Como obter a Santificação?

Ser santo não implica em ser distinto. A santidade de Deus não é pertinente àquilo que difere, e sim, à Sua natureza. Como a santidade procede da natureza de Deus, jamais ela pode ser atribuída ou imputada, antes decorre da Regeneração (gerar de novo), onde o homem passa a ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:3 ).

 


 

“E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 )

Como obter a Santificação?

O Dr. Russell Shedd, em seu livro Lei, Graça e Santificação deixou a seguinte nota:

“Deus quer filhos à Sua imagem, que imitem a Sua santidade” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 55, o que nos leva à pergunta: a santidade dos filhos de Deus provem da capacidade deles em ‘imitar’ a santidade do Pai, ou por terem sido gerado d’Ele?

A Bíblia é muito clara ao demonstrar que a regeneração, a justificação e a santificação são provenientes de Deus por meio da fé em Cristo quando o homem recebe poder de ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 -13).

  • Através da fé em Cristo o homem é Santificado: “Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim( At 26:18 );
  • De igual forma, o homem é Justificado pela fé em Cristo: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” ( Gl 2:16 );
  • A Regeneração é por meio da fé: “Necessário vos é nascer de novo (…) para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” ( Jo 3:7 e 15).

Através dos versículos acima, verifica-se que a fé é o elemento comum e essencial à regeneração, à santificação e à justificação.

Por meio do evangelho, Deus oferece Salvação graciosa a todos os homens que estão perdidos, sendo que a Salvação é adquirida pela fé em Cristo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:8 ).

O chamado de Salvação é para todos os homens, sem distinção alguma. Porém, somente quando o homem crê em Cristo, ou seja, descansa na promessa proposta, entra em ação o poder de Deus, que é concedido àqueles que creem para Salvação ( Jo 1:12 ).

A oferta de salvação é proposta ao homem na condição de pecador, porém, o homem não pode ser salvo enquanto pecador. É neste ponto que Deus realiza uma obra maravilhosa, segundo a sua vontade e poder: a Regeneração.

O homem que recebe a proposta de salvação e crê, tem que morrer, e verdadeiramente morre com Cristo, sendo sepultado com Ele. Isto porque Deus não salva a planta que não foi plantada por Ele, antes ela é arrancada ( Mt 15:13 ).

A semente incorruptível que foi plantada no coração do homem, somente germina quando este morre e é sepultado com Cristo “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” ( Jo 12:24 ). Neste sentido, Cristo não veio trazer conciliação com a velha natureza presente no homem, mas sim, trazer espada ( Mt 10:34 ).

Na Regeneração Deus cria um novo homem. Este é gerado de Deus “Segundo a sua vontade, Ele nos gerou de novo…” ( Tg 1:18 ; Ef 2:10 ). O homem passa a ser a planta plantada pelo Pai. Esta nova criatura, e somente esta, recebe a Salvação de Deus. A oferta de Salvação foi feita ao homem na condição de pecador, mas a Salvação se efetiva naqueles que são de novo criados, segundo Deus ( Jo 1:12 -13).

Na Regeneração o homem ressurge com Cristo uma nova criatura, e somente este homem pode receber o prêmio da salvação, por não permanecer no pecado. Pois para isso Cristo ressurgiu “E, se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” ( 1Co 15:17 ).

Da Regeneração decorre a Justificação e a Santificação. A Justificação refere-se à declaração de Deus à nova criatura, visto que ela foi criada segundo a natureza divina: justa. Deus declara justo o justo que ressurgiu com Cristo dentre os mortos. Isto, porque não haveria como o velho homem que recebeu a proposta de salvação ser declarado justo. Na justificação entende-se também que o homem está livre da condição anterior, quando vivia no pecado.

Já, a Santificação refere-se à nova natureza recebida na Regeneração. Quando o homem é sepultado com Cristo, ele se reveste das condições pertinentes a Cristo ( Gl 3:27 ). Deus não tem o culpado por inocente, mas por sermos vivificados com Cristo, alcançamos o perdão de todos os delitos ( Cl 2:13 ).

