A parábola dos gafanhotos do profeta Joel

O estrago descrito pela ação de gafanhotos, remete aos grandes males decorrentes da guerra com as nações estrangeiras e não a legiões de demônios. É uma mentira sem precedentes dizer que cada tipo de gafanhoto representa legiões de demônios, que agem sobre a vida dos homens.


A parábola dos gafanhotos do profeta Joel

Introdução

É absurdo o número de sermões, artigos, livros e exposições que descrevem a visão dos gafanhotos, anunciada pelo profeta Joel, como sendo legiões de demônios que se arremetem contra o patrimônio de crentes não dizimistas.

Uma pesquisa simples na internet retorna inúmeros artigos e livros[1] afirmando, categoricamente, que os gafanhotos são legiões de demônios que agem diretamente no patrimônio das pessoas, destruindo casas, carros, roupas, mantimentos, salários, etc. Que esses demônios provocam desastres de carros, aviões, afundam navios, derrubam prédios, matam pessoas, destroem nações, famílias, igrejas, casamentos e lares.

É isso mesmo, o que a parábola dos gafanhotos anunciada por Joel, representa? Os gafanhotos são demônios?

 

A parábola

“O que ficou da lagarta, o gafanhoto o comeu, o que ficou do gafanhoto, a locusta o comeu e o que ficou da locusta, o pulgão o comeu.” (Jl 1:4)

Antes de analisar o texto, quero tranquilizar o leitor de que as figuras da lagarta, do gafanhoto, da locusta e do pulgão, que compõem a parábola do profeta Joel não são demônios. Qualquer abordagem, nesse sentido, tem por objetivo enganar os incautos, tornando o leigo e neófito presa fácil de homens inescrupulosos ou, no mínimo, ignorantes da verdade bíblica.

A parábola que o profeta Joel anunciou tinha um público específico: os judeus, antes da dispersão. Quando Joel anuncia a mensagem de Deus aos anciões e moradores da terra, não tinha em vista a humanidade, como se estivesse falando do planeta terra, antes, a mensagem tinha por alvo os líderes judaicos e os moradores da terra de Canaã, ou seja, os judeus. (Jl 1:2)

Ampliar o alcance da profecia, para falar aos gentios ou, até mesmo, para falar aos membros da igreja de Cristo, é torcer a mensagem do profeta Joel, pois, o público alvo da mensagem, são os israelitas, conforme se depreende da última frase do verso: ‘… ou, nos dias de vossos pais’, um modo de fazer referência às gerações anteriores dos filhos de Israel.

“Ouvi isto, vós anciãos e escutai, todos os moradores da terra: Porventura, isto aconteceu em vossos dias ou, nos dias de vossos pais?” (Jl 1:2)

Os israelitas deveriam retransmitir a mensagem do profeta Joel, acerca dos gafanhotos, aos seus filhos e os filhos aos seus filhos, para que a mensagem alcançasse as gerações futuras. (Jl 1:3)

E o que seriam os gafanhotos da parábola? A resposta encontra-se no verso 6: uma nação estrangeira poderosa e numerosíssima!

“Porque subiu contra a minha terra uma nação poderosa e sem número; os seus dentes são dentes de leão e têm queixadas de um leão velho.” (Jl 1:6)

O profeta Jeremias, também, fez alusão à invasão estrangeira, utilizando-se de outras figuras:

“Porque visitá-los-ei com quatro gêneros de males, diz o SENHOR: com espada para matar e com cães, para os arrastarem,  com aves dos céus e com animais da terra, para os devorarem e os destruírem.” (Jr 15:3)

A invasão de nações estrangeiras já estava prevista pelo profeta Moisés:

“O SENHOR levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás; Nação feroz de rosto, que não respeitará o rosto do velho, nem se apiedará do moço; E comerá o fruto dos teus animais e o fruto da tua terra, até que sejas destruído; e não te deixará grão, mosto, nem azeite, nem crias das tuas vacas, nem das tuas ovelhas, até que te haja consumido.” (Dt 28:49-51)

O profeta Joel faz a mesma previsão, porém, compõe uma parábola para facilitar o anúncio dos eventos futuros, dos pais aos filhos. Como alguém se esqueceria de uma parábola que apresenta gafanhotos, que devoram tudo à sua frente?

A invasão dos caldeus é comparada à destruição causada por gafanhotos, pois invadiriam as cidades de Israel, que se assemelhavam ao Éden, das quais, após a invasão babilônica, restaria somente desolação.

“Dia de trevas e de escuridão; dia de nuvens e densas trevas, como a alva espalhada sobre os montes; povo grande e poderoso, qual nunca houve, desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração. Diante dele um fogo consome e atrás dele uma chama abrasa; a terra diante dele é como o jardim do Éden, mas, atrás dele, um desolado deserto; sim, nada lhe escapará.” (Jl 2:2-3)

A parábola dos gafanhotos serviu ao propósito de ilustrar o predito por Moisés, pois a nação que invadiria Israel devoraria tudo o que os animais e o campo produziam. Não ficaria grão, mosto, azeite e nem crias dos animais, em razão da invasão estrangeira.

A vide e a figueira são figuras que remetem às duas casas dos filhos de Jacó: Judá e Israel, de modo que a profecia e a parábola representam, única e exclusivamente, os filhos de Israel. Colocar os homens ou, os gentios ou, a igreja, como objetos da ação dos gafanhotos, é fantasia da cabeça de alguém mal informado.

Os profetas Isaías e Jeremias comparam as nações estrangeras a bestas feras do campo, em lugar de utilizar-se da figura dos gafanhotos:

“Vós, todos os animais do campo, todos os animais dos bosques, vinde comer” (Is 56:9);

“Por isso, um leão do bosque os feriu, um lobo dos desertos os assolará; um leopardo vigia contra as suas cidades; qualquer que sair delas será despedaçado; porque as suas transgressões se avolumam, multiplicaram-se as suas apostasias.” (Jr 5:6)

O estrago descrito pela ação de gafanhotos, remete aos grandes males decorrentes da guerra com as nações estrangeiras e não a legiões de demônios. É uma mentira sem precedentes dizer que cada tipo de gafanhoto representa legiões de demônios, que agem sobre a vida dos homens.

Qualquer que diga que o gafanhoto cortador é um tipo de legião de demônios, que age na vida de quem não obedece a Deus, é mentiroso.

Deus amaldiçoou a terra, em função da desobediência de Adão e, por fim, determinou que o homem comeria do suor do seu rosto (Gn 3:17-19). Essa determinação divina recai sobre justos e injustos! Outra maldição que se abateu sobre a humanidade, judeus e gentios, foi a morte, pela qual todos os homens estão alienados da glória de Deus.

Mas, apesar da maldição decorrente da ofensa de Adão, a sorte está lançada sobre o regaço de todos os seus descendentes, sem distinção de justos e injustos “pois o tempo e o acaso afetam a todos, indistintamente” (Pv 9:11). Todos quantos nesta vida trabalharem, tem direito a comer, pois a lei da semeadura é igual para todos: justos e injustos.

Dizer que o gafanhoto cortador atua sobre a vida dos infiéis é falácia. Dizer que parte do que um infiel ganha com o seu trabalho, pertence aos demônios é escabroso, pois do Senhor é a terra e a sua plenitude.

Utilizar Isaías 55, verso 2, para falar de finanças, depõe contra a verdade das Escrituras. Quando Isaías interpela o povo, acerca de gastarem o que ganharam com trabalho naquilo que não é pão, não estava falando de cigarro, bebida, diversão, remédio, etc. Deus estava repreendendo o povo por gastar o que adquiria com sacrifícios, ofertas que não agradavam a Deus (Is 1:11-12; Is 66:3).

O que Deus se agrada e, que verdadeiramente satisfaz o homem, é que se dê ouvidos à palavra de Deus, isso, porque, ‘atender é melhor do que sacrificar’. (1 Sm 15:22) Mas, os filhos de Israel, eram dados aos sacrifícios ou, seja, gastavam o fruto do trabalho com o que não podia satisfazer!

“Porém, Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.” (1 Sm 15:22)

Já é desatino dizer que o gafanhoto destruidor refere-se às calamidades naturais, desastres, intempéries, etc., mas, aplicar João 10, verso 10, em que o ladrão veio, senão a matar, roubar  e destruir, como sendo ação do diabo, é má leitura eivada de segundas intenções. Dizer que a legião de demônios, que o gafanhoto destruidor representa, é assassinos que cumprem o que diz João 10, verso 10; é nefasto.

O ladrão que Jesus disse que veio matar, roubar e destruir não se refere ao diabo, mas,sim aos líderes de Israel, que vieram antes d’Ele. Os líderes de Israel eram ladrões e salteadores, pois eles agiam antes de Jesus vir, por causa do predito pelos profetas:

“É pois esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o SENHOR.” (Jr 7:11);

 “Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.” (Jo 10:8);

O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” (Jo 10:10);

“E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. (Mt 21:13)

A conclusão dos preletores que utilizam a parábola dos gafanhotos é mais esdrúxula, ainda, quando propõe uma maneira de vencer os gafanhotos: ser dizimista!

Considerando que os gafanhotos representaram a nação dos caldeus, que invadiu Jerusalém no ano de 586 a.C., quando Nabucodonosor II — imperador babilônico — invadiu o Reino de Judá, destruindo tanto a cidade de Jerusalém, como o Templo, e deportando os judeus para a Mesopotâmia, como fazer para vencer os tais ‘gafanhotos’, se os caldeus estão extintos?

Além de dizerem que os gafanhotos da parábola de Joel são várias espécies de demônios, muitos preletores dizem que a única forma de vencê-los é através da fidelidade nos dízimos e ofertas! Inverdade!

Os filhos de Israel sofreram a invasão das nações estrangeiras, em razão de não terem descansado a terra, segundo a palavra do Senhor, e não em razão de não serem dizimistas, como se lê:

“E espalhar-vos-ei entre as nações, e desembainharei a espada atrás de vós;  a vossa terra será assolada e as vossas cidades serão desertas. Então a terra folgará nos seus sábados, todos os dias da sua assolação e vós estareis na terra dos vossos inimigos; então, a terra descansará e folgará nos seus sábados. Todos os dias da assolação descansará, porque não descansou nos vossos sábados, quando habitáveis nela” (Lv 26:33 -35).

É em função de não terem descansado a terra, que Deus estabeleceu as 70 semanas de Daniel, como registrado no Livro das Crônicas:

“Para que se cumprisse a palavra do SENHOR, pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados; todos os dias da assolação repousou, até que os setenta anos se cumpriram.” (2 Cr 36:21).

O reclame de Malaquias, quanto a trazer todos os dízimos à casa do tesouro, se dá muito tempo após a deportação babilônica (Ml 3:10). O profeta Malaquias foi contemporâneo de Esdras e Neemias, no período após o exílio, quando os muros de Jerusalém já estavam reconstruídos, por volta de 445 a.C.

A Bíblia é clara:

“Como ao pássaro o vaguear, como à andorinha o voar, assim a maldição sem causa não virá”. (Pv 26:2)

A maldição que se abateu sobre os filhos de Israel se deu pela ação de demônios? Não! Demônios são malditos por natureza, mas não são a causa de maldições sobre a humanidade. A causa da maldição que se abateu sobre os filhos de Israel foi a desobediência aos preceitos de Deus, entregues por Moisés. A invasão babilônica só ocorreu em função da desobediência de Israel e não pela ação de demônios!

Aos filhos de Israel, Deus propôs bênçãos e maldições e o mote para recebê-las era, respectivamente, obediência e desobediência. A causa da maldição foi a desobediência, pois sem causa não virá maldição.

E quem instituiu a maldição? O próprio Deus!

“Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do SENHOR teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições e te alcançarão: Maldito serás tu na cidade e maldito serás no campo. Maldito o teu cesto e a tua amassadeira. Maldito o fruto do teu ventre e o fruto da tua terra e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas. Maldito serás ao entrares e maldito serás ao saíres. O SENHOR mandará sobre ti a maldição; a confusão e a derrota em tudo em que puseres a mão para fazer; até que sejas destruído e até que, repentinamente, pereças, por causa da maldade das tuas obras, pelas quais me deixaste.” (Dt 28:15-20)

Certo é que, sem causa, não há maldição!

