A armadura de Deus

A fome que Jesus estava sentindo após o jejum foi utilizada pelo diabo como meio de esconder a capciosidade contida na pergunta, uma vez que apresenta o poder de Cristo (palavra) como meio de subsistência física, porém, Jesus demonstra que a palavra de Deus (o poder de Cristo) é para conceder vida (novo nascimento) ao homem, e não para prover-lhe sustento físico. Caso Jesus transformasse as pedras em pães haveria uma contradição, pois o homem deve comer do suor do seu rosto, e não da palavra de Deus ( Dt 8:3 compare com Gn 3:19 ).


“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder”

Como demonstrar a importância da palavra de Deus a cristãos convertidos dentre os gentios que tinham pouco contato com as Escrituras? Como falar da lei, dos juízes, dos profetas, dos salmos, dos provérbios, se as Escrituras estavam sendo apresentada aos poucos aos convertidos dentre os gentios?

Ciente da necessidade de os cristãos se inteirarem da palavra de Deus e da dificuldade de apresentar aos gentios um estudo das Escrituras, o apóstolo Paulo ao escrever aos cristãos em Éfeso utiliza figuras, sendo uma delas a relação comparativa entre a palavra de Deus e as partes que compunham uma armadura.

Comparando a carta de Paulo aos Efésios com outras epístolas de sua autoria, verifica-se que a carta aos Efésios é a que menos contém citações do Antigo Testamento, porém, apresenta um número maior de figuras, muito eficiente na didática da Palavra de Deus. Dentre as figuras apresentadas na carta aos Efésios (o corpo, a família, o edifício, etc.), abordaremos como tema do nosso estudo a armadura de Deus.

O apóstolo Paulo recomenda aos cristãos de Éfeso que se fortalecessem no Senhor e na força do seu poder. Como se fortalecer no Senhor? Qual a força do poder de Deus?

A bíblia demonstra que o evangelho é o poder de Deus para salvação ( Rm 1:16 ; 1Co 1:18 ), visto que Cristo é poderoso para salvar “QUEM é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em sua vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar” ( Is 63:1 ). Cristo é a força do Senhor, visto que Ele é o Verbo que se fez carne, a destra do Altíssimo, o braço do Senhor ( Ne 8:10 ; Is 48:13 ).

Para se fortalecer no Senhor basta confiar (esperar) n’Ele, pois o salmista diz: “Esforçai-vos, e ele fortalecerá o vosso coração, vós todos que esperais no SENHOR” ( Sl 31:24 ). Fortalecer no Senhor é um modo diferente de recomendar aos cristãos que descansem em Deus, ou seja, que confiem n’Ele.

A confiança do cristão decorre das promessas de Deus, e para se inteirar das Suas promessas se faz necessário meditar na palavra de Deus de dia e de noite. Este deve ser o deleite do crente, pois a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus ( Rm 10:17 ).

A confiança deriva da palavra de Deus somente, o que exclui as vãs filosofias, que são produtos de mentes carnais que buscam satisfazer somente as suas concupcências.

Para se fortalecer no Senhor e na força do seu poder, basta descansar nas promessas contidas nas Escrituras, que é poder de Deus, uma vez que a palavra do Senhor é Cristo encarnado, o braço do Senhor desnudado perante as nações. Os que professam o seu nome estão assentados nas regiões celestiais, e, portanto, são cingidos de força “Deus é o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho” ( Sl 18:32 ; Is 59:16 ).

 

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes”

Através de uma ordem imperativa o apóstolo Paulo demonstra uma necessidade que é própria a cristãos: revestirem-se da armadura de Deus. Por que o cristão necessita revestir-se de toda a armadura de Deus? Porque somente quando revestido da armadura de Deus o cristão é capaz de discernir as astutas ciladas do diabo, defender-se dos dardos inflamados do maligno. O cristão que se reveste da armadura não se demoverá do evangelho, e não será enlaçado nas astutas ciladas do diabo.

O apóstolo Paulo compreendia como o diabo atua “Porque não ignoramos os seus ardis” ( 2Co 2:11 ), e para não acusá-los de ignorância, utiliza o pronome na terceira pessoa do plural (ignoramos). Há um alerta quanto ao perigo contido nas ciladas do maligno, pois além da cilada ser algo por natureza dissimulado também é nomeada de astuta, por causa da antiga serpente “E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição” ( 2Pe 2:1 ).

Como o diabo atua? Utilizando ciladas astutas, ou seja, encobertamente (cilada) ele aproxima-se daquele que quer enganar (astucia). Em que consiste as ciladas do diabo? Consiste em transtornar a mensagem do evangelho ( At 15:24 ; Gl 1:7 e Tt 1:11 ).

Ao observar as Escrituras, verifica-se que desde o Éden a ação de Satanás é introduzir mentiras para transtornar a verdade da palavra de Deus. A astúcia de Satanás é tamanha que com uma pergunta, aparentemente simples, semeou a incredulidade no coração de Eva: “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?” ( Gn 3:1 ).

A pergunta que Satanás formulou era uma armadilha engendrada com astucia. Enquanto Deus apresentou plena liberdade ao homem, Satanás evidenciou uma proibição sórdida “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente…” ( Gn 2:16 ).

