Laço do passarinheiro

O cristão deve ter muito cuidado, pois, não é porque alguém diz: – ‘Senhor, Senhor!’, que estará apta para entrar no reino dos céus (Mt 7:21). Não é porque alguém profetiza em nome de Deus, que verdadeiramente é profeta de Deus (Mt 7:22). Não é porque alguém expulsa demônios, que o faz através do poder de Deus (Mt 7:22). Não é porque alguém realiza sinais, que tais sinais são de Deus.


“Pois, ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa” (Sl 91:3).

Passarinheiros

Quem é o ‘passarinheiro’ que o Salmo 91 faz referência? Que tipo de ‘laço’ o passarinheiro utiliza?

Basta uma pesquisa na internet, que inúmeras respostas estarão disponíveis, mas recomenda-se cautela, pois a maioria não possui fundamento bíblico.

Há pregadores que, a pretexto de explicar o laço do passarinheiro,descrevemas mais variadas armadilhas utilizadas para capturar pássaros, como: gaiolas, alçapões, laços, visgos, etc. Muitos deles se detêm em descrever o funcionamento dessas armadilhas, como são construídas, como se dá a camuflagem, etc.Outros descrevem como o caçador de pássaros tem de ser ardiloso na sua empreitada.

Há aqueles que dizem que um empréstimo bancário com juros abusivosé laço. Outros dizem que uma apólice de seguro que não cobre totalmente o sinistroé uma armadinha do passarinheiro. Tem aqueles que alegam que um convite para um evento, onde você não será bem recebido, será maltratado e até mesmo humilhado, é um laço. Há até quem diga que certoscasamentos são um laço!

Para esses pregadores, o laço pode advir da inveja dos vizinhos, das relações interpessoais no trabalho, das ideologias de governo, das escolas dos filhos, das religiões afro-brasileiras, das associações espíritas, etc.

Não! Mil vezes não!Nenhuma das questões levantadas acima,se referem ao laço do passarinheiro.Por desconhecerem a essência do Salmo 91,e que o laço do passarinheiro é uma figura, os pregadores, na sua grande maioria, desconhecem quem é o ‘passarinheiro’ e qual é o ‘laço’ que ele utiliza.

O Salmo 91 é messiânico, ou seja, é uma profecia que descreve o ministério de Cristo e a oposição dos pecadores, bem como o seu sofrimento, morte e ressurreição. Como o Salmo é uma profecia sobre alguém especifico, não cabe ao leitor estabelecer, segundo a sua própria concepção,quem é o ‘passarinheiro’e nem o que é ‘laço’.

‘Passarinheiro’ e ‘laço’ são figuras bíblicas para tratar de questões específicas e evidenciar verdades ao leitor, que estão além de qualquer questão financeira, trabalhista, familiar, politica, etc.

Essas figuras foram estabelecidas por Deus, ao comunicar uma mensagem aos seus santos profetas, e é na Bíblia que o significado de tais figurasse encontra.

O profeta Oséias,ao apresentar o juízo de Deus, pela apostasia de Israel e deixar expresso que a tribo de Efraim voltaria ao Egito e sucumbiria ali, deixou registrado queDeus sondou os profetas de Efraim e os achou em falta, comparando as suas palavras com o laço que compunha as armadilhas dos caçadores de pássaros:

“Efraim era o vigia[1] com o meu Deus, mas o profeta é como um laço de caçador de aves, em todos os seus caminhos, e ódio na casa do seu Deus” (Os 9:8)[2] ACF.

O profeta Jeremias,também, fez uso da figura do ‘laço’:

“Porque ímpios se acham entre o meu povo; andam espiando, como quem arma laços; põem armadilhas, com que prendem os homens.Como uma gaiola, está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano; por isso se engrandeceram e enriqueceram” (Jr 5:26-27).

Ao fazer uso da figura do laço, Jeremias descreveu a nação de Israel, como composta por homens injustos (Jr 5:1). Tanto os homens comuns (do povo), quanto os príncipes, estavam em igual condição: desconheciam a palavra de Deus (Jr 5:4-5). Os profetas, que tinham a incumbência de serem atalaias, avisando o povo, segundo o que Deus ordenava, eram prevaricadores, não desempenhavam o seu papel.

Os ímpios se instalaram em Israel e andavam à espreita, observando, como quem arma armadilhas, ou seja, laços.  As armadilhas dos ímpios não visam prender pássaros,mas,homens. Da mesma forma que uma gaiola fica repleta de pássaros, o ajuntamento dos ímpios fica cheia de ‘enganados’.O ajuntamento de ímpios não se dava entre os gentios, mas, sim,no meio ao povo de Israel.

É por isso que os profetas de Deus alertavam os filhos de Israel a não confiarem no amigo, nem nos lideres da nação, muito menos nos próprios irmãos: “Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca” (Mq 7:5: Jr 6:21; Jr 9:4-5).

O Salmo 49 faz referência aos ímpios que ‘armam laços’ e que se ‘enriquecem’:

“Por que temerei eu, nos dias maus, quando me cercar a iniquidade dos que me armam ciladas?Aqueles que confiam na sua fazenda e se gloriam na multidão das suas riquezas…” (Sl 49:5 -6).

Os que armam ciladas e se gloriam na multidão das suas riquezas, refere-se aos filhos de Israel, pois eles eram os ‘loucos’ que se gloriavam da carne, dizendo: ‘Temos por pai a Abraão’ (Mt 3:9), ou seja, eles faziam da carne o seu braço (força, salvação), conforme profetizou Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem e faz da carne o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5), sendo eles comparados à perdiz: “Como a perdiz, que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as deixará, e no seu fim será um insensato” (Jr 17:11).

O apóstolo Paulo alerta que o que a lei diz, diz aos que estavam debaixo da lei e os Salmos não são exceção (Rm 3:19). Os néscios (loucos) que dizem que não há Deus e que não invocavam a Deus, eram os lideres de Israel, obreiros da iniquidade, homens que se alimentavam do povo, como se fosse pão (Sl 53:1-4).

Os homens descritos no Salmo 5, com garganta como sepulcro aberto, com línguas que tratavam enganosamente, com veneno de víboras debaixo da língua, etc. (Sl 5:9; Rm 3:13), eram os filhos de Israel, por isso que o apóstolo Paulo conclui que tudo o que a lei diz, diz aos judeus, pois eles estavam debaixo da lei (Rm 3:19).

Os Salmos 10 e 37 também fazem referência a tais armadilhas:

“Os ímpios, na sua arrogância, perseguem furiosamente o pobre; sejam apanhados nas ciladas que maquinaram” (Sl 10:2).

“O ímpio espreita ao justo e procura matá-lo” (Sl37:32).

O Pregador descreve aqueles que armam laços, como pessoas que colocam armadilhas contra os seus próprios irmãos, ou seja, enganando e sendo enganados: “No entanto, estes armam ciladas contra o seu próprio sangue; e espreitam suas próprias vidas” (Pv 1:18).

Mas, que tipo de armadilhas os ímpios arquitetam? Seriam armadilhas nos negócios desta vida? Armadilhas para quem deseja casar? Laço para quem quer comprar um carro? Cilada para quem quer contratar um serviço?

O Pregador nos dá o significado do laço, da armadilha, ou, da cilada, que os ímpios constroem:

“As palavras dos ímpios são ciladas para derramar sangue, mas a boca dos retos os livrará” (Pv 12:6).

Temos uma definição: as palavras dos ímpios são ciladas! O profeta Jeremias faz a mesma observação:

“Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo, mas no seu coração, arma-lhe ciladas” (Jr 9:8; Sl 5:9; Rm3:13-18).

‘Derramar sangue’ não diz dos crimes contra a existência humana, antes, é uma figura que remete à morte espiritual. A língua dos ímpios é comparada a uma flecha mortífera, pois fala engano. Embora os discursos dos ímpios sejam de paz, na verdade, armam ciladas contra o próximo.

Embora os irreligiosos, também, sejam ímpios, os ímpios da qual as escrituras fazem referência, são os religiosos que tem um discurso de servos de Deus, porém, são pessoas que seguem suas próprias concepções.

Por exemplo: um convite ao sacrifício parece uma palavra de paz de alguém que serve a Deus, mas, para aqueles que conhecem a palavra de Deus, tal convite não passa de laço.Deus deixa claro que obedecer é melhor que sacrificar e que atender,é superior à gordura de carneiros, e que Ele não requer sacrifícios:

“Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos” (Sl51:16).

“Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios” (Jr 7:22).

“Porém, Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1Sm 15:22).

Quem se dá ao sacrifício e não obedece a Deus, não passa de um assassino, blasfemo e idólatra, como se lê:

“Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial, é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos e a sua alma se deleita nas suas abominações” (Is 66:3).

‘Passarinheiro’ é uma figura utilizada por Deus para fazer referência a qualquer descrente em Israel, que tinha a lei de Deus em seus lábios, mas longe do coração (Jr 12:2; Is 29:13). Diz de qualquer que afirmasse: – “O Senhor vive”!,mas não honravam a Deus, obedecendo a sua palavra: “E, ainda, que digam: Vive o SENHOR, de certo falsamente juram” (Jr 5:2).

O ‘passarinheiro’ poderia ser qualquer um do povo de Israel que não obedecesse a Deus. Podia ser sacerdote, escriba, profeta, rei, príncipe, pobre, rico, grande, pequeno, etc., que recitavam as Escrituras, mas não a punham por obra: “Mas, ao ímpio diz Deus: Que fazes tu, em recitar os meus estatutos e em tomar a minha aliança na tua boca?” (Sl50:16).

O profeta Isaias tem uma descrição precisa das ações de um ímpio:

“Como o prevaricar e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” (Is 59:13).

Conceber e proferir palavras de falsidade, acerca do que Deus exige do homem, é o mesmo que prevaricar, é mentir, é desviar-se, é propor opressão e rebelião. Deus exige do homem obediência ao Seu mandamento, mas o coração enganoso do homem faz com que conceba inúmeros mandamentos, que não agradam a Deus.

