As bestas do campo nas visões de Daniel

Após os três primeiros animais: leão (babilônia), urso (medo/persa) e leopardo (grego), Daniel viu um quarto animal terrível que será substituído pelo reino de Cristo, portanto, este animal não se refere a Roma.

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A meretriz assentada sobre muitas águas

A mulher vestida de sol fugirá para o deserto. A ordem para os filhos de Israel no período descrito como grande tribulação é para que fujam da cidade para os montes, porque na cidade haverá grande mortandade “E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo”( Zc 14:5 ; Mt 24:16 -22). A grande cidade ficará sob a mercê da besta, que com dez reis a queimará a fogo, deixando-a ‘viúva’: desolada (sem habitantes) e nua (envergonhada).


 

                Apocalipse 17, versos 1 à 18

1  E VEIO um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas; 2  Com a qual se prostituíram os reis da terra; e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição. 3  E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres. 4  E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição; 5  E na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra.

 

Introdução

O objetivo da visão do capítulo 17 é apresentar como será a punição da ‘grande cidade’ que reina sobre os reis da terra. O grande desafio para o leitor é descobrir a identidade da ‘grande cidade’ que está fadada à destruição “E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra” ( Ap 17:18 ).

A ‘grande cidade’ foi condenada e será punida e não haverá quem a livre da ira de Deus “Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta…” (v. 1); “Portanto, num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga” ( Ap 18:8 ).

Entender o motivo pelo qual Deus condenará a ‘grande cidade’ nos permitirá identifica-la e entender o motivo pelo qual ela é vista como uma meretriz vestida de púrpura e de escarlata ( Ap 17:16 ).

 

A mulher vestida de sol

Iniciamos no artigo “A mulher e o dragão” a análise das figuras do livro do Apocalipse através da figura da mulher vestida de sol e com a lua debaixo dos pés e que estava com uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça < http://www.estudobiblico.org/novo-testamento/o-evangelho/hebreus-e-apocalipse/apocalipse/758-a-mulher-e-o-dragao >. Demonstramos que a lua debaixo dos pés da mulher simboliza a promessa de Deus feita aos pais: Abraão, Isaque e Jacó. A lua significa que a nação de Israel se sustém na promessa imutável de Deus “Assim diz o SENHOR, que dá o sol para luz do dia, e as ordenanças da lua e das estrelas para luz da noite, que agita o mar, bramando as suas ondas; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas ordenanças de diante de mim, diz o SENHOR, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre” ( Jr 31:35 -36; Jr 33:25 -26); “Não quebrarei a minha aliança, não alterarei o que saiu dos meus lábios. Uma vez jurei pela minha santidade que não mentirei a Davi. A sua semente durará para sempre, e o seu trono, como o sol diante de mim. Será estabelecido para sempre como a lua e como uma testemunha fiel no céu. (Selá.)” ( Sl 89:34 -37; Dt 9:5 ; Lv 26:44 -45).

A mulher vestida de sol diz da nação de Israel, pois como nação escolhida para trazer o Cristo ao mundo sofreu dores ( Ap 12:2 ). A vestimenta simboliza a justiça de Deus manifesta a todos os povos por intermédio de Cristo, o descendente prometido a Abraão ( Lc 1:78 -79).

Cristo é o sol da justiça, pois o seu esplendor alcançou os que habitavam as regiões das trevas. O sol não faz acepção de pessoas, de modo que Cristo é luz para todos os povos “LEVANTA-TE, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do SENHOR vai nascendo sobre ti; Porque eis que as trevas cobriram a terra, e a escuridão os povos; mas sobre ti o SENHOR virá surgindo, e a sua glória se verá sobre ti. E os gentios caminharão à tua luz, e os reis ao resplendor que te nasceu” ( Is 59:1 -3; Is 9:2 ; Gn 22:18 ; 2Sm 23:3 -4; Is 40:5 ).

Da mulher vestida de sol disse o apóstolo Paulo: “Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo: Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma? Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal” ( Rm 11:2 -4).

O advento da Igreja não significa que Deus rejeitou o povo de Israel, antes foram eles que rejeitaram o autor da vida, pois Ele veio para os que eram seus, e eles o rejeitaram ( Jo 1:11 ; Rm 10:21 ). Apesar da rejeição, há um remanescente segundo a graça, ou seja, qualquer homem dentre os judeus que crerem na mensagem do evangelho, será salvo ( Rm 11:23 ).

Após o arrebatamento da Igreja de Cristo, se encerrará a plenitude dos gentios e começará a ser contada a última semana de Daniel sobre o povo de Israel, de modo que os cristãos não podem ignorar que o ‘endurecimento’ de Israel se dará até que se encerre a ‘plenitude dos gentios’ “Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades” ( Rm 11:25 -26; Is 6:9 -12).

Como foi estabelecido nas Escrituras que de Sião virá o libertador e retirará todas as impiedades de Jacó, a aliança entre Deus e Israel permanece, porque o que foi dado aos pais (dons) é irrevogável ( Rm 11:26 -29), pois dos verdadeiros israelitas é a adoção, a glória, as alianças, a lei, o culto, as promessas, os pais, e deles é o Cristo segundo a carne ( Rm 9:3 -4).

A promessa de Deus feita aos pais não falhou, por isso o evangelista João viu a lua debaixo dos pés da mulher, uma vez que a nação de Israel jamais deixará de ser nação diante de Deus e o descendente prometido a Abraão se assentará sobre o trono de Davi como rei e sacerdote e regerá as nações com vara de ferro ( Gn 49:8 -11); “Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus fez com nossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” ( At 3:25 ); “Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai” ( Lc 1:32 ).

O povo de Israel, mesmo quando deportado, não deixou de ser a nação escolhida por Deus e a promessa do Cristo assentado sobre o trono de Davi se cumprirá após o término da plenitude dos gentios. Cristo permanece à destra da majestade nas alturas até que seja enviado a Sião como o libertador das transgressões da casa de Jacó, o que ocorrerá após o período de grande tribulação “DISSE o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés. O SENHOR enviará o cetro da tua fortaleza desde Sião, dizendo: Domina no meio dos teus inimigos” ( Sl 110:1 -2).

As promessas se cumprem em Cristo, e para Israel há a promessa de que o Cristo se assentará sobre o trono de Davi, seu pai, e regerá todas as nações da terra a partir de Sião com vara de ferro ( Sl 2:8 ; Gn 15:18 ; Is 60:14 ).

O povo de Israel foi introduzido na terra que de Canaã por causa da promessa feita aos pais, e não porque eram de fato justos aos olhos de Deus, como se lê: “E, porquanto amou teus pais, e escolheu a sua descendência depois deles, te tirou do Egito diante de si, com a sua grande força” ( Dt 4:37 ); “Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o SENHOR teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó” ( Dt 9:5 ).

Por causa da promessa feita aos pais vemos a mulher vestida de sol e com os pés sobre a lua, mas como o povo era rebelde e de dura servis, surge uma nova figura: a meretriz, visto que a ‘cidade fiel’ se fez prostituta ( Is 1:21 ).

Para compreendermos a figura da meretriz que representa a grande cidade no Apocalipse, temos que lembrar que desde o dia em que foi tirado do Egito a casa de Israel é denominada casa rebelde ( Dt 9:24 ), mas, para confirmar a palavra dada aos pais, Deus introduziu a casa rebelde na terra da promessa ( Dt 8:18 ; Dt 9:6), e os filhos de Jacó foram habitar a terra dos cananeus.

Os judeus se auto intitulavam israelitas, porém, não passavam de casa de Jacó (tomar pelo calcanhar, suplantador), diferente do patriarca Jacó, que de fato passou a ser chamado por Deus de ‘Israel’ quando Deus reitera a promessa que foi feita a Abraão e Isaque ( Gn 32:28 ; Gn 35:10 -12 ; Is 48:1 ).

Não é pela força ou pela violência que se alcança a benção de Deus, antes se dá pela palavra do Senhor. Qualquer que busque a face do Senhor alcançará de Deus a bênção: a salvação “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ); “E Jacó lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali. E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” ( Gn 32:29 -30; Os 5:15 ).

Havia uma ordem especifica para que os filhos de Jacó destruíssem todos os povos que estavam na terra que herdaram, mandamentos que visava a proteção da nação foram desconsiderados. Por exemplo: ( Dt 20:16 -17), mas não obedeceram e passaram a compartilhar a terra com os povos nativos “E não expulsaram aos cananeus que habitavam em Gezer; e os cananeus habitam no meio dos efraimitas até ao dia de hoje; porém, sendo-lhes tributários” ( Js 16:10 e 17:13 ).

Como o povo não atendia a ordem do Senhor, Deus enviou seus profetas que clamavam contra as cidades do povo de Israel: “E VEIO a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Vai, e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Lembro-me de ti, da piedade da tua mocidade, e do amor do teu noivado, quando me seguias no deserto, numa terra que não se semeava. Então Israel era santidade para o SENHOR, e as primícias da sua novidade; todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o SENHOR” ( Jr 2:1 -3).

Para falar ao povo, os profetas fizeram parábolas e alegorias utilizando-se do nome das cidades em que a nação de Israel habitava. Por exemplo: Ezequiel clamou contra a cidade de Jerusalém e fez uma alegoria descrevendo-a como uma menina abandonada no deserto que, após ser acolhida pelo Senhor, tornou-se uma moça muito bonita que Deus entrou em aliança e ela passou a ser d’Ele. A menina que foi cuidada pelo Senhor tornou-se formosa e, por causa da sua beleza, deixou o seu marido, se fez pérfida e saiu após amantes “E, passando eu junto de ti, vi-te, e eis que o teu tempo era tempo de amores; e estendi sobre ti a aba do meu manto, e cobri a tua nudez; e dei-te juramento, e entrei em aliança contigo, diz o Senhor DEUS, e tu ficaste sendo minha. Então te lavei com água, e te enxuguei do teu sangue, e te ungi com óleo” ( Ez 16:8 -9).

Através das profecias verifica-se que Deus fez uma promessa incondicional aos pais que jamais será quebrada, pois Deus mesmo ungiu o seu Santo Rei sobre o monte Sião ( Sl 2:6 ), e o estabeleceu como sacerdote eterno ( Sl 110:4 ). No entanto, a aliança que Deus fez com o povo que foi tirado do Egito é condicional, pois a alma que fizesse o prescrito na lei viveria por ela, e este foi o trato que o povo fez: “Então todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo o que o SENHOR tem falado, faremos. E relatou Moisés ao SENHOR as palavras do povo” ( Êx 19:8 ; Ez 20:21 ); “Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o SENHOR” ( Lv 18:5 ).

Assim como Deus deu a sua palavra a Abraão, Isaque e a Jacó, Deus reuniu o povo de Israel no monte Sinai para que o povo ouvisse a voz de Deus, mas quando foi provado, o povo se pôs ao longe e não quis ouvir a voz de Deus ( Ex 20:18 -20).

Jacó pelejou com Deus e não teve medo de morrer, de modo que foi abençoado e Deus mudou o seu nome. Os filhos de Jacó se auto intitulavam filhos de Israel e que fariam tudo o que Deus mandasse, no entanto quando viram que o monte fumegava e havia trovões, relâmpagos, tiveram medo de ouvirem a voz do Senhor e morrer, quando na verdade a palavra do Senhor é que dá vida. Atitude do povo se por ao longe demonstra a falta de confiança em Deus. Imagine se a prova fosse semelhante a de Jacó, pelejar com Deus “E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos. E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis” ( Ex 20:19 -20).

O povo precisava ouvir diligentemente a voz do Senhor. Ouvir a voz do Senhor os tornaria apto a cumprir a aliança ( Ex 19:5 ), porém, o povo antes de ouvir a voz do Senhor se propôs a fazer o que Deus mandasse ( Ex 19:8 ), mas, quando Deus ia falar-lhes de modo que cressem eternamente ( Ex 19:9 ), rejeitaram ouvir a palavra de Deus.

A aliança foi feita, mas o povo corrompeu a aliança, pois passaram a confiar na força dos seus braços e deixaram de confiar n’Aquele que fez a aliança, se fizeram filhos rebeldes e sujeitos aos ‘ais’ “Mas vós vos desviastes do caminho; a muitos fizestes tropeçar na lei; corrompestes a aliança de Levi, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Ml 2:8 ; Zc 11:10 ; Jr 11:10 ); “Não segundo a aliança que fiz com seus pais No dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; Como não permaneceram naquela minha aliança, Eu para eles não atentei, diz o Senhor” ( Hb 8:9 ).

Os filhos de Jacó se ‘cobriram’ com a força do braço, com a violência, mas não do Espírito do Senhor ( Is 30:1 ; Zc 4:6 ; Mt 11:12 ).

O evangelista João viu em visões distintas duas mulheres: uma parturiente e outra meretriz. O profeta Jeremias também profetizou acerca de duas mulheres, e nos chama a atenção o fato de que essas duas mulheres apontam para Israel ( Jr 4:30 -31).

A figura da mulher parturiente foi utilizada pelo profeta Jeremias para fazer referencia à nação de Israel, como se lê: “Porquanto ouço uma voz, como a de uma mulher que está de parto, uma angústia como a de que está com dores de parto do primeiro filho; a voz da filha de Sião, ofegante, que estende as suas mãos, dizendo: Oh! ai de mim agora, porque já a minha alma desmaia por causa dos assassinos” ( Jr 4:31).

Quando foi previsto através da figura de um leão (Babilônia) que Deus enviaria do norte uma nação sanguinária que assolaria as cidades de Israel ( Jr 4:7 ), o profeta descreveu a voz da filha de Sião ofegante como a que está de parto.

Por causa da iniquidade dos filhos de Jacó Deus determinou que uma nação sanguinária viesse do norte para assolar a nação de Israel ( Jr 4:6 ), e, por mais que a nação de Israel se posicionasse como rainha (vestida de carmesim) e se fizesse bela (enfeites e adornos) para atrair o apoio das nações vizinhas (amantes), o mal já estava determinado “Agora, pois, que farás, ó assolada? Ainda que te vistas de carmesim (escarlata), ainda que te adornes com enfeites de ouro, ainda que te pintes em volta dos teus olhos, debalde te farias bela; os amantes te desprezam, e procuram tirar-te a vida” ( Jr 4:30 ).

Deus utilizou duas figuras para anunciar a deportação de Israel para babilônia:

a) mulher com dores de parto, e;

b) prostituta em busca dos seus amantes.

As mesmas figuras utilizadas pelo profeta Jeremias foram vistas pelo apóstolo amado, sendo que:

  • a figura da mulher com dores de parto no Apocalipse retrata a nação de Israel
  • e a figura da grande meretriz retrata a cidade dos filhos de Israel.

A promessa de Deus é imutável quanto à nação, visto que o remanescente será salvo (mulher vestida de sol), já as cidades de Israel, por causa da infidelidade do povo (meretriz que se assenta como rainha), serão destruídas e ficará deserta.

 

A mulher prostituta vestida como rainha

A figura da mulher meretriz vestida de púrpura e escarlate representa a ‘grande cidade’ que abrigará a nação de Israel antes do período descrito por Cristo como ‘aflição daqueles dias’ (grande tribulação) ( Ap 17:18 ; Mt 24:21 ).

O nome escrito na testa da meretriz é um símile (enigma), portanto, não deve ser interpretada com uma referência à antiga cidade dos caldeus. Os caldeus já foram apenados e destruídos pelos medos ( Jr 51:11 e 28; Dn 7:5 ), e, conforme as profecias, Babilônia foi destruída e nunca mais será povoada, assemelhando-se às cidades de Sodoma e Gomorra ( Jr 50:39 -40).

Foi determinado por Deus que a cidade de Babilônia seria uma desolação perpétua ( Jr 51:26 ), portanto, a figura da mulher assentada sobre muitas águas não diz da cidade dos caldeus, apesar da inscrição na testa da mulher.

Por causa da inscrição, que diz: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”, os reformadores entendiam que a visão fazia referencia ao papado (Igreja Católica Apostólica Romana)“A quem ou a que se refere esta mulher? A maior parte dos comentadores, desde o tempo da Reforma, identificam-na com o papado, tal como o fizeram Lutero, Tyndale, Knox, Calvino (Institutes, IV, 2.12), Alford, Elliott, Lange, e muitos outros. A Igreja Católica Romana identifica esta mulher com Roma – mas com a Roma pagã, é claro, já no passado” Moody, Pág. 59.

