A graça não veio depois da lei. A promessa foi anunciada a Abraão, e a lei entrou quatrocentos e trinta anos mais tarde. Um exame da relação entre lei e graça, do legalismo e do antinomianismo, e do que Paulo quer dizer quando afirma que a fé estabelece a lei.
Lei e Graça
A ordem natural: primeiro o natural, depois o espiritual
O apóstolo Paulo apresenta a ordem dos eventos que vão da perdição à salvação: “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” (1 Coríntios 15:46).
Não há como vir à existência homens espirituais sem que antes existam homens naturais, porque Adão é o homem natural e Cristo, o último Adão, o homem espiritual: “O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante” (1 Coríntios 15:45).
Os homens provenientes da semente corruptível de Adão são naturais; os gerados da semente incorruptível, “pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1 Pedro 1:23), são espirituais. É em Cristo, o último Adão, que os homens espirituais vêm a existir.
Em Adão, condenação; em Cristo, graça
A Palavra de Deus informa que todos os homens pecaram e estão destituídos da glória de Deus por causa da queda de Adão. Todos estão debaixo de condenação: judeus e gregos, servos e livres, morais e amorais, religiosos e ateus (Romanos 3:9-18); “assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação” (Romanos 5:18).
Todos entraram pela porta larga através do nascimento em Adão e seguem pelo caminho espaçoso que conduz à perdição (Mateus 7:13). Todos são vasos de desonra em Adão, preparados para a perdição (Romanos 9:21-22), e plantas que o Pai não plantou: “Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” (Mateus 15:13).
Mas “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Quando Jesus diz “todo aquele”, engloba judeus e gregos, morais e amorais, servos e livres, homens e mulheres. Cristo, o último Adão, é a porta estreita que dá acesso à salvação; nele são feitos os vasos para honra e são plantadas as árvores de justiça.
Em Cristo, Deus revela aos homens a sua maravilhosa graça. Os que estão mortos em ofensas e pecados, na condição de filhos da ira e da desobediência em Adão, recebem, pela fé em Cristo, poder para serem feitos filhos de Deus. Em Cristo o homem é gerado de novo, e se cumpre a promessa: “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo” (Ezequiel 36:26).
A condenação deu-se em Adão; a salvação está em Cristo. O primeiro Adão trouxe condenação, o último Adão, redenção.
Diante de Adão e de Cristo, o que dizer da lei? O que dizer de Moisés? Qual é a relação entre lei e graça?
A graça é anterior à lei
É um erro considerar que primeiro foi exposta a lei e só depois a graça. A graça de Deus não começou no Sinai nem no Calvário: Cristo é o Cordeiro conhecido antes da fundação do mundo. “Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pedro 1:19-20).
A graça de Deus é anterior aos tempos, provisionada para suprir a necessidade dos homens em todo o tempo. Depois dela vem a condenação, que se deu em Adão, e só então a lei.
Que a condenação é anterior à lei, Paulo o diz expressamente: “Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei” (Romanos 5:13). A realidade da condenação é patente desde Adão até Moisés — e a realidade da redenção também.
O que dizer de Abel, que “pela fé […] ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim” (Hebreus 11:4)? O que dizer de Enoque, de Noé, que “foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (Hebreus 11:7), de Abraão, de Isaque, de Jacó, de José? Todos foram salvos pela graça, por intermédio da fé, séculos antes do Sinai.
Primeiro a graça, depois a lei: “Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé” (Romanos 4:13).
Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento são dominados pela realidade da graça de Deus. Foi a graça que Deus manifestou primeiro, e a lei depois: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” (Gálatas 3:8).
A nova aliança foi estabelecida em Cristo, o descendente: “Mas digo isto: Que tendo sido a aliança anteriormente confirmada por Deus em Cristo, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a invalida, de forma a abolir a promessa” (Gálatas 3:17).
A aliança da graça foi confirmada a Abraão quatrocentos e trinta anos antes da lei, “para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito” (Gálatas 3:14).