A cilada de Satanás é astuta porque aproveita a falta de compreensão da palavra da verdade e as propensões emocionais do homem para introduzir encobertamente palavras de engano “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis” ( Gn 3:4 ). Geralmente o homem demonstra ser zeloso “… não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais” ( Gn 3:3 ), porém deixa-se guiar pela aparência, pelas sensações e pelas emoções, “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” ( Gn 3:6 ), mas é negligente quanto à palavra que lhe preserva a vida “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:17 ).

Com Cristo tal cilada astuta não funcionou, pois quando o diabo perguntou: “Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães” ( Mt 4:3 ), Cristo respondeu segundo a sua essência: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” ( Mt 4:4 ).

Diante da necessidade física do Messias, o diabo trouxe à baila a idéia de que Cristo possuía o poder necessário para saciar a sua própria fome, porém, a proposta da pergunta era semear dúvida (Se tu és), e se Cristo se propusesse a provar que era o Filho de Deus sinalizaria incerteza. A astúcia é tamanha, pois todas as Escrituras apontavam para Cristo como autor e consumador da fé, o enviado de Deus “Confiou no Senhor, que o livre; livre-o, pois nele tem prazer” ( Sl 22:8 ; Mt 22:8 ).

Astuciosamente antiga serpente intentou fazer com que o último Adão, que é Cristo, incorresse no mesmo erro do primeiro Adão: não confiar na palavra do Pai.

A fome de Jesus após o jejum foi utilizada como meio de esconder a capciosidade contida na pergunta, uma vez que apresenta o poder de Cristo (palavra) como meio de subsistência física, porém, Jesus demonstra que a palavra de Deus (o poder de Cristo) é para conceder vida (novo nascimento) ao homem, e não para prover-lhe sustento físico. Caso Jesus transformasse as pedras em pães haveria uma contradição, pois o homem deve comer do suor do seu rosto, e não da palavra de Deus ( Dt 8:3 compare com Gn 3:19 ).

Deus deixou o povo de Israel passar fome quarenta anos no deserto para que o povo entendesse que não é de pão que vive o homem, mas da palavra que sai da boca de Deus ( Dt 8:3 ). Em quarenta dias jejuando Jesus demonstrou que compreendeu a lição do Pai, pois diante da fome soube distinguir que o homem comerá do suor do seu rosto, e que para ter vida depende da palavra de Deus ( Mt 4:4 ).

Satanás sabia que havia em Cristo a disposição interna em realizar a vontade de Deus ( Jo 6:38 ). Diante deste anseio o diabo apresenta a proteção divina que estava prevista nas Escrituras para o Messias como meio de fazer com que Cristo tentasse a Deus. Embora sendo Filho, o Messias não poderia por Deus à prova para ter certeza da sua filiação. A maior prova de que o homem é um dos filhos de Deus não está na proteção diária, antes está em se obedecer a palavra de Deus.

Como as propostas das duas perguntas não demoveram o Messias de sua confiança, Satanás propõe dar a Cristo o que foi prometido pelo Pai. O Pai havia prometido ao Filho que lhe daria todas as nações por herança e os confins da terra por possessão ( Sl 2:8 ), e Satanás propõe agilizar este processo. Ele propõe entregar sem lutar o seu reino a Cristo com uma única condição: se ele o adorasse, ou pedisse.

Se Cristo pedisse a Satanás o reino que estava sendo mostrado, estaria rendendo adoração ao inimigo, pois o Pai disse: “Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão” ( Gn 2:8 ). Cristo rejeitou a proposta satânica e conquistou todas as coisas na cruz, e o Pai lhe concedeu um nome que é sobre todos os nomes como havia prometido ( Cl 2:15 ).

O diabo não teve qualquer chance diante de Cristo, o Verbo de Deus encarnado, a armadura de Deus. Diante dos dardos inflamados do inimigo, Jesus utilizou a sua palavra como escudo e broquel ( Sl 91:4 ).

Ciente dos riscos que rondava os Cristãos o apóstolo Paulo expressa o seu maior temor: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” ( 2Co 11:3 ).

A ação primária do diabo é manter o homem na ignorância acerca do poder contido na palavra de Deus. Somente a ignorância mantém o homem longe de Deus, uma vez que Deus já providenciou salvação poderosa para todos os homens desde a casa de Davi “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” ( Ef 4:18 ).

O tempo em que o homem permanece separado de Deus é descrito como sendo o tempo da ignorância ( At 17:30 ; 1Pe 1:14 ). Por possuir o entendimento entenebrecido, se mantém separado de Deus por ignorar a salvação que é ofertada em Cristo.

Quando na ignorância, o homem desregrado, entende não ser merecedor da graça divina. Outros, envoltos na mesma ignorância aplicam-se a religiosidade, a moral, a lei, a filosofia, ao ascetismo, ao sacrifício, ao ritualismo, etc., pois entendem que deste modo se achegarão a Deus. Em ambos os casos, os entenebrecidos no entendimento permanecem separados de Deus pela dureza do seu coração.

Embora o homem permaneça nas trevas por rejeitar a luz, não significa que a palavra de Deus haja falhado. A graça de Deus manifestou-se a todos os homens na pessoa de Jesus Cristo conforme Ele predisse na Sagrada Escritura, porém, diante do amor e da fidelidade de Deus muitos preferem as trevas e não vem para luz ( Jo 3:20 ).

