agindo Deus, não há quem possa impedir. O supremo juiz tem poder sobre as suas criaturas “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” ( Is 43:13 ). Mas no afã de exaltar a soberania de Deus, não devemos menosprezar Sua longanimidade.

Quando li esse parágrafo do artigo “O mito do livre-arbítrio”, fiquei impressionado com a confusão que se faz com livre-arbítrio (livre vontade), poder de decisão e capacidade de realização:

“Quantas das suas decisões são miseravelmente frustradas? Você pode desejar ser um milionário, mas é possível que a providência de Deus impeça isso. Você pode desejar ser um erudito, mas uma saúde comprometida, um lar instável, ou insuficiência financeira pode frustrar a sua vontade. Você pode querer sair de férias, mas um acidente de automóvel pode mandá-lo para o hospital” Idem.

A frustração nada mais é do que prova de que a vontade do homem é livre, pois o homem pode desejar o impossível, o que certamente trará frustração. A liberdade de desejar é faculdade diferente do poder de decisão, que por sua vez é diferente do poder de realizar.

Muitos desejam ser milionários, mas desejar ser milionário e ser milionário é o resultado de uma decisão?

Afirmar que a vontade de Deus impede um homem de ser milionário é contestar a palavra de Deus que diz que o sol nasce sobre os justos e injustos, é negar que a sorte foi lançada ao regaço de todos.

Não sei se fico triste ou alegre por Friedrich Nietzsche não estar vivo, pois as alegações do pensador acima daria azo para que Nietzsche dissesse mais blasfêmias ( Rm 2:24 ).

Se pelo fato de o homem não levar a termo as suas vontades, elas são tachadas de miseravelmente frustradas, que dizer da vontade de Deus, que é salvar todos os homens? Deus é miseravelmente frustrado?

Não é porque o homem não pode selecionar ou determinar a sua posição social, cor, inteligência, família, etc., que seu livre arbítrio está comprometido. Em qualquer condição que um ser humano nasce é possuidor de livre arbítrio, pode desejar o possível e o impossível.

Deus é Todo Poderoso, livre, a sua vontade é livre, mas a ninguém oprime.

Não se pode confundir a ‘vontade’ de Deus com o ‘propósito’ de Deus. Com relação ao propósito de Deus em salvar a humanidade, Ele AGIU soberanamente, pois nem mesmo poupou o seu próprio Filho. Mas com relação a sua vontade: ‘que todos se salvem e venham ao conhecimento da verdade’, não impõe, antes espera que os homens a experimentem “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” ( Rm 12:2 ).

É através da vontade livre que os homens sonham, fazem projetos, se lançam às realizações, mesmo quando sentem que as suas forças não pode alcançar.

Muitos escravos, quando amarrados, em postes de tortura, embora não tivessem o poder de realizar os seus intentos, contudo persistia dentro deles o anseio pela liberdade, a vontade deles era livre, e homem algum poderiam sobrepujar os seus anseios e sonhos.

O fato dos sonhos serem frustrados em nada depõe contra a livre vontade do homem. Mesmo que a vontade seja frustrada, não impede que o homem permaneça desejando.

Por fim, o Pr. Walter utiliza duas citações bíblicas como prova das suas alegações:

“Uma sóbria reflexão sobre sua própria experiência levará à conclusão que: “O coração do homem propõe o seu caminho, mas o Senhor lhe DIRIGE os passos” (Pv 16.9). Em vez de exaltarmos a vontade humana, deveríamos humildemente louvar ao Senhor, cujos propósitos formam as nossas vidas. Assim como confessou Jeremias: “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha o dirigir os seus passos” (Jr 10.23). Sim, você pode escolher e planejar o que tiver vontade, mas sua vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus. Nem tem você a capacidade de alcançar qualquer meta que não seja aquela que Deus permitiu” Idem.

O que Jeremias confessa diante de Deus? Que você pode escolher e planejar o que tiver vontade, mas que sua vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus? Que você não tem a capacidade de alcançar qualquer meta que não seja aquela que Deus permitiu ou estabeleceu? Não!

A asserção ‘… mas sua vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus” contraria o que Deus diz: “Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem me veio ao pensamento ( Jr 19:5 ).

É de se considerar que o profeta que Deus usou para falar que não é do homem seu caminho, e nem do que caminha o dirigir os seus passos, foi o mesmo que usou para dizer que certos homens (judeus) faziam coisas que Ele não ordenou, coisas que nem passou em seu pensamento.

Haveria confusão em Deus? Deus desconhecia o assunto que falava? De modo nenhum!

Deus falou muitas vezes, e de muitas maneiras; e uma destas maneiras foi usando figuras. Ao abordar as impossibilidades do homem no que tange ao caminho, Deus estava falando de salvação. O homem não escolhe a porta para entrar neste mundo. Foi o que Jesus explicou: o homem entra no mundo pela porta larga e é conduzido por um caminho largo à perdição porque Adão pecou. É impossível o homem ser conduzido pelo caminho estreito a Deus sem a providência divina da Porta Estreita.

 

Figuras e princípios

A bíblia apresenta as figuras das duas portas (Adão e Cristo) que representam dois nascimentos (natural e espiritual), sendo que ambos os nascimentos é o meio pelo qual os homens acessam os caminhos (largo e apertado) que conduzem a dois destinos (morte e vida).

Os homens, quando vem ao mundo, só entram nele por intermédio do nascimento natural, ou seja, nasce segundo a carne, o sangue e a vontade do varão. Nenhum homem exerce escolha que venha determinar qual a sua condição diante de Deus, visto que, quando nasce, já está em um caminho que o conduz à perdição ( Jo 1:12 ).

O único homem que não entrou no mundo através da porta larga, foi Cristo Jesus, pois diferente de toda a humanidade, Ele foi lançado na madre por Deus ( Sl 22:10 ). Todos os outros homens, apesar de não terem feito escolha alguma, inexoravelmente são descritos como desviados de Deus desde que foram lançados na madre em função da semente corruptível de Adão, de modo que desde a madre a humanidade é descrita como mentira ( Sl 58:3 ).

Por causa da ofensa de Adão, resultante da sua escolha de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, todos os homens – juntamente – se desviaram de Deus – e em função daquela única escolha, todos se fizeram imundos ( Sl 53:3 ). O desvio e a imundície da humanidade não são apresentados na bíblia como uma questão de ordem ética, moral, psíquica, religiosa, social, filosófica, etc., como várias correntes teológicas vêm apresentado ao longo da história da cristandade.

O pecado, a imundície, a alienação, a separação de Deus é condição intrínseca à natureza do homem em função da queda.

Como a humanidade estava na ‘coxa’ de Adão, todos os homens juntamente se desviaram e tornaram-se imundos, herdaram a escravidão ao pecado, condição que não depende das escolhas diárias. Por causa desta condição, o melhor dos homens é comparável a um espinho, e o mais justo a uma sebe de espinhos ( Mq 7:4 ).

Como a porta estreita é oposta a porta larga, Cristo é apresentado pelo apóstolo Paulo como o último Adão.  Da mesma forma que Adão foi criado como cabeça de homens carnais, Cristo foi introduzido no mundo como a cabeça de uma nova raça de homens espirituais ( 1Co 15:45 -49).

Ou seja, para sair do caminho de perdição, o homem natural precisa morrer com Cristo, ser sepultado e, então, deve ser criado de novo em verdadeira justiça e santidade, nascer de novo, e estará no caminho estreito que conduz o homem a Deus.

É necessário a todos os homens nascerem de novo, nascerem segundo a semente incorruptível do último Adão para alcançar a salvação.

De longa data muitos teólogos negam que o homem sem Cristo possui “livre-arbítrio” alegando que, por serem escravos do pecado deixaram de possuir o ‘livre arbítrio’.

Do ponto de vista existencial, não ter ‘livre arbítrio’ é o mesmo que reduzir a condição do homem a um patamar inferior ao dos animais, ou seja, o homem não passaria de uma máquina.

A condição do homem seria inferior a de um cachorro, visto que, por mais que se prenda um cachorro em canis, correntes, etc., instintivamente o animal é livre. Qualquer prisão arquitetada pelo homem somente mantém cativo o corpo do animal, porém, o animal é livre em seus instintos. Jamais o homem conseguirá exercer domínio sobre os instintos de um animal.

Qual o objetivo de muitos teólogos afirmarem que, com a queda de Adão, o homem perdeu o livre arbítrio? A pena prescrita e imposta por Deus à ofensa de Adão no Éden contemplava a perda do livre-arbítrio além da separação de Deus (morte)?

Na pena estabelecida no Éden não estava incluso a perda do ‘livre-arbítrio’. A pena foi: a morte (separação de Deus) “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás ( Gn 2:17 -18).

Houve também a dosimetria, que inclui – para a mulher: maior dor emocional, dor na gestação, dor no dar à luz filhos e sujeição ao marido – para o homem: dor e sofrimento para conquistar o alimento e maldição da terra – para ambos: morte física.

Além da pena, acessoriamente o homem tornou-se como Deus, pois adquiriu o conhecimento do bem e do mal ( Gn 3:22 ), mas nada com relação à perda do juízo livre foi mencionado.

A negação do livre arbítrio, chamado de ‘determinismo teológico’, teve origem na doutrina calvinista da eleição e predestinação. Como pode ser isto? A doutrina calvinista afirma que, antes da criação Deus já havia escolhido e predestinado alguns homens à salvação e outros para a danação eterna. Por apresentar a predestinação como base da doutrina da salvação, a alternativa que restou para explicar tal fatalismo foi negar o livre-arbítrio.

A raiz do determinismo teológico é eco do fatalismo, filosofia Greco-romana que considera os acontecimentos no mundo produzidos de modo irrevogável por uma ordem cósmica. Na mitologia grega temos a ‘moira’, e entre os romanos o ‘fatum’, deuses que controlavam o destino de homens e divindades, destino este que submetiam e estava acima de todas as divindades.

A bíblia não aborda o destino dentro de uma perspectiva fatalista, antes o termo ‘destino’ é empregado tão somente para descrever o lugar final de um caminho. Na bíblia há dois caminhos que possuem seus respectivos destinos, e os destinos, por sua vez, não estão vinculados aos homens, e sim, aos caminhos.

Se o leitor se inteirar das discussões acadêmicas que abordam o livre arbítrio poderá observar que a ofensa de Adão e a obediência de Cristo não são consideradas. As considerações filosóficas do juízo livre só analisa a vontade humana como capacidade de escolha entre bem e mal, certo e errado e se conhecidos conscientemente – o que compromete o tema, se analisado sob a ótica bíblica. Ora, o mal que distancia o homem de Deus não é de ordem moral, visto que o mal ao qual a bíblia faz menção e que separa o homem de Deus decorre da desobediência de Adão, e em seguida, que teve como consequência o conhecimento do bem e do mal.

As decisões cotidianas entre o certo e o errado, ou entre o bem e o mal não é o que trás alienação de Deus, antes tais julgamentos tem por base o conhecimento proveniente da árvore do conhecimento do bem e do mal que analisa e julga o comportamento humano.

Já o julgamento de Deus foi realizado com base na ofensa de Adão, pois foi a ofensa de Adão que trouxe o juízo de Deus e a condenação que trouxe perdição sobre a humanidade.

O livre arbítrio deve ser analisado levando-se em conta Cristo e Adão, pois ambos são representados figurativamente como portas que dão acesso a dois caminhos e que sujeitam os homens à justiça ou ao pecado.

É um equivoco das religiões julgarem que através da responsabilidade moral o homem garantirá a sua salvação ou perdição. A bíblia demonstra que a perdição é uma herança, assim como a salvação. Os descendentes de Adão herdaram a perdição, de modo que todos os nascidos da carne e do sangue já estão condenados ( Jo 3:16 ), mas os que creem, são de novo gerados em Cristo e são herdeiros da salvação ( Hb 1:14 ).

Fazer uma leitura com base na responsabilidade moral da seguinte declaração do apóstolo Paulo: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” ( Rm 9:21 ), é um equivoco, pois os vasos de desonra são os descendentes de Adão, e os vasos para honra são os descendentes de Cristo, sendo que Deus usa a mesma massa que os filhos de Adão foram feitos para, através de Cristo, fazer vasos de honra para Si, o qual somos nos, por termos crido em Cristo “Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” ( Rm 9:24 ).

O artigo ‘O mito do livre-arbítrio’ repetidas vezes confunde ‘vontade’ com ‘poder de realização’. Novamente ele aborda a ideia de que a vontade do homem não é livre para realizar quando cita Jeremias. E não podemos ignorar também que este artigo, além de confundir a vontade do homem com o poder de realizar, também confunde a vontade de Deus com providência, ou seja, a vontade de Deus com o agir de Deus. Não é de admirar que o pastor Walter prevarique na explicação do livre arbítrio.

Veja este proverbio: “A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma alcança, mas a alma dos diligentes se farta” ( Pr 13:4 ). Por que o preguiçoso deseja e não alcança? Por que Deus se lhe opõe? Não! O preguiçoso não alcança porque não é diligente, porque se fosse diligente teria a alma farta segundo o seu desejo. Deus determinou que o homem comeria do suor de seu rosto (do seu trabalho). A fartura vem do trabalho. Ter fartura é fruto de trabalho e não apenas de vontade.

Quando Jeremias fala: – ‘O coração do homem propõe o seu caminho…’ , está testificando da parte de Deus que o homem tem a vontade livre, mas que não tem poder em si mesmo de mudar de caminho, visto que Deus estabeleceu que o homem trilharia o caminho da morte caso comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal, e estabeleceu também que o homem passaria do caminho da morte para o caminho da vida se cresse em Cristo conforme seu Testemunho.

