Corpo glorioso

O corpo glorioso do Cristo ressurreto era idêntico, na aparência, ao seu corpo natural, que fora sepultado, tanto, que causou espanto aos discípulos…


Corpo glorioso

“E oito dias depois estavam, outra vez, os seus discípulos dentro e com eles Tomé. Estando as portas fechadas, Jesus chegou, apresentou-se no meio deles e disse: Paz seja convosco.” (João 20.26).

Introdução

Na tarde do primeiro dia da semana, Jesus Cristo, ressurreto, apareceu aos discípulos, porém, Tomé não estava com eles. Os seguidores de Jesus estavam com medo dos judeus e, por isso, estavam trancados no recinto, quando Jesus apareceu no meio deles e os tranquilizou dizendo: – ‘Paz seja convosco’.

Para não deixar dúvidas de que era o Jesus de Nazaré, que fora crucificado, o Mestre exibiu a todos os ferimentos nas mãos, causados pelos cravos na cruz, e o lado onde o soldado perfurou com uma lança. Após analisaram as evidências da crucificação e se darem conta da presença do Mestre, os discípulos se alegraram.

Ao saber, pelos outros discípulos, que Jesus aparecera, Tomé, chamado Dídimo, argumentou que só creria, se visse e tocasse com os dedos no lugar que os cravos perfuraram e colocasse a mão no local onde a lança perfurou.

Passados oito dias, os discípulos, novamente, estavam reunidos em um recinto com as portas trancadas, quando Jesus se apresentou no meio deles. Depois voltou-se para Tomé e disse: – ‘Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos;  chega a tua mão e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. ’. Diante das evidências, Tomé exclamou: – ‘Senhor meu, e Deus meu! ’.

Não analisaremos a questão acerca da bem-aventurança que alcança quem não viu o Cristo ressurreto, mas crê que Deus O ressuscitou, mas, sim, como será o corpo glorioso que Cristo obteve e que terá todos os que são salvos em Cristo.

 

Corpo glorioso

“Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder, de sujeitar, também, a si, todas as coisas.” (Filipenses 3.21).

Analisando todas as aparições de Jesus Cristo, aos discípulos, após a ressurreição, até a assunção aos céus, percebe-se que o corpo glorificado de Jesus não estava sujeito às leis da física, como matéria, espaço, tempo, gravidade, etc., entretanto, Ele podia comer e beber, bem como, entrar, estar e sair, de qualquer recinto, mesmo quando fechado.

“Chegou, pois, Jesus, tomou o pão e deu-lhes e, semelhantemente, o peixe. E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos. E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.” (João 21.13-15);

“E ele lhes disse: Por que estais perturbados e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles, ainda, por causa da alegria e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então, eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado e um favo de mel; o que ele tomou e comeu diante deles.” (Lucas 24.38-43).

O médico Lucas deixou registrado que Jesus solicitou peixe assado e um favo de mel e comeu diante dos discípulos para acalmá-los, deixando claro que um espírito não teria carne e ossos como Ele tinha, enquanto exibia as marcas das mãos e dos pés.

O corpo do Cristo glorificado era idêntico, na aparência, ao Seu corpo natural, que fora sepultado, tanto, que causou espanto aos discípulos, que acharam ser uma aparição fantasmagórica.

Ficou evidenciado que as funções digestivas do corpo glorificado foram preservadas, à semelhança do seu corpo natural, permitindo a Jesus, comer e beber. Entretanto, apesar de preservar a aparência, o corpo glorificado de Jesus não tem as fraquezas humanas e possui capacidades semelhantes à dos seres angelicais, como poder e força, que se sobrepõem às forças das leis que regem a matéria e o tempo.

“Porque ‘toda a carne é como a erva e toda a glória do homem, como a flor da erva’. Secou-se a erva e caiu a sua flor;” (1 Pedro 1.24).

Jesus glorificado é descrito assim:

“O qual, sendo o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;” (Hebreus 1.3).

 

Incorruptibilidade

“E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.” (1 Pedro 5.4).

O apóstolo Paulo é enfático, ao dizer que o corpo natural do crente em Cristo, na ressurreição ou, no arrebatamento, será transformado, para ser conforme o corpo glorioso de Cristo.

