O livre-arbítrio não é mito

Um dos erros da concepção de que o livre arbítrio é um mito é aplicar uma figura utilizada para descrever a condição dos filhos de Israel e de seus lideres (condutores cegos que guiam cegos) e aplica-la a humanidade para estabelecer a inabilidade do homem em crer em Cristo “Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” ( Mt 15:14 ).


 

“Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 )

 

Introdução

O presente artigo não é uma abordagem filosófica acerca do que é ‘livre-arbítrio’, nem mesmo se propõe abordar suas implicações morais, religiosas, psicológicas, científicas, sociais, econômicas, politicas, ideológicas, etc.

A abordagem não é de cunho religioso, pois não visa impor questões éticas e morais, ou seja, não é prescritivo, não visa responder se o indivíduo é moralmente responsável por suas ações e nem se o homem é capaz de exercer escolhas genuínas.

A análise deste artigo tem por base princípios e figuras que a bíblia apresenta.

 

Qual é o mito?

Deparei-me com um artigo na web com o título “O mito do livre-arbítrio” que fortemente me compeliu a comentá-lo. Para contextualizar a abordagem do tema, se faz necessário transcrever alguns pontos do artigo que está assinado pelo Pr. Walter Chantry.

Nos dois primeiros parágrafos do artigo temos a seguinte exposição:

“Ninguém pode negar que o homem tem vontade – que é a faculdade de escolher o que deseja dizer, fazer e pensar. Mas, já refletiu sobre a lastimável fraqueza da sua vontade? Embora tenha a capacidade de tomar uma decisão, você não tem o poder de realizar o seu propósito. A vontade pode projetar um curso de ação, mas não tem em si mesma a capacidade de realizar o que intenta. Os irmãos de José o odiavam e venderam-no como escravo. Mas Deus utilizou o que eles fizeram para torná-lo um governante sobre eles mesmos. Eles escolheram, com o seu curso de ação, prejudicar a José, mas Deus, em Seu poder, dirigiu os acontecimentos para o bem de José, que disse: “Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem” (Gn 50.20)” (grifo nosso) O mito do livre-arbítrio, Walter Chantry, pastor da Grace Baptist Church em Carlisle, PA, EUA – Traduzido por: Wellington Ferreira – Copyright© Walter Chantry, Editora Fiel, Traduzido do original em inglês: The Myth of Free Will extraído do site: www.the-highway.com/Myth.html.

O Pr. Chantry afirma que o homem possui a faculdade de ‘escolher o que desejar dizer, fazer e pensar’, ou seja, ele faz referência à vontade do homem, porém, em seguida, perde a lógica, pois faz algumas conjecturas sobre ‘decisão’ e ‘poder de realizar’ como se estivesse analisando a vontade. Para dar apoio à argumentação, que confunde ‘vontade’ com ‘decisão’ e ‘capacidade de realização’, cita os irmãos de José como prova de que o homem não tem a capacidade de realizar o que intenta sob a alegação de que a vontade do homem é fraca.

Nesta abordagem há uma distorção gravíssima sobre o que é ‘vontade’ e ‘decisão’, quando argumenta que a vontade não possui capacidade de realização. Propositadamente ou não, o que o Pr. Chantry propôs deriva do mesmo princípio do argumento do ‘paradoxo da pedra’, argumentação filosófica que contrapõe a onipotência divina com força física.

O paradoxo da pedra firma-se no argumento de que, se Deus tem poder para realizar qualquer ação, então teria que criar uma pedra que Ele mesmo não pudesse levantar. A argumentação não leva em conta que as leis da física não se aplicam a Deus.

Sem adentrar na seara do paradoxo da pedra que contrapõe indevidamente elementos que possuem naturezas completamente distintas como ‘força física’ e ‘poder criativo’, é inegável que Deus é livre e todo poderoso.

Na tentativa de encontrar uma impossibilidade em Deus, os homens se apoiam na lógica e em eventos físicos, mas a bíblia revela abertamente e sem qualquer rodeio que Deus não pode mentir, ou seja, que Deus não pode negar a si mesmo “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:13 ; Tt 1:2 ).

Apesar de ser todo poderoso, a bíblia apresenta várias impossibilidades em Deus, como: Deus não pode mentir, não pode ter o culpado por inocente, não pode justificar o ímpio, não pode aceitar suborno, não pode fazer acepção de pessoas, não pode mudar, etc. Ora, todas estas impossibilidades é segurança para os que creem!

A impossibilidade de mentir depõe contra a onipotência divina? Não! A impossibilidade seria uma fraqueza da vontade divina? Não! Se tal impossibilidade não depõe contra os atributos da divindade, de igual modo temos que considerar que a incapacidade humana de realizar algum desejo não depõe contra o seu livre arbítrio.

É aberrante tentar amalgamar ‘vontade’ com ‘capacidade de ação’, ou, abordar ambas como se fosse um só ente. A natureza da vontade e a natureza da capacidade de ação são completamente distintas, pois ‘capacidade de ação’, mesmo quando limitada por fatores externos ao homem, não o impede de desejar.

A vontade é algo inerente ao indivíduo e é definida como a ‘capacidade de autodeterminação’, ‘intencionalidade definida’, ‘anseio da alma’, o que diverge do conceito apresentado pelo Pr. Walter, de que vontade é ‘a faculdade de escolher o que deseja dizer, fazer e pensar’.

Há imprecisão na asserção apresentada, pois vontade não é o mesmo que escolha.

Temos que divisar bem. Estamos abordando o problema do livre-arbítrio, questão diferente da livre agencia, embora muitos trabalhem as duas questões como se fosse apenas uma. Na livre agencia há o problema das opções de escolha, que é fator limitador externo ao agente, mas a opção de escolha não limita a vontade. A livre agencia é condicionada a fator externo ao agente, já o livre-arbítrio não.

A vontade do homem não possui limites por não estar sujeita a fatores externos ao indivíduo, mas quando o homem se depara com opções de escolha, exercerá a sua liberdade dentro de parâmetros pré-estabelecidos, o que se denomina de livre agencia. Quando no exercício da escolha dentro das opções ofertadas não podemos aduzir que, em função do limite de opções há fraqueza na vontade do homem.

Nada há que limite a capacidade do homem de desejar e pensar e, se não há o que limite o homem quanto a esta capacidade, certo é que o homem possui livre-arbítrio. Faça você mesmo um exercício desta faculdade neste momento. Escolha o que você quiser pensar e resolva desejar o que você quiser desejar. Há qualquer fraqueza quanto a esta faculdade? Você não conseguiu pensar o que quis pensar, ou houve algum empecilho quanto àquilo que você quis desejar?

Uma pessoa pode desejar comer o doce que quiser, mas se for diabético, apesar do desejo livre, as suas escolhas quanto a comer doces estará condicionada a preservar a sua existência.

O Pr. Walter inicialmente abordou a vontade como faculdade, que em outras palavras é aptidão indissociável das disposições internas do indivíduo, em seguida procurou estabelecer a vontade como fraca em função de questões externas ao indivíduo, porém as questões externas estão relacionadas à capacidade de ação e não à vontade.

Quando se fala em vontade, fazemos referência à autodeterminação e tal capacidade não está investida de poderes mágicos, ou de onipotência. Há uma grande diferença entre vontade e capacidade de realização. Por exemplo: Deus quer que todos os homens se salvem e que venham ao conhecimento da verdade, porém, apesar de possuir todo poder (capacidade de realização), poucos são os que entram pela porta estreita “Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” ( 1Tm 2:4 ); “E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” ( Mt 7:14 ).

Há incapacidade na vontade de Deus? Não!

O pastor Walter começa seu texto fazendo uma definição de vontade, e no afã de anular o livre arbítrio faz a seguinte colocação:

“Se a vontade do homem é tão potente, por que não desejar vivendo sempre e sempre? Mas você certamente vai morrer” Idem.

Quem, algum dia afirmou que há potencia na vontade? O termo livre arbítrio não trás a ideia de potência, mas a liberdade de julgamento íntimo!

Ora, a vontade do homem não é potente e nem impotente. Entretanto, se a premissa acima foi lançada no texto para demonstrar que o homem não tem mérito quanto a aceitar a salvação, ela é inócua, porque o mérito da salvação não se baseia em vontade, mas no agir de Deus segundo o seu propósito.

Embora a vontade não tenha em si mesmo o poder de realização, contudo, ela impulsiona o indivíduo a agir (trabalhar) em favor da realização. A ação é a fonte que possibilita a concretização do desejo. Pensar a vontade sem levar em conta que é no trabalho que está o poder de realização, promove confusão no trato do livre arbítrio.

Não há poder de realização quando se deseja ter uma casa, porém, o desejo é a chama que motiva o homem a trabalhar e construir uma casa para si. No trabalho encontra-se o poder de realização.

De igual modo, não há poder na vontade do homem quando deseja ser salvo. Quando se trata de uma casa, o homem pode trabalhar para conquistar seu desejo, mas com relação à salvação isto lhe é impossível alcançar através do labor.

Quando o discípulo Pedro perguntou: “Quem poderá, pois salvar-se?” ( Mt 19:25 ), Jesus respondeu: “Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” ( Mt 19:26 ). Jesus apontou uma impossibilidade de realização, e não uma impossibilidade de desejar.

Com relação à salvação o homem pode desejar ser salvo, porém não pode conquistar tal desejo em si mesmo, mas como Deus deu garantia expressa que trabalha para aqueles que n’Ele esperam, basta esperar naquele que é poderoso para cumprir o que prometeu que será salvo, pois o evangelho anunciado por Cristo é poder de Deus para salvação dos homens “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera” ( Is 64:4 ); “E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” ( Jo 5:17 ); “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” ( Rm 1:16 ).

Sem a vontade o homem fica apático às questões existenciais, não haverá valoração íntima quanto a exercer escolhas, o que o reduzirá a uma subespécie.

A vontade do indivíduo é para sua autodeterminação, ou seja, serve para nortear o curso da sua própria vida. A vontade não serve para direcionar o curso da vida alheia, quanto menos para alterar uma lei física.

Utilizar a passagem de José como exemplo para demonstrar que a vontade do homem é fraca não serve ao propósito, visto que, os irmãos de José desejaram traçar o curso da vida alheia. Os irmãos, por inveja, desejaram se livrar do “queridinho” do pai, mas cada qual do seu jeito. Uns queriam matá-lo, outros vendê-lo, e até mesmo houve quem desejou devolvê-lo ao pai. Cada um dos irmãos de José possuíam desejos distintos.

Quanto ao que os irmãos de José desejaram não há que se falar em fraqueza, pois cada um deles teve seu desejo livre dentro de si. Mas no que tange à capacidade de realizar havia obstáculos. Dentro das alternativas que dispunham, conseguiram afastar José da convivência familiar, pois primeiro lançaram José no poço e depois o venderam como escravo.

A vontade dos irmãos de José guiava o curso da vida deles, porém, a vontade deles jamais poderia guiar o curso da vida de José. Quando se fala de vontade, diz-se de faculdade que se restringe ao indivíduo, e jamais passa da pessoa do indivíduo.

Deus deseja que todos os homens se salvem, porém, muitos se perdem. A vontade de Deus é fraca, visto que Ele não leva a efeito o que deseja? Não! Embora Deus seja onipotente, contudo, não impõe a sua vontade às suas criaturas “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade ( 2Co 3:17 ).

Quando Deus age, ninguém pode impedir, mas isto não se aplica à Sua vontade, pois quando Deus manda, a luz vem a existência, o mar obedece, o universo para, mas, diversas vezes na bíblia vemos Deus pedindo obediência ao homem.

Quando Deus criou o homem, vê-se que Ele tem poder sobre o barro. Mas não impôs sua vontade sobre o vaso.

Não era da vontade de Deus que Adão o ofendesse, porém, Adão O ofendeu. A vontade de Adão tornou-se superior à vontade de Deus? Não! Deus simplesmente respeitou a decisão de Adão. Isto significa que não há como afirmar que a vontade é fraca ou forte. Não alcançar o que se deseja não torna a vontade fraca, e alcançar, não torna a vontade forte.

Embora os irmãos de José tenham intentado o mal e deram vazão à vontade que possuíam, contudo, pela ação de Deus em cumprir sua promessa feita a Abraão, José foi preservado tendo-se em vista a linhagem de Cristo, conforme o testemunho de José: “Pelo que Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento” ( Gn 45:7 ).

Não quero aqui menosprezar a soberania de Deus, categoricamente na condição de Juiz supremo, ninguém há que possa escapar das mãos de Deus. Nesse quesito, agindo Deus, não há quem possa impedir. O supremo juiz tem poder sobre as suas criaturas “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” ( Is 43:13 ). Mas no afã de exaltar a soberania de Deus, não devemos menosprezar Sua longanimidade.

Quando li esse parágrafo do artigo “O mito do livre-arbítrio”, fiquei impressionado com a confusão que se faz com livre-arbítrio (livre vontade), poder de decisão e capacidade de realização:

“Quantas das suas decisões são miseravelmente frustradas? Você pode desejar ser um milionário, mas é possível que a providência de Deus impeça isso. Você pode desejar ser um erudito, mas uma saúde comprometida, um lar instável, ou insuficiência financeira pode frustrar a sua vontade. Você pode querer sair de férias, mas um acidente de automóvel pode mandá-lo para o hospital” Idem.

A frustração nada mais é do que prova de que a vontade do homem é livre, pois o homem pode desejar o impossível, o que certamente trará frustração. A liberdade de desejar é faculdade diferente do poder de decisão, que por sua vez é diferente do poder de realizar.

Muitos desejam ser milionários, mas desejar ser milionário e ser milionário é o resultado de uma decisão?

Afirmar que a vontade de Deus impede um homem de ser milionário é contestar a palavra de Deus que diz que o sol nasce sobre os justos e injustos, é negar que a sorte foi lançada ao regaço de todos.

Não sei se fico triste ou alegre por Friedrich Nietzsche não estar vivo, pois as alegações do pensador acima daria azo para que Nietzsche dissesse mais blasfêmias ( Rm 2:24 ).

Se pelo fato de o homem não levar a termo as suas vontades, elas são tachadas de miseravelmente frustradas, que dizer da vontade de Deus, que é salvar todos os homens? Deus é miseravelmente frustrado?

Não é porque o homem não pode selecionar ou determinar a sua posição social, cor, inteligência, família, etc., que seu livre arbítrio está comprometido. Em qualquer condição que um ser humano nasce é possuidor de livre arbítrio, pode desejar o possível e o impossível.

Deus é Todo Poderoso, livre, a sua vontade é livre, mas a ninguém oprime.

Não se pode confundir a ‘vontade’ de Deus com o ‘propósito’ de Deus. Com relação ao propósito de Deus em salvar a humanidade, Ele AGIU soberanamente, pois nem mesmo poupou o seu próprio Filho. Mas com relação a sua vontade: ‘que todos se salvem e venham ao conhecimento da verdade’, não impõe, antes espera que os homens a experimentem “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” ( Rm 12:2 ).

É através da vontade livre que os homens sonham, fazem projetos, se lançam às realizações, mesmo quando sentem que as suas forças não pode alcançar.

Muitos escravos, quando amarrados, em postes de tortura, embora não tivessem o poder de realizar os seus intentos, contudo persistia dentro deles o anseio pela liberdade, a vontade deles era livre, e homem algum poderiam sobrepujar os seus anseios e sonhos.

O fato dos sonhos serem frustrados em nada depõe contra a livre vontade do homem. Mesmo que a vontade seja frustrada, não impede que o homem permaneça desejando.

Por fim, o Pr. Walter utiliza duas citações bíblicas como prova das suas alegações:

“Uma sóbria reflexão sobre sua própria experiência levará à conclusão que: “O coração do homem propõe o seu caminho, mas o Senhor lhe DIRIGE os passos” (Pv 16.9). Em vez de exaltarmos a vontade humana, deveríamos humildemente louvar ao Senhor, cujos propósitos formam as nossas vidas. Assim como confessou Jeremias: “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha o dirigir os seus passos” (Jr 10.23). Sim, você pode escolher e planejar o que tiver vontade, mas sua vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus. Nem tem você a capacidade de alcançar qualquer meta que não seja aquela que Deus permitiu” Idem.

O que Jeremias confessa diante de Deus? Que você pode escolher e planejar o que tiver vontade, mas que sua vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus? Que você não tem a capacidade de alcançar qualquer meta que não seja aquela que Deus permitiu ou estabeleceu? Não!

A asserção ‘… mas sua vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus” contraria o que Deus diz: “Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem falei, nem me veio ao pensamento ( Jr 19:5 ).

É de se considerar que o profeta que Deus usou para falar que não é do homem seu caminho, e nem do que caminha o dirigir os seus passos, foi o mesmo que usou para dizer que certos homens (judeus) faziam coisas que Ele não ordenou, coisas que nem passou em seu pensamento.

Haveria confusão em Deus? Deus desconhecia o assunto que falava? De modo nenhum!

Deus falou muitas vezes, e de muitas maneiras; e uma destas maneiras foi usando figuras. Ao abordar as impossibilidades do homem no que tange ao caminho, Deus estava falando de salvação. O homem não escolhe a porta para entrar neste mundo. Foi o que Jesus explicou: o homem entra no mundo pela porta larga e é conduzido por um caminho largo à perdição porque Adão pecou. É impossível o homem ser conduzido pelo caminho estreito a Deus sem a providência divina da Porta Estreita.

 

Figuras e princípios

A bíblia apresenta as figuras das duas portas (Adão e Cristo) que representam dois nascimentos (natural e espiritual), sendo que ambos os nascimentos é o meio pelo qual os homens acessam os caminhos (largo e apertado) que conduzem a dois destinos (morte e vida).

Os homens, quando vem ao mundo, só entram nele por intermédio do nascimento natural, ou seja, nasce segundo a carne, o sangue e a vontade do varão. Nenhum homem exerce escolha que venha determinar qual a sua condição diante de Deus, visto que, quando nasce, já está em um caminho que o conduz à perdição ( Jo 1:12 ).

O único homem que não entrou no mundo através da porta larga, foi Cristo Jesus, pois diferente de toda a humanidade, Ele foi lançado na madre por Deus ( Sl 22:10 ). Todos os outros homens, apesar de não terem feito escolha alguma, inexoravelmente são descritos como desviados de Deus desde que foram lançados na madre em função da semente corruptível de Adão, de modo que desde a madre a humanidade é descrita como mentira ( Sl 58:3 ).

