Salmo 33 – Cristo é a alegria do Senhor

O salmista espera em Deus, pois Ele é salvação (auxilio e escudo), ou seja, alegria, força (v. 21). Somente os retos, os justos, podem cantar este cântico novo e alegrar-se no Senhor ( Sl 32:11 ), pois a alegria do Senhor, que é Cristo, é a nossa salvação ( Ne 8:10 ), pois o Pai dele disse: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” ( Mt 17:5 ).


O leitor das Escrituras só se apercebe da grandeza que este Salmo de Davi apresenta quando considera que, em sua grande maioria, os salmos são previsões acerca do Messias prometido.

Se o leitor não considerar que o rei Davi separou alguns homens para profetizarem com harpas ( 1Cr 25:1 ), e que em suas previsões falavam de Cristo ( At 2:30 ) e, que o próprio Cristo deixou claro que as Escrituras testemunhavam acerca d’Ele ( Jo 5:39 ), não fará uma boa leitura e interpretação, pois o salmista não deu testemunho de si mesmo, antes pelo Espírito falou do Descendente.

 

1 REGOZIJAI-VOS no SENHOR, vós justos, pois aos retos convém o louvor.

Quando o salmista anuncia que o homem deve regozijar-se, alegrar-se, ele demonstra que a ‘alegria do Senhor’ é a força, a salvação, do homem ( Ne 8:10 ; Is 35:10 ). Alegrar-se é o mesmo que confiar no Senhor, pois todos quanto s n’Ele confiam são salvos e, há alegria nos céus por um pecador que se arrepende ( Lc 15:10 ).

Somente os justos, os resgatados pelo Senhor, podem alegra-se n’Ele. É necessário estar n’Ele, unido a Ele para ser participante da salvação, da alegria, ou seja, da bem-aventurança “E os resgatados do SENHOR voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” ( Is 35:10 ).

Quando o salmista diz que ‘somente aos retos convém o louvor’, ele apresenta implicitamente a ideia do verdadeiro adorador, pois só os retos, os justos, podem louvar a Deus em espírito e em verdade ( Jo 4:23 ).

Os retos foram de novo criados para louvor e glória da graça de Deus ( Ef 1:12 ). Somente aos retos convém o louvor a Deus, visto que o louvor, a adoração, só é aceitável quando se é justo, visto que tudo o que é pertinente ao injusto é inaceitável. A própria existência do justo constitui-se em louvor a Deus que os criou de novo em verdadeira justiça e santidade “A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ; Is 61:11 ; Hb 3:3 ).

Só é possível glorificar ao Senhor quando se é plantado por Ele. Qualquer que não for gerado de novo através da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, jamais poderá glorificá-lo “Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ); “…plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ).

 

2 Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas. 3 Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo.

Só é possível louvar a Deus quando de posse de instrumentos musicais? O que entender por louvar a Deus com harpa, saltério e instrumentos de corda? Qual é o cântico novo?

Só toca ‘bem’ e com ‘alegria’ aquele que anuncia o Cristo de Deus, pois Ele é a ‘aliança do povo’ e a ‘luz dos gentios’ ( Is 42:6 ), Cristo é o que ‘abre os olhos aos cegos’ e ‘tira da prisão os encarcerados’. Cristo é o Senhor e não dará a sua glória a outrem, e foi Ele que anunciou as novas coisas que havia de criar ( Is 42:8 -12).

O louvor é segundo o ministério da profecia, ou seja, segundo a palavra que Deus anuncia antes que as coisas vêm à existência ( Is 42:9 ), o cântico novo ( Is 42:10 ), porque em anunciar a palavra de Deus dá-se glória, louvor ao Senhor “Deem glória ao Senhor, e anunciem o louvor nas ilhas” ( Is 42:12).

Para louvar ao Senhor segundo a convocação do salmista, ou seja, com harpa, saltério e instrumento de dez cordas, é necessário ter o ministério da profecia, pois segundo este ministério alguns homens profetizarem sob a direção do rei ( 1Cr 25:2 ).

O louvor é proveniente do exercício do ministério da palavra, que produz ações de graças e louvores, e não dos instrumentos musicais. É por isso que o apóstolo Paulo recomenda: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:19 ).

Todos que compreendem que a grandeza dos salmos está no fato de que eles são profecias, predições, e que o som de harpas, alaúdes e saltérios não é a essência dos Salmos ( 1Cr 25:1 ), e que através dos Salmos se anuncia o Cristo, produz ações de graças e louvores ao Senhor ( 1Cr 25:3 ).

Falar salmos, hinos e cânticos é produzir o fruto exigido por Deus, pois Deus só é glorificado em que se dê muito fruto “Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” ( Is 57:19 ); “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” ( Jo 15:8 ).

Ora, para glorificar o Pai é necessário o fruto, ou seja, professar a Cristo ( Hb 13:15 ), e só é possível tal fruto quando se está ligado na Oliveira verdadeira ( Jo 15:4 ), pois o fruto, a palavra, é proveniente de Deus ( Os 14:2 ).

 

4 Porque a palavra do SENHOR é reta, e todas as suas obras são fiéis. 5 Ele ama a justiça e o juízo; a terra está cheia da bondade do SENHOR. 6 Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca. 7 Ele ajunta as águas do mar como num montão; põe os abismos em depósitos.

O verso 4 contextualiza os versos anteriores. O louvor a Deus, o cântico novo, só é possível através da palavra do Senhor.

A palavra do Senhor não é um ente impessoal, antes diz de Cristo, o Verbo que se fez carne e habitou entre os homens ( Jo 1:1 ). Cristo fez os céus e a terra ( Jo 1:3 ), conforme atesta o escritor aos Hebreus ao citar o Salmo 102, verso 5 “E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Hb 1:10 -12).

Observe que, de tudo que o salmista relata tem por objetivo apresentar Cristo aos seus compatriotas. Por ter sido concedido aos homens o privilegio de ser-lhes manifesto a palavra da vida, que é justiça e juízo, a terra esta plena da bondade de Deus.

O verso seis demonstra que os céus foram criados por Cristo e, que pelo Espírito (palavra) da sua boca, todos os anjos de uma só vez vieram a existência, ou seja, foram criados ( Cl 1:16 ; Ap 4:11 ).

Mas, de toda obra realizada por Cristo, a obra que Cristo realizou na terra é a maior, pois dela advém o louvor a sua graça e misericórdia. Cristo é a plenitude da bondade de Deus demonstrada aos homens “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” ( Jo 17:4 ).

 

8 Tema toda a terra ao SENHOR; temam-no todos os moradores do mundo. 9 Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu.

Nestes dois versos temos a ordem e o motivo da ordem. Temam ao Senhor, ou seja, obedeçam-No.

Temer é obedecer, o que não tem relação com medo, pois o amor lança fora o medo. Cristo é o amor de Deus demonstrado aos homens e, foi Ele quem falou e mandou e o mundo foi criado, portanto, necessário é obedecê-lo ( 1Jo 4:18 ).

