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A viúva de Sarepta recebeu ordem de Deus para cuidar do profeta e cuidou. As viúvas de Israel, por sua vez, receberam a lei de Deus, que os pais juraram guardar, e não guardaram.


A passagem bíblica que narra o encontro de Elias com a viúva de Sarepta é conhecidíssima e muito utilizada por pregadores que enfatizam o milagre da multiplicação do pouco azeite na botija e da pouca farinha na panela, porção que dava para preparar somente um bolo pequeno para uma única refeição da viúva e seu filho.

“Porém ela disse: Vive o SENHOR teu Deus, que nem um bolo tenho, senão somente um punhado de farinha numa panela, e um pouco de azeite numa botija; e vês aqui apanhei dois cavacos, e vou prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos, e morramos” (1 Reis 17:12)

 

O que enfatizar através do milagre da viúva de Sarepta?

O que não falta são temas acerca da passagem bíblica da viúva de Sarepta! Na sua grande maioria a temática é:

– Em tempos de seca, é preciso ter fé;

– Confie na palavra do profeta;

– Sobrevivendo em tempos difíceis;

– Como ser honrado por Deus, etc.

Temas que seguem premissas semelhantes refletem o pensamento do homem natural, que não compreendem as coisas de Deus, pois as coisas de Deus se discernem espiritualmente.

“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2:14).

Como é possível temas tão chamativos e um texto base tão simples não refletirem a essência do texto bíblico? O que há de espiritual na passagem bíblica da viúva de Sarepta? O que no texto da viúva de Sarepta parece loucura aos olhos do homem natural?

Considerando o fato de que Cristo era de cima (1Co 15:47; Jo 3:31), portanto, espiritual, e a abordagem que Ele fez da passagem que narra o milagre da viúva de Sarepta durante um sermão em uma sinagoga em Nazaré, cidade onde Ele cresceu (Lc 4:16), vê-se o posicionamento de alguém que compreende as coisas do espírito e as bases do seu discernimento.

Diferentemente de muitos preletores em nossos dias, Jesus destacou através da passagem bíblica da viúva de Sarepta que nenhum profeta é bem recebido na sua própria pátria (Lc 4:24), e não o evento miraculoso da multiplicação da farinha e azeite. O milagre ficou em segundo plano, pois Jesus sublinhou uma verdade que escapa ao homem natural.

Jesus demonstrou que haviam muitas viúvas em Israel, mas o profeta Elias não foi enviado a nenhuma delas. Por que Elias foi enviado a uma viúva estrangeira, de Sidom, e não foi enviado a uma das viúvas em Israel, se a fome atingiu o mundo inteiro e havia viúvas em Israel padecendo necessidade?

“Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome; E a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva” (c 4:25 -26).

A ênfase que Jesus deu a passagem bíblica da viúva de Sarepta não teve em vista o milagre da multiplicação da farinha e do azeite, e sim, ao fato de o profeta Elias ter sido enviado a uma mulher estrangeira, mesmo que em Israel haviam muitas viúvas que igualmente passavam fome.

“Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria” (Jo 4:44);

“E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa” (Mt 13:57).

Por que Deus ordenou a uma viúva estrangeira que cuidasse do profeta Elias? Não seria o caso de o profeta ser enviado a casa de uma das filhas de Abraão?

O motivo é claro: se os filhos de Israel não obedeciam a palavra de Deus estabelecida na lei e não davam ouvidos aos profetas, igualmente não acatariam o mando de Deus para cuidar do profeta Elias. Se os filhos de Abraão não se sujeitavam a Deus, visto que constantemente era enviado por Deus profetas e mais profetas para repreenderem os filhos de Israel, definitivamente os filhos de Israel não acolheriam o profeta Elias.

Elias, mesmo sendo profeta com sinais e maravilhas da parte de Deus, não seria acolhido pelos seus compatriotas! Se rejeitavam a palavra de Deus, que honra o profeta teria entre os seus concidadãos?

Era notório aos filhos de Israel a seca em Israel em função da palavra do profeta anunciada a Acabe, mas ninguém se predispôs a auxiliar ou acolher o profeta. Ninguém em Israel considerou que a seca era em decorrência da desobediência do povo.