Ao explicar essa transformação em glória, aos cristãos da cidade de Corinto, quando Cristo se manifestar em glória, o apóstolo Paulo disse:

“E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra, a dos terrestres. Uma é a glória do sol, outra a glória da lua e outra a glória das estrelas; porque, uma estrela difere, em glória, de outra estrela. Assim, também, a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há, também, corpo espiritual.” (1 Coríntios 15.40-44);

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também, vós vos manifestareis com ele, em glória.” (Colossenses 3.4).

O apóstolo dos gentios enfatiza que há corpos celestes e corpos terrestres e, em função da natureza de cada ser, possuem glórias diferentes. Para exemplificar, o apóstolo faz referência aos corpos celestes, pois, cada um tem a sua função e característica ímpar.

Ao apontar a diferença de glória, entre corpos de seres celestes e terrenos, o apóstolo Paulo volta à questão da ressurreição, dentre os mortos, enfatizando que é semeado um corpo natural, em corrupção, ignomínia e em fraqueza, mas, que ressurgirá em incorrupção, glória, vigor e espiritualidade e conclui: ‘Se há corpo natural, há, também, corpo espiritual’.

O evangelista João, na sua primeira epístola, disse:

“VEDE quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conhece a Ele. Amados, agora somos filhos de Deus, e, ainda, não é manifestado o que haveremos de ser. Mas, sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque, assim, como é, o veremos.” (1 João 3.1-2).

É impossível precisar, como será o corpo glorioso que os crentes, em Cristo, receberão, porém, certo é que quando Jesus Cristo se manifestar, cada cristão será semelhante a Ele, pois, só sendo como Ele é, para ser possível contemplá-Lo.

O termo grego, traduzido por semelhante, é ομοιος (homoios), adjetivo que estabelece algo similar, semelhante, parecido, correspondente, como. O termo indica que cada cristão terá um corpo de glória semelhante (similar, parecido, correspondente, igual) ao corpo de Cristo.

Cada homem ou, mulher, possuem um corpo semelhante ao dos seus pais, por conseguinte, todos os homens são semelhantes a Adão, o primeiro homem. Nesse sentido, o apóstolo Paulo demonstra que cada cristão terá a imagem de Cristo, o último Adão, assim, como teve a imagem do primeiro Adão.

“Qual o terreno, tais são, também, os terrestres e, qual o celestial, tais, também, os celestiais. E, assim, como trouxemos a imagem do terreno, assim, traremos, também, a imagem do celestial.” (Coríntios 15.48-49).

Perceba que o tema incorruptibilidade trata da natureza do corpo espiritual, que é uma questão correlata à salvação, porém, não diz de como alcançar a salvação. O tema abordado pelo apóstolo Paulo tem relação com o que ocorrerá na redenção do corpo, portanto, pertinente àqueles que ouviram o evangelho e creram, tornando-se membros do corpo de Cristo, que é a igreja.

“E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados. Porque convém que isto, que é corruptível, se revista da incorruptibilidade e que isto, que é mortal, se revista da imortalidade. E, quando isto, que é corruptível, se revestir da incorruptibilidade e isto que é mortal, se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.” (1 Coríntios 15.50-54).

Quando o apóstolo Pedro fez alusão à coroa da glória, não disse de um ornamento para a cabeça, utilizado como símbolo de poder e legitimidade, mas, de alcançar como prêmio um corpo incorruptível, semelhante ao corpo glorioso de Cristo.

“E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.” (1 Pedro 5.4);

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também, vós vos manifestareis com ele, em glória.” (Colossenses 3.4).

Essa transformação do corpo abatido, para ser conforme o corpo glorioso de Cristo, é a ‘coroa da glória’:

“Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar, também, a si todas as coisas.” (Filipenses 3.21).

 

Salvação e redenção do corpo

“Sendo justificados, gratuitamente, pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.” (Romanos 3.24);

“E não só ela, mas, nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também, gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.” (Romanos 8.23).

É imprescindível compreender o que é salvação e como ela se opera e, concomitantemente, compreender as bênçãos decorrentes da salvação. Um dos grandes equívocos de alguns estudiosos da soteriologia é se utilizarem de textos bíblicos que tratam das bênçãos, mas, já decorrentes da salvação em Cristo, como alcançar um corpo incorruptível, quando do arrebatamento ou, da ressurreição, para tratar da questão de como é concedida a salvação em Cristo.