A declaração de Packer, e o que ela de fato diz
É nesse ponto que se lê em J. I. Packer:
“Na economia de Deus, a lei foi exposta em primeiro lugar e a graça posteriormente. O Antigo Testamento é dominado pela grande realidade da lei de Deus, tal como o Novo Testamento é dominado pela graça de Deus. Porém, como relacionar a graça com a lei, visto que a lei veio antes da graça?”[1]
Antes de discordar, é preciso ler a frase no lugar em que ela está. No original, Packer escreve que, na economia de Deus, “law was expounded first, grace afterwards”[1] — a lei foi exposta primeiro. Ele descreve a ordem em que os dois temas são apresentados no cânon, e a frase abre um parágrafo cujo assunto é outro: os dois erros que o Novo Testamento conhece quanto à relação entre lei e graça, o legalismo e o antinomianismo.
Assim, a declaração não é infundada; é insuficiente, e precisa ser qualificada. Na ordem da exposição canônica, é verdade que a lei ocupa o primeiro plano no Antigo Testamento e a graça no Novo. Mas na ordem dos fatos a promessa antecede a lei, como Paulo faz questão de demonstrar em Gálatas 3:8 e 3:17, e como se vê desde Abel. Quem toma a ordem da exposição pela ordem dos fatos passa a ler a Escritura como se a lei fosse o pano de fundo e a graça a novidade tardia — e é justamente essa inversão que faz a pergunta seguinte parecer necessária: como relacionar a graça, que veio depois, com a lei, que já estava ali?
A pergunta correta é outra. Não é como a graça se ajusta à lei, mas por que a lei sobreveio a uma promessa que já estava confirmada.
O legalismo de hoje e o dos dias de Cristo
O conceito de legalismo de nossos dias não condiz com as práticas dos judaizantes, fariseus e escribas à época de Cristo. Como exemplo, os dicionários de hoje definem ‘fariseu’ como sendo um indivíduo hipócrita, porém, à época de Cristo, fariseu era alguém com um estilo de vida com base na religiosidade judaica “Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu” ( At 26:5 ).
Estabelecida a ordem, é possível analisar o legalismo e o antinomianismo.
O conceito de legalismo dos nossos dias não condiz com as práticas dos judaizantes, dos fariseus e dos escribas à época de Cristo. Os dicionários de hoje definem “fariseu” como hipócrita, mas, naquele tempo, fariseu era alguém cujo estilo de vida se fundava na religiosidade judaica: “conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu” (Atos 26:5).
Muitos fariseus eram de fato hipócritas, mas farisaísmo não era sinônimo de hipocrisia. Do mesmo modo, o legalismo, hoje, designa quem toma a lei e a usa para “merecer” a salvação.
Nas Escrituras, porém, o que se verifica é que fariseus e escribas confiavam na carne, isto é, julgavam-se salvos por serem descendentes de Abraão: “E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão” (Mateus 3:9).
Individualmente, cada judeu confiava ser filho de Deus por descender de Abraão (Romanos 9:6-8; João 8:39, 41). Como povo, tinham na lei a forma da ciência e da verdade (Romanos 2:17-20) e, por causa dela, consideravam-se melhores que os outros povos (Romanos 3:9).
Podemos classificá-los como tradicionalistas e formalistas e, em alguns aspectos, legalistas, já que a tradição e a forma provinham da lei. Mas não se encontra no Novo Testamento alguém que declare ser salvo por cumprir os quesitos da lei; ao contrário, muitos afirmaram a João Batista e a Jesus que não precisavam de arrependimento, por serem descendentes de Abraão.
O jovem rico, ainda que guardasse a lei desde a mocidade, procurava algo a fazer que lhe desse direito à salvação: “Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?” (Mateus 19:20). Percebe-se que ele não confiava na carne, talvez por não se ver amparado pela descendência.
Judaizantes e “libertinos”: o que os apóstolos combatiam
Os judaizantes não eram estritamente legalistas. Professavam ser cristãos, mas queriam continuar guardando alguns aspectos da lei: circuncisão, dias, festas. Estavam mais para o antinomianismo do que para o legalismo, por quererem transtornar o evangelho de Cristo. Foi por isso que Paulo advertiu os gálatas: “O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo” (Gálatas 1:7).