Por causa da ofensa de Adão, resultante da sua escolha de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, todos os homens – juntamente – se desviaram de Deus – e em função daquela única escolha, todos se fizeram imundos ( Sl 53:3 ). O desvio e a imundície da humanidade não são apresentados na bíblia como uma questão de ordem ética, moral, psíquica, religiosa, social, filosófica, etc., como várias correntes teológicas vêm apresentado ao longo da história da cristandade.

O pecado, a imundície, a alienação, a separação de Deus é condição intrínseca à natureza do homem em função da queda.

Como a humanidade estava na ‘coxa’ de Adão, todos os homens juntamente se desviaram e tornaram-se imundos, herdaram a escravidão ao pecado, condição que não depende das escolhas diárias. Por causa desta condição, o melhor dos homens é comparável a um espinho, e o mais justo a uma sebe de espinhos ( Mq 7:4 ).

Como a porta estreita é oposta a porta larga, Cristo é apresentado pelo apóstolo Paulo como o último Adão.  Da mesma forma que Adão foi criado como cabeça de homens carnais, Cristo foi introduzido no mundo como a cabeça de uma nova raça de homens espirituais ( 1Co 15:45 -49).

Ou seja, para sair do caminho de perdição, o homem natural precisa morrer com Cristo, ser sepultado e, então, deve ser criado de novo em verdadeira justiça e santidade, nascer de novo, e estará no caminho estreito que conduz o homem a Deus.

É necessário a todos os homens nascerem de novo, nascerem segundo a semente incorruptível do último Adão para alcançar a salvação.

De longa data muitos teólogos negam que o homem sem Cristo possui “livre-arbítrio” alegando que, por serem escravos do pecado deixaram de possuir o ‘livre arbítrio’.

Do ponto de vista existencial, não ter ‘livre arbítrio’ é o mesmo que reduzir a condição do homem a um patamar inferior ao dos animais, ou seja, o homem não passaria de uma máquina.

A condição do homem seria inferior a de um cachorro, visto que, por mais que se prenda um cachorro em canis, correntes, etc., instintivamente o animal é livre. Qualquer prisão arquitetada pelo homem somente mantém cativo o corpo do animal, porém, o animal é livre em seus instintos. Jamais o homem conseguirá exercer domínio sobre os instintos de um animal.

Qual o objetivo de muitos teólogos afirmarem que, com a queda de Adão, o homem perdeu o livre arbítrio? A pena prescrita e imposta por Deus à ofensa de Adão no Éden contemplava a perda do livre-arbítrio além da separação de Deus (morte)?

Na pena estabelecida no Éden não estava incluso a perda do ‘livre-arbítrio’. A pena foi: a morte (separação de Deus) “De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás ( Gn 2:17 -18).

Houve também a dosimetria, que inclui – para a mulher: maior dor emocional, dor na gestação, dor no dar à luz filhos e sujeição ao marido – para o homem: dor e sofrimento para conquistar o alimento e maldição da terra – para ambos: morte física.

Além da pena, acessoriamente o homem tornou-se como Deus, pois adquiriu o conhecimento do bem e do mal ( Gn 3:22 ), mas nada com relação à perda do juízo livre foi mencionado.

A negação do livre arbítrio, chamado de ‘determinismo teológico’, teve origem na doutrina calvinista da eleição e predestinação. Como pode ser isto? A doutrina calvinista afirma que, antes da criação Deus já havia escolhido e predestinado alguns homens à salvação e outros para a danação eterna. Por apresentar a predestinação como base da doutrina da salvação, a alternativa que restou para explicar tal fatalismo foi negar o livre-arbítrio.

A raiz do determinismo teológico é eco do fatalismo, filosofia Greco-romana que considera os acontecimentos no mundo produzidos de modo irrevogável por uma ordem cósmica. Na mitologia grega temos a ‘moira’, e entre os romanos o ‘fatum’, deuses que controlavam o destino de homens e divindades, destino este que submetiam e estava acima de todas as divindades.

A bíblia não aborda o destino dentro de uma perspectiva fatalista, antes o termo ‘destino’ é empregado tão somente para descrever o lugar final de um caminho. Na bíblia há dois caminhos que possuem seus respectivos destinos, e os destinos, por sua vez, não estão vinculados aos homens, e sim, aos caminhos.

Se o leitor se inteirar das discussões acadêmicas que abordam o livre arbítrio poderá observar que a ofensa de Adão e a obediência de Cristo não são consideradas. As considerações filosóficas do juízo livre só analisa a vontade humana como capacidade de escolha entre bem e mal, certo e errado e se conhecidos conscientemente – o que compromete o tema, se analisado sob a ótica bíblica. Ora, o mal que distancia o homem de Deus não é de ordem moral, visto que o mal ao qual a bíblia faz menção e que separa o homem de Deus decorre da desobediência de Adão, e em seguida, que teve como consequência o conhecimento do bem e do mal.

As decisões cotidianas entre o certo e o errado, ou entre o bem e o mal não é o que trás alienação de Deus, antes tais julgamentos tem por base o conhecimento proveniente da árvore do conhecimento do bem e do mal que analisa e julga o comportamento humano.

Já o julgamento de Deus foi realizado com base na ofensa de Adão, pois foi a ofensa de Adão que trouxe o juízo de Deus e a condenação que trouxe perdição sobre a humanidade.

O livre arbítrio deve ser analisado levando-se em conta Cristo e Adão, pois ambos são representados figurativamente como portas que dão acesso a dois caminhos e que sujeitam os homens à justiça ou ao pecado.

É um equivoco das religiões julgarem que através da responsabilidade moral o homem garantirá a sua salvação ou perdição. A bíblia demonstra que a perdição é uma herança, assim como a salvação. Os descendentes de Adão herdaram a perdição, de modo que todos os nascidos da carne e do sangue já estão condenados ( Jo 3:16 ), mas os que creem, são de novo gerados em Cristo e são herdeiros da salvação ( Hb 1:14 ).

Fazer uma leitura com base na responsabilidade moral da seguinte declaração do apóstolo Paulo: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” ( Rm 9:21 ), é um equivoco, pois os vasos de desonra são os descendentes de Adão, e os vasos para honra são os descendentes de Cristo, sendo que Deus usa a mesma massa que os filhos de Adão foram feitos para, através de Cristo, fazer vasos de honra para Si, o qual somos nos, por termos crido em Cristo “Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” ( Rm 9:24 ).

O artigo ‘O mito do livre-arbítrio’ repetidas vezes confunde ‘vontade’ com ‘poder de realização’. Novamente ele aborda a ideia de que a vontade do homem não é livre para realizar quando cita Jeremias. E não podemos ignorar também que este artigo, além de confundir a vontade do homem com o poder de realizar, também confunde a vontade de Deus com providência, ou seja, a vontade de Deus com o agir de Deus. Não é de admirar que o pastor Walter prevarique na explicação do livre arbítrio.

Veja este proverbio: “A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma alcança, mas a alma dos diligentes se farta” ( Pr 13:4 ). Por que o preguiçoso deseja e não alcança? Por que Deus se lhe opõe? Não! O preguiçoso não alcança porque não é diligente, porque se fosse diligente teria a alma farta segundo o seu desejo. Deus determinou que o homem comeria do suor de seu rosto (do seu trabalho). A fartura vem do trabalho. Ter fartura é fruto de trabalho e não apenas de vontade.

Quando Jeremias fala: – ‘O coração do homem propõe o seu caminho…’ , está testificando da parte de Deus que o homem tem a vontade livre, mas que não tem poder em si mesmo de mudar de caminho, visto que Deus estabeleceu que o homem trilharia o caminho da morte caso comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal, e estabeleceu também que o homem passaria do caminho da morte para o caminho da vida se cresse em Cristo conforme seu Testemunho.

Quando o profeta diz: “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha o dirigir os seus passos” ( Jr 10:23 ), faz uma referencia aos dois caminhos anunciados por Jesus. O Mestre anunciou haver dois caminhos, porém, em ambos não é o homem que dirige os seus passos, antes o caminho que trilha, porque o caminho largo dirige à perdição e o caminho estreito conduz seus passos à salvação ( Mt 7:13 -14).

Com esta confissão, Jeremias demonstra uma realidade espiritual, porém, o Pr. Walter não se apercebeu desta verdade, e fez uma colocação tímida das questões próprias ao supralapsarianismo e infralapsarianismo ao dizer que a vontade não é livre para realizar nada contrário à vontade de Deus e nem de alcançar qualquer meta que não seja aquela que Deus permitiu.

Jeremias era profeta de Deus e embora tenha usado linguagem e símbolos conhecidos pelos homens, estava discursando sobre coisas celestiais, pois é Deus que determina os caminhos, pois o caminho de perdição e o de salvação não pertence aos homens.

Existem dois caminhos determinados por Deus e cada caminho conduz o homem a um destino. São os caminhos que conduzem os homens à perdição ou à salvação. Porém, todos os homens que abrem a porta da madre entram no caminho de perdição, porque todos entraram pela porta larga que é Adão. Mas, há um convite para todos os homens que entrem pela porta estreita, que se aceitar (crer em Cristo), serão conduzidos a Deus.

Como todos os homens, que entram por Adão, são conduzidos pelo caminho largo à perdição, implica que, o coração do homem é segundo o seu caminho, ou seja, propõe o seu caminho: um coração de pedra é segundo o caminho de perdição. Para estar no caminho estreito é necessário um coração de carne, portanto o coração de carne é segundo a porta estreita “O coração do homem propõe o seu caminho, mas o Senhor lhe DIRIGE os passos” ( Pv 16:9 ).

O homem tem liberdade para querer tudo o que a sua alma desejar, porém, só pode alcançar os desejos que estão dentro das possibilidades que lhe são apresentadas.

Com relação às questões naturais, o homem pode desejar voar como um pássaro? Sim! Pode desejar, visto que a sua vontade é livre. No entanto, tal possibilidade não é factível, terá que se contentar voar de avião. Desta forma, temos a vontade livre e, quando não é possível realizar alguns sonhos, o homem pode implementá-los dentro do que é factível.

Um escravo podia desejar ser livre? Podia desejar, e ninguém jamais sobrepujou este poder em um escravo, porém, a possibilidade de escolher ser livre não existia. O que mantinha o escravo na condição de sujeição ao seu senhor? A lei. A lei determinava que o escravo era propriedade do seu senhor. Ele podia desejar ser livre? Podia e era livre para desejar, mas a possibilidade de se fazer livre não existia.

Ora, muitos escravos lutavam na arena para tentar conquistar o direito de poder ser livre. Ele tinha a vontade livre, mas não tinha o poder para exercer livre escolha, porém buscava tal poder na arena.

Podemos dizer que a livre agencia do homem é o seu poder de escolher entre alternativas. A vontade do homem é livre, porém, só pode decidir dentro das opções que lhe são apresentadas. Suas escolhas são influenciadas por forças exteriores e disposições internas.

Embora o homem possa ser compelido a agir em contrário a sua vontade, ou forçado a dizer o que ele não quer dizer, contudo é a sua vontade que guia suas ações segundo o que lhe for conveniente no momento. Até mesmo quando são apresentadas alternativas, a liberdade da vontade do homem se manifesta, pois deseja o vermelho ainda que só possa escolher entre amarelo e azul.

Mesmo diante de uma grave ameaça para não agir segundo a sua vontade, o homem continua de posse da sua livre vontade. Um escravo permanecia debaixo da sujeição em vista de um preceito legal e das punições. Se não fossem as punições que o coagisse, jamais seria escravo. Alguns, por ser livre quanto à vontade e por não temer a pena, fugiam ou dava cabo da própria vida. Outros, apesar da condição ignóbil, por se afeiçoarem de seus senhores, submetiam-se docilmente.

O homem faz escolhas baseado em seu entendimento, seus sentimentos, nas coisas de que gosta ou não gosta, ou seja, através das suas disposições internas. Em outras palavras, a vontade não é à parte do homem. O homem não é livre de si mesmo! As escolhas são determinadas pela vontade e sentimentos do homem. A vontade jamais é independente da natureza do individuo.

Não podemos dizer que a vontade é escrava da natureza do homem, antes que a vontade é um atributo desta mesma natureza, assim como os instintos de um animal.

A vontade é bastante parcial ao que se sabe, sente, ama e deseja. O homem sempre escolhe com base em sua disposição interna, de acordo com a condição de seu coração, portanto, é livre. Quando a vontade do homem é parcial com seu ser, indica que é livre.

A prisão da vontade seria decretada se fosse possível obrigar a vontade a ser imparcial com as disposições internas do próprio indivíduo.

Concluir que a vontade do pecador não é livre para fazer o bem, tendo em vista que o coração do homem sob o pecado é mau, deriva de uma confusão do que é bem e mau.

Para compreendermos o que é bem e mal conforme as coisas espirituais, devemos considerar o ensino de Jesus comparando-o com a abordagem do salmista Davi: “Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” ( Lc 11:13 ); “Desviaram-se todos, e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não, nem sequer um” ( Sl 53:3 ).

Embora Deus tenha visto que as maquinações do coração do homem são más continuamente, não significa que os homens não façam boas ações. Significa que dar boas dádivas aos seus semelhantes não é o mesmo que fazer o bem “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” ( Gn 6:5 ).

Fazer o bem só é possível quando se está em Cristo, mas fazer boas ações é possível a todos os homens: quer sejam maus ou bons, quer sejam nobres ou vis “E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más ( Jo 3:19 ). A impossibilidade de fazer o bem está no fato de o homem sem Cristo pertencer ao Pecado, e tudo que pertence a este “senhor” é mau.

Um escravo não podia ser livre por sua própria vontade porque esta possibilidade de escolha não existia. Mas, caso o seu senhor lhe apresentasse a oportunidade, por certo que, ao exercer a sua livre escolha, escolheria ser livre. É neste quesito que o apóstolo Paulo orientou alguns cristãos escravos: “Foste chamado sendo servo? não te dê cuidado; e, se ainda podes ser livre, aproveita a ocasião ( 1Co 7:21 ).

Embora a vontade é livre, a escolha é delimitada pelas possibilidades. Um escravo podia exercer inúmeras escolhas durante o seu dia. Qual o caminho para o trabalho, a ferramenta a ser utilizada, a quantidade de esforço, etc., porém, não existia a possibilidade de ser livre, o que revela a escolha delimitada dentro de possibilidades. O maior problema da escravidão era a falta de ocasião, visto que, a ocasião ficava a cargo do seu senhor.

Antes de pecar o homem possuía livre vontade. Ora, ele possuía a livre vontade: de todas as arvores comerás livremente! Ao exercer a livre vontade comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal ofendeu Deus. Se ele não possuísse a vontade livre, jamais teria ofendido a Deus.

Porém, para exercer a livre vontade, foi lhe concedido por Deus o poder de escolha: podia comer de todas as árvores que estavam no jardim, livremente, inclusive a do conhecimento do bem e do mal, apesar da ressalva: ( Gn 2:16 ).

Ao exercer a livre vontade, decidindo comer o fruto do conhecimento do bem e do mal, Adão perdeu a opção de união com Deus, pois se sujeitou a escolha de sua decisão anterior. É neste quesito que Adão tornou-se escravo de sua escolha, pois não havia opção que pudesse reverter a sua condição.

A vontade não molda questões da vida como posição social, cor, ou inteligência, mesmo porque quando Adão recebeu o livre arbítrio, assim como qualquer ser humano, a parte física já estava formada. Ora, apesar de ser livre, Adão não podia voar como os pássaros e nem nadar como os peixes. Ele não pode escolher ter sido criado ou não, e nem mesmo foi lhe perguntado se queria ter uma sogra. Não foi dado a Adão nenhum título, riqueza, honrarias, e ele nem mesmo escolheu a sua mulher, contudo sua vontade era livre.

A argumentação a seguir é inócua, pois não depõe contra o livre-arbítrio, antes caracteriza a vontade do homem como isenta de poder de realizar, mas não a isenta de liberdade.

“Os principais fatores que moldam a sua vida não se devem à sua vontade. Você não seleciona sua posição social, sua cor, sua inteligência, etc.”  Idem.

Ora, a liberdade da vontade não está em poder realizar, antes está em desejar, querer. Há uma imprecisão na argumentação de que a vontade do homem não é livre para realizar qualquer coisa contrária aos propósitos de Deus, pois a vontade diz do ‘querer’, do ‘desejo’.

A vontade de Adão era forte ou fraca quando se rebelou? De onde veio o poder que concedeu autonomia a Adão para ofender a vontade de Deus?

“Mas, você já refletiu sobre a profunda fraqueza de sua vontade? Embora você tenha a habilidade de fazer uma decisão, você não tem o poder de realizar seu propósito. A vontade pode planejar um curso de ação, mas não tem nenhum poder de executar sua intenção” Idem.

Planejar e realizar são coisas distintas. Jesus declara que, caso alguém queira edificar uma torre, primeiro é necessário planejar, verificar o quanto possui e o quanto gastará. O poder para construir uma torre é proveniente do seu trabalho e não da sua vontade “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?” ( Lc 14:28 ); “O desejo do preguiçoso o mata, porque as suas mãos recusam trabalhar” ( Pv 21:25 ).

A vontade de Deus nem sempre se realiza, mas o seu propósito sempre é realizado. O pastor Walter não soube distinguir o propósito de Deus da vontade de Deus. Com relação a sua vontade, Deus espera ( 1Tm 2:4 ), já o propósito de Deus é levado a efeito segundo o seu eficaz poder ( Fl 3:21 ). O propósito de Deus não contempla ações cotidianas dos homens, antes o seu eficaz poder de sujeitar a Si todas as coisas.

Se Deus tem propósito em cada ação do homem, como afirma alguns, como é possível os filhos de Israel terem sacrificado os seus filhos no fogo? Se nunca subiu ao coração de Deus que os homens queimassem seus filhos no fogo, de quem era o proposito que os filhos de Israel executaram? “E edificaram os altos de Tofete, que está no Vale do Filho de Hinom, para queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas, o que nunca ordenei, nem me subiu ao coração” ( Jr 7:31 ). Tal afirmativa somente seria possível se Deus pudesse mentir!

Contestar o livre-arbítrio através do argumento de que os principais fatores da vida do homem não são moldados por sua vontade já causa estranheza, mas o argumento de que foi Lázaro que resolveu responder o chamado de Jesus quando foi ressuscitado dentre os mortos, só pode ser adjetivado negativamente. Observe:

“Quem jamais escolheu ter sido criado? Quando Lázaro ressuscitou da morte ele decidiu responder à chamada de Cristo, mas não pôde decidir ter vida” (Idem).