O cristão não deve lutar contra a carne e o sangue, ou seja, a luta do cristão não é contra pessoas por causa de origem, nacionalidade, condição social, religião, etc. A luta, a batalha travada é contra Satanás e suas hordas. Por quê? Porque seria contraproducente lutar contra os homens, uma vez que Deus amou o mundo de maneira tal que entregou o seu Filho para salvar os que se perderam, pois todos os homens ao nascerem entram por Adão, a porta larga, e passam a trilhar um caminho largo que os conduz a perdição.

Judas sabia contra o que estava lutando, pois desejou fazer um tratado acerca do embate que estava travado “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” ( Jd 1:3 -4).

A desobediência de Adão tornou a humanidade culpável diante de Deus. Nada que façam podem livrá-los do juízo e da condenação imposta sobre a humanidade. O diabo sabe disto e promove inúmeras distrações para que o homem permaneça longe da verdade do evangelho, que é poder de Deus para os que crêem.

Qual a base de operação do diabo? Os lugares celestiais! Como? Ora, os cristãos estão assentados por Cristo nos lugares celestiais, e como o mundo jaz no maligno (pertence a ele por causa da morte, da lei e do pecado), a ação do inimigo é atuar entre os cristãos semeando o joio.

Heresias, tradições, filosofias, legalismo, moralismo, ritualismo, sacrifícios, genealogias, rudimentos da lei, etc., são ações do diabo para arrebatar a semente que foi lançada no coração dos homens que estão nos lugares celestiais em Cristo Jesus “E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente é o Filho do homem; O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno; O inimigo, que o semeou, é o diabo” ( Mt 13:37 -39).

Geralmente as pessoas imaginam que o diabo luta utilizando luxúria, pornografia, roubo, furto, mentira, raiva, ódio, etc., para derrotar os homens. Isto porque desconhecem que todos os homens pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Estão mortos e jazem no maligno. Por Adão o juízo de Deus já foi estabelecido e a condenação também ( Rm 5:18 ).

As práticas do homem não são a causa de condenação, antes somente aumentam a medida da ira de Deus que será derramada sobre eles “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” ( Rm 2:5 ).

Muitos tentam visualizar as armas empregadas na guerra entre o reino da luz o reino das trevas como se fossem espadas, pois lembram a passagem bíblica onde o apóstolo Paulo compara a palavra de Deus a uma espada de dois gumes, porém, as armas dos dois reinos resumem-se em sementes. São três tipos de semente:

  • A semente corruptível, que é o nascimento segundo a carne de Adão;
  • A semente incorruptível, que é a palavra de Deus, que produz filhos para Deus segundo o último Adão, homens espirituais, e;
  • A semente do joio, que é a semente do maligno.

Quando nascem, os homens são pecadores por natureza, pois foram formados em iniquidade e concebidos em pecado. Com relação a estes que desviaram desde a madre, basta ao diabo mantê-los na ignorância, entenebrecidos no entendimento, segundo a dureza dos seus corações.

Mas, quando os homens recebem em seus corações a palavra de Deus, recebem poder para serem feitos filhos de Deus. São filhos nascidos de Deus, e não da carne, do sangue e da vontade do varão ( Jo 1:12 -13).

É pelo plantio no coração dos homens que ocorre o embate entre o reino das trevas e o reino da luz (carne versus Espírito). Onde foi lançado a semente incorruptível, o diabo faz sua investida para arrancá-la ( Mt 13:4 ). As ações das aves, do sol, dos pedregais e dos espinhos são implacáveis. Como isto ocorre? O maligno semeia no campo do pai de família o joio.

Observe que o maligno busca semear joio no campo que pertence ao pai de família ( Mt 13:25), ou seja, a batalha se dá nos lugares celestiais ( Ef 6:12 ), uma vez que os falsos profetas vêm até os que creram vestidos de ovelhas, mas são lobos devoradores “Recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco ( 2Pe 2:13 ; Mt 7:15 ).

Qualquer que se alimenta do joio que surgiu no campo do pai de família continuará entenebrecido no entendimento e podem confundir os ‘meninos’ na fé, arrastando-os com ventos de doutrinas ( Ef 4:14 ).

Com isto há um crescimento vertiginoso da plantação, porém, o que se vê não é trigo, mas joio. É por isto que Cristo alerta: “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho” ( Mt 13:19 ).

O reino dos céus e o reino deste mundo consiste em plantas que o pai plantou e plantas que o pai não plantou ( Mt 15:13 ). O embate se dá através de sementes! Sendo a semente de Adão corruptível, a semente da palavra de Deus incorruptível e a semente do maligno, o joio.

Com qual semente o cristão deve ter cuidado? Com o joio, ou seja, palavras que convertem em dissolução a graça de Deus, pois não devemos lutar contra carne e sangue, que são plantas oriundas da semente corruptível de Adão. O embate é para que o maligno não lance a sua semente no campo.

O apóstolo Paulo demonstra que a ação do maligno se dá nos lugares celestiais, visto que os cristãos estão assentados nas regiões celestiais em Cristo e os lobos disfarçados de ovelhas buscam tragá-los “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” ( Mt 7:15 ; 1Pe 5:8 ).

Se os falsos profetas vêem até os que crêem, isto significa que a batalha é travada nos lugares celestiais, onde o crente está assentado ( Ef 1:3 ; Ef 2:6 ).