Este sentido também foi apresentado por Barclay “A mulher é Babilônia, quer dizer, é Roma. Há uma dificuldade que se expõe no princípio do capítulo, mas pode ser esclarecida de maneira imediata. Afirma-se que a mulher está assentada sobre “muitas águas” (v. 1). Esta é uma imagem de Roma representada mediante o simbolismo que corresponde a Babilônia, segundo os ditos dos antigos profetas de Israel. Em Jeremias 51:13 faz-se referência a Babilônia, precisamente, como uma cidade “assentada sobre muitas águas”” Barclay, Pág. 370.

Há quem ateste que a grande cidade será a cidade de Babilônia reedificada: “… em Apocalipse 17 João descreve a visão em duas partes. A primeira parte fala de uma mulher identificada como Babilônia. Simboliza uma cidade de extrema riqueza que controla – “povos, multidões, nações e línguas” (Ap 17.15). Ela é literalmente a cidade de Babilônia reconstruída” Dyer, Charles H., The Rise of Babylon: Is Iraq at the Center of The Final Drama? Edição Revisada, Chicago: Moody Press, [1991], 2003, pág. 162.

Especulações não faltam acerca do tema: “As profecias referentes à cidade de Babilônia nunca se cumpriram no passado, o que qualquer enciclopédia pode testificar. Para que as profecias bíblicas se cumpram, é necessário que a cidade de Babilônia seja reconstruída na mesma área de outrora. A antiga Babilônia é o atual Iraque” Fruchtenbaum, Arnold, The Footsteps of the Messiah: A Study of the Sequence of Prophetic Events, (Tustin, Califórnia: Ariel Ministries Press, 1982), pág. 192.

Ora, o interprete deve ler o livro de Apocalipse cônscio de que ele contém inúmeras figuras e símbolos. Os símbolos e figuras possuem um significado específico que remetem a um único evento ou realidade, e o interprete precisa ter a perspicácia de verificar que as profecias apresentam enigmas amalgamados às figuras e símbolos.

Os enigmas precisam ser desvendados antes da interpretação das figuras e dos símbolos, portanto, não é porque consta na visão o nome ‘Babilônia’ que a civilização Babilônica e as cidades dos caldeus serão reconstruídas.

A visão da mulher meretriz assentada sobre a besta diz de uma cidade nomeada ‘A grande cidade’ ( Ap 17:18 ), e todos os reis da terra se prostituíram com ela ( Ap 17:2 ).

O evangelista João verificou que a meretriz estava prestes a cair (embriagada) por ter matado os santos e as testemunhas de Jesus ( Ap 18:24 ). A embriagues simboliza a ‘queda’ iminente, que no texto em comento é a meretriz ser devorada pela besta na qual se assenta como rainha.

A visão do evangelista aponta qual é a concepção da grande cidade que se assentou sobre a besta do Apocalipse como se fosse rainha. A grande cidade tem a concepção de que jamais será despojada de seus habitantes e riquezas ao dizer: – ‘Jamais serei viúva’, por estar exercendo domínio sobre sete montes ( Ap 18:7 ), no entanto, o domínio da grande cidade foi proporcionado pelo dragão que deu o seu poder à besta ( Ap 13:4 ).

A grande cidade acredita que reina por causa da aliança firmada com sete montes, no entanto, os sete montes foram atraídos pela formosura da ‘meretriz’. A aliança estabelecida que faz a cidade confiante tem por base uma ficção arquitetada pelo dragão, pois a besta juntamente com dez reis se levantará contra a grande cidade e a devorará.

A mulher vestida de sol sofreu dores de parto até que o descendente prometido a Abraão veio ao mundo dos homens, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo ( Ap 12:5 ; Is 26:17 -18). A meretriz será destruída e os prevaricadores em Israel exterminados ( Dn 8:23 ). Será um tempo de aflição como nunca houve sobre os filhos de Jacó até que o Cristo se revele novamente em glória sobre o monte das Oliveiras ( Zc 14:4 ; Mt 23:39 ), e o restante do povo de Israel olhe para aquele a quem trespassaram ( Zc 12:10 ).

Diversas nações serão ajuntada e pelejarão contra Israel colocando em aperto a grande cidade onde se achou (culpa) o sangue dos profetas e dos santos ( Zc 14:2 ; Ap 18:24 ). Quando os que restarem dos filhos de Jacó se puserem em fuga, o Cristo que se manifestará em glória destruirá as nações que se opõe a Israel, porém, a grande cidade estará desolada e nua a vista das nações “Orai, pois, para que a vossa fuga não suceda no inverno” ( Mc 13:18 ; Mt 24:20 ; Zc 12:9 ; Mt 24:30 ).

Após dar à luz o filho homem que há de reger todas as nações da terra com vara de ferro, iniciou a contagem do tempo dos gentios ( Ap 12:5 ), e quando iniciar a contagem da última semana de Daniel a mulher fugirá para o deserto onde será alimentada por Deus ( Ap 12:6 e 14). Ora, o deserto é o lugar onde os que escaparem da grande tribulação encontrará o favor do Senhor “Assim diz o SENHOR: O povo dos que escaparam da espada achou graça no deserto. Israel mesmo, quando eu o fizer descansar” ( Jr 31:2 ).

Observe que a mulher vestida de sol fugirá para o deserto. A ordem para os filhos de Israel no período descrito como grande tribulação é para que fujam da cidade para os montes, porque na cidade haverá grande mortandade “E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo” ( Zc 14:5 ; Mt 24:16 -22).

A grande cidade ficará sob a mercê da besta, que com dez reis a queimará a fogo, deixando-a ‘viúva’: desolada (sem habitantes) e nua (envergonhada).

 

Elementos que compõe a visão

Um dos anjos que tinha um das sete taças (contendo as últimas pragas) convidou o evangelista João para acompanha-lo e em seguida mostrou uma visão contendo a figura de uma mulher assentada sobre uma besta ( Ap 17:3 ).

O anjo alerta que seria revelado qual a condenação da meretriz, e este deve ser o foco do interprete: a punição da grande cidade.

A condenação da ‘grande cidade’ também foi anunciada em outras duas visões no livro do Apocalipse, o que destaca o ponto de maior relevância da visão: a ira de Deus “E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição” ( Ap 14:8 ); “E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se lembrou Deus, para lhe dar o cálice do vinho da indignação da sua ira” ( Ap 16:19 ).

O evangelista João foi conduzido por um anjo em espírito a um lugar ermo (deserto), e o apóstolo viu uma mulher assentada sobre uma besta de cor vermelha. A vestimenta da mulher foi descrita pelas suas cores: roxa (púrpura) e vermelha (escarlate), e ela estava adornada com ouro e pedras preciosas ( Ap 17:4 ). As cores roxa e vermelha representam a realeza da mulher, que se assenta como rainha ( Ap 18:7 ).

Além do mais, a meretriz estava adornada de modo a chamar a atenção dos seus amantes (ouro, pedras preciosas e enfeites). A riqueza da mulher atrai os seus amantes que são participantes das abominações e da imundície da prostituição dela ( Ap 17:2 e Ap 18:3).

A meretriz segura na mão um cálice de ouro cheio de abominações e prostituições. As abominações da grande meretriz que está
sentenciada à destruição tem alcance mundial, pois tanto os reis (governos) da terra quanto os moradores do mundo (súditos) se prostituíram e se embriagaram com o vinho da sua prostituição.

O profeta Isaias ao falar dos filhos de Jacó, deixa claro que eles foram desamparados e abatidos por causa:

a) da prata e do ouro que possuíam;

b) dos cavalos e dos carros que adquiriram;

c) dos deuses que reverenciavam, e;

d) por associarem-se com os estranhos ( Is 2:6 -9), características que se amoldam a meretriz do Apocalipse.

 

A punição da meretriz

“E VEIO um dos sete anjos que tinham as sete taças, e falou comigo, dizendo-me: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas (…) E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres” (v. 1 e 3).

O anjo explicou para o apóstolo que a figura da meretriz assentada sobre uma besta refere-se a uma ‘grande cidade’ que exerce domínio sobre reis e reinos da terra ( Ap 17:18 ). Na visão a mulher é apresentada como tendo domínio sobre a besta (assentada), e como foi dado à besta poder sobre toda a tribo, e língua, e nação ( Ap 13:7 ), segue-se que a mulher se assenta (exerce domínio) sobre muitas águas ( Ap 17:15 ).

A figura deixa claro que a mulher vestida de purpura não tem, por si só, poder para exercer domínio sobre tribos, línguas e nações, mas, exercerá domínio por intermédio da besta, que por sua vez receberá poder do ‘dragão’, a antiga serpente, que é Satanás ( Ap 13:7 ).

Apesar desta mulher se assentar como rainha sobre ‘muitas águas’ em função da autoridade que a besta franquiará à prostituta ( Ap 17:1 ; Ap 18:7 ), por estar embriagada no sangue dos santos e das testemunhas de Jesus, a meretriz desconhece que se assenta sobre a fera que irá devorá-la ( Ap 17:6 ; Ap 17:16 ).

A cegueira de Israel foi prevista pelo profeta Isaias, quando se apresentou a Deus: – ‘Eis-me aqui. Envia-me a mim’ ( Is 6:8 ). O profeta tinha que anunciar aos filhos de Jacó que eles ouviam, mas não entendiam; que viam, porém, não percebiam, e assim não se convertiam e nem eram sarados ( Is 6:10 ). O profeta perguntou ao Senhor até quando aquela cegueira e surdez persistiriam, e a reposta apontou o tempo do fim, quando sobrasse somente a santa semente “Então disse eu: Até quando Senhor? E respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada. E o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. Porém ainda a décima parte ficará nela, e tornará a ser pastada; e como o carvalho, e como a azinheira, que depois de se desfolharem, ainda ficam firmes, assim a santa semente será a firmeza dela” ( Is 6:11 -13; Is 63:17 ).

Por esquecer-se de Deus, a nação, por mais que se esforçasse para crescer, no dia da tribulação, ou seja, das dores incuráveis do Apocalipse, as obras dela seriam completamente destruídas ( Is 17:10 -11). Dos filhos de Jacó sobreviverá somente os ‘rabiscos’ ( Is 17:6 ), antes da vinda do Messias para salva-los do bramido dos mares ( Is 17:12 -13 ; Sl 46:3 ).

O profeta Isaias, ao pronunciar o juízo que virá sobre Israel, fez referência às cidades de Israel como ‘cidade elevada’, ‘cidade fortificada’, ‘cidade vazia’, ‘cidade jubilosa’, etc. “Porque ele abate os que habitam no alto, na cidade elevada; humilha-a, humilha-a até ao chão, e derruba-a até ao pó” ( Is 26:5 ; Is 27:10 ; Is 24:10 ; Is 32:13 ).

Isaias descreve os habitantes da cidade como absortos pelo vinho, cambaleiam, mas não de bebia forte ( Is 28:7 ; Is 29:9 ). Os filhos de José (Efraim) descritos como bêbados aponta para o dia da vingança de Deus ( Is 27:2 ),  dia que antecede o castigo que abaterá a serpente veloz e deslizante (leviatã) com a dura espada (juízo) e exterminará o dragão que está no mar ( Is 27:1 ).

O dragão que está no mar é Satanás, a antiga serpente ( Ap 12:9 ), e é Ele que inflamará a besta contra a ‘grande cidade’ para destruí-la e perseguirá até o deserto a mulher (Israel) que deu à luz o Filho varão – Jesus ( Ap 12:13 ; Is 43:20 ).

Como o dragão tem grande ira contra a mulher e propôs fazer guerra contra o remanescente da semente ( Ap 12:17 ; Ap 6:13 ), Satanás franqueou, através de sinais e prodígios de mentira, força e autoridade à besta que subiu do mar ( Ap 13:1 ; 2Ts 2:9 ).

Após destruir a grande cidade, o mostro marinho (besta) perseguirá o remanescente da semente, selando o seu fim, pois será destruído através da dura espada do Senhor. Lembrando que a grande prostituta está assentada sobre muitas águas ( Ap 17:1 e 15), e que as muitas águas, nesta visão, significa povos, nações, tribos, e como a besta domina sobre as águas, dai o nome monstro marinho.

A meretriz, confiada em suas riquezas, assentou-se sobre a besta destinada por Deus à destruição, mas antes que a besta seja destruída, ela se insurgirá contra a meretriz para devorá-la.

A visão mostra que Satanás preparará todo um cenário para que a prostituta tenha a falsa sensação de que é rainha ( Ap 18:7 ). Através da besta, Satanás franqueará à meretriz domínio sobre povos, nações e tribos, domínio este angariado através de sinais e prodígios de mentiras. Quando a meretriz estiver sentindo-se em paz e segurança pela ilusão de ser rainha, a besta se levantará juntamente com dez reis e a deixarão desolada e nua.

  • “E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta” ( Ap 17:12 );
  • “E os dez chifres que viste na besta são os que odiarão a prostituta, e a colocarão desolada e nua, e comerão a sua carne, e a queimarão no fogo” ( Ap 17:16 )

A punição da ‘grande cidade’ será a desolação, o abandono. As vestes suntuosas que identificavam a meretriz como rainha, bem como seus adornos, serão substituídas pela vergonha da nudez por causa do vinho da ira de Deus. Os seus habitantes serão mortos (comerão a sua carne) e reduzidos a cinzas (humilhada).

A desolação da ‘grande cidade’ que consta do verso 16 foi prevista pelo profeta Isaias e essa desolação antecederá a vinda do Messias e a conversão de Israel, como se lê: “Então disse eu: Até quando Senhor? E respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada. E o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo” ( Is 6:11 -12); “Demolida está a cidade vazia, todas as casas fecharam, ninguém pode entrar. Há lastimoso clamor nas ruas por falta do vinho; toda a alegria se escureceu, desterrou-se o gozo da terra. Na cidade só ficou a desolação, a porta ficou reduzida a ruínas. Porque assim será no interior da terra, e no meio destes povos, como a sacudidura da oliveira, e como os rabiscos, quando está acabada a vindima” ( Is 24:10 -13).

A ordem na palavra da profecia para que saia da grande cidade é semelhante à ordem que foi dada a Ló e a sua família: “E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas” ( Ap 18:4 ; Is 52:11 ), porque os que ficarem em Jerusalém serão mortos ( Zc 14:5 ).

Após Jerusalém beber do cálice da ira de Deus, o cálice será tirado dela e dado aos que a perseguiram, quando o Cristo manifestar-se e borrifar as nações da terra “Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que bebeste da mão do SENHOR o cálice do seu furor; bebeste e sorveste os sedimentos do cálice do atordoamento. De todos os filhos que ela teve, nenhum há que a guie mansamente; e de todos os filhos que criou, nenhum há que a tome pela mão. Estas duas coisas te aconteceram; quem terá compaixão de ti? A assolação, e o quebrantamento, e a fome, e a espada! Por quem te consolarei? Os teus filhos já desmaiaram, jazem nas entradas de todos os caminhos, como o antílope na rede; cheios estão do furor do SENHOR e da repreensão do teu Deus. Portanto agora ouve isto, ó aflita, e embriagada, mas não de vinho. Assim diz o teu Senhor o SENHOR, e o teu Deus, que pleiteará a causa do seu povo: Eis que eu tomo da tua mão o cálice do atordoamento, os sedimentos do cálice do meu furor, nunca mais dele beberás. Porém, pô-lo-ei nas mãos dos que te entristeceram, que disseram à tua alma: Abaixa-te, e passaremos sobre ti; e tu puseste as tuas costas como chão, e como caminho, aos viandantes” ( Is 51:17 -23; Is 52:15 ).

 

A cidade que se fez meretriz

Através do profeta Isaias Deus fez a seguinte observação: “Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas” ( Is 1:21 ).

Como é possível uma cidade cheia de retidão, onde a justiça fez a sua habitação tornar-se promiscua? Causa espanto, admiração verificar que a cidade que se chamava fiel tenha homens de violência residindo nela.

Outra atalaia de Israel profetizou contra a cidade que se fez prostituta: “Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos: Cortai árvores, e levantai trincheiras contra Jerusalém; esta é a cidade que há de ser castigada, só opressão há no meio dela. Como a fonte produz as suas águas, assim ela produz a sua malícia; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há diante de mim continuamente. Corrige-te, ó Jerusalém, para que a minha alma não se aparte de ti, para que não te torne em assolação e terra não habitada” ( Jr 6:6 -8).