Salvação bíblica se refere à redenção que há em Cristo, ofertada, gratuitamente, por Deus, a todos os homens. A Bíblia aborda a questão da salvação, em função da queda da humanidade em Adão. Por causa da ofensa de Adão no Éden, todos os homens estavam destinados à perdição eterna, portanto, julgados e condenados, em função da transgressão de um mandamento.

“E não foi assim o dom, como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação (…) Pois, assim, como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens, para condenação”. (Romanos 5.16 e 18).

Perdição bíblica refere-se à condição de todos os homens, simplesmente, por terem entrado no mundo, como descendentes de Adão. Essa perdição não se dá por ações reprováveis, segundo a moral e o comportamento humano, mas, pelo fato de Adão ser uma porta larga, que dá acesso a um caminho largo, que conduz todos que entraram por Ele, neste mundo, à perdição.

Em resumo, perdição é uma condição humana, por estar separado (alienado, sem comunhão, morto) de Deus, que é luz, justiça e vida. Salvação, por sua vez, é voltar a ter comunhão com Deus.

Salvação não é transação ética, não tem por base a moral e nem decorre de regras humanas, da mesma forma que a perdição não está atrelada a nenhum desses elementos. A perdição decorre da ofensa de um só homem que pecou, Adão e, a salvação decorre da obediência de um só homem, Jesus Cristo-homem.

E como foi concedida a salvação? Como alcançá-la?

A salvação foi concedida, graciosamente, por Deus, ao dar o seu Filho Unigênito e, por isso, é dito que Deus levantou salvação poderosa na casa de Davi.

“E nos levantou uma salvação poderosa na casa de Davi seu servo.” (Lucas 1.69).

Sobre essa salvação, escreveu o evangelista João:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas, tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas, para que o mundo fosse salvo por ele.” (João 3.16-17).

O apóstolo Pedro, ao falar da salvação em Cristo, disse:

“E em nenhum outro há salvação, porque, também, debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4.12).

Mas, como tomar posse dessa salvação?

“E, pedindo luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas. E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.” (Atos 16 :29-31).

Basta crer que Jesus Cristo é o Senhor, o Filho do Deus bendito, para tomar posse da salvação. Em outras palavras, basta invocá-Lo, pois, qualquer que invoca ao Senhor, é porque crê que Ele é poderoso para salvar.

“E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Atos 2.21);

“Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo e todo aquele que crer nela não será confundido. (Romanos 9.33).

Quem crê em Deus, também, deve crer no Filho, pois, quem não crê em Cristo, não crê no testemunho que Deus deu acerca do seu Filho.

“E aquilo que ele viu e ouviu isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho. Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro.” (João 3.32-33);

“Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo, tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o fez, porquanto, não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.” (1 João 5.10-11).

Quem crê em Jesus Cristo se fez servo, pois, obedeceu ao mandamento de Deus, executando a sua obra.

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento.” (1 João 3.23);

“Jesus respondeu e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.” (João 6.29).

Mas, há quem diga que, se o homem pudesse crer no evangelho, que teria mérito em si mesmo ou, que poderia se jactar diante de Deus, de ser participante da salvação. Tremendo equívoco!

O convite do evangelho é para que os homens se sujeitem a Cristo, na condição de servos.

Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11.29-30).

Ao tomar o jugo de Jesus, o homem se faz servo, portanto, não tem como se gloriar de se fazer servo e nem de jactar-se da sua humilhação. O evangelho é mandamento de Deus que demanda obediência. Quem obedece, se submete, portanto, se livra da punição.

“Mas, que se manifestou agora e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé;” (Romanos 16.26);

“Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” (1 Pedro 4.17).

Ao obedecer ao evangelho, crendo em Cristo, o homem é morto e sepultado com Cristo e, nesse sentido, Deus é evidenciado justo, pois, a pena não passa da pessoa do transgressor. Ao ressurgir dentre os mortos uma nova criatura, Deus declara o novo homem santo e justo. Daí, a premissa paulina: Deus é justo e justificador.

“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3.26).

Há redenção em Cristo Jesus, que livra o homem da condenação do pecado, de modo que, por intermédio de Cristo, o homem é declarado justo por Deus, gratuitamente.

“Sendo justificados, gratuitamente, pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.” (Romanos 3.24).

Entretanto, além da redenção em Cristo, decorrente da graça de Deus, temos, também, a redenção do corpo, sendo que essa decorre daquela, porém, não podem ser confundidas.

