Jesus veio por água e sangue

Jesus ter vindo por ‘água’, decorre do fato de Ele ter sido gerado por Deus, de modo sobrenatural, ou seja, o ente Santo que foi concebido no ventre de Maria, formado pelo Espírito Santo, segundo o poder incompreensível (sombra) de Deus.


Jesus veio por água e sangue

“Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.” (1 Jo 5:6)

 

Introdução

Da asserção ‘Este é aquele que veio por água e sangue’, depreende-se do texto que o apóstolo João fez referência ao Verbo de Deus que, na plenitude dos tempos, se fez carne e habitou entre os homens. (Lc 2:27-32; Jo 1:9-10; Hb 10:5; 1 Jo 1:1)

Mas, qual verdade o discípulo amado queria evidenciar, quando destacou o fato de Jesus não ter vindo somente por ‘água’, mas por ‘água’ e ‘sangue’? Que posicionamento doutrinário o apóstolo amado estava defendendo, ao rechaçar o ataque dos anticristos? O que representam as figuras ‘água’ e ‘sangue’, em conexão com a vinda de Jesus, em carne?

A abordagem do evangelista João tem por objetivo combater algumas heresias que surgiram no seio das primeiras comunidades cristãs, já no primeiro século. Devemos lembrar que as primeiras heresias que os apóstolos enfrentaram, foram introduzidas nas igrejas por judeus que se diziam convertidos ao cristianismo, pseudocrístãos, que exigiam que os novos  convertidos, dentre os gentios, se submetessem ao rito da circuncisão. (At 15:1-5).

Dentre os judaizantes, surgiram os ‘ebionitas’, grupo essencialmente farisaico, pois insistia em guardar a lei de Moisés, através de ritos como circuncisão, guarda do sábado e vegetarianismo. Esse grupo de judaizantes negava a divindade de Cristo e o seu nascimento virginal e que Jesus se distinguia dos outros homens, somente pela observância da lei.

Havia o segmento judaizante oriundo dos saduceus, que negava a ressurreição dos mortos, o que foi fortemente combatido pelo apóstolo Paulo. (1 Co 15:12)

“Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa.” (At 23:8)

Surgiram, também, os elquesaítas, outro tipo de judaísmo que misturava especulações teosóficas e ascetismo. Eles rejeitavam o nascimento virginal de Cristo e alegavam que Jesus seria um mensageiro, profeta, espírito ou ser angelical, sem falar na prática da circuncisão e do sábado.

Por influencia de algumas filosofias, surgiram movimentos que desaguaram no gnosticismo e passaram a fazer distinção entre o Jesus humano e o Messias; que este seria um espírito, que se apossou daquele, no evento do batismo de João Batista e deixou o seu corpo antes da crucificação.

A filosofia gnóstica acredita que toda matéria é essencialmente má e somente o espiritual é bom, na essência. Dai a ideia de que o corpo físico é mal, o que contrasta com o espírito, o que levava tais ‘pseudos’ cristãos ao ascetismo, a fim de subjugarem o corpo, para ascensão espiritual.

Daí surgiu alguns questionamentos acerca da natureza do Cristo homem: Como Jesus poderia ser santo, se possuía um corpo constituído de matéria orgânica?

 

A ‘mensagem’ do evangelho versus o ‘espírito’ do anticristo

“TODO aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, também ama ao que dele é nascido.” (1 Jo 5:1)

Antes de analisar a asserção joanina de que Jesus não veio somente por água, mas por água e sangue, se faz necessário entender o contexto que levou o apóstolo João a fazer tal declaração.

No primeiro verso do capítulo 4, da primeira epístola do apóstolo João, o apóstolo amado recomenda aos cristãos que provem os espíritos, pois, muitos falsos profetas haviam surgido no mundo.

“AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (1 Jo 4:1)

Como se ‘prova’ os espíritos? Que espíritos são esses, passiveis de serem julgados?

No versículo em análise, ‘espíritos’ referem-se a toda e qualquer mensagem, palavra, ensinamento, doutrina, etc. ‘Provar’ um ‘espírito’ é o mesmo que julgar uma mensagem, uma doutrina ou, um ensinamento, etc.

Da mesma forma que o paladar prova a comida, os ouvidos provam as palavras, de modo que, quando os cristãos ouvem uma mensagem, devem analisar se o que está sendo ensinado é de Deus ou, não. (Jó 12:11)

O motivo de se provar ‘os espíritos’ foi destacado: muitos falsos profetas haviam surgido no mundo. Para analisar se os espíritos são provenientes de Deus ou, não, o apóstolo João apresenta aos cristãos dois parâmetros objetivos:

  1. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus, e;
  2. E todo[1] o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo. (1 Jo 4:2-3).

Admitir (confessar) que Jesus é o Filho de Deus, e que Ele veio em carne, é o selo de autenticidade da mensagem (espírito) para o cristão saber se ela (mensagem) procede de Deus ou, não. Mas, se a mensagem do profeta (espírito) diz que Jesus não veio em carne, tal espírito é proveniente do anticristo.

A verificação da mensagem é objetiva, ou seja, o cristão deve provar se a mensagem (espírito) do preletor (profeta) está em conformidade com as Escrituras ou, não. Mensagens que neguem que Jesus é o Filho de Deus ou, que neguem que Ele veio em carne ou, que neguem que Ele ressuscitou ou, que neguem que Ele é Deus, etc., peremptoriamente devem ser rejeitadas: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre”. (Jo 7:38)

O espírito (mensagem) do anticristo, à época do apóstolo, possuía duas vertentes principais:

a) negava que Jesus era o Filho de Deus (1 Jo 2:22) e;

b) que Jesus veio em carne. (1 Jo 4:3 )

As negativas do espírito do anticristo nos fazem compreender o motivo pelo qual o evangelista João, já no início da carta, foi enfático, ao dizer que ‘viu’, ‘ouviu’ e ‘tocou’ em Jesus e, em seguida, fez a seguinte confissão: ‘… nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo’, ou seja, Jesus é o Filho de Deus.

“O QUE era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos tocaram, da Palavra da vida (Porque a vida foi manifestada e nós a vimos e testificamos dela e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que, também, tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.(1 Jo 1:1-3)

Após expor a essência mentirosa da mensagem do anticristo, o evangelista João enfatiza que todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é gerado de Deus e todo aquele que obedece (ama) a Deus, também, obedece (ama) a Cristo: “TODO aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, também, ama ao que dele é nascido.” (1 Jo 5:1; 1 Jo 2:22)

Uma pregação que anuncia que Jesus não veio em carne, não é de Deus, e o evangelista destaca que muitos anticristos haviam surgido no mundo, anunciando que Jesus não veio em carne (1 Jo 2:18). Os anticristos eram pessoas que tinham frequentado as comunidades cristãs primitivas, mas que se distanciaram da mensagem dos apóstolos e negavam a pessoa de Cristo. (1 Jo 2:22).

 

Conhecendo a Deus

Se uma pessoa não crê em Cristo, mas diz que ‘conhece[2]’ a Deus, tal declaração é mentirosa, pois só conhece a Deus quem guarda os seus mandamentos (1 Jo 1:3-5). Os anticristos diziam que ‘conheciam’ a Deus, mas, como não obedeciam ao mandamento de Deus, que é crer em Cristo, eram mentirosos. (1 Jo 2:4)

Quando afirmamos que é necessário crer em Cristo, ‘crer’ consiste em admitir, intelectualmente que:

  1. Jesus veio ao mundo em carne;
  2. nasceu na casa de Abraão e de Davi;
  3. foi gerado de Deus, no ventre de uma virgem;
  4. habitou as regiões da Galileia;
  5. foi morto por mãos de pecadores;
  6. ressurgiu ao terceiro dia e;
  7. está assentado à destra de Deus, tudo, conforme o previsto nas Escrituras. (Jo 7:38)

Observe que o apóstolo João fez uso da exortação do profeta Isaias, quando recomendou aos cristãos a não amarem somente de palavra e por língua (Mt 15:7-9). Os falsos cristãos diziam amar a Deus, porém, tal declaração era somente de palavra e de língua, visto que negavam a Deus, por não obedecerem ao mandamento de Deus, que é crer em Cristo.

“Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.” (1 Jo 3:18; Is 29:13)

Ora, por certo que aqueles que saíram do meio dos cristãos diziam amar a Deus, pois, se assim não afirmassem, não havia motivo para o apóstolo João fazer esta colocação. O apóstolo destaca algumas implicações que decorrem da confissão: – ‘Eu amo a Deus’, pois se alguém ‘ama’ a Deus, também deve ‘amar’ a Cristo, pois se não ‘amar’ a Cristo, na verdade, não ama a Deus: “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.” (Jo 5:23) Compare: “… e todo aquele que ama ao que o gerou, também, ama ao que dele é nascido.” (1 Jo 5:1)

Como Cristo era o enviado de Deus, quem cresse em Cristo, na verdade, estava crendo em Deus, que O enviou.

“E Jesus clamou e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas, naquele que me enviou.” (Jo 12:44)

Antes de prosseguirmos, vale destacar que ‘amar a Deus’ é ‘cumprir o seu mandamento’ (1 Jo 5:3 ) e o mandamento de Deus é especifico: que os homens creiam em seu Filho Jesus Cristo. (1 Jo 3:23 ) Quem crê que Jesus é o Cristo, é gerado de Deus, pois amou a Deus. Amar a Deus consiste em obedecê-Lo, do mesmo modo que amar a Cristo é obedecê-Lo. O amor em comento não diz de um sentimento, mas de obediência, sujeição.

“Se me amais, guardais os meus mandamentos.” (Jo 14:15);

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.” (Jo 14:21)

O apóstolo João demonstra que é sem valor algum, se dizer que crê em Deus, se não crê que Jesus é o Filho de Deus. Não crer em Cristo, é o mesmo que considerar Deus mentiroso, pois não crê no testemunho que Deus deu acerca do seu Filho ou, que Ele é o enviado de DEUS: “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o fez, porquanto, não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu.” (1 Jo 5:10)

Jesus lembrou aos seus discípulos sobre crerem em Deus, mas, destaca que, também, era necessário crer n’Ele, pois, só crendo em Cristo é que o homem ‘obedece’ (ama) a Deus.

“NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.” (Jo 14:1);

“E é por Cristo que temos tal confiança em Deus.” (2 Co 3:4)

Nesse sentido, o irmão Tiago censurou aqueles que diziam crer que havia somente um Deus, pois, é sem valor dizer que crê em um só Deus, se não obedece ao mandamento de Deus, que é crer em Cristo: “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem e estremecem.” (Tg 2:19 )

É por intermédio da confiança em Cristo, como o enviado de Deus, que o homem, verdadeiramente, crê em Deus. Crer que Jesus é o Cristo e que Deus o ressuscitou dentre os mortos, efetivamente, é crer em Deus, pois as Escrituras são o testemunho que Deus deu, acerca do seu Filho: “E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.” (1 Pe 1:21)

Seguindo o raciocínio do evangelista João, qualquer que diz ‘conhecer’ a Deus, mas não guarda o que Ele determinou, é mentiroso. E como se conhece a Deus? Crendo em Cristo, pois este é o mandamento de Deus: “Aquele que diz: Eu o conheço, mas, não guarda os seus mandamentos, é mentiroso e nele não está a verdade.” (1 Jo 2:4); “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento. E aquele que guarda os seus mandamentos, nele está e ele, nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado.” (1 Jo 3:23-24)

 

Os nascidos de Deus

“Porque, todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.” (1 Jo 5:4)

O evangelista João demonstra que, qualquer pessoa (judeu ou grego) que crê que Jesus é o Cristo, é nascida de Deus (1 Jo 5:1), portanto, essa pessoa, por crer em Cristo, venceu o mundo, isso porque recebeu poder de ser feito filho de Deus. (Rm 8:37) Por que essa pessoa venceu o mundo? Porque os filhos de Deus são participantes da natureza divina e escaparam da corrupção que há no mundo: “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que, por elas, fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que, pela concupiscência, há no mundo.” (2 Pe 1:4)

Em Cristo, o crente é mais que vencedor, pois, é uma nova criatura, gerada segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade. (Ef 4:24) A vitória do crente resume-se em ser uma nova criatura, pois, em Cristo, o homem vence o mundo. (Gl 3:23; Jo 16:33; 1 Jo 4:4; 2 Pe 2:20)

Por estar em Cristo, o crente é uma nova criatura, pois, morreu e ressurgiu com Cristo. Sobre o crente não pesa nenhuma condenação, pois, as coisas velhas passaram e tudo se fez novo. (2 Co 5:17).

O crente escapou da corrupção que há no mundo, ou seja, foi liberto do pecado e do engano, que mantém os homens entenebrecidos no entendimento: “Porquanto, se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro.” (2 Pe 2:20; Ef 4:18)

Após crer que Jesus é o Filho de Deus (1 Jo 5:5), o homem é participante da natureza divina, portanto, escapou da corrupção, decorrente da ofensa de Adão, pela qual os homens foram feitos pecadores: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.” (1 Pe 1:23; 2 Pe 1:4; 1 Co 15:50; Rm 8:17; 1 Jo 4:3) Se o homem abandona a Palavra de Cristo, renega a sua fé e volta ao status quo anterior, porque não perseverou, uma vez que a perseverança é a obra perfeita da fé!

 

Aquele que veio por água e sangue

Após demonstrar que, por intermédio do evangelho, os cristãos são filhos de Deus e venceram o mundo (1 Jo 5:1-4), o apóstolo, novamente, enfatiza a vitória dos que creem em Cristo, e aproveita para afirmar, novamente, que Jesus é o Filho de Deus, através da seguinte pergunta:

“Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1 Jo 5:5)

É, em função da essência do evangelho, de que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que o apóstolo João enfatiza que Cristo Jesus veio por ‘água’ e ‘sangue’, o que para ele era prova suficientemente contundente para demonstrar que: a) Jesus é o Filho de Deus e; b) veio ao mundo, em carne.

“Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.” (1 Jo 5:6)

Na asserção ‘Jesus veio em carne’, o termo ‘carne’ foi utilizado pelo apóstolo João para destacar a humanidade de Cristo, conforme o escritor aos Hebreus aponta:

“E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.” (Hb 2:14)

O fato de Jesus Cristo ter tido um corpo constituído de material orgânico (carne, sangue e ossos), como todos os outros homens que vem ao mundo, demonstra que Ele, em tudo foi semelhante aos homens: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1:14)

O fato de Jesus ter vindo em carne, é de total relevância para o evangelho, tanto que o apóstolo João dá testemunho de que os seus olhos contemplaram e que ele pode tocar o Cristo (inclusive reclinou em seu peito). (Jo 13:23):

“O QUE era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida.” (1 Jo 1:1); “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1:14)

Por qual motivo João enfatiza o fato de Jesus ter vindo por água e sangue e porque destaca que ele não veio somente por água, mas por água e sangue?

 

Água e Espírito

“Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade, te digo que, aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo 3:3)

No diálogo entre Jesus e Nicodemos, é evidenciado que o reino dos céus está vetado a qualquer homem que não nascer de novo. (Jo 3:3)

Nicodemos não entendeu a exposição de Jesus e quis saber como poderia um homem, sendo velho, nascer de novo:

‘Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?’ (Jo 3:4)

Foi, quando Jesus apresentou a essência do novo nascimento, evento que Nicodemos – na condição de mestre, em Israel – deveria conhecer: – “Na verdade, na verdade te digo que, aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” (Jo 3:5 e 9 a 10)

Nicodemos não podia entrar no reino dos céus porque não tinha nascido da água e do Espírito. Ele era nascido da carne e do sangue, portanto, descendente da semente corruptível de Adão. Sobre Nicodemos pesava uma condenação decorrente da ofensa de Adão e como os demais homens, que não conhecem a Cristo, estava alienado da glória de Deus. (Rm3:23)

Ora, a condenação do pecado está vinculada ao nascimento natural, ou seja, ao nascimento segundo a vontade do varão, vontade da carne e do sangue (Jo 1:13). É por isso que o apóstolo João demonstra que, aquele que crê em Cristo, é gerado de Deus e venceu o mundo, ou seja, não está mais sujeito à condenação que pesa sobre os descendentes da carne e do sangue de Adão, por haver nascido de novo, por intermédio do evangelho.

O apóstolo Pedro demonstra que o crente tem direito a uma herança incorruptível e incontaminável, após ser de novo gerado, ou seja, está livre da condenação e adquiriu o direito a herdar o reino de Deus:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo, para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Para uma herança incorruptível, incontaminável e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós.” (1 Pe 1:3-4);

“De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós, também, em novidade de vida.” (Rm 6:4);

“Mas, agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito e não na velhice da letra.” (Rm 7:6)

Para nascer da água e do Espírito, basta crer que Jesus é o Cristo, conforme explica o apóstolo João:

“TODO aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus.” (1 Jo 4:1);

“… qualquer que ama, é nascido de Deus e conhece a Deus.” (1 Jo 4:7)

Qualquer pessoa que recebe o Filho de Deus como Senhor, ou seja, que crê em Jesus, recebe poder para ser feito filho de Deus. Ora, nascer de Deus, não ocorre por meio da vontade da carne, nem da vontade do varão e nem do sangue, mas, sim pela vontade de Deus. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1:12-13)

O evangelista João teve de explicar, detalhadamente, como o homem é feito filho de Deus, porque os seus concidadãos (judeus) entendiam, equivocadamente, que eram filhos de Deus, por serem descendentes da carne e do sangue de Abraão. Os judeus entendiam que bastavam ter o sangue e a carne de Abraão, que já tinham direito à salvação: “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.” (Mt 3:9)

Aquele que crê em Cristo é crucificado com Cristo, morre e é sepultado com Ele (Rm 6:4), ou seja, é ‘batizado’ na morte de Cristo (Rm 6:3), de sorte que o crente ressurge com Cristo uma nova criatura. É pela ressurreição de Cristo, dentre os mortos, que o crente é de novo gerado, da água e do Espírito: “Sepultados com ele no batismo, nele, também, ressuscitastes, pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.” (Cl 2:12)

O apóstolo Pedro, ao falar do novo nascimento, aponta para o lavar regenerador da Palavra:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo, dentre os mortos (…) Purificando as vossas almas, pelo Espírito, na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos, ardentemente, uns aos outros, com um coração puro; Sendo, de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre,” (1 Pe 1:3 e 22 a 23);

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.” (Jo 17:17);

“Esta é, pois, a parábola: A semente é a palavra de Deus.” (Lc 8:11 );

“Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.” (Jo 15:3.

Cada indivíduo, em particular, que crê em Cristo, é purificado, limpo pela palavra da verdade, que é viva e eficaz, ou seja, ao crer em Cristo, ocorre a lavagem pela água (palavra): “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra.(Ef 5:26); “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência e o corpo lavado com água limpa.” (Hb 10:22; Hb 4:2)

O novo nascimento foi previsto pelo profeta Ezequiel, nos seguintes termos:

“Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos, vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne.” ( Ez 36:25-26)

Qual o significado de ‘água’ e ‘Espírito’ em João 3, verso 5?

A ‘água’ é a palavra de Deus, o mesmo que a semente, que concede a natureza divina aos que creem: “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus.” (1 Jo 3:9); “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que, por elas, fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.” (2 Pe 1:3-4)

“Espírito” diz do próprio Deus que, por meio da sua palavra, concede vida ao homem. É por isso que o Espírito diz: “Então aspergirei água pura sobre vós…” ( Ez 36:25).O Espírito é o Deus eterno que cria (bara), por intermédio da sua palavra, concedendo, ao homem que crê, um novo coração e um novo espírito, ou seja, o Espírito promove o novo nascimento, por intermédio da Sua palavra. (Sl 51:10)

Uma lição que todos os homens precisam aprender é que o homem viverá da palavra de Deus e não só de pão. Se Deus alerta que o homem ‘viverá’, é porque está morto, diante de Deus, por causa da ofensa de Adão, e só por intermédio da Sua palavra terá vida. “E te humilhou e te deixou ter fome e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem.(Dt 8:3)

 

Carne e sangue

“E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.” (1 Co 15:50)

Há um paralelo entre a fala de Jesus e a abordagem paulina, nos seguintes versos:

“Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade, te digo que, aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.(Jo 3:3)

“E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.” (1 Co 15:50)

Nicodemos era judeu, juiz, mestre e fariseu, portanto, alguém que entendia que era digno do reino dos céus, por ser descendente da carne e do sangue de Abraão.  O discurso: – ‘Temos por pai a Abraão’; –‘Nosso pai é Abraão’; – ‘Temos um pai, que é Deus’, não foi aceito por Cristo, portanto, Nicodemos precisava nascer de novo, para se tornar filho de Deus: “Responderam e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.” (Jo 8:39); “Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus.” (Jo 8:41)

Gerados pela carne e pelo sangue, não podem herdar o reino de Deus, mas, tão somente os gerados da água e do Espírito, os que nasceram de novo.

Os judeus leram nas Escrituras a promessa que Deus fez a Abraão, de que em Abraão seriam benditas todas as famílias da terra, mas os descendentes de Abraão se equivocaram, em não observar que, em Isaque, a descendência de Abraão, ainda, seria chamada e não que eles eram essa descendência.

A descendência que seria chamada não falava dos israelitas (muitos), mas, de Cristo (uma só):

“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo.” (Gl 3:16);

Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência.” (Rm 9:7)

Se a descendência de Abraão seria chamada em Isaque e não em Abraão, segue-se que a filiação de Abraão é pela promessa e não por ‘carne’ e ‘sangue’. Cristo Jesus é o descendente prometido a Abraão, em quem todas as famílias da terra são benditas, o que demonstra que ‘carne’ e ‘sangue’ não possuem valor algum para dar direito à promessa.

“Porque todos sois filhos de Deus, pela fé, em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo. Nisto, não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque, todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão e herdeiros, conforme a promessa.” (Gl 3:26-29).

O apóstolo Paulo afirmou, aos irmãos de Corinto, durante uma explanação, acerca da ressurreição dos mortos, que ‘carne’ e ‘sangue’ não podem herdar o reino dos céus. A explicação paulina se fez necessária, porque algumas pessoas passaram a apregoar aos cristãos que os mortos não ressuscitavam (1 Co 15:12) e o apóstolo combateu, veementemente, essa doutrina, através de vários argumentos. (1 Co 15:13-20)

Durante a defesa desse aspecto importante do evangelho, o apóstolo fez um paralelo entre Adão e Cristo, demonstrando que: a) por Adão veio a morte (condenação) e todos os seus descendentes morreram, porém; b) por Cristo Jesus veio a ressurreição dos mortos e todos são vivificados n’Ele. (1 Co 15:21-22)

O alerta do apóstolo era para que os cristãos não se enganassem, portanto, deveriam ficar atentos para o fato de que as más conversações corrompem a doutrina do evangelho. Ele apela aos cristãos de Corinto que voltassem à sobriedade, ou seja, a ‘sobriedade’ é figura que contrapõe outra figura, o ‘vinho da contenda’, ou seja, a doutrina dos judaizantes. (1 Co 15:33)

Após defender a doutrina da ressurreição dos mortos, o apóstolo se antecipa e formula algumas perguntas que os contradizentes, possivelmente, fariam para contrapor à exposição do apóstolo dos gentios. Dai a pergunta: – “Como ressurgirão os mortos? E com que corpo virão?” (1 Co 15:35)

A resposta do apóstolo visava um grupo específico de pessoas: os judaizantes. O ensinamento do apóstolo visava desfazer um entendimento equivocado, pois é salutar à Igreja de Cristo, que é formada de indivíduos, provenientes de todos os povos, em todas as épocas, que compreendam que os mortos hão de ressuscitar.