Quando nos deparamos com termos como violência, homicidas, meretriz, etc., a primeira ideia que vem a mente são questões de ordem moral e comportamental. Como é possível um povo extremamente religioso se deixar levar por comportamentos tão perniciosos?

Mas, se observarmos os provérbios, vê-se que a violência que Deus protesta contra os filhos de Israel não é de cunho comportamental, antes está atrelado a boca, ou seja, a doutrina que professavam. Observe: “Bênçãos há sobre a cabeça do justo, mas a violência cobre a boca dos perversos” ( Pv 10:6 ); “A boca do justo é fonte de vida, mas a violência cobre a boca dos perversos” ( Pv 10:11 ).

A religiosidade, o formalismo, o legalismo, o ritualismo, os sacrifícios, etc., era o que produzia violência diante de Deus, pois substituir a palavra de Deus por mandamento de homens produz morte, e não vida “Lembrai-vos disto, e considerai; trazei-o à memória, ó prevaricadores” ( Is 46:8 ); “Como o prevaricar, e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” ( Is 59:13 ); “Do fruto da boca cada um comerá o bem, mas a alma dos prevaricadores comerá a violência” ( Pv 13:2 ).

Os judeus eram zelosos da lei, mas não com entendimento “Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento” ( Rm 10:2 ). Eles tinham tanto zelo que não permitiam que as filhas do povo de Israel trouxessem ao templo oferta proveniente de prostituição, porém, não atinavam que os sacrifícios e oferendas que traziam ao templo era proveniente de prostituição, pois era filhos de prostituição e não de Deus “Mas chegai-vos aqui, vós os filhos da agoureira, descendência adulterina, e de prostituição” ( Is 57:3 ; Dt 31:16 ; Jr 5:21 e 23).

Os judeus estabeleciam preceitos sobre preceitos, inúmeros mandamentos de homens, uma religiosidade ritualista, formalista, doutrinas segundo o devaneio dos seus corações, além dos declaradamente idolatras “Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do SENHOR teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao SENHOR teu Deus” ( Dt 23:18 ).

Por serem filhos da agoureira, Deus não suportava os sacrifícios e as ofertas dos filhos de Israel, pois o que ofereciam era equivalente a oferta do salário de prostituta: abominação “Ai, nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás (…) Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer” ( Is 1:4 e 13 -14).

É por causa deste alerta que temos a observação paulina contra os judeus: “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?  Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” ( Rm 2:21 -24).

Esta era a crença dos judeus: “Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus” ( Jo 8:41 ), mas esta era a condição deles diante de Deus: “Já vi as tuas abominações, e os teus adultérios, e os teus rinchos, e a enormidade da tua prostituição sobre os outeiros no campo; ai de ti, Jerusalém! Até quando ainda não te purificarás?” ( Jr 13:27 ).

Embora os profetas demonstrassem continuamente que os filhos de Jacó eram filhos de prostituição, eles se arrogavam no direito de serem chamados filhos de Abraão. Jesus claramente acusou os escribas e fariseus de filhos do diabo “Vós tendes por pai ao diabo…” ( Jo 8:44 ), pois não aceitavam a Cristo, a verdade encarnada. Preferiram a mentira que os seus corações enganados aprenderam dos prevaricadores, homens que cuidavam da lei, mas não conheciam a Deus ( Jr 2:8 ; Is 46:8 ; Is 59:13 ).

O livro de Provérbios foi escrito para que possamos compreender os adágios, os símiles, as parábolas e os enigmas ( Pv 1:6 ).

O livro apresenta vários provérbios que instrui o filho para não se deixar levar pela mulher adultera ( Pv 5:3 ). Quem é esta mulher? A descrição da mulher adultera é surpreendente e causa admiração, assim como o evangelista João ficou admirado quando viu que a meretriz estava embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus ( Ap 17:6 ). Observe:

“O bom siso te guardará e a inteligência te conservará; Para te afastar do mau caminho, e do homem que fala coisas perversas; Dos que deixam as veredas da retidão, para andarem pelos caminhos escusos; Que se alegram de fazer mal, e folgam com as perversidades dos maus, Cujas veredas são tortuosas e que se desviam nos seus caminhos; Para te afastar da mulher estranha, sim da estranha que lisonjeia com suas palavras; Que deixa o guia da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus; Porque a sua casa se inclina para a morte, e as suas veredas para os mortos. Todos os que se dirigem a ela não voltarão e não atinarão com as veredas da vida” ( Pv 2:11 -19).

Se observarmos o livro dos Provérbios segundo as premissas da sabedoria humana, vemos que o ensino do pai afastará o filho obediente do homem mau que fala coisas perversas e da mulher adúltera. Mas, a informação que a ‘mulher adultera’ deixou o guia da sua mocidade e se esqueceu da aliança do seu Deus, nos confere respostas que provocam admiração.

  • Quem é esta mulher adultera?
  • Quem são os homens maus?
  • Por que a mulher adultera trás sacrifícios pacíficos consigo? ( Pv 7:14 )

A mulher adultera que deixou o Guia da sua mocidade e se esqueceu da aliança do seu Deus é uma alegoria à cidade de Israel, e os homens maus que falam perversidade que ‘entram’ a ela são os religiosos em Israel, pois os que ‘entram’ a ela são homens violentos, perversos e maus “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ).

A nação tornou-se promiscua ( Os 2:1 -5), conforme a descrição que se segue:

“E eis que uma mulher lhe saiu ao encontro com enfeites de prostituta, e astúcia de coração. Estava alvoroçada e irrequieta; não paravam em sua casa os seus pés. Foi para fora, depois pelas ruas, e ia espreitando por todos os cantos; E chegou-se para ele e o beijou. Com face impudente lhe disse: Sacrifícios pacíficos tenho comigo; hoje paguei os meus votos. Por isto saí ao teu encontro a buscar diligentemente a tua face, e te achei. Já cobri a minha cama com cobertas de tapeçaria, com obras lavradas, com linho fino do Egito. Já perfumei o meu leito com mirra, aloés e canela. Vem, saciemo-nos de amores até à manhã; alegremo-nos com amores. Porque o marido não está em casa; foi fazer uma longa viagem;  Levou na sua mão um saquitel de dinheiro; voltará para casa só no dia marcado Assim, o seduziu com palavras muito suaves e o persuadiu com as lisonjas dos seus lábios. E ele logo a segue, como o boi que vai para o matadouro, e como vai o insensato para o castigo das prisões; Até que a flecha lhe atravesse o fígado; ou como a ave que se apressa para o laço, e não sabe que está armado contra a sua vida. Agora pois, filhos, dai-me ouvidos, e estai atentos às palavras da minha boca. Não se desvie para os caminhos dela o teu coração, e não te deixes perder nas suas veredas. Porque a muitos feridos derrubou; e são muitíssimos os que por causa dela foram mortos. A sua casa é caminho do inferno que desce para as câmaras da morte” ( Pv 7:10 -27 ).

O provérbio que fala da mulher prostituta é uma descrição perfeita da cidade de Israel que, apesar de os seus moradores oferecerem sacrifícios e pagar os seus votos é um povo pérfido “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós” ( Mt 23:15 ).

A mulher descrita no livro dos Provérbios possui uma característica que a distingue das meretrizes, pois é ela que oferece benefícios a qualquer que passa. Em lugar de ser convidada por preço: – ‘Vem, deita-te comigo e te darei o teu preço’, ela faz o contrario: nada exige e mostra o que possui a fim de aliciar os seus amantes.

Vale salientar que o livro de Provérbios contém instruções específicas de Deus para o seu Filho, Jesus Cristo, aconselhando-o para não seguir o caminho indicado pela ‘mulher adultera’ (Israel) e seus filhos: geração de adúlteros ( Pv 5:3 -7; Pv 7:14 ; Pv 9:13 ).

Invariavelmente o termo ‘meretriz’ é aplicado às cidades dos filhos de Jacó, e o termo ‘amantes’ às nações vizinhas que Israel buscava proteção militar através de alianças políticas “Todos os teus amantes se esqueceram de ti, e não perguntam por ti; porque te feri com ferida de inimigo, e com castigo de quem é cruel, pela grandeza da tua maldade e multidão de teus pecados” ( Jr 30:14 ).

A única nação que Deus tomou por sua ‘mulher’ foi a nação de Israel, portanto, seria contra senso cobrar fidelidade das outras nações sem haver uma aliança, ou  denomina-las infiéis ou prostitutas.

A condição da cidade de Jerusalém é diferente das cidades das nações vizinhas desde a sua origem. O ‘nascimento’ da cidade de Jerusalém foi descrita por Deus através de uma alegoria, comparando a cidade a uma criança que, logo após o nascimento, foi abandonada à própria sorte no deserto ( Ez 16:1 ).

O cuidado do Senhor fez com que aquela ‘criança’ se tornasse uma ‘mulher’ formosa, e no tempo determinado, Deus fez aliança com ela sob juramento, de modo que a cidade passou a pertencer Lhe ( Ez 16:8 ).

A cidade foi adornada e chegou à realeza, porém, a perfeição, a formosura e a fama dela atraíram os gentios. Jerusalém, por sua vez, confiou na sua formosura e esqueceu-se da aliança da sua mocidade “AI da rebelde e contaminada, da cidade opressora!” ( Sf 3:1 ; Pv 2:16 -17).

A cidade de Jerusalém passou a ser descrita como uma mulher promiscua e que saía no encalço de todos quantos passavam e se prostituía “E correu de ti a tua fama entre os gentios, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor DEUS. Mas confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama, e prostituías-te a todo o que passava, para seres dele. E tomaste dos teus vestidos, e fizeste lugares altos pintados de diversas cores, e te prostituíste sobre eles, como nunca sucedera, nem sucederá” ( Ez 16:14 -16).

Por causa das prostituições dos filhos de Israel, por intermédio de Ezequiel Deus estabeleceu outra alegoria: duas mulheres, filhas de uma mesma mãe: Oolá e Oolibá, sendo elas respectivamente as cidades de Samaria e Jerusalém “Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma mesma mãe. Estas se prostituíram no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus seios, e ali foram apalpados os seios da sua virgindade. E os seus nomes eram: Aolá, a mais velha, e Aolibá, sua irmã; e foram minhas, e tiveram filhos e filhas; e, quanto aos seus nomes, Samaria é Aolá, e Jerusalém é Aolibá” ( Ez 23:2 -4 ; Js 24:14 ).

A grande meretriz do Apocalipse que será apenada a ficar desolada é uma alegoria que faz referência ao local de habitação da nação rebelde que deixou o Deus da sua mocidade e passou a se suster da imundície das suas prostituições. Desde a antiguidade a nação de Israel é descrito como uma mulher desavergonhada que se vendia sem nada cobrar a qualquer estrangeiro que passasse “Mas confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama, e prostituías-te a todo o que passava, para seres dele” ( Ez 16:15 ); “Foste como a mulher adúltera que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos. A todas as meretrizes dão paga, mas tu dás os teus presentes a todos os teus amantes; e lhes dás presentes, para que venham a ti de todas as partes, pelas tuas prostituições. Assim que contigo sucede o contrário das outras mulheres nas tuas prostituições, pois ninguém te procura para prostituição; porque, dando tu a paga, e a ti não sendo dada a paga, fazes o contrário” ( Ez 16:32 -34).

Deus compara a casa de Israel a uma mulher que deixa o seu marido e recebe os estranhos, ou seja, a nação deixou de confiar em Deus e passou a confiar nas alianças politica que faziam com as nações vizinhas (outeiros e montanhas), como se lê: “Deveras, como a mulher se aparta aleivosamente do seu marido, assim aleivosamente te houveste comigo, ó casa de Israel, diz o SENHOR. Nos lugares altos se ouviu uma voz, pranto e súplicas dos filhos de Israel; porquanto perverteram o seu caminho, e se esqueceram do SENHOR seu Deus. Voltai, ó filhos rebeldes, eu curarei as vossas rebeliões. Eis-nos aqui, vimos a ti; porque tu és o SENHOR nosso Deus. Certamente em vão se confia nos outeiros e na multidão das montanhas; deveras no SENHOR nosso Deus está a salvação de Israel” ( Jr 3:20 -23).

A falta de compostura da cidade de Israel fez com que Deus enviasse diversas vicissitudes como pragas, guerras, secas, fome, roubos, etc., contra os seus habitantes, primeiro porque esta é uma consequência direta dos ciúmes (ira) do Senhor à vista das prostituições da cidade e, em segundo lugar, porque este era o indicativo de que Deus esperava que os filhos de Jacó diante das vicissitudes se voltassem para Ele ( Dt 4:25 -31).

O profeta Jeremias chegou a profetizar que Israel tinha posicionamento de prostituta, mas que não queria passar a vergonha decorrente de suas ações “ELES dizem: Se um homem despedir sua mulher, e ela o deixar, e se ajuntar a outro homem, porventura tornará ele outra vez para ela? Não se poluirá de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas ainda assim, torna para mim, diz o SENHOR.  Levanta os teus olhos aos altos, e vê: onde não te prostituíste? Nos caminhos te assentavas para eles, como o árabe no deserto; assim poluíste a terra com as tuas fornicações e com a tua malícia. Por isso foram retiradas as chuvas, e não houve chuva serôdia; mas tu tens a fronte de uma prostituta, e não queres ter vergonha” ( Jr 3:1 -3 ; Is 1:5 ).

Deus havia protestado através do profeta Moisés, dizendo: “E disse o SENHOR a Moisés: Eis que dormirás com teus pais; e este povo se levantará, e prostituir-se-á indo após os deuses estranhos na terra, para cujo meio vai, e me deixará, e anulará a minha aliança que tenho feito com ele” ( Dt 31:16 ).

Ao descrer de antemão quais seriam as abominações do povo de Israel, Deus também enumerou quais seriam as maldições que paulatinamente sobreviriam sobre a nação para que voltasse para o Senhor que a resgatou do Egito. As maldições foram estabelecidas por sinal e por maravilha, mas se não dessem ouvidos e não considerassem o motivo pelo qual estava passando pelas vicissitudes, a maldição persistiria até que o povo fosse destruído “E serão entre ti por sinal e por maravilha, como também entre a tua descendência para sempre” ( Dt 31:46 ).

O cântico de Moisés constitui-se um memorial para os filhos de Israel se lembrar de quem os resgatou do Egito. A acusação é grave: “Corromperam-se contra Ele…” ( Dt 32:5 ). Por causa da transgressão, Deus deixa claro que já não eram filhos, antes uma geração perversa e depravada. Deus achou o povo de Israel no deserto, cercou e protegeu ( Dt 32:10 ), mas, quando as cidades se fez grande, esqueceu-se de Deus e foi após outros deuses e provocaram a Sua ira ( Dt 32:16 ). O povo de Israel provocou o ciúmes de Deus com aquilo que não era Deus (ídolos), e a ira de Deus se deu com o aperto das nações vizinhas ( Dt 28:36 e 49).

Por causa das abominações dos filhos de Jacó, a nação de Israel foi denominada ‘povo de Sodoma’ e ‘povo de Gomorra’. No verso 9 fica nítido o motivo pelo qual foram chamados de Sodoma e Gomorra, pois se Deus não preservasse um remanescente, o povo de Israel seria como Sodoma e semelhante a Gomorra, ou seja, estariam destruídos, extintos: “Se o SENHOR dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra. Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra” ( Is 1:9 -10).

Ao fazer referência ao povo de Israel no capítulo 11, no verso 8 do livro de Apocalipse, foram empregados os seguintes nomes: ‘Sodoma’ e ‘Egito’, pois Israel é a ‘grande cidade’ do Apocalipse onde as duas testemunhas serão mortas ( Ap 11:8 ), e é o mesmo lugar no qual Jesus foi morto e crucificado “E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado” ( Ap 11:8 ; Lc 24:18 ).

Quando Deus nomeia as cidades de Israel de Sodoma e Gomorra fica implícito que as cidades seriam punidas à vista da prostituição, da promiscuidade, da rebeldia e da abominação do povo de Israel ( Is 1:13 ).