Um morto, que desceu ao pó, depois de quatro dias na sepultura resolveu, decidiu, responder um chamado? A vontade de ninguém é responsável para que se venha ao mundo, tão pouco a vontade de um defunto. Com o termino das funções vitais não resta qualquer expectativa neste mundo. A ressurreição de Lázaro não se deu em função de uma resposta de Lázaro.

Ao dizer: – ‘Lázaro, vem para fora’, Jesus somente determinou quem seria ressuscitado. A determinação não dependeu da resposta de Lázaro, antes do poder de Deus.

Não é o homem quem realiza o seu novo nascimento, pois a vontade do homem não possui poder criativo, mas como a vontade de Deus é dar vida aos que creem em função do poder de Deus e da sabedoria de Deus, todos os homens de boa vontade que ouvem e crê na pregação do evangelho, recebe de Deus poder para ser criado de novo, em verdadeira justiça e santidade “Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação (…) Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:21 -24).

As boas novas do evangelho são para os homens de boa vontade: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade” ( Lc 2:14 ), mas a concepção da depravação total transtornou até mesmo a tradução do verso em comento, pois a argumentação deles é contraria a ideia de que o homem possa ter boa vontade.

É dado aos que invocarem o nome do Senhor serem salvos ( Rm 10:13 ), mas para serem salvos é necessário primeiro alguém pregar. Para alguém pregar, antes é necessário a mensagem, pois a mensagem é o poder de Deus para salvação dos que creem.

Quando o homem crê na mensagem do evangelho, exalta a graça de Deus revelada em Cristo. A luz de Cristo brilhou aos que habitavam na região das sombras da morte, de modo que, ainda que o homem esteja morto, se crê, verá a Deus “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ).

 

A Prisão Espiritual

No que consiste ser escravo do pecado? O servo do pecado não deseja ser livre? O pecador não deseja fazer o bem?

Ora, o apóstolo Paulo ao descrever as suas disposições internas sob o domínio do pecado, disse: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” ( Rm 7:18 ).

Ele destaca que:

  • Na sua carne não reside bem algum;
  • Que a sua vontade era fazer o bem, e;
  • Havia uma impossibilidade decorrente da sua natureza: não conseguia realizar o bem.

Em se tratando de vontade, o homem não deve ser comparado aos animais. A comparação de que o leão faminto sempre escolhe carne fresca à salada, e que tais instintos animais são comparáveis às inclinações do homem no pecado é uma má leitura da bíblia.

Os animais possuem instintos, o homem possui vontade, consciência e inteligência. Instintivamente um leão sempre comerá carne, já com relação ao homem, ele leva em conta suas preferências antes de escolher.

Se os leões possuem instintos e os homens consciência, a natureza de ambos são distintas e, portanto, não se aplica uma mesma regra a homens e animais. O que dita a escolha do homem é a sua vontade.

“Se carne fresca e salada fossem colocadas diante de um leão faminto, ele escolheria a carne. Isso aconteceria porque a natureza do leão dita a escolha. O mesmo se aplica ao homem. A vontade do homem é livre de força exterior, mas não é livre das inclinações da natureza humana. E essas inclinações são contra Deus. O poder de decisão do homem é livre para escolher o que o coração humano dita; portanto, não há possibilidade de um homem escolher agradar a Deus sem a obra anterior da graça divina”  Idem.

O que se observa nas escrituras? Que muitos homens procuravam servir a Deus, porém, sem entendimento. Não serviam a Deus segundo a novidade das boas novas do evangelho, da palavra, do espírito, antes buscavam servir a Deus através da velhice da letra ( Rm 7:6 ; Rm 10:2 ).

Estes versos demonstram que muitos buscavam a Deus, porém, não conseguiam alcança-lo por falta de entendimento, ou seja, do conhecimento que há no evangelho “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si” ( Is 53:11 ).

Para servir a Deus é necessário um conhecimento especifico que está no evangelho, porém, as obras dos judeus eram más continuamente porque não eram feitas em Deus ( Jo 3:21 ), ou seja, eles eram ensinados a praticar o mal, não possuíam o conhecimento do santo os ‘obreiros da iniquidade’, pois seguia o engano dos seus corações ( Sl 53:4 ).

E que engano era esse? Que eram filhos de Abraão e, por conseguinte, filhos de Deus. Não era engano de ações cotidianas, mas de conceito. Até porque a nação de Israel recebeu instruções do próprio Deus: “E que nação há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós?” ( Dt 4:8 ).

A verdade é que não lhes resplandeceu a luz do evangelho para verem que eram descendência de Adão, e que estavam em igual condição aos outros povos. Apesar de Deus ter anunciado que eles não eram de fato justo, se achavam justos aos seus próprios olhos e melhores que os outros povos ( Dt 9:4 ).

No antigo testamento o povo de Israel é descrito como cegos, ou seja, um povo que rejeitava ver a verdade expressa nas Escrituras. Com relação à humanidade não é utilizado a figura do cego para descrevê-los, são descritos como povo que habita a região das trevas e que haveriam de ver uma grande luz.

Se os judeus admitissem que eram cegos, não teriam pecado, pois se assim confessassem, demonstraria que eram iguais aos demais pecadores, habitantes da regiões das trevas “Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece” ( Jo 9:41 ).

Um dos erros da concepção de que o livre arbítrio é um mito é aplicar uma figura utilizada para descrever a condição dos filhos de Israel e de seus lideres (condutores cegos que guiam cegos) e aplica-la a humanidade para estabelecer a inabilidade do homem em crer em Cristo “Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova” ( Mt 15:14 ).

O que dizer de versículos como esta citação dos salmos: “… não há ninguém que busque a Deus” ( Rm 3:11 ). O que dizer da citação de Jeremias: “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ).

Uma leitura equivoca dos versos acima dirá que o ser humano possui uma inabilidade para ouvir e crer, ou que é cego para as coisas de Deus, ou que está morto, e se está morto não pode ouvir e nem crer. Porém, os versos acima depõem contra os judeus, demonstrando que eles se encaixam na mesma condição da humanidade, pois o que a lei diz, diz aos que se guia por ela.

Os versículos não dizem que ninguém desejava aproximar-se de Deus, antes os versos demonstram que, apesar de desejarem buscar a Deus os judeus não buscavam a Deus, de modo que não havia diferença entre judeus e gregos ( Rm 3:9 ). Como o apóstolo Paulo chegou à conclusão que não havia diferença entre judeus e gregos? Através da Escritura que diz: ‘não há ninguém que busque a Deus’. Porque lhes faltava o entendimento, o conhecimento! “Deus olha dos céus para os filhos dos homens, para ver se há algum que tem entendimento e busca a Deus” ( Sl 53:2 ).

A leitura correta do salmo 53 deve ter por base o ‘entendimento’. Deus olha dos céus para os filhos dos homens para ver se eles possuem entendimento. Ora, entre os gentios não havia o entendimento necessário para buscar a Deus, e entre os filhos de Israel, apesar de possuírem a Escritura, não compreendiam, pois os obreiros não tinham o conhecimento.

Por que não há ninguém que faça o bem? Porque os obreiros (servos) do pecado não tem o conhecimento “Acaso não têm conhecimento estes obreiros…” ( Sl 53:4 ). E quem são esses obreiros? São os lideres de Israel, que se alimentavam do povo, porém, prevaricaram quanto às suas atribuições. Eles, no afã de se achegarem a Deus ensinavam um conhecimento que não salvava, pois ensinavam mandamentos de homens.

Por que o salmista é enfático em dizer que não há quem faça o bem? A resposta advém do contexto em que o apóstolo Paulo cita o salmo: para demonstrar que os judeus, que diziam buscar a Deus, não eram melhores que os gentios, sendo que judeus e gregos, todos estavam debaixo do pecado.

Quando as escrituras dizem que: “Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus” ( Rm 3:10 -11), evidencia que, embora os judeus tivessem zelo de Deus, liam as escrituras, faziam sacrifícios continuamente, mas na verdade, não buscavam a Deus.

Os salmos depunham contra os judeus: “ACASO falais vós, deveras, ó congregação, a justiça? Julgais retamente, ó filhos dos homens?” ( Sl 58:1 ), e Jesus enfatizou esta verdade: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” ( Jo 7:24 ).

Para quem foi escrito a lei? O apóstolo Paulo responde: “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus” ( Rm 3:19 ).

Para quem foi escrito que o etíope não pode mudar a cor da sua pele e, tão pouco o leopardo? Romanos 3, verso 19 responde. Mas, por que não podiam? Por que não buscavam? Por que não tinham livre escolha? Não! A resposta é clara: porque lhes faltava o entendimento, uma vez eram ensinados a fazer o mal “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ; Mt 3:7 ).

A figura do leopardo e a do etíope demonstra que tanto judeus quanto gentios não podiam mudar a condição deles diante de Deus. Porque os judeus não podiam mudar a condição deles? Porque o que lhes era ensinado era o mal, e não o bem.

Isto não significa que possuíam uma inabilidade para aprender, antes que a inabilidade estava na matéria que aprendiam continuadamente: eram ensinados a fazer o mal. Ora, se fossem ensinados a fazer o bem, aprenderiam o bem, claro está que receberiam poder para mudar a condição deles, pois Deus dá tal poder aos que vierem e aprenderem daquele que humilde e manso de coração ( Jr 13:11 ; Jo 1:12 ; Mt 11:29 ).

Em outras palavras, Israel precisava deixar instruir-se pelo próprio Deus e abandonar os preceitos de homens.

Como é possível alguém ensinar o seu próximo a fazer o mal como os obreiros da iniquidade faziam? Como os filhos de Israel foram lançados na madre ímpios, pois foram concebidos em pecado, ou seja, através da semente de Adão, falavam mentiras desde que nasciam ( Sl 58:3 ). Dai o imperativo: “Estas são as coisas que deveis fazer: Falai a verdade cada um com o seu próximo; executai juízo de verdade e de paz nas vossas portas” ( Zc 8:16 ), mas não tinham o conhecimento do santo e nem julgavam segundo a reta justiça.

As escrituras sempre demonstraram aos judeus que ninguém buscava a Deus, antes se desviaram juntamente, e todos os homens se fizeram imundos ( Sl 53:1 -3). Mas, os mestres de Israel entendiam que eles não estavam em igual condição aos demais homens, acreditavam que eram filhos de Deus por serem descentes de Abraão. Eles entendiam que o Salmo 53 apontava somente para os gentios.

O erro deles consistia no fato de confiarem da carne. Esqueciam que todos os homens juntamente se desviaram, e que eles estavam inclusos neste evento. Que não eram filhos de Abraão, antes filhos de Adão, o primeiro pai de todos os homens, por quem entrou o pecado no mundo “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ). Embora avisado de que eram filhos da desobediência de Adão, continuavam ensinado que eram filhos de Abraão. Em Adão transgrediram “Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim” ( Os 6:7 ), ou “Em Adam eles quebraram a minha aliança, aí eles me traíram” ( Os 6:7 ) CNBB.

A bíblia afirma categoricamente que a condição do homem é de sujeição ao pecado, e utiliza a figura da escravidão para levar o leitor a compreender tal condição. Uma figura serve de ilustração e dever ser analisada em todas as suas nuances.

Nos regimes escravagistas a sujeição dos escravos aos seus senhores se dava por meio do corpo. Os senhores compravam o corpo do escravo para subjugá-los, porém, nada contava das escrituras a vontade, a mente e as disposições internas dos indivíduos a serem escravizados.

O que os senhores olhavam num escravo? O porte físico, os dentes, a coloração dos olhos e mucosas, etc. Ou seja, eles não tinham como aferir as disposições internas dos escravos. Eles compravam, pagavam e levavam para suas terras. Nas suas terras vinha a surpresa: os escravos acabavam por revelar as suas disposições internas! Podia ser um bom escravo ou um mal escravo. Trabalhador ou preguiçoso. Serviçal ou arredio, etc.

E o que submetia os escravos aos seus senhores? A lei e as penas previstas. Como a lei submetia os escravos aos seus senhores? Prevendo castigos severos àqueles que não servissem os seus senhores a contento, ou que tentasse fugir.

A fuga era uma saída? Paliativa, porque para a lei e seu senhor, jamais o escravo deixaria de ser escravo. Todos estes aspectos pertinentes à escravidão aplicam-se ao pecado, visto que ele é descrito nas Escrituras como um senhor de escravos que escraviza o corpo, e não as disposições internas como a vontade.

É por isso que a cruz de Cristo foi estabelecida: para desfazer o corpo do pecado “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado” ( Rm 6:6 ). O pecado exerce domínio por causa da condição que a humanidade herdou de Adão e que sujeita o corpo de todos os homens.

Assim como os escravos só eram livres do seu senhor quando morriam, o único modo de os homens sob o pecado serem libertos é morrendo. Quando se crê em Cristo, o homem morre e é sepultado. Quando sepultado, o homem é criado de novo em verdadeira justiça e santidade, possuidor de um novo corpo unido ao corpo de Cristo. O novo corpo ressurreto com Cristo é livre do domínio do pecado, sendo possível servir à justiça ( Cl 3:1 ).

A vontade de um servo do pecado é livre, porém, o que o submete ao senhorio do pecado é a lei e a pena. Qual lei e qual pena? A lei instituída no Éden, que diz: “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” ( Gn 2:16 -17).

Através da lei santa, justa e boa instituída no Éden o pecado achou ocasião e matou o homem ( Rm 8:11 ), e a força do pecado decorre da própria lei santa, justa e boa ( 1Co 15:16 ). A lei que matou o homem não foi a de Moisés, antes a lei perfeita concedida no Éden ( 1Co 15:22 ).

E porque os homens ainda permanecessem sob o domínio do pecado? Por causa da pena imposta! Como? A vontade do homem é livre, porém, permanece sujeito à servidão “E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão” ( Hb 2:15 ).

A bíblia afirma com todas as letras que a vontade humana faz a decisão crucial de vida espiritual. A vontade do pecador é totalmente livre para decidir-se ou não pela vida eterna oferecida em Jesus. O homem não está numa posição cômoda que possa se dar ao luxo de escolher entre salvação ou perdição. Ele está perdido e precisa decidir entrar pela porta estreita que livra a todos quantos entrarem por ela.

Deus dará um novo coração e um novo espírito a todos que, pelo poder de Deus contido no evangelho, decidirem (livre vontade) receber a Jesus Cristo, que é a opção concedida por Deus ao homem que o livra da condenação. Não há dúvida de que receber a Jesus Cristo é um exercício da liberdade humana, o que denominamos ‘crer’, ‘ter fé’, ‘descansar na esperança proposta’, ‘estar quieto’, etc.

Como o homem chega e recebe espontaneamente o Senhor? A resposta é: Pelo poder contido no evangelho que lhe é oferecido. Como pode ser isso? Jesus, além de profeta, é o Verbo de Deus. Receber a Jesus significa crer em tudo que ele diz, e ele disse em João “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” ( Jo 11:25 ). O que ocorre se o homem crer? Jesus mesmo disse: “Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” ( Jo 11:40 ).

Em João 8, verso 41 à 45, Jesus deixou claro que os judeus que se diziam crer n’Ele não eram filhos de Abraão, antes filhos de Satanás. Novamente o texto e o contexto remetem aos judeus que achavam que estavam em posição privilegiada diante de Deus por serem descendentes da carne de Abraão, e Jesus tenta convencê-los do contrário.

Dizer que a vontade humana não escolherá crer em Deus é tornar o evangelho inócuo. João 8, verso 41 à 45 não afirma a ideia da inabilidade do homem crer, visto que os judeus tinham zelo de Deus, porém sem entendimento, ou seja, sem Cristo.

Quando o conhecimento verdadeiro que dá entendimento aos homens se posicionou diante deles dizendo: “Se permanecerdes no meu ensino, verdadeiramente sereis meus discípulos, então conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” ( Jo 8:31 -32 ), não creram. Por que não creram? Porque não eram livres, incapacitados para serem ensinados? Não! Antes, mesmo sendo livres para crer preferiram continuar de posse do mal que foram ensinados “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” ( Mt 12:34 ); “Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ).

Jesus estava ensinando a fazer o bem, ou seja, a vontade de Deus, que é crer naquele que Ele enviou. Mas, como os judeus estavam acostumados com o ensino do mal, não fizeram o bem que é obedecer a Deus que estabeleceu Cristo como a pedra eleita e preciosa “E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura?” ( Mt 3:7 ).

A pergunta: ‘Quem vos ensinou?’ é pertinente, pois o povo de Israel foi ensinado errado, e através de Cristo, o reino dos céus, alcançariam poder para serem feitos filhos de Deus.

Apesar de a vontade ser livre, não é ela que dá o escape ao homem sob o pecado, antes o escape é providência divina que advém do conhecimento apregoado por Cristo. É no conhecimento contido no evangelho que está o poder de Deus para salvação, e não na vontade do homem. A única realização da vontade humana é descansar, ou seja, nada realizar, ficar quieto, crendo em Cristo “Porque assim diz o Senhor DEUS, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes” ( Is 30:15 ). O homem crê, Deus realiza. O homem decide, Deus opera. O homem descansa, Deus trabalha em favor daqueles que nele espera. Aleluia!

Ter fé, crer, acreditar, descansar, sossegar, ficar quieto é a ação da vontade livre diante da oferta de salvação. Ou seja, não é por obra, é pela fé somente. O exercício da fé não pode ser confundido com obras, visto que a fé é descansar, estar quieto e tranquilo, e a obra demanda trabalho, empenho. Deus se empenhou na salvação da humanidade se fazendo homem, sofrendo as mesmas paixões, suportando a cruz.

Como afirmar que crê é salvar-se pelas obras, se crer é descansar? Como haverá dívida se o homem somente descansa na esperança proposta? “Ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida” ( Rm 4:4 ).

Quando o homem crê, na verdade é uma obra que Deus realizou “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). E como Deus realiza a sua obra? Por intermédio da sua palavra.

Devemos ter cuidado com doutrinas que se utilizam de superadjetivação para alguns posicionamentos: inimizade violenta contra Deus, todas as outras partes do homem clamam por rebelião, todo o seu ser odeia a verdade; a vontade humana está desesperadamente escravizada; graça preveniente, graça irresistível, graça geral, etc.

Adjetivar o que não foi adjetivado é uma clara violação do mandamento: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro” ( Ap 22:18 ).

