O Livro de Jó – Prefácio

Em função da verdade incrustada nas páginas desse livro tão magnifico, esta é a minha oração: que o Senhor continue a se revelar, através da pessoa bendita do seu Filho Jesus Cristo, e que possamos compreender plenamente o seu propósito e graça, pois, o que de Deus se pode conhecer, já foi revelado em graça e bondade, através da manifestação em carne de Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém!


Livro de Jó: Objetivo

Parte I

Prefácio

O Livro de Jó compõe o Cânon sagrado, juntamente com os Livros de Provérbios e de Eclesiastes, conjunto que se nomeia Livros de Sabedoria.

Do ponto de vista literário muitos autores classificam o Livro de Jó como drama e, em função dos diálogos, monólogos, provérbios e ditados que contém, interpretam o livro do ponto de vista das experiências humanas.

Não se pode negar que o Livro de Jó é de riqueza incalculável do ponto de vista literário, mas, também, pelo seu valor como poesia, sem falar do seu conteúdo histórico. Entretanto, o tesouro que há no Livro de Jó não é de ordem literária, filosófica, histórica, sociológica e nem psicológica.

A finalidade deste ensaio é trazer a lume uma questão que passa despercebida por muitos leitores do Livro de Jó:

– “Como o pecador pode ser justo diante de Deus?”

Na sua grande maioria, os livros e estudos acerca do Livro de Jó, destaca o sofrimento do patriarca, o que fomenta inúmeras discussões de viés filosófico, antropológico e, até mesmo, ontológico.

Poucos se apercebem de que a temática do Livro de Jó não é o sofrimento. Poucos conseguem visualizar, que o conteúdo do Livro de Jó dá corpo a uma parábola, através de uma história enigmática e que demanda interpretação.

O Livro de Jó funciona como um espelho, ao refletir que a justiça do homem mais íntegro que já viveu, está aquém da justiça de Deus. A integridade de Jó estabelece um contraste que evidencia a justiça de Deus, de modo que o sofrimento torna-se mero pano de fundo para revelar uma verdade imprescindível ao homem.

A finalidade deste ensaio, não necessariamente nesta ordem, é:

  • Evidenciar a justiça de Deus, em contraste com as qualidades de Jó;
  • Identificar o motivo pelo qual Jó foi escolhido como protagonista dessa história;
  • Trazer a lume o papel desempenhado pelos amigos de Jó e a visão superficial que tinham da justiça de Deus;
  • Extrair alguns elementos pertinentes à atuação de Satanás e como se dá a sua investida contra os servos de Deus;
  • Demonstrar a superioridade do conhecimento de Eliú, em relação aos outros amigos de Jó;
  • Explicar a diferença entre a Justiça Divina e a “justiça” humana;
  • Esclarecer os motivos pelos quais Jó foi repreendido por Deus e qual a lição que precisamos aprender, através da vida do seu servo!

Em função da verdade incrustrada nas páginas desse livro tão magnifico, esta é a minha oração: que o Senhor continue a se revelar, através da pessoa bendita do seu Filho Jesus Cristo, e que possamos compreender plenamente o seu propósito e graça, pois, o que de Deus se pode conhecer, já foi revelado em graça e bondade, através da manifestação em carne de Cristo Jesus, nosso Senhor. Amém!

 

Notas do autor.

 

Qual o objetivo do livro de Jó?

 

O livro

O Livro de Jó é classificado como poético, assim como, os cinco Livros dos Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares de Salomão e Lamentações. Os eruditos classificam, também, o Livro de Jó como Livro de Sabedoria, assim como o Livro de Provérbios e de Eclesiastes.

Por que classificam o Livro de Jó como poético e de sabedoria? Por causa da estrutura dos diálogos entre Jó e seus amigos, construída através de muitos ‘paralelismos’.

Por paralelismo, o que dá sustentabilidade à poesia hebraica, temos a valoração do pensamento, através da ênfase, da repetição, do contraste e da elaboração de ideias, sem levar em conta elementos como ritmos, rimas e métricas, elementos essenciais às poesias ocidentais.

Como a estrutura da poesia hebraica repousa no desenvolvimento de ideias, a tradução do texto para outras línguas permite que se tenha maior precisão e preservação da ideia do texto, o que não ocorre nas poesias ocidentais pela impossibilidade de se transpor ritmo, rima e métrica para qualquer tradução.

O poema ‘Canção do exílio’, de Gonçalves Dias, por exemplo, é primoroso pelo ritmo, rima e métrica, de modo que a melodia, pelo encadeamento do ritmo, como a rima, permite descrever a beleza da terra do autor com leveza ímpar, do ponto de vista patriótico e nacionalista.

Observe:

“Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá”.

Dias, Gonçalves, Canção do exílio, De Primeiros cantos (1847).

A versão em Inglês, fica assim:

“My land has palm trees
Where the thrush sings.
The birds that sing here
Do not sing as they do there”

O ritmo e a rima que dá graciosidade ao texto se perdem na tradução e somente as expressões figurativas permanecem intocadas.

Já, o paralelismo, a base da poesia hebraica, trabalha analogias através de comparações, de modo a fazer com que o leitor conclua uma ideia por deduções simples, induzidas por figuras de linguagem, como personificações, hipérboles, metáforas, símiles e aliterações.

Destacamos alguns tipos de paralelismos importantes para exemplificar:

O paralelismo sintético (ou, formal, construtivo) trabalha um pensamento na primeira linha do poema e a segunda linha desenvolve e enriquece a ideia que está na primeira linha, que compõe a estrofe, através de uma relação de causa e efeito. Observe:

“Os céus declaram a glória de Deus e

o firmamento anuncia a obra das suas mãos”  (Salmo 19:1)

O paralelismo sintético divide-se em outros três, a saber:

  1. Conclusão: “Eu, porém, ungi o meu Rei sobre o meu santo monte de Sião” (Salmos 2:6);
  2. Comparação: “É melhor confiar no SENHOR, do que confiar nos príncipes” (Salmos 118:9) e;
  3. Razão: “Beijai o Filho, para que se não ire, e pereçais no caminho, quando em breve se acender a sua ira; bem-aventurados todos aqueles que nele confiam” (Salmos 2:12).

Por outro lado, o paralelismo antitético trabalha um pensamento em duas linhas, através da oposição de ideias, onde a segunda linha do poema expressa uma ideia oposta à ideia da primeira linha:

“Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos;

porém o caminho dos ímpios perecerá” (Salmos 1:6)

Já, o paralelismo sinonímico trabalha uma ideia expressa duas vezes, com termos diferentes, em duas linhas:

“Levanta o pobre do pó e

do monturo levanta o necessitado” (Salmos 113:7)

Ter domínio das peculiaridades do paralelismo, na composição da poesia hebraica, muito auxilia na leitura e na análise do Livro de Jó.

O Livro de Jó, também, é classificado como Livro de Sabedoria, porque os eruditos entendem que o livro trata de questões práticas, pertinentes à existência humana, tais como fatalismo, materialismo, espiritualidade, sofrimento, moralidade, etc.

Outra questão acadêmica que orbita o Livro de Jó, é acerca da sua autoria e possível data em que foi escrito. Não há uma resposta segura para ambos e quando se parte para o campo das especulações, sobram opiniões! Aqui não opinaremos.

O significado do nome ‘Jó’, do hebraico בוֹיּאּ, transliterado “Iyyõb”, provavelmente, deriva de uma raiz que significa ‘voltar’ ou, ‘arrepender-se’ ou, o ‘perseguido’, do hebraico ‘ãyeb’.

Podemos traçar o seguinte esboço do Livro de Jó:

  1. Jó é provado e o sofrimento passa a ser o pano de fundo da história: (Jó 1:1 a 2:13);
  2. Três amigos de Jó procuram confortá-lo, porém, diante da reclamação de Jó, inicia-se um ciclo de discursos, em defesa de Deus, apontando a condição de Jó como resultado dos seus erros (Jó 3:1 a 31:40);
    1. Lamentação de Jó (Jó 3:1-26);
    2. Posicionamento de Elifaz (Jó 4:1 a 5:27) e réplica de Jó (Jó 6:1 a 7:21);
    3. Posicionamento de Bildade (Jó 8:1-22) e réplica de Jó (Jó 9:1 a 10:22);
    4. Posicionamento de Zofar (Jó 11:1-20) e réplica de Jó (Jó 12:1 a 14:22).
    5. Posicionamento de Elifaz (Jó 15:1-35) e réplica de Jó (Jó 16:1 a 17:16);
    6. Posicionamento de Bildade (Jó 18:1-21) e réplica de Jó (Jó 19:1-29);
    7. Posicionamento de Zofar (Jó 20:1-29) e réplica de Jó (Jó 21:1-34).
    8. Posicionamento de Elifaz (Jó 22:1-30)  e  réplica de Jó (Jó 23:1 a 24:25);
    9. Posicionamento de Bildade (Jó 25:1-6) e réplica de Jó (Jó 26:1 a 31:40).
  3. Exposição de Eliú (Jó 32:1 a 37:24);
  4. Perguntas de Deus (Jó 38:1 a 42:6);
  5. Epílogo (Jó 42:7-17).

Por que o justo sofre?

Ao pesquisar vários livros e comentários sobre o livro de Jó, as considerações sempre orbitam o sofrimento e, quase unanimemente, dão como tema do livro o sofrimento do justo[1].

Os comentaristas, geralmente, destacam, em letras garrafais, a seguinte pergunta:

“Por que o justo sofre?”

As considerações dos eruditos, que giram sobre o sofrimento, são diversas e, dentre elas, destacamos as principais:

  • Deus permitiu o sofrimento de Jó para justificar-se diante da acusação de Satanás;
  • A providência e o governo ético de Deus frente ao problema do sofrimento de um homem justo;
  • Deus permite o sofrimento do justo como meio de purifica-lo[2];
  • A mente do homem é muito ínfima, para que possa entender os motivos de Deus no sofrimento do justo;
  • Deus tinha plena confiança de que Jó sairia da provação, plenamente aprovado;
  • Deus derrotou Satanás, através do sofrimento de Jó;
  • Jó foi o homem mais integro que atendeu aos altos reclames da justiça divina, etc.

Se o tema do Livro de Jó é o sofrimento do justo[3], por inferência, se faz necessário concluir que o sofrimento do ímpio é plenamente aceitável. Através da leitura do Livro de Jó, somos levados a entender que o ímpio deve sofrer?

Ao estudar o Livro de Jó, desconsiderei as abordagens teóricas que constam das Bíblias de Estudos e dos livros de teologia. Li e reli diversas vezes o Livro de Jó, para chegar à seguinte conclusão: é impossível achar no Livro de Jó uma resposta para o sofrimento do justo, vez que o sofrimento ou, a problemática dos infortúnios que acometem o justo, não é o tema do livro.

Apesar do consenso de que o sofrimento do justo é o tema do Livro de Jó, não há entre os acadêmicos, uma resposta plausível que apresente um motivo[4], que dê resposta à pergunta: – ‘Por que o justo sofre?’[5].

Na verdade, o Livro de Jó não busca dar uma resposta à questão do sofrimento dos justos e nem foi escrito com o fito de apresentar uma teoria geral do sofrimento da humanidade[6].

O mote do Livro de Jó é pedagógico e o sofrimento é somente o pano de fundo, pois o tema do livro decorre de uma verdade imprescindível ao homem: a justiça do homem está aquém da justiça de Deus.

O propósito do livro é revelar uma verdade superior à ideia da problemática do sofrimento: como se dá a justificação do homem. O sofrimento é um dos elementos que fomentou os questionamentos, acerca da justiça de Deus e de que modo o homem poderia ser justo diante d’Ele.

Caro leitor, não quero desestimular a leitura do Livro de Jó, como um geólogo que desencoraja um visionário a não procurar petróleo em um terreno onde se suspeita que não haja o precioso ouro negro, mas deixa de avisar que há diamantes de grande valor naquela terra.

O nosso objetivo é que o leitor encontre a essência do Livro de Jó e, para isso, é necessário que o objeto seja substituído, para que o leitor tenha como encontrar o grande tesouro incrustado nessa história.

O leitor da Bíblia já observou que a história de Jó descreve alguém que sobrepuja qualquer ideário humano de justiça? Que a conduta, o caráter, a honradez e as práticas de Jó, estão muito além das nossas práticas cotidianas de justiça?

Ora, se Jó, de posse de um caráter que, a nosso ver, beira a perfeição; se as ações cotidianas do patriarca testemunhavam a favor da sua retidão e integridade[7] e; se Jó, ao ver o Criador, sentiu-se abominável e arrependido, imagine se eu ou você contemplássemos a Deus?

“Com os ouvidos eu ouvira falar de ti, mas agora te veem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42:5-6).

Após abrir mão de considerar o sofrimento dos justos como tema do Livro de Jó, fiquei sem um norte. Fez-se necessário fincar uma estaca, marcando um ponto ‘zero’, e voltar às minhas considerações e à releitura do livro, considerando os demais livros da Bíblia. Foi quando me deparei com o seguinte verso:

“Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que, pela paciência e consolação das Escrituras, tenhamos esperança”. (Romanos 15:4)

Se tudo o que foi escrito, anteriormente, tem o objetivo de nos ensinar, o que Deus quer ensinar, através do Livro de Jó? O que há no livro de Jó, que nos concede esperança? Há ‘paciência’ e ‘consolação’ na história de Jó?