Quando o profeta diz: “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha o dirigir os seus passos” ( Jr 10:23 ), faz uma referencia aos dois caminhos anunciados por Jesus. O Mestre anunciou haver dois caminhos, porém, em ambos não é o homem que dirige os seus passos, antes o caminho que trilha, porque o caminho largo dirige à perdição e o caminho estreito conduz seus passos à salvação ( Mt 7:13 -14).

Com esta confissão, Jeremias demonstra uma realidade espiritual, porém, o Pr. Walter não se apercebeu desta verdade, e fez uma colocação tímida das questões próprias ao supralapsarianismo e infralapsarianismo ao dizer que a vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus e nem de alcançar qualquer meta que não seja aquela que Deus permitiu.

Jeremias era profeta de Deus e embora tenha usado linguagem e símbolos conhecidos pelos homens, estava discursando sobre coisas celestiais, pois é Deus que determina os caminhos, pois o caminho de perdição e o de salvação não pertence aos homens.

Existem dois caminhos determinados por Deus e cada caminho conduz o homem a um destino. São os caminhos que conduzem os homens à perdição ou à salvação. Porém, todos os homens que abrem a porta da madre entram no caminho de perdição, porque todos entraram pela porta larga que é Adão. Mas, há um convite para todos os homens que entrem pela porta estreita, que se aceitar (crer em Cristo), serão conduzidos a Deus.

Como todos os homens, que entram por Adão, são conduzidos pelo caminho largo à perdição, implica que, o coração do homem é segundo o seu caminho, ou seja, propõe o seu caminho: um coração de pedra é segundo o caminho de perdição. Para estar no caminho estreito é necessário um coração de carne, portanto o coração de carne é segundo a porta estreita “O coração do homem propõe o seu caminho, mas o Senhor lhe DIRIGE os passos” ( Pv 16:9 ).

O homem tem liberdade para querer tudo o que a sua alma desejar, porém, só pode alcançar os desejos que estão dentro das possibilidades que lhe são apresentadas.

Com relação às questões naturais, o homem pode desejar voar como um pássaro? Sim! Pode desejar, visto que a sua vontade é livre. No entanto, tal possibilidade não é factível, terá que se contentar voar de avião. Desta forma, temos a vontade livre e, quando não é possível realizar alguns sonhos, o homem pode implementá-los dentro do que é factível.

Um escravo podia desejar ser livre? Podia desejar, e ninguém jamais sobrepujou este poder em um escravo, porém, a possibilidade de escolher ser livre não existia. O que mantinha o escravo na condição de sujeição ao seu senhor? A lei. A lei determinava que o escravo era propriedade do seu senhor. Ele podia desejar ser livre? Podia e era livre para desejar, mas a possibilidade de se fazer livre não existia.

Ora, muitos escravos lutavam na arena para tentar conquistar o direito de poder ser livre. Ele tinha a vontade livre, mas não tinha o poder para exercer livre escolha, porém buscava tal poder na arena.

Podemos dizer que a livre agencia do homem é o seu poder de escolher entre alternativas. A vontade do homem é livre, porém, só pode decidir dentro das opções que lhe são apresentadas. Suas escolhas são influenciadas por forças exteriores e disposições internas.

Embora o homem possa ser compelido a agir em contrário a sua vontade, ou forçado a dizer o que ele não quer dizer, contudo é a sua vontade que guia suas ações segundo o que lhe for conveniente no momento. Até mesmo quando são apresentadas alternativas, a liberdade da vontade do homem se manifesta, pois deseja o vermelho ainda que só possa escolher entre amarelo e azul.

Mesmo diante de uma grave ameaça para não agir segundo a sua vontade, o homem continua de posse da sua livre vontade. Um escravo permanecia debaixo da sujeição em vista de um preceito legal e das punições. Se não fossem as punições que o coagisse, jamais seria escravo. Alguns, por ser livre quanto à vontade e por não temer a pena, fugiam ou dava cabo da própria vida. Outros, apesar da condição ignóbil, por se afeiçoarem de seus senhores, submetiam-se docilmente.

O homem faz escolhas baseado em seu entendimento, seus sentimentos, nas coisas de que gosta ou não gosta, ou seja, através das suas disposições internas. Em outras palavras, a vontade não é à parte do homem. O homem não é livre de si mesmo! As escolhas são determinadas pela vontade e sentimentos do homem. A vontade jamais é independente da natureza do individuo.

Não podemos dizer que a vontade é escrava da natureza do homem, antes que a vontade é um atributo desta mesma natureza, assim como os instintos de um animal.

A vontade é bastante parcial ao que se sabe, sente, ama e deseja. O homem sempre escolhe com base em sua disposição interna, de acordo com a condição de seu coração, portanto, é livre. Quando a vontade do homem é parcial com seu ser, indica que é livre.

A prisão da vontade seria decretada se fosse possível obrigar a vontade a ser imparcial com as disposições internas do próprio indivíduo.

Concluir que a vontade do pecador não é livre para fazer o bem, tendo em vista que o coração do homem sob o pecado é mau, deriva de uma confusão do que é bem e mau.

Para compreendermos o que é bem e mal conforme as coisas espirituais, devemos considerar o ensino de Jesus comparando-o com a abordagem do salmista Davi: “Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” ( Lc 11:13 ); “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:3 ).

Embora Deus tenha visto que as maquinações do coração do homem são más continuamente, não significa que os homens não façam boas ações. Significa que dar boas dádivas aos seus semelhantes não é o mesmo que fazer o bem “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” ( Gn 6:5 ).

Fazer o bem só é possível quando se está em Cristo, mas fazer boas ações é possível a todos os homens: quer sejam maus ou bons, quer sejam nobres ou vis “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más ( Jo 3:19 ). A impossibilidade de fazer o bem está no fato de o homem sem Cristo pertencer ao Pecado, e tudo que pertence a este “senhor” é mau.

Um escravo não podia ser livre por sua própria vontade porque esta possibilidade de escolha não existia. Mas, caso o seu senhor lhe apresentasse a oportunidade, por certo que, ao exercer a sua livre escolha, escolheria ser livre. É neste quesito que o apóstolo Paulo orientou alguns cristãos escravos: “Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião ( 1Co 7:21 ).

Embora a vontade é livre, a escolha é delimitada pelas possibilidades. Um escravo podia exercer inúmeras escolhas durante o seu dia. Qual o caminho para o trabalho, a ferramenta a ser utilizada, a quantidade de esforço, etc., porém, não existia a possibilidade de ser livre, o que revela a escolha delimitada dentro de possibilidades. O maior problema da escravidão era a falta de ocasião, visto que, a ocasião ficava a cargo do seu senhor.

Antes de pecar o homem possuía livre vontade. Ora, ele possuía a livre vontade: de todas as arvores comerás livremente! Ao exercer a livre vontade comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal ofendeu Deus. Se ele não possuísse a vontade livre, jamais teria ofendido a Deus.

Porém, para exercer a livre vontade, foi lhe concedido por Deus o poder de escolha: podia comer de todas as árvores que estavam no jardim, livremente, inclusive a do conhecimento do bem e do mal, apesar da ressalva: ( Gn 2:16 ).

Ao exercer a livre vontade, decidindo comer o fruto do conhecimento do bem e do mal, Adão perdeu a opção de união com Deus, pois se sujeitou a escolha de sua decisão anterior. É neste quesito que Adão tornou-se escravo de sua escolha, pois não havia opção que pudesse reverter a sua condição.

A vontade não molda questões da vida como posição social, cor, ou inteligência, mesmo porque quando Adão recebeu o livre arbítrio, assim como qualquer ser humano, a parte física já estava formada. Ora, apesar de ser livre, Adão não podia voar como os pássaros e nem nadar como os peixes. Ele não pode escolher ter sido criado ou não, e nem mesmo foi lhe perguntado se queria ter uma sogra. Não foi dado a Adão nenhum título, riqueza, honrarias, e ele nem mesmo escolheu a sua mulher, contudo sua vontade era livre.

A argumentação a seguir é inócua, pois não depõe contra o livre-arbítrio, antes caracteriza a vontade do homem como isenta de poder de realizar, mas não a isenta de liberdade.

“Os principais fatores que moldam a sua vida não se devem à sua vontade. Você não seleciona sua posição social, sua cor, sua inteligência, etc.”  Idem.

Ora, a liberdade da vontade não está em poder realizar, antes está em desejar, querer. Há uma imprecisão na argumentação de que a vontade do homem não é livre para realizar qualquer coisa contrária aos propósitos de Deus, pois a vontade diz do ‘querer’, do ‘desejo’.

A vontade de Adão era forte ou fraca quando se rebelou? De onde veio o poder que concedeu autonomia a Adão para ofender a vontade de Deus?

“Mas, você já refletiu sobre a profunda fraqueza de sua vontade? Embora você tenha a habilidade de fazer uma decisão, você não tem o poder de realizar seu propósito. A vontade pode planejar um curso de ação, mas não tem nenhum poder de executar sua intenção” Idem.

Planejar e realizar são coisas distintas. Jesus declara que, caso alguém queira edificar uma torre, primeiro é necessário planejar, verificar o quanto possui e o quanto gastará. O poder para construir uma torre é proveniente do seu trabalho e não da sua vontade “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?” ( Lc 14:28 ); “O desejo do preguiçoso o mata, porque as suas mãos recusam trabalhar” ( Pv 21:25 ).

A vontade de Deus nem sempre se realiza, mas o seu propósito sempre é realizado. O pastor Walter não soube distinguir o propósito de Deus da vontade de Deus. Com relação a sua vontade, Deus espera ( 1Tm 2:4 ), já o propósito de Deus é levado a efeito segundo o seu eficaz poder ( Fl 3:21 ). O propósito de Deus não contempla ações cotidianas dos homens, antes o seu eficaz poder de sujeitar a Si todas as coisas.

Se Deus tem propósito em cada ação do homem, como afirma alguns, como é possível os filhos de Israel terem sacrificado os seus filhos no fogo? Se nunca subiu ao coração de Deus que os homens queimassem seus filhos no fogo, de quem era o proposito que os filhos de Israel executaram? “E edificaram os altos de Tofete, que está no Vale do Filho de Hinom, para queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas, o que nunca ordenei, nem me subiu ao coração” ( Jr 7:31 ). Tal afirmativa somente seria possível se Deus pudesse mentir!

Contestar o livre-arbítrio através do argumento de que os principais fatores da vida do homem não são moldados por sua vontade já causa estranheza, mas o argumento de que foi Lázaro que resolveu responder o chamado de Jesus quando foi ressuscitado dentre os mortos, só pode ser adjetivado negativamente. Observe:

“Quem jamais escolheu ter sido criado? Quando Lázaro ressuscitou da morte ele decidiu responder à chamada de Cristo, mas não pôde decidir ter vida” (Idem).

Um morto, que desceu ao pó, depois de quatro dias na sepultura resolveu, decidiu, responder um chamado? A vontade de ninguém é responsável para que se venha ao mundo, tão pouco a vontade de um defunto. Com o termino das funções vitais não resta qualquer expectativa neste mundo. A ressurreição de Lázaro não se deu em função de uma resposta de Lázaro.

Ao dizer: – ‘Lázaro, vem para fora’, Jesus somente determinou quem seria ressuscitado. A determinação não dependeu da resposta de Lázaro, antes do poder de Deus.

Não é o homem quem realiza o seu novo nascimento, pois a vontade do homem não possui poder criativo, mas como a vontade de Deus é dar vida aos que creem em função do poder de Deus e da sabedoria de Deus, todos os homens de boa vontade que ouvem e crê na pregação do evangelho, recebe de Deus poder para ser criado de novo, em verdadeira justiça e santidade “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação (…) Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:21 -24).

As boas novas do evangelho são para os homens de boa vontade: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade” ( Lc 2:14 ), mas a concepção da depravação total transtornou até mesmo a tradução do verso em comento, pois a argumentação deles é contraria a ideia de que o homem possa ter boa vontade.

É dado aos que invocarem o nome do Senhor serem salvos ( Rm 10:13 ), mas para serem salvos é necessário primeiro alguém pregar. Para alguém pregar, antes é necessário a mensagem, pois a mensagem é o poder de Deus para salvação dos que creem.

Quando o homem crê na mensagem do evangelho, exalta a graça de Deus revelada em Cristo. A luz de Cristo brilhou aos que habitavam na região das sombras da morte, de modo que, ainda que o homem esteja morto, se crê, verá a Deus “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ).

 

A Prisão Espiritual

No que consiste ser escravo do pecado? O servo do pecado não deseja ser livre? O pecador não deseja fazer o bem?

Ora, o apóstolo Paulo ao descrever as suas disposições internas sob o domínio do pecado, disse: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” ( Rm 7:18 ).

Ele destaca que:

  • Na sua carne não reside bem algum;
  • Que a sua vontade era fazer o bem, e;
  • Havia uma impossibilidade decorrente da sua natureza: não conseguia realizar o bem.

Em se tratando de vontade, o homem não deve ser comparado aos animais. A comparação de que o leão faminto sempre escolhe carne fresca à salada, e que tais instintos animais são comparáveis às inclinações do homem no pecado é uma má leitura da bíblia.

Os animais possuem instintos, o homem possui vontade, consciência e inteligência. Instintivamente um leão sempre comerá carne, já com relação ao homem, ele leva em conta suas preferências antes de escolher.

Se os leões possuem instintos e os homens consciência, a natureza de ambos são distintas e, portanto, não se aplica uma mesma regra a homens e animais. O que dita a escolha do homem é a sua vontade.

