Deus olha para você através de Cristo?

Deus é santo! Esta verdade é apresentada em várias passagens bíblicas. Deus é santo e imutável, ou seja, quer os homens acreditem ou não, Deus é santo. Quer bendigam a santidade de Deus ou não, Ele permanecerá Santo pela eternidade.


Para enaltecer a santidade de Deus muitos pregadores ensinam que, para não ver o pecado, Deus olha para o crente através de Cristo. Argumentam que, apesar de crer em Cristo, o crente ainda é pecador.

Escritores renomados corroboram este pensamento e, dentre eles, destaco esta frase:

“Não entenda isto mal. O significado, não é que haja algo que cobre os nossos pecados ao ponto que Deus não os vê. Não é o caso de que eles realmente estão lá mas Deus não os vê porque eles estão encobertos. Coberto nem mesmo significa que os pecados de alguém estão escondidos sob Cristo, como se costuma dizer. O facto é que Deus olha através de Cristo” Fonte: Righteous by Faith Alone, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, capítulo 21 (grifo nosso). Consulta realizada em 04/01/2012.

Analisando a asserção: “O facto é que Deus olha através de Cristo” à luz das Sagradas Escrituras, verifica-se que Hoeksema procurou evidenciar o mérito da obra de Cristo, contrastando-a com o demérito da condição do homem diante de Deus.

A premissa construída para evidenciar a santidade de Deus, afirmando que Deus é tão santo que, para olhar para o crente, precisa olhar através de Cristo para não ver pecado, carece de ser considerada à luz das Escrituras.

É bíblico este posicionamento? Quando olha através de Cristo Deus não vê pecado no crente porque eles estão encobertos?

Para responder esta pergunta, utilizaremos como ponto de partida uma pergunta do apóstolo Paulo aos cristãos de Corintos: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ).

A verdade de que os cristãos são templos de Deus era tão evidente para o apóstolo dos gentios que a pergunta aos Corintos é uma reprimenda!

Está é uma verdade que permeia todo o Novo Testamento:

  • “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” ( 1Pd 2:5 );
  • “Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” ( Hb 3:6 );
  • “E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” ( 2Co 6:16 );
  • “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” ( 1Co 3:17 );
  • “No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” ( Ef 2:22 ).

Verdade que deriva das promessas feitas no Antigo Testamento:

  • “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 );
  • “Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo” ( Sl 51:11 );
  • “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 36:27 ).

Se para olhar para aquele que creu no evangelho é necessário Deus olhar através de Cristo, o que é necessário para que Deus venha habitar o crente? O que é mais profundo: ‘olhar’ ou ‘habitar’ o crente?

Em que a santidade de Deus não é maculada se Ele olhar através de Cristo para contemplar o crente, se na verdade, em primeira instância Ele habita o crente? “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada ( Jo 14:23 ).

Como conciliar o argumento de que, para não contemplar o pecado no crente Deus necessita olhar através de Cristo, se não há nenhum obstes na bíblia com relação ao crente ser templo, morada de Deus.

Se aceitarmos a tese de Hoeksema que Deus olha para o crente através de Cristo apesar de haver pecado no crente, Cristo torna-se uma espécie de lente, prisma, etc., que possibilita Deus, que é santo, olhar para o crente; a lente cria uma ilusão de ótica de modo que Deus passa a contemplar o crente sem ver o pecado e, ao mesmo tempo Deus se guia pelo que passou a enxergar através de Cristo e ignora o fato de haver pecado no crente; no entanto, apesar do pecado, Deus habita o crente. Seria isto possível?

Existe também o testemunho de Deus de que Ele não habita em templo feito por mãos humanas ( At 17:24 ), e por isso mesmo, Se propôs construir o seu templo para habitá-lo através do seu próprio braço (Cristo) ( Ef 2:22 ; 1Pe 2:5 ; Hb 3:4 -6 ), no entanto, Hoeksema afirma que Deus vê pecado no templo que Ele mesmo está construindo e, que só é possível olhar o seu próprio templo através de Cristo?

“No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” ( Ef 2:22 )

O crente é templo de Deus, ou não é? Há pecado no crente, ou não há? O templo de Deus é santo, ou não é?

Deus exige do homem que o seu falar seja segundo a verdade, pois o que passa da verdade é de procedência maligna “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” ( Mt 5:37 ).

Deus pode deixar de ver o pecado onde há pecado coberto? Haveria alguma coisa encoberta aos olhos de Deus? “E …antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”  (Hebreus 4 : 13)

O apóstolo Paulo demonstra que efetivamente o templo de Deus, que são os cristãos, é santo: “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” ( 1Co 3:17 ). Ora, o templo de Deus é santo, portanto não pode haver no templo, que pertence e está sendo construído por Deus, pecado. Por fim, o templo de Deus que é santo diz dos crentes: ‘o templo de Deus, que sós vós, é santo’!

Neste mesmo sentido alertou o apóstolo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” ( 1Co 6:19 ).

Não podemos esquecer que, cada cristão individualmente é membro uns dos outros, porém, apesar de haver muitos cristãos, todos são um só corpo em Cristo “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” ( Rm 12:5 ).

Considerando que Cristo é santo e é a cabeça do seu corpo, segue-se que o corpo de Cristo, que é a igreja, por sua vez, também é santo. É inconcebível um corpo ter condição diversa da condição da cabeça, ou seja, a cabeça ser santa e o corpo imundo, pois deste modo não haveria unidade “E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade” ( Cl 2:10 ); “Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” ( Ef 5:27 ).

Cristo é a pedra angular preciosa que Deus estabeleceu como fundamento da igreja, e o templo é edificado por Deus com pedras vivas, ou seja, os cristãos Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” ( 1Pd 2:5 ); “Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus” ( Hb 3:4 ).

Mas, alguém pode protestar dizendo: nesta passagem o apóstolo Paulo está falando do corpo místico, e não de cada crente em particular. Ora, só há o corpo místico se considerarmos que cada cristão em particular é um só pão em Cristo. O templo santo só é erguido porque há um fundamento posto, que é Cristo, a pedra eleita e preciosa, e igualmente cada cristão é uma pedra viva “Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” ( Ef 4:16 ); “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:17 )

Antes de ser crucificado, Cristo rogou por sua igreja dizendo: “E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós ( Jo 17:11 ); Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” ( Jo 17:21 ); “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um ( Jo 17:22 ).

Há unidade entre Cristo, o Pai e a igreja, e esta unidade não é somente de ‘olhar através de Cristo’, antes é unidade derivada de comunhão íntima em virtude de Cristo ter concedido aos que creem n’Ele a mesma glória que Deus deu a Cristo. Jesus concedeu a mesma glória que foi dada pelo Pai aos que creram para que os cristãos sejam um, como o Pai e o Filho são um. A unidade do Pai, o Filho e os cristãos diz de comunhão intima: “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos ( Ef 5:30 ); “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular” ( 1Co 12:27 ).

Não há nenhuma comunhão entre a Luz e as trevas, pois Jesus disse: “Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” ( 1Jo 1:5 ). Deus é luz e qualquer que está em Cristo, está em Deus e Deus está nele “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus ( 1Jo 4:15 ).

Confessar, admitir que Jesus é o Filho de Deus segundo as Escrituras, significa ter comunhão, adentrar na Luz que não tem trevas nenhuma, e que a Luz que não tem trevas entrou nele. Ora, se aquele que crê em Cristo está em Deus, segue-se que não há trevas nenhuma nele, pois se houvesse, seria impedido de estar em Deus, pois não há comunhão entre a Luz e as trevas.

A promessa de Deus é perfeita: qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está aperfeiçoado verdadeiramente nele. Qual é a palavra a ser guardada, obedecida? A palavra, o mandamento a ser obedecido é: crer em Cristo como o Filho do Deus vivo, assim como diversas pessoas confessaram nas Escrituras “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento. E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado” ( 1Jo 3:23 -24; Jo 6:69 ; Jo 11:27 ; Mt 16:16 ).

Qualquer que creu em Cristo obedeceu ao mandamento de Deus e passou a estar em Deus: “Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele ( 1Jo 2:5 ); “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito” ( 1Jo 4:13 ).

Ao crer, o homem passa a pertencer a Deus “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” ( 1Co 6:20 ); “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” ( 1Co 1:30 ).