Contribuição pecuniária para uma determinada instituição não livra ninguém de demônios, maldições, mal olhado, etc. Tais mensagens são engodo para enlaçar os simples. Não é porque não se tem conhecimento, que se não será penalizado:

“O avisado vê o mal e esconde-se; mas os simples passam e sofrem a pena.” (Pv 27:12)

Alegar desconhecimento, diante de Deus, não livra ninguém das consequências. Daí a necessidade de o homem estar atento à voz de Deus.

Mas, há quem ouve a palavra de Deus, porém, delibera andar segundo o que propõe o seu coração enganoso, achando que terá paz. Grande engano, pois a benção do Senhor é para aqueles que atendem à Sua palavra.

“E aconteça que, alguém ouvindo as palavras desta maldição, se abençoe no seu coração, dizendo: Terei paz, ainda que ande conforme o parecer do meu coração; para acrescentar à sede, a bebedeira.” (Dt 29:19)

A lição que o crente em Cristo Jesus tira do anunciado na parábola dos gafanhotos é a expressa pelo apóstolo Paulo aos Coríntios:

“E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.” (1 Co 10:6).

Para quem crê que Jesus é o Cristo, já não há condenação, e o que lemos dos filhos de Israel é para que não incorramos nos mesmos erros. Se não há condenação para quem é nova criatura, certo é que está escondido com Cristo em Deus, portanto, não tem que ter medo de demônios, maldições, etc.

Quem está em Cristo o maligno não toca, pois está escondido com Cristo, em Deus:

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado, conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca.” (I Jo 5:18);

“Porque já estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus.” (Cl 3:3)

Todos os crentes em Cristo foram abençoados com todas as bênçãos espirituais em Cristo Jesus (Ef 1:3), portanto, não há que temer a ação de demônios.

A única maldição que pode atingir um crente é se deixar enganar por homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente, afastando-se da verdade do evangelho (Ef 4:14; 2 Pe 2:20-21), pois, com relação a todas as coisas, é mais que vencedor, e nenhuma criatura pode separá-lo do amor de Deus, que está em Cristo.

“Mas, em todas estas coisas, somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura, nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:37-39)

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto


[1] Welfany Nolasco Rodrigues, Os Gafanhotos: Cortador, Migrador, Devorador e Destruidor, Varginha/MG, 2014.




Tomar café e chá é pecado?

Café e chá são para o estomago, e o estomago para o café e o chá, e não o pode contaminar, porque não entra no coração, mas no ventre e é lançado fora.


Tomar café e chá é pecado?

“MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” (1Tm 4:13)

 

Introdução

À época dos apóstolos, algumas pessoas saíram da Judéia e ensinavam os cristãos que, se não se circuncidassem, conforme o uso de Moisés, que não seriam salvos. Em função dessa questão levantada pelos judaizantes, o apóstolo Paulo e Barnabé contenderam contra eles e, por fim, subiu a Jerusalém para consultar os apóstolos (At 15:1-2).

Em Jerusalém, o apóstolo Paulo foi recebido pelos apóstolos e anciãos, porém, deparou-se com alguns fariseus que diziam ter se convertido ao evangelho, mas que anunciavam que era indispensável os gentios se circuncidarem e guardarem a lei de Moisés (At 15:5).

A questão da circuncisão e imposição dos ritos da lei aos gentios, pelos judaizantes, fez com que fosse realizado um concílio em Jerusalém, onde ficou estabelecido que não impusessem encargos da lei aos gentios que se convertessem ao evangelho de Cristo (At 15:10).

Do concilio foi enviada a seguinte carta às igrejas:

“E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, os anciãos e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, Síria e Cilícia, saúde. Porquanto, ouvimos que alguns que saíram dentre nós, vos perturbaram com palavras e transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento, pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que já expuseram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais por palavra vos anunciarão também as mesmas coisas. Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá” (At 15:23-29).

Através desse evento, constata-se que, à época dos apóstolos, os cristãos já eram constantemente importunados por pseudocrístãos, que queriam introduzir outro evangelho, segundo suas próprias conjecturas (Gl 1:7) e uma das tendências deles era proibir alguns alimentos, como entrave para se obter a salvação em Cristo.

 

Alerta de Cristo

Certa feita os fariseus, seita mais severa do judaísmo (At 26:5), juntamente com alguns escribas, observaram que os discípulos comiam pão sem lavar as mãos e foram questionar Jesus sobre o motivo pelo qual os discípulos não guardavam a tradição dos anciãos.

“Depois, perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos por lavar?” (Mc 7:5)

Diante do questionamento dos religiosos, Jesus lembrou o que foi dito pelo profeta Isaías, que profetizou: “Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens” (Mc 7:6 -7).

Jesus enfatiza que eles deixavam de cumprir o que Deus ordenou para dedicarem-se a cumprir ordenanças de homens, como lavar jarros e copos (Mc 7:8). Invalidavam o mandamento de Deus para seguirem as tradições (Mt 7:9).

Em seguida Jesus chamou a multidão e disse:

“Ouvi-me vós, todos e compreendei. Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem” (Mt 7:14-15).

Os discípulos, em particular, questionaram Jesus acerca da parábola que foi dita à multidão e Ele lhes esclareceu, dizendo:

“Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não entra no seu coração, mas no ventre e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?” (Mt 7:18-19).

Não há exceção: tudo o que de fora (alimentos lavados ou não) entra no homem não o pode contaminar, pois vai para o ventre e depois é excretado!

O que está no coração é o que contamina o homem, de modo que é preciso ter cuidado com o que sai do homem (mandamentos de homens), pois isso é o que contamina, pois do interior do coração dos homens procede maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura, uma gama de males que procedem de dentro e que contaminam o homem.

Se tudo o que está fora e entra no homem não o pode contaminar, mesmo com a mão por lavar, o café, ou o chá preto, ou a Coca-Cola, etc., teriam propriedades que contaminam o homem? Ao dizer que tudo o que está fora do homem não pode contaminá-lo, Jesus se esqueceu da cafeína?

 

As considerações paulinas

Ao escrever aos cristãos em Corintos, o apóstolo Paulo fez as seguintes observações:

“Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, senão para o SENHOR e o SENHOR para o corpo” (1 Co 6:13);

“Ora, a comida não nos faz agradáveis a Deus, porque, se comemos, nada temos de mais e, se não comemos, nada nos falta” (1 Co 8:8).

Antes de orientar os cristãos a não se deixarem levar pela prostituição, o apóstolo Paulo faz uma observação: todas as coisas são licitas, mas nem todas são convenientes aos cristãos e dentre todas as coisas licitas, o cristão não deve se deixar dominar por nenhuma delas (1 Co 6:12).

O cristão deve ser cônscio de que os alimentos são para o estômago e vice versa, porém, o corpo não é para a prostituição mas, para o Senhor.  Como os alimentos foram criados para o estômago e o estômago para os alimentos, uma coisa é certa: a comida não faz o homem aceitável diante de Deus, de modo que, se alguém comer determinado tipo ou grupo de alimento, nada tem de mais, ou se se abstém de comer certos tipos de alimentos, de nada tem falta (1 Co 8:8).

A única coisa que faz o homem aceitável diante de Deus, é estar edificado sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas: Jesus Cristo, a pedra angular, a santíssima fé (Ef 2:20; Jd 1:20). Ora, Cristo é a fé que faz o homem agradável a Deus, o firme fundamento (Hb 11:1 e 6).

Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2:20);

“Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo” (Jd 1:20).

De modo que o reino de Deus não tem por base comida ou bebida, ou seja, ninguém vai a Deus ou está alienado de Deus por questões gastronômicas, sejam elas quais quer que sejam: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17).

Dai a advertência:

“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer ou, pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados” (Cl 2:16).

O crente em Cristo não deve se deixar julgar pelo que come ou pelo que bebe, pois João Batista não comia e nem bebia e diziam que ele tinha demônio e Jesus veio comendo e bebendo e disseram que ele era comilão e beberão: “Porquanto veio João, não comendo nem bebendo e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos” (Mt 11:18-19).

O apóstolo Paulo deixa claro que o crente pode comer de tudo o que se vende no açougue e deve adquirir os produtos que são vendidos sem perguntar nada: “Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência” (1 Co 10:25).

Há duas ressalvas para tudo o que o crente fizer, até mesmo para uma compra no mercado ou no açougue: o cristão nada deve fazer por contenda ou por vanglória. A tônica do crente é a humildade, ou seja, a obediência a Deus: considere os outros superiores a si mesmo. O crente pode comprar de tudo que vende no açougue, mas nada deve comprar se for para contender ou, para se vangloriar: “Nada façais por contenda ou, por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Fl 2:3).

O crente pode comer carne de porco, mas se o seu convidado for um cristão judeu, que não coma carne de porco, para não fazê-lo escandalizar. Tal decisão não é porque a carne de porco contenha substâncias que fazem o homem desagradável a Deus, mas por causa da consciência, do que irá participar com o cristão à mesa: “Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça” (Rm 14:21).

De igual modo, se quiser atender a um convite de um não crente, o crente em Cristo deve comer de tudo que alguém lhe oferecer, sem perguntar nada acerca do alimento: “E, se algum dos infiéis vos convidar e quiserdes ir, comei de tudo o que se puser diante de vós, sem nada perguntar, por causa da consciência” (1 Co 10:27), pois mesmo que o alimento tenha sido oferecido aos ídolos, certo é que nada são os ídolos (1 Co 8:4).

 

Beber ou não beber alimentos que contenham cafeína?

“MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” (1 Tm 4:13)

 

O apóstolo e evangelista João alertou os cristãos que já era a última hora, pois muitos anticristos haviam surgido no mundo (1 Jo 2:18). Ele se referiu a algumas pessoas que estiveram em meio ao ajuntamento solene dos cristãos e foram embora, pois negavam que Jesus é o Cristo (1 Jo 2:22).

Há várias formas de negar que Jesus é o Cristo e uma delas é dizer que Ele não veio em carne (1 Jo 4:3). Outra forma é negar que Jesus é o Filho de Deus, portanto, Filho de Davi (1 Jo 5:1 e 5; Mt 22:41-45). Outra forma de negar Jesus, é afirmar que Ele era um dos profetas ou um anjo (Mt 16:14; Hb 2:16).

Mas, há outra forma mais sutil de negar a Cristo: negando a eficácia da sua obra! Essa forma de negar a Cristo é a mais perniciosa, pois os enganadores se apresentam com aparência de seguidores do evangelho (piedade), mas negam a eficácia do evangelho, quando proíbem o casamento ou a abstinência de alimentos, como condição para ser salvo.

“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes, afasta-te” (2 Tm 3:5).

Cristo salva perfeitamente, ou seja, sem obstes algum a qualquer que, por Ele, se achega a Deus: “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7:25); “De outra maneira, necessário lhe fora padecer, muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado, pelo sacrifício de si mesmo” (Hb 9:26); “Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou, para sempre, os que são santificados” (Hb 10:14).

A observação do apóstolo Paulo é para os últimos dias, pois muitos cristãos se apostatariam do evangelho (fé) por dar ouvidos a mensagens de engano (espíritos enganadores) e doutrinas de demônios. E como se dariam essas mensagens e doutrinas? Através de homens hipócritas, que falam mentiras em nome de Deus e utilizam questões como casamento e alimentação para usarem como ação de graças.

O apóstolo Paulo esclarece que toda criatura, sem exceção, é boa, portanto não há nada que rejeitar. Tal criatura, não é recebida por Deus, porque casou ou deixou de casar, ou porque come determinados alimentos ou, deixa de comer. Toda criatura é recebida com ações de graças, pois todos são santificados pela palavra de Deus, por estarem unidos a Ele.

“Porque toda a criatura de Deus é boa e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças. Porque, pela palavra de Deus e pela oração[1] é santificada” (1 Tm 4:4-5).

Doutrinas que tem por base questões como casamento, comida, bebida, etc., são tidas por estranhas à verdade do evangelho, pois o coração se fortifica com a graça manifesta em Cristo e não com alimentos, ou abstenção de alimentos “Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça e não com alimentos, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram” (Hb 13:9).

