O justo viverá da fé

O justo viverá da ‘fé’ ou viverá de toda palavra que sai da boca de Deus? Ora, Cristo é a fé que havia de se manifestar ( Gl 3:24 ), o verbo encarnado, portanto, o justo viverá por Cristo ( Rm 10:8 ). Todos que ressurgiram com Cristo é porque vivem da fé, e o profeta Habacuque dá testemunho de que os que vivem pela fé são justos.


“Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 )

 

É contundente a exposição do apóstolo Paulo quando afirma, contrariando o que expunha a lei, que “Deus justifica o ímpio” ( Rm 4:5 ). Baseado em quê Deus justifica o ímpios? Como é que Deus sendo justo pode declarar justo o injusto? Como fazê-lo sem comprometer a sua própria justiça?

A resposta é simples: Deus justifica gratuitamente os pecadores por sua maravilhosa graça! Apesar de a resposta ser simples, a pergunta persiste: como Ele faz isso? A resposta também é simples: pela fé “… para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” ( Gl 3:24 ).

Além de Deus justificar o ímpio, certo é que o homem é justificado pela fé “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus” ( Rm 5:1 -2).

Deus justifica por causa da confiança que o homem deposita n’Ele? Seria a crença do homem o ente justificador?

A resposta encontra-se em Romanos 1, versos 16 e 17: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” ( Rm 1:16 -17).

Embora no Antigo Testamento, repetidas vezes Deus diz aos juízes israelitas que eles deveriam justificar os íntegros e condenar os ímpios, e declara acerca de si mesmo: “… não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ), o apóstolo Paulo se socorre de Habacuque que diz: ‘O justo viverá da fé’, para demonstrar que Deus justifica o ímpio!

Através da observação que o apóstolo Paulo faz de Habacuque, fica evidente que a fé não refere-se à confiança do homem, antes diz de Cristo, a fé que havia de se manifestar “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” ( Gl 3:23 ).

Qual a fé que haveria de se manifestar? O evangelho de Cristo, que é o poder de Deus, é a fé manifesta aos homens. O evangelho é a fé pela qual os cristãos devem batalhar ( Jd1:3 ). A mensagem do evangelho é a pregação da fé ( Gl 3:2 e 5). O evangelho é fé, por meio do qual a graça foi revelada “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus ( Ef 2:8 ). O evangelho não procedeu de homem algum, antes é dom de Deus “Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” ( Jo 4:10 ).

Cristo é o dom de Deus, o tema da pregação da fé, por quem o homem tem entrada a esta graça. Por isso, quando a bíblia diz que sem fé é impossível agradar a Deus, tem-se que, a fé que agrada a Deus é Cristo, a fé havia de ser revelada, e não, como muitos pensam, que é a confiança do homem ( Hb 11:6 ).

O escritor aos hebreus, no verso 26 do capítulo 10 demonstra que não há sacrifício após o recebimento do conhecimento da verdade (evangelho) e, que, portanto, os cristãos não podiam rejeitar a confiança que possuíam, que é produto da fé (evangelho) ( Hb 10:35 ), visto que, após fazerem a vontade de Deus (que é crer em Cristo), deviam ter paciência para alcançar a promessa ( Hb 10:36 ; 1Jo 3:24 ).

Após citar Habacuque, o escritor aos Hebreus passa a falar daqueles que viveram pela fé ( Hb 10:38 ), ou seja, homens como Abraão que foram justificados pela fé que havia de se manifestar Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ).

Abraão foi justificado porque creu que Deus haveria de prover-lhe o Descendente, algo impossível aos seus olhos, assim como o é aos olhos dos homens o fato de Deus justificar o ímpio “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo” ( Gl 3:16 ).

Cristo é o firme fundamento das coisas que se esperam e prova das coisa que se não veem, sendo que por Ele os antigos alcançaram bom testemunho “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho” ( Hb 11:1 -2), pois o justo vive e recebe testemunho de que agradara a Deus por intermédio de Cristo ( Tt 3:7 ).

A palavra que Abraão ouviu é o que produziu a crença do patriarca, pois “Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos…” ( Rm 10:8 ), visto que “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” ( Rm 10:17 ). Sem ouvir a palavra que procede de Deus jamais haveria confiança do homem para com Deus.

O ente justificador é a palavra de Cristo, pois nela está contido o poder que torna possível Deus justificar o ímpio “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” ( Rm 10:9 -10).

Quando o homem ouve o evangelho e crê, recebe poder para salvação ( Rm 1:16 ; Jo 1:12 ), e descobre a justificação, pois passa da morte para a vida por que creu na fé ( Rm 1:17 ), É pelo evangelho que o homem torna-se filho de Deus “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” ( Gl 3:26 ; Jo 1:12 ).

Por que o apóstolo Paulo teve coragem de afirmar que Deus faz aquilo que Ele mesmo proibiu aos juízes de Israel fazerem? Porque eles não dispunham do poder necessário! Para fazer um injusto justo é necessário poder idêntico aquele que Jesus demonstrou ao curar um paralítico após perdoar-lhe os pecados “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:24 ).

A fé que justifica é poder de Deus “… para que pela fé fôssemos justificados” ( Gl 3:24 ), pois quando o homem crê é batizado na morte de Cristo ( Gl 3:27 ), ou seja, toma a sua própria cruz, morre e é sepultado “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” ( Rm 6:3 ). Ora, aquele que está morto, justificado está do pecado! ( Rm 6:7 )

Mas, todos que creem e morrem com Cristo, também confessam a Cristo conforme o que ouviu e e aprendeu “Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” ( Rm 10:9 -10).

Ora, aquele que confessa a Cristo é porque, além de ter sido batizado em Cristo, já se revestiu de Cristo. A confissão é o fruto dos lábios que só produz quem está ligado a Oliveira verdadeira “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo” ( Gl 3:27 ); “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ); “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer (…) Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” ( Jo 15:6 e 8).

O testemunho que Deus dá de que o homem é justo só recai sobre aqueles que, após serem sepultados, se revestem de Cristo, ou seja, somente os que já ressurgiram com Cristo são declarados justos diante de Deus. Somente aqueles que são gerados de novo, ou seja, que vivem por intermédio da fé (evangelho) são justos diante de Deus “O justo viverá da fé” ( Hc 2:4 ).

O justo viverá da fé, ou seja, a fé que havia de se manifestar e, que agora pregamos ( Rm 10:8 ). Todos que ressurgiram com Cristo é porque vivem da fé, e o profeta Habacuque dá testemunho de que os que vivem pela fé são justos.

Portanto, qualquer que não confia em suas próprias ações, antes descansa em Deus que justifica, a sua crença lhe é imputada como justiça “Mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça” ( Rm 4:5 ); “E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça” ( Gn 15:6 ), porque ao crer o homem se conforma com Cristo na sua morte e ressurge pelo poder de Deus, sendo que o novo homem é criado e declarado justo por Deus.

A palavra do Senhor é a fé manifesta, e todos que nele creem não serão confundidos “Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; E todo aquele que crer nela não será confundido” ( Rm 9:33 ), ou seja, no evangelho, que é poder de Deus se descobre a justiça de Deus, que é de fé (evangelho) em fé (crer) ( Rm 1:16 -17).

O justo viverá de Cristo, pois de toda a palavra que sai da boca de Deus viverá o homem, ou seja, sem Cristo, que é o pão vivo que desceu dos céus, o homem não tem vida em si mesmo ( Jo 3:36 ; Jo 5:24 ; Mt 4:4 ; Hb 2:4 ).

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Cristo e a sua Igreja

Há só uma fé, a fé que foi entregue aos santos (Jd 1:3; Fl 1:27). Através dessa fé, que é dom de Deus, há um só batismo: o batismo na morte de Cristo (Rm 6:4; Cl 2:12). A Igreja de Cristo subsiste perfeita em unidade com Cristo e com o Pai (Jo 17:21-23) e cada membro, em particular, é constituído ministro do espírito (2 Co 3:6).


A Igreja é o corpo de Cristo. Ela veio à existência quando Cristo ressurgiu dentre os mortos. Todos os homens, quantos creem em Cristo, morrem com Ele e ressurgem novas criaturas, membros da sua carne e dos seus ossos (Ef 5:30). A Igreja é constituída de homens de todos os povos, línguas e nações que creem, conforme as Escrituras, que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus bendito.

Os membros do corpo de Cristo tem a missão de anunciar ao mundo as virtudes de Deus, ensinando a todos os povos que Cristo é o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Mt 28:20). A Igreja de Cristo é vitoriosa, pois os poderes do inferno não prevalecem contra ela.

Da mesma forma que o marido é a cabeça da mulher, Cristo é a cabeça da Igreja, ou seja, exerce autoridade sobre ela. É Cristo quem salva o seu corpo e o sustem. É por isso que o apóstolo Paulo utiliza a relação do marido com a esposa para ilustrar a relação de Cristo com o seu corpo (Ef 5:23 e 29).

Cristo amou a Igreja, por isso se entregou por ela, para santificá-la e, pela palavra a purificou, possibilitando que ela se apresente a Ele gloriosa, sem mácula, nem ruga. A Igreja é santa e irrepreensível por Aquele que se entregou por ela (Ef 5:25-27).

A importância da Igreja é inegável, pois, por meio dela, Cristo alçou a mais alta posição na criação: a primogenitura entre muitos irmãos e abaixo dos seus pés, ou seja, abaixo da Igreja, está todo principado, autoridade, poder, domínio, não só deste século, mas, também, do vindouro (Ef 1:22).

Porém, apesar de a Igreja ser edificada com pedras vivas, tal qual Cristo é (1 Pd 2:4 -5), há quem veja problemas na composição humana da Igreja. Pela má leitura de algumas parábolas e passagens bíblicas, julgam que a Igreja é composta de trigo e de joio, de virgens prudentes e de virgens loucas, de crentes carnais e de crentes espirituais, etc.

Tal entendimento equivocado se dá, por confundirem o ajuntamento solene de cristãos, onde é possível ao homem ímpio comparecer (Jd 1:12), com a verdadeira Igreja de Cristo, que não comporta aqueles que não estão em comunhão com o Pai e o Filho.

É um erro pensar a Igreja de Cristo do ponto de vista histórico, porque, analisar a Igreja de Cristo, através de subsídios gerados a partir de fatos gerados no tempo, trará a ideia de que a Igreja de Cristo carece de reforma e de avivamento ou, que a Igreja de Cristo, ao longo de dois mil, passou por bons e maus momentos.

O que precisou de reforma, ao longo das eras, foram instituições humanas que os homens nomearam por igreja. A ideia de avivamento surgiu atrelada a algumas denominações cristãs, o que não passam de especulações e de apelos, atrelados às instituições humanas.

A Igreja de Cristo, jamais precisou de reforma ou, de ser corrigida. Na Igreja, jamais existiram desvios ou, carência de avivamento. A Igreja de Cristo está fundamentada sobre Cristo, a pedra angular (Ef 2:20). É Deus quem edifica a Sua Igreja (Cl 2:19), por meio de Cristo, para a morada de Deus em Espírito (Ef 2:22).

A Igreja tem por base a Cristo, o fundamento dos apóstolos e dos profetas. Apesar de haver muitos membros no corpo de Cristo, contudo há um só corpo, ou seja, uma só Igreja (1 Co 10:17). De igual modo, há muitos membros, porém um só espírito, ou seja, uma só mensagem que foi anunciada por Cristo (Ef 4:4).

Há só uma fé, a fé que foi entregue aos santos (Jd 1:3; Fl 1:27). Através dessa fé, que é dom de Deus, há um só batismo: o batismo na morte de Cristo (Rm 6:4; Cl 2:12). A Igreja de Cristo subsiste perfeita em unidade com Cristo e com o Pai (Jo 17:21-23) e cada membro, em particular, é constituído ministro do espírito (2 Co 3:6).

Cristo é a verdade de Deus revelada ao mundo e nenhuma instituição humana foi comissionada como guardiã desta verdade. A verdade de Deus foi confiada a homens fiéis que, após crerem em Cristo e nascerem de novo, anunciam a verdade do Evangelho (Cristo), que é universal e permanece para sempre.

“E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para, também, ensinarem os outros” (2 Tm 2:2).

A Igreja de Cristo se sustem sob a pessoa de Cristo, e através da confissão: Jesus é o Cristo, assim como o apóstolo Pedro admitiu, o crente passa a compor a Igreja:

“E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16).

Basta crer em Cristo que o homem torna-se membro do seu corpo, ou seja, torna-se Igreja, portanto, não é necessário crer em uma instituição, como guardiã da verdade, como encontramos no Credo Niceno ou, na Confissão de Augsburgo ou, na Confissão Helvética, etc.

O crente em Cristo não pode se socorrer de instituições humanas ou de qualquer seguimento religioso, como se tais instituições tivessem autoridade apostólica.

Somente os apóstolos de Cristo possuíram tal autoridade e eles mesmos reputavam como mais firme as palavras dos profetas e recomendaram aos cristãos atentarem para o que está registrado nas Escrituras (Pd 1:19).

Os apóstolos, quando instruíam os cristãos, se apresentavam como ministros de Cristo e membros da Igreja, demonstrando que, em Cristo, ninguém é superior ou inferior pela função que desempenha no corpo, antes, todos são igualmente servos de Cristo.

“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o SENHOR; e nós mesmos somos vossos servos, por amor de Jesus” (2 Co 4:5).

A razão de ser da Igreja é a preeminência de Cristo, o primogênito entre muitos irmãos (Rm 8:29), e, por isso mesmo, a Igreja é uma assembleia de iguais (ecclesia), pois, em Cristo, não há macho nem fêmea, servo ou livre, judeu ou grego, antes, todos são um, em Cristo Jesus (Gl 3:28).

A glória de Cristo foi dada aos homens que creram (Jo 17:22) e não a uma instituição. Jesus Cristo estabeleceu a Sua Igreja e não uma instituição humana. A Igreja de Cristo é o templo que Deus prometeu a Davi (2 Sm 7:13-14) e não uma instituição humana.

O primeiro ajuntamento solene de cristãos se deu em Jerusalém e de lá o evangelho se propagou pelo mundo. Quando o evangelho passou a ser anunciado a todas as gentes, os apóstolos não estavam preocupados em estabelecer uma organização humana e nem consideraram estabelecer um centro administrativo da Igreja.

