Salmo 33 – Cristo é a alegria do Senhor

O salmista espera em Deus, pois Ele é salvação (auxilio e escudo), ou seja, alegria, força (v. 21). Somente os retos, os justos, podem cantar este cântico novo e alegrar-se no Senhor ( Sl 32:11 ), pois a alegria do Senhor, que é Cristo, é a nossa salvação ( Ne 8:10 ), pois o Pai dele disse: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” ( Mt 17:5 ).


O leitor das Escrituras só se apercebe da grandeza que este Salmo de Davi apresenta quando considera que, em sua grande maioria, os salmos são previsões acerca do Messias prometido.

Se o leitor não considerar que o rei Davi separou alguns homens para profetizarem com harpas ( 1Cr 25:1 ), e que em suas previsões falavam de Cristo ( At 2:30 ) e, que o próprio Cristo deixou claro que as Escrituras testemunhavam acerca d’Ele ( Jo 5:39 ), não fará uma boa leitura e interpretação, pois o salmista não deu testemunho de si mesmo, antes pelo Espírito falou do Descendente.

 

1 REGOZIJAI-VOS no SENHOR, vós justos, pois aos retos convém o louvor.

Quando o salmista anuncia que o homem deve regozijar-se, alegrar-se, ele demonstra que a ‘alegria do Senhor’ é a força, a salvação, do homem ( Ne 8:10 ; Is 35:10 ). Alegrar-se é o mesmo que confiar no Senhor, pois todos quanto s n’Ele confiam são salvos e, há alegria nos céus por um pecador que se arrepende ( Lc 15:10 ).

Somente os justos, os resgatados pelo Senhor, podem alegra-se n’Ele. É necessário estar n’Ele, unido a Ele para ser participante da salvação, da alegria, ou seja, da bem-aventurança “E os resgatados do SENHOR voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” ( Is 35:10 ).

Quando o salmista diz que ‘somente aos retos convém o louvor’, ele apresenta implicitamente a ideia do verdadeiro adorador, pois só os retos, os justos, podem louvar a Deus em espírito e em verdade ( Jo 4:23 ).

Os retos foram de novo criados para louvor e glória da graça de Deus ( Ef 1:12 ). Somente aos retos convém o louvor a Deus, visto que o louvor, a adoração, só é aceitável quando se é justo, visto que tudo o que é pertinente ao injusto é inaceitável. A própria existência do justo constitui-se em louvor a Deus que os criou de novo em verdadeira justiça e santidade “A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ; Is 61:11 ; Hb 3:3 ).

Só é possível glorificar ao Senhor quando se é plantado por Ele. Qualquer que não for gerado de novo através da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, jamais poderá glorificá-lo “Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ); “…plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado” ( Is 61:3 ).

 

2 Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas. 3 Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo.

Só é possível louvar a Deus quando de posse de instrumentos musicais? O que entender por louvar a Deus com harpa, saltério e instrumentos de corda? Qual é o cântico novo?

Só toca ‘bem’ e com ‘alegria’ aquele que anuncia o Cristo de Deus, pois Ele é a ‘aliança do povo’ e a ‘luz dos gentios’ ( Is 42:6 ), Cristo é o que ‘abre os olhos aos cegos’ e ‘tira da prisão os encarcerados’. Cristo é o Senhor e não dará a sua glória a outrem, e foi Ele que anunciou as novas coisas que havia de criar ( Is 42:8 -12).

O louvor é segundo o ministério da profecia, ou seja, segundo a palavra que Deus anuncia antes que as coisas vêm à existência ( Is 42:9 ), o cântico novo ( Is 42:10 ), porque em anunciar a palavra de Deus dá-se glória, louvor ao Senhor “Deem glória ao Senhor, e anunciem o louvor nas ilhas” ( Is 42:12).

Para louvar ao Senhor segundo a convocação do salmista, ou seja, com harpa, saltério e instrumento de dez cordas, é necessário ter o ministério da profecia, pois segundo este ministério alguns homens profetizarem sob a direção do rei ( 1Cr 25:2 ).

O louvor é proveniente do exercício do ministério da palavra, que produz ações de graças e louvores, e não dos instrumentos musicais. É por isso que o apóstolo Paulo recomenda: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração” ( Ef 5:19 ).

Todos que compreendem que a grandeza dos salmos está no fato de que eles são profecias, predições, e que o som de harpas, alaúdes e saltérios não é a essência dos Salmos ( 1Cr 25:1 ), e que através dos Salmos se anuncia o Cristo, produz ações de graças e louvores ao Senhor ( 1Cr 25:3 ).

Falar salmos, hinos e cânticos é produzir o fruto exigido por Deus, pois Deus só é glorificado em que se dê muito fruto “Eu crio os frutos dos lábios: paz, paz, para o que está longe; e para o que está perto, diz o SENHOR, e eu o sararei” ( Is 57:19 ); “Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” ( Jo 15:8 ).

Ora, para glorificar o Pai é necessário o fruto, ou seja, professar a Cristo ( Hb 13:15 ), e só é possível tal fruto quando se está ligado na Oliveira verdadeira ( Jo 15:4 ), pois o fruto, a palavra, é proveniente de Deus ( Os 14:2 ).

 

4 Porque a palavra do SENHOR é reta, e todas as suas obras são fiéis. 5 Ele ama a justiça e o juízo; a terra está cheia da bondade do SENHOR. 6 Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca. 7 Ele ajunta as águas do mar como num montão; põe os abismos em depósitos.

O verso 4 contextualiza os versos anteriores. O louvor a Deus, o cântico novo, só é possível através da palavra do Senhor.

A palavra do Senhor não é um ente impessoal, antes diz de Cristo, o Verbo que se fez carne e habitou entre os homens ( Jo 1:1 ). Cristo fez os céus e a terra ( Jo 1:3 ), conforme atesta o escritor aos Hebreus ao citar o Salmo 102, verso 5 “E: Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; E todos eles, como roupa, envelhecerão, E como um manto os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, E os teus anos não acabarão” ( Hb 1:10 -12).

Observe que, de tudo que o salmista relata tem por objetivo apresentar Cristo aos seus compatriotas. Por ter sido concedido aos homens o privilegio de ser-lhes manifesto a palavra da vida, que é justiça e juízo, a terra esta plena da bondade de Deus.

O verso seis demonstra que os céus foram criados por Cristo e, que pelo Espírito (palavra) da sua boca, todos os anjos de uma só vez vieram a existência, ou seja, foram criados ( Cl 1:16 ; Ap 4:11 ).

Mas, de toda obra realizada por Cristo, a obra que Cristo realizou na terra é a maior, pois dela advém o louvor a sua graça e misericórdia. Cristo é a plenitude da bondade de Deus demonstrada aos homens “Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer” ( Jo 17:4 ).

 

8 Tema toda a terra ao SENHOR; temam-no todos os moradores do mundo. 9 Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu.

Nestes dois versos temos a ordem e o motivo da ordem. Temam ao Senhor, ou seja, obedeçam-No.

Temer é obedecer, o que não tem relação com medo, pois o amor lança fora o medo. Cristo é o amor de Deus demonstrado aos homens e, foi Ele quem falou e mandou e o mundo foi criado, portanto, necessário é obedecê-lo ( 1Jo 4:18 ).

Mas, como obedecer (temer) a Cristo? Obedecendo a palavra do Evangelho “Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR” ( Sl 34:11 ). O temor do Senhor não é um sentimento, antes é conhecimento que deve ser transmitido.

 

10 O SENHOR desfaz o conselho dos gentios, quebranta os intentos dos povos. 11 O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.

Cristo é o que desfaz o conselho dos povos ( Sl 2:1 -11), pois Ele é o Ungido do Senhor, mas, o conselho do Senhor é Eterno.

Estes dois versos contrapõe o conselho dos povos, que é efêmero, com o propósito eterno de Deus, que é para a eternidade, e foi estabelecido em Cristo ( Ef 1:9 ).

 

12 Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança.