O crente deve ter cuidado para não ser feito prisioneiro de pessoas que se utilizam de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens ou, segundo princípios do mundo. O julgamento acerca do que comer ou do que beber, à época da Antiga Aliança, eram sombras dos bens futuros, ou seja, da Nova Aliança: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2:8).

Ninguém deve se sujeitar ao bel-prazer, de qualquer que queira exercer domínio, a pretexto de humildade e de reverência aos profetas da Antiga Aliança (anjos), pois, geralmente, essas pessoas são soberbas e seguem uma compreensão carnal (Cl 2:18).

Considerando que, ao unir-se a Cristo pela ressurreição dentre os mortos (Cl 3:1), o cristão está morto para os princípios do mundo; jamais o crente deve sujeitar-se a sobrecarregar-se de ordenanças, como se ainda vivesse no mundo. Ordenanças como ‘não toques, não proves ou, não manuseies’, decorre de preceitos e doutrinas dos homens e tudo o que propõe perece pelo uso (Cl 2:20-22).

Nada que o homem apresente com aparência de sabedoria, devoção, humildade ou disciplina do corpo, possui valor diante de Deus, antes, satisfaz somente à carne. Lembrando que o Espírito e a carne referem-se a senhores antagônicos, que buscam exercer senhorio sobre os homens, de modo que, ambos se opõem um ao outro, para que o homem não faça o que deseja (Gl 5:17).

Ora, aqueles que são de Cristo já crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências, de modo que não deve se sujeitar mais a ordenanças decorrentes dos rudimentos deste mundo, tal como não toques, não manuseies, não proves[2], pois, ordenanças como estas tem por alvo a satisfação da carne e não do Espírito (Rm 8:7).

O crente serve a Deus em novidade de espírito e não segundo a velhice da letra (Rm 7:6). A justiça da lei já se cumpriu em quem serve a Deus em espírito, ou seja, segundo o evangelho (Rm 8:4), de modo que o crente não é devedor da carne para andar segundo a carne, ou seja, através de mandamentos e ordenanças segundo a Antiga Aliança, ou segundo os mandamentos de homens que são segundo os rudimentos do mundo (Rm 8:12).

Isso significa que o crente pode tomar café, ou qualquer produto, que se vende no mercado que, na sua composição, contenha cafeína. A cafeína não contamina o homem, pois está fora do corpo e, quando é ingerida, vai para o estômago e é lançada fora (Mt 7:18-19). A composição da cafeína não contamina o coração, pois a cafeína é alimento feito para o estômago e o estômago para a cafeína (1 Co 6:13).

Beber café não faz o homem aceitável diante de Deus e abster-se do café, também, não (1 Co 8:8). As questões que envolvem o reino de Deus não têm por base comida e nem bebida (Rm 14:17).

O enfermo na fé possui muitas dúvidas e geralmente são acerca de questões de vestimentas, alimentos, hábitos, comportamentos, costumes, etc., mas é dever dos firmes em Cristo recebê-los. Alguns creem que podem comer de tudo, mas quem ainda é fraco, come legumes, porém, como membros do corpo de Cristo, quem come de tudo não deve desprezar quem come só legumes, e quem come só legumes não deve desprezar quem come de tudo (Rm 14:1-3).

Quem come, para o Senhor come, e quem não come, para o Senhor não come, pois ambos dão graças a Deus (Rm 14:6), certos de que quem vive não vive para si e  quem morre não morre para si (Rm 14:7), pois se somos conservados em vida, para o Senhor vivemos e, se morremos, para o Senhor morremos (Rm 14:6-8).

O apóstolo Paulo é bem claro quanto ao posicionamento do crente, frente às questões alimentares:

“Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Eu sei e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida, aquele por quem Cristo morreu. Não seja, pois, blasfemado o vosso bem; Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Porque quem nisto serve a Cristo, agradável é a Deus e aceito aos homens. Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. Não destruas, por causa da comida, a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça. Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova” (Rm 14:13-22).

O apóstolo Paulo tinha plena convicção, em Cristo Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda, a não ser para quem considera que tal coisa é imunda (Rm 14:14). Na verdade, tudo é limpo, ou seja, não contamina o homem se ingerir, tocar, provar ou manusear (Rm 14:20).

Ora, o crente em Cristo deve acolher o fraco na fé, ou seja, quem está com dúvidas acerca de algumas questões, mas quando se trata de um enganador, um dos muitos que entraram no mundo, que dizem que Jesus não veio em carne (2 Jo 1:7), ou, que negam a eficácia de sua obra, dizendo que é necessário circuncidar, ou que ordenem a guardar a lei de Moisés (At 15:1 e 5), ou que proíbam o casamento ou, alimentos como condição para ser salvo, o apóstolo João ordenou que os que creem em Cristo não tenham comunhão com eles.

“Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (2 Jo 1:10 -11).

Qualquer que está em Cristo é puro tal qual Ele é (1 Jo 4:17), de modo que nada há que seja impuro para os que estão em Cristo. Mas, para os ímpios e infiéis, nada é puro, pois o entendimento e a consciência deles estão contaminados. O problema não está no alimento, mas, sim, na consciência, no entendimento corrompido, que não é segundo o evangelho. Beber café, chá, Coca-Cola, ou qualquer outro gênero alimentício que tenha cafeína, não é pecado!

“Não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade. Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados” (Tt 1:14-15).

Para os puros, o café é puro, pois sabe que o que purifica o coração do homem é a palavra que Cristo falou (Jo 15:3) mas, não o abster-se de café. Segundo as Escrituras, um só homem pecou, por isso todos pecaram (Rm 5:12 e 19) e precisam de Cristo, pois só através de um ato de justiça: a obediência de Cristo, vem a graça de Deus sobre todos os homens (Rm 5:18).

Deus prometeu água pura que purifica o homem de toda a imundície e de todos os ídolos, pois Ele dá um coração novo e põe um espírito novo. A água pura é o evangelho anunciado, que faz com que Deus crie um novo coração e dê um espírito reto (Sl 51:10).

“Então aspergirei água pura sobre vós e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei. E dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos e guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez 36:25-27).

Enquanto a Bíblia diz que os homens perdidos estão entenebrecidos no entendimento, separados da vida que há em Deus pela ignorância e dureza do coração (Ef 4:18), há alguns que se intitulam profetas de Deus e anunciam que Satanás está conduzindo o mundo em cativeiro por causa de bebidas alcoólicas, fumo, café e chá preto[3].

Uma mulher que se diz profetiza, Ellen G. White, disse que: ‘tomar chá e café é pecado, condescendência prejudicial, que, como outros males, causam dano à alma’[4]. Ora, todos os nascidos segundo a carne e o sangue de Adão, estão mortos em delitos e pecado, independentemente de tomarem café ou não (Ef 2:1; Jo 1:13) e, se não crer em Cristo, permanecerão no pecado, mesmo se abstendo de beber café ou chá: “Por isso, vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados” (Jo 8:24).

Ellen G. White, através das suas profecias, contraria o próprio Cristo:

“Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não entra no seu coração, mas no ventre e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?” (Mt 7:18-19).

Um dos argumentos dos seguidores de Ellen White para a filosofia alimentar que propagam, busca amparo no seguinte verso:

“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1 Co 3:16 -17).

O contexto na qual o apóstolo Paulo faz tal abordagem não tem relação com alimentos, antes alerta os cristãos de Corinto quanto às invejas e contendas, vez que alguns se ensoberbeciam contra os outros cristãos (1 Co 3:30).

O apóstolo Paulo se apresenta como cooperador de Deus e os cristãos são tidos por lavoura e edifício de Deus (1 Co 3:9). Mas, alguns dos cristãos não permaneciam no fundamento posto pelo apóstolo Paulo: Cristo, antes queriam seguir a sabedoria que era decorrente do mundo (1Co 3:11 e 18-19).

Todos os cristãos devem ter cuidado ao edificar sobre Cristo, pois o que edificar sobre Cristo e, depois de o ter provado, se permanecer nele, receberá galardão (2 Co 5:10). Mas, se a obra que alguém edificou se deteriorar quando provada, sofrerá perda, todavia, o tal será salvo (1 Co 3:14 -15).

O apóstolo Paulo questiona os que sabiam acerca da posição deles em Cristo: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Co 3:16). Em seguida, a líder espiritual dos adventistas afirma que, ‘se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá’, e a questão abordada não tem nada a ver com comida ou bebida, mas, com o fundamento que o apóstolo Paulo, como sábio construtor, colocou (1 Co 3:10-11).

Qualquer que busca colocar outro fundamento além do que está estabelecido por Deus, Jesus Cristo, busca destruir o santuário de Deus, portanto, será destruído por Deus: “Porque, ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Co 3:11).

O crente é santuário porque está edificado sobre a pedra angular, que é Cristo. Cristo é pedra viva e os crentes são pedras vivas, edificados casa espiritual (1 Pd 2:4-5). Individualmente, um crente não é santuário, mas, membro uns dos outros. Mas, apesar de existirem muitos cristãos, em Cristo são um só corpo: casa espiritual, templo de Deus (Ef 2:20-22).

Só é templo aquele que está edificado sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas (Ef 2:20) e mantém comunhão uns com os outros: “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas, individualmente, somos membros uns dos outros” (Rm 12:5; 1 Jo 1:3).

O crente em Cristo não precisa ter medo de cafeína, pois nada pode separá-lo do amor de Cristo Jesus. Se nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma criatura pode separar o cristão do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, a cafeína seria capaz? (Rm 8:38-39)

Qualquer alimento em excesso pode ser prejudicial à saúde, mas os alimentos não alienam o homem de Deus, antes, os homens estão alienados de Deus pela ignorância que os deixa entenebrecidos no entendimento, pois pensam que guardar dias ou abster-se de alimentos, é o que pode aproximá-los de Deus.

“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados” (Cl 2:16).

 


[1] “1783 εντευξις (enteuxis), de 1793; TDNT – 8:244,1191; n f 1) encontro 1a) entrevista 1a1) ato de reunir-se 1a2) visitar 1a3) conversar 1b) razão pela qual uma entrevista é realizada 1b1) conferência ou conversação 1b2) petição, súplica Sinônimos ver verbete 5828 e 5883”, e; “1793 εντυγχανω (entugchano) de 1722 e 5177; TDNT – 8:242,1191; v 1) iluminar uma pessoa ou algo, encontrar, afetar uma pessoa ou algo 2) ir ao ou encontrar uma pessoa, esp. com o propósito de conversar, consultar, ou suplicar 3) orar, pedir 4) fazer intercessões por alguém” Dicionário Bíblico Strong.

[2] “Quanto ao chá, ao café, fumo e bebidas alcoólicas, a única atitude segura é não tocar, não provar, não manusear” White, Ellen G., A Ciência do Bom Viver, Pág. 335. <http://text.egwwritings.org/publication.php?pubtype=Book&bookCode=CBV&lang=pt&pagenumber=335> Consulta realizada em 01/07/16.

[3] “Satanás está levando o mundo em cativeiro, mediante o uso das bebidas alcoólicas e do fumo, café e chá preto” White, Ellen G., Evangelismo, 2007, Copyright©2013 EllenG.WhiteEstate, Inc. Pág. 417 < http://centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Evangelismo.pdf> Livro digital em PDF, consulta realizada em 01/07/16 .

[4] “Tomar chá e café é pecado, condescendência prejudicial, que, como outros males, causa dano à alma. Esses diletos ídolos criam excitação, ação mórbida do sistema nervoso; e depois que a influência imediata do estimulante passa, deixa abaixo do normal, na mesma proporção em que suas propriedades estimulantes elevaram acima do normal” White, Ellen G., Conselhos Sobreo Regime Alimentar, Ellen G. White 2007 Copyright©2013 EllenG.WhiteEstate, Inc. Pág. 366.




Laço do passarinheiro

O cristão deve ter muito cuidado, pois, não é porque alguém diz: – ‘Senhor, Senhor!’, que estará apta para entrar no reino dos céus (Mt 7:21). Não é porque alguém profetiza em nome de Deus, que verdadeiramente é profeta de Deus (Mt 7:22). Não é porque alguém expulsa demônios, que o faz através do poder de Deus (Mt 7:22). Não é porque alguém realiza sinais, que tais sinais são de Deus.