Observe:

“Leia João 1.12-13. Essa passagem diz que aqueles que creem em Jesus foram nascidos não “da vontade do homem, mas de Deus”. Assim como a sua vontade não é responsável por sua vinda a este mundo, assim também ela não é responsável pelo novo nascimento” Idem.

O escritor faz uma má aplicação dos versos citados, visto que assim como os filhos segundo a carne são gerados segundo a vontade dos pais ( Jo 1:12 e Jo 3:6 ), assim são os de novo nascidos, são gerados da vontade de Deus.

Mas, a vontade de Deus não é fazer os descrentes seus filhos, antes é fazer os que creem em Cristo seus filhos. É Deus o responsável pela vinda de seus filhos ao mundo, mas só são feitos filhos os que creem. É neste ponto que temos a advertência de Deus: “Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 )

Quando o homem é gerado segundo Adão herda um coração de pedra, um coração que é segundo o caminho de perdição. Quando ouve a verdade e crê, Deus cria um novo coração e dá um novo espírito, um coração que é segundo o caminho de salvação “O coração do homem propõe o seu caminho, mas o Senhor lhe DIRIGE os passos” ( Pv 16:9 ); “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne” ( Ez 36:26 ).

O que os versos demonstram é que há duas vontades que determinam os nascimentos. Os homens são gerados primeiramente através da vontade do varão (Adão) e gerados de novo através da vontade do último Adão, que é Cristo “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” ( 1Co 15:46 ). Não é porque o homem não vem ao mundo por sua própria vontade que a sua vontade não é livre.

Adão não escolheu vir ao mundo, mas depois que veio ao mundo, Deus lhe deu livre arbítrio e não tirou “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento” ( Rm 11:29 ).

O evangelho é a fé que havia de manifestar-se, e por si só é um ato de Deus em prol da salvação dos pecadores ( Gl 3:23 ). Quando falamos da fé que foi manifesta e entregue aos santos, ela é poder e sabedoria de Deus “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:24 ; Jd 1:3 ).

O que o cristão apregoa é poder e sabedoria para salvação “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” ( 1Co 1:18 ). Esta fé dada aos santos é ato proveniente da vontade e misericórdia de Deus.

Ao ouvir o evangelho, que é poder para os que creem a reação do homem não é um ato que envolva mérito, mas uma aquiescência. Da sua reação frente à mensagem não resulta ato ou obra alguma. Aquiescer à esperança proposta é assentar, descansar, estar quieto. Para os que creem Jesus concede salvação.

Não é a vontade do homem que lhe concede esperança, visto que a vontade do homem não é dotada com o poder de realizar, antes a esperança é Cristo que apresenta a proposta de salvação. Os salvos não confiam na vontade livre, antes confiam naquele que é poderoso para salvar e que trabalha para aqueles que nele confiam “E andarei em liberdade; pois busco os teus preceitos” ( Sl 119:45 ).

Onde o Espírito de Deus está, ai há liberdade: “E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará. Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” ( 2Co 3:15 -17 ); “Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 ).

A sequência dos eventos para a salvação é: Cristo – vida manifesta; os mortos ouvem e creem; então são regenerados (morte espiritual é separação de Deus – morte física é descer ao pó). O novo coração e um novo espirito só é concedido aos que creem, ou seja, que invocam a Deus: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” ( Sl 51:10 ).

O clamor ‘cria em mim’ deriva de um coração contrito, ou seja, que crê “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é Santo: Num alto e santo lugar habito; como também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos” ( Is 57:15 ). Quem pede é porque confia, e pede porque ainda não tem. É um contra sendo pedir um coração novo quando se tem, e confiar pedido quando não se crê. Em primeiro lugar é necessário contrição, pois Deus só vivifica os contritos e abatidos de espírito

Por que é lido Moisés? Por que é anunciado o evangelho? Porque Deus espera que os homens ouçam e se convertam ao Senhor, pois aprove Deus salvar os crentes através da loucura da pregação e não através da doutrina que tem por base o pensamento pagão grego de destino.

Embora Deus quer (vontade) que todos se salvem e venham ao conhecimento da verdade, resigna-se a apresentar a sua palavra como se rogasse, de modo que, se ouvirem, Ele espera que os homens O obedeçam e convertam-se do mau caminho “Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 ); “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ).

 

Contradições

No final do artigo ‘O mito do livre arbítrio’ o autor faz um apelo à vontade humana quando diz:

Lance-se à misericórdia de Deus para a salvação. Rogue ao Espírito de Graça para que Ele crie um novo espírito dentro de você”  Idem.

Ora, se a vontade humana não é livre para decidir se achegar a Deus, antes o homem é escolhido e predestinado por Ele para a salvação, o encerramento do artigo não deveria conter um apelo à vontade do homem, antes deveria ser finalizado como conscientização, demonstrando aos leitores que é para se resignarem, devido à inabilidade humana para salvação, pois se fossem eleitos para serem regenerados, naturalmente se lançariam à misericórdia, mas se não, de nada adiantaria crer em Cristo.

É contraditório um artigo que no inicio defende que a vontade está presa às cadeias da malignidade da natureza humana e terminar apelando à mesma vontade que se lance à misericórdia e que rogue a Deus para criar um espirito novo. Não foi defendido durante o artigo que se Deus primeiro não conceder vida é impossível o homem ouvir a palavra de Deus e crer?

Para defender a ideia da inabilidade humana, de que o pecador não pode responder ao convite do evangelho crendo, o Pr. Walter citou João 1, versos 12 e 13, onde o apóstolo João defende que, todos quantos recebem a Cristo, a saber, que creem em seu nome, Deus concede poder para ser feito filho de Deus “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” ( Jo 1:12 -13).

Vemos a asserção do apóstolo João invertida no artigo do Pr. Walter, pois ele ardilosamente procura demonstrar que primeiro é necessário Deus conceder vida ao homem para tornar possível o homem crer.

Para o homem crer, primeiro foi necessário Deus dar a vida, mas a vida que Deus dá é Cristo, de modo que, estando todos habitando nas regiões das trevas, mortos em delitos e pecado, raiou a luz, e a luz que raiou nas trevas é a vida dos homens ( Jo 1:5 -4). Neste sentido a vida precede o crer, pois antes de o homem crer foi necessária a Fé se manifestar, ou seja, Cristo vir ao mundo ( Gl 3:23 ).

A luz se manifestou e o seu povo (Israel) rejeitou, mas todos quantos o receberam, foram agraciados por Deus com a filiação divina, se crer. Jesus foi rejeitado pelo seu povo porque acharam que já eram filhos de Deus por terem sido gerados segundo a carne e o sangue de Abraão, mas o apóstolo João demonstra que os nascidos da carne e do sangue não são filhos de Deus, somente os nascidos segundo a vontade de Deus.

A bíblia demonstra que Deus trabalha em prol dos que n’Ele esperam “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera” ( Is 64:4 ).

Como esperar em quem não se crê? E como crer se não ouvir?  Como ouvir se não há quem pregue? “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” ( Rm 10:14 ).

Deus roga através dos embaixadores de Cristo que os homens se reconciliem Ele, o que demonstra que a vontade de Deus não é imposta. Quando o evangelho da parte de Cristo é anunciado, Deus espera que cada homem se converta do seu mal caminho: “Bem pode ser que ouçam, e se convertam cada um do seu mau caminho, e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações” ( Jr 26:3 ); “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ).

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Você é realmente salvo?

As religiões buscam demonstrar que o homem é pecador através de questões morais e legais, mas a bíblia demonstra que todos se tornaram pecadores por causa de uma única ofensa “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”  ( Jo 16:8 ).


Muitos cristãos não sabem se são salvos, insegurança que advém de certos posicionamentos doutrinários, ou por não compreender alguns versos da bíblia.

Versos que contêm advertência quanto aos cuidados com a salvação parecem suplantar as garantias contidas no evangelho, e muitos duvidam se realmente são salvos.

Como compreender a advertência contida no seguinte verso: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus” ( Mt 7:21 ).

Diante deste verso, muitos duvidam de sua salvação e questionam-se sobre a possibilidade de estarem enganados por acreditarem que são salvos. Além da dúvida, ainda encontram os pseudos mestres do cristianismo que se utilizam do versículo somente para incutir medo nas pessoas, mas que também não compreendem a verdade ali contida.

Quando Jesus disse: ‘Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor!’, estava falando a uma multidão demonstrando que, não basta chamá-lo de Senhor, antes, é necessário fazer a vontade de Deus para poderem entrar no céu.

Jesus esclareceu os seus ouvintes sobre o que é necessário fazer para ter garantia da salvação quando demonstrou aos seus ouvintes que dizer ‘Senhor, Senhor’, não garante salvação. A garantia de salvação está em fazer a vontade do Pai celestial. Jesus não demonstrou somente o que não garante salvação e deixou por conta do homem decidir por si mesmo qual é a vontade de Deus. Não! Jesus veio ao mundo fazer a vontade do Pai e declarar ao homem qual é a vontade de Deus a ser realizada pelo homem para alcançar a salvação.

Qual é a vontade de Deus que, se o homem realizar, garante entrada nos céus?

Alguns pregadores, de posse deste verso arrematam dizendo que tais palavras têm por alvo aqueles que ‘professam’ publicamente com os lábios que crê em Cristo, mas que nunca se converteram genuinamente, alegando que confessar que creu em Cristo não redunda em salvação se o penitente não obedecer a Deus fazendo a sua vontade, o que gera confusão, pois não esclarecem qual é a vontade de Deus, ou pior, alegam que conformar-se com comportamentos estabelecidos pela sociedade como correto é realizar a vontade de Deus.

Uma coisa é certa: só entrará nos céus quem nascer de novo! Só entrará nos céus quem tiver obra superior a dos escribas e fariseus! Só entrará nos céus quem faz a vontade Deus! Ora, a vontade de Deus é especifica: que creiam em Cristo.

A obra de Deus, ou o mandamento de Deus, ou a vontade de Deus resume-se na seguinte frase: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ; Jo 6:29 ).

Ora, se a vontade de Deus é que os homens creiam em Cristo, quando Jesus disse que não basta dizer: -‘Senhor, Senhor’, mas que é necessário realizar a obra de Deus – a essência da mensagem de Cristo é que cressem n’Ele “Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou ( Jo 6:29 ).

Fazer a vontade de Deus resulta em salvação, nunca o contrário, que a salvação resulta em fazer a vontade de Deus. Chavões como: ‘Tu não fazes a vontade de Deus para que sejas salvo, mas farás a vontade de Deus se és verdadeiramente salvo’, possui um equivoco tremendo.

Muitas vezes o pecador ouve que é pecador por ter sido gerado de Adão e que necessita de Cristo para ser salvo, e após o pecador crer que Jesus é o Filho de Deus que tira o pecado do mundo, tem a sua confiança desconstruída em função do argumento de que ‘o verdadeiro fruto da salvação é fazer a vontade de Deus’. Está é uma das artimanhas de Satanás que está ao derredor buscando a quem possa tragar. Este é um engano de perdição, pois crer em Cristo é a vontade de Deus, condição essencial para entrar no reino dos céus, quando o crente passa a estar em Cristo e Cristo no crente “E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado” ( 1Jo 3:25 ).

Crer em Cristo como o Cristo de Deus que havia de vir ao mundo é o mesmo que estar em Cristo, portanto, quem crê torna-se nova criatura, pois basta crer em Cristo para o homem cumpra o mandamento de Deus.

Quando o carcereiro de Filipo perguntou ao apóstolo Paulo e a Silas o que deveria fazer para se salvar, a resposta foi especifica e categórica: creia no Senhor Jesus! “E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” ( At 16:30 -31).

Quem crê que Jesus é o Filho de Deus vence o mundo “Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” ( 1Jo 5:5 ). Em admitir que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que Deus o ressuscitou dentre os mortos está a salvação “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” ( Rm 10:9 ).

Quando se crê em Cristo, ou seja, quando se faz a vontade de Deus, o homem passa a estar ligado à videira verdadeira. Por ser uma vara ligada à videira é impossível não dar fruto “Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” ( Jo 15:4 -5; 1Jo 3:25 ).

Quando Jesus diz: ‘Estai em mim e eu em vós’, estava dizendo: – “Façam a vontade do Pai”; – “Creiam que Eu sou o enviado de Deus”; – “Realizem a obra de Deus”, pois qualquer que crê em Cristo passa a estar em Cristo e Cristo no crente. Para estar em Cristo basta crer em Cristo ( Jo 14:1 ), pois este é o mandamento de Deus que resulta em salvação, uma vez que Cristo foi enviado por Deus para que todo aquele que nele crê não pereça, antes tenha a vida eterna ( Jo 3:16 ).

O fruto que o crente produz é professar o nome de Jesus como salvador do mundo “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ). Fazer a vontade de Deus é crer em Cristo, e o fruto daquele que crê consiste em professar a Cristo, o fruto dos lábios, que não é o mesmo que ‘fruto da salvação’ ( Hb 13:15 ).

O mandamento é crer em Cristo, o fruto é anunciar as boas novas do evangelho, pois no fruto está a semente que produz vida. É um equivoco grotesco confundir o fruto dos lábios com o mandamento de Deus.

A evidência da salvação está em que Deus ressuscitou o Seu Filho dentre os mortos, e que todo o que obedece a Deus crendo em Cristo é salvo, pois o seu mandamento é crer em Cristo.

Se o Cristão crê que Jesus é o salvador do mundo, o Filho de Deus nascido na casa de Davi, que viveu sem pecado, foi morto e ressurgiu dentre os mortos e está assentado à destra do Pai nas alturas, está salvo, como se lê: “O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas escrituras, Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, Declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor” ( Rm 1:2 -4).

Não deixe que outra pessoa examine a autenticidade da tua salvação, antes prove, analise a si mesmo se permaneceis crendo em Cristo, pois Ele é a fé que havia de se manifestar e que nos foi manifesta ( Gl 3:23 ). Se o crente permanece crendo que Jesus é o Cristo conforme diz as Escrituras, é aprovado diante de Deus.

Se alguém tentar por em dúvida a salvação de quem creu em Cristo, basta fazer o recomendado pelo apóstolo Paulo aos cristãos de Corintos: Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” ( 2Co 13:5 ).

É por este motivo que o crente deve se interirar do que alcançou após ouvir o evangelho e crer em Cristo Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” ( Ef 1:13 ).

Agora, se o cristão desconhece que está em Cristo e que Cristo está nele; se desconhece que é nova criatura por estar em Cristo; se desconhece que é templo, habitação do Espírito de Deus; se desconhece que é o corpo de Cristo; se desconhece que é luz no Senhor; se desconhece que é filho de Deus; se desconhecer que foi batizado na morte de Cristo; se desconhece que já ressurgiu com Cristo dentre os mortos; se desconhece que o Pai e o Filho vieram e fizeram nele morada, qualquer questão proveniente do anticristo demoverá tal cristão da sua fé e será achado reprovado “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” ( 2Co 13:5 ).

O cristão que não compreende que a vontade de Deus é crer em Cristo, ou que não compreende que crer em Cristo é suficiente para redundar em salvação, é comparável à semente caída a beira do caminho, suscetível de o maligno vir e arrebatar a semente, conforme lemos na parábola do semeador: “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho” ( Mt 13:19 ).

Se o crente crê que:

a. Era pecador porque era descendente de Adão, porque foi gerados em pecado ( Rm 3:23 );

b. Jesus foi enviado ao mundo para salvar a humanidade porque todos estavam alienados de Deus por causa da ofensa de Adão ( Jo 3:16 );

c. Jesus é o Verbo eterno que no princípio estava com Deus ( Jo 1:1 -2), e sendo Deus, esvaziou-se do seu poder e glória e tornou-se homem ( Fl 2:7 );

d. Jesus foi introduzido no mundo como o Unigênito Filho de Deus gerado no ventre de Maria pelo Espírito de Deus ( Jo 1:18 ; Mt 1:18 );

e. Jesus viveu entre os homens, foi participante de todas as aflições, porém, sem pecado ( Hb 2:17 );

f. Jesus foi crucificado, morreu, foi sepultado e ressurgiu ao terceiro dia e está assentado à destra de Deus nas alturas ( Rm 1:3 -4), significa que se arrependeu, ou seja, que a sua concepção foi mudada, transformada pela mensagem do evangelho e efetivamente salvo.

Há uma má leitura acerca do que é o arrependimento genuíno que também turva o entendimento de muitos cristãos. Arrependimento segundo a bíblia diz de mudança de concepção, de entendimento. Quando Jesus diz ao Fariseus: “… se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” ( Lc 13:5 ), estava demonstrando que, apesar de pensarem que estava em condição privilegiada diante de Deus por serem descendentes de Abraão, na realidade, se não mudassem a concepção que tinham, pereceriam do mesmo modo que aqueles gentios que os fariseus haviam acabado de emitir um julgamento.

Arrependimento não é confessar erros e crimes cometidos. Arrependimento não é ir a um confessionário. Arrependimento não é penitenciar-se. Arrependimento não é remorso. Arrependimento, ‘metanoia’ no grego, é deixar de ter um conceito para abraçar uma nova compreensão.

Os fariseus acreditavam que era salvos por serem descendentes de Abraão, porém, se um fariseu se arrependesse, deveria substituir a concepção de que era salvo por ser descendente de Abraão pela concepção de que a salvação se dá em Cristo, o descendente prometido a Abraão. É por isso que João Batista disse aos escribas e fariseus: – “Arrependei-vos. Ou seja, mudem a concepção de vocês, pois para ser salvo não basta pensar que tendes por pai a Abraão, pois das pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão”; “Mude a concepção de vocês, pois o reino de Deus está entre vós”.

Dizer: – ‘Senhor, Senhor’, é portar-se como alguns judeus que diziam crer em Cristo ( Jo 8:31 ), mas que ao serem questionados, apresentaram a sua real crença: “Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?” ( Jo 8:33 ).

Apesar de muitos judeus crerem em Cristo, criam ao seu modo, pois entendiam que Cristo era um dos profetas, ou que era somente um dos filhos de José e Maria. Eles não criam em Cristo como o descendente prometido a Davi; não criam que Cristo é superior a Abraão; não criam que Cristo existia antes de Abraão; não criam que Jesus é o Eu Sou ( Jo 8:53 ).

Os judeus criam em Deus, porém, não queriam obedecê-Lo, por isso Jesus disse aos seus discípulos: “Crede em Deus, crede também em mim” ( Jo 14:1 ). O protesto de Tiago quanto ao posicionamento dos judeus é claro: “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem, e estremecem”( Tg 2:19 ). Mas, por que Tiago protestou deste modo? Porque o mandamento de Deus é que os homens creiam em Cristo, e quem, na verdade, crê em Deus, deve crer em Cristo “E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou”( Jo 12:44 ). Se não crer em Cristo, na verdade não crê em Deus “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou” ( Jo 5:23 ).