Mas, como obedecer (temer) a Cristo? Obedecendo a palavra do Evangelho “Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR” ( Sl 34:11 ). O temor do Senhor não é um sentimento, antes é conhecimento que deve ser transmitido.

 

10 O SENHOR desfaz o conselho dos gentios, quebranta os intentos dos povos. 11 O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.

Cristo é o que desfaz o conselho dos povos ( Sl 2:1 -11), pois Ele é o Ungido do Senhor, mas, o conselho do Senhor é Eterno.

Estes dois versos contrapõe o conselho dos povos, que é efêmero, com o propósito eterno de Deus, que é para a eternidade, e foi estabelecido em Cristo ( Ef 1:9 ).

 

12 Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança.

Este verso é muito significativo, pois apresenta Israel como a nação de Deus, mas que há um povo bem-aventurado escolhido por possessão peculiar.

Este verso contrapõe Israel e a Igreja. Enquanto a igreja é o povo do Senhor ( 1Pe 2:9 ), a herança adquirida ( Ef 1:11 ), Israel é a nação escolhida para trazer o Cristo ao mundo.

 

13 O SENHOR olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens. 14 Do lugar da sua habitação contempla todos os moradores da terra. 15 Ele é que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.

Este verso demonstra que todas as coisas são patentes aos olhos de Cristo e, foi Ele que as trouxe a existência. Porém, este mesmo olhar constatou que não havia quem O buscasse ( Sl 53:2 ), pelo que o seu próprio braço foi desnudado perante os povos, trazendo salvação ( Is 53:1 ; Is 59:15 -17).

 

16 Não há rei que se salve com a grandeza dum exército, nem o homem valente se livra pela muita força. 17 O cavalo é falaz para a segurança; não livra ninguém com a sua grande força.

Estes versos demonstram que nem a realeza com grande exército pode conquistar a salvação e, nem o valente pela sua força, pois a salvação não se dá pela força, violência, mas pelo Espírito ( Zc 4:6 ).

Fica demonstrado que o homem possui uma visão distorcida de salvação, pois confiam em cavalos, exércitos e reis, mas não confiam em Deus “Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR nosso Deus” ( Sl 20:7 ; Sl 33:20 ).

 

18 Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia; 19 Para lhes livrar as almas da morte, e para os conservar vivos na fome.

Os versos 18 e 19 demonstram que o zelo do Senhor é para os que o obedecem (temem), ou seja, que se refugiam em sua misericórdia.

Os olhos do Senhor fixam-se sobre os que O temem, do mesmo modo que o Anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem ( Sl 34:7 ), portanto, não há diferença entre os olhos do Senhor e o Anjo do Senhor: ambas as referencias diz de uma única pessoa: Cristo, o mensageiro do Senhor que está com os que creem até a consumação dos séculos.

Por que é Cristo? Porque é Ele quem livra a alma da morte, separação, alienação e conserva o homem vivo perante Deus ( Sl 34:22 ).

 

20 A nossa alma espera no SENHOR; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo. 21 Pois nele se alegra o nosso coração; porquanto temos confiado no seu santo nome. 22 Seja a tua misericórdia, SENHOR, sobre nós, como em ti esperamos.

O salmo volta a abordar o tema do verso 1: “REGOZIJAI-VOS no SENHOR, vós justos, pois aos retos convém o louvor” (v. 1).

O salmista espera em Deus, pois Ele é salvação (auxilio e escudo), ou seja, alegria, força (v. 21). Somente os retos, os justos, podem cantar este cântico novo e alegrar-se no Senhor ( Sl 32:11 ), pois a alegria do Senhor, que é Cristo, é a nossa salvação ( Ne 8:10 ), pois o Pai dele disse: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” ( Mt 17:5 ).

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É possível um crente carnal?

O que define o homem carnal é estar vendido ao pecado. O crente em Cristo é liberto do pecado e servo de Deus, portanto, é impossível ser servo da justiça e ser carnal.

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Como Deus justifica o ímpio?

Por que Deus declararia o homem justo se a real condição é culpado? Como Deus justo justifica o impio? Analise o posicionamento de alguns teólogos e verifique se o argumento deles é segundo a verdade das escrituras.


“… aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 )

O Dr. Bancroft ao escrever sobre a justificação, registrou o seguinte: “O método é divino e não humano. O homem só pode justificar o inocente; Deus justifica o culpado; o homem justifica à base do mérito; Deus justifica à base da misericórdia (…) Se o homem tivesse de ser justificado nesta base, seu caráter moral teria de ser perfeito; mas ninguém é perfeito. ‘Não há homem que não peque.’ ‘Não há salvação por meio do caráter. O que os homens necessitam e ser salvos de seu caráter.’ ” Emery H. Bancroft, Teologia Elementar, Ed. EBR, ed. 2001, Pág. 256, III. (grifo nosso).

A Bíblia é clara ao dizer que Deus não tem o culpado por inocente “Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até à terceira e quarta geração” ( Ex 34:7 ). Daí surge a pergunta: É possível Deus justificar o culpado sem contrariar a sua própria palavra? É pertinente a colocação de Bancroft? “… não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ).

Jesus disse que é necessário ao homem nascer de novo e não fez qualquer referência a elementos humanos como caráter, moral e comportamento. O homem é salvo (resgatado) do pecado (condição herdada de Adão), ou de seu caráter?

Como se dá a justificação em Cristo?

Para desfazerem a aparente contradição que há em um Deus justo que justifica o homem pecador, alguns pensadores pensam a justificação como ato de clemência da parte de Deus, no qual Ele inocenta um culpado (pecador).

Outros consideram a justificação ato de juiz, onde Deus trata o pecador injusto como se fosse justo, porém, esta pessoa não é realmente justa. Neste diapasão Scofield diz: “O pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo por causa de Cristo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa” C. I. Scofield, A bíblia de Scofield com referências, nota à Rm 3: 28. (grifo nosso).

Outros apresentam o amor de Deus como base à justificação. Outros, tem na justificação um ato de Pai, que não leva em conta os erros dos filhos. Para outros, a justificação é um ato de anistia. Outros, que a justificação decorre da soberania de Deus.

Afinal, qual é a base para a justificação para que não haja uma contradição em Deus ser Justo e Justificador daqueles que creem em Cristo?

“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 )

A humanidade foi declarada culpada em Adão ( Rm 5:19 ). Em Adão todos os homens tornaram-se pecadores e foram destituídos da glória de Deus ( Rm 3:23 ). A salvação de Deus por intermédio de Cristo visa salvar (resgatar) o homem desta condenação ( Rm 5:18 b), e conduzi-los para o reino do Filho do seu amor ( Cl 1:13 ).

Jesus ao falar da salvação disse a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ). Este versículo demonstra que o empecilho à entrada do homem no reino dos céus encontra-se no seu nascimento. Se é necessário um novo nascimento, o antigo nascimento é a causa da impossibilidade do homem ter acesso a Deus. Todos os homens tornaram-se filhos da ira e da desobediência por serem descendentes de Adão.