Laço do passarinheiro

“Pois, ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa” (Sl 91:3).

Armadilhas dos Passarinheiros

Quem é o ‘passarinheiro’ que o Salmo 91 faz referência? Que tipo de ‘laço’ o passarinheiro utiliza?

Basta uma pesquisa na internet, que inúmeras respostas estarão disponíveis, mas recomenda-se cautela, pois a maioria não possui fundamento bíblico.

Há pregadores que, a pretexto de explicar o laço do passarinheiro, descrevem as mais variadas armadilhas utilizadas para capturar pássaros, como: gaiolas, alçapões, laços, visgos, etc. Muitos deles se detêm em descrever o funcionamento dessas armadilhas, como são construídas, como se dá a camuflagem, etc.Outros descrevem como o caçador de pássaros tem de ser ardiloso na sua empreitada.

Há aqueles que dizem que um empréstimo bancário com juros abusivos é laço. Outros dizem que uma apólice de seguro que não cobre totalmente o sinistro é uma armadinha do passarinheiro. Tem aqueles que alegam que um convite para um evento, onde você não será bem recebido, será maltratado e até mesmo humilhado, é um laço. Há até quem diga que certos casamentos são um laço!

Para esses pregadores, o laço pode advir da inveja dos vizinhos, das relações interpessoais no trabalho, das ideologias de governo, das escolas dos filhos, das religiões afro-brasileiras, das associações espíritas, etc.

Não! Mil vezes não!Nenhuma das questões levantadas acima,se referem ao laço do passarinheiro.Por desconhecerem a essência do Salmo 91,e que o laço do passarinheiro é uma figura, os pregadores, na sua grande maioria, desconhecem quem é o ‘passarinheiro’ e qual é o ‘laço’ que ele utiliza.

O Salmo 91 é messiânico, ou seja, é uma profecia que descreve o ministério de Cristo e a oposição dos pecadores, bem como o seu sofrimento, morte e ressurreição. Como o Salmo é uma profecia sobre alguém especifico, não cabe ao leitor estabelecer, segundo a sua própria concepção,quem é o ‘passarinheiro’e nem o que é ‘laço’.

‘Passarinheiro’ e ‘laço’ são figuras bíblicas para tratar de questões específicas e evidenciar verdades ao leitor, que estão além de qualquer questão financeira, trabalhista, familiar, politica, etc.

Essas figuras foram estabelecidas por Deus, ao comunicar uma mensagem aos seus santos profetas, e é na Bíblia que o significado de tais figurasse encontra.

O profeta Oseias,ao apresentar o juízo de Deus, pela apostasia de Israel e deixar expresso que a tribo de Efraim voltaria ao Egito e sucumbiria ali, deixou registrado que Deus sondou os profetas de Efraim e os achou em falta, comparando as suas palavras com o laço que compunha as armadilhas dos caçadores de pássaros:

“Efraim era o vigia[1] com o meu Deus, mas o profeta é como um laço de caçador de aves, em todos os seus caminhos, e ódio na casa do seu Deus” (Os 9:8)[2] ACF.

O profeta Jeremias,também, fez uso da figura do ‘laço’:

“Porque ímpios se acham entre o meu povo; andam espiando, como quem arma laços; põem armadilhas, com que prendem os homens.Como uma gaiola, está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano; por isso se engrandeceram e enriqueceram” (Jr 5:26-27).

Ao fazer uso da figura do laço, Jeremias descreveu a nação de Israel, como composta por homens injustos (Jr 5:1). Tanto os homens comuns (do povo), quanto os príncipes, estavam em igual condição: desconheciam a palavra de Deus (Jr 5:4-5). Os profetas, que tinham a incumbência de serem atalaias, avisando o povo, segundo o que Deus ordenava, eram prevaricadores, não desempenhavam o seu papel.

Os ímpios se instalaram em Israel e andavam à espreita, observando, como quem arma armadilhas, ou seja, laços.  As armadilhas dos ímpios não visam prender pássaros,mas,homens. Da mesma forma que uma gaiola fica repleta de pássaros, o ajuntamento dos ímpios fica cheia de ‘enganados’.O ajuntamento de ímpios não se dava entre os gentios, mas, sim,no meio ao povo de Israel.

É por isso que os profetas de Deus alertavam os filhos de Israel a não confiarem no amigo, nem nos lideres da nação, muito menos nos próprios irmãos: “Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca” (Mq 7:5: Jr 6:21; Jr 9:4-5).

O Salmo 49 faz referência aos ímpios que ‘armam laços’ e que se ‘enriquecem’:

“Por que temerei eu, nos dias maus, quando me cercar a iniquidade dos que me armam ciladas?Aqueles que confiam na sua fazenda e se gloriam na multidão das suas riquezas…” (Sl 49:5 -6).

Os que armam ciladas e se gloriam na multidão das suas riquezas, refere-se aos filhos de Israel, pois eles eram os ‘loucos’ que se gloriavam da carne, dizendo: ‘Temos por pai a Abraão’ (Mt 3:9), ou seja, eles faziam da carne o seu braço (força, salvação), conforme profetizou Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem e faz da carne o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jr 17:5), sendo eles comparados à perdiz: “Como a perdiz, que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as deixará, e no seu fim será um insensato” (Jr 17:11).

O apóstolo Paulo alerta que o que a lei diz, diz aos que estavam debaixo da lei e os Salmos não são exceção (Rm 3:19). Os néscios (loucos) que dizem que não há Deus e que não invocavam a Deus, eram os lideres de Israel, obreiros da iniquidade, homens que se alimentavam do povo, como se fosse pão (Sl 53:1-4).

Os homens descritos no Salmo 5, com garganta como sepulcro aberto, com línguas que tratavam enganosamente, com veneno de víboras debaixo da língua, etc. (Sl 5:9; Rm 3:13), eram os filhos de Israel, por isso que o apóstolo Paulo conclui que tudo o que a lei diz, diz aos judeus, pois eles estavam debaixo da lei (Rm 3:19).

Os Salmos 10 e 37 também fazem referência a tais armadilhas:

“Os ímpios, na sua arrogância, perseguem furiosamente o pobre; sejam apanhados nas ciladas que maquinaram” (Sl 10:2).

“O ímpio espreita ao justo e procura matá-lo” (Sl37:32).

O Pregador descreve aqueles que armam laços, como pessoas que colocam armadilhas contra os seus próprios irmãos, ou seja, enganando e sendo enganados: “No entanto, estes armam ciladas contra o seu próprio sangue; e espreitam suas próprias vidas” (Pv 1:18).

Mas, que tipo de armadilhas os ímpios arquitetam? Seriam armadilhas nos negócios desta vida? Armadilhas para quem deseja casar? Laço para quem quer comprar um carro? Cilada para quem quer contratar um serviço?

O Pregador nos dá o significado do laço, da armadilha, ou, da cilada, que os ímpios constroem:

“As palavras dos ímpios são ciladas para derramar sangue, mas a boca dos retos os livrará” (Pv 12:6).

Temos uma definição: as palavras dos ímpios são ciladas! O profeta Jeremias faz a mesma observação:

“Uma flecha mortífera é a língua deles; fala engano; com a sua boca fala cada um de paz com o seu próximo, mas no seu coração, arma-lhe ciladas” (Jr 9:8; Sl 5:9; Rm3:13-18).

‘Derramar sangue’ não diz dos crimes contra a existência humana, antes, é uma figura que remete à morte espiritual. A língua dos ímpios é comparada a uma flecha mortífera, pois fala engano. Embora os discursos dos ímpios sejam de paz, na verdade, armam ciladas contra o próximo.

Embora os irreligiosos, também, sejam ímpios, os ímpios da qual as escrituras fazem referência, são os religiosos que tem um discurso de servos de Deus, porém, são pessoas que seguem suas próprias concepções.

Por exemplo: um convite ao sacrifício parece uma palavra de paz de alguém que serve a Deus, mas, para aqueles que conhecem a palavra de Deus, tal convite não passa de laço.Deus deixa claro que obedecer é melhor que sacrificar e que atender,é superior à gordura de carneiros, e que Ele não requer sacrifícios:

“Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos” (Sl 51:16).

“Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios” (Jr 7:22).

“Porém, Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1Sm 15:22).

Quem se dá ao sacrifício e não obedece a Deus, não passa de um assassino, blasfemo e idólatra, como se lê:

“Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial, é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos e a sua alma se deleita nas suas abominações” (Is 66:3).

‘Passarinheiro’ é uma figura utilizada por Deus para fazer referência a qualquer descrente em Israel, que tinha a lei de Deus em seus lábios, mas longe do coração (Jr 12:2; Is 29:13). Diz de qualquer que afirmasse: – “O Senhor vive”!,mas não honravam a Deus, obedecendo a sua palavra: “E, ainda, que digam: Vive o SENHOR, de certo falsamente juram” (Jr 5:2).

O ‘passarinheiro’ poderia ser qualquer um do povo de Israel que não obedecesse a Deus. Podia ser sacerdote, escriba, profeta, rei, príncipe, pobre, rico, grande, pequeno, etc., que recitavam as Escrituras, mas não a punham por obra: “Mas, ao ímpio diz Deus: Que fazes tu, em recitar os meus estatutos e em tomar a minha aliança na tua boca?” (Sl50:16).

O profeta Isaías tem uma descrição precisa das ações de um ímpio:

“Como o prevaricar e mentir contra o SENHOR, e o desviarmo-nos do nosso Deus, o falar de opressão e rebelião, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade” (Is 59:13).

Conceber e proferir palavras de falsidade, acerca do que Deus exige do homem, é o mesmo que prevaricar, é mentir, é desviar-se, é propor opressão e rebelião. Deus exige do homem obediência ao Seu mandamento, mas o coração enganoso do homem faz com que conceba inúmeros mandamentos, que não agradam a Deus.

Muitos em Israel pensavam estar servindo a Deus, mas pela falta de conhecimento, eram levados a cumprir mandamentos de homens (Is 29:13), e quando ensinavam os seus semelhantes, a língua deles era como uma flecha mortífera.

O ‘laço’ é uma figura para fazer referência a tudo que o ímpio diz, com dolo ou não, que possa induzir o crente a desviar-se da obediência a Deus:

“Os ímpios me armaram laço; contudo não me desviei dos teus preceitos” (Sl 119:110).

O objetivo do laço, da armadilha do passarinheiro, é desviar o homem dos preceitos de Deus.

Os profetas de Israel eram comparados às raposas do deserto: “Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e que nada viram!Os teus profetas, ó Israel, são como raposas nos desertos” (Ez 13:3-4) e as filhas de Israel, na sua dedicação, em fazerem almofadas para apoiar axilas e véus para as cabeças de todas as estaturas, na verdade,buscavam capturar almas, simplesmente, por que queriam um punhado de cevada e um pedaço de pão (Ez 13:17-20).

 

O Cristo e o laço do passarinheiro

O verso: “Pois ele te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa” (v. 3), é uma promessa que Deus deixou registrada nas Escrituras para o Cristo, porque, quando na carne, Jesus enfrentaria a oposição de homens ímpios (passarinheiros) que tentariam desviá-Lo de cumprir a vontade de Deus (laços).

Quando os principais dos sacerdotes e os escribas enviaram algumas pessoas, se fingindo de justas, a perguntarem a Cristo se era lícito dar tributo a César (Lc 20:23), tal pergunta é um exemplo de ‘laço’ engendrado por homens ímpios (passarinheiros).

A questão que envolvia a lei do Levirato e a ressurreição dentre os mortos, era um cilada (Mt 22:28). A questão acerca da autoridade de Jesus, outro laço (Lc 20:2).

Vários Salmos alertam o Cristo, quanto à ação dos ímpios, que queriam enlaçá-Lo e prendê-Lo:

“Pois, eis que põem ciladas à minha alma; os fortes se ajuntam contra mim, não por transgressão minha ou por pecado meu, ó SENHOR” (Sl 59:3).