“E não só ela, mas, nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também, gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.” (Romanos 8.23).

A redenção do corpo se dará na ressurreição dentre os mortos ou, no arrebatamento da igreja, quando os corpos dos cristãos serão transformados, conforme o corpo glorioso de Jesus ressurreto.

“Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder, de sujeitar, também, a si todas as coisas.” (Filipenses 3.21). 

 

A semelhança do Altíssimo

Analisando algumas passagens bíblicas, é notório de quem elas falam e da salvação providenciada por Deus, como: João 3.16, Mateus 11.29, Romanos 1.16, Efésios 1.13; 2.8, etc., porém, há textos que tratam da redenção do corpo,  de quando será concedido aos salvos a semelhança com Cristo e, na sua grande maioria, os estudiosos de soteriologia utilizam esses textos como meio de alcançar a salvação.

A passagem bíblica de 1 Coríntios 15, tem início com o apóstolo Paulo lembrando aos cristãos, que eles haviam sido salvos por intermédio da pregação do evangelho, anunciando o que ouviram de Cristo, que, também, é apresentado em outras passagens bíblicas.

“TAMBÉM, vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual, também, recebestes e no qual, igualmente, permaneceis. Pelo qual (evangelho), também, sois salvos se o retiverdes, tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão.” (1 Coríntios 15.1-2);

“Em quem, semelhantemente, vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação e, tendo nele, também, crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.” (Efésios 1.13);

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois, é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu e, também, do grego.” (Romanos 1.16);

“E que é manifesta, agora, pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho;” (2 Timóteo 1.10).

Esses versículos demonstram que o homem é salvo por Deus, por intermédio do evangelho, que, em outras palavras, é o mesmo que ser salvo por meio da fé (pregação da fé) ou, salvo por Cristo (a fé manifesta) ou, pela graça (Gálatas 3.2, 5 e 23; Efésios 2.8).

Como havia alguns perturbadores da verdade do evangelho que diziam que não havia ressurreição dos mortos, o apóstolo Paulo argumenta que, sem a ressurreição dos mortos, a pregação do evangelho é vã e crer em Cristo, igualmente.

“E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação e, também, é vã a vossa fé. E, assim, somos, também, considerados como falsas testemunhas de Deus, pois, testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também, Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e, ainda, permaneceis nos vossos pecados.” (1 Coríntios 15.14-17).

Novamente o apóstolo Paulo destaca a essência do evangelho:

“Porque, assim, como a morte veio por um homem, também, a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim, como todos morrem em Adão, assim, também, todos serão vivificados em Cristo.” (1 Coríntios 15.21-22).

Mas, mesmo diante de argumentos irrefutáveis, o apóstolo Paulo destaca que tais perturbadores da verdade do evangelho poderiam questionar como ressuscitariam os mortos e que em corpo viriam.

“Mas alguém dirá: Como ressuscitarão os mortos? E com que corpo virão?” (1 Coríntios 15.35).

Desse ponto em diante, o apóstolo Paulo, interrompe a temática de como alcançar a salvação e passa a demonstrar em qual corpo virão os ressurretos dentre os mortos. A temática, desse ponto em diante, envolve o salvo e não qual o requisito para o homem ser salvo.

O apóstolo, além de destacar que haverá ressurreição dos mortos, demonstra que os salvos em Cristo Jesus terão um corpo glorificado, semelhante ao corpo do Cristo ressurreto.

“O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais, também, os celestiais. E, assim, como trouxemos a imagem do terreno, assim, traremos, também, a imagem do celestial.” (1 Coríntios 15.47-49).

Um ponto importantíssimo para o cristão é estar cônscio de que, da mesma forma que herdou de Adão um corpo terreno e natural, na ressurreição ou, no arrebatamento da igreja, receberá um corpo celestial e espiritual. Para não deixar dúvidas, é destacado que do jeito que o homem é, segundo Adão, assim o são todos os seus descendentes: homens com corpo natural. Semelhantemente, do jeito que é o segundo Adão, Cristo ressurreto, assim, também, serão todos os da sua descendência: homens com corpos espirituais.

E o que é imprescindível destacar: terá a mesma imagem, o mesmo aspecto, a mesma natureza, a mesma capacidade do homem celestial.