“Se carne fresca e salada fossem colocadas diante de um leão faminto, ele escolheria a carne. Isso aconteceria porque a natureza do leão dita a escolha. O mesmo se aplica ao homem. A vontade do homem é livre de força exterior, mas não é livre das inclinações da natureza humana. E essas inclinações são contra Deus. O poder de decisão do homem é livre para escolher o que o coração humano dita; portanto, não há possibilidade de um homem escolher agradar a Deus sem a obra anterior da graça divina”  Idem.

O que se observa nas escrituras? Que muitos homens procuravam servir a Deus, porém, sem entendimento. Não serviam a Deus segundo a novidade das boas novas do evangelho, da palavra, do espírito, antes buscavam servir a Deus através da velhice da letra ( Rm 7:6 ; Rm 10:2 ).

Estes versos demonstram que muitos buscavam a Deus, porém, não conseguiam alcança-lo por falta de entendimento, ou seja, do conhecimento que há no evangelho “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si” ( Is 53:11 ).

Para servir a Deus é necessário um conhecimento especifico que está no evangelho, porém, as obras dos judeus eram más continuamente porque não eram feitas em Deus ( Jo 3:21 ), ou seja, eles eram ensinados a praticar o mal, não possuíam o conhecimento do santo os ‘obreiros da iniquidade’, pois seguia o engano dos seus corações ( Sl 53:4 ).

E que engano era esse? Que eram filhos de Abraão e, por conseguinte, filhos de Deus. Não era engano de ações cotidianas, mas de conceito. Até porque a nação de Israel recebeu instruções do próprio Deus: “E que nação há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós?” ( Dt 4:8 ).

A verdade é que não lhes resplandeceu a luz do evangelho para verem que eram descendência de Adão, e que estavam em igual condição aos outros povos. Apesar de Deus ter anunciado que eles não eram de fato justo, se achavam justos aos seus próprios olhos e melhores que os outros povos ( Dt 9:4 ).

No antigo testamento o povo de Israel é descrito como cegos, ou seja, um povo que rejeitava ver a verdade expressa nas Escrituras. Com relação à humanidade não é utilizado a figura do cego para descrevê-los, são descritos como povo que habita a região das trevas e que haveriam de ver uma grande luz.

Se os judeus admitissem que eram cegos, não teriam pecado, pois se assim confessassem, demonstraria que eram iguais aos demais pecadores, habitantes da regiões das trevas “Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” ( Jo 9:41 ).

Um dos erros da concepção de que o livre arbítrio é um mito é aplicar uma figura utilizada para descrever a condição dos filhos de Israel e de seus lideres (condutores cegos que guiam cegos) e aplica-la a humanidade para estabelecer a inabilidade do homem em crer em Cristo “Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” ( Mt 15:14 ).

O que dizer de versículos como esta citação dos salmos: “… não há ninguém que busque a Deus” ( Rm 3:11 ). O que dizer da citação de Jeremias: “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ).

Uma leitura equivoca dos versos acima dirá que o ser humano possui uma inabilidade para ouvir e crer, ou que é cego para as coisas de Deus, ou que está morto, e se está morto não pode ouvir e nem crer. Porém, os versos acima depõem contra os judeus, demonstrando que eles se encaixam na mesma condição da humanidade, pois o que a lei diz, diz aos que se guia por ela.

Os versículos não dizem que ninguém desejava aproximar-se de Deus, antes os versos demonstram que, apesar de desejarem buscar a Deus os judeus não buscavam a Deus, de modo que não havia diferença entre judeus e gregos ( Rm 3:9 ). Como o apóstolo Paulo chegou à conclusão que não havia diferença entre judeus e gregos? Através da Escritura que diz: ‘não há ninguém que busque a Deus’. Porque lhes faltava o entendimento, o conhecimento! “Deus olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há algum que tem entendimento e busca a Deus” ( Sl 53:2 ).

A leitura correta do salmo 53 deve ter por base o ‘entendimento’. Deus olha dos céus para os filhos dos homens para ver se eles possuem entendimento. Ora, entre os gentios não havia o entendimento necessário para buscar a Deus, e entre os filhos de Israel, apesar de possuírem a Escritura, não compreendiam, pois os obreiros não tinham o conhecimento.

Por que não há ninguém que faça o bem? Porque os obreiros (servos) do pecado não tem o conhecimento “Acaso não têm conhecimento estes obreiros…” ( Sl 53:4 ). E quem são esses obreiros? São os lideres de Israel, que se alimentavam do povo, porém, prevaricaram quanto às suas atribuições. Eles, no afã de se achegarem a Deus ensinavam um conhecimento que não salvava, pois ensinavam mandamentos de homens.

Por que o salmista é enfático em dizer que não há quem faça o bem? A resposta advém do contexto em que o apóstolo Paulo cita o salmo: para demonstrar que os judeus, que diziam buscar a Deus, não eram melhores que os gentios, sendo que judeus e gregos, todos estavam debaixo do pecado.

Quando as escrituras dizem que: “Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus” ( Rm 3:10 -11), evidencia que, embora os judeus tivessem zelo de Deus, liam as escrituras, faziam sacrifícios continuamente, mas na verdade, não buscavam a Deus.

Os salmos depunham contra os judeus: “ACASO falais vós, deveras, ó congregação, a justiça? Julgais retamente, ó filhos dos homens?” ( Sl 58:1 ), e Jesus enfatizou esta verdade: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” ( Jo 7:24 ).

Para quem foi escrito a lei? O apóstolo Paulo responde: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” ( Rm 3:19 ).

Para quem foi escrito que o etíope não pode mudar a cor da sua pele e, tão pouco o leopardo? Romanos 3, verso 19 responde. Mas, por que não podiam? Por que não buscavam? Por que não tinham livre escolha? Não! A resposta é clara: porque lhes faltava o entendimento, uma vez eram ensinados a fazer o mal “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ; Mt 3:7 ).

A figura do leopardo e a do etíope demonstra que tanto judeus quanto gentios não podiam mudar a condição deles diante de Deus. Porque os judeus não podiam mudar a condição deles? Porque o que lhes era ensinado era o mal, e não o bem.

Isto não significa que possuíam uma inabilidade para aprender, antes que a inabilidade estava na matéria que aprendiam continuadamente: eram ensinados a fazer o mal. Ora, se fossem ensinados a fazer o bem, aprenderiam o bem, claro está que receberiam poder para mudar a condição deles, pois Deus dá tal poder aos que vierem e aprenderem daquele que humilde e manso de coração ( Jr 13:11 ; Jo 1:12 ; Mt 11:29 ).

Em outras palavras, Israel precisava deixar instruir-se pelo próprio Deus e abandonar os preceitos de homens.

Como é possível alguém ensinar o seu próximo a fazer o mal como os obreiros da iniquidade faziam? Como os filhos de Israel foram lançados na madre ímpios, pois foram concebidos em pecado, ou seja, através da semente de Adão, falavam mentiras desde que nasciam ( Sl 58:3 ). Dai o imperativo: “Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” ( Zc 8:16 ), mas não tinham o conhecimento do santo e nem julgavam segundo a reta justiça.

As escrituras sempre demonstraram aos judeus que ninguém buscava a Deus, antes se desviaram juntamente, e todos os homens se fizeram imundos ( Sl 53:1 -3). Mas, os mestres de Israel entendiam que eles não estavam em igual condição aos demais homens, acreditavam que eram filhos de Deus por serem descentes de Abraão. Eles entendiam que o Salmo 53 apontava somente para os gentios.

O erro deles consistia no fato de confiarem da carne. Esqueciam que todos os homens juntamente se desviaram, e que eles estavam inclusos neste evento. Que não eram filhos de Abraão, antes filhos de Adão, o primeiro pai de todos os homens, por quem entrou o pecado no mundo “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ). Embora avisado de que eram filhos da desobediência de Adão, continuavam ensinado que eram filhos de Abraão. Em Adão transgrediram “Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim” ( Os 6:7 ), ou “Em Adam eles quebraram a minha aliança, aí eles me traíram” ( Os 6:7 ) CNBB.

A bíblia afirma categoricamente que a condição do homem é de sujeição ao pecado, e utiliza a figura da escravidão para levar o leitor a compreender tal condição. Uma figura serve de ilustração e dever ser analisada em todas as suas nuances.

Nos regimes escravagistas a sujeição dos escravos aos seus senhores se dava por meio do corpo. Os senhores compravam o corpo do escravo para subjugá-los, porém, nada contava das escrituras a vontade, a mente e as disposições internas dos indivíduos a serem escravizados.

O que os senhores olhavam num escravo? O porte físico, os dentes, a coloração dos olhos e mucosas, etc. Ou seja, eles não tinham como aferir as disposições internas dos escravos. Eles compravam, pagavam e levavam para suas terras. Nas suas terras vinha a surpresa: os escravos acabavam por revelar as suas disposições internas! Podia ser um bom escravo ou um mal escravo. Trabalhador ou preguiçoso. Serviçal ou arredio, etc.

E o que submetia os escravos aos seus senhores? A lei e as penas previstas. Como a lei submetia os escravos aos seus senhores? Prevendo castigos severos àqueles que não servissem os seus senhores a contento, ou que tentasse fugir.

A fuga era uma saída? Paliativa, porque para a lei e seu senhor, jamais o escravo deixaria de ser escravo. Todos estes aspectos pertinentes à escravidão aplicam-se ao pecado, visto que ele é descrito nas Escrituras como um senhor de escravos que escraviza o corpo, e não as disposições internas como a vontade.

É por isso que a cruz de Cristo foi estabelecida: para desfazer o corpo do pecado “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” ( Rm 6:6 ). O pecado exerce domínio por causa da condição que a humanidade herdou de Adão e que sujeita o corpo de todos os homens.

Assim como os escravos só eram livres do seu senhor quando morriam, o único modo de os homens sob o pecado serem libertos é morrendo. Quando se crê em Cristo, o homem morre e é sepultado. Quando sepultado, o homem é criado de novo em verdadeira justiça e santidade, possuidor de um novo corpo unido ao corpo de Cristo. O novo corpo ressurreto com Cristo é livre do domínio do pecado, sendo possível servir à justiça ( Cl 3:1 ).

A vontade de um servo do pecado é livre, porém, o que o submete ao senhorio do pecado é a lei e a pena. Qual lei e qual pena? A lei instituída no Éden, que diz: “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:16 -17).

Através da lei santa, justa e boa instituída no Éden o pecado achou ocasião e matou o homem ( Rm 8:11 ), e a força do pecado decorre da própria lei santa, justa e boa ( 1Co 15:16 ). A lei que matou o homem não foi a de Moisés, antes a lei perfeita concedida no Éden ( 1Co 15:22 ).

E porque os homens ainda permanecessem sob o domínio do pecado? Por causa da pena imposta! Como? A vontade do homem é livre, porém, permanece sujeito à servidão “E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” ( Hb 2:15 ).

A bíblia afirma com todas as letras que a vontade humana faz a decisão crucial de vida espiritual. A vontade do pecador é totalmente livre para decidir-se ou não pela vida eterna oferecida em Jesus. O homem não está numa posição cômoda que possa se dar ao luxo de escolher entre salvação ou perdição. Ele está perdido e precisa decidir entrar pela porta estreita que livra a todos quantos entrarem por ela.

Deus dará um novo coração e um novo espírito a todos que, pelo poder de Deus contido no evangelho, decidirem (livre vontade) receber a Jesus Cristo, que é a opção concedida por Deus ao homem que o livra da condenação. Não há dúvida de que receber a Jesus Cristo é um exercício da liberdade humana, o que denominamos ‘crer’, ‘ter fé’, ‘descansar na esperança proposta’, ‘estar quieto’, etc.

Como o homem chega e recebe espontaneamente o Senhor? A resposta é: Pelo poder contido no evangelho que lhe é oferecido. Como pode ser isso? Jesus, além de profeta, é o Verbo de Deus. Receber a Jesus significa crer em tudo que ele diz, e ele disse em João “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ). O que ocorre se o homem crer? Jesus mesmo disse: “Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” ( Jo 11:40 ).

Em João 8, verso 41 à 45, Jesus deixou claro que os judeus que se diziam crer n’Ele não eram filhos de Abraão, antes filhos de Satanás. Novamente o texto e o contexto remetem aos judeus que achavam que estavam em posição privilegiada diante de Deus por serem descendentes da carne de Abraão, e Jesus tenta convencê-los do contrário.

Dizer que a vontade humana não escolherá crer em Deus é tornar o evangelho inócuo. João 8, verso 41 à 45 não afirma a ideia da inabilidade do homem crer, visto que os judeus tinham zelo de Deus, porém sem entendimento, ou seja, sem Cristo.

Quando o conhecimento verdadeiro que dá entendimento aos homens se posicionou diante deles dizendo: “Se permanecerdes no meu ensino, verdadeiramente sereis meus discípulos, então conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” ( Jo 8:31 -32 ), não creram. Por que não creram? Porque não eram livres, incapacitados para serem ensinados? Não! Antes, mesmo sendo livres para crer preferiram continuar de posse do mal que foram ensinados “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ); “Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ).

Jesus estava ensinando a fazer o bem, ou seja, a vontade de Deus, que é crer naquele que Ele enviou. Mas, como os judeus estavam acostumados com o ensino do mal, não fizeram o bem que é obedecer a Deus que estabeleceu Cristo como a pedra eleita e preciosa “E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” ( Mt 3:7 ).

A pergunta: ‘Quem vos ensinou?’ é pertinente, pois o povo de Israel foi ensinado errado, e através de Cristo, o reino dos céus, alcançariam poder para serem feitos filhos de Deus.

