Fábulas – O menino e os três passarinhos

Jesus nunca negociou a liberdade da humanidade com Satanás, visto que Satanás não possuía o domínio sobre os homens, sendo Satanás filho do pecado e pai da mentira. Satanás é filho do pecado, diferente dos homens que são servos do pecado, portanto, possuem esperança no Filho de Deus ( Jo 8: 34 -35). A bíblia não apresenta Satanás como senhor dos homens, antes quem exerce domínio é o pecado.


George Tomas, um pregador Inglês, apareceu um dia em sua pregação carregando uma gaiola e, após coloca-la no púlpito, começou a falar:

“Estava andando pela rua ontem, e vi um menino levando essa gaiola com 3 pequenos passarinhos dentro com frio e com medo. Eu perguntei: – ‘Menino o que você vai fazer com esses passarinhos’? Ele respondeu: – ‘Leva-los para casa tirar as penas e queima-los, vou me divertir com eles’. – ‘Quanto você quer por esses passarinhos menino’?  O menino respondeu: – ‘O senhor não vai querê-los, eles não servem para nada. São feios’! O pregador os comprou por 10 dólares! E os soltou em uma árvore!”.

 

O menino e os três passarinhos

Após ler a fábula dos ‘Três Passarinhos’ tive que questionar até que ponto é válido este tipo de subterfúgios empregado pelos pregadores evangélicos em suas preleções.

“Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” ( 2Pe 1:16 )

Após contar a fábula dos três passarinhos, o pregador inglês fez a seguinte exposição:

“Um dia Jesus e Satanás estavam conversando e Jesus perguntou a satanás o que ele estava fazendo para as pessoas aqui na terra. Ele respondeu: – ‘Estou me divertindo com elas, ensino a fazer bombas e a matar, a usar revolver, a odiar umas a outras, a casar e a divorciar, ensino a abusar de criancinhas, ensino os jovens a usar drogas, a beber e fazer tudo o que não se deve e que os conduzirá a maldição futura! Estou me divertindo muito com eles’! Jesus perguntou: – ‘E depois o que você vai fazer com eles’? E recebeu a seguinte resposta: – ‘Vou mata-los e acabar com eles’! Jesus perguntou: – ‘Quanto você quer por eles’? Satanás respondeu: – ‘Você não vai querer essas pessoas, elas são traiçoeiras, mentirosas, falsas, egoístas e avarentas! Elas não vão te amar de verdade, vão bater e cuspir no Teu rosto, vão te desprezar e nem vão levar em consideração o que você fizer’! Novamente foi perguntado: – ‘Quanto você quer por elas Satanás’? Em seguida veio a resposta: – ‘Quero toda a tua lágrima e todo o teu sangue’! E satanás respondeu: – ‘Trato feito’! E Jesus pagou o preço da nossa liberdade!”.

Este conto reflete a ideia do evangelho? Jesus fez um trato com Satanás? Satanás exigiu algo de Cristo? O diabo está se divertindo? Que relação há entre a experiência do Pr. George Tomas com a criança e os passarinhos e as verdades bíblicas?

Vamos fazer uma análise desta preleção comparando-a com as Escrituras? É dever do cristão comparar as mensagens que ouve com aquilo que consta das Escrituras, ou seja, devemos comparar coisas espirituais com as espirituais, ou seja, comparando entre si as palavras dos Profetas, de Cristo e dos apóstolos.

A bíblia não faz referência a Jesus tendo uma conversa com Satanás nos termos apresentados pela estória dos três passarinhos. A bíblia também não apresenta Satanás como alguém que está se divertindo com a humanidade ( Ap 12:12 ), antes ela demonstra que Satanás tem grande ira e pouco tempo.

É improvável que um ser com grande ira e pouco tempo possa estar se ‘divertindo’. Satanás é apresentado como inimigo ferrenho dos homens, portanto, ele não está se divertindo “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” ( 1Pe 5:8 ).

A estória induz os ouvintes a pensarem que ação de Satanás consiste em ensinar às pessoas a confeccionarem materiais explosivos, a cometerem assassinatos, a odiar uns aos outros, a divorciar, a abusar de crianças, a usar drogas, etc. Seria esta a verdade das Escrituras?

A bíblia demonstra que a ação de Satanás é cegar os incrédulos para que não lhes resplandeça a luz do evangelho “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( 2Co 4:4 ). A ação de Satanás é fazer com que os homens incrédulos permaneçam entenebrecidos no entendimento, pois se os homens compreenderem a verdade do evangelho, serão trasportados por Deus para o reino do Filho do seu amor “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” ( Ef 4:18 ).

Além de entenebrecer o entendimento dos incrédulos, a ação de Satanás consiste em enganar com astucia os que creram, para que se apartem da simplicidade que há em Cristo abraçando vento de doutrina “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” ( 2Co 11:3 ); “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” ( Ef 4:14 )

Enquanto a bíblia afirma que uma só ofensa matou todos os homens, a fábula do Pr. Tomas diz implicitamente que as pessoas são condenáveis porque aprendem lições de Satanás que os leva a construir bombas e a matar, a usar revolveres, a odiar umas a outras, a casarem-se e a divorciar, a abusar de criancinhas, os jovens a usarem drogas e a beber’.

Enquanto as Escrituras ensinam que Deus entregou os homens que se diziam sábios mas que se tornaram loucos aos seus próprios sentimentos para fazerem coisas inconvenientes ( Rm 1:25 ), a preleção do pastor afirma que o diabo é responsável pelos enganos dos homens.

Enquanto o Pr. diz que Satanás, depois de maltratar os homens, irá matá-los, a Bíblia afirma que os homens sem Deus já estão mortos em delitos e pecado.

Enquanto a fábula diz que a morte física é o grande trunfo de Satanás, a Bíblia demonstra que a morte (separação entre o homem e Deus), é consequência da ofensa de Adão.

A fábula mostra que Satanás é senhor (dono) dos homens, a Bíblia mostra que o senhor (dono) dos pecadores é o pecado e que Satanás, por sua vez, é filho do pecado.

O pastor ensina que Satanás exigiu que Cristo se sacrificasse, enquanto as Escrituras mostram que Deus exigiu a obediência de Cristo e que Ele foi obediente, portanto, resignou-se a morrer em uma cruz.

A fábula dos passarinhos é aparentemente inocente, inofensiva, porém, leva a uma compreensão distorcida de que a condenação futura se dá porque as pessoas aprenderam a ‘fazer bombas e a matar, a usar revolveres, a odiar umas a outras, a casarem-se e a divorciar, a abusar de criancinhas, os jovens a usarem drogas e a beber’.

A explanação do Pr. Tomas não é bíblica, pois o que conduz o homem à ‘condenação futura’ não são os vícios, antes o fato de terem entrado pela porta larga que dá acesso a um caminho largo que os conduz à perdição “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( Mt 7:13 ).

A fábula leva o leitor ao equivoco de considerar que a condenação é futura, o que contraria as Escrituras que demonstra que a condenação se deu no Éden, quando a humanidade foi julgada e está condenada ( Rm 5:16 ; Jo 3:18 ). Os homens não estão condenado por suas práticas desregradas da mesma forma que não serão salvos por suas práticas regradas, antes estão sob condenação em função da ofensa de Adão no Éden.

O que faz o homem permanecer sob condenação é o fato de não crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados” ( Jo 8:24 ).

A condenação não é decorrente das ações dos homens que fazem ‘tudo o que não se deve’, antes a condenação decorre da desobediência de um só homem que pecou e trouxe a condenação sobre toda a humanidade “E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação” ( Rm 5:16 ).

Enquanto o apóstolo Paulo apresenta uma só ofensa como causa determinante da condenação, o Pr. Tomas apresenta algumas condutas de homens desregrados. Ele se esquece que, por mais que o homem seja regrado, como era o caso do religioso Nicodemos, está sob condenação!

Mas, os equívocos não param por aqui, pois quando é dito que Satanás disse a Jesus que irá ‘matar e acabar com eles’, o Pr. Tomas se esqueceu de observar que é impossível a Satanás matar a humanidade uma vez que todos desde a queda de Adão já estão mortos em delitos e pecados, pois a morte é resultado da ofensa de um só homem pecou “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem” ( 1Co 15:21 ).

A morte não é ação de Satanás, antes veio por um homem, Adão. Desde a queda no Éden, todos se extraviaram e juntamente se tornaram imundos ( Sl 14:3 ; Sl 53:3 ). Por causa de Adão não há, se que um, que faça o bem e busque a Deus. Como a morte veio por um só homem e todos estavam mortos em delitos e pecados ( Rm 3:23 ; Rm 5:12 ; Ef 2:1 ), ninguém possuía entendimento ( Sl 14:2 ). Foi necessário Cristo vir ao mundo trazer o conhecimento de Deus para que por meio d’Ele os homens fossem salvos.

É impossível Satanás matar e acabar com os homens se eles são gerados em iniquidade e concebidos em pecado, ou seja, não há como Satanás matar aqueles que são gerados mortos em delitos e pecados. Desde a madre os homens alienam-se de Deus, andam errados e proferem mentiras desde que nascem ( Sl 58:3 ).

Jesus nunca negociou a liberdade da humanidade com Satanás, visto que Satanás não possuía o domínio sobre os homens, sendo Satanás filho do pecado e pai da mentira. Satanás é filho do pecado, diferente dos homens que são servos do pecado, portanto, possuem esperança no Filho de Deus ( Jo 8: 34 -35). A bíblia não apresenta Satanás como senhor dos homens, antes quem exerce domínio é o pecado.

O preço que o Pr. Tomas descreve como sendo estabelecido por Satanás: – ‘Quero toda a tua lágrima e todo o teu sangue’!, é juntamente engodo e blasfêmia, pois atribui a Satanás a exigência de Deus para estabelecer a justiça. O que Jesus sofreu no calvário não foi um desejo de Satanás, antes foi o Senhor Deus que determinou a morte de Cristo conforme o seu conselho ( At 2:23 ).

Foi Deus que deu o Seu Filho como Servo e Cordeiro ( Jo 3:16 ). Foi Deus que deixou registrado no rolo do livro que o Cristo deveria realizar a vontade do Pai e, é através desta vontade, a oferta do corpo de Cristo, que os que creem são sanificados “Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” ( Sl 40:7 -8; Hb 10:10 ).

Antes de ir ao calvário Jesus perguntou ao Pai se era possível passar d’Ele o cálice e, em seguida, Jesus foi crucificado cumprindo a vontade do Pai, pois colocou a sua alma por expiação do pecado “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão” ( Is 53:10 ).

Enquanto Adão desobedeceu e vendeu todos os homens ao pecado como escravos, Jesus foi obediente ao Pai em tudo, morrendo morte de cruz. Foi do agrado do Pai enfermá-lo, portanto, as agruras da cruz não foi um desejo ou uma exigência de Satanás “Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:10 ).

O que Jesus realizou na cruz foi em obediência ao Pai, e não porque cedeu às exigências do inimigo das nossas almas. Na tentação do deserto Jesus não se sujeito a nenhuma das exigências de Satanás, antes Ele se rendeu as exigências do Pai!

Ora, com que base o Pr. Tomas transformou a fala da criança que mantinha os três passarinhos presos na fala de Satanás? Com que autoridade ele transforma a negociação que fez com aquela criança em particular em uma negociação entre Jesus e Satanás?

É para evitar tais erros que devemos seguir o exemplo do apóstolo Pedro, que disse: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” ( 2Pe 1:16 ).

O apóstolo Pedro não compôs nenhuma fábula, nenhuma estória, para tornar compreensível o poder e a vinda de Cristo. Tudo o que foi apregoado aos cristãos, ou fora presenciado pelo apóstolo ( 1Pe 1:18 ; 1Jo 1:3 ), ou tinha por base as Escrituras produzidas pelos profetas “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 1Pe 1:19 ).

A igreja de Cristo deve ter por firme a palavra dos profetas e dos apóstolos, pois a palavra deles é como ‘luz que alumia em lugar escuro’, e tão somente por meio das palavras deles quando anunciadas pela igreja é que o conhecimento de Cristo, a glória de Deus, resplandece nos corações dos homens “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ).

Hoje há inúmeras fábulas ditas cristãs que ganharam até versões cinematográficas, porém, se analisadas à luz das Escrituras, encontraremos diversas heresias de perdição.

É crescente o número de estórias sob o rótulo de cristãs, como ‘As crônicas de Nárnia’, ‘A Cabana’, ‘O Senhor dos anéis’, etc.

Fábulas como ‘Os três passarinhos’, ‘A águia e a galinha’, ‘O escorpião e o peixinho’, não devem ser utilizadas em pregações, pois não refletem a verdade do evangelho.

O apóstolo Paulo deixa claro que em Cristo está escondido todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, portanto, basta expor aos homens o Cristo crucificado para que os homens vejam e creiam no amor que Deus tem por eles “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo. Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” ( Cl 2:2 -3); “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” ( 1Co 2:2 ).

O evangelho de Cristo basta, pois o evangelho é o poder de Deus e a sabedoria de Deus! O apóstolo Paulo ao instruir os pastores Tito e Timóteo alertou-os quanto às fábulas e as genealogias judaicas ( 1Tm 1:4 -7). O obreiro deve manejar bem a palavra da verdade, ou seja, os profetas, a lei, os salmos, os provérbios. Se manejar bem tais livros das Santas Escrituras, é um obreiro que não tem do que se envergonhar e não necessita de fábulas e filosofias humanas “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” ( 2Tm 2:15 ).

Os cristãos não deviam aderir às práticas judaicas, que criavam alegorias para explicar o que não entendiam, pois, os cristãos já tinham a realidade: Cristo! Portanto, assim como receberam a Cristo, deviam prosseguir n’Ele, ou seja, sem dar ouvidos a fábulas, vãs sutilezas, filosofias de homens “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças. Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” ( Cl 2:6 -8).

Os judeus criavam alegorias, parábolas e fábulas para interpretar as alegorias, ou seja, as figuras que a lei apresentava, porém, perdiam-se em sua carnal compreensão, pois a lei era sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas. Ora, se estamos de posse da imagem exata das coisas hoje, já não precisamos de alegorias e nem de fábulas, antes basta expormos a Cristo e este crucificado “PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

Quem entra pelo caminho das fábulas produzirá questões loucas e sem instrução (conhecimento) alguma “E rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas” ( 2Tm 2:23 ), mas aquele que permanece nas palavras dos apóstolos e dos profetas torna-se sábio. Não precisa de fábulas, pois é perfeitamente instruído para a boa obra, perfeito, pois sabe redarguir, corrigir e instruir segundo as Escrituras “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura divinamente inspirada, é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” ( 2Tm 3:14 -17).

 

O aviso

O apóstolo Pedro alerta os cristãos dizendo que não anunciara o evangelho através de ‘fábulas artificialmente compostas’, apontando a sua inutilidade para o propósito de propagar a mensagem de Cristo. Ou seja, com esta colocação, o apóstolo Pedro enfatiza que o que foi anunciado aos cristãos possuía veracidade comprovada com o crivo das Escrituras e de testemunhos oculares, pois todos puderam presenciar a majestade de Cristo “… mas nós vimos a sua majestade” ( 2Pe 1:16).

Ele trás à lembrança o evento em que uma voz foi ouvida dos céus: “Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo” ( 2Pe 1:17 ).

Além de anunciar o que viu e ouviu de Cristo, como fez os outros apóstolos, o apóstolo Pedro tinha por firme a palavra dos profetas, da mesma forma os cristãos devem imitá-los, de modo que Pedro instrui a rejeitar as fábulas e se voltar para as palavras dos profetas ‘… á qual bem fazeis em estar atentos’ “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 2Pe 1:18 ).

O protesto do apóstolo Pedro não é contra o gênero literário que surgiu no Oriente, e que foi desenvolvido por Esopo, autor que viveu no século VI a.C., na Grécia antiga, a quem foi atribuído um conjunto de pequenas histórias, de caráter moral e alegórico, cujos papéis principais eram desenvolvidos por animais.

Ao observar a abordagem do apóstolo Pedro, vê-se que a crítica dele é contra aqueles que quererem apresentar Cristo ao mundo utilizando-se de mitos, contos falsos, como se fosse comparável à verdade das Escrituras, e deixam de lado o testemunho firme dos profetas.

O termo grego utilizado pelo apóstolo Pedro é muthos (μῦθος – mýthos), uma estória fabricada (fábula) que subverte (substitui) o que é realmente verdade, por isso mesmo é dito: fábulas artificialmente construídas.

A estória dos três passarinhos não passa de um mýthos, pois além de ter sido engendrada a partir da concepção do Pr. Tomas, ela subverte a verdade contida nas Escrituras.

O mýthos geralmente é construído a partir de sombras, e tem o escopo de estabelecer domínio sobre aqueles que por ele são enlaçados. Tem por base a ideia de humildade, mas deriva de uma carnal compreensão, pois não retrata o que os profetas e apóstolos disseram de Cristo. As fábulas geralmente são engendradas carregadas de ordenanças e preceitos morais segundo os princípios do mundo, e passam a impressão de sabedoria, devoção, humildade, severidade para com o corpo, mas não tem valor algum diante de Deus “Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” ( C l 2:17 -23).

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Deus olha para você através de Cristo?

Deus é santo! Esta verdade é apresentada em várias passagens bíblicas. Deus é santo e imutável, ou seja, quer os homens acreditem ou não, Deus é santo. Quer bendigam a santidade de Deus ou não, Ele permanecerá Santo pela eternidade.


Para enaltecer a santidade de Deus muitos pregadores ensinam que, para não ver o pecado, Deus olha para o crente através de Cristo. Argumentam que, apesar de crer em Cristo, o crente ainda é pecador.

Escritores renomados corroboram este pensamento e, dentre eles, destaco esta frase:

“Não entenda isto mal. O significado, não é que haja algo que cobre os nossos pecados ao ponto que Deus não os vê. Não é o caso de que eles realmente estão lá mas Deus não os vê porque eles estão encobertos. Coberto nem mesmo significa que os pecados de alguém estão escondidos sob Cristo, como se costuma dizer. O facto é que Deus olha através de Cristo” Fonte: Righteous by Faith Alone, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, capítulo 21 (grifo nosso). Consulta realizada em 04/01/2012.

Analisando a asserção: “O facto é que Deus olha através de Cristo” à luz das Sagradas Escrituras, verifica-se que Hoeksema procurou evidenciar o mérito da obra de Cristo, contrastando-a com o demérito da condição do homem diante de Deus.

A premissa construída para evidenciar a santidade de Deus, afirmando que Deus é tão santo que, para olhar para o crente, precisa olhar através de Cristo para não ver pecado, carece de ser considerada à luz das Escrituras.

É bíblico este posicionamento? Quando olha através de Cristo Deus não vê pecado no crente porque eles estão encobertos?

Para responder esta pergunta, utilizaremos como ponto de partida uma pergunta do apóstolo Paulo aos cristãos de Corintos: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ).

A verdade de que os cristãos são templos de Deus era tão evidente para o apóstolo dos gentios que a pergunta aos Corintos é uma reprimenda!

Está é uma verdade que permeia todo o Novo Testamento:

  • “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” ( 1Pd 2:5 );
  • “Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” ( Hb 3:6 );
  • “E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” ( 2Co 6:16 );
  • “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” ( 1Co 3:17 );
  • “No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” ( Ef 2:22 ).

Verdade que deriva das promessas feitas no Antigo Testamento:

  • “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 );
  • “Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo” ( Sl 51:11 );
  • “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 36:27 ).

Se para olhar para aquele que creu no evangelho é necessário Deus olhar através de Cristo, o que é necessário para que Deus venha habitar o crente? O que é mais profundo: ‘olhar’ ou ‘habitar’ o crente?

Em que a santidade de Deus não é maculada se Ele olhar através de Cristo para contemplar o crente, se na verdade, em primeira instância Ele habita o crente? “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada ( Jo 14:23 ).

Como conciliar o argumento de que, para não contemplar o pecado no crente Deus necessita olhar através de Cristo, se não há nenhum obstes na bíblia com relação ao crente ser templo, morada de Deus.

Se aceitarmos a tese de Hoeksema que Deus olha para o crente através de Cristo apesar de haver pecado no crente, Cristo torna-se uma espécie de lente, prisma, etc., que possibilita Deus, que é santo, olhar para o crente; a lente cria uma ilusão de ótica de modo que Deus passa a contemplar o crente sem ver o pecado e, ao mesmo tempo Deus se guia pelo que passou a enxergar através de Cristo e ignora o fato de haver pecado no crente; no entanto, apesar do pecado, Deus habita o crente. Seria isto possível?

Existe também o testemunho de Deus de que Ele não habita em templo feito por mãos humanas ( At 17:24 ), e por isso mesmo, Se propôs construir o seu templo para habitá-lo através do seu próprio braço (Cristo) ( Ef 2:22 ; 1Pe 2:5 ; Hb 3:4 -6 ), no entanto, Hoeksema afirma que Deus vê pecado no templo que Ele mesmo está construindo e, que só é possível olhar o seu próprio templo através de Cristo?

“No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” ( Ef 2:22 )

O crente é templo de Deus, ou não é? Há pecado no crente, ou não há? O templo de Deus é santo, ou não é?

Deus exige do homem que o seu falar seja segundo a verdade, pois o que passa da verdade é de procedência maligna “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” ( Mt 5:37 ).

Deus pode deixar de ver o pecado onde há pecado coberto? Haveria alguma coisa encoberta aos olhos de Deus? “E …antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”  (Hebreus 4 : 13)

O apóstolo Paulo demonstra que efetivamente o templo de Deus, que são os cristãos, é santo: “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo” ( 1Co 3:17 ). Ora, o templo de Deus é santo, portanto não pode haver no templo, que pertence e está sendo construído por Deus, pecado. Por fim, o templo de Deus que é santo diz dos crentes: ‘o templo de Deus, que sós vós, é santo’!

Neste mesmo sentido alertou o apóstolo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” ( 1Co 6:19 ).

Não podemos esquecer que, cada cristão individualmente é membro uns dos outros, porém, apesar de haver muitos cristãos, todos são um só corpo em Cristo “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” ( Rm 12:5 ).

Considerando que Cristo é santo e é a cabeça do seu corpo, segue-se que o corpo de Cristo, que é a igreja, por sua vez, também é santo. É inconcebível um corpo ter condição diversa da condição da cabeça, ou seja, a cabeça ser santa e o corpo imundo, pois deste modo não haveria unidade “E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade” ( Cl 2:10 ); “Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” ( Ef 5:27 ).

Cristo é a pedra angular preciosa que Deus estabeleceu como fundamento da igreja, e o templo é edificado por Deus com pedras vivas, ou seja, os cristãos Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” ( 1Pd 2:5 ); “Porque toda a casa é edificada por alguém, mas o que edificou todas as coisas é Deus” ( Hb 3:4 ).

Mas, alguém pode protestar dizendo: nesta passagem o apóstolo Paulo está falando do corpo místico, e não de cada crente em particular. Ora, só há o corpo místico se considerarmos que cada cristão em particular é um só pão em Cristo. O templo santo só é erguido porque há um fundamento posto, que é Cristo, a pedra eleita e preciosa, e igualmente cada cristão é uma pedra viva “Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” ( Ef 4:16 ); “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão” ( 1Co 10:17 )

Antes de ser crucificado, Cristo rogou por sua igreja dizendo: “E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós ( Jo 17:11 ); Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” ( Jo 17:21 ); “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um ( Jo 17:22 ).

Há unidade entre Cristo, o Pai e a igreja, e esta unidade não é somente de ‘olhar através de Cristo’, antes é unidade derivada de comunhão íntima em virtude de Cristo ter concedido aos que creem n’Ele a mesma glória que Deus deu a Cristo. Jesus concedeu a mesma glória que foi dada pelo Pai aos que creram para que os cristãos sejam um, como o Pai e o Filho são um. A unidade do Pai, o Filho e os cristãos diz de comunhão intima: “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos ( Ef 5:30 ); “Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular” ( 1Co 12:27 ).

Não há nenhuma comunhão entre a Luz e as trevas, pois Jesus disse: “Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” ( 1Jo 1:5 ). Deus é luz e qualquer que está em Cristo, está em Deus e Deus está nele “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus ( 1Jo 4:15 ).

Confessar, admitir que Jesus é o Filho de Deus segundo as Escrituras, significa ter comunhão, adentrar na Luz que não tem trevas nenhuma, e que a Luz que não tem trevas entrou nele. Ora, se aquele que crê em Cristo está em Deus, segue-se que não há trevas nenhuma nele, pois se houvesse, seria impedido de estar em Deus, pois não há comunhão entre a Luz e as trevas.

A promessa de Deus é perfeita: qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está aperfeiçoado verdadeiramente nele. Qual é a palavra a ser guardada, obedecida? A palavra, o mandamento a ser obedecido é: crer em Cristo como o Filho do Deus vivo, assim como diversas pessoas confessaram nas Escrituras “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento. E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado” ( 1Jo 3:23 -24; Jo 6:69 ; Jo 11:27 ; Mt 16:16 ).

Qualquer que creu em Cristo obedeceu ao mandamento de Deus e passou a estar em Deus: “Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele ( 1Jo 2:5 ); “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito” ( 1Jo 4:13 ).

Ao crer, o homem passa a pertencer a Deus “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” ( 1Co 6:20 ); “Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” ( 1Co 1:30 ).

Aquele que está em Cristo é uma nova criatura “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 ). Ora, se o crente está em Cristo é nova criatura, de modo que Cristo também está no crente “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” ( 2Co 13:5 ).

Sendo o crente uma nova criatura, está em Cristo, e se está em Cristo, consequentemente, está em Deus “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” ( 1Jo 5:20 ).

Para estar em Deus através de Cristo, foi necessário Deus fazer tudo novo, de modo que, sem Cristo o homem é trevas, mas ao crer, o cristão torna-se luz no Senhor “Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 ); “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” ( 1Ts 5:5 ); “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte” ( Mt 5:14 ).

Deus não só tirou aqueles que creram da potestade das trevas e os transportou para o reino de Cristo, Ele também os fez luz “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” ( Cl 1:13 ).

Ao crer o cristão recebeu poder para ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ), portanto, é filho da luz. E se é filho da luz, agora é luz. Deus é a verdade, e se o crente esta em Cristo, que é a verdade, é verdadeiramente livre, pois tem comunhão com a verdade! Conheceu a verdade! “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” ( Jo 8:31 -32); “Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai” ( 1Jo 2:24 ).

Permanecer na palavra de Cristo é fazer a vontade de Deus, e aquele que crê na palavra do Evangelho permanece para sempre “E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” ( 1Jo 2:17 ); “Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” ( 1Pd 1:25 ); “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ); “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ).

O apóstolo João demonstra que os que creem em Cristo conhecem a Deus e Deus está nele “Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor” ( 1Jo 4:12 ). Por ter dado da sua palavra (espírito) aos que creem é possível saber que todos quantos creem estão em Deus e Deus neles “Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito” ( 1Jo 4:13 ).

Cristo é o amor de Deus demonstrado ao mundo, e quem está no amor de Deus está em Deus e Deus nele “E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus. E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele ( 1Jo 4:14- 16).

E o mais importante: Qual Cristo é, o cristão o é igualmente neste mundo “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo ( 1Jo 4:17 ). Assim como os filhos de Adão são como o primeiro homem, de igual modo, os filhos de Deus são tal qual o último Adão: homens espirituais “Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais ( 1Co 15:48 ).

  • Jesus é o Filho de Deus, os que creem são filhos de Deus ( 1Jo 3:1- 2; Gl 3:26 );
  • Jesus é luz, os que creem são luz no Senhor ( Ef 5:8 );
  • Jesus é pedra viva, os cristãos são pedras vivas ( 1Pd 2:5 );
  • Jesus é o fundamento dos apóstolos e dos profetas, os cristãos são edificados casa espiritual sobre o fundamento de Deus que é firme ( Ef 2:20 -22);
  • Jesus é o pão que dá vida ao mundo, os cristãos são pão ( 1Co 10:17 );
  • Jesus é o sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, os que creem exercem sacerdócio real ( 1Pd 2:9 );
  • Jesus assentou-se a destra do Pai nas alturas, os cristãos estão assentados nas regiões celestiais ( Ef 13 e 2:6 ).

Os cristãos foram gerados de novo através da ressurreição de Jesus ( 1Pd 1:3 ; Cl 2:12 -13 ; Cl 3:1 ). Foram gerados de uma semente incorruptível ( 1Pd 1:23 ), e são participantes da natureza divina ( 2Pd 1:4 ; Cl 2:10 ).

Ora, após tudo o que Deus realizou naqueles que creem, sendo certo que Cristo foi manifesto como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo ( Jo 1:29 ), como é possível haver pecado no crente, se o crente está em Cristo? Como é possível haver pecado no crente se o crente é nova criatura? Se em Cristo não há pecado, como um pecador pode estar em Cristo? “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado ( 1Jo 3:5).