O cristão não vive mais à ‘sombra das coisas futuras’, a Santificação é uma realidade na sua vida, pois a realidade é Cristo ( Cl 2:17 ). Não depende de esforço da parte do homem, visto que, ao ser de novo gerado, temos nos tornados participante de Cristo ( Hb 3:14 ; 1Jo 4:17 ).

A Salvação em Cristo é adquirida por meio da fé, sendo que, aqueles que creem recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). A filiação divina é adquirida por meio da fé na mensagem do evangelho (a semente incorruptível). Por meio da semente incorruptível o homem recebe poder para ser feito, criado, ou gerado de novo “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade…” ( Tg 1:18 ).

O Novo Nascimento é condição indispensável à salvação, conforme Jesus disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ). Somente pela fé é possível alcançar a Regeneração, pois apenas os gerados de novo podem herdar a salvação ( Jo 3:16 ). O pecador não poder ser salvo, somente o novo homem é salvo.

Não podemos esquecer que o velho homem originou-se da queda de Adão, e que a condição de culpável, condenável, inimigo de Deus e destituído da glória de Deus passou a todos os homens. Por natureza o homem nascido segundo a semente corruptível de Adão é filho da desobediência e da ira. Todos os homens que vêem ao mundo estão em igual condição diante de Deus ( Rm 5:18 ). A argumentação de Paulo de que todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus se fundamenta na natureza decaída que a semente de Adão produz ( Rm 3:23 ).

Após crer em Cristo, o homem recebe de Deus poder para ser feito (criado), filho de Deus. Este homem criado ou gerado segundo a vontade e poder de Deus é declarado justo. É o que denominamos justificação. A justificação divina não guarda semelhança com a justiça emanada dos tribunais humanos. Somente o novo homem gerado segundo a palavra da verdade pode ser declarado justo por Deus, visto que este novo homem é participante da natureza divina, por ter sido de novo criada em verdadeira justiça.

O homem que estava morto em delitos e pecados, após ouvir o convite e crer no evangelho (que é poder de Deus para que o homem seja criado segundo Deus), ressurge com Cristo dentre os mortos, nova criatura. Esta nova criatura é declarada justa por Deus. Para que fossemos declarados justos, Jesus ressuscitou, e, ao ressurgimos juntamente com Ele, somos declarados justo em decorrência da nova vida ( Rm 4:25 ).

Da mesma maneira que a Justificação, a Santificação vem por meio da filiação divina. O homem nascido segundo a vontade de Deus é participante da natureza divina ( 2Pe 1:4 ). Segundo o poder de Deus, o homem que crê, é criado novamente em verdadeira justiça e santidade.

Observe que a vontade eterna de Deus é que Cristo seja primogênito dentre os mortos e de toda a criação, para que em tudo tenha a preeminência ( Cl 1:15 e 18). Em Cristo, o homem é uma nova criatura ( 2Co 5:17 ), sendo gerado de novo e tido por Deus como filhos por adoção ( Rm 8:15 ). Por meio de Cristo é conduzido à glória de Deus muitos filhos ( Hb 2:10 ), onde a condição de preeminência de Cristo diante de toda criação se torna efetiva.

Quando os homens que creem são recebidos por filhos de Deus, irmãos de Cristo e herdeiros com Ele de todas as coisas, é conferido a Jesus a condição de primogênito de toda criação e dos mortos. Pois só é possível alguém reclamar o direito de primogenitura quando se tem irmãos. O unigênito que nos fez conhecer o Pai, agora, após conduzir muitos filhos a Deus, torna-se o primogênito de toda criação.

Desta forma, Deus quis e gerou pelo Espírito Eterno filhos para si. Filhos à sua imagem e semelhança, que receberam d’Ele a plenitude ( Cl 2:10 ). Estes não precisam imitar o Pai em sua santidade, antes são gerados de novo e detém a natureza do Pai: santos. Não há como imitar a santidade de Deus, visto que ela decorre da própria natureza divina. Deus é santo do mesmo modo que é justo, onipresente, reto, verdadeiro, etc.

Sobre este aspecto Jesus alertou: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ). Quais são as plantas que o Pai não Plantou? Aqueles nascidos da semente corruptível de Adão! Já os nascidos de semente incorruptível, que é a Palavra de Deus, são ‘plantas’ plantadas pelo Pai ( Jo 3:9 ; 1Pe 1:23 ).