Crer é suficiente e crer é o exigido para a salvação da alma. Quando alguém alega que ser salvo ‘não é apensas crer, antes que há um crer específico’ somente trás entrave à compreensão.

Qual é o tipo de crença que é para a salvação da alma?

Ora, crer que Jesus veio em carne é o tipo de crença que é para salvação da alma, mas crer que Jesus não veio em carne é uma crença de perdição fomentada pelo anticristo “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo” ( 2Jo 1:7 ; 1Jo 4:2 ).

Crer que Jesus foi crucificado, morreu e ressurgiu dentre os mortos é o tipo de crença que redunda em salvação da alma,  mas crer que Jesus não morreu ou que não ressuscitou dentre os mortos, é o tipo de crença que não livra da condenação ( 1Co 15:3 -4).

Crer que o Jesus de Nazaré é o Cristo, o Filho de Deus, é o tipo de crença que é para salvação, mas negar que Jesus é o Cristo é o tipo de crença que não redunda em salvação.

Crer que Jesus é o Eterno, o mesmo ontem hoje e eternamente, é o tipo de crença para salvação, mas crer que Jesus é um anjo ou arcanjo, não redunda em salvação.

Confessar, admitir que Jesus é o Filho de Deus é o tipo de crença que redunda em salvação, mas crer que Jesus nasceu de Maria e José é o tipo de crença que não é conforme a verdade do evangelho, portanto, não redunda em salvação.

Crer que Jesus faz milagres, que é um dos profetas, o maior mestre que já existiu, que é o maior psicólogo, o homem mais bondoso que já passou pela terra, que resolve problemas mil, etc., não é o tipo de crença que redunda em salvação, antes é salvo aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus que tem palavras de vida eterna “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” ( Jo 5:24 ).

Os judeus tropeçaram na pedra de tropeço porque não reconheceram que Jesus era o filho de Davi, portanto, o Filho de Deus, o cerne da confissão cristã “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” ( Mt 16:16 ). Se admitisse que Jesus era o Filho que Deus prometeu a Davi, concomitantemente teriam que admitir, segundo as Escrituras que Jesus era o Filho de Deus ( 2Sm 7:13 -14; Sl 2:7 ). A confissão da irmã de Lázaro, Marta, estava em consonância com a declaração do apóstolo Pedro: “Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio
que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” ( Jo 11:27 ).

A conversão do homem decorre da pregação da mensagem do evangelho, semelhante ao que se deu com os habitantes de Nínive que, ao ouvirem a mensagem do profeta Jonas, se converteram ( Lc 11:32 ). A conversação não possui relação com o tipo de programa que o cristão assiste na televisão; com o traje do homem ou da mulher; com a aparência física; com o cabelo, se curto ou longo; com enfeites, brincos, perfumes, etc., antes a conversão está atrelada à confissão do evangelho.

Outro equivoco decorrente de uma má leitura das Escrituras é a ideia de que uma pessoa só pode crer verdadeiramente quando se ‘arrepender’ sentido pesar, remorso, tristeza pelos erros de condutas cometidos. Ora, ‘arrepender-se’ é o mesmo que crer na verdade do evangelho, pois o crer em Cristo para salvação só é possível quando o homem abandona (metanoia) os seus próprios conceitos quanto à salvação.

Por exemplo: Quando o evangelista Mateus narra a parábola dos dois filhos contada por Jesus aos fariseus, foi demonstrado que os publicanos e as meretrizes creram na mensagem de João Batista, mas os religiosos, apesar de ver tamanha maravilha, os pecadores crendo, não mudaram a concepção para crer na mensagem de João Batista “… nem depois vos arrependestes para o crer” ( Mt 21:32 ).

Uma evidencia de que os fariseus não creram na palavra de João Batista é que eles não mudaram a confissão, pois apesar de ouvirem que o reino de Deus estava próximo, continuavam dizendo que eram descendentes de Abraão. Se houvessem arrependimento, deixariam de fazer alusão a Abraão e passariam a confessar que Jesus é o Cristo.

Os fariseus não se arrependeram (metanoia) porque não creram, e não creram porque não mudaram a concepção que aprenderam dos seus pais (não se arrependeram). É necessário cuidado para não confundir ‘metanoia’ (arrependimento) com a concepção católica da penitência derivada da indulgencia que ainda permeia o significado da palavra ‘arrependimento’.

Para ser salvo é necessário que o Espírito Santo convença o homem do pecado, da justiça e do juízo. O convencimento do pecado que o Espírito Santo promove não decorre de questões legalista, moralista ou formalista. O convencimento do pecado que o Espírito Sato promove é conscientização segundo as Escrituras, de que :

– o homem é pecador por causa da desobediência de Adão; que a ofensa de Adão trouxe juízo sobre todos os homens para condenação.

– o juízo de Deus já foi estabelecido no Éden, trazendo condenação sobre todos os homens.

– a justiça de Deus é substituição de ato, a obediência de Cristo pela ofensa de Adão, e não por questões comportamentais.

As religiões buscam demonstrar que o homem é pecador através de questões morais e legais, mas a bíblia demonstra que todos se tornaram pecadores por causa de uma única ofensa “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”  ( Jo 16:8 ).

Quando se crê em Cristo, o homem passa da morte para vida. Quando se crê, o homem entra pela porta estreita. Quando se crê, o homem passa estar em Cristo, o caminho estreito que conduz o homem a Deus. Basta estar em Cristo que o homem passou a estar separado do pecado e unido a Deus.

O homem é salvo pelo evangelho, que é poder de Deus para salvação de todo que crê.

Quando dizemos que o homem é salvo pela fé, estamos dizendo que o homem é salvo por meio do evangelho, pois o evangelho é a fé que foi dada aos santos, pois foi manifesta na plenitude dos tempos ( Jd 1:3 ; Gl 3:23 ).

O homem é salvo pela pregação da fé, que é dom de Deus. Quando o homem ouve o evangelho e crê, obedeceu a fé, o que lhe dá poder de ser feito filho de Deus ( Jo 1:12 ). A crença (fé) genuína decorre da obra que Jesus realizou no Calvário (obediência) que redundou em sua ressurreição dentre os mortos.

Ser salvo é crer que Jesus morreu pelos pecadores para remi-los da condenação herdada de Adão.

Entretanto, milhares, sim, talvez milhões de religiosos, que são membros de igrejas, que dizem que invocam ao Senhor, ficarão chocados quando forem rejeitados por Deus. Por que? Porque alguns creem em Cristo ao seu modo, e não conforme as Escrituras “E saiu Jesus, e os seus discípulos, para as aldeias de Cesaréia de Filipe; e no caminho perguntou aos seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou? E eles responderam: João o Batista; e outros: Elias; mas outros: Um dos profetas” ( Mc 8:27 -28). Outros porque não perseveraram crendo em Cristo conforme as Escrituras, antes se desvaneceram em seus próprios conceitos, rejeitando a verdade do evangelhoNão rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão. Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” ( Hb 10:35 -36), pois a promessa de Cristo é especifica aos que creem em seu nome: “E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna” ( 1Jo 2:25 ); “A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome” ( At 10:43 ); “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” ( Jo 1:12 ).

Crer que Jesus é o Filho de Deus é suficiente para alcançar a salvação, porém, é necessário guardar esta confiança até o fim, pois esta é a admoestação do apóstolo Paulo “Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão” ( 1Co 15:2 ). Depois de ter feito a vontade de Deus, que é crer em Cristo, basta a perseverança até o fim para alcançar a promessa: a vida eterna!

O objetivo do evangelho e das Escrituras é que o homem creia que Jesus de Nazaré é o Cristo “Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” ( Jo 20:31 ).

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A escravidão da vontade

Analisaremos se é possível escravizar a vontade de um indivíduo, pois na história da humanidade verifica-se que, os escravos eram livres quanto a vontade, mesmo legalmente impossibilitado de ser livre.

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É possível santificar a si mesmo?

Num primeiro momento os cristãos haviam sido santificados através da vontade de Deus, por meio da oferta do corpo de Cristo ( Hb 10:10 ). Levando em conta este primeiro momento, o apóstolo Paulo, juntamente com Timóteo e Silvano, falam da vontade de Deus para aqueles que já alcançaram a Santificação. Ou seja, a vontade de Deus para os cristãos que já haviam alcançado uma nova condição através da oferta do corpo de Cristo (santos), é que se abstenham da prostituição.


“Esta é a vontade de Deus para a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição”
( 1Ts 4:3 ).

É possível ao homem santificar-se a si mesmo?

Este versículo é muito utilizado por aqueles que defendem a santificação progressiva. Dentre eles temos o Dr. Bancroft:

“A justificação difere da santificação no seguinte: aquela é um ato instantâneo e que não comporta progressão; esta, é uma crise que visa a um processo – um ato que é instantâneo, mas que ao mesmo tempo traz em si a ideia de desenvolvimento até a consumação” Bancroft, Emery H., Teologia Elementar, 3º Ed. Editora EBR, pág. 262.

Por causa destas afirmações surgem muitas dúvidas: o homem consegue santifica-se? O homem consegue, segundo uma disposição interna, separar-se para Deus? Esta idéia é válida?

Como já visto anteriormente, é a vontade de Deus que santifica o homem: Nesta vontade é que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas” ( Hb 10:10 ), mas o que dizer do versículo que diz: “Esta é a vontade de Deus para a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição” ( 1Ts 4:3 ).

Basta abster-se da prostituição que o homem alcançará a Santificação? É por meio da abstenção de certas condutas que o homem se santifica, ou é a vontade de Deus que executa esta obra?

Observando o contexto no qual foi inserido este versículo, verifica-se que Paulo, Timóteo e Silvano passam as considerações finais quando da escrita da carta aos Tessalonicenses “Finalmente, irmãos…” ( 1Ts 4:1 ).

Em seguida, eles passam a demonstrar uma verdade que não podemos nos furtar em observar: “Finalmente, irmãos, nós vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como recebestes de nós, quanto à maneira por que deveis viver e agradar a Deus, assim andai, para que abundais cada vez mais” ( 1Ts 4:1 ).

Sobre a maneira que o homem deve ‘viver’ e ‘agradar a Deus’ tratar-se da nova vida em Cristo proveniente do evangelho da graça, e não de questões comportamentais. O que os cristãos haviam recebido do apóstolo quanto ao viver e agradar a Deus? O evangelho de Cristo, que é poder de Deus (semente incorruptível) para todo aquele que crê ( Jo 1:12 ; 1Pe 1:23 ).

O evangelho foi entregue, “…recebestes de nós…” para que pudessem viver e agradar a Deus. Só é possível agradar a Deus após receber vida por meio da semente incorruptível, quando o homem é feito filho de Deus

Como agradar a Deus, ou ser agradável a Deus? A resposta encontra na nova vida concedida aos que creem. Somente os nascidos do Espírito podem agradar a Deus “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” ( Rm 8:8 ). Se os que estão na carne (os nascidos segundo a carne, filhos da ira, filhos da desobediência, descendentes de Adão) não podem agradar a Deus, somente os nascidos de semente incorruptível, que é a palavra de Deus, recebem poder para serem de novo criados segundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ).

Os cristãos já viviam em Espírito e agradavam a Deus, uma vez que já haviam crido em Cristo. Isto pode ser confirmado quando Paulo agradece a Deus pelos Tessalonicenses “… e da vossa firmeza de esperança em nosso Senhor Jesus Cristo…” ( 1Ts 1:3 ). Eles haviam assumido a condição de eleitos de Deus: “…reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição” ( 1Ts 1:4 ).

Em resumo, o verso 1 do capítulo 4 de Tessalonicenses apresenta o mesmo conceito presente na carta aos Gálatas e Efésios:

“Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz ( Ef 5:8 );
“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito ( Gl 5:25 );
“…quanto à maneira por que deveis viver e agradar a Deus, assim andai…” ( Ts 4:1 ).

A maneira que o homem deve viver e agradar a Deus decorre do evangelho, o mandamento emitido pelo Senhor Jesus, conforme lemos no verso 2, do capítulo 4, da carta aos tessalonicenses: “Pois vós bem sabeis que mandamento vos temos dado pelo Senhor Jesus” ( 1Ts 4:2 ). Qual o mandamento de Deus? “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo…” ( 1Jo 3:23 ).

Somente através deste mandamento torna-se possível ao homem viver segundo o Espírito e tornar-se agradável a Deus. É neste evento, quando o homem passa a viver em Cristo, ao receber a condição de filho da Luz, que o homem torna-se santo em Cristo.

O abster-se da prostituição não concede vida no Espírito, e nem torna os homens agradáveis a Deus. Abster-se da prostituição diz do andar no Espírito, que só é possível através da verdade do evangelho. Abster-se da prostituição refere-se ao andar do cristão na condição de filho da Luz.

Abster-se da prostituição não concede santificação, e nem mesmo concede a tal santificação progressiva, que não é contemplada pela doutrina bíblica.

Num primeiro momento os cristãos haviam sido santificados através da vontade de Deus, por meio da oferta do corpo de Cristo ( Hb 10:10 ). Levando em conta este primeiro, o apóstolo Paulo, juntamente com Timóteo e Silvano, falam da vontade de Deus para aqueles que já alcançaram a Santificação.

“Ou seja, a vontade de Deus para os cristãos que já haviam alcançado uma nova condição através da oferta do corpo de Cristo (santos), é que se abstenham da prostituição”

Abster-se da prostituição não proporciona Salvação e nem mesmo a Santificação, pois Salvação, Justificação e Santificação somente são possíveis em Cristo. Porém, após alcançar a nova condição em Cristo, a vontade de Deus para os Santificados é que se abstenham da prostituição. É o mesmo que dizer: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” ( Gl 5:25 ).

A santificação torna-se efetiva na nova vida que o homem adquire em Cristo através da fé (viver no Espírito), e agora, deve saber possuir o seu próprio corpo separado da concupiscência e corrupção que há no mundo (andar no Espírito) ( 1Ts 4:4 ).

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A Palavra que santifica

O ‘santificar a mim mesmo’ de Cristo está vinculado em Ele cumprir a vontade de Deus “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” ( Jo 15:10 ); “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” ( Jo 4:34 ). Só Jesus pôde cumprir a vontade do Pai, ou seja, santificar-se a si mesmo, pois ele é nascido de Deus, o verdadeiro homem espiritual. Jesus como servo procurou cumprir a vontade de Deus com um único objetivo: que os cristãos fossem santificados na verdade! Ou, santificados através da palavra de Deus.


“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” ( Jo 17:17 )

 

A Palavra que Santifica

O versículo: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” ( Jo 17:17 ) é esclarecedor sobre o tema Santificação.

É a mais ilustre oração de Jesus em favor de seus discípulos, e nela fica claro a extensão do amor e cuidado de Deus para com os homens que creem em seu Filho.

Jesus, num primeiro momento levanta os olhos aos céus e declara: “Pai é chegada a hora” ( Jo 17:1 ). Com estas palavras Cristo estava dando por encerrado o seu ministério como servo, na condição de Filho do homem para ser declarado Filho de Deus em poder, pela ressurreição dentre os mortos! ( Rm 1:4 ).

A glória de Deus é proveniente de suas obras, e não decorre da boca ou de atos humanos. Os homens entoam cânticos em reconhecimento do que Ele fez e faz, porém, a glória de Deus se manifesta naquilo que Ele mesmo realiza.

O cântico que se rende a Deus constitui somente reconhecimento as obras por Ele realizadas “Os céus manifestam a glória de Deus; o firmamento proclama a obra de suas mãos” ( Sl 19:1 ).

O salmo 19 é um exemplo claro desta verdade. Ele é um cântico onde o salmista reconhece a glória de Deus através do firmamento, porém, o verdadeiro louvor à glória de Deus decorre daquilo que Ele criou.

Não é o entoar cânticos (‘louvor’ dos lábios), que constitui, ou que dá forma à glória de Deus, antes são as suas obras que revelam a dimensão da Sua glória. Os céus, obras das mãos de Deus, é uma das manifestações de Sua glória, e louvamos (entoamos cânticos) a Ele por reconhecimento.

Neste diapasão é que se dá a declaração de Jesus: “Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura os tais que assim o adorem” ( Jo 4:23 ). Se alguém quer realmente adorar a Deus, é necessário aceitar a Cristo, para ser gerado de novo em espírito e em verdade. Esta nova criação é que se constitui em louvor à glória de Deus ( Ef 1:12 ).

Neste capítulo Jesus orou ao Pai da seguinte maneira: “Pai, é chegada a hora. Glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti” ( Jo 17:1 ). O primeiro ‘glorifica’ refere-se à posição que Cristo abdicou antes de vir ao mundo. Ele não poderia, por si mesmo, lançar mão da glória decorrente da posição anterior a sua vinda ao mundo, antes deveria aguardar pela ‘coroação’ do Pai ( Jo 17:5 ).

O segundo ‘glorifica’ refere-se à conclusão da obra magnífica de Cristo: a obra que o Pai O comissionou a cumprir. Concluída a obra de redenção da humanidade, e após ser restabelecido à sua posição inicial, o Pai é glorificado através do Filho por causa da obra que o Pai comissionou o Filho ( Jo 17:4 ). O versículo um é resumo do que se segue nos quatro versículos seguintes.

Jesus continua a oração em prol dos discípulos e nela descreve alguns aspectos de seu ministério:

a) manifestar o nome de Deus aos homens ( Jo 17:6 );
b) dar a conhecer aos homens que tudo que pertence ao Pai, também pertence ao Filho ( Jo 17:10 );
c) o nome que pertence a Deus também pertence a Cristo “…guarda-os em teu nome, o nome que me deste…” ( Jo 17:11 ); Ele demonstrou nesta oração que, embora sejam distintos quanto pessoas, o Pai e o Filho são um em essência ( Jo 17:11 -12);
d) em Cristo os cristãos são guardados “guarda-os em teu nome, o nome que me deste” ( Jo 17:11 ), para que os cristãos sejam perfeitos em unidade com o Pai e o Filho. O cristão é prefeito por causa do vínculo que tem com Cristo. A união com Cristo não está atrelada a essência da divindade em poder e glória (em Cristo o homem não se torna deus), e sim, torna-se participante da natureza de Cristo (semelhantes a Cristo);
e) é santificado por Deus: Cristo orou: “Santifica-os na verdade” ( Jo 17:17 ). O crente é santificado através da verdade, e não através de seus próprios esforços! A verdade é a palavra de Deus, e todos os que creem na palavra de Deus são santificado.