Se a Igreja de Cristo não se vincula a um lugar, antes, é formada por verdadeiros adoradores, que adoram o Pai em espírito e em verdade, como poderia ter um centro administrativo? Se adorar a Deus se dá em espírito e em verdade, questões como lugar e hora foram abolidas, portanto, não se sustenta a ideia de uma santa sé ou um centro administrativo eclesiástico, sob a anuência de Deus!

Inicialmente, os membros do corpo de Cristo se reuniam em Jerusalém, mas, com a perseguição e a dispersão, surgiram novos núcleos de reunião, no entanto, à época, não havia instituições ditas cristãs. Cada ajuntamento solene de cristãos ao redor do mundo estava vinculado somente pela doutrina que professavam, não por estarem sujeitos a uma liderança humana ou, a um centro administrativo eclesiástico.

Após a morte dos apóstolos, inúmeras instituições humanas surgiram, sob o pseudônimo ‘igreja’. Cada instituição que surgiu e se estabeleceu, acabou avocando para si, na figura do seu líder, autoridade de representantes de Deus na terra.

Em nossos dias, é incalculável o número de ajuntamento de pessoas que se dizem cristãs e a gama de instituições criadas para acolher seguidores de diferentes correntes doutrinárias. Muitas dessas instituições tornaram-se agremiações que mais promovem reuniões de caráter recreativo, cultural, artístico, político, social, etc., do que o evangelho de Cristo.

Em nossos dias, as instituições humanas são tantas que, quando alguém diz ser cristão, não se questiona se tal pessoa é seguidora de Cristo, tal qual estabelecido nas Escrituras, mas, a qual denominação, instituição, agremiação, comunidade, etc., que o tal pertence.

Somente quem conhece as Escrituras não se deixa levar pelos equívocos que uma instituição promove, pois, a instituição humana acaba suplantando a condição do individuo como Igreja, no afã de se estabelecer e crescer como organização.

As instituições humanas facilitam o congraçamento entre os cristãos, porém, quando há um ajuntamento solene, o cristão deve verificar se a mensagem anunciada naquele local é conforme o anunciado pelos apóstolos e profetas. A verdade do evangelho, em um ajuntamento solene, tem de falar mais alto que os interesses da instituição.

 

Corretor ortográfico: Pr. Carlos Gasparotto

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Deus olha para você através de Cristo?

Deus é santo! Esta verdade é apresentada em várias passagens bíblicas. Deus é santo e imutável, ou seja, quer os homens acreditem ou não, Deus é santo. Quer bendigam a santidade de Deus ou não, Ele permanecerá Santo pela eternidade.


Para enaltecer a santidade de Deus muitos pregadores ensinam que, para não ver o pecado, Deus olha para o crente através de Cristo. Argumentam que, apesar de crer em Cristo, o crente ainda é pecador.

Escritores renomados corroboram este pensamento e, dentre eles, destaco esta frase:

“Não entenda isto mal. O significado, não é que haja algo que cobre os nossos pecados ao ponto que Deus não os vê. Não é o caso de que eles realmente estão lá mas Deus não os vê porque eles estão encobertos. Coberto nem mesmo significa que os pecados de alguém estão escondidos sob Cristo, como se costuma dizer. O facto é que Deus olha através de Cristo” Fonte: Righteous by Faith Alone, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, capítulo 21 (grifo nosso). Consulta realizada em 04/01/2012.

Analisando a asserção: “O facto é que Deus olha através de Cristo” à luz das Sagradas Escrituras, verifica-se que Hoeksema procurou evidenciar o mérito da obra de Cristo, contrastando-a com o demérito da condição do homem diante de Deus.

A premissa construída para evidenciar a santidade de Deus, afirmando que Deus é tão santo que, para olhar para o crente, precisa olhar através de Cristo para não ver pecado, carece de ser considerada à luz das Escrituras.

É bíblico este posicionamento? Quando olha através de Cristo Deus não vê pecado no crente porque eles estão encobertos?

Para responder esta pergunta, utilizaremos como ponto de partida uma pergunta do apóstolo Paulo aos cristãos de Corintos: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ).

A verdade de que os cristãos são templos de Deus era tão evidente para o apóstolo dos gentios que a pergunta aos Corintos é uma reprimenda!

Está é uma verdade que permeia todo o Novo Testamento:

  • “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” ( 1Pd 2:5 );
  • “Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” ( Hb 3:6 );
  • “E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” ( 2Co 6:16 );
  • “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” ( 1Co 3:17 );
  • “No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” ( Ef 2:22 ).

Verdade que deriva das promessas feitas no Antigo Testamento:

  • “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 );
  • “Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo” ( Sl 51:11 );
  • “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 36:27 ).

Se para olhar para aquele que creu no evangelho é necessário Deus olhar através de Cristo, o que é necessário para que Deus venha habitar o crente? O que é mais profundo: ‘olhar’ ou ‘habitar’ o crente?

Em que a santidade de Deus não é maculada se Ele olhar através de Cristo para contemplar o crente, se na verdade, em primeira instância Ele habita o crente? “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada ( Jo 14:23 ).

Como conciliar o argumento de que, para não contemplar o pecado no crente Deus necessita olhar através de Cristo, se não há nenhum obstes na bíblia com relação ao crente ser templo, morada de Deus.

Se aceitarmos a tese de Hoeksema que Deus olha para o crente através de Cristo apesar de haver pecado no crente, Cristo torna-se uma espécie de lente, prisma, etc., que possibilita Deus, que é santo, olhar para o crente; a lente cria uma ilusão de ótica de modo que Deus passa a contemplar o crente sem ver o pecado e, ao mesmo tempo Deus se guia pelo que passou a enxergar através de Cristo e ignora o fato de haver pecado no crente; no entanto, apesar do pecado, Deus habita o crente. Seria isto possível?

Existe também o testemunho de Deus de que Ele não habita em templo feito por mãos humanas ( At 17:24 ), e por isso mesmo, Se propôs construir o seu templo para habitá-lo através do seu próprio braço (Cristo) ( Ef 2:22 ; 1Pe 2:5 ; Hb 3:4 -6 ), no entanto, Hoeksema afirma que Deus vê pecado no templo que Ele mesmo está construindo e, que só é possível olhar o seu próprio templo através de Cristo?

“No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” ( Ef 2:22 )

O crente é templo de Deus, ou não é? Há pecado no crente, ou não há? O templo de Deus é santo, ou não é?

Deus exige do homem que o seu falar seja segundo a verdade, pois o que passa da verdade é de procedência maligna “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” ( Mt 5:37 ).

Deus pode deixar de ver o pecado onde há pecado coberto? Haveria alguma coisa encoberta aos olhos de Deus? “E …antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”  (Hebreus 4 : 13)

O apóstolo Paulo demonstra que efetivamente o templo de Deus, que são os cristãos, é santo: “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” ( 1Co 3:17 ). Ora, o templo de Deus é santo, portanto não pode haver no templo, que pertence e está sendo construído por Deus, pecado. Por fim, o templo de Deus que é santo diz dos crentes: ‘o templo de Deus, que sós vós, é santo’!

Neste mesmo sentido alertou o apóstolo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” ( 1Co 6:19 ).

Não podemos esquecer que, cada cristão individualmente é membro uns dos outros, porém, apesar de haver muitos cristãos, todos são um só corpo em Cristo “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” ( Rm 12:5 ).

Considerando que Cristo é santo e é a cabeça do seu corpo, segue-se que o corpo de Cristo, que é a igreja, por sua vez, também é santo. É inconcebível um corpo ter condição diversa da condição da cabeça, ou seja, a cabeça ser santa e o corpo imundo, pois deste modo não haveria unidade “E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade” ( Cl 2:10 ); “Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” ( Ef 5:27 ).

Cristo é a pedra angular preciosa que Deus estabeleceu como fundamento da igreja, e o templo é edificado por Deus com pedras vivas, ou seja, os cristãos Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” ( 1Pd 2:5 ); “Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus” ( Hb 3:4 ).

Mas, alguém pode protestar dizendo: nesta passagem o apóstolo Paulo está falando do corpo místico, e não de cada crente em particular. Ora, só há o corpo místico se considerarmos que cada cristão em particular é um só pão em Cristo. O templo santo só é erguido porque há um fundamento posto, que é Cristo, a pedra eleita e preciosa, e igualmente cada cristão é uma pedra viva “Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” ( Ef 4:16 ); “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:17 )

Antes de ser crucificado, Cristo rogou por sua igreja dizendo: “E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós ( Jo 17:11 ); Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” ( Jo 17:21 ); “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um ( Jo 17:22 ).

Há unidade entre Cristo, o Pai e a igreja, e esta unidade não é somente de ‘olhar através de Cristo’, antes é unidade derivada de comunhão íntima em virtude de Cristo ter concedido aos que creem n’Ele a mesma glória que Deus deu a Cristo. Jesus concedeu a mesma glória que foi dada pelo Pai aos que creram para que os cristãos sejam um, como o Pai e o Filho são um. A unidade do Pai, o Filho e os cristãos diz de comunhão intima: “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos ( Ef 5:30 ); “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular” ( 1Co 12:27 ).

Não há nenhuma comunhão entre a Luz e as trevas, pois Jesus disse: “Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” ( 1Jo 1:5 ). Deus é luz e qualquer que está em Cristo, está em Deus e Deus está nele “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus ( 1Jo 4:15 ).

Confessar, admitir que Jesus é o Filho de Deus segundo as Escrituras, significa ter comunhão, adentrar na Luz que não tem trevas nenhuma, e que a Luz que não tem trevas entrou nele. Ora, se aquele que crê em Cristo está em Deus, segue-se que não há trevas nenhuma nele, pois se houvesse, seria impedido de estar em Deus, pois não há comunhão entre a Luz e as trevas.

A promessa de Deus é perfeita: qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está aperfeiçoado verdadeiramente nele. Qual é a palavra a ser guardada, obedecida? A palavra, o mandamento a ser obedecido é: crer em Cristo como o Filho do Deus vivo, assim como diversas pessoas confessaram nas Escrituras “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento. E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado” ( 1Jo 3:23 -24; Jo 6:69 ; Jo 11:27 ; Mt 16:16 ).

Qualquer que creu em Cristo obedeceu ao mandamento de Deus e passou a estar em Deus: “Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele ( 1Jo 2:5 ); “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito” ( 1Jo 4:13 ).

Ao crer, o homem passa a pertencer a Deus “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” ( 1Co 6:20 ); “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” ( 1Co 1:30 ).

Aquele que está em Cristo é uma nova criatura “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 ). Ora, se o crente está em Cristo é nova criatura, de modo que Cristo também está no crente “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” ( 2Co 13:5 ).

Sendo o crente uma nova criatura, está em Cristo, e se está em Cristo, consequentemente, está em Deus “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” ( 1Jo 5:20 ).

Para estar em Deus através de Cristo, foi necessário Deus fazer tudo novo, de modo que, sem Cristo o homem é trevas, mas ao crer, o cristão torna-se luz no Senhor “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 ); “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” ( 1Ts 5:5 ); “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte” ( Mt 5:14 ).

Deus não só tirou aqueles que creram da potestade das trevas e os transportou para o reino de Cristo, Ele também os fez luz “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” ( Cl 1:13 ).

Ao crer o cristão recebeu poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ), portanto, é filho da luz. E se é filho da luz, agora é luz. Deus é a verdade, e se o crente esta em Cristo, que é a verdade, é verdadeiramente livre, pois tem comunhão com a verdade! Conheceu a verdade! “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:31 -32); “Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai” ( 1Jo 2:24 ).

Permanecer na palavra de Cristo é fazer a vontade de Deus, e aquele que crê na palavra do Evangelho permanece para sempre “E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” ( 1Jo 2:17 ); “Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” ( 1Pd 1:25 ); “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ); “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ).

O apóstolo João demonstra que os que creem em Cristo conhecem a Deus e Deus está nele “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor” ( 1Jo 4:12 ). Por ter dado da sua palavra (espírito) aos que creem é possível saber que todos quantos creem estão em Deus e Deus neles “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito” ( 1Jo 4:13 ).

Cristo é o amor de Deus demonstrado ao mundo, e quem está no amor de Deus está em Deus e Deus nele “E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus. E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele ( 1Jo 4:14- 16).

E o mais importante: Qual Cristo é, o cristão o é igualmente neste mundo “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo ( 1Jo 4:17 ). Assim como os filhos de Adão são como o primeiro homem, de igual modo, os filhos de Deus são tal qual o último Adão: homens espirituais “Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais ( 1Co 15:48 ).

  • Jesus é o Filho de Deus, os que creem são filhos de Deus ( 1Jo 3:1- 2; Gl 3:26 );
  • Jesus é luz, os que creem são luz no Senhor ( Ef 5:8 );
  • Jesus é pedra viva, os cristãos são pedras vivas ( 1Pd 2:5 );
  • Jesus é o fundamento dos apóstolos e dos profetas, os cristãos são edificados casa espiritual sobre o fundamento de Deus que é firme ( Ef 2:20 -22);
  • Jesus é o pão que dá vida ao mundo, os cristãos são pão ( 1Co 10:17 );
  • Jesus é o sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, os que creem exercem sacerdócio real ( 1Pd 2:9 );
  • Jesus assentou-se a destra do Pai nas alturas, os cristãos estão assentados nas regiões celestiais ( Ef 13 e 2:6 ).

Os cristãos foram gerados de novo através da ressurreição de Jesus ( 1Pd 1:3 ; Cl 2:12 -13 ; Cl 3:1 ). Foram gerados de uma semente incorruptível ( 1Pd 1:23 ), e são participantes da natureza divina ( 2Pd 1:4 ; Cl 2:10 ).

Ora, após tudo o que Deus realizou naqueles que creem, sendo certo que Cristo foi manifesto como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo ( Jo 1:29 ), como é possível haver pecado no crente, se o crente está em Cristo? Como é possível haver pecado no crente se o crente é nova criatura? Se em Cristo não há pecado, como um pecador pode estar em Cristo? “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado ( 1Jo 3:5).