Tive que retornar aos evangelhos, às epístolas, aos profetas e à lei e, se o leitor deseja desvendar o objetivo do Livro de Jó, venha comigo. É essencial uma digressão[8] para compreender o ensinamento que está incrustado na trama de Jó, da mesma forma que é necessário garimpar o ouro oculto nas rochas, no seio da terra.

 

O mal debaixo do Sol

Não encontraremos, na Bíblia, uma resposta à pergunta: – ‘Porque o justo sofre?’, no entanto, ela nos informa que há um mal, em relação a tudo o que se faz debaixo do sol: tudo sucede, de igual forma, a todos!

“Tudo sucede, igualmente, a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica, como ao que não sacrifica; assim, ao bom, como ao pecador; ao que jura, como ao que teme o juramento. Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o mesmo (Eclesiastes 9:2-3).

O Pregador aponta que há um mal em tudo o que se faz neste mundo: tudo sucede, igualmente, a todos. Os eventos neste mundo, quer sejam bons, quer sejam maus, não tem preferência em atingir a justos ou ímpios!

Se, somente, os justos sofressem, haveria motivo para indagar acerca do sofrimento dos justos. Semelhantemente, se tão somente os ímpios sofressem[9], poderíamos dissertar a respeito. Mas, como tudo sucede, igualmente, a todos, um mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol, torna-se evidente que não há motivo para questionar o sofrimento, quando acomete os justos.

Mesmo os justos, tropeçam em muitas coisas (Tg 3:2) e se queixam dos seus próprios erros (Lm 3:39). O trabalho e a dor são pertinentes ao mundo dos homens, para exercitá-los, portanto, não há motivo para questionar acerca do sofrimento dos justos. “Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar” (Ec 3:10;  Gn 3:17).

O Pregador dá um conselho aos homens, quer sejam justos, quer ímpios, e apresenta o motivo pelo qual há o dia da adversidade: para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.

“No dia da prosperidade goza do bem, mas, no dia da adversidade, considera; porque, também, Deus fez a este, em oposição àquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele” (Ec 7:14).

Continua…

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] “Este livro trata com o problema teórico da dor na vida dos fiéis. Procura responder à pergunta: Por que os justos sofrem? Essa resposta chega de forma tríplice: Deus merece nosso amor à parte das bênçãos que concede; 2) Deus pode permitir o sofrimento como meio de purificar e fortalecer a alma em piedade; 3) os pensamentos e os caminhos de Deus são movidos por considerações vastas demais para a mente fraca do homem compreender, já que o homem não pode ver os grandes assuntos da vida com a mesma visão ampla do onipotente”. Archer, Gleason L., Merece confiança o Antigo Testamento? Traduzido por Gordon Chown. – São Paulo: Edições Vida Nova, Reimpressões 1998. Pág. 407.

[2] “Deus, por meio do sofrimento, pode levar o pecador à conversão e à salvação”. Bíblia de Estudo Almeida. Barueri – SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2000. Pág. 549.

[3] “O livro de Jó é uma obra-prima da literatura sapiencial. É uma dramática ficção histórica sobre o homem justo, sempre fiel às leis e tradições. O autor ou, autores, entrelaçam prosas e poemas, com os mais variados temas teológicos e sociais, como o sofrimento humano, a transformação  humana e social, o  bem e  o mal, a doutrina da retribuição, entre outros”. Nova Bíblia Pastoral, Editora Paulus, 2014 (Nota de rodapé), pg. 628.

[4] “O assunto do livro tem sido dado como ‘O problema do sofrimento, A relação entre o sofrimento e o pecado, ou Quais são as leis governo moral de Deus no mundo?’ Tudo isso é discutido de vários pontos de vista; e, mediante a discussão, somos levados a uma compreensão mais sábia destes perpétuos mistérios; mas, o livro termina sem que o problema tenha sido resolvido”. McNair, S. E. A Bíblia explicada, 4ª Edição, RJ: CPAD, 1983. Pág. 167 (Citação de Scroggie).

[5] “Existe apenas uma questão que realmente importa: Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas? (…) Trata-se de um livro de difícil compreensão, um livro profundo e belo sobre o mais profundo dos temas, o problema do sofrimento dos bons”. Kushner, Harold S. “Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas”, tradução Francisco de Castro Azevedo. – São Paulo: Nobel, 1988.  Págs. 15 e 38.

[6] “O assunto do livro é a providência e o governo ético de Deus à luz do muito antigo problema do sofrimento de um homem justo. Para esse problema, nem Jó se justificando, nem os seus três amigos acusando-o de pecado, encontraram a solução”. Scofield, C. I., Bíblia de Scofield, com referências (Nota de rodapé).

[7] Integridade – significa que Jó era honrado; integro no sentido de ‘completo’, resignado a não violar o que era de direito do outro.

[8] Em Literatura, digressão é um recurso utilizado pelo narrador, a fim de afastar a atenção sobre alguma ação da história principal. Dessa forma, o narrador pode iniciar um tema secundário pouco importante para a trama ou, refletir sobre um assunto que foge da narrativa principal.

[9] “Transcendendo o drama humano, centra-se o Livro de Jó nesta pergunta: ‘Por que sofre o justo?’ Que o pecador sofra, todos entendemos! Mas o justo? Aquele que tudo faz por agradar a Deus?” Andrade, Claudionor de, Jó: O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Propósito., Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2ª Edição, 2003, pág. 14.

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Descubra o que poucos cristãos sabem sobre salvação e filiação divina

Sabemos que Cristo é mais sublime que os céus, e que a igreja será semelhante a Ele, ou seja, possuidores de uma glória superior a própria ‘habitação’ do Altíssimo ( Hb 7:26 ; 1Jo 3:2 ). Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).


“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 )

Nova Criatura

Após ouvir a mensagem do evangelho (fé) e crer em Cristo os cristãos passaram a estar em Cristo “É nele que vós também estais…” (v. 1 ), ou seja, após ouvir e crer no evangelho da salvação todos os cristãos efetivamente passara a ser uma nova criatura ( 2Co 5:17 ).

O apóstolo Paulo é categórico ao afirmar: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 ). Qualquer que está em Cristo, ou seja, que é uma nova criatura goza de uma nova condição. O que motivou o apóstolo dos gentios a bendizer a Deus no verso 3 “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” ( Ef 1:3 ).

Ao que parece, os cristãos em Éfeso desconheciam que estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura, lhes concedia nova condição, pois o apóstolo teve que afirma de modo contundente que eles também estavam em Cristo após ouvir e crer na mensagem do evangelho.

Esta abordagem incisiva do apóstolo dos gentios deixa evidente o contexto do capítulo 1 da carta aos Efésios. Ele estava tratando especificamente das benesses pertinentes à nova criatura, posição recém adquirida pelos cristãos por estarem em Cristo.

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! Quem estava assentado nas regiões celestiais? Os cristãos!

E porque os cristãos foram abençoados com todas as bênçãos e gozavam de um lugar de descanso (assentados)? Porque estavam em Cristo, porque eram novas criaturas, ou seja, o apóstolo estava abordando questões especificas à nova criatura.

Ao dizer: ‘É nele que vós também estais…’, o apóstolo procura demonstrar que:

a) Eles foram abençoados com todas as bênçãos, e;

b) que estavam assentados nas regiões celestiais, porque foram gerados de novo e eram novas criaturas.

Faz-se necessário destacar que no Capítulo 1 da carta aos Efésios em momento algum o apóstolo dos gentios faz referencia ao homem sem Cristo. Todas as bênçãos espirituais pertencem aos que estão em Cristo! Somente os que são novas criaturas descansaram de todas as suas obras, ou seja, estão assentados!

Somente aqueles que ouviram a mensagem do evangelho e creram em Cristo, ou seja, que estão n’Ele, e que, portanto, são novas criaturas, são os eleitos de Deus. Observe que o apóstolo está tratando de questões pertinentes à nova criatura: “… nos elegeu n’Ele…”, ou seja, antes da fundação do mundo Deus determinou que, aqueles que estariam em Cristo, ou seja, que seriam novas criaturas, haveriam se ser santos e irrepreensíveis.

Deus escolheu a nova criatura para ser santa e irrepreensível diante d’Ele. Para ser eleito de Deus é necessário estar em Cristo, ou seja, é necessário ouvir e crer na mensagem do evangelho. Quando não se está em Cristo é impossível ser eleito de Deus. Como a posição de eleito é pertinente somente à nova criatura, segue-se que o pecador não preenche o quesito da eleição, pois jamais a velha criatura, alguém que ainda não está em Cristo, seria eleita para ser santa e irrepreensível.

Quando o apóstolo Paulo trata da eleição, ele diz da nova criatura, pois o pecador, o velho homem, a natureza pecaminosa não é escolhida por Deus. Como Deus elege o homem em pecado para ser santo e irrepreensível se ele precisa ser desfeito para surgir uma nova criatura? ( Rm 6;6 ). Deus não elege o homem sob o domínio do pecado porque o velho homem precisa morrer para Deus possa criar o novo homem em Cristo Jesus.

Como Deus escolheria o homem em pecado, se Deus elege o homem somente quando se está em Cristo? Se Deus “… nos elegeu n’Ele…”, acaso Cristo é ministro do pecado? Não! O homem em pecado não foi escolhido para ser santo e irrepreensível, antes, a nova criatura, aquele que está em Cristo, é a escolhida para ser santa e irrepreensível.

Jamais Deus elegeria ou predestinaria os homens sob o pecado, pois antes de ser servo da justiça o velho homem precisa ser crucificado e sepultado com Cristo. Se o velho homem é destruído para que o cristão tenha um encontro com Deus, como o homem em pecado pode ser escolhido ou predestinado?

A relação de equivalência na asserção:

a) ‘…se alguém está em Cristo…’, e;

b) ‘… nova criatura é’,

A relação a=b e b=a possibilita substituir no capítulo 1 da carta aos Efésios o ‘estar em Cristo’ por ‘nova criatura’.

Com a substituição teríamos a seguinte abordagem: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais por sermos uma nova criatura; Como também nos elegeu por sermos uma nova criatura antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele por sermos novas criaturas; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si por sermos novas criaturas. Por sermos novas criaturas temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça (…) novas criaturas vocês também são, depois que ouvistes a palavra da verdade…”.

O apóstolo procurou demonstrar aos cristãos em Éfeso que as benesses de Deus são pertinentes à nova criatura. Quando se admiti que, só após ser uma nova criatura é que se está de posse da redenção pelo sangue e da remissão das ofensas, tem-se que admitir também que só o homem em Cristo (nova criatura) assume a condição para a qual é eleito: santo e irrepreensível.

Tudo que foi demonstrado pelo apóstolo Paulo no capítulo 1 de Efésios refere-se aqueles que, primeiro esperaram em Cristo “… nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 ).

Quando o apóstolo Paulo menciona ‘… os que primeiro esperamos em Cristo’, não se refere aos apóstolos ou aos pais da igreja, antes diz daqueles que receberam as bênçãos porque ‘primeiramente’ creram em Cristo. Quando o homem crê em Cristo passa a ‘conhecer a Deus, ou antes, é conhecido d’Ele’. Primeiro é necessário ao homem crer em Cristo (esperar, permanecer na palavra, ser discípulo), para depois conhecê-lo “Então, conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:32 ).

Quem foi abençoado com todas as bênçãos espirituais? Os cristãos! ‘Nos abençoou’, ou seja, o pronome na primeira pessoa do plural ‘nós’ demonstra que Deus abençoou ‘os que primeiro esperamos em Cristo’. Quem foi assentado nas regiões celestiais? ‘Nós’, ou seja, aqueles que foram feitos novas criaturas. Quem são os eleitos? ‘Nós’, ou seja, os que creram em Cristo! Quem é predestinado a ser filhos por adoção? ‘Nós’, os que esperamos em Cristo!

Segundo a riqueza da sua graça, Deus concedeu:

  • Sabedoria e prudência aos cristãos;
  • Revelou a sua vontade;
  • Foram feitos herdeiros, e;
  • Constituem-se louvor à Sua glória.

A quem Deus concedeu estas bênçãos? Aos que primeiramente esperaram em Cristo, ou seja, aos cristãos! Em momento algum o apóstolo Paulo faz referencia aos não cristãos.

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo deixa registrado tudo o que é pertinente à nova criatura, ou seja, ele faz alusão à nova condição pertinente aos cristãos, aqueles que esperam em Cristo, e que, apesar de desconhecer as benesses desta nova condição, também eram nova criaturas e necessitavam se conscientizar do que receberam após crer no evangelho ( Ef 1:13 ).

Tudo que o apóstolo dos gentios demonstra tem por sujeito os cristãos, sendo utilizada a primeira pessoa do plural (nós) para fazer referencia a tudo quanto os cristãos receberam após estarem em Cristo.

O que o apóstolo faz é lançar luz aos olhos do entendimento dos cristãos, para que eles soubessem o montante (todas) de benesses que receberam ao aceitar o chamado do Senhor segundo o evangelho ( Ef 1:18 ). O apóstolo assim o faz porque os cristãos de Éfeso desconheciam a riqueza da glória da herança de Deus nos santos.

Eles deviam saber que, o poder que ressuscitou a Cristo dentre os mortos foi o mesmo que operou sobre os cristãos por terem crido na mensagem do evangelho ( Ef 1:20 ), e que o mesmo Deus que fez o Senhor Jesus assentar a sua direita, também fez com que os cristãos assentassem nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo escreveu aos santos e fiéis em Cristo, ou seja, escreveu àqueles que são novas criaturas, que estão assentados nas regiões celestiais, que são herdeiros e herança, selados com o espírito santo da promessa, redimidos do pecado, gerados de novo para serem filhos por adoção (predestinados) e de posse da irrepreensibilidade e santidade que só é próprio aos de novo gerados em Cristo (eleitos).