Muitos em Israel pensavam estar servindo a Deus, mas pela falta de conhecimento, eram levados a cumprir mandamentos de homens (Is 29:13), e quando ensinavam os seus semelhantes, a língua deles era como uma flecha mortífera.

O ‘laço’ é uma figura para fazer referência a tudo que o ímpio diz, com dolo ou não, que possa induzir o crente a desviar-se da obediência a Deus:

“Os ímpios me armaram laço; contudo não me desviei dos teus preceitos” (Sl 119:110).

O objetivo do laço, da armadilha do passarinheiro, é desviar o homem dos preceitos de Deus.

Os profetas de Israel eram comparados às raposas do deserto: “Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que nada viram!Os teus profetas, ó Israel, são como raposas nos desertos” (Ez 13:3-4) e as filhas de Israel, na sua dedicação, em fazerem almofadas para apoiar axilas e véus para as cabeças de todas as estaturas, na verdade,buscavam capturar almas, simplesmente, por que queriam um punhado de cevada e um pedaço de pão (Ez13:17-20).

 

O Cristo

O verso: “Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa” (v. 3), é uma promessa que Deus deixou registrada nas Escrituras para o Cristo, porque, quando na carne, Jesus enfrentaria a oposição de homens ímpios (passarinheiros) que tentariam desviá-Lo de cumprir a vontade de Deus (laços).

Quando os principais dos sacerdotes e os escribas enviaram algumas pessoas, se fingindo de justas, a perguntarem a Cristo se era lícito dar tributo a César (Lc 20:23), tal pergunta é um exemplo de ‘laço’ engendrado por homens ímpios (passarinheiros).

A questão que envolvia a lei do Levirato e a ressurreição dentre os mortos, era um cilada (Mt 22:28). A questão acerca da autoridade de Jesus, outro laço (Lc 20:2).

Vários Salmos alertam o Cristo, quanto à ação dos ímpios, que queriam enlaçá-Lo e prendê-Lo:

“Pois, eis que põem ciladas à minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não por transgressão minha ou por pecado meu, ó SENHOR” (Sl 59:3).

“Também, os que buscam a minha vida, me armam laços, e os que procuram o meu mal, falam coisas que danificam e imaginam astúcias, todo o dia” (Sl38:12).

“Firmam-se em mau intento; falam de armar laços, secretamente, e dizem: Quem os verá?” (Sl 64:5).

“Os soberbos armaram-me laços e cordas; estenderam a rede ao lado do caminho; armaram-me laços corrediços. (Selá.)” (Sl 140:5).

“Quando o meu espírito estava angustiado em mim, então conheceste a minha vereda. No caminho em que eu andava, esconderam-me um laço” (Sl 142:3).

Na tentação, o diabo utilizou alguns laços (Mt 4:3-9). Quando os endemoninhados anunciavam que Jesus era o Santo de Deus, tais tentativas de revelá-Lo, eram laços (Lc 4:34; Mc 1:24). Quando Pedro rogou ao Mestre que tivesse dó de Si mesmo, era uma cilada (Mt 16:22). A oposição dos pecadores, para que Jesus descesse da cruz, era outra cilada.

 

Ciladas

O cristão deve ter muito cuidado, pois, não é porque alguém diz: – ‘Senhor, Senhor!’, que estará apta para entrar no reino dos céus (Mt 7:21). Não é porque alguém profetiza em nome de Deus, que verdadeiramente é profeta de Deus (Mt 7:22). Não é porque alguém expulsa demônios, que o faz através do poder de Deus (Mt 7:22). Não é porque alguém realiza sinais, que tais sinais são de Deus.

Não é pela aparência, ou, pelas realizações, que se identifica um falso profeta, antes pelas suas palavras (frutos). Quando Jesus disse que ‘pelos seus frutos os conhecereis’, Ele se referia ao fruto dos lábios: “Cada um se fartará do fruto da sua boca e, da obra das suas mãos, o homem receberá a recompensa” (Pv 12:14); “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios, ficará satisfeito” (Pv 18:20).

Convites às campanhas, jejuns, orações, contribuições, doações, votos, etc., são utilizados por muitos falsos apóstolos, como verdadeiras armadilhas, para enlaçar incautos. Reiteradas vezes, apontam os templos, edificados com cimento e areia, como local de adoração, como lugar da benção, da unção, das dádivas, etc.

Tal argumento já era utilizado pelos lideres judeus, quando enganavam os filhos de Israel, dizendo: templo do Senhor! Por causa dessas palavras falsas, o templo foi destruído, e o povo deportado para aBabilônia: “Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este” (Jr 7:4).

O apóstolo Paulo instrui os cristãos de Éfeso, em como se defender das ciladas do diabo: revestindo-se de toda a armadura de Deus, que é a palavra de Deus.

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef 6:11).

A Bíblia deixa claro que a adoração não está vinculada a um lugar (quer seja casa, templo, monte, vale, etc.), pois a adoração se dá em espírito e em verdade, ou seja, basta crer em Cristo para ser um verdadeiro adorador (Jo 4:21-23). Os que creem,constituem templo, casa, habitação de Deus em espírito, portanto, podem adorar a Deus, plenamente, em qualquer lugar que estiverem (1Co 3:16-17).

Os ‘passarinheiros’ utilizam os seus templos como verdadeiras arapucas, quando anunciam: “Aqui é o lugar da benção”!; “Aqui é o lugar do milagre!”; “A mão de Deus está neste templo”!; Deus faz maravilhas neste monte!”; “É nessa vigila que você será abençoado!”, etc.

Além de omitirem o fato de que o cristão é casa espiritual construída sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (Ef2:22), os ‘passarinheiros’ anunciam que o crente carece de bênção, contrariando as Escrituras, que afirmam, que  os que creem, já foram abençoados, com todas as bênçãos espirituais, em Cristo Jesus (Ef 1:3), portanto, nenhuma dádiva falta (1Co 1:7; 2Pe 1:3).

A ação dos falsos apóstolos é negar a eficácia do evangelho, envolto na aparência de piedosos: “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes, afasta-te” (2Tm 3:5).

Através do evangelho, os que creem, são constituídos, efetivamente, filhos de Deus: santos, amados, irrepreensíveis, justificados, inculpáveis, novas criaturas, pedras vivas, abençoados, enriquecidos, coerdeiros de Cristo, tal qual Cristo é neste mundo, etc. (1Jo 4:17; 1Co 1:5; Rm 8:1; Rm 8:17, etc. ).

A tática dos ‘passarinheiros’ é apontar para as coisas terrenas (Fl 3:19), a mesma utilizada pelo diabo, ao tentar o Cristo. Cristo é o herdeiro de Deus, pois o Pai lhe prometeu todos os reinos da terra (Sl 2:8 -9), e o diabo apresentou uma facilidade para alcançar o que lhe era de direito: – “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”.

Enquanto a Bíblia apresenta os que creem, como sacerdotes reais, com amplo acesso ao trono de Deus (1Pe 2:9; Hb 10:19), para apresentarem sacrifícios agradáveis (1Pe 2:5; Hb 3:15; Rm 12:1), os falsos apóstolos se interpõem como mediadoresda bênção de Deus, exigindo sacrifícios e aguçando o desejo dos incautos, para não se contentarem com o que possuem:

“Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13:5).

Vemos hoje uma horda de cristãos necessitados de libertação, bênçãos, unção, poder, etc., enquanto as Escrituras garantem que, quem crê, é liberto do Senhor (Gl 5:1), está de posse de todas as bênçãos (Ef 1:3), tem a unção (1Jo 2:20 e 27) e tem poder (Ef 1:19; Lc 10:19).

A água que os passarinheiros dão a beber aos seus cativos é de uma cisterna rota, pois é diferente da água que Cristo dá, uma vez, que quem bebe de Cristo, nunca mais terá sede.

 


[1] Figurativamente, os profetas eram os ‘sentinelas’ de Israel, entretanto, aqueles que eram ‘sentinelas’ em Efraim, foram ‘vigiados’ e o veredito foi: ‘o profeta é um insensato, o homem de espírito é um louco’, pois armam laços em todos os caminhos do povo.

[2]Esse verso é mal traduzido e possui inúmeras vertentes. Ex: ‘O profeta é a sentinela de Efraim, o povo do meu Deus; contudo um laço de caçador de aves se acha em todos os seus caminhos e inimizade na casa do seu Deus’, cf. Oséias 9:8 (A. R.); ‘O profeta, junto ao meu Deus, é a sentinela que vigia Efraim, contudo, laços o aguardam em todas as suas veredas e a hostilidade no templo do seu Deus’, cf. Oséias 9:8 (NVI); ‘Efraim, o povo de meu Deus, espreita o profeta, arma-lhe ciladas em todos os caminhos e persegue-o até na casa de seu Deus’, cf. Oséias 9:8 (Versão Católica). A ideia que se depreende do contexto é que os profetas foram provados e achados em falta, pois armavam laços aos filhos de Israel.

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Intercessões e tragédias

A Bíblia revela que Deus é Deus de amor, misericórdia, bondade, compaixão, paz, etc., atributos que não depende do reconhecimento do homem. Ele é o que é! Por Ele ser o que é, misericordiosamente manifestou aos homens Cristo ( Gl 3:23 ), e por Ele estabeleceu a paz, a que excede todo entendimento, desfazendo a barreira de inimizade que havia entre Deus e os homens.


Já não me incomodam os pseudos evangelhos que surgiram ao longo dos tempos, porém, não posso me calar diante de um velho movimento doutrinário que tenta novamente se impor, sendo que hoje se apresenta com uma nova roupagem, denominada de ‘nova espiritualidade’.

Há algum tempo li com pesar o artigo “Súplicas pelos que choram”, do conferencista e pastor Ed René Kivitz, publicado no Blog ‘Outra Espiritualidade’, com data de 31 de julho de 2007, mas agora não posso me furtar a não tecer um comentário.