Em Cristo não há pecado, assim como em Deus não há trevas nenhumas, portanto, qualquer que está em Cristo é luz e não tem pecado algum. Deste modo, Deus conhece o crente ( Gl 4:9 ), pois habita no crente. O termo ‘conhecer’ não é saber acerca de, ou ver através de Cristo, antes significa comunhão intima, um só corpo.

 

‘Santo’ versus ‘imundo’

“E que comunhão tem a luz com as trevas?” ( 2Co 6:14 )

Deus é santo! Esta verdade é apresentada em várias passagens bíblicas. Deus é santo e imutável, ou seja, quer os homens acreditem ou não, Deus é santo. Quer bendigam a santidade de Deus ou não, Ele permanecerá Santo pela eternidade.

As Escrituras também demonstram que o Santo não tem comunhão com o imundo. – “Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas” ( 1Jo 1:5 ), está foi uma asserção que o evangelista João ouviu de Jesus e anunciou aos cristãos. Não há comunhão entre a Luz e as trevas, portanto, na luz não pode haver sequer uma mínima sombra!

O que faz separação entre o Santo e o imundo, entre a Luz e as trevas?

Deus disse ao povo de Israel: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” ( Is 59:2 ). O pecado é o que faz divisão entre os homens e Deus, de modo que toda a humanidade estava alienada de Deus, pois todos pecaram “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ).

Apesar de o povo de Israel pensar que havia alguma diferença entre gentios e judeus, que os judeus eram salvos por serem descendentes da carne de Abraão e o gentios não, o protesto do profeta Isaias foi direcionado aos judeus: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” ( Is 59:2 ).

Em virtude da acusação das Escrituras que pesava contra os judeus é que o apóstolo Paulo argumenta: ‘porque não há diferença’ ( Rm 3:22 ), pois tudo o que a lei diz, diz aos que receberam a lei e estavam debaixo da lei, ou seja, aos judeus. Deste modo, todo o mundo é condenável diante de Deus: judeus e gentios “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” ( Rm 3:19 -20).

Tudo o que o apóstolo Paulo escreveu contra os judeus foi segundo as Escrituras, conforme se lê: “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” ( Rm 3:10 -18).

Mas, tanto judeus quanto gentios se tornaram imundos? Quando foi que isto ocorreu? Ora, toda a humanidade tornou-se imunda e alienada de Deus em um único evento: a ofensa de Adão no Éden. Quando Adão pecou, todos pecaram. Quando Adão recebeu a pena, todos foram apenados com a morte, ou seja, com a alienação de Deus “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” ( Rm 5:12 ).

Certa feita os discípulos perguntaram a Jesus: – ‘Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?’ ( Jo 9:2 ). Jesus respondeu: – “Nem ele pecou nem seus pais” ( Jo 9:3 ). Ora, com relação a cegueira, o cego nasceu cego para que as obras de Deus fossem manifestas, porém, a pergunta persiste: Quem pecou? Pois todos pecaram ( Rm 3:23 )!

Ora, há um só que pecou: Adão “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores…” ( Rm 5:19 ). Por causa da ofensa de Adão, todos se extraviaram. A ofensa de Adão trouxe maldição, morte, trevas, alienação, para todos os homens, mesmo que os homens não tenha transgredido a semelhança da transgressão de Adão “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão…” ( Rm 5:14 ).

O que o apóstolo Paulo disse com o verso acima? Que mesmo a humanidade não tendo comido do fruto do conhecimento do bem e do mal como Adão e Eva comeram lá no Éden, a morte passou a todos os seus descendentes: a humanidade, portanto, todos pecaram “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” ( Rm 3:23 ); “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22).

Isto significa que o homem é concebido e gerado em pecado, ou seja, que desde a ofensa do homem no Éden, a humanidade separou-se de Deus ( Sl 51:5 e Sl 58:3 ). Ora, o homem é pecador em função da sua geração. A geração do homem segundo Adão é má, e todos os seus descendentes são maus. Não importa se saiba dar boas dádivas aos seus semelhantes, todos os homens nascidos segundo a semente de Adão são maus, são trevas, vasos de desonra, plantas que o pai não plantou, alienados de Deus, mortos em delitos e pecados, etc.

Agora podemos responder a pergunta: O que faz separação entre o Santo e o imundo, entre a Luz e as trevas? Como a humanidade tornou-se imunda e separada de Deus?

A resposta está no Éden! Lá todos pecaram e foram destituídos de terem comunhão com Deus. Deus é luz e a humanidade passou a condição de trevas por dar ouvidos à serpente (criatura) e não ao Criador. Lá no Éden o homem separou-se de Deus, tornou-se morte, tornou-se imundo. Foi em função de uma única ofensa que toda a humanidade (juntamente) tornou-se imunda “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:3 ).

Quando desobedeceu ao Criador, Adão não somente se vendeu ao pecado, como também vendeu toda a sua descendência e, consequentemente, todos os descendentes de Adão são escravos do pecado. O pecado como senhor assalaria os seus servos com a morte, de modo que a humanidade é refém, cativa (aguilhão) do pecado por causa da morte “Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” ( 1Co 15:56 ).

A força do pecado não advém do diabo, como muitos pensam, visto que o próprio diabo está retido sob o domínio do pecado. A força do pecado decorre da lei que disse: “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:16 -17).

A palavra de Deus não volta vazia! Se Ele determinou, é irrevogável! Como o homem comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, às consequências vieram: a) alienação de Deus (morte), e; b) o conhecimento do bem e do mal (como Deus).

A separação de Deus (pecado) dos que não creem persiste por causa da lei que disse: certamente morrerás. Enquanto não crerem em Cristo para se conformarem com Cristo na sua morte, não tem acesso à maravilhosa graça que se dá na ressureição com Cristo ( Fl 3:10 ).

 

Remissão

“Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado” ( Hb 10:18 )

Outro ponto das consequências do pecado esta na seguinte premissa: “A alma que pecar, esta mesma morrerᔓA alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” ( Ez 18:20 ).

O salário do pecado é a morte! Não há como o pecador não receber o seu quinhão.

Mas, Cristo Jesus deu a si mesmo para remir o homem de toda a iniquidade, purificando um povo para si “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” ( Tt 2:14 ); “Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” ( Gl 4:5 ).

Por causa do pecado da humanidade, Cristo Jesus apresentou-se como sacrifício a Deus e, através da sua carne, abriu-se um novo e vivo caminho que conduz os homens a Deus “Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” ( Hb 10:20 ).

Por ser uma exigência da justiça que a morte do pecador, quando crê em Cristo, o homem morre com Cristo, passa a ser participante da carne e do sangue de Cristo. Quando o pecador crê em Cristo, toma sobre si a sua própria cruz e segue após Cristo até o calvário, é crucificado com Cristo, morto e sepultado. Neste ato a justiça de Deus é vindicada, pois Ele é justo e a transgressão não passa da pessoa do transgressor.

Para abrir um novo e vivo caminho, Jesus morreu pelos pecadores, pois somente Ele podia remir os seus irmãos ( Hb 2:11 ). Ou seja, não é necessário aos que creem subirem em um madeiro e serem crucificados com pregos e sofrer as ignominias que Cristo sofreu na cruz.

Como é possível um homem morrer em lugar de todos os homens, se a pena jamais pode passar da pessoa do transgressor? Um homem desobedeceu, e em consequência, a geração deste homem foi destituída de Deus. Mas, Cristo Jesus foi obediente até a morte, e morte de cruz, de modo que ao ressurgir dentre os mortos a sua geração é aceita por Deus.

Quando Jesus morreu houve substituição de ato: obediência pela desobediência. Em lugar da desobediência do Éden, Jesus bradou: Está consumado! “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” ( Jo 19:30 ).

Neste brado não foi expressa a ideia que muitos divulgam de que uma dívida foi paga, antes que Cristo cumpriu cabalmente o que o Pai determinou, ou seja, consumei a obra que o Pai me deu a realizar! “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” ( Jo 17:4 ).

“Nenhum ser humano que tentasse pagar por seus próprios pecados poderia dizer finalmente, como exclamou Cristo em triunfo na Cruz: “Está consumado! A dívida foi paga”.  Mas o preço tinha que ser pago integralmente. De que outro modo os portões da justiça se abririam?” Hunt, Dave ‘O poder da ressurreição de Cristo’, The Berean Callhttp://www.chamada.com.br) – http://www.chamada.com.br/mensagens/ressurreicao_de_cristo.html Consulta realizada em 06/01/2012.

Substituição de ato foi o que ocorreu na cruz: a obediência de Cristo (último Adão) pela desobediência de Adão, pois Deus não busca sacrifício, antes a obediência “Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” ( Rm 5:19 ); “Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, Mas corpo me preparaste; Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), para fazer, ó Deus, a tua vontade” ( Hb 10:5 -7 ).

Por estar em Cristo o cristão é uma nova criatura, igualmente é perfeito, pois está em Cristo, que é a cabeça de todo principado. Por estar em Cristo, o cristão lançou fora (despojou) a carne do pecado. Por estar em Cristo o cristão foi sepultado e ressurgiu ( Cl 2:10 -12).

Quando vivificado em Cristo, o cristão teve as suas ofensas perdoadas por Cristo, pois a cédula foi riscada, uma vez que não cumpríamos as ordenanças de Deus. Como Cristo veio cumprir e cumpriu plenamente a vontade de Deus, a obediência de Cristo anulou a divida das ordenanças. O que fixou na cruz as ordenanças que punha o homem em divida foi a obediência de Cristo, que nada ab-rogou da lei, não foi puro e simplesmente o seu sofrimento. O objetivo da cruz não era o sofrimento, antes a obediência plena, pois a obediência excluiu toda condenação para a nova criatura, que por estar em Cristo está morta para o pecado e para a lei.

Pois, para que o homem possa alcançar vida dentre os mortos é necessário cair na terra assim como o grão de trigo. Cristo caiu na terra e ressurgiu para a glória de Deus Pai, todos quanto creem n’Ele, também são plantados na semelhança da sua morte, para que possam ressurgir com Cristo. Neste quesito cada um deve tomar a sua própria cruz e morrer com Cristo “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” ( Jo 12:24 ).

Deus é fiel: “Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:11 -13).

Sobre a morte dos que creem com Cristo escreveu o apóstolo Paulo:

“Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos” ( Rm 6:3 -8).

A carne de Cristo foi oferecida em oblação e é o novo e vivo caminho pelo qual o homem vem a Deus, pois quando o homem crê, torna-se participante da carne e do sangue de Cristo, ou seja, morre com Cristo. O batismo do cristão é na morte de Cristo, e o batismo em águas é um testemunho público, símbolo da morte com Cristo.

Quando o crente morre com Cristo fica demonstrada a justiça de Deus, visto que a pena estipulada pela lei: ‘certamente morrerá’, ou ‘a alma que pecar esta morrerá’, não passa da pessoa do transgressor. O pecador, quando se arrepende, morre com Cristo e o corpo do pecado herdado em Adão é desfeito.

Após estabelecer a sua justiça dando ao pecador a morte em função do pecado, Deus elimina o vínculo do servo com seu antigo senhor, o pecado. E é neste ponto que a maravilhosa graça de Deus opera eficazmente, visto que, assim como Cristo ressurgiu dentre os mortos para a glória de Deus Pai, todos quando foram sepultados com Cristo são ressuscitados juntamente com Cristo ( Cl 3:1 ).

Enquanto o pecador é morto com Cristo, Deus é justo, mas quando é gerada uma nova criatura em Cristo, Deus é declarado justificador “Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 ).

Ora, se o homem não morre, não está justificado do pecado, pois enquanto vivo para o pecado é devedor e sujeito ao pecado. Mas, quando o homem morre com Cristo, a justiça de Deus é vindicada, pois: “… aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 ).

Cristo ressurgiu dentre os mortos para a justificação dos que creem “O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” ( Rm 4:25 ). Ora, como Cristo ressurgiu, todos os que creem ressurgiram à semelhança da sua ressureição, de modo que os que foram ressurretos dentre os mortos possuem uma nova vida, sendo declarados justos diante de Deus “Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” ( Rm 3:24 ).

O velho homem gerado em Adão jamais seria declarado justo, portanto, pereceu ao ser crucificado com Cristo e o seu corpo foi desfeito com Cristo na cruz. Quando é gerado um novo homem através de Cristo (a semente incorruptível), tem-se uma nova criatura participante da natureza divina, que foi criada em verdadeira justiça e santidade, e que recebe de Deus a declaração de que é justa.

Quando gerado de Adão o homem é pecador, agora gerado de novo em Cristo Jesus, o homem é participante da natureza divina. Não é mais servo do pecado, escapou da corrupção que há no mundo, portanto é santo e justo “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 2Pe 1:4 ); “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” ( Rm 6:18 ).

Quando Jesus se deu a si mesmo foi para adquirir para si um povo “O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” ( Tt 2:14 ). Ora, se Ele remiu o pecador tomando por seu servo, segue-se que não mais se nomeia os que creem de pecadores.

Há um contra senso na assertiva: ‘pecador remido’, pois se o homem é pecador é porque não foi remido, e se foi remido, resta que não é pecador, pois pertence a um novo senhor.

Este problema também ocorre com o termo naufrago. Quando alguém está a deriva em alto mar é nomeado ‘naufrago’, porém, quando é salvo do perigo e está a bordo de uma nova embarcação, já não faz jus ao nome ‘naufrago’, assim é aquele que crê em Cristo: era pecador, agora é remido.

A bíblia é clara: não podeis servir a dois senhores, ou seja, é impossível prestar serviço a dois senhores. Quando Cristo remiu o pecador, não deixou o remido à disposição do pecado para servi-lo. No momento em que o homem é liberto do pecado é feito servo da justiça.

Há pecadores e há remidos, jamais haverá ‘pecadores remidos’, pois onde há remissão não há mais oferta pelo pecado “Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado” ( Hb 10:18 ).

O pecador é servo do pecado, portanto, comete pecado. Ora, se o homem comete pecado pertence ao diabo, portanto não é remido “Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” ( 1Jo 3:8 ); “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado” ( Jo 8:34 ).

O que comente pecado é servo do pecado, porém, temos o apóstolo Paulo redarguindo os cristãos: tornastes-vos servos da justiça ( Rm 6:18 )

Não existe ‘pecador remido’, pois o apóstolo Paulo diz que, se os cristãos foram justificados em Cristo e ainda são pecadores, teria que admitir que Cristo é ministro do pecado. Como Cristo não é ministro do pecado, todos quanto estão n’Ele não são pecadores “Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma” ( Gl 2:17 ).

 

Deus olha através de Cristo

Em um devocional intitulado “Um detalhe milagroso”, assinado pela Pra. Clarice Ziller, temos a seguinte frase:

‘Olhe que coisa fantástica é o Sangue de Jesus: quando Deus me olha através dele, eu sou pura como aquele sumo sacerdote!’.

Spurgeon também fez alusão à ideia de que Deus vê o crente através de Cristo:

“Se bem que Ele vê pecado em ti, em ti mesmo, agora, quando Ele olha para ti através de Cristo, Ele não vê pecado” C. H. Spurgeon, Evening’s Meditation, Meditações Vespertinas. Tradução de Carlos António da Rocha. consulta realizada em 13/09/2012.

Muitos esquecem, ou não sabem, que a promessa de Deus para aquele que guardam a palavra do evangelho crendo em Cristo é se tornar morada do Altíssimo “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” ( Jo 14:23 ).

Por esquecerem, ou não saberem que o crente é o templo de Deus, adotam o pensamento equivocado de que é necessário Deus olhar através de Cristo para poder ver o crente, haja vista, considerarem que o crente, apesar de estar em Cristo, é pecador “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 ).

Mas, as Escrituras é a autoridade no assunto, e ela diz: “E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado” ( 1Jo 3:5). Além de Cristo ter vindo ao mundo tirar o pecado dos que creem, certo é que em Cristo não há pecado.

Se o crente admite que Jesus é o Cristo conforme as Escrituras, está em Cristo, é nova criatura, portanto não tem pecado, pois está em Cristo em quem não há pecado.

Se o crente está em Cristo, automaticamente está em Deus, que é luz e não há nele trevas nenhumas, portanto, a necessidade de Deus olhar para o crente através de Cristo é ilação de mentes carnais que não consideram que Cristo habita o crente.

Jesus é a garantia de que os que creem estão limpos diante de Deus e esta era a certeza do apóstolo Paulo “E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus” ( 1Co 6:11 ).

“Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” ( Jo 15:3 )

 

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Eis que vos dou poder

É dado aos que creem poder de serem livres da peçonha de uma serpente, mas também é dado poder para suportar afrontas e açoites, e passar uma vida na prisão por causa da verdade do evangelho, como foi o caso do apóstolo Paulo.


“Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” ( Lc 10:13 )

 

Antes de abordarmos o tema central deste verso, vale destacar que essa promessa de Cristo refere-se à sua igreja, o que inclui; todos os cristãos e todo tempo em que a igreja permanecer no mundo.

A promessa de Jesus: ‘estarei convosco até a consumação dos séculos’ ( Mt 28:20 ), se estende a todos os membros da sua igreja, assim como a ordem: ‘Ide por todo mundo’ ( Mc 16:15 ). Considerando que a promessa e a ordem de Cristo referem-se a todos os cristãos em todos os tempos, obrigatoriamente devemos concordar que a promessa: “E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão” ( Mc 16:17 -18), não se restringe aos apóstolos e aos primeiros discípulos.

Quando Jesus pediu ao Pai que não tirasse os que eram d’Ele do mundo, seu pedido tinha por alvo os discípulos naquela época e todos quantos cressem em Cristo em todos os tempos ( Jo 17:16 ), portanto, as promessas e a ordem que foi testemunhada pelos apóstolos e alguns discípulos, abrange todos os cristãos em todos os tempos ( Mt 28:20 ).

A oração que Jesus fez: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim” ( Jo 17:20 ), demonstra que as promessas de Deus não se restringiam aos apóstolos e discípulos “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” ( At 2:39 ).

Nossa proposta é descortinar a compreensão dos leitores acerca desta promessa de Cristo: Eis que vos dou poder. Não é porque muitos fazem mau uso do texto sobre sinais que negaremos as promessas de Cristo para evitar que façam mau uso, pois seria o mesmo que tolher a verdade.

 

Poder para ser feito filho

O evangelista João deixou registrado que todos os que creem em Cristo recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). Neste verso o discípulo amado fez um adendo explicando que ‘receber’ o Cristo é o mesmo que ‘crer’ n’Ele “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” ( Jo 1:12 ).

Para compreender a dimensão desta colocação do evangelista João, se faz necessário perguntar: que poder é esse que é dado aos que creem? No que consiste tal poder? Para responder essas perguntas é necessário usar as Escrituras.

O apóstolo Paulo deixou registrado que o evangelho de Cristo é poder de Deus para salvação de todos os que creem ( Rm 1:16 ). Na carta aos Corintos, ele também deixou registrado que Cristo é o poder de Deus “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:24 ). Ora, Deus criou todas as coisas por intermédio de Cristo, ou seja, pela palavra do seu poder, de modo que Cristo é o poder de Deus ( Jo 1:3 ; Cl 1:16 ).

Todos os que recebem a Cristo, ou seja, que creem em seu nome, recebem poder de Deus para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). Só é possível alguém crer em Cristo quando lhe é anunciado a palavra de Deus ( Is 52:7 e 53:1). É essencial que haja quem pregue e que, a mensagem seja a mesma anunciada por Cristo e os apóstolos “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ; 1Jo 1:3 ); “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus” ( 2Tm 1:13 ).

Ao fazer referência ao seu papel evangelístico, o apóstolo Paulo disse: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder” ( 1Co 2:2 -4).

A mensagem que o apóstolo dos gentios anunciou aos cristãos tinha por tema o Cristo crucificado, de modo que é possível concluir com segurança que expor a mensagem do evangelho é demonstração de espírito e poder. Demonstrar que ‘Jesus de Nazaré crucificado’ é o Cristo de Deus é exposição de poder.

Quando o apóstolo Paulo foi ter com os crentes de Corinto, sua condição socioeconômica havia sido alterada drasticamente, e ele afirma que estava em fraqueza, temor e receio.

 

A fraqueza do apóstolo Paulo

No caminho de Damasco Saulo, o perseguidor dos cristãos, se fazia acompanhar de uma comitiva e, estava de posse de cartas de recomendação dos magistrados concedendo-lhe autoridade para lançar mão da igreja de Cristo ( At 9:2 ). Ele tinha o apoio dos maiorais da sua nação e da religião, era o forte braço do farisaísmo, mas, quando o apóstolo Paulo chegou em Corintos como servo de Cristo, não havia carta de recomendação, comitiva, e tão pouco o apoio dos seus compatriotas.

A expectativa do apóstolo Paulo de como seria aceito entre pessoas que no passado foram perseguidas por ele, resultou no que é descrito como fraqueza, temor e tremor. Quando chegou entre os cristãos, o apóstolo não possuía carta de recomendação ou autoridade segundo os homens, o que se traduz em fraqueza, temor e receio. Só mais tarde os cristãos de Corinto tornaram-se a sua carta “Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens” ( 2Co 3:2 ).

Mesmo vulnerável e tendo que trabalhar com tendas, o apóstolo dos gentios comparecia às sinagogas para disputar com os judeus, demonstrando perante os algozes de Jesus, que aquele Jesus de Nazaré era o Cristo de Deus ( At 18:4 ). Ao escrever aos cristãos de Corinto, o apostolo não hesitou em afirmar que a sua mensagem, a saber, a mensagem da cruz de Cristo, é demonstração de espírito e de poder.

O apóstolo não expôs filosofias, tradições, ou qualquer outra forma de conhecimento ou sabedoria humana. A base do ministério do apóstolo dos gentios era convencer as pessoas de que o Jesus de Nazaré, aquele que fora crucificado em Jerusalém, era o Cristo, a mesma mensagem que levou Saulo a apedrejar Estevão ( Rm 1:1 -5; At 7:52 ).

Antes da sua conversão, o apóstolo Paulo era ministro da lei, e após a conversão, tornou-se ministro do evangelho, que em outras palavras é ‘ministro do espírito’. Na condição de ministro do evangelho (espírito), o apóstolo dos gentios deixa claro que expor o evangelho é demonstração de espírito, demonstração de poder “O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica” ( 2Co 3:6 ).

 

As palavras de Cristo

O Senhor Jesus Cristo disse acerca de seu ensino: as palavras que vos tenho falado é espírito e vida, e o apóstolo Paulo afirma que veio aos cristãos de Corinto com espírito e poder, o que demonstra que o evangelho é espírito e poder “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida” ( Jo 6:63 ).

O apóstolo Pedro, ao exortar os cristãos, recomenda que: “Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém” ( 1Pe 4:11 ).

Em outras palavras, cada cristão deve falar segundo a verdade do evangelho, ou seja, exponha, administre, entregue o poder que Deus dá; que entregue a mensagem que vivifica. Quando administrar, os cristãos fazer sua administração segundo o evangelho de Cristo, e não com base em conhecimento e sabedoria dos homens.

Por que foi necessária esta recomendação?Porque já naquele tempo haviam surgido muitos falsos profetas, de modo que havia muitos espíritos. A explicação vem do evangelista João, que alertou quais espíritos eram estes? Se as palavras de Cristo é espírito e poder, o que seriam estes ‘espíritos’ que o apóstolo João adverte? Tais espíritos eram mensagens, pregações, ensinamentos propagados pelos falsos profetas. Daí o alerta: é necessário ‘provar’ os espíritos.

 

O termo ‘espírito’

O termo ‘espírito’ quando empregado por João refere-se ao conteúdo da mensagem pregada, conteúdo este que pode ser de Deus ou do anticristo, de modo que quem ‘prova’ os espíritos deve seguir a regra proposta pelo evangelista João no verso 3 do capítulo 4 da sua primeira epístola “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo” ( 1Jo 4:1 -3).

Qualquer que não conserva o modelo das sãs palavras do evangelho, fala segundo o espírito do anticristo “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus” ( 2Tm 1:13 ; 1Jo 2:18 ).

 

Espírito e possessão

Quando o apóstolo Paulo diz: “E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” ( 1Co 14:32 ), ele está demonstrando que a ‘palavra’ dos profetas é sujeita aos profetas. Significa que o profeta possui controle sobre a mensagem que anuncia, de modo que os profetas de Deus não são submetidos a uma ‘possessão divina’ ao anunciar o evangelho, que é a palavra da profecia. De igual modo, significa que os profetas do anticristo também não são tomados por uma possessão maligna, antes o que ensinam decorre de uma carnal compreensão ( 1Co 2.14 ; Cl 2:18 ; 2Pe 2:12 ; Jd 1:4 ).

O profeta de Deus deve trazer vívido na memória isto: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação” ( 2Pe 1:20 ; Ap 22:18 ), e em segundo lugar: que a ‘profecia’, ou a ‘firme palavra dos profetas’ não decorrem da vontade do homem, antes, o que os profetas falaram foi segundo o Espírito Santo ( 2Pe 1:21 ).

Ao escrever aos cristãos de Tessalônica, o apóstolo Paulo lembra que não foi ter com eles somente com palavras (o termo ‘palavras’ substitui a ideia de sabedoria humana), antes expôs (demonstrou) aos seus ouvintes poder, pois o evangelho é poder de Deus “Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós” ( 1Ts 1:5 ).

O que ele escreveu aos Tessalonicenses é o mesmo que escreveu aos Corintos: “Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” ( 1Co 2:5 ). O motivo é claro: “Porque o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder” ( 1Co 4:20 ). Ora, o reino de Deus é Cristo!

Quando escreveu aos Colossenses, o apóstolo demonstra que Cristo é o poder de Deus e que os cristãos ressurgiram com Cristo por crerem n’Ele: “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” ( Cl 2:12 ).

 

Revestidos da armadura

Ao aconselhar os cristãos de Éfeso, o apóstolo dos gentios recomenda a se fortalecerem na força que há no poder de Deus “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” ( Ef 6:10 ), que nada mais é do que se ‘encher do espírito’, ou seja, estar ‘pleno do conhecimento’ que há no evangelho de Cristo “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração” ( Cl 3:16 ); “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:18 -19 ).

Ora, fortalecer-se no poder de Deus é o mesmo que revestir-se de Cristo ( Rm 13:14 ), pois Jesus é a verdade ( Jo 14:6 – cingindo os lombos com a verdade ). Ele é a nossa justiça ( 1Co 1:30 – couraça da justiça). Cristo é o tema das boas novas do evangelho ( Rm 10:15 – calçados os pés). Cristo é eterna salvação aos que O obedecem ( Hb 5:9 – capacete da salvação).

O capacete da salvação é a palavra, assim como a espada do espírito é a palavra. Os pés calçados referem-se à palavra, assim como a couraça da justiça. O escudo da fé é a palavra, assim como a vestimenta que cinge os lombos ( Is 59:17 ).

Jesus anunciou que enviaria a promessa do Pai e que seus discípulos deveriam ficar em Jerusalém até que fossem revestidos de poder “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” ( Lc 24:49 ). No pentecostes, quando vemos o apóstolo Pedro expondo aos seus irmãos segundo a carne a interpretação dos salmos e dos profetas, constatamos de qual poder ele foi revestido: da compreensão da palavra de Cristo.

Este revestimento de poder foi anunciado e explicado em detalhes por Cristo no capítulo 14 do evangelho de João “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” ( Jo 14:26 ). A promessa do Pai diz do Consolador, e o ‘revestimento’ ou a ‘unção’ prometida diz da compreensão de tudo o que Jesus disse “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio” ( Jo 15:26 -27 compare “E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” ( 1Jo 2:27 ; 1Jo 2:20 ).

Ora, o apóstolo Pedro já estava limpo pela palavra de Cristo e cria que Jesus era o Filho de Deus, porém, não compreendia as escrituras, o que só foi possível no pentecostes, quando foi ‘ungido’, ou ‘revestido de poder’ ( Jo 15:3 ; Mt 16:16 ; Jo 7:39 ; Lc 9:45 e Mc 8:33 ).

Em Lucas 10, verso 19 Jesus deu poder para os discípulos, e no capítulo 24 de Lucas é prometido ‘revestimento’, ‘unção’. Esta verdade é reafirmada pelo apóstolo em Efésios 6, verso 10 dizendo que é necessário estar fortalecido em Deus e revestido do poder de Deus: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus…” ( Ef 6:10 -11).

Fortalecer no Senhor é estar cônscio de que o mesmo poder que Deus fez ressuscitar o Cristo também é utilizado na ressureição dos que creem, fazendo-os filhos de Deus “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, Que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1:18 -20; Cl 3:1 ).

O ‘revestir-se do poder’ refere-se a ter uma compreensão plena do evangelho de Cristo “Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior; Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” ( Ef 3:16 -20 ).

Qual é o poder do espírito? Neste verso não há alusão ao Espírito Santo, antes à palavra da verdade, que é espírito e poder. Jesus mesmo disse que as suas palavras são espirito e vida, e o apóstolo Paulo disse que a palavra é espírito e poder ( Jo 6:63 ; 1Co 2:4 ). No verso 16 da carta aos Efésios, o apóstolo faz alusão à palavra, ou seja, ao poder da palavra, pois ele era ministro do espírito, ministro da palavra, ministro de Cristo, ministro do poder de Deus ( 2Co 3:6 ).