Em Cristo não há pecado, assim como em Deus não há trevas nenhumas, portanto, qualquer que está em Cristo é luz e não tem pecado algum. Deste modo, Deus conhece o crente ( Gl 4:9 ), pois habita no crente. O termo ‘conhecer’ não é saber acerca de, ou ver através de Cristo, antes significa comunhão intima, um só corpo.

 

‘Santo’ versus ‘imundo’

“E que comunhão tem a luz com as trevas?” ( 2Co 6:14 )

Deus é santo! Esta verdade é apresentada em várias passagens bíblicas. Deus é santo e imutável, ou seja, quer os homens acreditem ou não, Deus é santo. Quer bendigam a santidade de Deus ou não, Ele permanecerá Santo pela eternidade.

As Escrituras também demonstram que o Santo não tem comunhão com o imundo. – “Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” ( 1Jo 1:5 ), está foi uma asserção que o evangelista João ouviu de Jesus e anunciou aos cristãos. Não há comunhão entre a Luz e as trevas, portanto, na luz não pode haver sequer uma mínima sombra!

O que faz separação entre o Santo e o imundo, entre a Luz e as trevas?

Deus disse ao povo de Israel: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” ( Is 59:2 ). O pecado é o que faz divisão entre os homens e Deus, de modo que toda a humanidade estava alienada de Deus, pois todos pecaram “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ).

Apesar de o povo de Israel pensar que havia alguma diferença entre gentios e judeus, que os judeus eram salvos por serem descendentes da carne de Abraão e o gentios não, o protesto do profeta Isaias foi direcionado aos judeus: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” ( Is 59:2 ).

Em virtude da acusação das Escrituras que pesava contra os judeus é que o apóstolo Paulo argumenta: ‘porque não há diferença’ ( Rm 3:22 ), pois tudo o que a lei diz, diz aos que receberam a lei e estavam debaixo da lei, ou seja, aos judeus. Deste modo, todo o mundo é condenável diante de Deus: judeus e gentios “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” ( Rm 3:19 -20).

Tudo o que o apóstolo Paulo escreveu contra os judeus foi segundo as Escrituras, conforme se lê: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” ( Rm 3:10 -18).

Mas, tanto judeus quanto gentios se tornaram imundos? Quando foi que isto ocorreu? Ora, toda a humanidade tornou-se imunda e alienada de Deus em um único evento: a ofensa de Adão no Éden. Quando Adão pecou, todos pecaram. Quando Adão recebeu a pena, todos foram apenados com a morte, ou seja, com a alienação de Deus “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” ( Rm 5:12 ).

Certa feita os discípulos perguntaram a Jesus: – ‘Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?’ ( Jo 9:2 ). Jesus respondeu: – “Nem ele pecou nem seus pais” ( Jo 9:3 ). Ora, com relação a cegueira, o cego nasceu cego para que as obras de Deus fossem manifestas, porém, a pergunta persiste: Quem pecou? Pois todos pecaram ( Rm 3:23 )!

Ora, há um só que pecou: Adão “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores…” ( Rm 5:19 ). Por causa da ofensa de Adão, todos se extraviaram. A ofensa de Adão trouxe maldição, morte, trevas, alienação, para todos os homens, mesmo que os homens não tenha transgredido a semelhança da transgressão de Adão “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão…” ( Rm 5:14 ).

O que o apóstolo Paulo disse com o verso acima? Que mesmo a humanidade não tendo comido do fruto do conhecimento do bem e do mal como Adão e Eva comeram lá no Éden, a morte passou a todos os seus descendentes: a humanidade, portanto, todos pecaram “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ); “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22).

Isto significa que o homem é concebido e gerado em pecado, ou seja, que desde a ofensa do homem no Éden, a humanidade separou-se de Deus ( Sl 51:5 e Sl 58:3 ). Ora, o homem é pecador em função da sua geração. A geração do homem segundo Adão é má, e todos os seus descendentes são maus. Não importa se saiba dar boas dádivas aos seus semelhantes, todos os homens nascidos segundo a semente de Adão são maus, são trevas, vasos de desonra, plantas que o pai não plantou, alienados de Deus, mortos em delitos e pecados, etc.

Agora podemos responder a pergunta: O que faz separação entre o Santo e o imundo, entre a Luz e as trevas? Como a humanidade tornou-se imunda e separada de Deus?

A resposta está no Éden! Lá todos pecaram e foram destituídos de terem comunhão com Deus. Deus é luz e a humanidade passou a condição de trevas por dar ouvidos à serpente (criatura) e não ao Criador. Lá no Éden o homem separou-se de Deus, tornou-se morte, tornou-se imundo. Foi em função de uma única ofensa que toda a humanidade (juntamente) tornou-se imunda “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:3 ).

Quando desobedeceu ao Criador, Adão não somente se vendeu ao pecado, como também vendeu toda a sua descendência e, consequentemente, todos os descendentes de Adão são escravos do pecado. O pecado como senhor assalaria os seus servos com a morte, de modo que a humanidade é refém, cativa (aguilhão) do pecado por causa da morte “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” ( 1Co 15:56 ).

A força do pecado não advém do diabo, como muitos pensam, visto que o próprio diabo está retido sob o domínio do pecado. A força do pecado decorre da lei que disse: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:16 -17).

A palavra de Deus não volta vazia! Se Ele determinou, é irrevogável! Como o homem comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, às consequências vieram: a) alienação de Deus (morte), e; b) o conhecimento do bem e do mal (como Deus).

A separação de Deus (pecado) dos que não creem persiste por causa da lei que disse: certamente morrerás. Enquanto não crerem em Cristo para se conformarem com Cristo na sua morte, não tem acesso à maravilhosa graça que se dá na ressureição com Cristo ( Fl 3:10 ).

 

Remissão

“Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado” ( Hb 10:18 )

Outro ponto das consequências do pecado esta na seguinte premissa: “A alma que pecar, esta mesma morrerᔓA alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” ( Ez 18:20 ).

O salário do pecado é a morte! Não há como o pecador não receber o seu quinhão.

Mas, Cristo Jesus deu a si mesmo para remir o homem de toda a iniquidade, purificando um povo para si “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” ( Tt 2:14 ); “Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” ( Gl 4:5 ).

Por causa do pecado da humanidade, Cristo Jesus apresentou-se como sacrifício a Deus e, através da sua carne, abriu-se um novo e vivo caminho que conduz os homens a Deus “Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” ( Hb 10:20 ).

Por ser uma exigência da justiça que a morte do pecador, quando crê em Cristo, o homem morre com Cristo, passa a ser participante da carne e do sangue de Cristo. Quando o pecador crê em Cristo, toma sobre si a sua própria cruz e segue após Cristo até o calvário, é crucificado com Cristo, morto e sepultado. Neste ato a justiça de Deus é vindicada, pois Ele é justo e a transgressão não passa da pessoa do transgressor.

Para abrir um novo e vivo caminho, Jesus morreu pelos pecadores, pois somente Ele podia remir os seus irmãos ( Hb 2:11 ). Ou seja, não é necessário aos que creem subirem em um madeiro e serem crucificados com pregos e sofrer as ignominias que Cristo sofreu na cruz.

Como é possível um homem morrer em lugar de todos os homens, se a pena jamais pode passar da pessoa do transgressor? Um homem desobedeceu, e em consequência, a geração deste homem foi destituída de Deus. Mas, Cristo Jesus foi obediente até a morte, e morte de cruz, de modo que ao ressurgir dentre os mortos a sua geração é aceita por Deus.

Quando Jesus morreu houve substituição de ato: obediência pela desobediência. Em lugar da desobediência do Éden, Jesus bradou: Está consumado! “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” ( Jo 19:30 ).

Neste brado não foi expressa a ideia que muitos divulgam de que uma dívida foi paga, antes que Cristo cumpriu cabalmente o que o Pai determinou, ou seja, consumei a obra que o Pai me deu a realizar! “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” ( Jo 17:4 ).

“Nenhum ser humano que tentasse pagar por seus próprios pecados poderia dizer finalmente, como exclamou Cristo em triunfo na Cruz: “Está consumado! A dívida foi paga”.  Mas o preço tinha que ser pago integralmente. De que outro modo os portões da justiça se abririam?” Hunt, Dave ‘O poder da ressurreição de Cristo’, The Berean Callhttp://www.chamada.com.br) – http://www.chamada.com.br/mensagens/ressurreicao_de_cristo.html Consulta realizada em 06/01/2012.

Substituição de ato foi o que ocorreu na cruz: a obediência de Cristo (último Adão) pela desobediência de Adão, pois Deus não busca sacrifício, antes a obediência “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:19 ); “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste; Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), para fazer, ó Deus, a tua vontade” ( Hb 10:5 -7 ).

Por estar em Cristo o cristão é uma nova criatura, igualmente é perfeito, pois está em Cristo, que é a cabeça de todo principado. Por estar em Cristo, o cristão lançou fora (despojou) a carne do pecado. Por estar em Cristo o cristão foi sepultado e ressurgiu ( Cl 2:10 -12).

Quando vivificado em Cristo, o cristão teve as suas ofensas perdoadas por Cristo, pois a cédula foi riscada, uma vez que não cumpríamos as ordenanças de Deus. Como Cristo veio cumprir e cumpriu plenamente a vontade de Deus, a obediência de Cristo anulou a divida das ordenanças. O que fixou na cruz as ordenanças que punha o homem em divida foi a obediência de Cristo, que nada ab-rogou da lei, não foi puro e simplesmente o seu sofrimento. O objetivo da cruz não era o sofrimento, antes a obediência plena, pois a obediência excluiu toda condenação para a nova criatura, que por estar em Cristo está morta para o pecado e para a lei.

Pois, para que o homem possa alcançar vida dentre os mortos é necessário cair na terra assim como o grão de trigo. Cristo caiu na terra e ressurgiu para a glória de Deus Pai, todos quanto creem n’Ele, também são plantados na semelhança da sua morte, para que possam ressurgir com Cristo. Neste quesito cada um deve tomar a sua própria cruz e morrer com Cristo “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” ( Jo 12:24 ).

Deus é fiel: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:11 -13).

Sobre a morte dos que creem com Cristo escreveu o apóstolo Paulo:

“Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos” ( Rm 6:3 -8).

A carne de Cristo foi oferecida em oblação e é o novo e vivo caminho pelo qual o homem vem a Deus, pois quando o homem crê, torna-se participante da carne e do sangue de Cristo, ou seja, morre com Cristo. O batismo do cristão é na morte de Cristo, e o batismo em águas é um testemunho público, símbolo da morte com Cristo.

Quando o crente morre com Cristo fica demonstrada a justiça de Deus, visto que a pena estipulada pela lei: ‘certamente morrerá’, ou ‘a alma que pecar esta morrerá’, não passa da pessoa do transgressor. O pecador, quando se arrepende, morre com Cristo e o corpo do pecado herdado em Adão é desfeito.

Após estabelecer a sua justiça dando ao pecador a morte em função do pecado, Deus elimina o vínculo do servo com seu antigo senhor, o pecado. E é neste ponto que a maravilhosa graça de Deus opera eficazmente, visto que, assim como Cristo ressurgiu dentre os mortos para a glória de Deus Pai, todos quando foram sepultados com Cristo são ressuscitados juntamente com Cristo ( Cl 3:1 ).

Enquanto o pecador é morto com Cristo, Deus é justo, mas quando é gerada uma nova criatura em Cristo, Deus é declarado justificador “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 ).

Ora, se o homem não morre, não está justificado do pecado, pois enquanto vivo para o pecado é devedor e sujeito ao pecado. Mas, quando o homem morre com Cristo, a justiça de Deus é vindicada, pois: “… aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 ).

Cristo ressurgiu dentre os mortos para a justificação dos que creem “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” ( Rm 4:25 ). Ora, como Cristo ressurgiu, todos os que creem ressurgiram à semelhança da sua ressureição, de modo que os que foram ressurretos dentre os mortos possuem uma nova vida, sendo declarados justos diante de Deus “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” ( Rm 3:24 ).

O velho homem gerado em Adão jamais seria declarado justo, portanto, pereceu ao ser crucificado com Cristo e o seu corpo foi desfeito com Cristo na cruz. Quando é gerado um novo homem através de Cristo (a semente incorruptível), tem-se uma nova criatura participante da natureza divina, que foi criada em verdadeira justiça e santidade, e que recebe de Deus a declaração de que é justa.

Quando gerado de Adão o homem é pecador, agora gerado de novo em Cristo Jesus, o homem é participante da natureza divina. Não é mais servo do pecado, escapou da corrupção que há no mundo, portanto é santo e justo “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 2Pe 1:4 ); “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” ( Rm 6:18 ).

Quando Jesus se deu a si mesmo foi para adquirir para si um povo “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” ( Tt 2:14 ). Ora, se Ele remiu o pecador tomando por seu servo, segue-se que não mais se nomeia os que creem de pecadores.

Há um contra senso na assertiva: ‘pecador remido’, pois se o homem é pecador é porque não foi remido, e se foi remido, resta que não é pecador, pois pertence a um novo senhor.

Este problema também ocorre com o termo naufrago. Quando alguém está a deriva em alto mar é nomeado ‘naufrago’, porém, quando é salvo do perigo e está a bordo de uma nova embarcação, já não faz jus ao nome ‘naufrago’, assim é aquele que crê em Cristo: era pecador, agora é remido.

A bíblia é clara: não podeis servir a dois senhores, ou seja, é impossível prestar serviço a dois senhores. Quando Cristo remiu o pecador, não deixou o remido à disposição do pecado para servi-lo. No momento em que o homem é liberto do pecado é feito servo da justiça.

Há pecadores e há remidos, jamais haverá ‘pecadores remidos’, pois onde há remissão não há mais oferta pelo pecado “Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado” ( Hb 10:18 ).

O pecador é servo do pecado, portanto, comete pecado. Ora, se o homem comete pecado pertence ao diabo, portanto não é remido “Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” ( 1Jo 3:8 ); “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado” ( Jo 8:34 ).

O que comente pecado é servo do pecado, porém, temos o apóstolo Paulo redarguindo os cristãos: tornastes-vos servos da justiça ( Rm 6:18 )

Não existe ‘pecador remido’, pois o apóstolo Paulo diz que, se os cristãos foram justificados em Cristo e ainda são pecadores, teria que admitir que Cristo é ministro do pecado. Como Cristo não é ministro do pecado, todos quanto estão n’Ele não são pecadores “Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma” ( Gl 2:17 ).