Deus escolheu de antemão todos os que seriam gerados de novo para serem irrepreensíveis e santos. Deus predestinou todos os que seriam gerados de novo, segundo Cristo, para serem filhos de Deus por adoção.

Nenhuma destas benesses é pertinente aos filhos de Adão. Os filhos de Adão são imundos e infiéis. Não são eleitos e nem predestinados. Foram amaldiçoados e são cansados e oprimidos, ou seja, não encontraram descanso. Não são herança e nem herdeiros de Deus.

Como Cristo foi eleito para conduzir muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), e antes mesmo da fundação do mundo fora ofertado como cordeiro imaculado ( Ap 13:8 ), de antemão Deus elegeu (escolheu) os descendentes do último Adão, que é Cristo, para serem santos e irrepreensíveis, ou seja, elegeu aqueles que primeiro esperam em Cristo.

De igual modo, Deus estabeleceu os descendentes do Descendente, que é Cristo, como sua herança peculiar e os predestinou para serem filhos por adoção “… com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo” ( Ef 1:12 e Ef 1:5 ).

A condição de filhos por adoção é para louvor e glória da sua graça, uma vez que os cristãos foram feitos agradáveis a Deus por esperarem em Cristo, ou seja, primeiro crerem na mensagem do evangelho e foram de novo criados, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade, ou seja, irrepreensíveis e santos ( Ef 4:24 ). Ao crer na mensagem do evangelho, os cristãos receberam poder para serem feitos filhos de Deus, tornando-se agradáveis a Deus através do Amado Senhor Jesus Cristo ( Jo 1:12 ).

 

Velha Criatura

No capítulo 1 da epístola aos Efésios, o apóstolo Paulo trata somente do que é pertinente aos cristãos. No capítulo 2, o apóstolo trás a lembrança dos cristãos qual era a condição deles antes de crer no evangelho de Cristo.

Após demonstrar aos cristãos que eles eram obras realizadas por Deus, criados em Cristo Jesus “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” ( Ef 2:10 ), o apóstolo Paulo fez com que lembrassem que, houve um tempo em que todos não tinham esperança “Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo” ( Ef 2:11 -12).

Ora, se noutro tempo os cristãos não tinham esperança, segue-se que nenhum deles era eleito ou predestinado à salvação aos moldes do que foi alardeado pelos reformadores, pois, se assim fosse, todos eles tinham uma esperança.

Como nova criaturas, os cristãos vivem um novo tempo de justiça, e paz e alegria no Espírito Santo ( Rm 14:17 ). Após ser gerado de novo, o calendário de medição do tempo do novo homem também muda. Ao fazer referencia a antiga condição, o apóstolo Paulo diz: “Noutro tempo”, ou “outrora”.

Quando os cristãos estavam sem Cristo eram estranhos à aliança da promessa, não tinham esperança, estavam sem Deus, e, por natureza, eram filhos da ira ( Ef 2:12 e Ef 2:2 -3).

Todos os homens gerados de Adão são filhos da desobediência, e, portanto, filhos da ira. Não têm esperança, pois entraram por uma porta larga que os conduz à perdição. Todos quantos querem ser salvos, precisam entrar pela porta estreita, que é Cristo, ou seja, precisam nascer de novo.

O último Adão é a porta estreita (por onde os homens entram e são conduzidos à salvação), e o primeiro Adão a porta larga (por onde os homens entram e são conduzidos à perdição).

Se a eleição e a predestinação fossem aos moldes da doutrina calvinista ou arminianista contrariaria o exposto pelo apóstolo Paulo, uma vez que alguns homens sempre estiveram de posse de uma garantia. Estes seriam filhos da desobediência, porém, não seriam filhos da ira. Nunca seriam perdidos de fato, pois antes mesmo de serem gerados já estavam destinados a salvação.

Mas, não é assim a verdade do evangelho, visto que, quanto ao trato passado (condição), todos os cristãos estavam efetivamente mortos, e, portanto, perdidos ( 1Co 15:22 ). A salvação se da através das boas novas do evangelho, ou seja, alguém anuncia as boas novas do evangelho e os que ouvem precisam crer ( 1Co 15:2 ; Rm 10:14 ).

A salvação em Cristo não se dá pela eleição e nem pela predestinação, como apregoam os que dizem que a soberania divina não coaduna com o livre arbítrio do homem. Para justificar este posicionamento, perguntam: Se o homem está morto, como poderia decidir servir a Deus? Esquecem do alerta de Cristo que diz: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ).

A condição do homem não é causa de impedimento para que se possa crer em Cristo, visto que, ainda que esteja morto, ao crer em Cristo, viverá.

Para que os cristãos alcançassem as benesses pelas quais o apóstolo Paulo bendiz a Deus no capítulo 1, foi necessário Deus vivificá-los, pois estavam todos mortos ( Ef 2:1 ). Para vivificar os cristãos, Deus ressuscitou-os juntamente com Cristo e os fez assentar nas regiões celestiais ( Ef 2:6 ).

O apóstolo Paulo aponta dois tempos e duas condições específicas na vida dos cristãos: outrora éreis trevas, agora sois luz no Senhor (no Senhor=em Cristo=nova criatura), ou seja, sois luz por ser nova criatura “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR” ( Ef 5:8 ).

Mas, como os cristãos se tornaram luz? Foram escolhidos dentre os perdidos para serem luz? Foram predestinados para serem luz? Não!

O apóstolo João é claro ao repetir as palavras de Cristo: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ). Ou seja, é necessário ao homem crer na luz para ser filho de Deus. Qualquer que recebe a Cristo, ou seja, crê na mensagem do evangelho, recebe de Deus poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ).

Deixar de considerar que o apóstolo Paulo faz referencia a dois tempos, duas condições e dois tipos de criaturas no capítulo 1 da carta aos efésios, faz com que surja e se perpetue alguns erros de interpretação.

Os reformadores erraram:

  • Ao estabelecer como finalidade da eleição e da predestinação a salvação, e;
  • Por não levar em conta que o apóstolo Paulo faz referência a dois tipos de criaturas.

Erraram ao estabelecer que Deus elegeu e predestinou dentre os filhos da desobediência de Adão alguns para serem salvos. Deixaram de observar que a eleição refere-se à santidade e irrepreensibilidade, e que a predestinação refere-se a filiação.

Após observar que há os filhos da ira e os filhos da luz, e que, para ser filho da luz é necessário crer na luz, conclui-se que, antes da fundação do mundo Deus estabeleceu que, os que cressem na mensagem do evangelho, receberiam poder para serem feitos filhos de Deus ( Jo 1:12 ), e na condição de eleitos de Deus são santos e irrepreensíveis ( Tt 1:1 ).

Isto que dizer que, de antemão Deus estabeleceu um único destino (predestinou) aos que haveriam de crer em Cristo: seriam salvos da condenação estabelecida em Adão e seriam filhos por adoção.

Quando o apóstolo escreve aos cristãos em Éfeso, capítulo 1, ele trata única e exclusivamente das bênçãos que Deus concede aos cristãos na condição de novas criaturas. Para fazer alusão às bênçãos concedidas por Deus, o apóstolo utiliza os verbos no pretérito perfeito (elegeu, predestinou, deu, derramou, desvendou, etc.), tendo por sujeito dos verbos no pretérito perfeito, os cristãos (nos), e não aqueles que são filhos da ira e da desobediência.

Deste modo não há contradição alguma entre a soberania e o livre-arbítrio do homem, pois os filhos da ira são provenientes de uma geração e os filhos da luz proveniente de outra geração. A geração dos ímpios é segundo o sangue, a vontade da carne e a vontade do varão, e a geração dos justos segundo a vontade de Deus.

A geração dos ímpios jamais foi eleita, pois a eleição é pertinente a geração dos justos, como se lê: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ).

Os cristãos são geração eleita, pois a geração segundo a carne foi rejeitada. Como os cristãos alcançaram a eleição? Deus os chamou através do evangelho das trevas para a luz, ou seja, não foram predestinados e nem eleitos. Foram chamados!

 

Salvação e a filiação

No capítulo 1 da carta aos Efésios o apóstolo Paulo faz alusão ao propósito eterno de Deus. Qual o propósito eterno de Deus? Ora, o propósito eterno não se refere à salvação do homem, pois apesar de Deus querer e salvar os homens, há um tempo pré-determinado para a obra redentora ser encerrada.

A salvação é eterna, porém, Deus não continuara salvando os homens por toda a eternidade, portanto, a obra redentora de Deus não se refere ao propósito eterno.

O propósito eterno diz de algo que nunca terá fim, ou seja, o único evento que nunca terá fim é a preeminência de Cristo, pois ela perdurará pela eternidade ( Ef 1:10 ).

É propósito eterno de Deus:

  • Que a multiforme sabedoria de Deus seja revelada aos principados e potestades nas regiões celestiais;
  • Que Cristo tenha a preeminência em tudo;
  • Que Cristo seja o primogênito de toda criação;
  • Que Cristo seja o primogênito dentre os mortos, e;
  • Que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos.

Através da igreja, que é o corpo de Cristo, Deus concretizou o seu propósito eterno!

Em todos os tempos os homens são salvos por Deus mediante a fé, porém, a condição dos membros do corpo de Cristo é diferente da condição dos outros salvos que existiram ao longo da história da humanidade. Como?

Ora, os homens são salvos em todos os tempos pela fé em Deus, pois Deus salvou e salvará:

  • Antes da lei de Moisés;
  • Durante o período da lei de Moisés;
  • Durante o período das boas novas do evangelho;
  • No período da grande tribulação, e;
  • Durante o milênio.

Porém, diferente dos outros salvos, que continuarão na posição de homens, a igreja de Cristo foi elevada a categoria de ‘semelhantes a Deus’, posição superior a dos anjos, uma vez que serão semelhantes a Cristo ( 1Jo 3:2 ). Observe a tabela abaixo:

 

Hierarquia dos seres antes da constituição da Igreja

Hierarquia dos seres depois da constituição da Igreja

Criador

Deus

Deus

Criaturas

—————-

Semelhantes a Deus

Anjos

Anjos

Homens

Homens

 

Aos salvos que não são membros do corpo de Cristo, que é a igreja, não será dado a autonomia de julgar os anjos ( 1Co 6:3 ), mas a igreja julgará o mundo e os anjos ( 1Co 6:2 -3).

Diferentemente dos salvos de outras épocas, a igreja foi participante da morte de Cristo e passou a ser semelhante a Ele na ressurreição “Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição” ( Rm 6:5 ; Cl 3:1 -3).

O mesmo poder que foi manifesto em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, também operou sobre os membros do corpo de Cristo, a igreja ( Ef 1:19 ). Cristo é o primogênito dentre os mortos, e o seu corpo, também nomeado de a universal assembléia, é a igreja dos primogênitos ( Hb 12:23 ).

Cristo é Filho e herdeiro de todas as coisas, e os membros do seu corpo, filhos e co-herdeiros, pois é certo que os cristãos com Ele morreram (padecemos) para com Ele serem glorificados (ressurgir) ( Rm 8:17 ; Cl 3:3 ).

Tal qual Cristo é, é a sua igreja aqui neste mundo ( 1Jo 4:17 ). A igreja possui a imagem de Cristo, pois qual o Celestial, tais também os celestiais ( 1Co 15:47 -48). Esta condição é efetiva hoje, agora, não diz de algo para o futuro ( Ef 5:8 ).

Conclui-se que, todos os salvos de todas as épocas são filhos de Deus, porém, nem todos os salvos são qual o último Adão, que é Cristo. Há muitos filhos, mas somente a igreja é conforme a imagem de Cristo. Há muitos salvos, porém, somente através da igreja Cristo tornou-se primogênito dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

O apóstolo João e o apóstolo Paulo anunciaram que todos os cristãos receberam da plenitude de Cristo ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 -11), ou seja, todos são participantes da natureza divina, pois a semente de Deus permanece neles ( 2Pe 1:4 ; 1Jo 3:9 ).

A condição da igreja é tão diferenciada da dos outros salvos que os profetas estavam cientes que a graça que seria concedida à igreja não era igual a que lhes pertencia ( 1Pe 1:12 ).

As potestades e principados, por sua vez, desconheciam qual a multiforme sabedoria que foi revelada na igreja ( Ef 3:10 ), e assim como os profetas da antiga aliança também desejaram compreende-la “… para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 b).

Este verso tem causado inúmeros equívocos, visto que os anjos não desejaram anunciar o evangelho como muitos apregoam, antes eles desejavam atentar para as mesmas coisas que os profetas desejavam compreender Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” ( 1Pe 1:12 ).

Sabemos que Cristo é mais sublime que os céus, e que a igreja será semelhante a Ele, ou seja, possuidores de uma glória superior a própria ‘habitação’ do Altíssimo ( Hb 7:26 ; 1Jo 3:2 ).

Mas, como ainda ‘não é manifesto o que havemos de ser’, uma coisa é certa, toda a criação está numa ardente expectação esperando a manifestação dos filhos de Deus “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus” ( Rm 8:19 ).

No entanto, a manifestação dos filhos de Deus somente se dará quando Cristo se manifestar, e, então, a igreja será manifesta com Cristo em glória, ou seja, semelhantes a Ele ( Cl 2:11 ; 2Co 5:4 ; 1Co 15:53 -54).