Quando compreendemos a palavra da verdade, temos o revestimento de poder, ou nos revestimos da armadura de Deus. Compreender a palavra da verdade é prova de que o cristão foi revestido de poder, ou seja, que possui a unção do Espírito Santo, pois é Ele quem guia em toda a verdade “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” ( Jo 16:13 ).

 

Espírito de Elias

Quando o anjo Gabriel anunciou o nascimento de João batista a Zacarias disse: “E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto” ( Lc 1:17 ). Este verso comprova que ‘espírito’ e ‘poder’ diz da mensagem de Cristo, pois João Batista não operou nenhum sinal miraculoso, apenas anunciou o reino dos céus “E muitos iam ter com ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade” ( Jo 10:41 ).

Quando Elias passou o seu ministério para Eliseu, transmitiu porção dobrada do espírito de Elias “Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim” ( 2Re 2:9 ).

Ora, em Lucas 1, verso 17 e João 10, verso 41, verifica-se que a porção dobrada que Eliseu recebeu não se resumia em operar sinais, milagres e maravilhas, pois João veio no espírito e poder de Elias e não operou milagres. O que isso significa?

Significa que o pedido de Eliseu tinha relação com a palavra que Elias proclamava.

O mesmo espírito e o mesmo poder que estava sobre Cristo esteve sobre João Batista, esteve sobre os apóstolos, e está sobre a Igreja de Cristo ( Ef 4:4 ), isto porque há um só espírito, que é respectivamente espírito, vida e poder para converter os corações.

O ‘espírito’ e a ‘virtude’ de Elias consiste na proposta que ele fez ao povo de Israel: escolham entre Deus e Baal “Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu” ( 1Rs 18:21 ), e foi este mesmo espírito e poder que repousou sobre João Batista, quando disse: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” ( Mt 3:2 ). O povo de Israel, em ambos os casos precisavam mudar de concepção, poder para converter o coração dos homens a Deus.

Observe que para a mudança de concepção é necessário a ação da palavra: “E virá um Redentor a Sião e aos que em Jacó se converterem da transgressão, diz o SENHOR. Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre” ( Is 59:21 ), de modo que não é por força e nem por violência, antes pela palavra de Deus.

Em Jerusalém o apóstolo Pedro recebeu a promessa do Espírito, pois o mesmo Espírito que repousou sobre Cristo segundo a profecia, também passou para os seus discípulos “O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes” ( Is 63:1 -2).

Ora, o Espírito de Deus estava sobre Cristo. E o que Jesus faria? Pregaria boas novas! Proclamaria liberdade! Apregoaria tempo aceitável! Observe que o Espírito tem função evangelística. De igual modo, a todos que aceitassem a Cristo, tornando-se descendência de Abraão (filhos de Deus pela fé), teriam as mesmas palavras anunciadas por Cristo em suas bocas “Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre” ( Is 59:21 ).

Deus é poderoso para fazer tudo mais abundante, porém, o que Ele faz é segundo a palavra do evangelho, pois o evangelho é o poder que opera em todos os que creem “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” ( Ef 3:20 ).

O evangelho é a ‘palavra da verdade’, ‘poder de Deus’ e ‘armas da justiça’ “Na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda” ( 2Co 6:7 ). O apóstolo cônscio da verdade eterna, após ouvir o Senhor Deus, diz “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” ( 2Co 12:9 ).

Em seguida, o apóstolo Paulo faz a seguinte comparação: “Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós” ( 2Co 13:4 ).

O que este verso diz? Que os cristãos, apesar de terem sido sepultados à semelhança da morte de Cristo, agora vivem porque creram (fé) no evangelho (poder de Deus). O poder que há no evangelho é sobreexcelente, pois é o mesmo poder que Deus operou em Cristo ao ressuscitá-lo dentre os mortos “Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” ( Cl 2:12 ); “E qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus” ( Ef 1:19 ).

Estevão era um homem pleno de fé, ou seja, da palavra de Deus. Embora Estevão operasse sinais e maravilhas, os escribas e fariseus resistiam à palavra que Estevão proclamava, pois era a verdadeira demonstração de espírito e poder “E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé. E Estevão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo (…) disputavam com Estêvão. E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava” ( At 7:7 -9).

Estevão não foi apedrejado porque operava sinais e maravilhas, antes por causa da mensagem do evangelho. Jesus não foi rejeitado pelos sinais e maravilhas, antes pela sua palavra ( Jo 10:33 ). O espírito com que Estevão falava refere-se à palavra do evangelho, que é demonstração de poder, de fé, de espírito e de sabedoria.

 

Serpentes e escorpiões

No livro do Gênesis, Satanás utilizou-se de uma serpente para destilar o veneno da mentira sobre o homem. Ao distorcer a verdade anunciada por Deus, Adão acreditou na mentira e trouxe condenação (morte), a todos os homens.

Por causa do evento no Éden, a serpente tornou-se símbolo de Satanás “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” ( Ap 12:9 ).

A serpente é um símbolo de Satanás, e o veneno símbolo da mensagem de engano. A mensagem de engano é comparável ao veneno de víboras, trás morte e morte eterna.

Há várias referências nas Escrituras às serpentes, e uma destas figuras encontra-se no Livro de Deuteronômio. O profeta Moisés, em sua última profecia (cântico profético, salmo), previu que o povo de Israel (vinha) haveria de desviar-se da palavra de Deus e que produziriam veneno em lugar de vinho ( Dt 31:20 ).

Através da previsão dada a Moisés, Deus estava destilando a sua doutrina, a sua palavra. A palavra é comparada ao orvalho que cai sobre a relva, de modo que a palavra é figura de vida ( Dt 32:47 ), e a relva figura dos homens “Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor” ( 1Pe 1:24 ).

Este salmo de Moisés possui inúmeras figuras aplicadas ao povo de Israel que, ao longo da história foram utilizadas pelos profetas, Cristo e os apóstolos. Dentre as figuras que Moisés apresenta, temos: povo louco, ignorante, néscios ( Dt 32:6 ); cidade prostituta ( Dt 32:16 ); povo (vinha) de Sodoma e Gomorra ( Dt 32:32 ); o vinho que produzem é ardente veneno de serpentes, peçonha cruel de víboras ( Dt 32:33 ).

Por diversas vezes ecoam nas Escrituras através dos profetas, Jesus e os apóstolos o rótulo que Moisés estabeleceu contra Israel: o povo de Israel não passava de loucos, néscios, pessoas faltas de entendimento ( Sl 53:1 -4; Jr 5:4 ; Ez 13:13 ; Is 35:8 ; Lc 11:40 ; Lc 24:25 ; Rm 2:20 ; Rm 10:2 ). Por diversas vezes são chamados de raça de víboras ( Mt 3:7 ; Mt 23:33 ; Sl 140:3 ); Igualmente são chamados de adúlteros e adulteras ( Tg 4:4 ; Jr 9:2 ); etc.

Mas, a figura que nos debruçaremos agora é a da víbora, a da serpente. Moisés aponta que o povo de Israel é vinha de Sodoma e Gomorra, porém, o vinho que produziam era equivalente à peçonha de serpentes “O seu vinho é ardente veneno de serpentes, e peçonha cruel de víboras” ( Dt 32:33 ); “Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra” ( Is 1:10 ).

O salmista demonstra que os filhos de Jacó possuíam língua como a serpente. Que o veneno do engano, que é a mentira, estava nos lábios do povo de Israel. O que falavam era semelhante ao veneno da serpente: produz morte, e não vida “Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios. (Selá.)” ( Sl 140:3 ); “O seu veneno é semelhante ao veneno da serpente; são como a víbora surda, que tapa os ouvidos” ( Sl 58:4 ).

Ao falar ao povo, o profeta Isaias disse: “Chocam ovos de basilisco, e tecem teias de aranha; o que comer dos ovos deles, morrerá; e, quebrando-os, sairá uma víbora” ( Is 59:5 ). O profeta acusa os filhos de Israel de falarem falsidades, e que a palavra do engano, a mentira, estava em suas bocas.

Falar mentiras é o mesmo que chocar ovos da serpente. Neste contexto ‘mentira’ é uma figura de linguagem para falar da palavra de engano, falso evangelho, e não do mau hábito de faltar com a verdade, mentir. Quem come dos ovos, além de mortos, torna-se duas vezes filhos do inferno. Tornam-se filhos do inferno porque quebraram os ovos e deles se alimentaram. Além de estarem mortos, tornam-se víboras. A morte neste verso refere-se à separação de Deus, alienação.

Qualquer que professa a doutrina do engano é uma víbora, uma serpente, de modo que Jesus e João Batista não estavam xingando os escribas e fariseus ao chamá-los de raça de víboras.

O apóstolo Paulo alerta os cristãos a se absterem do ‘vinho da contenda’, e deviam se encher do espírito. Muitos entendem que o apóstolo estava vetando aos cristãos o beber bebida forte, porém, se o apóstolo Paulo estivesse recomendando os cristãos a se absterem do produto da vide, não teria recomendado Timóteo a fazer uso de vinho.

O que se depreende da ordem paulina é que os cristãos deveriam se encher do espírito, ou seja, do evangelho, pois deste modo jamais beberiam do vinho da contenda, ou,da doutrina dos judaizantes “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” ( Ef 5:18 ); “Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?” ( Mt 16:11 ).

É em função do alerta anterior que se chega à interpretação que acabamos de fazer. Quando o apostolo Paulo diz: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios”, está recomendando que os cristãos não andem como os judeus, os loucos, os néscios, que sempre erraram o caminho. Que não sejam insensatos ( Gl 3:1 ), voltando a se aplicarem a elementos da lei, antes, que entendam qual é a vontade de Deus ( Ef 5:15 -17).

Esta análise nos mostra que, algumas vezes, quando a bíblia faz referência à serpente, não faz referência a Satanás, mas aos homens que, por anunciar uma doutrina de mentira, destilam veneno mortal como as víboras. Por destilarem peçonha, a figura da serpente é própria para descrevê-los. Daí o rótulo: raça de víboras!

 

Poder para pisar serpentes e escorpiões

Após averiguar a exposição acima, é possível responder as perguntas: a) que poder é concedido aos cristãos? b) Quais os tipos de serpentes e escorpiões os cristãos tem autonomia de calcar os pés?

A prerrogativa de calcar a antiga serpente com os pés é de Jesus, e Ele não passou aos seus seguidores tal prerrogativa, antes é dito: “E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém” ( Rm 16:20 ); “Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente” ( Sl 91:13 ). É Cristo, o príncipe da paz, que esmagará Satanás em breve debaixo dos pés dos seus seguidores.

Por que debaixo dos pés dos cristãos? Porque os cristãos são o corpo de Cristo. Cristo é a cabeça, e a igreja o corpo, de modo que é Cristo, a cabeça, que esmagará debaixo da igreja a antiga serpente que feriu o calcanhar da semente da mulher ( Gn 3:15 ).

O texto não diz que os cristãos receberam poder para pisar Satanás, antes diz que é dado poder para pisar ‘víboras’ e ‘escorpiões’.

Em primeiro lugar, tal poder não diz de uma capacidade especial para pisar em animais peçonhentos que há na natureza, ou seja, Jesus não autorizou os seus seguidores a pisarem deliberadamente qualquer animal peçonhento. Tal atitude é tentar a Deus.

Qualquer que usar o texto: “Eis que vos dou poder…” para afirmar que foi dado poder aos seguidores de Cristo para submeter animais peçonhentos, cumpre o mesmo papel de Satanás quando tentou o Senhor Jesus utilizando as Escrituras fora do seu contexto “E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” ( Mt 4:6 -7).

Ao ler este verso, muitos cristãos entendem que Cristo estava lhes outorgando autoridade para sobrepujar os demônios, e outros, que Jesus concedeu poderes inimagináveis aos seus discípulos para efetuar toda sorte de sinais miraculosos.

Mas então o que Jesus concedeu aos seus seguidores?  Eles foram capacitados a pisar toda sorte de animais peçonhentos? Em função desta benesse os cristãos possuem poderes especiais de modo que nada pode lhe causar dano físico?

Para responder tais questões, temos que reler o evento em que Jesus enviou seus setenta discípulos às cidades que ficavam aos arredores de Jerusalém.

Antes de enviar os setenta discípulos às cidades nos arredores de Jerusalém para evangelizá-las, Jesus fez um lamento sobre as cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, e apresentou alguns parâmetros que nos possibilita dimensionar a incredulidade dos habitantes daquelas cidades judaicas.

Jesus demonstra que os milagres que foram realizados por Ele em Corazim eram mais que suficientes para mudar a concepção dos habitantes das cidades gentílicas de Tiro e Sidom.  Se os habitantes de Tiro e Sidom tivessem visto os milagres de Jesus, se humilhariam e mudariam a concepção deles (arrependimento).

Ao enviar seus discípulos, Jesus conscientiza-os de que não havia diferença alguma entre Ele e os seus discípulos com relação à missão que passariam a desempenhar. Caso os habitantes das cidades ouvissem os discípulos de Jesus, estariam ouvindo as palavras de Cristo. De igual modo, caso rejeitassem os discípulos por causa da missão evangelística, estariam rejeitando a mensagem e a pessoa de Cristo ( Lc 10:16 ). E, quem rejeita a Cristo, rejeita igualmente ao Pai.

O evangelista Lucas, no verso 17, do capítulo 10, narra qual foi o comportamento dos discípulos após percorrem as cidades evangelizando: “E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam” ( Lc 10:17 ).

Foi quando Jesus disse em tom de aviso: “Eu via Satanás, como raio, cair dos céus” ( Lc 10:18 ). Ora, Satanás caiu por se envaidecer pela missão que lhe foi outorgada (querubim da guarda ungido), e deixou de considerar que a glória pertence a quem O comissionou.

Os discípulos corriam o risco de se envaidecerem em função de os demônios submeterem a eles, e logo foram advertidos. O apóstolo Paulo também alerta quanto a este risco: “Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo” ( 1Tm 3:6 ).

Daí o alerta: “Eis que vos dou poder…” (v. 19). Naquele momento Jesus não estava concedendo ‘poder’, antes estava alertando que era Ele quem outorgava poder. Esta era a promessa de Jesus: “Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” ( Jo 14:14 ). Tudo que o cristão pede é realizado por Cristo com o objetivo de que o Pai seja glorificado no Filho. Observe que é Cristo quem realiza tudo o que o crente pede, e não que tudo o que o crente pede será atendido.

O motivo da alegria deve centrar-se em Cristo, pois Ele é o poder. A consciência do cristão deve repousar na seguinte premissa: “Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres” ( Sl 126:3 ).

Alegrar-se em Cristo é força, poder, salvação, por outro lado, alegrar-se porque os demônios se submetem, há risco. Por quê? Porque Satanás é enganador e estrategista. Satanás pode fingir submeter-se aos homens com o objetivo de conduzi-lo ao erro, ao engano.

A estratégia do diabo pode ser analisada logo no inicio do ministério de Jesus. Quando Jesus chegava a certas cidades, pessoas possessas confessavam: – Bem sei quem és: o Santo de Deus “E também de muitos saíam demônios, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele, repreendendo-os, não os deixava falar, pois sabiam que ele era o Cristo” ( Lc 4:41 ; Mc 1:24 ).

Um incauto tomaria por base tal confissão para alavancar o seu ministério. Não é isto que muitos líderes religiosos fazem em nossos dias? Diante das multidões invocam testemunho dos demônios, que dizem: – Este é homem de Deus! – Está é uma igreja de Deus! E após tais manifestações, os demônios submetem-se ao orador. Seria este o testemunho que um servo de Deus deve acatar?

O primeiro a ser enganado com tal estratégia é o líder religioso, que vem a acreditar piamente que é um homem cheio de poder e que as suas realizações ‘miraculosas’ demonstram que é agradável a Deus. Em segundo lugar, os seus seguidores, que são induzidos a acreditar que expulsar ou falar com demônios é ter poder.

O apóstolo Paulo, assim como Cristo, foi denunciado por um espírito imundo que estava sobre uma jovem advinha: “Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto ela fez por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu” ( At 16:17 -18). Caso o apóstolo Paulo fizesse uso de tais declarações para balizar o seu ministério, grande seria a ruína.

Geralmente as pessoas relacionam esta passagem “Eis que vos dou poder…”, só com a virtude de operar sinais, prodígios e maravilhas, porém, antes de Jesus dizer tais palavras, já no verso 9, antes dos setenta saírem a campo, Jesus ordenou que os setenta curassem os enfermos que houvesse nas cidades e anunciassem a chegada do reino dos céus “E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus” ( Lc 10:19 ).

Ora, se os discípulos foram orientados a curarem os enfermos antes de partirem na missão evangelística, segue-se que o que é concedido no verso 19 não só diz da ‘virtude’ de operar milagres e maravilhas, pois quando foram comissionados, já estavam de posse de tal ‘virtude’.

De igual modo, o revestimento de poder concedido no dia de pentecostes não se refere à operação de sinais e prodígios, pois muito antes, Jesus já havia dado poder aos seus discípulos para, ao entrarem nas cidades, e curassem os enfermos e anunciasse a Cristo.

Esta passagem bíblia aponta uma tendência natural do homem em atribuir ênfase maior aos sinais, deixando em segundo plano a mensagem de salvação, que é a obra realizada pelo Pai ( Jo 14:10 ). Supervalorizam os sinais e esquecem que só há festa no céu quando o pecador se arrepende ( Lc 15:10 ).

Leia atentamente estes versos: “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras. Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” ( Jo 14:10 -12 ).

As palavras de Cristo era o mandamento do Pai. Na antiguidade era consenso: ‘só há obra quando há mando de um lado, e obediência do outro”, um senhor determinava, e o servo realizava a obra, porém, a obra não pertencia ao servo, e sim, ao senhor que determinou.

Por que é o Pai que faz a obra? Porque o mandamento é d’Ele! Como o mandamento de Cristo era o mandamento do Pai, ambos, Pai e Filho estavam unidos. Daí vem o ponto chave: aquele que crê em Cristo também faz as obras que Cristo fez, e faz maiores que aquelas que os discípulos estavam vendo.

Que obras seriam estas? A mesma que o Pai fazia juntamente com o Filho: “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). Observe que a essência da obra não está em realizar ações miraculosas, antes em que as pessoas creiam que Cristo é o Filho de Deus.

O poder que lhes fora concedido era para suplantar toda a força do inimigo. E que força maligna é esta? As serpentes e os escorpiões que propagam a doutrina de engano. O poder que há no evangelho serve de armadura para que o cristão possa combater nas regiões celestiais as hostes da maldade. Somente revestido de toda a armadura de Deus é possível resistir ao diabo.

Ora, quando a bíblia diz para resistirmos ao diabo, diz para resistirmos aos ensinamentos dos seus adeptos, homens réprobos quando ao conhecimento da verdade “Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo” ( Jo 6:70 ), diz dos filhos do diabo, homens que procuram desviar da fé os que creem “Disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?” ( At 13:10 ).

Quando o discípulo Pedro aconselha Jesus a ter pena de si mesmo, Jesus disse: “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” ( Mt 16:23 ), de modo que qualquer que não compreende as coisas de Deus e se propõe a aconselhar ou a ensinar, é comparável a um diabo.

É dado aos cristãos ‘poder’ para suplantar todos aqueles que destilam veneno com as suas línguas, de modo que nada proveniente deles causará dano aos servos de Deus. Tendo por escudo a palavra da fé, nenhum dardo do inimigo atingirá o crente revestido da armadura de Deus, fortalecido na força do seu poder “Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno” ( Ef 6:16 ).

O poder contido no evangelho torna o cristão poderoso para admoestar e convencer os contradizentes “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância” ( Tt 1:9 -11).

Operar sinais, prodígios e maravilhas não é o mesmo que pisar serpentes e escorpiões. Curar aleijados, cegos, etc., não é o mesmo que pisar serpentes e escorpiões. Jesus veio desfazer as obras do diabo, de modo que o poder que é dado refere-se a transportar os homens das trevas para o reino da luz.

Anunciar o Cristo é o poder concedido aos que creem “E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus” ( Lc 10:19 ). É poder que promove as obras que Jesus fez “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” ( Jo 14:12 ).

Sabendo que a obra que Jesus veio realizar é: “A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ), no evangelho há poder para salvar o mundo todo. Os homens nascidos de novo são obras de Deus “Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo” ( Rm 14:20 ).

A igreja de Cristo também possui autoridade para curar e realizar milagres ( Mc 16:15-20), mas este não é o mote do evangelho. A proposta do evangelho é mais abrangente, pois por Cristo é possível o crente ‘vencer reinos, praticar a justiça, alcançar as promessas, fechar as bocas dos leões, apagar a força do fogo, escapar do fio da espada, da fraqueza tirar forças, na batalha se esforçar, por em fuga os exércitos dos estranhos e receber pela ressurreição os seus mortos’, porém, o mesmo Cristo torna possível ser torturado, não aceitar o seu livramento para alcançar uma melhor ressurreição, experimentar escárnios e açoites, e até cadeias e prisões, ser apedrejado, serrado, tentado, mortos ao fio da espada, andar vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparado, aflito e maltratado ( Hb 11:33 – 40).

É dado aos que creem poder de serem livres da peçonha de uma serpente, mas também é dado poder para suportar afrontas e açoites, e passar uma vida na prisão por causa da verdade do evangelho, como foi o caso do apóstolo Paulo.

Certamente Cristo estabeleceu que os seus servos realizarão maiores obras, trabalhos, ações, atos, pois a ceara é grande, e há poucos ceifeiros. Quem opera sinais e maravilhas está inclusos nesta obra, porém, não é este o objetivo do evangelho. Não é esta a bem-aventurança! ( Jo 20:29 )

Qualquer que ouve uma mensagem ou vê um milagre, deve ter o cuidado de primeiro provar o ‘espírito’, pois fenômenos “extraordinários”, muitas vezes, não são passíveis de análise, mas a mensagem sempre é passível de análise àqueles que tem o Espírito de Deus ( Dt 13:1-4 ; 2Ts 2:9 ; Mt 7:21 -23).

Um cristão deve estar cônscio de que os falsos profetas operarão sinais de mentira “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira” ( 2Ts 2:9 ). Um cristão jamais deve esquecer que os falsos profetas tem aparência de ovelha, e que só os seus frutos possibilita identificá-los ( Mt 7:20 ). E quais são os frutos? O espírito, a mensagem que professam.

O cristão não deve ficar maravilhado, extasiado, perplexo frente a um milagre. Um cristão tem o discernimento que sinais são para os incrédulos, enquanto que a palavra, a profecia, o espírito, o poder de Deus é para os fiéis “De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis” ( 1Co 14:22 ).

Quem se maravilhava diante de um sinal são os infiéis, e isso ao longo dos tempos não muda. Mas, os que creem, tem o mesmo discernimento que o apóstolo Pedro: sempre apresentará ao povo o Cristo crucificado, e não os milagres “E quando Pedro viu isto, disse ao povo: Homens israelitas, por que vos maravilhais disto? Ou, por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem? O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes, tendo ele determinado que fosse solto” ( At 3:12 -13).

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Isaías 58 – O jejum e o sábado verdadeiro

O apóstolo Paulo viu algumas pessoas cumprindo essas proibições que se baseiam em não toques, não proves e não manuseies sendo empregas como meio de se achegar a Deus e avisou que tais práticas eram princípios próprios ao mundo, preceitos de homem, visto que consistia somente em aparência de sabedoria, culto voluntário, humildade fingida, severidade com o corpo, mas não tinha valor algum para extirpar a natureza pecaminosa herdada de Adão ( Cl 2:20 -23).


 

O jejum e o sábado verdadeiro

por

Claudio F. Crispim

SMASHWORDS EDITION

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PUBLISHED BY:

Claudio F. Crispim on Smashwords

O jejum e o sábado verdadeiro

Copyright © 2010 by Claudio F. Crispim

 

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Esta obra constitui-se um comentário ao capítulo 58 do Livro do profeta Isaias, e aborda dois temas que merecem a consideração de qualquer estudante aplicado das Escrituras: o jejum e o sábado.

Pela abundancia de informações que contém, a presente obra pode ser considerada de importância impar aos cristãos, pois visa conscientizá-los a deixar para trás tudo o que é pertinente a ‘sombra dos bens futuros’, pois os sacrifícios que continuamente se ofereciam segundo a compreensão distorcida que os judeus possuíam da lei, jamais podem aperfeiçoar os que cultuam a Deus.

Que todos os cristãos possam prosseguir em conhecer o Senhor, pois Ele é a realidade dos bem futuros, e somente por intermédio d’Ele é possível ao homem oferecer em sacrifício o fruto dos lábios.

Claudio Crispim

Articulista do Portal Estudo Bíblico

 

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DEDICATÓRIA

À minha esposa Jussara Crispim, companheira fiel e amiga em todos os momentos, e o seu valor excede ao de muitos rubis.

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O JEJUM E O SÁBADO VERDADEIRO

 

Introdução

“E isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e nenhum trabalho fareis nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós” ( Lv 16:29 ).

Há uma determinação divina ao povo de Israel que se refere às práticas que denominamos jejum: um dia pré-determinado para que o povo afligisse (jejum) as suas almas e não podiam exercer nenhum ofício (trabalho).

Deus instituiu que o povo de Israel jejuaria (afligiria as suas almas) no dia dez do sétimo mês, e que este dia também deveria ser um dia reservado para descanso ( Lv 16:31 ; Nm 29:7 ).

Mas, como jejuar, ou melhor, como afligir a alma? Qual o verdadeiro jejum?

O povo de Israel sempre buscou cumprir a determinação divina, porém, juntamente com os seus interpretes entenderam que, para afligir a alma (jejuar) bastava ficar cabisbaixo, com o semblante triste, sem comer, sem beber, sem lavar o rosto, sem utilizar perfumes, utilizando sacos em lugar de vestes, e até mesmo deitar cinzas sobre a cabeça.

Por entenderem que Deus se agradava de quem afligia o corpo, as práticas acima elencadas tornaram-se freqüentes. Dentre elas, a abstinência de alimentos tornou-se uma das práticas mais utilizadas como meio de se achegar a Deus.

O apóstolo Paulo viu algumas pessoas cumprindo essas proibições que se baseiam em não toques, não proves e não manuseies sendo empregas como meio de se achegar a Deus e avisou que tais práticas eram princípios próprios ao mundo, preceitos de homem, visto que consistia somente em aparência de sabedoria, culto voluntário, humildade fingida, severidade com o corpo, mas não tinha valor algum para extirpar a natureza pecaminosa herdada de Adão ( Cl 2:20 -23).

A análise do capítulo 58 de Isaias esclarece qual é o verdadeiro jejum estabelecido e porque o jejum praticado pelo povo de Israel não era aceito por Deus.

 

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O pecado de Israel

 

“Clama em alta voz, não te detenhas, levanta a tua voz como a trombeta e anuncia ao meu povo a sua transgressão, e à casa de Jacó os seus pecados” ( Is 58:1 ).

O profeta Isaias foi comissionado por Deus a anunciar e demonstrar qual era a transgressão de Israel.

Isaias precisava anunciar em alta voz, a plenos pulmões, ou seja, como uma trombeta, quais eram os pecados da casa de Jacó. Os pecados de Israel precisavam ser anunciados como que por uma trombeta, pois apesar de escutarem não davam ouvidos.

Neste verso há um trocadilho aos moldes do verso 1 do capítulo 48 de Isaias: “Ouvi isto, casa de Jacó, que vos chamais do nome de Israel, e saístes das águas de Judá, que jurais pelo nome do SENHOR, e fazeis menção do Deus de Israel, mas não em verdade nem em justiça” ( Is 48:1 ).

O significado do nome Jacó é ‘suplantador’, porém, foi tido por ‘enganador’ pelo seu irmão Esaú ( Gn 27:36 ), ou seja, o povo se autonomeava o Israel de Deus, mas não passavam de casa do ‘engano’, isto porque faziam ‘…menção do nome do Deus de Israel, mas não em verdade nem em justiça’ ( Is 48:1 ).

Qual a transgressão do povo de Israel? Qual o pecado dos filhos de Jacó?

O pecado do povo de Israel decorre do pecado de Adão, o primeiro pai da humanidade, e os interpretes de Israel não compreenderam esta verdade “… porque eu sabia que procederias muito perfidamente, e que eras chamado transgressor desde o ventre” ( Is 48:8 compare com Sl 58:3 ).

Por serem descendentes da carne de Abraão, o povo de Israel entendia que eram filhos de Deus e, que, portanto, estavam livres da condenação de Adão “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ).

Não atinaram que todos os homens, inclusive os filhos de Jacó, desviaram-se e juntamente se fizeram imundos por causa da transgressão de Adão “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:3 ).