Eu não consigo entender o que motiva a intercessão contida no artigo, pois enquanto Jesus determina aos seus seguidores que deixem os mortos enterrar os seus mortos ( Lc 9:30 ), a intercessão do Pr. Kivitz parece demonstrar que os discípulos precisam demonstrar uma compaixão maior que a do Mestre “O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre” ( Lc 6:40 )

“Pai Celestial, hoje erguemos nossas vozes em intercessão pelos que choram seus mortos” ‘Súplicas pelos que choram”, artigo do conferencista e pastor Ed René Kivitz, publicado no Blog ‘Outra Espiritualidade’, com data de 31 de julho de 2007.

Quando um discípulo demonstra possuir uma compaixão maior que a do seu mestre, claro está que ainda não compreende as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens “E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” ( Mt 16:22 -23). Geralmente os discípulos que não compreendem as coisas do Mestre, questionam as ações e a doutrina transmitida “Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo” ( Jo 13:6 -8), relutam, e, tornam-se exagerados em suas conclusões, como se verifica no caso do apóstolo Pedro em relação à ordem direta de Jesus “Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça” ( Jo 13:9 ).

A bíblia revela que Deus é Deus de amor, misericórdia, bondade, compaixão, paz, etc., atributos que não depende do reconhecimento do homem. Ele é o que é! Por Ele ser o que é, misericordiosamente manifestou aos homens Cristo ( Gl 3:23 ), e por Ele estabeleceu a paz, a que excede todo entendimento, desfazendo a barreira de inimizade que havia entre Deus e os homens.

Cristo é a nossa paz e, se quisermos que esta paz seja derramada sobre os corações dos homens, devemos proclamar o evangelho de Cristo, pois somente por intermédio do evangelho a barreira da inimizade, a ignorância, é desfeita ( Ef 4:18 ), e os homens que crerem serão reconciliados com Deus ( Rm 5:10 ).

O cristão deve interceder pelos pecadores para que tenham paz, ou anunciar as boas novas do reino? “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” ( Is 52:7 ). Deus não enviou ao mundo os seus discípulos para serem ‘intercessores’ “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” ( Mc 16:15 ), pois só há um mediador e intercessor: Jesus Cristo homem ( Hb 7:25 ; Rm 8:34 ; ).

Qual intercessão é válida em prol dos pecadores? – Senhor, seja misericordioso? Devemos clamar: – Senhor, seja bonzinho e benevolente com os pecadores..?!’

Ora, Deus é misericórdia e a misericórdia de Deus foi manifesta em Cristo, portanto, toda e qualquer intercessão em prol dos pecadores deve focar aqueles que anunciam as boas novas, como rogou o apóstolo Paulo que orassem em seu favor, para que ele tivesse intrepidez ao anunciar o evangelho e que lhe fosse concedido liberdade para exercer o seu ministério evangelístico ( Ef 6:18 -19).

Deus somente tomará pela mão os perdidos que ouvirem e crerem no evangelho de Cristo. Somente a luz do evangelho pode conduzir os homens a Deus. Somente no evangelho há esperança de uma eternidade com Deus. Só a palavra da cruz possui o poder para que as forças do homem sejam renovadas como a da águia.

Acaso não faz justiça o Juiz de toda a terra? ( Gn 18:25 ).

Enquanto o Pr. Kivitz roga que Deus tome pela mão os perdidos que estão em trevas parafraseando as Escrituras (sem levar em conta o contexto e o seu significado), o profeta Isaias há muito profetizou que os que jaziam em trevas viram uma grande luz “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” ( Is 9:2 ).

Não há mais que se clamar a Deus pelos que habitam na região da sombra da morte, pois Cristo, a luz que ilumina o mundo já raiou e, agora resta aos que creram anunciar aos que estão em trevas que as mãos de Deus não estão encolhidas para que não possa salvar.

Clamar a Deus que resgate os perdidos não é a missão da igreja de Cristo, visto que Deus já proveu salvação, segundo a sua misericórdia, suficiente para salvar a todos que ouvirem e aceitarem a mensagem do evangelho. A missão da igreja não é interceder pelos pecadores, antes é semear a semente, pois Deus já providenciou salvação aos perdidos ( Mc 16:15 ).

O que preocupa ainda mais com relação a oração em análise (apesar de bonita e comovente), é que ela não coaduna em parágrafo algum com a mensagem de Cristo “Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos” ( Mt 8:22 ).

Como a intercessão em comento aborda a tristeza daquelas pessoas que passaram por uma tragédia familiar ou nacional (devemos as nossas condolências a estas pessoas), percebe-se que, na intercessão o intercessor se afastou do que foi anunciado por Cristo Jesus e, também, do que anunciou o profeta Isaias.

Certa feita alguns religiosos comentam com Cristo uma tragédia que havia ocorrido naqueles dias com alguns Galileus, e estes pensavam que Jesus havia de apontar o pecado daqueles que pereceram em consequência de terem sucumbido àquela tragédia. Jesus, porém, contrariou a todos, demonstrando que, caso eles não mudassem (arrependessem) os seus conceitos, de igual modo pereceriam ( Lc 13:3 ).

Para demonstrar que eles não eram diferentes dos outros povos, Jesus lembrou-lhes de uma tragédia ocorrida em Jerusalém, na torre de Siloé, quando dezoito pessoas (possivelmente judeus) morreram. Ou seja, a tragédia pode abater-se sobre todos os homens, porém, caso não se arrependessem (mudança a concepção de salvação), de igual modo todos pereceriam.

Por que Jesus não orientou os judeus a orarem pelos familiares dos mortos? Porque a dor da perda é um sentimento natural e, após algum tempo, a energia para lançarem-se às questões desta vida naturalmente voltará. O homem pode enfrentar estas questões, isto não lhe é impossível, mas, com relação à vida eterna, a salvação da alma, somente Jesus pode salvar, porque isto ao homem é impossível.

Por mais que alguém interceda ao Pai que venha consolar a tristeza daqueles que perderam seus entes queridos em uma tragédia, não será atendido, pois a bíblia demonstra que há hora para tudo embaixo do sol ( Ec 3:1 -8).

Deixou-me perplexo a seguinte frase da oração:

“Rogamos que enxugues cada lágrima, recebendo-as como a mais pura oração, acolhendo-as como tributos aos que se foram, dando-lhes sentido e significado, transformando-as em memórias felizes e lembranças de amor e saudade que produzam frutos de vida” Idem.

O que isto significa e representa? A tristeza, o choro e as lágrimas decorrentes de uma perda ou de males oriundos de uma tragédia são recebidos por Deus? Qual a base bíblica para está colocação?

Sabemos que a dor da alma humana, por mais que seja sincera, não é elemento que torna o homem ou a sua oferta agradável a Deus.

Do ponto de vista humano estes pedidos são salutares, porque compete ao homem decidir o que vai fazer com sua dor, sucumbir ou superar, mas mesclar versos bíblicos fora do contexto como base para fazer intercessões e imprecações não move as mãos de Deus.

Observe o seguinte parágrafo extraído do artigo:

“Pai Celestial, em nome de teu Filho Jesus, que venceu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade, rogamos que envies teu Espírito Santo a consolar todos os que choram, a cuidar dos que estão com o coração quebrantado e a por, sobre os que de luto estão, uma coroa em vez de cinzas, vestes de alegria ao invés de pranto, manto de louvor ao invés de espírito angustiado, afim de que se levantem como carvalhos de justiça, para a tua glória. Amém” Idem.

Cristo é a luz, a vida e a imortalidade. Ele venceu a morte, e todos que estão unidos a ele por intermédio da fé (CRENÇA) na mensagem do evangelho (fé) também venceram o mundo, a morte e o pecado.

Quando o profeta Isaias disse: “O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:1 -3), ele anunciou de ante mão aos homens qual a obra e o ministério do Cristo. Com isto, ele não estava dando a entender que Cristo haveria de vir ao mundo para consolar os homens tristes em decorrência das perdas e das tragédias humanas, antes o consolo prometido só recebe quem tem fome e sede de salvação.

Jesus veio para dar vida e vida em abundância. Ele veio vivificar o espírito dos abatidos pelo pecado, e dar vida aos corações contristados em decorrência da sua condição de alienado de Deus “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” (Isaías 57:15 ).

Após Jesus nascer, sua mãe e José tiveram que fugir para o Egito, tendo em vista que todas as crianças abaixo de dois anos, que habitavam em Belém e seus arredores, foram mortas por Herodes. E o que houve? Muito choro e tristeza, evento que propiciou o cumprimento das Escrituras, que foi anunciado por intermédio do profeta Jeremias: “Em Ramá se ouviu uma voz, Lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, E não querendo ser consolada, porque já não existem” ( Mt 2:18 ).

Jesus nasceu e, houve uma grande tragédia! A seguinte oração poderia evitar tal tragédia?

“Rogamos que com tua presença amorosa preenchas o vazio deixado pelas ausências, suprindo as faltas, recolhendo em teu colo de Pai cada um dos que hoje choram e dando-lhes a provisão em resposta às suas aflições, angústias e medos, mostrando-te companheiro e parceiro para a vida que segue. Rogamos que consoles as mães e pais que perderam seus filhos e filhas…”  Idem.

Quando li: “Rogamos a ti, que és o Senhor da vida, que detenhas o poder da morte…”  Idem, pensei: Acaso Cristo não venceu a morte? De que morte estamos falando?

Se ‘deter o poder da morte’ refere-se à realidade de que todos os homens devem voltar ao pó da terra, temos que o pedido é totalmente descabido, pois contraria a vontade e a lei de Deus que diz: “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” ( Gn 3:19 ). Por outro lado, se entendermos que ‘o poder da morte’ refere-se à separação que há entre Deus e os homens em decorrência do pecado de Adão, não é necessário que se rogue a Deus neste sentido, pois a bíblia é clara: Jesus já venceu a morte!