É por isto que o crente deve tomar toda a armadura de Deus: para resistir no dia mau! Qual o dia mau? O dia mau refere-se ao ataque do maligno “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor” ( Ef 5:15 -17).

Aquele que entende a vontade do Senhor anda prudentemente. É pleno do Espírito, pois fala segundo a palavra de Deus ( Ef 5:19 ). É neste sentido que Cristo ensina os cristãos a orarem: “E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém” ( Mt 6:13 ).

Cristo foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado. A tentação ocorreu com base na palavra de Deus, visto que o inimigo fez uma citação das Escrituras que continha uma promessa específica para Cristo, porém, a astúcia estava em fazer com que o Messias caísse em contradição ao tentar o Pai caso Cristo se lançasse do alto do pináculo do templo.

Aquele foi o dia mau, mas Cristo foi livrado pelo Senhor, pois compreendia qual era a vontade do Pai ( Mt 6:13 ).

Após tomar toda a armadura de Deus e resistir o dia da tentação, basta permanecer firme.

 

“Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça”

A firmeza encontra-se no ato de cingir os lombos com a verdade. O que é isto? O apóstolo Pedro responde: “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo” ( 1Pe 1:13 ).

Cingir é o mesmo que ajustar, prender, não deixar frouxo. Cingir o lombo do entendimento é o mesmo que: “Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade…” ( Ef 3:18 ).

Quem possui os lombos do entendimento cingidos não aceita outro evangelho “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” ( Gl 1:8 ).

O lombo que deve ser revestido é o lombo do entendimento. Como? Basta esperar somente e inteiramente na graça ofertada por Deus em Cristo Jesus. Qualquer que espera somente em Cristo para ser salvo é porque tem os lombos cingidos com a verdade.

Cristo é a verdade, e após crer em Cristo o homem torna-se um com a verdade. Conhecer a verdade diz de união íntima, momento em que o Cristão é vestido com o manto de justiça. O possuir o entendimento cingido com a verdade é etapa posterior ao conhecer a verdade. É o mesmo que revestir-se da armadura. É ter a mente de Cristo! Ser vestido de justiça basta crer na mensagem do evangelho, revestir-se da armadura demanda diligencia, guardar o que foi anunciado pelo Filho deixando os rudimentos ( Hb 2:1 ; Hb 6:1 ).

O cristão deve colocar a couraça da justiça. Que couraça é esta? Couraça diz de algo resistente a ataques externos, ou seja, se alguém intentar acusação, não irá prevalecer. A certeza dos cristãos é a de que ninguém intentará acusação contra ele, pois agora em Cristo está incluso entre os seus escolhidos “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” ( Rm 8:33 ). Aquele que está morto está justificado do pecado! ( Rm 3:24 ; Rm 5:1 ; Rm 6:7 ).

Está é a certeza do crente, pois o braço do Senhor vestiu-se de justiça, como de uma couraça para vir ao mundo resgatar a humanidade “Pois vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete da salvação na sua cabeça, e por vestidura pôs sobre si vestes de vingança, e cobriu-se de zelo, como de um manto” ( Is 59:17 ; Is 11:5 ).

É por isso que o apóstolo João diz que os cristãos são mesmo filhos de Deus, pois foram gerados de novo e vestem-se da mesma armadura do primogênito Filho de Deus ( 1Jo 4:17 ).

O manto de justiça de Cristo decorre da obediência em tudo d’Ele para com o Pai. Já a injustiça de Adão decorre do fato dele não ter crido na palavra de Deus que lhe preservava a vida, e ficou despido de justiça, ou seja, pobre, cego e nu.

 

“E calçados os pés na preparação do evangelho da paz”

Por que os cristãos necessitam calçar os pés na preparação do evangelho da paz? Porque, como embaixador dos céus, deve estar apto a anunciar as boas novas do evangelho a todas as nações. Após calçar os pés, fará com que os homens ouçam que em Cristo a inimizade entre Deus e os homens foi desfeita.

Cristo é a paz dos cristãos, e os cristãos foram comissionados com a mesma missão desempenhada por Cristo “Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!” ( Is 52:7 ).

 

“Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno”

 

Qual é o escudo da fé? O que concede poder para apagar os dardos inflamados do maligno?

O escudo do cristão é a palavra de Deus, e a fé é a palavra de Deus, ou seja, a fé que uma vez foi dada aos santos ( Jd 1:3 ); “O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; é um escudo para todos os que nele confiam” ( Sl 18:30 ); “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele” ( Pr 30:5 ); “Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas te confiarás; a sua verdade será o teu escudo e broquel” ( Sl 91:4 ).

É comum confundir a fé (evangelho) que foi revelada com a fé (crer) que é descansar. Os cristãos têm fé (crê, acredita, descansa) na fé (evangelho) que foi manifesta em Cristo “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” ( Gl 3:23 ).

Somente possuindo o evangelho como escudo, que é poder de Deus, o cristão destrói os dardos inflamados do inimigo.

 

“Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus”

Todos quantos crêem em Cristo são participantes da morte de Cristo, ou seja, foram batizados na sua morte. Como morreram com Cristo, também ressurgiram, ou seja, revestiram-se de Cristo “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo” ( Gl 3:27 ).

Após ressurgir, o cristão está de posse do capacete da salvação, a esperança da glória “Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação” ( 1Ts 5:8 ).

