Certeza da salvação e as dúvidas diárias

Alegria não é evidencia de sujeição a Deus e nem de salvação. Um ajuntamento solene em êxtase não é sinônimo de sujeição a Deus e Deus não se sujeita a alegria dos homens.


Certeza da salvação e as dúvidas diárias

“Se convém gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza.” (2 Coríntios 11.30).

Introdução

O profeta João Batista estava na prisão, e ouviu através dos seus discípulos a fama de Jesus que se divulgava por todas regiões. Sem compreender o que estava acontecendo, João Batista enviou os seus discípulos ao Senhor Jesus para fazer a seguinte pergunta:

“És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” (Mateus 11.3; Lucas 7.19).

O profeta do deserto da Judeia, que enfatizou não ser o Cristo, mas que, ao ver Jesus de Nazaré passar, foi categórico ao confessar: – “Eis aí o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mudo” (João 1.29), naquele momento precisava de uma resposta.

Diante de tantas críticas e oposições ao Mestres dos mestres pelos seguidores dos diversos ramos do judaísmo, bem como das lideranças dos hebreus sob domínio romano, João Batista foi vencido por algumas dúvidas. Ele poderia ter perguntado aos seus discípulos o que achavam acerca de Jesus, mas João Batista contrariaria flagrantemente as Escrituras, e por isso, precisou enviar os seus discípulos a perguntarem diretamente ao Mestre dos mestres.

Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca. Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa.” (Miqueias 7.4-5);

“Guardai-vos cada um do seu próximo, e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar, e todo o próximo anda caluniando. E zombará cada um do seu próximo, e não falam a verdade; ensinam a sua língua a falar a mentira, andam-se cansando em proceder perversamente.” (Jeremias 9.4-5).

Cristo, o nosso sumo sacerdote, que se compadece das nossas fraquezas, não recriminou João Batista pela pergunta, antes, deu uma resposta à altura de quem perguntou, citando as Escrituras:

“Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.” (Mateus 11.4-5);

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” (Hebreus 4.15).

Da mesma forma que João Batista anunciava o reino dos céus citando as Escrituras, Jesus respondeu evidenciando os milagres que eram operados, e lembrou que se cumpria o predito nas Escrituras: aos pobres é anunciado as boas novas!

“Ó VÓS, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.” (Isaías 55.1).

Outro personagem digno de destaque é o discípulo Pedro, que antes da prisão de Jesus estava disposto a defender o seu Mestre, mesmo que lhe custasse a vida. Quando foram prender o Mestre, Pedro sacou da espada e cortou a orelha de um dos servos do sumo sacerdote, Malco, confiante em tudo que viu Jesus realizar. A palavra que Pedro tinha empenhado estava de pé, mesmo diante de uma iminente batalha:

“Disse-lhe Pedro: Ainda que me seja mister morrer contigo, não te negarei. E todos os discípulos disseram o mesmo.” (Mateus 26.35);

“Mas ele disse com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei. E da mesma maneira diziam todos também.” (Marcos 14.31).

Quando os discípulos viram que iam prender Jesus, ainda perguntaram:

“E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder, disseram-lhe: SENHOR, feriremos à espada?” (Lucas 22.49).

A pergunta: – ‘Senhor, feriremos à espada?’, aguardava uma solução do conflito com alguma ação sobrenatural. Pedro se adiantou, e cortou a orelha de um dos servos do sumo sacerdote, e ficou sem entender o que Jesus pretendia, quando lhe ordenou que guardasse a espada e foi repreendido quanto as consequências de se fazer uso da espada.

“Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?” (Mateus 26.52-54);

“Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” (João 18.11).

O discípulo João era conhecido do sumo sacerdote Caifás, e entrou onde Jesus estava preso. Ao perceber que Pedro não pode entrar no recinto e estava postado à porta do lado de fora, João foi até ele, falou com a porteira do recinto, e o trouxe para dentro, quando Pedro foi interpelado pela porteira: – ‘Não és tu também dos discípulos deste homem?’ (João 18.17).

A resposta de Pedro foi uma negativa! Que contradição. Um pouco antes, Pedro estava disposto a morrer por Jesus, e agora, ele estava negando que era um dos seus discípulos. Como pode ser isso?