Este pedido é semelhante ao pedido que Moisés fez a Deus em prol do povo de Israel: “Agora, pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito” ( Ex 32:32 ). Caso Deus atendesse a loucura de Moisés, Deus deixaria de se Deus, pois contrariaria a sua própria justiça “Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro. Vai, pois, agora, conduze este povo para onde te tenho dito; eis que o meu anjo irá adiante de ti; porém no dia da minha visitação visitarei neles o seu pecado. Assim feriu o SENHOR o povo, por ter sido feito o bezerro que Arão tinha formado” ( Ex 32:33 -35).

Foi em decorrência deste pedido que Deus posteriormente alertou Moisés dizendo: “Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” ( Ex 33:19 ).

Deus demonstra a Moisés que, até conceder que se visse a sua glória era possível, porém, com relação a sua misericórdia, Ele teria misericórdia de quem ele tivesse, e compadeceria de quem Ele se compadecesse, ou seja, fazer uma intercessão para que Deus deixe de fazer justiça é descabido.

E de quem Deus terá misericórdia? A resposta é simples: “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” ( Ex 20:6 ). Ou seja, Deus terá misericórdia dos que são misericordiosos, ou seja, daqueles que O amam ( Os 6:4 -6). Só será amado de Deus quem cumprir o seu mandamento: creiam naquele que Ele enviou ( 1Jo 3:23 ).

A teologia liberal e a neoliberal só produzem este tipo de arremedo de evangelho: “Rogamos, nosso Pai, que fortaleças aqueles que perderam seus amados para que ergam memoriais de honra aos que se foram, para que vençam a morte com a insistência em viver, o medo com fé, a desesperança com a insistência em semear a terra regada pelo sangue dos inocentes” Idem.

Como alguém pode vencer a morte com insistência, se a bíblia demonstra que só vence a morte aqueles que estão em Cristo? Como é possível vencer o medo com a fé, se o medo só é lançado fora com o amor? Como conciliar a oração com o provérbio que diz: “O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena” ( Pr 27:12 )? O sangue do inocente (simples) não será derramado por ser inocente?

Por fim, as promessas registradas em Isaias 61, versos 1 a 3 não possuem qualquer relação com os que estão enlutados por causa da perda de seus entes queridos. O coração quebrantado e o espírito angustiado não é proveniente do luto, antes se refere à condição miserável do homem por estar alienado de Deus.

“Pai Celestial, em nome de teu Filho Jesus, que venceu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade, rogamos que envies teu Espírito Santo a consolar todos os que choram, a cuidar dos que estão com o coração quebrantado e a por, sobre os que de luto estão, uma coroa em vez de cinzas, vestes de alegria ao invés de pranto, manto de louvor ao invés de espírito angustiado, afim de que se levantem como carvalhos de justiça, para a tua glória”  Idem.

Para ser consolado, aliviado, é imprescindível que o homem tome o jugo de Cristo e com Ele aprenda, pois Ele que é humilde e manso de coração “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” ( Mt 11:29 ).

Quem aceita a Cristo encontra refrigério e descanso, pois é árvore de justiça, plantado por Deus. Recebe o Espírito Santo no coração, pois é criado em verdadeira justiça e santidade, obras da mão de Deus em louvor da sua glória e graça, pois esperou em Cristo ( Is 60:21 ; Ef 1:12 ).

Quanto à dor da perda, ela é sentida tanto pelos santos quanto pelos ímpios, pois Jesus avisou: “No mundo tereis aflições” ( Jo 16:36 ). Se os filhos da luz são passíveis de aflições, todos no mundo o são, pois tudo sucede igualmente a todos “Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento” ( Ec 9:2 ).

Nestes momentos de tristeza é válida a orientação paulina: “… chorai com os que choram” ( Rm 12:15 ), porém, é temerário achar que, por meio da oração, Deus impedirá que as vicissitudes da vida ocorram e, muito menos, que Deus terá misericórdia e salvará da condenação do pecado os ímpios simplesmente porque fizemos uma oração “Não há paz para os ímpios, diz o meu Deus” ( Is 57:21 ).

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O que é adorar em espírito e em verdade?

O verdadeiro louvor e adoração são provenientes da obra criada por Deus (nova criatura), pois quem dentre as suas criaturas poderá acrescentar honra, glória e louvor a Deus? É por isso que Deus faz todas as coisas para louvor de sua glória!

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Quem veio matar, roubar e destruir?

Os lideres de Israel eram ladrões, salteadores por subtraírem a palavra de Deus que concede vida aos homens. Sob o pretexto de sacrifícios (orações prolongadas, jejuns, festas, dias, luas) extorquiam a casa dos necessitados (viúvas, órfãos) ( Mt 23:14 ). ‘prolongadas orações’ é figura de sacrifícios, e viúvas e órfãos são figuras utilizadas para ilustras os necessitados, os pobres de espíritos.


 

Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador” ( Jo 10:1 )

 

Quem veio matar, roubar e destruir? A resposta é simples e fácil: o ladrão! “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir” ( Jo 10:10 ).

Porém, há quem divulgue que o diabo é quem veio matar, roubar e destruir. Seria o diabo o ladrão que Jesus faz referência?

É comum ouvirmos mensagens enfatizando que o diabo veio para matar, roubar e destruir a saúde, a família e as finanças do homem. Outros alegam que o diabo veio para matar, roubar e destruir a paz, a fé, a esperança, o amor, a salvação, etc., do cristão.

Seria isto verdade?

A bíblia nos garante que Cristo é a nossa paz, fé, esperança, amor e salvação. O diabo seria capaz de roubar, matar e destruir o cristão?

 

As parábolas e a missão de Jesus

Após dizer aos escribas e fariseus qual era a sua missão, Jesus propõe uma parábola a eles.

A missão de Jesus é clara: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos” ( Jo 9:39 ). O que Jesus quis dizer com estas palavras, se Ele mesmo disse que a ninguém julga ( Jo 8:15 ).

Ora, os textos abordam aspectos diferentes da missão de Jesus. Quando Ele diz que ‘a ninguém julga’, evidência que o mundo já foi julgado e está sob condenação ( Rm 5:18 ; Jo 16:11 ; Jo 3:18 ). E, quando Ele diz que ‘veio ao mundo para juízo’, demonstra que a sua presença neste mundo é cumprimento cabal das Escrituras.

Jesus veio ao mundo conforme o previsto nas Escrituras, de modo que por diversas vezes Ele sinaliza que veio ao mundo em função da sua missão prevista “Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao arrependimento” ( Mc 2:17 ); “Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” ( Jo 18:37 ); “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ); “Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” ( Jo 12:46 ); “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora” ( Jo 12:27 ); “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” ( Jo 10:10 ).

Ou seja, todas as vezes que Jesus faz referência ao motivo pelo qual veio, tal motivo vincula-se a salvação dos homens. Como a salvação é promessa exarada nas Escrituras, Cristo veio para salvar cumprindo e sendo o cumprimento das Escrituras, de modo que, os que não veem passam a ver e, os que veem, torna-se cegos ( Sl 146:8 ; Is 29:8 ; Is 42:7 ; Is 43:8 ; Is 56:10 ).

Ao dizer: “Eu vim a este mundo para juízo”, Jesus estava dizendo por parábola que convinha cumprir toda a justiça ( Mt 3:15 ), pois Ele não veio ab-rogar, pois é o cumprimento das Escrituras “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido” ( Mt 5:17 -18).

Quando os fariseus ouviram as palavras de Jesus, entenderam que era algo pejorativo ser cego, mas Cristo lhes fala novamente por parábola, segundo o que profetizou o profeta Isaias: “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” ( Jo 9:41 ; Is 56:10 ).

Lembrando que nada Jesus falava aos fariseus sem utilizar parábolas “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ), propôs um nova parábola “E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam” ( Lc 8:10 ).

 

A parábola

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora. E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos” ( Jo 10:1 -5).

A parábola é um recurso que estabelece um quadro vivo na mente de quem ouve e impede o ouvinte de esquecer a exposição, esse foi o meio previsto nas Escrituras que o Cristo utilizaria para ensinar.

E ainda, as parábolas contêm enigmas, e os enigmas dificultava, para o povo, a compreensão das parábolas, mas aos discípulos Jesus desvendava o enigma de modo que lhes era ensinado abertamente a palavra de Deus “Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; declararei o meu enigma na harpa” ( Sl 49:4 ); “Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem” ( Mt 13:13 ).

Com os fariseus, Jesus só falava por meio de parábolas, como se lê: “E ele disse-lhes: A vós vos é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas estas coisas se dizem por parábolas” ( Mc 4:11 ); “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ).

Aos fariseus Jesus diz:

  • Aquele que não entra no curral das ovelhas pela porta, mas que se utiliza de outros artifícios é ladrão, salteador;
  • Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas;
  • O porteiro abre a porta somente para o pastor;
  • As ovelhas ouvem a voz do pastor e o segue para fora do curral, pois conhecem a voz do pastor, e;
  • As ovelhas de modo algum seguem o estranho, pois não conhecem a voz do estranho e fogem do estranho.

Quando Jesus contou a parábola com os elementos elencados acima, os fariseus não compreenderam. Apesar de terem questionado o Senhor Jesus por tê-los chamados de cegos, não perceberam que, pelo fato de não compreenderem o exposto por Cristo, verdadeiramente eram cegos, de modo que a profecia cumpria-se cabalmente neles “Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia” ( Jo 10:6 ).

Apesar de lerem nos salmos que só Deus pode abrir os olhos aos cegos, desconsideram o milagre e não compreenderam a parábola de Jesus “O SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos” ( Sl 146:8 ).

Diante da cegueira dos fariseus em não considerarem o milagre operado, Jesus explica a parábola desvendando o enigma.