A resposta do apóstolo Paulo foi dada para contrapor ao ensinamento dos ‘loucos’, ou seja, dos judeus ‘insensatos’, que, nesse quesito doutrinário, diziam, especificamente, dos saduceus: “Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa.” (At 23:8)

Após explicar como há de ser os corpos dos que ressurgirem dentre os mortos, o apóstolo faz um paralelo entre Jesus e Adão, demonstrando que:

  1. Jesus é o último Adão, espírito vivificante;
  2. Adão, o primeiro homem, criado alma vivente. (1 Co 15:45)

Aproveitando o que estava explicando que, como Adão, assim, eram os seus descendentes terrenos e como Cristo, também, há de ser os celestiais (da mesma forma que todos herdaram a imagem de Adão, os que creem herdarão a imagem de Cristo) (1 Co 15:48-49), o apóstolo Paulo esclarece que ‘carne’ e ‘sangue’ não podem herdar o reino dos céus, nem a corrupção herdar a incorrupção. (1 Co 15:50)

Quando o apóstolo diz que ‘carne’ e ‘sangue’ não podem herdar o reino dos céus, ele está enfatizando que tais elementos não dão direito aos homens (quem quer que seja, judeu ou gentio) de entrar no reino dos céus. Ser descendente da carne e do sangue de Abraão, ou de qualquer outra personalidade, não dá direito ao reino dos céus.

Devemos considerar que, apesar de estar escrevendo a uma igreja, que ficava em uma cidade gentílica – Corinto – na igreja de corinto havia judeus e gentios. O conhecimento transmitido era para toda a igreja, pois deveriam compreender que, na ressurreição o corpo mortal será transformado em um corpo glorioso.

Isso significa que o corpo constituído de matéria orgânica não pode herdar o reino dos céus, sem, antes, ser revestido de imortalidade e incorruptibilidade. Nos céus não entrarão judeus, gregos, romanos, bárbaros, servos, livres, homens, mulheres, etc. Só tem direito à salvação os gerados de novo pela fé em Cristo Jesus (Gl 3:26-29), portanto, se algum cristão na igreja de corinto se gloriava (jactância) de ser descendente da carne e do sangue de Abraão, diante desta exposição paulina deveria compreender que carne e sangue não dão direito a entrar nos céus.

Além do mais, a corrupção não herda a incorrupção, de modo que, mesmo um crente em Cristo, descendente da carne de Abraão, para entrar nos céus, tal corpo deverá ser transformado. A corrupção que o apóstolo Paulo faz referência, diz da existência fugaz dos homens gerados da semente corruptível de Adão, o que contrapõe à condição daqueles que permanecem para sempre. (1 Jo 2:17; 1 Pe 1:23-25).

Pela ofensa de Adão entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte. Como a morte é penalidade imposta a todos os descendentes de Adão e é isso que os tornam escravos do pecado, por isso é dito que todos os homens pecaram. (Rm 5:12)

O termo ‘pecado’, no verso acima, não tem conteúdo de ordem moral. O termo deve ser compreendido, segundo a linguagem do camponês, quando vê um fruto impróprio para o consumo e diz: – ‘O fruto pecou’. Ora, isso não significa que o fruto fez alguma coisa inconveniente ou, moralmente, reprovável, antes, que ele é impróprio para o consumo.

De igual modo, é dito que todos pecaram, porque ficaram impróprios para o propósito de Deus, em manifestar a sua glória nos homens, quando a morte passou a todos os homens, por causa da ofensa de Adão.

O corpo gerado a partir da semente corruptível de Adão é sujeito ao pecado, portanto para entrar no reino dos céus, precisa morrer para o que estava retido e nascer de novo: “Mas, agora, temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito e não na velhice da letra.” (Rm 7:6)

Após crer em Cristo, para ser gerado de novo, o crente serve a Deus, segundo o evangelho (novidade de espírito), diferente daqueles que, por estarem entenebrecidos no entendimento, procuram servir a Deus na velhice da letra: “O qual nos fez, também, capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.” (2 Co 3:6)

Os judeus serviam a Deus sem entendimento, ou seja, na velhice da letra. (Rm 10:2) E como serviam? Gloriavam-se na ‘carne’ e no ‘sangue’ de Abraão e não consideraram que as Escrituras protestavam contra eles, dizendo:

“Porque Toda a carne é como a erva e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor” (1 Pe 1:24)

Se toda carne é como a flor da erva, não se excetua a carne dos judeus, daí o alerta de Jeremias:

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, que faz da carne o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5)

É nesse sentido que o apóstolo Paulo escreveu dizendo:

“E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, as desprezíveis e as que não são, para aniquilar as que são; Para que nenhuma carne se glorie perante ele. Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, justiça,  santificação e redenção; Para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.” (1 Co 1:28-31)

Os judeus se gloriavam no fato de serem descendentes da carne de Abraão e por serem circuncidados, conforme o rito da lei mosaica, porém, a verdadeira circuncisão pertence aos cristãos, que circuncidaram o coração, ao morrerem com Cristo: “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus, em espírito, e nos gloriamos em Jesus Cristo e não confiamos na carne.” (Fl 3:3); “Pois que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei.” (2 Co 11:18); “Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no SENHOR.” (2 Co 10:17); “Porque, nem ainda esses mesmos que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne.” (Gl 6:13)

Após nascer de novo, o crente tem direito ao reino dos céus, conforme a promessa, mas só entrará no reino, quando for transformado, de modo que, o que é mortal e corruptível, seja revestido da imortalidade e da incorruptibilidade: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.” (1 Pe 1:23)

Agora, analisando sistemicamente, o Novo Testamento, os termos ‘carne’ e ‘sangue’ possuem vários significados, conforme o contexto em que são empregados.

‘Carne’ e ‘sangue’ podem fazer referência:

  1. à natureza pecaminosa herdada de Adão;
  2. aos descendentes de Adão;
  3. à natureza humana;
  4. ao vínculo familiar;
  5. à nacionalidade (judeu e gentio);
  6. ao corpo constituído de matéria orgânica, etc.

Demanda ao leitor, muita atenção, ao se deparar com os termos ‘carne’ e ‘sangue’, pois, podem ser utilizados para fazer referência ao nascimento natural, como lemos:

“Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1:13)

O nascimento natural decorre da vontade do varão, da vontade da carne e do ‘sangue’, já o novo nascimento decorre da ‘água’ e do ‘Espírito’. Primeiro, é o nascimento, segundo a ‘carne’ e o ‘sangue’, depois, o nascimento, segundo a ‘água’ e o ‘Espírito’, por isso é dito que o nascimento, segundo o último Adão, é um ‘novo’ nascimento: “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois, o espiritual.” (1 Co 15:46).

“Carne” e “sangue” referem-se à geração natural, ou seja, ao nascimento, segundo Adão, daí a máxima: ‘o que é nascido da carne, é carne’, portanto, terreno e herda a corrupção, proveniente da ofensa de Adão. (Jo 3:6; 1 Co 15:47). Essencialmente, “carne” e “sangue” são elementos que vinculam os homens ao primeiro pai, Adão.

Agora, quando lemos que o apóstolo Paulo não consultou ‘carne’ e ‘sangue’, quando saiu a evangelizar os gentios, os termos são empregados no sentido de ‘concidadãos’, o que remete ao vínculo familiar, nacionalidade ou, etnia: “Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne, nem o sangue.(Gl 1:16)

Quando é dito que os cristãos não têm que lutar contra ‘carne’ e ‘sangue’, o apóstolo demonstra que os cristãos não lutam contra os homens (carne) e nem contra determinada etnia (sangue), quer sejam eles judeus, gregos, romanos ou, bárbaros. “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” (Ef 6:12)

O escritor aos Hebreus enfatizou que Jesus participou da ‘carne’ e do ‘sangue’ para que, pela morte, aniquilasse o diabo. Por causa da paixão da morte, quando se fez ‘carne’, em tudo Cristo se fez semelhante aos homens: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós…” (Jo 1:14)

Quando é dito que Jesus participou da ‘carne’ e do ‘sangue’, significa que Ele teve um corpo de matéria orgânica, assim, como todos os homens, porém, sem vinculo com o pecado, por não ter entrado no mundo por Adão, mas, por Deus. (Sl 22:10)

A ênfase da abordagem do escritor aos Hebreus é a natureza humana, da qual Cristo foi participante e, por participar das mesmas coisas que todos os homens, foi possível a Cristo provar a morte por todos: “Vemos, porém, coroado de glória e de honra, aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos (…) E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo.” (Hb 2:9 e 14)

Agora, no paralelo que o apóstolo Paulo construiu entre Adão e Cristo, apresentando ambos como cabeças de gerações (primeiro e último Adão, respectivamente), há algumas questões que envolvem os termos ‘carne’ e ‘sangue’: Adão foi criado alma vivente e Cristo, o último Adão, foi feito espírito que dá vida: “Assim está, também, escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante.” (1 Co 15:45).

Quando os homens vêm ao mundo, são participantes da carne e do sangue de Adão, de modo que possuem a mesma imagem do homem terreno e a mesma natureza. Por compartilhar a mesma natureza de Adão, os descendentes da carne e do sangue estão sujeito à morte, mesma condenação que pesou sobre Adão.

Para nascerem de novo, é necessário aos homens nascidos segundo a carne e o sangue de Adão, participarem da ‘carne’ e do ‘sangue’ de Cristo. Como? Comendo e bebendo, pois a carne de Cristo, verdadeiramente, é comida e o sangue de Cristo, verdadeiramente, é bebida.

“Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne, verdadeiramente, é comida e o meu sangue, verdadeiramente, é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu, nele. Assim, como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.” (Jo 6:53-57)

Enquanto o homem gerado segundo a semente de Adão é participante da corrupção, decorrente da condenação, pela ofensa, o homem participante da carne e do sangue de Cristo, é participante da bem-aventurança, pelo dom gratuito de Deus. (Rm 5:15-19)

O apóstolo Paulo demonstra que a filiação de Abraão se adquire pela fé em Cristo, ou seja, só é filho de Deus aquele que se alimenta da carne e do sangue de Cristo. Somente, através da carne e do sangue de Cristo, que o homem alcança a natureza divina, escapa da corrupção que há no mundo e é herdeiro de Deus: “Porque todos sois filhos de Deus, pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu, nem grego; não há servo, nem livre; não há macho, nem fêmea; porque todos vós sois um, em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa.” (Gl 3:26-29).

 

Água e sangue

A asserção contida no capítulo 5, da primeira epístola de João, de que Jesus Cristo ‘veio por água e sangue’, tem por objetivo combater os seguintes erros doutrinários, que haviam surgido nas comunidades cristãs:

a) De que Jesus não era o Messias, o Filho de Deus, e;

b) De que Jesus não veio em carne.

Daí a assertiva joanina:

“Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1 Jo 5:5);

“E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne, não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes, que há de vir e eis que já está no mundo.” (1 Jo 4:3)

Negar o fato de que Jesus é o Ungido de Deus e que Ele veio em carne, são posicionamentos doutrinários contrários às Escrituras e, para prevenir os cristãos do engano dos falsos mestres, o evangelista João enfatizou que Jesus veio por ‘água’ e ‘sangue’.

Pela relevância que o tema possui, o discípulo amado destaca que Jesus Cristo não veio somente por ‘água’, mas que Ele veio por ‘água’ e ‘sangue’, como evidência inequívoca de que Jesus é o Filho Bendito de Deus.

Ao identificar algumas falsas doutrinas que surgiram nas comunidades cristãs, acerca da pessoa de Jesus, depreende-se do texto da sua primeira epístola que o evangelista combateu tais erros, ao enfatizar que Jesus ‘veio’, tanto por ‘água’, quanto por ‘sangue’.

Além de afirmar que Jesus veio por ‘água’ e ‘sangue’, o apóstolo destaca que Jesus não veio somente por ‘água’, mas por ‘água’ e por ‘sangue’, demonstrando que é de suma importância para a compreensão do evangelho, entender o fato de que Jesus, também, veio por ‘sangue’.

Quando se compreende que tudo o que o apóstolo João escreveu, na sua primeira epístola e no seu evangelho, teve o condão de demonstrar que Jesus Cristo é o Filho de Deus, os elementos para compreender o motivo pelo qual Jesus veio, não somente por água, mas por água e por sangue, tornam-se evidentes: a defesa do evangelho.

“Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus.” (1 Jo 5:13; Jo 20:31)

Demonstrar que Jesus é o Cristo, era um cuidado constante do apóstolo João, tanto que, no início do seu evangelho, ele enfatiza que o Verbo se fez carne e que Ele pode ver a glória do Unigênito Filho de Deus: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1:14)

A defesa constante dessa verdade, era em função da oposição do espírito do anticristo, ou seja, da doutrina divulgada pelos falsos profetas, de que Jesus não era o Filho de Deus e de que Ele não veio em carne.

Como a análise desse texto centra-se na primeira Epístola do evangelista João, percebe-se que ele é enfático, ao evidenciar que, todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é gerado (filho) de Deus e complementa, confessando que Jesus veio por ‘água’ e por ‘sangue’.

Jesus ter vindo por ‘água’ e por ‘sangue’, é apresentado como prova contundente de que Cristo é o Filho de Deus e a ênfase no ‘sangue’, quando o apóstolo diz que Cristo não veio somente por ‘água’, mas por ‘água’ e por ‘sangue’, é prova de que Jesus também veio em carne.

“Este é aquele que veio por água e por sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.” (1 Jo 5:6)

O apóstolo João faz uma defesa da verdade do evangelho, estampando provas, de modo a preservar a mesma mensagem anunciada pelo apóstolo Paulo, no início da sua epístola aos cristãos de Roma:

“Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi, segundo a carne, declarado Filho de Deus, em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor.” (Rm 1:3-4)

Cristo é apresentado pelo evangelista João como ‘aquele’ que ‘veio’ por ‘água’ e por ‘sangue’. Quando é dito que Jesus ‘veio’, o verbo grego ‘ἐλθὼν’ no aoristo foi o modo que o apóstolo utilizou para descrever a encarnação do Verbo eterno. O evento sobrenatural, em que o Verbo eterno, despido de sua glória, se fez carne e passou a habitar entre os homens, foi resumido no verbo ‘vir’. (Jo 1:4; Fl 2:7)

Devemos ter em mente que Cristo Jesus, que nasceu de uma virgem, lá em Belém da Judeia, há pelo menos dois mil anos, é uma das pessoas da divindade, portanto, o Criador de todas as coisas: “No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele, nada do que foi feito se fez.” (Jo 1:1-3; Hb 1:8 e 10)

Jesus ter vindo por ‘água’, decorre do fato de Ele ter sido gerado por Deus, de modo sobrenatural, ou seja, o ente Santo que foi concebido no ventre de Maria, formado pelo Espírito Santo, segundo o poder incompreensível (sombra) de Deus.

“E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso, também, o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.” (Lc 1:35)

A concepção de Cristo se deu através da operação divina, segundo a sua própria vontade e poder, em cumprimento ao predito nas Escrituras:

“Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado, desde a madre; tu és o meu Deus, desde o ventre de minha mãe.” (Sl 22:9-10; Sl 71:6; Sl 139:13)

Quando o anjo explicou para Maria que ela estava grávida e que o menino que haveria de nascer teria o nome Jesus (Lc 1:31), foi dito que ela conceberia e daria à luz um filho. A narrativa do médico Lucas, demonstra que Jesus, efetivamente seria filho de Maria, pois ela haveria de conceber e dar à luz um filho.

Essa narrativa é conforme a exposição das linhagens que constam nas Escrituras, sendo certo que o homem gera filhos e a mulher concebe e dá a luz. Nunca é dito nas genealogias que uma mulher gera filhos, antes, é próprio de uma mulher conceber e dar à luz, como se lê:

“E CONHECEU Adão a Eva, sua mulher e ela concebeu e deu à luz a Caim e disse: Alcancei do SENHOR um homem.” (Gn 4:1);

“E Adão viveu cento e trinta anos e gerou um filho, à sua semelhança, conforme a sua imagem e pôs-lhe o nome de Sete. E foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, oitocentos anos e gerou filhos e filhas.” (Gn 5:3-4)

Maria ficou surpresa com a notícia e, ao questionar o anjo, foi dito a ela:

“Descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso, também, o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.” (Lc 1:35)

Por ação sobrenatural do Espírito, Maria esteve envolta em um mistério (sombra), segundo o poder de Deus, de modo que o Santo que haveria de nascer, através de Maria, seria chamado de “o Filho de Deus”.

No início da proclamação do evangelho por Cristo, as pessoas eram céticas quanto ao senhorio de Cristo, tanto que o reconheceram somente como profeta (Mt 16:14). Só vemos uma crença firme, com relação à pessoa de Cristo, quando o apóstolo Pedro confessou que Jesus era o Filho de Deus: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16:16)

A confissão do apóstolo Pedro não se deu por um conhecimento transmitido de pai para filho (carne e sangue), ou seja, o fato de Pedro ser descendente da carne e do sangue de Abraão, não lhe conferiu tal conhecimento, antes, tal conhecimento se deu pela revelação do Pai, através do evangelho anunciado por Cristo. (Mt 16:17)

Devemos ter em mente que muitos cristãos da igreja primitiva não conseguiam ver (entender) que, aquele Jesus com um corpo de matéria (carne e sangue) e que esteve sujeito à paixão da morte, na verdade, é sublime e glorioso e todas as coisas estão sujeitas a Ele. (Hb 2:8) Muitos, ainda, tinham em mente o Cristo, segundo a carne e se focavam na aparência dele. (2 Co 5:12)

“Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos, segundo a carne e, ainda, que também, tenhamos conhecido a Cristo, segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo. (2 Co 5:16)

Vários desvios doutrinários surgiam quando se dava ênfase demasiada a algum aspecto da vida do Senhor Jesus, e até mesmo com relação aos demais irmãos, de modo que o apóstolo Paulo teve que alertá-los que, após estar em Cristo (ser uma nova criatura), nenhum dos irmãos seriam conhecidos, segundo as questões da carne, como tribo, circuncisão, nação, ritos, etc.

Jesus era o Cristo, não porque foi circuncidado ao oitavo dia, apresentado ao sacerdote, oriundo da tribo de Judá, hebreu de uma hebreia, etc. (Fl 3:4-6) Na verdade, todas essas questões, somente serviam para que os homens pudessem identificar quem era o Cristo, enquanto esteve entre os homens.

Os apóstolos Mateus, Marcos e Lucas, ao abordarem a questão da deidade de Cristo, o fazem de forma velada, até porque, não queriam evocar, de pronto, a rejeição dos seus concidadãos, quando lessem os evangelhos. O apóstolo João, por sua vez, aborda a questão, abertamente, até porque, não tinha por objetivo convencer os judeus, mas, sim, instruir a igreja de Deus.

Diferentemente de Mateus e Lucas, que iniciam o relato da vida e do ministério de Cristo, apresentando sua genealogia ou, de Mateus e Marcos, que fazem referência aos Profetas e aos Salmos, o evangelista João é direto, quando aponta a deidade de Cristo:

“No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus.” (Jo 1:1-2)

Por que essa diferença? A diferença decorre da estratégia utilizada para alcançar o leitor, pois o evangelho de João foi escrito por volta de 90 a 100 d.C., quando a igreja já havia florescido no mundo e começaram a surgir às heresias e os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas são datados de 60 a 100 d. C., quando ainda se anunciava a vinda, morte e ressurreição do Messias. Esses evangelhos tinham por objetivo anunciar a vida e o ministério de Cristo e aquele apresentar, apologeticamente, quem era o Cristo – o Filho de Deus.

Quando o apóstolo João diz que Jesus veio por ‘água’, ele está enfatizando que o Verbo eterno se fez carne, segundo as Escrituras, única e exclusivamente, pela virtude (poder) do Pai. Jesus veio ao mundo, segundo a palavra de Deus e pelo poder de Deus, ou seja, ao despir-se da sua glória e poder, Cristo foi introduzido no mundo como homem.

A partir do momento em que o Verbo eterno despiu-se da sua glória e passou a habitar um tabernáculo terrestre, durante o tempo que se chama HOJE, o Verbo deixou de sustentar todas as coisas pelo seu poder e passou a existir na dependência do Pai, assim, como todos os demais seres: “Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei.” (Sl 2:7); “AQUELE que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” (Sl 91:1)

O Verbo, na eternidade, habitava no esconderijo do Altíssimo e, ao despir-se da sua glória, passou ao abrigo da sombra do Onipotente. Essa é a descrição de Cristo, na eternidade:

“O qual, sendo o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa e sustentando todas as coisas, pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” (Hb 1:3).

O Salmo 121 é uma descrição precisa da proteção do Pai sobre o seu Filho, que guardou, tanto a sua entrada no mundo (nascimento), quanto a sua saída (morte):

“O SENHOR é quem te guarda; o SENHOR é a tua sombra à tua direita. O sol não te molestará de dia, nem a lua de noite. O SENHOR te guardará de todo o mal; guardará a tua alma. O SENHOR guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.” (Sl 121:5– 8)

Na criação no Éden, Deus formou o homem do pó da terra e, quando soprou nas narinas o fôlego de vida, veio à existência o primeiro homem: Adão, uma alma vivente (Gn 2:7). Já, com relação ao último Adão – Cristo – Deus preparou um corpo no ventre de Maria, que veio à existência por ‘água’ e ‘sangue’ para que o Espírito eterno, despido de sua glória e poder pudesse, habitar entre os homens.

Adão não era pré-existente, quando foi feito alma vivente e de Cristo é dito que Ele entrou no mundo, o que demonstra a sua pré-existência. (Hb 10:5) A água remete a palavra de Deus que ‘bara’ (cria) e, nesse sentido, fica evidente a natureza divina de Cristo, que embora na carne, era o Filho de Deus, segundo a palavra de Deus (por água).