Nesse sentido, disse o evangelista João:

“Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no dia do juízo, tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós, também, neste mundo.” (1 João 4.17).

Portanto, neste mundo, o crente em Cristo é tal qual Cristo é: filhos de Deus, inculpáveis, justos, retos, santos, pedras vivas, sacerdotes, geração eleita, etc.

“Mas, vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas, para a sua maravilhosa luz;” (1 Pedro 2.9);

“No corpo da sua carne, pela morte, para, perante ele, vos apresentar santos, irrepreensíveis e inculpáveis,” (Colossenses 1.22);

“Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus, inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;” (Filipenses 2.15);

“Para a apresentar, a si mesmo, igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.” (Efésios 5.27).

Porém, ainda não ocorreu a adoção, ou seja, a redenção do corpo, quando cada cristão será semelhante a Cristo. Neste mundo, ou seja, agora, o cristão é um dos filhos de Deus, porém, só não se sabe o que haverá de ser, a não ser que terá um corpo idêntico ao de Cristo.

“Amados, agora somos filhos de Deus e, ainda, não é manifestado o que haveremos de ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque assim como Ele é o veremos.” (1 João 3.2);

“Porque, se fomos plantados, juntamente, com ele na semelhança da sua morte, também, o seremos na da sua ressurreição;” (Romanos 6.5).

Analisando o Capítulo 8 de Romanos, o apóstolo Paulo inicia o Capítulo apontando a condição de quem está em Cristo: livre de qualquer condenação! Qualquer que deixou de andar, segundo os preceitos de homens (carne) e, agora, anda segundo o evangelho (espírito), livre está de condenação.

“PORTANTO, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Romanos 8.1).

Lembrando que o cristão é ministro do espírito, ou seja, de um Novo Testamento, diferente dos judaizantes, que eram ministros da letra ou, da carne.

“O qual nos fez, também, capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas, do espírito; porque a letra mata, mas, o espírito vivifica.” (2 Coríntios 3.6).

O cristão tem o espírito de Cristo, ou seja, a sua palavra (Romanos 8.9; João 6.36), pois, as palavras de Cristo são espírito e vida.

“O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.” (João 6.63).

Assim como em 1 Coríntios 15, após evidenciar alguns aspectos do evangelho, o apóstolo Paulo fala da ressurreição

“E, se o Espírito daquele que, dentre os mortos, ressuscitou a Jesus, habita em vós, aquele que, dentre os mortos, ressuscitou a Cristo, também, vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito, que em vós habita.” (Romanos 8.11).

Perceba que o tema que era de, como se dá a salvação, e a condição de quem está em Cristo, a partir do verso 11, muda para a redenção do corpo, tanto, que é destacada a nova condição, em Cristo Jesus: a de Filhos de Deus.

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas, recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica, com o nosso espírito, que somos filhos de Deus.” (Romanos 8.15-16).

O verso 17 passa às considerações pertinentes à redenção do corpo, como se vê:

“E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros, também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo: se é certo que, com ele padecemos, para que, também, com ele sejamos glorificados.” (Romanos 8.17).

Ao falar da redenção do corpo, o apóstolo Paulo destaca que não há comparação entre as tribulações do tempo presente e a glória que se revelará nos salvos, em Cristo.

“Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para se comparar com a glória que, em nós, há de ser revelada.” (Romanos 8.18).

O apóstolo Paulo destaca que toda criação é efêmera, porque Deus, assim, a fez (Romanos 8.20), mas, tudo o que há na criação[1] promove certa expectação, quanto à revelação da glória dos filhos de Deus.

“Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou,” (Romanos 8.19-20).

Como primeiro é o natural para, depois, vir o espiritual (1 Coríntios 15.46), toda criação está aguardando (como que, com dores de parto), a manifestação dos filhos de Deus, ou seja, a redenção do nosso corpo.

“Porque sabemos que toda a criação geme e está, juntamente, com dores de parto, até agora. E não só ela, mas, nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também, gememos, em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.” (Romanos 8.22-23).

E no que isso implica?

Que os cristãos, além de serem salvos, por meio do evangelho de Cristo, foram chamados, segundo o eterno propósito de Deus.

“Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus, nosso Senhor,” (Efésios 2.10-11).

Que propósito era esse? A preeminência de Cristo, em todas as coisas!

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que, em tudo, tenha a preeminência.” (Colossenses 1.18).