O único homem que pôde santificar-se a si mesmo foi Cristo “Por eles me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade” ( Jo 17:19 ).

O ‘santificar a mim mesmo’ de Cristo está vinculado em Ele cumprir a vontade de Deus “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” ( Jo 15:10 ); “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” ( Jo 4:34 ).

Só Jesus pôde cumprir a vontade do Pai, ou seja, santificar-se a si mesmo, pois ele é nascido de Deus, o verdadeiro homem espiritual. Jesus como servo procurou cumprir a vontade de Deus com um único objetivo: que os cristãos fossem santificados na verdade! Ou, santificados através da palavra de Deus.

Como ser santificados através da palavra de Deus? A resposta encontra-se na carta de Pedro: “Tendo purificado as vossas almas na obediência à verdade…” ( 1Pe 1:22 ), ou seja, a Santificação decorre da Regeneração, que advém da semente incorruptível, a palavra de Deus.

Somente o nascido da semente incorruptível é Santificado. A palavra de Deus é poder para fazer os que creem filhos Seus. São nascidos do Espírito, e, portanto, espirituais.

Através da Regeneração em Cristo, o homem é criado em verdadeira justiça e santidade, pois a sua palavra é poder e/ou semente incorruptível. A Palavra de Deus é a verdade, e por ela o homem é Santificado, pela fé em Cristo, o Verbo encarnado ( At 26:18 ).

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A vontade que santifica

A vontade do homem nada pode contra a sua própria natureza. A vontade do homem não afeta a sua própria natureza em nada, por isso, quando pecador, por mais que tenha vontade de deixar de ser pecador, permanece escravo do pecado. Por mais que queira livrar-se do seu senhor, jamais conseguirá, se não se socorrer de Deus. Por isso a Bíblia diz: “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ). A vontade do etíope pode mudar ou influenciar a sua própria cor? Se depender da vontade própria, tanto o etíope quanto o leopardo continuarão na mesma condição que vieram ao mundo.

 


“Nesta vontade é que temos sido santificados pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas” ( Hb 10:10 )

A Vontade que Santifica

A Santificação do homem não ficou a cargo de sua própria vontade e ações. O escritor aos Hebreus enfatiza que a Santificação decorre da vontade de Deus.

É ‘nesta vontade’, ou seja, na vontade de Deus, através da oferta do corpo de Cristo, que os cristãos são santificados. O escritor aos Hebreus ao enfatizar a eficácia do sacrifício de Cristo estabelece um contraste com a lei de Moisés, demonstrando que é por meio da vontade de Deus que o homem é santificado.

O Dr. Shedd em seu livro, Lei, Graça e Santificação disse que:

“O cerne da pecaminosidade humana reside na vontade própria” Shedd, Russell P., Lei, Graça e Santificação, ed. 1998, Editora Edições Vida Nova, Pág. 57.

A Bíblia demonstra que, bem antes do homem pecar, Deus concedeu a ele vontade. Ela também demonstra que os seres angelicais possuem vontade própria. Seria a vontade a essência do pecado? Não! O pecado decorre da natureza decaída, que é contrária a natureza de Deus e é inimiga de Deus.

A vontade do homem nada pode contra a sua própria natureza. A vontade não afeta a natureza do homem, por isso, quando pecador, o homem é escravo do pecado. Por mais que queira livrar-se do seu senhor, jamais conseguirá, se Deus não intervir.

Por isso a bíblia diz: “Porventura pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Então podereis vós fazer o bem, sendo ensinados a fazer o mal” ( Jr 13:23 ). A vontade do etíope pode influenciar a sua cor? Se depender da vontade própria, tanto o etíope quanto o leopardo continuarão na mesma condição que vieram ao mundo.

De igual forma, qualquer um dos homens sem estar em Cristo, mesmo que deseje fazer o bem, jamais poderá fazê-lo, porque a sua natureza pecaminosa não permite. Não é questão de vontade, e sim de natureza ( Mq 7:2 ; Sl 14:3 ).

Por isso Jesus disse: “Não pode a árvore boa produzir maus frutos, nem a árvore má produzir frutos bons” ( Mt 6:18 ). Não é questão de vontade, visto que muitos neste mundo desejam fazer boas ações, porém, por não estarem em Deus, as suas ações, por mais nobres que sejam, são fruto de uma árvore que o Pai não plantou.

Nenhum homem que não tenha nascido de novo pode produzir o bem, mesmo que a sua vontade seja sempre fazer o bem aos seus semelhantes “Toda planta que meu Pai celeste não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ).

Como ser uma planta plantada pelo Pai? Fazendo conforme a vontade d’Ele que é: “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou” ( 1Jo 3:23 ). Observe que só a vontade de amar o semelhante não salva, antes é preciso amar conforme o mandamento que Deus ordenou: que creiamos no nome do seu Filho. Melhor dizendo, é impossível amar sem crer em Jesus Cristo. O amor como sentimento não torna o homem uma árvore plantada pelo Pai.

O escritor aos Hebreus, após demonstrar que a lei nunca pode aperfeiçoar os que a cultuavam, apresenta o sacrifício de Cristo ofertado por Deus.

A lei não podia aperfeiçoar, ou seja, tornar justos e santos aqueles que a cultuava por alguns fatores:

  1. A lei não trazia em si a imagem exata das coisas, mas tinha em si a ‘sombra’ dos bens futuros; os ‘bens futuros’ refere-se à graça do evangelho;
  2. continuamente os sacrifícios eram oferecidos, mas ineficazes quanto ao aperfeiçoamento do homem; se os sacrifícios da lei fossem eficazes, no primeiro sacrifício oferecido, já não haveria mais a necessidade de oferecer outros sacrifícios ( Hb 10:1 -2).

A triste realidade quanto aos sacrifícios da lei resume-se na frase: “Mas esses sacrifícios cada ano se faz recordação de pecados, pois é impossível que sangue de touros e de bodes tire os pecados ( Hb 10:3 -4). O escritor aponta a realidade da impossibilidade da lei para introduzir o poder de Deus através da oferta do corpo de Cristo, pois n’Ele torna-se possível a extinção dos pecados.

Diante da impossibilidade do homem tornar-se perfeito diante de Deus (‘Pelo que, ao…’ refere-se à impossibilidade humana de livrar-se do pecado por meio do sangue de touros e bodes) descrito anteriormente pelo escritor ( Hb 10:4 ), é introduzida uma nova ideia que leva o leitor da carta a lembrar-se do que o salmista havia predito sobre a vinda de Cristo ao mundo: “Pelo que, ao entrar no mundo, diz: sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste; não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado. Então eu disse: aqui estou (no rolo do livro está escrito de mim) para fazer, ó Deus, A TUA VONTADE ( Sl 40:6 -7).

Os sacrifícios segundo a lei nunca pode tirar os pecados dos homens, mas Deus sim. Não era a oferta e os sacrifícios que podiam livrar os ofertantes da condição de pecado, antes, o ofertante precisava crer em Deus que purifica o homem do pecado ( Sl 51:7 ).

Somente Deus pode criar um coração puro e um espírito novo ( Sl 51:10 ). Após a ação divina é que Deus aceitaria do homem, no A. T., as suas ofertas e sacrifícios ( Sl 51:19 ). A esperança do homem não devia estar nos holocausto, e sim em Deus, que tem poder de circuncidar aos homens nos corações.

A lei era somente sombra dos bens futuros, e nunca pode livrar o homem do pecado por intermédio dos seus sacrifícios. A necessidade do contínuo sacrifício devia-se a impossibilidade dos sacrifícios tirar pecados ( Hb 10:11 ), e constitui-se de per si uma recordação da condição do homem em pecado.

Deus não se deleita em ‘holocaustos e oblações pelo pecado’, pois eles são mera recordação da condição do homem ( Sl 51:16 ). Mas, quando se crê em Deus que tem poder para purificar o homem do pecado ( Sl 51:7 ), então, Deus aceitaria o sacrifício segundo a ‘sombra’ ( Sl 51:19 ; Is 66:3 ). Caso o homem queira se aproximar de Deus por intermédio das obras da lei, sem confiar, permanecerá na mesma condição que veio ao mundo: condenável, culpável e destituído da glória de Deus.

  • “Não te deleitaste em holocaustos e oblações pelo pecado” ( Sl 40:6 );
  • “… nesses sacrifícios cada ano se faz recordação pelos pecados” ( Hb 10:3 )

Diante da impossibilidade do homem, Deus preparou um corpo a Cristo. Como? Cristo nasceu segundo a vontade de Deus, ou seja, à parte da vontade do homem! Se dependesse só da carne, Cristo não viria ao mundo, pois Maria não havia coabitado com José. Se dependesse da vontade de José e Maria, Cristo não viria ao mundo, pois para ser o Santo de Deus era necessário ser gerado pelo Espírito Eterno ( Jo 1:13 ).

Cristo veio ao mundo dos homens segundo a vontade de Deus, e para isto, foi-lhe preparado um corpo ( Hb 10:5 ). Ao ser introduzido no mundo, Cristo tornou-se “participante da carne e do sangue”, conforme a bíblia diz: “Portanto, visto que os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas (…) pelo que convinha que em tudo fosse semelhante a seus irmãos…” ( Hb 2:14 e 17).

Após Cristo estar de posse de seu corpo humano, ou seja, o Verbo de Deus introduzido no mundo, Ele diz: “Aqui estou, para fazer, ó Deus, a tua vontade… ”. Cristo veio realizar a vontade de Deus, e é através da vontade de Deus que os cristãos são santificados, por intermédio da oferta do corpo de Cristo.

Deus, em justiça e santidade determinou que, através da oferta do corpo de Cristo, todos os homens que crerem terão acesso ao Santo dos Santos por um novo e vivo caminho. Ou seja, somente pode se achegar a Deus aqueles que são santos, ou que foram santificados.

Qual a vontade de Deus que Cristo se ofereceu para realizar: a oferta do Seu próprio corpo. Tal oferta foi feita de uma vez por todas. No sacrifício de Cristo há os méritos seguintes:

a) uma vez por todas, ou seja, o sacrifício é completo de per si. Não há a necessidade de ser complementado por atividades humanas ( Hb 10:11 -12);
b) um único sacrifício com validade eterna: para sempre, e por isso, Cristo se assentou à destra de Deus ( Hb 10:12 );
c) os que são santificados tornam-se perfeitos “… porque com uma só oferta aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados ( Hb 10:14 ).

Atributos morais não fazem os cristãos perfeitos. A Santificação em Cristo não decorre de atributos morais, ou de uma melhoria no caráter, ou de qualquer outro elemento humano para ‘progredir’ em santificação diante de Deus, pois os que creem já são perfeitos pela natureza adquirida em Cristo: filhos de Deus, filhos da luz “Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas” ( 1Ts 5:5 ).

Os que se convertem ao evangelho por crerem em Cristo tornam-se perfeitos por terem adquirido a natureza do Santo, ou seja, por receberem a plenitude d’Ele.

“… aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” Os que ‘estão sendo santificados’ diz de pessoas que aceitam a Cristo ao longo do tempo, e não de um processo de santificação ( At 2:39 ). Este versículo não dá sustentação à teoria da santificação progressiva ( Hb 10:14 ).

Muitos querem fazer a obra de Deus, mas esquecem que somente Deus pode realizar a sua obra. A obra de Deus, a salvação, é algo já realizado. Não foi dado aos homens e nem aos anjos realizar a obra de Deus, pois é uma obra concluída ( Hb 10:12 ).

Alguns ouvintes de Jesus desejavam saber qual era a obra de Deus, no intuito de realizá-la, e Jesus lhes respondeu: “A obra de Deus é esta: crede naquele que ele enviou” ( Jo 6:29 ). Como isto é possível? Quando o homem crê em Cristo conforme a Escritura, ele recebe de Deus poder para ser feito filho de Deus.

É quando o homem crê que a obra maravilhosa da Regeneração acontece. Deus dá ao homem uma coração puro e um espírito reto, e o declara justo por ser uma nova criatura inculpável ( Ef 4:24 ). Esta nova criatura é Santa por ser participante da natureza de Deus, diferente dos homens no pecado, que são inimigos de Deus por causa da natureza herdada de Adão.

A base da Justificação e da Santificação se apóia no poder de Deus. Para que o homem seja de novo gerado, precisa da semente incorruptível que é poder de Deus para aquele que crê. Quem crê recebe de Deus poder para ser feito (criado) filho de Deus, ou seja, recebe a ação sobrenatural do evangelho ( Jo 1:12 ).

Cristo nunca perdoou pecado com base na idéia da justiça que se administra nos tribunais, e sim, com base em seu poder “Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Que arrazoais em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:22 -24).

Cristo foi ofertado para que, da mesma forma que Ele foi erguido dentre os mortos, nos também sejamos vivificados através do poder de Deus ( Cl 2:12 ). É através da suprema grandeza do poder de Deus, que foi manifesto em Cristo, quando o ressuscitou dentre os mortos, que o crente assenta nas regiões celestiais ( Ef 1:19 -20 e Ef 2:6 ).

Foi da vontade de Deus que Cristo fosse entregue aos malfeitores. Cristo por sua vez ao se oferecer, fez a vontade do Pai. É através da vontade de Deus que os que creem em seu Filho são predestinados a Filhos por adoção. Deus tornou conhecido estes mistérios concernentes à sua vontade. É a vontade de Deus que nos faz herança para louvor da sua graça e glória.

É nesta vontade que temos sido santificados: através da oferta do corpo de Cristo.

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O conselho de Deus

Ninguém nasce do ventre materno predestinado à salvação. Todos os homens nascem condenados por terem entrado neste mundo pela porta larga que é Adão, porém não estão predestinados a perdição, visto que podem decidirem-se pela Vida eterna entrando pela porta estreita (último Adão), crendo em Jesus Cristo. A condição dos descendentes de Adão é diferente da de Adão que nasceu livre de condenação, mas escolheu a morte, crendo na palavra do pai da mentira, Satanás.

 


São Paulo, ___ de _______ de 20___.

Prezado (a) ________,

 

Continuando nosso estudo em Efésios, capítulo 1, analisemos o verso 5: “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” (v. 5)

Imagine você que as últimas três cartas foram para falar apenas da primeira parte do versículo 5, e ainda não esgotamos o tema sobre as bênçãos adquiridas pelo fato de sermos filhos de Deus.

Por sermos filhos de Deus temos uma herança que é incorruptível, incontaminável, e que não murcha ( 1Pe 1:4 ). Tais bênçãos são inconcebíveis, pois não subiu ao coração do homem o que Deus tem reservado para seus filhos.

A nossa herança é tão excelente que, muitos dos que alcançaram uma noção do que possuíam como coerdeiros de Cristo já não deram valor as coisas terrenas, e até desprezaram a própria existência aqui na terra. E não podemos parar a análise, portanto continuaremos na segunda parte do versículo: “…segundo o beneplácito da sua vontade”.

Beneplácito significa consentimento, anuência, aprovação, ou seja, consentimento segundo a sua vontade. Vê-se no verso 11 que a vontade de Deus é segundo o seu conselho, como o conselho de uma empresa, onde comparecem apenas os diretores: o diretor de produção, o diretor de vendas, o diretor de recursos humanos, e diretor de exportação, etc.

Colocando em termos humanos, sem desprezar a atemporalidade da divindade, digamos que está reunido o Conselho de Deus, o conselho mais importante do Universo.

A data do conselho se deu na eternidade, o que envolve um tempo singular onde não há presente, passado ou futuro, mas o já. Diz de um estado de coisas que não é sujeito ao espaço/tempo.

O conselho foi estabelecido tendo como ‘membros’ a sabedoria, a prudência, a onisciência e a onipotência de Deus.

O assunto em pauta era o Propósito eterno de Deus.

Segundo a sua sabedoria, prudência, onisciência e onipotência, manifestou-se a vontade de Deus nos seguintes termos: – Quero fazer seres semelhantes a nós, de modo que sejam participantes de nossa GLÓRIA, a fim de que sejamos Sublime entre os sublimes.

A prudência assentiu: – Muito bom! Faremos estes seres com capacidade de trazer outros semelhante à existência com liberdade para querer ou não serem participantes de nossa GLÓRIA.

A sabedoria se posicionou: Faremos macho e fêmea e com um lugar especial para eles livremente possam escolher se permanecerão em comunhão conosco ou não. Para isto basta colocarmos entre inúmeras árvores, uma árvore que represente o conhecimento do bem e do mal e a árvore da vida, advertindo-os da seriedade da decisão deles.

A onisciência é precisa: Eles serão tentados pelo anjo presunçoso que deliberadamente se afastou de nós por não guardar o seu principado e serão acometidos de total injustiça, de modo que deixarão de ter comunhão Conosco, que Somos santo, luz, vida, etc. Tornar-se-á escravo do Pecado ao dar ouvido à serpente.

A sabedoria prossegue: O homem e todos os seus descendentes não poderão libertar-se sozinho da sua condição alienada de Deus (morte, escravidão ao pecado), pois serão filhos das trevas, da ira e da desobediência.

A prudência opina: Nenhuma das nossas criaturas prosperaria na empreitada de resgate da humanidade. Na plenitude dos tempos, nos faremos homem para libertá-lo do pecado.

Onisciência: O FILHO DE DEUS, o Emanuel (eleição de Jesus) prosperará na salvação do homem, pois será obediente até à morte e, morte de cruz. Será condenado injustamente por causa da inveja de seus irmãos, mas será FIEL até o fim.

Prudência: Se o UNIGÊNITO continuar morto não haverá resgate.

Onipotência: Eu o ressuscitarei, o que lhe dará a posição de primogênito dentre os mortos.

Onisciência: E todo que n’Ele crer morrerá para o pecado e ressurgirá (com Jesus) à semelhança do Filho, servos da justiça e participantes da nossa GLÓRIA.

Sabedoria: Os homens sob domínio do pecado serão livres decidir-se pela salvação que lhes será revelada na manifestação do Unigênito, mas quem não crer permanecerá sob condenação.