A santidade daqueles que creem não pode ser uma mera imitação. Ela deve ser autentica, ou seja, em verdade. A santificação não fica a cargo do homem, e sim, de Deus.

É Deus que tem o poder de dar nova vida ao homem. Vida que procede d’Ele e que faz o homem ser participantes da sua natureza. Deus é luz, e aqueles que creem em seu Filho tornam-se filhos da luz “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ; 1Ts 5:5 ).

Da mesma forma que a justificação é de vida, a santificação também o é ( Rm 5:18 ).

O Dr. Shedd ao falar da santificação e justificação, argumentou que:

“Enquanto a justificação (grego dikaiosune) foi uma declaração de absolvição, da parte de Deus, que nos deu o status de santos, sem nenhuma condenação (Rm 8. 1) não entendemos a santificação da mesma maneira. Paulo chama a igreja de Corinto, aquela singularmente mundana e carnal, como composta dos que são ‘santificados em Cristo Jesus’ (I Co 1. 2). Obviamente os que recebem o Espírito de Deus, incorporados em Cristo, são posicionalmente santos. Por isso um dos títulos mais comuns atribuídos à Igreja no Novo Testamento é ‘santos’. Neste sentido os dois vocábulos, ‘justo’ e ‘santos’, são sinônimos” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 56.

A Justificação não é uma declaração de absolvição. O termo justificação significa declarar justo. Justificação é uma declaração de que é justo aquele que verdadeiramente é justo. Deus não absolve o culpado, pois o culpado não pode ser tido por inocente ( Na 1:3 ).

Na justificação o homem não adquire ‘status’ de justo, antes adquire a justiça que é proveniente de Deus. Qual é a justiça proveniente de Deus? Uma nova vida “… justificação de vida” ( Rm 5:18 ), onde tudo se fez novo. Até o tempo é novo: tempo de paz, gozo e alegria no Espírito Santo de Deus. Deus declara justa a nova criatura que é criada através do seu poder regenerador. A velha criatura recebe o que preconiza a lei quando o homem é crucificado com Cristo: a alma que pecar, essa morrerá!

A Santificação e a Justificação não são posicionais e por isso, não são sinônimas. A Justificação refere-se à declaração que o Cristão recebe de Deus, e a Santificação à nova natureza do Cristão.

Estes equívocos na abordagem do Dr. Shedd ocorrem por ele entender que a pecaminosidade da humanidade reside na vontade própria, sendo que a bíblia demonstra que a pecaminosidade decorre da natureza herdada em Adão.

Ser santo não implica em ser distinto. A santidade de Deus não é pertinente àquilo que difere, e sim, à Sua natureza. Como a santidade procede da natureza de Deus, jamais ela pode ser atribuída ou imputada, antes decorre da Regeneração (gerar de novo), onde o homem passa a ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:3 ).

Sobre este aspecto o apóstolo Pedro escreveu: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 1Pe 1:3 -4).

Deus chamou os que creem pela sua glória e virtude, ou seja, os cristãos foram chamados para louvor de sua glória e em amor, que é virtude de Deus ( Ef 1:4 -6). Para participar da natureza divina, os cristãos foram abençoados com a predestinação, ou seja, aqueles que creem em Cristo não possuem outro destino, se não, serem filhos de Deus.

Só é possível escapar da corrupção que há no mundo (natureza pecaminosa herdada em Adão), quando se torna participante da natureza divina (filiação). Tudo isto é dado aos cristãos através do poder de Deus, que concede vida, contrastando com a condição antes de se ter a Cristo: morte.

Esta nova vida deve ser desfrutada em piedade, ou seja, o cristão deve andar segundo as boas obras que Deus preparou ( Ef 2:10 ).

Como Deus desejou ter filhos para que o seu Filho obtivesse a preeminência em tudo, os cristãos são feitura Sua, criados em Cristo e à Sua imagem, em verdadeira Justiça e Santidade ( Ef 2:10 e Ef 4:24 ).

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A santificação é uma meta dos cristãos?