Apesar de a vontade ser livre, não é ela que dá o escape ao homem sob o pecado, antes o escape é providência divina que advém do conhecimento apregoado por Cristo. É no conhecimento contido no evangelho que está o poder de Deus para salvação, e não na vontade do homem. A única realização da vontade humana é descansar, ou seja, nada realizar, ficar quieto, crendo em Cristo “Porque assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes” ( Is 30:15 ). O homem crê, Deus realiza. O homem decide, Deus opera. O homem descansa, Deus trabalha em favor daqueles que nele espera. Aleluia!

Ter fé, crer, acreditar, descansar, sossegar, ficar quieto é a ação da vontade livre diante da oferta de salvação. Ou seja, não é por obra, é pela fé somente. O exercício da fé não pode ser confundido com obras, visto que a fé é descansar, estar quieto e tranquilo, e a obra demanda trabalho, empenho. Deus se empenhou na salvação da humanidade se fazendo homem, sofrendo as mesmas paixões, suportando a cruz.

Como afirmar que crê é salvar-se pelas obras, se crer é descansar? Como haverá dívida se o homem somente descansa na esperança proposta? “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida” ( Rm 4:4 ).

Quando o homem crê, na verdade é uma obra que Deus realizou “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). E como Deus realiza a sua obra? Por intermédio da sua palavra.

Devemos ter cuidado com doutrinas que se utilizam de superadjetivação para alguns posicionamentos: inimizade violenta contra Deus, todas as outras partes do homem clamam por rebelião, todo o seu ser odeia a verdade; a vontade humana está desesperadamente escravizada; graça preveniente, graça irresistível, graça geral, etc.

Adjetivar o que não foi adjetivado é uma clara violação do mandamento: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro” ( Ap 22:18 ).

Observe:

“Leia João 1.12-13. Essa passagem diz que aqueles que creem em Jesus foram nascidos não “da vontade do homem, mas de Deus”. Assim como a sua vontade não é responsável por sua vinda a este mundo, assim também ela não é responsável pelo novo nascimento” Idem.

O escritor faz uma má aplicação dos versos citados, visto que assim como os filhos segundo a carne são gerados segundo a vontade dos pais ( Jo 1:12 e Jo 3:6 ), assim são os de novo nascidos, são gerados da vontade de Deus.

Mas, a vontade de Deus não é fazer os descrentes seus filhos, antes é fazer os que creem em Cristo seus filhos. É Deus o responsável pela vinda de seus filhos ao mundo, mas só são feitos filhos os que creem. É neste ponto que temos a advertência de Deus: “Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 )

Quando o homem é gerado segundo Adão herda um coração de pedra, um coração que é segundo o caminho de perdição. Quando ouve a verdade e crê, Deus cria um novo coração e dá um novo espírito, um coração que é segundo o caminho de salvação “O coração do homem propõe o seu caminho, mas o Senhor lhe DIRIGE os passos” ( Pv 16:9 ); “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne” ( Ez 36:26 ).

O que os versos demonstram é que há duas vontades que determinam os nascimentos. Os homens são gerados primeiramente através da vontade do varão (Adão) e gerados de novo através da vontade do último Adão, que é Cristo “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” ( 1Co 15:46 ). Não é porque o homem não vem ao mundo por sua própria vontade que a sua vontade não é livre.

Adão não escolheu vir ao mundo, mas depois que veio ao mundo, Deus lhe deu livre arbítrio e não tirou “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” ( Rm 11:29 ).

O evangelho é a fé que havia de manifestar-se, e por si só é um ato de Deus em prol da salvação dos pecadores ( Gl 3:23 ). Quando falamos da fé que foi manifesta e entregue aos santos, ela é poder e sabedoria de Deus “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:24 ; Jd 1:3 ).

O que o cristão apregoa é poder e sabedoria para salvação “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” ( 1Co 1:18 ). Esta fé dada aos santos é ato proveniente da vontade e misericórdia de Deus.

Ao ouvir o evangelho, que é poder para os que creem a reação do homem não é um ato que envolva mérito, mas uma aquiescência. Da sua reação frente à mensagem não resulta ato ou obra alguma. Aquiescer à esperança proposta é assentar, descansar, estar quieto. Para os que creem Jesus concede salvação.

Não é a vontade do homem que lhe concede esperança, visto que a vontade do homem não é dotada com o poder de realizar, antes a esperança é Cristo que apresenta a proposta de salvação. Os salvos não confiam na vontade livre, antes confiam naquele que é poderoso para salvar e que trabalha para aqueles que nele confiam “E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos” ( Sl 119:45 ).

Onde o Espírito de Deus está, ai há liberdade: “E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará. Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” ( 2Co 3:15 -17 ); “Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 ).

A sequência dos eventos para a salvação é: Cristo – vida manifesta; os mortos ouvem e creem; então são regenerados (morte espiritual é separação de Deus – morte física é descer ao pó). O novo coração e um novo espirito só é concedido aos que creem, ou seja, que invocam a Deus: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ).

O clamor ‘cria em mim’ deriva de um coração contrito, ou seja, que crê “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ). Quem pede é porque confia, e pede porque ainda não tem. É um contra sendo pedir um coração novo quando se tem, e confiar pedido quando não se crê. Em primeiro lugar é necessário contrição, pois Deus só vivifica os contritos e abatidos de espírito

Por que é lido Moisés? Por que é anunciado o evangelho? Porque Deus espera que os homens ouçam e se convertam ao Senhor, pois aprove Deus salvar os crentes através da loucura da pregação e não através da doutrina que tem por base o pensamento pagão grego de destino.

Embora Deus quer (vontade) que todos se salvem e venham ao conhecimento da verdade, resigna-se a apresentar a sua palavra como se rogasse, de modo que, se ouvirem, Ele espera que os homens O obedeçam e convertam-se do mau caminho “Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 ); “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ).

 

Contradições

No final do artigo ‘O mito do livre arbítrio’ o autor faz um apelo à vontade humana quando diz:

Lance-se à misericórdia de Deus para a salvação. Rogue ao Espírito de Graça para que Ele crie um novo espírito dentro de você”  Idem.

Ora, se a vontade humana não é livre para decidir se achegar a Deus, antes o homem é escolhido e predestinado por Ele para a salvação, o encerramento do artigo não deveria conter um apelo à vontade do homem, antes deveria ser finalizado como conscientização, demonstrando aos leitores que é para se resignarem, devido à inabilidade humana para salvação, pois se fossem eleitos para serem regenerados, naturalmente se lançariam à misericórdia, mas se não, de nada adiantaria crer em Cristo.

É contraditório um artigo que no inicio defende que a vontade está presa às cadeias da malignidade da natureza humana e terminar apelando à mesma vontade que se lance à misericórdia e que rogue a Deus para criar um espirito novo. Não foi defendido durante o artigo que se Deus primeiro não conceder vida é impossível o homem ouvir a palavra de Deus e crer?

Para defender a ideia da inabilidade humana, de que o pecador não pode responder ao convite do evangelho crendo, o Pr. Walter citou João 1, versos 12 e 13, onde o apóstolo João defende que, todos quantos recebem a Cristo, a saber, que creem em seu nome, Deus concede poder para ser feito filho de Deus “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” ( Jo 1:12 -13).

Vemos a asserção do apóstolo João invertida no artigo do Pr. Walter, pois ele ardilosamente procura demonstrar que primeiro é necessário Deus conceder vida ao homem para tornar possível o homem crer.

Para o homem crer, primeiro foi necessário Deus dar a vida, mas a vida que Deus dá é Cristo, de modo que, estando todos habitando nas regiões das trevas, mortos em delitos e pecado, raiou a luz, e a luz que raiou nas trevas é a vida dos homens ( Jo 1:5 -4). Neste sentido a vida precede o crer, pois antes de o homem crer foi necessária a Fé se manifestar, ou seja, Cristo vir ao mundo ( Gl 3:23 ).

A luz se manifestou e o seu povo (Israel) rejeitou, mas todos quantos o receberam, foram agraciados por Deus com a filiação divina, se crer. Jesus foi rejeitado pelo seu povo porque acharam que já eram filhos de Deus por terem sido gerados segundo a carne e o sangue de Abraão, mas o apóstolo João demonstra que os nascidos da carne e do sangue não são filhos de Deus, somente os nascidos segundo a vontade de Deus.

A bíblia demonstra que Deus trabalha em prol dos que n’Ele esperam “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera” ( Is 64:4 ).

Como esperar em quem não se crê? E como crer se não ouvir?  Como ouvir se não há quem pregue? “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ).

Deus roga através dos embaixadores de Cristo que os homens se reconciliem Ele, o que demonstra que a vontade de Deus não é imposta. Quando o evangelho da parte de Cristo é anunciado, Deus espera que cada homem se converta do seu mal caminho: “Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 ); “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ).

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Salmo 23 – O Senhor é o meu pastor, nada me faltará

Salmo 22 – Aquele que confia em Cristo encontra descanso, conforme o escritor aos Hebreus escreveu: “Ora, nós que temos crido, entramos no descanso…” ( Hb 4:3 ).

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Como se humilhar diante de Deus?

Se o jovem rico houvesse se sujeitado ao mando de Cristo, seria aceito por servo. Na fala: – ‘Se queres ser perfeito’ estava implícita uma prova semelhante a que Deus deu a Abraão. Se o jovem rico se dispusesse a obedecer, o sacrifício não seria exigido, assim como se deu com o crente Abraão. A partir do momento em que o jovem se dispusesse a seguir a Cristo, estaria andando humildemente com o seu Deus, sendo justificado como o crente Abraão ( Gn 17:1 ; Gn 6:9 ; Dt 18:13 ; Mt 5:48 ). Jesus não está em busca de doadores de bens materiais, antes que o jovem rico se dispusesse a segui-Lo. Este foi o mando de Deus a Abraão e que ecoa por toda as Escrituras.


“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” ( Fl 2:8 )

Jesus, o exemplo

O apóstolo Paulo recomenda aos cristãos que sejam imitadores de Deus como filhos amados “SEDE, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” ( Ef 5:1 ).

O que um pai espera de um filho? A resposta para esta pergunta não pode ser dada segundo a concepção do homem moderno e contemporâneo levado por todo vento de ensinos, antes deve ser respondida levando-se em conta o contexto cultural e social do homem da antiguidade.

Em todos os tempos os pais esperam o amor dos filhos, porém, se falarmos do homem do nosso tempo, o amor esperado diz de afetividade, carinho (sentimento), se falarmos conforme o pensamento do homem da antiguidade, o amor esperado vai além da afetividade, do sentimento e traduz-se em obediência (funcional) como a de um servo ao seu senhor.

Este era o pensamento do homem da antiguidade, o filho, ainda que senhor de tudo, em nada era diferente do servo, pois devia obediência ao pai “DIGO, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo” ( Gl 4:1 ).

O filho devia obediência, honra, ao pai, de modo que honrar é obedecer “Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR teu Deus te ordenou…” ( Dt 5:16 ); “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou” ( Jo 5:23 ); “O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome?” ( Ml 1:6 ).

À época dos apóstolos, a essência do termo ‘agape’ traduzido por amor era funcional e objetivo, de modo que o termo evoca a ideia de obediência, honra, o que é muito diferente da concepção do homem do nosso tempo, que entende o amor como afetividade, sentimento subjetivo.

Jesus disse: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama” ( Jo 14:21 ). A exigência é objetiva: obedecer aos mandamentos de Cristo. Não há espaço para questões de ordem subjetiva, como sentimento, afetividade, emoção, etc. Quem obedece ama, quem não obedece odeia “Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” ( Lc 16:13 ) – Crispim, Claudio, A Obra que demonstra Amor a Deus, São Paulo: Newbook, 2012.

Para ser imitador de Cristo é necessário ser obediente como Ele, que achado na forma de homem se fez servo “Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve” ( Lc 22:26 ). Cristo é o maior, mas se fez como quem serve, de modo que Cristo, sendo maior que João Batista, se fez como o que serve “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele” ( Mt 11:11 ).

Daí a ênfase do apóstolo Paulo: “SEDE, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” ( Ef 5:1 -2). O cristão deve imitar a Cristo como filhos sob o cuidado (amado) do pai, ou seja, sendo obediente (andai em amor).

Cristo cuidou (amou) da sua igreja e entregou-se a si mesmo em cheiro suave a Deus. A relação do cristão e Cristo se dá através da submissão e do cuidado, de modo que a ideia do verso 2 do capítulo 5 de Efésios é ilustrado através da figura do esposo e da mulher: “De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra” ( Ef 5:24 -26, Ef 5:2 ).

O Verbo eterno quando na carne, despido de seu poder, em todo momento resignou-se a obedecer à vontade expressa de Deus: obediência quero e não sacrifício ( 1Sm 15:22 ). Cristo entregou-se a si mesmo em obediência ao Pai, pois a exigência divina é a obediência e não o sacrifício. A oferta de Cristo ao Pai foi agradável por ser ato de obediência, e não de voluntariedade em sacrificar-se.

Deus não exige sacrifício dos homens porque Ele mesmo proveu a vítima perfeita para o sacrifício “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” ( 1Jo 4:10 ; Jo 3:16 ). Foi o próprio Deus que apresentou a vítima a ser atada ao altar, formada especificamente para ser servo “E agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó; porém Israel não se deixará ajuntar; contudo aos olhos do SENHOR serei glorificado, e o meu Deus será a minha força. Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra” ( Is 49:5 -6); “Deus é o SENHOR que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas do altar” ( Sl 118:27 ).

O escritor aos Hebreus explica o Salmo 40, versos 6 à 8 contrastando a obediência com o sacrifício: “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste; Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus, a tua vontade.  Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei). Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:5 -10).