A palavra “antinomiano”, hoje, serve para definir quem se diz alcançado pela graça e nela se apoia para viver de modo desregrado. Mas a libertinagem que Judas e os apóstolos combatiam era outra: a que buscava transtornar o evangelho. A preocupação dos apóstolos era com o evangelho de Cristo, porque dissimuladamente alguns queriam corromper a fé e negar a Cristo como único Senhor.
“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” (2 Pedro 2:1-2);
“Porque se introduziram furtivamente alguns, os quais já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo” (Judas 1:4);
“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo […] estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” (Filipenses 1:27).
Inferir desses textos que “dissolução” ou “libertinagem” se refere apenas a uma conduta torpe e devassa é admitir que o evangelho se apoia em obras provenientes do cumprimento de regras.
Segue-se que a ideia construída em torno do legalismo e do antinomianismo não condiz com a abordagem bíblica. Tais conceitos surgiram ao longo da história cristã por causa dos inúmeros conceitos acerca da lei e da graça. Ainda que se apresentem como polos opostos de um mesmo erro, erram também por supor que a lei e a graça estejam em relação de continuidade.
O que a graça estabelece
Packer conclui o seu argumento afirmando que a graça estabelece a lei, e essa é a resposta que oferece ao antinomianismo, apoiado em Romanos 6:11-23.
O verbo, é preciso reconhecer, é do próprio apóstolo: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31). A discordância, portanto, não está no verbo, mas no conteúdo que se lhe dá: o que exatamente fica estabelecido?
Para Packer, fica estabelecida a lei como regra de vida do cristão. Ora, o capítulo em que ele se apoia descreve outra coisa. Romanos 6 não devolve o homem ao código; troca-lhe o senhor: “E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Romanos 6:18). O que ali se estabelece não é uma norma a observar, mas um senhorio a que se serve.
O que a fé estabelece é a lei no ofício que lhe cabe, o de testemunha: “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas” (Romanos 3:21). A justiça de Deus manifesta-se sem a lei, e a lei dá testemunho dessa justiça em vez de produzi-la. Por isso a vanglória é excluída, e não pela lei das obras, mas “pela lei da fé” (Romanos 3:27).
E o crente não permanece debaixo do código. “Também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos” (Romanos 7:4); “Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra” (Romanos 7:6). O que nele se cumpre não é uma lista observada, mas a justiça que a lei exigia: “Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Romanos 8:4).
Assim, a discordância se formula com precisão: a graça não recoloca o homem debaixo de Moisés. Ela estabelece a lei como testemunho e põe o homem debaixo de outro senhor.
A salvação não é uma transação ética
O deslocamento que leva a fazer da lei a regra de vida do cristão nasce, em geral, de uma premissa anterior: a de que a salvação seria, em essência, uma questão ética e moral. Essa premissa aparece com todas as letras em outro autor, citado por Bancroft — não em Packer:
“Visto que o espírito do homem é o centro de seu ser ético, e uma vez que a salvação é, principalmente, transação ética, segue-se que o homem precisa ser espiritualmente despertado e iluminado a fim de poder receber e apreender as coisas pertencentes a Cristo e aceitá-lo pela fé”[2].
Se a salvação é transação ética, a lei volta necessariamente ao centro, porque é ela que define a ética. Mas a Escritura não apresenta a perdição e a salvação como um balanço de conduta, e sim como duas condições decorrentes de dois nascimentos: em Adão, morte; em Cristo, vida.
Adão e Cristo, não Moisés e Cristo
A Bíblia apresenta Adão e Cristo como os personagens principais: aquele trouxe condenação, este trouxe salvação. O erro começa quando se interpreta a Bíblia através de Moisés e Cristo, isto é, através da lei e da graça.
A relação correta está no versículo seguinte: “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” (Romanos 5:18).
Adão → uma ofensa → juízo → condenação.