Deus não deu uma ordem impossível: “Sede santo”, antes, expressou a sua vontade, e ofertou o corpo de Cristo para levá-la a efeito. A palavra de Deus é expressão da sua vontade, e por isso ele disse: Haja luz, e houve luz. Ele disse: ‘Sede santo’, e é através da sua palavra que os cristãos são santificados ( Ef 5:26 -27), pela oferta do corpo de Cristo, o Verbo encarnado (…) A Santificação é obra exclusiva de Deus e a glória proveniente desta obra Ele não passará a ‘outrem’.

 


“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 )

 

Qual é a meta dos cristãos? Qual a inclinação daqueles que professam a Cristo?

Esta duas perguntas surgiram após a leitura deste seguinte parágrafo do livro ‘Lei, Graça e Santificação’ do Dr. Russell P. Shedd:

“Ainda descobriremos, se estivermos inclinados a isso, muitas práticas e atitudes que devem ser mudadas, caso a nossa meta seja sermos ‘santos e irrepreensíveis perante ele’” (Ef 1. 4). Mas mudar requer disciplina em torno de alvos escolhidos de joelhos e com a Bíblia aberta” Sheed, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2ª Ed., editora Vida Nova, pág. 103.

O Dr. Shedd aponta como meta dos cristãos serem santos e irrepreensíveis perante Deus, e cita as seguintes palavras contidas na carta de Paulo aos Efésios capítulo um, versículo quatro: “santos e irrepreensíveis perante ele” ( Ef 1:4 ).

Porém, se observarmos o que estabelece Efésios 1: 4, fica claro que a santificação e a irrepreensibilidade não é uma meta que os cristãos devam alcançar, antes é uma condição que pertence àqueles que estão em Cristo segundo a eleição “Pois nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele” ( Ef 1:4 ).

Se a santificação é segundo a eleição, exclui-se qualquer outra via, ou seja, a santificação não é uma meta que se deva alcançar através de mudanças de práticas e atitudes.

A santificação não é alcançada através de mudanças de hábitos, atitudes e praticas, pois a Bíblia diz que os cristãos foram novamente criados em verdadeira justiça e santidade “… que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ). Também demonstra que Cristo se entregou pelo seu corpo, que é a igreja, para santificá-la pela palavra, a fim de apresentar os cristãos sem mancha ou ruga: santos e irrepreensíveis ( Ef 5:26 -27).

Ora, o que Jesus propôs fazer e entregou-se para realizar agora é uma meta para os cristãos? A obra de Cristo não é perfeita? Os cristãos já não são santificados pela fé em Cristo? (Atos 26: 18).

Num primeiro momento achei que o Dr. Shedd chegou a esta conclusão após ler Hebreus 12: 14 que diz: “Segui a paz com todos, e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Para um leigo é possível concluir através deste versículo que a santificação é uma meta, porém, para alguém que investiga as escrituras, percebe-se que só é possível chegar até Deus através de Cristo: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” ( Jo 14:6 ).

Ao ler II Timóteo 2: 22, fica demonstrado que somente aos cristãos é possível seguir a Paz, ou seja, juntamente com aqueles que tem um coração puro por invocarem a Deus os cristãos devem seguir a Paz (segui a paz com todos). De que paz o escritor aos Hebreus falou? Que os cristãos devem ter paz com todos os homens, ou que, com todos que seguem a Paz, que é Cristo, os cristãos devem em união segui-Lo?

Somente os cristãos seguem a Paz e a Santificação que é Cristo. Seria um contra senso ter paz com todas as pessoas, se há condição para isto: se possível for “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” ( Rm 12:18 ). Ora, no que depende dos cristãos é para ter paz com todos os homens, porém, para seguir a Paz que excede a todo entendimento, que é Cristo, para esta recomendação não há a restrição “se possível for”, antes deve seguir com todos que tem um coração puro e invocam ao Senhor a paz, a justiça, a fé, o amor, etc.

É pela vontade de Deus que os cristãos foram santificados através da oferta do corpo de Cristo ( Hb 10:10 ). É nesta vontade: “Sede santos, porque Eu sou santo” que os cristãos foram santificados pela oferta do corpo de Cristo “Sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos para serdes meus” ( Lv 20:26 ).