O escritor aos Hebreus demonstra que o verso 6 do Salmo 40 refere-se ao Cristo quando introduzido no mundo. Do Cristo não foi exigido sacrifício ou oferta, antes que, voluntariamente, se sujeitasse ao Pai (minha orelha furaste Ex 21:6 ; Dt 15:17 ).

Cristo foi formado por Deus para ser servo ( Is 49:5 ), e Deus não requereu do seu Filho holocaustos, sacrifícios, antes fazer a vontade de Deus. É por isso que o salmista em espírito demonstra que Cristo deleitar-se-ia em fazer a vontade de Deus ( Hb 10:8 ).

Em nossos dias há muitos que em datas comemorativas impõe a si mesmos o flagelo da cruz, mas diante de Deus tal ato cruento é sem valor, pois Deus não requer sacrifício, antes Deus exige a obediência.

Há uma diferença gritante entre o sofrimento de Jesus na cruz e o sofrimento das pessoas que aplicam a si castigos físicos semelhantes à crucificação de Jesus. Cristo não buscou o flagelo para agradar ao Pai, antes buscou obedecê-lo, pois isto é agradável a Deus.

Jesus orou ao Pai sobre a necessidade de beber o cálice, porém, na oração, apesar de expressar o desejo de que o Pai passasse dele o cálice, vê-se que não abre mão de obedecê-Lo, quando declarou: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade” ( Mt 26:42 ); “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora” ( Jo 12:27 ).

Como as Escrituras demonstravam que Deus não exigia oblações pelo pecado, Jesus apresentou-se como servo para fazer a vontade de Deus. E é na vontade de Deus que o homem é santificado, pois Cristo foi posto por propiciação pelos pecados.

Ao falar da obediência de Cristo, o escritor aos hebreus disse: “O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” ( Hb 5:7 -8). Quando no Getsemani, Jesus clamou ao Pai, o único que podia livrá-Lo da morte, porém, diante do sofrimento que se seguiu, verifica-se que Jesus desprezou a sua própria vontade e acatou a vontade de Deus sendo obediente em tudo.

O apóstolo Paulo demonstra que Jesus foi obediente, e o escritor aos Hebreus apresenta o sofrimento como prova da obediência de Cristo, ou seja, a sujeição de Cristo aos vitupérios da cruz indica que em tudo Jesus foi obediente. Cristo, mesmo sendo o Filho de Deus, foi atendido porque obedeceu (temeu) e não porque era Filho, ou seja, quando Cristo rogou ao Pai, aquele que podia livrá-lo da morte, foi atendido porque era obediente (piedoso, temente) “O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” ( Hb 5:7 -8).

Através das Escrituras Jesus compreendeu que Deus não está em busca de sacrifícios e holocaustos, antes que O obedeçam. Jesus tinha consciência de que sacrificar-se sem o mando do Pai não seria algo aprazível.

Antes de derramar a sua alma na morte, Jesus sabia através das Escrituras que podia orar ao Pai que seria socorrido por mais de 12 legiões de anjos ( Mt 26:53 ), mas resignou-se a apresentar-se a Deus como oferta e sacrifício, pois esta era a vontade de Deus.

Quando Jesus expressou o seu desejo de que o Pai passasse de si o cálice, estava cônscio de que somente Deus podia desobrigá-Lo de ser o cordeiro do sacrifício assim como livrou Isaque de ser imolado, porém, Jesus não impôs a sua vontade, antes se humilhou diante do Pai quando disse: ‘todavia seja feita a sua vontade’.

Quando Jesus entregou-se aos seus inimigos para ser crucificado, não estava apenas oferecendo um sacrifício, estava obedecendo ao Pai, pois foi para isto mesmo que Jesus foi enviado: para fazer a vontade de Deus ( Is 1:11 -14).

Neste mesmo sentido, quando Deus exigiu de Abraão o seu único filho, não buscava um sacrifício, antes a obediência (temor) do patriarca “Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho” ( Gn 22:12 ).

Sacrifício é um ato que decorre da voluntariedade do homem, não é uma exigência divina ( Lv 1:2 ; Sl 50:8 -13; Sl 51:16 ; Os 6:6 ). É essencial compreender que oferecer o seu único filho em sacrifício não foi um ato voluntarioso de Abraão, como muitos entendem. Conduzir Isaque até o altar do sacrifico não foi uma decisão que o patriarca Abraão deliberou realizar, o que caracterizaria um sacrifício, antes o patriarca estava obedecendo à ordem divina, o que caracteriza a sujeição, a humildade.

E por que Abraão obedeceu? Porque confiava que Deus era poderoso para trazer o seu filho dentre os mortos ( Hb 11:17 -19).

Sacrifício é produto de um ato voluntário, como o foi o voto de Jefté: “E Jefté fez um voto ao SENHOR, e disse: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão, Aquilo que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o oferecerei em holocausto ( Jz 11:30 -31), o que não ocorreu com Abraão “E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi” ( Gn 22:2 ).

O escritor aos Hebreus demonstra que Abraão temia (obediência) a Deus, e as Escrituras contém o testemunho que Deus dá de Abraão a Isaque “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” ( Hb 11:8 ); “Porquanto Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis” ( Gn 26:5 ).

A bíblia demonstra que Jesus ‘suportou’ a cruz. Suportar demonstra que a cruz não lhe era algo agradável, entretanto optou por fazer a vontade do Pai “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ), o que demonstra que Cristo não se apresentou para oferecer um sacrifício, antes quem ofereceu o Cristo como cordeiro foi o próprio Pai, pois foi do agrado de Deus moê-lo “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado…” ( Is 53:10 ); “Não morrerei, mas viverei; e contarei as obras do SENHOR. O SENHOR me castigou muito, mas não me entregou à morte” ( Sl 118:17 -18).

Se Cristo não acatasse a vontade do Pai que o colocou como cordeiro, não haveria sacrifício e nem resgate da humanidade. A vontade do Cristo não era uma morte de cruz quando pediu ao Pai que passasse d’Ele o cálice, porém, sendo servo, resignou-se a obedecer, pois obedecer é o único modo de agradar a Deus e ser recompensado “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice…” ( Mt 26:39 ); “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ).

Na cruz Jesus desempenhou dois papéis distintos: servo e cordeiro. Como servo agradou ao Pai obedecendo e, como cordeiro foi o sacrifício perfeito providenciado por Deus em resgate da humanidade. Quem apresentou o sacrifício perfeito foi o Pai, e quem obedeceu como servo, foi o Filho, que não abriu a sua boca, resignando-se como cordeiro ( Is 42:19 ).

Sem a obediência de Cristo não haveria justiça, pois a justiça de Deus é substituição de ato: obediência em lugar da desobediência “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:19 ).

Quando sem pecado Adão desobedeceu, de modo que somente um sem pecado e que obedecesse poderia substituir a ofensa de Adão. Através da obediência do servo do Senhor, tem-se o cordeiro perfeito entregue pelo Pai para a salvação de muitos “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” ( Rm 4:25 ; At 2:23 ).

Diante da desobediência de Adão que trouxe a injustiça, somente a obediência de alguém sem pecado traria justiça. Qualquer sacrifício apresentado por um descendente de Adão é sem valor, visto que o ofertante é filho da ira e da desobediência. Somente um homem sem pecado poderia substituir a ofensa de Adão, porém, a substituição é a obediência, o que Cristo fez, por ser o último Adão.

Na obediência está a justiça, no sacrifício do corpo de Cristo a justificação. Todos quantos obedecem a Cristo conformam-se com Cristo na sua morte, e após ressurgem com Cristo, Deus os declara justos. Deus estabeleceu a sua justiça através da obediência de Cristo, mas era necessário o trigo morrer para produzir fruto ( Jo 12:24 ).

Na morte de Cristo foi plantado o Unigênito Filho de Deus, quando ressurgiu dentre os mortos, Cristo tornou-se o primogênito dentre os mortos, pois através da sua morte e ressurreição são conduzidos à glória muitos filhos de Deus ( Rm 8:29 ).

Deus não busca dos homens sacrifícios, ofertas, holocaustos ou oblações pelo pecado, antes a obediência. Quando preparou ao Cristo um corpo, o esperado era a obediência, consequentemente, o cordeiro para o holocausto era certo. Se o último Adão não se resignasse a obedecer, não haveria substituição de ato e a justiça não seria estabelecida.

Jesus, como homem, não foi voluntarioso em oferecer a si mesmo como sacrifício, antes se apresentou ao Pai para obedecê-Lo. Jesus humilhou-se a si mesmo ao se fazer servo, pois abriu mão de sua vontade e entregou-se em obediência à determinação do Pai.

Humilhar a si mesmo é posicionar-se na condição de servo, executando estritamente a ordem do seu Senhor. Humilhar a si mesmo é abrir mão da própria vontade para executar a vontade de Deus a exemplo do que Cristo fez. Quando na carne, o Verbo não se apresentou ao Pai com o argumento: – ‘Vou dar o meu melhor ao Pai’, ou ‘Vou me oferecer como sacrifício’, antes se resignou a acatar humildemente a vontade de Deus: – ‘Seja feita a sua vontade’.

Deixar a sua glória e se fezer homem, não foi o momento em que Jesus se humilhou, visto que a ação do Verbo eterno ao deixar a sua glória foi uma decisão soberana e voluntária. Ao deixar a Sua glória, o Verbo eterno submeteu-se à sua própria decisão, mas quando na carne, abriu mão de sua vontade para sujeitar-se a vontade do Pai, se fez servo, o que é humilhar a si mesmo  “Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo” ( Hb 10:9 ; Sl 40).

Quando deixou a sua glória, o Verbo Eterno voluntariamente despiu-se da sua glória, ou seja, esvaziou-se do seu poder para tornar-se homem, porém, a humilhação de si mesmo se deu quando Jesus, como homem, em obediência ao Pai, resignou-se a sofrer os vitupérios da cruz “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” ( Fl 2:7 ).

Quando resignou-se a beber o cálice proposto pelo Pai, sujeitando-se como servo, Cristo humilhou a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz. Observe que o apóstolo Paulo demonstra que Cristo humilhou a si mesmo quando achado na forma de homem, e não quando esvaziou-se a si mesmo para se fazer semelhante aos homens: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” ( Fl 2:8 ).

 

Instruções acerca da humilhação

Como um homem se humilha debaixo das potentes mãos de Deus? Qual o modo de ser exaltado por Deus? O único modo é obedecendo!

Através da história do rei Saul é possível compreendermos outro aspecto da obediência. Desde Abel e Caim, Deus nunca se opôs aos sacrifícios e votos dos homens, apesar de não exigi-los ( Gn 4:3 -4). Em função da voluntariedade do homem em sacrificar ( Lv 1:2 ), no livro de Levítico Deus disciplina a forma de como oferecê-los, o que demonstra que para agradar a Deus é necessário a obediência.

Através do livro de Levítico, caso o voluntarioso em sacrificar se resignasse a cumprir todos os rituais estabelecidos, paulatinamente estava aprendendo a importância da obediência, e o tal seria aceito por Deus, não em função do sacrifício, antes por obedecer.

Apesar de Deus nunca ter exigido sacrifícios, não os extinguiu, antes disciplinou como e onde oferecê-los, pois este era uma forma de os ofertantes aprenderem a obediência, e não o meio de serem aceitos por Deus. O homem só é aceito por Deus quando se converte dando ‘ouvidos’ a Deus, e não através de sacrifícios ( Dt 5:9 ; Dt 30:2 e 6).

Deus deu uma ordem direta ao rei Saul para que os amalequitas fossem completamente exterminados. Diante da ordem divina não era facultado ao rei sacrificar ou votar. Em qualquer outra ocasião o rei poderia apresentar quantos sacrifícios desejasse, mas diante da ordem expressa de Deus cabia-lhe somente a obediência.

Sob o argumento de que cumpriu completamente a ordem divina ( 1Sm 15:13 ), mesmo tendo poupado o rei Agage e o melhor do interdito, Saul persistiu na desobediência apresentando como justificativa o sacrifício.

A atitude voluntária de Saul em sacrificar não era o posicionamento de um servo, antes estava a serviço de si mesmo. Executar 99,9% de uma ordem não é obediência, é rebelião e feitiçaria. É estar a serviço de si mesmo.

Não submeter-se a vontade de Deus é o mesmo que feitiçaria, iniquidade e idolatria. É servir Mamom e não ao Senhor “Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” ( 1Sm 15:22 -23).

Diante da vontade expressa do Senhor não cabe sacrifício, só a submissão em obediência, visto que não submeter-se é rebelião “Porque conheço a tua rebelião e a tua dura cerviz; eis que, vivendo eu ainda hoje convosco, rebeldes fostes contra o SENHOR; e quanto mais depois da minha morte?” ( Dt 31:27 ); “Como o prevaricar, e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” ( Is 59:13 ).

Acerca da submissão ao Senhor, temos a seguinte ordem no Novo Testamento:

“Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” ( 1Pd 5:6 )

“Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará” ( Tg 4:10 )

Jesus orientou os escribas e fariseus acerca da auto-humilhação após curar um homem que sofria de uma doença que acumulava líquidos em seu corpo (hidrópico): “Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado” ( Lc 14:11 ).

Jesus recomenda aos seus ouvintes a não se assentarem nos primeiros lugares quando convidados a uma festa, pois se houvesse alguém mais digno, o dono da festa poderia requerer o lugar de destaque e dá-lo ao mais digno. Ao contar-lhes esta regra de etiqueta social, por parábola, Jesus estava demonstrando aos seus ouvintes que, apesar de se acharem dignos de um lugar de destaque no reino dos céus por serem descendentes da carne de Abraão, o noivo daria a outros convidados mais dignos que se assentassem em lugar de destaque.