A parábola das duas portas e dos dois caminho ( Mt 7:13 -14), e a figura dos vasos para honra e desonra ilustram esta realidade ( Rm 9:21 ). O acesso à porta larga e ao caminho que conduz a perdição decorre do nascimento em Adão, e o acesso à porta estreita, e ao caminho que conduz a vida, é o novo nascimento. Da mesma forma, os vasos para desonra são criados em Adão ( Rm 9:22 ), e os vasos para honra são criados em Cristo ( Rm 9:23 ).

Para reverter esta impossibilidade aos filhos de Adão, Jesus demonstra por meio do evangelho a necessidade do novo nascimento, onde aqueles que creem em Cristo são de novo gerados, de semente incorruptível, que é a palavra de Deus ( 1Pe 1:3 e 23).

A condenação se deu em Adão, e a salvação se dá em Cristo, por intermédio do lavar regenerador. Aqueles que creem são gerados de novo, para uma viva esperança pela ressurreição de Cristo.

Os nascidos de Adão foram declarados culpados e pesa sobre eles a condenação. Os nascidos de novo são justificados, ou seja, após serem criados em verdadeira justiça e santidade, a nova criatura, ou o novo homem por ser JUSTO é declarado justo por Deus.

É certo que o homem é declarado culpado por Deus por causa de uma condição adquirida em Adão. Por que Deus declararia o homem justo, se esta não é a sua real condição? Se a condenação do passado afetou toda a humanidade, por que a justiça de Cristo não é efetiva hoje?

Desta análise decorre que a justificação não é um ato de juiz, não é um ato de Pai e também não é uma ato judicial. Ou seja, a justificação decorre de um ato criativo da parte de Deus.

  • Deus jamais declarará o ímpio inocente ( Ex 23:7 ).
  • O pecador jamais será tido por inocente ( Nm 14:18 ), visto que, ‘a alma que pecar esta mesmo morrerá ( Ez 18:4 ).
  • A pena não pode passar da pessoa do transgressor ( Dt 25:1 ).
  • Outra pessoa não pode sofrer a pena no lugar do transgressor ( Ez 18:4 ).

Os princípios que constam da lei são todos levados em conta quando da justificação do homem, sem contradição alguma. Ao justificar o homem que crê em Cristo, Deus é justo e a sua declaração de justo não é direcionada a um ímpio tido por inocente.

O homem sem Cristo está morto em delitos e em pecados ( Ef 2:1 ). A condição de morto decorre da queda em Adão, porém, aquele que está morto para Deus vive para o mundo.

A bíblia nos informa que Cristo, enviado ao mundo, é o único acesso dos homens a Deus. Ele é o novo e vivo caminho consagrado em sua carne ( Hb 10:20 ). Cristo morreu pelos injustos, ou seja, a morte dele foi a favor dos injustos. Todos quantos creem no sacrifício de Cristo tornam-se participantes de sua morte, e efetivamente morrem juntamente com Ele ( Rm 6:6 -7), e passaram a viver para Deus ( Ef 2:5 ).

Quando o velho homem, a velha natureza é crucificada com Cristo, cumpre-se o que determina a lei: o pecador não será tido por inocente; a alma que pecar, esta mesma morrerá, e; a pena não passa do transgressor. Ao unir-se com Cristo na sua morte, o homem deixa de viver para o mundo, e é justificado do pecado Rm 6: 6, e declarado justo por Deus ( Rm 5:1 ).

Sabemos que o nosso velho homem, a velha natureza herdada em Adão, foi crucificada em Cristo ( Rm 6:6 ). O corpo do pecado foi desfeito por meio da nossa união à morte de Cristo, e não mais servimos ao pecado ( Rm 6:18 ). Fomos plantados juntamente com Cristo, na semelhança da sua morte ( Rm 6:5 ). Através da comunhão com Cristo tornamos participante da sua morte, e de fato morremos com Cristo ( Cl 3:3 ). Recebemos a circuncisão de Cristo, que é o despojar (desfazer) do corpo da carne herdada em Adão ( Cl 2:11 ).

Quando o homem aceita a Cristo, ele é convidado a tomar a sua própria cruz, e seguir após Cristo ( Mt 16:24 ). Ao seguir após Cristo, a lei de Deus é estabelecida: o ímpio, o pecador, o injusto recebe a pena determinada: a morte. Há o despojar do corpo da carne. A natureza condenada de Adão juntamente com o corpo que pertencia ao pecado é sepultada.

Após a união com Cristo na sua morte, dá-se o milagre da regeneração e justificação. Este é conseqüência daquele, e após a regeneração, se dá a justificação. Como?

Após tornar-se participante do corpo e do sangue de Cristo ( Jo 6:54 -56), o velho homem é sepultado a semelhança de Cristo (o batismo representa esta verdade), e ressurge um novo homem, criado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Este novo homem vem a existência por intermédio de Cristo. É uma nova criatura em Cristo. Quando o homem regenerado surge dentre os mortos ( Ef 2:1 ), ele é declarado justo, pois esta é a sua nova condição perante Deus.

Deus é luz, e nele não há trevas nenhuma. Deus é a verdade, e jamais haveria de declarar como sendo justo, alguém que não é efetivamente justo. Deus não representaria uma farsa diante dos homens, tratando os injustos como justos, sem que tais homens sejam de fato justos. Antes de declarar o homem Justo, Deus cria o homem em verdadeira justiça e santidade. Somente após o novo nascimento o homem é declarado justo diante de Deus.

A declaração de Deus é taxativa: “Eis que faço nova todas as coisas” ( Ap 21:5 ). Como Cristo morreu por todos os homens, logo, todos os que aceitam o seu sacrifício morreram ( 2Co 5:14 ). Deixamos de viver para o mundo e passamos a viver para Deus ( 2Co 5:15 ). A nova vida em Cristo dá ao homem uma nova condição diante de Deus e dos homens: passamos a condição de nova criatura. Somos criados à imagem daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Deixamos a condição de filhos das trevas, e passamos a condição de filhos de Deus.

As coisas do velho homem, como a condenação, a ira, a carne, o pecado, todas elas já passaram, e em Cristo, eis que tudo se fez novo. Cristo se fez pecado para que sejamos feitos, ou seja, criados justiça de Deus “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” ( 2Co 5:21 ) (grifo nosso). A justificação tem a sua base em um ato criativo de Deus, onde ele faz surgir um novo homem, que é declarado justo por ser verdadeiramente justo.

As palavras traduzidas por ‘justificar’ e justificação’ significam, segundo a idéia bíblia ‘declarar justo’, ‘declarar reto’ ou ‘isento de culpa ou castigo’, condição esta possível após o homem ser gerado de novo, por intermédio de semente incorruptível ( 1Pe 1:3 e 23).

Deus declara justo somente aquele que é efetivamente justo, condição esta que se dá por meio da filiação divina ( Jo 1:12 ). Todos quantos crêem em Cristo, recebem poder para serem feitos, ou seja, criados filhos de Deus. Estes são de novo criados, não segundo a semente de Adão, mas através da palavra e do Espírito ( Jo 3:5 ), conforme o prometido nas Escrituras “Então espargirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 36:25 -27).