Jesus disse estar dizendo a verdade em verdade e lhes expõe que era necessário entrar pela porta do curral das ovelhas para não ser um ladrão, um salteador. Sem a explicação de Jesus a parábola ficaria vaga, pois ela contém enigmas indecifráveis “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” ( Sl 78:2 ).

Jesus dá o significado da enigmática parábola ao dizer: “Eu sou a porta das ovelhas” (v. 7), ou seja, Jesus identifica-se como a porta. Já o ladrão, o salteador são os que vieram antes de Cristo (v. 8).

Ora, o Bom pastor diz de Cristo, o Servo do Senhor, portanto, um homem. De igual modo, os que vieram antes de Cristo só podem ser homens e não o diabo. Ora, o diabo não é o ladrão, o salteador que a parábola apresenta diz dos lideres de Israel, homens que tinham a função de ‘cuidar das ovelhas do Pai’, porém, prevaricaram nas suas atribuições.

Jesus enfatiza que todos os que vieram antes d’Ele são ladrões, salteadores, mas as ovelhas não os ouviram (v. 8). Novamente Jesus identifica-se como a porta e faz um convite na condição de Bom Pastor: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (v. 9). Diversas vezes os fariseus leram acerca da porta que os justos deveriam entrar, mas diante da porta estavam como que cegos: “Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão” ( Sl 118:20 ).

Por terem nascidos segundo a carne e o sangue de Abraão, consideram que já haviam entrado pela porta dos justos, porém, como não tinha a mesma fé que o crente Abraão que creu que no seu Descendente as famílias da terra seriam bem-aventuradas para ser justificado, ainda continuavam sendo filhos da ira e da desobediência, porque haviam entrado pela porta larga, que é Adão.

Por terem entrado pela porta larga, que é Adão, os fariseus haviam se desviado desde a madre, em iniquidade e em pecado foram formados, de modo que estavam em igual condição a todos os homens ( Sl 58:3 ; Sl 51:5 ; Sl 53:2 -3).

Quando Jesus se apresenta como a porta, apresentou-se na condição de último Adão, a porta dos justos. Os fariseus rejeitaram a pedra de esquina, a vítima, a luz, o bendito que veio em nome do Senhor ( Sl 118:1 -29).

Enquanto os que vieram antes de Cristo somente roubavam, matavam e destruíam, Jesus contrasta a sua missão com a deles “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (v. 10). Por que eles eram ladroes? Porque eles eram obreiros da iniquidade, que se alimentavam do povo como se fosse pão “Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus” ( Sl 53:4 ).

Os lideres de Israel eram ladrões, salteadores por subtraírem a palavra de Deus que concede vida aos homens. Sob o pretexto de sacrifícios (orações prolongadas, jejuns, festas, dias, luas) extorquiam a casa dos necessitados (viúvas, órfãos) ( Mt 23:14 ). ‘prolongadas orações’ é figura de sacrifícios, e viúvas e órfãos são figuras utilizadas para ilustras os necessitados, os pobres de espíritos.

Quando os fariseus ensinavam que não era necessário aos filhos de Israel dar aos seus pais o que pediam sob o pretexto de que fora oferecido como oferta ao Senhor, criaram um subterfugio para não observarem a lei que tanto idolatravam ( Mt 15:5 ; ). Além de roubar, as palavras que proferiam eram palavras de morte, pois todos os que ingeriam os seus ‘ovos’, tornavam-se serpentes ( Is 59:5 ). Todos que se tornavam prosélitos, tornavam-se duas vezes mais filhos do inferno ( Mt 23:15 ).

As ovelhas pertencem ao Pastor e o Pastor tem cuidado delas. Já o mercenário, por não ser o pastor, a quem as ovelhas pertencem, vê o perigo e o risco, mas não se interpõe de modo a proteger o rebanho. Diante do perigo, deixa as ovelhas e foge ( Jo 10:12 ).

Os lideres de Israel foram os responsáveis pela dispersão (diáspora) dos filhos de Israel por não acatarem o contido nas Escrituras e a maldição predita por Moisés sobreveio ao povo ( Dt 29:27 -28). Mesmo após terem percorrido o deserto sobre a liderança de Moisés, Deus já protestava contra eles que não lhes foi dado olhos para ver, ou seja, estavam cegos “Porém não vos tem dado o SENHOR um coração para entender, nem olhos para ver, nem ouvidos para ouvir, até ao dia de hoje” ( Dt 29:4 ).

O peso do Senhor contra os lideres de Israel que fazia o povo desviar-se de cumprir a sua palavra foi reiterado por diversas vezes pelos profetas “Uivai, pastores, e clamai, e revolvei-vos na cinza, principais do rebanho, porque já se cumpriram os vossos dias para serdes mortos, e dispersos, e vós então caireis como um vaso precioso” ( Jr 25:34 ).

O povo tornou-se comparável a ovelhas perdidas, pois deixaram o Senhor (lugar de repouso) e passaram a confiar na proteção oferecida pelas nações (montes e outeiros) vizinhas através de alianças “Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso” ( Jr 50:6 ; Os 7:1 e 11 ; Sl 50:16 -18).

Da mesma forma que os profetas falavam ao povo por enigmas e parábolas, Jesus retransmite a mesma mensagem demonstrando que haviam transformado a casa de Deus em uma ‘caverna de salteadores’, um ‘covil de ladrões’ “É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o SENHOR” ( Jr 7:11 ); “Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva” ( Is 1:23 ); “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões” ( Mt 21:13 ); “Como as hordas de salteadores que esperam alguns, assim é a companhia dos sacerdotes que matam no caminho num mesmo consenso; sim, eles cometem abominações” ( Os 6:9 ); “SARANDO eu a Israel, se descobriu a iniquidade de Efraim, como também as maldades de Samaria, porque praticaram a falsidade; e o ladrão entra, e a horda dos salteadores despoja por fora” ( Os 7:1 ).

Como os lideres de Israel prevaricaram em suas atribuições, estavam surrupiavam o povo da Verdade que Deus lhes dissera. Em nenhuma das referências bíblicas do A. T. ha Deus fazendo referência aos demônios como os ladrões, ou salteadores, porque Deus trata na sua palavra com os homens e não com os demônios ou com os animais.

O apóstolo Paulo é claro: Tudo o que a lei diz, diz aos que estão debaixo da lei ( Rm 3:19), de modo que tanto os judeus quanto os gentios são escusáveis diante de Deus. Portanto, quando se lê os profetas, verifica-se que eles protestavam contra o povo de Israel declarando-os como ladrões e salteadores. Enquanto Deus requer o amor, os lideres de Israel impunha ao povo sacrifícios ( Os 6:6 ), de modo que eram transgressores como Adão. Por serem transgressores, as suas mãos são descritas figurativamente como ‘manchadas de sangue’, ou seja, eram homicidas ( Os 6:8 ).

Por terem as mãos manchadas de sangue, são descritos também como uma horda de salteadores, pois há violência em suas mãos ( Os 6:9 ). Isto não quer dizer que o povo de Israel e os seus sacerdotes eram reprováveis moralmente por cometerem homicídios, antes os profetas apresentam uma figura que representam o povo como transgressores mesmo quando aplicavam os seus corações nos sacrifícios e nas guarda de dias sagrados ( Is 1:13 -15).

Tudo que não for segundo a palavra de Deus (pelo meu espírito) é denominado ‘violência’, ‘homicídio’, ‘mãos manchadas de sangue’ ( Zc 4:6 ; Is 59:2 -10). Isaias, ao descrever este quadro demonstra que, por o povo de Israel ‘possuir’ uma justiça própria, ou seja, não reconhecendo a Cristo como Senhor, são descritos profeticamente como cegos: “Por isso o juízo está longe de nós, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que só há trevas; pelo resplendor, mas andamos em escuridão. Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos” ( IS 59: 9 -10).

Esperavam o juízo “Todos nós bramamos como ursos, e continuamente gememos como pombas; esperamos pelo juízo, e não o há; pela salvação, e está longe de nós” ( Is 59:11 ), e quando o Juízo disse: “Eu vim a este mundo para juízo” ( Jo 9:39 ), estavam completamente cegos!

Como o Salmo 118 apresenta a porta, a pedra de esquina e a destra do Senhor que faz proezas, Jesus também se apresenta como a vítima do altar. Quando Jesus identifica-se como o Bom Pastor, apresentou-se como o Senhor que mostrou a luz e, ao mesmo tempo o cordeiro que foi morto, pois Ele deixa claro que o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas (v. 11) “Deus é o SENHOR que nos mostrou a luz; atai o sacrifício da festa com cordas, até às pontas do altar” ( Sl 118:27 ). O mesmo Senhor que veio mostrar a luz para os que jaziam em trevas, tornou-se o sacrifício da festa.

Jesus complementa a parábola inicial ao destacar que os mercenários ou o que não é o pastor, se evadem e deixam as ovelhas à mercê da sanha dos lobos (v. 12). O motivo pelo qual o mercenário foge é porque é mercenário, ou seja, não é comprometido com as ovelhas (v. 13 ).

Novamente Jesus destaca que é o Bom Pastor, sendo que Ele ‘conhece’ as suas ovelhas e delas é ‘conhecido’. A palavra conhecer neste verso não é o mesmo que ‘saber acerca de’, antes diz de comunhão íntima. Jesus tornou-se um só corpo com as suas ovelhas, de modo que passaram a ter comunhão íntima, porque as ovelhas são os membros do corpo de Cristo, que é a igreja (v. 14).

Do mesmo modo que o Pai conhece o Filho de modo que ambos são um, a igreja conhece o Pai e o Filho, pois em Cristo são um só corpo “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” ( Jo 17:22 ). ‘Conhecer’ é o mesmo que tornar-se um (v. 15).

Jesus foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel “E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” ( Mt 15:24 ), mas não ouviram aquele que se apresentou como descanso e refrigério ao cansado. Como não deram ouvido, o Bom Pastor lançou mão de ovelhas tiradas dentre os gentios.