“E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. (Mq 5:2)

Quando é dito que Jesus veio por ‘água’, enfatiza que o Verbo eterno, voluntariamente, despiu-se da sua gloria e se fez carne, para habitar entre os homens. A vontade da carne, mais a vontade do varão e o sangue, trazem à existência um novo ser ao mundo; já o fato de Jesus vir por água, além de apontar a pré-existência de Cristo, demonstra que Ele foi gerado pela vontade e pelo poder de Deus: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.” (Hb 1:6)

Jesus apresentou a seguinte relação: “O que é nascido da carne, é carne e o que é nascido do Espírito, é espirito” (Jo 3:6), de modo que, aquele que veio por ‘água’, é ‘água’ que concede vida. Cristo é a água que dá vida, a semente incorruptível, a palavra de Deus que é viva e permanente, porque veio por água. (1 Pe 1:23-25; Hb 13:8; Jo 6:63: Jo 15:3).

Voluntariamente, o Verbo eterno despiu-se da sua glória e se fez homem, sendo introduzido no mundo dos homens pelo poder sobrenatural de Deus, por isso é dito que Ele veio por água, diferente dos descendentes de Adão, que vem por carne e sangue.

Como Cristo foi gerado pelo Espírito no ventre de Maria, também veio por sangue e por meio do sangue, é descendente de Davi e descendente de Abraão.

“Este é aquele que veio por água e sangue, isto é, Jesus Cristo; não só por água, mas por água e por sangue. E o Espírito é o que testifica, porque o Espírito é a verdade.” (v. 6)

Sobre os bens futuros, Deus é enfático:

“Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei” ( Ez 36:25 ).

A ação divina de aspergir água pura concede ao homem um novo coração e um novo espírito, o que remete a uma nova criação, como disse o profeta Davi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.”(Sl 51:10); “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne” ( Ez 36:26)

Sobre esse aspecto da redenção, disse o apóstolo Pedro:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (…) Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1 Pe 1:3 e 23).

Observando a lei de Moisés, verifica-se que, tanto as sementes, quanto as águas, possuem a mesma função, quanto à purificação:

“Porém a fonte ou cisterna, em que se recolhem águas, será limpa, mas quem tocar no seu cadáver, será imundo. E, se dos seus cadáveres cair alguma coisa sobre alguma semente que se vai semear, será limpa.” (Lv 11:36-37)

Observe que Cristo é sumo sacerdote dos bens futuros, onde há um tabernáculo maior e mais perfeito, que não é desta criação:

“Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação.” (Hb 9:11)

Cristo veio por água, porque foi ‘lançado’ por Deus no ventre de Maria, portanto, o vínculo de carne com Adão não existiu. Com Cristo vindo por água, foi estabelecido vinculo com a humanidade, de modo que passou a ter vínculo de sangue com a descendência de Abraão e de Davi. (Sl 22:10).

É em razão do pecado de Adão que Jesus não possui vínculo de carne com a humanidade, pois se assim fosse, teria vinculo direto com Adão e sua semente corruptível, portanto, estaria sujeito ao pecado, como todos os homens. O vínculo de Cristo com a humanidade só é de sangue, pois Ele veio por água, introduzido no mundo pelo poder de Deus, no ventre de Maria!

Como esteve no ventre de Maria, ali se efetivou o vínculo de sangue com a humanidade e assim firmou-se o vinculo de sangue com Abraão e com Davi.

Como a palavra de Deus é representada pela ‘água’, a semente incorruptível, temos uma referência à pré-existência de Cristo, o Verbo eterno. O Verbo eterno despiu-se da sua glória para ser introduzido no mundo, por meio do poder de Deus, para compartilhar da natureza humana, por meio do vínculo de sangue com Davi e Abraão, e não pelo vínculo da carne de Davi e de Abraão.

Observe que o evangelista João atribui vontade à carne e ao varão, menos ao sangue:

“Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1:13)

Maria era da linhagem (casa) de Davi e Jesus não foi gerado da semente de homem algum, antes, o próprio Deus obrou maravilhosamente e fez com que ela concebesse o Seu Filho, que durante a gestação, compartilhou do sangue de Maria, por conseguinte, foi estabelecido somente vínculo de sangue com Davi, o que o tornou isento da morte, caso compartilhasse da carne de Adão.

Quando foi dito a Maria que o filho dela haveria de ser o Filho de Deus, a palavra de Deus predita a Davi estava se cumprindo:

“Quando teus dias forem completos e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti um, dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai e ele me será por filho,” (2 Sm 7:12-14)

O vínculo de Davi com Cristo, aquele que saiu das entranhas de Davi, se deu somente por ‘sangue’ e não por ‘carne’. Hipoteticamente, se Cristo viesse de Davi, por carne, ou seja, por meio de uma relação sexual, onde a semente do homem é lançada no ventre da mulher, na verdade, o filho de Maria seria, apenas, mais um filho de Adão, portanto, sujeito ao pecado, assim, como, foram os outros filhos de Maria, que nasceram da relação dela com José.

Dai a explicação joanina, que Cristo veio por ‘sangue’, ou seja, Ele compartilhou da natureza humana, por vínculo de sangue, com seu pai Davi, através de Maria, por conseguinte, Cristo também era descendente de Abraão. Isso significa que a descendência (sangue) de Abraão foi escolhida, para que Deus se fizesse carne e viesse ao mundo dos homens. (Hb 2:16)

Quando Adão foi criado, Deus concedeu a Adão, a imagem  do Verbo eterno, que a tudo criou e que haveria de vir ao mundo. Com a queda, a imagem que Deus concedeu ao homem, não se perdeu, pois os dons de Deus são irrevogáveis, de modo que, quando o Verbo eterno, que a tudo criou, veio ao mundo, veio por ‘água’, segundo a mesma imagem que Ele concedeu ao homem, feito do pó da terra.

“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. (Rm 5:14)

Ao ser introduzido no mundo, o Verbo eterno teve um corpo constituído de matéria orgânica (carne, sangue e ossos), assim, como todos os homens. O escritor aos Hebreus explica que era necessário Cristo ser participante de ‘carne’ e de ‘sangue’, por causa da paixão na morte, o que é completamente, diferente de ter vindo por ‘água’ e por ‘sangue’.

Quando é dito que Jesus veio por ‘água’ e por ‘sangue’, isso significa que, apesar de ter tido um corpo constituído (participante) de ‘carne’ e de ‘sangue’, Cristo não entrou no mundo, pela mesma porta que todos os homens entram: Adão.

Adão é a porta larga, pela qual todos os homens vêm ao mundo, mas, Cristo foi introduzido no mundo, pelo poder de Deus.

Cristo, como o último Adão, foi estabelecido como a porta estreita, portanto, não poderia vir ao mundo por ‘carne’ e por ‘sangue’, ou seja, através da semente de Adão. Se Cristo entrasse no mundo, segundo a ‘carne’ e o ‘sangue’, estaria em um caminho largo, como todos os homens, e também, seguiria para a perdição.

Como Cristo não veio por Adão, entrou no mundo sem pecado. Por não ter vindo, através da semente de Adão, veio ao mundo pelo poder (virtude) de Deus, ou seja, por ‘água’. Adão, o primeiro homem, foi feito do pó da terra, portanto, é terreno; Cristo, o último Adão, sendo do céu, veio por água, ou seja, por intermédio do poder de Deus. (1 Co 15:47-48)

Todos os que vêm ao mundo por ‘carne’ e por ‘sangue’, não são pré-existentes, assim, como Adão não era pré-existente. Adão foi feito, a partir do pó da terra e veio à existência, quando Deus soprou em suas narinas o fôlego da vida e os demais descendentes de Adão vem à existência, quando são gerados, segundo a carne e o sangue.

É preciso divisar bem a questão de Cristo ter vindo em carne, pois, Cristo possuiu um corpo constituído de carne e de sangue, o que se verifica, quando Jesus foi circuncidado, ao oitavo dia (Lc1:59), quando sentiu fome, sede, cansaço (Mt 4:2; Jo 4:6), foi crucificado, morto e os seus ossos foram preservados, para não serem quebrados, sepultaram o seu corpo em uma sepultura que nunca foi utilizada e, ao terceiro dia, ressuscitou.

Cristo foi introduzido no mundo, na mesma condição de Adão, quando criado: livre de pecado. Mesmo com um corpo constituído de ‘carne’ e de ‘sangue’, Cristo não foi gerado, segundo a carne do pecado.

O vínculo do corpo de Cristo com a humanidade se deu somente por ‘sangue’, não por carne, para não ter vínculo com o pecado. Por causa da ação sobrenatural do Espírito Santo, o vinculo de Cristo com a humanidade se deu por sangue, não por carne, visto que Ele veio por ‘água’.

O fato de Jesus ter sido gerado no ventre de Maria conferiu a Cristo, pelo vínculo de sangue:

  1. O direito de se assentar no trono de Davi, seu pai, por conseguinte, conforme a profecia, depois de morto, ao terceiro dia, tendo ressurgido e foi declarado o Filho de Deus com poder. (2 Sm 7:14; Rm 1:3-4);
  2. Compartilhou da natureza humana, reunindo em si mesmo as condições necessárias para ser mediador entre Deus e os homens e, assim, provasse a morte por todos.

Dependendo do contexto em que o termo ‘carne’ é utilizado, com relação a Cristo, temos que compreender o emprego do termo, dentro do contexto do Novo Testamento. Por exemplo: Quando o apóstolo Paulo diz que Jesus Cristo nasceu ‘segundo a carne’, estava enfatizando, através do termo grego σάρκα (carne) o vínculo de sangue que há entre Davi e Cristo, como o descendente prometido e não que Ele seja oriundo da semente de Davi e de Abraão.

“Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi, segundo a carne.” (Rm 1:3)

Há uma grande diferença, entre dizer, que Jesus nasceu segundo a carne e dizer que Ele é da descendência de Davi, segundo a carne. A assertiva de que Cristo é da descendência de Davi, remete à promessa que Deus fez a Davi, de modo que o corpo de matéria orgânica de Cristo teve vínculo de sangue com Davi, sem ser da semente de homem algum.

Cristo ter vindo por ‘água’ e por ‘sangue’, é diferente do argumento que demonstra que Cristo foi participante de ‘carne’ e de ‘sangue’. Sabemos que Jesus foi participante de carne e de sangue, ou seja, com um corpo constituído de carne e de sangue, porém, não teve vínculo com Adão, pois veio por água e por sangue. Apesar de ter um corpo de carne e de sangue, Cristo não foi gerado de ‘carne’ e de ‘sangue’, mas, sim, de ‘água’ e de ‘sangue’.

Essa é a grande diferença que há entre o nascimento de Cristo e o restante da humanidade: o modo que vieram ao mundo. Quando é dito que os filhos participam da carne e do sangue, no contexto, significa que os filhos são provenientes de uma semente que lhes confere a natureza dos pais, bem como a condenação oriunda da ofensa de Adão.

O intérprete das Escrituras precisa identificar, durante a leitura, qual é a defesa do evangelho que os escritores das epístolas fizeram. Por Exemplo, o escritor aos Hebreus combateu o desvio teológico de alguns, que diziam que Jesus era um dos profetas (anjo, mensageiro) ou, um ser angelical. O evangelista João combateu o desvio teológico de que Jesus não veio em carne e o apóstolo Paulo, por sua vez, demonstrou o cumprimento da profecia que Deus fez a Davi.

O escritor aos Hebreus precisou enfatizar a humanidade de Cristo, para desfazer a ideia equivocada de que Cristo seria somente um dos profetas ou, um ser angelical. Essa ideia equivocada de que um anjo se fez carne ou, que era somente mais um profeta, comprometia a essência do evangelho.

A alegação de que Jesus é um ser angelical e que se fez carne, nega que o Cristo é pré-existente, ou seja, que Ele é o Deus eterno que estava junto ao Pai e se esvaziou da sua glória, para habitar entre os homens: “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.” (Fl 2:7); “No princípio era o Verbo,  o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus.” (Jo 1:1-2 )

Nas Escrituras está registrado o seguinte, acerca do Filho de Deus:

“Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros.” (Hb 1:8-9; Sl 45:6-7);

“E Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão e, como um manto, os enrolarás e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão.” (Hb 1:10-12; Sl 102:25-27)

Nas Escrituras não tem registro nenhum, de que algum profeta (anjo, mensageiro), fora chamado de Filho ou de Deus, do mesmo modo que tais nomes: Deus e Filho, não apontam para seres angelicais.

O evangelista João enfatiza que Cristo veio por ‘água’ e por ‘sangue’, o que significa que Ele não veio por ‘carne’ e por ‘sangue’. Ele precisava demonstrar que Jesus teve um corpo de carne, por causa dos anticristos, que diziam que Jesus não veio em carne, o que comprometeria a verdade da morte de Cristo e da sua ressurreição, porém, a verdade de que Cristo não teve vínculo com o pecado, também, deveria ser enfatizado.

A carne, como matéria, é sempre vinculada ao pecado, entretanto, não é um corpo constituído de carne que vincula o homem ao pecado, mas, sim, a herança de Adão transmitida pela semente corruptível. É a condenação, em decorrência da ofensa que ocorreu no Éden, que vincula o homem ao pecado, não a matéria constitutiva do corpo.

É imprescindível destacar que todos os homens, quando vêm ao mundo, exceto Adão e Cristo, possuem vinculo de ‘carne’ e de ‘sangue’. Adão é o único homem que veio ao mundo sem vínculo de carne e de sangue, pois foi criado por Deus, a partir do barro. Já o Filho de Deus veio ao mundo tendo vínculo de sangue, para compartilhar da natureza humana e, assim ser participante das fraquezas e sujeito à morte, porém, por ter vindo por água, nunca esteve sujeito ao pecado.

Exceto Adão e Cristo, todos os homens vêm ao mundo por carne e por sangue, ou seja, são gerados da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue. Adão e Cristo tinham corpos constituídos de ‘carne’ e de ‘sangue’, no entanto, ambos não vieram ao mundo, conforme a vontade da carne, vontade do varão e do sangue.

A Palavra que é viva e permanece para sempre, se fez semelhante aos homens, portanto, significa que Jesus veio por água e, ao mesmo tempo, pertenceu à linhagem de Abraão e de Davi, pelo vinculo de sangue:

“… mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens.” (Fl 2:7)

É por causa dos opositores do evangelho, que diziam que Jesus não veio em carne, que o evangelista João demonstra que Jesus veio ao mundo, ao despir-se da sua glória, por ‘água’ e por ‘sangue’. (1 Jo 5:6).

Em seguida, o apóstolo enfatiza que as Escrituras (espírito) confirmam que Jesus veio em carne, ou seja, que Jesus detinha um corpo de carne e de sangue. Ora, como as Escrituras são a verdade e dão testemunho de Cristo, certo é que as Escrituras dão testemunho de Cristo:

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de mim testificam.” (Jo 5:39)

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.” (Jo 17:17);

“A tua palavra é a verdade, desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre.” (Sl 119:160)

O apóstolo João demonstra que o próprio Deus é quem dá testemunho, acerca do Cristo, através das Escrituras. A palavra de Deus é a verdade e Cristo, na condição de Verbo eterno encarnado, identificou-se como o caminho, a verdade e a vida: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho,  a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (Jo 14:6)

A palavra do evangelho é a unidade do Espírito, pois só há uma igreja (corpo) e um evangelho (evangelho): “Procurando guardar a unidade do Espírito, pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, como, também, fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação.” (Ef 4:3-4)

Como a palavra de Deus é a verdade e o evangelista João enfatiza que o Espírito é a verdade, segue-se que o que testifica é a palavra, pois o testemunho de Cristo é o espírito da profecia.

“E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas, ele disse-me: Olha, não faças tal; sou teu conservo e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito da profecia.(Ap 19:10; Jo 8:26)

Ao retirar a interpolação: “…no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra:” (1 Jo 5:7-8), que não há nos melhores manuscritos, o que sugere um acréscimo tardio, teremos a seguinte assertiva:

“Porque três são os que testificam: o Espírito, a água e o sangue; e estes três concordam num.” (1 Jo 5:7-8)

Embora o Deus eterno seja constituído de três pessoas sempiternas e unas, e a diferenciação de pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo tenham surgido somente na plenitude dos tempos, quando o Unigênito de Deus foi introduzido no mundo, e a relação Pai/Filho passou a viger, conforme o acordado na eternidade: “Eu lhe serei por Pai e tu me será por Filho.” (2 Sm 7:14), a unidade do testemunho, acerca de Cristo como o Filho de Deus é o das Escrituras, ou seja, do espírito e não ‘do Pai, do Verbo e do Espírito Santo’, como sugere a interpolação.

Sobre o testemunho do Espírito, ou seja, da palavra que dá vida, temos a seguinte declaração de Jesus:

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de mim testificam.” (Jo 5:39);

Jesus balizou o seu ministério no testemunho de Deus, que está expresso nas Escrituras somente:

“E na vossa lei está, também, escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim mesmo e de mim testifica, também, o Pai que me enviou.(Jo 8:17-18)

O testemunho das Escrituras, conforme o anunciado pelos profetas (Jo 5:39), é o testemunho do Espírito ou, da Palavra ou, de Deus.

A água remete ao nascimento sobrenatural de Cristo, pois, além de Ele ser a água proveniente da pedra que os filhos de Israel beberam, pois era Ele quem os seguia (1 Co 10:4; Jo5:31-36; Jo 8:14), ação sobrenatural de Deus que atuou no ventre da virgem, concedendo a Cristo a natureza humana, constituiu o Cristo por testemunho a todos os povos.

“Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou.” (Jo 5:36)

O próprio sangue (parente) de Cristo testificou d’Ele, o seu primo, João Batista:

“João testificou dele e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.” (Jo 1:15).

Quando Cristo é ressurreto pelo poder de Deus o testemunho do Espírito, da água e do sangue se confirmam, pois, Ele foi declarado filho de Deus com poder, pela ressurreição dentre os mortos:

“O qual, antes prometeu, pelos seus profetas, nas santas escrituras, acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi, segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor.” (Rm 1:2-4).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] “3956 πας pas que incluem todas as formas de declinação; TDNT – 5:886,795; adj 1) individualmente 1a) cada, todo, algum, tudo, o todo, qualquer um, todas as coisas, qualquer coisa 2) coletivamente 2a) algo de todos os tipos, Dicionário Bíblico Strong.

[2] “1097 γινωσκωginoskoforma prolongada de um verbo primário; TDNT – 1:689,119; v 1) chegar a saber, vir a conhecer, obter conhecimento de, perceber, sentir 1a) tornar-se conhecido 2) conhecer, entender, perceber, ter conhecimento de 2a) entender 2b) saber 3) expressão idiomática judaica para relação sexual entre homem e mulher 4) tornar-se conhecido de, conhecer” Dicionário Bíblico Strong.

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Salmo 55 – Desejo de voar como as pombas

O desejo de Cristo se assemelha à vontade do profeta Jeremias que, ao prever a destruição dos filhos de Israel, desejou uma estalagem de caminhantes no deserto, do que estar entre os seus patrícios, que seriam destruídos pela guerra (Jr 9:2).


Salmo 55 – Desejo de Voar como as Pombas

Este Salmo é mais uma profecia de Davi, em forma de cântico (1 Cr 25:1-3) ou, um cântico profético. O rei Davi era profeta (At 2:29-30) e neste Salmo, pelo espírito (Mt 22:43), ele descreve o estado emocional do Cristo, quando perseguido pelos seus irmãos, segundo a carne.

Este Salmo não é fruto do estado emocional do salmista. É equivocada a leitura de que os Salmos descrevem a angústia, a alegria, as frustrações, as conquistas, etc., de Davi. Os Salmos não são um cântico dramático, que falam dos temores de Davi, antes, é um cântico que nos apresenta como o Verbo de Deus, que se faria homem, quando na forma de homem, se humilharia em obediência ao Pai (Fl 2:8).

 

1 INCLINA, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração e não te escondas da minha súplica. 2  Atende-me e ouve-me; lamento na minha queixa e faço ruído, 3  Pelo clamor do inimigo e por causa da opressão do ímpio; pois lançam sobre mim a iniquidade e com furor me odeiam. 4  O meu coração está dolorido dentro de mim e terrores da morte caíram sobre mim. 5 Temor e tremor vieram sobre mim e o horror me cobriu.

O cântico profético de Davi é construído com paralelismo e dessa estrutura poética, é possível compreendermos melhor os seus versos (que não são estruturados em métricas, rimas ou ritmos), mas, através de ideias que se complementam ou que são antagônicas.

O primeiro verso é construído através de um paralelismo sinônimo, pois a segunda linha do verso reforça a ideia apresentada na primeira:

“INCLINA, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração …

… e não te escondas da minha súplica.”

‘Inclinar’ os ouvidos é o mesmo que atender (Is 37:17), ser favorável, dar ouvidos. Não esconder da súplica é pedir pelo favor de Deus, que se revela no ‘resplendor’ da Sua face. Quando Deus se revela, indica que Ele é favorável a quem O invoca (Nm 6:25; Sl 31:16; Sl 80:3).

O Salmo constitui uma oração de Cristo, que roga ao Pai que lhe seja favorável e atenda os seus rogos.

Esse mesmo pedido está expresso no Salmo 102:

“Não escondas de mim o teu rosto no dia da minha angústia, inclina para mim os teus ouvidos; no dia em que eu clamar, ouve-me depressa.” (Sl 102:2)

O Cristo roga por auxilio, por uma resposta, pois, na sua angústia, sente-se perturbado e perplexo por causa da oposição dos seus inimigos, que são os da sua própria família (Mt 10:36). A opressão dos seus inimigos consiste em ofendê-lo, hostilizando e atribuindo maldades (v. 4).

A perseguição que os filhos de Israel imporiam ao Cristo, que o Salmo denomina de ‘ímpios’, causaria uma reação física, pois o coração do Messias ficaria acelerado, palpitante, pelo terror que a perspectiva da morte impõe. O medo causa a reação física de tremores e a reação psíquica é o horror (v. 5).

O Salmo 38 fala do abandono do Cristo pelos seus amigos e familiares e de como os seus irmãos, segundo a carne, O perseguiriam:

“Os meus amigos e os meus companheiros estão ao longe da minha chaga; e os meus parentes se põem à distância. Também, os que buscam a minha vida, me armam laços e os que procuram o meu mal, falam coisas que danificam e imaginam astúcias, todo o dia. Mas eu, como surdo, não ouvia, e era como mudo que não abre a boca. Assim, eu sou como homem que não ouve e, em cuja boca, não há reprovação.” (Sl 38:11-14)

 

6  Assim, eu disse: Oh! quem me dera asas como de pomba! Então, voaria e estaria em descanso. 7  Eis que fugiria para longe e pernoitaria no deserto. (Selá.) 8  Apressar-me-ia a escapar da fúria do vento e da tempestade. 9  Despedaça, Senhor, e divide as suas línguas, pois tenho visto violência e contenda na cidade. 10 De dia e de noite a cercam, sobre os seus muros; iniquidade e malícia estão no meio dela. 11 Maldade há dentro dela; astúcia e engano não se apartam das suas ruas.