Jesus apresenta a eles a regra do reino dos céus, visto que os convidados não são os judeus (sãos), antes os obedientes como o crente Abraão, pecadores dentre todos os povos (doentes) “Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes” ( Mt 9:12 ).

Na lição que Jesus passou estava implícita a ordem: “Misericórdia quero, e não sacrifício”, pois Jesus não veio ‘chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento’ ( Mt 9:13 ). Embora os religiosos judeus entendessem que tinham direito de entrar no reino dos céus por serem descendentes da carne do patriarca Abraão, não havia compreendido o enigma da misericórdia “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” ( Mt 9:13 ).

Quando Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano, demonstrou aos seus ouvintes que se achavam justos aos seus próprios olhos que, para ter acesso ao reino dos céus é imprescindível reconhecer a sua condição miserável diante de Deus, humilhando-se a si mesmo.

E como humilhar-se? Diferente do que os interlocutores de Jesus pensavam que, para humilhar-se era necessário sacrifício como jejuns, sábados, dízimos, circuncisão, votos, holocaustos, etc., humilhar a si mesmo é quando o homem clama pela misericórdia de Deus “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” ( Lc 18:14 ).

Humilhar-se a si mesmo é lançar fora todas as suas ‘riquezas’ como linhagem, circuncisão, tribo, nacionalidade, lei, religiosidade, etc., considerando a riqueza como escória, sujeitando-se a Cristo “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu. Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” ( Fl 3:5 -8).

Humilhar-se a si mesmo é acatar a ordem divina, se fazendo servo de Cristo “Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me” ( Mt 19:21 ).

Se o jovem rico houvesse se sujeitado ao mando de Cristo, seria aceito por servo. Na fala: – ‘Se queres ser perfeito’ estava implícita uma prova semelhante a que Deus deu a Abraão. Se o jovem rico se dispusesse a obedecer, o sacrifício não seria exigido, assim como se deu com o crente Abraão. A partir do momento em que o jovem se dispusesse a seguir a Cristo, estaria andando humildemente com o seu Deus, sendo justificado como o crente Abraão ( Gn 17:1 ; Gn 6:9 ; Dt 18:13 ; Mt 5:48 ). Jesus não está em busca de doadores de bens materiais, antes que o jovem rico se dispusesse a segui-Lo. Este foi o mando de Deus a Abraão, e o seu eco permeia todas as Escrituras: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” ( Mq 6:8 ); “Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito” ( Gn 17:1 ).

O profeta Jeremias alertou os filhos de Jacó dizendo: “Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR” ( Jr 9:23 -24). Quem são os sábios, os fortes e os ricos? São figuras utilizadas pelos profetas para fazer referencia ao povo de Israel, pois tudo o que a lei diz, diz aos que estão sob a lei e se gloriam nela ( Rm 2:23 e Rm 3:19 ).

 

Distorções acerca da humilhação

Uma das distorções acerca da auto-humilhação surge da ideia de que é necessário ao homem se desprender dos bens deste mundo, como dinheiro, emprego, carro, casa, família, etc. Outra, é achar que se humilhar é o mesmo que ser pobre, desprovido de bens materiais. Nem de longe distribuir bens aos pobres é humilhar a si mesmo.

Quando a bíblia recomenda o desprendimento da glória e das riquezas que o mundo oferece, apresenta uma parábola, de modo que é necessário desvendar-lhe o enigma para compreende-la.

Quando lemos que Moisés recusou ser chamado filho da filha de Faraó, renegando o tesouro do Egito, ele tinha em vista o tesouro que permanece para a vida eterna. Se Moisés se apegasse aos bens do Egito, não teria como abraçar a fé e esperar a recompensa incorruptível ( Hb 11:24 -26).

Isto não quer dizer que o tesouro do Egito era amaldiçoado, antes que era impossível herdar o tesouro do Egito e obedecer à ordem de Deus para retirar o povo do Egito. Uma escolha se fez necessária, diferente de José, que desfrutou dos tesouros do Egito e protegeu a linhagem de Cristo.

Semelhantemente Abraão rejeitou o premio do rei de Sodoma, pois tinha em vista a promessa de Deus “Jurando que desde um fio até à correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão” ( Gn 14:23 ).

A determinação para os cristãos não é para abandonar os seus afazeres diários, nem mesmo renegar os seus bens materiais, antes seguir a seguinte recomendação paulina: “Isto, porém, vos digo, irmãos, que o tempo se abrevia; o que resta é que também os que têm mulheres sejam como se não as tivessem; E os que choram, como se não chorassem; e os que folgam, como se não folgassem; e os que compram, como se não possuíssem; E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa” ( 1Co 7:29 -31).

Fazer uso das coisas deste mundo não é o mesmo que exaltar-se, mas fazer uso de questões deste mundo como origem, religião, regras, nacionalidade, etc., como meio de se salvar é presunção, orgulho, soberba. Por exemplo: os escribas e fariseus eram ‘soberbos’ porque se apegavam ao fato de serem descendentes da carne de Abraão e à lei mosaica como meio de alcançar salvação.

Para os escribas e fariseus humilharem-se a si mesmos teriam que considerarem: descendência da carne de Abraão, a lei, a circuncisão, sábados, sacrifícios, etc. como escória, pois só assim é possível alcançar a Cristo “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” ( Fl 3:7 -8).

É salutar ser reconhecido entre seus pares, na família, na sociedade, e abrir mão disto não é o mesmo que se humilhar. Tornar-se monge, padre, pastor, sacerdote, andarilho, etc., não é o mesmo que humilhar-se. Deixar de conviver com a família, os amigos, não é humilhar-se. Fazer voto de pobreza, de silêncio, restrição alimentar, castidade, isolamento, não é humilhar-se a si mesmo. Sofrer humilhação de outras pessoas, como desprezo, ‘bullying’, ou ser uma pessoa resignada diante das vicissitudes, não é o mesmo que humilhar-se a si mesmo.

 

Como se humilhar?

‘Humilhar-se a si mesmo’ é tornar-se servo de Cristo, tomando sobre si o ‘jugo’ de Jesus ( Mt 11:29 ). O verdadeiro significado de ‘humilhar-se a si mesmo’ consiste em crer em Cristo, que tira o pecado do mundo.

Cristo humilhou a si mesmo quando obedeceu ao Pai como servo e entregou-se aos pecadores. O homem humilha-se a si mesmo quando obedece a seguinte ordem de Cristo: “E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” ( Mc 8:34 ).

Negar a si mesmo é o mesmo que humilhar a si mesmo, pois após sujeitar-se ao senhorio de Cristo, o homem deixa de fazer a vontade do seu antigo senhor para fazer a vontade de Cristo. Humilhar-se a si mesmo é resignar-se à condição de instrumento a serviço do seu senhor “Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça” ( Rm 6:13 ); “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis” ( Gl 5:17 ).

No momento em que o cristão torna-se discípulo de Cristo, conhecendo a verdade, significa que, como servo, o cristão renegou a sua vida herdada de Adão, que na verdade é morte, separação de Deus, e tomou a sua própria cruz, seguiu após Cristo, morreu com Ele e ressurgiu uma nova criatura pelo poder de Deus, tornando-se servo da justiça.

Para o homem humilhar a si mesmo basta crer em Cristo. Se faz servo ao obedecer a ordem de Deus, crendo no enviado de Deus “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” ( Rm 6:16 ).

Para humilhar-se a si mesmo é imprescindível crer no enviado de Deus, pois este é o mandamento de Deus aos seus servos “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ).

Antes de crer em Cristo, o homem é servo do pecado, após obedecer de coração a doutrina de Cristo conforme o modelo passado pelos apóstolos e profetas, o crente torna-se servo da justiça “Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” ( Rm 6:17 -18).

A maior humilhação da antiguidade era alguém se fazer servo, deixando de lado a sua autodeterminação para submeter-se ao mando de outrem. Quando o homem atende ao mandamento de Deus, que é crer em Cristo, se faz servo, ou seja, sai fora do arraial e sofre com Cristo o vitupério da cruz ( Hb 13:13 ).

O homem gerado segundo Adão, que estava sujeito à ira de Deus morre, é sepultado e ressurge dentre os mortos uma nova criatura. Como consequência, o novo homem é exaltado, pois ressurgiu com Cristo uma nova criatura. A gloria que Cristo recebeu é compartilhada com todos os cristãos “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” ( Jo 17:22 ).

Quando lemos o seguinte salmo: “Ainda que o SENHOR é excelso, atenta todavia para o humilde; mas ao soberbo conhece-o de longe” ( Sl 138:6 ), devemos considerar que o ‘humilde’ é aquele que submete-se ao senhorio de Deus, obedecendo-O e o soberbo aquele que não se submete.

Um exemplo de soberba encontramos no rei Saul, que após receber um ordem de Deus para exterminar os amalequitas, resolveu por si mesmo preservar a vida do rei Agague e o melhor dos bois e das ovelhas ( 1Sm 15:8 -9). Esta deliberação de Saul e do povo foi soberba, mas se tivessem exterminado todos os amalequitas, seria humildade.

Nas Escrituras humildade está para obediência, assim como soberba está para a desobediência. Observe o seguinte verso: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” ( Mq 6:8 ). O que Deus exige do homem? Obediência, o que é o mesmo que andar ‘humildemente’ com Deus.

Quando o homem reconhece que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus e que os homens pela fé em Cristo são justificados gratuitamente, a soberba é excluída, como se lê: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. Onde está logo a jactância? É excluída. Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé” ( Rm 3:23 -27).

No verso jactância é orgulho, ostentação, soberbia, ufania, vaidade, vanglória. O mandamento (lei) da fé, que é crer em Cristo exclui qualquer orgulho, vanglória, jactância, porque o homem é justificado por Deus gratuitamente segundo a redenção que há em Cristo.

Um cristão não pode sentir orgulho? Se for com relação às questões deste mundo, pode sim. Pode orgulhar-se de seus filhos, esposa, amigos, parentes, conquistas pessoais. O apóstolo Paulo ao escrever corintos demonstrou estar orgulhoso dos seus interlocutores, o que demonstra que o ‘orgulho’ não é uma questão capital, como preceitua a igreja católica: “Grande é a ousadia da minha fala para convosco, e grande a minha jactância a respeito de vós; estou cheio de consolação; transbordo de gozo em todas as nossas tribulações” ( 2Co 7:4 ).

Mas, na primeira carta aos corintos, o apóstolo Paulo destaca uma soberba que é capital. O apóstolo dos gentios havia anunciado o evangelho aos Corintos e, para que os cristãos permanecessem nas pisadas do apóstolo, foi enviado Timóteo para preservar a memória dos cristãos as questões do evangelho ( 1Co 4:16 -17). Porém, apesar do cuidado do apóstolo Paulo, havia alguns que andavam ‘ensoberbecidos’, ‘inchados’, ou seja, não eram imitadores do apóstolo dos gentios quanto ao evangelho.

Um exemplo proveniente da soberba estava em tolerarem um congregado que abusava da mulher do seu próprio pai ( 1Co 5:2 ). Ou seja, a soberba nestes versos não diz de orgulho, antes do desvio da palavra da verdade, visto que, após reprovar o desvio no verso 6, do capítulo 5 da carta aos Corintos, o apóstolo demonstra que era necessário remover o ‘fermento’ velho, para serem uma nova massa.

De modo que, fazer a festa com os ázimos da sinceridade e da verdade, que é o evangelho genuíno, é humildade, e soberba é permanecer com o fermento velho, o fermento da malicia e da maldade ( 1Co 5:6 -8).

Tiago ao recomendar aos seus interlocutores que se humilhassem, chama-os de adúlteros e adulteras. Ora, ele estava escrevendo aos judeus da dispersão, pessoas religiosas não dadas à promiscuidade sexual como os gentios. Quando Tiago nomeia os seus interlocutores de adúlteros e adulteras, estava enfatizando o desvio deles da verdade do evangelho, e não abordando questões de cunho sexual ( Tg 4:4 ; Ez 16:35 ).

Em seguida Tiago destaca que as Escrituras demonstram que Deus habita nos cristãos e que tem ciúmes ( Ez 16: 42 ). Novamente Tiago cita as Escrituras demonstrando que Deus resiste aos desobedientes, e da graça aos obedientes ( Tg 4:6 ).

Daí os imperativos seguintes: sujeitai-vos a Deus, ou seja, obedeçam, sejam servos de Deus, pois o diabo não pode tocar nos servos de Deus; chegai-vos a Deus, ou seja, tomai sobre si o jugo de Deus; limpem as mãos e os corações; quando deixassem a presunção de que eram filhos de Deus por serem descendentes da carne de Abraão veriam as suas misérias, tornando-se humildes, de modo que Deus em Cristo os exaltaria ( Tg 4:10 ).

Mas, como os interlocutores de Tiago continuavam seguindo os seus próprios mestres que possuíam uma sabedoria carnal e diabólica, Tiago destaca que eram soberbos e mentiam contra a verdade “Mas agora vos gloriais em vossas presunções; toda a glória tal como esta é maligna” ( Tg 4:16 ; Tg 3:14 ).

Em resumo: o soberbo é aquele que ensina outra doutrina que não a de Cristo, como se lê: Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas” ( 1Tm 6:3 -4).

A soberba é uma figura para fazer referencia aos homens que se desviam da palavra de Deus: “Tu repreendeste asperamente os soberbos que são amaldiçoados, que se desviam dos teus mandamentos”( Sl 119:21 ); “Tu repreendeste asperamente os soberbos, os malditos, que se desviam dos teus mandamentos” ( Sl 119:21 ). Semelhantemente, a viúva, o órfão, o pobre são figura que contrapõe a figura dos soberbos, de modo que os humildes, pobres, tristes são bem-aventurados e os soberbos não “O SENHOR desarraiga a casa dos soberbos, mas estabelece o termo da viúva” ( Pr 15:25 ); “Com o seu braço agiu valorosamente; Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações” ( Lc 1:51 ).