As ‘ovelhas que não são deste aprisco’ é uma referencia aos gentios que, após ouvirem a mensagem do evangelho, tornaram-se coerdeiros da mesma promessa (v. 16).

Quando Jesus declarou que ‘Deus o amava’ em virtude de dispor da sua vida e que lhe foi dado autoridade para tornar a toma-la, os judeus nada compreenderam e houve dissensão entre eles por causa destas palavras (v. 19). Uns passaram a dizer que Jesus tinha demônio e estava louco, enquanto outros consideravam que tais palavras não podiam ser de um endemoninhado, pois tinha poder de dar vista aos cegos (v. 21).

Novamente outra profecia cumpriu-se neles: “O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão. Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca. Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa” ( Mq 7:4 -6).

 

O diabo não pode roubar, matar ou destruir o corpo de Cristo

Em primeiro lugar, vale destacar que é impossível ao diabo roubar o cristão, pois o cristão está escondido com Cristo em Deus, e esta é a certeza do cristão: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Rm 8:38 -39); “Mas fiel é o SENHOR, que vos confirmará, e guardará do maligno” ( 2Ts 3:3 ).

Em segundo, lugar é impossível o diabo roubar a paz, a esperança, o amor, etc., pois as ‘qualidades’ enumeradas referem-se ao ‘fruto’ do Espírito, e não do cristão, de modo que é impossível ao diabo roubar a Deus “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” ( Gl 5:22 ).

É o Espirito que produz amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança naqueles que estão ligados à Videira verdadeira ( Jo 15:5 ). Ou seja, sem Cristo é impossível ao homem produzir fruto, pois Deus diz: “…de mim é achado o teu fruto” ( Os 14:8 ).

Em terceiro lugar, quem veio matar, roubar e destruir não foi o diabo, como já demonstramos. Como o diabo roubaria aquele que está escondido com Cristo em Deus?

Em quarto lugar, mesmo que o cristão sofra algumas contingências em relação aos bens materiais ou em relação à sua existência neste mundo, não é o diabo que provoca, pois tais contingências às vezes decorrem dos desatinos dos homens entenebrecidos no entendimento, que andam segundo o curso deste mundo e estão separados de Deus pela ignorância que há neles ou, por decisões equivocadas que tomamos.

A parábola faz referência aos líderes de Israel quando fala do ladrão, portanto, é um erro aplicar a passagem de João 10, verso 10 como sendo o diabo o ladrão que consta na parábola.

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As ofertas de Abel e Caim

O fato de Deus aceitar a oferta comprova que Abel havia ganho nova vida, pois Deus é Deus de vivos e não de mortos ( Mc 12:27 ). Deus deu testemunho da justiça de Abel porque o justo vive da fé, ou seja, de toda palavra que sai da boca de Deus. A justificação de Deus é de vida, pois Ele cria o justo, e o declara justo “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ).

 


“E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta” ( Gn 4:3 -4)

Deus nada exigiu de Caim, porém, voluntariamente ele trouxe do fruto da terra uma oferta e ofereceu ao Senhor. Abel, por sua vez, também trouxe voluntariamente dos primogênitos das ovelhas que lhe pertencia uma oferta ao Senhor.

Destacamos que Deus não exigiu, nem de Caim nem de Abel, qualquer tipo de oferta. Do mesmo modo, Ele não exigiu do povo de Israel que viessem oferecer ofertas e sacrifícios em seus átrios “Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios?” ( Is 1:12 ).

De que serviria a Deus as ofertas de Caim e Abel? Ao falar por intermédio de Isaías, Deus demonstra que estava enfadado da voluntariedade dos homens em ofertar e sacrificar “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes” ( Is 1:11 ).

O salmista Davi compreendeu que Deus não exigia dos homens ofertas e sacrifícios. Se Deus se agradasse de ofertas e sacrifícios, com certeza Davi haveria de trazer voluntariamente, a exemplo de Caim e Abel, ofertas e sacrifícios ao Senhor “Não te comprazes em sacrifícios, senão eu os traria; não te deleitas em holocaustos” ( Sl 51:16 ).

Deus é enfático com relação a ofertas e sacrifícios: “Ouve, povo meu, e eu falarei; ó Israel, e eu protestarei contra ti: Sou Deus, sou o teu Deus. Não te repreenderei pelos teus sacrifícios, ou holocaustos, que estão continuamente perante mim. Da tua casa não tirarei bezerro, nem bodes dos teus currais. Porque meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas. Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo. Se eu tivesse fome, não to diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude. Comerei eu carne de touros? ou beberei sangue de bodes?” ( Sl 50:7 -13 ; Hb 10:8 ).

Embora Caim e Abel voluntariamente tenham ofertado ao Senhor, Caim foi rejeitado e Abel aceito. O que diferenciou Caim e Abel diante de Deus? A rejeição de Caim deu-se por causa do tipo de oferta que ele escolheu oferecer?

Vale salientar que tudo que o homem propuser oferecer a Deus já lhe pertence ( Sl 50:10 -11). Destacamos também que Deus aceitava ofertas voluntárias de gado, ovelhas e cereais ( Lv 1:1 e Lv 2:1 ), ou seja, não havia nenhum problema Caim ofertar do fruto da terra.

O problema da rejeição de Caim não estava na voluntariedade e nem na sua oferta. O problema estava em Caim, pois primeiro ele foi rejeitado, para depois a oferta ser rejeitada ( Gn 4:5 ).

Mas, que tipo de problema envolvia Caim? A falta de confiança em Deus! Como?

A bíblia demonstra que pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim. Ao ofertar Abel alcançou testemunho de Deus que era justo, ou seja, foi justificado por Deus. Deus justificou (alcançou testemunho) Abel, e então, ele foi aceito por Deus, e conseqüentemente também a sua oferta ( Hb 11:4 ).

De posse da certeza das coisas que se esperam, abalizado por aquilo que não se vê, Abel alcançou a justificação (testemunho) ( Hb 11:1 -2). Abel sabia da existência de Deus por intermédio de seus pais, e ao aproximar-se para ofertar, tinha plena certeza que Deus é galardoador daqueles que O buscam.

Deus é galardoador dos que O buscam, e não daqueles que ofertam ou sacrificam, quer animais ou cereais ( Hb 11:6 ).

O que ocorreu com Abel, também ocorreu com Abraão, pois a bíblia diz: “Creu Abrão no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça” ( Gn 15:6 ), e o apóstolo Paulo atesta “Não obstante, aquele que não trabalha, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé e imputada como justiça” ( Rm 4:5 ).

Deus aceitou Abel e Abraão porque os justificou, pois jamais aceita o ímpio ( Ex 23:7 ). Antes de ser justificado, Abel e Abraão eram ímpios do mesmo modo que Caim, pois foram gerados em pecado. Abraão e Abel foram justificados por Deus, o que demonstra que eles também não contrariam a afirmação bíblica de que não há um justo se quer.

Caim era ímpio, o que determinava as suas obras como más. Por ser ímpio jamais Deus o justificaria através da oferta. Por ser do maligno, jamais seria aceito por Deus.

Ao ofertar, a sua real condição diante de Deus evidenciou-se: Ele viu que não era aceito por Deus quando a sua oferta foi rejeitada! Abel foi aceito porque creu em Deus, e Caim, por sua vez, não confiou em Deus, antes confiou na oferta que ofereceu e foi rejeitado.

Os homens devem aproximar-se de Deus crendo que Ele é galardoador daqueles que O buscam, independentemente dos dons que voluntariamente propõem oferecer a Deus.

Não é a oferta de bois, bodes e ovelhas que tornam o homem agradável a Deus. Também não é a presença de sangue proveniente de animais que redime o homem “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” ( Hb 10:4 ). Se não é o sangue dos touros e bodes que tira o pecado, é certo que não foi o fato de Abel ter ofertado uma ovelha que o tornou aceito diante de Deus.

Muitos anunciam que Abel foi aceito por oferecer uma ovelha, o que deixa subentendido ter havido sangue na oferta, sendo aceito pelo tipo e modo de sacrifício. Mas, o correto é a declaração do escritor aos Hebreus, que dá conta que Abel foi aceito pela fé, pois sem fé é impossível agradar a Deus.

Abel foi aceito e depois a sua oferta porque creu em Deus. Deus concedeu a Abel uma nova vida (vida eterna) e deu testemunho de que era justo (não entrará em condenação), ou seja, Abel passou da morte para vida “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:24 ).

O fato de Deus aceitar a oferta comprova que Abel havia ganho nova vida, pois Deus é Deus de vivos e não de mortos ( Mc 12:27 ). Deus deu testemunho da justiça de Abel porque o justo vive da fé, ou seja, de toda palavra que sai da boca de Deus. A justificação de Deus é de vida, pois Ele cria o justo, e o declara justo “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 ).

Caim foi rejeitado porque não creu em Deus. Como não creu em Deus permaneceu na condição herdada de Adão: morte! Por estar sob a condenação de Adão, Caim não foi aceito por Deus, e nem a sua oferta, pois é impossível ao imundo oferecer uma oferta que suba como cheiro suave ao Senhor ( Jo 14:4 ).

Como todos se desviaram “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:3 ), tudo que tocam, produzem e oferecem é imundo “Então respondeu Ageu, dizendo: Assim é este povo, e assim é esta nação diante de mim, diz o SENHOR; e assim é toda a obra das suas mãos; e tudo o que ali oferecem imundo é” ( Ag 2:14 ).

Jamais Caim ofertaria algo que fosse aceito por Deus, pois Deus jamais aceita o imundo.

Na tentativa de agradar a Deus o homem se lança em jejuns, orações, penitências, abstinências, meditação, caridade, confissões, esmolas, etc., mas somente pela fé, a que uma vez foi dada aos santos, é possível tornar-se agradável a Deus ( Jd 1:3 ).

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Como glorificar a Deus?