 

Deus olha através de Cristo

Em um devocional intitulado “Um detalhe milagroso”, assinado pela Pra. Clarice Ziller, temos a seguinte frase:

‘Olhe que coisa fantástica é o Sangue de Jesus: quando Deus me olha através dele, eu sou pura como aquele sumo sacerdote!’.

Spurgeon também fez alusão à ideia de que Deus vê o crente através de Cristo:

“Se bem que Ele vê pecado em ti, em ti mesmo, agora, quando Ele olha para ti através de Cristo, Ele não vê pecado” C. H. Spurgeon, Evening’s Meditation, Meditações Vespertinas. Tradução de Carlos António da Rocha. consulta realizada em 13/09/2012.

Muitos esquecem, ou não sabem, que a promessa de Deus para aquele que guardam a palavra do evangelho crendo em Cristo é se tornar morada do Altíssimo “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” ( Jo 14:23 ).

Por esquecerem, ou não saberem que o crente é o templo de Deus, adotam o pensamento equivocado de que é necessário Deus olhar através de Cristo para poder ver o crente, haja vista, considerarem que o crente, apesar de estar em Cristo, é pecador “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ).

Mas, as Escrituras é a autoridade no assunto, e ela diz: “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado” ( 1Jo 3:5). Além de Cristo ter vindo ao mundo tirar o pecado dos que creem, certo é que em Cristo não há pecado.

Se o crente admite que Jesus é o Cristo conforme as Escrituras, está em Cristo, é nova criatura, portanto não tem pecado, pois está em Cristo em quem não há pecado.

Se o crente está em Cristo, automaticamente está em Deus, que é luz e não há nele trevas nenhumas, portanto, a necessidade de Deus olhar para o crente através de Cristo é ilação de mentes carnais que não consideram que Cristo habita o crente.

Jesus é a garantia de que os que creem estão limpos diante de Deus e esta era a certeza do apóstolo Paulo “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” ( 1Co 6:11 ).

“Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” ( Jo 15:3 )

 

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Como não tomar a ceia do Senhor indignamente?

Demonstre que o cálice de bênção que eles abençoam representa a comunhão do corpo de Cristo, ou seja, embora haja muitos cristãos ali congregados, todos são um só pão e um só corpo ( 1Co 10:17 ). Enfatize que todos são um pão! Que todos são um só corpo, pois todos participam de um mesmo pão, o corpo de Cristo ( 1Co 10:17 ).


Tempo mínimo de exposição da mensagem: 1 hora.

Este é um sermão expositivo e tem por objetivo fazer com que os seus ouvintes compreendam o que representa o cálice e o pão dos quais os cristãos fazem uso para comemorar a morte do Senhor até que Ele venha.

Como a abordagem é complexa você precisará utilizar textos ancoras para fazer a plateia compreenda a exposição. Como expositor da palavra, você deve estar cônscio de que a compreensão é essencial, conforme demonstrou o Mestre por excelência ( Mt 13:19 )

 

1° Parte – Você precisará de pelo menos 15 minutos.

Em uma abordagem inicial, explique aos seus ouvintes que a mensagem é complexa, mas que, com o auxilio deles a mensagem será inteligível. Esclareça que após ouvirem a mensagem, cada cristão presente na reunião será capaz de responder a seguintes questões:

  • O que representa o cálice?
  • O que representa o pão?
  • O que é tomar o cálice indignamente?

Convide os seus ouvintes para ler I Coríntios 3, verso 16, que diz: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ). Após pergunte a eles o que eles são. Todos vocês são….? Quem habita em vocês…..? A resposta deve ser enfatizada pelo expositor, que no caso é você!

Solicite que leiam Gálatas 3, verso 26: “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” ( Gl 3:26 ). Após a leitura, questione: Pelo evangelho (fé) todos vocês são…? Obtenha uma resposta de seus ouvintes!

Após, leia a primeira carta de João 3, verso 1: VEDE quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele” ( 1Jo 3:1 ). Agora pergunte a eles o que estão vendo. O que João pede aos seus leitores que vissem? Que todos são chamados filhos de Deus! Leia o verso seguinte é aponte a seriedade das palavras que você está apresentando: “Amados, agora somos filhos de Deus…” ( 1Jo 3:2 ). Aponte que todos são amados! Demonstre o tempo: Agora somos filhos! Não será amanhã! É agora, pois Deus é o Deus de já!

Leia Efésios 5, verso 8: “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR” ( Ef 5:8 ). Pergunte o que somos e aguarde que respondam!

Para finalizar a abordagem inicial, peça que o acompanhe na leitura de primeira Pedro 2, verso 4, 5 e 9: “E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo (…) Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:4 -5 e 9).

Faça os recordar enumerando a condição deles: – Todos vocês pela fé em Cristo são filhos, luz, templo, casa, sacerdotes, pedras vivas, nação santa, povo adquirido, etc.

 

2° Parte – Você precisará de 25 minutos.

Solicite que leiam juntamente com você a passagem de 1 Coríntios 10, verso 15 ao 17, e vá interpretando cada parte do verso a medida que você for evoluindo a leitura.

“Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo” ( 1Co 10:15 ) – Demonstre que o apóstolo Paulo havia escrito aos cristãos de Coríntos e que agora ele espera que analisem a questão como sábios. Que deveriam analisar (julgar) o que seria exposto.

“Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo?” ( 1Co 10:16 ) – Pergunte à plateia o que é o cálice segundo o versículo. Agora, pergunte quem é que abençoa o ‘cálice de bênção’. Talvez você não obtenha uma resposta, mas deve demonstrar que, da mesma forma que somos filhos, luz, casa, templo, etc., somos ‘nós’, ou seja, todos os seus ouvintes que abençoam o cálice.

Demonstre o quanto as pessoas são propensas a acreditar em promessas vazias, como que receberá uma casa, um emprego, visões de chaves de carros, etc., porém, quando a bíblia diz que somos nós que abençoamos o cálice poucos creem.

O que representa o cálice de bênção que abençoamos? Após perguntar, demonstre que o cálice que abençoamos representa a comunhão do corpo de Cristo!

Para dirimir a dúvida deles quanto a saber se são eles mesmos que abençoam o cálice, solicite que leia Mateus 23, verso 16 à 19. Explique que os fariseus eram os mestres à época de Cristo, por isso são nomeados de condutores, porém, eram cegos. Todos que eram guiados por eles estavam perdidos! ( Mt 23:17 ).

Apresente o entreve que os fariseus apresentavam ao povo quanto ao que santifica o que. Para eles o ouro que revestia o templo era mais importante que o templo, porém é o templo que santifica o ouro, ou seja, demonstre que cada um deles são templo, casa, habitação do Deus vivo, e que, portanto, são eles que consagram as coisas exteriores. Se Eles são templo, eles são superiores a ouro.

Demonstre que, assim como o autor é mais importante que o sacrifício, cada cristão é mais importante que tudo que é oferecido a Deus, pois são luz, filhos, casa, templo, sacerdote, etc.

Demonstre que o cálice de bênção que eles abençoam representa a comunhão do corpo de Cristo, ou seja, embora haja muitos cristãos ali congregados, todos são um só pão e um só corpo ( 1Co 10:17 ). Enfatize que todos são um pão! Que todos são um só corpo, pois todos participam de um mesmo pão, o corpo de Cristo ( 1Co 10:17 ).

Agora você deve demonstrar qual a importância de cada um dos seus ouvintes se comparados ao cálice e ao pão que haverão de participar na comemoração da morte do Senhor.

Enfatize que o ser humano gosta de inverter o valor das coisas. Ex: Dá-se mais valor a bandeira do que as pessoas que a empunham; Dá-se mais valor ao estado, do que aos cidadãos; valoriza-se mais as instituições do que os seus associados, etc.

Demonstre que o cálice de vinho do qual todos serão participantes no cerimonial não possui valor maior do que os seus ouvintes. Demonstre que enquanto o cálice e o pão representa a comunhão do sangue e do corpo ( 1Co 10:16 ), cada um deles é o corpo de Cristo.

Demonstre que cada um ali presente não veio de suas casas para ser abençoado ou purificado pelo cálice e pelo pão, antes cada um são membros do corpo de Cristo, e por tanto, são aqueles que abençoam o cálice e o pão.

Relembre que tudo que o Antigo Testamento representa era sombra das coisas futuras, e que a realidade está em Cristo. Tudo que era feito e ofertado sob a velha aliança era somente sombra, mas agora somos filhos, templo, sacerdotes, luz, casa, etc. A mesa do qual todos participam somente representa aquilo que todos são: um só corpo, um só espírito, um só batismo ( Ef 4:4 ; Rm 6:3 ; Gl 3:27 ).

 

3° Parte – Você precisará de 20 minutos.

O texto base será primeiro Corítios 11, verso 17.

Você precisará demonstrar que a igreja de corintos possuía uma diversidade cultural muito grande, pois havia ricos, pobres, servos, livres, judeus, gentios, homens e mulheres, etc. Enquanto cada um estava em suas casas as diferenças não apareciam, porém quando se reuniam as diferenças se evidenciavam, e muito se deixavam levar pelas aparências, pois se esqueciam que cada um eram um mesmo pão, membros de um mesmo corpo.

Demonstre que:

  • Não seriam elogiados quanto a reunião da ceia ( 1Co 11:17 );
  • A reunião não era para melhor, mas para pior ( 1Co 11:17 );
  • Havia divisões, o que não ocorre num corpo ou num pão ( 1Co 11:18 );
  • Quando se reuniam não era para cear ( 1Co 11:20 );
  • Antes cada um fazia a sua própria, mas não a do Senhor ( 1Co 11:21 );
  • Repreensão pelo comportamento contrário ao evangelho ( 1Co 11:22 );
  • Relembrando o que já foi ensinado ( 1Co 11:23 à 25);
  • Quando se bebe o cálice e come o pão, somente anuncia-se a morte do Senhor, ou seja, ninguém é abençoado por isso, antes todos são benção no Senhor porque são filhos, ou seja, herdeiros da promessa ( 1Co 11:26 );
  • Quem comer o pão e beber o cálice indignamente é culpado da carne e do sangue de cristo ( 1Co 11:27 );
  • Cada um deveria se auto examinar e comer, ou seja, não se deve abrir mão de ser participante da mesa ( 1Co 11:28 );
  • Embora muitos entendam que ser culpado, indigno de participar da mesa do Senhor tem relação com os possíveis comportamentos reprovável que podem ocorrer no dia-a-dia, a bíblia demonstra que indigno é aquele que não discerne, não compreende o que é o corpo do Senhor. Se você não compreende que cada cristão é membro do mesmo corpo, você é indigno de ser participante da mesa que contém os elementos que representa todos ali reunidos “Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR” ( 1Co 11:29 ).

 

“Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR ( 1Co 11:29 ).

Explique o significado de comer e beber indignamente, ou seja, a condição de condenação. Qualquer que não discerne (grego – diakrino), ou seja, não compreende que judeus, gentios, pobres, ricos, livres, escravos, homens e mulheres são membros de um mesmo corpo ( Gl 3:28 ), são participantes da carne e do sangue de Cristo é indigno, pois todos que compreendem esta verdade é porque creu em Cristo segundo as escrituras.

Somente os filhos da luz, aqueles que são luz no Senhor são dignos do reino de Deus e de participarem da mesa “Prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis” ( 2Ts 1:5 ).

Se para aquele que está em Cristo não há nenhuma condenação, isso significa que o indigno é aquele que participa da mesa sem ser membro do corpo ( Rm 8:1 ; Rm 12:5 ).

Para concluir enfatize que todos se tornaram um só corpo, uma só carne com Cristo “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos” ( Ef 5:30 ). Ou seja, Deus é a verdade e os seus ouvintes são um com a Verdade “E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós” ( Jo 17:11 ).

O grande mistério foi resolvido, ou seja, isto diz de Cristo e sua Igreja ( Ef 5:32 ). Quando nos unimos a Cristo como igreja, nos tornamos membros do seu corpo ( Ef 5:30 ). Ao tornar-se um só corpo com Cristo, a verdade que liberta, você ‘conheceu’ a Deus e és livre! ( Jo 8:32 ).

Só ‘conhece’ a ‘Verdade’ aquele que deixou pai e mãe e uniu-se ao esposo, que é Cristo. Este não é indigno de participar da mesa que anuncia a morte do Senhor até que Ele venha.

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A carne para nada serve

‘Provar os espíritos’ ou ‘os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas’ não envolve questões de ordem psíquica. Provar os espíritos não é verificar se o profeta é nervoso, intolerante, agitado, agressivo, etc., ou verificar se o profeta controla as suas emoções, desejos e ansiedades. Tais questões são pertinentes a psique humana e alguns psicólogos rotulam como sendo nuances do ‘espírito’. Portanto, a análise deve recair única e exclusivamente sobre a palavra do profeta, pois é pelo ‘fruto’ que se identifica a árvore ( Mt 7:16 ).


“E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 )

Introdução

O evangelista Marcos apresentou uma informação que não pode ser desprezada como parâmetro essencial à contextualização e interpretação de algumas passagens bíblicas:

“E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ).

Neste verso o evangelista deixou registrado de modo claro que, tudo o que Jesus dizia à multidão era dito através de parábolas, o que contrasta com a maneira de Jesus ensinar os seus discípulos em particular.

De posse desta informação, é salutar ao interprete da bíblia analisar qual é o público alvo das palavras de Cristo, pois se for a multidão, teremos parábolas e enigmas, mas se o público alvo for os discípulos e em particular, teremos a elucidação das parábolas e dos enigmas ( Sl 78:2 ).

Neste artigo, faremos um exercício de análise e interpretação bíblica utilizando como base o verso 63 de João 6: “O espírito é que vivifica, a carne para nada serve”, levando em conta a informação dada pelo evangelista Marcos, ou seja, de que Jesus só falava ao povo utilizando-se de parábolas, mas quando em particular com os seus discípulos, declarava o significado do que havia dito.

Demonstraremos a importância de se determinar o público alvo da mensagem de Jesus, se judeus ou discípulos, o que possibilitará uma interpretação segura das Escrituras.