Para se livrar do pecado de Adão não basta ao homem ser descendente da carne de Abraão, antes é necessário ter a mesma fé que o crente Abraão para alcançar a justificação divina “Nem por serem descendência de Abraão são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência” ( Rm 9:7- 8).

A tarefa do profeta Isaias foi semelhante à de João Batista, uma vez que ambos precisavam dissuadir o seu povo de presumir por si mesmo que era salvo por ser descendente de Abraão “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 ).

 

* * * * *

Coração distante

 

“Todavia me procuram cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos, como um povo que pratica justiça, e não deixa o direito do seu Deus; perguntam-me pelos direitos da justiça, e têm prazer em se chegarem a Deus” ( Is 58:2 ).

Apesar da necessidade de se apontar o pecado do povo de Israel, Deus chama a atenção do profeta para uma questão importante “Todavia…” (v. 2).

Apesar de continuarem sendo transgressores, todos os dias, os filhos de Jacó (filhos da desobediência, filhos da ira, ou filho do enganador) pareciam procurar a Deus. Apesar de serem pecadores, os filhos de Jacó pareciam sentir prazer em perscrutar qual seria o caminho do Senhor ( Is 48:1 ).

É de se estranhar, mas apesar de Deus anunciar os pecados dos filhos de Jacó, eles se portavam ‘como’ se praticassem a justiça exigida por Deus. Portavam-se ‘como’ se praticassem a lei de Deus, porém, eram pecadores e transgressores!

O povo de Israel se ocupava em perguntar pelas questões pertinentes à lei e demonstrava estar feliz por ir ao templo como se estivesse em plena comunhão com Deus. Eles possuíam zelo de Deus, porém, como disse o apóstolo Paulo, sem entendimento ( Rm 10:2 ).

Honravam a Deus somente com a boca, obedeciam somente aos homens, no entanto, permaneciam longe de Deus “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” ( Is 29:13 ).

 

* * * * *

Por que não responde?

 

“Dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas, e tu não o sabes? Eis que no dia em que jejuais achais o vosso próprio contentamento, e requereis todo o vosso trabalho.

Quando questionavam por que Deus não atentava para eles quando afligiam as suas almas (jejuavam), isto demonstra que buscavam saber os caminhos de Deus “Todavia me procuram cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos, como um povo que pratica justiça (…) Dizendo: Por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos as nossas almas, e tu não o sabes?” (v. 2 -3)

Pelo fato de:

a)  Entenderem que procuravam a Deus continuamente;

b) Entenderem que tinham prazer em saber os caminhos de Deus;

c)  Por portarem-se como um povo que praticava a justiça;

d) Por não deixarem o direito (lei) de Deus;

e)  Por quererem saber pelos direitos da justiça, e;

f)  Por entenderem que tinham prazer em se achegarem a Deus.

O povo de Israel ficava apreensivo e questionavam porque Deus não os atendia. As perguntas deste verso surgiram porque o povo de Israel entendia que era fiel a Deus em tudo que foi prescrito na lei, mas que Deus não os atendia por capricho.

Estas eram as perguntas formuladas pelo povo:

a)  Por que Deus não atendia o jejum que faziam? e;

b) Por que Deus parecia desconhecer que jejuavam?

 

* * * * *

Não jejuem como hoje

 

“Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto” ( Is 58:4 ).

Esta é a resposta de Deus às perguntas formuladas pelo povo de Israel: “Eis que no dia em que jejuais achais o vosso próprio contentamento ( Mt 6:16 ), e requereis todo o vosso trabalho. Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto” (v. 3 e 4).

Por se absterem de comer, de beber, de trabalhar, etc., o povo de Israel entendiam que estavam realizando uma obra que Deus lhes havia comissionado, porém, tal obra pertencia somente a eles (vosso trabalho). Por jejuarem, entendiam que Deus lhes devia alguma coisas (v. 3).

Deus observa que eles jejuavam para satisfazer uma disposição interna que lhes era próprio: a voluntariedade, porém buscavam cumprir a lei segundo um entendimento carnal (buscavam um contentamento próprio), e queriam que Deus lhes retribuísse pelos jejuns realizados “As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” ( Cl 2:23 ).

Além do mais, eles jejuavam para contenderem entre si, com o fito de dar sustentação aos seus argumentos quando em debates, e com tais práticas obtinham armas com que ‘ferirem’ o próximo e ganhar a discussão, porém, Deus os alerta para que não procedessem desta forma.

Não deviam jejuar somente para tornar público a sua religiosidade, como continuaram fazendo os escribas e os fariseus à época de Cristo.

 

* * * * *

O jejum escolhido

 5  “Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao SENHOR?” ( Is 58:5 ).

Neste verso Deus questiona seus interlocutores acerca do jejum que ‘praticavam’ “Seria este o jejum que eu escolheria..?” (v. 5).

Deus demonstra através de perguntas que o jejum que ordenou ao seu povo não consistia em ficarem contristados e cabisbaixos. Jejuar não consistia em não utilizar perfumes, em não lavar o rosto, ou cobrir-se com saco e deitar-se sobre cinzas. Rasgar as vestimentas não era jejum e nem significava que o homem tinha se tornado agradável a Deus ( Jr 14:10 ). Tais práticas não promovem a aflição na alma que é exigida por Deus ( Lv 29:7 ).

O Senhor rejeitou os jejuns do povo de Israel, pois eles eram de duras servis, ou seja, eram insubordinados, gostavam de andar errantes, pois seguiam seus próprios pensamentos, e não a lei de Deus “Assim diz o SENHOR, acerca deste povo: Pois que tanto gostaram de andar errantes, e não retiveram os seus pés, por isso o SENHOR não se agrada deles, mas agora se lembrará da iniqüidade deles, e visitará os seus pecados. Disse-me mais o SENHOR: Não rogues por este povo para seu bem. Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando oferecerem holocaustos e ofertas de alimentos, não me agradarei deles; antes eu os consumirei pela espada, e pela fome e pela peste” ( Jr 14:10 -12).

Observe que o profeta Jeremias também apregoou que o povo de Israel era iníquo. Por quê? Porque eram de ‘dura servis’, ou seja, não obedeciam ao Senhor, não deixavam ser guiados pelo Senhor ( Is 66:3 ).

Deus não se agradava dos filhos de Jacó e haveria de puni-los. Por quê? Por que ‘gostavam’ de andar errantes, ou seja, continuavam errantes uma vez que se extraviaram em Adão e permaneciam escolhendo os seus próprios caminhos ( Sl 53:3 ).

Desde a concepção se desviaram, e não retiraram os seus pés do caminho largo de perdição, e por isso, Deus não se agradava deles ( Sl 58:3 ). Eles não eram filhos de Abraão, ou seja, filhos de Deus, pois ainda permaneciam sendo filhos do primeiro pai da humanidade, Adão “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ).

Através deste verso fica claro que Deus não se agradava do que entendiam ser um jejum agradável a Deus. Deus aponta para o jejum que realizavam, e recrimina todos os filhos de Jacó, dizendo: “Seria este o jejum que Eu escolheria…?”. A resposta é: Não! (v. 5).

 

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Ligaduras da impiedade

 

“Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?” ( Is 58:6 ).

Neste verso Deus apresenta o jejum que havia estipulado para o seu povo, e que haviam distorcido. Somente do modo descrito neste verso verdadeiramente afligiriam a alma! Somente deste modo ‘afligiriam’ a alma a ponto de serem vivificados pelo Senhor ( Is 57:15 ).

O verdadeiro jejum (que Deus estipulou para o seu povo) consiste em ‘soltar as ligaduras da impiedade’, o mesmo que ‘desfazer as ataduras do jugo’, o mesmo que ‘libertar os oprimidos’, o mesmo que ‘soltar os presos de suas prisões’ (v. 6).

O que seria as ‘ligaduras da impiedade’? À época do profeta Isaias havia muitos doentes que necessitavam que as suas feridas fossem tratadas. Seria esta a recomendação divina? Que o povo de Israel fosse caridoso e tratasse dos ferimentos dos necessitados? Deus estava estabelecendo uma sociedade mais justa e igualitária? Não!

Observe que a ligadura que se devia soltar é específica: a ligadura da ‘impiedade’. Todos em Israel deviam livrar-se deste ‘trapo’ de imundície posto sobre as chagas do pecado. Precisavam livrar-se dos curativos que cobriam as chagas do pecado, pois as chagas os tornavam imundos diante de Deus.

Qual é a ‘atadura do jugo’, ou ‘atadura da servidão’? De que jugo Deus estava protestando? Do jugo do pecado, da servidão ao pecado, conforme o exposto no verso 1. A ‘atadura’ diz do domínio que o pecado exerce sobre os filhos de Jacó e sobre todos os homens que não crêem em Deus.

É certo que à época de Isaias havia escravos que serviam aos seus senhores em Israel. Seria o caso de Deus estar requerendo dos israelitas que tratassem melhor os seus servos, ou que fossem mais humanitários com aqueles que estavam presos em masmorras? Não!

Ao ler este verso, não se deve ignorar que os termos: jugo e ligadura estão relacionados com a palavra ‘impiedade’, ou seja, de acordo com as escrituras, ímpio é aquele que está distante de Deus.

Como podiam jejuar segundo a palavra do Senhor se o povo de Israel permanecia preso ao pecado e sobrecarregado de iniqüidades? Como soltar as ligaduras da impiedade se o povo de Israel permanecia sendo transgressores diante de Deus?

Como soltar as ligaduras da impiedade? Como desfazer as ataduras do pecado? Como deixar os oprimidos (quebrantados) livres? Como ‘jejuar’ segundo o jejum estipulado pelo Senhor?

Soltar as ligaduras da ‘impiedade’ é algo possível somente a Deus ( Jr 2:20 ). Tornar os oprimidos livres não é obra de homens, é obra de Deus “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ). As ataduras do jugo do pecado somente Deus pode removê-las “Ó SENHOR, deveras sou teu servo; sou teu servo, filho da tua serva; soltaste as minhas ataduras” ( Sl 116:16 compare com v. 6).

Por que o verdadeiro jejum refere-se a algo que somente Deus pode realizar? Por que Deus determinou ao povo que afligisse a alma?

Ora, Deus estabeleceu o afligir da alma como estatuto para que o povo de Israel compreendesse que necessitavam confiar n’Ele. O afligir da alma exigido no dia dez do sétimo mês era para demonstrar que, mesmo após terem sido resgatados do Egito, ainda continuavam presos ao pecado.

Eles precisavam compreender que quando foram resgatados do Egito somente ocorreu uma libertação nacional, o que não poderia ser confundido com libertação do pecado.

Observe que Deus deixou o povo de Israel vagando pelo deserto, até mesmo deixou o povo ter fome, e depois o alimentou com o pão dos anjos, para dar-lhes a entender que não é de pão que o homem adquire vida, antes das palavras provenientes da boca de Deus “E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” ( Dt 8:3 ).

Isto quer dizer que, mesmo após terem sido resgatados do Egito os filhos de Jacó ainda permaneciam mortos em delitos e pecados, e que necessitavam da palavra de Deus para adquirirem vida “Entre os quais todos nós (Judeus e gentios) também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” ( Ef 2:3 ); “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” ( Ef 2:1 ); “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” ( 2Co 5:19 ).

Quando estavam sendo resgatados do Egito, Deus instituiu ao povo de Israel que deveriam comer ‘ervas amargas’ juntamente com o cordeiro sem mácula e mancha ( Ex 12:8 ).

E como deveriam comer o cordeiro juntamente com as ervas amargas? Com: “Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do SENHOR” ( Ex 12:11 ), o que se tornou um memorial da condição aflita que o povo estava antes de ser resgatado do Egito, e de como Deus trabalhou poderosamente para resgatá-los ( Ex 12:12 ; Ex 12:14 ).

Os filhos de Jacó estavam aflitos, cansados e sobrecarregados por causa da opressão do Egito, e Deus obrou poderosamente, provendo ao povo de Israel libertação das mãos dos egípcios.

Ao instituir que deviam afligir a alma, Deus estava dando a entender ao povo de Israel que só foram libertos da escravidão do Egito, porém, estavam sob a servidão do pecado.

E para serem livres do pecado precisavam confiar em Deus que haveria de libertá-los de modo semelhante quando estavam sob a servidão no Egito.

Do mesmo modo que as ervas amargas constituíram-se um tipo da aflição de quando o povo de Israel estava para ser resgatado do Egito, ao instituir o jejum, que é o afligir da alma (afligir a alma é figura do jugo da servidão), Deus estabeleceu elementos para dar a entender ao povo que permaneciam sob domínio do pecado e que necessitavam de Deus para resgatá-los.

As ‘ervas amargas’ foi Deus que instituiu, assim como o ‘afligir da alma’, dois tipos que representam a aflição física e espiritual do povo de Israel.

Ao instituir o jejum Deus estava demonstrando que os filhos de Jacó eram prisioneiros do pecado e que somente na presença do Senhor seriam purificados “Diante do Senhor sereis purificados… “ ( Lv 16:30 ), assim como o foi Abraão “… ande na minha presença, e sê perfeito” ( Gn 17:1 ; Dt 18:13 e Mt 5:48 ).

Para se tornarem filhos de Abraão o povo de Israel precisava da presença do Senhor, porém, entediam de modo equivocado que eram filhos por serem descendentes da carne de Abraão.

Mas, como o homem entra na presença do Senhor? Somente descansando na sua presença, ou seja, crendo na sua palavra “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” ( Sl 16:11).

Qualquer que ouve ‘toda a palavra de Deus’ Deus fará com que veja a vereda da vida ( Dt 8:3 compare com Sl 16:11 ). Na presença do Senhor há fartura de alegria, pois todos que entram na sua presença são bem-aventurados como o crente Abraão ( Dt 18:13 ). Cristo está à mão direita do Pai, sendo Ele o pão que da vida perpétua.

Ao instituir o jejum Deus estava dando a entender que somente Ele pode fazer justiça e juízo aos oprimidos. O salmista Davi compreendia o que era afligir a alma quando disse: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” ( Sl 51:17 ).

Somente Deus pode dar pão aos famintos e liberdade aos encarcerados, ou seja, aos verdadeiramente aflitos, aos contritos de espírito “Ó SENHOR, deveras sou teu servo; sou teu servo, filho da tua serva; soltaste as minhas ataduras” ( Sl 116:16 ; Sl 103:6 ; Sl 146:7 ; Is 57:15 ).

Com Deus instituiu que o homem deveria afligir a sua alma, Jesus faz um convite aos cansados e oprimidos, ou seja, aos que jejuavam verdadeiramente “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ). Somente os que afligem a alma segundo o exigido por Deus (v. 6), têm um encontro com Cristo, que alivia os cansados e sobrecarregados.

Quando se desfizessem das ligaduras da impiedade os filhos de Israel teriam jejuando de fato. Quando se desfizessem das ataduras do jugo do pecado, verdadeiramente teriam afligido a alma.

‘Ligadura’ é o mesmo que ligamento, atadura. ‘Atadura’, por sua vez, é o que serve para atar, amarrar (laço, correia etc.), que também pode ser uma tira comprida de gaze própria para curativos. Para compreender quando Deus diz que o jejum verdadeiro é soltar as ‘ligaduras da impiedade’, é necessário visualizar o pecado como uma chaga maligna.

Na antiguidade, por falta de remédios que curasse os enfermos de chaga maligna acabavam tornando-se verdadeiros escravos da doença, pois gastavam todo o fruto do trabalho com a doença. As ligaduras, espécie de atadura, utilizada para cobrir as chagas não resolvia o problema do enfermo.

O pecado é uma chaga e todas as ações dos homens para se livrar dele não passa de uma ligadura, um curativo feito com trapo de imundície “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?” ( v. 6).

Sem soltar as ligaduras da impiedade é impossível oferecer sacrifício ao Senhor, pois o sacrifício dos ímpios é abominação “O sacrifício dos ímpios já é abominação…” ( Pr 21:27 ).

Mas, o afligir da alma (jejum) não termina quando se está livre do pecado, mas também que se dê (reparta) aos famintos o pão que os torna livres “Porventura não é também…” (v. 7). Somente quando se reparte o pão enviado dos céus (evangelho) com os famintos é que o cristão cumpre o prescrito pelo apóstolo Paulo: “Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram” ( Rm 12:15 ).

 

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O Pão verdadeiro

 

“Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?” ( Is 58:7 ).

O verdadeiro jejum também é repartir o pão que possuíam com o faminto. Que pão? Quem são os famintos?

Deus estava promovendo um movimento de resgate social? Deus estava instituindo um programa de distribuição de pão para os famintos em Israel? Buscava-se uma sociedade igualitária com uma melhor distribuição de renda?

Não! Este não é o verdadeiro jejum, pois o alerta de Deus é: “… o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” ( Dt 8:3 ). Como só é possível ao homem viver da palavra de Deus, o verso em tela não trata de questões sociais e econômicas.

“… e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?” (v. 7). O nu é alguém sem as vestimentas? Quando o povo de Israel se depararia com alguém nu? Como cobrir a nudez de quem vissem nu? Como vestir o nu sem se contaminar, ou seja, ficar imundo?

Ora, os versos 6 e 7 contém enigmas que não abarcam questões sociais ou econômicas. O pão que Deus requer que o povo de Israel repartisse com o faminto refere-se à palavra de Deus.

Aquele que ainda não se cobriu com a justiça proveniente de Deus é o nu que necessita de vestimenta. O faminto é aquele que não bebeu vinho e leite, ou seja, não saciou a fome com o que é bom, ou seja, com a palavra da vida. O oprimido é aquele que reconhece que não há como se salvar com seus próprios recursos (dinheiro) ( Is 55:1 ; Sl 49:7 -8 ).

Deus utiliza as questões referentes ao jejum que o povo utilizava em seus debates (v. 4), para demonstrar que o povo de Israel estava equivocado quanto ao modo de se achegar a Deus. O jejum foi utilizado como figura para demonstrar como o povo de Israel permanecia em pecado, pois nem mesmo compreendiam qual a natureza do jejum, que dirá compreender o caminho do Senhor.

Analisando a palavra do Senhor expressa nos versos 1 e 2, é certo que o povo de Israel eram transgressores, ou seja, pecadores. Apesar de irem continuamente ao templo, de demonstrar que tinham prazer no caminho do Senhor, como se efetivamente praticassem a justiça, permaneciam pecadores ( Is 1:1 -4).

Desde o capítulo 1 de Isaias a nação de Israel é descrita como sendo ‘… pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao SENHOR, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás’ ( Is 1:4 ).

Eles eram pecadores porque não deram ouvidos a palavra de Deus ( Is 1:10 ). Os sacrifícios que ofereciam não eram aceitos por Deus ( Is 1:11 ). Deus não havia exigido que fossem ao templo, porém, compareciam sempre, mas não ouviam a palavra do Senhor ( Is 1:12 ).

Deus ordenou ao povo que se lavasse, que se purificasse, porém, como seriam purificados se não davam ouvidos a palavra do Senhor? ( Is 1:16 ; Jo 15:3 ) Cumpriam inúmeros rituais, porém, não ouviam a palavra de Deus, que é vida.

Neste capítulo Deus expõe a condição do povo de Israel: eram pecadores. Ao mesmo tempo demonstrou que o povo sempre ia ao templo na intenção de se tornar agradável a Deus, porém, não ouvia a sua palavra.

Ao mesmo tempo em que rejeitava a palavra de Deus, o povo de Israel questionava porque jejuava e não era atendido. Daí é que surge a resposta divina: é este o jejum que Eu escolhi?

Qual o verdadeiro jejum? Para descobrir qual é o verdadeiro jejum, temos que fazer o mesmo exercício que fizeram os discípulos quando ouviram Jesus falar acerca do fermento dos fariseus “Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus? Então compreenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus” ( Mt 16:11 ).

Do mesmo modo, quando ouvimos acerca do jejum, devemos compreender que Deus não estava orientado o seu povo a abstinência de alimento, contristados, cabisbaixos e deitados em cinzas.

O verdadeiro jejum é abstinência dos seus próprios conceitos acerca de como servir a Deus. É abster-se do fermento (doutrina) que tornava levedado o pão oferecido pelos fariseus.

O povo de Israel deveria alimentar-se única e exclusivamente da palavra anunciada por Deus “E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem” ( Dt 8:3 ).

 

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Luz como a alva

 

“Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda” ( Is 58:8 ).

Quando soltassem as ligaduras da impiedade deixando o jugo do pecado através da palavra de Deus, a luz deles haveria de surgir como surge a luz do sol. Haveriam de ser curados de todas as suas feridas, viveriam sem ataduras ( Is 1:6 ).

Este verso demonstra que a luz que romperá é comparável a alva. A cura seria repentina. Deus haveria de justificá-los, e seriam protegidos pelo Senhor.

O Senhor é a nossa justiça, e Ele garante que haveria de ir à frente deles. Caso não mais estivessem sob o jugo do pecado, o Senhor haveria de ser a sua retaguarda.

 

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Eis-me aqui!

 

“Então clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente” ( is 58:9 ).

Eles reclamavam que jejuavam e não eram atendidos, mas o Senhor garante que, caso jejuassem o jejum estipulado por Ele, quando clamassem haveriam de ser respondidos. Em momento de desespero Deus lhes diria: Eis-me aqui!

Ou seja, a promessa do Senhor haveria de ser cumprida se realmente ‘afligissem a alma’ do seguinte modo: “Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente” (v. 9). Este é o verdadeiro jejum.

O Senhor condiciona a sua resposta ao jejum do povo.

‘O jugo’ refere-se ao ‘domínio’ do pecado. Para tirar o jugo do pecado basta dar ouvidos à palavra de Deus que o homem passará da morte para a vida ( Is 55:3 ).

O ‘estender o dedo’ refere-se ao fato de apontarem somente os outros como sendo pecadores ( Is 65:5 ). Falar iniquamente é divulgar uma doutrina que não é conforme as palavras de Deus, é o mesmo que prevaricar na atribuição de interpretar a palavra de Deus, como os fariseus faziam.

O salmista Davi denunciou que os ímpios estão alienados de Deus desde a madre, ou seja, são concebidos em pecado. Por causa desta ‘alienação’ andam errantes e tudo que anunciam não corresponde à verdade “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” ( Sl 58:3 ).

 

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Abrindo a alma

 

10  “E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia” ( Is 58:10 ).

O que foi estipulado no verso 7 é repetido neste verso, porém, lança luz ao que é necessário para alimentar o faminto: abrir a tua alma. Como se abre a alma? Abrindo a boca! Expondo a palavra do Senhor.

Quando se anuncia a palavra do Senhor, que livra o homem das ataduras do pecado, se esta ‘fartando’ a alma aflita, concedendo pão ao faminto.  É isto que Jesus fez, e espera que todos que o ouçam, façam: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ).

Observe que os saciados pelo Senhor podem ‘abrir a alma’ ao faminto para alimentá-los, e o faminto, ou a alma aflita refere-se àqueles que afligem a alma (jejuam), que desejam a palavra da verdade conforme Deus ordenou “E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita…” (v. 10).

Para aqueles (aflitos) que tirarem o jugo do pecado Deus anuncia que das trevas nascerá luz, ou seja, sem Deus o homem é trevas, mas através da sua palavra, que é poder de Deus, será criado tudo novo: haverá luz! ( Ef 5:8 ; Is 55:3 )

Do mesmo modo que o poder criativo contido na palavra de Deus fez luz quando somente havia trevas no Gênesis ( Gn 1:2 ), a mesma palavra que foi encarnada e habitou entre os homens cria (Bara) a nova criatura trazendo muitos filhos à glória de Deus ( Hb 2:10 ).

Qualquer homem, antes de ter um encontro com Deus é treva, mas após crer, agora é luz, porque Deus fez tudo novo. Das trevas do velho homem, Deus faz através de Cristo o novo homem, que é luz no Senhor ( 2Co 5:17 ; Gl 6:15 ).

Todos que ouvem a palavra de Deus, se crer, terão a sua escuridão transformada por Deus como se fosse a luz do meio-dia. Das trevas surgirá a luz!

O homem gerado segundo o primeiro Adão é treva, vaso para desonra, entrou pela porta larga e segue por um caminho que o conduz à perdição. Após o novo nascimento, que se dá através do último Adão, que é Cristo, o novo homem é luz, vaso para honra, plantação do Senhor, árvore de justiça, entrou pela porta estreita e segue por um caminho que o conduz a Deus.

 

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Fonte de água viva

 

11  “E o SENHOR te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas nunca faltam” ( Is 58:11 ).

O verso 11 demonstra que, os que verdadeiramente afligem as suas almas (jejuam) serão bem-aventurados, conforme o exposto no salmo primeiro.

O Senhor os guiará as águas tranqüilas. Terá pastos verdejantes. O salmo 1 e 23 lançam luz (esclarece) a este verso.

Este mesmo aspecto é anunciado pelo profeta Jeremias: “Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto” ( Jr 17:8 ).

Bem-aventurados são aqueles que confiam em Deus ( Sl 2:12 ), ou seja, serão como árvores plantadas junto a ribeiros de águas, dará o seu fruto no seu tempo, as folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará ( Sl 1:3 ).

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Edificação do Senhor

 

12 .”E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e restaurador de veredas para morar” ( Is 58:12 ).

Qual a idéia contida na frase: ‘os que de ti procederem’? Ora, refere-se àqueles que foram gerados pelo Senhor, ou seja, que nasceram de novo por terem fartado a alma aflita na fonte que faz jorrar água para a vida eterna (v. 10).

Há os que procedem da carne e os que procedem do Espírito, assim como Jesus anunciou a Nicodemos ( Jo 3:6 ). Através da carne de Adão ‘procedem’ os carnais, e através do Espírito vivificante, que é Cristo, o último Adão, ‘procedem’ os homens espirituais ( 1Co 15:45 ).

Somente os que são gerados de Deus podem edificar as antigas ruínas. Que ruínas? O homem foi criado para que Deus habitasse neles, porém, com a queda de Adão, o homem tornou-se ruínas.

É Deus que ergue o seu santo templo de geração a geração. Os que procedem de Deus são constituídos pedras vivas, a ‘matéria prima’ empregada na casa espiritual edificada por Deus “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” ( 1Pe 2:5 ).

“E os que de ti procederem edificarão as antigas ruínas; e levantarás os fundamentos de geração em geração; e chamar-te-ão reparador das roturas, e restaurador de veredas para morar”

Por edificar as ‘antigas ruínas’ através daqueles que d’Ele procederem, Deus será nomeado como o ‘Reparados de roturas’, ou ‘Restaurador de veredas’, por torná-los local de sua habitação ( Is 57:15 ).

 

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O ‘descanso’ do Senhor

 

13  “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras” ( Is 58:13 ).

Deus protesta contra a atitude dos seus interlocutores: desprezavam o dia de descanso instituído para afligirem a alma “E isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e nenhum trabalho fareis nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós” ( Lv 16:29 ).

Devemos ter em mente dois tipos de dias de descanso:

a)  O descanso semanal, que se dava no sétimo dia da semana ( Mc 2:23 ; Mc 3:2 ), e;

b) O dia dez do sétimo mês, que poderia ser qualquer dia da semana, porém, seria um dia de descanso (sábado) do Senhor ( Lv 16:29 ; Nm 29:7 ).

Para os judeus qualquer dia da semana poderia um sábado desde que fosse um dia festivo instituído pelo Senhor. Qualquer dia da semana poderia ser sábado, ou véspera de sábado. Observe: “E, chegada a tarde, porquanto era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado” ( Mc 15:42 ).

O médico Lucas apresenta dois eventos que se dá em dias distintos, porém, ambos são nomeados sábados “E era o dia da preparação, e amanhecia o sábado. E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento” ( Lc 23:54 -56 ).

Com relação ao dia do descanso do sétimo dia da semana, Deus o instituiu como estatuto perpétuo ao povo de Israel com um objetivo bem definido:

a)  Seria um sinal entre Deus e o povo;

b) Deveriam lembrar e entender que somente Deus santifica, e;

c)  Memorial de que foram servos no Egito e que Deus os resgatou com mão poderosa ( Dt 5:15 ; Ex 31:13 ).

Por que precisavam deste sinal como memorial perpetuo? Porque apesar de terem sido resgatados da servidão no Egito, não significava que eram justos diante de Deus “Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o SENHOR teu Deus te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo obstinado” ( Dt 9:6 ).

Pelo fato de não terem sido resgatados do pecado, o santo dia deveria ser nomeado pelo povo de deleitoso e digno de honra. Por quê? Jesus responde: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” ( Mc 2:27 ), ou seja, o sábado foi instituído para que o homem possa compreender que só Deus pode libertá-lo das ligaduras do pecado.

Os escribas e fariseus entendiam que eram cumpridores do sábado e recriminaram a atitude de Cristo e dos seus discípulos “Os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito?” ( Mc 2:24 ).

Isto porque Jesus e os seus discípulos estavam caminhando e colhendo espigas de milho, e apesar dos escribas e fariseus dizerem que estavam descumprindo o sábado, Jesus demonstra que Ele e os discípulos não estavam descumprindo o sábado pelo fato de andarem e satisfazerem as suas necessidades pessoais ( Mc 2:25 -28).