Ordens diretas lançadas da tribuna tais como: Glorifiquem a Deus, adorem, louvem, etc., são inócuas. O correto é conscientizar que os cristãos que, como plantação do Senhor, Deus é glorificado, isto pelo ‘fruto’ que os ramos produz.

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O primeiro e o último Adão

O ritualismo, o formalismo e o legalismo são ferramentas utilizadas para caracterizar devoção religiosa. Criam mecanismos para medirem e serem medidos e forçam outros a seguirem o que preceituam como necessário à salvação. Estabelecem padrões de justiça e santidade a ser seguido. Procuram lições provenientes do paganismo e das filosofias humanas.


“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante” ( 1Co 15:45 )

Adão e Cristo são os dois personagens de maior importância para a interpretação bíblica.

Grande parte das parábolas de Jesus e das figuras do Novo Testamento são referências específicas aos eventos no Éden e da cruz. Muitas figuras e parábolas ilustram as conseqüências destes eventos para a humanidade.

Um exemplo é a parábola dos ‘Dois Caminhos’, que, implicitamente, faz referência as conseqüências decorrentes dos eventos que sucederam no Éden e na cruz.

Observe: Adão foi feito (criado) alma vivente e participante da vida que há em Deus, porém, após desobedecer à determinação divina passou a condição de morto para Deus. A ‘nova’ condição de Adão após a queda passou a ser de sujeição ao pecado pela natureza adquirida.

A sujeição ao pecado deixou Adão em inimizade com Deus, e por causa da condenação deixou de ser participante da vida que há em Deus, passando a viver para o mundo e suas concupiscências (morto para Deus e vivo para o mundo).

Todos os nascidos de Adão (nascidos da carne, vontade do varão e do sangue) passaram a condição de filhos da ira e da desobediência. Desta forma todos os homens passaram a estar destituídos da glória de Deus, pois todos pecaram.

Esta condição pertinente à toda humanidade é ilustrada através da parábola das duas portas e dos dois caminhos, ou seja, todos os homens ao nascerem, por serem descendentes de Adão, entram pela porta larga, e seguem pelo caminho espaçoso que conduz à perdição ( Mt 7:13 ).

Em Adão todos os homens morreram e destituídos estão da glória de Deus. Em Adão, a ‘porta larga’, todos os homens seguem o caminho de perdição. Todos os homens morreram em Adão e passaram a viver para o pecado, para o maligno e para o mundo.

Porém, através do último Adão, que por Deus constitui-se espírito vivificante, todos os que creem entram pela porta estreita, ou seja, nascem de novo. São criados por Deus em verdadeira justiça e santidade, segundo o poder concedido através do evangelho, sendo feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ).

Passam a trilhar o caminho estreito que conduz à vida. O caminho é estreito porque poucos entram por ele, ou seja, quando se fala em quantidade, muitos vem ao mundo segundo Adão, e poucos são os que creem para a salvação, segundo o último Adão, que é Cristo.

Em números absolutos, em Adão todos morreram, e em Cristo, o último Adão, todos quantos crerem também morre. Em Adão toda a humanidade morreu e passou a viver para o mundo, em Cristo, o último Adão, todos os que creem, morrem para o pecado, para o maligno e para o mundo, e são de novo criados, e passam a viver para Deus. Amém.

Outro exemplo é a figura dos “vasos”, conforme Paulo escreveu aos Romanos, veja: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” ( Rm 9:21 ). Como entender esta figura apresentada por Paulo?

Sabemos que Deus é o oleiro, e é Ele que detém o poder sobre o barro, que é o homem. Todos os homens decorrem de uma mesma massa, ou seja, todos são alma viventes conforme Adão.

Todos os homens que vêem ao mundo são criados pelo poder de Deus, porém, por serem descendentes de Adão, todos são feitos vasos para desonra. Todos os descendentes de Adão são vasos para ira, preparados para perdição. Através deles Deus demonstra a sua ira, e dá a conhecer o seu poder, suportando-os com muita paciência.

Deus chama pacientemente os vasos preparados para a ira a fim de torná-los vasos para honra, ou seja, o evangelho é o chamado de Deus a todos os homens nascidos segundo Adão. Todos os cristãos foram chamados por Deus, e neles é demonstrado o poder de Deus e as riquezas de sua graça. Todos os que são chamados e crêem são os vasos de misericórdia, e, portanto, vasos para a honra.

Observe que, tanto os nascidos em Adão e os nascidos em Cristo constituem-se vasos e são formados da mesma massa como nos afirma “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” ( 1Co 15:46 ). Todos os homens precisam ser feitos almas viventes (homem natural), para depois serem criados espirituais (homem espiritual).

Quando criados, os homens naturais passam à condição de escravos do pecado, por causa do pecado de Adão. Percebe-se então que, o grande diferencial é, os nascidos segundo Adão são vasos para a desonra, e os nascidos em Cristo são vasos para honra.

Quando o leitor não compreende a verdade sobre os eventos da cruz e do Éden, acaba por interpretar a bíblia erroneamente. Ao deparar-se com parábolas e ilustrações como as apresentadas acima terão um entendimento segundo a concepção humana, e permanecerá enfatuado, segundo uma carnal compreensão.

Muitos interpretam que a porta é larga porque as pessoas do mundo estão entregues aos prazeres, são sensuais, céticas e criminosas. Entendem que a porta é larga por não apresentar ‘dificuldades’ ou condições para entrada. Entendem que o caminho estreito está diretamente relacionado com dificuldades, proibições, restrições de ordem moral, comportamental e religiosa.

Entendem que, para trilhar o caminho estreito, ou que, para entrar pela porta estreita basta seguir preceitos religiosos, cumprir leis nacionais, ou seguir filosofias de vida.

Diante deste entrave surgem muitas religiões, igrejas e denominações. Avolumam-se os discursos sobre disciplina, sofrimento, penitências, orações, rezas, moralidade, santidade, serviço, pró-atividade. As qualidades procedentes do ego humano são louvadas insistentemente, como: coragem, determinação, empenho, disciplina, resignação, etc.

O ritualismo, o formalismo e o legalismo são ferramentas utilizadas para caracterizar devoção religiosa. Criam mecanismos para medirem e serem medidos e forçam outros a seguirem o que preceituam como necessário à salvação. Estabelecem padrões de justiça e santidade a ser seguido. Procuram lições provenientes do paganismo e das filosofias humanas.

Esquecem de observar o que Jesus disse a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino dos céus” ( Jo 3:3 ). Não observam que o ‘melhor’ da religião, da lei, da moral, do comportamento não faz o homem agradável a Deus, e, por tanto, esquecem também a recomendação de Jesus a um dos mestres do judaísmo: nascer de novo.

O mundo ainda continua apegado a elementos fracos e pobres, que não pode livrar o homem da condição de sujeição ao pecado ( Gl 4:9 -10).

O apóstolo Paulo demonstra estar consciente das conseqüências decorrente da desobediência de Adão e da obediência de Cristo ao escrever aos cristãos de Corinto ( 1Co 15:45 -50).

Ao escrever a Timóteo, Paulo alerta sobre este pretenso ‘evangelho’: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé (…) que proíbem o casamento, e ordenam a abstinência de alimentos” ( 1Tm 4:1 -3).

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Salmo 41 – O Auxiliador dos pobres

A promessa é firme: o Bem-aventurado seria livre, conservado em vida, abençoado na terra e o Pai não o deixaria à mercê dos seus inimigos (v. 2), contudo, o premio proposto só foi alcançado porque Jesus esvaziou-se, voluntariamente, da sua glória ( Fl 2:7 -8), o que O tornou sujeito ao dia do mal “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ).


SALMO  41

  1. BEM-AVENTURADO é aquele que atende ao pobre; o SENHOR o livrará no dia do mal.
  2. O SENHOR o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás à vontade de seus inimigos.
  3. O SENHOR o sustentará no leito da enfermidade; tu o restaurarás da sua cama de doença.

De posse da informação de que os salmos são profecias ( 1Cr 25:1 ), e que eles fazem referência a pessoa de Cristo ( Lc 24:44 ), constataremos se o texto do Salmo 41 também aplica-se a pessoa e vida de Cristo ( Jo 5:39 ; Sl 40:7 ).

Para interpretar este salmo é necessário identificarmos quem atende o pobre e quem é o pobre.

O salmista faz imprecações de bênçãos a alguém em específico que atende, ou seja, que socorre os pobres. Seria o salmista Davi? Não!

Quem é que atende o pobre?

Socorrer os pobres é ação exclusiva do Senhor, sendo certo que esta glória Ele não dará a ninguém “Pela opressão dos pobres, pelo gemido dos necessitados me levantarei agora, diz o SENHOR; porei a salvo aquele para quem eles assopram” ( Sl 12:5 ).

A previsão de Davi neste salmo faz referência ao seu Descendente e Senhor, que é Cristo ( Sl 22:43 ), pois de seu Filho disse pelo Espírito: “Disse o Senhor ao meu Senhor: assenta-te à minha mão direita até que eu ponha os teus inimigos por estrado de teus pés” ( Mt 22:44 ; Sl 110:1 ), o Senhor que se levantará para por a salvo os pobres.

Certo é que o Senhor que se ‘levantará’ do Salmo 12 verso 5 diz de Cristo, assim como o Bem-aventurado que atende o pobre do Salmo 41 verso 1, e aquele que se compadece do aflito e do pobre salvando a alma dos necessitados “Compadecer-se-á do pobre e do aflito, e salvará as almas dos necessitados” ( Sl 72:13 ). Cristo é o nome pelo qual Deus salva os pobres e aflitos livrando os necessitados que clamarem ( Sl 72:12 ), por isso mesmo todos os reis se prostrarão perante Ele ( Sl 72:11), e n’Ele todas as nações serão abençoadas ( Sl 72:17 ).

Ele é o bem-aventurado em quem os homens serão abençoados “O seu nome permanecerá eternamente; o seu nome se irá propagando de pais a filhos enquanto o sol durar, e os homens serão abençoados nele; todas as nações lhe chamarão bem-aventurado ( Sl 72:17 ); “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra ( Gn 12:3 ).

Quem é o pobre?

Os pobres, por sua vez, não se tratam dos descamisados do povo, dos homens desprovidos de posses, dos mendigos, dos maltrapilhos, dos sem pátria, etc., pois na Lei está claro e Jesus reiterou: nunca deixará de haver pobre na terra ( Dt 15:11 ; Mt 26:11 ).

Os termos ‘pobres’, ‘necessitados’, ‘tristes’, ‘quebrantados’, etc., são figuras bíblicas utilizadas para fazer referencia a uma condição espiritual pertinente aos homens, quer detentores de muitos bens materiais ou totalmente desprovidos deles, homens que reconhecem a sua miséria em decorrência do pecado herdado de Adão e, que em consequência, procuram se socorrer de Deus.

São termos que apresentam uma figura profética para fazer referencia aos errados de espírito que se deixam ser instruir pelo Senhor Jesus “E os errados de espírito virão a ter entendimento, e os murmuradores aprenderão doutrina” ( Is 29:24 ); “Os aflitos e necessitados buscam águas, e não há, e a sua língua se seca de sede; eu o SENHOR os ouvirei, eu, o Deus de Israel não os desampararei” ( Is 41:17 ).

É por isso que Jesus disse: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus” ( Mt 5:3 ), pois Cristo é o descanso do cansado e o refrigério daqueles que atenderem o convite: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ); “Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” ( Is 28:12 ).

‘Pobre’ e ‘abatido’ são figuras para fazer referencia a todos que obedecem (treme) a palavra de Deus “Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” ( Is 66:2 ; Is 11:4 ).

Os que confiam no Senhor faz parte dos conselhos dos pobres ( Sl 14:6 ; Lc 4:18 ; Is 29:19 ), contrastando com o conselho dos ímpios, que são os loucos, os arrogantes, os ricos ( Sl 1:1 ; Ap 3:17 ).

O salmista registra, pelo Espírito, a promessa de que Deus há de livrá-Lo no dia do mal, ou seja, um dia em que o Filho de Davi e Senhor haveria de entregar o seu espírito nas mãos do Pai (v. 1).

Mas, para que Cristo se tornasse o Bem-aventurado e aquele que socorre os pobres e aflitos, teve que primeiro se sujeitar ao dia mal, tornando se menor que os anjos por causa da paixão da morte ( Hb 2:9 ), e em tudo tornar-se semelhante aos homens para aniquilar o que tinha o império da morte ( Hb 2:14 ).

Somente após sujeitar-se ao dia mal, Cristo alcançou o sacerdócio possibilitando-O a interceder pelos seus irmãos ( Hb 2:17 ), conquistaria o poder de livrar os pobres que estavam por toda a existência sujeitos ao pecado ( Hb 2:17 ).

A promessa é firme: o Bem-aventurado seria livre, conservado em vida, abençoado na terra e o Pai não o deixaria à mercê dos seus inimigos (v. 2), contudo, o premio proposto só foi alcançado porque Jesus esvaziou-se, voluntariamente, da sua glória ( Fl 2:7 -8), o que O tornou sujeito ao dia do mal “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ).

As promessas continuam no verso 3, onde é garantido ao Bem-aventurado guarida mesmo no leito de ‘enfermidade’ e, por fim, a promessa de restauração (v. 3).

Cristo só foi restituído a sua glória porque primeiro se despiu dela e, como servo foi obediente até a morte “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” ( Fl 2:8 ; Jo 17:5 ).

Cristo é o bem-aventurado que atende ao pobre, pois:

  • Deus o livrou no dia do mal (v. 1);
  • Deus o livrou e o conservou em vida (v. 2);
  • Deus não o entregou à vontade de seus inimigos;
  • Deus o restaurou da sua cama (morte) de doença (v.3).

 

4. Dizia eu: SENHOR, tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti.

O Salmo 41 dá ênfase às agruras que o Servo do Senhor se sujeitou segundo a vontade do Pai, aspecto diferente da ênfase que o Salmo 38 apresenta, onde é apresentado o Servo perfeito: cego e mudo.

A partir do verso 4 o próprio Senhor que atende o pobre, em Espírito, toma a palavra na previsão do salmista e utiliza o pronome na primeira pessoa: “Dizia eu: Senhor, tem piedade de mim…” (v. 4).

Por que o Bem-aventurado clama por piedade? Porque só o Pai podia livrá-lo da morte “O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia” ( Hb 5:7 ).

Para compreender por que o Bem-aventurado roga ao Pai para que a sua alma seja curada, faz-se necessário considerar que Ele tomou sobre si as enfermidades e as dores da humanidade, ou seja, o que o tornou ‘enfermo’ foi o pecado dos homens, pois é certo que o Servo do Senhor não pecou “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido” ( Is 53:4 ); “O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” ( 1Pe 2:22 ; Is 53:9 ).

Cristo rogou ao Pai em decorrência das ‘enfermidades’ e ‘dores’ que tomou sobre si, pois foi em decorrência das transgressões e iniquidades que Ele foi ferido e moído ( Is 53:5 ). Pelo fato de ter levado sobre si o pecado de muitos, em suplica ao Pai disse por intermédio da pena de Davi: “SENHOR, tem piedade de mim; sara a minha alma, porque pequei contra ti” (v. 4), isto porque, foi constituído por Deus sacerdote e teve que ser participante da mesma natureza dos homens para ser Mediador, sendo que na intercessão inclui-se entre os que precisam de salvação “E possa compadecer-se ternamente dos ignorantes e errados; pois também ele mesmo está rodeado de fraqueza” ( Hb 5:2 ).

O Senhor Jesus esteve no ‘leito da enfermidade’ (v. 3), porque foi do agrado do Pai moê-lo quando tomou sobre si o pecado de muitos ( Is 53:12 ), porque foi posto por expiação do pecado ( Is 53:10 ) e Deus fez cair sobre Ele a iniquidade de todos “… porque as iniquidades deles levará sobre si” ( Is 53:11 ; Is 53:6 ; Lv 16:21 ).

Ao verso 4 aplica-se a mesma abordagem do salmos 38 e 40, pois se faz necessário considerar que Cristo é o Servo do Senhor cego e mudo. Que o bode da expiação e o bode emissário são figuras representativas da sua pessoa e obra redentora e, que, portanto, quando da leitura dos salmos onde se tem um verso semelhante a este: “Porque eu declararei a minha iniquidade; afligir-me-ei por causa do meu pecado” ( Sl 38:18 ), basta verificar se há alguma alusão à cegueira ou surdez, como se lê: “Mas eu, como surdo, não ouvia, e era como mudo, que não abre a boca (…) e em cuja boca não há reprovação” ( Sl 38:13 -14), para poder concluir que o salmo aplica-se ao Messias, pois se na boca não há reprovação, segue-se que o coração é humilde e manso, pois a boca fala do que há no coração ( Mt 12:34 ).

 

5 Os meus inimigos falam mal de mim, dizendo: Quando morrerá ele, e perecerá o seu nome?

6 E, se algum deles vem ver-me, fala coisas vãs; no seu coração amontoa a maldade; saindo para fora, é disso que fala.

7 Todos os que me odeiam murmuram à uma contra mim; contra mim imaginam o mal,dizendo:

8 Uma doença má se lhe tem apegado; e agora que está deitado, não se levantará mais.

O verso 5 apresenta o anseio dos inimigos do Messias: a sua morte ( Jo 8:37 ), e o verso 6 aponta a análise que Ele faria da exposição doutrinária dos seus inimigos: coisas vãs (v. 6), pois da abundância que havia em seus corações enganosos, mentirosos, disso falava a boca ( Mt 12:34 ).

O salmista prevê que os opositores de Cristo o odiariam e murmurariam constantemente e, que sempre presumiriam o mal contra Ele “E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará” ( At 5:38 ); “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos” ( Mt 27:42 ); “Dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: Depois de três dias ressuscitarei” ( Mt 27:63 ; Mt 27:1 ).

 

9 Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar.

O apóstolo João registrou quando o próprio Mestre interpreta este salmo e aplica este verso a Sua pessoa e a de Judas Iscariotes “Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar” ( Jo 13:18 -27 ; Jo 6:71 ).

 

10 Porém tu, SENHOR, tem piedade de mim, e levanta-me, para que eu lhes dê o pago.

11 Por isto conheço eu que tu me favoreces: que o meu inimigo não triunfa de mim.

12 Quanto a mim, tu me sustentas na minha sinceridade, e me puseste diante da tua face para sempre.

13 Bendito seja o SENHOR Deus de Israel de século em século. Amém e Amém.

Diante do quadro funesto, visto que o seu ‘amigo’ íntimo aliou-se aos seus inimigos, o Servo obediente enfatiza a sua confiança na piedade de Deus que o ‘erguerá’ do leito de enfermidade (morte), dando lhe a oportunidade de retribuir aos seus inimigos segundo as suas obras (v. 10 ; Sl 62:12 ).

Os seus inimigos pensavam na sua morte como a queda de um homem, no entanto, o triunfo do Messias estava além-túmulo, pois ao entregar-se na morte concluiu sua obra “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si ( Is 53:11 ), e quando ressurgiu conquistou poder acima de todos os principados e potestades “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” ( Cl 2:15 ).

Através da ação de Deus, que o favorece, o Messias tem certeza plena de que o seu inimigo, o inimigo da humanidade, não triunfará (v. 11).

O Bem-aventurado reconhece o amor do Pai por retribuir-lhe segundo a sua retidão: a presença do Pai é segurança eterna “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( v. 12 ; Sl 17:15 ).

O salmo termina com o salmista bendizendo ao Senhor Deus de Israel (v. 13).

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