Deus não deu uma ordem impossível: “Sede santo”, antes, expressou a sua vontade, e ofertou o corpo de Cristo para levá-la a efeito. A palavra de Deus é expressão da sua vontade, e por isso ele disse: Haja luz, e houve luz. Ele disse: ‘Sede santo’, e é através da sua palavra que os cristãos são santificados ( Ef 5:26 -27), pela oferta do corpo de Cristo, o Verbo encarnado.

Deus é o Deus da providência, e Ele proveu o Cordeiro imaculado pelo qual os homens são santificados. Abrão é um exemplo clássico, pois Deus disse: “SENDO, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito” ( Gn 17:1 ). Ora, bastava Abrão andar na presença do Senhor (crer) que a condição de perfeição seria efetiva.

Deus não deu uma ordem a Abrão como meta para ele alcançar a perfeição, antes demonstrou que, caso ele andasse na presença do Todo-Poderoso, haveria de ser perfeito. Logo após lemos: “E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça” ( Gn 15:6 ).

Esta é a vontade de Deus para os que descansam sob Sua providência “Perfeito serás, como o SENHOR teu Deus” ( Dt 18:13 ).

Por que para Russell a santificação é uma meta para os cristãos? Porque ele entende que o pecado decorre de um processo de aprendizagem:

“É assim que aprendemos a pecar: linguagem obscena, comentários desnecessários prejudiciais, usar o nome de Deus em vão, tornam-se hábitos pela pratica dentro de um ambiente onde ninguém cria objeção alguma” Sheed, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2ª Ed., editora Vida Nova, pág. 99. Grifo nosso.

O erro está em acreditar que é possível ‘aprender pecar’ (É assim que aprendemos a pecar). Para quem acredita que é possível ‘aprender pecar’, a inclinação para o pecado resume-se em hábitos, condutas, práticas, falhas de caráter, formação de caráter, o ambiente onde se vive, etc. Para o posicionamento de que o pecado deriva de um processo de aprendizagem, o meio e o tempo são agentes que exercem influencia direta na santificação.

A Bíblia diz que a inclinação da carne, por ser sujeita ao pecado, é morte ( Rm 8:6 ), e isto independe de práticas, condutas e hábitos.

Não importa qual seja o comportamento dos servos do pecado, se bom ou ruim, o salário é o mesmo: a morte! É de conhecimento geral que há servos do pecado que são regrados, decentes, comportados, prestativos, carismáticos, cordatos, flexíveis, disciplinados, religiosos, etc., porém, o salário é a morte (ex: monges, padres, ascetas, filósofos, etc) . Também há servos do pecado que são depravados, irreconciliáveis, desobedientes, avarentos, maldosos, soberbos, detratores, presunçosos, etc., mas o salário deles é a morte.

Quem tem este posicionamento acredita que ao viver em um ambiente disciplinado, regrado, de bons hábitos, que corrige falhas de caráter, que preza o bom comportamento, o homem não é sujeito ao pecado? Segundo este posicionamento, os que vivem à margem da sociedade são os ‘maiores’ pecadores?

Como anular a Escritura que diz: “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nenhum só” ( Rm 3:12 )? Que dizer da declaração do salmista Davi: “Certamente em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe” ( Sl 51:5 ). Qual a diferença entre nascer EM pecado, e aprender a pecar?

Acreditar que é possível aprender a pecar decorre de outro erro, onde o Dr. Shedd define que carne é o mesmo que ‘o esforço do homem independente’:

“Certa noite, um líder dos fariseus, chamado Nicodemos, ouviu esta mesma exigência. Jesus declarou que a carne, isto é, o esforço humano independente, somente é capaz de gerar carne (Jo 3. 6)” Sheed, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2ª Ed., editora Vida Nova, pág. 22 e 23.

A Bíblia nos mostra que a carne não é o mesmo que esforço humano. Carne diz da natureza pecaminosa herdada de Adão, ou seja, quem é nascido segundo a semente corruptível de Adão é carnal, porém, aqueles que são nascidos da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, são espirituais.