O último Adão → um só ato de justiça → graça → justificação de vida.
Onde fica a lei? Onde encaixar Moisés?
Moisés e a lei: testemunho, sombra e tutor
Moisés era profeta, e falou de Jesus: “E, na verdade, Moisés foi fiel em toda a sua casa, como servo, para testemunho das coisas que se haviam de anunciar” (Hebreus 3:5). Enquanto Moisés foi fiel na construção do santuário conforme o modelo que lhe foi mostrado no monte (Hebreus 8:5), Cristo, como Filho, está “sobre a sua própria casa; a qual casa somos nós” (Hebreus 3:6).
De igual modo, a lei era sombra de Cristo, dando testemunho daquele que havia de se manifestar: “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” (Hebreus 10:1; cf. Colossenses 2:16-17; Hebreus 8:5).
Ela serviu de tutor, indicando a Cristo: “De maneira que a lei nos serviu de tutor, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3:24). E, introduzida a nova aliança, a primeira envelheceu: “Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar” (Hebreus 8:13).
A lei da liberdade
Em Cristo foi estabelecida a lei da liberdade, na qual as relações humanas não se pautam por um código de regras, pois a lei não é feita para o justo, mas para os injustos (1 Timóteo 1:9): “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gálatas 5:14).
Longe está de quem professa a Cristo viver em devassidão, entregue aos desejos mundanos e profanos: “Como livres, e não tendo a liberdade por cobertura da malícia, mas como servos de Deus” (1 Pedro 2:16).
Como a lei se cumpre no amor, segue-se que a própria liberdade tem a sua medida: “Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos” (1 Coríntios 8:9). Qualquer regra ou normatização legal imposta aos servos de Cristo, porém, conduz à servidão: “Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão” (Gálatas 5:1); “Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias” (Atos 15:28).
A base do serviço cristão é mais sólida do que a lei. Paulo é claro: servi uns aos outros não por norma, mas por amor. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor” (Gálatas 5:13).
A obra à qual Tiago exorta é a obra perfeita da fé, a perseverança: “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” (Tiago 1:25); “Assim falai, e assim procedei, como devendo ser julgados pela lei da liberdade” (Tiago 2:12).
Quem atenta para o evangelho, a lei perfeita da liberdade, é bem-aventurado — ainda que seja julgado por isso, como Paulo, que não escapou de ser tido por carnal: “Rogo-vos, pois, que, quando estiver presente, não me veja obrigado a usar com confiança da ousadia que espero ter com alguns, que nos julgam, como se andássemos segundo a carne” (2 Coríntios 10:2).
Conclusão
Os que apregoam que o homem precisa guiar-se por leis morais acabam por fazer dessas normas fardos pesados, e outros as usarão para fazer dos cristãos presas suas (Colossenses 2:8).
Que regras deve o homem seguir, que não perecem pelo uso? Não toques, não proves, não manuseies? “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo” (Colossenses 2:20)?
Seria a lei da liberdade imperfeita, a ponto de precisar fazer-se acompanhar da lei? Se toda a lei se cumpre numa só palavra (Gálatas 5:14), a resposta já está dada. Primeiro a graça, depois a lei; e, em Cristo, a lei permanece como testemunho daquilo que a graça realizou.
—
[1] PACKER, J. I. Vocábulos de Deus. São José dos Campos: Editora Fiel. Original: God’s Words: Studies of Key Bible Themes. Leicester: Inter-Varsity Press, 1981, cap. “Grace”, p. 103-104, onde se lê: “In God’s economy, law was expounded first, grace afterwards”. No mesmo parágrafo, Packer apresenta o legalismo e o antinomianismo como os dois erros quanto à relação entre lei e graça, e conclui, a partir de Romanos 6:11-23, que a graça estabelece a lei.
[2] KEYSER, citado por BANCROFT, E. H. Teologia Elementar. EBR, 2001, p. 227.


Muito bom . Bem explicado. Vou aplica-lo no próximo estudo que eu der.
Graça maravilhosa de Jesus
Gostei do estudo e quero aprender mais.