Pedro estava disposto a morrer pelo Jesus que multiplicou pães, curou sua sogra, andou sobre o mar, curou leprosos, cegos, coxos, etc., um homem que realizou inúmeras ações sobrenaturais, mas não estava pronto para permanecer fiel ao Jesus que tinha a missão de cumprir o previsto pelo Pai nas Escrituras.

Quantos cristãos em nossos dias que, da mesma forma que Pedro, escolheram crer em um Jesus que idealizaram, mas não estão aptos a crerem em Jesus conforme diz as Escrituras.

“Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.” (João 7.38).

Se o cristão não crê em Jesus segundo as Escrituras, mas em um Jesus que idealizou, cedo ou mais tarde se escandalizará.

“Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei.” (Mateus 26.33);

“E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em mim.” (Mateus 11.6).

 

Certeza de salvação e as vicissitudes da vida

O profeta Habacuque viu a apostasia do seu povo, e após denunciar e cobrar providencias do Criador, Deus anunciou que estava levantando os caldeus, um povo estranho, que seria utilizado como vara de correção dos filhos de Israel (Habacuque 1.5).

Após compreender a palavra de Deus, o profeta Habacuque orou rogando a Deus que realizasse a sua obra e a fizesse conhecida no meio dos anos, mas que, ao executar Sua ira, lembrasse da misericórdia (Habacuque 3.1-2).

Apesar da invasão eminente dos caldeus e o exílio se avizinhando do seu povo, Habacuque estava descansado (confiante em Deus), e irrompeu em louvor:

“Ouvindo-o eu, o meu ventre se comoveu, à sua voz tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e estremeci dentro de mim; no dia da angústia descansarei, quando subir contra o povo que invadirá com suas tropas. Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3:16-18)

“Porventura envergonham-se de cometerem abominação? Não; de maneira nenhuma se envergonham, nem sabem que coisa é envergonhar-se; portanto cairão entre os que caem e tropeçarão no tempo em que eu os visitar, diz o SENHOR. Certamente os apanharei, diz o SENHOR; já não há uvas na vide, nem figos na figueira, e até a folha caiu; e o que lhes dei passará deles.” (Jeremias 8.12-13).

É possível exultar em Deus no dia da calamidade? Sim! A recomendação paulina é: ‘Em tudo daí graças’!

“Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1 Tessalonicenses 5.18).

Por causa da apostasia de Israel, o mal já estava determinado. Mas, como Habacuque sabia do cuidado de Deus para com seu povo em virtude da promessa feita aos pais, mesmo no dia da angustia, ele permaneceria confiante.

“Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.” (Romanos 11.28).

Caso a figueira não desse flores, a vide ficasse infrutífera, a oliveira não apresentasse seus frutos e o campo ficasse estéril, a alegria do profeta estava em Deus.

Um casal de cristão que perde seu filho; a irmã que perde o seu marido; o pai de família crente que fica desempregado; o jovem cristão que não passa na faculdade; o empresário cristão que teve a falência da sua empresa decretada, etc., são eventos negativos que todos os cristãos estão sujeitos, mas, é possível ao cristão permanecer confiante em Deus após esses eventos? Se conhecer as Escrituras, sem dúvidas, e ainda exultará em Cristo, nosso Salvador.

Jesus alertou os seus seguidores, dizendo:

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16.33).

Uma coisa é certa nesta vida: teremos aflições! Mas, por que Jesus disse isso? Por que ele não fez uma promessa de que afastaria todos os males? Porque Jesus não podia ir contra o estabelecido pelo Pai nas Escrituras:

“E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.” (Gênesis 3.17-19).

E por que Jesus antecipou aos cristãos que teriam aflições? Para que o crente em Cristo tivesse paz! Isto significa que, caso alguma vicissitude alcance o crente, que não deve reputar que está em pecado, que não está em comunhão, que está em falta, que precisa fazer um sacrifício, que precisa fazer um voto, etc. Fique em paz, fique tranquilo, não é punição!

Mesmo diante das aflições, tenha bom animo. Cristo venceu o mundo, portanto, fique em paz, pois todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo também! E qual é a vitória do cristão que vence o mundo: Cristo, a nossa crença, portanto, a nossa fé.

“Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.” (1 João 5.4).

– ‘Será que Deus me ama, se estou sofrendo tanto?’ Sim. Deus te ama, assim como amou toda humanidade. Deus não tem ninguém em preferência, que possa ser amado em especial.