Este verso é muito significativo, pois apresenta Israel como a nação de Deus, mas que há um povo bem-aventurado escolhido por possessão peculiar.

Este verso contrapõe Israel e a Igreja. Enquanto a igreja é o povo do Senhor ( 1Pe 2:9 ), a herança adquirida ( Ef 1:11 ), Israel é a nação escolhida para trazer o Cristo ao mundo.

 

13 O SENHOR olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens. 14 Do lugar da sua habitação contempla todos os moradores da terra. 15 Ele é que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.

Este verso demonstra que todas as coisas são patentes aos olhos de Cristo e, foi Ele que as trouxe a existência. Porém, este mesmo olhar constatou que não havia quem O buscasse ( Sl 53:2 ), pelo que o seu próprio braço foi desnudado perante os povos, trazendo salvação ( Is 53:1 ; Is 59:15 -17).

 

16 Não há rei que se salve com a grandeza dum exército, nem o homem valente se livra pela muita força. 17 O cavalo é falaz para a segurança; não livra ninguém com a sua grande força.

Estes versos demonstram que nem a realeza com grande exército pode conquistar a salvação e, nem o valente pela sua força, pois a salvação não se dá pela força, violência, mas pelo Espírito ( Zc 4:6 ).

Fica demonstrado que o homem possui uma visão distorcida de salvação, pois confiam em cavalos, exércitos e reis, mas não confiam em Deus “Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR nosso Deus” ( Sl 20:7 ; Sl 33:20 ).

 

18 Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia; 19 Para lhes livrar as almas da morte, e para os conservar vivos na fome.

Os versos 18 e 19 demonstram que o zelo do Senhor é para os que o obedecem (temem), ou seja, que se refugiam em sua misericórdia.

Os olhos do Senhor fixam-se sobre os que O temem, do mesmo modo que o Anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem ( Sl 34:7 ), portanto, não há diferença entre os olhos do Senhor e o Anjo do Senhor: ambas as referencias diz de uma única pessoa: Cristo, o mensageiro do Senhor que está com os que creem até a consumação dos séculos.

Por que é Cristo? Porque é Ele quem livra a alma da morte, separação, alienação e conserva o homem vivo perante Deus ( Sl 34:22 ).

 

20 A nossa alma espera no SENHOR; ele é o nosso auxílio e o nosso escudo. 21 Pois nele se alegra o nosso coração; porquanto temos confiado no seu santo nome. 22 Seja a tua misericórdia, SENHOR, sobre nós, como em ti esperamos.

O salmo volta a abordar o tema do verso 1: “REGOZIJAI-VOS no SENHOR, vós justos, pois aos retos convém o louvor” (v. 1).

O salmista espera em Deus, pois Ele é salvação (auxilio e escudo), ou seja, alegria, força (v. 21). Somente os retos, os justos, podem cantar este cântico novo e alegrar-se no Senhor ( Sl 32:11 ), pois a alegria do Senhor, que é Cristo, é a nossa salvação ( Ne 8:10 ), pois o Pai dele disse: “Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o” ( Mt 17:5 ).

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Por que Jesus proibia que as pessoas divulgassem os milagres?

O que salva o homem é o poder de Deus, o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho! O testemunho dos homens não é perfeito porque conhecem em parte ( 1Co 13:12 ), e isto verificamos em João Batista “E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” ( Lc 7:19 ).


 

Questões não respondidas

Após curar muitos doentes, Jesus expulsos muitos demônios e não permitiu que os demônios dissessem quem Ele era: “E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era” ( Mc 1:34 ).

Quando curou um leproso, Jesus também advertiu para que não relatasse o ocorrido a ninguém: “E, advertindo-o severamente, logo o despediu. E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém…” ( Mc 1:43 -44 ).

O homem surdo e gago de Decápolis foi proibido de divulgar que fora curado “E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam” ( Mc 7:36 ). O mesmo ocorreu com o cego de Betsaida: “E mandou-o para sua casa, dizendo: Nem entres na aldeia, nem o digas a ninguém na aldeia” ( Mc 8:26 ).

Após a transfiguração no monte santo, Jesus proibiu os seus discípulos de relatar aquele evento “E, descendo eles do monte, Jesus lhes ordenou, dizendo: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos” ( Mt 17:9 ).

Por que Jesus proibia que as pessoas falassem dos eventos miraculosos operados por Ele?

Esta era uma questão que intrigava até mesmo os irmãos de Jesus, pois não era sempre que Jesus realizava milagres à vista de todos “Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judeia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele” ( Jo 7:3 -5).

Jairo, um dos principais da sinagoga, certa feita procurou Jesus porque a sua filha estava moribunda ( Mc 5:23 ). Enquanto seguia com Jairo até onde estava a menina, chegou a noticia de que ela havia morrido ( Mc 5:35 ). Jesus não permitiu que alguém daquela multidão o seguisse, exceto seus discípulos “E não permitiu que alguém o seguisse, a não ser Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago” ( Mc 5:37 ).

Na casa de Jairo, diante do alvoroço e do pranto daquelas pessoas que ali estavam, Jesus disse: – “Por que vos alvoroçais e chorais? A menina não está morta, mas dorme” ( Mc 5:39 ). Diante da assertiva de Cristo, os que ali estavam zombaram d’Ele. Jesus concitou os zombadores a se retirarem da casa de Jairo e, adentrou juntamente com os pais da menina no recinto onde ela estava posta. Após ressuscitar a menina, Jesus proibiu os pais de anunciarem o ocorrido: “E mandou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e disse que lhe dessem de comer” ( Mc 5:43 ).

É de se questionar por que Jesus não queria que as pessoas relatassem que foram curadas, principalmente porque se entende que as pessoas, ao relatarem os milagres, estariam expandindo o evangelho. A divulgação dos milagres não era uma forma de expansão do reino?

O objetivo de Jesus não era a expansão do evangelho? Certamente: “Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” ( 1Tm 2:4 ); “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” ( 2Pe 3:9 ).

Alguém pode concluir, com base na passagem do leproso, que o fato daquele homem relatar o milagre atrapalhou os planos de Jesus permanecer naquela cidade devido à multidão que O procurava. Entretanto, este não é o motivo de Jesus ter proibir que o ‘ex’-leproso contasse o seu milagre “Mas, tendo ele saído, entrou a propalar muitas coisas e a divulgar a notícia, a ponto de não mais poder Jesus entrar publicamente em qualquer cidade, mas permanecia fora, em lugares ermos; e de toda parte vinham ter com ele” ( Mc 1:45 ).

 

Calem-se os demônios

“E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades, e expulsou muitos demônios, porém não deixava falar os demônios, porque o conheciam” ( Mc 1:34 ).

Nesta mesma linha, Jesus proibia que os demônios falassem quem Ele era.

Certa feita, na cidade de Gadara, um endemoninhado correu e adorou Jesus. Jesus ordenou que o espírito imundo saísse, ao que foi replicado em alta voz: – “Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” ( Mc 5:7 ; Mt 8:29 ).

Quando Jesus expulsos muitos demônios na cidade de Simão Pedro, não permitiu que eles dissessem quem Ele era: “Também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era” ( Mc 1:34 ).

Por que a proibição? Jesus proibiu que os demônios dissessem quem Ele para que o seu ministério não se apoie no testemunho de demônios. Se Jesus nem mesmo aceitava testemunho de homens, como poderia aceitar testemunho de demônios? “Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis” ( Jo 5:34 ).

Que contradição seria Cristo, a verdade, apoiar o seu ministério no testemunho de quem é mentiroso desde o princípio e nunca se firmou na verdade! “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” ( Jo 8:44 ).

O evangelista Marcos demonstra que os espíritos imundos, ao verem Jesus, se prostravam diante dele e O adoravam, e diziam: – “Tu és o Filho de Deus”.  Diante da incredulidade do povo e dos religiosos, Jesus poderia lançar mão da fala destes espíritos para convencer os seus ouvintes acerca da sua filiação? Não! “E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus. E ele os ameaçava muito, para que não o manifestassem ( Mc 3:11 -12).