Deus levou a efeito o seu propósito eterno quando adquiriu um povo, gerado segundo a palavra da verdade, constituído sacerdócio real e nação santa para que Cristo tenha a preeminência em tudo. Como? Através da igreja Cristo é o mais sublime entre os sublimes. Ele é o primogênito entre muitos irmãos! “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime” ( Is 52:13 ).

Somente através da igreja, o Servo do Senhor, o Filho do Altíssimo, é exaltado, elevado e mui sublime.

 

Conheceu e Predestinou

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Após alertar que as aflições do tempo presente não se comparam com a glória que há de ser revelada, e lembrar a expectativa da criação quanto a revelação dos filhos de Deus ( Rm 8:18 -22), o apóstolo Paulo demonstrou estar ansioso quanto a redenção do corpo ( Rm 8:23 ).

Ele reitera o que os cristãos deviam saber: que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus ( Rm 8:28 ), ou seja, os ‘que amam a Deus’ são aqueles que foram ‘chamados segundo o seu propósito’.

Quem são os chamados? Todos os que ouvem a mensagem do evangelho. Quem são os que amam a Deus? Todos que atenderam o chamado contido no evangelho.

Ora, somente as ‘boas novas’ do evangelho promove o propósito de Deus, pois todos os que foram ‘conhecidos’ de Deus, também foram predestinados a serem conforme a imagem de Cristo ( Rm 8:29 ).

Deste verso surgem algumas perguntas essenciais a compreensão:

  • O que é conhecer a Deus?
  • O ‘dantes’ refere-se a que?
  • Foram predestinados a que?
  • Com que propósito Deus chama os homens através do evangelho?

Conhecer a Deus “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” ( Gl 4:9 ) – ‘Conhecer’ a Deus não é ter ‘ciência’, ‘saber’ ou ‘conhecimento acerca de’ Deus, antes, ‘conhecer’ é tornar-se um só corpo e um só espírito com o Pai e o Filho ( Ef 4:4 ), ou seja, refere-se a comunhão intima ( 1Co 1:9 ). Assim como o homem torna-se um só corpo ao ‘conhecer’ a mulher, conhecer a Deus, ou antes, ser conhecido d’Ele, diz de comunhão intima. Conhecer a Deus é algo pertinente ao tempo presente dos cristãos “Mas, agora…” ( Gl 4:9 ).

Dantes conheceu – A que tempo refere o ‘dantes’? O que ‘dantes conheceu’ é o mesmo que ‘… primeiro esperamos em Cristo’ ( Ef 1:12 ). Os que primeiro esperaram em Cristo são os que conheceram a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele. Os que ‘dantes’, ou os que ‘primeiro’ conheceram a Deus, por esperar em Cristo, são os que foram feitos herança e predestinados segundo o propósito de Deus ( Ef 1:11 -12). ‘Dantes conheceu’ remete a mesma idéia que o apóstolo Paulo expôs aos cristãos da região da Galácia: conhecendo a Deus, ou ANTES, sendo conhecido d’Ele ( Gl 4:9 ). Este ‘dantes’ não tem relação com a ‘pré-ciência’ de Deus.

Predestinados a quê? – Deus predestinou os que ‘dantes’, ou seja, que em primeiro lugar O conheceram ao crer no evangelho para serem conformes à imagem de seu Filho. Observe que ninguém é predestinado a salvação! Antes de ser predestinado a ser conforme a imagem do Filho é necessário ao homem ‘conhecer’ a Deus, ou antes, ser ‘conhecido’ d’Ele.

O evangelho do propósito eterno – A oferta de salvação em Cristo, além da redenção do homem, faz parte do propósito eterno de Deus, que é tornar o Unigênito Filho de Deus no Primogênito de Deus entre muitos irmãos. Para tanto, todos os que crêem no evangelho, além de salvos, são predestinados a serem conforme a imagem de Cristo.

Somente os que primeiro ‘conheceram’ a Deus por intermédio do evangelho são predestinados à filiação divina. Ninguém é predestinado a ‘conhecer’ a Deus, ou seja, ninguém é predestinado a salvação, antes, é necessário primeiramente (dantes) crer em Cristo, que o homem terá o seu destino definido conforme o que foi proposto na eternidade: será conforme a imagem de Cristo “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

E qual o propósito de Deus ao conceder filiação aos remidos segundo a graça demonstrada no evangelho? Que o Unigênito Filho de Deus, que foi morto e ressurgiu, seja o primogênito dentre os mortos com muitos irmãos.

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Efésios 3 – O mistério revelado

Os seres celestiais tinham consciência do poder de Deus e de que o Verbo de Deus participou da criação, visto que, em Cristo todas as coisas foram criadas. Porém, agora, pela igreja, estes seres celestiais passaram a conhecer a multiforme sabedoria de Deus. É interessante observar que os seres celestiais têm contato constante com o poder de Deus, que a tudo criou por meio de Cristo, mas nem mesmo eles conheciam a multiforme sabedoria ( Ef 1:9 -10).


A Missão entre os Gentios

1 Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios;

Qual causa? A missão que foi confiada ao apóstolo Paulo de demonstrar aos cristãos que a parede de separação entre gentios e judeus foi derrubada. O fato de ter sido criado um novo homem em Cristo Jesus a partir de dois povos (judeus e gentios) “…para criar em si mesmo dos dois um novo homem…” ( Ef 2:15 ), tornou-se o pivô das prisões de Paulo.

A missão que foi delegada a Paulo mantinha o apóstolo vinculado a Cristo através de uma lei interna, visto que ele era cativo (prisioneiro) no entendimento “…e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” ( 2Co 10:15 ).

A idéia que Paulo expôs sobre ser prisioneiro de Cristo é melhor explanada em ( 1Co 9:16 -19) “Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada. Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho. Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos para ganhar ainda mais”.

Paulo não quis ser só um despenseiro, e sim, alguém que anunciava o evangelho de bom grado, com o intuito de receber um prêmio maior. Para tanto, ele quis se prender a causa.

A igreja de Cristo é um novo corpo que une ‘gentios’ e ‘judeus’, e ambos têm acesso ao Pai em um mesmo Espírito.

O remetente da carta se identifica novamente “…eu, Paulo…”; ( Ef 1:1 ).

Paulo tinha conhecimento pleno da sua condição em Cristo “…sou prisioneiro de Jesus Cristo…”, e da missão.

Paulo procurou conscientizar os cristãos gentios da sua luta através deste versículo.

Ele prossegue apresentando novos elementos no transcorrer da carta, porém, sempre faz referência a algo que já escreveu. Ex:

  • Apresentação pessoal ( Ef 1:1 e Ef 3:7 );
  • Louvor a Deus ( Ef 1:3 e Ef 3:20 -21);
  • Regiões celestiais ( Ef 1:3 e Ef 2:6 );
  • Mistério desvendado ( Ef 1:9 e Ef 3:6 );
  • O Espírito Santo ( Ef 1:13 e Ef 4:30 );
  • O poder de Deus ( Ef 1:19 ; Ef 3:7 e Ef 3:20 );
  • O passado ( Ef 2:1 e Ef 4:17 -19);
  • Vivificar com Cristo ( Ef 2:1 e Ef 2:5 );
  • Morada do Espírito ( Ef 2:22 e Ef 3:17 ), etc.

Esta peculiaridade da carta aos Efésios a torna auto-explicativa.

 

2 Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada;

A conscientização (entendimento) acerca da complexidade que havia por trás do ministério do apóstolo Paulo só é possível àqueles que já ouviram acerca da graça de Deus. Tal graça foi apresentada aos gentios por intermédio do apóstolo.

A mensagem que Paulo apregoava era desconhecida tanto para os judeus como para os gentios. Somado a isto, ele precisava apregoar o evangelho de maneira que convencesse os judeus a abandonarem a idéia de que a salvação era exclusiva ao povo de Israel, sem menosprezar os gentios.

Como conciliar homens que tinham a cruz de Cristo como escândalo e loucura? “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação. Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” ( 1Co 1:21 -22).

Porém, Paulo pregava confiado em Cristo que concedeu a missão de proclamar o evangelho, que é poder de Deus e salvação para todo aquele que crê “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” ( 1Co 1:18 ) compare com “E qual a sobre excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder…” ( Ef 1:19 ).

 

 

3 Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi;

A dispensação da graça de Deus era um mistério que foi manifesto ao apóstolo Paulo por revelação. Sobre este mistério, agora revelado, Paulo escreveu algumas coisas no próprio corpo da carta ( Ef 2:13 -22).

 

4 Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo,

Paulo espera que os leitores percebam o quanto ele compreendia o evangelho, o mistério de Cristo que agora foi revelado aos homens.

O versículo 6 detalha a extensão da compreensão do apóstolo Paulo.

 

5 O qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas;

O mistério acerca da pessoa de Cristo ainda não havia sido revelado aos homens, porém, agora, o Espírito Santo de Deus revelou tal segredo aos santos apóstolos e profetas.

É interessante observar que a revelação de Deus se deu aos apóstolos e aos profetas “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João” ( Mt 11:13 ). É diferente a abordagem feita em Efésios da feita por Cristo em Mateus.

Quando Cristo falou acerca dos profetas, Ele disse que: “…os profetas e a lei profetizaram até João”. Ou seja, tanto os profetas quanto a lei apontavam para a vinda de Cristo em carne, e o profeta João Batista foi o último a profetizar acerca da vinda do Messias em carne ( Mt 3:11 ).

Os profetas, da qual Jesus fez referência, profetizavam acerca de algo que não lhes era plenamente compreensível. Da mesma maneira a lei, que é uma profecia acerca do Cristo, mas que não era plenamente compreendida pelo povo.

A abordagem de Paulo é diferente da abordagem feita por Jesus.

Paulo fala do mistério que foi revelado aos apóstolos e profetas. O mistério revelado é que os gentios também são herdeiros da promessa por meio do corpo de Cristo.

A revelação do mistério que estava oculto se deu aos apóstolos (como é o caso do apóstolo Paulo), e aos profetas (como é o caso de algumas pessoas que foram nomeadas como profetas) “E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judéia um profeta, por nome Agabo” ( At 21:10 ).

A lei e os profetas falavam da vinda do Messias em carne, mas não deixava claro que através de Cristo os gentios e judeus formariam um só corpo. Porém, agora, o mistério foi revelado, e os apóstolos e os profetas passaram a compreender a grandeza do evangelho.

Os profetas que profetizaram acerca da vinda do Messias duraram até João. Os profetas que Paulo faz referência profetizaram muitas coisas aos apóstolos e a igreja, e estes não estão inclusos no alerta de ( Mt 3:11 ); “E, achando discípulos, ficamos ali sete dias; e eles pelo Espírito diziam a Paulo que não subisse a Jerusalém” ( At 21:4 ).

 

6 A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho;

Este versículo demonstra a compreensão do apóstolo acerca do mistério que foi revelado.

O mistério que esteve oculto e que agora foi revelado aos apóstolos e profetas é que os gentios são co-herdeiros e membros de um mesmo corpo.

Por meio do evangelho os gentios tornaram-se participantes da promessa feitas a Abraão.

A promessa foi feita a Abraão, e por meio de Cristo os gentios tornam-se participantes da promessa “… e em ti serão benditas todas as famílias da terra” ( Gn 12:3 ).

 

 

7 Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder.

Este versículo complementa a apresentação inicial do apóstolo.

Paulo identificou-se como apóstolo de Cristo pela vontade de Deus ( Ef 1:1 ), e aqui ele complementa que foi feito ministro do evangelho, segundo o dom da graça de Deus que a ele foi dado, segundo a operação do seu poder.

Verifica-se que o contexto continua sendo o poder de Deus. No capítulo um, versículo dezenove, o apóstolo orou a Deus para que os irmãos se conscientizassem “da suprema grandeza do seu poder” ( Ef 1:19 ).

O poder de Deus foi manifesto em Cristo ao ressuscitá-lo dentre os mortos e em nós, ao nos vivificar dos mortos ( Ef 2:5 -6). E, pelo mesmo poder, Paulo foi feito ministro do evangelho, apóstolo dos gentios.

 

8 A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo,

Paulo demonstra conhecer a sua real condição perante Deus quando diz ser o mínimo de todos os santos.

A graça de Deus concedeu salvação ao apóstolo, porém, também lhe foi dada à incumbência de anunciar o evangelho aos gentios.

Mas, há algo neste versículo que nos chama atenção: o mínimo de todos os santos. Desde a apresentação inicial da carta, o apóstolo nomeia os destinatários de santos “…aos santos que estão em Éfeso…” ( Ef 1:1 ); “…para sermos santos e irrepreensíveis….” ( Ef 1:4 ); “…e o vosso amor para com todos os santos” ( Ef 1:15 ); “…quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” ( Ef 1:18 ); “…mas concidadãos dos santos, e da família de Deus” ( Ef 2:19 ); “…como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas” ( Ef 3:5 ), etc.

Estes versículos apresentam uma condição dos cristãos perante Deus, e não somente um título de tratamento entre os irmãos.

 

9 E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo;

A missão do apóstolo era anunciar as riquezas insondáveis de Cristo e demonstrar a todos os homens a dispensação do mistério que esteve oculto ao longo dos séculos.

O contato que os homens têm é com a mensagem do evangelho, que contém o mistério revelado e que torna compreensíveis as riquezas de Cristo. Diferente é o aspecto deste mesmo evangelho para os seres celestiais.