Aquele que, aos olhos de muitos, não está sofrendo revezes da vida, não significa que é mais amado por Deus do que outro que sofreu ou sofre um revés. Deus não ama alguém rico mais que alguém que nasceu pobre, ou um pobre em detrimento de um rico.

Deus te ama porque deu o Seu único Filho para morrer em resgate de muitos, o que inclui você.

“Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.” (1 João 4.9).

‘Há, agora estou empregado, Deus me ama’; – ‘Consegui minha casa própria, Deus tem cuidado de mim’. Sim! Deus tem cuidado de você na mesma medida que tem cuidado de quem não tem casa própria ou que está desempregado.

“Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.” (Eclesiastes 9.11);

“… para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.” (Mateus 5.44-45).

Triste engano achar que uma conquista da vida está relacionada ao amor de Deus, pois o amor de Deus está em que se obedeça aos seus mandamentos.

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.” (1 João 5.3).

“Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele.” (1 João 2.5).

Quem tem certeza da salvação em Cristo só terá emoções e sentirá sensações de segurança, alegria e cuidado? Evidente que não! O apóstolo Paulo terminou a sua carreira convicto que combateu um bom combate e que estava de posse da fé (evangelho), e sabia que em breve seria morto.

No início da sua carreira, o apóstolo Paulo quando foi perseguido pelo governante que governava sob o rei Aresta, em Damasco, foi posto em um cesto e descido da muralha para fugir. O sentimento, a emoção, a sensação, etc., de quem está em fuga não é agradável. Isto significava que Deus não estava como o apóstolo Paulo? Evidente que não!

Quantos cristãos em crise quanto a esperança da salvação! Duvidam da salvação quando não se sente emocionalmente bem. Duvidam do amor que Deus nos tem quando não se sente bem-sucedido na vida. Duvidam que estão limpos pela palavra de Cristo quando o casamento não vai bem. Duvidam da comunhão com Deus quando no ajuntamento solene as emoções não afloram durante um hino, uma pregação, conferencia, etc.

Deus não vinculou o seu amor as emoções humanas, de modo a tê-las sob controle caso queira ser salvo. A promessa de salvação não está atrelada aos nossos sentimentos, mas ao poder daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1 Pedro 2.9);

“Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude;” (2 Pedro 1.3).

O crente tem que ter por fiel Aquele que prometeu, e a promessa que Ele fez foi de vida eterna.

“E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.” (1 João 2.25);

“Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.” (2 Timóteo 2.13);

“Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” (1 Tessalonicenses 5.24);

“Mas fiel é o SENHOR, que vos confirmará, e guardará do maligno.” (2 Tessalonicenses 3.3).

O apóstolo Paulo é claro: nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus!

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Romanos 8.35-39).

Nada pode separar o crente de Deus. Isto é segurança quanto a salvação. Na lista elencada pelo apóstolo Paulo só não aparece o próprio indivíduo, pois assim como Adão, somente o indivíduo consegue se separar de Deus.

“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.” (Hebreus 3.12).

 

Certeza de salvação e as alegrias da vida

Quando estavam a caminho de Baalá de Quiriate-Jearim, que está em Judá, para fazerem subir a arca da aliança até Jerusalém, o rei Davi e o povo eram só alegria. Festejavam com toda sorte de instrumentos musicais.

“E Davi, e toda a casa de Israel, festejavam perante o SENHOR, com toda a sorte de instrumentos de pau de faia, como também com harpas, e com saltérios, e com tamboris, e com pandeiros, e com címbalos.” (2 Samuel 6.5).

Mas, alegria não é evidencia de sujeição a Deus. Um ajuntamento solene em êxtase não é sinônimo de sujeição a Deus. Deus não respeita a alegria dos homens, nem mesmo a alegria dos seus escolhidos.

Enquanto estava a caminho de Jerusalém conduzindo a arca da aliança sobre um carro de bois, e um dos condutores do carro estendeu a mão para amparar a arca, visto que os bois tropeçavam, e Deus o matou.

Naquele momento Davi foi tomado de tristeza, e temeu a Deus, dizendo:

“Como trarei a mim a arca de Deus?” (1 Crônicas 13.12).

Deus havia determinado que a arca da aliança só podia ser conduzida aos ombros dos levitas, através das varas contidas na arca.