“Também, os que buscam a minha vida, me armam laços, e os que procuram o meu mal, falam coisas que danificam e imaginam astúcias, todo o dia” (Sl 38:12).

“Firmam-se em mau intento; falam de armar laços, secretamente, e dizem: Quem os verá?” (Sl 64:5).

“Os soberbos armaram-me laços e cordas; estenderam a rede ao lado do caminho; armaram-me laços corrediços. (Selá.)” (Sl 140:5).

“Quando o meu espírito estava angustiado em mim, então conheceste a minha vereda. No caminho em que eu andava, esconderam-me um laço” (Sl 142:3).

Na tentação, o diabo utilizou alguns laços (Mt 4:3-9). Quando os endemoninhados anunciavam que Jesus era o Santo de Deus, tais tentativas de revelá-Lo, eram laços (Lc 4:34; Mc 1:24). Quando Pedro rogou ao Mestre que tivesse dó de Si mesmo, era uma cilada (Mt 16:22). A oposição dos pecadores, para que Jesus descesse da cruz, era outra cilada.

 

Ciladas

O cristão deve ter muito cuidado, pois, não é porque alguém diz: – ‘Senhor, Senhor!’, que estará apta para entrar no reino dos céus (Mt 7:21). Não é porque alguém profetiza em nome de Deus, que verdadeiramente é profeta de Deus (Mt 7:22). Não é porque alguém expulsa demônios, que o faz através do poder de Deus (Mt 7:22). Não é porque alguém realiza sinais, que tais sinais são de Deus.

Não é pela aparência, ou, pelas realizações, que se identifica um falso profeta, antes pelas suas palavras (frutos). Quando Jesus disse que ‘pelos seus frutos os conhecereis’, Ele se referia ao fruto dos lábios: “Cada um se fartará do fruto da sua boca e, da obra das suas mãos, o homem receberá a recompensa” (Pv 12:14); “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios, ficará satisfeito” (Pv 18:20).

Convites às campanhas, jejuns, orações, contribuições, doações, votos, etc., são utilizados por muitos falsos apóstolos, como verdadeiras armadilhas, para enlaçar incautos. Reiteradas vezes, apontam os templos, edificados com cimento e areia, como local de adoração, como lugar da benção, da unção, das dádivas, etc.

Tal argumento já era utilizado pelos lideres judeus, quando enganavam os filhos de Israel, dizendo: templo do Senhor! Por causa dessas palavras falsas, o templo foi destruído, e o povo deportado para a Babilônia: “Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este” (Jr 7:4).

O apóstolo Paulo instrui os cristãos de Éfeso, em como se defender das ciladas do diabo: revestindo-se de toda a armadura de Deus, que é a palavra de Deus.

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo” (Ef 6:11).

A Bíblia deixa claro que a adoração não está vinculada a um lugar (quer seja casa, templo, monte, vale, etc.), pois a adoração se dá em espírito e em verdade, ou seja, basta crer em Cristo para ser um verdadeiro adorador (Jo 4:21-23). Os que creem,constituem templo, casa, habitação de Deus em espírito, portanto, podem adorar a Deus, plenamente, em qualquer lugar que estiverem (1Co 3:16-17).

Os ‘passarinheiros’ utilizam os seus templos como verdadeiras arapucas, quando anunciam: “Aqui é o lugar da benção”!; “Aqui é o lugar do milagre!”; “A mão de Deus está neste templo”!; Deus faz maravilhas neste monte!”; “É nessa vigila que você será abençoado!”, etc.

Além de omitirem o fato de que o cristão é casa espiritual construída sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (Ef 2:22), os ‘passarinheiros’ anunciam que o crente carece de bênção, contrariando as Escrituras, que afirmam, que  os que creem, já foram abençoados, com todas as bênçãos espirituais, em Cristo Jesus (Ef 1:3), portanto, nenhuma dádiva falta (1Co 1:7; 2Pe 1:3).

A ação dos falsos apóstolos é negar a eficácia do evangelho, envolto na aparência de piedosos: “Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes, afasta-te” (2Tm 3:5).

Através do evangelho, os que creem, são constituídos, efetivamente, filhos de Deus: santos, amados, irrepreensíveis, justificados, inculpáveis, novas criaturas, pedras vivas, abençoados, enriquecidos, coerdeiros de Cristo, tal qual Cristo é neste mundo, etc. (1Jo 4:17; 1Co 1:5; Rm 8:1; Rm 8:17, etc. ).

A tática dos ‘passarinheiros’ é apontar para as coisas terrenas (Fl 3:19), a mesma utilizada pelo diabo, ao tentar o Cristo. Cristo é o herdeiro de Deus, pois o Pai lhe prometeu todos os reinos da terra (Sl 2:8 -9), e o diabo apresentou uma facilidade para alcançar o que lhe era de direito: – “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares”.

Enquanto a Bíblia apresenta os que creem, como sacerdotes reais, com amplo acesso ao trono de Deus (1Pe 2:9; Hb 10:19), para apresentarem sacrifícios agradáveis (1Pe 2:5; Hb 3:15; Rm 12:1), os falsos apóstolos se interpõem como mediadores da bênção de Deus, exigindo sacrifícios e aguçando o desejo dos incautos, para não se contentarem com o que possuem:

“Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13:5).

Vemos hoje uma horda de cristãos necessitados de libertação, bênçãos, unção, poder, etc., enquanto as Escrituras garantem que, quem crê, é liberto do Senhor (Gl 5:1), está de posse de todas as bênçãos (Ef 1:3), tem a unção (1Jo 2:20 e 27) e tem poder (Ef 1:19; Lc 10:19).

A água que os passarinheiros dão a beber aos seus cativos é de uma cisterna rota, pois é diferente da água que Cristo dá, uma vez, que quem bebe de Cristo, nunca mais terá sede.

 


[1] Figurativamente, os profetas eram os ‘sentinelas’ de Israel, entretanto, aqueles que eram ‘sentinelas’ em Efraim, foram ‘vigiados’ e o veredito foi: ‘o profeta é um insensato, o homem de espírito é um louco’, pois armam laços em todos os caminhos do povo.

[2]Esse verso é mal traduzido e possui inúmeras vertentes. Ex: ‘O profeta é a sentinela de Efraim, o povo do meu Deus; contudo um laço de caçador de aves se acha em todos os seus caminhos e inimizade na casa do seu Deus’, cf. Oseias 9:8 (A. R.); ‘O profeta, junto ao meu Deus, é a sentinela que vigia Efraim, contudo, laços o aguardam em todas as suas veredas e a hostilidade no templo do seu Deus’, cf. Oseias 9:8 (NVI); ‘Efraim, o povo de meu Deus, espreita o profeta, arma-lhe ciladas em todos os caminhos e persegue-o até na casa de seu Deus’, cf. Oseias 9:8 (Versão Católica). A ideia que se depreende do contexto é que os profetas foram provados e achados em falta, pois armavam laços aos filhos de Israel.




Joel 1 – A parábola dos gafanhotos

A mensagem anunciada pelo profeta Joel destinava-se tanto aos lideres (anciões) quanto ao povo de Jerusalém (moradores da terra). Ambos necessitavam ouvir o prenúncio do Senhor (…) Muitos entendem que a locusta descrita no verso 4 é proveniente de uma ação demoníaca, porém, o dia previsto pelo oráculo demonstra que é Deus o agente que trará assolação sobre o povo de Israel e Judá ( Jl 2:25 ).


Joel 1 – A parábola dos gafanhotos

1 PALAVRA do SENHOR, que foi dirigida a Joel, filho de Petuel.

O nome Joel significa ‘Jeová é Deus’. A palavra de Deus foi dada a Joel para que ele anunciasse ao povo em Jerusalém.

Os estudiosos datam o livro de Joel antes de ocorrer o cativeiro babilônico, pois muitos inimigos de Judá não são citados. Apontam a data de aproximadamente 830 a.C., durante a juventude do rei Joás, porém o livro não cita o nome de nenhum rei (2Cr 22 a 24).

Especulam que o profeta Joel tenha conhecido o profeta Elias, e que fora contemporâneo de Eliseu. Não passa de especulação.

Outros estudiosos situam o livro na linha do tempo por volta de 760 a. C., sob o reinado de Azarias, pelo simples fato de o livro estar inserido entre os livros de Amós e Oseias no cânon. Porém, ultimamente, os estudiosos datam o livro como sendo escrito após o cativeiro babilônico, por causa da situação religiosa do povo e a ausência de organização política do povo.

Porém, tudo é especulação, visto que não há evidências internas que comprovem qualquer tentativa de se datar o livro. A única certeza acerca de Joel é que o seu ministério foi exercido em Judá.

O livro não faz referência à época, domicílio, profissão e nem a condição socioeconômica do profeta. Da mesma forma, presume-se que ele não pertencia à classe sacerdotal e que a pregação dele tenha se dado em Jerusalém.

 

2 Ouvi isto, vós anciãos, e escutai, todos os moradores da terra: Porventura isto aconteceu em vossos dias, ou nos dias de vossos pais?

A mensagem anunciada pelo profeta Joel destinava-se tanto aos lideres (anciões) quanto ao povo de Jerusalém (moradores da terra). Ambos necessitavam ouvir o prenúncio do Senhor.

O profeta faz duas perguntas aos moradores de Jerusalém: “Porventura isto aconteceu em vossos dias, ou nos dias de vossos pais?”. Dela depreendemos-se duas possibilidades:

  • Que nos dias do profeta houve uma invasão de locustas em Jerusalém como nunca visto, ou;
  • Que, através de uma revelação divina, o profeta viu uma invasão de locustas em Jerusalém.

Havia ocorrido algo semelhante ao descrito pelo profeta naqueles dias? No passado ocorreu algo semelhante ao descrito pelo profeta? Eles presenciaram uma invasão de gafanhotos, ou o profeta contou uma parábola que era necessário que contassem aos filhos?

 

3 Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos filhos a seus filhos, e os filhos destes à outra geração.

Os ouvintes do profeta precisavam narrar aos seus descendentes que:

  • Houve uma infestação de gafanhotos em Jerusalém nunca visto antes? ou;
  • A mensagem que seria anunciada pelo profeta?

 

 

4 O que ficou da lagarta, o gafanhoto o comeu, e o que ficou do gafanhoto, a locusta o comeu, e o que ficou da locusta, o pulgão o comeu.

O profeta apresenta aos seus ouvintes um quadro calamitoso: locustas vorazes que destruíam tudo que encontravam. O que sobrou ao primeiro ataque de gafanhotos, foi atacado por uma segunda leva, e assim sucessivamente.

A parábola do profeta é de destruição, porém, a que se refere? As lavouras e campos de Judá? É de plantações que Deus tem cuidado?

A última pergunta assemelha-se a do apóstolo Paulo: “É de bois que Deus tem cuidado?” ( 1Co 9:9 ). A resposta para a parábola do profeta vem da exposição do apostolo: “Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante” ( 1Co 9:10 ).

Ora, o enfoque da parábola de Joel não era a perca de uma safra agrícola, e nem mesmo uma mera invasão de gafanhotos, por mais devastadora que fosse.

A região da palestina foi atacada por gafanhotos em 1915 e 1928, porém, tal ataque não é algo novo na natureza. Em nossos dias, apesar do desenvolvimento tecnológico e dos poderosos pesticidas, invasões de gafanhotos continuam a ocorrer pelo mundo.

Há governos que fazem previsões de invasões de gafanhotos para que a população alertada busque meios de se proteger. O povo de Jerusalém, apesar do alerta do profeta acerca de uma invasão iminente, não buscaram proteção em Deus, pois são descritos como embriagados, ou seja, não estavam alerta.

 

5 Despertai-vos, bêbados, e chorai; gemei, todos os que bebeis vinho, por causa do mosto, porque tirado é da vossa boca.

Mesmo diante de um prenuncio tenebroso, o povo de Jerusalém continuava dormindo. A condição do povo se igualava aos dos bêbados, que não reagem ao sinal de perigo.

Deveriam acordar e chorar. O choro deveria transformar-se em gemido. Quem deveria ser despertado? Os habitantes de Jerusalém, pois todos estavam embriagados.