Na angústia, um desejo do Cristo: asas como de pomba, que possibilitasse alçar voo! O desejo de fugir e de estar num lugar deserto e inóspito soa como descanso, o que, para muitos, representa um lugar inóspito. O deserto, comparado à fúria e à tempestade causada pela oposição dos seus inimigos, é lugar de descanso!

O desejo de Cristo se assemelha à vontade do profeta Jeremias que, ao prever a destruição dos filhos de Israel, desejou uma estalagem de caminhantes no deserto, do que estar entre os seus patrícios, que seriam destruídos pela guerra (Jr 9:2).

Apesar do anseio de fugir, o Cristo se volta para o Pai e roga para que os conselhos dos seus inimigos sejam dissipados (confundidos), pois o que Ele contempla e vê na cidade em que eles habitam é só violência e contenda (v. 9). A cidade é descrita como se houvesse atalaias sobre os muros, em guarda para protegê-la, porém, não é isso o que ocorre, pois a cidade está tomada de iniquidade e malícia e não passaria impune por Deus. Ninguém, posto por atalaia, dá o alarde de que a maldade, a astúcia e o engano dominam as ruas.

Que cidade é esta descrita pelo profeta Davi?

O profeta Habacuque, na condição de atalaia de Israel, estava cansado de ver iniquidade e opressão  (Hb 1:3). Em função da calamidade que via em meio aos filhos de Israel, pois a justiça era torcida e o ímpio cercava o justo, Habacuque estava cansado de gritar ao Senhor para ser atendido (Hb 1:1).

Essa mesma cidade, cheia de violência e de contenda, é retratada no Livro dos Provérbios como a mulher adultera, que deixou o companheiro da sua mocidade e se esqueceu da aliança com o seu Deus (Pv 2:16-17). A mulher adúltera é figura que retrata as cidades habitadas pelos filhos de Israel, cheias de violência e de maldade.

“Oh! se tivesse no deserto uma estalagem de caminhantes! Então, deixaria o meu povo e me apartaria dele, porque todos eles são adúlteros, um bando de aleivosos” (Jr 9:2);

“Quando vês o ladrão, consentes com ele e tens a tua parte com adúlteros. Soltas a tua boca para o mal e a tua língua compõe o engano. Assentas-te a falar contra teu irmão; falas mal contra o filho de tua mãe” (Sl 50:18-20).

 

12 Pois não era um inimigo que me afrontava; então, eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. 13 Mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo. 14 Consultávamos juntos, suavemente, e andávamos em companhia na casa de Deus. 15 A morte os assalte e, vivos, desçam ao inferno; porque há maldade nas suas habitações e no meio deles.

As pessoas que se levantariam contra o Cristo, não seriam de alguma nação inimiga, o que seria suportável. Era impossível ao Cristo se esconder dos seus adversários, pois os que se levantariam contra Ele, seriam os seus concidadãos, irmãos de sangue (Mq 7:6).

Ao encarnar, Cristo se fez homem. Como Cristo veio da casa de Davi, segundo a carne, os seus concidadãos eram seu ‘guia’ e ‘amigo intimo’, pois tinham a mesma afinidade: iam juntos ao templo. Esse verso tem conexão com o vaticinado por Moisés, que Deus levantaria um profeta dentre os seus irmãos e Ele seria como eles, em tudo.

“Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.” (Dt 18:18)

Apesar do alerta do profeta Moisés, de que o mensageiro do Senhor seria um dos seus irmãos, não tiveram cuidado em falar mal contra o irmão (sangue), o filho da tua mãe (nação). (Sl 50:20)

Mas, pelo mal que fariam contra o Cristo, os ímpios seriam tomados de assalto pela morte e, apesar de possuírem o fôlego de vida, estariam a caminho do inferno (v. 23), na mesma condição que os rebeldes das casas de Coré, Datã e Abirão (Sl 55:23; Sl 140:10).

 

16 Eu, porém, invocarei a Deus e o SENHOR me salvará. 17 De tarde, de manhã e ao meio dia, orarei e clamarei e Ele ouvirá a minha voz. 18 Livrou, em paz, a minha alma da peleja que havia contra mim, pois havia muitos comigo. 19 Deus ouvirá e os afligirá. Aquele que preside desde a antiguidade (Selá), porque não há neles nenhuma mudança e, portanto, não temem a Deus.

O verso 16 demonstra a confiança que o Cristo depositaria no Pai, que O invocaria e seria salvo. Outros Salmos apresentam a resposta do Pai, ao clamor do Filho:

“Porque não desprezou, nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu.” (Sl 22:24)

“Ele me invocará e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, dela o retirarei e o glorificarei.” (Sl 91:15)

Quando é dito que, de manhã, ao meio dia e à tarde, orará ao Pai, significa que o Filho confiaria, constantemente, em Deus. A oração é expressão de confiança em Deus, assim como  o esperar (Sl 40:1).

Deus, ao livrá-lo dos seus opositores, o Cristo alcançaria paz. Os opositores de Cristo seriam numerosos e temos uma ideia de quantos seriam: uma cidade, uma nação.

O Cristo confia que Deus o ouvirá e abaterá os seus opositores, pois Deus é soberano. Serão abatidos porque não se arrependem e nem temem (obedecem) a Deus (Jr 23:14). Arrepender-se, ou temer é esperar em Deus, na sua misericórdia (Sl 33:18). Para ‘aguardar’ a misericórdia de Deus, o homem tem que obedecê-Lo, pois Deus só tem misericórdia dos que O amam.

 

20 Tal homem pôs as suas mãos naqueles que têm paz com ele; quebrou a sua aliança. 21 As palavras da sua boca eram mais macias do que a manteiga, mas havia guerra no seu coração: as suas palavras eram mais brandas do que o azeite; contudo, eram espadas desembainhadas.

Profeticamente, o Salmista descreve os filhos de Israel como aqueles que levantam a mão contra os seus amigos, vez que todos violam a aliança. Como cada qual levanta a mão contra o seu amigo, vem o alerta nos Profetas: “Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca.” (Mq 7:5; Zc 7:10).

A denúncia contra os filhos de Israel é gravíssima, pois, todos se desviaram da aliança:

“Guardai-vos cada um do seu próximo e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar e todo o próximo anda caluniando. E zombará cada um do seu próximo, porque não falam a verdade; ensinam a sua língua a falar a mentira, andam-se cansando em proceder perversamente.” (Jr  9:4-5)

Como rejeitaram a lei de Deus e não cumpriram as suas palavras, Deus traria o mal sobre os filhos de Israel. De nada adiantava cuidarem dos pobres, órfãos e viúvas do povo, se quebraram a aliança, no final tudo seria destruído, por causa dos seus maus pensamentos.

“Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei.” (Jr 6:19)

“Para que, pois, me vem o incenso de Sabá e a melhor cana aromática, de terras remotas? Vossos holocaustos não me agradam, nem me são suaves os vossos sacrifícios. Portanto, assim diz o SENHOR: Eis que armarei tropeços a este povo; e tropeçarão neles pais e filhos, juntamente; o vizinho e o seu companheiro perecerão.” (Jr 6:19-21).

Embora cada um se apresente ao seu companheiro com semblante ‘angelical’, contudo, o que há no coração é inimizade. As palavras que os filhos de Israel proferem são dóceis, pois falam de paz, cada um com o seu companheiro, mas não em retidão e nem em justiça, de modo que as suas doces palavras religiosas são comparáveis a espadas afiadíssimas pelo veneno mortífero que contém.

“Que afiaram as suas línguas como espadas; e armaram por suas flechas palavras amargas.” (Sl 64:3)

“Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios. (Selá.)” (Sl 140:3)

 

22 Lança o teu cuidado sobre o SENHOR e ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado. 23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da perdição; homens de sangue e de fraude não viverão metade dos seus dias; mas eu em ti confiarei.

O Cristo é instruído a depositar os seus anseios ou, fardo, em Deus, pois Deus é quem susterá o Cristo. Deus jamais permite que o justo, que é o Cristo, venha a vacilar, cair, tropeçar (Sl 26:1), pois o Cristo, por sua vez, lança o seu cuidado sobre o Senhor (Sl 15:5).

“Porque nunca será abalado; o justo estará em memória eterna. Não temerá maus rumores; o seu coração está firme, confiando no SENHOR. O seu coração está bem confirmado, ele não temerá, até que veja o seu desejo sobre os seus inimigos. Ele espalhou, deu aos necessitados; a sua justiça permanece para sempre e a sua força se exaltará em glória” (Sl 112:6-9);

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor.” (Jo 15:10).

Os opositores de Cristo, por sua vez, serão desarraigados e o que os aguarda é a sepultura. Enquanto o Cristo põe em Deus a sua esperança, os seus opositores, os filhos do seu povo, são descritos como ardilosos e sanguinários.

Ao caracterizar os filhos de Israel como homens de sangue e fraude, o Salmista, por ser profeta, faz uso de figuras, símiles e parábolas, para denunciar a apostasia e o tropeço dos filhos de Israel.

Os homens de ‘sangue’ são aqueles que se lançam aos sacrifícios de bois, cordeiros, oblações, etc., mas que não obedecem a Deus (Is 66:3). Os homens de ‘fraude’ são aqueles que torcem a palavra de Deus, como descrito por Isaías:

“Como o prevaricar e mentir contra o SENHOR e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade.” (Is 59:13).

Como a boca fala do que o coração está cheio, certo é que quem profere palavras de falsidade é porque o coração é enganoso. O coração é enganoso por ter sido herdado de Adão, o que faz com que o homem fale mentiras, desde que nasce. (Sl 58:3; Rm 3:4)

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

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O lobo morará com o cordeiro?

O leão, o lobo e o leopardo, neste contexto, são bestas do campo utilizadas como figura para fazer referência às nações inimigas de Israel, que invadiriam as cidades e levaria o povo (ovelhas) de Israel como presa.


“E morará o lobo com o cordeiro, o leopardo com o cabrito se deitará, o bezerro e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos e um menino pequeno os guiará” (Is 11:6).

 

Introdução

As Testemunhas de Jeová e os Adventistas do Sétimo dia utilizam a passagem de Isaias 11, verso 6, para falar das bênçãos de um futuro novo mundo, como se as Escrituras afirmassem que, um dia, a natureza dos lobos seria transformada para tornar possível conviverem em harmonia com carneiros.

Eles afirmam, com base nessa passagem de Isaias, que uma das características desse paraíso será os humanos e os animais coexistindo em paz, de modo que um cordeiro não correrá risco de ser devorado, se ficar próximo de um lobo ou, um bezerro, próximo de um leopardo.

Dai, surge a indagação: está correto esse ensinamento disseminado pelas Testemunhas de Jeová[1], conforme o que estabelece o seu Corpo Governante[2]? Está correto o ensinamento de Ellen White[3] quanto a essa passagem das Escrituras?

 

Interpretando uma parábola

Assim como o profeta Isaias, o profeta Ezequiel, também, anunciou aos filhos de Israel um tempo de paz, em que os descendentes de Jacó habitariam em segurança, nas terras que foram prometidas ao patriarca Abraão, pois o Filho de Davi – Jesus Cristo – regerá as nações do mundo com vara de ferro (Ap 19:15).

“E eu, o SENHOR, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o SENHOR, o disse. E farei com elas uma aliança de paz e acabarei com as feras da terra, habitarão em segurança no deserto e dormirão nos bosques. E delas e dos lugares ao redor do meu outeiro, farei uma bênção; e farei descer a chuva a seu tempo; chuvas de bênção serão. E as árvores do campo darão o seu fruto, a terra dará a sua novidade, estarão seguras na sua terra; e saberão que eu sou, o SENHOR, quando eu quebrar as ataduras do seu jugo e as livrar da mão dos que se serviam delas. E não servirão mais de rapina aos gentios, as feras da terra nunca mais as devorarão; e habitarão seguramente e ninguém haverá que as espante” (Ez 34:24-28).

Ezequiel profetizou que Deus haveria de fazer uma aliança de paz com os filhos de Israel e que acabaria com as feras da terra. Ora, diante dessa profecia, o leitor tem que entender que Deus falava aos filhos de Israel, utilizando-se de figuras, enigmas e parábolas (Sl 78:2; Ez 20:49).

Já, no inicio do capítulo 34, do Livro de Ezequiel, temos uma parábola, em que Deus retrata os líderes de Israel como ‘pastores’ e o povo como ‘ovelhas’ (Ez 34:2).

Os líderes de Israel eram pastores que apascentavam a si mesmos, pois se alimentavam do rebanho, mas não cuidavam dele (Ez 34:3). Por causa da desídia dos ‘pastores’, as ‘ovelhas’ da casa de Israel se dispersaram, tornando-se presas fáceis das feras do campo (nações gentílicas) e foram dispersas entre todas as nações (montes, outeiros).

“Assim se espalharam, por não haver pastor e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam.As minhas ovelhas andaram desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem perguntasse por elas, nem quem as buscasse” (Ez 34:5-6)

No capítulo 34, o profeta Ezequiel estava protestando contra os líderes (pastores) do povo, vez que não cuidaram dos filhos de Israel (ovelhas). O cuidado dos líderes estava em ensinar, corretamente, ao povo os mandamentos de Deus, mas, como o povo não foi ensinado, os filhos de Israel ficaram como ovelhas que não tem pastor, presas fáceis às bestas feras do campo, ou seja, foram levados em cativeiro pelas nações inimigas.

A expressão ‘bestas’ feras do campo é uma figura da parábola, que remete às nações inimigas de Israel, que conquistaram e levaram os israelitas em cativeiro. ‘Montes’ e ‘outeiros’, também, são figuras que representam as nações onde os fugitivos de Israel se refugiaram, quando do aperto dos inimigos.

Por causa da apostasia dos filhos de Israel foi previsto, pelos profetas, que eles seriam conquistados por povos inimigos e levados em cativeiro e, para descrever esta triste realidade, os profetas se utilizaram dessas figuras:

“Por isso, um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias” (Jr 5:6).

O profeta Jeremias, ao prever o cativeiro dos filhos de Israel, utilizou a figura de três animais do campo: leão, representando a Babilônia; o lobo, representando os Medos-Persas e o leopardo, representando a Grécia, nações que subjugariam os filhos de Israel.

O leão, o lobo e o leopardo, neste contexto, são bestas do campo utilizadas como figura para fazer referência às nações inimigas de Israel, que invadiriam as cidades e levaria o povo (ovelhas) de Israel como presa.

Semelhantemente, montes e outeiros são figuras utilizadas para fazer referência às nações, comparando-as:

“E acontecerá, nos últimos dias, que se firmará o monte da casa do SENHOR no cume dos montes e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações” (Is 2:2).

Quando Isaias profetizou que, ‘nos últimos dias, se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes’, ele utilizou as montanhas como figura, para demonstrar que a nação de Israel se estabelecerá acima das demais nações (se elevará por cima dos outeiros).

A Bíblia apresenta inúmeras figuras para ilustrar a relação entre Israel e os povos em redor.

Outro exemplo de aplicabilidade da figura do ‘monte’ encontra-se nos Salmos, quando o salmista apresenta as águas como figura, para representar os povos e as montanhas, as nações, como se lê:

“Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá.) Há um rio, cujas correntes, alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã.Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu” (Sl 46:3-6).

Utilizando a mesma temática, Isaias profetizou, acerca das nações:

“Ai do bramido dos grandes povos, que bramam como bramam os mares e do rugido das nações, que rugem como rugem as impetuosas águas. Rugirão as nações, como rugem as muitas águas, mas Deus as repreenderá e elas fugirão para longe; e serão afugentadas como a pragana dos montes diante do vento e como o que rola, levado pelo tufão” (Is17:12-13).

Voltando à abordagem do profeta Ezequiel, na qual ele destaca que Deus fará uma aliança de paz com Israel e que acabará com as feras da terra, para que os filhos de Jacó possam habitar em segurança no deserto ou, no bosque, o que entender?

Significa que, no reino milenar  de Cristo, não haverá na terra leão, pantera, lobo, urso ou, qualquer outro animal selvagem? Absolutamente, não! Ezequiel fez uso de figuras, para demonstrar que a cidade que os israelitas habitarão será segura, por causa da aliança de paz que Cristo estabelecerá com eles.

A cidade não necessitará de muros, assim como os desertos e os bosques não necessitam. “E disse-lhe: Corre, fala a este jovem, dizendo: Jerusalém será habitada como as aldeias sem muros, por causa da multidão dos homens e dos animais que haverá nela” (Zc 2:4).

O profeta estava anunciando, através dessa previsão, que, no futuro de paz, decorrente do governo de Cristo, os filhos de Israel (ovelhas) não mais servirão de rapina (presa) aos gentios, ou seja, no contexto os gentios são sublinhados como feras que devoram os filhos de Israel.

É, em função da paz que haverá no reino milenar de Cristo, que o profeta Isaias anunciou:

“Ali não haverá leão, nem animal feroz subirá a ele, nem se achará nele; porém, só os remidos andarão por ele” (Is 35:9);

“O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos e o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal, nem dano algum, em todo o meu santo monte, diz o SENHOR” (Is 65:25).

Considerando o verso 9, de Isaias 35, poderíamos concluir que não haverá leão no reino milenar de Cristo? Evidente que não!

Quando é dito que o lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, significa que Cristo estará regendo todas as nações da terra (Ap 2:27), de modo que Israel (cordeiros) coexistirá, pacificamente, com as demais nações (lobo), uma paz que nunca se viu ao longo da história da humanidade.

Para compreender essas figuras bíblicas, se faz necessário ter em mente a seguinte regra de interpretação:

“Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado de bois?” (1 Co 9:9).

Na lei, a figura do boi foi utilizada para fazer referência ao direito de um condenado, demonstrando que Deus tem cuidado dos homens, mas há quem entenda que Deus está cuidando dos animais (Dt 25:1-4).

De igual modo, Deus se utiliza da figura de animais para fazer referência às nações, conforme se vê, nas visões de Daniel:

“Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar grande.E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar. O primeiro era como leão e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, foi levantado da terra e posto, em pé, como um homem e foi-lhe dado um coração de homem. Continuei olhando e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne” (Dn 7:2-5).

O mar agitado pelo vento refere-se às nações da terra (quatro ventos) e os animais simbólicos do leão, do urso e do leopardo, são as três grandes civilizações conhecidas na história da humanidade: babilônia, medos-persas e gregos, respectivamente. Essas nações foram simbolizadas por animais selváticos, ou seja, através de bestas do campo, para demonstrar a hegemonia delas no mundo e o poder de Deus em estabelecê-las.

O profeta Oséias falou desse tempo de paz, em que Deus fará uma aliança de paz com os israelitas, findando, assim, as guerras no mundo:

“E naquele dia farei por eles aliança com as feras do campo e com as aves do céu,  com os répteis da terra; e da terra quebrarei o arco, a espada e a guerra e os farei deitar em segurança. E desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, em juízo, em benignidade e em misericórdias. E desposar-te-ei comigo em fidelidade e conhecerás ao SENHOR” (Os 2:18-20).

O que entender? ao ler:

“E morará o lobo com o cordeiro, o leopardo com o cabrito se deitará, o bezerro e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi” (Is 11:6-7).

O crente deve ter em mente que figuras como: lobo e cordeiro, leopardo e cabrito, bezerro e leãozinho, vaca e ursa e leão e boi, no contexto da profecia de Isaias, trata da convivência pacífica entre as nações, quando do governo do Leão da Tribo de Judá, o rebento de Jessé.

Entender que a profecia de Isaias trata de um futuro ecossistema terrestre, ou que a natureza das bestas feras do campo serão mudadas, quando do advento do reino de Cristo, no mínimo, é um equivoco oriundo da má leitura das figuras e das parábolas bíblicas.

Resta-nos a seguinte dúvida: Se uma organização humana que se diz conhecedora e divulgadora da verdade bíblica não consegue interpretar figuras bíblicas tão simples como essas apresentadas por Isaias, tal organização é digna de confiança, com relação à interpretação do restante das Escrituras?

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1]“No novo mundo de Jeová, as pessoas poderão tocar a juba fofinha de um leão, acariciar o pêlo listrado dum tigre e, até mesmo, dormir na floresta, sem temerem ser atacadas por um animal. Veja a seguinte promessa de Deus: “Hei de fazer cessar no país a fera nociva, e [os humanos] realmente morarão no ermo em segurança e dormirão nas florestas.” — Ezequiel 34:25; Oséias 2:18. Os animais selvagens estarão em sujeição, até mesmo a crianças pequenas. A Bíblia diz: “O lobo, de fato, residirá por um tempo com o cordeiro e o próprio leopardo se deitará com o cabritinho e o bezerro, o leão novo jubado e o animal cevado, todos juntos; e um pequeno rapaz é que será o condutor deles.” Mas isso não é tudo! O texto bíblico continua: “A própria vaca e a ursa pastarão; juntas se deitarão as suas crias. E até mesmo o leão comerá palha como o touro. E a criança de peito há de brincar sobre a toca da naja; e a criança desmamada porá realmente sua própria mão sobre a fresta de luz da cobra venenosa. Não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová, assim como as águas cobrem o próprio mar.” — Isaías 11:6-9.” Animais — eternos companheiros do homem, Revista Despertai! — 2004, pág. 10 -11 <http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/102004123>consulta realizada em 08/01/2017.

[2]Segundo as literaturas distribuídas pelas Testemunhas de Jeová, o Corpo Governante refere-se a um grupo de pessoas que supervisiona as Testemunhas de Jeová, em todo o mundo.

[3] “Vi outro campo repleto de todas as espécies de flores; e, quando as apanhei, exclamei: “Elas nunca murcharão.” Em seguida, vi um campo de relva alta, cujo belíssimo aspecto causava admiração; era uma vegetação viva e tinha reflexos de prata e de ouro, quando magnificamente se agitava para a glória do Rei Jesus. Entramos, então, num campo cheio de todas as espécies de animais: o leão, o cordeiro, o leopardo, o lobo, todos juntos, em perfeita união. Passamos pelo meio deles e, pacificamente, nos acompanharam”. White, Ellen, Eventos Finais, Casa Publicadora Brasileira, pág. 288. <http://ellenwhite.cpb.com.br/livro/index/7/283/306/a-heranca-dos-santos> consulta realizada em 08/01/2017.

“Os animais deixarão de ser carnívoros e ferozes: “O lobo e o cordeiro pastarão juntos e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará ma,l nem dano algum, em todo o meu santo monte, diz o SENHOR.” Artigo: O que é a morte?, de Leandro Soares de Quadros, consultor bíblico e conselheiro, disponível na web: <http://www.novoapetite.com.br/?p=66>consulta realizada em 08/01/2017.

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Ficarão de fora os cães

Na Bíblia os profetas são apresentados como ‘atalaias’, homens que alertavam os moradores de Israel anunciando a palavra do Senhor. O profeta Habacuque era uma atalaia, pois ao ver a iniquidade do povo dava o alarde gritando: – “Violência, violência”! ( Hc 1:2 ). Esta violência trouxe a justa retribuição de Deus através dos caldeus conforme o predito pelo profeta Moisés.


“Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira” ( Ap 22:15 )

 

Introdução

O termo ‘cães’ no verso: “Ficarão de fora os cães…” ( Ap 22:15),  não é um xingamento derivado de um destempero emocional de seu locutor. Essa assertiva foi feita pelo Senhor Jesus Cristo glorificado e registrado pelo apóstolo João no livro do Apocalipse com a finalidade de alertar os cristãos acerca da iminente volta de Cristo ( Ap 22:20 ).

O Senhor Jesus, neste alerta, não trata de animais irracionais, quer sejam animais domésticos ou animais que sobrevivem na natureza. Vale destacar que os animais quando morrem, até mesmo os de estimação, não irão ao céu e nem a nenhuma outra parte. Não existe céu e nem inferno para animais. Um animal, após o termino das funções vitais deixa de existir, ou seja, animais não ‘ressurgem’.

Durante o seu ministério terreno Jesus utilizou vários termos como ‘víboras’, ‘loucos’, ‘ignorantes’, ‘cegos’, ‘cães’, em suas pregações, mas não tinha a intenção de ofender os seus interlocutores. Na verdade Jesus utilizou estes termos em seus ensinos para evidenciar aos seus ouvintes que eles estavam em igual condição que a dos seus antepassados que morreram durante a peregrinação no deserto ( Hb 1:1- 2; Jo 6:49 ), pois estes termos foram amplamente empregados pelos profetas.

 

Termos e figuras

Verifica-se nas Escrituras que os profetas utilizaram termos que remontam a algumas figuras para esclarecer e evidenciar a condição e algumas situações envolvendo o povo de Israel ( Jr 5:4 ; Dt 32:6 ).

Para compreendermos o significado de alguns termos ou interpretar as figuras utilizadas, tanto por Jesus quanto pelos apóstolos, primeiro é necessário entender como os profetas fizeram uso de tais elementos.

Ora, não convém ao leitor da Bíblia estabelecer, através das próprias conjecturas e suposições, o significado das figuras e das parábolas anunciadas por Cristo e os apóstolos, visto que eles mesmos afirmam que tiveram o cuidado de serem fiéis às Escrituras quando falavam ao povo.

Fidelidade ao mandamento de Deus era o compromisso de Cristo: “E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito” ( Jo 12:50 ). E este era o posicionamento do apóstolo Pedro: “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 2Pd 1:19 ). Neste mesmo diapasão segue o apóstolo dos gentios: “Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer” ( At 26:22 ).

Isto significa que o interprete não pode dar significado aos termos e figuras por si mesmo, antes deve se socorrer do significado que a própria Bíblia apresenta.

 

Atalaia

“ENTÃO disse o SENHOR a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta. Tu falarás tudo o que eu te mandar; e Arão, teu irmão, falará a Faraó, que deixe ir os filhos de Israel da sua terra” ( Ex 7:1-2);

“Filho do homem: Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu da minha boca ouvirás a palavra e avisá-los-ás da minha parte ( Ez 3:17 ; Ez 33:7 ).

O livro do Êxodo explica que profeta é aquele que tem a incumbência de retransmitir aquilo que especificamente ouviu de Deus. Quando Moisés e Arão foram a Faraó, Deus colocou Moisés como deus sobre Faraó e Arão como ‘profeta’ de Moisés, e a relação que se estabeleceu entre Moisés e Arão deixa claro qual é a missão do profeta “Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá” ( Dt 18:20 ).

Através da palavra dada ao profeta Ezequiel, verifica-se que Deus associa o oficio de profeta à função da atalaia.

A função da atalaia (sentinela) é vigiar, e para exercer o seu papel necessita estar em um lugar alto que proporcione uma visão ampla afim de que possa ver o perigo ao longe e dar o aviso em tempo hábil.

Por causa da importância e responsabilidade inerente à função de atalaia, verifica-se que há similaridade entre a incumbência do profeta com a função da atalaia, de modo que do ponto de vista bíblico ‘atalaia’ significa profeta. Isto por si só demonstra que a Bíblia possui terminologias próprias.

Para exercer bem a função de atalaia em Israel, ou seja, avisar o povo do perigo, os profetas deveriam estar em Deus, o altíssimo, mas muitos profetas em Israel prevaricaram na sua atribuição “Os sacerdotes não disseram: Onde está o SENHOR? E os que tratavam da lei não me conheciam, e os pastores prevaricavam contra mim, e os profetas profetizavam por Baal, e andaram após o que é de nenhum proveito” ( Jr 2:8 ).

Além da figura da ‘atalaia’, nas profecias há a figura do ‘cão mudo’ para representar aqueles profetas que não falam o que Deus ordenou:

“Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono” ( Is 56:10 )

Pela similaridade que há entre a função da atalaia e do cão de guarda, é introduzida a figura do ‘cão mudo’ para descrever os profetas de Israel. No que diz respeito à vigilância, o cão desempenha o mesmo papel que a sentinela, pois tem a audição e o olfato apurado e dá o alarde quando sente qualquer aproximação.

A atalaia cega não dá o alarde porque nada sabe. Já o cão mudo não dá o aviso pela impossibilidade de ladrar (latir).

 

O desvio das atalaias e do povo

Apesar de Deus ter instituído profetas como atalaias em Israel, tanto as atalaias quanto a nação rejeitaram ouvir a palavra de Deus “Também pus atalaias sobre vós, dizendo: Estai atentos ao som da trombeta; mas dizem: Não escutaremos” ( Jr 6:17 ); “A quem falarei e testemunharei, para que ouça? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela” ( Jr 6:10 ); “Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade” ( Jr 6:13 ; Jr 8:10 ).

Os profetas ensinavam mentiras, ou seja, falavam visões segundo os seus corações enganosos, e não da parte do Senhor “Assim diz o SENHOR acerca dos profetas que fazem errar o meu povo, que mordem com os seus dentes, e clamam paz; mas contra aquele que nada lhes dá na boca preparam guerra” ( Ml 3:5 ; Jr 23:16 ). Na verdade desencaminhavam ainda mais um povo que já era propenso a errar ( Os 11:7 ; Jr 50:6 ).

Como os profetas não davam o alarde e o povo rejeitava a palavra do Senhor, todos estavam alheios ao mau que estava por vir, pois Deus estava suscitando contra Israel inúmeros inimigos dentre os povos vizinhos ( Jr 6:19 -23).

 

A profecia de Moisés

Os filhos de Israel profanaram a aliança de Deus, ou seja, não fizeram justiça ( Dt 6:25 ), e as pragas preditas por Moisés estavam por se abater sobre o povo de Israel ( Dt 28:15 -68).

Dentre as pragas previstas por Moisés estava o levante de nações inimigas que viriam de terras longínquas e dominaria sobre a nação de Israel “O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; Nação feroz de rosto, que não respeitará o rosto do velho, nem se apiedará do moço” ( Dt 28:49 -50).

O profeta Habacuque cônscio da sua função, alardeou: “SOBRE a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for arguido” ( Hc 2:1 ).

Habacuque estava sabia que, como profeta, era uma ‘atalaia’ de Deus em Israel. A função dele era estar de ‘vigia’, assim como uma atalaia permanece vigilante em seu posto. E o que Habacuque estava à espera? Esperava ouvir o que Deus falaria acerca do seu povo.

Isto não quer dizer que Habacuque estava encarregado de vigiar os muros e os portões da cidade, função esta que cabia aos soldados e vigias. A função de Habacuque era esperar o que Deus havia de falar, pois só podia anunciar o que Deus dissesse ( Hc 2:1 ).

Deus anunciou que havia de fazer uma obra tal que os filhos de Israel não creriam quando fosse anunciada ( Hb 1:5 ), ou seja, Deus estava levantando os caldeus – nação gentílica – como vara de correção contra Israel, e Habacuque estava incumbido de anunciar que estes eventos ocorreriam em função da rebeldia dos filhos de Israel.

Sem compreender o motivo de Deus suscitar uma nação gentílica para punir o seu povo, Habacuque se posta vigilante como uma atalaia a espera de uma resposta de Deus.

Lembre-se que Habacuque não era um soldado em um posto de observação (sentinela) com a missão de dar o alarde caso identificasse uma invasão inimiga, antes ele estava aguardando, como uma atalaia, para compreender o que Deus havia falado.

Nas escrituras os profetas são apresentados como ‘atalaias’, homens que alertavam os moradores de Israel anunciando a palavra do Senhor. O profeta Habacuque era uma atalaia, pois ao ver a iniquidade do povo dava o alarde gritando: – “Violência, violência”! ( Hc 1:2 ). Esta violência trouxe a justa retribuição de Deus através dos caldeus conforme o predito pelo profeta Moisés.

O profeta Isaias como atalaia também anunciou o castigo do Senhor conforme o que foi predito por Moisés em Deuteronômio: “Vós, todos os animais do campo, todos os animais dos bosques, vinde comer” ( Is 56:9 ). As nações inimigas são representadas nas Escrituras através de figuras de alimárias do campo, como leão, leopardo, urso, etc., daí o convite a ‘todos os animais do campo’.

O convite para que se aproximassem e comessem é feito às nações inimigas, e Israel é o banquete “Por isso um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias” ( Jr 5:6 ).

Israel estava para ser punido através das nações inimigas (os animais do campo) por ser rebelde, e conforme o predito pelos profetas, ocorreu às invasões dos povos vizinhos: Babilônia (leão), Medos-Persas (urso, carneiro) e Gregos (leopardo, bode) “Serei, pois, para eles como leão; como leopardo espiarei no caminho. Como ursa roubada dos seus filhos, os encontrarei, e lhes romperei as teias do seu coração, e como leão ali os devorarei; as feras do campo os despedaçarão” ( Os 13:7 -9).

A mesma mensagem anunciando a derrocada dos filhos de Israel foi anunciada por profetas que foram perseguidos e mortos, enquanto que, os muitos falsos profetas em Israel, que rejeitavam anunciar a palavra do Senhor, foram acolhidos pelo povo.

 

Cães que não ladram

Quando Isaias disse que os profetas de Israel eram cegos e nada sabiam, nada sabiam mesmo. Desconheciam que por esquecer de Deus, Israel foi dado por presa às nações vizinhas, a justa retribuição de Deus por causa da rebeldia do povo “Então se dirá: Porquanto deixaram a aliança do SENHOR Deus de seus pais, que com eles tinha feito, quando os tirou do Egito;” ( Dt 29 : 25 )

Além da punição iminente, as atalaias de Israel também precisavam ver e anunciar que a ‘salvação de Deus’ estava prestes a se manifestar ( Is 56:1 ).

Os filhos de Israel precisavam distinguir a justiça manifesta na punição com deportação e exilio, da justiça de Deus que seria manifesta a todos os povos através da encarnação de Cristo. Por causa da rebeldia de Israel, Deus faz um convite aos animais do campo e as feras dos bosques para que viessem comer ( Is 56:9 ). O que isto significa? A invasão das nações vizinhas e o exílio!

Antes de fazer uso do termo ‘cães’ no verso 10 do capítulo 56, Isaias profetizou que a justiça de Deus estava prestes a se manifestar, ou seja, Cristo ( Is 56:1 ), e seria bem-aventurado aquele que O obedecesse, assim como foi obediente o crente Abraão  ( Is 56:2 ).

As atalaias precisavam divulgar que ‘estrangeiros’ seriam congregados ao rebanho do Senhor ( Is 56:4 -5). Era imprescindível às atalaias anunciarem que a casa de Deus é casa de oração para todos os povos, no entanto, muitos profetas de Israel desconheciam estas verdades ( Is 56:7 ).

É em função deste quadro de letargia diante da palavra de Deus que Isaias declara que os atalaiais de Israel eram cegos! O que pode fazer uma sentinela cega? Como pode uma atalaia alardear a cidade que ela está em perigo se a atalaia é cega, não vê o perigo? “Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono” ( Is 56:10 ).

O profeta Isaias compara os profetas de Israel a cães adormecidos, deitados e que amam o tosquenejar. São descritos como gulosos e que nunca se fartam ( Is 56:11 ).

A função da atalaia é a mesma de um cão de guarda, atribuições que, bem desempenhada, remete à figura de um pastor.

Um pastor que não compreende o seu papel, que nada sabe e segue os seus próprios devaneios é um mercenário, pois satisfaz a sua ganancia e conduz o rebanho para o abismo. É por isso que Isaias descreve os filhos de Israel andando como cegos, tropeçando ao meio-dia “Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos” ( Is 59:10 ).

É em função desta descrição do profeta Isaias que Jesus declarou que todos os que vieram antes d’Ele eram ladrões e salteadores “Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram” ( Jo 10:8 ), pois todos os pastores em Israel não conheciam a Deus e seguiam as elucubrações de seus corações cheios de engano, o que não é bom “E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, sem exceção” ( Is 56:11 ; Is 66:3 ; Jr 50:6 ).

Isaias desempenhava a sua função de atalaia fiel, pois alertava os filhos de Israel dizendo: “Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver” ( Is 42:18 ). Mas, como não atendiam e nem entendiam a palavra do Senhor, foi derramado sobre Israel a indignação da ira de Deus “Mas este é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas, e escondidos em cárceres; são postos por presa, e ninguém há que os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui. Quem há entre vós que ouça isto, que atenda e ouça o que há de ser depois? Quem entregou a Jacó por despojo, e a Israel aos roubadores? Porventura não foi o SENHOR, aquele contra quem pecamos, e nos caminhos do qual não queriam andar, não dando ouvidos à sua lei? Por isso derramou sobre eles a indignação da sua ira, e a força da guerra, e lhes pôs labaredas em redor; porém nisso não atentaram; e os queimou, mas não puseram nisso o coração” ( Is 42:22 -25).

Quando Jesus veio, anunciou que a Sua missão era dar vista aos cegos. Os fariseus, por sua vez, questionaram se Jesus também estava dizendo que eles eram cegos. Se os fariseus reconhecessem que eram cegos, consequentemente se arrependeriam (metanoia) “E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem sejam cegos. E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” ( Jo 9:39 -41).

Daí o veredicto acerca dos fariseus: “Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” ( Mt 15:14 ).

Além de seguirem cada um por seu próprio caminho, os ‘pastores’ (cães cegos e mudos) que nada compreendiam sobre o que Isaias descreve, eram ‘loucos’, pois convocavam os seus adeptos a trazerem vinho para que juntos (profetas e povo) pudessem beber, ou seja, alegrarem-se. E qual o argumento da alegria? Que o dia de amanhã seria como o dia de hoje, ou muito melhor. Segundo a cegueira deles nada de ruim estava para acontecer ( Is 56:12 ).

Os falsos pastores embriagavam o povo com falsos discursos, dizendo que havia paz, porém, não havia paz! “Porquanto, sim, porquanto andam enganando o meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz; e quando um edifica uma parede, eis que outros a cobrem com argamassa não temperada” ( Ez 13:10 ); “Nada sabem, nem entendem; porque tapou os olhos para que não vejam, e os seus corações para que não entendam” ( Is 44:18 ).

A cegueira dos filhos de Israel persistiu até a vinda de Cristo, a raiz de Davi “Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” ( Jo 9:41 ). Cristo é o sol nascente das alturas para iluminar os que jazem em trevas, mas os líderes de Israel permaneciam às cegas ao meio dia “Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:35 -36); “Pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, Com que o oriente do alto nos visitou; Para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte; A fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” ( Lc 1:78 -79); “Apalpamos as paredes como cegos, e como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas, e nos lugares escuros como mortos” ( Is 59:10 ).

Os líderes de Israel eram condutores cegos (cães mudos, atalaias cegos), pois não perceberam que a justiça anunciada por Deus se manifestou quando nasceu um menino em Belém da Judeia na casa de Davi. A sabedoria deles pereceu, pois quando anunciada a obra maravilhosa de Deus – Cristo a luz do mundo – não creram conforme previu o profeta Isaias “Portanto eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro; porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá” ( Is 29:14 ).

Ao discursar na sinagoga de Antioquia da Pisídia, o apóstolo Paulo alertou os judeus (irmãos segundo a carne) a crerem em Cristo sob pena de se cumprir o predito por Habacuque “Seja-vos, pois, notório, homens irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê. Vede, pois, que não venha sobre vós o que está dito nos profetas: Vede, ó desprezadores, e espantai-vos e desaparecei; Porque opero uma obra em vossos dias, Obra tal que não crereis, se alguém vo-la contar” ( At 13:38 -41 ); “Vede entre os gentios e olhai, e maravilhai-vos, e admirai-vos; porque realizarei em vossos dias uma obra que vós não crereis, quando for contada” ( Hc 1:5 ).

Além da punição iminente, as atalaias de Israel também precisavam ver e anunciar que a ‘salvação de Deus’ estava prestes a se manifestar ( Is 56:1 ). Os filhos de Israel precisavam distinguir a justiça manifesta na punição com deportação e exilio, da justiça de Deus que seria manifesta a todos os povos através da encarnação de Cristo, a raiz de Davi “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” ( 1Co 1:30 ).

 

A raiz de Davi

Cristo se identifica no Apocalipse como a raiz, a geração de Davi ( Ap 22:16 ), conforme profetizou Isaias: “PORQUE brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR” ( Is 11:1 -2).

Cristo é um rebento (filho) do tronco (casa, família) de Jessé, o renovo do Senhor que frutificou na casa (descendência) de Davi. É este mesmo Jesus que anuncia através do evangelista João no Apocalipse que é a raiz, a geração de Davi.

Crer que Jesus de Nazaré é o rebento do tronco de Jessé é o mesmo que crer que Ele é filho de Davi, por conseguinte, filho de Deus “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” ( 2Sm 7:14 ). Ele é a luz que veio ao mundo para que os homens não andem em trevas, portanto, a resplandecente estrela da manhã “Pelas entranhas da misericórdia do nosso Deus, com que o oriente do alto nos visitou; Para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte; A fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz” ( Lc 1:78 -79).

 

Convite aos sedentos

Deus disse a Abraão: “E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz” ( Gn 22:18 ).

O apóstolo Paulo interpretou esta promessa feita a Abraão como uma previsão de que Deus havia de salvar os gentios, portanto, o evangelho foi anunciado a Abraão quando na incircuncisão da carne, ou seja, Abraão era um gentio da cidade de Ur dos Caldeus quando Deus lhe fez uma promessa “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:8 ).

Após muito tempo da promessa feita a Abraão em que em seu descendente todas as nações da terra seriam benditas, Isaías profetizou convidando todos os sedentos a virem às águas, e os que não tinham com que comprar, que viessem e comprasse sem preço vinho e leite ( Is 55:1 ).

E o que era necessário para os ‘sedentos’ e ‘famintos’ participarem da água, do pão e do leite oferecido por Deus? Inclinar os seus ouvidos, atender o convite, e em consequência, obteriam vida, pois Deus concederia as firmes beneficências prometidas a Davi ( Sl 55:3 ).

E no que consistia a firmes beneficências prometida a Davi? Um descendente de suas entranhas que teria o seu reino estabelecido para sempre e edificaria uma casa ao nome do Senhor ( 2Sm 7:12 ).

Aos sedentos e famintos não seria dado água que saciam a sede cotidiana e nem pão que mata a fome cotidiana, antes seria dado um ente santo, o descendente prometido a Davi, pois Ele é a água que jorra para a vida eterna e o pão que quem se alimenta obtém vida eterna “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” ( Jo 6:35 ); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” ( Is 9:6 ).

Por causa da promessa feita a Abraão, um menino foi dado por testemunho aos povos ( Is 9:6 ), como príncipe e governador dos povos e um povo que não conhecia ao Senhor concorreria para Deus e para o Santo de Israel ( Is 55:5 ).

O capítulo 55 de Isaias é uma profecia acerca da salvação de Deus anunciada a todos os povos: o descendente de Davi por testemunho e príncipe dos povos ( Is 55:4 ).

Deus prometeu salvação a todos os povos por intermédio do descendente prometido a Davi e Israel estava despercebido, alheio a voz de Deus. Na plenitude dos tempos, quando Deus enviou Jesus para salvação de todos os homens, os judeus aguardavam somente uma salvação nacional.

Cristo veio na casa de Davi conforme o predito pelos profetas ( Rm 1:3 ), e o salmista Davi previu que um ajuntamento de malfeitores cercaria e traspassaria as mãos e os pés de Cristo. Estes malfeitores são descritos como cães: “Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me as mãos e os pés” ( Sl 22:16 ).

O Salmo 59 também faz referência aos ‘cães’ nomeando-os como sanguinários, iníquos, pérfidos, pois armam ciladas para matar o Cristo ( Sl 58:4 ). Uma características dos cães que é evidenciada no salmo é a boca, demonstrando que sua língua é como espada entre seus lábios ( Sl 59:7 ) “Que afiaram as suas línguas como espadas; e armaram por suas flechas palavras amargas” ( Sl 64:3 ); “A minha alma está entre leões, e eu estou entre aqueles que estão abrasados, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e a sua língua espada afiada” ( Sl 57:4 ).

O Salmo 22 descreve os opositores do Cristo como leões que abrem a boca e ruguem ( Sl 22:13 ), demonstrando que a força deles é a ‘espada’ que tem na boca, ou seja, uma língua mentirosa e perversa “Livra a minha alma da espada, e a minha predileta da força do cão” ( Sl 22:20 ;  Sl 59:5 -7); “Para que o teu pé mergulhe no sangue de teus inimigos, e no mesmo a língua dos teus cães” ( Sl 68:23 ); “Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo mas no seu coração arma-lhe ciladas” ( Jr 9:8 ).

Cristo é o pão e a água que Deus ofereceu por intermédio do profeta Isaias a todos os sedentos e famintos, mas a nação de Israel o rejeitou ( Is 55:7 ; Jo 1:11 ).

 

Os cães

Quem são os cães? Na Antiga Aliança os ‘cães’ eram os líderes da nação, sacerdotes e profetas de Israel, homens que tinham a missão de anunciar a palavra de Deus ao povo, porém, não anunciavam. Nos dias do Senhor Jesus aqui na terra os ‘cães’ remetia aos príncipes, sacerdotes, fariseus, escribas e juízes de Israel, que perseguiram e mataram o príncipe da vida. Em nossos dias os ‘cães’ são os maus obreiros, líderes religiosos que transtornam a verdade do evangelho ( Gl 1:7 ).

Ao utilizar o termo ‘cães’, o apóstolo Paulo conserva intacta a essência da figura, aplicando-a aos falsos mestres, no caso específico dos cristãos em Filipos, aos da circuncisão.

Os mestres da circuncisão eram atalaias cegas e que nada sabiam. Cães mudos que não ladravam. Eles estavam adormecidos e deitados, famintos e insaciáveis.