 

10 Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus,

Os seres celestiais tinham consciência do poder de Deus e de que o Verbo de Deus participou da criação, visto que, em Cristo todas as coisas foram criadas.

Porém, agora, pela igreja, estes seres celestiais passaram a conhecer a multiforme sabedoria de Deus.

É interessante observar que os seres celestiais têm contato constante com o poder de Deus, que a tudo criou por meio de Cristo, mas nem mesmo eles conheciam a multiforme sabedoria ( Ef 1:9 -10).

 

11 Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor,

O eterno propósito de Deus de fazer convergir em Cristo todas às coisas tornou conhecido aos principados e potestades nos céus a multiforme sabedoria de Deus.

A nós, os homens, foi revelado o mistério e a possibilidade de compreendermos as riquezas de Cristo.

 

12 No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele.

Em Cristo Jesus, os cristãos têm ousadia e acesso a Deus, pela confiança adquirida. Sobre a confiança a carta de Tiago é esclarecedora.

É pela fé em Cristo que se tem ousadia e confiança “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus” ( Hb 10:19 ).

 

13 Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, que são a vossa glória.

Paulo era o prisioneiro de Cristo, mas não queira que os irmãos desfalecessem por causa dele. Antes, os cristãos deveriam reputar as tribulações de Paulo como sendo uma glória deles.

Os cristãos não deveriam desfalecer ante as tribulações do apóstolo, antes deveriam tê-las (as tribulações) como uma confirmação de que o perseguidor era quem anunciava o evangelho.

 

14 Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,

O apóstolo demonstra outro motivo pela qual orava constantemente ao Senhor: que as suas tribulações não se tornem em empecilho aos cristãos.

O primeiro momento de oração foi para que Deus concedesse aos cristãos sabedoria e revelação em seu conhecimento ( Ef 1:16 -19).

 

15 Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome,

Todas as criaturas de Deus refugiam-se em seu nome ( Ef 1:10 ).

 

16 Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior;

Temos duas referências a riquezas da graça ( EF 1:7 ; Ef 2:7 ), e duas referências a riquezas da glória.

As duas últimas referências foram utilizadas em momento de oração. As riquezas incompreensíveis de Cristo dizem das riquezas da graça que é por meio do evangelho, loucura para os que perecem “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” ( 1Co 1:23 ).

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A carne para nada serve

‘Provar os espíritos’ ou ‘os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas’ não envolve questões de ordem psíquica. Provar os espíritos não é verificar se o profeta é nervoso, intolerante, agitado, agressivo, etc., ou verificar se o profeta controla as suas emoções, desejos e ansiedades. Tais questões são pertinentes a psique humana e alguns psicólogos rotulam como sendo nuances do ‘espírito’. Portanto, a análise deve recair única e exclusivamente sobre a palavra do profeta, pois é pelo ‘fruto’ que se identifica a árvore ( Mt 7:16 ).


“E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 )

Introdução

O evangelista Marcos apresentou uma informação que não pode ser desprezada como parâmetro essencial à contextualização e interpretação de algumas passagens bíblicas:

“E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ).

Neste verso o evangelista deixou registrado de modo claro que, tudo o que Jesus dizia à multidão era dito através de parábolas, o que contrasta com a maneira de Jesus ensinar os seus discípulos em particular.

De posse desta informação, é salutar ao interprete da bíblia analisar qual é o público alvo das palavras de Cristo, pois se for a multidão, teremos parábolas e enigmas, mas se o público alvo for os discípulos e em particular, teremos a elucidação das parábolas e dos enigmas ( Sl 78:2 ).

Neste artigo, faremos um exercício de análise e interpretação bíblica utilizando como base o verso 63 de João 6: “O espírito é que vivifica, a carne para nada serve”, levando em conta a informação dada pelo evangelista Marcos, ou seja, de que Jesus só falava ao povo utilizando-se de parábolas, mas quando em particular com os seus discípulos, declarava o significado do que havia dito.

Demonstraremos a importância de se determinar o público alvo da mensagem de Jesus, se judeus ou discípulos, o que possibilitará uma interpretação segura das Escrituras.

João 6

O evangelista João destaca que Jesus discursou a uma grande multidão que O seguia em função do milagre da multiplicação dos pães ( Jo 6:24 e 59), e no verso 61 em diante, o evangelista destaca que, quando Jesus ficou a sós com os seus discípulos, ensinou-os em função do que havia discursado ao povo.

O texto demonstra que muitos dos discípulos, ao ouvirem o discurso que Cristo fez à multidão, argumentaram: ‘- Duro é este discurso, quem o pode ouvir?’ ( Jo 6:60 ). Ao perceber que os seus discípulos murmuravam a respeito do que fora dito à multidão, Jesus os questiona dizendo: ‘- Isto vos escandaliza?’ (v. 61) e complementa ‘- Que aconteceria então se vísseis o Filho do homem subir para onde primeiro estava?’ Foi quando Jesus apresentou a seguinte explicação: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas alguns de vós não creram” ( Jo 6:63 ).

Levando em conta o que o evangelista Marcos disse: “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ), e que Jesus ensinou os discípulos em particular quando disse: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida. Mas alguns de vós não creram” ( Jo 6:63 ), devemos perguntar: Jesus propôs alguma parábola ao povo? Jesus contou à multidão alguma história do cotidiano para expor a sua doutrina? O que é uma parábola?

 

Definição secular de parábola: s.f. Trata-se de uma história curta, cujos elementos são eventos e fatos da vida cotidiana que ilustram uma verdade moral ou espiritual.

Se o interprete levar em conta a definição acima, jamais encontrará no capítulo 6 do evangelho de João uma história curta que faça referencia a eventos e fatos do cotidiano. Mas, como o evangelista Marcos foi contundente ao dizer que Jesus só falava a multidão por parábolas, faz-se necessário reler com acuidade o capítulo 6 do evangelho de João, para descobrirmos se há realmente uma parábola no texto.

Outro ponto a se destacar é o predito pelo salmista: “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” ( Sl 78:2 ). Os enigmas que seriam propostos através de parábolas pelo Messias estavam vinculados as questões da antiguidade, ou seja, não estava vinculado ao cotidiano das pessoas. Se os enigmas são os mesmos da antiguidade, a própria parábola não dependia do formato de uma história curta.

Através de um elemento próprio às poesias hebraicas, o paralelismo, verifica-se que o enigma profetizado pelo salmista e, que seria proposto ao povo através das parábolas pelo Messias, refere-se à lei mosaica anunciada na antiguidade ( Sl 78:1 ), com o objetivo de que os filhos de Israel cressem em Deus ( Sl 78:7 ).

“Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os vossos ouvidos às palavras da minha boca.
Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade.
Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado”
( Sl 78:1-3)

O evangelista João narra que Jesus multiplicou cinco pães e dois peixinhos ( Jo 6:9 ) e que uma multidão de quase 5.000 mil pessoas comeram a fartar, de modo que sobejaram e sobraram 12 cestos de pães. Diante daquela maravilha, a multidão pretendia fazer Cristo rei, ao que Ele se retirou sozinho para um monte ( Jo 6:15 ).

Mas, o interesse da multidão em se alimentar de pão era tamanho que os judeus procuraram Jesus em toda parte e, como não O encontraram, atravessaram o mar e foram em busca de Jesus na cidade de Cafarnaum ( Jo 6:24 ).

Quando a multidão encontrou Jesus, foi repreendida: “Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes” ( Jo 6:26 ). E em seguida lhes dá uma ordem: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou” ( Jo 6:27 ).

Diante da proposta de Cristo, o povo questionou o que era necessário fazer para ser servo de Deus, pois queriam ter direito ao pão cotidiano ( Jo 6:28 ). Quando Jesus indicou como eles se tornariam servos (executores da obra de Deus), a multidão, que havia comido pão a fartar e que queriam no dia anterior fazer de Cristo seu rei, pediu um sinal visível para que pudessem crer no que Jesus propôs “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ).

A exigência de um milagre teve por pretexto a lei de Moisés, quando disseram: “Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu” ( Jo 6:31 ). Menosprezaram o milagre operado no dia anterior, em que uma multidão de quase 5.000 pessoas famintas foi saciada com cinco pães e dois peixes, pois entenderam que Cristo só teria autoridade de apresentar-lhes o exigido por Deus se lhes desse comida equivalente ao maná do deserto e por muitos dias.

Foi quando Jesus contraria a crença dos seus ouvintes ao dizer que não fora Moisés que dera o pão do céu e, por fim, identificou-se como o pão que dá vida aos homens ( Jo 6:35 ).

A multidão que inicialmente queria servir a Deus (apresentar-se por servo) para ter direito a comida que perece ( Jo 6:34 ), ficou apreensiva porque Jesus disse ser Ele mesmo o pão vivo que desceu do céu, e passaram a murmurar dizendo: “Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Então como diz ele: Desci do céu?” ( Jo 6:42 ).

Em seguida Jesus reafirma: – ‘Eu sou o pão da vida! Mas aqui está o pão que desceu do céu, do qual se o homem comer não morre! Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo’ ( Jo 6:48 -51).

Apesar de deixar claro que a sua carne seria entregue para que o mundo obtivesse vida, a declaração de Jesus fomentou uma discussão entre os judeus, e eles começaram a questionar entre si: ‘- Como nos pode dar este homem a sua carne a comer?’

Através das perguntas dos judeus diante da declaração de Cristo, fica evidente que não compreenderam a proposta de Cristo, ou seja, Jesus havia proposto ao povo uma parábola, pois a função da parábola é específica: que o povo ‘vendo não veem e ouvindo não ouvem e nem compreendem’Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis” ( Mt 13:13 -14; Sl 78:2).

Ora, a multidão não compreendeu o que Cristo disse quando se apresentou como o pão vivo enviado dos céus. Eis a parábola, o enigma proposto. Ficaram escandalizados quando foi dito que a carne de Jesus era comida e o seu sangue bebida ( Jo 6:53 -56), ou seja, a proposta de Jesus foi feita por parábola e envolvia um grande enigma!

Tudo o que Jesus disse à multidão em Cafarnaum por parábola, em particular expôs o significado aos Seus discípulos.

A explicação da parábola

A sós com os Seus discípulos, Jesus explica porque Ele é o pão vivo que desceu dos céus, e; porque a sua carne é verdadeiramente comida e o seu sangue verdadeiramente bebida. A explicação resume-se na seguinte fala: ‘- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que eu vos disse são espírito e vida!’

Analisando algumas declarações que Jesus fez ao povo, temos que Ele é o pão que desceu do céu e que dá vida ao homem, pois quem se alimenta de Cristo viverá em função d’Ele ( Jo 6:51 e 57). Sobre esta verdade o apóstolo Paulo disse que Jesus é o último Adão, o espírito vivificante, o espírito que dá vida.

À multidão, Jesus anunciou que somente o ‘pão vivo que desceu dos céus concede vida’, e aos discípulos, em particular, deixa claro que o que vivifica é ‘o espírito’. Por fim ele arremata: ‘- As palavras que eu vos disse são espírito e vida’.

O interprete deve estar atento a toda explicação de Jesus, pois quando ele diz: ‘as palavras que eu vos disse são espírito e vida’, está definindo qual o significado do termo ‘espírito’. Ou seja, o que vivifica o homem são as palavras ditas por Cristo, pois as suas palavras são juntamente espírito e vida. Ou melhor, Cristo por ser o Verbo de Deus encarnado, é espírito vivificante ( 1Co 15:45 ).

O apóstolo Pedro ao recomendar a palavra aos cristãos, apresenta a palavra de Deus como alimento, pois exorta a crescerem fazendo uso do ‘leite racional’ “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” ( 1Pe 2:2 ).

Quando Jesus fez o convite ao povo para que comessem da sua carne e bebessem do seu sangue dizendo que a sua carne era verdadeiramente comida e os seu sangue verdadeira bebida, estava ensinado ao povo por parábolas. Por enigma Jesus estava dando a entender ao povo que somente suas palavras proporcionam vida aos Seus ouvintes, e não os milagres operados. Jesus estava conclamando o povo que provassem a sua palavra do mesmo modo que o paladar prova a comida, pois veriam que Cristo, o Senhor do salmista, que se assentou a destra do Senhor do Salmista, é bom “Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida” ( Jó 34:3 ); “Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia” ( Sl 34:8 ).

Os cegos e surdos que provam as palavras de Cristo, crendo “Bem-aventurado o homem que nele confia” ( Sl 34:8 ), passa a enxergar. São os meninos que aprendem o temor do Senhor, os mansos que atendem o convite: vinde a mim vós todos que estais cansados e sobrecarregados ( Sl 34:11 ; Mt 11:28 ; Sl 34:2 ).

Se os ouvintes de Cristo ouvissem a sua palavra e cressem, seriam participantes do Espírito que vivifica ( 1Co 15:45 ), ou seja, tornar-se-iam um só corpo com Ele ( Jo 6:51 e Lc 22:20 ). Na palavra de Cristo está a vida dos homens ( Jo 1:4 e 7), mas por causa da parábola, os ouvintes de Cristo entenderam que Ele estava dando a comer o seu corpo físico, pois o que buscavam era pão de cevada. Cristo não queria que bebessem do sangue que estava em suas veias e que foi derramado na cruz, antes Jesus queria que cressem em suas palavras, pois as suas palavras faria com que os seus ouvintes se tornassem um com Ele, participantes do seu corpo ( Jo 17:21 ; Ef 3:6 ).