“E os filhos dos levitas trouxeram a arca de Deus sobre os seus ombros, pelas varas que nela havia, como Moisés tinha ordenado conforme a palavra do SENHOR.” (1 Crônicas 15.15).

Apesar da grande alegria, Davi e o povo não buscaram ao Senhor Deus segundo a sua palavra. Não se importaram em pesquisar, se informar, lendo a lei, como deveriam conduzir a arca, e seguiram a percepção dos seus corações enganosos.

“Porquanto vós não a levastes na primeira vez, o SENHOR nosso Deus fez rotura em nós, porque não o buscamos segundo a ordenança.” (1 Crônicas 15.13).

Os sacerdotes talvez pensaram: – ‘Davi, homem segundo o coração de Deus, sabe o que está fazendo’. Davi, sendo rei, deve ter pensado: – ‘Os sacerdotes sabem o que estão fazendo’. O povo, por sua vez, talvez pensou: – ‘O rei Davi e os sacerdotes analisaram como trariam a arca da aliança’, mas ninguém foi temente a Deus em verificar as Escrituras.

Quando perderam a arca da aliança para os filisteus em batalha, já era para os filhos de Israel terem aprendido a lição de temerem a Deus segundo o seu mandamento.

Revendo a história, os filhos de Israel estavam sofreram forte baixa em uma batalha, e em um dia perderam aproximadamente 4.000 soldados. Quando se reunirão no arraial, os anciões se perguntaram o porquê Deus estava ferindo os filhos de Israel em batalha pelas mãos dos filisteus, e em vez de verificarem nas Escrituras qual a vontade de Deus, resolveram buscar a arca da aliança e trazê-la para a guerra (1 Samuel 4.3).

Quando a arca da aliança chegou de Siló no arraial, os filhos de Israel jubilaram em alta voz, tanto que se ouviu no arraial dos filisteus o alvoroço. Os filisteus, ao ouvirem os gritos, ficaram receosos, pois lembraram da derrota que os filhos impuseram ao Egito, e se propuseram a lutar com bravura para não serem derrotados. No outro dia, os filhos de Israel foram derrotados. Perderam 30.000 homens, a arca da aliança foi levada e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias foram mortos.

Deus honra e cumpre a sua palavra, porém, não tem compromisso com a crendice de ninguém. A fé que os filhos de Israel depositaram na arca não pode livrá-los. Acreditar que trazer a arca da aliança para a batalha obrigaria Deus intervir na batalha a favor de Israel se assemelha a acreditar em papai Noel, em fada, em unicórnio, em duende, etc.

Em nossos dias, muitos acreditam em milagres, no impossível, em sonhos, no propósito, etc., assim como os filhos de Israel acreditaram que a arca da aliança no meio da batalha era garantia de vitória. Se a arca original não livrou os descendentes de Jacó, é possível uma réplica da arca da aliança produzir algum efeito?

“Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém agora diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados.” (1 Samuel 2.30).

Alegria, grita, júbilo, unidade de designo, acreditar com todas as forças, etc., não sensibiliza Deus atender os homens. Reuniões solenes (cultos) e suas liturgias não torna o homem agradável a Deus, a não ser Cristo, o autor e consumador da fé, a fé manifesta, a fé que foi dada aos que creem, que é o firme fundamento das coisas que não se veem, mas que se espera: a salvação da alma (Judas 1.3; Filipenses 1.27; Gálatas 3.24; Hebreus 11.1).

Ananias e Safira foram envolvidos pelo ambiente de alegria e comunhão pertinente a igreja primitiva. As pessoas que criam no evangelho passaram a abrir mão das coisas que possuíam, e doavam aos apóstolos, que redistribuía o arrecadado segundo a necessidade que cada um. Ao verem que Barnabé vendeu uma herdade e trouxe o valor e deixou a cargo dos apóstolos, Ananias e Safira venderam uma propriedade e resolveram doar parte, alegando que estavam doando o valor total da propriedade. Ambos morreram!

“Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.” (Atos 5.4).

Querer ser participante da comunhão dos apóstolos como se fosse participante de um clube, uma agremiação ou entidade filantrópica, visando somente prestigio social, resultou em morte para ambos. Passados os séculos, ninguém tem a vida ceifada como Ananias e Safira porque fazem parte de comunidades ditas cristãs, mas que não tem vínculo com a doutrina dos apóstolos e dos profetas: a igreja de Cristo.