Por qual motivo necessitavam prantear? Porque a bebida que utilizavam haveria de ser tirada. O que eles prezavam tanto, o vinho, haveria de ser arrebatado de suas bocas. Forçosamente seriam colocados em abstinência.

O que representa a figura dos gafanhotos? O que representa o vinho e o mosto? Porque os habitantes de Jerusalém eram bêbados? Os versículos seguintes apresentam a interpretação da parábola, pois Deus lhe revelou através dos gafanhotos como seria a invasão dos exércitos inimigos.

 

6 Porque subiu contra a minha terra uma nação poderosa e sem número; os seus dentes são dentes de leão, e têm queixadas de um leão velho.

Como a profecia é de alerta, por causa de uma guerra iminente, segue-se que a profecia se deu antes da invasão dos inimigos. Por causa do tempo verbal da narração que aponta para o passado (subiu), alguns estudiosos entendem que o profeta descreve uma situação de derrota após uma batalha.

Ora, que o quadro apresentado pelo profeta é o de uma derrota em batalha não há o que se discutir, porém, como o teor da profecia é de alerta e o capítulo 2, por sua vez, aponta para acontecimentos vindouros, é certo que o profeta descreveu uma realidade futura no capítulo 1.

Mostrar um futuro profético como sendo uma realidade atual e efetiva tem o fito de despertar o povo para uma realidade que ainda está por vir.

O profeta viu uma nação belicamente poderosa e numerosa avançar contra Jerusalém (minha terra).

A seguir ele apresenta uma característica peculiar à nação que subiu contra o seu povo: “Os seus dentes são dentes de leão, e têm queixadas de um leão velho”. Ele não faz um comparativo entre a nação e ‘os dentes de leão’, antes diz que os dentes da nação são dentes de leão.

Com que objetivo o profeta descreveu a nação invasora, se a invasão já havia acontecido?

Ora, se os dentes da nação são dentes de leão, segue-se que a nação é um leão, pois os dentes pertencem a um leão. E o queixo do leão é como os queixais de uma leoa. Ou seja, a figura do leão simboliza a nação que viria sobre Jerusalém.

Os estudiosos não situam o livro de Joel no tempo porque o profeta não fez nenhuma referência direta aos assírios e aos babilônicos. Por não haver uma referência direta, apontam como provável que, ou a invasão ocorreu antes do poder da Assíria, ou depois da derrota dos Babilônicos.

Como é de conhecimento geral, o leão é símbolo da Babilônia, e a figura descrita pelo profeta no verso 6, parte ‘b’, é indício de que a parábola de Joel refere-se à invasão de Jerusalém pelos babilônicos.

 

7 Fez da minha vide uma assolação, e tirou a casca da minha figueira; despiu-a toda, e a lançou por terra; os seus sarmentos se embranqueceram.

O profeta Joel utiliza as figuras da videira e da figueira para fazer referência ao seu povo ( 1Rs 4:25 ). O que a nação poderosa e numerosa fez contra o povo do profeta? Tirou a casca da figueira, despiu-a (desfolhou) e a derrubou. A nação com dentes de leão assolou a videira e a figueira do profeta (As duas casas de Israel).

Por fim, os brotos da videira, em vez de ficarem verdes, embranqueceram. A ação da nação invasora assemelha-se a ação dos gafanhotos quando atacam uma lavoura, como foi descrito no verso 4.

 

8 Lamenta como a virgem que está cingida de saco, pelo marido da sua mocidade.

No verso 4 o profeta fez referência a invasão de gafanhotos e no verso 5 orienta o povo a prantear. Qual a intensidade de sofrimento que seria impingido ao povo? Ora, o lamento do povo após a invasão dos inimigos seria semelhante ao lamento da virgem que perde o noivo prometido.

O jovem prometido a uma moça pela família já tinha o título de marido, conforme se observa em Mt 1:18 .

 

9 Foi cortada a oferta de alimentos e a libação da casa do SENHOR; os sacerdotes, ministros do SENHOR, estão entristecidos.

Por causa da invasão inimiga as ofertas de alimentos e a libação do templo foi interrompida. Os sacerdotes e os ministros do templo, fonte de inspiração e alegria do povo, cairiam em tristeza profunda.

Alguns interpretes argumentam que a oferta e a libação foram cortadas em conseqüência de uma praga de gafanhotos que arruinou a plantação e a colheita, o que não condiz com o verso 6.

 

10 O campo está assolado, e a terra triste; porque o trigo está destruído, o mosto se secou, o azeite acabou.

A ação dos inimigos com boca de leão é semelhante aos dos gafanhotos quando assolam o campo e deixa a terra sem alegria. Três coisas essenciais a nação foi destruído: trigo (sustento), mosto (alegria) e azeite (culto).

 

11 Envergonhai-vos, lavradores, gemei, vinhateiros, sobre o trigo e a cevada; porque a colheita do campo pereceu.

Os religiosos de Judá deveriam ficar envergonhados pelo que fizeram a vinha do Senhor ( Lc 20:9 ). Os lavradores que cuidavam da vinha (nação) trouxeram a instabilidade de trigo e cevada. Por causa dos sacerdotes e ministros, a nação dormiu o sono da indolência ( Jl 1:5 ; Is 56:10 ), e em decorrência da invasão inimiga a colheita do campo pereceu.

 

12 A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens.

O profeta Joel descreve um quadro mais amplo: a vide secou e a figueira murchou, ou seja, Judá e Israel cairiam diante do mesmo inimigo ( 1Rs 4:25 ).

A destruição causada pelo inimigo atingiria também outras nações (árvores do campo): romeira, palmeira, macieira, etc. Todas as árvores do campo se secaram, e os filhos dos homens perderam a alegria.

Quando os profetas falavam acerca do seu povo, geralmente diziam ‘filhos do meu povo’. Neste verso verifica-se que ele profetiza acerca de várias nações: ‘já não há alegria entre os filhos dos homens’ (v. 12).

 

 

13 Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; gemei, ministros do altar; entrai e passai a noite vestidos de saco, ministros do meu Deus; porque a oferta de alimentos, e a libação, foram cortadas da casa de vosso Deus.

O profeta conclama os sacerdotes e ministro a arrependerem-se. Eles deveriam trocar as vestes que serviam no templo por vestidos de saco. Deveriam lamentar e gemer, pois não mais serviriam no templo.

A nação inimiga haveria de cortar a oferta de alimentos e a libação, ou seja, não mais ministrariam no templo.

 

14 Santificai um jejum, convocai uma assembléia solene, congregai os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do SENHOR vosso Deus, e clamai ao SENHOR.

Além de se arrependerem, deveriam convocar um ajuntamento solene, trazendo crianças, jovens e velhos para clamarem ao Senhor. Deveriam sentir a miséria que estava por abatê-los, e clamar pela misericórdia de Deus.

A tristeza que acomete uma virgem viúva não se compara a tristeza que estava por abater o povo do profeta ( Jl 1:7 ). Deveriam lamentar e gemer cingidos de sacos, afligindo a alma com um jejum nacional.

 

15 Ai do dia! Porque o dia do SENHOR está perto, e virá como uma assolação do Todo-Poderoso.

O profeta conclama os seus ouvintes a voltarem para Deus, pois o dia do Senhor haveria de vir ( Jl 2:1 ). Ai do dia! O dia não será do inimigo de Israel, antes será o dia do Senhor, pois a assolação descrita pelo profeta é promovida pelo Senhor Todo-Poderoso.

Muitos entendem que a locusta descrita no verso 4 é proveniente de uma ação demoníaca, porém, o dia previsto pelo oráculo demonstra que é Deus o agente que trará assolação sobre o povo de Israel e Judá ( Jl 2:25 ).

 

 

16 Porventura o mantimento não está cortado de diante de nossos olhos, a alegria e o regozijo da casa de nosso Deus?

O profeta continua descrevendo a condição da nação após a chegada da assolação do dia do Senhor. Ao fazer a pergunta do verso 16, o profeta está repetindo o alerta do verso 2: Ouvi isto, vós, anciões, e escutai, todos os moradores da terra: Aconteceu isto em vossos dias, ou também nos dias de vossos pais? (…) Porventura o mantimento não está cortado de diante de nossos olhos, a alegria e o regozijo da casa de nosso Deus?” ( v. 3 e 16).

Todos os moradores de Sião deveriam se perguntar: Aconteceu isto algum dia em Israel?

O mantimento era causa de alegria e regozijo na casa de Deus, pois das ofertas e dízimos os pobres, viúvas e órfãos da terra se alimentavam. Porém, após ser cortado o mantimento da terra, também seria cortado a alegria e o regozijo da casa do Senhor ( Dt 14:23 ).

 

17 As sementes apodreceram debaixo dos seus torrões, os celeiros foram assolados, os armazéns derrubados, porque se secou o trigo.

A descrição do profeta é de total desolação. As sementes apodreceram e por ter secado o trigo os celeiros e armazéns já não tem razão em permanecer de pé.

 

18 Como geme o animal! As manadas de gados estão confusas, porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas estão perecendo.

Até mesmo os animais do campo sofreriam com a invasão do inimigo. Pereceriam por falta de pastagem!

 

19 A ti, ó SENHOR, clamo, porque o fogo consumiu os pastos do deserto, e a chama abrasou todas as árvores do campo.

Diante de tanta calamidade o profeta clama ao Senhor, pois Ele é o responsável pela indignação que arde como fogo que ninguém pode apagar! ( Jr 4:4 ).

 

20 Também todos os animais do campo bramam a ti; porque as correntes de água se secaram, e o fogo consumiu os pastos do deserto.

Os animais do campo parecem compreender a miséria que se abate sobre a terra do profeta e bramam ao Senhor. Comparados aos animais, ao povo do profeta falta o entendimento do Santo.




Joel 2 – A invasão dos caldeus

Era costume dos israelitas rasgarem as suas vestes, porém, Deus queria que eles rasgassem o coração (circuncisão do coração). Somente quando o homem ‘rasga’ o coração é que ocorre a verdadeira conversão. A ‘circuncisão’ do prepúcio, o ‘rasgar’ vestes, os ‘jejuns’ de alimento e os ‘sacrifícios’ de animais não tornava o povo de Israel agradável a Deus, pois a verdadeira circuncisão é Deus que faz. Somente Ele tem o poder de rasgar o velho coração e dar um novo coração ( Sl 51:10 : Dt 30:6 ).


Joel 2 – A invasão dos caldeus

Introdução

Neste capítulo o profeta Joel continua alertando o povo de Jerusalém acerca da iminente invasão dos inimigos. Ele proclama a necessidade de um arrependimento nacional para que o mal predito não sobreviesse sobre o povo e a cidade de Sião ( Jl 2:1 -27).

Após o alerta, o profeta anuncia que Deus dará, sem medida, do seu Espírito aos homens (derramar), e faz referência a vários períodos históricos que ainda estavam por vir ( Jl 2:28 -32).

 

1 TOCAI a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, já está perto;

Tudo que foi apresentado no capítulo 1 é novamente apresentado no capítulo 2, porém, o tempo verbal muda. Neste capítulo a visão demonstra que a invasão inimiga está para ocorrer, ou seja, apresenta um alerta, enquanto no primeiro capítulo a visão apresenta uma calamidade instalada, demonstrando que a atitude do povo (embriagados) condizia com uma realidade caótica.

O capítulo 1 começa com o clamor do profeta “Ouvi isto, vós anciões, escutai, todos os moradores da terra” ( Jl 1:2 ), o capítulo 2 também: “Tocai a trombeta em Sião, e daí o alarma no meu santo monte Sião…” ( Jl 2:1 ).

Lembre-se que a divisão em capítulos e versículo simplesmente foram adotas para fins didáticos e de referência, visto que os livros da Bíblia devem ser considerados no todo, sem divisões de qualquer espécie.

O profeta Joel conclama os moradores de Sião a apresentar-se para a batalha. – ‘Tocai a trombeta, daí o alarma em Jerusalém’, pois o dia que pertence ao Senhor estava próximo.

O dia do Senhor faria com que todos os moradores do mundo tremessem ( Jl 1:15 ). Enquanto no capítulo 1 a visão do profeta apresenta a nação de Israel aviltada em decorrência de uma invasão estrangeira, no capítulo 2 a visão descreve a mesma invasão como sendo iminente.