Quando disse em particular: “- O espírito é que vivifica, a carne para nada serve”, Jesus estava revelando a natureza do Seu discurso “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados” ( 1Jo 5:3 ; Jo 6:61), antes que o que estava sendo proposto era que cressem em sua palavra, pois especificamente a sua palavra era espírito e vida “Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” ( Mt 4:4 ).

A palavra é espírito? Sim! É em função desta verdade que interpretamos passagem como: “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” ( 1Co 14:32 ). Ou seja, a palavra do profeta é sujeita ao profeta. De igual modo, quando lemos: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1Jo 4:1 ), a palavra ‘espírito’ nestes textos não diz de um ‘demônio’, ‘espírito imundo’ ou ‘fantasma’, antes diz especificamente da mensagem do falso profeta.

‘Provar os espíritos’ ou ‘os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas’ não envolve questões de ordem psíquica. Provar os espíritos não é verificar se o profeta é nervoso, intolerante, agitado, agressivo, etc., ou verificar se o profeta controla as suas emoções, desejos e ansiedades. Tais questões são pertinentes à psique humana e alguns psicólogos rotulam como sendo nuances do ‘espírito’. Portanto, a análise deve recair única e exclusivamente sobre a palavra do profeta, pois é pelo ‘fruto’ que se identifica a árvore ( Mt 7:16 ).

Assim como o paladar prova a comida, o ouvido deve provar as palavras, pois da boca dos homens procede o ‘fruto’ que permite identificá-los se são árvores boas ou más “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios ficará satisfeito” ( Pr 18:20 ); “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ).

Compreendendo que a palavra ‘espírito’ às vezes possui o significado de ‘palavra’, torna-se fácil compreender o que o apóstolo Paulo disse com o seguinte verso: “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” ( 2Co 3:6 ). Ou seja, o cristão é ministro da palavra de Cristo (evangelho), o espírito que vivifica, e não ministro da lei de Moisés, que é morte.

Mas, de onde Cristo e os apóstolos tiram tal significado para o termo espírito? A resposta encontra-se nas Escrituras, como se lê: “O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração” ( Lc 4:18 ; Is 61:1 ). Ora, o espírito do Senhor que estava sobre Cristo diz da palavra de Deus, pois a palavra era a unção necessária para se evangelizar os pobres e curar os abatidos de espírito.

O espírito do Senhor que repousou sobre Cristo diz da palavra de Deus, pois ela é juntamente sabedoria, conselho, conhecimento, temor, etc. “E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR” ( Is 11:2 ).

A palavra do Senhor é distinta do Espírito Santo, o consolador prometido e enviado, que veio sobre Cristo em forma de uma pomba quando Ele foi batizado por João Batista ( Jo 16:7 ; Mt 3:16 ).

Quando a bíblia diz que Deus pesa o espírito do homem, não diz de um julgamento (análise) do ‘ser’, da essência do homem, antes que Deus pesa as suas palavras “Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o SENHOR pesa o espírito” ( Pr 16:2 ); “Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado” ( Mt 12:37 ). Através do provérbio, verifica-se que os homens possuem um entendimento acerca dos seus caminhos, porém, Deus os prova (julga) segundo o que ‘professam’, assim como deve fazer os seguidores de Cristo “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” ( 1 Jo 4:1).

Os homens desconhecem a sua condição decorrente do nascimento natural. Quando nascem entram por uma porta larga que lhes dá acesso a um caminho de perdição. Quando Deus pesa o homem, não pesa segundo o que os homens entendem por puro, antes Deus pesa o homem segundo a porta que entrou ao nascer da semente de Adão, pois o que o homem natural anuncia segundo o seu conhecimento natural é mentira desde que foi lançado da madre ( Sl 58:3 ; Rm 3:4 ).

Mas, se tal homem crer em Cristo, morre com Cristo e é gerado de novo, ou seja, nasceu de novo. Por crer passa a falar segundo a verdade do evangelho, o espirito (palavra) que é pesado e não é achado em falta diante do Senhor ( Rm 8:9 ; Lc 4:1 ). É por isso que Jesus disse que julgava segundo a reta justiça e não segundo a aparência, ou seja, julgava segundo o que ouvia, pois Ele provava as palavras daqueles que o cercava. Os homens juntamente se desviaram e tornaram-se imundos em Adão e são pesados segundo as suas palavras em decorrência da mentira que proferem desde o nascimento ( Sl 53:3 ; Sl 58:3 ), e não segundo o comportamento e a moral humana que a religiosidade impõe ( Jo 7:24 ; Jo 5:30 ).

É por isso que Jesus disse que o que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra, portanto é necessário provar os espíritos se eles procedem de Deus ou não, pois aquele que procede de Deus é porque ouviu as palavras de Deus ( Mc 7:15 -20; Jo 3:34 ; Jo 8:47 e 1Pe 4:11 ).

É por isso que Jesus disse que o que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra, pois o coração enganoso e corrupto é proveniente do nascimento natural, portanto é necessário provar os espíritos se eles procedem de Deus ou não. Aquele que procede de Deus é porque ouviu as palavras de Deus e fala as palavras de Deus ( Mc 7:15 -20; Jo 3:34 ; Jo 8:47 e 1Pe 4:11 ).

Deste modo, o dom de discernir os espíritos diz da capacidade que é concedida ao cristão de analisar as palavras ditas por aqueles que se posicionam como profetas, se as palavras são de Deus ou não “E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas” ( 1Co 12:10 ).

Resta-nos a pergunta: como ser cheio do espírito? “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5:18 ). Como ser ‘mais’ cheio do Espírito Santo se Ele foi enviado e habita o crente? Ser cheio do espírito diz do Consolador que Cristo enviou, do qual somos templo, ou da palavra? “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ); A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração ( Cl 3:16 ).

“… enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:18 -19).

A carne para nada serve

O que causou escândalo ao povo e a alguns discípulos de Cristo foi o discurso: “- Eu sou o pão que desceu do céu!”; “- A minha carne é verdadeiramente comida e bebida!” ( Jo 6:41 e 52). Os discípulos se escandalizaram e concluíram que o discurso de Cristo era duro ( Jo 6:60 -61).

Para um judeu, determinados tipos de alimentos eram proibidos, quanto mais comer a carne de um homem. Do mesmo modo que os judeus desprezaram Jesus por ter demonstrado sabedoria ao expor as Escrituras ( Mc 6:2 ), escandalizaram-se por Ele ter apresentado a sua carne como comida e o seu sangue como bebida.

Por não compreenderem a parábola, o povo escandalizou-se por entenderem que Jesus estava lhes propondo uma espécie de canibalismo.

Em particular com os seus discípulos, Jesus demonstrou que o que estava apresentando ao povo era a sua doutrina, pois o que dá vida ao homem é a palavra, e arrematou: a carne para nada serve!

O que Jesus deu a entender aos seus discípulos com a frase: ‘a carne para nada serve’?

Quando Jesus disse que ‘a carne para nada servia’, estava explicando aos discípulos que a sua carne não era ‘degustável’. Jesus estava esclarecendo que era equivocada a ideia que abstraíram de sua palavra, pois estavam escandalizados com a ideia de que a vida prometida estava vinculada a degustarem uma porção da carne de Cristo como se fosse pão.

Jesus descontrói a ideia que alguns discípulos equivocadamente construíram em função da parábola. Ele esclarece que a vida decorre de participarem do seu espírito (palavra) e, que a carne d’Ele não tinha tal serventia. Ou seja, em relação ao corpo físico de Jesus, que foi feito em semelhança da carne do corpo do pecado, não possuía as propriedades que os seus ouvintes equivocadamente entenderam através da parábola.

A carne de Cristo não tinha valor algum? A carne de Cristo tinha valor, pois foi através dela que Jesus aniquilou o que tinha o império da morte quando entregou ao Pai o seu espírito ( Hb 2:14 ). Foi através do seu corpo físico que Jesus tornou-se semelhante aos seus irmãos ( Hb 2:17 ), de modo que hoje Ele é misericordioso e fiel sumo sacerdote. Foi através do seu copo físico que Ele pode ser tentado e padecer todas as aflições ( Hb 2:18 ). Somente quando participante da carne e do sangue, tornou-se possível o Filho do homem ser entregue nas mãos dos pecadores ( Lc 24:7 ).

No contexto de João 6, verso 63, a carne de Cristo não possuía a propriedade de proporcionar vida caso alguém comesse da sua carne como se fosse pão, mas no contexto de Hebreus 10, verso 10, vê-se a serventia, o valor do corpo de Cristo “Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:10 ).

É em função da parábola proposta por Cristo aos judeus, que muitos interpretam literalmente a parábola proposta e, se esquece que, para interpretar uma parábola, antes se faz necessário elucidar o enigma: o pão proposto é o espírito, a palavra de Cristo, e não a carne d’Ele. Este erro se vê nas declarações do ex-pastor Batista, Francisco Almeida Araújo, conforme o exposto no DVD intitulado “Nossa Senhora do Marrom Glacê”, pois como a carne de Cristo para nada serve, segue-se que os fundamentos da eucaristia, a transubstanciação, estão equivocados, pois o que dá vida é o espírito, a palavra.

Mas, como convencer alguém da verdade? Somente lhe anunciado a verdade “E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” ( Zc 4:6 ). Zorobabel viu um castiçal todo de ouro, um vaso de azeite no seu topo, com as suas sete lâmpadas, sete canudos, um para cada uma das lâmpadas que estão no seu topo e, por cima dele, duas oliveiras, uma à direita do vaso de azeite, e outra à sua esquerda, porém, não compreendeu a visão: a resposta estava no espírito, na palavra do Senhor, que faz o que é aprazível e não volta vazia ( Is 55:11 ).

Ao anunciar que a sua carne era verdadeiramente comida e o seu sangue verdadeiramente bebida, apresentando o enigma de que o seu corpo era o pão a ser comido “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” ( Jo 6:51 ), Jesus queria que compreendessem que lhes era necessário serem participantes da sua palavra, crendo n’Ele como confessou o discípulo Pedro: ‘- Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna!’

Portanto, qualquer que crê em Cristo conforme diz as Escrituras, alimentou-se de Cristo, ou seja, é participante do pão, do seu corpo, da sua carne e do seu sangue que foi entregue pela vida do mundo ( Jo 6:51 e 57).

A ideia que abstraíram da palavra de que Cristo estava dando literalmente a sua carne a comer foi descontruída quando Jesus alertou os seus discípulos de que ‘a carne d’Ele não tinha serventia para conceder vida’, antes o que concede vida é o seu espírito, ou seja, a sua doutrina, a sua palavra.

Qualquer que aceitasse a doutrina de Cristo não se escandalizando d’Ele, é o que renovou o espírito da sua mente. É naquele que não se escandaliza que ocorre a ‘metanoia’, a mudança de mente, de espírito. Enquanto alguns discípulos estavam escandalizados a ponto de se retirarem ( Jo 6:66 ), somente aqueles que mudaram a sua concepção diante da mensagem do evangelho puderam confessar: ‘- Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e conhecemos que tu és o Cristo, o Santo de Deus!’ ( Jo 6:68 -69).

Aquele que não renova a sua compreensão buscará motivos para se escandalizar. À época de Cristo, uns se escandalizam da doutrina, outros do conhecimento de Cristo, pois apenas viram Jesus como um dos filhos de José e Maria e, que tinha por oficio ser carpinteiro ( Mc 6:3 ). Mas, os que não se retiram escandalizados permanecem, pois creem que Jesus é o Filho de Davi prometido segundo as Escrituras.

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O conselho de Deus

Ninguém nasce do ventre materno predestinado à salvação. Todos os homens nascem condenados por terem entrado neste mundo pela porta larga que é Adão, porém não estão predestinados a perdição, visto que podem decidirem-se pela Vida eterna entrando pela porta estreita (último Adão), crendo em Jesus Cristo. A condição dos descendentes de Adão é diferente da de Adão que nasceu livre de condenação, mas escolheu a morte, crendo na palavra do pai da mentira, Satanás.

 


São Paulo, ___ de _______ de 20___.

Prezado (a) ________,

 

Continuando nosso estudo em Efésios, capítulo 1, analisemos o verso 5: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (v. 5)

Imagine você que as últimas três cartas foram para falar apenas da primeira parte do versículo 5, e ainda não esgotamos o tema sobre as bênçãos adquiridas pelo fato de sermos filhos de Deus.

Por sermos filhos de Deus temos uma herança que é incorruptível, incontaminável, e que não murcha ( 1Pe 1:4 ). Tais bênçãos são inconcebíveis, pois não subiu ao coração do homem o que Deus tem reservado para seus filhos.

A nossa herança é tão excelente que, muitos dos que alcançaram uma noção do que possuíam como coerdeiros de Cristo já não deram valor as coisas terrenas, e até desprezaram a própria existência aqui na terra. E não podemos parar a análise, portanto continuaremos na segunda parte do versículo: “…segundo o beneplácito da sua vontade”.

Beneplácito significa consentimento, anuência, aprovação, ou seja, consentimento segundo a sua vontade. Vê-se no verso 11 que a vontade de Deus é segundo o seu conselho, como o conselho de uma empresa, onde comparecem apenas os diretores: o diretor de produção, o diretor de vendas, o diretor de recursos humanos, e diretor de exportação, etc.

Colocando em termos humanos, sem desprezar a atemporalidade da divindade, digamos que está reunido o Conselho de Deus, o conselho mais importante do Universo.

A data do conselho se deu na eternidade, o que envolve um tempo singular onde não há presente, passado ou futuro, mas o já. Diz de um estado de coisas que não é sujeito ao espaço/tempo.