Jesus demonstrou que o sábado não estava relacionado com o que o homem faz ou deixa de fazer, antes é um memorial daquilo que Deus pode fazer pelo homem “E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra” ( Mc 3:5 ).

Embora o povo de Israel fosse composto de homens ímpios ( Dt 9:6 ), Deus estabeleceu um memorial, o sétimo dia da semana como descanso, para lembrá-los que foram resgatados do Egito e que só Deus santifica ( Dt 5:15 ; Ex 31:13 ). Ou seja, o sábado foi instituído por causa do homem, para lembrá-lo que é Deus que santifica, e não suas próprias ações “… para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica” ( Ex 31:13 ).

Como o povo de Israel era de dura cerviz ( Dt 10:16 ), além de instituir os sábados ( Lv 23:3 ), a páscoa ( Lv 23:5 ), a festa dos pães asmos ( Lv 23:6 ), as primícias ( Lv 23:10 ), a festa dos pentecostes ( Lv 23:16 ), a festa das trombetas ( Lv 23:24 ), a festa dos tabernáculos ( Lv 23:34 ), todas instituídas sem revogar o descanso do sétimo dia ( Lv 23:38 ), foi instituído também o dia da expiação.

Dentre estas festas instituídas como santa convocação a única que não faz referência a idéia de festa é o dia da expiação, pois a santa convocação da expiação não era festiva, antes deveriam afligir a alma desde o dia nove à tarde, de uma tarde a outra tarde, no sétimo mês ( Lv 23:32 ). Seria um dia de descanso (sábado), porém, sem festividades, ou seja, deveriam afligir a alma.

Porém, apesar de não trabalharem nos dias estabelecidos, não comerem, não beberem, não utilizarem perfumes, não lavarem o rosto e muitas vezes cobrirem-se de saco e cinzas, os filhos de Jacó não tiravam os pés do sábado do Senhor (v. 13). Apesar de os fariseus não matarem, não roubarem, darem o dízimo de tudo e jejuarem muitas vezes, faziam somente a própria vontade.

Diferente das outras convocações, o dia da expiação não era festivo, o que fazia com que muitos em Israel reclamassem por ‘afligirem’ as suas almas, levando-os a formular as perguntas do verso 3.

Mas, Deus diz: “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no SENHOR…” (v. 13 -14).

O sétimo dia da semana instituído pelo Senhor como dia do descanso, era um sinal para o homem de que na palavra de Deus há descanso. E o dia da expiação, além de demonstrar que na palavra de Deus há descanso por causa do sábado e do afligir da alma, demonstrava também qual era a condição do homem: escravo do pecado.

Mas os profetas e sacerdotes de Israel não compreendiam a palavra do Senhor, e vagavam pelos seus próprios caminhos ( Is 28:7 ), e a lei do Senhor não passava para eles de “… mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali” ( Is 28:10 ).

Enquanto Deus dizia através das festas solenes que N’Ele há descanso, os interpretes de Israel não dava ouvidos “Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” ( Is 28:13 ), o que tornava os dias festivos ‘penosos’ mandamentos “Assim, pois, a palavra do SENHOR lhes será mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e se quebrantem e se enlacem, e sejam presos” ( Is 28:13 ).

Quando Jesus veio, novamente o Senhor falou aos homens escarnecedores “Ouvi, pois, a palavra do SENHOR, homens escarnecedores, que dominais este povo que está em Jerusalém” ( Is 28:14 ).

Como Cristo cumpriu o sábado? Cumpriu segundo a palavra de Deus, e não segundo os mandamentos e as regras dos homens, pois a palavra de Deus diz: “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras…” (v. 13).

Jesus efetivamente cumpriu o sábado e todas as festas instituídas na lei, pois:

a)  Jesus não falou as suas próprias palavras “Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito” ( Jo 12:49 -50);

b) Jesus não fez a sua própria vontade “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” ( Jo 6:38 ; Jo 4:34 ; Jo 7:17 ), e;

c)  Jesus não seguiu outro caminho, pois ele foi gerado de Deus “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” ( Jo 1:14 ; Sl 1:6 ).

Jesus verdadeiramente jejuou, pois se absteve do pão fermentado dos homens ( Mt 16:6 ), uma vez que se alimentava do Pai “Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” ( Jo 4:34 ).

Jesus verdadeiramente jejuou, pois abriu a sua alma aos famintos “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ); “… se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita” ( Is 58:10 ).

Este foi o jejum estipulado pelo Senhor, e Jesus veio fazer a vontade do Pai “O SENHOR será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia” ( Sl 9:9 ); “Oh, não volte envergonhado o oprimido; louvem o teu nome o aflito e o necessitado” ( Sl 74:21 ); “O que faz justiça aos oprimidos, o que dá pão aos famintos. O SENHOR solta os encarcerados” ( Sl 146:7 ); “Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?” ( Is 58:6 ); “Cri, por isso falei. Estive muito aflito” ( Sl 116:10 ); “Os aflitos e necessitados buscam águas, e não há, e a sua língua se seca de sede; eu o SENHOR os ouvirei, eu, o Deus de Israel não os desampararei” ( Is 41:17 ); “O SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos” ( Sl 146:8 ); “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ); “O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos” ( Is 61:1 ), etc.

Ora, se os filhos de Jacó verdadeiramente jejuassem e honrassem o sábado como Jesus o fez, seriam dignos de honra, e seriam honrados pelo Senhor (v. 13).

Neste verso o Senhor trata especificamente do dia separado para que afligissem a alma (dia da expiação), dia em que cada um não deveria executar obra alguma “E isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e nenhum trabalho fareis nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós” ( Lv 16:29 ).

O dia separado para o Senhor consiste em honrar ao Senhor, ou seja, em obedecer a sua palavra (temor) “O filho honra o pai, e o servo o seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o meu temor? diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome. E vós dizeis: Em que nós temos desprezado o teu nome?” ( Ml 1:6 ).

Cristo é o Filho e o Servo do Senhor porque honrou o Pai, porém, os filhos de Jacó não honravam e nem temiam ao Senhor!

O caminho do homem é de perdição, pois ao entrar pela porta larga, que é Adão, segue um caminho que o conduz à perdição ( Mt 7:13 ). Somente honrando o sábado que é tremer da palavra do Senhor é que o homem deixa os seus caminhos ( Is 55:7 ).

Somente aquele que ouve a palavra de Deus deixa de fazer a sua própria vontade. Somente os que ouvem e compreendem deixam de falar segundo o seu conhecimento, e passa a falar as palavras do Senhor ( Mt 3:9 ).

 

 

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A alegria do Senhor

 

14  “Então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse” ( Is 58:14 ).

Jesus cumpriu cabalmente o estipulado nos versos 12 e 13 do capítulo 58 de Isaias, e por isso o Salmo 16 contém uma profecia acerca do Messias: “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” ( Sl 16:11 ; Sl 91:14 ).

Após o jejum exigido por Deus, o homem será bem-aventurado, ditoso, deleitará no Senhor. Deus garante que fará com que os que afligiram a sua alma sejam estabelecidos em posição de honra.

Ou melhor, Deus há de sustentá-los como a herança de Jacó. Tudo o que o Senhor prometeu a Jacó será, por direito, concedido aos que descansam (crêem) no Senhor.

Tudo o que foi anunciado segue garantido por aquele que prometeu: “Porque a boca do Senhor o disse”!

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Conclusão

 

Abstinências físicas (jejuar) em lugar de ‘afligir a alma’ tornou-se uma prática comum em Israel, tanto que várias datas específicas foram instituídas para jejuarem “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: O jejum do quarto, e o jejum do quinto, e o jejum do sétimo, e o jejum do décimo mês será para a casa de Judá gozo, alegria, e festividades solenes; amai, pois, a verdade e a paz” ( Zc 8:19 ).

Diante do mandamento, os judeus se apegavam as práticas e aos dias estipulados, porém, o mais importante, que é o amor à verdade e a paz, não compreenderam o que seria. O povo pensava somente em cumprir regras sociais, tal qual não brigar com o próximo e não mentir.

Ao lerem na lei a seguinte determinação: “Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” ( Zc 8:16 ; Ef 4:25 ), entenderam somente que era para estabelecer ou manter a paz com o próximo, e  não se aperceberam que lhes era necessário ter paz com Deus.

O profeta Zacarias demonstra que os dias de jejuns deveriam ser de festividade, gozo e alegria. Que contraditório! Há aqueles que nomeiam esta aparente contradição de paradoxo. O dia estipulado para afligir a alma devia ser um dia de alegria, gozo e festividades solenes. Mas, para que o dia do jejum se tornasse dia de alegria, precisavam amar a verdade e a paz ( Zc 8:19 ).

O apóstolo Paulo, ao fazer alusão à mensagem do profeta Zacarias, demonstra que ‘falar a verdade’ com o próximo possui uma conotação mais ampla do que não mentir, pois ao escrever aos cristãos em Éfeso faz a seguinte abordagem: “Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o tendes ouvido, e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus; Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade. Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros” ( Ef 4:20 -25 ).

O apóstolo Paulo demonstra que a verdade anunciada por Zacarias está em Cristo, segundo o que ouviram e foram ensinados, ou seja, conforme o evangelho ( Ef 4:21 ). O que ouviram e lhes foi ensinado com relação à verdade (Cristo)?

a)  Que deveriam se despojar de tudo que era pertinente ao velho homem;

b) Que renovassem a compreensão, e;

c)  Que revestissem do que é pertinente ao novo homem.

Por isso deveriam ‘deixar a mentira’ (lançar fora a compreensão pertinente ao velho homem de como se adquire a salvação), e ‘falar a verdade’ com o companheiro, ou seja, deviam falar de Cristo (como está à verdade em Cristo), conforme o anunciado pelo profeta Zacarias.

O evangelho deve ser a temática da conversa dos cristãos porque é o evangelho que os torna membros uns dos outros, ou seja, o ‘juízo de verdade e de paz’ (mandamento) anunciado por Zacarias refere-se a Cristo, pois Cristo é a verdade e é a paz. Somente Ele faz juízo ao oprimido ( Sl 103:6 ; Ef 4:21; Ef 2:14 ; Zc 8:16 ).

Qualquer que ama a verdade e a paz, cumpre o mandamento do Senhor ( Zc 8:19 ), e será amado de Deus “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” ( Jo 14:21 ).

Por todos os homens serem gerados de Adão, o apóstolo Paulo afirma que todos são mentirosos ( Rm 3:4 ), isto conforme anunciou o salmista Davi, pois todos são concebidos em pecado e falam mentiras desde que nascem ( Sl 51:5 ; Sl 58:3 ). Ou seja, todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, pois se extraviaram juntamente e se fizeram imundos em Adão ( Rm 3:23 ; Sl 53:3 ).

O coração do homem é enganoso ( Jr 17:9 ), e a boca fala do que o coração está cheio ( Lc 6:45 ), portanto, todo homem é mentiroso e só fala engano. Para falar a verdade é necessário ao homem falar segundo a palavra de Deus, pois a palavra d’Ele é a verdade ( Jo 17:17 ).

Para falar a verdade cada um com o seu companheiro é necessário ao homem falar as ‘palavras de Deus’, e não as suas próprias palavras, como recomendou o profeta Isaias ( Is 58:13 ; Zc 8:16 ; Ef 4:20 ). O Senhor Jesus, assim como o apóstolo Paulo, o profeta Isaias e o profeta Zacarias abordaram o mesmo tema quando ordenaram: falai a verdade!

Para falar a verdade é necessário ao homem ouvir (alimentar-se) a palavra de Deus que concede vida ( Dt 8:3 ), ou seja, é necessário ao  homem nascer de novo, sendo gerado em verdadeira justiça e santidade da semente incorruptível, que é a palavra de Deus. Somente os gerados da palavra de Deus são amados de Deus, pois se tornaram um com a verdade (conhecer) no íntimo “Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria” ( Sl 51:6 ; Ef 4:24 ).

Jesus alertou aos seus ouvintes que o jejuar dos fariseus era hipócrita, pois se apresentavam aos homens com o rosto triste, e até desfiguravam o rosto para demonstrar que afligiam a alma (jejuavam).

O verdadeiro jejum não se produz com estômago vazio e aspectos físicos desfigurados, pois assim agiam os fariseus para parecer que jejuavam e Jesus os censurou “E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão” ( Mt 6:16 ).

Ora, se desfigurar o rosto não é o mesmo que o jejum exigido por Deus, como jejuar? Como já vimos, o verdadeiro jejum não se refere a aspectos físicos (rosto desfigurado) ou sensações físicas (fome), pois mesmo lavando e ungindo a cabeça era possível ao homem jejuar, pois o jejum é para Deus, e não para os homens ( Mt 6:18 ).

Por que Jesus recomenda não agirem como os hipócritas? Porque aquele era o modo pelo qual escribas e fariseus ajuntavam tesouro na terra “Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto” ( Is 58:4 ; Mt 6:18 ).

Por entenderem que jejuavam segundo o estipulado na lei, os escribas e os fariseus buscaram contender com Jesus, buscando feri-lo com punho iníquo “Disseram-lhe, então, eles: Por que jejuam os discípulos de João muitas vezes, e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem?” ( Lc 5:33 ).

A bíblia demonstra que Jesus veio especificamente para cumprir a lei ( Mt 5:17 ), mas os fariseus e os escribas julgavam-no como alguém que queria acabar com a lei e com os profetas.

A Bíblia também demonstra que Jesus falava ao povo somente por parábolas, e o sermão do monte deve se analisado como sendo um conjunto de várias parábolas conexas entre si “E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos” ( Mc 4:34 ).

A maioria dos leitores do sermão do monte entende que Jesus estava ordenando aos seus ouvintes o modo correto de como absterem-se do alimento quando recomendou que não deviam fazer como os hipócritas ( Mt 6:16 ). O que Jesus estava recomendando? Ora, Jesus estava apresentado aos seus ouvintes o suposto paradoxo apresentado pelo profeta Zacarias. O jejum não devia ser um dia de tristeza, antes um dia de alegria, de festa solene e gozo, pois o afligir da alma não possui relação com aspectos exteriores do corpo “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: O jejum do quarto, e o jejum do quinto, e o jejum do sétimo, e o jejum do décimo mês será para a casa de Judá gozo, alegria, e festividades solenes; amai, pois, a verdade e a paz” ( Zc 8:19 ).

Jesus estava ordenando os ouvintes do sermão do monte a afligirem a alma diante de Deus e não diante dos homens, de modo que a tristeza proveniente do verdadeiro jejum se tornasse em alegria, como Deus havia determinado ( Sl 30:11 ; Zc 8:19 ). Ao ordenar que lavassem o rosto e não se mostrassem contristados quando ‘jejuavam’, Jesus queria que o povo compreendesse o verdadeiro significado da ordenança de se afligir a alma.

Ao alertar que não deveriam se mostrar contristados, que podiam lavar o rosto e ungir a cabeça ( Mt 6:17 ), Jesus queria dar a  entender à multidão qual era o verdadeiro jejum. Eles precisavam compreender que o verdadeiro jejum se dá quando o homem deixa de seguir os seus próprios conceitos “Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde, que anda por caminho, que não é bom, após os seus pensamentos” ( Is 65:2 compare com Is 58:13 ); “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no SENHOR…” ( Is 58:13-14).

Qualquer que anda segundo os seus próprios pensamentos segue um caminho que não é bom, e não se deleitará no Senhor conforme o profeta Zacarias recomenda que se faça.

Tudo que Jesus falava ao povo de Israel foi dito por parábolas, o que dá ao sermão do monte o título de uma grande parábola. Interpretar o capítulo 58 de Isaias também é resolver um grande enigma da antiguidade, pois este é o modo de o povo ouvir e ver, mas não compreender ( Sl 78:2 ; Mt 13:15 ; Jo 12:40 ; Lc 12:41 ).

Deus ordenou ao povo que ‘afligissem a alma’. Eles ouviram, mas não compreenderam o enigma, e neles se cumpriu a profecia ( Lc 8:10 ; Is 6:9 ). Deus ordenou que afligissem a alma, eles entenderam que afligir a alma seria o mesmo que afligir o corpo com abstinências diversas.

Davi foi um homem segundo o coração de Deus porque compreendeu que afligir a alma é o mesmo que um coração contrito, quebrantado. Ele compreendeu que o verdadeiro sacrifício é um espírito quebrantado ( Sl 51:17 ). Davi compreendeu que somente o abatido, o contrito de espírito alcança as benesses que ele havia rogado ao Senhor: um coração e um espírito vivificado e habitado pelo Senhor ( Sl 51:10 -11; Is 57:15 ).

Os escribas e fariseus não compreenderam o que é ‘afligir a alma’ do mesmo modo que desconheciam o significado da ordenança ‘misericórdia quero, e não sacrifício “Misericórdia quero, e não sacrifício” ( Mt 9:13 ; Os 6:6 ).

Antes de questionarem porque os discípulos não jejuavam, Jesus orientou-os a irem aprender o que significava ‘misericórdia quero’ “Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento” ( Mt 9:13 ).

Os escribas e os fariseus rebateram em pensamento a ordem de Cristo, uma vez que sabiam que a frase ‘Misericórdia quero, e não sacrifício’ tratava-se de citações atribuídas aos profetas Oséias e Samuel. Não atinaram que tais passagens contêm um enigma que eles ainda não haviam decifrado.

O que eram as abstinências que os escribas e fariseus praticavam no intento de afligir a alma? Tais abstinências não se resumiam em meros sacrifícios?

O que significa ‘Misericórdia quero, e não sacrifício’?

Para aprender o que significa ‘misericórdia quero’ se faz necessário compreender o que Deus exige do homem. Para compreender o significado de ‘misericórdia quero’ se faz necessário analisar a passagem bíblica de Oséias.

Certa feita o profeta Oséias anunciou ao povo o protesto de Deus, pois o amor que os filhos de Jacó demonstravam era volátil como o orvalho da madrugada “Que te farei, ó Efraim? Que te farei, ó Judá? Porque o vosso amor é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa” ( Os 6:4 ).

O tema principal da passagem de Oséias, quando se lê ‘misericórdia quero’ é destacar o que Deus espera do homem: amor. Deus está demonstrando que não se interessa por sacrifícios, antes demonstra que deseja o amor do homem.

A exigência divina demonstra que o homem nada pode fazer para agradá-Lo, antes é Deus quem pode fazer algo em prol da humanidade. Quando Deus diz: ‘misericórdia quero’, significa que Ele quer exercer misericórdia para com os homens, e para tanto, basta ao homem amá-Lo de todo coração “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” ( Ex 20:6 ); “Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” ( Dt 7:9 ).

Deus quer misericórdia, porque Ele é misericordioso. A qualquer que o ama Deus exerce misericórdia, o que não depende e nem demanda sacrifício. Sacrifício não é de valor algum diante de Deus ( Is 1:1 ).

Deus não exigiu do povo de Israel sacrifícios, antes exigiu que O amasse de todo coração “Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR teu Deus pede de ti, senão que temas o SENHOR teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma…” ( Dt 10:12 ); “E a todos quantos andarem conforme esta regra, paz e misericórdia sobre eles e sobre o Israel de Deus” ( Gl 6:16 ).

Apesar de demonstrar que não desejava sacrifícios, por conhecer a disposição interna dos homens em sacrificar, Deus regulamentou como os voluntariosos em Israel deveriam sacrificar, o que não significa que Deus exigiu sacrifícios dos homens “Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de gado vacum e de ovelha” ( Lv 1:2 compare Sl 50:7 -23 ).

O profeta Samuel demonstra que Deus não se interessa em sacrifícios “Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniqüidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” ( 1Sm 15:21 -22).

Deus determinou o afligir da alma como sendo juízo de verdade porque este é o sacrifício aceitável “Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” ( Zc 8:16 ); “Fazer justiça e juízo é mais aceitável ao SENHOR do que sacrifício” ( Pv 21:3 ).

Abster-se de entrar na casa de ‘pecadores’, ou de comer com eles era um tipo de sacrifício que os escribas e fariseus praticavam, mas que Deus não aceitava, pois Ele quer misericórdia, e não sacrifícios ( Mt 9:13 ).

Como os jejuns era uma prática dos judeus, em especial dos fariseus, os discípulos de João Batista questionaram Jesus por que os seus discípulos não jejuavam, o que demonstra que os jejuns não passam de meros sacrifícios ( Mt 9:14 ).

Observe que os ímpios oferecem sacrifício, e nem por isso deixam de ser ímpios. Mesmo que tenha a mais nobre das intenções ao sacrificar, o ímpio oferecerá abominação. O que torna o sacrifício dos ímpios uma abominação é o fato de serem ímpios “O sacrifício dos ímpios já é abominação; quanto mais oferecendo-o com má intenção!” ( Pv 21:27 ).

Como os filhos de Jacó não buscavam a palavra do Senhor, conclui-se que eram ímpios “A salvação está longe dos ímpios, pois não buscam os teus estatutos” ( Sl 119:155 ), condição pertinente a todos os homens por causa de Adão ( Sl 53:2 -3 ; Sl 58:3 ).

Como as abstenções de qualquer natureza é um tipo de sacrifício, segue-se que, por não se apartarem da impiedade ( Is 58:1 e 6), quando os filhos de Jacó se aplicavam as abstenções (sacrifícios) ofereciam abominações, por mais nobre que fossem as suas intenções.

O salmista compreendeu que Deus não desejava sacrifícios, antes que se satisfazia com o coração contrito, com a alma afligida “Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos” ( Sl 51:16 ).

Por intermédio do profeta e salmista Davi, Deus protesta ao povo de Israel, dizendo: “Ouve, povo meu, e eu falarei; ó Israel, e eu protestarei contra ti: Sou Deus, sou o teu Deus. Não te repreenderei pelos teus sacrifícios, ou holocaustos, que estão continuamente perante mim. Da tua casa não tirarei bezerro, nem bodes dos teus currais. Porque meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas. Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo. Se eu tivesse fome, não to diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude. Comerei eu carne de touros? ou beberei sangue de bodes? Oferece a Deus sacrifício de louvor, e paga ao Altíssimo os teus votos. E invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” ( Sl 50:7 -15).

Deus demonstra que o problema de Israel não era os sacrifícios que de contínuo traziam ao templo. Antes, Deus queria que eles O invocasse no dia da angústia, e não que se aplicassem aos sacrifícios. Qual é o dia da angustia? É o dia em que o homem verdadeiramente afligisse a sua alma, o dia que compreendesse que necessita da salvação de Deus.

Do mesmo modo que os filhos de Israel não compreenderam o que é ‘executar juízo de verdade’, ‘falar a verdade com o próximo’ e ‘misericórdia quero’, não compreenderam a determinação divina de afligir a alma “Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” ( Zc 8:16 ); “Fazer justiça e juízo é mais aceitável ao SENHOR do que sacrifício” ( Pv 21:3 ), e; “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos. Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim” ( Os 6:6 -7).

O maior erro dos judeus estava em não conhecerem as escrituras “Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” ( Mt 22:29 ). Os interpretes de Israel prevaricam quanto as suas atribuições ( Is 43:27 ). Eles se consideravam filhos de Deus por serem descendentes da carne de Abraão “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” ( Mt 3:9 ), mas por não fazerem justiça e juízo, por sacrificarem em lugar de amarem a Deus, ou seja, por não falarem a verdade (palavra de Deus), etc., continuavam transgressores por causa do primeiro pai da humanidade, Adão.

Por não conhecerem as escrituras aplicavam-se as abstinências, e esqueciam que ainda eram transgressores por serem descendentes da carne de Adão, portanto, não eram filhos de Abraão “Eu quero amor e não sacrifícios, conhecimento de Deus e não holocaustos. Em Adam eles quebraram a minha aliança, aí eles me traíram” ( Os 6:6 -7 – Bíblia da CNBB).

A tradução católica da bíblia do Conselho Nacional dos Bispos do Brasil expressa melhor as duas idéias analisadas acima: a) Deus quer amor, e; b) Em Adão os filhos de Jacó quebraram a aliança.

A tradução que reza que os judeus transgrediram a aliança como Adão não coaduna com o que o apóstolo Paulo diz aos cristãos em Roma: “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ).

Ou seja, Adão é o único homem por quem a morte entrou no mundo, separando toda a humanidade de Deus. Como todos estão mortos, separados de Deus, logo ninguém mais dentre os homens pode pecar como (semelhança) Adão.

A morte reinou sobre todos os homens, até mesmo sobre aqueles que não transgrediram à semelhança (como) da transgressão de Adão, pois em Adão todos os homens pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Desviaram-se e juntamente todos os homens tornaram se imundos, ou seja, em Adão se deu o evento em que a humanidade juntamente se extraviou de Deus ( Sl 14:3 ; Sl 53:3 ).

Os escribas e fariseus que foram ao batismo de João Batista, mesmo após serem batizados continuavam professando que eram filhos de Deus por serem descendentes de Abraão ( Mt 3:9 ), o que indicava que não estavam produzindo frutos dignos de arrependimento. A mensagem de João Batista era: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” ( Mt 3:2 ), ou seja, arrepender-se é mudança de concepção acerca de alguma matéria, é mudança de pensamento.

Em função da chegada do reino dos céus, que é Cristo, os escribas e fariseus deviam abandonar os seus conceitos (arrependimento) para poder abraçar a Cristo, ou seja, precisavam deixar de presumir que eram filhos de Abraão por serem descendentes da carne de Abraão para serem filhos de Deus por intermédio do Descendente prometido a Abraão ( Rm 9:7 -8).

O que professavam quando vinham ao batismo, denunciava os escribas e fariseus, pois o fruto dos lábios deveria ser de mudança de conceito, mas continuavam professando que eram filhos de Abraão, o que os impedia de ter comunhão com a verdade, o caminho e a vida ( Jo 8:33 e 39).

O fariseu que subia ao templo para orar é exemplo de alguém que ajuntava tesouro na terra, pois era descendente da carne de Abraão, que em última instância era o mesmo que ser descendente de Adão.

Em decorrência da sua filiação e da sua religiosidade, se sentia abastado, rico, por não se comportar como os demais homens: não era roubador, promiscuo, injusto, etc., e além do mais, jejuava, dava o dizimo, orava, ia ao templo, etc. ( Lc 18:11 ). Tudo que o fariseu fazia na sua religiosidade é descrito pela bíblia como sendo um modo de ajuntar ‘tesouro na terra’, ou seja, buscava o seu próprio contentamento pelo ‘trabalho’ realizado ( Is 58:3 ).

É importante que o leitor perceba que “ajuntar tesouro na terra” é uma figura, e esta figura complementa a ideia do jejum, sendo que a ordem para não ajuntar tesouro na terra remete a ideia de que, através das suas práticas para agradar a Deus, os homens somente adquirem e ajuntam o tesouro da impiedade.

Observe que tanto o trabalho (ajuntar tesouro na terra) quanto os sacrifícios dos ímpios não são aceitos por Deus. Do mesmo modo que os sacrifícios dos ímpios são abominação, o trabalho deles é o mesmo que violência “Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações” ( Is 66:3 ; Pv 21:27 ).

Observe que o profeta Isaias dá no verso 3 do capítulo 66 a interpretação das figuras empregadas nas escrituras quando estabelece a comparação. Violência diante de Deus é tudo que o homem faz para se salvar, ou seja, o sacrifício deles é como tirar a vida de um homem.

As ações dos judeus, na intenção de se salvarem, eram comparáveis a tudo que mais abominavam. Os constantes trabalhos e sacrifícios que realizavam era o que Deus nomeia de seguir seus próprios caminhos. Não eram o afligir da alma exigido por Deus ( Is 66:3 compare com Is 58:3 ). Quando praticavam suas abstinências, não jejuavam de fato, antes era o mesmo que se deleitar nas suas abominações.

Se eles afligissem a alma conforme o exigido no verso 13 do capítulo 58 de Isaias, deixariam as abstinências e os sacrifícios e se deleitariam no Senhor, em quem há paz e descanso para a alma.

“… quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações” ( Is 66:3 );

“Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no SENHOR” ( Is 58:13 ).

Quando o profeta Jeremias clama: “Violência, violência!”, está protestando contra os homens que intentam se salvar através de suas próprias forças, ou seja, com o fruto do seu trabalho, o tesouro da impiedade “Porque desde que falo, grito, clamo: Violência e destruição; porque se tornou a palavra do SENHOR um opróbrio e ludíbrio todo o dia” ( Jr 20:8 ); “As suas teias não prestam para vestes nem se poderão cobrir com as suas obras; as suas obras são obras de iniqüidade, e obra de violência há nas suas mãos” ( Is 59:6 ).

Do mesmo que Isaias aborda em primeiro lugar o jejum e depois as obras de violência, no sermão do monte Jesus adota a mesma sequência: o jejum e o guardar tesouro na terra. Ambos demonstraram que a retidão e as obras do povo não se aproveitam para salvação ( Is 57:12). Ambos, o Senhor Jesus e Isaías, buscavam tirar o tropeço de diante do povo, aplainando o caminho do Senhor ( Is 57:14 ).