Ninguém aprende a pecar. Os homens são pecadores porque nasceram em pecado. Há uma grande diferença entre ‘aprender pecar’ e ‘nascer em pecado’. A bíblia demonstra que todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, não foi a escola da vida, regrada ou não, que os ensinou a pecar. Eles pecaram porque um homem pecou ( Rm 5:16 ).

A inclinação dos pecadores não se revela na conduta, visto que há pecadores devassos (Samaritana), e há pecadores religiosos (Nicodemos). A inclinação dos pecadores é morte, segundo a natureza e condenação herdada de Adão.

A inclinação dos que creem em Cristo é vida e paz, pois são (existem) segundo o Espírito ( Rm 8:5 -6). Não há mais nada que os cristãos devam descobrir ou metas a alcançar porque a justiça de Deus revela-se no evangelho ( Rm 1:16 -17).

Segundo o idealismo platônico, a ascese (prática de renunciar ao prazer com o fins espirituais) servia para aproximar a pessoa (o asceta) da verdadeira realidade espiritual e ideal, ao desligar-se da imperfeição e materialidade do corpo através de esforço metódico e continuado para favorecer o pleno desenvolvimento da vida espiritual, aplicando meios e superando obstáculos. Utilizam e organizam meios e práticas para vida espiritual: oração, penitência, retiro, exame de consciência, direção espiritual, sacramentos, etc.

Que práticas e atitudes o ‘cristão’ deve acolher para alcançar a meta de ser ‘santo’? Disciplina? Orações? Inclinações? Práticas? Atitudes? Quais são os alvos entorno dos quais se deve resignar-se com disciplina? Seriam os mesmos alvos estipulados pelo idealismo platônico? Esforço continuado e metódico de joelho e com a bíblia aberta?

Russell indica, em seu livro, alguns hábitos para se avançar na santificação, e dentre eles destacamos:

“Outro hábito valioso na obtenção de maiores avanços na santidade é o de estabelecer alvos definidos com datas marcadas, indicando quando se espera alcançá-los. Uma vez que se tenha convicção da vontade de Deus quanto a práticas e afazeres, é útil estabelecer alvos para disciplinar as mudanças” Idem, pág 102. Grifo nosso.

Russell afirma:

“A nova vida do ‘novo homem’ substitui a anterior em conseqüência de uma vida disciplinada e comprometida com a instrução das Escrituras (2 Tm 3: 16, 17)” Idem, pág. 101.

A nova vida substitui a anterior em conseqüência de uma vida disciplinada e comprometida?

Não há uma substituição ou afastamento do velho homem. As escrituras revelam que o velho homem deve morrer com Cristo “Porém não matou os filhos deles; mas fez segundo está escrito na lei, no livro de Moisés, como o SENHOR ordenou, dizendo: Não morrerão os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; mas cada um morrerá pelo seu pecado” ( 2Cr 25:4 ). Ao ‘velho homem’ está reservado a cruz e a sepultura para que Deus crie o novo homem em verdadeira justiça e santidade.

Após ser de novo gerado em verdadeira justiça e santidade, a inclinação dos cristãos é vida e paz ( Rm 6:12 ), porque o Espírito de Deus habita em quem crê. Pelo fato de Deus habitar no crente, isto o torna separado (santificado) do mundo.

Deu é luz, e não há nele trevas alguma. Deus não habita em meio a trevas, e é por isso mesmo que a bíblia diz que os cristãos são luz “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ).

A meta do cristão é perseverar na doutrina dos apóstolos, olhando para Jesus, o autor e consumador da fé “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” ( Hb 12:2 ); “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” ( Hb 3:14 ).

O comportamento, hábito ou dever dos cristãos é portar-se de modo digno, não dando motivo de escândalo a gregos, judeus e nem a igreja de Deus “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus” ( 1Co 10:32 ).

A santificação não é uma meta, pois ao ser de novo gerado, os cristãos passam a estar naquele que é verdadeiro, sendo verdadeiramente justos e santos.

A meta do cristão é não demover-se da doutrina do evangelho, pois ficar firme (perseverança) é a obra completa da fé ( Tg 1:4 ); “Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” ( Hb 3:14 ); “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes” ( Ef 6:13 ).

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