Aquele que está em Cristo é uma nova criatura “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 ). Ora, se o crente está em Cristo é nova criatura, de modo que Cristo também está no crente “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” ( 2Co 13:5 ).

Sendo o crente uma nova criatura, está em Cristo, e se está em Cristo, consequentemente, está em Deus “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” ( 1Jo 5:20 ).

Para estar em Deus através de Cristo, foi necessário Deus fazer tudo novo, de modo que, sem Cristo o homem é trevas, mas ao crer, o cristão torna-se luz no Senhor “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 ); “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” ( 1Ts 5:5 ); “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte” ( Mt 5:14 ).

Deus não só tirou aqueles que creram da potestade das trevas e os transportou para o reino de Cristo, Ele também os fez luz “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” ( Cl 1:13 ).

Ao crer o cristão recebeu poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ), portanto, é filho da luz. E se é filho da luz, agora é luz. Deus é a verdade, e se o crente esta em Cristo, que é a verdade, é verdadeiramente livre, pois tem comunhão com a verdade! Conheceu a verdade! “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:31 -32); “Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai” ( 1Jo 2:24 ).

Permanecer na palavra de Cristo é fazer a vontade de Deus, e aquele que crê na palavra do Evangelho permanece para sempre “E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” ( 1Jo 2:17 ); “Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” ( 1Pd 1:25 ); “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ); “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ).

O apóstolo João demonstra que os que creem em Cristo conhecem a Deus e Deus está nele “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor” ( 1Jo 4:12 ). Por ter dado da sua palavra (espírito) aos que creem é possível saber que todos quantos creem estão em Deus e Deus neles “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito” ( 1Jo 4:13 ).

Cristo é o amor de Deus demonstrado ao mundo, e quem está no amor de Deus está em Deus e Deus nele “E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus. E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele ( 1Jo 4:14- 16).

E o mais importante: Qual Cristo é, o cristão o é igualmente neste mundo “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo ( 1Jo 4:17 ). Assim como os filhos de Adão são como o primeiro homem, de igual modo, os filhos de Deus são tal qual o último Adão: homens espirituais “Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais ( 1Co 15:48 ).

  • Jesus é o Filho de Deus, os que creem são filhos de Deus ( 1Jo 3:1- 2; Gl 3:26 );
  • Jesus é luz, os que creem são luz no Senhor ( Ef 5:8 );
  • Jesus é pedra viva, os cristãos são pedras vivas ( 1Pd 2:5 );
  • Jesus é o fundamento dos apóstolos e dos profetas, os cristãos são edificados casa espiritual sobre o fundamento de Deus que é firme ( Ef 2:20 -22);
  • Jesus é o pão que dá vida ao mundo, os cristãos são pão ( 1Co 10:17 );
  • Jesus é o sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, os que creem exercem sacerdócio real ( 1Pd 2:9 );
  • Jesus assentou-se a destra do Pai nas alturas, os cristãos estão assentados nas regiões celestiais ( Ef 13 e 2:6 ).

Os cristãos foram gerados de novo através da ressurreição de Jesus ( 1Pd 1:3 ; Cl 2:12 -13 ; Cl 3:1 ). Foram gerados de uma semente incorruptível ( 1Pd 1:23 ), e são participantes da natureza divina ( 2Pd 1:4 ; Cl 2:10 ).

Ora, após tudo o que Deus realizou naqueles que creem, sendo certo que Cristo foi manifesto como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo ( Jo 1:29 ), como é possível haver pecado no crente, se o crente está em Cristo? Como é possível haver pecado no crente se o crente é nova criatura? Se em Cristo não há pecado, como um pecador pode estar em Cristo? “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado ( 1Jo 3:5).

Em Cristo não há pecado, assim como em Deus não há trevas nenhumas, portanto, qualquer que está em Cristo é luz e não tem pecado algum. Deste modo, Deus conhece o crente ( Gl 4:9 ), pois habita no crente. O termo ‘conhecer’ não é saber acerca de, ou ver através de Cristo, antes significa comunhão intima, um só corpo.

 

‘Santo’ versus ‘imundo’

“E que comunhão tem a luz com as trevas?” ( 2Co 6:14 )

Deus é santo! Esta verdade é apresentada em várias passagens bíblicas. Deus é santo e imutável, ou seja, quer os homens acreditem ou não, Deus é santo. Quer bendigam a santidade de Deus ou não, Ele permanecerá Santo pela eternidade.

As Escrituras também demonstram que o Santo não tem comunhão com o imundo. – “Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” ( 1Jo 1:5 ), está foi uma asserção que o evangelista João ouviu de Jesus e anunciou aos cristãos. Não há comunhão entre a Luz e as trevas, portanto, na luz não pode haver sequer uma mínima sombra!

O que faz separação entre o Santo e o imundo, entre a Luz e as trevas?

Deus disse ao povo de Israel: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” ( Is 59:2 ). O pecado é o que faz divisão entre os homens e Deus, de modo que toda a humanidade estava alienada de Deus, pois todos pecaram “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ).

Apesar de o povo de Israel pensar que havia alguma diferença entre gentios e judeus, que os judeus eram salvos por serem descendentes da carne de Abraão e o gentios não, o protesto do profeta Isaias foi direcionado aos judeus: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” ( Is 59:2 ).

Em virtude da acusação das Escrituras que pesava contra os judeus é que o apóstolo Paulo argumenta: ‘porque não há diferença’ ( Rm 3:22 ), pois tudo o que a lei diz, diz aos que receberam a lei e estavam debaixo da lei, ou seja, aos judeus. Deste modo, todo o mundo é condenável diante de Deus: judeus e gentios “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” ( Rm 3:19 -20).

Tudo o que o apóstolo Paulo escreveu contra os judeus foi segundo as Escrituras, conforme se lê: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” ( Rm 3:10 -18).

Mas, tanto judeus quanto gentios se tornaram imundos? Quando foi que isto ocorreu? Ora, toda a humanidade tornou-se imunda e alienada de Deus em um único evento: a ofensa de Adão no Éden. Quando Adão pecou, todos pecaram. Quando Adão recebeu a pena, todos foram apenados com a morte, ou seja, com a alienação de Deus “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” ( Rm 5:12 ).

Certa feita os discípulos perguntaram a Jesus: – ‘Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?’ ( Jo 9:2 ). Jesus respondeu: – “Nem ele pecou nem seus pais” ( Jo 9:3 ). Ora, com relação a cegueira, o cego nasceu cego para que as obras de Deus fossem manifestas, porém, a pergunta persiste: Quem pecou? Pois todos pecaram ( Rm 3:23 )!

Ora, há um só que pecou: Adão “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores…” ( Rm 5:19 ). Por causa da ofensa de Adão, todos se extraviaram. A ofensa de Adão trouxe maldição, morte, trevas, alienação, para todos os homens, mesmo que os homens não tenha transgredido a semelhança da transgressão de Adão “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão…” ( Rm 5:14 ).

O que o apóstolo Paulo disse com o verso acima? Que mesmo a humanidade não tendo comido do fruto do conhecimento do bem e do mal como Adão e Eva comeram lá no Éden, a morte passou a todos os seus descendentes: a humanidade, portanto, todos pecaram “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ); “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22).

Isto significa que o homem é concebido e gerado em pecado, ou seja, que desde a ofensa do homem no Éden, a humanidade separou-se de Deus ( Sl 51:5 e Sl 58:3 ). Ora, o homem é pecador em função da sua geração. A geração do homem segundo Adão é má, e todos os seus descendentes são maus. Não importa se saiba dar boas dádivas aos seus semelhantes, todos os homens nascidos segundo a semente de Adão são maus, são trevas, vasos de desonra, plantas que o pai não plantou, alienados de Deus, mortos em delitos e pecados, etc.

Agora podemos responder a pergunta: O que faz separação entre o Santo e o imundo, entre a Luz e as trevas? Como a humanidade tornou-se imunda e separada de Deus?

A resposta está no Éden! Lá todos pecaram e foram destituídos de terem comunhão com Deus. Deus é luz e a humanidade passou a condição de trevas por dar ouvidos à serpente (criatura) e não ao Criador. Lá no Éden o homem separou-se de Deus, tornou-se morte, tornou-se imundo. Foi em função de uma única ofensa que toda a humanidade (juntamente) tornou-se imunda “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:3 ).