Jesus jamais poderia aceitar o testemunho de demônios, pois, ao Pai Celestial competia revelar seu Filho aos homens. Quando o apóstolo Pedro confessou que Cristo era o Filho do Deus vivo ( Mt 16:16 ), Jesus disse: – “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus” ( Mt 16:17 ).

Se carne e sangue não revela que Jesus era o Filho do Deus vivo, que se dirá os demônios! Crer no testemunho dos demônios não é bem-aventurança, é maldição! Seria leviano da parte de Cristo Jesus aceitar o testemunho dos demônios e em seguida dizer: – “Não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” ( Jo 8:44 ); “Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor” ( Gl 2:18 ).

É competência do Pai revelar o Filho, por isso Jesus proibiu que os demônios dissessem aos homens quem Ele era “Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é” ( Dt 32:4 ); “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, SENHOR Deus da verdade” ( Sl 31:5 ).

Este foi o posicionamento do apóstolo Paulo quando uma advinha passou a divulgar que os apóstolos estavam anunciando o evangelho: “Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu” ( At 16:17 -18).

Quando inteirado desta verdade, o crente deve observar bem quem são os apóstolos, missionários, pregadores, sacerdotes, bispos, pastores, mestres, etc., que louvam a si mesmos e os seus ministérios tendo por base declarações que os demônios apresentam em suas reuniões ao serem ‘entrevistados’ “Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento” ( 2Co 10:12 ).

Após os demônios serem expulsos, as pessoas ficaram admiradas, e se questionavam: – “Que é isso?” Em primeiro lugar não compreendiam o que viram; – “Que nova doutrina é esta?” Em segundo lugar não compreenderam e nem se focaram na mensagem de Jesus, antes se focaram em indagar acerca dos demônios se sujeitarem a Cristo “E todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Que nova doutrina é esta? Pois com autoridade ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!” ( Mc 1:27 ).

 

Glória de homens

“Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis” ( Jo 5:34 )

 

Por que Jesus proibia que as pessoas divulgassem que foram curadas? Porque não era salutar Cristo apoiar o seu ministério em testemunho de eventos miraculosos!

Enquanto a revelação de Deus faz o homem chegar à conclusão de que Cristo é o Filho do Deus vivo, eventos miraculosos não são eficazes para fazer com que as pessoas cheguem à conclusão de Pedro: -“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” ( Mt 16:16 ).

O testemunho de um homem curado da cegueira ficou aquém das Escrituras, o que demonstra que testemunho de milagres não tem a mesma autoridade que a revelação divina “Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta ( Jo 9:17 ); “E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas ( Mt 16:13 -14); “Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo” ( Jo 6:14 ).

O testemunho que as Escrituras dá acerca de Cristo é que Ele é o Filho do Deus vivo, portanto, o filho de Davi “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” ( 2Sm 7:12 -14; Rm 1:3 -4).

O testemunho das Escrituras produz naquele que crê a seguinte confissão: “Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” ( Jo 11:27 ); “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” ( Mt 16:16 ); “E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” ( At 8:37 ).

Ao etíope, funcionário de Candace, rainha dos etíopes, Felipe expôs Cristo segundo as Escrituras. Filipe começou expondo quem era Jesus através de uma passagem do livro do Isaías ( Is 53:7 -8), e a conclusão do eunuco foi: – “Creio que Jesus é o Filho de Deus”.

Cristo deve ser aceito pelo testemunho que Deus deu acerca do seu Filho, testemunho este estampado nas Escrituras. Jesus exige que os homens creiam n’Ele pela palavra de Deus, e não por testemunho de homens relatando sinais miraculosos “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim ( Jo 17:20 ).

É por intermédio da palavra de Deus que devemos crer em Cristo! Deus deu testemunho do seu Filho nas Escrituras para que, por intermédio dela, os homens pudessem crer em Cristo “E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer” ( Jo 5:37 ); “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam ( Jo 5:39 ).

Jesus mesmo declarou que se testificasse dele mesmo o seu testemunho não seria verdadeiro ( Jo 5:31 ). Embora João Batista tivesse testificado de Cristo, e Cristo confirmou que o testemunho de João Batista era verdadeiro, Jesus não se escudou no testemunho de João Batista ( Jo 5:34 ).

O que salva o homem é o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho! O testemunho dos homens não é perfeito porque conhecem em parte ( 1Co 13:12 ), e isto verificamos em João Batista “E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” ( Lc 7:19 ).

Lembremo-nos do testemunho de João Batista: “E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus ( Jo 1:32 -34).

Jesus se escudava em um testemunho maior do que o testemunho de João: o testemunho das Escrituras e a obra que realizava ( Jo 5:36 ). O único testemunho firme e verdadeiro era o das Escrituras, ou seja, o testemunho de Deus por intermédio dos profetas “Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” ( Jo 5:46 -47).

Crer em Cristo é crer em Deus, pois quem não crê em Cristo não crê nas Escrituras “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou” ( Jo 12:44 -45). É por meio de Cristo que o homem crê em Deus: “E é por Cristo que temos tal confiança em Deus” ( 2Co 3:4 ).

Jesus não aceitava glória de homem, assim como seria inútil Ele glorificar a si mesmo. Jesus não buscava a sua própria glória, antes buscava a glória do Pai “Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus” ( Jo 8:54 ; Jo 7:18 ). O testemunho que Jesus deu acerca de si mesmo era verdadeiro, pois o Pai testificou de Cristo ( Jo 8:50 ; Jo 8:18 ).

Quando compreendemos que a obra de Deus é que os homens creiam em Cristo ( Jo 6:29 ), compreendemos as palavras de Cristo e as suas obras eram provenientes de Deus “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras” ( Jo 14:10 ; Jo 10:25 ; Jo 5:36 ).

Cristo é o cumprimento das Escrituras, o ‘Eu Sou’ que manifestou Deus ao mundo ( Jo 17:5 ; Jo 1:18 ). Jesus veio e anunciou aos homens o testemunho irrevogável de Deus e aqueles que não aceitaram permaneceram no pecado ( Jo 15:22 -24; Jo 8:24 ; Jo 10:35 ). Só através do testemunho das Escrituras é possível ao homem vir a Cristo, ou seja, aprendendo de Deus ( Jo 6:45 ).

Muito tempo depois de Jesus ter proibido que Pedro, Tiago e João relatasse o evento da transfiguração no monte santo, o apóstolo Pedro fez um breve relato do evento em sua segunda carta:

“Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo; E temos ainda mais firme a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 2Pe 1:17 -19).

O apóstolo Pedro narra o mesmo evento registrado pelos evangelistas destacando que Deus honrou e glorificou o seu Filho quando disse: – “Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido” ( 2Pe 1:17 ; Lc 9:35 ; Mt 17:5 ).

Apesar de ter visto o Cristo transfigurado, Moisés e Elias, o apóstolo Pedro reputou mais firme a palavra dos profetas, recomendando aos cristãos que atentassem para as Escrituras. O apóstolo Pedro bem podia firmar qualquer argumentação acerca de Cristo segundo impressões pessoais durante o tempo que era discípulo. No entanto, após relatar um evento sensorial no qual viu o Cristo transfigurado e ouviu uma voz magnifica dos céus, reiterou que a atenção do crente deve estar firme nas Escrituras.

O evangelista João apontou o objetivo de ter selecionado e relatado alguns milagres operados por Cristo: que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus. O objetivo de João não era que os leitores do seu evangelho cressem em milagres, ou que cressem na existência de Deus, ou que cressem em anjos, etc. O evangelista João teve o cuidado de selecionar os milagres que apresentassem Jesus como o Cristo previsto nas Escrituras “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:30 -31).

Os sinais seguem os que creem em Cristo, porém, o tema da mensagem do crente é a cruz de Cristo ( 1Co 1:23 ). As pessoas precisam saber quem é Jesus Cristo, mas precisam saber conforme o conhecimento revelado nas Escrituras “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” ( Jo 7:38 ).