A justificação se dá por intermédio da Palavra de Deus, uma vez que é Ele quem fez espargir água pura sobre os homens. Através da palavra, o homem fica limpo e purificado. Por que? Como?

Ao homem é dado um coração novo e um espírito novo (Regeneração), conforme Jesus disse a Nicodemos, necessário vos é nascer da água e do Espírito. Após o homem nascer de Deus (Espírito) e da sua Palavra, será declarado justo, conforme predisse o salmista Davi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ).

Como apagar as transgressões dos homens? Como torná-los puros e limpos? Como resgatá-los da condenação de Adão? ( Sl 51:5 e 7 e 10). Somente após a morte da velha natureza e por intermédio de uma nova Criação. Esta condição só é possível após a circuncisão do coração!

Sabemos que qualquer incisão no coração é morte. Após a circuncisão não realizada por mãos humanas, o homem é agraciado com um novo coração e um espírito reto.

Após entendermos como se dá a justificação em Cristo, percebe-se que não há contradição alguma em Deus ser Justo e Justificador. Percebe-se que a justificação não é um ato judicial ou forense. Percebe-se que Deus não tem o culpado por inocente. Estamos alegres em saber que Deus cria (torna) o homem justo e o declara justo. O crente é declarado justo, porque é justo em Cristo Jesus.

O homem precisa ser salvo da condenação do pecado para que possa receber a declaração de justo da parte de Deus. Deus exerce misericórdia, mas isto não que dizer que ele receba o culpado como se fosse inocente. Deus só justifica o inocente, aquele que de novo é nascido, sem levar em conta méritos, caráter, moral, conduta, etc. Amém.

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Salmo 96 – Como adorar o Senhor na beleza da sua santidade?

O cântico novo está atrelado à boca, à garganta, dos santos. Na no ajuntamento solene dos santos (assembleia) o tema é Cristo, o cântico novo ( Sl 149:1 ), pois os santos proclamam os altos louvores de Deus. Proclamar os altos louvores de Deus é o mesmo que empunhar a espada do espírito, que é a palavra de Cristo “Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, e espada de dois gumes nas suas mãos” ( Sl 149:6 ; Ef 6:17 ; Jo 6:63 ; Hb 4:12 ).


Introdução

O Salmo 96 também foi registrado no livro das Crônicas dos reis de Israel. No primeiro livro das Crônicas, no capítulo 16, os levitas trouxeram a Arca do Senhor que estivera sob o poder dos filisteus à cidade de Davi, e a colocaram em uma tenda que Davi havia erguido para aquela finalidade ( 1Cr 16:1 ).

Em seguida foi oferecido ao Senhor sacrifícios pacíficos e, ao final, Davi abençoou o povo em nome do Senhor. Para marcar o retorno da Arca do Senhor, naquele dia Davi distribuiu ao povo um pão, um bom pedaço de carne e um frasco de vinho ( 1Cr 16:2 ).

Davi também colocou alguns dos levitas perante a arca do Senhor por ministros com a função de recordarem, louvarem e festejarem ao Senhor. Ficou registrado nas Crônicas que Asafe era o chefe e Zacarias o segundo no ministério. Que Jeiel, Semiramote, Matitias, Eliabe, Benaia e Obede-Edom utilizavam alaúdes e harpas para falar ao povo, e Asafe, por sua vez, falava ao som de címbalos. Já os sacerdotes Benaia e Jaaziel continuamente tocavam trombetas perante a arca da aliança de Deus.

Davi entregou aos profetas salmos, sendo o Salmo 96 um dos que lhes foi entregue naquele dia “Então naquele mesmo dia Davi, em primeiro lugar, deu o seguinte salmo para que, pelo ministério de Asafe e de seus irmãos, louvassem ao SENHOR” ( 1Cr 16:7 ).

Como já relatamos, os salmos são profecias transformadas em poesias para serem cantadas ao som de instrumentos musicais para facilitar a memorização do povo de Israel, que na sua grande maioria à época não sabiam ler ( 1Cr 25:1 -9).

Também já demostramos pelas escrituras que os salmistas não compuseram os salmos com base em suas vidas terrenas, antes que os salmos tinham em vista o Messias, o Descendente prometido a Abraão – o Filho de Davi.

A poesia hebraica não privilegiava a rima e o ritmo, antes evidenciavam uma cadencia de pensamentos e ideias através de um recurso próprio denominado ‘paralelismo’.

 

Cânticos proféticos

Quando lemos: “Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR toda a terra” (v. 1 ; Sl 98:1 ), é possível observar um convite para que os habitantes da terra entoem um cântico novo. Mas, como entoar um cântico novo? Qual é o cântico novo?

Ao falar do ‘cântico novo’, o Dr. Russell Shedd em um e-book disponível na web intitulado ‘Adoração Bíblica’ fez o seguinte comentário:

“O cântico deve ser novo, pois a adoração pode perder seu brilho se a ferrugem das ações de graça rotineiras não forem constantemente renovadas sob a orientação do Espírito. A repetição de frases milenares toma-se algo enfadonho. Uma novo cântico abre a visão da glória do paraíso (Ap 5.9). Temas desgastados pela repetição acabam como apontamentos de aula, transferidos da apostila do professor para o caderno do aluno, sem penetrar na mente de nenhum deles!” Shedd, P. Russeel, Adoração bíblica, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova Copyright © 1987 – S.R. Edições Vida Nova.

O Dr. Russell enfatiza que o cântico deve ser novo, porém, não diz qual é o cântico novo. Como é possível a adoração ser passível de um ‘desgaste’? A adoração decorre de frases e temas que se desgastam com o tempo?

Ora, a adoração jamais perde o seu brilho, porque o cântico novo é proveniente de Deus, visto que a sua palavra se renova a cada manhã e permanece para sempre “Os teus estatutos têm sido os meus cânticos na casa da minha peregrinação” ( Sl 119:54 ; Sl 103:18 ); “Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o SENHOR a estes” ( Sl 126:2 ).

O cântico novo não é fruto da imaginação e da inspiração da alma do homem, antes ele decorre das obras que Deus opera em prol do seu povo conforme a sua palavra. O Salmo 103 é um exemplo de cântico novo, pois nele são enumeradas todas as benesses que Deus faz para com o homem.

O homem deve cantar a Deus um cântico novo em função das suas maravilhas, e a maior maravilha está em Deus ter manifesto a sua destra, desnudando o seu santo braço aos homens ( Sl 98:1 ; Is 52:10 ). Cristo é o tema do novo cântico, pois Ele é o braço do Senhor desnudado perante todos os povos “Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão ( Is 51:5 ).

Quando Isaias profetiza acerca de Cristo, o Servo do Senhor, temos o tema do cântico novo: “Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o seu louvor desde a extremidade da terra…” ( Is 42:10 ), pois aonde se dizia: “Não há paz” ( Is 48:22 ), através de Cristo passou a ser anunciado: Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” ( Is 57:19 ).