Qualquer que presume de si mesmo que tem por Pai Abraão por ser descendente da carne de Abraão é soberbo. Gloria na sua riqueza, porém, é um pobre, cego e nu “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” ( Ap 3:17 ). A humildade não está na pobreza material, e sim em adquirir de Deus vestes de justiça, ouro provado no fogo, ou seja, obediência à fé. Daí a fala de Tiago: “EIA, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça” ( Tg 5:1 -2).

Qualquer que não segue os mandamentos de Deus está à mercê da própria vontade, portanto, é soberbo e nada sabe “A nossa alma está extremamente farta da zombaria daqueles que estão à sua vontade e do desprezo dos soberbos” ( Sl 123:4 ).

Para humilhar-se a si mesmo basta tomar sobre si o jugo de Cristo, ou seja, é necessário aprender com Ele, que é humilde e manso de coração: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ).

Por que Jesus era manso? Porque Jesus resignou-se a obedecer ao Pai.

Em tudo Ele cumpriu o que predisse a profecia. Jesus poderia deliberar ir atrás de uma montaria melhor para apresentar-se a Jerusalém, porém, resignou-se a cumprir a profecia “Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei aí te vem, Manso, e assentado sobre uma jumenta, E sobre um jumentinho, filho de animal de carga” ( Mt 21:5 ); “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e salvo, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta” ( Zc 9:9 ).

A melhor tradução é a que demonstra que Jesus veio humilde, e não pobre como a utilizada acima, pois o verso demonstra a obediência do servo do Senhor.

Quando a bíblia diz que Moisés era o homem mais manso que havia sobre a terra, não estava apontando virtudes psíquicas, antes destacando a obediência de Moisés, que era servo obediente na casa de Deus ( Nm 12:3 e 7; Hb 2:5 ).

Qualquer que executa a obra de Deus é manso, humilde. Qualquer que põe por obra o juízo de Deus é manso “Buscai ao SENHOR, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; pode ser que sejais escondidos no dia da ira do SENHOR” ( Sf 2:3 ); “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ).

A verdadeira humilhação pertinente ao cristão refere-se ao momento que se fez servo de Cristo, tomando sobre si o jugo de Cristo.

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Satanás antes e depois da queda

Quando Deus criou os seres celestiais, ao querubim ungido disse: “Tu és o selo da perfeição, cheio de sabedoria, e perfeito em formosura” ( Ez 28:13 ). A descrição do querubim se prende na veste dele, (indumentária), sendo ela criada no dia em que ele foi trazido à existência “Cobrias-te de toda pedra preciosa (…) no dia em que foste criado foram eles preparados” ( Ez 28:13 ). Até ser achado iniquidade no querubim ungido, ele é descrito como: “Perfeito eras no teu caminho, desde o dia em que foste criado…” Ez 28:15 … Falava ele lendo a Bíblia após cada explicação.

 


Quer aprender mais como interpretar a Bíblia? Perguntou meu marido, como menino que pergunta se o coleguinha quer pirulito, na certeza de que é a coisa que o outro mais deseja.

Entrei no clima e respondi: Eu quero, eu quero! Me escolhe, me escolhe!

Esse ar de brincadeira chamou a atenção de nossa filha, que disse: – O que está acontecendo aí gente? Também quero.

– O pai vai me ensinar sobre Satanás. Respondi.

– Credo! Não quero nada disso não. Disse ela.

– Oh filha, – disse-lhe com a voz consternada – por quê?…

Depois da alegria que senti em saber que Satanás não era tão poderoso quanto eu acreditava, achei que todos deviam ter o mesmo sentimento quanto a conhecer a verdade que a Bíblia ensina.

Mami, eu já sei quem é Satanás! Respondeu ela toda confiante.

– Você sabe como Satanás era antes da queda? Perguntei-lhe.

Ela balançou a cabeça devagar, em sinal de negação e um tanto constrangida, afinal de contas, tinha falado que já sabia quem era Satanás, no entanto, ainda faltavam informações.

Aham! Então?… Insisti: Senta aqui com a gente, vai ser bom pra nós.

Ela sentou-se, não muito interessada. Aquele desprezo típico de adolescente na expressão do rosto.

Meu marido, em silêncio, já havia marcado dois trechos bíblicos enquanto eu tentava convencer nossa filha a aprender um pouco de interpretação.

Ao sentarmos, ele perguntou: Onde Satanás estava antes da queda?

Respondemos em coro: No céu.

– Na nani nãnão! Falou ele com ar de sabichão.

Com a decepção estampada no rosto, ela disse: Pai, pai, desde que me entendo por gente, que não faz muito tempo, -rsrsrs-, Satanás foi precipitado do céu.

Eu, que não queria passar vexame na frente de minha ex- aluna da escola dominical, nem abri a boca. Percebi que ele já havia investigado na Bíblia e iria dar sua cartada triunfal: revelar um conhecimento pouco percebido pelos leitores da Bíblia. Até abri um pouco mais os olhos.

Ele leu em voz alta, um pouco mais que o normal: “Estavas no Éden, Jardim de Deus” ( Ez 28:13 ).

A menina com olhos e boca abertos, estendeu a mão e arrastou a Bíblia vagarosamente até ela e leu em silêncio e a devolveu ao pai, pronta pra ouvir o comentário que sabia que seguiria aquela leitura. Claro que, a essa altura a expressão do rosto não era mais de desprezo, até alinhara-se na cadeira.

Muito motivado, afinal sua platéia aumentara cem por cento, ele começou a explanação: Quando Deus criou os seres celestiais, ao querubim ungido disse: “Tu és o selo da perfeição, cheio de sabedoria, e perfeito em formosura” ( Ez 28:13 ). A descrição do querubim se prende na veste dele, (indumentária), sendo ela criada no dia em que ele foi trazido à existência “Cobrias-te de toda pedra preciosa (…) no dia em que foste criado foram eles preparados” ( Ez 28:13 ). Até ser achado iniquidade no querubim ungido, ele é descrito como: “Perfeito eras no teu caminho, desde o dia em que foste criado…” Ez 28:15 … Falava ele lendo a Bíblia após cada explicação.

-Amor… o interrompi.

-Que foi?

– Dá pra você ser menos erudito? Ezequiel vinte oito, quinze. Parece que tá dando aula de teologia. A menina tem 14 anos, daqui a pouco ela vai ter sono. Observei.

Ah… Tá. Me empolguei um pouco. Disse ele com semblante risonho. E continuou.

-Certo… Satanás era BONITÃO. Ao meu entender, o mais lindo, “Perfeito em formosura” a roupa dela era de pedras preciosas. Ele foi criado especial entre os anjos.

-Pai, Deus não ama todos os anjos iguais? Perguntou nossa filha, um tanto decepcionada. Por que ele criou Satanás mais especial que os outros?

– Porque ele teria uma MISSÃO especial… Respondeu ele com satisfação, pois despertara questionamentos naquela cabecinha. – Leia aqui, o verso quatorze. Deslizou a Bíblia até a garota.

-“Tu eras querubim da guarda ungido…” leu ela, enquanto a Bíblia deslizava novamente para o pai, puxada por ele. Então levantou os olhos para ele para ouvir o que seguiria.

– Deus o estabeleceu como guardador do Monte Santo. Vocês não podem esquecer que o Monte Santo era o Éden. Ouça o que diz o versículo treze: “Estavas no Éden, jardim de Deus”.

-É mesmo. Dissemos em coro. Ela continuou: Ele não estava no céu, mas porque ele tinha que guardar o Éden, Monte Santo? De quem ele Tinha que guardar? Nem ele era Diabo ainda?

Olhei para a menina perplexa. Como podia surgir tanta pergunta de uma vez. Diga-se de passagem: E que perguntas!

– Essa é minha garota! Disse meu marido com satisfação. Nós três soltamos um riso, quase em uníssono. Nisso, meu filho que estava jogando vídeo game, parou o jogo e se juntou a nós.

-Eitáá! Expressou-se meu marido. –Minha platéia já aumentou mais cem por cento. Um aumento de duzentos por cento em um dia. Isso é fenomenal.

Dessa vez todos riram gostosamente.

-Ai pai! São três aluninhos, e todos… sua família. Disse o menino com deboche.

Mais risadas.

Que isso menino? Você sabe quem é o homem que pode ensinar a palavra de Deus para toda a família? Perguntou com ar de brincadeira, parecendo austero.

Quem? Perguntou o garoto, rindo um tanto desafiador.

EU! Respondeu o pai.

Mais risadas rechonchudas.

-Tá, tá. Muito bom a descontração, mas desejo ouvir minhas respostas. Interrompeu a menina.

– São perguntas excelentes, filha, mas deixarei para responder em outra ocasião. Neste mesmo local e talvez, não nesta mesma hora. Quero terminar de falar sobre Satanás, suas perguntas evocam a igreja, os anjos, o propósito eterno, e por aí a fora. Disse o pai com desejo de não desviar do assunto.

Sua preocupação era que esta aprendizagem fosse sedimentada na cabecinha da filha, pois em nenhum momento antes ela mostrara tanto interesse. Mas se falasse tudo de uma vez, as informações ficariam soltas e não seria muito útil.

-Satanás era um anjo da ordem dos querubins. Ou seja, Satanás era um anjo de posição elevada perante os seus semelhantes. Ele era nomeado como o portador de luz. A Bíblia descreve Satanás antes da queda como sendo o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Ele estava no jardim do Éden, Jardim de Deus, e quando da sua criação, também foi preparado os seus ornamentos (veste).

Ele devia ficar no monte santo de Deus, exercendo a função para a qual foi comissionado: guarda ungido. Ele havia assumido a MAIOR POSIÇÃO DA HIERARQUIA CELESTIAL, porque Deus o estabeleceu nesta posição.

-Amor, explica o que é hierarquia, talvez nosso filho não saiba. Disse eu preocupada com o entendimento do garoto.

Respondeu ele: Este menino é inteligente, e se ele não souber, tenho certeza de que vai olhar no dicionário.

Pareceu-me que o garoto estava flutuando na cadeira com o elogio do pai. O qual continuou a explicação sem nem notar o que acabara de fazer.

-Porém… porém… – Deslizou a Bíblia para o garoto e disse: leia aqui menino. Estava aberto no livro de Ezequiel, capítulo vinte oito verso quinze

O menino leu sem demora: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti”

Ele puxou a Bíblia de volta para ele e disse com voz de locutor de rádio: E-ELE PE-E-COU.

-É neste “momento” que ele diz em seu coração: “Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo” ( Is 14:13 e 14).

– Notaram aqui o que ele diz?

Todos quiseram responder ao mesmo tempo, mas foi observado pelo pai: -Um de cada vez, primeiro minha esposa.

-Que Satanás quis subir acima das estrelas de Deus, que são os anjos. Falei toda confiante, pois estava até dando o significado da figura ‘estrelas de Deus.

-Você, minha primogênita. Continuou ele sem nem me dar parabéns.

– Concordo com a mãe, pai. Asseverou a menina.

-Agora você, meu varãozinho.

– O problema estava em Satanás querer ser semelhante a Deus? Respondeu o garoto, fazendo pergunta.

-O fato de ele querer ser semelhante a Deus, foi mesmo o problema, mas quero lhes mostrar uma coisa interessante, uma coisa que reafirma que Satanás não estava no céu. Respondeu o pai olhando para mim.

Olhamos uns para os outros e saiu quase um grito de guerra: “EU SUBIREI AO CÉU”!

– Se ele quis subir é porque ele não estava lá, né pai? Disse nossa menina com os olhos estatelados.

-Isso é que é família. Disse ele orgulhoso. – Continuando e concluindo. Chamou-nos a atenção por causa da euforia que nos causou o elogio dele.

Voltamo-nos para ele mais atenciosos do que nunca.

-Por se achar o pecado no querubim ungido, Deus o destituiu da sua posição, lançando-o profanado para fora do monte e Satanás recebeu a penalidade: A MORTE!

– Como vocês sabem, estar separado de Deus é… MORTE! Concluiu o pai, satisfeito.

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Deus virou as costas para o seu Filho quando na cruz?

A resposta para a pergunta: “Deus virou as costas para o seu Filho quando na cruz?”, encontra-se no Salmo 22, verso 24: Deus não desprezou e nem abominou a aflição do aflito!

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Intercessões e tragédias

A Bíblia revela que Deus é Deus de amor, misericórdia, bondade, compaixão, paz, etc., atributos que não depende do reconhecimento do homem. Ele é o que é! Por Ele ser o que é, misericordiosamente manifestou aos homens Cristo ( Gl 3:23 ), e por Ele estabeleceu a paz, a que excede todo entendimento, desfazendo a barreira de inimizade que havia entre Deus e os homens.


Já não me incomodam os pseudos evangelhos que surgiram ao longo dos tempos, porém, não posso me calar diante de um velho movimento doutrinário que tenta novamente se impor, sendo que hoje se apresenta com uma nova roupagem, denominada de ‘nova espiritualidade’.

Há algum tempo li com pesar o artigo “Súplicas pelos que choram”, do conferencista e pastor Ed René Kivitz, publicado no Blog ‘Outra Espiritualidade’, com data de 31 de julho de 2007, mas agora não posso me furtar a não tecer um comentário.