Deve portar a espada do espírito, que é a palavra de Deus. Se for obreiro, deve manejá-la bem, pois o bom manejo qualifica o obreiro como aprovado, e que não tem do que se envergonhar. Obreiro que não maneja bem a palavra da verdade é uma vergonha “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” ( 2Tm 2:15 ).

Todas as peças que compõem a armadura de Deus consistem em manejar bem a palavra da verdade, portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas.

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Colossenses 3 – Ressurretos em Cristo

‘Ressuscitar’ e ‘morrer’ com Cristo são fatos conclusos que fazem parte do passado da vida dos cristãos (já e estais). ‘Morrer’ e ‘ressuscitar’ soam como sendo elementos antagônicos quando da composição da ideia, mas ‘em Cristo’ são elementos que se complementam. Primeiro é necessário conformar-se com Cristo na sua morte, e só então, ressurge com Ele em uma nova vida, sendo um novo homem. Tanto o ressurgir quanto o morrer só ocorrem quando se está ‘COM’ ou ‘EM’ Cristo.


Colossenses 3

1- Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.

Este capítulo tem inicio com uma conclusão que decorre de elementos apresentados em versículos anteriores: “Portanto…”.

Antes de toda e qualquer análise de um texto bíblico é necessário ter em mente que as divisões em capítulos e versículos só servem para auxiliar na localização dos textos, e que tais divisões podem influenciar negativamente o interprete.

A ideia da carta não fica estagnada ou restrita a um só capítulo ou versículo. A ideia transcende e engloba toda a carta, e, para entendê-la, é necessário analisar a carta como um todo, e não somente algumas partes ou referências.

Quando Paulo disse: “Portanto, se…”, ele está fazendo referência a uma ideia anterior para introduzir uma outra. Observe:

Paulo expôs no versículo vinte do capítulo anterior que: ‘se eles estavam mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo’, quais eram os motivos que prendiam os cristãos as ordenanças como se eles ainda vivessem no mundo? Eles estavam mortos, ou não?

O versículo em questão volta a mesma temática: “se estais mortos com Cristo” é o mesmo que dizer “se já ressuscitastes com Cristo”. O fôlego de vida de quem crê não termina quando se morre com Cristo. A morte com Cristo é o caminho para a ressurreição com Ele.

‘Morrer com Cristo’ tem o mesmo valor que ‘ressurgir com Ele’:

“Portanto, se ressuscitastes com Cristo…”;

“Se, pois, estais mortos com Cristo…”.

‘Ressuscitar’ e ‘morrer’ com Cristo são fatos conclusos que fazem parte do passado da vida dos cristãos (já e estais). ‘Morrer’ e ‘ressuscitar’ soam como sendo elementos antagônicos quando da composição da ideia, mas ‘em Cristo’ são elementos que se complementam.

Primeiro é necessário conformar-se com Cristo na sua morte, e só então, ressurge com Ele em uma nova vida e um novo homem.

Tanto o ressurgir quanto o morrer só ocorre quando se está ‘COM’ ou ‘EM’ Cristo.

Observe o contraste:

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus

“Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?”

As ‘coisas’ que são de cima pertencem àqueles que morreram e ressurgiram com Cristo. Por quê? A resposta está no versículo 3.

As ‘coisas’ deste mundo são rudimentos, ordenanças, regras, comportamentos, etc, pertencentes à vida que o cristão tinha no pecado, ou seja, aquela vida que possuía antes de morrermos e ressurgir com Cristo.

 

2 – Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;

Enquanto vivos para o pecado, os homens buscam viver segundo os princípios do mundo, e se ocupam de ordenanças como: não faça isto ou aquilo. Estes entendem que tais elementos podem ‘melhorar’ a condição deles diante de Deus. Ledo engano.

A partir do momento que o homem morre com Cristo, em seguida passa a viver para Deus (ressurge), e é necessário buscar as coisas que são de cima, e ocupar-se em pensar nelas.

Quais são as ‘coisas’ de cima? E por que Paulo faz referência ao local onde Cristo está assentado? Para obter uma resposta é necessário considerar o que Paulo escreveu aos cristãos em Efésios:

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo (…) E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus” ( Ef 1:3 ; Ef 2:6 ).

É possível vislumbrar a grandeza que é ressuscitar com Cristo? Se o homem já ressuscitou com Cristo, isto significa que está assentado nos lugares celestiais, onde Cristo está assentado à destra de Deus.

O ‘assentar’ indica descanso!

Da mesma forma que ao terminar a obra da criação Deus descansou no sétimo dia, Jesus, ao terminar a sua obra de redenção, assentou-se à destra do Pai. Isto significa que a obra de Jesus também é completa “Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus” ( Hb 10:12 ).

Os sacerdotes ao oferecerem sacrifício pelos seus semelhantes em momento algum podiam tomar assento, visto que, o que eles faziam não podia aperfeiçoar os pecadores.

Cristo ao se oferecer em sacrifício, e sendo sumo sacerdote dos bens futuros, ao fazer oferta de si mesmo pode assentar-se à destra de Deus nas alturas

Por isso Paulo concita a que pensemos nas coisas que são de cima, pois de lá temos recebido todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.

Enquanto as pessoas que vivem segundo o curso deste mundo se ocupam de ordenanças, o cristão deve se ocupar em pensar das coisas que recebemos de Deus, tais como: redenção, regeneração, eleição, justificação, santificação, predestinação, herança, etc ( Ef 1:1 -14).