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;” (Efésios 2.20);

“O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.” (1 João 1.3).

 

Coração sincero, em plena certeza da fé

O salvo em Cristo é um homem de fé! Como entender essa asserção?

Quando é dito que o justo viverá da fé, muitos cristãos duvidam da salvação em Cristo por terem dúvidas quanto as questões deste mundo, como: – ‘Será que eu caso?’; – ‘Será que eu monto um negócio’?; – ‘Será que vai dar certo?’; – ‘Será que este investimento vai ter retorno?’, etc.

Outros se sentem constrangidos ou fracos quando são interpelados a demonstrarem a fé. – ‘Se você é um homem de fé, faça uma contribuição’; – ‘Faça um voto de fé’; – ‘Coloque Deus contra a parede, e mostre que é um homem de fé’, etc.

As dúvidas, as questões, as incertezas da vida são inerentes à natureza humana. Deus te criou assim, e essas características jamais serão tiradas, mesmo nos salvos em Cristo.

As incertezas da vida têm um propósito bem definido por Deus, visto que os dias de adversidades se opõem aos dias de bonança, de modo que é impossível ao homem descobrir como será o amanhã.

“No dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera; porque também Deus fez a este em oposição àquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” (Eclesiastes 7.14).

Devemos lembrar que as mesmas duvidas e incertezas que nos sobressaltam também acometem a todos os homens, pois tudo ocorre igualmente a todos.

“Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.” (Eclesiastes 9.2).

Não há como viciar a sua sorte diante de Deus com sacrifícios, ofertas, orações, jejuns, etc. Deus não se deixa subornar e jamais fará acepção de pessoas. A sorte sempre será igual para todos os homens.

Mas, com relação a salvação não há como ficar em duvidas, receoso, temeroso, etc., porque poderoso para salvar é o Senhor e foi Ele que se propôs salvar os homens através do evangelho.

Como os judeus consideravam o evangelho loucura (1 Coríntios 1.18 e 23), tendo em vista que Jesus, o Salvador, foi crucificado no madeiro, o apóstolo Paulo declara que Deus se propôs salvar os que creem pela ‘loucura’ da pregação.

“Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação.” (I Coríntios 1.21).

Preste muita atenção: você é salvo gratuitamente por Deus através de Cristo! Como Jesus Cristo é o tema do evangelho, o apóstolo Paulo declara:

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” (Efésios 1.13).

O crente é salvo graciosamente por meio da palavra da verdade, que também recebe os nomes: evangelho da salvação, dom gratuito, fé manifesta, dom de Deus, poder de Deus, mensagem da cruz, etc.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Efésios 2.8);

“… antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou…” (2 Timóteo 1.8-9);

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo,” (Tito 3.5).

É por isso que o apóstolo Paulo orientou Timóteo, dizendo:

Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (1 Timóteo 4.16);

“E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. (2 Timóteo 3.15).

Quem cuidada de si mesmo e da doutrina, ou seja, as sagradas letras, salva a si mesmo e a quem ouve, pois só o evangelho torna alguém sábio para salvação, pois em Cristo há fé, ou seja, fidelidade, verdade.

Antes de prosseguir, observe esses três versos:

Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” (Efésios 1.13);

“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Romanos 8.1);

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5.17).

O crente passa a estar em Cristo por ter ouvido e crido na palavra da verdade, o evangelho da salvação, o que significa que não há nenhuma condenação, visto que é nova criatura, gerado de novo em verdadeira justiça e santidade, de modo que tudo se fez novo.

São palavras confortantes, mas como ter certeza de que se está em Cristo? Como ter certeza dessa transformação? A garantia está bem patente neste verso:

Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus.” (1 João 4.15).

Para estar em Deus, e Deus no crente, em plena comunhão com o Pai e o Filho, basta confessar, ou seja, admitir que Jesus Cristo, o homem de Nazaré é o Filho de Deus bendito que é salvo e nova criatura, portanto, sem condenação.

Sobre essa confissão, o apóstolo Paulo escreveu:

“Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam.” (Romanos 10.8-12).

Perceba a segurança da salvação em Cristo, da qual é participante todos quantos creem que Jesus é o Cristo, de modo que, você pode entrar no santuário, com ousadia, pois pelo novo e vivo caminho, pelo véu, isto é, pela carne de Cristo, pois está consagrado.