João 6

O evangelista João destaca que Jesus discursou a uma grande multidão que O seguia em função do milagre da multiplicação dos pães ( Jo 6:24 e 59), e no verso 61 em diante, o evangelista destaca que, quando Jesus ficou a sós com os seus discípulos, ensinou-os em função do que havia discursado ao povo.

O texto demonstra que muitos dos discípulos, ao ouvirem o discurso que Cristo fez à multidão, argumentaram: ‘- Duro é este discurso, quem o pode ouvir?’ ( Jo 6:60 ). Ao perceber que os seus discípulos murmuravam a respeito do que fora dito à multidão, Jesus os questiona dizendo: ‘- Isto vos escandaliza?’ (v. 61) e complementa ‘- Que aconteceria então se vísseis o Filho do homem subir para onde primeiro estava?’ Foi quando Jesus apresentou a seguinte explicação: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas alguns de vós não creram” ( Jo 6:63 ).

Levando em conta o que o evangelista Marcos disse: “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ), e que Jesus ensinou os discípulos em particular quando disse: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas alguns de vós não creram” ( Jo 6:63 ), devemos perguntar: Jesus propôs alguma parábola ao povo? Jesus contou à multidão alguma história do cotidiano para expor a sua doutrina? O que é uma parábola?

 

Definição secular de parábola: s.f. Trata-se de uma história curta, cujos elementos são eventos e fatos da vida cotidiana que ilustram uma verdade moral ou espiritual.

Se o interprete levar em conta a definição acima, jamais encontrará no capítulo 6 do evangelho de João uma história curta que faça referencia a eventos e fatos do cotidiano. Mas, como o evangelista Marcos foi contundente ao dizer que Jesus só falava a multidão por parábolas, faz-se necessário reler com acuidade o capítulo 6 do evangelho de João, para descobrirmos se há realmente uma parábola no texto.

Outro ponto a se destacar é o predito pelo salmista: “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” ( Sl 78:2 ). Os enigmas que seriam propostos através de parábolas pelo Messias estavam vinculados as questões da antiguidade, ou seja, não estava vinculado ao cotidiano das pessoas. Se os enigmas são os mesmos da antiguidade, a própria parábola não dependia do formato de uma história curta.

Através de um elemento próprio às poesias hebraicas, o paralelismo, verifica-se que o enigma profetizado pelo salmista e, que seria proposto ao povo através das parábolas pelo Messias, refere-se à lei mosaica anunciada na antiguidade ( Sl 78:1 ), com o objetivo de que os filhos de Israel cressem em Deus ( Sl 78:7 ).

“Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.
Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade.
Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado”
( Sl 78:1-3)

O evangelista João narra que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixinhos ( Jo 6:9 ) e que uma multidão de quase 5.000 mil pessoas comeram a fartar, de modo que sobejaram e sobraram 12 cestos de pães. Diante daquela maravilha, a multidão pretendia fazer Cristo rei, ao que Ele se retirou sozinho para um monte ( Jo 6:15 ).

Mas, o interesse da multidão em se alimentar de pão era tamanho que os judeus procuraram Jesus em toda parte e, como não O encontraram, atravessaram o mar e foram em busca de Jesus na cidade de Cafarnaum ( Jo 6:24 ).

Quando a multidão encontrou Jesus, foi repreendida: “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes” ( Jo 6:26 ). E em seguida lhes dá uma ordem: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou” ( Jo 6:27 ).

Diante da proposta de Cristo, o povo questionou o que era necessário fazer para ser servo de Deus, pois queriam ter direito ao pão cotidiano ( Jo 6:28 ). Quando Jesus indicou como eles se tornariam servos (executores da obra de Deus), a multidão, que havia comido pão a fartar e que queriam no dia anterior fazer de Cristo seu rei, pediu um sinal visível para que pudessem crer no que Jesus propôs “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ).

A exigência de um milagre teve por pretexto a lei de Moisés, quando disseram: “Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu” ( Jo 6:31 ). Menosprezaram o milagre operado no dia anterior, em que uma multidão de quase 5.000 pessoas famintas foi saciada com cinco pães e dois peixes, pois entenderam que Cristo só teria autoridade de apresentar-lhes o exigido por Deus se lhes desse comida equivalente ao maná do deserto e por muitos dias.

Foi quando Jesus contraria a crença dos seus ouvintes ao dizer que não fora Moisés que dera o pão do céu e, por fim, identificou-se como o pão que dá vida aos homens ( Jo 6:35 ).

A multidão que inicialmente queria servir a Deus (apresentar-se por servo) para ter direito a comida que perece ( Jo 6:34 ), ficou apreensiva porque Jesus disse ser Ele mesmo o pão vivo que desceu do céu, e passaram a murmurar dizendo: “Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Então como diz ele: Desci do céu?” ( Jo 6:42 ).

Em seguida Jesus reafirma: – ‘Eu sou o pão da vida! Mas aqui está o pão que desceu do céu, do qual se o homem comer não morre! Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo’ ( Jo 6:48 -51).

Apesar de deixar claro que a sua carne seria entregue para que o mundo obtivesse vida, a declaração de Jesus fomentou uma discussão entre os judeus, e eles começaram a questionar entre si: ‘- Como nos pode dar este homem a sua carne a comer?’

Através das perguntas dos judeus diante da declaração de Cristo, fica evidente que não compreenderam a proposta de Cristo, ou seja, Jesus havia proposto ao povo uma parábola, pois a função da parábola é específica: que o povo ‘vendo não veem e ouvindo não ouvem e nem compreendem’Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis” ( Mt 13:13 -14; Sl 78:2).

Ora, a multidão não compreendeu o que Cristo disse quando se apresentou como o pão vivo enviado dos céus. Eis a parábola, o enigma proposto. Ficaram escandalizados quando foi dito que a carne de Jesus era comida e o seu sangue bebida ( Jo 6:53 -56), ou seja, a proposta de Jesus foi feita por parábola e envolvia um grande enigma!

Tudo o que Jesus disse à multidão em Cafarnaum por parábola, em particular expôs o significado aos Seus discípulos.

A explicação da parábola

A sós com os Seus discípulos, Jesus explica porque Ele é o pão vivo que desceu dos céus, e; porque a sua carne é verdadeiramente comida e o seu sangue verdadeiramente bebida. A explicação resume-se na seguinte fala: ‘- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida!’

Analisando algumas declarações que Jesus fez ao povo, temos que Ele é o pão que desceu do céu e que dá vida ao homem, pois quem se alimenta de Cristo viverá em função d’Ele ( Jo 6:51 e 57). Sobre esta verdade o apóstolo Paulo disse que Jesus é o último Adão, o espírito vivificante, o espírito que dá vida.

À multidão, Jesus anunciou que somente o ‘pão vivo que desceu dos céus concede vida’, e aos discípulos, em particular, deixa claro que o que vivifica é ‘o espírito’. Por fim ele arremata: ‘- As palavras que eu vos disse são espírito e vida’.

O interprete deve estar atento a toda explicação de Jesus, pois quando ele diz: ‘as palavras que eu vos disse são espírito e vida’, está definindo qual o significado do termo ‘espírito’. Ou seja, o que vivifica o homem são as palavras ditas por Cristo, pois as suas palavras são juntamente espírito e vida. Ou melhor, Cristo por ser o Verbo de Deus encarnado, é espírito vivificante ( 1Co 15:45 ).

O apóstolo Pedro ao recomendar a palavra aos cristãos, apresenta a palavra de Deus como alimento, pois exorta a crescerem fazendo uso do ‘leite racional’ “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” ( 1Pe 2:2 ).

Quando Jesus fez o convite ao povo para que comessem da sua carne e bebessem do seu sangue dizendo que a sua carne era verdadeiramente comida e os seu sangue verdadeira bebida, estava ensinado ao povo por parábolas. Por enigma Jesus estava dando a entender ao povo que somente suas palavras proporcionam vida aos Seus ouvintes, e não os milagres operados. Jesus estava conclamando o povo que provassem a sua palavra do mesmo modo que o paladar prova a comida, pois veriam que Cristo, o Senhor do salmista, que se assentou a destra do Senhor do Salmista, é bom “Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida” ( Jó 34:3 ); “Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia” ( Sl 34:8 ).

Os cegos e surdos que provam as palavras de Cristo, crendo “Bem-aventurado o homem que nele confia” ( Sl 34:8 ), passa a enxergar. São os meninos que aprendem o temor do Senhor, os mansos que atendem o convite: vinde a mim vós todos que estais cansados e sobrecarregados ( Sl 34:11 ; Mt 11:28 ; Sl 34:2 ).

Se os ouvintes de Cristo ouvissem a sua palavra e cressem, seriam participantes do Espírito que vivifica ( 1Co 15:45 ), ou seja, tornar-se-iam um só corpo com Ele ( Jo 6:51 e Lc 22:20 ). Na palavra de Cristo está a vida dos homens ( Jo 1:4 e 7), mas por causa da parábola, os ouvintes de Cristo entenderam que Ele estava dando a comer o seu corpo físico, pois o que buscavam era pão de cevada. Cristo não queria que bebessem do sangue que estava em suas veias e que foi derramado na cruz, antes Jesus queria que cressem em suas palavras, pois as suas palavras faria com que os seus ouvintes se tornassem um com Ele, participantes do seu corpo ( Jo 17:21 ; Ef 3:6 ).

Quando disse em particular: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve”, Jesus estava revelando a natureza do Seu discurso “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” ( 1Jo 5:3 ; Jo 6:61), antes que o que estava sendo proposto era que cressem em sua palavra, pois especificamente a sua palavra era espírito e vida “Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” ( Mt 4:4 ).

A palavra é espírito? Sim! É em função desta verdade que interpretamos passagem como: “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” ( 1Co 14:32 ). Ou seja, a palavra do profeta é sujeita ao profeta. De igual modo, quando lemos: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1Jo 4:1 ), a palavra ‘espírito’ nestes textos não diz de um ‘demônio’, ‘espírito imundo’ ou ‘fantasma’, antes diz especificamente da mensagem do falso profeta.

‘Provar os espíritos’ ou ‘os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas’ não envolve questões de ordem psíquica. Provar os espíritos não é verificar se o profeta é nervoso, intolerante, agitado, agressivo, etc., ou verificar se o profeta controla as suas emoções, desejos e ansiedades. Tais questões são pertinentes à psique humana e alguns psicólogos rotulam como sendo nuances do ‘espírito’. Portanto, a análise deve recair única e exclusivamente sobre a palavra do profeta, pois é pelo ‘fruto’ que se identifica a árvore ( Mt 7:16 ).

Assim como o paladar prova a comida, o ouvido deve provar as palavras, pois da boca dos homens procede o ‘fruto’ que permite identificá-los se são árvores boas ou más “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito” ( Pr 18:20 ); “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ).

Compreendendo que a palavra ‘espírito’ às vezes possui o significado de ‘palavra’, torna-se fácil compreender o que o apóstolo Paulo disse com o seguinte verso: “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” ( 2Co 3:6 ). Ou seja, o cristão é ministro da palavra de Cristo (evangelho), o espírito que vivifica, e não ministro da lei de Moisés, que é morte.

Mas, de onde Cristo e os apóstolos tiram tal significado para o termo espírito? A resposta encontra-se nas Escrituras, como se lê: “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração” ( Lc 4:18 ; Is 61:1 ). Ora, o espírito do Senhor que estava sobre Cristo diz da palavra de Deus, pois a palavra era a unção necessária para se evangelizar os pobres e curar os abatidos de espírito.

O espírito do Senhor que repousou sobre Cristo diz da palavra de Deus, pois ela é juntamente sabedoria, conselho, conhecimento, temor, etc. “E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR” ( Is 11:2 ).

A palavra do Senhor é distinta do Espírito Santo, o consolador prometido e enviado, que veio sobre Cristo em forma de uma pomba quando Ele foi batizado por João Batista ( Jo 16:7 ; Mt 3:16 ).

Quando a bíblia diz que Deus pesa o espírito do homem, não diz de um julgamento (análise) do ‘ser’, da essência do homem, antes que Deus pesa as suas palavras “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito” ( Pr 16:2 ); “Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado” ( Mt 12:37 ). Através do provérbio, verifica-se que os homens possuem um entendimento acerca dos seus caminhos, porém, Deus os prova (julga) segundo o que ‘professam’, assim como deve fazer os seguidores de Cristo “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1 Jo 4:1).

Os homens desconhecem a sua condição decorrente do nascimento natural. Quando nascem entram por uma porta larga que lhes dá acesso a um caminho de perdição. Quando Deus pesa o homem, não pesa segundo o que os homens entendem por puro, antes Deus pesa o homem segundo a porta que entrou ao nascer da semente de Adão, pois o que o homem natural anuncia segundo o seu conhecimento natural é mentira desde que foi lançado da madre ( Sl 58:3 ; Rm 3:4 ).

Mas, se tal homem crer em Cristo, morre com Cristo e é gerado de novo, ou seja, nasceu de novo. Por crer passa a falar segundo a verdade do evangelho, o espirito (palavra) que é pesado e não é achado em falta diante do Senhor ( Rm 8:9 ; Lc 4:1 ). É por isso que Jesus disse que julgava segundo a reta justiça e não segundo a aparência, ou seja, julgava segundo o que ouvia, pois Ele provava as palavras daqueles que o cercava. Os homens juntamente se desviaram e tornaram-se imundos em Adão e são pesados segundo as suas palavras em decorrência da mentira que proferem desde o nascimento ( Sl 53:3 ; Sl 58:3 ), e não segundo o comportamento e a moral humana que a religiosidade impõe ( Jo 7:24 ; Jo 5:30 ).

É por isso que Jesus disse que o que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra, portanto é necessário provar os espíritos se eles procedem de Deus ou não, pois aquele que procede de Deus é porque ouviu as palavras de Deus ( Mc 7:15 -20; Jo 3:34 ; Jo 8:47 e 1Pe 4:11 ).

É por isso que Jesus disse que o que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra, pois o coração enganoso e corrupto é proveniente do nascimento natural, portanto é necessário provar os espíritos se eles procedem de Deus ou não. Aquele que procede de Deus é porque ouviu as palavras de Deus e fala as palavras de Deus ( Mc 7:15 -20; Jo 3:34 ; Jo 8:47 e 1Pe 4:11 ).

Deste modo, o dom de discernir os espíritos diz da capacidade que é concedida ao cristão de analisar as palavras ditas por aqueles que se posicionam como profetas, se as palavras são de Deus ou não “E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas” ( 1Co 12:10 ).

Resta-nos a pergunta: como ser cheio do espírito? “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5:18 ). Como ser ‘mais’ cheio do Espírito Santo se Ele foi enviado e habita o crente? Ser cheio do espírito diz do Consolador que Cristo enviou, do qual somos templo, ou da palavra? “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ); A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração ( Cl 3:16 ).

“… enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:18 -19).

A carne para nada serve

O que causou escândalo ao povo e a alguns discípulos de Cristo foi o discurso: “- Eu sou o pão que desceu do céu!”; “- A minha carne é verdadeiramente comida e bebida!” ( Jo 6:41 e 52). Os discípulos se escandalizaram e concluíram que o discurso de Cristo era duro ( Jo 6:60 -61).

Para um judeu, determinados tipos de alimentos eram proibidos, quanto mais comer a carne de um homem. Do mesmo modo que os judeus desprezaram Jesus por ter demonstrado sabedoria ao expor as Escrituras ( Mc 6:2 ), escandalizaram-se por Ele ter apresentado a sua carne como comida e o seu sangue como bebida.

Por não compreenderem a parábola, o povo escandalizou-se por entenderem que Jesus estava lhes propondo uma espécie de canibalismo.

Em particular com os seus discípulos, Jesus demonstrou que o que estava apresentando ao povo era a sua doutrina, pois o que dá vida ao homem é a palavra, e arrematou: a carne para nada serve!

O que Jesus deu a entender aos seus discípulos com a frase: ‘a carne para nada serve’?

Quando Jesus disse que ‘a carne para nada servia’, estava explicando aos discípulos que a sua carne não era ‘degustável’. Jesus estava esclarecendo que era equivocada a ideia que abstraíram de sua palavra, pois estavam escandalizados com a ideia de que a vida prometida estava vinculada a degustarem uma porção da carne de Cristo como se fosse pão.

Jesus descontrói a ideia que alguns discípulos equivocadamente construíram em função da parábola. Ele esclarece que a vida decorre de participarem do seu espírito (palavra) e, que a carne d’Ele não tinha tal serventia. Ou seja, em relação ao corpo físico de Jesus, que foi feito em semelhança da carne do corpo do pecado, não possuía as propriedades que os seus ouvintes equivocadamente entenderam através da parábola.

A carne de Cristo não tinha valor algum? A carne de Cristo tinha valor, pois foi através dela que Jesus aniquilou o que tinha o império da morte quando entregou ao Pai o seu espírito ( Hb 2:14 ). Foi através do seu corpo físico que Jesus tornou-se semelhante aos seus irmãos ( Hb 2:17 ), de modo que hoje Ele é misericordioso e fiel sumo sacerdote. Foi através do seu copo físico que Ele pode ser tentado e padecer todas as aflições ( Hb 2:18 ). Somente quando participante da carne e do sangue, tornou-se possível o Filho do homem ser entregue nas mãos dos pecadores ( Lc 24:7 ).

No contexto de João 6, verso 63, a carne de Cristo não possuía a propriedade de proporcionar vida caso alguém comesse da sua carne como se fosse pão, mas no contexto de Hebreus 10, verso 10, vê-se a serventia, o valor do corpo de Cristo “Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:10 ).

É em função da parábola proposta por Cristo aos judeus, que muitos interpretam literalmente a parábola proposta e, se esquece que, para interpretar uma parábola, antes se faz necessário elucidar o enigma: o pão proposto é o espírito, a palavra de Cristo, e não a carne d’Ele. Este erro se vê nas declarações do ex-pastor Batista, Francisco Almeida Araújo, conforme o exposto no DVD intitulado “Nossa Senhora do Marrom Glacê”, pois como a carne de Cristo para nada serve, segue-se que os fundamentos da eucaristia, a transubstanciação, estão equivocados, pois o que dá vida é o espírito, a palavra.

Mas, como convencer alguém da verdade? Somente lhe anunciado a verdade “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ). Zorobabel viu um castiçal todo de ouro, um vaso de azeite no seu topo, com as suas sete lâmpadas, sete canudos, um para cada uma das lâmpadas que estão no seu topo e, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda, porém, não compreendeu a visão: a resposta estava no espírito, na palavra do Senhor, que faz o que é aprazível e não volta vazia ( Is 55:11 ).

Ao anunciar que a sua carne era verdadeiramente comida e o seu sangue verdadeiramente bebida, apresentando o enigma de que o seu corpo era o pão a ser comido “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” ( Jo 6:51 ), Jesus queria que compreendessem que lhes era necessário serem participantes da sua palavra, crendo n’Ele como confessou o discípulo Pedro: ‘- Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna!’

Portanto, qualquer que crê em Cristo conforme diz as Escrituras, alimentou-se de Cristo, ou seja, é participante do pão, do seu corpo, da sua carne e do seu sangue que foi entregue pela vida do mundo ( Jo 6:51 e 57).

A ideia que abstraíram da palavra de que Cristo estava dando literalmente a sua carne a comer foi descontruída quando Jesus alertou os seus discípulos de que ‘a carne d’Ele não tinha serventia para conceder vida’, antes o que concede vida é o seu espírito, ou seja, a sua doutrina, a sua palavra.

Qualquer que aceitasse a doutrina de Cristo não se escandalizando d’Ele, é o que renovou o espírito da sua mente. É naquele que não se escandaliza que ocorre a ‘metanoia’, a mudança de mente, de espírito. Enquanto alguns discípulos estavam escandalizados a ponto de se retirarem ( Jo 6:66 ), somente aqueles que mudaram a sua concepção diante da mensagem do evangelho puderam confessar: ‘- Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e conhecemos que tu és o Cristo, o Santo de Deus!’ ( Jo 6:68 -69).

Aquele que não renova a sua compreensão buscará motivos para se escandalizar. À época de Cristo, uns se escandalizam da doutrina, outros do conhecimento de Cristo, pois apenas viram Jesus como um dos filhos de José e Maria e, que tinha por oficio ser carpinteiro ( Mc 6:3 ). Mas, os que não se retiram escandalizados permanecem, pois creem que Jesus é o Filho de Davi prometido segundo as Escrituras.

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O objetivo de quem participa da mesa do Senhor deve ser única e exclusivamente anunciar a morte de Cristo. Se alguém usa do cerimonial comemorativo estabelecido por Cristo de modo indevido, como estava sendo feito por alguns da igreja de Corinto, acaba por tornar-se culpado da morte de Cristo (…) Aqueles que não discernem o corpo de Cristo, que é a igreja, e que continuam a participar do pão e do cálice, estes são réus, merecedores de castigo. Quando a pessoa não diferencia o que é o corpo de Cristo, ele acaba sendo egoísta, causando divisões e dissensões, o que demonstra que ele não está ligado à cabeça da igreja, que é Cristo.

 


O Alerta Solene

As mensagens e sermões que antecedem a cerimônia da ceia geralmente contêm alertas quanto ao não cear indignamente. Os pregadores solicitam aos ouvintes que façam um auto-exame e apelam para a consciência dos ouvintes: Não participem do cálice e do pão indignamente!

Alguns pregadores alegam que, se alguém cometeu um errou durante a semana, acabou por tornar-se indigno de participar do cálice e do pão. Outros alegam que, caso alguém não tenha se santificado durante o decurso da semana, também será culpado do corpo e do sangue de Cristo, isto, se participar do pão e do cálice.

Diante deste impasse, fica a questão: O que é participar do pão e do cálice indignamente?

Para compreendermos o que Paulo escreveu aos cristãos de Corinto, analisemos o capítulo 11 da carta que foi endereçada a eles.

 

O Contexto

“Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (v. 1).

Antes de analisarmos o texto que geralmente é lido no cerimonial da comemoração da morte de Cristo, é preciso determinar qual o contexto que motivou o apóstolo Paulo a escrevê-lo.

Para esta análise é preciso ler o capítulo anterior, onde é demonstrado com se deu e no que consiste a liberdade cristã.

Paulo lembra os cristãos de que todas as coisas são licitas, mas que nem todas são convenientes. Há coisas que são licitas, porém, nada constroem ( 1Co 10:23 ). Para resumir os elementos pertinentes à liberdade, Paulo demonstra que, tudo quanto o cristão fizer, deve fazer para a glória de Deus ( 1Co 10:31 ).

Ou seja, Paulo solicita aos irmãos que tivessem um comportamento que não escandalizasse nem os judeu, nem os gregos e nem a igreja de Deus “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar” ( 1Co 10:32 -33).

Paulo demonstra que, para não causar escândalos a quem quer que seja, ele procurava não satisfazer os seus próprios interesses, antes, buscava o interesse de muitos, com o único fito de salvar a muitos (v. 33).

Paulo demonstra que, a sua atitude pessoal era uma imitação clara das atitudes de Cristo, que não procurou agradar a Si mesmo. Desta maneira Paulo aconselha os cristãos a que fossem seus imitadores ( 1Co 11:1 ).

O capítulo 11 aborda dois temas distintos: o uso do véu na igreja de Corinto e a Ceia do Senhor. Para falar a respeito destes dois temas, o apóstolo fez dois tipos de abordagem: ao falar do uso do véu, Paulo louva os cristãos por lembrarem-se do que lhes fora ensinado anteriormente. Ao falar da Ceia, o apóstolo não louva os cristãos.

“Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior” (v. 17).

O apóstolo louva os cristãos por em tudo se lembrarem dele e dos preceitos que guardavam conforme foram ensinados, mas repreende a todos pela conduta durante o cerimonial da Ceia ( 1Co 11:17 ).

Desta maneira, verifica-se que o contexto do verso 17 em diante é de repreensão. Contexto bem diferente da instrução anterior, que foi o uso do véu.

Mas, qual o objetivo da censura do apóstolo? O que Paulo estava coibindo?

O apóstolo Paulo censura os cristãos de Coríntios por causa de suas reuniões “… pois vos reunis, não para melhor, senão para pior” ( 1Co 11:1 ). Ou seja, o assunto abordado e discutido do verso 17 em diante gira em torno das reuniões dos cristãos. Isto porque as suas reuniões não eram para melhor, senão para pior.

O objetivo, ou a finalidade da reunião dos cristãos estava desvirtuado, e por este motivo específico, Paulo censura a conduta dos cristãos. Conduta esta que podia causar escândalo à igreja de Deus.

 

Problemas nas Reuniões

“Porque antes de tudo ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós divisões; e em parte o creio” (v. 18).

O apóstolo escreveu com base naquilo que ouviu a respeito do que estava acontecendo nas reuniões. Paulo ouviu de alguém que na igreja de Corinto havia divisões.

Paulo é cauteloso a cerca do que ouviu “… e em parte o creio” (v. 18).

Sobre as dissensões na igreja de Corinto, Paulo foi informado pelos da família de Cloé, e já havia recomendado aos cristãos que não agissem desta forma ( 1Co 1:10 ). Porém, o problema em pauta já não é dissensão, e sim, divisões de ordem socioeconômica.

Observe que as dissensões eram promovidas por questões partidárias no seio da igreja. Já as divisões surgiram por causa daqueles que tinham o que comer, e os que não tinham. Esta atitude acabava por envergonhar aqueles que nada tinham para comer (v. 22).

 

Divisões, Dissensões ou Heresias?

“E até importa que haja entre vós diferenças, para que os que são sinceros se manifestem entre vós” (v. 19).

O apóstolo ressalta que as diferenças entre os cristãos são necessárias.

Diante das diferenças os cristãos sinceros desenvolvem a tolerância, o amor ao próximo, a sinceridade, a moderação, a misericórdia, etc ( Tg 3:17 ).

Os homens e as instituições não toleram diferenças, e na sua maioria empregam meios para minimizar as diferenças, ou até mesmo excluir aqueles que são diferentes.

A proposta das diferenças na criação é a interação harmoniosa dos homens, porém, estas diferenças funcionam como um reagente, tornando visível a malignidade da natureza humana corrompida pelo pecado em Adão: dissensões, porfias, vã gloria, inveja, contendas, confusão, mentiras, etc ( Tg 3:14 -15).

Embora os cristãos já estivessem libertos da natureza pecaminosa, sendo nova criatura pela fé em Cristo, o entendimento de ‘mundo’ deles ainda precisava ser reformulado. Embora nova criatura, ainda não haviam se despido dos feitos da velha natureza, o que só é possível através da transformação operada pelo renovar do entendimento.

O evangelho de Cristo não busca acabar com as diferenças. Da mesma forma, a igreja de Cristo é constituída daqueles que creem, não importando as diferenças sociais ( Gl 3:26 -29). Não importa as diferenças, todos são filhos de Deus pela fé em Cristo.

Este versículo demonstra que, mesmo tratando de certas questões geradas pela diferenças, jamais foi o objetivo de Paulo extirpá-las. O problema dos cristãos não era as diferenças, antes a forma de lidar com elas.

Quanto a forma de se lidar com as diferenças, este assunto já havia sido abordado no capítulo anterior ( 1Co 10:31 -33).

Há algumas traduções que rezam: “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós” (v. 19), em lugar de ‘diferenças’. Qual a tradução mais acertada?

O que pode demonstrar qual a tradução acertada é o contexto. Importa que haja heresias no meio dos cristãos? Caso tenha importância existir heresias entre os cristãos, isto vai contra tudo o que os apóstolos pregavam.

Perceba que o tradutor fez um mero trabalho de verificação de léxico, porém, não analisou o contexto na qual tal palavra estava sendo empregada.

Da mesma forma a palavra correta no verso 18 é divisão, e não dissensões, o que foi abordado no início da carta, conforme Paulo foi avisado pelos da família de Cloé ( 1Co 1:11 ). Observe que Paulo não declina quem lhe avisou que havia divisões durante as reuniões ( 1Co 11:18 ).

“De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor” (v. 20).

O que o apóstolo ouviu acerca das reuniões para se comer a Ceia do Senhor foi o bastante para a conclusão: as reuniões que faziam não eram para comer a ceia do Senhor.