Como a casa de Israel não honrou o seu profeta, Deus o enviou a uma viúva estrangeira, evidenciando que os estranhos à aliança era mais dados a obedecer a Deus que os filhos de israel.

“Levanta-te, e vai para Sarepta, que é de Sidom, e habita ali; eis que eu ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente” (1 Re 17:9).

Nada parecia favorecer a viúva de Sarepta a obedecer a ordem de Deus: a) era viúva; b) uma mulher; c) estrangeira, portanto, desconhecia o profeta; d) sem recursos; e) filho órfão para sustentar; f) estranha a promessa, etc., mas, diante da ordem do Senhor, fez como o crente Abraão, que, ainda na incircuncisão, obedeceu e saiu do meio da sua parentela.

Da passagem bíblica que narra o milagre, Jesus demonstra que o mais importante é o fato de uma mulher viúva estrangeira dar ouvidos a palavra de Deus, e não o milagre de per si.

Através da viúva de Sarepta, os filhos de Israel deveriam compreender que:

“Porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão” (Romanos 2:25).

Que Deus operou maravilhosamente não deixando o óleo da botija secar e nem a farinha da panela faltar é algo grandioso, obra digna do Criador. Mas, é muito mais grandioso o fato de uma mulher estrangeira sujeitar-se a Deus, obedecendo-O.

A passagem bíblica da viúva de Sarepta evidencia que Deus não faz acepção de pessoas, antes é favorável aquele que em qualquer nação Lhe obedece.

“Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo” (At 10:35).

 

O Deus de Israel e as viúvas de Israel?

O que evidencia o fato de Deus não ter atendido uma das viúvas de Israel?

Que Deus não se sensibiliza com as pessoas em função dos problemas socioeconômicos, nem mesmo se for uma das viúvas e órfãos de Israel. Evidencia que Deus não é favorável aos homens em função dos problemas decorrentes da seca, dos terremotos, dos maremotos, das tormentas, do frio, do calor, etc.

Embora as muitas viúvas e órfãos em Israel fossem descendente da carne e do sangue de Abraão, o profeta Elias não foi enviado a nenhuma delas, o que demonstra que Deus não se sensibiliza em função dos infortúnios das pessoas.

A Bíblia demonstra que tão somente para um tipo de pessoa Deus é favorável:

“Porque a minha mão fez todas estas coisas, e assim todas elas foram feitas, diz o SENHOR; mas para esse olharei, para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra” (Isaías 66:2).

Deus é favorável ao ‘pobre e abatido de espírito’, ou seja, aquele que obedece a palavra de Deus!

Não há na Bíblia qualquer suporte para a ideia de que Deus se sensibiliza em função das mazelas sociais. Deus demonstra misericórdia somente para aqueles que obedecem:

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos” (Deuteronômio 5:10).

Há injustiça da parte de Deus por deixar a terra sem chuva por três anos? Não! Deus não faz acepção de pessoas, e a fome em decorrência da seca não fez acepção de pessoas. Deus é justo, e quando há chuva, ela cai sobre justos e injustos; e quando há seca, ela não faz distinção entre justo e injustos (Ec 9:3).

Deus não se sensibilizou com a viúva de Sarepta porque ela iria fazer o último bolo e, depois morrer de fome. Isto porque milhares de viúvas estavam em condição igual à da viúva de Sarepta, e nenhuma delas foi atendida por Deus.

A viúva de Sarepta recebeu ordem de Deus para cuidar do profeta e cuidou.

“… eis que eu ordenei ali a uma mulher viúva que te sustente” (1 Re 17:9).

As viúvas de Israel, por sua vez, receberam a lei de Deus, que os pais juraram guardar, e não guardaram (Êx 19:8). Deus enviava continuamente os seus santos profetas, e não atendiam. Mas, uma estrangeira, ao receber uma ordem, mesmo em circunstâncias difíceis, obedeceu!

Na viúva estrangeira cumpriu-se a palavra que diz:

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e guardam os meus mandamentos” (Dt 5:10).