Eu não consigo entender o que motiva a intercessão contida no artigo, pois enquanto Jesus determina aos seus seguidores que deixem os mortos enterrar os seus mortos ( Lc 9:30 ), a intercessão do Pr. Kivitz parece demonstrar que os discípulos precisam demonstrar uma compaixão maior que a do Mestre “O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre” ( Lc 6:40 )

“Pai Celestial, hoje erguemos nossas vozes em intercessão pelos que choram seus mortos” ‘Súplicas pelos que choram”, artigo do conferencista e pastor Ed René Kivitz, publicado no Blog ‘Outra Espiritualidade’, com data de 31 de julho de 2007.

Quando um discípulo demonstra possuir uma compaixão maior que a do seu mestre, claro está que ainda não compreende as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens “E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” ( Mt 16:22 -23). Geralmente os discípulos que não compreendem as coisas do Mestre, questionam as ações e a doutrina transmitida “Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo” ( Jo 13:6 -8), relutam, e, tornam-se exagerados em suas conclusões, como se verifica no caso do apóstolo Pedro em relação à ordem direta de Jesus “Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça” ( Jo 13:9 ).

A bíblia revela que Deus é Deus de amor, misericórdia, bondade, compaixão, paz, etc., atributos que não depende do reconhecimento do homem. Ele é o que é! Por Ele ser o que é, misericordiosamente manifestou aos homens Cristo ( Gl 3:23 ), e por Ele estabeleceu a paz, a que excede todo entendimento, desfazendo a barreira de inimizade que havia entre Deus e os homens.

Cristo é a nossa paz e, se quisermos que esta paz seja derramada sobre os corações dos homens, devemos proclamar o evangelho de Cristo, pois somente por intermédio do evangelho a barreira da inimizade, a ignorância, é desfeita ( Ef 4:18 ), e os homens que crerem serão reconciliados com Deus ( Rm 5:10 ).

O cristão deve interceder pelos pecadores para que tenham paz, ou anunciar as boas novas do reino? “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” ( Is 52:7 ). Deus não enviou ao mundo os seus discípulos para serem ‘intercessores’ “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” ( Mc 16:15 ), pois só há um mediador e intercessor: Jesus Cristo homem ( Hb 7:25 ; Rm 8:34 ; ).

Qual intercessão é válida em prol dos pecadores? – Senhor, seja misericordioso? Devemos clamar: – Senhor, seja bonzinho e benevolente com os pecadores..?!’

Ora, Deus é misericórdia e a misericórdia de Deus foi manifesta em Cristo, portanto, toda e qualquer intercessão em prol dos pecadores deve focar aqueles que anunciam as boas novas, como rogou o apóstolo Paulo que orassem em seu favor, para que ele tivesse intrepidez ao anunciar o evangelho e que lhe fosse concedido liberdade para exercer o seu ministério evangelístico ( Ef 6:18 -19).

Deus somente tomará pela mão os perdidos que ouvirem e crerem no evangelho de Cristo. Somente a luz do evangelho pode conduzir os homens a Deus. Somente no evangelho há esperança de uma eternidade com Deus. Só a palavra da cruz possui o poder para que as forças do homem sejam renovadas como a da águia.

Acaso não faz justiça o Juiz de toda a terra? ( Gn 18:25 ).

Enquanto o Pr. Kivitz roga que Deus tome pela mão os perdidos que estão em trevas parafraseando as Escrituras (sem levar em conta o contexto e o seu significado), o profeta Isaias há muito profetizou que os que jaziam em trevas viram uma grande luz “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” ( Is 9:2 ).

Não há mais que se clamar a Deus pelos que habitam na região da sombra da morte, pois Cristo, a luz que ilumina o mundo já raiou e, agora resta aos que creram anunciar aos que estão em trevas que as mãos de Deus não estão encolhidas para que não possa salvar.

Clamar a Deus que resgate os perdidos não é a missão da igreja de Cristo, visto que Deus já proveu salvação, segundo a sua misericórdia, suficiente para salvar a todos que ouvirem e aceitarem a mensagem do evangelho. A missão da igreja não é interceder pelos pecadores, antes é semear a semente, pois Deus já providenciou salvação aos perdidos ( Mc 16:15 ).

O que preocupa ainda mais com relação a oração em análise (apesar de bonita e comovente), é que ela não coaduna em parágrafo algum com a mensagem de Cristo “Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos” ( Mt 8:22 ).

Como a intercessão em comento aborda a tristeza daquelas pessoas que passaram por uma tragédia familiar ou nacional (devemos as nossas condolências a estas pessoas), percebe-se que, na intercessão o intercessor se afastou do que foi anunciado por Cristo Jesus e, também, do que anunciou o profeta Isaias.

Certa feita alguns religiosos comentam com Cristo uma tragédia que havia ocorrido naqueles dias com alguns Galileus, e estes pensavam que Jesus havia de apontar o pecado daqueles que pereceram em consequência de terem sucumbido àquela tragédia. Jesus, porém, contrariou a todos, demonstrando que, caso eles não mudassem (arrependessem) os seus conceitos, de igual modo pereceriam ( Lc 13:3 ).

Para demonstrar que eles não eram diferentes dos outros povos, Jesus lembrou-lhes de uma tragédia ocorrida em Jerusalém, na torre de Siloé, quando dezoito pessoas (possivelmente judeus) morreram. Ou seja, a tragédia pode abater-se sobre todos os homens, porém, caso não se arrependessem (mudança a concepção de salvação), de igual modo todos pereceriam.

Por que Jesus não orientou os judeus a orarem pelos familiares dos mortos? Porque a dor da perda é um sentimento natural e, após algum tempo, a energia para lançarem-se às questões desta vida naturalmente voltará. O homem pode enfrentar estas questões, isto não lhe é impossível, mas, com relação à vida eterna, a salvação da alma, somente Jesus pode salvar, porque isto ao homem é impossível.

Por mais que alguém interceda ao Pai que venha consolar a tristeza daqueles que perderam seus entes queridos em uma tragédia, não será atendido, pois a bíblia demonstra que há hora para tudo embaixo do sol ( Ec 3:1 -8).

Deixou-me perplexo a seguinte frase da oração:

“Rogamos que enxugues cada lágrima, recebendo-as como a mais pura oração, acolhendo-as como tributos aos que se foram, dando-lhes sentido e significado, transformando-as em memórias felizes e lembranças de amor e saudade que produzam frutos de vida” Idem.

O que isto significa e representa? A tristeza, o choro e as lágrimas decorrentes de uma perda ou de males oriundos de uma tragédia são recebidos por Deus? Qual a base bíblica para está colocação?

Sabemos que a dor da alma humana, por mais que seja sincera, não é elemento que torna o homem ou a sua oferta agradável a Deus.

Do ponto de vista humano estes pedidos são salutares, porque compete ao homem decidir o que vai fazer com sua dor, sucumbir ou superar, mas mesclar versos bíblicos fora do contexto como base para fazer intercessões e imprecações não move as mãos de Deus.

Observe o seguinte parágrafo extraído do artigo:

“Pai Celestial, em nome de teu Filho Jesus, que venceu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade, rogamos que envies teu Espírito Santo a consolar todos os que choram, a cuidar dos que estão com o coração quebrantado e a por, sobre os que de luto estão, uma coroa em vez de cinzas, vestes de alegria ao invés de pranto, manto de louvor ao invés de espírito angustiado, afim de que se levantem como carvalhos de justiça, para a tua glória. Amém” Idem.

Cristo é a luz, a vida e a imortalidade. Ele venceu a morte, e todos que estão unidos a ele por intermédio da fé (CRENÇA) na mensagem do evangelho (fé) também venceram o mundo, a morte e o pecado.

Quando o profeta Isaias disse: “O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:1 -3), ele anunciou de ante mão aos homens qual a obra e o ministério do Cristo. Com isto, ele não estava dando a entender que Cristo haveria de vir ao mundo para consolar os homens tristes em decorrência das perdas e das tragédias humanas, antes o consolo prometido só recebe quem tem fome e sede de salvação.

Jesus veio para dar vida e vida em abundância. Ele veio vivificar o espírito dos abatidos pelo pecado, e dar vida aos corações contristados em decorrência da sua condição de alienado de Deus “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57:15 ).

Após Jesus nascer, sua mãe e José tiveram que fugir para o Egito, tendo em vista que todas as crianças abaixo de dois anos, que habitavam em Belém e seus arredores, foram mortas por Herodes. E o que houve? Muito choro e tristeza, evento que propiciou o cumprimento das Escrituras, que foi anunciado por intermédio do profeta Jeremias: “Em Ramá se ouviu uma voz, Lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, E não querendo ser consolada, porque já não existem” ( Mt 2:18 ).

Jesus nasceu e, houve uma grande tragédia! A seguinte oração poderia evitar tal tragédia?

“Rogamos que com tua presença amorosa preenchas o vazio deixado pelas ausências, suprindo as faltas, recolhendo em teu colo de Pai cada um dos que hoje choram e dando-lhes a provisão em resposta às suas aflições, angústias e medos, mostrando-te companheiro e parceiro para a vida que segue. Rogamos que consoles as mães e pais que perderam seus filhos e filhas…”  Idem.

Quando li: “Rogamos a ti, que és o Senhor da vida, que detenhas o poder da morte…”  Idem, pensei: Acaso Cristo não venceu a morte? De que morte estamos falando?

Se ‘deter o poder da morte’ refere-se à realidade de que todos os homens devem voltar ao pó da terra, temos que o pedido é totalmente descabido, pois contraria a vontade e a lei de Deus que diz: “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” ( Gn 3:19 ). Por outro lado, se entendermos que ‘o poder da morte’ refere-se à separação que há entre Deus e os homens em decorrência do pecado de Adão, não é necessário que se rogue a Deus neste sentido, pois a bíblia é clara: Jesus já venceu a morte!

Este pedido é semelhante ao pedido que Moisés fez a Deus em prol do povo de Israel: “Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” ( Ex 32:32 ). Caso Deus atendesse a loucura de Moisés, Deus deixaria de se Deus, pois contrariaria a sua própria justiça “Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro. Vai, pois, agora, conduze este povo para onde te tenho dito; eis que o meu anjo irá adiante de ti; porém no dia da minha visitação visitarei neles o seu pecado. Assim feriu o SENHOR o povo, por ter sido feito o bezerro que Arão tinha formado” ( Ex 32:33 -35).

Foi em decorrência deste pedido que Deus posteriormente alertou Moisés dizendo: “Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” ( Ex 33:19 ).

Deus demonstra a Moisés que, até conceder que se visse a sua glória era possível, porém, com relação a sua misericórdia, Ele teria misericórdia de quem ele tivesse, e compadeceria de quem Ele se compadecesse, ou seja, fazer uma intercessão para que Deus deixe de fazer justiça é descabido.

E de quem Deus terá misericórdia? A resposta é simples: “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” ( Ex 20:6 ). Ou seja, Deus terá misericórdia dos que são misericordiosos, ou seja, daqueles que O amam ( Os 6:4 -6). Só será amado de Deus quem cumprir o seu mandamento: creiam naquele que Ele enviou ( 1Jo 3:23 ).

A teologia liberal e a neoliberal só produzem este tipo de arremedo de evangelho: “Rogamos, nosso Pai, que fortaleças aqueles que perderam seus amados para que ergam memoriais de honra aos que se foram, para que vençam a morte com a insistência em viver, o medo com fé, a desesperança com a insistência em semear a terra regada pelo sangue dos inocentes” Idem.

Como alguém pode vencer a morte com insistência, se a bíblia demonstra que só vence a morte aqueles que estão em Cristo? Como é possível vencer o medo com a fé, se o medo só é lançado fora com o amor? Como conciliar a oração com o provérbio que diz: “O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena” ( Pr 27:12 )? O sangue do inocente (simples) não será derramado por ser inocente?

Por fim, as promessas registradas em Isaias 61, versos 1 a 3 não possuem qualquer relação com os que estão enlutados por causa da perda de seus entes queridos. O coração quebrantado e o espírito angustiado não é proveniente do luto, antes se refere à condição miserável do homem por estar alienado de Deus.

“Pai Celestial, em nome de teu Filho Jesus, que venceu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade, rogamos que envies teu Espírito Santo a consolar todos os que choram, a cuidar dos que estão com o coração quebrantado e a por, sobre os que de luto estão, uma coroa em vez de cinzas, vestes de alegria ao invés de pranto, manto de louvor ao invés de espírito angustiado, afim de que se levantem como carvalhos de justiça, para a tua glória”  Idem.

Para ser consolado, aliviado, é imprescindível que o homem tome o jugo de Cristo e com Ele aprenda, pois Ele que é humilde e manso de coração “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ).

Quem aceita a Cristo encontra refrigério e descanso, pois é árvore de justiça, plantado por Deus. Recebe o Espírito Santo no coração, pois é criado em verdadeira justiça e santidade, obras da mão de Deus em louvor da sua glória e graça, pois esperou em Cristo ( Is 60:21 ; Ef 1:12 ).

Quanto à dor da perda, ela é sentida tanto pelos santos quanto pelos ímpios, pois Jesus avisou: “No mundo tereis aflições” ( Jo 16:36 ). Se os filhos da luz são passíveis de aflições, todos no mundo o são, pois tudo sucede igualmente a todos “Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento” ( Ec 9:2 ).

Nestes momentos de tristeza é válida a orientação paulina: “… chorai com os que choram” ( Rm 12:15 ), porém, é temerário achar que, por meio da oração, Deus impedirá que as vicissitudes da vida ocorram e, muito menos, que Deus terá misericórdia e salvará da condenação do pecado os ímpios simplesmente porque fizemos uma oração “Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus” ( Is 57:21 ).

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