A crítica de Paulo continua sendo a reunião dos cristãos. Eles se juntavam num lugar, porém, tal ajuntamento não era para comer a ceia do Senhor.

O Problema

“Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se” (v. 21).

Este versículo firma-se no anterior, ou seja, Paulo passa a motivar a crítica feita no versículo anterior: “Porque…”.

Quando os cristãos de Corinto iam comer reunidos em um mesmo lugar, cada um se apressava a tomar a sua própria ceia, e conseqüentemente, uns ficavam com fome, e outros, de tão abastados, ficavam embriagados ( 1Co 11:21 ).

Os cristãos que tinham o que comer comiam tanto que, ao final do cerimonial estavam embriagados, e outros que nada tinham, ficavam com fome. Estes estavam esquecidos que a igreja de Deus é comporta por servos e livres, judeus e gentios, homens, mulheres e crianças, pobres e ricos, etc.

As diferenças eram muitas, porém, deveriam ser imitadores de Cristo, como filhos amados ( Ef 5:1 ; 1Co 10:32 -33).

Para compreenderemos o texto, faz-se necessário entendermos o modelo de reunião adotada pelos cristãos primitivos.

A determinação de Cristo aos discípulos foi específica: todas as vezes que fossem cear, deveriam comemorar a morte de Cristo até que Ele viesse outra vez ( 1Co 11:25 ).

Os cristãos de Corinto reuniam-se conforme a determinação de Cristo, porém, cada um fazia uma ceia ‘particular’, mesmo quando reunidos em um mesmo lugar. Esqueciam que a comunhão era tanto na hora de comer, quanto no ‘partir do pão’.

 

A Igreja de Deus

“Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo” (v. 22).

A repreensão do apostolo é enfática: “Não tendes casas onde comer e beber? Ou menosprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm?”. O pouco apreço pela igreja de Deus é o que motivou a repreensão do apóstolo.

Para entender o texto, também é preciso verificar sobre qual igreja Paulo está fazendo referência. Observe que a igreja que Paulo faz referência neste versículo não é o templo, ou a casa onde ocorriam as reuniões, que hoje acabamos por denominar igreja.

A igreja de Deus refere-se ao corpo de Cristo formado pela comunhão em Cristo por vários povos de diferentes classes sociais e etnias.

A atitude de cada cristão em fazer uma ceia ‘particular’ nas reuniões que eram voltadas para anunciar e comemorar a morte de Cristo até que Ele voltasse estava simplesmente envergonhando aqueles que nada possuíam.

Esta atitude causava menosprezo à igreja de Deus, visto que, a igreja ou o corpo de Cristo é composto por várias pessoas de diferentes classes sociais.

Por que estava ocorrendo este menosprezo? Porque não compreendiam a dinâmica (mistério) que envolve a igreja de Deus, ou melhor, o corpo de Cristo. Se eles compreendessem a ideia da palavra igreja que está contida no Novo Testamento, eles não estariam participando do pão e do cálice indignamente.

A compreensão exata que o cristão deve ter a respeito do que é a igreja de Deus foi descrito por Paulo na carta aos cristãos em Éfeso:

1) A igreja era um mistério que esteve oculto em Deus, não sendo revelado aos homens em outras gerações ( Ef 3:4 -5); mas, que agora foi revelado aos santos apóstolos e profetas;

2) A igreja é a união de povos (gentios e judeus), onde ambos os povos têm “acesso ao Pai em um mesmo Espírito” ( Ef 2:18 ). Os gentios são membros do corpo de Cristo, e Cristo é o cabeça deste corpo ( Ef 3:6 e Ef 5:23 ). A igreja é o corpo de Cristo ( Cl 1:24 ), e todos estes elementos reunidos formam a ideia presente na palavra igreja, o corpo de Cristo;

3) Todos os homens que creem em Cristo (judeus, gregos, romanos, servos, livres), fazem parte do corpo de Cristo individualmente. Quando reunidos, havia pessoas de diferentes raças e classes sociais, mas todos fazem parte do corpo de Cristo ( 1Co 12:13 e 27).

4) A igreja, o corpo de Cristo, foi formada porque Cristo entregou a sua carne (o seu corpo humano); e, por meio da entrega do corpo de Cristo todos os que creem tornam-se participantes da morte de Cristo (morrem com Cristo), e ao serem de novo criados (ressurgirem com Cristo) por meio da fé, o homem deixa de ter qualquer vínculo com a sua antiga natureza, como bem expressa o apostolo Paulo: “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, Ainda que tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo” ( 2Co 5:16 ). Ou seja, com esta declaração Paulo demonstra que ninguém deveria se pautar em elementos pertinentes a antiga natureza para dizer que conhecia alguém dentro da igreja. Deveriam excluir qualquer tipo de discriminação como: “- Você conhecer aquele irmãozinho, o escravo de ‘fulano’?” Ou, “-Você viu ‘bertano’, o senhor de ‘fulano’?”. Depois que o homem aceita a Cristo, a ninguém mais deve conhecer por elementos pertinentes à carne, visto que, agora, em Cristo, todos são irmãos, filhos de Deus pela fé e concidadãos dos santos, pertencentes à família de Deus “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus” ( Ef 2:19 ).

O apóstolo não aceitou aquela forma de comportamento, pois não foi dessa maneira que Paulo havia ensinado os cristãos.

Sobre a não utilização do véu, os cristãos estavam seguindo o determinado por Paulo, e por isso, foram louvados. Já com relação à ceia, não foram elogiados, visto que, estavam afastados dos preceitos ensinados por Paulo.

A Instituição da Ceia

Lemos em Mateus 26 que, no primeiro dia da festa dos pães amos, os discípulos queriam saber de Jesus onde haveriam de preparar a páscoa ( Mt 26:17 ). Jesus indicou uma casa pertencente a um homem que ficava na cidade.

Os discípulos foram e prepararam a páscoa, e à tarde, Jesus assentou-se à mesa com os doze. Durante a degustação da páscoa, Jesus anunciou que seria traído, e os discípulos com pesar perguntavam: “Por acaso sou eu Senhor?” ( Mt 26:22 ).

Foi quando Jesus disse que, aquele que metesse a mão juntamente com ele no prato, este o havia de trair. Judas, o que traiu, perguntou: “Por acaso sou eu, Rabi?”, e Jesus respondeu: “Tu o disseste”.

Enquanto todos comiam o preparado para a páscoa, Jesus pegou o pão e abençoando, partiu-o e deu aos seus discípulos. Depois, Jesus pegou o cálice, deu graças, e deu-o aos seus discípulos, dizendo: “Bebei dele todos…” ( Mt 26:27 ).

Enquanto Mateus focou-se nos arranjos para se comemorar a páscoa, Lucas fixou-se no desejo de Jesus em participar juntamente com os seus discípulos daquela última páscoa ( Lc 22:15 ).

Lucas demonstra que, ao se assentar à mesa com os seus discípulos, Jesus mencionou o desejo de comer daquela ceia antes do seu sofrimento. Que em seguida, pegou o cálice e deu graça, e mandou que repartissem o cálice entre eles.

Após repartir o cálice, Jesus deu graças pelo pão e o repartiu entre os discípulos. Ao final da ceia, Jesus fez com o cálice da mesma forma que foi feito com o pão e explicou o significado do cálice ( Lc 22:19 -20).

Enquanto comiam a páscoa Mc 14:18 , Jesus falou-lhes da traição e em um determinado momento pegou o pão e o abençoou. Em seguida, parti-o e deu aos discípulos dizendo: “Tomai, comei, isto é o meu corpo” ( Mc 14:22 ).

Da mesma forma Jesus lhes anunciou: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos” ( Mc 14:24 ).

Isto foi posto para entendermos o que estava ocorrendo na igreja de Coríntios. Devemos observar atentamente os moldes em que se deu a ceia ministrada por Jesus.

Na noite em que foi traído, Jesus e os discípulos estavam comendo o cordeiro da páscoa. Em dado momento da festa, Jesus pegou o pão e o abençoou e distribuiu aos discípulos dizendo: “Tomai, comei, isto é o meu corpo”.

Isto demonstra que, como a primeira ceia ministrada por Cristo se deu em meio à festa dos pães asmos (quando era necessário aos judeus sacrificarem a páscoa), os cristãos primitivos quando se reuniam para comemorar e anunciar a morte do Senhor Jesus, acabavam por fazer uma grande refeição semelhante a ceia dos judeus.

A dissensão que estava ocorrendo na igreja de Corinto era decorrente da refeição que faziam antes de comemorar a morte de Cristo.

Observe que Jesus após cear tomou o pão, ou seja, após comer o cordeiro pascoal que foi preparado pelos discípulos no dia dos pães asmos, é que foi instituído o cerimonial em sua memória. Foi durante a páscoa que Jesus tomou o cálice e o pão, abençoando-os ( Lc 22:7 ).

Podemos depreender dos textos a seguinte ordem nos eventos narrados:

a) Preparação para a páscoa;

b) Jesus assenta-se à mesa com todos os discípulos;

c) Diferente de outras páscoas, Jesus pega o recipiente que continha o vinho, deu graça, e entregou aos discípulos para que repartissem entre eles ( Lc 22:17 );

d) Depois, Jesus pegou o pão, deu graças e o partiu. Entregou aos seus discípulos o pão dizendo: “Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim” ( Lc 22:19 );

e) Após a ceia, da mesma forma que foi feito com o pão, Jesus procedeu com o cálice. Pegou o cálice e disse: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado por vós” ( Lc 22:20 ).

Não podemos confundir a ceia referente à páscoa, da ceia que hoje se comemora à morte de Cristo. Da mesma forma que, antes de comemorarem a morte de Cristo, os cristãos de Corinto estavam se reunindo para se banquetearem, porém, ignoravam aqueles que nada tinham.

 

Recapitulando os Ensinamentos

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão” (v. 23).

Paulo passa a recapitular o que havia ensinado aos cristãos.

O que Paulo havia ensinado, era o mesmo que recebera de Cristo.

Paulo havia ensinado os cristãos, que Jesus, na noite em que fora traído, tomou o pão e tendo dado graças, o partiu e disse:

“E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” (v. 24).

Jesus manda os discípulos pegarem e comerem o pão, e lhes apresenta o motivo: o pão repartido por eles representava o corpo de Cristo, que foi entregue por todos.

Este cerimonial foi instituído em memória de Jesus e da sua obra pela igreja. Jesus aponta o objetivo pela qual deveriam pegar e comer do pão: manter viva a memória do seu nome.

“Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim” (v. 25);

Após Cristo terem comido do cordeiro pascoal juntamente com os discípulos (depois de cear), ele pegou o cálice, que momento antes fora repartido entre os discípulos, deu graças Lc 22. 17, e disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue”.

O testamento anterior foi invalidado quando Cristo instituiu o novo.

Os cristãos devem entender que a base de tudo esta no testamento no sangue de Cristo, e não no homem. É Cristo a garantia de salvação, e não os nossos atos.

Os elementos da ceia

Paulo ensinou que, na noite da traição, Cristo pegou o pão e após ter dado graças partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isso em memória de mim” (v. 24);

Sabemos que o pão não se transforma no corpo ou na carne de Cristo. Antes, ao dizer: “Isto é o meu corpo…”, Jesus estava demonstrando que o pão, naquele momento, representava o corpo de Cristo, que estava sendo entregue à humanidade.

Sabemos que o corpo de Cristo não foi dividido em partes, visto que, nenhum de seus ossos foi quebrado. Desta forma, sabemos que o pão partido e entregue aos discípulos não representava que o corpo de Cristo seria dividido em partes, antes que, cada um dos discípulos, após comerem, passaram a fazer parte do corpo de Cristo.

Cristo foi entregue em prol da humanidade, e todos os que crêem passam a condição de participantes do corpo de Cristo.

Após ter dado graças e partido o pão aos discípulos, Jesus estava lhes demonstrando que todos eles constituíam o seu novo corpo. O pão repartido entre os discípulos representava o corpo de Cristo, ou seja, cada discípulo passou à condição de participante do corpo de Cristo.

O pão que foi partido por Cristo representava o seu corpo, e que, após ser entregue aos discípulos, passou a representar que cada um dos discípulos passaram a compor o corpo de Cristo.

O pão que representava o corpo de Cristo estava sendo ‘partido’ por todos, ou seja, ao partir o pão e o cálice, os cristãos manteriam viva a lembrança de que todos faziam parte do corpo de Cristo.

Paulo estava relembrando os cristãos que, embora fossem muitos, todos individualmente eram membros uns dos outros, da mesma forma que eram um só corpo em Cristo “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Romanos 12: 5).

Da mesma forma que o pão representava o corpo de Cristo “Isto é o meu corpo…” (v. 24), cada um dos discípulos passou à condição de membros deste corpo.

Paulo citou todos os elementos quando se comemora a morte de Cristo:

a) Jesus entregou o pão a todos os presentes;

b) todos estavam comendo a páscoa;

c) o cálice foi repartido e entregue a todos os discípulos.

Estes elementos demonstram que todos os discípulos estavam reunidos em um único propósito: participarem da páscoa.

No antigo testamento todos os israelitas deviam participar do cordeiro pascoal. Da mesma forma, Cristo demonstra que todos os cristãos devem participar da ceia instituída no Novo Testamento, sendo que, até mesmo Judas participou do pão e do cálice.

Cristo sabia que Judas era um traidor, no entanto, deixou-o participar do pão e do cálice.

Pedro participou da ceia, mesmo Cristo sabendo que seria negado mais tarde.

Logo após a ceia houve uma grande discussão entre os discípulos sobre qual deles haveria de ser o maior no reino dos céus, mas todos participaram da cerimônia ( Lc 22:24 -30).

No jardim do Getsêmani todos os discípulos dormiram em um dos momentos mais cruciais, deixando Jesus só.

Pedro, muito tempo depois, tornou-se repreensível e Paulo teve que exortá-lo, porém, não há registro de que Pedro tenha deixado de participar da ceia por tornar-se indigno.

Todos estes casos demonstram que questões comportamentais, morais, hábitos e maneira de viver não tornam os homens indignos de participarem do pão e do cálice.

“Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (v. 26).