Quando desobedeceu ao Criador, Adão não somente se vendeu ao pecado, como também vendeu toda a sua descendência e, consequentemente, todos os descendentes de Adão são escravos do pecado. O pecado como senhor assalaria os seus servos com a morte, de modo que a humanidade é refém, cativa (aguilhão) do pecado por causa da morte “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” ( 1Co 15:56 ).

A força do pecado não advém do diabo, como muitos pensam, visto que o próprio diabo está retido sob o domínio do pecado. A força do pecado decorre da lei que disse: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:16 -17).

A palavra de Deus não volta vazia! Se Ele determinou, é irrevogável! Como o homem comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, às consequências vieram: a) alienação de Deus (morte), e; b) o conhecimento do bem e do mal (como Deus).

A separação de Deus (pecado) dos que não creem persiste por causa da lei que disse: certamente morrerás. Enquanto não crerem em Cristo para se conformarem com Cristo na sua morte, não tem acesso à maravilhosa graça que se dá na ressureição com Cristo ( Fl 3:10 ).

 

Remissão

“Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado” ( Hb 10:18 )

Outro ponto das consequências do pecado esta na seguinte premissa: “A alma que pecar, esta mesma morrerᔓA alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” ( Ez 18:20 ).

O salário do pecado é a morte! Não há como o pecador não receber o seu quinhão.

Mas, Cristo Jesus deu a si mesmo para remir o homem de toda a iniquidade, purificando um povo para si “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” ( Tt 2:14 ); “Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” ( Gl 4:5 ).

Por causa do pecado da humanidade, Cristo Jesus apresentou-se como sacrifício a Deus e, através da sua carne, abriu-se um novo e vivo caminho que conduz os homens a Deus “Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” ( Hb 10:20 ).

Por ser uma exigência da justiça que a morte do pecador, quando crê em Cristo, o homem morre com Cristo, passa a ser participante da carne e do sangue de Cristo. Quando o pecador crê em Cristo, toma sobre si a sua própria cruz e segue após Cristo até o calvário, é crucificado com Cristo, morto e sepultado. Neste ato a justiça de Deus é vindicada, pois Ele é justo e a transgressão não passa da pessoa do transgressor.

Para abrir um novo e vivo caminho, Jesus morreu pelos pecadores, pois somente Ele podia remir os seus irmãos ( Hb 2:11 ). Ou seja, não é necessário aos que creem subirem em um madeiro e serem crucificados com pregos e sofrer as ignominias que Cristo sofreu na cruz.

Como é possível um homem morrer em lugar de todos os homens, se a pena jamais pode passar da pessoa do transgressor? Um homem desobedeceu, e em consequência, a geração deste homem foi destituída de Deus. Mas, Cristo Jesus foi obediente até a morte, e morte de cruz, de modo que ao ressurgir dentre os mortos a sua geração é aceita por Deus.

Quando Jesus morreu houve substituição de ato: obediência pela desobediência. Em lugar da desobediência do Éden, Jesus bradou: Está consumado! “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” ( Jo 19:30 ).

Neste brado não foi expressa a ideia que muitos divulgam de que uma dívida foi paga, antes que Cristo cumpriu cabalmente o que o Pai determinou, ou seja, consumei a obra que o Pai me deu a realizar! “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” ( Jo 17:4 ).

“Nenhum ser humano que tentasse pagar por seus próprios pecados poderia dizer finalmente, como exclamou Cristo em triunfo na Cruz: “Está consumado! A dívida foi paga”.  Mas o preço tinha que ser pago integralmente. De que outro modo os portões da justiça se abririam?” Hunt, Dave ‘O poder da ressurreição de Cristo’, The Berean Callhttp://www.chamada.com.br) – http://www.chamada.com.br/mensagens/ressurreicao_de_cristo.html Consulta realizada em 06/01/2012.

Substituição de ato foi o que ocorreu na cruz: a obediência de Cristo (último Adão) pela desobediência de Adão, pois Deus não busca sacrifício, antes a obediência “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:19 ); “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste; Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), para fazer, ó Deus, a tua vontade” ( Hb 10:5 -7 ).

Por estar em Cristo o cristão é uma nova criatura, igualmente é perfeito, pois está em Cristo, que é a cabeça de todo principado. Por estar em Cristo, o cristão lançou fora (despojou) a carne do pecado. Por estar em Cristo o cristão foi sepultado e ressurgiu ( Cl 2:10 -12).

Quando vivificado em Cristo, o cristão teve as suas ofensas perdoadas por Cristo, pois a cédula foi riscada, uma vez que não cumpríamos as ordenanças de Deus. Como Cristo veio cumprir e cumpriu plenamente a vontade de Deus, a obediência de Cristo anulou a divida das ordenanças. O que fixou na cruz as ordenanças que punha o homem em divida foi a obediência de Cristo, que nada ab-rogou da lei, não foi puro e simplesmente o seu sofrimento. O objetivo da cruz não era o sofrimento, antes a obediência plena, pois a obediência excluiu toda condenação para a nova criatura, que por estar em Cristo está morta para o pecado e para a lei.

Pois, para que o homem possa alcançar vida dentre os mortos é necessário cair na terra assim como o grão de trigo. Cristo caiu na terra e ressurgiu para a glória de Deus Pai, todos quanto creem n’Ele, também são plantados na semelhança da sua morte, para que possam ressurgir com Cristo. Neste quesito cada um deve tomar a sua própria cruz e morrer com Cristo “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” ( Jo 12:24 ).

Deus é fiel: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:11 -13).

Sobre a morte dos que creem com Cristo escreveu o apóstolo Paulo:

“Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos” ( Rm 6:3 -8).

A carne de Cristo foi oferecida em oblação e é o novo e vivo caminho pelo qual o homem vem a Deus, pois quando o homem crê, torna-se participante da carne e do sangue de Cristo, ou seja, morre com Cristo. O batismo do cristão é na morte de Cristo, e o batismo em águas é um testemunho público, símbolo da morte com Cristo.

Quando o crente morre com Cristo fica demonstrada a justiça de Deus, visto que a pena estipulada pela lei: ‘certamente morrerá’, ou ‘a alma que pecar esta morrerá’, não passa da pessoa do transgressor. O pecador, quando se arrepende, morre com Cristo e o corpo do pecado herdado em Adão é desfeito.

Após estabelecer a sua justiça dando ao pecador a morte em função do pecado, Deus elimina o vínculo do servo com seu antigo senhor, o pecado. E é neste ponto que a maravilhosa graça de Deus opera eficazmente, visto que, assim como Cristo ressurgiu dentre os mortos para a glória de Deus Pai, todos quando foram sepultados com Cristo são ressuscitados juntamente com Cristo ( Cl 3:1 ).

Enquanto o pecador é morto com Cristo, Deus é justo, mas quando é gerada uma nova criatura em Cristo, Deus é declarado justificador “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 ).

Ora, se o homem não morre, não está justificado do pecado, pois enquanto vivo para o pecado é devedor e sujeito ao pecado. Mas, quando o homem morre com Cristo, a justiça de Deus é vindicada, pois: “… aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 ).

Cristo ressurgiu dentre os mortos para a justificação dos que creem “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” ( Rm 4:25 ). Ora, como Cristo ressurgiu, todos os que creem ressurgiram à semelhança da sua ressureição, de modo que os que foram ressurretos dentre os mortos possuem uma nova vida, sendo declarados justos diante de Deus “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” ( Rm 3:24 ).

O velho homem gerado em Adão jamais seria declarado justo, portanto, pereceu ao ser crucificado com Cristo e o seu corpo foi desfeito com Cristo na cruz. Quando é gerado um novo homem através de Cristo (a semente incorruptível), tem-se uma nova criatura participante da natureza divina, que foi criada em verdadeira justiça e santidade, e que recebe de Deus a declaração de que é justa.

Quando gerado de Adão o homem é pecador, agora gerado de novo em Cristo Jesus, o homem é participante da natureza divina. Não é mais servo do pecado, escapou da corrupção que há no mundo, portanto é santo e justo “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 2Pe 1:4 ); “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” ( Rm 6:18 ).

Quando Jesus se deu a si mesmo foi para adquirir para si um povo “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” ( Tt 2:14 ). Ora, se Ele remiu o pecador tomando por seu servo, segue-se que não mais se nomeia os que creem de pecadores.

Há um contra senso na assertiva: ‘pecador remido’, pois se o homem é pecador é porque não foi remido, e se foi remido, resta que não é pecador, pois pertence a um novo senhor.

Este problema também ocorre com o termo naufrago. Quando alguém está a deriva em alto mar é nomeado ‘naufrago’, porém, quando é salvo do perigo e está a bordo de uma nova embarcação, já não faz jus ao nome ‘naufrago’, assim é aquele que crê em Cristo: era pecador, agora é remido.

A bíblia é clara: não podeis servir a dois senhores, ou seja, é impossível prestar serviço a dois senhores. Quando Cristo remiu o pecador, não deixou o remido à disposição do pecado para servi-lo. No momento em que o homem é liberto do pecado é feito servo da justiça.

Há pecadores e há remidos, jamais haverá ‘pecadores remidos’, pois onde há remissão não há mais oferta pelo pecado “Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado” ( Hb 10:18 ).

O pecador é servo do pecado, portanto, comete pecado. Ora, se o homem comete pecado pertence ao diabo, portanto não é remido “Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” ( 1Jo 3:8 ); “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado” ( Jo 8:34 ).

O que comente pecado é servo do pecado, porém, temos o apóstolo Paulo redarguindo os cristãos: tornastes-vos servos da justiça ( Rm 6:18 )

Não existe ‘pecador remido’, pois o apóstolo Paulo diz que, se os cristãos foram justificados em Cristo e ainda são pecadores, teria que admitir que Cristo é ministro do pecado. Como Cristo não é ministro do pecado, todos quanto estão n’Ele não são pecadores “Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma” ( Gl 2:17 ).

 

Deus olha através de Cristo

Em um devocional intitulado “Um detalhe milagroso”, assinado pela Pra. Clarice Ziller, temos a seguinte frase:

‘Olhe que coisa fantástica é o Sangue de Jesus: quando Deus me olha através dele, eu sou pura como aquele sumo sacerdote!’.

Spurgeon também fez alusão à ideia de que Deus vê o crente através de Cristo:

“Se bem que Ele vê pecado em ti, em ti mesmo, agora, quando Ele olha para ti através de Cristo, Ele não vê pecado” C. H. Spurgeon, Evening’s Meditation, Meditações Vespertinas. Tradução de Carlos António da Rocha. consulta realizada em 13/09/2012.

Muitos esquecem, ou não sabem, que a promessa de Deus para aquele que guardam a palavra do evangelho crendo em Cristo é se tornar morada do Altíssimo “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” ( Jo 14:23 ).

Por esquecerem, ou não saberem que o crente é o templo de Deus, adotam o pensamento equivocado de que é necessário Deus olhar através de Cristo para poder ver o crente, haja vista, considerarem que o crente, apesar de estar em Cristo, é pecador “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ).

Mas, as Escrituras é a autoridade no assunto, e ela diz: “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado” ( 1Jo 3:5). Além de Cristo ter vindo ao mundo tirar o pecado dos que creem, certo é que em Cristo não há pecado.

Se o crente admite que Jesus é o Cristo conforme as Escrituras, está em Cristo, é nova criatura, portanto não tem pecado, pois está em Cristo em quem não há pecado.

Se o crente está em Cristo, automaticamente está em Deus, que é luz e não há nele trevas nenhumas, portanto, a necessidade de Deus olhar para o crente através de Cristo é ilação de mentes carnais que não consideram que Cristo habita o crente.

Jesus é a garantia de que os que creem estão limpos diante de Deus e esta era a certeza do apóstolo Paulo “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” ( 1Co 6:11 ).

“Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” ( Jo 15:3 )

 

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Colossenses 1 – Idôneos em Cristo

Deus fez os cristãos idôneos, ou seja, Deus já os criou com capacidade plena para serem participantes da herança dos santos. Quando os cristãos creram na mensagem do evangelho, eles receberam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), e quando foram criados, foram criados em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ). Desta maneira Deus fez (criou) um novo homem (os cristãos) em Cristo. As novas criaturas (os cristãos) vieram à existência com direito pleno à herança guardada nos céus, não necessitando estar debaixo de tutores ou curadores como era próprio a lei ( Gl 4:1 -2).


O contexto do versículo 1 é de apresentação. Paulo faz uma apresentação pessoal, dele e de Timóteo.

O contexto do versículo 2 é de saudação, demonstrando Cristo nos cristão “…que é Cristo em vós, esperança da glória” ( Cl 1:27 ).

Paulo apresenta-se aos destinatários como sendo apóstolo designado por Cristo, e os saúda com graça e paz da parte de Deus e de Jesus Cristo. Na apresentação Paulo nomeia os cristãos de santos e fiéis.

 

Apresentação e Saudação

1 PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo,

Os remetentes da carta são: o apóstolo Paulo e o seu irmão em Cristo Timóteo.

O apostolado de Paulo decorre da vontade de Deus e segundo a pessoa de Cristo. Este versículo é uma pequena defesa do ministério apostólico de Paulo.

Paulo demonstra não ter se arrogado como apóstolo, antes, pela vontade de Deus, ele foi comissionado para este ministério “… e do qual eu, Paulo, estou feito ministro” ( Cl 1:23 e 25).

 

2 Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Os destinatários da carta são os ‘santos’ e ‘fiéis’ que estavam em Colossos.

Este versículo apresenta os seguintes elementos:

a) Aos santos – A carta de Paulo e Timóteo foi remetida aos cristãos de Colossos e estes são designados ‘santos’ em Cristo. Por estarem em Cristo, Paulo os chama de santos! Ao lermos textos como “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 ); “… mas sim o ser uma nova criatura” ( Gl 6:15 ); “Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem virtude alguma; mas sim a fé que opera pelo amor” ( Gl 5:6 ), percebemos que, ‘estar em Cristo’ significa ser uma nova criatura. ‘…em Cristo’ é uma maneira resumida de fazer referência à nova criatura, que é criada em verdadeira justiça e santidade “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ). Paulo continua nomeando os cristãos de ‘santos’ por toda a carta: ( Cl 1:2 ; Cl 1:4 ; Cl 1:12 ; Cl 1:22 ; Cl 1:26 e Cl 3:12 );

b) Aos fiéis – Da mesma forma, Paulo chama os cristãos de ‘fiéis’. Em Cristo é que se dá a fidelidade dos cristãos, e não à parte d’Ele. Verifica-se que ‘santidade’ e ‘fidelidade’ decorrem de Cristo, condição que se adquire no novo nascimento. Perceba que o cristão não é ‘fiel a Cristo’, e sim, ‘fiéis em Cristo’. Esta fidelidade não decorre de esforço humano para se alcançar (é proveniente do novo nascimento). Compare esta fidelidade (v. 2) com a apresentada no (v. 7);

c) Colossos – cidade ou região onde os cristãos estavam;

d) Graça e paz – graça refere-se ao favor imerecido de Deus e que somente é possível alcançar pela fé em Cristo. Por intermédio de Cristo o homem passa a ter paz com Deus, visto que, sem Cristo o homem é inimigo de Deus “Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho” ( Rm 5:10 ).

 

 

Agradecimentos a Deus

3 Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós,

O apóstolo agradece e ora pelos cristãos. São duas ações distintas.

Estas duas ações, agradecer e orar, são provenientes de elementos distintos, como veremos a seguir.

4 Porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com todos os santos;

Paulo agradecia a Deus continuadamente após tomar conhecimento da fé dos cristãos. Paulo e Timóteo ouviram acerca da fé e do amor que os cristãos de Colossos nutriam por todos os santos.

Não há como deixar de agradecer a Deus, diante de tão maravilhosa graça: mais irmãos sendo conduzidos à gloria por Cristo.

O amor dos irmãos era demonstrado no Espírito (v. 8), como assevera o apóstolo João “…e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou” ( 1Jo 3:23 ).

 

5 Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho,

O agradecimento de Paulo a Deus é por causa da esperança reservada nos céus aos que creem.

A esperança dos cristãos esta reservada nos céus, e os cristãos já haviam tomado ciência do que estava reservado, através da palavra da verdade do evangelho que haviam ouvido anteriormente ( Cl 1:23 e 27).

6 Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade.

A verdade do evangelho, além de ter chegado aos cristãos de Colossos, também estava se disseminado por todo o mundo conhecido à época. O mundo que o apóstolo Paulo refere-se diz das regiões da Europa, Ásia e África, ou seja, conforme o conhecimento geográfico da época.