O crente deve resignar-se a seguir os passos de Cristo, que disse: “E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito ( Jo 12:50 ).

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Fábulas – O menino e os três passarinhos

Jesus nunca negociou a liberdade da humanidade com Satanás, visto que Satanás não possuía o domínio sobre os homens, sendo Satanás filho do pecado e pai da mentira. Satanás é filho do pecado, diferente dos homens que são servos do pecado, portanto, possuem esperança no Filho de Deus ( Jo 8: 34 -35). A bíblia não apresenta Satanás como senhor dos homens, antes quem exerce domínio é o pecado.


George Tomas, um pregador Inglês, apareceu um dia em sua pregação carregando uma gaiola e, após coloca-la no púlpito, começou a falar:

“Estava andando pela rua ontem, e vi um menino levando essa gaiola com 3 pequenos passarinhos dentro com frio e com medo. Eu perguntei: – ‘Menino o que você vai fazer com esses passarinhos’? Ele respondeu: – ‘Leva-los para casa tirar as penas e queima-los, vou me divertir com eles’. – ‘Quanto você quer por esses passarinhos menino’?  O menino respondeu: – ‘O senhor não vai querê-los, eles não servem para nada. São feios’! O pregador os comprou por 10 dólares! E os soltou em uma árvore!”.

 

O menino e os três passarinhos

Após ler a fábula dos ‘Três Passarinhos’ tive que questionar até que ponto é válido este tipo de subterfúgios empregado pelos pregadores evangélicos em suas preleções.

“Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” ( 2Pe 1:16 )

Após contar a fábula dos três passarinhos, o pregador inglês fez a seguinte exposição:

“Um dia Jesus e Satanás estavam conversando e Jesus perguntou a satanás o que ele estava fazendo para as pessoas aqui na terra. Ele respondeu: – ‘Estou me divertindo com elas, ensino a fazer bombas e a matar, a usar revolver, a odiar umas a outras, a casar e a divorciar, ensino a abusar de criancinhas, ensino os jovens a usar drogas, a beber e fazer tudo o que não se deve e que os conduzirá a maldição futura! Estou me divertindo muito com eles’! Jesus perguntou: – ‘E depois o que você vai fazer com eles’? E recebeu a seguinte resposta: – ‘Vou mata-los e acabar com eles’! Jesus perguntou: – ‘Quanto você quer por eles’? Satanás respondeu: – ‘Você não vai querer essas pessoas, elas são traiçoeiras, mentirosas, falsas, egoístas e avarentas! Elas não vão te amar de verdade, vão bater e cuspir no Teu rosto, vão te desprezar e nem vão levar em consideração o que você fizer’! Novamente foi perguntado: – ‘Quanto você quer por elas Satanás’? Em seguida veio a resposta: – ‘Quero toda a tua lágrima e todo o teu sangue’! E satanás respondeu: – ‘Trato feito’! E Jesus pagou o preço da nossa liberdade!”.

Este conto reflete a ideia do evangelho? Jesus fez um trato com Satanás? Satanás exigiu algo de Cristo? O diabo está se divertindo? Que relação há entre a experiência do Pr. George Tomas com a criança e os passarinhos e as verdades bíblicas?

Vamos fazer uma análise desta preleção comparando-a com as Escrituras? É dever do cristão comparar as mensagens que ouve com aquilo que consta das Escrituras, ou seja, devemos comparar coisas espirituais com as espirituais, ou seja, comparando entre si as palavras dos Profetas, de Cristo e dos apóstolos.

A bíblia não faz referência a Jesus tendo uma conversa com Satanás nos termos apresentados pela estória dos três passarinhos. A bíblia também não apresenta Satanás como alguém que está se divertindo com a humanidade ( Ap 12:12 ), antes ela demonstra que Satanás tem grande ira e pouco tempo.

É improvável que um ser com grande ira e pouco tempo possa estar se ‘divertindo’. Satanás é apresentado como inimigo ferrenho dos homens, portanto, ele não está se divertindo “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” ( 1Pe 5:8 ).

A estória induz os ouvintes a pensarem que ação de Satanás consiste em ensinar às pessoas a confeccionarem materiais explosivos, a cometerem assassinatos, a odiar uns aos outros, a divorciar, a abusar de crianças, a usar drogas, etc. Seria esta a verdade das Escrituras?

A bíblia demonstra que a ação de Satanás é cegar os incrédulos para que não lhes resplandeça a luz do evangelho “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” ( 2Co 4:4 ). A ação de Satanás é fazer com que os homens incrédulos permaneçam entenebrecidos no entendimento, pois se os homens compreenderem a verdade do evangelho, serão trasportados por Deus para o reino do Filho do seu amor “Entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” ( Ef 4:18 ).

Além de entenebrecer o entendimento dos incrédulos, a ação de Satanás consiste em enganar com astucia os que creram, para que se apartem da simplicidade que há em Cristo abraçando vento de doutrina “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” ( 2Co 11:3 ); “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” ( Ef 4:14 )

Enquanto a bíblia afirma que uma só ofensa matou todos os homens, a fábula do Pr. Tomas diz implicitamente que as pessoas são condenáveis porque aprendem lições de Satanás que os leva a construir bombas e a matar, a usar revolveres, a odiar umas a outras, a casarem-se e a divorciar, a abusar de criancinhas, os jovens a usarem drogas e a beber’.

Enquanto as Escrituras ensinam que Deus entregou os homens que se diziam sábios mas que se tornaram loucos aos seus próprios sentimentos para fazerem coisas inconvenientes ( Rm 1:25 ), a preleção do pastor afirma que o diabo é responsável pelos enganos dos homens.

Enquanto o Pr. diz que Satanás, depois de maltratar os homens, irá matá-los, a Bíblia afirma que os homens sem Deus já estão mortos em delitos e pecado.

Enquanto a fábula diz que a morte física é o grande trunfo de Satanás, a Bíblia demonstra que a morte (separação entre o homem e Deus), é consequência da ofensa de Adão.

A fábula mostra que Satanás é senhor (dono) dos homens, a Bíblia mostra que o senhor (dono) dos pecadores é o pecado e que Satanás, por sua vez, é filho do pecado.

O pastor ensina que Satanás exigiu que Cristo se sacrificasse, enquanto as Escrituras mostram que Deus exigiu a obediência de Cristo e que Ele foi obediente, portanto, resignou-se a morrer em uma cruz.

A fábula dos passarinhos é aparentemente inocente, inofensiva, porém, leva a uma compreensão distorcida de que a condenação futura se dá porque as pessoas aprenderam a ‘fazer bombas e a matar, a usar revolveres, a odiar umas a outras, a casarem-se e a divorciar, a abusar de criancinhas, os jovens a usarem drogas e a beber’.

A explanação do Pr. Tomas não é bíblica, pois o que conduz o homem à ‘condenação futura’ não são os vícios, antes o fato de terem entrado pela porta larga que dá acesso a um caminho largo que os conduz à perdição “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( Mt 7:13 ).

A fábula leva o leitor ao equivoco de considerar que a condenação é futura, o que contraria as Escrituras que demonstra que a condenação se deu no Éden, quando a humanidade foi julgada e está condenada ( Rm 5:16 ; Jo 3:18 ). Os homens não estão condenado por suas práticas desregradas da mesma forma que não serão salvos por suas práticas regradas, antes estão sob condenação em função da ofensa de Adão no Éden.

O que faz o homem permanecer sob condenação é o fato de não crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados” ( Jo 8:24 ).

A condenação não é decorrente das ações dos homens que fazem ‘tudo o que não se deve’, antes a condenação decorre da desobediência de um só homem que pecou e trouxe a condenação sobre toda a humanidade “E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação” ( Rm 5:16 ).

Enquanto o apóstolo Paulo apresenta uma só ofensa como causa determinante da condenação, o Pr. Tomas apresenta algumas condutas de homens desregrados. Ele se esquece que, por mais que o homem seja regrado, como era o caso do religioso Nicodemos, está sob condenação!