Por não afligirem a alma segundo o estipulado no capítulo 58 de Isaias, retirando as ataduras da impiedade, continuavam falando mentiras “Porque as vossas mãos estão contaminadas de sangue, e os vossos dedos de iniqüidade; os vossos lábios falam falsidade, a vossa língua pronuncia perversidade” ( Is 59:3 ), pois a boca fala o que o coração está cheio, ou seja, neste verso está descrito porque Jesus chama os fariseus de raça de víboras ( Mt 12:34 ; Is 59:4 -5 ).

O que Deus determinou por intermédio do profeta Zacarias e o apóstolo Paulo interpretou ao escrever aos cristãos em Êfeso “Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” ( Zc 8:16 ; Ef 4:25 ), Isaias anuncia demonstrando que ninguém obedecia a palavra de Deus “Ninguém há que clame pela justiça, nem ninguém que compareça em juízo pela verdade; confiam na vaidade, e falam mentiras; concebem o mal, e dão à luz a iniqüidade” ( Is 59:4 compare com Zc 8:16 ).

Melhor é obedecer do que o sacrifício: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas. Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” ( Is 1:11 -18).

As abstinências eram um tipo de sacrifício oferecido pelos filhos de Jacó, e por não se apartarem da impiedade ( Is 58:1 e 6), elas eram abominações, por mais nobre que fossem as suas intenções “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer” ( Is 1:13 -14).

Quando não se busca a palavra (temor) do Senhor, o verdadeiro tesouro ( Is 33:6 ), o homem com todas as suas práticas religiosas e morais não passa de um pobre, cego e nu ( Is 33:6 ).

A determinação de Jesus no sermão do monte não é para que os seus ouvintes deixassem os seus ofícios diários e também não era para deixar de adquirirem bens materiais, antes que deixassem de se apegar a qualquer prática como se ela fosse o que promove salvação ( Pv 10:2 ).

A determinação de Cristo para que os seus ouvintes não ‘ajuntassem tesouro na terra’ é uma explanação, por meio de uma parábola repleta de enigmas, da figura do dia do descanso instituído com o fito de o homem afligir a alma.

Após demonstrar qual o sentido de afligir a alma ( Mt 6:17 ), Jesus passou a demonstrar através da ordem de não ajuntar tesouro na terra o sentido do verdadeiro descanso, pois através de Cristo e seus ensinamentos, cumpre-se o que diz as escrituras, de que se dê descanso ao cansado, mas ouviram e não compreenderam, pois tudo lhes era dito por parábolas “Ao qual disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; porém não quiseram ouvir” ( Is 28:12 ).

Desde a antiguidade não se estipulou preço para a salvação, pois quem não tem dinheiro (pobre, necessitado, aflito, viúva, órfão), quer seja judeu ou gentil, pode comer o que é bom. Basta que inclinem os seus ouvidos ( Is 55:2 ), ou seja, creia na palavra de Deus, que comerá o que é bom ( Is 1:17 ).

O afligir da alma aparece associado à tristeza por causa das figuras que representam o conceito do pobre de espírito, do necessitado de espírito e do aflito de espírito, ou seja, daqueles que necessitam e se socorrem de Deus. Observe: “E disse-lhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão, em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão” ( Mt 9:15 ).

Os escribas e fariseus questionavam porque os discípulos de Jesus não se aplicavam as abstinências, ou às práticas que eles compreendiam ser o jejum. Em resposta Jesus demonstra que os seus discípulos não podiam andar tristes, apontando o verdadeiro significado do jejum.

Os filhos das bodas jamais poderiam ficar tristes, pois o noivo estava presente. Enquanto Cristo, o esposo, estava com os discípulos, não havia motivo para ficarem contristados, mas, quando o esposo fosse tirado, automaticamente ficariam tristes, ou seja, ficariam com a alma aflita.

Lucas é específico ao dizer que os discípulos jejuariam (tristeza) apontando especificamente para os dias em que Cristo permaneceria no seio da terra. Somente naqueles dias os discípulos jejuariam, o que indica que depois daqueles dias não mais jejuariam “Dias virão, porém, em que o esposo lhes será tirado, e então, naqueles dias, jejuarão” ( Mt 26:31 ; Lc 5:35 ).

Por que Jesus disse que os pobres e os tristes eram bem-aventurados? ( Mt 5:3 -4) Porque os pobres, tristes, aflitos, oprimidos são figuras bíblicas utilizadas para representar todos os homens que necessitam de Deus.

O profeta Isaias anunciou que o povo trabalhava em vão e gastava o fruto do seu trabalho naquilo que não satisfazia o exigido por Deus ( Is 55:2 ). Por trabalharem ofertando sacrifícios, jejuns, ritos, etc., não esperavam a salvação providenciada por Deus.

Se os pobres e os oprimidos são bem-aventurados, segue-se que são filhos de Abraão, crentes como o crente Abraão, pois ele foi bem-aventurado porque creu na palavra de Deus. O povo de Israel não era filho de Abraão, pois em lugar de descansarem, trabalhavam.

Deus não havia prometido que os pobres, abatidos, tristes, aflitos e oprimidos seriam vivificados pelo Senhor? ( Is 57:15 ) Deus já não havia dito que os aflitos e necessitado são os que buscam a Deus? “Os aflitos e necessitados buscam águas, e não há, e a sua língua se seca de sede; eu o SENHOR os ouvirei, eu, o Deus de Israel não os desampararei” ( Is 41:17 ; Sl 146:7 ).

Qualquer que ouve e aceita o convite de Cristo que diz: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ), é porque verdadeiramente afligiu a alma. Somente os aflitos e necessitados ouvem a palavra de Deus, ou seja, não diz de quem pratica abstinências de alimento, roupas, perfumes, banho, etc., pois o alimento ofertado por Deus é espiritual ( Jo 6:63 ).

Sendo o alimento de Deus espiritual, o verdadeiro jejum não se dá no estômago. O verdadeiro jejum é promovido por alguém que tem a alma aflita porque sente que necessita de água e de pão espiritual após abster-se dos conceitos humanos. Este, verdadeiramente entra no descanso prometido por Deus, pois vê em Cristo o descanso preparado por Deus “O que faz justiça aos oprimidos, o que dá pão aos famintos. O SENHOR solta os encarcerados” ( Sl 146:7 );

O que satisfaz o sedento, o oprimido, o aflito, o cansado, o faminto? O pão que Deus oferta a todos os homens, bastando para isso que o ouçam ( Is 55:3 ).

Quando se fala em comida e bebida é comum ao homem esquecer que a palavra de Deus é ‘comida’ espiritual que concede vida aos mortos espirituais “Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis” ( Jo 4:32 ; Dt 8:3 ).

Mas, para comer da comida que os homens não conhecem faz-se necessário abster-se (jejum) do fermento dos fariseus. Quando se deixa de comer do pão fermentado com a doutrina dos fariseus, o homem jejua verdadeiramente, momento que verá, por causa da aflição que lhe acometerá a alma, que necessita da água e do pão que somente Deus pode dar ( Mt 16:6 ; 1Co 5:6 -8).

Jesus ordenou aos seus ouvintes que ‘trabalhassem’ pela comida que permanece para a vida eterna, ou seja, pela comida que Cristo estava dando gratuitamente “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou” ( Jo 6:27 ).

Os ouvintes de Jesus deviam buscar a palavra de Deus, que Cristo gratuitamente ofertava, porque a obra de Deus é que o homem creia no enviado de Deus. Há um desejo incessante nos homens em fazer a obra de Deus, mas a única obra que Deus tem a realizar é que creiam no enviado de Deus “Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus? Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 26:28 -29).

Os ensinos do Senhor Jesus mostram que os cristãos devem estar cônscios de que a comida não torna ninguém agradável a Deus, isto porque, se o cristão comer nada terá a mais que seu irmão, e se não come, nada tem falta “Ora a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta” ( 1Co 8:8 ).

Ao observar que o reino dos céus não é comida nem bebida “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” ( Rm 14:17 ), tem-se a seguinte conclusão: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados” ( Cl 2:16 ).

Ora, ninguém deve ser julgado por dias de festas ou sábados, sendo que alguns sábados eram específicos para o jejum. Neste ponto temos que: “O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu” ( Rm 14:3 ); “Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o SENHOR não come, e dá graças a Deus” ( Rm 14:6 ).

Deus já concedeu aos cristãos tudo que é concernente a vida e a piedade ( 2Pe 1:3 ), pois os abençoou com todas as benção espirituais nas regiões celestiais em Cristo ( Ef 1:3 ), ou seja, de nada têm falta “Temei ao SENHOR, vós, os seus santos, pois nada falta aos que o temem” ( Sl 34:9 ).

Se os que temem ao Senhor de nada tem falta, segue-se que não podem, ou que não há como afligir a alma. Caso deixe de comer ou beber, terá fome, mas não acrescentará nada a sua vida espiritual.

Após verificar que o verdadeiro jejum é: a) Não seguir seus próprios caminhos; b) Não falar suas próprias palavras; c) Não fazer a sua própria vontade; d) Anunciar as boas novas do evangelho ( Is 58:10 e 13), e; e) Que Jesus e os seus discípulos não jejuavam e nem cumpriam o sábado aos moldes dos escribas e fariseus ( Mc 2:18 e Mc 2:24 ; Lc 5:33 ), temos elementos para concluir que um cristão pode até se abster da comida, pois tudo que é proveniente de fé não é pecado (desde que não se pretenda costurar remendo novo em vestido velho, e nem deitar vinho novo em odres velhos, ou seja, amalgamar questões legalistas ao evangelho de Cristo) ( Mc 2:21 -22), mas é um erro o cristão utilizar o jejum como ascetismo pessoal, uma vez que é Deus quem santifica “E guardai os meus estatutos, e cumpri-os. Eu sou o SENHOR que vos santifica” ( Lv 20:8 ).

Antes de ‘abster-se da comida e da bebida’ ou de guardar ‘dias’ o cristão deve ter em mente que, enquanto tiver consigo o esposo, não pode jejuar (afligir sua alma) “E Jesus disse-lhes: Podem porventura os filhos das bodas jejuar enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar” ( Mc 2:19 ).

O cristão pode até abster-se do alimento, porém, o jejum de afligir a sua alma é impossível fazer. Cristo disse que sempre está com os que crêem, portanto não podem afligir a alma (jejuar) “… eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” ( Mt 28:20 ; Jo 14:23 ).

Se o crente crê que Cristo se faz presente todos os dias da sua vida, não pode jejuar! “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” ( Sl 16:11 ).

A aflição da alma e o sábado são figuras estabelecidas especificamente para os homens que necessitam de descanso, o que não é o caso de quem já bebeu da água que Cristo oferece, pois nunca voltará a ter sede “E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! até quando estarei ainda convosco e vos sofrerei? Traze-me aqui o teu filho” ( Lc 9:41 ), pois os que crêem já foram consolados e entraram para o descanso do Senhor ( Jo 14:16 e 18 ; Jo 15:26 e Jo 16:7 ; Hb 4:3 ).

Deixar de comer e beber não pode ser confundido com a ordenança de Deus para que o povo afligisse a alma. Do mesmo modo que os interpretes de Israel não compreenderam o que é ‘misericórdia quero’, ‘falai a verdade’, ‘executai juízo’, etc., não compreenderam a ordenança de ‘afligirem a alma’ sem fazerem obra alguma.

Deviam abster-se de realizar obras na intenção de salvarem-se, o que os tornariam pobres, necessitados, aflitos na alma, e se refugiariam em Deus. Após absterem-se de seus conceitos, ficariam famintos e sequiosos por beberem e alimentarem-se de Deus, a água e o pão que concede vida.

O povo de Israel e os seus sacerdotes eram contumazes em jejuar. Continuamente compareciam ao templo para prantear e jejuar ( Zc 7:2 ). Sarezer, Regem-Meleque e seus homens foram enviados de Betel à casa do Senhor para suplicarem o favor de Deus, e demonstraram o quanto estavam enfadados com aqueles ritos: “Chorarei eu no quinto mês, fazendo abstinência, como tenho feito por tantos anos?” ( Zc 7:3 ).

Qual foi a resposta de Deus através de Zacarias? “Fala a todo o povo desta terra, e aos sacerdotes, dizendo: Quando jejuastes, e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, porventura, foi mesmo para mim que jejuastes? Ou quando comestes, e quando bebestes, não foi para vós mesmos que comestes e bebestes?” ( Zc 7:5 -6).

Quando choravam, lamentavam e abstinham-se da comida e da bebida, somente estavam se deleitando em suas abominações. Em nada eram diferente os seus dias de abstinências dos dias festivos em que comiam e bebiam, pois ambos eram abominações “… quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações” ( Is 66:3 ).

O que se observa neste verso? Que há pelo menos setenta anos o povo de Israel se lançava às abstinências, às comidas e às bebidas, porém, tudo foi realizado para eles mesmos. Através deste verso fica nítido que o jejuar estipulado no dia da expiação ( Lv 23:27 ), em nada diferia das determinações de festejarem pertinente as outras santas convocações, como o sábado, a páscoa, as primícias, o pentecostes, etc. ( Lv 23:6 ).

Perante a lei, aquele que comia e bebia para o Senhor festejava, e aquele que se lançavam as abstinências, para o Senhor jejuava ( Zc 7:5 -6 ; Rm 14:3 ). Porém, festejar e jejuar aos moldes dos israelitas não era conforme o que Deus estipulou.

Qual era o verdadeiro jejum a realizar? Deus responde novamente: “Assim falou o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um para com seu irmão…” ( Zc 7:9 ). O juízo verdadeiro refere-se àquele ministrado pelos juízes e sacerdotes nos tribunais? Deus estava tratando de questões sociais? Não!

O juízo verdadeiro que deveriam executar refere-se à palavra de Deus que dá vida eterna aos homens ( Dt 8:11 compare com Dt 8:3 ). Somente sendo misericordioso, como é o Pai celeste, é possível ao homem mostrar piedade e misericórdia aos seus semelhantes “Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” ( Lc 6:36 ).

Quando Jesus se apresentou ao povo de Israel como pão vivo que desceu dos céus “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo” ( Jo 6:51 ), estava sendo misericordioso como o Pai celeste ( Lc 6:36 ).

Ele estava executando juízo verdadeiro! “Julgou a causa do aflito e necessitado; então lhe sucedeu bem; porventura não é isto conhecer-me? diz o SENHOR” ( Jr 22:16 ); “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” ( Jo 5:30 ; Jo 8:16 ).

Quando se conhece a Verdade, ou antes, se é conhecido de Deus ( Jo 8:32 compare com Gl 4:9 e 1Co 8:9 ), é porque se executou o juízo verdadeiro, julgando a causa do aflito e necessitado, a causa dos que jejuam de fato! ( Jr 22:16 compare com Zc 7:9 ).

Os quarenta dias e quarenta noites sem comer não foram previstos nas escrituras como sendo o jejum do Messias, mas a humilhação e as afrontas que ele sofreu foram previstas como jejum: “Pois o zelo da tua casa me devorou, e as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim. Quando chorei, e castiguei (afligir) com jejum a minha alma, isto se me tornou em afrontas. Pus por vestido um saco, e me fiz um provérbio para eles. Aqueles que se assentam à porta falam contra mim; e fui o cântico dos bebedores de bebida forte” ( Sl 69:9 -12 compare com Sl 36:13 ).

Observe que o salmo 69 é messiânico, sendo que os versos 9 e 10 são citados respectivamente pelo apóstolo Paulo e pelo apóstolo João como referindo-se a Cristo ( Rm 15:3 ; Jo 2:17 ).

O salmo antevê que Cristo haveria de ser o aflito do Senhor (chorei), pois afligiria (castigar com jejum) a sua alma ( Is 53:4 ), tal ação tornar-se-ia em afronta. A afronta seria como usar como vestido uma saco, tornando-se um provérbio para aqueles que exerciam o domínio (as portas) entre o povo.

Por que Jesus foi escarnecido? Como ele tornou-se o aflito do Senhor? Como ele afligiu a sua alma? Porventura não foi porque afligiu a sua alma conforme o verso 13 do capítulo 58 de Isaias? Por Jesus não fazer a sua própria vontade, antes falou segundo as palavras do Pai, sofreu o escárnio dos homens ( Mt 27:43 ; Is 58:13 compare com Jo 6:38 e Jo 8:59 ) “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” ( Jo 5:30 ; Jo 8:16 ); “Julgou a causa do aflito e necessitado; então lhe sucedeu bem; porventura não é isto conhecer-me? diz o SENHOR” ( Jr 22:16 ).

Como Jesus ‘julgou’ a causa dos ‘aflitos’, a ressurreição dentre os mortos foi o bem que Deus lhe proporcionou. O bem prometido para aquele que esteve muito aflito, porém, creu e falou as ‘palavras’ do Pai “Volta, minha alma, para o teu repouso, pois o SENHOR te fez bem. Porque tu livraste a minha alma da morte, os meus olhos das lágrimas, e os meus pés da queda. Andarei perante a face do SENHOR na terra dos viventes. Cri, por isso falei. Estive muito aflito” ( Sl 116:7 -10).

Pergunta: Quando o profeta Joel proclama um jejum ao povo de Israel, recomendando que se vestissem de saco, estava recomendando que se abstivesse da comida e da bebida? “Cingi-vos (de saco) e lamentai-vos (afligir), sacerdotes (…) Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do SENHOR vosso Deus, e clamai ao SENHOR” ( Jl 1:13 -14 ). Não!

O verdadeiro jejum é ‘rasgar’ o coração, e não as vestes. O verdadeiro jejum é converte-se ao Senhor, e não somente vestir-se de pano de saco e abster-se de comida e bebida “E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal” ( Jl 2:13 ).

Converte-se ao Senhor de todo o coração somente é possível quando o homem rasga o coração, ou seja, quando é circuncidado pelo Senhor “E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” ( Jl 2:32 ); “Então dali buscarás ao SENHOR teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma”  ( Dt 4:29 ); “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ); “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto” ( Jl 2:12 compare com Dt 30:6 ).

Quando o povo de Israel estava em grande aflição no Egito por causa de questões socioeconômicas, clamava ao Senhor ( Ex 2:23 ), e era atendido, porém, nas questões espirituais, ou seja, com relação à servidão ao pecado, não clamava ao Senhor. Não tomaram o cálice da salvação ( Sl 116:13 ; Jl 2:32 ).

Todas as vezes que se viam em aperto os filhos de Jacó convocavam um jejum nacional que se resumia em lançar cinzas sobre a cabeça, rasgar as vestes, abster da comida e não ungir a cabeça ( Jz 20:26 ; Ed  8:21 ; Et 4:3 ; Jr 36:9 ), e muitas vezes foram atendidos, como foram atendidos ao serem arrancados do Egito.

Neemias resume a história de Israel demonstrando que Deus sempre via a aflição do povo de Jacó e sempre os livrou ( Ne 9:9 ). Demonstrou também que os filhos de Israel, como nação, sempre eram atendidos, pois quando estavam em aperto se aplicavam as abstinências, aflição física semelhante a impingida pelas ervas amargas antes de serem resgatados do Egito.

Quando comeram ervas amargas e o cordeiro pascal, os filhos de Jacó foram libertos do Egito, agora necessitavam afligir a alma para serem libertos do pecado por serem descendentes de Adão. Mas, o povo não compreendeu a diferença entre ‘afligir a alma’ e ‘afligir o corpo’ com ervas amargas ou jejuns.

Após a nação se ver em descanso, novamente era posta em aperto e se voltavam com jejuns e pano de saco ao Senhor, e muitas vezes foram atendidos como nação ( Ne 9:28 ), mas não aprendiam a lição de que lhes era necessário se voltarem para Deus ( Is 59:1 -4). Não atinavam que Deus também queria libertá-los do pecado, o que demandava o afligir da alma, o que é diferente de afligir o corpo com abstinências de alimentos.

Foi por causa destas questões que Deus instituiu o dia da expiação, ordenando a cada indivíduo em Israel que afligisse a alma em um dia de descanso, para que compreendessem que, além da libertação nacional, Deus queria livrá-los do pecado.

Quando Jesus veio, o povo continuou buscando uma libertação nacional ( Jo 6:15 ), no entanto, Jesus demonstrou que veio libertar os cativos, os contritos, os aflitos de coração, pois o seu reino não é deste mundo ( Is 61:1 ; Jo 18:36 ; Mt 11:28 ).

Os contritos, aflitos, pobres, tristes, cativos são todos os que se convertem a Deus de todo o seu coração, que afligem a alma, o jejum, o clamor e o pranto ( Jl 2:12 ).

Observe o alerta do apóstolo Paulo: “MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” ( 1Tm 4:1 -3).

Para os cristãos resta o alerta paulino, pois qualquer que proíbe o casamento e que ordena abstinências, o que devem ser recebidos pelos homens com ação de graças, fala mentira, não fala segundo a verdade do evangelho.

Não se pode perder de vista que “… os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos”, e que Deus aniquilará tanto um como o outro ( 1Co 6:13; 1Tm 4:4 ).

Daniel ficou por três semanas sem comer manjar desejável, nem carne e nem vinho, e não ungiu a cabeça com óleo, pois a compreensão da visão o entristeceu muito ( Dn 10:2 -3). A tristeza de Daniel o fez abster-se de alimento, mas tal abstinência não diz do jejum estipulado por Deus, antes foi em conseqüência de ter entendido a visão de Deus.

Moisés não comeu pão e nem bebeu água por quarenta dias e quarenta noites ( Ex 34:28 ). Elias após comer o pão que o corvo lhe trouxe caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe com a força daquela comida ( 1Rs 19:8 ), e o Senhor Jesus foi guiado pelo Espírito até o deserto, e ficou quarenta dias e quarenta noites sem comer, e após, teve fome ( Lc 4:1 -2).

Moisés, Elias e Cristo jejuaram? Se tomarmos a palavra jejuar como sendo ficar sem comer e beber, pode-se ‘dizer’ que eles jejuaram.

Mas, como estavam na presença de Deus, e na presença de Deus há abundância de alegria, somente não comeram, pois lhes era impossível ‘afligir a alma’ diante da alegria verdadeira ( Sl 16:11 ).

Segundo a concepção humana de que jejuar é abster-se de alimento, Moisés e Cristo não jejuaram, mas se considerarmos o verdadeiro jejum descrito em Isaias 58, verso 13, segue-se que jejuaram. Jejuaram, mas não em decorrência de não terem comido ou bebido. Jejuaram por que: a) Não seguir seus próprios caminhos; b) Não falar suas próprias palavras; c) Não fazer a sua própria vontade, e; d) Anunciar as boas novas do evangelho ( Is 58:10 e 13).

Moisés ficou sem comer porque estava na presença de Deus. Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto e, somente após o período de quarenta dias e quarenta noites, teve fome.

O caso de Elias é peculiar, pois ficou sem comer porque o alimento entregue pelo corvo o susteve. A tristeza que Elias sentiu não pode ser confundida com a ordenança de se ‘afligir a alma’, pois a tristeza de Elias era decorrente de um sentimento humano de desilusão, enquanto o ‘afligir da alma’ decorre das questões elencadas acima.

Por não compreenderem o enigma na ordem divina de afligirem a alma em um dia de descanso os judeus faziam propósito de se absterem de alimentos, porém, os três personagens em tela foram atraídos e conduzidos por Deus por um motivo especial.

Os três personagens referenciados acima em momento algum se propuseram ficar sem se alimentar durante quarenta dias e quarenta noites contrariando ou testando as suas estruturas físicas. Nenhum deles tentou a Deus, ou seja, fez um propósito específico de ficar sem comer e beber por um período longo o bastante com o intuito de verificar se Deus estava com eles ou não.

Qualquer propósito no sentido de ficar sem se alimentar por quarenta dias e quarenta noites é o mesmo que tentar a Deus. Qualquer desafio neste sentido é contrário ao mandamento divino, pois o homem não vive de sacrifícios, mas da palavra que sai da boca de Deus “Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus” ( Mt 4:7 ; Dt 6:16 ; Ex 17:7 ).

Saulo, após ficar cego, ficou três dias sem comer e beber ( At 9:9 ), mas ficar sem se alimentar não foi o jejum exigido por Deus no capítulo 58 de Isaias. Após ser contatado pelo Senhor Jesus, Saulo se propôs a obedecê-lo “E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça?” ( At 9:6 ), e aguardou as instruções por três dias sem comer e beber “E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer” ( At 9:6 ).

Enquanto aguardava ser instruído, Saulo passou sem comer por três dias, mas o verdadeiro jejum estava ocorrendo na sua mente, pois o verdadeiro jejum é: a) Não seguir seus próprios caminhos; b) Não falar suas próprias palavras; c) Não fazer a sua própria vontade, e; d) Anunciar as boas novas do evangelho ( Is 58:10 e 13).

Quando lemos citações de jejuns na bíblia, como o caso de Ana, que apesar de ter oitenta e quatro anos, não deixava o templo e fazia jejuns e orações, deve-se ter em mente as questões culturais própria ao povo de Israel.

Apesar das questões culturais, havia em Israel alguns homens que afligiam a alma, pois aguardavam a consolação de Israel “Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele” ( Lc 2:25 ).

Quando se crê no que profetizou o profeta Simeão encontra-se paz e descanso para a alma aflita “Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos; Luz para iluminar as nações, e para glória de teu povo Israel” ( Lc 2:29 -32).

Como era comum a prática de abstenções de alimentos, votos, sacrifícios, etc., em Israel, e a influencia dos judeus convertidos sobre os demais cristãos foi grande, e tais costumes continuaram sendo aplicados em meio aos primeiros cristãos ( At 13:2 -3 ; At 18:18 ).

Embora tenha orientado os gentios no transcorrer do tempo que não lhes era necessário guardar os costumes dos judeus ( At 21:25 ), muitas práticas foram disseminadas por questões culturais, principalmente àqueles relacionadas a comida e aos dias de festas ( Gl 2:12 ).

Um exemplo claro encontra-se no comportamento do apóstolo Pedro, que apesar de estar comendo com os gentios, quando chegaram os da circuncisão, acabou se deixando envolver em questões culturais, e até Barnabé se deixou levar ( Gl 2:12 ). Tal dissimulação ocorreu quando comiam, que se dirá das abstenções impostas pelos judaizantes em seus dias de festas e jejuns ( Cl 2:11 ).

Ao escrever a Timóteo, o apóstolo Paulo alerta quanto aqueles que proíbem o casamento e que ordenam a abstinência de alimentos ( 1Tm 4:3 ), pois discursam que é possível ao homem render graças a Deus por intermédio destas privações.

O cristão não pode perder de vista que o sacrifício aceito por Deus é o de louvor, ofertado por intermédio de Cristo ( Hb 13:15 ; Rm 12:1 ; Sl 51:15 -17 ; Os 14:2 ).

A melhor recomendação aos que seguem a Cristo foi feita por Ele mesmo: “E Jesus disse-lhes: Podem porventura os filhos das bodas jejuar enquanto está com eles o esposo? Enquanto têm consigo o esposo, não podem jejuar” ( Mc 2:19 ), pois é certo que o cristão já entrou no descanso proposto, pois Cristo está com ele para todo o sempre. Amém! ( Hb 4:3 ; Mt 28:20 ).

 

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BIBLIOGRAFIA

 

ALMEIDA, João Ferreira de, Bíblia Sagrada, Edição Contemporânea, 4ª impressão, 1996, Editora Vida.

Novo Testamento interlinear grego-português. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.

 

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Vós sois templo de Deus

Destaque novamente que os seus ouvintes são templos de Deus, uma vez que antes de terem um encontro com Cristo eram pobres (necessitados) de espírito. Que todos foram limpos pela palavra do evangelho, tendo em vista que Deus concede aos que ouvem a sua palavra um novo coração e um novo espírito ( 1Pe 1:22 ). Que após obter um novo coração e um novo espírito, o homem é templo de Deus, pois Deus coloca dentro deles o seu Espírito.


“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” ( 1Co 3:16 )

Este é um esboço que tem por base uma construção temática que dá forma a um sermão expositivo.

O verso em destaque apresenta dois temas a serrem abordados pelo pregador:

  1. Os cristãos são templo de Deus “… vós que sois o templo de Deus…” ( 1Co 3:16 ), e;
  2. Deus fez dos cristãos o lugar de sua habitação “… o Espírito de Deus habita em vós” ( 1Co 3:16 ).

Os temas possuem uma relação de interdependência, visto que, uma vez que Deus ‘habita’ o templo, o templo ‘pertence’ a Deus. É impossível ser templo de Deus se Deus não habitar o homem, ou é impossível Deus habitar o homem se o homem não for templo do Altíssimo.

Antes de abordar este tema em público, o pregador precisa estar inteirado de todas as nuances que compõe a ideia de ‘templo’ de Deus sem associá-la a concepção de um templo construído por mãos humanas que serve somente como local para as reuniões solenes.

O pregador deve analisar a pergunta feita pelo apóstolo Paulo aos cristãos em Corintos e estar cônscio de como o homem e ‘construído’ como templo, e porque o Espírito de Deus passa a habitá-lo.