O evangelho apresentava os seus frutos em todo o mundo, da mesma forma que estava apresentando frutos entre os de Colossenses.

Quando os cristãos ouviram o evangelho e creram, eles conheceram a graça de Deus em verdade. Passaram a conhecer a Deus, ou antes, foram conhecido Dele.

7 Como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo,

Os cristãos de colossos aprenderam o evangelho de Epafras, que segundo Paulo era conservo e fiel ministro de Cristo.

Com esta declaração, Paulo demonstra que Epafras e ele desfrutavam de igual condição: Paulo, Timóteo e Epafras eram servos de Cristo.

Os cristãos de Colossenses deveriam ter em Epafras um fiel ministro de Cristo.

Há uma diferença muito grande entre ser ‘fiel em Cristo’ e ser ‘um fiel ministro de Cristo’. A condição de fiel somente é possível para o homem que esta em Cristo ( Cl 1:2 ). Com relação ao ministério, a fidelidade diz de uma qualidade própria de Epafras, ou seja, ele era fiel em Cristo, e desenvolvia o seu ministério com fidelidade.

Da mesma forma que Paulo desempenhou o seu ministério entre os gentios com empenho, Epafras também era fiel em seu ministério. A fidelidade a Deus é por meio da união com Cristo.

 

8 O qual nos declarou também o vosso amor no Espírito.

Paulo demonstra que tomou conhecimento do amor dos cristãos através do amado conservo Epafras.

O amor dos colossenses era no Espírito, ou seja, em Deus.

Para uma melhor compreensão das cartas paulinas é necessário observar o seguinte: o apóstolo Paulo agradece a Deus por aquilo que os cristãos já receberam, e quando ele ora pelos cristãos é solicitando a Deus por algo que eles ainda não haviam recebido.

Esta característica repete-se na carta aos Filipenses, Efésios, Tessalonicenses, etc:

“…não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações…” ( Ef 1:16 );

“Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós (…) E esta é a minha oração: que o vosso amor aumente…” ( Fl 1:2 -11);

“Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações” ( 1Ts 1:2 ).

Quando Paulo agradece a Deus, geralmente agradece por elementos pertinentes à esperança proposta em Cristo, tais como: regeneração, justificação, santificação, eleição, predestinação, etc “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz…” ( Cl 1:12 ).

Mas, quando Paulo ora pelos cristãos, é em razão de elementos que eles ainda não haviam alcançado. Observando esta e outras cartas, verifica-se que os pedidos de Paulo em oração a Deus geralmente refere-se a conhecimento ( Cl 1:9 ; Ef 1:17 ; Fl 1:9 ).

 

 

Pedidos em Oração

9 Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual;

Epafras anunciou a Paulo e Timóteo o ‘amor no Espírito’ dos cristãos em Colossos ( Cl 1:4 ), o que motivou Paulo a orar continuadamente em favor deles.

Paulo não cessou de orar a Deus desde que recebeu notícias acerca dos cristãos, o que demonstra a preocupação do apóstolo por causa do que ainda lhes faltava.

Na oração o apóstolo pede a Deus que eles fossem cheios do conhecimento da vontade divina em toda sabedoria e inteligência espiritual (v. 9).

Por que Paulo orou para que eles fossem cheios do conhecimento da vontade de Deus? Qual o objetivo de eles obterem este conhecimento? Por que a sabedoria e a inteligência devem ser espirituais?

Estar cheios do conhecimento da vontade de Deus daria as condições necessárias para que os cristãos pudessem:

a) andar dignamente diante do Senhor;

b) agradar a Deus em tudo;

c) para frutificarem em toda a boa obra, e;

d) crescer no conhecimento de Deus.

Estes eram os objetivos pelos quais Paulo orava a Deus, e que os cristãos precisavam alcançar.

Só é possível conhecer a vontade de Deus se o homem tiver sabedoria e inteligência espiritual. Por que Paulo emprega o adjetivo ‘espiritual’ à sabedoria e a inteligência? Para diferenciar a sabedoria e a inteligência proveniente do evangelho do conhecimento e da sabedoria secular.

É possível verificar esta maneira de Paulo tratar das coisas concernentes ao evangelho quando lemos ( 1Co 2:1 -16).

Paulo evangelizava certo de que estava anunciando poder de Deus para os que crerem, o que não era feito com base em conhecimento humano “…não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria (…) a minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana (…) Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens… ” ( 1Co 2:1 -5), mas com sabedoria e inteligência espirituais, segundo o que o Espírito Santo lhe ensinava ( 1Co 2:13 ).

Paulo classifica a inteligência e a sabedoria como sendo espirituais para diferenciar da sabedoria humana.

“… e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou ( Cl 3:10 ); compare com:

“ … que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual ( Cl 1:9 ); compare com:

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e prefeita vontade de Deus ( Rm 12:2 ).

Renovar, transformar, ser cheio do conhecimento refere-se aos mesmos elementos, visto que, o objetivo é vestir o novo homem do que lhe é pertinente. O novo homem precisa experimentar a boa, agradável e prefeita vontade de Deus, e que pode andar dignamente diante de Deus, agradando-lhe em tudo.

 

10 Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;

Estes elementos são novamente apresentados em ( Cl 3:8 -11), e melhor explicado.

Este versículo trata das questões comportamentais pertinentes aos novos cristãos. Os cristãos foram criados em Cristo idôneos para participar da herança dos santos, porém, deveriam moldar o comportamento. Precisavam andar como filhos da Luz, uma vez que já eram filhos da Luz ( Ef 5:8 ).

Desde que ouviu de Epafras que havia cristãos em colossos, Paulo passou a agradecer a Deus por eles também serem participantes da esperança reservada nos céus. Porém, o apóstolo passa a orar para que eles adquirissem uma nova maneira de viver, ou seja, que andassem dignamente diante do Senhor “Assim como bem sabeis de que modo vos exortamos e consolamos, a cada um de vós, como o pai a filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” ( 1Ts 2:11 -12; Cl 1:10 ); “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo…” ( Fl 1:27 ).

A preocupação de Paulo era para que eles agradassem a Deus em tudo, e que frutificassem em toda a boa obra. O escritor aos hebreus expõe esta mesma idéia em uma única frase: “Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Jesus Cristo…” ( Hb 13:21 ).

Através do conhecimento da vontade de Deus os cristãos andariam por modo digno do evangelho, agradando a Deus e frutificando em toda a boa obra ( Ef 2:10 ), e cresceriam no conhecimento de Deus.

Observe que o crescimento do cristão ocorre no conhecimento, uma vez que já alcançou a maioridade em Cristo: já é participante da herança dos santos na luz.

 

11 Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo;

Para atingir o que foi exposto no versículo anterior, os cristãos deviam contar com ‘toda a fortaleza’ por parte de Deus. A fortaleza é segundo a força da glória de Deus. Somado à força divina, ele podiam contar com a paciência e longanimidade de Deus. Deus é longânime e paciente com aqueles que foram recebidos por filhos.

O que lhes falta é chegar à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo.

Deus criou o homem com capacidade de aprender e compreender, e através destas faculdades Deus que lhes preencher do seu conhecimento. Sendo Deus paciente e longânime, o cristão deve andar dignamente perante Ele, pois tem toda a fortaleza segundo a força da sua glória.

Na carta aos cristãos em Éfeso, o apóstolo também faz referência ao poder de Deus: “E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder” ( Ef 1:19 ).

 

 

Bendizendo por Bênçãos Eternas

12 Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;

Paulo deixa de falar na primeira pessoa do singular “Graças damos (Paulo e Timóteo) a Deus…” ( Cl 1:3 -11), e passa a falar na primeira pessoa do plural: “Dando graças ao pai que nos (Paulo e os cristãos) fez idôneos…” ( Cl 1:12 -14).

Esta é uma das regras essenciais na interpretação de cartas: é preciso atenção para identificar quando o escritor da carta isola-se da ação que estava descrevendo.

Quando Paulo diz: “Damos graças a Deus”, ele esta demonstrando que ele e Timóteo agradeciam a Deus, e nesta ação os cristãos não estão inclusos. Nesta carta, o apóstolo apresenta as suas ações e a de Timóteo do verso três ao onze.