É o Senhor Deus que cria o ‘novo cântico’, o novo cântico é o fruto dos lábios que professam a Cristo ( Hb 13:15 ), pois Cristo é a nossa paz “SENHOR, tu nos darás a paz, porque tu és o que fizeste em nós todas as nossas obras” ( Is 26:12 ). Quem anuncia as boas novas de salvação em Cristo, canta um cântico novo “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” ( Is 52:7 ).

Quem vê a Cristo e o teme, confiando n’Ele, tem um novo cântico posto na boca, um hino a Deus “E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” ( Sl 40:3 ). O hino que foi posto na boca do salmista diz de Cristo, pois Deus nunca foi visto por ninguém, mas o Filho revelou o Pai, de modo que todos os que nele creem veem a Deus “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” ( Jo 1:18 ; 1Jo 4:12 -14).

Ter um novo cântico na boca é o mesmo que ter a boca cheia de bens, pois a todos os que creem é dado poder para serem feitos filhos de Deus “Que farta a tua boca de bens, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia” ( Sl 103:5 ; Jo 1:12 -13). Para que o homem seja feito filho de Deus, necessário é nascer de novo, ou seja, renovar as suas forças em Deus “Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão” ( Is 40:31 ).

O cântico novo está atrelado à boca, à garganta, dos santos. Na no ajuntamento solene dos santos (assembleia) o tema é Cristo, o cântico novo ( Sl 149:1 ), pois os santos proclamam os altos louvores de Deus. Proclamar os altos louvores de Deus é o mesmo que empunhar a espada do espírito, que é a palavra de Cristo “Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, e espada de dois gumes nas suas mãos” ( Sl 149:6 ; Ef 6:17 ; Jo 6:63 ; Hb 4:12 ).

Quando o Salmista convoca toda a terra para cantar um cântico novo, demonstra que a salvação de Deus tem por alvo todos os homens, ou seja, que a mensagem do evangelho não se restringe ao povo de Israel ( Jo 1:17 ). Se o cântico novo pode ser entoado por todas as gentes, isto significa que o cântico novo está intimamente ligado ao evangelho que fora anunciado primeiramente a Abraão: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ).

No que consiste cantar, bendizer ao Senhor? Cantar, bendizer, entoar um cântico novo é o mesmo que ‘anunciar a Salvação de Deus de dia em dia’, ou seja, proclamar o evangelho, produzir o fruto dos lábios ( Hb 13:15 ); “Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia” (v. 2); “Tributai ao SENHOR a glória de seu nome; trazei presentes, e vinde perante ele; adorai ao SENHOR na beleza da sua santidade” ( 1Cr 16:29 ).

O que nos garante que ‘cantar’, ‘bendizer’ ou ‘entoar um cântico novo’ é o mesmo que ‘anunciar a salvação do Senhor’? O paralelismo da poesia hebraica nos garante, pois a estrofe: “Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; anunciai a sua salvação de dia em dia”, contém dois casos específicos de paralelismo: 1) Sinônimo – a segunda frase repete o pensamento da primeira linha, e; 2) Sintético – a segunda frase completa ou aumenta o pensamento da primeira.

Quem canta, bendiz e vice versa, ou seja, quem canta, bendiz porque anuncia as boas novas do evangelho, que é salvação de Deus ( Rm 1:16 ).

Porque o salmista ordena que se anuncie entre as nações a glória do Senhor? “Anunciai entre as nações a sua glória; entre todos os povos as suas maravilhas” (v. 3). Por dois motivos: 1) “Porque grande é o SENHOR, e digno de louvor, mais temível do que todos os deuses” (v. 4), e; 2) “Porque todos os deuses dos povos são ídolos, mas o SENHOR fez os céus” (v. 5).

Qual é a glória do Senhor? Ora, a bíblia demonstra que a glória de Deus é Cristo “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” ( Hb 1:3 ).

Quais são as maravilhas de Deus? A salvação da humanidade! Enquanto os deuses dos povos são ídolos, o Senhor descrito pelo salmista é grande e digno de louvor. Ora, sabemos que Cristo é o Senhor, digno de louvor, pois foi Ele quem fez os céus e a terra e tudo que nela há “NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” ( Jo 1:1 -3); “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Hb 1:8 -12).

O salmista descreve o Messias pleno de glória e majestade, pleno de poder e de formosura em sua habitação. Diante de tamanho esplendor, o salmista ordena às famílias da terra a se rederem ao Senhor, ou seja, ‘tributa-se gloria e força ao Senhor’ quando o homem se render ao Senhor. É o mesmo que dizer: “Digna-te em salvar-nos”! “Glória e majestade estão ante a sua face, força e formosura no seu santuário. Dai ao SENHOR, ó famílias dos povos, dai ao SENHOR glória e força” (v. 6 e 7; Sl 40:13 ).

Quando o salmista convoca os homens à ‘dar glória ao Senhor’, não quer dizer que o homem é capaz de acrescentar glória Àquele que é pleno de glória. Deus não carece de glória e reconhecimento, antes, quando o homem reconhece que necessita de Deus, está ‘tributando’ glória a Deus, pois é neste momento que Deus realiza a sua obra “Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio” ( Sl 40:13 ); “Dai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei oferenda, e entrai nos seus átrios” (v. 8 ; Jo 6:29 ; Sl 145:10 ; Ef 1:12 ).

É Deus que estabeleceu a sua glória ao resgatar das trevas homens que são transportados para o reino do Filho do seu amor. Somente após Deus arrancar o homem do charco de lodo é que Deus coloca na boca um novo cântico “Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” ( Sl 40:2 -3).

Como adorar o Senhor na beleza da sua santidade? A resposta vem a seguir: tremendo diante d’Ele, ou seja, obedecendo ao Senhor “Adorai ao SENHOR na beleza da santidade; tremei diante dele toda a terra” (v. 9) “Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro” ( Is 8:13 ); “Servi ao SENHOR com temor, e alegrai-vos com tremor” ( Sl 2:11 ); “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” ( Fl 2:12 ).

É equivocada a ideia de que Deus inspira medo, terror, em suas criaturas “Sua grandeza inspira temor. Quem teria coragem de aproximar-se de um Ser de tamanha importância?!”  (Idem). Em primeiro lugar, Deus não aterroriza as suas criaturas; Em segundo lugar, é impossível ao homem aproximar-se de Deus, mesmo com coragem, porque é Deus que se aproximou do homem ao enviar o mediador, Jesus Cristo homem.

A palavra de Deus é o temor, e obedecer à palavra é tremor, como se lê: “Ouvi a palavra do SENHOR, os que tremeis da sua palavra. Vossos irmãos, que vos odeiam e que para longe vos lançam por amor do meu nome, dizem: Seja glorificado o SENHOR, para que vejamos a vossa alegria; mas eles serão confundidos” ( Is 66:5 ). Cristo é o temor do Senhor, pois Ele é a encarnação do Verbo, e todos os que O obedecem adoram-No na beleza da sua santidade “ORA, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus” ( 2Co 7:1 ); “Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR” ( Sl 34:11 ).