A misericórdia de Deus é dada aos que cumprem os mandamentos de Deus, pois lhe aprouve ter misericórdia dos que obedecem, e não dos menos favorecidos, descamisados, paupérrimos, maltrapilhos, drogados, etc.

“Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êx 33:19).

Jesus foi retirado da sinagoga e intentavam mata-lo, precipitando-o do cume de um monte, pelo fato de evidenciar através da passagem da viúva de Sarepta que as viúvas de Israel, mesmo sendo descendência da carne de Abraão, não foram beneficiadas por Deus. Quem foi beneficiada com sustento durante a seca foi tão somente a estrangeira e viúva que obedeceu a ordem do Senhor.

 

Campanha da viúva de Sarepta

É comum em nossos dias homens inescrupulosos criarem campanhas para cooptarem adeptos a comparecerem em determinadas reuniões a pretexto de serem abençoadas tal qual algum personagem do Antigo Testamento.

A temática é: abençoe o profeta primeiro, e, através da palavra do profeta, você vai ser abençoado. Faça igual a viúva de Sarepta, que não tinha o suficiente para o seu sustento, e mesmo assim abriu mão e abençoou o profeta.

Segundo a abordagem de Jesus, não é essa a temática do texto. Segundo o apóstolo Paulo, tudo o que foi escrito tem o fito de não incorrermos no mesmo exemplo de desobediência dos judeus (1Co 10:11).

O mandamento de Deus para a viúva de Sarepta foi personalíssimo. Qualquer outra pessoa que esteja passando necessidades semelhante ou pior que a viúva de Sarepta, e doar o pouco que possui a quem quer que seja a pretexto de que será abençoado, é engodo.

O mandamento de Deus para os filhos dos homens hoje é crer que Jesus é o enviado de Deus, e se crer, verá a salvação do Senhor, pois essa é a promessa que Ele fez (1Jo 2:25).

Tendo por base a promessa de salvação, ainda que não haja fruto na vide ou na oliveira, e não haja mantimento nos celeiros; caso as ovelhas sejam roubadas e nos currais falte gado, pela palavra de Deus o crente continuamente se alegrará em Deus pela salvação em Cristo.

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação” (Hb 3:17 -18).

A promessa de Deus não está vinculada a multiplicação de azeite da botija, ou a multiplicação da farinha na panela, e sim, em Cristo.

Mas, caso alguém que está em Cristo esteja passando por dificuldades, tenha a plena certeza que Deus cuida dos seus:

“Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5:7).

Basta ao crente lançar sobre Cristo os seus anseios, ou seja, não é necessário participar de campanhas, abençoar o profeta, doações, sacrifícios, votos, etc. O cuidado de Deus é perene para com os seus filhos pelo fato de ter obedecido a sua palavra.

O crente em Cristo não pode se fiar em promessas vazias tendo por base meias verdades. Alegações: – Deus faz milagres; Deus é Deus do impossível; Deus tem tudo sob controle, não é garantia de nada.

Os falsos profetas em Israel alegavam que o povo de Israel nunca seria conquistado e deportado de Jerusalém, e apontavam para o Templo de Salomão como garantia: – “Templo do Senhor”. Embora fosse verdadeiro que aquele templo foi erguido em honra a Deus, não se pode negar que o templo não era garantia de nada.

“Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este” (Jr 7:4).

Deus tem compromisso com quem cumpre a sua palavra, e não com templos, ofertas, sacrifícios, etc.

Naquele tempo esse era o alerta de Deus para Israel:

“Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Melhorai os vossos caminhos e as vossas obras, e vos farei habitar neste lugar” (Jr 7:3).

Hoje, esse é o alerta de Deus para a sua igreja, e Deus não está tratando de óleo em botija e farinha na panela:

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3:11).

 

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

Um comentário em “A viúva de Sarepta

  • 27/02/2018 em 20:20
    Permalink

    esto muito grato os idealizadores deste site ,estou aprendendo a interpretar a bíblia como mais profundidade ,que Deus abençoa de uma forma muito grande todos os colaboradores.

    Resposta

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