Do versículo doze em diante, Paulo passa a descrever a ação de Deus que contemplo a todos os cristãos. Paulo inclui na narrativa os cristãos, Timóteo e ele mesmo ( Cl 1:12 -14). Paulo demonstra o que Deus concedeu a ele e a todos os irmãos em Cristo.

Deus fez os cristãos idôneos, ou seja, Deus já os criou com capacidade plena para serem participantes da herança dos santos. Quando os cristãos creram na mensagem do evangelho, eles receberam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), e quando foram criados, foram criados em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ). Desta maneira Deus fez (criou) um novo homem (os cristãos) em Cristo.

As novas criaturas (os cristãos) vieram à existência com direito pleno à herança guardada nos céus, não necessitando estar debaixo de tutores ou curadores como era próprio a lei ( Gl 4:1 -2).

Participar da herança dos santos na luz, é uma das maneiras de se falar em Deus. Como filhos da Luz, os cristãos passaram a ser herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo ( Ef 5:8 ). Sendo filhos de Deus, os cristãos passaram a ter herança em Deus, ou seja, na Luz.

A condição de ‘santos’ decorre da nova natureza adquirida na regeneração. Os cristãos, por crerem em Cristo, receberam poder de Deus para serem feitos filhos, nascidos de semente incorruptível. Por serem novas criaturas em Cristo e participantes da natureza divina ( 2Pe 1:4 ), pois receberam a plenitude em Cristo ( Cl 2:10 ), são os eleitos de Deus: santos e irrepreensíveis.

 

13 O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor;

Deus tirou Paulo, Timóteo e todos os cristãos, ou seja, o próprio Deus resgatou todos os que creram do domínio das trevas e transportou-os para o reino de seu Filho. Paulo designa Jesus como Filho do seu ‘amor’.

O que ocorreu com os cristãos também ocorreu com o apóstolo: todos foram resgatados do poder das trevas e transportados para o reino de Cristo. A única diferença entre Paulo e os cristãos esta no serviço que ele desempenhava: ministério apostólico ( Cl 1:25 ).

Este ministério difere da idéia de ‘ministério apostólico’ que hoje em dia se divulga, e que muitos se auto-comissionam e intitulam.

 

14 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados;

Através do ‘Filho do amor de Deus’ é que os cristãos obtiveram a redenção por meio do seu sangue.

Paulo acrescenta uma explicação, demonstrando que a obra da redenção é completa: os cristãos foram comprados por um alto preço, e postos em liberdade.

Em cartas direcionadas as igrejas que Paulo visitou não encontramos ressalvas conforme as apresentadas nesta carta. Nesta carta Paulo apresenta duas ressalvas explicativas sobre a idéia apresentada. Com relação a linguagem empregada, podemos dizer que a necessidade de ressalvas é quase dispensável, mesmo quando o evangelho foi anunciado por outra pessoa (Epafras), como é o caso da igreja de colossos.

Por que se fez necessário Paulo dizer que a redenção pelo sangue de Cristo é remissão dos pecados? Porque ele fez referência a atos que a lei mosaica regulava. Esta ‘transação’ refere-se à retomada do direito de posse de bens perdidos pelas famílias hebraicas.

A redenção é ato de parente capaz, que efetuaria tudo o que fosse exigido pelo credor. A redenção do parente era de pessoas e herança, ou fazer as vezes de marido quando um parente morresse sem deixar descendente ( Lv 25:25 -49 ; Rt 3:12 -13).

Quando o cristão crê em Cristo, e passa a ser participante da carne e do sangue de Cristo, torna-se um dos descendentes de Abraão por intermédio do corpo de Cristo, e ao mesmo tempo adquire a filiação divina, sendo um dos filhos de Abraão por intermédio da fé.

Aquilo que alguns dos judeus disseram a Cristo, somente os cristãos podem dizer: “Somos descendentes de Abraão, e jamais fomos escravos de ninguém” ( Jo 8:31 ). Através do Descendente, que é Cristo, os homens que creem passam à condição de descendentes do pai Abraão, pois se tornaram participante da carne e do sangue do Descendente.

De igual modo, por meio da fé, o crente adquire a filiação divina ao ressurgir com Cristo dentre os mortos, tornando-se filhos de Abraão (filhos de Deus). O novo homem criado em Cristo, este sim, nunca foi escravo de ninguém. São de fato filhos de Deus!

Quando Paulo faz referência à redenção, não o faz em relação a bens materiais, mas a bens futuros, demonstrando que os cristãos foram adquiridos e libertos do poder do pecado.

 

15 O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

O contexto da carta muda deste versículo até o versículo vinte.

O apóstolo introduz nestes seis versículo um aposto explicativo semelhante ao da carta aos Hebreus, demonstrando quem é o Filho do amor de Deus – Jesus.

Jesus é a imagem do Deus invisível – O Deus que habita em luz inacessível aos olhos dos homens revelou-se através da pessoa de seu Filho. Sobre esta verdade o apóstolo João testemunhou: “E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” ( Jo 1:14 ; 2Co 4:3 -4; Hb 1:3 ).

Jesus, o primogênito de toda a criação – Para entender este versículo, deve-se verificar o que Paulo diz acerca de Adão, o primeiro homem: “…Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ). Através deste versículo, somos informados que Cristo é ‘aquele que havia de vir’, e que Adão foi criado segundo a imagem de Cristo. Antes mesmo de haver mundo, Cristo é o cordeiro de Deus! Desta forma, segue-se que: “O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o ultimo Adão em Espírito vivificante” ( 1Co 15:45 ); “O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu” ( 1Co 15:47 ). Sendo que, se Adão era a imagem de Cristo (daquele que havia de vir), conclui-se que Cristo é o primogênito de toda a criação.

Cristo é o primeiro gerado (primogênito) de toda a criação de Deus. Todos os outros seres do universo (anjos, arcanjos, querubins, serafins, homens, etc) foram criados por Deus. Cristo difere de todas as criaturas por ser o primeiro gerado de Deus.

Enquanto Adão foi criado alma vivente, Jesus foi gerado espírito vivificante “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu” ( 1Co 15:45 -47).

Alguns questionam a passagem de Gênesis, onde está registrado que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, e alegam que, sendo Deus Espírito, qual a imagem de Deus que foi concedida a Adão?. A resposta torna-se evidente por meio da leitura deste versículo: Adão foi criado a imagem do Cristo de Deus ( Rm 5:14 ).

 

16 Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele.

Em Cristo, o Senhor, foram criadas todas as coisas que há no céu e na terra. Desde tronos, dominações, principados, potestades, as coisas visíveis e as invisíveis I Co 15: 47.

O Sl 102:25 -27 fazem referência a Cristo, o criador de todas as coisas ( Hb 1:10 -11).

17 E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.

Paulo faz referência à divindade de Cristo da mesma forma que o escritor aos Hebreus: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder…” ( Hb 1:3 ).

 

A Pessoa de Cristo

18 E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.

Ao falar da autoridade de Cristo sobre a igreja, Paulo utiliza uma figura de linguagem: ‘cabeça do corpo, a igreja’.

Jesus como princípio é apresentado no versículo 17. Neste versículo Jesus é o princípio, visto que Ele inaugurou a nova criação de Deus, sendo Ele mesmo o primogênito dentre os mortos. ‘Em Cristo’ Deus faz nova todas as coisas.

Desta maneira, em tudo Cristo é preeminente. Adão era a figura daquele que havia de vir – e Jesus veio em carne, segundo a linhagem de Davi, mas foi declarado Filho de Deus em poder através da ressurreição dentre os mortos. Observe o a alerta: “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e , ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já o não conhecemos deste modo” ( 2Co 5:16 ).

Pela ressurreição dentre os mortos Jesus passou a ser o primogênito dentre os mortos: Adão era figura daquele que havia de vir, e Cristo é o último Adão. Espírito vivificante que dá vida a todos que nele crêem. Desta forma, Ele é o último Adão, e por meio dele todos que creem são feitos (criados) nova criatura: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 ).

Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo ( 2Co 5:19 ).

 

19 Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse,

Através deste versículo conseguimos identificar o propósito principal da divindade: toda plenitude da divindade habitando corporalmente no último Adão, para que ele participasse da carne e do sangue dos homens ( Hb 2:14 ).