Enquanto a alegria dos cães está no vinho em que há contenda (afastamento da palavra de Deus), o apóstolo Paulo recomenda aos cristãos se alegrarem no Senhor “Quanto ao mais, irmãos meus, regozijai-vos no Senhor…” ( Fl 3:1 ). Ora, os fariseus eram denominados ‘insensatos’, ‘loucos’ e ‘cegos’ por não compreenderem a vontade de Deus, visto que estavam embriagados com vinho. Mas, aqueles que são cheios do Espírito não são insensatos, pois entendem a vontade do Senhor “Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5:17 -18).

Daí a ordem expressa: “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão” ( Fl 3:2 ).

Qualquer atalaia, profeta, ministro, etc., que anuncie uma mensagem que não é conforme o evangelho de Cristo é um ‘cão mudo’, ‘um mau obreiro’.

Há várias descrições dos maus obreiros nas cartas dos apóstolos que nos remente às mesmas características dos ‘cães’ apresentado pelo profeta Isaias: gulosos e que não se fartam ( Is 56:11 ). Geralmente os apóstolos se referiam aos maus obreiros através de algumas características dos cães mudos, e todas elas aplicam-se aos maus obreiros:

  • Gulosos que não se fartavam;
  • Pastores que nada compreendem;
  • Cada qual segue seu próprio caminho: a ganância.

Ora, os opositores do evangelho, na época dos apóstolos, se diziam mestres da lei, porém, a própria escrituras depunham contra eles dizendo que estavam de olhos vedados para não ver e nem entender (pastores que nada compreendem) “Querendo ser mestres da lei, e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam” ( 1Tm 1:7 ; Is 44:18 ).

O apostolo Paulo teve que deixar Timóteo em Éfeso com a incumbência de dissuadir qualquer que se propunha a ensinar outra doutrina que não o evangelho, nem que se ocupasse com fábulas (filosofia grega) ou genealogias (judaísmo) ( 1Tm 1:6 ). Isto porque alguns se desviaram de obedecer (amor) ao evangelho (mandamento) e se entregaram a discursos vãos ( 1Tm 1:5 ).

Ao escrever aos Romanos o apostolo alerta que tais homens serviam ao seu próprio ventre (cães gulosos), enganando com suaves palavras e lisonjas os incautos “Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples” ( Rm 16:18 ).

A descrição dos ‘cães’ é apresentada aos filipenses no verso 19 do capítulo 3: “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” ( Fl 3:19 compare com Cl 3:1 ). Por estarem a serviço do próprio ventre, tais homens têm o seu foco somente em questões terrenas.

Estes falsos mestres não passam de ‘mercenários’, ‘cães gulosos’, pois apascentam a si mesmos “Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas” ( Jd 1:12 ).

Em lugar de pensarem nas coisas que são de cima, os cães fixam-se nas coisas terrenas. O deleite deles não é o mandamento do Senhor, e sim o engano “Recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco” ( 2Pd 2:13 ).

Enquanto o apóstolo Paulo se resignava a anunciar somente o que os profetas disseram, os maus obreiros vão além do que está escrito. Observe o posicionamento do apóstolo Paulo:

“Por isso, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento. Por causa disto os judeus lançaram mão de mim no templo, e procuraram matar-me. Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios” ( At 26:19 -23).

Os maus obreiros contemporâneos dos apóstolos anunciavam que, se os cristãos não se circuncidassem segundo o costume de Moisés, não poderiam ser salvos ( At 15:1 ). Outros anunciavam que não havia ressurreição dos mortos ( 1Co 15:12 ). Outros anunciavam que Jesus não veio em carne ( 2Jo 1:7 ).

No meio do povo de Israel havia falsos profetas, e hoje, no meio dos irmãos, há os falsos mestres, pessoas que anunciariam encobertamente heresias de perdição. São indivíduos que negando a Cristo ou negando a eficácia da sua obra na cruz do calvário, trazem sobre eles perdição. Estes falsos mestres são seguidos por muitos, consequentemente o evangelho é blasfemado e, por avareza, arrebanham seus seguidores para lucrar como se fossem mercadorias ( 2Pe 2:1 -3).

Sobre estes obreiros maus alertou o apóstolo Paulo de que eles não serviam ao Senhor, mas ao seu próprio ventre, enganando os incautos com suaves palavras e lisonjas “Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples” ( Rm 16:18 ); “Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância” ( Tt 1:10 -11).

O apóstolo Paulo rogou aos cristãos que identificassem aqueles que promoviam dissensões e escândalos contra o evangelho de Cristo para que os cristãos se desviassem deles ( Rm 16:17 ).

A tônica da mensagem dos ‘cães’ é fé em Deus, nos anjos, nos profetas, no milagre, na vitória, etc., porém, negam que Jesus é o Cristo ou a eficácia da obra vicária. Jesus mesmo disse: – “Credes em Deus, crede também mim” ( Jo 14:1 ); “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” ( Tt 1:16 ).

Os obreiros fraudulentos negam a eficácia da obra de Cristo quando pedem dinheiro para o crente ser abençoado, pois os apóstolos enfatizavam que os cristãos já são abençoados com todas as bênçãos espirituais ( Ef 1:3 ). Sob o pretexto de ‘buscar a Deus’, não ensinam que os cristãos são templo, morada do Altíssimo.

Geralmente fazem dos seus seguidores presa, alegando que o crente ‘busca’ a Deus nos momentos que estão reunidos cantando, orando ou jejuando. Na verdade, quando o crente crê em Cristo, a barreira de separação foi desfeita, e o crente tem acesso perene a Deus pelo corpo de Cristo, de modo que está assentado nas regiões celestiais em Cristo Jesus ( Ef 1:3 ).

Só crê em Deus aquele que crê no Filho, pois o testemunho de Deus é acerca do Seu Filho ( Jo 3:33 ; 1Jo 5:10 ).

Somente acreditar que Deus existe não muda a condição do homem diante d’Ele, pois é necessário crer em Cristo. Acreditar na existência de Deus sem crer no testemunho que Ele dá de seu Filho não resulta em salvação. Quando não se crê que Jesus é o Cristo está negando a Deus através das obras, pois a obra de Deus é que se creia em Cristo ( Jo 6:29 ).

É por causa dos judaizantes que diziam conhecer a Deus que o apóstolo Paulo diz que negavam com as obras, pois não confessavam a Cristo, o único meio de se conhecer a Deus Confessam que conhecem a Deus, negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” ( Tt 1:16 ). Quem crê em Cristo é porque observou a lei da liberdade e nela persevera ( Tg 1:25 ), ou seja, é fazedor da obra, diferente daqueles que dizem ter fé em Deus, mas não tem as obras. A fé em Deus pode salvar alguém sem que creia que Jesus é o Cristo? “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?” ( Tg 2:14 ).

O apóstolo João abordou este mesmo aspecto de quem diz ter fé, mas não tem a obra quando evidenciou que alguns diziam conhecer a Deus (tem fé), mas que não guardavam o seu mandamento (obra). De nada adianta dizer conheço a Deus e não crer que Jesus é o Cristo ( 1Jo 2:4 e 1Jo 3:23 )

Alguém que se diz obreiro e não confessa a Cristo, não está qualificado para ser ministro do evangelho. É reprovável e desqualificado para o evangelismo quem não crê que Jesus é o Cristo. ‘Toda boa obra’ consiste em anunciar Cristo, pois como crerão se não há quem pregue e, como pregarão se não forem enviados? É através da pregação da fé (evangelho) que Deus nos fez participante do corpo de Cristo, e através do corpo de Cristo (obreiros fiéis à palavra da verdade) que Deus roga ao mundo que se reconciliem com Ele crendo em Cristo ( 2Co 5:20 ).

A ‘boa obra’ é plena (toda) quando se anuncia e alguém crê. O evangelho é de fé em fé, ou seja, deve ter seu curso completo. Quem anuncia deve entender e, para entender é imprescindível ouvir e experimentar a boa, perfeita e agradável vontade de Deus “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho” ( Mt 13:19 ); “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” ( 1Pd 2:2 ); “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo” ( 1Pd 1:7 ); “Alcançando o fim da vossa  fé, a salvação das vossas almas” ( 1Pd 1:9 ).

O apóstolo Pedro, ao enfatizar a essência do ensinamento do apóstolo Paulo, que era aguardar novos céus e nova terra, deixa claro que muitos homens indoutos e inconstantes torciam o que o apóstolo Paulo escreveu, bem como as Escrituras ( 2Pe 3:16 ), por causa destes homens, cada cristão tem a incumbência de se guardarem do engano destes homens perversos.

Para identificar maus obreiros (cão), basta observar que tais homens tem prazer em ajuntar tesouros na terra, tem prazer nos deleites quotidianos, e não na lei do Senhor ( Sl 1:2 ). Eles buscam o ajuntamento solene somente para angariar prestigio, poder político, fama, posição, dinheiro, etc., e fazem proliferar as suas mistificações ( 2Pe 2:13 ; Jd 1:12 ).

Sobre estes homens ímpios deixou registrado o irmão Judas que são pastores que se apascentam a si mesmos, ou seja, cães gulosos. Estes são manchas nas festas ágapes, homens sem recato algum.

São descritos como nuvens sem água, pois oferecem uma esperança vazia. São árvores desprovidas de frutos e desarraigadas, duplamente mortas, ou seja, não ligado a videira verdadeira ( Jo 15:4 ).

São comparáveis às ondas do mar, espumando suas próprias sujidades, conforme profetizou Isaias ( Is 57:20 ). São murmuradores, queixosos, andam segundo suas concupiscências, são arrogantes e bajulam as pessoas por interesse ( Jd 1:16 ).

São exercitados na avareza, pois deixam a Cristo e seguem o mesmo caminho de Balaão, filho de Beor, que seguiu um caminho perverso e a muda jumenta se lhe opôs ( Nm 22:32 ).

Os falsos profetas usam a tática de fascinar com concupiscências da carne e dissoluções aqueles que tentam se afastar do erro. Prometem liberdade, porém, são servos da corrupção ( 2Pe 2:18); “Assim diz o SENHOR acerca dos profetas que fazem errar o meu povo, que mordem com os seus dentes, e clamam paz; mas contra aquele que nada lhes dá na boca preparam guerra” ( Ml 3:5 ; Jr 23:16 ).

O conhecimento de Cristo é o que traz liberdade da corrupção que há no mundo ( Is 53:11 ). O conhecimento de Deus indica ao homem qual é o caminho da justiça, porém, os falsos mestres induzem os homens a desviarem do santo mandamento dado por Deus: que creiais naquele que Ele enviou! ( Is 53:11 ; Sl 118:20 )

Aqueles que falam mentiras segundo uma consciência cauterizada, que disseminam doutrinas de demônios ( 1Tm 4:1 ), que proíbem o casamento, ordenam a abstinência de alimentos, propõem fábulas profanas e de velhas, etc. também são cães, são maus obreiros ( 1Tm 4:3 ).

As doutrinas dos cães se baseiam em proibições tais como: não proves, não manuseies, não toques. Destas proibições surgem os julgamentos por causa de comidas, bebidas, vestimentas, festas, dias, etc. O que na lei era sombra da realidade e que foi transtornado por preceitos e ensinamentos de homens é apresentado como aparência de sabedoria, culto espontâneo, humildade (fingida), severidade para com o corpo, etc. “Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens” ( Mt 15:9 ; Cl 2:16 -23).

O apostolo Paulo escreveu a Tito lembrando que outrora todos eram insensatos (loucos), desobedientes e perdidos (extraviados). Ora, o apóstolo Paulo era judeu, fariseu, irrepreensível segundo a justiça da lei, e excedia em judaísmo a muitos da sua idade por ser zeloso das tradições, entretanto, ele se inclui no rol dos que outrora eram loucos, desobedientes e extraviados, a serviço da concupiscência e deleites “E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais” ( Gl 1:14 ; Fl 3:6 ). Os termos: ‘louco’, ‘desobediente’ e ‘extraviado’ etc., são utilizados para apontar para os filhos de Israel, visto que lhes falta conhecimento de Deus ( Sl 53:1 -4; Dt 32:6 e 28; Rm 10:2 ).

Por ignorância os judaizantes se opunham ao evangelho de Cristo, e apresentavam questões loucas, genealogias, contendas, debates acerca da lei, etc. ( Tt 3:9 ; 1Pd 2:5 ; 1Tm 1:13 ; Tt 3:1 -2).

As concupiscência e deleites dos falsos mestres de hoje centram-se em questões desta vida, principalmente com relação às riquezas, pois fazem dos seus seguidores negócio ( 2Pd 2:3 ) e aguçam a ambição destes ( 1Tm 6:5 ).

Nas exposições dos falsos mestres não se ouve dizer que os que vivem de acordo com o evangelho padecem perseguições ( 2Tm 3:12 ); nem se ouve que o crente deve se gloriar nas fraquezas, injurias, necessidades, perseguições, angustias, etc. ( 2Tm 3:12 ; 2Co 12:10 ; 1Pd 4:13 ); jamais evidenciam que as aflições por causa do evangelho se dão com todos os cristãos no mundo ( 1Pe 5:9 ). O tema de suas pregações não tem por alvo as coisas de cima, mas as da terra ( Cl 3:1 ; Fl 3:19 ).

Os ‘cães’ jamais tocam no assunto de que ‘grande lucro’ é o evangelho com contentamento ( 1Tm 6:6 ). Não ensinam que tendo sustento e com o que se cobrir já é motivo de contentamento, e jamais recomendam aos seus seguidores que se acomodem as coisas humildes ( Rm 12:16 ). Não alertam seus seguidores que se traspassam com muitas dores (trabalho) os que querem ficar ricos e naufragam e ruina e perdição.

Apesar do posto de obreiros, ficarão de fora, porque são cães.

 

Não podem entrar

Há um paralelo entre as passagens bíblicas:

“Ficarão de fora os cães…” ( Ap 22:15 ), e;

“Aquele que não nascer de novo” ( Jo 3:3 ).

‘Quem não nascer de novo’ não pode ver o reino de Deus assim como ‘os cães’ por não terem direito à árvore da vida não podem entrar na cidade pelas portas, logo, ‘os cães’ é figura que remete a quem não está em Cristo, ou seja, não é nova criatura.

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 );

“Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães…” ( Ap 22:14 -15)

Há cães que, como os judaizantes, nunca compreenderam o evangelho de Cristo, e se posicionam como mestres Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” ( Tt 1:16 ). Porém, há cães que, estavam no meio dos cristãos e se afastaram da verdade “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós” ( 1Jo 2:19 ).

É por causa dos apóstatas que foi dado o alerta: Não ameis o mundo ( 1Jo 2:15 ), como se deu com Demas “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica, Crescente para Galácia, Tito para Dalmácia” ( 2Tm 4:10 ).

 

O que é necessário para entrar no céu?

Encontramos na Bíblia diversas passagens que demonstram o que é necessário para o homem entrar no reino dos céus, no entanto, a assertiva: – “Ficarão de fora os cães”, aguça a curiosidade por causa da figura utilizada.

É necessário nascer de novo para entrar no reino dos céus, portanto, a passagem bíblica que estabelece que os cães, os feiticeiros, os que se prostituem, etc., ficarão de fora, não deve causar preocupação aos que nasceram de novo “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” ( 1Pe 1:23 ). Basta nascer de novo e permanecer crendo na mensagem do evangelho.

A figura dos ‘cães’ que ficarão de fora é intrigante, porém, a qualquer que não nascer de novo é igualmente vetado entrar no reino dos céus. Se, quem não nascer de novo não pode entrar no reino, e os cães ficarão de fora, as duas passagens bíblicas deveriam despertar a curiosidade “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

A curiosidade não pode ficar somente na pergunta: – “Quem são os ‘cães’?”, antes deve ir além: – “Por que ficará de fora”? Neste sentido, a pergunta maior deveria ser: – “Por que o homem não pode ver o reino de Deus”?

O mesmo Jesus que disse que ‘os cães ficarão de fora da cidade’, também disse que ‘quem não nascer de novo não pode ver o reino dos céus’! Enquanto a passagem de Apocalipse diz que os ‘cães’ ficarão de fora, a passagem do evangelista João diz que o homem não entrará no reino dos céus, a não ser que nasça de novo!

O reino dos céus também é vetado aos que não tiverem obras superiores à dos escribas e fariseus, e não causa tanta curiosidade, mas a expressão ficarão de fora os ‘cães’, os ‘feiticeiros’, ‘os que se prostituem’, etc., causa grande impacto pela figura utilizada: cães “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” ( Mt 5:20 ).

Desde já gostaríamos de acalmar os ‘ânimos’ de quem receia fazer parte do grupo dos que ficarão de fora, pois se você crê que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo, você adquiriu o direito à árvore da vida e pode entrar na cidade pelas portas “Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas” ( Ap 22:14 ); “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” ( Jo 3:36 ).

Por que basta crer em Cristo para ter vida eterna? Porque quem crê nas palavras de Cristo crê em Deus, pois as Escrituras são testemunho vivo que Deus deixou acerca do seu Filho “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:24 ).

Esta é a obra de Deus: “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). Este é o mandamento que o homem deve guardar para que tenha direito à árvore da vida “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ); “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou. Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas. E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia. Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito” ( Jo 12:44 -50).

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As bestas do campo nas visões de Daniel

Após os três primeiros animais: leão (babilônia), urso (medo/persa) e leopardo (grego), Daniel viu um quarto animal terrível que será substituído pelo reino de Cristo, portanto, este animal não se refere a Roma.

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O vinho da prostituta do Apocalipse

As abominações e imundícies são o vinho que a meretriz deu aos reinos e reis da terra que os tornam sujeitos à ira de Deus. O vinho do furor que as nações beberão decorre da promiscuidade da cidade que se fez meretriz e provocou o ciúme do seu Senhor “Porque assim me disse o SENHOR Deus de Israel: Toma da minha mão este copo do vinho do furor, e darás a beber dele a todas as nações, às quais eu te enviarei. Para que bebam e tremam, e enlouqueçam, por causa da espada, que eu enviarei entre eles” ( Jr 25:15 -16).


Continuação do Artigo “A meretriz do Apocalipse”

 

A nação de Israel foi cuidada e adornada por causa da promessa que Deus fez aos pais, como se lê: “Então te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo. E te vesti com roupas bordadas, e te calcei com pele de texugo, e te cingi com linho fino, e te cobri de seda. E te enfeitei com adornos, e te pus braceletes nas mãos e um colar ao redor do teu pescoço. E te pus um pendente na testa, e brincos nas orelhas, e uma coroa de glória na cabeça. E assim foste ornada de ouro e prata, e o teu vestido foi de linho fino, e de seda e de bordados; nutriste-te de flor de farinha, e mel e azeite; e foste formosa em extremo, e foste próspera, até chegares a realeza” ( Ez 16:9 -13).

O cuidado de Deus fez com que a nação de Israel adquirisse muitas riquezas e que os filhos de Jacó se multiplicassem em grande número, o que tornou as suas cidades grandiosas e desejáveis. Por causa da pujança da nação de Israel, as nações vizinhas se aproximaram oferecendo alianças. Os filhos de Jacó deixaram de confiar em Deus (apostasia) e passaram a confiar nas suas alianças políticas, no seu poder militar, na sua capacidade econômica e na sua religiosidade.

A aliança com Deus foi quebrada por causa da apostasia do povo, como consequência Deus trouxe sobre os filhos de Jacó tudo o que fora previsto por Moisés. As cidades de Israel foram esvaziadas dos seus habitantes e o povo que sobrou da espada, da fome e da peste desterrado ( Dt 28:61 ; 2Rs 24:20 ), mas a promessa de redenção para o remanescente permanece por causa dos pais (Abraão, Isaque e Jacó), pois o remanescente será salvo quando Deus tirar do meio do povo a apostasia.

A meretriz que se assenta sobre a besta é vista vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas, uma descrição semelhante às palavras do profeta Ezequiel acerca de Israel. É de se estranhar que a meretriz tenha domínio sobre uma besta, e por causa da sua beleza, sente-se segura a ponto de cavalgar em uma fera que pode destruí-la.

Vale destacar novamente que foi Deus quem tornou a nação de Israel formosa em extremo até chegar à realeza, porém, ao confiar em sua beleza, a nação tornou-se pérfida, quebrou a aliança com seu Deus.

 

O vinho das prostituições da grande cidade

“… e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição ( Ap 17:2 )

Com certeza o vinho que a meretriz deu aos reis da terra não é o mesmo vinho que Noé fez usou após plantar uma vinha “E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda” ( Gn 9:21 ); “Tardai, e maravilhai-vos, folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte” ( Is 29:9 ).

O vinho da meretriz diz do vinho que fez o povo de Israel errar “Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo. Porque todas as suas mesas estão cheias de vômitos e imundícia, e não há lugar limpo” ( Is 28:7 -8).

Ao longo da história de Israel profetas e sacerdotes desencaminhavam o povo ( Is 28:14 ), e Deus continuamente estendia a mão a um povo rebelde e contradizente. As vicissitudes que o povo de Israel enfrentava foi estabelecida por Deus por sinal e por maravilha para que ouvissem a voz de Deus ( Dt 28:46 ). Por não confiarem em Deus o povo de Israel foi desterrado para a Babilônia.

A profecia de Isaias no capítulo 28 estabelece um ‘ai’ contra os filhos de Jacó (bêbados de Efraim) que ocorrerá na última semana de Daniel, tempo em que restarão do povo de Israel uns ‘rabiscos’ (remanescentes), e o Senhor dos Exércitos (Cristo) será estabelecido como coroa de glória do Seu povo “Naquele dia o SENHOR dos Exércitos será por coroa gloriosa, e por diadema formosa, para os restantes de seu povo” ( Is 28:5 ).

Desde quando foi resgatado do Egito o povo de Israel esteve bêbado, mas não do vinho que Noé bebeu. O povo estava embriagado porque recebeu um espírito de profundo sono, ou seja, as Escrituras era como as palavras de um livro selado “Tardai, e maravilhai-vos, folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte. Porque o SENHOR derramou sobre vós um espírito de profundo sono, e fechou os vossos olhos, vendou os profetas, e os vossos principais videntes. Por isso toda a visão vos é como as palavras de um livro selado que se dá ao que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele dirá: Não posso, porque está selado” ( Is 29:9 -11; Rm 11 :8 ).

Deus estendeu a mão ao povo Israelita todos os dias dando-lhes mandamento “Também vos enviou o SENHOR todos os seus servos, os profetas, madrugando e enviando-os, mas vós não escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para ouvir” ( Jr 25:4 ), mas o povo seguia o devaneio dos seus corações, pelo que Deus os entregou às concupiscências de seus corações ( Rm 1:24 ; Is 30:1 e 9; Rm 10:21 ; Is 65:2 ; Is 63:10 ).

Quando o homem não se ‘cobre’ do espírito, a palavra de Deus não passa de regras sobre regras ( Is 30:1 ). Para o povo de Israel, a palavra do Senhor era preceito sobre preceito, regra sobre regra e mandamento sobre mandamento ( Is 28:13 ), e tudo que aprendiam não passava de mandamento de homens ( Is 29:13 ). Não compreendiam as profecias contidas nos salmos, lei e profetas, de modo que rejeitaram o Messias.