A nação de Israel só não foi de toda exterminada por causa da promessa que Deus fez aos pais, e também porque as nações que foram utilizadas como vara nas mãos de Deus para a punição se gloriariam dizendo que por sua própria força triunfaram sobre Israel ( Dt 32:27 ).

Por diversas vezes o povo de Israel foi perseguido pelos seus inimigos, e Deus lhes dava a oportunidade de se reconciliarem, mas não atentavam para a punição que Deus lhes imporia ( Dt 32:28 ). Como não quiseram atender, Deus entregou a nação de Israel ao cativeiro.

Se tivessem atentado para o anunciado pelos profetas, o povo veria que Deus instituiu os caldeus como vara da Sua ira ( Dt 28:49 -50). O que levou Deus destruir as cidades de Samaria e Jerusalém, deportando os que restaram dos filhos de Jacó para a Babilônia foi a apostasia do povo de Israel, pois não atentaram para a punição que os aguardava ( Dt 32:29 ).

É em função da infidelidade dos filhos de Jacó que Jerusalém haveria de ser destruída pelos povos vizinhos, conforme o profeta Daniel leu e abstraiu das profecias de Moisés “Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se para não obedecer à tua voz; por isso a maldição e o juramento, que estão escritos na lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós; porque pecamos contra ele” ( Dn 9:11 ).

Após a morte de Josué, o povo de Israel seguiu após outros deuses, como Baal e Astarote, de modo que a mão de Deus era contra eles para o mal, conforme o que Deus havia juramentado ( Jz 2:15 ). À época dos juízes, inúmeras vezes Deus estendeu as mãos a um povo rebelde e contradizente, de modo que os livrava de seus inimigos em redor ( Jz 2:1 ), mas bastava morrer o juiz que Deus levantara para a nação ir após outros deuses ( Jz 2:19 ).

Por causa da infidelidade de Israel, Deus não desalojou as nações vizinhas, de modo que as nações se tornaram uma prova, para verificar se a nação se disporia ou não a servir a Deus ( Jz 2:22 ).

Até hoje, os que leem a bíblia segundo uma visão humana, classificam a caldeia como inimiga do povo de Deus a ponto de demonizá-la, mas aqueles que veem segundo a revelação das Escrituras, entendem que os responsáveis pela deportação de Israel foram os próprios israelitas, ou seja, a deportação é a paga que o marido enciumado deu a mulher promiscua. Os próprios filhos de Jacó se privaram da herança prometida, de modo que foram postos por escabelo dos seus inimigos “Assim por ti mesmo te privarás da tua herança que te dei, e far-te-ei servir os teus inimigos, na terra que não conheces; porque o fogo que acendeste na minha ira arderá para sempre” ( Jr 17:4 ).

A Assíria foi uma vara na mão de Deus para punir a apostasia de Israel. Como a Assíria foi comissionada para roubar e despojar o povo de Israel segundo o estabelecido por Deus, a Assíria por sua vez sentiu-se poderosa a ponto de conquistar muitas nações, de modo que foi punida pela sua imaginação vã “Ai da Assíria, a vara da minha ira, porque a minha indignação é como bordão em suas mãos. Enviá-la-ei contra uma nação hipócrita, e contra o povo do meu furor lhe darei ordem, para que lhe roube a presa, e lhe tome o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas. Ainda que ele não cuide assim, nem o seu coração assim o imagine; antes no seu coração intenta destruir e desarraigar não poucas nações” ( Is 10:5 -7).

Observe que Deus anunciou de antemão que enviaria os Assírios contra uma nação hipócrita, ou seja, os israelitas. Embora não tivessem consciência (não sabiam) do papel que desempenhavam, os Assírios foram enviados para executar a indignação divina como vara de correção.

De igual modo Deus instituiu os babilônicos, sendo Nabucodonosor intitulado de ‘meu servo’, comissionado para punir a rebeldia da casa de Israel. Diante da invasão dos caldeus era para os filhos de Jacó se lembrarem do cântico de Moisés e das prescrições contidas na lei e se voltarem para Deus. No entanto, quanto mais eram castigados, mais eles se afastavam de Deus. Não consideravam as Escrituras como fez o profeta Daniel ( Dt 28:25 compare com Dn 9:11 ).

Quando os profetas protestavam contra os filhos de Israel, bastava eles se lembrarem do cântico de Moisés, ou das bênçãos e das maldições que contavam no livro do Deuteronômio, onde foi estabelecido que Deus enviaria nações que os levariam cativos “Porque eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcha sobre a largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas” ( Hc 1:6 ); “Portanto assim diz o SENHOR: Eis que eu entrego esta cidade na mão dos caldeus, e na mão de Nabucodonosor, rei de Babilônia, e ele a tomará” ( Jr 32:28 ); “Porque assim diz o SENHOR: Eis que farei de ti um terror para ti mesmo, e para todos os teus amigos. Eles cairão à espada de seus inimigos, e teus olhos o verão. Entregarei todo o Judá na mão do rei de Babilônia; ele os levará presos a Babilônia, e feri-los-á à espada” ( Jr 20:4 ); “Eis que eu enviarei, e tomarei a todas as famílias do norte, diz o SENHOR, como também a Nabucodonosor, rei de Babilônia, meu servo, e os trarei sobre esta terra, e sobre os seus moradores, e sobre todas estas nações em redor, e os destruirei totalmente, e farei que sejam objeto de espanto, e de assobio, e de perpétuas desolações” ( Jr 25:9 ).

O veredicto de Deus contra a nação de Israel era serem castigados e repreendidos pela malicia dos lideres e apostasia do povo A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão; sabe, pois, e vê, que mal e quão amargo é deixares ao SENHOR teu Deus, e não teres em ti o meu temor, diz o Senhor DEUS dos Exércitos” ( Jr 2:19 ).

Vale destacar que os filhos de Israel sempre foram dados aos sacrifícios, votos e ofertas, porém as ofertas e sacrifícios de Israel eram o mesmo que abominação diante de Deus, uma violência, pois a iniquidade do povo comprometia o que era ofertado ( Is 1:28 ).

A vinda do Messias foi uma nova oportunidade para a nação de Israel, mas o povo rejeitou o autor da vida. Como a nação rejeitou o Cristo, a nação também foi rejeitada, e, após o termino do tempo dos gentios, iniciará a última semana prevista por Daniel, momento que se cumprirá a revelação da prostituta assentada sobre a besta.

O evangelista João viu duas figuras: uma mulher grávida e uma meretriz ( Ap 12:2 ; Ap 17:1 ). A mulher vestida de sol representa a estabilidade da promessa feita aos pais ( Dt 9:5 ), já a meretriz refere-se aos filhos de Jacó que se mostraram aleivosos desde que foram arrancados do Egito, e com as suas abominações quebraram a aliança ( Dt 9:7 ).

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A mulher e o dragão

A visão da mulher e do dragão no Livro das Revelações destaca o papel da nação de Israel, e não o papel de um indivíduo. A promessa do Cristo foi feita a Abraão para cumprir-se nos seus descendentes, na nação de Israel, ou seja, não foi feita uma promessa a Maria. Embora o Cristo foi gerado no ventre de Maria, a visão não se refere a ela. Eva também não é a mulher vestida de sol, apesar de Deus ter dito ao dragão, a antiga serpente que haveria inimizade entre a serpente e a mulher, e entre a descendência do dragão e o descendente da mulher ( Gn 3:15 ).


As várias visões que o evangelista João teve na ilha de Patmos foram registradas no Livro das Revelações, também conhecido como o Livro do Apocalipse. 

O livro do Apocalipse geralmente é rotulado como o livro que fala do ‘fim’ – das últimas coisas – entretanto, o livro do Apocalipse também aborda questões e eventos da origem (Gênesis), ou até mesmo evento antes da criação do mundo. 

Iniciaremos a análise e estudo do Livro do Apocalipse no capítulo 12, visto que as figuras deste capítulo servem de chave para compreendermos as demais visões contidas no Livro das Revelações. 

As referências bíblicas citadas são essenciais à análise das figuras, visto que o livro é riquíssimo em figuras, uma peculiaridade que não se restringe ao livro das Revelações, pois várias figuras permeiam toda a bíblia, portanto as referências devem ser lidas e comparadas. 

Quem se propõe a interpretar o livro do Apocalipse, ao menos dever ler os livros de Deuteronômio, Salmos, Provérbios, Isaias, Jeremias, Ezequiel, Malaquias, Miqueias, Sofonias, Daniel, Mateus e Tessalonicenses, etc., para não inserir na interpretação opinião distanciada da mensagem que Deus revelou ao apóstolo João. 

Diferente de outras visões que descrevem a condição do povo de Israel (pecado) e eventos futuros (redenção), as visões contidas no capítulo 12 apresentam passado, presente e o futuro dos israelitas.

 Apocalipse 12, versos 1 à 17 

1  E VIU-SE um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça. 2  E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz. 

Após a visão dos sete selos e das sete trombetas, o evangelista vê um grande sinal nos céus. Os sinais que ele vê quando em espírito apresenta uma ‘visão’ panorâmica da história de Israel.

O apóstolo viu:

  • Uma mulher;
  • Vestida do sol;
  • A lua estava sob os seus pés;
  • Havia uma coroa sobre a sua cabeça;
  • A coroa possuía doze estrelas;
  • A mulher estava grávida;
  • Com dores de parto.

Estes dois versos não oferecem elementos suficientes para compor uma ideia ou correlação, pois ainda não foi apresentado um contexto que dê para correlacionar as figuras que compõe o ‘quadro’.

 

3  E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas. 4  E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; 

Após ver uma mulher ‘vestida’ do sol, o evangelista viu outra imagem: um dragão: “E viu-se outro sinal no céu…”. Nesta visão é destacada as características do dragão: grande, vermelho, com sete cabeças e dez chifres e sete diademas.

A visão destaca um elemento curioso: a cauda do dragão. A cauda do dragão (cor de fogo) fez com que a terça parte das estrelas a seguisse, e a terça parte das estrelas do céu foram lançadas sobre a terra.

As estrelas vistas neste sinal não são às incontáveis estrelas celestes, até porque o evangelista está narrando uma visão composta de figuras.

 

4 e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho. 5  E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.

As duas figuras apresentadas compõe um quadro único, e o verso quatro une os dois, demonstrando que as visões da mulher e do dragão estão interligadas.

O dragão, ao parar diante da mulher, tinha o interesse de destruir a criança que estava no ventre da mulher que gritava com ânsias de dar a luz. O dragão estava pronto para tragar a criança quando ela nascesse (v. 4).

O verso 5 trás um elemento chave que possibilita fazer afirmações sobre as visões.

A mulher vestida de sol diz da nação de Israel, pois o Cristo segundo a carne veio dos pais Abraão, Isaque e Jacó. As doze estrelas na cabeça da mulher simbolizam as doze tribos de Israel conforme a aliança que Deus estabelecera com os pais (Abraão, Isaque e Jacó) “Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente” ( Rm 9:5 ).

A mulher trouxe à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro! Quem seria este menino? O salmo segundo responde: “Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão. Tu os esmigalharás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro” ( Sl 2:7 -9; Is 66:7 ;  Ap 19:15 ).

O salmo 2 é messiânico, como atesta o escritor aos Hebreus ( Hb 1:5 ), e, como há somente uma pessoa destinada a reger todas as nações com vara de ferro – Jesus Cristo – podemos afirmar com confiança que o filho da mulher que estava grávida diz da pessoa de Jesus. Somente Cristo há de reger todas as nações de modo firme. A Cristo Deus prometeu as nações por herança e a terra por possessão ( Sl 2:8 ; Is 11:4 ; 1Co 15:24 -25).

O verso 5 contém dois tempos verbais distintos: ‘deu à luz’ e ‘há de reger’, o que demonstra que o filho que havia de nascer da mulher é evento passado (deu à luz), mas o tempo em que o filho da mulher vestida de sol regerá as nações ainda está por vir (há de reger) “E fala-lhe, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis aqui o homem cujo nome é RENOVO; ele brotará do seu lugar, e edificará o templo do SENHOR. Ele mesmo edificará o templo do SENHOR, e ele levará a glória; assentar-se-á no seu trono e dominará, e será sacerdote no seu trono, e conselho de paz haverá entre ambos os ofícios” ( Zc 6:12 -13).

Através da profecia de Zacarias temos dois elementos a destacar: Cristo é o renovo do Senhor ( Is 53:2 ). Quando é dito que o renovo brotará do seu lugar, demonstra que o Cristo descenderá da linhagem de Davi e, que é Ele que edifica o templo do Senhor.

Ora, o templo do Senhor é a Igreja, o seu corpo, de modo que a Igreja leva sobre si a glória de Deus. Esta profecia tem relação direta com a Igreja, pois Cristo e a pedra angular do templo construído por Deus e não por mãos humanas ( Ef 2:21 ; At 17:24 ).

Após o templo do Senhor ser erguido, Cristo se assentará no trono do seu Pai, Davi, e regerá as nações com vara de ferro e dominará. Neste tempo não haverá distinção entres os ofícios de rei e sacerdote, pois em Cristo haverá a união de ambos os ofícios “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra” ( Jr 23:5 ).

A visão também demonstra que, embora o dragão estivesse posicionado para destruir o Cristo, não teria êxito na sua empreitada, pois o Cristo é tirado deste mundo para estar com Deus, assentando-se a destra do trono de Deus ( Mt 19:28 ; Is 53:8 ; Dn 9:26 ).

A visão destaca o papel da nação de Israel, e não o papel de um indivíduo. A promessa do Cristo foi feita a Abraão para cumprir-se nos seus descendentes, na nação de Israel, ou seja, não foi feita uma promessa a Maria. Embora o Cristo foi gerado no ventre de Maria, a visão não se refere a ela.

Eva também não é a mulher vestida de sol, apesar de Deus ter dito ao dragão, a antiga serpente que haveria inimizade entre a serpente e a mulher, e entre a descendência do dragão e o descendente da mulher ( Gn 3:15 ).

A Sétima trombeta do capítulo 11, versos 15 à 19 diz respeito ao menino que foi gerado pela mulher e arrebatado para o seu trono. Enquanto o capítulo 12 aponta para o Cristo que há de reger as nações, a Sétima trombeta noticia que o reino do Cristo é inaugurado ( Sl 110:1 -7), a revolta das nações ( Sl 2:1 -12), e o julgamento final.

Em suma, a visão da mulher e do dragão é uma descrição da história de Israel feito com figuras ( Is 54:5 ; Jr 3:6 -10; Os 2:19 -20). Israel é a nação (mulher), escolhida por Deus para trazer o Cristo ao mundo (gravida). Apesar de Satanás, a antiga serpente (dragão) querer devorar o menino que a mulher estava para dar a luz (Jesus), não conseguiu o seu intento, pois o menino que veio ao mundo foi arrebatado por Deus para o seu trono.

A serpente somente feriu o calcanhar do descendente da mulher, mas o descendente da mulher feriu a cabeça da serpente quando foi tomado para Deus ( Gn 3:15 ).

 

6  E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias. 

A mulher que foge para o deserto não pode ser a igreja, pois a igreja é o corpo de Cristo, e Cristo a cabeça (Mt 16:18 ). A igreja é o corpo de Cristo, e não há registro bíblico de que a igreja tenha gerado um filho.

Não há tempo estabelecido na bíblia para a igreja (judeus e gentios), de modo que o período de tempo de mil duzentos e sessenta dias (três anos e meio=metade de uma semana de anos=1 semana equivale a sete anos) aplica-se exclusivamente à nação de Israel, como se lê no livro de Daniel ( Dn 9:27 ; Ap 12:14 ).

A visão apresenta os eventos de Israel em ordem cronológica.

  • A mulher gravida;
  • O intento do dragão;
  • O dragão é frustrado;
  • O filho é tirado para assentar-se no seu trono;
  • A mulher foge para o deserto;
  • A mulher fica por um período de tempo sob os cuidados de Deus.

Após Cristo ter sido arrebatado para o seu trono, abriu-se a plenitude dos gentios e a contagem de tempo para mulher foi suspenso ( Rm 11:25 ). Quando for encerrada a plenitude dos gentios, a mulher (Israel) fugirá para o deserto.