Quando o apóstolo Pedro ordena que os cristãos santifique o Senhor em seus corações, ele fez referencia a Cristo, pois Cristo é a pedra que os edificadores rejeitaram “Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; e seja ele o vosso temor e seja ele o vosso assombro. Então ele vos será por santuário; mas servirá de pedra de tropeço, e rocha de escândalo, às duas casas de Israel; por armadilha e laço aos moradores de Jerusalém. E muitos entre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos” ( Is 8:13 ; 1Pe 3:15 ).

Profeticamente o salmista ordena aos povos que adorem a Cristo, pois Ele é Senhor sobre a terra e o céu, pois Davi O chama de Senhor “Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho?” ( Mt 22:45 ; Sl 110:1 ).

O salmista é claro: é necessário anunciar às nações que Jesus é rei e reina, pois o seu reino foi estabelecido em justiça e verdade “Dizei entre os gentios que o SENHOR reina. O mundo também se firmará para que se não abale; julgará os povos com retidão” (v. 10). Foi Ele quem fundou a terra, de modo que ela não vacilará. Do mesmo modo que a terra não vacila porque Ele a sustem, Ele reinará e julgará os povos com retidão ( Is 32:1 ; Lc 1:33 ).

Em seguida o salmista conclama aos seus que se alegrem pelo regozijo estabelecido sobre a terra. Há alegria nos céus por um pecador que se arrepende! Toda a criação geme na expectativa da aparição dos filhos de Deus! “Alegrem-se os céus, e regozije-se a terra; brame o mar e a sua plenitude” (v. 11 ; Rm 8:18 ; Lc 15:10 ).

Quando o salmista ordena, dizendo: “Alegre-se o campo com tudo o que há nele” (v. 12), ele fala por enigmas, pois o campo é o mundo, e tudo que nele há refere-se aos povos. Aqueles que buscam a salvação do Senhor se regozijarão, pois tornar-se-á plantação do Senhor, árvores de justiça.

Na presença do senhor há abundância de alegria, por isso é que o salmista manda os povos jubilarem ante a face de Cristo, pois é certo que Ele virá e julgará os povos “Ante a face do SENHOR, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos com a sua verdade” (v. 13; Mt 25:31 -34).

O resplendor de Deus se vê na face de Cristo, pois Ele é o sol nascente das alturas por quem os homens são salvos “Faze-nos voltar, ó Deus, e faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos” ( Sl 80:3 ); “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ).

 

Adorando na beleza da Santidade

Cantar ao Senhor e celebrar a santidade do Senhor só é possível aos santos “Cantai ao SENHOR, vós que sois seus santos, e celebrai a memória da sua santidade” ( Sl 30:4 ).

A adoração não decorre de liturgias, cultos, oferendas, sacrifícios, etc., antes a essência da adoração é a nova criatura, obra que louva a Deus ( Sl 145:10 ; Ef 1: 12), pois é gerada segundo Deus em verdadeira justiça e santidade.

Para adorar a Deus na beleza da sua santidade é necessário crer em Cristo, santificando-O como Senhor em seu coração ( 1Pe 3:15 ), ou seja, crendo nele como o Filho de Davi, o Filho do Deus bendito.

Quando o homem crê em Cristo está tomando sobre si a sua própria cruz e seguindo após Cristo. Ao crer em Cristo o homem morre, é sepultado e ressurge com Ele uma nova criatura. No momento em que o homem é de criado de novo, com um novo coração e um novo espírito, é que Deus ‘encontra’ o verdadeiro adorador.

No momento em que o homem é regenerado (nasce de novo), surge um adorador que adora a Deus em espírito e em verdade, pois foi criado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade.

O verdadeiro adorador reúne em si mesmo os quesitos essenciais ao culto a Deus, pois ao nascer de novo torna-se pedra viva que compõe o edifício espiritual em que Deus habita. Tem-se no novo homem o templo em que Deus faz morada, templo, casa, tabernáculo.

O novo homem também exerce sacerdócio santo, pois oferece sacrifícios espirituais agradáveis a Deus. Como sacerdócio real, o cristão oferece o fruto dos lábios e apresenta o seu próprio corpo em sacrifício vivo ( Rm 12:1 ; Hb 13:15 ).

O que é o fruto dos lábios? ( Hb 13:15 ) É o cântico novo que fala da majestade de Cristo, da sua força e da glória do seu reino ( Sl 145:5 -6 e 11).

Sem crer em Cristo, o Senhor dos exércitos, é impossível agradar e aproximar-se de Deus, mas aos que creem n’Ele, criados de novo na condição de filhos, O adoram na beleza da sua santidade “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas?” ( Ex 15:11 ).

É um equivoco a ideia de que o homem consegue se santificar, antes é Deus que santifica o homem ao cria-lo em verdadeira justiça e santidade “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” ( Jd 1:24 ); “Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” ( Ef 5:27 ); “No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis” ( Cl 1:22 ).

Falas equivocadas acerca da santidade são reproduzidas aos montes sobre os púlpitos cristãos, tais como: – ‘Aquele que quer adorar a Deus não deve fazê-lo com sua vida de qualquer maneira’ – afirmando que a santificação está atrelada à mudança de comportamento, porém, as Escrituras afirma que o homem é santificado quando é gerado de novo, qusando o homem passa a estar escondida com Cristo em Deus.

Dizem também: – ‘Para que a adoração seja aceita, Deus quer ver santidade no adorador’ – Quem deseja ver santidade é o pregador de mensagens semelhantes a esta, pois julgam os outros segundo a vista, e não segundo a reta justiça “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo” ( Jo 8:15 ); “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” ( Jo 7:24 ). No homem gerado da carne e do sangue Deus não vê santidade, porém, no novo homem gerado em Cristo, Deus vê santidade, pois ao gerar o novo homem, a natureza de Deus é implantada nele ( 2Pe 1:4 ).

E, por fim, apresentam o seguinte verso como pretexto do que dizem: “Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ; At 4:12 ).

Ora, é Cristo quem nos santificou “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” ( 1Co 6:11 ). O escritor aos Hebreus utilizou um recurso linguístico neste verso chamado metonímia*, onde ele substitui o autor pela sua obra. A santificação é obra realizada por Cristo, portanto, quem segue a Cristo, segue a santificação. O cristão segue a Cristo, pois Ele é a nossa paz e a nossa santificação.

Portanto, quando lemos: Seguia a paz e a santificação, devemos compreender que é recomendado seguir a Cristo, pois sem Cristo ninguém verá a Deus “Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” ( Ef 4:15 ); “… e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” ( 2Tm 2:22 ). Neste verso ocorre o mesmo fenômeno linguístico. Cristo é o caminho a verdade e a vida, portanto, o homem deve obedientemente seguir a verdade – Cristo, pois Ele é o caminho que conduz a Deus “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra” ( Ef 5:26 ).

*Metonímia – é um emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles.

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Salmo 149 – A palavra de Deus é espada de dois gumes

Proclamando a Cristo, como diz as Escrituras, os seus santos estarão entoando louvores a Deus. Basta ao povo do Altíssimo batalhar pela Fé (evangelho), que uma vez foi dada aos santos, que estará adorando a Deus, na beleza da sua santidade. Basta desembainhar a espada do Espírito, manejando bem a palavra de Deus, que o crente estará adorando a Deus, em espírito e em verdade. 