O conselho foi estabelecido tendo como ‘membros’ a sabedoria, a prudência, a onisciência e a onipotência de Deus.

O assunto em pauta era o Propósito eterno de Deus.

Segundo a sua sabedoria, prudência, onisciência e onipotência, manifestou-se a vontade de Deus nos seguintes termos: – Quero fazer seres semelhantes a nós, de modo que sejam participantes de nossa GLÓRIA, a fim de que sejamos Sublime entre os sublimes.

A prudência assentiu: – Muito bom! Faremos estes seres com capacidade de trazer outros semelhante à existência com liberdade para querer ou não serem participantes de nossa GLÓRIA.

A sabedoria se posicionou: Faremos macho e fêmea e com um lugar especial para eles livremente possam escolher se permanecerão em comunhão conosco ou não. Para isto basta colocarmos entre inúmeras árvores, uma árvore que represente o conhecimento do bem e do mal e a árvore da vida, advertindo-os da seriedade da decisão deles.

A onisciência é precisa: Eles serão tentados pelo anjo presunçoso que deliberadamente se afastou de nós por não guardar o seu principado e serão acometidos de total injustiça, de modo que deixarão de ter comunhão Conosco, que Somos santo, luz, vida, etc. Tornar-se-á escravo do Pecado ao dar ouvido à serpente.

A sabedoria prossegue: O homem e todos os seus descendentes não poderão libertar-se sozinho da sua condição alienada de Deus (morte, escravidão ao pecado), pois serão filhos das trevas, da ira e da desobediência.

A prudência opina: Nenhuma das nossas criaturas prosperaria na empreitada de resgate da humanidade. Na plenitude dos tempos, nos faremos homem para libertá-lo do pecado.

Onisciência: O FILHO DE DEUS, o Emanuel (eleição de Jesus) prosperará na salvação do homem, pois será obediente até à morte e, morte de cruz. Será condenado injustamente por causa da inveja de seus irmãos, mas será FIEL até o fim.

Prudência: Se o UNIGÊNITO continuar morto não haverá resgate.

Onipotência: Eu o ressuscitarei, o que lhe dará a posição de primogênito dentre os mortos.

Onisciência: E todo que n’Ele crer morrerá para o pecado e ressurgirá (com Jesus) à semelhança do Filho, servos da justiça e participantes da nossa GLÓRIA.

Sabedoria: Os homens sob domínio do pecado serão livres decidir-se pela salvação que lhes será revelada na manifestação do Unigênito, mas quem não crer permanecerá sob condenação.

Deus: A comunhão entre os homens e Nós será estabelecida por meu Unigênito, que terá a função de mediador e conquistará a glória que será compartilhada como os que crerem. O meu Unigênito nascerá de mulher para que possa ser sujeito à morte e participante da aflição dos homens. Quando homem terá a imagem e semelhança dos homens, porém, ao ressurgir dentre os mortos, alcançará a nossa imagem e nossa semelhança que será concedida a todos quantos ressurgirem com o primeiro ressurreto dentre os mortos, o meu Primogênito. Meu Filho será a cabeça de um corpo constituído de homens sublimes semelhantes a Ele e Eu serei tudo em todos. Será o Primogênito entre muitos irmãos, será O SUBLIME entre os sublimes por toda a ETERNIDADE, concluindo assim o propósito eterno.

Este diálogo foi construído para ilustrar a ideia do Conselho de Deus.

Foi neste conselho que O CORDEIRO de Deus foi ELEITO e é n’Ele que os homens tornam-se eleitos. Quando se tornam um com Ele, os homens também desfrutam da mesma condição do ELEITO: santos e irrepreensíveis e, foi neste conselho que os crentes em Cristo Jesus, a geração eleita, foram predestinados para filhos por adoção.

Este foi um conselho importantíssimo, isto porque, neste conselho, Deus determinou o seu Propósito Eterno.

Conforme a bíblia diz: Depois do julgamento do Grande Trono Branco, Deus fará um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça. Não haverá mais necessidade de continuar salvando os homens. Nesta época os salvos já estarão de posse de sua herança no céu e o propósito Eterno continuará: Cristo permanecerá o centro deste propósito, pois por causa do seu corpo, que é a igreja, pela eternidade será o Sublime entre muitos irmãos semelhantes a Ele.

Talvez você não compreenda todos os aspectos e a profundidade deste assunto, mas não tem problema. Com o tempo, se continuar estudando a palavra de Deus, ganhará profundidade e largura no conhecimento.

Espero _______ (a), que ao ler passagens na bíblia que fale sobre conselho ou beneplácito, você se lembre desta carta. Não se esqueça deste ensino quando falar de coisas que ocorreram na eternidade.

Prossigamos para a análise do verso 6. O fato de sermos santos, irrepreensíveis e filhos por adoção por Jesus Cristo nos tornou agradáveis a Ele. Esta obra de Deus em nós nos constitui em louvor da sua própria glória e graça.

Pelo fato de o apóstolo dizer que somos predestinados, muitos estudiosos concluíram que Deus predestinou alguns para a salvação e outros para a perdição, mas isto não é verdade, porque a vontade de Deus é que todos os homens se salvem.

Como Deus verdadeiro e todo Poderoso iria ter vontade de que todos se salvassem e de antemão determinaria quem seria salvo e, concomitantemente condenasse alguns?

Ou é mentira que a vontade d’Ele é que todos se salvem ou é mentira que Ele salvou de antemão alguns homens condenando o restante, pois mesmo possuindo a vontade de que todos se salvassem destinou muitos à perdição.

Deus é a Verdade, logo… não há n’Ele nenhuma mentira.

Agora você pode perguntar: Então por que um Deus todo Poderoso tem vontade que todos se salvem e não predestinou todos para salvação?

Porque Deus não pode negar a si mesmo. Onde está o Espírito de Deus, aí há LIBERDADE! “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” ( 2Co 3:17 ).

Se Deus não desse ao homem liberdade para se separar d’Ele estaria negando a si mesmo, contrariando sua própria natureza. DEUS criou o homem livre de condenação, mas lhe deu liberdade de permanecer unido ou afastar-se d’Ele.

Se Adão cresse na palavra de Deus, não comeria do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e permaneceria unido a Deus, livre de condenação, bem como toda a sua descendência que estava em sua ‘coxa’.

Mas, por Adão preferir a palavra do engano, hoje qualquer homem pode ser livre da condenação apenas e, tão somente, se, por livre vontade, preferir a VERDADE (Jesus Cristo).

Ninguém nasce do ventre materno predestinado à salvação. Todos os homens nascem condenados por terem entrado neste mundo pela porta larga que é Adão, porém não estão predestinados a perdição, visto que podem decidirem-se pela Vida eterna entrando pela porta estreita (último Adão), crendo em Jesus Cristo. A condição dos descendentes de Adão é diferente da de Adão que nasceu livre de condenação, mas escolheu a morte, crendo na palavra do pai da mentira, Satanás.

Do ventre materno alguns homens foram escolhidos por Deus para uma missão, como por exemplo Saul. Saul foi escolhido para ser rei de Israel, porém, não creu em Deus e, possivelmente teve um triste fim. Diferente de Davi, que foi escolhido para ser rei de Israel, mas creu em Deus para salvação e, além de desempenhar a sua missão de rei em Israel, a bíblia dá testemunho de que era um homem segundo o coração de Deus.

Quando uma pessoa NASCE DE NOVO, naquele instante é salva e, concomitantemente predestinada a ser filho de Deus por adoção por Jesus Cristo, torna-se membro da geração eleita, pois é gerado de Cristo, o Eleito.

O apóstolo é enfático e repete várias vezes que nossa predestinação e eleição se deu no Amado, ou seja, em Cristo. Lembre-se que estas maravilhas que Deus nos concedeu, de nos eleger e predestinar em Cristo, são para louvor da sua glória e graça.

Assim como uma escultura louva seu escultor, ou uma pintura louva a capacidade do pintor, a obra que Deus realiza no homem louva a Deus, por si só enaltece a sua glória, ou seja, glorifica a Deus.

Um Deus Santo, Justo, Perfeito, Luz, Vida, Amor, que faz de um homem era pecador e que se tornar sua morada é COISA MARVILHOSA.

Morrer ou matar são coisas possíveis ao homem, mas ressuscitar O HOMEM para vida eterna e fazê-lo filho de Deus só é possível a DEUS.

Por esta obra, o crente constitui-se ‘louvor e glória da graça de Deus, pela qual também nos fez agradáveis a si no Amado’ ( Ef 1:6 ).

Deus seja louvado e glorificado em sua vida, _________ (a)!

 

De seu pastor

_____________________

 

Observação:

A carta faz referência aos seguintes versículos:

O conselho de Deus – ( Ef 1:11 ; Hb 6:17 ; Pv 8:12 ; Mq 4:12 ; “Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade” ( Is 46:10 );

O propósito de Deus – ( Ef 1:9 ; Ef 3:11 );

A graça de Deus – ( Ef 2:7 -8).

 

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Temor e tremor

Como é possível ao homem operar a salvação? Com temor e tremor, ou seja, o homem opera a salvação obedecendo (tremor) a palavra do Senhor (temor).

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O tempo da salvação

Na eternidade não há salvação, se HOUVESSE, os anjos caídos seriam salvos. Na eternidade Deus não salvou e nem salvará, pois a salvação de Deus é revelada para o tempo que se chama hoje. Os perdidos que morrerem seguem para o juízo de suas obras, pois já estão debaixo de condenação eterna. Mas, para aqueles que morrerem com Cristo (quando creem), ressurgem uma nova criatura, onde o propósito de Deus cumpre-se e seguem para a eternidade participante da vida em Deus.


“Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável E socorri-te no dia da salvação; Eis aqui agora o tempo aceitável, eis aqui agora o dia da salvação”
( 2Co 6:2 )

 

O Propósito Eterno de Deus

Qual o propósito eterno de Deus? O propósito eterno de Deus é a salvação do homem?

Os erros doutrinários que surgiram ao longo dos séculos acerca de como ocorre a salvação em Cristo é porque não conseguiram identificar qual é o propósito eterno de Deus. Não consideraram que a promessa de salvação não é eterna, uma vez que a porta de salvação, que hoje está aberta, um dia se fechará.

O propósito de Deus em Cristo sim, este é eterno, pois começou na eternidade e se perpetuará na eternidade. Embora a salvação conceda vida eterna para os que por ela são alcançados, na eternidade não haverá salvação.

Paulo apresentou o propósito eterno de Deus aos cristãos em Éfeso: “E desvendou-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, na plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:9 -10).

Deus tornou conhecida a sua vontade (desvendou o mistério oculto) que propusera e consentiu (beneplácito), de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus quanto as que estão na terra, para que (objetivo) em tudo Ele seja proeminente (superior, sublime, preeminente).

Como Deus ‘desvendou o mistério da sua vontade’, é sem razão de ser o argumento de que o homem não compreende as questões acerca da salvação por ter um mente finita. Como Deus desvendou o mistério da sua vontade é porque o homem é plenamente capaz de compreender os seus propósitos.

O propósito eterno de Deus é específico: a preeminência de Cristo sobre todas as coisas “Ele é a cabeça do corpo, a igreja; é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ); “E foi assim para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nas regiões celestiais, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor” ( Ef 3:10 -11).

O propósito eterno é segundo a soberania de Deus, e jamais poderá ser revogado ou invalidado por criatura alguma, pois seu propósito não tem como base o homem ou algo que é passageiro. É por isso que ouvimos ecoar: “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós” ( 2Co 1:20 ).

Ora, de todas as promessas estabelecidas por Deus, todas cumprem-se em Cristo, e por Ele são plenamente confirmadas para a glória de Deus que se revela naqueles que são salvos.

Confundir o propósito de Deus, que é eterno, com a salvação em Cristo, que é temporal, fez surgir muitos erros doutrinários, pois a salvação restringe-se ao tempo chamado ‘hoje’.

Deus salva o homem ‘hoje’, visto que um dia a porta da graça se fechará, e será conhecido (manifesto) o juízo de Deus que se deu em Adão. A salvação é para a eternidade, mas não há um propósito eterno em salvar indefinidamente, visto que Deus não salvará na eternidade.

Salvação é para o tempo que se chama ‘hoje’. O tempo estipulado para o socorro de Deus é o ‘agora’. Porém, o propósito eterno de Deus em Cristo é para a eternidade, pois a preeminência de Cristo sobre todas as coisas é algo pertinente a eternidade.

 

O Propósito Eterno e a Salvação

O propósito eterno que Deus estabeleceu antes dos tempos dos séculos é a preeminência de Cristo sobre todas as coisas. E no que consiste a preeminência de Cristo? A primogenitura de Cristo entre muitos irmãos “… a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Isto porque, além de Cristo assentar-se à destra da majestade nas alturas, com todas as coisas debaixo dos seus pés, Ele também foi constituído a cabeça da igreja, que é o seu corpo. Paulo demonstra que Cristo está ligado aos seus muitos irmãos, de forma que a plenitude dele enche tudo em todos ( Jo 1:16 ; Ef 1:21 -23).

Para levar a efeito o propósito eterno (segundo o conselho da sua vontade), que é a preeminência de Cristo sobre todas as coisas, foi estabelecida na eternidade a criação do homem segundo a imagem e semelhança de Deus.