 

2 Dia de trevas e de escuridão; dia de nuvens e densas trevas, como a alva espalhada sobre os montes; povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração.

O profeta descreve o dia do Senhor como sendo de ‘trevas’ e de ‘escuridão’; dia de nuvens e densas trevas. A intensidade das trevas é comparada a alva que se espalha pelos montes ‘…como a alva espalhada pelos montes’ (v. 2).

Por que o dia do Senhor seria de escuridade? A resposta vem a seguir: “… povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração” ( v. 2), haveria de invadir Jerusalém.

O profeta dá a entender que a escuridade se dará como por nuvens que encobrem o sol (alva), ou seja, é uma clara referencia a invasão da nação inimiga, que no capítulo 1 foi descrita e comparada a uma invasão de gafanhotos.

No capítulo 1 o profeta viu o que restou da invasão de gafanhotos ( Jl 1:4 ), já no capítulo 2 ele descreve a chegada dos invasores como ‘nuvens’, pois a invasão dos ‘gafanhotos’ se assemelha as ‘nuvens’ quando encobrem a luz solar.

A invasão prenunciada foi representada por gafanhotos, porém, ela se daria por um povo, uma nação (Heb ‘am, uma coletividade, um povo, uma nação).

A quantidade de homens e o poder bélico do povo invasor seria algo jamais visto, informação que nos permite entender a pergunta feita no capítulo 1: “Aconteceu isto em vossos dias, ou também nos dias e vossos pais?” ( Jl 1:2 ). A resposta para a pergunta é: “… povo grande e poderoso, qual nunca houve desde o tempo antigo, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração” ( Jl 2:2 ).

 

3 Diante dele um fogo consome, e atrás dele uma chama abrasa; a terra diante dele é como o jardim do Éden, mas atrás dele um desolado deserto; sim, nada lhe escapará.

O profeta descreve a frente de batalha do exército invasor como ‘fogo que consome’, e a retaguarda como ‘chama que abrasa’. Ele compara a terra a ser conquistada pelos invasores com o ‘Jardim do Éden’, mas após passar o invasor, haverá somente um deserto desolador.

Nada escapa ao inimigo invasor (devorador)!

 

4 A sua aparência é como a de cavalos; e como cavaleiros assim correm.

A aparência não diz da aparência física, antes aponta para a força e a agilidade dos invasores. São velozes e fortes como cavalos, porém, organizados como cavaleiros.

 

5 Como o estrondo de carros, irão saltando sobre os cumes dos montes, como o ruído da chama de fogo que consome a pragana, como um povo poderoso, posto em ordem para o combate.

Os obstáculos são vencidos facilmente, como o som que ultrapassa qualquer barreira. Observe o comparativo: eles não saltarão os obstáculos com os seus carros, antes como o ‘estrondo’ de carros (som), irão saltando por sobre os montes.

Os ‘montes’ neste verso refere-se às nações. Por exemplo: Israel é o monte santo do Senhor, ou seja, a nação santa. Observe a pergunta que o salmista Davi faz aos montes e outeiros: “Montes, que saltastes como carneiros, e outeiros, como cordeiros?” ( Sl 114:6 ), ou seja, a pergunta dele foi feita as nações, que figuram como montes e outeiros.

O povo invasor haveria de sobrepujar os obstáculos erguidos pelas nações, submetendo-as ao seu domínio (v. 6 e 7).

Observe as comparações estabelecidas pelo profeta:

  • Aparência como de cavalos – Força;
  • Como Cavaleiros correm – Agilidade;
  • Como estrondo de carros – Não há barreiras;
  • Como o ruído da chama do fogo – Destruição.

Em resumo: Como um povo poderoso e em ordem para a guerra! As características do povo invasor se assemelham a dos gafanhotos: fortes, ágeis, sem empecilhos que os detenham e destruidores vorazes.

 

6 Diante dele temerão os povos; todos os rostos se tornarão enegrecidos.

As nações temem diante do povo invasor. O temor tomará Jerusalém e as nações em redor. Todos ficarão pálidos, congelados pelo terror.

 

7 Como valentes correrão, como homens de guerra subirão os muros; e marchará cada um no seu caminho e não se desviará da sua fileira.

Este verso ilustra o verso 5.

O exército invasor é descrito como ‘valente’ e ‘velozes’ (como valentes correrão). Como homens de guerra subirão os muros, ou seja, não há obstáculo para eles, pois são ‘adestrados’ na arte da guerra.

A descrição seguinte é própria aos gafanhotos: marchará cada um no seu caminho e não se desviará da sua fileira.

 

8 Ninguém apertará a seu irmão; marchará cada um pelo seu caminho; sobre a mesma espada se arremessarão, e não serão feridos.

Apesar de numerosos, não se atrapalham na batalha. Cada um tem função específica, e mesmo que se arremessem sobre a espada do inimigo, contudo ‘não serão feridos’. O que isto quer dizer? Que o comportamento deles se assemelha a dos gafanhotos, que ‘doam’ as suas vidas para que os outros obtenham êxito na empreitada beligerante.

 

9 Irão pela cidade, correrão pelos muros, subirão às casas, entrarão pelas janelas como o ladrão.

Os inimigos invadirão as cidades, correrão pelos muros (na antiguidade os muros eram largos Ne 12:31 -38), subirão casa por casa e agirão como o ladrão.

 

10 Diante dele tremerá a terra, abalar-se-ão os céus; o sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor.

Diante do exercito invasor os homens (terra) tremeriam, pois perderiam a confiança (abalar os firmamentos). Assim como o enxame de gafanhotos enegrecem o sol e a lua, a ação dos invasores dissiparia a luz da esperança que sustem os povos.

 

11 E o SENHOR levantará a sua voz diante do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque poderoso é, executando a sua palavra; porque o dia do SENHOR é grande e mui terrível, e quem o poderá suportar?

O terrível exército pertence ao Senhor, pois Ele é que dá a ordem (executando a sua palavra) para a invasão. O arraial (acampamento) do exército a serviço do Senhor é muitíssimo grande.

O exercito inimigo executará a palavra do Senhor, e, portanto, é poderoso. A força e o poder do exército decorrem da palavra do Senhor.

Diferente de Judá e Israel, que se diziam povo do Senhor, mas que não obedeciam a sua voz, o Senhor tem o exercito invasor como sua propriedade.

Novamente o profeta faz referência ao dia do Senhor, descrevendo-o como grande e terrível ( Jl 1:15 ; Jl 2:1 ).

 

12 Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto.

Apesar da palavra do Senhor anunciar calamidades sobre Jerusalém, o Senhor apresenta a sua misericórdia “Ainda assim, agora mesmo…” ( v. 12).

Por intermédio do profeta, Deus conclama o povo a conversão: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração…” (v. 12). Como se converte ao Senhor de todo o coração?

O profeta Moisés é claro: “E o SENHOR teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao SENHOR teu Deus com todo o coração, e com toda a tua alma, para que vivas” ( Dt 30:6 ).

Somente quando Deus circuncida o coração do homem é possível amá-lo de todo o coração e de toda a alma, pois somente após a circuncisão de Deus o homem morre e passa a viver para Deus.

Ora, o povo procurava cumprir a lei, pois circuncidavam o prepúcio da carne dos seus filhos, porém, sujeitarem-se Aquele que faz a circuncisão que dá vida crendo na sua palavra, não se sujeitavam. Portanto, não havia como eles amarem a Deus através de seus sentimentos, ações e esforços.

A conversão do homem deve ocorrer no tempo presente, deve ser agora, pois hoje é o dia sobre modo aceitável, o dia de salvação.

 

13 E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal.

Era costume dos israelitas rasgarem as suas vestes, porém, Deus queria que eles rasgassem o coração (circuncisão do coração).

Somente quando o homem ‘rasga’ o coração é que ocorre a verdadeira conversão. A ‘circuncisão’ do prepúcio, o ‘rasgar’ vestes, os ‘jejuns’ de alimento e os ‘sacrifícios’ de animais não tornava o povo de Israel agradável a Deus, pois a verdadeira circuncisão é Deus que faz.

Somente Ele tem o poder de rasgar o velho coração e dar um novo coração ( Sl 51:10 : Dt 30:6 ).

Quais os sacrifícios que Deus se agrada? “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” ( Sl 51:17 ).

Porém, o povo de Israel, apesar de:

  • Procurarem dia a dia a Deus;
  • Ter prazer em querer saber os seus caminhos;
  • Ser um povo que buscam praticar justiça, e que;
  • Não deixava o mandamento de Deus.

Contudo, não serviam a Deus com entendimento ( Is 58:2 ; Rm 10:2 ). Eles estavam confiados que as suas ações como ir ao templo, estudar a lei, praticar justiça aos companheiros, etc., os tornariam agradáveis a Deus. Apoiavam-se numa justiça própria, mas não confiavam em Deus, que é misericordioso, compassivo, tardio em irar-se, benigno e que se arrepende do mal, independentemente das ações dos homens.

 

14 Quem sabe se não se voltará e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, em oferta de alimentos e libação para o SENHOR vosso Deus?

O profeta anuncia que, caso o seu povo se arrependesse, Deus seria favorável. Além de não mandar o mal descrito nos versos anteriores, abençoaria o povo.

Dos versos 12 ao 14 houve uma pausa na profecia, e foi introduzido um convite à conversão. Mesmo sendo descrito algo iminente, caso se arrependessem dos seus conceitos, Deus haveria de socorrê-los.

 

15 Tocai a trombeta em Sião, santificai um jejum, convocai uma assembléia solene.

O povo foi alertado do perigo iminente ( Jl 1:2 e Jl 2:1 a Jl 2:11 ), e após, é ofertado livramento (v. 12 à 14). Agora, novamente são concitados a reunirem-se ao som da trombeta, mas desta vez, que deixassem as suas atividades regulares e atendessem o chamado do Senhor (assembléia solene).

 

16 Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai as crianças, e os que mamam; saia o noivo da sua recamara, e a noiva do seu aposento.

Que o povo viesse ao encontro do Senhor! Tanto anciões, quanto crianças, recém nascidos, noivo e noivas, todos deveriam deixar o que entendiam por importante, e que se voltasse para Deus.

 

17 Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o alpendre e o altar, e digam: Poupa a teu povo, ó SENHOR, e não entregues a tua herança ao opróbrio, para que os gentios o dominem; porque diriam entre os povos: Onde está o seu Deus?

Após o povo reunirem-se, que os sacerdotes se posicionassem no templo e rogassem ao Senhor por misericórdia. Qual deveria ser a oração do sacerdote?

  • Para o Senhor poupar o seu povo;
  • Que não fossem entregues ao opróbrio;
  • Que os gentios não dominassem sobre eles;
  • Que Deus evitasse a zombaria dos povos, que diriam: Onde está o seu Deus?

A mudança no tempo verbal, do verso 17 para o verso 18, dá a entender que Israel não se arrependeu e que Deus os entregou ao inimigo.

As calamidades descritas no capítulo 1 e 2 acabaram por vir sobre Jerusalém, e posteriormente Deus se mostrará compassivo com Israel.

As bençãos descritas a seguir, verso 18 a 27, serão concedidas a Israel como nação no milênio, quando Cristo se assentar no trono de sua glória. Elas foram anunciadas logo após a mensagem de arrependimento do profeta, uma vez que, caso arrependessem, desfrutariam destas beatitudes.

Geralmente quando os profetas apregoavam a necessidade de arrependimento (mudança de entendimento acerca de alguma matéria), o povo se aplicavam as mesmas coisas do passado: ritos, lei, sacrifícios, orações, etc.

O verdadeiro arrependimento, que é o rasgar do coração, não buscavam, continuavam em suas praticas antigas, que consistia em rasgar a suas vestes pelos vários jejuns que promoviam ( Jl 2:13 ).

O que era exigido deles, somente Deus pode realizar, que é a circuncisão do coração, o mesmo que rasgá-lo ( Dt 10:16 ; Jr 4:4 ). Se eles abandonassem as suas práticas legalistas, ritualistas e formalistas e fizessem como o salmista Davi, confiassem no Senhor, Deus haveria de realizar o necessário: criaria um novo coração e lhes daria um novo espírito ( Sl 51:10 ).