 

3 – Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

O motivo é bem simples: estamos mortos e a nossa vida está escondida com Cristo em Deus! Compare com ( Cl 2:20 e Cl 3:1 ).

Não há como desvincular o ‘morrer’ e o ‘ressurgir’ com Cristo. Só é ressurreto dentre os mortos aqueles que de uma vez por todas morreram para aquilo que estavam retidos.

 

4 – Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória.

Este versículo trata do futuro de todos os cristãos. No momento em que Cristo se manifestar haveremos de nos manifestar com ele em glória, pois assim como Ele é, haveremos de ser em glória.

O apóstolo Paulo disse que toda a criação geme na expectativa da revelação dos filhos de Deus, que é a igreja (corpo) de Cristo em glória ( Rm 8:19 ).

Porém, antes de ocorrer a adoção, ou a redenção deste corpo, entendemos que, qual Cristo é, os cristão também são neste mundo: filhos da Luz ( 1Jo 4:17 ).

 

5 – Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;

A condição do cristão perante Deus é a de assentados nos lugares celestiais, e é na coisas concernentes a esta posição que deve pensar.

O cristão já morreu e ressurgiu com Cristo para a glória de Deus:

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo…”;

“Se, pois, estais mortos com Cristo…”

Agora, deve mortificar os seus membros (mortificai, pois,…). As premissas dos versos 1 e 3 não podem ser desprezas enquanto se analisa o versículo 5.

O cristão adquiriu uma condição perante Deus, entretanto, ainda está sobre a terra e possuí um corpo material (vossos membros). Paulo pede aos cristãos que ‘mortifiquem’ o seus membros considerando o que Deus já realizou em suas vidas.

Ao se abster da prostituição, da impureza, das afeições desordenadas, da vil concupiscência e da avareza, o cristão está mortificando o seu corpo mortal.

Não podemos concluir que a morte com Cristo e a ressurreição com ele advém da abstenção das impurezas aqui relacionadas, pois muitas religiões apregoam estes princípios e seus seguidores se aplicam a observá-los em busca de salvação, no entanto, não morreram, não ressuscitaram e não estão em Cristo.

O morrer e o ressurgir com Cristo, ou seja, ser uma nova criatura advém da graça de Deus por meio do evangelho e dá fé que tais verdades nos proporcionam. Agora, o mortificar o corpo diz de elementos comportamentais e não espirituais.

Este versículo apresenta as mesmas considerações do versículo: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” ( Gl 5:25 ). A morte do velho homem e a ressurreição em uma nova criatura é uma obra proveniente de Deus, e agora deve seguir o estipulado por Paulo na carta aos ( Ef 4:1 e 17).

Os versículos seguintes elucidam melhor estas verdades.

 

6 – Pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;

Este versículo é pequeno, mas a ideia que ele contém é grandiosa e complexa.

“Pelas quais coisas…”

Quais coisas? A resposta é: “a prostituição, a impureza, a afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria”.

A ira de Deus virá sobre os filhos da desobediência por eles andarem nas práticas que foram enumeradas, mas a condenação é proveniente da natureza que participam por serem descendentes de Adão. A condenação de Deus no Éden em Adão, e a ira procede das ‘coisas’ enumeradas pelo apóstolo Paulo.

Não são as ‘tais coisas’ que trouxe condenação sobre todos os homens, e sim, a origem deles em Adão. A ira diz do julgamento de obras que se dará no Grande Trono Branco.

O versículo possui dois elementos distintos que devem ser alvo de análise: a ira de Deus e os filhos da desobediência.

 

1. Os filhos da desobediência

Os filhos da desobediência são os filhos de Adão, ou seja, os filhos da desobediência tiveram origem na desobediência de Adão “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores…” ( Rm 5:19 ). Se os filhos da desobediência tiveram origem na desobediência de Adão, segue-se que pelo juízo de Deus eles já estão condenados “E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação…” ( Rm 5.:16 ).

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” ( Jo 3:18 ). Mas aqueles que creem podem dizer conforme o apóstolo Paulo: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” ( Rm 8:1 ).

Observem que sobre os filhos da desobediência pesa uma condenação, não porque praticam as coisas pelas quais vem a ira de Deus, mas porque são filhos segundo a desobediência de Adão, filhos nascido: “… do sangue,(…) da vontade da carne, (…) e da vontade do homem…” ( Jo 1:13 ).

Sobre os filhos da desobediência pesa uma condenação, e por mais que se procure ter uma vida regrada é impossível livrar-se de tal condenação se não for por meio da cruz de Cristo.

 

2. A ira de Deus

“Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus” ( Rm 2:5 )

Este tema é um pouco complicado, e por isso, é preciso iniciar o comentário através de ( Rm 2:5 ).

Paulo alerta que as pessoas com o coração impenitente entesouram ira para um dia específico. Será o dia da ira e o dia da manifestação do juízo de Deus.

Desde que Jesus veio ao mundo está a manifestar-se aos homens a justiça de Deus, mas haverá um dia marcado para manifesta-se o juízo de Deus. Desde que o homem pecou foi estabelecido o juízo de Deus e o homem está sob condenação, mas isto não é manifesto. Mas, no dia em que Deus manifestar a sua ira, também haverá de manifestar-se o juízo e quando se deu este juízo. Neste dia todos os homens verão qual é a condenação para aqueles que estão sob juízo.