‘Deserto’ não diz de um lugar árido, sem água e sem vegetação, antes é uma figura das aflições e provações pertinentes ao período de grande tribulação previsto, quando Deus tratará com o seu povo em particular e, em seguida dar-se-á a conversão de Israel “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” ( Os 2:14 ).

Observe que Deus tirou Israel de uma terra pagã (Egito) e os atraiu ao deserto, mas não deram credito ao Senhor. Foram provados e reprovados, pois os seus corações permaneciam desejosos das coisas dos Egito ( Nm 11:5 -6; Dt 8:3). Cristo foi levado ao deserto pelo Espírito para ser provado, e venceu ( Mt 4:1 ). A mulher (Israel) ao seu tempo também será levada ao deserto (aflição), onde se converterá ao Senhor.

O que o apóstolo João relata nas suas visões não foi engenhosamente composto por ele, antes ele resignou-se a relatar o que efetivamente viu, pois ao final do Livro do apocalipse a exortação é clara: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro” ( Ap 22:18 ).

“Mas ele acrescentou de sua própria colheita algo que todos os pagãos da Ásia Menor eram capazes de reconhecer como parte da antiga representação babilônica da divindade. Muito frequentemente representavam a seus deuses com uma coroa na qual eram representados os doze signos do zodíaco. É como se João tivesse tomado todos os símbolos da divindade e da beleza que conhecia e os tivesse reunido nesta descrição” Barclay, William, Apocalipse, Pág. 298.

A acusação de Barclay é gravíssima e leviana, pois ele aduz que o apóstolo acresceu de si mesmo algo à Revelação. A afirmação de Barclay sugere que a visão de Deus não foi efetiva e que o apóstolo precisou compor de si mesmo a mensagem, lançando mão de símbolos do paganismo.

Se o apóstolo João acresceu de si mesmo algo à visão, elas não são dignas de aceitação, pois não haveria como separar o que é dá ‘colheita’ do apóstolo, e o que seria a visão de Deus.

Tanto Barclay quanto Moody classificam o dragão como arqui-inimigo de Deus, porém, Deus não possui arqui-inimigo. Satanás não está em pé de igualdade com Deus. Satanás é criatura de Deus, nomeia Deus de Altíssimo.

Satanás é inimigo dos homens, e não de Deus. Cogitar que Satanás é inimigo de Deus não passa do imaginário popular e das lendas dos povos. Deste imaginário surgiu o dualismo (bem versus mal), pensamento que não reflete a verdade bíblica.

 

7  E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; 8  Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. 9  E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele. 

A batalha deste versículo (v. 7) é a explicação da visão da cauda do dragão do verso 4. A batalha se deu antes da mulher dar à luz ao menino, pois a descrição da cauda remete a eventos passados. A cauda aponta para eventos do passado do dragão.

Verso 4: “E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho”. Primeiro a cauda arrasta após si terça parte das estrelas e, posteriormente o dragão para diante da mulher quando ela ainda não havia dado a luz.

Cronologicamente, primeiro se deu a batalha nos céus (cauda do dragão), evento descrito pela cauda do dragão. O dragão é visto aguardando o nascimento daquele que há de reger as nações, mas o Cristo foi tomando para Deus. A batalha no céu não se deu quando Cristo ressurgiu e foi assunto aos céus e nem se dará na grande tribulação, quando a mulher fugir para o deserto (v. 14).

Enquanto as outras narrativas inicia-se com ‘Viu-se um sinal no céu…’, o verso 7 somente noticia que houve um batalha no céu. Este não é um evento histórico que a humanidade possa comprovar, como é o caso do evento da ‘mulher’ quando ficou frente ao ‘dragão’ que queria devorar o seu ‘filho’.

A visão do dragão e a referência a cauda (v. 4) representa uma ‘batalha’ no céu (vv. 7 -9), porém, foge do exposto na bíblia a ideia de que uma horda de demônio intentou invadir os céus para lutar contra Cristo.

Quando Cristo ascendeu aos céus, foi lhe dado todo poder. A glória que Jesus Cristo homem possuía antes de haver mundo, voltou a pertencer-Lhe, o que torna descabido uma tentativa de invasão da glória celeste por anjos caídos ( Jo 17:5 ).

Nada há o que ou quem se possa comparar com o poder de Deus. Quando o apóstolo Paulo fala da ação de Deus ao aniquilar o iniquo que virá sobre a eficácia de Satanás, demonstra que o sopro de Deus será suficiente.

A cauda do dragão aponta um evento passado: a rebelião de Satanás e a queda dos anjos, pois não guardaram os seus principados.

Quando nos deparamos com a narrativa de uma batalha no céu, não podemos considerar que houve um embate corpo a corpo, com lanças, espadas e vara paus entre anjos, pois estes seres não estão sujeitos às leis da física. O embate que houve nos céus não se deu à semelhança dos embates que há entre os homens quando em guerra.

A batalha nos céus se deu com palavras, exposição de ideias, assim como foi a disputa a respeito do corpo de Moises e da condição do sumo sacerdote Josué “Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda” ( Jd 1:9 ); “Mas o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreenda, ó Satanás, sim, o SENHOR, que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado do fogo?” ( Zc 3:2 ).

Miguel e os anjos debateram com Satanás e seus anjos ( Ap 12:7 ), porém, Satanás (dragão) não prevaleceu e o seu lugar deixou de ser os céus. A única arma poderosa que há em uma batalha espiritual é a autoridade da palavra da justiça e da verdade: a palavra de Deus.

No verso 9 o apóstolo João descreve a queda de Satanás e dos seus anjos.

O dragão é apontado como a antiga serpente (Diabo, Satanás, Enganador), a mesma que abordou e enganou Eva no jardim do Éden.

Quando o dragão foi precipitado, a sua cauda arrastou após si terça parte das estrelas (anjos) “E a sua cauda levou após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra” (v. 4). O que o apóstolo João viu em visão, Jesus presenciou acontecer: “E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu” ( Lc 10:18 ).

O dragão foi o querubim que Deus criou e o empossou como guarda no monte santo que ficava no Éden antes da criação e queda do homem. O lugar deste querubim não era os céus junto as outras estrelas de Deus, antes ficava no Éden ( Ez 28:13 ).

Este querubim nunca regeu corais de anjos, como sugere o imaginário popular, antes ele era guarda. Como guarda, possuía indumentária que o distinguia dos demais anjos e o tornava investido de autoridade sobre os demais ( Ez 28:13 -14).

Satanás, quando foi criado, era perfeito, tanto em formosura quanto em sabedoria ( Ez 28:12 ), mas certa ocasião achou-se iniquidade nele, pois quis lucrar (comércio) com a sua posição. Aquilo que ele foi comissionado para guardar, seu coração desejou e seu interior encheu-se de violência (injustiça), pois passou a dizer em seu coração “Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte. Subirei acima das mais altas nuvens, serei semelhante ao Altíssimo” ( Is 14:13 -14).

Ele não guardou a sua posição (principado), a de guarda, pois ficou interessado na posição que seria dada a Cristo e os seus descendentes: a semelhança do Altíssimo. Enquanto Satanás acreditou que subir acima dos outros anjos (estrelas de Deus) o tornaria ‘semelhante’ ao Altíssimo, Deus desceu para fazer o homem a sua imagem e semelhança.

Satanás não buscou ser igual a Deus ou ser maior que o próprio Deus, pois não é factível que a criatura tome o lugar do Criador. Satanás, quando estabelece o seu plano, nomeia o Criador de Altíssimo em seu coração ( Is 14:14 ), pois Deus é o inatingível. Satanás buscou a semelhança, o que Deus propôs conceder aos homens.

“Há nas Escrituras o eco de uma antiga tradição sobre uma guerra que se teria travado no céu. Segundo esta história Satanás teria sido um anjo tão ambicioso para querer ser maior que Deus. Concebeu, assim, a ideia impossível de colocar seu trono mais alto que o trono divino (2 Enoque 29:4-5)” Barcley Pág. 304.

Outra colocação descabida de Barcley, é a de que há eco da tradição nas Escrituras. As estórias, fábulas e impressões narradas pela tradição não foram recepcionadas nas Escrituras, pois a tradição não é a infalível revelação de Deus.

Quando o dragão subiu do Éden e chegou aos céus, tentou convencer os anjos de que o seu intento era plausível. Nesta empreitada a terça parte dos anjos o seguiu e foram precipitados da sua posição (Jd 1:6 ). Por causa do seu resplendor, sabedoria e formosura, Satanás achou-se digno de lançar mão da semelhança do Altíssimo, porém, esta glória estava reservada para o Verbo encarnado quando retornasse à glória do Pai “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ); “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas” ( Hb 1:3 ).

Embora fosse guarda no Éden e vislumbrasse a nova posição na hierarquia celestial que estava para surgir, a de semelhante ao Altíssimo, o dragão não compreendia o mistério da multiforme sabedoria de Deus, que só foi revelado aos anjos através da Igreja: que Cristo é a expressa imagem de Deus, a cabeça da igreja, e que todos os que ressurgem com Ele serão semelhantes a Ele “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” ( Cl 1:15 e 18; 1Jo 3:2 ; Ef 3:10 ).

Enquanto o apóstolo João narra os eventos pertinentes à cauda do dragão nos versos 7 à 9, Barcley sugere que Satanás perseguiu o Cristo quando foi tomado para assentar-se no seu trono “A ideia é que a fúria do dragão era tal que seguiu ao Messias até o próprio céu, onde lhe saíram ao encontro Miguel e suas legiões, os quais conseguiram lançá-lo de volta ao abismo” Idem, Pág. 304.

Quem é Satanás (criatura) para se opor ao Senhor Jesus Cristo (Criador) glorificado? Como a criatura pode opor-se ao Criador? O Criador não pode defender-se a Si mesmo que dependa de seus ministros mensageiros (anjos)?

 

10  E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite. 11  E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte. 12  Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo. 

O apóstolo João ouviu uma grande voz que anuncia um novo tempo. ‘Agora’, o dia sobremodo oportuno, o dia de salvação está vinculado ao nascimento do menino que a ‘mulher’ deu a luz. O menino que nasceu é o Filho que Deus prometeu através do profeta Isaias: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” ( Is 9:6 -7).

Com o nascimento de Cristo veio salvação a todos os homens. Por intermédio de Cristo foi concedido salvação, o poder de serem feitos filhos de Deus. Cristo estabelece o reino de Deus, pois o evangelho é poder de Deus para salvação dos que creem.

Através da morte de Cristo, que se deu em obediência ao Pai, o dragão que se opunha dia e noite aos servos de Deus – Satanás – é vencido (derrubado) “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” ( Ap 3:21 ); “Desde agora o Filho do homem se assentará à direita do poder de Deus” ( Lc 22:69 ).

A descrição de que o filho que a mulher dera a luz foi arrebatado para Deus e para o seu trono apresenta o Cristo como vencedor “E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro…” ( v. 5; Mt 25:31 -32 ; Mt 19:28 ; Ap 19:15 ; Ap 3:21 ).

Os versos 10 à 12 de Apocalipse 12 demonstram que os que creem em Cristo são vencedores por causa da morte do Cordeiro de Deus e da palavra do seu testemunho (evangelho). Quem crê em Cristo não ama a sua própria vida, antes abriram mão dela “Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará” ( Lc 9:24 ).

“E não amaram as suas vidas até à morte” (v. 9), não é o mesmo que ser martirizado, antes a entrega total a Cristo, crendo no evangelho, pois ao crer no enviado de Deus, o homem morre com Cristo e deixa de viver, e a vida que passa a viver, vive-a na fé no Filho de Deus “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” ( Gl 2:20 ).

O pensamento: “O martírio é, por si mesmo, uma vitória sobre Satanás. O mártir, esse homem que preferiu sofrer antes que negar sua fé ou claudicar só uma milésima parte de sua lealdade, é alguém que demonstrou ser superior a qualquer tentação de Satanás, a suas ameaças e até a sua violência” Barcley, Pág. 309., não reflete a verdade do evangelho, pois o que vence o mundo é a personificação da fé, ou seja, a fé manifesta, e não a disposição em ser mártir “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé” ( 1Jo 5:4 ); “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” ( Gl 3:23 ).

Diante das boas novas anunciadas – de que Cristo assentou-se no seu trono vencedor e que os que creem também são vencedores – é proclamado aos céus que exultem “Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais” (v. 12).

Enquanto os que habitam os céus exultam, é lançado um ‘Ai’ sobre os moradores do mundo (terra e mar). Em seguida a voz que o apóstolo João ouve apresenta o motivo: “… porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo” (v. 12).

 

13  E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem. 14  E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente. 

O evangelista João vê quando o dragão (Satanás) se dá conta que perdera o seu principado ao ser lançado na terra (cauda do dragão), e passou a perseguir a mulher (Israel).

As Escrituras mostra que Israel, como nação, sofreu e sofre perseguição, porém, o evangelista descreve um período específico estabelecido para a mulher (mil duzentos e sessenta dias), quando é concedidas asas de grande águia (providência semelhante à concedida a Israel quando tirado com mão forte do Egito), para que a mulher voasse (deslocasse) para o deserto ( Ex 19:4 ).

O deserto é lugar de juízo, prova, onde a mulher (Israel) permanecerá por um período estabelecido: um tempo, e tempos, e metade de um tempo “E o juízo habitará no deserto, e a justiça morará no campo fértil” ( Is 32:16 ; Os 2:14 ; Ez 34:25 ; Jr 31:2 ; Mq 7:15 ).

O ‘deserto’ é frequente na história de Israel, assim como os ‘períodos de tempos’ estabelecidos. É no deserto que Deus fala ao coração do seu povo “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” ( Os 2:14 ).

Inicialmente foi profetizado a Abraão a aflição dos seus descendentes em terra alheia e o tempo de permanência do povo de Israel no Egito: “Então disse a Abrão: Sabes, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos” ( Gn 15:13 ).

Quando o povo de Israel foi tirado do Egito, foi Deus quem os guiou ao deserto por um caminho mais extenso, um cuidado para que não voltassem ao Egito ( Ex 13:17 ), de modo que Faraó chegou à conclusão que o povo estava embaraçado e presos no deserto ( Ex 14:3 ).

Os espias passaram quarenta dias observando a terra prometida ( Nm 13:25 ), e quando não confiaram no Senhor e não quiseram entrar na terra prometida, foi estabelecido um ano para cada dia que espiaram a terra, de modo que foram afligidos por quarenta anos no deserto ( Nm 14:34 ).

Moisés deixou claro que a aflição por quarenta anos no deserto era para dar entender ao povo que não é de pão que o homem vive, antes que vive pela palavra que sai da boca de Deus ( Dt 8:3 ). Ora, o deserto é lugar de humilhação, prova e instrução. É o lugar em que o povo de Israel tem um encontro com Deus.

Assim como Israel foi conduzido por Deus ao deserto para ser provado, Jesus foi conduzido ao deserto para ser provado ( Mt 4:1 ). No deserto há um embate entre a verdade e a mentira, entre o engano do diabo e a verdade da palavra de Deus.

A mulher da visão do apóstolo João será conduzida ao deserto e será posta a prova. De um lado haverá um rio para traga-la, e do outro a terra para absorver o rio.

Assim como Israel foi tirado do Egito e conduzido ao deserto para lançarem de si os seus ídolos, a ‘mulher’ (Israel) será conduzida ao deserto onde Deus entrará em juízo com a nação de Israel “O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos dos gentios, no meio dos quais estavam, a cujos olhos eu me dei a conhecer a eles, para os tirar da terra do Egito. E os tirei da terra do Egito, e os levei ao deserto (…) E vos levarei ao deserto dos povos; e ali face a face entrarei em juízo convosco; Como entrei em juízo com vossos pais, no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo convosco, diz o Senhor DEUS. Também vos farei passar debaixo da vara, e vos farei entrar no vínculo da aliança” ( Ez 20:9 -10 e 35 -37).

Assim como Israel saiu do Egito e passou quarenta anos no deserto sendo sustentado e provado por Deus por causa da incredulidade, de igual modo está estabelecido que a mulher ficará um tempo, e tempos, e metade de um tempo sustentada e cuidada por Deus em tempos de aflição qual nunca houve, de modo que os filhos de Israel lançarão de si os seus ídolos e passarão a confiar em Deus “E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o SENHOR teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não. E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem. Nunca se envelheceu a tua roupa sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos. Sabes, pois, no teu coração que, como um homem castiga a seu filho, assim te castiga o SENHOR teu Deus” ( Dt 8:2 -5).