Somente Deus pode dar um novo coração e um novo espírito aos homens, desde que se arrependam, ou seja, deixem de recorrer as práticas que eram próprias aos seus pais ( Sl 51:16 ).

 

18 Então o SENHOR se mostrou zeloso da sua terra, e compadeceu-se do seu povo.

O profeta anuncia um tempo em que o Senhor se mostraria zeloso da terra e se compadeceria do seu povo.

Observe que o tempo verbal da profecia muda deste verso em diante, e apresenta o socorro do Senhor de modo atual, do mesmo modo que foi apresentada a invasão de gafanhotos no capítulo 1.

Do mesmo modo que o profeta Joel viu e descreveu profeticamente a invasão inimiga e a escassez de alimento, agora ele descreve profeticamente a condição do povo sob o favor de Deus.

 

19 E o SENHOR, respondendo, disse ao seu povo: Eis que vos envio o trigo, e o mosto, e o azeite, e deles sereis fartos, e vos não entregarei mais ao opróbrio entre os gentios.

O Senhor responde o clamor do seu povo e restitui o sustento (pão), a alegria (mosto) e o culto (azeite). O povo será farto de sustento, alegria e culto, e não mais seriam entregues aos gentios.

O profeta concita o povo de Israel a clamar, porém, temos aqui uma profecia para um tempo distante, visto que somente no período da grande tribulação, quando se cumprir a última semana profetizada por Daniel, o povo se reunirá para clamar ( Zc 12:10 ), e o cumprimento da promessa de que não mais serão entregues ao opróbrio dos gentios se cumprirá cabalmente com a implantação do reino do Messias (v. 15 a 19).

 

20 Mas removerei para longe de vós o exército do norte, e lançá-lo-ei em uma terra seca e deserta; a sua frente para o mar oriental, e a sua retaguarda para o mar ocidental; e subirá o seu mau cheiro, e subirá a sua podridão; porque fez grandes coisas.

Os exércitos invasores de Israel geralmente vem do norte ( Ez 38:6 -15). Deus promete lançar o exercito invasor para uma terra sem vida e deserta. A frente para o mar morto e a retaguarda para o mediterrâneo ( Jl 2:3 ).

Tal descrição encaixa-se na profecia de Zacarias ( Zc 14:12 –13).

 

21 Não temas, ó terra: regozija-te e alegra-te, porque o SENHOR fez grandes coisas.

Os homens (terra) de Israel não deveriam temer (Heb ‘a dhãmâh, refere-se a terra vermelha da qual o primeiro homem, Adão Heb ‘ãdãm, foi feito). O povo deveria trocar o medo pela confiança, pois só regozijam e alegram os que confiam no Senhor.

 

22 Não temais, animais do campo, porque os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, a vide e a figueira darão a sua força.

Os animais do campo voltariam a pastar e as árvores a darem o seu fruto. A vide e a figueira (Israel e Judá), por sua vez, voltará ao seu vigor, apresentará a sua força.

 

23 E vós, filhos de Sião, regozijai-vos e alegrai-vos no SENHOR vosso Deus, porque ele vos dará em justa medida a chuva temporã; fará descer a chuva no primeiro mês, a temporã e a serôdia.

Os filhos de Jerusalém regozijarão e alegrarão no Senhor, ou seja, a confiança não do povo em Deus será retribuída com chuvas ao seu tempo.

 

24 E as eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de mosto e de azeite.

Como as chuvas serão continuas e pontuais, não faltará trigo (pão), mosto (alegria, confiança) e azeite (unção).

 

25 E restituir-vos-ei os anos que comeu o gafanhoto, a locusta, e o pulgão e a lagarta, o meu grande exército que enviei contra vós.

Através desta promessa é possível inferir que o gafanhoto cortador, o gafanhoto migrador, o gafanhoto devorador e o gafanhoto destruidor referem-se a quatro reinos distintos, mas que, por sua vez, constituem o grande exercito que seria enviado por Deus contra o povo de Israel e que abateria as nações.

Como a promessa de restauração nacional nos versos 26 e 27 dão conta que o povo nunca mais seria envergonhado, temos que ‘os anos que a cidade de Sião’ foi assolada refere-se a quatro grandes impérios que subjugaram os povos no passado da humanidade: Império Babilônico, Império Medo-Persa, Império Macedônico e o Império Romano (Daniel 2).

No capítulo 1 o profeta demonstra a invasão dos gafanhotos em quatro levas distintas, e no capítulo 2 somos informados que tais invasores constituem-se o grande exército do Senhor ( Jl 2:11 ). Ora, os reinos que se levantaram no passado, segundo os profetas, estavam todos a serviço do Deus de Israel na condição de vara de correção do Senhor para todos os povos.

Obs.: Alguns pregadores utilizam de forma equivocada a figura dos gafanhotos, que ilustram somente a invasão de nações inimigas, como sendo a ação de demônios na vida financeira daqueles que não contribuem com a organização que representam.

“A Bíblia nos fala de quatro legião de demônios que trabalham na área de maldição, estes demônios são chefiados pelo príncipe chamado Belzebu (…) Nesta situação, o profeta insistiu com o povo que se voltasse para o Senhor, com arrependimento sincero. ‘Cada tipo de gafanhoto representa uma legiões de demônios que age na vida do homem, em seu patrimônio, em suas riquezas, bens e salários!’” Conheça o Mundo Espiritual, Anacleto Pereira da Cruz, 10° edição, Design Bureau Ltda, Editor Pr. Anacleto, Pág. 54.

 

26 E comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do SENHOR vosso Deus, que procedeu para convosco maravilhosamente; e o meu povo nunca mais será envergonhado.

O profeta do Senhor anuncia que haveriam de comer abundantemente e que seriam fartos, e seriam constituídos em louvor ao nome do Senhor. O Senhor haveria de proceder de modo maravilhoso e nunca mais seriam envergonhados.

 

27 E vós sabereis que eu estou no meio de Israel, e que eu sou o SENHOR vosso Deus, e que não há outro; e o meu povo nunca mais será envergonhado.

Após os feitos do Senhor, o povo de Israel compreenderia que o Senhor é o Deus de Israel. Entenderiam que não há outro Deus e nunca mais seriam envergonhados.

 

28 E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões.

Há um novo salto temporal na profecia.

Após ser anunciada a invasão inimiga ( Jl 1:4 -20 ; Jl 2:1 -11), a necessidade de arrependimento ( Jl 2:12 ) e a restauração do povo após a invasão inimiga ( Jl 2:18 -27), temos um novo evento em um tempo estabelecido como sendo ‘depois’.

A expressão traduzida do hebraico para ‘depois’, refere-se à época messiânica, ou seja, é o mesmo que ‘nos últimos dias’, conforme o apóstolo Pedro interpreta em Atos 2 ( At 2:17 ).

Muito tempo depois, quando da restauração nacional de Israel, o Senhor promete derramar (concedê-lo sem medida) o seu Espírito sobre todos os homens, sem exceção, e os filhos e as filhas de Israel profetizariam, e os velhos teriam sonhos, e os jovens teriam visões da parte do Senhor.

O apóstolo Pedro cita 5 versos de Joel e os relaciona com o evento que se deu em Jerusalém no dia da festa do Pentecoste ( At 2:1 ). Do mesmo modo que na restauração de Israel o Espírito do Senhor seria derramado, semelhantemente o Espírito do Senhor foi derramado no dia da festa de Pentecoste, e muitos profetizaram e falaram em novas línguas.

Os discípulos estavam reunidos em um mesmo lugar no dia de Pentecoste (festa judaica), quando ouviram um som comparável a um vento forte (impetuoso) que tomou conta do recinto (casa).

Em seguida, os que ali estavam reunidos viram uma espécie de labaredas (línguas repartidas) comparável ao fogo, e estas pousavam sobre cada um dos que ali estavam reunidos.

Todos que ali estavam reunidos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em vários idiomas. A ideia da palavra ‘cheio’ diz de pleno, de plenitude. Refere-se ao que o apóstolo João anunciou: “Da sua plenitude recebemos, graça sobre graça” ( Jo 1:16 ; Cl 2:10 ).

Ou seja, da mesma forma que Jesus anunciou que ‘o Espírito do Senhor estava sobre Ele’ ( Lc 4:18 ), todos os cristãos passaram a estar cheios, plenos do Espírito Eterno, visto que tornaram-se templo e morada do Espírito ( 1Co 3:16 ).

Os turistas, por ocasião da festa do ‘Pentecoste’, que visitavam Jerusalém, ficaram perplexos ao ouvirem galileus falarem os seus idiomas ( At 2:6 ), e o apóstolo Pedro, diante de tamanho alvoroço, posicionou-se diante da multidão e demonstrou que, aquele evento em particular tinha relação com o que o profeta Joel havia anunciado ( At 2:16 ).

 

29 E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.

O apóstolo Pedro demonstrou que o Espírito do Senhor estava sendo derramado sobre todos os povos, até mesmo sobre os servos e as servas. Os versos 28 e 29 estão intimamente ligados.

O profeta Joel demonstra que o Espírito seria derramado sobre os filhos e as filhas do seu povo, e que também os servos e as servas seriam agraciados com o Espírito. Isto demonstra que, para Deus não há acepção de pessoas, visto que, os servos do povo do profeta eram como os estrangeiros, põem, até mesmo os gentios seriam agraciados com o Espírito ( Rm 10:12 ).

O Senhor promete enviar do seu Espírito sobre judeus e gentios.

 

30 E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça.

Muitos milagres e maravilhas seriam operados por Deus no dia em que o Espírito do Senhor fosse derramado. O Senhor Jesus quando esteve na terra operou sinais e prodígios em meio ao povo demonstrando a chegada do reino de Deus “Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus” ( Lc 11:20 ).

 

31 O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR.

Este verso introduz um novo salto temporal na narrativa do profeta Joel. Antes que venha o ‘grande e terrível dia do Senhor’, o sol ficará escuro e a lua avermelhada ( Jl 3:15 ).

O profeta deixa de fazer referência ao período messiânico e passa para um período apocalíptico. O ‘grande e terrível dia’ só se dará após o Espírito do Senhor ser derramado sobre os homens em toda a terra, ou seja, após a vinda do Messias.

 

32 E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar.

O apóstolo Paulo cita este verso em Romanos 10:13, após afirmar que Deus não faz acepção de pessoas ( Rm 10:12 ).

Ao falar ‘daqueles dias’ em que Deus derramaria o Seu Espírito, que é antes do tempo descrito como o grande e terrível dia do Senhor, o profeta Joel demonstra que, todo (qualquer que) clamar o Senhor haveria de ser salvo.

Como situar no tempo a expressão ‘e há de ser…’? O ‘há de ser…’ contempla o período entre o derramamento do Espírito e o grande e terrível dia do Senhor. Neste período de tempo específico, qualquer pessoa, seja judia ou gentil, que clamar o Senhor, é salvo.

O que entendemos por ‘clamar’? Clama aquele que confia. O clamor é expressão de confiança por parte de quem clama ( Sl 55:16 ). Só se confia e clama quando se entende que Deus está perto ( Is 55:6 ).

Qualquer que confiar (crer) no Senhor será salvo ( Rm 10:13 e Jo 3:16 ; At 16:31 ).

Por que qualquer que invocar será salvo? Porque no monte Sião e em Jerusalém haverá salvação (livramento). Este trecho contém uma referência implícita ao Messias, pois ‘a salvação virá de Sião’ ( Is 59:20 ; Rm11:26 ).

‘Todo aquele que invocar o nome do Senhor’ é expressão que abrange os gentios, que serão salvos ‘assim como disse o Senhor’ ao anunciar o evangelho a Abraão “Todas as nações serão benditas em ti” ( Gl 3:11 ).

Neste período de tempo, chamado pelo apóstolo Paulo de ‘plenitude dos gentios’ , dentre os remanescentes de Israel também haverá salvação para os que atenderem o chamado do Senhor “…e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar” (v. 32 ; Rm 11:25 ; Is 20:22 ).