Deste propósito decorre a salvação dos homens, onde os que creem passam a ser participantes da carne e do sangue de Cristo, sendo criados filhos de Deus, participantes da natureza divina ( 2Pe 1:4 ), da mesma forma que Cristo participou da natureza humana ( Hb 2:17 ).

 

20 E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.

Por meio do sangue de Cristo, Deus estabeleceu a paz, reconciliando consigo mesmo todas as coisas.

Deus reconciliou gentios e judeus, e reconciliou os homens com sigo mesmo, destruindo a inimizade estabelecida no pecado, que teve origem na queda da humanidade em Adão ( Ef 2:16 ).

 

O contexto agora é de conscientização, onde Paulo descreve os eventos que ocorreram na vida daqueles que aceitaram a graça do evangelho. Paulo não se inclui na explanação.

 

21 A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou

Geralmente quando o apóstolo Paulo conscientiza os cristãos, ele não se inclui na narrativa. Compare:

“É também nele que vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação” ( Ef 1:13 );

“A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora vos reconciliou…” ( Cl 1:21 ).

A inimizade dos homens para com Deus sempre esteve no entendimento, visto que, por meio de Cristo, todos os homens têm livre acesso a Deus.

“Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho…” ( 2Co 4:3 -4);

“Entenebrecidos no entendimento separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” ( Ef 4:18 );

“…antes o seu entendimento e consciência estão contaminados” ( Tt 1:15 ; 2Pd 1:3 ).

As obras más é que embotam o entendimento dos homens, visto que Deus nunca declarou ser inimigo dos homens. Deus sempre amou os pecadores e entregou o seu Filho em regate dos perdidos, demonstrando que ele não tem em conta as obras más dos homens.

O homem, por ignorar que Deus sempre esteve com as mãos estendidas para salvar, acaba por considerar que Deus lhe é inimigo, visto que as suas obras são más.

Jesus falou deste entrave a Nicodemos: “Todo aquele que pratica o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas” ( Jo 3:20 ). Segue-se que, aparte de Cristo, ninguém tem acesso a Deus. Como ir a Luz? Pela prática de boas ações? Não! O homem se achega a Deus por intermédio de Cristo. Mas, Deus prova o seu amor ao conceder Cristo quando ainda éramos pecadores.

Quando se compreende que Deus ama o mais vil pecador, e que Cristo por ele se entregou, ai sim, o pecador vai até Deus confiante que as suas obras más não são levadas em conta, e sim, o seu amor, que cobre multidão de pecados.

Ao abandonar a ignorância, ou a cegueira espiritual, claramente se vê que as boas obras somente são possíveis quando o homem esta em Deus, pois elas são produzidas em Deus ( Jo 3:21 ). Claramente se vê que é impossível ao velho homem proceder dignamente perante Deus.

No passado os cristãos eram inimigos de Deus, estranhos à aliança, sem Deus no mundo ( Ef 2:12 ), mas agora…

 

22 No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis,

…os cristãos foram reconciliados com Deus no corpo da carne de Cristo, e através de sua morte.

A reconciliação com Deus não se deu em seu corpo glorioso, antes no corpo da carne. Esta verdade pode ser verificada ao lermos “Em verdade, em verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vos mesmo” ( Jo 6:53 ).

Só através do corpo de Cristo é que se abre o novo e vivo caminho para que o homem tenha acesso a Deus “Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” ( Hb 10:20 ).

Pela morte com Cristo o homem carnal é desfeito (morre com Cristo), e surge (é criado) o novo homem, que é designado espiritual, em contra ponto ao carnal, que perante Deus é santo e irrepreensível. Por meio da morte foi riscado o escrito de dívida que pesava sobre o homem, pois em Cristo é criado um novo homem em verdadeira justiça e santidade ( Cl 2:14 ).

O objetivo de Cristo ao entregar-se em prol do pecador foi para apresentar diante de Deus homens santos, irrepreensíveis e inculpáveis, ou seja, conduzir à glória filhos a Deus.

É por causa desta verdade do evangelho que Paulo nomeia os cristãos de santos e fiéis em Cristo.

 

 

23 Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.

Todas as benesses apresentadas por Paulo até aqui, tais como: idoneidade, herança, reino, redenção, amizade, santidade, irrepreensibilidade e inculpabilidade pertencem aos cristãos.

O único obstáculo do cristão é ele mesmo. Deus é fiel e todas as bênçãos concedidas têm em Cristo o sim. Resta ao crente permanecer fundado e firme na fé.

Fundados, estruturados, base sólida, sem demover-se na fé. O evangelho foi anunciado aos cristãos quando eles eram ainda pecadores, ou seja, eles ouviram acerca da esperança proposta. Por ouvir vem a fé, e da fé os cristãos não podiam demover “…tenhamos forte consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta” ( Hb 6:18 ).

É sobre este aspecto que Tiago diz da obra da fé: “Ora, a perseverança deve terminar a sua obra…”, ou seja, sendo a perseverança produto da fé posta em prova, a perseverança conclui a obra da fé ( Tg 1:3 -4).

O remetente da carta novamente se identifica e demonstra a sua atribuição no evangelho.

 

24 Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja;

Paulo estava alegre no que ele padecia pelos cristãos. O sofrimento de Paulo não era causa de tristeza, pois ele mesmo se propôs sofrer em prol do evangelho.

“Na minha carne” refere-se ao corpo físico de Paulo, o que remete ao sofrimento de Cristo quando na carne. Paulo não utiliza o termo ‘corpo’ com relação a sua estrutura física, mas o termo carne, para demonstrar que ele também faz parte do corpo de Cristo, a igreja.

Devemos prestar muita atenção no contexto para ser possível definir o significado da palavra carne. Carne pode referir-se ao ‘corpo físico’, a ‘herança genealógica’, ou a ‘natureza herdada de Adão’.

“Para ver se de alguma maneira posso incitar à emulação os da minha carne e salvar alguns deles” ( Rm 11:14 ) – Paulo refere-se aos hebreus.

“E não rejeitastes, nem desprezastes isso que era uma tentação na minha carne, antes me recebestes como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo” ( Gl 4:14 ) – Paulo refere-se ao seu corpo físico.

“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” ( Rm 7:18 ) – Paulo refere-se a natureza herdada de Adão.

 

25 Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus;

O contexto muda novamente: Paulo faz uma retrospectiva na escrita da carta para apresentar um panorama completo de tudo que ele escreveu até o presente versículo.

Paulo reafirma a sua condição de ministro da igreja de Deus ( Cl 1:1 ; Cl 1:23 e Cl 1:25 ). O ministério de Paulo foi concedido, não para proveito próprio, antes para cumprir a palavra de Deus e em prol dos cristãos.

 

26 O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos;

O mistério de Deus é Cristo, que foi revelado aos seus santos, conforme ele descreveu anteriormente ( Cl 1:15 -20).

O mistério revelado demonstra Cristo nos cristãos, dando-lhes acesso à glória de Deus.

 

27 Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória;

Deus quis revelar o mistério que dantes estava oculto entre os gentios, e não aos judeus – Cristo, a esperança da glória. Cristo em seus santos é esperança da glória.

“Em Cristo” e “Cristo em vós” refere-se a mesma condição: nova criatura!

 

28 A quem anunciamos, admoestando a todo o homem, e ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo o homem perfeito em Jesus Cristo;

O evangelho era anunciado pelos apóstolos com o objetivo de apresentar aqueles que cressem perfeitos em Cristo. Todos os que crêem em Jesus conforme diz as escrituras, estes são perfeitos diante de Deus.

Paulo exorta e ensina a todos com sabedoria consciente da responsabilidade imposta ( 1Co 9:16 ).

 

29 E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente.

O trabalho de Paulo consistia em apresentar a Deus homens perfeitos em Cristo. Ele demonstra que o seu trabalho e a sua batalha é segundo a eficácia de Deus, que nele operava poderosamente.

O que Paulo proclamou aos cristãos acerca da força e fortaleza de Deus ( Cl 1:11 ), ele demonstra que esta mesma força e poder operava por meio dele eficazmente.

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Deus é justo e justificador

É assente entre alguns teólogos que Deus declara o homem ‘como se fosse’ justo por meio da fé em Cristo, ou seja, estabeleceram uma ressalva. Para alguns, e dentre eles destacamos o Dr. Scofield, ‘Deus declara o pecador como sendo justo’, ou seja, ele afirma que Deus ‘não torna o homem justo’.