No período de grande tribulação, a mulher será levada ao deserto porque somente os que ‘habitam’ no deserto inclinarão perante o Cristo glorificado “Aqueles que habitam no deserto se inclinarão ante ele, e os seus inimigos lamberão o pó” ( Sl 72:9 ). Quando os que sobrarem de Israel naquele dia inclinar-se perante o renovo do Senhor, e chorarem amargamente ao verem aquele que trespassaram, os seus inimigos serão derrotados “Naquele dia o renovo do SENHOR será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra excelente e formoso para os que escaparem de Israel” ( Is 4:2 ); “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” ( Zc 12:10 ).

Cumprir-se-á a promessa: “E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado” ( Is 60:21 ). 

Após a provação e as aflições daqueles dias se cumprirá a promessa: “Dize-lhes pois: Assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu tomarei os filhos de Israel dentre os gentios, para onde eles foram, e os congregarei de todas as partes, e os levarei à sua terra.  E deles farei uma nação na terra, nos montes de Israel, e um rei será rei de todos eles, e nunca mais serão duas nações; nunca mais para o futuro se dividirão em dois reinos.  E nunca mais se contaminarão com os seus ídolos, nem com as suas abominações, nem com as suas transgressões, e os livrarei de todas as suas habitações, em que pecaram, e os purificarei. Assim eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus. E meu servo Davi será rei sobre eles, e todos eles terão um só pastor; e andarão nos meus juízos e guardarão os meus estatutos, e os observarão. E habitarão na terra que dei a meu servo Jacó, em que habitaram vossos pais; e habitarão nela, eles e seus filhos, e os filhos de seus filhos, para sempre, e Davi, meu servo, será seu príncipe eternamente. E farei com eles uma aliança de paz; e será uma aliança perpétua. E os estabelecerei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles para sempre. E o meu tabernáculo estará com eles, e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” ( Ez 37:21 -27).

 

15  E a serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, para que pela corrente a fizesse arrebatar. 16  E a terra ajudou a mulher; e a terra abriu a sua boca, e tragou o rio que o dragão lançara da sua boca. 

A serpente é Satanás, o dragão que perseguiu a mulher ( Ap 12:9 ; Ap 20:2 ). Satanás arremessa de sua boca atrás da mulher ‘água como um rio’. Ora, o que sai da boca de Satanás é engano (lançou) ( Jo 8:44 ).

Mas, o engano, a mentira que é lançada da boca da Serpente compara-se a águas torrenciais de um rio. ‘Água’ representa doutrina, mensagem, palavra, que na figura, diz da palavra do engano, da mentira.

O salmista – ao falar da vaidade e da falsidade – demonstra que o engano é comparável as muitas águas de um rio “Estende as tuas mãos desde o alto; livra-me, e arrebata-me das muitas águas e das mãos dos filhos estranhos, Cuja boca fala vaidade, e a sua mão direita é a destra de falsidade” ( Sl 144:7 -8; Sl 72:14 ).

Somente Deus pode livrar o homem da boca daqueles que proferem vaidade (mentira) cuja força (destra) é a falsidade.

Quando o salmista faz a seguinte declaração: “Por isso, todo aquele que é santo orará a ti, a tempo de te poder achar; até no transbordar de muitas águas, estas não lhe chegarão. Tu és o lugar em que me escondo; tu me preservas da angústia; tu me cinges de alegres cantos de livramento” (Selá.) ( Sl 32:6 -7), o ‘transbordar das muitas águas’ refere-se ao espírito de engano, à mentira.

Somente os que confiam na palavra de Deus estão protegidos (abrigados, escondidos) dos lábios mentirosos ( Sl 32:2 ; Sl 31:18 e 20), mesmo que o engano ‘transborde’, não arrebatará o que crê.

A ação de Satanás sempre se processou através do engano, da mentira, mas, as ações da serpente descritas nos versos 15 à 17 dar-se-á em um período específico e de dois modos.

No verso 15 e 16 é exposto qual será o primeiro modo de atuação da serpente ao perseguir a ‘mulher’, e no verso 17 vê-se que a tática da Serpente mudará, conforme se depreende da mudança que há na visão, pois inicialmente o verso aponta para a Serpente e após utiliza a figura da Serpente, o dragão. Em decorrência da sua ira, o dragão porá em aperto a mulher através da guerra utilizando-se dos reis e reinos da terra.

No início da última semana de anos (sete anos) que terá início após o termino da plenitude dos gentios ( Rm 11:25 ), a ação da serpente será ‘destilar’ o seu veneno por três anos e meio. Será um período de engano, a mentira agirá de modo torrencial. O engado terá o seu curso através de falsos profetas e falsos cristos ( Mt 24:5 e 11; Mt 24:24 -26).

A mentira proveniente da boca da serpente, que é comparável a um rio, se dará em decorrência da manifestação do iníquo que virá sobre a eficácia de Satanás “E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem” ( 2Ts 2:9 -10).

No verso 15 a ‘água’ simboliza doutrina, que por ser proveniente da boca da serpente refere-se ao engano, portanto, diz da doutrina de engano “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” ( Jo 8:44 ).

As mentiras serão torrenciais e pelos sinais e prodígios de mentira operados pelo homem do pecado, o filho da perdição, angariará a credibilidade de modo que fará uma aliança com muitos em Israel ( 2Ts 2:4 ; Dn 9:27 ).

O iníquo é apresentado no capítulo 12 como a besta que subiu da terra e que possui dois chifres semelhantes aos de carneiros, mas que fala como o dragão ( Ap 13:11 ). Além do engano proveniente dos ‘chifres’ que tem aparência de carneiro (falsos profetas), farão grandes sinais e até fogo farão descer dos céus enganando a muitos ( Ap 13:13 -14).

Este período é descrito por Cristo como princípio das dores ( Mt 24:8 ), um período de grande apostasia, visto que os falsos profetas enganarão a muitos e a besta que subiu da terra fará aliança com muitos “E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador” ( Dn 9:27 ).

Neste período a ‘terra’ ajudará a mulher, tragando o rio que o dragão lançara. A terra diz da providencia divina em dar as duas testemunhas que profetizará vestidas de saco por um tempo, dois tempos e metade de um tempo, opondo-se a besta que subiu da terra ( Ap 11:3 ).

Da mesma forma que a vara de Moisés engoliu as serpentes dos encantadores do Egito, a ação das ‘duas oliveiras e dos dois candeeiros’ que estão diante do Senhor de toda a terra (as duas testemunhas) será profetizar e realizar sinais assim como fizera Moisés ( Ap 11:3 -8; Zc 4:11 -14).

Mas como a inundação proveniente da boca de Satanás não subverterá a mulher, pois ela permanecerá no deserto cercada dos cuidados de Deus “Então temerão o nome do SENHOR desde o poente, e a sua glória desde o nascente do sol; vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do SENHOR arvorará contra ele a sua bandeira” ( Is 59:19 ). Enquanto a mulher (Israel) permanecerá no deserto, haverá israelitas que farão aliança com a besta que subiu do mar, pois Satanás enganará a muitos ( Mt 24:11 ).

Satanás na sua ira (agora representado na visão como dragão), fará guerra ao ‘remanescente’ da ‘semente’ da mulher. Será um período de aflição, perseguição e de guerra jamais visto ( Mt 24:22 ), e o alerta de Cristo será o terreno firme (terra) que tragará a mentira (água) dos falsos cristos e profetas que impelirá os remanescentes a deixarem o deserto ou seus esconderijos: “Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis” ( Mt 24:23 -26).

É em função do volume de engano daqueles dias que é asseverado: “Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca” ( Mq 7:5 ). Se os próprios da nação disserem: – ‘Olha, o Cristo está ali’, não é para crerem, pois naqueles dias por causa do engano torrencial os inimigos serão os da própria nação “E então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo; ou: Ei-lo ali; não acrediteis” ( Mc 13:21 ); “Guardai-vos cada um do seu próximo, e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar, e todo o próximo anda caluniando” ( Jr 9:4 ).

O capítulo 7 de Miquéias demonstra qual será a confusão que se abaterá sobre os filhos de Israel e quando se dará a manifestação do Cristo: em um período de aflição qual nunca houve e nem haverá “E os entendidos entre o povo ensinarão a muitos; todavia cairão pela espada, e pelo fogo, e pelo cativeiro, e pelo roubo, por muitos dias” ( Dn 11:35 ; Jr 9:7 ; Is 48:10 ).

 

17  E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo. 

Além de lançar da sua boca ‘água com um rio’, na sua ira a Serpente (dragão) através de dez reinos (dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas) fará guerra ao ‘remanescente’ da sua ‘semente’.

O dragão, através dos reinos e reis da terra porá em aperto o ‘remanescente da semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo’. Este aperto virá em decorrência da ‘inundação’ de engano. Neste tempo há uma nítida diferença entre os que restarem da semente da mulher e a mulher, visto que o remanescente conhece o Cristo e guarda o seu testemunho, enquanto a mulher ainda não conhece o Cristo, apesar de estar ao abrigo de Deus no deserto.

Quando o salmista diz: “Ainda que as águas rujam e se perturbem…” ( Sl 46:3 ), ele faz referência as nações enfurecidas: “As nações se embravecem…” ( Sl 46:6 ); “Rugirão as nações, como rugem as muitas águas, mas Deus as repreenderá e elas fugirão para longe; e serão afugentadas como a pragana dos montes diante do vento, e como o que rola levado pelo tufão” ( Is 17:13 ; Sl 124 ; Sl 93 ).

Mas, para falarmos do ‘remanescente’ da sua semente, ou seja, dos que guardam os mandamentos de Deus, é necessário destacar que, no Antigo Testamento os povos da face da terra subdividiam-se em judeus e gentios. Havia uma grande separação, como atesta o apóstolo Paulo: “… naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” ( Ef 2:12 ).

Com o advento de Cristo e a rejeição de Israel, inaugurou-se a chamada ‘plenitude dos gentios’, de modo que de dois povos (judeus e gentios) foi feito um. Foi desfeita a inimizade, foi destruída a barreira de separação, e a igreja foi formada de ambos os povos ( Ef 2:14 ; Rm 11:12 e Rm 11:25 ).

Por Deus ter chamado Abraão dentre os gentios e feito a promessa, os filhos de Jacó estabeleceram um distinção entre os gentios e os descendentes da carne de Abraão, embora as Escrituras protestasse contra eles dizendo: “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:3 ).

O verdadeiro judeu seria o circuncidado no coração, porém, os filhos de Israel acreditavam que eram diferentes dos demais povos por praticarem a circuncisão do prepúcio (trocaram a realidade pela figura). Sabedor desta verdade ( Rm 2:29 ), de que não há distinção entre os povos quanto a salvação, o apóstolo Paulo desenvolveu o seu ministério entre os gentios “Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, exalto o meu ministério” ( Rm 11:13 ), e o apóstolo Pedro entre os judeus.

Independente de ministério, a igreja de Cristo é a união de todos os povos em um só corpo, e Cristo a cabeça ( Ef 5:23 ).

Neste tempo presente (plenitude dos gentios), há judeus que são salvos, porém, são salvos pela graça que há em Cristo quando creem n’Ele como o Cristo de Deus. Como são poucos os judeus que reconhecem o senhorio de Cristo, o apóstolo Paulo os chama de ‘remanescente’ “Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça” ( Rm 11:5 ).

O apóstolo Paulo lembra o seguinte a respeito do povo de Israel: “Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais” ( Rm 11:28 ). Vale destacar que, o remanescente de Romanos 11, verso 5 não é o mesmo remanescente de Apocalipse 12, verso 17.

A Igreja de Cristo inaugurou um reino celestial, de modo que Jesus disse: “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” ( Jo 18:36 ), mas quando da sua segunda vinda, Deus entregará os reinos deste mundo ao Filho, e Ele há de reger as nações e se assentará sobre o trono de Davi “Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai” ( Lc 1:32 ).

Após o arrebatamento da igreja terá início a contagem da última semana de anos prevista a Daniel (um tempo, dois tempos e metade de um tempo), quando se dará a plenitude do povo de Israel ( Rm 11:12 ). Neste ‘tempo’ a Igreja estará reunida com Cristo nos céus participando das bodas do Cordeiro.

Lembrando que, quando o evangelho de Cristo foi anunciado, foi anunciado aos homens de boa vontade “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens” ( Lc 2:14 ), e, quando iniciar o princípio de dores do qual Jesus falou, será necessário que o evangelho do reino em todo o mundo seja pregado para testemunho de todas as nações: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” ( Mt 24:14 ; Ap 14:6 -7).

O objetivo fim do evangelho de Cristo é a salvação do crente, que passa a compor o corpo de Cristo e que será arrebatado quando da vinda de Cristo. Já o evangelho do reino tem por objetivo as nações que, antes do reino milenar de Cristo iniciar, serão julgadas.

O fim não está relacionado com o arrebatamento da igreja, portanto, o arrebatamento não depende de que o ‘evangelho do reino’ seja apregoado ‘a todo o mundo e a todas as nações’. Mas, como evangelho do reino precede o fim, deve ser anunciado ‘a todo o mundo e a todas as nações’.

O capítulo 12 de Apocalipse trata tão somente da mulher, ou seja, de Israel como a nação escolhida por Deus para trazer ao mundo o Cristo. Daí vale salientar que a visão da mulher vestida do sol não se refere à Igreja de Cristo, e em momento algum faz alusão a ela.

O verso destaca que o dragão irou-se contra a mulher, e saiu resoluto a fazer guerra contra os demais, ou seja, aos que restaram da descendência. Outras traduções rezam: ‘… e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente’.

‘Os que restaram’ é o mesmo que ‘remanescente’, e a ‘descendência’ o mesmo que ‘semente’, ou do grego ‘sperma’ (esperma, semente, filho). No verso ‘descendência’ ou ‘semente’ está no singular, como se apontasse para uma única semente, e não para muitos ‘filhos’, como algumas traduções sugerem.

Na visão a mulher é apresentada tendo um único filho, de modo que a nação de Israel embora sendo muitos é apresentada por uma única figura: a mulher, e a mulher dá a luz a um único filho.

Vale frisar que, assim como o apóstolo Paulo destacou que a promessa foi feita ao pai Abraão e a seu descendente, de modo que a promessa não era para os seus ‘descendentes’ (como falando de muitos, mas como falando de um só), vale destacar que o descendente é Cristo, ou seja, a semente.

Apesar de o dragão irar-se contra a mulher, o dragão é visto fazendo guerra contra o remanescente da semente da mulher, e não contra o remanescente da mulher. Na visão não é representado o remanescente da mulher, antes é apontado o remanescente da ‘semente’ da mulher – Cristo – que são os que guardam os mandamentos de Deus e que possuem o testemunho de Jesus.

Vale distinguir dois grupos de remanescente. O ‘remanescente’ da semente, ou seja, o remanescente de Cristo, aqueles que se converterem a Cristo no período de tribulação após o arrebatamento da Igreja, e o remanescente de Israel, que são os judeus que aguardam a manifestação do Messias.

O remanescente da semente refere-se aos mártires que serão mortos na grande tribulação e que são provenientes de todos os povos, línguas e nações, e que ressurgirão e reinarão com Cristo por mil anos ( Ap 20:5 ). Estes homens serão mortos no período de tribulação e grande tribulação, mas voltarão a vida (ressurgirão) como homens e serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Cristo sobre todos os reinos da terra ( Ap 20:6 ).

O ‘remanescente’ de Israel refere-se aos judeus que permanecerão vivos no período de grande tribulação e entrarão no reino milenar de Cristo “E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado” ( Is 60:21 ). Este ‘remanescente’ será os judeus que verão o Cristo (Aquele que trespassaram) quando Ele colocar os seus pés sobre o Monte das Oliveiras, desfazendo com o sopro da sua boca o iniquo ( Zc 12:10 e Zc 14:4 ).

Ambos remanescentes entrarão no reino milenar de Cristo, a distinção está em que o ‘remanescente’ da semente é proveniente de todos os povos, línguas e nações e que durante o período de grande tribulação serão mortos por causa do testemunho de Cristo, pois não adoraram a besta, nem a sua imagem, e o remanescente de Israel serão os que permanecerão vivos durante o período de grande tribulação e entrarão no reino com Cristo “… e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos” ( Ap 20:4 ); “E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram” ( Ap 6:9 ).