Para Jesus Cristo ter a preeminência, em tudo, segundo o propósito eterno que Deus estabeleceu, Jesus se tornou o primogênito dentre os mortos e os que ressurgem com Ele, são as primícias do espírito (Romanos 8.23).

Além de ser salvo por meio da fé (evangelho), o cristão é chamado para o propósito que Deus estabeleceu em Cristo, que é Cristo, entre muitos irmãos, na posição de primogênito, e para isso todos os cristãos serão, conforme a expressa imagem de Cristo.

“E sabemos que todas as coisas contribuem, juntamente, para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu, também, os predestinou, para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito, entre muitos irmãos.” (Romanos 8.28-29).

Perceba que a questão tratada no verso 29 de Romanos 8 é a redenção do corpo e de como será a gloria desse corpo. Assim, como cada homem traz a imagem do homem terreno, os que obedecem (amam) a Deus, crendo em Cristo, trarão a imagem do celestial.

Todos quantos se tornaram um com o Pai e o Filho, ou seja, que, através do evangelho, conheceram a Deus, estão predestinados a terem a mesma aparência do Filho de Deus, segundo o que Deus propôs a fazer: Cristo primogênito, entre muitos irmãos.

“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;” (Colossenses 1.15).

O termo ‘conhecer’ em Romanos 8, verso 29 tem o sentido de se fazer um com o Pai e o Filho.

“Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti; que, também, eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17.21);

“Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu, nem o conheceu.” (1 João 3.6).

Quem realmente viu a Cristo, também viu o Pai, de modo que se tornou um com ambos.

“E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou.” (João 12.45).

 

Conclusão

O maior equívoco do calvinismo e do arminianismo é considerarem textos bíblicos, que tratam da redenção do corpo e qual imagem terá, como se fossem temas que tratassem da salvação.

Não consideram que, assim, como todos os homens, que vem ao mundo, estão predestinados a terem a imagem de Adão, de igual modo, todos os que creem em Cristo, estão predestinados a serem conforme a imagem do Cristo ressurreto.

Se alguém não quer ter um corpo de glória semelhante ao de Cristo, não pode entrar por Cristo, pois, ao crer em Jesus, além de ser salvo, será contemplado com um corpo de glória, semelhante ao de Cristo.

Quando Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1.26), anunciou de antemão o seu eterno propósito, que se concretizou em Cristo, pois, Ele é a expressa imagem do Deus invisível:

“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;” (Colossenses 1.15);

“O qual, sendo o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas, pela palavra do seu poder, havendo feito, por si mesmo, a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade, nas alturas;” (Hebreus 1.3).

Quando Satanás intentou lançar mão da semelhança do Altíssimo, não tinha ideia de que a semelhança estava reservada para o Filho. Lembrando que Satanás não intentou ser igual a Deus, pois, jamais seria possível a criatura se igualar ao Criador.

“Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14.14).

Como primeiro é o natural, Adão teve domínio sobre os animais, mas, do homem espiritual é dito que Ele é o criador de todas as coisas, mas, foi introduzido no mundo em uma condição menor que a dos anjos, porém, coroado de glória e honra:

“Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois, pouco menor o fizeste do que os anjos e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim, como os animais do campo, as aves dos céus e os peixes do mar e tudo o que passa pelas veredas dos mares. Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome, sobre toda a terra!” (Salmo 8.3-9).

Todos os cristãos, embora não saibam, com precisão, como serão na redenção do corpo, de uma coisa tem que saber: estão predestinados a ser semelhante a Cristo, pois, assim, como Ele é, o verão.

“Amados, agora, somos filhos de Deus e, ainda, não é manifestado o que havemos de ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como Ele é, o veremos.” (1 João 3.2);

“Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar, também, a si todas as coisas.” (Filipenses 3.21);

“E vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;” (Colossenses 3.10).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

 

[1] “2937 κτι σις ktisis de 2936; TDNT – 3:1000,481; n f 1) ato de fundar, estabelecer, construir, etc 1a) ato de criar, criação 1b) criação, i.e., coisa criada 1b1) de coisas individuais, seres, uma criatura, uma criação 1b1a) algo criado 1b1b) de um uso rabínico (pela qual um homem convertido da idolatria para o judaísmo era chamado) 1b1c) soma ou totalidade das coisas criadas 1c) instituição, ordenança.” Dicionário Bíblico Strong.