Quando se postar diante dos ouvintes, o pregador deve ler pausadamente o texto base, enfatizando a ideia contida na pergunta e buscar tornar evidente os elementos que dá corpo a pergunta. Se possível, que os ouvintes leiam em voz alta o verso em pauta.

Como expositor da palavra de Deus, esta pergunta deverá ser refeita várias vezes no transcorrer da pregação, o que demanda da parte do pregador colocá-la em destaque.

Para destacar a pergunta feita pelo apóstolo Paulo, basta fazer os ouvintes retroagirem no tempo. Como? Demonstrando que, se o apóstolo Paulo fez a pergunta, isto demonstra que os leitores da carta (os corintos) desconheciam que eram ‘templos de Deus’ e que o Espírito de Deus fez neles morada (habitação).

Faça estas perguntas aos seus ouvintes: – Você é templo de Deus? O Espírito de Deus habita em você? Há alguém aqui que desconhece que é templo de Deus? Deus habita em você?

Em primeiro lugar, como expositor da palavra de Deus, conscientize os seus ouvintes de que o apóstolo Paulo não inventou os conceitos de templo e habitação do Senhor.

Em que se baseou o apóstolo Paulo para afirmar que os cristãos são templos de Deus? De onde ele tirou tal concepção doutrinária? Quais são as garantias de que os que creem em Cristo são verdadeiramente templos de Deus?

Convide os seus ouvintes a lerem o profeta Isaias no capítulo 57, verso 15:

“Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

A exposição deve ser gradativa, e destaque o seguinte do verso acima:

  • Quem está dizendo por intermédio do profeta Isaias? Demonstre que a promessa foi feita por Deus “Porque assim diz o Alto e Sublime…”;
  • Destaque onde Deus habita e o nome de Deus – Deus habita na eternidade e o seu nome é Santo “… que habita na eternidade, e cujo nome é Santo”!
  • O que Deus diz? “Num alto e santo lugar habito” – Destaque que Deus habita a eternidade, ou seja, que os céus dos céus é o lugar de habitação de Deus;
  • Porém, da mesma forma que Ele habita num alto e santo lugar, Deus também diz habitar com o contrito e abatido de espírito. Vale destacar que o ‘contrito’ e ‘abatido’ de espírito corresponde aos ‘pobres de espírito’ que Jesus destacou como sendo bem-aventurados no Sermão do Monte ( Mt 5:3 );
  • Mas, porque Deus habita o coração dos contritos e abatidos? A resposta de Deus é clara: Deus passa a habitar no coração dos contritos e abatidos de espírito para lhes conceder vida “… para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos”.
  • Destaque desta forma que o apóstolo Paulo somente estava expondo a mesma verdade anunciada pelos profetas.
  • Mas, por que é necessário expor a verdade do evangelho? Porque somente através da ‘palavra de Deus’, que é Cristo, o ‘Verbo encarnado’, é que Deus vivifica o coração do homem quando passa a habitá-lo.

Compare estes versos:

“Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ).

“Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, dando-vos as firmes beneficências de Davi” ( Is 55:3 ).

Desta que:

  • Para ir (se achegar) a Deus, basta inclinar os ouvidos;
  • Se ‘der’ ouvido à palavra de Deus o homem viverá, ou seja, cumpre-se o predito em Isaias 57, verso 15;
  • Tudo isto ocorre porque Deus estabeleceu em Cristo uma aliança eterna, concedendo aos homens que n’Ele creem as mesmas beneficências que foram concedidas a Davi.

Aponte o profeta Ezequiel como mensageiro da mesma mensagem, e leia pausadamente os seguintes versos:

“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 36:25 -27 ).

Vale destacar aos seus ouvintes que eles são templos e habitação de Deus porque Ele prometeu:

  • Deus é quem fez a promessa – “Então aspergirei…”;
  • Deus prometeu aspergir água pura, ou seja, ‘água pura’ refere-se a palavra de Deus – destaque que todos cristãos estão limpos pela palavra de Deus “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” ( Jo 15:3 );
  • Demonstre que Deus fez tudo novo: novo nascimento, nova vida, nova criatura, nova natureza, pois foi criado um novo coração e um novo espírito ( 2Co 5:17 );
  • Deus colocará dentro dos homens o seu Espírito.

Destaque novamente que os seus ouvintes são templos de Deus, uma vez que antes de terem um encontro com Cristo eram pobres (necessitados) de espírito. Que todos foram limpos pela palavra do evangelho, tendo em vista que Deus concede aos que ouvem a sua palavra um novo coração e um novo espírito ( 1Pe 1:22 ). Que após obter um novo coração e um novo espírito, o homem é templo de Deus, pois Deus coloca dentro deles o seu Espírito.

Destaque também que o salmista Davi detinha tal conhecimento, pois ele disse:

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 )

Demonstre que o salmista Davi sabia que somente Deus pode criar (verbo bara) no homem um novo coração e um novo espírito, ou seja, na regeneração Deus cria tudo novo. Demonstre que o pedido do salmista é conforme o anunciado por Isaias e Ezequiel.

Mas, porque Deus cria tudo novo? Para que o Espírito do Senhor habite o seu ser, ou seja, para que o Espírito de Deus permaneça fazendo do homem morada ( Sl 51:11 ).

Destaque que os seus ouvintes são templo de Deus porque Cristo assim prometeu:

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada“ ( Jo 14:23 ).

Ou seja, aquele que ouviu a palavra de Deus passou a viver ( Is 55:3 ); está limpo pela palavra anunciada ( Ez 36:25 ; Jo 15:3 ); alcançou um novo coração e um novo espírito; tudo se fez novo; o Pai e o Filho fazem nele morada “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” ( Jo 14:23 ).

Enfatize: Sóis templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vos!

Se possível, pode ser destacado também o exposto em Ef 2:21 -22 e Hb 3:6 .

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito” ( Ef 2:20 -22).

“Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós, se tão somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” ( Hb 3:6 )

Ao final da mensagem, faça um resumo dando ênfase ao fato de seus ouvintes serem ‘templo’ de Deus e que o Espírito de Deus ‘habita’ neles.

Como subsídio, leia também o artigo O Templo de Deuspostado no portal.

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Como ser cheio do Espírito?

A ordem para encher-se do Espírito tem em vista a necessidade dos cristãos crescerem, ou seja, se fortificarem na graça e não participarem de alimentos (doutrinas enganosas) que nada aproveitam aos que a eles se entregam, por exemplo, o vinho da dissolução “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” ( 2Pe 3:18 ).


Para entender a ordem paulina expressa no verso 18 do capítulo 5 da epístola aos Efésios “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito…” ( Ef 5:18 ), por questão de didática, faz-se necessário estabelecer uma distinção entre encher-se do Espírito e ser espiritual.

Isto porque não se pode confundir a ideia de ser ‘cheio do Espírito’ que é apresentado pelo apóstolo Paulo aos Efésios no capítulo 5, com o fato de que os cristãos são casa espiritual, templo, habitação de Deus, ou seja, homens espirituais, o que contrasta com os descrentes, que são homens carnais.

Quando se lê ‘… mas enchei-vos do Espírito’, a primeira ideia que vem a cabeça de muitos cristãos é de que é possível ser mais ou menos espiritual, como se houvesse uma escala, uma gradação a ser atingida para ser espiritual, pois confundem a ideia de ser ‘cheio do Espírito’ como a condição de ‘homem espiritual’.

A bíblia destaca que é impossível ao homem ser, concomitantemente, espiritual e carnal. Ou se é homem espiritual, mesmo vivendo em um corpo de carne, ou se é homem carnal ( 2Co 10:3 ). Não há meio termo, não há gradação em se falando do Espírito de Deus, pois é impossível ser meio ou quase espiritual.

Se o cristão não compreender que os nascidos segundo a carne são homens naturais, carnais e terrenos e os nascidos de Deus são espirituais e celestiais ( 1Co 15:46 -49), jamais compreenderá a recomendação que o apóstolo dos gentios apresenta aos cristãos em Efésios.

Primeiro porque a recomendação é para os que já creram no evangelho, ou seja, nasceram de novo, mas que precisam crescer no conhecimento, até porque aqueles que ainda não creram na palavra do evangelho não compreendem as coisas de Deus “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” ( 1Co 2:14 ).

Outro ponto a se observar é que ser espiritual não decorre das ações ou omissões do cristão, antes é uma ação sobrenatural do Espírito de Deus sobre o homem por intermédio da palavra de Deus, quando o novo homem é criado em verdadeira justiça e santidade.

Ser espiritual não diz de certos momentos de adoração, de certos louvores, de certas ministrações, de lugares específicos ou templos especiais, antes refere-se a nova natureza do cristão.

O que é ser cheio do Espírito e como se encher do Espírito?

Ser ‘cheio’ é o mesmo que ser pleno, completo, estar preenchido, etc. O verbo ‘encher’ é tradução do verbo grego ‘pleroo’ e, como o verbo ‘pleroo’ está no presente do indicativo no verso 8 do capítulo 5 de Efésios, tem-se uma convocação para que os cristãos sejam plenos do Espírito.

Para obter uma resposta é essencial que se compreenda que as palavras de Cristo são Espírito e vida “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida” ( Jo 6:63 ). De igual modo, o apóstolo Paulo declarou: “A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder” ( 1Co 2:4 ).

Se as palavras de Cristo são Espírito e vida, certo é que, para se encherem do Espírito as palavras de Cristo precisam habitar plenamente os cristãos. Compare os seguintes versos e veja como eles abordam os mesmos aspectos:

  • “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração ( Cl 3:16 );
  • “…mas enchei-vos do Espírito; falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração( Ef 5:18 -19).

Quando a palavra de Cristo, que é Espírito e vida, habita o homem abundantemente, significa que ele é ‘cheio’ do Espírito, o que é diferente de fazer parte do corpo de Cristo, que é a igreja.

Quando o homem torna-se membro do corpo de Cristo por intermédio do evangelho, o homem é ‘pleno’ de Deus, pois é Cristo que cumpre tudo em todos “Que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” ( Ef 1:23 ), visto que há um só corpo (igreja) e um só Espírito (palavra) do qual todos são participantes.

Mas, quando o apóstolo Paulo ordena que os cristãos sejam cheios do Espírito, ele tem em vista a necessidade dos cristãos de compreenderem qual a dimensão do amor de Deus demonstrado em Cristo que excede todo entendimento, o que por sua vez é apresentado de modo imperativo: enchei-vos, sejam plenos “E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” ( Ef 3:19 ).

Estar limpo perante Deus é consequência da palavra anunciada por Cristo ( Jo 15:3 ), o que é diferente da ação do Espírito Santo, que foi dado para ensinar os limpos pela palavra e lembra-los do que já foi ensinado ( Jo 14:26 ).

Conhecer o amor de Cristo torna o homem cheio de toda a plenitude de Deus, pois além de se tornar uma nova criatura, homem espiritual, pertencente a Deus, visto que foi criado para a glória de Deus ( 1Co 6:20 ; Is 61:3 ), mas este novo homem deve renovar a sua compreensão ( Rm 12:2 ), o corpo deve ser apresentado como instrumento de justiça ( 1Co 10:32 ) e a alma deve refletir o mesmo sentimento que havia em Cristo ( Fl 2:5 ; At 20:24 ).

Quando o homem crê em Cristo e recebe poder para ser feito filho de Deus, é gerado de novo através da palavra (água) de Deus (Espírito) ( Jo 1:12 e Jo 3:5 ). Através do novo nascimento o homem torna-se espiritual, pois os nascidos de Deus (Espírito) é espiritual ( Jo 3:6 ).

Quando o homem é gerado de novo, da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, recebe a plenitude do Espírito, ou seja, é participante da natureza divina, pois é membro do corpo “E recebestes a plenitude em Cristo, que é o cabeça de todo principado e potestade” ( Cl 2:10 ; 2Pe 1:4 ), e tornou-se templo, casa, habitação do Espírito ( 1Co 3:16 ; 1Co 6:19 ).

Quem crê em Cristo é pleno de Deus, pois ambos: o Pai e o Filho fazem do cristão morada “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” ( Jo 14:23 ; Ez 36:27 ).

Mas, se ser homem espiritual (pleno de Deus) resume-se em que o Pai e o Filho habita o cristão, porque o apóstolo Paulo instrui para que o cristão se encham do Espírito?

Porque todos os cristãos quando são gerados de novo são comparados às criancinhas que necessitam de leite, e devem ser alimentados com leite racional, para que cresçam no conhecimento e na graça do Senhor “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo” ( 1Pe 2:2 ).

Porém, com o decurso do tempo o cristão precisa alimentar-se com alimento sólido, ou seja, precisa manejar bem a palavra da verdade “Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” ( Hb 5:14 ).

Quando o apóstolo ordena para que os cristãos se encham do Espírito, ou seja, que a palavra de Cristo habite abundantemente, ele tem por objetivo que os cristãos deixem se ser meninos, ou seja, que não mais necessitem de leite, pois o apóstolo estava preocupado com a possibilidade de alguns cristãos meninos acabassem levados por ventos de doutrinas “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento” ( Hb 5:12 ); “Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram” ( Hb 13:9 ).

A ordem para encher-se do Espírito tem em vista a necessidade dos cristãos crescerem, ou seja, se fortificarem na graça e não participarem de alimentos (doutrinas enganosas) que nada aproveitam aos que a eles se entregam, por exemplo, o vinho da dissolução “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” ( 2Pe 3:18 ).

O vinho da qual o apóstolo faz referência é o vinho dos judaizantes, visto que nele há dissolução, contenda, pois desencaminha o homem da verdade que há em Cristo “Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo” ( Is 28:7 ).

Acatar a ordem para encher-se do Espírito é rejeitar toda imundície e malicia, ou seja, é o mesmo acatar a palavra de Cristo “Por isso, rejeitando toda a imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas” ( Tg 1:21 ).

O apóstolo Paulo após verificar que a palavra de Deus fora enxertada nos cristão, ora a Deus para que eles sejam cheios do conhecimento, sabedoria e inteligência do Espírito “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” ( Cl 1:9 ).

Isto porque a palavra de Cristo são os bens, as riquezas, outorgados pelo Senhor aos que nele confiam “Porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda a palavra e em todo o conhecimento” ( 1Co 1:5 ), de modo que, Deus enche a boca do cristão de bens ( Sl 103:5 ).

O apóstolo Paulo havia escrito a crentes, ou seja, pessoas que já haviam nascido de novo, porém, eles precisavam saber que não eram tão somente salvos, antes eram filhos de Deus e possuidores de uma herança. Ele desejava que os cristãos soubessem qual é o valor de ser uma nova criatura.

Eles precisavam compreender que quem é de novo gerado é pleno de Deus, porém, não é pleno do Espírito, pois a plenitude do Espírito só é alcançada quando os de novo nascidos se alimentam do leite racional e chegam a ser participantes de alimento sólido.

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Como Deus justifica o ímpio?

Por que Deus declararia o homem justo se a real condição é culpado? Como Deus justo justifica o impio? Analise o posicionamento de alguns teólogos e verifique se o argumento deles é segundo a verdade das escrituras.


“… aquele que está morto está justificado do pecado” ( Rm 6:7 )

O Dr. Bancroft ao escrever sobre a justificação, registrou o seguinte: “O método é divino e não humano. O homem só pode justificar o inocente; Deus justifica o culpado; o homem justifica à base do mérito; Deus justifica à base da misericórdia (…) Se o homem tivesse de ser justificado nesta base, seu caráter moral teria de ser perfeito; mas ninguém é perfeito. ‘Não há homem que não peque.’ ‘Não há salvação por meio do caráter. O que os homens necessitam e ser salvos de seu caráter.’ ” Emery H. Bancroft, Teologia Elementar, Ed. EBR, ed. 2001, Pág. 256, III. (grifo nosso).

A Bíblia é clara ao dizer que Deus não tem o culpado por inocente “Que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até à terceira e quarta geração” ( Ex 34:7 ). Daí surge a pergunta: É possível Deus justificar o culpado sem contrariar a sua própria palavra? É pertinente a colocação de Bancroft? “… não justificarei o ímpio” ( Ex 23:7 ).

Jesus disse que é necessário ao homem nascer de novo e não fez qualquer referência a elementos humanos como caráter, moral e comportamento. O homem é salvo (resgatado) do pecado (condição herdada de Adão), ou de seu caráter?

Como se dá a justificação em Cristo?

Para desfazerem a aparente contradição que há em um Deus justo que justifica o homem pecador, alguns pensadores pensam a justificação como ato de clemência da parte de Deus, no qual Ele inocenta um culpado (pecador).

Outros consideram a justificação ato de juiz, onde Deus trata o pecador injusto como se fosse justo, porém, esta pessoa não é realmente justa. Neste diapasão Scofield diz: “O pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo por causa de Cristo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa” C. I. Scofield, A bíblia de Scofield com referências, nota à Rm 3: 28. (grifo nosso).

Outros apresentam o amor de Deus como base à justificação. Outros, tem na justificação um ato de Pai, que não leva em conta os erros dos filhos. Para outros, a justificação é um ato de anistia. Outros, que a justificação decorre da soberania de Deus.

Afinal, qual é a base para a justificação para que não haja uma contradição em Deus ser Justo e Justificador daqueles que creem em Cristo?

“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” ( Rm 3:26 )

A humanidade foi declarada culpada em Adão ( Rm 5:19 ). Em Adão todos os homens tornaram-se pecadores e foram destituídos da glória de Deus ( Rm 3:23 ). A salvação de Deus por intermédio de Cristo visa salvar (resgatar) o homem desta condenação ( Rm 5:18 b), e conduzi-los para o reino do Filho do seu amor ( Cl 1:13 ).

Jesus ao falar da salvação disse a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ). Este versículo demonstra que o empecilho à entrada do homem no reino dos céus encontra-se no seu nascimento. Se é necessário um novo nascimento, o antigo nascimento é a causa da impossibilidade do homem ter acesso a Deus. Todos os homens tornaram-se filhos da ira e da desobediência por serem descendentes de Adão.

A parábola das duas portas e dos dois caminho ( Mt 7:13 -14), e a figura dos vasos para honra e desonra ilustram esta realidade ( Rm 9:21 ). O acesso à porta larga e ao caminho que conduz a perdição decorre do nascimento em Adão, e o acesso à porta estreita, e ao caminho que conduz a vida, é o novo nascimento. Da mesma forma, os vasos para desonra são criados em Adão ( Rm 9:22 ), e os vasos para honra são criados em Cristo ( Rm 9:23 ).

Para reverter esta impossibilidade aos filhos de Adão, Jesus demonstra por meio do evangelho a necessidade do novo nascimento, onde aqueles que creem em Cristo são de novo gerados, de semente incorruptível, que é a palavra de Deus ( 1Pe 1:3 e 23).

A condenação se deu em Adão, e a salvação se dá em Cristo, por intermédio do lavar regenerador. Aqueles que creem são gerados de novo, para uma viva esperança pela ressurreição de Cristo.

Os nascidos de Adão foram declarados culpados e pesa sobre eles a condenação. Os nascidos de novo são justificados, ou seja, após serem criados em verdadeira justiça e santidade, a nova criatura, ou o novo homem por ser JUSTO é declarado justo por Deus.

É certo que o homem é declarado culpado por Deus por causa de uma condição adquirida em Adão. Por que Deus declararia o homem justo, se esta não é a sua real condição? Se a condenação do passado afetou toda a humanidade, por que a justiça de Cristo não é efetiva hoje?

Desta análise decorre que a justificação não é um ato de juiz, não é um ato de Pai e também não é uma ato judicial. Ou seja, a justificação decorre de um ato criativo da parte de Deus.

  • Deus jamais declarará o ímpio inocente ( Ex 23:7 ).
  • O pecador jamais será tido por inocente ( Nm 14:18 ), visto que, ‘a alma que pecar esta mesmo morrerá ( Ez 18:4 ).
  • A pena não pode passar da pessoa do transgressor ( Dt 25:1 ).
  • Outra pessoa não pode sofrer a pena no lugar do transgressor ( Ez 18:4 ).

Os princípios que constam da lei são todos levados em conta quando da justificação do homem, sem contradição alguma. Ao justificar o homem que crê em Cristo, Deus é justo e a sua declaração de justo não é direcionada a um ímpio tido por inocente.

O homem sem Cristo está morto em delitos e em pecados ( Ef 2:1 ). A condição de morto decorre da queda em Adão, porém, aquele que está morto para Deus vive para o mundo.

A bíblia nos informa que Cristo, enviado ao mundo, é o único acesso dos homens a Deus. Ele é o novo e vivo caminho consagrado em sua carne ( Hb 10:20 ). Cristo morreu pelos injustos, ou seja, a morte dele foi a favor dos injustos. Todos quantos creem no sacrifício de Cristo tornam-se participantes de sua morte, e efetivamente morrem juntamente com Ele ( Rm 6:6 -7), e passaram a viver para Deus ( Ef 2:5 ).

Quando o velho homem, a velha natureza é crucificada com Cristo, cumpre-se o que determina a lei: o pecador não será tido por inocente; a alma que pecar, esta mesma morrerá, e; a pena não passa do transgressor. Ao unir-se com Cristo na sua morte, o homem deixa de viver para o mundo, e é justificado do pecado Rm 6: 6, e declarado justo por Deus ( Rm 5:1 ).

Sabemos que o nosso velho homem, a velha natureza herdada em Adão, foi crucificada em Cristo ( Rm 6:6 ). O corpo do pecado foi desfeito por meio da nossa união à morte de Cristo, e não mais servimos ao pecado ( Rm 6:18 ). Fomos plantados juntamente com Cristo, na semelhança da sua morte ( Rm 6:5 ). Através da comunhão com Cristo tornamos participante da sua morte, e de fato morremos com Cristo ( Cl 3:3 ). Recebemos a circuncisão de Cristo, que é o despojar (desfazer) do corpo da carne herdada em Adão ( Cl 2:11 ).

Quando o homem aceita a Cristo, ele é convidado a tomar a sua própria cruz, e seguir após Cristo ( Mt 16:24 ). Ao seguir após Cristo, a lei de Deus é estabelecida: o ímpio, o pecador, o injusto recebe a pena determinada: a morte. Há o despojar do corpo da carne. A natureza condenada de Adão juntamente com o corpo que pertencia ao pecado é sepultada.

Após a união com Cristo na sua morte, dá-se o milagre da regeneração e justificação. Este é conseqüência daquele, e após a regeneração, se dá a justificação. Como?

Após tornar-se participante do corpo e do sangue de Cristo ( Jo 6:54 -56), o velho homem é sepultado a semelhança de Cristo (o batismo representa esta verdade), e ressurge um novo homem, criado segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Este novo homem vem a existência por intermédio de Cristo. É uma nova criatura em Cristo. Quando o homem regenerado surge dentre os mortos ( Ef 2:1 ), ele é declarado justo, pois esta é a sua nova condição perante Deus.

Deus é luz, e nele não há trevas nenhuma. Deus é a verdade, e jamais haveria de declarar como sendo justo, alguém que não é efetivamente justo. Deus não representaria uma farsa diante dos homens, tratando os injustos como justos, sem que tais homens sejam de fato justos. Antes de declarar o homem Justo, Deus cria o homem em verdadeira justiça e santidade. Somente após o novo nascimento o homem é declarado justo diante de Deus.

A declaração de Deus é taxativa: “Eis que faço nova todas as coisas” ( Ap 21:5 ). Como Cristo morreu por todos os homens, logo, todos os que aceitam o seu sacrifício morreram ( 2Co 5:14 ). Deixamos de viver para o mundo e passamos a viver para Deus ( 2Co 5:15 ). A nova vida em Cristo dá ao homem uma nova condição diante de Deus e dos homens: passamos a condição de nova criatura. Somos criados à imagem daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Deixamos a condição de filhos das trevas, e passamos a condição de filhos de Deus.

As coisas do velho homem, como a condenação, a ira, a carne, o pecado, todas elas já passaram, e em Cristo, eis que tudo se fez novo. Cristo se fez pecado para que sejamos feitos, ou seja, criados justiça de Deus “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” ( 2Co 5:21 ) (grifo nosso). A justificação tem a sua base em um ato criativo de Deus, onde ele faz surgir um novo homem, que é declarado justo por ser verdadeiramente justo.

As palavras traduzidas por ‘justificar’ e justificação’ significam, segundo a idéia bíblia ‘declarar justo’, ‘declarar reto’ ou ‘isento de culpa ou castigo’, condição esta possível após o homem ser gerado de novo, por intermédio de semente incorruptível ( 1Pe 1:3 e 23).

Deus declara justo somente aquele que é efetivamente justo, condição esta que se dá por meio da filiação divina ( Jo 1:12 ). Todos quantos crêem em Cristo, recebem poder para serem feitos, ou seja, criados filhos de Deus. Estes são de novo criados, não segundo a semente de Adão, mas através da palavra e do Espírito ( Jo 3:5 ), conforme o prometido nas Escrituras “Então espargirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” ( Ez 36:25 -27).

A justificação se dá por intermédio da Palavra de Deus, uma vez que é Ele quem fez espargir água pura sobre os homens. Através da palavra, o homem fica limpo e purificado. Por que? Como?

Ao homem é dado um coração novo e um espírito novo (Regeneração), conforme Jesus disse a Nicodemos, necessário vos é nascer da água e do Espírito. Após o homem nascer de Deus (Espírito) e da sua Palavra, será declarado justo, conforme predisse o salmista Davi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ).

Como apagar as transgressões dos homens? Como torná-los puros e limpos? Como resgatá-los da condenação de Adão? ( Sl 51:5 e 7 e 10). Somente após a morte da velha natureza e por intermédio de uma nova Criação. Esta condição só é possível após a circuncisão do coração!

Sabemos que qualquer incisão no coração é morte. Após a circuncisão não realizada por mãos humanas, o homem é agraciado com um novo coração e um espírito reto.

Após entendermos como se dá a justificação em Cristo, percebe-se que não há contradição alguma em Deus ser Justo e Justificador. Percebe-se que a justificação não é um ato judicial ou forense. Percebe-se que Deus não tem o culpado por inocente. Estamos alegres em saber que Deus cria (torna) o homem justo e o declara justo. O crente é declarado justo, porque é justo em Cristo Jesus.

O homem precisa ser salvo da condenação do pecado para que possa receber a declaração de justo da parte de Deus. Deus exerce misericórdia, mas isto não que dizer que ele receba o culpado como se fosse inocente. Deus só justifica o inocente, aquele que de novo é nascido, sem levar em conta méritos, caráter, moral, conduta, etc. Amém.

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Sem a Santificação ninguém verá o Senhor

Seguir ‘a paz’ e ‘a santificação’ é o mesmo que seguir ‘a justiça’, ‘a fé’, ‘o amor’ e ‘a paz’. A justiça, a fé (evangelho), o amor e a paz são progressivos? O amor de Deus não foi plenamente demonstrado através da pessoa de Cristo? Seguir a paz e a santificação com todos, é seguir a Cristo juntamente com todos os que invocam ao Senhor (Igreja), isto porque os que seguem a Cristo recebem um novo coração puro ( Mt 5:8 ; Sl 51:10 ).


 

“Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 )

O contexto de Hebreus 12, verso 14 demonstra uma mensagem de incentivo aos crentes, exortando a permanecerem olhando para Cristo, considerando o que Ele suportou pelos pecadores.

Os cristãos ainda não haviam resistido até o sangue ( Hb 12:4 ), e deveriam guardar na lembrança a exortação que os admoesta e chama de filhos, conforme preconiza Pv 3:11.

Os filhos são exortados a:

a) Não desprezar ou desmaiar (ficar amedrontado) quando for repreendido por Deus ( Hb 12:5 );

b) Conscientizar-se de que é repreendido porque foi recebido por filho ( Hb 12:8 ). O objetivo de o cristão ser repreendido está em permanecer participante da santidade de Deus “… para sermos participantes da sua santidade” ( Hb 12:10 ).

Seguindo o raciocínio do escritor aos Hebreus, o cristão deve estar tranqüilo, descansado, pois “… não tendes chegado ao monte palpável…” ( Hb 12:18 ), a semelhança do povo de Israel no deserto, que se pôs ao longe para não ouvir a voz do Senhor. Significa que o cristão não mais está sob a maldição da lei mosaica, antes, chegou ao monte Sião, que representa a graça divina.

Depreende-se da exortação que:

a) Deus disciplina os cristãos como filhos, pois qual filho há a quem o pai não corrige? Ser corrigido pelo Senhor é prova de que o cristão é participante da sua santidade, por ser recebido como filho. O proveito em ser corrigido pelo Senhor é o de já ser participante da sua santidade! Como o cristão é santificado, então? Ao tornar-se filho segundo a vontade do Senhor, e não através de suas ações!

b) “Considerai aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não canseis, desfalecendo em vossas almas” ( Hb 12:3 ). A idéia introduzida neste versículo se encerra no versículo doze: “Portanto, levantai as mãos cansada…”. Ao considerar a Cristo e a oposição que suportou, advém algumas determinações elencadas no versículo três:

  • levantai as mão cansadas;
  • levantai os joelhos vacilantes;
  • fazei veredas direitas;
  • segui a paz;
  • segui a santificação;
  • tende cuidado;
  • não seja devasso ou profano.