O remanescente da semente é proveniente de todas as tribos, línguas e nações, que serão apresentados diante do trono de Deus com vestes brancas e palmas nas mãos, pois foram cortados da terra no período de grande tribulação por não se dobrarem perante a besta. No fim da grande tribulação serão ressuscitados, e reinarão com Cristo por mil anos juntamente com os filhos de Israel que escaparem com vida do aperto das nações “…e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos” ( Ap 20:4 ).

Sobre a guerra que se fará ao remanescente de Israel escreveu o profeta Zacarias: “Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres forçadas; e metade da cidade sairá para o cativeiro, mas o restante do povo não será extirpado da cidade” ( Zc 14:2 ). E é este o diagnostico de Isaias: “Também Isaías clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo” ( Rm 9:27 ); “Porque ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, só um remanescente dele se converterá; uma destruição está determinada, transbordando em justiça” ( Is 10:22 ).

Há uma guerra descrita pelo profeta Zacarias que antecede o período de mil anos que não possui registro nos anais da história, visto que o seu desfecho envolverá uma intervenção maravilhosa jamais imaginada anteriormente por homem algum segundo o que foi descrito pelo profeta: apodrecimento repentino das carnes dos cavaleiros e de suas montarias “E esta será a praga com que o SENHOR ferirá a todos os povos que guerrearam contra Jerusalém: a sua carne apodrecerá, estando eles em pé, e lhes apodrecerão os olhos nas suas órbitas, e a língua lhes apodrecerá na sua boca. Naquele dia também acontecerá que haverá da parte do SENHOR uma grande perturbação entre eles; porque cada um pegará na mão do seu próximo, e cada um levantará a mão contra o seu próximo” ( Zc 14:12 -13 e 15), então Deus fará o remanescente herdarem o reino ( Dn 7:14 e 18).

Esta guerra será um embate de exércitos e de reinos sob o comando do dragão (que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas) que colocará a cidade de Israel em aperto por um tempo, dois tempos e metade de um tempo ( Dn 7:25 ), restando nela os que aguardam o socorro do Messias e que naquele dia dirão: – ‘Bendito o que vem em nome do Senhor’ “Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor” ( Mt 23:39 ); “Eu, porém, olharei para o SENHOR; esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá” ( Mq 7: 7 ).

Este aperto se dará em função de Deus utilizar as aflições decorrentes da guerra perpetrada pelo dragão como crisol para ‘provar’ e ‘purificar’ a nação, de modo que 2/3 serão mortos ( Zc 13:8 ) e 1/3 do que sobrar sofrerá provações comparáveis ao ouro e a prata quando purificados no fogo ( Zc 13:9 ; Ml 3:3 ; Sf 3:13 ).

O que sobrar deste 1/3 passará pelo ‘fogo’, e o que restar será o remanescente de Israel que será salvo “Também Isaías clama acerca de Israel: ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo” ( Rm 9:27 ).

O remanescente da semente são os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus Cristo. O remanescente da semente não são os remanescentes de Israel, pois em vários textos bíblicos há um protesto de que eles não guardam a aliança.

Guardar o testemunho é crer no Cristo, o que Israel como nação não fará até que vejam o Cristo trespassado. Os remanescentes da semente são descritos como ‘bem-aventurados’, pois eles creram ( Ap 20:6 ), já o remanescente de Israel terá que ver o Cristo para se render a Ele, quando serão salvos ( Zc 12:14 ). Quando estiverem em aperto invocarão ao Senhor ( Ml 3:16 ; Mt 23:39 ), e Cristo virá: “E da sua boca tirarei o seu sangue, e dentre os seus dentes as suas abominações; e ele também ficará como um remanescente para o nosso Deus; e será como governador em Judá, e Ecrom como um jebuseu” ( Zc 9:7 ); “O remanescente de Israel não cometerá iniquidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; mas serão apascentados, e deitar-se-ão, e não haverá quem os espante. Canta alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te, e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém” ( Sf 3:13 -14); “Por isso levantou a sua mão contra eles, para os derrubar no deserto; Para derrubar também a sua semente entre as nações, e espalhá-los pelas terras” ( Sl 106:26 -27 ; Ap 13:1 ; Dn 7:25 ).

Durante a perseguição da serpente (grande tribulação) muitos filhos de Israel terão a mão amiga de alguns povos e nações, que serão favoráveis aos ‘pequeninos irmãos’ de Jesus (judeus dispersos), dando a eles o que comer quanto tiverem fome, ou água quando estiverem com sede ( Mt 25:35 -40), e serão estas nações e povos que, quando julgados ouvirão: – “Vinde, benditos de meu pai, possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” ( Mt 25:34 ).

Já com relação ao remanescente de todas as tribos, línguas e nações, são os que “não adorarem a besta e a sua imagem e nem aceitarem o ‘sinal’ da besta”, antes esperarão no Senhor, ou seja, são os que “guardam o mandamento e tem a promessa de Jesus”  “E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome. Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” ( Ap 14:9 -12; 19:10 e 19:19; Mq 7:7 ).

Na plenitude dos tempos Cristo foi gerado por Deus, lançado no ventre de Maria pelo Espírito Santo. Ele é o Verbo de Deus, a semente incorruptível ( Sl 22:10 ; 1Pe 1:23 ). Na visão do apóstolo João, Cristo é visto sendo gerado no ventre da mulher (Israel), de modo que há uma clara oposição entre a mulher e a Serpente, a semente da mulher e da Serpente, que representa a oposição entre a verdade e a mentira.

Como no Éden foi posto inimizade entre a Serpente e a mulhe, significando que haveria inimizade entre a semente (descendência) da mulher e a semente da Serpente, a visão expõe a inimizade que há entre as duas sementes “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” ( Gn 3:15 ).

A mulher da visão é vista dando a luz a um único Filho homem, portanto os ‘remanescentes’ da ‘semente’ são os que descendem de Cristo, visto que guardam os mandamentos de Deus, obedecendo ao testemunho de Cristo ( Ap 12:17 -18).

A benevolência do Senhor repousa sobre a semente do Cristo, pois somente a semente de Cristo serve a Deus “Pois engrandece a salvação do seu rei, e usa de benignidade com o seu ungido, com Davi, e com a sua semente para sempre” ( Sl 18:50 ); “Uma semente o servirá; será declarada ao Senhor a cada geração” ( Sl 22:30 ).

Os que amam o nome do Senhor são os que guardam os mandamentos de Deus, portanto herdará e habitarão em Sião “E herdá-la-á a semente de seus servos, e os que amam o seu nome habitarão nela” ( Sl 69:36 ).

A promessa de Deus repousa sobre o seu Ungido, sendo estabelecida a sua semente e edificado o seu trono para sempre “A tua semente estabelecerei para sempre, e edificarei o teu trono de geração em geração. (Selá.)” ( Sl 89:4 ); “E conservarei para sempre a sua semente, e o seu trono como os dias do céu” ( Sl 89:29 ); “A sua semente durará para sempre, e o seu trono, como o sol diante de mim” ( Sl 89:36 ).

Ora, a Igreja de Cristo é a geração do Senhor, a semente que durará para sempre. Assim como Cristo reinará, a sua Igreja se assentará a reinar e a julgar as nações. Assim como Cristo é os que creram serão semelhantes a Ele. Cristo ressurgiu e é as primícias dentre os mortos, os que creram ressurgiram com Ele e são primícias “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem” ( 1Co 15:20 ); “Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda” ( 1Co 15:23 ); “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas” ( Tg 1:18 ; 1Jo 3:2 ).

O arrebatamento da Igreja será a grande colheita das primícias, porém, os que se converterem no período da grande tribulação, ou seja, que guardarem os mandamentos de Deus, obedecendo ao testemunho de Cristo ( Ap 12:17 -18), serão tidos como os que restaram (remanescentes) da semente.

O remanescente será salvo em um período de grande tribulação jamais visto. Sobre este tempo indagou Isaias: “Então disse eu: Até quando Senhor? E respondeu: Até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada. E o SENHOR afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo. Porém ainda a décima parte ficará nela, e tornará a ser pastada; e como o carvalho, e como a azinheira, que depois de se desfolharem, ainda ficam firmes, assim a santa semente será a firmeza dela” ( Is 6:11 -13), e Jesus alertou os seus discípulos quanto a estes eventos ( Mt 24:9 -10).

Será esta a condição de Israel antes que Cristo se assente a julgar as nações e o seu reino na terra estabelecido: “E naquele dia será diminuída a glória de Jacó, e a gordura da sua carne ficará emagrecida. Porque será como o segador que colhe a cana do trigo e com o seu braço sega as espigas; e será também como o que colhe espigas no vale de Refaim. Porém ainda ficarão nele alguns rabiscos, como no sacudir da oliveira: duas ou três azeitonas na mais alta ponta dos ramos, e quatro ou cinco nos seus ramos mais frutíferos, diz o SENHOR Deus de Israel. Naquele dia atentará o homem para o seu Criador, e os seus olhos olharão para o Santo de Israel. E não atentará para os altares, obra das suas mãos, nem olhará para o que fizeram seus dedos, nem para os bosques, nem para as imagens. Naquele dia as suas cidades fortificadas serão como lugares abandonados, no bosque ou sobre o cume das montanhas, os quais foram abandonados ante os filhos de Israel; e haverá assolação porque te esqueceste do Deus da tua salvação, e não te lembraste da rocha da tua fortaleza, portanto farás plantações formosas, e assentarás nelas sarmentos estranhos. E no dia em que as plantares as farás crescer, e pela manhã farás que a tua semente brote; mas a colheita voará no dia da angústia e das dores insofríveis” ( Is 17:4 -11).

As aflições daqueles dias são descritas desta forma por Cristo: “Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias” ( Mt 24:21 -22).

Ora, quando Jesus disse estas coisas, o povo de Israel já havia sofrido os revezes de Antíoco Epifânio (171 a. C), e Jesus deixa claro que as aflições daquele dia nunca houve desde o princípio do mundo até agora, e após elas, não haverá mais. Epifânio não é o iniquo que virá e que será desfeio pelo sopro de Deus ( 2Ts 2:8 ).

Nem mesmo a invasão de Jerusalém nos anos 70 d. C. pode ser considerado como as aflições daqueles dias, pois recentemente os filhos de Israel sofreram os horrores do Holocausto perpetrado por Hitler.

As aflições daqueles dias será o tempo do assolador que as abominações dos filhos de Jacó trouxeram sobre si, por terem se desviado da palavra do Senhor quando rejeitaram o Cristo ( Dn 9:27 ; Is 17:11 ), bem como as aflições que acometerá os que não creram no evangelho e não foram arrebatados.

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Os anjos desejaram pregar o evangelho?

Qual o significado de ‘atentar’ neste verso? Seria pregar, anunciar o evangelho? Não! O significado é compreender, entender, perscrutar, olhar para dentro, examinar, etc. O apóstolo Pedro estava demonstrando aos cristãos que a graça que lhes foi concedida é tão grandiosa que os profetas queriam saber o que seria tal graça. Que este mistério era tão grandioso que até os anjos desconheciam e desejaram compreender (atentar).


É quase um consenso a ideia que se propaga no meio evangélico, de que os anjos desejaram pregar o evangelho.

Tal ideia deriva de uma má leitura do verso 12, do capítulo 1 da primeira epístola do apóstolo Pedro que, por sua vez, induz a uma má interpretação. Observe:

“Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar ( 1Pd 1:12 ).

Para compreender este verso se faz necessário formular algumas perguntas ao texto e contexto do versículo, para depois analisar a questão concernente aos anjos e o evangelho.

Em primeiro lugar, é necessário saber o que foi revelado e a quem foi revelado? O que foi revelado refere-se à graça que foi concedida aos cristãos por estarem em Cristo e, a quem foi revelado, refere-se aos profetas do Antigo Testamento.

A graça que os profetas anunciaram não fora dada a eles, antes aos cristãos, e os profetas queriam saber qual seria o tempo, ou ocasião de tempo em que tais eventos aconteceriam.

E que evento seria este que os profetas anteviram e anunciaram de antemão (pré-ciência) pelo Espírito de Deus? Os sofrimentos de Cristo e a glória que se estabeleceria.

O que os profetas ministravam não pertencia a eles e, a mensagem que anunciaram é a mesma que os apóstolos de Cristo estavam anunciando aos homens: o evangelho, as boas novas do reino.

Os apóstolos são descritos como mensageiros de Deus que apregoavam o evangelho comissionados pelo Espírito de Deus.

E o que os apóstolos anunciavam? A mesma mensagem (coisas) que foram anunciadas pelos profetas.

  • Aos quais – profetas ( 1Pd 1:10 );
  • Foi revelado que – Sofrimento de Cristo e a glória que havia de seguir;
  • Não para si mesmos – A mensagem da profecia não era para os profetas e nem para o povo de Israel;
  • Mas para nós – A mensagem tinha em vista os cristãos;
  • Eles ministravam – Os profetas;
  • Estas coisas que agora vos foram anunciadas – A mensagem dos profetas e apóstolos;
  • Por aqueles que – Diz dos apóstolos;
  • Pelo Espírito Santo enviado do céu – O autor da mensagem;
  • Vos pregaram o evangelho – Os apóstolos
  • Para as quais coisas – Que coisas?
  • Os anjos desejam bem atentar – O que os anjos desejaram?

 

“Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pd 1:12 ).

Lendo o versículo novamente, o erro ocorre quando se relaciona as coisas que os anjos desejaram com a palavra evangelho, devido à proximidade entre as frases no versículo.

Porém, se o leitor for atento, perceberá que ‘as quais coisas’ que os anjos desejaram refere-se as coisas que os profetas indagavam ao ministrar.

“Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pd 1:12 ).

Os anjos estavam interessados nas mesmas coisas que os profetas, ou seja, como seria a salvação dos homens, nos tempos, no sofrimento predito e na glória que haveria de seguir tais eventos.

Qual o significado de ‘atentar’ neste verso? Seria pregar, anunciar o evangelho? Não! O significado é compreender, entender, perscrutar, olhar para dentro, examinar, etc.

O apóstolo Pedro estava demonstrando aos cristãos que a graça que lhes foi concedida é tão grandiosa que os profetas queriam saber o que seria tal graça. Que este mistério era tão grandioso que até os anjos desconheciam e desejaram compreender (atentar).

O apóstolo Pedro não prossegue a carta destacando o anseio dos anjos, porém, o apóstolo Paulo esclarece os cristãos em Êfeso:

“A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, no qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele” ( Ef 3:8 -12).

Do mesmo modo que o apóstolo Pedro, Paulo demonstra que a graça de anunciar o evangelho foi conferida a ele, um dos apóstolos.

E o que seria anunciar o evangelho? É o mesmo que divulgar as riquezas incompreensíveis de Cristo. É o mesmo que tornar compreensível o que era incompreensível. É demonstrar a quem quer que seja o conteúdo do mistério que estava oculto em Deus, que a tudo criou por intermédio de Cristo.

Como o segredo estava oculto em Deus, nem mesmo os seres angelicais tinham conhecimento do que Deus propusera em si mesmo (eterno propósito que fez em Cristo que a tudo criou).

O apóstolo Paulo estava radiante, visto que, agora, pela igreja, o mistério que encobria a multiforme sabedoria de Deus tornou-se conhecida pelos principados e potestades nos céus. O que eles desejaram atentar (compreender), somente através da igreja puderam compreender.

As coisas que os profetas anunciaram e, que agora estão sendo anunciadas a todos os homens, é o que produz fé nos homens, que após crerem tornam-se um com aquele que criou todas as coisas ( Ef 3:17 ).

Quando os cristãos se tornaram membros do corpo de Cristo, ou seja, a igreja do Deus vivo “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos” ( Ef 5:30 ), o mistério foi revelado e puderam compreender (atentar) o que Deus propôs em Cristo: a preeminência d’Ele em todas as coisas.

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A Letra e o Espírito

21Este artigo é uma resposta a uma critica enviada por e-mail, e os tópicos são apresentados de modo a respondê-la pontualmente, o que nos servirá de lição bíblica de como interpretar o versículo que contém a seguinte frase: “A Letra mata mas o espírito vivifica”. Não postamos a crítica para poupar a pessoa que nos enviou o seu posicionamento.