Juravam pelos céus que eram obedientes a Deus, mas não conseguiram compreender que o filho de Maria, nascido em Belém, era o Messias prometido, e crucificaram o autor da vida do qual Davi profetizando disse: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre. Torne-se-lhes a sua mesa diante deles em laço, e a prosperidade em armadilha. Escureçam-se-lhes os seus olhos, para que não vejam, e faze com que os seus lombos tremam constantemente. Derrama sobre eles a tua indignação, e prenda-os o ardor da tua ira. Fique desolado o seu palácio; e não haja quem habite nas suas tendas” ( Sl 69:21 -25; Rm 11: 9 -10).

Na plenitude dos tempos o povo de Israel tratou o Messias com pão da amargura (perseguição e sofrimento) e lhe deram por bebida vinagre ( Gl 4:4 ), de modo que o veredicto previsto por Davi recaiu sobre a nação: as duas casas de Israel foram enlaçadas e presas ( Is 8:14 ).

A lei foi dada ao povo de Israel para conduzi-lo a Cristo, porém, a pretexto de guardarem a lei, mataram o Autor da vida. Foram enlaçados na concupiscência dos seus corações malignos herdados de Adão. A lei tornou-se um laço para o povo de Israel, como foi previsto, tropeçaram na pedra de tropeço “Porventura o trono de iniquidade te acompanha, o qual forja o mal por uma lei?” ( Sl 94:20 ).

A comida de Cristo era fazer a vontade do Pai ( Jo 4:34 ; Sl 40:8 ; Hb 10:7 -10), de modo que, quando foi ordenado pelo Pai que Cristo seria crucificado, Deus estava preparando para o Messias uma mesa na presença dos seus algozes, que por sua vez, foram enlaçados e presos “Como alimento me deram fel, e na minha sede me deram vinagre. Que sua mesa seja armadilha para eles, e sua abundância uma cilada” ( Sl 69:22 -23 Bíblia da CNBB; Sl 23:5 ).

Enquanto Jesus obedecia realizando a vontade do Pai na cruz ( Gl 1:4 ), os inimigos de Cristo eram enlaçados e presos, pois não creram nas palavras de Cristo e durante a crucificação serviram vinagre ao Autor da vida, o que indica que as Escrituras se cumpriu “Fui opróbrio entre todos os meus inimigos, até entre os meus vizinhos, e horror para os meus conhecidos; os que me viam na rua fugiam de mim” ( Sl 31:11 ; Sl 22:1 ).

O Salmo 69 cumpriu-se cabalmente: os moradores de Jerusalém estavam como que cegos, de modo que sorveram o vinho da ira por não crerem no enviado de Deus, crucificando-O. Ainda não vimos a queda da cidade por um detalhe: as 69 semanas previstas por Daniel encerrou-se antes da morte do Messias ( Dn 9:26 ).

Após a ordem para restaurar e edificar a Jerusalém, certo é que a cidade de Jerusalém continuou sob o domínio de nações estrangeiras, como os persas, gregos e romanos. Quando a última semana tiver início, a nação de Israel não mais estará subjugada politicamente, pois durante a plenitude dos gentios os judeus conseguiram se estabelecer como nação, mas por não crerem no enviado de Deus, a cidade cambaleará, e a sua queda se dará na última metade da última semana de Daniel. O vinho é figura da ira de Deus, que tem por consequência a falta de equilíbrio, a confusão, e por fim, dá-se a queda, e não há quem livre.

A doutrina que os sacerdotes, escribas e líderes de Israel produziam era proveniente dos seus corações malignos que herdaram de Adão, portanto, desde que nasceram falavam mentiras ( Sl 58:3 ). Não deram ouvidos à voz de Deus como se fossem ‘víboras surdas’, e o que saia da boca deles era semelhante ao veneno de serpentes “O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos” ( Sl 58:4 ).

Este foi o veredicto de Deus sobre Israel por prevaricarem: “Assim o SENHOR cortará de Israel a cabeça e a cauda, o ramo e o junco, num mesmo dia (O ancião e o homem de respeito é a cabeça; e o profeta que ensina a falsidade é a cauda). Porque os guias deste povo são enganadores, e os que por eles são guiados são destruídos” ( Is 9:14 – 16).

A mentira, o engano atrai a ira de Deus, de modo que aquele que se embriaga no vinho da confusão, consequentemente bebe o vinho da ira de Deus. O salmo 80 é uma suplica a Deus por causa da ira que se abate sobre Israel, a vinha do Senhor ( Sl 80:1 -19).

O VINHO DA MERETRIZ – “E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição” ( Ap 17:4 ) – As abominações e as imundícies do cálice da meretriz provoca a ira de Deus, de modo que ser participante das abominações e imundícies da meretriz é o mesmo que beber do vinho da ira de Deus;

O VINHO DA IRA E DO JUÍZO – “Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro” ( Ap 14:10 ) – o vinho da ira fala da justa punição que Deus dará aos pecadores, vinho proveniente do lagar que o Cristo sozinho pisou e teve as suas vestes salpicadas de sangue ( Jr 26:15 -16; Jr 26:27 ; Is 63:3 ). Aqueles que sorverem o vinho da ira seguirão para a segunda morte, onde há tormento eterno.

 

Israel produziu e bebeu do vinho de engano e das mentiras, que é como veneno de serpente, e na plenitude dos tempos não creram em Cristo como o Filho de Deus, de modo que a retribuição virá, mas somente na última das setenta semanas de Daniel.

Com a vinda do Cristo suspendeu-se o tempo da contagem das setenta semanas de Daniel em virtude da entrada do tempo dos gentios ( Dn 9:25 ), portanto, a invasão de Jerusalém por Roma no ano de 70 depois de Cristo não é o princípio de dores previsto por Cristo ( Mt 24:8 ).  A indignação e o ardor da ira de Deus que fará com que os palácios de Jerusalém e as tendas dos seus habitantes fiquem desertos, se dará na última semana de Daniel, após o arrebatamento da igreja, quando se encerrará a plenitude dos gentios ( Dn 9:27 ).

As abominações e imundícies são o vinho que a meretriz deu aos reinos e reis da terra que os tornam sujeitos à ira de Deus. O vinho do furor que as nações beberão decorre da promiscuidade da cidade que se fez meretriz e provocou o ciúme do seu Senhor “Porque assim me disse o SENHOR Deus de Israel: Toma da minha mão este copo do vinho do furor, e darás a beber dele a todas as nações, às quais eu te enviarei. Para que bebam e tremam, e enlouqueçam, por causa da espada, que eu enviarei entre eles” ( Jr 25:15 -16).

As nações que participam das abominações e imundícies da meretriz sorverão o vinho do furor de Deus. Cairão e não se levantarão, porque a queda se dará pela espada “Pois lhes dirás: Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Bebei, e embebedai-vos, e vomitai, e caí, e não torneis a levantar-vos, por causa da espada que eu vos enviarei” ( Jr 25:27 ).

O vinho da taça da mulher vestida de vermelho é o mesmo vinho produzido na vinha de Sodoma e nos campos de Gomorra: a ira de Deus “Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, cachos amargos têm. O seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras” ( Dt 32:32 -33).

Sodoma e Gomorra foram duas cidades destruídas por Deus por causa da impiedade dos seus habitantes e são símbolo do juízo e do castigo de Deus. Ora, se a vinha é de Sodoma e os campos são de Gomorra e ambas as cidades foram subvertidas por Deus, significa que a ira d’Ele paira sobre os que semeiam nos campos da impiedade, pois o que o homem plantar, isto mesmo ceifará ( Gl 6:7 -8).

Quando Moisés falou da vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra que resulta no juízo e no castigo de Deus, estava anunciado que o povo de Israel haveria de se corromper e abandonar a aliança com Deus ( Dt 32:5 ). Moisés profetizou que o juízo e a ira de Deus viria sobre Israel porque haviam de provocar a Deus quando entrassem na terra prometida, visto que seguiriam a deuses estranhos e suas abominações ( Dt 32:16 ).

Após prever as abominações do povo de Israel, Deus dá, por intermédio de Moisés, o seguinte veredicto: “E disse: Esconderei o meu rosto deles, verei qual será o seu fim; porque são geração perversa, filhos em quem não há lealdade. A zelos me provocaram com aquilo que não é Deus; com as suas vaidades me provocaram à ira: portanto eu os provocarei a zelos com o que não é povo; com nação louca os despertarei à ira. Porque um fogo se acendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua colheita, e abrasará os fundamentos dos montes. Males amontoarei sobre eles; as minhas setas esgotarei contra eles” ( Dt 32:20 -23).

Foi profetizado que Israel acenderia o fogo da ira de Deus que consumiria toda a terra, consumindo tanto os montes (nações) quanto a colheita da terra (habitantes). Por deixarem de confiar em Deus e confiarem naquilo que não é Deus (vaidade), os filhos de Jacó provocaram a ira de Deus. Pasmem os leitores, mas na lei também há doutrina das últimas coisas!

As abominações de Israel são tidas como o ‘estopim’ que acende o fogo da ira de Deus, e este fogo, por sua vez consumirá as nações que ‘entraram’ à meretriz.

Por que Israel é o ‘estopim’ da ira, e por que as nações serão punidas?

Ora, o desvio de Israel tem por consequência o castigo de Deus. E, para castigar a nação obstinada ( Is 9:8 – 9), Deus constituiu nações vizinhas como vara de correção contra Israel. Num primeiro momento tais nações são varas nas mãos de Deus, mas como elas não dosaram a medida da punição e atribuíram aos seus deuses os seus feitos, são punidas logo após castigar Israel.

A Assíria foi uma destas varas ( Is 10:5 ), que após desempenharem a missão que Deus lhes outorgou, passaram a imaginar coisas vãs: que dominariam todas as nações ( Is 10:7 ). Consideraram que Israel era igual às demais nações que despojaram, provocando a zelos a ira de Deus ( Is 10:12 ).

Observe o previsto por Jeremias: “Todos os teus amantes se esqueceram de ti, e não perguntam por ti; porque te feri com ferida de inimigo, e com castigo de quem é cruel, pela grandeza da tua maldade e multidão de teus pecados. Por que gritas por causa da tua ferida? Tua dor é incurável. Pela grandeza de tua maldade, e multidão de teus pecados, eu fiz estas coisas. Por isso todos os que te devoram serão devorados; e todos os teus adversários irão, todos eles, para o cativeiro; e os que te roubam serão roubados, e a todos os que te despojam entregarei ao saque” ( Jr 30:14 -16).

De longa data as prostituições dos filhos de Israel desperta a ira de Deus, que por sua vez, convoca as nações em redor para puni-los, mas aqueles que são utilizados como ‘machado’ nas mãos de Deus se exaltam, e tornam-se alvos da ira de Deus ( Is 10:15 ; Is 33:1 ).

A meretriz do Apocalipse deu a beber à todas as nações da terra o vinho da ira quando saiu a prostituir-se com os reis e reinos da terra. O vinho que a meretriz distribuiu às nações em seu suntuoso cálice de ouro é a ira de Deus “Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição, e os reis da terra se prostituíram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias” ( Ap 18:3 ); “E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira” ( Ap 16:19 ).

Primeiro a meretriz (Israel) provoca a zelos o Senhor quando se esquece d’Ele e sai após os seus amantes (nações vizinhas). Em seguida vem o castigo pelo pecado dos filhos de Jacó. As mesmas nações que, pretensamente se beneficiaram com as riquezas dos filhos de Jacó, se levantam para destruí-los, mas, todos os que são utilizados para castiga-los serão devorados à espada.

Após a besta e seus chifres colocarem a meretriz (a grande cidade) desolada e nua (sem edifícios e sem habitantes), o Messias aparecerá em glória e exterminará a besta e os seus dez chifres. O extermínio das nações é o lagar que o filho do homem pisará ( Is 63:6 ).

O cálice de ouro que a grande prostituta segura é repleta de abominações, segundo a imundície das suas prostituições, pois abandonaram o Senhor e foram cavar para si fontes rotas “Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas” ( Jr 2:13 ; Jr 14:3 ; Ap 17:4 ).

A taça da mulher é cheia de abominações e prostituições, e qualquer que se torna participante das suas prostituições, consequentemente sorverá o vinho da indignação e da ira de Deus. Quem se embriaga nas abominações da meretriz consequentemente cairá, pois encontrará a ira de Deus.

Apesar de Deus proteger o povo de Israel como a ‘menina dos seus olhos’, o povo lançou-se à prostituição, provocaram o zelo de Deus e trouxeram sobre si a ira “Com deuses estranhos o provocaram a zelos; com abominações o irritaram” ( Dt 32:16 e 21 ; Tg 4:5 ).

Cristo, ao falar aos fariseus e escribas, nomeia-os de ‘raça de víboras’, ‘loucos’, ‘néscios’, ‘adúlteros’ ( Mt 16:4 ). Estas figuras são utilizadas continuamente pelos profetas, salmos e provérbios para fazer referência ao povo de Israel ( Is 1:10 ; Jr 23:14 ; Ez 23:1 -4; Os 2:2 ).

Os apóstolos fazem referencia a Israel como povo constituídos de adúlteros e adúlteras ( Tg 4:4 ; Rm 2:22 ), daí a figura da prostituta que provoca o ciúmes do marido ( Pv 6:34 ), e o marido, por sua vez, além de castigar a mulher pérfida, vinga-se dos seus amantes.

Uma das prostituições de Israel consistia em procurar as nações vizinhas para fazer aliança em tempo de guerra e desprezavam a palavra do Senhor ordenada por Moisés. O Egito foi uma das nações com as quais Israel prostituiu-se e o veredicto do Senhor veio sobre eles ( Is 31:1 e 3; Is 30:1 -5).

Outro tipo de abominação foi adotarem os deuses das nações vizinhas, sendo que Israel adotou Baal por Deus e foram arremessados para Babilônia “Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem me veio ao pensamento” ( Jr 19:5 ).

Somam-se às iniquidades da nação de Israel as falsas doutrinas (preceitos de homens) criadas pelos lideres, sacerdotes, falsos profetas e anciões e a oposição ferrenha que faziam contra os profetas de Deus “Como o prevaricar, e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” ( Is 59:13 ); “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?” ( Lc 13:34 ; Mt 21:33 -46). Mas a pior das abominações de Israel foi desprezar a palavra da vida, o Cristo de Deus e como consequência desta afronta a cidade de Israel ficará desamparada enquanto não disserem: – Bendito aquele que vem em nome do Senhor!

A grande cidade será punida por ser culpada de ter derramado o sangue dos profetas e dos santos ( Ap 18:24 ). A cidade de Israel será punida durante a grande tribulação por ter se embriagado no sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Cristo ( Ap 17;6 ; Ap 19:2 ).

A cidade dos Caldeus (Babilônia) não é vista derramando o sangue dos profetas ou dos santos, pelo contrário, preservou a vida de muitos deles. Jeremias foi preservado por um dos emissários do rei Nabucodonosor ( Jr 40:4 ). Daniel, Sadraque, Mesaque e Abednego foram preservados na Babilônia, etc. “E entre eles se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias” ( Dn 1:6 ).

A grande cidade aliou-se à besta ao fazer aliança com sete reinos e sete reis, porém, a própria besta e os dez chifres hão de se insurgir contra a grande cidade e a derribará, deixando a grande cidade (mãe das prostituições) desolada e nua.

Ao perceber que a prostituta, mãe das prostituições e abominações da terra era a cidade de Israel, o evangelista João ficou admirado sobre maneira ( Ap 17:6 ).

A mulher não é a cidade dos caldeus. A mulher não é o papado. A mulher não é a Igreja Católica. Definitivamente: a mulher prostituta é a nação de Israel!

 

6  E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração. 7  E o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres.

O evangelista declara duas vezes seguidas que viu a mulher:

1) ‘E vi a mulher…’, e;

2) ‘E, vendo-a eu…’.

A segunda declaração do evangelista soa como um reconhecimento, um modo de expressar que ele identificara quem seria aquela mulher.

A admiração do evangelista resultou em uma resposta do anjo: – ‘Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a traz, a qual tem sete cabeças e dez chifres’ ( Ap 17:7 ).

Barcley declara que a mulher é Roma: “A mulher é Babilônia, quer dizer, é Roma. Há uma dificuldade que se expõe no princípio do capítulo, mas pode ser esclarecida de maneira imediata. Afirma-se que a mulher está assentada sobre “muitas águas” (v. 1). Esta é uma imagem de Roma representada mediante o simbolismo que corresponde a Babilônia, segundo os ditos dos antigos profetas de Israel” Barclay, William, The Revelation of John, Tradução: Carlos Biagini, pág. 370.

Moody entendia que a mulher é um poder espiritual: “Ela é definidamente algum vasto sistema espiritual que persegue os santos de Deus, traindo aquilo para o que foi chamada. Ela entra em relações com os governos desta terra, e por algum tempo os governa. Eu acho que o mais perto que possamos chegar a uma identificação é compreender que esta prostituta é um símbolo de um grande poder espiritual que se levantará no fim dos tempos, o qual estabelecerá uma aliança com o mundo e assumirá compromissos com as forças do mundo. Em vez de ser espiritualmente verdadeira – ela é espiritualmente falsa, e assim exerce uma influência maligna em nome da religião” Moody, pág. 59.

Mas a única cidade acusada de derramar o sangue dos santos e das testemunhas de Cristo foi Jerusalém. Como nação Israel foi apontado como sendo um leão que devorava os profetas que Deus enviava, como se lê: “Por que contendeis comigo? Todos vós transgredistes contra mim, diz o SENHOR. Em vão castiguei os vossos filhos; eles não aceitaram a correção; a vossa espada devorou os vossos profetas como um leão destruidor. Oh geração! Considerai vós a palavra do SENHOR: Porventura tenho eu sido para Israel um deserto? Ou uma terra da mais espessa escuridão? Por que, pois, diz o meu povo: Temos determinado; não viremos mais a ti? Porventura esquece-se a virgem dos seus enfeites, ou a noiva dos seus adornos? Todavia o meu povo se esqueceu de mim por inumeráveis dias. Por que ornamentas o teu caminho, para buscares o amor? Pois até às malignas ensinaste os teus caminhos. Até nas orlas dos teus vestidos se achou o sangue das almas dos inocentes e necessitados; não cavei para achar, pois se vê em todas estas coisas. E ainda dizes: Eu estou inocente; certamente a sua ira se desviou de mim. Eis que entrarei em juízo contigo, porquanto dizes: Não pequei” ( Jr 2:29 -35).

O profeta Jonas foi enviado a Nínive, cidade dos Assírios, e não foi morto. Daniel, Jeremias, Ezequiel, Elias, Eliseu, Jesus, etc., foram enviados as outras nações para profetizarem e não foram mortos. Mas, de Jerusalém se diz: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste?” ( Lc 13:34 ; Mt 23:29 ).

O evangelista João conseguiu visualizar algo importante quando identificou que a meretriz estava embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Cristo, e foi isto que o deixou admirado. Ora, a única cidade com histórico de matar os santos profetas de Deus e as testemunhas de Cristo é a cidade de Jerusalém ( Lc 13:34 ; At 3:15 ).

As duas testemunhas do Apocalipse serão mortas em Israel, a mesma cidade onde o Cristo foi morto ( Ap 11:8 ), de modo que a grande meretriz, a mulher cheia de pompa e realeza (vestida de escarlata) é Israel, a mãe de prostituições que se embriagou com o ‘sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus’.

O evangelista João observou que a mulher estava embriagada (bêbada) por causa do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus ( Ap 18:24 ), ou seja, a embriagues representa a queda da grande cidade por meio da espada dos seus algozes.

Continua…

O mistério da ‘Babilônia’ do Apocalipse

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Isaías 1 – Filhos rebeldes

Após ‘ajudar’ os oprimidos, ‘fazer’ justiça aos órfãos e ‘cuidar’ das viúvas, ou seja, obedecer a palavra de Deus, por mais funesta que seja a condição do homem, no momento em que se submete à palavra de Deus, Deus faz do homem uma nova criatura, pois está é a sua promessa: ‘Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã’ (v. 18).


 

1  VISÃO de Isaías, filho de Amós, que ele teve a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, e Ezequias, reis de Judá.

A visão do profeta Isaias neste capítulo tem por alvo o povo de Judá e a cidade de Jerusalém antes do exílio Babilônico. O termo ‘visão’ ou ‘profecia’ refere-se a uma revelação ou comunicação de uma mensagem divina aos homens. Apesar das grandezas que constam nas visões de Isaias, somente com o profeta Moisés Deus falou cara a cara e sem enigmas ( Nm 12:6 ).

Como as visões foram concedidas por Deus a Isaias, temos o próprio nome do profeta cedendo título ao livro. O termo traduzido por visão era utilizado para fazer referencia ao profeta como vidente.

Uzias ( 2Rs 15:1 -7), Jotão ( 2Rs 15:32 -38), Acas ( 2Rs 16:1 -20) e Ezequias ( 2Rs 18:1 -20 ) foram quatro reis que governaram sobre Judá em Jerusalém antes do exílio Babilônico.

 

2  Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, tu, ó terra; porque o SENHOR tem falado: Criei filhos, e engrandeci-os; mas eles se rebelaram contra mim.

Aparentemente o verso dá a entender que Deus está dando ‘publicidade’ à sua mensagem, porém, não é este o único objetivo da ordem que convoca os céus e a terra por testemunha: ‘Ouvi, ó céus, e dá ouvido, tu, ó terra’. Esta introdução na profecia era para remeter o povo de Israel à lei dada por Moisés, lembrando o que estava previsto a destruição do povo, caso não se convertessem a Deus “Hoje tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, que certamente logo perecereis da terra, a qual passais o Jordão para possuí-la; não prolongareis os vossos dias nela, antes sereis de todo destruídos” ( Dt 4:26 ).

Ao convocar os céus e a terra por testemunha, Deus esta demonstrando que o seu protesto tinha um público alvo específico: o povo que fez um concerto com Deus e se comprometeu cumprir as palavras de Deus.

Além de ter evocado os céus e a terra por testemunha, Deus lhes informou das pragas e moléstias que seriam acometidos por não obedecerem a Deus, conforme o registrado em Deuteronômio 28, versos 15 à 68. Após vários avisos, havia chegado o momento predito pelo Senhor, pois já não adiantava castiga-los, já estavam completamente feridos, mas não atinavam que era em decorrência de não terem obedecido a Deus (v. 5 ; Sl 50:4 ; Dt 4:36 ; Sl 76:8 ).

Qual a mensagem divina em que Deus interpõe os céu e a terra por testemunha? O Senhor disse por intermédio do profeta Isaias: “Criei filhos, e engrandeci-os, mas eles se rebelaram contra mim” (v. 2). O poro de Israel teve origem em Abraão e, após peregrinarem no Egito, Deus os resgatou com mão poderosa, mas já nos primeiros dias após serem resgatados do Egito, o povo de Israel mostrou-se rebelde à palavra de Deus ( Dt 1:43 ).