Deus: A comunhão entre os homens e Nós será estabelecida por meu Unigênito, que terá a função de mediador e conquistará a glória que será compartilhada como os que crerem. O meu Unigênito nascerá de mulher para que possa ser sujeito à morte e participante da aflição dos homens. Quando homem terá a imagem e semelhança dos homens, porém, ao ressurgir dentre os mortos, alcançará a nossa imagem e nossa semelhança que será concedida a todos quantos ressurgirem com o primeiro ressurreto dentre os mortos, o meu Primogênito. Meu Filho será a cabeça de um corpo constituído de homens sublimes semelhantes a Ele e Eu serei tudo em todos. Será o Primogênito entre muitos irmãos, será O SUBLIME entre os sublimes por toda a ETERNIDADE, concluindo assim o propósito eterno.

Este diálogo foi construído para ilustrar a ideia do Conselho de Deus.

Foi neste conselho que O CORDEIRO de Deus foi ELEITO e é n’Ele que os homens tornam-se eleitos. Quando se tornam um com Ele, os homens também desfrutam da mesma condição do ELEITO: santos e irrepreensíveis e, foi neste conselho que os crentes em Cristo Jesus, a geração eleita, foram predestinados para filhos por adoção.

Este foi um conselho importantíssimo, isto porque, neste conselho, Deus determinou o seu Propósito Eterno.

Conforme a bíblia diz: Depois do julgamento do Grande Trono Branco, Deus fará um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça. Não haverá mais necessidade de continuar salvando os homens. Nesta época os salvos já estarão de posse de sua herança no céu e o propósito Eterno continuará: Cristo permanecerá o centro deste propósito, pois por causa do seu corpo, que é a igreja, pela eternidade será o Sublime entre muitos irmãos semelhantes a Ele.

Talvez você não compreenda todos os aspectos e a profundidade deste assunto, mas não tem problema. Com o tempo, se continuar estudando a palavra de Deus, ganhará profundidade e largura no conhecimento.

Espero _______ (a), que ao ler passagens na bíblia que fale sobre conselho ou beneplácito, você se lembre desta carta. Não se esqueça deste ensino quando falar de coisas que ocorreram na eternidade.

Prossigamos para a análise do verso 6. O fato de sermos santos, irrepreensíveis e filhos por adoção por Jesus Cristo nos tornou agradáveis a Ele. Esta obra de Deus em nós nos constitui em louvor da sua própria glória e graça.

Pelo fato de o apóstolo dizer que somos predestinados, muitos estudiosos concluíram que Deus predestinou alguns para a salvação e outros para a perdição, mas isto não é verdade, porque a vontade de Deus é que todos os homens se salvem.

Como Deus verdadeiro e todo Poderoso iria ter vontade de que todos se salvassem e de antemão determinaria quem seria salvo e, concomitantemente condenasse alguns?

Ou é mentira que a vontade d’Ele é que todos se salvem ou é mentira que Ele salvou de antemão alguns homens condenando o restante, pois mesmo possuindo a vontade de que todos se salvassem destinou muitos à perdição.

Deus é a Verdade, logo… não há n’Ele nenhuma mentira.

Agora você pode perguntar: Então por que um Deus todo Poderoso tem vontade que todos se salvem e não predestinou todos para salvação?

Porque Deus não pode negar a si mesmo. Onde está o Espírito de Deus, aí há LIBERDADE! “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” ( 2Co 3:17 ).

Se Deus não desse ao homem liberdade para se separar d’Ele estaria negando a si mesmo, contrariando sua própria natureza. DEUS criou o homem livre de condenação, mas lhe deu liberdade de permanecer unido ou afastar-se d’Ele.

Se Adão cresse na palavra de Deus, não comeria do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e permaneceria unido a Deus, livre de condenação, bem como toda a sua descendência que estava em sua ‘coxa’.

Mas, por Adão preferir a palavra do engano, hoje qualquer homem pode ser livre da condenação apenas e, tão somente, se, por livre vontade, preferir a VERDADE (Jesus Cristo).

Ninguém nasce do ventre materno predestinado à salvação. Todos os homens nascem condenados por terem entrado neste mundo pela porta larga que é Adão, porém não estão predestinados a perdição, visto que podem decidirem-se pela Vida eterna entrando pela porta estreita (último Adão), crendo em Jesus Cristo. A condição dos descendentes de Adão é diferente da de Adão que nasceu livre de condenação, mas escolheu a morte, crendo na palavra do pai da mentira, Satanás.

Do ventre materno alguns homens foram escolhidos por Deus para uma missão, como por exemplo Saul. Saul foi escolhido para ser rei de Israel, porém, não creu em Deus e, possivelmente teve um triste fim. Diferente de Davi, que foi escolhido para ser rei de Israel, mas creu em Deus para salvação e, além de desempenhar a sua missão de rei em Israel, a bíblia dá testemunho de que era um homem segundo o coração de Deus.

Quando uma pessoa NASCE DE NOVO, naquele instante é salva e, concomitantemente predestinada a ser filho de Deus por adoção por Jesus Cristo, torna-se membro da geração eleita, pois é gerado de Cristo, o Eleito.

O apóstolo é enfático e repete várias vezes que nossa predestinação e eleição se deu no Amado, ou seja, em Cristo. Lembre-se que estas maravilhas que Deus nos concedeu, de nos eleger e predestinar em Cristo, são para louvor da sua glória e graça.

Assim como uma escultura louva seu escultor, ou uma pintura louva a capacidade do pintor, a obra que Deus realiza no homem louva a Deus, por si só enaltece a sua glória, ou seja, glorifica a Deus.

Um Deus Santo, Justo, Perfeito, Luz, Vida, Amor, que faz de um homem era pecador e que se tornar sua morada é COISA MARVILHOSA.

Morrer ou matar são coisas possíveis ao homem, mas ressuscitar O HOMEM para vida eterna e fazê-lo filho de Deus só é possível a DEUS.

Por esta obra, o crente constitui-se ‘louvor e glória da graça de Deus, pela qual também nos fez agradáveis a si no Amado’ ( Ef 1:6 ).

Deus seja louvado e glorificado em sua vida, _________ (a)!

 

De seu pastor

_____________________

 

Observação:

A carta faz referência aos seguintes versículos:

O conselho de Deus – ( Ef 1:11 ; Hb 6:17 ; Pv 8:12 ; Mq 4:12 ; “Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade” ( Is 46:10 );

O propósito de Deus – ( Ef 1:9 ; Ef 3:11 );

A graça de Deus – ( Ef 2:7 -8).

 

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Como oferecer sacrifício vivo?

Cristo morreu, segue-se que todos cristãos morreram ( 2Co 5:15 ), portanto, é necessário trazer sempre ‘por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos’. Ou seja, aqueles que obtiveram nova vida em Cristo sempre estão entregue à morte por amor de Jesus, ou seja, é um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, para que ‘a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal’ ( 2Co 4:10 -11).


“ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” ( Rm 12:1 )

Como cumprir a recomendação do apóstolo Paulo?

Em primeiro lugar não é se socorrendo da definição de sacrifício que consta em dicionários. Saber que sacrifício é ‘qualquer coisa consagrada e ofertada a Deus’ não nos auxiliará na compreensão da orientação paulina, pois não há dicionário no mundo que esclareça como tornar um ‘corpo’ possuidor dos predicativos que se seguem: vivo, santo e agradável.

Em segundo lugar, sabemos que é impossível ao homem natural compreender as coisas de Deus, portanto, não podemos esperar que o trabalho de lexicógrafos nos auxilie na compreensão das Escrituras ( 1Co 2:14 ).

O apóstolo Paulo roga aos cristãos, ou seja, ele não estabelece uma determinação, uma ordenança, ou uma lei, pois ao chamá-los de irmãos, demonstra que, apesar de estar em posição de impor determinações, por ser apóstolo, não impõe, pois tudo que um cristão faz é voluntário, pois Deus a ninguém oprime ( Jó 37:23 ).

Ele roga aos seus irmãos pela compaixão de Deus, ou seja, por Cristo. Cristo é a compaixão de Deus revelada aos homens.

O apóstolo Paulo não utiliza o seu apostolado para impor determinações aos cristãos, antes roga no nome do Senhor Jesus, o primogênito dentre muitos irmãos, para que a sua exortação fosse acatada ( Rm 8:29 ).

Como o verso em análise aborda as questões de oferta e sacrifício, geralmente vem à mente do leitor os sacrifícios oferecidos sob a velha aliança. Porém, os sacrifícios que se ofereciam segundo a lei eram todos ‘cadáveres’, por mais perfeito que fosse o cordeiro escolhido. Para o sacrifício o animal era morto e, após, disposto sobre o altar em holocausto, mas Deus já sinalizava que não se deleitava somente na sombra dos bens futuros “Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos” ( Sl 51:16 ).

Embora o sacrifício para a redenção da humanidade já foi ofertado, pois Cristo é o Cordeiro de Deus, a Bíblia nos demonstra que sob a nova aliança também é possível oferecer sacrifício a Deus. O escritor aos hebreus assim orienta: “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ), ou seja, por intermédio de Cristo (compaixão de Deus) se oferece a Deus ‘sacrifício de louvor’, que nada mais é do que professar o nome de Cristo.

Neste mesmo sentido alerta o apóstolo Pedro: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” ( 1Pe 2:5 ). Ele demonstra que os cristãos são ‘casa espiritual’ e exercem um ‘sacerdócio santo’, ou seja, sacerdócio real segundo a ordem de Melquisedeque.

Como? Se Cristo é a pedra fundamental, o sumo sacerdote, o sacrifício e o primogênito entre muitos irmãos, todos os cristãos, como coerdeiros, filhos de Deus, também são pedras vivas e sacerdotes real edificados casa espiritual ( 1Pe 2:15 ).

Mas, qual o objetivo de os cristãos terem sido edificados casa espiritual? Para oferecerem sacrifícios agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo ( Hb 13:15 ). Que sacrifício é este? O fruto dos lábios, ou seja, anunciar a Cristo (a palavra, o Verbo encarnado), a pedra de tropeço no qual os homens tropeçaram ( 1Pe 2:8 ). O apóstolo Pedro destaca que os cristãos são ‘geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido’ para oferecerem sacrifício de louvor, ou seja, anunciando ‘as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz’ ( 1Pe 2:9 ).

Neste sentido o salmista Davi preanunciou: Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” ( Sl 51:17 ). Como ele haveria de sacrificar? “Eu te oferecerei voluntariamente sacrifícios; louvarei o teu nome, ó SENHOR, porque é bom” ( Sl 54:6 ). Por que Ele haveria de louvar? Porque ‘aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará’, ou seja, qualquer que queira oferecer sacrifício de louvor, ou o ‘fruto dos lábios’, deve anunciar as virtudes de Cristo professando o seu nome ( Sl 50:23 ; 1Pe 2:9 ; Hb 13:15 ). Compare:

  • Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos” ( Jo 15:8 );
  • “Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará ( Sl 50:23 );
  • “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” ( Hb 13:15 ).

Jesus demonstrou que glorificou o Pai anunciando o seu nome aos homens, e para que o cristão seja discípulo de Cristo deve produzir muito fruto, ou seja, anunciar o nome do Pai, o mesmo que glorificá-Lo Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer (…) Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra” ( Jo 17:4 -6).

Se o sacrifício do cristão é oferecer o ‘fruto dos lábios’, ou ‘sacrifício de louvor’, ou ‘professar o nome de Cristo’, que glorifica o Pai, o que o apóstolo Paulo propõe aos irmãos no verso 1 do capítulo 12 da epístola aos cristãos em Roma?

Como é assente que ‘um texto fora do contexto é pretexto’, devemos analisar o contexto de Romanos 12.

Antes de analisarmos o contexto de Romanos 12, observe este verso: Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor, e invocarei o nome do SENHOR” ( Sl 116:17 ). Por que é necessário observar este verso do Salmo 116? Porque neste verso há um paralelismo sinônimo, ou seja, a segunda linha, apesar de empregar termos diferentes, repete o pensamento da primeira linha, que é uma das características da poesia hebraica.

Lembrando que na poesia hebraica temos uma espécie de rima de pensamentos, nunca de som, ou seja, as ideias é que são relacionadas e não o som, ou rima. É esta uma das características da poesia hebraica que preserva a beleza e a ideia mesmo quando se traduz para qualquer outra língua. Compare:

  • “Aquele que oferece o sacrifício de louvor me glorificará ( Sl 50:23 );
  • “Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor, e invocarei o nome do SENHOR” ( Sl 116:17 );
  • “E ofereçam os sacrifícios de louvor, e relatem as suas obras com regozijo” ( Sl 107:22 );
  • “Oferecei sacrifícios de justiça, e confiai no SENHOR” ( Sl 4:5 ).

‘Sacrifício de louvor’ é o mesmo que ‘relatar as obras de Deus’ com alegria, ‘invocar o seu nome’, ‘confiar em Deus’, ‘glorificar’, ‘anunciar’ etc.

Se o paralelismo sinônimo da poesia hebraica estabelece que ‘oferecer sacrifício de louvor’ é o mesmo que ‘invocar o nome do Senhor’, segue-se que o que o apóstolo Paulo propõe no capítulo 12 é continuação das ideias exaradas no capítulo 10, o que não é de se estranhar, pois se trata de uma epístola ( Rm 10:13 ).

Os mesmos irmãos que o apóstolo roga para que apresentem os seus corpos em sacrifício, foram abordados no capítulo 10: “Irmãos, o bom desejo do meu coração…” ( Rm 10:1 ), e: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão…” ( Rm 12:2 ).

Qual era o bom desejo do coração do apóstolo Paulo? Que os seus irmãos na carne (judeus) fossem salvos, porém, ele bem sabia que os seus compatriotas, apesar do zelo, não tinham o ‘entendimento’ de Deus ( Rm 10:2 ).

Que entendimento lhes faltava? Que Deus é rico para com todos que O invocam ( Rm 10:12), pois ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’ ( Rm 10:13 ). Como oferecer ‘sacrifício de louvor’ (buscar ao Senhor) é o mesmo que possuir um ‘espírito quebrantado’ ( Sl 116:17 ; Sl 51:17 ), neste quesito não há diferença entre gentios e judeu, servos e livres, macho e fêmea ( Rm 10:12 ).

Para os que não compreendem a verdade do evangelho o ciúmes permanece ( Rm 10:19 ).

Quando o escritor aos Hebreus cita o Salmo “Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, Cantar-te-ei louvores no meio da congregação” ( Hb 2:12 ; Sl 22:22 ), está em destaque o paralelismo, pois quem anuncia o nome de Deus é que O louva. Compare: “Os mansos comerão e se fartarão; louvarão ao SENHOR os que O buscam; o vosso coração viverá eternamente” ( Sl 22:26 ), com Oferecer-te-ei sacrifícios de louvor, e invocarei o nome do SENHOR” ( Sl 116:17 ). Quando Jesus convida ‘vinde a mim vós que estais cansados e oprimidos’ e ‘aprendei de mim (…) e encontrareis descanso para as vossas almas’, cumpre-se os versos acima ( Mt 11:28 -29).

Após declinar qual era o desejo do seu coração ( Rm 10:1 ), e que Deus não havia rejeitado a Israel como povo ( Rm 11:1 ), o apóstolo Paulo rogou aos irmãos (judeus e gentios) que oferecessem a Deus os seus corpos, ou seja, agissem de modo a demonstrar que judeus e gentios que creem em Cristo foram elevados a mesma categoria: membros do corpo de Cristo ( 1Co 12:13 e 24).

O sacrifício do cristão é professar a Cristo, mas quando há qualquer tipo de discriminação nega-se a eficácia do evangelho ( Hb 13:15 ). Seria o mesmo que considerar que Deus só podia fazer nova criatura dentre os judeus, pois eram mais regrados devido à lei. Ou que Deus só podia salvar gentios, uma vez que os judeus foram rejeitados.

Diante das diferenças que alguns ainda evocavam por entenderem que mesmo no evangelho persistiam as diferença entre judeus e gentios (ambos, judeus e gentios, não haviam compreendido que os judeus não são mais excelentes que os gentios, e que os judeus não foram rejeitados Rm 3:9 e Rm 11:1 e 12), o apóstolo Paulo roga que ofereçam os seus corpos por sacrifício vivo, santo e agradável, pois assim as diferenças culturais seriam extintas.

Até mesmo considerar que os dons que foram repartidos tornam alguns cristãos melhores que outros não é racional diante de Deus, pois o douto não é melhor que o neófito “Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros” ( 1Co 12:24 -25).

Como por natureza o cristão é vivo, santo e agradável a Deus, o sacrifício também é vivo, santo e agradável. Por quê? Porque os cristãos já ressurgiram com Cristo e são pedras vivas, sacerdócio real, templo santo. Como é o templo que santifica o ouro, e o altar que santifica a oferta, o sacrifício é vivo, santo e agradável porque o cristão é pedra viva (templo e altar), nação santa, sacerdócio santo, casa espiritual, etc. ( 1Pe 2:5 ).

Conclui-se que, aqueles que não aceitam os irmãos como sendo seu igual, ainda está morto. Não creu em Cristo conforme as escrituras, e não pode oferecer o seu corpo em sacrifício vivo, santo e agradável. Não cultua o culto racional, pois para santificar os membros do seu corpo, o próprio Jesus utilizou a palavra, o que torna a igreja santa e irrepreensível “Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” ( Ef 5:26 -27). É Cristo que dá vida! É Cristo que santifica! É Cristo que torna o homem agradável a Deus ( Jo 10:10 ; Ef 1:6 ; 1Co 6:11 ).

O apóstolo Paulo considerou tudo como esterco para alcançar a Cristo “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” ( Fl 3:8 ), porém, não podia falar-lhes abertamente, por questões socioculturais, que ser judeu ou ser gentil, quando em Cristo, era de nenhum valor, o mesmo que nada, escória ( Gl 6:15 ).

O apóstolo Paulo roga aos cristãos que ofereçam os seus corpos em sacrifício vivo, santo e agradável, pois somente desta forma todas as diferenças socioculturais seriam excluídas. Sacrificar as diferenças socioculturais é o culto racional, pois todo os cristãos, não importando suas origens, são povo adquirido, sacerdotes santos, pedras vivas, casa espiritual para oferecerem sacrifícios santos e agradáveis a Deus ( 1Pe 2:5 ).

O culto racional só é possível após ser participante do leite racional. O que é o leite racional? A palavra da verdade que concede crescimento, que torna o cristão sóbrio, com o entendimento cingido ( 1Pe 2:2 ). No que isto implica? Que o cristão invoca como Pai Aquele que não faz acepção de pessoa (judeu e gentil) ( 1Pe 1:17 ), e que toda carne é como a flor da erva (judeu e gentil) ( 1Pe 1:24 ), e o que permanece é a palavra de Deus ( 1Pe 1:25 ).