Salmo 149 – A palavra de Deus é espada de dois gumes

  1. LOUVAI ao SENHOR. Cantai ao SENHOR um cântico novo, e o seu louvor na congregação dos santos.
  2. Alegre-se Israel naquele que o fez, regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei.
  3. Louvem o seu nome com danças; cantem-lhe o seu louvor com tamborim e harpa.
  4. Porque o SENHOR se agrada do seu povo; ornará os mansos com a salvação.
  5. Exultem os santos na glória; alegrem-se nas suas camas.
  6. Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, e espada de dois fios nas suas mãos,
  7. Para tomarem vingança dos gentios, e darem repreensões aos povos;
  8. Para prenderem os seus reis com cadeias, e os seus nobres com grilhões de ferro;
  9. Para fazerem neles o juízo escrito; esta será a glória de todos os santos. Louvai ao SENHOR.

 

Introdução

Tornou-se consenso nas comunidades cristãs, que louvar a Deus é entoar uma melodia harmoniosa e ritmada, com uma letra de conteúdo sacro. Seria este o louvor que Deus requer dos homens?

Se observarmos os elementos que constituem as poesias dos Salmos, vê-se que não há rima ou ritmo antes, nos deparamos com ideias cadenciadas e relacionadas entre si, regidas por asserções simples.

Os salmos são comumente empregados durante as liturgias dos cultos e as pessoas atribuem valor à coordenação de um grupo musical ou, à voz de um cantor, quando embalado por uma boa melodia, ao som de instrumentos musicais. Para muitos, a sinergia decorrente da combinação de sons, ritmos e voz humana, resulta em louvor a Deus, desde que tenha uma letra com conteúdo sacro.

No entanto, os Salmos possuem um valor inestimável, que dispensa instrumentos musicais, melodias ou vozes afinadas.

É de conhecimento no meio acadêmico, que a estrutura poética dos Salmos, decorre de pensamentos encadeados, uma espécie de ‘rima’ de ideias, não de sons, ritmo ou rima. Essa estrutura de ideias, constrói-se com ‘paralelismo’.

Os paralelismos mais conhecidos são:

a) Paralelismo Sinônimo – A segunda asserção repete o pensamento da primeira, porém, utiliza-se de termos diferentes. Ex: “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Salmo 24:1);

b) Paralelismo Antitético – A segunda asserção contrasta à ideia da primeira. Ex: “Pois o Senhor conhece o caminho dos justos; mas o caminho dos ímpios perecerá” (Sl 1:6);

c) Paralelismo Sintético – A segunda asserção enfatiza o estipulado pela primeira. Ex: “Não te furtes a fazer o bem, a quem de direito, estando na tua mão o poder de fazê-lo(Pv 3:27);

d) Paralelismo Climático – A segunda asserção faz uso de palavras da primeira asserção e complementa a ideia. Ex: “Tributai ao SENHOR, filhos de Deus, tributai ao SENHOR, glória e força (Sl 29:1);

e) Paralelismo Emblemático – A primeira asserção estabelece um comparativo que ilustra a segunda asserção. Ex: “Como água fria para o sedento, tais são as boas-novas vindas de um país remoto” (Pv 25:25).

Os paralelismos são utilizados para apresentar uma ideia, o elemento mais importante do Salmo, que geralmente é instrução, profecia, repreensão, exemplo, etc.

 

Análise das asserções

“LOUVAI ao SENHOR. Cantai ao SENHOR um cântico novo e o seu louvor na congregação dos santos” (v. 1).

O salmista convoca os santos a cantarem o louvor que pertence a Deus: um cântico novo. O louvor estabelecido na congregação dos santos, denomina-se ‘cântico novo’. Através do paralelismo sinônimo fica estabelecido que ‘tributar’ ao Senhor o ‘cântico novo’ é o mesmo que ‘Seu louvor’. O cântico novo é o louvor que pertence a Deus e só é possível ouvi-lo no ajuntamento dos santos. 

Para compreendermos a ideia que consta do verso 1, é necessário analisar os versos que se seguem.

 

“Alegre-se Israel naquele que o fez, regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei” (v. 2).  

O verso 2 é construído com um paralelismo sinônimo, pois a ideia da primeira asserção é repetida na segunda, com termos diferentes. O paralelismo, neste caso, é semelhante ao princípio da identidade que encontramos na lógica. O verso demonstra que Israel ou, os filhos de Sião, devem se alegrar n’Aquele que os criou, ou seja, no seu Rei. 

Por associação, se faz necessário perguntar quem é o Rei de Sião?  

Ora, em primeiro lugar, vale destacar que Jerusalém é a cidade do grande Rei: 

“Formoso de sítio e, alegria de toda a terra, é o monte Sião, sobre os lados do norte, a cidade do grande Rei” (Sl 48:2);  

“Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei” (Mt 5:35).  

Em segundo lugar, o Filho de Davi – o Senhor Jesus Cristo – é o grande Rei, pois foi ungido por Deus sobre o seu santo monte: 

“Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião” (Sl 2:6);  

“E, ouvindo eles isso, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há; Que disseste, pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios e os povos pensaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, E os príncipes se ajuntaram à uma, Contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque, verdadeiramente, contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado, que se havia de fazer” (At 4:24-28).  

Portanto, o Salmo 149 ordena aos filhos de Sião que se regozijem em Cristo, o grande Rei, aquele que criou Israel!

O Salmo 149 apresenta um atributo de Cristo: Ele é criador! Cristo é o Criador de todas as coisas! 

“Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele, nada do que foi feito se fez” ( Jo 1:2 -3);  

“Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 1:4).  

O profeta Moisés apresenta Cristo como a Rocha que criou os filhos de Israe, e o apóstolo Paulo nos lembra que a Rocha, que os seguia, era Cristo: “E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo” (1 Co 10:4). 

“E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te e de gordura te cobriste), deixou a Deus, que o fez e desprezou a Rocha da sua salvação” (Dt 32:15); 

“Esqueceste-te da Rocha que te gerou; e, em esquecimento, puseste o Deus que te formou” (Dt 32:18).

 

“Louvem o seu nome com danças; cantem-lhe o seu louvor, com tamborim e harpa” (v. 3).  

O cântico entoado a Cristo deve ser expressão do espírito, da alma e do corpo. A dança representa a totalidade do ser, de modo que, para louvar a Deus, é necessário o coração, a alma e todas as forças: “BENDIZE, ó minha alma, ao SENHOR e tudo o que há em mim, bendiga o seu santo nome” (Sl 103:1).

 

“Porque o SENHOR se agrada do seu povo; ornará os mansos com a salvação. 5  Exultem os santos na glória; alegrem-se nas suas camas. Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus e espada de dois fios nas suas mãos” (v. 5-6).  

Neste verso vem expresso o motivo do cântico: O Senhor se agrada do seu povo!  