Ao instituir a ceia (comer do pão e beber do cálice), Jesus estava:

a) Dando a entender que os discípulos eram o corpo de Cristo (v. 24), e;

b) Que há uma nova aliança, um novo Testamento entre Deus e os homens firmados no sangue de Cristo (v. 25);

c) Comer do pão e beber do cálice em memória de Cristo é anunciar a morte de Cristo até a sua vinda (v. 26).

 

“Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor” (v. 27).

O apóstolo Paulo demonstrou anteriormente que a ceia é anuncio da morte do Senhor, e neste versículo remete os leitores a uma conclusão: “Portanto…”.

O apóstolo Paulo demonstra que qualquer um que comer do pão e beber do cálice indignamente, este será culpado do corpo e do sangue do Senhor.

Os Indignos

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice” (v. 28).

O versículo anterior só aponta a condição de indigno, mas não demonstra o que leva uma pessoa a condição de indigno de participar do pão e do cálice.

Paulo solicita aos cristãos que façam um auto-exame para que não se vejam em condenação, para depois apresentar o que de fato torna um homem indigno de ser participante do pão e do cálice (v. 29).

Paulo determina que o homem deva examinar-se a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Observe que Paulo demonstra que não é coerente que outros julguem os nossos atos “Pois por que há de a minha liberdade ser julgada pela consciência de outrem?” ( 1Co 10:29 b).

“Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor” (v. 29).

Por que o homem deve examinar-se a si mesmo? Porque o que come indignamente, comem e bebe para a sua própria condenação. Ou seja, não é a proibição imposta por outra pessoa impedindo que alguém participe da ceia, que livrará o outro de ser culpado do corpo e do sangue de Cristo.

Quem participa do pão e do corpo indignamente, come e bebe para a sua própria condenação, ou seja, não há como outra pessoa impor regras e condições para que outra pessoa se torne digna.

Mas, o que tornava os cristãos de Corinto indignos de participarem da ceia?

Em uma primeira leitura do texto, a idéia que sobrevém são os erros diários! Muitos concluem que os erros são os responsáveis por tornar um cristão indigno de participar do pão e do cálice! Tremendo engano.

Paulo declara que se torna indigno de participar do pão e do cálice aquele que não discerne o corpo do Senhor, ou melhor, aquele que não sabe fazer uma apreciação do que é, ou no que constitui o corpo do Senhor.

Por não entenderem qual é o significado do corpo do Senhor, ou qual é o conceito que envolve a igreja de Cristo, alguns dos crentes de Corinto seriam culpados do corpo e do sangue de Cristo.

Isto porque o objetivo de quem participa da mesa do Senhor deve ser única e exclusivamente anunciar a morte de Cristo. Se alguém usa do cerimonial comemorativo estabelecido por Cristo de modo indevido, como estava sendo feito por alguns da igreja de Corinto, acaba por tornar-se culpado da morte de Cristo.

Ou seja, a condição daquele que se diz cristão e não compreende o que é o corpo de Cristo, a sua condição é pior que a do incrédulo “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro” ( 2Pedro 2:20 ).

Todos aqueles que se reuniam para participar do pão e do cálice já haviam escapado da corrupção do mundo, por meio da fé em Cristo. Porém, caso permanecessem fazendo distinções, divisões, menosprezando a igreja de Deus, isto demonstra que continuavam perdidos. Continuavam culpados da morte de Cristo.

Sobre estas pessoas o apóstolo Pedro disse: “Receberão a paga da injustiça. Tais homens têm prazer na luxuria à luz do dia. São nódoas e máculas, deleitando-se em suas mistificações, quando banqueteiam convosco” ( 2Pe 2:13 ).

O versículo 27 e uma conclusão da idéia exposta no versículo anterior “Portanto, (…) será culpado…” ( 1Co 11:27 ). Desta conclusão decorre dos elementos apresentados anteriormente:

1) Do que foi ensinado por Paulo (v. 23 a 26) ao descrever o que foi realizado por Cristo na noite em que foi traído, e;

2) Interposto aqui como exemplo de que forma os cristãos devem se portar quanto da solenidade comemorativa da morte de seu Mestre, que a ninguém descriminou na cerimônia.

A idéia geral desenvolvida por Paulo neste capítulo parte da constatação de que havia divisões quando das reuniões dos cristãos. Estas divisões tinham como elemento central o cerimonial comemorativo da morte de Cristo, que é a comunhão em seu corpo e sangue.

Paulo apresenta as divisões: pressa ao tomar a própria ceia; uns com fome e outros embriagados; menosprezavam a igreja, envergonhado os que nada tinham.

Este tipo de comportamento era uma demonstração clara de menosprezo à igreja de Deus, uma vez que não estavam se importando com os domésticos da fé.

Paulo já havia ensinado que Cristo instituiu o cerimonial comemorativo de sua morte enquanto comiam à páscoa, sendo que todos participaram tanto da páscoa quanto do primeiro ato comemorativo da morte de Cristo.

Depois desta seqüência de idéias, o apóstolo chega a primeira conclusão: “… será culpado do corpo e do sangue do Senhor”. Neste versículo, ‘corpo’ e ‘sangue’ referem-se ao corpo de Jesus que fora entregue aos homens e não a igreja de Cristo. Observe:

“Pois todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice…” (v. 26)

“Portanto, qualquer que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente…” (v. 27)

“… anunciais a morte do Senhor, até que ele venha” (v. 26)

“… será culpado do corpo e do sangue do Senhor” (v. 27)

O comer do pão e o beber do cálice foi instituído para anunciar a morte de Cristo até a Sua volta, e o cristão que come e bebe indignamente a ceia não esta anunciando a morte de Cristo, antes é réu da morte de Cristo.

O apóstolo não esta falando da igreja, organismo vivo e poderoso, onde os seus membros são ‘templo’ e ‘moradas’ do Deus vivo, antes faz referência à morte de Cristo (corpo e do sangue).

Há uma culpa para os indignos, mas qual? O escritor aos hebreus nos dá uma idéia do que é ser culpado da morte de Cristo, e não participante de sua morte, como é necessário para se escapar da ira vindoura.

O homem é livre de condenação quando se torna participante da morte de Cristo, o que a ceia representa. Porém, se já não é participante do corpo, e as divisões demonstram isto, não eram participantes da morte, antes eram culpados do corpo e do sangue.

“Se voluntariamente continuarmos s no pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo que há de devorar os adversários (…) De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?” ( Hb 10:26 –29).

O escritor aos Hebreus alerta que, aquele que foi inteirado plenamente das verdades contidas no evangelho, e mesmo assim decide permanecer no pecado (o pecado aqui refere-se a natureza herdada de Adão), não há mais que se oferecer sacrifícios pelos seus pecados (pecados aqui refere-se a conduta), pois o velho homem continua vivo e em inimizade com Deus.

Aqueles que não discernem o corpo de Cristo, que é a igreja, e que continuam a participar do pão e do cálice, estes são réus, merecedores de castigo. Quando a pessoa não diferencia o que é o corpo de Cristo, ele acaba sendo egoísta, causando divisões e dissensões, o que demonstra que ele não está ligado à cabeça da igreja, que é Cristo.

Quando alguém faz divisão na igreja, está conforme João disse: “Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas” ( 1Jo 2:9 ), ou seja, por não saber discernir o corpo do Senhor, permanece no pecado (não fazendo parte do corpo, que é a igreja e não se conformando com Cristo na sua morte), estes estão novamente “… crucificando para si mesmos o Filho de Deus, e expondo-o ao vitupério” ( Hb 6:6 ).

Se estiverem crucificando para si o Filho de Deus, resta que são réus de juízo, e participam do pão e do cálice indignamente, para a própria condenação. São culpados da carne e do sangue.

Conclusão

“Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor” (v. 27- 29).

 

Os versículos 27 e 29 apontam um problema no seio da igreja, e o 28 é a solução do problema.

O apóstolo solicita aos irmãos que fizessem um auto-exame, e que após este exame, participassem do pão e do cálice (v. 28). O apóstolo não proíbe o comer do pão e do cálice, pois só o auto-exame já era suficiente para que o participante viesse a se conscientizar das questões pertinentes ao corpo do Senhor, que a Igreja.

Paulo estava questionado o comportamento individualista de alguns e não aquele que pode ou não participar da mesa do Senhor. Em momento algum Paulo diz de quem pode ou não participar da Ceia de Cristo.

Paulo solicita aos cristãos refletirem, e, após, que participassem do ato comemorativo que anuncia a morte do Senhor.

Qualquer pessoa que participa da ceia fora do objetivo principal, que é anunciar a morte do Senhor, acaba por condenar a si mesmo, pois não sabe discernir o corpo do Senhor, a igreja.

Assim que, aquele que participa da Ceia na intenção de santificar-se, ou que participa na intenção de alcançar o perdão dos pecados, esta enfatuado na sua carnal compreensão, e participa indignamente.

A Ceia é um anuncio da morte de Cristo, e a santificação se dá por meio da oferta do corpo de Cristo “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver profanado o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajar o Espírito da graça?” ( Hb 10:29 ).

Por não compreenderem no que consiste a igreja, surgiu inúmeras dissensões, entre elas temos: Partidarismo entre os freqüentadores da igreja ( 1Co 1:11 e 12); Litígios entre os irmãos ( 1Co 6:1 -8); Comiam a ceia em separado ( 1Co 11:21 ); etc.

O apóstolo ao comentar as divisões e dissensões que estavam ocorrendo em Corinto quando os cristãos comiam a ceia como algo em particular, ele ainda tem em mente uma ideia exposta em capítulos anteriores:

 

Base para as Afirmações Anteriores

“Falo como a entendidos: julgai vós mesmos o que digo. Não é o cálice de bênção, que abençoamos, a comunhão do sangue de Cristo? E não é o pão que partimos a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:15 -17).

O texto do capítulo 11 deve ser lido segundo o que foi exposto neste dois versículos. Para entender plenamente o capítulo 11 deve ter em mente as observações seguintes:

  • Paulo escreveu a quem foi instruído anteriormente, ou seja, os cristãos de Corinto deviam entender plenamente o significado do corpo de Cristo, que é a igreja “Falo como a entendidos”; Uma vez que Paulo já havia ensinado e louvado os cristãos por terem guardado os preceitos da maneira que foram entregue, eles já entendiam das questões espirituais ( 1Co 11:2 );
  • Paulo escreve a quem já era capaz de discernir as verdades bíblicas através de um auto-exame “Julgai vós mesmos”. Quem havia aprendido de Paulo, sabia o quanto ele enfatizava à liberdade em Cristo ( 1Co 10:23 ). Daí a necessidade do auto-exame ( 1Co 11:13 );
  • Não é o cálice que traz a bênção para o crente, antes é o crente que abençoa o cálice. Por quê? Porque o cálice se resume em uma representação do que é real. Nós, que estamos em Cristo, é que temos comunhão com o sangue e com o corpo de Cristo, e por isso, abençoamos o cálice da bênção. Cristo abençoou o pão e partiu entre os discípulos ( Mt 26:26 );
  • Através do que é representativo (pão e cálice), todos tornam participantes de Cristo (exteriorização de uma realidade espiritual), desta forma é o cristão quem abençoa o cálice e o pão.

A atitude impensada de alguns (não sabiam discernir o que é o corpo do Senhor), que participavam da mesa do Senhor imbuídos de sentimentos egoístas (demonstravam que não estavam anunciando a morte do Senhor), acabava por fazer surgir entre os cristãos muitos fracos e doentes. Pior ainda, muitos já estavam dormindo.

Fraco – aqui não faz referência a alguém que pecou, antes àqueles que não entendem plenamente as verdades do evangelho e que podem ser induzidos a adotarem comportamentos errôneos ( 1Co 8:9 -10; 2Pe 2:18 ).

Doente – faz referência àquele que está prestes a perecer espiritualmente, deixando de crer.

Dormem – faz referência àqueles que perderam a esperança da salvação ( 1Ts 5:6 -8).

O apóstolo de uma forma amorosa e esplendida orienta os irmãos a que fizessem um auto-exame de suas condutas diárias, pois então, não seria mais necessário ter que repreendê-los. Mas, se fosse necessário o apóstolo repreendê-los, que considerassem que a disciplina do Senhor livra o homem da condenação com o mundo.

A orientação para acabarem com as distorções sobre a ceia é clara: esperem uns pelos outros quando se reunirem para comer; e, se alguém tiver fome, coma em casa.

Todas as vezes que realizassem o ato de comer e beber do cálice, estariam a anunciar a morte de Jesus, até o dia de sua volta. Diante disto o apóstolo conclui: se alguém participar do pão e do sangue de modo indigno, será culpado do corpo e do sangue, o que leva o participante a ter que examinar a si mesmo para não participar indignamente.

 

Concluí-se:

Não há como alguém que crê em Cristo, conforme diz as escrituras, e que entende plenamente o que é o corpo de Cristo, tomar a ceia indignamente.

Só aqueles que dizem amar a Deus, e que não amam os seus irmãos, a ponto de fazer distinção, divisões e serem egoístas quanto ao partir do pão, é que participam indignamente à mesa do Senhor ( 1Jo 3:10 ).

Porém, não há uma proibição quanto ao participar do pão e do cálice, visto que, quem participa deve examinar-se a si mesmo.

Aquele que não tem comunhão com o corpo de Cristo, que é a igreja, mas que participa do pão e do cálice indignamente. Continua sendo réu de juízo, culpado do corpo e do sangue de Cristo.

Ademais, percebe-se que quando Cristo disse: “Isto é o meu corpo que é entregue (repartido) por vós”, nós nos tornamos um só pão e um só corpo, pois todos são participantes do mesmo pão.

Da mesma forma que Cristo é o pão, nós somos um só pão com Ele. Da mesma forma que Cristo é Luz, somos filhos da Luz. Da mesma forma que Cristo é o Filho de Deus, nós somos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.

“Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, pois todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:17 ).

Aquele que não discerne que todos cristãos são um só pão e um só corpo em Cristo e que promovem divisões na igreja por questões economicas, sociais, nacionalidade, etc., é quem participa do pão e do cálice indignamente. Portanto, é culpado da carne e do sangue de Cristo.

“Quem não é participante do pão (corpo), é culpado da carne e do sangue”

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