 


A Letra mata

Certa feita Jesus afirmou: “As palavras que eu vos disse são espírito e vida” ( Jo 6:63 ). No mesmo diapasão, o apóstolo Paulo reiterou: “A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder” ( 1Co 2:4 ).

Já na segunda epístola aos coríntios, o apóstolo Paulo disse que foi Deus quem o fez capaz de ser ministro “… de um novo testamento, não da letra, mas do espírito” ( 2Co 3:6 ).

Porque o apóstolo Paulo foi constituído ministro de um novo testamento? A resposta é clara: “Porque a letra mata e o espírito vivifica” ( 2Co 3:6 ).

Ora, se as palavras ditas por Cristo são ‘espírito e vida’, qual ‘letra’ mata? Se o ‘espírito que vivifica’ é o mesmo que as palavras de Cristo, como é possível a alguém que analisar tais palavras encontrar morte?

É evidente que a ‘letra’ que o apóstolo Paulo faz referência não diz do evangelho de Cristo. As palavras e a pregação do apóstolo Paulo não é o mesmo que a ‘letra’ que mata.

No verso: “Porque a letra mata e o espírito vivifica” ( 2Co 3:6 ), o apóstolo Paulo estava demonstrando aos cristãos de Corinto que ele era ministro de um novo testamento ( 2Co 3:8 ), ou seja, ministro do testamento do Espírito que vivifica “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante” ( 1Co 15:45), o que contrasta com o velho testamento, que é o testamento da ‘letra’ “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” ( Gl 3:10 ).

A ‘letra’ é uma referência ‘polida’ que o apóstolo Paulo faz à lei que foi entregue ao povo por Moisés, e que não tinha poder de conceder vida, escrita com tinta em tábuas de pedras ( Gl 3:12 ), pois a própria tinta em pedras especificava os não cumpridores de malditos “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo. E todo o povo dirá: Amém” ( Dt 27:26 ).

Em seguida o apóstolo Paulo demonstra que os cristãos eram a carta de Cristo ( 2Co 3:3 ), carta esta ministrada pelos apóstolos e escrita com o Espírito do Deus vivo. Ele destaca que os cristãos, na condição de cartas, não foram redigidos com tinta, antes, com o Espírito. Não em tabuas de pedras, mas no coração ( 2Co 3:3 ).

Vale destacar que, com as palavras tinta, tábuas, pedras, coração, etc., o apóstolo Paulo criou uma alegoria para demonstrar que o ministério da lei dada ao povo por intermédio de Moisés era transitório e da morte, uma vez que as letras foram gravadas com tinta em pedras, e não no coração dos homens ( 2Co 3:7 ).

Portanto, o que mata é a letra da lei gravada em pedras, e não a palavra ministrada pelo apóstolo Paulo e por Cristo, pois a palavra de ambos é espírito e vida, pois é gravada no coração daqueles que creem na palavra anunciada.

 

O Espírito Vivifica

O que vivifica o homem? As palavras que foram proferidas por Cristo, conforme se depreende de João 6, verso 63. Cristo é o Verbo de Deus, a palavra encarnada, o espírito que concede vida, o último Adão, o espírito vivificante, a semente incorruptível “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” ( 1Pe 1:23 ).

Cristo é a palavra de Deus revelada aos homens, viva e que permanece para sempre, pois Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente ( Hb 13:8 ).

Quando deu início ao seu ministério, Jesus anunciou: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração” ( Lc 4:18 ). Jesus foi ungido a evangelizar os necessitados de comunhão com Deus (pobres), e por isto, o Espírito de Deus estava sobre Ele.

Ciente destas considerações, as pregações do apóstolo Paulo sempre tiveram o intuito de apresentar aos homens o Pai e o Filho, respectivamente Espírito e poder “A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder” ( 1Co 2:4 ).

Em suas pregações o apóstolo procurava demonstrar que Deus é o Espírito, e o que realmente importa aos homens “Deus é Espírito, e importa que …” ( Jo 4:24 ).

O apóstolo dos gentios exaustivamente demonstrou que a lei (que é transitória) não é o meio pelo qual o homem adora a Deus em espírito e em verdade, antes, que só é possível adorar através do poder de Deus, o que o motivava anunciar aos judeus e aos gregos: Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:24 ).

Mesmo na lei há testemunho vivo do ministério do espírito, pois Moisés alertou os seus ouvintes que seria levantado um profeta, e que Ele deveria ser ouvido pelos seus compatriotas “O SENHOR teu Deus te levantará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” ( Dt 18:15 ). Na lei também estava estipulado o que realmente concede vida aos homens: tudo o que procede da boca de Deus “E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” ( Dt 8:3 ).

Mas, tudo que Deus realizou para que os ouvintes da lei entendessem, não entenderam, ou seja, que na sua palavra há vida, sabedoria e poder. Bastava crerem na palavra que lhes era anunciada, porém, rejeitaram ‘ouvir’ e se propuseram realizá-la “Então todo o povo respondeu a uma voz, e disse: Tudo o que o SENHOR tem falado, faremos. E relatou Moisés ao SENHOR as palavras do povo” ( Ex 19:8 ); “E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos” ( Ex 20:19 ).

O povo de Israel rejeitou ouvir o Senhor “… não fale Deus conosco, para que não morramos” ( Ex 20:19 ), e como conseqüência não compreenderam o que Cristo anunciou a toda humanidade.

Quando Ele voltou ao Pai, enviou o Consolador, o Espírito de verdade, que haveria de guiar os seus seguidores em toda a verdade “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” ( Jo 16:13 ).

A palavra de Deus foi revelada através dos profetas e personificada no Filho ( Hb 1:1 ), e a função do Espírito Santo é guiar os discípulos de Cristo em toda a verdade.

 

Revelações

Alardear que não é possível ao homem compreender a bíblia, uma vez que o entendimento da palavra é revelado pelo Espírito Santo é temerário, principalmente quando utilizam a citação: ‘A letra mata e o espírito vivifica’, como sendo algo que lhes foi revelado pelo Espírito Santo.

A própria revelação que possuem apresenta um entendimento equivocado quanto a verdadeira interpretação do versículo, o que não é próprio ao Espírito da verdade.

É estratégico alegar que a palavra de Deus é revelada pelo Espírito Santo, pois através deste artifício é fácil distorcer a bíblia com interpretações ‘particulares’, e, por fim, alegar que se está sendo supervisionado pelo Espírito Santo ( 2Pe 1:20 ).

A bíblia é clara quanto à função do Espírito Santo: “Ele vos guiará em toda a verdade” ( Jo 16:13 ), porém, atribuir uma nova função ao Espírito, que seria atualizar o entendimento da palavra ‘dentro de um contexto profético’ é descabido.

Porém, levando-se em conta o que dizem, destacamos que:

  1. Desde o Antigo Testamento Deus procurou alcançar o entendimento dos homens ( Dt 8:3 ); Jesus alerta que a compreensão é essencial a salvação ( Mt 13:13 ; Mt 13:23 ); O apóstolo Paulo sempre orou a Deus para que os cristãos compreendessem o amor de Deus ( Ef 3:18 );
  2. Qualquer que compreende a palavra do Senhor está em comunhão com Deus, e qualquer que esteja em comunhão, compreendeu. Não há como desvincular a compreensão da comunhão. E no que consiste a comunhão com Deus? Ser gerado de novo tornando-se uma nova criatura, tornando-se participante da natureza divina, o que é possível somente através do lavar regenerador da palavra, que é semente incorruptível ( 1Pe 1:2 e 1Pe 1:22 e 23 ; 2Pe 1:4 );
  3. Cristo é o pão vivo que desceu do céu e que dá vida aos homens, o que contrasta com o maná no deserto, que todos comeram, mas morreram no deserto. O verdadeiro pão do céu é Cristo, que dá vida aos homens ( Jo 6:58 ); Felizmente não são as profecias que alimentam a alma do homem, antes é Cristo o verdadeiro alimento, o cumprimento das Escrituras;
  4. O que os cristãos entendem acerca das Escrituras não é o mesmo que ‘letra’, pois ‘letra’ refere-se aquilo que o povo de Israel entendia da lei. Para eles, as Escrituras tornaram-se em morte, porque em vez de ‘ouvirem’ e ‘crerem’ n’Aquele que realiza todas as coisas, se propuseram a fazer. Para os cristãos as Escrituras testificam de Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus, portanto, pão vivo que desceu dos céus e que dá vida aos homens;
  5. As opiniões e as práticas que há no mundo não é o que conduz o homem a morte. O que conduz o homem à perdição é o caminho largo que o homem acessou após ter entrado pela porta larga, que é ser gerado de Adão ( Mt 7:13 ). Há inúmeros caminhos, opiniões, práticas, filosofias, etc., porém, nenhum desses caminhos refere-se ao caminho largo que conduz a perdição. Apesar de haver caminhos que ao homem parece direito, ao cabo dá em morte, porque ele começou a trilhar o caminho que leva a perdição desde a madre ( Sl 58:3 ; Sl 51:5 );
  6. O mistério que esteve oculto pelos séculos não depende do serviço ou da fidelidade do homem a Deus; o mistério que foi revelado em Cristo refere-se a igreja, que é a união de dois povos: gentios e judeus ( Ef 2:14 e Ef 3:6 ; Cl 1:24 e Cl 1:26 );
  7. Cristo não veio resgatar os homens de uma existência temporal e da infelicidade; Jesus veio resgatar o que havia se extraviado: todos os homens! ( Rm 3:12 ). É por isso que Deus amou o mundo de tal maneira que Deus o seu Filho unigênito. Jesus não veio somente conceder uma existência eterna, antes Ele veio compartilhar da Sua natureza com aqueles que creem, que é vida em abundância, embora o homem compartilhará pela eternidade desta comunhão com o Pai e o Filho ( Jo 17:22 );
  8. Santificação não e o mesmo que arrependimento. É comum entender que arrependimento refere-se a uma mudança de atitude, de comportamento, porém, a palavra grega traduzida por arrependimento refere-se a uma mudança de concepção, de ponto de vista, ou de pensamento. Por exemplo: Qualquer judeu que deixe de acreditar que será salvo por causa da ‘letra’ da lei, ou porque é descendente da carne de Abraão, e crê em Cristo, arrependeu-se, ou seja, mudou de concepção, de pensamento, de ponto de vista. Arrependimento é deixar de pensar como se pensava “E não presumais (pensar), de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 );
  9. Como é estar em Cristo? É ser uma nova criatura! Como é ser uma nova criatura? É estar em Cristo! ( 2Co 5:17 ). É neste sentido que o Espírito vivifica: “As palavras que eu vos disse são espírito e vida” ( Jo 6:63 ), pois Cristo, o último Adão é espírito vivificante. A ação do Espírito Santo não é falar de si mesmo, e sim guiar o homem em toda a verdade, ou seja, a Cristo, pois Ele é o caminho, a verdade e a vida.

Este verso: “Porque a letra mata e o espírito vivifica”, nem mesmo pode ser atribuída a uma pessoa que lê a bíblia como sendo um livro comum ( 2Co 3:6 ), pois o sentido do texto estaria sendo alterado, uma vez que o apóstolo Paulo ao entregar esta mensagem a Igreja de Corinto estava demonstrando a impossibilidade da Lei (Mosaica) salvar alguém.

A lei apenas mostra ao homem a sua incapacidade de agradar a Deus, dessa forma a ‘letra’, o mesmo que ‘Lei’, mata, ou melhor, mesmo que se busque cumprir rigorosamente a lei, a exemplo de Nicodemos, para Deus o homem continua no mesmo estado que nasceu: morto.

Para cumprir a lei é necessário ao homem ouvir e crer na palavra de Deus “E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos“ ( Ex 20:19 ), e não se propor em realizá-la, como fez o povo de Israel “Veio, pois, Moisés, e contou ao povo todas as palavras do SENHOR, e todos os estatutos; então o povo respondeu a uma voz, e disse: Todas as palavras, que o SENHOR tem falado, faremos” ( Ex 24:3 ).

Dentro do seu contexto, esta linha de 2 Coríntios 3, verso 6 expressa um contraste importante entre a impossibilidade do sistema do Velho Testamento e a suficiência de Cristo para salvar o homem do pecado, condição que a humanidade herdou em Adão.

A “letra” representa o “ministério da morte, gravado com letras em pedras” que foi dado aos israelitas através de Moisés ( 2Co 3:7 e 3:3). O “Espírito” representa a nova aliança de Cristo, revelada através do Espírito Santo e escrita em nossos corações ( 2Co 3:3 – 8).

O apóstolo Paulo procurou demonstrar que, mesmo que o homem conseguisse cumprir/guardar toda a letra (613 leis, mais os 10 Mandamentos), não alcançaria a salvação, ou seja, para Deus ele ainda estaria morto por ser filho de Adão, ou seja, por não ter sido gerado de Deus.

É salutar que se entenda que, em Adão, toda a humanidade nasce (é gerada) destituída da gloria de Deus ( Rm 3:23 ), e que para restabelecer a comunhão com Deus ( Jo 17:22 ), a exemplo de Nicodemos, é necessário nascer (ser gerado) de novo, da Água (palavra) e do Espírito (Deus).

Ao ouvir e aceitar o evangelho de Cristo rejeita-se qualquer outra doutrina (arrependimento). Quando se crê na mensagem anunciada o velho homem “morre” com Cristo e é sepultado, ou seja, o homem é batizado na morte de Cristo, no verdadeiro e único batismo para salvação ( Ef 4:5 ), cumprindo a lei de Deus: “A alma que pecar, essa morrerá” ( Ez 18:4 ).

Não podemos confundir arrependimento, que é mudança de conceito, ou mudança de entendimento acerca de alguma matéria, com arrependimento de obras mortas. Os homens por estarem mortos, o mesmo que imundos diante de Deus, praticam obras mortas, ou seja, imundas. A maioria dos homens se arrependesse dos seus erros, porém, não passa de arrependimento de obras mortas, o que não é o mesmo que arrepender-se (mudança de entendimento) porque é chegado o reino dos céus.

Quando o novo homem ressurge dentre os mortos para a glória de Deus, é justificado, ou seja, a nova criatura é declarada justa por Deus por ser participante da natureza divina.

O novo homem é justificado não por suas obras (guardar dia, fazer coisas boas, jejum, orações, caridade, descendência de Abraão, ser participante de uma denominação, etc.), antes, porque ao ser gerado por Deus em Cristo, torna-se participante do corpo e do sangue de Cristo ( Jo 6: 54 -56), e por ter sido criado em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24), compartilha da natureza divina. A nova criatura, ou o novo homem por ter sido criado JUSTO é declarado justo por Deus.

Tudo ocorre através da maravilhosa obra de Deus, a regeneração, através do Descendente, que é Cristo. Através do último Adão, que é Cristo são gerados os filhos de Deus. Filhos nascidos, não da carne, nem do sangue, e nem da vontade do varão, mas da vontade de Deus ( Jo 1:12 ).

Para que os filhos de Deus sejam gerados, há a necessidade de nascerem da palavra e do Espírito de Deus. Nascer de Deus só é possível por meio da pregação do evangelho que é semente incorruptível e poder de Deus pela fé em Cristo. Por isto que “o espírito vivifica”, por que ele dá vida a quem está morto.

No mesmo contexto de 2 Coríntios 3 o apóstolo Paulo enfatiza a importância da palavra revelada por Cristo contrastando-a com a ‘letra’. Ele destaca o valor da palavra de Deus ( 2Co 4:2 ), da verdade ( 2Co 4:2 ), do conhecimento da glória de Deus ( 2Co 4:6 ) e da liberdade em Cristo, pois a sua palavra é Espírito e poder ( 2Co 3:17 ).

A lei ainda vigora? NÃO, de maneira alguma, pois Cristo cumpriu a lei para que por intermédio d’Ele tenhamos vida ( 2Co 3:14 ).

É bom lembrar que, quando Jesus morreu na cruz o véu do templo se rasgou de alto a baixo. Isto estabeleceu o fim da lei, pois a partir daquele momento o templo de Deus passou a ser os nossos corpos, onde Deus habita através do Seu Espírito ( Jo 14:23 ; 1Co 3:17 ). O véu que foi rasgado significa que a lei foi abolida ( Rm 10:4 ).

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