O juízo de Deus trouxe condenação Rm 2. 16, e a justiça de Deus concede justificação ( Rm 1:17 ).

Isto posto, já é possível falar de alguns princípios que são pertinentes à ira de Deus.

 

 

“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( 1Ts 5:9 ).

A ira de Deus fala de punição. Além de o incrédulo estar condenado por ser filho da ira, ou filho da desobediência em Adão (perdição), ele também estará sujeito à ira em decorrência de suas obras, isto porque ‘Deus recompensará a cada um segundo as suas obras’ ( Rm 2:6 ).

Para os filhos da luz há o tribunal de Cristo, e para os filhos da desobediência haverá o Grande Trono Branco.

“A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção” ( Rm 2:7 ).

Como interpretar Rm 2:7 ? Observe:

“Com perseverança em fazer o bem” é um termo acessório da oração, ou seja, é um aposto.

Aposto é um termo acessório de uma oração que tem a função de ampliar, explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida numa oração ou em parte dela.

A oração sem este termo integrante ficaria redigida assim: “A vida eterna aos que (…) procuram glória, honra e incorrupção”. A vida eterna não é alcançada por aqueles que praticam o bem, antes ela é alcançada por aqueles que procuram glória, honra e incorrupção, sendo que tais coisas só se encontram em Cristo.

Agora, após ter encontrado incorrupção em Cristo, o homem deve perseverar em fazer o bem, pois haverá de receber o bem e o mal que houver feito por meio do corpo no tribunal de Cristo.

Observe que a idéia exposta no versículo sete é complementada no versículo oito:

“Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade” (v. 8);

A indignação e a ira de Deus recairá sobre aqueles que não obedeceram a verdade do evangelho, e que portanto são contenciosos e desobedientes à verdade. A ira de Deus permanece por serem arredios ao evangelho, e não por não praticarem o bem com perseverança.

Mas, se não obedeceram ao evangelho, estes haverão de receber tribulação por também terem obrado o mal, e para isso não há acepção de pessoas.

Pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência;

Concluindo:

A ira de Deus virá sobre aqueles que não se abstêm das vis concupiscências deste mundo, ira que recai sobre os filhos da desobediência de Adão.

 

7 – Nas quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas.

Este versículo contém a mesma ideia que ( Ef 5:8 ):

“Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 )

‘Em outro tempo’ refere-se ao tempo em que por natureza se era filho da desobediência, ou seja, éreis trevas.

‘Nas quais’ refere-se ao comportamento desprezível que os filhos das trevas possuem.

Após comparar os elementos que compõe os dois versículos, verifica-se que ‘andar’ fala de questões comportamentais, e ‘viver’ fala de qual natureza o homem pertence (luz ou trevas; carne ou Espírito).

“Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” Gl 5. 25.

Aqueles que, após nascerem da água e do Espírito, passaram a viver em Espírito, e, por tanto, são espirituais, também deve andar, ou seja, a ter um comportamento a altura de sua nova natureza.

Em outro tempo andávamos em concupiscências, pois vivíamos segundo o pecado. Por natureza éramos trevas, e andávamos como filhos das trevas.

Hoje é diferente: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” ( Rm 6:4 ).

Ao cremos em Cristo, morremos com ele e ressurgimos e passamos a viver uma nova vida por meio de Cristo. Como fomos ressuscitados e vivemos em novidade de vida, devemos também andar em novidade de vida.

 

8 – Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca.

Paulo convoca os cristãos a experimentarem um novo patamar na conduta cristã.

Antes todos andavam segundo o curso do mundo, mas agora há o dever de se desfazer de tudo que era pertinente ao velho homem que foi crucificado com Cristo: ira, cólera, malicia, etc. O cristão deve se despojar, desfazer de tudo que era pertinente a velha criatura.

A velha criatura foi morta na cruz de Cristo, e não mais vive, mas Cristo vive nos que creem ( Gl 2:20 ). Segue-se que agora deve se desfazer das coisas que pertenciam ao velho homem.

 

9 – Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos,

A mentira é um tipo de comportamento pertinente ao velho homem, pois o novo homem é segundo a verdade do evangelho, o que o torna livre. Livre do velho homem, da velha natureza e despido do comportamento desprezível segundo o pecado.

 

10 – E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;

Há uma nova ‘roupa’ para aqueles que estão em Cristo. O cristão JÁ se despiu e JÁ se vestiu do que é pertinente ao novo homem “E vos revestistes do novo…”.

Este novo homem se renova para o conhecimento, segundo o que Paulo falou aos romanos: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” ( Rm 12:2 ).

O novo homem é segundo a imagem de Deus! Como?

A transformação que ainda esta sendo submetidos os filhos de Deus é quanto ao entendimento, e isto sim é um processo, pois o objetivo de Deus é que experimentemos a sua boa vontade.

Mas quanto a filiação, o novo homem é criado segundo Deus “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ).

O novo homem é criado segundo o poder de Deus, e de Cristo temos recebidos a plenitude “E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade” ( Cl 2:10 ). Qual a Adão são os filhos de Adão, qual Cristo são os filhos de Deus ( 1Co 15:48 ).