Mas, os equívocos não param por aqui, pois quando é dito que Satanás disse a Jesus que irá ‘matar e acabar com eles’, o Pr. Tomas se esqueceu de observar que é impossível a Satanás matar a humanidade uma vez que todos desde a queda de Adão já estão mortos em delitos e pecados, pois a morte é resultado da ofensa de um só homem pecou “Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem” ( 1Co 15:21 ).

A morte não é ação de Satanás, antes veio por um homem, Adão. Desde a queda no Éden, todos se extraviaram e juntamente se tornaram imundos ( Sl 14:3 ; Sl 53:3 ). Por causa de Adão não há, se que um, que faça o bem e busque a Deus. Como a morte veio por um só homem e todos estavam mortos em delitos e pecados ( Rm 3:23 ; Rm 5:12 ; Ef 2:1 ), ninguém possuía entendimento ( Sl 14:2 ). Foi necessário Cristo vir ao mundo trazer o conhecimento de Deus para que por meio d’Ele os homens fossem salvos.

É impossível Satanás matar e acabar com os homens se eles são gerados em iniquidade e concebidos em pecado, ou seja, não há como Satanás matar aqueles que são gerados mortos em delitos e pecados. Desde a madre os homens alienam-se de Deus, andam errados e proferem mentiras desde que nascem ( Sl 58:3 ).

Jesus nunca negociou a liberdade da humanidade com Satanás, visto que Satanás não possuía o domínio sobre os homens, sendo Satanás filho do pecado e pai da mentira. Satanás é filho do pecado, diferente dos homens que são servos do pecado, portanto, possuem esperança no Filho de Deus ( Jo 8: 34 -35). A bíblia não apresenta Satanás como senhor dos homens, antes quem exerce domínio é o pecado.

O preço que o Pr. Tomas descreve como sendo estabelecido por Satanás: – ‘Quero toda a tua lágrima e todo o teu sangue’!, é juntamente engodo e blasfêmia, pois atribui a Satanás a exigência de Deus para estabelecer a justiça. O que Jesus sofreu no calvário não foi um desejo de Satanás, antes foi o Senhor Deus que determinou a morte de Cristo conforme o seu conselho ( At 2:23 ).

Foi Deus que deu o Seu Filho como Servo e Cordeiro ( Jo 3:16 ). Foi Deus que deixou registrado no rolo do livro que o Cristo deveria realizar a vontade do Pai e, é através desta vontade, a oferta do corpo de Cristo, que os que creem são sanificados “Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” ( Sl 40:7 -8; Hb 10:10 ).

Antes de ir ao calvário Jesus perguntou ao Pai se era possível passar d’Ele o cálice e, em seguida, Jesus foi crucificado cumprindo a vontade do Pai, pois colocou a sua alma por expiação do pecado “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão” ( Is 53:10 ).

Enquanto Adão desobedeceu e vendeu todos os homens ao pecado como escravos, Jesus foi obediente ao Pai em tudo, morrendo morte de cruz. Foi do agrado do Pai enfermá-lo, portanto, as agruras da cruz não foi um desejo ou uma exigência de Satanás “Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” ( Hb 10:10 ).

O que Jesus realizou na cruz foi em obediência ao Pai, e não porque cedeu às exigências do inimigo das nossas almas. Na tentação do deserto Jesus não se sujeito a nenhuma das exigências de Satanás, antes Ele se rendeu as exigências do Pai!

Ora, com que base o Pr. Tomas transformou a fala da criança que mantinha os três passarinhos presos na fala de Satanás? Com que autoridade ele transforma a negociação que fez com aquela criança em particular em uma negociação entre Jesus e Satanás?

É para evitar tais erros que devemos seguir o exemplo do apóstolo Pedro, que disse: “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” ( 2Pe 1:16 ).

O apóstolo Pedro não compôs nenhuma fábula, nenhuma estória, para tornar compreensível o poder e a vinda de Cristo. Tudo o que foi apregoado aos cristãos, ou fora presenciado pelo apóstolo ( 1Pe 1:18 ; 1Jo 1:3 ), ou tinha por base as Escrituras produzidas pelos profetas “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 1Pe 1:19 ).

A igreja de Cristo deve ter por firme a palavra dos profetas e dos apóstolos, pois a palavra deles é como ‘luz que alumia em lugar escuro’, e tão somente por meio das palavras deles quando anunciadas pela igreja é que o conhecimento de Cristo, a glória de Deus, resplandece nos corações dos homens “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ).

Hoje há inúmeras fábulas ditas cristãs que ganharam até versões cinematográficas, porém, se analisadas à luz das Escrituras, encontraremos diversas heresias de perdição.

É crescente o número de estórias sob o rótulo de cristãs, como ‘As crônicas de Nárnia’, ‘A Cabana’, ‘O Senhor dos anéis’, etc.

Fábulas como ‘Os três passarinhos’, ‘A águia e a galinha’, ‘O escorpião e o peixinho’, não devem ser utilizadas em pregações, pois não refletem a verdade do evangelho.

O apóstolo Paulo deixa claro que em Cristo está escondido todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, portanto, basta expor aos homens o Cristo crucificado para que os homens vejam e creiam no amor que Deus tem por eles “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo. Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” ( Cl 2:2 -3); “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado” ( 1Co 2:2 ).

O evangelho de Cristo basta, pois o evangelho é o poder de Deus e a sabedoria de Deus! O apóstolo Paulo ao instruir os pastores Tito e Timóteo alertou-os quanto às fábulas e as genealogias judaicas ( 1Tm 1:4 -7). O obreiro deve manejar bem a palavra da verdade, ou seja, os profetas, a lei, os salmos, os provérbios. Se manejar bem tais livros das Santas Escrituras, é um obreiro que não tem do que se envergonhar e não necessita de fábulas e filosofias humanas “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” ( 2Tm 2:15 ).

Os cristãos não deviam aderir às práticas judaicas, que criavam alegorias para explicar o que não entendiam, pois, os cristãos já tinham a realidade: Cristo! Portanto, assim como receberam a Cristo, deviam prosseguir n’Ele, ou seja, sem dar ouvidos a fábulas, vãs sutilezas, filosofias de homens “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças. Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” ( Cl 2:6 -8).

Os judeus criavam alegorias, parábolas e fábulas para interpretar as alegorias, ou seja, as figuras que a lei apresentava, porém, perdiam-se em sua carnal compreensão, pois a lei era sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas. Ora, se estamos de posse da imagem exata das coisas hoje, já não precisamos de alegorias e nem de fábulas, antes basta expormos a Cristo e este crucificado “PORQUE tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

Quem entra pelo caminho das fábulas produzirá questões loucas e sem instrução (conhecimento) alguma “E rejeita as questões loucas, e sem instrução, sabendo que produzem contendas” ( 2Tm 2:23 ), mas aquele que permanece nas palavras dos apóstolos e dos profetas torna-se sábio. Não precisa de fábulas, pois é perfeitamente instruído para a boa obra, perfeito, pois sabe redarguir, corrigir e instruir segundo as Escrituras “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura divinamente inspirada, é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” ( 2Tm 3:14 -17).

 

O aviso

O apóstolo Pedro alerta os cristãos dizendo que não anunciara o evangelho através de ‘fábulas artificialmente compostas’, apontando a sua inutilidade para o propósito de propagar a mensagem de Cristo. Ou seja, com esta colocação, o apóstolo Pedro enfatiza que o que foi anunciado aos cristãos possuía veracidade comprovada com o crivo das Escrituras e de testemunhos oculares, pois todos puderam presenciar a majestade de Cristo “… mas nós vimos a sua majestade” ( 2Pe 1:16).

Ele trás à lembrança o evento em que uma voz foi ouvida dos céus: “Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo” ( 2Pe 1:17 ).

Além de anunciar o que viu e ouviu de Cristo, como fez os outros apóstolos, o apóstolo Pedro tinha por firme a palavra dos profetas, da mesma forma os cristãos devem imitá-los, de modo que Pedro instrui a rejeitar as fábulas e se voltar para as palavras dos profetas ‘… á qual bem fazeis em estar atentos’ “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações” ( 2Pe 1:18 ).