A palavra ‘justificação’ (Dikaiosis) quando empregada pelo apóstolo Paulo refere-se ao que é verdadeiro, da mesma forma que o salmista Davi utiliza a palavra ‘justificação’ (hitsdik) para fazer referência a Deus porque Ele é verdadeiramente Justo.

O apóstolo Paulo utiliza uma palavra grega que tem o mesmo sentido da palavra hebraica ‘justificação’ para fazer referência aos cristãos porque eles são verdadeiramente justos “…de modo que és justificado quando falas…” ( Rm 3:4 ; Sl 51:4 ). Os que creem são de novo criados em uma condição nova e específica: em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Os termos usados no Novo Testamento para justificação, no grego, são: Dikaios (justo); Dikaiosis (justificação, defesa, reclamação de um direito), e; Dikaioo (ter ou reconhecer como justo). No Velho Testamento o termo é hitsdik, que significa declarar judicialmente que alguém está em conformidade com a lei ( Ex 23:7 ; Dt 25:1 ; Pv 17:15 ; Is 5:23 ).

Quando Deus declara que o homem é justo, ou seja, justifica, declara o que é verdadeiro, pois Deus não pode mentir.

Por que a afirmação acima? Porque é assente entre alguns teólogos que Deus declara o homem ‘como se fosse’ justo por meio da fé em Cristo, ou seja, faz uma ressalva. Para alguns, e dentre eles destacamos o Dr. Scofield, ‘Deus declara o pecador como sendo justo’, ou seja, ele afirma categoricamente que Deus ‘não torna o homem justo’.

“O pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa…” Bíblia de Scofield com Referências, Rm 3:28 , pág. 1147.

Ora, Deus jamais declararia que o homem é justo, sendo que efetivamente não está na condição de justo. É inconcebível Deus declarar e tratar como justo aquele que Ele não torna justo. Como Deus poderia reconhecer algo que não é como se fosse?

Sabemos que Deus tem poder de chamar a existência as coisas que não são como se elas já fossem ( Rm 4:16 ), porém, jamais declararia como sendo justo o pecador “De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio( Ex 23:7 ).

Se Deus não justifica o ímpio, como é possível que o pecador seja declarado justo?

Bem afirmou o apóstolo Paulo, que ‘o justificado do pecado está morto’ ( Rm 6:2 -7). Se a primeira proposição é verdadeira, a segunda também o é, visto que a segunda depende da primeira.

Desta forma a palavra ‘justificado’ traduz uma ideia verdadeira, visto que, todos que creram morreram com Cristo.

Quando o apóstolo Paulo utiliza a palavra ‘justificação’, tem em mente algo que é verdadeiro, ou seja, aquele que está morto está plenamente justificado do pecado!

Se o velho homem foi crucificado com Cristo, quem é justificado (declarado justo) por Deus?

Sabemos que Cristo foi entregue por causa dos pecados da humanidade, e que, quando creem n’Ele, morrem e são sepultados.

Sabemos que Jesus ressurgiu dentre os mortos, e, que, com Ele os que creram ressurgiram “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus” ( Cl 3:1 ).

A ‘justificação’ (declaração de justo) recai sobre o novo homem que ressurge com Cristo dentre os mortos. Somente a nova criatura é declarada justa perante Deus, pois foi de novo criada em verdadeira justiça e santidade.

O pecador jamais será declarado justo, pois o velho homem, que é o pecador, será crucificado com Cristo “Pois sabemos isto, que o nosso velho homem foi com ele crucificado…” ( Rm 6:6 ). O pecador nunca será justificado perante Deus, antes morre através da cruz de Cristo.

O pecador que aceita o sacrifício de Cristo por meio da fé (evangelho) morre juntamente com Ele, e quando ressurge, ressurge uma nova criatura (criada) segundo Deus em verdadeira justiça e santidade. Este novo homem é declarado justo diante de Deus.

As palavras traduzidas por ‘justificar’ e ‘justificação’ significa ‘tornar justo’, ‘fazer justo’, ‘declarar justo’, ‘declarar reto’ ou ‘declarar livre de culpa e de merecimento de castigo’. Quando Deus cria o novo homem em verdadeira justiça e santidade, executa todas as ações descritas nos verbos acima.

Somente aquele que é criado justo pode receber esta declaração da parte de Deus, ou seja, só o novo homem, criado segundo Deus pode receber de Deus a declaração: este é justo.

“E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade…” ( Ef 4:24 ).

O novo homem criado por Deus, por meio de Cristo Jesus, ou seja, que ressurgiu dentre os mortos, é criado em verdadeira justiça e santidade, portanto, quando Deus o declara justo, fala do que é verdadeiro, de uma condição plena e efetiva hoje.

“Ele foi entregue por nossos pecados, e ressuscitou para a nossa justificação” ( Rm 4:25 )

“… porque aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 )

Ao observar estes dois versículos, percebe-se que Jesus foi entregue por causa do pecado dos pecadores (se a humanidade não houvesse pecado, não haveria a necessidade de Cristo morrer), e ao morrerem com Ele, cumpre-se a justiça de Deus, visto que o pecador recebe o que está determinado pela justiça de Deus: a morte.

Em seguida, aquele que está morto é gerado de Deus e ressurge para a glória de Deus Pai, uma vez que, os que creem ressurgem com Cristo. Desta forma é justificado, ou declarado justo, pois para esse fim Cristo ressurgiu dentre os mortos: ‘ressurgiu para a nossa justificação’ ( Rm 4:25 ).

Se alguém não aceitar a argumentação de que os cristãos são de fato justos, deve concluir também que Cristo não ressurgiu. Se Cristo ressurgiu, é fato que os cristãos ressurgiram com Ele, e são declarados justos.

Quando o velho homem morre com Cristo, Deus é justo. Quando Deus cria o novo homem Ele é justificador. Sem contradição alguma: Ele é justo e justificador.

A bíblia diz que todos quantos creem em Jesus recebem poder para serem feitos (criados), filhos de Deus. O velho homem foi crucificado, morto, sepultado e dentre os mortos ressurge um novo homem. Este novo homem é declarado justo.

Paulo expressou que ‘aquele que está morto para o pecado é justo diante de Deus’ porque a condição de morto para o pecado é o mesmo que estar ‘vivo’ para Deus. Aquele que é criado de novo por meio do evangelho, que é poder de Deus para todo aquele que crê, é justificado (declarado justo), pois é uma nova criatura criada em verdadeira justiça e santidade.

Pois isso mesmo Paulo declara: “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” ( Rm 4:25 ).

O homem que é declarado justo diante de Deus não é aquele que morreu, antes o que ressurgiu dentre os mortos, ou seja, a nova criatura gerada de novo em Cristo.

Quando o apóstolo Paulo fala que aquele que está morto está justificado do pecado, tem em mente a ideia do versículo seguinte: “Pois é Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós” ( Rm 8:34 ).

Quem está morto para o pecado, (ou antes) aquele que ressurgiu com Cristo foi justificado, ou seja, declarado justo perante Deus.

Alguns pensam que a declaração de justiça por parte de Deus há de se efetivar no futuro, e que, no presente, o homem só possui uma declaração do que posteriormente se dará. Não é assim a justificação.

“A justificação é uma declaração de Deus a respeito da condição da nova criatura perante Ele”

Todos quantos crerem recebem poder para serem feitos filhos de Deus, filhos nascidos não da vontade da carne, nem da vontade do varão ou do sangue. Estes são nascidos do Espírito, criados segundo Deus em verdadeira Justiça e Santidade ( Jo 1:12 -13).

Visto que, somente aqueles que nascem em justiça e santidade são verdadeiros, são declarados justos diante de Deus ( Ef 4:24 ). Deus é justificador daqueles que creem em Cristo.

O salmista só podia reconhecer os seus erros como forma de declarar a justiça de Deus. Qualquer homem não pode ir além do que fez o salmista.

Deus, porém, antes de declarar o homem justo faz algo extraordinário: a pena predeterminada é aplicada sobre os culpados (morte), gera uma nova criatura por meio do seu poder (o evangelho), e declara o novo homem justo diante d’Ele.

Através da justificação a multiforme sabedoria de Deus torna-se conhecida entre os principados e potestades!

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