Sendo Cristo a imagem de Deus “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação” ( Cl 1:15 ), novamente estabeleceu o propósito eterno de fazer convergir em Cristo todas as coisas, sendo nós os que cremos, feitos a imagem e semelhança de Deus “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” ( Gn 1:26) .

 

“Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles”
( Hb 2:10 )

 

11 – Onde não há grego, nem judeu, circuncisão, nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos.

Qual é o único lugar que não há diferença entre os homens? No corpo de Cristo, visto que Ele disse ao repartir o pão: “E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” ( 1Co 11:24 ). O corpo de Cristo estaria repartido, ou seja, cada um deles eram o corpo de Cristo.

O corpo de Cristo consegue abrigar a todos os homens e ele não faz distinção entre os seus. Cristo passa a ser tudo em todos. Qualquer aspecto que se queira evidenciar, devemos considerar primeiramente a Cristo, o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão ( Hb 3:1 ).

12 – Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade;

No versículo dez Paulo demonstrou que o cristão foi vestido do novo, e aqui ele recomenda revestir de misericórdia, benignidade, humildade, etc.

Qual a diferença entre vestir e revestir? Qual é a vestimenta do novo homem? Qual o motivo de ser necessário revestir?

Antes de conhecer a Jesus as vestes do velho homem eram trapos de imundícies, hoje, o cristão cobre-se de salvação e é envolvido pelo manto da justiça de Deus ( Jó 29:14 ; Is 61:10 ). Ao ser criado em verdadeira justiça e santidade, o novo homem não é achado nu a semelhança de Adão, mas está vestido do que Deus lhe providenciou.

Do novo homem o cristão já está vestido, agora, por ser eleito, santo e amado precisa revestir-se de misericórdia, benignidade, humildade, mansidão, longanimidade ( Gl 5:22 ).

 

13 – Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

Paulo interpõe a pessoa de Cristo como exemplo.

 

14 – E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição.

Ademais, o amor não deve faltar na vida do cristão, pois n’Ele está o vínculo perfeito “E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele” ( 1Jo 4:16 ).

 

15 – E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos.

A paz de Deus excede a todo entendimento. Por meio de Cristo temos paz com Deus, e isto foi realizado por meio do corpo dele.

Por meio da fé nos unimos a Cristo, e isto se dá por meio da sua morte. Após a morte ressurgimos um novo homem e em paz com Deus “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz” ( Ef 2:15 ).

Fomos chamados por meio do corpo de Cristo e passamos a ter paz com Deus. Agora fazemos parte deste corpo que é composto por pessoas de diferentes classes sociais, etnias, línguas, nações, etc. A paz que temos com Deus transcende e alcança os nossos semelhantes, o que prova que somos nascidos dele.

 

16 – A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração.

A palavra de Deus deve fazer morada no crente “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” ( Tg 3:17 ).

Após adquirir sabedoria conforme expõe o apóstolo Tiago, o ensinar e o admoestar se dá através de salmos, hinos e cânticos, ou seja, através da palavra de Deus.

 

17 – E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.

O louvor pertence a Deus por meio de Cristo ( Ef 2:10 ).

O contexto muda completamente e Paulo passa a exortar grupos em particular. Paulo determina as mulheres cristãs que residiam em colossos a que fossem sujeitas aos seus maridos, o que é conveniente no Senhor. Não há nesta carta qualquer referência que esclareça os motivos pelas quais o apóstolo Paulo solicita esta submissão àquelas irmãs em particular.

A carta aos cristãos de Efésios possui tal ordenança e outros elementos, mas é temerário nos socorrer de outra carta para tentar elucidar o propósito de Paulo em dar tal recomendação. Por quê? Os cristãos de Efésios viram o apóstolo Paulo pessoalmente e os cristãos de Colossenses não. Isto porque a carta possui destinatários e serve quase que exclusivamente àquela comunidade cristã. Observe que Paulo é bem genérico na exortação.

 

19 – Vós, maridos, amai a vossas mulheres, e não vos irriteis contra elas.

Paulo recomenda aos maridos o amor para com as esposas e que não se irritassem com elas. É bem genérico, e não é de bom alvitre tentar dar um motivo pela qual os maridos se irritavam com suas esposas.

 

20 – Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor.

Paulo recomenda a obediência aos filhos, e arremata que tal atitude agrada ao Senhor.

 

21 – Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.

Paulo aponta aos pais o motivo pela qual não se deve irritar os filhos: para que não percam o ânimo.

 

22 – Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus.

Analisando as determinações verifica-se um parâmetro que preserva a autoridade na sociedade e na família. Quando Paulo fala àqueles que estão sob autoridade, ele aponta o Senhor (esposa, filhos, servos). Quando Paulo fala aos detentores de autoridade (marido, pais, senhores), ele não fala como ao Senhor, mas aponta a causa pela qual não se deve tomar tal atitude.

 

23 – E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens,

Deixando as questões pertinentes a autoridade de lado, Paulo recomenda a todos os cristãos que tudo o que fizessem, que fizessem como ao Senhor.

 

24 – Sabendo que recebereis do Senhor o galardão da herança, porque a Cristo, o Senhor, servis.

Tudo o que o cristão faz é serviço ao Senhor. Hoje somos escravos da justiça, conforme Paulo diz aos Romanos (v. 17 ; Rm 6:18 ).

 

25 – Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer; pois não há acepção de pessoas.

Vide explicação do versículo seis.

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