O protesto do apóstolo Pedro não é contra o gênero literário que surgiu no Oriente, e que foi desenvolvido por Esopo, autor que viveu no século VI a.C., na Grécia antiga, a quem foi atribuído um conjunto de pequenas histórias, de caráter moral e alegórico, cujos papéis principais eram desenvolvidos por animais.

Ao observar a abordagem do apóstolo Pedro, vê-se que a crítica dele é contra aqueles que quererem apresentar Cristo ao mundo utilizando-se de mitos, contos falsos, como se fosse comparável à verdade das Escrituras, e deixam de lado o testemunho firme dos profetas.

O termo grego utilizado pelo apóstolo Pedro é muthos (μῦθος – mýthos), uma estória fabricada (fábula) que subverte (substitui) o que é realmente verdade, por isso mesmo é dito: fábulas artificialmente construídas.

A estória dos três passarinhos não passa de um mýthos, pois além de ter sido engendrada a partir da concepção do Pr. Tomas, ela subverte a verdade contida nas Escrituras.

O mýthos geralmente é construído a partir de sombras, e tem o escopo de estabelecer domínio sobre aqueles que por ele são enlaçados. Tem por base a ideia de humildade, mas deriva de uma carnal compreensão, pois não retrata o que os profetas e apóstolos disseram de Cristo. As fábulas geralmente são engendradas carregadas de ordenanças e preceitos morais segundo os princípios do mundo, e passam a impressão de sabedoria, devoção, humildade, severidade para com o corpo, mas não tem valor algum diante de Deus “Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” ( C l 2:17 -23).

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A mulher samaritana

A declaração de Jesus iguala judeus e samaritanos, pois ambos acreditavam que adoravam a Deus, porém, a adoração deles era algo proveniente somente da boca, mas longe dos ‘rins’ “Plantaste-os, e eles se arraigaram; crescem, dão também fruto; chegado estás à sua boca, porém longe dos seus rins” ( Jr 12:2 ).

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A mulher cananéia

A multidão intentou apedrejar Jesus por causa das suas palavras e não por causa dos milagres que ele realizou “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” ( Jo 10:32 -33).

 


“E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom. E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, SENHOR, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã” ( Mt 15:21 -28).

 

Uma estrangeira crente

Após recriminar os fariseus por pensarem que servir a Deus era o mesmo que seguir tradições de homens ( Mc 7:24 -30), Jesus e seus discípulos seguiram para as terras de Tiro e de Sidom.

O evangelista Lucas deixa claro que, em terras estrangeiras Jesus entrou em uma casa e não queria que soubessem que ali estava, porém, não foi possível esconder-se. Uma mulher grega, siro-feníncia de sangue, que tinha uma filha possuída por um espírito imundo, ao ouvir falar de Jesus, passou a rogar-lhe que expulsasse da sua filha o espírito que a atormentava “Porque uma mulher, cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés” ( Lc 7:25 ).

O evangelista Mateus descreveu que a mulher saiu das cercanias e passou a clamar dizendo: – Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada! Mas, apesar das súplicas, Jesus parecia não ouvi-la.

Diferentemente de muitos outros que ouviram falar de Jesus, a mulher cananéia declarava uma verdade ímpar: – Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim…

A mulher não clamou por um mago, um feiticeiro, um curandeiro, um milagreiro, um médico, etc., antes clamou pelo Filho de Davi. Enquanto os filhos de Israel questionavam se Cristo realmente era o Filho de Davi, a mulher cananéia clamou plena de certeza: – Senhor, Filho de Davi…, uma certeza impar se compararmos com as especulações da multidão “E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o Filho de Davi?” ( Mt 12:23 ).

Deus havia prometido nas escrituras que o Messias seria filho de Davi, e o povo de Israel aguardava ansiosamente a sua vinda. Deus prometera que um descendente de Davi, segundo a carne, havia de construir uma casa a Deus e o reino de Israel se firmaria acima de todos os reinos ( 2Sm 7:13 e 16). Porém, a mesma profecia deixava claro que este descendente seria o Filho de Deus, pois o próprio Deus seria o seu Pai, e o descendente seu Filho “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens” ( 2Sm 7:14 ).

Mesmo tendo nascido na casa de Davi, pois Maria era descendente de Davi, os escribas e fariseus rejeitaram o Messias. Embora as Escrituras deixassem bem claro que Deus tinha um Filho, não creram em Cristo e rejeitavam a possibilidade de Deus tem um Filho “Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas numa roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome? E qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?” ( Pv 30:3 ).

Diante da pergunta de Jesus: “Como dizem que o Cristo é filho de Davi?” ( Lc 20:41 ), seus acusadores não souberam responder o porquê Davi chamou profeticamente o seu filho de Senhor, se compete aos filhos honrar os pais e não os pais aos filhos ( Lc 20:44 ), porém, o que aquela mulher estrangeira ouviu acerca de Cristo foi o suficiente para concluir que Cristo era o Filho de Deus a quem Davi chamou de Senhor.

Ora, apesar de estrangeira, a mulher ouviu falar de Cristo, e a informação que chegou até ela levou-a a concluir que Cristo era o Messias prometido, o Descendente de Davi “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra” ( Jr 23:5 ).

Por causa do clamor da mulher os discípulos ficaram incomodados, e pediram a Cristo que a despedisse. Foi quando Jesus respondeu aos discípulos dizendo: – Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Apesar de estar em terra estrangeira, Jesus enfatizou qual era a sua missão “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” ( Jo 1:11 ); “Ovelhas perdidas têm sido o meu povo, os seus pastores as fizeram errar, para os montes as desviaram; de monte para outeiro andaram, esqueceram-se do lugar do seu repouso” ( Jr 50:6 ).

Como o povo de Israel se esqueceu do ‘lugar do seu repouso’, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, a anuncia-los: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” ( Mt 11:28 ); “Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne” ( Rm 1:3 ).

Ao convocar o seu povo dizendo: – Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, Jesus se identifica como sendo o cumprimento do que foi profetizado por boca de Jeremias.

O povo do Messias o rejeitou, mas a mulher cananéia aproximou-se de Jesus e o adorou, dizendo: – Senhor, socorre-me!

O evangelista Mateus deixa claro que, pelo fato de a mulher ter pedido socorro a Cristo, estava adorando-O. Pelo fato de ter clamado: – Senhor, socorre-me!, o pedido da mulher era uma adoração ao Filho de Davi.

Por ter ouvido acerca de Jesus, a mulher creu no fato de que Ele era o Filho de Davi e, concomitantemente creu que Cristo era o Filho de Deus, pois adorou-O. O evangelista deixa claro que, o ato de pedir a Cristo que lhe concedesse a dádiva de libertar a sua filha daquele terrível mal, algo impossível aos homens, constituiu adoração.

A adoração da mulher aparentemente não surtiu efeito, pois Jesus lhe disse: – Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. A resposta de Cristo à mulher foi um complemento à resposta de Cristo aos discípulos.

O registro de Lucas dá o significado exato à frase de Cristo: “Deixa primeiro saciar os filhos; porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” ( Mc 7:27 ). Jesus estava enfatizando que a sua missão estava vinculada à casa de Israel, e atende-la, seria comparável ao ato de um pai de família que tira o pão dos filhos e dá aos cachorrinhos.

A resposta da mulher é surpreendente, pois ela não se fez de rogada ao ser comparada aos cães, e responde: Sim, SENHOR, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores. Ela confirma o que Jesus lhe disse, porém, enfatiza que não buscava o alimento destinado aos filhos, mas a migalha que cabe aos cachorrinhos.

Para aquela mulher, a migalha da mesa do Filho de Davi era suficiente para resolver o seu problema. Ela demonstrou que não tinha a pretensão de tirar o pão dos filhos que possuíam o direito de serem participantes da mesa, antes bastava a migalha que caísse da mesa do Filho de Davi.

Foi quando Jesus lhe respondeu: – Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a filha da mulher ficou sã.