A mensagem de Deus é de cima e Ele mostra sinais na terra para que os homens se deixem instruir “Desde os céus te fez ouvir a sua voz, para te ensinar, e sobre a terra te mostrou o seu grande fogo, e ouviste as suas palavras do meio do fogo” ( Dt 4:36 ). Toda a criação é testemunha de que Deus de muitas maneiras falou ao homem ( Hb 1:1 ).

Os filhos que foram criados e engrandecidos referem-se ao povo de Israel que se tornou um grande povo, porém, desviaram do Senhor “Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles” ( Is 63:10 ).

 

3  O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.

Deus faz uma comparação entre os animais irracionais e o povo de Israel para expor uma realidade terrível: o povo que devia ser pleno de sabedoria por ter sido instruído por Deus, não conhecia o seu Deus. O boi, um animal irracional, conhece o seu dono da mesma forma que o jumento a sua manjedoura, mas Israel não conheceu e nem conhecia o seu Deus  e Libertador “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência” ( Pv 9:10 ).

Diferente dos animais irracionais, que reconhecem o seu dono e o seu lugar de descanso, o povo de Israel não entendeu que Deus estava repreendendo para que entendesse que necessitavam do cuidado do Senhor, pois Ele é, juntamente, sustento e descanso para o seu povo.

Faltava ao povo de Israel o ‘conhecimento’ do Santo, não entendiam, não compreendiam a palavra do Senhor, e quem deveria ensiná-los, os mestres da lei, estavam devorando o povo como se fosse pão “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos” ( Os 4:6 ; Sl 53:4 ; Rm 10:2 ; Is 30:1 ).

O povo devia crer que Deus os justificava por aguardar o Descendente prometido a Abrão, porém, acreditavam que eram justos por descenderem da carne de Abraão ( Is 53:11 ). Construíram veredas tortuosas para si quando repousaram na carne e no sangue de Abraão ( Is 59:8 ).

 

4  Ai, nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás.

O profeta destaca algumas características pertinentes ao povo de Israel:

  • Nação pecadora;
  • Povo iníquo;
  • Descendência de homens maus, e;
  • Filhos corruptores.

 

Eles são nomeados de pecadores, iníquos, homens maus e corruptos. Não quiseram o Senhor, voltaram atrás e blasfemaram do Santo de Israel “Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” ( Rm 2:24 ).

À época de Cristo, ele mesmo enfatizou que nenhum dos escribas e fariseus cumpria a lei, apesar de guardarem o sábado, fazerem a circuncisão, não matarem, não roubarem, dizimarem, jejuarem, etc. “Não vos deu Moisés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?” ( Jo 7:19 ); “O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano” ( Lc 18:11 ).

Deus deixou claro que Israel não tinha conhecimento, ou seja, que o seu povo não entendia (v. 3), e o apóstolo Paulo também enfatizou “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” ( Rm 10:2- 3).

O desconhecimento era tamanho que Jesus igualmente protestou: “Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” ( Mt 22:29 ). Tudo o que o povo sabia não passava de preceitos de homens que decoraram “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” ( Is 29:13 ).

Como isto é possível, se o povo de Israel continuamente oferecia sacrifícios e buscavam cumprir a lei?

 

5  Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco. 6  Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.

Se o povo de Israel se recordasse da lei, veriam que já estava previsto que, caso se rebelassem contra os preceitos de Deus, seriam acometidos de diversos castigos ( Dt 28:15 -69).

O povo de Israel era avesso a Deus, e quando castigados, rebelava-se ainda mais. Deus demonstra que a correção já não adiantava, pois todo o Israel estava acometido de pecado. Quando recebe o homem por filho, Deus o corrige e deixa claro o motivo: porque ama “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho” ( Hb 12:6 ), mas o povo de Deus ignorava esta característica Dele.

Deus descreve o povo de Israel com problemas na cabeça e no coração (v. 5), e aponta que todo o corpo estava enfermo desde os pés até a cabeça e que nunca se submeteram a qualquer tipo de tratamento que mudasse a condição deles. Bastava o povo abrir mão do argumento de que eram povo de Deus por serem descendentes de Abraão reconhecendo que eram miseráveis como todos os outros homens, que Deus haveria de curá-los. Esta condição do povo é retratada em provérbios: “Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas que nunca foi lavada da sua imundícia” ( Pv 30:12 ).

 

7  A vossa terra está assolada, as vossas cidades estão abrasadas pelo fogo; a vossa terra os estranhos a devoram em vossa presença; e está como devastada, numa subversão de estranhos. 8  E a filha de Sião é deixada como a cabana na vinha, como a choupana no pepinal, como uma cidade sitiada. 

A cidade de Jerusalém assolada por guerras e intrusos desfrutando do que o povo de Israel haviam plantado era o último estágio da gama de castigos descritos por Moisés antes de serem levados cativos ( Dt 28:39 ).

Com o castigo, a terra foi assolada e as cidades queimadas. Os estrangeiros tinham livre circulação na cidade e o povo de Jerusalém nada podia fazer para impedir.

Em função da correção, tudo foi devastado e subvertido por estrangeiros. A cidade de Jerusalém estava sitiada, semelhante a uma cabana na vinha cercada de uvas, ou uma choupana em meio ao pepinal: abandonada a própria sorte.

Neste ponto o castigo já não era alternativa, pois apesar da condição deplorável do povo, não reconheciam a sua miserabilidade e não se socorriam de Deus.

 

9  Se o SENHOR dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra. 10  Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra.

Isaias faz referência a um remanescente preservado por Deus para evitar a extinção de Judá e, consequentemente, a extinção da linhagem do Messias. Um povo remanescente tem resistido ao longo dos tempos em função da fidelidade de Deus que prometera a Davi o Descendente ( 2Sm 7:12 ).

Se não fosse a misericórdia de Deus em preservar um remanescente o povo de Judá havia desaparecido da face da terra “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” ( Ml 3:6 ).  Após esclarecer o povo de que se não fosse a misericórdia, há muito Jerusalém teria deixado de existir, o profeta introduz Sodoma e Gomorra como figura de Judá. Moisés já havia feito referencia a Israel como Sodoma e Gomorra: “Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, cachos amargos têm” ( Dt 32:32 ; Gn 18:16 e 19:28 ; Rm 9:29 ).

O povo e os lideres de Jerusalém não atentaram para a palavra de Deus e novamente Deus lhes dá o aviso que ecoou em Israel ( Jr 23:14 ; Ez 16:46 -58). Enquanto Sodoma e Gomorra tornou-se símbolo de promiscuidade, Israel e Judá tornaram-se adúlteros, visto que transtornaram, adulteraram as palavras de Deus e os sacerdotes ensinaram o povo somente preceitos de homens ( Jr 23:16 ).

Em função dessas duas figuras (Sodoma e Gomorra), o povo de Israel é nomeado diversas vezes como adúlteros. O termo ‘adultero’ é empregado como figura para retratar a condição espiritual do povo, por ter abandonado o seu Deus ( Tg 4:4 ). Dt 4.2

A apostasia do povo de Jacó teve dois extremos. Na época dos reis houve uma apostasia enorme, pois não buscavam a Deus e seguiam após outros deuses conforme o costume das nações, tornando-se um povo idólatra e promiscuo, etc. Após o retorno do cativeiro, houve algumas reformas religiosas, com seu ápice no período dos Macabeus, quando, provavelmente, surgiu a seita dos fariseus e saduceus, porém, mesmo conservadores e legalistas, continuaram distantes da verdade revelada na lei ( Lc 18:11 ).

Com figuras como Sodoma e Gomorra, Deus passa a falar com o povo utilizando-se de adágios, parábolas e enigmas. Para compreender a mensagem de Deus, primeiramente se faz necessário desvendar os enigmas para depois interpretar as parábolas (v. 21).

 

11  De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. 12  Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios?

O elemento de culto que os habitantes de Jerusalém julgavam de maior valor, o sacrifício, é posto em xeque pelo próprio Deus. Deus faz a pergunta: – ‘De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios?’

Além de deixar claro que estava farto dos holocaustos, Deus enfatiza que não se agrada de sangue de animais. Esta verdade permeia os livros do A. T., pois o salmista diz: “Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos” ( Sl 51:16 ). O profeta Samuel também anunciou: “Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” ( 1Sm 15:22 ).

Como ofereciam tantos holocaustos, era de se presumir que ao menos Deus houvesse pedido aos homens que oferecessem holocaustos, porém, Deus é enfático: – ‘Quem requereu isto?’. Quando lemos os livros do Pentateuco, vemos Deus requerendo do seu povo que obedeça a sua palavra, sem diminuir ou acrescentar ( Dt 4:2 ), e não encontramos Deus requerendo sacríficos, antes disciplinando como deveriam proceder caso se propusessem oferece-los “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecerá …” ( Lv 1:2 ).

Desde Abel e Caim voluntariamente os homens oferecem sacrifícios a Deus, porém, Deus nunca requereu isto das mãos dos homens, pois Deus tem interesse no homem (ofertante), e não na oferta (sacrifícios). O povo de Israel estava como Caim, oferecendo sacrifício debalde, pois Deus não tem interesse no sacrifício ou na oferta, antes no ofertante.

Em primeiro lugar Deus atenta para o ofertante e depois para a oferta. E se Deus rejeita o ofertante, consequentemente a oferta está rejeitada “E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou” ( Gn 4:3 -5).

 

13  Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. 14  As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer.

O alerta de Deus é solene: – ‘Não continueis a trazer ofertas vãs’. Após avisá-los, vêm os motivos: o incenso é abominação. As luas novas, os sábados (dias de festas solenes), datas tão importantes ao povo de Jerusalém também eram abominações.

Da mesma forma que Deus não pode suportar a iniquidade, também não podia suportar a reunião solene. Enquanto o homem não se submete à palavra de Deus sem alterá-la, os seus sacrifícios e ofertas são vãos. Deus não muda com o passar do tempo, então, desde o primeiro holocausto Deus repudiava os seus sacrifícios. Deus odiava, não suportava e sofria com as solenidades.

Um povo que se dizia servo de Deus, ignorava a vontade do seu Senhor, o que nos remete ao exposto nos versos 2 e 3.

 

15  Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. 16  Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. 17  Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.

Deus apresenta o motivo pelo qual não atendia as suplicas do povo. Quando estendiam as mãos suplicando por socorro, Deus não voltava o rosto para observá-los. Mesmo que aumentasse em quantidade o número de orações (multiplicando), Deus não os atenderia. Somente a oração de um justo pode muito em seus efeitos, visto que a iniquidade do ímpio separa o homem de Deus para que não seja ouvido. Enquanto o homem não ouvir a palavra de Deus e crer, Deus não o ouve, porque somente após ouvir e crer é que o homem se torna justo diante de Deus.

O apóstolo Paulo deixou registrado que o seu povo “… têm zelo de Deus, mas não com entendimento” ( Rm 10:2 ). Os sacrifícios, jejuns, orações e ofertas era um zelo de Deus sem entendimento, mas ainda em nossos dias muitos procuram aproximar-se de Deus através desses mesmos elementos.

O motivo pelo qual Deus não atendia o povo: – ‘As vossas mãos estão cheias de sangue!’ ( Is 59:3 ).

Estes três versos constituem uma parábola repleta de enigmas e, para compreender a parábola, primeiro é necessário desvendar os enigmas.

As mãos manchadas de sangue é figura de violência contra Deus. Não diz de agressão contra o semelhante, antes da violência em querer se apoderar do reino de Deus por sua própria força. É por isso que Deus alerta: “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ).

Enquanto João Batista apregoava o reino dos céus, os seus ouvintes não se arrependiam, e continuavam a fazer da carne e do sangue (descendência da carne de Abraão) o seu braço (salvação), portanto, o que professavam não era segundo o Espírito, antes obras de iniquidade, obras de violência “E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele”  ( Mt 11:12 ; Is 59:6 ). As práticas como os jejuns, orações, sacrifícios, ofertas, etc., era o que manchavam as suas mãos de sangue.

Como a palavra de Deus é: “Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” ( 1Sm 15:22 ), e no início da visão Isaias disse: “Ouvi a palavra do Senhor, vós príncipes de Sodoma; dai ouvidos à lei de nosso Deus, vós o povo de Gomorra” (v. 10), para lavarem-se, purificarem-se, tirando a maldade dos seus atos (obras) das suas mãos, deveriam cessar de fazer o mal, ou seja, ouvirem (obedecerem) a palavra de Deus.

Somente a palavra de Deus para lavar e purificar o homem. Somente após ser lavado através da palavra de Deus, o homem retira a maldade dos seus atos. Deus olhou do céu para os filhos dos homens e não havia um que fizesse o bem. Mesmo o povo de Israel que haviam recebido as escrituras e a promessa, não havia quem fizesse o bem, pois apesar de terem recebido a palavra, cada um seguia os seus próprios conceitos e conjecturas ( Is 58:13 ).

Como a palavra de Deus é espírito, o homem que obedece a Deus compreendeu a mensagem dita a Zorobabel: “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ).

Ou seja, Deus disse a Zorobabel o mesmo que foi dito por Samuel e Isaias: Obedecer é melhor que sacrificar, pois sacrificar é violência, força, diz da ação do homem em busca de agradar a Deus. Mas, o espírito diz da palavra de Deus, pois somente a palavra de Deus lava e purifica completamente o homem.

Para compreender estes dois versos: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (v. 16 -17), faz-se necessário analisar os seguintes versos:

  • “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” ( Jo 15:3 );
  • “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida” ( Jo 6:63 );
  • “Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro” ( 1Pe 1:22 ).

Ou seja, quem obedece a verdade, que é a palavra de Deus, deixa a violência dos seus atos e passa a servi-lo pelo seu espírito: está limpo pelas palavras dita por Cristo, que é espírito e vida.

Mas, os enigmas e figuras não se restringem aos dois versos analisados. O verso seguinte possui muitos outros enigmas que compõem a parábola: “Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (v. 17).

Os que deixam de fazer o mal aprendendo a fazer o bem são os que obedecem a Deus. Os que aprendem e obedecem a Deus automaticamente deixam de fazer o mal e passam a fazer o bem. É da natureza dos que são vivificados pelo espírito (palavra de Cristo) fazer o bem, pois a árvore boa dá fruto bom “Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus” ( Mt 7:17 ).

Aprender a fazer o bem é o mesmo que obedecer a Deus procurar o que é justo, pois obedecer a Deus é a justiça e o bem. Fazer o bem e procurar o que é justo é o mesmo que ajudar o oprimido, fazer justiça ao órfão e cuidar das viúvas. Os oprimidos, os órfãos e as viúvas são figuras que remente o homem a considerar a sua real condição diante de Deus: necessitados. São figuras que demonstra a condição do pecado, uma forma de apontar e fazer referência à condição do povo e dos seus lideres. Ajudar os oprimidos, fazer justiça aos órfãos e cuidar das viúvas é o mesmo que falar a palavra de Deus com verdade ( Zc 8:16 ; Ef 4:25 ; Is 58:13 ), ajudarem a si mesmos obedecendo à palavra do Senhor, pois Adão abandonou toda a sua geração quando se vendeu ao pecado, e todos estão separados de Deus até que creiam em sua palavra.

Se o leitor não se aperceber que está diante de uma parábola repleta de figuras e enigmas, interpretará como se Deus estivesse tratando de questões socioeconômicas. Neste ponto, em vez de converter-se a Deus obedecendo a sua palavra, o leitor aplicar-se a religiosidade e os seus sacrifícios, pois reputará que Deus o aceitará por estar cuidando dos órfãos e das viúvas.

Outros consideram que o sacrifício de sangue não era aceito porque as pessoas não estavam apresentando o melhor do rebanho no altar, e se esquecem que o sacrifício que Deus não rejeita é um coração contrito “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” ( Sl 51:17 ). Somente quando o homem é aceito por Deus é que suas ofertas e sacrifícios são aceitos “Então te agradarás dos sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; então se oferecerão novilhos sobre o teu altar” ( Sl 51:19 ).

 

18  Vinde então, e argui-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.

Após ‘ajudar’ os oprimidos, ‘fazer’ justiça aos órfãos e ‘cuidar’ das viúvas, ou seja, obedecer a palavra de Deus, por mais funesta que seja a condição do homem, no momento em que se submete à palavra de Deus, Deus faz do homem uma nova criatura, pois está é a sua promessa: ‘Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã’ (v. 18).

Mesmo que os pecados fossem como a escarlata, certo é que se tornariam brancos como a neve! O proposto por Deus é simples, mas o homem tem que querer. Se o homem quiser e ouvir a voz do Senhor, alcança a promessa: ainda que os vossos pecados sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.

 

19  Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra. 20 Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse.

Este verso demonstra a misericórdia e longanimidade de Deus que, antes de impingir o castigo, apresenta uma oportunidade. Isto foi posto para exemplo, pois no dia em que se chama hoje, se ouvires a vos do Senhor, não endureças o coração ( Hb 4:11 ).

Após a promessa do perdão dos pecados, caso quisessem e obedecessem, também haveriam de comer do melhor da terra. Não havia como se estabelecerem na terra da promessa sem antes ser extirpado o pecado do meio do povo.

Como Deus está falando diretamente com os judeus, a promessa divide-se em duas: a) salvação individual, e; b) salvação nacional. Ao serem resgatados do Egito, o povo foi resgatado nacionalmente, porém, permaneceram escravos do pecado. Agora Deus quer resgatá-los do pecado e, se quisessem e obedecessem, seriam salvos nacionalmente “Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” ( Jr 23:6 ).

Mas, haverá um tempo de refrigério para Israel quando as duas casas serão redimidas pelo Senhor Jesus, e Deus o nomeará de: O Senhor justiça nossa ( 2Co 3:16 ).

Mas, por que é necessário o homem querer obedecer a sua palavra? A resposta encontra-se o seguinte verso: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” ( 2Co 3:17 ). O Senhor é Espírito, ou seja, o Verbo que se fez carne, e onde está a palavra da Vida, aí há liberdade ( 1Jo 1:2 ).

No Éden diante da expressa Imagem de Deus que tudo criou pelo poder de sua palavra ( Jo 1:1 -3), o homem teve a liberdade de permanecer na vida e rejeitar a morte; hoje, a oportunidade e dada, porém, o homem tem a liberdade de querer a vida obedecendo, ou permanecer na morte.

 

21  Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas.

A palavra de Deus entregue a Israel por mão de um medianeiro é perfeita, reta, justa, mas os interpretes amalgamaram os seus próprios conceitos e criaram preceitos que, em vez de vida, tornou-se palavra de engano, palavra de morte.

A condição da cidade de Jerusalém era de se admirar. A cidade plena de retidão, onde a justiça estabeleceu a sua morada, agora estava cheia de homicidas (homens violentos, mãos manchadas de sangue).

Por que a cidade era fiel, plena de retidão e justiça? Porque Deus a escolheu para ali habitar “E habitarei no meio dos filhos de Israel, e lhes serei o seu Deus” ( Êx 29:45 ); “Então haverá um lugar que escolherá o SENHOR vosso Deus para ali fazer habitar o seu nome” ( Dt 12:11 ); “Por que saltais, ó montes elevados? Este é o monte que Deus desejou para a sua habitação, e o SENHOR habitará nele eternamente” ( Sl 68:16 ).

Como os habitantes de Jerusalém não deram crédito à palavra de Deus, não foram gerados de novo da semente incorruptível, portanto, não eram servos de Deus e nem amaram a Deus “E herdá-la-á a semente de seus servos, e os que amam o seu nome habitarão nela” ( Sl 69:36 ).

O verso 21 de Isaias 1 complementa o salmo 132: “Porque o SENHOR escolheu a Sião; desejou-a para a sua habitação, dizendo: Este é o meu repouso para sempre; aqui habitarei, pois o desejei. Abençoarei abundantemente o seu mantimento; fartarei de pão os seus necessitados” ( Sl 132:13 -15).

Como o povo não se resignou a ser os ‘necessitados’ do Senhor, pois confiavam que eram salvos por serem descendentes da carne de Abraão, a cidade fiel tornou-se prostituta, promiscua, Sodoma e Gomorra!

 

22  A tua prata tornou-se em escórias, o teu vinho se misturou com água. 23 Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva.

Deus havia dado ao seu povo a sua palavra (prata pura), porém, como não a receberam integralmente, antes foram rebeldes transtornando o mandamento ( Dt 4:2 ), o que seguiam não passava de escória, mandamentos de homens “As palavras do SENHOR são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes” ( Sl 12:6 ); “Prata escolhida é a língua do justo; o coração dos perversos é de nenhum valor” ( Pv 10:20 ).

O vinho é figura da alegria, da salvação, e Deus protesta contra eles demonstrando que a alegria proveniente da aliança foi desfeita “Porque são gente falta de conselhos, e neles não há entendimento. Quem dera eles fossem sábios! Que isto entendessem, e atentassem para o seu fim (…) O seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras” ( Dt 32:28 -29 e 33). Diz do vinho da contenda que o apóstolo Paulo veta aos cristãos ( Ef 5:18 ). Israel misturou a palavra da verdade (vinho) com preceitos de homens (água).

Como o vinho misturou-se com a água, a aliança de Deus com os que titubeavam foi desfeita “Tardai, e maravilhai-vos, folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho, andam titubeando, mas não de bebida forte” ( Is 29:9 ); “Tanto mais que, por ser dado ao vinho é desleal; homem soberbo que não permanecerá; que alarga como o inferno a sua alma; e é como a morte que não se farta, e ajunta a si todas as nações, e congrega a si todos os povos” ( Hb 2:5 ; Rm 9:6 ).

Como transtornaram a palavra do Senhor sendo rebeldes a aliança, os príncipes de Jerusalém não passavam de ladrões, salteadores ( Jo 10:8 e 10). Os lideres de Israel não eram pastores, mas mercenários, visto que andavam atrás de recompensas. Por negarem aos homens que necessitavam (órfãos, viúvas) a palavra da verdade, a justiça de Deus não era estabelecida.

Por sua vez, Cristo quando veio denunciou os ladrões, os mercenários e como pastor fez justiça aos oprimidos pelo pecado ( Mt 11:28 ; Sl 146:5 -10 compare com Mt 5:3 -11). Jesus, o servo do Senhor, veio fazer justiça aos oprimidos ( Mt 11:28 ).

 

24  Portanto diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, o Forte de Israel: Ah! tomarei satisfações dos meus adversários, e vingar-me-ei dos meus inimigos.

Neste verso, Cristo toma a palavra, pois Ele é o Senhor dos Exércitos, o Deus Forte, o braço do Senhor.

Há um dia estabelecido em que o Senhor Jesus glorificado há de vingar-se dos seus adversários, aqueles que transtornaram a sua palavra.

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