Nascer de novo é um imperativo, mas sacrificar as diferenças sociais em função da unidade do corpo de Cristo é uma disposição voluntária, por isso o apóstolo Paulo roga no verso 1, do capítulo 12 da carta aos Romanos. O apóstolo dos gentios destaca que os cristãos são muitos, mas são um só corpo em Cristo, ou seja, individualmente cada cristão é membro um dos outros, portanto, não pode haver diferença entre os cristãos “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” ( Rm 12:5 ).

Daí vem o imperativo: não sede conformados com o mundo! O que isto quer dizer? Que as diferenças apregoadas pelos judaizantes, algo próprio ao mundo, não devia ser a tônica dos cristãos ( 1Pe 1:14 ). Antes, deviam ser ‘transformados pela renovação do entendimento’, ou seja, a transformação do entendimento reflete diretamente na mudança de comportamento, que passa a ser segundo a boa, agradável e perfeita vontade de Deus ( Rm 12:2 e 18 compare com 1Pe 2:19 ).

A mudança de comportamento operada pela transformação do entendimento é o que tapa a boca à ignorância dos homens insensatos, daqueles que se ensoberbecem a favor de um contra o outro, pois vão além do que está escrito “Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos” ( 1Pe 2:15 ; Rm 12:3 e 1Co 4:6 ).

Apresentar o corpo como sacrifício vivo, santo e agradável é culto racional ofertado a Deus, ou seja, refere-se a uma transformação na compreensão através da verdade do evangelho (leite racional). O cristão que pensava que os judeus eram mais ilustres que os demais homens diante de Deus precisavam compreender que no corpo de Cristo não há diferença entre judeus e gentios, pois através da operação do evangelho da paz foi feito dos dois povos um novo homem ( Ef 2:15 ).

O culto racional, o mesmo que compreender que todos (judeus e gentios) são um só corpo em Cristo Jesus é apontado como sendo um sacrifício que os cristãos, individualmente e voluntariamente, poderiam oferecer a Deus.

Além de andar de acordo a compreensão do Evangelho podemos oferecer também sacrifício de louvor que decorre do fruto dos lábios, conforme demonstra o escritor aos hebreus ( Hb 13:15 ).

Sob a Velha Aliança, era oferecido a Deus o sacrifício de animais, o que prenunciava o sacrifício do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. Apresentar o corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus não é o mesmo que um processo de santificação, pois a santificação se dá única e exclusivamente pela vontade de Deus através da oferta do corpo de Cristo ( Hb 10:10 ).

Apresentar o ‘corpo’ em sacrifício vivo, santo e agradável também não é o mesmo que apresentar os ‘membros’ a Deus como instrumento de justiça, pois apresentar os membros como instrumento de justiça é abster-se da concupiscência, e apresentar o corpo em sacrifício, um culto racional ( Rm 6:12 -13).

Enquanto o culto racional refere-se à voluntariedade do cristão em aceitar qualquer pessoa, independente das suas origens e condições sociais, como sendo participante do corpo de Cristo, apresentar os membros a Deus como instrumento de justiça refere-se ao comportamento do cristão após tornar-se servo da justiça ( 1Pe 2:11 ).

Observe que a estrutura de texto da primeira epístola do apóstolo Pedro, apesar de não ter o mesmo contexto (judeus versus gentios), demonstra que os sacrifícios agradáveis a Deus ( 1Pe 2:5 ) é anunciar as virtudes daquele que chamou os cristãos para a luz ( 1Pe 2:9 ). Como a vontade de Deus é que os ignorantes não tenham do que acusar os cristãos ( 1Pe 2:15 ), o apóstolo roga, do mesmo modo que o apóstolo Paulo, que os cristãos abstenham das concupiscências carnais (1Pe 2:11 ).

Fica claro após uma releitura do verso em análise que a ‘transformação pela renovação do entendimento’ se traduz em aceitação das diferenças socioculturais dos cristãos, pois após a reconciliação efetivada na cruz ( Ef 2:16 ), todos pertencem a uma mesma família ( Ef 2:19 ; Rm 12:5 ), são membros de um mesmo corpo, pois não há diferença entre judeu e grego ( Rm 10:12 ), o que demanda aos cristãos, que ainda não ofereciam um culto racional, transformarem-se pela renovação do entendimento, ou seja, oferecendo voluntariamente os seus corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é aceitar a eficácia do sacrifício de Cristo (culto racional), que faz (bara) ambos, judeus e gentios, nova criatura.

Por quê? Porque após oferecer o corpo em sacrifício o cristão deixa de considerar os membros do corpo de Cristo segundo a carne (judeus e gentios), como alertou o apóstolo Paulo “Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo ( 2Co 5:16 ).

Cristo morreu, segue-se que todos cristãos morreram ( 2Co 5:15 ), portanto, é necessário trazer sempre ‘por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos’. Ou seja, aqueles que obtiveram nova vida em Cristo sempre estão entregue à morte por amor de Jesus, ou seja, é um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, para que ‘a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal’ ( 2Co 4:10 -11).

Ao oferecer o corpo em sacrifício vivo, santo e agradável, que é o culto racional, o cristão compreendeu que na unidade do corpo de Cristo há servo, livre, judeu, grego, homem, mulher, etc. É o mesmo que “… amar a Deus de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo…”, ou seja, oferecer sacrifício de louvor “… é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios” ( Mc 12:33 ; Sl 50:23 ).

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Salmo 40 – Deus se inclina para atender o seu Servo

E, por que o deleite (comida) do Messias seria fazer a vontade do Pai? Porque Ele voluntariamente buscou a verdade e a fez estar unida ao seu coração! Cristo é a verdade, o Verbo de Deus encarnado, a luz dos homens, o homem humilde e manso de coração, pois não buscou fazer a sua própria vontade “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” ( Jo 5:30 ; Sl 38:13 -14 ; Mt 11:29 ).


Salmo 40Esperei com paciência no Senhor

  1. ESPEREI com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
  2. Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos.
  3. E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR.
  4. Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira. 
  5. Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.
  6. Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
  7. Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito.
  8. Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.
  9. Preguei a justiça na grande congregação; eis que não retive os meus lábios, SENHOR, tu o sabes.
  10. Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação. Não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.
  11. Não retires de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
  12. Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração.
  13. Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio.
  14. Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal.
  15. Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah!
  16. Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o SENHOR.
  17. Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.

O escritor aos Hebreus dá um parâmetro seguro a seguir quando demonstra que o Salmo 40 faz referência a Cristo, que se despiu da sua glória e foi introduzido no mundo:

“Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste; Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus, a tua vontade” ( Hb 10:5 -7 ; Sl 40:6 -8).

Quem entrou no mundo? Certamente não foi o salmista e rei Davi, porque para entrar no mundo é necessário ser pré-existente e o único pré-existente foi o Verbo de Deus – Cristo.

Sabendo que os salmos são profecias ( 1Cr 25:1 ), e que eles fazem referência a pessoa de Cristo ( Lc 24:44 ), deve-se analisar todo o texto do Salmo 40 comparando com a pessoa e vida de Cristo ( Jo 5:39 ; Sl 40:7 ), pois os profetas não profetizam acerca de si mesmo, antes apontavam para o Messias “E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou de algum outro?” ( At 8:34 ).

O período das previsões dos salmistas varia muito, pois os salmos foram escritos em um lapso temporal de aproximadamente um milênio, desde a data aproximada de 1440 a.C., quando houve o êxodo dos Israelitas do Egito até o cativeiro babilônico. Através das profecias têm-se uma visão do que significa a onisciência de Deus, porém, os salmos fixam-se na pessoa do Cristo, o Filho de Davi.

 

1 ESPEREI com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor. 2 Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos. 3 E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR. 4 Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira. 5 Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.

Quem esperou pacientemente no Senhor? O salmista Davi nesta previsão aponta para o Messias, o Servo do Senhor, que confiante esperou no Deus da sua salvação!

‘Esperar pacientemente’ é o mesmo que confiar, descansar, e Cristo sabia que seria ouvido pelo Pai prontamente, mesmo diante das agruras que antecedia a Sua morte “Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?” ( Mt 26:53 ). Apesar de estar à mão a possibilidade de rogar ao Pai que o livrasse do cálice, Cristo foi obediente até a morte, e morte de cruz. Na obediência de Cristo vê-se que ele foi perseverante, e o pai fiel a sua palavra.

O pedido de Cristo sempre foi segundo a vontade do Pai, pois Ele não rogou que o livrasse da morte física, antes que, mesmo na morte guardasse sua alma em segurança. Neste sentido Deus inclinou-se e ouviu o clamor do seu Filho “Guarda a minha alma, pois sou santo: ó Deus meu, salva o teu servo, que em ti confia” ( Sl 86:2 ).

Deus inclinou-se e ouviu o clamor do seu Filho! O profeta narra a ação de Deus em favor de Cristo na perspectiva do próprio Cristo, pois tudo é descrito na primeira pessoa: – ‘Ele inclinou-se para mim’! Temos neste verso estampado a perspectiva de Cristo que percebeu que o Pai inclinou-se para atendê-lo.

Mas, por que Cristo teve que esperar? Por que não foi atendido de pronto? Por causa do tempo estabelecido pelo Pai, conforme se lê:

“Assim diz o SENHOR: No tempo aceitável te ouvi e no dia da salvação te ajudei, e te guardarei, e te darei por aliança do povo, para restaurares a terra, e dar-lhes em herança as herdades assolada” ( Is 49:8 ).

O Salmo 22, no verso 24, temos o salmista apresentado o motivo pelo qual o Filho clamaria ao Pai: o momento de aflição:

“Porque não desprezou nem abominou a aflição do aflito, nem escondeu dele o seu rosto; antes, quando ele clamou, o ouviu” ( Sl 22:24 ; Mc 14:32 -36).

A situação do Messias no momento de angustia e pavor, é descrito como quando alguém está em uma fossa mortal, um buraco repleto de lama, porém, a ação salvadora do Pai o transfere para uma condição descrita como uma rocha onde os passos não vacilam, são firmes (v. 2 ; Sl 56:13 ).

O fato de o Pai ter socorrido o Filho serviu de louvor à glória do Pai, ou seja, um cântico foi posto na boca do Filho quando o Pai veio em seu auxílio ( Jo 17:4 ; v. 3).

Até a parte ‘a’ do verso 3 o salmista utiliza a primeira pessoa do discurso e, nesta perspectiva temos o Verbo de Deus descrevendo qual seria a sua situação e estado emocional, já na parte ‘b’, ele passa para a terceira pessoa do plural e demonstra que muitos haveriam de contemplá-lo: “muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR” (v. 3), ou seja, muitos veriam e confiariam naquele que esperou e foi ouvido “O SENHOR desnudou o seu santo braço perante os olhos de todas as nações; e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus” ( Is 52:10 ).

O Senhor que muitos confiarão ao vê-lo é o Senhor que escondeu o seu rosto da casa de Israel, que haveria de resplandecer o seu rosto para iluminar os que jaziam em trevas “E esperarei ao SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei” ( Is 8:17 ; Sl 80:3 ; Sl 110:10 ).

O verso 4 disserta sobre a condição do Messias perante Deus: o homem bem-aventurado. Na posição de homem Cristo não se associou aos soberbos nem aos mentirosos, não se conformou com os injustos chefes da religião, ao contrário, resistiu-lhes ( Sl 56:1 -2; Sl 52:1 -6).

Como Deus, Ele não somente os resistirá com palavras, mas também abaterá todo soberbo e os que se desviaram para a mentira “Exalta-te, tu, que és juiz da terra; dá a paga aos soberbos” ( Sl 94:2 ). Só o juiz de toda a terra pode identificar os soberbo e os mentirosos e abatê-los na sua ira “Derrama os furores da tua ira, e atenta para todo o soberbo, e abate-o” ( Jó 40:11 ).

Quando Deus ordenou que abatesse todos os soberbos, Jó levou a sua mão à boca, pois para fazê-lo seria necessário ter braços como Deus ( Jô 40:9 ).

No verso 5 tem-se um devocional do servo do Senhor no qual se faz referencia às ações maravilhosas de Deus em prol dos homens, pois o Servo paciente conquistou um nome superior a todo nome, poder e glória. Somente o Servo do Senhor pode mensurar o premio que lhe estava proposto, mas não era possível anunciá-las devido ao montante incalculável (v. 5).

 

6 Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste. 7 Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. 8 Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.

Para levar a efeito os seus desígnios Deus não exigiu sacrifico e oferta ( Sl 51:16 ), pois os sacrifícios para Deus são espírito quebrantado e coração quebrantado ( Sl 51:17 ). Sabedor desta verdade, Cristo se postou como servo voluntário e foi obediente em tudo, pois importava obedecer ao Pai em tudo “Então seu SENHOR o levará aos juízes, e o fará chegar à porta, ou ao umbral da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela; e ele o servirá para sempre ( Ex 21:6 ).

Algumas versões rezam acertadamente ‘minha orelha furastes’ em lugar de ‘os meus ouvidos abristes’, ou ‘corpo me preparaste’, o que confirmaria, segundo o previsto na lei mosaica, a voluntariedade do Servo do Senhor que se prontificou e disse: Eis aqui venho!

As ofertas e holocausto que eram oferecidos segundo a lei não foram exigidos por Deus, pois o sangue das vítimas utilizadas para a expiação não podiam tirar pecado, mas o povo em vez de obedecê-Lo era voluntarioso em sacrificar ( Hb 10:4 ; 1Sm 15:22 ).

O homem é voluntarioso em buscar para si uma vítima para colocar sobre o altar do sacrifício, porém, se esquece de confiar no Deus da providência, que já proveu para si o cordeiro, e este foi morto desde a fundação do mundo ( Gn 22:8 ; Ap 13:8 ).

Diante da triste realidade dos homens insubordinados, o servo do Senhor voluntariou-se: “Eis aqui venho!” (v. 7), e assim Cristo veio, conforme estava predito no livro: na condição de servo do Senhor “Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra” ( Is 49:6 ).

Mas, qual foi o propósito daquele que se voluntariou diante de Deus? Oferecer ofertas e sacrifícios? Não! Ele se ofereceu para fazer a vontade do Pai! (v. 9 ; Jo 4:34 e Jo 6:38 ).

E, por que o deleite (comida) do Messias seria fazer a vontade do Pai? Porque Ele voluntariamente buscou a verdade e a fez estar unida ao seu coração! Cristo é a verdade, o Verbo de Deus encarnado, a luz dos homens, o homem humilde e manso de coração, pois não buscou fazer a sua própria vontade “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” ( Jo 5:30 ; Sl 38:13 -14 ; Mt 11:29 ).

Sacrifícios são da vontade do homem “E, quando oferecerdes sacrifício pacífico ao SENHOR, da vossa própria vontade o oferecereis ( Lv 19:5 ; Lv 22:29 ), que difere da vontade de Deus, que ordenou misericórdia “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” ( Ex 20:6 ; Mt 12:7 ; Os 6:6 ).

Por que Moisés foi considerado o homem mais manso da terra? ( Nm 12:13 ), porque ele foi fiel em toda a casa do Senhor como servo para testemunho das coisas que se haviam de anunciar ( Hb 3:6 ), mais Cristo como Filho sobre a sua própria casa, por ser servo obediente em tudo e o anunciador de boas novas é superior a Moisés: humilde e manso de coração ( Hb 3:7 e Fl 2:8 ).

A humildade e mansidão decorre da obediência à vontade de Deus ( Hb 3:2 ). Confiar na salvação de Deus é o mesmo que ser humilde e manso, pois Deus salva os humildes, ou seja, que confiam na sua palavra, mas resiste aos soberbos ( Tg 4:6 ; 1Pe 5:5 ).

 

 9 Preguei a justiça na grande congregação; eis que não retive os meus lábios, SENHOR, tu o sabes. 10 Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação. Não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.

Assim como o profeta Moisés anunciava a congregação de Israel a vontade de Deus, o Filho anunciou à grande congregação que abarca todos os povos qual é a justiça do Senhor. Enquanto esteve na terra, Jesus não reteve os seus lábios de anunciar a verdade aos homens.

A lei, a retidão que estava unida ao coração do Messias (v. 8), não foi escondida, antes o Cristo apregoou que Deus é fiel à sua palavra (Verbo que se fez carne) e que, Cristo homem é a salvação de Deus ( Jo 17:3 ), ou seja, Cristo revelou o Pai ao mundo quando demonstrou ser a benignidade (graça) e a verdade de Deus ( Jo 1:14 e 18 ; Hb 2:12 ).

 

11 Não retires de mim, SENHOR, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade. 12 Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniquidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração. 13 Digna-te, SENHOR, livrar-me: SENHOR, apressa-te em meu auxílio. 14 Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal. 15 Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah!

O Servo do Senhor apresenta suas petições ao Pai, fiado na benignidade e fidelidade do Pai ( Sl 91:1 ; Sl 17:8 ). Por que o Servo do Senhor precisaria de proteção? A resposta decorre dos versos 12 ao 15: inúmeros males haveriam de cercar o Messias deixando-o em pavor ( Sl 69:9 ).

O Messias tomou sobre si a culpa da humanidade e levou sobre si “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” ( Is 53:6 ; Mt 26:60 ; Is 53:4 ; Sl 71:7 ; Sl 89:38 ; Sl 91:15 ).

O Servo do Senhor clama por auxílio a quem pode livrá-lo (v. 13), para que os que buscavam tirar-lhe a vida fossem confundidos e os que o afrontaram fossem retribuídos segundo as suas obras ( Sl 62:12 ); “E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” ( Mt 27:25 ).

A confusão dos que buscavam tirar a vida de Cristo é patente quando o Senhor no Jardim respondeu “Sou eu!” ( Jo 18:6 ), e todos retrocederam e caíram, conforme o predito no Salmo 56: “Quando eu a ti clamar, os meus inimigos retrocederão. Por meio disto saberei que Deus está comigo” ( Sl 56:9 ).

 

16 Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o SENHOR. 17 Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.

Todos quantos buscam a Deus, segundo a poderosa salvação que foi levantada na casa de Davi ( Lc 1:69 ), devem regozijar-se. Pelo fato de ter sido salvo pelo Senhor, continuamente dirá, mesmo sem palavras, Magnífico é o Senhor!

Após fazer alusão a alegria daqueles que confiarem em seu nome, pelo espírito de profecia, o Servo do Senhor usa o salmista para relatar a sua condição de servo: “Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus” (v. 17 ; Ap 19:10 ).

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