É importante notar que a mulher foi atendida por crer que Cristo era o enviado de Deus, o Filho de Davi, o Senhor, e não porque Jesus se comoveu pelo sentimento de uma mãe desesperada.

Não é o desespero de uma mãe que faz com que Deus venha em socorro do homem, pois Cristo quando leu as Escrituras no profeta Isaias, que diz “O Espírito do Senhor é sobre mim…”, disse: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” ( Lc 4:21 ), e deixou claro que é a confiança em Deus que move a mão Deus, pois havia inúmeras viúvas necessitadas em Jerusalém, porém, Elias foi enviado à casa de uma viúva estrangeira. Por quê? Porque aquela moradora da cidade de Sarepta de Sidom reconheceu que Elias era profeta, e apesar de sua necessidade, que beirava ao desespero, demonstrou a sua confiança em Deus ao obedecer a palavra do profeta ( Lc 4:25 -26).

 

O Testemunho das Escrituras

Muitos que seguiam a Cristo possuíam necessidades semelhantes à da mulher cananéia, porém, aquela mulher destacou-se da multidão por reconhecer duas verdades essenciais: que Cristo era o Filho de Davi e, concomitantemente, o Senhor.

Embora Cristo tenha sido enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel, anunciando o evangelho e realizando muitos milagres, os israelitas tinham para si que Cristo não passava de um profeta “Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas” ( Mt 16:14 ).

Como os homens não sabiam quem era o filho do homem, Cristo interpelou aos seus discípulos: – E vós, quem dizeis que eu sou? Foi quando o apóstolo Pedro fez a confissão (admitiu) que Cristo é o Filho do Deus vivo.

Como os judeus não conseguiam ver que Cristo era o Messias prometido, Jesus orienta seus discípulos a não declararem esta verdade a ninguém “Então mandou aos seus discípulos que a ninguém dissessem que ele era Jesus, o Cristo” ( Mt 16:20 ).

Por que Jesus não queria que os discípulos declarassem que Ele era o Cristo?

Porque Jesus queria que os homens cressem nele conforme as Escrituras, pois são elas que testificam d’Ele. Isto porque Jesus deixa claro que, se testificasse de si mesmo o seu testemunho não seria verdadeiro “Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro” ( Jo 5:31 ), e que o testemunho verdadeiro e suficiente é proveniente do Pai (das Escrituras) “Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro” ( Jo 5:32 ).

Apesar de entendermos que João Batista deu testemunho do Cristo, contudo o testemunho dele era testemunho da verdade “Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade” ( Jo 5:33 ), ou seja, tudo o que o Batista dizia tinha relação direta com as Escrituras, pois só a palavra de Deus é a verdade ( Jo 17:17 ).

Ora, Jesus não queria que seus discípulos divulgassem que Ele era o Cristo porque ele não recebe testemunho de homens ( Jo 5:34 ), antes Ele possuía um testemunho maior, o testemunho do Pai, e todos os homens devem crer no testemunho que as Escrituras dá do Filho “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” ( Jo 5:39 ).

Note esta verdade evidenciada na resposta de Abraão a um rico em tormento: “Porém, Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite” ( Lc 16:31 ). Crer em Deus não decorre de milagres, antes do testemunho que os profetas anunciaram acerca da verdade ( Jo 4:48 ).

Contar ‘milagres’ não é testemunho da verdade. O apóstolo Pedro deixa claro o que é testemunhar: “Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada” ( 1Pe 1:25 ). Testemunhar é falar a palavra de Deus, falar o que diz as Escrituras, anunciar Cristo aos homens.

Em nossos dias a ênfase de muitos está nas pessoas e em milagres por elas operados, mas a bíblia deixa claro que o ministério dos apóstolos não se apoiava nos milagres, antes se apoiava na palavra. O primeiro discurso de Pedro expunha aos habitantes de Jerusalém o testemunho das Escrituras ( At 2:14 -36). Mesmo após a cura de um coxo à porta do templo, repreendeu os seus ouvintes para que não ficassem maravilhados em relação ao sinal miraculoso ( At 3:12 ), e em seguida expôs o testemunho das Escrituras ( At 3:13 -26).

Quando os judeus apedrejaram Estevão, ele estava como João Batista, testemunhando acerca da verdade, ou seja, expondo o testemunho que Deus deu acerca do seu Filho, anunciando à multidão enfurecida, as Escrituras ( At 7:51 -53).

Se Estevão estivesse contando sinais miraculosos, jamais seria apedrejado, pois a rejeição dos homens é quanto à palavra e não quanto aos sinais miraculosos ( Jo 6:60 ). A multidão queria apedrejar Jesus por causa das suas palavras e não por causa dos milagres que realizou “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” ( Jo 10:32 -33).

Muitos viram o milagre que Cristo operou para com a mulher cananéia, porém, a multidão que o seguia não confessou que Jesus era o Filho de Davi como ela fez ao ouvir acerca do Verbo eterno, a palavra do Senhor que permanece para sempre. O povo de Israel era dado a ouvir as Escrituras, mas estava aquém da mulher cananéia que, ao ouvir acerca de Jesus, deu crédito e clamou pelo Filho de Davi, e o adorou.

O diferencial da mulher está no fato de que ela ouviu e creu, enquanto a multidão que seguia Cristo viam os milagres ( Mt 11:20 -22), examinavam as escrituras ( Jo 5:39 )e, equivocadamente, concluíam que Jesus era somente um profeta. Rejeitavam a Cristo de modo que não obtiveram vida ( Jo 5:40 ).

Na mulher cananéia e nos muitos gentios que creram, temos o cumprimento do anunciado por Isaias: “Fui buscado dos que não perguntavam por mim, fui achado daqueles que não me buscavam; a uma nação que não se chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui. Eis-me aqui” ( Is 65:1 ).

Ora, sabemos que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus, e o que a mulher ouviu foi o bastante para crer “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ). Qualquer que ouve e crê é bem-aventurado, pois Jesus mesmo disse: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” ( Jo 20:29 ).

Como a mulher cananéia creu, ela viu a gloria de Deus “Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” ( Jo 11:40 ), diferente do povo de Israel que esperava ver o sobrenatural para que pudesse crer “Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?” ( Jo 6:30 ).

Ora, a gloria de Deus é revelada na face de Cristo, e não em operações miraculosas “Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo” ( 2Co 4:6 ). O que salva é resplendor da face do Senhor que escondeu o seu rosto da casa dos filhos de Israel “E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei” ( Is 8:17 ; Sl 80:3 ).

A mulher foi atendida porque creu, e não porque colocou Jesus contra a parede, ou porque o chantageou dizendo: – Se não me atenderdes, rasgarei as Escrituras. Antes de ser agraciada com a libertação da filha, a mulher já havia crido, diferente de muitos que querem uma ação miraculosa para crer.

O que a mulher ouviu acerca de Cristo? Ora, se a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. O que a mulher ouviu não foi o testemunho de milagres ou que alguém famoso havia se convertido. Ouvir que alguém alcançou um milagre, ou ler uma faixa dizendo que alcançou uma graça não fará uma pessoa confessar abertamente que Cristo é o Filho de Davi!

O testemunho que produz fé é proveniente das Escrituras, pois são elas que testificam de Cristo. Falar que um artista converteu-se, ou que alguém deixou as drogas, a prostituição, etc., não é a lei e o testemunho selado entre os discípulos de Cristo. O profeta Isaias é claro: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” ( Is 8:20 ).

O testemunho é a marca registrada da igreja, e não os sinais miraculosos, pois Cristo mesmo alertou que os falsos profetas operariam sinais, profetizariam e expulsariam demônios ( Mt 7:22 ). O fruto que procede dos lábios, ou seja, o testemunho é o diferencial entre o verdadeiro e o falso profeta, pois o falso profeta virá disfarçado de ovelha, de modo que, pelas ações e aparência é impossível identifica-los ( Mt 7:15 -16).