Se não observar a idéia geral do texto, o leitor acaba por considerar que a santificação decorre do que o homem faz quanto a essas determinações. Observe: “Considerai” a Jesus “para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas” (…) “portanto, levantai as mãos cansadas…” Aquele que considera a oposição a que Cristo foi submetido, acaba por levantar as mãos, mesmo que cansadas, e este é o objetivo apontado pelo apóstolo: “para que não vos canseis”.

Entre as determinações temos: “Segui a paz com todos, e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Para entender as determinações apregoadas pelo escritor aos Hebreus é necessário entender a extensão do significado da palavra “seguir” neste contexto bíblico.

O ‘seguir’ neste contexto personifica a ‘paz’ e a ‘santificação’. Observe este salmo:

“Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a” ( Sl 34:14 ).

O texto da carta aos Hebreus apresenta um número crescente de idéias que se somam e complementam-se desde o verso 3 do capítulo 12. O escritor solicita aos irmãos para considerarem a Jesus e o quanto ele suportou de oposição dos pecadores.

O objetivo que o escritor quer alcançar está em que os cristãos não se cansem, que não desfaleçam ( Hb 12:3 ). Ao concluir a idéia no versículo doze temos: levantai as mãos cansadas! A determinação de ‘não canseis’ deve atingir a totalidade do homem: mãos, joelhos e pés! Estes membros, por sua vez, são os responsáveis pela movimentação do homem, o que remete a veredas, desviar e seguir dos versos 12 e 13 ( Hb 12:12 – 13).

O seguir a paz diz da disposição que os discípulos devem possuir ao seguir as pisadas de seu Mestre. O cristão deve seguir a Cristo, que é a ‘nossa Paz’, considerando aquilo que Ele sofreu. Compare: “Pois ele é a nossa paz, a qual de ambos os povos fez um, e destruiu a parede de separação, a barreira de inimizade que estava no meio, desfazendo na sua carne” ( Ef 2:14 ).

Os dois versículos têm idéias distintas com relação à paz: o primeiro fala do caminho que o cristão deve trilhar, ou seja, um caminho de paz! Aqui não está dizendo que o cristão deve ter paz com todos os homens, antes que todos devem seguir a Cristo, a ‘nossa paz’.

O versículo de Paulo aos Efésios por sua vez fala de paz, entretanto, mostra a paz estabelecida entre os chamados dentre dois povos, que se tornaram a igreja de Cristo (gentios e judeus), através da morte de Cristo.

O sentido exato sobre o ‘segui a paz’ está expresso em Colossenses: “Portanto, assim como recebeste a Cristo Jesus, o Senhor, assim também andai nele” ( Cl 2:6 ), diferente do sentido que alguns querem dar e que encontramos em Romanos: “Se for possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens” ( Rm 12:18 ).

Da mesma forma que se diz: ‘segui a paz’, devemos entender o ‘segui a santificação’. Não há neste texto qualquer idéia que dê suporte ao pensamento de que é preciso ao cristão santificar-se gradativamente. O ‘seguir’ a santificação diz da necessidade do cristão andar conforme aquele que o santificou.

Neste ponto temos uma ressalva do escritor: “Sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Observe os textos seguintes:

“Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 );

“Sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 );

“Bem aventurado os puros de coração, porque eles verão a Deus” ( Mt 5:8 ).

Através destas comparações pode-se observar que a Santificação só é alcançada através da filiação divina, e não através de esforços humanos, ou em ‘cooperar’ com Deus.

Alguns consideram que o homem é santificado através de uma renuncia pessoal ao pecado, ou através de um auto-julgamento, ou de perseguir uma santidade progressiva.

Observe está comparação:

“Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá ao Senhor” ( Hb 12:14 0;

“Foge também dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” ( 2Tm 2:22 ).

Seguir ‘a paz’ e ‘a santificação’ é o mesmo que seguir ‘a justiça’, ‘a fé’, ‘o amor’ e ‘a paz’. A justiça, a fé (evangelho), o amor e a paz são progressivos? O amor de Deus não foi plenamente demonstrado através da pessoa de Cristo?

Seguir a paz e a santificação com todos, é seguir a Cristo juntamente com todos os que invocam ao Senhor (Igreja), isto porque os que seguem a Cristo recebem um novo coração puro ( Mt 5:8 ; Sl 51:10 ).

Cristo estabeleceu a Paz e Santificou os Cristãos pela fé em seu nome ( At 26:18 ). A santificação é obra exclusiva de Deus por intermédio de Cristo.

Diante desta obra maravilhosa realizada por Deus, o escritor aos Hebreus utiliza-se de um recurso próprio à linguagem (metonímia) para fazer referência à obra maravilhosa realizada por Cristo. Ele empregou o termo “santificação”, que se refere à obra realizada, em lugar do Autor da santificação, dada a possibilidade de associação entre Cristo e a sua obra.

Metonímia – é um emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles.

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A vontade que santifica

A vontade do homem nada pode contra a sua própria natureza. A vontade do homem não afeta a sua própria natureza em nada, por isso, quando pecador, por mais que tenha vontade de deixar de ser pecador, permanece escravo do pecado. Por mais que queira livrar-se do seu senhor, jamais conseguirá, se não se socorrer de Deus. Por isso a Bíblia diz: “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ). A vontade do etíope pode mudar ou influenciar a sua própria cor? Se depender da vontade própria, tanto o etíope quanto o leopardo continuarão na mesma condição que vieram ao mundo.

 


“Nesta vontade é que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas” ( Hb 10:10 )

A Vontade que Santifica

A Santificação do homem não ficou a cargo de sua própria vontade e ações. O escritor aos Hebreus enfatiza que a Santificação decorre da vontade de Deus.

É ‘nesta vontade’, ou seja, na vontade de Deus, através da oferta do corpo de Cristo, que os cristãos são santificados. O escritor aos Hebreus ao enfatizar a eficácia do sacrifício de Cristo estabelece um contraste com a lei de Moisés, demonstrando que é por meio da vontade de Deus que o homem é santificado.

O Dr. Shedd em seu livro, Lei, Graça e Santificação disse que:

“O cerne da pecaminosidade humana reside na vontade própria” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, ed. 1998, Editora Edições Vida Nova, Pág. 57.

A Bíblia demonstra que, bem antes do homem pecar, Deus concedeu a ele vontade. Ela também demonstra que os seres angelicais possuem vontade própria. Seria a vontade a essência do pecado? Não! O pecado decorre da natureza decaída, que é contrária a natureza de Deus e é inimiga de Deus.

A vontade do homem nada pode contra a sua própria natureza. A vontade não afeta a natureza do homem, por isso, quando pecador, o homem é escravo do pecado. Por mais que queira livrar-se do seu senhor, jamais conseguirá, se Deus não intervir.

Por isso a bíblia diz: “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ). A vontade do etíope pode influenciar a sua cor? Se depender da vontade própria, tanto o etíope quanto o leopardo continuarão na mesma condição que vieram ao mundo.

De igual forma, qualquer um dos homens sem estar em Cristo, mesmo que deseje fazer o bem, jamais poderá fazê-lo, porque a sua natureza pecaminosa não permite. Não é questão de vontade, e sim de natureza ( Mq 7:2 ; Sl 14:3 ).

Por isso Jesus disse: “Não pode a árvore boa produzir maus frutos, nem a árvore má produzir frutos bons” ( Mt 6:18 ). Não é questão de vontade, visto que muitos neste mundo desejam fazer boas ações, porém, por não estarem em Deus, as suas ações, por mais nobres que sejam, são fruto de uma árvore que o Pai não plantou.

Nenhum homem que não tenha nascido de novo pode produzir o bem, mesmo que a sua vontade seja sempre fazer o bem aos seus semelhantes “Toda planta que meu Pai celeste não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ).

Como ser uma planta plantada pelo Pai? Fazendo conforme a vontade d’Ele que é: “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou” ( 1Jo 3:23 ). Observe que só a vontade de amar o semelhante não salva, antes é preciso amar conforme o mandamento que Deus ordenou: que creiamos no nome do seu Filho. Melhor dizendo, é impossível amar sem crer em Jesus Cristo. O amor como sentimento não torna o homem uma árvore plantada pelo Pai.

O escritor aos Hebreus, após demonstrar que a lei nunca pode aperfeiçoar os que a cultuavam, apresenta o sacrifício de Cristo ofertado por Deus.

A lei não podia aperfeiçoar, ou seja, tornar justos e santos aqueles que a cultuava por alguns fatores:

  1. A lei não trazia em si a imagem exata das coisas, mas tinha em si a ‘sombra’ dos bens futuros; os ‘bens futuros’ refere-se à graça do evangelho;
  2. continuamente os sacrifícios eram oferecidos, mas ineficazes quanto ao aperfeiçoamento do homem; se os sacrifícios da lei fossem eficazes, no primeiro sacrifício oferecido, já não haveria mais a necessidade de oferecer outros sacrifícios ( Hb 10:1 -2).

A triste realidade quanto aos sacrifícios da lei resume-se na frase: “Mas esses sacrifícios cada ano se faz recordação de pecados, pois é impossível que sangue de touros e de bodes tire os pecados ( Hb 10:3 -4). O escritor aponta a realidade da impossibilidade da lei para introduzir o poder de Deus através da oferta do corpo de Cristo, pois n’Ele torna-se possível a extinção dos pecados.

Diante da impossibilidade do homem tornar-se perfeito diante de Deus (‘Pelo que, ao…’ refere-se à impossibilidade humana de livrar-se do pecado por meio do sangue de touros e bodes) descrito anteriormente pelo escritor ( Hb 10:4 ), é introduzida uma nova ideia que leva o leitor da carta a lembrar-se do que o salmista havia predito sobre a vinda de Cristo ao mundo: “Pelo que, ao entrar no mundo, diz: sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste; não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado. Então eu disse: aqui estou (no rolo do livro está escrito de mim) para fazer, ó Deus, A TUA VONTADE ( Sl 40:6 -7).

Os sacrifícios segundo a lei nunca pode tirar os pecados dos homens, mas Deus sim. Não era a oferta e os sacrifícios que podiam livrar os ofertantes da condição de pecado, antes, o ofertante precisava crer em Deus que purifica o homem do pecado ( Sl 51:7 ).

Somente Deus pode criar um coração puro e um espírito novo ( Sl 51:10 ). Após a ação divina é que Deus aceitaria do homem, no A. T., as suas ofertas e sacrifícios ( Sl 51:19 ). A esperança do homem não devia estar nos holocausto, e sim em Deus, que tem poder de circuncidar aos homens nos corações.

A lei era somente sombra dos bens futuros, e nunca pode livrar o homem do pecado por intermédio dos seus sacrifícios. A necessidade do contínuo sacrifício devia-se a impossibilidade dos sacrifícios tirar pecados ( Hb 10:11 ), e constitui-se de per si uma recordação da condição do homem em pecado.

Deus não se deleita em ‘holocaustos e oblações pelo pecado’, pois eles são mera recordação da condição do homem ( Sl 51:16 ). Mas, quando se crê em Deus que tem poder para purificar o homem do pecado ( Sl 51:7 ), então, Deus aceitaria o sacrifício segundo a ‘sombra’ ( Sl 51:19 ; Is 66:3 ). Caso o homem queira se aproximar de Deus por intermédio das obras da lei, sem confiar, permanecerá na mesma condição que veio ao mundo: condenável, culpável e destituído da glória de Deus.

  • “Não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado” ( Sl 40:6 );
  • “… nesses sacrifícios cada ano se faz recordação pelos pecados” ( Hb 10:3 )

Diante da impossibilidade do homem, Deus preparou um corpo a Cristo. Como? Cristo nasceu segundo a vontade de Deus, ou seja, à parte da vontade do homem! Se dependesse só da carne, Cristo não viria ao mundo, pois Maria não havia coabitado com José. Se dependesse da vontade de José e Maria, Cristo não viria ao mundo, pois para ser o Santo de Deus era necessário ser gerado pelo Espírito Eterno ( Jo 1:13 ).

Cristo veio ao mundo dos homens segundo a vontade de Deus, e para isto, foi-lhe preparado um corpo ( Hb 10:5 ). Ao ser introduzido no mundo, Cristo tornou-se “participante da carne e do sangue”, conforme a bíblia diz: “Portanto, visto que os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas (…) pelo que convinha que em tudo fosse semelhante a seus irmãos…” ( Hb 2:14 e 17).

Após Cristo estar de posse de seu corpo humano, ou seja, o Verbo de Deus introduzido no mundo, Ele diz: “Aqui estou, para fazer, ó Deus, a tua vontade… ”. Cristo veio realizar a vontade de Deus, e é através da vontade de Deus que os cristãos são santificados, por intermédio da oferta do corpo de Cristo.

Deus, em justiça e santidade determinou que, através da oferta do corpo de Cristo, todos os homens que crerem terão acesso ao Santo dos Santos por um novo e vivo caminho. Ou seja, somente pode se achegar a Deus aqueles que são santos, ou que foram santificados.

Qual a vontade de Deus que Cristo se ofereceu para realizar: a oferta do Seu próprio corpo. Tal oferta foi feita de uma vez por todas. No sacrifício de Cristo há os méritos seguintes:

a) uma vez por todas, ou seja, o sacrifício é completo de per si. Não há a necessidade de ser complementado por atividades humanas ( Hb 10:11 -12);
b) um único sacrifício com validade eterna: para sempre, e por isso, Cristo se assentou à destra de Deus ( Hb 10:12 );
c) os que são santificados tornam-se perfeitos “… porque com uma só oferta aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados ( Hb 10:14 ).

Atributos morais não fazem os cristãos perfeitos. A Santificação em Cristo não decorre de atributos morais, ou de uma melhoria no caráter, ou de qualquer outro elemento humano para ‘progredir’ em santificação diante de Deus, pois os que creem já são perfeitos pela natureza adquirida em Cristo: filhos de Deus, filhos da luz “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” ( 1Ts 5:5 ).

Os que se convertem ao evangelho por crerem em Cristo tornam-se perfeitos por terem adquirido a natureza do Santo, ou seja, por receberem a plenitude d’Ele.

“… aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” Os que ‘estão sendo santificados’ diz de pessoas que aceitam a Cristo ao longo do tempo, e não de um processo de santificação ( At 2:39 ). Este versículo não dá sustentação à teoria da santificação progressiva ( Hb 10:14 ).

Muitos querem fazer a obra de Deus, mas esquecem que somente Deus pode realizar a sua obra. A obra de Deus, a salvação, é algo já realizado. Não foi dado aos homens e nem aos anjos realizar a obra de Deus, pois é uma obra concluída ( Hb 10:12 ).

Alguns ouvintes de Jesus desejavam saber qual era a obra de Deus, no intuito de realizá-la, e Jesus lhes respondeu: “A obra de Deus é esta: crede naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). Como isto é possível? Quando o homem crê em Cristo conforme a Escritura, ele recebe de Deus poder para ser feito filho de Deus.

É quando o homem crê que a obra maravilhosa da Regeneração acontece. Deus dá ao homem uma coração puro e um espírito reto, e o declara justo por ser uma nova criatura inculpável ( Ef 4:24 ). Esta nova criatura é Santa por ser participante da natureza de Deus, diferente dos homens no pecado, que são inimigos de Deus por causa da natureza herdada de Adão.

A base da Justificação e da Santificação se apóia no poder de Deus. Para que o homem seja de novo gerado, precisa da semente incorruptível que é poder de Deus para aquele que crê. Quem crê recebe de Deus poder para ser feito (criado) filho de Deus, ou seja, recebe a ação sobrenatural do evangelho ( Jo 1:12 ).

Cristo nunca perdoou pecado com base na idéia da justiça que se administra nos tribunais, e sim, com base em seu poder “Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Que arrazoais em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:22 -24).

Cristo foi ofertado para que, da mesma forma que Ele foi erguido dentre os mortos, nos também sejamos vivificados através do poder de Deus ( Cl 2:12 ). É através da suprema grandeza do poder de Deus, que foi manifesto em Cristo, quando o ressuscitou dentre os mortos, que o crente assenta nas regiões celestiais ( Ef 1:19 -20 e Ef 2:6 ).

Foi da vontade de Deus que Cristo fosse entregue aos malfeitores. Cristo por sua vez ao se oferecer, fez a vontade do Pai. É através da vontade de Deus que os que creem em seu Filho são predestinados a Filhos por adoção. Deus tornou conhecido estes mistérios concernentes à sua vontade. É a vontade de Deus que nos faz herança para louvor da sua graça e glória.

É nesta vontade que temos sido santificados: através da oferta do corpo de Cristo.

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Como obter a Santificação?

Ser santo não implica em ser distinto. A santidade de Deus não é pertinente àquilo que difere, e sim, à Sua natureza. Como a santidade procede da natureza de Deus, jamais ela pode ser atribuída ou imputada, antes decorre da Regeneração (gerar de novo), onde o homem passa a ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:3 ).

 


 

“E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 )

Como obter a Santificação?

O Dr. Russell Shedd, em seu livro Lei, Graça e Santificação deixou a seguinte nota:

“Deus quer filhos à Sua imagem, que imitem a Sua santidade” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 55, o que nos leva à pergunta: a santidade dos filhos de Deus provem da capacidade deles em ‘imitar’ a santidade do Pai, ou por terem sido gerado d’Ele?

A Bíblia é muito clara ao demonstrar que a regeneração, a justificação e a santificação são provenientes de Deus por meio da fé em Cristo quando o homem recebe poder de ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 -13).

  • Através da fé em Cristo o homem é Santificado: “Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de Satanás a Deus; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim( At 26:18 );
  • De igual forma, o homem é Justificado pela fé em Cristo: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” ( Gl 2:16 );
  • A Regeneração é por meio da fé: “Necessário vos é nascer de novo (…) para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna” ( Jo 3:7 e 15).

Através dos versículos acima, verifica-se que a fé é o elemento comum e essencial à regeneração, à santificação e à justificação.

Por meio do evangelho, Deus oferece Salvação graciosa a todos os homens que estão perdidos, sendo que a Salvação é adquirida pela fé em Cristo: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” ( Ef 2:8 ).

O chamado de Salvação é para todos os homens, sem distinção alguma. Porém, somente quando o homem crê em Cristo, ou seja, descansa na promessa proposta, entra em ação o poder de Deus, que é concedido àqueles que creem para Salvação ( Jo 1:12 ).

A oferta de salvação é proposta ao homem na condição de pecador, porém, o homem não pode ser salvo enquanto pecador. É neste ponto que Deus realiza uma obra maravilhosa, segundo a sua vontade e poder: a Regeneração.

O homem que recebe a proposta de salvação e crê, tem que morrer, e verdadeiramente morre com Cristo, sendo sepultado com Ele. Isto porque Deus não salva a planta que não foi plantada por Ele, antes ela é arrancada ( Mt 15:13 ).

A semente incorruptível que foi plantada no coração do homem, somente germina quando este morre e é sepultado com Cristo “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” ( Jo 12:24 ). Neste sentido, Cristo não veio trazer conciliação com a velha natureza presente no homem, mas sim, trazer espada ( Mt 10:34 ).

Na Regeneração Deus cria um novo homem. Este é gerado de Deus “Segundo a sua vontade, Ele nos gerou de novo…” ( Tg 1:18 ; Ef 2:10 ). O homem passa a ser a planta plantada pelo Pai. Esta nova criatura, e somente esta, recebe a Salvação de Deus. A oferta de Salvação foi feita ao homem na condição de pecador, mas a Salvação se efetiva naqueles que são de novo criados, segundo Deus ( Jo 1:12 -13).

Na Regeneração o homem ressurge com Cristo uma nova criatura, e somente este homem pode receber o prêmio da salvação, por não permanecer no pecado. Pois para isso Cristo ressurgiu “E, se Cristo não foi ressuscitado, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” ( 1Co 15:17 ).

Da Regeneração decorre a Justificação e a Santificação. A Justificação refere-se à declaração de Deus à nova criatura, visto que ela foi criada segundo a natureza divina: justa. Deus declara justo o justo que ressurgiu com Cristo dentre os mortos. Isto, porque não haveria como o velho homem que recebeu a proposta de salvação ser declarado justo. Na justificação entende-se também que o homem está livre da condição anterior, quando vivia no pecado.

Já, a Santificação refere-se à nova natureza recebida na Regeneração. Quando o homem é sepultado com Cristo, ele se reveste das condições pertinentes a Cristo ( Gl 3:27 ). Deus não tem o culpado por inocente, mas por sermos vivificados com Cristo, alcançamos o perdão de todos os delitos ( Cl 2:13 ).

O cristão não vive mais à ‘sombra das coisas futuras’, a Santificação é uma realidade na sua vida, pois a realidade é Cristo ( Cl 2:17 ). Não depende de esforço da parte do homem, visto que, ao ser de novo gerado, temos nos tornados participante de Cristo ( Hb 3:14 ; 1Jo 4:17 ).

A Salvação em Cristo é adquirida por meio da fé, sendo que, aqueles que creem recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ). A filiação divina é adquirida por meio da fé na mensagem do evangelho (a semente incorruptível). Por meio da semente incorruptível o homem recebe poder para ser feito, criado, ou gerado de novo “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade…” ( Tg 1:18 ).

O Novo Nascimento é condição indispensável à salvação, conforme Jesus disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ). Somente pela fé é possível alcançar a Regeneração, pois apenas os gerados de novo podem herdar a salvação ( Jo 3:16 ). O pecador não poder ser salvo, somente o novo homem é salvo.

Não podemos esquecer que o velho homem originou-se da queda de Adão, e que a condição de culpável, condenável, inimigo de Deus e destituído da glória de Deus passou a todos os homens. Por natureza o homem nascido segundo a semente corruptível de Adão é filho da desobediência e da ira. Todos os homens que vêem ao mundo estão em igual condição diante de Deus ( Rm 5:18 ). A argumentação de Paulo de que todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus se fundamenta na natureza decaída que a semente de Adão produz ( Rm 3:23 ).

Após crer em Cristo, o homem recebe de Deus poder para ser feito (criado), filho de Deus. Este homem criado ou gerado segundo a vontade e poder de Deus é declarado justo. É o que denominamos justificação. A justificação divina não guarda semelhança com a justiça emanada dos tribunais humanos. Somente o novo homem gerado segundo a palavra da verdade pode ser declarado justo por Deus, visto que este novo homem é participante da natureza divina, por ter sido de novo criada em verdadeira justiça.

O homem que estava morto em delitos e pecados, após ouvir o convite e crer no evangelho (que é poder de Deus para que o homem seja criado segundo Deus), ressurge com Cristo dentre os mortos, nova criatura. Esta nova criatura é declarada justa por Deus. Para que fossemos declarados justos, Jesus ressuscitou, e, ao ressurgimos juntamente com Ele, somos declarados justo em decorrência da nova vida ( Rm 4:25 ).

Da mesma maneira que a Justificação, a Santificação vem por meio da filiação divina. O homem nascido segundo a vontade de Deus é participante da natureza divina ( 2Pe 1:4 ). Segundo o poder de Deus, o homem que crê, é criado novamente em verdadeira justiça e santidade.

Observe que a vontade eterna de Deus é que Cristo seja primogênito dentre os mortos e de toda a criação, para que em tudo tenha a preeminência ( Cl 1:15 e 18). Em Cristo, o homem é uma nova criatura ( 2Co 5:17 ), sendo gerado de novo e tido por Deus como filhos por adoção ( Rm 8:15 ). Por meio de Cristo é conduzido à glória de Deus muitos filhos ( Hb 2:10 ), onde a condição de preeminência de Cristo diante de toda criação se torna efetiva.

Quando os homens que creem são recebidos por filhos de Deus, irmãos de Cristo e herdeiros com Ele de todas as coisas, é conferido a Jesus a condição de primogênito de toda criação e dos mortos. Pois só é possível alguém reclamar o direito de primogenitura quando se tem irmãos. O unigênito que nos fez conhecer o Pai, agora, após conduzir muitos filhos a Deus, torna-se o primogênito de toda criação.

Desta forma, Deus quis e gerou pelo Espírito Eterno filhos para si. Filhos à sua imagem e semelhança, que receberam d’Ele a plenitude ( Cl 2:10 ). Estes não precisam imitar o Pai em sua santidade, antes são gerados de novo e detém a natureza do Pai: santos. Não há como imitar a santidade de Deus, visto que ela decorre da própria natureza divina. Deus é santo do mesmo modo que é justo, onipresente, reto, verdadeiro, etc.

Sobre este aspecto Jesus alertou: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ). Quais são as plantas que o Pai não Plantou? Aqueles nascidos da semente corruptível de Adão! Já os nascidos de semente incorruptível, que é a Palavra de Deus, são ‘plantas’ plantadas pelo Pai ( Jo 3:9 ; 1Pe 1:23 ).

A santidade daqueles que creem não pode ser uma mera imitação. Ela deve ser autentica, ou seja, em verdade. A santificação não fica a cargo do homem, e sim, de Deus.

É Deus que tem o poder de dar nova vida ao homem. Vida que procede d’Ele e que faz o homem ser participantes da sua natureza. Deus é luz, e aqueles que creem em seu Filho tornam-se filhos da luz “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles” ( Jo 12:36 ; 1Ts 5:5 ).

Da mesma forma que a justificação é de vida, a santificação também o é ( Rm 5:18 ).

O Dr. Shedd ao falar da santificação e justificação, argumentou que:

“Enquanto a justificação (grego dikaiosune) foi uma declaração de absolvição, da parte de Deus, que nos deu o status de santos, sem nenhuma condenação (Rm 8. 1) não entendemos a santificação da mesma maneira. Paulo chama a igreja de Corinto, aquela singularmente mundana e carnal, como composta dos que são ‘santificados em Cristo Jesus’ (I Co 1. 2). Obviamente os que recebem o Espírito de Deus, incorporados em Cristo, são posicionalmente santos. Por isso um dos títulos mais comuns atribuídos à Igreja no Novo Testamento é ‘santos’. Neste sentido os dois vocábulos, ‘justo’ e ‘santos’, são sinônimos” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, 2º ed, 1998, ed. Edições Vida Nova, Pág. 56.

A Justificação não é uma declaração de absolvição. O termo justificação significa declarar justo. Justificação é uma declaração de que é justo aquele que verdadeiramente é justo. Deus não absolve o culpado, pois o culpado não pode ser tido por inocente ( Na 1:3 ).

Na justificação o homem não adquire ‘status’ de justo, antes adquire a justiça que é proveniente de Deus. Qual é a justiça proveniente de Deus? Uma nova vida “… justificação de vida” ( Rm 5:18 ), onde tudo se fez novo. Até o tempo é novo: tempo de paz, gozo e alegria no Espírito Santo de Deus. Deus declara justa a nova criatura que é criada através do seu poder regenerador. A velha criatura recebe o que preconiza a lei quando o homem é crucificado com Cristo: a alma que pecar, essa morrerá!

A Santificação e a Justificação não são posicionais e por isso, não são sinônimas. A Justificação refere-se à declaração que o Cristão recebe de Deus, e a Santificação à nova natureza do Cristão.

Estes equívocos na abordagem do Dr. Shedd ocorrem por ele entender que a pecaminosidade da humanidade reside na vontade própria, sendo que a bíblia demonstra que a pecaminosidade decorre da natureza herdada em Adão.

Ser santo não implica em ser distinto. A santidade de Deus não é pertinente àquilo que difere, e sim, à Sua natureza. Como a santidade procede da natureza de Deus, jamais ela pode ser atribuída ou imputada, antes decorre da Regeneração (gerar de novo), onde o homem passa a ser participante da natureza divina ( 1Pe 1:3 ).

Sobre este aspecto o apóstolo Pedro escreveu: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 1Pe 1:3 -4).

Deus chamou os que creem pela sua glória e virtude, ou seja, os cristãos foram chamados para louvor de sua glória e em amor, que é virtude de Deus ( Ef 1:4 -6). Para participar da natureza divina, os cristãos foram abençoados com a predestinação, ou seja, aqueles que creem em Cristo não possuem outro destino, se não, serem filhos de Deus.

Só é possível escapar da corrupção que há no mundo (natureza pecaminosa herdada em Adão), quando se torna participante da natureza divina (filiação). Tudo isto é dado aos cristãos através do poder de Deus, que concede vida, contrastando com a condição antes de se ter a Cristo: morte.

Esta nova vida deve ser desfrutada em piedade, ou seja, o cristão deve andar segundo as boas obras que Deus preparou ( Ef 2:10 ).

Como Deus desejou ter filhos para que o seu Filho obtivesse a preeminência em tudo, os cristãos são feitura Sua, criados em Cristo e à Sua imagem, em verdadeira Justiça e Santidade ( Ef 2:10 e Ef 4:24 ).

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