Do verso 5 extraímos a negativa: Deus não se agrada daqueles que não são o seu povo! Para pertencer ao povo de Deus, ou seja, para ser agradável a Deus, é necessário ter sido criado por Ele, conforme se lê:  

“Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto” (Sl 100:3). 

O verso 5 remete à asserção do verso 2:  

“Alegre-se Israel naquele que o fez, regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei” (v. 2). 

Por que o júbilo? Porque se Deus os criou, certo é que são agradáveis a Deus. 

Como o povo de Israel não confiou em Deus e pediu para que Moisés lhes falasse, não Deus, pois ficaram com medo de morrerem quando o monte Sinai começou a fumegar, Deus os rejeitou como seu povo e por isso pereceram no deserto. 

“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha. E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Ex 19:5-6). 

Como os filhos de Israel não foram diligentes em ouvir a voz de Deus, ou seja, em guardarem a sua aliança, a palavra de Deus foi direcionada aos gentios e, dos dois povos, foi feito um só povo, que é a Igreja: “Porque este é um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR” (Is 30:9). A Igreja de Cristo foi constituída nação santa e povo adquirido: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9; Is 65:1). 

O povo de Deus é constituído daqueles que foram agraciados com a salvação, ou seja, dos mansos. Os mansos são bem-aventurados, pois adentraram no descanso do Senhor (herdaram a terra). São bem-aventurados porque aprenderam de Cristo, que é manso e humilde de coração. Os mansos constituem-se o povo de Deus, visto que estão ornados de salvação (Mt 5:5). 

O povo de Deus é manso e santo, portanto, deve alegrar-se na glória recebida de Cristo. Os santos do Senhor devem exultar, porque adentraram no descanso (cama, repouso) prometido: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo 17:22; v. 9; Hb 4:3). 

É requisito imprescindível aos santos que os altos louvores de Deus estejam na sua garganta. O que isso significa? Que os ‘altos louvores’ referem-se ao ‘fruto dos lábios’ que professam a Cristo (Hb 13:15). Cristo, o Filho de Davi, é o cântico novo que Deus colocou nos lábios dos seus santos. Cristo é o perfeito louvor: “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos; porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, língua, povo e nação” (Ap 5:9). 

Só é possível os altos louvores estarem na garganta, se o coração foi trocado por um novo coração, pois a boca fala do que há no coração (Sl 51:10 e 14-15; Is 57:15 e 19). É Deus quem cria o louvor nos lábios dos tristes: paz, tanto para os judeus (perto), quanto para os gentios (longe). Confessar que Jesus é o Cristo, é o sacrifício de louvor, o fruto dos lábios, quando se confessa a Cristo: “Portanto, ofereçamos, sempre, por ele, a Deus, sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (Hb 13:15; Sl 50:14 e 23; Sl 107:22; Jo 15:8). 

Através do paralelismo emblemático, o salmista estabelece que ‘os altos louvores de Deus’, compara-se a uma espada de dois fios, nas mãos dos seus santos. É por isso que o apóstolo Paulo, ao falar aos obreiros, recomenda que sejam aprovados, ou seja, que manejem bem a palavra da verdade: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15). 

A espada de dois fios, diz da espada do Espírito, das palavras de Cristo, que são espírito e vida: “Tomai, também, o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6:17; Jo 6:63), de modo que a Igreja de Cristo constitui-se de santos, despenseiros do ministério do espírito  (2 Co 3:6 e 8). 

Aquele que proclama a Cristo como Senhor e salvador dos homens, está com os altos louvores de Deus em sua garganta. Falar de Cristo aos homens é o mesmo que ter a espada de dois fios nas mãos: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante do que espada alguma de dois gumes,  penetra até à divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4:12). 

Proclamando a Cristo, como diz as Escrituras, os seus santos estarão entoando louvores a Deus. Basta ao povo do Altíssimo batalhar pela Fé (evangelho), que uma vez foi dada aos santos, que estará adorando a Deus, na beleza da sua santidade. Basta desembainhar a espada do Espírito, manejando bem a palavra de Deus, que o crente estará adorando a Deus, em espírito e em verdade. 

O evangelho é salvação para todo que crê, portanto, o cristão deve exultar com o evangelho. O cântico, o louvor, a exultação e a adoração do cristão, não se firmam em cânticos entoados durante a liturgia dos cultos antes, é por professar a Cristo como Senhor.  Deus é glorificado, quando o crente dá muito fruto (Jo 15:8) e para isso foi plantado pelo Senhor (Is 61:3; Is 60:21). 

Todos que estão ligados à Videira verdadeira produzem muito fruto, ou seja, o fruto dos lábios que confessam a Cristo (Hb 13:15). É através deste fruto dos lábios que confessam a Cristo, que Deus é glorificado (Jo 15:8). 

“E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado” (Is 60:21);  

“Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que, em tudo, Deus seja glorificado, por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém” (1 Pe 4:11). 

É inútil afinar instrumentos musicais; não adianta fazer inúmeros ensaios musicais; não adianta estruturar um grande coral; tão pouco gritar ‘aleluia’ e ‘glória’, se o adorador não professar a Cristo como Senhor, conforme diz as Escrituras. Mas, se professar a Cristo segundo as Escrituras, nisto Deus é glorificado! 

 

“Para tomarem vingança dos gentios, e darem repreensões aos povos; Para prenderem os seus reis com cadeias e os seus nobres com grilhões de ferro; Para fazerem neles o juízo escrito; esta será a glória de todos os santos. Louvai ao SENHOR” (v. 7-9).

O salmo termina apontando aspectos do reino milenar de Cristo. O salmista, em espirito (profecia), faz menção de Cristo, quando for entregue o reino pelo Pai (v. 7 e 9). Cristo, antes de se assentar como Rei no trono de Davi seu Pai, quando reinará sobre toda a terra, pisará o lagar da ira de Deus, conforme o descrito pelo profeta Isaias no capítulo 63, versos 1 a 6.

“QUEM é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em sua vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar. Por que está vermelha a tua vestidura e as tuas roupas, como as daquele que pisa no lagar? Eu sozinho pisei no lagar e, dos povos, ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura. Porque o dia da vingança estava no meu coração; e o ano dos meus remidos é chegado. E olhei, e não havia quem me ajudasse; e admirei-me de não haver quem me sustivesse, por isso, o meu braço me trouxe a salvação e o meu furor me susteve. E atropelei os povos na minha ira, e os embriaguei no meu furor; e a sua força derrubei por terra” (Is 63:1 -6)

Jesus Cristo atropelará os povos na sua ira, pois Ele é o braço do Senhor, que faz o que é aprazível ao Pai (Is 62:5).

Como Deus prometeu ao Seu Filho as nações da terra por herança (Sl 2:8; Mt 19:28), Cristo há de reger as nações com vara de ferro (Sl 2:9). Nada do que foi predito por Deus falhará, pois Deus fará cumprir nos reis da terra e, em seus nobres, o juízo pré-estabelecido nas Escrituras (v. 9).

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