‘Quem crer em mim segundo as Escrituras’ esta é a condição estabelecida por Cristo para que haja luz nos homens “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre” ( Jo 7:38 ), pois as palavras de Cristo é Espírito e vida ( Jo 6:63 ), semente incorruptível, e somente tal semente faz germinar uma nova vida que dá direito a vida eterna ( 1Pe 1:23 ).

Qualquer que crer em Cristo como o Filho de Davi, o Senhor, o Filho do Deus vivo, já não é estrangeiro e nem forasteiro. Não viverá das migalhas que caem da mesa do seu senhor, antes se tornou concidadão dos santos. Passou a ser participante da família de Deus “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus” ( Ef 2:19 ).

Quem crê no Filho de Davi creu no Descendente prometido a Abraão, portanto é bem-aventurado como o crente Abraão, e participante de todas as beneficências prometidas por Deus através dos seus santos profetas, pois tudo que os profetas escreveram, escreveram a respeito do Filho ( Jo 5:46 -47 ; Hb 1:1 -2).

Quem crê pode todas as coisas em Deus, como se lê: “Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (Dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa, Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados” ( Hb 11:33 -40).

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Salmo 19 – O louvor da criação

A expressão da grandeza de Deus não necessita de um código de signos linguísticos para ser compreendido. A natureza demonstra a grandeza, a glória e a fidelidade de Deus, pois ela não falha na sequência dos eventos pré-estabelecidos por Deus.


1 OS céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
2 Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.
3 Não há linguagem nem fala onde não se ouça a sua voz.
4 A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras até ao fim do mundo. Neles pôs uma tenda para o sol,
5 O qual é como um noivo que sai do seu tálamo, e se alegra como um herói, a correr o seu caminho.
6 A sua saída é desde uma extremidade dos céus, e o seu curso até à outra extremidade, e nada se esconde ao seu calor.

A Natureza

Os céus expressam quão glorioso é Deus! O que se observa na natureza anunciam quão maravilhoso Ele é.

Como as obras de Deus são grandiosas e imensuráveis, isto indica que Ele é infinitamente grande e maravilhoso “Da parte do SENHOR se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos” ( Sl 118:23 ).

Os céus declaram a glória de Deus aquém? Aos homens! Todos os homens podem perceber a Sua glória e poder pois são inegáveis a grandeza das obras de suas mãos (v. 1).

A expressão da grandeza de Deus não necessita de um código de signos linguísticos para ser compreendido. A natureza demonstra por si só a grandeza, a glória e a fidelidade de Deus (v. 2).

A natureza não falha na sequencia dos eventos pré-estabelecidos por Deus, o que demonstra que Deus é firme e imutável. A abóbada celeste (firmamento) onde se pode presenciar os movimentos dos astros e dos corpos celestes anunciam que só podem ser obra de Deus. O salmista aponta que há uma linguagem implícita entre os dias que se sucedem, sendo que de igual modo há uma linguagem entre os dias que se sucedem, pois nisto não há confusão (v. 3).

O salmista destaca dentre todas as maravilhas que há no universo o sol e faz um comentário. Pelo ‘movimento’ constante, a morada que Deus preparou para o sol é descrita como ‘tenda’. O sol é comparado a um noivo que sai alegremente do seu leito nupcial a percorrer o seu caminho como se fosse um herói.

A ‘trajetória’ do sol faz com que nada se furte ao seu calor, pois o seu curso é de uma a outra extremidade do céu. Observe que a descrição que o salmista faz não tem por base questões científicas, antes se atem a descrever a funcionalidade e utilidade do astro amarelo, para demonstrar que as leis que regem a natureza são irrevogáveis, uma vez elas são uma expressão da natureza de Deus.

 

7 A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
8 Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos.
9 O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.
10 Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.
11 Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa.
12 Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos.
13 Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim. Então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão.
14 Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!

As Escrituras

Os versos 1 à 6 demonstram a grandeza e a perfeição de Deus através da natureza. Já os versos 7 à 14 dedicam-se a apontar a perfeição das Escrituras.

As Escrituras, a Lei, o Testemunho, os Preceitos, o Mandamento, o Temor, as Ordenanças são termos utilizados para fazer referência a palavra de Deus. Através da abordagem do salmista conclui-se que a palavra de Deus é perfeita, refrigera, é fiel, dá sabedoria, é reta, alegra, é pura, é luz, é limpa e permanecerá para sempre (v. 7 -9).

Somente através da palavra de Deus é dado ao homem conhecer que Deus trás descanso (refrigério) ao homem, ou que simples (inocente) alcança sabedoria. A retidão do Senhor torna o coração do homem alegre, pois a sua palavra é luz. A sabedoria de Deus é pura e permanecerá de eternidade a eternidade como expressão da justiça de Deus.

Ou seja, o salmista consegue estabelecer um contraste entre o que é revelado na natureza e o que é possível abstrair da sua palavra. Enquanto as conclusões pertinentes à natureza não redime o homem, a palavra de Deus é o meio de o homem andar à sua luz.

Conclui-se que, o que o homem não consegue perceber através da natureza, Deus revelou através da sua palavra.

Nada há que se compare ao conhecimento de Deus. Ouro? Favos de mel? Nada satisfaz o homem como os preceitos de Deus (v. 10), pois a palavra de Deus revela o cuidado de Deus para com os seus servos.

A palavra de Deus admoesta, ou seja, instrui, corrige e consola, pois ela estipula recompensa aqueles que se deixam instruir (v. 11).

Há alguém que consiga entender os seus erros sem a luz da palavra de Deus? Somente através da semente incorruptível o homem expurga os erros ocultos. Que ‘erros’ são estes? É o erro proveniente de Adão que o homem sem a revelação de Deus não consegue entender!

Como seria possível compreender que o primeiro Pai da humanidade, com a desobediência, alienou a humanidade de Deus? Como seria possível compreender que só Jesus, o último Adão, torna a dar acesso a Deus?

A palavra de Deus concede àqueles que por ela são exercitados a condição de sinceros e limpos. A recompensa de Deus aos que conhecem a sua palavra é a de se verem livres (limpos) da transgressão de Adão (v. 13). Todos os que se deixam instruir pela palavra da verdade estão livres da soberba.

O salmista espera que a meditação do seu coração seja agradável diante de Deus, pois do coração agradável procede as palavras agradáveis ( Mt 12:34 ).

Vemos através da Escritura que, a partir do momento que o homem tem o Senhor por Rocha e Redentor (crê), a sua adoração (canção) é aceita perante Deus. Por meio da fé o homem torna-se agradável a Deus (o que é nascido do Espírito é espírito), e passa a adorá-lo em espírito e em verdade. Somente quando o homem torna-se limpo de coração e sincero, Deus aceitará a meditação do homem.

 

O Verbo encarnado

Não podemos deixar de destacar que este Salmo faz referencia a pessoa de Cristo, pois Ele é o Verbo de Deus encarnado, a palavra fiel e verdadeira, que permanece para sempre ( Hb 13:8 ).

Portanto, ao ler este salmo, é necessário ter em mente que os céus declaram a glória de Cristo, pois foi Ele que criou todas as coisas ( Jo 1:3 ; Cl 1:16 ; Hb 1:8 -9).

Que ao fazer referência ao sol como noivo e herói, o salmista nesta previsão estava fazendo alusão a Cristo, o sol nascente das alturas que visitou os homens ( Lc 1:78 ). Enquanto o sol ilumina a humanidade nesta vida, Cristo é o sol que ilumina os que jazem nas regiões das trevas à sombra da morte ( Lc 1:79 ).

Cristo é a salvação poderosa levantada na casa de Davi e, ao visitar os homens tornou-se o noivo da igreja e a sua ação foi heroica, pois libertou os que jaziam em trevas ( Lc 1:69 ; Is 9:2 ; Jo 1:4 -5).

Portanto, ao falar do Verbo de Deus as palavras do salmistas eram agradáveis (v. 14), ou melhor, as penas de um destro escritor ( Sl 45:1 ), pois estava nesta previsão anunciando o mais formoso dos filhos dos homens: Cristo.

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