Tudo teve início quando foi dito: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” ( Gn 1:26 ). O homem foi criado perfeito (imagem e semelhança), com plena liberdade (De todas as árvores comerás livremente Gn 2:16 ), posto em um lugar perfeito ( Gn 2:15 ), com uma regra definida (dela não comeras) e com conhecimento essencial para exercer o seu livre-arbítrio (certamente morrerás).

O homem deixou de confiar na palavra de Deus e confiou nos seus sentidos.

Eva viu que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento (concupiscência), desobedeceu a Deus e comeu do fruto da árvore, e deu a Adão, esquecendo-se que foram alertados que não comessem ( Gn 3:6 ).

O homem pecou e foi destituído da vida que há em Deus. Ele passou a estar (separado de) morto diante de Deus. Deixou de ser participante da vida que há e provem de Deus, estabelecendo a inimizade entre Deus e os homens.

Porém, a queda de Adão não foi um obstáculo ao propósito eterno, pois segundo a sua providência, o Cordeiro de Deus foi morto antes da fundação do mundo em resgate da humanidade ( 1Pe 1:9 -20).

Todos que obedecem à verdade, ou seja, que creem na mensagem do evangelho, não segundo as suas obras de justiça, mas segundo o próprio propósito e graça que há em Deus, são de novo gerados homens espirituais, para uma viva esperança ( 1Pe 1:3 e 23).

A salvação em Cristo é anunciada a todos os homens perdidos em Adão, e todos que aceitam maravilhosa salvação são regenerados (criados novamente), segundo Deus em verdadeira justiça e santidade.

O propósito eterno não foi estabelecido nos homens carnais e terreno, mas, tal propósito é estabelecido nos homens espirituais e que pertencem aos céus ( 1Co 15:45 -49).

O novo homem foi criado em paz com Deus, a imagem e semelhança daquele que de novo os gerou segundo a palavra da verdade, que é semente incorruptível “Qual o terreno, tais também os terrenos; e qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” ( 1Co 15:48 -49).

Deus salvou os homens segundo a sua maravilhosa virtude (misericórdia) e graça “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ). Ele salvou e pós nos cristãos a palavra da reconciliação. Salvar não foi o bastante, pois segundo o propósito eterno (que é a preeminência de Cristo), Ele escolheu (elegeu) os salvos, e não os incrédulos, segundo a sua maravilhosa graça para serem irrepreensíveis e santos diante dele.

Deus salvou os homens segundo a sua maravilhosa graça e segundo o seu eterno propósito (a preeminência de Cristo), e, então, os recebeu por filhos, segundo o que havia predeterminado de ante mão. Todos que crerem em Cristo, são salvos e recebem a filiação divina, para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmão. Ou seja, se alguém não desejar ser filho de Deus, deve rejeitar o evangelho da graça, visto que, todos os que são salvos em Cristo não terão outro destino: são filhos de Deus segundo o Seu eterno propósito: a preeminência de Cristo como a cabeça da igreja.

Ora, a eleição e a predestinação são segundo o propósito eterno de Deus de fazer convergir em Cristo todas as coisas. Diferente é a salvação, que é segundo a sua misericórdia, graça e amor. Em amor, graça e misericórdia Deus resgata todos os homens da condição de sujeição ao pecado, e, segundo o seu propósito eterno, estes homens são constituídos filhos de Deus, para que Cristo seja primogênito entre muitos irmãos.

 

A Salvação

O ministério de Jesus consistiu em buscar e salvar o que se havia perdido “Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido( Lc 19:10 ). Ora, segundo a‘visão’ Monergista, podemos considerar que os ‘eleitos’ e os ‘predestinados’, em última instância, nunca se perderam.

A teologia da livre graça demonstra que os perdidos nunca tiveram chance de salvar-se, e o escolhidos e predestinados, nunca tiveram oportunidade de se perder. Ora, há uma grande contradição entre o que Jesus disse, e o que apregoam os adeptos da livre graça, visto que, Jesus veio em busca do que havia efetivamente perdido, e eles demonstram que alguns nunca se perderam, pois Deus os salvou pela eleição e predestinação antes mesmo de se perderem.

Porém, o que se verifica nas escrituras é que todos os homens se perderam, e que Cristo veio buscá-los e salvá-los.

Depreende-se do texto, que efetivamente os homens se perderam em Adão, e que Jesus veio em busca dos perdidos, e não de salvos ( Lc 19:10 ). Ou seja, Jesus não estava em um faz de conta, buscando alguém que aparentemente estava perdido, mas que, em última instância, nunca esteve perdido, conforme apregoam os seguidores da teológica da ‘livre graça’.

Jesus veio salvar homens perdidos em conseqüência de uma condenação anterior. Sem contradição alguma! Primeiro os homens perderam-se em Adão, para depois ser oferecido por Deus redenção gratuita.

Deus nunca mandou os homens para o inferno como base na sua soberania, como se fosse um tirano. Antes, todos os homens foram julgados e condenados em Adão. Segundo a condenação em Adão é que os homens seguem à perdição.

Ora, Deus amou o mundo de tal forma que deu o seu Filho Unigênito, pois todos estavam debaixo de condenação. Ora, todos os que morrerem sem salvação evidenciaram a justiça de Deus, pois os condenados à morte seguem para a morte eterna “Mas se a nossa injustiça faz surgir a justiça de Deus, que diremos? Será Deus injusto, trazendo ira sobre nós?” ( Rm 3:5 ).

Ora, o amor de Deus em conceder o seu Filho não invalida a sua retidão e justiça: não é porque Jesus morreu em resgate de todos os homens, que os que estão sob condenação não serão punidos. Deus não faz acepção de pessoas, a alma que pecar essa morrerá, e o culpado não será tido por inocente.

O amor de Deus é evidente pela oferta de Cristo na cruz do calvário. Muito mais evidente é o amor porque ele morreu por pecadores. Aos que crêem é oferecido uma nova vida, pois a ‘vida’ herdada de Adão não subsiste ao juízo de Deus: deve morrer e ser sepultada com Cristo.

Deus é justo, e todos que nascerem segundo a vontade da carne, vontade do sangue e vontade do varão, compartilham da natureza do homem terreno, e, são, portanto, condenáveis diante de Deus pela desobediência de Adão “Pois assim como por uma só ofensa veio a juízo sobre todos os homens para condenação…” ( Rm 5:18 ).

A salvação é oferecida hoje (agora), uma vez que:

  • o amanhã não pertence ao homem;
  • o juízo já ocorreu e todos os homens estão condenados, e necessita de salvação ‘hoje’;
  • se a condenação fosse no futuro, somente após a condenação teria razão oferecer redenção;
  • antes que houvesse mundo não houve oferta de salvação, nem por eleição e nem por predestinação.

Seria um contra senso Deus conceder salvação ao homem tendo em vista um juízo e uma condenação que ainda não havia ocorrido. Porém, Jesus veio em busca daquele que se havia perdido, porque todos juntamente se extraviaram, e não havia quem buscasse a Deus.

Se a salvação é segundo a eleição e a predestinação, o dia sobre modo oportuno seria na eternidade, antes que houvesse mundo. Como o ‘tempo aceitável’ pode ser hoje, se a eleição e a predestinação é antes dos tempos dos séculos? Como Deus oferece ‘aqui e agora’ o dia de salvação, se todos nasceram com um destino certo?

Jesus não veio julgar a humanidade porque todos já estavam debaixo de condenação “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo” ( Jo 8:15 ). Caso Jesus declarasse juízo sobre os homens, estaria invalidando o juízo estabelecido no Éden “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ).

Jesus é claro em demonstrar a condenação dos homens que Ele veio salvar: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado…” ( Jo 3:18 ).

Ora, é plausível considerar que Deus determinou aqueles que haveriam de ser salvos antes que houvesse mundo através da sua soberania ou da sua onisciência, se os homens ainda não haviam se extraviado?

Ora, Adão era livre em todos os aspectos, e se ele não tivesse comido do fruto?

Ora, Deus é sabedor de todas as coisas pela sua onisciência, no entanto, jamais obrigaria Adão a comer do fruto proibido. Como determinar de ante mão quem seria salvo, se nem mesmo havia alguém perdido?

Considerando que Deus a ninguém oprime, temos que a soberania e a onisciência de Deus não leva ninguém a tomar decisões contra a sua própria vontade “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça” ( Jó 37:23 ).

Deus soube que o homem haveria de pecar, e soberanamente não interferiu na decisão do homem. Antes, Deus abriu uma nova porta em Cristo, o último Adão, para que os descendentes do primeiro Adão percebessem através da mensagem do evangelho que lhes é necessário decidirem pela salvação.

Sem oprimir ninguém a fazer escolhas, Deus soberano dá continuidade ao propósito eterno de fazer convergir em Cristo todas as cosias. De que se queixará o homem? Dos seus próprios pecados! Mas, como Deus predestina o homem à perdição e ainda o culpa?

O homem foi criado fadado a pecar? Não lhe foi dado o livre arbítrio?

Ora, o que se percebe é que a eleição e a predestinação referem-se ao propósito eterno que é a preeminência de Cristo sobre todas as coisas, e não com relação à salvação.

A salvação é para quem está perdido. A salvação (é depois da perdição) é posterior à perdição, segundo o propósito eterno, que é anterior a perdição. Segundo o propósito eterno o Cordeiro foi morto, para que Ele recebesse glória e honra acima de todo o nome “Que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças” ( Ap 5:12 ); “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” ( Ap 13:8 ).

A salvação não é através da oferta do Cordeiro, se não todos indistintamente seriam salvos. A oferta do cordeiro é segundo o propósito eterno, para que Cristo recebesse poder e honra acima de todo o nome que se nomeia.

A salvação é para aqueles que tornam-se participantes da carne e do sangue do Cordeiro, pois pela fé morrem, são sepultados e ressurgem com Cristo uma nova criatura “Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos” ( Rm 14:9 ).

A morte e a ressurreição de Cristo foram para estabelecer o seu Senhoril sobre mortos e vivos. Mas, na ressurreição é que os perdidos encontram refrigério “Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo” ( 1Pe 3:21 ).

Deus não salvou ninguém na eternidade, pois a salvação é para o tempo dos homens que se chama ‘hoje’. ‘Agora vos salva’, ou seja, na eternidade Deus não determinou e não predestinou ninguém à salvação.

O apóstolo Paulo ao interpretar o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Assim diz o Senhor: No tempo favorável te ouvirei, e no dia da salvação te ajudarei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurardes a terra…” ( Is 49:8 ), demonstra que, aqui e agora é o tempo aceitável de Deus. Ou seja, Ele não aceitou ninguém na eternidade como diz a ‘visão monergista’ ou o ‘evangelho’ segundo Calvino e Armínio. Se Deus houvesse predestinado ou escolhidos alguns para a salvação, ‘eis aqui agora’ não seria o tempo da salvação ( 2Co 6:2 ).

Isto demonstra que na eternidade foi estabelecido o propósito eterno de Deus para que em tudo Cristo tivesse a preeminência. Segundo o seu eterno propósito, os que creem em Cristo para salvação, ou seja, que aceitam beber da água que faz uma fonte que jorra para a vida eterna são eleitos e predestinados para serem conforme a imagem de Cristo, co-herdeiros com Cristo, e Ele primogênito entre muitos irmãos.

Na eternidade não há salvação, se HOUVESSE, os anjos caídos seriam salvos. Na eternidade Deus não salvou e nem salvará, pois a salvação de Deus é revelada para o tempo que se chama hoje. Os perdidos que morrerem seguem para o juízo de suas obras, pois já estão debaixo de condenação eterna. Mas, para aqueles que morrerem com Cristo (quando creem), ressurgem uma nova criatura, onde o propósito de Deus cumpre-se e seguem para a eternidade participante da vida em Deus.

É por isso que o apóstolo Paulo ao escrever a Timóteo demonstrou que Deus nos salva no tempo que se chama ‘hoje’, no momento aceitável. É preciso dar ouvido ao convite do Pai Eterno que o evangelho apresenta: “Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações…” ( Hb 3:7 ).

A voz do Espírito ressoa ‘hoje’, e quem ouve pode aceitá-lo ou não. Mas, aqueles que ouvem e não resistem ao Espírito são salvos. Os salvos são chamados com uma santa vocação, segundo o propósito eterno que é a preeminência de Cristo, e são constituídos filhos de Deus, santos e irrepreensíveis “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

A ‘eleição’ é segundo o propósito eterno e a ‘graça’ é concedida segundo Cristo. Mas, tanto a graça quanto o propósito eterno são antes dos tempos dos séculos, pois são provenientes de Cristo.

Deus salvou Paulo e Timóteo segundo o poder que há no evangelho ( 2Tm 1:8 ), pois sabemos que o evangelho é poder de Deus para todo aquele que crê ( Jo 1:12 ; Rm 1:16 ; 1Co 1:24 ).

O apóstolo Paulo apresentou um argumento aos que não criam na ressurreição dos mortos, que também é válida para os monergistas: “Se, como homem, combati em Éfeso contra as bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos, que amanhã morreremos” ( 1Co 15:19 ).

Tal argumento é totalmente pertinente! Como é impossível alguém esperar em Cristo segundo a visão monergista, se não há como determinar quem é ou não predestinado à salvação? O recomendado é comer e beber, pois se você for um dos escolhidos para a salvação, será salvo. Porém, se você não tiver tal sorte, ao menos não viveu em busca de uma esperança morta.

Amados, consideremos o que o Espírito diz: “Porque ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto e ovelhas da sua mão. Se hoje ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações…” ( Sl 95:7 -8).

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