“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu.” (Hebreus 10.19-23).

Cristo é o grande sacerdote sobre a casa de Deus, que é a igreja, o templo santo que Cristo, o Filho de Davi está construindo para todos os povos. Com Cristo como sacerdote, podemos entrar no santuário, se achegar com coração verdadeiro, pois a nova criatura possui novo coração e novo espírito.

“E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.” (Ezequiel 36.26).

Por causa da fé, os cristãos têm que ter plena certeza, pois possuem os corações (pensamentos) livres da má consciência. Isto não significa que o cristão é livre de erros, antes procura portar-se honestamente em tudo, sabendo que a salvação não depende da boa consciência.

“Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente.” (Hebreus 13.18);

Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados.” (Tito 1.15).

Não é só a consciência purificada, mas também o corpo lavado com água limpa, de modo que cabe ao cristão somente reter firme a confissão da esperança, Cristo, esperança da glória.

Há muitos cristãos que não têm “plena certeza de fé”, pois não compreendem a salvação em Cristo, principalmente, que os seus pecados foram perdoados. Se não crer que a salvação está em crer que Jesus é o Cristo, certamente não dirá com convicção que irá para o céu, pois assim como os judeus que ofereciam sacrifício todos os anos, continuam com consciência de pecado.

“Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados, Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados.” (Hebreus 10.2-4).

O que era impossível a sangue de touros e bodes, através do sangue de Jesus, ou seja, do evangelho, o vínculo com o pecado foi quebrado, de modo que o crente em Cristo não serve mais ao pecado, mas a justiça.

“E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.” (Romanos 6.18);

“E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” (1 Coríntios 15.17).

O maior fomento de dúvidas acerca da salvação, geralmente procede de púlpitos de pastores sem o devido conhecimento bíblico, pois falam de salvação em Cristo, e após o crente crer que Jesus é o Cristo, dizem que não é só isso. Líderes sem o conhecimento passam a dizer que, além de crer em Cristo, é necessário obediência à vontade de Deus e um conhecimento pessoal de Cristo, elementos essenciais à salvação.

Como obedecer a vontade de Deus, se a vontade de Deus é que os homens venham ao conhecimento da verdade, ou seja, que creiam em Cristo? Ao crer, o homem já fez a vontade de Deus, pois realizou a sua obra, mas dizem ser necessário obedecer a Deus. Fazer algo que já foi feito, torna a missão impossível.

“Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.” (João 6.29);

“E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe.” (Marcos 3.35)

“E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (1 João 2.17);

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre. Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.” (1 Pedro 1.23-25).

Ora, que crê em Cristo tem um conhecimento mais que pessoal, pois se fez um com Cristo. Não há intimidade maior que ter comunhão com o Pai e o Filho, o que se dá por meio do evangelho.

Se ao crer em Cristo ainda se faz necessário ao crente fazer a vontade de Deus, ou ter um relacionamento pessoal com Cristo, o evangelista João não teria dito:

“Estas coisas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1 João 5.13).

Conclusão

A salvação se dá única e exclusivamente através do evangelho, que é poder para salvação de todo que crê.

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” (Romanos 1.16).

Se você creu em Cristo como o Filho de Deus, fez a vontade de Deus, portanto, será salvo. Agora, após estar salvo em Cristo, o que te resta fazer?

Deve permanecer olhando para Jesus, ou seja, ter a mesma perspicácia do Mestre que, pelo gozo proposto, suportou as contradições e oposições dos pecadores.

“Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus.” (Hebreus 12.2).

Permanecer olhando para Jesus é o mesmo que permanecer fundado, arraigado, firme em Cristo, o autor e consumador da fé. Você só não pode se mover da esperança proposta no evangelho, a salvação da alma.

“Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.” (Colossenses 1.23).

Permanecer crendo que Jesus é o Cristo é permanecer sob a benignidade de Deus, portanto, cuidado.

“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.” (Romanos 11.22).

Ao manter os olhos fixos no Senhor Jesus Cristo, você terá plena certeza da salvação. Não olhe para si mesmo, ou para a sua incapacidade e falhas. Mas, se olhar, se glorie nas suas fraquezas, como fez o apóstolo Paulo, pois o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza.